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O amor na teoria de Jacques Lacan

Polêmicas são as palavras de Jacques Lacan ao enunciar que “a


relação sexual não existe” e, finalmente que “a mulher não existe”.
Dois paradoxos, aparentemente, uma vez que a humanidade se
mantém por intermédio do ato sexual e as mulheres representam
metade da espécie humana. Para esclarecer essa questão, teremos
de refazer alguns percursos da teoria lacaniana.

Em uma de suas teses intitulada A Transferência, Jacques Lacan


(1901-1981) fará uma belíssima exegese do texto conhecido como O
Banquete, em que Platão nos apresenta Sócrates falando sobre o
amor, sobre o desejo e onde encontramos o gênese de um dos
conceitos lacanianos fundamentais para sua teoria – “o objeto a” –
esse estranho dispositivo que arrastará o desejo humano para uma
deriva sem fim, mesmo tentando ancorá-lo em soluções parciais.

Eros o deus do amor, foi gerado no dia em que nasceu Afrodite,


quando os deuses participavam de um banquete. Entre eles estava
Poros, filho de Métis, também chamado de “o astucioso”, “aquele que
tem expediente”, que, completamente embriagado por néctar, entro
no jardim de Zeus e adormeceu. Este nome também remete a idéia
de uma abertura, uma passagem, enfim, um vazio. Terminando o
jantar dos deuses apesar de não ter sido convidada, aparece Penia
quem veio mendigar restos do festim. Penia é a personificação da
pobreza, da carência. “Agrega o sentido de “afligir-se”, “trabalhar por
necessidade”, estar em dificuldade”, “ser pobre”. Penia em sua
miséria ao ver Poros embriagado e adormecido desejou ter um filho
com ele. Deitou-se ao seu lado e conceber Eros.

Eros trará consigo marcas dessa dupla gênese. De sua mãe


Penia, cuja pobreza a define como eterna mendicante, ele herdará
uma falta congênita e se esforçará sempre para obter aquilo que não
tem, ou seja, vive sob o emblema de uma carência jamais
preenchida, mas que se esforçará para compensar. Para isso herdou
dde seu pai Poros a astúcia e o expediente necessários para tentar
conseguir aquilo que não possui. Dessa dialética entre carência e
astúcia move-se o desejo, agita-se Eros infinitamente. É a matriz
lógica, remota, desse futuro “objeto a” teorizado por Lacan, essa letra
que procura e está sempre no lugar de um “outro” que nunca é
alcançado.

Em Lacan, essa incompletude e carência universalizam-se ,


atingindo agora toda e qualquer pulsão do desejo. Mas como se verá
na aventura da Psicanálise toda atualização do desejo será sempre
sob uma forma parcial, compensatória para apoderar-se daquilo que
Lacan chamou de “o Nome-do-Pai”, essa nova fórmula interpretativa
do complexo de Édipo levada a efeito pela revolução lacaniana que,
expandido seu antigo sentido freudiano, integrou homens e mulheres
em uma mesma aventura psíquica.

Para entender um pouco melhor essa novidade teórica da


clínica Lacaniana lembremos que esse símbolo “a”, constante no
termo “objeto a” não se refere à primeira letra do alfabeto, mas à
primeira letra da palavra francesa “autre” (outro em português) e que
essa letra “a” em minúsculo qualifica, portanto, sempre uma
alteridade, alguma coisa que está para além do sujeito desejante e
que ele quer para si. Assim, quando esse “objeto a” se instala como
função psíquica compensatória, temos de procurar responder sempre
quem é esse “outro” que se coloca no lugar o meu desejo. Esse
conceito remete a leitura de Luto e Melancolia de Freud, onde
podemos observar com bastante acuidade que neste artigo, “ao se
referir à pessoa que foi perdida e de quem se faz luto, Freud escreve
a palavra “objeto” e não “pessoa”. Freud, portanto, já fornece a
Lacan uma base para responder à pergunta “quem é o outro?” e
construir se conceito de objeto a”.

Note-se que nesta gênese freudiana do conceito lacaniano já se


inscreve a idéia de uma perda, de alguma coisa que não existe mais,
de um fantasma do qual temos de fazer luto para nos libertarmos de
sua lembrança. Para o homem é o trauma da castração, da perda
simbólica do falo, da necessidade de ter acesso ao Nome-do-Pai, essa
instância de poder que precisará ser recuperada de alguma forma.
Portanto instaura-se aqui uma carência que só poderá ser preenchida
parcialmente ou transformada em narrativa na clínica psicanalítica,
quando, então, no processo de transferência, o analista assume ser o
“objeto a”, tornando-se, ele mesmo, entes “outro do desejo” do
analisado para que ele o supere.

Inconsciente
Avancemos mais de 2 mil anos da cena desse Banquete para
encontrar Lacan numa de suas teses, intitulada O desejo e sua
interpretação, em que ele inicia a conceitualização do que chamou
inicialmente de “pequeno objeto a”, tema que pode ser considerado
um desdobramento do conceito de “o Nome-do-Pai”. Lacan entenderá
o inconsciente radicalmente estruturado como uma linguagem, e isso
terão conseqüências sérias tanto na prática psicanalítica quanto na
teoria lingüística, abrindo duas frentes de batalha. Por corresponder a
um inconsciente entendido como falta, a linguagem, ela mesma, será
para sempre incompleta em sua significação. Entre a nomeação das
coisas e sua significação haverá sempre uma sutura mal feita. Assim,
nenhum significante comportará um significado completo e
irredutível, mas deslizará constantemente por uma cadeia de
significantes arbitrários, sem nunca ter fim. Só uma atitude
comandada pela necessidade pragmática de comunicação é que pode
interromper, barrar esse sentido sempre em aberto do significante e
fazê-lo cristalizar-se por algum tempo. Mas o desejo sempre
conseguirá fazer que os significantes s movam e falará através das
fissuras deixadas descobertas.

Essa visada lingüística do inconsciente, iniciado por Lacan nesse


momento, introduz em sua teoria dois elementos novos: a metáfora e
a metonímia. Elas serão para Lacan as duas leis fundamentais do
inconsciente. Deslocamentos (metonímias) e condensações
(metáforas) responderão também pela fala do inconsciente, onde a
estrutura metonímica de justaposições e acoplamentos será o ponto
de referencia para caracterizar a estrutura do desejo. No processo em
que uma parte é tomada pelo todo, da mesma forma que no “objeto
a” alguma coisa toma lugar parcialmente, do desejo interditado ao
sujeito. Igualmente, na metáfora, alguma coisa é substituída em seu
sentido por outra, o que se pode flagrar facilmente na narrativa dos
sonhos, sempre metafóricos por excelência. Desde o início portanto é
inerente ao conceito lacaniano de “objeto a” a idéia de que ele
também desloca alguma coisa, tentando compensar uma “falta-a-
ser”, colocando no lugar algo sobre o qual o sujeito pode falar. Assim,
o sujeito desejante desenvolverá certa astúcia ao tentar aprisionar
brevemente esse astuto objeto “a” em alguma forma transitória de
satisfação, de gozo. Uma astúcia destinada sempre a ser uma
compensação e que instaura apenas uma satisfação parcial,
metonímica, diante do desejo. Portanto, uma relação de substituição
que transformará todo “objeto a”, escolhido pelo sujeito desejante,
num fantasma. E a maior fantasmagoria eleita pelo masculino será o
do feminino, visando como objeto de gozo total, impossível de ser
completado.

Este gozo total pertenceria ao desejo pela mãe, interditado e castrado


simbolicamente na estruturação do Édipo quando a criança desiste da
mãe, da relação incestuosa com essa mulher que “pertence” ao Pai e
que lhe é interditada pela Lei do Pai. Essa instância de interdição é
introjetada simbolicamente pela criança como uma forma de
castração e, imediatamente, na tese lacaniana, esse interdito que
tem raízes antropológicas passa a ser denominado de “O Nome-do-
Pai”. Ao introjetar essa Lei do Pai, a mãe –seu objeto primário de
desejo, de gozo total- a criança agora se inscreve na ordem cultural
que emana desse Nome-do-Pai. Leis normativas que o definirão como
um ser social que aceitou essa castração para se inserir na ordem da
cultura e a que faltará para sempre esse falo simbólico ao qual,
miticamente todas as fêmeas pertenceram um dia e que, agora,
pertence ao pai que lhe interdita e o castra com relação a mãe e
cujas funções ele procurará recuperar parcialmente por meio de
“objetos a”metonímicos. O falo neste contexto será sempre o
significante de uma falta. Nesse sentido é que se pode entender a
frase de Lacan quando diz que “a relação sexual não existe”.
Realmente, como “relação total”, como recuperação de um “gozo
total”, esta relação estará sempre interditada ao masculino. Aqui a
mulher se apresenta, radicalmente, como um “inteiramente outro”
para o homem ao qual ele não teria acesso, uma vez que ela não
participa dessa síndrome de castração original, não precisou
introjetar uma perda simbólica abissal para se constituir como sujeito.
Homens e mulheres realmente não são iguais na relação sexual.
Portanto, é essa possibilidade de relação simétrica que é declarada
inexistente. Afinal, como já se disse, “o Édipo produz o homem, não
produz a mulher”.

A mulher não existe


A famosa apropriação de Lacan nos remete ao conto de Edgar
Allan Poe intitulado A carta roubada, em que ele mostra que assim
como o sentido último dos significantes nunca é alcançado, esta carta
roubada também tem vários destinatários e nenhum; seu conteúdo
nunca pode ser apropriado inteiramente, mantendo-se apenas como
uma potencialidade de sentido e, no caso do conto de Poe, uma
potencialidade de poder para quem a possui. Metáfora certeira para a
palavra que sempre cerca seu sentido, mas nunca a alcança. Por mais
visível e audível que as palavras sejam, elas nunca podem ser
decifradas totalmente – seu significado sempre desliza e escapa- da
mesma maneira que a carta roubada do conto de Poe desliza
continuadamente por vários possuidores. Mesmo estando
perfeitamente visível e disponível em cima da lareira, nunca é vista
por aqueles que a querem encontrar. Bem, a mulher e o desejo do
homem pela mulher teriam também essa característica. Por mais
próxima que a mulher esteja do homem, ela é sempre invisível para
ele, o que fará Lacan formular a frase paradoxal de que a mulher não
existe. Frase aparentemente absurda e que causou polêmica. Lacan
dirá que os homens, na verdade, fazem sexo com todas as mulheres
e não cm uma em especial, repetindo no seu inconsciente o tempo da
horda primitiva, em que todas as mulheres pertenciam a um único Pai
mítico, dono do falo. A mulher como individualidade lhe escapa
sempre. Na verdade, ela, como todo objeto de desejo. Pertence à
esfera desse “objeto a”, parcial, metonímico por definição, mas que
consegue ancorar a pulsão do desejo por algum tempo. A mulher real
e individual presente no ato sexual representa, portanto, apenas uma
possibilidade nessa série infinita que alucina o masculino.

O filme Closer do diretor Mike Nichols pode ser utilizado como


exemplo. Esse texto parece ter um segundo roteirista oculto, o
próprio Lacan. O título na versão brasileira recebeu um acréscimo,
tornou-se Closer – Perto demais. Lacan concordaria com o acréscimo.
Perto demais, a mulher torna-se ainda mais inexistente para o
masculino.

Visível e oculto
Inicialmente, o roteiro cria profissões emblemáticas que já
definem o que acontecerá com o relacionamento dos amantes. Dan é
um jornalista encarregado da seção de obituários. Ele mesmo conta
como os obituários são redigidos para esconderem sempre a pessoa
real. O que de fato as pessoas foram na vida não importa nos
obituários. Mas sim, a visão edulcorada e elegante em que todos se
transformam em pais amantíssimos, esposos fiéis e profissionais
competentes, mesmo que tenham sido sempre o oposto disso tudo.
Ou seja, nem mesmo na morte, revelamos o que somos de fato. O
falso obituário dos jornais incumbe-se de manter o distanciamento
necessário da pessoa real. O obituário, que deveria revelar finalmente
a pessoa, a mantém, agora, definitivamente distante.

Anna, por sua vez, é a fotógrafa especializada em retratos de


desconhecidos que ela fotografa em grandes closes. Rostos
anônimos, mas ela os exibe em grande proximidade, em grandes
ampliações. Mesmo com tal exposição ampliada, eles continuam
desconhecidos. É uma falsa aproximação. Rostos próximos demais.
Tão desconhecidos quanto os das mulheres quando elas se
apresentam para os homens que pensam que as vêm por inteiro e
acreditam saber o que elas são e o que estão vendo.

Larry é médico dermatologista. Perto demais do corpo das


pessoas. Próximo da pele. Mas nunca além. O dermatologista se
detém na epiderme das pessoas, nunca ultrapassando esse limite
externo do corpo. Nunca penetrando realmente no âmago do
paciente. Sempre na epiderme, nesta exterioridade que nos delimita
do exterior. Assim será também em seus relacionamentos com o
feminino. Nunca indo além da sexualidade explicita. Não é à toa que
será ele quem exigirá tudo da stripper. Visão total. Mesmo assim, ele
não conseguirá ir além da epiderme ginecológica da mulher.

Jane, por sua vez, é a stripper que se dá totalmente ao olhar do


masculino. Olhar que nunca consegue ir além do seu corpo em
exibição, da sua epiderme. Pertos demais do seu corpo nu, os olhares
masculinos estão sempre longe demais dela como mulher. Ela é a
que encerra, em sua profissão, o paradoxo dessas relações intimas
que estão sempre a distancia. Ela é um “objeto a” por excelência,
pois oferece seu corpo como objeto parcial de um desejo nunca
realizado. Nesse jogo de espelhos e miradas falsas, ela é um equívoco
desde o início do filme. Jane, desde seu primeiro encontro com Dan,
usa um nome falso-Alice. O relacionamento dos dois já inicia com
uma Alice que não existe. É emblemático que a primeira frase que
Alice dirige a Dan, logo no início do filme, seja “Olá estranho!”. O
filme será justamente sobre esse eterno estranhamento entre
homens e mulheres dentro da cultura. Mas o que seria do erotismo
deles se não fossem as traições que eles ressentem e de certa forma
estimulam? Como Lacan observa, há sempre um terceiro envolvido
em toda relação sexual, que pertence ao imaginário masculino e que
é justamente essa fantasmagoria da mulher e sua sexualidade
inesgotável. Elas sabem que eles são assim mesmo e respondem
suas intermináveis perguntas com todos os detalhes eróticos que eles
exigem. Eles, entretanto, nunca sabem exatamente o que elas são e
se o que dizem é verdadeiro. Como Lacan dissera, elas não existem
para eles como individualidade.

Nesse sentido, é lapidar a cena em que os dois homens


acessam a internet, numa dessas salas de encontros, e um deles
finge que é uma mulher. O namoro virtual logo descamba para uma
espécie de sexo virtual. O que prova que para o homem basta que ele
tenha uma projeção de mulher em sua mente para que tudo funcione
e a relação sexual se faça (daí essa relação, no fundo, ser
inexistente). Afinal, tudo não passa mesmo de uma fantasmagoria
masculina. Portanto, tanto faz ser uma falsa mulher virtual com quem
ele conversa na internet ou uma mulher real que ele fantasia. A
mulher real não existe nunca para o homem. Está para além de suas
possibilidades, uma vez que ele está preso à fantasia original de
desejo por todas as mulheres e por aquela mãe interditada que
pertenceu ao Pai mítico. Relacionando-se, então, com sucedâneos
simbólicos incompletos desse poder do pai.

Há, portanto, uma impossibilidade ontológica de que esses dois


gêneros possam se encontrar realmente. Daí a necessidade de uma
retórica amorosa para que eles criem um simulacro de
relacionamento. Mas quando esses diálogos se dão no filme, surgem
numa chave cínico-irônico-amorosa paradoxal que corta
cirurgicamente a velha retórica amorosa com que os filmes
românticos costumam anestesiar suas platéias. Revelam
magistralmente o que realmente está por debaixo dos arrulhos
amorosos dos casais enamorados.

Talvez a cena em que mais se revele essa fissura entre homem


e mulher seja a do clube de noturno onde Alice/Jane faz strip-tease. A
figura da stripper é simbolicamente carregada. Essa mulher que se
dispõe completamente para os olhares masculinos estaria, portanto,
tão próxima fisicamente dele que, finalmente, ele poderia dela se
apropriar inteiramente. Entretanto, nesse momento de aproximação
máxima é, justamente, quando ela fica mais distante, constituindo-se
em simulacro inatingível de desejo e de fantasia.

No clube, Larry, um dos lados desse quarteto improvável, pede


para vê-la totalmente nua e ainda paga para que ela exiba suas
partes íntimas, da maneira mais crua. Aproximação visual máxima do
corpo feminino que, entretanto, não preenche as frustrações e
desejos do homem. Ele também paga alto para que ela lhe diga seu
nome verdadeiro. Ela o diz. Mas ele pensa que ela mente. E ela não
esclareça a confusão dele. Não é preciso. Ele nunca saberá mesmo o
que as mulheres são. Tanto faz, portanto, seu nome verdadeiro que
ele pensa ser falso. O seu corpo perfeito de stripper, apesar de
cruamente nu e real, também é um velamento, uma alegoria de todas
as mulheres possíveis. E não adiante que ele a veja assim, tão de
perto e despida. Para ele, a mulher como individualidade, como outro
sujeito também ferido pela castração narcisística, sempre estará para
longe de suas possibilidades. Aqui a visibilidade total da mulher é
índice do seu total ocultamento, o que nos remete novamente à
símile da “carta roubada” do conto de Poe, que também está oculta
justamente por estar totalmente visível sobre a lareira da sala.

Nuas e perto demais, elas, paradoxalmente, são sempre


invisíveis. O masculino estará sempre atrás de um fantasma
idealizado de mulher. Do feminino que só existe em sua carência e
vazio. Elas jamais poderão preencher isso. Só poderiam fazê-lo se
concordassem em ser o objeto fantasmal deles, encarnando para o
homem a significação da castração e, assim, transformando-se num
falo compensatório. E elas sabem disso. Por isso mesmo, fingem que
são as mulheres que eles pensam quem vêm e amam. Que uma
delas, Anna, introjete essa culpa e impossibilidade de relacionamento
real, apenas a faz prisioneira total dessa carência masculina que na
verdade não concerne as mulheres. De certo modo, ela é infeliz
porque eles são infelizes com elas e estão a se relacionar sempre
com mulheres inexistentes.

Portanto, a frase de Lacan, aparentemente absurda, encontra


em Closer sua ilustração. A mulher realmente não existe. É a
demonstração dessa frase que pareceu insultuosa às feministas, mas
que, na verdade, revelava o jogo de espelhos falsos na relação do
masculino com o feminino. Ambos preenchem momentaneamente e
por pouco tempo o vago fantasma que o “objeto a“ tenta compensar.
Desses fantasmas é que cada um –homem e mulher- estão
enamorados por algum tempo.

Não é à toa, portanto, que o filme comece e termine com uma


mulher nos ruas envolvida pelos olhares masculinos que passam.
Esses olhares fugazes e oblíquos as reconstroem muito longe do que
eles realmente são. Perto demais do feminino é sempre muito longe
pra o masculino. Eros nunca preencherá essa carência, seus objetos
de desejo sempre lhe escaparão por algum furo, Por algum vazio, por
mais astúcia que utilize em sua captura. Somos seres desejantes
destinados a incompletude, e isso que nos faz caminhar. Perto demais
do desejo é sempre longe demais.

Weberson Mendes Miranda