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HARMONIA INTERNA: O ENFOQUE

PSICOLÓGICO

Einar Adalsteinsson
(Ex-Secretário-Geral da Sociedade Teosófica na Islândia, já falecido.)

(Artigo extraído da revista The Theosophist, de novembro de 1997. Publicado


originalmente em português na revista TheoSophia de janeiro/fevereiro/março 2000)

No espinhoso caminho para o despertar espiritual foi estabelecido que


o discípulo seja crucificado entre os pólos de duas forças opostas, como se
diz. De um lado ele tem que lutar por sua elevação nesta trilha pelos objetivos
espirituais, mas por mais que empreenda esforços muito conscientes, nunca
alcançará sua meta porque a própria meta é inacessível e está além de
qualquer esforço humano.

Por outro lado, existe a esperança da Graça Divina, o auxílio místico do


alto, além de todos os esforços -além mesmo da mais sutil esperança- aquela
que devasta as mansões da alma, quando esta se ajusta para adentrar a
psique humana. Entretanto, até que aquela efetiva varredura venha do céu,
temos que cuidar da nossa limpeza psicológica, atentando para o fato de que
a experiência mística é diferente de entrarmos em nossas humildes casas,
enquanto não tivermos limpo, pelo menos, as maiores pilhas de lixo mental e
emocional acumuladas no subconsciente durante muitas vidas. O propósito
deste artigo é tocar em determinados pontos que podem ajudar-nos nessa
limpeza interna.

Estamos falando da psique de um ser humano comum, prestes a iniciar


o caminho interno em direção à unidade mística. A maioria de nós está
embaraçada no mundo externo que, em muitos casos, parece ser totalmente
exigente. Mas todos nós temos, pelo menos, uma vaga experiência de um
outro mundo, o nosso próprio mundo interno, conquanto este seja mais
confuso sobre sua natureza e relação com o mundo externo.

Levando em consideração as esmagadoras exigências do nosso meio


ambiente com relação às nossas vidas, assim como a nossa educação, que
quase sempre está ligada aos problemas do dia-a-dia, estamos acostumados a
usar métodos do mundo material para resolver problemas do mundo interno,
com resultados questionáveis. Podemos exemplificar isto claramente quando
examinamos os problemas das pessoas hoje em dia.

Entretanto, existem pessoas -e sempre existiram- que descobriram as


regras e leis que governam o domínio interno e que aprenderam a fazer uso
desse conhecimento na transformação interna , com vistas a uma vida mais
feliz e mais plena, a uma felicidade que não acaba jamais e a uma realização
que é intocada por circunstâncias externas. Avancemos alguns passos na
direção dessa fábrica de magias da vida e vejamos se podemos aprender algo
sobre a arte de viver.

Como já mencionamos, existem leis que governam o mundo interno,


diferentes daquelas que regulam o mundo externo. Esta é a primeira
mensagem importante que captamos daqueles homens sábios.

Exemplos: para modificar o mundo externo, temos que usar energia e


força de vontade. Se tentarmos usar essa mesma força de vontade para forçar
uma mudança interna, o resultado será um conflito interno, desarmonia e
tensão.

Para instalar ordem no mundo externo são necessários: pensamento,


raciocínio, comparação e planejamento. Se usarmos os mesmos métodos no
mundo interno, o resultado será contradição, medo e desapontamento.

Poucos pensariam em aplicar amor quando estivessem construindo


uma máquina ou cavando uma vala. Os sábios nos dizem que o amor, no
mundo interno, opera milagres, e sua influência pode mesmo alcançar
longínquas galáxias.

O mundo externo é governado por leis de tempo e espaço, porque


todas as coisas são compostas e interagem entre si, dentro do tempo e do
espaço. No mundo interno não existe tempo nem espaço. Apenas uma única e
indivisível totalidade, onde os eventos acontecem espontaneamente, de
momento em momento, sem uma interação linear.

O elemento básico dessas vistas internas se encontra no enunciado da


Unidade, da realidade interna. Essa unidade manifesta-se na experiência
mística como um fato real. Mas pode-se facilmente incorporá-la à vida diária e
comprovar seu valor. Alguns podem pensar que essas idéias contêm somente
proposições infundadas, mas para mim, a visão interna da unidade é
absolutamente consoante com o raciocínio humano, conquanto a Unidade
mesma esteja fora e além de qualquer razão.

Quando chegamos aos métodos práticos para a arrumação interna,


temos de escolher um modelo de pensamento com o qual vamos trabalhar. O
modelo empregado aqui foi tomado em parte da psicologia do subconsciente,
em parte do antigo e do moderno misticismo e, também, dos ensinamentos de
místicos contemporâneos, como Krishnamurti.

Eis aqui algumas proposições desse modelo:

 A consciência é a base da realidade, bem como o elemento básico de


todos os humanos. A consciência é uma, mas se manifesta como
centros separados de egos nos indivíduos.

 A consciência opera em camadas ou campos, mostrando crescente


separatismo em relação a cada camada externa (considerando forma e
matéria). Finalmente, a consciência é uma só.
 A consciência do homem está dividida em : a) consciência de vigília; b)
estado subconsciente; e c) um estado unificado de consciência. Os
estados de vigília e subconsciente contêm sua individualidade,
incluindo o Karma .

 Todas as formas externas -o Universo manifestado em sua totalidade-


têm seus fundamentos na consciência indivisível e se manifestam, no
tempo e no espaço, através dos estados de vigília e subconsciente.

 Qualquer incidente é parte da ordem absoluta e contém um significado


universal. Não existe sorte.

 O Karma acumulado de cada pessoa está localizado no seu


subconsciente e se manifesta na consciência de vigília como eventos
externos, portanto, sujeitos às leis de tempo e espaço.

 Os mundos externo e interno são manifestações da mesma realidade.


Tudo o que existe fora existe dentro também.

 As relações interpessoais estão sempre em perfeita harmonia com os


objetivos maiores do Universo, não importa quão conflituosas possam
parecer ao mundo externo. Esta harmonia absoluta dos objetivos do
reino interno é chamada de amor no mundo externo.

O valor que essa visão interna tem, além das visões comuns da nossa
civilização atual, repousa na sua compatibilidade com o complicado padrão da
alma humana e é mais útil na arrumação da psique humana. Examinemos
mais de perto a utilização prática da visão espiritual na vida diária.

É da natureza humana dissecar o mundo em coisas e eventos ou em


espaço e tempo. De outra forma, seríamos incapazes de viver no mundo.
Espaço e tempo contêm os opostos da dualidade e, portanto, de conflito
externo. Vemos isto por toda parte na Natureza, onde há uma coisa natural e,
de fato, uma parte necessária da evolução e da própria vida, próprio da
realidade objetiva, manifestar harmonia no mundo externo, como podemos
ver na absoluta perfeição de uma rosa.

Na psique dos humanos, o conflito é como um corpo estranho. Está lá


somente porque são aplicados métodos mentais às realidades internas. A
mente produz uma ilusão de tempo e espaço internos, isto é, coisas e eventos
internos, da mesma forma que o aplica ao mundo externo e ainda os joga uns
contra os outros.

A harmonização interna vê e compreende a natureza da dualidade


externa e a unidade interna sem misturá-las. Apenas imaginar como a
consciência funciona já resultará na correção dos erros internos, porque,
então, o conflito interno acabará por si mesmo. Quando compreendemos que
a consciência que quer modificar o que somos, é a mesma consciência que se
deve modificar, sabemos que há algo errado com a atitude de mudar. A
harmonização interior, naturalmente, serve para que alguém saiba como
realmente é e, ao mesmo tempo, como é o mundo, mas antes temos que nos
livrar das ilusões mentais, isto é, confrontar, sinceramente, como somos e
como é o mundo.

É verdade que não podemos vestir tal entendimento nas roupagens de


conceitos e palavras. As mentes espiritualizadas mais elevadas sempre
tentaram dividir essa sabedoria da unidade com aqueles que estavam
dispostos a ouvir e pensar sobre o assunto.

Tudo é exatamente como deveria ser. O que parece ser uma enorme
injustiça na arena externa, torna-se compatível no interior, quando o
significado real é visto através do entendimento interno. Tal vislumbre
interno ou harmonia que, por vezes chamamos de visão interior (insight), é o
amor incondicional que nunca julga nem toma partido.

Tudo é impregnado de significado ou propósito e, no mais íntimo


centro do Universo, este significado é um e o mesmo para todas as coisas e
para todos os incidentes. A meta de todo empenho espiritual é aproximar-se
da Verdade Una, inata neste Universo maravilhoso, discernir o significado
único que se manifesta em cada parte sua e seguir o progresso da criação
com o Criador.

Os problemas são, essencialmente, apenas desacordos mentais


internos. Eles são o resultado dos nossos desejos de que as coisas sejam
diferentes do que, em verdade, são. Todos os problemas podem ser resolvidos
pela modificação da nossa atitude em relação a eles, aceitando as coisas
como elas são. Desta forma, os problemas tornam-se tarefas, carregadas de
significado ou propósito. A percepção do significado inerente dos eventos e a
aceitação interna sempre são simultâneas. Reconciliar-se com a vida é
compreende-la e compreender a vida é estar contente com ela. Amor e
compreensão, sempre andam de mãos dadas porque, em verdade, eles são a
mesma coisa.

A maioria dos problemas tem sua origem nos relacionamentos


humanos. Por esta razão é muito útil que se examine a fundo os complicados
processos das relações humanas. Da mesma forma que a determinação ou a
força não tem a mínima utilidade nos reinos internos da consciência, nos
relacionamentos humanos elas atuam com toda a propriedade. Aqui os
problemas são um pouco mais complicados, tendo em vista que precisamos
discernir entre a harmonia interna e a rendição ou o perdão externos. Reagir
à vontade dos outros não é uma demonstração de boa vontade mas de
estupidez. A única marca dos feitos de alguém é a sua própria compreensão
do amor, porque este estado o faz abster-se de julgar as ações alheias; isto
acontece apenas quando existem compreensão e compaixão profundas e
internas.

O primeiro princípio básico do relacionamento é a absoluta


sacralização da auto determinação. Jamais deveríamos controlar uma outra
pessoa e nunca render-nos às tentativas de alguém que nos queira controlar.
Esta sugestão não é facilmente aceita porque atinge inúmeros setores do
relacionamento humano. Vamos, então, examinar o complexo de propriedade.
Possuir é uma escravidão dupla. Primeiro, existe a tendência a reter
ou manipular a propriedade e, segundo, o proprietário é manipulado ou
possuído pela propriedade e, portanto, não é livre. Possuir uma outra pessoa
é, desta forma, uma violência em relação à vítima e em relação a si próprio.
Esta propriedade assume diferentes máscaras que vão desde o estado
máximo de estar enamorado com sua necessidade inata de concordar e servir,
até a maior tirania.

No campo da manipulação existem variedades infinitas que,


normalmente, navegam sob uma falsa bandeira. Poder-se-ia aqui citar
inúmeras tendências como a pregação da mensagens especiais, de doutrinas
e dogmas religiosos, assim como a moderna epidemia de presentear, e todo o
alvoroço em torno da caridade, que geralmente está direcionada ao próprio
sujeito e, até mesmo, sem a aquiescência do objeto. Pode-se mencionar,
também, invejas e ciúmes, que são apenas sintomas de grande
possessividade e agressividade. A coisa mais importante a conscientizar é que
a possessividade é uma atitude mental não um ato e, portanto, de difícil
julgamento no mundo externo.

Dar é ganhar -tomar é perder. Aqui estamos falando de valores


internos, mas é bom saber que o que está dentro, cedo ou tarde será refletido
fora. Generosidade interna trará prosperidade externa e, conseqüentemente,
avareza trará, certamente, carência e pobreza.

A excessiva atitude de propriedade precisa que se examine. Possuir


significa domínio ou controle, que é, de fato, uma parte normal e honesta das
relações humanas na vida do dia-a-dia. É normal que cada pessoa controle
seu próprio corpo, objetos pessoais, etc. É, também, normal, que alguém seja
escolhido para um cargo de chefia no trabalho, para administrar uma
empresa, uma organização ou ser eleito para um cargo político. Em todos
esses casos, a chave está na atitude posterior daquele que foi escolhido. É
que há um senso de responsabilidade ou uma tendência à dominação? Aquele
que se sente como responsável pelas propriedades de alguém, seja de Deus,
da Natureza ou da Humanidade, este alcança a proximidade da liberdade. No
lugar da possessividade há um sentimento de responsabilidade. O que não
deve haver é o sentimento de estar carregando um peso: aquele do
cumprimento de obrigações. Porque se houver, ainda existe o peso da
possessividade; isto deve ser devidamente reconhecido.

Fé incondicional na vida é a chave para a liberdade. Confiar em Deus é


a sinal de um homem verdadeiramente religioso, não baseado em crenças ou
necessitando ser convencido. Este último vive na ilusão da convicção cega,
enquanto o verdadeiro crente estará sempre receptivo a tudo o que encontra
na vida, sem preconceitos ou expectativas. Encontrará pessoas e eventos sem
temor, mas totalmente atento e pronto para reagir no momento exato. Confiar
é viajar sem medo no mar tempestuoso da vida.

Libertar-se do ego é a única forma de vivenciar a real liberdade. Não


existe liberdade externa, no sentido comum da palavra, mas liberdade
interna, que significa ser totalmente independente das condições internas e
externas e que resultará na liberdade externa. Toda dependência, tanto
interna quanto externa é devida a condicionamentos internos. Você tem
direito a bem poucas escolhas na arena da vida diária, mas você sempre
poderá escolher como vai viver os incidentes da vida de momento em
momento. Todas as reações que se originam no passado são limitadas e
dependentes, mas se você enfrenta todos os eventos com atenção plena e boa
vontade, algo novo e criativo acontece e isto corrige todas as ações.

A libertação do Karma não ocorre pela substituição do mau pelo bom


Karma, mas pela queima de todo Karma no fogo da compreensão e do amor. A
isto podemos chamar harmonia interna.

Nada queima no inferno, com exceção da obstinação!

Theologia Germanica.

FIM