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O ENEAGRAMA E OS SEUS TIPOS - 2ª Parte

Dando continuidade ao estudo dos TIPOS personológicos clássicos no ENEAGRAMA, discutiremos as características
dos TIPOS 4, 5 e 6 para que possamos conhecer e reconhecer as suas nuances, aspectos extremamente úteis na
análise das pessoas, e de nós mesmos.

TIPO 4: “O ESPECIAL” - “A POBRE VÍTIMA”

EU E OS OUTROS: “COMO SOU VISTO PELOS OUTROS?”

Traço emocional, TIPO 4 tem sua interpretação do mundo baseada na sensação de ser alguém muito especial e,
querendo ser visto como tal, sente-se deslocado, inadequado numa sociedade que não é capaz de reconhecer sua
“grande sensibilidade” e compreender-lo.

Julga ele, portanto, que o mundo lhe deve alguma coisa. Considera-se merecedor de reconhecimento, mas seu
comportamento hostil para com o mundo e com aqueles que não são capazes de reconhecer a “sensibilidade” que
o torna “diferente do comum dos mortais” é motivado pela vergonha de não saber quem ele é de verdade.

TIPO 4 vê a si mesmo como individualista. Considera apenas a si mesmo estando sempre insatisfeito, melancólico,
querendo algo que não tem, dimensionando seus problemas de modo exagerado e apaixonado o que pode levá-lo
a ser visto pelos outros como o “romântico trágico”.

Na verdade TIPO 4 é sensível, retraído, dramático e temperamental, e trazendo uma memória remota da idéia da
Origem Divina a qual sua natureza essencial está ligada.

Tem a idéia fixa de ser um especial, incompreendido, vivendo atormentado por uma grande carência, criando
emoções falsas, falsas necessidades e um estado de melancolia que está sempre subjacente em seu
comportamento.

Ele acha que os outros são plenos de tudo aquilo que ele pensa que não tem: amor, equilíbrio, maturidade,
capacidade de adequação ao mundo, etc. e, assim, os inveja. A inveja é a paixão que o atormenta e domina. Ele é
sempre um insatisfeito, vivendo do passado ou ansiando o futuro que, quando chega já não o satisfaz.

No mundo TIPO 4 procura fazer valer sua vontade agindo de modo temperamental e com isto manipulando os
outros, fazendo-os sentirem-se culpados por sua infelicidade.

O comportamento do deste TIPO é determinado pelo medo que carrega de não ter identidade, de não ter
importância e por isto luta para afirmar-se com atitudes e comportamentos que o façam crer que ele é
autêntico,que ele é quem é.

O maior desafio no trabalho de crescimento do TIPO 4 é encontrar satisfação no que o momento está lhe
oferecendo de real. É buscar a equanimidade, a perfeita distância e equilíbrio entre o ideal e o possível, o que tem
e o que deseja, o passado e o presente. Verdadeiramente sua sensibilidade e capacidade artística em diferentes
áreas são talentos que devem ser aproveitados e desenvolvidos de modo objetivo.

TIPOS 4:

· Vêem-se como pessoas de raro talento e qualidades especiais;

· Sentem-se especiais e socialmente inadequados, mas não gostam de ficar sós;

· Procuram parecer estranhos por seus gostos e aparência e são, de certo modo, narcisistas;

· Vivem presos ao passado, guardam mágoas, sendo hostis e desdenhosos com quem os recrimina;

· Cheios de sentimentos negativos querem ser vistos como vítimas. Masoquistas, alternam seu humor e,
em depressões profundas, podem apresentar tendências suicidas, mas estão sempre buscando alguém
que os salve.

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TIPO 5: “O ESPECIALISTA” - “O PENSADOR”

EU E O MUNDO: “COMO O MUNDO ME AMEAÇA?” “COMO VOU ME DEFENDER?”

Sendo um traço intelectual, TIPO 5 percebe o mundo a partir de uma visão fundamentada em explicações
mentais, lógicas que satisfaçam sua necessidade de compreender seu funcionamento para precaver-se,
resguardar-se diante da vida.

A questão que norteia o modo de ser do TIPO 5 é o medo de depender afetivamente dos outros, de revelar seus
sentimentos, de ter necessidades emocionais e mostrar-se vulnerável. Ele mal disfarça uma ansiedade constante e
um grande desprezo pelas necessidades dos outros.

Para assegurar sua independência, TIPO 5 busca ter domínio sobre alguma área específica de conhecimento,
sentindo-se um “investigador”. Na verdade ele quer com isto diferenciar-se e sentir-se seguro em seu isolamento
o que lhe vale o apelido de “avarento encastelado”.

Em essência, o TIPO 5 está ligado à idéia da Onisciência Divina a qual ele deturpa com a idéia fixa de preservar
seus saberes e não compartilhar a vida com o mundo.

Desapego é a virtude que o TIPO 5 precisa desenvolver para sair de sua paixão que é a avareza e a mania de
achar que pode viver monasticamente, economizando coisas, emoções e relacionamentos. É minimizando suas
necessidades que ele manipula no mundo para fazer valer sua vontade.

TIPO 5 é mesmo reservado, isolado, perceptivo, intenso, cerebral e egoísta. Ele quer ser competente e tem medo
de ser visto como incapaz, inútil, digno da compaixão ou da piedade alheia.

A maior dificuldade a vencer no trabalho de crescimento do TIPO 5 é sair do isolamento e arriscar-se a envolver-
se emocionalmente com a vida. E o grande talento do TIPO 5 é sua capacidade de investigação, seu gosto pela
pesquisa, pela inovação, e isto deve ser incentivado e aproveitado nos grupos.

TIPOS 5:

· São curiosos, indagadores e detalhistas;

· Perdidos num mundo mental podem ter dificuldades com as questões práticas da vida;

· Podem carregar idéias revolucionárias e serem bem atuantes;

· São solitários, independentes e, achando que os outros têm sempre segundas intenções, estão sempre
precavidos;

· Em situações de revanche arquitetam minuciosamente seus planos;

· Distraídos, nervosos, descuidam do corpo e sentem-se frágeis;

· Em casos extremos de divisão entre a imaginação e o mundo real podem ser candidatos a esquizofrenia.

TIPO 6: “O CÉTICO” - “O CORRELIGIONÁRIO”

EU E O MUNDO: “COMO O MUNDO ME AMEAÇA?” “COMO VOU ME PROTEGER?”

Traço nuclear da tríade intelectual, TIPO 6 percebe o mundo por uma ótica mental onde a imaginação potencializa
seus medos e determina uma atitude de desconfiança de tudo. A sua grande questão é o medo de não conseguir
sobreviver num mundo tão ameaçador sem o apoio dos outros, mas, paradoxalmente, não cofia em ninguém.
Diante de uma questão analisa todas as possibilidades, toma posições para em seguida encontrar razões de
duvidar e voltar a sua indecisão.

TIPO 6 na verdade é dedicado, responsável, encantador, descontraído, busca segurança e dá apoio incondicional
nos grupos onde participa porque, para sentir-se seguro, ele precisa estar sempre engajado, comprometido em
partidos, grupos, agremiações de toda ordem.

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Para compensar seus medos, os indivíduos TIPO 6 podem ser muito arrogantes e imperiosos, mas, no fundo,
acham-se medíocres e despreparados para os perigos da vida. Por sua capacidade de argumentação podem ser
cognominados de “advogado do diabo”, e sua visão alarmista da vida os deixa sempre ansiosos.

A natureza essencial do TIPO 6 está ligada à idéia da Fé Divina, à capacidade de entrega e à certeza de que a vida
provê, mas sua mente distorce esta confiança numa dúvida constante. Duvidar é sua fixação, a marca de seu
comportamento sublinhado pelo medo.

Os indivíduos TIPO 6 podem ser de duas categorias; os fóbicos e os contra-fóbicos, aqueles que para não
enxergarem seus medos, mostram-se temerários, antecipam-se aos acontecimentos, buscam desafios e cultivam a
forma física que os aparente como fortes.

Para fazer valer sua vontade no mundo este ego medroso necessita estar sempre buscando a confirmação de que
os outros têm compromisso com ele e vão cumpri-lo para protegê-lo. Ele quer apoio e segurança.

A grande dificuldade do TIPO 6 é fazer opções, decidir. Logo,desenvolver a virtude da coragem, agir com o
coração, ter confiança e fé é a chave de seu crescimento.

Os TIPO 6 são muito criativos, têm grande imaginação e capacidade de comprometimento, e isto deve ser muito
aproveitado quando em trabalhos de equipes.

TIPOS 6:

· Duvidam de si
· Têm imaginação negativa sem controle
· Vivem o dilema de precisar estar sob um esquema de autoridade e ao mesmo tempo em luta para não
submeter-se a ela.
· Submissos e inseguros

Em extremo podem desenvolver depressões, síndrome de pânico, psicoses, paranóias sérias. Os fóbicos têm
medo paralisante e são tímidos e hesitantes, enquanto que os “contra-fóbicos” agem como se não tivessem medo,
gostam de situações de perigo, querem aparentar onipotência, e têm manias megalômanas e gostam de se passar
por heróis.

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