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Clipping ABIN do Dia 17/07/2017

Sumário
█ Seção Extraordinária ............................................................................................................. 2
Facebook, Microsoft, Twitter e YouTube lançam grupo de combate ao terrorismo ............... 2
Este artigo tem comentário de professor! ............................................................................... 2
Qual a importância de Mossul no combate ao Estado Islâmico ............................................... 3
Este artigo tem comentário de professor! ............................................................................... 3
A ONU e o terrorismo................................................................................................................ 5
█ Meio Ambiente ..................................................................................................................... 7
Investir no meio ambiente é uma oportunidade competitiva para o Brasil ............................. 7
█ Terrorismo ............................................................................................................................ 9
A ONU e o terrorismo................................................................................................................ 9
█ Direito Internacional........................................................................................................... 11
Conferência da ONU aprova tratado sobre a proibição de armas nucleares ......................... 11
█ Infraestrutura e Logística.................................................................................................... 14
Em busca da última fronteira econômica da Terra: a região Ártica........................................ 14
█ Seção Extraordinária

Facebook, Microsoft, Twitter e YouTube lançam grupo


de combate ao terrorismo
por: Agência Brasil - Últimas notícias do Brasil e do mundo - leia na íntegra

Este artigo tem comentário de professor!

As empresas de tecnologia da informação Facebook, Microsoft,


Twitter e YouTube anunciaram nesta segunda-feira (26) que
formaram um grupo para combater o terrorismo através de um
trabalho conjunto, da promoção de pesquisas e da colaboração com
outras organizações e instituições. A informação é da agência EFE.
A coalizão empresarial, chamada Fórum Global da Internet para Combater o Terrorismo
(Global Internet Forum to Counter Terrorism), ajudará a transformar as quatro empresas em
espaços "hostis aos terroristas e aos extremistas violentos", afirmaram fontes do Twitter e do
YouTube em diferentes comunicados postados em seus blogs corporativos.

O novo grupo desenvolverá seu trabalho a partir de iniciativas como o Fórum Europeu de
Internet ou a base de dados compartilhada de "hashes" (impressões digitais específicas de
cada arquivo) que seus integrantes desenvolveram em dezembro do ano passado.

"A propagação do terrorismo e do extremismo violento é um problema global e um desafio


crucial para todos nós", indicou o fórum, que ressaltou que as suas "políticas e práticas de
eliminação" de conteúdos extremistas mostram "posturas firmes".

Maior impacto

"Acreditemos que trabalhando lado a lado e compartilhando os melhores elementos


tecnológicos e operacionais dos nossos esforços individuais, podemos ter um maior impacto
sobre a ameaça do conteúdo terrorista na rede", declararam.

Ainda que o campo de ação do Fórum Global possa variar em função das sempre "mutáveis
táticas de terrorismo e extremismo", o mesmo se centrará essencialmente em fornecer
soluções tecnológicas, promover a pesquisa e compartilhar conhecimentos sobre o assunto.

As empresas planejam trocar experiências, desenvolver técnicas de detecção e classificação de


conteúdos sensíveis e definir métodos de aviso transparente para sua eliminação. A
investigação que a coalizão de empresas promoverá tem por objetivo nutrir as iniciativas
destinadas a restringir discursos terroristas ou extremistas, bem como dar fundo às decisões
técnicas ou de políticas que girem em torno da eliminação desses conteúdos.

O grupo compartilhará informação com especialistas em contraterrorismo, e também com


governos, grupos civis, instituições acadêmicas e empresas, para "aprender lado a lado sobre o
assunto". Neste sentido, estabelecerá uma rede de intercâmbio de colaboração com o
Escritório de Contraterrorismo do Conselho de Segurança da ONU e da iniciativa ICT4Peace
[ONG voltada para a proteção da dignidade humana através da Tecnologia da Informação e
Comunicação – ICT].

Junto a estas duas organizações, o Fórum Global da Internet para Combater o Terrorismo
anunciou que promoverá uma série de oficinas de aprendizagem no Vale do Silício (EUA) e
outros locais.

As quatro empresas líderes da internet aproveitarão também suas iniciativas existentes


destinadas a combater os discursos de ódio na rede mundial para "empoderar e formar
organizações civis ou indivíduos que possam dedicar-se a um trabalho similar".

Qual a importância de Mossul no combate ao Estado


Islâmico
por: Nexo Jornal - leia na íntegra

Este artigo tem comentário de professor!

Qual a importância de Mossul no combate ao Estado Islâmico

Matheus Pimentel

Jul 2017
Após três anos, forças iraquianas dizem ter retomado controle da segunda maior cidade do
país.

A viagem da maior autoridade do país a um cenário de guerra tinha um único propósito:


anunciar oficialmente a vitória sobre o Estado Islâmico na cidade. O pronunciamento foi feito
no dia seguinte. “Daqui eu anuncio o fim, o fracasso e o colapso do falso Estado terrorista e do
terrorismo que o Estado Islâmico proclamou de Mossul”, declarou Abadi, acompanhado de
dezenas de líderes militares. Apesar das palavras superlativas do primeiro-ministro, Mossul
não está completamente livre do Estado Islâmico.

No oeste da cidade, combatentes do grupo ainda resistem aos militares iraquianos, em uma
batalha que coloca a vida de civis em risco. As forças de segurança, contudo, detêm o controle
de quase todo o território. A investida contra o Estado Islâmico em Mossul teve início em
outubro de 2016. As forças iraquianas tiveram apoio de combatentes curdos (peshmerga), de
milícias sunitas e de bombardeios aéreos feitos por uma coalizão liderada pelos Estados
Unidos.

Mossul: símbolo do Estado Islâmico

Com cerca de 1,8 milhão de habitantes antes da guerra, Mossul é a segunda maior cidade do
país, atrás apenas da capital Bagdá, e, até a vitória iraquiana, era a maior cidade sob o domínio
do Estado Islâmico no Oriente Médio. Em junho de 2014, Abu Bakr al-Baghdadi, líder do grupo
extremista, declarou, em Mossul, a criação de um califado (império teocrático islâmico e
expansionista governado por uma autoridade religiosa, o califa). No território seria aplicada a
sharia, interpretação mais radical das leis islâmicas. O anúncio foi feito na maior mesquita da
cidade. Foi uma das poucas aparições públicas de Baghdadi. Em junho de 2017, o próprio
Estado Islâmico destruiu a Grande Mesquita de al-Nuri, que datava do século 12. Perder o
controle da cidade e destruir a mesquita de onde se anunciou o califado representam grandes
derrotas simbólicas para o Estado Islâmico, que já está em um momento de enfraquecimento.
900 mil pessoas foram obrigadas a se deslocar das suas casas em Mossul, durante a luta pela
retomada, para outros locais da cidade ou fora dela No período de luta pela retomada de
Mossul, a ONU (Organização das Nações Unidas) chegou a registrar uma média de quase 4.000
pessoas fugindo dos focos de combate na cidade a cada dia.

Grupo se encolhe, mas está longe de ruir

O Estado Islâmico se formou no início dos anos 2000 no Iraque, no contexto da invasão
americana ao Afeganistão e ao Iraque, como resposta ao atentado de 11 de setembro de 2001.
No início, era um braço da rede terrorista al-Qaeda, de Osama bin Laden. Com o intuito de
criar um império islâmico internacional com aplicação rígida de dogmas religiosos, expandiu
suas operações para a Síria, que está em guerra civil desde 2011 — cenário de instabilidade
que favoreceu a penetração dos extremistas. Hoje, o grupo vive um período de
enfraquecimento, com o encolhimento dos seus territórios. O principal fator que freou sua
expansão foi a entrada da Rússia e dos EUA no conflito sírio. As duas potências militares detêm
grandes forças de inteligência e arsenais bélicos capazes de combater o poderio dos
extremistas. Ainda em maio, antes da retomada de Mossul, o tenente-general americano
Vincent Stewart declarou que, àquela altura, o Estado Islâmico já havia perdido 60% do
território que controlou no Iraque e 45% na Síria, em relação ao auge do grupo, em 2014. Essa
tendência prossegue.

O que ainda está nas mãos do Estado Islâmico


Apesar da derrota em Mossul, o Estado Islâmico segue dominando a cidade síria de Raqqa, que
considera como a sua capital. Em junho, teve início uma investida militar de forças sírias, com
apoio de bombardeios aéreos liderados pelos EUA. A batalha pode durar meses ou mesmo
anos. Mesmo com o encolhimento, o grupo diz ser responsável por diversos ataques
terroristas pelo mundo que matam dezenas de pessoas por vez. É comum que alguns
atentados, mesmo que não tenham a participação direta do grupo, sejam motivados pelos
ideais do Estado Islâmico em civis de diversos países, que então agem por conta própria. Essa
influência “invisível” é uma das principais armas do grupo, o que torna incerto se as derrotas
militares no campo de batalha irão minar o ímpeto do Estado Islâmico no Oriente Médio e no
resto do mundo.

Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/07/13/Qual-a-


import%C3%A2ncia-de-Mossul-no-combate-ao-Estado-Isl%C3%A2mico

A ONU e o terrorismo
por: ONU Brasil - leia na íntegra

Nos anos 90, o fim da Guerra Fria levou a um novo ambiente de


segurança global, marcado pelo maior foco nas guerras internas do
que nas guerras entre Estados. No início do século XXI surgiram
novas ameaças globais. Os ataques de 11 de setembro nos Estados
Unidos foram uma clara demonstração do desafio do terrorismo
internacional, enquanto eventos posteriores aumentaram a
preocupação com a proliferação de armas nucleares e os perigos de
outras armas não convencionais.
As organizações do Sistema das Nações Unidas mobilizaram-se rapidamente em suas
respectivas esferas para intensificar a luta contra o terrorismo. Em 28 de setembro o Conselho
de Segurança adotou a Resolução 1373, nos termos de aplicação da Carta da ONU, para
impedir o financiamento do terrorismo, criminalizar a coleta de fundos para este fim e
congelar imediatamente os bens financeiros dos terroristas. Ele também estabeleceu um
Comitê Antiterrorismo para supervisionar a implementação da resolução.

Os trágicos acontecimentos de 11 de setembro também revelaram o perigo potencial das


armas de destruição em massa nas mãos de agentes não-estatais. O ataque poderia ter sido
ainda mais devastador se os terroristas tivessem acesso a armas químicas, biológicas e
nucleares. Refletindo estas preocupações, a Assembleia Geral adotou, em 2002, a Resolução
57/83, primeiro texto contendo medidas para impedir terroristas de conseguirem tais armas e
seus meios de lançamento.

Em 2004, o Conselho de Segurança tomou sua primeira decisão formal sobre o perigo da
proliferação de armas de destruição em massa, especialmente para os atores não-estatais.
Agindo de acordo com as disposições da Carta, o Conselho adotou por unanimidade a
Resolução 1540, obrigando os Estados a interromperem qualquer apoio a agente não-estatais
para o desenvolvimento, aquisição, produção, posse, transporte, transferência ou uso de
armas nucleares, biológicas e químicas e seus meios de entrega. Posteriormente, a Assembleia
adotou a Convenção Internacional para a Supressão de Atos de Terrorismo Nuclear, aberta
para assinatura em 2005.

O Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), localizado em Viena (Áustria),
conduz o esforço internacional para combater o tráfico de drogas, o crime organizado e o
terrorismo internacional. Ele analisa novas tendências da criminalidade e da justiça,
desenvolve bancos de dados, divulga pesquisas globais, reúne e divulga informações, faz
avaliações sobre as necessidades específicas de cada país e medidas de alerta sobre, por
exemplo, o aumento do terrorismo.

Em 2002, o UNODC lançou seu Projeto Global contra o Terrorismo com a provisão de
assistência técnica e jurídica aos países para tornarem-se parte e implementarem os 12
instrumentos contra o terrorismo. Em janeiro de 2003, o UNODC expandiu suas atividades de
cooperação técnica para fortalecer o regime legal contra o terrorismo, prestando assistência
técnica e jurídica para os países em tornar-se parte e implementarem os instrumentos
universais antiterrorismo.

Na esfera jurídica, a ONU e seus órgãos – como a Organização da Aviação Civil Internacional
(ICAO), a Organização Marítima Internacional (IMO) e a Agência Internacional de Energia
Atômica (AIEA) – desenvolveram uma rede de acordos internacionais que constituem os
instrumentos básicos legais contra o terrorismo.

Estes instrumentos incluem convenções sobre crimes cometidos a bordo de aeronaves;


apoderamento ilícito de aeronaves; atos contra a segurança de civis; crimes contra pessoas
protegidas internacionalmente, incluindo diplomáticos; proteção física dos materiais
nucleares; e a marcação de explosivos plásticos para fins de detecção. Além disso, eles incluem
protocolos sobre atos de violência em aeroportos da aviação civil internacional, e sobre os atos
contra a segurança de plataformas fixas localizadas no continente.

A Assembleia Geral também concluiu as cinco convenções seguintes: Convenção Internacional


contra a Tomada de Reféns; Convenção sobre a Segurança das Nações Unidas e Pessoal
Associado; Convenção Internacional para a Supressão de Atentados Terroristas; Convenção
Internacional para a Supressão do Financiamento do Terrorismo; e a Convenção Internacional
para a Supressão de Atos de Terrorismo Nuclear.

Infelizmente, grandes ataques terroristas continuaram após o 11 de setembro – incluindo


ataques à sede da ONU em Bagdá (agosto de 2003); em quatro trens em Madrid (março de
2004); num escritório e em apartamentos em Al-Khobar, na Arábia Saudita (maio 2004); no
metrô de Londres (julho de 2005); numa zona litorânea e num centro comercial em Bali
(outubro de 2005); em vários locais de Mumbai (novembro 2008); nos hotéis Marriott e Ritz-
Carlton em Jacarta (julho 2009), e no metrô de Moscou (março 2010), para citar apenas
alguns.

Como parte do esforço internacional para conter esta onda mortal, a Assembleia Geral adotou
por unanimidade e lançou, em 2006, a Estratégia Antiterrorista Global da ONU. Baseada na
convicção fundamental de que o terrorismo, em todas as suas formas, é inaceitável e não pode
nunca ser justificado, a Estratégia define uma série de medidas específicas para combater o
terrorismo em todas suas vertentes, em nível nacional, regional e internacional.
Atos criminosos pretendidos ou calculados para provocar um estado de terror no público em
geral, num grupo de pessoas ou em indivíduos para fins políticos são injustificáveis em
qualquer circunstância, independentemente das considerações de ordem política, filosófica,
ideológica, racial, étnica, religiosa ou de qualquer outra natureza que possam ser invocadas
para justificá-los.

— Declaração sobre Medidas para Eliminar o Terrorismo Internacional

(Resolução 49/60 da Assembleia Geral, para. 3)

Outros links relacionados, clique aqui.

█ Meio Ambiente

Investir no meio ambiente é uma oportunidade


competitiva para o Brasil
por: revistaepoca.globo.com - leia na íntegra

NO LIMITE
Área para plantio de soja e a floresta em Mato Grosso. Produtores atrasados ainda veem
preservação ambiental como um problema (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)
Para o Brasil escapar da armadilha da renda média – a situação em que um país deixa de ser
pobre, mas nunca chega a se tornar desenvolvido –, o fundamental é valorizar o
conhecimento, a educação e a construção de instituições que elevem a qualidade da
democracia brasileira. Mas isso leva duas ou três gerações. A História, contudo, em sua
complexidade e contingência, ofereceu-nos um presente, um atalho até atingirmos esses
objetivos. Trata-se do significado do desenvolvimento sustentável e da transição de uma
civilização baseada em combustíveis fósseis e processos produtivos que aquecem o planeta
para uma outra, baseada numa economia tecnicamente conhecida como de baixo carbono. E
das implicações dessa transição para a macroeconomia global e a competitividade da
economia brasileira. O paradoxo é que, para colhermos essa bênção, precisamos de
conhecimento.

Esse ainda é escasso. Ainda que muitos empresários, intelectuais, ativistas e mesmo
autoridades (não só o ministro do Meio Ambiente, mas autoridades econômicas deste governo
e do anterior) tenham compreensão da transição revolucionária que inevitavelmente ocorrerá
nas próximas décadas, a grande maioria dos tomadores de decisão ainda pensa no tema como
“problemas do meio ambiente” – ou nem isso. Ignorância grave.

Não fosse a firme resistência de muitas organizações da sociedade civil e do Ministério do


Meio Ambiente, setores corporativistas do Congresso e do ruralismo atrasado (em
contraposição à opinião pública e ao empresariado sintonizado com o século XXI)
conseguiriam impor uma agenda e marcha à ré. Ela inclui os seguintes retrocessos:

* no licenciamento ambiental, a transferência de atribuições do Ibama, federal, para os


estados (nada contra o federalismo, mas imagine a situação nos territórios institucionalmente
menos avançados);

* na delimitação de terras indígenas, a transferência da responsabilidade do Executivo para o


Congresso, uma garantia de que terras indígenas dificilmente seriam demarcadas segundo
critérios técnicos (sendo os povos nativos os que melhor protegem nossas florestas);

* na definição de áreas protegidas, a redução de parques nacionais e partes fundamentais da


Bacia Amazônica. As tentativas, nos últimos meses, eram de subtrair 1,1 milhão de hectares de
proteção no território nacional. Felizmente, foram vetadas pela Presidência da República, em
conformidade com a recomendação do ministro do Meio Ambiente. Uma proposta de redução
muito menor deve voltar sob a forma de Projeto de Lei, mas é importante que não contrarie as
recomendações técnicas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
(ICMbio), órgão federal responsável por propor e monitorar áreas de conservação.

Permitir o avanço de propostas assim significa fabricar subdesenvolvimento em nome de


visões da economia completamente anacrônicas. A questão não é “salvar” a natureza ou o
planeta. Nosso tempo e o da natureza diferem dramaticamente. Estamos fazendo um imenso
mal ao meio ambiente e a nós mesmos, mas somos impotentes para causar qualquer dano à
natureza do planeta nos milhões de anos em que ela conta o tempo. A questão é que acabou o
tempo de acreditar no “almoço grátis” – a ideia de que podemos consumir o capital natural e
sair ganhando. Se o planeta fosse dez vezes maior ou a população fosse de um décimo, talvez
o “almoço grátis” durasse mais várias décadas. Mas acabou agora.

Uma revolução terá de ser feita nas próximas duas ou três décadas, em especial a transição
para a economia de baixo consumo de carbono, única forma de evitar um péssimo negócio e
uma gigantesca tragédia – o aumento da temperatura média do planeta em mais de 2 graus
célsius até 2100 e as consequentes e gigantescas mudanças climáticas, principalmente para os
mais vulneráveis, os mais pobres, centenas de milhões em todo o mundo.

O Acordo de Paris importa muito politicamente, mas é ineficaz operacionalmente. Em uma


economia de mercado global, a única forma de agir com a necessária eficiência e rapidez é
fazer com que os preços enviem o sinal correto ao mercado, ou seja, que a emissão de gases
que aquecem o planeta seja precificada. Tem de ficar claro qual é o custo de poluir.

Isso vai acontecer, embora ainda não saibamos com precisão quando e como, porque o custo
alternativo é incrivelmente excessivo. E também porque não há como superar os efeitos da
crise global de 2008 por meio da única forma sólida possível – a retomada dos investimentos –
enquanto prevalecer a incerteza sobre os preços relativos do futuro.

O Brasil é, possivelmente, a única economia do mundo que, ocorrendo a transição para o baixo
carbono, se tornará muito mais competitiva. Se souber aproveitar a oportunidade.

Podemos ter a matriz energética mais limpa do mundo a menor custo do que qualquer outro
país grande. Nossa infraestrutura é lamentável, o que aumenta muito o custo Brasil. Temos de
modernizá-la. Por que já não o fazer com o conceito de baixo carbono, se é sabido que isso
significará mais competitividade no futuro?

Não seremos os campeões globais da tecnologia em energia solar e eólica, embora seja certo
que usaremos intensamente ambas as fontes. Mas podemos ser os campeões mundiais do uso
de biomassa com alta tecnologia.

Temos a maior biblioteca genética do mundo – o reservatório genômico da maior


biodiversidade do planeta. Por que não podemos investir muito em biotecnologia? Ainda
falamos em engenharia genética, enquanto o mundo avança na direção da biologia sintética,
nova área de pesquisa que combina biologia e engenharia, a fim de projetar e construir novas
funções e sistemas biológicos.

Em um modelo de agronegócio completamente diferente do atual, seríamos um de


pouquíssimos países aptos a ofertar alimentos para o mundo com baixo carbono e com
conservação, ou até aumento, da biodiversidade. Essas medidas têm o potencial de causar um
grande impacto positivo na imagem internacional do Brasil. Mais que isso: sendo seguramente
o desenvolvimento sustentável um dos itens fundamentais e permanentes da agenda do
mundo nas próximas décadas, temos a nosso alcance uma formidável ferramenta de projeção
de nossa influência no mundo, nosso soft power, capaz de nos transformar em potência
global.

█ Terrorismo

A ONU e o terrorismo
por: ONU Brasil - leia na íntegra

Nos anos 90, o fim da Guerra Fria levou a um novo ambiente de


segurança global, marcado pelo maior foco nas guerras internas do
que nas guerras entre Estados. No início do século XXI surgiram
novas ameaças globais. Os ataques de 11 de setembro nos Estados
Unidos foram uma clara demonstração do desafio do terrorismo
internacional, enquanto eventos posteriores aumentaram a
preocupação com a proliferação de armas nucleares e os perigos de
outras armas não convencionais.
As organizações do Sistema das Nações Unidas mobilizaram-se rapidamente em suas
respectivas esferas para intensificar a luta contra o terrorismo. Em 28 de setembro o Conselho
de Segurança adotou a Resolução 1373, nos termos de aplicação da Carta da ONU, para
impedir o financiamento do terrorismo, criminalizar a coleta de fundos para este fim e
congelar imediatamente os bens financeiros dos terroristas. Ele também estabeleceu um
Comitê Antiterrorismo para supervisionar a implementação da resolução.

Os trágicos acontecimentos de 11 de setembro também revelaram o perigo potencial das


armas de destruição em massa nas mãos de agentes não-estatais. O ataque poderia ter sido
ainda mais devastador se os terroristas tivessem acesso a armas químicas, biológicas e
nucleares. Refletindo estas preocupações, a Assembleia Geral adotou, em 2002, a Resolução
57/83, primeiro texto contendo medidas para impedir terroristas de conseguirem tais armas e
seus meios de lançamento.

Em 2004, o Conselho de Segurança tomou sua primeira decisão formal sobre o perigo da
proliferação de armas de destruição em massa, especialmente para os atores não-estatais.
Agindo de acordo com as disposições da Carta, o Conselho adotou por unanimidade a
Resolução 1540, obrigando os Estados a interromperem qualquer apoio a agente não-estatais
para o desenvolvimento, aquisição, produção, posse, transporte, transferência ou uso de
armas nucleares, biológicas e químicas e seus meios de entrega. Posteriormente, a Assembleia
adotou a Convenção Internacional para a Supressão de Atos de Terrorismo Nuclear, aberta
para assinatura em 2005.

O Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), localizado em Viena (Áustria),
conduz o esforço internacional para combater o tráfico de drogas, o crime organizado e o
terrorismo internacional. Ele analisa novas tendências da criminalidade e da justiça,
desenvolve bancos de dados, divulga pesquisas globais, reúne e divulga informações, faz
avaliações sobre as necessidades específicas de cada país e medidas de alerta sobre, por
exemplo, o aumento do terrorismo.

Em 2002, o UNODC lançou seu Projeto Global contra o Terrorismo com a provisão de
assistência técnica e jurídica aos países para tornarem-se parte e implementarem os 12
instrumentos contra o terrorismo. Em janeiro de 2003, o UNODC expandiu suas atividades de
cooperação técnica para fortalecer o regime legal contra o terrorismo, prestando assistência
técnica e jurídica para os países em tornar-se parte e implementarem os instrumentos
universais antiterrorismo.

Na esfera jurídica, a ONU e seus órgãos – como a Organização da Aviação Civil Internacional
(ICAO), a Organização Marítima Internacional (IMO) e a Agência Internacional de Energia
Atômica (AIEA) – desenvolveram uma rede de acordos internacionais que constituem os
instrumentos básicos legais contra o terrorismo.

Estes instrumentos incluem convenções sobre crimes cometidos a bordo de aeronaves;


apoderamento ilícito de aeronaves; atos contra a segurança de civis; crimes contra pessoas
protegidas internacionalmente, incluindo diplomáticos; proteção física dos materiais
nucleares; e a marcação de explosivos plásticos para fins de detecção. Além disso, eles incluem
protocolos sobre atos de violência em aeroportos da aviação civil internacional, e sobre os atos
contra a segurança de plataformas fixas localizadas no continente.

A Assembleia Geral também concluiu as cinco convenções seguintes: Convenção Internacional


contra a Tomada de Reféns; Convenção sobre a Segurança das Nações Unidas e Pessoal
Associado; Convenção Internacional para a Supressão de Atentados Terroristas; Convenção
Internacional para a Supressão do Financiamento do Terrorismo; e a Convenção Internacional
para a Supressão de Atos de Terrorismo Nuclear.

Infelizmente, grandes ataques terroristas continuaram após o 11 de setembro – incluindo


ataques à sede da ONU em Bagdá (agosto de 2003); em quatro trens em Madrid (março de
2004); num escritório e em apartamentos em Al-Khobar, na Arábia Saudita (maio 2004); no
metrô de Londres (julho de 2005); numa zona litorânea e num centro comercial em Bali
(outubro de 2005); em vários locais de Mumbai (novembro 2008); nos hotéis Marriott e Ritz-
Carlton em Jacarta (julho 2009), e no metrô de Moscou (março 2010), para citar apenas
alguns.

Como parte do esforço internacional para conter esta onda mortal, a Assembleia Geral adotou
por unanimidade e lançou, em 2006, a Estratégia Antiterrorista Global da ONU. Baseada na
convicção fundamental de que o terrorismo, em todas as suas formas, é inaceitável e não pode
nunca ser justificado, a Estratégia define uma série de medidas específicas para combater o
terrorismo em todas suas vertentes, em nível nacional, regional e internacional.

Atos criminosos pretendidos ou calculados para provocar um estado de terror no público em


geral, num grupo de pessoas ou em indivíduos para fins políticos são injustificáveis em
qualquer circunstância, independentemente das considerações de ordem política, filosófica,
ideológica, racial, étnica, religiosa ou de qualquer outra natureza que possam ser invocadas
para justificá-los.

— Declaração sobre Medidas para Eliminar o Terrorismo Internacional

(Resolução 49/60 da Assembleia Geral, para. 3)

Outros links relacionados, clique aqui.

█ Direito Internacional

Conferência da ONU aprova tratado sobre a proibição


de armas nucleares
por: ONU Brasil - leia na íntegra
Países que se reuniram em uma conferência das Nações Unidas em
Nova Iorque adotaram na sexta-feira (7) um tratado para a proibição
de armas nucleares, o primeiro instrumento multilateral vinculativo
negociado em 20 anos para o desarmamento nuclear.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro congratulou os países-membros da
ONU pela conclusão das negociações. “A comunidade internacional já baniu as outras armas
de destruição em massa, químicas e biológicas. Não há motivo para não buscar proibir,
igualmente, as armas com maior poder destrutivo, capazes de exterminar a vida na Terra”,
disse a chancelaria no comunicado.

Países que se reuniram em uma conferência das Nações Unidas em Nova Iorque adotaram na
sexta-feira (7) um tratado para a proibição de armas nucleares, o primeiro instrumento
multilateral vinculativo negociado em 20 anos para o desarmamento nuclear.

“O tratado representa um importante passo e uma contribuição para as aspirações comuns de


um mundo sem armas nucleares”, disse o porta-voz do secretário-geral da ONU, António
Guterres, após a adoção.

“O secretário-geral espera que este novo tratado promova um diálogo inclusivo e uma
cooperação internacional renovada destinada a atingir o objetivo há muito atrasado do
desarmamento nuclear”, disse Stéphane Dujarric.

O tratado — adotado por 122 votos a favor e um contra (Holanda), com uma abstenção
(Cingapura) — proíbe uma ampla gama de atividades relacionadas a armamentos nucleares,
tais como desenvolver, testar, produzir, manufaturar, adquirir, possuir ou estocar armas ou
outros utensílios nucleares explosivos, assim como o uso ou a ameaça de uso dessas armas.

“Estamos emocionados porque estamos respondendo às esperanças e sonhos das gerações


presentes e futuras”, disse a embaixadora da Costa Rica Elayne Whyte Gómes, que atua como
presidente da conferência que negociou o tratado em resposta ao mandato concedido pela
Assembleia Geral da ONU.

Durante coletiva de imprensa realizada na sede da ONU, ela afirmou que, com o tratado, o
mundo está “um passo mais perto” da total eliminação das armas nucleares.

O tratado ficará aberto para assinatura de todos os Estados na sede da ONU em Nova Iorque
em 20 de setembro, e entrará em vigor 90 dias depois de ter sido ratificado por 50 países.

No entanto, muitos países ficaram de fora das negociações, incluindo os Estados Unidos, a
Rússia e outras potências nucleares, assim como muitos de seus aliados. A Coreia do Norte
também não se uniu às negociações.

Em comunicado conjunto emitido na sexta-feira, as delegações de EUA, Reino Unido e França


disseram que “não participaram das negociações do tratado e não pretendem assiná-lo,
ratificá-lo ou mesmo se tornar parte dele”.

“Essa iniciativa claramente ignora a realidade do ambiente internacional de segurança”,


disseram. “A adesão ao tratado de proibição é incompatível com a política de dissuasão
nuclear, que tem sido essencial para manter a paz na Europa e no Norte da Ásia há mais de 70
anos”.

Em resposta a perguntas sobre o comunicado conjunto, Whyte Gómez lembrou que quando o
Tratado para Não Proliferação de Armas Nucleares foi adotado décadas atrás, também não
houve um alto número de adesões.

Aberto para assinaturas em 1968, o tratado entrou em vigor em 1970. Em 1995, foi estendido
indefinidamente. Um total de 191 Estados uniu-se ao tratado, incluindo cinco potências
nucleares que são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — China, França,
Rússia, Reino Unido e Estados Unidos.
No início, era inimaginável que esses Estados fariam parte do tratado, lembrou. “Mas o mundo
e as circunstâncias mudam”.

Ela acrescentou que os “hibakusha”, sobreviventes das bombas nucleares, tem impulsionado a
criação de tratados de proibição de armas nucleares. As experiências que eles compartilham
“tocam a alma humana”, disse ela, acrescentando que as negociações foram uma combinação
de “razão e coração”.

Brasil

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores congratulou os países-membros das Nações


Unidas pela conclusão das negociações do tratado.

“A comunidade internacional já baniu as outras armas de destruição em massa, químicas e


biológicas. Não há motivo para não buscar proibir, igualmente, as armas com maior poder
destrutivo, capazes de exterminar a vida na Terra”, disse a chancelaria no comunicado.

Segundo o ministério, a conclusão do texto de Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares


representa a culminação de processo que recebeu decidido apoio do Brasil desde o início.

“Ao lado de África do Sul, Áustria, Irlanda, México e Nigéria, o Brasil foi um dos proponentes
da resolução da Assembleia Geral que convocou a conferência internacional para negociar o
texto hoje aprovado. O governo brasileiro também reconhece o papel fundamental
desempenhado pela sociedade civil nesse processo.”

O engajamento do Brasil em negociações que buscam livrar o mundo de armas nucleares


traduz, no plano internacional, o compromisso constitucional do país com o uso pacífico da
atividade nuclear, afirmou a nota.

“A entrada em vigor do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares constituirá passo


fundamental nessa direção, razão pela qual o governo brasileiro conclama todos os países a
aderirem ao acordo”, concluiu.

█ Infraestrutura e Logística

Em busca da última fronteira econômica da Terra: a


região Ártica
por: BHaz - leia na íntegra

Em busca da última fronteira econômica da Terra: a região


ÁrticaDe Felipe Costa Lima Compartilhe no Google+ Compartilhe
no Pinterest Compartilhe no LinkedinNavio Quebra-Gelo Nuclear da
Rússia (Reprodução/oaoosk.ru)
O território Ártico tem chamado a atenção do mundo atualmente, uma vez que tem
sido palco de embates entre diversos países, principalmente por causa do seu grande
potencial de exploração econômica. Embora as condições naturais sejam ainda um
grande obstáculo para a penetração dos países na região, o aquecimento global e o
consequente degelo parcial das calotas polares tem possibilitado que diversos atores
internacionais busquem a soberania e o estabelecimento de Zonas Econômicas
Exclusivas (ZEEs). Isso demonstra que, enquanto conflitos geopolíticos pela posse da
Antártica foram “congelados” em decorrência do Tratado Antártico (1961), na região
Ártica isso não será tão simples, principalmente se levarmos em conta os atores
envolvidos na busca pela dominação desse local antes considerado inóspito e
impenetrável – Estados Unidos, Rússia, Noruega, Dinamarca (via Groenlândia) e
Canadá.A região Ártica (Reprodução:
http://www.arcticcentre.org/EN/communications/arcticregion/Maps/Admistrative-
areas)Velhos Recursos e Novos Caminhos

Só pra se ter uma ideia das potencialidades dessa região, de acordo com um relatório
da US Geopolitical Survey (Pesquisa Geopolítica dos EUA), a região ártica pode produzir
90 bilhões de barris de petróleo (13% das reservas do mundo), 47 trilhões de metros
cúbicos de gás natural (30% das reservas do mundo), e 44 bilhões de barris de gás
natural liquefeito. Isso representa nada menos que 30% de todas as reservas de
hidrocarbonetos do mundo[1].

Além dos recursos naturais, a região Ártica representa um enorme potencial de


integração entre os polos econômicos mundiais – Ásia, Europa e América do Norte -,
na medida em que diminui profundamente as distâncias entre essas áreas. Nesse
contexto, a primeira grande rota existente é a Northwest Passage (Passagem Noroeste),
que se localiza no extremo norte do Canadá e conecta os oceanos Atlântico e Pacífico.
Esse caminho possibilita, durante dois ou três meses do ano, a diminuição de
aproximadamente 40% das distâncias comerciais se as compararmos com a rota pelo
Canal do Panamá. Somado a isso, os navios podem levar mais carga na passagem pelo
Ártico, em decorrência da maior profundidade existente nessas águas. O problema
fundamental desse novo caminho, todavia, se configuram nas disputas de soberania, já
que, enquanto o Canadá proclama que essas águas fazem parte do seu território, os
EUA e a UE afirmam que essa passagem está localizada em águas internacionais,
portanto o livre trânsito seria indiscutível. A solução diplomática, porém, parece ser
mais viável nessa região, pois Canadá, EUA e UE são aliados históricos.A Passagem
Noroeste – via Canadá (Reprodução: https://www.washingtonpost.com/news/energy-
environment/wp/2015/09/10/why-the-northwest-passage-probably-wont-be-ready-
for-shipping-any-time-soon/?utm_term=.75e658ed0d4c)

A chamada Northeast Passage (Passagem Nordeste) também possui grande potencial


para a diminuição de custos no traslado de mercadorias no longo prazo, podendo
reorientar grande parte do comércio internacional feito atualmente pelo Canal de Suez.
Porém, diferentemente da Passagem Noroeste, a Passagem Nordeste tem maior
potencial conflituoso, uma vez que ela passa pelas regiões costeiras de países que não
são aliados, como Noruega (membro da OTAN) e Rússia. Nesse contexto de possíveis
conflitos entre Rússia e os membros da OTAN (EUA, Canadá, Noruega e Dinamarca), os
russos são sem nenhuma dúvida os mais preparados para defender seus interesses na
região.Passagem Nordeste – Via Rússia (Reprodução:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/8264345.stm)

Todos esses países, com exceção dos EUA, fazem parte da Convenção das Nações
Unidas sobre o Direito do Mar, a qual define regras a respeito da soberania dos
Estados e do controle de recursos econômicos. A partir disso, todos esses signatários
estabeleceram suas Zonas Econômicas Exclusivas de acordo com a Convenção, ou seja,
até 200 milhas náuticas (370 km). No entanto, esses países possuem requerimentos
para estender suas plataformas continentais para além dos 370 km, o que impulsiona
tensões entre eles. A definição dessas extensões se revela um trabalho científico
profundamente técnico e complicado a ser realizado, ainda mais quando interesses de
Estados tão poderosos são afetados.Requerimentos para extensão da plataforma
continental de EUA*, Canadá, Noruega, Rússia e Dinamarca, (Reprodução:
http://www.economist.com/news/international/21636756-denmark-claims-north-pole-
frozen-conflict)

*Os EUA não fazem parte da Convenção da ONU, portanto, não tem direitos legais para
requerer a extensão de sua plataforma. Entretanto, tampouco tem o dever de
reconhecer as Zonas Econômicas Exclusivas dos outros países.O que era desvantagem,
transformou-se em vantagem

A Rússia tem historicamente como problema geopolítico fundamental a falta de acesso


aos mares quentes. A partir das imensas dificuldades de navegação, principalmente no
território siberiano, Moscou passou a desenvolver tecnologias a fim de superar essas
limitações geográficas, primordialmente durante o período soviético. Em decorrência
desse desenvolvimento prévio, da experiência adquirida ao longo do tempo e dos
massivos investimentos da era Putin, a Federação Russa possui imensa vantagem sobre
seus outros concorrentes pelo controle do Ártico. A título de exemplificação, os russos
possuem 42 navios Icebreakers (Quebradores de Gelo), além de 8 em construção, os
quais são essenciais para navegar nessa região. Em contrapartida, os EUA tem apenas 6
navios prontos e somente 1 em construção.

Poderíamos pensar que os estadunidenses, por causa do seu imenso orçamento militar,
poderiam recuperar facilmente o tempo perdido; a construção desse tipo de navio,
entretanto, demora aproximadamente 10 anos e requer investimentos de cerca de 1
bilhão de dólares. A disposição dos EUA em investir maciçamente nesse tipo de
tecnologia parece atualmente improvável, na medida em que setores da sociedade civil
e do Estado ainda discutem a própria existência ou não do aquecimento global.

Além do desenvolvimento tecnológico náutico, Moscou vem desenvolvendo radares e


sistemas aéreos de alta tecnologia, o que aprofunda ainda mais a distância desse país
com relação aos outros Estados da região. Porém, o contexto militar pode ser
entendido como o mais promissor para o estabelecimento do controle do Ártico, pois a
Federação Russa tem nada menos que 6 bases militares permanentes, sendo o único
país a possuir um exército nessa região. Mas o mais interessante investimento militar
russo no Ártico sem dúvida é na construção de um icebreakercom propulsão nuclear (o
chamado Leader), que levará o potencial de conflito a outro nível.Navio Quebra-Gelo
russo Leader, com o objetivo de proteger a rota Nordeste e possibilitar sua utilização
por mais meses do ano (Reprodução: http://www.dailymail.co.uk)

Os russos possuem outro tipo de estratégia interessante, primordialmente com relação


ao arquipélago de Svalbard. Essa região está sob soberania norueguesa, embora ela
seja restrita, já que o Tratado de Svalbard (1920) afirma que aos países signatários e
aos seus cidadãos seriam dados direitos iguais com relação a atividades comerciais
(principalmente a mineração). Em decorrência disso, os russos têm incentivado
constantemente a emigração de russos étnicos para esse arquipélago, especialmente a
partir da década de 2000. A existência de grande parte da população composta por
russos étnicos pode se configurar numa estratégia essencial para basear uma
intervenção de Moscou para proteger seus nacionais.

Em contraposição à Rússia, os EUA não possuem nem mesmo uma estratégia bem
definida para penetrar efetivamente na região Ártica.Conclusão

A abertura das Passagens Nordeste e Noroeste pode provocar intensas mudanças nos
fluxos de mercadorias internacionais, uma vez que, com o aumento dos investimentos
dos Estados e do degelo do Ártico, essas rotas se tornam mais baratas e atraentes para
o comércio entre os países. Isso pode provocar, no longo prazo, perdas profundas para
dois pontos de passagem historicamente importantes, como o Canal do Panamá e o
Canal de Suez. O controle pela Rússia de uma rota comercial tão importante pode
aprofundar ainda mais a importância desse país na nova Ordem Mundial que está em
desenvolvimento.Rotas Tradicionais em azul (Canal do Panamá e Suez) x Novas Rotas
Árticas em vermelho (Passagem Nordeste e Noroeste) (Reprodução:
http://www.discoveringthearctic.org.uk/1_northwest_northeast_passages.html)

Além disso, todos os cinco países têm investido substancialmente em pesquisas


cientificas, para poder demonstrar que suas demandas por soberania e controle
econômico no Ártico são válidos. A Federação Russa, contudo, tem uma vantagem
muito ampla com relação aos seus concorrentes, em especial por causa da sua grande
presença militar na região e dos imensos investimentos na indústria bélica.

Portanto, além dos efeitos já conhecidos por todos, como a extinção e


desaparecimento de diversas espécies da fauna e da flora, assim como a inundação de
áreas costeiras do planeta, o aquecimento global permitiu o nascimento e
aprofundamento de um novo conflito geopolítico no mundo, com atores de grande
porte em busca da última fronteira econômica da Terra.