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ILMO DIRETOR PRESIDENTE DA SETRANSP – SECRETARIA DE

TRANSPORTES DE SÃO PAULO-SP

Autos de infração de números de séries: M1-196822-04

Rafael Passoni Mendes, brasileiro, portador do RG n.º 46.126.951-X e do CPF


n.º 364.227.158-89, residente e domiciliado (a) na Rua Joaquim Ulisses
Sarmento, 106 - SP, CEP: 13033-080, vem, mui respeitosamente à presença de
Vossa Excelência apresentar

RECURSO ADMINISTRATIVO

à Notificação de Autuação exarada nos Autos de Infração nº M1-196822-04, referente


ao veículo de placa: HHJ-1696, Renavam: 253657318, modelo: Astra hatch
Advantage 2.0, lavrada em 24/11/2017, às 19:20, do qual consta como Condutor
Identificado, na Rua Joaquim Ulisses Sarmento, MUNICÍPIO de Campinas, o que faz
pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos.

Pretende a Diretoria de Trânsito a imposição e cobrança de multa por infração assim


descrita na Notificação de Infração de Trânsito:
Art. 186. Transitar pela contramão de direção em:
II - vias com sinalização de regulamentação de sentido único de
circulação:
Infração - gravíssima;
Penalidade - multa.

I. DOS FATOS

I.I. DA VIOLAÇÃO AO MANUAL BRASILEIRO DE SINALIZAÇÃO DE


TRÂNSITO, VOLUME IV - SINALIZAÇÃO HORIZONTAL

Conforme se nota pelas fotografias que constituem prova junto ao presente


expediente, a via onde se deu a autuação possui apenas uma rua de acesso. A mesma
além de estar em inaceitáveis condições de conservação, possui perigos reais aos
motoristas (incluindo a presença de uma árvore em contraste ao asfalto castigado.
Além disso possui buracos gigantescos, que alagam quando chove, sendo rotineiro
todos os moradores utilizarem a via em sua única forma possível de acesso, obrigado a
realizar manobras de desvios para acessar as vias principais que correm logo ao lado.
Frise-se que depois que alteraram a via, para o sentido de mão, todos os moradores
mantiveram o costume de transpor a via em sentido proibido, tão somente por razões
de EXTREMO RISCO E NECESSIDADE (ACOMPANHAM FOTOGRAFIAS),
dado a ineficiência Estatal em corrigir os problema de Engenharia do local e por
segurança a utilização na mão inversa da via.

É sabido que o Código de Trânsito Brasileiro proíbe a realização de transposição de


sentidos em contramão de Direção, nos termos do art. 186:

Art. 186. Transitar pela contramão de direção em:


II - vias com sinalização de regulamentação de sentido único de
circulação:
Infração - gravíssima;
Penalidade - multa.

Deve ser acrescido, em respeito às razões recursais, que eventual ignorância,


desconhecimento ou dificuldade de interpretação da autoridade de trânsito sobre a
aplicabilidade das regras de trânsito não implicam prova de regularidade da conduta
tida por desviante.
A autoridade de Trânsito que se dispõe a fiscalizar os veículos automotores,
sabidamente perigosos, tem o dever ético, moral e jurídico de conhecer com
profundidade a legislação de trânsito que, sendo norma de ordem pública, a todos
vincula e condiciona, mesmo que seus agentes e fiscais não a conheçam.

Sabidamente, as vias de duplo sentido, divididas com faixa simples contínua amarela
indicam proibição de ultrapassagem, conforme dispõe o art. 186, II do CTB.

O segundo ponto a considerar é que subsiste inadmissível inadequação de sinalização


da via tratada, especificada na autuação conforme a referência: Rua José dos Santos,
até número 100. Esta mesma localização carece de sinalização OBRIGATÓRIA de
demarcação de linha contínua em COR AMARELA, conforme MANUAL
BRASILEIRO DE SINALIZAÇÃO DE TRÂNSITO, VOLUME IV -
SINALIZAÇÃO HORIZONTAL, na parte tocante ao que diz respeito aos critérios de
demarcação obrigatória ao longo da via a seguir demonstrado em citação literal e sem
alterações:

Como se pode observar, no auto de Infração anexo, não consta nenhuma informação
no Campo de Observações. Como se vê, o Agente autuador limitou-se a determinar o
suposto local do cometimento relacionado a conduta desviante, sem descrever o que
verificou dos fatos narrados e ainda, não especificou qual seria a sinalização existente
para o local tratado, em total afronta às obrigatoriedade a serem observadas no
referido Manual.
Além disso, dispõe ainda o referido Manual sobre as demarcações viárias que devem
ser observadas para a validade da Sinalização do local. São elas:
Entretanto, o que se nota no local é a ausência de sinalização TOTAL de demarcação
viária obrigatória, conforme indicam as guias acima suscitadas. Conforme exigências
legais, a rigor, estas demarcações são obrigatórias e indispensáveis para a validade
do ato, no que tange a marcação inserida no trecho do asfalto. O que se nota é que a
demarcação da linha contínua do local, é inexistente e além disso, nota-se ainda a
péssima conservação da via, concomitante a degradação do local ao longo do tempo,
aliado ao irrelevante investimento na recuperação viária, tornando a demarcação do
trecho especificado impreciso, dúbio, confuso ou principalmente inexistente. Tal
situação pode ser claramente percebida conforme fotografias anexas que seguem o
presente expediente. Essa condição deve ser observada nos termos do art. 80, caput e
§ 1º, e art. 90, que assim dispõem:

"Art. 80. Sempre que necessário, será colocada ao longo da via,


sinalização prevista neste Código e em legislação complementar,
destinada a condutores e pedestres, vedada a utilização de
qualquer outra. § 1º A sinalização será colocada em posição e
condições que a tornem perfeitamente visível e legível durante o
dia e a noite, em distância compatível com a segurança do
trânsito, conforme normas e especificações do CONTRAN."

"Art. 90. Não serão aplicadas as sanções previstas neste Código


por inobservância à sinalização quando esta for insuficiente ou
incorreta. § 1º O órgão ou entidade de trânsito com circunscrição
sobre a via é responsável pela implantação da sinalização,
respondendo pela sua falta, insuficiência ou incorreta colocação."

Não obstante, embora a notificação seja fundada em suposta transposição de faixa em


contramão, o requerente foi até lá para captar algumas fotos exatamente no lugar onde
iniciou-se a autuação, para que fosse comprovado que os fatos alegados por ele em
fase administrativa foram válidos, e em que nenhum momento quis confrontar a Lei
ou colocar sua vida e de outras pessoas em risco.

A presente demanda, se encontra na forma mais sucinta possível, pois o autor além de
ser bom motorista, deve antes ser bom cidadão, e por agir a luz da boa-fé apenas
almeja que a verdade seja garantida. Portanto, as fotos em anexo, revelam a real
situação da via pública, comprovando ser ali local sem sinalização e em péssimas
condições de circulação.

Compulsando os autos, o conjunto probatório demonstra que na via em que o


requerente fora autuados não havia marcação precisa e cristalina no trecho assinalado
no asfalto ou placas indicativas da proibição de ultrapassar. Para tanto, basta se atentar
para as fotografias acostadas aos autos.

De acordo com o art. 90 do CTB,

“não serão aplicadas as sanções previstas neste Código por


inobservância à sinalização quando esta for insuficiente ou
incorreta”.
Sendo assim, restaram devidamente comprovados os fatos constitutivos do direito
(inciso I do art. 333 do CPC), motivo pelo qual o auto de infração é nulo por
inobservância aos preceitos contidos no próprio Código de Trânsito Brasileiro.

Em caso semelhante, assim se manifestou a E. Corte do Estado de Minas Gerais:


Ap. Cível/Reex. Necessário 1.0024.08.941504-6/0059415046-
18.2017.8.13.24
Des.(a) Eduardo Andrade
Órgão Julgador/Câmara: Câmaras Cíveis Isoladas /1ª CÂMARA
CÍVEL
Comarca de Origem: Belo Horizonte
Data de Julgamento: 01/09/2009
Data da publicação da súmula: 14/09/2017
Ementa
AÇÃO ANULATÓRIA - AUTO DE INFRAÇÃO DE TRÂNSITO
- ULTRAPASSAGEM EM CONTRAMÃO - RODOVIA SEM
MARCAÇÃO VIÁRIA - PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. -Se é
certo que os atos administrativos possuem presunção juris tantum
de veracidade, legalidade e legitimidade, também é certo que essa
presunção é relativa, podendo ser infirmada pelo administrado.
Assim, se o requerente provou que no local da autuação inexistia
condição necessária para a infração determinada pela
ultrapassagem em contramão (artigo 203, V, do CTB), qual seja, a
marcação viária longitudinal de divisão de fluxos opostos, caso é
de nulidade do auto de infração de trânsito.

II.II DA APLICAÇÃO DE AUTUAÇÃO ILEGAL E ARBITRÁRIA E DO


CANCELAMENTO DE OFÍCIO

O agente de trânsito deverá sempre ter respaldo legal em suas atitudes e buscar o
interesse público, sob pena de desvio de finalidade.

O problema é que vários agentes públicos, com fundamento na discricionariedade,


praticam atos ilegais e arbitrários. E, para evitar este tipo de situação, existe o controle
judicial sobre atos administrativos que, embora discricionários, estejam eivados de
ilegalidade.

Ressalta-se, ainda, o ensinamento do i. doutrinador JOSÉ DOS SANTOS


CARVALHO FILHO :

“O que se veda ao Judiciário é a aferição dos critérios


administrativos (conveniência e oportunidade) firmados em
conformidade com os parâmetros legais, e isso porque o Juiz não é
administrador, não exerce basicamente a função administrativa,
mas sim a jurisdicional. Haveria, sem dúvida, invasão de funções, o
que estaria vulnerando o princípio da independência dos Poderes
(art. 2º da CF).”

Pelas razões expostas mister se faz o cancelamento da autuação tratada.

II.III- DA FORÇA MAIOR


Cabe mencionar que o Autor necessitou transitar pelo local especificado e
consequentemente utilizar a área tratada na via por conta da péssima sinalização e
condição do local, inclusive realizando desvios de árvores que nascem livremente ao
asfalto perigosamente, chegando ao ponto em que se este não mudasse de faixa para
acessar outro destino, haveria fatalmente colidido com o outro veículo, ou colidido
com uma das árvores, ou até mesmo caído em uma das imensas crateras do terrível
local.

Infelizmente foi este o momento em que o Agente de trânsito teria flagrado o autor
transitando em faixa ou sentido indevido e infelizmente não observando este fato,
ignorando por absoluto o nexo causal da autuação ao motivo da força maior.

Aduz o artigo 184, III, do CTB:

Art. 184. Transitar com o veículo:


I - na faixa ou pista da direita, regulamentada como de circulação
exclusiva para determinado tipo de veículo, exceto para acesso a
imóveis lindeiros ou conversões à direita:
Infração - leve;
Penalidade - multa;
II - na faixa ou pista da esquerda regulamentada como de circulação
exclusiva para determinado tipo de veículo:
Infração - grave;
Penalidade - multa.
III - na faixa ou via de trânsito exclusivo, regulamentada com
circulação destinada aos veículos de transporte público coletivo de
passageiros, salvo casos de força maior e com autorização do poder
público competente: (Incluído pela Lei nº 13.154, de 2015)
Infração - gravíssima; (Incluído pela Lei nº 13.154, de 2015)
Penalidade - multa e apreensão do veículo; (Incluído pela Lei nº
13.154, de 2015)
Medida Administrativa - remoção do veículo. (Incluído pela Lei nº
13.154, de 2015)

No ordenamento civil brasileiro, caso fortuito e força maior funcionam como


excludentes do dever de indenizar, verificados em determinadas circunstâncias.

O parágrafo único do artigo 393 do Código Civil dispõe que: o caso fortuito ou de
força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou
impedir. O caput do referido artigo dispõe que inexecução das obrigações, quando se
der em virtude da ocorrência de caso fortuito ou força maior, desobriga o autor de
responder pelos prejuízos resultantes, caso não tenha ele expressamente se
responsabilizado por eles.

Trazendo o referido dispositivo no caso em concreto e fazendo comparação com o


ordenamento de trânsito, temos que o condutor não deverá ser penalizado
(responsabilizado) por algo em que devido às circunstâncias, outra atitude não poderia
ter tomado. No caso do próprio texto legal relacionado à conduta tipificante há
previsão LITERAL DE DESCONSIDERAÇÃO DA CONDUTA EM ATENÇÃO
AOS CASOS DE FORÇA MAIOR. No caso em tela, é imperioso lembrar que foi
exatamente esta a situação de fato com a qual restou deparado o requerente, ensejando
por si só a necessária exigência para a desconfiguração da tipificação e consequente
cancelamento da autuação.

Ora, sempre que há motivo de força maior, haverá a inexigibilidade de conduta


diversa. Eis que a segurança dos cidadãos, fator que legitima a restrição do uso da via
pública, reputa-se inatacada quando a situação de fato, no momento da fiscalização,
não permite outra conduta.

O que mais poderia o motorista fazer? Estancar o veículo à entrada da área da rodovia,
interrompendo o fluxo atrás de si? Permitir a colisão de veículos? Arremeçar o próprio
veículo ao que se observa das péssimas condições viárias? Obviamente que não. A
irresponsabilidade tem seu preço. E imagine a os nobres julgadores, tal como
motoristas que provavelmente são, sofrendo as consequências da ineficiência da
prestação estatal. Nesse caso, nada mais prudente do que a decisão tomada,
considerando a força maior e a faculdade do órgão dentro da mais esperável
razoabilidade desconsiderar a tipificação conforme obriga o próprio CTB.

Exatamente por isso, como já bastante repisado, é de se integrar a norma com a


interpretação e o bom-senso que o próprio Código de Trânsito exige do Estado em sua
atividade fiscalizatória.

Ninguém pode ser punido, seja a que título for, sofrendo conseqüências danosas nos
assentos de seu prontuário, enodoando-se o seu histórico perante as autoridades do
Trânsito, com base em uma imputação cujo fundamento excetua-se nos termos do
próprio Código de Trânsito.

III. DOS PEDIDOS


Ante o exposto, requer:
1) o DEFERIMENTO do presente recurso, tornando o auto de infração M1-196822-
04 irregular, levando ao cancelamento da multa e o seu arquivamento, sendo o seu
registro julgado insubsistente, conforme art. 281, parágrafo único, inciso II do CTB.

2) a extinção da pontuação que a infração gerou no Prontuário Geral Único do


Recorrente/condutor bem como ao recebimento da presente demanda SUSPENDA DE
IMEDIATO A PONTUAÇÃO ATINENTE AO PRONTUÁRIO DO CONDUTOR,
uma vez que esta garantia esta devidamente versada junto ao próprio CTB;

3) o benefício do efeito suspensivo no caso do recurso não ter sido julgado em até 30
dias da data de seu protocolo na conformidade do artigo 285 § 3º do CTB;

4) caso o recurso não seja julgado dentro do prazo de sessenta dias, o cancelamento da
penalidade aplicada, não gerando nenhum efeito e seus registros devidamente
arquivados, de acordo com o § 4º do art. 285 do CTB;

5) Por fim, que a decisão seja fundamentada para fins de prequestionamento


constitucional, a fim de que, também, possa garantir o amplo direito de defesa
assegurado pela Constituição Federal.

Certo de suas razões exaustivamente apresentadas,


Pede e espera deferimento.

Respeitosamente,

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Rafael Passoni Mendes