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Atividade I – Teorias e Técnicas Psicoterápicas I

Nome: Rute da Conceição Machado

Shakespeare relata que a vida é uma peça teatral. Machado de Assis, por sua vez,
compara a vida com uma grande ópera. Diversos autores discorrem acerca das intercessões entre
a arte e vida. Esse fenômeno, numa ótica psicanalítica, pode relacionar-se com o mecanismo de
sublimação. Pois bem, haveria algum elo entre a arte e a vida? Entre a fantasia e a realidade? A
fantasia nos possibilita criar um “mundo alternativo”, repleto de sonhos e imaginações. A
realidade, entretanto, revela-se como algo angustiante, difícil de ser digerido. Apesar de
divergentes, esses polos (imaginação e realidade) se completam. Ora, se a vida é um teatro,
precisamos escrever nossa história e desempenharmos nosso papel diante do mundo, sendo
concomitantemente atores e escritores. Para torna-se escritor de si mesmo, o sujeito precisa
tomar posse de si. A psicoterapia constitui-se em um dos meios capazes de possibilitar tal
fenômeno.
Dentre as muitas práticas psicoterápicas, destaca-se a psicanálise freudiana, a qual
revolucionou os diversos saberes vigentes na época vitoriana e ainda hoje, em pleno século XXI,
contribui significamente para a compreensão das inúmeras tramas vivenciadas pelo humano. Ao
deslocar o saber do analista para o analisando, Freud introduz na clínica um novo tipo de
verdade; verdade esta eminentemente subjetiva. O sujeito é quem, por meio da associação livre,
desvela e atribui sentidos aos seus sintomas. Na clínica psicanalítica, o analista busca interferir
minimamente no processo terapêutico, proporcionando ao analisando, detentor de um saber
inconsciente, um espaço de escuta e expressão de conteúdos mobilizadores. Nessa perspectiva, a
posição do terapeuta (suposto detentor do saber) não é de curador/aconselhador, mas de ouvinte
ativo, tecendo seu trabalho com base na ética do desejo. Sendo assim, “como um bom escritor,
o analista precisa fomentar o interesse pela trama”.
Nesse processo, o sujeito tem a oportunidade de conhecer partes de si, que não são tão
fáceis de serem aceitas, tendo em vista que muitos desses conteúdos entram em embate com a
moralidade vigente. Ao repetir, recordar e elaborar suas tramas/desejos, os sujeitos tornam-se
capazes de tomarem posse de si e aprenderem a lidar com suas angústias e o/a
vazio/insignificância diante da vida.
Denota-se o papel da linguagem nesse processo, uma vez que por meio dela nos
angustiamos, bem como nos mobilizamos e atuamos. Lacan demonstrou que a entrada na
linguagem limita-nos, uma vez que as palavras não são capazes de abarcar tudo aquilo que
buscamos expressar. Essa impossibilidade provoca um sentimento de falta, um vazio que nos
angustia, mas que nos move. A impossibilidade de completude é justamente o que nos
impulsiona a seguir em busca de satisfazer nosso desejo.
Na concepção de Aristóteles, há um motor imóvel que movimenta todas as coisas. Na
visão psicanalítica, o desejo seria esse motor, uma vez que o humano é um ser
dividido/desejante. Desde a tenra idade, investimos libidinalmente diversos objetos. Entretanto,
nenhum deles é capaz de satisfazer nosso desejo por completo (preencher a falta), pois ao
conquistar o objeto causa do desejo, o sujeito dar-se conta (ou talvez não, em alguns casos) que
seu vazio continua, sendo necessária a repetição de um novo ciclo, em busca de outro alvo.
Somente ao lidar com a falta estruturante e perceber que ninguém é capaz de preenchê-la, o
sujeito pode compreender (nem que seja minimamente) as repetições, ligadas aos seus sintomas,
que tanto lhe afligem, mas que o fazem gozar (satisfação libidinal momentânea). Para finalizar,
cito o aforismo de Lacan, o qual postula que “o desidero é o cogito freudiano”.