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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

CENTRO DE ESTUDOS GERAIS


INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS
Pós-Graduação em Análise Ambiental Aplicadas a Bacias Hidrográficas

ALEXANDRE DA SILVA FERREIRA

USO DE TÉCNICAS DE GEOPROCESSAMENTO E DO MODELO MATEMÁTICO


USLE PARA AVALIAÇÃO DE PROCESSOS EROSIVOS NA BACIA
HIDROGRÁFICA DO RIO CACERIBU RJ.

Niterói
2008
ALEXANDRE DA SILVA FERREIRA

USO DE TÉCNICAS DE GEOPROCESSAMENTO E DO MODELO MATEMÁTICO


USLE PARA AVALIAÇÃO DE PROCESSOS EROSIVOS NA BACIA
HIDROGRÁFICA DO RIO CACERIBU RJ.

Monografia apresentada ao Curso de Pós-


Graduação em Análise Ambiental Aplicadas
a Bacias Hidrográficas da Universidade
Federal Fluminense, como requisito parcial
para obtenção do Grau de Especialista.

Orientador: Prof. Dra. CRISTIANE NUNES FRANSISCO

Niterói
2008
Ferreira, Alexandre S.
Uso de Técnicas de Geoprocessamento e do Modelo Matemático
USLE para Avaliação de Processos Erosivos na Bacia
Hidrográfica do Rio Caceribu - RJ. Niterói: s.n., 2008.

95 f.
Monografia (Especialista em Ciência Ambiental)
Universidade Federal Fluminense, 2008.

1. Gestão Ambiental. 2. Modelagem de Sistemas


Ambientais 3. Processos Erosivos. I. Título.
ALEXANDRE DA SILVA FERREIRA

USO DE TÉCNICAS DE GEOPROCESSAMENTO E DO MODELO MATEMÁTICO


USLE PARA AVALIAÇÃO DE PROCESSOS EROSIVOS NA BACIA
HIDROGRÁFICA DO RIO CACERIBU RJ.

Monografia apresentada ao Curso de Pós-


Graduação em Análise Ambiental
Aplicadas a Bacias Hidrográficas da
Universidade Federal Fluminense, como
requisito parcial para obtenção do Grau de
Especialista.

Aprovada em Novembro de 2008.

BANCA EXAMINADORA

Prof. Dra. Cristiane Nunes Fransisco - Orientadora


UFF

Prof. MSc. Elias Ribeiro de Arruda Junior


UFF

Prof. MSc. Edson Benigno da Motta Barros


UFF
Niterói
2008
Á Alessa Patrícia por todo amor e dedicação
dispensados aos cuidados com as minhas palavras.

E aos novos amigos conquistados ao longo destes dois


anos de esforço e lutas: Alexandre, Amanda, André, Cristina,
Eduardo, Érika, Elizabeth, Gabriela, Giselma, José Ronaldo,
Mariângela, Núbia, Renato, Ronídia e Sofia.
AGRADECIMENTOS

Agradeço a DEUS por mais esta vitória conquistada em minha


vida.

Aos professores do Departamento de Análise Ambiental da


Universidade Federal Fluminense UFF, pelo empenho na
formação de profissionais qualificados.

Especialmente a Professora Cristiane pelas horas de


orientações para que este trabalho realmente fosse concluído
com sucesso.

Ao professor Elias pela boa vontade e apoio nas dúvidas e


resoluções das eventuais dificuldades.

Ao André e a Alessandra por toda ajuda para findar este


trabalho.
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO........................................................................................................2
2. OBJETIVOS............................................................................................................5
3. EMBASAMENTO TEÓRICO..................................................................................6
3.1. O ESTUDO DOS PROCESSOS EROSIVOS.........................................6
3.2. O PROCESSO DE EROSÃO E SEUS FATORES
CONDICIONANATES.............................................................................8
3.2.1. Erodibilidade dos solos...........................................................................9
3.2.2. Erosividade das chuvas........................................................................14
3.2.3. Características da encosta...................................................................18
3.2.4. Presença de cobertura vegetal.............................................................19
3.2.5. Uso e manejo dos solos.......................................................................20
3.3. A APLICAÇÃO DE GEOPROCESSAMENTO E
SENSORIAMENTO REMOTO NA ANÁLISE AMBIENTAL
EM BACIAS HIDROGRÁFICAS.........................................................22
3.4. USO DE MODELOS MATEMÁTICOS NA
MENSURAÇÃO DA EROSÃO DOS SOLOS.......................................23
3.5. A OPÇÃO PELAS BACIAS HIDROGRÁFICAS
ÁREAS PARA ANÁLISE AMBIENTAL................................................25
4. ÁREA DE ESTUDO..............................................................................................28
4.1. BREVE HISTÓRICO DE OCUPAÇÃO REGIONAL.............................29
4.2. ASPECTOS FÍSICOS DA BACIA HIDROGRÁFICA
DO RIO CACERIBU............................................................................31
4.2.1. Geologia................................................................................................31
4.2.1.1. Evolução Geológica Regional....................................................32
4.2.1.2. Gráben da Bacia da Baía de Guanabara...................................34
4.2.1.3. Bacia Calcária de ao José de Itaboraí.......................................34
4.2.1.4. Sedimentação Continental das Eras
Terciárias e Quaternárias..........................................................36
4.2.1.4.1. Formação Pré-macacu e Macacu.........................................37
4.2.1.4.2. Formação Caceribu..............................................................37
(continuação do sumário)

4.2.1.4.3. Depósitos marinhos e flúvio-marinhos


do Holoceno (Formação Magé)............................................38
4.2.1.4.4. Depósitos aluviais e coluviais
do Holoceno.........................................................................39
4.2.2. Geomorfologia......................................................................................39
4.2.2.1. Principais Unidades Morfológicas
da Bacia do Rio Caceribu..........................................................41
4.2.2.1.1. Colinas..................................................................................41
4.2.2.1.2. Depressões flúvio-lacustres.................................................43
4.2.2.1.3. Planície flúvio-marinha.........................................................43
4.2.2.1.4. Planície de alúvio-colúvio.....................................................43
4.2.2.1.5. Tabuleiros.............................................................................44
4.2.2.1.6. Tálus / Colúvio......................................................................44
4.2.2.1.7. Maciços costeiros.................................................................44
4.2.2.1.8. Maciços intrusivos alcalinos.................................................45
4.2.2.2. Compartimentação Geomorfológica da
rede de drenagem......................................................................45
4.2.3. Pedologia..............................................................................................46
4.2.3.1. Argissolo Amarelo Distrófico (PAd)............................................48
4.2.3.2. Argissolo Vermelho Eutrófico (PVe)...........................................48
4.2.3.3. Argissolo Vermelho-amarelo Distrófico (PVAd).........................49
4.2.3.4. Cambissolo Háplico Tb Distrófico (CXBd).................................50
4.2.3.5. Gleissolo Melânco Alumínico (GMa)..........................................50
4.2.3.6. Gleissolo Tiomórfico Hístico Salino
Solódico (GJi).............................................................................51
4.2.3.7. Gleissolo Háplico Ta e Gleissolo Háplico Tb (GXb)...................51
4.2.3.8. Latossolo Amarelo.....................................................................52
4.2.3.9. Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico (LVAd)........................52
4.2.3.10. Neossolo Litólico Distrófico (RLd)..............................................53
4.2.3.11. Planossolo Háplico e Planossolo Hidromórfico Distrófico..........54
4.2.3.12. Solo Indiscriminados de Mague (SM)........................................55
4.2.3.13. Afloramentos de Rochas (AR)...................................................55
(continuação do sumário)

4.2.4. Caracterização Climática Regional.......................................................55


5. MATERIAIS E MÉTODOS....................................................................................58
5.1. CONSTRUÇÃO DO SIG.......................................................................58
5.1.1. Determinação dos Fatores da USLE....................................................59
5.1.1.1. Determinação do Fator K (erodibilidade)...................................59
5.1.1.2. Determinação do Fator R (erosividade).....................................62
5.1.1.3. Determinação do Fator LS (topografia)......................................63
5.1.1.4. Determinação do Fator C (uso e Manejo dos solos)
e do Fator P (práticas conservacionistas)..................................69
5.1.2. Obtenção dos Valores Médios Anuais de
perdas de Solos....................................................................................72
6. RESULTADOS E DISCUSSÕES.........................................................................73
6.1. AVALIAÇÃO QUANTITATIVA DO PROCESSO DE EROSÃO..........73
6.2. INFLUÊNCIAS DOS FATORES DA USLE
NAS PERDAS DE SOLOS..................................................................75
6.2.1. Avaliação do Fator Topográfico (LS)....................................................75
6.2.2. Avaliação dos Índices de Erosividade (Fator R)...................................79
6.2.3. Distribuição dos Solos e suas Erodibilidades (Fator K)........................81
6.2.4. Avaliação das Influências dos Fatores Antrópicos (CP)
Sobre as Perdas de Solos....................................................................83
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................86
8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA..........................................................................87
ANEXOS 1............................................................................................................93
LISTA DE FIGURAS

Fig. 1. Mapa de localização geográfica da área de estudo........................................28


Fig. 2. Principais domínios tectono-magmáticos do embasamento
geológico da bacia do rio Caceribu................................................................32
Fig. 1. Embasamento geológico da bacia do rio Caceribu; principais formações
geológicas.......................................................................................................35
Fig. 2. Aspectos geomorfológicos da bacia do rio Caceribu......................................42
Fig. 3. Principais classes de solos identificadas na bacia do rio Caceribu................47
Fig. 4. Distribuição das isoietas de chuvas anuais para a área
da bacia do Rio Caceribu...............................................................................56
Fig. 5. Seqüência dos procedimentos para construção dos
dados de erodibilidade dos solos............................................................. .....60
Fig. 6. Estações pluviométricas onde foram coletados os dados de chuvas.............63
Fig. 7. Esquema procedimental da confecção do fator erosividade...........................65
Fig. 8. Procedimentos de rotina para elaboração do fator LS
por meio dos dados SRTM..........................................................................68
Fig. 9. Procedimentos de elaboração do fator CP....................................................70
Fig. 10. Procedimento final para elaboração do mapa
de perdas de solos da bacia do rio Caceribu. ..............................................72
Fig. 11. Distribuição perdas de solos na área da bacia do rio Caceribu....................74
Fig. 12. Mapa de declividade da bacia do rio Caceribu.............................................77
Fig. 13. Mapa de distribuição dos valores do fator LS
da bacia do rio Caceribu...............................................................................78
Fig. 14. Distribuição das faixas isoerodente na bacia do rio Caceribu.......................80
Fig. 15. Relação das classes de solos pela área ocupada
na bacia do rio Caceribu...............................................................................81
Fig. 16. Distribuição do fator erodibilidade dos solos
na bacia do rio Caceribu...............................................................................82
Fig. 17. Distribuição do fator CP na bacia do rio Caceribu........................................84
LISTA DE TABELAS

TABELA 1 Valores de erodibilidade dos solos utilizados no modelo USLE............61


TABELA 2 Dados das estações pluviométricas e dos dados
de chuvas coletados para confecção do fator R..................................71
TABELA 3 Fator C baseado em: Pereira (2006) e Santos (1999).........................75
TABELA 4 Taxas médias e totais anual de perdas de solos
da bacia do rio Caceribu.......................................................................79
TABELA 5 Dados pluviométricos da bacia do rio Caceribu....................................85
TABELA 6 Usos dos solos da bacia do rio Caceribu..............................................58

ANEXOS 1 - Relação de classes de solos encontrados na bacia


do rio Caceribu RJ e sua susceptibilidade
à erosão.................................................................................... 93
RESUMO

Este trabalho objetiva avaliar as taxas de perdas de solos e realizar um


mapeamento da erosão hídrica na bacia hidrográfica do rio Caceribu, localizada no
Estado do Rio de Janeiro, utilizando modelagem de sistemas ambientais e técnicas
de geoprocessamento. Foram elaborados os mapas dos fatores erodibilidade (K),
erosividade (R), declividade e comprimento de rampa (LS) e de uso e manejo e
práticas conservacionistas (CP), aplicados ao modelo matemático Universal Soil
Loess Equation (USLE), a fim de, obter o mapa de perdas de solos. A perda média
anual de solo é de aproximadamente 57,9 mil t.ha.-1.ano-1 e os valores por hectare
foram baixos, atingindo até 600 t.ha-1.ano-1. O fator LS é considerado o mais
expressivo para a redução das perdas de solos, nesta bacia hidrográfica, ocupada
por extensas áreas de planícies.

Palavras-chave: Erosão dos solos. Bacia hidrográfica. Modelagem ambiental. USLE.


Geoprocessamento. SIG.
ABSTRACT

This study aimed to evaluate the rate of loss of land and carry out a mapping of water
erosion in the hydrographic basin of the river Caceribu, located in the State of Rio de
Janeiro, using modeling of environmental systems and techniques of GIS. We
prepared the maps of the factors erodibility (K), erosivity (R), slope and length of the
ramp (LS) and the use and management and conservation practices (CP) and
applied to the mathematical model USLE in order, get the map of loss of land. The
average annual loss of soil is approximately 57,9 t.ha.-1.ano-1 and the values per
hectare were low, ranging from 0 up to 600 t.ha 1.ano-1. The LS factor is considered
the most expressive for the reduction of losses of land in this basin, occupied by
large areas of plains.

Keywords: erosion of soils. Hydrographic basin. Environmental modeling. USLE.


Geoprocessing. GIS.
1. INTRODUÇÃO

A idéia geral o qual motivou a realização deste trabalho foi a ampliação das
pesquisas científicas voltadas para o estudo de processos erosivos, visando à
aplicação de geotecnologias pertinentes ao desenvolvimento da análise ambiental,
integrada numa visão multidisciplinar da realidade. Os estudos sobre o processo de
erosão e os fatores que o influenciam são tratados de forma teórica e prática,
permitindo, de tal maneira, a avaliação da ação antrópica sobre o meio ambiente e
suas conseqüências.
Nas últimas décadas vem ocorrendo um grande crescimento na ocupação da
Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Seja por moradias, atividades agrícolas ou
industriais, os impactos proporcionados pela ação do homem alteram
consideravelmente o meio ambiente em diversos aspectos naturais, como é o caso
do aumento da degradação dos solos.
O aumento da erosão dos solos tem ligação direta com a ação indiscriminada
do homem sobre o meio natural, ocorrida ao longo dos anos de colonização e
exploração, promovendo intensas mudanças no meio ambiente. Os problemas
naturais decorrentes deste são amplamente discutidos e investigados pelas ciências
naturais e tecnológicas a exemplo da Agronomia, Geografia, Geotecnia, Engenharia,
etc. buscando o entendimento das variáveis reguladoras, enquanto um evento
processual, numa visão muitas vezes, transdisciplinar.
O uso de geotecnologias aplicadas à análise ambiental vem sendo
amplamente utilizada na ciência moderna, por proporcionar análises rápidas,
concisas e integradas da realidade. A inserção de SIG (Sistemas de Informação
Geográficas), Sensoriamento Remoto e das técnicas voltadas para o
geoprocessamento de imagens digitais, trouxe ao âmbito da análise ambiental uma
nova perspectiva de apreensão de diversos fenômenos. No caso específico dos
estudos dos processos erosivos, encontramos vários centros de pesquisas nacionais
e internacionais como referências na aplicação do Geoprocessamento e do
Sensoriamento Remoto, a exemplo Soil Conservation ServiceI, grupo norte-
americano ligado ao United States Departament of Agriculture, Instituto Agronômico

2
de Campinas, Departamentos ligados à universidades nacionais, dentre outros,
como importantes difusores destas técnicas.
A aplicação da modelagem matemática em sistemas ambientais é um recurso
desenvolvido a muitas décadas, enquadra-se como procedimento teórico no uso da
abordagem holística, por meio de avaliações quantitativas e qualitativas
operacionalizando a base sistemática da análise ambiental. Trata da estrutura, do
funcionamento e da dinâmica da organização espacial dos sistemas ambientais dos
geossistemas. Estes sistemas apresentam configurações expressas por elementos
com diferenciação espacial e variabilidade temporal. A compreensão sobre a
interação entre modelagem e o uso de sistemas de informação geográfica, parte da
premissa de que os estudos das séries temporais e das análises espaciais devem
acontecer conjuntamente (CHRISTOFOLETTI, 1999).
A realização deste trabalho justifica-se pela necessidade de produção de
dados científicos relevantes para a análise, monitoramento e continuidade de
pesquisas voltadas aos impactos da ação antrópica na Bacia hidrográfica do rio
Caceribu, sendo uma das principais bacias hidrográficas contribuinte à bacia
hidrográfica da Baía de Guanabara.
É uma região onde está se instalando o Complexo Petroquímico do Estado do
Rio de Janeiro (COMPERJ), na área das bacias dos rios Macacu e Caceribu. O uso
de bacias hidrográficas como unidade de estudos ambientais está previsto em
diversos documentos emitidos pelos órgãos do Estado, determinado na Resolução
Nº 001/86 do CONAMA de 1981, bem como, nos tópicos das Instruções Técnicas
para Elaboração de EIA / RIMA do DECOM Nº 01/2007 para este empreendimento.
Esta área vem sendo ocupada pelo homem durante os últimos séculos e as
pesquisas voltadas para os impactos sobre o meio são condizentes com o seu
crescimento, porém, com a instalação do COMPERJ, as dimensões referentes à
degradação ambiental podem tomar proporções ainda não avaliadas. Dessa forma,
é fundamental uma pré-avaliação consistente no intuito de levantar dados para servir
como parâmetros para futuras abordagens deste assunto. A Importância dos
estudos de processos erosivos em bacias hidrográficas, como subsídio para a
análise ambiental causada pela ocupação, muitas vezes, desordenada do homem,
valida o constante monitoramento deste fenômeno. A degradação dos solos em
áreas tropicais e sua necessária conservação são fundamentais para a
determinação da manutenção do equilíbrio ambiental.

3
É crescente a implementação de novas metodologias voltadas para análises
ambientais com o uso de dados secundários a exemplos de imagens de plataformas
orbitais, aerofotogrametrias, aplicação de modelos matemáticos, uso de SIGs para
criação de bancos sob constante atualização, dentre outras técnicas, ditando a nova
tendência da produção científica na área ambiental. A opção por estes métodos está
centrada em suas respectivas relevâncias científicas, na redução dos custos e nas
dificuldades de análises em áreas de grande extensão através de métodos o qual
necessitem de coletas e mensurações de dados em campo.
Por último, vale ressaltar a contribuição deste estudo na produção científica
voltada para as pesquisas ambientais, como uma das premissas necessárias ao uso
racional dos recursos naturais, a exemplo dos solos, e sua necessária conservação
de renovação lenta e muitas das vezes irreversível.

4
2. OBJETIVOS

Este trabalho apresenta como objetivo principal a avaliação dos processos


erosivos na bacia hidrográfica do rio Caceribu, utilizando técnicas de
geoprocessamento e modelagem matemática.
Em termos específicos, pretende-se:

Mensurar a perda total de solo para a área da bacia hidrográfica;


Mapear a incidência dos processos erosivos ao longo da área de estudo;
Identificar a variabilidade espacial das perdas de solos, determinando as áreas
vulneráveis aos processos erosivos.
Avaliar o uso do modelo Universal Soil Loss Equation (USLE) na análise de
perdas de solos, aliado às técnicas de geoprocessamento;
Compreender as influências dos fatores condicionantes dos processos erosivos,
por meio do modelo USLE;

5
3. EMBASAMENTO TEÓRICO

3.1. O ESTUDO DOS PROCESSOS EROSIVOS

O estudo dos processos erosivos e seus fatores condicionantes vêm


aumentando nos últimos anos como reflexo da preocupação do homem em relação
à degradação e ao mau uso dos solos.
O solo consiste num elemento fundamental para manutenção do equilíbrio do
meio ambiente e reprodução da vida humana. As perdas de solos resultantes de seu
manejo inadequado promovem a debilitação intensiva, em grandes áreas funcionais
à agricultura e às ocupações urbanas, oriundas da falta de planejamento e utilização
inadequada deste recurso natural (GUERRA, 1994). Ao pensar o solo como um
recurso de uso constante, renovação lenta e naturalmente demorada, a
compreensão das suas características e funcionamento de cada tipo específico,
proporciona a elaboração da melhor forma voltada para o seu manuseio, retirando
em sua máxima potencialidade, os benefícios de uma maneira consciente e
ecológica.
A crescente preocupação com o fenômeno da erosão acelerada reflete a
seriedade deste problema ambiental, principalmente, por ocasionar prejuízos às
sociedades desenvolvidas da Europa, Estados Unidos e Austrália, bem como as em
desenvolvimento , a exemplo da China, Síria, Índia, etc. (COOKE, 1990). Referentes
às perdas de solos e sua relação com o desenvolvimento de algumas nações, os
territórios inseridos no clima tropical e semi-árido, como é o caso de países do
continente africano e latino-americano, sofrem intensamente com o desgaste e
redução da fertilidade dos solos, isto porque, nestas áreas os valores de perdas
anuais de solos extrapolam os níveis sustentáveis. Como um problema da história
da humanidade desde seus primórdios, em alguns momentos, a erosão também
surge como um dos principais agentes dizimadores de civilizações. No entanto, em
diversas partes do mundo podem ser encontradas formas alternativas, inteligentes e
eficazes para combater este problema, melhorando as condições de sobrevivência e
desenvolvimento social (SILVA, 2004).

6
O estado da arte na pesquisa sobre erosão baseia-se na abordagem deste
fenômeno em sua própria natureza, levando-se em consideração seus fatores
condicionantes. Diversos métodos são apresentados em trabalhos científicos
relacionados a cada tipo de processo erosivo, o que determina uma grande
variedade de procedimentos. É possível realizar trabalhos sobre erosão em campo,
voltados para o levantando de suas características através de métodos que
consideram as condições naturais. No entanto, podem ser relacionadas algumas
metodologias que trabalhem com os fatores de forma pré-determinada, a exemplo
de suas características naturais, os tipos de solos e os usos aplicados sobre cada
tipo de solo específico. Análises laboratoriais também são pertinentes para
determinação de características físicas e químicas dos solos, a exemplo da
erodibilidade e fornecimento de nutrientes para plantas numa encosta. Outra
abordagem pertinente ao estudo da erosão é a sua distribuição espacial,
especialmente em grandes áreas como nas bacias hidrográficas, Neste caso, busca-
se relatar uma série de informações visando relacionar a erosão às condições
naturais e econômicas e, suas variações no tempo e no espaço (COOKE, 1990;
SILVA, 2004).
Características tais como a intensidade da erosão são importantes para
determinar o índice de solo removido, sendo também, um indicativo da destruição do
perfil de solo. Os efeitos qualitativos, da erosão, são referidos às propriedades do
solo erodido, podendo ser contatados no local (on site) e em áreas próximas ou
afastadas (off site). Os efeitos on site incluem a perda da fertilidade dos solos e a
diminuição da capacidade de retenção d água e dos sedimentos, propagando os
danos, como alagamentos, assoreamentos de rios e reservatórios contaminação
hídrica, etc, às áreas afastadas ou contínuas àquelas onde ocorre a erosão
denominadas off site.

Desta maneira, pode ser observado que o conhecimento pormenorizado das


características dos solos são fundamentos necessários à escolha pelas melhores
medidas de controle da erosão, atuando, proporcionalmente, nas relações de causa
e efeitos deste fenômeno (SILVA, 2004; GUERRA, 2006).

Guerra (2006) ainda afirma que a Geomorfologia tem sido fundamental para
os estudos da erosão dos solos, contribuindo com pesquisas que prezam por
realizar um diagnóstico ou prognóstico sobre erosão dos solos em certa área,

7
levando em consideração as relações entre as formas do relevo e os processos
associados. A Geomorfologia, desta forma, auxilia diretamente no uso racional dos
solos, evitando danos em áreas rurais e em locais mais afastados.

3.2. O PROCESSO DE EROSÃO E SEUS FATORES CONDICIONANTES

A erosão é o fenômeno de desgaste dos solos, por meio da ação hídrica ou


eólica. Também pode ser encarada como uma transferência de energia e matéria
geradas pelo desequilíbrio do sistema água / solo / cobertura vegetal, resultando
numa perda progressiva do solo. Sua intensidade varia segundo as manifestações
dos fatores naturais, das práticas conservacionistas complementares, e da atividade
humana (ELTZ et. al., 1977). Como trabalho físico, a erosão faz uso da energia em
todas as fases: no desprendimento das partículas, no rompimento dos agregados,
na turbulência das águas de escoamento, na intensidade das enxurradas, etc.
(SOUZA, 2002).

Enquanto um processo, por sua natureza, apresenta uma complexidade


peculiar aos fenômenos naturais, uma vez que, depende diretamente dos fatores
ligados às características dos solos, à intensidade das chuvas e à presença de
cobertura vegetal. A erosão encontra-se segmentada numa seqüência de eventos
importantes, conhecidos por desagregação (detachment) e subseqüente transporte
dos materiais originados das rochas e outros substratos pedogenéticos, culminando
numa terceira fase que é a deposição dos sedimentos (DUNE E LEOPOLD, 1978;
COOKE, 1990; GUERRA, 1994; LOMBARDI & NETO 1999).

Os dois principais agentes no sistema natural de erosão dos solos são as


gotas de chuvas e o escoamento em superfície. A ação das gotas de chuvas
proporciona a desagregação das partículas do solo devido ao seu impacto pelo
efeito splash, enquanto o escoamento em superfície promove o transporte dos
materiais originados pela desagregação das partículas, provocando a turbulência
das águas escoadas, ou concentrando os fluxos em canais erosivos. A partir das
relações traçadas entre a erosividade das gotas de chuvas e do escoamento

8
superficial, e da erodibilidade do material, ou seja, da sua resistência aos efeitos
erosivos foram determinadas às forças atuantes no processo da erosão (COOKE,
1990).

Seguindo estas idéias, diversos pesquisadores buscaram avaliar os


processos erosivos calcados nas influências causadas pelos seus fatores
condicionantes, bem como estudado por Wischmeier e Smith ao longo das décadas
de 1950, 1960 e 1970 nos Estados Unidos e adaptados por Bertoni e Lombardi Neto
nos 1980 e 1990, para a realidade do território Brasileiro, dentre muitos outros em
várias partes do mundo. Estes pesquisadores apresentam uma organização
sistemática sobre a participação e influências dos elementos naturais e da ação
antrópica no processo da erosão dos solos.
Descrita por Morgan (1986), os fatores controladores do trabalho do sistema
de erosão dos solos são a erodibilidade dos solos, a erosividade das chuvas, as
características da encosta, a presença de cobertura vegetal natural, ou o uso e
manejo do solo. Esta sistematização tornou-se uma padronização conceitual
determinante para os estudos e pesquisas orientadoras ao processo erosivo dos
solos.

3.2.1. Erodibilidade dos solos

A erodibilidade é uma propriedade que o solo apresenta relacionada à sua


susceptibilidade à erosão, conferindo resistência à capacidade de infiltração de
água, à desagregação, e ao transporte de partículas e pequenos agregados pela
erosão hídrica (WISCHMEIER & SMITH, 1978; MORGAN, 1986; SILVA ET AL.,
1999).
Os conceitos de erodibilidade e erosão dos solos apresentam significados
distintos, na concepção de Bertoni & Lombardi Neto (1999). Segundo estes autores,
o primeiro conceito está voltado para o conjunto de atributos inerentes ao solo, que
lhe conferem resistência frente ao fenômeno da erosão, enquanto o segundo
conceito está associado à ação conjunta de elementos naturais sobre os solos num
lugar.

9
Para Mannigel et al. (2002), o termo fator erodibilidade (C) representa uma
das variáveis da Equação Universal de Perdas de Solo (USLE), sendo uma
representação da relação entre perdas de solos e a erosividade das chuvas, ou seja,
uma expressão da combinação entre as diversas propriedades do solo, os quais
possibilitam suas estimativas por meio de equações, como também afirmam Sá et al.
(2004).
As pesquisas voltadas para a mensuração da erodibilidade dos solos ocupam,
atualmente, uma vasta literatura as quais relatam a implementação de métodos
diretos e indiretos, bem como a de novas tecnologias. Como um dos fatores mais
importantes ligados à depauperação dos solos, Sparovck & Maria (2003) atentam
para a necessidade de habilitar cientistas, no intuito de realizar análises adequadas
sobre o fenômeno da erosão e tolerância de perdas de solo levando em
consideração a ótica de agricultores, ambientalistas, sociedade e forças políticas,
afirmando também, a necessidade de conduzir estas pesquisas numa perspectiva
que preze a multidisciplinalidade. Em suas palavras, a tolerância de perdas de terra
é o campo mais multidisciplinar das pequisas em erosão do solo .
Descrevendo o fenômeno da erosão, Wischmeier & Smith (1978); Morgan
(1986), Guerra (1994) e Silva (2002), afirmam que ele não se apresenta sob as
mesmas formas e intensidades para todos os tipos de solos. Cada solo desenvolve
uma resistência à erosão dependendo, indiretamente, da topografia, da presença de
rugosidade na encosta e dos distúrbios causados pelas atividades humanas e,
também, estão ligadas, diretamente, às suas propriedades físicas, químicas e
biológicas.
Seguindo este raciocínio, Venturim & Bahia (1998), também explicam que um
tipo de solo pode ser submetido a várias condições de chuvas com características
diferenciadas, segundo a forma, a quantidade e intensidade, e mesmo assim,
apresentar comportamentos bem distintos referentes ao fenômeno da erosão. Isto
ocorre devido à estruturação do perfil obtido através de composições
granulométricas variadas associadas à composição química e à quantidade de
matéria orgânica incorporada a matriz, que conferem maiores resistências à ação
erosivas das chuvas. Venturim & Bahia, em acordo com Wischmeier e Smith (1978),
afirmam que a intensidade de erosão para uma área é influenciada mais pelo
declive, características das chuvas, cobertura vegetal e manejo, do que pelas
propriedades do solo. Tal afirmativa pode ser avaliada experimentalmente pré-

10
estabelecendo as condições físicas de um tipo específico de solo, comprovando a
variação da erodibilidade em decorrência da influência dos demais fatores.
Relacionadas às propriedades físicas do solo são destacadas: a composição
granulométrica (textura), o arranjo das partículas no interior da matriz e a estrutura
de seus agregados. O tamanho e a organização dos grãos no interior da matriz
determinam as demais características físicas como, a taxa de infiltração, a
permeabilidade, a densidade e a porosidade.
A granulometria do solo serve como um importante aspecto para a
determinação dos índices de erodibilidade. De um modo geral, os solos que
apresentam texturas mais grossas, com elevados teores de areia e silte, mantém
uma maior susceptibilidade à ação erosiva das chuvas (VENTURIM & BAHIA, 1998),
sendo altamente permeáveis e sujeitos a circulação hídrica acelerada no interior do
perfil.
Segundo Guerra (1994), os solos com elevados teores de silte mantém alta
susceptibilidade à erosão. No entanto, deve ser ressaltado que esta fração
granulométrica está associada a solos jovens, como Cambissolos e Litossolos, e
também se encontra em maiores quantidade e distribuições nas camadas mais
profundas do perfil, próximo ao material parental. A erodibilidade de solos com altos
teores de silte está mais ligada, segundo Pereira (1994), à resistência dos minerais
primários mais jovens ou às deficiências no regime hídrico da região que não
proporciona seu intemperismo por completo. Mesmo assim, Morgan (1986) destaca
que a areia fina e o silte apresentam uma boa coesão, podendo em alguns casos
formarem agregados de boa resistência à erosão, uma vez que, a presença de
minerais básicos são geralmente estáveis, e estes contribuem para a colagem
química de seus agregados.
Nos estudos de Morais et al. (2004) as áreas com rochas do embasamento
cristalino são apontadas como fortemente condicionadas aos processos de erosão
hídrica subsuperficial, sendo freqüentes as voçorocas. A susceptibilidade à erosão
por piping apresentou boa correlação com a percentagem de silte obtida em ensaios
realizados com saprolitos de gnaisses. Num levantamento de informações para
estruturação de um banco de dados sobre erodibilidade de solos no Estado de São
Paulo, Silva & Álvares (2005) encontram fortes relações entre, o embasamento
geológico e a região geomorfológica, com a erodibilidade dos solos, denotando uma
estreita relação entre os solos mais jovens e a erosão.

11
O uso do conteúdo de argila como indicador de erodibilidade é teoricamente
mais satisfatório, uma vez que as partículas de argilas combinam com a matéria
orgânica, formando solos com maior grau de agregação e arrumação estrutural
estável, melhorando a circulação e retenção de umidade. Isto favorece uma maior
resistência à erosão hídrica, entretanto, deve ser lembrado que solos com teores de
argila muito elevados dificultam o processo de infiltração. As argilas são materiais de
fácil mobilidade intra-perfil, podendo também ser transportados rapidamente através
dos fluxos superficiais. Segundo Bertoni & Lombardi Neto (1999), o tipo de argila
contribui de forma elementar na estruturação dos agregados, isto devido à absorção
de água, podendo levar os agregados ao colapso de suas estruturas.
As argilas podem ser classificadas em montmoriloníticas, o qual apresentam
pouca estabilidade na presença de água, a ilita apresentando um grau intermediário
de estabilidade e a argila caulinitica, que é de maior estabilidade. No caso das ilitas
e esmerectitas, são argilas que formam agregados menos estáveis por incharem e
crescerem quando molhadas, ao contrário das argilas formadas por caulinita. A força
da argila esmerectita depende da absorção de sódio, que com o acréscimo de íons
de cálcio e magnésio, e por aumento de sódio, levam ao colapso do agregado
(MORGAN, 1986).
Com relação à matéria orgânica, em superfície ou quando incorporada à
matriz do solo, altera a estrutura deste modificando suas características físicas,
químicas e o seu comportamento hídrico. A combinação deste material com a argila
leva à formação de agregados mais estáveis, ao aumento do espaço aéreo do perfil
e conseqüente aumento da porosidade do solo, proporcionando uma melhora nas
taxas de infiltração e expansão das argilas. Na associação de areia e matéria
orgânica vemos claramente um aumento na retenção de água e o aumento da
formação de agregados. Isso em parte está ligado à capacidade da matéria orgânica
de reter de 2 a 3 vezes o valor de seu peso, em quantidade de água como afirmam
Bertoni & Lombardi Neto (1999).
As características químicas de um solo passam pela composição
mineralógica de seu material parental depois de transformados pelo intemperismo. A
presença de substâncias cimentantes como óxidos de Ferro (Hematita ou Goethita)
ou óxidos de Alumínio (Gibbsita), e matéria orgânica, favorecem a formação de
agregados no solo, determinando a arrumação dos grãos no perfil. Desta maneira,
afetam a capacidade de infiltração e permeabilidade, podendo aumentar sua

12
resistência ao desprendimento e transporte das partículas pelas chuvas.
Dependendo desses teores no solo, são comuns as variações estruturais. Em solos
com baixos teores de óxidos de Ferro e Alumínio, por exemplo, ocorre à arrumação
do tipo em blocos, o que leva a uma diminuição da permeabilidade e ao
conseqüente aumento da erosão laminar. No caso de elevados índices dessas
substâncias, ocorre a estruturação do tipo granular e ao aumento da permeabilidade,
favorecendo a erosão por sulcos (LACERDA & BAHIA, 1998; SOUZA & BAHIA,
1998 apud RESENDE, 1985; FERREIRA, 1988; e GIAROLA, 1994).
Em proposições de modelos de estimativas de erodibilidade, Silva et al.
(1999) averiguaram as relações existentes entre algumas variáveis físicas, químicas
e mineralógicas de Latossolos brasileiros. Neste estudo foi observada uma
tendência de solos com matriz 10R e 2,5YR (mais avermelhados) apresentarem
elevados valores de erodibilidade que os com matiz 10YR (mais amarelados). Isto,
em parte, está relacionado às quantidades e interações entre os óxidos de silício
(SiO2), alumínio (Al2O3) e ferro (Fe2O3), que podem aumentar a coesão entre as
partículas do solo. Os elevados valores de pH afetaram significativamente os
atributos relacionados ao encrostamento, agregação, porosidade, infiltração e
arraste de partículas e agregados pela enxurrada. Pelo aspecto estrutural, os
maiores valores de erodibilidade estavam ligados a solos com estruturas forte a
moderada, muito pequena a pequena granular. Isto sugere que quanto maiores os
agregados, menores são os índices de erodibilidade, devido a melhoras nas
condições de infiltração. Foi confirmado que a presença de matéria orgânica reduziu
a velocidade do escoamento superficial.
Em seus estudos, Souza & Bahia (1998), apresentam as relações existentes
entre o comportamento de Latossolos Amarelos, o arranjo das partículas do solo e a
granulometria, associados aos demais fatores. De acordo com estes autores, os
Latossolos Amarelos estudados tenderam a apresentar uma massa compacta
resultante da agregação da argila, que submetida a ciclos alternados de
umedecimento e secagem formam agregados maiores, apresentando um
comportamento de solos de textura média ou arenosa. Já em outros casos, a
agregação dessas mesmas frações pode levar à formação de grãos que se
comportam como grãos de areia, aumentando a permeabilidade do solo, como é
comum nos Latossolos Roxos.

13
A permeabilidade dos solos determina a movimentação dos fluxos superficiais
e subsuperficiais. Existem relações entre a permeabilidade e a erodibilidade dos
solos, as quais tendem a ser mais elevadas para solos, que por algum motivo,
sofreram o selamento ou a compactação dos horizontes superficiais. Segundo as
alterações causadas pelo adensamento desses horizontes, as relações entre os
macroporos e os microporos1, são modificadas de maneira que causam a
modificação da estrutura natural do solo, levando assim a maior dificuldade da
ocorrência da infiltração da água. Portanto, a resistência e transportabilidade do
solo, frente à desagregação causada pela potência do escoamento superficial
seriam condições ligadas às características do solo relacionadas à sua
permeabilidade (MAFRA, 1985).

3.2.2. Erosividade das chuvas

Todo o processo de erosão decorre diretamente da ação do conjunto


climático sobre o solo numa determinada região, sendo a chuva o agente mais
importante. Por definição, o termo erosividade consiste na capacidade da chuva em
causar o desprendimento das partículas do solo e seu transporte, ou seja, em
realizar o fenômeno da erosão. Desta maneira, são diversas as relações traçadas
entre as características das chuvas e as perdas de solos, apresentadas numa
grande diversidade de estudos, em diferentes partes do mundo, sob contextos
climáticos variados.
As características da precipitação são consideradas uma das mais
importantes variáveis do processo erosivo (WISCHMEIER & SMITH, 1978), levando-
se em consideração os seus valores totais numa medição sazonal e sua
intensidade, como os principais aspectos determinantes da erosão dos solos
(GUERRA, 1994). A precipitação também é responsável por algumas alterações nas
condições físicas da superfície do solo, tais como o aumento da desagregação e o
transporte de suas partículas, a redução das rugosidades superficiais e a porosidade
total da camada superior do perfil (BERTOL, et. al, 1989).

1
Esta relação também deve ser entendida com a densidade aparente do solo.

14
A fim de determinar o fator erosividade das chuvas numa região foram criados
índices que estabelecem as relações entre as características das chuvas, à
intensidade e a duração de cada evento, com o grau de desagregação e transporte
de partículas pelas enxurradas. O índice originalmente proposto por Wischmeier &
Smith (1978), denominado EI30, expressa a ação de cada evento chuvoso sobre um
determinado tipo de solo e corresponde ao valor do produto da energia cinética total
das chuvas (E) pela intensidade máxima num período de 30 minutos de duração
(I30).
Visando estabelecer os valores de erosividade das chuvas por meio da
energia cinética, para o Estado do Rio de Janeiro, Gonçalves et al. (2006) realizaram
comparações entre os índices EI30 e KE>25. Eles atentaram que o índice EI30 é
mais indicado para áreas localizadas em clima temperado, enquanto o índice KE>25
apresenta boas correlações com as perdas de solos nas áreas tropicais. No entanto,
afirmam que não foram encontradas variações significativas entre eles,
concernentes ao uso dos coeficientes de chuva e precipitação média anual e mensal
para estimativas de erosividade. Os autores indicam a utilização de ambos, EI30 e
KE>25, por apresentarem maior confiabilidade dos resultados, em outras localidades
com características climáticas semelhantes. Albuquerque et al. (2005) relatam que o
uso deste índice é indicado, devido às boas estimativas apontadas em diversos
trabalhos já realizados no território nacional. Marques et al. (1997) realizando
pesquisas com ambos os índices acima, também destacaram o uso do índice EI30
como um bom estimador da erosividade das chuvas para o Brasil, devido às poucas
diferenças estatísticas comprovadas em relação ao índice KE>25, e em parte ao seu
pouco uso em pesquisas de erosividade.
O índice baseado na energia cinética da chuva é uma forma adequada para a
determinação da erosividade, quando a intensidade e a duração das precipitações
são relacionadas à massa, à direção, a distribuição por área, à velocidade terminal e
ao diâmetro das gotas. Através destas variáveis podemos encontrar a energia
cinética de cada evento [0.5 massa (velocidade)²] e o momento (massa x
velocidade). Uma vez medida a velocidade final e a intensidade das gotas de chuva,
o momento e a energia cinética poderão ser calculados por somas dos valores
individuais das gotas. O registro da energia cinética, também pode ser realizado
através da medição automatizada de um evento por completo e a sua posterior
análise, dividindo o evento chuvoso em períodos uniformes, conforme as variações

15
de intensidades. Para cada período de tempo calcula-se a intensidade média da
chuva, somando seus valores, obtendo-se, desta maneira, o total da energia cinética
do evento de chuva. A energia da chuva varia de evento para evento, e muitas das
vezes, são freqüentes a ocorrência de eventos idênticos em intensidades num
intervalo de anos (MORGAN, 1986; COOKE, 1990).
A força de resistência do ar, a ação do vento e a distância percorrida pelas
gotas de chuvas, também podem exercer influências sobre a velocidade final com
que impactam sobre a superfície do solo. Em condições experimentais pré-definidas,
em laboratório, foi observado que quanto maior à distância percorrida pelas gotas de
chuvas, maior é a velocidade incidente sobre o solo e, em espaços sob a ausência
da turbulência do ar e da ação de ventos, a velocidade das gotas foram afetadas,
servindo como parâmetro de comparação com as condições naturais. Uma vez
estabelecidos os índices naturais dos impactos das gotas de chuvas, são
determinadas as relações existentes entre a desagregação e a contribuição para o
aumento do escoamento superficial da água, muitas vezes em fluxos concentrados,
retirando importantes considerações sobre as características das chuvas e os seus
efeitos erosivos (COOKE, 1990).

A perda de solo nem sempre depende da intensidade da chuva. Fatores,


como a saturação, são determinantes para que eventos de menor intensidade
promovam perdas consideráveis de solos. Entre várias chuvas erosivas, o primeiro
evento geralmente é responsável pela remoção do material e os demais transportam
o material por meio do escoamento. Portanto, os eventos de chuvas antecedentes
são de grande importância como condicionantes do processo erosivo (MORGAN,
1986; COOKE, 1990). Mello et al. (2007), também averiguaram que em regiões de
elevados índices de precipitação total anual médio do Estado de Minas Gerais, a
exemplo do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba com 1500 mm, foram encontrados
valores discrepantes quando comparados aos valores de erosividade anual das
chuvas, estando muito abaixo do esperado, enquanto, a região próxima à Serra da
Mantiqueira com 1200 mm de chuvas, manteve índices de erosividade muito
maiores do que o esperado. A explicação apresentada pelos autores foram as
características climáticas, da dinâmica e da influência de fatores associados à
circulação atmosférica, que modificaram as condições e distribuição das chuvas ao
longo do ano.

16
A desagregação de partículas e sua movimentação são resultados dos
impactos das gotas de chuvas sobre a superfície do solo, sendo esta uma etapa
fundamental no processo de erosão, sendo denominada efeito splash . Em certas
circunstâncias, este efeito chega a ser responsável por 90 por cento da erosão em
áreas agrícolas, desencadeando diversos tipos de processos erosivos. As gotas de
chuvas, além da desagregação e da movimentação, também podem ocasionar a
compactação da superfície do solo, criando uma espécie de selamento superficial,
promovendo, desta forma, o aumento do escoamento superficial (COOKE, 1990).

O efeito splash também varia com a desagregabilidade e transportabilidade


das partículas do solo e a vulnerabilidade de sua superfície à ação das chuvas. As
estruturas do solo podem ser destruídas pelas gotas de chuvas, dependendo dos
fatores que afetam a sua consolidação, como a quantidade de argila, as rochas, e o
conteúdo de matéria orgânica. As perdas de solos podem ser reduzidas se este
estiver protegido por vegetação, e o tipo de plantio implementado exerce um grau
diferenciado de proteção ao solo (COOKE, 1990).

Se a superfície do solo encontra-se sujeita ao efeito splash, o movimento de


suas partículas pelo ar pode chegar a atingir 60 cm de altura e até 1.52 m
horizontalmente. Segundo Cooke (1990), podemos relacionar quatro problemas ao
efeito splash:

As partículas são desagregadas e preparadas para o transporte pelo


escoamento superficial.
Os restos do splash resultam em perdas de solos pela inclinação da
encosta.
Este tipo de erosão também remove argilas, húmus e outros nutrientes do
solo.
O impacto das gotas de chuvas promove a formação de uma crosta na
superfície do solo que reduz a capacidade infiltração da água,
promovendo a erosão por escoamento superficial.

17
3.2.3. Características da encosta

Existem diversas relações entre os processos erosivos e as características


das encostas. De acordo com Cooke (1990) e Lombardi & Neto (1999), a inclinação,
o tamanho da rampa e a presença de rugosidades são tidos como características
fundamentais na variação da erosão nestas áreas. Na medida em que aumenta o
grau de inclinação da encosta e o comprimento da rampa, observa-se um aumento
do escoamento superficial e do volume hídrico transportado, promovendo um maior
efeito erosivo dos fluxos. A presença de rugosidades está geralmente atribuída à
presença de restos vegetais na superfície do solo, ajudando a diminuir a velocidade
de escoamento e a intensidade dos fluxos. A inclinação da encosta também
influencia o efeito splash das gotas de chuvas, aumentando o salpico de partículas
com o aumento da inclinação (MORGAN, 1986).

Segundo Guerra (2006), a área de ocorrência do processo de erosão dos


solos é a encosta, e desta maneira, é importante salientar que mesmo sendo a
erosão um processo que depende dos fatores clima, geologia, vegetação, uso e
manejo dos solos, as características quanto à forma das encostas influenciarão
diretamente em seu desenvolvimento. Este autor ainda afirma que a declividade
nem sempre é um fator de correlação positiva para a erosão na medida em que
aumenta, pois são realizados estudos que comprovam uma redução da erosão em
encostas mais íngremes devido à diminuição na disponibilidade de material.

Wischmeier e Smith (1978) definem o comprimento da encosta como a


distância entre o ponto de origem do transporte de sedimentos até onde o gradiente
da encosta decresce o bastante para iniciar a deposição. Esta medida consiste na
distância que a água, oriunda do escoamento superficial, deverá percorrer sobre o
solo, provocando o desprendimento das partículas e o seu transporte.

O escoamento superficial mantém relações com o gradiente de inclinação da


encosta. A inclinação da encosta determina o tempo de exposição do solo à ação
erosiva da água das chuvas em movimento superficial. Para encostas com
acentuada declividade, geralmente são encontrados os menores índices de
infiltração. O contrário pode ser comprovado em encostas com baixos índices de

18
declividade onde sua grande tendência é a perda de parte da umidade para o
escoamento superficial em detrimento à menor infiltração (WISCHMEIER e SMITH,
1978; BRADY, 1989; GUERRA, 1994 e 1999; LOMBARDI & NETO, 1999). No
município de Campos dos Goytacazes, Estado do Rio de Janeiro, Ribeiro & Alves
(2007) também encontraram correlações claras entre às variações no tamanho e
inclinação da encosta e os demais fatores determinantes do processo de erosão.
Quando analisados solos altamente erodíveis em relevo menos acentuado, foram
encontrados baixos índices de perdas anuais.

O efeito do comprimento e do grau de declive pressupõe uma uniformidade


em relação à encosta. Seguindo este raciocínio, Wischmeier & Smith (1978) e
Lombardi & Neto (1999) atentam para uma tendência em subestimar as perdas de
solos em declives convexos e superestimar as perdas de solos nos declives
côncavos. O papel das formas das encostas e suas influências na concentração ou
dispersão dos fluxos hídricos superficiais são explicados por Botelho & Silva (2004)
da seguinte forma: as encostas côncavas são concentradoras dos fluxos hídricos,
aumentado à saturação dos poros, diminuindo a capacidade de infiltração, e
conseqüentemente acelerando o escoamento em superfície. Já encostas convexas
são tidas como zonas dispersoras de água e, devido à acentuada declividade,
contribuem para aumentar a velocidade do escoamento superficial.

3.2.4. Presença de cobertura vegetal

A cobertura vegetal funciona como proteção aos impactos das gotas de


chuvas sobre a superfície do solo, contribuindo na diminuição da ação do efeito
splash na redução da velocidade dos fluxos superficiais e no acréscimo de matéria
orgânica para a matriz do solo. O aumento de rugosidade proporcionado pela
presença dos restos vegetais na superfície do solo ajuda a diminuir o escoamento
das águas, facilitando desta forma, a capacidade de infiltração. Ainda pode ser
afirmado que a vegetação natural de uma dada região funciona como o melhor
elemento na proteção para o solo. Isto em parte é devido à relação equilibrada

19
existente entre os solos e as condições bioclimáticas do meio ao qual se encontram
inserido (PRIMAVESI, 1990; COOKE, 1990).

Os resíduos agrícolas também funcionam como bons auxiliares contra os


efeitos erosivos, quando devolvidos para o solo na forma de matéria orgânica. Os
resíduos vegetais ao serem incorporados a matriz do solo beneficiam a formação de
compostos orgânicos que atuam na construção de agregados resistentes ao impacto
das gotas de chuva e ao escoamento em superfície. As várias formas de culturas
associadas ao preparo do solo podem causar grandes influências no escoamento
hídrico e nas perdas por erosão, sendo determinantes na criação das condições que
alteram este processo (WISCHMEIER e SMITH, 1978; COOKE, 1990; PRIMAVESI,
1990).

3.2.5. Uso e manejo do solo

A relação esperada entre as perdas de solo, com o uso-cultivo aplicado numa


determinada área, e as perdas correspondentes a um terreno mantido
continuamente descoberto é denominado por Wischmeier & Smith (1978) e
Lombardi & Neto (1999) como fator uso e manejo do solo.
São efeitos mensurados pela avaliação individual de cada variável sob
condições pré-determinadas em campo ou laboratório, levando em consideração os
outros fatores que influenciam o processo erosivo (erodibilidade, erosividade, etc.).
Os autores ainda afirmam que as diferentes combinações destas variáveis com a
cobertura e o manejo do solo, provavelmente apresentam diferentes efeitos nas
perdas de solos para uma área estudada, tendo significativas correlações, e por isto
não devem ser avaliados separadamente. No entanto, outros fatores são bastante
influentes às perdas de solo, como o tipo de plantio realizado, os efeitos residuais
das plantações e as mudanças na estruturas e composições dos solos (COOKE,
1990, BERTONI & LOMBARDI NETO, 1999).
A proteção proporcionada pela cobertura vegetal não depende unicamente do
tipo de vegetação e de seu desenvolvimento, mas também do seu stand e da
variação quantitativa das chuvas consideradas erosivas, distribuídas ao longo de um

20
período. A seqüência de plantios e seus resíduos podem trazer benefícios junto com
o tipo de manejo aplicado. Os resíduos deixados na superfície, incorporados ao solo
ou totalmente enterrado com o preparo deste, ajudam a reduzir o escoamento
superficial, favorecendo a infiltração. No entanto, a diminuição da erosão depende
mais da incidência de chuvas erosivas entre os períodos de intervalo entre os
plantios do que o tipo de cultivo realizado numa área (LOMBARDI & NETO, 1999).
Segundo este autor, para fins práticos, divide-se o ano agrícola em cinco
períodos ou estádios da cultura, definidos de tal modo que os efeitos de cobertura e
manejo podem ser considerados aproximadamente uniformes dentro de cada
período. Os cinco períodos ou estádios da cultura, usados para calcular os valores
de C para um local, são definidos a seguir:

Período D preparo do solo: do preparo do solo ao plantio;


Período 1 plantio: do plantio até um mês após o plantio;
Período 2 estabelecimento: do fim do período 1 até dois meses após o
plantio;
Período 3 crescimento e maturação: de dois meses após o plantio até a
colheita;
Período 4 resíduo: da colheita até o preparo do solo.

As intensidades de perdas de solo são computadas para cada um desses


estádios, e para cada cultura sob várias condições (seqüências de culturas, níveis
de fertilidade, produção, quantidade de resíduos, etc.).
De qualquer forma, o maior papel desenvolvido pelo tipo de vegetação
cultivada é a proteção dos solos exercida pelas folhas, dissipando em parte a
energia cinética das gotas de chuva. A interceptação das chuvas e a dissipação da
energia da água e dos ventos, bem como, o acréscimo de rugosidades sobre a
superfície do solo ajudam a reduzir a velocidade de escoamento superficial,
diminuindo assim a ação erosiva deste agente (MORGAN, 1986).

21
3.3. A APLICAÇÃO DE GEOPROCESSAMENTO E SENSORIAMENTO
REMOTO NA ANÁLISE AMBIENTAL EM BACIAS HIDROGRÁFICAS

O uso de sensoriamento remoto nos estudos de processos naturais cresce


juntamente com o desenvolvimento das geotecnologias voltadas para a prática da
análise ambiental. Algumas aplicações destas técnicas vêm permeando os trabalhos
científicos, seja pela sua vasta possibilidade de usos ou pela sua praticidade.
Câmara (1998) aponta que o objetivo principal do geoprocessamento é fornecer
ferramentas computacionais para que os diferentes analistas determinem as
evoluções espacial e temporal de um fenômeno geográfico e as inter-relações entre
diferentes fenômenos . Este autor também destaca a necessidade de criar
informações adequadas à tomadas de decisões relacionados aos problemas
ambientais, num país com dimensões continentais como o Brasil, o
geoprocessamento funciona como ferramenta, por meio de técnicas de baixo custo e
conhecimento adquirível com maior facilidade. Sua importância está atrelada ao uso
de ferramentas computacionais para aumentar as possibilidades de realizar análises
complexas, interagindo dados de diversas fontes através dos Sistemas de
Informações Geográficas (SIGs).
A construção de SIGs pode atender às necessidades do usuário segundo os
conceitos e aplicações específicos a qualquer disciplina. As aplicações podem tratar
temas específicos como o uso da terra, aspectos hidrológicos, as perdas de solos,
etc. Sob um aspecto mais amplo, servem para realizar interações entre conjuntos de
informações a fim de apoiar um processo de decisão sobre estratégias voltadas para
a recuperação ambiental de uma área, a exemplo das bacias hidrográficas
(BECKER, 2002).
A aplicação do geoprocessamento e do sensoriamento remoto em pesquisas
voltadas para a compreensão dos processos erosivos, especificamente, é uma das
áreas de grande crescimento devido à facilitação da visão poli-perceptiva da
realidade em questão.
No entanto, dois pré-requisitos devem ser atendidos para se estabelecer um
uso consistente dos SIGs nos estudos ambientais: o domínio de fundamentos
teóricos de geoprocessamento e uma metodologia de trabalho solidamente baseada

22
num modelo preditivo, cabendo ao especialista a interpretação dos resultados
operacionados (CÂMARA, 1998).

3.4. USO DE MODELOS MATEMÁTICOS NA MENSURAÇÃO DA


EROSÃO DOS SOLOS

A criação de modelos matemáticos para possibilitar a análise de processos


naturais é amplamente utilizada no meio científico, e a formulação de equações
empíricas voltadas para avaliação de perdas de solos em uma área cultivada vem se
tornando prática indispensável para o planejador conservacionista (BERTONI &
LOMBARDI NETO, 1999). Tais métodos de mensuração da erosão solos são
perfeitamente compatíveis com os SIGs, servindo como modelos preditivos para
análises ambientais.
Nos anos 50 foram desenvolvidas diversas pesquisas em instituições norte-
americanas, principalmente na região do Corn-Belts, a respeito das perdas de solos
causados pela erosão hídrica. Reunindo dados e interpretações analíticas, a
respeito da ação do escoamento superficial sobre os solos, de vários pontos do país,
foi desenvolvido um modelo matemático no Nacional Runoff e Soil loss Data Center
ligado ao Agricultural Research Service em cooperação com Purdue University, que
equacionava os principais fatores determinantes do processo erosivo. Apresentado
ao meio acadêmico, em 1954, como Universal Soil Loss Equation (USLE), tal
modelo empírico tinha o objetivo central de reunir diversas variáveis numa única
análise sobre o fenômeno da erosão dos solos. (WISCHMEIER e SMITH, 1978;
BERTONI & LOMBARDI NETO, 1999; SILVA, 2004).
Um dos princípios aplicados na elaboração da USLE foi a tolerância à erosão
que cada tipo de solo apresenta, comparando com os demais fatores expressos na
forma numérica. O termo tolerância de perdas de solo denota o nível máximo de
erosão para aquele solo, permitindo um elevado nível de plantio economicamente
sustentável. Desta maneira, haveria a possibilidade de predizer os índices médios
de erosão combinando as condições de uso e manejo com o tipo específico de solo,
aos tipos de chuvas e a topografia de cada região (WISCHMEIER e SMITH, 1978).

23
O modelo desenvolvido por Wischmeier e Smith (1978) aparece representado
pela seguinte expressão,

A = (R x K x [L x S] x [C x P])

Onde,

A = estimativas de perdas de solo em t/ha/ano;


R = fator erosividade das chuvas (compreendido para eventos com
intensidade de 30 min. expressa em horas -¹) discrimina o índice de erosão causado
pela chuva em MJ/ha.mm/ha;
K = fator erodibilidade dos solos (variam de 0,0 para solos de baixa
susceptibilidade à erosão e 1,0 para elevada erosão) onde relaciona as perdas de
solo dentro de cultivos normais, num declive de 9% 4 comprimento de rampa de 25
m em t/ha/ (MJ/ha.mm/ha);
LS = fator comprimento de rampa e inclinação da encosta (equaciona o
comprimento da encosta em metros a um declive padrão de 9%);
CP = fator uso e conservação do solo (relaciona o tipo de cultura do solo,
variando de 0,0 para áreas completamente ocupadas por vegetação, e 1,0 para
solos inteiramente expostos).

A vantagem na aplicação de modelos nas pesquisas sobre erosão reside na


possibilidade de se estudar diversos cenários e diferentes tipos de manejos e
práticas conservacionistas, de forma rápida e com baixo custo. A criação deste
modelo estava inicialmente voltada para fornecer subsídios técnicos que
possibilitassem o uso de áreas rurais pela prática agrícola, dentro de limites
considerados toleráveis relacionados às perdas de solos, permitindo ainda a
avaliação da eficácia de práticas conservacionistas (BERTONI & LOMBARDI NETO,
1999; SILVA, 2004).
Apesar de ter sido desenvolvida para áreas de cultivo, atualmente vem sendo
aplicada em áreas de florestas, áreas impactadas e em outros usos e ocupações de
terras tais como pela construção urbana, locais para recreação, construção de
estradas, dentre outros (SILVA, 2004, apud, RENARD ET AL. 1991).

24
Silva & Álvares (2005) destacam a necessidade de aplicar medidas de
controle e planejamento para o uso adequado das terras, assim como o uso de
modelos matemáticos que predizem as perdas de solos de uma determinada área
em função de seus fatores. Os autores citam diversos trabalhos realizados no
Estado de São Paulo em bacias hidrográficas de mesoescalas e microbacias, que
utilizam a USLE como um instrumento de trabalho voltado para a conservação dos
solos, subsidiando propostas de planejamento.
Vale ressaltar que, por muitos anos, a adoção de equações manteve-se
restritas às áreas onde foi criada, isto ocorreu devido à falta de informações básicas
e de métodos voltados para adaptação dos valores dos fatores determinados pela
distribuição e tipos de chuvas, práticas agrícolas locais e duração da cultura, etc. No
entanto, esta restrição trouxe limitações para o devido uso deste modelo em áreas
diferentes as do projeto inicial. Contudo, estas limitações vêm sendo superadas,
principalmente no Brasil, onde os trabalhos foram iniciados por Bertoni nos anos 70,
ganhando novas aplicações por outros pesquisadores, que avaliaram os fatores do
modelo USLE em diversas regiões do país, obtendo grandes êxitos científicos
(BERTONI & LOMBARDI NETO, 1999; SILVA, 2004).

3.5. A OPÇÃO PELAS BACIAS HIDROGRÁFICAS COMO ÁREAS PARA


ANÁLISE AMBIENTAL

A bacia hidrográfica é reconhecida como unidade espacial na Geografia


Física desde os anos 60, tendo seu uso mais intensificado nos trabalhos de
pesquisas das Ciências Ambientais durante a década de 90. É tida como uma
unidade básica de análise ambiental que permite conhecer e avaliar os
componentes, processos e interações ocorridos em seu interior, permitindo uma
visão sistêmica e integrada do ambiente. No Brasil, a demanda pelo uso dos
recursos ambientais foi acompanhada pela preocupação de seu correto manejo,
visando atender às gerações futuras. Ao longo das décadas de 1980 e 1990
aumentaram os volumes de trabalhos publicados envolvendo as técnicas e práticas
de manejo e conservação das terras e de planejamento do uso dos solos
(BOTELHO & SILVA, 2004).

25
Ainda neste contexto, Botelho & Silva (2004) afirmam que a bacia hidrográfica
toma grande valor como unidade de análise e planejamento ambientais, e das ações
humanas. A avaliação dos elementos naturais que compõem o ciclo hidrológico
(solo, água, ar, vegetação, etc.) e seus estados, junto aos processos a eles
relacionados (infiltração, escoamento, erosão, assoreamento, etc.) permite averiguar
o equilíbrio ambiental numa bacia hidrográfica.
De acordo com Silva (2004), as características naturais das bacias
hidrográficas têm tornado-as importantes unidades espaciais de gerenciamento das
atividades de uso e conservação dos recursos naturais. Nelas, podem ser traçadas
subunidades espaciais de planejamento mais objetivas para a integração de práticas
de uso e manejo do solo e da água, definidas como microbacias hidrográficas. O
uso da bacia hidrográfica facilita a geração de tecnologia regionalizada, a difusão de
práticas de manejo do solo e culturas, a conservação dos recursos naturais,
contribuindo, assim, para o desenvolvimento municipal e regional.
Segundo Coelho Netto (1999), as bacias recebem energia fornecida pelos
elementos do clima e da tectônica locais. No seu interior, são constantes os
ajustamentos entre os elementos, nas formas e nos processos associados, em
razão das modificações na entrada ou na saída do fluxo energético. Desta maneira,
sob o ponto de vista do auto-ajuste, a autora ainda destaca as bacias hidrográficas
como áreas que (...) integram uma visão conjunta do comportamento das condições
naturais e das atividades humanas nelas desenvolvidas (...) , ou seja, qualquer
mudança no comportamento dessas unidades causa alterações, efeitos e / ou
impactos a jusante e nos fluxos energéticos de saída. É de acordo com este aspecto
integrador dos fenômenos naturais, que as bacias hidrográficas servem como áreas
de estudos ambientais.
Uma das grandes dificuldades inerentes a analise ambiental é a delimitação
de áreas para a realização de estudos. Os fenômenos naturais nem sempre
obedecem aos contornos da área delimitada, muitas das vezes, por que seus fatores
não são perfeitamente limitáveis traduzindo-se num problema para o analista
ambiental.
No caso específico de estudos voltados para os processos erosivos, o uso de
bacias hidrográficas, como áreas de estudos, apresenta vantagens por serem áreas
relativamente pequenas, homogêneas e bem delimitadas, ao contrário da erosão
que apresenta características espaciais muito dinâmicas, sendo, portanto, de difícil

26
delimitação. Relacionado às suas características naturais, podemos citar a
topografia, a geologia, os solos e o clima como elementos que contribuem para
erosão CUNHA (2004). Estas áreas trazem facilidades na determinação de locais de
amostragem, proporcionando uma melhor mensuração do fenômeno estudado,
reduzindo custos, tempo e logística. Sabendo que, os divisores de drenagem
restringem a ação da erosão hídrica à medida que aumenta a declividade da
encosta, temos maior facilidade de localizar espacialmente este fenômeno dentro
dos limites dos divisores da bacia. Diversos trabalhos sobre erosão de solos são
realizados no Brasil, em bacias hidrográficas: Domingues (1998); Albuquerque et al.
(2005); Cirilo & Feitosa (2005); Cabral (2005); Ribeiro & Alves (2007), dentre outros.
Estes são exemplos típicos de aplicação desta unidade para a avaliação dos
processos erosivos em diversas partes do território nacional.

27
4. ÁREA DE ESTUDO

Figura 18: Mapa de localização geográfica da área de estudo. Fonte: PDRH-BG (2005).
Adaptado pelo autor.

28
O presente estudo foi realizado na bacia hidrográfica do Rio Caceribu,
localizada em sua grande parte, no município de Itaboraí e numa pequena porção
dos municípios de Niterói, Rio Bonito, São Gonçalo e Tanguá, situados no Estado do
Rio de Janeiro.
O Rio Caceribu é um dos mais importantes, entre os 55 canais, que drenam a
bacia da Baía de Guanabara, localizada entre os paralelos 22024`S e 22057`S e
entre os meridianos 42033`W e 43019`W, abrangendo uma área continental de
aproximadamente 4600 km2 e 400 km2 de espelho d água. Considerado um rio de 5ª
ordem, pela classificação de Straller, apresenta um segmento de canal torrencial
com perda gradativa de energia, passando a meandrar por uma extensa área de
planície costeira sob constantes influências de marés nas partes próximas ao mar.
Esta região fisiográfica é denominada Baixada Fluminense, um compartimento
tectônico rebaixado e coberto por sedimentos de idade cenozóica, limitado a leste
pelas elevações das Serras do Sambé, Botija e de Rio Bonito. É também ocupada
pela Mata Atlântica e por extensas áreas de manguezais nas desembocaduras dos
rios, em função de sua localização geográfica apresenta condições de clima quente
e chuvoso, tipicamente tropical (AMADOR, 1992 & 1997).
Como parte integrante da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, apresenta
uma concentração populacional que ultrapassa os 3000 hab./km², remanescente de
um histórico ocupacional de intensa exploração econômica, que vem degradando o
meio natural desde o século XVI (AMADOR, 1997).

4.1. BREVE HISTÓRICO DA OCUPAÇÃO REGIONAL

O povoamento de toda a região, hoje ocupada pelo território do município de


Itaboraí, ocorreu por meio dos rios, que nascem nas serras do litoral e caminham
para o interior. A partir de seus altos cursos, principalmente o Rio Aldeia e seu
afluente, o Rio Cabuçu, e o Iguá e seu afluente, o Rio Calundu, serviram de rotas
alternativas aos terrenos alagadiços comuns às áreas de baixadas, onde deságuam
os canais maiores na Baía de Guanabara. A ocupação através da Baía de
Guanabara também foi realizada por meio dos grandes canais que ali deságuam. No
entanto, vale ressaltar as grandes dificuldades encontradas pelo colono em superar

29
os terrenos de vastas áreas de manguezais e pântanos. A exceção a estas
dificuldades foi a entrada e ocupação da área pelos rios Caceribu e Aldeia por
apresentarem algumas vantagens topográficas como os terrenos secos e mais
elevados (DIAS, 2003).
Ao longo do século XVI e parte do XVII, os europeus se espalharam sobre as
terras das antigas aldeias, pertencentes aos grupos de índios Tupis e não Tupis2,
com o objetivo de fundar engenhos de açúcar. Pequenas fazendas de gado e olarias
também cresceram na região, fornecendo produtos alimentícios e cerâmicas para os
engenhos da região (DIAS, 2003).
Com o tempo a região de Itaboraí passou a atrair a população de outras
localidades, originando comunidades de grande importância econômica, pela
agricultura de exportação do açúcar, do anil, das madeiras, do café e da laranja ou
pela agricultura de subsistência como a farinha de mandioca, o feijão, o arroz, etc.
Neste contexto agroexportador, os Rios Caceribu e Aldeia se destacaram pela
facilidade de navegação, inicialmente atendendo ao escoamento da produção
açucareira e de alimentos, através do Porto das Caixas. Com o declínio do ciclo do
açúcar, passaram a servir ao escoamento do café vindo da região de Cantagalo, no
Vale do Paraíba. A intensificação destas atividades e o crescimento dos portos
favoreceram o desmatamento, a erosão e o assoreamento dos rios e da Baía
(AMADOR, 1992; DIAS, 2003).
A criação de Vilas, a partir das Freguesias fundadas na região, dá a
importância econômica e social nos séculos XVI, XVII e XVIII, enquanto perdurou a
atividade agroexportadora da cana-de-açúcar e, no século XIX, do café. Ainda neste
último século ocorreu o esvaziamento das Freguesias locais devido à febres do
Macacu e ao assoreamento dos rios, o que dificultou a navegação e
desenvolvimento das atividades econômicas locais.
A atividade oleira vinha a se tornar uma das mais prósperas produções, junto
às plantações de laranja e frutas nas décadas de 1950 e 1960. A presença de argila
temperada de boa qualidade e a construção da Rodovia Norte Fluminense
favoreceram o rápido crescimento industrial neste período. A extração de calcário da
Bacia de São José de Itaboraí e de areia lavada dos rios em Itambi foi amplamente

2
Antes da chegada do homem europeu, toda a bacia da Guanabara era ocupada por grupos de
índios Tupis que se expandiram sobre o território de tribos precedentes. Algumas resistências
ocorreram na região gerando povos Tupis e não-Tupis formados pelos indígenas do grupo Gê, a
exemplo dos Goitazes, Maripaques, Guarulhos e, principalmente, Goitacazes.

30
utilizada pela expansão arquitetônica e populacional da capital, Rio de Janeiro
(DIAS, 2003).
Os impactos ambientais ao longo destes quatro séculos se fazem presentes
na paisagem. O intenso uso do solo pelas produções agrícolas e a retirada da
vegetação para o fornecimento de lenha para as olarias trouxeram danos
praticamente irreversíveis aos solos e mananciais hídricos da região. Como afirma
Amador (1992), em toda a região da Baixada Fluminense o desmatamento foi
acelerado ao longo do período enquanto perduraram os ciclos do açúcar e do café,
sendo os manguezais reduzidos em áreas, a erosão predominante nas encostas e o
assoreamento que limita o uso dos rios, a exemplo do Caceribu.

4.2. ASPECTOS FÍSICOS DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO


CACERIBU

4.2.1. Geologia

O embasamento geológico constitui um dos mais importantes fatores que


determinam os processos de formação e erosão de solos. A composição
litológica regional e a estrutura morfológica dos terrenos, ocasionados pelos
eventos geológicos remotos, são condicionantes diretos dos processos
pedogenéticos locais, associados à ação dos elementos do clima.
Segundo levantamentos geológicos realizados pelo CPRM (2001), os
terrenos do Estado do Rio de Janeiro apresentam litologias marcadas pela
presença de gnaisses, granitos e migmatitos deformados no Ciclo Brasiliano.
Todos os domínios encontrados neste estado sofreram efeitos das orogêneses
neoproterozóicas, caracterizadas pelo metamorfismo e fusão parcial das rochas
supracrustais e infracrustais, pela deformação contracional de baixo e alto
ângulo, seguida de cisalhamento transcorrente de expressão regional, e pela
colocação de diversos corpos granitóides de dimensões muito variadas.

31
Figura 19: Principais domínios tectono-magmáticos do embasamento geológico da bacia do
rio Caceribu. Fonte: CPRM (2001).

Observando a Figura 2, a bacia de drenagem da Baía de Guanabara


apresenta seu embasamento geológico marcado pelos seguintes domínios
tectono-magmáticos: Arco Rio Negro em sua porção oeste e Serra do Mar a
noroeste; ao fundo da Baía o Complexo Paraíba do Sul e a nordeste uma
extensa área de Coberturas Cenozóicas; os domínios Arco Rio de Janeiro
ocupam áreas nas porções sudeste e sudoeste, próximos a saída da baía.

4.2.1.1. Evolução geológica regional

A evolução geológica referente à área da bacia do rio Caceribu obedece a


uma seqüência de processos comuns a todas as áreas da bacia da Baía de

32
Guanabara, tendo seus eventos geológicos mais significativos ocorridos nas Eras
Pré-cambriana, Mesozóica e Cenozóica.
Ao longo da Era Pré-Cambriana foram formadas as litologias mais antigas
desta região, associadas ao Complexo Serra dos Órgãos e Complexo Juiz de
Fora. Relacionados ao Complexo Serra dos Órgãos existem corpos de elevações
assimétricas arredondadas e de relevo colinoso. Composições litológicas com o
predomínio de gnaisses graníticos e granitóides de grãos médios a finos também
são comuns. Sobre estas unidades aparece uma seqüência metassedimentar,
migmatizada e mais recentemente relacionada ao Complexo Paraíba do Sul.
Este, por sua vez, é composto por associações complexas de gnaisses e xistos.
Em diversas unidades do Pré-Cambriano também ocorrem injeções básicas,
graníticas e pegmatíticas (AMADOR, 1997; ALMEIDA, 1998).
Relativos à Era Mesozóica, surgiram diversos eventos formadores de
diques tabulares de fonolito e diabásios. Estes diques cortam as rochas do
complexo migmático e as intrusivas ácidas (Granitos) de idade Juro-Cretáceo
(AMADOR, 1997).
Na Era Cenozóica, ocorreram importantes fenômenos associados aos
eventos tectono-magmáticos estes, por sua vez, relacionados à evolução do
Oceano Atlântico Sul na separação do supercontinente Pangéia, iniciada no
período Cretáceo. As principais manifestações foram as intrusões e extrusões de
rochas alcalinas, resultantes do intenso magmatismo, a exemplo de Tanguá, Rio
Bonito e outras ocorrências menores com idades entre 72 e 50 M.a., e a
formação dos depósitos carbonáticos da Bacia calcária de São José de Itaboraí.
Ambos os eventos estão inseridos no processo de formação do Gráben da
Guanabara. Também, a esta Era, é atribuída a origem das camadas das
formações Pré-Macacu e Macacu, os depósitos continentais do Pleistoceno
superior da Formação Caceribu, os depósitos marinhos e flúvio-marinhos e os
depósitos aluviais e coluviais do Holoceno (AMADOR, 1997).

33
4.2.1.2. Gráben da bacia da Baía de Guanabara

O Gráben da Bacia da Baía de Guanabara, de idade brasiliana, foi


formado ao longo do Paleoceno no interior do Planalto Atlântico, atribuído ao
intenso tectonismo cenozóico. Este Gráben abrange uma área com extensões de
900 km de comprimento, entre a Baía de Sepetiba e a cidade de Rio das Ostras,
por 100 km de largura, entreposta ao cinturão orogênico da Serra do Mar na
parte setentrional e aos Maciços Costeiros na porção meridional do Estado Rio
de Janeiro (AMADOR, 1997; SILVA & CUNHA, 2001).
A ação tectônica ocorrida no Cenozóico deu surgimento ao plutonismo
alcalino (pipes, stocks e plugs) comuns na região litorânea centro-sudeste do
estado, principalmente na área do Gráben da Guanabara, com destaque para a
região de Rio Bonito. Tais plutonismos são eventos magmáticos relacionados à
Reativação Wealdeniana, resistentes à erosão ao longo do Cretáceo. O Maciço
Alcalino de Rio Bonito abrange a Serra do Sambé nas proximidades das cidades
de Rio Bonito, com aproximadamente 29 Km². O Maciço Alcalino de Tanguá
integra o corpo alcalino da região de Rio Bonito de idade Neocretaceo-Terciário,
com 50 Km² de área. Ambos estão localizados próximos à rodovia BR-101,
destacando-se na paisagem (AMADOR, 1997; SILVA & CUNHA, 2001).
No mapa da Figura 3 podemos observar o embasamento geológico da
bacia hidrográfica do rio Caceribu.

4.2.1.3. Bacia calcária de São José de Itaboraí

A Bacia de São José de Itaboraí é uma depressão elíptica de orientação


ENE, localizada no Gráben da Guanabara, entre a Serra dos Órgãos e os
Maciços Litorâneos. Compreende uma área de 1,5 Km de comprimento por 500
m de largura, distanciada 10 Km a sul de Itaboraí. (AMADOR, 1997).

34
Figura 20: Embasamento geológico da bacia do rio Caceribu; principais formações
geológicas. Fonte: PDRH-BG (2005). Adaptado pelo autor.

35
Esta bacia é considerada um semigráben preenchido por uma camada de
100m de sedimentos calcários das Formações Pré-Macacu e Macacu originados
da superfície de aplainamento Japi, de provável idade Neopaleocênica. Ao longo
do Quaternário, ela sofreu a invasão do mar sendo, também, um testemunho de
eventos tectônicos em superfície entre o final do Cretáceo e início do Terciário,
prosseguindo no Eoceno/Oligoceno, até o Eo a Mesoceno. Nela, foram
encontrados diversos restos de vegetais e de fauna vertebrada, a exemplo de
mamíferos (ALMEIDA, 1998).

4.2.1.4. Sedimentação continental das Eras Terciária e Quaternária

Os depósitos de sedimentos colúvio-alúvio tiveram seu início na Era


Terciária e perduraram por todo o Quaternário até os dias atuais. São formações
resultantes da ação de processos de fluxos gravitacionais e aluviais da alteração
de vertentes. Rampas de colúvio (predomínio de materiais finos) e de tálus
(predomínio de materiais grosseiros) foram originadas a partir do acúmulo de
detritos oriundos das meias-encostas mais próximas, trazidos por movimentos de
massa do tipo rastejo ou escorregamentos. Estes depósitos são constituídos por
materiais de granulometria variada envolvendo argilas, até blocos de rochas e
matacões oriundos do embasamento (PDRH-BG, 2005).
Os sedimentos arenosos e lamosos, com eventuais cascalheiras, são
localizados em regiões mais baixas no declive e ao longo dos canais de
drenagens, estratificados e deposicionados a partir de fluxos torrenciais
canalizados ou não-canalizados. Também são comuns os interdigitamentos com
depósitos deltaicos, lagunares e praiais marinhos, divididos em depósitos de
fundo de canal, de planície de inundação, de rompimentos de diques marginais
(crevasse splay) e de meandros (barra de pontal). Nos depósitos de fundo de
canal são predominantes as areias e os cascalhos, enquanto nas planícies de
inundação de canais de drenagens acumulam-se os sedimentos lamosos
trazidos pelas cheias. Os depósitos de rompimentos de diques apresentam a

36
sedimentação de areia e lama e nos meandros ocorre a sedimentação arenosa
como topo de barra, através de tração e alguma suspensão (SILVA, 2001)
4.2.1.4.1. Formação Pré-macacu e Macacu

A Formação Pré-Macacu corresponde à seqüência continental mais antiga


existente em toda a área da bacia da Baía de Guanabara, à exceção da Bacia de
São José de Itaboraí. Esta formação apresenta uma sucessão de lentes e
camadas pouco espessas de sedimentos predominantemente arenosos,
arredondados e pouco consolidados, de idade plio-pleistocênica (SILVA, 2001).
Junto à Formação Macacu ocorrem sucessões irregulares de lentes e finas
camadas de sedimentos continentais, de caráter arenoso, pouco consolidado e
afossilíferos, resultantes da colmatação de blocos tectonicamente rebaixados no
Terciário Médio. Sua datação é do período Pleistoceno Inferior a Médio e está
associada a depósitos de movimentos de massas ocorridos sob clima semi-árido
(AMADOR, 1997).
Estas formações, Pré-Macacu e Macacu, correspondem à seqüência
superior de pacotes sedimentares das bacias tafrogênicas do Sul e Sudeste
brasileiro correspondente ao Grupo Barreiras. Atualmente, estão amplamente
distribuídas pelos municípios de Itaboraí, especialmente na área da bacia do rio
Caceribu (AMADOR, 1997).

4.2.1.4.2. Formação Caceribu

A Formação Caceribu tem grande importância na área de estudo da Bacia


do rio Caceribu, pois diversos depósitos sedimentares estão relacionados
diretamente a ela. Na área concernente à bacia do rio Caceribu, foram
identificadas duas fácies de sedimentação: os Depósitos de colúvio-aluviais e os
Depósitos conglomeráticos ambos associados a níveis de baixo terraço com
cascalheira.
Os Depósitos colúvio-aluviais são formados de arenitos grosseiros de
quartzo e grãos de feldspato, embalados em matriz caulinítica secundária, de

37
moderado grau de litificação. Depósitos com cascalheira são encontrados nos
baixos terraços dos canais anastomosados dos municípios de Itaboraí e São
Gonçalo. Estas fácies, relacionadas à Formação Caceribu, são testemunhos de
condições de climas semi-áridos e transporte torrencial de idade pleistocênica
superior (Wisconsin). Ocorrem sobre o embasamento Pré-Cambriano ou
sedimentos da Formação Macacu, capeados pelos depósitos fluviais, ou
marinhos do Holoceno (AMADOR, 1997).
Na Era Quaternária predominam os ambientes de sedimentação ao longo
de toda a costa do Estado do Rio de Janeiro, bem como na área da bacia do rio
Caceribu. Foram diversos os processos de sedimentação continental
intercalados com os eventos transacional-marinhos, originando rochas de tipos e
idades diferentes.
A estruturação do embasamento que orientou a formação da baía, os
remanescentes rochosos de baías anteriores e sedimentos oriundos das terras
altas, definiu a orientação da Planície Costeira. Estas planícies são marcadas por
vales de fundo plano, preenchidos com sedimentos fluviais grosseiros
intercalados com depósitos coluvionares de encostas, compondo leques aluviais
coalescentes juntos a sedimentos deltaicos, lagunares e marinhos. Eventos
ligados a glácio-eustasia foram responsáveis por uma evolução da Baía de
Guanabara mais acentuada para o Leste (SILVA, 2001).

4.2.1.4.3. Depósitos marinhos e flúvio-marinho do Holoceno


(Formação Magé)

As restingas, os terraços marinhos e os sedimentos flúvio-marinhos são


registros referentes à ação marinha ocorrida no período do Holoceno. Os
depósitos de sedimentos marinhos ocorrem sob formas de níveis de terraços e
restingas desenvolvidos a partir da Transgressão Guanabarina no litoral,
principalmente em Magé. Estes terraços, marinhos e flúvio-marinhos, são
formados por areia grossa, mal selecionada, geralmente bimodal, com valores
positivos de assimetria.

38
Os sedimentos de origem flúvio-marinhos são interdigitações de depósitos
fluviais e marinhos regressivos holocênicos, litologicamente constituídos de
sedimentos finos, síltico-argilosos, ricos em matéria orgânica. Sua formação é
comum em planícies de marés e progradação de litoral, em regime estuarino
onde se desenvolvem os manguezais.

4.2.1.4.4. Depósitos aluviais e coluviais do Holoceno

Os sedimentos aluviais são comuns às áreas de várzeas dos principais


canais de drenagens da bacia da Guanabara. Apresentam granulometrias desde
as areias finas até as argilo-siltícos ou síltico-argilosos, estratificadas e
selecionadas, intercaladas com lentes de argilas. São comuns as argilas
plásticas do tipo tabatinga comumente utilizadas pelas indústrias de cerâmicas
da região (AMADOR, 1997).
Os colúvios são depósitos originados pelos processos de solifluxão e de
escoamento superficial. Estão presentes sobre as colinas meias-laranja , nas
rochas do embasamento cristalino, nos tabuleiros da formação Macacu e sobre
os sedimentos do Pleistoceno Superior, em toda a bacia da Guanabara. Nesta
região são encontrados tipos de colúvios com espessura variável de um metro,
na forma de sedimentos finos argilo-arenosos e coloração avermelhada, e na
forma areno-argiloso de coloração oscilando entre o castanho e o amarelo-
alaranjado (SILVA, 2001).

4.2.2. Geomorfologia

Para fins de descrição dos aspectos geomorfológicos concernentes à bacia do


Rio Caceribu, devem ser considerados o contexto evolutivo geológico regional, bem
como sua interação com os aspectos climáticos, os quais delinearam sua
morfologia.

39
A bacia do Rio Caceribu apresenta unidades morfológicas com características
comuns a toda região da bacia da Baía de Guanabara, compreendidas na
compartimentação geomorfologia do Estado do Rio de Janeiro, a saber: O Cinturão
Orogênico do Atlântico e as Bacias Sedimentares Cenozóicas.
Como subdivisões do Cinturão Orogênico do Atlântico são encontradas as
unidades morfoesculturais dos Maciços Costeiros e Interiores, os Maciços Alcalinos
Intrusivos, ambos agrupados no grande domínio expresso pela Faixa de
dobramentos remobilizados, e as escarpas serranas. As áreas das Bacias
Sedimentares Cenozóicas envolvem as áreas deposicionais de tabuleiros costeiros
e planícies flúvio-marinha. Cada domínio morfológico mantém estreitas relações com
os arranjos morfoestruturais, estes combinados ao arcabouço geológico e aos
diferentes processos erosivos e deposicionais desenvolvidos ao longo dos anos
(AMADOR, 1997; DANTAS, 2001; PDRH-BG, 2005).
Relacionado às unidades morfoestruturais existe um conjunto diversificado de
rochas metamórficas e ígneas de idade pré-cambriana a eopaleozóica. Tais rochas
foram submetidas a diferentes ciclos orogênicos, culminando, no final do
Proterozóico, com o Evento Brasiliano. Após a estabilidade tectônica ocorrida no
Paleozóico, teve inicio no Mesozóico uma tectônica extensional associada à
reativação Wealdenia no período Jurássico, prolongando-se no Terciário. Como
conseqüências, desta reativação, surgiram os falhamentos normais, que produziram
os maciços costeiros e as escarpas serranas, tal como a Serras do Mar. Do
Cretáceo Superior até o Terciário Inferior, ocorreu um evento de magmatismo
alcalino, também associado à abertura do Atlântico, gerando maciços intrusivos com
estruturas dômicas por todo o Estado do Rio de Janeiro (DANTAS, 2001).
A Região das Escarpas é uma subdivisão da Serra dos Órgãos, apresentando
características morfológicas fortemente condicionadas pela base estrutural,
expressas por extensas linhas de falha, escarpas e relevos alinhados com
dobramentos e falhamentos facilmente observáveis. A escarpa é um tipo de relevo
acentuado com cotas altimétricas médias acima dos 700 m e picos bastante
elevados. Predominam escarpas abruptas, sinuosas com formas de caninos ou
pães de açúcar, orientadas em direção ao escarpamento. Tais escarpas formam
paredões íngremes com afloramento rochoso coberto por uma fina camada de
regolito. Em direção ao Oceano Atlântico tem a ocorrência de patamares, com

40
cumes arredondados e desnudos e vertentes em vales muito largos de fundo chato,
com altitudes decrescentes até os domínios das baixadas (AMADOR, 1997).
A Região das Colinas e Maciços Costeiros se posiciona mais ao litoral e na
base do relevo escarpado, apresentando uma paisagem marcada por modelados
diversificados. As características altimétricas são marcadas por elevações desde o
escarpado até as colinas aplainadas. Nestas regiões predominam uma sucessão de
colinas e de formas meias-laranja com morfologia convexa, isoladas ou agrupadas,
estando orientadas na maior parte para o centro da Baía de Guanabara. Também
podem ser observadas feições planas em formas de alvéolo ao longo dos vales
fluviais (AMADOR, 1997).
Os depósitos sedimentares são descontínuos nesta região, porém ocupam
grandes extensões de terras próximo ao fundo da Baía de Guanabara. É uma região
na qual predominam as planícies flúvio-marinhas, próximas ao espelho d água, e
associadas aos sedimentos holocênicos em terraços marinhos, o que favorece a
formação de um relevo aplainado com pouca ondulação. Estes terrenos são mal
drenados, com vastos canais meandrantes e planícies de colúvio e alúvio-marinhas
(terrenos predominantemente argilo-arenosos de baixadas). Em direção às
cabeceiras são encontradas as planícies aluviais, de topografia suave, identificadas
como planícies de inundação, terraços fluviais e leques de alúvio-colúvio (AMADOR,
1997; PDRH-BG, 2005).

4.2.2.1. Principais unidades morfológicas da bacia do rio Caceribu

Na área da bacia do Rio Caceribu são encontradas as seguintes unidades


morfológicas apresentadas na Figura 4 e descritas abaixo.

4.2.2.1.1. Colinas

São unidades formadas por resíduos cristalinos com declividades médias de


20%, próximos às escarpas e maciços costeiros. Apresentam um embasamento

41
litológico de gnaisses e migmatitos, e em alguns casos de granito. Mantêm formas
de relevo convexas de topo arredondado com coberturas de colúvios.

Figura 21: Aspectos geomorfológicos da bacia do rio Caceribu. Fonte: PDRH-BG (2005).
Adaptado pelo autor.

42
4.2.2.1.2. Depressões flúvio-lacustres

As depressões flúvio-lacustres são extensas depressões de cotas rebaixadas


ao longo da planície litorânea, nas proximidades dos rios e canais artificiais de
drenagem. São formadas por solos hidromórficos apresentando capas de argila com
espessura média de 3 m sobre camadas arenosas de origem marinha, fluvial ou
lacustre. Solos turfosos e orgânicos são comuns nesta unidade devido ao
afloramento do lençol freático e por serem áreas de brejos e pântanos com
péssimas condições de drenagem.

4.2.2.1.3. Planície flúvio / marinha

É uma planície sedimentar predominantemente argilosa intercalada com


areias finas. Seus terrenos são planos e baixos, onde o lençol freático geralmente
aflora a superfície, estando sob constantes inundações devido às variações das
marés e aos períodos de cheias fluviais. Os sedimentos finos são de origem fluvial
retidos pelas raízes das vegetações dos mangues, que se estendem ao longo de
suas margens.

4.2.2.1.4. Planície de alúvio-colúvio

As planícies de alúvio-colúvio são terrenos localizados ao longo das margens


dos canais de drenagens, em trechos com declividades inferiores a 10%. São
formados por pacotes sedimentares com matéria orgânica e grânulos variando da
textura argilosa até arenosa. Os solos desta área são os hidromórficos, glei húmicos
e pouco húmicos, devido ao afloramento do lençol freático.

43
4.2.2.1.5. Tabuleiros

Estão inseridos na formação Macacu/Itaboraí sob depósitos sedimentares.


Apresentam formas suaves como colinas, topos planos e alongados, com vertentes
retilíneas em formas de U . A amplitude altimétrica está na cota dos 50 m
apresentando um padrão de drenagem paralelo.

4.2.2.1.6. Tálus / colúvio

É o resultado do acúmulo de material detrítico (predomínio de material fino) e


depósitos de tálus (predomínio de material de sedimentos grossos). Ocorrem junto à
base e à meia encosta de morros, montanhas e serras. É uma área altamente
susceptível aos processos erosivos, principalmente aos ravinamentos e voçorocas
por concentrarem os fluxos hídricos e apresentarem grande variação granulométrica.

4.2.2.1.7. Maciços Costeiros

É uma unidade morfológica na qual predominam os morros com declividades


de 20 até 58%. Seu substrato geológico é formado por gnaisses, migmatitos, xistos
e também filitos. Os solos desenvolvidos sobre migmatitos apresentam elevada taxa
de erodibilidade devido à composição granulométrica muito variável. Processos
erosivos generalizados podem ser observados nesta unidade de mapeamento onde
sulcos, ravinas e voçorocas são freqüentes. Assoreamento dos corpos d'água são
freqüentes e são dados principalmente por sedimentos provenientes do processo
erosivo.

44
4.2.2.1.8. Maciços intrusivos alcalinos

Nesta unidade são predominantes os substratos geológicos formados por


rochas alcalinas e graníticas. Destacam-se os morros com declividades variando
entre 20 a 58% e solos com horizonte C de granulometria variada, o que lhes
conferem elevados índices de erodibilidade. É comum à erosão por sulcos, ravinas e
voçorocas, por reativação de cabeceiras de drenagem nos fundos de vales.

4.2.2.2. Compartimentação geomorfológica da rede de drenagem

Segundo as características do relevo, a rede de drenagem da Bacia do rio


Caceribu apresenta: padrão dendrítico de alta intensidade. Sua nascente encontra-
se na cota de 750 metros, passando rapidamente de um relevo escarpado na para
áreas de topografia mais suave, associadas ao relevo de colinas e de planícies
aluviais e fluvio-marinhas.
Ao longo das décadas de 40 e 50 foram realizadas várias intervenções no
curso do rio Caceribu com o objetivo de aumentar a drenagem da baixada litorânea,
da porção nordeste da Baía de Guanabara. O Rio Caceribu fazia parte da bacia
hidrográfica do rio Macacu, que atualmente passou a integrar à rede de drenagem
do rio Guapimirim. A atual desembocadura do rio Caceribu era a antiga saída do
Macacu. Devido a estas intervenções na bacia hidrográfica do Caceribu, podem ser
constatados diversos rios na margem esquerda e uma quase ausência de
contribuintes na margem direita. Os principais rios da margem esquerda são: o Rio
da Aldeia, Iguá, dos Duques e Tanguá (AMADOR, 1997; PDRH-BG, 2005).
As nascentes dos poucos e pequenos afluentes da margem direita estão
localizadas em terrenos de domínios rochosos do Mesozóico/Cenozóico, formando
os maciços alcalinos de Tanguá e Rio Bonito. Esta parte da baía apresenta um
sistema de drenagem de grande intensidade, com característica radial ou anelar
devido à dissecação e à declividade acentuada do relevo.

45
As cabeceiras dos afluentes da margem esquerda estão posicionadas no
reverso dos maciços costeiros de Niterói e Maricá, com padrão alto de densidade de
drenagem e características paralelas a dendríticas.
Os médios cursos dos canais da margem esquerda são marcados por colinas
ao longo do relevo, padrão de drenagem médio a baixo, de característica dendrítico
a treliça ou retangular.
Na área de baixo curso do rio, o padrão de drenagem é caracterizado pelo
meândrico, sob uma vasta área mal drenada em terrenos deprimidos fluvio-lacustres
e alúvios costeiros.
Na foz do rio Caceribu pode ser encontrado uma vasta área de manguezal
ainda preservada que constitui a APA de Guapimirim.

4.2.3. Pedologia

A bacia do rio Caceribu apresenta uma grande diversidade de classes de


solos, indo dos mais incipientes como os Cambissolos e solos litólicos, associados
aos afloramentos rochosos, em áreas mais elevadas nos topos de serras, até os
solos tiomórficos desenvolvidos sobre sedimentos flúvio-marinhos, em baixadas sob
extensas áreas de manguezais.
Por aparecerem em diversos pontos na área de estudo, esta diversidade de
solos, representa uma grande dificuldade para realização do mapeamento
pedológico. Desta forma, foi necessário agrupar os tipos de solos, segundo seus
aspectos morfológicos, em unidades de mapeamentos representativas compatíveis
à escala utilizada pelas fontes consultadas, visando facilitar sua caracterização, uma
vez que, permite diferenciações e combinações, resultando em tipologias
complexas.
No presente estudo foram identificadas treze classes de solos, em nível de
subordens: Argissolo Amarelo, Argissolo Vermelho, Argissolo Vermelho-Amarelo,
Cambissolo Háplico Tb, Gleissolo Melânico, Gleissolo Tiomórfico, Gleissolo Háplico
Ta, Gleissolo Háplico Tb, Latossolo Amarelo, Latossolo Vermelho-Amarelo,
Neossolo Litólico, Planossolo Háplico e Planossolo Hidromórfico.

46
Figura 22: Principais classes de solos identificadas na bacia do rio Caceribu. Fonte: PDRH-
BG (2005). Adaptado pelo autor.

47
Alguns terrenos estão caracterizados como afloramentos rochosos e solos
indiscriminados de mangues.
As classes de solos aparecerem no Anexo 1 e na Figura 5, a descrição de
cada perfil de solo e suas características mais importantes são apresentadas a
seguir, de acordo com a nova classificação taxonômica de solos da EMBRAPA
(1999).

4.2.3.1. Argissolo Amarelo Distrófico (PAd)

Esta classe de solo compreende solos minerais não hidromórficos, tendo


perfis com seqüência de horizontes A-Bt-C. Apresenta horizonte A moderado com
textura predominantemente arenosa ou média, enquanto o horizonte diagnóstico B
textural (Bt) é franco arenoso ou mais fino e bem diferenciado. Apresentam uma
ligação direta a sedimentos terciários com teores de ferro inferiores a 70 g/kg,
predominando a caulinita na fração argila. Usualmente são solos profundos com
espessura de cerca de 2,5m, sendo bem a moderadamente drenados. Sua
coloração é amarelo castanho (5YR) ou em matiz mais amarelada (AMADOR, 1997;
EMBRAPA, 1999). Estão distribuídos nas áreas de colinas, marcada por relevo
ondulado ao suave ondulado.
Este tipo de solo pode ser encontrado na região próxima a Manilha, ao longo
da BR-116 e nas imediações do manguezal da APA de Guapimirim.

4.2.3.2. Argissolo Vermelho Eutrófico (PVe)

É uma classe de solo também discriminada pela presença de horizonte B


textural (Bt) e seqüência A-Bt-C. O horizonte é A moderado com textura média,
seguido de horizonte Bt com teores de argila mais elevados determinando uma
textura binária de média/argilosa ou média/muito argilosa. Este horizonte Bt também
é marcado pela presença de cerosidade (lâmina de argila orientada em sua

48
superfície) indicando o processo pedogenético de translocação de argila das
camadas superiores do solo (EMBRAPA, 1999).
Quando ocorre uma expressiva mudança textural entre os horizontes A e Bt,
estes passam a ser denominados abrúpticos, num quarto nível categórico. Esta
característica determina uma acentuada redução da condutividade hidráulica,
diminuindo as taxas de infiltração em subsuperfície, condicionando sob eventos
chuvosos de grande intensidade, um rápido aumento do fluxo superficial e aumento
da energia aplicada no arraste de materiais inconsolidados nos horizontes
superiores. Constitui, também, um fator de intensificação dos processos erosivos
quando associado ao predomínio da fração areia no horizonte A, sendo, desta
forma, considerados solos de alta susceptibilidade à erosão (PDRH-BG, 2005).
O Argissolo Vermelho Eutrófico apresenta cor vermelha de matiz 2,5YR ou
mais avermelhado e alta saturação por bases, tendo o valor V superior ou igual a
50%. São marcados por boas condições de drenabilidade e permeabilidade
(EMBRAPA, 1999).
Ocupam uma pequena porção da parte superior da Serra do Catimbau Grande,
em Rio Bonito.

4.2.3.3. Argissolo Vermelho-Amarelo Distrófico (PVAd)

Esta classe apresenta perfis seqüência de horizontes A-Bt-C, com predomínio


de caulinita e solum (soma dos horizontes A e B) superiores a 100 cm, podendo ser
considerados profundos. Sua composição textural é marcada por uma textura binária
média/argilosa caracterizada por aspecto abrúptico. Mantém boas condições de
drenabilidade e. semelhanças com a descrição dos Argissolos Vermelhos,
diferenciando na cor, mais avermelhada, com matizes da ordem de 5YR e saturação
de base inferior a 50% (EMBRAPA, 1999). Estão associados aos solos mais
profundos, compreendendo, também, os Latossolos.
Sua área de ocorrência estende-se desde os maciços costeiros próximos a
Niterói até o município de Rio Bonito, tendo grande representatividade no município
de Itaboraí, especialmente na bacia do rio Caceribu.

49
4.2.3.4. Cambissolo Háplico Tb Distrófico (CXBd)

É uma classe de solo não hidromórfico que tem seqüência de horizontes A-Bi-
C, distinguido principalmente pela presença do horizonte diagnóstico câmbico ou
incipiente (Bi)3. Têm pouca diferenciação textural entre os horizontes A e Bi,
mantendo um reduzido grau de evolução devido ao seu baixo grau de
intemperização mineral. Sua composição mineralógica é marcada pela presença de
minerais primários como feldspato e mica, geralmente superior à taxa de 4% e
elevada quantidade de silte, o que os aproxima da composição do material parental.
Possuem textura média ou argilosa, com ocorrência de textura muito argilosa, bem
drenados, rasos e com saturação de alumínio superior a 50% (AMADOR, 1997).
Ocorrem em áreas de maior declive como áreas montanhosas e escarpadas,
atribuindo baixa estabilidade aos seus agregados e, por estas razões, são altamente
susceptíveis aos processos erosivos, especialmente aos deslizamentos e
movimentos coletivos de massa (PDRH-BG, 2005).
Comuns nas áreas limítrofes da Baía de Guanabara com a Região Serrana,
aparecem de forma limitada na bacia do rio Caceribu, estando geralmente,
associados à Latossolos Vermelho-Amarelos, Latossolos Amarelos, Neossolo
Litólicos e Afloramentos de Rocha.

4.2.3.5. Gleissolo Melânico Aluminíco (GMa)

Esta classe compreende os solos hidromórficos com seqüência de horizonte A-


Cg ou A-Bg-Cg destacando um horizonte superficial mais desenvolvido, do tipo A
chernozêmico, proeminente ou húmico, ou ainda horizonte hístico com
aproximadamente 40 cm de espessura. A letra subscrita g indica o processo de
gleização o que lhe conferem cores escuras, geralmente em tons de cinza escuro.

3
Horizonte B incipiente: horizonte mineral subsuperficial que sofreu alteração física e química em grau não muito
avançado, porém suficiente para o desenvolvimento de cor ou de estrutura, e no qual mais da metade do volume
de todos os suborizontes não devem consistir em estrutura da rocha original (PDRH-BG, 2005).

50
Sua composição textural apresenta grande variedade em razão da natureza dos
sedimentos holocênicos, com granulometria argilosa e muito argilosa. Os valores de
alumínio são elevados, de tal forma, que atingem os requisitos suficientes para
serem classificados como alumínico (EMBRAPA, 1999).
Aparecem em áreas de várzeas sob constantes inundações fluviais e brejos de
água doce em grandes baixadas, onde o relevo encontra-se mal drenado com
afloramento do lençol freático. São comuns às áreas limítrofes dos municípios de
Itaboraí, Guapimirim e Cachoeiras de Macacu, abrangendo a bacia do rio Caceribu,
entre os rios Porto das Caixas, Iguá e ao norte da vila de Visconde de Itaboraí
(PDRH-BG, 2005).

4.2.3.6. Gleissolo Tiomórfico Hístico Salino Solódico (GJI)

É uma classe de solo que apresenta horizonte sulfúrico ou materiais sulfídricos


até 100 cm de profundidade, também com caráter solódico, sódico e/ou salino.
Aparecem associados à Organossolos Tiomórficos e Gleissolos Melânicos em áreas
de várzeas, geralmente, em áreas sob constante influência marinha (PDRH-BG,
2005).
São comuns na área de baixo curso do rio Caceribu na retaguarda dos
manguezais e em áreas alagadiças.

4.2.3.7. Gleissolo Háplico Ta e Gleissolo Háplico Tb (GXb)

Os Gleissolos Háplicos compreendem solos com seqüência de horizontes do


tipo A-Cg, sem a presença de rocha dura a menos de 200 cm de profundidade. São
originados de sedimentos aluviais e coluviais quaternários com grande variabilidade
espacial. Apresentam certa semelhança com os Gleissolos Melânicos, sendo sua
diferença em relação a este, a presença de horizonte superficial menos
desenvolvido do tipo A moderado (EMBRAPA, 1999).

51
As áreas comuns à ocorrência deste tipo de solo são as planícies de
inundações dos cursos d água, marcadas pelo nível do lençol freático sempre
elevado por longos períodos. Por estarem em áreas baixas com predominância de
processos deposicionais efetivos, e sempre sujeitas as constantes inundações,
foram classificadas como de baixa susceptibilidade à erosão (PDRH-BG, 2005).
É uma classe de solo que apresenta uma representatividade reduzida na área
da bacia de drenagem do rio Caceribu, aparecendo numa planície aluvio-coluvial
que se estende de Piabetá, no município de Magé, até o povoado de Esmeralda, no
vale do rio Roncador.

4.2.3.8. Latossolo Amarelo

Esta classe de solo compreende os Latossolos com horizonte B de cores


brunadas e amareladas matiz 7,5YR ou mais amarelo, associadas a teores muito
baixos de Fe2O3, normalmente inferiores a 70g/kg, e constituição mineralógica
essencialmente caulinítica. Em geral, esses solos estão relacionados aos
sedimentos terciários do Grupo Barreiras e congêneres. Na bacia do Rio Caceribu
ocorrem nas partes altas do relevo e aplainadas dos Tabuleiros (EMBRAPA, 1999;
CARVALHO FILHO, 2001).

4.2.3.9. Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico (LVAd)

Os Latossolos compreendem a classe de solos profundos com horizontes B


latossólico (Bt)4 abaixo do horizonte A moderado. E apresentam avançados estágios
de intemperização bastante evoluídos, devido às transformações do material
parental. Geralmente são distróficos com textura média e argilosa, tendendo a

4
Horizonte B latossólico: horizonte mineral subsuperficial, com espessura mínima de 50cm, cujos constituintes
evidenciam avançado estágio de intemperização, caracterizado pela presença de quantidades variáveis de
óxidos de ferro e alumínio, argilominerais do tipo 1:1 e minerais primários resistentes ao intemperismo e pela
ausência quase absoluta de argilominerais do tipo 2:1 (PDRH-BG, 2005).

52
aumentar os teores texturais gradativamente em profundidade ao longo do perfil. A
espessura do solum sempre é superior a um metro de profundidade com pouco
incremento de argila de A para B, com a relação textural B/A não satisfazendo os
requisitos para B textural. Sua boa característica física confere-lhes maior resistência
à erosão
Estão comumente associados aos Latossolos Amarelos, Argissolos,
Cambissolos, Neossolos Litólicos e Afloramentos de Rochas. O relevo forte e
ondulado é praticamente uma característica marcante das unidades onde ocorrem
esta classe de solo, podendo, também, ter presenças em áreas menos declivosas.
Os Latossolos representam uma das classes de maior expressão geográfica,
ocupando grandes extensões ao longo de toda a área da bacia do rio Caceribu,
principalmente nas colinas meia-laranja, em Venda das Pedras no município de
Itaboraí.

4.2.3.10. Neossolo Litólico Distróficos (RLd)

Os Neossolos Litólicos apresentam seqüência de horizontes A-R, com


horizonte A moderado, assentados diretamente sobre a rocha, variando de rasos a
muito rasos, raramente ultrapassando os 40 cm de profundidade. A textura do
horizonte A é, normalmente, média e argilosa, ocorrendo pedregosidade e
rochosidade. Devido a sua reduzida espessura e o tipo de relevo onde ocorrem, são
por natureza solos altamente susceptíveis à erosão. Aparecem quase sempre
associados aos Cambissolos, mantendo composições texturais muito idênticas entre
si. São predominantemente distróficos, com saturação de bases inferior a 50%
(EMBRAPA, 1999).
É uma classe de solo de pouca ocorrência na bacia do rio Caceribu. Por estar
associado ao relevo muito movimentado, estão mais presentes nas áreas próximas
as Serras da Botija, em Cachoeiras de Macacu até Guapimirim, servindo unicamente
para preservação ambiental.

53
4.2.3.11. Planossolo Háplico e Planossolo Hidromórfico Distrófico
(extintos)

A classe dos Planossolos compreende os solos com horizonte diagnóstico B


textural (Bt), mudança textural abrupta e com horizonte superficial de textura
arenosa média. O tipo de horizonte A é o moderado, com textura leve (arenosa ou
média) e o horizonte B é frequentemente de textura argilosa ou média. Também
estão inseridos os solos minerais com B plânico5 de densidade elevada (AMADOR,
1997; PDRH-BG, 2005).
Algumas modificações foram realizadas recentemente no que diz respeito aos
critérios, conceitos e definições para este tipo de solo, em função da constatação de
perfis sem mudança textural abrupta do A para o B, porém com transição abrupta e
marcante linha de separação do horizonte A para o B e grande diferença de
estrutura entre os referidos horizontes. Solos deste tipo também passaram a ser
enquadrados como Planossolos. A extinção dos Planossolos Hidromórficos é
justificada pela menor saturação hídrica ao longo do ano, apresentando um caráter
de hidromorfismo temporário, causando uma extrema dificuldade na diferenciação
deste solo em campo (JACOMINE, 2005).
Nas áreas, onde anteriormente foram classificados como ocupados por
Planossolos Hidromórficos, e comum observar a formação de um lençol suspenso
temporário nos períodos mais chuvosos do ano devido à presença do horizonte B
plânico. Ocorre também o estabelecimento de um ambiente redutor no seu topo e na
base do horizonte suprajacente, constituindo, portanto, solos com média
erodibilidade, considerando o relevo mais plano ou suavizado (PDRH-BG, 2005).
Os Planossolos são comuns em áreas de relevo plano e suave ondulado nas
planícies litorâneas e em terraços fluviais Holocênico e Pleistocênico Superior ao
longo do médio/baixo curso de vários rios da bacia do rio Caceribu, posicionados na
retaguarda das baixadas (AMADOR, 1997; PDRH-BG, 2005).

5
O caráter plânico é utilizado na determinação de solos intermediários com Planossolos, que apresentem
horizonte adensado e permeabilidade lenta ou muito lenta, com cores acinzentadas ou escurecidas, neutras ou
similares, ou com mosqueados de redução que não satisfaçam os requisitos de um horizonte plânico, exclusive
horizonte com caráter plíntico (JACOMINE, 2005).

54
4.2.3.12. Solos Indiscriminados de Mangue (SM)

Os solos indiscriminados de mangue compreendem as áreas de influência


das variações da maré com vegetação de mangue. Ocorrem em grandes áreas no
entorno da Baía da Guanabara, principalmente nas proximidades das áreas onde
deságua o rio Caceribu na Baía de Guanabara.

4.2.3.13. Afloramentos de Rochas (AR)

Esta formação compreende os afloramentos rochosos com seqüência de


horizontes A-R, ou seja, uma sobreposição de solos de formação recente sobre a
rocha. São solos rasos ou pouco profundos, de textura média cascalhenta ou
argilosa, pedregosa ou rochosa, caracterizando a classe de Neossolos Litólicos e
Cambissolos Háplicos Lépiticos, com profundidades inferiores a 1 m. Devido a sua
reduzida profundidade, são solos impróprios para a implementação de quaisquer
atividades, impossibilitando o desenvolvimento do sistema radicular da maioria das
plantas (PDRH-BG, 2005).

4.2.4. Caracterização climática regional

A caracterização climática da região onde se encontra a bacia do Rio Caceribu


apresenta traços típicos de uma área intertropical, recebendo fortes influências dos
fatores de ordem geográfica, da topografia (Serra do Mar), da maritimidade (Oceano
Atlântico) e continentalidade.
Toda a área de estudo, bem como o Estado do Rio de Janeiro, se encontra sob
influência das massas de ar frio, oriundas do Pólo Sul, sobre águas quentes do
Oceano Atlântico. Desta maneira, são comuns as constantes entradas de frentes
frias e linhas de instabilidades tropicais, associadas à posição marítima, o que forma
maior densidade de núcleos de condensação. Ao longo do ano, esta área encontra-

55
se sob domínio da massa Tropical Atlântica, sendo comuns as elevadas
temperaturas, devido a intensa irradiação solar das latitudes tropicais e a forte
umidade específica fornecida pela elevada evaporação marítima (DAVIS, 2001).

Figura 23: Distribuição das isoietas de chuvas anuais para a área da bacia do Rio Caceribu.
Fonte: PDRH-BR (2005). Adaptado pelo autor.

56
O clima é quente e úmido com temperaturas médias anuais de 24°C e
precipitação total anual média oscilando entre 1.000 e 1.500 mm.
No período de inverno ocorre uma estação seca e no verão são comuns as
chuvas torrenciais. Os ventos alísios predominantes sopram constantemente de E e
NE (AMADOR, 1997).
O efeito topográfico no interior da porção leste da Bacia da Guanabara, onde
se encontra o Rio Caceribu, apresenta peculiaridades devido à origem estrutural e
escultural realizada pelos eventos erosivos sobre o relevo. A proximidade das Serras
dos Órgãos e dos Maciços Litorâneos e a ocorrência de algumas serras isoladas
como as do Sambé e Tanguá, favorecem a variações espaciais na distribuição das
chuvas e temperaturas.

57
5. MATERIAIS E MÉTODOS

A metodologia empregada neste trabalho consistiu na integração entre


Sistemas de Informações Geográficas (SIG), técnicas de Geoprocessamento e
modelagem matemática, utilizando os fatores K, R, L, S, C e P, descritos no modelo
matemático Universal Soil Loss Equation (USLE), para avaliar as perdas de solos na
área de estudo delimitada pela bacia hidrográfica do rio Caceribu.
O procedimento tomado inicialmente foi a realização de um amplo
levantamento de dados produzidos, referentes à região da bacia do rio Caceribu,
como imagens orbitais, arquivos vetoriais, mapas (geológico, geomorfológico,
pedológico, de erodibilidade dos solos, de usos do solo, etc.), dados pluviométricos,
dados censitários, dentre outros. Muitos destes dados estavam disponíveis em
materiais de acesso público, criados em grandes estudos realizados nos últimos
anos e disponíveis em CDROM, como o Estudo Geoambiental do Estado do Rio de
Janeiro do CPRM, Plano de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), bem como
as fontes acessadas pela internet por meio de endereços eletrônicos, que também
foram fundamentais para a aquisição de dados e informações complementares.
As técnicas de geoprocessamento foram recorrentes ao longo do
desenvolvimento deste trabalho, primando por uma sistematização completa de
procedimentos e cálculos referentes à construção e análise de dados, na plataforma
do software Arcgis 9.2. Os dados foram compatibilizados às variáveis da USLE
visando sua implementação neste modelo matemático e criando em seguida, planos
de informação (layers) referentes a cada um dos fatores influentes no processo de
erosão, possibilitando a sua quantificação e qualificação.

5.1. CONSTRUÇÃO DO SIG

A realização de simulação numérica computacional de processos erosivos


permite transformar um Sistema de Informações Geográficas em uma representação
realista dos processos espaços-temporais, tendo como base formulações teóricas
propostas por autores como Wischmeier & Smith (1978). A estruturação do SIG

58
consistiu na primeira etapa de desenvolvimento deste trabalho, onde foram
selecionados e copilados os dados mais importantes para serem utilizados de forma
direta no modelo USLE. Entretanto, outras informações precisaram ser criadas como
os mapas de índices de erodibilidade dos solos (fator K), índices de erosividade das
chuvas (fator R), o mapa de comprimento de rampas e grau de inclinação das
encostas (fator LS) e o mapa dos índices referentes ao uso, manejo e das práticas
conservacionistas do solo (fator CP).

5.1.1. Determinação dos Fatores da Equação Universal de Perdas de


Solos

5.1.1.1. Determinação do fator K (erodibilidade)

Devido a grande variabilidade de fatores e elementos determinantes da


erodibilidade de um solo, a metodologia empregada na quantificação deste índice
apresenta alto custo e demanda de tempo. Para construir dados definitivos e
consistentes são necessárias horas de trabalho em campo, coletando amostras e
informações in situ. Os subseqüentes experimentos e análises em laboratório
também necessitam de um aparato logístico custoso e de procedimentos
demorados. Vale ressaltar que diversos pesquisadores dedicam-se exclusivamente
a esta linha de pesquisa, buscando atribuir valores de erodibilidade para as mais
diversas classes de solos existentes no Brasil e no mundo (SILVA, 2004).
Existem três métodos para estimar a erodibilidade do solo. O primeiro e o
segundo método, considerados diretos, baseiam-se na relação entre as perdas de
solo e o fator erosividade das chuvas avaliados em parcelas de dimensões
padronizadas, sendo o primeiro sob condições de chuva natural e o segundo sob
condições de chuvas artificiais ou simuladas. Estas parcelas são unitárias com 25m
de comprimento e uma declividade uniforme de 9%, em alqueive6, preparadas no
sentido do declive, escolhidos de forma arbitrária como termo de comparação. O

6
Alqueive, neste caso, significa um terreno preparado e deixado livre de vegetação por um período
de dois anos, ou até que os resíduos da cultura anterior tenham sido decompostos (LOMBARDI &
NETO, 1999).

59
terceiro método (indireto) estima a erodibilidade utilizando equações matemáticas
elaboradas para contemplar os parâmetros relativos às características físicas e
químicas de cada solo, relacionando valores de textura e teor de matéria orgânica,
facilitando o trabalho e reduzindo, assim, as suas principais dificuldades com os
custos e a demanda de tempo (MANNIGEL et al., 2002; SILVA, 2005). Contudo, vale
ressaltar que estes métodos não excluem as necessidades de continuidade das
pesquisas para determinação mais acurada sobre a erodibilidade do solo, através da
utilização dos métodos tradicionais (SILVA, 2004, SILVA, 2005).
Os procedimentos metodológicos
adotados, para determinar os valores do
fator K utilizado neste trabalho, são
apresentados no esquema da Figura 7.
Inicialmente foi realizado um
levantamento das classes de solos
encontrados na bacia do rio Caceribu
nos relatórios do Plano Diretor de
Recursos Hídricos da Região
Hidrográfica da Baía de Guanabara
(PDRH-BG), concluídos em 2005, sendo
identificadas 15 classes de solos
distintas cada qual apresentando
descrições segundo as propriedades
físicas, químicas, etc. (ver Anexo 1).
Figura 24: Seqüência dos procedimentos
Estas informações são resultantes do para construção dos dados de
cruzamento dos mapas pedológico e de erodibilidade dos solos.

aptidão agrícola das terras, gerados a partir do mapeamento existente para o Estado
do Rio de Janeiro, disponível na escala 1:250.000 pelo IBGE e Fundação CIDE.
Também foram relacionados às suscetibilidades de cada classe de solo os índices
de desgaste erosivo, sendo o mapa construído utilizado para uma comparação com
os resultados obtidos pelo modelo de perdas de solo e a obtenção de uma avaliação
mais acurada sobre este fenômeno.
Em seguida realizou-se um levantamento bibliográfico com a finalidade de
adquirir os valores já calculados referentes às classes de solos encontradas na
bacia do rio Caceribu, visando assim, facilitar a aplicação desses índices no modelo

60
de perdas de solo, como apresentado na Tabela 1. Estes valores foram adquiridos
do banco de dados de valores médios de erodibilidade para as classes de solos do
Estado de São Paulo, construídos por Silva & Álvares (2005).

Tabela 1: Valores de erodibilidade dos solos utilizados no modelo USLE.


Fonte: SILVA & ALVARES (2005).

Erodibilidade
Classes de solos
(t.h.MJ-1. mm-1)
Argissolo Amarelo distrófico 0,0425
Argissolo Vermelho-Amarelo distrófico 0,0425
Gleissolo Melânico 0,0361
Gleissolo Tiomófico 0,0361
Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico 0,0162
Planossolo Hidromórfico 0,0097
Solos Indiscriminados de Mangue 0,0001
Área urbana 0,0001
Corpos hídricos 0,0000

Podemos observar que as classes de solos com os maiores valores de


erodibilidade encontrados foram os Argissolos (0,0425 t.h.MJ-1. mm-1), enquanto os
menores valores ficaram por conta dos Planossolos (0,0097 t.h.MJ-1. mm-1). Nas
áreas de mangue, comuns na desembocadura do rio Caceribu, foi atribuído o valor
0,0001 t.h.MJ-1. mm-1 visto que são áreas de agradação, onde ocorrem processos de
deposição de sedimentos flúvio-marinhos e, desta maneira, não ocorre o predomínio
de processos erosivos. O mesmo valor de 0,0001 t.h.MJ-1. mm-1 também foi
atribuído às áreas de ocupação urbana, uma vez que estas apresentam alterações
dos fatores influentes no processo de erosão, não podendo desta forma ser
avaliadas com precisão. Às áreas identificadas como corpos hídricos foram
atribuídos os valores de 0,0000 t.h.MJ-1. mm-1 por não contribuírem no processo de
perdas de solos por erosão.
O procedimento seguinte consistiu na elaboração de um arquivo vetorial no
software ArcGis 9.2, contendo as principais classes de solos levantadas pelo PDBG,
sendo em seguida dada a entrada de seus respectivos valores de erodibilidade no
61
arquivo através de uma tabela em formato dbf, constituindo assim, um layer onde
cada polígono contendo uma classe de solo recebeu seu respectivo valor de
erodibilidade.

5.1.1.2. Determinação do fator R (erosividade)

O cálculo do fator erosividade das chuvas (R) requer uma seqüência de


dados pluviográficos de difícil aquisição, e procedimentos analíticos trabalhosos dos
diagramas de registros de chuvas, representando grande dificuldade para a
realização de pesquisas em algumas regiões. Diversos pesquisadores procuraram
criar correlações matemáticas entre os índices de chuvas medidos por pluviômetros,
por apresentar maior facilidade de serem encontrados e produzidos, com o índice de
erosividade das chuvas para uma determinada região. Este procedimento facilitou as
pesquisas com erosão, ou outras que necessitam de dados referentes à qualificação
pluviométrica.
Segundo o método desenvolvido e apresentado por Bertoni & Lombardi Neto
(1992 e 1999), o fator erosividade das chuvas para uma região qualquer, pode ser
determinado pela expressão:

2 0,85 (1)
R= EI = {67,355 * (p /P) }

Onde,

R = erosividade anual da área (Mj.mm/ha.h.ano)


EI = índice médio de erosividade mensal (Mj.mm/ha.h.mês)
p = precipitação total média mensal (mm)
P = precipitação total média anual (mm)

Desta maneira, podemos observar que o índice de erosão médio anual, isto é,
o fator R para um local é a soma dos valores mensais dos índices de erosão. Para
um longo período de tempo, vinte anos ou mais, essa equação estima com relativa
precisão os valores médios de EI de um local, usando somente totais de chuva, que

62
são disponíveis para muitos locais, dispensando, desta forma, os cálculos com os
dados pluviográficos.

Figura 25: Estações pluviométricas onde foram coletados os dados de chuvas. Fonte:
Agencia Nacional de Águas (ANA).

Os dados pluviométricos utilizados nos cálculos dos índices de erosividade


foram obtidos no portal eletrônico da Agência Nacional de Águas (ANA), referentes a
11 estações pluviométricas, localizadas nos município de Cachoeiras de Macacu,

63
Itaboraí, Niterói, Maricá, Rio de Janeiro, Rio Bonito, Saquarema e Tanguá, como
pode ser observado através da Figura 8.
Somente as estações de Itaboraí, Tanguá, Rio Bonito e Japuíba (P-37R)
estão localizadas dentro da área concernente à bacia do rio Caceribu, enquanto as
demais sete estações localizam-se nos municípios vizinhos de Cachoeiras de
Macacu, Marica, Niterói, Rio de Janeiro e Saquarema, englobando toda a área da
bacia deste rio. Estes dados estão disponíveis ao público em planilhas em formato
Access contendo as séries históricas diárias, mensais e anuais de chuva coletado ao
longo de vários anos. Algumas destas estações encontram-se desativadas outras
em funcionamento, mesmo assim foram obtidas séries históricas de chuva na faixa
de 10 a 20 anos, ou mais, para os cálculos de erosividade das chuvas, proposto
Wischmeier & Smith (1978).
A partir das planilhas Access, das estações pluviométricas, foi montada uma
planilha no software Excel, de valores pluviométricos médios mensais e anuais para
cada série histórica e seus respectivos valores médios mensais, anuais e totais do
índice de erosividade (IE) para cada estação utilizada. O Fator R para cada mês foi
determinado aplicando-se a fórmula (1).
Os dados de erosividade foram convertidos para uma tabela no formato dbf e
adcionada no software Argis 9.2 gerando uma distribuição de pontos referentes às
estações pluviométricas, com sistema de projeção de coordenadas UTM. Os índices
de erosividade foram interpolados pelo método Spline, na extensão Spatial Analyst,
a partir dos índices de erosividade das 11 estações, priorizando os valores das três
estações mais próximas, como produto foi gerado um Modelo Numérico de Terreno
(MNT) de pixels com 90m X 90m de resolução com os valores de erosividade de
toda a área da bacia do rio Caceribu. A partir deste arquivo matricial foram extraídos
os valores de erosividade para a bacia do rio Caceribu, utilizando o arquivo
vetorialda bacia hidrográfica como máscara através da opção Extraction, ferramenta
Extraction by Mask, gerando assim, o mapa do Fator R (erosividade) para ser
aplicado no modelo USLE, como apresentado no esquema da Figura 9. Este mapa
apresenta faixas com valores médios de erosividade constituindo isoerodentes7 .

7
Faixas que sobre áreas com valores médios anuais de erosividade da chuva e também o fator
chuva na equação de perdas de solo (BERTONI & LOMBARDI NETO, 1999).

64
5.1.1.3. Determinação do
fator LS (topografia)

No âmbito deste trabalho, a


aplicação de modelagem matemática
aliada ao uso de SIG também teve por
objetivo facilitar a rotina de construção
dos dados topográficos, o que diminuiu
os procedimentos equacionais,
agilizando a produção dos mesmos.
Consistiram, basicamente, na construção
dos mapas de declividade e de
comprimento de rampas a fim de serem
processados por meio do uso de Figura 26: Esquema procedimental da
confecção do fator erosividade.
algoritmos que forneceram os fatores L e S,
conjuntamente.
Na Equação Universal de Perdas de Solos, o fator topográfico é representado
pela combinação de duas variáveis do relevo, o comprimento de rampa (fator L) e a
declividade da encosta (fator S) os quais influenciam diretamente a ação erosiva das
águas do escoamento superficial sobre os solos numa encosta. Os efeitos destes
dois fatores são pesquisados separadamente, no entanto, devem ser considerados
de forma conjunta como fator LS. O comprimento da rampa L representa a distância
entre o ponto onde se origina o escoamento superficial até o ponto onde a
declividade decresce o suficiente para que ocorra a deposição de sedimentos
(WISCHMEIER & SMITH, 1978) ou, onde a água entra no sistema de canais de
drenagem naturais ou artificiais. O gradiente de declividade (S) refere-se à variação
de inclinação para cada rampa de uma encosta, expressa em valores percentuais ou
em graus.
A determinação do fator topográfico é considerada dos mais importantes por
causar grande influência na variação bruta da erosão dos solos. São cálculos de
difícil aquisição, principalmente quando utilizados em áreas de estudo de grandes
extensões como as bacias hidrográficas, que apresentam relevo de grande

65
complexidade. Os trabalhos para obtenção dos dados de caracterização topográfica
dependem de atividade onerosa e demorada, a partir de métodos tradicionais de
levantamento de campo ou aerofotogrametria, nem sempre existentes para algumas
regiões.
Em ambiente SIG, podem ser construídos Modelos Numéricos de Terrenos
(MNT) a partir da digitalização das curvas de nível de cartas topográficas, a fim de
gerar o Modelo Digital de Elevação (MDE), onde são retiradas as informações de
amplitude altimétrica, declividade e orientação de vertentes para posterior
determinação de perdas de solos em modelos predictivos. De acordo com
Felgueiras (1999), um Modelo Digital de Terreno representa o comportamento de
um fenômeno que ocorre em uma região da superficie terrestre . Tais modelos são
recursos fundamentais para aplicação de geoprocessamento em ambientes SIGs,
representando a variabilidade de um fenômeno natural, sem a necessidade de se
trabalhar diretamente na região geográfica escolhida. A geração de mapas de
declividades é definida pelo plano tangente àquela posição na superfície . A
declividade é composta pelo: gradiente expresso em graus (0° a 90°), que é a
máxima razão de variação de cota z e; a exposição, também expressa em graus (0°
a 360°) que é a direção dessa máxima razão de variação de cota.
Neste trabalho, foi utilizada uma imagem do radar interferométrico SRTM
(Shuttle Radar Topography Misson)8 como alternativa aos métodos tradicionais
obtidos pelas curvas de nível, sendo manipuladas por técnicas de
geoprocessamento no software Arcgis 9.2. Para fins de pesquisas a respeito da
modelagem da superfície terrestre, os dados SRTM apresentam uma aplicabilidade
satisfatória. No caso do Brasil, país continental, este tipo de representação é muito
valiosa e pode auxiliar em diversos projetos com escalas menores que 1:100000,
mantendo uma resolução de 90m para cada pixel da imagem, podem ser gerados,
modelos que atendem as necessidades no ramo de pesquisa na modelagem de
erosão de solos (MIRANDA, 2005).

8
O SRTM consiste num projeto conjunto entre a National Imagery Mapping Agency (NIMA) e a
National Aeronuticas and Space Administration (NASA), como objetivo de produzir dados digitais da
topografia de 80% da superfície terrestre, entre as latitudes 60ºN e 56ºS. Foi realizado pelo sobrevôo
do ônibus espacial Endeavour entre o período de 11 a 22 de fevereiro de 2000, durante o qual foram
percorridas 16 órbitas por dia, num total de 176 órbitas. Este material encontra-se disponível do site:
http://.srtm.usgs.gov/data/obtainingdata.html.

66
Os dados topográficos utilizados neste trabalho, para o cálculo do fator LS,
foram extraídos do MDE criado a partir da imagem SRTM editada pela EMBRAPA
(Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), referente à cobertura da Folha SF-
23-Z-B, disponível gratuitamente: http://www.relevobr.cnpm.embrapa.br/index.htm.
Na Figura 10 está representado um esquema metodológico da rotina de
elaboração do fator topográfico, para aplicação no modelo de perdas de solos.
Todos os procedimentos adotados foram realizados em ambiente SIG através do
Software Arcgis 9.2, na extensão Spatial Analyst, consistindo numa metodologia
prática e rápida que fornece dados referentes a comprimentos de rampas, inclinação
das encostas e o fator LS para cada pixel do arquivo matricial gerado.
Inicialmente foi realizado um recorte da imagem SRTM, Folha SF-23-Z-B, de
maneira que enquadrasse toda a área ocupada pela bacia do rio Caceribu,
facilitando e agilizando o processamento dos dados. A partir deste foram criados o
mapa clinográfico (declividade), por meio da opção Raster Surface, ferramenta
Slope, e o mapa de orientação de vertentes, por meio da ferramenta Aspect. Em
seguida, ambos os mapas foram reclassificados através da função Raster Reclass,
ferramenta Reclassify. Um novo mapa de declividade foi criado com os intervalos de
relevo de 0 a 3% (plano), 3 a 6% (plano a suave-ondulado), 6 a 12% (suave-
ondulado a ondulado), 12 a 20% (ondulado a forte ondulado), 20 a 40% (forte
ondulado a montanhoso) e maior que 40% (montanhoso).
O mesmo procedimento foi adotado para a criação do mapa de orientação de
vertentes com oito intervalos de 45º, a partir do azimute (norte, nordeste, leste,
sudeste, sul, sudoeste, oeste e noroeste), onde o valor zero (0) foi atribuído às áreas
planas.
Estes dois mapas foram combinados através da ferramenta Combine
originando o mapa de rampas.
Por meio da ferramenta Zonal, na função Zonal Statistic, foram obtidas as
declividades médias e a amplitude de altura de cada vertente. Os valores de
declividade média foram extraídos do mapa de declividade reclassificado, utilizando
o mapa de rampas como máscara, já os de altitude máxima e mínima foram
extraídos do raster SRTM, também por meio do mapa de rampas funcionando como
máscara.

67
Folha SRTM
(SF-23-Z-B)

Slope Aspect

Declividade Orientação
(%) de Rampas

Combine

Mapa de
Rampas

Zonal Statistc Zonal Statistc

Altitude Altitude
Declividade Máxima Mínima
Média
Map Algebra

Amplitude
de rampas

Map Algebra

Fator C

C = h / sen (°)
Map Algebra
LS = 0,00984 * C * D1,18
Fator LS

Figura 27: Procedimentos de rotina para elaboração do fator LS por meio dos
dados SRTM. Adaptado de FORNELOS & NEVES (2006).

Através da extensão Spatial Analyst Tools, na opção Map Algebra, ferramenta


Single Output Map Algebra, foi criado o mapa de comprimento de rampas (fator C)
utilizando o algoritmo proposto por Bertoni & Lombardi Neto (1999):

C = h / sen
Onde,

68
C é o comprimento de rampa em metros (m)
h é a diferença de altura da rampa em metros (m)
é a declividade média do polígono em graus (°)

O mapa do fator LS (topográfico) também foi gerado na extensão Spatial


Analyst Tools, ferramenta Map Algebra, função Single Output Map Algebra,
utilizando o algoritimo desenvolvido por Bertoni & Lombardi Neto (1999), que estima
os fatores L e S de forma combinada pela seguinte expressão:

LS = 0,00984 * C0, 63 D1, 18

Onde,

LS é o fator topográfico (adimensional);


C é o comprimento de rampa em metros (m);
D é o grau de declive em porcentagem (%).

A partir do mapa do fator LS foi criado um novo mapa referente somente a


área delimitada pela bacia hidrográfica do rio Caceribu, através da opção Extraction,
ferramenta Extraction by Mask, constituindo num layer referente ao fator topográfico
da USLE.

5.1.1.4. Determinação do fator C (uso e manejo do solo) e fator P


(práticas conservacionistas)

O fator C mede o efeito combinado de todas as relações das variáveis de


cobertura e manejo. Para a obtenção do valor C, a intensidade de perdas de solo de
cada período são combinadas com dados relativos à chuva, isto é, em relação à
porcentagem de distribuição do índice de erosão (EI) anual para determinado local.

69
O fator P da equação universal de perdas de solo é a intensidade esperada
de perdas de solo com determinada prática conservacionista, e as perdas de solo
quando a cultura está plantada no sentido do declive (morro abaixo). As práticas
conservacionistas mais comuns para as culturas anuais são: plantio em contorno,
plantio em faixas de contorno, terraceamento e alternância de capinas (BERTONI &
LOMBARDI NETO, 1999).
Para determinação do fator
(C) uso e manejo dos solos e fator
(P) práticas conservacionistas,
também foi utilizado o levantamento
e classificação realizada pelo
Programa de Despoluição da Baía
de Guanabara (PDBG), em escala
1:250000, onde procurou-se
identificar os tipos de usos do solo
para a área da bacia hidrográfica do
rio Caceribu.
Para cada tipo de uso do solo
foram atribuídos valores que variam
de 0 a 1 obtidos em trabalhos
realizados na linha de pesquisa, Figura 28: Procedimentos de elaboração do
fator CP.
voltados para o estudo de suas
influências sobre a erosão hídrica dos solos, determinados em condições
geográficas pré-escolhidas ou experimentos em condições pré-estabelecidas em
laboratório. Os procedimentos para construção do arquivo matricial contendo estes
valores são apresentados na Figura 11.
É recomendado que se avaliem os fatores C e P de forma conjunta, pois suas
influências nas perdas de solos mantêm relações diretas entre si. Desta maneira, foi
criada uma única camada para aplicação no modelo USLE, contendo os valores que
representassem cada tipo de uso e manejo do solo e sua respectiva prática
conservacionista, calculado por meio do produto de ambos os fatores C e P, através
da equação:

70
CP = C * P

A tabela abaixo relaciona os tipos de usos dos solos encontrados na bacia do


rio Caceribu e seus respectivos valores dos fatores C e P e seus produtos:

Tabela 2: Fator C baseado em: Pereira (2006) e Santos (1999).

Uso Fator C Fator P Produto CP

Afloramento Rochoso 0,0001


0,0001 1,0
Agricultura/Pastagem 0,0125
0,0250 0,5
Corpos hídricos 0,0000
0,0000 1,0
Área Urbana 0,0001
0,0001 1,0
Campo Inundável 0,0001
0,0001 1,0
Floresta 1,0 0,0100
0,0100
Mangue 0,0001
0,0001 1,0
Reflorestamento 0,0100
0,0100 1,0
Solo Exposto 1,0000
1,0000 1,0

Às áreas com maior exposição do solo devido à falta de vegetação foram


atribuídas o valor máximo do fator C igual a 1,0. Enquanto áreas de afloramento
rochoso e áreas ocupadas por corpos d água (rios, lagos e campos periodicamente
inundados) representam os valores mais baixos de fator C (0,0001), as áreas onde
foi encontrada a presença de algum tipo de vegetação ou cultivo (agricultura) foram
relacionados aos valores intermediários. Foi atribuído também o menor valor de fator
C às áreas urbanas e às áreas florestadas sejam elas, inicial, média ou densa
devido à disponibilidade de dados consistentes sobre medição deste fator.
Referentes aos valores de práticas conservacionistas (P), para as áreas não
cultivadas foi adotado o valor máximo (1,0) enquanto as áreas com agricultura ou
uso para pasto adotou-se genericamente o valor recomendado por Bertoni &
Lombardi Neto (1985) por apresentarem algum tipo de conservação dos solos (0,5).

71
5.1.2. Obtenção dos Valores Médios Anual de Perdas de Solo

Após terem sido criados os arquivos de cada fator influente no processo de


erosão, estes foram aplicados ao modelo matemático USLE, resultando num arquivo
matricial onde cada pixel apresentou um valor médio anual de perda de solos em t.
ha-1. ano-1.
O mapa de perdas de
solo e seus respectivos
valores foram obtidos
fazendo uso da ferramenta
Sigle Output Map na
extensão Map ÁlgebraI, a
partir do produto final entre
os fatores K, R, LS e CP
referente à área da bacia
hidrográfica do rio Caceribu,
como apresentado na Figura
12.
Os arquivos referentes
aos fatores K e CP foram
obtidos no formato shape file, Figura 29: Procedimento final para elaboração do
mapa de perdas de solos da bacia do rio Caceribu.
havendo a necessidade de
serem convertidos para o formato raster, através da ferramenta Polygon to Raster na
extensão Convertion tools. O método aplicado consistiu na conversão dos polígonos
referentes aos valores de erodibilidade dos solos e do produto CP para um conjunto
de pixels com 90m de resolução, tornando desta forma, compatíveis com a
resolução do SRTM na confecção do fator LS.
A partir dos arquivos shape e matriciais de valores médios de perdas de solo
foram calculados os valores totais de perdas de solo e água e classificados em 9
classes, possibilitando a extração dos dados e informações relevantes para análise
quantitativa e qualitativa dos processos erosivos ocorridos na bacia do rio Caceribu.

72
6. RESULTADOS E DISCUSSÕES

6.1. AVALIAÇÃO QUANTITATIVA DO PROCESSO DE EROSÃO

As taxas dos valores de erosão por hectare foram agrupadas em 9 classes,


visando assim identificar as áreas que mais contribuíram com a erosão e sua
quantificação, como pode ser observado tanto na tabela quanto no mapa de perdas
de solos da Figura 13.
Dos 81.324 hectares da bacia do rio caceribu, excetuando os 1.260 hectare
de área correspondente a rios e lagos, os maiores aportes médios de solos erodidos
provêm das áreas classificadas entre 100 e 600, 0 t.ha-1.ano-1 com um total de 19,6
mil t.ha-1.ano-1 e das áreas classificadas entre 0 e 0,5 t.ha-1.ano-1 com um total anual
de 15,9 t.ha-1.ano-1. Enquanto a primeira área apresenta uma área de apenas 56
hectares (ha), a segunda área apresenta 63.623 ha, representando 73% da área da
bacia do Caceribu. As demais classes representam 37% da Bacia hidrográfica em
estudo e fornecem uma média de 22.404 t.ha-1. ano-1, indicando desta forma, a
existência de pequenas unidades de intensa fragilidade, frente ao fenômeno da
erosão hídrica, e uma extensa área mais resistente, em relação a este fenômeno.
Através destas análises confirmamos a existência de uma extensa área em
que os valores encontrados para cada hectare atingindo 5,0 t. ha-1. ano-1 ,
correspondendo a aproximadamente 78% da área da bacia do Caceribu. As perdas
de solos entre 0,5 até 100,0 t. ha-1. ano-1, ocorrem a uma área de aproximadamente
20%, enquanto algumas áreas pontuais mantém valores anuais de perdas de solos
variando entre 100 e 600 t. ha-1. ano-1, sendo pouco menos 1 % da área total.

73
Figura 30: Distribuição perdas de solos na área da bacia do rio Caceribu.

74
A avaliação quantitativa das perdas de solos da bacia do rio Caceribu
apresentou valores médios anuais em torno de 57,9 mil Toneladas para uma área
total correspondente de 81,4 mil hectare. Segundo os valores de perdas mínimas de
solos calculadas, temos uma média de 0,228 Toneladas para cada área de 1
hectare desta bacia, enquanto podem ser perdidas no máximo, 1,19 Toneladas de
solos por hectare ao longo de um ano (Tabela 4).

Tabela 3: Taxas médias e totais anual de perdas de solos da bacia do rio Caceribu.

Taxas de perdas e solos (t.ha-1.ano-1)

Classes de
Área Perdas Perdas Perdas
perdas de Área (ha)
Relativa (%) mínimas máximas médias
solos

0 1260 1,5 0 0 0
0,1 - 0,5 63623 78,2 0 31811 15905
0,5 - 1,0 11011 13,5 5505 11011 8258
1 - 3,0 5130 6,3 5130 15391 10261
3 - 5,0 144 0,18 434 724 579
5 - 10,0 40 0,05 202 405 303
10 - 50,0 29 0,04 291 1458 874
50 - 100,0 28 0,03 1417 2835 2126
100 - 600,0 55 0,07 5589 33534 19561

Total 81324 100 18571 97171 57871

Analisando a tabela acima, podemos notar que os totais médios anuais


oscilaram entre o mínimo de 303,75 t.ha-1.ano-1 e o máximo valor encontrado de
19.561,5 t.ha-1.ano-1, indicando uma grande variabilidade do fenômeno da erosão
hídrica na área de estudo.
Desta maneira, foi encontrada uma elevada taxa total de perdas de solos na
bacia do rio Caceribu, observando o contraste entre duas áreas contribuintes com
dimensões espaciais muito distintas. Sabe-se, no entanto, que este aporte

75
sedimentar gerado na bacia do Caceribu é levado para as extensas áreas de
planícies fluviais e marinhas, ou mesmo, para a Baía de Guanabara, aumentando o
processo de assoreamento e constituindo em sérios problemas à navegação nos
rios da região, como bem é relatado ao longo dos anos pela literatura.
6.2. INFLUÊNCIAS DOS FATORES DA USLE NAS PERDAS DE SOLOS

O arquivo matricial obtido pelo produto dos fatores erodibilidade dos solos (K),
erosividade das chuvas (R), topografia (LS), Uso e Manejo dos Solos (C) e Práticas
Conservacionistas (P), fatores do modelo USLE, permitiu verificar as correlações
existentes entre as influências de cada fator e suas determinações efetivas no
processo erosivo.

6.2.1. Avaliação do Fator Topográfico (LS)

Analisando os valores de perdas de solos para cada hectare apresentado no


mapa de perdas de solos (Figura 13), podemos identificar duas grandes áreas
distintas dentro da bacia do rio Caceribu, relacionado com as suas características
topográficas.
Na área de estudo foram identificadas duas áreas distintas concernentes ao
processo erosivo: as planícies flúvio-marinhas e as áreas de relevo colinoso a
escarpado. Desta maneira, foi possível constatar que as áreas de manguezais
pertencentes à APA de Guapimirim mantiveram valores de erosão muito baixos,
inferiores a 0,5 t. ha-1. ano-1. Estas são áreas nas quais não predominam o processo
erosivo, mas sim os fenômenos deposicionais oriundos dos rios e da ação das
marés. Nas áreas de planícies flúvio-marinhas, as quais ocupam uma grande parte
da bacia hidrográfica, os valores de erosão também não ultrapassaram os 0,5 t. ha-1.
ano-1. Na parte de relevo colinoso a escarpado foram obtidos grande parte do
aporte erosivo traduzido na faixa que varia de 0,5 até 600 t. ha . ano-1.
-1

Observando o mapa e o gráfico da Figura 14, referentes à distribuição dos


valores de declividade, podemos notar que 80% da área de estudo apresenta um
relevo de planície com índices variando de 0 até 20% de inclinação, marcado por
suaves ondulações enquanto cerca de 20% desta área pode ser classificada como
relevo movimentado ou escarpado.

76
Figura 31: Mapa de declividade da bacia do rio Caceribu.

77
Figura 32: mapa de distribuição dos valores do fator LS da bacia do rio Caceribu.

Desta maneira, os baixos índices de inclinação do relevo são determinantes


para a redução dos valores médios totais de perdas de solos para toda a área da

78
bacia. A área de planície, em sua grande extensão, contribuiu com mínimos valores
de perdas de solos por hectare, enquanto a área de relevo escarpado apresentou
valores de erosão, por hectare, mais elevados que os encontrados nas áreas de
planícies. Estes reduzidos valores de declividade refletiram na diminuição do Fator
LS, alcançando o valor de até 3,4, concentrando-se na faixa até 0,5 (Figura 15).

6.2.2. Avaliação dos Índices de Erosividade (Fator R)

Na Tabela 5 encontram-se os dados pluviométricos e os valores anuais


médios de erosividade de chuva das 11 estações pluviométricas utilizadas na
interpolação do Fator R.
Segundo estes dados, é possível constatar que os índices pluviométricos
variaram entre o mínimo de 1000 e o máximo em torno de 1600 mm (CPRM, 2001),
mantendo uma média geral para área de estudo de cerca de 1.345 mm anuais.

Tabela 4: Dados das estações pluviométricas e dos dados de chuvas coletados para
confecção do fator R.

Índice
Altitud Indice_IE3
Estação Latitude Longitude Período pluviométrico -1 -1
e (Mj.mm/ha .h .ano)
médio (mm)
Estação
-22,68 -42,95 10 1968-2006
Imunana 1418 6422
Itaboraí -22,73 -42,85 49 1967-1977 1195 5452
Japuíba -22,56 -42,7 50 1968-2005 1791 7944
Japuíba (P-37R) -22,66 -42,69 20 1977-1994 1696 7475
Manual Ribeiro -22,91 -42,73 0 1968-2005 1321 5478
Niterói -22,93 -43,10 4 1955-1970 1209 5622
Paquetá -22,76 -43,11 10 1966-1980 1199 5642
Rio Bonito -22,72 -42,63 45 1942-1953 1103 5202
Sambaetiba -22,64 -42,80 10 1978-1994 1474 6592
Saquarema -22,93 -42,50 8 1980-1994 1006 4379
Tanguá -22,71 -42,70 40 1977-1994 1383 6175

Média 1345 6035

Os dados de erosividade também se mantiveram dentro das médias


encontradas por Franco et al. (2004), Gonçalves et al. (2006) e Montebeller et al.

79
(2007) e em seus mapas de erosividades para o Estado Rio de Janeiro, com valores
variando, no geral, de 4000 a 16.000 MJ mm ha-1 h-1ano-1, estes pesquisadores
também fizeram uso do índice de erosividade EI30 proposto por Wischmeier & Smith
(1958).

Figura 33: Distribuição das faixas isoerodente na bacia do rio Caceribu.

80
Analisando o modelo gerado pela interpolação dos valores médios anuais de
chuvas de cada estação, representados no mapa da Figura 16, foi possível
identificar cinco faixas isoerodentes, variando de 3.770 até 7.777 MJ.mm.ha-1 h-1ano-1,
sobre a área da bacia do rio Caceribu. Estes índices médios de erosividade das
chuvas estiveram em torno dos 6035 MJ mm ha-1 h-1ano-1. A partir dessas faixas
isoerodentes identificadas é possível constatar que grande parte da área de estudo
encontra-se na faixa de erosividade compreendido na classe entre 5.231 e 5.766 MJ
mm ha-1 h-1ano-1, o que significa um índice erosivo médio sobre a área de relevo
plano, contribuindo diretamente para redução dos valores de erosão anual.

6.2.3. Distribuição dos Solos e sua Erodibilidade (Fator K)

A classe dos Argissolos é predominante na bacia do rio Caceribu, ocupando,


aproximadamente, 69% de sua área total. Deste valor, 63% correspondem à classe
do Argissolo Vermelho-Amarelo, uma pequena área de aproximadamente 6% ao
Argissolo Amarelo e uma ínfima parcela ao Argissolo Vermelho, correspondendo a
menos de 1% da área da área de bacia. As classes dos Latossolos e os Planossolos
aparecem em menor proporção que os Argissolos, representando cerca de 17% da
área de estudo (Figura 17).

Área relativa das Classes de Solos da Bacia do


Rio Caceribu
2,9%
0,7%
4,8%
6,6% 6,2%
0,3%
10,2%

1,6% ÁREA URBANA

ARGISSOLO AMARELO Distrófico

3,6% ARGISSOLO VERMELHO Eutrófico

ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO Distrófico

GLEISSOLO MELÂNICO

GLEISSOLO TIOMÓRFICO

LATOSSOLO VERMELHO-AMARELO Distrófico

PLANOSSOLO HIDROMÓRFICO Distrófico

CORPOS HÍDRICOS

SOLOS INDISCRIMINADOS DE MANGUE


63,1%
Figura 34: Relação das classes de solos pela área ocupada na bacia do rio Caceribu.

81
Figura 35: Distribuição do fator erodibilidade dos solos na bacia do rio Caceribu.

82
No mapa da Figura 18 podemos visualizar a distribuição dos solos e seus
respectivos valores de erodibilidade, de acordo com o banco de dados de
erodibilidade para as classes de solos do Estado de São Paulo, construído por Silva
(2005).
Os Argissolos foram classificados como uma classe de alto valor de
erodibilidade (0,0425 t.h.MJ-1. mm-1); os Latossolos de média erodibilidade (0,0162
t.h.MJ-1. mm-1); e os Planossolos foram classificados como de baixa erodibilidade
(0,0097 t.h.MJ-1.mm-1). Os Argissolos e os Latossolos, quando combinados ao relevo
plano ou suave ondulado, apresentam baixos índices de erosão por manterem boas
taxas de drenabilidade, enquanto os Planossolos sempre são comuns às planícies
de inundações dos rios, caracterizando um ambiente de deposição sedimentar.
Nas áreas de manguezais da APA de Guapimirim ou em áreas onde ocorrem
constantes alagamentos marinho ou fluvial, foram encontradas as classes dos
Gleissolos e dos solos indiscriminados de mangue, correspondendo,
respectivamente, a 5% e 3% da área da bacia do rio Caceribu. Os Gleissolos
apresentam baixos valores de erodibilidade (0,0361 t.h.MJ-1. mm-1), enquanto nos
solos indiscriminados de mangues são incomuns as perdas de materiais
particulados por erosão.

6.2.4. Avaliação das Influências dos Fatores Antrópicos (CP) Sobre as


Perdas de Solos

A ação antrópica sobre os solos, na forma de usos e manejos, corresponde a


um fator diferencial em relação ao potencial natural de erosão9 de uma área. Os
valores atribuídos aos fatores C e P não se destacaram quando comparados aos
demais fatores aplicados na USLE. As áreas relativas aos usos dos solos mantêm
valores muito baixos, enquanto as áreas de solo exposto são pouco evidentes na
área de estudo.

9
Segundo Bertoni & Lombardi Neto (1999), a tolerância de perdas e solos é a quantidade de terra
perdida por erosão, em toneladas por superfície ao ano, mantendo o solo com condições de
produtividade por longo período de tempo, sob um grau de conservação que mantenha uma
produção econômica sustentada pelos meios técnicos atuais.

83
Através da Tabela 5 e da Figura 19, podemos observar que a bacia do rio
Caceribu, mantém 70 % da sua área utilizadas para pastagem ou algum tipo de
agricultura. Esta última atividade é pouco praticada no momento, tendo sido, no
entanto, a principal atividade desenvolvida nos últimos quatro séculos.

Figura 36: Distribuição do fator CP na bacia do rio Caceribu.

84
Tabela 5: Usos dos solos da bacia do rio Caceribu.

Classe Área Relativa (%) Fator CP


.
Afloramento Rochoso 0,07 0,0001
Agricultura/Pastagem 73,16 0,005
Área de Mangue 2,33 0,0001
Área Urbana 11,92 0,0001
Campo Inundável 0,43 0,0001
Corpos Hídricos 0,91 0,000
Floresta 10,96 0,001
Reflorestamento 0,21 0,004
Solo Exposto 0,01 1,000
Total 100

Somando as áreas relativas voltadas para reflorestamento e ocupação


urbana, temos um total de 12,13% o que nos leva a concluir que a área de estudo
apresenta uma densidade urbana muito baixa. Os 14,71% desta área correspondem
a áreas de alagados em manguezais, áreas de rios, lagos e florestas, onde a
presença humana pouco influencia nas perdas de solos por erosão, à exceção das
áreas de solo exposto que por sua vez, apresentam uma área relativa muito ínfima.

85
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A aplicação de técnicas de geoprocessamento aliadas ao uso do modelo


preditivo, Universal Soil Loess Equation (USLE) consistiu em um importante método
para modelagem de erosão de solos na bacia hidrográfica do rio Caceribu, ambos
servindo para rápidas avaliações de perdas de solo.
O presente estudo demonstrou que a área concernente à Bacia hidrográfica
do rio Caceribu apresenta valores médios de perdas de solos, em torno de 57,9 t.ha-
1
.ano-1.
No geral, os valores de erosão para cada encosta foram considerados baixos,
principalmente quando se leva em consideração os anos de degradação ambiental,
expressos em alguns fatores que influenciam diretamente no processo erosivo em
qualquer região, como a retiradas da vegetação nativa e as atividades desenvolvidas
atualmente, a exemplo da agricultura e do uso da terra para pastagem. Este fato
levou à confirmação de que o fator topográfico é o maior responsável pelos
reduzidos valor de erosão por unidade de hectare, já que grande parte desta bacia
hidrográfica apresenta relevo de planície.
O uso dos dados SRTM funcionou como uma alternativa eficiente aos
métodos tradicionais para a geração do fator topográfico e sua aplicação no modelo
USLE.
Os cálculos dos índices médios de erosividade estiveram em torno dos 6.035
MJ mm ha-1 h-1ano-1, ficando dentro da média obtida por outros pesquisadores, tais
como Franco et al. (2004) que encontrou uma variação entre 3.440 a 9.068 MJ mm
ha-1 h-1 ano-1 para todo o Estado do Rio de Janeiro, Gonçalves et al. (2006) 4.268 a
1 1 1
16.225 MJ mm ha h ano e Montebeller et al. (2002 e 2007) de 6000 a 8000 MJ
mm ha-1 h-1ano-1.

86
8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

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92
ANEXO 1

Relação de classes de solos encontrados na bacia do rio Caceribu RJ e sua


susceptibilidade à erosão.

SUSCETIBILIDADE À
SÍMBOLO UNIDADE DE MAPEAMENTO
EROSÃO

ARGISSOLO AMARELO Distrófico típico ou


planossólico, textura média/argilosa +
ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO
PAd2 Distrófico abrúptico ou plíntico, textura Média/Baixa
média/argilosa ou arenosa/argilosa, ambos A
moderado, fase floresta tropical subcaducifólia,
relevo suave ondulado e plano
ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO
Distrófico planossólico ou abrúptico +
ARGISSOLO AMARELO Distrófico
planossólico, ambos textura arenosa/argilosa
PVAd14 ou média/argilosa + PLANOSSOLO HÁPLICO Alta/Média
Distrófico típico, textura arenosa/argilosa ou
arenosa/muito argilosa, todos A moderado, fase
floresta tropical subcaducifólia, relevo suave
ondulado e plano
ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO
Distrófico típico + ARGISSOLO AMARELO
Distrófico típico, ambos textura média/argilosa
+ LATOSSOLO VERMELHO-AMARELO
PVAd9 Distrófico típico, textura argilosa ou muito Muito Alta
argilosa + CAMBISSOLO HÁPLICO Tb
Distrófico típico, textura média, todos A
moderado, fase floresta tropical subperenifólia,
relevo montanhoso
ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO
Distrófico típico + ARGISSOLO AMARELO
Distrófico típico, ambos textura média/argilosa
ou média/muito argilosa + NEOSSOLO
LITÓLICO Distrófico típico, textura média ou Extremamente
PVAd12
argilosa, todos A moderado, fase não rochosa Alta/Muito Alta
ou rochosa, floresta tropical subcaducifólia,
relevo montanhoso e forte ondulado +
AFLORAMENTOS DE ROCHA, fase relevo
escarpado e montanhoso
ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO
PVAd3 Distrófico típico + ARGISSOLO AMARELO Média/Alta
Distrófico típico, ambos textura média/argilosa,

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A moderado, fase floresta tropical
subcaducifólia, relevo ondulado e forte
ondulado
ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO
Distrófico típico + ARGISSOLO AMARELO
Distrófico típico, ambos textura média/muito
argilosa ou argilosa/muito argilosa +
PVAd7 Média
LATOSSOLO VERMELHO-AMARELO
Distrófico típico, textura argilosa ou muito
argilosa, todos A moderado, fase floresta
tropical subperenifólia, relevo ondulado
ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO
Distrófico típico ou abrúptico + ARGISSOLO
AMARELO Distrófico câmbico ou típico, ambos
PVAd2 Alta/Muito Alta
textura média/argilosa, A moderado, fase
floresta tropical subcaducifólia, relevo forte
ondulado
ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO
Distrófico típico ou abrúptico + ARGISSOLO
AMARELO Distrófico típico ou abrúptico, ambos
PVAd4 textura média/argilosa ou média/muito argilosa, Média/Alta
A moderado, fase floresta tropical
subcaducifólia, relevo suave ondulado e
ondulado
ARGISSOLO VERMELHO Eutrófico típico +
ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO Eutrófico
típico, ambos textura média/argilosa ou
PVe1 Muito Alta/Alta
média/muito argilosa, A moderado, fase floresta
tropical subcaducifólia, relevo montanhoso e
forte ondulado
GLEISSOLO MELÂNICO Alumínico típico ou
incéptico, A húmico ou A proeminente +
GLEISSOLO TIOMÓRFICO Húmico típico,
ambos textura argilosa ou muito argilosa +
GMa Baixa
GLEISSOLO HÁPLICO Ta Alumínico típico +
GLEISSOLO HÁPLICO Tb Distrófico típico,
ambos textura argilosa, A moderado, todos fase
campo tropical higrófilo de várzea, relevo plano
GLEISSOLO TIOMÓRFICO Hístico salino
solódico* + GLEISSOLO TIOMÓRFICO Húmico
salino* ou típico + GLEISSOLO TIOMÓRFICO
GJi Baixa
Órtico típico ou solódico, A moderado, todos
textura argilosa ou muito argilosa, fase campo
halófilo de várzea, relevo plano
LATOSSOLO VERMELHO-AMARELO
Distrófico típico + LATOSSOLO AMARELO
Distrófico típico, ambos textura argilosa +
LVAd6 Alta/ Muito Alta
ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO
Distrófico latossólico ou típico, textura
média/argilosa ou argilosa/muito argilosa, todos

94
A moderado, fase floresta tropical
subperenifólia, relevo forte ondulado e
montanhoso
LATOSSOLO VERMELHO-AMARELO
Distrófico típico ou argissólico + LATOSSOLO
AMARELO Distrófico típico ou argissólico,
ambos textura argilosa ou muito argilosa +
ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO
LVAd5 Alta/Média
Distrófico típico ou latossólico, textura
argilosa/muito argilosa ou média/argilosa, todos
A moderado, fase floresta tropical
subperenifólia, relevo forte ondulado e
ondulado
PLANOSSOLO HIDROMÓRFICO Distrófico
típico ou arênico + PLANOSSOLO
HIDROMÓRFICO Alumínico* típico, ambos
SGd2 Média
textura arenosa/argilosa ou arenosa/média, A
moderado, fase floresta tropical subcaducifólia,
relevo plano
SM SOLOS INDISCRIMINADOS DE MANGUE Baixa
Fonte: Relatório do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG, 2005).

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