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UNIDADE B Vírus, bactérias, algas, protozoários e fungos Capítulo Vírus e bactérias 2 Vírus e bactérias
UNIDADE B Vírus, bactérias, algas,
protozoários e fungos
Capítulo
Vírus e bactérias
2
Vírus e bactérias são seres
microscópicos, muitos deles
causadores de doenças. Os
primeiros são seres acelulares,
isto é, não apresentam estrutura
celular; as bactérias, por sua
vez, são seres unicelulares,
cuja célula é procariótica,
estruturalmente mais simples
que as células eucarióticas de
todos os outros seres vivos.
Micrografia de partículas do vírus
da “gripe suína” (linhagem H1N1) ao
microscópio eletrônico de transmissão
(colorizada artificialmente; aumento
q 420.000 × ). Essa linhagem contém
uma mistura de material genético de
vírus de gripe de porcos, aves e seres
humanos, sendo capaz de se transmitir
diretamente entre as pessoas.
Neste capítulo estudaremos os
vírus, com ênfase nos causadores
de gripe e da aids, e as bactérias,
tanto as que causam doenças
como algumas outras espécies
aliadas da humanidade.
2.1 Vírus
Os vírus diferem dos outros seres
vivos porque são acelulares. Vírus são
parasitas intracelulares obrigatórios,
dependendo de células vivas para se
reproduzir. O estudo dos vírus tem
importância econômica e médica,
uma vez que eles causam diversas
doenças em plantas e animais,
inclusive na espécie humana.
2.2 Bactérias
Bactérias são seres unicelulares
procarióticos: a célula bacteriana
não apresenta núcleo nem organelas
membranosas citoplasmáticas. Embora
umas poucas espécies causem doenças
em animais, a maioria das bactérias
desempenha papel fundamental no
equilíbrio ecológico do planeta.
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CDC/SPL/LATINSTOCK
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Adek Berry/AFP/Getty ImAGes

Unidade B • Vírus, bactérias, algas, protozoários e fungos

Seção 2.1 ❱ ❱❱❱Habilidades
Seção 2.1
❱ ❱❱❱Habilidades

sugeridas

CCCCCCCConhecer a estrutura geral dos vírus, reconhecendo sua relativa simplicidade estrutural e bioquímica quando comparados a qualquer outro grupo de organismos. Relacionar essa relativa simplicidade dos vírus ao fato de eles serem parasitas intracelulares obrigatórios.

CCCCCCCEstar informado sobre as principais formas de transmissão dos vírus, o que permite atuar com mais consciência e cidadania no combate

e na prevenção de doenças virais.

CCCCCCCConhecer, em linhas gerais, em que consiste uma infecção viral e explicar como a célula afetada tem seu metabolismo controlado pelo vírus; reconhecer que a infecção é a maneira de o vírus se multiplicar.

❱ ❱❱❱Conceitos principais

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vírus infecção viral virose capsídio envelope viral vírion bacteriófago HIV vírus de gripe zoonose viral epidemia endemia

pandemia

Vírus

1
1

A estrutura dos vírus

Vírus são as menores entidades biológicas conhecidas. A absoluta maioria deles não pode ser visualizada ao microscópio óptico. A maioria dos vírus mede entre 15 e 300 nanometros (nm). Um dos maiores vírus conhecidos, que causa a varíola humana, tem cerca 300 nm (0,3 mm), e um dos menores, causador da febre aftosa bovina, mede apenas 15 nm (0,015 mm); recente- mente foram descobertos vírus com mais de 600 nm, os mimivírus.

Diferentemente de outros seres vivos, os vírus são acelulares, ou seja, não são constituídos por células; no entanto, precisam delas para se repro- duzir. Eles são parasitas intracelulares obrigatórios, atacando células de diferentes seres vivos, sejam bactérias, protozoários, algas, fungos, plan- tas e animais, incluindo a espécie humana. Quando estão fora de células hospedeiras, os vírus não se multiplicam nem apresentam qualquer tipo de atividade metabólica. Por essa razão, alguns cientistas sugerem não incluí-los entre os seres vivos. A maioria, porém, considera os vírus uma forma de vida cujas principais estratégias adaptativas são a simplicidade estrutural e o parasitismo de células vivas. Seja como for, ninguém discorda que os vírus são sistemas biológicos, uma vez que eles têm ácidos nucleicos semelhantes aos dos demais seres vivos e utilizam o mesmo sistema de codificação genética que todas as formas de vida conhecidas.

A infecção viral, como é chamada a invasão de uma célula por vírus, causa profundas alterações no metabolismo celular. Em alguns casos, as

células hospedeiras passam a se dividir sem controle, originando tumores.

Entretanto, o destino da maioria das células infectadas por vírus é a mor- te, que ocorre quando os novos vírus formados saem da célula infectada, provocando sua destruição.

Existem várias doenças causadas por vírus, genericamente denomina- das viroses. Entre as viroses humanas podemos citar a aids, as gripes, a varíola, o sarampo, a catapora e a poliomielite, entre outras. (Fig. 2.1)

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Figura 2.1 A gripe aviária — popularmente conhecida como “gripe do frango” — é uma virose animal que causa prejuízos consideráveis aos países asiáticos e europeus. Muitos países foram obrigados a sacrificar e incinerar parte de suas criações de aves na tentativa de erradicar esse vírus. (Jacarta, Indonésia, 2007.)

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ADILSON SeCCO

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Capítulo 2 • Vírus e bactérias

Um vírus é fundamentalmente constituído por uma ou mais moléculas de ácido nucleico (DNA ou RNA), envoltas por moléculas de proteína que constituem o capsídio. Juntos, capsídio e ácido nucleico compõem o nucleocapsídio.

Em certos vírus, o nucleocapsídio é envolto externamente por uma membrana lipoproteica, o envelope viral, formada, em geral, quando a partícula viral é expelida pela célula hospedeira. Além de proteínas e lipídios de origem celular, o envoltório do nucleocapsídio contém proteínas virais es-

pecíficas, que foram adicionadas à membrana celular enquanto o vírus se multiplicava no interior da

célula hospedeira. A presença ou não de envoltório lipoproteico permite classificar os vírus em duas

categorias: vírus envelopados e vírus não envelopados. Exemplos de vírus envelopados são os vírus do

herpes, da varíola, da rubéola e da gripe. Exemplos de vírus não envelopados são o adenovírus, que causa

infecções respiratórias e conjuntivites, e o vírus da poliomielite, que causa a paralisia infantil. A partícula viral morfologicamente completa é denominada vírion; cada tipo de vírus apresenta

vírions de formato característico. (Fig. 2.2)

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Capsídio Envelope Cabeça membranoso DNA Capsídio DNA Cauda RNA Capsídios Fibras
Capsídio
Envelope
Cabeça
membranoso
DNA
Capsídio
DNA
Cauda
RNA
Capsídios
Fibras

RNA

Capsídio

CeNTre FOr BIOmAGING, rOThAmSTeD reSeArCh/SCIeNCe PhOTO LIBrAry/ LATINSTOCK
CeNTre FOr BIOmAGING, rOThAmSTeD
reSeArCh/SCIeNCe PhOTO LIBrAry/
LATINSTOCK
hAzeL APPLeTON, CeNTre FOr INFeC- TIONS/heALTh PrOTeCTION AGeNCy/ SCIeNCe PhOTO LIBrAry/LATINSTOCK
hAzeL APPLeTON, CeNTre FOr INFeC-
TIONS/heALTh PrOTeCTION AGeNCy/
SCIeNCe PhOTO LIBrAry/LATINSTOCK
NIBSC/SCIeNCe PhOTO LIBrAry/ LATINSTOCK
NIBSC/SCIeNCe PhOTO LIBrAry/
LATINSTOCK
DePT. OF mICrOBIOLOGy, BIOzeNTrUm/ SCIeNCe PhOTO LIBrAry/LATINSTOCK
DePT. OF mICrOBIOLOGy, BIOzeNTrUm/
SCIeNCe PhOTO LIBrAry/LATINSTOCK

Vírus do mosaico do tabaco (aumento 62.0003)

Adenovírus (aumento 33.0003)

Vírus de gripe (aumento 91.4003)

Bacteriófago T 4 (aumento 91.7003)

Figura 2.2 Representação esquemática de alguns vírus, com parte do capsídio removida para mostrar o ácido nucleico em seu interior. (Imagens sem escala, cores-fantasia.) Na parte inferior, micrografias desses mesmos vírus ao microscópio eletrônico de transmissão (colorizadas artificialmente).

Especificidade dos vírus

Tanto o capsídio (no caso de vírus não envelopados) como o envelope lipoproteico (no caso de vírus envelopados) contêm proteínas, denominadas ligantes, capazes de se encaixar em determinadas proteínas presentes na membrana da célula hospedeira, denominadas receptores virais.

Para invadir uma célula, um vírus tem de se encaixar perfeitamente nos receptores presentes na membrana celular, como uma chave se encaixa em uma fechadura. É justamente a necessidade

dessa associação exata às proteínas celulares que torna os vírus tão específicos: eles só conseguem

infectar células que possuam receptores compatíveis com os ligantes de seu envoltório. Por exemplo, o ligante do vírus da gripe é a hemaglutinina, substância que se liga especificamente a receptores

presentes principalmente em células do epitélio das vias respiratórias e dos pulmões. Consequen- temente, esse vírus penetra e se multiplica mais facilmente nesses tipos de célula. O vírus da raiva, por sua vez, liga-se a receptores presentes em células nervosas de diversos mamíferos, como cães,

morcegos e seres humanos. Como as membranas plasmáticas das células nervosas dessas espécies têm o mesmo tipo de receptor, o vírus da raiva pode infectá-las e ser transmitido entre elas.

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Depois de se ligar aos receptores da membrana, o vírus infecta a célula; isso se dá por meio de processos que variam conforme os diferentes tipos de vírus. Alguns deles, como os bacteriófagos, injetam apenas o ácido nucleico na bactéria, ficando o capsídio proteico do lado de fora.

Certos vírus envelopados, entre eles o HIV, penetram na célula por meio da fusão de seu envelope membranoso com a membrana celular. Nesse caso, a membrana do vírus incorpora-se à membrana plasmática da célula hospedeira, da qual passa a fazer parte, e apenas o nucleocapsídio penetra no cito- plasma, onde as proteínas virais são degradadas por enzimas celulares e o ácido nucleico é liberado.

Outros vírus penetram na célula por endocitose, processo em que são englobados ativamente pela membrana celular, após esta ter sido estimulada pelos ligantes virais. Uma vez no citoplasma, os vírus libertam-se da bolsa membranosa e se desintegram no citoplasma, liberando o ácido nucleico. (Fig. 2.3)

INJEÇÃO DE ÁCIDO NUCLEICO FUSÃO DO ENDOCITOSE ENVELOPE VIRAL A B C Bactéria Célula Célula hospedeira
INJEÇÃO DE ÁCIDO
NUCLEICO
FUSÃO DO
ENDOCITOSE
ENVELOPE VIRAL
A
B
C
Bactéria
Célula
Célula
hospedeira
hospedeira
hospedeira
Receptores
celulares do vírus
Ligantes
MEIO
Ligantes
Envelope
EXTERNO
Receptores
celulares do vírus
Envelope
Receptores
celulares do vírus
CITOPLASMA
Capsídio
Capsídio
Capsídio
Ácido
nucleico
Ácido nucleico
viral
Ácido nucleico
viral
viral
Unidade B • Vírus, bactérias, algas, protozoários e fungos
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Depois de se ligar aos receptores da membrana, o vírus infecta a célula; isso se dá

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Figura 2.3 Os vírus podem penetrar na célula hospedeira basicamente de três maneiras: A. injetando apenas o ácido nucleico, como os bacteriófagos; B. por fusão do envelope viral à membrana plasmática, como o HIV; C. por endocitose, como o vírus da gripe. (Imagens sem escala, cores-fantasia.)

Depois de se ligar aos receptores da membrana, o vírus infecta a célula; isso se dá

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Capítulo 2 • Vírus e bactérias

 
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2

Como os vírus se multiplicam?

Se a célula hospedeira fosse comparada a um computador com todos os acessórios ( har - dware ), o vírus corresponderia a um CD com o programa ( software ) para produzir novos vírus. Esse “programa” está inscrito no ácido nucleico que constitui o genoma viral.

Enquanto estão fora do computador, as instruções do programa contido em um CD não atuam. Da mesma maneira, enquanto um vírus não encontrar uma célula em que possa pe - netrar, ele não manifesta nenhuma atividade. Entretanto, ao encontrar a célula hospedeira

apropriada, o vírus introduz nela seu programa genético, que entra em ação e passa a utilizar

a “maquinaria” bioquímica celular para a produção de novos víru s.

A maneira pela qual os vírus multiplicam-se no interior da célula hospedeira varia entre

os diferentes tipos virais. Confira as diferenças acompanhando, a seguir, os ciclos virais do

bacteriófago T4, de um vírus de gripe e do HIV.

Ciclo de um vírus bacteriófago

Bacteriófagos (do grego phagein, comer), também chamados simplificadamente de fagos, são vírus que atacam bactérias. O fago T4, por exemplo, cujo ciclo estudaremos a seguir, é um vírus de DNA cujo capsídio proteico é constituído por uma “cabeça” facetada e por uma “cauda” cilíndrica. No interior da cabeça encontra-se, compactada, uma longa molécula de DNA de cadeia dupla.

Ao encontrar uma bactéria que lhe sirva de hospedeiro, o fago adere à parede bacteriana por meio de ligantes presentes na cauda. Em seguida, perfura a parede da bactéria e injeta nela o DNA; a cabeça e a cauda do fago não penetram na célula. ( Fig. 2.4 )

MEIO EXTERNO Fago T4 CITOPLASMA BACTERIANO BIOzeNTrUm, UNIverSITy OF BASeL/SCIeNCe PhOTO LIBrAry/LATINSTOCK
MEIO EXTERNO
Fago T4
CITOPLASMA BACTERIANO
BIOzeNTrUm, UNIverSITy OF BASeL/SCIeNCe PhOTO LIBrAry/LATINSTOCK

Figura 2.4 Micrografia de bacteriófago T4 aderido

à parede bacteriana de

Escherichia coli

ao microscópio eletrônico

de transmissão (colorizada artificialmente; aumento 100.0003).

No interior da célula bacteriana, o DNA do fago inicia sua multiplicação, produzindo dezenas de cópias idênticas ao DNA original. Ao mesmo tempo, o DNA viral comanda a síntese de molé- culas de RNAm, utilizando para isso os sistemas enzimáticos e a energia da própria bactéria.

O metabolismo bacteriano passa, então, a ser totalmente comandado pelo genoma do fago. Moléculas de RNAm viral são traduzidas em proteínas, algumas das quais inibem o funcionamento do cromossomo bacteriano e o picotam em pequenos fragmentos. Outras proteínas passam a constituir dezenas de cabeças e caudas, que se associam a moléculas de DNA viral, originando fagos completos. Uma enzima codificada no genoma viral, chamada de lisozima, é produzida pela bactéria na fase final da infecção, degradando os componentes da parede bacteriana.

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Cerca de 30 minutos após a penetração do DNA de um único fago invasor, a bactéria se rompe e libera dezenas de novos fagos, que podem infectar imediatamente outras bactérias ao redor e reiniciar o ciclo. (Fig. 2.5)

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Capsídio Cabeça e h l a t e h l e a t e D D
Capsídio
Cabeça
e
h
l
a
t
e
h
l
e
a
t
e
D
D
Citoplasma da célula hospedeira
DNA sendo
expelido
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1
1

Adesão

O vírion adere à

 

célula hospedeira

Parede

bacteriana

Cromossomo

 

bacteriano

2
2

Penetração

O vírion perfura a

célula hospedeira e injeta seu DNA

3
3

Biossíntese

O DNA viral determina

a síntese dos componentes virais

4
4

Maturação

Novos vírions são

montados na célula hospedeira

5
5

Liberação

A célula hospedeira rompe-se e os novos vírions são liberados

Bainha

Fibra da

cauda

Placa basal

Fixador

Parede

bacteriana

Membrana

plasmática

Bainha contraída

Eixo da cauda

Cauda

DNA Cauda Capsídio Fibras da cauda
DNA
Cauda
Capsídio
Fibras
da cauda

Figura 2.5 Ciclo reprodutivo do bacteriófago T4. Observe, nos estágios 1 e 2, mais à direita, os detalhes ampliados do fago aderido à bactéria. No círculo, na parte inferior direita da figura, esquema das etapas de montagem de um vírion

completo. (Imagens sem escala, cores-fantasia.) (Baseado em Tortora, G. J. e cols., 1995.)

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Ciclo do HIV

O vírion do HIV tem, no envelope lipoproteico, glicoproteínas capazes de se ligar a receptores de determinadas células humanas, principalmente certas células do sistema imunitário. O HIV é um re- trovírus, seu nucleocapsídio contém duas moléculas idênticas de RNA de cadeia simples, associadas a moléculas de duas enzimas: a transcriptase reversa, capaz de “retrotranscrever” DNA a partir de RNA, e a integrase, responsável pela integração do DNA viral ao cromossomo da célula hospedeira.

Depois de se ligar aos receptores da célula hospedeira, o envelope do HIV funde-se à membrana celular; o nucleocapsídio penetra no citoplasma e se desfaz, liberando o RNA, a transcriptase reversa

e a integrase virais no citosol. A transcriptase reversa entra imediatamente em ação e transcreve uma cadeia de DNA a partir do RNA viral (transcrição reversa). À medida que transcreve o DNA, a transcriptase reversa degrada o RNA molde e, em seguida, produz uma cadeia de DNA complementar à recém-sintetizada, originando, dessa forma, um DNA de cadeia dupla. Este penetra no núcleo da

célula hospedeira e, por ação da integrase viral, incorpora-se a um dos cromossomos.

Uma vez integrado a um cromossomo da célula, o DNA viral começa a produzir moléculas de RNA. Algumas delas irão constituir o material genético dos novos vírus; outras serão traduzidas pelos ribossomos da célula, produzindo longas cadeias polipeptídicas. Essas cadeias são posteriormente

cortadas em lugares exatos por enzimas virais, originando todas as proteínas constituintes do vírus:

transcriptase reversa, integrase, proteínas do capsídio e glicoproteínas. Estas últimas, que fazem parte do envelope viral,
transcriptase reversa, integrase, proteínas do capsídio e glicoproteínas. Estas últimas, que fazem
parte do envelope viral, migram para a membrana da célula hospedeira, onde se agregam. Por sua
vez, RNA, enzimas e proteínas unem-se e formam novos nucleocapsídios.
Os novos nucleocapsídios formados aderem a regiões da membrana plasmática onde há glicoproteí-
nas virais, originando os envelopes lipoproteicos. Vírions completos do HIV são expelidos da célula
hospedeira e podem infectar células sadias. A célula infectada continua a ter o material genético
do vírus integrado ao seu e segue produzindo partículas virais. Em certas células, o vírus integrado
ao cromossomo mantém-se em estado de provírus, sem produzir RNA. Isso impede que o sistema
imunitário e drogas antivirais eliminem completamente os vírus do corpo humano. (Fig. 2.6)
Glicoproteína
Figura 2.6 Etapas da reprodução do HIV em uma célula
humana. Analise a figura seguindo as explicações no texto.
(Imagens sem escala, cores-fantasia.)
Envelope
Integrase
Capsídio
Liberação de
12 12
Genoma
novos vírions
viral
Transcriptase
VÍRION
reversa
Integração
de proteínas
2
Fusão do envelope viral
à membrana celular
virais na
membrana
Formação do
celular
envelope ao
11
3
Desintegração
do capsídio e
liberação do RNA
e enzimas virais
redor do capsídio
9
Quebra da
cadeia
polipeptídica
viral pela
Montagem dos
4b
Integrase
10
protease,
capsídios
penetrando
originando as
Síntese de
DNA viral por
transcrição reversa
no núcleo
proteínas virais
4a
Adesão do vírus
1
à proteína CD4
6
DNA viral
Receptor
integrando-se ao
5
Entrada do
celular
cromossomo
DNA viral
(proteína CD4)
no núcleo
Integrase
7
8
Síntese de polipeptídios
virais a partir do RNA viral
Cromossomo da
Transcrição de
RNA viral a partir
do DNA integrado
ao cromossomo
CITOPLASMA NÚCLEO
célula hospedeira
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Capítulo 2 • Vírus e bactérias

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Ciclo do vírus de gripe

Os vírus de gripe ligam-se a receptores presentes na membrana das células das vias res- piratórias e são englobados por endocitose. Nesse processo, o envelope lipoproteico do vírus funde-se à membrana do endossomo e o nucleocapsídio entra em contato direto com o citosol,

liberando as moléculas de RNA viral. Estas migram para o interior do núcleo da célula hospedeira,

onde passam a atuar.

Uma vez no núcleo da célula hospedeira, as cadeias de RNA viral servem de molde para pro- duzir moléculas complementares, que saem para o citoplasma e atuam como RNAm na síntese de proteínas virais. Algumas das moléculas de RNA complementares permanecem no núcleo e serão utilizadas como molde para a produção de moléculas de RNA que constituirão o material

genético dos novos vírus.

Cada conjunto de oito moléculas de RNA é envolvido por proteínas do capsídio, produzidas nos ribossomos da célula infectada a partir de RNAm viral; juntos, RNA e capsídio constituem o nucleocapsídio. Outras proteínas virais, entre elas a hemaglutinina e a neuraminidase, deslocam- -se para a membrana da célula infectada, preparando-a para envelopar os novos vírus formados. Um nucleocapsídio que encosta na membrana da célula é envolvido por ela, formando-se o en- velope viral de um novo vírus, o qual é ejetado da superfície celular como um pequeno broto. Na infecção gripal não há, necessariamente, morte da célula hospedeira, embora isso possa ocorrer em virtude das perturbações causadas pela infecção. (Fig. 2.7)

VÍRION DO VÍRUS DE GRIPE Partículas virais recém- -liberadas Espículas MEIO EXTRACELULAR Adesão do Receptores celulares
VÍRION DO VÍRUS
DE GRIPE
Partículas
virais recém-
-liberadas
Espículas
MEIO EXTRACELULAR
Adesão do
Receptores
celulares do vírus
vírus aos
receptores da
membrana
plasmática
Formação
do capsídio
ENDOCITOSE
Formação do
envelope viral
Endossomo
Síntese das
Empacotamento
proteínas virais
do RNA
Liberação do
genômico viral
conteúdo da
partícula viral
Saída dos RNAm
do núcleo
Saída do
RNA
genômico
viral do
núcleo
Síntese de
RNA�
Síntese de RNA� (RNA
genômico viral)
NÚCLEO
Entrada do
RNA viral
RNA
RNA mensageiro
no núcleo
genômico viral
viral
CITOPLASMA
(cadeias RNA�)
(cadeias RNA�)
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CÉLULA HUMANA
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Figura 2.7 Etapas da multiplicação de um vírus de gripe em uma célula humana. Analise a figura a partir do lado

esquerdo superior, acompanhando o desenvolvimento do vírus dentro da célula até a formação de novos vírus. Releia as explicações no texto acompanhando as informações na figura. (Imagens sem escala, cores-fantasia.)

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8:47:04 AM
CIÊNCIA Um problema mundial de saúde: gripe E CIDADANIA Pandemias de gripe As variedades de vírus
CIÊNCIA
Um problema mundial de saúde: gripe
E CIDADANIA
Pandemias de gripe
As variedades de vírus de gripe são caracteriza -
4
das pelos tipos de espículas N e H que apresentam;
1
Embora seja uma doença corriqueira, milhares
e milhares de pessoas morrem anualmente em
decorrência da infecção pelo vírus de gripe . Na
grande pandemia (epidemia mundial), ocorrida
em 1918 e 1919 , morreram entre 20 e 40 milhões
de pessoas em todo o mundo, de todas as idades e
classes sociais. Entre as vítimas estava Francisco de
Paula Rodrigues Alves, o presidente da República
do Brasil na época. Outras grandes pandemias fo -
ram a gripe asiática de 1957 , que matou mais de 1
milhão de pessoas, e a gripe de Hong Kong de 1968,
em que morreram cerca de 700 mil pessoas.
Variedade dos vírus de gripe
já são conhecidos dezesseis tipos de hemaglutininas
e nove tipos de neuraminidases, que costumam ser
identificados por um índice alfanumérico (H 0 , H 1 ,
H 2 etc.; N 1 , N 2 etc.). A gripe asiática que assolou o
mundo em 1957 , por exemplo, foi causada por uma
variedade viral H 2 N 2 , que combinava as espículas H
do tipo 2 e espículas N do tipo 2 . O vírus H 5 N 1 , por
exemplo, que combina espículas H do tipo 5 e espícu-
las N do tipo 1 , é responsável por epidemias de gripe
em aves que ocorrem na Ásia desde 1997 . O vírus
H 5 N 1 raramente é transmitido para seres humanos,
entretanto, quando isso ocorre, costuma ser fatal.
Felizmente, ainda não foi registrado nenhum caso
de transmissão desse vírus entre seres humanos.
2
Há diversas variedades de vírus de gripe, todas in-
cluídas no gênero Influenzavirus. Os vírions de gripe têm
diâmetro entre 80 e 120 nm e apresentam um envelope
lipoproteico externo. Este envolve um nucleocapsídio
que contém sete ou oito moléculas diferentes de RNA.
( Fig. 2.8 )
5
Ao contrair gripe, a pessoa produz anticorpos
contra as proteínas do vírus, incluindo as espículas
H e N, tornando-se imune àquele tipo de gripe. Por
O envelope lipoproteico tem dois tipos de glicopro-
teínas características do vírus de gripe: a hemagluti-
nina, que constitui as espículas H, e a neuraminidase,
que constitui as espículas N. As espículas recebem
esse nome porque formam saliências afiladas no
envelope membranoso do vírus. As espículas de
hemaglutinina permitem que o vírus se ligue às
células hospedeiras. As espículas de neuraminidase
parecem ser importantes para que os vírus recém-
-formados se desprendam da célula hospedeira.
3
isso, depois de um surto gripal, grande parte da
população torna-se imune ao tipo de vírus causador.
Podem surgir em algumas pessoas, porém, vírus
mutantes dotados de espículas H e N ligeiramente
diferentes das presentes na linhagem original, o
que impede os anticorpos produzidos de atuar efi -
cientemente. Os vírus mutantes podem provocar
novo surto da doença, por exemplo, nos meses de
inverno, quando a resistência natural das pessoas
diminui devido às variações climáticas.
Espícula N
RNA viral
(neuraminidase)
H1N1
H0N1
H1N1
H2N2
H3N2
H5N1
1918-1928
1929-1946
1947-1956
1957-1967
1901-1917
1997
2009-?
1977-?
1968-?
Causou a
Causou a pandemia de
gripe espanhola e é responsável
pela pandemia de gripe de 2009
pandemia de
Causou a
pandemia de
gripe de Hong
Kong
Causou a gripe
de aves na Ásia
gripe asiática
Envelope
Espícula H
lipoproteico
(hemaglutinina)
Figura 2.8 À esquerda, representação esquemática da estrutura de um vírus de gripe com
parte do envelope removido para mostrar as moléculas de RNA. À direita, tipos de vírus que
vêm causando pandemias. Os pontos de interrogação em certas datas indicam que não se
sabe quando acabaram os surtos epidêmicos devido àquele vírus. (Imagens sem escala,
cores-fantasia.) (Baseado em Tortora, G. J. e cols., 1995.)
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ADILSON SeCCO
Capítulo 2 • Vírus e bactérias

Unidade B • Vírus, bactérias, algas, protozoários e fungos

3
3

Vírus e doenças humanas

Reservatórios virais

Certos tipos de vírus podem atacar indiscriminadamente tanto células humanas quanto células de outros animais; assim, uma pessoa pode infectar-se ao ter contato com um animal portador do vírus. As doenças humanas causadas por esses vírus são chamadas de zoonoses virais. As espécies animais em que esses vírus ocorrem naturalmente são consideradas reservatórios naturais do vírus. A raiva, ou hidrofobia, é um exemplo de zoonose viral, cujo reservatório natural do vírus é o morcego. Esse vírus pode ser transmitido aos humanos tanto pelo morcego quanto por cães, gatos ou outros mamíferos contaminados.

O principal reservatório de parasitas causadores de doenças em nossa espécie são os pró-

prios seres humanos. Muitas pessoas abrigam vírus em seu corpo e os transmitem direta ou

indiretamente a outras pessoas. A hepatite B, o sarampo, a rubéola e a aids são exemplos de

doenças virais cujos reservatórios são seres humanos.

6 No Brasil, o Ministério da Saúde atua preventi- vamente contra a gripe, ministrando à população,
  • 6 No Brasil, o Ministério da Saúde atua preventi- vamente contra a gripe, ministrando à população, preferencialmente aos maiores de 60 anos de idade, uma vacina antigripe produzida com uma mistura das formas virais mais comuns, em particular das que causaram gripe nos últimos anos. (Fig. 2.9)

Figura 2.9 Cartaz da campanha de vacinação contra a gripe.

  • 7 Variedades muito perigosas do vírus da gripe surgem esporadicamente por meio de recombinação genética. Como os vírus têm oito moléculas de RNA diferentes em seu genoma, se uma célula é infectada simultaneamente por dois tipos diferentes de vírus, podem se formar partículas virais com combinações de moléculas de RNA das duas variedades, não reconhe- cidas pelo sistema imunitário humano. Nesses casos, o vírus recombinante pode se reproduzir rapidamente e se espalhar pela população, causando pandemias de gripe.

  • 8 A Organização Mundial de Saúde mantém vigilân-

cia rigorosa e permanente sobre os surtos de gripe,

tentando identificar rapidamente os novos vírus que surgem. Se são identificados logo, é possível produzir vacinas e imunizar grande parte da população antes que a epidemia atinja maiores proporções.

  • 9 Outra preocupação dos órgãos de saúde pública é monitorar criadouros de aves e de porcos, cujos vírus de gripe podem eventualmente infectar seres humanos. Embora os vírus desses animais não sejam transmitidos de pessoa para pessoa, há um risco de ocorrerem alterações na hemaglutinina viral, capaci- tando-os a infectar células humanas. Isso aconteceria tanto por mutação dos genes virais animais quanto por recombinação com o vírus de gripe humano. Por exemplo, uma célula infectada simultaneamente por um vírus de ave e por um vírus humano poderia originar novos tipos de vírus, com misturas dos dois tipos de RNA, eventualmente capazes de infectar células humanas. Esses novos vírus seriam perigosos porque, tendo parte de seus componentes provenien - te do vírus de ave, não seriam reconhecidos por nosso sistema imunitário.

    • 10 No sudoeste asiático, foco inicial de várias epide- mias de gripe, o ambiente é perigosamente favorável à recombinação entre vírus de animais domésticos e de humanos, devido à criação de marrecos junto com

porcos. Como estes últimos podem ser infectados tanto por vírus de aves quanto por vírus humanos, é possível ocorrer recombinação do material gené- tico de ambos os vírus em suas células, tendo como resultado a produção de novos tipos virais. O vírus H1N1, responsável pela chamada “gripe suína”, que teve início no México em 2009, pode ter surgido da maneira relatada. (Fig. 2.10)

  • 11 Recentes estudos genéticos da hemaglutinina do vírus da gripe aviária asiática mostraram que uma única mutação já seria capaz de permitir ao vírus se

ligar a receptores humanos e, assim, ser transmitido de pessoa para pessoa.

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COrTeSIA DO mINISTérIO DA SAúDe
COrTeSIA DO mINISTérIO DA SAúDe
Unidade B • Vírus, bactérias, algas, protozoários e fungos 3 Vírus e doenças humanas Reservatórios virais

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Diversas doenças virais que atualmente se transmitem de uma pessoa a outra foram adquiridas

originalmente de reservatórios animais. Há indícios de que a varíola e o sarampo, por exemplo, passaram do gado bovino para nossa espécie há menos de 10 mil anos, quando as populações humanas tornaram-se sedentárias e passaram a conviver com os animais recém-domesticados.

O vírus da gripe humana, ao que tudo indica, descende de um vírus de marreco ou de porco.

Os vírus continuam a cruzar a barreira entre seres humanos e outros animais, com riscos para nossa saúde. A expansão da população humana mundial, acompanhada da degradação do ambiente

natural e de distúrbios no equilíbrio ecológico, é um dos principais fatores que nos expõem a novos tipos de doenças virais. Por exemplo, o vírus curiosamente denominado sin nombre (“sem nome”, em espanhol), um hantavírus que ataca os pulmões e geralmente causa morte, espalhou-se pelo

sudoeste norte-americano em 1993 em consequência da explosão populacional de um camun-

dongo silvestre, que atua como reservatório natural desse vírus. O aumento do contato de seres

humanos com as fezes e a urina dos camundongos fez aumentar drasticamente o número de

pessoas afetadas pela síndrome pulmonar causada pelo hantavírus.

A B Figura 2.10 A. Criação consorciada de galinhas e porcos na aldeia de Zian Fu
A
B
Figura 2.10 A. Criação
consorciada de
galinhas e porcos
na aldeia de Zian
Fu Chun, China.
B. Pesquisadores
testam vacina
experimental para
a gripe aviária.
(São Petersburgo,
Rússia, 2006.)
GUIA DE LEITURA
1.
Leia o primeiro parágrafo, que aponta o agente
causador da gripe exemplificando com três
grandes pandemias dessa doença. Para saber o
significado exato do termo “pandemia”, consulte
o item 3 da Seção 2.1 deste capítulo. Anote as
épocas dessas pandemias de gripe em seu cader-
no, deixando um espaço ao lado para adicionar,
como será solicitado adiante, a informação sobre
os tipos de vírus específicos responsáveis por
cada uma.
que teve um surto rápido no país em 2009, é
causada por qual tipo de vírus?
5.
Leia o quinto parágrafo. Ele se refere a dois fe-
nômenos: ao desenvolvimento de imunidade na
população, após um surto de gripe, e ao apare-
cimento de novos surtos de gripe. Como o texto
explica cada um deles?
6.
No sexto parágrafo, menciona-se uma importan-
te providência do Ministério da Saúde brasileiro
para prevenir a gripe (observe também a Figura
2.
No segundo parágrafo, aparece o conceito de
“vírion”. Relembre-o no item 1 da Seção 2.1. O
que significa dizer que os vírions de gripe são
“envelopados”?
2.9). Que providência é essa? Você já conhecia
esse programa governamental? Algum de seus
parentes ou conhecidos já tomou essa vacina?
7.
Leia os parágrafos 7 e 8 e responda: a) como se ex-
3.
Leia o terceiro parágrafo, que fala de dois im-
portantes componentes do envelope do vírus
de gripe. Quais são eles e quais suas funções
para o vírus?
plica o aparecimento de novas variedades de gripe
causadoras de pandemias? b) o que se tem feito
para monitorar essas situações?
8.
Nos parágrafos 9, 10 e 11 comenta-se a preocupa-
4.
Leia o quarto parágrafo, que comenta a variedade
de vírus quanto às espículas do envelope. Analise
os dados do texto em conjunto com os da Figura
2.8. Com base nessa análise, complete os dados
anotados em seu caderno, conforme solicitado
no item 1 deste guia. A chamada “gripe suína”,
ção dos órgãos de saúde sobre o aparecimento de
novas linhagens de vírus de gripe potencialmente
perigosas. Resuma o mais sucintamente possível
as ideias dos parágrafos. Se for o caso, acrescente
algum comentário pessoal sobre a chamada gripe
suína, se tiver alguma informação a respeito.
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Capítulo 2 • Vírus e bactérias
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Unidade B • Vírus, bactérias, algas, protozoários e fungos

O caso mais dramático do cruzamento das barreiras naturais por um vírus é, sem dúvida, o da

aids. Há cerca de 100 anos, o HIV era restrito a chimpanzés (reservatório do ancestral do HIV-1) e a outras espécies de macacos africanos (reservatórios do ancestral do HIV-2). O desmatamento, as guerras no continente africano e o crescimento das populações humanas contribuíram para o

aumento do contato entre a espécie humana e esses primatas, permitindo a passagem dos vírus entre as espécies. Fatores tecnológicos e sociais, como a facilidade de viagens internacionais, a popularização das transfusões de sangue, a promiscuidade sexual e o uso crescente de drogas injetáveis, fizeram com que o HIV se espalhasse rapidamente pela população humana, transmi- tindo-se de pessoa para pessoa e causando, em menos de 20 anos, uma grande pandemia.

COrTeSIA DO mINISTérIO DA SAúDe CORtEsia dO MiNistéRiO da saúdE
COrTeSIA DO mINISTérIO DA SAúDe
CORtEsia dO MiNistéRiO da saúdE

Figura 2.11 Cartaz de campanha de combate à dengue.

Formas de transmissão de doenças virais

Certos vírus não sobrevivem por muito tempo fora do corpo do

hospedeiro e necessitam, para sua transmissão, de contato dire- to entre o portador e o novo hospedeiro. Os vírus causadores do herpes, por exemplo, que atacam a pele e as mucosas, podem ser

transmitidos pelo simples toque. Outros somente se transmitem por meio de secreções, como o vírus da raiva, presente na saliva de

animais infectados, e o HIV, transmitido por meio de fluidos como

esperma e sangue. Os vírus de gripe são transmitidos de pessoa para pessoa por meio de gotículas de muco lançadas ao falar, rir e espirrar.

Alguns vírus mantêm sua capacidade infectante mesmo depois

de permanecer longo tempo fora de um hospedeiro; seu reservatório

é, portanto, o ambiente não vivo. De modo geral, vírus que atacam

o sistema digestório e são eliminados com as fezes têm como

reservatório o solo ou a água contaminados por esgotos. Entre os vírus transmitidos por água e alimentos contaminados podem-se

citar os que causam gastrenterites em crianças, poliomielite e

hepatites A e E.

Outros vírus são transmitidos por meio de vetores animais, princi- palmente insetos, sendo conhecidos genericamente como arbovírus (do inglês arthropod borne virus). Certos mosquitos, por exemplo, adquirem vírus ao sugar sangue de uma pessoa contaminada e o transmitem ao picar pessoas sadias. Os vírus da febre amarela, da dengue e de diversas encefalites são arbovírus, transmitidos pela picada de mosquitos contaminados. (Fig. 2.11)

Epidemia e endemia

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Em termos populacionais, as doenças infecciosas podem existir na condição de epidemias ou

de endemias. Fala-se em epidemia quando ocorre um aumento súbito no número de casos de uma doença em uma população. Fala-se em endemia quando uma doença se mantém praticamente constante numa determinada região. Costuma-se também utilizar o termo pandemia para se referir a uma doença que atinge mais de um continente, em uma onda epidêmica que pode se prolongar por vários anos. Surto é uma forma particular de epidemia, em que todos os casos es- tão relacionados entre si. Uma mesma doença pode ser endêmica em uma população, epidêmica em outra e não existir em uma terceira. Diversos fatores são responsáveis por esse quadro, que depende tanto das condições ambientais quanto do nível sociocultural das populações.

Tratamento e prevenção de doenças virais

Até o momento, poucas drogas terapêuticas mostraram-se eficazes em combater os vírus. Os antibióticos, que atuam com eficácia contra as bactérias, não têm nenhum efeito sobre as infecções virais. Existem drogas capazes de bloquear a multiplicação dos ácidos nucleicos virais

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que são utilizadas com relativo sucesso para conter infecções como o herpes, por exemplo. No

caso do HIV, são utilizados coquetéis de drogas que atuam tanto na multiplicação do ácido nu- cleico quanto na produção das proteínas virais.

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Capítulo 2 • Vírus e bactérias

O combate mais efetivo às doenças virais é a prevenção, que pode ser feita por meio da vaci- nação, por medidas de saneamento básico, de preservação do meio ambiente, de saúde pública

e de cuidados pessoais.

Muitas doenças virais podem ser prevenidas por meio de vacinas. Em geral, as vacinas são prepara- das com vírus previamente mortos ou atenuados pelo calor e por outros tratamentos físicos e químicos.

Ao entrar em contato com os componentes virais presentes na vacina, o organismo reage e ativa os sistemas de defesa imunitária, produzindo anticorpos específicos contra aquele tipo de vírus.

Se a pessoa vacinada for infectada pelo vírus causador de uma doença contra a qual ela foi imunizada, os anticorpos presentes no sangue combatem imediatamente a infecção. As campa- nhas mundiais de vacinação contra a varíola humana, por exemplo, levaram à sua total erradica- ção. Outras vacinas atualmente utilizadas, e altamente eficazes, são as que previnem contra a poliomielite e contra o sarampo.

Seção 2.2
Seção 2.2

Bactérias

❱ ❱❱❱Habilidades 1 sugeridas
❱ ❱❱❱Habilidades
1
sugeridas

A célula bacteriana

CCCCCCCConhecer a estrutura geral da célula bacteriana e identificar suas partes principais:

parede celular, membrana plasmática,

citoplasma, ribossomos, nucleoide, cromossomo, plasmídio e flagelo.

CCCCCCCConhecer o processo de reprodução assexuada em bactérias.

CCCCCCCEstar informado de que certas bactérias são causadoras de diversas doenças humanas e conhecer formas de tratamento e de prevenção.

CCCCCCCCaracterizar as arqueas e apontar suas principais diferenças em relação às bactérias.

❱ ❱❱❱Conceitos principais

bactéria nucleoide plasmídio cápsula bacteriana bactéria aeróbia bactéria anaeróbia divisão binária clone arquea

Estrutura da célula bacteriana

Bactérias são organismos unicelulares procarióticos, cuja célula não apresenta núcleo nem organelas membranosas citoplasmáticas. Todos

os outros organismos vivos conhecidos apresentam células eucarióticas,

exceto as arqueas, que também são seres procarióticos, e os vírus, que

são acelulares.

A célula bacteriana quase sempre apresenta um envoltório externo rígi- do, a parede celular, responsável pela forma da célula e por sua proteção. Se a bactéria estiver imersa em água pura ou outras soluções hipotônicas,

é essa parede que impede a célula bacteriana de inchar e arrebentar devido à osmose. Entretanto, a maioria das bactérias desidrata-se e morre em ambiente de salinidade alta, pois perde água por osmose. É por isso que

se costuma salgar certos alimentos, como carnes e peixes (carne-seca,

bacalhau, arenque etc.) para preservá-los do ataque de bactérias. A penici- lina e alguns outros antibióticos impedem que certas bactérias produzam substâncias componentes de sua parede, levando-as à morte.

Na parte interna da parede celular bacteriana encontra-se a membrana plasmática. De composição lipoproteica semelhante à das membranas de células eucarióticas, a membrana plasmática delimita o citoplasma, onde há milhares de pequenos grânulos, os ribossomos, responsáveis pela pro- dução das proteínas. Embora a atuação dos ribossomos seja semelhante

em células eucarióticas e procarióticas, nestas eles são menores e têm

composição química ligeiramente diferente de seus correspondentes

eucarióticos. A célula da bactéria Escherichia coli, por exemplo, apresenta cerca de 15 mil ribossomos, cada um capaz de produzir uma molécula de proteína por minuto, o que nos dá uma ideia da capacidade de crescimento

e multiplicação das bactérias.

A célula bacteriana tem uma molécula circular de DNA que constitui seu cromossomo; neste estão presentes alguns milhares de genes, necessá- rios ao crescimento e à reprodução da bactéria. O cromossomo bacteriano,

geralmente localizado na região central da célula, é longo e fino, formando um emaranhado denominado nucleoide. Diferentemente das células eu- carióticas, não há membrana envolvendo o material cromossômico das

células procarióticas.

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Unidade B • Vírus, bactérias, algas, protozoários e fungos

 

Além do DNA cromossômico, a célula procariótica também pode conter moléculas circulares adicionais de DNA denominadas plasmídios. Estes são menores que o DNA cromossômico e sua presença não é essencial à vida da bactéria. Possuir plasmídios, no entanto, por vezes é vanta- joso, pois eles podem conter genes responsáveis pela destruição de substâncias tóxicas como os antibióticos, por exemplo.

Muitas bactérias apresentam flagelos, filamentos proteicos móveis ligados à parede e à mem- brana bacteriana, que permitem a movimentação da célula. Os flagelos bacterianos, estrutural- mente diferentes dos flagelos das células eucarióticas, têm em sua base um microscópico motor molecular que segue princípios semelhantes aos dos motores elétricos: há um rotor móvel que gira dentro de um anel fixo, à incrível velocidade de até 15 mil rotações por minuto. (Fig. 2.12)

A Ribossomos Membrana B plasmática Flagelos Parede celular Filamento Plasmídios Nucleoide Cotovelo Membrana Eixo plasmática C
A
Ribossomos
Membrana
B
plasmática
Flagelos
Parede
celular
Filamento
Plasmídios
Nucleoide
Cotovelo
Membrana
Eixo
plasmática
C
Parede
celular
Fímbrias
ILUSTrAçõeS: jUrANDIr rIBeIrO
D
D

Figura 2.12 A. Representação esquemática de uma célula bacteriana parcialmente cortada para mostrar seu interior. B. Detalhe da base de um flagelo. C. Representação do deslocamento de uma bactéria impulsionada pelos flagelos. (Imagens sem escala, cores-fantasia.) (Baseado em Campbell, N. A. e cols., 1999.) D. Micrografia da bactéria Proteus mirabilis, ao microscópio eletrônico de transmissão, mostrando seus inúmeros flagelos (colorizada artificialmente; aumento 6.0003).

Certas bactérias têm uma cobertura de aspecto mucoide externamente à parede celular, a cha- mada cápsula bacteriana. A composição da cápsula varia nas diferentes espécies de bactéria; ela pode ser formada por polissacarídios, por proteínas ou por ambos. Esses componentes são produ- zidos no interior da célula e secretados para fora, onde se agregam à região externa da parede.

Em certas espécies de bactéria causadoras de doenças, a cápsula dificulta sua fagocitose e destruição pelos glóbulos brancos, permitindo ao microrganismo driblar essa linha de defesa de nosso sistema imunitário. Por exemplo, somente as linhagens capsuladas da bactéria Streptococcus pneumoniae causam pneumonia; linhagens sem cápsula (o que ocorre como consequência de muta- ção genética) são incapazes de causar a doença, pois, assim que penetram no corpo do hospedeiro, são prontamente fagocitadas pelos glóbulos brancos. O mesmo ocorre com o Bacillus anthracis, o causador do antraz: somente linhagens capsuladas desse bacilo provocam a doença.

Forma da célula e tipos de agrupamentos bacterianos

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Há milhares de espécies de bactéria, que diferem quanto ao metabolismo, ao hábitat e à forma da célula. Diversas espécies bacterianas formam agrupamentos em que os participantes mantêm sua individualidade, sendo capazes de sobreviver quando separados do grupo. A forma da célula e o tipo de agrupamento são características importantes na classificação de bactérias.

As células bacterianas podem apresentar diversas formas. As mais frequentes e suas respectivas denominações são: esférica — coco; bastonete — bacilo; espiralada — espirilo; de vírgula — vibrião.

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Capítulo 2 • Vírus e bactérias

       

Os agrupamentos bacterianos podem ser de diversos tipos, dos quais os principais são: dois cocos unidos — diplococo; oito cocos formando um cubo — sarcina; cocos alinhados formando cadeias que lembram colares de contas — estreptococos; cocos unidos como um cacho de uvas — estafilococos; ba- cilos reunidos dois a dois — diplobacilos; bacilos alinhados em cadeia — estreptobacilos. (Fig. 2.13)

 

Chlamydia trachomatis

     
   

(coco)

   
       

LevI CIOBOTArIN

Rhizobium leguminosarum

Figura 2.13 Representação esquemática de bactérias de

Diplococcus pneumoniae

 

(bacilo)

diferentes formas e tipos de

cores-fantasia.) De A a E, micrografias

(diplococo)

   

Desulfovibrio desulfuricans

agrupamentos. (Imagens sem escala,

que mostram diferentes espécies de

     

(vibrião)

bactérias causadoras de infecções ao

Staphylococcus

aureus

(estafilococo)

Streptococcus hemolyticus

   

Treponema pallidum

microscópio eletrônico (colorizadas

(estreptococo)

   

(espirilo)

artificialmente). A. Streptococcus pneumoniae, causador de um tipo de pneumonia (aumento 6.5003). B. Chlamydia trachomatis, agente

Aquaspirillum

     

causador de doenças sexualmente

magnetotacticum

     

transmissíveis (aumento 15.0003).

(espirilo)

     

C. Haemophylus influenzae, causador de doenças respiratórias (aumento 14.8003). D. Vibrio cholerae, causador do cólera (aumento 8.8003).

       

E. Leptospira interrogans, causador da

Bacillus megaterium

Sarcina ventriculi

leptospirose (aumento 27.7003).

 

(estreptobacilo)

(sarcina)

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E

     
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Características nutricionais das bactérias

O estudo das bactérias mostrou grande variedade de formas de nutrição. Quanto a essa característica, as bactérias podem ser separadas em dois grandes grupos: autotróficas e he- terotróficas. As bactérias autotróficas são as que obtêm átomos de carbono — matéria-prima básica para fabricar moléculas orgânicas — diretamente de moléculas de gás carbônico (CO 2 ). Já as bactérias heterotróficas obtêm átomos de carbono a partir de moléculas orgânicas.

As bactérias autotróficas mais conhecidas são fotossintetizantes; elas produzem as subs- tâncias orgânicas que lhes servem de alimento, utilizando gás carbônico (CO 2 ) como fonte de carbono e luz como fonte de energia. Essas bactérias podem ser divididas em dois grupos, que

diferem quanto ao tipo de fotossíntese que realizam; em um dos grupos estão as proclorófitas

e as cianobactérias, no outro, as sulfobactérias.

Capítulo 2 • Vírus e bactérias Os agrupamentos bacterianos podem ser de diversos tipos, dos quais

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Capítulo 2 • Vírus e bactérias Os agrupamentos bacterianos podem ser de diversos tipos, dos quais

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Unidade B • Vírus, bactérias, algas, protozoários e fungos

 

As proclorófitas e as cianobactérias (estas últimas antigamente chamadas de cianofíceas) execu- tam um processo de fotossíntese semelhante ao de algas e de plantas, em que moléculas de gás car- bônico (CO 2 ) reagem com moléculas de água (H 2 O) produzindo glicídios e gás oxigênio (O 2 ). (Fig. 2.14)

A
A
B
B

Figura 2.14 A. Micrografia de bactérias do gênero Prochlorococcus ao microscópio óptico (aumento 1.6003). B. Micrografia de cianobactérias do gênero Anabaena ao microscópio eletrônico de varredura (colorizada artificialmente; aumento 1.2003).

As sulfobactérias realizam um tipo de fotossíntese em que a substância doadora de hidro- gênio não é a água, mas compostos de enxofre, principalmente o gás sulfídrico (H 2 S). Por isso, essas bactérias produzem enxofre elementar (S) como subproduto da fotossíntese, e não gás oxigênio (O 2 ), como na fotossíntese que utiliza água (H 2 O).

CO 2

1

2 H 2 S

#

Gás

carbônico

Gás

sulfídrico

LUZ

(CH 2 O)

Glicídio

1

2 S

1

Enxofre

H 2 O

Água

As bactérias heterotróficas utilizam moléculas orgânicas absorvidas do meio como fonte de energia e de átomos de carbono. Dentre estas vamos distinguir dois tipos de bactérias, as

saprofágicas e as parasitas.

As bactérias saprofágicas (do grego sapros, podre, e phagein, comer) obtêm alimento a partir de matéria orgânica de cadáveres, fezes ou partes descartadas por seres vivos (folhas caídas, por exemplo). Por degradar diversos tipos de substâncias orgânicas, as bactérias saprofágicas exercem o importante papel de decompositoras na natureza, reciclando cadáveres e resíduos orgânicos do ambiente.

As bactérias parasitas obtêm alimento a partir de tecidos corporais de seres vivos, geral- mente causando doenças.

Bactérias aeróbias e bactérias anaeróbias

Algumas espécies de bactérias heterotróficas obtêm energia unicamente pela respiração aeróbia. Consequentemente, elas só sobrevivem na presença de gás oxigênio; são chamadas de bactérias aeróbias.

Outras bactérias podem obter energia tanto por meio da respiração aeróbia quanto da fer- mentação, dependendo da disponibilidade ou não de gás oxigênio. Por isso, elas são denominadas bactérias anaeróbias facultativas.

Certas espécies de bactérias anaeróbias, como a espécie causadora do tétano, não toleram a presença de gás oxigênio e morrem se são expostas a ele; por isso, são denominadas bactérias anaeróbias obrigatórias.

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3

Reprodução das bactérias

Nas bactérias ocorre reprodução assexuada por divisão binária. Nesse processo, a célula bacteriana duplica o cromossomo e divide-se ao meio, originando duas novas bactérias. Em algumas espécies, em condições ideais, o processo completo ocorre em apenas 20 minutos. É por isso que, em algumas horas, uma única bactéria pode originar uma população composta de

milhares de células geneticamente idênticas. As bactérias originadas de uma única célula, por sucessivas reproduções assexuadas, são denominadas clones. (Fig. 2.15)

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Cromossomo Bactéria Bactérias-filhas jUrANDIr rIBeIrO
Cromossomo
Bactéria
Bactérias-filhas
jUrANDIr rIBeIrO
A. B. DOwSeTT/SCIeNCe PhOTO LIBrAry/ LATINSTOCK
A. B. DOwSeTT/SCIeNCe PhOTO LIBrAry/
LATINSTOCK

Figura 2.15 Representação esquemática do processo de divisão de uma

célula bacteriana (em corte, para mostrar o cromossomo). (Imagens

sem escala, cores-fantasia.) Na micrografia ao microscópio eletrônico de transmissão, bactéria Escherichia coli em divisão; a região central alaranjada é o nucleoide (colorizada artificialmente; aumento 18.5003).

Sob certas condições ambientais, como a falta de nutrientes essenciais ou de água, al- gumas espécies
Sob certas condições ambientais, como a falta de nutrientes essenciais ou de água, al-
gumas espécies de bactéria, destacadamente as dos gêneros Clostridium e Bacillus, formam
estruturas denominadas endósporos (do grego endos, dentro). Um endósporo resulta da de-
sidratação da célula bacteriana e da formação de uma parede grossa e resistente em torno
do citoplasma desidratado. Nessas condições, o endósporo é capaz de permanecer anos com
a atividade metabólica totalmente suspensa, resistindo ao calor intenso, à falta de água e a
outras condições adversas.
CIÊNCIA
A importância das bactérias para a humanidade
E
CIDADANIA
Biotecnologia
geneticamente certas bactérias, fazendo-as produ-
O desenvolvimento científico e tecnológico tem
levado, cada vez mais, à utilização de seres vivos em
tecnologias úteis à humanidade, atividade conhecida
genericamente como biotecnologia.
1
zir substâncias de interesse comercial. Já se produz
hormônio de crescimento e insulina idênticos aos
humanos utilizando como “fábricas” bactérias geneti-
camente transformadas pela Engenharia Genética.
2
Embora tenham sido descobertos apenas no
século XVII, os microrganismos já são utilizados há
muitos séculos em biotecnologias de produção de
alimentos, como na fabricação de queijos, iogurtes,
requeijões, vinagre, picles etc.
Biorremediação
Biorremediação é a utilização de microrganismos,
principalmente bactérias, para limpar áreas ambien-
tais contaminadas por poluentes. O grande interesse
5
Bactérias também são utilizadas na indústria
farmacêutica para a produção de antibióticos e
vitaminas. O antibiótico neomicina, por exemplo, é
produzido por uma bactéria do gênero Streptomyces.
A indústria química também utiliza bactérias para
produzir substâncias como o metanol, o butanol, a
acetona etc. Nos grandes centros urbanos, as bacté-
rias ganham cada vez mais destaque como agentes
decompositores da matéria orgânica dos esgotos
domésticos e do lixo.
3
por esse tipo de procedimento deve-se ao fato de
a biorremediação ser mais simples, mais barata e
menos prejudicial ao ambiente que os processos não
biológicos utilizados atualmente, como recolher os
poluentes e transportá-los para outros locais.
Como exemplo de biorremediação pode-se citar
a utilização de bactérias do gênero Pseudomonas na
descontaminação de ambientes poluídos por pes-
ticidas ou por petróleo. Pseudomonas spp. e outras
bactérias semelhantes oxidam diversos compostos
6
O potencial biotecnológico das bactérias cresceu
nas últimas décadas devido ao desenvolvimento da
tecnologia do DNA recombinante, também chamada
de Engenharia Genética. Essa tecnologia consiste
em um conjunto de técnicas que permite modificar
4
orgânicos nocivos, transformando-os em substâncias
inócuas ao ambiente. Atualmente as pesquisas têm
se voltado para o estudo genético dessas bactérias, a
fim de modificar seus genes e aumentar sua eficiência
como despoluidoras.
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Capítulo 2 • Vírus e bactérias

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Unidade B • Vírus, bactérias, algas, protozoários e fungos

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Bactérias e doenças 7 Calcula-se que metade das doenças humanas seja causada por bactérias patogênicas (do

Bactérias e doenças

  • 7 Calcula-se que metade das doenças humanas seja causada por bactérias patogênicas (do grego pathos, sofrimento, doença, e genesis, que gera). Ao penetrar no corpo humano, as bactérias instalam-se e multiplicam-se nos tecidos de diversos órgãos, causando as infecções bacterianas. A bactéria causadora da tuberculose, por exemplo, instala-se preferencialmente nos pulmões, embora também possa afetar outros órgãos.

  • 8 Enquanto os vírus sempre penetram nas células, as bactérias geralmente vivem entre as células dos tecidos e nas superfícies e cavidades de órgãos. Salmonelas e micobactérias também podem invadir células hospedeiras e reproduzir-se em seu interior, porém não são parasitas intracelulares obrigatórios.

  • 9 Muitos sintomas das infecções bacterianas são causados por substâncias tóxicas (toxi- nas), que as bactérias eliminam, ou por substâncias presentes em suas paredes celulares.

    • 10 Certas bactérias causam doenças apenas quando o sistema de defesa da pessoa está debilitado, sendo por isso denominadas bactérias oportunistas. A bactéria Streptococcus pneumoniae, por exemplo, não causa problemas à maioria das pessoas saudáveis, mas pode produzir pneumonia se as defesas corporais estiverem debilitadas. Por exemplo, um dos principais problemas da aids é fragilizar o sistema imunitário, o que abre caminho para uma série de infecções oportunistas que não afetariam pessoas sadias.

Tratamento e prevenção de doenças bacterianas

  • 11 O tratamento das infecções bacterianas é feito com antibióticos, substâncias capazes de matar bactérias. O primeiro antibiótico foi descoberto em 1929 por Alexander Fleming, que o extraiu de um fungo do gênero Penicillium; por isso, esse antibiótico foi chamado de penicilina. Dez anos depois, a penicilina foi industrializada e passou a ser produzida em grande escala.

  • 12 Todos os antibióticos continuam sendo extraídos de bactérias e de fungos, mas atual- mente grande parte deles é modificada por processos químicos para aumentar seu potencial de ação, daí serem chamados de antibióticos “sintéticos”.

  • 13 A prevenção de certas doenças bacterianas é feita pela vacinação. Há vacinas eficazes, por exemplo, contra o tétano e a coqueluche. A vacina antitetânica estimula nosso sistema de defesa por mais ou menos 10 anos, durante os quais ficamos protegidos das bactérias que causam a doença. Depois desse tempo, é preciso tomar dose de reforço para continuar imunizado.

  • 14 A higiene é, com certeza, a principal atitude preventiva contra muitas doenças bacte- rianas. As medidas higiênicas reduzem substancialmente as taxas de mortalidade infantil e aumentam o tempo médio de vida das pessoas. O conhecimento sobre a forma de trans- missão das infecções bacterianas mais comuns pode nos ajudar a evitá-las.

4. Leia o quinto e o sexto parágrafos, referen- tes à biorremediação. Defina o termo e
4. Leia o quinto e o sexto parágrafos, referen-
tes à biorremediação. Defina o termo e exem-
plifique.
1. Leia o primeiro e o segundo parágrafos e res-
ponda: o que é biotecnologia? Baseando-se
nos exemplos, pense em como essa prática é
antiga.
3. Leia o quarto parágrafo, que comenta como
a Engenharia Genética permitiu desenvolver
tecnologias utilizando bactérias. Resuma as
principais ideias do parágrafo.
9. O último parágrafo comenta sobre outra importan-
te forma de prevenir infecções, tanto bacterianas
quanto virais. Qual é ela? Explique brevemente.
8. Leia o décimo terceiro parágrafo, que se refere
a uma importante forma de prevenir doenças
bacterianas. Qual é ela? Explique brevemente.
5. Leia o sétimo, o oitavo e o nono parágrafos, no
item Bactérias e doenças. Caracterize: a) bacté-
rias patogênicas; b) infecção bacteriana; c) locais
do corpo afetados e causas da doença.
7. Nos parágrafos 11 e 12 comenta-se sobre a
principal forma de tratamento de infecções
6. Leia o parágrafo 10 e caracterize “bactérias
oportunistas”.
2. No terceiro parágrafo fala-se em modernas bio-
tecnologias que empregam bactérias. Comente
brevemente o exemplo que mais lhe despertou
interesse.
bacterianas. Qual é ela? Explique brevemente.
GUIA DE LEITURA
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Unidade

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4

Parentesco evolutivo entre bactérias, arqueas e seres eucarióticos

As arqueas são seres procarióticos que apresentam forma esférica, de bastão, espiralada, achatada ou irregular. Esses seres só foram diferenciados das bactérias há poucas décadas, graças ao desenvolvimento das técnicas de análise molecular.

Uma diferença marcante entre bactérias e arqueas está na organização e no funcionamento

de seus genes. Curiosamente, as sequências codificadas nos genes e a atividade gênica das ar- queas são mais semelhantes às encontradas nos organismos eucarióticos, diferenciando-se da

organização genética das bactérias. Para ilustrar essas diferenças, alguns biólogos costumam dizer que as arqueas diferem mais das bactérias do que um ser humano difere de uma alface.

As arqueas habitam, geralmente, ambientes extremos. Um grupo de arqueas expressivo é o das halófilas (do grego halos, sal, e philos, amigo), que habitam águas com alta concentração salina. Outro grupo reúne as termoacidófilas, que suportam condições extremas de acidez e tempera- tura, vivendo em fontes termais ácidas, onde a temperatura oscila entre 60 e 80 °C, ou em fendas vulcânicas nas profundezas oceânicas. Arqueas metanogênicas são anaeróbias obrigatórias que vivem em pântanos e no tubo digestório de cupins e de animais herbívoros, onde produzem gás metano. Recentemente foram descobertas arqueas em ambientes gelados e acredita-se que elas possam ser relativamente abundantes nas águas superficiais da costa da Antártica.

Quando ainda não se conhecia a diferença entre bactérias e arqueas, ambas eram chamadas de bactérias e classificadas no reino Monera, que reúne os organismos com célula procariótica.

A descoberta das primeiras diferenças entre os dois tipos de seres procarióticos levou à criação

de um novo grupo para reunir as espécies com características consideradas primitivas. O novo grupo foi denominado Archaeobacteria (do grego archeos, antigo), enquanto as demais bactérias passaram a ser reunidas no grupo Eubacteria (do grego eu, verdadeiro).

Estudos posteriores mostraram que esses dois tipos de seres procarióticos eram ainda mais

diferentes do que se imaginava. Isso levou à eliminação do termo bactéria do nome do grupo mais

primitivo, que passou a ser denominado simplesmente Archaea (arqueas). Com isso desapareceu a necessidade do prefixo “eu” para designar as bactérias verdadeiras, e elas passaram a integrar

o grupo Bacteria (bactérias).

No sistema de classificação em cinco reinos, arqueas e bactérias ocupam sub-reinos distintos no reino Monera. Entretanto, propostas recentes de classificação sugerem que esses grupos sejam ainda mais separados, o que refletiria melhor a história evolutiva da vida na Terra. Nessas propostas, haveria uma categoria taxonômica acima dos reinos, o domínio. Os seres vivos seriam, então, separados em três grandes domínios: Bacteria, Archaea e Eukarya. O domínio Bacteria reuniria as bactérias; o domínio Archaea reuniria as arqueas; o domínio Eukarya reuniria os protoctistas, os fungos, as plantas e os animais, constituídos por células eucarióticas.

Informações recentes mostram que as arqueas são evolutivamente mais relacionadas aos

organismos eucarióticos do que às bactérias. Isso significa que, nos primórdios da vida na Terra,

um grupo de organismos primitivos separou-se em duas linhagens, uma das quais deu origem às

bactérias atuais. Em um segundo momento, a outra linhagem também se diversificou em duas:

uma deu origem às arqueas e a outra, aos seres eucarióticos.

CIÊNCIA Doenças sexualmente transmissíveis causadas por vírus e bactérias E CIDADANIA 1 Doenças sexualmente transmissíveis (DSTs)
CIÊNCIA
Doenças sexualmente transmissíveis causadas por vírus e bactérias
E
CIDADANIA
1
Doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) são
causadas por agentes diversos, transmitidos de pessoa
a pessoa por meio de atividades sexuais. Esses agentes
podem ser vírus, bactérias, fungos, protozoários e até
mesmo artrópodes, como o causador da pediculose
pubiana (popularmente conhecido por “chato”). Com
exceção desta última e de algumas viroses, todas
as doenças sexualmente transmissíveis podem ser
prevenidas pela utilização da camisinha durante as
relações sexuais.
2
Algumas DSTs são difíceis de curar, mas em todos
os casos há tratamentos que podem evitar a progres-
são da doença. Outras DSTs são curáveis, desde que
se procure rapidamente ajuda médica.
As doenças sexualmente transmissíveis consti-
tuem um dos grandes problemas mundiais de saúde
pública. É direito e dever de todo cidadão manter-se
informado sobre essas e outras doenças transmissí-
veis, de modo a agir preventivamente em benefício
de sua própria saúde e a de toda a sociedade.
3
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Capítulo 2 • Vírus e bactérias
 
     

Aids

       
   

A mais temível das DSTs é a síndrome da imunodeficiência adquirida, ou aids (do inglês, acquired immunodeficience syndrome), doença até o momento incurável, embora já existam formas de tratamento que podem melhorar a condição de vida dos doentes. A aids é causada pelo vírus da imunodeficiência humana, ou HIV (do inglês, human immunodeficience virus), que ataca células do sistema imunitário, entre elas o linfócito T auxiliador (célula CD4). Os linfócitos T auxiliadores são os “comandantes” da defesa imunitária do organismo: são eles que estimulam os linfócitos B a produzir anticorpos e os linfócitos T citotóxicos (células CD8) a destruir células estranhas ao organismo.

4

 
   

Ao atacar e destruir os linfócitos CD4, o HIV diminui a capacidade do organismo de reagir às infecções mais comuns. Com isso, a pessoa infectada pelo HIV pode ser atacada por diversos tipos de microrganismos que, em condições normais, não representariam perigo. (Fig. 2.16)

5

 
   

Na fase inicial da doença, a pessoa infectada não apresenta sintomas, mas a presença do HIV já pode ser detectada por exames de sangue, no qual aparecem anticorpos contra o vírus. Pessoas com anticorpos contra o HIV são chamadas de soropositivas e podem disseminar o vírus pelo ato sexual, se não for usada a camisinha.

6

 
   

A evolução da doença leva à queda no número de linfócitos CD4 e a pessoa começa a manifestar os primeiros sintomas da aids: inchaço dos linfonodos, fraqueza, febre, emagre- cimento, suores noturnos e diarreias infecciosas. No estágio avançado, aparecem problemas neurológicos e a pessoa é seriamente afetada pelas chamadas “infecções oportunistas”, que levam a pneumonias (frequentemente causadas pelo fungo Pneumocystis carinii) e a câncer de pele (o mais comum é o sarcoma de Kaposi, causado pelo vírus KSHV).

7

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Proteínas do envoltório viral

   

Partícula viral

FOTOS: eye OF SCIeNCe/SCIeNCe PhOTO LIBrAry/LATINSTOCK

   

inseridas na membrana

   

em formação

   

da célula infectada

     
       

Membrana

 
       

plasmática

 
   

Citoplasma

     

Unidade B • Vírus, bactérias, algas, protozoários e fungos

       

Partícula viral

   
       

livre

   

Figura 2.16

           

Micrografias

           

ao microscópio

           

eletrônico de

           

transmissão

           

mostrando etapas

           

da liberação do

           

HIV por uma

           

célula hospedeira

           

(colorizadas

           

artificialmente;

           
 

aumento

           
 

200.0003).

           
 

62

Aids A mais temível das DSTs é a síndrome da imunodeficiência adquirida, ou aids (do inglês,

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A aids é transmitida pelo contato sexual com pes- soas infectadas e também pelo sangue, principalmente pelo compartilhamento de seringas no uso de drogas injetáveis ou por transfusões de sangue contami - nado. Recém-nascidos filhos de mães portadoras do HIV podem adquirir o vírus durante o parto ou ao ser

8

14

são pouco evidentes, o que representa um grande risco de a infecção evoluir para o que se denomina DIP (doença inflamatória pélvica), com comprometimento das tubas uterinas. Em muitos casos, a inflamação das tubas pode levar à esterilidade. Nos bebês, a infecção gonocócica pode provocar cegueira.

 
   

amamentados com o leite materno.

A gonorreia pode ser curada com antibióticos, que

 
   

Embora ainda não haja cura para a aids, os tratamen- tos quimioterápicos, denominados terapias antirretrovi- rais, evoluíram muito. O uso combinado de diversas drogas antivirais, os chamados “coquetéis antivirais”, compostos de inibidores da síntese de ácidos nucleicos e de enzimas importantes para a formação das partículas virais, tem conseguido prolongar a vida de muitos doentes.

9

devem ser ingeridos, com acompanhamento médico, tão logo os sintomas se manifestem. É importante que o homem, ao perceber os sintomas iniciais da doença, abstenha-se imediatamente de relações sexuais e infor- me suas parceiras ou parceiros sobre o problema, para que eles também iniciem o tratamento com antibióticos. Esse alerta, aliás, é válido para qualquer tipo de DST.

 
       

Cancro mole

Herpes genital

   
 

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Cancro mole (também chamado cancro venéreo simples ou “cavalo”) é uma DST causada pela bactéria Haemophilus ducreyi , transmitida exclusivamente por via sexual. Caracteriza-se por lesões, geralmente dolorosas, nos órgãos genitais, sendo mais frequente no homem. O período de incubação da bactéria, du- rante o qual os sintomas ainda não se manifestam, geralmente é de três a cinco dias, mas pode durar até duas semanas. O tratamento é feito com antibióticos e a pessoa deve abster-se de relações sexuais até estar

10

15

16

Condiloma acuminado

O herpes genital é uma DST causada pelo herpes- -vírus tipo 2 ou HSV-2 (do inglês, Herpes simplex virus type 2)*. Os sintomas são lesões nos órgãos genitais, no início caracterizadas por bolhas cheias de líquido que, depois, se transformam em pequenas feridas. O período de incubação da doença é de 3 a 14 dias, no caso de ser a primeira infecção. Em muitos casos, o herpes é recorrente, isto é, volta a atacar a pessoa aparentemente curada.

 
 

completamente curada.

O tratamento consiste em limpar as lesões com solução fisiológica ou água boricada e aplicar pomadas antibióticas para evitar infecções secundárias, isto é,

aliviada com analgésicos e anti-inflamatórios. Embora

Linfogranuloma venéreo

 
 

11

O condiloma acuminado (popularmente chamado

17

causadas por outros agentes infecciosos. A dor pode ser

 
 

de “crista de galo” ou de verruga genital) é uma DST causada pelo papilomavírus humano ou HPV (do inglês, human papilloma virus), transmitido por via sexual ou adquirido da mãe durante a gestação. Caracteriza-se pelo aparecimento, nos órgãos genitais, de lesões em forma de verrugas altas, que apresentam um “cume”, ou crista, bem pronunciado (daí o nome condiloma acuminado). Um grande problema do contágio pelo HPV é que ele pode

alguns medicamentos possam reduzir a duração e a frequência das infecções recorrentes, ainda não há cura definitiva para o herpes genital. Um dos riscos dessa DST é a contaminação dos bebês ainda no período de gestação. O herpes pode ser grave nos recém-nascidos e exige cuidados médicos especializados.

 
   

causar também câncer nos órgãos genitais e no ânus.

O linfogranuloma venéreo (conhecido popular-

 
   

O tratamento consiste em remover as lesões con- dilomatosas (com o uso de substâncias químicas ou com cirurgia), mas ainda não se sabe como eliminar o vírus do organismo. Por causa disso, costuma haver recorrências depois da infecção primária.

12

mente por “mula”) é uma DST causada pela bactéria Chlamydia trachomatis , que se transmite exclusi - vamente por via sexual. Os sintomas iniciais são pequenas bolhas ou feridas nos órgãos genitais, que geralmente desaparecem logo. Mais tarde, após um

mais frequente nos homens.

 
       

Gonorreia

período de incubação entre 3 e 30 dias, ocorre grande

 
   

13

A gonorreia (também conhecida por blenorragia) é

18

inchaço nos linfonodos das virilhas (bubão inguinal),

Capítulo 2 • Vírus e bactérias

   

uma DST causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae (gonococo), transmitida exclusivamente por via sexual ou adquirida pelo recém-nascido no momento do par- to. O diagnóstico da doença é fácil nos homens, que manifestam sintomas como ardor ao urinar e produção de uma secreção uretral de cor amarelada, poucos dias após a infecção. Nas mulheres, porém, os sintomas

Os principais sintomas do linfogranuloma venéreo são: febre, indisposição, dores no corpo, suores noturnos, perda de apetite e emagrecimento. Se a pessoa não for tratada a tempo, a doença pode deixar sequelas como perfurações (fístulas) no reto e na vagina. O tratamento é feito à base de antibióticos, que melhoram rapidamente os sintomas, embora não revertam as fístulas.

             
   

*

O HSV- 1 é um vírus que ataca geralmente a mucosa da boca e não é transmitido por contato sexual.

   
A aids é transmitida pelo contato sexual com pes- soas infectadas e também pelo sangue, principalmente

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Sífilis A sífilis é uma DST causada pela bactéria Treponema pallidum, transmitida exclusivamente por via sexual
Sífilis
A sífilis é uma DST causada pela bactéria Treponema
pallidum, transmitida exclusivamente por via sexual ou da
mãe para o feto durante a gestação. A doença apresenta três
estágios distintos, separados por períodos “latentes”. (Fig.
19
2.17)
O primeiro estágio caracteriza-se pelo aparecimento do
“cancro duro”, uma lesão nos órgãos genitais de consistência
endurecida e pouco dolorosa. A lesão cancroide manifesta-se,
em média, cerca de 20 dias após a contaminação. No homem,
o cancro duro aparece com maior frequência na glande do
pênis; na mulher, aparece nos lábios menores, nas paredes
da vagina e no colo uterino.
20
Figura 2.17 Micrografia da bactéria Treponema
pallidum, causadora da sífilis ao microscópio
eletrônico de transmissão (colorizada
artificialmente; aumento  20.0003).
21
No segundo estágio, que geralmente ocorre cerca de seis a oito
semanas após o cancro duro, surgem lesões escamosas na pele e
nas mucosas. Lesões nas palmas das mãos e nas plantas dos pés
são fortes indicativos de sífilis secundária. Outros sintomas são
dores no corpo, febres, dores de cabeça e indisposição.
22
No terceiro estágio, a sífilis pode afetar o sistema nervoso,
causando problemas mentais, dificuldades de coordenação
motora e cegueira. O tratamento é feito com antibióticos
específicos para cada estágio da doença. Naturalmente,
quanto mais cedo a doença for diagnosticada, maior o êxito
do tratamento e menores as sequelas.
Tricomoníase
23
A tricomoníase é uma DST causada pelo protozoário Tricho-
monas vaginalis. Na mulher, os sintomas são corrimento vaginal e
ardor ao urinar. No homem, pode haver ardor e corrimento uretral,
mas a doença permanece assintomática em muitos casos.
Figura 2.18 Micrografia do protozoário
Trichomonas vaginalis, causador da tricomoníase
ao microscópio eletrônico de varredura (colorizada
artificialmente; aumento  3.0003).
24
O tratamento consiste na administração de drogas que matam
os protozoários. Como sempre, todos os parceiros sexuais também
devem se tratar, para evitar recontaminação. (Fig. 2.18)
GUIA DE LEITURA
1.
Leia o primeiro parágrafo e responda: o que são
doenças sexualmente transmissíveis? Se lembrar,
dê um exemplo de uma DST causada por um vírus
e de uma causada por uma bactéria.
5.
No sexto parágrafo são caracterizadas as pes-
soas denominadas “soropositivas” em relação
à aids. Certifique-se de ter compreendido essa
definição. Você poderá encontrar o termo em
2.
Leia o segundo e o terceiro parágrafos. Em sua
opinião, qual é um motivo importante, além do
pessoal, para se tratar as DSTs o mais rapidamen-
te possível?
propagandas de prevenção da doença.
6.
Leia o sétimo parágrafo, que fala sobre as fases
mais avançadas da aids. O que são as chamadas
“infecções oportunistas”?
3.
Após os três parágrafos iniciais são apresentadas
oito DSTs, algumas causadas por vírus e outras
causadas por bactérias. Seu desafio é elaborar uma
tabela que relacione essas DSTs com as seguintes
informações relativas a cada uma: a) agente cau-
sador; b) sintomas e consequências da doença;
c) tratamento e prevenção. Preencha a tabela à
medida que estudar cada um dos itens.
7.
O oitavo parágrafo refere-se às principais formas
de transmissão da aids. Quais são elas? Lembre-
-se de que esses conhecimentos são essenciais
na prevenção da doença.
8.
Leia o nono parágrafo, que comenta algumas
terapias para a aids. Termine de preencher a
coluna (ou linha) de sua tabela relativa à aids.
4.
O quarto e o quinto parágrafos referem-se ao
agente causador da aids e às células do organismo
humano atacadas por ele. De posse dessas informa-
ções você já pode começar a preencher a tabela.
9.
Leia, a seguir, os parágrafos de cada item referen-
tes às outras sete DSTs apresentadas no quadro.
Após estudar cada item, preencha a tabela em
que já aparece a aids.
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Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
     
             
       
 

QUADRO DE CONSULTA I

Algumas doenças humanas causadas por vírus

 
 

I. Doenças virais associadas à pele

 

doença perigosa, principalmente em crianças e idosos. Em

 
 

Catapora (quando ocorre a primeira vez na infância); herpes zóster ou cobreiro (quando há recorrência da infecção na fase adulta).

0,1% dos casos ocorre encefalite, que frequen temente deixa lesões cerebrais permanentes. O sarampo é fatal em cerca de 0,03% dos casos, principalmente em crianças. Adquire-se o vírus pelas vias respiratórias, por meio de gotículas de saliva

Varíola

 
 

É causada pelo varicela-zóster, um vírus envelopado com DNA de cadeia dupla. Afeta frequentemente crianças, com formação de pústulas na pele, que regridem após três ou quatro dias; a infecção pode atingir também diversos ór- gãos internos. O DNA viral permanece, em geral, em estado latente nos gânglios nervosos espinais e pode ser ativado

Herpes simples labial

de pessoas portadoras do vírus. Não há tratamento. A vacina é aplicada na infância juntamente com as vacinas contra ca- xumba e rubéola na forma da vacina tríplice viral. Deve-se evitar contato com pessoas que apresentem os sintomas da infecção.

 
 

décadas mais tarde, causando lesões dolorosas na pele, ao longo de nervos sensitivos, quadro clínico chamado herpes zóster ou cobreiro. Adquire-se o vírus pelas vias respiratórias; a infecção manifesta-se em cerca de duas semanas. Não há tratamento; deve-se evitar o contato com pessoas contami- nadas pelo vírus.

É causada por Orthopoxvirus variolae, um vírus envelopado com DNA de cadeia dupla. O vírus infecta inicialmente órgãos internos antes de entrar na corrente sanguínea e infectar as células da pele, com a formação de pústulas que provocam lesões desfigurantes pelo resto da vida. A taxa de mortalidade é grande entre os infectados. A transmissão ocorre pelas vias respiratórias, por meio de gotículas de saliva de pessoas

II. Doenças virais associadas

 

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O agente causativo é o herpes simplex tipo 1 (HSV-1), um vírus envelopado com DNA de cadeia dupla. A infecção ocorre na infância e chega a atingir 90% da população dos países desenvolvidos, mas apenas 15% apresentam os sintomas, na forma de lesões nas bordas dos lábios. O DNA viral permanece em estado latente no gânglio do nervo trigêmeo que inerva

variações hormonais do ciclo menstrual. Adquire-se o vírus

portadoras do vírus. Não há tratamento. A vacina é muito eficiente e sua aplicação sistemática e generalizada levou à erradicação da doença no mundo.

ao sistema nervoso

 

a face. O vírus pode ser reativado, infectando células da pele e provocando as lesões típicas do herpes. Essas recorrências

Poliomielite

   

estão associadas a situações traumáticas, como exposição excessiva à luz ultravioleta do sol, estresse emocional e

É causada por Enterovirus, um vírus não envelopado com RNA de cadeia simples. O vírus multiplica-se inicialmente em células da garganta e do intestino delgado invadindo,

Raiva

 

por contato com pessoas ou com objetos contaminados, por isso deve-se evitar contato íntimo com pessoas durante as recorrências da infecção. Pomadas contendo inibidores da síntese de DNA viral podem aliviar os sintomas.

em seguida, as tonsilas, os linfonodos do pescoço e o íleo (a porção terminal do intestino delgado). Em geral, a infecção regride e, na maioria dos casos, é assintomática ou produz sintomas leves como dor de cabeça, dor de garganta, febre

 

Rubéola

   

e náusea, confundindo-se com meningite branda ou com

 

É causada por Rubivirus, um vírus envelopado com RNA de cadeia simples. Os sintomas são muito leves e podem passar despercebidos; em geral ocorrem febre branda e pequenas manchas vermelhas na pele. A infecção durante a gravidez produz, em 35% dos casos, a síndrome da rubéola contagiosa, caracterizada por sérios danos ao feto em desenvolvimento, incluindo surdez, catarata, má-formação cardíaca, retardo mental e mesmo a morte. É importante detectar mulheres sem imunidade contra a rubéola; em alguns países, os testes sanguíneos requeridos para obtenção de licença para casa- mento incluem o teste para rubéola. Mulheres não imunes que desejam engravidar devem se vacinar; a vacinação du- rante a gravidez deve ser evitada, pois pode provocar danos ao feto. Adquire-se o vírus pelas vias respiratórias, por meio

Sarampo

gripe. Se a infecção persistir, o que ocorre em cerca de 1% dos casos, os vírus caem na circulação sanguínea e penetram no sistema nervoso central. Ali eles infectam preferencialmente as células nervosas motoras que formam as raízes dorsais dos nervos espinais, matando-as e provocando paralisia e atrofia dos músculos por elas inervados. A doença pode causar a morte se forem atingidos nervos que controlam os músculos do sistema respiratório. Adquire-se o vírus por ingestão de água e alimentos contaminados com fezes de portadores; há indícios de que o vírus também pode ser transmitido pela saliva. Não há tratamento. A vacina é muito eficiente e sua aplicação sistemática e generalizada está levando à erradicação da doença.

 
 

de gotículas de saliva expelidas por pessoas portadoras do vírus. Não há tratamento. A vacina é aplicada na infância juntamente com as vacinas contra sarampo e caxumba na forma da vacina tríplice viral.

É causada por Lyssavirus, um vírus envelopado com RNA de cadeia simples. O vírus multiplica-se inicialmente em células musculares e do tecido conjuntivo, onde permanece por dias ou meses. Em seguida, entra nos nervos periféricos, deslocando-se por eles até o sistema nervoso central, onde causa encefalite. Quando o vírus penetra em áreas ricas em

Capítulo 2 • Vírus e bactérias

 

É causado por Morbillivirus, um vírus envelopado com RNA de cadeia simples. A infecção tem início na parte superior das vias respiratórias e, após um período de incubação de 10 a 12 dias, aparecem sintomas semelhantes aos do resfriado comum: dor de garganta, dor de cabeça e tosse. Logo depois aparecem erupções na pele, começando na face e espalhan- do-se pelo tronco e pelas extremidades. O sarampo é uma

fibras nervosas, como o rosto ou as mãos, o período de incu- bação pode ser bem curto e a doença é mais perigosa, pois não há como combater o vírus após sua entrada no sistema nervoso. Quando este é atingido, alternam-se períodos de agitação e de calma. Nessa fase são frequentes os espasmos dos músculos da boca e da faringe, que ocorrem quando o animal ou a pessoa afetada tentam inalar ar ou beber água.

Algumas doenças humanas causadas por vírus I. Doenças virais associadas à pele doença perigosa, principalmente

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QuADro De CoNSulTA I • Algumas doenças humanas causadas por vírus

A simples visão de água ou o pensar nela desencadeia os es- pasmos, daí a doença ser conhecida também como hidrofobia. A raiva é sempre fatal em questão de dias. O vírus presente na saliva do animal infectado é transmitido por mordida ou pelo contato com ferimentos expostos. Antes que atinja o sistema nervoso, a doença pode ser evitada com a injeção de anticorpos antivirais (soro) ou mesmo com vacinação pós- -exposição ao vírus. Pessoas mordidas por um animal (ou se a saliva deste entrar em contato com algum ferimento exposto) devem lavar o local ferido com água limpa e sabão, manter o animal sob observação rigorosa e procurar imediatamente um serviço de assistência médica.

III.

Doenças virais associadas aos sistemas cardiovascular e linfático

Dengue

É causada por Flavivirus (arbovírus), um tipo de vírus enve- lopado com RNA de cadeia simples. São conhecidas quatro variedades do vírus, três das quais ocorrem no Brasil. Se uma pessoa for infectada por uma das formas não adquire imuni- dade para as outras. A dengue, também conhecida como febre quebra-ossos, caracteriza-se por febre, dor muscular intensa, dores nas juntas, manchas vermelhas na pele e pequenas manifestações hemorrágicas. Essa é a forma mais branda da doença, conhecida como dengue clássica, cujos sintomas regridem em cinco a sete dias, podendo persistir a fadiga. A forma mais grave, conhecida como dengue hemorrágica, tem sintomas iniciais basicamente semelhantes aos da dengue clássica mas, no terceiro ou quarto dia, começam a ocorrer sangramentos internos, a pressão sanguínea cai, os lábios

ficam roxos, ocorrem dores abdominais e alternam-se perío- dos de letargia e de agitação. A dengue hemorrágica pode levar à morte. Adquire-se dengue pela picada de um mosqui- to portador do vírus, o Aedes aegypti ou o Aedes albopictus. Nenhuma dessas duas espécies é nativa das Américas, tendo sido introduzidas diversas vezes em nosso continente. O Ae- des aegypti é o principal vetor da dengue no Brasil e o Aedes albopictus, na Ásia e nos EUA. Os mosquitos infectados podem transmitir o vírus à descendência pelos ovos. Não há trata- mento específico para a dengue; combatem-se os sintomas com hidratação e antitérmicos, mas medicamentos à base de ácido acetilsalicílico, como a aspirina, não devem ser utilizados, uma vez que essa substância pode aumentar as hemorragias. A doença pode ser controlada e eventualmente erradicada com eliminação dos mosquitos vetores. Uma medida é im- pedir o acesso do mosquito a qualquer tipo de água parada onde ele possa depositar seus ovos e suas larvas venham a se desenvolver; devem-se cobrir caixas-d’água e eliminar pneus, vasos e utensílios onde haja risco de acumular água da chuva, servindo de criadouro aos mosquitos transmissores.

Febre amarela

É causada por Flavivirus (arbovírus), um vírus envelopado com RNA de cadeia simples. O vírus infecta inicialmente cé- lulas dos linfonodos, espalhando-se em seguida pelo fígado, baço, rins e coração. No início da infecção os sintomas são febre, calafrios, dor de cabeça, dor nas costas e, em seguida, náusea e vômito. Com a lesão do fígado, pigmentos biliares (bilirrubina) são liberados no sangue e se depositam na pele e nas membranas mucosas, levando a pessoa a ad- quirir uma tonalidade amarelada (icterícia); daí o nome da

doença. A febre amarela é uma doença ainda endêmica na América Central, nas regiões tropicais da América do Sul e na África. O vírus é transmitido por mosquitos Aedes aegypti

contaminados; nas matas, outras espécies de mosquito trans- mitem a doença; os reservatórios naturais são macacos. Não há tratamento específico para a febre amarela. A vacinação, com a forma atenuada do vírus, confere imunidade efetiva com poucos efeitos adversos. A doença pode ser controlada e eventualmente erradicada pelo combate aos mosquitos vetores. Devem-se eliminar os criadouros de mos qui tos, como foi mencionado no caso da dengue.

Mononucleose

É causada por Lymphocryptovirus (vírus Epstein-Barr), um vírus envelopado com DNA de cadeia dupla. O vírus Epstein- -Barr é um dos mais comuns, ocorrendo em todo o mundo. Nos países desenvolvidos, onde há estatísticas a respeito,

cerca de 95% das pessoas com idade entre 35 e 40 anos já

foram infectadas por esse vírus. Crianças tornam-se susce- tíveis à infecção pelo vírus assim que desaparece a proteção por anticorpos maternos presentes em seu sangue por oca- sião do nascimento. Quando a pessoa se infecta durante a infância não ocorrem sintomas específicos e as indisposições causadas pelo vírus são confundidas com doenças infantis sem importância. Quando a infecção ocorre na adolescência ou logo depois (cerca de 35% a 50% dos casos), ocorre a mono- nucleose, cujos sintomas são febre, dor de garganta e inchaço dos linfonodos. Problemas cardíacos e comprometimento do sistema nervoso ocorrem raramente e há pouquíssimos casos fatais. Após a infecção, o vírus permanece latente em células da garganta e do sangue pelo resto da vida; ele é reativado periodicamente, reproduzindo-se e liberando novos vírus que são detectados na saliva, mas nessas recorrências da infecção os sintomas não reaparecem. Em uns poucos portadores, o vírus parece ter algum papel no desenvolvimento de cân- ceres (linfoma de Burkitt e carcinoma nasofaríngeo), não sendo, no entanto, a única causa dessas doenças. A pessoa adquire o vírus por contato íntimo com a saliva de pessoas contaminadas, sendo praticamente impossível evitar a dispersão do vírus. Não há tratamento.

IV. Doenças virais associadas ao sistema respiratório

Gripe

É causada por Influenzavirus, um vírus envelopado que con- tém oito moléculas de RNA de cadeia simples. Os sintomas são calafrios, febre, dor de cabeça e dores musculares gene- ralizadas. A recuperação costuma ocorrer em poucos dias, mas pessoas idosas e crianças, bem como as debilitadas por doenças crônicas, correm o risco de desenvolver pneumonia viral ou bacteriana, otites, sinusites, entre outras doenças. Essas complicações, dependendo da gravidade, podem causar até a morte da pessoa. A contaminação dá-se por meio de gotículas de saliva contendo o vírus, que penetram pelas vias respiratórias. A droga antiviral amantadina parece reduzir significativamente os sintomas se administrada apropria- damente. A vacinação de idosos tem sido bastante eficiente, reduzindo significativamente a taxa de mortes.

Resfriado comum

Cerca de 50% dos resfriados são causados pelo Rhinovirus, um vírus não envelopado com RNA de cadeia simples. Entre 15% e 20% são causados por Coronavirus, um vírus envelopado de RNA com cadeia simples. Os demais casos devem-se a vírus diversos. Os vírus infectam células da mucosa nasal, produzindo sintomas como espirros, aumento de secreção das vias respiratórias e congestão nasal. A infecção pode

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Capítulo 2 • Vírus e bactérias

 
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QuADro De CoNSulTA I • Algumas doenças humanas causadas por vírus

facilmente espalhar-se da garganta para os seios nasais, as vias respiratórias inferiores e os ductos auditivos, causando laringite e otite. Adquire-se o vírus por contato direto com secreções nasais ou com ambientes contaminados; os vírus podem resistir durante horas em superfícies como telefones e outros utensílios, podendo contaminar as mãos e ser levados até as cavidades nasais. Não há tratamento. Deve-se evitar contato com pessoas apresentando sintomas da infecção.

Síndrome respiratória aguda grave ou SaRS (do inglês, Severe Acute Respiratory Syndrome)

É causada por Coronavirus, um vírus envelopado com RNA de cadeia simples. A doença foi registrada pela primeira vez em fevereiro de 2003, na China, infectando de início 300 pessoas, das quais 5 morreram. Os sintomas são febre, tosse seca, dor de cabeça, dispneia (dificuldade em respirar) e, em alguns casos, diarreia. Embora relativamente leves na primei- ra semana, os sintomas costumam agravar-se em seguida. Os primeiros dados indicam que a infecção mata 13,2% dos afetados com menos de 60 anos e 43,3% das pessoas com mais de 60 anos. A origem do vírus parece ter sido a civeta (Paguma larvata), um mamífero do tamanho aproximado de um gato, muito apreciado como quitute em certas regiões da China. Transmite-se de pessoa para pessoa pelo ar e também por objetos contaminados. Pode ser que se transmita também pela ingestão de alimentos ou água contaminados por fezes de doentes. Não há tratamento. Deve-se evitar contato com pessoas que apresentem os sintomas da infecção e os locais por elas frequentados.

V. Doenças virais associadas

ao sistema digestório

Caxumba (parotidite epidêmica)

É causada por Paramyxovirus, um vírus envelopado com RNA de cadeia simples. O vírus infecta, em geral, células das glândulas salivares parótidas, provocando inchaço em um ou em ambos os lados da porção superior do pescoço, acompa- nhado de febre e dor ao engolir. Entre 20% e 30% dos homens infectados após a puberdade apresentam inflamação dos testículos (orquite) que, em casos raros, provoca esterilidade. Pode raramente provocar inflamação dos ovários. A transmis- são dá-se por meio de gotículas de saliva contendo os vírus, que penetram pelas vias respiratórias. Não há tratamento; deve-se evitar o contato com pessoas doentes e com objetos utilizados por elas. A imunização é feita por vacina aplicada na infância juntamente com as vacinas contra sarampo e rubéola na forma da vacina tríplice viral.

Gastrenterite rotaviral

É causada por Rotavirus, um tipo de vírus não envelopado que contém 11 moléculas de RNA de dupla cadeia no capsídio. Após um período de incubação de dois ou três dias, surgem os sintomas: febre baixa, diarreia e vômito, que podem persistir por cinco a oito dias. A infecção pelo rotavírus é a causa mais comum de diarreia severa em crianças, sendo responsável por cerca de 600 mil mortes por ano, no mundo. Adquire-se a doen ça pela ingestão de alimentos ou água contaminados por fezes contendo o vírus. A substituição do leite materno por mamadeira aumenta o risco de contaminação, princi- palmente em populações carentes de saneamento básico. Não há forma de combater a infecção; o único tratamento é a reidratação oral dos pacientes e, em casos graves, a reidra- tação intravenosa.

Hepatites a e E

São causadas pelos vírus Hepatitis A (HAV) e Hepatitis E (HEV), respectivamente, dois vírus não envelopados com RNA de cadeia simples. Esses vírus multiplicam-se inicialmente nas células do epitélio do intestino e, em seguida, espalham-se pelos rins, baço e fígado, cuja inflamação caracteriza a doen- ça. Os sintomas são, em geral, sub clínicos, ou seja, passam despercebidos. Nos casos severos ocorrem febre, dor de cabeça, indisposição e icterícia, devido à ruptura de células hepáticas e à liberação de bilirrubina, que se deposita na pele e nas membranas mucosas. As hepatites A e E não causam doença crônica do fígado como as outras hepatites virais (B, C e D). A contaminação dá-se por ingestão de alimentos e água contaminados com fezes de portadores do vírus. Não há tratamento, mas logo será comercializada uma vacina contra a hepatite A, que confere proteção apenas temporária. Deve-se evitar o contato com pessoas doentes. Tratamento de água e outras medidas de saneamento básico podem conter a disseminação do vírus.

Hepatite B

É causada por Hepadnavirus, um vírus de DNA de cadeia dupla, envelopado. O DNA viral não se duplica diretamente; em sua replicação, é utilizada a enzima transcriptase reversa, produzindo o DNA dos novos vírus a partir de RNA mensagei- ro. Os sinais clínicos da infecção variam muito, mas cerca de metade dos casos são assintomáticos. Os sintomas, quando ocorrem, são: perda de apetite, febre baixa e dores nas juntas; posteriormente, pode ocorrer icterícia. O vírus pode causar hepatite crônica e câncer de fígado. A transmissão dá-se por transfusão de sangue ou contato com fluidos corporais (saliva, leite e sêmen) contaminados. Não há tratamento,

mas como prevenção pode-se utilizar uma vacina produzida por engenharia genética. Dentre as medidas preventivas destacam-se: o uso de camisinha nas relações se xuais; o não compartilhamento de objetos como lâminas de bar bear, escovas de dente e seringas; a não utilização de agulhas de tatuagem e de equipamentos de piercing não devidamente esterilizados; a utilização somente de sangue devidamente testado para transfusões.

Hepatite C

É causada pelo vírus Hepatitis C (HCV), um vírus envelopado com RNA de cadeia simples. Os sintomas são leves ou subclí- nicos; 50% dos casos, porém, evoluem para hepatite crônica. A transmissão dá-se por transfusão de sangue contaminado; durante relações sexuais, quando há contato sanguíneo entre os parceiros; de mãe contaminada para o feto por meio de hemorragias placentárias. Muitos casos crônicos respondem ao tratamento com interferon alfa, mas são frequentes as recaídas.

Hepatite D

É causada pelo vírus da hepatite D, conhecido também como vírus delta (HDV). Esse é um vírus que não consegue produzir envoltório proteico e, por isso, está sempre associado ao vírus da hepatite B (HBV), utilizando o capsídio deste para sair da célula hospedeira e infectar outras células. Alguns o consideram um viroide e não um vírus. O HDV já foi detectado em diversas partes do mundo, sendo endêmico na região da Amazônia. A pessoa nunca é infectada apenas pelo HDV, adquirindo esse vírus juntamente com o HBV ou se já estiver contaminada por ele. Os sintomas são os da hepatite B. Não há tratamento e as medidas preventivas são as mesmas que se utilizam para a hepatite B.

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QUADRO DE CONSULTA II

 

Algumas doenças humanas causadas por bactérias

 
 

I.

Doenças bacterianas associadas à pele

Meningite

   
   

acne

   

Os agentes causativos podem ser Neisseria meningitidis,

 
 

É provavelmente a doença de pele mais comum, afetando principalmente adolescentes. Resulta do bloqueio dos ductos secretores das glândulas sebáceas do pelo, com acúmulo de se- creção e formação de um ponto esbranquiçado característico. O folículo piloso rompe-se e é invadido por Propionibacterium acnes, normalmente presente na pele. Essas bactérias alimentam-se da secreção do folículo e produzem ácidos graxos que induzem a resposta inflamatória, com formação de pústulas que podem resultar em cicatrizes. Não é contagiosa; as causas são alterações hormonais no organismo e proliferação da bactéria comum da pele. Como prevenção deve-se evitar o uso de cosméticos e

Hemophilus influenzae ou Streptococcus pneumoniae . As bactérias provocam inflamação das meninges, causando febre alta, dores de cabeça intensas, rigidez do pescoço e vômitos, podendo levar à morte. A contaminação dá-se pelas vias respiratórias, por inalação de partículas contaminadas por saliva ou secreção nasal de portadores da bactéria, que podem não apresentar os sintomas da infecção (portadores assintomáticos). Uma atitude preventiva é evitar aglomera- ções em ambientes pouco ventilados e contato com pessoas contaminadas, que devem ficar hospitalizadas em isolamen- to. Utiliza-se também a vacinação. O tratamento é feito com antibióticos específicos.

Tétano

 
 

manter higiene cuidadosa da face e dos cabelos. O tratamento é feito com a aplicação de antissépticos e o uso de antibióticos específicos, com orientação de um dermatologista.

Erisipela

É causada por Streptococcus pyogenes e ocorre mais fre - quentemente em crianças e em idosos. Caracteriza-se pela presença de manchas avermelhadas na pele, produzidas pelas toxinas bacterianas. O quadro é geralmente acompanhado de febre alta. O modo de contágio ainda não está definido; não se sabe se a pele é invadida por bactérias vindas diretamente do ambiente ou de algum local contaminado do corpo, via sistema linfático (uma infecção de garganta causada por

É causado pelo Clostridium tetani, cujos esporos estão presen- tes no solo e penetram no corpo através de lesões profundas na pele. As toxinas liberadas pela bactéria atuam sobre os nervos motores provocando fortes contrações musculares; se não for tratada a tempo, ocorre morte por parada respiratória e cardíaca. Como prevenção, utiliza-se vacinação. Em caso de ferimentos sujos e profundos com sinais de contaminação, aplica-se soro antitetânico. O tratamento consiste em re- mover o tecido danificado (para evitar a produção de mais toxina) e administrar antibióticos (pouco eficaz se a toxina tiver atingido os nervos).

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estreptococo, por exemplo). Como tratamento empregam-se antibióticos específicos.

III.

Doenças bacterianas associadas aos sistemas cardiovascular e linfático

 

Impetigo

         
 

Comum em crianças; nas mais jovens é geralmente causada por Staphylococcus aureus, e nas em idade escolar, por Strep- tococcus pyogenes. Os sintomas são pústulas isoladas na pele, que se rompem e desenvolvem uma “casca”. O contágio dá-se por contato direto com pessoas portadoras; as bactérias pe- netram por pequenas lesões previamente existentes na pele. Como prevenção deve-se manter a higiene da pele. O trata- mento é feito com antissépticos e antibióticos específicos.

Brucelose

É causada por bactérias do gênero Brucella, que provocam sintomas variados e, em muitos casos, subclínicos; nos casos agudos, há febre e calafrios. A bactéria, presente no gado, é transmitida por leite não pasteurizado e pela manipulação da carne de animais contaminados, penetrando no corpo por lesões na pele ou através das mucosas da boca, da garganta e do tubo digestório. Como prevenção deve-se evitar o consumo

Unidade B • Vírus, bactérias, algas, protozoários e fungos

II.

Doenças bacterianas associadas ao sistema nervoso

de carne crua de matadouros clandestinos e leite não pasteuri- zado; o tratamento é feito com antibióticos específicos.

 
         

Febre maculosa

   

Botulismo

       

É causado pela ingestão da toxina botulínica produzida por Clostridium botulinum, presente em alimentos industriali- zados mal processados (enlatados, conservas e embutidos como salsicha). O principal sintoma é paralisia muscular, pois a toxina bloqueia a transmissão de impulsos nervosos. Pode ser fatal se não for tratada rapidamente, em decorrência da paralisia dos músculos responsáveis pela respiração. O tratamento é feito com soro antitoxina.

O agente causativo é Rickettsia rickettsii e os sintomas são fe- bre alta, dor de cabeça e vômito, além de manchas vermelhas no corpo devido a hemorragias subcutâneas provocadas pelo ataque das bactérias aos vasos sanguíneos. A taxa de mortali- dade é alta quando a infecção não é tratada adequadamente. A bactéria é transmitida pela picada do carrapato-estrela (Dermacentor variabilis) contaminado. O carrapato adulto ou suas ninfas, conhecidas como micuins, contaminam-se ao

 

Lepra ou hanseníase

   

sugar animais portadores da bactéria, como aves, mamíferos domésticos e selvagens. Como prevenção devem-se evitar

 

O agente causativo é Mycobacterium leprae, que se aloja em nervos sensitivos próximos à superfície do corpo, levando à perda de sensibilidade e, por isso, são frequentes as lesões

na pele e mucosas. O tratamento é feito com antibióticos

locais infestados pelo carrapato ou proteger-se adequada- mente contra eles, além de combatê-los. O tratamento é feito com antibióticos específicos.

Febre reumática

Desenvolve-se em decorrência de infecções por Streptococcus

 

na pele e nas extremidades afetadas. O contágio dá-se pelo contato com secreções contaminadas de pessoas doentes; as bactérias penetram no corpo através de pequenas lesões

específicos e a prevenção (ainda em testes), pela vacinação de pessoas que tenham contato íntimo com portadores.

pyogenes e outros estreptococos. A ação da bactéria ainda é pouco conhecida, mas o resultado é uma reação de autoi- munidade, desencadeada pela infecção da garganta pelo estreptococo. Afeta geralmente crianças e jovens entre 4 e

 

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Capítulo 2 • Vírus e bactérias

 
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Capítulo

QuADro De CoNSulTA I I • Algumas doenças humanas causadas por bactérias

18 anos, podendo causar artrite e inflamação do coração, com danos às valvas cardíacas. A contaminação dá-se pelas vias respiratórias, por inalação de partículas contaminadas por saliva ou secreção nasal de portadores da bactéria. A aplicação de antibióticos em pessoas com infecção de garganta pelo estreptococo é usada como prevenção.

Gangrena gasosa

Gangrena é a morte de tecidos pela interrupção do suprimen- to sanguíneo, causada, por exemplo, por um ferimento. Subs- tâncias liberadas pelos tecidos mortos servem de alimento a diversas bactérias, entre elas Clostridium perfringens, que produz gás e leva ao inchaço dos tecidos. Toxinas liberadas por essa bactéria destroem progressivamente os tecidos e a doen- ça espalha-se; quando não tratada, é sempre letal. Adquire- -se a bactéria por contaminação de ferimentos necrosados com esporos bacterianos presentes no solo. Previne-se pela limpeza adequada de ferimentos e tratamento preventivo com antibióticos específicos. Uma vez instalada a bactéria, é necessária a remoção cirúrgica do tecido necrosado, muitas vezes por amputação do membro afetado.

Peste

O agente causativo é Yersinia pestis, uma bactéria que pode multiplicar-se no interior dos macrófagos, em vez de ser des- truída. Os sintomas são inchaço dos linfonodos das virilhas e axilas, acompanhado de febre. Sem tratamento, a morte pode ocorrer menos de uma semana após os primeiros sintomas. Adquire-se a bactéria pela picada de pulga-do-rato (Xenop- sylla cheopis) contaminada ou por ferimentos e arranhões causados por animais infectados (cães ou gatos). A prevenção

consiste em combater pulgas e ratos e evitar contato com

animais que possam estar contaminados. O tratamento é feito com antibióticos específicos.

Tifo epidêmico

É causado pela bactéria Rickettsia prowazekii, transmitida por fezes do piolho-do-corpo (Pediculus humanus corporis) contaminado; a bactéria penetra através do ferimento da picada quando o local é coçado. Os sintomas são febre alta e persistente por cerca de duas semanas e manchas vermelhas no corpo devido a hemorragias subcutâneas provocadas pela entrada das bactérias nas células da parede dos vasos sanguíneos. A taxa de mortalidade é alta quando a infecção não é tratada adequadamente. Como prevenção deve-se evitar a presença do piolho mantendo as habitações limpas. O tratamento é feito com certos tipos de antibiótico.

Tifo endêmico

O agente causativo é a bactéria Rickettsia typhi, transmitida pela picada da pulga-do-rato (Xenopsylla cheopis) contamina- da. Os sintomas são semelhantes ao do tifo epidêmico, mas menos severos. A prevenção consiste em combater as pulgas e os ratos. O tratamento é feito com antibióticos específicos.

IV.

Doenças bacterianas associadas ao sistema respiratório

antraz

É causada pelo Bacillus anthracis, que produz infecção purulen- ta localizada quando penetra por ferimento, havendo perigo de septicemia (infecção generalizada). Situações mais graves ocorrem pela inalação dos esporos e instalação de pneumo- nia, com febre alta, dificuldade para respirar e dores no peito; nesses casos, na maioria das vezes, ocorre septicemia, e a taxa

de mortalidade é alta. A contaminação dá-se pela inalação ou ingestão de grande quantidade de esporos, geralmente presen- tes no solo. Como prevenção deve-se evitar contato com locais contaminados, em geral pastos onde morreram animais com a doença. O tratamento é feito com antibióticos específicos.

Coqueluche

Causada por Bordetella pertussis , afeta principalmente crianças. Os primeiros sintomas assemelham-se aos de um resfriado. Em seguida sobrevém uma fase de tosse intensa, decorrente de as secreções bacterianas imobilizarem os cílios da traqueia, impedindo a eliminação de muco. A tosse é a tentativa do organismo de eliminar o muco acumulado nas vias respiratórias. A recuperação é lenta e pode levar meses. A contaminação dá-se pela inalação de bactérias eliminadas durante a tosse de pessoas infectadas. A prevenção é feita pela vacinação, aos dois meses de idade. O tratamento em- prega antibióticos específicos.

Difteria (ou crupe)

É causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae. Inicial- mente ocorrem dor de garganta e febre, seguidas de mal-estar e inchaço do pescoço. Forma-se na garganta uma membrana cinzenta em resposta à infecção, constituída por fibrina, tecidos mortos e células bacterianas, podendo bloquear totalmente a passagem de ar para os pulmões. Algumas linhagens da bactéria, portadoras de um fago lisogênico, podem produzir uma toxina potente que ataca o coração e os rins, causando a morte. A contaminação ocorre pela inalação de bactérias eliminadas com as secreções respiratórias de pessoas in- fectadas, as quais podem ser assintomáticas. O tratamento constitui-se na ministração de antibióticos específicos e soro antitoxina. A prevenção é feita com vacina aplicada normal- mente nos primeiros meses de vida.

Pneumonia bacteriana

O agente causativo é a bactéria Streptococcus pneumoniae. Os sintomas são febre, dificuldade respiratória e dor no peito. Em resposta à infecção, os alvéolos pulmonares ficam tomados por glóbulos vermelhos, leucócitos e fluido dos tecidos. As bactérias podem invadir a corrente sanguínea, a cavidade pleural e, ocasionalmente, as meninges. Muitas doenças de pessoas idosas evoluem para pneumonia estreptocócica. O contágio ocorre pela inalação de bactérias eliminadas com as secreções respiratórias de pessoas infectadas, as quais podem ser assintomáticas. O tratamento é feito com antibióticos específicos; a prevenção, principalmente em idosos, é feita por meio da vacinação.

Tuberculose

O agente causativo é Mycobacterium tuberculosis. As bactérias primeiramente multiplicam-se no interior de macrófagos que, ao invés de destruí-las, passam a protegê-las. Quando o número de bactérias torna-se muito grande, elas abando- nam os macrófagos e espalham-se pelo sistema respiratório e, eventualmente, por outros sistemas corporais. A pessoa

perde peso e vigor corporal, sendo acometida por crises de

tosse com eliminação de secreção sanguinolenta, decorrente da ruptura de vasos sanguíneos pulmonares. Se não for tra- tada adequadamente, causa morte. Pessoas saudáveis são geralmente resistentes à infecção pelo bacilo da tuberculose; se a imunidade diminui, a bactéria instala-se e causa a enfer- midade. A queda da imunidade pode ocorrer devido a outras enfermidades, má nutrição e estresse. O bacilo é adquirido normalmente por inalação; ao atingir os alvéolos pulmonares,

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Capítulo

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QuADro De CoNSulTA II • Algumas doenças humanas causadas por bactérias é fagocitado pelos macrófagos. A
QuADro De CoNSulTA II • Algumas doenças humanas causadas por bactérias
é fagocitado pelos macrófagos. A prevenção é feita com a
vacina BCG; devem-se evitar ambientes com condições de
higiene ruins e aglomeração de pessoas. A detecção de porta-
dores assintomáticos do bacilo da tuberculose pode ser feita
pelo teste da vacina tuberculina na pele (teste de Mantoux).
O tratamento dos portadores é feito com antibióticos espe-
cíficos. O aparecimento recente de linhagens resistentes da
bactéria da tuberculose tem sido motivo de preocupação dos
órgãos de saúde pública em diversos países.
Gastrenterite (diarreia do viajante)
É causada por algumas linhagens patogênicas de Escherichia
coli que produzem toxinas responsáveis pelos distúrbios gas-
trintestinais. Os sintomas são diarreia aquosa, assemelhando-
-se a uma forma branda de cólera. A contaminação dá-se pela
ingestão de água ou de alimentos contaminados com fezes de
portadores. É quase impossível evitar. O tratamento é a reidra-
tação oral, recomendada para qualquer tipo de diarreia.
Salmonelose
V.
Doenças bacterianas associadas
ao sistema digestório
Cárie dentária
É causada por Streptococcus mutans, uma bactéria comumente
presente na cavidade bucal. Resulta da deterioração dos tecidos
do dente pelas secreções produzidas por bactérias que formam
as placas dentárias. A degradação do esmalte abre caminho para
a invasão dos tecidos internos do dente (dentina) pelas bactérias.
A prevenção da cárie consiste em diminuir a ingestão de açú-
cares e manter a higiene cuidadosa dos dentes, escovando-os
depois de cada refeição. A aplicação de flúor fortalece o esmalte
dentário. Deve-se consultar regularmente o dentista.
É causada por bactérias do gênero Salmonella, que penetram
nas células da parede intestinal, onde se multiplicam, poden-
do, eventualmente, atravessá-la e atingir vasos sanguíneos e
linfáticos, espalhando-se pelo corpo. Os sintomas são febre
moderada, dores abdominais, cólicas e diarreia, dependendo
da quantidade de bactérias ingeridas. Adquire-se a bactéria
pela ingestão de produtos de origem animal contaminados,
principalmente ovos e carne de galináceos. A prevenção con-
siste na higiene adequada dos criadouros de animais, para
evitar sua contaminação, na refrigeração adequada da carne,
para evitar a proliferação das bactérias contaminantes, e no
cozimento adequado de carne e ovos. O tratamento é a reidra-
tação oral, recomendada para qualquer tipo de diarreia.
Cólera
Doença péptica
É causada por Vibrio cholerae. A bactéria multiplica-se no
intestino delgado e produz uma toxina que induz as células
intestinais a liberar água e sais. A perda de líquido, na forma
de vômito e, principalmente, de diarreia, pode chegar de 12 a
20 litros em um só dia, levando ao colapso dos órgãos e, com
frequência, à morte. Adquire-se a bactéria pela ingestão de
água ou de alimentos contaminados com fezes de portadores.
Como prevenção devem-se evitar alimentos preparados sem
condições higiênicas adequadas e a ingestão de água não
potável. O tratamento é feito com antibióticos específicos e
reposição de líquidos e sais minerais.
O agente causativo é Helicobacter pylori, uma bactéria que se
instala na parede do estômago, causando ruptura da camada
protetora de muco e contribuindo para agravar uma gastrite,
levando-a a evoluir para úlcera péptica. A maioria das pes-
soas possui a bactéria no estômago e o desenvolvimento da
doença depende de sua associação a outros fatores (estresse,
condições alimentares etc.). O tratamento consiste na elimi-
nação da bactéria por meio de antibióticos específicos, o que
leva, em geral, ao desaparecimento das úlceras pépticas.
VI.
Disenteria bacilar (ou shigelose)
Doenças bacterianas associadas
ao sistema urinário
É causada por bactérias do gênero Shigella . As bactérias
multiplicam-se nas células do intestino delgado, liberando
uma toxina muito ativa que destrói a mucosa do intestino
grosso, causando diarreia severa e, em alguns casos, febre.
As formas mais agudas da doença podem levar à morte.
Alguns casos da chamada “diarreia do viajante” são uma
forma branda de disenteria bacilar. Adquire-se a bactéria
pela ingestão de água ou de alimentos contaminados com
fezes de portadores. Como prevenção, devem-se evitar ingerir
alimentos preparados sem condições higiênicas adequadas
e água não potável. O tratamento é feito com antibióticos
específicos e reposição de líquidos e sais minerais.
Cistite
Os agentes causativos são Escherichia coli ou Staphylococcus
saprophyticus. A bactéria causa inflamação da bexiga urinária,
o que provoca dificuldade em urinar e a presença de leucócitos
na urina. Afeta mais comumente as mulheres. Desenvolve-se
em decorrência da contaminação da uretra com bactérias
presentes nas aberturas do sistema urogenital. A infecção
é facilitada pelas relações sexuais e pelo descuido com a
higiene pessoal. A prevenção é feita por meio de cuidados
com a higiene pessoal e o tratamento, pelo uso de substân-
cias bactericidas.
Febre tifoide
Leptospirose
O agente causativo é a bactéria Salmonella typhi. Cerca de
duas semanas após a infecção (período de incubação), ocorrem
febre e forte dor de cabeça; a diarreia tem início apenas após
três semanas, quando a febre declina. Durante esse período,
a bactéria dissemina-se por todo o organismo e pode ser iso-
lada do sangue, da urina e das fezes. Em casos graves podem
ocorrer perfuração do intestino e morte. Adquire-se a bactéria
pela ingestão de água ou de alimentos contaminados com
fezes de portadores. Como prevenção deve-se evitar ingerir
alimentos preparados sem condições higiênicas adequadas
e água não potável. O tratamento é feito com antibióticos
específicos e reposição de líquidos e sais minerais.
É uma doença típica de animais domésticos e selvagens
causada por Leptospira interrogans. Os animais portadores
eliminam a bactéria na urina e as pessoas infectam-se pelo
contato com água e solo contaminados. Após um período de
incubação de uma a duas semanas, aparecem os sintomas:
dor de cabeça, dor muscular, calafrios e febre. Pode afetar o
fígado e os rins. Comprometimentos renais são as principais
causas de morte pela doença. A prevenção consiste em com-
bater os ratos, um dos principais portadores, e evitar contato
com animais que possam estar contaminados. O tratamento
é feito com antibióticos específicos.
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Unidade B • Vírus, bactérias, algas, protozoários e fungos
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AtIVIDADEs Escreva as respostas no caderno
AtIVIDADEs
Escreva as respostas no caderno
AtIVIDADEs Escreva as respostas no caderno

     
 
QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR 11 . Cápsula bacteriana é

QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR

   
  • 11. Cápsula bacteriana é

  • a) a membrana plasmática das bactérias.

  • Questões objetivas

  • b) um revestimento mucoso externo à parede celular.

 

Considere as alternativas a seguir para responder

  • c) sinônimo de parede celular.

às questões de 1 a 6.

  • d) uma forma de resistência.

  • a) Bacteriófago.

 
  • b) Capsídio.

 
  • 12. Uma justificativa para agrupar bactérias e arqueas

    • a) são unicelulares.

  • c) Envelope viral.

no mesmo reino é que ambas

  • d) Infecção viral.

  • b) têm célula procariótica.

  • e) Nucleocapsídio.

  • c) têm DNA.

f ) Parasita intracelular.

  • d) têm parede com peptidioglicano.

 
  • 1. Qual dos termos é utilizado para indicar que um vírus só se multiplica no interior de uma célula viva?

 
13. Observe o diagrama a seguir, que representa um cladograma dos grandes grupos de seres vivos.
13. Observe o diagrama a seguir, que representa um
cladograma dos grandes grupos de seres vivos.
BACTERIA
ARCHAEA
EUKARYA
(Eubactérias)
(Arqueobactérias)
(Eucariotos)
2
1
ADILSON SeCCO

Com base no diagrama pode-se concluir que

 
  • 2. Como se denomina a porção de membrana plas- mática que envolve certos tipos de vírus?

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

  • 3. Qual é a denominação do conjunto formado pelo ácido nucleico viral e pelas proteínas que o en- volvem?

  • 4. Que termo é utilizado para designar o processo de penetração e multiplicação do vírus na célula hospedeira?

  • 5. Como se denomina um vírus cujo hospedeiro é uma bactéria?

  • 6. Qual é a denominação do conjunto de proteínas

  • a) o organismo 2 é o ancestral de todas as bactérias atuais.

 

que envolve o ácido nucleico viral?

  • b) as arqueas são mais aparentadas com as bacté- rias.

  • 7. Os vírus se distinguem dos demais seres vivos porque

   
 
  • a) são parasitas intracelulares.

  • b) têm células procarióticas.

 
  • c) os seres eucarióticos são mais aparentados com as arqueas.

  • d) o organismo 2 é mais antigo que o organismo 1.

  • c) não têm estrutura celular.

 
  • d) não têm proteínas em sua constituição.

 
d) não têm proteínas em sua constituição. Questão discursiva

Questão discursiva

  • 8. O material genético dos vírus é

    • a) c) sempre DNA e RNA.

sempre DNA.

   
  • 14. Recentemente foi descoberto que um dos princi - pais agentes causadores de úlceras estomacais e

 
  • b) d) DNA ou RNA.

sempre RNA.

duodenais é uma bactéria, Helicobacter pylori . Leia,

 
  • 9. A vacinação contra um vírus consiste em

 

a seguir, as conclusões de uma clínica de gastren- terologia, publicadas na internet. Reproduzimos

 
  • a) impedir que vírus infectantes penetrem no corpo.

essas conclusões da maneira exata como estavam escritas:

  • b) injetar na pessoa agentes infecciosos atenuados, que ativam as defesas corporais.

A infecção pelo Helicobacter Pylori é o processo Crônico mais difundido do Universo. Existem

  • c) injetar na pessoa drogas quimioterápicas que destroem os vírus.

3 tipos de Helicobacter Pylori: Bom, Médio e Mau. Bactéria boa é bactéria morta.

  • d) injetar na pessoa antibióticos específicos contra doenças virais.

  • a) O nome científico da bactéria está escrito de acordo com as normas da nomenclatura científica?

Capítulo 2 • Vírus e bactérias

Capítulo 2 • Vírus e bactérias
 
  • 10. Moléculas de DNA circulares que podem ou não es- tar presentes em células procarióticas e geralmente contêm genes para resistência a antibióticos são denominadas

 
  • b) Levando em conta o que foi apresentado no capítulo, você concorda com a afirmação “Bac - téria boa é bactéria morta”? Suponha que você desejasse enviar suas críticas e sugestões aos

 
  • a) clamídias.

responsáveis pelo texto da clínica, a fim de

  • b) cromossomos.

contribuir para melhorar a qualidade de seus

  • c) nucleoides.

serviços. Escreva uma carta objetiva aos edi - tores da página da clínica de gastrenterologia,

  • d) plasmídios.

justificando suas sugestões.

 

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AtIVIDADEs

                         
           

6.

(UFSCar-SP) Determinado medicamento tem o

   
     

VESTIBULARES PELO BRASIL

     
   

Questões objetivas

   

seguinte modo de ação: suas moléculas interagem com uma determinada proteína desestabilizando-a e impedindo-a de exercer sua função como media- dora da síntese de uma molécula de DNA, a partir de um molde de RNA. Este medicamento

   
   

1.

(UEMS) Sobre os vírus é correta a afirmação:

 

a)

é um fungicida.

           
     

a)

Todos os vírus têm DNA na sua constituição.

 

b)

é um antibiótico com ação sobre alguns tipos

   
     

b)

Os vírus diferem dos seres vivos por serem

 

de bactérias.

   
       

acelulares.

 

c)

impede a reprodução de alguns tipos de vírus.

   
     

c)

Não necessitam de outros organismos para sua reprodução.

 

d)

impede a reprodução de alguns tipos de proto- zoários.

   
     

d)

Não infectam células bacterianas.

 

e)

inviabiliza a mitose.

         
     

e)

É considerado um ser unicelular.

7.

(UFRGS-RS) Em 2006, chegaram ao Brasil dois tipos

   
   

2.

(UEMS) Componente que faz parte da estrutura dos vírus, formado por proteínas que, além de

a)

Núcleo viral.

 

de vacinas para prevenir a infecção por HPV, que é a doença viral sexualmente transmissível mais comum. O HPV é causador

   
     

proteger o ácido nucleico viral, têm a capacidade de se combinar quimicamente com substâncias

 

a)

da sífilis.

   

d)

do câncer de útero.

   
       

b)

da gonorreia.

 

e)

do cancro mole.

   
     

presentes na superfície das células hospedeiras,

 

c)

da aids.

             
     

permitindo ao vírus reconhecer e atacar o tipo de célula adequado a hospedá-lo:

8.

(Enem) O Aedes aegypti é vetor transmissor da dengue.

Uma pesquisa feita em São Luís – MA, de 2000 a 2002,

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

 
     

b)

Envoltório lipídico.

   

mapeou os tipos de reservatório onde esse mosquito

 
     

c)

Capsídio.

   

era encontrado. A tabela abaixo mostra parte dos

 
     

d)

DNA.

   

dados coletados nessa pesquisa.

 
     

e)

RNA.

 

Tipos de

População de A. aegypti

 
   

3.

(UEMS) O Ministério da Saúde promove, regular-

e a paralisia infantil. Essas doenças são causadas

reservatórios

 

2000

2001

2002

 
     

mente, campanhas de vacinação contra o sarampo

pneu

 

895

1.658

974

 
     

por

tambor/tanque/ depósito de barro

 

6.855

46.444

32.787

 
     

a)

uma bactéria.

 

vaso de planta

 

456

3.191

1.399

 
     

b)

um protista.

 

material de

       

271

436

276

 
     

c)

um fungo.

 

construção/peça de carro

         
     

d)

um bacteriófago.

 

garrafa/lata/plástico

 

675

2.100

1.059

 
     

e)

um vírus.

 

poço/cisterna

 

44

428

275

 
   

4.

(Uerj) A alternativa que apresenta uma propriedade

caixa-d’água

 

248

1.689

1.014

 
 

Unidade B • Vírus, bactérias, algas, protozoários e fungos

 

comum a todos os vírus é

recipiente natural,

     

615

2.658

1.178

   
   

a)

replicam-se independentemente.

armadilha, piscina e outros

     
   

b)

possuem ácido nucleico e proteínas.

total

 

10.059

58.604

38.962

   
   

c)

são formados por DNA e carboidratos.

       

Caderno Saúde Pública, vol. 20, n o 5,

   
   

d)

reproduzem-se de forma similar às bactérias.

       

Rio de Janeiro, out./2004 (com adaptações).

   
 

5.

(Fuvest-SP) Os bacteriófagos são constituídos por uma molécula de DNA envolta em uma cápsula de proteína. Existem diversas espécies, que diferem

 

De acordo com essa pesquisa, o alvo inicial para a redução mais rápida dos focos do mosquito vetor da dengue nesse município deveria ser constituído por

   
   

entre si quanto ao DNA e às proteínas constituin-

 

a)

pneus e caixas-d’água.

       
   

tes da cápsula. Os cientistas conseguem construir partículas virais ativas com DNA de uma espécie

 

b)

tambores, tanques e depósitos de barro.

   
   

e cápsula de outra. Em um experimento, foi pro-

 

c)

vasos de plantas, poços e cisternas.

     
   

duzido um vírus contendo DNA do bacteriófago T 2

 

d)

materiais de construção e peças de carro.

   
   

e cápsula do bacteriófago T 4 . Pode-se prever que a descendência desse vírus terá

 

e)

garrafas, latas e plásticos.

       
   

a)

cápsula de T 4 e DNA de T 2 .

9.

(FUA-AM) Além do cromossomo, algumas bactérias

   
   

b)

cápsula de T 2 e DNA de T 4 .

 

contêm um pequeno DNA circular extracromossô- mico denominado

   
     

c)

cápsula e DNA, ambos de T 2 .

 

a)

Z DNA.

   

d)

DNA linear.

     
     

d)

cápsula e DNA, ambos de T 4 .

 

b)

Plasmídio.

   

e)

P DNA.

     
     

e)

mistura de cápsulas e DNA de T 2 e de T 4 .

 

c)

B DNA.

             

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