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Sociedade Brasileira de Enfermeiros Pediatras / 25

ARTIGODEREFLEXÃO

Puncionando a veia bailarina


Maria Aparecida de Luca Nascimento1
Maria Filomena P.V. Almeida2
Fernando Porto3
Thereza Christina dos S. F. Cardoso4

Resumo

Estudo descritivo idealizado a partir da observação do modo repetitivo e institucionalizado, através do qual
a punção venosa periférica em crianças vem sendo realizada. Os autores perceberam que a realização deste
procedimento contempla a racionalização do tempo, mesmo quando não é de urgência, em detrimento de
outros fatores importantes. Com o objetivo de destacar a relevância dos aspectos fisiológicos e emocionais
envolvidos no momento do procedimento, é apresentado o modo de abordagem da técnica, com os alunos em
campo de ensino clínico. Considerando que a punção venosa pediátrica de “veia bailarina” é um desafio para
a equipe de enfermagem, concluiu-se que a destreza e a habilidade na punção de uma veia periférica em
crianças, como em qualquer outro caso, são adquiridas através da repetição deste procedimento. Entretanto,
se a equipe de enfermagem atentar para a sua visão ontológica, o sucesso na realização vai além da introdução
da agulha em um seio venoso.
Palavras-chave: Enfermagem pediátrica – Punção venosa – Cuidado de enfermagem

Abstract

Punctioning the “dancer vein”


This is a descriptive study was idealized from teachers’ observation of pediatric nursing during the clinical
teaching. They perceived that the pediatric intravenous punction was implemented at the same way, where
the most important thing was the time to realize this nursing procedure. The main goal is to show relevant
points must be observed during the pediatric intravenous punction, based on physiological and emotional
aspects. Considering that this nursing procedure is a great challenge for the nursing team, specially when the
pediatric vein is like a dancer, the authors concluded that the nursing sucess in this case go ahead to put a
needle into the pediatric vein.
Key-words: Pediatric nursing – intravenous punction – Nursing care

Resumen

La punción de la vena “baialrina”


Esto estudio descriptivo fué idealizado a partir de la observación del modo repetitivo e institucionalizado, de
la realización de la punción venosa perisférica en niños. Los autores, profesores de la disciplina de enfermería
pediátrica de la Universidad Pública de Rio de Janeiro, percibieron que en el procedimiento en mención,

1 Professor Adjunto do Departamento de Enfermagem Materno- Infantil (DEMI) da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto
(EEAP) da Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO) – Coordenadora do núcleo de Pesquisa em Saúde da mulher e da Criança -
Doutora em Enfermagem.
2 Professor Adjunto do DEMI da EEAP da UNIRIO – Mestre em Enfermagem.
3 Professor Auxiliar do DEMI da EEAP da UNIRIO
4 Professor Auxiliar do DEMI da EEAP da UNIRIO
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normalmente, al ser realizado contempla la racionalización del tiempo, mismo cuando la situación no es de
urgéncia, aun en presencia de otros factores importantes. Teniendo como principal objetivo destacar la
relevancia de los aspectos fisiológicos y emocionales en en cual se ven envueltos en ese momento del
procedimiento, dichos autores presentam el modo por el cual esta técnica es abordada con sus alumnos
durante la enseñanza clínica. Considerando que la punción venosa pediátrica siempre es un desafio para el
equipo de enfermeros (as) en especial la vena “baialrina”, concluyendose que la destreza y la habilidad en la
punción de una vena perisférica en niños, como en cualquier otro caso, son adquiridas a través de la repetición
de este procedimiento, entonces si el equipo de enfermeros esta atento para su visión ontológica, el éxito de
la realización no estará relacionado solamente al hecho de conseguir introducir una aguja en el seno venoso.
Palabras claves: Enfermería pediátrica – Puncción venosa – Cuidad de enfermería

INTRODUÇÃO
realizavam a punção venosa pediátrica, inibiam os acadê-
A preocupação em escrever este estudo, surgiu da micos de enfermagem, que ao serem solicitados para de-
necessidade que nós, professores da disciplina enferma- senvolverem a técnica em apreço, mostravam-se temero-
gem pediátrica, sentimos, ao percebermos o modo pelo sos, apesar da presença do professor ao seu lado.
qual a punção venosa pediátrica vem sendo realizada pe- A disciplina enfermagem pediátrica ao ser abordada
los profissionais de enfermagem. no último período de graduação, permitindo que o primei-
Esta percepção acontecia nas instituições hospitalares ro contato com o cliente pediátrico hospitalizado se dê
onde trabalhávamos desenvolvendo, tanto a nossa prática nesta época, confere ao acadêmico de enfermagem, uma
assistencial isolada, quanto a nossa prática docente. grande ansiedade e insegurança, por conta, entre outros
Como enfermeiros da assistência, na nossa na prática fatores, dos tratamentos dolorosos que são impostos à
profissional isolada, observávamos que a técnica de pun- criança.
ção venosa pediátrica, era realizada de forma a privilegiar Este comportamento, mencionado no estudo intitulado
a racionalização do tempo, mesmo quando a situação não “Uma criança no meu caminho” (Nascimento et al, 1997,
era de urgência. Considerando este aspecto, a pressa era p.8) que apresentado no 49º Congresso Brasileiro de En-
uma constante quando da realização do procedimento em fermagem, também foi atribuído à expectativa da formatu-
apreço. Por conta desta determinante, era eleito o profis- ra, que sempre é um marco referencial para os acadêmi-
sional “bom de veia”. cos, pois prenuncia e enseja grandes mudanças em suas
Desta forma, o profissional acima citado, que normal- vidas.
mente era aquele que menos tempo levava para realizar a Na conclusão do estudo supra referenciado, ficou cons-
punção venosa, era sempre solicitado quando havia uma tatado que a maioria dos acadêmicos (65%) não optariam
veia a ser puncionada. Este fato permitia que ele exerci- pela enfermagem pediátrica quando do seu futuro exercício
tasse cada vez mais essa capacidade, adquirindo, cada profissional. Em contrapartida, a equipe de professores da
vez mais, destreza e habilidade. Em compensação, os ou- disciplina, sugeriu que novas abordagens fossem feitas
tros profissionais, ao lhe delegarem a sua própria função, durante o ensino clínico para que esta escolha fosse feita
permitiam que houvesse, não só o rompimento do caráter desprovida de conceitos pré existentes.
holístico da assistência de enfermagem à criança, como Esse estudo tem esta finalidade, abordar de uma for-
também a perda de oportunidade de desenvolverem as ma diferenciada o grande desafio que é a punção venosa
mesmas características que ele. pediátrica para o acadêmico de enfermagem consideran-
Este situação ao ser reportada para a nossa prática do a sua ansiedade, sua expectativa, sua inibição diante
docente em campo de ensino clínico, nos levou a perce- da destreza dos profissionais na execução da técnica em
ber que a destreza e a habilidade dos profissionais que referência, e acima de tudo, enfatizar a importância dos
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passos metódicos que cumprimos para que a mesma seja propriedade de deslocar-se, dentro da tela subcutânea.
realizada de forma a proporcionar confiança a quem é cui- Por conta deste, e de outros fatores, devemos nos
dado, e segurança a quem cuida. resguardar ao máximo das possíveis eventualidades que
possam ocorrer, quando da punção de uma veia periférica
OBJETIVOS
em pediatria.
– Descrever o método utilizado pelos professores da
Tendo em vista as peculiaridades da criança passa-
disciplina Enfermagem Pediátrica para orientar os acadê-
mos a enumerar as etapas a serem seguidas para a realiza-
micos na execução da técnica de punção venosa periféri-
ção do procedimento técnico propriamente dito, assim
ca em campo de ensino clínico, tendo em vista a sua inse-
como as justificativas para a sua adoção.
gurança e ansiedade diante da realização deste procedi-
Importante se faz ressaltar que, além do enfoque teó-
mento,
rico que respalda a prática, a equipe de professores preo-
– Correlacionar os aspectos; fisiológicos, anatômicos
cupa-se também com outros aspectos relacionados à
e emocionais, que se vêm envolvidos durante a execução
ergonomia, bio- segurança, auto- estima, fatores que con-
da técnica da punção venosa periférica em pediatria, ao
tribuem para a formação do perfil profissional do futuro
método adotado pelos professores da disciplina Enfer-
enfermeiro.
magem Pediátrica para a sua consecução
– Propor à equipe de enfermagem uma reflexão acerca ENSINANDO E PREVENINDO
do modo pelo qual os procedimentos técnicos repetitivos As etapas que se seguem , são aquelas adotadas no
estão sendo realizados, com vistas à reformulação dos ensino clínico, uma vez que este estudo reproduz a nossa
paradigmas que vêm sendo adotados para a sua conse- prática cotidiana. Porém, há que se considerar o caráter
cução. dinâmico de todo e qualquer procedimento, por isto estas
etapas, vez por outra, podem ser alteradas e/ou modifica-
A VEIA “BAILARINA”
das. Elas foram elaboradas de modo a atingir o acadêmico
Como em todo o procedimento técnico, existe na pun- de enfermagem, por este motivo, a forma redacional que
ção venosa pediátrica, u‘a margem de erro e de riscos se segue:
previsíveis, que estão presentes em todas as suas etapas,
1º PASSO – Consultar a prescrição, conferindo o
desde o seu planejamento, até à sua fixação. No entanto,
nome da criança e a medicação a ser preparada – Em
parece haver contida na etapa da penetração da agulha
pediatria, a ocorrência de homônimos é muito freqüente,
no seio venoso, uma maior preocupação não só da equi-
assim como, nomes onde uma única vogal é que faz a
pe de enfermagem, como também , e principalmente, dos
diferença. Deste modo, é importante consultar a acompa-
acompanhantes das crianças que a ela são submetidas.
nhante. Na sua falta, e no caso de lactentes, a certeza
Esta preocupação, segundo a nossa própria experiên- poderá advir da consulta à pulseirinha de identificação,
cia, é visualizada através da tentativa de penetrar com a que deverá conter o número do prontuário da criança.
agulha no seio venoso, no menor espaço de tempo possí-
Uma vez identificada a criança, deve-se proceder ao
vel.
preparo do rótulo da solução. Esta providência tem as
Deste modo, o desafio que é puncionar uma veia peri- seguintes finalidades: Liberar a folha de prescrição para
férica em pediatria potencializa-se, pois além de ter-se que os outros profissionais, e também garantir que a mesma
introduzir uma agulha no braço de uma criança há que se não seja danificada ao ser colocada sob a bancada de
enfrentar a incerteza de conseguir-se este intento na pri- medicação. Nesta oportunidade, enfatiza-se a importân-
meira tentativa. cia da folha de prescrição como sendo um documento.
A incerteza na consecução da punção na primeira ten- A confecção do rótulo da solução em pediatria, vai
tativa, decorre, entre outros fatos, pela presença da veia permitir a você planejar a sua atividade de acordo com os
“bailarina”, que é uma característica que confere ao vaso, a medicamentos que serão necessários, atentar para os
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percentuais de diluição dos mesmos, preencher de forma com o sangue. A bandeja deverá levar em seu interior, todo
a fornecer todas as informações necessárias com relação o material para lhe dar segurança e tranqüilidade. Como o
à solução, tais como: nome e número do leito da criança, objeto do nosso cuidado é a criança, prepare-a de modo a
componentes da solução e seus respectivos mililitros, total impressioná-la o menos possível. Desta forma, levaremos
da solução (em mls) – Numero da etapa da solução – em seu interior:
Início da mesma – Tempo previsto para o seu fluxo – data O impermeável, que deverá ser colorido, estimulando
– assinatura de quem preparou. A importância do rótulo é a visão da criança. Além de permitir delinear a área de
tão grande, que você deve prepará-lo sentado e atenta- ação, evitará que, a roupa de cama seja atingida caso haja
mente. extravasamento de sangue ou solução.
Uma vez o rótulo pronto, dimensionando além da me- Bolinhas de algodão. Por experiência, observamos que
dicação a ser utilizada, o material para o seu preparo, pas- a capa do invólucro das seringas de 5 e de 10 ml, formam
samos à outra etapa. uma perfeita bandeja para o acondicionamento de 4 a 5
2º PASSO – Conversar com a criança bolinhas de algodão, permitindo que as mesmas sejam em-
Esta conversa inicial tem como objetivo apresentar-se bebidas, ainda durante o preparo do material, com a solu-
, pelo nome à criança, afinal, mais do que ninguém ela ção que será utilizada para a anti-sepsia cutânea, e assim
sabe quem é a(o) sua (seu) verdadeira(a) tia (o). Porém, se permaneçam até na hora da punção.
ela identificá-lo desta forma, mesmo, assim, apresente-se. Escalpe acoplado à seringa com solução glicosada –
Lembre-se que ninguém confia em quem não conhece, Conforme citado anteriormente, este equipamento acon-
pelo menos, o nome. Ao apresentar-se, certifique-se da dicionado na bandeja, já deverá ter sido previamente tes-
faixa etária da criança, e da sua rede venosa periférica, tado, e analisado quanto à compatibilidade de seu calibre
compatibilizando-a à solução a ser infundida com a finali- com a infusão a ser realizada. cada tentativa de punção
dade de planejar o calibre do escalpe a ser utilizado. venosa na mesma criança, deverá ser utilizado um novo
3º PASSO – Lavar as mãos – Esta etapa é imprescin- escalpe.
dível à realização de qualquer procedimento técnico em Solução prescrita – previamente rotulada, que deve-
enfermagem rá ser levada ao local da punção, para ser imediatamente
4º PASSO – Preparo do material e da solução – De instalada após a punção, sendo registrado então, no ró-
posse do rótulo preparado, comece a separar o material tulo pré existente, a hora do início do fluxo e o numero de
que será utilizado; frasco de solução glicosada (se for o microgotas a serem infundidas por minuto.
caso), eletrólitos, agulhas para a retirada dos eletrólitos Tiras de esparadrapo – É importante perceber que as
das seringas para serem adicionados à solução, equipo tiras de esparadrapo deverão ser compatíveis com a es-
de soro, escalpe. trutura da região a ser puncionada e levá-las, previamente
5º PASSO – Preparo da bandeja de punção venosa cortadas e acondicionadas na bandeja, evitará que este
pediátrica – Ao preparar uma bandeja de punção venosa trabalho seja feito na hora da punção, sob risco de per-
pediátrica, lembre-se que o material a ser utilizado deverá der-se a veia. Além das tiras, leve também o rolo de espa-
ser revisado ao sair da embalagem, sob pena de trazer pre- radrapo, caso haja necessidade, você não precisará se
juízos na hora da punção. Desta forma, teste o escalpe deslocar.
injetando-lhe solução glicosada. Este teste permitirá ob- Garrote, que deverá ser utilizado, caso não seja possível
servar defeitos de fabricação, tais como imperfuração da proceder-se ao bombeamento com a mão. Este procedimento
agulha, e desajuste na sua inserção ao “butterfly”. Além permite dimensionar melhor a pressão que é exercida sobre o
disto, preenchendo a luz do escalpe, preserva-se não só a local, preservando não só o vaso, como também as válvulas,
criança, pela possibilidade de perder-se a veia pela coagu- que são estruturas anatômicas importantes.
lação do sangue no seu trajeto, como também a quem Tala para a imobilização do membro, caso a punção
punciona, pois evita a possível contaminação pelo contato seja de uma veia periférica em membro superior.
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Luvas de procedimento – Atente para os aspectos da hora da punção. Em caso de lactentes, quando as veias
biosegurança. epicranianas são muito utilizadas, raspar parte do couro
Recipiente plástico, que deverá ser utilizado para des- cabeludo que contém um “cachinho” representa para a
prezar material, tem a finalidade de evitar contaminação mãe, mais uma agressão que um cuidado. Neste caso, se
com o material descartado, e no caso de objetos houver outra via de acesso, é só substituir.
perfurantes ou cortantes, evitar acidentes. Importante também, é considerar que a imobilização
6º PASSO – Encaminhar-se ao leito da criança. O do membro, no caso da punção venosa ocorrer no braço,
material planejado acondicionado na bandeja tem a finali- impossibilitará a criança que chupa o dedo para se conso-
dade de racionalizar tempo e movimento, desta forma, a lar, possa fazê-lo. Havendo outra via de acesso, opte pelo
realização da técnica propriamente dita, é a próxima etapa braço oposto.
a ser seguida. Após a eleição criteriosa do vaso, que deverá priorizar
a sua ascendência, pois no caso de infiltração, o mesmo
ENFRENTANDO O DESAFIO
vaso poderá ser puncionado mais acima, vista a luva e
Se a situação não for de urgência, há que se conside- garroteie o membro, observe a possibilidade de fazê-lo
rar alguns aspectos no que diz respeito, não só, à eleição bombeando-o manualmente, evitando desta forma, a pres-
do vaso a ser puncionado, como também, o ambiente onde são contínua com o garrote de borracha, que poderá
este procedimento irá se realizar. tensionar o vaso e as válvulas acima da sua capacidade
O ambiente acima referenciado, deve ser claro e tran- de resistência, podendo rompê-los.
qüilo. Caso haja necessidade, desloque a criança para Segundo Guyton (1984, p.125) a distensão ou
realizar o procedimento. Fique na altura dela, se for preci- estiramento dos tecidos causam dor, sensação que pode
so, sente-se e apoie o material com segurança, evitando ser creditada à deformação que é imposta às terminações
acidentes. Ao apoiar o material, nunca no próprio leito da nervosas. Considerando que as veias possuem
criança, que a qualquer reação poderá inutilizá-lo e/ou inervações, comandadas pelo sistema nervoso simpáti-
causar acidentes, posicione o recipiente para a coleta do co, ao longo do seu trajeto, podemos concluir que os
material descartável. “tapinhas” que são aplicados na criança, a título de pro-
É imprescindível que você esteja à vontade e tranqüi- mover o enchimento venoso, causam dor, e por isto de-
lo. Para que isto aconteça, observe a sua postura, ela vem ser abolidos.
deve proporcionar a você conforto e segurança para rea- A anti-sepsia cutânea deve ser de modo a preservar
lizar a punção venosa. Preocupe-se com os aspectos rela- as válvulas venosas. Desta forma, proceda-a no sentido
cionados à ergonomia, afinal, você está apenas começan- da corrente venosa, isto é; centripetamente em relação ao
do a praticar uma profissão que exigirá esta observação coração.
durante toda a sua vida, para que você viva melhor, sem A etapa da introdução da agulha no seio venoso re-
as conhecidas e estudadas “doenças profissionais”. quer todo o cuidado, visualize bem o vaso e tracione os
Após a observação dos itens acima mencionados, seus limites para a introdução da agulha que deverá ser
aborde a criança, e, de acordo com o seu nível de entendi- feita, a título de segurança, lateralmente ao vaso que será
mento, explique-lhe o que vai ocorrer, não a pegue des- puncionado, atingindo a tela subcutânea.
prevenida e, sobretudo, não a engane, muitas vezes a Esta introdução lateral objetiva evitar que a pressão
criança até colabora com o profissional na hora da pun- exercida para o rompimento da pele, que será variável de
ção venosa. acordo com o seu nível de hidratação, transfixie a veia.
É muito importante consultar-se a mãe, não só com A tração dos limites do vaso previne o seu desloca-
relação ao local da punção, como também, com relação à mento na tela subcutânea, ademais se ele possuir as ca-
sua vontade em permanecer, ou não, ao lado da criança na racterísticas próprias da veia bailarina.
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Uma vez atingida a tela subcutânea, o “pico” no teci- rido, atente para o posicionamento da ponta da agulha no
do venoso, poderá ser de forma mais calculada permitin- seio venoso, que poderá estar encostando na parede do
do a introdução da agulha por inteiro na luz do vaso. vaso.
Além disto, a tração dos limites do vaso eleito fornecerá Esta situação pode ser sanada com a colocação de um
maior confiança a quem pratica a sua punção, pois a pres- calço embaixo do escalpe, que é confeccionado em nossa
são exercida para a perfuração do tecido venoso, que di- prática com alguns fios de algodão, e colocado embaixo
ferencia estruturalmente do tecido epitelial do braço, será do escalpe, com uma pequena espátula, obtida com a im-
exercida unicamente com esta finalidade. provisação da capa de proteção da agulha do escalpe.
Detalhadamente projetada, a estrutura delgada do te- A imobilização da criança, se a punção ocorreu no seu
cido venoso é constituída por três camadas; íntima, mé- braço, deverá ser feita através da tala imobilizadora seguin-
dia e adventícia. (Porto;1997, p.416 ) do critérios estipulados no estudo “ A síndrome da criança
Segundo Brunner ( 1996; p.624 ), estas camadas seri- com o membro imobilizado para infusão venosa” (Nascimen-
am assim constituídas; a mais interna (íntima) – tecido to, 1996, p. 122), e que, por ser uma técnica coadjuvante à
endotelial, a mediana (média) – tecido elástico liso, e a punção venosa, não será tratada neste estudo.
mais externa (adventícia) – tecido conjuntivo. Despeça-se da criança, e demonstre afeto por ela. Esta
Diante destas características, conclui-se que puncionar atitude, observada na nossa prática, tem mudado a rea-
uma veia consiste, tecnicamente, em romper com uma agu- ção das crianças com relação à uma agulha de punção.
lha, diversos tecidos (epitelial, subcutâneo, conjuntivo, Antes de retirar-se do local, proceda a uma última su-
elástico liso, e endotelial). Desta forma, a pressão gradativa pervisão do local da punção e do gotejamento da solu-
exercida para a perfuração, por etapas, dos tecidos, pos- ção. Despreze o material seletivamente e de acordo com
sibilitará maiores chances de sucesso no procedimento. as medidas universais de controle da infecção e
Ao puncionar-se um vaso, o sangue reflui no escalpe. biosegurança.
Se a veia for epicraniana, observe a sua coloração. Se
CONCLUSÃO
estiver muito vermelho, indicando maior oxigenação, e se
no local de inserção da agulha houver isquemia, retire A preocupação em escrever este estudo, partiu da
rapidamente a agulha e pressione, há grande possibilida- nossa atividade docente, ao percebermos a insegurança
de de ter havido a punção de uma artéria, que em lactentes, do acadêmico de enfermagem na hora da punção venosa
são muito superficiais nesta região. pediátrica. Ao constatarmos que a prática da punção ve-
Um modo de prevenir esta ocorrência, é verificar-se, nosa pediátrica é apreendida pelo processo do
através da percepção na polpa digital, se o vaso é pulsátil. reprodutivismo, e que os livros técnicos prendem-se à

Após a constatação do sucesso da punção, teste a esfera do planejamento de material, começamos a enten-

higidez do vaso injetando com cuidado a solução glicosada der o procedimento em destaque.

contida no escalpe. Além desta finalidade, esta providên- Vale ressaltar que, ao adotarmos os critérios descri-
cia evita também que o sangue coagule no seu trajeto, tos neste estudo para a realização da técnica em apre-
pois o escalpe pediátrico possui um pequeno calibre, pro- ço, os acadêmicos de enfermagem assumem uma atitu-
jetado que foi, proporcionalmente ao calibre da veia de de reflexiva e começam a perceber a intensidade de um
crianças. procedimento tão simples e complexo ao mesmo tem-

Após o teste, conecte o equipo de soro e proceda à po. Em contrapartida eles passam a entender melhor a

fixação do escalpe no local da punção, atentando para a extensão da prática científica da enfermagem.

colocação das tiras de esparadrapo que foram previamen- Por conta desta observação e de outras reflexões este
te projetadas e cortadas. Verifique, após a fixação, se o estudo surgiu, e com ele, a proposta de que novos estu-
gotejamento da solução sofreu alteração. Caso tenha ocor- dos surjam a partir da prática propriamente dita.
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À medida que um procedimento técnico é realizado, pre se vê modificada em prol da qualidade prestada, nos
as adaptações, associações de conhecimentos e improvi- permitindo a cada dia, também aprender.
sações são feitas, desta forma, grandes mudanças são Cabe ressaltar que a atenção a todos estes aspectos ,
observadas a cada dia, que, se não escritas, permanecem não garante o sucesso na realização da punção venosa
na esfera do desconhecido. em pediatria, tendo em vista o caráter dinâmico e
Interferir nestas mudanças, ajustando-as aos conhe- imprevisível da assistência de enfermagem. Contudo, não
cimentos científicos, é assegurar à criança, e a toda clien- conseguir puncionar uma veia, em especial a bailarina,
tela, uma assistência de enfermagem, cujos riscos fiquem não quer dizer que o passo a passo adotado tecnicamente
tão somente no terreno das possibilidades. foi ineficaz, e nem tão pouco este fato, deve ser gerador
Deste modo, é mister a reflexão da equipe de enferma- de sensação de fracasso em quem o realiza.
gem, acerca do modo pelo qual os procedimentos técni- Ao transpormos para o papel, a nossa prática de ensi-
cos repetitivos estão sendo realizados e ensinados, vi- no clínico, com relação à punção venosa pediátrica, acre-
sando a reformulação dos paradigmas (o modelo que pre- ditamos que expusemos alguns aspectos que são comuns
coniza o tempo como base para a sua realização) que vêm a vários acadêmicos e professores de enfermagem, possi-
sendo adotados para a sua consecução. bilitando a discussão sobre a nossa prática.
Puncionar uma veia com sucesso, requer do profissi- Discutir o “fazer” em enfermagem, atentando para as
onal de enfermagem, muito mais que tão somente pene- dimensões científicas contidas nos procedimentos mecâ-
trar com uma agulha o seio venoso. Se além deste fato nicos e rotineiros, é equacionar cientificamente a nossa
conseguirmos atentar para os aspectos que foram cita- profissão, e o que nos possibilita ensiná-la, é o aprendiza-
dos neste estudo, que privilegiam uma visão ontológica do que com ela adquirimos.
da criança, durante a realização do procedimento em apre- “Mestre não é aquele que ensina é aquele que
ço, acreditamos que não terá sido em vão termos tentado ajuda a aprender” (Khalil Gibran)
transcrever a nossa prática, que apesar de rotineira, sem-

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