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Noções Gerais de Direito Administrativo

Teoria e Exercícios Comentados


Gustavo Sales

SUMÁRIO

NOÇÕES GERAIS DE DIREITO ADMINISTRATIVO..................................... 4


DIREITO...................................................................................................... 4
CONCEITO DE DIREITO ADMINISTRATIVO............................................... 4
QUESTÕES DE CONCURSO...................................................................... 33

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AULA DEMONSTRATIVA!
Noções Gerais de Direito Administrativo
Teoria e Exercícios Comentados
Gustavo Sales

GUSTAVO SALES
Bacharel em Administração pela Universidade
Projeção, Bacharel em Direito pela Universidade
Projeção, Pós-graduado em Gestão Pública e Direito
Constitucional. Professor dos principais cursinhos
preparatórios de Brasília.

Apresentação do Curso

Olá, aluno (a)! Tudo bem?

Seja bem-vindo ao curso de Direito Administrativo voltado para concursos


públicos!
Sou o professor Gustavo Sales e vamos iniciar nosso curso de Direito Administrativo
focado no concurso do Ministério Público da União! Antes de iniciar com nossa matéria,
algumas observações são importantes!
O último concurso do MPU foi organizado pela banca CESPE e sempre costuma
abordar na parte de Direito Administrativo o entendimento das principais doutrinas e
o entendimento jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal
de Justiça, além disso, o concursando deve ficar atendo aos famosos “peguinhas”
tradicionais da Banca Cespe, mas no curso iremos abordar o Direito Administrativo de
forma clara e objetiva. “Justamente para o aluno não cair nesses “peguinhas” e garantir
a sua aprovação”.
Este curso é composto por teoria e exercícios comentados e cobre todo o
conteúdo de Direito Administrativo exigido para o cargo de Técnico Administrativo,
conforme o edital do último concurso para o MPU, ocorrido em 2010.

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Comentarei várias questões do CESPE, banca que organizou o último concurso


do MPU (2010). Porém, em determinados assuntos, a fim de fixar o aprendizado de
tópicos específicos, utilizarei exercícios de outras organizadoras, principalmente FCC
e ESAF, responsáveis por outros grandes concursos.
Tenho certeza de que este curso fará bastante diferença na sua nota! Vamos
para cima!
Gostaria de destacar as características principais de nosso curso:
Conteúdo teórico completo e atualizado, apresentado de forma clara, objetiva
e com vários exemplos;
 Grande variedade de questões resolvidas e comentadas;
 Videoaulas no sítio do estúdio aulas;

Vamos nessa! Aos estudos!

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NOÇÕES GERAIS DE DIREITO ADMINISTRATIVO

Bem, se você ainda não estudou esta disciplina, é importante começarmos por
alguns conceitos básicos a respeito da matéria. Nos editais, inclusive, este costuma
ser o primeiro tópico e nos livros de Direito também, mas as bases do nosso Direito
Administrativo se encontram na Constituição Federal. Assim, antes de iniciarmos o
estudo específico da disciplina, necessário se faz apresentar alguns conceitos geralmente
estudados no Direito Constitucional e da Ciência do Direito.

Direito
Desde que o homem passou a viver em sociedade, abdicou de uma parcela
de sua liberdade, buscando, como contrapartida, normas e regras que garantissem
sua segurança e os seus direitos. Assim, surge a necessidade do DIREITO, enquanto
conjunto de normas de conduta, impostas coativamente por um Estado politicamente
organizado, traduzindo-se em princípios reguladores do convívio social tendentes a
realizar a busca pela Justiça1.
O Direito, enquanto ciência jurídica, é dividido, somente para fins didáticos, em
diversos ramos. Reconhecem-se dois grandes ramos, consoante a sua destinação: ramo
do direito público e ramo do direito privado.
Vamos ao primeiro conceito da nossa disciplina:

CONCEITO DE DIREITO ADMINISTRATIVO

É um ramo do Direito Público formado por um conjunto de normas e


princípios que disciplinam a função administrativa do ESTADO.

 Aspecto Constitucional: objetivo a estruturação do ESTADO.


 Aspecto Administrativo: objetivo prestação do serviço público, direito
público, estudo dos entes, órgãos, entidades, terceiros vinculados e agentes
públicos na busca da finalidade o interesse público.

1
MARINELA, Fernanda. Direito Administrativo. 7ª ed., Niterói: Impetur, 2013, p. 1.

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Outros conceitos de Direito Administrativo

 Hely Lopes Meirelles: conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem


os órgãos, os agentes e as atividades públicas tendentes a realizar concreta,
direta e imediatamente os fins desejados pelo Estado.

Consoante o próprio autor, esse conceito exige uma análise pormenorizada, o


que será feito por partes.
Incialmente, trata-se de um conjunto harmônico de princípios jurídicos,
sistematização indispensável para a definição de uma disciplina autônoma, já que esta
não poderia existir, enquanto ciência, sem princípios teóricos próprios, ordenados e
verificáveis na prática, o que constitui o regime jurídico administrativo.
Esses princípios regem os órgãos, os agentes e as atividades públicas, disciplinando
os atos da Administração Pública praticados, nessa qualidade, além da ordenação de
sua estrutura e de seu pessoal, independentemente de essa atividade administrativa.2

 Maria Sylvia Zanella Di Pietro: ramo do Direito Público que tem por objeto
os órgãos, os agentes e as pessoas jurídicas administrativas que integram
Administração Pública, a atividade jurídica não contenciosa que exerce e os
bens de que se utiliza para a consecução de seus fins, de natureza pública.

Questão de Prova:
Julgue o item seguinte, acerca do direito administrativo e da prática dos atos
administrativos.
1. (Cespe/STJ/Técnico Judiciário/Administrativa/2015) Conceitualmente, é correto
considerar que o direito  administrativo abarca um conjunto de normas jurídicas
de direito público que disciplina as atividades administrativas necessárias à realização
dos direitos fundamentais da coletividade.

2
Celso Antônio Bandeira de Mello alerta que certas atividades recobertas pela função administrativa do Estado são
excluídas do estudo do Direito Administrativo e ganham uma disciplina própria, como ocorre com o Direito Tributário,
o Direito Financeiro, o Direito Previdenciário e outros. Essa divisão é atribuída, segundo o autor, ao crescimento
significativo de normas relativas a esses temas, além da necessidade de aprofundamento de seus estudos ante a
importância que ganharam na vida social. (Curso de Direito Administrativo. 26ª ed., São Paulo: Malheiros Editores,
2009, p. 38).

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Comentário:
Dessa forma, o Direito Administrativo é um dos ramos do Direito Público, uma vez
que rege a organização e o exercício de atividades do Estado e se direciona na busca
dos interesses da coletividade.
Gabarito: Certo.

 José dos Santos Carvalho Filho: Direito Administrativo é o ramo do direito


público que tem por objeto o estudo das normas jurídicas relativas ao
exercício da função administrativa. Ou seja, é o conjunto de regras que se
impõe às pessoas jurídicas de direito público e às pessoas jurídicas de direito
privado que exercitam função administrativa, estas últimas como delegadas
do Estado, realizando os fins desejados pela ordem jurídica e, idealmente, o
bem comum.

 Marçal Justen Filho3: estabelece que “O Direito Administrativo é o conjunto


das normas jurídicas de direito público que disciplinam as entidades
administrativas necessárias à realização dos direitos fundamentais e a
organização e o funcionamento das estruturas estatais e não estatais
encarregadas de seu desempenho”.

Questão de Prova:
Julgue o item subsequente, relativo ao direito administrativo.
2. (Cespe/MPE-PI/Analista Ministerial/Área Administrativa/2012) O direito
administrativo, ao reger as relações jurídicas entre as pessoas e os órgãos do Estado,
visa à tutela dos interesses privados.
Comentário:
O Direito Administrativo é um ramo do direito público, pois rege as relações jurídicas
entre as pessoas e os órgãos do Estado, mas protege o interesse da coletividade, ou seja,
existindo conflito entre o interesse público e o interesse particular, deverá prevalecer
o primeiro,  tutelado pelo Estado, respeitados, entretanto, os direitos e garantias
individuais expressos na Constituição, ou dela decorrentes.
Gabarito: Errado.
3
JUSTEN FILHO, Marçal – Curso de Direito Administrativo. Belo Horizonte. Editora Fórum, 7ª Ed. 2011.

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Viu? Não é tão difícil como parece no primeiro momento.


Vamos ao segundo conceito da nossa disciplina:

ESTADO, GOVERNO E ADMINISTRAÇÃO

Requisitos de acordo com o artigo 1º da Convenção Panamericana sobre Direitos


e Deveres dos Estados, celebrada em Montevidéu:

 O Estado, como pessoa de Direito Internacional, deve reunir os seguintes


requisitos:
• a) população permanente;
• b) território determinado;
• c) Governo; e
• d) a capacidade de entrar em relações com os demais Estados.

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos


Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de
Direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.

O conceito de Estado varia segundo o ângulo em que é considerado.


Do ponto de vista sociológico

É corporação territorial dotada de um poder de mando originário.

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Sob o aspecto político

É comunidade de homens, fixada sobre um território, com potestade superior


de ação, de mando e de coerção.

Sob o prisma constitucional


Estado: é a pessoa jurídica territorial soberana, formada por três elementos:

 1 Povo = brasileiros natos e naturalizados.


Fique atento(a): Art. 12. São brasileiros:
I - natos:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde
que estes não estejam a serviço de seu país;
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer
deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil;
II - naturalizados:
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários
de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e
idoneidade moral;
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do
Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que
requeiram a nacionalidade brasileira.
 2 Território = o Território de um Estado pode atingir dimensões variáveis – grandes,
médias ou pequenas –, lembrando que, na sua extensão inclui-se: as doze milhas
náuticas; o espaço aéreo; o espaço subterrâneo; os rios, lagos e mares e os portos.

Fique atento(a)! O território nacional, em sentido jurídico, pode possuir contornos


inexatos conforme se verifica:
– Na delimitação da projeção vertical do espaço aéreo.
– Na abrangência de áreas físicas que vão além dos limites e das fronteiras ditadas
por esta.

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 3 Governo Soberano = é elemento constitutivo do Estado que representa o poder


de internamente submeter a todos que nele se encontrem e externamente se
relacionar igualmente com outros Estados.

Atenção! Soberania como poder absoluto (segundo a corrente clássica do direito


internacional), indivisível e incontrastável; independência na ordem internacional e
supremacia na ordem interna.
Fique atento(a)! Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes
eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. (Art. 1º parágrafo único da
CF/88).

Atenção!
• Povo: conjunto de nacionais de um Estado, ou seja, nato e naturalizados.
• População: conjunto de nacionais + estrangeiros + apátridas.

Obs.: como ente personalizado, o Estado tanto pode atuar no campo do Direito


Público como no do Direito Privado, mantendo sempre sua única personalidade de
Direito Público, pois a teoria da dupla personalidade do Estado acha-se definitivamente
superada.
Normalmente, na prova, são estes os detalhes que costumam ser abordados nas
questões referentes ao conceito e aos elementos do Estado. Muitas vezes, o examinador
complica bastante para apresentar a afirmação, e faz com que o candidato não entenda
o que está sendo cobrado, mas se você prestar atenção vai perceber que lá estará
apresentado exatamente o que vimos até agora, ou seja, os três elementos do Estado,
quais sejam: povo, território e Governo soberano.

Atenção!
Não se admite Estado independente sem soberania, isto é, sem esse poder absoluto,
indivisível e incontrastável de organizar-se e de conduzir-se, segundo a vontade livre
de seu povo e de fazer cumprir as suas decisões, inclusive pela força, se necessário.

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DIREITO PÚBLICO DIREITO PRIVADO


O  Direito público  se refere ao conjunto Direito privado é o ordenamento jurídico
das normas jurídicas de natureza pública, que rege os interesses particulares.
compreendendo tanto o conjunto de Questões como patrimônio familiar e
normas jurídicas que regulam a relação sucessões são matéria do Direito Privado,
entre o particular e o Estado, como o que está dividido entre o Direito Civil e
conjunto de normas jurídicas que regulam o Direito Empresarial.
as atividades, as funções e organizações de
poderes do Estado e dos seus servidores.

 O nosso Código Civil caracteriza o Estado como pessoa jurídica de direito


público interno (arts. 40 e 41). Portanto, o Estado é um ente personalizado,
ou seja, é um sujeito capaz de adquirir direitos e obrigações na ordem
jurídica, podendo se relacionar tanto internamente – com seus servidores e
empregados, com os cidadãos, com as empresas etc. – quanto externamente
– com outros Estados soberanos (“países”).

Questão de Prova:
Acerca do direito administrativo, julgue o item que se segue.
3. (Cespe/Prefeitura de Fortaleza-CE/Procurador do Município/2017)A regulação das
relações jurídicas entre agentes públicos, entidades e órgãos estatais cabe ao direito
administrativo, ao passo que a regulação das relações entre Estado e sociedade
compete aos ramos do direito privado, que regulam, por exemplo, as ações judiciais
de responsabilização civil do Estado.
Comentário:
O Direito Administrativo regula não só as relações travadas entre a Administração
Pública e aqueles que possuem com ela um vínculo jurídico especial, mas
também as suas relações com os particulares. Cite-se como exemplo, os contratos
administrativos que dependem de prévia licitação para serem efetivados. Excetuadas
algumas situações particularizadas, todas as relações jurídicas travadas pelo Estado
são reguladas pelo direito administrativo. 
Gabarito: Errado.

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Questão de Prova:
Acerca do direito administrativo e do conceito de Estado, julgue o seguinte item.
4. (Cespe/TCE-RO/Analista de Informática/2013) O Estado é um ente personalizado,
apresentando-se não apenas exteriormente, nas relações internacionais, mas também
internamente, como pessoa jurídica de direito público capaz de adquirir direitos e
contrair obrigações na ordem jurídica.
Comentário:
O Estado é pessoa jurídica territorial soberana, formada pelos elementos povo, território
e governo soberano. Esses três elementos são indissociáveis e indispensáveis para a
noção de um estado independente: o povo, em um dado território, organizado segundo
sua livre e soberana vontade. O Estado é um ente personalizado, apresentando-se –
tanto nas relações internacionais, no convívio com outros estados soberanos, quanto
internamente – como sujeito capaz de adquirir direitos e contrair obrigações na ordem
jurídica.
Gabarito: Correto.

Vamos ao terceiro conceito da nossa disciplina:

FORMAS DE ESTADO

UNITÁRIO FEDERADO
O poder é centralizado, só existe um único O estado federado é marcado pela
centro de poder político no país. descentralização do poder, a partir da
repartição constitucional de competência
entre os entes federados autônomos.
Exemplo: Portugal Exemplo: RFB

Atenção! A Federação pode ocorrer por agregação (CENTRÍPETA) ou desagregação


(CENTRÍFUGA).

FEDERAÇÃO CENTRÍPETA FEDERAÇÃO CENTRÍFUGA


Ocorre quando Estados independentes Ocorre quando um Estado unitário
unem-se para formar um único Estado se reparte entre entidades federadas
Federal. autônomas.

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AGREGAÇÃO: movimento de fora para DESAGREGAÇÃO: movimento de dentro


dentro. para fora.
Exemplo: Estado Unidos da América. Exemplo: Brasil.

CONFEDERADO. Também marcado pela existência de mais de um poder político


no mesmo território (descentralização política). A diferença entre a Federação e a
Confederação encontra-se, sobretudo, nas seguintes características:

FEDERAÇÃO CONFEDERAÇÃO
É regida por uma CONSTITUIÇÃO. É regido por um TRATADO.
Entes dotados de autonomia. Entes dotados de soberania.
Vedado a secessão (separação). Possibilidade de secessão.

Essa parte da matéria é objeto de estudo do Direito Constitucional, mas alguns


conceitos básicos devem ser observados no estudo do Direito Administrativo, ou
seja, vamos para cima!

Características do Federalismo Brasileiro

 Possui uma CF rígida quanto à estabilidade;


 É cláusula pétrea a Federação como forma de Estado;
 Não há direito de secessão (art. 1º, caput, da CF);
 Federalismo assimétrico (cooperativo);
 Soberania é um atributo da RFB (art. 1º, caput, da CF);
----------RFB (PJ de Direito Público EXTERNO) SOBERANIA;
-------------------UNIÃO (PJ de Direito Público INTERNO) AUTONOMIA.

 Federalismo de 3º grau (União, Estados e Municípios) (antes da cf/88


era de 2º grau, pois não reconhecia os Municípios).

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FORMA DE GOVERNO. (É a relação entre governantes e governados).

REPÚBLICA MONARQUIA
 ELETIVIDADE  HEREDITARIEDADE
 TEMPORALIDADE  VITALICIEDADE
 RESPONSABILIDADE  IRRESPONSABILIDADE

SISTEMA DE GOVERNO (relação entre Poder Executivo e Poder Legislativo)

PRESIDENCIALISMO PARLAMENTARISMO
 INDEPENDÊNCIA  INTERDEPENDÊNCIA (dependência
 C H E F IA MO N OCR ÁTICA O U mútua)
UNIPESSOAL  CHEFIA DUAL
 MANDATO POR PRAZO CERTO  PRAZO INCERTO

O sistema presidencialista não está previsto expressamente na CF, pois em 1993


houve um plebiscito que escolheu a forma de governo República e sistema de governo
Presidencialista (vide o art. 2º, do ADCT).

Funções do Presidente
 Chefe de Estado;
 Chefe de Governo;
 Chefe das Forças Armadas (art. 84, XIII, da CF);
 Chefe da Administração Pública (art. 84, II, da CF).

Obs.: a chefia da administração pública, por simetria, deve ser repassada aos
Estados, DF e Municípios.

ATENÇÃO! ESTADO X GOVERNO X ADMINISTRAÇÃO


Estado, Governo e Administração são termos que andam juntos e muitas vezes
confundidos, embora expressem conceitos diversos nos vários aspectos em que se
apresentam.

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1 ESTADO é a nação politicamente organizada detentora de SOBERANIA. O


ESTADO DE DIREITO é o estado politicamente organizado, que obedece às suas próprias
leis.

1.1. Elementos do Estado:


– POVO (elemento subjetivo);
– TERRITÓRIO (elemento objetivo); e
– GOVERNO SOBERANO: soberania como poder absoluto (segundo a corrente
clássica do direito internacional), indivisível e incontrastável; independência
na ordem internacional e supremacia na ordem interna.

1.2. Poderes do Estado: não são poderes da ADMINISTRAÇÃO, mas funções do


Estado denominadas, sem o devido rigor técnico, de: PODER EXECUTIVO, LEGISLATIVO
e JUDICIÁRIO. A tripartição de Montesquieu é adotada no texto constitucional, tendo
por finalidade o equilíbrio entre os Poderes, de modo a evitar a supremacia de qualquer
deles sobre o outro (Carvalho F., Cap. 1). A nossa Constituição estabelece expressamente
que são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o
Executivo e o Judiciário (CF, art. 2º), bem assim veda que haja deliberação sobre Emenda
à Constituição tendente a abolir a separação dos Poderes (CF, art. 60, §4º, III).

1.3. Funções do Estado (típica e atípica): são decorrentes dos poderes. FUNÇÃO
é o exercício de uma atividade em nome e interesse de outrem. FUNÇÃO PÚBLICA é
o exercício de atividade em nome e interesse do POVO. Entretanto, no Brasil, não
há exclusividade no exercício dessas funções, não há uma rígida, absoluta, divisão
dos Poderes, mas sim preponderância na realização desta ou daquela função. Assim,
embora os Poderes tenham funções precípuas (funções típicas), a própria Constituição
autoriza que também desempenhem funções quais normalmente pertenceriam a
Poder diverso (funções atípicas). São as chamadas ressalvas (ou exceções) ao princípio
da separação dos Poderes.

a. FUNÇÃO TÍPICA: é a função principal (preponderante) do poder, o motivo pelo


qual o poder foi criado. EXEMPLO: legislativo fazer lei; Executivo administrar; judiciário
julgar.

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b. FUNÇÃO ATÍPICA: é a função secundária do poder. EXEMPLO: legislativo


fazendo licitação; Executivo editando medida provisória; judiciário fazendo licitação.

Questão de Prova
Com relação a Estado, governo e administração pública, julgue os itens seguintes.
5. (Cespe/MI/Analista Técnico/Administrativo/2013) Os conceitos de governo e
administração não se equiparam; o primeiro refere-se a uma atividade essencialmente
política, ao passo que o segundo, a uma atividade eminentemente técnica.
Comentário:
Os conceitos de governo  e  administração  são  diferentes, embora guardem
estreita relação. Assim, o conceito de Governo  é o conjunto de poderes e órgãos
constitucionais responsáveis pela função política do Estado. É o comando a ser
seguido pelo Estado. As atribuições do governo decorrem da Constituição Federal. 
Para que o Estado seja independente, há a necessidade de governo soberano.
Soberania é independência na ordem internacional e supremacia na ordem interna.
Já Administração podemos conceituá-la de várias formas4:
a)sentido amplo: envolve o governo(que traça as diretrizes) e a administração em
sentido estrito(vai executar as diretrizes do governo);
b)sentido estrito: envolve apenas a execução. A administração é o instrumento que se
vale o Estado para pôr em prática as opções políticas de Governo.
c)sentido formal, subjetivo ou orgânico: A Administração Pública é o conjunto de
agentes, órgãos(centros de decisões) e pessoas jurídicas instituídos para consecução
dos fins do Governo, que é o comando, a iniciativa.
d)Sentido material, objetivo ou funcional: é a própria atividade administrativa
executada pelo Estado por meio de seus órgãos e entidades. Abrangem atividades
como a polícia administrativa, os serviços públicos.
Gabarito: Certo.

Características das funções típicas:


1.3.1. Função Legislativa: consiste na elaboração de leis. É a função legiferante.
É uma função abstrata. É uma função geral com repercussão erga omnes. É a única
função que inova o ordenamento jurídico.

4
ANDRADE, Flávia Cristina. Direito Administrativo .6ª ed., editora Impetus.

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1.3.2. Função Judiciária: consiste na solução de conflitos, aplicando coativamente


as leis. É uma função concreta (exceto o controle direto de constitucionalidade). É uma
função indireta, porque depende de provocação. Não inova o ordenamento jurídico.
Produz imutabilidade jurídica, ou seja, a intangibilidade jurídica ou coisa julgada, isto
é, somente a decisão judiciária é definitiva.

1.3.3. Função Executiva ou Administrativa: o Poder executivo realiza a função


administrativa – “aquela exercida pelo Estado ou por seus delegados, subjacente à
ordem constitucional e legal, sob regime de direito público, com vistas a alcançar
os fins colimados pela ordem jurídica” (Carvalho F.). É uma função concreta. É
uma função direta. Não inova o ordenamento jurídico, pois, não revoga o atual
estabelecendo um novo (MEDIDA PROVISÓRIA é uma função atípica). É uma função
capaz de ser revista, não produz coisa julgada. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA
não é uma verdadeira coisa julgada, mas sim a mera imutabilidade da decisão
dentro da seara administrativa, não impedindo, no entanto, sua revisão pelo Poder
Judiciário (art. 5º, XXXV, da CF/88). Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello,
função administrativa é a função que o Estado, ou quem lhes faça as vezes, exerce na
intimidade de uma estrutura e regime hierárquicos e que no sistema constitucional
brasileiro se caracteriza pelo fato de ser desempenhada mediante comportamentos
infralegais ou, excepcionalmente, infraconstitucionais, submissos todos a controle
da legalidade pelo Poder Judiciário.

1.3.4. Função de Governo: existem algumas funções que não podem ser
enquadradas em nenhuma das acima.

EXEMPLO: quando o Estado declara guerra. É a função que regula a atuação


superior do Estado. A função administrativa se preocupa com as questões rotineiras
ou costumeiras. A função de governo fica além das atividades meramente rotineiras.

EXEMPLOS: declaração de estado de defesa ou de estado de sítio, iniciativa de


lei, sanção e veto do presidente, declaração de guerra, celebração de paz. Note-se que
há divergência sobre essa classificação.
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Questão de Prova
Com relação a Estado, governo e administração pública, julgue o item seguinte.
6. (Cespe/MI/Analista Técnico/Administrativo/2013) Consoante as regras do direito
brasileiro, as funções administrativas, legislativas e judiciais distribuem-se entre os
poderes estatais — Executivo, Legislativo e Judiciário, respectivamente —, que as
exercem de forma exclusiva, segundo o princípio da separação dos poderes.
Comentário:
Levando em consideração a organização do Estado e seus respectivos Poderes, ou seja,
Executivo, Legislativo e Judiciário, pois todos exercem uma função típica e atípica. Dessa
forma, fica clara uma flexibilidade ou mesmo o caráter harmônico entre os Poderes,
pois um exerce a função do outro de modo típico ou atípico, não existe a exclusividade
como afirma a questão.
Gabarito: Errado.

2. GOVERNO: é o comando, é a direção do Estado.


EXEMPLO: atos de soberania e autonomia.
No âmbito do Direito Administrativo, a expressão Governo tem sido utilizada
para designar o conjunto de Poderes e órgãos constitucionais responsáveis pela função
política do Estado. O Governo tem a incumbência de zelar pela direção suprema e geral
do Estado, determinar seus objetivos, estabelecer suas diretrizes, visando à unidade
da soberania estatal.

3. ADMINISTRAÇÃO: está relacionada à estrutura para exercício da função


pública. Trata-se do aspecto estrutural da administração pública. Pode ser dividida em:

ADMINISTRAÇÃO FORMAL ou ORGÂNICA ou SUBJETIVA: está relacionada à


máquina administrativa, ou seja, à estrutura. Quem realiza a atividade. Conjunto de
agentes, órgãos e pessoas jurídicas destinadas à execução das atividades administrativas
– todo o aparelhamento de que dispõe o Estado para a consecução das políticas traçadas
pelo Governo. Designa os entes que exercem a atividade administrativa; compreende
pessoas jurídicas (entidades), órgãos e agentes públicos incumbidos de exercer uma
das funções em que se triparte a atividade estatal: a função administrativa (Maria
Sylvia Zanella Di Pietro).

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ADMINISTRAÇÃO MATERIAL ou OBJETIVA: é a atividade administrativa


propriamente dita. Corresponde ao conjunto de funções ou atividades administrativas
que são públicas, consistentes em realizar concreta, direta e imediatamente os fins
constitucionalmente atribuídos ao Estado, por isso mesmo denominadas atividades
finalísticas da Administração Pública (Maria Sylvia Zanella Di Pietro). Assim, a função
administrativa (administração pública em sentido objetivo, material ou funcional)
engloba:
 ● a prestação de serviços públicos;
 ● o exercício do poder de polícia;
 ● a intervenção no domínio econômico: pode ocorrer indiretamente, por
meio da regulamentação e fiscalização da atividade econômica de natureza
privada, bem como diretamente, por meio da atuação direta do Estado na
atividade econômica, nos termos do art. 173 da CF, normalmente mediante
empresas públicas e sociedades de economia mista.
 ● a atividade de fomento: o fomento abrange a atividade administrativa de
incentivo à iniciativa privada de utilidade pública (como, p. ex., o incentivo
que se dá a entidades como o SESC, SENAI, SEBRAE etc.).

Exemplos de atividades de fomento desenvolvidas pelo Estado:


I. auxílios financeiros ou subvenções, por conta dos orçamentos públicos;
II. financiamento, sob condições especiais, para a construção de hotéis e outras
obras ligadas ao desenvolvimento do turismo, para a organização e o funcionamento
de indústrias relacionadas com a construção civil, e que tenham por fim a produção em
larga escala de materiais aplicáveis na edificação de residências populares, concorrendo
para seu barateamento;
III. favores fiscais que estimulem atividades consideradas particularmente
benéficas ao progresso material do país;

Administração Pública
Em sentido estrito, o conceito de administração pública envolve todo o
aparelhamento estatal voltado à execução das políticas públicas.

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AULA DEMONSTRATIVA!
Noções Gerais de Direito Administrativo
Teoria e Exercícios Comentados
Gustavo Sales

Pode ser conceituada sob dois aspectos:


SUBJETIVO (Orgânico ou Formal) OBJETIVO (Material ou Funcional)
 Órgãos.  Serviços públicos.
 Entidades  Fomento
 Agentes públicos.  Polícia Administrativa
 Intervenção Administrativa
Quem faz?
O que é feito?

ATENÇÃO!

O conceito de administração pública também pode ser tomado em sentido


amplo, abrangendo, assim, os órgãos superiores de governo que exercem função
política, da mesma forma que os órgãos, agentes e entidades que exercem função
meramente administrativa, isto é, de execução dos programas de governo.

Aluno (a), fique muito atento com esses aspectos da Administração Pública, pois
será de grande importância para o entendimento do nosso curso!

Atividades Públicas da Administração


Serviço Público É toda atividade que a Administração executa, direta ou
indiretamente, para satisfazer à necessidade pública.
Fomento Incentivo à iniciativa privada de utilidade pública
(subvenções sociais).
Polícia Administrativa É o chamado poder de polícia, que restringe o exercício
dos direitos individuais em benefício do interesse
coletivo.
Intervenção Administrativa Regulamentação e fiscalização de atividade econômica
(agências reguladoras), bem como a própria atuação do
Estado por meio de suas empresas (empresas públicas
e sociedade de economia mista).

Iremos estudar passo a passo as características de cada atividade da administração


nas próximas aulas.

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AULA DEMONSTRATIVA!
Noções Gerais de Direito Administrativo
Teoria e Exercícios Comentados
Gustavo Sales

Atenção! Os Estados-membros, DF e Municípios têm autonomia!

Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil


compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos,
nos termos desta Constituição.

Capacidade dos Entes Federados:


Fiquem atento(a)! UNIÃO, ESTADOS, DISTRITO FEDERAL E MUNICÍPIOS SÃO ENTES
AUTONOMOS, conforme o artigo 18, da CF/88.
O - Auto-Organização:  é a capacidade de criar constituições estaduais e lei orgânica
municipal.
L - AutoLegislação:  é a capacidade de criar leis.
G - AutoGoverno:  é a capacidade de escolher os governantes.
A - AutoAdministração:  é a capacidade de realizar serviços públicos.

Obs.: Não existe hierarquia entre os entes federados, e sim competências


divergentes.

ATENÇÃO!

A soberania é característica própria dos Estados independentes, indicando


que possuem poder absoluto para se organizar e se conduzir segundo a livre vontade
de seu povo. A vontade do Estado, derivada da vontade de seu povo, se manifesta
por meio dos denominados Poderes de Estado.

Vamos ao próximo conceito da nossa disciplina:

FUNÇÕES DO ESTADO

A Teoria dos Poderes, desenvolvida por Montesquieu, em L’Esprit des Lois, em


1748. Posteriormente, na França, após a Revolução, em 1789, definiu-se a tripartição
das funções do Estado em:

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Noções Gerais de Direito Administrativo
Teoria e Exercícios Comentados
Gustavo Sales

Função Típica ou Principal Função Atípica ou Secundária


PODER EXECUTIVO ADMINISTRAR LEGISLAR\JULGAR
MINISTÉRIO PÚBLICO
PODER LEGISLATIVO LEGISLAR \FISCALISAR ADMINISTRAR\JULGAR
PODER JUDICIÁRIO JULGAR ADMI N ISTRAR \ L E G IS L AR
(REGIMENTO INTERNO).

Na verdade, a tripartição dos Poderes não gera absoluta divisão de poderes e


de funções, mas sim distribuições de três funções estatais precípuas, mesmo porque
o poder estatal é UNO e INDIVISÍVEL.

Questão de Prova:
Acerca da organização administrativa da União, da organização e da responsabilidade
civil do Estado, bem como do exercício do poder de polícia administrativa, julgue o
item que se segue.
7. (Cespe/DPU/Analista Técnico/Administrativo/2016) A repartição do poder estatal em
funções — legislativa, executiva e jurisdicional — não descaracteriza a sua unicidade
e indivisibilidade.
Comentário:
O Poder é Uno, Indivisível, o que existe é uma distribuição de funções. Função Legislativa,
Função Executiva e Função Jurisdicional, ou seja, a capacidade de produzir, aplicar e
proteger o direito, respectivamente. Umas preponderam as outras atividades, sendo
Típica de um e Atípica de outros.
Gabarito: Certo.

Questão de Prova:
Em relação à administração pública direta e indireta e às funções administrativas, julgue
o item a seguir.
8. (Cespe/DPU/Técnico em Assuntos Educacionais/2016) A função administrativa é
exclusiva do Poder Executivo, não sendo possível seu exercício pelos outros poderes
da República.

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Noções Gerais de Direito Administrativo
Teoria e Exercícios Comentados
Gustavo Sales

Comentário:
A função administrativa não é exclusividade do Poder Executivo, já que, de maneira
atípica, é exercida pelo Poder Legislativo e pelo Poder Judiciário. Apesar de ser
característica do Poder Executivo, possuindo repercussão imediata na coletividade; as
atividades administrativas realizadas pelos outros poderes, são atividades de apoio às
suas funções principais.
Gabarito: Errado.

Questão de Prova:

Acerca de Estado, governo e administração, julgue o item a seguir.


9. (Cespe/MS/Analista Técnico/Administrativo/2013) A tripartição de funções é absoluta
no âmbito do aparelho do Estado.
Comentário:
O Brasil adota a clássica tripartição de Poderes  (Executivo, Legislativo, e Judiciário
– art. 2º da CF/1988), a qual,  diferentemente  da inicialmente desenhada
por Montesquieu, não é rígida (absoluta), de tal sorte a comportar situações em que
os demais Poderes (Legislativo e Judiciário) também administram (atipicamente)
Gabarito: Errado.

Art. 2º da CF/88. São Poderes da União, independentes e harmônicos entre


si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

Obs.:

A FUNÇÃO ATÍPICA do poder executivo não está expressa na constituição,


mas a doutrina defende que o poder executivo poderá julgar por exemplo,
julgamento do CADE para acabar com o monopólio nos postos de combustíveis
de BRASÍLIA.

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Gustavo Sales

 FUNÇÃO TÍPICA: é a função principal (preponderante) do poder, o motivo


pelo qual o poder foi criado.
EXEMPLO: o Poder Legislativo fazer lei e fiscalizar; Poder Executivo
administrar; e o Poder Judiciário julgar.
 FUNÇÃO ATÍPICA: é a função secundária do poder.
EXEMPLO: o Poder Legislativo fazendo licitação, ou seja, administrando ou
até julgando o Presidente por Crime de Responsabilidade; Poder Executivo
editando medida provisória; e o Poder Judiciário realizando um concurso
público ou licitação.

ATENÇÃO!

Para o estudo do Direito Administrativo, em particular, a função que mais


interessa é a função administrativa, pela qual o Estado, aplicando a lei, cuida da
gestão de todos os seus interesses e os de toda a coletividade.
Di Pietro ensina que a função administrativa caracteriza-se por prover de
maneira imediata e concreta as exigências individuais ou coletivas para a satisfação
dos interesses públicos preestabelecidos em lei. Trata-se, portanto, dos atos do
Poder Público que produzem efeitos concretos na sociedade como a realização de
uma compra, a contratação de um servidor, a prestação de um serviço –, o que é
diferente da produção de uma lei, por exemplo, que produz efeitos gerais e abstratos.
Por ser muito ampla e abranger uma gama de situações, alguns autores
preferem enxergar a função administrativa como uma função residual: excluída a
função legislativa, pela qual se criam normas jurídicas, e a jurisdicional, que se volta
especificamente para a solução de conflitos de interesses, todo o restante espelha
o exercício da função administrativa.

Vamos ao próximo conceito da nossa disciplina:


Sistema Administrativo
É o meio pelo qual o Estado controla a atuação administrativa. Existem dois
sistemas:

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a.) Francês

Também conhecido como sistema da dualidade de jurisdição, é aquele em que o


Poder Judiciário não pode intervir nas funções administrativas. Estas estariam sujeitas
apenas à jurisdição especial do contencioso administrativo.

O sistema do contencioso francês é aplicado, com as devidas adaptações, em países


como a Suíça, Finlândia, Grécia, Turquia e Polônia.

Atenção!
 Não é o sistema adotado no Brasil.

No sistema francês, a correção, anulação ou reforma dos atos da Administração


Pública são promovidas no âmbito da própria Administração, mediante a atuação de
tribunais de índole administrativa, sem necessidade ou possibilidade de se levar os
litígios à apreciação do Poder Judiciário, o qual permanece responsável apenas pela
solução dos litígios que não envolvam a Administração Pública.

b.) Inglês (Art. 5º, XXXV, da CF. A lei não excluirá da apreciação do Poder
Judiciário lesão ou ameaça a direito).

É aquele em que todos os litígios – de natureza administrativa ou que envolvam


interesses exclusivamente privados – podem ser levados ao Poder Judiciário.

Obs.: tal dispositivo carrega o chamado princípio da inafastabilidade (ou


inarredabilidade) de jurisdição, ostentando status de cláusula pétrea constitucional.

ATENÇÃO!

A possibilidade jurídica de submeter efetivamente qualquer lesão


de direito e, por extensão, as ameaças de lesão de direito a algum
tipo de controle, seja pela própria Administração como pelo Judiciário
denomina-se princípio da sindicabilidade.

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Teoria e Exercícios Comentados
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IMPORTANTE!

 As decisões dos órgãos administrativos, em regra, não têm caráter conclusivo


perante o Poder Judiciário, podendo ser revistas na via judicial. Não obstante,
existem situações nas quais o exaurimento ou a utilização inicial da via
administrativa é condição para acesso ao Poder Judiciário, a saber:]
 O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições
desportivas após se esgotarem as instâncias da Justiça Desportiva. Cabe
destacar que a Justiça Desportiva é uma via administrativa, pois o artigo 92
da Constituição não a inclui como órgão do Poder Judiciário.
 O ato administrativo, ou a omissão da Administração Pública, que contrarie
Súmula Vinculante só pode ser alvo de reclamação ao Superior Tribunal
Federal depois de esgotadas as vias administrativas (Lei nº 11.417/2006,
art. 7º, §1º);
 É indispensável para caracterizar o interesse de agir no habeas data à provado
anterior indeferimento do pedido de informação de dados pessoais, ou da
omissão em atendê-lo. Assim, exige-se que primeiro tenha que ter ocorrido
uma negativa ou omissão da via administrativa para que, posteriormente,
obtenha-se o acesso ao Poder Judiciário.
 A Lei nº 12.016/09 previu que o mandado de segurança não é cabível quando
“caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de
caução” (art. 5, I)
 O STF (RE 631.240) firmou a orientação de que, em regra, é necessário o
prévio requerimento administrativo para ficar caracterizado o interesse de
agir em ações judiciais contra o INSS relativas à concessão de benefícios
previdenciários. Tal exigência, contudo, não se confunde com o exaurimento
das vias administrativas, pois quando o entendimento da Administração for
notória e reiteradamente contrário à postulação do segurado, ele poderá
buscar diretamente a via judicial.

Vamos ao próximo conceito da nossa disciplina:

Fontes do Direito Administrativo


Consideram-se fontes de uma determinada disciplina aquelas regras ou
comportamentos que provocam o surgimento de uma norma posta.

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Teoria e Exercícios Comentados
Gustavo Sales

Essa parte do conteúdo o aluno deve levar em consideração que existem


divergências, mas as principais fontes do Direito Administrativo são:
 Leis;
 Doutrina;
 Jurisprudência; e
 Costumes.

As principais fontes do Direito Administrativo são:

No Brasil, a lei em sentido amplo é a mais importante fonte do Direito


Administrativo. Alguns autores destacam que a Lei é a fonte Primária do
Direito Administrativo.

Com efeito, um dos pilares básicos de nosso ordenamento jurídico é o


princípio da legalidade administrativa, segundo o qual a Administração
Pública somente pode fazer o que a lei autorizar ou determinar.

Obs.: somente a lei, amplamente considerada, pode criar originariamente normas


jurídicas, sendo por isso, para parte da doutrina, a ÚNICA FONTE DIRETA DO DIREITO
ADMINISTRATIVO.

Fique atento(a)!
Além das normas jurídicas produzidas internamente, alguns autores também
consideram os tratados e acordos Internacionais como fontes de Direito Administrativo.

Como exemplo da influência que essas avenças internacionais exercem sobre


o Direito Administrativo, veja-se a Convenção das Nações Unidas contra a corrupção
firmada no ano de 2003, determinando aos países signatários, dentre outras medidas,
a necessidade de fixação de regras em matéria de contratos públicos e licitações, sobre
servidores públicos, sobre o orçamento público etc.

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As regras aprovadas na referida Convenção resultaram no Decreto nº 5.687/2006,


constituindo fonte da maior relevância para o Direito Administrativo.

Secundária:

Doutrina: os estudiosos do Direito Administrativo, de forma semelhante ao que ocorre


nos demais ramos do Direito e também em outras ciências, formulam teses e teorias
com a finalidade de explicar o objeto do seu estudo, no caso, o conteúdo das normas
administrativas, indicando seu entendimento acerca da melhor interpretação ou
das interpretações possíveis dessas normas. A esse conjunto de teses e construções
teóricas dá-se o nome de doutrina.

Jurisprudência: a jurisprudência nasce quando o Judiciário adota reiteradas decisões


semelhantes a respeito de determinada matéria, ou seja, são os entendimentos
precedentes sobre determinado assunto que balizam o exame de futuros casos.

Fique atento(a): Além da jurisprudência oriunda das decisões do Poder Judiciário, as


decisões proferidas por determinados tribunais administrativos também
possuem importância para o Direito Administrativo no Brasil. A jurisprudência do
Tribunal de Contas da União (TCU) em matéria de licitações ou de pessoal, por exemplo,
constitui importante parâmetro para a Administração Pública.

Atenção! Uma decisão isolada não é uma Jurisprudência! Vale o ditado popular “
uma andorinha só não faz verão. ”

Costumes: uma vez que em nosso ordenamento jurídico impera o princípio da


legalidade, os costumes perderam muito da importância que possuíam noutros tempos
como fonte do Direito Administrativo. Não obstante, ainda exercem alguma influência,
principalmente, para preencher deficiências e lacunas da legislação.

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Obs.: para lembrar as características que devem estar presentes nos COSTUMES
que poderão ser aceitos como fontes do Direito Administrativo:
R  Reiterado U  Uniforme C  Contínuo O  Obrigatório
Ou seja, para que o costume seja fonte do Direito Administrativo, deve-se
configurar como uma prática reiterada, uniforme, contínua de determinado ato, com
a convicção de sua obrigatoriedade.

ATENÇÃO!

Alguns autores incluem, ainda, como fonte desse ramo, os PRINCÍPIOS GERAIS
DO DIREITO, que são critérios maiores, às vezes até não escritos, percebidos pela
lógica ou por indução.

Obs.: segundo Celso Antônio Bandeira de Mello5 os princípios gerais do direito


“são vetores normativos subjacentes ao sistema jurídico-positivo, não, porém como
um dado externo, mas como uma inerência da construção em que se corporifica o
ordenamento”: são teses jurídicas genéricas que informam o ordenamento do Estado,
conquanto não se achem expressos em texto legal específico.
Exemplos:
 ninguém será punido antes de ser ouvido;
 não é permitido o enriquecimento ilícito;
 ninguém se beneficiará da própria malícia.

Questão de Prova:
Acerca do direito administrativo, julgue o item que se segue.
10. (Cespe/Prefeitura de Fortaleza-CE/Procurador do Município/2017) Conforme a
doutrina, diferentemente do que ocorre no âmbito do direito privado, os costumes
não constituem fonte do direito administrativo, visto que a administração pública deve
obediência estrita ao princípio da legalidade.
Comentário:
Como analisamos as fontes do Direito Administrativo são: leis, jurisprudência, doutrina
e os costumes, mas de acordo com a doutrina, os costumes podem ser de três ordens:
5
Curso de Direito Administrativo. 26ª ed., São Paulo: Malheiros Editores, 2009, p. 123.

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(a) secundum legem (previstos na própria lei);


(b) praeter legem (visam ao preenchimento de lacunas normativas);
(c) contra legem (direcionam-se em sentido contrário ao que dispõe a lei).
Com exceção do costume contra legem, os costumes são sim considerados fontes do
direito administrativo. 
Gabarito: Errado.

Questão de Prova:
Em relação ao objeto e às fontes do direito administrativo, julgue os itens seguintes. 
11. (Cespe/INPI/Analista de Planejamento/Direito/2013) Considerada fonte secundária
do direito administrativo, a jurisprudência não tem força cogente de uma norma criada
pelo legislador, salvo no caso de súmula vinculante, cujo cumprimento é obrigatório
pela administração pública. 
Comentário:
No estudo do Direito Administrativo, destacam-se as seguintes fontes: a lei, a doutrina, a
jurisprudência, os costumes e os princípios gerais do direito. A lei é a fonte primordial e
primária do Direito Administrativo. Por sua vez, a jurisprudência é o conjunto de decisões
judiciais reiteradas em um mesmo sentido. Ela, em geral, não obriga o Poder Executivo
nem os órgãos do próprio Poder Judiciário, isto é, a jurisprudência não tem força
cogente. É uma fonte secundária, mediata, não gerando direitos para os particulares;
contudo, por meio da emenda constitucional nº 45, de 30/12/2004, foi acrescentado o
art.103-A, na Constituição Federal, que possibilita a edição de súmula vinculante pelo
Supremo Tribunal Federal, cujo cumprimento é obrigatório pela administração pública
e pelos demais órgãos do Poder Judiciário.
Gabarito: Certo.

Questão de Prova:
12. (Cespe/TJ-RR/Administrador/2012) A jurisprudência, fonte não escrita do direito
administrativo, obriga tanto a administração pública como o Poder Judiciário.
Comentário:
A jurisprudência (reiteração de julgados), fonte não escrita e secundária, não obriga
os Três Poderes, ou seja, os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário podem decidir
contrário à jurisprudência, mas vale salientar, porém, que as Súmulas Vinculantes do

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STF obrigam o Poder Executivo (ADM Pública), o MP e o Judiciário, mas NÃO vinculam
o Legislativo e o próprio STF.
Gabarito: Errado

Vamos ao próximo conceito da nossa disciplina:

REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO

Conjunto de todos os princípios do Direito Administrativo. São prerrogativas e


obrigações que a Administração possui para exercer a função administrativa.
Existem dois grandes princípios que norteiam esse regime:
a.) Supremacia do Interesse Público Sobre o Privado.

Nas palavras de Marcos Bittencourt6: “o princípio da supremacia de


interesse público atribui um status especial ao Estado frente ao particular” razão pela
qual, inclusive, vige a presunção de legalidade dos atos praticados pelas entidades
do Estado.
O interesse público é supremo sobre o interesse particular, e todas as condutas
estatais têm como finalidade a satisfação das necessidades coletivas.
Nesse sentido, os interesses da sociedade devem prevalecer diante das
necessidades específicas dos indivíduos, ou seja, quando houver um conflito entre o
interesse público e o privado, aquele prevalecerá.
Ressalta-se, ainda, que, na teoria, a atuação do administrador não visa o
interesse do indivíduo, mas, do grupo social em sua totalidade e, se assim não ocorrer, a
conduta estatal sofrerá de Desvio de Finalidade, o que não está amparada pelo direito.

Atenção! Não se trata de um princípio expresso, ou seja, não está escrito


no texto constitucional, embora existam inúmeras regras que impliquem em suas
manifestações de forma concreta; para isso podemos nos referir a institutos correlatos
dispostos na CF como a possibilidade de:
6

6
BITTENCOURT, Marcos. Manual de Direito Administrativo. São Paulo: Fórum Editora, 4ª ed., 2011.

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 Desapropriação (Art. 5º XXIV, da CF/88).


 Requisição Administrativa (Art. 5º XXV, da CF/88).

Dentre estas outras prerrogativas verificamos:


 A autoexecutoriedade e a coercibilidade, assim como a presunção de
legitimidade dos atos administrativos.
 A possibilidade de alterar unilateralmente os Contratos Administrativos, assim
como a garantia de rescisão unilateral por motivo de interesse público ou
em virtude do inadimplemento do particular, como forma de proteção dos
hipossuficientes.
 Definição de privilégios tributários para as pessoas jurídicas de Direito Público,
nos termos da Constituição Federal.
 Definição de bens públicos como garantia de impenhorabilidade, criando
um regime de pagamento de débitos judiciais mediante precatórios, além
de imprescritibilidade e não onerabilidade.
 Poder de Polícia do Estado (iremos aprofundar o conhecimento neste tema
nas próximas aulas).

b.) Indisponibilidade do Interesse Público

Define os limites da atuação administrativa e decorre do fato de que a


impossibilidade de abrir mão do interesse público deve estabelecer ao administrador
os seus critérios de conduta.
Celso Antônio Bandeira de Mello7 dispõe que “é encarecer que na administração
os bens e interesses não se acham entregues à livre disposição da vontade do
administrador. Antes, para este, coloca-se a obrigação, o dever de curá-los nos termos
da finalidade a que estão adstritos”.
Esse princípio está presente em toda atuação da Administração. Assim podemos
dizer que a indisponibilidade do interesse público se configura um contrapeso
do princípio da supremacia estatal.

7
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Malheiros, 26ª ed. 2009

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Esses princípios estão implícitos na CF. Todos os princípios do Direito


Administrativo são desdobramentos desses princípios
Obs.:
 Interesse Primário: é a realização de atividades que beneficiam diretamente
o administrado.
 Interesse Secundário: são atividades que estruturam a capacidade do Estado
em benefício indireto ao cidadão.

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QUESTÕES DE CONCURSO

Julgue o item seguinte, acerca do direito administrativo e da prática dos atos


administrativos.
1. (Cespe/STJ/Técnico Judiciário/Administrativa/2015) Conceitualmente, é correto
considerar que o direito administrativo abarca um conjunto de normas jurídicas
de  direito público que disciplina as atividades administrativas  necessárias à
realização dos direitos fundamentais da coletividade.
Comentário: Dessa forma, o Direito Administrativo é um dos ramos do Direito
Público, uma vez que rege a organização e o exercício de atividades do Estado e
se direciona na busca dos interesses da coletividade.
Gabarito: Certo.

Julgue o item subsequente, relativo ao direito administrativo.


2. (Cespe/MPE-PI/Analista Ministerial/Área Administrativa/2012) O direito
administrativo, ao reger as relações jurídicas entre as pessoas e os órgãos do
Estado, visa à tutela dos interesses privados.
Comentário: O Direito Administrativo é um ramo do direito público, pois rege as
relações jurídicas entre as pessoas e os órgãos do Estado, mas protege o interesse
da coletividade, ou seja, existindo conflito entre o interesse público e o interesse
particular,  deverá prevalecer o primeiro,  tutelado pelo Estado, respeitados,
entretanto, os direitos e garantias individuais expressos na Constituição, ou dela
decorrentes.
Gabarito: Errado.

Acerca do direito administrativo, julgue o item que se segue.


3. (Cespe/Prefeitura de Fortaleza-CE/Procurador do Município/2017)A regulação
das relações jurídicas entre agentes públicos, entidades e órgãos estatais cabe
ao direito administrativo, ao passo que a regulação das relações entre Estado e
sociedade compete aos ramos do direito privado, que regulam, por exemplo, as
ações judiciais de responsabilização civil do Estado.

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Comentário: O Direito Administrativo regula não só as relações travadas entre


a Administração Pública e aqueles que possuem com ela um vínculo jurídico
especial, mas também as suas relações com os particulares. Cite-se como
exemplo, os contratos administrativos que dependem de prévia licitação para
serem efetivados. Excetuadas algumas situações particularizadas, todas as
relações jurídicas travadas pelo Estado são reguladas pelo direito administrativo. 
Gabarito: Errado.

Acerca do direito administrativo e do conceito de Estado, julgue o seguinte item.


4. (Cespe/TCE-RO/Analista de Informática/2013) O Estado é um ente personalizado,
apresentando-se não apenas exteriormente, nas relações internacionais, mas
também internamente, como pessoa jurídica de direito público capaz de adquirir
direitos e contrair obrigações na ordem jurídica.
Comentário: O Estado é pessoa jurídica territorial soberana, formada pelos
elementos  povo, território e governo soberano. Esses três elementos são
indissociáveis e indispensáveis para a noção de um estado independente: o povo,
em um dado território, organizado segundo sua livre e soberana vontade. O Estado
é um ente personalizado, apresentando-se – tanto nas relações internacionais, no
convívio com outros estados soberanos, quanto internamente – como sujeito
capaz de adquirir direitos e contrair obrigações na ordem jurídica.
Gabarito: Correto.

Com relação a Estado, governo e administração pública, julgue os itens seguintes.


5. (Cespe/MI/Analista Técnico/Administrativo/2013) Os conceitos de governo
e administração não se equiparam; o primeiro refere-se a uma atividade
essencialmente política, ao passo que o segundo, a uma atividade eminentemente
técnica.
Comentário: Os conceitos de governo e administração são diferentes, embora
guardem estreita relação. Assim, o conceito de Governo é o conjunto de poderes e
órgãos constitucionais responsáveis pela função política do Estado. É o comando a ser
seguido pelo Estado. As atribuições do governo decorrem da Constituição Federal. 
Para que o Estado seja independente, há a necessidade de governo soberano.
Soberania é independência na ordem internacional e supremacia na ordem interna.

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Gustavo Sales

Já Administração podemos conceituá-la de várias formas:


a)sentido amplo: envolve o governo(que traça as diretrizes) e a administração
em sentido estrito(vai executar as diretrizes do governo);
b)sentido estrito: envolve apenas a execução. A administração é o instrumento
que se vale o Estado para pôr em prática as opções políticas de Governo.
c)sentido formal, subjetivo ou orgânico: A Administração Pública é o conjunto
de agentes, órgãos(centros de decisões) e pessoas jurídicas instituídos para
consecução dos fins do Governo, que é o comando, a iniciativa.
d)Sentido material, objetivo ou funcional: é a própria atividade administrativa
executada pelo Estado por meio de seus órgãos e entidades. Abrangem atividades
como a polícia administrativa, os serviços públicos.
Gabarito: Certo.

Com relação a Estado, governo e administração pública, julgue o item seguinte.


6. (Cespe/MI/Analista Técnico/Administrativo/2013) Consoante as regras do direito
brasileiro, as funções administrativas, legislativas e judiciais distribuem-se entre
os poderes estatais — Executivo, Legislativo e Judiciário, respectivamente —, que
as exercem de forma exclusiva, segundo o princípio da separação dos poderes.
Comentário: Levando em consideração a organização do Estado e seus respectivos
Poderes, ou seja, Executivo, Legislativo e Judiciário, pois todos exercem uma
função típica e atípica. Dessa forma, fica clara uma flexibilidade ou mesmo o
caráter harmônico entre os Poderes, pois um exerce a função do outro de modo
típico ou atípico, não existe a exclusividade como afirma a questão.
Gabarito: Errado.

Acerca da organização administrativa da União, da organização e da responsabilidade


civil do Estado, bem como do exercício do poder de polícia administrativa, julgue o
item que se segue.
7. (Cespe/DPU/Analista Técnico/Administrativo/2016) A repartição do poder estatal
em funções — legislativa, executiva e jurisdicional — não descaracteriza a sua
unicidade e indivisibilidade.

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Comentário: O Poder é Uno, Indivisível, o que existe é uma distribuição de


funções. Função Legislativa, Função Executiva e Função Jurisdicional, ou seja,
a capacidade de produzir, aplicar e proteger o direito, respectivamente. Umas
preponderam as outras atividades, sendo Típica de um e Atípica de outros.
Gabarito: Certo.

Em relação à administração pública direta e indireta e às funções administrativas, julgue


o item a seguir.
8. (Cespe/DPU/Técnico em Assuntos Educacionais/2016) A função administrativa
é exclusiva do Poder Executivo, não sendo possível seu exercício pelos outros
poderes da República.
Comentário: A função administrativa não é exclusividade do Poder Executivo, já
que, de maneira atípica, é exercida pelo Poder Legislativo e pelo Poder Judiciário.
Apesar de ser característica do Poder Executivo, possuindo repercussão imediata
na coletividade; as atividades administrativas realizadas pelos outros poderes,
são atividades de apoio às suas funções principais.
Gabarito: Errado.

Acerca de Estado, governo e administração, julgue o item a seguir.


9. (Cespe/MS/Analista Técnico/Administrativo/2013)  A tripartição de funções é
absoluta no âmbito do aparelho do Estado.
Comentário: O Brasil adota a clássica tripartição de Poderes (Executivo,
Legislativo, e Judiciário – art. 2º da CF/1988), a qual,  diferentemente  da
inicialmente desenhada por Montesquieu, não é rígida (absoluta), de tal sorte a
comportar situações em que os demais Poderes (Legislativo e Judiciário) também
administram (atipicamente)
Gabarito: Errado.

Acerca do direito administrativo, julgue o item que se segue.


10. (Cespe/Prefeitura de Fortaleza-CE/Procurador do Município/2017) Conforme a
doutrina, diferentemente do que ocorre no âmbito do direito privado, os costumes
não constituem fonte do direito administrativo, visto que a administração pública
deve obediência estrita ao princípio da legalidade.

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Comentário:
Como analisamos as fontes do Direito Administrativo são: leis, jurisprudência,
doutrina e os costumes, mas de acordo com a doutrina, os costumes podem ser
de três ordens:
(a) secundum legem (previstos na própria lei);
(b) praeter legem (visam ao preenchimento de lacunas normativas);
(c) contra legem (direcionam-se em sentido contrário ao que dispõe a lei).
Com exceção do costume contra legem, os costumes são sim considerados fontes
do direito administrativo. 
Gabarito: Errado.

Em relação ao objeto e às fontes do direito administrativo, julgue os itens seguintes. 


11. (Cespe/INPI/Analista de Planejamento/Direito/2013)  Considerada fonte
secundária do direito administrativo, a jurisprudência não tem força cogente
de uma norma criada pelo legislador, salvo no caso de súmula vinculante, cujo
cumprimento é obrigatório pela administração pública. 
Comentário: No estudo do Direito Administrativo, destacam-se as seguintes
fontes: a lei, a doutrina, a jurisprudência, os costumes e os princípios gerais do
direito. A lei é a fonte primordial e primária do Direito Administrativo. Por sua
vez, a jurisprudência é o conjunto de decisões judiciais reiteradas em um mesmo
sentido. Ela, em geral, não obriga o Poder Executivo nem os órgãos do próprio
Poder Judiciário, isto é, a jurisprudência não tem força cogente. É uma fonte
secundária, mediata, não gerando direitos para os particulares; contudo, por meio
da emenda constitucional nº 45, de 30/12/2004, foi acrescentado o art.103-A, na
Constituição Federal, que possibilita a edição de súmula vinculante pelo Supremo
Tribunal Federal, cujo cumprimento é obrigatório pela administração pública e
pelos demais órgãos do Poder Judiciário.
Gabarito: Certo.

12. (Cespe/TJ-RR/Administrador/2012) A jurisprudência, fonte não escrita do direito


administrativo, obriga tanto a administração pública como o Poder Judiciário.
Comentário: A jurisprudência (reiteração de julgados), fonte não escrita e
secundária, não obriga os Três Poderes, ou seja, os Poderes Executivo, Legislativo e

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Judiciário podem decidir contrário à jurisprudência, mas vale salientar, porém, que


as Súmulas Vinculantes do STF obrigam o Poder Executivo (ADM Pública), o MP
e o Judiciário, mas NÃO vinculam o Legislativo e o próprio STF.
Gabarito: Errado

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QUESTÕES PARA TREINAR!

Julgue o item seguinte, acerca do direito administrativo e da prática dos atos


administrativos.
1. (Cespe/STJ/Técnico Judiciário/Administrativa/2015) Conceitualmente, é correto
considerar que o direito administrativo abarca um conjunto de normas jurídicas
de  direito público que disciplina as atividades administrativas  necessárias à
realização dos direitos fundamentais da coletividade.

Julgue o item subsequente, relativo ao direito administrativo.


2. (Cespe/MPE-PI/Analista Ministerial/Área Administrativa/2012) O direito
administrativo, ao reger as relações jurídicas entre as pessoas e os órgãos do
Estado, visa à tutela dos interesses privados.

Acerca do direito administrativo, julgue o item que se segue.


3. (Cespe/Prefeitura de Fortaleza-CE/Procurador do Município/2017)A regulação
das relações jurídicas entre agentes públicos, entidades e órgãos estatais cabe
ao direito administrativo, ao passo que a regulação das relações entre Estado
e sociedade compete aos ramos do direito privado, que regulam, por exemplo,
as ações judiciais de responsabilização civil do Estado.

Acerca do direito administrativo e do conceito de Estado, julgue o seguinte item.


4. (Cespe/TCE-RO/Analista de Informática/2013) O Estado é um ente personalizado,
apresentando-se não apenas exteriormente, nas relações internacionais, mas
também internamente, como pessoa jurídica de direito público capaz de adquirir
direitos e contrair obrigações na ordem jurídica.

Com relação a Estado, governo e administração pública, julgue os itens seguintes.


5. (Cespe/MI/Analista Técnico/Administrativo/2013) Os conceitos de governo
e administração não se equiparam; o primeiro refere-se a uma atividade
essencialmente política, ao passo que o segundo, a uma atividade eminentemente
técnica.

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Com relação a Estado, governo e administração pública, julgue o item seguinte.


6. (Cespe/MI/Analista Técnico/Administrativo/2013) Consoante as regras do direito
brasileiro, as funções administrativas, legislativas e judiciais distribuem-se entre
os poderes estatais — Executivo, Legislativo e Judiciário, respectivamente —, que
as exercem de forma exclusiva, segundo o princípio da separação dos poderes.

Acerca da organização administrativa da União, da organização e da responsabilidade


civil do Estado, bem como do exercício do poder de polícia administrativa, julgue o
item que se segue.
7. (Cespe/DPU/Analista Técnico/Administrativo/2016) A repartição do poder estatal
em funções — legislativa, executiva e jurisdicional — não descaracteriza a sua
unicidade e indivisibilidade.

Em relação à administração pública direta e indireta e às funções administrativas, julgue


o item a seguir.
8. (Cespe/DPU/Técnico em Assuntos Educacionais/2016) A função administrativa
é exclusiva do Poder Executivo, não sendo possível seu exercício pelos outros
poderes da República.

Acerca de Estado, governo e administração, julgue o item a seguir.


9. (Cespe/MS/Analista Técnico/Administrativo/2013)  A tripartição de funções é
absoluta no âmbito do aparelho do Estado.

Acerca do direito administrativo, julgue o item que se segue.


10. (Cespe/Prefeitura de Fortaleza-CE/Procurador do Município/2017) Conforme a
doutrina, diferentemente do que ocorre no âmbito do direito privado, os costumes
não constituem fonte do direito administrativo, visto que a administração pública
deve obediência estrita ao princípio da legalidade.

Em relação ao objeto e às fontes do direito administrativo, julgue os itens seguintes. 


11. (Cespe/INPI/Analista de Planejamento/Direito/2013)  Considerada fonte
secundária do direito administrativo, a jurisprudência não tem força cogente
de uma norma criada pelo legislador, salvo no caso de súmula vinculante, cujo
cumprimento é obrigatório pela administração pública. 

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12. (Cespe/TJ-RR/Administrador/2012) A jurisprudência, fonte não escrita do direito


administrativo, obriga tanto a administração pública como o Poder Judiciário.

GABARITO

1. Certo 5. Certo 9. Errado


2. Errado 6. Errado 10. Errado
3. Errado 7. Certo 11. Certo
4. Certo 8. Errado 12. Errado

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