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Poder, hierarquia e estrutura social em diferentes

sociedades e tempos históricos

Texto pedagógico de apoio à unidade curricular Igualdade, Exclusão Social e Cidadania da


Universidade Aberta

Autores: Pedro Abrantes e Ana Paiva | Lisboa, 2016

Será a desigualdade um fenómeno comum a todas as sociedades e tempos históricos?


Com base nos estudos sociológicos e antropológicos, a resposta é: sim e não. Ou seja, é
verdade que tendem a surgir desigualdades em qualquer sociedade, mas os tipos de
desigualdade e a sua dimensão são muito variáveis. Dito de outra forma, os modos de
distribuição do poder variam muito, entre umas sociedades e outras.

Neste texto, caracterizamos quatro modos distintos de distribuição do poder. É importante


notar que embora as sociedades se tendam a caracterizar pela primazia de um destes tipos,
na verdade, eles podem coexistir e combinar-se. No final, fazemos uma síntese sobre o
conceito de desigualdade, com base nesta diversidade de formas de organização do poder.

Comunidades primitivas, tribais e tradicionais

O modelo mais simples de comunidade tende a caracterizar-se por um tipo de poder


baseado nas relações interpessoais. Neste caso, é comum encontrarmos um líder, que
toma as principais decisões relativas à vida do grupo e que, portanto, tem maior poder do
que os restantes. Em volta do líder pode formar-se uma hierarquia, com vários níveis,
caso a comunidade tenha uma dimensão significativa.

É importante notar que, quase sempre, este modelo está associado a estruturas familiares
(o clã é um dos mais exemplos mais complexos). Ou seja, é comum que os membros
destas comunidades estejam unidos por laços de consanguinidade e aliança, sendo as
posições hierárquicas definidas pelas relações e papéis familiares. Por exemplo, em
muitas destas comunidades observa-se um ascendente dos pais sobre os filhos, dos mais
velhos sobre os mais novos ou dos homens sobre as mulheres. Contudo, é importante
assinalar que estes critérios de distribuição de poder variam muito consoante as
comunidades estudadas, pelo que não devem ser entendidas como resultantes da natureza.

A coerção física e psicológica constitui o principal modo de imposição do poder, nestas


comunidades. Ou seja, aqueles que desafiam a autoridade arriscam-se a pesadas sanções,
que podem chegar à morte ou ao desterro. No entanto, é também importante notar que
este tipo de sociedade não dispensa a existência de sistemas morais e estatutários que
reforçam esta distribuição de poder. Ou seja, os indivíduos são socializados, desde a
nascença, em normas, valores e crenças que sublimam a autoridade dos líderes vigentes.
Formam-se, então, modelos tradicionais de distribuição do poder que são transmitidos
entre gerações e que contribuem para uma relativa coesão e estabilidade dos grupos.

Embora estes sistemas possam engendrar formas de imposição do poder particularmente


brutais, também é verdade que incluem frequentemente mecanismos de reciprocidade,
entendida como o processo em que os indivíduos se apoiam mutuamente, com base nas
suas diferentes capacidades e recursos. Estes mecanismos, fundados na comunhão afetiva
e no dever moral são, aliás, fundamentais para a subsistência dos vários membros e do
grupo como um todo, atenuando as desigualdades e tensões que vão surgindo.

Em todo o caso, não é verdade que, nestas comunidades, os indivíduos que têm pouco
poder apenas obedeçam aos líderes e se conformem com a posição que lhes é atribuída.
Consoante as suas ações, podem alcançar um lugar mais elevado na hierarquia ou,
inclusive, em algumas circunstâncias, destronar o líder e fundar uma nova hierarquia.
Assim, estas comunidades são frequentemente assoladas por conflitos internas e/ou por
guerras com outras comunidades, o que conduz a transformações do sistema de
desigualdades. Em geral, os vencedores desses confrontos ampliam significativamente o
seu poder, enquanto os derrotados, caso sobrevivam, são submetidos.

Como tem sido visível em diversos estudos antropológicos, este modelo é apanágio das
comunidades caçadoras-recoletoras, pastoris e agrárias. Um dos resultados importantes
do trabalho etnográfico, sobretudo nos séculos XIX e XX, tem sido precisamente
caracterizar este tipo de organização social, em diferentes regiões do mundo, observando
simultaneamente a sua erosão, ante a expansão acelarada de outros sistemas de poder e
desigualdades, associados à modernidade. Em algumas zonas do mundo como os Estados
Unidos, a Austrália ou o Brasil têm-se, inclusivamente, criado enclaves (ou reservas)
territoriais de modo a preservar estas comunidades, com as suas culturas e estruturas
sociais.

No entanto, é importante assinalar que este tipo de organização do poder está também
presente nas sociedades modernas, sob novas formas e coexistindo (por vezes de forma
tensa) com outras estruturas. Um exemplo legítimo é o das famílias, sobretudo da elite
económica, em que o (enorme) poder continua a distribuir-se com base em hierarquias
familiares complexas, estatutárias e tradicionais. Por seu lado, um exemplo ilegítimo é o
dos grupos associados ao narcotráfico, em que o poder é mantido e ampliado, tanto
internamente como face aos terriórios em que atuam, com base na violência e no terror.

Ordens e castas

Em diferentes regiões e tempos históricos, emergiram igualmente sistemas de


diferenciação e desigualdade, em que os indivíduos são circunscritos à nascença a um
determinado segmento da sociedade, com direitos e deveres específicos, muito
frequentemente ditados por prescrições e crenças religiosas.

Possivelmente o sistema mais complexo deste tipo é o regime de castas, na Índia, cuja
origem é milenar e que continua a existir, ainda que tenha perdido nas últimas décadas
uma grande parte do seu poder. Este sistema está alicerçado numa divisão dos indivíduos
por segmentos com direitos e direitos desiguais, metaforicamente, representando a
sociedade através do corpo da divindade Brahma. A cabeça representa a casta dos
sacerdotes, filósofos e professores; os braços representam os militares e os governantes;
as pernas representam os comerciantes e os agricultores; e os pés representam os artesãos
e os camponeses. Assente num princípio sagrado de pureza das castas, qualquer indivíduo
é integrado na casta a que pertencem os seus pais, herdando e sendo preparado, desde o
nascimento, para desempenhar as mesmas funções. Também os casamentos são
obrigatoriamente endogâmicos, isto é, ocorrem dentro de cada casta e acabam por reforçar
a segregação.

Na Europa medieval, vigorou igualmente uma divisão profunda entre nobreza, clero e
povo, cujos direitos e condições de vida eram muito assimétricos, sendo praticamente
impossível transitar entre estes grupos. A nobreza era detentora das terras, acumulava
grandes quantidades de recursos, tinham uma relação próxima com as estruturas político-
militares e cuidava de que os seus filhos casassem entre si. O povo constituía a força de
trabalho, vivendo frequentemente em condições de miséria e sem quaisquer direitos. Por
seu lado, recrutando pessoas tanto da nobreza como do povo, o clero cuidava da estrutura
cultural e moral, regendo-se por normas, hierarquias e instituições próprias.

Este sistema foi removido apenas com as revoluções liberais do século XIX, na Europa,
tendo ainda permanecido, nos seus impérios coloniais. Assim, em África, na América
Latina e em algumas zonas da Ásia, vigorava um sistema racista em que os colonizadores
europeus dominavam, enquanto as populações autóctones eram subjugadas, sobrevivendo
com recursos e direitos muito exíguos. A crença na existência de uma raça (ou civilização)
pura e superior era utilizada para justificar as enormes desigualdades, bem como os atos
frequentes de violência praticados para manter a ordem.

Além disso, embora este sistema tenha sido desmantelado com o progressivo surgimento,
nas diferentes regiões do mundo, de estados constitucionais e liberais, em que todos os
indivíduos têm formalmente direitos e deveres semelhantes, podem encontrar-se ainda
alguns traços deles nas sociedades modernas. As ordens religiosas, militares e
profissionais estão associadas, precisamente, à definição de segmentos da população que
desempenham funções específicas na sociedade, que se protegem mutuamente e que
possuem direitos e deveres específicos, muitas vezes reforçados por um sentimento de
superioridade face aos demais. Por exemplo, a Ordem dos Médicos é um organismo
criado e gerido por médicos, que define quem pode exercer esta profissão, qual o código
ético que deve pautar o seu exercício e quais as sanções para aqueles que o violam. Uma
diferença importante é que a integração de novos membros é geralmente voluntária e
depende das capacidades, conhecimentos e méritos dos candidatos. No entanto, não deixa
de ser um sistema que produz desigualdades nas sociedades modernas.

Estados e impérios

O surgimento de estados e, em algos casos, de impérios gerou uma transformação


profunda dos sistemas de poder e desigualdades. Pela sua extensão e complexidade, o
império romano, no ocidente, e o império chinês, no oriente, são talvez os exemplos mais
conhecidos, embora diversos outros tenham existido, em diferentes períodos históricos e
regiões do mundo.

Nestes casos, o modo de distribuição do poder indicado no ponto anterior, ainda que não
tenha desaparecido totalmente, afigura-se insuficiente. Foi assim necessário o
desenvolvimento de novos tipos de distribuição do poder, associados, sobretudo, à
expansão de estruturas políticas, administrativas, legais e militares do Estado.

Assim, assistimos ao desenvolvimento de estruturas de governação mais complexas, em


que o líder supremo é complementado pela existência de governadores regionais,
ministros para diferentes áreas da vida social e parlamentos ou senados nos quais de
aprovam as leis. Desenvolvem-se complexos aparelhos militares, policiais e burocráticos
que vigiam e regulam os comportamentos em todo o território, de acordo com as referidas
leis, bem como tribunais, responsáveis por julgar as possíveis violações.

Estas novas estruturas tiveram um impacto decisivo na regulação das estruturas de poder
na sociedade como um todo. A noção de estado está associada à noção de cidadania, no
sentido da definição legal de direitos e deveres de todos os membros da sociedade,
constituindo um meio de prevenção de certas desigualdades extremas. Além disso, este
tipo de organização permite igualmente o desenvolvimento de sistemas de redistribuição,
entendidos como a administração centralizada dos recursos, de acordo com as
necessidades e perfis dos diferentes grupos. A existência de uma administração estatal
permite, por exemplo, transferir recursos de uma zona em que existem em abundância
para outra em que existe grande escassez, reduzindo assim as desigualdades geradas pelo
clima, por epidemias ou por guerras. Aliás, esta é uma condição importante para a
subsistência dos Estados e dos Impérios.

Contudo, tem sido frequente que o estatuto de cidadania ou, pelo menos, a possibilidade
de exercê-lo, não esteja distribuído de forma equitativa por todos os membros da
sociedade. O exemplo mais flagrante é a prática histórica de converter os povos
conquistados, não em cidadãos, mas em escravos, comercializados como objetos e sem
quaisquer direitos, ficando sujeitos ao poder absoluto dos seus amos. Mas é importante
também referir os casos em que a cidadania era apenas atribuída aos homens adultos
(“chefes de família”), estando as mulheres e filhos submetidos ao seu poder absoluto. Se
estas situações têm sido superadas, nas sociedades contemporâneas, os imigrantes,
sobretudo aqueles que não conseguem legalizar a sua estadia, encontram-se ainda numa
situação de direitos muito limitados, o que gera uma das grandes desigualdades do nosso
tempo.

Além disso, o poder dos indivíduos envolvidos nestas estruturas públicas é, em princípio,
atribuído com base na sua posição hierárquica. Emerge o conceito de “mérito”, ou seja, o
princípio de que a inclusão e a promoção dos indivíduos no interior destes aparelhos
devem ser reguladas com base na capacidade e contribuição de cada um para o bem
comum. No entanto, sabemos como estes sistemas são frequentemente povoados por lutas
entre indivíduos e grupos movidos por interesses particulares e pela designada “sede de
poder”.

Em suma, as estruturas estatais, por um lado, reduziram e regularam as estruturas de poder


pré-existentes, mas, por outro lado, geraram novas fontes de desigualdade. Remontando
a sua génese às cidades-estado gregas e fenícias, bem como aos impérios romano, chinês
ou azteca, este tipo de organização do poder mantém-se presente nas sociedades
contemporâneas, tendo as estruturas estatais sido progressivamente alargadas por todo o
mundo, ao longo dos últimos séculos, através de sistemas públicos de educação, saúde,
segurança social, etc., por vezes reunidos na noção de “estado-providência”. Por seu lado,
em várias regiões, tem-se assistido à consolidação de democracias, associadas à
possibilidade de todos os cidadãos participarem, de modo efetivo, livre e informado, nos
modos como se organiza a sociedade e como se distribui o poder.

Neste sentido, os regimes comunistas foram, possivelmente, o exemplo mais radical de


tentativa de impor este tipo de organização social, precisamente, através da eliminação
de todos os restantes. No entanto, mesmo associados a sistemas capitalistas, a
consolidação dos Estados, por todo o mundo, constitui um dos grandes adventos dos
séculos XIX e XX, fundamental para compreendermos as sociedades de hoje e, em
particular, as desigualdades sociais contemporâneas.

Capitalismo e classes sociais

Com a ascensão da burguesia, a industrialização e as revoluções liberais, emerge um novo


tipo de desigualdade, associada a um novo sistema económico. A base do capitalismo é
o intercâmbio, no sentido, em que qualquer pessoa tem, formalmente, a liberdade de
comprar bens e serviços a qualquer outra que os queira vender, por um preço com o qual
ambos concordam. Neste sentido, as desigualdades seriam apenas o reflexo da capacidade
de produção de cada pessoa – ou seja, uma pessoa que produza em grande quantidade ou
com grande qualidade pode acumular mais recursos – assim como da capacidade de, com
uma parte desses recursos, fazer investimentos lucrativos, isto é, que produzam “mais-
valias”. No entanto, seja devido às suas características biológicas, seja devido à sua
herança, educação, estatuto social, relações familiares e de amizade, etc., as capacidades
de produção e de investimento dos indivíduos perante o mercado são, à partida, muito
assimétricas. Por seu lado, aqueles que não precisam de todos os seus recursos para a
subsistência podem investir e, desta forma, ir acumulando cada vez mais recursos, num
processo de “bola de neve”.

Assim, nos tempos modernos, se as formas tradicionais e raciais de distribuição do poder


são combatidas por instituições públicas que atribuem, formalmente, direitos e deveres
semelhantes a todos os indivíduos, a própria dinâmica dos estados e dos mercados produz
desigualdades que podem ser abissais, como é fácil de constatar pelas enormes fortunas
amealhadas hoje por um pequeno número de pessoas, em contraste com a miséria
económica em que continua viver uma parte significativa da população mundial.

Nas sociedades capitalistas, tem-se observado um importante fosso entre duas classes
sociais: a burguesia, constituída por aqueles que são proprietários dos meios de produção,
e o proletariado, integrado por aqueles cuja subsistência depende da venda da sua força
de trabalho. Estas assimetrias resultam de processos complexos de: exploração, no
sentido em que a burguesia se apropria de uma parte significativa da riqueza produzida
pelo proletariado; exclusão, uma vez que uma parte do proletariado, sempre que não é
necessário ou desejado, pode ser simplesmente excluído do processo produtivo, ficando
em risco a sua sobrevivência.

Esta oposição entre burguesia e proletariado é, contudo, insuficiente para compreender as


desigualdades dentro dos sistemas capitalistas. Isto porque, à semelhança das hierarquias
que compõem os sistemas estatais, também as grandes empresas – algumas delas hoje
atuando à escala global (multinacionais) – tendem a constituir sistemas com diversos
níveis hierárquicos, cujos rendimentos, direitos e deveres são também muito diferentes.
Neste sentido, é importante hoje distinguir os gestores, trabalhando diretamente com os
proprietários e auferindo geralmente de grandes regalias, os profissionais técnicos, cujo
conhecimento especializado lhes permite vender o seu trabalho a um valor elevado e os
trabalhadores desqualificados, com condições bastante precárias. Estas diferenças têm
sido ampliadas e escondidas, por muitas das grandes empresas, ao reter apenas o setor de
controlo e ao subcontratar pequenas empresas anónimas, a preços baixos, para fazer a
parte do trabalho duro, rotineiro e desqualificado (outsourcing).

Importa considerar que os mercados têm vindo a alargar-se, a cada vez mais regiões do
mundo e setores da vida social. Dos mercados dependem questões fundamentais para a
subsistência e o bem-estar dos indivíduos, como a habitação, a alimentação, o vestuário,
a educação, a saúde, os meios de transporte e comunicação, entre outros. Assim sendo, as
enormes desigualdades económicas convertem-se, rapidamente, em assimetrias de
oportunidades, em todos os campos da vida social, seja para o próprio ou para os seus
descendentes.

A violência deste processo é apenas parcialmente mitigada nas regiões em que o estado
assegura sistemas consistentes de regulação, redistribuição e bem-estar para todos os seus
cidadãos (ver 2.3). No entanto, a enorme concentração de poder nas grandes empresas e
a sua pressão constante sobre os governos, sobretudo dos países mais vulneráveis, são
hoje uma séria ameaça às democracias e aos serviços públicos.
O poder: questão universal e diversidade histórico-geográfica

Como se viu ao longo deste texto, os modos de distribuição do poder são diversos e têm-
se transformado ao longo dos tempos, o que tem um impacto decisivo nas desigualdades
sociais. Será possível encontrar um esquema comum que permita abarcar esta grande
diversidade histórica e geográfica? Ao contrário de outras ciências, muitos sociólogos
têm sido avessos a tipologias universais e atemporais. No entanto, apresentamos aqui uma
que tem sido desenvolvido por vários autores conceitos.

Em traços largos, podemos compreender as diferentes estruturas de desigualdade com


base em três dimensões principais do poder: a coerciva-política; a persuasiva-cultural e a
económica. No primeiro caso, falamos da existência de um centro de poder que define os
direitos e distribui uma parte significativa dos recursos pelos diferentes grupos da
sociedade. No segundo, referimo-nos à existência de uma estrutura cultural que define
um conjunto de valores, normas e crenças que regulam a vida da comunidade, incluindo
os tipos de desigualdade desejáveis, aceitáveis ou intoleráveis. No terceiro, referimo-nos
às desigualdades que se reportam diretamente da produção e do consumo de bens e
serviços, cada vez mais, gerados pelos mecanismos de mercado.

Em sociedades complexas, consolidam-se então, não apenas uma hierarquia, mas sim
várias, em torno destas diferentes dimensões. Isto é, o poder político de um indivíduo ou
grupo nem sempre corresponde ao poder cultural e/ou económico. Por exemplo, um
professor ou um sacerdote podem ter um grande poder cultural, mas um fraco poder
político e/ou económico. Este pluralismo gera muitos conflitos dentro das sociedades,
mas pode ser também entendido como um princípio importante de redução das
desigualdades, em comparação com os modelos sociais em que toda a estrutura de poder
está concentrada.

No entanto, vários sociólogos têm também vindo a questionar esta ideia de pluralidade.
Se ao nível da classe média, ela é evidente, por seu lado, nos dois extremos da sociedade,
tende a observar-se a existência de uma elite que concentra o poder nestas várias
dimensões e, na base, uma parte da população cujo poder é exíguo em todas elas. Além
disso, tem-se observado que, na atual etapa da globalização, o poder económico tem vindo
a impor-se perante os restantes, em várias regiões do mundo. Neste sentido, é importante
notar que o funcionamento dos mercados depende sempre da existência de estruturas
político-administrativas autónomas, precisamente para regularem esses mercados.

Outra tipologia conhecida tem a ver com as modalidades de imposição da autoridade,


entendida como o poder legítimo, isto é, aceite pelas comunidades. Neste caso, tem-se
observado que a tradição, o carisma pessoal e a racionalidade-burocracia são fontes
distintas de autoridade, embora também se possam combinar numa mesma sociedade.
Enquanto as tradições prevêem o poder dado a cada indivíduo, de acordo com o seu
estatuto, enquanto o modelo racional-burocrático distribui o poder com base em critérios
legais e funcionais. Entre estes dois modelos, é importa ainda notar que características
intrínsecas de certos indivíduos (o seu carisma) podem também constituir um poder
importante e, frequentemente, imprevisível na vida social. Há sociedades, em que as
tradições são a forma dominante, enquanto noutras será a racionalidade e, noutras ainda,
o carisma. Em muitos casos, na busca de líderes efetivos procuram-se articular estes
vários elementos.

Quem disse?

Esta área do conhecimento sociológico foi particularmente desenvolvida pelos


estudos pioneiros de Augusto Comte, Karl Marx e Max Weber. Estes três autores
produziram importantes obras sobre as estruturas de poder, comparando diferentes
sociedades e tempos históricos. Curiosamente, esta linha foi relativamente
abandonada pela Sociologia, sendo que autores no campo da Antropologia têm
produzido avanços importantes nesta área, como são os casos de Karl Polanyi ou
Carlos Reygadas, também devido ao maior manancial de observações etnográficas
produzidas no âmbito desta disciplina em comunidades indígenas, em diferentes
regiões do mundo. Em todo o caso, o tema tem voltado aos debates sociológicos
recentes, como mostra, por exemplo, o original trabalho de W. Runcinam. Sobre as
transformações das estruturas de poder, nos últimos séculos, em particular
decorrentes dos processos de globalização capitalista, vale a pena conhecer os
trabalhos de grande fôlego de Immanuel Wallerstein e de Manuel Castells.

Bibliografia

Castells, Manuel (2002). A Sociedade em Rede. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.


Marx, Karl. O Capital: Crítica da Economia Pura. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
Polanyi, Karl (1980). A Grande Transformação. Rio de Janeiro: Campus.
Reygadas, Luís (2008). La Apropiación: Destejiendo las Redes de la Desigualdad.
Barcelona: Anthropos.
Runciman, W. (2001). O Animal Social. Lisboa: Temas & Debates.
Wallerstein, Immanuel (1990). O Sistema Mundial Moderno. 2 volumes. Porto:
Afrontamento.
Weber, Max. Economia e Sociedade: Fundamentos de Sociologia Interpretativa. São
Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.