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Entrevista Nancy Viegas (Nancyta).

Novembro 2008

Em 1991 eu participei de um programa, eu tinha uma banda chamada CRAC, e eu participei de


um programa em São Paulo na Rádio Gazeta que chamava Anti-Rádio. Que era apresentado
pelos irmãos Paulo e Arrigo Barnabé. E aí a gente chegou no programa e começou a falar sobre
música aleatória, sobre John Cage e em determinado momento ele perguntou: e aí, o Smetak?
Aí a gente Smetak??!! Aí eu voltei pra Salvador e conheci o trabalho do Smetak.

Quando a gente chegou aqui em Salvador eu e o pessoal da banda, a gente começou a


pesquisar os instrumentos, os textos, a gente foi atrás da informação que ele tinha. E como a
gente tinha um saxofonista na banda ficou muito fácil uma aproximação entre o piston cretino
do Smetak e o sax cretino, que foi um instrumento que a gente adaptou. E aí assim nasceu o
sax cretino e a gente se aproximou do piston cretino, por ser um instrumento de sopro e por
agente ter um instrumentista de sopro na banda.

(Sobre o convite para tocar os instrumentos do Smetak)

Bom, na verdade o convite partiu da Bárbara Smetak, a gente conheceu ela, e a gente
conheceu o Tuzé também em um Festival chamado “canta nordeste” em que a gente apareceu
tocando o sax cretino, e o Tuzé ficou super interessado, e a gente já havia conhecido o Uibitu
também. E a Bárbara a gente tinha um contato bacana com ela porque a gente sempre limpava
os instrumentos, quando houve a mudança de uma sala pra outra ela ligou pra mim e eu fui
com o meu pessoal pra ajudar, e aí a gente, com esse contato a amizade foi crescendo também,
quando teve a primeira homenagem de 15 anos de morte dele, se não me engano, ela me
chamou pra tocar esses instrumentos e eu fui a primeira pessoa que não fui aluna dele a tocar
esses instrumentos com os alunos.

Bom, eu percebo uma influência do Smetak na medida em que eu assumo o microtom como
um instrumento a mais. Eu não ignoro a presença do microtom. E eu vejo a influência da
música dele também na influência dos meus companheiros. As pessoas que junto comigo
descobriram isso. Que é o André Borges, saxofonista, o Ney Mustafa, que é baixista, o Ed Brás
Ferreira, que toca sopros e canta também, e é compositor.

Eu acho que o Smetak deixou um legado que ainda não foi descoberto por completo. Ele tem
uma ressonância nos pesquisadores, nos músicos, principalmente os que tem uma visão que
vai além dessa questão da música como ela é tonal, como ela é modal. Então ele tem uma
ressonância em cima disso. Mas eu acho que o realmente ele deixou ainda está para ser
descoberto.
Eu acho que a música do Smetak pede um novo tipo de escuta e um novo tipo de olhar. Porque
tudo o que ele fez foi muito baseado na Sociedade Brasileira de Eubiose, que é uma sociedade
que ele fez parte e que ele relacionou muito a música dele, a sonoridade, os nomes, os
instrumentos, os conceitos, com os conceitos dessa evolução espiritual que ele queria. Então
eu acredito que esse novo tipo de escuta ele não existe. Porque a música que ele fazia era uma
música feita desde o início do século passado, o Stockhausen fazia isso, o John Cage fazia, esse
tipo de música microtonal, eu acho que na verdade o que Smetak fez foi além da questão
musical. Ele foi pra questão plástica e pra questão espiritual também. Então, por isso, não seria
um novo tipo de escuta, mas sim um olhar diferente em cima do trabalho dele.

No início dos anos 90 eu era uma adolescente, e como todo adolescente tive uma banda de
rock. Só que não era uma banda de rock convencional, era uma banda de rock que tinha rock,
tinha jazz, tinha música brasileira e tinha música atonal. Então a CRAC , que foi essa banda, ela
surgiu da idéia minha e de outros companheiros meus, de colocar esses outros elementos com
o rock and roll. Então dentro da CRAC a gente tinha uma dinâmica de trabalhar o microtom
dentro da música pop. Então pra poder sair dessa coisa da música pop a gente criou o Conjunto
de Cretinos, que era um grupo só de instrumentos de sopro, inspirado nos instrumentos de
sopro do Smetak, que o Smetak chamava de instrumentos não nobres. Então tinha o Piston
Cretino, que a gente adaptou e fez o sax cretino, e tinham os Borés, que são instrumentos de
sopro também, é sempre um cano e uma cabaça na ponta. E como a gente tinha todo um
conceito urbano a gente substituiu a cabaça por garrafas plásticas.

O conjunto de cretinos era um grupo que era mais conceitual, que fazia performances e que
tinha uma trilha menos linear, mais minimalista mesmo.

A gente teve duas intervenções que forma interessantes, uma delas foi na abertura da Yoko
Ono aqui em Salvador, no início dos anos 90. E outra foi um vídeo chamado Superpop que
falava da superpopulação que tinha trilha e uma performance desse grupo. E depois o
Conjunto de Cretinos acabou, a CRAC ainda continuou, e agente resolveu montar o Broco de
Microtons que era uma brincadeira com aquela coisa do Bloco de carnaval e tocava com esses
instrumentos músicas do Sepultura, do Michael Jackson, Miles Davis, tinha um conceito mais
divertido... acaba que os instrumentos tinham um onda meio temperada, não era tão
microtonal, apesar do microtom, a gente tentava chegar na melodia, então a gente utilizava
também esses instrumentos de uma maneira semi-temperada.