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Biodiesel e sua Sustentabilidade

Tarcizio Goes1
Marlene de Araújo2
Renner Marra 3

Resumo
O presente trabalho procura evidenciar a importância do biodiesel na modificação da matriz
energética brasileira como fonte de energia limpa e renovável destacando os benefícios ambientais, sociais e
econômicos decorrentes da sua utilização. Analisa o estágio atual no Brasil e no mundo, o crescimento do
parque industrial, os mecanismos de política que dão sustentação ao programa, a sua evolução, condições de
mercado, formação de custos, os problemas que dificultam e podem se tornar entraves na expansão do
Biodiesel e possíveis soluções. Finalmente faz algumas considerações sobre o desenvolvimento do programa
e sua sustentabilidade.

Introdução
A permissão legal de adicionar 5% de biodiesel no diesel de petróleo (B5) entrou em vigor em
primeiro de janeiro de 2010, antecipada, portanto em 3 anos, uma vez que de conformidade com o disposto
na Lei 11.097 de janeiro de 2005 que regulamentou o Programa Nacional do Biodiesel – PNPB, esse
percentual entraria em vigor somente em 2013. É interessante lembrar que o relator da matéria que
consubstanciou esta Lei, o Deputado Betinho Rosado, teve dificuldades para conseguir a aprovação dos
percentuais por ele sugeridos numa escala sucessiva de 2005 até 2013: 2% (B2) em 2005, 3% (B3) em 2008
e 5% (B5) em 2013 foram considerados ambiciosos na época. O B3 foi antecipado, o B4 também e agora o
B5 já entrou em cena. A pergunta a ser feita é a seguinte: em que medida esses fatos confirmam o
fortalecimento do PNPB e reforçam os fundamentos para sua sustentabilidade?

Biodisel:
Obtido principalmente a partir de óleos e gorduras de origem vegetal e animal, o biodiesel também
chamado de diesel vegetal, assume cada vez maior importância quando utilizado puro (B100) ou misturado
ao diesel de petróleo, na geração de energia elétrica ou no transporte veicular. O biodiesel tem uma longa
trajetória tanto no mundo como no Brasil. Nos idos de 1893, o primeiro motor a diesel do mundo foi
abastecido com óleo de amendoim. Já na década de 1920, o Brasil testava combustíveis alternativos e
renováveis, com base nos óleos de palma, algodão e amendoim e na década de 1970, a Universidade Federal
do Ceará passou a realizar pesquisas sobre fontes alternativas de energia que permitiram, em seguida, a
obtenção da primeira patente mundial do biodiesel . A Tabela 1 apresenta esses momentos de avanços.

1
¹. Mestre em Economia Agrícola, pesquisador da Embrapa. E- mail:tarcizio.goes@embrapa.br
2
Mestre em Política e gestão de C*&, analista da Embrapa. E- mail: Marlene.araujo@embrapa.br

3
Economista, analista da Embrapa. E-mail: Renner.marra@embrapa.br

1
Tabela 1. Linha do tempo do biodiesel.
O engenheiro alemão Rudolf C. K. Diesel desenvolve o primeiro motor a diesel do mundo,
1893
abastecido com óleo vegetal feito a partir de amendoim.

No Brasil, o Instituto Nacional de Tecnologia- INT, estudava e testava combustíveis


DÉCADA DE 1920
alternativos e renováveis a partir da palma, algodão e amendoim.

A Universidade Federal do Ceará- UFCE desenvolve pesquisas sobre fontes alternativas de


DÉCADA DE 1970
energia que culminaram com a revelação de um novo combustível: o biodiesel.

Registro da primeira patente mundial do biodiesel obtida pelo Prof. Expedito Parente da UFCE
DÉCADA DE 1980
– Patente “PI-8007959”.

No começo dos anos 1990 é iniciado na Europa o processo de industrialização do biodiesel. Na


DÉCADA DE 1990 ocasião, o principal mercado produtor e consumidor desse biocombustível em grande escala já
era aquele continente.

Foi lançado em 06 de dezembro o Programa Brasileiro de Produção e Uso do Biodiesel-PNPB.


2004 Foram se sucedendo edições de Leis, Atos Normativos e Regulamentos que formam todo o
arcabouço legal que norteia as iniciativas do biodiesel no Brasil.

Em janeiro é publicada a Lei nº 11.097 que dispõe sobre a introdução do biodiesel na matriz
energética brasileira. A partir dessa publicação a ANP assumiu a atribuição de regular e
2005
fiscalizar as atividades relativas ao biodiesel. Realização do 1º leilão. Adição facultativa de 2%
do biodiesel no diesel.

Início da obrigatoriedade da mistura de 2% de biodiesel no diesel. Em junho de 2008 é


2008/2009 autorizado o aumento para 3% (Resolução nº 2 do Conselho Nacional de Política Energética-
CNPE). Em julho de 2009 entrou em vigor a adição de 4% de biodiesel.

A partir de primeiro de janeiro de 2010. Resolução CNPE, nº 6/2009 permitiu a adição de 5%


2010
biodiesel no diesel, publicado no Diário Oficial de 18 de fevereiro de 2009.

Fonte: Ubrabio, 2009, com atualização da Embrapa.

No atual estágio de desenvolvimento, a utilização de energias alternativas tornou-se uma grande


prioridade para o mundo e, o biodiesel na qualidade de combustível limpo e renovável assume importância
cada vez maior nessa questão. Existe uma relação direta entre consumo de energia e desenvolvimento
econômico e, em virtude do grande desenvolvimento que o mundo vem experimentando, a demanda por
energia tem crescido significativamente. Nos países altamente industrializados o consumo de energia per
capita, não pára de crescer. Da mesma forma, nos países emergentes (BRICs) a demanda de energia cresce a
cada ano. No Brasil, dados da – Empresa de Pesquisa Energética –EPE (2009) mostram que em 2008 o
consumo de energia cresceu 6%. Embora essa taxa tenha diminuído em função da crise internacional está
agora voltando ao nível anterior e a previsão é de um crescimento maior ainda em 2010, em função da
retomada do processo de desenvolvimento econômico do País. Em virtude disso, a grande moeda de troca do
mundo, hoje, é energia. O fato é que 80% ou mais da energia utilizada é proveniente de combustíveis
fósseis. Com a previsão de sinais de exaustão das fontes de petróleo anunciada para os próximos 40 anos e,
os problemas ambientais que estão ocorrendo e deverão se agravar em virtude da emissão dos gases de
efeito estufa (GEEs) causados, em grande parte, pela utilização do petróleo e seus derivados, o mundo
resolveu voltar-se decisivamente para a utilização de fontes alternativas de energias limpas e renováveis em
substituição aos combustíveis fósseis. Essa é a forma adequada de minimizar a emissão de gases poluentes
(principalmente o CO2) que contribuem para o aquecimento global e aumentam cada vez mais a ocorrência
de desastres climatológicos causando sérios prejuízos para a humanidade.
No que diz respeito às questões relativas ao meio ambiente, o Protocolo de Kyoto (1997) foi na
verdade o primeiro grande alerta sobre a poluição ambiental, mas trouxe resultados pífios, na medida em que
os Estados Unidos (maior poluidor do mundo) negou-se a assinar o Protocolo. O Painel Intergovernamental
2
sobre Mudança Climáticas, realizado em Paris em 2007, fez um alerta sobre o aumento da incidência de
tempestades locais extremas, ondas de calor e pesadas chuvas, furacões, aumentos e decréscimos de chuvas
na maioria das áreas subtropicais, incluindo o Nordeste, Centro-Oeste do Brasil e parte da Amazônia. Essas
previsões estão se confirmando. A 15ª Conferencia das Partes da Convenção Quadro da ONU para
Mudanças Climáticas – COP 15- realizada em Copenhague, Dinamarca e encerrada em dezembro de 2009,
analistas e participantes consideram um fiasco e não chegou às conclusões e resultados esperados com
relação à diminuição da emissão de GEEs nos próximos anos. Embora exista uma corrente de cientistas
céticos com relação às questões relativas ao aquecimento global, hoje, a palavra de ordem é a
descarbonização do mundo. A questão está sendo focada na redução de CO2 e outros gases poluentes e na
utilização cada vez maior de fontes de energias alternativas renováveis e limpas (MDL), incluindo, os
biocombustíveis. E quando se fala em biocombustível, o Brasil se torna destaque pela produção de etanol e
de biodiesel. Aliás, com relação ao esforço e ao compromisso que se impõe ao mundo na tarefa de
minimizar a emissão de GEEs, nunca é demais lembrar que o Brasil possui uma matriz energética limpa
(46% de fontes renováveis) em relação ao mundo (13% de fontes renováveis). A Figura 1 traz as matérias-
primas mais utilizadas no Brasil e no mundo para a produção de energia.

Fontes Renováveis: 46% .............. Fontes Renováveis: 13%


Figura 1. Energias renováveis – Participação de fontes primárias no Brasil em 2007 e no Mundo em 2005.
Fontes: Ministério de Minas e Energia - 2009.

O Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel – PNPB

Criado em dezembro de 2004 e regulamentado em janeiro de 2005, o Programa completou 5 anos de


existência. Com objetivos de caráter social, econômico e ambiental tem um forte componente político
fazendo parte dos grandes programas e metas estabelecidas pelo atual governo. Incrementado e ativado no
momento em que os biocombustíveis passaram a ter um papel de destaque no mundo em função da escalada
dos preços do petróleo, da escassez prevista desse produto e dos fenômenos climáticos, o PNPB é, sem
dúvida, econômica, social e ambientalmente correta e tem despertado a atenção do Brasil e do mundo. No
entanto merece especial cuidados para que possa alcançar a sua sustentabilidade. Por isso é importante que
técnicos, pesquisadores, economistas, formuladores de políticas, segmentos ligados ao agronegócio,
públicos ou empresariais façam, periodicamente, análises criteriosas e consistentes sobre a sua viabilidade.
Existem vários estudos sobre o Programa, sua importância, resultados, benefícios, condições favoráveis ou
barreiras impeditivas. Achamos que neste momento, em que o B5 entrou em vigor, esses estudos deverão ser
intensificados para que os formuladores de políticas, os setores produtivo e industrial disponham de

3
subsídios para fazerem as correções de rumo que por acaso se façam necessárias para garantir a sua
sustentabilidade.

Benefícios

O Programa Nacional de Biodiesel já contabiliza expressivos ganhos de caráter econômico, social e


ambiental. Dados da Agência Nacional de Petróleo – ANP (2009) mostram que em 2008 a utilização do
biodiesel permitiu uma redução na importação de diesel de petróleo de 1,1 bilhão de litros possibilitando
uma economia de quase 1 bilhão de dólares. Para o ano de 2009, esta conta, em outubro, já havia
ultrapassado os 580 milhões de dólares. Observa-se na Tabela 2, o ano de 2008 obteve o total de 992,29
milhões de dólares. Em 2009 houve reflexo da crise, mas a curva era ascendente desde 2005.
Tabela 2. Economia na conta petróleo em função do uso do biodiesel – US$ milhões.

Mês 2005 2006 2007 2008 2009

Janeiro - 0,48 8,08 54,86 35,41

Fevereiro - 0,48 8,06 56,10 35,88

Março 0,00 0,70 10,67 49,09 51,77

Abril 0,00 0,85 9,54 51,70 36,21

Maio 0,01 1,19 14,56 71,73 39,70

Junho 0,01 3,37 15,32 108,10 62,34

Julho 0,00 1,81 15,46 120,99 75,07

Agosto 0,03 2,98 25,99 117,02 81,10

Setembro 0,00 3,86 27,38 130,60 83,69

Outubro 0,02 4,29 33,11 102,96 79,19

Novembro 0,14 7,80 38,73 76,67 -

Dezembro 0,14 6,87 35,23 52,47 -

TOTAL 0,36 34,69 242,12 992,29 580,36

Fonte: Agência Nacional de Petróleo –ANP (2009). Elaboração Embrapa/SGE.

Considerando a entrada do B5 no início de 2010, se esse percentual de mistura se mantiver até 2013,
o que é pouco provável, porque os percentuais de mistura têm se antecipado aos prazos previstos na Lei, a
redução na importação de diesel será ainda mais expressiva. Com o B5, o Programa demandará entre de 2,2
a 2,4 bilhões de litros em 2010. Aplicando-se os referidos percentuais são obtidos os consumos apresentados
na Figura 2 para 2013. A previsão é de 2,8 bilhões de litros até 2013.
.

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Figura 2. Consumo obrigatório de biodiesel (bilhões de litros)
Fonte: Empresa de Pesquisa Energética – EPE, ( 2008/2017).

A dinâmica do setor também tem proporcionado incrementos na renda de milhares de famílias de


pequenos produtores rurais que produzem matérias-primas, principalmente, no Semi-Árido nordestino,
permitindo a inclusão social dessas populações. Embora possa haver alguma divergência com relação ao
número real de empregos criados no campo desde a implantação do programa até agora, principalmente, na
agricultura familiar sabe-se que esse número é bastante expressivo. Se considerarmos a cadeia produtiva do
biodiesel como um todo e acrescentarmos os benefícios gerados também pela agricultura empresarial,
incluindo a parte agrícola e industrial (máquinas, insumos e equipamentos); comercialização de produtos,
engenharia de processos industriais, investimentos em pesquisa, criação e manutenção do esquema de
logística e distribuição e outros itens, pode-se constatar que a geração de emprego e renda assume
proporções altamente significativas e mostrarão o fortalecimento do agronegócio brasileiro resultante do
desenvolvimento do Programa. Sabe-se que essas contas estão sendo feitas. Fica aqui uma sugestão no
sentido de que sejam desenvolvidos trabalhos com vistas a quantificar esses benefícios de maneira mais
detalhada
Com relação à questão ambiental, é sabido que com a utilização do biodiesel estabelece-se um ciclo
fechado de carbono – desde a cultura da matéria-prima até a produção do combustível. Nesse processo
fechado, o CO2 é absorvido durante o crescimento da planta e é liberado quando o biodiesel é queimado na
combustão do motor. Estudos mostram que o biodiesel reduz em 78% às emissões líquidas de CO2 e em
20% as emissões de enxofre (outro importante poluente que aparece em grande concentração no diesel de
petróleo). Com a entrada do B5, o Programa estará proporcionando uma redução de 5,4 milhões de
toneladas de gases poluentes por ano, Revista Bionergia (2008). A partir destes números podem-se estimar
os ganhos ambientais advindos da diminuição na emissão dos GEEs até 2013. Esses benefícios tornam-se
mais expressivos, quando se sabe que a poluição na cidade de São Paulo, mata mais de 7 mil pessoas por
ano. A Revista Biodieselbr (2009), divulgou dados de uma pesquisa realizada pelo Laboratório de Poluição
da USP e mais seis universidades federais revelando que são gastos 459,2 milhões de reais anuais para tratar
doenças respiratórias provocadas por poluentes da fumaça de óleo diesel (partícula fina). Esse gasto é feito
por unidades públicas e privadas de saúde nas regiões metropolitanas do País: São Paulo, Rio de Janeiro,
Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Recife. Segundo o estudo, 8.169 pessoas são internadas anualmente
com problemas cardíacos causados por partícula fina. São Paulo lidera o ranking das cidades pesquisadas,
registrando 7.817 mortes por ano e 335 milhões de reais com gastos com internação.

5
Biodiesel - estado da Arte:
Brasil:
Com o B5, o consumo de biodiesel passa a ser entre 2,2 a 2,4 bilhões de litros. O estoque de
segurança mantido pela Petrobrás estava no patamar de 100 milhões de litros até o dia 30 de junho de 2009.
O 16º Leilão de Biodiesel realizado pela Agência Nacional do Petróleo – ANP em 17 de novembro de 2009
para atender a mistura B5 resultou na venda de 575 milhões de litros do produto, garantindo, portanto o
suprimento do biodiesel necessário até a realização dos próximos leilões. Por isso, a oferta de biodiesel está
garantida. A Figura 3 mostra a diferença entre produção e capacidade nominal. Pode-se ver que a capacidade
é duas vezes maior que a produção atual e por isso pode-se estimular o consumo.
A expansão do parque industrial tem sido considerável. Há 5 anos atrás não existia nenhuma planta
de biodiesel. Hoje, de acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo –ANP (2009), o Brasil tem 63
plantas autorizadas para operação; 45 plantas autorizadas para comercialização de B100; 19 plantas em
processo de autorização e 13 plantas em processo de autorização para ampliação. A capacidade atual de
produção está assim distribuída: Norte, 4,84%; Nordeste, 18,87%; Sudeste, 17,55%; Centro Oeste, 38,89% e
Sul, 19,28%. A expansão deverá ocorrer no Sul em função da quantidade de usinas em planejamento.

Figura 3. Biodiesel: Evolução da produção e da capacidade nominal autorizada pela ANP.


Fonte: Dados da Empresa de Pesquisa Energética – EPE. (2009) , Elaboração Embrapa/SGE.2009

Após a revisão dos dados de produção da Argentina- 1,09 bilhões de litros -, o Brasil com 1,16
bilhões de litros produzidos de biodiesel assumiu o 4º lugar no ranking entre os maiores produtores do
mundo. Duarte (2009), afirma que a produção dos líderes mundiais – Estados Unidos e Alemanha vem
caindo significativamente. Nos Estados Unidos, dois terços da capacidade de produção está ociosa e a
indústria alemã está operando com 20% da capacidade, por causa do aumento nos impostos sobre o
biocombustível. Há, portanto uma estimativa de que a produção fique reduzida a 1,13 bilhões de litros, ou

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seja, menos da metade da que foi registrada nos dois últimos anos, Revista Biodieselbr ( 2009). É possível
que a União Européia não conseguirá atingir a meta de adicionar 5,75% de biodiesel no diesel até 2020.

Conforme opinião de Rodrigues (2009) que fez um balanço do Programa Nacional de Produção e
Uso do Biodiesel e avaliou as perspectivas do biodiesel nacional, a partir de 2010, “... no inicio de janeiro,
quando a adição de biodiesel ao diesel sobe para 5%, o Brasil se consolidará como o segundo maior
produtor mundial, atrás apenas da Alemanha, mas a frente dos Estados Unidos”. Cabe novamente a
pergunta: em que medida isso garante a sustentabilidade do programa de biodiesel no Brasil?

Mundo:
A União Européia produz cerca de 90% do biodiesel do mundo. O maior produtor e consumidor
mundial de biodiesel é a Alemanha. Os Estados Unidos vêm em segundo lugar. Mas em 2009, em função
dos efeitos da crise internacional essa posição poderá vir a sofrer algumas alterações. A Figura 4 traz em
destaque os valores em toneladas de litros/ano comercializadas na Alemanha (5.200 t/ano) e União Européia
(3.200 t/ano), mas grande parte da produção e desenvolvimento desses produtos foi feita na Ásia.

5.200 t/ano

Europa: 120 Plantas, principalmente na


Alemanha, Áustria, Franças e Suécia

Figura 4. Estado da arte: mundo


Fonte: European Biodisel Board - EBB, 2007.

Como pode ser observada na Figura 5, a produção de biodiesel nos Estados Unidos alcançou um
crescimento expressivo de 2006 a 2008. O aumento da capacidade produtiva foi maior que 100% em 2008.

7
Figura 5. EUA: Estimativa da produção de biodiesel – em milhões de litros
Fonte: National Biodiesel Board and Biodiesel Magazine, 2008.

Assim, como os Estados Unidos, também a Europa obteve excelente produção de biodiesel no
período de 2006 a 2008. A Figura 6 destaca o crescimento da Alemanha e da França. Pode-se ver que a
produção da Alemanha chega a mais 3 milhões toneladas/ano mas, a comercialização chega a 5.200
toneladas/ano. A União Européia chega a quase 8 milhões de toneladas/ano.

Figura 6. Produção de biodiesel dos países da União Européia – mil toneladas.


Fonte: European Biodisel Board -2007.

É importante ressaltar que nos 3 últimos anos, a produção de biodiesel tem crescido
significativamente nos principais países produtores. A Figura 7 traz dados comparativos entre 2007 e 2008,
a Alemanha tem uma leve redução em função do inicio da crise econômica, os Estados Unidos dobra a
produção. A França, o Brasil e a Argentina apresentam desempenhos muito melhores que a Alemanha.

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Figura 7. Produção mundial de biodiesel em 2007 e 2008
Fonte: Revista Biodieselbr; 2009
.
Composição de Custos:

O Biodiesel é mais caro que o diesel. Por isso, na implantação do PNPB foi adotado um modelo de
estruturação do novo mercado que evitasse que o seu funcionamento fosse regido, estritamente, pelas regras
convencionais de mercado, em que os preços do diesel e do biodiesel determinassem a viabilidade do
produto. Foi estruturado um mercado regulado e específico para o biodiesel – um mercado compulsório.
Uma política mandatória. Campos (2009), afirma que “se a política adotada fosse a de colocar o biodiesel
em competição com o diesel, em um mercado facultativo, não existiria espaço para o novo combustível no
Brasil, uma vez que se empregando a maioria das oleaginosas disponíveis, o biodiesel ainda é mais caro que
o diesel, uma vez que a aquisição de matéria-prima responde por mais de 70% dos custos de produção.
Portanto, não existindo mercado, não haveria estímulo à ampliação e à melhoria do desempenho agrícola das
oleaginosas”.
Os leilões de biodiesel realizados pela ANP funcionam como balizadores de preços e garantem a
oferta desse produto. No último leilão realizado, o preço de referência foi de 2,35 reais por litro e o preço
médio ponderado foi de 2,33 reais. Se analisarmos os números fornecidos pela ANP relativos aos preços
médios dos 5 últimos leilões, podemos verificar que esses valores não sofreram alterações sensíveis.

Leilões
O 12º leilão que ocorreu 24 de novembro de 2008 o preço foi de 2,39/reais o litro.

13º leilão, 27 de fevereiro de 2009: 2,15 reais o litro.

14º leilão, 29 de maio de 2009: 2,31 reais o litro.

15º leilão, 27 de agosto de 2009: 2,27 reais o litro.

e 16º e último leilão realizado em 17 de novembro de 2009: 2,31 reais o litro.

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O custo do Biodiesel depende de vários fatores:

• a matéria-prima utilizada entra com 70% na composição dos custos.

• As más condições de rodovias e outros fatores como: frete, processo industrial, insumos
industriais, carga tributária, enfim, toda estrutura logística agrícola e industrial pesam neste custo
total. Esta é uma questão muito importante porque impacta fortemente a composição do preço e
dificulta o processo de distribuição. Estes fatores precisam ser resolvidos rapidamente, para não
travar a expansão do Programa de Biodiesel no Brasil. Segundo Tenório (2007) “ países como
Estados Unidos e Canadá estão muito à frente do Brasil na questão de logística para
biocombustíveis. Os Estados Unidos já realizaram o primeiro transporte comercial de biodiesel por
dutos em julho de 2009 escoando um volume superior a 2,3 milhões de litros”. Tenório salienta,
ainda, que “ a Região Centro Oeste do Brasil é responsável, atualmente, por mais de 39% da
produção nacional de biodiesel e, de acordo com dados estatísticos do Sindicom, um caminhão que
parte da Região Sudeste com destino ao Centro-Oeste para coleta da produção, demora em média
5,5 dias para retornar ao ponto de partida”. Este é um fator que impacta diretamente no custo do
frete.

• O aprimoramento do processo industrial para produção do biodiesel é outro fator importante. Os


níveis de rendimento, dependendo do teor de óleo e das características físico-químicas das matérias-
primas utilizadas, a rota tecnológica adotada: etílica, metílica ou mista tem custos diferentes. Com
relação às características físico-químicas das matérias-primas: soja e algodão resultam em alto índice
de iodo, o que poderá dificultar uma potencial exportação de biodiesel para a Europa, porque os
índices permitidos por lá são mais baixos. Já a mamona tem alto grau de viscosidade levando a um
produto final de baixa qualidade. O girassol tem alto índice de insaponificáveis resultando em baixa
produtividade e elevado teor de impurezas. O pinhão-manso possui elevado índice de acidez. Mas, o
aprimoramento do processo industrial e os investimentos feitos em pesquisa estão trazendo solução
para essas questões, seja na escolha da rota tecnológica mais conveniente, na mistura adequada de
óleos (blends), utilização de aditivos e/ou obtenção de novas variedades dessas matérias-primas,
Freitas. ( 2009). A Figura 8 dá uma visão geral dos principais fatores que incidem na composição
dos custos na produção do biodiesel.

Matéria-prima =70%
Condições de Rodovias = 3,8 reais
por metro cúbico e equivale a 0,2% do Processo Industrial: Os valores ainda
biodisel. não são divulgados.

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Frete

Distância média entre plantas produtoras e bases distribuidoras

Sul: 176 km = R$ 1,9 / m3

Sudeste: 169 KM = R$ 2,0 /m3

Centro-Oeste : 463 = R$ 6,7 /m3

Nordeste: 394 Km= R$ 6,5 /m3

Norte: 604 Km = R$ 9,8/m3

Figura 8: Principais fatores de custo


Fonte: Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Bicombustíveis, IBP 2007. Organização da SGE/Embrapa.
Fotos: Valter Tanner e Banco de Imagem da Unidade de Biodiesel da Petrobras em Quixadá-CE

Finalmente, a definição e estruturação de mercado para resíduos e co-produtos oriundos do processo


industrial da fabricação do biodiesel, como glicerina, ácidos graxos, ésteres etílicos, sais minerais e outros é
de fundamental importância. A glicerina é o principal subproduto. A produção de glicerina corresponde a
10% da de biodiesel. Portanto, existe hoje um estoque crescente de glicerina e a necessidade de organizar
esse mercado, encontrando, inclusive alternativas para sua utilização além da indústria de cosméticos. O
Centro de Pesquisa em Química Aplicada – CEPESQ da Universidade Federal do Paraná – UFPR estuda
usos alternativos da glicerina. As propostas vão desde compósitos biodegradáveis; filmes para embalagens;
até membranas poliméricas sulfonadas.
Matéria-Prima:
Essa é, sem sombra de dúvida, a questão mais importante a ser considerada em qualquer estudo ou
análise que se tente fazer, com relação ao desenvolvimento sustentável do Programa de Biodiesel no Brasil.
As principais oleaginosas utilizadas como matéria-prima na produção de biodiesel são: soja, mamona,
girassol, amendoim, algodão, dendê, canola e pinhão-manso. A Figura 9 mostra as principais matérias-
primas utilizadas no Brasil por região. As matérias-primas possuem especificidades diferentes e, portanto
exigem soluções diferentes. Algumas palmeiras como: macaúba, inajá, tucumã, babaçu e outras se
apresentam com boas perspectivas e têm um potencial de produção de 2 a 5 mil quilos de óleo por hectare,
mas ainda não têm domínio tecnológico.

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Figura 9. Principais culturas oleaginosas utilizadas para a produção de biodiesel.
Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA (2005).(a)

Dentre as principais matérias-primas utilizadas para a produção do biodiesel brasileiro, a soja se destaca
como principal produto contribuindo com cerca de 80% do óleo produzido e, a previsão é de que essa
situação não se modificará nos próximos anos. Essa cultura tem uma cadeia produtiva organizada e está no
limite da fronteira tecnológica mundial, sendo o Brasil, hoje o segundo maior produtor mundial dessa
oleaginosa. Mas o seu rendimento em óleo é baixo (560kg/ha). Segundo Durães (2008), o problema é que as
espécies oleaginosas convencionais das quais já se têm domínio tecnológico: soja, girassol, algodão,
amendoim e canola têm um potencial de rendimento de 500Kg/ha a 1.500kg/ha de óleo e estão produzindo
entre 400kg/ha a 800kg/ha de óleo e, esses valores são considerados baixos, conforme Tabela 3. O pinhão-
manso e algumas palmeiras das quais ainda não temos domínio tecnológico têm um potencial de rendimento
de 2 mil a 5 mil quilos de óleo por hectare. Já o dendê tem um potencial de rendimento de 4 mil quilos de
óleo por hectare. Sua produção ocorre em uma área restrita, circunscrita ao Pará, Amazonas e Bahia, que
soma apenas cerca de 80 mil hectares cultivados. Cabe ressaltar que as gorduras animais e outros materiais
graxos também estão sendo também utilizados (18%). A Figura 10 apresenta os percentuais de matéria-
prima utilizadas na produção de biodiesel de acordo com a Agência Nacional de Petróleo –ANP (2009).

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Figura 10. Matérias-primas utilizadas para produção de biodiesel.
Fonte: Agência Nacional de Petróleo –ANP. 2009.

Esses fatos tornam evidente a necessidade de grandes investimentos em pesquisa, para que possamos
dispor de matérias-primas alternativas suficientes, num cenário de médio e longo prazo, e garantir a oferta
de óleo vegetal necessária de acordo com o crescimento do Programa. A Embrapa Agroenergia vem
desenvolvendo em parceria com outras instituições de pesquisa, um trabalho muito importante com esse
objetivo.

Tabela 3. Produtividade média e o rendimento em óleo por hectare


Produtividade média de
Cultura Teor médio de óleo ( % ) Rendimento médio em óleo (kg/ha)
grãos (kg/ha)

Soja 2.800 20 560

Dendê 15.000 26 4.000

Girassol 1.800 45 774

Algodão 1.900 19 361

Amendoim 2.400 45 788

Mamona 1.000 48 470

Canola 1.500 38 570

Pinhão manso 5.000 38 1.900

Fonte: Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento-MAPA, 2007.(b)

Nos próximos anos, a soja deverá continuar sendo a principal matéria-prima utilizada na produção de
biodiesel. A pergunta que tem sido feita é a seguinte: considerando que a soja é uma commoditie, ela está
sujeita às variações de preço impostas pelo mercado internacional, por isso, em que medida o suprimento de
soja destinada ao biodiesel estaria garantido? E por qual período?

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Amaral (2009) afirma..”O consumo de biodiesel está crescendo gradualmente e deverá atingir 3,1
milhões de toneladas em 2020. Essa produção exigirá um volume equivalente de óleos vegetais e a produção
nacional terá plena capacidade de atender essa demanda”...acrescenta ainda, ..”que, de acordo com projeções
da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais – ABIOVE (2005), em 2020 o Brasil deverá
colher em torno de 105 milhões de toneladas de soja. Processada localmente, o País poderá contar com 20
milhões de toneladas de óleo de soja. Isso, sem levar em consideração o desenvolvimento de outras
oleaginosas, como girassol e colza que deverão experimentar um grande desenvolvimento nesse período em
função da demanda por óleo. Enquanto na soja e no algodão, o País se encontra na fronteira tecnológica em
relação aos melhores produtores, na colza e no girassol há uma defasagem em 42% e 29% respectivamente.
Daí a importância de se investir nessas lavouras no Brasil”. Segundo o autor, citado acima, ...” esse aumento
na produção de soja para atender o aumento na produção de biodiesel irá demandar apenas mais 8 milhões
de hectares, pois será baseado fundamentalmente no aumento da produtividade agrícola, e, afirma que esses
são indicadores de que o Brasil dispõe de matérias-primas em volume adequado para atendimento das
necessidades do Programa, em longo prazo, sem prejuízos às demais utilização dos óleos vegetais, como:
usos alimentícios e industriais”. Se estes dados se confirmarem não teremos gargalos, pois as matérias-
primas se constituem os principais fatores para a sustentabilidade do Programa.
O estudo da ABIOVE ressalta que o óleo de soja, atualmente, responde por 73% da disponibilidade
de óleos e gorduras no Brasil, seguido pelo sebo bovino, gordura de frango e banha de porco, que juntos
somam 11,6%. Pode-se observar que os demais óleos têm menor participação na oferta nacional, tal como o
óleo de palma e o óleo de algodão (Tabela 4).
Tabela 4. Disponibilidade de óleos vegetais e gorduras animais no Brasil, 2007/08 – Em mil toneladas.
Produto Produção Importação Oferta Part. %
Óleo de soja 6.258 90 6.348 73,3

Sebo e gordura animal 598 6 604 7,0

Banha de porco 394 - 394 4,6

Óleo de palma 215 143 358 4,1

Óleo de algodão 278 - 278 3,2


Óleo de girassol 50 20 70 0,8

Óleo de colza 59 9 68 0,8

Óleo de mamona 56 8 64 0,7

Outros óleos vegetais 366 106 472 5,5

Total 8.274 382 8.656 100,0

Fonte: Amaral; 2009.

Mercado – características
Em relação ao suprimento, até o momento, não há nenhum problema com o mercado interno de
biodiesel, em razão dos percentuais de mistura estabelecidos, uma vez que as medidas adotadas pela ANP
estão em sintonia com as metas estabelecidas no Programa. Há um projeto de Lei em circulação no
Congresso Nacional, com base numa proposta feita pela União Brasileira de Biodiesel- UBRABIO, que tem
como objetivo fazer com que nas grandes metrópoles brasileiras, o biodiesel seja acrescentado ao diesel
mineral em maior proporção do que nas outras áreas do País. A proposta prevê que nas metrópoles esse
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índice seja aumentado para 8% em 2011, com acréscimo de dois pontos percentuais por ano, até 2018,
quando atingirá 20%. Trata-se do B20 Metropolitano. Mas, segundo analistas, essa proposta não é tão fácil
de ser operacionalizada, em especial, devido à distribuição e fiscalização de percentuais diferentes em
diferentes regiões.
Quanto ao mercado externo, o Brasil não tem política de exportação. Atualmente a prioridade é o
mercado interno. Mas é preciso levar em consideração, algumas diretrizes e conseqüências da implantação
do Programa. A primeira é que a Petrobras Biocombustíveis- PBIO pretende aplicar no período 2009/2013,
2,4 bilhões em bicombustíveis e fazer grandes investimentos no processo de refino e em novas refinarias de
diesel de petróleo, com objetivo de tornar o Brasil auto-suficiente nesse tipo de combustível, Petrobras,
(2009), a segunda é que a produção de biodiesel deverá crescer substancialmente nos próximos anos, daí a
necessidade de definirmos uma política de exportação para esse produto. Para isso temos de resolver alguns
problemas, de imediato, como a questão das especificações. Faz-se necessário adequar às especificações do
biodiesel brasileiro àquelas exigidas pelo mercado internacional. Outro problema é a competitividade de
preços. É necessário ter preços competitivos para entrar no mercado de exportação. No entanto, a mais
importante das questões é a derrubada das barreiras sociais e ambientais impostas por outros países ao
bicombustíveis brasileiros: etanol e biodiesel.

Cabe lembrar, que a partir da década de 1970 quando o Brasil começou a marcar uma forte presença
na exportação de produtos como suco de laranja, frango, açúcar, carnes e outras commodities agrícolas, as
grandes barreiras impostas por outros países produtores, principalmente da Europa e Estados Unidos eram
barreiras tarifárias, estabelecimento de quotas, e, principalmente as barreiras sanitárias, imputadas ao País,
na maioria das vezes, sem o menor fundamento. O caso mais recente foi o da vaca louca, inventada pelo
Canadá. Tudo isso foi desmistificado e, as questões negociais da agricultura brasileira tomaram outro rumo.
Atualmente, em função da competitividade e das condições extremamente favoráveis do Brasil na produção
de biocombustíveis, a alegação, é de que a produção de biodiesel implica na utilização de novas áreas de
forma desordenada causando impactos ao meio-ambiente e substituindo a produção de alimentos. Estudo
realizado pela EMBRAPA avaliou, em 2005, o potencial brasileiro para produção de oleaginosas sem
incorporação de novas áreas e concluiu que essa história de que o biodiesel resultará em danos ao meio-
ambiente, é uma grande falácia, pois o Brasil tem potencialidade para produzir biodiesel sem ampliação de
fronteiras agrícolas e preservando as áreas atuais de florestas, simplesmente adotando as políticas de
incentivo à preservação ambiental e os métodos de uso racional do solo. Campos e Carmélio (2009) . A
Tabela 5 apresenta a orientação de governo para conduzir a política de produção do programa. A
substituição de culturas alimentares é outra inverdade. Campos e Carmélio (2009) mostram que o biodiesel é
um combustível que contribui para a oferta de alimentos. Os autores lembram que as oleaginosas são
compostas por uma parte protéica e outra de óleo. No processo de produção do biodiesel depois da extração
do óleo sobram torta ou farelo, fartamente utilizados na alimentação animal, para geração de fontes de
proteína como carne e leite. Se considerarmos a soja (principal matéria-prima utilizada na produção de
biodiesel) cada metro cúbico de biodiesel gera cerca de 4 toneladas de farelo de soja, que convertidos pelo
animal, produzem cerca de 430 Kg de carne bovina. Pelo volume crescente da produção de biodiesel no
Brasil torna-se possível calcular a disponibilidade interna de fontes protéicas alimentares e o resultado no
aumento de carne ou de leite, com valor agregado, muito maior do que o grão de soja. Diante dessas
evidências, fica fácil desmascarar os lobbies internacionais contra o biodiesel produzido no Brasil.

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Cultura Produtivida Área potencial Produção potencial Que áreas são essas?
de (L/ha) (milhões de ha)
(bilhões de L)

O percentual de 20% de 100 milhões


Soja 600 20 12 de ha deve-se resultar da política de
integração agricultura-pecuária.

O cultivo de Safrinha é produzido


Girassol 1.000 3 3
em 20% da área cultivada de soja

Está definido no Zoneamento


Mamona 500 4 2
Agrícola do Nordeste

Deve se produzido por meio da


política de Reflorestamento. Usar
Dendê 4.500 10 45
16% das áreas já desmatadas da
Amazônia

Tabela 5. Potencial brasileiro para produção de oleaginosas sem a incorporação de novas áreas.
Fonte: Campos e Carmélio (2009) abud Embrapa (2005)

Análise do Programa de Biodiesel –

A política pública do Governo Federal que objetiva a implementação e consolidação do mercado de


biodiesel nasceu com uma visão holística, tendo clareza de que deve ocorrer de forma sustentável: técnica,
econômica e ambientalmente, da produção e do uso desse combustível, limpo e renovável, em todo o
território nacional. As diretrizes do PNPB foram de sustentabilidade da produção; promoção da inclusão
social; garantia de preço, qualidade e suprimento e diversificação de matérias-primas. A Tabela 6 relaciona
os principais problemas existentes e que podem ser considerados gargalos para o bom desenvolvimento do
Programa de biodiesel no Brasil e aponta as possíveis soluções.

GARGALOS POSSÍVES SOLUÇÕES

Pesquisa, mapeamento e zoneamento de diferentes culturas, domínio tecnológico das


espécies com alto potencial de produção de óleo (pinhão-manso, macaúba, inajá e outras)
que podem ser utilizadas como matérias-primas. Selecionar variedades com maior teor de
Problemas tecnológicos -
agrícolas e industriais óleo, entre as principais matérias-primas utilizadas.

Desenvolver pesquisas para aprimorar o processo industrial, diminuindo custos e


aumentando a produtividade

Garantia de Suprimentos Escolha correta dos insumos e da matéria-prima a ser utilizada, em função da
disponibilidade, do teor de óleo/rendimento e características físico químicas

Melhorar a infra-estrutura existente e a logística agrícola e industrial – investimentos nas


áreas produtoras, malha viária, de transporte e armazenagem.

Diminuir ou zerar a carga tributária que incide sobre a cadeia produtiva do biodiesel
Composição dos custos
Escolha correta da matéria-prima (70% do custo)

Fomentar novas tecnologias e novos processos industriais, definição de padrões e


economicidade. Estruturar e desenvolver o mercado para co-produtos e subprodutos

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(glicerina e outros).

Estabelecer normas e padrões para colocar o biodiesel brasileiro de acordo com as


Especificação
especificações do mercado internacional,

Barreiras sócio/ambientais Desenvolver uma campanha nacional e mundial, mostrando que o Brasil não precisa causar
impostas pelos Países danos ambientais e nem substituir culturas alimentares para produzir biodiesel em grande
produtores (EEUU e UEA) escala. Operacionalizar o selo verde.

Garantir a participação da Organizar e promover o segmento de produtores agro-familiares em biodiesel


agricultura familiar como
forma de garantir um dos
principais objetivos do
Programa, que é a inclusão
social

Tabela 6. Análise do Programa de Biodiesel.

Conclusões:
O Programa Nacional de Biodiesel é importante. É ambiental, social e economicamente correto e seu
crescimento e sustentabilidade dependem da resolução de algumas questões aqui abordadas. O biodiesel é
uma realidade no mundo e no Brasil. Dados aqui exibidos mostram o crescimento acentuado da produção de
biodiesel no mundo e no Brasil. As perspectivas são de um crescimento cada vez maior nos próximos anos e
o Brasil poderá passar à condição de exportador. Campos e Carmélio (2009) afirmam que ..“é o resultado de
uma comunhão de esforços do governo, somados ao alto nível de empreendedorismo do País, com o
envolvimento da sociedade civil organizada” que tornará o Programa bem sucedido e concluem “que
embora custos de produção do biodiesel sejam superiores ao diesel, o biodiesel deverá atingir um bom nível
de competitividade à medida que avançam as pesquisas e aumenta o domínio de conhecimentos
tecnológicos”. Entendemos que há muito que fazer em termos de geração de conhecimentos, investimentos
em logística agrícola e industrial, estruturação de uma política de exportação, regulação do mercado interno
e adoção de medidas de política adequadas para corrigir os rumos do Programa. Para reflexão daqueles que
lerem este artigo fizemos um levantamento dos recursos públicos e privados no Programa Proálcool,
realizado entre 1976 a 1988. Na época, esses recursos foram considerados como endividamento ou “rombo”
do PROALCOOL. Esses valores em moeda atualizada somam hoje a importância de US$ 17 bilhões de
dólares. Embora o PROALCOOL não tenha atingido os objetivos a que se propôs na época, deixou um
grande rastro de modernidade e tecnologias que permitiram ao setor sucroalcooleiro do Brasil se tornar o
mais moderno e eficiente do mundo. Assim sendo, se considerarmos, de forma isolada, somente o fato de
que a produtividade de cana-de-açúcar saltou de 50 t/ha para 85/90 t/ha no Centro Sul, que a média Brasil
saiu de 45 t/ha para 65 t/ha e o rendimento de etanol por tonelada de cana praticamente dobrou, pode-se
induzir que de 1989 até hoje, esses US$ 17 bilhões, foram pagos muitas e muitas vezes.
Em síntese, os fatos apresentados indicam um bom ritmo de implantação do Programa Nacional de
Produção e Uso do Biodiesel no Brasil em função dos seus bons fundamentos que servem como guias que
orientam a sua sustentabilidade. Mas, convém lembrar que apesar deste cenário positivo, externalidades
como fatores de caráter político/institucional (descontinuidades de governo, impasses entre uma matriz com
mais diesel ou biodiesel e outras), conjuntural, estrutural e econômico (redução do preço do petróleo),
condições de mercado e outras poderão, eventualmente, trazer dificuldades para que esse Programa se torne
sustentável.

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HTTP.www.anp.gov.br/biodisel/boletim> acesso em 17/12/2009.
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