Anda di halaman 1dari 16

Centro de Filosofia e Ciências Humanas

Instituto de Psicologia
Departamento de Psicometria
Disciplina Planejamento de Pesquisa

PRECISAMOS FALAR SOBRE KEVIN - OU OUVIR O CHORO DE ABANDONO DE


UM DELIQUENTE JUVENIL?

Anna Becker
Anna Luiza Guimarães
Izabella Giglio
Ricardo de Almeida
Orientador: Victor Eduardo da Silva Bento

Rio de Janeiro – RJ
08/2015
2

SUMÁRIO

FICHA TÉCNICA DO FILME .................................................................................. 3


1. INTRODUÇÃO .................................................................................................... 4
2. MÉTODO ......................................................................................... ................... 5
3. RESUMO DO FILME .......................................................................................... 6
4. DISCUSSÃO ...................................................................................... ................. 10
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 16
REFERÊNCIAS ....................................................................................... ............... 17

(COLOCAR AS PÁGINAS CERTAS QUANDO TERMINAR TUDO)


3

FICHA TÉCNICA DO FILME

Título: We Need to Talk About Kevin (Original)


Ano de produção: 2011
Dirigido por: Lynne Ramsay
Estréia: 27 de janeiro de 2012 (Brasil)
Duração: 112 minutos
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos
Gênero: Drama
Países de origem: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, e Estados Unidos
da América.

A produção é baseada no livro We Need to Talk About Kevin, de Lionel Shriver.

1. INTRODUÇÃO
4

Este trabalho foi realizado como avaliação final da disciplina Planejamento de


Pesquisa em Psicologia, orientado pelo professor Victor Eduardo Silva Bento Bento no
primeiro semestre do ano de 2015 (2015.1). Desejamos tratar nesse trabalho a questão
da delinquência juvenil, e de como a trajetória de vida e relações fundamentais de
crianças com suas famílias podem influenciar seu desenvolvimento nesse aspecto,
ressaltando a importância dos relatos pessoais desses jovens. A pesquisa será feita a
partir da análise do filme Precisamos falar sobre Kevin (2011), que retrata o
crescimento do menino Kevin Katchadourian a partir de sua relação conturbada com
sua mãe, Eva, sendo o filme uma adaptação para o cinema do livro de ficção
homônimo, de Lionel Shriver. Os dois personagens principais demonstram desde cedo
dificuldades em seu relacionamento, até mesmo antes do nascimento de Kevin, e a
partir disso iremos analisar como isso pode ter impactado a personalidade do menino.
O trabalho durou quatro semanas.

2. MÉTODO

O método utilizado para a realização do trabalho foi pesquisa bibliográfica


(CONFIRMAR ISSO, EU NÃO SEI), através da análise de obras de Winnicott,
5

principalmente Privação e Delinquência (inserir autores e/ou textos aqui), com a


intenção de coletar dados sobre a delinquência juvenil, suas possíveis causas, e a
melhor maneira de lidar com o fenômeno.

3. RESUMO DO FILME

O filme conta a história de Eva Katchadourian e sua relação com seu filho mais
velho, Kevin. A história não é contada em ordem cronológica, alternando entre cenas
da vida atual de Eva e seu passado, mostrando sua trajetória desde quando
engravidou de Kevin, e é feito principalmente por cenas curtas. Pelo filme ter uma
6

mudança de cenas e de épocas muito rápida, esta sinopse será escrita na ordem
cronológica dos acontecimentos.

Eva, quando jovem, trabalhava viajando pelo mundo escrevendo guias de


viagem, até engravidar de Franklin, e eles decidirem criar o bebê. Em seus primeiros
meses de vida, Kevin chora constantemente. Em uma cena sua mãe tenta fazê-lo parar
segurando-o em sua frente e balançando-o, mas ele não para. Ela então leva-o até
uma construção na rua, de modo que seus gritos ficam abafados. Quando seu pai
chega, e pega-o nos braços, ele não chora.

Kevin como criança resiste às tentativas da mãe de realizar brincadeiras, falar


ou treinar para ir ao banheiro. Eva chega a leva-lo ao médico, indagando se sua não
verbalização poderia ser um sinal de autismo, mas o médico afirma que não há nada
de errado com a sua saúde. Kevin, mesmo verbalizando, ainda responde “não” aos
pedidos de Eva para que diga “mommy”. Em uma cena, Eva diz para Kevin que era
feliz antes dele chegar, e que agora acorda todos os dias desejando estar na França, e
é vista por seu marido. Na cena seguinte os dois discutem sobre se mudar de Nova
Iorque, Franklin sendo a favor, dizendo ser o melhor para a infância de Kevin, e Eva
contra, por seu amor à cidade. Kevin balbucia sons enquanto eles discutem, mais alto
quando sua mãe pede que pare, e ela em seguida dá-lhe um tapa na mão.

A família então se muda para uma grande casa, onde Eva decora um dos
quartos com mapas e outras lembranças de suas viagens. Kevin chama a decoração
de “estúpida”. Eva sai do quarto para atender o telefone, e quando volta, as paredes
estão cobertas de tinta, e Kevin está com uma arminha d’água na mão, que Eva
arranca de suas mãos, joga no chão e pisa. Franklin depois diz para Eva que Kevin
está arrependido e só queria deixar o quarto mais especial. Kevin, apesar da idade, usa
fraldas. Numa ocasião, após Eva trocá-las uma vez, Kevin propositalmente evacua de
novo. Eva então pega-o e o atira no chão, e ele quebra o braço. Os dois vão para o
hospital, e ao retornarem, Kevin conta ao pai que caiu, não que foi atirado. No mesmo
dia, ele usa o banheiro sozinho.
7

Eva engravida novamente, Franklin descobrindo quando seu filho diz que ela
está “gorda”. Ela explica o processo para Kevin usando metáforas de ursos e
sementes, mas ele já sabe o que é uma relação sexual. Kevin afirma que pode não
gostar do bebê, e sua mãe diz que se não gostar terá que se acostumar, e ele por sua
vez fala que não só porque está acostumado com algo que gosta daquilo, e diz que ela
está acostumada a ele. Quando Celia nasce, Kevin espirra água em seu rosto ao
conhece-la. Na cena seguinte, Kevin ganha um arco e flecha de brinquedo de seu pai,
e atira uma flecha em direção a sua mãe. Ele continua praticando a atividade por
muitos anos.

Com Kevin já adolescente, Eva o chama para ir ao minigolfe e jantar, e quando


ela tenta perguntá-lo sobre sua vida, Kevin antecipa ironicamente o que ela diria. Ela
vasculha seu quarto e acha um CD escrito “eu te amo”, e ao colocá-lo em seu
computador descobre que era um vírus. Ao perguntar o porquê de seu filho ter o CD,
Kevin responde que não há porque. No natal, Kevin ganha um arco de seu pai, e Celia
ganha um porquinho da índia que chama de Snuffles. Pouco depois, Snuffles
desaparece, e Eva diz à filha que ele foi morar no jardim. Logo depois ela descobre que
ele está no triturador da pia, e despeja ácido no ralo. Celia acaba no hospital por ter
pego materiais de limpeza corrosivos, e Eva diz que guardou-os, acusando Kevin. Celia
perde o olho direito e tem que usar um de vidro. Eva e Franklin conversam sobre se
divorciar, e Kevin escuta. Franklin diz que ele pode ter entendido a conversa errado
pelo contexto, e Kevin diz que ele é o contexto.

Uma encomenda chega para Kevin: uma caixa cheia de cadeados para
bicicletas. Pouco depois, quando Eva sugere que eles façam algo no fim de semana,
Kevin sugere que pode estar ocupado. Ele, em um dia de escola, trancou diversos
alunos em uma quadra e atirou neles com seu arco e flecha. Vários morreram. Quando
os bombeiros arrombam a porta, Kevin sai andando e se entrega sem resistir, sua mãe
o observando. Ao chegar em casa, Eva descobre que ele também matou Celia e
Franklin.
8

O primeiro fato exposto sobre Eva é que ela está procurando um emprego. Sua
entrevistadora afirma que “não se importa com o que ela tenha feito desde que saiba
digitar e arquivar”. Eva agradece repetidamente, e ao sair, é agredida por uma mulher
na rua e recusa ajuda logo depois. Ela tem uma tarde de folga do trabalho para visitar o
filho, em uma prisão para menores de idade. Os dois não conversam, e Kevin retira
suas unhas, enfileirando-as na mesa à sua frente. Eva diversas vezes é encarada por
outros, no trabalho ou no supermercado, por exemplo, e sua reação é sempre se retirar
do local. Em suas visitas ao filho, os dois ficam em silêncio na maioria das vezes. Em
uma ocasião, quando ia almoçar, Eva foi abordada por um jovem de cadeira de rodas,
que pergunta como ela está. O jovem é mostrado logo em seguida em uma maca de
hospital.

Em uma visita a Kevin, ele toca em uma cicatriz em seu braço, e Eva lhe
pergunta se ele lembra de como ela aconteceu. Kevin diz que sim, e que foi a coisa
mais honesta que ela já fez, remetendo-se à situação na qual Eva o atirou no chão.
Kevin faz um discurso falando sobre as mídias, dizendo que as pessoas passam a
maior parte do tempo assistindo televisão, especificamente pessoas como ele.

Na festa de natal de seu trabalho, Eva senta sozinha, e um colega a chama para
dançar. Ao recusar, ele indaga quem mais vai desejá-la, depois do que aconteceu. Eva
ainda cuida das antigas roupas de seu filho, tem um quarto igual ao dele na antiga
casa.

Eva visita Kevin no aniversário de 2 anos de seu crime, e ele será transferido a
uma prisão de maiores de idade. Eva constata que Kevin não parece feliz, e ele
pergunta se ele alguma vez já pareceu. Os dois falam de como ele se sente por ir à
prisão. Eva demanda saber por que Kevin fez o que fez. Ele diz que pensava saber, e
agora não tem tanta certeza. O tempo acaba, os dois se abraçam, e Eva sai da sala.
9

4. DISCUSSÃO

Ao assistir o filme, diversas questões podem ser levantadas. Talvez a mais


gritante para o observador comum seja a pergunta que Eva faz ao filho no fim do filme:
por que Kevin comete tais crimes? É possível que tal pergunta fique sem resposta,
porém olhando mais amplamente para a questão da delinquência juvenil, podemos
começar a pensar em contextos pertinentes ao acontecimento de casos como o de
Kevin.

É fácil perceber que a relação de Eva e Kevin é difícil desde o início. Eva, que
viajava o mundo escrevendo livros de viagem, não planejou a gravidez que mudou sua
10

vida completamente, muitas vezes contra sua vontade e para seu desgosto. Não se
ajusta facilmente ao papel de mãe, tendo que parar de viajar e após um tempo sair de
Nova Iorque, cidade que amava. Tinha dificuldades para se relacionar com o filho,
variando entre se mostrar desgostosa e infeliz com seu nascimento e tentativas de se
aproximar dele. Em um certo momento, quando ele ainda era bebê, ela diz diretamente
a ele que era feliz antes dele nascer, e agora acorda todos os dias desejando estar na
França.

Kevin, por sua vez, rejeita as tentativas da mãe de demonstrar afeto, e se


mostra uma criança no mínimo diferente. Demora para aprender a falar e usa fraldas
até uma idade avançada. Apresenta atitudes antissociais, porém quase sempre apenas
com a mãe, se mostrando uma criança majoritariamente alegre e comunicativa com o
pai. Podemos ver que ele é extremamente distante dela emocionalmente, e ao mesmo
tempo está sempre se “aproximando” em um certo nível, ao provocá-la, destruir suas
coisas, desobedece-la ou até mesmo rejeitá-la.

Segundo Winnicott (1987), a delinquência juvenil ocorre pois o adolescente tenta


encontrar uma resposta a seus conflitos inconscientes, e não teve suporte emocional
suficiente em sua infância para verbalizar ou reconhecer suas questões, fazendo então
a passagem ao ato. Cabe aqui ressaltar que o autor considera que toda criança possui
tendências anti-sociais, expressadas em sua relação com a mãe e sua busca a ela,
enquanto a delinquência representa um quadro mais grave de privação emocional.

Se tratando de uma ficção, certas características da relação de Kevin e Eva


parecem mais “claros” do que normalmente seriam. O menino mostra, até um certo
ponto, saber das consequências de seu distanciamento e relação conturbada,
constatando a todo tempo como a mãe o despreza.

Foram levantadas quatro questões sobre o filme, relacionadas aos seus


aspectos considerados mais relevantes.
11

1º - Por que Kevin maltratava Celia, sua irmã?

O relacionamento de Kevin com a irmã mais nova, Celia, se mostra conturbado


desde seu nascimento. Ao vê-la pela primeira vez, o menino molha as mãos e espirra
água na bebê recém nascida. Quando adolescente e Celia criança, Kevin é mostrado
muitas vezes maltratando-a. Como explicar tal fato? Isso tem origem na infância de
Kevin.

De acordo com Vilhena e Maia (2002), cabe à família dar suporte ao bebê para
que este aprenda a lidar com a própria agressividade, e portanto, atos delinquentes
demonstrariam uma falha nas funções paterna e materna na família.

A relação de Kevin com seu pai Franklin não aparece tanto no filme quanto a
dele com sua mãe, porém, podemos inferir que esta era problemática desde antes do
menino nascer. Eva parece infeliz desde sua gravidez, que não foi planejada, e mais
ainda com todas as mudanças que ocorrem em sua vida após o nascimento de Kevin.
Isso se demonstra mais claramente quando diz ao filho: “Antes do Kevin chegar, a
mamãe era feliz. Agora a mamãe acorda toda manhã e deseja estar na França!”.

Sá (2001), baseando-se em Winnicott, afirma que a mãe é o primeiro


“organizador psíquico” da criança. Uma falha nesse papel, principalmente quando
acontece desde cedo e durante muito tempo, pode levar à privação emocional da
criança. Winnicott acredita que isso comprometeria a capacidade do sujeito de usar a
criatividade para lidar com o mundo externo, não conseguindo então conter seus
impulsos agressivos e inconscientemente buscando cuidado “à força”.

O autor também fala de um “círculo de amor e força”, vindo das figuras paterna e
materna, que proporcionariam tolerância à agressividade e ofereceriam amor, e que
sujeitos privados disso na infância estão sempre à sua busca. Kevin não teve esse
suporte na infância, pelo menos da figura materna, portanto não aprende a lidar com
suas questões internas, a se ouvir ou a verbalizar seu interior. Passa a ter atitudes
violentas, ou seja, direciona sua agressividade a um objeto. No caso, ele afeta a irmã
12

diretamente, enquanto indiretamente está se direcionando a Eva. Ao maltratá-la e


machucá-la, Kevin busca, além de se dirigir à mãe, o cuidado da autoridade repressiva.

Além disso, existe a diferença de tratamento de Eva em relação aos dois filhos.
A gravidez de Kevin foi acidental e causou um grande abalo da vida da mãe: ela não
sabia lidar com a criança, estava despreparada e insegura. Com Celia, foi diferente.
Apesar da gravidez também não ter sido planejada, Eva já não era uma “mãe de
primeira viagem”, estava mais preparada e tinha mais estrutura em sua vida para isso.
Isso fez com que a mãe pudesse dar mais carinho e suporte para a filha, e talvez até
sentir mais afeição por ela do que por Kevin nos seus primeiros meses de vida. O
menino podia perceber isso nitidamente. A “rivalidade fraterna”, comum em muitas
famílias, acentua-se. Como afirmado por Freud (1916):

“Provavelmente não há quarto de crianças sem violentos conflitos entre


seus ocupantes. Os motivos de tais desavenças são a rivalidade pelo
amor dos pais, pelas posses comuns, pelo espaço vital. Os impulsos
hostis são dirigidos contra membros da família mais velhos e também
mais novos”. (Freud 1916- 1917/1976a, p. 133)

Freud afirma que o surgimento de novos membros na família, no caso os


irmãos, intensifica o complexo de Édipo, gerando o desejo de que os irmãos ou irmãs
sejam eliminados. No filme isso se mostra no comportamento agressivo de Kevin para
com sua irmã. Pereira e Lopes (2013) chamam essa rivalidade de complexo fraternal, e
escrevem:

“Permeado de afeto, desejo, ciúme e inveja, este complexo é um


conceito de universalidade entre os indivíduos, uma vez que reflete uma
conduta instintiva de posse, contextualizada nas mais diversas situações
de disputa em relação a quaisquer bens.” (Pereira e Lopes, 2013).

Tendo em vista a postura diferenciada de Eva em relação aos dois irmãos, tal
complexo apenas intensifica-se para Kevin. Celia, por sua vez, recebeu suporte e afeto
13

de seus dois pais, não estabelecendo-se assim uma situação “competitiva”. Ela aceita
inocentemente os maus tratos de Kevin, parecendo não perceber suas intenções.

2º - Por que Kevin matou o pai, visto que ambos aparentavam ter um bom
relacionamento?

Durante todo o filme, o comportamento negativo de Kevin atingia muito sua mãe,
Eva. Ao maltratar a irmã, ao danificar o quarto de Eva, ao se recusar a brincar ou falar
com a mãe, ele deixava claro a intenção de atingi-la, chamar a sua atenção.

Portanto, apesar do pai sempre aparentar ter uma ótima relação com Kevin,
sempre o defendendo e contribuindo afetivamente de uma maneira muito mais
espontânea do que Eva, fica claro que a morte de Franklin causaria grande sofrimento
para a mãe. E sendo este o objetivo de Kevin, ele não hesita em matar o pai para
afetá-la. (VOU ESCREVER MAIS)

3º - Por que Kevin, na ultima cena da trama, diz não saber mais o motivo de
ter cometido seus crimes?

Segundo Steffen, (2006) tomando o modelo de um aparato psíquico que tende à


descarga, estabelecendo os processos secundários, o acesso à palavra, aos processos
lógicos e à temporalidade, existe um modelo da transgressão que ocorre pela falha da
organização psíquica interna que favorece a passagem ao ato, em um aparato psíquico
que não consegue estabelecer a contenção.
Kevin, no início da infância, comete alguns pequenos deslizes (suja todos os
mapas da parede do quarto da sua mãe com tinta, por exemplo) e essa manifestação
de rebeldia, segundo Steffen (2006), "aponta para as questões fundamentais de
estruturação que indicam questões da mesma ordem".
14

Normalmente a transgressão tem início aos 12 anos, o que indica a fragilidade


da estrutura psíquica ao lidar com o incremento da demanda pulsional. Kevin começa a
agir de forma transgressora depois do nascimento de sua irmã, Celia.

Na primeira vez que vê Celia, ainda no hospital, Kevin parece não gostar de ver
sua mãe com uma criança nos braços. Em reação a isso, ele espirra um pouco de água
no rosto do bebê. Acredita-se que o evento traumático para Kevin tenha sido ver a
forma que a mãe aceitou a irmã, como não tinha aceitado Kevin.

A partir disso, Kevin começa a agir de forma ignorante com sua irmã. Uma das
brincadeiras que faz é o "Sequestro de Natal" quando amarra Celia com enfeites de
Natal; além disso, Kevin explora Celia através de ordens.

Ainda segundo Steffen (2006), se estamos tomando o modelo de um psiquismo


que se estrutura a partir do outro (no caso, Kevin se estruturando no da mãe),
necessariamente pensa-se as falhas no exercício das funções materna, tanto o que se
pode pensar a partir da estruturação do Kevin, quanto no discurso dos pais, em que o
acesso à parentalidade real se dá, muitas vezes, sem o acesso simbólico.
Nesse caso, encontra-se uma quase constante ausência real da mãe na vida do
Kevin. O quadro, portanto, que emerge na adolescência é o resultado do efeito
traumático no psiquismo em estruturação, principalmente com o nascimento da irmã.

Levando em consideração o evento traumático e a situação edípica que Kevin


tinha em relação a sua mãe, explica-se a falta subjetiva de culpa ou a falta de
desconforto antes de cometer o ato delinqüente.

Segundo Freud (1924, p. 204), a pulsão de morte pode ser transformada pela
libido desviando-se para fora, dando origem à pulsão de dominação, ou pulsão
destrutiva; Assim, pode-se entender o ato deliquente de Kevin como um sofrimento que
vem ao encontro de um sofrimento interno, os maus-tratos da história individual, e que
não há discriminação efetiva do ato lesivo ao outro, porque o bom e o mau não são
dados de início (Steffen, 2006).
15

Portanto, quando Kevin diz que "não sabe" o porque de agir de forma
delinqüente, quer dizer que Kevin nunca soube o porque de realmente agir assim:

"(...) pois a importância da intensidade do evento traumático na origem


destes quadros está no próprio cerne das manifestações em que o
psiquismo que não consegue conter uma quantidade, tanto pelas falhas
das instâncias de organização quanto de interdição (...) o
desconhecimento do sujeito em relação ao próprio ato que não se
justifica apenas na realidade, sugere que há um nível de simbolização,
que são representações psíquicas que se colocam no ato." (Steffen,
2006).

4º - Por que Kevin não mata Eva?

Ricardo!!! Commented [1]: +ricardodealmeidag@gmail.com

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conseguimos concluir, a partir da análise do filme Precisamos Falar Sobre


Kevin, de 2011, que a história apresenta de forma bem clara a dor sentida por Kevin
causada pelo abandono de sua mãe, Eva, demonstrada através do seu comportamento
delinqüente. Através de uma pesquisa semiológicas, fizemos analogias com conceitos
abordados por Winnicot em seu estudo sobre perversão e delinqüência juvenil.

REFERÊNCIAS (COLOCAR MAIS REFERÊNCIAS, E AJUSTAR AS PÁGINAS QUE


FORAM USADAS CERTINHO DE CADA ARTIGO. EXEMPLO DE CITAÇÃO
CERTINHA DO V.B: Bento, V. E. S. (1994b). Três ensaios sobre a teoria da
sexualidade: considerações sobre o conceito de narcisismo em Freud (1905) e sobre a
paixão amorosa "tóxica" a partir de Freud. Revista ABP-APAL, 16 (4), 154-164. LET’S
GO BITCHES TO COM MUITO MEDO)
16

STEFFEN, M. I. M. (2006). Delinquência, Privação, Trauma e Passagem ao Ato.


Disponível em: http://www.editoraescuta.com.br/pulsional/188_07.pdf

BOAMORTE, J. B. (2012). O Crime à Luz da Teoria Winnicotiana. Disponível em:


http://www.psicologia.pt/artigos/textos/A0647.pdf

DONATELLI, D. Quem me educa? A família e a escola diante da (in)disciplina. - São


Paulo, 2004.

FREUD, S. (1976a). Conferências introdutórias sobre psicanálise. In Edição Standard


Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (v. 16, p. 287-539). Rio
de Janeiro: Imago.

GOMES, M.M.; GUIMARÃES, M. A. M.; BENTO, V. E. S. Da lei no Estatuto da Criança


e do Adolescente a uma psicanálise do adolescente em conflito com a Lei. Revista de
Estudos Criminais, v. 24, p. 81-104, 2007.

PEREIRA, C. R. R.; LOPES, R. de C. S. Rivalidade fraterna: Uma proposta de


definição conceitual. Estudos de Psicologia, Santa Maria, v. 18, n. 2, p. 278 – 283,
Abril 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/epsic/v18n2/v18n2a13.pdf>.

SÁ, A. A., Delinqüência infanto-juvenil como uma das formas de solução da


privação emocional. CONGRESSO DE PSICOLOGIA CLÍNICA, 1, 2001, São Paulo.

VILHENA, J.; MAIA, M. V. C. M. Agressividade e violência: reflexões acerca do


comportamento anti-social e sua inscrição na cultura contemporânea. Revista Mal-estar
E Subjetividade, Fortaleza, v. 2, n. 2, p. 27-58, Setembro 2002. Disponível em:
<http://www.redalyc.org/pdf/271/27120203.pdf>.