Anda di halaman 1dari 14

Bacia de Pernambuco-Paraíba

Valéria Centurion Córdoba1, Emanuel Ferraz Jardim de Sá2, Debora do Carmo Sousa2,

Alex Francisco Antunes2

Palavras-chave: Bacia de Pernambuco-Paraíba l Estratigrafia l carta estratigráfica

Keywords: Pernambuco-Paraíba Basin l Stratigraphy l stratigraphic chart

introdução mediante solicitação da Agência Nacional de Petró-


leo, Gás e Biocombustíveis (ANP). Seguindo instru-
ções para uniformização da editoração, os quatro
A carta estratigráfica da Bacia Pernambuco- autores acima nominados são aqueles responsáveis
Paraíba (BPP) consolida os resultados obtidos por pes- pelo trabalho de elaboração da carta e do texto
quisadores do Programa de Pós-Graduação em Geo- explicativo. Desse modo, é importante referir e agra-
dinâmica e Geofísica, no âmbito do projeto “Avalia- decer a participação, em etapas prévias, de outros
ção do Potencial Petrolífero da Bacia de Pernambu- pesquisadores que foram co-responsáveis pela aqui-
co-Paraíba”. Esse projeto foi objeto de contrato da sição, discussão e interpretação de partes dos dados
Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustí- aqui apresentados: Renato Marcos Darros de Matos
veis/Universidade Federal do Rio Grande do Norte/ (Aurizônia), Liliane Rabelo Cruz (Petrobras), Camilla
Fundação Norte Rio-Grandense de Pesquisa e Cultu- Bezerra de Almeida (todos então, ou atualmente, no
ra (ANP/UFRN/FUNPEC), e nele foi incluído a análise Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em Geodinâ-
de toda a base de dados públicos disponíveis na mica e Geofísica da Universidade Federal do Rio Gran-
Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustí- de do Norte - PPGG/UFRN), Ademilson Fagundes de
veis/Banco de Dados de Exploração e Produção (ANP/ Brito (OilFinders), Paulo Marcos de Paula Vasconcelos
BDEP), além de outros dados geológicos e geofísicos (University of Queensland), Paulo de Tarso Araripe
obtidos pela equipe. Posteriormente, foi possível es- (ANP), Mário Ferreira Lima Filho (Programa de Pós-
tudar um conjunto de linhas sísmicas proprietárias Graduação da Universidade Federal de Pernambuco -
abrangendo a Sub-bacia de Pernambuco e a porção PPG/UFPE) e Virgínio H. M. Lopes Neumann (Progra-
norte da Sub-bacia de Alagoas. Tais linhas foram dis- ma de Pós-Graduação da Universidade Federal de
ponibilizadas pela empresa Veritas do Brasil S.A. Pernambuco - PPG/UFPE).

1
Universidade Federal do Rio Grande do Norte/Centro de Ciências Exatas e da Terra/Departamento de Geologia.
e-mail: vcordoba@ufrnet.br
2
Universidade Federal do Rio Grande do Norte/Centro de Ciências Exatas e da Terra/Departamento de Geologia.

B. Geoci. Petrobras, Rio de Janeiro, v. 15, n. 2, p. 391-403, maio/nov. 2007 | 391


A Bacia de Pernambuco-Paraíba é constituída dados fornecem marcos cronoestratigráficos precisos
por duas sub-bacias, de Pernambuco (abreviada por e trazem implicações importantes para a evolução
SBPE e também conhecida como Bacia do Cabo, a dessa bacia e vizinhas.
sul) e da Paraíba (SBPB, a norte). O limite dessas A carta estratigráfica ilustra cinco discordân-
sub-bacias é posicionado ao longo do extremo leste cias mais expressivas, representadas por superfícies
do Lineamento Pernambuco, com base na assinatu- de erosão e/ou não deposição que apresentam boa
ra gravimétrica em offshore e nas diferenças nas continuidade através da bacia, ocorrendo desde as
colunas estratigráficas das porções emersas das mes- porções proximais até as distais. A discordância mais
mas. O alto que limita a Sub-bacia de Pernambuco antiga corresponde à não conformidade que delimi-
com a Bacia Potiguar corresponde à Plataforma de ta a unidade basal da coluna sedimentar (mais espe-
Touros; a sul, o Alto de Maragogi limita a Sub-bacia cificamente, horizontes da Seqüência Rifte) em rela-
de Pernambuco com a Bacia Sergipe-Alagoas. ção ao topo do embasamento cristalino. A idade
Tendo em vista as citadas diferenças, e a mínima para essa discordância pode ser estimada
necessidade de representá-las em uma única carta, com base na ocorrência da palinozona P-260 (idade
a mesma constitui um modelo idealizado do arca- Mesoaptiano), como o registro fossilífero mais anti-
bouço estratigráfico, projetando para uma mesma go da unidade sobreposta. Deve ser ressaltado, to-
seção transversal, hipotética, unidades estratigráfi- davia, que o poço no qual foi obtido esse dado (o
cas e feições geológicas que se distribuem longitu- Poço do Cupe) não atingiu o embasamento e, as-
dinalmente ao longo de ambas as sub-bacias. Se- sim, o primeiro registro sedimentar da bacia pode
guindo a linha editorial, essa descrição enfatiza se- ser ainda mais antigo.
qüências deposicionais e os principais eventos mag- Como citado anteriormente, ocorre a Discor-
máticos, tectônicos e erosivos reconhecidos ou in- dância do Albiano/Cenomaniano, que delimita no
feridos na bacia. topo a seqüência de rochas vulcanossedimentares
A construção da carta estratigráfica aqui apre- afetadas pela deformação distensional associada ao
sentada envolveu a integração de uma base de da- evento de rifteamento Sul-Atlântico, caracterizando-
dos bastante heterogênea: dados de geologia de su- se, assim, como a discordância Rifte-Drifte (breakup
perfície e de subsuperfície (mapas, poucos poços pro- unconformity) nessa região.
fundos e testemunhados) e dados sísmicos restritos As outras três discordâncias mais jovens, do
na porção emersa, em contraste com a inexistência Turoniano superior, do Maastrichiano superior/Dania-
de dados de poços e um acervo razoável (Sub-bacia no e do Mioceno inferior, foram originadas no está-
de Pernambuco) ou limitado (Sub-bacia de Paraíba) gio de deriva continental, quando as flutuações glacio-
de dados sísmicos na porção submersa da bacia, além eustáticas passaram a ter um papel fundamental na
de uma ampla cobertura de dados gravimétricos. As construção do arcabouço cronoestratigráfico.
seqüências deposicionais e suas respectivas discordân- Além das três discordâncias Pós-Rifte, a carta
cias-limites, caracterizadas em sua maior parte pelos estratigráfica ilustra, de forma preditiva, mais duas
trabalhos no continente, foram rastreadas para as discordâncias que, apesar de não serem evidentes
porções mais distais da bacia, utilizando critérios sis- nas linhas sísmicas, possuem grande importância nas
moestratigráficos e correlações com bacias vizinhas. bacias vizinhas: as discordâncias do Campaniano in-
Assim, uma parcela das discussões aqui apresentadas ferior e do Oligoceno.
é de cunho especulativo ou preditivo. É importante As cinco discordâncias de maior expressão
ressaltar que as unidades e superfícies cronoestrati- separam cinco seqüências deposicionais e, no caso
gráficas identificadas em afloramentos e testemunhos da mais antiga, faz a sua delimitação em relação ao
na porção terrestre da bacia não são necessariamen- embasamento cristalino. Essas seqüências envolvem,
te reconhecidas nas linhas sísmicas do segmento cada qual, um intervalo de duração entre 10 a 50
offshore, em virtude das diferenças de escala e das Ma, o que as coloca na classe dos ciclos de 2ª or-
resoluções inerentes a cada método de investigação. dem, de acordo com a hierarquia de ciclos proposta
Cabe ainda mencionar que o estudo da Bacia de Per- por Vail et al. (1991).
nambuco-Paraíba viabilizou a aquisição de um expres- As seqüências deposicionais e suas respecti-
sivo conjunto de datações geocronológicas de rochas vas unidades litoestratigráficas estão apresentadas a
ígneas na Sub-bacia de Pernambuco. Analisados sob seguir, sendo individualizadas de acordo com os es-
o prisma das relações de campo dessas rochas, tais tágios tectônicos Rifte e Drifte. Ao contrário das ba-

392 | Bacia de Pernambuco-Paraíba - Córdoba et al.


cias a sul (Sergipe-Alagoas), não são conhecidas evi- do Cupe (2-CPE-01-PE), a sul de Recife, o que indica
dências de unidades Pré-Rifte no assoalho dos que a deposição sin-rifte já estaria em curso circa
depocentros, possibilidade essa que não pode ser 115 Ma (Mesoaptiano). Esse poço não atingiu o
descartada ao nível atual de conhecimento da BPP. embasamento, e a sísmica permite estimar a ocor-
Em termos de paleogeografia, as unidades relacio- rência de mais 0,5 a 1 km de rochas sedimentares
nadas ao estágio Rifte ocorrem na Sub-bacia de Per- sotopostas. O magmatismo da Suíte Ipojuca, pene-
nambuco ao longo de três zonas distintas, em estru- contemporâneo à deposição da Formação Cabo, foi
turas orientadas na direção NNE (Almeida et al. datado entre 105 a 100 Ma (idades 40Ar-39Ar em mi-
2005; Brito et al. 2006): nerais e rocha total), o que confere a Superseqüên-
i) os grábens do setor continental e de águas cia Rifte uma duração aproximada, ou mínima, de
rasas (ou grábens ocidentais), aí incluídos os grábens pelo menos 15 Ma. Essa seqüência é limitada acima
do Cupe e de Piedade; por uma expressiva discordância (discordância Rifte-
Drifte), que teria erodido pelo menos 1 a 2 km da
ii) o Alto do Maracatu, mais a leste;
Formação Cabo (Almeida et al. 2005), incluindo in-
iii) um extenso gráben (o gráben oriental) que tercalações de rochas vulcânicas da Suíte Ipojuca.
se prolonga além da Sub-bacia de Pernambuco, e ou- Esse evento erosivo foi responsável pela exumação
tros depocentros mais a leste, em pleno domínio do do Granito do Cabo, anterior à deposição dos estra-
Platô de Pernambuco. Dados gravimétricos e sísmicos tos mais basais da Seqüência Drifte Transgressiva
permitem inferir a extensão desses depocentros em sobreposta, no continente. Nesse setor (borda conti-
direção norte, na Sub-bacia da Paraíba (ver adiante). nental) da bacia, a idade máxima estimada para essa
Tendo em vista a impossibilidade atual de pro- discordância é de 102 Ma (a idade 40Ar-39Ar do Gra-
por seções tipo para as seqüências que ocorrem do- nito do Cabo), ou um pouco mais jovem (com base
minantemente em offshore, em virtude da falta de nas idades 40Ar-39Ar ou por traços de fissão em zircão,
poços para referência, foi adotada a solução, quan- das vulcânicas sotopostas à discordância, entre 100
do possível, de utilizar (e na prática, estender a área a 98 Ma) (Nascimento, 2003). A oportunidade ímpar
de ocorrência) as denominações de unidades corre- de obter datações radiométricas (efetuadas no Ages
latas na vizinha Bacia Sergipe-Alagoas. Laboratory, University of Queensland) de rochas íg-
neas intercaladas (derrames e piroclásticas) ou intru-
sivas na Superseqüência Rifte (em especial na sua
porção superior, aflorante) permitiu evidenciar que a

Superseqüência Rifte Fase Rifte, nessa bacia, perdurou até o Neo-Albiano.


Partindo do pressuposto de que a ruptura da crosta
continental e a conseqüente criação de crosta oceâ-
nica ocorreram após o estágio Rifte, pode-se afirmar
que na Bacia de Pernambuco-Paraíba tais eventos
Seqüência K40-K70 tenham ocorrido no limiar Neo-Albiano/Eocenoma-
niano. Sendo assim, e considerando que nas bacias
A Seqüência K40-K70 (Rifte) corresponde litoes- vizinhas (Sergipe-Alagoas/porção centro-sul e Poti-
tratigraficamente à Formação Cabo (incluindo uma se- guar) a formação de crosta oceânica tem idade mais
ção evaporítica de provável idade neoaptiana/eoalbiana) antiga (provavelmente Neo-Aptiana), conclui-se que
e as rochas da Suíte Magmática Ipojuca, aflorante na a região hoje ocupada pela Bacia de Pernambuco-
Sub-bacia de Pernambuco e mapeada pela sísmica no Paraíba representava o último elo entre os continen-
setor offshore de ambas as sub-bacias. A esse estágio tes Sul-Americano e Africano.
ainda se reportam as seqüências vulcanossedimentares A Superseqüência Rifte, caracterizada na Sub-
situadas na região limítrofe entre as crostas continental bacia de Pernambuco por exposições e poços no con-
e oceânica, com assinatura sísmica característica e co- tinente (i) e no setor marítimo (ii e iii) pelas linhas
mumente referidas como seaward-dipping reflections- sísmicas, é composta por sistemas de leques aluviais
SDRs (vide Tectônica e Magmatismo). e lacustres depositados em contexto tectonicamente
O registro bioestratigráfico mais antigo obtido ativo, indicado pela ocorrência de falhas de borda
nas rochas da Formação Cabo corresponde à palino- acompanhadas por espessas cunhas de conglomera-
zona P-260, identificada na base (2.953 m) do Poço dos, feições de crescimento dos pacotes sedimenta-

B. Geoci. Petrobras, Rio de Janeiro, v. 15, n. 2, p. 391-403, maio/nov. 2007 | 393


res e pelo alojamento sintectônico de rochas subvul- Superseqüência Rifte. Face às datações no continen-
cânicas encaixadas na Formação Cabo. te, acima referidas (vulcânicas e, em decorrência,
Em termos de associação faciológica, o poço suas encaixantes sedimentares), uma idade eoalbiana
do Cupe apresenta dois intervalos bastante distintos. a neo-aptiana pode ser tentativamente inferida para
Na porção inferior, a partir de 2.000 m até a sua a seção evaporítica. Esta seção foi interpretada como
profundidade final, ocorrem camadas de conglome- tendo sido formada a partir da implantação de ba-
rados com espessuras de dezenas a centenas de cias evaporíticas associadas a um braço de mar epi-
metros, intercalados com camadas mais delgadas de continental, que, em decorrência de um clima mais
folhelhos e arenitos. Os testemunhos retirados nessa quente, embora úmido, teria sido submetido à in-
porção do poço amostraram alguns níveis de folhe- tensa evaporação.
lhos negros, intensamente bioturbados, o que pode As rochas evaporíticas formadas nesta etapa
indicar condições de deposição em águas lacustres foram reconhecidas em linhas sísmicas atravessando
mais profundas. Este intervalo corresponde às pali- um importante depocentro no setor de águas profun-
nozonas P260 e P270, equivalendo cronoestratigrafi- das da bacia (Platô de Pernambuco), o gráben oriental
camente ao Andar Aptiano. A porção superior, que (Brito et al. 2006). Sua caracterização é facilitada quan-
se estende da profundidade de 61 m (limite da For- do desenvolvem formas diapíricas e estruturas associa-
mação Cabo com a Formação Estiva, neste poço) das, que afetam a coluna sedimentar sobrejacente, ao
até os 2.000 m, é praticamente toda composta por nível da Seqüência Drifte Transgressiva, e até da Se-
camadas de arenitos, algumas chegando a apresen- qüência Drifte Regressiva Inferior.
tar 400 m de espessura. Ocorrem ainda, intercalados Na análise sísmica foi possível identificar
aos arenitos, níveis de folhelhos e argilitos. Os teste- sismofácies com padrões hummocky e divergente
munhos dessa porção evidenciam que alguns destes na seção inferior da Seqüência Rifte que indicam
níveis de folhelhos contêm restos vegetais, o que pode processos deposicionais por escorregamentos de
sugerir deposição em águas mais rasas. Este interva- massas e por fluxos gravitacionais, sindeposicionais.
lo compreende a palinozona P280, apresentando ida- Estas sismofácies são típicas dos estágios iniciais do
de eoalbiana. O poço de Piedade (9-JG-01-PE), que rifteamento e indicam o domínio de sistemas de le-
também amostrou parte da Supeseqüência Rifte, é ques aluviais/deltaicos e de turbiditos lacustres. Na
bastante semelhante. seção superior, foram identificadas sismofácies com
A ocorrência de intervalos, cujo caráter da padrão free que podem indicar a ocorrência de siste-
sedimentação se revela significativamente distinto, mas fluviais, além de sismofácies com padrões para-
permite inferir que a Superseqüência Rifte deposi- lelos e descontínuos, que sugerem a ocorrência de
tou-se sob forte controle cíclico, em que se alterna- deltas progradantes.
vam condições de deposição em águas lacustres pro- Na Sub-bacia de Pernambuco, dados sísmicos e
fundas a rasas. As fácies que ocorrem nos intervalos gravimétricos integrados permitiram distinguir, em
mais basais de ambos os poços atestam que, duran- offshore, a ocorrência de semi-grábens cujo preenchi-
te a época da sua deposição, a paleogeografia era mento é comparável à Seqüência Rifte da Sub-bacia
delineada por lagos profundos, com sedimentação de Pernambuco. A designação litoestratigráfica de For-
gravitacional por leques aluviais/deltaicos. Por outro mação Cabo é adotada preliminarmente para estes
lado, o predomínio de fácies areníticas, nos interva- depósitos. Os depocentros estão alinhados com aque-
los mais superiores destes poços, demonstra uma forte les que ocorrem no Platô de Pernambuco e, desta re-
tendência ao assoreamento destes lagos por siste- gião no rumo norte, continuam até a borda oriental da
mas de leques aluviais e/ou flúvio-deltaicos. Esta Plataforma de Touros (Jardim de Sá et al. 2006).
mudança no cenário deposicional, causada pela re- Em síntese, as interpretações tecidas com base
lativa quiescência da tectônica ao final do estágio na análise dos poços e no mapeamento sísmico con-
Rifte, pode também ter tido influência do aqueci- firmam a existência de uma fase inicial de desenvol-
mento do clima, como sugere a Curva Global de vimento do rifte, onde a atividade tectônica é mais
Variação Eustática (Haq et al. 1988), que neste inter- intensa e de uma fase final caracterizada por uma
valo de tempo se mostra ascendente. diminuição da atividade das falhas de borda da ba-
A interpretação sísmica em offshore caracte- cia, o que conduz a taxas menores de criação de
rizou uma seção evaporítica (denominação provisó- espaço para acomodação e o conseqüente assorea-
ria neste texto) intercalada na porção superior da mento dos depocentros lacustres.

394 | Bacia de Pernambuco-Paraíba - Córdoba et al.


Por fim, cabe ressaltar que a representação grá- A Seqüência K82-K86 é representada por sis-
fica da Superseqüência Rifte na carta estratigráfica pro- temas deposicionais que incluem leques costeiros e
curou retratar o modelo de deposição em uma estrutu- deltas nas porções proximais, gradando para uma pla-
ra de meio-gráben, sem escala horizontal definida, onde taforma carbonática de águas rasas e baixa energia,
a margem falhada foi posicionada no lado continental em offshore. Na Sub-bacia de Pernambuco, esta pla-
e a margem flexural em direção a águas profundas, taforma corresponde litoestratigraficamente à Forma-
em termos da batimetria atual. Seguindo este modelo, ção Estiva, que é composta por calcários maciços,
prevê-se que o hiato erosional no topo da Superse- microcristalinos e dolomitizados, em associação com
qüência Rifte (associado à discordância do Neo-albiano) siltitos/argilitos escuros e folhelhos esverdeados.
tende a ser maior em direção à margem flexural. Admite-se que a idade mais provável para
implantação da plataforma carbonática Estiva, segun-
do dados paleontológicos obtidos na porção onshore,
seja o Cenomaniano inferior, com limite máximo em
Supersequência Drifte 100-98 Ma (idade das rochas ígneas sotopostas, mais
jovens, da Seqüência Rifte).
Considerando o contexto deposicional que
Esta superseqüência foi aqui subdividida em marcou o início da sedimentação em condições de
dois grandes conjuntos de seqüências: Transgressivas margem passiva em outras bacias brasileiras, pode-
(K82-K130) e Regressivas (E10-N50). se inferir, de forma comparativa, que o início da de-
posição da Seqüência K82-K86, na Sub-bacia de Per-
Seqüências K82-K86 e K88- nambuco, era caracterizado por uma paleomorfologia
em rampa homoclinal, onde sistemas carbonáticos
K130 de águas rasas e de alta energia se interdigitavam,
em direção à costa, com sistemas deposicionais sili-
A Seqüência Drifte Transgressiva foi dividida ciclásticos. Como as condições de deposição ainda
em duas seqüências de mais alta freqüência, deno- eram bastante restritas, é provável que estas rochas
minadas de Seqüência K82-K86 (Drifte Transgressiva contivessem uma biota pouco variada com predomí-
Inferior) do Cenomaniano inferior/Turoniano inferior nio de grãos envelopados, como oolitos e oncolitos.
e Seqüência K88-K130 (Drifte Transgressiva Supe- Com o avanço do processo transgressivo, a ambiência
rior) correspondente ao Turoniano superior a Maas- deposicional provavelmente foi sendo modificada, pas-
trichtiano superior. Tais seqüências são limitadas, no sando a prevalecer um sistema plataformal de águas
topo, pela discordância do Maastrichtiano. rasas, porém, de baixa energia. Esta porção mais
superior e mais jovem da Seqüência K82-K86 deve
corresponder àquela que se encontra aflorante ou
Seqüência K82-K86 subaflorante na porção onshore da Sub-bacia de Per-
nambuco representada pelas rochas dolomíticas e
Esta seqüência foi bem caracterizada na Sub- siliciclásticas da Formação Estiva.
bacia de Pernambuco emersa, com base em aflora- Com base nos modelos de estratigrafia de se-
mentos e poços, estando representada pela Forma- qüências para rampas carbonáticas, admite-se que a
ção Estiva. Nas porções offshore das sub-bacias de Seqüência K82-K86 seja formada predominantemente
Pernambuco e da Paraíba foi interpretada sismica- pelos tratos de sistemas transgressivos e de nível de
mente. Especificamente na Sub-bacia da Paraíba, mar alto e que o trato de sistemas de nível de mar alto
uma seqüência de provável equivalência pode ser encontre-se ausente ou pouco expressivo. O trato de
inferida em linhas sísmicas dip na plataforma conti- sistemas transgressivos da Seqüência K82-K86 apresenta
nental, dispostas desde o norte de Recife (região de uma geometria retrogradacional, adquirida pelo deslo-
Itamaracá) até João Pessoa. No caso em apreço, a camento gradual dos cinturões de fácies em direção às
referida seqüência ocorre sobreposta, em discordância porções mais proximais da bacia e culmina em uma
angular, aos depósitos associados a Superseqüência superfície de inundação máxima, que foi relacionada à
Rifte, sendo capeados por um conspícuo refletor cuja passagem do Cenomaniano para o Turoniano, momento
posição estratigráfica permite correlacioná-lo à que registra um importante evento global de anoxia. O
discordância do Turoniano superior. trato de sistemas de nível de mar alto é marcado pela

B. Geoci. Petrobras, Rio de Janeiro, v. 15, n. 2, p. 391-403, maio/nov. 2007 | 395


migração dos cinturões de fácies em direção à bacia, dância, inferida como do Campaniano inferior. A
de forma agradacional a progradacional. existência de uma importante discordância do Cam-
paniano inferior já foi comprovada nas bacias vizi-
nhas (Potiguar e Sergipe-Alagoas).
Seqüência K88-K130 Com base na análise sísmica e tendo como
referência as seqüências deposicionais carbonáticas
Esta seqüência corresponde, na Sub-bacia da cronocorrelatas na Bacia Potiguar, pode-se admitir
Paraíba, às formações Beberibe, Itamaracá e Gra- que a Seqüência K88-K130, na Bacia de Pernambu-
mame. Na Sub-bacia de Pernambuco, esta seqüên- co-Paraíba, tenha mantido a paleomorfologia de ram-
cia ocorre preferencialmente em offshore e foi ca- pa que condicionou a sedimentação da Seqüência
racterizada sismicamente, à exceção do registro pa- K82-K86. Assim sendo, prevê-se que tal seqüência
leontológico nos carbonatos do Poço de Piedade seja formada por dois tratos de sistemas: o trato de
(Lima Filho 1998; Lima Filho e Silva Santos, 2001). sistemas transgressivo, mais basal e notadamente o
Neste caso, trata-se de fácies carbonáticas híbridas mais importante e, a seguir, com uma tendência um
que, embora incluídas originalmente na Formação pouco mais agradacional, o trato de sistemas de ní-
Estiva, são aqui reinterpretadas como correlatas às vel de mar alto. O trato de sistemas de nível de mar
formações Itamaracá e Gramame. Esta mudança baixo não foi reconhecido nas linhas sísmicas, o que
levou em consideração a existência de uma impor- corrobora tal interpretação. De forma preditiva, pode-
tante discordância que, originalmente posicionada se ainda inferir que a superfície de máxima inunda-
na porção mediana da Formação Estiva, é aqui inter- ção marinha, que marca a transição entre ambos os
pretada como a base da Seqüência K88-K130. tratos de sistemas da Seqüência K88-K130, nas sub-
A Curva Global de Variação Eustática do Ní- bacias investigadas, seja a superfície de inundação
vel do Mar (Haq et al. 1988) revela uma tendência do Campaniano superior que na Curva Global de
regressiva desse intervalo, a partir do Turoniano su- Variação Relativa do Onlap Costeiro (Haq et al. 1988)
perior. Apesar disso, na Bacia de Pernambuco-Paraí- apresenta idade de 78 Ma.
ba, esta mudança se deu de forma mais sutil e gra- Na Sub-bacia da Paraíba, o trato de sistemas
dual. O padrão fortemente transgressivo que preva- transgressivos da Seqüência K88-K130 é representa-
leceu na seqüência anterior provavelmente se man- do por arenitos conglomeráticos a conglomerados fi-
teve até o Campaniano superior, culminando em um nos de matriz síltico-argilosa, de sistemas fluviais
pico máximo expresso por um nível fosfático. A par- meandrantes, incluídos na Formação Beberibe, que
tir daí, o padrão transgressivo cedeu lugar a um pa- interdigitam-se vertical e lateralmente com arenitos
drão agradacional. A imposição, no entanto, de uma finos a médios, calcíferos e com rico conteúdo fossilí-
tendência fortemente regressiva ocorreu apenas no fero, dos sistemas litorâneos da Formação Itamaracá.
final do Cretáceo. Estas fácies possivelmente gradam, em direção a
Nas linhas sísmicas, pode ser observado que offshore, para rochas carbonáticas e pelíticas de pla-
os refletores que representam os estratos mais supe- taforma aberta. Infere-se que tais rochas constituam
riores dessa seção truncam o limite superior dessa os primeiros registros, nas porções mais distais da Sub-
seqüência, na forma de toplaps e truncamentos ero- bacia da Paraíba, da plataforma carbonática Grama-
sionais, revelando que a discordância do Maastrich- me. Ao final da deposição deste trato de sistemas
tiano superior/Daniano preservou estratos mais jo- foram implantados sistemas lagunares e estuarinos nas
vens nas porções mais distais das sub-bacias. regiões costeiras, representados pelos arenitos calcí-
O intervalo envolvido na deposição da Seqüên- feros das porções intermediária e superior da Forma-
cia K88-K130, que vai do Turoniano superior ao ção Itamarácá. Juntamente com o avanço das fácies
Maastrichtiano superior/Daniano, corresponde, na litorâneas para a costa, os sedimentos carbonáticos,
Curva Global de Variação Relativa do Onlap Costeiro que provavelmente ocupavam uma área mais restrita
(Haq et al. 1988) a duas superseqüências separadas na plataforma, devem ter avançado no mesmo senti-
por uma importante discordância do Eocampaniano, do, ampliando assim a extensão da plataforma car-
com idade circa 80 Ma. De forma comparativa, pode bonática Gramame. Este trato culmina com uma im-
ser inferido que a Seqüência K88-K130 também cons- portante superfície de máxima inundação marinha,
titui uma seqüência composta por duas seqüências representada por um nível fosfático que ocorre no topo
de mais alta freqüência, separadas por uma discor- da Formação Itamaracá, já na transição para a For-

396 | Bacia de Pernambuco-Paraíba - Córdoba et al.


mação Gramame. Este nível é caracterizado pela as- tinente, passando pelas águas marinhas rasas até as
sociação de foraminíferos bentônicos e de algas ver- porções abissais. Em águas marinhas rasas, a sedi-
des com foraminíferos planctônicos. Esta mistura de mentação é representada por sedimentos siliciclásti-
biota é creditada a correntes sazonais de ressurgência, cos de sistemas deposicionais transicionais, que pas-
de águas ricas em nutrientes, das porções mais pro- sam por sistemas deposicionais carbonáticos com
fundas para as mais rasas da plataforma. Tal nível grande diversidade biológica, construções recifais e/
fosfático é reconhecido regionalmente como uma ou bancos carbonáticos na borda da plataforma, até
expressiva anomalia de raios-gama, podendo ser cor- os sistemas de leques submarinos nas porções mais
relacionado a outros níveis de fosfato existentes no profundas de talude e bacia. Sistemas fluviais repre-
Campaniano, nas bacias vizinhas (Matsuda 1988; sentando a sedimentação continental passaram a
Matsuda e Viviers 1989). compor este cenário deposicional nos momentos ini-
Sobre esta superfície de máxima inundação ciais da deposição desta seqüência.
depositou-se o trato de sistemas de nível de mar alto A Seqüência Drifte Regressiva foi dividida em
da Seqüência K88-K130, que é marcado por uma duas seqüências de ordem superior, denominadas de
tendência de empilhamento agradacional a progra- Seqüência E10-N10 (Drifte Regressiva Inferior), de
dacional, sendo representado pelas rochas carboná- idade Paleoceno inferior/Mioceno inferior e a Seqüên-
ticas do topo da Formação Gramame. Esta forma- cia N20-N50 (Drifte Regressiva Superior) do Mioceno
ção, de idade campaniana-maastrichtiana, é com- médio/Plioceno, separadas por uma importante dis-
posta predominantemente por grainstones a packs- cordância do Mioceno inferior. Esta divisão teve como
tones maciços, por vezes intensamente dolomitiza- suporte a identificação, nas linhas sísmicas, de um
dos e/ou contendo grãos siliciclásticos, e por refletor mais expressivo, que marca a transição entre
mudstones e margas, com intensa bioturbação. Es- um conjunto de refletores com caráter progradacio-
tas rochas são compostas por uma biota variada, e nal, que corresponde à Seqüência E10-N10, para
tal fato corroborou para a interpretação de que as outro conjunto com caráter agradacional, relaciona-
mesmas se depositaram sob condições de mar aber- do à Seqüência N20-N50.
to, em águas quentes e calmas e com lâmina d’água
entre 100 a 200 m. O final deste trato de sistemas
provavelmente é marcado por taxas relativamente
Seqüência E10-N10
menores de subida eustática do nível do mar e por
uma diminuição gradativa na taxa de acomodação, Esta seqüência apresenta como representan-
o que gerou a migração dos cinturões de fácies para tes litoestratigráficos as formações Algodoais, Mari-
o interior da bacia, num padrão progradacional. Tal tuba, Mosqueiro e Calumbi, na Sub-bacia de Per-
fato pôde ser comprovado pela ocorrência, em al- nambuco, e as formações Marituba, Maria Farinha e
guns poços no setor onshore da bacia, de níveis de Calumbi na Sub-bacia da Paraíba.
arenitos calcíferos intercalados com as rochas carbo- Na Sub-bacia de Pernambuco, esta seqüência
náticas típicas da Formação Gramame, na porção é formada por sistemas fluviais, transicionais e mari-
mais superior desta seqüência. Estes níveis represen- nhos rasos e profundos. Os sistemas fluviais que com-
tam o avanço dos sedimentos litorâneos por sobre põem a Formação Algodoais compreendem conglo-
os sedimentos carbonáticos de plataforma. merados predominantemente polimíticos e arenitos
com intercalações de argilitos, possuindo um padrão
entrelaçado a meandrante. Para esta unidade, ca-
Seqüências E10-N10 e N20- racteristicamente afossilífera, Lima Filho (1998) pro-
N50 pôs uma idade no intervalo Cretáceo superior – Pa-
leógeno. Todavia, a ocorrência de apatita detrítica
nesta formação, com idade de 78 ± 6 Ma pelo méto-
A Seqüência Drifte Regressiva é marcada pelo do de traços de fissão, sugere que, ao final do Cretá-
estabelecimento pleno das condições de deposição ceo superior, a sua área fonte já estaria exumada e
em ambiente marinho aberto. Neste contexto pa- exposta à erosão. Conseqüentemente, e pelo baixo
leoambiental desenvolveram-se nas sub-bacias inves- grau de litificação, a idade de deposição deve ser
tigadas plataformas com fisiografia de borda, talude mais jovem, possivelmente paleógena.
e bacia, onde a deposição se processou desde o con-

B. Geoci. Petrobras, Rio de Janeiro, v. 15, n. 2, p. 391-403, maio/nov. 2007 | 397


Na Sub-bacia da Paraíba, por sua vez, a Se- mentar excedia amplamente a taxa de criação de
qüência E10-N10 é formada por sistemas marinhos espaço de acomodação, para condições de deposi-
rasos a profundos, não incluindo sistemas fluviais. ção onde predomina um equilíbrio entre as taxas de
Na porção onshore desta sub-bacia, a seqüência é aporte sedimentar e a de criação de espaço de aco-
representada pelas rochas carbonáticas de platafor- modação. A Sub-bacia de Pernambuco inclui as for-
ma e borda de plataforma da Formação Maria Fari- mações Barreiras, Marituba, Mosqueiro e Calumbi,
nha, que representa uma prolífera plataforma car- e a Sub-bacia da Paraíba as formações Barreiras,
bonática, composta essencialmente por grainstones Marituba, Maria Farinha e Calumbi.
a packstones bioclásticos. A Seqüência N20-N50 é representada por vários
Na porção offshore de ambas as sub-bacias, sistemas deposicionais, integrados em uma ampla pla-
estratos avaliados como equivalentes aos sistemas taforma com borda. Neste panorama deposicional, sis-
fluviais da Formação Algodoais, na Sub-bacia de Per- temas continentais representados por depósitos de le-
nambuco, ou correlatos aos sistemas carbonáticos ques aluviais e fluviais relacionados à Formação Barrei-
da Formação Maria Farinha, na Sub-bacia da Paraí- ras gradavam nas regiões litorâneas para depósitos silici-
ba, encontram-se representados sismicamente por clásticos de sistemas transicionais, denominados (seguindo
um conjunto de clinoformas dispostas em downlap a explanação da seqüência anterior) de Formação Mari-
sobre a discordância inferior, do Maastrichtiano su- tuba. Os sistemas deposicionais marinhos são represen-
tados por depósitos carbonáticos plataformais e de bor-
perior/Daniano, e em toplap com relação à discor-
da de plataforma e por folhelhos e raros turbiditos de
dância superior, do Mioceno inferior. Para nomear
talude e bacia. Estes sistemas marinhos foram relacio-
litoestratigraficamente as rochas carbonáticas plata-
nados, respectivamente, às formações Maria Farinha e
formais que ocorrem somente em offshore na Sub-ba-
Calumbi, também segundo a explicação anterior.
cia de Pernambuco, optou-se por utilizar a designação
Considerando que a Seqüência N20-N50 pos-
da unidade equivalente na Sub-bacia da Paraíba, nes-
sui como limite inferior uma discordância produzida
te caso, a Formação Maria Farinha. Para classificar os
por um pronunciado recuo do nível do mar e que se
folhelhos pelágicos e turbiditos de talude e bacia que
desenvolveu em uma paleomorfologia de platafor-
ocorrem nas porções mais distais de ambas as sub-
ma com borda, pode-se especular que a Seqüência
bacias, foi adotado o nome da unidade cronoestrati- N20-N50 na Bacia de Pernambuco-Paraíba seja com-
gráfica correspondente na Bacia Sergipe-Alagoas, a posta pelos tratos de sistemas de nível de mar baixo,
Formação Calumbi. Foi interpretado ainda, com base transgressivo e de nível de mar alto.
no padrão de empilhamento progradacional identifica- Durante a deposição do trato de sistemas de ní-
do sismicamente que, ao final desta seqüência, ocor- vel de mar baixo, com o recuo do onlap costeiro e da
rem sistemas siliciclásticos costeiros, que vieram a re- linha de costa para as porções mais distais, provavel-
ceber a denominação de Formação Marituba, nome mente desenvolveram-se sistemas de leques submari-
também derivado da Bacia Sergipe-Alagoas. nos no talude e bacia, seguidos pela deposição de uma
Esta seqüência se desenvolveu sob uma cunha clástica, de forma progradante, representando a
paleomorfologia de plataforma com borda, talude e parte tardia do rebaixamento eustático. O trato de siste-
bacia. Sendo assim, infere-se que a mesma seja for- mas transgressivo é marcado pelo avanço dos cinturões
mada pelo trato de sistemas de nível de mar baixo, de fácies para as porções mais proximais, culminando
com seus típicos sistemas de leques submarinos e a com a superfície de máxima inundação marinha. Du-
cunha de nível de mar baixo, e pelos tratos de siste- rante este episódio, é provável que o aporte de sedi-
mas transgressivos e de nível de mar alto. Nas linhas mentos siliciclásticos tenha diminuído, contido nas áreas
sísmicas, não foi possível reconhecer as superfícies- costeiras, e que nas regiões plataformais tenha domina-
chave, que separam estes tratos de sistemas. do uma sedimentação carbonática pura. Durante a de-
posição do trato de sistemas de nível de mar alto, houve
uma redução da taxa de criação do espaço de acomo-
Seqüência N20-N50 dação, concomitante com o avanço dos cinturões de
fácies para a bacia. Esta situação deve ter imprimido
O início da deposição desta seqüência, no condições de sedimentação mista, com sedimentos sili-
Mioceno inferior/médio, marca a mudança das con- ciclásticos e carbonáticos interdigitando-se em águas pla-
dições prevalecentes durante toda a deposição da taformais, além da geração de bioconstruções de corais,
seqüência sotoposta, onde a taxa de aporte sedi- sejam na forma de manchas recifais na plataforma ou

398 | Bacia de Pernambuco-Paraíba - Córdoba et al.


como recifes de barreira nas margens da mesma. Du- Paraíba, e um controle por mecanismo gravitacional
rante toda a deposição desta seqüência, sedimentos de (colapso da plataforma-talude) pode ser aventado. O
leques aluviais e fluviais, relacionados à Formação Bar- diapirismo salino em águas profundas da Sub-bacia
reiras, ocuparam as regiões mais proximais da bacia. de Pernambuco está inserido neste contexto. Toda-
via, na Sub-bacia da Paraíba, entre Recife e Natal,
ocorrem estruturas de grábens com distensão NE/ENE,
Seqüência N60 cujas falhas afetam tanto as unidades do Cretáceo
superior (até o Campaniano) como o próprio emba-
A Seqüência N60 ocorre na parte emersa da samento cristalino. Reativações deste regime
bacia, constituída pelos sedimentos de planícies próxi- cinemático chegam a afetar a Formação Barreiras.
mo à foz dos rios, principalmente Sirinhaem, Capibaribe O terceiro evento distinguido envolve disten-
e Paraíba e por cordões litorâneos ao longo da costa. são longitudinal às bacias, em geral mediando a di-
reção N-S (a NNE). Na Bacia Sergipe-Alagoas, um
importante evento deformacional, com tal
cinemática, é de idade pré-Formação Barreiras. Na
tectônica e Bacia de Pernambuco-Paraíba, esta cinemática é
definida por falhas normais E-W a ENE, além de fa-
magmatismo lhas de rejeito direcional, ou oblíquas, com direções
NE e NW. A cinemática de distensão N-S ± com-
pressão E-W pode ser relacionada ao campo de ten-
Na evolução da Bacia Pernambuco-Paraíba, sões de escala continental, que afeta a Placa Sul-
desde o estágio Rifte até o estágio Drifte (incluindo Americana desde o Cretáceo superior.
as fases Transgressiva e Regressiva), ocorreram pro- Dado à carência de marcadores estratigráfi-
cessos deformacionais e magmáticos que contribuí- cos ou geocronológicos, a exata cronologia entre os
ram para o arcabouço ou estão presentes no registro eventos Pós-Rifte ainda é pouco conhecida. Muito
estratigráfico. Com base na geometria das estrutu- provavelmente, esses eventos são em parte pene-
ras, assinatura cinemática, relações cronológicas e contemporâneos, mas relacionados a causas distin-
provável mecanismo gerador, três eventos deforma- tas, de escala regional (colapso da margem conti-
cionais são reconhecidos. nental) ou distribuído por toda a placa.
O evento sinrifte (ou simplesmente Rifte) é Ao longo da Bacia Pernambuco-Paraíba, são
traduzido por uma deformação distensional, com eixo assinaladas ocorrências de rochas ígneas de contex-
de máxima distensão na direção NW-SE. Falhas nor- to sin a tardirifte (a Suíte Magmática Ipojuca, no se-
mais em arranjo lístrico ou dominó, com direção NE, tor emerso e plataforma adjacente da Sub-bacia de
e combinadas a falhas de transferência (em geral, Pernambuco; os SDRs, no limite com a crosta oceâ-
de rejeito oblíquo) NW, são as estruturas caracterís- nica) e Pós-Rifte (a província de corpos magmáticos
ticas deste estágio de evolução. O registro cinemático no Platô de Pernambuco e ocorrências restritas no
descrito tem como base as exposições da Superse- embasamento ladeando a Sub-bacia da Paraíba).
qüência Rifte na Sub-bacia de Pernambuco (Almeida A Suíte Magmática Ipojuca (SMI) engloba ba-
et al. 2005). Na Sub-bacia da Paraíba, falhas sinrifte saltos, traqui-andesitos e traquitos, riolitos, piroclásti-
são reconhecidas em offshore pela sísmica. cas e o Granito do Cabo de Santo Agostinho. Este
Um segundo evento (Pós-Rifte), é representa- conjunto de litotipos ígneos está filiado a dois magmas
do também por estruturas distensionais, todavia re- parentais distintos, básico e ácido, pelo menos em
conhecidas em unidades mais jovens, sobrepostas à parte coexistentes, ambos de afinidade alcalina (Nas-
discordância rifte-rifte (na Sub-bacia de Pernambu- cimento 2003). A presença de derrames e camadas
co) ou cronologicamente equivalentes (Seqüência piroclásticas intercaladas na Formação Cabo, junto com
Drifte Transgressiva Superior e Regressiva, na Sub- corpos hipabissais (soleiras, diques e plugs, além do
bacia da Paraíba). As falhas normais são mapeadas plúton epizonal) nela intrusivos, indicam que o mag-
tanto em terra quanto em linhas sísmicas no mar, e, matismo foi penecontemporâneo à deposição daque-
muito freqüentemente, constituem falhas peliculares les sedimentos (pelo menos ao nível aflorante no conti-
ou ocorrem na continuidade das falhas sinrifte. O nente) e à tectônica rifte. O controle desses corpos por
eixo principal de distensão varia entre WNW, na Sub- falhas sinrifte é evidenciado em vários exemplos de
bacia de Pernambuco; a NE/ENE, na Sub-bacia da campo (Almeida et al. 2005).

B. Geoci. Petrobras, Rio de Janeiro, v. 15, n. 2, p. 391-403, maio/nov. 2007 | 399


Várias amostras desses corpos foram datadas i) Os altos seriam dominados por construções
pelos métodos 40Ar-39Ar e traços de fissão em zircão, magmáticas Pós-Rifte, possivelmente de idade neo-
resultando em um dos melhores conjuntos de idades cretácea, em sua maior parte intrusivas no embasa-
disponíveis em bacias da margem continental brasi- mento cristalino. Esta hipótese, relacionável à ativi-
leira (Nascimento 2003). A distribuição das datações dade de plumas intraplaca, é mais simples e parece
permite estimar que os diversos componentes da SMI contemplar melhor as relações de onlap da seqüên-
(basaltos, traquitos, riolitos e o Granito do Cabo) fo- cia terciária nas bordas dos altos;
ram formados no intervalo de tempo 105 a 100 (±2) ii) Numa hipótese atualmente avaliada como
Ma, correspondente ao Meso-Neoalbiano. Em de- de menor probabilidade, os altos seriam de origem
corrência, a mesma idade pode ser inferida para a tectonomagmática, relacionada ao rifteamento, com
seção superior da Formação Cabo. Por outro lado, soerguimento da crosta inferior granulítica intrudida
os dados palinológicos dos poços do Cupe e Piedade por plútons granitóides neoproterozóicos/brasilianos
indicam um intervalo Mesoaptiano à base do Albia- (expostos na margem continental), e/ou por corpos
no (palinozonas P-260 a P-280) para os níveis inferio- ígneos sinrifteamento, equivalentes plutônicos dos
res a medianos desta formação, que são capeados por litotipos dominantes na Suíte Ipojuca (sienogabros/
uma zona estéril que pode corresponder ao intervalo dioritos a monzonitos/monzodioritos).
Meso/Neo-Albiano (pós-P-280) inferido a partir das
Finalmente, ainda deve ser citada a ocorrên-
idades das rochas da SMI.
cia, eventual e pontual, de rochas básicas/alcalinas
Na região limítrofe entre as crostas continen-
de idade neocretácea a terciária, especialmente na
tal e oceânica, no Platô de Pernambuco, mas tam-
Sub-bacia da Paraíba, tendo como exemplos e análo-
bém ao longo da Sub-bacia da Paraíba, a reinterpre-
gos, no continente, a intrusão alcalina de Itapororoca
tação de algumas linhas sísmicas estudadas no Pro-
e os basaltos alcalinos correlatos à Suíte Macau.
jeto Pernambuco-Paraíba permite identificar a ocor-
rência dos seaward-dipping reflectors (SDRs). Com
base em vários exemplos descritos na literatura, tais
feições correspondem a seqüências vulcanossedimen-
tares (provavelmente vulcânicas básicas intercaladas
com sedimentos silicilásticos de proveniência conti-
agradecimentos
nental) cuja idade coincide com um estágio tardio,
ou terminal, do rifte, e a conseqüente criação de Agradecimentos à Agência Nacional de Petró-
assoalho oceânico. No caso da Bacia de Pernambu- leo, Gás e Biocombustíveis (ANP) e a Veritas do Brasil
co-Paraíba, tais seqüências estão capeadas por sedi- S.A. pelo apoio e permissão para divulgação dos resul-
mentos de provável idade paleógena/neógena (Se- tados dos projetos, como também a Petrobras, em nome
qüência Regressiva) e, pelo menos em parte, pare- de Gilmar Vital Bueno, Hamilton Duncan Rangel e
cem estar assentadas sobre o substrato oceânico. Edison José Milani, pelo honroso convite para partici-
No Platô de Pernambuco, o exame das li- pação neste volume e pelas discussões técnicas ocorri-
nhas sísmicas permite interpretar a ocorrência de das durante a preparação da carta estratigráfica.
outros tipos de corpos magmáticos, de forma ta-
bular (soleiras), encaixados nas Seqüências Rifte e
Drifte Transgressiva, mais provavelmente definin-
do uma província ígnea mais jovem, em compara-
ção com a SMI.
referências
Esta província ígnea na Sub-bacia de Pernam-
buco marítima é referida como os Altos Magmáticos
bibliográficas
do Platô de Pernambuco. Marcantes anomalias mag-
néticas e gravimétricas estão associadas com estes
altos batimétricos, que ocorrem no domínio de cros- ALMEIDA, C. B.; CRUZ, L. R.; JARDIM DE SÁ, E. F.;
ta continental, sob águas profundas e ultraprofun- VASCONCELOS, P. M. P.; MEDEIROS, W. E. Tectôni-
das. Tais rochas podem corresponder a grandes ca e relações estratigráficas na Sub-bacia de Pernambu-
plútons ou a enxames de corpos menores, freqüen- co, NE do Brasil: contribuição ao conhecimento do rifte
temente tabulares. Duas hipóteses principais podem Sul-Atlântico. Boletim de Geociências da Petrobras,
ser colocadas para a origem destas feições: Rio de Janeiro, v. 13, n. 2, p. 167-180, maio/nov. 2005.

400 | Bacia de Pernambuco-Paraíba - Córdoba et al.


BRITO, A. F.; ANTUNES, A. F.; JARDIM DE SÁ, E. F.; relações com as unidades sedimentares da Bacia
MEDEIROS, W. E.; CÓRDOBA, V. C.; SOUSA, D. C.; de Pernambuco (NE do Brasil). 2003, 235 p. Tese
ARARIPE, P. T. Reinterpretação sísmica e gravimétrica (Doutorado) – Universidade Federal do Rio Grande do
no Platô de Pernambuco: altos e depocentros, evidên- Norte, Natal, 2003.
cias de uma seção evaporítica e implicações explorató-
rias. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 43., VAIL, P. R.; AUDERMAD, F.; BROWMAN, S. A., EISNER,
2006, Aracajú. Anais. Bahia: Sociedade Brasileira de P. N.; PEREZ-CRUZ, C. The stratigraphy signatures of
Geologia. Núcleo Bahia-Sergipe Aracaju, 2006. 14 p. tectonics, eustacy and sedimentology: an overview. In:
EINSELE, G.; RICKEN, W.; SEILACHER, A. (Ed.) Cycles
HAQ, B. U.; HARDENBOL, J.; VAIL, P. R. Mesozoic and events in stratigraphy. Berlin: Springer-Verlag,
and cenozoic chronostratigraphy and cycles of Sea- 1991. p. 617-659.
Level change. In: WILGUES, C. K.; HASTINGS, B. S.;
POSAMENTIER, H. W.; VAN WAGONER, J. C.; ROSS,
C. A.; KENDALL, C. G. S. G. (Ed.). Sea-level
changes: an integrated approach. Houston: Society
of Economic Paleontologists and Mineralogists, 1998.
bibliografia
p. 71-108. (SEPM. Special Publication, 42).
FEIJÓ, F. J. Bacia Pernambuco-Paraíba. Boletim de
JARDIM DE SÁ, E. F.; MEDEIROS, W. E.; ANTUNES, Geociências da Petrobras, Rio de Janeiro, v. 8, n. 1,
A. F.; ALVES DA SILVA, F. C.; CÓRDOBA, V. C.; OLI- p. 143-147, jan./mar. 1994.
VEIRA, R. G. O extremo norte do rifte sul-atlântico:
integração geologia e geofísica. In: CONGRESSO BRA- JARDIM DE SÁ, E. F.; CRUZ, L. R.; ALMEIDA, C. B.;
SILEIRO DE GEOLOGIA, 43., 2006, Aracajú. Anais. MEDEIROS, W. E.; MOREIRA, J. A. M.; FIGUEIREDO, E.
Bahia: Sociedade Brasileira de Geologia. Núcleo M. Tectônica pós-rifte na Sub-bacia da Paraíba, Nordes-
Bahia-Sergipe Aracaju, 2006. 17 p. te do Brasil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLO-
GIA, 42., 2004. Araxá. Anais. Minas Gerais: Sociedade
LIMA FILHO, M. F. Análise estratigráfica e estrutu- Brasileira de Geologia, 2004. 1 CD-ROM.
ral da Bacia Pernambuco. 1998. 139 p. Tese (Dou-
torado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998. JARDIM DE SÁ, E. F.; ALMEIDA, C. B.; RABÊLO CRUZ,
L.; NASCIMENTO, M. A. L.; ANTUNES, A. F.; ALVES
LIMA FILHO, M. F.; SILVA SANTOS, P. R. Biocronoestrati- DA SILVA, F. C. Controle estrutural no alojamento de
grafia da Bacia Pernambuco – implicações ambientais e rochas vulcânicas: exemplos e implicações na Bacia
paleogeográficas. Revista Brasileira de Paleontologia, Pernambuco-Paraíba, NE do Brasil. In: SIMPÓSIO NA-
São Leopoldo, v. 2, p. 84-85. 2001. CIONAL DE ESTUDOS TECTÔNICOS, 10., 2005,
Curitiba. Boletim de resumos expandidos. Curitiba:
MATSUDA, N. S.; VIVIERS, M. C. Caracterização do Sociedade Brasileira de Geologia, 2005. p. 75-77.
marco radioativo da parte superior da Formação
Jandaíra na Bacia Potiguar. In: CONGRESSO BRASI- NASCIMENTO, M. A. L.; VASCONCELOS, P. M.; SOU-
LEIRO DE PALEONTOLOGIA, 11., 1989, Curitiba. ZA, Z. S.; JARDIM DE SÁ, E. F.; CARMO, I. O.; THIEDE,
Anais. Curitiba: Sociedade Brasileira de Paleontolo- D. 40Ar-39Ar geochronology of the Cabo Magmatic
gia, 1989, p. 1029-1041. Province, Pernambuco Basin, NE Brazil. In: SOUTH
AMERICAN SYMPOSIUM ON ISOTOPE GEOLOGY, 4.,
MATSUDA, N. S. Caracterização petrográfica, 2003, Salvador. Anais. Salvador: Companhia Baiana
mineralógica e paleoambiental da anomalia ra- de Pesquisa Mineral, 2003. p. 624-628.
dioativa associada às rochas carbonáticas do Cre-
táceo Superior da Bacia Potiguar, Rio Grande do RABÊLO CRUZ, L., CÓRDOBA, V. C., MATOS, R. M.
Norte, Brasil. 1988, 131 p. Tese (Mestrado) - Uni- D., JARDIM DE SÁ, E. F., ALMEIDA, C. B., GUEDES,
versidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 1988. I. M. G., LIMA FILHO, M. F. Revisão lito-estratigráfica
da Sub-bacia de Pernambuco, Nordeste do Brasil. In:
NASCIMENTO, M. A. L. Geologia, geocronologia, CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 42., 2004.
geoquímica e petrogênese das rochas ígneas Araxá. Anais. Minas Gerais: Sociedade Brasileira de
cretácicas da Província Magmática do Cabo e suas Geologia, 2004. 1 CD-ROM.

B. Geoci. Petrobras, Rio de Janeiro, v. 15, n. 2, p. 391-403, maio/nov. 2007 | 401


BACIA DE PERNAMBUCO-PARAÍBA

SEDIMENTAÇÃO
NATUREZA DA
LITOESTRATIGRAFIA
GEOCRONOLOGIA AMBIENTE
DISCORDÂNCIAS
Ma DEPOSICIONAL
FORMAÇÃO MEMBRO
ÉPOCA IDADE
0
SPA

BARREIRAS
EO ZAN C LEAN O

N20 - N50
1.200
M E S S I N I AN O
NEÓGENO

NEO
TORT ONIANO
10
S E R R AVAL IA N O
MESO
LANG H I AN O

MARITUBA
MAR I N H O R E G R E S S I VA
B U R D I GAL IA N O MIOCENO INFERIOR
20 EO
AQ U I TAN IA N O

HA
NEO C HAT T IAN O

MARIA FAR IN
30
EO R U P E L IA N O

NEO OLIGOCENO

E10 - N10
P R I AB O N I AN O

ALGODOAIS

1.500
PALE Ó G E NO

BAR T O N I AN O

CALUMBI
40
EOCENO

MESO
L UT E T I AN O

50
EO Y P R E S I AN O
PALEOCENO

T HAN E T I AN O
NEO
60 S E LAN D I AN O

EO DAN I AN O

MAASTRICHTIANO/DANIANO
CONT. / MARINHO TRANSG.

70

GRAMAME
( SE NO NIANO )

K88 - K130
ACÁ

2.000
COSTEIRO

CAM PA N IAN O
EOCAMPANIANO
BEBERIBE
R

80
ITAM A
NEO

SAN T O N I AN O

C O N I AC I AN O
90
T U R O N I AN O FLUVIO- NEOTURONIANO

700

K82-
ESTUARINO

K86
/ RAMPA ESTIVA
C E N O MA N IA N O CARBONÁTICA
100
CRETÁCEO

SUÍTE
JUCA

NEO-ALBIANO
IPO-
LEQUES ALUVIAIS
CONTINENTAL

/ LACUSTRE

AL B I AN O
K40 - K70
( GÁ LIC O )

110
CAB O

ALAGOAS
APTIANO
120
EO

PRÉ-ALAGOAS SUPERIOR
JI QUIÁ
BARRE- BURACICA
MIANO
130
ARAT U
(N EO CO M IAN O )

HAUTE-
RIVIANO

VALAN-
GINIANO RIO
140 DA
BERRIA- SERRA
SIANO

DOM
TITHO-
JOÃO
NIANO
150
542
EM BASAME NTO

402 | Bacia de Pernambuco-Paraíba - Córdoba et al.


B. Geoci. Petrobras, Rio de Janeiro, v. 15, n. 2, p. 391-403, maio/nov. 2007 | 403