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Jornada através do Livro de Exercícios

Volume Sete

Lições 221 a 365

Um Curso em Milagres

Kenneth Wapnick, Ph.D.

Foundation for A Course in Miracles


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SUMÁRIO POR VOLUME

Volume Um

Prefácio
Agradecimentos
Prelúdio
Introdução
Nível Um
A Unicidade do Céu
A Trindade Profana do Ego
Nível Dois
O Sistema de Pensamento de Culpa e Ataque da Mente Errada do Ego
O Sistema de Pensamento de Perdão da Mente Certa do Espírito Santo

Introdução ao Livro de Exercícios


Lições 1 – 60

Volume Dois

Lições 61 – 90

Volume Três

Lições 91 – 120

Volume Quatro

Lições 121 – 150

Volume Cinco

Lições 151 – 180

Volume Seis

Lições 181 – 220

Volume Sete

Introdução à Parte II
Lições 221 – 365
Epílogo

Poslúdio

Volume Oito

Índice Completo de Referências ao Um Curso em Milagres

Foundation for A Course in Miracles

Material Relacionado
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Introdução à Parte II

Como um prelúdio à discussão da parte II, voltamos à Introdução do livro de exercícios:

O livro de exercícios é dividido em duas sessões principais: a primeira lida com o


desfazer do modo como vês agora e a segunda com a aquisição da verdadeira
percepção (LE-in.3:1).

O propósito da Parte I, portanto, é desfazer o sistema de pensamento do ego. Nós


temos visto repetidamente que Jesus nos apresenta as crenças da mente errada e da mente
certa, apelando a nós para escolhermos entre elas. O fato de termos consolidado tudo o que
aprendemos até agora – o suficiente para escolher contra o especialismo do ego -, as lições e
resumos na Parte II nos ajudam com o próximo passo: a aquisição da percepção verdadeira.
Uma vez que tenhamos escolhido contra o ego, vamos ouvir a voz de Jesus mais
freqüentemente e começaremos a ver mais claramente.

(1) Agora as palavras significarão pouco.

Esse tema é familiar para nós a essa altura – Jesus enfatizando o quanto precisamos
praticar fielmente o que ele nos ensinou, aprendendo a não sermos dependentes da forma,
mas apenas do conteúdo.

(1:2-5) Nós as usamos apenas como guias dos quais já não dependemos. Pois agora
buscamos unicamente a experiência direta com a verdade. As lições que restam são
meras introduções para os momentos em que deixaremos o mundo da dor e entraremos
na paz. Agora começamos a alcançar a meta que esse curso estabeleceu e a encontrar o
fim para o qual a nossa prática sempre esteve dirigida.

Jesus não espera que nós estejamos a um passo do Céu, pois, agora que fizemos o
trabalho introdutório, a jornada real começa. Na verdade, no final do livro de exercícios, ele nos
diz: “Esse curso é um início, não um fim” (LE-ep.1:1). Ele, portanto, apela a nós para nos
lembrarmos de que nossa meta é “encontrar o fim para o qual a nossa prática sempre esteve
dirigida”; é a meta que torna os exercícios significativos, refletindo o princípio articulado na
seguinte passagem:

Em qualquer situação... a primeira coisa a considerar, muito simplesmente, é “O que


eu quero que resulte disso? Para quê serve isso?”. O esclarecimento da meta tem
que estar no início, pois é isso o que vai determinar o resultado... O valor de decidir
com antecedência o que é que queres que aconteça, simplesmente está em que
perceberás a situação como um meio de fazer com que isso aconteça. Farás,
portanto, todos os esforços para não ver o que interfere com a realização do teu
objetivo e concentrar-te-ás em tudo aquilo que te ajuda a realizá-lo... A situação
agora tem significado, mas somente porque a meta fez com que ela fosse
significativa (T-17.VI.2:1-3; 4:1-2,6).

Nós caminhamos pela fina linha de prestar atenção ao ego, no entanto, evitando a
armadilha de chafurdarmos em sua engenhosa complexidade. Lembre-se, Jesus avisa, nossa
meta é pularmos nas águas do ego e nadarmos até o mundo real do outro lado, não ficarmos
tão encantados pelo seu especialismo que acabemos mergulhando para explorarmos seu
tesouro enterrado. Portanto, é importante estarmos cientes do ego, mas não colocarmos seus
ídolos cultuados diante da nossa meta de paz, que nós atingimos por olharmos para nossos

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relacionamentos especiais a fim de que possamos ser libertados deles – os meios que Jesus
usa para nos levar para casa.

(2:1-2) Agora procuramos deixar que o exercício seja apenas um começo. Pois
esperamos em serena expectativa pelo nosso Deus e Pai.

Jesus nos pede para sermos quietos, mesmo em meio ao nosso dia ocupado. Como
vimos na Revisão VI, o foco agora está em aprendermos como silenciarmos os gritos
estridentes do ego em nossas mentes. Nessa passagem final de A Canção da Oração, ouça
Deus, nosso Pai, “falar” conosco sobre o Amor que é relembrado dentro da quietude de nossas
mentes serenas:

Vêm a Mim, Minhas crianças... sem tais pensamentos distorcidos sobre os vossos
corações... Meus Braços estão abertos para o Filho que amo, e que não
compreende que ele está curado, e que as suas orações nunca deixaram de cantar
a sua alegre gratidão em união com toda a criação, na santidade do Amor. Fica
quieto um instante. Por baixo dos sons estridentes e amargos da batalha e da
derrota existe uma Voz Que te fala de Mim... Volta para Mim Que nunca deixei o
Meu Filho. Ouve, Minha Criança, o teu Pai chama por ti. Não te recuses a ouvir o
chamado do Amor (C-3.IV.6:1; 7:3-5; 8:5-7).

(2:3-7) Ele prometeu que Ele próprio daria o último passo. E temos certeza de que as
Suas promessas são cumpridas. Já percorremos uma grande parte da estrada e agora
esperamos por Ele. Continuaremos a passar algum tempo com Ele de manhã e à noite,
tanto quanto nos fizer felizes. Agora não consideraremos o tempo uma questão de
duração.

No manual para professores, Jesus discute esse ritual ao mesmo tempo estruturante, e
mais dependente da nossa necessidade do que qualquer outro:

Esse curso é sempre prático. Pode acontecer que o professor de Deus não esteja
em uma situação que lhe favoreça pensar em quietude ao acordar. Se é esse o
caso, que ele apenas se lembre de que está escolhendo passar seu tempo com
Deus o quanto antes e que o faça. A duração não é a maior preocupação. É fácil
uma pessoa ficar uma hora sentada de olhos fechados e não realizar nada. Do
mesmo modo, pode-se facilmente dar a Deus um instante apenas e, nesse instante,
unir-se completamente a Ele... O mesmo procedimento deve ser seguido à noite...
Se possível, porém, o tempo imediatamente anterior à hora de dormir é um
momento que se deseja dedicar a Deus. Ele coloca a tua mente em um padrão de
descanso que te orienta para longe do medo (MP-16.4:1-6; 5:1,6-7).

É óbvio que Jesus não está falando sobre tempo, mas atitude. É possível estar
fisicamente ocupado, no entanto, com uma mente quieta. Na verdade, esse é o objetivo – não
que estejamos fisicamente quietos durante vinte e quatro horas por dia, mas que estejamos
mentalmente quietos, ainda que o corpo possa estar bem ativo. Jesus nos diz que seu curso é
prático, e então, ele não está sugerindo que neguemos nossas responsabilidades no mundo,
mas ele realmente nos impele a lembrarmos da nossa primeira responsabilidade: escolhermos
a ele em vez do ego. Aprendermos a sermos devotados a Jesus como nosso professor é o que
nos impulsiona ao longo da “jornada sem distância” (T-8.VI.9:7), até Deus se abaixar e nos
levantar até Ele (T-11.VIII.15:5).

(2:8-9) Nós usaremos o tempo de que precisarmos para o resultado que desejamos.
Tampouco nos esqueceremos de pensar Nele a cada hora do dia, chamando a Deus
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quando precisarmos Dele nos momentos em que nos sentirmos tentados a esquecer
nossa meta.

Não devemos desistir da nossa prática estruturada porque ainda precisamos dela. No
entanto, Jesus nos diz para ficarmos cada vez menos dependentes dela. Isso permite que
nossa necessidade se torne a determinante para pedirmos ajuda, e fomos treinados a estar
vigilantes em relação às escolhas do nosso ego para que possamos pedir a Jesus para nos
lembrar da nossa meta de voltarmos para casa.

(3) Nos próximos dias continuaremos com um pensamento central e usaremos esse
pensamento para dar início aos nossos momentos de descanso e para acalmar as
nossas mentes quando necessário. Mas não nos contentaremos só com a simples
prática nos instantes santos que restam para concluir o ano que demos a Deus. Diremos
algumas palavras simples de boas-vindas e esperaremos que o nosso Pai Se revele,
conforme prometeu. Nós O chamamos e Ele prometeu que o Seu Filho não ficaria sem
resposta quando invocasse o Seu Nome.

Uma vez que Deus está presente em nossas mentes através da Sua memória – o
Espírito Santo – “revelar” a Si Mesmo simplesmente significa que nós removemos as barreiras
à nossa consciência da Sua Presença, revertendo a decisão da mente de não estar
plenamente presente para Ele. Assim, nossa prática diária não deveria ser simplesmente uma
questão de completar um exercício específico ou qualquer coisa que a lição nos instrua a fazer,
mas deveria incluir uma vigilância contínua sobre o ego.

(4:1) Agora, vamos a Ele só com o Seu Verbo em nossas mentes e nossos corações e
esperamos que Ele dê o passo em nossa direção que, através da Sua própria Voz, Ele
disse que não deixaria de dar quando O convidássemos a fazê-lo.

A frase-chave é “quando O convidássemos”. É nossa escolha convidar o Espírito Santo.


No contexto de compartilharmos seus pensamentos de que dar e receber são o mesmo, Jesus
afirma:

Esse é o convite ao Espírito Santo. Já tenho dito que posso alcançar o que está
acima e trazer o Espírito Santo para ti, mas só posso trazê-Lo a ti com o teu próprio
convite. O Espírito Santo está em tua mente certa, assim como estava na minha. A
Bíblia diz, “Tende em vós a mesma mente que estava também em Cristo Jesus”, e
usa isso como uma bênção. É a benção da mente disposta para o milagre. Ela pede
que possas pensar como eu pensei, unindo-te a mim no pensamento de Cristo (T-
5.I.3).

(4:2) Ele não deixou o Seu Filho em toda a sua loucura, nem traiu a Sua confiança Nele.

O Amor de Deus está plenamente presente em nós e, portanto, nossa confiança Nele
tem total fundamento e não foi traída. Lembre-se de que o ego quer que acreditemos que Deus
e Jesus nos enganam, e esse curso não é confiável porque ele não funciona. Releia essa
passagem do texto sobre como nosso especialismo nos leva a pensar em Deus como um ego:

Tu, que preferes a separação [i.e., especialismo] à sanidade, não podes obtê-la em
tua mente certa. Estavas em paz até que pediste um favor especial. E Deus não o
concedeu, pois o pedido era algo alheio a Ele e tu não poderias pedir isso a um Pai
Que verdadeiramente amasse Seu Filho. Por conseguinte fizeste Dele um Pai sem
amor, exigindo algo que somente um pai assim seria capaz de dar. E a paz do Filho
de Deus foi despedaçada, pois ele não mais compreendeu o seu Pai. Ele tinha
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medo do que tinha feito, mas temia ainda mais o seu Pai real, tendo atacado a sua
própria igualdade gloriosa em relação a Ele (T-13.III.10).

O fato é, no entanto, que nós queremos nos sentir traídos, como um meio de ocultarmos
a crença de que nós somos os traidores pecaminosos. Uma vez que nosso pecado aparente
não teve efeitos, não existe nada a esconder ou defender. Portanto, Jesus nos lembra de que
Deus não traiu nossa confiança, e nós só precisamos nos lembrar do Seu Amor fiel:

Ele não deixou os Seus Pensamentos! Mas tu esqueceste a Sua Presença e não
recordaste o Seu Amor... Entretanto, ele jamais deixou os Seus Pensamentos para
que morressem, sem que a sua Fonte estivesse para sempre neles mesmos.... Ele
não poderia separar-Se deles, assim como eles não poderiam mantê-Lo de fora. Em
unidade com Ele todos vivem, e na sua unicidade Ambos se mantêm completos (T-
31.IV.9:1-2,6; 10:2-3).

(4:3-6) A Sua fidelidade não Lhe valeu o convite que Ele busca para nos fazer felizes?
Nós faremos o convite e esse será aceito. E assim, agora o nosso tempo será passado
com Ele. Pronunciamos as palavras do convite que a Sua Voz sugere e esperamos que
Ele venha a nós.

Nessa Introdução, Jesus equaciona a si mesmo ao Espírito Santo. Embora estivesse


claro para Helen que era a voz de Jesus que ela ouvia, aqui ele nos diz que essas são as
palavras do Espírito Santo. Helen não estava ouvindo duas vozes, no entanto, pois existe
apenas Uma – Espírito Santo, Jesus, Voz são apenas símbolos diferentes para o Amor não-
simbólico de Deus. Em última instância, é claro, quer essas lições tenham vindo de Jesus ou
do Espírito Santo é irrelevante. É só sua aplicação que importa. Assim, as linhas acima
constituem nosso convite ao Espírito Santo para nos ensinar Suas lições de perdão, o meio de
nos lembrarmos da nossa verdadeira Identidade no Reino de Deus, junto com todos os nossos
irmãos:

Busca em primeiro lugar o Reino dos Céus porque é lá que as leis de Deus operam
verdadeiramente... Mas busques apenas isso, porque não podes achar nada mais.
Não há nada mais... O amor só precisa deste convite. Ele vem livremente a toda a
Filiação, sendo o que é a Filiação. Através do teu despertar para ele, estás
meramente esquecendo daquilo que não és. Isso te permite lembrar o que és (T-
7.IV.7:1-3,9-12).

(5:1-2) Agora, o momento da profecia é cumprido. Agora todas as antigas promessas


são mantidas e plenamente cumpridas.

O cumprimento da profecia se refere a uma promessa ancestral feita por Deus ao Seu
Filho, para sempre um com Ele. Através de todo o Um Curso em Milagres, especialmente no
texto, Jesus fala dessas promessas, todas as quais estão relacionadas à nossa unicidade com
Deus. Lembre-se dessa adorável declaração:

Deus cumpre as Suas promessas; o Seu Filho cumpre as suas. Ao criá-lo, assim
disse o seu Pai: “Tu és meu amado e Eu o teu para sempre. Sê, pois perfeito como
Eu sou, pois nunca poderás estar à parte de Mim”. Seu Filho não se lembra de que
ele Lhe respondeu “Assim serei”, embora ele tenha nascido desta promessa (T-
28.VI.6:3-6).

No instante em que parecemos nos separar de Deus e adormecemos, a memória de


Quem nós somos como Seu Filho ficou enterrada em nossas mentes, como o Espírito Santo e
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Sua Expiação; a promessa ancestral que sempre foi, ainda é, e sempre será. Nada do que
acreditamos em contrário teve qualquer efeito sobre a verdade: nós nunca deixamos Deus e,
portanto, permanecemos em unidade com nosso Criador e Fonte. A profecia é cumprida.

(5:3) Não há mais nenhum passo que o tempo separe da sua realização.

O mundo quase infinito do tempo e espaço, desenrolando-se por bilhões de anos, não
afetou a realidade. No instante santo atemporal e não-espacial, quando escolhemos estar com
Jesus, o tempo é inexistente: nenhum pecado, culpa e medo; nenhum passado, presente e
futuro. Só resta a memória de Quem nós somos, que desfaz o pensamento de que jamais
poderíamos ser alguma outra coisa. Aqui estão três breves declarações que refletem a verdade
sem tempo e sem espaço do instante santo:

Há tanto, tanto tempo atrás, por um intervalo de tempo tão diminuto, que nenhuma
nota na canção do Céu se perdeu (T-26.V.5:4).

O tempo parece se mover em uma direção, mas quando atinges o seu fim, ele se
enrolará como um longo tapete estendido sobre o passado atrás de ti e
desaparecerá (T-13.I.3:5).

No entanto, a separação não passa de um espaço vazio, que nada engloba, que
nada faz, tão sem substancia quanto o vazio entre as ondas que um navio faz ao
passar. E é preenchido com a mesma rapidez com que a água corre para fechar a
brecha e as ondas se juntam para cobri-la. Onde está a brecha entre as ondas
depois que elas se unem e cobrem o espaço que parecia mantê-las separadas por
um breve momento? (T-28.III.5:2-4).

(5:4-6) Pois agora não podemos falhar. Senta-te silenciosamente e espera o teu Pai. Ele
quer vir a ti quando tiveres reconhecido que essa é a tua vontade.

Aqui, Deus é citado como se fosse uma pessoa. Esses são simplesmente símbolos; no
entanto, uma vez que pensamos que somos seres humanos, só podemos entender uma
linguagem estabelecida nessa moldura. A verdade, entretanto, é que a Vontade de Deus é a
perfeita Unicidade. Quando escolhemos entender que a separação não nos trouxe paz e então,
não a queremos mais, aceitamos a Expiação e sabemos que a Vontade de Deus é uma
conosco, e a nossa com a Dele.

(5:7) E nunca poderias ter chegado até aqui se não tivesses visto, mesmo
indistintamente, que essa é a tua vontade.

A frase “mesmo indistintamente” também é encontrada no Capítulo 2, onde Jesus fala


da inevitabilidade do nosso reconhecimento de que tem que existir outro caminho:

A tolerância à dor pode ser alta, mas não é sem limites. Eventualmente, todos
começam a reconhecer, embora de forma tênue, que tem que existir um caminho
melhor (T-2.III.3:5-6).

O que nos permitiu iniciarmos nossa jornada e chegar até esse ponto foi perceber que
sermos separados de Deus e sermos indulgentes com nosso especialismo não nos fez felizes.
Assim, isso não poderia refletir nossa vontade.

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(6:1-2) Estou tão perto de ti que não podemos fracassar. Pai, nós Te oferecemos estes
momentos santos em gratidão Àquele Que nos ensinou como deixar o mundo da tristeza
em troca do seu substituto, que nos é dado por Ti.

Esse é um dos poucos lugares no livro de exercícios onde Jesus fala conosco na
primeira pessoa. Note também que em alguns trechos no Um Curso em Milagres Jesus é
nosso professor; em outros, como aqui, o Espírito Santo tem esse papel. Os Dois são
intercambiáveis, pois não existem realmente duas “Pessoas” em nossas mentes, mais do que
existem duas Vozes. Lembre-se de que Jesus usa símbolos para falar conosco em qualquer
nível que podemos aceitar e entender.

(6:3) Já não olhamos para trás agora.

Isso é uma referência ao símbolo mitológico bem conhecido, encontrado, por exemplo,
na história bíblica da esposa de Ló (Genesis 19:26) e o mito de Orfeu e Eurídice. Aqui, olhar
para trás significa olhar para o ego como nosso professor. Jesus aponta nosso equívoco para
que possamos olhar apenas na direção da mente certa – olhando para o ego e dizendo não:

Não olhes para trás a não ser com honestidade. E quando um ídolo te tentar, pensa
nisso:

Nunca ouve um momento em que um ídolo te trouxesse


coisa alguma exceto a “dádiva” da culpa. Nenhum deles
foi comprado a não ser ao custo da dor, e nem jamais
foi pago apenas por ti.

... Olha para a frente; em confiança caminha com o coração feliz que bate em
esperança e não ecoa no medo (T-30.V.10:1-4,8).

(6:4) Olhamos para frente, com os nossos olhos fixos no fim da jornada.

Mantenha em mente o objetivo de despertar do sonho, não de se tornar mais feliz dentro
dele. Escolher Jesus como nosso professor é o meio de despertar, pois ele vai ajudá-lo a
perdoar seus relacionamentos especiais. Como ele pergunta no texto, se você quer alcançar o
final de despertar do sonho do ego, por que você não iria aceitar o meio do perdão oferecido
para ajudá-lo a atingir seu objetivo? Além disso, ele explica, não é o perdão que é difícil ou
amedrontador, mas o objetivo de Deus para o qual ele nos leva. Como sempre, Jesus implora
a nós para sermos honestos conosco mesmos e com ele:

Reconheces que queres a meta. Não estás também disposto a aceitar os meios? Se
não estás, vamos admitir que tu és inconsistente. Um propósito se atinge através de
meios e se queres um propósito tens que estar disposto a querer também os meios.
Como é possível uma pessoa ser sincera e dizer: “Quero isso acima de tudo, no
entanto, não quero aprender os meios de conseguir isso?”.
Para obter a meta, o Espírito Santo de fato pede pouco. Ele não pede mais para dar
os meios também. Os meios são secundários em relação à meta. E quando hesitas
é porque o propósito te assusta, não os meios. Lembra-te disso, pois de outro modo
cometerás o erro de acreditar que os meios são difíceis. No entanto, como podem
ser difíceis se simplesmente te são dados? Eles garantem a meta e estão
perfeitamente alinhados com ela. Antes de olharmos para eles um pouco mais de
perto, lembra-te que se pensas que os meios são impossíveis, a tua vontade de
alcançar o propósito foi abalado. Pois se é possível alcançar uma meta, os meios
para se fazer isso têm que ser igualmente possíveis (T-20.VII.2:3-7; 3).
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(6:5) Aceita estas nossas pequenas dádivas de gratidão, pois pela visão de Cristo
contemplamos um mundo além daquele que fizemos e aceitamos esse mundo para
substituir inteiramente o nosso.

Jesus nos diz que está pedindo a Deus para aceitar nossas pequenas dádivas de
agradecimento, pois, antes de transcendermos a percepção, temos que olhar para o mundo
através da visão de Cristo – o mundo curativo de perdão – e depois aceitarmos o mundo real
no lugar do nosso próprio. Esse é o penúltimo passo antes de Deus dar o último, e estarmos
em casa. A seguinte passagem resume o papel que curar a separação com nossos irmãos
desempenha em nos lembrarmos do nosso Criador:

Deixa que a tua luz brilhe sobre os teus irmãos em memória do teu Criador, pois irás
lembrar-te Dele à medida em que invocas as testemunhas da Sua criação. Aqueles
a quem curas dão testemunho da tua cura, pois na sua integridade verás a tua. E à
medida em que os seus hinos de louvor e contentamento elevam-se até o teu
Criador, Ele devolverá os teus agradecimentos em Sua Resposta clara ao teu
chamado. Pois é impossível que o Seu Filho O invoque e permaneça sem resposta.
O Seu chamado a ti não é senão o teu chamado a Ele. E Nele tu és respondido pela
Sua paz (T-13.VI.9).

(7:1-2) E agora aguardamos em silêncio, sem medo e certos da Tua Vinda. Buscamos
encontrar o nosso caminho seguindo o Guia que nos enviaste.

E então, nós encontramos a paz que verdadeiramente buscamos.

(7:3-4) Não sabíamos o caminho, mas Tu não nos esqueceste. E sabemos que não nos
esquecerás agora.

Nós encontramos aqui um eco da adorável segunda parte da Lição 189. O ego nos faria
acreditar que se Deus não nos punir, Ele vai nos esquecer, significando que vamos continuar
abandonados e órfãos. Em nossas mentes certas, no entanto, está a mensagem curativa que
Deus nunca iria nos deixar partir nem Se esqueceria de nós, porque nós somos um com Ele.
Lembre-se dessa tocante passagem:

Tu és inteiramente insubstituível na Mente de Deus. Nenhuma outra pessoa pode


preencher a tua parte nela e enquanto deixas a tua parte vazia, o teu lugar eterno
simplesmente espera pelo teu retorno. Deus, através da sua Voz, lembra-te disso e
o próprio Deus mantém a salvo as tuas extensões dentro dele... O teu valor está na
Mente de Deus e, portanto, não está apenas na tua (T-9.VIII.10:1-3,7).

(7:5-8) Pedimos apenas que as Tuas antigas promessas sejam cumpridas, como é Tua
Vontade cumpri-las. Ao pedirmos isso, a nossa vontade é a Tua. O Pai e o Filho, Cuja
santa Vontade criou tudo o que existe, em nada podem fracassar. Com essa certeza,
empreendemos estes últimos passos em Tua direção e descansamos confiantes no Teu
Amor, que não fracassará junto ao Filho que Te invoca.

Essas promessas representam a verdade de que nós sempre permanecemos em


unidade com nosso Criador. O resultado é tão certo quanto Ele porque nossa Unicidade nunca
mudou:

Um espaço onde Deus não está, uma brecha entre o Pai e o Filho não é a Vontade
de Nenhum dos Dois, Que prometeram ser um só; a promessa de Deus é uma
promessa a Si Mesmo, e não existe ninguém que possa ser infiel ao que é a
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Vontade de Deus como parte do que Ele é. A promessa de que não existe nenhuma
brecha entre Ele e o que Ele é não pode ser falsa. Que vontade pode intervir entre o
que é necessariamente uno e em Cuja Integridade não pode haver nenhuma
brecha? (T-28.VII.1:5-8).

(8:1-2) E assim damos início à última parte deste ano santo que passamos juntos em
busca da verdade e de Deus, Que é o único Criador da verdade. Achamos o caminho que
Ele escolheu para nós e escolhemos segui-lo como Ele queria que fizéssemos.

Jesus continuamente retorna à importância de reconhecermos que, uma vez que


escolhemos um caminho equivocado, agora podemos escolher aquele que vai nos levar para
casa. O parágrafo inicial do Epílogo ao esclarecimento de termos expressa lindamente o fim da
jornada, a meta certa à qual o perdão e Jesus gentilmente nos conduzem:

Não te esqueças de que uma vez iniciada essa jornada, o fim é certo. A dúvida ao
longo do caminho vai e vem, e vai para vir de novo. No entanto, o fim é certo.
Ninguém pode deixar de fazer o que Deus lhe indicou que fizesse. Quando
esqueceres, lembra-te de que caminhas com Ele e com o Seu Verbo no teu
coração. Quem poderia se desesperar quando tem uma Esperança como essa?
Ilusões de desespero podem parecer vir, mas aprende como não te deixares
enganar por elas. Atrás de cada uma delas está a realidade e está Deus. Por que
esperarias por isso e o trocarias por ilusões, quando o Seu Amor está há apenas um
instante a mais na estrada onde todas as ilusões chegam ao fim? O fim é certo e
garantido por Deus. Quem fica diante de uma imagem sem vida quando a um passo
de distancia o Santo dos Santos abre uma porta antiga que conduz para além do
mundo? (ET-ep.1).

(8:3-5) A Sua Mão nos amparou. Os Seus Pensamentos iluminaram a escuridão das
nossas mentes. O Seu Amor chamou por nós incessantemente desde o início dos
tempos.

Nós nunca estivemos sozinhos porque o Amor de Deus sempre esteve conosco –
apoiando nossos esforços, iluminando nossas mentes e nos lembrando, através da Sua Voz,
para voltarmos para casa.

(9:1-3) Desejamos que Deus fracassasse em ter o Filho que Ele criou para Si Mesmo.
Quisemos que Deus Se modificasse e que Se transformasse no que queríamos fazer
Dele. E acreditamos que os nossos loucos desejos fossem a verdade.

Esse é o cerne do sistema de pensamento do ego. Nós queremos que Deus falhe com
Seu Filho, porque isso prova que estamos certos e Ele não é confiável. Nós somos, no entanto,
pois só nós sabemos o que é melhor para nós. É importante notar que nós não apenas
queremos que Deus falhe conosco, mas que cada figura de autoridade falhe também. Nós
queremos ser injustamente tratados pelas autoridades – que elas não estejam lá para nós, não
nos dêem o conforto, amor e ajuda de que precisamos – porque isso prova que nosso
julgamento estava correto. Nosso problema de autoridade transforma Deus em uma imagem
que fizemos, em vez de vermos a nós mesmos à Sua imagem. Essas duas passagens
expressam nossa mudança da verdade do Deus de Amor para um Pai vingativo Que pune
Suas crianças pecadoras:

Assim a Expiação vem a ser um mito e a vingança, não o perdão, é a Vontade de


Deus. A partir de onde tudo isso começa, não há nenhuma ajuda à vista que possa

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ser bem-sucedida. Só a destruição pode ser o resultado. E o próprio Deus parece
estar ao lado da destruição para dominar Seu Filho (T-23.II.8:2-5).
O pecado não é erro, pois ele vai além da correção para a impossibilidade.
Entretanto, a crença em que o pecado é real fez com que alguns erros parecessem
estar para sempre além da esperança de serem curados, sendo justificativas
permanentes para o inferno. Se isso fosse assim, ao Céu se oporia a própria
oposição celeste, tão real quanto ele. E então a Vontade de Deus estaria partida em
duas e toda a criação estaria sujeita às leis de dois poderes opostos, até que Deus
se tornasse impaciente, partisse o mundo em dois e relegasse o ataque a Si
Mesmo. Nesse caso, Ele de fato teria enlouquecido, proclamando que o pecado
usurpou a Sua realidade afinal trouxe o Seu Amor para ser depositado aos pés da
vingança (T-26.VII.7:1-5).

No entanto, nada disso é verdadeiro, e nossa escolha de nos lembrarmos do Amor de


Deus aterroriza o ego que exige nosso ódio ininterrupto a Ele:

[Os especiais] Odeiam o chamado que quer despertá-los e amaldiçoam a Deus


porque Ele não fez do seu sonho realidade (T-24.III.7:5).

(9:4) Estamos felizes, agora, por tudo isso ter-se desfeito e já não pensamos que as
ilusões sejam verdadeiras.

Por trás da alegria, é claro, está a gratidão, nós temos que ser alegres e gratos por ter
sido provado que estamos errados. Uma vez que aceitarmos esse fato feliz, a interferência à
verdade se vai:

Não podes fazer com que a inverdade seja verdadeira. Se estás disposto a aceitar o
que é verdadeiro em tudo o que percebes, deixas que isso seja verdadeiro para ti. A
verdade vence todo o erro... (T-3.II.6:2-4).

E então, a passagem acima continua:

Amaldiçoam a Deus e morrem, mas não por causa Dele Que não fez a morte;
apenas em sonhos... Perdoa ao teu Pai por não ter sido Sua Vontade que sejas
crucificado (T-24.III.7:6; 8:13).

(9:5-7) A memória de Deus desponta nos vastos horizontes de nossas mentes. Mais um
momento e ela surgirá outra vez. Mais um momento e nós, os Filhos de Deus, estaremos
a salvo em casa, onde Ele quer que estejamos.

O texto termina de forma similar:

Pois nós alcançamos o lugar onde todos nós somos um e estamos em casa, onde
Tu queres que estejamos (T-31.VIII.12:8).

(10:1-2) Agora, a necessidade da prática está quase no fim. Pois nesta parte final,
passaremos a compreender que precisamos apenas chamar a Deus e todas as tentações
desaparecerão.

Jesus mais uma vez presume que nós aprendemos suas lições, entendendo que quando
formos tentados a nos sentirmos injustamente tratados ou aflitos, tudo o que precisamos fazer
é invocar o Nome de Deus e aceitarmos a Correção da mente. As tentações do ego então
desaparecem, e a paz é o feliz resultado.
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(10:3-5) Ao invés de palavras basta sentirmos o Seu Amor. Ao invés de orações, basta
invocarmos o Seu Nome. Ao invés de julgar, basta nos aquietarmos e deixarmos que
todas as coisas sejam curadas.

Nós vamos a Jesus e o problema some. Nós não precisamos dizer palavras especiais
nem fazer coisa alguma, exceto percebermos que estávamos errados. Nós sabemos onde
escolher a Resposta, e qualquer que sejam nossas preocupações, elas vão desaparecer na
quietude do instante santo.

(10:6-8) Aceitaremos o modo como o plano de Deus chegará ao fim, assim como
recebemos o modo como começou. Agora ele está completo. Esse ano nos trouxe à
eternidade.

Pode ser transtornador descobrir, tendo completado o livro de exercícios, que ainda
temos um longo caminho até a eternidade. Esse, então, é o discurso de incentivo de Jesus
para nos lembrar da nossa meta. Se nós combinarmos a declaração “esse ano nos trouxe à
eternidade” com a última que diz “esse curso é um início e não um fim”, vamos ficar tentados a
pensar que Jesus fala coisas diferentes, em momentos diferentes, sobre a mesma situação.
Suas palavras não são contraditórias, no entanto, quando percebemos seu propósito, pois ele
nos ensina em níveis diferentes. Por um lado, Jesus nos inspira a continuarmos nossa jornada,
e por outro, ele nos dá uma visão do final, a razão pela qual embarcamos na jornada para
início de conversa.
As sentenças 6 e 7 refletem a visão final apresentada no fim do texto, onde Jesus diz
que “a jornada termina no local onde começou” (IT-31.VIII.12:3). Começando com o tomador
de decisões na mente escolhendo contra Deus e a favor do ego, a jornada termina quando a
mente reverte a si mesma, e escolhe contra o ego e a favor de Deus. Aqui está o adorável final
do Epílogo, do qual acabamos de citar:

Vamos sair e encontrar o mundo recém-nascido, sabendo que Cristo renasceu nele
e que a santidade deste renascimento vai durar para sempre. Nós tínhamos perdido
nosso caminho, mas Ele o achou para nós. Vamos, vamos dar boas-vindas a Ele
Que retorna a nós para celebrar a salvação e o fim de tudo o que pensávamos ter
feito. A estrela da manhã deste novo dia olha para um mundo diferente, onde Deus
é bem-vindo e Seu Filho com Ele. Nós que O completamos oferecemos a nossa
gratidão a Ele assim como Ele nos dá graças. O Filho está quieto e, na quietude que
Deus lhe deu, entra em sua casa e está enfim em paz (ET-ep.5).

(11:2) De vez em quando, instruções sobre um tema de especial pertinência introduzir-


se-ão nas nossas lições diárias e nos períodos sem palavras de profunda experiência
que se seguirão. Estes pensamentos especiais devem ser revisados a cada dia e cada
um deve continuar até que te sejam dados os pensamentos seguintes. Deves lê-los com
vagar e refletir sobre eles por algum tempo antes de um dos abençoados instantes
santos do dia. Damos a primeira dessas instruções agora.

Essas instruções são revisões inspiradoras do sistema de pensamento do Curso, e


deveriam ser lidas completamente e com grande cuidado. A esses pensamentos especiais, nós
alegremente levamos as interferências à nossa paz que surgem diariamente, como fazemos
com cada uma das meditações diárias.

Cada uma dessas lições, exceto no final da Parte II, vem em duas partes. Uma consiste
de uma oração dirigida a Deus como o Pai, e está sempre escrita em itálico. A outra consiste
de uma mensagem ou ensinamento, e está freqüentemente na primeira pessoa, o que nos
12
lembra de que nosso professor é Jesus. Existem algumas raras exceções onde o eu somos
nós mesmos, e nós descobrimos que algumas vezes a oração está primeiro lugar, e em outras,
a mensagem.
Outro ponto familiar engloba a repetição, uma vez que essas orações são direcionadas a
Deus como o Pai. Você pode se lembrar de que na Lição 183, Jesus diz que Deus não ouve
nossas pequenas preces, e através de todo o Um Curso em Milagres, ele ensina que Deus (ou
o espírito) não sabe nada sobre nosso ser separado e mutável. Por exemplo:

Nada pode alcançar o espírito a partir do ego e nada pode alcançar o ego a partir do
espírito... São fundamentalmente irreconciliáveis porque o espírito não pode
perceber e o ego não pode conhecer. Portanto, não estão em comunicação e nunca
podem estar em comunicação (T-4.I.2:6,11-12).

O espírito no seu conhecimento não está ciente do ego. Ele não o ataca,
simplesmente não pode concebê-lo de forma alguma (T-4.II.8:6-7).

Nada do que Deus não conhece existe. E o que Ele conhece existe para sempre,
imutavelmente (T-30.III.6:1-2).

Falando no manual sobre o papel das palavras na cura, Jesus afirma explicitamente que
Deus não entende palavras, que foram feitas para nos manter separados Dele (MP-21.I:7). No
entanto, aqui, na Parte II, temos uma oração após a outra, uma mais adorável que a última,
cada uma delas dirigida a Deus. No entanto, não deveríamos usar isso para entender que
estamos literalmente rezando a Deus, nossa Fonte, e que Ele ouve nossas palavras. Essas
orações são destinadas a nós. Em outras palavras, Jesus está nos fazendo experimentar
nossa gratidão a Deus, o quanto realmente O amamos, e o quanto estávamos enganados em
nossas escolhas contra Ele e Seu Amor. As orações a Deus como o Pai, portanto, deveriam
ser vistas como simbólicas, e é essencial entender a diferença entre símbolo e fonte.
Na literatura, abundam passagens expressas de forma simbólica. Existe um lindo
discurso de Pórcia em “O mercador de Veneza”, “A qualidade da misericórdia não é
extenuante, ela cai suavemente como uma chuva gentil do Céu” (IV,i), uma linha que devemos
citar depois, na Parte II. Shakespeare não está dizendo que a misericórdia é uma chuva e
obviamente não está dizendo que deveríamos usar uma sombrinha na presença de alguém
que está sendo benigno e misericordioso. Nas famosas palavras no final da peça Macbeth,
“Fora, fora breves velas” (V,v), o rei deposto não está falando de velas, mas do fim da sua vida.
Mais uma vez, não confunda o símbolo com o que ele representa.
Portanto, ao chamar Deus de “Pai”, Jesus não está dizendo que Deus é uma Pessoa
Que ouve nossas orações e as responde. Tudo no Um Curso em Milagres fala contra isso. São
apenas símbolos que nos encontram onde acreditamos estar, pois é claramente útil pensar em
Deus como um Pai amoroso; a correção da mente certa para a percepção equivocada do ego
de que Deus é odioso. Antes de podermos entender que Deus não é um pai de forma alguma,
não é um membro do homo sapiens e não tem um corpo, primeiro precisamos desfazer o
sistema de pensamento da mente errada de pecado e punição do ego.
Finalmente, um tema básico encontrado explicitamente em muitas lições, e
implicitamente em todas elas, é o fato de termos estado equivocados: “Filho de Deus, tu não
pecaste, mas tens estado muito equivocado” (T-10.V.6:1). A Parte II presume que nós
aprendemos o que Jesus nos ensinou na Parte I, reconhecendo que temos uma mente errada
e uma certa, e que fizemos a escolha certa. Em nossas mentes certas, percebemos que
nossas escolhas pelo ego eram meramente tentativas equivocadas de mantermos nosso
especialismo e provarmos que estávamos certos e todos os outros estavam errados; que
nossa felicidade vem à custa de outra pessoa. Vou me referir continuamente a esse
pensamento crucial conforme lermos a Parte II.

13
1. O que é o perdão?

Nós começamos a Parte II com o primeiro de uma série de quatorze resumos que
englobam o sistema de pensamento do Um Curso em Milagres. Seu assunto é o perdão, o
único tema mais importante do Curso. Os parágrafos 1, 4 e 5 descrevem o que é o perdão –
perdão das ilusões – e o 2 e 3 resumem o que ele não é – pensamentos de culpa que não
perdoam.

(1:1-4) O perdão reconhece que o que pensaste que teu irmão fez a ti não ocorreu. Ele
não perdoa pecados tornando-os reais. Ele vê que não há pecado. E, nesse modo de ver,
todos os teus pecados são perdoados.

Essa é uma das maneiras mais significativas nas quais o Um Curso em Milagres se
afasta das outras espiritualidades, muitas das quais enfatizam de forma similar a importância
do perdão. No Curso, Jesus explica que nós perdoamos nossos irmãos pelo que eles não
fizeram:

A salvação é, de fato, um paradoxo!... Ela apenas te pede que perdoes todas as


coisas que ninguém jamais fez, que não vejas o que não existe e que não olhes
para o irreal como se fosse realidade (T-30.IV.7:1,3).

Uma vez que não há mundo, e todos que parecem estar nele são apenas figuras no
sonho, não existe ninguém para fazer qualquer coisa que seja. Isso em última instância
significa que nós perdoamos a nós mesmos pelo que não fizemos – nós meramente
acreditamos termos nos separado de Deus e destruído Seu Reino. Na verdade, nada
aconteceu e então, não existe nada a perdoar. No nível prático das nossas experiências diárias
– esquecendo nesse momento que isso é uma ilusão e nós nem mesmo estamos aqui -, o
perdão significa que você não tirou a paz de Deus de mim. Minha inquietação deriva do
pensamento de que você o fez – por suas palavras ou ações. Eu, portanto, perdôo você pelo
que você não fez, porque a única pessoa que tira a paz de Deus de mim sou eu mesmo.

(1:5) O que é o pecado, senão uma idéia falsa sobre o Filho de Deus?

O pecado não é um fato, mas um pensamento equivocado derivado da crença em que o


ego nos diz a verdade sobre culpa e punição, e o Espírito Santo mente sobre a inocência do
Filho inocente de Deus:

O Espírito Santo não pode punir o pecado. Equívocos Ele reconhece e quer corrigi-
los todos conforme Deus Lhe confiou fazê-lo. Mas o pecado Ele não conhece nem
pode reconhecer equívocos que não possam ser corrigidos... O que pede punição
necessariamente está pedindo o nada. Cada equívoco tem que ser um pedido de
amor. O que é, então, o pecado? O que poderia ser senão um equívoco que queres
manter escondido, um pedido de ajuda que não queres que seja ouvido e, portanto,
queres manter sem resposta? (T-19.III.4.1-3,6-9).

(1:7) A Vontade de Deus passa, então, a ser livre para ocupar agora o espaço que lhe é
devido.

O perdão desfaz o que é falso em nossas mentes, deixando a verdade que sempre
esteve presente; a compreensão espantosa da nossa unicidade que vem quando o pecado
partiu. Lembre-se desse adorável parágrafo:

14
O perdão faz com que o mundo venha a ser um mundo de glória, maravilhoso de se
ver. Cada flor brilha na luz e cada pássaro canta a alegria do Céu. Não existe
tristeza e não existe separação aqui, pois todas as coisas são totalmente
perdoadas. E o que foi perdoado tem que se unir, pois nada se interpõe entre eles
para mantê-los separados e à parte. Os que não têm pecado não podem deixar de
perceber que são um só, pois nada existe entre eles que empurre o outro para
longe. E no espaço que o pecado deixou vazio, eles se unem como um só em
contentamento, reconhecendo que o que é parte deles não foi mantido à parte nem
separado (T-26.IV.2).

Os parágrafos 2 e 3 discutem os pensamentos que não perdoam, que mantemos contra


nós mesmos por termos destruído o Céu:

(2:1-2) Um pensamento que não perdoa é um pensamento que faz um julgamento que ele
não questionará, embora não seja verdadeiro. A mente está fechada e não será liberada.

Quando mantém uma mágoa contra alguém, você está convencido de que seu
julgamento é correto e não está aberto à dúvida. Assim, o objetivo primário dos ensinamentos
de Jesus no Um Curso em Milagres é ajudar você a duvidar da precisão das suas percepções
sobre si mesmo, os outros, ele, e Deus. Na passagem que já citei do Capítulo 24, “aprender
esse Curso requer disponibilidade para questionar cada valor que tu manténs” (T-24.in.2:1),
Jesus não diz para você diminuir seus valores. Ao contrário, ele diz que a pequena
disponibilidade para questionar cada valor é suficiente. Você só precisa permitir alguma dúvida
sobre a convicção de que está certo, pois, uma vez que esteja tão convencido, sua mente
estará tão fechada que você não vai mais nem mesmo saber que tem uma. O efeito é que o
pensamento de separação de Deus – pecado, culpa e medo – é para sempre excluído da
consciência. Seu pensamento que não perdoa coloca em movimento a seqüência e a mantém,
como essas sentenças explicam:

(2:3-4) O pensamento protege a projeção, apertando as suas correntes de modo que as


distorções se tornem mais veladas e mais obscuras; menos acessíveis à dúvida e mais
afastadas da razão. O que poderia se interpor entre uma projeção fixa e o objetivo que
ela escolheu como sua meta?

Lembre-se da nossa discussão sobre o escudo duplo de esquecimento do ego. O


segundo escudo – nossa experiência corporal – culmina nos relacionamentos de amor e ódio
especial. Eles só têm um objetivo de proteger o sistema de pensamento do ego para que
nunca o examinemos e façamos outra escolha: o pensamento que não perdoa me protege de
reconhecer a falta de perdão a mim mesmo. Em outras palavras, meu problema é a culpa para
a qual não quero olhar, mas negar, projetar e ver em você, certo de que minhas percepções
sobre seu pecado estão corretas. As correntes da minha mente, portanto, são apertadas,
deixando-a ainda mais aprisionada. Eu, então, nunca posso acessá-la, e as distorções
corporais se tornam cada vez mais veladas e obscuras, conforme sou levado ainda mais para
longe do raciocínio da mente certa do Espírito Santo. Nada agora pode vir entre minha raiva e
a meta subjacente do ego de perpetuar seu sistema de pensamento de culpa e ataque – “O
que poderia se interpor entre uma projeção fixa e o objetivo que ela escolheu como sua
meta?”:

A raiva sempre envolve projeção da separação, que deve ser, em última instância,
aceita como responsabilidade da própria pessoa em vez de ser imputada aos outros
(T-6.in.1:2).

15
Entretanto, a projeção sempre vai ferir-te. Ela reforça a tua crença em tua própria
mente dividida e seu único propósito é manter a separação (T-6.II.3:1-2).

Sempre que estiveres com raiva, podes estar certo de que formaste um
relacionamento especial “abençoado” pelo ego, pois a raiva é a bênção do ego...
Toda raiva nada mais é do que uma tentativa de fazer alguém sentir culpado e essa
tentativa é a única base que o ego aceita para os relacionamentos especiais (T-
15.VII.10:1,3).

E agora, o objetivo do ego:

(3:1-2) Um pensamento que não perdoa faz muitas coisas. Persegue a sua meta ativa e
freneticamente, distorcendo e derrubando o que vê como interferências no atalho que
escolheu.

Em contraste com o perdão, que não faz nada, a falta de perdão freneticamente faz tudo
porque tem que preservar a individualidade do ego. A imagem retratada aqui é de um ser
frenético dentro de nós – nós mesmos – que furiosamente tenta proteger sua identidade. Ele
alcança sua meta por fazer da mente um lugar amedrontador, impelindo-nos a projetar os
conteúdos de culpa da mente no mundo, acreditando então que as coisas acontecem ao nosso
redor e a nós. Desesperado para preservar sua identidade, portanto, ele faz todo o possível
para sobreviver. Isso requer tremendo esforço e engenhosidade – os relacionamentos
especiais, dos quais nos tornamos adeptos; no entanto, esses métodos mostram-se as maiores
fontes de dor no mundo:

Ao olhar para o relacionamento especial é necessário em primeiro lugar reconhecer


que nele está envolvida uma grande quantidade de dor. Tanto a ansiedade como o
desespero, a culpa e o ataque, todos esses estados estão presentes nele,
interrompidos por períodos em que parecem ter desaparecido (T-16.V.1:1-2).

(3:3) A deturpação é o seu propósito, assim como o meio pelo qual quer realizá-lo.

Essa é a “meta desejada” de que Jesus fala no final do parágrafo 2: a distorção de


Quem somos como o Filho de Deus e do Próprio Deus. O ego primeiro distorce a realidade, e
então escolhe o meio através do qual essa distorção será protegida, fazendo um mundo de
relacionamentos vistos fora da mente. Nós então somos forçados sem misericórdia a
passarmos nossas vidas tentando nos ajustar aos problemas do corpo – física, psicológica e
interpessoalmente:

O mundo que vês é apenas um julgamento sobre ti mesmo. Ele absolutamente não
existe. No entanto, o julgamento deposita sobre ele uma sentença, o justifica e faz
com que ele seja real. Tal é o mundo que vês; um julgamento sobre ti mesmo e feito
por ti. Esse retrato doentio de ti mesmo é cuidadosamente preservado pelo ego, é a
sua imagem e ele a ama, colocando-a fora de ti no mundo. E a esse mundo tu tens
que te ajustar enquanto acreditares que esse retrato está do lado de fora e estás à
sua mercê. Esse mundo é sem misericórdia e se estivesse fora de ti, de fato,
deverias estar amedrontado. No entanto, foste tu que o fizeste sem misericórdia e,
agora, se a ausência de misericórdia parece olhar de volta para ti, ela pode ser
corrigida (T-20.III.5:2-9).

(3:4) Ele se lança nas suas tentativas furiosas de esmagar a realidade, sem se preocupar
com o que quer que seja que aparentemente contradiga o seu ponto de vista.

16
Essa é outra maneira de definir o objetivo do ego: a distorção, senão o despedaçamento
da realidade, na insana tentativa de obliterar a Identidade de Deus e do Seu Filho. Uma vez
que idéias não deixam sua fonte, a idéia de um mundo separado, cheio de corpos especiais, é
apenas um fragmento sombrio do pensamento original: eu existo apenas à custa de Deus. Se
eu vou estabelecer meu ser como real, preciso sacrificar a realidade de Deus, e um
pensamento que não perdoa mantém esse sistema de pensamento no lugar. Além disso, ao
perseguir seu objetivo, o ego não se preocupa com nada que fique em seu caminho, que é o
motivo pelo qual Jesus nos ensina que o objetivo do ego é o assassinato, assim como é a meta
de todo especialismo:

A pena de morte é a meta última do ego, pois ele acredita inteiramente que és um
criminoso, tão merecedor da morte quanto Deus tem o conhecimento de que és
merecedor da vida. A pena de morte nunca deixa a mente do ego, porque é isso o
que ele sempre te reserva no final. Querendo matar-te, como expressão final do seu
sentimento por ti, ele permite que vivas apenas para esperar a morte. Ele te
atormentará enquanto viveres, mas o seu ódio não será satisfeito até que morras.
Pois a tua destruição é o único fim em cuja direção ele trabalha e o único fim com o
qual ele ficará satisfeito (T-12.VII.13:2-6).

Em uma passagem extremamente vívida no Capítulo 24, já citada, Jesus descreve de


forma similar essa meta assassina do especialismo:

Mas deixa que o teu especialismo dirija o seu caminho e tu seguirás. E ambos
caminharão em perigo, na floresta escura dos que não vêem, sem iluminação a não
ser os diminutos vislumbres passageiros dos vagalumes do pecado, que cintilam por
um instante para logo apagarem-se, cada um com a intenção de conduzir o outro a
um precipício inominável e de lá lançá-lo para baixo. Pois o que pode deleitar o
especialismo senão matar? O que busca ele além de ver a morte? Aonde conduz
senão à destruição? (T-24.V.4:1-5).

Nós tentamos destruir qualquer coisa que suspeitamos que esteja impedindo a defesa
do nosso sistema de pensamento. Na sentença 2, Jesus disse que iríamos aniquilar qualquer
coisa que víssemos como interferindo com nosso caminho escolhido; aqui ele diz como não
nos preocupamos com nada nem com ninguém – a fonte da nossa culpa, pois profundamente
alojado em nossas mentes está o pensamento de como temos usado e manipulado a todos
egoisticamente. Nós não vemos os outros como lembretes da nossa unicidade, mas como
ameaças e rivais. Nosso pensamento distorcido, portanto, nos diz que se nós não negociarmos
com eles, nossa felicidade será posta em perigo. Se o fizéssemos à nossa maneira, iríamos
lidar com os outros atacando-os de forma direta - ódio especial -, mas, se precisarmos ser mais
sutis, nós simplesmente os manipularemos através da culpa do amor especial.

Pois ele [o ego] preferiria atacar diretamente e evitar o adiamento do que realmente
quer. Entretanto, o ego toma conhecimento da “realidade” conforme a vê re
reconhece que ninguém poderia interpretar o ataque direto como amor. Entretanto,
tornar culpado é ataque direto, embora não pareça ser (T-15.VII.6:3-5).

Essa insanidade começa com o relacionamento especial original: nós precisamos do


que Deus tem, e, portanto, Ele tem que ser morto. Idéias não deixam sua fonte, e, como o
pensamento de matar Deus é a fonte, nós não podemos deixar de encenar repetidamente
aquele pensamento em nossas projeções, como nos recordamos:

Pensas que é mais seguro dotar o pequeno ser que fizeste com o poder que
arrebataste da verdade, triunfando sobre ela e deixando-a impotente. Vê quão
17
exatamente esse ritual é encenado no relacionamento especial... Um altar é erigido
entre duas pessoas separadas, no qual cada uma busca matar o seu ser e instaurar
em seu corpo um outro ser que tire o seu poder da sua morte. Muitas e muitas vezes
esse ritual é encenado... O relacionamento especial tem que ser reconhecido pelo
que é: um ritual sem sentido, no qual a força é extraída da morte de Deus e
investida em Seu assassino... (T-16.V.11:3-6; 12:4).

Nossa culpa não nos permite reconhecer o especialismo pelo que é, e, se não podemos
olhar para o que nossos corpos fazem, como podemos jamais nos lembrar da decisão da
mente? Portanto, precisamos reconhecer que a culpa em relação às nossas ações é uma
defesa; outra parte da estratégia do ego para nos impedir de lançar um vislumbre sobre nosso
comportamento, revelando-o como apenas uma sombra da culpa da mente em relação à
separação.
O propósito da mente certa para o mundo, portanto, é ser uma sala de aula refletindo de
volta para mim o que o ego faz na minha mente. Se eu me sentir culpado em relação ao meu
comportamento – meus relacionamentos especiais de manipulação e ilusão – seria impossível
pedir ajuda a Jesus. Lembre-se de que a culpa cega, pois ela torna impossível ver
verdadeiramente. Quando me sinto culpado e peço ajuda ao ego para aliviar minha dor através
da projeção, isso não desfaz a culpa na mente, que é a verdadeira causa da dor. Pedir ajuda a
Jesus, no entanto, significa desfazer a culpa como sua fonte. Ele me ajuda a olhar para o que
eu acredito, que sou culpado no mundo, e ver isso como uma sombra da culpa secreta na
minha mente. Só então posso olhar tanto para a culpa externa quanto para a interna, vendo-as
com uma ilusão, permitindo que elas desapareçam. Os próximos dois parágrafos explicam
esse processo de perdão e cura:

(4:1) O perdão, por sua vez, é quieto e na quietude nada faz.

O que está acima vem do início do Salmo 46: “Aquieta-te e saiba que eu sou Deus”.
Ficar quieto silencia os gritos estridentes do ego, e, nas lições que virão, vamos ver com que
freqüência Jesus fala da nossa quietude. Assim, o perdão “na quietude nada faz”, pois fazer
não vem da criação de Deus ou da correção do Espírito Santo, mas se origina na crença do
ego de que destruiu Deus. Isso é um “fazer” muito pesado, exigindo que “façamos” como
loucos para nos protegermos de sermos destruídos. No entanto, Jesus nos diz que não
precisamos fazer nada além de olharmos quietamente com ele para o irmão que tentamos
condenar pelo nosso pecado e culpa:

Eis aqui o Filho de Deus, olha para a sua pureza e pára.


Em quietude olha para a sua santidade, e dá graças
ao seu Pai porque nenhuma culpa jamais o tocou.

... Vamos olhar para ele juntos e amá-lo. Pois no amor a ele está tua inculpabilidade.
Apenas olha para ti mesmo e o contentamento e a apreciação pelo que vês banirão
a culpa para sempre (T-13.X.11:10-11; 12:3-5).

Para resumir, o perdão não faz nada; nem Jesus, o Espírito Santo ou nossas mentes
certas. Eles meramente olham para a falsidade e percebem que ela não teve efeitos sobre a
santidade do Filho de Deus.

(4:2-3) Não ofende nenhum aspecto da realidade, nem busca distorcê-la para encaixá-la
em aparências que lhe agradem. Apenas olha e espera e não julga.

Essa última sentença é a essência do perdão: ele meramente olha para o sistema de
pensamento do ego, espera pacientemente que mudemos nossas mentes, e, acima de tudo,
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não julga. Ele não condena os egos dos outros ou a nós mesmos, mas diz: “Esse não é um
pensamento tolo? Não é esse comportamento tolo que vem de um pensamento tolo? Não é
mau, pecaminoso ou perverso; apenas tolo, porque não vai nos dar o que queremos, mesmo
que insistamos que vai funcionar, quando secretamente sabemos que não vai”. O perdão,
portanto, é o simples olhar que desfaz o pecado, enquanto nós o levarmos a sério – dar a ele
efeitos que não tem – solidifica sua existência em nossas mentes.
Perdão e o milagre são nomes diferentes para o mesmo processo de olhar sem
julgamento para o sonho de separação do ego, no qual ele fez o mundo à sua própria
semelhança odiosa, dessa forma “ofendendo” a realidade do amor:

O milagre estabelece que tu estás sonhando um sonho, e que o seu conteúdo não é
verdadeiro. Esse é um passo crucial para se lidar com ilusões. Ninguém tem medo
delas quando percebe que as inventou. O medo mantinha-se em seu lugar porque
ele não havia visto que era o autor do sonho e não uma de suas figuras. Ele dá a si
mesmo as conseqüências que sonha ter dado a seu irmão. E é apenas isso o que o
sonho juntou e ofereceu a ele, para mostrar-lhe que os seus desejos foram
realizados. Assim ele teme o próprio ataque, mas o vê nas mãos de outrem. Como
vítima, sofre em função dos efeitos do ataque, mas não do que o causou. Ele não foi
o autor do próprio ataque, e é inocente em relação ao que causou. O milagre nada
faz senão mostrar-lhe que ele não fez nada (T-28.II.7:1-10).

(4:4) Aquele que não quer perdoar tem que julgar, pois tem que justificar o seu fracasso
em perdoar.

“Julgamento”, nessa passagem, é um sinônimo de pensamento que não perdoa.


Quando não perdôo a mim mesmo, protejo essa falta de perdão por não perdoar a culpa e não
deixar ninguém mais fora da mira. Assim, vejo meus pecados em você, e em vez de desfazê-
los em mim mesmo, tento conseguir seu desfazer punindo você, o pecador. Eu não desfaço
nada, no entanto, pois bem dentro de mim, reforço o pecado em minha mente, e, assim, minha
necessidade de julgar, criticar e encontrar falhas. Lembre-se dessa importante passagem que
expõe implicitamente as mentiras do ego, que são mascaradas como santo martírio. Na
verdade, esses mártires apenas condenam outros através dos seus sofrimentos inocentes:

A necessidade de que o mundo escape da condenação é uma necessidade que


aqueles que aqui habitam estão unidos para compartilhar. No entanto, eles não
reconhecem a sua necessidade comum. Pois cada um pensa que se fizer a sua
parte, a condenação do mundo cairá sobre ele. E é isso que percebe como se fosse
a sua parte na libertação do mundo. A vingança tem que ter um foco. De outro
modo, a faca do vingador ficará em sua própria mão e apontada para ele mesmo. E
ele precisa vê-la na mão de um outro para poder ser a vítima de um ataque que não
escolheu. E assim sofre com os ferimentos feitos por uma faca que um outro segura,
mas não ele mesmo.
Esse é o propósito do mundo que ele vê. E encarado dessa maneira, o mundo provê
os meios através dos quais esse propósito parece ser cumprido (T-27.VII.4:2-5:2).

Essa dinâmica de mártir serve a um modelo para tudo o que fazemos. Em vez de
reconhecermos nosso pecado – a faca do pecado em nossa mão manchada de sangue -, o
vemos em alguma outra pessoa. Nossa dor se torna a testemunha (a raiz etimológica de
mártir) para o pecado de outra pessoa. Assim, o mundo pecaminoso justifica nosso
pensamento que não perdoa; a face do assassino por trás da face de inocência.

(4:5) Mas aquele que quer perdoar a si mesmo tem que aprender a dar boas-vindas à
verdade exatamente como ela é.
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Nós apenas precisamos aceitar a verdade que já é mantida em nossas mentes certas
pelo Espírito Santo. Perto do fim do livro de exercícios vem uma linha maravilhosa, refletindo
essa passagem: “Estamos preocupados apenas em darmos boas-vindas à verdade” (LE-
pII.14.3:7). Nós damos boas-vindas à verdade por darmos as costas à inverdade do ego,
renunciando à sua ilusão, pois agora queremos a verdade e apenas a verdade.

(5:1) Assim sendo, não faças nada e deixa o perdão te mostrar o que fazer através
Daquele Que é o teu Guia, teu Salvador e Protetor, forte em esperança e certo do teu
êxito final.

Isso é similar a “Eu não preciso fazer nada”, do texto, e não significa que você não faz
nada de forma comportamental. Em vez disso, você deixa o Espírito Santo guiá-lo. Isso não
significa que Ele lhe diz especificamente o que fazer – embora essa possa ser sua experiência
-, pois Seu Amor simplesmente Se estende através de você, e seu corpo expressa na forma o
conteúdo do Seu Amor. A seguinte passagem é familiar para nós:

Fazer qualquer coisa envolve o corpo. E se reconheces que não precisas fazer
nada, terás retirado o valor do corpo da tua mente... Fazer nada é descansar e fazer
um lugar dentro de ti onde a atividade do corpo deixa de exigir atenção. A esse lugar
o Espírito Santo vem e lá habita... Esse centro de quietude, no qual tu nada fazes,
permanecerá contigo, dando-te repouso em meio a todas as tarefas trabalhosas às
quais fores enviado. Pois a partir deste centro serás dirigido quanto ao modo como
deves usar o teu corpo sem pecado (T-18.VII.7:1-2,7-8; 8:3-4).

(5:2-3) Ele já te perdoou, pois essa é a Sua função, dada por Deus. Agora é preciso que
compartilhes a Sua função e perdoes aqueles que Ele salvou, cuja impecabilidade Ele vê
e a quem honra como o Filho de Deus.

Assim como fomos perdoados pelo Espírito Santo pelo que nós não fizemos, somos
solicitados a compartilhar esse mesmo perdão com outros, reforçando a verdade da Expiação
em nós mesmos e em todos os nossos irmãos. Nós concluímos com essa inspiradora
passagem do texto, descrevendo a extensão do perdão do Espírito Santo através de nossas
mentes, curadas conforme levamos os pensamentos escuros de culpa à Sua luz radiante:

O que pode ser senão uma bênção universal, o fato de olhares com caridade para o
que o teu Pai ama? A extensão do perdão é a função do Espírito Santo. Deixa isso a
Ele. Permite que a tua preocupação seja apenas a de dar a Ele o que pode ser
estendido. Não guardes segredos escuros que Ele não possa usar, mas oferece-Lhe
as dádivas diminutas que Ele pode estender para sempre. Ele tomará cada uma e
fará dela uma potente força em favor da paz. Ele não negará nenhuma bênção à
ela, nem a limitará de forma alguma. Ele unirá a ela todo o poder que Deus Lhe deu
para fazer com que cada pequena dádiva de amor seja uma forma de cura para
todos. Cada pequena dádiva que ofereces ao teu irmão ilumina o mundo. Não te
preocupes com a escuridão, olha para longe dela na direção do teu irmão. E permite
que a escuridão seja dissipada por Aquele Que conhece a luz e a deposita
gentilmente em cada sorriso quieto de fé e de confiança com o qual abençoas o teu
irmão (T-22.VI.9).

20
LIÇÃO 221

Que a paz esteja em minha mente. Que todos os


meus pensamentos se aquietem.

Nós mais uma vez encontramos uma referência ao verso inicial do Salmo 46: “Aquieta-
te, e saiba que eu sou Deus”.

(1) Pai, venho hoje a Ti em busca da paz que só Tu podes dar. Venho em silêncio. Na
quietude do meu coração, nos recantos mais profundos da minha mente, eu espero à
escuta da Tua Voz. Meu Pai, fala comigo hoje. Venho para ouvir a Tua Voz em silêncio,
com segurança e amor, certo de que ouvirás o meu chamado e me responderás.

Eu não posso ir até Deus com barulho em minha mente, ou se ela estiver cheia de
pequenas orações pedindo pequenas coisas; i.e., coisas específicas nesse mundo; nem posso
ir até Ele pensando que conheço o caminho. Eu só posso ir em silêncio, quando esvaziei meu
coração (i.e., minha mente) de todos os pensamentos egóicos. Nesse silêncio, Deus – através
da Sua Voz – vai falar comigo. Sua resposta ao nosso chamado vem nas formas dos nossos
relacionamentos especiais; as oportunidades de escolhermos outra vez sobre nosso irmão, e,
portanto, sobre nós mesmos.

(2:1-2) Aguardamos em silêncio agora. Deus está aqui, pois esperamos juntos.

Nós vamos até Deus através do nosso relacionamento com Jesus, que representa a
parte de nossas mentes que aceitou a verdade da Expiação – nós não deixamos nossa Fonte.
Unirmo-nos a ele, portanto, é unirmo-nos à Filiação, pois a mente do Filho de Deus é uma:

Nossa função é trabalharmos juntos porque à parte um do outro não podemos


funcionar de forma alguma. Todo o poder do Filho de Deus está em todos nós, mas
não em nenhum de nós sozinho (T-8.VI.8:4-5).

(2:3-5) Eu tenho certeza de que Ele falará contigo e ouvirás. Aceita a minha confiança,
pois ela é tua. As nossas mentes estão unidas.

Nós já vimos muitas vezes, e no texto também, que somos como Jesus e ele é como
nós. A única diferença é que nós não conhecemos essa igualdade, a qual ele nos ensina:

A minha mente sempre será como a tua porque nós fomos criados como iguais. Foi
apenas a minha decisão que me deu todo o poder no Céu e na terra. Minha única
dádiva a ti é ajudá-lo a tomar a mesma decisão (T-5.II.9:1-3).

Assim, precisamos de Jesus como nosso irmão mais velho, para que possamos
aprender com ele que a impecabilidade que percebemos nele ecoa a impecabilidade em nós
mesmos.

(2:6) Esperamos com uma só intenção: ouvir a resposta do nosso Pai ao nosso
chamado, deixar que os nossos pensamentos se aquietem e encontrem a Sua paz para
ouvi-Lo falar-nos do que somos e revelar-Se ao Seu Filho.

Agora, temos apenas uma meta, um propósito, uma intenção – voltarmos para casa com
Jesus, cuja paciência conosco será recompensada:
21
Eu nunca te abandonarei assim como Deus também jamais o fará, mas tenho que
esperar enquanto escolheres abandonar a ti mesmo. Porque eu espero com amor e
não com impaciência, com toda a certeza tu me chamarás verdadeiramente. Virei
em resposta a um único chamado inequívoco (T-4.III.7:8-10).

Nosso silêncio reflete nosso “chamado inequívoco”, e nos permite ouvir a resposta de
Deus de unidade com Ele: “uma Unicidade unida como Uma” (T-25.I.7:1).

22
LIÇÃO 222

Deus está comigo. Eu vivo e me movimento Nele.

Isso se refere à declaração conhecida de São Paulo dos Atos dos Apóstolos, à qual me
referi antes. Ela traz às nossas mentes a lembrança da Lição 41, “Deus vai comigo aonde quer
que eu vá”. Desnecessário dizer nesse ponto, o significado das palavras não deveria ser visto
literalmente.

(1:1-2) Deus está comigo. Ele é a minha Fonte de vida, a vida dentro de mim, o ar que
respiro, o alimento que me sustenta, a água que me renova e me limpa.

Deus não está em nossa água, alimento ou ar; Ele não está no mundo. Essas palavras
simbolizam Deus sendo a nossa vida. O que nos sustenta aqui é a água, o alimento e o ar, e
nossos corpos não podem viver sem eles. De forma similar, nossa Identidade como espírito
não pode viver sem Deus, pois Ele é nossa Fonte e nossa Vida, e nosso ser repousa apenas
Nele:

Não podes escapar do que tu és. Pois Deus é misericordioso e não deixou que o
Seu Filho O abandonasse. Sê grato pelo que Ele é, pois nisso está o teu escape da
loucura e da morte. Em lugar nenhum, a não ser onde Ele está, podes tu ser
encontrado (T-31.IV.11:3-6).

(1:3-4) Ele é o meu lar, onde vivo e me movimento; o Espírito Que dirige as minhas
ações, Que me oferece os Seus Pensamento e Que garante a minha proteção de todas
as dores. Ele me cobre com benignidade e cuidados e conserva no amor o Filho que Ele
ilumina e que também O ilumina.

Nós pensamos que nosso lar é o corpo, e, portanto, somos tentados a trazer Deus ao
mundo, assim como tentamos estabelecer Seu lar em nossos corpos. Nós queremos que
Jesus faça a mesma coisa, e, em uma compreensão invertida do seu curso, distorcemos sua
mensagem para que signifiquem tornar nossos corpos mais felizes. Na verdade, no entanto,
queremos fazer nosso lar em Deus, o que é refletido aqui no amor da mente certa de Jesus.
Nós não queremos trazer a luz à escuridão, mas a escuridão da nossa falsa identidade à luz de
Quem realmente somos como Cristo. Só então podemos estar a salvo e experimentar a
benignidade, cuidado e Amor do nosso Pai – não como um corpo, de um corpo, mas como
uma mente que é parte da Mente. Assim, Jesus nos pergunta retoricamente:

Seria Ele [Deus] um corpo, e teria Ele criado a ti como Ele não é e onde Ele não
pode estar? Estás cercado apenas por Ele (T-18.VI.10:5-6).

(1:5) Como é quieto aquele que conhece a verdade do que Ele diz hoje!

Quando entendemos que as palavras do Espírito Santo são verdadeiras, não há


necessidade de fazer coisa alguma. Nós não precisamos mais tentar freneticamente manter
nossa sanidade e nossos corpos felizes. Quando entendemos que não há nada a perdoar,
podemos verdadeiramente estar quietos em relação à verdade.

(2) Pai, não temos outras palavras em nossos lábios e mentes senão o Teu Nome ao
virmos, em quietude, à Tua Presença agora e ao pedirmos para descansar por um
momento Contigo em paz.
23
Implícito em deixar de lado as palavras do ego está o reconhecimento de que elas eram
um equívoco, assim como nossas tentativas de entender Deus, Jesus e o perdão. Nós
reconhecemos agora que essas palavras e conceitos não são o que queremos, pois
escolhemos a Expiação do Espírito Santo em vez deles. Só ela nos leva à Presença de Deus,
Cujo Nome nos lembra que Ele é o nosso também, e nesse Fato, encontramos nossa paz e
repousamos por um momento.

24
LIÇÃO 223

Deus é a minha vida. Não tenho outra vida, senão A Dele.

Isso continua com o tema da unicidade. Eu vivo em Deus e Ele vive em mim – não em
um corpo, mas no espírito que Ele criou como um com Ele.

(1:1) Eu estava errado quando pensava viver à parte de Deus, uma entidade separada
que se movia no isolamento, sem ligações, abrigada dentro de um corpo.

Atravessando a primeira parte do livro de exercícios, aprendi meu equívoco. Acreditei


que era um corpo, um ser de mente errada, mas agora alegremente escolho o espírito como o
meu Ser:

... escolhe o espírito e todo o Céu se inclina para tocar os teus olhos e abençoar a
tua vista santa, para que não mais possas ver o mundo da carne exceto para
conforta e curar e abençoar (T-31.VI.1:8).

(1:2-3) Agora sei que a minha vida é A de Deus, que não tenho outro lar e que não existo
à parte Dele. Ele não tem Pensamentos que não façam parte de mim e eu só tenho
aqueles que são Dele.

Isso não significa que eu não tenho outros pensamentos, mas que não reconheço mais
os pensamentos do meu ego como verdadeiros, tentando justificá-los ou torná-los santos.
Portanto, esses pensamentos perderam seu poder, que era mantido no lugar pela minha
crença neles. Quando essa crença é retirada e colocada no pensamento de Expiação da mente
certa, o ego gradualmente desaparece de volta em sua própria nulidade.

(2:1) Pai nosso, deixa-nos ver a face de Cristo no lugar dos nossos erros.

Esse é outro reconhecimento de estarmos errados, e essa declaração pressupõe nosso


reconhecimento e – a chave para a genuína gratidão – alegria de vermos a face repleta de luz
de Cristo.

Assim o conceito que ele fazia de si mesmo é deixado de lado, pois nada
permanece entre a sua vista e aquilo que ele olha, para julgar o que contempla. E
nesta única visão ele vê a face de Cristo e compreende que olha para todos ao
contemplar esse. Pois há luz onde antes havia escuridão, e agora o véu foi erguido
da sua vista (T-31.VII.8:5-7).

(2:2-4) Pois nós, que somos o Teu Filho santo, não temos pecados. Queremos
contemplar a nossa impecabilidade, pois a culpa proclama que não somos o Teu Filho. E
não queremos esquecer-Te por mais tempo.

Nosso desejo por Deus agora é tão forte que eclipsa toda atração pela culpa; a
unicidade dissolveu a separação, pois o amor continua sendo nossa única realidade.

O que Deus não te deu não tem poder sobre ti e a atração do amor pelo amor
permanece irresistível. Pois é a função do amor unir todas as coisas em si mesmo e
manter todas as coisas juntas por estender a sua integridade (T-12.VIII.7:10-11).

25
(2:5-7) Sentimo-nos sós aqui e ansiamos pelo Céu, onde estamos em casa. Queremos
voltar hoje. O nosso nome é o Teu e reconhecemos que somos o Teu Filho.

Como é alegre nossa decisão, pois não mais sofremos um estado à parte de Deus!
Nossa ânsia pelo Céu abriu nossos olhos, há muito tempo fechados, em febris sonhos de
solidão. Assim, estamos em casa, onde Deus quer que estejamos T-31.VIII.12:8).

26
LIÇÃO 224

Deus é o meu Pai e Ele ama o Seu Filho.

Essa lição contrasta Cristo, nosso verdadeiro Ser, com o pequeno ser do ego que
acreditamos que somos.

(1:1) A minha verdadeira Identidade é tão segura, tão sublime, sem pecado, gloriosa e
grande, inteiramente benéfica e livre de culpa, que o Céu volta-se para Ela para Lhe dar
luz.

Esse, mais uma vez, é um lindo símbolo. O Céu não olha para Cristo e dá luz a Ele, pois
a luz do Céu e Cristo são um em pureza e verdade:

A verdade em ti permanece tão radiante quanto uma estrela, tão pura quanto a luz,
tão inocente quanto o próprio amor. E tu és digno de que seja feita a tua vontade! (T-
31.VI.7:4-5).

(1:2-3) Ela também ilumina o mundo. É a dádiva que o meu Pai me deu e que eu também
dou ao mundo.

Nós lembramos ao mundo sobre a luz do Céu. No texto, Jesus fala sobre nossa
Identidade como os “Grandes Raios”, e no mundo, somos uma pequena centelha que reflete os
Raios de Cristo:

Entretanto, Deus tem mantido viva a centelha, de modo que os Raios nunca possam
ser completamente esquecidos. Se apenas vires a pequena centelha, aprenderás
sobre a centelha maior... (T-10.IV.8:2-3).

Nós refletimos essa luz maior, e nossa dádiva de perdão ao mundo reflete a dádiva de
Amor de Deus.

(1:4-7) Não há outra dádiva senão Essa que possa ser dada ou recebida. Essa é a
realidade e apenas Essa. Ela é o fim da ilusão. Ela é a verdade.

Jesus fala do mundo real, cujo alcance é o fim da ilusão. O Filho de Deus se lembrou da
sua Identidade, e essa dádiva dessa visão alegremente familiar ele compartilha com o mundo:

Aos teus olhos cansados eu trago a visão de um mundo diferente, tão novo, tão
limpo e fresco, que esquecerás a dor e a tristeza que viste antes. Entretanto, essa é
uma visão que tens que compartilhar com todas as pessoas que vês, pois, de outro
modo, não a contemplarás. Dar essa dádiva é a forma de fazê-la tua. E Deus
determinou... que ela fosse tua (T-31.VIII.8:4-7).

(2:1-2) O meu Nome, ó Pai, ainda Te é conhecido. Eu o esqueci e não sei aonde vou,
quem sou, ou o que faço. Pai, lembra-me agora, pois estou cansado do mundo que vejo.
Revela o que queres que eu veja no lugar disso.

A visão de Cristo corrige o mundo que ficou tão extenuado, e, no entanto, pode ser
levado a um fim gentil através da mente curada dos professores de Deus:

27
O tempo... se desenrola exaustivamente e o mundo está muito cansado agora. Está
velho e gasto e sem esperanças... O tempo, porém, tem um fim e é isso que os
professores de Deus são designados para trazer (MP-1.4:4-5,8).

28
LIÇÃO 225

Deus é meu Pai e Seu Filho O ama.

Uma vez que a Unicidade de Deus significava que minha identidade separada iria
desaparecer, Ele era o inimigo. Como eu poderia amá-Lo, Cujo Amor representava a não-
existência do meu ego? Assim, meu Pai teve que ser morto para preservar o meu ser, e o ego
se torna meu pai em vez disso. No entanto, reconhecendo meu equívoco insano, eu
alegremente escolho outra vez, e dou boas-vindas à verdade da minha Identidade como o Filho
que Deus ama, e a Quem eu amo como o Pai Que me criou em unidade com Ele.

(1) Pai, tenho que retribuir o Teu Amor por mim, pois dar e receber é a mesma coisa e Tu
me deste todo o Teu Amor. Tenho que retribuí-lo, pois quero que seja meu em plena
consciência, resplandecendo em minha mente e mantendo-a ao alcance da luz benigna
do Teu Amor, inviolada, amada, deixando o medo para trás e vislumbrando apenas a
paz. Como é quieto o modo como o Teu Filho amoroso é conduzido a Ti!

O tema de que dar e receber são o mesmo retorna. Eu recebi amor de Deus e, portanto,
só posso dar amor a Ele em retorno. O amor que dou é o amor que recebo, que agora brilha
em minha mente, que nunca deixou a Mente amorosa que a criou. Esse amor é ilimitado, pois
abraça tudo o que meus olhos examinam. Como a Filiação é uma comigo, eu naturalmente
estendo esse amor a todos os outros, fazendo com que ele brilhe de forma ainda mais radiante
em meu sonho. Ninguém é excluído do amor que eu recebi da minha Fonte e do meu Deus,
pois eu não o manteria só para mim mesmo:

Deus te deu um lugar na Sua Mente que é teu para sempre. Entretanto, só podes
mantê-lo dando-o, como ele te foi dado... O amor não limita e o que ele cria não é
limitado. Dar sem limites é a Vontade de Deus para ti, porque só isso pode te trazer
a alegria que é Sua, e que é Vontade de Deus compartilhar contigo. O teu amor é
tão sem limites quanto o Seu, porque é o Seu (T-11.I.6:1-2,6-8).

(2) Irmão, encontramos essa quietude agora. O caminho está aberto. Agora, nós o
seguimos juntos e em paz. Tu estendeste a mão para mim e eu nunca hei de deixar-te.
Somos um e essa unicidade é tudo o que buscamos ao contemplarmos estes últimos
passos que terminam uma jornada que não começou.

Essa jornada nós empreendemos com Jesus, não sozinhos, e com ele, levamos todos
os nossos irmãos, sem que nenhum fique para trás, porque o Filho de Deus é um, refletido no
perdão aos nossos relacionamentos especiais. No entanto, resta uma jornada sem distância,
porque na verdade, nunca deixamos a casa do nosso Pai. Jesus aqui reflete para nós o
pensamento que estendemos a ele, soltando a mão do ego e dizendo: “Eu venho com mãos
vazias, pedindo que você as preencha com suas dádivas”. Assim, nós alegre e gratamente
seguramos sua mão, e com ela, mais uma vez, as mãos de toda a Filiação. A ilusão de força
na separação e ataque foi substituída pela força do amor totalmente inclusivo. Esse amor do
Pai e do Filho, portanto, é refletido na verdade curativa do perdão de Jesus, que nós
alegremente aceitamos conforme o oferecemos ao mundo adormecido.

O caminho do ego não é o meu, mas também não é o teu... Deixa para trás todas as
ilusões e vai além de todas as tentativas do ego de deter-te. Eu vou à tua frente,
porque estou além do ego. Alcança, pois, a minha mão porque queres transcender o
ego. A minha força nunca será insuficiente e se escolheres compartilhá-la, tu o farás
(T-8.V.6:1,6-9).

29
LIÇÃO 226

O meu lar me espera. Eu me apresso para voltar a ele.

O tema dessa lição é o poder da mente de escolher corretamente, no qual


reconhecemos que escolhemos o professor errado, abraçando o mundo do corpo como nosso
lar. Agora nós escolhemos outra vez, e permitimos que Jesus nos conduza para nosso
verdadeiro lar, onde o Amor do nosso Pai espera por nós.

(1:1-2) Se eu assim escolher, posso deixar esse mundo inteiramente. Não é a morte que
torna isso possível, mas a mudança da mente em relação ao propósito do mundo.

Em outras palavras, não se deixa esse mundo através da morte. Nós temos a ilusão de
deixar o corpo, mas, uma vez que ele é uma projeção do pensamento na mente, não
poderíamos estar no corpo para início de conversa. O que nos capacita a deixar esse mundo,
com o que Jesus quer dizer deixar o sistema de pensamento de separação do mundo, é
mudarmos do professor da ilusão para o professor da verdade:

Não se deixa o mundo pela morte, mas sim pela verdade e a verdade pode ser
conhecida por todos aqueles para quem o Reino foi criado e pelos quais ele espera
(T-3.VII.6:11).

(1:3-5) Se eu acreditar que ele tem valor, tal como o vejo agora, ele permanecerá assim
para mim. Mas se, ao contemplá-lo, eu não vir nenhum valor no mundo, nada que eu
queira guardar para mim ou almeje como uma meta, ele me deixará. Pois não terei
buscado ilusões para substituir a verdade.

Isso desfaz nosso equívoco de buscarmos ilusões para substituírem a verdade. Nós
mais uma vez vemos a importância de reconhecer a diferença entre o que tem valor e o que
não tem. O sistema de pensamento do ego e o mundo que surgiu dele são sem valor: o
sistema de pensamento de Jesus é o único que tem valor. Ao atravessarmos nosso dia,
tentados pelas mágoas e sentimentos de ingratidão e especialismo, precisamos entender que
esses pensamentos não têm valor, pois eles não trazem a paz e a felicidade que queremos.
Apenas desistir do que não tem valor nos traz a dádiva alegre da verdade:

... aonde antecipou dor, acha, ao contrário, uma feliz leveza de coração; onde
pensou que algo lhe estava sendo pedido, acha uma dádiva concedida a ele (MP-
4.I-A.5:8).

(2) Pai, o meu lar aguarda o meu retorno alegre. Os Teus Braços estão abertos e eu ouço
a Tua Voz. Que necessidade tenho eu de ficar nesse lugar de desejos vãos e de sonhos
despedaçados, se o Céu pode ser meu com tanta facilidade?

Essa é a nossa escolha. Nós precisamos entender que esse mundo é “de desejos vãos
e de sonhos despedaçados”. Nada a que aspiramos vai jamais funcionar verdadeiramente, pois
o mundo não pode nos dar a paz que queremos. No entanto, Jesus não nos pede para
mudarmos nosso mundo, mas apenas nossas mentes sobre o nosso mundo (T-21.in.1:7).
Qualquer mudança externa, portanto, será pacífica, porque terá vindo da decisão da mente
pela paz. Tal mudança acontece através do perdão que transforma o relacionamento especial
em um relacionamento santo:

30
O relacionamento santo reflete o verdadeiro relacionamento que o Filho de Deus
tem com seu Pai na realidade... Aqui o instante não-santo é trocado alegremente
pelo instante santo no qual a reciprocidade é segura. Aqui o caminho para os
relacionamentos verdadeiros está gentilmente aberto, através do qual tu e teu irmão
caminham juntos deixando o corpo para trás com gratidão e descansando nos
Braços Eternos. Os braços do amor estão abertos para vos receber e voz dar paz
para sempre (T-20.VI.10:1,4-6).

Assim, nós voltamos nas asas do perdão para os Braços do nosso Pai.

31
LIÇÃO 227

Esse é o meu instante santo de liberação.

Desnecessário dizer, a lição desse tema é o instante santo, que nos liberta das ilusões
da nossa falsa vontade, que era baseada em um passado de pecado e culpa, que foi desfeito
no instante em que pareceu vir à existência.

(1:1-4) Pai, sou livre hoje, porque a minha vontade é a Tua. Pensei em ter outra vontade.
Mas nada do que pensei à parte de Ti existe. E sou livre porque estava errado e em nada
afetei a minha própria realidade com as minhas ilusões.

Vendo claramente nossas mentes errada e certa, nós fazemos a escolha correta de
forma sã. Nós reconhecemos nosso equívoco em acreditar que a felicidade repousava em uma
identidade separada de especialismo, na qual nossas necessidades eram da máxima
importância, chegando à exclusão de todas as outras pessoas. As correntes das ilusões se
dissolvem no gentil Amor do Espírito Santo, e nós somos libertados conforme escolhemos
alegremente o reflexo da verdade que é o perdão – interesses compartilhados –, em vez da
feia sombra de culpa e ódio do ego – interesses separados.

(1:5-7) Agora renuncio a elas e as deposito aos pés da verdade para que sejam para
sempre removidas da minha mente. Esse é o meu instante santo de liberação. Pai, sei
que a minha vontade é una com a Tua.

No instante santo, nós levamos nossas ilusões de separação e julgamento à verdade de


unicidade e amor do Espírito Santo. Lá, todas as ilusões de especialismo desaparecem na
vontade que compartilhamos com Deus e com todos os nossos irmãos:

Tu és a Vontade de Deus. Não aceites nada mais como a tua vontade, ou estás
negando o que tu és... Mas vê o Amor de Deus em ti e tu o verás em toda parte,
porque ele está em toda parte. Eles são parte de ti assim como tu és parte de Deus
(T-7.VII.10:1-2,4-6).

(2) E assim encontramos, hoje, o nosso retorno alegre ao Céu, que nunca deixamos
realmente. Nesse dia, o Filho de Deus abandona os seus sonhos. Nesse dia, o Filho de
Deus volta para casa novamente, livre do pecado e revestido de santidade, com a sua
mente certa enfim restaurada.

Em outras palavras, nós completamos nossa jornada sem distância e despertamos do


sonho de separação e pecado. Nossos pensamentos de ódio e medo da mente errada
gentilmente dão espaço à santidade do Filho de Deus. O ensinamento do Espírito Santo se
torna o nosso próprio, pois o perdão é alegremente reconhecido como o meio através do qual
nós e nossos irmãos retornamos do sonho de pecado para a alegria do Céu:

O ponto diminuto de pecado que ainda se encontra entre tu e o teu irmão está
impedindo a feliz abertura da porta do Céu. Como é pequeno o obstáculo que
mantém a riqueza do Céu longe de ti. E como será grande a alegria no Céu quando
te unires ao grandioso coro ao Amor de Deus! (T-26.IV.6).

32
LIÇÃO 228

Deus não me condenou. Eu também não me condeno.

Como sou uma parte de Deus e de Seu Amor, se não existe condenação Nele, como
poderia haver em mim? Se eu mantiver um pensamento de condenação sobre outra pessoa,
só pode ser porque condenei a mim mesmo primeiro, o que significa que o amor não está mais
em minha consciência. Assim, atacando alguém mais, afirmo que o ódio, não o Amor de Deus,
repousa em mim. Em vez de aceitar a responsabilidade pela decisão da minha mente pelo
ódio, eu o projeto para fora e vejo meu pecado odiado em você, dessa forma justificando meus
julgamentos.

(1:1-3) O meu Pai conhece a minha santidade. Negarei o Seu conhecimento e acreditarei
naquilo que o Seu conhecimento torna impossível? Aceitarei como verdadeiro aquilo
que Ele proclama ser falso?

Nós voltamos ao tema do certo e errado. Ficamos felizes por estarmos errados, o que
nos capacita a deixarmos de tentar provar que nós estamos certos à custa de Deus.

(1:4) Ou aceitarei o Seu Verbo quanto ao que eu sou, uma vez que Ele é o meu Criador e
Aquele Que conhece as verdadeiras condições do Seu Filho?

Quando você se percebe tendo pensamentos de separação, mágoas e especialismo, dê


um passo atrás por um momento e perceba que se esses pensamentos são verdadeiros, Deus
não é. Se esse pensamento que você mantém sobre seu parceiro de amor ou ódio especial for
verdadeiro, ou sobre qualquer outra pessoa a esse respeito, tudo sobre Deus está errado. De
fato, não pode haver Deus, porque não existe amor ou unicidade. Portanto, lute para trazer a
escuridão do seu sistema de pensamento de separação à luz da verdade que Jesus mantém
para você. É isso o que significa estar vigilante, e o motivo pelo qual você tem que estar atento
aos seus pensamentos, vendo-os como fragmentos sombrios do sistema de pensamento
subjacente que diz que a vida eterna de Deus é uma mentira, pois Ele está morto, e assim
também Seu Amor. Em vez disso, o ódio, especialismo e sua necessidade são reais, e,
portanto, você acredita que a insanidade é verdadeira.

(2:1-2) Pai, eu estava errado em relação a mim mesmo, pois fracassei em reconhecer a
Fonte de Onde vim. Não deixei essa Fonte para entrar num corpo e morrer.

Note com que freqüência esse tema aparece. Jesus quer que eu reconheça o quanto
estou errado, e o quanto ele esteve certo o tempo todo. A fonte da qual eu – erroneamente –
penso ter vindo é o meu ego: um ser separado, individualizado, que se esqueceu da sua Fonte.
No entanto, idéias não deixam sua fonte: a idéia que é o Filho de Deus – meu Ser – nunca
deixou seu Criador. Portanto, eu meramente sonhei que era um corpo, que nasceu e um dia vai
morrer. Na realidade, eu sou um Pensamento de Deus que permanece para sempre em Sua
Mente – além do nascimento e da morte:

Pensamentos não nascem e não podem morrer. Eles compartilham os atributos do


seu criador e também não têm uma vida separada da sua. Os pensamentos que
pensas estão em tua mente, assim como tu estás na Mente Que pensou em ti (T-
30.III.6:5-7).

33
(2:3-6) A minha santidade permanece como parte de mim, assim como eu sou parte de
Ti. E os meus erros em relação a mim mesmo são sonhos. Hoje, eu os abandono. E
estou pronto para receber apenas o Teu Verbo quanto ao que eu realmente sou.

Isso reflete o princípio de Expiação, que me lembra de que eu nunca deixei Deus ou Seu
Amor. Os sonhos ruins se foram, pois eu os liberei, deixando minha mente livre para ouvir o
Verbo de Deus me dizer que eu sou Seu Filho.

34
LIÇÃO 229

O Amor, Que me criou, é o que eu sou.

Essas duas próximas lições voltam ao tema de buscar e encontrar. É importante


entendermos o que queremos encontrar, pois isso determina o que buscamos. Se nós
quisermos uma prova de que existimos como entidades separadas, vamos procurar por isso.
Se quisermos encontrar que estávamos errados sobre Deus e Seu Filho, vamos buscar
experiências e situações para provarem o quanto estávamos errados. Nós, portanto, primeiro
decidimos o que queremos encontrar – interesses separados ou compartilhados -, e então
escolhemos os meios para trazê-lo à tona – ataque ou perdão.

(1) Busco a minha própria Identidade e A acho nestas palavras. “O Amor, Que me criou,
é o que eu sou”. Agora não preciso mais buscar. O Amor prevaleceu. Ele esperou tão
quieto a minha volta para casa, que não me afastarei mais da santa face de Cristo. E
tudo o que olho atesta a verdade da Identidade Que eu busquei perder, mas Que o meu
Pai manteve a salvo para mim.

A memória da minha Identidade como Cristo é quieta em minha mente. Ela não vem
atrás de mim nem grita, como meu ser separado, criado erroneamente. Essa memória não
chama literalmente, pois o Chamado do Espírito Santo não é ativo, sendo apenas a quieta e
simples presença da verdade em nossas mentes. Nós, portanto, perguntamos à Voz, e
ouvimos e vemos:

“Qual é o significado do que eu contemplo?”. Então é dada a resposta. E a porta é


mantida aberta para que a face de Cristo brilhe sobre aquele que pede, em
inocência, para ver além do véu das velhas idéias e dos antigos conceitos por tanto
tempo apreciados e mantidos contra a visão de Cristo em ti (T-31.VII.13:5-7).

O que vemos em nossos irmãos é a face inocente de Cristo, pois nós ouvimos o
Chamado do Espírito Santo de que nossos parceiros de amor e ódio especial expressam o
Amor de Deus ou o pedido por Ele. Nesse Chamado a Filiação é unida, pois nós
compartilhamos tanto a mente certa quanto a errada, e o poder tomador de decisões de
escolher entre elas. Assim, somos libertados para despertar do sonho de separação e nos
lembrarmos da nossa Identidade como criação única do Amor.

(2) Pai, ofereço-Te a minha gratidão pelo que eu sou; por teres mantido a minha
Identidade intocada e sem pecado em meio a todos os pensamentos de pecado que a
minha mente tola inventou. E obrigado por me teres salvo desses pensamentos. Amém.

Em outras palavras, eu estava errado. Minha tola e insensata mente, a fonte da minha
vida aparente na terra, não teve efeitos sobre minha verdadeira vida no Céu. Através da Sua
promessa de criação, Deus tem mantido Seu Verbo de que nossa Identidade como Seu Filho
irá permanecer para sempre intocada e impecável, eterna e livre, como nos lembramos dessa
declaração familiar do texto:

Tal é a promessa do Deus vivo: que o Seu Filho tenha vida e tudo aquilo o que vive
seja parte dele e nenhuma outra coisa tenha vida. Aquilo a que deste “vida” não está
vivo, e simboliza apenas o teu desejo de estar vivo à parte da vida... Não há
mudança na imortalidade... (T-29.II.6:1-2; 7:4).

35
LIÇÃO 230

Agora quero buscar e achar a paz de Deus.

Nós aprendemos através das lições na Parte I, e do nosso estudo do texto, o quanto
estivemos equivocados em buscar a felicidade e a verdade onde nunca poderiam ser
encontradas. Agora percebemos que elas estão apenas na mente certa, que é a única coisa
que queremos.

(1) Na paz fui criado. E na paz permaneço. Não me é dado mudar o meu Ser. Quão
misericordioso é Deus meu Pai Que, ao criar-me, me deu a paz eterna. Agora peço
apenas para ser o que sou. E isso pode ser negado a mim, se é para sempre verdadeiro?

Mudar o meu Ser nunca foi uma opção ou possibilidade. Em meus sonhos talvez, mas
me é dado ser uma parte de Deus, e como uma parte da perfeita Completeza jamais poderia
se separar de Si Mesma? Como o pecado poderia afetar a verdade da minha realidade? E
como o Espírito Santo poderia não me lembrar do perdão da minha pecaminosidade
percebida?

Agora Ele pode lembrar ao mundo a impecabilidade, a única condição que não foi
mudada, a única condição imutável de tudo o que Deus criou. Agora Ele pode falar
do Verbo de Deus a ouvidos que escutam e trazer a visão de Cristo a olhos que
vêem. Agora está Ele livre para ensinar a todas as mentes a verdade do que elas
são, de modo que se voltam para Ele com contentamento. E agora a culpa é
perdoada, deixa de ser vista completamente no Seu modo de ver e no Verbo de
Deus (MP-18.2:4-7).

(2:1-4) Pai, busco a paz que me deste na minha criação. O que foi dado então tem que
existir agora, pois a minha criação foi à parte do tempo e ainda permanece além de
qualquer mudança. A paz em que o Teu Filho nasceu em Tua Mente ainda brilha,
inalterada. Eu sou como me criaste.

Minha identidade está fora do tempo e do espaço, e, portanto, não está enraizada no
mundo ou no corpo. Esse tema central do livro de exercícios, na verdade do próprio Curso, me
lembra de que a verdade de Quem eu sou é imutável e permanece dentro da minha mente.
Tudo o que preciso fazer é reclamá-la através do milagre:

A realidade é imutável. Os milagres apenas mostram que o que interpuseste entre a


realidade e a tua consciência é irreal e não interfere absolutamente... Porque a
realidade é imutável, já existe lá um milagre para curar todas as coisas que mudam
e oferecê-las a ti para serem vistas de uma forma feliz, isenta de medo. Será dado a
ti olhar para o teu irmão deste modo... O Cristo nele é perfeito... E quando Ele tiver
aparecido a ti, estarás certo de que tu és como Ele, pois Ele é o imutável no teu
irmão e em ti (T-30.VIII.4:1-2; 5:1-2,5,9).

(2:5-6) Basta que eu Te invoque para achar a paz que me deste. Foi a Tua Vontade que a
deu ao Teu Filho.

A resposta de Deus é ouvida no relacionamento especial, pois, quando perdoamos em


nossos parceiros especiais a culpa escurecida que projetamos neles, nos lembramos da luz
que nos une como um. Como Jesus encerra o panfleto Psicoterapia:
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Lembra-te do plano de Deus para a restauração da alegria e da paz. E não te
esqueças de como são simples os caminhos de Deus:

Tu estavas perdido na escuridão do mundo até


que pediste a luz. E então Deus enviou o Seu
Filho para dá-la a ti (P-3.III.8:10-13).

Nessa luz de perdão, nós encontramos a paz que buscamos, pois nos lembramos de
que nossa vontade e a de Deus são uma.

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2. O que é a salvação?

Salvação é uma palavra instigante para a maioria das pessoas que estudam o Um
Curso em Milagres, especialmente se elas tiverem sido criadas em religiões cristãs que
ensinam que nós somos salvos dos nossos pecados através do sofrimento e do sacrifício.
Jesus, que através da sua morte sacrificial na cruz redimiu a humanidade, é o grande símbolo
desse pensamento cristão tradicional. No Curso, no entanto, aprendemos que somos salvos
apenas do pensamento equivocado em nossas mentes. Em outras palavras, somos salvos da
nossa crença na culpa. Portanto, a salvação, como o perdão e o milagre, não faz nada. Ela
simplesmente nos lembra de que estávamos equivocados, dessa forma desfazendo nossa
escolha pelo ego e abrindo espaço para a verdade da Expiação que sempre esteve presente
em nós. Esse adorável resumo elabora essas idéias.

(1:1-2) A salvação é uma promessa, feita por Deus, de que encontrarias finalmente o teu
caminho até Ele. Ela não pode deixar de ser cumprida.

Lembre-se de que “promessa” de Deus é um símbolo da perfeita Unicidade do Céu.


Como Cristo, nós somos uma extensão dessa Unicidade, e o princípio da Expiação nos lembra
desse fato feliz, pois “o resultado é tão certo quanto Deus” (T-2.III.3:10). O poema de Helen “O
caminho Certo” expressa lindamente essa certeza:

Eu caminho em santidade. Meu caminho é certo


Apesar de todas as minhas dúvidas. Eu não traço
Minha própria direção. Nem posso dotar minha
Mente com orientação que pode me ensinar como
Me salvar das ilusões. Apenas Deus oferece a
Expiação que verdadeiramente salva.
Apenas o Pai sabe que dádiva Ele deu.
(As Dádivas de Deus, p. 31).

(1:3-4) Ela garante que o tempo terá um fim e que todos os pensamentos nascidos do
tempo também terão um fim. O Verbo de Deus é dado a todas as mentes que pensam ter
pensamentos em separado e Ele substituirá esses pensamentos de conflito com o
Pensamento da paz.

Como previamente discutido, Verbo de Deus é quase sempre um sinônimo de algum


aspecto do princípio da Expiação. Quando nós adormecemos e sonhamos que tínhamos nos
separado de Deus, carregamos conosco para o sonho a memória – o Espírito Santo – de
Quem nós somos como Seu Filho único e indivisível. O perdão expressa esse princípio, e
desfaz todos os pensamentos de conflito – paz ou guerra, Deus ou o ego:

... o perdão é a condição necessária para se achar a paz de Deus. Mais do que isso,
dado o perdão, tem que haver paz. Pois o que além do ataque conduzirá à guerra?
E o que além da paz é o oposto da guerra? Aqui o contraste inicial se expõe de
forma clara e aparente. No entanto, quando se acha a paz, a guerra é sem
significado. E agora é o conflito que é percebido como inexistente e irreal(MP-20.3:6-
12).

A partir dessa paz, é encontrado o fim do tempo, recebendo-nos em casa pela


eternidade.

(2:1) O Pensamento da paz foi dado ao Filho de Deus no instante em que a sua mente
pensou em guerra.
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Não é que o pensamento da paz tenha sido literalmente dado a nós por Deus, mas que
quando nos separamos, o pensamento de Expiação do Espírito Santo veio conosco. O que se
segue é uma expressão da dádiva de Deus a nós quando adormecemos - a Expiação que
ainda temos que escolher:

O princípio da Expiação e a separação começaram ao mesmo tempo. Quando o ego


foi feito, Deus colocou na mente o chamado para a alegria. Esse chamado é tão
forte que o ego sempre se dissolve ao seu som. Essa é a razão pela qual tens que
escolher ouvir uma dentre as duas vozes dentro de ti mesmo. Uma tu mesmo fizeste
e essa não é de Deus. Mas a outra te foi dada por Deus, Que apenas te pede para
escutá-la. O Espírito Santo está em ti num sentido muito literal. Sua é a Voz Que te
chama de volta para onde antes estavas e estarás outra vez (T-5.II.3:1-8).

(2:2) Antes disso, não havia necessidade de tal Pensamento, pois a paz era dada sem
opostos e simplesmente existia.

Jesus fala de dois tipos de paz: a paz do Céu, que reflete a Vontade de Deus e Sua
perfeita Unicidade; e a paz que experimentamos na mente certa, que desfaz o pensamento de
guerra do ego e é o pré-requisito para nos lembrarmos da dádiva eterna de paz e amor de
Deus:

O que é a paz de Deus? Nada mais do que isso: a simples compreensão de que a
Sua Vontade é totalmente sem opostos... Agora, a poderosa Vontade do próprio
Deus é a Sua dádiva para ti... Essa é a tua herança... A paz de Deus é a condição
para a Sua Vontade. Atinge a Sua paz e te lembrarás Dele (MP-20.6:1-2,6,10,12-
13).

(2:3-5) Mas quando a mente se dividiu, a cura se fez necessária. Assim, o Pensamento
que tem o poder de curar a divisão tornou-se parte de cada fragmento da mente que,
embora ainda permanecesse una, deixou de reconhecer a sua unicidade. Nesse
momento, ela não mais se conhecia e pensou que havia perdido a própria Identidade.

O Espírito Santo nos lembra de que estamos simplesmente adormecidos, sonhando que
o Filho é separado da Sua Fonte, e foi despedaçado em bilhões e bilhões de fragmentos. No
entanto, isso é apenas um sonho tolo, pois permanece a verdade de que somos parte da
Unicidade de Deus – nossa Identidade como Cristo.

(3:1) A salvação é um “desfazer”, no sentido de que nada faz por não apoiar o mundo de
sonhos e malícia.

Jesus diz algo similar nessa passagem do texto, onde ele nos pede para
compartilharmos a cura do Espírito Santo em vez dos sonhos de doença e separação do ego:

Curar é o único tipo de pensamento nesse mundo que se assemelha ao


Pensamento de Deus e, devido aos elementos que ambos compartilham, pode
facilmente transferir-se para ele. Quando um irmão percebe a si mesmo como
doente, está se percebendo como se não fosse integro e, portanto, necessitado. Se
também o vês desse modo, estás vendo-o como se ele estivesse ausente e
separado do Reino, fazendo com que o Reino em si se torne obscuro para ambos...
Curar, então, é corrigir a percepção em teu irmão e com ti mesmo compartilhando o
Espírito Santo com ele. Isso coloca ambos dentro do Reino e restaura a integridade
do Reino na tua mente (T-7.II.1:1-3; 2:1-2).

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Essa é nossa função aqui: não reforçar a ansiedade ou dor de outro. Isso não significa
que não estamos presentes ou somos úteis, mas apenas que nossa paz interior não é
despedaçada porque alguém está zangado conosco, ou está sofrendo, magoado ou
transtornado. De fato, nós não podemos estar verdadeiramente presentes ou amorosos com os
outros se compartilharmos sua dor. Apenas na mente certa, através da qual o amor de Jesus
flui sem impedimentos, podemos estar presentes para todos, e na forma precisa que é
necessária.
A instrução de Jesus para não apoiar o equívoco de outra pessoa explica por que todos
o odiaram – ainda que o ódio estivesse oculto pelo amor – desde a época em que ele apareceu
pela primeira vez até os dias de hoje: ele não apoiou o sonho do mundo, mas ficou fora dele,
chamando cada um de nós para onde ele estava. Assim, as igrejas que retiravam seu sustento
do mundo tiveram que arrastar Jesus para o seu sonho e fazer com que ele o apoiasse – um
sonho de separação que conta história de pecado, culpa, medo e redenção através do
sacrifício e da morte. Essa insanidade evidente estabelece Deus como errado e o ego como
certo. Portanto, o que o mundo tem mantido contra Jesus, assim como contra o Um Curso em
Milagres – que é o motivo pelo qual tantas pessoas tentaram mudá-lo – é que ele e sua
mensagem não apóiam o sistema de pensamento de individualidade, julgamento e
especialismo do ego. É isso o que ele quer dizer com essa declaração de “As Dádivas de
Deus”, já citada:

Pois, se o sonho [de pecado] fosse real... não haveria


Esperança exceto ilusões. Não ceda a isso. Isso
Não é assim. Pois eu não estou em um sonho
Que veio em zombaria (As Dádivas de Deus, p. 121).

Mais uma vez, seja vigilante contra a tentação de arrastar Jesus para seu sonho
corporal – “um sonho que vem em zombaria” – para apoiá-lo e torná-lo melhor: em outras
palavras, para lhe dar o que você quer. A salvação permanece fora do sonho, e, por sua
própria presença, o desfaz, por causa do pensamento de Expiação que diz que a separação de
Deus nunca aconteceu. Nossa função aqui é aprender a lição e demonstrar sua verdade aos
outros, o que fazemos por não deixarmos que sua aflição afete nossa paz. Em essência, então,
a salvação não faz nada além de desfazer o sonho que nunca aconteceu.

(3:2-3) E assim, afasta as ilusões. Por não apoiá-las, as abandona simplesmente no pó.

As ilusões vão desaparecer, como diz o manual, de volta na nulidade da qual vieram
(ET-4.4:5). A fonte de toda dor e aflição é a culpa, ou a falta de perdão. Por não nos unirmos
ao sonho do ego, somos a voz de luz que diz: “Meu irmão, você simplesmente cometeu um
equívoco”. Embora de forma comportamental possamos apoiar o sonho, ajudando o corpo de
outra pessoa se ele estiver com dor, na mente, nós permanecemos fora do sonho de
sofrimento e morte. E por nossa paz amorosa, afirmamos para nossos irmãos: “Você pode
fazer a mesma escolha que eu fiz”. Assim, nós não apoiamos seus sonhos de ódio, falta de
perdão e doença.

(3:4) Assim, o que escondiam é agora revelado: um altar para o santo Nome de Deus, no
qual está escrito o Seu Verbo com as dádivas do teu perdão depositadas diante dele e
logo atrás, a memória de Deus.

As ilusões do mundo ocultam as ilusões de culpa da mente, as quais, por seu lado,
escondem a verdade do princípio de Expiação, com a memória de Deus logo além dela.
A palavra altar refere-se à mente, que ou goteja com o sangue da culpa, ou é enfeitada
com os lírios do perdão. Quando não apoiamos os sonhos de separação ou especialismo de
outra pessoa, não apoiamos o nosso próprio. Isso nos devolve às nossas mentes certas, nas
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quais o Verbo de Deus está escrito. Quando escolhemos os lírios do Espírito Santo, e apenas
eles, a mente certa desfaz a errada, que desaparece junto com a mente certa que não é mais
necessária. A memória de Deus agora alvorece em nossas mentes certas e nós estamos em
casa. As linhas finais do poema de Helen “Longa Escuridão”, dirigido ao nosso Pai, expressa
tocantemente o fim do sonho triste do ego:

Sua criança está triste. Lembre a ela do Seu Verbo,


E que toda a alegria que subitamente se torna
Sua dádiva a ela é compartilhada por todo o mundo.
Ela está com medo. Mas deixa-a ouvir o som
Da confiança do Céu, e os anos de quase
Desesperança, esperando em desespero,
Mergulham em um instante santo e se vão.
(As Dádivas de Deus, p. 69).

(4:1) Vamos diariamente a esse santo lugar para passarmos algum tempo juntos.

Isso é um convite de Jesus para irmos até onde ele está, na mente certa, o altar da
verdade. Pense nesse convite sempre que você se sentir tentado a ficar transtornado e quiser
que ele se una ao altar profano de especialismo do ego. Nós desfazemos essa tentação
unindo-nos a ele para ouvi-lo dizer: “Venha até mim em vez disso, ao lugar santo em sua
mente, onde vou lhe mostrar como olhar para o seu mundo através de olhos sãos que vêem
claramente, em vez de com olhos de insanidade que não vêem coisa alguma”. Portanto, fique
ciente do quanto você quer que Jesus se una a você em seu especialismo, e perceba que isso
não vai fazê-lo feliz. Ouça seu apelo para unir-se a ele onde ele está. Ouça seu chamado de
“As Dádivas de Deus”:

Venha até mim agora, e iremos até Deus. Não


existe maneira de podermos ir sozinhos. Mas,
quando vamos juntos, não pode haver nenhuma
maneira do Verbo de Deus falhar. Pois Seu é o
Verbo que nos torna um Nele, e minha é a Voz
Que fala esse Verbo para você (As Dádivas de Deus, p. 118).

(4:2-3) Aqui compartilhamos o nosso sonho final. Um sonho em que não há tristezas,
pois contém um indício de toda a glória que nos é dada por Deus.

Quando finalmente liberamos nossos pensamentos ilusórios e nos unimos a Jesus, e


apenas a Jesus, estamos no mundo real. Esse sonho final ainda é uma ilusão, mas ele não se
opõe à verdade, nem buscamos substituir a glória de Deus pela nossa. Na verdade, o mundo
real reflete essa glória, sendo seu vislumbre, e Jesus novamente nos convida a ouvir seu
chamado:

Eu ouvi o teu chamado e te respondi, mas não é tua vontade olhar para mim nem
ouvir a resposta que buscavas. Isso acontece porque ainda não queres apenas isso.
Entretanto, à medida que venho a ser mais real para ti,aprenderás que queres
apenas isso. E verás a mim quando olhares para dentro e nós olharemos para o
mundo real juntos. Através dos olhos de Cristo, só o mundo real existe e só o
mundo real pode ser visto (T-12.VII.11:3-7).

(4:4-6) A relva desponta na terra, as árvores começam a brotar e os pássaros vêm viver
em seus galhos. A terra renasce com uma nova perspectiva. A noite desapareceu e
juntos chegamos até a luz.
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Nós temos falado freqüentemente sobre a nova perspectiva da visão de Cristo, na qual
ainda vemos o mundo, mas agora percebemos que ele é um sonho. O que antes havia sido a
imagem na dianteira – a necessidade de satisfazermos nossas necessidades especiais - agora
recua para os bastidores, enquanto à frente está nosso novo Professor e Suas lições de
perdão. Assim, revertemos figura e cenário. O ego colocou o especialismo no centro do palco,
e fez com que fosse para os bastidores o fato de que ele é nosso professor. Assim, não
estávamos conscientes de que é sua voz de ódio e assassinado que está nos dirigindo, não
amor e benignidade.
As imagens de relva despontando, árvores brotando, e pássaros cantando são símbolos
familiares no Um Curso em Milagres. Nós também já vimos que comida, água, e o ar
simbolizam o que sustenta a vida. Nessa passagem, a vinda da primavera, com árvores
brotando e pássaros cantando, são símbolos de uma nova vida – quando as pessoas sentem
um senso de esperança, uma vez que a escuridão do inverno passou. Essas imagens da
natureza, portanto, simbolizam a promessa e esperança de uma nova vida, de nascer
novamente. Aqui está uma adorável passagem de A Canção da Oração, que descreve o
mundo real que o perdão prenuncia:

O perdão ilumina com seu alívio misericordioso cada folha de grama, cada asa feita
de penas, e todas as coisas vivas sobre a terra. O medo não tem nenhum porto
aqui, pois o amor veio com toda a sua unicidade santa. O tempo só permanece para
deixar que o último abraço da oração descanse sobre a terra um instante mais á
medida que o mundo desaparece na luz (C-3.IV.2:3-5).

(5:1) Daqui, damos a salvação ao mundo, pois é aqui que a salvação foi recebida.

Isso lembra a passagem muito importante na Lição 84, onde Jesus nos diz que
deveríamos deixar a escuridão por um instante, vir até a luz em nossas mentes, onde
percebemos a verdade, e então retornarmos ao mundo de escuridão, não porque ele seja real,
mas para proclamarmos sua irrealidade em palavras que o mundo possa entender (LE-
pI.184.10). Verdadeiros professores de Deus estão presentes para o mundo e para todos nele,
mas também estão presentes para a verdade e o amor em suas mentes. Nós, portanto,
voltamos continuamente ao instante santo da verdade – o lugar santo que compartilhamos com
Jesus – para que, quando voltarmos o foco para as atividades do mundo, agora o abordemos
de forma diferente – a nova perspectiva citada acima.

(5:2) A canção do nosso júbilo é o chamado para todo o mundo anunciando que a
liberdade está de volta, que o tempo está quase no fim, que ao Filho de Deus só resta
mais um instante de espera até que o seu Pai seja lembrado, os sonhos acabem e a
eternidade brilhe afastando o mundo e só o Céu exista agora.

Essa adorável imagem será vista de novo e de novo na Parte II. Ela representa nossa
escolha pela melodia do instante santo, conduzindo ao mundo real. Portanto, nossa
experiência dura só mais um instante, quando tudo então desaparece e a canção do Céu se
torna o único som que ouvimos:

Sonhos de perdão têm pouca necessidade de durar... E nestes sonhos ouve-se uma
melodia que todos lembram, embora não a tenham ouvido desde antes do início dos
tempos. O perdão, uma vez completo, traz a intemporalidade para tão perto que a
canção do Céu pode ser ouvida, não com os ouvidos, mas com a santidade que
nunca deixou o altar que habita para sempre profundamente dentro do Filho de
Deus. E quando ele ouve essa canção outra vez, sabe que nunca deixou de ouvi-la.
E onde está o tempo, quando os sonhos de julgamento foram postos de lado? (T-
29.IX.8:1,4-7).
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LIÇÃO 231

Pai, a minha única vontade é lembrar-me de Ti.

O tema dessa lição é o tema familiar de buscar e encontrar. Nós temos buscado no lugar
errado porque queríamos encontrar a coisa errada – provar que o ego estava certo e o Espírito
Santo errado. Nós agora entendemos que cometemos um equívoco e corrigimos nosso erro,
escolhendo nos lembrar do nosso Deus e do Ser que Ele criou em unidade com Ele.

(1) Pai, o que posso buscar além do Teu Amor? Talvez eu pense que busco outra coisa,
alguma coisa à qual dei muitos nomes. Mas o Teu Amor é a única coisa que busco ou já
busquei algum dia. Pois nada mais há que eu realmente queira achar. Que eu me lembre
de Ti. O que mais posso desejar além da verdade sobre mim mesmo?

Nosso ponto de partida é percebermos que tem que existir outro caminho, pois o
especialismo que buscamos durante nossas vidas nunca nos deu o amor que realmente
queremos. Todos os estudantes do Um Curso em Milagres conhecem essas linhas:

A tolerância à dor pode ser alta, mas não é sem limites. Eventualmente, todos
começam a reconhecer, embora de forma tênue, que tem que existir um caminho
melhor. Na medida em que esse reconhecimento vem a ser estabelecido de forma
mais firme vem a ser um ponto de mutação (T-2.III.3:5-7).

Quer tenha sido um relacionamento, fama, riqueza, prazer ou posses materiais (MP-
13.2:6), nenhuma forma de especialismo jamais nos trouxe o amor que realmente queremos.
Apenas o perdão do Espírito Santo pode nos trazer o Amor que é nosso Criador e nosso Ser,
no qual nos lembramos de que a glória perfeita de Deus é a nossa própria:

Cristo é o Filho de Deus Que vive em Seu Criador e brilha com a Sua glória. Cristo é
a extensão do Amor e da Beleza de Deus, tão perfeito quanto Seu criador e em paz
com Ele (T-11.IV.7:4-5).

(2) Essa é a tua vontade, meu irmão. E compartilhas essa vontade comigo e com Aquele
que é também nosso Pai. Lembrar-te Dele é o Céu. É isso que buscamos. E é só isso o
que nos será dado achar.

Jesus nos diz, mais uma vez, que sua vontade e a nossa são uma. Como refletida na
ilusão, nossa vontade unida é o desejo de voltarmos para casa e despertarmos do sonho, não
desejando mais as dádivas do ego que falham em nos tornar completos e felizes. Em seu
lugar, aceitamos a dádiva de Jesus de completeza do nosso Ser:

A minha vontade é a Vontade de meu Pai, tendo o conhecimento de que a Sua


Vontade é constante e está para sempre em paz com ela mesma. Nada te
contentará a não ser a Sua Vontade. Não aceites menos, lembrando-te de que tudo
o que eu aprendi é teu. O que o meu Pai ama, eu amo como Ele e eu não posso
aceitar-te como não és, assim como Ele também não pode... Quando tiveres
aprendido a aceitar o que és, não mais farás dádivas para oferecer a ti mesmo, pois
terás o conhecimento de que és completo, sem necessidade alguma e incapaz de
aceitar qualquer coisa para ti mesmo... O anfitrião de Deus não precisa buscar para
achar coisa alguma (T-15.III.10:2-5,7,9).

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Nossa busca recém encontrada envolve compartilharmos nossa vontade – unidos a
Jesus – com todos os nossos irmãos. Assim, escolhemos nos lembrar da Vontade única do Pai
e de Seu Filho, que nós agora mantemos para o mundo, em unidade conosco.

44
LIÇÃO 232

Que estejas em minha mente, meu Pai, durante todo o dia.

Nós vimos que Jesus fala com freqüência nessas lições sobre propósito. O ego nos faria
juntar tanto especialismo quando pudermos dos nossos relacionamentos, enquanto o Espírito
Santo nos faria aprender o perdão através da sala de aula desses mesmos relacionamentos
especiais. Portanto, quando Jesus nos pede para rezarmos para que Deus esteja em nossas
mentes, seu ponto é o de que deveríamos estar atentos ao único propósito – perdão – para
que possamos voltar ao nosso Pai e ao Seu Amor:

(1) Que estejas em minha mente, meu Pai, quando eu acordar e ilumina-me durante todo
o dia de hoje. Que cada minuto seja um momento no qual habito contigo. E que eu não
esqueça, a cada hora, de dar graças por teres permanecido comigo e por que estarás
sempre presente para ouvir e responder ao meu chamado. Quando a noite vier, que
todos os meus pensamentos ainda estejam Contigo e com o Teu Amor. E que eu
adormeça certo da minha segurança, do Teu cuidado e com a feliz consciência de que
sou Teu Filho.

Desde o momento em que acordamos até o momento em que vamos para a cama,
nosso propósito deveria sempre ser nos lembrarmos do motivo pelo qual estamos aqui.
Lembre-se de que o propósito do ego era fugir de Deus e nunca voltar, para manter nossa
individualidade intacta através do relacionamento especial. O propósito de Jesus, no entanto, é
nos tornar atentos de que tudo é uma lição de perdão que ele gostaria que aprendêssemos,
dessa forma, desfazendo nossa escolha pela condenação e ataque. Se nós realmente formos
sinceros sobre nosso desejo de voltarmos para casa, precisamos então reforçar o desejo pela
atentividade continuada sobre esse novo propósito, especialmente quando formos tentados a
buscar e encontrar substitutos especiais para o Amor do Céu, nenhum dos quais vai satisfazer
a ânsia pelo nosso Pai. Apenas o perdão ao nosso irmão vai nos levar até nossa Fonte:

No teu relacionamento com o teu irmão, onde Ele [o Espírito Santo] se


responsabilizou por tudo a pedido teu, Ele estabeleceu o curso em direção ao que
está dentro, à verdade que vós compartilhais... Dentro de ti, amas a teu irmão com
um amor perfeito. Aqui é a terra santa, na qual substituição alguma pode entrar e
onde só a verdade em teu irmão pode habitar... Vós estais tão firmemente unidos
em verdade, que apenas Deus está presente... Volta comigo para o Céu,
caminhando junto com o teu irmão para fora desse mundo e através de um outro,
para a beleza e a alegria que o outro contém dentro de si (T-18.I.9:1,3-4; 10:3; 12:4).

(2) Assim devem ser todos os dias. Hoje, pratica o fim do medo. Tem fé Naquele Que é o
teu Pai. Confia-Lhe todas as coisas. Deixa-O revelar-te todas as coisas e sê destemido,
pois tu és o Filho de Deus.
Essa última parte da oração é essencial. Para o ego, a pior coisa seria que nos
lembrássemos de que somos o Filho de Deus, pois nessa lembrança, o mundo e nossa
identidade especial como carne e ossos são vistas apropriadamente como ilusórias. Então,
enquanto reconhecer que somos o Filho de Deus é uma notícia terrível para o ego, para
nossas mentes certas é a única boa notícia que existe. Apesar dos nossos pensamentos
equivocados e sonhos tolos, nunca deixamos de ser o Filho de Deus, e certamente nunca
fomos o filho do ego. Assim, confiar todas as coisas a Ele não tem nada a ver com confiar
cegamente em um deus que vai magicamente atender às nossas necessidades especiais. Em
vez disso, significa a feliz compreensão de que Ele tem estado certo o tempo todo e nós
errados. E, nessa verdade, nos rejubilamos em gratidão ao nosso Professor Que nos levou
para casa.
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LIÇÃO 233

Hoje dou a minha vida a Deus para que Ele a guie.

O interessante sobre essa lição é que Jesus fala especificamente de Deus como nosso
Guia, embora já tenhamos visto o tempo todo que esse papel pertence ao Espírito Santo. Um
guia é alguém que nos leva a um lugar do qual perdemos o caminho. Uma vez que na Mente
de Deus não podemos estar perdidos, pois nunca deixamos o lar, não existe necessidade que
Ele nos guie para onde já estamos. Assim, nessa lição – assim como em outros trechos no livro
de exercícios -, Deus simboliza Sua memória em nossas mentes, que é mantida para nós pelo
Espírito Santo, Que nos lembra do que verdadeiramente sabemos, mas de que nos
esquecemos.

(1:1-4) Pai, hoje Te dou todos os meus pensamentos. Não quero nenhum deles para
mim. No seu lugar, dá-me os Teus. Também entrego a Ti todos os meus atos, para que
eu possa fazer a Tua Vontade ao invés de buscar metas que não podem ser
conquistadas e perder tempo com imaginações vãs.

Esse é outro reconhecimento do nosso equívoco. Nossos pensamentos e ações


estavam errados porque aconteceram sob orientação do professor errado. A idéia e os
pensamentos de Deus através do Espírito Santo estavam certos, e são eles que escolhemos
para que possamos encontrar a meta da verdade que buscamos em nossos relacionamentos
para estarmos finalmente em paz:

Quando aceitaste a verdade como meta para o teu relacionamento, vieste a ser um
doador da paz com tanta certeza quanto o teu Pai te deu a paz (T-17.VIII.6:1).

(1:5-6) Hoje, eu venho a Ti. Eu recuarei e simplesmente Te seguirei.

Isso é similar à Lição 155, “Eu recuarei e permitirei que Ele me mostre o caminho”.
Nessa lição, o “Ele” é o Espírito Santo, a Quem nós agora seguimos em Nome de Deus.

(1:7) Que Tu sejas o Guia e eu o seguidor que não questiona a sabedoria do Infinito, nem
o Amor cuja ternura eu não posso compreender, mas que é, no entanto, a Tua dádiva
perfeita para mim.

Nós continuamente questionamos a sabedoria de Deus e de Sua Voz, para não dizer a
sabedoria desse curso. Se o Um Curso em Milagres for verdadeiro, então tudo sobre nós é
falso – nossos transtornos assim como o que acreditamos que vai nos trazer felicidade e paz.
Portanto, falamos mais uma vez de reconhecer com alegria e gratidão que estamos errados e
Jesus está certo. No entanto, essa é a coisa mais difícil para fazermos, pois requer confiança
em um amor e sabedoria que não podemos compreender.

(2) Hoje temos um Guia para conduzir-nos adiante. E, ao caminharmos juntos, daremos
esse dia a Ele absolutamente sem reservas. Esse é o Seu dia. E, assim, é um dia de
incontáveis dádivas e graças para nós.

Fique ciente, conforme atravessa esse dia e todos os outros, do quanto você faz
transigências por pedir ao Espírito Santo para ajudá-lo com algumas coisas, mas não com
todas. Ainda restam certas partes da sua vida na quais você acredita que sabe mais do que

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Ele. Você precisa olhar para essa arrogância, entregando a Ele tudo o que iria afastá-lo da sua
meta de paz:

Aquele Que conhece o plano de Deus, o plano que Deus quer que sigas, pode te
ensinar qual é. Só a Sua sabedoria é capaz de guiar-te para que o sigas... Permite
que Ele seja, portanto, o único Guia que queres seguir para a salvação. Ele conhece
o caminho e te conduz com contentamento por ele... Não O esqueças e Ele tomará
todas as decisões por ti, pela tua salvação e pela paz de Deus em ti (T-14.III.13:1-2;
14:1-2,7).

47
LIÇÃO 234

Pai, hoje volto a ser o Teu Filho.

Jesus nos explica novamente de que nós nos lembramos da nossa Identidade como o
Filho de Deus quando o escolhemos como nosso professor, em vez do ego, mudando do
instante não-santo do ego para o seu instante santo de perdão.

(1) Anteciparemos, hoje, o momento em que desaparecem os sonhos de pecado e culpa


e no qual alcançamos a santa paz que nunca deixamos. Diminuto foi o instante que se
passou entre a eternidade e a intemporalidade. Tão breve foi esse intervalo, que não
houve lapso na continuidade, nem interrupção nos pensamentos para sempre unificados
em um só. Nada jamais aconteceu para perturbar a paz de Deus Pai e Deus Filho. Hoje,
aceitamos isso como totalmente verdadeiro.

“Nenhuma nota na canção do Céu foi perdida” (T-26.V.5:4). Em outras palavras, ainda
que nossas preocupações no mundo pareçam tão reais, na verdade, elas são meramente um
sonho que se originou em um pensamento que nunca aconteceu na realidade. O ego fez o
mundo do tempo e do espaço para camuflar a eternidade e ausência de tempo do Céu, as
quais ainda esperam o nosso retorno do mundo insano e ilusório de separação:

No tempo, isso [a separação] aconteceu em uma época muito distante. Na


realidade, nunca aconteceu absolutamente.
O mundo do tempo é o mundo da ilusão. O que aconteceu há muito tempo parece
estar acontecendo agora (MP-2.2:7-3:2).

E, no entanto, isso apenas parece estar acontecendo. O sonho de separação de


pecado, culpa e medo desaparece no instante em que vemos os interesses do nosso irmão
como em unidade com os nossos próprios, conforme o passado do ego submerge no instante
santo e se vai.
Incidentalmente, você pode ver nessas breves lições meditativas que Jesus
continuamente retorna aos temas que já discutiu no texto e antes, no livro de exercícios.

(2) Nós Te agradecemos, Pai, por não nos ser possível perder a memória de Ti e do Teu
Amor. Reconhecemos a nossa segurança e agradecemos todas as dádivas que nos
concedeste, toda ajuda amorosa que recebemos, toda a Tua eterna paciência e o Verbo
que nos deste segundo o qual estamos salvos.

Tudo o que perdemos é a consciência do Amor de Deus. No entanto, ela não está
realmente perdida, porque tem sido mantida em segurança em nossas mentes pelo Espírito
Santo, Que pacientemente espera nosso retorno à sanidade, quando poderemos escolher
novamente. Como poderíamos não sentir gratidão por Suas dádivas de perdão e paz quando
elas são os meios da salvação do nosso sonho de pecado e culpa, e nosso retorno ao lar que
nunca deixamos?

E a gratidão a Deus vem a ser a forma na qual Ele é lembrado, pois o amor não
pode estar muito atrás de um coração agradecido e de uma mente grata. Deus entra
com facilidade, pois estas são as verdadeiras condições da tua volta ao lar (MP-
23.4:6-7).

48
LIÇÃO 235

É Vontade de Deus, em Sua misericórdia, que eu seja salvo.

(1:1) Basta que eu olhe para todas as coisas que parecem me ferir e que afirme com toda
segurança: “É Vontade de Deus que eu esteja à salvo disso”.

O princípio crucial sob essa declaração é que o perdão significa olhar para o ego sem
julgamento. Tudo o que eu acredito que me fere dentro do mundo – meu corpo ou os corpos de
outras pessoas – vai desaparecer quando eu der um passo atrás com Jesus no instante santo,
olhar para o mundo e perceber que ele não tem poder para me afetar. Pense de novo em “O
substituto para a realidade”, onde Jesus nos pede para olharmos para as formas nas quais o
“erro original” parece vir – nossos relacionamentos especiais – e então dizermos, “Deus não é
medo, mas Amor”, e elas desaparecerão (T-18.I.7:1). É isso o que ele está nos pedindo para
fazermos aqui. Não que invoquemos o Deus com um encantamento que vai fazer o ego
desaparecer magicamente. Em vez disso, levamos a ilusão do nosso sistema de pensamento à
verdade da Sua correção, que está refletida nessas declarações: “Deus não é medo, mas
Amor”; “A vontade de Deus é que eu seja salvo disso”. Essa verdade da Expiação desfaz o
sistema de pensamento do ego que nos disse que Deus devia ser temido, porque sua Vontade
vingativa exigia nossa punição pelo pecado imperdoável contra Ele.
Essa sentença inicial, portanto, é outra forma de expressar o pensamento de que com o
amor de Jesus ao nosso lado, deveríamos olhar sem culpa e medo para nosso sistema de
pensamento – tudo a que demos poder para nos ferir. Nós levamos os pensamentos de
separação do ego ao seu amor, e os observamos desaparecer, assim como a escuridão
desaparece em uma sala na qual você acende a luz. Tudo isso é verdadeiro porque nós
felizmente nunca deixamos de ser parte do Amor de Deus.

(1:2-5) Basta que eu apenas me lembre de que a Vontade de meu Pai é unicamente a
felicidade para mim, para descobrir que só me veio felicidade. E basta que eu me lembre
de que o Amor de Deus envolve o Seu Filho e mantém a sua impecabilidade eternamente
perfeita para ter certeza de que estou salvo e seguro em Seus Braços para sempre. Sou
o Filho que Ele ama. Estou salvo porque é Vontade de Deus, em Sua misericórdia, que
seja assim.

Assim, eu levo aos Braços amorosos de Deus meus pensamentos de pecado e injustiça
em relação ao Seu Filho. Seu Amor me rodeia em sua misericórdia, lembrando-me da
impecabilidade inerente do Filho de Deus, da qual eu sou uma parte. Meus sonhos febris de
ódio e punição não tiveram efeitos sobre essa verdade da justiça totalmente amorosa de Deus.
Eles desaparecem em meu perdão ao Filho inocente de Deus:

E Deus se regozija à medida que o Seu Filho recebe aquilo que a justiça amorosa
sabe que é devido a ele. Pois o amor e a justiça não são diferentes. Como eles são
o mesmo, a misericórdia está à Mão direita de Deus e dá ao Filho de Deus o poder
de perdoar a si próprio por todo o pecado (T-25.VIII.9:9-11).

(2) Pai, é minha a Tua santidade. O Teu Amor me criou e tornou a minha impecabilidade
parte de Ti para sempre. Não há culpa nem pecado em mim, pois não há culpa nem
pecado em Ti.

49
Uma vez que Deus é sem pecado e culpa, e eu sou parte Dele, tenho que compartilhar
da Sua perfeita inocência. Assim, se eu me sentir pecador ou culpado, ou acusar alguém mais
de pecado, eu declaro que a Vontade de Deus é medo em vez de amor, e que a punição é
justiça. No entanto, as palavras de Jesus me ajudam a entender, ainda mais uma vez, que eu
estava simplesmente equivocado: alegremente, ele estava certo e eu errado – o Filho inocente
de Deus nunca deixou sua Fonte inocente.

50
LIÇÃO 236

Eu reino sobre a minha mente, onde só eu devo reinar.

A Lição 253, “Meu Ser é o governante do universo” expressa o mesmo pensamento que
encontramos aqui, embora em uma forma ligeiramente diferente. O significado é que eu estou
a cargo de qualquer reino que escolha – o especialismo do ego ou o perdão do Espírito Santo.
O tomador de decisões escolhe minha realidade, e se eu me sentir miserável e infeliz, escolhi
ser o senhor do meu reino. Se, por outro lado, eu estiver feliz e pacífico, foi minha escolha por
Jesus que me trouxe tal alegria. Daí seu apelo para mudarmos nossas mentes e professor.

(1:1-3) Tenho um reino que devo governar. Por vezes, não parece que eu seja o seu rei.
Ele parece triunfar sobre mim e me dizer o que pensar, fazer e sentir.

Quer estejamos em nossa mente certa ou errada, somos nós que escolhemos nosso
reino. No entanto, acreditamos que somos os vassalos do corpo, e que é o nosso próprio corpo
ou o dos outros que nos governam e determinam como vamos nos sentir. A estratégia do ego é
nos convencer de que o corpo é real, mas suas reações não são nossa culpa ou
responsabilidade, pois somos as vítimas inocentes do que outros nos fizeram. Assim, somos
lembrados nessa lição de que somos nós que determinamos tudo o que pensamos, sentimos e
acreditamos. Nada nem ninguém têm o poder de nos trazer dor e pesar, ou felicidade e paz.
Tudo isso é baseado somente em nossa própria decisão:

Nada, que não tenha sido criado pelo teu Criador, tem qualquer influencia sobre ti. E
se pensas que o que fizeste pode te dizer o que vês e sentes e se colocas a tua fé
na habilidade dessas coisas para fazer com que seja assim, estás negando o teu
Criador e acreditando que fizeste a ti mesmo. Pois se pensas que o mundo que
fizeste tem poder para fazer de ti o que ele quer, estás confundindo Pai e Filho;
efeito e Fonte (T-21.II.11:3-5).

(1:4-8) E, no entanto, ele me foi dado para servir a qualquer propósito que eu perceber
nele. À minha mente só é possível servir. Hoje, dou os seus serviços ao Espírito Santo
para que Ele os empregue como achar melhor. Estarei, assim, dirigindo a minha mente,
onde só eu posso reinar. E assim eu a liberto para fazer a Vontade de Deus.

Minha mente serve apenas ao que o tomador de decisões escolhe: o ego ou o Espírito
Santo. Pensando em “Regras para decisão”, no texto, você vai se lembrar de que Jesus é bem
explícito sobre nossas mentes terem apenas um poder: nossa decisão em relação a qual
professor devemos seguir; um se opõe à Vontade de Deus por invocar a nossa própria,
enquanto o Outro nos liberta por nos lembrar de que somos a Vontade de Deus, e não existe
nenhuma outra.

(2:1) Pai, a minha mente está aberta para os Teus Pensamentos e fechada, hoje, para
todos os pensamentos senão os Teus.

Mais um reconhecimento de que nós cometemos um equívoco, dessa forma permitindo


a nós mesmos escolhermos outra vez – os Pensamentos de Deus em vez dos nossos próprios.

(2:2-3) Eu governo a minha mente e a ofereço a Ti. Aceita a minha dádiva, pois é uma
dádiva Tua para mim.

51
Em vez do ódio do ego, minha dádiva a Deus é minha mente certa, a dádiva de escolher
Seu Amor – Sua dádiva para mim:

Deus não limita as Suas dádivas de modo algum. Vós sois as Suas dádivas de
modo que as vossas dádivas têm que ser como as Suas. As vossas dádivas ao
Reino têm que ser como as Suas dádivas a vós (T-7.I.4:6-8).

E nessa dádiva, o Céu e seu Filho são reunidos como um.

52
LIÇÃO 237

Agora quero ser como Deus me criou.

A Lição 237 ecoa a declaração familiar, “Eu sou como Deus me criou”; o tema mais
freqüentemente citado no livro de exercícios.

(1:1-3) Hoje, aceitarei a verdade a meu respeito. Eu me elevarei em glória e deixarei que,
nesse dia, a luz em mim ilumine o mundo. Trago ao mundo a mensagem da salvação que
ouço quando Deus meu Pai fala comigo.

Quando escolho contra a ilusão do ego e a favor do Amor do Espírito Santo, minha
realidade como amor e luz brilha através de mim. Isso abraça o mundo porque eu – como o
Filho único de Deus – sou o mundo. Não existe nada fora da mente, e, quando essa mente
está identificada com a luz, a luz só pode fluir através de toda a Filiação. O mundo externo
recua para os bastidores, pois nós reconhecemos sua fonte – a mente do Filho de Deus. É ao
mundo da mente que levamos as boas novas da salvação, conforme as ouvimos através da
Voz por Deus:
Em parte alguma do Reino habita a escuridão, mas a tua parte é apenas a de não
permitires que a escuridão habite em tua própria mente. Esse alinhamento com a luz
é ilimitado, pois está em alinhamento com a luz do mundo. Cada um de nós é a luz
do mundo e unindo as nossas mentes nesta luz, proclamamos o Reino de Deus
juntos como um só (T-6.II.13:3-5).

(1:4) E contemplo o mundo que Cristo quer que eu veja, consciente de que ele põe fim
ao amargo sonho de morte, consciente de que ele é o chamado do meu Pai por mim.

Uma vez que o que vemos do lado de fora é o que tornamos real dentro de nós – a
projeção faz a percepção -, nossa decisão pela luz é agora estendida conforme percebemos o
mundo de luz perdoado através da visão sã de Cristo:

O Espírito Santo é a luz na qual Cristo está revelado. E todos aqueles que querem
contemplá-Lo podem vê-Lo, pois pediram luz... E tudo isso eles compreenderão
porque olharam para dentro e viram, além da escuridão, o Cristo presentes neles e
O reconheceram. Na sanidade da Sua visão, eles olharam para si próprios com
amor, vendo-se como o Espírito Santo os vê. E com essa visão da verdade em si
mesmos, veio toda a beleza do mundo para brilhar sobre eles (T-13.V.11:1-2,5-7).

(2) Cristo é os meus olhos, hoje, e os ouvidos que hoje escutam a Voz por Deus. Pai,
venho a Ti através Daquele Que é o Teu Filho e também é o meu verdadeiro Ser. Amém.

Lembre-se dessas adoráveis linhas similares do texto, que descrevem o uso que o
Espírito Santo faz do corpo, uma vez que nossas mentes são curadas dos seus sonhos
amargos de morte:

Identifica-te com Ele [Cristo] e o que terá Ele que tu não tenhas? Ele é os teus olhos,
os teus ouvidos, as tuas mãos, os teus pés. Como são gentis as cenas que Ele vê,
os sons que Ele ouve. Como é bela a Sua mão que segura a mão do Seu irmão e
como Ele caminha com amor ao seu lado, mostrando-lhe o que pode ser visto e
ouvido e onde não há nada a ser visto e nenhum som a ser ouvido (T-24.V.3:4-7).

É o nosso perdão que nos leva a essa visão do Filho de Deus, e à paz e o amor que
acompanham a jornada de volta para o nosso Ser.
53
LIÇÃO 238

Toda salvação depende da minha decisão.

Nós voltamos ao tema do poder de escolha das nossas mentes, a mensagem central do
Um Curso em Milagres:

(1) Pai, a Tua confiança em mim tem sido tão grande que eu devo merecê-la. Tu me
criaste e me conheces tal como sou. E, no entanto, depositaste a salvação do Teu Filho
em minhas mãos e deixaste que ela dependesse da minha decisão. Eu devo ser muito
amado por Ti realmente. E também devo ser inabalável em minha santidade, para que
me tenhas dado o Teu Filho, certo de que está seguro aquele que ainda faz parte de Ti e
que, no entanto, é meu, pois Ele é o meu Ser.

O destino do mundo repousa em mim, mas isso não significa o mundo do lado de fora
porque não existe mundo do lado de fora. Isso não pode ser dito com freqüência suficiente.
Uma vez que eu e o mundo somos um, o Filho de Deus é um, e o mundo não é nada mais do
que um retrato externo dos pensamentos na mente, o mundo é salvo quando eu mudo minha
mente. Na verdade, tudo aqui repousa nesse poder de escolha. Isso não faz sentido da
perspectiva da experiência corporal que parece tão real, mas é cristalinamente claro quando
damos um passo para fora do sonho com Jesus. Olhando de volta para tudo aqui, nós
literalmente o vemos de forma totalmente diferente.
O que torna essas palavras tão difíceis de entender, sem falar em aplicar, é que nosso
desejo de sermos um ser separado nos tenta a levá-las para o sonho, em vez de trazermos
nosso sonho à mente que é a fonte dessas palavras. Esse é o desafio apresentado pelo
relacionamento especial: reconhecer nesse outro ser aparente, a parte separada do ser da
mente. Re-unir os fragmentos da Filiação nos salva a todos, e remove a interferência à
lembrança do nosso verdadeiro Ser. Pense mais uma vez nessa oração que Jesus faz a Deus
em nosso nome:

Graças Te dou, Pai, sabendo que virás para fechar cada pequena brecha que existe
entre os pedaços quebrados do Teu Filho santo. A Tua santidade, completa e
perfeita, está em cada um deles. E eles estão unidos porque o que está em um está
em todos. Como é santo o menor dos grãos de areia quando ele é reconhecido
como parte do retrato completo do Filho de Deus! As formas que os pedaços
quebrados parecem tomar nada significam. O todo está em cada um. E cada
aspecto do Filho de Deus é exatamente o mesmo que qualquer outra parte (T-
28.IV.9).

Assim, reconhecer o Filho de Deus em uma parte nos permite lembrá-lo em todas – o
Todo é encontrado em cada parte.

(2) E assim, mais uma vez hoje, fazemos uma pausa para pensar no quanto o nosso Pai
nos ama. E quão caro o Seu Filho, criado pelo Seu Amor, continua sendo para Aquele
Cujo Amor se completa nele.

Esse sentimento encontra uma linda expressão no próprio final de A Canção da Oração,
onde as palavras de amor são colocadas na boca do Próprio Deus. Parte disso já é familiar
para nós, e certamente merece outra leitura:

54
Volta para Mim Que nunca deixei o Meu Filho. Ouve, Minha Criança, o teu Pai
chama por ti.. não negues a Cristo o que Lhe é próprio, o céu é aqui e o Céu é a tua
casa... Como tu és bela, Criança da Santidade! Como és parecida Comigo! Com que
amor Eu te guardo no Meu coração e nos Meus braços... Lembra-te disso: seja o
que for que penses de ti mesmo, seja o que for que penses do mundo, o teu Pai
precisa de ti e te chamará até que finalmente venhas a Ele em paz (P-3.IV.8:5-9;
9:4-6; 10:7).

55
LIÇÃO 239

A glória do meu Pai é minha.

Nós vemos nessa lição outra declaração sobre o importante tema da nossa unicidade, a
premissa que é a fundação para tudo o que Jesus está nos ensinando no Um Curso em
Milagres.

(1) Não deixemos que a verdade sobre nós mesmos seja ocultada, hoje, por uma falsa
humildade. Ao invés disso, sejamos gratos pelas dádivas que o nosso Pai nos
concedeu. É possível ver algum vestígio de pecado e culpa naqueles com quem Ele
compartilha a própria glória? E seria possível que não estivéssemos entre eles, quando
Ele ama o Seu Filho para sempre e com perfeita constância, sabendo que esse é como
Ele o criou?

A falsa humildade que algumas religiões promulgam é a aceitação da nossa sina como
pecadores miseráveis. No entanto, como isso pode ser qualquer coisa além da arrogância do
ego, quando Deus nos criou impecáveis e perfeitos como Ele Mesmo? A seguinte passagem
do texto descreve e questiona essa aparente humildade:

Um dos principais dogmas na insana religião do ego é que o pecado não é um erro,
mas a verdade e é a inocência que pretende enganar. A pureza é vista como
arrogância e a aceitação do ser como pecaminoso é percebida como santidade. E é
essa doutrina que substitui a realidade do Filho de Deus tal como seu Pai o criou e
tal como a Sua Vontade determinou que ele fosse para sempre. Isso é humildade?
Ou, ao contrário, é uma tentativa de arrancar a criação da verdade e mantê-la
separada? (T-19.II.4).

A verdadeira humildade aceita a realidade do nosso estado de impecabilidade, junto


com todos os nossos irmãos; aceitando também nossa glória como o Filho único perfeito de
Deus, como Ele o criou.

(2) Nós Te agradecemos, Pai, pela luz que brilha em nós para sempre. E nós a honramos,
porque Tu a compartilhas conosco. Somos um, unidos nesta luz e unos contigo, em paz
com toda a criação e conosco.

Estamos em paz com tudo e com todos porque a guerra contra nós mesmos terminou. O
sistema de pensamento do ego, incluindo nossa existência como entidades individuais, era
baseado no conflito e na guerra. Se eu existir, alguém tem que pagar o preço por isso; se eu
conseguir o que quero, outro tem que perder – o princípio do ego de um ou outro reina para
sempre supremo em seu reino escurecido de sacrifício. O que nos permite lembrar da nossa
unicidade inerente como o Filho de Deus é reconhecer que nós estávamos errados e o
princípio da expiação – a separação nunca aconteceu – está certo. Especificamente, isso
significa que o Espírito Santo está certo sobre os interesses compartilhados dos nossos
relacionamentos, cuja cura restaura à nossa consciência o interesse único de toda a Filiação –
o desejo de voltarmos para casa, para o amor e a paz do Céu.

O Céu é restaurado a toda a Filiação através do teu relacionamento, pois nele está
a Filiação íntegra e bela, à salvo em teu amor. O céu entrou em quietude, pois todas
as ilusões foram gentilmente trazidas à verdade em ti e o amor brilhou sobre ti
abençoando o teu relacionamento com a verdade. Deus e toda a Sua criação
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entraram juntos nesta relação. Como é belo e como é santo o teu relacionamento,
com a verdade brilhando sobre ele! O Céu o contempla e se alegre por teres
deixado que ele viesse a ti. E o próprio Deus está contente que o teu
relacionamento seja assim como foi criado. O universo dentro de ti está contigo,
junto com o teu irmão. E o Céu olha com amor para o que está unido nele, junto
com o seu Criador (T-18.I.11).

Quem em sua mente certa jamais iria escolher o mundo de escuridão do ego em vez
dessa santa visão de amor e verdade?

57
LIÇÃO 240

O medo não se justifica de forma alguma.

Essa declaração vai diretamente contra o sistema de pensamento do ego, pois o medo
definitivamente é justificado do seu ponto de vista. Pelo fato de termos pecado contra Deus – a
origem da nossa existência separada -, Ele está justificado em roubar de volta de nós a vida
que acreditamos ter roubado Dele. Quem não se sentiria amedrontado diante de tal ameaça
iminente à vida como a conhecemos? O pecado e o medo, portanto, são projetados, fazendo
um mundo no qual agora tememos a tudo e a todos. No entanto, esse medo apenas é
justificado pela crença de que existimos a custa de alguém mais – Deus morreu para que
pudéssemos viver. É por isso que é essencial corrigir a visão equivocada do ego por
aprendermos que todos nós compartilhamos a mesma necessidade de desfazer seu sistema
de pensamento de medo e voltar para casa.

(1:1-5) O medo é um engano. Atesta que te viste tal como nunca poderias ser e, portanto,
olhas para um mundo que é impossível. Coisa alguma nesse mundo é verdadeira. Não
importa a forma sob a qual possa se apresentar. Testemunha apenas as tuas próprias
ilusões sobre ti mesmo.

Nós vemos a nós mesmos como “nunca poderíamos ser” o tempo todo em que
pensamos sobre nós mesmos como separados e, portanto, pecadores e vulneráveis. O mundo
“impossível” para o qual olhamos é um lugar hostil que nos ameaça, o que justifica nós
vivermos em um contínuo estado de medo. A forma de qualquer coisa aqui – que induza ao
medo ou não – não importa. Mesmo que seja algo que todos no mundo concordem ser real,
apesar disso, vem do mesmo sistema de pensamento de ilusão – 50 milhões de franceses
podem estar errados!
Nós podemos ver dessas passagens como, embora as lições na Parte II sejam
primariamente meditativas, Jesus aqui e ali joga uma bomba metafísica: “Coisa alguma nesse
mundo é verdadeira”. Ele quer dizer que isso literalmente. Nosso problema perpétuo é que se
essa declaração estiver correta, ela inclui a todos nós que nos consideramos como entidades
vivas no mundo: nossos corpos, com suas necessidades físicas e emocionais sempre
presentes, parecem muito reais. É por isso que o Um Curso em Milagres é uma ameaça tão
grande: ele ensina a inexistência do nosso próprio ser – “Coisa alguma nesse mundo é
verdadeira”.

(1:6-8) Não nos deixemos enganar hoje. Somos os Filhos de Deus. Não há medo em nós,
pois cada um de nós é uma parte do próprio Amor.

Lembre-se dessa derivação da famosa declaração da carta de João, já citada: Se o


amor perfeito expulsa o medo e se somos parte do amor, não existe lugar para o medo em nós:
dois estados mutuamente excludentes não podem coexistir. O segundo parágrafo nos diz como
o medo é desfeito:

(2) Como são tolos os nossos medos! Permitirias Tu que o Teu Filho sofresse? Dá-nos
fé, nesse dia, para que reconheçamos o Teu Filho e o libertemos. Que nós o perdoemos,
em Teu Nome, para que possamos compreender a sua santidade e sentir o amor por ele
que é também o Teu Amor.

Se eu realmente quiser entender que estou salvo da culpa e do medo, e sou inocente e
livre, tenho que ver a inocência em todos, sem exceção. Assim, a forma de lembrarmos de
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quem somos como o Filho de Deus é percebermos sua unicidade, e vermos que os
pensamentos de ataque são parte da estratégia do ego para nos manter longe da consciência
da nossa unidade inerente. Se nós, portanto, formos sérios sobre aprender, praticar e alcançar
a meta desse curso, temos que ser igualmente sérios sobre mudarmos nossas mentes sobre
aqueles contra quem guardamos mágoas. Essa mudança na mente é o propósito da aplicação
diária desses ensinamentos; e é o propósito de Jesus para nos ajudar a aprendê-los nos
relacionamentos específicos de nossas vidas.

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3. O que é o mundo?

Esse está entre um dos resumos mais importantes na Parte II, descrevendo
sucintamente a natureza ilusória do mundo. O resumo também ensina que enquanto
acreditarmos que estamos aqui, podemos escolher fazer com que esse mundo irreal sirva a um
propósito diferente: perdão em vez de ataque. Assim, por um lado, vemos retratada a origem
do mundo no sistema de pensamento de separação do ego, e por outro, como o Espírito Santo
usa esse mesmo mundo como uma sala de aula para nos levar para casa.

(1:1-2) O mundo é falsa percepção. Nasceu do erro e não deixou a sua fonte.

Lembre-se desse princípio importante – idéias não deixam sua fonte. A fonte do mundo
é a falsa crença de que nos separamos de Deus, tornando nosso falso indivíduo uma
realidade. Qualquer coisa que surja desse pensamento errôneo, portanto, tem que ser ilusória,
ou “percepção falsa”:

Não reconheces a magnitude desse único erro. Ele foi tão vasto e tão
completamente inacreditável que um mundo de total irrealidade tinha que emergir.
Que outra coisa poderia resultar disso?... Essa foi a primeira projeção do erro para
fora. O mundo surgiu para escondê-lo e veio a ser a tela na qual ele foi projetado e
colocado entre tu e a verdade... Tu realmente pensas que é estranho que um mundo
no qual tudo está de trás para frente e de cabeça para baixo tenha surgido dessa
projeção do erro? Era inevitável (T-18.I.5:2-4; 6:1-2,4-5).

Esse é um conceito crucial no sistema de pensamento do Um Curso em Milagres, pois é


a base da sua metafísica não-dualista na qual repousa o perdão verdadeiro: um pensamento
ilusório engendra um mundo ilusório,, o qual, quando perdoado, desaparece de volta em sua
nulidade.

(1:3) Ele deixará de existir quando o pensamento que lhe deu origem deixar de ser
apreciado.

Mude sua mente sobre sua separação de Deus e o mundo tem que mudar de acordo.
Antes, citei da seguinte passagem em Psicoterapia, onde Jesus discute como o mundo
corporal de doença e morte surgiu como sombras do pensamento de culpa na mente:

Uma vez que o Filho de Deus é visto com um ser culpado, a enfermidade vem a ser
inevitável... Não há nada que uma mudança da mente não possa realizar, pois todas
as coisas externas são apenas sombras de uma decisão já tomada. Muda a
decisão, e assim como seria possível que a sua sombra ficasse sem ser mudada? A
enfermidade só pode ser a sombra da culpa grotesca e feita, já que é uma mímica
da deformidade. Se uma deformidade é vista com algo real, como poderia será sua
sombra senão deformada?
A descida ao inferno acontece passo a passo em um curso inevitável uma vez que a
decisão de que a culpa é real foi tomada. A doença, a morte e a miséria agora
assombram a terra em ondas incessantes, algumas vezes juntas e algumas vezes
em inflexível sucessão. Contudo, todas essas coisas, por mais reais que pareçam,
são apenas ilusões (P-2.IV.2:1,4-3:3).

Quando você aceita a Expiação para si mesmo, literalmente não existe mundo para
você. As pessoas ainda podem continuar adormecidas e acreditarem que o mundo existe, e
elas podem pensar que vêem você como um corpo, como acreditaram que viam Jesus como
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um corpo, mas sua realidade permanece com a dele, fora do sonho. Portanto, olhando para o
sonho, você percebe que tudo o que vê foi inventado, algo similar aos sonhadores lúcidos, que
estão cientes de que estão sonhando. Como alguém então poderia levar a sério o que
acontece aqui? Por exemplo, você pode sonhar que está sendo atacado por alguém na China,
mas sabendo que está sonhando, você entende que não está na China e não está sendo
atacado por ninguém. Assim é nossa situação no mundo real. O mundo pode não desaparecer
para aqueles que ainda acreditam nele, mas para você, o mundo se foi. É dessa perspectiva
que o Um Curso em Milagres vem até nós. Ele é escrito na linguagem do mundo, mas sua
verdade repousa além dele. Você o aprecia, entende e aplica apenas na extensão em que
pode deixar esse mundo para trás, dando um passo para fora dele com Jesus. Olhando de
volta para o mundo, então, tudo é visto de forma diferente, pois ele não mais permanece na
sua experiência.

(1:4-5) Quando o pensamento da separação for mudado para um pensamento de


verdadeiro perdão, o mundo será visto sob outra luz; uma luz que conduz à verdade, na
qual o mundo todo tem que desaparecer, assim como todos os seus erros têm que
sumir. Agora a sua fonte se foi e os seus efeitos também.

A outra luz é a luz da verdade no instante santo, no qual o mundo é visto de forma
diferente. Estar no mundo real – a meta final do nosso trabalho com o Um Curso em Milagres –
é estar fora do sonho, olhando de volta para ele. Essa é a linda visão descrita em “A canção
esquecida”, na qual o mundo desaparece na infinitude de uma luz:

Além do corpo, além do sol e das estrelas, além de todas as coisas que vês e ainda
assim de algum modo familiar, está um arco de luz dourada que, à medida que
olhas, se alonga em um grande circulo brilhante. E todo o circulo e enche de luz
diante dos teus olhos. Os contornos do círculo desaparecem e o que há dentro já
não está mais contido em nada. A luz se expande e cobre todas as coisas,
estendendo-se até á infinidade, para sempre brilhante e sem nenhuma ruptura ou
limite em parte alguma. Dentro dela tudo está unido em perfeita continuidade. E nem
é possível imaginar que qualquer coisa pudesse estar fora, pois não há lugar algum
onde essa luz não esteja (T-21.I.8).

(2:1-3) O mundo foi feito como um ataque a Deus. Ele simboliza o medo. E o que é o
medo senão ausência de amor?

“O amor perfeito expulsa o medo”, mas, se você acreditar no medo, o amor não terá
lugar na sua mente. O medo é o efeito de pensamentos de pecado e culpa, que constituem o
primeiro escudo de ataque, encobrindo a inocência do Filho de Deus, que é mantida no lugar
pelo princípio de Expiação. Quando o pecado do ataque é projetado, faz surgir um mundo de
ataque. Uma vez que idéias não deixam sua fonte, esse mundo projetado – o segundo escudo
de ataque – espelha o primeiro. Assim, o universo físico é um ataque a Deus, resultando em
nosso medo da retaliação de Deus. Essa declaração já familiar do texto encapsula a dinâmica
do medo, na qual o Deus do Amor é transformado em uma figura projetada de ataque, “um pai
não-amoroso”:

Tu, que preferes a separação à sanidade, não podes obtê-la em tua mente certa.
Estavas em paz até que pediste um favor especial. E Deus não o concedeu, pois o
pedido era algo alheio a Ele e tu não poderias pedir isso a um Pai Que
verdadeiramente amasse Seu Filho. Por conseguinte fizeste Dele um Pai sem amor,
exigindo algo que somente um pai assim seria capaz de dar. E a paz do Filho de
Deus foi despedaçada, pois ele não mais compreendeu seu Pai. Ele tinha medo do

61
que tinha feito, mas temia ainda mais o seu Pai real, tendo atacado a sua própria
igualdade gloriosa em relação a Ele (T-13.III.10).

O ego, portanto, nos faz acreditar que não existe esperança. Tendo o amor partido e seu
lugar ocupado pelo medo, tudo o que resta é se defender contra a destruição inevitável.

(2:4) Assim, o mundo foi feito para ser um lugar em que Deus não pudesse entrar e no
qual o Seu Filho pudesse estar à parte Dele.

Quando escolhemos o ego em vez do Espírito Santo, para todos os propósitos e


intenções, O ocultamos na mente e habitamos apenas no mundo do ego, onde o Amor de
Deus está proibido de entrar. Só o medo existe no reino da mente e do corpo do ego:

Pois o corpo é um limite para o amor. A crença no amor limitado foi a sua origem e
ele foi feito para limitar o ilimitado... Deus não pode vir a um corpo, nem tu podes
unir-te a Ele lá. Os limites ao amo sempre parecerão deixá-Lo de fora e manter-te à
parte Dele. O corpo é uma cerca diminuta em torno de uma pequena parte de uma
idéia gloriosa e completa. Ele desenha um círculo, infinitamente pequeno, em torno
de um segmento diminuto do Céu, desintegrado do todo, proclamando que aí dentro
se encontra o teu reino, onde Deus não pode entrar (T-18.VIII.1:2-3; 2:3-6).

Claramente agora, estamos separados da nossa Fonte, e, como nossa própria


existência constitui um ataque a Deus, não podemos deixar de ter medo. Uma vez que
negamos esse pensamento de ataque, ele é projetado, fazendo surgir um mundo que
compartilha dos atributos daquele pensamento. Na verdade, o mundo é esse pensamento de
ataque. Pense em seus sonhos adormecidos, nos quais você vê um retrato externo dos seus
próprios pensamentos, não os de ninguém mais. Da mesma forma, esse mundo, como um
sonho, representa os pensamentos do Filho adormecido, que em sua insanidade, acredita ter
atacado seu Criador, e agora permanece em terror diante do contra-ataque antecipado de
Deus. De forma alguma, portanto, o Filho quer Deus em qualquer lugar próximo dele, e então,
O exclui do seu reino. Como um estudante desse curso, portanto, você precisa entender o
propósito do mundo: literalmente feito para excluir o Amor de Deus, o mundo é o objetivo final
da estratégia do ego para assegurar que em nossa ausência de mente, nunca poderíamos
escolher esse Amor novamente.

(2:5) Aqui nasceu a percepção, pois o conhecimento não poderia causar tais
pensamentos insanos.

Esse é outro dos incontáveis trechos no Um Curso em Milagres que nos diz que Deus
não criou o mundo. Conhecimento, um sinônimo para Céu, Deus e amor, não poderia causar o
pensamento insano de separação do ego – a origem do mundo. A percepção é dualista, o que
significa que eu, como sujeito, percebo algo fora de mim, um objeto – perceptor e percebido.
Esse estado é desconhecido no Céu, onde existe apenas a perfeita Unicidade. O leitor pode se
lembrar dessa passagem do texto:

As leis de Deus não prevalecem diretamente em um mundo no qual a percepção


domina, pois tal mundo não poderia ter sido criado pela Mente para a qual a
percepção não tem significado... A percepção se baseia na escolha; o conhecimento
não. O conhecimento tem apenas uma lei porque tem apenas um Criador (T-
25.III.2:1; 3:1-2).

(2:6-7) Mas os olhos enganam e os ouvidos ouvem o que é falso. Agora, os erros vêm a
ser bastante possíveis, pois a certeza se foi.
62
Esse é o propósito da ilusão à qual o corpo foi feito para servir. Como vimos quando
lemos a Lição 161, o ódio é específico: “Assim, o específico foi feito” (Le-pI.161.7:1; 3:1). Nós
precisávamos de algo sobre o que pudéssemos projetar nossa culpa desprezada, então nós –
coletivamente como o Filho único de Deus – fizemos um mundo de corpos. Nós fazemos isso
individualmente também em nossos relacionamentos especiais. Portanto, o corpo foi feito com
um elaborado aparato sensório – órgãos sensórios que reportam de volta para o cérebro a
“realidade” que vêem, ouvem, sentem, experimentam e cheiram. O cérebro interpreta esse
insumo sensório como foi programado pela mente para fazer; isto é, existe um mundo lá fora
ao qual se sentir atraído, se seu insumo sensório for atraente, ou para ser repelido, se o
insumo sensório for repulsivo. No entanto, tudo isso é ilusório e nossos órgãos sensórios
enganam. A certeza do princípio da Expiação se vai, e seu lugar é tomado pela crença
equivocada na separação, agora elevada à realidade. Lembre-se dessa declaração: “Nada
cega tanto quanto a percepção da forma” (T-22.III.6:7). A percepção foi feita para nos cegar
para a verdade e para as ilusões dentro da mente. E então, nossos olhos e ouvidos apenas
reportam de volta para a mente as mentiras que foram feitos para encontrar. O panfleto
Psicoterapia resume lindamente isso para nós:

O ouvido traduz, ele não ouve. O olho reproduz, ele não vê. A sua tarefa é tornar
agradável seja o que for que seja chamado, por mais desagradável que possa ser.
Eles respondem às decisões da mente, reproduzindo os seus desejos e traduzindo-
os em formas aceitáveis e aprazíveis (P-2.VI.3:1-4).

(3:1-2) Em seu lugar nasceram os mecanismos da ilusão. E, agora, eles partem para
achar o que lhes é dado buscar.

Esses mecanismos de ilusão são nossos órgãos sensórios que enviam dados ao
cérebro, o qual, como acabamos de ver, interpreta a informação recebida para reforçar a
crença de que existe um mundo real lá fora. Mais uma vez, tudo isso é inventado; mas a mente
– da qual estamos agora totalmente inconscientes – programou o corpo para perceber dessa
forma. Assim, ouvimos a mensagem que queremos ouvir, e o mundo prova que a separação
está viva e bem, significando que a unicidade do Amor de Deus desapareceu. Pense de novo
em “A atração da culpa” que fala dos “cães famintos de medo” enviados para trazerem de volta
mensagens de medo, ódio e culpa. O mecanismo sensório das ilusões encontra a verdade
aparente de que a separação de Deus é real, “provando” que estamos certos e Ele está errado
– a culpa é a realidade:

Os mensageiros do medo são treinados através do terror e tremem quando o seu


patrão os chama para servi-lo. Pois o medo não tem misericórdia nem mesmo para
com os seus amigos. Seus culpados mensageiros saem às escondidas em busca
sedenta de culpa, pois são mantidos no frio e famintos e seu patrão, que só lhes
permite festejar em cima do que devolvem a ele, faz com que sejam cruéis. Nenhum
pequeno farrapo de culpa escapa de seus olhos famintos. E, em sua selvagem
busca do pecado, lançam-se sobre qualquer coisa viva que vêem e carregam-na
aos gritos a seu patrão para ser devorada (T-19.IV-A.12:3-7).

(3:3-4) Seu objetivo é cumprir o propósito que o mundo foi feito para testemunhar e fazer
com que seja real. Eles vêem nas suas ilusões apenas uma base sólida onde a verdade
existe, mantida à parte das mentiras.

Nossa Identidade como Cristo é a verdade, enquanto o mundo é uma mentira. Ainda
que possamos entender essas palavras intelectualmente, elas não farão sentido para nós, nem
terão qualquer efeito prático a menos que possamos aceitar que não somos o corpo, que é o
motivo pelo qual a declaração “Eu sou como Deus me criou” é repetida de diversas formas
63
mais do que 140 vezes através de todo o Um Curso em Milagres. Como sabemos, isso não
significa que deveríamos nos sentir culpados porque nossas necessidades corporais nos
pressionam. Simplesmente esteja ciente de que sua fonte – a necessidade de provar que
estamos certos e Deus errado – é a motivação à qual Jesus se refere. No entanto, a percepção
mente, e as lições iniciais do livro de exercícios enfatizam a ausência de significado inerente ao
mundo que percebemos. Ele realmente foi feito para ser sem significado, e, no entanto, sua
natureza é camuflada em uma roupagem de significância e importância. Só quando levamos
nossas falsas percepções à verdade da visão de Cristo – a unidade inerente do Filho de Deus
no sonho, assim como também na realidade – realmente olhamos para o mundo através de
uma percepção limpa. E então nós vemos!
Jesus agora discute essa nova percepção do mundo:

(4:1) Assim como a vista foi feita para conduzir para longe da verdade, ela pode ser re-
direcionada.

O ego direciona sua visão para reforçar a crença de que o mundo é real, tendo o cérebro
como seu escravo. Se, no entanto, levarmos o que percebemos à presença de Jesus em
nossas mentes, ele vai nos dizer que existe outra maneira de olharmos para os dados
sensórios do corpo. Ele nos faria ver o mundo como uma sala de aula na qual ele nos ensina
que interesses separados não são justificados, porque todos nós compartilhamos a mesma
necessidade, propósito e objetivo. Portanto, o mundo que experimentamos como real pode ter
um propósito transformado, como lemos:

(4:2) Os sons vêm a ser o chamado de Deus e um novo propósito pode ser dado a toda
percepção por Aquele Que Deus designou como o Salvador do mundo.

O novo propósito é dado pelo Espírito Santo. Ele salva o mundo, não por mudar
magicamente o que nós não gostamos, mas por nos ajudar a mudar nossas mentes sobre o
que não gostamos – não lhe dando mais o poder de afetar nossa paz. Esse, portanto, não é
um curso em trazer o Espírito Santo para o sonho, pois o mundo, sendo apenas um
pensamento equivocado, é salvo apenas através da correção desse pensamento – que dá ao
ego controle sobre nossas mentes. Aprender a perdoar com Jesus é o meio de alcançar essa
correção. Lembre-se dessa passagem:

Há um outro propósito no mundo feito pelo erro, porque ele tem outro Fazedor, Que
é capaz de conciliar a sua meta com o propósito do Seu Criador. Em Sua percepção
do mundo, nada do que é visto deixa de justificar o perdão e tudo o que se vê
através da perfeita impecabilidade. Nada surge que não encontre imediatamente o
perdão completo. Nada permanece, nem por um instante, que seja capaz de
obscurecer a impecabilidade que brilha imutável... (T-25.III.5:1-4).

(4:3-5) Segue a Sua Luz e vê o mundo tal como Ele o contempla. Ouve apenas a Sua Voz
em tudo o que fala contigo. E deixa-O dar-te a paz e a certeza que jogaste fora, mas que
o Céu preservou Nele para ti.

Nosso propósito é ver o mundo através da visão de Cristo. Os olhos físicos verão o que
viram antes – guerra, doença, pobreza, sofrimento e morte -, mas nossa compreensão terá
mudado. Ficando fora do sonho com Jesus, percebemos que tudo dentro dele é um pedido de
ajuda, seu significado final sendo: “Por favor, mostre-me que estou errado”. Isso pode não ser
o que as pessoas pensam conscientemente, mas apesar disso, é o que está subjacente a seu
chamado. Através do nosso amor e paz, ensinamos a elas a outra escolha disponível em suas
mentes. Talvez escolhamos o ego no minuto seguinte, mas nesse instante santo, estamos em
paz e não compartilhamos os sonhos insanos de dor do ego. Assim, um propósito maior do Um
64
Curso em Milagres é nos convencer do quanto seremos mais felizes quando estivermos acima
do campo de batalha, vendo o mundo apenas através dos olhos do Espírito Santo:

Que sejas erguido e de um ponto mais alto olha para ele lá embaixo. De lá a tua
perspectiva será bastante diferente... E o próprio Deus e todas as luzes do Céu
gentilmente irão inclinar-Se para ti, sustentando-te no alto. Pois escolheste
permanecer onde Ele quer que estejas e nenhuma ilusão pode atacar a paz de
Deus junto com Seu Filho.
Não vejas ninguém a partir do campo de batalha, pois lá olharas para ele a partir do
nada... Pensa no que é dado àqueles que compartilham o propósito de seu Pai e
têm o conhecimento de que é o seu próprio. Não lhes falta nada. Qualquer espécie
de pesar é inconcebível. Só a luz que amam está na sua consciência e só o amor
brilha sobre eles para sempre... eternamente completo e totalmente compartilhado
(T-23.IV.5:1-2; 6:6-7; 7:1; 8:1-5).

(5:1-2) Que não descansemos em nosso contentamento, enquanto o mundo não tiver se
unido à nossa percepção, que já foi mudada. Que não estejamos satisfeitos, enquanto o
perdão não tiver se tornado completo.

A salvação da nossa mente é a salvação de todos. Isso não significa que todos têm que
aceitar o amor que oferecemos, mas que é importante reconhecer que nossos interesses não
estão à parte dos de ninguém mais. Isso se aplica aos nossos interesses no mundo assim
como aos nossos caminhos espirituais, não importando suas formas – somos um na dor e no
prazer, e um em seu desfazer. Portanto, percebemos que o que queremos é que nossas
mentes sejam completamente curadas, não apenas de algo específico que esteja nos afetando
adversamente no momento. A cura, se for verdadeira, tem que se estender a todos os
relacionamentos e situações, o tempo todo. Só então saberemos que o mundo está curado
conosco. Essa natureza totalmente inclusiva da salvação é o significado da ressurreição, o
despertar do sonho de morte do ego:

Aqui o currículo termina... A visão foi totalmente corrigida e todos os equívocos


foram desfeitos... Os pensamentos voltam-se para o Céu e afastam-se do inferno...
A última ilusão se espalha por todo o mundo, perdoando todas as coisas e
substituindo todos os ataques... Não há oposição à verdade. E agora a verdade
pode vir afinal. Como virá rapidamente quando lhe for pedido para entrar e envolver
tal mundo! (MP-28.3:1,3,6,8,11-13).

(5:3-4) E não tentemos mudar a nossa função. Temos que salvar o mundo.

Obviamente, isso não é um chamado para sairmos por aí e pregarmos o evangelho do


Um Curso em Milagres aos não-crentes. Nossa função é salvarmos o mundo por mudarmos
nossa percepção do mundo através do perdão. Nós evitamos interpretar mal linhas como essa
por mantermos a metafísica do Curso bem à mão. Os dois parágrafos iniciais desse resumo
enfatizam que o mundo vem de um pensamento equivocado, e não é nada mais do que isso.
Uma vez que eu governo sobre minha mente, eu governo o mundo que é parte da minha
mente, e, portanto, o mundo é salvo quando minha mente é salva. Isso acontece quando posso
dizer a Jesus: “Obrigado, Deus, você estava certo e eu errado”.

(5:5) Pois nós, que o fizemos, temos que contemplá-lo através dos olhos de Cristo, para
que o que foi feito para morrer possa ser restituído à vida que dura para sempre.

“O que foi feito para morrer” foi o Filho de Deus, porque a morte é o produto final da
nossa escolha pela culpa. Nossas mentes tornaram o Filho um corpo que pode morrer, mas ele
65
é restaurado à vida eterna por mudarmos nossas mentes dos pensamentos de morte para os
pensamentos de vida. O mundo que fizemos para excluir a vida agora tem um propósito santo,
pois ele reflete a Unicidade da Vida eterna – o Filho da Vida nunca deixou sua Fonte:

Quando aceitaste o propósito do Espírito Santo em lugar do propósito do ego,


renunciaste à morte trocando-a pela vida. Nós temos o conhecimento de que uma
idéia não deixa a sua fonte. E a morte é o resultado do pensamento que chamamos
de ego com tanta certeza quanto a vida é o resultado do Pensamento de Deus (T-
19.IV-C.2:13-15).

66
LIÇÃO 241

A salvação veio nesse instante santo.

(1:1-5) Quanta alegria há nesse dia de hoje! É um momento de celebração especial. Pois
esse dia oferece ao mundo escuro o instante em que se estabelece a sua liberação. Veio
o dia em que os pesares passam e a dor desaparece. Hoje, a glória da salvação desponta
sobre um mundo libertado.

O perdão é a chave para essa transição, pois só ele desfaz a culpa que é a fonte de
todo pesar. Suas nuvens escuras, cheias de lágrimas de dor, gentilmente se desvanecem
quando o calor da luz do instante santo brilha sobre elas, assim como o calor do sol matutino
dissolve a névoa da manhã que espalha uma cortina sobre o alvorecer de um novo dia.

(1:6-8) Esse é o momento da esperança para incontáveis milhões. Eles unir-se-ão agora
quando tu os perdoares. Pois hoje eu serei perdoado por ti.

A verdadeira esperança é encontrada, não no mundo de nuvens escuras, mas no poder


da mente de escolher a luz. Só isso pode desfazer a culpa que é a fonte de toda dor e pesar.
Essas nuvens, espalhadas pela nossa crença na separação, gentilmente desaparecem quando
levadas ao pensamento de unidade. No entanto, esse pensamento precisa realmente abraçar
todas as coisas vivas, de outra forma, os pontos de escuridão repletos de culpa vão continuar a
destilar suas sombras de mal no mundo e excluir a Filiação do seu lugar de direito na unicidade
do Céu. Além disso, esse abraço totalmente abrangente tem que incluir Jesus também, pois
como ele poderia ser excluído da Filiação, e no entanto, ser salvo? Lembre-se do seu apelo a
nós no texto:

Perdoa-me todos os pecados que pensas que o Filho de Deus cometeu. E à luz do
teu perdão, ele lembrar-se-á quem ele é e esquecerá o que nunca foi (T-19.IV-B.6:2-
3).

Ao perdoarmos Jesus pelo que ele nunca fez, perdoamos a nós mesmos também. O
pecado da separação não teve efeitos sobre a criação da luz. Nessa declaração do livro de
exercícios, portanto, Jesus nos diz que no instante santo, o Filho de Deus é um, o que significa
que nós perdoamos a todos pelo que eles nunca fizeram, reconhecendo que a paz interior é
impermeável a qualquer influência externa. Portanto, todos nós compartilhamos juntos o fato
do perdão, conforme a luz da eternidade, refletida nesse instante santo de salvação,
gentilmente dissipa através da luz, o pensamento de separação que nunca aconteceu.

(2) Agora, nós nos perdoamos uns aos outros e assim, enfim, viemos a Ti novamente.
Pai, o Teu Filho que nunca partiu retorna ao Céu e à sua casa. Como estamos contentes
por ter-nos sido restaurada a nossa sanidade e por nos lembrarmos que somos todos
um só.

Quando nos afastamos do sistema de pensamento de separação, todas as diferenças


entre nós desaparecem conforme nossos interesses aparentemente separados se juntam, e se
tornam um. Nesse instante santo, Jesus deixa de ser nosso professor, e seu amor e o nosso
são o mesmo. E nesse amor, a Filiação é unida como uma, sem exceção. Mais uma vez,
somos levados a essa compreensão final por aceitar a unidade de propósito que o perdão
restaura à mente da Filiação adormecida. Assim, deixamos o inferno do ego e voltamos ao Céu

67
que nunca deixamos, enquanto somos gratamente lembrados da visão final de Jesus sobre o
despertar dos Filhos de Deus que escolheram outra vez:

A canção da salvação ecoará através do mundo com cada escolha que fizerem.
Pois nós somos um em propósito e o fim do inferno está próximo... E à medida em
que cada um elege unir-se a mim, a canção de agradecimento da terra para o Céu
cresce e os diminutos fios dispersos de melodia vêm a ser um único coro que
abrange todo um mundo redimido do inferno, que dá graças a Ti (T-31.VIII.10:7-8;
11:5).

68
LIÇÃO 242

Esse dia é de Deus. É a minha dádiva para Ele.

(1:1-2) Hoje não conduzirei a minha vida sozinho. Eu não compreendo o mundo e por
isso tentar viver a minha vida sozinho só pode ser tolice.

Essa tolice infelizmente caracteriza nossas vidas aqui como corpos. Mesmo quando
pensamos que somos bons estudantes do Um Curso em Milagres, sempre pedindo ajuda,
caímos inevitavelmente de volta na crença de que sabemos o que é certo e o que é errado, o
que é melhor e o que é pior para nós e para os outros. Toda essa tolice, de uma forma ou de
outra, envolve julgamento e ataque. Portanto, Jesus nos diz aqui, como faz através de todo o
seu curso, que nós não entendemos coisa alguma sobre o mundo. Essa é a humildade que ele
nos encoraja a manter. Cada estudante conhece essas linhas freqüentemente citadas:

Ainda estás convencido de que a tua compreensão é uma contribuição poderosa


para a verdade e faz dela o que ela é. Entretanto, nós já enfatizamos que nada
precisas compreender (T-18.IV.7:5-6).

(1:3-5) Mas existe Alguém Que sabe tudo o que é melhor para mim. E Ele está contente
em não fazer por mim nenhuma escolha que não conduza a Deus. Dou esse dia a Ele,
pois não quero protelar a minha volta para casa e é Ele Quem conhece o caminho para
Deus.

Mais uma vez, essa é uma declaração de humildade que diz que existe Alguém que
sabe melhor do que eu. Nós sabemos que fizemos a escolha errada quando estamos
transtornados, zangados, ansiosos, deprimidos e preocupados com nosso especialismo – uma
bandeira vermelha que diz que sabemos o que é melhor para nós e não precisamos da ajuda
do Espírito Santo. Nós temos ouvido o aviso do ego de que quando pedirmos, Ele vai remover
o especialismo que valorizamos e de que precisamos, sem o qual nunca poderíamos
sobreviver.

(2:1-3) E, assim, damos a Ti o dia de hoje. Viemos com mentes inteiramente abertas. Não
pedimos nada do que achamos que queremos.

Nós temos enfatizado muitas vezes a importância de termos uma mente aberta, na qual
reconhecemos que estivemos errados. Portanto, nossas mentes não estão mais fechadas à
verdade, pois nós aceitamos que existe Alguém dentro de nós que realmente sabe o que
precisamos. Nós deixamos de pedir o específico a Jesus, pois isso presumia que nós
sabíamos o que era melhor para nós, uma crença que gera um problema além da separação e
da culpa. Uma vez que “pedimos” tal ajuda, acreditamos ter “ouvido” uma resposta específica.
No entanto, tudo o que fizemos foi tornar a escassez e a especificidade do ego real, definindo
nosso problema de falta – quer seja algo tão trivial quanto uma vaga no estacionamento, ou tão
importante quanto nossa saúde – e magicamente esperando que Jesus suprisse o que estava
faltando.

(2:4-6) Dá-nos o que queres que seja recebido por nós. Tu conheces todos os nossos
desejos e tudo o que queremos. E nos darás tudo aquilo de que precisamos para nos
ajudar a achar o caminho para Ti.

69
E do que nós precisamos? Do Amor do nosso Pai. No início de A Canção da Oração,
como nos lembramos, Jesus nos recorda de que queremos a canção em si, não seus
fragmentos (C-1.I.2:9-3:6); nós queremos o amor que é totalmente abrangente, não as
especificidades do especialismo. Para atingirmos essa meta, precisamos aprender com nossa
sala de aula dos relacionamentos – “tudo o que precisamos” – e precisamos do Professor que
Deus nos “dá”. Portanto, embora o Espírito Santo não nos envie esses relacionamentos, Ele
ainda pode usá-los para nos ensinar Suas lições de perdão, como nos lembramos dessas
palavras familiares.

Tal é a benigna percepção do Espírito Santo do especialismo, o uso que Ele faz do
que tu fizeste para curar ao invés de ferir (T-25.VI.4:1).

70
LIÇÃO 243

Hoje não julgarei nada do que acontecer.

Essa é a declaração-chave que logicamente se segue à lição anterior. Nós julgamos


tudo, baseados na premissa insanamente arrogante de que sabemos. Como poderíamos? O
fato central ao Um Curso em Milagres é o de que não podemos julgar coisa alguma; essa é a
função do Espírito Santo, não nossa.

(1:1-3) Serei honesto comigo mesmo hoje. Não pensarei que já sei o que tem que
permanecer além do meu entendimento atual. Não pensarei que compreendo o todo a
partir de fragmentos da minha percepção, que são tudo o que posso ver.

Meus fragmentos de percepção são as necessidades específicas que se tornaram o


meu mundo: as pessoas especiais a quem peço ajuda; a situação especial que atende às
minhas necessidades especiais; as partes especiais do corpo que me trazem prazer ou me
causam dor. Sob esse especialismo está a crença de que entendemos o que precisamos.
Honestidade é o humilde reconhecimento de que não o fazemos.

(1:4-6) Hoje reconheço que isso é assim. E, desse modo, sou liberado de julgamentos
que não posso fazer. Assim liberto a mim mesmo e àquilo que eu contemplar para estar
em paz, tal como Deus nos criou.

Essa é ainda outra forma de dizer que eu estava enganado, mas Alguém dentro de mim
conhece a verdade. Ao atravessar seu dia, veja com que rapidez você confia na ilusão de que
sabe o que é melhor; observe como você vem com planos insanos para trazerem a conclusão
que você pensa que vai funcionar para você. “Uma mente curada não faz planos” (LE-
pI.135.11:1) porque a mente curada percebe que não existem problemas a serem resolvidos.
No nível das especificidades, isso certamente não significa que você não deveria fazer planos
– todos nós temos que fazê-los nesse mundo. No entanto, Jesus pede que você não leve
esses planos muito a sério, e não pense que qualquer coisa que esteja fazendo vai resolver o
problema real da separação.
Lembre-se de que a estratégia do ego inventa problemas inexistentes, fazendo-nos
passar o resto de nossas vidas tentando resolvê-los com soluções que não funcionam. Existe
apenas um problema – nossa escolha equivocada pelo ego; e uma solução – escolhermos o
Espírito Santo. Tudo o mais é um subterfúgio para essa simplicidade. É por isso que não
podemos entender coisa alguma, nem saber para que serve. O único propósito de qualquer
coisa é nos lembrar de que somos mentes e não corpos, e que a escolha errônea da mente
pode ser corrigida pelo nosso Professor interno. Nada mais vai funcionar, pois a estratégia do
ego usa o mundo para assegurar que nunca vamos voltar à mente, saindo do nosso estado
sem mente.
A lição termina com essa prece de unicidade:

(2) Pai, hoje deixarei a criação livre para ser o que é. Honro todas as suas partes, nas
quais estou incluído. Somos um porque cada parte contém a Tua memória e a verdade
tem que brilhar em todos nós como em um só.

Eu aceito a unicidade da Filiação, e sua necessidade, propósito e interesse


compartilhado. Ao honrar a Filiação, não tento mudar os outros ou a mim mesmo, atacar ou
excluir ninguém, ou elevar outros ao status de ídolos de amor especial – todos os Filhos de
Deus são partes iguais da mesma unidade, incluindo a mim mesmo. Se a verdade não brilha
71
em todos nós, não pode ser a verdade. Através de toda a história, milhões morreram em nome
de uma verdade que excluía: meu caminho está certo, e o seu está errado. Nenhum caminho
funciona para todas as pessoas, mas na forma, ele não pode ser mais verdadeiro do que o de
ninguém mais, incluindo o Um Curso em Milagres – o Espírito Santo está igualmente presente
em todos nós. Como tem sido ensinado: “A verdade é uma; os sábios a conhecem por muitos
nomes”. Um Curso em Milagres é apenas um entre milhares de outras formas do curso
universal (MP-1.4:1-2).

72
LIÇÃO 244

Em nenhum lugar do mundo eu estou em perigo.

Nossa invulnerabilidade como o Filho de Deus é outro importante tema recorrente.


Dentro do sistema do ego, estamos em perigo perpétuo como corpos vivendo no mundo. O ego
começa com um pensamento de vulnerabilidade – eu ataquei Deus, e Ele vai me atacar de
volta -, que inevitavelmente faz surgir um corpo que é a vulnerabilidade em forma projetada. No
entanto, quando não estamos mais identificados com o sistema de pensamento de pecado e
ataque do ego, compartilhamos a invulnerabilidade inerente como o Filho que Deus criou em
unidade com Ele.

(1) O Teu Filho está a salvo onde quer que se encontre, pois estás lá com ele. Ele só
precisa invocar o Teu Nome, e lembrar-se-á de sua própria segurança e do Teu Amor,
pois são um só. Como pode ele ter medo, duvidar ou deixar de saber que não pode
sofrer, ser ameaçado ou experimentar a infelicidade, se ele Te pertence, amado e
amoroso, na segurança do Teu abraço Paterno?

Se Deus está no Céu comigo, eu estou lá com Ele. Portanto, não estou realmente aqui,
no mundo, porque Deus não está aqui. Invocar o Nome de Deus não é parte de um
encantamento mágico, mas uma correção para os pequenos nomes que dei às coisas do
mundo; algumas eu penso que vão me ferir, outras penso que vão me ajudar. No entanto,
todas elas são percebidas como diferentes; uma percepção baseada em minhas necessidades
de especialismo, e não em suas funções compartilhadas como projeções da ilusão ou
extensões do perdão. Reconhecer a unidade inerente às ilusões da mente errada e da mente
certa permite que eu me lembre da única verdade do amor do Céu, e desperte para o meu Ser,
salvo e seguro dentro do Seu abraço Paterno.

(2) E é lá que estamos na verdade. Nenhuma tempestade pode entrar no abrigo bendito
da nossa casa. Em Deus estamos seguros. Pois o que pode vir para ameaçar o próprio
Deus ou amedrontar aquele que para sempre fará parte Dele?

Esse lar está em nossas mentes certas. Quando estamos lá, com o Espírito Santo,
estamos fora do sonho de culpa e medo. Podemos ser feridos apenas dentro do sonho, que
começa com o pensamento de mágoa: eu feri Deus, Que vai me ferir em troca. Uma vez que
idéias não deixam sua fonte, o mundo que surge desse pensamento compartilha da mesma
qualidade. Quando estamos além do sonho, no entanto, ele desaparece; e nós gentilmente
sorrimos diante da tolice de acreditar que jamais estivemos em perigo. Lembre-se, quando
você se sente ameaçado, acredita que sabe o que vai lhe salvar. Isso o leva para ainda mais
longe da verdade, e mais profundamente dentro da insanidade. “Aí jaz a loucura”, exclamou
Rei Lear, por todos nós. O pequeno poema de Helen, “Segurança” é um benigno lembrete do
outro caminho:

Só o desejo de ferir engendra o medo. Sem ele


a proteção é óbvia, e o escudo é oferecido em
todos os lugares. Não há tempo quando a segurança
precisa ser buscada, nenhum lugar onde ela esteja ausente,
e nenhuma circunstância pode colocá-la em perigo de forma
alguma. Ela está segura por cada pensamento amoroso,
tornada mais aparente por cada vislumbre amoroso, trazida
para mais perto por palavras que perdoam, e mantida imperturbada
sem nuvens, aberta à luz, redimida, restaurada e santa na visão de Cristo.
(As Dádivas de Deus, p. 8).
73
LIÇÃO 245

Pai, a Tua paz está comigo. Estou a salvo.

(1) Pai, a Tua paz me cerca. Aonde quer que eu vá, a Tua paz me acompanha. Ela ilumina
todos aqueles que encontro. Trago-a aos desolados, aos solitários e aos que têm medo.
Dou a Tua paz àqueles que sentem dor, que choram perdas, ou pensam estar privados
de esperança e de felicidade. Manda-os a mim, meu Pai. Deixa-me trazer comigo a Tua
paz. Pois quero salvar o Teu Filho, conforme é Tua Vontade, para que eu possa vir a
reconhecer o meu Ser.

Isso não deveria ser visto como um imperativo comportamental para pregar, curar e
salvar outros. A paz de Deus que me cerca está na minha mente, e quando volto para lá, ela é
minha. Na verdade, toda a filiação está lá também, unida na paz de Deus, pois a mente do
Filho de Deus é uma. Mudando minha atenção para o sonho, ainda que minha realidade esteja
fora dele, sou capaz de ser um mensageiro da paz, esperança e conforto em qualquer forma
que as figuras do sonho precisem para receberem aquela mensagem. Isso não tem nada a ver
com o que eu digo ou faço, mas somente com os pensamentos de paz e amor com os quais
agora estou identificado. Esses pensamentos do Espírito Santo naturalmente se estendem
através da minha mente, e eu não faço nada a não ser permitir que sejam o que são. Assim,
suas dádivas são dadas através de mim, e o mundo dá graças. Esse é o tema de “A Dádiva”,
um poema que Helen escreveu como uma expressão de gratidão da sua parte a um amigo. Ele
se aplica igualmente a todos nós, de todos nós – dádivas de Jesus:

Você é uma bênção. Você veio a mim


Porque Ele pediu que viesse. E você veio
Para me falar sobre Ele, para que Ele
Pudesse me mostrar, através da sua voz
O caminho para casa.
..................................................
Você veio porque Ele pediu, mas não sabe que
Ele falou a você sobre Ele. Sua Voz veio através
Com clareza cristalina. Você veio para mostrar
Que a dádiva que me trouxe é dada a você.

(As Dádivas de Deus, p. 77).

Mais uma vez, Deus não envia pessoas a nós, pois Ele não faz nada além de amar – Ele
simplesmente é. Voltando às nossas mentes, nós refletimos Seu puro Ser, no qual todos são
encontrados.

(2) E assim vamos em paz. Damos ao mundo todo a mensagem que recebemos.
Portanto, vimos para ouvir a Voz por Deus Que nos fala ao relatarmos o Seu Verbo;
Aquele cujo Amor reconhecemos porque compartilhamos o Verbo que Ele nos deu.

Para receber paz, preciso dá-la aos outros. Essa “troca” acontece quando eu perdôo,
levando minhas projeções de pecado de volta para minha mente, onde faço outra escolha.
Agora aceito a paz amorosa do Espírito Santo para mim mesmo e ela é livremente dada a
todos, conforme a recebo em troca. Como essa paz poderia não ser compartilhada, uma vez
que o Filho de Deus é um – nós damos a todos porque nós somos todos:

74
Quantas vezes foi enfatizado o fato de que só dás a ti mesmo? E onde isso poderia
ser melhor demonstrado do que nos tipos de ajuda que o professor de Deus dá a
quem necessita do seu auxílio? Aqui, a sua dádiva é dada a ele próprio da maneira
mais clara possível. Pois ele dará somente o que escolheu para si mesmo. E nesta
dádiva está seu julgamento sobre o Filho santo de Deus (MP-17.2:6-10).

75
LIÇÃO 246

Amar o meu Pai é amar o Seu Filho.

(1) Que eu não pense que posso achar o caminho para Deus, se tiver ódio no meu
coração. Que eu não tente ferir o Filho de Deus e pensar que posso conhecer seu Pai ou
o meu Ser. Que eu não falhe em reconhecer a mim mesmo e ainda acredite que a minha
consciência pode conter o meu Pai, ou a minha mente pode conceber todo o amor que o
meu Pai tem por mim e todo o amor que eu Lhe retribuo.

Se eu realmente disser com real intenção que amo a Deus e quero voltar para Ele, como
poderia guardar mágoas contra qualquer outra pessoa? Quando o faço, estou realmente
dizendo que não O amo. Jesus quer que vejamos isso claramente, pois se o mundo tivesse
essa compreensão, teríamos economizado dois mil anos de perseguições cristãs, assim como
perseguições em quase todas as outras religiões também. Se você soubesse que a única
maneira de amar a Deus é não ver separação em Seu Filho então, quando você tornasse a
separação real – fazendo indulgências aos seus amores e ódios especiais -, saberia que
naquele instante você não quer se lembrar de Deus, apesar dos seus protestos em contrário.
Isso é mera honestidade. Você precisa olhar para aquele pensamento de resistência e
entender seu significado: se eu me lembrar de Deus, deixo de existir; portanto, a única maneira
de manter minha existência é manter Deus distante, o que é facilmente alcançado por atacar
Seu Filho. Eu, portanto, estou sempre encontrando falhas em outros e julgando-os. Essa é a
mensagem subjacente dessa lição, e o ponto por trás do apelo de Jesus a nós no texto para
escolhermos contra a condenação – dos nossos irmãos e de nós mesmos – e aceitarmos seu
convite para voltarmos para casa com ele:

Tu não podes entrar na Presença de Deus se atacas o Seu Filho... Cristo está no
altar de Deus, esperando para dar as boas-vindas ao Seu Filho. Mas venhas
totalmente sem condenação, pois de outro modo acreditarás que a porta está
bloqueada e não poderás entrar. A porta não está bloqueada... Vem a mim, que a
mantenho aberta para ti, pois enquanto eu viver, ela não pode ser fechada e eu vivo
para sempre. Deus é a minha vida e a tua e nada é negado por Deus ao Seu Filho
(T-11.IV.5:6; 6:1-3,6-7).

(2) Aceitarei o caminho que escolheste para que eu venha a Ti, meu Pai. Pois nisso terei
sucesso, porque essa é a Tua Vontade. E quero reconhecer que o que é a Tua Vontade é
também o que eu quero e só isso. E assim escolho amar o Teu Filho. Amém.

Pense de novo na adorável oração que encerra a Lição 189:

Pai, não conhecemos o caminho para Ti. Mas chamamos e Tu nos respondeste.
Não interferiremos... O caminho que queremos encontrar e seguir é o Teu (LE-
pI.189.10:1-3,8).

Nós não seguimos nosso caminho até Deus; nós escolhemos o Dele, o que significa
perdoar o Seu Filho, incluindo todos para os quais olhamos ou sobre quem pensamos –
passado, presente ou futuro. Nosso caminho é insano: rezar mais, sofrer e se sacrificar mais,
ler livros santos, escrever livros santos, fazer coisas santas, etc. No entanto, esse não é o
caminho de Deus, pois Ele não vê forma, mas apenas Seu conteúdo de amor. Portanto, nosso
Pai nos faria simplesmente olhar para Seu Filho como um, sem ataque. Esse tema importante
da visão continua na Lição 247.
76
LIÇÃO 247

Sem perdão, ainda serei cego.

Enquanto o ódio ou o julgamento estiver em meu coração, eu não verei. A visão de


Cristo foi velada e eu estou cego à verdade.

(1:1-2) O pecado é o símbolo do ataque. Contempla-o em qualquer lugar e eu sofrerei.

Aqui o eu se refere a nós, não a Jesus. Se eu vir o pecado em qualquer lugar, vou
sofrer. Se eu atacar você, excluirei a mim mesmo do Reino.

(1:3-4) Pois o perdão é o único meio pelo qual a visão de Cristo vem a mim. Que eu
aceite o que a Sua visão me mostra como a simples verdade e estarei completamente
curado.

Eu rezo para mim mesmo para escolher os olhos de Jesus, através dos quais eu vejo.
Eu não nego minha visão, de que você pode estar atacando a mim ou aos outros, ou de que
seu corpo está sendo devastado por uma doença. No entanto, através do perdão, dou uma
interpretação diferente ao que vejo:

... pelo teu próprio perdão estás livre para ver. No entanto, o que vês é apenas o
que fizeste com a benção do teu perdão (T-17.II.3:5-6).

Eu entendo que seu ataque ou doença é um sonho que eu escolhi, junto com você. Em
minha mente certa, não o apóio mais, o que lembra você de que pode fazer a mesma escolha
pela liberdade que eu fiz. Portanto, somos curados juntos e como um.

(1:5-8) Irmão, vem e deixa-me olhar para ti. A tua beleza reflete a minha. A tua
impecabilidade é a minha. Tu estás perdoado e eu também junto contigo.

Mais uma vez, essa é nossa oração a nós mesmos, para que olhemos para as pessoas
de modo diferente. Nossa responsabilidade é estarmos cientes do nosso ódio e raiva, pedindo
ajuda a Jesus para olhar para ele com o seu amor. Tudo então vai mudar para nós, pois
teremos visto nosso irmão como a nós mesmos. Do poema de Helen, “Oração a um Irmão”:

O que precisamos fazer para deixar o perdão vir?


Nada. Só precisamos perceber que nós
E o mundo todo junto conosco somos o sumo
De todas as promessas de salvação. Eu sou aquele
Que fala o Verbo de Deus, e você junto comigo.

(As Dádivas de Deus, p. 63).

(2) É assim que quero olhar para todos hoje. Os meus irmãos são Teus Filhos. A Tua
Paternidade os criou e os deu a mim como parte de Ti e também do meu próprio Ser.
Hoje eu honro a Ti através deles e assim espero nesse dia reconhecer o meu Ser.

Mais uma vez, se eu for sério sobre despertar desse sonho de separação e voltar para
casa, não posso abrigar pensamentos de ataque contra ninguém. Se o fizer, ataco Cristo e
continuo a crucificar o Filho de Deus, por vê-lo em fragmentos em vez de unidade. Essa é a
forma perfeita de manter a mim mesmo adormecido nos sonhos de pecado e especialismo do
ego, e à parte do meu Ser.
77
LIÇÃO 248

Tudo o que sofre não faz parte de mim.

Quando você fica transtornado por causa da dor de outra pessoa, é apenas porque você
se identificou psicologicamente com ela: “Tudo o que sofre é parte de mim”. Quando você está
lamentando a morte de um ser amado, é porque você acredita que algo em você morreu, como
Freud explicou em seu brilhante artigo, “Luto e Melancolia”. O luto, é claro, é normal, mas
quando ele se transforma em depressão – melancolia é o termo antigo para “depressão” – é
porque a pessoa que está de luto acredita que a pessoa que morreu era uma parte dela, assim
como ela é uma parte daquela pessoa. Assim, algo nela está sofrendo ou morreu. Em nossas
mentes certas, no entanto, sabemos que qualquer coisa que sofra não é parte de nós, porque o
corpo está fora da mente e da nossa identidade. Nós sabemos que esse é um sonho de
doença, dor e morte, e o que isso tem a ver com o Filho de Deus, que é o meu Ser?

(1:1-2) Eu repudiei a verdade. Que agora eu seja igualmente fiel ao repudiar a falsidade.

Quando somos indulgentes com a falsa empatia – identificando-nos com a dor de


alguém -, estamos desonrando a verdade, que é a de que o Filho único de Deus permanece
como Ele o criou, como espírito. Nossa identidade, portanto, é invulnerável na perfeita
Unicidade que desconhece a falsidade e a insanidade do sistema de pensamento de pecado,
ataque e morte do ego.

(1:3-5) Tudo o que sofre não faz parte de mim. O que chora não sou eu. O que sente dor
não passa de uma ilusão da minha mente.

Estar com dor é o resultado da ilusão de separação e vulnerabilidade na mente, que nós
projetamos no corpo. Quando nos identificamos com a dor de outra pessoa, fazemos a mesma
coisa e, portanto, apoiamos o sonho de sofrimento de outra pessoa, assim como o reforçamos
em nós mesmos. Esse é o instante não-santo, o oposto do instante santo, no qual dizemos que
tem que existir outra forma de olhar para isso.

(1:6) O que morre, na realidade, nunca viveu e apenas escarneceu da verdade sobre
mim.

O corpo morre, mas apenas dentro do sonho. A morte zomba da verdade de quem
somos como espírito eterno, para não mencionar que zomba de Deus. Ele diz que o que Deus
fez agora pode perecer; o que todos nós, que pensamos que Deus criou o universo físico,
acreditamos.

(1:7-8) Agora repudio os auto-conceitos e enganos e as mentiras sobre o Filho santo de


Deus. Agora estou pronto a recebê-lo de volta tal como Deus o criou e tal como ele é.

Isso acontece simplesmente por eu pedir ajuda a Jesus, dar um passo com ele para fora
do sonho e olhar de volta para suas figuras, não mais percebidas como corpos vivos. Um
Curso em Milagres é difícil de praticar apenas porque estamos muito identificados com nossos
seres físicos. No entanto, o Curso gentilmente nos conduz passo a passo, conforme ampliamos
a aceitação da sua verdade: nós permanecemos como Deus nos criou.

78
(2) Pai, o meu antigo amor por Ti está de volta e que eu ame também o teu Filho
novamente. Pai, sou como me criaste. Agora o Teu Amor é lembrado, assim como o
meu. Agora compreendo que são um só.

Quando estou no mundo real, fora do sonho, o Amor de Deus alvorece em minha mente
e eu entendo que Seu amor e o meu são o mesmo. No amor especial, com o qual nós quase
sempre nos identificamos, o amor é visto como distinto e diferente. Alegremente agora, nós
reconhecemos a falsidade dessa crença.

79
LIÇÃO 249

O perdão põe fim a todo sofrimento e a toda perda.

(1:1-4) O perdão retrata um mundo em que não há mais sofrimento, em que a perda vem
a ser impossível e a raiva não faz nenhum sentido. O ataque se foi e a loucura chegou ao
fim. Que sofrimento pode ser concebível agora? Que perda pode ser mantida?

Isso não significa que as figuras no sonho não vão sofrer dor e perda, ou ficarem
zangadas. Simplesmente significa que você, ficando do lado de fora do sonho, não vai mais vê-
lo como real. Sua mente mudou, não o mundo. Quando você desperta do sonho, ele acaba. Se
as pessoas ainda escolhem ver a si mesmas como figuras no sonho, seus corpos vão sofrer
dor em sua experiência. No entanto, com Jesus em sua mente certa, fora do sonho, você
reconhece que tudo isso é ilusório. Se você ainda sentir dor, não dê um soco em si mesmo ou
pense que falhou com o Um Curso em Milagres, ou que ele falhou com você. Simplesmente
diga, em total humildade: “Eu ainda não estou pronto para liberar minha identificação corporal”.
Qual é a surpresa? Você sabia disso de qualquer forma, e então, não faz sentido fingir que
está mais adiantado do que está.
Esse curso é destinado a pessoas que estão no começo da escada, bem no início de
sua jornada. Jesus nos mostra o fim da escada e como atingir nossa meta, mas ele também
diz: “Deixe-me ajudá-lo onde você acredita estar, mas não vamos permanecer ali. Segure
minha mão e eu vou ajudá-lo a crescer e subir a escada até você estar em casa”.

(1:5) O mundo vem a ser um lugar de alegria, abundância, caridade e de doação sem fim.

Isso não significa que subitamente tudo vai ficar bem aqui. No entanto, de fora do sonho
– “um lugar de alegria, abundância, caridade e doação sem fim” -, tudo será diferente.

(1:6-7) É agora tão semelhante ao céu que se transforma rapidamente na luz que ele
reflete. E assim a jornada que o Filho de Deus começou, terminou na luz da qual ele veio.

Assim, a moldura desaparece, e o retrato de luz se dissolve de volta em sua fonte. “O


Reflexo da Santidade” expressa a mesma idéia inspiradora nessas linhas familiares:

Aqueles que aprenderam a oferecer apenas cura, devido ao reflexo da santidade


neles, estão afinal prontos para o Céu. Lá a santidade não é um reflexo, mas ao
invés disso, a condição vigente daquilo que aqui era apenas um reflexo para eles.
Deus não é uma imagem e as Suas criações, enquanto parte Dele, O Mantêm em si
na verdade. Elas não apenas refletem a verdade, são a verdade (T-14.IX.8:4-7).

Nós não somos mais os reflexos da luz, mas nos tornamos o que refletimos. Em outras
palavras, nós não simbolizamos a luz, pois desaparecemos na própria luz.

(2) Pai, queremos devolver as nossas mentes a Ti. Nós as traímos, as mantivemos
presas na amargura e as amedrontamos com pensamentos de violência e morte. Agora
queremos novamente descansar em Ti, tal como nos criaste.

Isso reconhece nosso equívoco em trairmos quem somos como o Filho de Deus. Nós
fomos infiéis à verdade em nossas mentes, e em vez disso, substituímos o refúgio do Amor
pelo vício da amargura. Agora, escolhemos outra vez e alegremente percebemos nosso
equívoco, pelo qual nenhuma penalidade é determinada; apenas as recompensas do amor do
Céu são nossas.

80
LIÇÃO 250

Que eu não me veja como um ser limitado.

Quando escolhemos o ego em vez do Espírito Santo, nos tornamos um ser limitado, o
substituto esfarrapado do ego para o Ser ilimitado que é a criação da Ausência de Limites e
nunca deixou Sua Fonte.

(1) Que hoje eu contemple o Filho de Deus e seja um testemunho da sua glória. Que eu
não tente obscurecer nele a luz santa e não veja a sua força diminuída e reduzida à
fragilidade, nem perceba o que falta nele, pois com isso quero atacar a sua soberania.

Que eu não veja falta em mim mesmo nem em ninguém mais. Se o fizer, ataco a
soberania, magnitude e abundância do Filho de Deus. Se eu quiser conhecer a mim mesmo
como sem limites, tenho que ver todos os outros sem limites. A escolha é minha: a visão da
impecabilidade ou o julgamento da culpa. Aquela que eu escolher ver reflete a escolha pela
minha própria identidade:

A visão virá a ti primeiramente em vislumbres, mas eles serão suficientes para te


mostrar o que é dado a ti que vês o teu irmão sem pecado. A verdade te é restituída
através do teu desejo, assim como foi perdida para ti através do teu desejo por uma
outra coisa. Abre o lugar santo que fechaste por valorizar essa “outra coisa” e aquilo
que nunca foi perdido retornará em quietude. Foi guardado para ti. A visão não seria
necessária se o julgamento não tivesse sido feito. Deseja agora que ele seja
desfeito totalmente e isso será feito para ti (T-20.VIII.1).

(2) Ele é o Teu Filho, meu Pai. E hoje quero contemplar a sua gentileza ao invés das
minhas ilusões. Ele é o que eu sou e o vejo assim como vejo a mim mesmo. Hoje quero
ver verdadeiramente, para que nesse dia eu possa enfim me identificar com ele.

Tudo o que você precisa fazer para perceber qual professor escolheu é prestar atenção
à forma com que percebe alguma pessoa – qualquer uma. Se você vir essa pessoa como
maior ou menor do que você, merecendo ataque, julgamento e críticas, ou diferente de você de
qualquer forma que seja, essa percepção lhe diz que você não quer mais ver a gentileza do
Espírito Santo. Você prefere em vez disso justificar a crueldade de Deus por causa do quanto
você acredita ter sido cruel com Ele. No entanto, em vez de reconhecer esse “fato”, você vê a
todos os outros como pecadores e merecendo punição. O ponto de partida é prestar atenção
cuidadosa à forma com que você percebe os outros e o mundo, pois, mais uma vez, isso vai
lhe dizer qual professor você escolheu. Portanto, quando você percebe seu erro, simplesmente
diga: “Sim, eu cometi um equívoco e agora posso escolher de forma correta”. Lembre-se dessa
passagem do texto:

A condenação é o teu julgamento sobre ti mesmo e isso irás projetar sobre o


mundo. Se o vês condenado, tudo que vês é o que fizeste para ferir o Filho de Deus.
Se contemplas o desastre e a catástrofe, tentaste crucificá-lo. Se vês santidade e
esperança, tu te uniste à Vontade de Deus para libertá-lo. Não há escolha a não ser
entre essas duas decisões. E verás a testemunha para a escolha que fizeste e
aprenderás a partir daí a reconhecer qual delas escolheste. O mundo que vês
apenas te mostra quanta alegria te permitiste ver em ti mesmo e aceitar como tua
(T-21.in.2:1-7).

Se nós não experimentarmos a alegria que verdadeiramente buscamos, sabemos onde


encontrá-la – em nosso gentil irmão, que espelha nosso gentil Ser.
81
4. O que é o pecado?

Esse resumo faz referência ao anterior “O que é o mundo?”, assim como prenuncia “O
que é o corpo?”, que vem a seguir. Todos eles discutem a origem e propósito do corpo.

(1:1-2) Pecado é insanidade. É o meio pelo qual a mente é levada a loucura e busca
deixar que as ilusões tomem o lugar da verdade.

Nós discutimos muitas vezes como o ego usa o pecado como o primeiro passo em sua
tentativa de se proteger. Depois que o Filho escolheu a separação insana como sua realidade
e transformou a Expiação em ilusão, o ego assegurou que ele nunca mudasse sua mente,
tornando-o sem mente. Para alcançar essa meta, o ego convenceu o Filho de que sua
separação era um pecado deplorável, que merecia punição. O Filho, portanto, concluiu que sua
mente era um lugar perigoso, e permanecer lá significava aniquilação certa nas mãos de um
deus vingativo. Sua única opção era deixar a mente através da projeção e inventar um mundo
e um corpo. Assim, o pecado é o primeiro passo no plano do ego para defender um
pensamento insano e proteger ilusões contra a verdade. Lembre-se:

Um dos principais dogmas na insana religião do ego é que o pecado não é um erro
mas a verdade e é a inocência que pretende enganar. A pureza é vista com
arrogância e a aceitação do ser como pecaminoso é percebida como santidade. E é
essa doutrina que substitui a realidade do Filho de Deus tal como seu Pai o criou e
tal como a Sua Vontade determinou que ele fosse para sempre. Isso é humildade?
Ou, ao contrário, é uma tentativa de arrancar a criação da verdade e mantê-la
separada? (T-19.II.4).

(1:3) E, estando louca, vê ilusões onde a verdade deveria estar e onde realmente está.

A verdade está na mente certa, o lar do princípio de Expiação do Espírito Santo. No


entanto, em sua insanidade, o Filho de Deus vê apenas o “fato” de que ganhou sua
individualidade por pecar contra seu Pai. A projeção desse pecado resulta em um mundo e
corpo, com aparato sensório para perceber o pecado em todos os lugares ao seu redor, mas
nunca dentro da própria mente.

(1:4) O pecado deu olhos ao corpo...

Isso aponta de volta para as declarações na Lição 161: “Assim o específico foi feito” e “o
ódio é específico”. Um mundo perceptual de especificidades foi feito para atender à
necessidade do ego de ver o objeto do pecado do lado de fora da mente, em um corpo,
percebido por olhos especificamente feitos para o verem lá, e não na mente. O leitor pode se
lembrar dessa passagem sobre o papel da culpa em fazer o corpo para ocultar sua presença
na mente. O ponto é o mesmo que aqui, no livro de exercícios, mas com o pecado como o
sujeito:

Aqui [no mundo] estão todas as ilusões... que foram feitas para manter a culpa no
lugar de forma que o mundo pudesse surgir dela e mantê-la oculta. Sua sombra
ergue-se à superfície... Entretanto, sua intensidade é velada por suas pesadas
cobertas e mantida à parte do que foi feito para mantê-la oculta. O corpo não pode
ver isso, pois o corpo surgiu disso para protegê-la, e essa proteção depende de
mantê-la sem ser vista. Os olhos do corpo nunca olharão para ela. No entanto,
verão o que ela dita (T-18.IX.4:2-7).

82
Assim, o pecado e a culpa realmente operam para manter a mente escondida por trás
dos órgãos sensórios do corpo, que só podem olhar para fora, nunca para dentro.

(1:4-7) O pecado deu olhos ao corpo, pois, para aqueles que não têm pecado, o que há
para contemplar? Que necessidade têm eles da visão, da audição ou do tato? O que
ouviriam ou tentariam agarrar? O que perceberiam com os sentidos?

Quando estamos em casa em Deus, despertos como espírito, estamos em um estado


não-dualista. Não existe sujeito ou objeto, e nenhuma necessidade de protegermos nossa
identidade fazendo um corpo para ver o pecado. Isso assegura que a existência ilusória do ego
nunca seja reconhecida como é. Assim, a percepção desempenha uma parte poderosa na
estratégia do ego para aprisionar o Filho no pecado. No entanto, quando o pecado se vai, qual
é a necessidade da percepção? – não existe nada para ver, e nada como o que ver! O mundo
da separação desaparece, primeiro na percepção verdadeira dos interesses compartilhados –
a face inocente de Cristo – e então além dessas percepções mais santas, na Presença de
Deus:

Os que não têm pecado não podem deixar de perceber que são um só, pois nada
existe entre eles que empurre o outro para longe. E no espaço que o pecado deixou
vazio, eles se unem como um só em contentamento, reconhecendo que o que é
parte deles não foi mantido à parte nem separado... E aqui vês a face de Cristo,
surgindo em seu lugar. Quem poderia contemplar a face de Cristo e não se lembrar
de Seu Pai como Ele realmente é? (T-26.IV.2:5-6; 3:2-3).

(1:8-9) Ter sensações não é conhecer. E a verdade só pode ser preenchida com o
conhecimento e com nada mais.

A palavra sensações refere-se aos nossos órgãos sensórios. Percepção – sensação – é


o oposto do conhecimento, pois eles são estados mutuamente excludentes. A primeira é o lar
da separação e do julgamento; o último, o lar da unicidade e completeza:

A percepção, por outro lado, é impossível sem uma crença em “mais” e “menos”. Em
todos os níveis envolve seletividade... A avaliação é uma parte essencial da
percepção porque os julgamentos são necessários para a seleção.
O que acontece com as percepções se não existem julgamentos, nem nada além da
perfeita igualdade? A percepção vem a ser impossível. A verdade só pode ser
conhecida... O conhecimento transcende as leis que governam a percepção porque
um conhecimento parcial é impossível. É totalmente uno e não tem partes
separadas. Tu que realmente és um com ele, não precisas senão conhecer a ti
mesmo e o teu conhecimento está completo (T-3.V.7:5-6,8-8:3,6-8).

(2:1) O corpo é o instrumento feito pela mente nos seus esforços para enganar a si
mesma.

A mente fez o corpo especificamente para enganar o Filho de Deus sobre sua
identidade, e, dentro dos seus limites, a mente é, com efeito, mantida como refém, sem
abertura para a verdade da realidade do Filho. Agora ela conhece apenas o corpo – seu lar
moribundo no mundo:

O corpo é ídolo do ego; a crença no pecado que se fez carne e então se projetou
para fora. Isso produz o que parece ser uma parede de carne em torno da mente,
mantendo-a prisioneira em um ponto diminuto de espaço e tempo, devedora para

83
com a morte, e tudo o que lhe é dado é apenas um instante no qual suspirar, se
lamentar e morrer em honra ao seu patrão (T-20.VI.11:1-2).

(2:2) O seu propósito é lutar.

Com “lutar”, Jesus quer dizer que o corpo tem que estar fazendo alguma coisa para
preservar sua própria existência. Pense por um momento – o corpo está continuamente ativo.
Mesmo quando você tem a ilusão de que seu corpo está quieto, ainda assim, seus pulmões
respiram e seu coração pulsa. No entanto, sabemos que não é o corpo em si que está ativo,
mas a mente, que programa o comportamento do corpo como parte da estratégia do ego para
manter o Filho de Deus sem mente. O corpo é dirigido a buscar externamente soluções para
seus problemas – a máxima do ego de busque, mas não ache – enquanto o tempo todo, o
verdadeiro problema e a solução repousam quietamente do lado de dentro, onde não podem
ser encontrados.

(2:3-4) Mas a meta da luta pode mudar. E agora o corpo serve para lutar por um objetivo
diferente.

Em outras palavras, o ego fez o corpo para matar, mas o Espírito Santo o usa como uma
sala de aula para nos ensinar a lembrar de que não existe morte e o Filho de Deus é eterno.
Em vez de fazer o corpo buscar e nunca encontrar – o propósito da luta do ego -, o Espírito
Santo ensina a mente a reclamar seu poder e buscar apenas o que pode realmente encontrar.
Assim, a “meta da luta muda” – da separação e ataque para a união e a cura:

Se usas o corpo para o ataque, isso te causa dano. Se tu o usas só para alcançar
as mentes daqueles que acreditam que são corpos e ensiná-los através do corpo
que isso não é assim, vais compreender o poder da mente que está em ti. Se usas o
corpo para isso, e só para isso, não podes usá-lo para o ataque... O Espírito Santo
não vê o corpo como tu o vês, porque Ele sabe que a única realidade de qualquer
coisa é o serviço que rende a Deus em nome da função que Ele lhe dá (T-8.VII.3:1-
3,6).

(2:5-7) O que ele busca, agora, é escolhido pelo objetivo que a mente adotou para
substituir a meta do auto-engano. A verdade pode ser o seu objetivo tanto quanto as
mentiras. Nesse caso, os sentidos buscarão testemunhas do que é verdadeiro.

Jesus se refere aqui ao tomador de decisões, a parte da minha mente que escolhe. Eu
agora percebo que decidi de forma errada, e, em vez de tentar perpetuar a ilusão de que eu
existo como um ser separado, peço ajuda do meu gentil Professor para desfazer o que tornei
real, por escolher outra vez. Lembre-se de “A atração pela culpa”, onde Jesus descreve nossa
escolha de enviar mensageiros de medo ou de amor. O primeiro traz de volta percepções de
culpa, pecado e vergonha, enquanto o último retorna com percepções de amor ou pedidos de
amor – equívocos em vez de pecados. Esses equívocos não são do corpo, mas das escolhas
erradas da mente. Como sabemos, Jesus não nos diz para negarmos o corpo, mas em vez
disso, que antes de podermos saber que essa não é nossa identidade, primeiro temos que usar
o corpo de forma diferente. Isso nós fazemos por escolhermos um professor diferente – o
perdão do Espírito Santo em vez do ataque do ego.

(3:1) O pecado é o lar de todas as ilusões que só representam coisas imaginárias,


geradas por pensamentos que não são verdadeiros.

“Ilusões” refere-se ao mundo, com o pecado sendo a fonte de tudo o que tornamos real
fora de nossas mentes. O que percebemos do lado de fora – a testemunha do pecado – é
84
apenas o efeito da causa subjacente, que é a necessidade da mente de proteger a si mesma,
por negar sua própria pecaminosidade e vê-la no corpo. Assim, nossas percepções de culpa
representam os pensamentos de pecado e culpa da mente que também são imaginados:
ilusões não podem deixar de produzir ilusões. Somos continuamente lembrados de que todo o
sistema de pensamento do ego é inventado – o mundo que vemos repousa no nada, e,
portanto, não pode ser nada também: “o mundo vai terminar na ilusão, como começou” (MP-
14.1:2).

(3:2) São a “prova” de que o que não tem realidade é real.

O ego faz o corpo nos dizer que o mundo é real, ainda que ele seja ilusório e não tenha
existência fora dos nossos pensamentos equivocados. Os órgãos sensórios do corpo
confirmam a mentira de que o mundo é mesmo real, e todos nós sabemos o quanto nossas
necessidades físicas e psicológicas são presentes para nós – no entanto, elas enganam:

Não deixe que o mundo o engane. Ele foi feito para a ilusão...
Sonhos são sonhos, e cada um é igualmente não-verdadeiro.
(As Dádivas de Deus, p. 115).

(3:3-4) O pecado “prova” que o Filho de Deus é mau, que a intemporalidade tem que ter
um fim, que a vida eterna tem que morrer. E o próprio Deus perdeu o Filho que Ele ama,
ficando apenas com a corrupção para completar a Si Mesmo; a Vontade de Deus foi para
sempre superada pela morte, o amor decapitado pelo ódio e nunca mais haverá paz.

Em “O anticristo”, Jesus descreve como o ego – o anti-Cristo – prova que Deus está
errado e nós estamos certos. Vamos rever essas passagens importantes:

Isso é o anti-Cristo: a estranha idéia de que há um poder além da onipotência, um


lugar além do infinito, um tempo que transcende o eterno. Aqui o mundo dos ídolos
foi estabelecido pela idéia de que foi dada uma forma a esse poder, a esse lugar e a
esse tempo e eles moldam o mundo onde o impossível aconteceu. Aqui, o que não
morre vem para morrer, o que tudo abrange vem a sofrer perda, o que é sem tempo
vem para se fazer escravo do tempo. Aqui o imutável muda; a paz de Deus, para
sempre dada a todas as coisas vivas, dá lugar ao caos. E o Filho de Deus, tão
perfeito, sem pecado e amoroso como seu Pai, vem para odiar por um breve
momento, para sofrer dor e finalmente morrer (T-29.VIII.6:2-6).

Na verdade, Deus, também, se torna um monstro de ódio:

... Ele [Deus] tem que aceitar a crença do Seu Filho acerca do que ele é [um
pecador] e odiá-lo por isso... Agora vem a ser impossível voltar-se para Ele pedindo
ajuda na miséria. Pois agora Ele veio a ser o “inimigo” Que a causou, a Quem é
inútil apelar... Assim a Expiação vem a ser um mito e a vingança, não o perdão, é a
Vontade de Deus... Só a destruição pode ser o resultado. E o próprio Deus parece
estar ao lado da destruição para dominar Seu Filho (T-23.II.6:6; 7:2-3; 8:3,4-5).

(4:1) Os sonhos de um louco são assustadores e o pecado, de fato, parece aterrorizar.

A palavra-chave aqui é parece. O que nós percebemos do lado de fora através da


projeção, certamente parece ser aterrorizantemente real. No entanto, mais uma vez é
meramente um sonho ou alucinação:

85
As alucinações servem para realizar a meta da loucura. Elas são os meios pelos
quais o mundo exterior, projetado de dentro, se ajusta ao pecado e parece
testemunhar sua realidade. Ainda é verdade que nada existe do lado de fora. No
entanto, em cima do nada são feitas todas as projeções. Pois é a projeção que dá
ao “nada” todo o significado que ele contém (T-20.VIII.9:5-9).

Nós, portanto, não tememos nada além dos nossos pensamentos ilusórios, projetados
para fora. No entanto, nossa insanidade não pode dar ao pecado uma realidade que ele não
tem, exceto em sonhos, dos quais Jesus gentilmente nos desperta.
Nós voltamos agora a uma imagem que Jesus já usou antes – os brinquedos do pecado,
com os quais as crianças brincam:

(4:2-3) E, no entanto, o que o pecado percebe não passa de um jogo infantil. O Filho de
Deus pode brincar de tornar-se um corpo, uma presa para o mal e para a culpa, tendo
apenas uma pequena vida que terminará na morte.

Para o ego, essas linhas são o máximo do ultraje, porque ele nos diz que tudo o que
pensamos ser importante – os eventos importantes e os pensamentos profundos da história,
assim como nos nossos próprios – não é nada. Eles são como jogos de crianças, iludidas de
que o que jogam é real. No entanto, o tempo todo, o adulto gentilmente sorri diante da
imaginação da criança, pois ela joga um jogo que pensa ser muito real. Assim também são os
jogos que chamamos de nossas vidas. Nosso trabalho parece tão essencial e nossos
relacionamentos imensamente vitais, nossas necessidades tão opressivas e nossos corpos
urgentemente em necessidade de cuidados e atenção – tudo verdadeiro dentro do sonho que
chamamos de vida. Nós damos um passo para fora do sonho com Jesus, no entanto, e tudo
parece diferente. Agora, simplesmente sorrimos diante da seriedade com a qual levamos
nossas vidas antes; onde havia perigo, agora existe o lembrete gentil da nossa segurança, pois
nossa realidade é a Lei de Deus, não os brinquedos giratórios de crianças:

A realidade observa as leis de Deus, e não as regras que estabeleceste. São as


Suas leis que garantem a tua segurança. Todas as ilusões a respeito de ti mesmo,
nas quais acreditas, não obedecem a lei alguma. Elas parecem dançar por algum
tempo de acordo com as regras que estabeleceste para elas. Mas então caem e não
conseguem reerguer-se. Elas são apenas brinquedos, minha criança, portanto, não
te lamentes por elas. A sua dança nunca te trouxe alegria. Tampouco eram coisas
para assustar-te, nem para te dar segurança caso obedecessem às tuas regras.
Elas não devem ser estimadas nem atacadas, mas apenas contempladas como
brinquedos de criança, sem qualquer significado próprio (T-30.IV.4:1-9).

(4:4) Porém, enquanto isso o seu Pai o ilumina e o ama com um Amor eterno, que as
suas pretensões não podem mudar de forma alguma.

O sistema de pensamento do ego é a pretensão que diz que o Amor de Deus se


transformou em ódio. O princípio da Expiação é a simples verdade que diz que o que não
poderia acontecer não aconteceu e, portanto, não teve efeitos – o Amor de Deus não mudou:

O ego não é nada mais do que uma parte da tua crença sobre ti mesmo. A tua outra
vida tem continuado sem interrupção, tem sido e sempre será totalmente imune às
tuas tentativas de dissociá-la (T-4.VI.1:6-7).

O Amor de Deus meramente é, e nada mais é de forma alguma.

(5:1) Por quanto tempo, ó Filho de Deus, ainda manterás o jogo do pecado?
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Esse lamento vem dos Salmos 13 e 89, onde o salmista apela a Deus: “Por quanto
tempo, Ó Senhor, vais me deixar sofrer? Por quanto tempo, Ó Senhor, vais manter Vossa face
oculta de mim?”. Jesus vira isso de ponta cabeça, tanto no início quanto no final do parágrafo:
“Por quanto tempo, ó Filho de Deus, você vai ficar escondido? Por quanto tempo, você vai se
manter fora do Céu?”. Como Jesus disse em lições anteriores: “Por que esperar pelo Céu?”
(LE-pI.131,188).

(5:2-8) Não é melhor deixarmos de lado esses brinquedos de crianças cheios de pontas
afiadas? Em quanto tempo estarás pronto para voltar para casa? Hoje, talvez? Não
existe pecado. A criação não pode ser mudada. Ainda queres protelar a volta ao Céu?
Até quando, ó Filho santo de Deus, até quando?

Jesus nos diz: “Tudo isso é um sonho. Por que, então, você persiste em permanecer
adormecido, tendo pesadelos que lhe causam dor? Tudo o que você precisa fazer é segurar
minha mão, perdoar seu irmão, e despertar”. De onde Jesus está, acima do campo de batalha
de tempo e espaço, esse despertar acontece em um instante. No entanto, seu apelo a nós de
fora do sonho é para aprendermos as lições, dentro do tempo, que nos ensinam a nos
libertarmos da dor aqui. Culpar os outros pelo nosso desconforto é a maneira perfeita de
manter o sonho do pecado real em nossas mentes, e essa projeção é tocantemente expressa
nessas linhas angustiadas do poema de Helen, “À Margem da Cruz”. Elas transpõem as
palavras finais da lição em uma acusação a Jesus, uma reminiscência dos salmos, por deixar
de manter sua promessa de retorno:

Por quanto tempo, ó Senhor, Tu ordenarás que eu


Seja uma habitante em uma casa-fantasma?
.............................................
Eu não esqueci sua promessa. Vou esperar até
Que tenhas vindo. Mas tenho que esperar com pesar,
Com a canção dos moribundos ao meu redor na estrada
Na qual fico em pé e espero pelo Teu retorno. Por
quanto tempo, ó adorável Senhor da Vida. Por quanto tempo?

(As Dádivas de Deus, p. 50)

E, no entanto, o perdão nos mostra que fomos nós que brincamos com o jogo de pecado
e morte de crianças, os brinquedos que não têm poder de ferir ou de nos ajudar, tão logo
voltamos para nossas mentes certas e reconhecemos que Jesus simplesmente esperou por
nós – foi nossa traição, não a dele. Uma vez que nossos olhos se abrem do sonho da morte, os
brinquedos do pecado desaparecem na luz da verdade – a impecabilidade do Filho de Deus.
Leia a correção de Helen de “O estranho na estrada”:

Senhor, Tu realmente manténs Tua adorável Palavra?


Eu estava errada? Tu te levantaste outra vez?
E fui eu que falhei, em vez de Ti?
..........................................
A luz veio.
Meus olhos estão se abrindo e olhando para Ti.

(As Dádivas de Deus, p. 104-105)

Assim termina o sonho do pecado, em feliz gratidão por estarmos errados, e Jesus certo
– mais uma vez.

87
LIÇÃO 251

Não preciso de nada além da verdade.

Essa lição volta ao tema importante dos relacionamentos especiais; um termo, como já
disse antes, que nunca é mencionado pelo nome no livro de exercícios, mas certamente é o
tema de muitas discussões.

(1:1) Busquei muitas coisas e achei o desespero.

Estamos sempre buscando e lutando para alcançar algo nesse mundo – quer seja uma
conquista em um relacionamento, negócios, ou qualquer situação que seja. Nós buscamos
coisas nesse mundo para satisfazerem nossas necessidades especiais, e elas inevitavelmente
falham conosco. Qualquer que seja o prazer e o ganho, eles nunca são mais do que
temporários. Lembre-se dessas linhas do manual para professores, com relação à crença da
mente no sacrifício:

Agora a mente condenou-se a buscar sem jamais achar, a ser para sempre
insatisfeita e descontente, anão saber o que realmente quer achar... ela não vê o
que está pedindo. E assim busca isso de milhares de maneiras e em milhares de
lugares, a cada vez acreditando que está lá e a cada vez desapontada no final.
“Busques mas não aches” continua sendo o severo decreto desse mundo e ninguém
que persiga as metas mundanas pode fazer de outro modo (MP-13.3:3; 5:6-8).

(1:2-9) Agora busco apenas uma, pois nela está tudo o que eu preciso e só o que
preciso. Tudo o que busquei antes, eu não precisava e nem sequer queria. Não
reconheci a minha única necessidade. Mas agora vejo que só preciso da verdade. Nela,
todas as necessidades são satisfeitas, todos os anseios têm fim, todas as esperanças
são finalmente realizadas e os sonhos se vão. Agora, tenho tudo o que poderia precisar.
Agora, tenho tudo o que poderia querer. E agora, enfim, me acho em paz.

A verdade é tudo o que buscamos, o que pode ser encontrado aqui apenas no perdão
que praticamos em relação aos nossos parceiros de amor e ódio especial. Isso significa
liberarmos as mágoas, pois isso realmente vai nos trazer a paz que é o pré-requisito para a
verdade, assim como seu estado natural:

A meta da verdade tem outras vantagens práticas. Se a situação é usada em favor


da verdade e da sanidade, o seu resultado tem que ser a paz... Se a paz é a
condição da verdade e da sanidade e não pode haver paz sem elas, onde está a
paz, elas têm que estar (T-17.VI.5:1-2,4).

(2) E por essa paz, Pai nosso, nós damos graças. Tu nos restituíste o que havíamos
negado a nós mesmos e apenas isso é o que realmente queremos.

Em um nível prático, enquanto você pensa no que queria que acontecesse hoje para
você se sentir bem, perceba que nenhum relacionamento especial vai jamais lhe dar a paz de
Deus. Seja honesto consigo mesmo e pense sobre o que você quer – mesmo que seja algo tão
simples quanto querer que o sol brilhe – e o quanto está convencido de que isso vai fazê-lo
feliz. Todos têm preferências no mundo, mas quando sua preferência se torna uma religião ou
obsessão, quando ela se torna algo pelo qual você iria empurrar as outras pessoas para fora
do caminho, ou até mesmo matar, você cruzou a linha que o coloca no campo do ego. Aceite
88
que qualquer que seja a coisa que você deseje, ela não vai durar, e, se não é eterna, não pode
ser de Deus – o critério para distinguir entre o que tem valor e o que não tem (LE-pI.133.6). Por
que buscar menos do que merecemos como o Filho do nosso Pai? Lembre-se, como Jesus
nos diz, que nós não pedimos demais, mas muito pouco (T-26.VII.11:7). O especialismo nunca
pode substituir o amor, que em si só é o que verdadeiramente queremos.

89
LIÇÃO 252

O Filho de Deus é a minha Identidade.

Isso nos lembra de Quem nós somos, e nós estivemos equivocados no ser que
adotamos como verdadeiro. Gratamente, nosso equívoco não teve efeitos sobre nossa
realidade como Cristo.

(1:1-4) O meu Ser é mais santo do que todos os pensamentos de santidade que eu agora
concebo. O seu cintilar e a sua perfeita pureza são muito mais brilhantes do que
qualquer luz que eu jamais contemplei. O seu amor é sem limites, com uma intensidade
que contém em si mesma todas as coisas na calma da certeza que habita em quietude. A
sua força não vem dos impulsos ardentes que movem o mundo, mas do infinito Amor do
próprio Deus.

Todos nós somos pressionados por impulsos ardentes tais como paixões românticas ou
sexuais, urgência de comer, ou necessidade de salvar o mundo e ter um impacto sobre os
outros. Jesus está nos ensinando que essa não é a fonte da nossa força ou felicidade, que vem
apenas do Amor de Deus dentro de nós. Nós escolhemos seu Amor no instante em que nos
lembramos da nossa santidade, tão ilimitada quanto a Fonte da qual ela vem.

(1:5) Quão além desse mundo meu Ser tem que estar e, no entanto, quão próximo de
mim e quão perto de Deus!

Meu Ser está muito além do mundo porque minha mente não está no mundo. A memória
de Quem eu sou está na minha mente certa, e está tão próxima porque eu – minha identidade
como um tomador de decisões – estou na minha mente também. Eu, portanto, me torno são no
instante em que escolho me lembrar do meu são Professor. Isso requer uma mudança na
identificação com o corpo para a mente, reconhecendo que o corpo é apenas uma marionete
ou robô, desempenhando um programa concebido pela mente, seu programador. Em outras
palavras, eu sou o sonhador do sonho, em uma mente muito além do sonho. Mais uma vez,
essa mente contém a memória do Ser, o Pensamento que Deus sempre manteve sobre Seu
Filho, como essas linhas familiares nos lembram:

Além de todos os ídolos está o Pensamento que Deus mantém de ti.


Completamente intocado pelo tumulto e pelo terror do mundo, os sonhos de
nascimento e de morte que são aqui sonhados, as miríades de formas que o medo
pode tomar; inteiramente imperturbado, o Pensamento que Deus mantém de ti
permanece exatamente como sempre foi (T-30.III.10:1-2).

(2) Pai, Tu conheces a minha verdadeira Identidade. Revela-A agora a mim que sou Teu
Filho, para que eu possa despertar para a verdade em Ti e saber que o Céu me é
restituído.

Cristo, nosso Ser, é revelado a nós quando os véus da Sua face são removidos pelo
perdão. E onde ele é visto, Sua memória não pode estar muito atrás – na verdade, apenas um
pouquinho. Portanto, nós nos movemos dos sonhos de ódio e julgamento do nosso ego para
os sonhos felizes de perdão do Espírito Santo. Eles culminam no mundo real, do qual nós
alegremente despertamos para a feliz verdade do nosso Ser eterno:

90
Como é belo o mundo cujo propósito é o perdão do Filho de Deus! Como é livre do
medo, como é cheio de bênçãos e felicidade! E que coisa alegre é habitar por um
breve momento em um lugar tão feliz! Nem se deve esquecer, em tal mundo, que o
momento é breve até que intemporalidade venha em quietude tomar o lugar do
tempo (T-29.VI.6).

91
LIÇÂO 253

Quem rege o universo é o meu Ser.

Essa lição está relacionada à Lição 236, “Eu reino sobre a minha mente, onde só eu
devo reinar”. Aqui, no entanto, o Ser que reina é Cristo, e o universo ao qual Jesus se refere é
o universo do espírito – outro exemplo do uso inconsistente que Jesus faz das palavras.
Lembre-se de que algumas vezes “universo” se refere ao cosmos físico, governado pelo nosso
ser ilusório.

(1:1-2) É impossível que algo venha a mim sem que eu próprio o tenha chamado. Mesmo
nesse mundo, sou eu que governo o meu destino.

Meu ser separado é o governante do mundo, pois só eu posso escolher entre minhas
mentes errada e certa. No entanto, o tempo todo, meu verdadeiro Ser permanece o governante
do universo de Cristo.

(1:2-5) O que acontece é o que eu desejo. O que não ocorre é o que eu não quero que
aconteça. Isso eu tenho que aceitar.

Isso é uma referência à “A responsabilidade da visão”:

Eu sou responsável pelo que vejo.


Eu escolho os sentimentos que experimento e
eu decido quanto à meta que quero alcançar.
E todas as coisas que parecem me acontecer
eu as peço e as recebo conforme pedi (T-21.II.2:3-5).

Isso precisa ser entendido em dois níveis: (1) Metafisicamente, tudo em minha vida é o
meu sonho, pois minha mente escolheu tudo: genes, pais, corpo – sexo, altura, peso, cor da
pele, etc. (2) Experimentalmente, eu escolhi minha reação ao que acontece aqui – um nível
muito mais fácil de relacionar. Se eu estiver transtornado é porque escolhi estar transtornado;
não por causa de algo que você fez. Você certamente pode ter feito de forma comportamental
aquilo de que o acuso, mas essa não é a causa da minha perda de paz. A verdade é que
ninguém pode tirar essa paz de mim além de eu mesmo. É isso o que Jesus está dizendo que
preciso aceitar. Ninguém é responsável pela minha felicidade ou inquietação, que vem apenas
da escolha da minha mente. Uma vez que aceito que não é o mundo que me afeta, posso
mudar minha mente e desfazer meu equívoco. A cura é o resultado inevitável.

(1:6) Pois assim sou conduzido para além desse mundo, para as minhas criações, filhas
da minha vontade, no Céu onde o meu Ser santo habita com elas e com Aquele Que me
criou.

Esse é um dos poucos lugares no livro de exercícios onde Jesus menciona “criações”. O
termo se refere às extensões do Amor de Cristo, assim como Cristo é uma extensão do Amor
de Deus. Quando percebemos que não é o mundo que é a nossa causa, mas que nós somos a
causa do mundo, nós mudamos nossas mentes. Permanecendo totalmente em nossas mentes
certas, estamos no mundo real, que rapidamente desaparece conforme a memória da nossa
Identidade como Cristo retorna à nossa consciência. Assim, sabemos que somos o amor que
se estende como nossas criações.

92
(2) Tu és o Ser que criaste Filho, o qual cria à Tua semelhança e é um Contigo. O meu
Ser, que rege o universo, é apenas a Tua Vontade em perfeita união com a minha, que só
pode concordar alegremente com a Tua, para que possa estender-Se a Si Mesma.

Essa é uma adorável descrição da Unicidade do Céu: Cristo em Deus, Que juntos
compartilham a única função de estender amor.

93
LIÇÃO 254

Que se aquietem todas as vozes em mim, exceto A de Deus.

Nós voltamos ao tema de silenciar a voz do ego, significando que eu me afasto dele. Eu
ouço suas mentiras, e digo: “Não é isso o que eu quero. Eu não quero mais viver minha vida
perseguindo os ídolos do especialismo, nem viver em constante raiva e medo”.

(1) Pai, hoje só quero ouvir a Tua Voz. No mais profundo silencio, quero vir à Ti para
ouvir a Tua Voz e receber o Teu Verbo. Não tenho outra prece, senão essa: venho a Ti
para pedir-Te a verdade. E a verdade é a Tua Vontade, que hoje quero compartilhar
Contigo.

Eu percebo que não existe nada aqui que eu queira, nada que escolho buscar, nada
pelo que rezar. Só quero perdoar, para retornar à sanidade. Esse retorno é baseado na
compreensão de minha escolha equivocada para que eu possa fazer uma melhor – perdão em
vez de raiva, verdade em vez de ilusão. Essa, então, é minha oração:

... a única oração significativa é a que pede o perdão, porque aqueles que foram
perdoados têm tudo. Uma vez que o perdão tenha sido aceito, a oração no sentido
usual vem a ser completamente sem significado. A oração pelo perdão não é nada
mais do que um pedido para que possas ser capaz de reconhecer o que já possuis
(T-3.V.6:3-5).

(2:1-2) Hoje não deixamos nenhum pensamento do ego dirigir as nossas palavras ou
ações. Quando tais pensamentos ocorrem, nós recuamos em quietude, olhamos para
eles e, em seguida, os deixamos ir.

Isso é uma variação dos três passos do perdão apresentados na Lição 23. Crucial para
esse processo é aprender a negar os pensamentos do nosso ego, não tentar não tê-los. Em
vez disso, nós simplesmente pedimos ajuda quando eles aparecerem. Então, escolhemos o
instante santo no qual ouvimos Jesus nos instruir sobre a forma apropriada de olharmos para
esses pensamentos e percepções insanas. Quando damos um passo atrás com seu amor ao
nosso lado e olhamos, percebemos a tolice das idéias do ego. Seus oferecimentos nunca vão
nos dar o amor e a paz que realmente queremos, e que não podemos ter enquanto
acalentarmos os chamados do ego pelo especialismo. Nós então dizemos com real significado:

(2:3-4) Não queremos o que trariam consigo. E por isso não escolhemos guardá-los.

Primeiro precisamos olhar contra o que estamos escolhendo. Esse não é um curso em
negação ou em fingir que somos tão santos que não temos pensamentos egóicos. Em vez
disso, esse é um curso em dizer: “Eu não sou santo, de outra forma, não estaria nesse mundo.
Eu tenho esses pensamentos egóicos, mas agora tenho os meios dentro da minha mente para
olhar para eles de outra forma”. Portanto, nós não negamos que temos um corpo com
necessidades, nem negamos o próprio sistema de pensamento do ego. Simplesmente olhamos
para eles sem julgamento sobre nós mesmos ou sobre qualquer outra pessoa, e então
alegremente os observarmos desaparecerem de forma gentil.

(2:5-6) Estão em silêncio agora. E, na quietude abençoada pelo Seu Amor, Deus Se dirige
a nós e nos fala da nossa vontade, pois escolhemos nos lembrar Dele.

94
“A memória de Deus vem à mente quieta” (T-23.I.1:1). Com a voz do ego silenciada pela
nossa decisão, a mente está quieta. E nós ouvimos finalmente a Voz de Deus falar conosco
sobre Quem nós somos, conforme a memória do nosso Ser alvorece dentro da quietude de
nossas mentes santas.

95
LIÇÃO 255

Escolho passar esse dia em perfeita paz.

(1) Não me parece que eu posso escolher ter apenas paz no dia de hoje. E, no entanto, o
meu Deus me garante que o Seu Filho é como Ele Mesmo. Que nesse dia eu tenha fé
Naquele Que diz que eu sou o Filho de Deus. E que a paz que eu escolho hoje para mim
dê testemunho da verdade do que Ele diz. O Filho de Deus não pode ter preocupações, e
tem que permanecer para sempre na paz do Céu. Em Seu Nome, dedico o dia de hoje a
achar o que é a Vontade do meu Pai para mim, aceitando-a como minha e dando-a a
todos os Filhos do meu Pai junto comigo.

Não parece que eu posso estar em paz hoje porque ela é ameaçada a cada curva do
caminho. O clima me tira a paz, assim como essa pessoa com quem eu vivo ou trabalho, para
não mencionar o corpo, no qual resido. Existem sempre coisas especiais que se precipitam
sobre mim, e não parece que eu tenho qualquer escolha sobre seus efeitos deletérios sobre
mim.
Nessas meditações, Jesus nos traz de volta à mente, onde o problema está. Portanto,
nosso dia deveria ser passado percebendo que o que sentimos vem da escolha na mente, e se
nós escolhemos um sentimento, é porque o queremos. O texto nos ajuda a entender que nós
somos insanos o suficiente para querermos estar transtornados e com dor para podermos
tornar alguém mais responsável por nossa vitimação e sofrimento. O resultado é que nós
mantemos nossas identidades separadas, mas sem sermos responsáveis por elas. E então,
nós alegremente escolhemos não estar em paz. Sem entender essa motivação, nossas
decisões não fazem sentido, especialmente quando passamos anos lendo e estudando o Um
Curso em Milagres, e, no entanto, não integramos seus ensinamentos às nossas vidas. Nós
parecemos não progredir em nosso aprendizado porque aceitamos que o que nos está sendo
ensinado iria liberar nosso ser. No entanto, pelo fato de não querermos ser acusados de
roubarmos essa identidade individual, precisamos de pessoas específicas que pequem contra
nós ou outros para evitar termos que lidar com nosso pecado percebido.
Mais uma vez, portanto, precisamos estar cientes de que a aflição é nossa escolha. Nós
primeiro aceitamos isso intelectualmente, e depois, gradualmente, experimentamos o desejo de
sermos injustamente tratados. Só então vamos liberar essa insanidade, e ser gratos por termos
feito isso.

(2) E assim, meu Pai, quero passar esse dia Contigo. O Teu Filho não Te esqueceu. A
paz que lhe deste ainda está na sua mente, e é lá que eu escolho passar o dia de hoje.

Nossa oração a Deus é para Ele nos ajudar a perceber que foi contra Seu Amor que nós
escolhemos, no entanto, é apenas o Seu Amor que nós queremos. Essa deveria ser a
motivação operante de cada dia, e cada minuto de cada dia. Jesus está nos lembrando de
escolhermos passar nossos dias na paz que Deus nos deu, mantida na mente certa pelo
Espírito Santo. Assim, Sua segunda lição: “Para ter paz, ensina a paz para aprendê-la” (T-6.V-
B-7:5). Portanto, se eu realmente quero passar esse dia em perfeita paz, tenho que
compartilhar essa paz com outros através do perdão. De outra forma, meu desejo será
recusado – por mim. No entanto, eu libero meu irmão das minhas projeções, e a paz de Deus
vai fluir através da mente do Seu Filho único, agora transformada em um templo de cura, em
cujo altar todos nós somos abraçados no amor do Céu:

96
A paz que ele deposita dentro de ti e do teu irmão estender-se-á em quietude a cada
aspecto da vossa vida cercando a ti e ao tu irmão de felicidade radiante da calma
consciência da proteção completa. E vós carregareis sua mensagem de amor,
segurança e liberdade a cada um que se aconchegue no nosso templo, onde a cura
espera por ele (T-19.IV.1:6-7).

97
LIÇÃO 256

Hoje, Deus é minha única meta.

As próximas três lições são sobre o perdão.

(1:1-2) Aqui, o caminho para Deus é através do perdão. Não há outro caminho.

Se nós formos sérios sobre querermos voltar para casa, para o Amor de Deus, já
dissemos muitas vezes, temos que ser sérios sobre os meios que vão nos ajudar a alcançar
essa meta. Quando guardamos mágoas contra nós mesmos ou outros, estamos afirmando que
Deus não é nossa meta hoje – o deus do ego, talvez, mas não o verdadeiro Deus. Nós,
portanto queremos deixar claro, sem julgar os outros, que ficar transtornado, doente ou
zangado vem da meta subjacente de mantermos o ego no poder e de não voltarmos para casa
– nós não queremos perder o ser egóico. Portanto, é extremamente importante que honremos
e respeitemos o tomador de decisões na mente, devolvendo a ele o poder que foi perdido
quando seguimos o ego para o mundo impotente da ausência de mente.

(1:3-6) Se o pecado não tivesse sido apreciado pela mente, que necessidade haveria de
achar o caminho para o lugar onde já estás? Quem ainda estaria incerto? Quem poderia
ter dúvidas quanto a quem é? E quem ainda desejaria continuar dormindo, em pesadas
nuvens de dúvida a respeito da santidade daquele que Deus criou sem pecado?

Primeiro foi o erro de escolher o pecado, e depois veio seu desfazer através do perdão,
o meio do Espírito Santo para nos despertar do sonho de pecado.

(1:7-9) Aqui, só nos é possível sonhar. Mas podemos sonhar que perdoamos aquele em
quem todo pecado permanece impossível, e é isso que escolhemos sonhar hoje. Deus é
a nossa meta; o perdão é o meio pelo qual as nossas mentes enfim retornam a Ele.

Jesus não está dizendo que temos que despertar para a realidade e desaparecer, mas
ele nos diz que quer nos ajudar a fazer o sistema de pensamento do ego desaparecer. Nós
ainda reteríamos nossas identidades físicas e psicológicas – nada vai desaparecer
subitamente. O que vamos começar a mudar, no entanto, é a falta de paz e a inquietude que
sentimos. No entanto, para que isso aconteça, Jesus nos ensina a olharmos de forma diferente
para as outras pessoas. Sua nova forma de olhar – a percepção verdadeira de perdão do
Espírito Santo – então se torna o sonho feliz:

Em primeiro lugar, tu vais sonhar com a paz e então despertarás para ela. A tua
primeira troca do que fizeste pelo que queres é a troca dos pesadelos pelos sonhos
felizes do amor. Neles estão as tuas verdadeiras percepções, pois o Espírito Santo
corrige o mundo dos sonhos, onde está toda a percepção (T-13.VII.9:1-3).

(2) E assim, Pai nosso, queremos vir a Ti pelo caminho que indicaste. Não temos outra
meta, exceto a de ouvir a Tua Voz e achar o caminho que o Teu Verbo sagrado indicou
para nós.

Estritamente falando, o perdão é um reflexo do Amor de Deus e não vem Dele. Mais
especificamente, esse é o caminho do Um Curso em Milagres. Existem outras espiritualidades
que enfatizam outras abordagens a Deus; mas esse curso enfatiza mudarmos nossa
percepção sobre as outras pessoas – perdoá-las pelo que elas não nos fizeram.
Incidentalmente, o “Verbo sagrado” de Deus aqui se refere a essas lições do livro de
exercícios. Mais generalizado, o “Verbo sagrado” é o princípio da Expiação.
98
LIÇÃO 257

Que eu me lembre qual é o meu propósito.

Essas próximas quatro lições começam com a frase “Que eu me lembre”; ela é
importante, porque nos diz que nosso verdadeiro propósito de perdão repousa na mente, onde
a verdade de Jesus está. Nós escolhemos perdoar porque quisemos nos lembrar apenas da
nossa identidade individual. Essas lições nos ajudam a mudarmos nossas mentes.

(1:1-2) Se eu esquecer a minha meta, só poderei ficar confuso, incerto do que sou e
assim em conflito nas minhas ações. Ninguém pode servir a metas contraditórias e
servir-lhes bem.

É isso o que a maioria das pessoas faz, especialmente aquelas que estão em um
caminho espiritual. Por um lado, elas têm uma meta de encontrar a verdade, Deus, ou Jesus.
Por outro, querem manter sua existência no mundo. Assim, suas metas se tornam
intrinsecamente conflitadas ou contraditórias. Especificamente, Jesus nos ensina que se a
meta é Deus e nós não perdoamos – i.e., mantemos mágoas e vemos a nós mesmos como
injustamente tratados -, mantemos metas contraditórias: Deus e o ego. Jesus, portanto,
desvela a insanidade de nossas vidas – como nossas mentes divididas lutam para manter o
pensamento da mente certa que realmente quer voltar para casa, e o pensamento da mente
errada que quer voltar para casa do nosso jeito. É por isso que Jesus é tão enfático sobre o
caminho até Deus ser através do perdão. Isso cura a divisão, ajudando-nos a escolher o Um,
deixando o outro ir.

(1:3) Tampouco lhe será possível funcionar sem profunda angústia e grande depressão.

“Certo é que toda aflição não parece ser apenas falta de perdão” (LE-pI.193.4:1). Cada
vez que estamos aflitos é porque estamos nos agarrando a alguma mágoa, pois nossa
tentação contínua é culparmos alguém mais. Mesmo que olharmos no espelho e culparmos a
nós mesmos, ainda existe uma face por trás da nossa que consideramos responsável: pais,
genes, karma, etc. Nós sempre tentamos culpar algo ou alguém, em vez de nos lembrarmos de
que somos mentes tomadoras de decisões, que podem escolher a paz em vez da dor, a alegria
em vez da depressão.

(1:4) que estejamos determinados, portanto, a lembrar-nos do que queremos hoje, para
que possamos unificar os nossos pensamentos e ações de modo significativo e realizar
apenas o que Deus quer que façamos hoje.

Nós podemos dizer que o propósito do Um Curso em Milagres é nos fazer ver nosso dia
como tendo um único propósito unificado: aprendermos a reconhecer que nossas vidas são
salas de aula de perdão, com um Professor para nos guiar e instruir.

(2:1-2) Pai, o perdão é o meio que escolheste para a nossa salvação. Que não nos
esqueçamos nesse dia de que não temos nenhuma vontade senão a Tua.

Quando mantemos mágoas, dizemos que temos uma vontade que é separada da do
nosso Pai.

(2:3) E assim, o nosso propósito também tem que ser o Teu, se quisermos alcançar a
paz que é a Tua Vontade para nós.
99
Mais uma vez, conforme você atravessa seu dia, mantenha como meta principal em sua
mente a necessidade de vigilância. Observe com que rapidez você se esquece e se agarra a
mágoas, trivialidades, e pensamentos de especialismo. Tente se lembrar de que eles não vão
fazê-lo feliz, pois seu propósito é se lembrar de que a Vontade de Deus para você é a
felicidade perfeita (LE-pI.101), e a sua própria também.

100
LIÇÃO 258

Que eu me lembre que a minha meta é Deus.

(1:1) Tudo o que precisamos fazer é treinar as nossas mentes para deixarem de ver
todos os pequenos objetivos sem sentido e lembrarem que a nossa meta é Deus.

Isso se refere à necessidade de vigilância constante, o aspecto de treinamento mental


do Um Curso em Milagres, que requer disciplina e trabalho duro. Assim como uma pessoa não
pode tocar uma fuga de Bach ou uma sonata de Beethoven sem uma grande quantidade de
prática, uma pessoa não pode perdoar, nem sentir o Amor e a paz de Deus sem uma grande
quantidade de prática. O livro de exercícios encoraja nossa prática diária, e qualquer um que
tenha tocado um instrumento musical sabe que passar alguns dias sem praticar leva a um
desempenho enferrujado. De forma similar, precisamos praticar nosso instrumento de perdão –
o poder de escolha da mente – não apenas todos os dias, mas com tanta freqüência quanto
possível através do dia. Portanto, aprendemos a desaprender as lições super-aprendidas de
julgamento do ego:

O aprendizado é uma capacidade que tu fizeste e deste a ti mesmo. Ela não foi feita
para fazer a Vontade de Deus... Agora, o teu antigo super-aprendizado permanece
implacável diante da Voz da verdade e te ensina que as Suas lições não são
verdadeiras: são por demais duras de se aprender, por demais difíceis de se ver e
por demais opostas ao que é realmente verdadeiro. Apesar disso, tu as aprenderás,
pois aprendê-las é o único propósito que o Espírito Santo vê em todo o mundo para
a tua capacidade de aprender. As Suas simples lições de perdão têm um poder
muito maior do que as tuas, porque te chamam a partir de Deus e do teu Ser (T-
31.I.5:1-2,4-6).

Esse aprendizado significa tornar-se consciente da sua identificação com uma vítima
inocente, vendo outros como tendo o poder de vitimá-lo. Isso então os transforma em
pecadores, liberando você da punição de Deus.

(1:2-5) A Sua memória está escondida em nossas mentes, obscurecida apenas pelas
nossas pequenas metas sem razão, que nada oferecem e que não existem.
Continuaremos a deixar que a graça de Deus brilhe na inconsciência, enquanto
buscamos em seu lugar, os brinquedos e bagatelas do mundo? Deus é a nossa única
meta, o nosso único Amor. Não temos nenhum objetivo, exceto lembrar-nos Dele.

Tudo o que pensamos ser tão importante e valioso, Jesus reduz a nada mais do que um
brinquedo ou bagatela. No entanto, nossa identificação e obsessão com esses brinquedos do
especialismo nos mantêm inconscientes do Amor de Deus, e mantêm Sua graça enterrada em
nossas mentes e além de toda capacidade de lembrança. Tente reconhecer como tudo pelo
que você luta é realmente nada. Quando você coloca isso perto do Amor de Deus, como
poderia ser qualquer coisa importante? Lembre-se da pergunta que já citamos muitas vezes
antes:

Quem, sustentado pelo Amor de Deus, poderia achar a escolha entre os milagres e
o assassinato difícil de fazer? (T-23.IV.9:8).

101
(2) A nossa meta é apenas a de seguir no caminho que conduz a Ti. Não temos nenhuma
outra além dessa. O que mais poderíamos querer, exceto lembrarmo-nos de Ti? O que
poderíamos buscar, senão a nossa Identidade?

Esse caminho, mais uma vez, é perdoar. Isso significa pedir ajuda a Jesus para
mudarmos nossas mentes sobre um relacionamento ou situação a que damos poder para nos
ferir e vitimar. Também significa reconhecer que o que nós queríamos para nós mesmos nunca
teve sucesso em nos trazer felicidade e paz, e que só o perdão – o caminho que nos leva até
Deus e o nosso Ser – é a chave para encontrarmos o que realmente queremos.

102
LIÇÃO 259

Que eu me lembre que não existe pecado.

Que eu me lembre de rir diante da diminuta e louca idéia. Quando esquecemos de rir, a
chamamos de pecado; no entanto, quando nos lembramos, é apenas um equívoco tolo, sem
conseqüência ou realidade.

(1:1-2) O pecado é o único pensamento que faz a meta de Deus parecer inatingível. O
que mais poderia nos cegar para o óbvio e fazer com que o estranho e o deturpado
aparentem mais clareza?

É por isso que o pecado é a pedra fundamental do sistema de pensamento de


separação. Quando o ego tentou proteger sua existência individual, o pecado se tornou sua
defesa primária, afirmando que a separação de Deus era real e permanente. Nosso
relacionamento rompido com Deus significava que em Sua fúria, Ele iria nos encontrar e nos
punir. Assim, Seu Amor foi aparentemente destruído pelo estranho e distorcido sistema de
pensamento de separação, e o mundo igualmente distorcido que surgiu dele.

(1:3-4) O que mais, senão o pecado, gera os nossos ataques? O que mais, senão o
pecado, poderia ser a fonte da culpa, exigindo punição e sofrimento?

Todos os nossos pensamentos de ataque – quer sejam de atacar ou ser atacado – vêm
do pecado, porque o pecado em si é um pensamento de ataque. Nós atacamos Deus para que
pudéssemos viver, e qualquer coisa que se seguiu a isso tem que compartilhar da mesma
equação de pecado com ataque, exceto que agora que estamos no mundo, acreditamos que
os pecados das outras pessoas estão nos atacando. Assim, se nós devolvermos o ataque,
afirmamos que ele é justificado em autodefesa. Daí a trindade profana do ego: pecado leva à
culpa, que exige punição, cujo medo leva à nossa necessidade de defesa.

(1:5) E o que mais, senão o pecado, poderia se a fonte do medo, obscurecendo a criação
de Deus, dando ao amor os atributos do medo e do ataque?

O resultado do pecado é que Deus vai nos atacar por causa do que nós fizemos, com o
mundo que nos ataca sendo a sombra fragmentária desse pensamento. Nós, portanto, vivemos
em medo mortal, ameaçados por simplesmente tudo. Uma mudança pequena no meio-
ambiente e em nossa vida física é severamente ameaçadora; um ser amado que não sorri e
estamos devastados – prova da fragilidade da nossa existência. O Amor de Deus, portanto, foi
transformado em seu oposto – amor especial: a fonte, significado e resultado de todo ataque.

(2:1) Pai, hoje eu não quero ser insano.

A linha que atravessa todas as lições é a insanidade dos nossos pensamentos


equivocados – a fonte da nossa humildade em percebermos o quanto estivemos errados sobre
tudo. Portanto, se estivermos minimamente transtornados, sabemos que julgamos de forma
errada e somos insanos. Não existe hierarquia de ilusões – estar transtornado em relação a um
acontecimento menor é o mesmo que estar transtornado por causa de um maior. No minuto em
que nos sentimos transtornados ou infelizes, portanto, precisamos pensar sobre o pensamento
para o dia e retornarmos à sanidade.

103
(2:2-5) Não quero ter medo do amor, nem buscar refúgio no seu oposto. Pois o amor não
pode ter nenhum oposto. Tu és a Fonte de tudo o que existe. E tudo o que é permanece
em Ti e Tu estás em tudo o que é.

Lembre-se das palavras da Introdução do Curso:

O oposto do amor é o medo, mas o que tudo abrange não pode ter opostos (T-
in.1:8).

Como parte da unicidade do Amor, não existe oposto a nós, e então, não há nada a
temer.

104
Lição 260

Que eu me lembre que Deus me criou.

Esse é o ponto de partida; o que nós esquecemos. O princípio da Expiação diz que nada
mudou, pois nós continuamos vivendo e amando a Unicidade que Deus criou, como lemos
nessas linhas familiares:

Deus criou Seus Filhos estendendo o Seu Pensamento e retendo as extensões do


Seu Pensamento em Sua Mente. Todos os Seus Pensamentos são assim
perfeitamente unidos entre si e em si mesmos (T-6.II.8:1-2).

(1:1-5) Pai, eu não fiz a mim mesmo, embora na minha loucura, tenha pensado que sim.
Entretanto, como Teu Pensamento, não deixei a minha Fonte, permanecendo como parte
Daquele Que me criou. Hoje, meu Pai, o Teu Filho Te chama. Que eu me lembre que me
criaste. Que eu me lembre da minha Identidade.

Aqui novamente temos um reconhecimento do nosso equívoco. Como um Pensamento


de Deus, nunca deixamos nossa Fonte e permanecemos um com Ele Que nos criou, apesar do
nosso pensamento insano:

Tu podes te perceber como se estivesses criando a ti mesmo, porém não podes


fazer mais do que acreditar nisso. Não podes fazer com que isso seja verdadeiro. E,
como eu disse antes, quando finalmente percebes corretamente, só podes te
contentar em não poder (T-3.VII.4:6-8).

(1:6) E que a minha impecabilidade eleve-se mais uma vez diante da visão de Cristo,
através da qual quero olhar para os meus irmãos e para mim mesmo no dia de hoje.

A maneira de nos lembrarmos de Quem somos como o Filho único de Deus não é
meditando sobre verdades eternas – nós simplesmente perdoamos. Nós aprendemos que
nossos interesses não são separados dos de ninguém mais, e que o princípio de um ou outro
não nos torna felizes. A visão de Cristo vem quando pedimos ajuda a Jesus para olharmos
para esse outro como o nosso ser. As diferenças superficiais entre nós não podem ocultar a
necessidade e propósito únicos que compartilhamos no relacionamento santo – aprender que
não existe pecado:

Esse relacionamento santo tem o poder e curar toda a dor, independentemente de


sua forma. Nem tu nem o teu irmão sozinhos podem servir em nada. Só na vossa
vontade conjunta está a cura... E na tua cura, a Filiação é curada porque a tua
vontade e a do teu irmão estão unidas (T-22.VI.4:4-6,8).

(2) Agora, a nossa Fonte foi lembrada e Nela enfim achamos a nossa verdadeira
Identidade. Somos santos, de fato, porque a nossa Fonte não pode conhecer o pecado.
E nós, que somos os Seus Filhos, somos iguais uns aos outros e iguais a Ele.

A essência do especialismo é que você e eu não somos semelhantes, mas diferentes. A


correção da mente certa – não a consciência da mente única sobre nossa unidade como
espírito – é a de que você e eu somos semelhantes em compartilhar um único propósito. Se eu
atacar você, ataco a mim mesmo, pois se somos semelhantes, e acredito que você merece
ataque, tenho que acreditar que mereço ataque também. É por isso que é essencial
105
reconhecer que qualquer coisa que eu pense sobre você vem do que penso sobre mim
mesmo. Nós somos o mesmo, uma vez que em sua impecabilidade, o Filho de Deus não tem
partes separadas:

Essa é a função do teu relacionamento santo... a tua mente e a do teu irmão são
uma só... o teu relacionamento é um reflexo da união do Criador com o Seu Filho.
Entre mentes amorosas, não há separação... A luz que une a ti e ao teu irmão brilha
através do universo e porque vos une faz com que tu e ele sejais unos com o teu
Criador... O que te ensina que não podes te separar nega o ego. Deixa que a
verdade decida se tu e teu irmão sois diferentes ou o mesmo e que ela te ensine o
que é verdadeiro (T-22.VI.14:1,3,5-6; 15:1,6-7).

106
5. O que é o corpo?

Como já mencionei, Jesus afirma aqui alguns dos mesmos pontos que afirmou em “O
que é o pecado?” e “O que é o mundo?”. O corpo é proposital, a espinha dorsal da estratégia
do ego e o passo final no seu plano para manter o Filho de Deus sem mente. Essa ausência de
mente assegura que o ego vai estar para sempre a salvo da mente do Filho escolher o amor
em vez da separação. O resumo começa com a imagem de uma cerca que vimos em “O
pequeno jardim”:

O corpo é uma cerca diminuta em torno de uma pequena parte de uma idéia
gloriosa e completa. Ele desenha um círculo infinitamente pequeno, em torno de um
segmento diminuto do Céu, desintegrado do todo, proclamando que aí dentro se
encontra o teu reino, onde Deus não pode entrar (T-18.VIII.2:5-6).

(1:1-2) O corpo é uma cerca que o Filho de Deus imagina ter construído para separar
partes do seu Ser de outras partes. É dentro dessa cerca que ele pensa viver, para
morrer quando ela decair e desmoronar.

Essa “cerca” – o corpo – me mantém separado de você. Você tem seu espaço físico e
psicológico, eu tenho o meu, e os dois não podem coexistir no mesmo lugar. Sendo a
incorporação do ego, o corpo proclama em voz alta, que a separação é a verdade: Nós não
somos um, mas separados, pois corpos não se unem. Na verdade, por razões opostas, Jesus
nos diz a mesma coisa: “mentes são unidas, corpos não” (T-18.VI.3:1). Além disso, corpos
foram feitos para não se unirem. A união que acreditamos acontecer é apenas o
preenchimento dos nossos pensamentos de especialismo. Isso, é claro, não é a união do
perdão da qual Jesus fala, e que reflete a completeza do Céu:

Não busques isso [completeza] no desolado mundo da ilusão, onde nada é certo e
onde tudo falha em satisfazer. Em Nome de Deus, estejas totalmente disposto a
abandonar todas as ilusões. Em qualquer relacionamento no qual estejas totalmente
disposto a aceitar a completeza, e só isso, lá Deus é completado e Seu Filho com
Ele (T-16.IV.9:4-6).

Jesus agora retorna ao propósito duplo do ego ao fazer o corpo:

(1:3-5) Pois no interior dessa cerca ele pensa estar a salvo do amor. Identificando-se
com a própria segurança, ele considera ser aquilo que é a sua segurança. De que outro
modo poderia ele ter certeza de permanecer dentro do corpo, mantendo o amor do lado
de fora?

O ego não sabe o que é o amor, que é o motivo pelo qual Jesus continuamente nos diz
que ele não pode realmente nos falar de Deus, do Céu ou da verdade. No entanto, ele
realmente sabe que se o Filho de Deus escolher o amor, a individualidade vai desaparecer.
Esse é o medo do ego. Sua estratégia, portanto, culminando no corpo, é manter-se a salvo –
não do amor, mas do poder de tomar decisões da mente do Filho. Assim, o ego quer nos
manter sem mente, pois, se não soubermos que temos uma mente, como jamais poderíamos
mudá-la? E, se não podemos mudar nossas mentes, nunca poderemos escolher o Amor de
Deus em vez do ódio do ego; Sua Unicidade contra a separação do ego. Portanto, uma vez
que escolhemos o corpo sem mente, nos tornamos o corpo. Essa é a equação do ego da qual
os primeiros capítulos do texto falam; por exemplo:

107
O corpo é o lar do ego por sua própria escolha. É a única identificação com a qual o
ego se sente seguro... (T-4.V.4:1-2).

Antes de escolhermos o corpo, no entanto, nossa segurança é o sistema de pensamento


do ego, com o qual o Filho de Deus primeiro se identifica. Portanto, não somos mais Cristo,
nem mesmo um tomador de decisões, mas seres individuais que se tornaram o sistema de
pensamento de individualidade. Uma vez projetado, esse sistema de pensamento se torna o
corpo, e nós agora somos seres individuais, separados e físicos, sem lembrança de que nossa
existência corporal é uma defesa. Nós esquecemos do que nos separamos – a mente; e nos
lembramos apenas para o que nos separamos – o corpo. Nós somos aquilo com o que
resolvemos nos identificar, assegurando que o Amor de Deus permanece uma memória muito
distante.
Jesus agora retorna à segunda maneira em que o ego usa o corpo como meio de
assegurar sua existência.

(2:1-2) O corpo não perdurará. Mas, isso eleve como uma dupla segurança.

A primeira segurança, novamente, é que o corpo sem mente nos mantém a salvo de
escolher o amor. A segunda segurança é que a morte do corpo – “O corpo não perdurará” –
prova que Deus está errado e nós estamos certos. Portanto, o corpo primeiro assegura a
sobrevivência da nossa identidade individual e mantém o Amor de Deus esquecido. Segundo,
ele prova que a morte é real, o que significa que a vida eterna é uma ilusão. Mais uma vez,
Deus é mostrado como um mentiroso:

... a vulnerabilidade do corpo é o seu melhor argumento de que tu não podes ser de
Deus. Essa é a crença que o ego ansiosamente promove (T-4.V.4:2-3).

Aqui está como essa estratégia do ego funciona:

(2:3) Pois a impermanência do Filho de Deus é uma “prova” de que as suas cercas
funcionam e cumprem a tarefa que a sua mente lhes designou.

O corpo faz exatamente o que a mente quer que ele faça. Sua impermanência prova que
as defesas da mente funcionam e a estratégia do ego teve sucesso. Nós somos corpos sem
mente, o que estabelece que a separação de Deus é um fato. Portanto, Deus não pode existir,
porque a perfeita completude não pode conter pensamentos de separação.

(2:4-8) Pois se a sua unicidade ainda permanecesse intocada, quem poderia atacar e
quem poderia ser atacado? Quem poderia ser vitorioso? Quem poderia ser sua presa?
Quem poderia ser vítima? Quem o assassino?

Se o princípio da Expiação é verdadeiro, o que significa que a Unicidade de Deus


permanece intocada – “nenhuma nota na canção do Céu foi perdida” (T-26.V.5:4) -, não existe
dualidade, e nenhuma vítima e vitimador. Se a unicidade é a verdade, eu não existo, porque eu
só posso existir como um indivíduo por ter primeiro atacado Deus, tornando-me o vitimador e
Deus minha vítima; eu o conquistador e Deus minha presa. O ego rapidamente reverte isso
através da projeção, e agora, Deus se torna o assassino e eu Sua presa. No entanto, não faz
diferença porque qualquer maneira de viver a Unicidade de Deus foi obliterada, pelo menos em
nossa memória. Portanto, o corpo prova que o ego está certo, ainda que corpos morram, pois
para o ego, os dois sonhos são verdadeiros – vítima e vitimador. Lembre-se dessa passagem
do texto:

108
Um irmão separado de ti, um antigo inimigo, um assassino que te assalta no meio
da noite e planeja a tua morte, no entanto, a planeja de forma lenta, demorada – é
com isso que sonhas. Entretanto, por trás desse sonho há ainda outro, no qual
passas a ser o assassino, o inimigo secreto, o vingador e o destruidor do teu irmão e
do mundo da mesma forma (T-27.VII.12:1-2).

(2:9) E, se ele não morresse, que “prova” haveria de que o eterno Filho de Deus pode ser
destruído?

Apesar da sua inerente insanidade, o ego é diabolicamente inteligente, pois, uma vez
que não estamos cientes da sua estratégia, não podemos ver sua ilusão patente. Jesus explica
no texto (T-4.V.4) que o ego nos diz para deixarmos a mente e irmos para o corpo, onde vamos
estar à salvo, escapar da punição irada de Deus, e nunca morrer. Se nós ficarmos em nossas
mentes, o ego nos previne, Deus certamente vai nos aniquilar. Nós, como o Filho único de
Deus, aceitamos o conselho do ego e nos escondemos no corpo, apenas para descobrir que o
corpo realmente perece. Como Jesus explica, o Filho então confronta o ego e diz: “O que
acontece? Você me disse que eu estaria a salvo no meu corpo e eu acreditei em você. No
entanto, agora que estou aqui, minha morte é tão certa quanto se eu tivesse permanecido na
mente. Você diz que essa morte é a punição de Deus, da qual você prometeu que eu iria
escapar”. Como Jesus explica, a resposta do ego é obliterar a questão da nossa mente que
objeta. Em outras palavras, não mais podemos questionar o ego porque nos esquecemos
totalmente da mente, na qual a estratégia do ego foi planejada e alcançada.
Tendo feito com que um véu caísse sobre a mente do Filho, encobrindo toda memória
de como e por que o corpo foi feito, o ego assegura que ele vai se esquecer do propósito
específico do corpo, sem memória da sua fonte. Ainda que nós voltássemos ao momento do
nascimento, o canal de nascimento, o útero, ou até mesmo o óvulo e o esperma, ainda não
teríamos lembrança da mente da qual viemos. Não importando quantas vidas passadas
possamos acessar, não resta nenhuma lembrança da mente que o ego obliterou da nossa
lembrança. Portanto, o ego tem permissão para mentir e mentir de novo e de novo, pois nós
nos esquecemos de que a vida atual foi uma defesa contra a anterior, que foi uma defesa
contra a vida que veio antes dela. Pelo fato do ego nos fazer esquecer do que antecedeu
nossa existência, não temos forma de questionar sua estratégia. Assim, para rever – por um
lado, o ego diz que o corpo vai nos proteger, e por outro, diz que o corpo vai morrer, assim
como nós. No entanto, eu – o ego – vou viver para sempre.
Portanto, o ego nos faz acreditar, como esse parágrafo afirma, que se a unicidade fosse
real, nós não existiríamos. Uma vez que isso se estabeleceu em nossas mentes como um
padrão, nós o revivemos de novo e de novo como corpos. Nós continuamente vitimamos
outros, acima de tudo por fazer parecer que eles estão nos vitimando. Tão paradoxal quanto
possa parecer, os maiores vitimadores são as vítimas inocentes, porque é deles que o mundo
nunca suspeita. No entanto, todos nós somos vítimas e vitimadores uns dos outros, porque
somos partes divididas do mesmo pensamento de vítimas e vitimadores. Mais uma vez, Jesus
nos mostra a estratégia do ego pelo que é. Se um dia pudéssemos olhar para ela, iríamos
perceber sua absoluta insanidade. Não apenas o ego é cruel, não-benigno, e sem misericórdia
conosco e com todos os outros, ele é insano – parte do seu plano para nos fazer acreditar que
o que é verdadeiro não existe, e que o que não existe é verdadeiro. Nossa prática, portanto,
envolve primeiro entender os conceitos do sistema de pensamento de ilusão do ego, e então,
observar sem julgamento como nossas vidas diárias o exemplificam.

(3:1-3) O corpo é um sonho. Como outros sonhos, ele às vezes parece retratar a
felicidade, mas pode retroceder subitamente para o medo, onde nascem todos os
sonhos. Pois só o amor cria em verdade e a verdade nunca tem medo.

109
Nós experimentamos felicidade quando nossos objetos de amor especial funcionam bem
para nós, mas aprendemos que cada sonho nasce do medo, incluindo o sonho cósmico do
universo físico. Quando escolhemos estar em um estado de amor, no entanto, o medo é
impossível, pois “o perfeito amor expulsa o medo”. O início de “As Dádivas de Deus” articula
claramente a origem do sonho amedrontador, e seu desfazer através da aceitação da dádiva
do amor de Deus. Ele merece outra leitura:

O medo é a única emoção do mundo. Suas


formas são muitas... mas ele é um em conteúdo. Nunca
distante, mesmo na forma, do que é o seu propósito,
nunca com o poder de escapar de sua causa, e nunca
além de uma imitação de alegria, ele repousa incertamente
em um leito de mentiras. Aqui ele nasceu e refugiou-se por
seu aparente conforto. Aqui ele vai permanecer onde
nasceu, e onde seu fim virá... Se você estiver certo...
o medo será deixado de lado tão facilmente quanto a alegria
e a paz se unem em nome do amor. Mas primeiro, tem que
haver a certeza de que não pode haver amor, onde o medo
existe, e que o mundo nunca vai dar uma dádiva que não
seja feita de medo, oculto talvez, mas que certamente está
presente em algum ponto da dádiva. Não a aceite, e você
vai entender que uma dádiva muito maior foi dada a você.

(As Dádivas de Deus, p. 115).

(3:4) Feito para ter medo, o corpo tem que servir ao propósito que lhe é dado.

Tudo no mundo é uma projeção do pensamento, e, uma vez que idéias não deixam sua
fonte, e o pensamento-chave em nossas mentes é o medo – vindo do pecado e da culpa –, o
corpo incorpora o medo. Na verdade, todos nós vivemos em medo, potencial ou real. Se nós
não tivermos oxigênio ou comida suficientes, por exemplo, o terror se levanta em nossos
corações; quando nossas necessidades de especialismo não são atendidas, o medo da perda
é inevitável.

(3:5) Mas podemos mudar o propósito ao qual o corpo obedecerá, mudando o nosso
pensamento quanto ao quê ele serve.

O tema muito importante do propósito retorna. Mais uma vez, Jesus não está nos
pedindo para negarmos nossos corpos, mas simplesmente para o escolhermos como nosso
professor. Assim, vamos aprender o uso apropriado do corpo – uma sala de aula para nos
ajudar a questionar o propósito do ego e mudarmos nossas mentes:

Essa é a questão [Para quê?] que tu tens que aprender a colocar em relação a tudo.
Qual o propósito disso? Seja ele qual for, vai dirigir os teus esforços
automaticamente. Quando tomas uma decisão em relação ao propósito, naquele
momento tomaste uma decisão a respeito do teu esforço futuro, uma decisão que
vai permanecer efetiva a não ser que mudes a tua mente (T-4.V.6:8-11).

(4:1) O corpo é o meio pelo qual o Filho de Deus retorna à sanidade.

O corpo é o meio porque ele é a única coisa que conhecemos, estando inconscientes da
mente. Jesus nos ajuda a entender, no entanto, que o que sentimos e percebemos com nossos
corpos são projeções dos pensamentos da mente. Ainda mais direto ao ponto, são projeções
110
de um desejo de que seja provado que estamos certos e Deus errado – o propósito final do ego
para o corpo. Na verdade, esse é o propósito da morte do corpo – nos permitir dizer a Deus: “A
vida eterna é uma mentira. Você está errado outra vez”. No entanto, o propósito do corpo pode
ser mudado – a meta dessas lições – como lemos novamente:

(4:2) Apesar de ter sido feito para cercá-lo irremediavelmente no inferno, a perseguição
do inferno foi trocada pela meta do Céu.

O corpo não muda; o propósito da mente mudou porque nós mudamos seu professor.

(4:3-5) O Filho de Deus estende a mão para alcançar o seu irmão e para ajudá-lo a
caminhar pela estrada junto com ele. Agora o corpo é santo. Agora, ele serve para curar
a mente que ele tinha sido feito para matar.

Não é difícil ver que o propósito do corpo é perpetuar o princípio de um ou outro: meu
corpo existe à custa do seu; eu não caminho para o Céu com você, mas em cima de você – eu
deprecio você para que possa me tornar superior. O corpo foi feito especificamente para que
pudéssemos projetar nossa culpa e pecado em outros, tornando-os aqueles que Deus vai
punir, não nós mesmos, que nos tornamos as vítimas inocentes. Portanto, o ego usa o corpo
para atacar; empurrando os outros na lama do pecado, para que possamos ascender ao Céu
nas asas da inocência. Quando nos voltamos para Jesus, no entanto, ele nos ajuda a perceber
que não podemos voltar para casa, nem nos lembrarmos do Amor de Deus se nos agarrarmos
a uma mágoa contra qualquer outra pessoa. Fazer isso torna real o sistema de pensamento de
pecado, mas visto nos outros, não em nós mesmos. Nós, portanto, mudamos o princípio de um
ou outro para “juntos, ou não de forma alguma” (T-19.IV-D.12:8):

Então, vamos aguardar um instante em quietude, esquecendo tudo o que pensamos


que ouvimos; lembrando-nos de quanto nós não sabemos. Esse irmão nem nos
conduz, nem nos segue, mas caminha ao nosso lado na mesma estrada. Ele é
como nós, tão próximo ou distante do que queremos quanto o permitirmos estar.
Nada ganhamos que ele não ganhe conosco e regredimos se ele não avança. Não
tomes a sua mão com raiva, mas com amor, pois no seu progresso avalias o teu.
Nós vamos pela estrada separados a não ser que tu o mantenhas a salvo ao teu
lado (T-31.II.6;4-9).

O corpo não é santo em si mesmo, como afirmado pelas muitas referências de Jesus a
ele como mero pó, mas é tornado santo por causa do propósito dado a ele pela mente certa.

(5:1-2) Tu te identificarás com aquilo que pensas ser a tua segurança. O que quer que
seja, acreditarás que és um com ela.

Nós acreditamos que nosso ser individual estava a salvo com o ego, e, mais uma vez,
naquele momento, não tínhamos mais escolhido o sistema de pensamento de separação, nós
nos tornamos esse sistema:

A parte concreta [da mente] acredita no ego, porque o ego depende do concreto. O
ego é parte da mente que acredita que a tua existência é definida pela separação (T-
4.VII.1:4-5).

Por outro lado, quando entendemos que o ego mentiu e não pode nos fazer felizes, nós
gratamente escolhemos Jesus como nosso professor e seu amor como nossa identidade – a
escolha pela segurança real. Ao prosseguirmos nossa jornada, aprendemos a aceitar essa
identidade e nenhuma outra.
111
(5:3) A tua segurança está na verdade e não em mentiras.

Esse é o princípio da Expiação. Nós, no entanto, dissemos ao Espírito Santo que não
acreditamos Nele, pois nossa segurança reside não Lá, mas em nosso ser separado – o ego e
seu acalentado corpo.

(5:4-8) A tua segurança é o amor. O medo não existe. Identifica-te com o amor e estás
seguro. Identifica-te com o amor e estás em casa. Identifica-te com o amor e achas o teu
Ser.

Em uma base prática, isso significa nos identificarmos com o amor por refleti-lo durante
o dia todo: reconhecendo que você e eu não temos propósitos separados e conflitantes. Assim
o perdão estabelece o propósito da nossa meta compartilhada: encontrar o “arco de
segurança” no qual é encontrado o cumprimento da promessa de Deus ao Seu Filho. Nós
encerramos com a seguinte passagem sobre nosso propósito recém-escolhido para o corpo:

A tua casa é construída sobre a saúde do teu irmão, sobre a sua felicidade, a sua
impecabilidade, e sobre tudo o que o seu Pai prometeu a ele. Nenhuma promessa
secreta que tenhas feito no lugar daquela abalou o Fundamento da sua casa. Os
ventos soprarão sobre ela e a chuva cairá, mas sem efeito algum. O mundo será
levado pelas águas e, no entanto, essa casa não cairá, pois a sua força não está
apenas em si mesma. Ela é uma arca de segurança, que se baseia na promessa de
Deus de que o Seu Filho está para sempre a salvo Nele. Que brecha pode interpor-
se entre a segurança deste abrigo e a sua Fonte? Daqui, o corpo pode ser visto
como é, nada mais e nada menos do que o valor que ele tem na medida em que
pode ser usado para liberar o Filho de Deus para a sua própria casa. E com esse
propósito santo ele vem a ser um lar de santidade por um momento breve, porque
compartilha a Vontade do teu Pai para contigo (T-28.VII.7).

112
LIÇÃO 261

Deus é o meu refúgio e a minha segurança.

Essa lição continua com a discussão precedente de “O que é o corpo?”. Ao concluir


aquela discussão, Jesus disse que vamos nos identificar com o que pensarmos que vai nos
tornar seguros. O ponto nessa lição é que nossa verdadeira segurança repousa em Deus e em
nada mais. Em termos diários, isso significa que nossa segurança é encontrada na mente
certa, na qual reside a memória de Deus através do Espírito Santo.

(1:1-2) Eu me identificarei com o que penso ser refúgio e segurança. Eu contemplarei a


mim mesmo ali onde percebo a minha força e penso viver no interior da fortaleza onde
estou a salvo e não posso ser atacado.

O ego nos diz que estamos a salvo em seu sistema de pensamento de separação e
individualidade, e, como uma medida extra de proteção, ele faz o mundo e o corpo, que se
tornam nossas cidadelas de segurança. Daí nossa preocupação em proteger o corpo, pois
pensamos que vivemos dentro de sua vulnerabilidade e, portanto, temos que torná-lo mais
forte. No entanto, nossa única segurança, mais uma vez, reside na escolha da mente certa
pela verdade em vez da ilusão.

(1:3-8) Que hoje eu não busque a segurança no perigo, nem tente achar a minha paz no
ataque assassino. Eu vivo em Deus. Nele acho o meu refúgio e a minha força. Nele está a
minha Identidade. Nele está a paz que dura para sempre. E só lá lembrar-me-ei Quem
realmente sou.

Essa é a verdade; mas fique atento durante o dia sobre com que freqüência você luta
para confirmar a crença de que vive no corpo, para não falar sobre os relacionamentos
especiais que você pensa que são seus locais de segurança. Mais uma vez, você precisa
entender que eles nunca vão lhe trazer felicidade ou paz, pois apenas dentro da inocência de
Cristo, relembrada através do perdão, é encontrada a paz e a força de Deus:

Caminha em glória com a cabeça erguida e não temas mal algum. Os inocentes
estão a salvo porque compartilham sua própria inocência. Nada do que vêem é
danoso, pois a sua consciência da verdade libera todas as coisas da ilusão do dano.
E o que parecia causar dano, agora está brilhando em inocência, liberado do
pecado e do medo e alegremente devolvido ao amor. Eles compartilham a força do
amor porque olharam para a inocência. E todo erro desapareceu porque eles não o
viram. Aquele que olha procurando a glória achá-la-á onde ela está. Onde poderia
estar senão nos inocentes? (T-23.in.3).

(2) Que eu não busque ídolos. Meu Pai, hoje quero voltar para casa em Ti. Escolho ser
tal como me criaste e achar o Filho que criaste como o meu Ser.

Nós vemos ainda mais uma referência ao tema de buscar e encontrar, e a importância
da escolha: ou o ego ou Deus é nosso pai; ou um ídolo ou o Filho de Deus é a verdade:

Nunca é o ídolo que queres. Mas o que pensas que ele te oferece, isso de fato
queres... A tua vontade de ser completo não é senão a Vontade de Deus e te é dada
por ser Dele... A criação não dá a ninguém separadamente, nem a nenhuma coisa

113
separada o poder de completar o Filho de Deus. Que ídolo pode ser chamado para
dar ao Filho de Deus o que ele já tem? (T-30.III.4:1-2,4,9-10).

E então, nós rejeitamos os ídolos separativos do amor especial, aceitando em vez disso
a visão do nosso irmão como nosso ser, refletindo o Ser que Deus criou como Filho.

114
LIÇÃO 262

Que eu não perceba diferenças hoje.

Essa lição importante esclarece a unicidade do nosso Ser, lembrada por negarmos o
sistema de pensamento de diferenças do ego. Isso traz à mente o ensinamento de Jesus sobre
como todos os relacionamentos especiais dependem da crença de que somos diferentes dos
nossos irmãos, essas diferenças garantindo nossa salvação. Assim, acredito que sua culpa
demonstra minha inocência; o que me falta, você roubou, e assim, minha necessidade acusa
você do pecado de tirar o que é por direito meu. Essa diferença completa entre nós justifica eu
pegar de volta de você os meios para eu atingir a paz. Nós continuamos diferentes, mas agora
eu tenho o especialismo que lhe falta, e você não tem.

(1:1-3) Pai, Tu tens um Filho. E, nesse dia, é para ele que eu quero olhar. Ele é a Tua
única criação.

Deus tem um Filho, não muitos. Portanto, as diferenças aparentes que percebemos têm
que ser ilusórias. Nós aplicamos esse fato da unidade ao atravessarmos nosso dia percebendo
interesses separados em todos os lugares ao nosso redor, mas agora permitindo que Jesus os
reinterprete para nós. Portanto, nós consideramos as diferenças como uma sala de aulas na
qual aprendemos que o Filho só tem um interesse, um propósito e uma meta.

(1:4-7) Por que haveria eu de perceber mil formas naquilo que permanece uno? Por que
haveria eu de dar mil nomes a ele quando um só nome é suficiente? Pois o Teu Filho
tem que ter o Teu Nome, porque Tu o criaste. Que eu não o veja como um estranho para
o seu Pai, nem para mim.

Na Lição 184, Jesus falou da nossa necessidade de darmos nomes distintos às coisas
no mundo, o que dá realidade às suas identidades separadas e díspares. Nossos egos nos
dizem que precisamos de uma pessoa para uma coisa, de outra para outra, e ainda de outra
pessoa para outra coisa mais – exemplos dos milhares de nomes que demos a milhares de
formas. Precisamos aprender o princípio unificador do propósito que vê tudo como um. Ao
mesmo tempo em que a percepção nos diz como somos diferentes, Jesus nos oferece a visão
para vermos que o propósito de todos os relacionamentos é o mesmo.

(1:8) Pois ele faz parte de mim e eu dele e nós somos parte de Ti, Que és a nossa Fonte,
eternamente unidos no Teu Amor, eternamente o Filho santo de Deus.

Trazendo a ilusão das diferenças entre nós ao Espírito Santo, aprendemos Sua
percepção da verdade do propósito único do perdão, que reflete a Unicidade do Céu – “uma
Unicidade unida como Uma só” (T-25.I.7:1). Alegremente, aceitamos a verdade da Sua
percepção e a falsidade da nossa.

(2) Nós, que somos um, hoje queremos reconhecer a verdade sobre nós mesmos.
Queremos ir para casa e descansar em unidade. Pois lá há paz e em nenhum outro lugar
é possível buscar e achar a paz.

Que dádiva maravilhosa espera por nós quando liberamos nossos arrogantes desígnios
em troca da paz! E que alegria vem quando aceitamos a unidade da criação de Deus – sem
opostos! Lembre-se da simplicidade da paz de Deus, que nos desperta para a memória da Sua
Unicidade amorosa:
115
O que é a paz de Deus? Nada mais do que isso: a simples compreensão de que a
Sua Vontade é totalmente sem opostos... Agora, a poderosa Vontade do próprio
Deus é a Sua dádiva para ti... A Vontade de Deus é uma só e é tudo o que existe.
Essa é a tua herança. O universo além do sol e das estrelas e todos os
pensamentos que és capaz de conceber pertencem a ti... Atinge a Sua paz e te
lembrarás Dele (MP-20.6:1-2,6,9-11,13).

116
LIÇÃO 263

A minha santa visão vê todas as coisas puras.

Várias lições nessa série de dez vão tratar da visão, começando com essa aqui.

(1:1-2) Pai, a Tua Mente criou tudo o que é, o Teu Espírito penetrou em tudo, o Teu Amor
lhe deu vida. E quereria eu olhar para o que Tu criaste como se fosse possível torná-lo
pecaminoso?

O ego nos diz que a forma de preservarmos nossa inocência é mantermos a separação,
mas tornando alguém mais responsável por ela – pecado deles, não nosso. Esse princípio de
um ou outro, portanto, governa dentro do sonho: se você for pecador, eu tenho que ser
inocente; para que eu demonstre minha inocência diante de Deus, tenho que encontrar o
pecado em você, e atacá-lo por isso:

Nunca odeias o teu irmão pelos seus pecados, mas só pelos teus. Qualquer que
seja a forma que os seus pecados pareçam tomar, ela só obscurece o fato de que
acreditas que são teus e portanto merecem um ataque “justo” (T-31.III.1:5-6).

(1:3-4) Não quero perceber imagens tão escuras e amedrontadoras. O sonho de um


louco dificilmente seria a minha escolha em lugar de toda a beleza com que abençoaste
a criação, toda a sua pureza, sua alegria e sua eterna e serena morada em Ti.

Nós precisamos reconhecer a insanidade de tornar as diferenças percebidas entre nós


uma questão de vida ou morte. É essencial que monitoremos diligentemente nossas mentes
em busca de percepções sobre os outros como pecaminosos, perversos e maus, pois nessa
percepção, nós excluímos parte da Filiação, dizendo que sabemos melhor do que Jesus. Ele
nos diz que o Filho de Deus é um, mas nós contrariamos com listas de imagens escuras,
pecaminosas e amedrontadoras como prova positiva de que ele está errado e nós estamos
certos: todos não são o mesmo, e nós temos a evidência de culpa para provar nosso ponto de
vista – um sonho de um louco, com certeza!

(2) E, enquanto ainda permanecemos fora da porta do Céu, contemplemos tudo o que
vemos através da santa visão e dos olhos de Cristo. Que todas as aparências nos
pareçam puras, para que possamos passar por elas em inocência e caminhar juntos
para a casa de nosso Pai, como irmãos e como os Filhos santos de Deus.

Nós vemos mais uma vez com que freqüência Jesus afirma o mesmo ponto. Através da
visão de Cristo, percebemos que todos nós somos o mesmo. Essa percepção curada de
inocência não vem por negarmos nossa visão física, mas por negarmos a interpretação do ego
sobre essa visão. Releia essa linda passagem do texto, que é similar ao pensamento dessa
lição; a jornada adorável que espera por nós quando caminhamos juntos com todos os nossos
irmãos, ajudando-os a aprenderem as felizes lições do perdão que nós aprendemos –
esperança em vez de desespero, luz em vez de escuridão, inocência em vez de pecado:

Pensa na beleza que verás, tu que caminhas com Ele! E pensa como tu e teu irmão
parecereis belos um para o outro! Como estareis felizes por estardes juntos, após
uma jornada tão longa e tão solitária na qual cada um caminhou sozinho. Os portões
do Céu agora estão abertos para ti e irás abri-los agora para os pesarosos. E
ninguém que contemple o Cristo em ti deixará de regozijar-se. Como é belo o que
117
viste além do véu e trarás para iluminar os olhos cansados daqueles que agora
estão exaustos como tu já estiveste uma vez. Como ficarão agradecidos ao ver-te
chegar entre eles oferecendo-lhes o perdão de Cristo para dissipar a sua fé no
pecado (T-22.IV.4).

118
LIÇÃO 264

Eu estou cercado pelo Amor de Deus.

Essa declaração reflete outro tema recorrente. Podemos compreender o significado do


Curso apenas quando entendemos que o “eu” de quem Jesus fala é o tomador de decisões na
mente. Não estamos rodeados pelo Amor de Deus como corpos, mas como mentes – quando
escolhemos nos lembrar dela. Na mente errada, o Amor de Deus não existe; apenas ódio e
medo. No entanto, o amor pacientemente espera a decisão da mente certa do Filho de retornar
à sanidade. Nós temos que manter esse conteúdo na consciência ao lermos essa lição, ainda
que suas palavras sugiram que Deus está fisicamente presente para nossos seres físicos.

(1) Pai, estás na frente e atrás de mim, ao meu lado, no lugar em que me vejo e em todo
lugar aonde vou. Estás em todas as coisas que contemplo, nos sons que ouço e em
cada mão que procura alcançar a minha. Em Ti, o tempo desaparece e o lugar vem a ser
uma crença sem significado. Pois o que cerca o Teu Filho e o mantém a salvo é o
próprio Amor. Não há outra Fonte senão Essa e não há nada que não compartilha a Sua
santidade; não há nada que esteja além da Tua única criação ou sem o Amor Que
contém todas as coisas em Si Mesmo. Pai, o Teu Filho é como Tu és. Hoje, vamos a Ti
em Teu próprio Nome, para estarmos em paz no Teu Amor que dura para sempre.

Daqui a poucas lições, Jesus vai dizer a mesma coisa, mas mais especificamente com
relação ao propósito. O que realmente nos rodeia dentro do nosso sonho é o propósito de
Deus, uma vez que Seu Amor não está presente aqui de forma alguma. Esse propósito é
nosso ensinamento para perdoarmos através da visão de Cristo, que ensina que tudo o que
vemos é uma sala de aula na qual nos lembramos de que a nossa Identidade está em nossas
mentes. Nós escolhemos contra esse Ser e agora podemos escolher a favor Dele. Quando o
conteúdo subjacente dessas palavras é mal interpretado, no entanto, ficamos presos em tomá-
las como verdade literal, pois elas só podem ser verdadeiras no nível do seu conteúdo. Para
reafirmar esse ponto importante, o propósito de Deus é que nós vejamos em todas as coisas o
reflexo da Sua Unicidade amorosa, unindo-nos à mente certa, que reflete a unidade do nosso
Ser.

(2:1) Meus irmãos, unam-se a mim nisso hoje.

Jesus fala conosco aqui na primeira pessoa. Se o Amor de Deus está em nossas
mentes, unirmo-nos a Jesus também tem que estar em nossas mentes, não no mundo de
corpos. Esse tem sido seu apelo constante – que nós venhamos até onde ele está para que ele
possa nos ajudar a fazer outra escolha. Ao dizer, portanto, “una-se a mim nisso”, Jesus pede
para nos unirmos à oração na mente para que reconheçamos nossa unicidade inerente.

Eu te amo pela verdade que há em ti, assim como Deus... Eu ouço só o Espírito
Santo em ti, Que me fala através de ti. Se queres me ouvir, ouve os meus irmãos,
em quem fala a Voz de Deus. A resposta a todas as orações está neles. Serás
respondido à medida em que ouves a resposta em todas as pessoas (T-9.II.7:1,4-7).

(2:2-3) Essa é a prece da salvação. Não devemos unir-nos no que salvará o mundo junto
conosco?

119
Nós queremos nos unir à oração da salvação percebendo que o Filho de Deus é um,
perfeitamente em unidade com seu Pai. Se o Ser de Deus é perfeito Amor e Unicidade, e nós
somos como Ele, temos que compartilhar essa unidade e amor. Nossa oração, portanto, é que
nós sejamos ajudados a mudarmos nossas mentes sobre os Filhos que percebemos
erroneamente e transformamos em objetos de especialismo. Embora isso não seja possível no
nível da forma, no nível do conteúdo, nós tornamos o amor totalmente abrangente por não
excluirmos ninguém do seu abraço gentil. Assim, nós nos lembramos de que o Amor de Deus
nos rodeia, junto com todos os nossos irmãos, que aparentemente estavam separados pelo
pecado e pela culpa.

120
LIÇÃO 265

Eu só vejo a gentileza da criação.

Essa lição contrasta os conceitos familiares de projeção e extensão. Nós olhamos dentro
das nossas mentes e julgamos se a culpa ou o perdão é real. Qualquer pensamento que
escolhermos é o que escolhemos perceber do lado de fora. Se for a culpa do ego, suas
projeções são percebidas nos outros. Se for o perdão do Espírito Santo, suas gentis extensões
são a base para nossos relacionamentos. Essa é a mensagem de Jesus para nós aqui.

(1:1) Eu, de fato, compreendi mal o mundo, porque coloquei nele os meus pecados e os
vi olhando de volta para mim.

Jesus descreve o que todos nós fazemos – de fato, como o mundo foi feito. Nós
tornamos o pecado real na mente, negamos sua presença e o projetamos. Agora, acreditamos
que o pecado está em corpos ao nosso redor – o nosso ou os dos outros -, mas não em
nossas mentes. Lembre-se dessas linhas importantes e familiares:

A projeção faz a percepção. O mundo que vês é o que deste ao mundo, nada mais
do que isso... Ele é a testemunha do teu estado mental, o retrato externo de uma
condição interna (T-21.in.1:1-2,5).

(1:2-3) Como pareciam ameaçadores! E como me enganei ao pensar que o que temia
estava no mundo e não apenas na minha mente.

Essa é uma declaração sucinta sobre o plano do ego para negar o pecado percebido em
nossas mentes e vê-lo do lado de fora. No entanto, percebendo que cometemos um equívoco,
agora mudamos nossas mentes e dizemos:

(1:4-6) Hoje vejo o mundo na gentileza celestial com que brilha a criação. Nele não há
medo. Que nenhuma aparência dos meus pecados venha obscurecer a luz do Céu que
brilha no mundo.

No manual, Jesus lista gentileza como a quarta das dez características dos professores
de Deus, e sua discussão a contrasta com a maldade (MP-4.IV). Assim, escolher a culpa e o
pecado como realidade é tornar o dano real, o que significa que um mundo pecador e
amedrontador é tornado real também. No entanto, com o Espírito Santo como nosso Professor,
só a gentileza do Amor de Deus é refletida aqui.

(1:7-10) O que lá se reflete está na Mente de Deus. As imagens que vejo refletem os
meus pensamentos. No entanto, a minha mente é uma com A de Deus. E, assim, posso
perceber a gentileza da criação.

O Amor na Mente de Deus está refletido no mundo, e, uma vez que o que eu percebo é
um reflexo dos meus pensamentos – “Meus pensamentos são imagens que eu fiz” (LE-pI.15) –
e uni meus pensamentos com o Espírito Santo, a gentileza da criação é tudo o que eu vejo.

(2) Em quietude, quero olhar para o mundo que reflete apenas os Teus Pensamentos,
assim como os meus. Que eu me lembre que eles são os mesmos e verei a gentileza da
criação.

121
Em outras palavras, meus pensamentos não são diferentes dos de Deus. No mundo
real, nós entendemos que tudo o que jamais pensamos – da mente certa ou da mente errada –
é um sonho. O que resta agora é o instante final de reconhecimento de que Deus e Seu Filho
nunca estiveram separados. Sem separação, não existe pecado, culpa ou medo, e a gentileza
da criação é restaurada à consciência das nossas mentes santas, conforme desaparecemos no
Coração gentil de Deus.

122
LIÇÃO 266

Meu Ser santo habita em ti, Filho de Deus.

Se eu vir você como separado, afirmo que minha santidade está em mim, mas não em
você. Apenas entendendo que somos o mesmo – nós compartilhamos o sistema de
pensamento do ego assim como sua correção – entendemos que o Filho de Deus é um.

(1:1) Pai, Tu me deste todos os Teus Filhos para serem meus salvadores e meus
conselheiros naquilo que vejo; os portadores da Tua santa Voz para mim.

Nós nos lembramos da nossa Identidade por a reconhecermos em todos os que


encontramos. Na verdade, é apenas através desse reconhecimento, baseado no perdão às
nossas projeções ocultas, que tal lembrança é possível. Lembre-se de como Jesus encerra seu
tratado sobre psicoterapia:

Lembra-te do plano de Deus para a restauração da alegria e da paz. E não te


esqueças de como são simples os caminhos de Deus:
Tu estavas perdido na escuridão do mundo até
que pediste a luz. E então Deus enviou o
Seu Filho para dá-la a ti (P-3.III.8:10-13).

(1:2-5) Neles, Tu estás refletido e neles Cristo olha de volta para mim, a partir do meu
Ser. Que o Teu Filho não esqueça o Teu santo Nome. Que o Teu Filho não esqueça a sua
Fonte santa. Que o Teu Filho não esqueça que o seu nome é o Teu.

Essa é outra expressão adorável da nossa unicidade inerente como Filho de Deus, em
unidade com sua Fonte e com toda a criação.

(2) Nesse dia, entramos no paraíso, invocando o Nome de Deus e o nosso próprio nome,
reconhecendo o nosso Ser em cada um de nós, unidos no santo Amor de Deus. Quantos
salvadores nos foram dados por Deus! Como é possível perdermos o caminho para Ele,
se Ele encheu o mundo com aqueles que apontam em Sua direção e nos deu a vista para
olharmos para eles?

A sentença inicial, “Nesse dia, entramos no paraíso”, é do registro no evangelho de


Jesus rodeado pelos dois ladrões na cruz, um dos quais é tacitamente condenado, e o outro
recompensando por estar com seu Senhor no Paraíso (Lucas 23:39-43).
Estritamente falando, Deus não enche o mundo com ninguém, e então, isso se refere ao
propósito de Deus, representado pelo perdão do Espírito Santo. Não veja isso como
significando que Deus fez o mundo e o encheu de pessoas para que pudéssemos ter uma sala
de aulas na qual aprender. Ele seria cruel realmente se isso fosse verdade. É o Seu propósito
que permeia esse mundo – não Sua intervenção -, quando escolhemos olhar para ele através
dos olhos de Jesus, em vez dos nossos próprios. Portanto, o mundo real de luz saúda nossos
olhos que perdoam com alegria e contentamento, que anunciam nossa entrada no Paraíso com
Jesus e todos os nossos irmãos – o Filho único e eterno de Deus. E então, nós alegremente
lemos mais uma vez essas palavras repletas de alegria:

Como é belo o mundo cujo propósito é o perdão do Filho de Deus! Como é livre do
medo, como é cheio de bênçãos e felicidade! E que coisa alegre é habitar por um
breve momento em um lugar tão feliz! Nem se deve esquecer, em tal mundo, que o
momento é breve até que a intemporalidade venha em quietude tomar o luguar do
tempo (T-29.VI.6).
123
LIÇÃO 267

O meu coração está pulsando na paz de Deus.

Nós já vimos que quando Jesus usa a palavra coração, quer dizer mente. Coração é
simplesmente uma versão mais poética. É minha mente que pulsa na paz de Deus, certamente
não uma parte do meu corpo. Nós vimos como Jesus usa imagens do corpo através de todo o
Um Curso em Milagres – nesse caso, imagens que conotam amor -, no entanto, desnecessário
dizer, isso são apenas símbolos que nos encontram na condição física na qual pensamos
existir (T-25.I.7:4).

(1:1-3) À minha volta está toda a vida que Deus criou em Seu Amor. Ela me chama em
cada batida do coração, em cada respiração, em cada ação e em cada pensamento. A
paz enche o meu coração e inunda o meu corpo com o propósito do perdão.

Mais uma vez, Jesus indica que está falando do propósito. Nós deveríamos ser
cuidadosos para não mudarmos seu significado. Quando meu coração ou mente pulsa na paz
de Deus, é porque meu tomador de decisões uniu-se com o Espírito Santo em minha mente
certa, e, portanto, compartilha do Seu propósito. O propósito do ego para esse mundo é atacar,
dessa forma tornando a separação real. O propósito do Espírito Santo é desfazer a separação
através do perdão.

(1:4-7) Agora, a minha mente está curada e tudo o que preciso para salvar o mundo me é
dado. Cada batida do coração me traz paz; cada respiração me impregna de força. Sou
um mensageiro de Deus, dirigido pela Sua Voz, amparado por Ele no amor, para sempre
abraçado por Seus Braços amorosos em quietude e em paz. Cada batida do coração
invoca o Seu Nome e cada uma é respondida pela Sua Voz, assegurando-me que estou
em casa Nele.

Minha visão curada me mostra um mundo com um propósito, e tudo é unido nessa visão
de perdão. Minha mente agora é libertada da culpa e do ódio que me mantinham longe dos
Braços amorosos de Deus, e como os meus estão abertos para receberem o Filho de Deus,
sinto a força quieta do meu Pai me rodeando em Seu Amor quieto.

(2:1) Que eu ouça a Tua Resposta e não a minha.

Essa é uma oração ao tomador de decisões na mente, para que ele escolha a Resposta
de Deus em vez da nossa. Assim, encontramos outra maneira de dizer que reconhecemos
nossa escolha equivocada pela ilusão, e agora nos decidimos pela verdade que repousa em
nossas mentes certas, e que tem esperado pacientemente nossa decisão de nos reunirmos a
ela.

(2:2-3) Pai, o meu coração está pulsando na paz que o Coração do Amor criou. É lá e só
lá que posso estar em casa.

Alegremente aceitando a Resposta de Deus meu coração se reúne ao Dele, e sei que
estou em casa, na paz e quietude do Seu Amor. Lembre-se dessa conclusão ao já citado
poema de Helen, “A casa do meu Pai”:
Ali caminha comigo a Luz para a qual o Céu olha como a si mesmo.
Eu sou um Filho de Deus. Meu nome é o Dele. A casa do meu Pai
É onde minha quietude está (As Dádivas de Deus, p. 59).
124
LIÇÃO 268

Que todas as coisas sejam exatamente como são.

Essa é outra lição importante, a ser repetida em breve, corrigindo a necessidade do ego
de mudar a realidade, por transformá-la em seu oposto: transformar a separação em verdade,
e a unicidade em ilusão. Uma vez que reconhecemos essa mudança, podemos escolher
aceitar as coisas como verdadeiramente são, por aceitarmos a Expiação. Esse princípio está
refletido em nossas vidas diárias por deixarmos o Filho de Deus ser um – exatamente como
ele é. Identificados com o sistema de pensamento do ego, quisemos transformar o Filho de
Deus em uma multiplicidade de seres especiais: aqueles de que gostamos e os de que não
gostamos; aqueles que podemos manipular e os que não podemos. Agora, escolhemos
desfazer essas percepções equivocadas por desistirmos de todos os julgamentos.

(1:1) Senhor, que eu não seja o Teu crítico, hoje, e nem julgue contra Ti.

Todos nós tentamos provar que Deus, Jesus e o Um Curso em Milagres estão errados –
nós podemos fazer um trabalho melhor com o Céu, o mundo e o Curso. Essa é a questão à
qual Jesus se dirige aqui, e nós precisamos pedir ajuda para não julgarmos Deus, contando a
Ele sobre Seu Filho pecador.

(1:2) Que eu não tente interferir na Tua criação, nem distorcê-la em formas doentias.

Essas formas doentias não apenas compreendem a doença física, mas todas as
distorções e imagens grotescas que guardamos contra nós mesmos e os outros, que são as
projeções da distorção grotesca na mente que é a culpa, como nos lembramos dessa
declaração do panfleto Psicoterapia:

A enfermidade só pode ser a sombra da culpa, grotesca e feia, já que é uma mímica
da deformidade. Se uma deformidade é vista como algo real, como poderia ser a
sua sombra senão deformada? (P-2.IV.2:6-7).

(1:3-5) Que esteja disposto a retirar os meus desejos da sua unidade, deixando assim
que ela seja tal como a criaste. Pois assim também serei capaz de reconhecer o meu
Ser, tal como me criaste. No Amor fui criado e no Amor permanecerei para sempre.

Nós precisamos primeiro estar cientes de com que freqüência durante o dia queremos
fragmentar o Filho de Deus, e então perceber que estamos dizendo a Deus que Ele não criou
Sua Filiação corretamente – nós sabemos melhor.

(1:6) O que pode me assustar, quando deixo todas as coisas serem exatamente como
são?

Jesus nos ajuda a entender aqui que o medo vem das nossas tentativas de mudarmos a
criação. Nós podemos ser feridos apenas em um mundo dualista, mas nunca no estado de
perfeita Unicidade. Apenas na ilusão, podemos projetar culpa em outros, o que significa que
podemos ferir em troca. Sempre que nos sentirmos amedrontados, culpados ou deprimidos, é
porque negamos a realidade do Filho de Deus, dizendo: “O Filho de Deus é do jeito que eu
quero que ele seja, não do jeito que Deus o criou”.

125
(2) Que o nosso modo de ver não seja uma blasfêmia hoje, e que não prestemos ouvidos
à línguas mentirosas. Só a realidade está livre da dor. Só a realidade está livre da perda.
Só a realidade é totalmente segura. E é só isso que buscamos hoje.

Por que não iríamos escolher a felicidade, paz e segurança, quando tudo o que isso
requer é uma simples mudança da mente, da blasfêmia do ego para aceitar a santidade da
criação de Deus?

Todas essas ilusões e as muitas outras formas que a blasfêmia pode tomar são
recusas de aceitar a criação tal como ela é. Se Deus criou Seu Filho perfeito, é
assim que tens que aprender a vê-lo para aprender sobre a sua realidade. E, como
parte da Filiação, é assim que tens que ver a ti mesmo para aprender sobre a tua (T-
10.V.12:4-6).

126
LIÇÃO 269

A minha visão é dirigida para contemplar a face de Cristo.

A face de Cristo é o símbolo para a inocência do Filho de Deus, e olhar para Sua face
significa olhar para nossos irmãos impecavelmente. Isso significa que deixamos nosso
julgamento de lado, na disponibilidade de olharmos através de olhos sem pecado e vermos a
santidade do Filho de Deus sem culpa.

(1:1-2) Peço-te que abençoes a minha vista nesse dia. Ela é o meio que escolheste para
vir a ser o caminho para mostrar-me os meus equívocos e fazer com que eu olhe para o
que está além.

O meio é o perdão. Quando eu perdôo, estou pedindo a ajuda de Jesus para olhar para
os outros de forma diferente, o que significa que primeiro tenho que ver como estou olhando
através dos olhos de amor ou ódio especial do ego.

(1:3-4) À mim é dado encontrar uma nova percepção através do Guia que me deste e
através de Suas lições ultrapassar a percepção e retornar à verdade. Peço a ilusão que
transcende todas as ilusões que eu fiz.

O perdão ainda é uma ilusão, assim como a nova percepção, nascida da visão de Cristo,
porque ela corrige dentro do sonho. No entanto, é a única ilusão que desfaz todas as outras.
Os interesses separados do ego abrem caminho para a visão do Espírito Santo sobre o único
princípio verdadeiro que esse mundo contém – “ninguém perde para que cada um possa
ganhar”:

O Espírito Santo tem o poder de mudar todo o fundamento do mundo que vês em
outra coisa: uma base não insana, na qual pode basear-se uma percepção sã e um
outro mundo pode ser percebido... Nada atesta a morte e a crueldade, a separação
e a diferença. Pois aqui tudo é percebido como um só e ninguém perde para que
cada um possa ganhar (T-25.VII.5:1,3-4).

(1:5) Hoje escolho ver um mundo perdoado, no qual todos me mostram a face de Cristo
e ensinam-me que aquilo que contemplo pertence a mim; nada existe, exceto o Teu Filho
santo.

Como é adorável a visão do perdão, o mundo que olha para a face santa de Cristo, e a
vê em todos:

É a Sua impecabilidade que olhos que vêem podem contemplar. É a Sua beleza que
vêem em todas as coisas. E é a Ele que procuram em toda parte e não acham
nenhuma paisagem, nenhum lugar nem tempo onde Ele não esteja. Dentro da
santidade do teu irmão, a moldura perfeita para a tua salvação e para a salvação do
mundo,está colocada a brilhante memória Daquele em Quem vive o teu irmão e tu
junto com ele. Não permitas que os teus olhos fiquem cegos com o véu do
especialismo que esconde a face de Cristo dele e também de ti (T-24.VI.6:1-5).

(2) Hoje a nossa visão é, de fato, abençoada. Compartilhamos uma só visão ao


contemplarmos a face Daquele que é o nosso Ser. Somos um graças Àquele Que é o
Filho de Deus, Aquele que é a nossa própria identidade.
127
Antes de podermos nos lembrar de que somos um Filho, primeiro precisamos entender
que temos uma visão – uma forma sã de olharmos para tudo nesse mundo, e não é nossa
maneira de olhar. Nossa necessidade, então, é monitorarmos nossas mentes conforme
atravessamos o dia para vermos com que rapidez nos esquecemos dessa simples verdade e
tomamos partidos; vendo vencedores e perdedores, bons e maus resultados – tudo baseado
em nosso julgamento de que a separação é a realidade, e o ataque é a salvação. Reconhecer
as ilusões das nossas percepções nos permite pedir ajuda Àquele Que vê por nós, Cujo Amor
pelo Filho de Deus se torna o nosso próprio.

128
LIÇÃO 270

Hoje não usarei os olhos do corpo.

Jesus não quer dizer que deveríamos andar por aí com os olhos fechados, ou com um
olhar vidrado que diz que não vemos nada porque não existe nada aqui. Ele repetidamente nos
diz que seu curso é simples, mas nunca diz que ele é simplório. A declaração de Jesus aqui,
portanto, significa nós não deixarmos o ego interpretar o que os olhos do nosso corpo vêem.
Essa é a função dele.

(1:1) Pai, a visão de Cristo é a Tua dádiva para mim e tem o poder de traduzir tudo o que
os olhos do corpo contemplam para ver um mundo perdoado.

Essa é a chave. Você não pode traduzir algo a menos que primeiro saiba o que está
traduzindo. Portanto, os olhos do seu corpo primeiro têm que perceber o especialismo e
diferenças, bem e mal, um ou outro. Vendo seu erro nesse ponto, você pode pedir de forma
significativa ajuda a Jesus para olhar através dos seus olhos para o que você percebeu.
Perdoado, tudo parece diferente, como essa adorável passagem descreve:

Tu és capaz de imaginar quão belos parecerão para ti aqueles a quem tiveres


perdoado?... Nada do que vês aqui, dormindo ou acordado, chega perto de tamanha
beleza... Nada do que lembras, que tenha feito o teu coração cantar com alegria,
jamais te trouxe sequer uma pequena parte da felicidade que ver isso vai te trazer.
Pois verás o Filho de Deus. Contemplarás a beleza que o Espírito Santo ama
contemplar e pela qual Ele agradece ao Pai (T-17.II.1:1,3,5-7).

(1:2) Como esse mundo é glorioso e amável!

Os olhos do nosso corpo podem ver beleza, mas ela não é nada comparada à beleza do
mundo perdoado. Na verdade, é impossível descrevê-lo aos olhos terrenos. Apesar disso, o
perdão pode revelá-la para nós através da remoção dos véus que obstruíam seu encanto.

(1:3-6) No entanto, quanto mais perceberei nele do que aquilo que a vista pode dar! O
mundo perdoado significa que o Teu Filho reconhece o seu Pai, deixa que os próprios
sonhos sejam trazidos à verdade e espera ansiosamente que aquele instante a mais de
tempo que ainda resta passe para sempre, à medida que a Tua memória volta a ele. E,
agora, a sua vontade é una com a Tua. Agora a sua função é apenas a Tua própria e
qualquer pensamento que não seja o Teu se foi.

Esse é o tema de trazer a escuridão à luz, ou a ilusão à verdade. Jesus não pode ajudá-
lo a menos que você primeiro leve até ele o que ele precisa – seus sonhos e percepções
equivocadas. Só então ele pode ensiná-lo a lembrar da Vontade do seu Pai, que é uma com a
sua.

(2) A quietude de hoje abençoará os nossos corações e através deles a paz virá a todos.
Hoje Cristo é os nossos olhos. E, através da Sua vista, oferecemos ao mundo a cura
através Dele, o Filho santo a quem Deus criou íntegro, o Filho santo a quem Deus criou
uno.

O poema de Helen, “Cura”, termina com linhas que resumem lindamente o significado da
cura:
129
A dor do seu irmão
Tem apenas um remédio; o mesmo que a sua.
Ele tem que ser inteiro, porque ele se une a você,
E você é curado, porque você se une a ele.

(As Dádivas de Deus, p. 27).

130
6. O que é o Cristo?

Nós observamos que Jesus usa palavras e termos de forma diferente, dependendo do
seu contexto. Esse resumo nos provê outro exemplo, pois Cristo é usado de três maneiras. A
primeira é vista no parágrafo 1, com Cristo definido como o Filho de Deus, como Ele é no Céu:
espírito, unicidade, e amor. Sua natureza imutável nunca deixou Sua Fonte, e então, Ele
permanece em um estado não-dualista, totalmente além do mundo inexistente. No parágrafo 2,
no entanto, Jesus fala de Cristo como estando em nossas mentes certas, onde Cristo é um
sinônimo para Espírito Santo, denotando a parte de nós que habita como a Criança santa, tão
tocantemente retratada na Lição 182. Assim, Cristo refere-se não apenas ao Filho perfeito de
Deus como espírito, mas também à Correção ou princípio de Expiação do Espírito Santo, - o
propósito de Deus para o Seu Filho dentro do sonho de separação. Depois ainda, perto do fim
desse resumo, Jesus fala de ver a face de Cristo, o Filho inocente de Deus, em todos os
nossos irmãos.

(1) Cristo é o Filho de Deus tal como Ele O Criou. É o Ser que compartilhamos, unindo-
nos uns aos outros e também a Deus. Ele é o Pensamento Que ainda habita no interior
da Mente que é a Sua Fonte. Ele não deixou o Seu lar santo, nem perdeu a inocência em
que foi criado. Para sempre imutável, Ele habita na Mente de Deus.

Cristo é uma idéia na Mente de Deus e nunca deixou Sua Fonte. Esse Pensamento é a
chave para nossa liberação da prisão de separação e culpa, pois, se Cristo permanece em
casa com Sua Fonte, assim também o Filho, pois eles são um. E onde está a culpa quando a
inocência de Cristo é revelada a nós?

O Cristo, como te está sendo revelado agora, não tem passado, pois ele é imutável
e na Sua imutabilidade está a tua liberação. Pois se Ele é como foi criado, não há
nenhuma culpa Nele (T-13.VI.3:2-3).

(2:1) Cristo é o elo que te mantém um com Deus...

No texto, Jesus fala do Espírito Santo como o Elo de Comunicação entre Deus e Seus
Filhos separados, o que assegura a lembrança da nossa verdadeira Identidade, apesar dos
esforços do ego:

O elo de comunicação que o próprio Deus colocou dentro de ti, unindo a tua mente
à Sua, não pode ser quebrado. Tu podes acreditar que queres fazê-lo e essa
crença, de fato, interfere com a profunda paz na qual a doce e constante
comunicação que Deus quer compartilhar contigo é conhecida. Entretanto, os Seus
canais para a extensão não podem estar totalmente fechados e separados Dele (T-
13.XI.8:1-3).

Nós, portanto, precisamos deixar que as palavras falem através do seu conteúdo, e não
pegá-las à parte, no nível da forma, ou então vamos sutil e certamente sabotar nosso
relacionamento com o Curso. Lembre-se de que as palavras são apenas símbolos – da mente
errada e da mente certa -, que apontam para algo além de si mesmas.

(2:1) Cristo é o elo que te mantém um com Deus e garante que a separação não passa de
uma ilusão de desespero, pois a esperança habitará para sempre Nele.

Isso reflete o princípio da Expiação que diz que a separação de Deus é uma ilusão. Ela
nunca aconteceu, e reconhecer isso é nossa redenção:
131
É possível que o Filho de Deus se perca em sonhos quando Deus colocou dentro
dele o feliz chamado para despertar e ser feliz? Ele não pode separar a si mesmo
do que está nele. O seu sono não resistirá ao chamado para o despertar. A missão
da redenção será cumprida com tanta certeza quanto a criação permanecerá
intocada através de toda a eternidade (T-13.XI.10:1-4).

(2:2-3) A tua mente faz parte da Sua e a Sua da tua. Ele é a parte em que está a Resposta
de Deus, onde todas as decisões já foram tomadas e os sonhos já acabaram.

Tem sido dito a nós repetidamente no Um Curso em Milagres que a Resposta de Deus é
o Espírito Santo, Que reside em nossas mentes certas. Cristo, portanto, é agora definido como
estando em nossas mentes certas, e Seu Amor nos chama para respondermos Sua Resposta
com nossa aceitação:

É uma resposta exaltada, devido à sua Fonte, mas a Fonte é verdadeira assim
como a Sua resposta. Escuta e não questiones o que ouves, pois Deus não engana.
Ele quer que substituas a crença do ego na pequenez pela Sua própria Resposta
exaltada quanto ao que tu és, de modo que possas parar de questioná-la e a
conheças assim como é (T-9.VIII.11:7-9).

Assim, nossas mentes certas esperam nossa decisão. Vamos tomá-la logo!

(2:4-5) Ele permanece intocado por todas as coisas que os olhos do corpo percebem.
Pois embora o Pai tenha depositado Nele os meios para a tua salvação, Ele continua
sendo o Ser Que, como o Pai, desconhece o pecado.

Mais uma vez, nos são oferecidas duas formas de concebermos Cristo. A última parte
da sentença 5 é o Cristo da Mente Única, o Ser Que é impecável e totalmente em unidade com
Seu Pai. A primeira parte fala de Cristo como estando em nossas mentes certas – o meio para
nos salvarmos de acreditarmos equivocadamente na realidade da separação e do corpo.
Portanto, somos lembrados no texto de que nosso Ser não reside em um corpo, embora seja aí
que a percepção seja experimentada, terminando na mente que foi curada dos pensamentos
ilusórios de pecado:

O Cristo em ti não habita em um corpo. Entretanto, Ele está em ti. E


conseqüentemente não podes estar dentro de um corpo... Cristo está dentro de uma
moldura de santidade cujo único propósito é que Ele possa se tornar manifesto para
aqueles que não O conhecem, que ele os possa chamar para que venham a Ele e o
vejam ali onde imaginavam que estivessem os seus corpos... Ninguém que carregue
Cristo em si mesmo pode deixar de reconhecê-Lo em toda parte. Exceto nos corpos.
E enquanto a pessoa acredita que está em um corpo, onde pensa que está, Ele não
pode estar... O corpo não necessita de cura. Mas a mente que pensa ser um corpo
está, de fato, doente! E é aqui que Cristo demonstra o remédio. O Seu propósito
envolve o corpo em Sua luz e o preenche com a santidade que se irradia a partir
Dele (T-25.in.1:1-3,8; 2:1-3; 3:1-4).

Aqui, mais uma vez, vemos como Jesus não tira nossas identificações corporais, mas
simplesmente transforma seu propósito do pecado para a santidade, da culpa para o perdão,
da escuridão para a luz.

(3) Lar do Espírito Santo, em casa apenas em Deus, Cristo permanece em paz dentro do
Céu da tua mente santa. Essa é a única parte de ti que verdadeiramente tem realidade. O
132
resto são sonhos. Mas esses sonhos serão dados a Cristo, para que se desvaneçam
diante da Sua Glória e enfim revelem a ti o teu Ser santo, o Cristo.

Mais uma vez, vemos referências aos dois aspectos de Cristo: o Filho único de Deus, e
o princípio de correção da mente certa que leva ao mundo real, além do qual está a glória do
amor do Céu, nosso verdadeiro lar:

Ele [Cristo] olha em quietude para o mundo real, o qual quer compartilhar contigo,
porque Ele conhece o Amor do Pai por Ele. E conhecendo isso, Ele quer te dar o
que é teu. Em perfeita paz Ele te espera no altar de Seu Pai, oferecendo o Amor do
Pai a ti na luz serena da benção do Espírito Santo. Pois o Espírito Santo conduzirá
cada um para sua casa e para o seu Pai, onde Cristo o espera como Seu Ser (T-
12.VI.5:6-9).

(4:1-2) A partir do Cristo em ti, o Espírito Santo alcança todos os teus sonhos e pede que
venham a Ele para serem traduzidos em verdade. Ele os trocará pelo sonho final, que
Deus designou como o fim dos sonhos.

Somos lembrados de que devemos levar a escuridão da ilusão à luz da verdade; nossos
pesadelos aos sonhos felizes de perdão do Espírito Santo. Quando todos os nossos sonhos
forem felizes e nossa prática diária de perdão estiver completa, o Espírito Santo nos levará ao
sonho final – o mundo real -, no qual toda escolha está feita. Jesus explica em outro trecho que
nós permaneceremos nesse sonho final apenas um instante, e então Deus se abaixará e nos
levantará de volta até Ele (T-11.VIII.15:4-5). Em “As Dádivas de Deus”, ele descreve a alegria
de voltarmos para o Cristo Que é o nosso Ser.

Quão alegre e quão santo é nosso caminho quando


a morte não tem domínio, e o sonho de separação,
agonia e perda foi dispersado para sempre. Não pense
que qualquer coisa que as dádivas de medo mantém
valha um instante de hesitação, quando o portão do Céu
permanece diante de você e o Cristo de Deus está
esperando seu retorno. Aquiete-se e ouça-O, pois Seu
chamado a você não poderia ser mais insistente, nem
mais caro, pois ele é apenas o chamado do próprio Amor,
que não vai deixar de falar de Deus a você. Você se
esqueceu. Mas Ele ainda é fiel, porque Ele é muito igual
a Seu Pai. Ele se lembra Dele para sempre em Seu Amor.
E Ele não pode se esquecer de que a criação é inseparável
do Criador, então, Ele entende que você é parte de Deus e
do Filho, criado como Ele Mesmo.

(As Dádivas de Deus, p. 121,122).

(4:3) Pois quando o perdão descansar sobre o mundo e a paz tiver vindo a todos os
Filhos de Deus, o que mais poderia haver para manter as coisas separadas, já que o que
resta para ser visto é apenas a face de Cristo?

A face de Cristo simboliza a inocência do Filho de Deus. Se ele é inocente, não existe
pecado e, portanto, nem separação. Em nosso estado da mente certa, nossos olhos físicos vão
continuar a ver, no entanto, através da visão de Cristo, nós entendemos que o que vemos são
apenas figuras em um sonho, aspectos do Filho único de Deus que adormeceu. No mundo
real, estamos fora do sonho, e percebemos que apenas Deus é verdadeiro. Tal é o propósito
133
santo do perdão, e sua compreensão é garantida por Deus. Quando nada restar além da face
de Cristo, o Amor totalmente inclusivo de Deus pode estar muito longe?

Esse é o propósito que vos é dado. Não penseis que o vosso perdão ao vosso irmão
só serve para vós. Pois todo o mundo novo descansa nas mãos de cada dois irmãos
que aqui entram para descansar. E à medida que descansam, a face de Cristo
resplandece sobre eles e se lembram das leis de Deus, esquecendo-se de todo o
resto e ansiando apenas que as Suas leis sejam cumpridas perfeitamente neles e
em todos os seus irmãos (T-20.IV.7:1-4).

(5:1) E por quanto tempo essa face santa será vista, se não passa de um símbolo,
indicando que o tempo do aprendizado agora terminou e a meta da Expiação foi, enfim,
alcançada?

Em algum trecho do Um Curso em Milagres, ver a face de Cristo é parte do processo


contínuo de perdão; mas aqui, Jesus fala dela como o produto final – o mundo real, quando o
tempo do aprendizado termina. Tendo escolhido apenas a verdade, não pode haver mente
errada e, portanto, nem mente certa também – nada permanece para ser corrigido. A
percepção dura apenas mais um instante, e depois, tudo se vai exceto Deus.

As estrelas desaparecerão na luz e o sol que abriu o mundo à beleza se


desvanecerá. A percepção não terá significado quando tiver se tornado perfeita, pois
todas as coisas que tiverem sido usadas para o aprendizado não mais terão
qualquer função. Nada jamais mudará; nem ocorrerão os deslocamentos, nem as
nuances, nem as diferença, nem as variações que fizeram com que a percepção
fosse possível. A percepção do mundo real será tão breve que mal terás tempo para
agradecer a Deus por ela. Pois Deus dará o ultimo passo prontamente, quando
tiveres alcançado o mundo real e estiveres pronto para Ele (T-17.II.4).

(5:2) Portanto, busquemos achar a face de Cristo e não olhar para nada mais.

Essa deveria ser nossa oração conforme atravessarmos o dia: “Que vejamos apenas a
face de Cristo e não olhemos para mais nada”. O ego nos fez buscar a face do pecado e culpa
do ego; mas nunca em nós mesmos. Tendo primeiro tornado essa face real em nossas
mentes, nós fingimos que ela não está lá, mas em outros. Portanto, precisamos reconhecer
como o que está acima não é nossa oração, que é: “Que eu busque apenas a face do ego e
não olhe para nada mais. Exceto que não a quero ver no espelho, mas apenas em você”.

(5:3) Quando contemplarmos a Sua glória, teremos o conhecimento de não precisar de


aprendizado, de percepção ou de tempo ou de coisa alguma, exceto do Ser santo, o
Cristo Que Deus criou como Seu Filho.

O único propósito do Espírito Santo para a percepção – o mundo do tempo e espaço – é


que ela se torne nossa sala de aula para aprendermos que tudo isso é ilusório. Conforme
progredimos, primeiro vemos a face de Cristo em nosso irmão – o sonho feliz do Espírito
Santo. Praticando essa visão de forma cada vez mais consistente, aprendemos que essa face
de inocência é compartilhada por todos, pois compartilhamos um Ser:

A face de Cristo é contemplada antes do Pai ser lembrado. Pois Ele tem que
continuar sem ser lembrado enquanto o Seu Filho não tiver alcançado o que está
além do perdão, o Amor de Deus. Entretanto, o Amor de Cristo é aceito antes. E
então virá o conhecimento de que Eles são um só (T-30.V.7:5-8).

134
LIÇÃO 271

A visão de Cristo é a que usarei hoje.

Somos lembrados nessa lição de que a visão é a única escolha entre a forma de ver do
ego e a visão de Cristo.

(1:1) A cada dia, a cada hora, a cada instante, estou escolhendo o que quero contemplar,
os sons que quero ouvir, as testemunhas daquilo que quero que seja a verdade para
mim.

Jesus não se refere ao que nossos olhos físicos vêem, mas ao significado do que eles
vêem. Em outras palavras, qual testemunha chamamos: crucificação ou ressurreição; o
pecado, culpa e medo do ego, ou o perdão e paz do Espírito Santo?

A cada dia, a cada hora, a cada minuto, e até mesmo a cada segundo estás te
decidindo entre a crucificação e a ressurreição, entre o ego e o Espírito Santo. O
ego é a escolha a favor da culpa, o Espírito Santo, a escolha pela inculpabilidade...
Aquilo entre o que decides é fixo, porque não existem alternativas exceto verdade e
ilusão... Tu és culpado ou sem culpa, preso ou livre, feliz ou infeliz (T-14.III.4:1-
2,4,6).

(1:2-4) Hoje escolho contemplar o que Cristo quer que eu veja, escutar a Voz de Deus e
buscar os testemunhos do que é verdadeiro na criação de Deus. Na vista de Cristo, o
mundo e a criação de Deus se encontram e, ao reunirem-se, toda percepção desaparece.
A Sua vista benigna redime o mundo da morte, pois nada do que Ele olha pode deixar de
viver, lembrando-Se do Pai e do Filho, o Criador e a criação unificados.

Essa, mais uma vez, é uma escolha. O que junta o mundo e a verdade é a visão de
Cristo. Seu fator unificador reflete a verdade da Unicidade de Deus, que retorna à nossa
consciência enquanto tanto a percepção falsa quanto a verdadeira desaparecem na luz única
da criação.

(2:1) Pai, a visão de Cristo é o caminho para Ti.

Em outro trecho, Jesus nos diz que o perdão é o caminho – nomes diferentes para o
mesmo processo.

Perdão, salvação, Expiação, percepção verdadeira; todos são um. Todos eles são o
único começo com o fim de levar à Unicidade, muito além deles próprios (ET-4.3:6-
7).

(2:2) O que Ele contempla convida a Tua memória a ser restaurada em mim.

Eu me referi à quase-fórmula no Um Curso em Milagres de ver a face de Cristo em


nosso irmão, e depois, lembrar-se de Deus. Lembre-se dessa declaração sucinta do texto:

A face de Cristo é contemplada antes do Pai ser lembrado. Pois Ele tem que
continuar sem ser lembrado enquanto o Seu Filho não tiver alcançado o que está
além do perdão, o Amor de Deus. Entretanto, o Amor de Cristo é aceito antes. E
então virá o conhecimento de que Eles são um só (T-30.V.7:5-8).
135
(2:3) E é para isso que eu escolho olhar no dia de hoje.

Minha escolha equivocada foi a de ter olhado para o corpo e o ter tornado real,
acreditando no que vi. No entanto, embora os olhos do meu especialismo ainda vejam o corpo,
agora é com uma interpretação diferente. Através da visão de Cristo, a consciência do meu Ser
é restaurada a mim.

136
LIÇÃO 272

Como podem ilusões satisfazer o Filho de Deus?

Jesus nos diz através de todo o Um Curso em Milagres que nunca vamos estar
satisfeitos, felizes, ou pacíficos no mundo, porque apenas ilusões existem aqui. Os ídolos do
especialismo funcionam por um tempo, e depois falham conosco, mas o amor de Jesus
funciona o tempo todo e nunca falha, não importando as circunstâncias externas. Portanto, ele
diria: “Deixe que meu amor seja o que você busca, porque só isso vai satisfazê-lo”.

(1:1-2) Pai, a verdade me pertence. A minha casa foi estabelecida no céu, pela tua
Vontade e pela minha.

Vamos ler novamente essas palavras reconfortantes do Epílogo ao esclarecimento de


termos, similar às linhas acima:

Nós já começamos a jornada. Há muito tempo o fim estava escrito nas estrelas e
firmado nos céus com um raio brilhante que o manteve a salvo na eternidade assim
como ao longo de todo o tempo. E ainda o mantém; sem que nada tenha sido
mudado, sem que nada esteja sendo mudado e para todo o sempre imutável (ET-
ep.2:4-6).

(1:3-8) Podem sonhos contentar-me? Podem ilusões trazer-me felicidade? O que, senão
a Tua memória, pode satisfazer o Teu Filho? Não aceitarei nada menos do que me deste.
Estou cercado pelo Teu Amor, para sempre sereno, para sempre gentil, para sempre a
salvo. O Filho de Deus tem que ser como Tu o criaste.

Nós entendemos nosso equívoco, pois escolher ilusões não nos trouxe felicidade. No
entanto, a verdade da Expiação do Espírito Santo nos restaura a feliz memória do Amor do
Céu:

Lembra-te de que sempre escolhes entre a verdade e a ilusão, entre a Expiação real
que curaria e a “expiação” do ego, que destruiria. O poder de Deus e todo o Seu
Amor sem limites irão apoiar-te à medida em que buscas apenas o teu lugar no
plano da Expiação que surge do Seu Amor (T-16.VII.10:1-2).

(2) Hoje, deixaremos as ilusões para trás. E se ouvirmos a tentação chamar-nos para que
fiquemos e nos detenhamos num sonho, nós nos desviaremos e nos perguntaremos se
nós, os Filhos de Deus, poderíamos nos contentar com sonhos, quando o Céu pode ser
escolhido com a mesma facilidade que o inferno, e o amor alegremente substituirá todo
o medo.

Jesus está nos dizendo, como vamos ver repetidamente, que estamos continuamente
tentados a nos deixamos ficar nos sonhos dos relacionamentos especiais do ego, e não
podemos deixar de sofrer por causa dos seus pensamentos de ataque e julgamento. No
entanto, Jesus quer que reconheçamos quanta mágoa e dor nosso especialismo traz, pois
nesse momento de reconhecimento, vamos alegremente aceitar essas palavras, alegremente
segurando sua mão, conforme damos um passo para fora do sonho com ele. Essa é nossa
escolha para fazermos. Jesus não pode fazê-la por nós, no entanto, sua presença amorosa
continuamente nos chama para fazermos a única escolha que ele fez, como lemos novamente
no texto:
137
Já tenho dito que posso alcançar o que está acima e trazer o Espírito Santo para ti,
mas só posso trazê-Lo a ti com o teu próprio convite. O Espírito Santo está em tua
mente certa, assim como estava na minha. A Bíblia diz, “Tende em vós a mesma
mente que estava também em Cristo Jesus”, e usa isso como uma bênção... Ela
pede que possas pensar como eu pensei, unindo-te a mim no pensamento de Cristo
(T-5.I.3:2-4,6).

Como poderíamos não fazer tal escolha, quando só o Céu vai nos trazer paz?

138
LIÇÃO 273

A quietude da paz de Deus é minha.

Jesus nos diz que ele sabe que nós nem sempre vamos escolher a paz de Deus.

(1:1-2) Talvez agora estejamos prontos para um dia de tranqüilidade sem perturbações.
Se isso ainda não for viável, ficaremos contentes e mais do que satisfeitos em aprender
como tal dia pode ser conseguido.

Jesus nos pede para não fingirmos que somos gigantes espirituais: “Eu sei que você não
está pronto para um dia de tranqüilidade e paz sem perturbações, porque, se estivesse, não
iria precisar de mim como seu professor, nem desse livro de exercícios. Portanto, deixe-me
ensiná-lo a perdoar, permitindo que a paz venha à sua mente perturbada e conflitada”. Ele
continua:

(1:3-4) Se cedermos a alguma perturbação, aprendamos como eliminá-la e voltar à paz.


Precisamos apenas dizer às nossas mentes com certeza: “A quietude da paz de Deus é
minha”, e nada poderá interferir na paz que o próprio Deus deu ao Seu Filho.

Para encontrarmos a paz e ultrapassarmos a perturbação à qual sucumbimos,


precisamos apenas nos voltar para Jesus e dizer: “Sou grato por você estar certo e eu errado”.
Portanto, a humildade à qual repetidamente voltamos. Nós precisamos estar cientes, então, de
que se não estivermos em paz, é porque escolhemos o ego, uma escolha pelo conflito.
Portanto, é sempre o caso da nossa falta de paz ser provocada não pelo que alguém mais nos
fez, mas por algo que nós fizemos a nós mesmos. No entanto, poderíamos tão facilmente
quanto isso escolher o Espírito Santo como nosso Professor, pois mesmo em meio à nossa
insanidade, Sua verdade pacientemente espera por nós, como lemos no texto:

Quando pareces ver alguma forma distorcida do erro original surgindo para
amedrontar-te, apenas diga: “Deus não é medo, mas Amor” e ela desaparecerá. A
verdade te salvará. Ela não te deixou para sair para esse mundo louco e assim
afastar-se de ti. Dentro de ti está a sanidade, a insanidade está fora de ti (T-18.I.7:1-
4).

(2) Pai, a Tua paz é a minha. Que necessidade tenho eu de ter medo de que algo possa
roubar-me o que queres que eu guarde? Não posso perder as Tuas dádivas para mim. E
assim a paz que deste ao Teu Filho ainda está comigo, na quietude e no meu próprio
amor eterno por Ti.

Apenas nosso medo disso poderia nos roubar a paz que Deus gostaria que
mantivéssemos. Nós mesmos fazemos isso, e é essencial entendermos a decisão da mente e
reconhecermos sua motivação subjacente. Em outras palavras, existe um propósito por trás de
nos sentirmos infelizes ou perturbados. A paz e a felicidade têm conseqüências que nossos
egos temem, pois não iríamos mais saber quem éramos. Portanto, em vez de aceitarmos a
responsabilidade pelo conflito que escolhemos, nós o projetamos nos outros e os acusamos de
terem roubado nossa paz, deixando-nos perturbados e inquietos. Lembre, no entanto, dessa
estrofe do poema de Helen, “A Dádiva do Céu”, lembrando-nos de que a perda de qualquer
tipo, de qualquer fonte, é uma ilusão – nós permanecemos para sempre em unidade na paz
que nosso Pai nos deu:

139
Ninguém pode tirar nada de tudo.
Sua própria completeza é uma garantia
De que ele é completo para sempre. Não pode
Haver perda que não seja restaurada antes de acontecer.

(As Dádivas de Deus, p. 80)

140
LIÇÃO 274

O dia de hoje pertence ao Amor. Que eu não tenha medo.

A Lição 274 dá continuidade à Lição 268, “Que todas as coisas sejam exatamente como
são”. Jesus começa com o pensamento expresso naquela lição:

(1:1) Pai, hoje quero deixar que todas as coisas sejam como Tu as criaste e dar ao Teu
Filho a honra devida à sua impecabilidade, o amor de um irmão ao seu irmão e ao seu
Amigo.

Percebendo que você é meu irmão, trilhando o mesmo caminho que eu, aprendo que
você também é meu Amigo. Eu, portanto, primeiro vejo a face de Cristo em você, percebendo
que você e eu compartilhamos a mesma crença ilusória no pecado, mas compartilhamos
também o perdão do Filho inocente de Deus. É apenas então que minha mente curada se
lembra de que nós compartilhamos o mesmo Ser unificado e impecável – dois amigos se
tornam um Amigo:

Esse é o teu irmão, crucificado pelo pecado e esperando pela liberação da dor. Não
queres oferecer-lhe o perdão, quando somente ele pode oferecê-lo a ti? Pela sua
redenção, ele te dará a tua, com tanta certeza quanto Deus criou cada coisa viva e a
ama. E ele a dará verdadeiramente, pois será ao mesmo tempo oferecida e
recebida. Não há nenhuma graça no Céu que tu não possas oferecer ao teu irmão e
receber do teu santíssimo Amigo (T-19.IV-D.15:1-5).

(1:2-3) Através disso sou redimido. Através disso, a verdade também penetrará onde
estavam as ilusões, a luz tomará o lugar de toda escuridão e o Teu Filho terá o
conhecimento de que ele é tal como o criaste.

Escolher o Amor de Deus significa que não haverá medo, e, portanto, nenhuma dor ou
mágoa. Quando estamos com medo é porque escolhemos contra o Amor e a unidade de Cristo
– a escolha de tornar um ou outro o princípio reinante em nossas vidas: você perde para que
eu ganhe. Com que facilidade essa lei ilusória de escuridão é substituída pela luz da verdade!
E com que facilidade podemos reconhecer nosso equívoco e escolher outra vez, lembrando-
nos de que apesar dos nosso pesadelos de separação e morte, o Filho de Deus permanece
como foi criado. Essa correção requer apenas nossa pequena disponibilidade de admitirmos
que estávamos errados e Deus certo.

(2) Uma bênção especial vem a nós hoje Daquele Que é o nosso Pai. Dá a Ele esse dia e,
hoje, não haverá medo, porque o dia foi dado ao Amor.

Mais uma vez, vemos uma referência à maravilhosa declaração bíblica “O perfeito amor
expulsa o medo”, tão familiar a nós:

No amor perfeito não existe medo. Nós só estaremos fazendo com que seja perfeito
para ti o que já é perfeito em ti... Tu, que tentaste banir o amor, não tiveste êxito,
mas tu que escolheste banir o medo, não podes deixar de ter sucesso. O Senhor é
contigo, embora não o saibas. Porém, o teu Redentor vive e está para sempre em ti,
na paz da qual Ele foi criado. Não trocarias a consciência do medo por essa
consciência? (T-12.II.8:1-2; 9:1-4).

141
Quem, com tal escolha nítida aberta diante de si não iria escolher contra o ódio do ego –
sua “redenção” do pecado e do medo -, quando a bênção do Amor de Deus é mantida como
uma maneira certa de sair do medo?

142
LIÇÃO 275

A Voz de Deus, que traz a cura, protege todas as coisas hoje.

Essa lição está centrada no Espírito Santo.

(1:1-2) Hoje prestemos atenção à Voz por Deus, Que dá uma lição antiga, em nada mais
verdadeira nesse dia do que em qualquer outro. Mas esse dia foi escolhido como o
momento em que buscamos e ouvimos e aprendemos e compreendemos.

A lição antiga é o princípio da Expiação de que a separação nunca aconteceu. Jesus


está falando conosco para escolhermos hoje o Espírito Santo como nosso Professor em vez do
ego. A escolha é nossa: ouvir Sua Voz e só Sua Voz. Com muita freqüência, será um dia no
qual vamos de um lado para outro entre as duas vozes. No entanto, queremos sempre estar
cientes de que se estivermos em um estado de medo, ansiedade ou desconforto, será apenas
por causa da escolha que fizemos, que pode alegremente ser mudada em um instante.

(1:3-6) Une-te a mim para ouvir. Pois a Voz por Deus nos diz coisas que não podemos
compreender sozinhos e nem aprender separados. É nisso que todas as coisas são
protegidas. E nisso a cura que vem da Voz por Deus é achada.

Jesus está nos dizendo: “Eu ouço a Voz do Espírito Santo porque não existe nenhuma
outra. Una-se a mim nesse lugar de refúgio na mente certa, e você também vai ouvi-Lo”. O
verdadeiro aprendizado e compreensão acontecem apenas quando desaprendemos a crença
do ego na separação e diferenças. Jesus não está falando sobre entender algo que um livro
diga, como aconteceria com um teorema sobre física ou regra de lógica, mas entender a
verdade. Se a verdade é unicidade, entender nesse mundo significa qualquer coisa que reflita a
unicidade. Isso não pode ser entendido sozinho. Se eu tentar fazê-lo – excluindo outros – nego
a própria unicidade que busco entender. O verdadeiro aprendizado, portanto, acontece apenas
no contexto do perdão, porque a única coisa a ser aprendida é o desaprendizado da separação
e interesses separados.

(2) A Tua Voz que traz a cura hoje protege todas as coisas, e assim entrego tudo a Ti. Eu
não preciso estar ansioso a respeito de nada. Pois a Tua Voz me dirá o que fazer e
aonde ir, a quem falar e o que dizer a ele, que pensamentos ter, que palavras dar ao
mundo. A segurança que trago me é dada. Pai, a Tua Voz protege todas as coisas
através de mim.

A sentença 3, “Pois a Tua Voz me dirá...”, é dirigida a todos nós no início da escada,
onde acreditamos existir como corpos. Nós pensamos que nos é dito para fazermos e dizermos
coisas específicas, através de uma Voz específica, mas, quando nos unimos ao Amor não-
específico do Espírito Santo, nossa mente orientada para as especificidades, que acredita que
é um corpo específico, traduziu o amor não-específico em orientação e instrução específicas.
Em passagens como essa, portanto, Jesus se dirige a nós no nível da nossa experiência.
Conforme progredimos para cima da escada, no entanto, chegamos a entender melhor as
passagens no Um Curso em Milagres que ensinam que palavras foram feitas para nos separar
de Deus. Ele não as entende, e as especificidades nos enraízam no sonho do mundo, em vez
de nos ajudarem a despertar dele. Portanto, Jesus fala conosco no nível da nossa identificação
corporal. Uma vez que vivemos em um constante estado de medo, altamente vulneráveis às
ameaças potencias apresentadas pelo mundo ao nosso redor, nós desesperadamente
precisamos da proteção que Jesus mantém para nós aqui. Ser-nos dito que Deus ou o Espírito
Santo são não-específicos não seria útil em nosso estado amedrontado de especificidade

143
percebida, e então, Jesus apresenta sua mensagem a nós como um reflexo da verdade não-
específica com a qual podemos nos relacionar, entender e finalmente aceitar.
LIÇÃO 276

O Verbo de Deus me é dado para manifestar em palavras.

Como vimos, Verbo, no Um Curso em Milagres, é quase sempre uma referência ao


princípio de Expiação ou sua expressão.

(1:1-4) O que é o Verbo de Deus? “Meu Filho é puro e santo como Eu Mesmo”. E assim
Deus veio a ser o Pai do Filho que Ele ama, pois assim ele foi criado. Esse é o Verbo que
o Seu Filho não criou com Ele, porque nele o Seu Filho nasceu.

Lembre-se do final de “Votos secretos”, onde Jesus diz virtualmente a mesma coisa, em
referência ao Verbo de Deus e à promessa que Ele fez:

Ao criá-lo assim disse o seu Pai: “Tu és meu amado e Eu o teu para sempre. Sê
pois perfeito como Eu sou, pois nunca poderás estar à parte de Mim”. Seu Filho não
se lembra de que ele Lhe respondeu “Assim serei”, embora ele tenha nascido nesta
promessa (T-28.VI.6:4-6).

(1:5) Aceitemos a Sua Paternidade e tudo nos será dado.

Isso corrige o momento original, quando negamos a Paternidade de Deus e dissemos


que o ego era nosso pai, o início do problema de autoridade. Quando finalmente entendemos
que cometemos um equívoco e vemos suas conseqüências amedrontadoras de infelicidade e
dor, voltamos à fonte do equívoco – a negação do princípio de Expiação que diz: “Deus é seu
Pai e você nunca O deixou” – e aceitamos a Correção.

(1:6-7) Ao negarmos que fomos criados no Seu Amor, estamos negando o nosso Ser
para ficarmos incertos quanto a quem somos, quanto a Quem é o nosso Pai e a que
propósito viemos. Entretanto, precisamos apenas reconhecer Aquele Que nos deu o Seu
Verbo na nossa criação para lembrarmo-nos Dele e, assim, chamar de volta o nosso Ser.

Uma vez que o problema é nossa negação do amor, a solução é simplesmente aceitá-lo.
Toda dúvida e incerteza vêm dessa negação, pois como podemos estar certos do nosso Ser se
estamos incertos sobre nossa Fonte? Nós aprendemos a reconhecer Deus como Pai por
reconhecermos nossos irmãos como parte de nós. Aquietando os gritos estridentes de ódio e
julgamento do ego, nós quietamente nos lembramos de Quem somos:

A Sua quietude vem a ser a tua certeza. E onde está a dúvida quando a certeza
veio? (T-24.V.9:6-7).

(2) Pai, o Teu Verbo é meu. E é isso que quero manifestar em palavras a todos os meus
irmãos, que me são dados para estimar como a mim mesmo, assim como sou amado,
abençoado e salvo por Ti.

O Verbo de Deus é o princípio da Expiação que diz que Ele me criou, e permaneço não-
separado Dele nessa criação. Portanto, nossa mensagem a todos reflete a Expiação: Você e
eu não somos separados. Qualquer coisa de que eu o acuse de estar fazendo, qualquer coisa
que você pense ter feito, qualquer dor que esteja sentindo – não mudou o fato de que você
144
permanece o Filho santo de Deus, perfeitamente em unidade com sua Fonte. Essa certeza é
comunicada pelo amor e paz que você compartilha com os outros. Não é algo que
comunicamos verbalmente, mas através da demonstração. Jesus, portanto, nos instrui de que
quando estamos na presença daqueles que ainda sonham que são separados de Deus, nosso
amor, nascido da nossa aceitação do Verbo de que somos parte de Deus e nunca O deixamos,
ensina o mundo sobre a verdade de Expiação que o cura de toda dor e sofrimento.

145
LIÇÃO 277

Que eu não prenda o Teu Filho com as leis que fiz.

As Lições 277 e 278 são uma díade, tratando do tema familiar e biblicamente
relacionado de aprisionar e libertar. Quando nós prendemos outra pessoa, prendemos a nós
mesmos, e, em última instância, prendemos Deus, pelo menos em nossos sonhos. As leis às
quais Jesus se refere são as leis de especialismo do corpo, particularmente a lei de um ou
outro. Eu prendo e aprisiono você por lhe dar o meu pecado, dessa forma esperando que você
fique na prisão até Deus encontrá-lo e puni-lo pelo seu pecado. Ao fazer isso, tenho a ilusão de
estar livre. Mais cedo no livro de exercícios, Jesus explicou que o carcereiro é tão aprisionado
quanto o prisioneiro (LE-pI.192.8). Embora cada um esteja do lado oposto das barras, ambos
estão confinados pela prisão do pecado. Se eu acusar você, quero mantê-lo aprisionado no
pecado; no entanto, eu continuamente tenho que projetar o meu em você, para mantê-lo lá.
Isso claramente me aprisiona pelo pecado, pois eu mesmo me aprisionei pela necessidade de
projetar, atacar e aprisionar.

(1:1-3) O Teu Filho é livre, meu Pai. Que eu não imagine que o prendi com as leis que fiz
para dominar o corpo. Ele não está sujeito a nenhuma lei que eu tenha feito através das
quais tento tornar o corpo mais seguro.

Eu asseguro a segurança do meu corpo atacando você – a lei fundamental do ego. Na


verdade, ela é subjacente a todas as leis corporais – um ou outro.

(1:4-6) Ele não foi mudado pelo que é mutável. Não é escravo de nenhuma das leis do
tempo. Ele é tal como o criaste, pois desconhece todas as leis, exceto a lei do amor.

Não importando nossos sonhos insanos de tempo e espaço, a lei pela qual o Filho de
Deus foi criado nunca deixou de existir – a verdade nunca mudou, e nós nunca adormecemos:

Despertar em Cristo é seguir as leis do amor pelo teu livre arbítrio a partir do quieto
reconhecimento da verdade que elas contêm (T-13.VI.12:1).

(2:1-2) Não adoremos ídolos, nem acreditemos em nenhuma lei que a idolatria faria para
esconder a liberdade do Filho de Deus. Ele não está limitado, a não ser pelas próprias
crenças.

Esse é o ídolo de especialismo do ego, que diz que minha felicidade é encontrada à
custa de alguém mais – se eu aprisionar você, estarei livre. Apoiando seu conto de infortúnio,
eu digo: “Pobrezinho, pobrezinho; você está preso por essas coisas terríveis que o vitimaram,
sobre as quais não tem controle. É claro que você se sente muito mal. Qualquer um em sua
situação se sentiria”. No entanto, tudo o que realmente faço é ensinar que você está certo em
acreditar que é vitimado por qualquer coisa fora de você mesmo. Desnecessário dizer, estou
ensinando a mim mesmo a mesma coisa sobre a impotência da mente. Jesus, no entanto, quer
que eu ensine em vez disso que você poderia compartilhar a paz que é minha no instante
santo. Isso vai lembrá-lo de que existe outra escolha disponível para você, e, se você estiver
infeliz, é apenas por causa da sua escolha anterior da mente de ver a si mesmo como
separado da sua Fonte, vitimado pelo pecado – o seu ou o de outra pessoa.

146
(2:3-5) Entretanto, o que ele é está muito além da sua fé na escravidão ou na liberdade.
Ele é livre por ser o Filho do seu Pai. E não pode ser limitado, a menos que a verdade de
Deus possa mentir e que a Vontade de Deus possa ser que Ele engane a Si Mesmo.

E então, queremos ensinar uns aos outros que estamos presos apenas pela nossa
escolha equivocada, facilmente desfeita quando percebemos o quanto estávamos errados, pois
Deus não pode estar errado sobre Seu Filho. A Lição 278 leva esse princípio ainda um passo
adiante.

147
LIÇAO 278

Se sou limitado, o meu Pai não é livre.

Se você ou eu estivermos aprisionados, Deus tem que estar também, pois nós somos
um; se eu negar a unidade da Filiação, nego a realidade da criação e, portanto, nego a
realidade de Deus. No entanto, isso é uma distorção da verdadeira Unicidade do Pai e do Filho,
pois nós somos um no Amor de Deus e na liberdade da Sua Vontade.

(1:1-2) Se aceito que sou um prisioneiro dentro de um corpo, num mundo em que todas
as coisas que aparentam viver parecem morrer, então o meu Pai é prisioneiro comigo. E
é nisso que eu acredito quando afirmo que tenho que obedecer às leis que o mundo
obedece, que as fragilidades e os pecados que percebo são reais e não se pode escapar.

Assim, tornei Deus tão insano quanto eu, trazendo à mente a segunda e terceira leis do
caos (T-23.II.4-8) – o corpo pecador é real, Deus criou o corpo, e, portanto, Ele tem que ser
insano, pois acredita na separação, nascimento e morte.
Nós não somos solicitados, enquanto estamos nos degraus iniciais da escada, a
negarmos que somos um corpo sujeito às leis físicas. Por exemplo, se está frio lá fora, você
usa uma casaco, e não atravessa a rua na frente dos carros que estão passando. Você
obedece às leis no mundo, no entanto, com a consciência de que está obedecendo ao que é
inerentemente uma ilusão. Lembre-se da discussão na Lição 76, “Eu não estou sujeito a outras
leis, senão às de Deus”. A única lei que você realmente quer obedecer é o perdão, que permite
que você escolha ser feliz – em paz em vez de em conflito.

(1:3-5) Se sou limitado de qualquer forma, não conheço o meu Pai e nem o meu Ser. E
estou perdido para toda realidade. Pois a verdade é livre e o que é limitado não faz parte
da verdade.

Enquanto eu me identificar com o meu corpo, estou preso às suas leis. No entanto,
Jesus ensina que minha experiência engana, pois o corpo não é minha realidade. O currículo
do seu curso me faz sair de onde acredito estar – o corpo – e me leva a onde realmente estou
no sonho – a mente. Não sou solicitado a negar as leis do corpo, mas apenas a interpretá-las
através das leis do perdão. Lembre-se, estar preso não tem nada a ver com o físico, mas
apenas com a decisão da mente pelo ego.

(2:1-2) Pai, nada peço senão a verdade. Já tive muitos pensamentos tolos sobre mim
mesmo e a minha criação e trouxe um sonho de medo para a minha mente.

A verdade não pode vir à nossa consciência sem primeiro percebermos que estávamos
errados. Nós, portanto, começamos reconhecendo nossas falsas crenças. Esses tolos
pensamentos sobre nós mesmos e os outros estão relacionados a um corpo governado pelas
leis do especialismo: alguém vence, outro perde; alguém ganha, outro fica sem.

(2:3-5) Hoje não quero sonhar. Escolho o caminho para Ti no lugar da loucura e do
medo. Pois a verdade é segura e só o amor é certo.

Na mente certa, tendo percebido que cometemos um equívoco, nós escolhemos seguir
o caminho da lei do perdão. É uma lei da mente que, apesar disso, não nos pede para
ignorarmos as leis do mundo ou do corpo. O perdão simplesmente nos pede para as
colocarmos em sua perspectiva apropriada: as leis do ego são verdadeiras dentro do sonho,
mas existem para nós agora apenas para que possamos aprender que nossa realidade está
fora delas. Na verdade, nós permanecemos como Deus nos criou – em liberdade e amor.
148
LIÇÃO 279

A liberdade da criação promete a minha própria liberdade.

Minha liberdade para escolher dentro do sonho é prometida pelo fato de que eu sou livre
no Céu. Essa é minha realidade, refletida aqui no mundo da escolha. Assim, os sonhos de
aprisionamento do ego não tiveram efeitos sobre a liberdade que Deus me deu em minha
criação, e que eu agora alegremente exercito em nome do meu Ser.

(1) O fim dos sonhos me é prometido porque o Amor de Deus não abandonou Seu Filho.
Só nos sonhos há um momento em que ele aparenta estar na prisão, esperando uma
liberdade futura, se é que ela há de vir. Mas, na realidade, os seus sonhos se foram e a
verdade foi estabelecida em seu lugar. E agora a liberdade já pertence a ele. Devo
esperar, preso a correntes que foram cortadas para liberar-me, se Deus está me
oferecendo a liberdade agora?

Quero aprender que minha experiência aqui é um sonho, e ninguém vai me fazer feliz. É
um sonho que me aprisiona em um corpo, assim como em meus estranhos e insanos
pensamentos. No entanto, também posso escolher estar fora do sonho, e, ao continuamente
escolher fazê-lo através do instante santo, me lembro mais e mais freqüentemente de que
minha realidade é a do Filho único de Deus, a fonte da verdadeira liberdade. Leia essas
palavras inspiradoras de “As Dádivas de Deus”:

Como é alegre e como é santo nosso caminho quando


a morte não tem domínio, e o sonho de separação e
agonia e perda foi dispersado para sempre. Não pense
que qualquer coisa que as dádivas do medo guardam
merece um instante de hesitação, quando a porta do Céu
está diante de você, e o Cristo de Deus está esperando seu
retorno. Aquiete-se e O ouça, pois Seu chamado a você não
poderia ser mais insistente, nem mais carinhoso, pois ele é apenas
o chamado do próprio Amor, que não vai deixar de falar de
Deus a você...
Como você é querido, uma parte de Cristo, em Quem está cada
dádiva de Deus para sempre depositada, sem a qual, Ele é
incompleto, Aquele que é a completude do Seu Pai. Pode um
sonho destruir uma verdade tão santa e tão pura que engloba
toda a verdade e não deixa nada além de si mesma? Você pode
trair um amor tão perfeito que suas dádivas se tornam elas mesmas
em unicidade, e essa única dádiva é tudo o que existe para dar e
para receber? Ó, venha e deixe a criação ser de novo tudo o que
sempre foi e ainda será para sempre e sempre. Deixe o sonho do
tempo e do espaço receber seu fim designado, e que o Filho de Deus
tenha misericórdia de si mesmo (As Dádivas de Deus, p. 121-122).

Reconhecendo a dor dos nossos sonhos aprisionadores de separação e especialismo,


nós alegremente escolhemos o caminho da liberdade, ao vermos nossos irmãos como nós
mesmos, e aprendermos que somos o Cristo que Deus criou em unidade com Ele. As
correntes do pecado e morte se foram, e nós damos graças por nossos pensamentos
equivocados não terem tido efeitos sobre a realidade. O Filho de Deus é Seu Filho.

149
(2) Hoje, aceitarei as Tuas promessas e nelas depositarei a minha fé. O meu Pai ama o
Filho Que Ele criou como O Que Lhe pertence. Tu me recusarias as dádivas que me
deste?

É claro que Deus não o faria, mas nós certamente faríamos, e acreditamos ter feito.
Portanto, Jesus nos encoraja a darmos ao nosso Pai a dádiva de aceitarmos Seu Amor:

Nós discutimos as dádivas de Deus a você. Agora,


também temos que falar daquelas que você pode dar
a Ele. Pois elas completam Sua doação, assim como são
as Dele a você que o tornam completo. Dar é alegria e
santidade e cura. Aqui está sua resposta ao mundo, e a de
Deus também. Pois aqui está sua união com Ele, Sua
semelhança sendo sua somente nisso (As Dádivas de Deus, p. 123).

Nossa unicidade garante que apesar das melhores tentativas do nosso ego, não
podemos deixar de aceitar as dádivas de Deus – Sua promessa a nós é a nossa a Ele. O Pai
ama Seu Filho, e o Filho retribui esse amor, pois o amor só pode dar a si mesmo.

150
LIÇÃO 280

Que limites posso estabelecer para o Filho de Deus?

Eu preciso reconhecer que conforme eu estabeleço limites para você através dos meus
julgamentos, eu os coloco em mim, porque o Filho de Deus é um. Não pode ser de outra forma,
na realidade e em sonhos – nós somos um, tanto no Céu quanto em nossa necessidade de
voltarmos para lá.

(1) Aquele que Deus criou sem limites é livre. Posso inventar uma prisão para ele, mas
só em ilusões, não na verdade. Nenhum Pensamento de Deus deixou a Mente de seu Pai.
Nenhum Pensamento de Deus é, de modo algum, limitado. Nenhum Pensamento de
Deus deixa de ser para sempre puro. Poso estabelecer limites para o Filho de Deus,
quando seu Pai determinou que ele fosse sem limites e como Ele, na liberdade e no
amor?

Essa é outra declaração do princípio de que idéias não deixam sua fonte. Embora
eu seja livre dentro do meu sonho para acreditar em qualquer coisa que escolher, o que
acredito não tem efeitos sobre a realidade. Esse é o princípio de Expiação do Espírito Santo
que ensina que os sonhos de separação e limitação não mudaram nada no Céu. Ao atravessar
seus dias, portanto, você precisa lutar para aceitar que o Filho de Deus é um. Se você limitar
outra pessoa pelos seus pensamentos especiais de raiva, julgamento e necessidade, apenas
limitará a si mesmo. A questão, então, em última instância se torna: essa limitação é o que eu
realmente quero, em vez de ter minha mente curada através do perdão e da lembrança do meu
Ser ilimitado?

Ele que sempre foi totalmente espírito, agora não mais se vê como um corpo, nem
mesmo em um corpo. Por conseguinte, ele não tem limites. E sendo sem limites,
seus pensamentos estão unidos aos de Deus para todo o sempre... Ele é para
sempre um, porque é como Deus o criou. Ele aceitou Cristo e está salvo (MP-12.1:4-
6,9-10).

(2) Hoje, que eu honre o Teu Filho, pois só assim posso achar o caminho para Ti. Pai,
não estabeleço limites para o Filho que Tu amas e criaste sem limites. A honra que lhe
dou é Tua e o que é Teu também me pertence.

No final, nosso propósito para cada dia se torna bem simples: o perdão aos nossos
relacionamentos especiais. O mundo limitado do ego de ídolos de ódio e amor especial nunca
mostrou ser um substituto satisfatório para a ausência de limites do Filho de Deus. Através da
nossa percepção curada, nós restauramos a ele a honra concedida a ele em sua criação,
quando Deus estendeu Seu Amor ilimitado, abraçando toda a criação com Sua magnitude:

O que buscas não é forma. Que forma pode ser um substituto para o Amor de Deus
o Pai? Que forma pode tomar o lugar de todo o amor na Divindade de Deus Filho?
Que ídolo pode fazer dois do que é um só? E é possível que o que é sem limites
seja limitado? Tu não queres um ídolo. Não é tua vontade ter um ídolo. Ele não te
concederá a dádiva que buscas... Essa nunca poderia ser a tua vontade, porque o
que compartilha de toda a criação não pode ficar contente com pequenas idéias e
pequenas coisas (T-30.III.2:1-8,11).

151
Quem em sua mente certa poderia jamais escolher as “pequenas idéias e pequenas
coisas” dos ídolos do ego de limitação e forma, quando diante dele Jesus colocou:

... a paz de Deus e o poder de trazer essa paz a cada um que vaga no mundo
incerto, solitário e com medo constante (T-31.VIII.7:1)?

152
7. O que é o Espírito Santo?

Quando discutimos o nível metafísico do Um Curso em Milagres, geralmente não


incluímos o Espírito Santo, pois Sua função está relacionada apenas à nossa experiência
dentro do sonho, onde Ele é necessário. Sua função é desconhecida no Céu. No entanto,
sendo a memória do Amor de Deus que nós levamos conosco quando adormecemos, Sua
Presença expressa a Expiação que diz que a separação de Deus era uma ilusão. Através de
todo esse resumo, somos lembrados de que nossa unção diária é olharmos para nossas
ilusões com Seu Amor, trazendo-as para Sua presença curativa. Assim elas são desfeitas, pois
a luz automaticamente dispersa a escuridão. Esse resumo, portanto, nos permite falar
novamente sobre as aplicações práticas do Um Curso em Milagres e o papel do Espírito Santo
em nossa cura.

(1:1-2) O Espírito Santo é o mediador entre as ilusões e a verdade. Como Ele tem que
fazer uma ponte sobre a brecha que existe entre a realidade e os sonhos, a percepção
conduz ao conhecimento através da graça que Deus deu a Ele para que fosse a Sua
dádiva a todos aqueles que se voltam para Ele em busca da verdade.

Um dos termos usados no Um Curso em Milagres descreve o Espírito Santo como uma
ponte, pois, como essa passagem afirma, Ele é a Ponte entre nossas ilusões e a realidade,
precisando apenas da nossa disponibilidade para seguirmos Sua liderança. Assim, nós
levamos a Ele nossas ilusões para que as deixemos para trás, lembrando da verdade de Quem
somos como o Cristo. Da mesma forma, Jesus nos pede para o seguirmos na jornada do
tempo para a eternidade:

O teu Pai não é mais capaz de esquecer a verdade em ti do que tu és capaz de


falhar em lembrá-la. O Espírito Santo é a ponte até ele, feita da tua disponibilidade
para unir-te a Ele e criada pela Sua alegria em união contigo... A ponte, através da
qual Ele quer carregar-te, te elevaria do tempo para a eternidade. Desperta do
tempo e responde sem medo ao chamado Daquele que te deu a eternidade na tua
criação. Desse lado da ponte que leva à intemporalidade, tu nada compreendes.
Mas conforme fores pisando levemente sobre ela, seguro pela intemporalidade, és
dirigido diretamente ao Coração de Deus. No seu centro e somente lá, estás a salvo
para sempre porque estás completo para sempre. Não há nenhum véu que o Amor
de Deus em nós juntos não possa levantar. O caminho para a verdade está aberto.
Segue-o comigo (T-16.IV.12:1-2; 13:4-11).

(1:3-5) Todos os sonhos são carregados para a verdade através da ponte que ele provê,
para serem dissipados diante da luz do conhecimento. Ali, cenas e sons são para
sempre deixados de lado. E onde eram percebidos antes, o perdão tornou possível o fim
tranqüilo da percepção.

Esse fim tranqüilo, como vimos e veremos novamente nesse resumo, é o mundo real, o
estado da mente no qual entendemos que tudo o que pensamos ou percebemos é ilusório. Em
outras palavras, o mundo real está fora do sonho, onde permanece apenas um instante. Nesse
ponto, tudo desaparece, e nós estamos em casa. O perdão é o meio para atingirmos esse fim,
e nada aqui pode igualar suas dádivas de beleza:

Essa beleza não é uma fantasia. É o mundo real, brilhante e limpo e novo, com tudo
cintilando debaixo do sol aberto... O mundo real, em sua beleza, tu aprendes a
alcançar. Fantasias são desfeitas e nada nem ninguém permanece ainda preso a
elas e pelo teu próprio perdão estás livre para ver. No entanto, o que vês é apenas o
153
que fizeste com a benção do teu perdão. E com essa bênção final do Filho de Deus
sobre si mesmo, a percepção real, nascida da nova perspectiva que ele aprendeu,
cumpriu o propósito que tinha (T-17.II.2:1-2; 3:4-7).

(2:1-2) A meta que o ensinamento do Espírito Santo estabelece é apenas esse fim dos
sonhos. Pois cenas e sons têm que ser traduzidos de testemunhos do medo em
testemunhos do amor.

Esse tema importante é encontrado em muitos trechos no Um Curso em Milagres,


talvez, mais claramente expresso em “A função especial”, onde Jesus descreve como o
Espírito Santo usa o que nós fizemos para ferir como um instrumento para a cura (T-25.VI).
Esses são nossos relacionamentos especiais, os fragmentos sombrios da nossa destruição de
Deus, que foram feitos para matar. Quando nós convidamos o Espírito Santo para nos ajudar
com esses relacionamentos, no entanto, Ele muda seu propósito do dano para a ajuda. Tudo o
que percebemos no mundo da percepção – “cenas e sons” – é traduzido do propósito do ego
de reforçar a separação para o do Espírito Santo, de desfazê-la. Ele, portanto, é o mediador
entre os símbolos amedrontadores do especialismo e o amor além de todos os símbolos. O
ponto da mediação é a luz do perdão, que reinterpreta nossos símbolos de ódio e julgamento:

O Espírito Santo é o Mediador entre as interpretações do ego e o conhecimento do


espírito. Sua capacidade de lidar com símbolos faz com que Ele seja capaz de
trabalhar com as crenças do ego em sua própria linguagem. Sua capacidade de
olhar para o que está além dos símbolos na eternidade, torna-O capaz de
compreender as leis de Deus pelas quais Ele fala. O Espírito Santo pode, portanto,
desempenhar a função de re-interpretar o que o ego faz, não pela destruição, mas
pela compreensão. A compreensão é luz, e luz conduz ao conhecimento. O Espírito
Santo está na luz porque Ele está em ti que és luz, mas tu mesmo não tens
conhecimento disso. Portanto, é tarefa do Espírito Santo re-interpretar-te a favor de
Deus (T-5.III.7).

(2:3-4) E quando isso for inteiramente realizado, o aprendizado terá conseguido a sua
única meta na verdade. Pois o aprendizado, do modo como o Espírito Santo o orienta
para o resultado que Ele percebe, vem a ser o meio para ir além do próprio aprendizado
a fim de ser substituído pela Verdade Eterna.

O aprendizado termina quando estamos no mundo real, seu alcance sendo a meta final
do Um Curso em Milagres, depois do qual, o sonho termina. Perdão, ensinado pelo Espírito
Santo, nos leva através dos passos que levam inevitavelmente à Sua meta. Portanto,
precisamos entender que todas as coisas aqui são símbolos que refletem a verdade, quando
vemos através da visão do Espírito Santo. Assim, o perdão reflete o Amor de Deus, embora ele
mesmo não seja a verdade. O processo de mudar nossa percepção sobre nosso irmão
simboliza o processo interno de mudarmos nossas mentes sobre nosso professor: escolhermos
o Espírito Santo em vez do ego. Além disso, Jesus nos diz que o propósito de qualquer
professor é tornar-se dispensável, pois no final do aprendizado, entendemos que não existe
nada a aprender (T-4.I.6:3). Professor e aluno desaparecem, pois eles são um; daí a frase, “o
meio para ir além do próprio aprendizado”. No entanto, enquanto estivermos presos na ilusão
da separação, precisamos de Ajuda; um meio de traduzirmos nossos símbolos da falsa
percepção da mente errada para a verdadeira percepção da mente certa, e no conhecimento
do Ser da mente Única:

O Espírito Santo é a Mente da Expiação. Ele representa um estado mental


suficientemente próximo da mente disposta para o que é Uno, que transferi-lo para
ela é finalmente possível. A percepção não é conhecimento, mas pode ser
154
transferida para o conhecimento ou atravessar a ponte para ele... O Espírito Santo,
a Inspiração compartilhada de toda a Filiação, induz a um tipo de percepção no qual
muitos elementos são iguais àqueles no próprio Reino do Céu... indica o caminho
para além da cura que ela traz e conduz a mente além da sua própria integração,
rumo aos caminhos da criação. É nesse ponto que ocorre uma mudança quantitativa
suficiente para produzir um deslocamento qualitativo real (T-5.I.6:3-5; 7:1,5-6).

Essa mudança qualitativa é o que catapulta nossa consciência do mundo de símbolos


para o símbolo final, do sonho da mente errada e da mente certa para o mundo real.

(3:1) Se ao menos conhecesses o quanto o teu Pai anseia para que reconheças a tua
impecabilidade, não deixarias a Sua Voz apelar em vão, nem virarias as costas para as
Suas substituições das imagens amedrontadoras e dos sonhos que fizeste.

Mais uma vez, esse é um símbolo. Deus não anseia; um corpo anseia. Esse símbolo,
assim, dualisticamente expressa o Amor eterno, imutável e não-dualista de Deus. Entendendo
o significado por trás das palavras, percebemos que existe uma parte de nós que realmente
anseia por Deus, querendo que a pequena Criança interior cresça e volte para casa. Mais uma
vez, não é Deus que anseia por nós, mas, em nossa miséria, nós ansiamos por Ele,
reconhecendo que somos estranhos aqui. Quando finalmente percebemos que o que
experimentamos aqui é o inferno, e o que realmente queremos é voltar para o Céu, não vamos
esperar nem um instante, nem deixar as imagens aterrorizantes de culpa e morte do ego
substituírem as imagens benignas da bênção de perdão do Espírito Santo

Negarias o Seu [de Deus] anseio de ser conhecido? Tu anseias por Ele, como Ele
por ti. Isso é imutável para sempre. Aceita, então, o imutável. Deixa o mundo da
morte para trás e retorna serenamente para o Céu. Não existe nada de valor aqui e
tudo que tem valor está lá. Escuta o Espírito Santo e a Deus, através Dele. Ele fala
de ti para ti. Não há culpa em ti, pois Deus é abençoado em Seu Filho assim como o
Filho é abençoado Nele (T-14.V.1:4-12).

(3:2) O Espírito Santo compreende os meios que fizeste, pelos quais queres alcançar o
que é para sempre inalcançável. E se os ofereceres a Ele, Ele empregará os meios que
fizeste para te exilares para restituir a tua mente ao lugar em que ela está
verdadeiramente em casa.

O meio é o relacionamento especial, repleto de imagens amedrontadoras e dirigidas


pela culpa que fizemos. O que buscamos atingir através do nosso especialismo é a felicidade,
amor e término da dor – para sempre inatingível, uma vez que o propósito de estar no corpo é
nos impedir de nos tornarmos verdadeiramente felizes e amorosos. No entanto, esse próprio
corpo se torna a sala de aula na qual o Espírito Santo expressa Seu propósito de desfazer a
separação:

Deus não fez o corpo porque ele pode ser destruído e, portanto, não é do Reino. O
corpo é o símbolo do que pensas que és. É com toda a clareza um instrumento de
separação e portanto não existe. O Espírito Santo, como sempre, toma o que tu
fizeste e o traduz em um instrumento de aprendizado. Mais uma vez, como sempre,
Ele re-interpreta o que o ego usa como argumento para a separação como uma
demonstração contra isso (T-6.V-A.2:1-5).

(3:3) E se os ofereceres a Ele, Ele empregará os meios que fizeste para te exilares para
restituir a tua mente ao lugar em que ela está verdadeiramente em casa.

155
Essa é a idéia central – nós oferecemos nossos equívocos ao Espírito Santo, dizendo:
“Eu estou errado em como estou pensando sobre essa pessoa. Por favor, me ajude”. A
passagem acima ecoa o já mencionado pensamento do texto, de que o que foi feito para ferir,
o Espírito Santo agora usa para curar (T-25.VI.4:1). Assim, o meio que fizemos para exilar – o
relacionamento especial do corpo, que nos mantém separados de Deus – pode ser usado pelo
nosso Professor para nos ajudar a olhar de forma diferente para o nosso ser. Isso não significa,
entretanto, que nós entregamos tudo magicamente a Ele, esperando que Ele sacuda a varinha
de Merlin e remova nossa dor. Em vez disso, nós “entregamos” ao Espírito Santo a crença
equivocada e a afirmação arrogante de que estamos certos e Ele errado. Em outras palavras, o
corpo que foi feito para separar e manter separado, agora se torna o instrumento que comunica
a verdade da Expiação – não existe separação, mas apenas a unicidade da comunhão:

O Espírito Santo, Que conduz a Deus, traduz a comunicação naquilo que é, do


mesmo modo que Ele em última instância traduz percepção em conhecimento... O
ego usa o corpo para o atraque, para o prazer e para o orgulho. A insanidade dessa
percepção faz com que ela seja, de fato, amedrontadora. O Espírito Santo vê o
corpo só como um meio de comunicação e como comunicar é compartilhar, ele vem
a ser comunhão (T-6.V-A.5:1,3-5).

(4) Do conhecimento, onde Ele foi colocado por Deus, o Espírito Santo chama por ti para
que deixes o perdão repousar sobre os teus sonhos e para que sejas restituído à
sanidade e à paz da tua mente. Sem o perdão, os teus sonhos continuarão a aterrorizar-
te. E a memória de todo o Amor do teu Pai não voltará, significando que o fim dos
sonhos já veio.

Nós vemos mais uma vez que o perdão é o meio que o Um Curso em Milagres usa para
nos ajudar a mudarmos nossas mentes. Aprendendo a perdoar outros, percebemos que eles
não nos trouxeram dor, pois nós a trouxemos para nós mesmos. Essa compreensão, em última
instância, nos permite ver nossos parceiros especiais como figuras em nossos sonhos, assim
como é o eu com o qual nos identificamos. Na visão benigna do Espírito Santo, esses sonhos
infelizes de especialismo se tornam os sonhos felizes de perdão:

Não é um sonho amar o teu irmão como a ti mesmo. E nem é um sonho o teu
relacionamento santo. Tudo o que permanece de sonhos dentro dele é que ainda é
um relacionamento especial. No entanto, é muito útil para o Espírito Santo, Que tem
uma função especial aqui. Ele se tornará o sonho feliz através do qual o Espírito
Santo poderá espalhar a alegria a milhares e milhares de pessoas que acreditam
que o amor é medo e não felicidade. Permite que Ele cumpra a função que deu ao
teu relacionamento aceitando-a para ti e nada ficará faltando para fazer dele o que
Ele quer que seja (T-18.V.5).

(5:1-3) Aceita a dádiva do teu Pai. É um chamado do Amor para o Amor, para que Ele
seja apenas Ele Mesmo. O Espírito Santo é a Sua dádiva, através da qual a quietude do
Céu é restituída ao amado Filho de Deus.

Se nós fôssemos realmente honestos conosco mesmos, iríamos perceber que não
queremos essa dádiva. Nós fizemos nossos corpos por nos afastarmos das dádivas de Deus,
representadas pela Expiação do Espírito Santo. Antes de podermos dizer com real intenção
que queremos Seu Amor, primeiro temos que perceber que não queremos mais os sonhos de
medo que colocamos em Seu lugar. Isso nos permite experimentar o medo de liberarmos
nossa identidade pessoal, o que abre nossas mentes para escolhermos a dádiva de amor do
Céu em vez da dádiva de medo do ego. Aqui está uma linda expressão da dádiva do nosso Pai
a nós, que nós agora estamos mais prontos a aceitar:
156
Deixa-Me lembrar-te da eternidade, na qual a tua alegria cresce mais e mais à
medida que o teu amor se estende junto com o Meu além do infinito, onde o tempo e
a distancia não têm significado... Sem ti a criação não é plena. Volta para Mim Que
nunca deixei o Meu Filho. Ouve, Minha Criança, o teu Pai chama por ti. Não te
recuses a ouvir o chamado do Amor. Não negues a Cristo o que Lhe é próprio. O
Céu é aqui e o Céu é a tua casa (C-3.IV.8:2,4-9).

(5:4) Recusarias aceitar a função de completar a Deus, quando toda a Sua Vontade é que
sejas completo?

Desnecessário dizer, Deus não tem que ser completado, pois Ele é perfeitamente inteiro
dentro de Si Mesmo. Dentro do sonho, no entanto, nós concebemos Deus como incompleto
porque nós roubamos Seu tesouro, deixando o Céu em um estado de incompletude e falta.
Esse é o insano sistema de pensamento que o Espírito Santo desfaz. Aceitar nossa função de
completarmos Deus significa aceitarmos o fato de que a incompletude do Céu é um sonho.
Portanto, nós aceitamos o sonho feliz do Espírito Santo em vez disso, que diz que nada
aconteceu para perturbar a paz ou o amor do Céu. Esse processo de perdão termina quando
transcendermos o sonho inteiramente, cruzando a ponte para o mundo real e para a
completude do Céu:

Do outro lado da ponte está a tua completeza, pois estarás totalmente em Deus,
sem vontade de ter nada em especial, mas apenas ser totalmente como Ele,
completando-O pela tua completeza. Não tenhas medo de atravessar para a morada
da paz e da santidade perfeita. Somente lá está a completeza de Deus e de Seu
Filho estabelecida para sempre. Não busques isso no desolado mundo da ilusão,
onde nada é certo e onde tudo falha em satisfazer. Em Nome de Deus, estejas
totalmente disposto a abandonar todas as ilusões. Em qualquer relacionamento no
qual estejas totalmente disposto a aceitar a completeza, e só isso, Deus é
completado e Seu Filho com Ele (T-16.IV.9).

157
LIÇÃO 281

Nada pode me ferir, exceto os meus pensamentos.

Esse é um tema importante, ecoando o que vimos no livro de exercícios e no texto:


colocar a responsabilidade por nossas vidas apenas na mente. Ninguém nesse mundo tem o
poder de realmente nos ferir, exceto nós mesmos. Além disso, nossos pensamentos que ferem
vêm das nossas decisões de sermos separados de Deus e de Sua Correção, e são eles que
causam nossas percepções de vulnerabilidade e experiências de dor.

(1:1-2) Pai, o Teu Filho é perfeito. Quando penso estar de algum modo ferido é porque
esqueci quem sou e que sou tal como me criaste.

Nós nos sentimos constantemente feridos, quer a aflição seja física ou psicológica. É
difícil atravessar um dia, uma hora, ou até um minuto sem que algo nos aborreça. Como já
vimos, sempre que estamos em dor é somente porque tomamos uma decisão de esquecer
quem somos. Nós tomamos uma decisão – contínua e constantemente reforçada – que diz:
“Eu estou melhor me esquecendo de Quem sou”. O pensamento do ego é a causa de todo
sofrimento, e o motivo pelo qual só nossos pensamentos nos ferem:

São os pensamentos, então, perigosos? Para os corpos, sim! Os pensamentos que


parecem matar são aqueles que ensinam ao pensador que ele pode ser morto (T-
21.VIII.1:1-3).

É essencial, portanto, que mantenhamos uma vigilância estrita sobre nossas mentes,
para percebermos nossa tentação de culpar alguém ou algo mais pelo que nós escolhemos
pensar e sentir.

(1:3-7) Os Teus Pensamentos só me podem trazer felicidade. Se jamais estou triste,


ferido ou doente, eu me esqueci do que Tu pensas e coloquei as minhas pequenas
idéias sem significado no lugar que pertence aos Teus Pensamentos e onde eles estão.
Nada pode me ferir, exceto os meus pensamentos. Os Pensamentos que penso Contigo
só podem abençoar. Só os Pensamentos que penso Contigo são verdadeiros.

Os Pensamentos de Deus estão apenas no Céu, mas nesse contexto, Eles estão em
nossas mentes certas, onde estamos quando escolhemos desfazer o sistema de pensamento
do ego. Nossa experiência então reflete esses Pensamentos amorosos, a única fonte de
felicidade nesse mundo. Nós sabemos que nossa felicidade e função são uma, e cumprir nossa
função de perdão nos traz a benção da paz de Deus.

(2:1-3) Hoje não vou ferir a mim mesmo. Pois estou muito além de qualquer dor. O meu
Pai me colocou a salvo no Céu e vela por mim. E eu não quero atacar o Filho que Ele
ama, pois o que Ele ama também é meu para amar.

Quando peço ajuda a Jesus, estou junto com ele na mente certa, o que me lembra da
minha verdadeira Identidade no Céu. As duas primeiras sentenças então significam: “Eu não
quero ferir a mim mesmo novamente. Eu quero estar equivocado e livre da dor das minhas
afirmações arrogantes”.

(2:4) E eu não quero atacar o Filho que Ele ama, pois o que Ele ama também é meu para
amar.
158
Nessa lição “o Filho” é cada um de nós, uma vez que seu tema é como nós ferimos a
nós mesmos. No entanto, isso também pode significar que não vamos atacar o Filho de Deus
de forma alguma. Portanto, não é apenas o Filho de Deus que vemos diante de nós no
espelho, mas o Filho de Deus em quem pensamos e com quem vivemos e trabalhamos. Se o
atacarmos, temos que perceber a nós mesmos como vulneráveis ao contra-ataque, e nossa
culpa resultante vai reforçar os ciclos gêmeos de culpa-ataque e ataque-defesa.

159
LIÇÃO 282

Hoje eu não terei medo do amor.

Lembre-se de “O medo da redenção”, que ensina que nosso medo real não é da
crucificação, mas da redenção (T-13.III). Nosso medo não é de que o mundo vá nos ferir, mas
o fato de que não há mundo. Isso significa que não existe eu, mas apenas Deus e Cristo em
Quem nenhuma identidade individual pode existir. Não é de se espantar, então, que tenhamos
medo do amor – escolher o amor é escolher contra nosso ser. A importância desse tema não
pode ser enfatizada o suficiente, e aparece de novo e de novo – algumas vezes de forma
explícita, como é o caso aqui; outras vezes, de forma implícita. No entanto, ele atravessa
praticamente todas as páginas.

(1:1) Se eu conseguisse compreender apenas isso hoje, a salvação seria alcançada para
todo o mundo.

Se eu pudesse entender que estou com medo do amor e que esse medo é uma escolha,
o mundo seria salvo. Essa lição, portanto, é sobre escolha – toda dor vem de escolhermos
empurrar o amor de Jesus para longe, e, atrás dele, está a perfeita unidade do Amor de Deus
que empurro para longe também.

(1:2-4) Essa é a decisão de não ser insano e de me aceitar tal como o próprio Deus, meu
Pai e minha Fonte, me criou. Essa é a determinação de não adormecer em sonhos de
morte, enquanto a verdade permanece eternamente viva na alegria do amor. E essa é a
escolha de reconhecer o Ser Que Deus criou como o Filho que Ele ama e Que continua
sendo a minha única Identidade.

Tudo isso, mais uma vez, está relacionado à escolha: o medo do Amor de Deus é uma
decisão que tomamos de não sermos como Ele nos criou. Um Curso em Milagres nos ajuda a
entender que tal escolha insana preserva nossa identidade, ameaçada pelo amor. Lembre-se
dessas linhas:

Construíste todo o teu insano sistema de crenças porque pensas que ficarias
indefeso na Presença de Deus e queres salvar a ti mesmo do Seu Amor porque
pensas que ele te esmagaria no nada (T-13.III.4:1).

(2:1-4) Pai, o Teu Nome é Amor e o meu também. Essa é a verdade. E pode a verdade ser
mudada simplesmente dando-lhe outro nome? O nome do medo é simplesmente um
equívoco.

Nós acreditamos no que o ego nos disse; isto é, mudando a verdade e chamando-a de
ilusão, mudando o amor e chamando-o de medo, nós realmente mudamos a realidade. Nós
então nomeamos os objetos específicos que refletem esse medo, os nomes de tudo no
universo. Pelo fato de os percebermos e nomearmos, acreditamos que são reais e, portanto,
tiraram o lugar da verdade. No entanto, a realidade, refletida no princípio de Expiação, é que
isso é simplesmente um equívoco, pois nada no Céu mudou. A saída do medo, portanto, é
aceitar a verdade da Expiação.

O escape [do medo] é efetuado pela tua aceitação da Expiação, que faz com que
sejas capaz de reconhecer que os teus erros realmente nunca ocorreram (T-2.I.4:4).

160
E a lição termina:

(2:5) Que eu não tenha medo da verdade hoje.

Isso pressupõe que nós estamos com medo da verdade. Essa lição, então, será sem
significado – na teoria e na prática – sem primeiro ficarmos conscientes do nosso medo do
amor e da verdade. Só então pedir ajuda a Jesus pode ser significativo.

161
LIÇÃO 283

A minha verdadeira Identidade habita em ti.

Somos lembrados nessa lição do que negamos.

(1:1-3) Pai, eu fiz uma imagem de mim mesmo e é a isso que chamo de Filho de Deus. No
entanto, a criação é como sempre foi, pois a Tua criação é imutável. Que eu não adore
ídolos.

Esse falso ser que fizemos é um ídolo, um termo usado no Um Curso em Milagres para
designar o objeto de amor especial, o substituto do ego para o Amor de Deus. O ídolo declara
que Seu Amor não é suficiente, e que essa outra pessoa, evento ou substância vai nos tornar
felizes e nos trazer paz. No entanto, somos solicitados a ouvir a Voz do Céu, pois o Amor fala
conosco – “Aquele a quem Deus chamou, não deveria ouvir substitutos” (T-18.I.12:1) – o
chamado do Imutável para o inalterável.

(1:4-8) Sou aquele que o meu Pai ama. A minha santidade continua sendo a luz do Céu e
o Amor de Deus. Não está em segurança aquilo que é amado por Ti? Não é infinita a luz
do Céu? Não é o Teu Filho a minha verdadeira Identidade quanto Tu criaste tudo o que
é?

Essas palavras, que refletem a Expiação, nos reasseguram a certeza do Amor do Céu,
que suavemente abraça nossa santidade dentro de si mesmo – o templo da Própria Santidade:

Deus não deixou o Seu altar, embora os Seus adoradores tenham colocado outros
deuses sobre ele. O templo ainda é santo, pois a Presença que nele habita é a
santidade.
No templo, a santidade aguarda em quietude o retorno daqueles que a amam... A
amabilidade de Deus gentilmente os fará entrar e cobrirá todo o seu sentimento de
dor e perda com a garantia imortal do Amor do seu Pai... A Presença da santidade
vive em tudo o que vive, pois a santidade criou a vida e não deixa aquilo que criou
santo como ela própria (T-14.IX.3:8-9; 4:1,3,7).

(2:1) Agora somos um em Identidade compartilhada, tendo Deus, nosso Pai, como a
nossa única Fonte e tudo o que foi criado como parte de nós.

Aqui novamente está o tema da unicidade: nós somos um uns com os outros como
Cristo, e um com Deus – “uma unicidade unida como uma” (T-25.I.7:1).

(2:2) E assim oferecemos a nossa bênção a todas as coisas, unindo-nos amorosamente


ao mundo todo, que o nosso perdão faz com que seja um conosco.

Nós percebemos que Deus tem só um Filho, e mesmo em seu estado de sonho, ele
permanece um Filho. Uma vez que idéias não deixam sua fonte, tudo o que percebemos fora
de nós – separado e diferenciado – permanece o que sempre foi: a projeção do Filho da sua
mente separada.
Nós também vemos nessa sentença uma descrição de extensão. Nós não oferecemos
realmente bênçãos, mas em vez disso, escolhemos ver a nós mesmos como abençoados em
vez de amaldiçoados. Nessa decisão, feita no instante santo, o Amor do Espírito Santo estende
162
esse estado abençoado através de nós. É essencial entender essa distinção, de outra forma,
vamos caminhar por aí abençoando a todos – em pensamento ou palavras -, pensando que é
isso o que Jesus ensina e defende em seu curso. No entanto, essa “bênção” vai acabar não
sendo nada mais do que um chicote de especialismo. Mais uma vez, não somos nós que
abençoamos, mas escolhemos a bênção do Espírito Santo em vez da maldição do ego. Assim,
Seu Amor e bênção são liberados para se estenderem através da nossa mente curada, em um
infindável fluxo de amor. Não existe nada a dizer, fazer, ou abençoar; nós só precisamos ser.

163
LIÇÃO 284

Posso escolher mudar todos os pensamentos que ferem.

Essa é outra lição importante por sua descrição concisa do processo de aprendizado do
Um Curso em Milagres. O tema da lição recorda a Lição 281, “Nada pode me ferir, exceto os
meus pensamentos”. Isso depois é desenvolvido por enfatizar o aspecto da decisão: uma vez
que esses pensamentos que ferem foram escolhidos por mim, agora posso eleger – i.e.,
escolher – mudá-los.

(1:1-4) A perda não é perda quando corretamente percebida. A dor é impossível. Não há
pesar que tenha qualquer causa em absoluto. E o sofrimento, sob qualquer forma, não
passa de um sonho.

Perda, dor, pesar e sofrimento são inventados. Como vimos na Lição 187, podemos rir
da doença, fome, pobreza e morte. Nós rimos, não porque estamos zombando de nós mesmos
ou de outros que estão com dor, mas por causa da tolice de acreditar que uma parte de Deus
poderia arrancar-se Dele e, portanto, sofrer. Nosso riso gentil reflete a Expiação que diz que a
separação nunca aconteceu, e é importante reconhecer nosso profundo investimento na dor e
no pesar, pois eles provam que nós estamos certos e Jesus mentiu para nós. Sua resposta, no
entanto, é que bem dentro de nós, não acreditamos nisso, e ele agora descreve o processo de
irmos até a verdade:

(1:5-6) Essa é a verdade, de início para ser apenas dita e depois muitas vezes repetida;
em seguida para ser aceita como apenas parcialmente verdadeira, com muitas reservas.
E então para ser cada vez mais seriamente considerada e, finalmente, aceita como a
verdade.

Jesus traça o curso do processo de cada estudante. Primeiro, lemos as palavras e as


falamos de novo e de novo, lutando para entendê-las. Nós então tentamos aceitar sua verdade
– talvez elas sejam verdadeiras, mas não o tempo todo -, e mesmo se acreditarmos
intelectualmente que são verdadeiras, nossas vidas diárias certamente não demonstram essa
crença. No entanto, Jesus entende que não vamos aceitar isso imediatamente, pois é um
processo que se desenrola por muitos, muitos anos, não simplesmente dias ou meses. De fato,
a verdade do Curso vai diretamente contra tudo o que acreditamos e parecem ser entidades
separadas. Assim, um tempo considerável e trabalho duro são necessários para admitir
gratamente – embora a contragosto de início – que estávamos errados sobre tudo,
especialmente a pessoa que pensamos ver no espelho do banheiro todas as manhãs. Quando
finalmente aceitarmos nosso equívoco – e Jesus não quer dizer mera aceitação intelectual -,
estaremos no mundo real, pois teremos aprendido tudo o que nosso professor pode nos
ensinar.
Jesus agora retorna à mensagem da lição:

(1:7-8) Posso escolher mudar todos os pensamentos que ferem. E hoje quero ir além
destas palavras, além de todas as reservas e chegar à plena aceitação da verdade que
está nelas.

Reconhecendo nosso medo, Jesus nos pede para praticarmos esse pensamento, pois a
verdade é aterrorizante para nossos egos separados. Mais uma vez, ele não espera que
aceitemos sua lição sem reservas, mas ele está pedindo nossa pequena disponibilidade para
sermos ensinados.
164
(2) Pai, o que nos deste não pode ferir, por isso o pesar e a dor têm que ser impossíveis.
Que hoje eu não falhe em confiar em Ti, aceitando apenas o que é alegre como Tua
dádiva, aceitando apenas o que é alegre como a verdade.

A dádiva de Deus é o princípio da Expiação – Seu Amor permanece inteiro e nós, Seu
Filho, somos curados e restaurados à consciência da nossa completeza.

165
LIÇÃO 285

Hoje a minha santidade brilha luminosa e clara.

Nossa não-santidade, levada à santidade de Cristo, permite que a luz radiante da


verdade brilhe em nossas mentes.

(1:1-3) Hoje desperto com alegria esperando apenas que as coisas felizes de Deus
venham a mim. Eu peço que só elas venham e reconheço que o meu convite será
respondido pelos pensamentos aos quais o enviei. E só pedirei coisas alegres à partir
do instante em que aceitar a minha santidade.

Nós deveríamos despertar a cada manhã com alegria por causa das coisas felizes que
vamos aprender naquele dia – diferentes formas de perdão. A meta do Um Curso em Milagres,
portanto, é nos ensinar que nossa alegria diária vem de sabermos que podemos dar mais
alguns poucos passos em direção à meta de despertar do sonho e voltar para casa. Se essa
for nossa orientação, nada que aconteça durante o dia vai nos dissuadir de sermos fiéis à
nossa meta. Em alegre confiança, iniciamos nosso dia porque “Todas as coisas são lições que
Deus quer que eu aprenda” (LE-pI.193). Nós, portanto, estamos felizes porque podemos
escolher mais uma vez aprender a lição de que o mundo é um sonho e nosso Ser santo
repousa dentro de nós, além de toda ilusão. Nossa verdade compartilhada aqui reflete a
verdade do nosso estado unificado como Cristo. Alguma coisa poderia ser mais alegre?

(1:4) Pois qual seria a utilidade da dor para mim, que propósito cumpriria o meu
sofrimento e como o pesar e a perda poderiam me valer, se hoje a insanidade sai de mim
e no seu lugar aceito a minha santidade?

Jesus reafirma a natureza proposital do nosso sofrimento, pesar e perda em termos que
já usou na lição anterior. Ele nos informa de que tudo isso é escolhido de forma proposital para
reforçar a separação e nosso ser separado. No entanto, quando escolhemos a santidade do
nosso Ser em vez disso, e alegremente antecipamos as lições que esse dia trará, a dor não
tem mais uso: seu propósito se foi, substituído pelo perdão do Espírito Santo. Lembre-se de
que a vida é nosso sonho e, se estivermos em dor, é para cumprir o nosso desejo de
provarmos que a separação é real. A teoria de Freud sobre a satisfação dos desejos era a
chave para sua compreensão dos sonhos, e, para Jesus, nossas vidas individuais também são
um sonho que satisfazem um desejo; não o desejo que Freud identificou, com certeza, mas um
desejo apesar disso – preservar nossa identidade como entidades separadas, e então, tornar
alguém mais responsável por isso. A dor persuasivamente cumpre esse propósito, pois
estabelece a realidade dos nossos seres físicos e psicológicos, mas tornando algo ou alguém
externo a nós a causa da nossa aflição. Nós, portanto, precisamos atravessar nosso dia
lutando para identificarmos o propósito específico ao qual a nossa infelicidade serve,
precisando manter o foco em que a dor nunca é causada por qualquer coisa externa, mas
apenas pela decisão da mente de ser separada.

(2) Pai, a minha santidade é a Tua. Que eu me alegre nela e, através do perdão, seja
restituído à sanidade. O Teu Filho ainda é tal como o criaste. A minha santidade é parte
de mim e também parte de Ti. E o que poderia alterar a Santidade em Si Mesma?

Assim, escolhemos a luz da santidade para ser nossa realidade em vez da escuridão do
pecado, pois nós desejamos apenas olhar para a face perdoada de Cristo e reconhecer que
sua santidade é a nossa própria:
166
Só isso [perdão verdadeiro] pode dar a lembrança da imortalidade, que é a dádiva
da santidade e do amor. O perdão tem que ser dado por uma mente que
compreenda que ela tem que ignorar todas as sombras sobre a face santa de
Cristo... (C-3.I.3:2-3).

167
LIÇÃO 286

Hoje, o silêncio do Céu abraça o meu coração.

O tema dessa lição é o silêncio e a quietude. A adorável frase “silêncio do Céu” aparece
apenas outra vez no Curso, em “Os obstáculos à paz”:

Há um silêncio no Céu, uma feliz expectativa, uma pequena pausa de


contentamento pelo reconhecimento do final da jornada (T-19.IV-A.6:1).

Nós com freqüência temos nos referido aos gritos estridentes que ecoam através do
sistema de pensamento do ego, e, portanto, todos nós gritamos: “Eu existo, eu existo, eu
existo; mas alguém mais fez isso comigo”. Cada som que proferimos, desde o momento em
que nascemos até o estrondo da morte, deriva da idéia de que nós existimos, mas alguém
mais é visto como responsável pela nossa sina. Quando silenciamos o barulho do ego através
do perdão, tendo nos unido ao Espírito Santo, tudo o que resta é a serenidade e quietude.
Assim, Jesus nos diz nessa lição que essa deveria ser a escolha da mente (lembre-se de que
coração é um sinônimo para mente). Note, também, a suave aliteração de silêncio, Céu,
abraça e coração.

(1:1-4) Pai, como é sereno o dia de hoje! Com que quietude todas as coisas acham o seu
lugar! Esse é o dia que foi escolhido como o momento em que eu venho a compreender
a lição de que não é necessário que eu faça coisa alguma. Em Ti, todas as escolhas já
estão feitas.

Na verdade de Deus, a escolha pela Expiação já foi feita, desfazendo a decisão original
da mente de ser separada. Essa é a escolha que alegremente afirma: “Eu estou errado e o
Espírito Santo tem estado certo o tempo todo”.

(1:5-9) Em Ti, todos os conflitos resolvidos. Em Ti, tudo o que eu espero achar já me foi
dado. A Tua paz é minha. O meu coração está quieto e a minha mente em repouso. O
Teu Amor é o Céu e o Teu Amor é meu.

Jesus mais uma vez pede para aquietarmos os gritos estridentes do ego – seus ataques
agudos a tudo e a todos, incluindo Deus. Ele nos pede para escolhermos contra essa cacofonia
repleta de ódio e substituí-la pelo desejo febril de que o silêncio do Céu seja a nossa verdade,
a paz de Deus seja nossa, e que nos lembremos do seu amor, pois é o nosso – como Helen
nos lembra em seu poema “Canção de Amor”, ao seu amado Senhor:

Meu Senhor, meu Amor, minha Vida, eu vivo em ti.


Não existe vida à parte do que tu és.
.........................................
O mundo que vejo é um inimigo para mim
Quando me esqueço de que meu adorável Amor és tu.

(As Dádivas de Deus, p. 53).

(2) A serenidade do dia de hoje nos dará a esperança de que achamos o caminho e já
percorremos uma grande parte dele em direção à meta que é totalmente certa. Hoje não
duvidaremos do fim que o próprio Deus nos prometeu. Confiamos Nele e nos nosso Ser,
Que ainda é um com Ele.
168
Nós, portanto, rezamos a Jesus, nas palavras poéticas no poema de Helen, “A Última
Oração”:

Estenda Tuas mãos para mim finalmente, meu Senhor,


E me eleve até a Certeza final.

(As Dádivas do Céu, p. 47).

169
LIÇÃO 287

Tu és a minha meta, meu Pai. Apenas Tu.

Jesus reafirma o que nos ensinou na Lição 285. Se Deus é nossa meta, então, temos
que aceitar o meio do perdão que Ele nos deu. Como estudantes do Um Curso em Milagres, o
meio específico inclui o próprio Curso. Se nós, portanto, formos sérios sobre alcançarmos
Deus, temos que ser sérios sobre o que vai nos ajudar a atingir nossa meta. Isso significa que
quando mantemos pensamentos de raiva, julgamento e especialismo, estamos afirmando que
Deus não é nossa meta. Pelo menos não nesse momento.
Assim, existe método na loucura do ego. Nós não ficamos zangados por causa de algo
externo, pois a raiva é uma defesa contra o pensamento subjacente de medo que diz: “Se Eu
for para casa em Deus, vou desaparecer”. Lembre-se de que no manual para professores,
Jesus fala sobre a raiva como a pesada cortina que caiu rapidamente para encobrir a paz de
Deus (MP-20.4:2). Se você tiver medo dessa paz, precisa apenas arranjar uma briga com
alguém ou consigo mesmo por ficar doente. O mundo é muito adepto de suprir inumeráveis
oportunidades para nós – uma vez que as buscamos, vamos encontrá-las e, quando o
fizermos, será porque olhamos para elas em busca de apoio à meta de separação do ego em
vez de à Unicidade viva de Deus.

(1) Para onde iria eu, senão para o Céu? O que poderia substituir a felicidade? Que
dádiva poderia eu preferir à paz de Deus? Que tesouro poderia buscar e achar e
conservar que possa comparar-se à minha Identidade? E preferiria eu viver no medo do
que no amor?

Em Um Curso em Milagres, a palavra especialismo quase sempre está por trás da


palavra substituto. Nós substituímos a realidade de Deus, nosso único relacionamento real, o
que significa que escolhemos a meta do especialismo como substituta para o Céu. Nós,
portanto, precisamos olhar para como continuamente tentamos substituir a verdade, e como
essas tentativas sempre resultam em futilidade, porque os substitutos nunca vão nos trazer
felicidade, que só Deus pode nos dar. Lembre-se:

Substituir é aceitar alguma coisa em lugar de outra. Se apenas considerasses


exatamente o que isso acarreta, imediatamente perceberias o quanto essa atitude
está em desacordo com a meta que o Espírito Santo te deu e quer realizar para ti (T-
18.I.1:1-2).

Para alcançarmos a meta do Espírito Santo, precisamos apenas mudar os professores e


nossas percepções sobre os outros, mudando nosso desejo do julgamento para o perdão, do
medo para o amor, do inferno para o Céu.

(2) Tu és a minha meta, meu Pai. O que poderia eu desejar ter além de Ti? E o que, senão
a memória de Ti, poderia significar para mim o fim dos sonhos e das fúteis substituições
da verdade? Tu és a minha única meta. O Teu Filho quer ser tal como o criaste. Por que
outro caminho senão esse poderia eu esperar reconhecer o meu Ser e ser uno com a
minha Identidade?

Para atingirmos nossa meta, primeiro precisamos atingir sua condição de paz:

Não te esqueças de que a motivação deste curso é alcançar e manter o estado da


paz. Nesse estado, a mente está quieta e a condição na qual Deus é lembrado é
170
atingida... Não há substitutos para a paz. O que Deus cria não tem alternativa. A
verdade surge do que Ele conhece. E as tuas decisões vêm das tuas crenças com
tanta certeza quanto toda a criação surgiu na Sua Mente devido ao que Ele conhece
(T-24.in.1:1-2; 2:7-10).

Assim, tomamos a única decisão sã que existe, e escolhemos perdoar em vez de


condenar, para que conheçamos a paz que prenuncia o Amor de Deus e o nosso Ser.

171
LIÇÃO 288

Que hoje eu esqueça o passado do meu irmão.

Esse esquecimento do passado acontece no instante santo, enquanto retornamos para


casa através da mudança de nossas percepções sobre os outros. Liberando os pecados de
que minhas mágoas acusam você, faço isso também comigo mesmo – os pecados que percebi
em você são os pecados projetados que primeiro tornei reais em mim. Portanto, nós mais uma
vez vemos a continuidade dos ensinamentos de perdão de Jesus através de todo o livro de
exercícios.

(1:1-2) Esse é o pensamento que mostra o caminho para Ti e me leva à minha meta. Não
posso vir a Ti sem o meu irmão.

Jesus não quer dizer isso de forma comportamental, pois não precisamos de um
parceiro literal para fazer esse curso. Uma vez que o mundo existe apenas em nossas mentes,
a mensagem de Jesus é para desfazermos o sistema de pensamento de um ou outro: nós
atingimos o céu do ego à custa de alguém mais. No entanto, o verdadeiro Céu é atingido por
aceitarmos a correção familiar do Espírito Santo: “juntos, ou não de forma alguma” (T-19.IV-
D.12:8).

(1:3-9) E, para conhecer a minha Fonte, primeiro preciso reconhecer o que criaste em
unidade comigo. É a mão do meu irmão que me mostra o caminho para Ti. Os seus
pecados estão no passado, junto com os meus e estou salvo porque o passado se foi.
Que eu não o acalente no meu coração ou perderei o caminho que conduz a Ti. O meu
irmão é o meu salvador. Que eu não ataque o salvador que Tu me deste. Mas que eu
honre aquele que tem o Teu Nome e assim me lembre que é o meu próprio nome.

Jesus fala da Filiação como uma, e então, fique ciente das mágoas que diriam: “A
Filiação de Deus é fragmentada e vou provar isso. Veja o que esses vitimadores fizeram
comigo e com outros inocentes. Você está errado, Jesus, e eu estou certo – o Filho de Deus
não pode ser um, pois existe claramente uma hierarquia de bem e mal”. Nós justificamos nossa
posição por usarmos o passado para tornar os pecados de outra pessoa reais, o que se torna
nossa defesa contra o instante santo, onde os corpos pecaminosos não existem. Apenas a
memória do Amor de Deus permanece na mente curada, e é isso o que nós tememos. Nosso
irmão se torna nosso salvador, não por causa das coisas especiais que ele faz por nós, mas
porque nele vemos a memória do verdadeiro Filho de Deus, que foi enterrada em nossas
mentes. Nós nos lembramos dele na extensão em que percebemos que as mágoas que
mantemos são mágoas que mantemos contra nós mesmos e contra Deus. Tal insanidade não
pode nos fazer felizes, nem pode negar o perdão a Jesus, como ele agora nos diz:

(2) Assim sendo, perdoa-me hoje. E conhecerás que me perdoaste, se contemplares o


teu irmão à luz da santidade. Ele não pode ser menos santo do que eu e tu não podes
ser mais santo do que ele.

Se nós guardarmos mágoas contra Jesus, e a Filiação é uma, temos que guardar
mágoas contra todos os outros também. Da mesma forma, sabemos que guardamos mágoas
contra Jesus se nos agarrarmos a mágoas contra as outras pessoas. A prática bem sucedida
do livro de exercícios repousa em aceitarmos o fato da nossa unicidade: como Cristo, mas
também como egos. Se nós realmente amarmos Jesus, portanto, e quisermos aprender suas
lições, como poderíamos fazê-lo se não aplicarmos o que ele ensina? Quando atacamos outra
172
pessoa, estamos dizendo a ela que ela está errada, pois nossa felicidade vem de estarmos
certos e provarmos que essa outra pessoa está errada. Para demonstrarmos nosso amor por
Jesus e nosso desejo de segui-lo para casa, portanto, precisamos fazer o que ele diz. Quando
não o fazemos, ele nos pede para ficarmos cientes desses pensamentos sem nos sentirmos
culpados, pois essa é a base para nosso perdão a ele e a nós mesmos – o meio de nos
lembrarmos da santidade do Filho de Deus.

173
LIÇÃO 289

O passado acabou. Ele não pode me tocar.

Isso dá prosseguimento à Lição 288. Quando o passado terminou, o sistema de pecado,


culpa e medo – passado, presente e futuro – está terminado também, e nós estamos somente
em nossas mentes certas, o ponto de entrada para o mundo real. O fim do mundo de tempo e
espaço do ego é a mensagem dessa lição:

(1:1) A menos que o passado esteja acabado na minha mente, o mundo real tem que
escapar à minha vista.

Meu medo do mundo real deriva da compreensão de que não existe ser individual fora
do sonho de separação, e, portanto, não posso mais ser a figura no sonho que penso ser eu
mesmo. Portanto, a maneira de manter o mundo real distante e eliminar a ameaça de perda da
minha identidade separada é nos agarrarmos ao passado. Qual forma melhor de fazer isso do
que reter a crença no pecado, uma vez que o tempo linear é simplesmente a projeção na forma
do sistema de pensamento de pecado, culpa e medo?

(1:2) Pois, realmente não estou olhando para parte alguma, vendo apenas o que não
existe.

No início do Capítulo 28, Jesus nos dá essas palavras que conhecemos tão bem:

Esse mundo acabou há muito tempo. Os pensamentos que o fizeram já não estão
mais na mente que os pensou e os amou por um breve período de tempo (T-
28.I.1:6-7).

Nós, portanto, não olhamos para nada; apenas uma imagem posterior do que já
aconteceu. Nossos olhos e ouvidos foram feitos especificamente para nos ensinar que estamos
olhando e ouvindo algo real, no entanto, na verdade, “vemos” e “ouvimos” o que não está lá.

(1:3) Como posso, então, perceber o mundo que o perdão oferece?

Obviamente, não posso, e não posso porque não quero. Olhar para o mundo que o
perdão oferece significa que eu iria confrontar meu maior medo: desaparecimento como uma
entidade única e especial.

(1:4-6) O passado foi feito para ocultá-lo e por isso o mundo só pode ser contemplado
agora. Ele não tem passado. Pois o que senão o passado, pode ser perdoado e tendo
sido perdoado, ele desaparece.

O perdão já está presente em nós, pois o passado se foi. Mas nós tentamos perpetuá-lo
através do medo do que significa estar no instante santo. No entanto, como Jesus reflete na
oração que se segue, o perdão marca o fim da culpa. Se não existe passado, não existe
pecado, e, sem pecado, não pode haver culpa ou medo. Estar no instante santo encerra o
sistema de pensamento de pecado, culpa e medo e anuncia o mundo real: “o mundo só pode
ser contemplado agora”.

(2) Pai, que eu não olhe para um passado que não existe. Pois Tu me ofereceste a Tua
própria substituição em um mundo presente que o passado deixou intocado e livre do
174
pecado. Eis o fim da culpa. E eis-me pronto para o Teu passo final. Haveria eu de
requisitar que Tu esperasses mais tempo, até que o Teu Filho achasse a beleza que
planejaste para ser o fim de todos os seus sonhos e de toda a sua dor?

No mesmo espírito, Jesus encerra o “novo” Pai Nosso:

O sono do esquecimento é apenas não querermos lembrar o Teu perdão e o Teu


Amor. Não nos deixes cair em tentação, pois a tentação do Filho de Deus não é a
Tua Vontade. E permite que recebamos apenas o que Tu nos deste e que
aceitemos apenas isso nas mentes que Tu criaste e que Tu amas. Amém (T-
16.VII.12:4-7).

175
LIÇÃO 290

A minha felicidade presente é tudo o que eu vejo.

A Lição 290 continua com o tema do presente e do instante santo.

(1:1) A menos que eu esteja olhando para o que não existe, a minha felicidade presente é
tudo o que eu vejo.

O que não está lá não é natural, pois busca substituir a naturalidade da minha felicidade
atual. Portanto, se eu vir algo que não está lá – ataque, dor ou especialismo -, não posso ser
feliz, o que vem apenas por liberar o sistema de pensamento do ego que é a fonte da
infelicidade. Essa infelicidade se torna o barômetro que me mostra que eu escolhi me agarrar a
um sistema de pensamento que diz que eu estou certo e Deus errado.

(1:2) Olhos que começam a abrir-se, enfim, podem ver.

Jesus não está falando sobre visão física, mas ele usa o simbolismo dos olhos para falar
sobre a atitude da mente certa que faz surgir a visão de Cristo. Lembre-se dessa homenagem
à Alegoria da Caverna, de Platão, que descreve o processo de abrir os olhos para a luz:

Prisioneiros amarrados a pesadas correntes por anos, famintos e abatidos, fracos e


exaustos, e com os olhos baixos há tanto tempo na escuridão que não se lembram
da luz, não pulam de alegria no instante em que são libertados. Leva tempo para
que compreendam o que é a liberdade (T-20.III.9:1-2).

(1:3-6) E quero que a visão de Cristo venha a mim hoje mesmo. O que eu percebo com a
vista que fiz sem a Correção do próprio Deus é assustador e doloroso de se contemplar.
Já não permitirei, nem por mais um instante, que a minha mente continue a ser
enganada pela crença de que o sonho que fiz é real.

Jesus nos diz que ainda vamos reconhecer que tudo o que percebemos é um equívoco,
pois é uma defesa contra a unicidade no Céu. Essa verdade é benignamente expressa no
sonho pela percepção do nosso propósito único, o outro ponto de vista descrito nesse trecho
do prefácio ao Um Curso em Milagres:

A visão de Cristo é a dádiva do Espírito Santo, a alternativa de Deus para a ilusão


da separação e para a crença na realidade do pecado, da culpa e da morte... A sua
luz benigna mostra todas as coisas de outro ponto de vista, refletindo o sistema de
pensamento que surge do conhecimento e fazendo com que o retorno a Deus não
só seja possível, mas inevitável (p. xxi).

(2) Com essa decisão, venho a Ti e peço à Tua força que me ampare no dia de hoje, em
que só busco fazer a Tua Vontade. Pai, não podes falhar em me ouvir. Já me deste o que
estou pedindo. E estou certo de que hoje verei a minha felicidade.

A estrofe inicial do poema de Helen, “A promessa”, captura o sentimento dessa oração


ao nosso irmão Jesus, o Senhor de Helen:

176
Ouça, meu Senhor! Eu não posso chamar em vão.
Tal é Tua promessa. Eu faço apenas a Tua Vontade
Quando Te chamo. E Tu vais me responder,
Porque Tua promessa mantém a Resposta serena.

(As Dádivas de Deus, p. 14).

177
8. O que é o mundo real?

A meta final do Um Curso em Milagres é alcançar o mundo real, aonde todo aprendizado
conduz, e termina quando o sistema de pensamento do ego se desvanece na nulidade. No
mundo real, não existe nada mais a ser aprendido, pois o verdadeiro aprendizado é
desaprendermos o que o ego nos ensinou.

A função dos professores de Deus é trazer ao mundo o verdadeiro aprendizado.


Propriamente falando, o que trazem é “des-aprendizado”, pois esse é “o
aprendizado verdadeiro no mundo” (MP-4.X.3:6-7).

Quando concluímos esse processo de desaprendizado ou desfazer, o sistema de


pensamento do ego simplesmente desaparece, e o que permanece é o estado da mente que
chamamos de mundo real.

(1:1-2) O mundo real é um símbolo, como o resto do que a percepção oferece. Mas
representa o oposto daquilo que fizeste.

No texto, Jesus explica que o termo mundo real é, com efeito, um oximoro, porque ele
não é real:

... existe aqui uma contradição, pelo fato de que as palavras implicam uma realidade
limitada, uma verdade parcial, um segmento do universo que se tornou verdadeiro
(T-26.III.3:3).

O mundo, visto através dos olhos do perdão, reflete a realidade do Céu. De forma
similar, Jesus nos diz que a santidade não é possível aqui, no entanto, somos solicitados a
escolher um instante santo, e permitirmos que nossos relacionamentos sejam transformados
em relacionamentos santos, o que então reflete a santidade do nosso relacionamento com
Deus, um processo descrito em “O reflexo da santidade”:

Nesse mundo, tu podes vir a ser um espelho sem mancha, no qual a santidade do
teu Criador se irradia a partir de ti para tudo à tua volta. Podes refletir o Céu aqui.
No entanto, é preciso que nenhum reflexo das imagens de outros deuses turve o
espelho que manteria em si o reflexo de Deus. A terra pode refletir o Céu ou o
inferno: Deus ou o ego. Tu só tens que deixar o espelho limpo, isento de todas as
imagens de escuridão que escondeste e atraíste para ele. Deus brilhará nele por Si
Mesmo. Só o claro reflexo de Deus pode ser percebido nele (T-14.IX.5).

Nós, portanto, somos solicitados a ser um reflexo da santidade ou realidade nesse


mundo. Ainda que o mundo real não exista na realidade, podemos pensar sobre ele como real
na medida em que ele “representa o oposto daquilo que fizeste” – o oposto de tudo o que o ego
nos disse que era real. Portanto, é um estado da mente que nos contradiz ou se opõe à
verdade, mas gentilmente a reflete.

(1:3) O teu mundo é visto através dos olhos do medo e traz à tua mente os testemunhos
do terror.

Isso é óbvio para nós a essa altura. Nosso mundo vem da culpa, que exige punição –
nós projetamos a culpa, e, portanto, acreditamos que merecemos ser punidos pelo nosso
pecado:
178
A culpa pede punição e o seu pedido é concedido. Não na verdade, mas no mundo
de sombras e ilusões construído sobre o pecado. O Filho de Deus percebeu o que
ele queria ver porque a percepção é um desejo realizado (T-26.VII.3:1-3).

(1:4) O mundo real não pode ser percebido exceto através de olhos que o perdão
abençoa, de modo que vejam um mundo onde o terror é impossível e onde testemunhos
do medo não podem ser achados.

Para reafirmar o ponto que enfatizei através da última série de lições, descobrir que
estivemos nos agarrando a mágoas indica que nós queremos a meta que a falta de perdão
traz: impedir-nos de estarmos com Jesus, entrando no mundo real, e entendermos que tudo
isso – incluindo nossas identidades individuais – é um sonho. Para protegermos nossos seres
especiais, nós inventamos histórias sobre as pessoas – as coisas terríveis que elas fizeram a
nós ou a outros inocentes, nós arranjamos outras pessoas para compartilharem essa crença, e
quanto mais o fazemos, mais certos acreditamos estar, conforme solidificamos nossas defesas
contra Jesus e seus ensinamentos. Nunca devemos perder de vista esse propósito subjacente
dos nossos julgamentos e doenças. Se o fizermos, nunca seremos capazes de mudá-lo. Um
foco central no Um Curso em Milagres, portanto, é nos fazer ver o propósito do ego para tudo –
um propósito equivocado porque não vai nos tornar felizes. Acima de tudo, o objetivo do Curso
é nos ensinar que existe um Professor Que vai nos ajudar a mudar esse propósito do dano
para a cura.

(2:1) O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz refletido no
teu mundo; uma correção certa para as cenas de medo e para os sons de batalha que o
teu mundo contém.

A correção é o Espírito Santo Cuja Presença representa a verdade de que a separação


de Deus nunca aconteceu. Como o Espírito Santo e Jesus representam o Amor de Deus em
nossos sonhos, não podemos ser separados Deles também. Além disso, se a separação de
Deus nunca aconteceu, as dinâmicas da mente separada não poderiam ter acontecido.
Portanto, não é como se tivéssemos bilhões de pensamentos felizes e infelizes em nossas
mentes. Existe uma ilusão de bilhões, mas na verdade, a mente contém apenas um
pensamento infeliz e um pensamento feliz. Enquanto tivermos a ilusão de bilhões de
equívocos, no entanto, vamos ter a ilusão de bilhões de correções. No entanto, mais uma vez,
existe apenas um erro e uma correção, como lemos nessa importante passagem que já vimos
antes:

Deus deu o Seu Professor para substituir o professor que fizeste, não para entrar
em conflito com ele. E o que Ele quer substituir, foi substituído. O tempo não durou
senão um instante em tua mente, sem nenhum efeito sobre a eternidade. E assim
todo o tempo é o passado e todas as coisas são exatamente como eram antes que
fosse feito o caminho para o nada. O diminuto tic-tac do tempo no qual foi feito o
primeiro equivoco e todos eles dentro desse único, também continha a Correção
daquele equívoco e de todos os que vieram dentro do primeiro. E naquele instante
diminuto o tempo desapareceu, pois isso foi tudo o que ele jamais foi. Aquilo a que
Deus deu uma resposta foi respondido e desapareceu (T-26.V.3).

(2:2-6) O mundo real mostra um mundo visto de modo diferente, através de olhos
serenos e com a mente em paz. Nele só há descanso. Nele não se ouvem gritos de dor e
de pesar, pois nada mais resta fora do perdão. E o que vês é gentil. Apenas cenas e sons
felizes podem alcançar a mente que perdoou a si mesma:

179
Esse é um estado da mente que percebe o mundo de fora do sonho. Nós vemos o
sonho, mas da perspectiva do lar de Jesus, acima do campo de batalha. No entanto, o mundo
o puxou para o sonho, como sendo uma de suas próprias imagens, em vez de fazer com que
as figuras do sonho fossem refeitas à sua imagem de luz e amor. Quando nos reunimos a ele
no mundo real, não ouvimos gritos de dor e pesar, porque eles permanecem uma parte do
sonho. Fora do sonho, ouvimos as pessoas falarem, mas não existem sons a se ouvir. Na
verdade, nós “ouvimos” as pessoas que ainda escolhem permanecerem adormecidas, suas
dores vindas da decisão de sonhar à parte do mundo real.

(3:1) Que necessidade tem essa mente de pensamentos de morte, ataque e assassinato?

Esse é o mesmo ponto afirmado na série anterior de lições. Existe um propósito por trás
dos nossos pensamentos e experiências de ataque, assassinato e morte. Eles acontecem
continuamente em nossos sonhos, porque temos necessidade deles. Se o ataque, assassinato
e a morte são reais, assim também é o pensamento subjacente de que matamos Deus para
podermos viver. Tudo isso prova nossa existência, pois o pecado de destruir o Céu foi como
viemos a existir para início de conversa. Nossos sonhos pessoais de ataque e morte são
fragmentos sombrios dos pensamentos originais de ataque e morte. Nós precisamos que eles
sejam reais porque eles nos tornam reais, que é o motivo pelo qual tantos filmes populares
contêm cenas horríveis de ataque e assassinato – violência, violência e ainda mais violência -,
pois todos nós compartilhamos a necessidade de que fazer com que o ataque seja uma
realidade. Apesar disso, quando entendemos que o ódio e o ataque não valem a pena – eles
não nos fazem felizes -, a necessidade por eles se vai; assim, também, a necessidade de
estarmos certos como um ego. Portanto, nossas mentes podem estar quietas finalmente,
permitindo que a memória do Amor de Deus venha gentilmente à superfície da nossa
consciência:

A memória de Deus vem à mente quieta. Ela não pode vir aonde há conflito, pois
uma mente em guerra contra si mesma não se lembra da gentileza eterna. Os meios
da guerra não são os meios da paz e o que as pessoas voltadas para a guerra
querem lembrar não é amor (T-23.I.1:1-3).

(3:2) O que pode percebe ao seu redor, senão a segurança, o amor e a alegria?

Identificando-nos com o amor de Jesus e a Expiação do Espírito Santo, tudo o que


conhecemos é a segurança, amor e alegria. Nós experimentamos o que tornamos real em
nossas mentes e, portanto, se experimentarmos apenas segurança, amor e alegria, é porque
escolhemos a força do amor como nossa identidade, e, portanto, estamos para sempre
seguros e alegres. Lembre-se das palavras que esclarecem essa distinção:

Sempre escolhes entre a tua fraqueza e a força de Cristo em ti. E o que escolhes é
o que pensas que é real. Simplesmente pelo fato de nunca usares a fraqueza para
dirigir as tuas ações, não deste a ela nenhum poder. E à luz de Cristo em ti é dado o
controle de tudo o que fazes. Pois trouxeste a tua fraqueza a Ele e Ele te deu a Sua
força em lugar dela (T-31.VIII.2:3-7).

(3:3) O que pode existir que escolhesse condenar e o que quereria julgar
desfavoravelmente?

O que nós escolhemos condenar e julgar é um aspecto do Filho de Deus que queremos
ver como outra pessoa além de nós mesmos. Isso é feito apenas para preservarmos nossa
própria imagem fragmentada de separação. Quando essa necessidade se vai – nossa
180
identificação muda do ódio do ego para o amor de Jesus -, não existe mais qualquer ódio para
julgar e projetar nos outros. Nós aceitamos em vez disso o julgamento amoroso de Deus, e em
Seu santo Nome, abençoamos o mundo – nossa função dentro do sonho:

O tempo pára à medida em que a eternidade se aproxima e o silêncio cai sobre o


mundo para que todos possam ouvir esse Julgamento sobre o Filho de Deus:

Tu és santo, eterno e íntegro, para sempre em


paz no Coração de Deus. Onde está o mundo
e onde está o pesar agora?

A tua função é preparar-te para ouvir esse Julgamento e reconhecer que ele é
verdadeiro... Não julgues, pois julgas apenas a ti mesmo e assim adias esse
Julgamento Final... Suas promessas vêm com certeza... [e] garantiram que o Seu
Julgamento, e apenas o Seu, será aceito no final. É tua função fazer com que esse
fim seja em breve. É tua função guardá-lo junto ao tu coração e oferecê-lo ao mundo
todo para mantê-lo a salvo (MP-15.1:10-12; 2:5,8; 3:7,9-11).

(3:4-5) O mundo que ela [a mente perdoada] vê surge de uma mente em paz consigo
mesma. Não há perigos à espreita em nada do que é visto por ela, pois é benigna e só
contempla a benignidade.

A benignidade é central para aplicar os princípios do Um Curso em Milagres. Ela


permanece um ideal impossível enquanto eu acredito que existo por causa da minha falta de
benignidade a Deus, existindo à custa de Outro. Portanto, eu pratico a benignidade de forma
comportamental como um reflexo da decisão da minha mente de ser benigna. Uma lição
anterior disse “A benignidade me criou benigno” (LE-pI.67.2:4), e então, por negar a
benignidade a outro, estou afirmando: “Eu não sou uma criança da benignidade, pois tal
criança não pode existir aqui e quero provar que existo. Uma vez que o semelhante origina o
semelhante, e idéias não deixam sua fonte, tudo o que eu preciso fazer para provar que sou
uma criança da falta de benignidade do ego é não ser benigno com todos os outros”. Isso nem
mesmo tem que acontecer com todos – uma pessoa será suficiente.
Essa, então, é a origem de todos os pensamentos não-benignos, que nós tentamos
justificar por afirmar que alguém mais não foi benigno conosco primeiro. No entanto, com que
facilidade tudo isso é deixado de lado quando perdoamos, como lemos nessa passagem
familiar e adorável do texto:

A graça de Deus descansa gentilmente em olhos que perdoam, e todas as coisas


para as quais eles olham falam de Deus a quem as contempla. Ele é incapaz de ver
qualquer mal; nada há no mundo para ser temido e pessoa alguma é diferente dele.
E assim como ele as ama, do mesmo modo olha para si mesmo com amor e
gentileza. Ele não condenaria a si mesmo por seus equívocos assim como não quer
amaldiçoar um outro. Não é um árbitro da vingança, nem alguém que pune pecados.
A benignidade do seu modo de ver repousa nele mesmo com toda a ternura que
oferece aos outros. Pois ele quer apenas curar e abençoar. E estando de acordo
com o que Deus quer, tem o poder de curar e de abençoar todos aqueles que ele
contempla com a graça de Deus sobre tudo o que vê (T-25.VI.1).

(4:1) O mundo real é o símbolo de que o sonho do pecado e da culpa terminou e o Filho
de Deus não está mais dormindo.

Jesus enfatiza a natureza simbólica do mundo real pela segunda vez nesse resumo. Ele
não é inerentemente real; nem o perdão, ou nosso professor de perdão, e seu curso que
181
ensina que tudo isso não é real. Portanto, adorar o Um Curso em Milagres de Jesus seria
totalmente impróprio, pois iríamos adorar apenas o Deus não-simbólico Que nos deu vida –
adoração no sentido da reverência de que Jesus fala no início do texto:

A reverência deve ser reservada para a revelação [i.e., Deus], à qual pode ser
aplicada correta e perfeitamente. Ela não é apropriada para milagres porque o
estado de reverência é pleno de adoração, implicando que alguém de ordem menor
se encontra diante do seu Criador. Tu és uma criação perfeita e deves experimentar
reverência somente na presença do Criador da perfeição. O milagre é, portanto, um
sinal de amor entre iguais. Iguais não devem se reverenciar um ao outro, pois a
reverência implica desigualdade. E, portanto, uma reação inadequada a mim [Jesus]
(T-1.II.3:1-6).

A reverência diz a Deus: eu não sou como Você – Você é o criador, eu sou o criado; eu
não sou Deus, mas uma parte de Você que é Deus. Essa é a única verdade, e tudo o mais um
símbolo. Portanto, mais uma vez, Jesus poderia estar falando do Um Curso em Milagres,
dizendo-nos para não colocarmos sua forma simbólica em um pedestal. Em vez disso,
demonstramos nosso amor por ele através da prática da benignidade, pois é assim que vamos
alcançar seu propósito de nos despertar dos pesadelos de pecado e culpa do ego para nos
encontrarmos no mundo real.

(4:2-3) Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai, a promessa
certa de que foi redimido. O mundo real significa o fim do tempo, pois percebê-lo faz
com que o tempo não tenha nenhum propósito.

O mundo real é a culminação do nosso desaprendizado, e, portanto, reflete o Amor de


Deus. Mais uma vez, não é esse Amor, porque no mundo real ainda estamos conscientes de
que existe um sonho, do qual Deus não sabe nada. No entanto, ao mesmo tempo, sabemos
que nossa realidade está fora do sonho, que desaparece da consciência quando
verdadeiramente sabemos que somos parte do Amor de Deus e retornamos ao Céu:

O mundo real é a segunda parte da alucinação segundo a qual o tempo e a morte


são reais e têm uma existência que pode ser percebida. Essa terrível ilusão foi
negada em nada mais do que o tempo que Deus levou para dar a Sua Resposta à
ilusão por todos os tempos e em quaisquer circunstancias. E a partir de então ela
não mais existiu para ser vivenciada como se fosse o presente (T-26.V.12:3-5).

(5:1) O Espírito Santo não tem necessidade de tempo uma vez que esse já tenha servido
ao Seu propósito.

O propósito do Espírito Santo para o tempo é ensinar que não existe tempo. Ele não o
fez, nós o fizemos – para ferir -, e Ele agora usa o tempo para curar, ajudando-nos a escolher o
instante santo que encerra todo o tempo:

O Espírito Santo interpreta o propósito do tempo como o de tornar a necessidade do


tempo desnecessária. Ele considera a função do tempo como temporária, servindo
apenas à Sua função de ensinar, que é temporária por definição, A Sua ênfase,
portanto, recai sobre o único aspecto do tempo que pode se estender até o infinito,
pois o agora é a noção mais próxima de eternidade que esse mundo oferece (T-
13.IV.7:3-5).

(5:2-3) Agora, Ele só espera por aquele único instante a mais para que Deus dê o Seu
passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção e deixando apenas a
182
verdade para ser ela mesma. Esse instante é a nossa meta, pois contém a memória de
Deus.

Nesse último passo, o mundo real em si desaparece; as mentes certa e errada se vão –
na verdade, toda a mente dividida se vai. Tudo o que resta é a verdade, pois estamos no
mundo real por apenas um instante mais, e então, Deus se abaixa e nos eleva de volta até Ele:

Que melhor maneira de fechar a pequena brecha entre as ilusões e a realidade


senão permitir que a memória de Deus flua através dela, fazendo com que venha a
ser uma ponte que se atravessa em apenas um minuto para alcançar o que está
além?... Seu Pai quer que ele seja erguido e gentilmente carregado até lá. Ele
construiu a ponte e será Ele Quem irá transportar Seu Filho através dela. Não
tenhas medo que Ele possa falhar no que é a Sua vontade. Nem tenhas medo de
ser excluído da Vontade que existe para ti (T-28.I.15:3-4,6-9).

(5:4) E, ao olharmos para um mundo perdoado, é Ele Que nos chama e vem para nos
levar para casa, lembrando-nos da nossa Identidade Que o nosso perdão restituiu a nós.

Para afirmar esse ponto mais uma vez – se você se perceber guardando mágoas, é
porque você não quer voltar para casa, mas, em vez disso, quer afirmar sua identidade como
uma criança da falta de benignidade e do ódio, em vez da benignidade e do amor. Essa
escolha é refletida em seu comportamento aqui. Estar ciente dos seus pensamentos e ações
não-benignas, portanto, permite que você reconheça que não está sendo realmente não-
benigno com outra pessoa, mas apenas com você mesmo, por negar seu lugar de direito no
Reino unificado de Deus e de Seu Filho. Nesse ponto de reconhecimento, voltar-se para Jesus
em busca de ajuda se torna significativo, pois nasce do seu novo propósito: ser ensinado como
voltar para casa e afirmar que a filiação é verdadeiramente sua, e sempre foi seu direito de
nascença e herança.
A conclusão do Prefácio do Curso encerra lindamente nosso resumo sobre o mundo real
– a porta de total perdão através da qual passamos com Jesus para o Céu:

O perdão é o meio através do qual nós nos lembraremos. Através do perdão, o


pensamento do mundo é revertido. O mundo perdoado vem a ser a porta do Céu,
porque através da sua misericórdia podemos finalmente perdoar a nós mesmos.
Não aprisionando ninguém à culpa, nós nos libertamos. Tomando conhecimento de
Cristo em todos os nossos irmãos, reconhecemos a Sua Presença em nós mesmos.
Esquecendo todas as nossas percepções equivocadas e sem nada do passado para
nos deter, podemos nos lembrar de Deus. Além deste aprendizado, não podemos ir.
Estamos prontos e o próprio Deus dará o passo final em nossa viagem de volta a
Ele (p.xxii).

183
LIÇÃO 291

Esse é um dia de serenidade e paz.

Nós voltamos agora a dois temas familiares: a visão de Cristo e a quietude e paz da
mente.

(1:1-3) Hoje a visão de Cristo olha através de mim. A Sua visão me mostra todas as
coisas perdoadas e em paz e oferece essa mesma visão ao mundo. E eu aceito essa
visão em seu nome para mim mesmo e também para ele.

Quando a metafísica do Curso é compreendida, fica aparente que Jesus está refletindo
o princípio de que o mundo e a mente são um. Assim, a visão não tem nada a ver com o que
nossos olhos vêem, mas com o professor com quem escolhemos ver. Quando Jesus é nossa
escolha, nossas mentes estarão em paz e tudo para que olharmos estará pacífico também.

(1:4-6) Quanta beleza contemplamos hoje! Quanta santidade vemos à nossa volta! E nos
é dado reconhecer que é uma santidade da qual todos compartilhamos, é a Santidade do
próprio Deus.

Quero afirmar mais uma vez a importância de manter a metafísica do Um Curso em


Milagres em mente. Sem essa base, você poderia ser tentado a acreditar que Jesus está
falando sobre ver a santidade com seus olhos e, além disso, que a santidade existe aqui:
corpos santos, lugares santos, objetos santos. Além disso, se você pensar que é um bom
estudante do Curso, pode tentar negar as coisas horríveis que acontecem nesse mundo,
pensando em vez disso que tudo aqui é santo porque você está olhando através dos olhos da
santidade. Isso é o oposto exato do que Jesus está ensinado, que não tem nada a ver com a
santidade que seus olhos vêem, mas apenas com a santidade que você aceita em sua mente.
Essa aceitação é precedida pela compreensão do que tem que ser corrigido e desfeito em sua
compreensão. Portanto, antes de você verdadeiramente vir a santidade ao se redor, primeiro
precisa entender o quanto fica zangado, desesperado e transtornado pelo que acontece no
mundo. Mais uma vez, enquanto você pensar que é um corpo, nunca poderá ser feliz aqui.
Corpos são o equivalente a dor, porque eles são feitos a partir do pensamento de dor – a
separação de Deus.
Assim, você não pode compartilhar a visão de Cristo sem primeiro olhar para o que sua
visão lhe disse que é verdadeiro, trazendo isso à correção do Espírito Santo em sua mente.
Nesse ponto, você vai ter aceitado a santidade que é sua verdadeira Identidade e a de todos
os outros. Olhando através das lentes de santidade da mente, você a verá em todos os lugares
ao seu redor – não porque qualquer coisa tenha mudado externamente, mas porque sua mente
mudou.

(2:1) Nesse dia, a minha mente está quieta para receber os Pensamentos que me
ofereces.

Eu preciso aquietar a minha mente em relação à sua identificação com o sistema de


pensamento do ego. A quietude da Expiação agora toma o lugar do barulho do ego, e esse é o
Pensamento que Deus me oferece.

(2:2-6) E aceito o que vem de Ti no lugar do que vem de mim. Não conheço o caminho
para Ti. Mas Tu és totalmente certo. Pai, guia o Teu Filho por esse caminho quieto que
conduz a Ti. Que o meu perdão seja completo e que a memória de Ti volte para mim.
184
A frase “não conheço o caminho para Ti” vem da oração no final da Lição 189, e vamos
encontrá-la uma referência a ela novamente nas próximas lições. A questão aqui, mais uma
vez, é que nós reconheçamos que cometemos um equívoco, e que não conhecemos o
caminho certo, mas Deus – i.e., o Espírito Santo – conhece: o caminho quieto do perdão.
Assim, termos escolhido um Professor diferente reflete a decisão da mente de aceitar que
estamos errados e Ele está certo.

185
LIÇÃO 292

O final feliz de todas as coisas é certo.

Você pode se lembrar da sentença que é afirmada duas vezes no texto: “O resultado é
tão certo quanto Deus” (T-2.III.3:10; T-4.II.5:8). Para o ego, o resultado também é certo, mas é
o deus do ego, cuja certeza é infelicidade e miséria. Ele nos diz que a forma de alcançarmos a
felicidade é à custa de outra pessoa – outra pessoa tem que sofrer. Uma vez que somos
diferentes, se você estiver infeliz, eu então não estarei, pois minha felicidade vem apenas
quando a sua é sacrificada. A correção feliz que leva ao resultado feliz é a felicidade que é
nossa herança – sua e minha – e é seguramente mantida para nós nas mentes que esperam
nossa decisão de aceitá-la.

(1:1) As promessas de Deus não fazem exceções.

Isso significa que eu não posso perdoar algumas pessoas e excluir o resto. A Filiação de
Deus é uma, e Ele não reconhece a fragmentação que nunca aconteceu.

(1:2-3) E Ele garante que só a alegria pode ser o fim de todas as coisas. No entanto, cabe
a nós decidir quando isso será alcançado, por quanto tempo permitiremos que uma
vontade alheia pareça opor-se à Sua.

Na Introdução ao Um Curso em Milagres, Jesus nos diz que livre arbítrio significa que
somos livres para escolhermos o momento em que aceitaremos a verdade que já está presente
em nós:

Livre arbítrio não significa que podes estabelecer o currículo. Significa apenas que
podes escolher o que queres aprender em determinado momento (T-in.1:4-5).

Isso não é algo que Jesus faça por nós. Nós temos que estar dispostos a reconhecer
nossos equívocos anteriores, e então, escolhemos que eles sejam desfeitos para nós. A
verdade, que é o reflexo da Vontade de Deus, já está presente em nossas mentes certas. Nós
escolhemos substituí-la pela vontade estranha do ego, colocando-a em seu lugar, e é nossa
responsabilidade reconhecermos que estávamos equivocados, e sermos gratos por estarmos
errados, para que finalmente possamos fazer a escolha certa, que assegura o resultado alegre.

(1:4-7) E, enquanto pensarmos que essa vontade é real, não acharemos o fim que Ele
designou como o desenlace de todos os problemas que percebemos, de todas as
provações que vemos e de cada situação com a qual nos deparamos. Contudo, o fim é
certo. Pois a Vontade de Deus é feita assim na terra como no Céu. Buscaremos e
acharemos segundo a Sua Vontade, que garante que a nossa vontade seja feita.

Nós não podemos falhar quando invocamos Aquele Que não pode falhar. Buscando
apenas um resultado feliz, é isso o que vamos encontrar quando invocarmos o Professor da
felicidade, agradecendo a Deus por Seu Amor:

(2) Pai, nós Te agradecemos por garantir-nos que, no final, só haverá desenlaces felizes.
Ajuda-nos a não interferir e assim atrasar os finais felizes que nos prometeste para cada
problema que podemos perceber, para cada provação que ainda pensamos ter que
enfrentar.

186
Do fim do texto, lemos palavras que só podem nos trazer conforto no mundo da dor:

As provações são apenas lições que falhaste em aprender apresentadas mais uma
vez de forma que onde antes fizeste uma escolha faltosa agora possas fazer outra
melhor e assim escapar de toda a dor que o que escolheste antes trouxe a ti. Em
toda dificuldade, em toda aflição e a cada perplexidade, Cristo te chama e
gentilmente diz: “Meu irmão, escolhe outra vez”. Ele não deixaria uma única fonte de
dor sem cura, nem imagem alguma para velar a verdade. A Sua força é a tua
porque Ele é o Ser Que Deus criou como Seu único Filho (T-31.VIII.3:1-3,7).

187
LIÇÃO 293

Todo o medo passou e só o amor está aqui.

Como vimos muitas vezes, se o perfeito amor expulsa o medo, e nós aceitamos o amor
através do Espírito Santo em nossas mentes, o medo que é o cerne do sistema de pensamento
do ego tem que ter ido embora. Só o Amor de Deus e de Seu Filho vai permanecer.

(1:1) O medo passou porque a sua fonte se foi e com ela todos os pensamentos de
medo.

A fonte da dor é o pecado, a crença em que a separação é real e merece punição.


Quando nos unimos a Jesus, o símbolo do Amor de Deus no sonho, não estamos mais
separados dele ou da nossa Fonte. Portanto, não existe pecado de separação, e então, não
poderia haver medo. Também o sistema de pensamento do ego se foi, com seus pensamentos
de pecado, especialismo, sacrifício e sofrimento.

(1:2-5) O Amor cuja Fonte está aqui para todo o sempre, é o único estado presente. Pode
o mundo parecer brilhante, claro, seguro e acolhedor, oprimido por todos os meus
equívocos passados que me mostram formas distorcidas de medo?

Essa é uma linda passagem repleta de luz que é ecoada em uma passagem igualmente
linda do texto, que descreve o mundo de luz que saúda nossa decisão pela luz interior:

Nada do que está à tua volta deixa de ser parte de ti. Olha para isso amorosamente
e vê nisso a luz do Céu. Assim virás a compreender tudo o que te é dado. Em
perdão benigno o mundo cintilará e brilhará e tudo o que antes pensavas ser pecado
agora será re-interpretado como parte do Céu. Como é bonito caminhar limpo,
redimido e feliz, através de um mundo em amarga necessidade da redenção que a
tua inocência lhe concede! (T-23.in.6;1-5).

(2:1) Pai, que hoje o Teu mundo santo não escape à minha vista.

Quando, no instante santo, escolhemos a visão de Cristo em vez da do ego,


percebemos o mundo da nossa nova perspectiva fora do sonho – o mundo real.

(2:2) Que os meus ouvidos não fiquem surdos a todos os hinos de gratidão que o
mundo canta sob os ruídos do medo.

Os sons de medo – o sistema de pensamento do ego e seu mundo – são uma cobertura
para os piedosos hinos de gratidão que estão dentro da mente de todos. Nós, portanto, vemos
novamente uma referência ao cerne do ensinamento de Jesus: o sistema de pensamento do
ego não é nada mais ou menos do que uma defesa contra a verdade, já presente em nossas
mentes. Usando a imagem das camadas, podemos ver o princípio da Expiação como na base
da mente, encoberto por camadas e camadas de especialismo do ego até estarmos tão
afastados da verdade que acabamos acreditando apenas no que os olhos do corpo nos dizem
ser a verdade. Cegos e surdos, nós esperamos nossa mudança da mente que
verdadeiramente nos liberta:

(2:3-4) Existe um mundo real que o presente mantém a salvo de todos os equívocos
passados. E hoje só quero ver esse mundo diante dos meus olhos.
188
Nós não podemos fazer a escolha de vermos o mundo real a menos que primeiro
reconheçamos que nossas mentes têm o poder de fazê-lo. Nós usamos mal esse poder por
escolhermos o ego em vez da verdade, o mesmo poder que agora usamos para corrigir nosso
equívoco para que a visão de Cristo se torne os nossos olhos.

189
LIÇÃO 294

O meu corpo é uma coisa totalmente neutra.

Essa lição importante merece uma discussão mais extensiva do que outras na Parte II.
Ela será particularmente útil para esclarecer a distinção entre os dois níveis de discurso
refletidos no Um Curso em Milagres que nós agora revisamos de forma breve:
O Nível Um é a base metafísica para o Curso, ensinando que apenas o espírito é
verdadeiro, e tudo o mais, incluindo o corpo, é falso. Nesse nível, tudo no mundo é simbólico
do pecado, o que significa que o corpo dificilmente é neutro. Ele é o repositório do pecado,
pois, em nossa dor e desespero, buscamos encontrar o pecado projetado em todos, exceto em
nós mesmos. O propósito dessa projeção é manter o pensamento do pecado vivo, mas
enterrado em nossas mentes. Levando adiante essa estratégia do ego, somos dirigidos a
perceber o pecado em todos os lugares ao nosso redor, dessa forma estabelecendo a
pecaminosidade do corpo. Isso responde pelas tentativas infindáveis das pessoas de tornarem
o corpo santo e, mais importante, o motivo pelo qual o pilar do pensamento religioso,
especialmente no ocidente, é que Deus é o criador do mundo e do corpo. Psicologicamente,
nós nos referimos a essa dinâmica como formação reativa, onde percebemos e acreditamos no
oposto do que tornamos real em nossas mentes. Nós primeiro estabelecemos a realidade do
pecado, o negamos, e depois o projetamos no corpo. Para contrariar nossa devastadora auto-
imagem, consideramos o corpo não como pecaminoso, mas como sem pecado e santo – de
fato, tão santo que o Próprio Deus o criou. Essa estranha noção do Deus criador tem
permanecido de forma notável na sociedade, porque oculta o uso que o ego faz do corpo –
tornando-o a fonte do pecado, dessa forma protegendo sua existência na mente.
No entanto, Jesus nos diz aqui e em outros lugares no Um Curso em Milagres que o
corpo não é nem pecador nem sem pecado – ele não é nada. No entanto, pelo fato de o termos
tornado real – passando para o Nível Dois do discurso – o corpo pode ser usado ou para nos
enraizar ainda mais profundamente no sonho, ou ser o meio pelo qual o Espírito Santo nos
desperta dele. Nesse sentido, o corpo é neutro, porque ele meramente espera a decisão da
mente dividida de projetar o propósito do ego de reforçar o sonho de pecado, ou de estender o
propósito do Espírito Santo para nosso aprendizado através do corpo de que o mundo é uma
ilusão – não mau, perverso ou pecador, apenas uma ilusão.

(1:1-4) Sou um Filho de Deus. Posso ser outra coisa também? Deus criou o mortal, o
corruptível? Que utilidade tem para o amado Filho de Deus algo que tem que morrer?

Essa é uma clara refutação da fundação do pensamento ocidental – todos os sistemas


de teologia, filosofia, psicologia e ciência que repousam na premissa de que o mundo e o corpo
são reais.

(1:5) E, no entanto, uma coisa neutra não vê a morte, pois nela não são investidos
pensamentos de medo e nem lhe é dado ser um travesti do amor.

Do ponto de vista do ego, a morte prova a realidade da separação e da culpa, e que a


punição de Deus foi alcançada. Portanto, a morte dificilmente é neutra dentro do sistema que
ensina que somos separados de Deus – a “zombaria do amor”. Esse pensamento de zombaria
é projetado no corpo, que, também, se torna uma zombaria, ou, como o Curso diz, uma
“paródia” ou “travesti” do Ser glorioso que Deus criou (T-24.VII.10:9; LE-pI.95.2:1).

(1:6) A sua neutralidade a protege enquanto tiver utilidade.

190
Quando entendemos que o corpo é neutro, entendemos também que ele não pode ser
ferido. Nós vimos diversas lições recentemente que estão centradas nessa idéia de que só
podemos ser feridos pelos nossos próprios pensamentos. Mais uma vez, o corpo em si não é
vulnerável, pois é inerentemente nada.

(1:7-9) E mais tarde, sem um propósito, ela é deixada de lado. Não está doente, velha ou
ferida. Simplesmente não tem função, é desnecessária e deixada de lado.

Isso acontece quando aprendemos as lições da nossa sala de aula e não precisamos
mais do corpo, e então, o deixamos de lado. A Canção da Oração contém uma interpretação
adorável da morte quando vista através dos olhos do Espírito Santo. Em Sua visão, a morte é
irrelevante para o corpo, pois reflete a decisão da mente de escolher a visão de Cristo e seu
propósito santo da mente certa:

Isso é o que a morte deveria ser: uma escolha quieta feita com alegria e com uma
sensação de paz porque o corpo foi usado de forma benigna para ajudar o Filho de
Deus ao longo do caminho que ele segue para Deus. Nós, então, agradecemos ao
corpo por todo o serviço que ele nos prestou. Mas, estamos também agradecidos,
pois terminou a necessidade de caminharmos no mundo dos limites, e de tentarmos
alcançar o Cristo em formas escondidas, visível no máximo em belos vislumbres.
Agora podemos olhar para Ele sem antolhos, na luz que aprendemos a contemplar
outra vez (C-3.II.2).

(1:10) Que hoje eu não a veja como mais do que isso: algo que é útil por algum tempo e
próprio para servir, para manter a sua utilidade enquanto lhe for possível servir e, em
seguida, ser substituída por um bem maior.

Essa é uma oração a nós mesmos para não colocarmos ênfase indevida no corpo, pois
ele não é nem santo nem profano, o instrumento da salvação ou da danação. Seu único
propósito de sanidade é ser o meio de voltar para a mente. Uma vez que fizemos e nos
identificamos com o corpo, a mente pareceu para sempre fechada. Quando dizemos “tem que
existir outro caminho”, estamos pedindo a Jesus para nos ajudar a entender que o que nós
pensamos, percebemos e sentimos através do corpo é uma projeção da mente. O corpo e o
mundo, portanto, se tornam os únicos meios que temos para refletirem de volta para nós a
decisão da mente, e que nós temos realmente uma mente. Se, portanto, nós negarmos o que
nossos sentidos reportam e nossos corpos sentem, negamos a única coisa no universo que
pode nos salvar.
Quando o propósito do corpo é dado ao Espírito Santo, nós nos lembramos de que
nossos sentimentos aqui servem apenas para reforçar o ego, perpetuando a decisão que
tomamos de sermos separados. Uma vez que entendemos a relação apropriada mente-corpo,
podemos finalmente fazer uma escolha significativa – em nossas mentes. Portanto, nada nesse
curso deveria ser usado para negar o corpo. Ao mesmo tempo, nada nesse curso deveria ser
usado para glorificar o corpo, transformando-o em algo que ele não é. Feito para matar, o
corpo se torna uma sala de aula que Jesus usa para nos ajudar a aprender que o Filho de
Deus é eterno.

(2:1-2) Pai, o meu corpo não pode ser o Teu Filho. E aquilo que não foi criado não pode
ser nem pecador nem sem pecado, nem bom nem mau.

Nós já vimos a ênfase esmagadora que Jesus coloca nessa idéia através de todo o Um
Curso em Milagres. Ele quer dizer muito literalmente que nós não somos corpos. Além disso,
uma vez que o corpo não veio de Deus, ele não pode ser real e, portanto, não pode ter
qualidades: bom ou mau, santo ou não santo, saudável ou doente, vivo ou morto, bonito ou
191
feio. Uma vez que nós designamos uma qualidade a algo, damos realidade a ela. Jesus não
está nos dizendo para nos sentirmos culpados quando fizermos isso, mas ele quer que nós
fiquemos cientes do que fazemos para que ele possa nos ajudar a reinterpretar a nossa
experiência e a entendermos como uma projeção da crença do ego na fantasia e na ilusão.
Aprendendo que a realidade do ego não está no mundo, mas na mente, nosso tomador de
decisões pode reverter sua escolha equivocada.

(2:3) Portanto, que eu use esse sonho para ajudar o Teu plano de despertar-nos de
todos os sonhos que fizemos.

O plano de Deus é a Expiação, executado através do nosso perdão ou mudança da


mente. Mais uma vez, o que facilita essa mudança é permitirmos que nosso novo Professor
mude a maneira como percebemos o corpo. A seguinte declaração do texto resume
sucintamente esse plano, e integra os dois níveis de discurso com os quais iniciamos nossa
conversa sobre essa lição – o corpo é uma ilusão (“não foi feito pelo amor”), e, no entanto,
pode ser um instrumento curativo do Espírito Santo (Que “pode usá-lo amorosamente”) para
nos ensinar que apenas o espírito é real:

O corpo não foi feito pelo amor. No entanto, o amor não o condena e é capaz de
usá-lo amorosamente, respeitando o que o Filho de Deus fez e usando-o para salvá-
lo das ilusões (T-18.VI.4:7-8).

192
LIÇÃO 295

Hoje, O Espírito Santo olha através de mim.

Essa lição parece ser sobre o Espírito Santo, mas é outro exemplo de como Jesus usa
Cristo como um sinônimo para a Voz de Deus. O título diz que o Espírito Santo olha através de
mim, mas Jesus começa falando de Cristo olhando; não Cristo como Ele é no Céu, mas um
símbolo para o princípio de Expiação – a Presença do Espírito Santo que é em si mesma uma
correção.

(1:1-3) Hoje, Cristo pede para usar os meus olhos e assim redimir o mundo. Ele pede
essa dádiva para que possa oferecer paz à minha mente e eliminar todo o terror e toda a
dor. E quando eles tiverem sido retirados de mim, os sonhos que pareciam fixados no
mundo desaparecerão.

Tudo o que eu preciso fazer é mudar minha visão ou professor, e o mundo de sonho de
especialismo do ego – dor, tristeza, alegria e prazer – se vai.
Agora, voltamos ao tema da unicidade:

(1:4-5) A Redenção tem que ser uma só. Ao ser salvo, o mundo é salvo comigo.

Para repetir, uma declaração como essa não faz sentido a menos que você entenda a
metafísica subjacente do Um Curso em Milagres. Não há mundo fora da mente, que é uma –
uma Mente no céu, e uma mente dentro do sonho. Essa última é o ser egóico – o Filho único
de Deus que adormeceu. O universo físico surgiu dessa mente, que é o motivo pelo qual tudo é
um – o sonho e o sonhador não são separados, e, portanto, são redimidos juntos.

(1:6) Pois todos temos que ser redimidos juntos.

Quando sua mente é curada e você aceitou o desfazer do pecado que é sua redenção,
você sabe que o Filho de Deus é um e todos foram salvos com você. Você olha para fora, para
o sonho, agora estando fora dele, e você vê as figuras no sonho como partes divididas do
pensamento único: “Eu sou separado de Deus”. Isso permite que você ouça a única Voz da
redenção que lhe diz que foi tudo um sonho.

(1:7) O medo aparece sob muitas formas diferentes, mas o amor é um.

Portanto, não há ordem de dificuldade em milagres. O milagre reflete o Amor de Deus,


curando todos os problemas como um, pois existe apenas um problema. Como uma lição
anterior disse: “Um problema, uma solução. A salvação é alcançada” (LE-pI.80.1:5-6).

(2) Meu Pai, Cristo me pediu uma dádiva, uma dádiva que dou para que me seja dada.
Hoje, ajuda-me a usar os olhos de Cristo e assim permitir que o Amor do Espírito Santo
abençoe todas as coisas que eu venha a contemplar, para que o Seu Amor que tudo
perdoa possa permanecer comigo.

Ver a face de Cristo em nossos irmãos nos permite vê-la em nós mesmos e em todo o
mundo:

193
Contempla o teu Amigo, o Cristo Que se encontra a teu lado. Como Ele é santo e
como é belo! Pensaste que Ele havia pecado porque jogaste o véu do pecado sobre
Ele para esconder a Sua beleza. Entretanto, Ele ainda te oferece o perdão para que
compartilhes a Sua santidade...
Esse é o teu irmão, crucificado pelo pecado e esperando pela liberação da dor. Não
queres oferecer-lhe o perdão, quando somente ele pode oferecê-lo a ti? (T-19.IV-
D.14:1-4; 15:1-2).

194
LIÇÃO 296

Hoje o Espírito Santo fala através de mim.

Nós vemos aqui a idéia expressa tão lindamente na Introdução à quinta revisão, onde
Jesus nos diz que ele precisa da nossa voz, olhos, pés e mãos, através dos quais ele salva o
mundo (LE-pI.rV.in.9:3). De fato, esse tema importante é repetido muitas vezes através de todo
o Um Curso em Milagres – o mundo e o corpo são ilusões; no entanto, uma vez que
acreditamos estar aqui, eles podem refletir a verdade que está em nossas mentes.

(1:1-2) Hoje o Espírito Santo precisa da minha voz para que o mundo todo possa escutar
a Tua Voz e ouvir o Teu Verbo através de mim. Estou decidido a deixar que fales através
de mim, pois não quero usar outras palavras senão as Tuas ou ter pensamentos
separados dos Teus, pois só os Teus são verdadeiros.

Nós vimos essa idéia freqüentemente em nossa jornada através do livro de exercícios:
entender o equívoco em escolher nossas palavras em vez das do Espírito Santo - as nossas
são as palavras da separação, Seu é o Verbo da Expiação que diz que não existe separação.
Assim, nós nos tornamos Seus professores, a manifestação na forma da Sua Voz de perdão –
o conteúdo da salvação:

Entretanto, o que faz os professores de Deus é o seu reconhecimento do propósito


que é próprio do corpo. À medida em que avançam em sua profissão, vêm a estar
cada vez mais certos de que a função do corpo é apenas deixar que a Voz de Deus
fale através dele para ouvidos humanos. E esses ouvidos carregarão para a mente
do ouvinte mensagens que não são desse mundo e a mente compreenderá devido à
Sua Fonte. Dessa compreensão virá o reconhecimento, nesse novo professor de
Deus, de qual é realmente o propósito do corpo (MP-12.4:1-4).

(1:3-4) Quero ser o salvador do mundo que fiz. Pois, tendo-o amaldiçoado, quero libertá-
lo para que eu possa escapar e ouvir o Verbo que a Tua Voz santa me dirá hoje.

Nós amaldiçoamos o mundo por projetarmos nossa auto-maldição sobre ele. Isso
aconteceu na mente, onde pode ser desfeito – o único lugar no qual pode ser desfeito.

(2) Hoje ensinamos o que queremos aprender e só isso. E assim a nossa meta de
aprendizado fica sem conflitos e passível de fácil alcance e rápida realização. Com que
alegria o Espírito Santo vem nos resgatar do inferno, quando deixamos o Seu
ensinamento persuadir o mundo, por nosso intermédio, a buscar e achar o fácil atalho
para Deus.

Nosso pedido inequívoco de ajuda ao Espírito Santo convida Sua visão de perdão a
curar nossas mentes, e o mundo como um, levando-nos além do inferno auto-ilusório de
separação – “a situação fechada e sem esperanças de aprendizado” –, até o Céu da perfeita
Unicidade:

O propósito do curso é, digamos, prover para ti um meio de escolheres o que queres


ensinar com base naquilo que queres aprender. Não podes dar a outra pessoa, mas
só a ti mesmo e isso aprendes através do ensino... À essa situação de aprendizado
fechada e sem esperança, que nada ensina além de desespero e morte, Deus envia

195
os Seus professores. E à medida em que ensinam as Suas lições de alegria e
esperança, o seu aprendizado finalmente vem a ser completo.
Exceto pelos professores de Deus haveria pouca esperança de salvação, pois o
mundo do pecado pareceria para sempre real. Os que se auto-enganam têm que
enganar, pois têm que ensinar o engano. O que mais é o inferno, exceto isso? (MP-
in.2:5-6; 4:7-5:3).

196
LIÇÃO 297

O perdão é a única dádiva que eu dou.

Isso reflete a idéia importante de que dar e receber são o mesmo.

(1:1) O perdão é a única dádiva que dou, porque é a única dádiva que quero.

Essa dádiva é nossa mudança da mente. Nós temos que entender que as dádivas que
escolhemos no lugar do perdão – as dádivas do especialismo, um ou outro, estarmos certos –
não nos trouxeram o que realmente queremos: o desfazer do medo. Levar ao Espírito Santo
nossas dádivas secretas – a essência do perdão – permite que Suas dádivas sejam nossas
para sempre, e – através de nós – do mundo também. Lembre-se dessa passagem já citada:

A extensão do perdão é a função do Espírito Santo. Deixa isso a Ele. Permite que a
tua preocupação seja apenas a de dar a Ele o que pode ser estendido. Não guardes
segredos escuros que Ele não possa usar, mas oferece-Lhe as dádivas diminutas
que Ele pode estender para sempre. Ele tomará cada uma e fará dela uma potente
força em favor da paz. Ele não negará nenhuma bênção à ela, nem a limitará de
forma alguma. Ele unirá a ela todo o poder que Deus Lhe deu para fazer com que
cada pequena dádiva de amor seja uma fonte de cura para todos. Cada pequena
dádiva que ofereces ao teu irmão ilumina o mundo (T-22.VI.9:2-9).

(1:2-3) E tudo o que eu dou, dou a mim mesmo. Essa é a fórmula simples da salvação.

O princípio de salvação do ego é o de que eu escapo do que dou: eu sou salvo da minha
culpa por dá-la a você. O Espírito Santo desfaz essa cruel insanidade por me fazer entender
que quando culpo você, culpo a mim mesmo; uma coisa tola a se fazer e que leva à auto-
derrota! Ver essa tolice me ajuda a entender o quanto tenho estado errado ao olhar para tudo.

(1:4) E eu, que quero ser salvo, quero torná-la minha, para que seja o modo como vivo
em um mundo que precisa de salvação e que será salvo na medida em que eu aceitar a
Expiação para mim mesmo.

Eu alegremente me lembro de que o Filho de Deus é um, e, ao perdoar meu irmão,


perdôo a mim mesmo. Essa é a mensagem alegre da salvação, e uma que eu alegremente
aceito para mim mesmo e para o mundo.

(2) Pai, como são certos os Teus caminhos, como é seguro o resultado final e com que
fidelidade cada passo em direção à minha salvação já foi estabelecido e cumprido por
Tua graça. Graças Te são dadas por Tuas dádivas eternas e eu agradeço a Ti pela minha
Identidade.

Quem não seria grato pela dádiva da graça de Deus, quando através do seu gentil
perdão, a salvação vem? O Filho que vagou solitário e sozinho é tornado completo, e dá
graças ao Seu Pai por Sua dádiva de amor, vista em si mesmo e em todos os seus irmãos – a
visão que cura o mundo:

O desejo de ver chama a graça de Deus sobre os teus olhos e traz a dádiva da luz
que torna a vista possível. Queres contemplar o teu irmão? Deus está contente por
197
olhares para ele. Não é a Sua Vontade que o teu salvador não seja reconhecido por
ti. Nem é a Sua Vontade que o teu salvador fique sem a função que Deus lhe deu.
Não deixes mais que ele seja solitário, pois solitários são aqueles que não vêem no
mundo nenhuma função que possam cumprir, nenhum lugar onde sejam
necessários e nenhum objetivo que só eles possam cumprir perfeitamente (T-
25.VI.3).

198
LIÇÃO 198

Pai, eu Te amo e amo o Teu Filho.

Esse amor não é baseado no princípio de um ou outro. Nós dissemos muitas vezes que
se verdadeiramente amamos Deus, temos que amar a todos – não em forma, mas em
conteúdo. Se nós não amarmos de forma totalmente inclusiva – guardando mágoas e
justificando a acusação -, estaremos realmente dizendo que não amamos Deus. A culpa em
relação a essa declaração é horrenda. Aqui estamos nós, devotados estudantes do Um Curso
em Milagres, cuja meta é atingirem Deus e se lembrarem do seu Ser, e fazemos o oposto
exato do que ele diz. É importante não minimizar a culpa que isso induz tanto em nosso estudo
quanto em nossa prática do Curso. No entanto, o que nos ajuda a eliminar a culpa é nos
tornarmos conscientes de que temos metas conflitantes: a sobrevivência de Deus versus a
sobrevivência do ego. Se estivermos cientes desse conflito, não vamos reprimi-lo, e, sem
repressão, não existe nada a projetar. Portanto sempre que nos encontrarmos ficando
zangados ou doentes, precisamos nos lembrar de que existe uma culpa secreta que escapou à
nossa atenção. A dádiva de raiva ou doença da mente certa, então, é que elas se tornam
bandeiras vermelhas desvelando nossa escolha pelo ego em vez de por Deus. Na verdade, se
nós amassemos Deus inequivocamente, iríamos também amar Seu Filho e não atacá-lo – a
nós mesmos ou a outra pessoa.

(1:1) A minha gratidão permite que o meu amor seja aceito sem medo.

Eu sou grato por ter estado errado, e só preciso reconhecer minha teimosa insistência
em estar certo sobre minhas percepções.

(1:2-5) E assim sou enfim restituído à minha Realidade. O perdão remove tudo o que
interferia com a minha vista santa. E chego ao fim das jornadas sem sentido, das
carreiras loucas e dos valores artificiais. No lugar deles, aceito o que Deus estabelece
como meu, certo de que só nisso serei salvo, certo de que atravesso o medo para
encontrar meu Amor.

O perdão não nos dá ou ensina coisa alguma positiva. Ele meramente dissipa o
negativo, iluminando-o – uma distinção muito importante. Sua luz reflete o Amor de Deus por
dissolver a escuridão do pecado, culpa e medo do ego. Em e por si mesmo, portanto, o perdão
não faz nada além de ser a radiância que dissipa os pensamentos de especialismo, levando-
nos em uma jornada à ressurreição e à vida, e para longe da jornada inútil de crucificação e
morte do ego, como o leitor se lembra de Jesus nos dizendo nessa passagem inicial do texto:

A jornada à cruz deve ser a última “jornada inútil”. Não vivas nela, mas despede-a
como já tendo sido realizada. Se podes aceitá-la como a tua última jornada inútil,
estás também livre para te unires à minha ressurreição... Não cometas o erro
patético de “te agarrares à velha cruz áspera”... Não é esse o Evangelho que eu
pretendi oferecer-te. Nós temos outra jornada a empreender... (T-4.in.3:1-3,7,10-11).

(2) Pai, hoje venho a Ti, porque não quero seguir nenhum outro caminho senão o Teu.
Estás ao meu lado. O Teu caminho é certo. E estou agradecido por Tuas dádivas santas:
um santuário seguro e o modo de escapar de tudo o que iria obscurecer o meu amor por
Deus, meu Pai e pelo Seu Filho santo.

199
Eu, portanto, reconheço que o caminho que escolhi para encontrar Deus era o
especialismo. Percebo com alegria e gratidão que estava errado, e agora alegremente escolho
desfazer meu equívoco por pedir a ajuda de Jesus para caminhar através do medo para o
amor, a jornada que me leva ao Filho santo de Deus.

200
LIÇÃO 299

A santidade eterna habita em mim.

(1) A minha santidade está muito além da minha própria capacidade de compreender ou
conhecer. Entretanto, Deus meu Pai Que a criou reconhece a minha santidade como a
Sua. A nossa Vontade conjunta a compreende. A nossa Vontade conjunta tem o
conhecimento de que isso é assim.

Enquanto eu pensar que sou um ser corporal, individual, nunca poderei conhecer minha
santidade, pois o ser egóico foi feito para ocultar o Filho santo que repousa segura e
confortavelmente na mente certa. Sua santidade só pode ser conhecida por unir minha vontade
à de Deus, o que eu faço através do perdão do Espírito Santo. Nessa união, eu entendo que
tudo o que acreditava era falso, porque era baseado na separação. Nós estamos mais do que
familiarizados com essas linhas humildades, cuja aceitação vai nos trazer a salvação:

Ainda estás convencido de que a tua compreensão é uma contribuição poderosa


para a verdade e faz dela o que ela é. Entretanto, nós já enfatizamos que nada
precisas compreender. A salvação é fácil exatamente porque nada pede que não
possas dar agora mesmo (T-18.IV.7:5-7).

Tudo o que somos solicitados a dar é o conhecimento da nossa não-santidade,


liberando nossa identificação com ela. Isso permite que a santidade natural da mente brilhe
desimpedida pela culpa. Nossa parte é simplesmente levarmos a não-santidade à santidade, a
ilusão à verdade, e o medo ao amor. Lembre-se dessa declaração muito importante do texto:

A tua tarefa não é buscar o amor, mas simplesmente buscar e achar todas as
barreiras que construíste dentro de ti contra ele. Não é necessário buscar o que é
verdadeiro, mas é necessário buscar o que é falso (T-16.IV.6:1-2).

(2:1-4) Pai, a minha santidade não vem de mim. Não é minha para ser destruída pelo
pecado. Não é minha para sofrer ataques. As ilusões podem obscurecê-la, mas não
podem apagar a sua radiância nem diminuir a sua luz.

As ilusões obscurecedoras do nosso sistema de pensamento mantêm a verdade oculta


em nossas mentes, mas não podem remover sua luz brilhante. Esse é o real evangelho de
Jesus. Não importando o quanto o ego pareça ser poderoso, ele não pode tirar a verdade que
está em nós. Quando você é tentado a se sentir desencorajado e desesperadamente sem
esperanças, perceba que está dizendo que a luz de Cristo em sua mente foi extinta – o que
ego sempre sustentou ser verdadeiro: a separação é realidade. No entanto, a verdade feliz é
que nada mudou, o pecado não destruiu a santidade, e nossa perfeição como o Filho de Deus
permanece como foi criada. Assim, nossa gratidão brota dentro de nós conforme lemos:

(2:5-8) É para sempre perfeita e intacta. Nela, todas as coisas são curadas, pois
permanecem tais como Tu as criaste. E eu posso conhecer a minha santidade. A própria
Santidade me criou e posso conhecer a minha Fonte porque é Tua Vontade que sejas
conhecido.

O início de “O que diz”, no Prefácio do Curso, afirma isso bem:

201
A verdade é inalterável, eterna e não é ambígua. É possível não reconhecê-las, mas
não é possível mudá-la. Ela se aplica a tudo o que Deus criou e só o que Ele criou é
real. Está além do aprendizado porque está além do tempo e do processo. Não tem
opostos, não tem início e não tem fim. Simplesmente é (p.xviii).

O que Deus criou santo e perfeito nunca deixou de ser, e, por esse Fato, nós somos
alegres e gratos.

202
LIÇÃO 300

Esse mundo só dura um instante.

Nós vemos aqui outro exemplo estilístico de Jesus fazendo uma afirmação e então
apresentando a interpretação do ego. Isso é instrutivo, pois nos lembra de com que freqüência
fazermos isso com o Curso. Nós com freqüência interpretamos mal as palavras de Jesus para
provarmos que nosso sistema de pensamento está certo, dessa forma tendo sucesso em
tornar Jesus parte do nosso pensamento, e, no processo, entendermos mal seu ensinamento.
A lição começa com Jesus explicando como o ego iria entender essa declaração, “Esse mundo
só dura um instante”, e usá-la para nos convencer de que estamos justificados em nos sentir
sem esperanças. O ego nos encoraja a concluir que talvez possamos ser felizes por um
instante, pois isso é o máximo que vamos conseguir. No final, morreremos, sem esperanças
porque nunca houve qualquer justificativa para esperança. Desnecessário dizer, a mensagem
repleta de esperança de Jesus ensina o oposto.

(1:1) Esse é um pensamento que pode ser usado para dizer que a morte e o pesar
constituem o destino certo de todos aqueles que aqui vêm, pois as suas alegrias se vão
antes que sejam possuídas ou até mesmo apreendidas.

Implícito aqui está que não existe nada além desse mundo. Nós suprimos com dificuldade
poucos momentos de felicidade, e então, ela é apagada tão facilmente quanto a luz de uma
vela – a compreensão do ego sobre esse pensamento. A interpretação da mente certa, no
entanto, é que o mundo dura só um instante porque isso é tudo o que ele é – nada: “Nenhuma
nota na canção do Céu foi perdida” (T-26.V.5:4). Na verdade, esse instante nunca ocorreu –
um pensamento muito amedrontador porque, se for verdadeiro, significa que nós não
existimos. Para mantermos nossas identidades vivas e bem, portanto, temos que virar o Curso
de cabeça para baixo e fazê-lo dizer o oposto exato do que significa.

(1:2-3) Mas é também a idéia que não deixa nenhuma percepção falsa nos controlar ou
representar mais do que uma nuvem passageira num céu eternamente sereno. E é essa
serenidade que hoje buscamos, sem nuvens, óbvia e segura.

Mais uma vez, o mundo só dura um instante porque ele vem de um pensamento que
durou apenas um instante. No mesmo momento em que a separação pareceu acontecer, Deus
deu a resposta; uma metáfora para a Expiação. Tente ver como você tem lutado com todas as
suas forças para provar que a Expiação está errada, por tornar esse mundo e o corpo, e sua
passagem através do tempo e do espaço, reais e presentes; como você não quer liberar a
ilusão e dar um passo para fora do sonho e olhar para ele de forma diferente. Fazer isso
significaria nunca mais levar-se a sério como um ser especial – o maior medo do ego.

(2:1-3) Hoje buscamos o Teu mundo santo. Pois nós, Teus Filhos amorosos, perdemos o
nosso caminho por algum tempo. Mas escutamos a Tua Voz e aprendemos exatamente o
que fazer para sermos restituídos ao céu e à nossa Verdadeira Identidade.

Isso é uma admissão do nosso equívoco. A premissa de cada lição na Parte II – implícita
ou explícita – é a necessidade de reconhecermos nosso erro, que nós perdemos o caminho
porque seguimos nosso caminho em vez do caminho do perdão que Jesus mantém para nós, e
que levam em última instância ao mundo real.

203
(2:4-5) E hoje damos graças porque o mundo só dura um instante. Queremos ir além
desse diminuto instante para a eternidade.

A gratidão é a linha de partida em nosso processo, e, no final, somos gratos por termos
estado errados. Assim, a separação e todas as suas conseqüências realmente desaparecem
no instante santo, e se vão para sempre.

204
9. O que é a Segunda Vinda?

Isso é um companheiro ao próximo resumo, “O que é o julgamento final?”. Esses dois


termos são usados com pouca freqüência no Um Curso em Milagres, e a Segunda Vinda
apenas nos primeiros capítulos do texto. Lá, Jesus explica que a Primeira Vinda de Cristo foi a
criação, depois da qual o Filho pareceu adormecer e vagar para o sonho de materialidade do
ego, que trouxe uma necessidade de ser despertado. No nível individual, esse despertar
acontece através do alcance do mundo real. O desfazer total do sonho do Filho, no entanto, é a
Segunda Vinda, quando toda a Filiação fez a escolha certa, como um Filho, de despertar para
o Fato da sua Identidade como Cristo. O Último (ou Final) Julgamento é nossa aceitação, mais
uma vez, como um Filho, de que estávamos errados e o Espírito Santo estava certo. Aqui está
o primeiro dos dois lugares no texto onde Jesus discute a Segunda Vinda e revisa a visão
cristã tradicional:

A Primeira Vinda de Cristo é apenas um outro nome para a criação, pois Cristo é o
Filho de Deus. A Segunda Vinda de Cristo não significa nada mais do que o fim do
domínio do ego e a cura da mente. Fui criado como tu na primeira e tenho te
chamado para te unires a mim na segunda. A Segunda Vinda está a meu encargo...
(T-4.IV.10:1-4).

Podemos ver que os ensinamentos do Um Curso em Milagres sobre a Segunda Vinda e


Julgamento Final são as correções para os conceitos cristãos, que estão carregados de
pensamentos de medo e punição. Cada cristão tem temido o momento em que Jesus vai
retornar – a Segunda Vinda. Seu nascimento miraculoso é sua “Primeira Vinda”, e a Segunda é
sua chegada em nuvens de glória para julgar os vivos e os mortos (Mateus 16:27, 25:31). Deus
o ajudará se você estiver do lado errado! – e, é claro, Deus não vai ajudá-lo se estiver, como
demonstrado na conhecida parábola das ovelhas salvas e dos bodes condenados (Mateus
25:31-46).
Essa noção repleta de medo da Segunda Vinda – a expectativa do julgamento, quando
Jesus volta e pune nossos pecados – recebe um significado totalmente diferente no Um Curso
em Milagres. O advento de Jesus não tem nada a ver com ele de forma alguma, exceto que ele
nos conduz até a Segunda Vinda, a qual, mais uma vez, é o despertar de um sono que nunca
aconteceu na realidade. É o retorno da razão à mente do Filho iludido e amedrontado, como
lemos na segunda referência do texto:

Não tenhas medo do Julgamento Final, mas dá boas-vindas a ele e não o esperes,
pois o tempo do ego é “tomado de empréstimo” da tua eternidade. Essa é a
Segunda Vinda, que foi feita para ti assim como a Primeira foi criada. A Segunda
Vinda é meramente o retorno do sentido. É possível que isso seja amedrontador?
(T-9.IV.9:2-5).

(1:1) A Segunda Vinda de Cristo, que é tão certa quanto Deus, é apenas a correção de
erros e a volta da sanidade.

Em outras palavras, a separação não é grande coisa. A Segunda Vinda não é nada mais
do que o simples reconhecimento de que estávamos enganados. Como lemos agora, a
Segunda Vinda é totalmente inclusiva; sua universalidade significa que nenhum membro da
Filiação é excluído do seu advento curativo:

(1:2-3) É parte da condição que restitui o que nunca foi perdido e restabelece o que é
para sempre e eternamente verdadeiro. É o convite para que o Verbo de Deus tome o

205
lugar das ilusões; a disponibilidade para deixar que o perdão repouse sobre todas as
coisas, sem exceção e sem reserva.

O “Verbo de Deus”, o princípio da Expiação, toma o lugar da ilusão de que o impossível


realmente aconteceu. Na verdade, nada tirou o Filho de Deus do seu lar, e ele permanece para
sempre em unidade com sua Fonte: “Lembra-te sempre de que não podes estar em lugar
algum exceto na Mente de Deus” (T-9.VIII.5:3). Escolhendo seu novo Professor, o Filho de
Deus dá um passo atrás para perceber que o mundo do tempo e do espaço não é nada mais
do que um sonho, sem efeitos sobre a realidade. Pelo fato de ser um sonho, não existem
exceções. Todas as figuras no sonho – sencientes e não-sencientes da mesma forma – são
parte da única ilusão e, portanto, não têm realidade. Quer estejamos falando dos habitantes da
Terra, Marte ou outra galáxia, não faz diferença. Tudo é visto como o mesmo, porque todas as
ilusões são a mesma. Esse fato é a única verdade no mundo ilusório, como vemos nessa
passagem sobre forma e conteúdo, ilusão e realidade:

A razão te dirá que se a forma não é realidade, tem que ser uma ilusão e não existe
para ser vista. E se tu a vês, não podes deixar de estar enganado, pois estás vendo
o que não pode ser real como se o fosse. O que não pode ver além do que não
existe, não pode deixar de ser uma percepção distorcida e tem que perceber ilusões
como a verdade. Nesse caso, poderia tal coisa reconhecer a verdade? (T-22.III.7:4-
7).

(2:1) É a natureza toda abrangente da Segunda Vinda de Cristo que lhe permite abraçar o
mundo e manter-te a salvo no interior do seu gentil Advento, que encerra todas as
coisas vivas junto contigo.

Esse resumo foi escrito durante o Advento, o período de penitência antes do Natal, que é
o motivo para o jogo de palavras com advento. Na Segunda Vinda, o Filho de Deus está fora
do sonho, o que permite que sua visão recém-adquirida abrace o mundo da culpa com seu
amor. O mundo e tudo nele é visto de forma diferente por torná-lo o mesmo (T-15.XI.10:11),
pois não vemos separação entre nossos irmãos e nosso ser.

(2:2-4) Não há fim para a liberação que a Segunda Vinda traz, assim como a criação de
Deus tem que ser sem limites. O perdão ilumina o caminho da Segunda Vinda, pois
brilha sobre tudo como um só. E assim a unicidade é enfim reconhecida.

O perdão é o meio de retornarmos para casa. Escolhermos nos agarrar a mágoas indica
que não queremos voltar, que é o motivo pelo qual precisamos monitorar continuamente
nossas mentes para vermos que por trás de cada mágoa, ataque e julgamento existe esse
pensamento subjacente: “Eu escolho não despertar do sonho”. Nossa raiva disfarça o
pensamento subjacente em relação ao qual nós nos sentimos tão culpados e embaraçados:
“Eu quero brincar no holograma”, para usar as palavras de minha esposa Glória. “Eu não quero
ir para casa e desaparecer no Coração de Deus. Eu quero permanecer aqui. E, se eu sofrer,
tudo bem para mim, porque ainda existe um eu que sofre”. Não é difícil ver que esse é
exatamente o ponto do nosso ataque, que oculta a memória da Unicidade de Deus, e a nossa
dentro Dele – meu ataque diz que você é separado de mim e nós não somos um. Mais uma
vez, nós só precisamos olhar para nossos pensamentos de ataque sem culpa – com olhos
abertos e total honestidade – e reconhecermos seu custo. Isso é o perdão, que desfaz o
ataque da separação por fazer brilhar sua luz de salvação em nossos relacionamentos
especiais, lembrando-nos de que ela brilha em nós também:

Abre espaço para o amor, que tu não criaste, mas que és capaz de estender. Na
terra isso significa perdoar o teu irmão para que as trevas possam ser suspensas da
206
tua mente. Quando a luz tiver vindo a ele através do teu perdão, ele não se
esquecerá do próprio salvador, deixando-o sem salvação. Pois foi na tua face que
ele viu a luz que quer manter perto de si à medida em que caminha através da
escuridão para a Luz que dura para sempre... E agora a luz em ti tem que ser tão
brilhante quanto aquela que brilha nele. Essa é a centelha que brilha dentro do
sonho para que possas ajudá-lo a despertar e estejas certo de que os seus olhos
despertos descansarão em ti. E na sua feliz salvação, tu és salvo (T-29.III.4; 5:5-7).

No entanto, o perdão verdadeiro tem que brilhar sobre tudo como um. Só então podemos
nos lembrar de que somos um como Cristo. Lembre-se dessas maravilhosas linhas iniciais do
poema de Helen, “As Dádivas do Natal”:

Cristo não deixa ninguém de lado. Por isso, você sabe que
Ele é o Filho de Deus. Você reconhece Seu toque em
gentileza universal. Seu Amor se estende a todos. Seus
olhos contemplam o Amor de Deus em tudo o que Ele vê.

(As Dádivas de Deus, p. 95)

(3) A Segunda Vinda põe fim às lições que o Espírito Santo ensina, abrindo caminho
para o Julgamento Final no qual o aprendizado termina num último sumário que se
estenderá além de si mesmo e alcançará a Deus. A Segunda Vinda é o momento em que
todas as mentes são entregues nas mãos de Cristo para serem devolvidas ao espírito
em nome da verdadeira criação e da Vontade de Deus.

O Julgamento Final é o momento de total reconhecimento de que tudo o que jamais


pensamos está errado, e tudo o que Deus pensou está certo. Isso encerra o processo, que
devemos examinar no próximo resumo. A Segunda Vinda, mais uma vez, é quando a mente da
Filiação é curada, e, uma vez que somos um, a Filiação é curada quando eu sou curado.
Assim, nós despertamos juntos para nosso verdadeiro Ser, o espírito que Deus criou como um
com Ele. Isso está refletido na seguinte passagem familiar do manual para professores,
respondendo à questão: “Quanto professores de Deus são necessários para salvar o mundo?”:

A resposta a essa pergunta é – um. Um professor totalmente perfeito, cujo


aprendizado está completo, é o suficiente. Esse, santificado e redimido, torna-se o
Ser Que é o Filho de Deus. Ele que sempre foi totalmente espírito, agora não mais
se vê como um corpo, nem mesmo em um corpo. Por conseguinte, ele não tem
limites. E sendo sem limites, seus pensamentos estão unidos aos de Deus para todo
o sempre... Ele é para sempre um, porque é como Deus o criou (MP-12.1:1-6,9).

(4:1) A Segunda Vinda é o único evento no tempo que o próprio tempo não pode afetar.

Em certo sentido, a Segunda Vinda está fora do tempo, mas ainda não está na eternidade
porque permanece uma parte da correção. Apesar disso, é totalmente não-afetada pelo tempo
linear, uma vez que não está presa às suas leis de limitação.

(4:2) Pois cada um daqueles que um dia veio para morrer, ou que ainda está por vir ou
que está presente agora, é igualmente liberado do que fez.

Como Jesus explica perto do início do texto, a evolução não prossegue da forma que
fomos ensinados: ano a ano, geração a geração, eon a eon:

207
A evolução é um processo no qual aparentemente passas de um estádio ao
seguinte. Corriges os teus passo equivocados anteriores caminhando para a frente.
Esse processo é, de fato, incompreensível em termos temporais, porque retornas na
medida em que avanças. Ela desfaz os teus erros passados, assim fazendo com
que seja desnecessário que tenhas que ficar revendo os teus passos sem avançar
para o teu retorno. Nesse sentido, a Expiação economiza tempo, mas como o
milagre ao qual serve, não o abole (T-2.II.6:1-6).

Evolução, portanto não faz sentido quando vista de forma linear, porque o tempo já
aconteceu e realmente já terminou. O instante santo quando aceitamos a Expiação para nós
mesmos está fora do tempo e do espaço, e não acontece em algum ponto distante no futuro. É
tentador, conforme trabalhamos com o Um Curso em Milagres, pensar nos aspectos da jornada
– a Segunda Vinda, o fim do mundo, ou o processo de perdão em si – em termos lineares. O
mundo não vai terminar em 2005 ou em 2012, ou em qualquer momento em que as pessoas
digam – ele já terminou. Quem pode se esquecer dessas linhas importantes?

Esse mundo acabou há muito tempo. Os pensamentos que o fizeram já não estão
mais na mente que os pensou e os amou por um breve período de tempo (T-
28.I.1:6-7).

Esse é o ponto de Jesus aqui. Todas as coisas animadas e inanimadas – passadas,


presentes e futuras – serão curadas no mesmo instante sem tempo, pois sua cura será aceita
dentro do instante santo de perdão, o precursor da Segunda Vinda.
Mais uma vez, nada disso é compreensível da perspectiva do tempo e, portanto, não
deveríamos tentar entendê-lo através do nosso intelecto, que foi feito literalmente para pensar
em termos de passado, presente e futuro. Uma vez que os conceitos da mente certa do Um
Curso em Milagres não podem ser compreendidos de um ponto de fora do sonho, onde nossa
realidade é o amor de Jesus e a paz do Espírito Santo, é apenas dentro do instante santo que
podemos entender como o mundo do ego já terminou e foi desfeito.

(4:3-4) Nesta igualdade, Cristo é restabelecido como uma só Identidade, na Qual os


Filhos de Deus reconhecem que são um só. E Deus Pai sorri a Seu Filho, Sua única
criação e Sua única alegria.

Isso reafirma o ponto de que a Identidade do Filho de Deus é uma. No entanto, essa
unicidade está refletida no sonho também, onde o Filho separado também é um. Mais uma vez,
quando você for tentado a ficar zangado e a justificar suas mágoas, você afirma que a Filiação
de Deus não é uma, mas é feita de partes diferentes; você, a parte boa, e alguém mais, a má.
A última, no entanto, é o ser projetado que você percebe no espelho, e então, não é apenas o
corpo de outra pessoa que você está atacando, mas o seu próprio também. Lembre-se
também de que em tudo isso você está testemunhando que você está certo e Deus errado.

(5:1-4) Ora para que a Segunda Vinda seja logo, mas não descanses com isso. Ela
precisa dos teus olhos, ouvidos, mãos e pés. Ela precisa da tua voz. E, acima de tudo, da
tua disponibilidade.

Aqui novamente vemos como o corpo se torna um instrumento de salvação quando seu
propósito é dado ao Espírito Santo. Em e por si mesmo o corpo é neutro – nem santo nem não-
santo -, no entanto, pode servir a um propósito santo. Quando Jesus nos pede para
demonstrarmos sua vida em nós – “Não ensines que eu morri em vão. Ensina em vez disso
que eu não morri, demonstrando que vivo em ti” (T-11.VI.7:3-4) -, ele está ensinando que,
enquanto nós acreditarmos que somos corpos, interagindo com outros corpos, é importante
que eles sirvam ao seu amor e não ao ódio do ego. Assim, Jesus enumera as diferentes partes
208
do corpo das quais a Segunda Vinda precisa. O mais importante é a pequena disponibilidade
que diz que nós estamos alegres e gratos por estarmos errados, e ele certo.
Em uma passagem já citada no esclarecimento de termos, somos solicitados a nos
tornamos a manifestação de Jesus no mundo, assim como ele é a do Espírito Santo. Dessa
forma, seu amor, compartilhado com nossos irmãos, se torna o nosso próprio. Assim é a
Segunda Vinda acelerada até sua consumação redentora:

Tu és a Sua manifestação nesse mundo. Teu irmão te chama para que sejas a Sua
Voz junto com ele. Sozinho, ele não pode ser o Ajudante do Filho de Deus, porque
sozinho ele não tem função. Mas junto contigo ele é o brilhante Salvador do mundo,
Cujo papel nesta redenção tu completaste (ET-6.5:1-4).

(5:5-6) Vamos nos regozijar porque podemos fazer a Vontade de Deus e nos unir sob a
sua luz santa. Olha para isso: o Filho de Deus é um só em nós e através Dele podemos
alcançar o Amor de nosso Pai.

O Filho de Deus é Cristo, em cada um de nós. Portanto, se nós atacarmos outra pessoa,
atacaremos a nós mesmos, refletindo nosso desejo de não voltarmos para casa, pois nós
voltamos juntos, ou não de forma alguma (T-19.IV-D.12:8). No entanto, quando escolhemos
perdoar, nos tornamos um com Cristo em propósito, o precursor de nos tornarmos um com Ele
no Ser. Seu amor então transforma nossos corpos em Seus instrumentos de salvação, e
somos conduzidos gentilmente para Casa com Ele, a jornada para nossa unicidade tendo se
completado:

A mão de Cristo mantém todos os seus irmãos Nele Mesmo. Ele lhes dá visão para
os seus olhos que não vêem e canta o que é do Céu para eles, de modo que os
seus ouvidos não mais possam ouvir o som da batalha e da morte. Estendendo a
Sua mão, Ele alcança outros através deles para que todos possam abençoar todas
as coisas vivas e ver a própria santidade. E Ele se regozija porque podes ver estas
cenas, olhar para elas com Ele e compartilhar a Sua alegria... A visão de Cristo é
tudo o que há para se ver. A canção de Cristo é tudo o que há para se ouvir. A mão
de Cristo é tudo o que há para se segurar. Não há jornada que não seja caminhar
com Ele (T-24.V.7:2-5,7-10).

209
LIÇÃO 301

E o próprio Deus enxugará todas as lágrimas.

O título repete o verso bíblico dito primeiro por Isaías (25:8) e depois novamente em
Revelação (7:17; 21:4). Uma vez que Deus não vê lágrimas, sem falar em enxugá-las, o
significado aqui é que Seu Amor, presente em nossas mentes, através do Espírito Santo,
desfaz as lágrimas que são os efeitos inerentes do sistema de pensamento do ego.

(1:1-2) Pai, a menos que eu julgue, não posso chorar. Não posso sofrer qualquer dor ou
sentir-me abandonado ou desnecessário no mundo.

Toda dor e pesar vêm do julgamento. Eu primeiro julgo a mim mesmo como separado de
Deus e melhor do que Ele – de fato, como se eu fosse o Próprio Deus -, e então, sentindo-me
esmagado pela culpa em relação a saber que fiz isso por destruir o Céu, projeto meu
julgamento de auto-ódio, julgando a todos os outros em vez de mim. Essa é a causa verdadeira
de nos sentirmos abandonados e desnecessários; na verdade, é a causa de todas as coisas
pesarosas e dolorosas nas quais tentamos acreditar.

(1:3-6) Essa é a minha casa porque não a julgo, portanto, ela é apenas o que é Tua
Vontade. Que hoje eu a contemple sem condenação, com os olhos felizes que o perdão
libertou de toda distorção. Que eu veja o Teu mundo ao invés do meu. E todas as
lágrimas que derramei serão esquecidas, pois a sua fonte se foi. Pai, hoje não julgarei o
Teu mundo.

Minha casa longe de casa – o mundo perdoado – é estabelecida quando libero meu
investimento no mundo pesaroso de condenação do ego. A fonte de todas as lágrimas é o
julgamento, e, implícito aqui, está que eu estou certo e Deus e o Espírito Santo errados. Esse
julgamento original se espalha por todos os julgamentos, até que em algum ponto, eu percebo
meu equívoco e entendo que o julgamento não me faz feliz. Apenas então posso liberá-lo.

(1:7) Pai, hoje não julgarei o Teu mundo.

O mundo de Deus é o mundo real. Se eu julgar Deus e a mim mesmo, tenho que julgar
Seu mundo. Lembre-se de que o mundo real desfaz tudo o que o ego jamais pensou e, assim,
corrige nossa decisão equivocada. Portanto, julgar esse mundo é afirmar que só eu sei o que é
a verdade, dessa forma, tornando falsa a visão não-julgadora de perdão de Jesus.

(2) O mundo de Deus é feliz. Aqueles que olham para ele podem apenas acrescentar-lhe
a alegria que sentem e abençoá-lo como motivo de maior alegria em si mesmos.
Chorávamos porque não compreendíamos. Mas aprendemos que o mundo que víamos
era falso e hoje olharemos para o mundo de Deus.

Nós falhamos em entender que estávamos errados, realmente acreditando que nossa
existência como indivíduos especiais era real; além disso, estávamos convencidos de que o
mundo que veio da separação era verdadeiro. No entanto, reconhecendo a dor que essa
crença nos trouxe, alegremente entendemos nosso equívoco e que foi a Voz do Espírito Santo
que falou a verdade. Nós, portanto, escolhemos Sua verdade através do instante santo, e
experimentamos a alegria ilimitada que o mundo real de Deus guarda para nós, conforme
nossas lágrimas gentilmente desaparecem em Seu Amor:

210
A alegria do Céu, que não tem limites, aumenta com cada luz que retorna para
tomar seu lugar de direito dentro dela. Não esperes mais, por amor a Deus e a ti
mesmo. E que o instante santo te acelere no teu caminho como certamente o fará,
se apenas deixares que ele venha a ti (T-16.VI.11:5-7).

211
LIÇÃO 302

Onde havia escuridão eu contemplo a luz.

Nós continuamos com a idéia de que, tendo reconhecido que estávamos errados, agora
começamos a ver tudo através dos olhos do perdão.

(1:1-2) Pai, os nossos olhos enfim estão se abrindo. O Teu mundo santo nos espera,
enquanto a nossa vista nos é enfim restituída e podemos ver.

Nossos olhos estão se abrindo no sentido em que entendemos que estávamos


equivocados. Nós percebemos mal a tudo e a todos, mas agora vamos ao Professor Que vai
nos ensinar como vermos o mundo através dos Seus olhos. Quando esse processo estiver
completo, o mundo real alvorecerá em nossa visão, conforme olharmos para a inocência do
Filho de Deus, e reconhecermos sua impecabilidade como a nossa:

Os inocentes vêem a segurança e os puros de coração vêem a Deus dentro de Seu


Filho e olham para o Filho de modo que Ele os conduza ao Pai... No teu irmão está
a luz da eterna promessa de Deus da tua imortalidade. Que tu o vejas sem pecado e
não poderá haver medo em ti (T-20.III.11:5,8-9).

(1:3-6) Pensávamos que sofríamos. Mas havíamos esquecido o Filho que criaste. Agora
vemos que a escuridão é a nossa própria imaginação e a luz existe para que olhemos
para ela. A visão de Cristo transforma a escuridão em luz, pois quando vem o amor, o
medo tem que desaparecer.

Nós entendemos que tudo o que percebemos vem dos nossos pensamentos, e esses têm
sido pensamentos de escuridão em vez de luz. No entanto, na luz, o mundo sombrio da culpa
desaparece:

... recebe descanso e conforto de outro mundo onde habita a paz. Esse mundo
trazes contigo a todos os olhos exaustos e corações cansados que olham para o
pecado e repetem o seu triste refrão... Em ti há uma visão que se estende a todos
eles e os cobre de gentileza e de luz. E nesse mundo de luz que se alarga, a
escuridão que pensavam lá estar é empurrada para longe, até que não seja nada
além de sombras distantes, longe, muito longe, para não mais ser lembrada à
medida em que o sol brilha e a apaga no nada (T-25.IV.3:1-2,5-6).

(1:7) Que hoje eu perdoe o Teu mundo santo para que possa olhar para a sua santidade
e compreender que apenas reflete a minha.

Essa oração é dirigida a nós mesmos, para que percebamos que vimos de forma errada –
nossas mágoas nunca vão nos fazer felizes.

(2) O nosso Amor nos espera quando vamos a Ele e anda ao nosso lado mostrando-nos
o caminho. Ele não falha em nada. Ele é o fim que buscamos e o meio pelo qual vamos a
Ele.

Essa é uma versão adorável da jornada: seu processo e seu fim. A meta da jornada é o
Amor de Deus, que espera por nós além do mundo real. O amor de Jesus simboliza esse Amor
abstrato no sonho, e, enquanto acreditarmos que somos corpos, nossas mentes traduzirão o
212
abstrato no específico. Portanto, Jesus nos diz que o Amor é o Fim que buscamos, e também o
Meio que vai nos levar até Lá. Ele não está nos pedindo para aceitarmos a verdade em sua
totalidade, pois isso ainda é ameaçador demais, mas ele realmente nos pede para aceitarmos
o reflexo específico da verdade, que desfaz a sombra da ilusão que transformamos em nós
mesmos. No entanto, o Amor de Deus permanece nossa única realidade e meta final, e ao
mesmo tempo, é nosso companheiro e conforto conforme trilhamos nosso caminho até Ele:
“Ele é o fim que buscamos”, mas também “o meio pelo qual vamos a Ele”. Nesse sentido, nós
temos o bolo da salvação e o apreciamos também. Nós, portanto, não somos solicitados a
desistirmos da nossa identidade individual, mas apenas a fazermos com que ela seja
reinterpretada pela presença amorosa que caminha conosco em cada passo ao longo da
estrada.

213
LIÇÃO 303

Hoje o Cristo santo nasceu em mim.

Essa é uma lição muito linda. Escrita na época do Natal, seu tema é o tema familiar de
renascer. Ele foi emprestado do evangelho de João (e:3,7), o conhecido registro do líder judeu
Nicodemos saindo às escondidas para se encontrar com Jesus. “Nascer outra vez” no Um
Curso em Milagres não está expresso no sentido fundamentalista da conversão religiosa, mas
para denotar “fazer outra escolha”. Assim, ao escolhermos ver através dos olhos de Jesus, nós
nascemos novamente por virtude de termos despertado para a verdade de que Deus é nossa
Fonte, não o ego. Mudar do ego para Jesus como nosso professor, portanto, é o tema
subjacente dessa lição, tocantemente expresso no simbolismo do Natal.

(1:1-3) Vigiem comigo, anjos, vigiem comigo hoje. Que todos os Pensamentos santos de
Deus me cerquem e permaneçam comigo em quietude, enquanto nasce o Filho do Céu.
Que os sons terrenos se calem e as cenas que estou habituado a ver desapareçam.

Aquietar os sons terrenos envolve liberarmos nosso investimento no ego e em ouvirmos


seus gritos estridentes. O início do poema de Helen, “A Santidade do Natal”, escrito no dia de
Natal, descreve a quietude da manjedoura na mente, na qual nosso Ser renasce:

O Natal é santo apenas se você vier


Em silêncio à manjedoura, para contemplar
Sua santidade, tornada visível para você.
(As Dádivas de Deus, p. 97)

(1:4-6) Que Cristo seja bem-vindo onde Ele está em casa. E que Ele ouça os sons que
compreende e só veja as visões que mostram o Amor do seu Pai. Que Ele não seja mais
um estranho aqui, pois hoje Ele nasceu em mim novamente.

Lembre-se desse tema adorável como é expresso na Lição 182, onde Cristo nasce outra
vez como uma Criancinha a cada vez em que um peregrino deixa sua casa e decide voltar (LE-
pI.182.10). Cristo, portanto, é bem vindo em nossas mentes, retratado na conclusão do poema
de Helen:

... que a porta do Céu se abra por inteiro


E ouça os anjos cantarem de paz na terra,
Pois o Natal é o tempo do seu renascimento.
(As Dádivas de Deus, p. 97)

(2) Pai, o Teu Filho é bem-vindo. Ele veio salvar-me do ser maligno que fiz. Ele é o Ser
Que me deste. Ele é apenas o que eu realmente sou na verdade. Ele é o Filho que Tu
amas sobre todas as coisas. Ele é o meu Ser tal como me criaste. Não é Cristo Que pode
ser crucificado. A salvo em Teus Braços, que eu receba o Teu Filho.

Somos salvos do “ser mau” pela mudança na mente que desfaz a crença do ego em que
o pecado e a culpa são reais, e o amor e a paz ilusórios. Nós vimos a nós mesmos e aos
outros como nunca poderíamos ser – uma imagem falha do Filho de Deus – a cada vez em que
percebemos vítimas crucificadas em qualquer lugar na Filiação. Jesus nos ajuda a entender
que estávamos simplesmente enganados – nossos sonhos maus de assassinato, sofrimento e
dor não tiveram efeitos sobre nossa realidade como o Filho amado de Deus, Que nunca deixou
a segurança dos Braços do seu Pai.

214
LIÇÃO 304

Que o meu mundo não obscureça a vista de Cristo.

Nós chegamos agora às três lições sobre a visão – “a vista de Cristo”, nascida do
princípio de Expiação que não vê separação. Portanto, qualquer percepção que reflita a
separação tem que ser ilusória.

(1:1-2) Eu posso obscurecer a minha vista santa se impuser a ela o meu mundo. E não
posso contemplar as cenas santas para as quais Cristo olha, a menos que faça uso da
Sua visão.

Somos nós que intrometemos o nosso mundo na visão de Cristo – “O mundo permanece
como um bloco diante da face de Cristo” (ET-4.4:1). A visão, é claro, não desaparece; mas
nosso Ser parece desaparecer quando escolhemos o sistema de pensamento de pecado,
culpa e medo, e então, um mundo que é um substituto para a verdade em nossas mentes.

(1:3-4) A percepção é um espelho, não um fato. E o que enxergo é o meu estado mental,
refletido fora de mim.

Esse é um dos temas mais importantes no Um Curso em Milagres. O que parecemos


perceber do lado de fora não é um fato, mas um espelho do nosso próprio estado mental. O
valor da mente certa sobre o mundo e seus relacionamentos especiais – nossas preocupações
corporais – tem apenas um propósito verdadeiro: lembrar-nos de que o que vemos do lado de
fora não é nada mais do que uma sombra do que primeiro tornamos real do lado de dentro.
Seu valor é o de ser uma sala de aula na qual nosso Professor nos instrui sobre a forma
apropriada de entendermos o que estamos vendo, corrigindo as interpretações ilusórias do
ego:

... todas as pessoas apenas vêem o que pensam que são. E o que a tua vista quer
te mostrar, compreenderás porque é a verdade. Só a tua visão pode te transmitir o
que podes ver. Ela te alcança diretamente, sem necessidade de ser interpretada
para ti... E nunca se tornará compreensível por um intérprete que tu não podes
compreender (T-22.I.5:2-5,7).

(1:5-6) Quero abençoar o mundo, olhando para ele através dos olhos de Cristo. E olharei
para os sinais que me garantem que todos os meus pecados foram perdoados.

Essa adorável passagem do texto descreve o mundo abençoado de luz que a visão
contempla:

Em ti está todo o Céu. Cada folha que cai ganha vida em ti. Cada pássaro que
jamais cantou, cantará de novo em ti. E cada flor que jamais floresceu guardou o
seu perfume e a sua beleza para ti. Que ambição pode superar a Vontade de Deus
e de Seu Filho de que o Céu seja restaurado para aquele para quem foi criado como
seu único lar?... Isso tu podes trazer a todo o mundo e a todos os pensamentos que
nele entraram e se enganaram por um momento. De que melhor maneira poderiam
os teus próprios equívocos serem trazidos à verdade, do que através da tua
disponibilidade de trazer a luz do Céu contigo à medida em que caminhas para além
do mundo da escuridão, rumo à luz? (T-25.IV.5:1-5,11-12).

215
(2) Tu me conduzes da escuridão à luz, do pecado à santidade. Que eu perdoe e assim
receba a salvação para o mundo. É a Tua dádiva, meu Pai, dada a mim para oferecê-la ao
Teu Filho Santo, para que ele possa achar a Tua memória outra vez e a de Teu Filho, tal
como o criaste.

O que se segue agora ecoa a adorável oração do livro de exercícios:

Não existe coisa viva que não compartilhe da Vontade universal de ser íntegra e de
que tu não deixes de ouvir esse chamado. Sem a tua resposta, ela é abandonada
para morrer, assim como foi salva da morte quando ouviste o seu chamado como o
antigo chamado à vida e compreendeste que ele é apenas o teu próprio. O Cristo
em ti lembra de Deus com toda a certeza com a qual Ele conhece o Seu Amor... Ele
aparecerá quando Lhe tiveres respondido, e Nele conhecerás que Deus é Amor (T-
31.I.9:1-3; 10:6).

216
LIÇÃO 305

Há uma paz que Cristo nos concede.

(1:1) Aquele que só usa a visão de Cristo acha uma paz tão profunda e serena, tão
imperturbável e totalmente imutável, que o mundo não tem equivalente para ela.

Uma vez que experimentamos a paz de Cristo, percebemos que ela não tem paralelo no
mundo. Nada aqui – não importando sua aparente paz, felicidade ou alegria – é comparável.
Além disso, o que parece acontecer nos sonhos de dor e morte do mundo não afeta essa paz
de forma alguma, pois a mente é totalmente não-afetada pelo mundo ou corpo.

(1:2-4) As comparações se calam diante dessa paz. E o mundo todo parte em silêncio à
medida em que essa paz o envolve e o carrega gentilmente à verdade para que não seja
mais a casa do medo. Pois o amor veio e curou o mundo, dando-lhe a paz de Cristo.

Jesus poeticamente descreve o que acontece quando nos unimos a ele e olhamos para o
mundo através dos seus olhos. Tudo literalmente desaparece em termos de como era visto
antes. Raiva, depressão, doença, perda e morte – tudo se desvanece porque a causa
subjacente da separação do nosso professor se foi. Uma vez que mudamos nossas mentes,
todos os efeitos da separação não existem mais.
A comparação, que discutimos na Lição 195, é uma dinâmica crucial no sistema do ego; é
o cerne do julgamento. A comparação original foi feita entre Deus e Seu Filho, cujas horrendas
implicações nós reprimimos. A seguir, nós projetamos o pensamento de que temos o que falta
a Deus, e agora passamos nossas vidas comparando e comparando e comparando. Essa
dinâmica de julgamento e ataque inevitavelmente desaparece tão logo levamos nosso medo ao
Amor de Deus.

(2:1) Pai, a paz de Cristo nos é dada, porque é Tua Vontade que sejamos salvos.

Nós somos salvos da nossa crença no especialismo e na guerra, conforme aceitamos a


paz do nosso Pai:

Para Cristo, esse julgamento não faz qualquer sentido, pois só o que é a Vontade do
Seu Pai é possível e não existe nenhuma outra alternativa para que Ele veja. Como
não há nenhum conflito Nele, de lá vem a tua paz. E do Seu propósito vêm os meios
para a realização sem esforço e para o descanso (T-24.VI.13:5-7).

(2:2) Ajuda-nos, hoje, a aceitar apenas a Tua dádiva sem julgá-la.

Essa dádiva é a visão de Cristo, que nós julgamos por negar sua verdade. Assim, a visão
de Cristo nos diz que a raiva nunca é justificada de qualquer maneira, e a doença não é o que
parece ser, pois ambas são defesas contra a verdade. Acima de tudo, a visão nos diz que
nossa individualidade e especialismo não são reais. Como vimos com tanta freqüência, e
especialmente aqui na Parte II do livro de exercícios, Jesus nos ensina a não julgarmos contra
sua dádiva a nós – a verdade da nossa inocência -, dessa forma, tentando provar que ele está
errado e nós estamos certos.

(2:3) Pois ela veio a nós para salvar-nos do nosso julgamento de nós mesmos.

217
Não são realmente nossos julgamentos sobre os outros que são o problema, porque eles
são meras projeções dos nossos julgamentos sobre nós mesmos. É esse julgamento que será
desfeito pela dádiva da visão de Cristo, que cura a Filiação como uma.
E agora, a última lição dessa trilogia sobre a visão.

218
LIÇÃO 306

A dádiva de Cristo é tudo o que busco hoje.

Mais uma vez, a dádiva da visão de Cristo: olhar para o mundo através dos olhos do
Espírito Santo que não vêem justificativa para a separação.

(1:1) O que poderia eu querer usar, hoje, senão a visão de Cristo, já que ela pode me
oferecer um dia em que vejo um mundo tão parecido com o Céu que uma antiga
memória volta a mim?

Esse é o mundo real, o qual, embora ilusório, reflete a unicidade do Céu, uma vez que
não se opõe a nada. Ele é o estado da mente que simboliza a verdade que está logo além dos
nossos sonhos de separação.

(1:2-3) Hoje posso esquecer o mundo que fiz. Hoje posso ultrapassar todo o medo e ser
restituído ao amor, à santidade e à paz. Hoje sou redimido e renasço em um mundo de
misericórdia e cuidados, de benignidade amorosa e cheio da paz de Deus.

Nós renascemos quando escolhemos o Professor do perdão, Que nos lembra de que a
quietude do nosso irmão ilumina a nossa própria:

Entretanto, a cada instante tu podes renascer e receber a vida outra vez. A sua
santidade te dá vida, pois não podes morrer porque a sua impecabilidade é
conhecida por Deus e não pode ser sacrificada por ti do mesmo modo que a luz em
ti não pode se apagar porque ele não a vê (T-26.I.7:1-2).

(2:1) E assim, Pai nosso, voltamos a Ti, lembrando-nos de que nunca partimos;
lembrando-nos das dádivas santas que nos ofereceste.

Nós acreditamos que saímos do Céu, o que é o significado do pecado – o pensamento de


que nos separamos de Deus e destruímos Seu Amor para que pudéssemos existir. Essa é a
fonte da culpa do ego, que nós agora escolhemos substituir pelas dádivas de amor e vida
eterna do Céu.

(2:2-4) Vimos com gratidão e agradecimentos, de mãos vazias e corações e mentes


abertos, pedir apenas o que Tu nos dás. Não podemos fazer uma oferenda que seja
suficiente para o Teu Filho. Mas, no Teu Amor, a dádiva de Cristo é dele.

Nós discutimos antes o tema dos agradecimentos, cujo cerne é nossa gratidão por
estarmos errados e o Espírito Santo certo. É essencial entendermos o escopo do nosso
equívoco. Nós estivemos errados sobre absolutamente tudo: tudo o que jamais pensamos
sobre nós mesmos ou sobre qualquer outra pessoa – corpos, vida e morte, o significado do
universo, etc. – está errado. Nós experimentamos essa gratidão, no entanto, apenas quando
vamos com “de mãos vazias e corações e mentes abertos”, como expresso na adorável oração
na Lição 189 (LE-pI.189.7). Esse vazio significa que nós não nos agarramos a nada. No
entanto, precisamos primeiro entender a que nossas mãos se agarram; de outra forma, a
liberação não faz sentido. Assim, nós levamos nossas oferendas de culpa e ódio ao altar, onde
elas são gentilmente substituídas pela dádiva de inocência de Cristo. Grata e alegremente, nós
nascemos outra vez!

219
LIÇÃO 307

Desejos conflitantes não podem ser a minha vontade.

Estar em um perpétuo estado de conflito é comum a todos nós. Parte de nós reconhece
nossa miséria e quer voltar para casa. Como seus estudantes, nós reconhecemos no Um
Curso em Milagres nossa forma de verdade, e então, sinceramente queremos praticá-lo e
vivenciá-lo. No entanto, não queremos. Daí o conflito dentro de nossas mentes divididas: uma
parte de nós quer voltar ao nosso Ser, enquanto a outra – usualmente fora da nossa
consciência – está aterrorizada de perder sua identidade e estar errada.

(1:1-3) Pai, a Tua Vontade é a minha e nada mais. Não existe outra vontade que eu possa
ter. Que eu não tente fazer outra vontade, pois isso não tem sentido e me causará dor.

Nós vimos como Jesus espera ganhar nossa aliança através do nosso egoísmo. Nós não
queremos ser infelizes, nem queremos estar com dor. Ele nos diz que se liberarmos o
julgamento e nossa teimosa insistência em que estamos certos, seremos verdadeiramente
felizes. “Você não pensa assim agora”, ele nos diz, “porque você pensa que sabe melhor do
que eu. Mas sua dor vem de pensar que você tem uma vontade que está em conflito com a
minha, e então, você acredita que ela está em conflito com a de Deus”. Essa crença foi como a
separação começou, e nossa aceitação da Expiação – “Sua Vontade é a minha, e apenas
essa” – é o seu fim.

(1:4-5) Só a Tua Vontade pode me trazer felicidade e só a Tua existe. Se eu quero o que
só Tu podes dar, tenho que aceitar a Tua Vontade para mim e entrar na paz, onde o
conflito é impossível, o Teu Filho é um Contigo no que ele é na sua vontade, e nada
contradiz a verdade santa de que eu permaneço tal como me criaste.

Mais uma vez, Jesus quer que entendamos e aceitemos que nunca poderemos ser felizes
se estivermos em conflito, acreditando que Deus (ou qualquer autoridade) é nosso inimigo. Não
apenas nossa vontade é uma com a de Deus, mas também com a de nossos irmãos, uma vez
que a Vontade única do Céu é o nosso Ser. Só através da aceitação da nossa mente unidade,
vamos encontrar o prazer real da felicidade e da paz, como essa citação inicial do texto explica:

Todo o prazer real vem de se fazer a Vontade de Deus. Isso é assim porque não
fazê-la é uma negação do Ser. A negação do Ser resulta em ilusões, enquanto a
correção do erro traz a liberação disso (T-1.VII.1:4-6).

(2) E com essa prece, entramos silenciosamente em um estado onde o conflito não pode
vir porque unimos a nossa santa vontade à de Deus, reconhecendo que são a mesma.

O fim do conflito é a aceitação da unidade das vontades - Pai e Filho – que desfaz todos
os pensamentos de dor e sofrimento. Na verdade, nossa oração por esse estado silente de paz
são as únicas palavras significativas que podemos proferir, pois não existe nada mais do que
precisemos. O perdão é o meio que o Espírito Santo usa para responder nossa oração pedindo
ajuda, por corrigir nossas percepções equivocadas sobre nossos irmãos e nós mesmos. Isso
inevitavelmente leva à cura da mente dividida, através da visão que reflete a Unicidade de
Deus e de Seu Filho:

Bem-aventurado és tu que aprendes que ouvir a Vontade do teu Pai é conhecer a


tua própria. Pois é tua vontade ser como Ele, Cuja Vontade é que assim seja. A
220
Vontade de Deus é que o Seu Filho seja um e unido a Ele em Sua Unicidade. É por
isso que a cura é o princípio do reconhecimento de que a tua vontade é a Sua (T-
11.I.11:6-9).

221
LIÇÃO 308

Esse instante é o único tempo que existe.

Ao contrário do presente do ego, o instante santo – o verdadeiro presente – está fora do


tempo, no qual suspendemos a crença na realidade do sistema de pensamento de separação
do ego: pecado, culpa e medo.

(1:1-3) Concebi o tempo de tal modo que derrotei o meu objetivo. Se escolho ir além do
tempo para alcançar a intemporalidade, tenho que mudar a minha percepção quanto ao
propósito a que ele serve. O propósito do tempo não pode ser o de fazer com que o
passado e o futuro sejam um só.

O propósito do tempo para o ego é provar que seu sistema de pensamento de pecado,
culpa e medo é verdadeiro, pois o tempo linear é apenas uma projeção de sombras. Tendo
escolhido o propósito do ego como o nosso próprio, nós nos agarramos aos pecados do
passado, especialmente deleitando-nos em nos agarrarmos aos pecados passados de alguém
mais, quer tenham sido cometidos nos últimos cinco minutos, cinco meses, cinco anos ou cinco
décadas. Assim, o pecado é provado real, mas existindo em outra pessoa. Nossa experiência
de culpa no que o ego chama de presente justifica nossa crença no pecado, e leva à projeção
da culpa, seguida pela crença na punição futura. É por isso que nós adoramos ficar infelizes, e
o motivo pelo qual fazemos as próprias coisas nas quais vamos falhar, para que sejamos
repreendidos. A punição prova que o tempo é real, assim como o pecado, culpa e medo.
Assim, o tempo – passado, presente e futuro – está em aliança com o ego, o que prova que
Jesus mentiu e o Um Curso em Milagres não funciona. Nós precisamos ver que isso não faz
sentido, pois sua insanidade nos deixa miseráveis e infelizes. No entanto, existe outro uso para
o tempo – nos ajudar a entender que não existe pecado no passado e então, não existe nada a
perdoar. Além disso, a culpa no presente não é justificada, e então, não existe base para o
medo da punição futura.

(1:4-5) O único intervalo em que posso ser salvo do tempo é agora. Pois, nesse instante,
o perdão veio para me libertar.

Ninguém pode me salvar – nem Deus, Jesus, Um Curso em Milagres, nem meus amores
especiais. Apenas a parte tomadora de decisões da minha mente pode me ajudar por escolher
o Espírito Santo no instante santo – “o único intervalo em que posso ser salvo”. O perdão é o
meio do Curso de levar o problema do mundo, onde eu o coloquei, de volta para a minha
mente, onde busquei escondê-lo.

(1:6-8) O nascimento de Cristo é agora, sem passado ou futuro. Ele veio para dar ao
mundo a Sua bênção presente, restituindo-o à intemporalidade e ao amor. E o amor está
sempre presente, aqui e agora.

Jesus continua com o tema do Natal, com essa referência ao “nascimento de Cristo”, a
mudança da mente que acontece agora – não no passado ou em algum futuro imprevisto, mas
no instante santo:

O instante santo é verdadeiramente o tempo de Cristo. Nesse instante de liberação,


nenhuma culpa é colocada sobre o Filho de Deus e seu poder ilimitado lhe é assim
restaurado... O tempo de Cristo é o tempo indicado para a dádiva da liberdade,

222
oferecida a todas as pessoas. E através da tua aceitação, tu a estás oferecendo a
todos (T-15.X.2:1-2; 3:6-7).

(2) Pai, agradeço-Te por esse instante. É agora que sou redimido. Esse instante é o
momento que designaste para a liberação do Teu Filho e para a salvação do mundo nele.

Isso é ecoado no seguinte trecho do texto, descrevendo a falta de limites do Filho de


Deus:

No instante santo... vivencias apenas a atração de Deus. Aceitando-a sem divisões,


tu te unes a Ele totalmente em um instante, pois não queres colocar nenhum limite
na tua união com Ele (T-15.IX.7:3-4).

223
LIÇÃO 309

Hoje, não terei medo de olhar para dentro.

Essa lição é um reflexo de “O medo de olhar para dentro” (T-21.IV), que descreve o
parecer do ego de que o que está dentro de nós não é a eterna inocência, mas a culpa e o
pecado eternos, tão horríveis que se nós jamais olhássemos em nossas mentes, seríamos
destruídos, como lemos novamente:

Em alto e bom som o ego te diz que não olhes para dentro, pois se o fizeres, os teus
olhos tocarão o pecado e Deus te trespassará, cegando-te (T-21.IV.2:3).

No entanto, a verdade é que se nós olhássemos para dentro, iríamos encontrar apenas a
Expiação, que tentamos esconder sob véus de pecado, culpa e medo.

(1:1-3) Dentro de mim está a Inocência Eterna, porque é a Vontade de Deus que Ela lá
esteja para todo o sempre. Eu, Filho de Deus, cuja vontade é sem limites como a Sua
própria, não posso querer mudar isso. Pois negar a Vontade de meu Pai é negar a minha
própria vontade.

Minha inocência como o Filho de Deus está além de toda mudança, e então, eu nunca
deixei de permanecer em unidade com a Vontade que me criou como parte de Si Mesma:

Se a vontade de Deus para ti é a paz e a alegria completas, a menos que vivencies


só isso, tens que estar te recusando a reconhecer a Sua Vontade. A Sua Vontade
não vacila, sendo imutável para sempre. Quando tu não estás em paz só pode ser
porque não acreditas que estás Nele. Entretanto, Ele é Tudo em todos. A Sua paz é
completa e tens que estar incluído nela (T-8.IV.1:1-5).

(1:4-8) Olhar para dentro é apenas achar a minha vontade, tal como Deus a criou e tal
como ela é. Tenho medo de olhar para dentro porque penso que fiz outra vontade que
não é verdadeira e tornei-a real. Mas ela não tem efeitos. Dentro de mim está a santidade
de Deus. Dentro de mim está a memória de Deus.

A vontade que fizemos é o falso ser que o ego equaciona ao pecado, atrás de quem está
o Deus irado Que não quer nada menos do que nos destruir, em punição pelo que fizemos a
Ele. É imperativo, conforme trabalhamos com o Um Curso em Milagres, que entendamos que o
sistema de pensamento de pecado, culpa e medo do ego é uma manobra para frustrar o
adversário, parte de sua estratégia para nos convencer de que a mente é perigosa, e que nós
estamos a salvo apenas fora dela, no corpo – daí nosso medo de olharmos para dentro. No
entanto, o medo real é que nós não iríamos encontrar nada do lado de dentro, exceto a luz
resplandecente do Filho de Deus, em cuja presença o ego desaparece:

O Espírito Santo ensina apenas que o “pecado” da auto-substituição no trono de


Deus não é uma fonte de culpa. O que não pode acontecer não pode ter efeitos a
serem temidos... A loucura pode ser a tua escolha, mas não a tua realidade. Nunca
esqueças do Amor de Deus, Que Se lembrou de ti. Pois é, de fato, impossível que
Ele pudesse jamais permitir que Seu Filho caísse da Mente amorosa dentro da qual
foi criado e onde sua morada foi fixada em perfeita paz para sempre (T-14.III.15:3-
4,6-8).

224
(2) Meu Pai, o passo que dou hoje é, com toda certeza, a minha liberação dos sonhos
vãos do pecado. O Teu altar se ergue sereno e inviolável. É o altar santo ao meu Ser e
nele acho a minha verdadeira Identidade.

O altar é a mente, que nós acreditamos ter maculado com o pecado e a culpa, e então
destruído com o medo. No entanto, tudo o que está em nossas mentes é o princípio de
Expiação, serenamente nos lembrando de que nada aconteceu. Jesus nos pede para não
termos medo de olhar para dentro, para não temermos a raiva, transtorno, doença e ansiedade
que são parte da estratégia do ego, sem nenhuma justificativa real de forma alguma. Seu
propósito é manter nosso olhar fixo focalizado no que está fora, e nada melhor para focalizar
nossa atenção do que a dor, sofrimento e especialismo em qualquer uma de suas miríades de
formas.

225
LIÇÃO 310

Passo o dia de hoje sem medo e com amor.

O ego, é claro, gostaria que eu passasse esse dia com medo e ódio, acreditando que eles
são justificados. Eu, portanto, tenho medo de você porque você é perverso e pecador. Além
disso, quero que você seja abusivo, porque isso prova que a separação é real, mas você é
responsável por ela, não eu.

(1:1) Meu Pai, quero passar esse dia Contigo, como escolheste que todos os meus dias
deveriam ser.

Jesus usa esse simbolismo de Deus como o Pai para ensinar que nosso dia deveria ser
passado aprendendo lições de perdão. Deus não escolhe coisa alguma para nós, mas o
perdão é o meio pelo qual Sua memória é restaurada à nossa consciência através do Espírito
Santo.

(1:2-4) E o que vivenciarei não terá nenhuma relação com o tempo. A alegria que vem a
mim não virá dos dias, nem das horas, pois vem do Céu para o Teu Filho. Esse dia será
a Tua doce advertência para que eu me lembre de Ti, o Teu chamado benevolente ao Teu
Filho santo, o sinal de que a Tua graça veio a mim e de que é Tua Vontade que eu seja
libertado hoje.

No Um Curso em Milagres, alegria não tem nada a ver com nada externo, o que
freqüentemente está mais associado com o que torna o corpo feliz. A verdadeira alegria, por
outro lado, é o resultado de aprendermos que nossa realidade não é desse mundo, e vem
conforme nós gratamente despertamos para esse pensamento.
O parágrafo 2 começa com outro apelo de Jesus para passarmos o dia com ele:

(2:1) Passamos esse dia juntos, tu e eu.

Nós passamos o dia com Jesus por escolhermos a ele para nos instruir sobre a maneira
apropriada de percebermos nossas vidas. Nós escolhemos a ele como nosso professor, não
para pedirmos sua ajuda para sermos maravilhosamente felizes aqui, porque parte de nós
realmente quer ser maravilhosamente infeliz. Nós pedimos sua ajuda, em vez disso, para
percebermos o mundo como um veículo para voltarmos para nossas mentes, para que
possamos ver o que está lá e, assim, fazer uma escolha fundamentada contra nossa
infelicidade, e pela nossa alegria quieta.

(2:2-4) E o mundo todo unir-se-á a nós no nosso canto de agradecimento e alegria


Àquele Que nos deu a salvação e Que nos libertou. Somos restituídos à paz e à
santidade. Hoje não há lugar em nós para o medo, pois acolhemos com boas-vindas o
amor em nossos corações.

Essa é outra referência ao verso da primeira carta de João, “O perfeito amor expulsa o
medo” (1 Jn 4:18). Quando escolhemos Jesus como nosso professor, estamos repletos do seu
amor e o medo se vai. De fato, é impossível experimentarmos o medo na presença do amor,
que é o motivo pelo qual o objetivo secreto do ego para nós é o medo – sua arma secreta
contra o amor:

226
Pois embora o ego tome muitas formas, é sempre a mesma idéia. O que não é
amor, é sempre medo e nada mais (T-15.X.4:4-5).

Assim, Jesus nos pede para escolhermos seu amor em vez do medo do ego. Uma vez
escolhido, ele se torna nosso salvador do medo, que não pode nos tocar enquanto nos
identificarmos com o amor de Jesus, que une a Filiação em sua paz e santidade. Com o amor
em nossos corações, como poderíamos ter medo?

A tua dádiva para o teu irmão deu-me [Jesus] a certeza de que a nossa união será
breve. Compartilha, então ,dessa fé comigo e sabe que ela é justificada. Não existe
medo no amor perfeito porque ele não conhece nenhum pecado e tem que olhar
para os outros como para si mesmo. Olhando com a caridade interior o que pode ele
temer do exterior? (T-20.III.11:1-4).

227
10. O que é o Julgamento Final?

Na Segunda Vinda, o Filho de Deus percebe que ele é o Filho único – não um fragmento
– e, portanto, faz o Julgamento Final, que desfaz o julgamento original de separação. Nós
precisamos nos lembrar de que o Um Curso em Milagres está focalizado em desfazer o erro,
que se originou no julgamento do Filho único contra Deus e Sua Voz, e a favor do ego. No
próprio fim do processo de Expiação, mais uma vez como um Filho, nós olhamos para o ego e
para o Espírito Santo, e nos lembrados de rir, a nos recordarmos do nosso julgamento original
que nós agora alegremente corrigimos. Portanto, ele é um sinônimo para nossa correção
dentro do sonho, que desfaz inteiramente o sonho:

Em geral, se considera o Juízo Final como um procedimento empreendido por Deus.


De fato, será empreendido por meus irmãos com a minha ajuda. É uma cura final ao
invés de um acerto punitivo, por mais que possas pensar que a punição é
merecida... O Juízo Final poderia ser chamado de um processo de avaliação certa.
Simplesmente significa que todas as pessoas finalmente virão a compreender o que
tem valor e o que não tem.... O primeiro passo para a liberdade envolve uma
seleção entre o falso e o verdadeiro. Esse é um processo de separação no sentido
construtivo e reflete o verdadeiro significado do Apocalipse (T-2.VIII.3:1-3,5-6; 4:1-2).

Nesse resumo, no entanto, Jesus usa o termo Julgamento Final de outra forma também,
falando do Julgamento Final ou Último de Deus. Isso não tem nada a ver com correção ou
desfazer; na verdade não tem nada a ver com o mundo de forma alguma. O Julgamento de
Deus simplesmente expressa a verdade que está além do sonho: Deus nos ama, nós O
amamos, e nós somos um nesse Amor. Lembre-se do início já citado de A Canção da Oração,
que expressa lindamente esse amor compartilhado na imagem da canção de gratidão do Céu:

... a canção que o Filho canta ao Pai, Que retorna os agradecimentos que ela Lhe
oferece ao Filho. A harmonia é sem fim assim como também é sem fim o alegre
acordo do amor que eles dão um ao outro para sempre... O amor que eles
compartilham é o que todas as orações virão a ser através de toda a eternidade,
quando o tempo tiver terminado. Pois tal ela era antes que o tempo parecesse existir
(C-1.in.1:2-3,7-8).

Assim como vimos com a Segunda Vinda, o Julgamento Final no cristianismo invoca o
medo, culpa e uma certeza – apesar do que nossas mentes conscientes nos dizem – de que
no final, Deus vai nos punir. Assim, o mesmo termo é agora usado para simbolizar o desfazer
do medo, pois aponta para o Amor não-julgador de Deus que expulsa o medo.

(1:1) A Segunda Vinda de Cristo dá ao Filho de Deus essa dádiva: ouvir a Voz por Deus
proclamar que aquilo que é falso é falso e o que é verdadeiro jamais mudou.

Essa é a proclamação que escolhemos negar no início. O falso é o sistema de


pensamento do ego, que proclama a realidade da separação e da nossa individualidade; a
verdade afirma que nada mudou no Céu, pois nada aconteceu. Isso ecoa o início do Capítulo
31:

... o que nunca foi verdadeiro não é verdadeiro agora e nunca o será. O impossível
não ocorreu e não pode ter efeitos. E isso é tudo... o que é falso não pode ser
verdadeiro, e que o que é verdadeiro não pode ser falso... (T-31.I.1:2-4,7).

228
Isso, é claro, é o princípio da Expiação, que nos ensina que nós apenas acreditamos ter
deixado Deus. Na verdade, mais uma vez, nada aconteceu. Nós nos afastamos da
proclamação do Espírito Santo, no início, porque gostamos de idéia de estarmos por conta
própria; como era maravilhoso ser livre – ou o que pensamos que era a liberdade. No entanto,
em algum ponto – fora do tempo – percebemos que cometemos um erro. Esse reconhecimento
leva apenas um instante, ainda que esse mundo pareça durar bilhões de anos. Nesse instante
santo, o mundo que pareceu brotar do erro original desaparece. O leitor pode se lembrar de
que no texto, Jesus compara o tempo a um imenso tapete que se desenrolou, e depois é
enrolado de volta pela Expiação:

O tempo parece se mover em uma direção, mas quando atinges o seu fim, ele se
enrolará como um longo tapete estendido sobre o passado atrás de ti e
desaparecerá (T-13.I.3:5).

(1:2) E é esse o julgamento no qual a percepção chega ao fim.

Nosso Julgamento Final é a culminação do processo de Expiação. Jesus expressa isso


dessa forma no texto:

Nada daquilo em que o Filho de Deus acredita pode ser destruído. Mas, o que é
verdade para ele tem que ser trazido à última comparação que ele jamais fará, à
última avaliação possível, ao julgamento final a respeito desse mundo. É o
julgamento da ilusão pela verdade, da percepção pelo conhecimento: “Isso não tem
significado e não existe” (T-26.III.4:1-3).

(1:3) Em primeiro lugar, vês um mundo que aceitou isso como verdadeiro, projetado a
partir de uma mente agora corrigida.

O mundo que vemos – o mundo real – emana do nosso reconhecimento de que o


princípio de Expiação é verdadeiro. Incidentalmente, essa passagem é um dos poucos lugares
no Um Curso em Milagres onde Jesus usa o que pareceria ser uma palavra errada. A palavra
“certa” aqui teria sido estendido, porque quase sempre, extensão diz respeito ao Amor de Deus
ou ao perdão do Espírito Santo, que é o que nós somos solicitados a escolher. Da mesma
forma, projeção quase sempre diz respeito ao ego e sua culpa. O valor dessa aparente
inconsistência é nos ajudar a não ficarmos ligados à palavra literal. Uma coisa que pode passar
uma rasteira nos estudantes nesse curso é encontrar falhas, reclamando que Jesus não usa as
palavras do mesmo jeito o tempo todo. Imagine como iríamos arruinar nossa apreciação de
Shakespeare, por exemplo, se insistíssemos em encarar suas palavras literalmente, iríamos
perder todo o toque de poesia e seu significado subjacente. Isso é verdadeiro sobre o Um
Curso em Milagres também. Portanto, encontramos aqui outro exemplo onde Jesus não leva
suas formas a sério; nem quer que o façamos – o conteúdo sim, mas não a forma. Esse foi o
tipo de coisa que levou Helen à loucura, a propósito, porque ela defendia a forma. No entanto,
Jesus disse especificamente a ela para não se preocupar com isso – o conteúdo do significado
era sacrossanto, não a forma das palavras.

(1:4) E com essa vista santa, a percepção dá uma bênção silenciosa e em seguida
desaparece com a sua meta realizada e a sua missão cumprida.

Nós aceitamos a Expiação e estamos na presença do Amor de Deus, fora do sonho,


cientes de que tudo aqui é ilusório. Isso só dura um instante, conforme Deus se abaixa e nos
levanta até Ele. Esse é o último passo de Deus, que é expresso nas linhas finais do poema
familiar de Helen, “O instante brilhante”, onde o Filho curado de Deus – Cristo – desperta do
sonho que era o mundo, que gentilmente desaparece do instante final em Deus:
229
Pois Cristo vai esperar até que o indistinto e
final eco morra e a quietude reclame o mundo.
..........................................
E o tempo acabou. Mesmo agora, Ele trilha seu
caminho até Ele. Esse instante é a porta para isso,
na qual o mundo vai desaparecer Nele, conforme
Ele se desvanece Naquele Que vai permanecer
para sempre. Nesse claro e brilhante instante
todo o tempo acabou.

(As Dádivas de Deus, p. 74)

(2:1-2) O Julgamento Final do mundo não contém nenhuma condenação. Pois vê o


mundo totalmente perdoado, sem pecado e inteiramente sem propósito.

Isso se refere ao Filho de Deus que está fora do sonho. Ele não vê condenação no mundo
porque entende que não existe mundo. Ele olha para figuras no sonho, e diz: “O que existe aí
para condenar?”. Ele é como um adulto olhando para os soldadinhos de brinquedo com os
quais uma criança brinca – alguns foram derrotados, outros triunfaram; alguns são bons, outros
maus. No entanto, o adulto não compartilha dessas percepções e julgamentos porque eles são
faz-de-conta. A criança pode acreditar que está envolvida em algo sério, mas o adulto sabe
que é fantasia. Esse é o caso quando perdoamos, e é o significado do Julgamento Final, que
encerra o medo e a condenação.

(2:3-4) Sem causa, e agora sem função na visão de Cristo, ele simplesmente se
desvanece no nada. Ali nasceu e ali também termina.

Quando você se une ao Espírito Santo não existe pecado de separação, e, portanto,
nenhuma causa. Sem uma causa não existe efeito – o sistema de pensamento de sacrifício do
ego -, o que significa que não existe universo físico. Portanto, o mundo nasceu e vai terminar
na mente que errou – o Primeiro Julgamento – e agora desfaz seu equívoco no Julgamento
Final, abrindo espaço para o Céu:

O tempo é desfeito, e, no pequeno espaço em que


pareceu possuir sua nulidade. O sonho se foi, e
todos os seus sonhos de dádivas desapareceram
também... Além do sonho, alcançando tudo, abraçando
tudo, criação e Criador ainda permanecem em perfeita
harmonia e perfeito amor.

(As Dádivas de Deus, p. 122)

(2:5) E todas as figuras do sonho em que o mundo começou se vão junto com ele.

Uma sentença significativa, sem dúvida! O universo espacial e temporal consiste de nada
além de figuras de sonho. Quando você dá um passo para fora do sonho, onde Jesus está e
sempre esteve – lembre-se do equívoco original do cristianismo de trazê-lo para o sonho do
corpo -, você olha com ele para o mundo e compartilha do seu sorriso gentil, sabendo que o
que você vê são brinquedos de crianças, sem conseqüências reais. Lembre-se dessa
passagem do texto sobre as figuras alucinatórias no sonho que chamamos de vida, e como
elas desaparecem quando vista através dos olhos da visão:

230
O que aconteceria se reconhecesses que esse mundo é uma alucinação? O que
aconteceria se te desses conta de que aqueles que parecem perambular sobre ele,
para pecar e morrer, atacar e assassinar e destruir a si mesmos são totalmente
irreais? Poderias ter fé no que vês, se aceitasses isso? E queres ver isso?
As alucinações desaparecem quando são reconhecidas pelo que são. Essa é a cura
e o remédio. Não acredites nelas e desaparecerão (T-20.VIII.7:3-8:3).

(2:6) Os corpos agora são inúteis e, portanto, se desvanecem porque o Filho de Deus é
sem limites.

Jesus com freqüência nos lembra de que o propósito do corpo é ser uma sala de aula.
Quando aprendemos suas lições, o corpo não é mais necessário, pois, sem um propósito, ele
simplesmente desaparece.

(3:1) Tu, que acreditaste que o Julgamento Final de Deus condenaria o mundo ao inferno
junto contigo, aceita essa verdade santa...

Essa é a crença no condenatório Julgamento Final do cristianismo. No entanto, é um


pensamento que está na mente de todos, não importando sua persuasão religiosa. Se você
acreditar que está em um corpo, é porque destruiu o Céu e, portanto, Deus vai se levantar das
cinzas e destruí-lo. Assim, para o ego, o Julgamento Final de Deus vai arrebatar a vida que
você tirou Dele, deixando-o sem vida – o que nós temerosamente conhecemos como morte.
Esse pensamento insano é corrigido pela Expiação:

A expressão “Juízo Final” é assustadora, não só porque foi projetada para Deus,
mas também por causa da associação entre “final” e morte... Se o significado do
Juízo Final é objetivamente examinado, fica bastante evidente que é, na realidade, o
umbral da vida... Podes, todavia, aplicá-lo de modo significativo e a qualquer
momento a tudo o que fizeste e reter na tua memória apenas o que é criativo e bom.
Isso é o que a mentalidade certa não pode deixar de ditar-te. O propósito do tempo
é unicamente “dar-te tempo” para conseguir esse julgamento... Quando tudo o que
reténs é amável, não há razão para o medo permanecer contigo. Essa é a tua parte
na Expiação (T-2.VIII.5:1,3,6-8,10-11).

Jesus agora nos fala sobre o Julgamento real de Deus, que não é o Julgamento Final do
Filho, mas o Julgamento que sempre foi, e que simplesmente diz: “Meu Amor por você e o seu
por Mim são unificados, e nada jamais pôde entrar entre Nós”. Essa é a verdade, como lemos:

(3:1) ... o Julgamento de Deus é a dádiva da correção que Ele concedeu a todos os teus
erros, libertando-te deles e de todos os efeitos que algum dia pareceram ter.

O reflexo do Julgamento de Deus, Seu Amor, é a Presença do Espírito Santo em nossas


mentes – a memória que levamos conosco para o sonho, quando primeiro acreditamos ter
adormecido:

... o Julgamento Final só virá quando não for mais associado com o medo. Um dia,
cada um dará as boas-vindas a ele e nesse mesmo dia, ele lhe será dado. Ele
ouvirá a sua impecabilidade proclamada em todas as partes do mundo, libertando-o
na medida em que ele recebe o Julgamento Final de Deus. Esse é o Julgamento em
que está a salvação. Esse é o Julgamento que vai libertá-lo. Esse é o Julgamento
no qual todas as coisas são libertadas com ele. O tempo pára à medida em que a
eternidade se aproxima e o silêncio cai sobre o mundo para que todos possam ouvir
esse Julgamento sobre o Filho de Deus:
231
Tu és santo, eterno, livre e íntegro, para sempre
em paz no Coração de Deus. Onde está o mundo
e onde está o pesar agora? (MP-15.1:4-12).

(3:2) Ter medo da graça salvadora de Deus não é senão ter medo da liberação completa
do sofrimento, da volta à paz, à segurança e à felicidade e à união com a tua própria
Identidade.

Nessa importante declaração, Jesus nos diz o quanto temos medo da graça de Deus, que
é um aspecto do Seu Amor no sonho (LE-pI.189); o quanto temos medo de ser liberados do
sofrimento, e sermos felizes e seguros; o quanto temos medo de sermos um como nosso Ser.
Esse medo é justificado do ponto de vista do ego, pois se nós aceitássemos a unicidade que é
nossa felicidade, não mais iríamos existir como indivíduos especiais. Nós, portanto tememos a
presença do amor, pois nossa Identidade como o verdadeiro Filho de Deus iria ser
instantaneamente restaurada à consciência conforme a memória do nosso ser anterior
desaparecesse.

(4:1) O Julgamento Final de Deus é tão misericordioso quanto cada passo no plano que
Ele designou para abençoar o Seu Filho e chamá-lo de volta à paz eterna que
compartilha com ele.

Lembre-se de que no Um Curso em Milagres, o termo plano que Deus designou não é
dito literalmente, como se Ele realmente tivesse um plano, mas em vez disso, é usado como
um símbolo para a Expiação – que nós todos iríamos entender que cometemos um equívoco,
mudarmos nossas mentes e fazermos o julgamento correto com o Espírito Santo. Assim,
vamos aceitar a Expiação para nós mesmos, tendo escolhido a ressurreição em vez do
assassinato:

Estas coisas esperam por todos nós, mas ainda não estamos preparados para lhes
dar as boas-vindas com alegria. Enquanto qualquer mente permanecer possuída por
sonhos maus, o pensamento do inferno é real. Os professores de Deus têm a meta
de despertar as mentes dos que estão dormindo e de ver aí a visão da face de
Cristo, para que ela tome o lugar do que eles sonham. O pensamento que assassina
é substituído pela bênção. O julgamento é posto de lado e entregue Àquele Cuja
função é julgar. E no Seu julgamento final a verdade sobre o Filho santo de Deus é
restaurada. Ele é redimido, pois ouviu o Verbo de Deus e compreendeu o seu
significado. Ele é livre porque permitiu que a Voz de Deus proclamasse a verdade. E
todos aqueles que antes buscava crucificar ressurgem com ele, ao seu lado, à
medida em que se prepara com eles para encontrar seu Deus (MP-28.6).

(4:2) Não tenhas medo do amor.

Jesus está indicando a nós que ele sabe que tememos o amor; de outra forma, ele não
iria nos dizer para não termos medo dele. No entanto, nós não estalamos os dedos e
decidimos instantaneamente não termos medo, mas em vez disso, ficamos cientes do quanto
estávamos com medo do amor, e levamos esse pensamento a Jesus. Pedir ajuda agora é
significativo, porque nós identificamos o problema – não o que outra pessoa fez, mas o que nós
acreditamos ter feito para merecer punição. Assim, não precisamos temer a correção do
julgamento de Jesus:

Não tenhas medo do Julgamento Final, mas dá boas-vindas a ele e não o esperes,
pois o tempo do ego é “tomado de empréstimo” da tua eternidade (T-9.IV.9:2).

232
(4:3-6) Pois só ele pode curar toda a tristeza, enxugar todas as lágrimas e despertar
gentilmente do seu sonho de dor o Filho que Deus reconhece como Seu. Não tenhas
medo disso. A salvação pede que lhe dês as boas-vindas. E o mundo aguarda que
aceites isso com contentamento, pois isso o libertará.

O mundo espera sua aceitação porque o mundo está em sua mente – não separado de
você. Portanto, se você realmente quiser ser feliz, com o pesar curado e as lágrimas
enxugadas, não olhe para qualquer coisa externa, pois isso não vai lhe trazer o que você quer;
talvez momentaneamente, mas o mundo não vai remover a causa da dor. Só o amor do
julgamento da mente certa terá sucesso em despertar você dos pesadelos de ódio e dor:

Nada nesse mundo pode dar essa paz porque nada nesse mundo é totalmente
compartilhado. A percepção perfeita simplesmente pode mostrar-te o que pode ser
totalmente compartilhado. Pode também mostrar-te os resultados do compartilhar,
enquanto ainda te lembras dos resultados do não-compartilhar. O Espírito Santo
aponta serenamente o contraste, tendo o conhecimento de que vais afinal permitir
que Ele julgue a diferença para ti, deixando que Ele demonstre o que não pode
deixar de ser verdadeiro. Ele tem fé perfeita no teu julgamento final, porque Ele tem
o conhecimento de que o fará para ti (T-13.XI.4:1-5).

Agora, o final lindo, inspirador e reconfortante da lição:

(5) Esse é o Julgamento Final de Deus: “Tu ainda és o Meu Filho amado, tão ilimitado
quanto o teu Criador, completamente imutável e para sempre puro. Portanto, desperta e
volta para Mim. Sou o teu Pai e tu és o Meu Filho.

Isso desfaz o sistema de pensamento que diz que Deus não é nosso Pai, pois o ego é
nossa fonte e nós suas crianças. Portanto, somos solicitados a levar os pensamentos da nossa
ilegitimidade, do nosso falso nascimento e seus efeitos – raiva, doença e dor – à verdade que
Jesus guarda para nós. Apenas levando a escuridão à luz, nossa dor pode ser realmente
desfeita. O gentil conto de fadas de Jesus finalmente corrigiu o do ego – o severo Deus
vingativo se tornou-se Deus, o amoroso Juiz – e nós despertamos do sonho de julgamento
para o primeiro, único e último julgamento de Deus: “Eu sou seu Pai, e você é Meu Filho”.

233
LIÇÃO 311

Julgo todas as coisas com quero que sejam.

Essa lição e as três seguintes, de 311 a 314, são uma só, centrada nas dinâmicas do
sistema de pensamento do ego e seu desfazer. Nós primeiro olhamos para dentro de nossas
mentes, escolhemos o ego como nosso professor, e então projetamos seu julgamento,
percebendo nos outros o que realmente está dentro de nós. Em última instância, percebendo
nosso equívoco, pedimos ajuda ao Espírito Santo para aceitarmos Sua correção. O equívoco
em nossas mentes, assim, foi levado ao instante santo, e nós estamos curados. Agora, a Lição
311:
“Julgo todas as coisas como quero que sejam” é verdade do ponto de vista do ego, assim
como do Espírito Santo. Se eu quiser reforçar minha crença na realidade da separação, é
assim que vou perceber e julgar o mundo. Se, por outro lado, eu quiser saber que estava
equivocado – a separação de Deus nunca aconteceu e, portanto, nada aqui é real – percebo e
julgo apenas a correção.

(1:1-3) O julgamento foi feito para ser uma arma usada contra a verdade. Separa aquilo a
que é contrário e o isola como se fosse algo à parte. Em seguida, faz dele o que tu
queres que seja.

Nós nos defendemos contra a verdade julgando, assim como fazemos através da doença,
culpa e depressão. Nós estabelecemos a pessoa ou objeto especial que julgamos como
desejável ou não-desejável, visto através das lentes do nosso especialismo. No entanto, esse
julgamento vem da nossa auto-condenação original de que nós existimos por termos roubado o
Ser e a vida de Deus, apropriando-nos Deles para nós mesmos e deixando-O sem vida.
Projetando nosso próprio julgamento, nós então vemos os outros tirando de nós o que
secretamente acreditamos ter tirado deles, e ainda mais secretamente, acreditamos ter tirado
de Deus.

(1:4) Ele julga o que não pode compreender, porque não pode ver a totalidade e,
portanto, julga falsamente.

A única maneira de podermos ver totalmente é liberando o sistema de pensamento de


separação que o diminuiu. Se nós originalmente éramos parte do todo e agora acreditamos
existir fora dele, a totalidade não pode mais ser a totalidade, o que significa que nunca
poderemos conhecê-la.

(1:5-6) Nós não o usaremos hoje, mas façamos dele uma dádiva Àquele Que tem uma
utilidade diferente para ele. Ele nos aliviará da agonia de todos os julgamentos que
fizemos contra nós mesmos e restabelecerá a paz das nossas mente, dando-nos o
Julgamento de Deus sobre o Seu Filho.

Nessa declaração importante, Jesus não diz que não deveríamos julgar. Ele diz, em vez
disso, para levarmos nosso julgamento ao Espírito Santo, nossos cantos escuros à Sua luz.
Além disso, é inútil tentar até mesmo desistir do julgamento, pois, se o fizermos, será apenas
porque primeiro o tornamos real, o que assegura sua sobrevivência. Nós, portanto, pedimos a
ajuda de Jesus para olharmos para as conseqüências do julgamento, não apenas por causa do
dano que ele traz a outros dentro do sonho, mas por causa do dano que traz a nós, por nos
manter no sonho. O valor do Espírito Santo, portanto, não reside em nos dizer o que fazermos
com nossas vidas, mas simplesmente em ser a Presença amorosa à qual vamos com nossos
234
julgamentos. Quando vemos que eles não nos dão o que queremos, eles são desfeitos. O
Espírito Santo, portanto, é o facho de luz que representa a verdade do Julgamento de Deus:
Seu Amor nunca mudou, apesar do nosso julgamento contra o Filho de Deus.

(2) Pai, hoje esperamos com a mente aberta para ouvir o Teu Julgamento sobre o Filho
que amas. Nós não o conhecemos e não podemos julgar. E, assim, deixamos o Teu
Amor decidir o que não pode deixar de ser aquele que criaste como Teu Filho.

Nós ouvimos o Julgamento de Deus de que somos Seu amado Filho, entendendo que ele
é um. Nossos julgamentos tentaram substituir essa verdade com o julgamento do ego de que o
Filho de Deus é fragmentado e pecador. Como, então, podemos ouvir o Espírito Santo nos
falar sobre o Filho de Deus, se insistimos em que alguém nos tratou injustamente? Levar
nossos julgamentos ao Dele, mais uma vez, é a forma como eles desaparecem.

235
LIÇÃO 312

Vejo todas as coisas como quero que sejam.

Uma vez que eu julgo todas as coisas como quero que sejam (Lição 311), vejo todas as
coisas como quero que sejam. Lembre-se de que a projeção faz a percepção – o que eu julgo
em minha mente, projeto, e é isso o que percebo e torno real.

(1:1-2) A percepção se segue ao julgamento. Tendo julgado, passamos a ver o que


queremos contemplar.

O julgamento da separação acontece na mente, não no cérebro. Projetando-o para


mantê-lo, nós julgamos os corpos ao nosso redor: bons ou maus, vítimas ou vitimadores. Nós
pensamos que julgamos outros, mas realmente julgamos um fragmento sombrio projetado do
pensamento de julgamento interior. Jesus nos ajuda a entender essa dinâmica e nossa
necessidade dela, o que nos capacita a mudarmos nossas mentes.

(1:3) Pois a vista serve apenas para nos oferecer o que queremos.

Nós lemos isso muitas vezes antes. Os olhos do corpo não vêem, mas simplesmente
relatam o que foram instruídos a buscar e encontrar. Eles não podem ver por conta própria
porque eles são nada vendo o nada. Assim, dentro do sonho, temos a ilusão de ver, pois
nossos órgãos sensórios percebem a ilusão de separação projetada da mente, que foram feitos
para preservarem e protegerem.

(1:4-6) É impossível deixar de ver o que queremos ver e falhar em ver o que escolhemos
contemplar. Com que certeza, portanto, o mundo real tem que vir saudar a visão santa
de qualquer um que adote o propósito do Espírito Santo como a sua meta. E ele não
poderá deixar de olhar para o que Cristo quer que ele veja e compartilhar do Amor de
Cristo por aquilo que contempla.

Esse princípio funciona nos dois sentidos. Do ponto de vista do ego, isso é um exemplo
do que Jesus chama em A Canção da Oração de “perdão-para-destruir” (C-2.II). Nós tornamos
o pecado real, e depois fingimos perdoá-lo. Essa é a pergunta que Jesus faz lá, como faz
agora: “Como você poderia não ver o que tornou real?”. Fazer isso é fingir que o que você viu
não está lá. No entanto, uma vez que você o viu, seu fingimento é meramente negação.
Portanto, mais uma vez, o pecado que escolhemos contemplar reflete o pecado no qual
escolhemos acreditar. Na mente certa, no entanto, uma vez que escolhemos Jesus como
nosso professor, olhamos através dos seus olhos de unidade, amor e perdão, e isso será o que
percebemos como real no mundo. Portanto, como poderíamos ignorá-lo, quando o vimos?

(2) Não tenho outro propósito hoje, senão o de olhar para um mundo livre, libertado de
todos os julgamentos que fiz. Pai, essa é a Tua Vontade para mim nesse dia e, portanto,
tem que ser a minha meta também.

Eu, assim, oriento meu dia direcionado para esse novo propósito de aprender as lições do
Espírito Santo. Lembre-se dessa declaração do final do manual para professores:

Prepara-te para isso a cada manhã, lembra-te de Deus quando puderes durante o
dia, pede ajuda ao Espírito Santo quando for viável fazê-lo e agradece a Ele pela
orientação à noite (MP-29.5:9).
Dessa forma, um dia de liberdade e paz está assegurado, pois eu escolhi que sua Voz
fosse meu Guia para a percepção.
236
LIÇÃO 313

Que uma nova percepção venha a mim agora.

Essa é outra lição importante, que segue as duas anteriores. Lembre-se de que nós
começamos com um julgamento negativo sobre nós mesmos, que nos levou a fazer um mundo
negativo percebido fora de nós. Eventualmente, percebemos que tem que existir outro
caminho, porque o nosso está nos tornando muito infelizes. Nós, então, rezamos: “Que uma
nova percepção venha a mim agora”. Isso não é destinado a invocar uma percepção mágica
que vem a nós, pois nós vamos até ela. A fonte dessa nova percepção – a visão de Cristo – é
nossas mentes certas. Fomos nós que vagamos para longe por escolher contra ela; portanto,
somos nós que temos que voltar e escolher outra vez.

(1:1-5) Pai, há uma visão que contempla todas as coisas sem pecado, de forma que o
medo se vai e o amor é convidado a vir ocupar o seu lugar. E o amor virá aonde for
chamado. Essa visão é a Tua dádiva. Os olhos de Cristo olham para um mundo
perdoado. Na vista de Cristo todos os pecados do mundo são perdoados, pois Ele não
vê nenhum pecado em nada do que contempla.

O amor e o medo são mutuamente excludentes, e não podem estar presentes


simultaneamente. O mesmo é verdadeiro sobre o perdão e o julgamento. Pedir ajuda a Jesus
significa olhar através dos seus olhos misericordiosos para o reflexo do amor, e, nessa visão,
somos perdoados e curados, e o mundo junto conosco.

(1:6) Que a Sua percepção verdadeira venha a mim agora, para que eu possa despertar
do sonho do pecado e olhar para a impecabilidade dentro de mim, que conservaste
completamente inviolada sobre o altar ao Teu Filho santo, o Ser com o Qual quero me
identificar.

O altar santo é as nossas mentes. Nossa impecabilidade inerente foi mantida pura e
inviolada pela Presença do Espírito Santo, lembrando-nos de que a realidade é imutável, ao
contrário de nossas crenças insanas. A frase-chave nessa passagem é “olhar para dentro”.
Nós não podemos ver nossa impecabilidade até primeiro olharmos para a imagem de mal,
escuridão e pecado que acreditamos estar ali. Só então percebemos que essa imagem é um
fino véu que meramente oculta a luz da impecabilidade por trás dele. No entanto, precisamos
primeiro olhar para a escuridão interna, escolhendo fazê-lo por pedir a ajuda de Jesus para
olhar de forma diferente para os relacionamentos especiais que fizemos para serem o
repositório do pecado.

(2:1-4) Hoje contemplemos um ao outro na vista de Cristo. Como somos belos! Quão
santos e amorosos! Irmão, vem e une-te a mim hoje.

Se você quiser essa visão, tem que deixar Jesus ensiná-lo a ver a luz de Cristo em todos
– não apenas em certas pessoas santas -, mas em todos que você condena e julga. Que linda
a Filiação se torna quando vista como realmente é – uma!

(2:5-6) Nós salvamos o mundo quando estamos unidos. Pois na nossa visão, ele vem a
ser tão santo quanto a luz em nós.

237
O conceito de Jesus sobre salvar o mundo não pode ser entendido da perspectiva do
corpo, mas apenas de fora do sonho, onde entendemos que Deus tem um Filho, e que o
mundo que parecia surgir da sua mente nunca deixou sua fonte. Se essa mente acreditar que é
separada, o mundo separado vai parecer real. No entanto, quando a mente é curada, não
existe separação e o mundo é salvo da nossa crença nele. Mais uma vez, isso não faz sentido
da perspectiva do mundo, a menos que adotemos a posição megalomaníaca de que mudamos
nossas mentes e o mundo está salvo por nossa causa. No entanto, esse nós é parte do mundo
e da crucificação do Filho de Deus. A salvação do mundo acontece apenas quando estamos
além do sonho com Jesus, deixando nosso ser crucificado para trás.

238
LIÇÃO 314

Busco um futuro diferente do passado.

Essa é a última da série sobre o ego e seu desfazer. A ênfase aqui está em nossas
expectativas futuras. Para o ego, um passado pecaminoso resulta em um presente culpado e a
inevitável punição no futuro. Buscar um futuro diferente do passado significa ver o futuro como
uma extensão do Amor eterno de Deus, que significa que não existe futuro. A Lição 194
ensinou que colocar o futuro nas Mãos de Deus corrige a crença do ego em que nelas,
seremos destruídos por causa dos nossos pecados. Essa lição nos ajuda a desfazer esse
estranho conceito do ego.

(1:1) Da nova percepção do mundo vem um futuro muito diferente do passado.

Uma vez que escolhemos a nova percepção (Lição 313), olhamos para tudo de forma
diferente – da perspectiva da eternidade estendida para o sonho do tempo. Na Lição 184,
Jesus falou sobre nossa necessidade de usarmos os símbolos do mundo, mas sem os
considerarmos reais. Assim, usamos os símbolos do tempo, no entanto, sabendo que nossa
realidade está fora deles.

(1:2-3) O futuro é agora reconhecido apenas como uma extensão do presente. Equívocos
passados não podem lançar sobre eles as suas sombras, de modo que o medo perdeu
os seus ídolos e suas imagens e, sem formas, não tem efeitos.

O amor existe apenas no presente, com o futuro agora sendo sua extensão da mente
certa. Fora do sonho, entendemos que essa extensão não é um evento linear, pois foram
nossos equívocos passados que lançaram uma sombra sobre um futuro que continha nossa
punição. No instante santo, não existe passado ou futuro – apenas o Amor de Deus. Assim,
tudo o que parecia vir do medo desapareceu em sua própria nulidade.

(1:4-5) Agora, a morte não reivindicará o futuro, pois a sua meta passou a ser a vida e
todos os meios necessários para isso são oferecidos com alegria. Quem pode se
lamentar ou sofrer quando o presente foi libertado e estende a sua segurança e a sua
paz a um futuro quieto e cheio de alegria?

O fim da morte é o fim do ego, junto com seus sistemas de pensamento de dor e miséria.

(2:1) Pai, nós estávamos equivocados no passado e escolhemos usar o presente para
nos libertarmos.

Essa idéia do nosso engano está implícita através de todo o Um Curso em Milagres, mas
aqui, Jesus é explícito em nos pedir para admitirmos que estávamos equivocados, não porque
Deus quer mostrar que é melhor do que nós, mas simplesmente porque estar “certo” não
resultou em nossa felicidade. Nós queremos atingir o ponto no qual podemos sinceramente
dizer que estamos felizes e gratos porque estávamos enganados.

(2:2) Agora deixamos o futuro em Tuas Mãos, deixando para trás os nossos equívocos
passados, certos de que cumprirás as Tuas promessas presentes e guiarás o futuro à
sua luz santa.

239
Mais uma vez, colocar o futuro nas Mãos de Deus não tem nada a ver com dar a Ele
nosso futuro. Nós simplesmente corrigimos o equívoco de termos dado nosso futuro ao deus
do ego, o que fizemos para evitar a punição que iria provar nosso pecado e demonstrar nossa
existência. O corpo pode não sobreviver à morte, mas o sistema de pensamento de
individualidade permanece vivo e bem na mente. É por isso que Jesus fala de desfazer o
sistema de pensamento na mente, no qual o pecado, culpa e medo estão refletidos em nosso
estado mundial de passado, presente e futuro. Assim, as promessas atuais de Deus são
mantidas.

240
LIÇÃO 315

Todas as dádivas que os meus irmãos dão me pertencem.

As próximas duas lições compartilham o tema de que dar e receber são o mesmo, um
conceito fundamentado na unicidade do Filho de Deus. As dádivas das quais Jesus fala podem
ser entendidas em dois níveis: as oportunidades para o perdão que o relacionamento especial
com o meu irmão provê, e a dádiva de perdão do meu irmão, lembrando-me de que posso
escolher outra vez, como faço quando estou em minha mente certa. Nós fazemos isso para e
com o outro por causa da unicidade inerente do Filho de Deus, mesmo na ilusão.

(1:1-2) A cada dia mil tesouros vêm a mim a cada momento que passa. Sou abençoado
com dádivas ao longo do dia, cujo valor está muito além de todas as coisas que eu
posso conceber.

Essas dádivas vêm em todos os momentos, em todos os relacionamentos – a


oportunidade de olhar através das dádivas de especialismo do ego, para a dádiva de Jesus de
ver o filho como Deus o criou:

O Pai não te pede nenhuma dádiva a não ser que tu vejas em toda a criação apenas
a glória brilhante da Sua dádiva para ti. Eis aqui o Seu Filho, a Sua dádiva perfeita,
no qual o seu Pai brilha para sempre, e a quem toda a criação é dada como se
fosse propriamente sua (T-29.V.5:1-2).

(1:3) Um irmão sorri para outro e meu coração se alegra.

Eu fico alegre porque agora existe esperança. Se esse irmão puder mudar sua mente e
perdoar, onde antes estava atacando, eu também posso, uma vez que o Filho de Deus é um.
Na verdade, não existe alegria maior nesse mundo do que saber que alguém está perdoado.

(1:4-5) Alguém diz uma palavra de gratidão ou de misericórdia e a minha mente recebe
essa dádiva e a aceita como sua. E cada um que acha o caminho para Deus vem a ser o
meu salvador, indicando-me o caminho e dando-me a sua certeza de que aquilo que
aprendeu também é meu.

No Um Curso em Milagres, Jesus geralmente segue o outro caminho, dizendo-nos que


nossa mudança na mente é a dádiva curativa ao nosso irmão. No entanto, ao reverter a
direção do perdão aqui, ele reflete que quer eu dê a dádiva a você, ou você a mim, é o Filho de
Deus dando-a a si mesmo. É a dádiva que diz que podemos fazer outra escolha, pois nosso
amor e paz dizem um ao outro e a nós mesmos que podemos escolher outra vez.

(2) Pai, eu Te agradeço pelas muitas dádivas que vêm a mim nesse dia e a cada dia de
cada Filho de Deus. Os meus irmãos são ilimitados em suas dádivas para mim. Que eu
ofereça-lhes os meus agradecimentos agora para que a gratidão para com eles possa
me levar adiante, em direção ao meu Criador e à Sua memória.

Isso ecoa a idéia de gratidão que nos abraça até mesmo em circunstâncias dolorosas,
pois isso nos faz pedir a ajuda de Jesus, aceitando seu ensinamento que diz que mudando
nossas mentes podemos olhar para esse relacionamento ou situação de outra forma. Lembre-
se dessa oração de “As Dádivas de Deus”:

241
Pai, dou graças a Ti por essas dádivas que
encontramos juntos. Aqui somos redimidos.
Pois é aqui que nos unimos, e desse lugar de
união santa, vamos a Ti, pois reconhecemos
as dádivas que Tu destes e não teremos
nada mais.

(As Dádivas de Deus, p. 119).

Ao nos unirmos a Jesus, portanto, nos unimos aos nossos irmãos, e damos graças pela
dádiva da lembrança que é nossa afinal.

242
LIÇÃO 316

Todas as dádivas que dou aos meus irmãos são minhas.

Meus irmãos e eu somos unidos, e então, a dádiva do perdão dada a outros através da
extensão reforça sua presença em mim – o Filho de Deus é um.

(1:1-3) Assim como todas as dádivas de meus irmãos são minhas, todas as dádivas que
dou me pertencem. Cada uma faz desaparecer um equívoco passado, sem deixar
nenhuma sombra na mente santa que o meu Pai ama. A Sua graça me é dada em cada
dádiva que um irmão recebeu ao longo do tempo e além de todos os tempos também.

Ao perdoarmos os pecados que percebemos em nossos irmãos, liberamos as sombras


que eles lançavam através da projeção: nossos ataques e mágoas. Eles, portanto, são
esquecidos, conforme gentilmente nos lembramos das dádivas que nosso Pai nos deu:

Perdoar é meramente lembrar apenas os pensamentos amorosos que deste no


passado e aqueles que te foram dados. Todo o resto tem que ser esquecido. O
perdão é uma lembrança seletiva, que não se baseia na tua própria seleção (T-
17.III.1:1-3)

(1:4-5) A casa do meu tesouro está cheia e anjos vigiam as suas portas abertas para que
nenhuma das dádivas se perca, mas que outras sejam acrescentadas. Que eu vá até
onde estão os meus tesouros e entre onde sou verdadeiramente bem-vindo e me sinto
em casa entre as dádivas que Deus me deu.

Minha mente certa é a “casa do tesouro” na qual as dádivas de Deus são encontradas.
Quando buscamos tesouros no mundo – objetos de especialismo que nos deleitam e nos dão
felicidade, paz e prazer – estamos dizendo que o tesouro de Deus não é suficiente, nem a
Expiação do Espírito Santo. Mais uma vez, não é que deveríamos nos sentir culpados por
buscarmos objetos do tesouro do especialismo, mas que queremos reconhecer o que estamos
fazendo e por que. A gratidão pelas salas de aulas de nossas vidas vai inevitavelmente se
seguir a isso, pois elas proveram as oportunidades que nos capacitaram finalmente a entender
onde está nosso tesouro real. A declaração “que eu vá até onde estão os meus tesouros” é
claramente uma oração aos nossos seres tomadores de decisão: fomos nós que vagamos para
o país distante do ego, e somos nós que temos que escolher voltar. E nós alegre e gratamente
fazemos isso, enquanto o Céu canta sua canção de gratidão.

(2) Pai, quero aceitar as Tuas dádivas hoje. Não as reconheço. Mas confio em Ti, Que as
ofereceste a mim, para prover os meios pelos quais eu poderei contemplá-las, ver o
valor que têm e apreciá-las como as únicas coisas que quero.

O meio da percepção é o perdão, que nos permite aceitar a dádiva de amor de Deus. A
menos que nós a dermos, nunca vamos saber que a recebemos. Portanto, negar Seu Amor a
qualquer um na Filiação é negá-lo a toda ela, incluindo a nós mesmos. No entanto, aceitá-lo
em um, é aceitá-lo em todos, incluindo a nós mesmos. Assim, Jesus nos encoraja a darmos
como Deus dá – sem limite ou restrição:

243
Seria possível que qualquer parte de Deus fosse sem o Seu Amor e seria possível
que qualquer parte do Seu Amor fosse contida? Deus é a tua herança, porque Sua
única dádiva é Ele Mesmo. Como é possível dares a não ser como Ele dá, se
queres conhecer a Sua dádiva para ti? Dá, então, sem limites e sem fim, para
aprenderes o quanto Ele te deu. A tua capacidade de aceitá-Lo depende da tua
disponibilidade para dar como Ele dá (T-11.I.7:1-5).

244
LIÇÃO 317

Sigo o caminho que me foi designado.

Essa lição é muito importante, e seu tema é ecoado em duas lições que ainda vamos ver
na próxima série. “Sigo o caminho que me foi designado” significa que não quero ser o
primeiro. Como uma das últimas lições diz, “Escolho o segundo lugar para ganhar o primeiro”
(LE-pII.328). No início, nós dissemos a Deus: “Eu sou a Causa Primeira e Você vai me seguir –
eu tenho o poder e estou a cargo de tudo”. Essa crença é a motivação por trás do mantra
encontrado em alguns círculos da Nova Era: “Eu sou Deus”. Nenhum de nós quer seguir, pois
queremos ser o número um. Nessa lição, portanto, Jesus nos traz de volta à humildade que
precisamos praticar como estudantes do seu curso: “Eu vou seguir o caminho que meu
professor me instrui a seguir, pois quero ir até Deus, Que é o meu criador – eu não sou Ele; ele
não sou eu”.

(1:1) Tenho um lugar especial a ocupar, um papel só para mim.

Aqui podemos ver outro exemplo de Jesus usando a palavra especial para o Espírito
Santo, quando quase sempre ela é reservada para o ego. Nosso lugar especial é nossa função
especial, que é perdoarmos nossos relacionamentos especiais, como ele explica no texto:

Aqui, onde as leis de Deus não prevalecem de forma perfeita, ainda assim ele pode
fazer uma coisa perfeita e uma escolha perfeita. E através deste ato de perfeita fé
em alguém percebido como diferente de si mesmo, ele aprende que a dádiva foi
dada a ele e, portanto, os dois têm quer ser um só (T-25.VI.5:1-2).

(1:2-4) A salvação espera até eu aceitar esse papel como aquilo que escolho fazer.
Enquanto não fizer essa escolha, sou escravo do tempo e do destino humano. Mas
quando eu tomar, com disponibilidade e alegria, o caminho que o plano de meu Pai
designou para mim, reconhecerei que a salvação já está aqui, que já foi dada a todos os
meus irmãos e também a mim.

É nossa escolha e de ninguém mais. Mais uma vez, nosso único papel é perdoarmos, o
que não tem nada a ver de forma alguma com comportamento ou qualquer coisa externa.

(2:1) Pai, o Teu caminho é o que escolho hoje.

Isso é mais uma referência à oração final na Lição 189, “Pai, nós não conhecemos o
caminho para Ti”. Nosso Pai chama através da Sua Voz, e nós vamos seguir – a essência da
humildade.

(2:2-4) Escolho ir aonde ele me leva, escolho fazer o que ele quer que eu faça. O Teu
caminho é certo e o fim seguro. A Tua memória lá espera por mim.

O foco novamente está em nossa escolha, e nós agora alegremente escolhemos o


caminho de Deus. A jornada termina com o retorno da Sua memória – o mundo real -,
alcançado pelo perdão que não exclui ninguém da Filiação.

(2:5) E todas as minhas tristezas terminam no abraço que prometeste ao Teu Filho, que
pensou equivocadamente ter-se perdido da proteção segura dos Teus Braços amorosos.

245
O mundo surgiu da crença de que nós realmente vagamos para longe dos Braços
amorosos de Deus. O ego nos disse que esses Braços não eram amorosos, mas que seríamos
sábios em fugir – se ficássemos, Deus certamente teria nos destruído. Jesus nos diz, no
entanto, que não somos pecadores, mas que realmente fizemos uma escolha equivocada,
refletindo a linha conhecida do texto: “Filho de Deus, tu não pecaste, mas tens estado muito
equivocado” (T-10.V.6:1).

246
LIÇÃO 318

Em mim, o meio e o fim da salvação são um só.

Esse título lembra a adorável declaração no final da Lição 302: “Ele, o Fim que
buscamos, e Ele, o Meio através do qual vamos a Ele”. Naquela lição, Deus é tanto o Meio
quanto o Fim. Nessa lição, nós somos o meio e o fim – o fim é o Filho de Deus como Cristo, e o
meio de atingi-Lo é o Filho de Deus escolher perdoar a si mesmo.

(1:1) Em mim, Filho santo de Deus, todos os papéis do plano do Céu para salvar o
mundo são reconciliados.

A teologia cristã tradicional ensinou que o Filho de Deus – Jesus – era aquele que
reconciliava o homem pecador e o Amor de Deus. Portanto, Jesus pega a mesma idéia a aplica
ao Filho de Deus em todos nós. Esse Filho não é uma figura mágica chamada Jesus Cristo,
que veio ao mundo para expiar pelos nossos pecados através do seu sofrimento e morte
sacrificial. Em vez disso, é o Filho de Deus – mais uma vez, todos nós – que reconcilia o Filho
de Deus consigo mesmo. Isso significa que nós desfazemos a crença no pecado, o pré-
requisito para entendermos nossa unicidade com Deus.

(1:2-3) O que poderia entrar em conflito, se todos os papéis têm um só propósito e um


só objetivo? Como poderia haver um só papel isolado, de maior ou menor importância
que os outros?

Papéis refere-se aos fragmentos aparentes da Filiação. Em outro trecho no Curso, Jesus
se refere a eles como aspectos (i.e., T-13.VI.6:4). O valor de usar termos neutros tais como
papéis e aspectos é que enfatiza que o Filho de Deus não é apenas o homo sapiens, pois cada
fragmento separado – animado ou inanimado – é uma sombra fragmentária do Filho único
adormecido. Cada parte da filiação compartilha um único propósito e objetivo, que marca o fim
do especialismo de separação. Ao atravessar seu dia, portanto, tente ver com que freqüência
você toma partidos e julga as partes do Filho de Deus como melhores e piores, mais ou menos
importantes, mais ou menos espirituais. E então, peça ajuda a Jesus para ver a similaridade
inerente ao Filho único de Deus.

(1:4-8) Sou o meio pelo qual o Filho de Deus é salvo, porque o propósito da salvação é o
de achar a impecabilidade que Deus colocou em mim. Fui criado sendo aquilo que
busco. Eu sou a meta que o mundo procura. Sou o Filho de Deus, Seu único e eterno
Amor. Sou o meio e também o fim da salvação.

O fim é entender que sou o Filho de Deus como Cristo, e que o meio para alcançar a
meta é ver o Filho de Deus em todos, incluindo a mim mesmo, reconhecendo nosso propósito
e metas únicos. Vendo finalmente que nós compartilhamos o mesmo ser, eu desperto para a
verdade de que nós compartilhamos um Ser. Assim, eu sou o Filho de Deus, e eu busco o
Filho de Deus.

(2:1) Meu Pai, que nesse dia eu aceite o papel que me ofereces no Teu pedido de que eu
aceite a Expiação para mim mesmo.

Estritamente falando, não é Deus Que faz esse pedido, mas Jesus ou o Espírito Santo –
nossos Professores de perdão.

247
(2:2) Pois assim aquilo que por meio dela se reconcilia em mim, se reconcilia Contigo
com a mesma certeza.

Nós nos tornamos um através do perdão, o significado de reconcilia: um como o Filho


separado de Deus; um como Cristo, em unidade com Sua Fonte.

248
LIÇÃO 319

Eu vim para a salvação do mundo.

Lembre-se da lição anterior “a salvação do mundo depende de mim” (LE-pI.186). Como


Jesus no diz, isso não é uma declaração de arrogância, mas de humildade:

(1:1-3) Eis o pensamento do qual foi removida toda a arrogância e só a verdade


permanece. Pois a arrogância se opõe à verdade. Mas quando não há arrogância, a
verdade vem imediatamente e preenche o espaço que o ego deixou desocupado pelas
mentiras.

Nossa função é estarmos cientes da interpretação arrogante do ego para “eu sou a
salvação do mundo”, e pedir ajuda a Jesus para olharmos para ela de forma diferente. Através
dos seus olhos, percebemos que somos a salvação do mundo, não por causa de algo que
fazemos, mas por causa da unidade que é o nosso Ser. O fato de levarmos humildemente a
arrogância à verdade permite que a verdade simplesmente seja.

(1:4-5) Só o ego pode ser limitado e, portanto, tem que buscar objetivos que são restritos
e limitados. O ego pensa que o que qualquer um ganha, a totalidade tem que perder.

Essa é uma declaração maravilhosamente sucinta do que aconteceu no instante original.


Por causa do princípio de um ou outro, ganhar nossa individualidade significava perda total: o
ego e o mundo, portanto, nascem e são salvos quando acreditamos que matamos a
completeza e o perfeito Amor. No entanto, a verdadeira salvação do mundo vem de perceber
que tudo isso foi um equívoco, sem efeitos verdadeiros.

(1:6) E, no entanto, é a Vontade de Deus que eu aprenda que o que qualquer um ganha, a
todos é dado.

A rocha sobre a qual repousa a salvação, Jesus nos diz no texto, é que ninguém perde e
todos ganham. Ser o Filho de Deus não significa que Deus tem que ser destruído. Significa que
nós somos um com nosso Pai, assim como cada um dos outros fragmentos aparentemente
separados. Assim, lemos como o Espírito Santo converte o insano mundo de separação do ego
em um mundo são de perdão, desfazendo a crença do ego em um ou outro:

O Espírito Santo tem o poder de mudar todo o fundamento do mundo que vês em
outra coisa: uma base não insana, na qual pode basear-se uma percepção sã e um
outro mundo pode ser percebido. E um mundo no qual não se contradiz nada que
queira conduzir o Filho de Deus à sanidade e à alegria. Nada atesta a morte e a
crueldade, a separação e a diferença. Pois aqui tudo é percebido como um só e
ninguém perde para que cada um possa ganhar (T-25.VII.5).

(2) Pai, a Tua Vontade é total. E a meta que dela brota compartilha da sua totalidade. Que
outro objetivo, senão a salvação do mundo, poderias ter dado a mim? E o que, senão
isso, poderia ser a Vontade que o meu Ser tem compartilhado Contigo?

Para lembrar que a Vontade de Deus abraça a minha, assim como à Filiação como um
todo, tenho que compartilhar o propósito único do perdão com meu irmão. Assim, somos salvos
juntos, e o mundo junto conosco:

249
Tu e o teu irmão sois o mesmo assim como o próprio Deus é Um e não está dividido
em Sua Vontade. E vós não podeis deixar de ter um só propósito, já que Ele deu o
mesmo propósito a ambos. A Sua Vontade se unifica á medida em que vós vos unis
em vontade, para que sejas completado oferecendo completeza ao teu irmão. Não
vejas nele o pecado que ele vê, mas dá a ele a honra para que possas estimar a ti
mesmo e a ele. A ti e ao teu irmão é dado o poder da salvação, para que o escape
da escuridão para a luz seja vosso para ser compartilhado, para que possais ver
como um só o que nunca foi separado nem esteve à parte de todo o Amor de Deus
que é dado igualmente a ambos (T-25.II.11).

250
LIÇÃO 320

Meu Pai dá todo o poder à mim.

Essa declaração é outra reinterpretação de uma citação bíblica citada no Um Curso em


Milagres. No Novo Testamento, Jesus diz “Todo poder é dado a mim na terra e no céu”
(Mateus 28:18), o que significa que Deus deu a Jesus todo o poder, e a ninguém mais. Seu é o
poder porque ele é o Filho de Deus. No Curso, Jesus diz que Deus realmente deu todo o poder
a Seu Filho, mas que nós somos todos Seus Filhos. No início dessa lição, Jesus se refere à
ausência de limites do Filho de Deus, no entanto, no sistema de pensamento cristão do ego, a
Filiação de Deus é limitada, pois existe apenas um único e verdadeiro Filho; o resto de nós
somos filhos adotivos (Efésios 1:5). Nós aceitamos essa condição de segunda classe como
verdadeira e a projetamos, vendo a todos como mais limitados do que nós – o especialismo
que é o cerne do poder do ego.

(1:1-4) O Filho de Deus é sem limites. Não há limites para a sua força, a sua paz, a sua
alegria e para nenhum atributo que o Pai lhe tenha dado na sua criação. O que é a sua
vontade, junto com o seu Criador e Redentor, não pode deixar de ser feito. A sua
vontade santa jamais poderá ser negada, porque o seu Pai ilumina a sua mente e coloca
diante dela toda a força e o amor que há na terra e no Céu.

Essa força da ausência de limites de Deus é a resposta a todos os problemas percebidos


aqui:

A unicidade do Criador e da criação é a tua integridade, a tua sanidade e o teu


poder sem limites. Esse poder sem limites é a dádiva de Deus para ti, porque ele é o
que tu és... Não existe nenhum problema que não se resolva dentro da tua luz
amável (T-7.VI.10:4-5; T-26.VII.18:5).

(1:5-6) Sou aquele a quem tudo isso é dado. Sou aquele em quem habita o poder da
Vontade de meu Pai.

Mais uma vez, seguindo da Lição 319, isso não é arrogância, mas humildade que diz que
o poder não é só meu, um indivíduo governando sobre outros. É o poder de Cristo, o Filho
único de Deus, como Ele O criou, e eu sei que o poder é realmente meu quando compartilho
sua força e amor com o mundo:

Usar o poder que Deus te deu do mesmo modo como Ele o usaria é natural. Não é
arrogante ser como Ele te criou, nem fazer uso do que Ele deu para responder a
todos os equívocos de Seu Filho e libertá-lo. Mas é arrogante deixar de lado o poder
que Ele te deu e escolher um pequeno desejo sem sentido no lugar da Sua Vontade
(T-26.VII.18:1-3).

(2:1) A Tua Vontade pode fazer todas as coisas em mim e depois estender-se também ao
mundo inteiro através de mim.

Quando minha mente é curada, o Filho de Deus é um, e uma vez que idéias não deixam
sua fonte, o mundo é um comigo também.

(2:2-3) Nada limita a Tua Vontade. E assim todo o poder foi dado ao Teu Filho.

251
A conclusão do poema de Helen, “O junco que canta”, expressa lindamente essa unidade
do Pai e do Filho:

Como são santos os meus passos, que só seguem


Para fazerem a Vontade de Deus, Cujo Filho eu sou.
E como é para sempre perfeita a minha vontade,
Que não é de forma alguma separada da Sua Própria.

(As Dádivas de Deus, p. 3)

252
11. O que é a criação?

Temos nesse sumário outro exemplo de Jesus parecendo falar duas coisas diferentes, em
momentos diferentes. Ele descreve a criação como perfeita unicidade, e ao mesmo tempo, fala
das criações dos Filhos de Deus. A explicação é que por um lado, ele está afirmando a pura
verdade, que é a de que Cristo é perfeitamente unificado e em unidade com Seu Criador. Por
outro, ele está refletindo essa verdade para nós em nosso estado separado, no qual nós
claramente acreditamos que os Filhos de Deus são muitos. Assim, ambas as descrições são
verdadeiras, dependendo do propósito pedagógico e ênfase de Jesus.

(1) A criação é a soma de todos os Pensamentos de Deus, em número infinito,


onipresentes e ilimitados. Só o Amor cria e só cria como Ele Mesmo. Nunca houve um
tempo em que o que Ele criou não existisse. E tampouco haverá um tempo em que algo
que Ele tenha criado possa sofrer qualquer perda. Os Pensamentos de Deus são para
todo o sempre exatamente como sempre foram e como são, imutáveis através do tempo
e após o fim dos tempos.

Mais uma vez, Jesus diz Pensamentos porque nós acreditamos que Deus tem muitos
Filhos. Ao dizer “nunca houve um tempo em que o que Ele criou não existisse”, ele está nos
ensinando mais uma vez que a separação nunca aconteceu. Nós experimentamos perda
apenas se não acreditarmos que somos a criação de Deus. Nesse instante não-santo de
insanidade, acreditamos que éramos a criação do ego em vez disso. Todas as experiências de
perda se originam naquela crença equivocada, enquanto a verdade da nossa identidade como
Pensamento espera pelo nosso retorno certo através do Espírito Santo, como nos lembramos:

Deus criou Seus Filhos estendendo o Seu Pensamento e retendo as extensões do


Seu Pensamento em Sua Mente. Todos os Seus Pensamentos são assim
perfeitamente unidos entre si e em si mesmos. O Espírito Santo te capacita a
perceber essa integridade agora (T-6.II.8:1-3).

Não podemos conhecer a integridade do Reino até reconhecermos a unidade da criação,


mesmo se ela estiver refletida no sonho. Em outras palavras, precisamos ver todas as pessoas
compartilhando a necessidade de perdão – sem exceções. Reconhecendo nossa necessidade
unificada, nosso propósito nos leva a lembrar do nosso Ser unificado.

(2:1-3) Aos Pensamentos de Deus é dado todo o poder do seu próprio Criador. Pois Ele
quer acrescentar ao Amor pela sua extensão. Assim, o Seu Filho compartilha da criação
e tem que compartilhar, portanto, do poder de criar.

Esse aspecto do ensinamento de Jesus é mais proeminente no texto, e aparece com


pouca freqüência no livro de exercícios. Como partes de Deus, nós compartilhamos Seus
atributos – Ele cria e nós criamos também. A extensão do Seu Ser – Seu Amor e Vontade – é
Cristo, a criação de Deus. Da mesma forma, também estendemos nosso Ser como Cristo –
nosso Amor e Vontade – e essa extensão é a nossa criação, que não tem nada a ver com o
mundo do tempo e do espaço:

Assim como o Pensamento criativo de Deus procede Dele para ti, assim também o
teu pensamento criativo tem que proceder de ti para as tuas criações. Somente
deste modo é que todo poder criativo pode se estender para fora... Criar é amar. O
amor se estende para fora simplesmente porque não pode ser contido. Sendo sem
limites, não pára... As criações de Deus sempre existiram, porque Ele sempre

253
existiu. As tuas criações sempre existiram, porque só podes criar como Deus cria (T-
7.I.2:3-4; 3:3-5,7-8).

(2:4) O que a Vontade de Deus determina que seja para sempre uno ainda será uno
quando o tempo tiver chegado ao fim e não será mudado ao longo do tempo,
permanecendo como era antes que tivesse início a idéia do tempo.

Em outras palavras, no tempo, temos a ilusão da fragmentação e separação, e os Filhos


de Deus parecem ser muitos. No entanto, a realidade é nossa perfeita unicidade. Quando o
sonho termina e a consciência da nossa individualidade desaparece, tudo o que resta é o Filho
único de Deus, Que nunca deixou Seu lar eterno. Ele meramente teve um sonho ruim, no qual
deixou a intemporalidade em troca do mundo do tempo; um pesadelo do qual ele certamente
vai despertar:

Deus em Seu conhecimento não está esperando, mas Seu Reino fica destituído
enquanto tu esperas... O atraso não importa na eternidade, mas é trágico no tempo.
Tens optado por estar no tempo ao invés de estar na eternidade e por conseguinte,
acreditas que estás no tempo... Tu não pertences ao tempo. O teu lugar é só na
eternidade, onde o próprio Deus te colocou para sempre (T-5.VI.1:1,3-4,6-7).

(3:1-2) A criação é o oposto de todas as ilusões, pois a criação é a verdade. A criação é o


Filho santo de Deus, pois na criação a Sua Vontade se completa em todos os aspectos,
fazendo com que cada uma das partes esteja contida no Todo.

Outro tema importante do texto: o todo é encontrado em cada parte. Na mente certa de
cada parte aparentemente separada da Filiação – e cada um de nós parece ser uma dessas
partes -, a memória de Quem somos como Cristo está firmemente entranhada, um fato que
nunca mudou. Assim, Jesus ensina que quando perdoamos um irmão completamente,
perdoamos a cada um dos nossos irmãos, pois somos todos parte do Filho único: mente
errada, certa e Única. Aqui está uma passagem do texto sobre o relacionamento parte-todo:

O todo define a parte, mas a parte não define o todo. No entanto, conhecer em parte
é conhecer inteiramente, devido á diferença fundamental entre conhecimento e
percepção. Na percepção o todo é construído de partes que podem se separar e
reunir outra vez em diferentes constelações. Mas o conhecimento nunca muda, de
modo que a sua constelação é permanente. A idéia dos relacionamentos entre a
parte e o todo só tem significado ao nível da percepção, onde a mudança é possível.
De outro modo, não há nenhuma diferença entre a parte e o todo (T-8.VIII.1:10-15).

(3:3) A inviolabilidade da unicidade da criação está garantida para sempre; para sempre
mantida em Sua Vontade santa, além de toda possibilidade de dano, de separação, de
imperfeição e de qualquer mancha em sua impecabilidade.

Nossa unicidade nunca mudou, e nunca pode mudar – a essência do princípio de


Expiação do Espírito Santo:

Podes perder de vista a unicidade, mas não podes sacrificar a sua realidade. E nem
podes perder aquilo que queres sacrificar, nem impedir que o Espírito Santo realize
a Sua tarefa de te mostrar que aquilo não foi perdido (T-26.I.6:1-2).

(4:1-2) Nós somos a criação, nós, os Filhos de Deus. Parecemos ser separados e
inconscientes da nossa eterna unidade com Ele. Entretanto, por trás de todas as nossas
dúvidas, depois de todos os nossos medos, ainda há certeza.
254
Jesus se dirige a nós aqui em nosso estado separado, como faz usualmente através de
todo o Um Curso em Milagres. Nós parecemos separados, e separados uns dos outros, em um
lugar onde um termina e outro começa. O corpo é o ponto de demarcação, não apenas da
separação entre irmãos, mas entre nós e Deus:

Tal é a estranha posição em que aqueles que vivem em um mundo habitado por
corpos parecem estar. Cada corpo aparenta abrigar uma mente separada, um
pensamento desconectado, vivendo solitário e de nenhuma forma ligado ao
Pensamento pelo qual foi criado. Cada fragmento diminuto parece estar contido em
si mesmo e precisar de outros para algumas coisas, mas sem ser de modo algum
dependente do seu único Criador... (T-18.VIII.5:1-3).

(4:3-5) Entretanto, por trás de todas as nossas dúvidas, depois de todos os nossos
medos, ainda há certeza. Pois o Amor permanece com todos os Seus Pensamentos e a
Sua segurança pertence a eles. A memória de Deus está em nossas mentes santas, que
conhecem a sua unicidade e a sua unidade com o seu Criador.

A memória de Deus em nossas mentes certas mantém dentro dela o Pensamento único
de Cristo – Quem somos como o Filho único de Deus. Quando nos esquecemos e ainda
acreditamos estar no mundo – vacilando entre nossas mentes certa e errada -, o conceito de
muitos Filhos de Deus parece significativo para nós. É por isso que Jesus se refere a nós como
Pensamentos em vez de Pensamento. Apesar disso, ele quer que aceitemos que nossos
medos, ansiedades e preocupações são apenas frágeis véus que não podem tirar a luz da
certeza da nossa consciência. Nós não temos que ser salvos, mas meramente precisamos
aceitar o fato certo de que, por causa do Amor de Deus, nós estamos salvos:

A salvação é tão certa quanto Deus. A Sua certeza basta. Aprende que mesmo o
mais negro pesadelo que perturba a mente do Filho de Deus adormecido não tem
qualquer poder sobre ele. Ele aprenderá a lição do despertar. Deus vela por ele e a
luz o rodeia... O seu sono não resistirá ao chamado para o despertar. A missão da
redenção será cumprida com tanta certeza quanto a criação permanecerá intocada
através de toda a eternidade. Tu não precisas ter o conhecimento de que o Céu é
teu para que ele o seja. É assim (T-13.XI.9:3-7,10:3-6).

(4:6) Que a nossa função seja apenas a de deixar que essa memória volte, apenas para
que a Vontade de Deus seja feita na terra, apenas para sermos restituídos à sanidade e
para sermos apenas como Deus nos criou.

Nós completamos nossas lições de perdão – o caminho para deixarmos que a memória
de Deus volte – e então escolhemos liberar o sonho da separação. Essa é nossa função –
aceitando a Expiação, perdoando nossos irmãos totalmente, negamos o mundo do ego e nos
lembramos de que sempre fomos como Deus nos criou. Nós nos regozijamos pelos nossos
julgamentos estarem errados e por Seu Amor estar certo: a separação dos nossos irmãos e da
nossa Fonte era uma mentira, e nossa unicidade inerente a única verdade:

Quando tiveres deixado que tudo o que obscurece a verdade em tua mente
santíssima seja desfeito para ti e, portanto, estiveres em graça diante do teu Pai, Ele
dar-Se-á a ti como sempre fez... Não peças para ser perdoado, pois isso já foi
realizado. Pede, ao contrário, para aprenderes como perdoar e a restaurar o que
sempre existiu em tua mente sem perdão... Na terra essa é a tua única função e
tens que aprender que isso é tudo o que queres aprender... Decide que Deus está
certo e tu estás errado a teu próprio respeito (T-14.IV.3:1,4-5,7; 4:5).
255
(5) O nosso Pai nos chama. Ouvimos a Sua Voz e perdoamos a criação em Nome do seu
Criador, Que é a Santidade em Si Mesmo e Cuja santidade a própria criação compartilha,
Santidade Essa que ainda faz parte de nós.

Se o Filho de Deus é santo, compartilha a Santidade do Seu Pai e é um, e ele ataca
outros – em outras palavras, escolhe ver apenas o que parece ser falta de santidade ou
pecaminosidade no mundo – ele não apenas diz que eles não são santos, mas que ele
também não é. Uma vez que idéias não deixam sua fonte, seu criador também tem que ser
não-santo, o que, é claro, é verdadeiro dentro do sonho do ego. Mais uma vez, Jesus reafirma
nossa unicidade uns com os outros e com Deus. É importante se lembrar de que quando
somos tentados a julgar, criticar ou transformar as pessoas em objetos do nosso especialismo,
as estamos definindo como diferentes de nós, e diferenças sempre significam não-santidade,
uma vez que refletem a separação da Santidade. Além disso, se você for não-santo, eu tenho
que ser também. Portanto, Jesus nos diz: “A maneira com que você vê outra pessoa é a
maneira com que vê a si mesmo: separado e à parte uns dos outros, e de mim, e de Deus.
Essa é a imagem com a qual você quer se identificar?”. Lembre-se dessas linhas
reconfortantes do poema de Helen, “O confortador”, lembrando-nos da Voz de Deus que
continuamente chama por nós. Seu chamado também nos convida a chamarmos nossos
irmãos, para nos lembrarmos de que não estamos sozinhos em nossa busca. Isso assegura
que ouçamos a Voz que vai nos lembrar de que nossa meta já foi encontrada. O perdão,
portanto, nos levou de volta à Santidade que nunca realmente deixamos, e nós somos
abençoados em nosso conforto:

Dê um passo atrás, Minha criança, e deixe-O liderar o caminho,


Aquele que enviei a você. Ele segura sua mão
E fala a você sobre Mim.
..........................................
Minha Voz eu enviei,
Para cantar em lugares insonoros. Ouça de Mim
A canção que um Pai canta para você, Sua criança;
Uma melodia muito distante do mundo.
Dê um passo atrás e ouça, pois Ele vem para abençoar
E para lhe dizer que você não está sem conforto.

(As Dádivas de Deus, p. 71).

256
LIÇÃO 321

Pai, a minha liberdade está unicamente em Ti.

O ego nos diz que nossa liberdade está só nele mesmo, pois permanecer com Deus é ser
escravo de uma tirania que arranca nossa vontade e independência. O ego, portanto, nos incita
a escolhermos contra o Espírito Santo, prometendo que assim seremos livres para sermos os
indivíduos únicos que somos.

(1:1) Eu não entendi o que me libertou, nem o que é a minha liberdade e nem onde devo
procurar para achá-la.

Lembre-se de que o tema subjacente através das lições na Parte II é reconhecermos


nossas escolhas equivocadas. Aqui Jesus nos diz que estávamos errados em pensar que
sabíamos o que era a liberdade, para não mencionar onde encontrá-la.

(1:2) Pai, procurei em vão até ouvir a Tua Voz orientando-me.

É isso que acontece quando eu finalmente sou capaz de dizer: “Tem que existir outro
caminho. Eu não quero mais ser conduzido pelas minhas necessidades especiais, mas pela
Voz que vai me levar para casa, restaurando a consciência da minha liberdade como Filho de
Deus”.

(1:3-4) Agora não quero mais guiar a mim mesmo. Pois não fiz e tampouco compreendi o
caminho para achar a minha liberdade.

Jesus sente claramente que a oração que conclui a Lição 189 é importante – “Pai, nós
não conhecemos o caminho para Ti. Mas nós chamamos, e Tu nos respondestes” (LE-
pI.189.10) -, pois ele se refere a ela muitas vezes, e mais uma vez aqui.

(1:5-9) Mas confio em Ti. Tu, Que me dotaste com a minha liberdade como Teu Filho
santo, não estarás perdido para mim. A Tua Voz me orienta e o caminho para Ti enfim se
abre e se torna claro para mim. Pai, a minha liberdade está unicamente em Ti. Pai, é
minha vontade voltar.

Percebendo que estávamos errados, nós alegremente escolhemos a liberdade que vem
de nos re-unirmos a nossa Vontade com a de Deus:

Quando tiveres aprendido que a tua vontade é a de Deus, não mais poderás ter
vontade de ser sem Ele, assim como Ele não poderia ter Vontade de ser sem ti. Isso
é liberdade e isso é alegria (T-8.II.6:4-5).

(2:1) Hoje respondemos pelo mundo que será libertado junto conosco.

Essa é outra expressão da unicidade da mente do Filho, e o mundo com ele. O mundo
tem que ser libertado porque o mundo não é nada mais do que uma projeção dos nossos
pensamentos.

(2:2-3) Como estamos contentes por termos achado a nossa liberdade através do
caminho certo estabelecido pelo nosso Pai. E como está garantida a salvação do mundo
inteiro, quando aprendemos que a nossa liberdade só pode ser achada em Deus.
257
Esse “caminho certo” é o perdão. Liberando nossos irmãos da prisão da culpa,
encontramos nossa liberdade, unida à deles:

Em nossa memória um do outro está a nossa memória de Deus. E nesta memória


está a tua liberdade, porque a tua liberdade está Nele... Por ser aceitável para Ele,
essa é a dádiva da liberdade, que é a Sua Vontade para todos os Seus Filhos.
Oferecendo liberdade, tu serás livre (T-8.IV.7:6-7,10-11).

258
LIÇÃO 322

Só posso desistir do que nunca foi real.

As Lições 322 e 323 tratam do importante tema do sacrifício. Embora não seja um tema
principal no livro de exercícios, é proeminente no texto e merece alguma discussão aqui. O
sacrifício é o princípio reinante do sistema de pensamento do ego – se nós vamos conseguir o
que queremos, algo ou alguém tem que ser sacrificado: um ou outro. No início, foi o Amor de
Deus que foi sacrificado para podermos assegurar nossa individualidade. Seguindo a lei da
projeção, uma vez que o sacrifício foi tornado real, nós acreditamos que seria usado contra
nós, e que Deus iria exigir em troca o sacrifício do Seu Filho pecador.
Além disso, como o princípio por trás do nascimento das nossas identidades individuais, o
sacrifício também governa o mundo, para não mencionar que é o modo de auto-preservação
do ego. Portanto, todos os seres que emanaram daquele sistema de pensamento acreditam
que a salvação significa sacrifício. Se, por exemplo, o Deus do ego for ser salvo do meu ataque
pecaminoso a Ele, Ele vai exigir que eu me sacrifique. Assim, acreditamos que Deus nos pede
para desistirmos de algo que é nosso. Esse é o tema básico das religiões do mundo, e tem
sido um tema crucial no cristianismo: Jesus teve que ser sacrificado para que nós pudéssemos
ser perdoados por Deus e possamos compartilhar Sua vida eterna. O ego, portanto, nos fez
acreditar que para recuperarmos o Amor de Deus, temos que pagar por ele, devolvendo a vida
que roubamos, dessa forma, paradoxalmente, recuperando-a no futuro. No entanto, nós não
queremos dá-la de volta, porque então iríamos desaparecer, e aí fazemos isso gradativamente:
um pouco de felicidade, prazer, ou do sangue do corpo – mas nunca tudo.
Uma vez que acreditamos que Deus exige que devolvamos os seres separados que
julgamos serem reais, Jesus precisa nos lembrar de que nós desistimos do que nunca foi real,
e então, a salvação pede que desistamos de um sistema de pensamento que era ilusório
desde o início. Assim, ele explica no texto como seu curso “não requer quase nada de ti. É
impossível imaginar algum que peça tão pouco, ou que possa oferecer mais” (T-20.VII.1:7-8).
Ele nos diz que tudo o que ele pede é que liberemos o ego, que é inerentemente nada. Para
nós, é claro, o ego é tudo: e liberá-lo é considerado um sacrifício. As pessoas na vida religiosa
– e infelizmente isso acontece com os estudantes do Um Curso em Milagres também –
mudaram seu foco sobre o sacrifício do conteúdo para a forma. Conseqüentemente, acreditam
que Deus exige que elas renunciem ao prazer – sexo, comida, dinheiro e conforto. Assim, o
ego reverte o conceito de sacrifício a seu favor, e nos faz desistir de certos comportamentos, o
que nos leva a acreditar que alcançamos algo significativo. No entanto, o sistema de
pensamento subjacente do ego continua intacto; a motivação do ego desde o início. Jesus
explica muitas vezes que o sacrifício fez surgir a estranha idéia do martírio (i.e., T-3.I; T-6.1),
na qual nos tornamos martirizados pela salvação. É por isso que as pessoas lutam para
abrirem mão de vícios, hábitos e relacionamentos, pois pensam que é isso o que é pedido a
elas. No entanto, se nós desistirmos da forma e retivermos o conteúdo, não teremos desistido
de nada. Isso não significa que não é útil em alguns momentos mudarmos nosso
comportamento, mas se não mudarmos o sistema de pensamento subjacente da mente, mudar
o comportamento é apenas metade do trabalho, como Jesus diz nessa passagem familiar
sobre a doença:

O milagre será inútil se aprenderes somente que o corpo pode ser curado, pois não
é essa a lição que ele foi enviado a ensinar. A lição mostra que a mente que pensou
que o corpo pudesse estar doente é que estava doente; a projeção da culpa da
mente para fora nada causou e não teve quaisquer efeitos (T-28.II.11:6-7).

Agora, a lição:
259
(1) Eu sacrifico ilusões, nada mais. E, à medida em que elas se vão, encontro as dádivas
que tentaram ocultar à minha espera em luminosa acolhida e prontas para me dar as
antigas mensagens de Deus. A memória de Deus habita em cada dádiva que recebo
Dele. E cada sonho serve apenas para ocultar o Ser Que é o Filho único de Deus, à Sua
semelhança, Aquele Que é Santo e ainda habita Nele para sempre, como Ele ainda habita
em mim.

A frase-chave é “cada sonho serve apenas para ocultar o Ser”. Essa é uma ênfase
principal do ensinamento de Jesus através de todo o Um Curso em Milagres: que nós nos
tornemos conscientes do propósito do sistema de pensamento do ego ao qual demos nossa
aliança. Nossos sonhos de especialismo e sacrifício são propositais; isto é, existe uma razão
para escolhermos ser miseráveis. Nós viemos para esse corpo para mantermos fora da
consciência o poder da mente de escolher nosso Ser em vez do ego. Esse subterfúgio é o que
nós precisamos ver: nossos mundos macro-cósmico e micro-cósmico são parte da trama
cuidadosamente tecida pelo ego para nos impedir de voltarmos para a mente, onde certamente
iríamos escolher a verdade em vez da ilusão, e a correção em vez do pecado. O sacrifício do
corpo, então, se torna o conceito central no plano do ego para sua salvação.

(2:1-2) Pai, para Ti qualquer sacrifício permanece para sempre inconcebível. Assim, nada
posso sacrificar a não ser em sonhos.

No Céu, a perda é impossível. No entanto, dentro do sonho que chamamos de nossas


vidas, podemos realmente sacrificar, acreditando que somos solicitados a desistir da nossa
posse mais estimada: a “pérola sem preço” (T-23.II.11:2) da nossa identidade, rodeada pelo
especialismo do ego. Dentro da nossa experiência aqui, portanto, esse ser especial – nascido
para o sacrifício, e sustentado e ameaçado por ele ao mesmo tempo – é real e importante para
nós. É só quando damos um passo para fora do sonho com Jesus que podemos olhar de volta
e dizer: “Meu Deus, estou me agarrando a nada. Não apenas isso, aquilo a que estou me
agarrando está me tornando miserável e infeliz, pois eu me identifico com um ser que nem
mesmo existe. Por que, exceto em insanidade, eu iria continuar a escolher fazer isso?”.

(2:3-5) Tal como me criaste, não posso desistir de nada do que me deste. O que Tu não
me deste não tem realidade. Que perda posso prever, senão a perda do medo e a volta
do amor à minha mente?

Em outras palavras, tudo de que desistimos é uma ilusão, porque Deus não deu esse ser
separado a nós. O que Ele realmente deu – nossa Identidade como Cristo – jamais podemos
perder, e o que Ele não deu não tem realidade. É por isso que é imperativo para quase todas
as pessoas no mundo – quer sejam religiosas ou não – acreditarem em um deus ou algum
princípio maior que lhes deu a vida. Pela mesma razão, muitos estudantes do Um Curso em
Milagres têm dificuldade com a idéia de que Deus não criou esse mundo, e o motivo pelo qual
as religiões precisam ter Deus envolvido aqui de alguma forma. Se Ele não nos deu esse
mundo ou corpo, eles não têm realidade, e então, não podermos ter uma existência verdadeira
aqui. Reconhecer que não existimos de forma alguma é nosso maior medo, mas nós
apoiamos, reforçamos e salvamos nossas identidades especiais por trazermos Deus a elas,
acreditando que nascemos nesse mundo como corpos que vivem vidas destinados a serem
santos, parte de uma atividade espiritual ou processo divino contínuos.
Portanto, uma passagem como a acima é um dos pensamentos mais amedrontadores
que o ego pode ouvir. Mais uma vez, é aterrorizante ouvir que Deus não nos deu esse corpo ou
nosso especialismo. Na verdade, Ele deu apenas a Si Mesmo através da extensão do Seu
Amor, e isso não tem nada a ver com o mundo ou o ser ilusório.

260
LIÇÃO 323

Faço o “sacrifício” do medo de bom grado.

O termo sacrifício está entre aspas porque na verdade não desistimos de nada. Não
estamos desistindo de algo considerado valioso – um comportamento, ritual ou vício, por
exemplo, que pensamos que vai nos fazer sentir melhor -, pois Jesus está nos pedindo para
liberarmos o medo que é o cerne de todos os sonhos. Nós liberamos o medo simplesmente
dando um passo atrás com ele, e olhando para o sistema de pensamento de separação que
fez surgir esse medo e o sustenta. Percebendo finalmente que tudo isso não faz sentido, nós
alegremente o “sacrificamos” em troca da verdade.

(1:1) Eis o único “sacrifício” que pedes ao Teu amado Filho: pedes que ele desista de
todo sofrimento, de todo sentimento de perda e tristeza, de toda ansiedade e dúvida e
que livremente deixe o Teu Amor fluir em sua consciência, curando-o da dor e dando-lhe
a Tua própria alegria eterna.

Nós somos solicitados a desistirmos apenas da nossa miséria e infelicidade. O problema


é que não acreditamos que é isso o que Jesus quer de nós, pois não aceitamos que nos
agarrarmos à nossa identidade especial, julgamentos e a estarmos certos é a fonte da nossa
dor e sofrimento. Nós continuamente afirmamos que estamos certos e Jesus errado – o mundo
realmente tem algo que queremos, e vamos encontrá-lo:

A primeira ilusão, que tem que ser descartada antes que um novo sistema de
pensamento possa assumir o controle, é a de que abrir mão das coisas desse
mundo é um sacrifício. O que poderia ser senão uma ilusão, já que esse mundo em
si mesmo não é nada além disso?
É necessário um grande aprendizado para reconhecer e aceitar o fato de que o
mundo não tem nada para dar. O que pode significar o sacrifício do nada? (MP-
13.I.6:-2:2).

(1:2) Esse é o “sacrifício” que me pedes e que eu faço de bom grado, é o único “custo”
do restabelecimento da Tua memória em mim para a salvação do mundo.

A salvação do mundo não é nada mais do que a extensão da salvação na minha mente –
desistir do medo em troca do amor, da ilusão em troca da verdade.

(2) E, ao pagarmos a dívida que temos para com a verdade – uma dívida que é apenas o
abandono do auto-engano e das imagens que falsamente adoramos – a verdade volta à
nós, na integridade e na alegria. Não somos mais enganados. O Amor voltou à nossa
consciência. E estamos em paz novamente, pois o medo se foi e só o amor permanece.

O cristianismo ensinou que nosso pecado contra Deus exige pagamento a Ele; um débito
pago através do sacrifício, sofrimento e morte. Jesus mais uma vez está nos lembrando de que
esse pensamento está totalmente invertido. O único “débito” a ser pago é a nós mesmos,
liberando a ilusão, o que, mais uma vez, não é nada. Lembre-se:

A declaração “A mim pertence a vingança, diz o Senhor” é uma percepção


equivocada através da qual a pessoa atribui seu próprio passado “mau” a Deus. O
passado “mau” nada tem a ver com Deus. Ele não o criou e não o mantém. Deus

261
não acredita em retribuir o mal com o mal. A Sua Mente não cria desse modo (T-
3.I.3:1-5).

Assim, sacrificamos o deus da vingança e do ódio em troca do Deus de Amor. A


totalidade retornou para substituir a separação, e a verdade sobe à nossa consciência
conforme nós alegremente percebemos que por tudo isso, não desistimos de nada! (T-
16.VI.11:4).

262
LIÇÃO 324

Eu meramente sigo, pois não quero conduzir.

Essa é a segunda vez em que aparece esse pensamento, e ele vai reaparecer novamente
em breve. A Lição 317 afirmou, “Sigo o caminho que me foi designado”, e nós logo devemos
ver a Lição 328, “Escolho o segundo lugar para ganhar o primeiro”. Essas três lições
apresentam o mesmo ensinamento – nossa gratidão por não sermos os responsáveis: por
estarmos em segundo lugar e não em primeiro. Em outras palavras, somos gratos porque
somos a criação de Deus, não o Criador; o efeito, não a Causa. O ego obviamente quer ser o
número um, o que significa que ele tem que empurrar Deus para fora do trono da criação.
Usurpando o papel de Deus, o ego fica sozinho para proclamar a si mesmo como a Deidade:

Às criações de Deus é dada a sua verdadeira Autoria, mas tu preferes ser anônimo
quando escolhes separar-te do teu Autor. Estando incerto da tua verdadeira Autoria,
acreditas que a tua criação foi anônima. Isso te deixa em uma posição em que
acreditar que tu criaste a ti mesmo soa significativo (T-3.VI.8:7-9).

Nesse ponto, então, não resta nada a não ser seguir o ego, até a dor se tornar tão grande
que finalmente aceitamos o fato de que estávamos equivocados. Além disso, alegremente
entendemos que existe Alguém a Quem agora podemos seguir ao longo do gentil caminho do
perdão.

(1:1-4) Pai, Tu és Aquele Que me deu o plano para a minha salvação. Tu estabeleceste o
caminho que devo seguir, o papel que devo desempenhar e cada passo no curso que me
foi designado. Não posso perder o caminho. Posso apenas escolher me desviar por
algum tempo e depois voltar.

Esse foi o nosso equívoco, logo no início. Jesus diz que podemos escolher vagar “por
algum tempo” porque de onde ele está – fora do tempo e do espaço – um bilhão de anos não é
nada. Como ele diz sobre Deus e Cristo: “O que são cem ou mil anos para Eles, ou dez mil?”
(T-26.IX.4:1).

(1:5-7) A Tua Voz amorosa sempre me chamará de volta e guiará os meus pés no
caminho certo. Todos os meus irmãos podem seguir pelo caminho que lhes indico. Mas
eu meramente sigo no caminho para Ti conforme Tu me diriges e queres que eu vá.

Nós vimos essa idéia expressa na Lição 155, “Recuarei e permitirei que Ele me mostre o
caminho”. A verdade está diante de nós, chamando-nos para fora do sonho. Ao seguirmos o
chamado da verdade, sua memória em nossas mentes chama os outros através da nossa paz,
amor e benignidade. Jesus afirma o mesmo ponto sobre os psicoterapeutas:

O psicoterapeuta é um líder no sentido de que caminha um pouco na frente do


paciente e o ajuda a evitar umas poucas armadilhas ao longo da estrada por vê-las
em primeiro lugar. Na forma ideal, ele é também um seguidor, pois Alguém deve
caminhar na sua frente para dar-lhe a luz para ver (P-2.III.1:1-2).

(2) Portanto, sigamos Aquele Que conhece o caminho. Não precisamos nos demorar e
não podemos nos perder da Sua Mão amorosa, a não ser por um instante. Caminhamos
juntos, pois O seguimos. E é Ele Que faz com que o final seja certo e Que garante uma
volta segura para casa.
263
Assim, nós caminhamos com Jesus, junto com todos os nossos irmãos. O ego não
conhece o caminho, e segui-lo é caminhar sozinho, porque sua canção-tema é um ou outro.
Seguindo o Espírito Santo, no entanto, caminhamos com todos, pois nós somos todos. A
popular e inspiradora canção Carrossel, de Rodgers e Hammerstein, diz o tempo todo – “Você
Nunca Vai Caminhar Sozinho”.

264
LIÇÃO 325

Todas as coisas que penso ver refletem idéias.

Sua forte base teórica torna essa lição única na Parte II. Ela lembra as primeiras lições,
nas quais Jesus ensina que tudo vem do pensamento: “Todas as coisas que penso ver
refletem idéias”. O que nós percebemos do lado de fora vem de um pensamento interno. Se
nós percebermos raiva, perda ou pecado, vemos apenas uma sombra do pensamento de
separação que tornamos real em nossas mentes. De forma similar, se percebermos apenas
amor ou pedidos de amor, vemos um reflexo da Expiação que escolhemos como nossa
verdade dentro do sonho.

(1:1-2) Essa é a nota mestra da salvação: o que vejo reflete um processo em minha
mente, que se inicia com a minha idéia do que quero. A partir daí, a mente faz uma
imagem daquilo que deseja, julga valioso e, portanto, busca achar.

Nós queremos a individualidade do ego ou a Expiação do Espírito Santo? Queremos


permanecer em nosso sonho de especialismo ou despertar e voltar para casa? Nossa mente
errada busca e encontra o pecado, porque isso prova que a existência separada do ego é real.

(1:3-5) Essas imagens são então projetadas para fora, contempladas, estimadas como
reais e guardadas como nossas. De desejos insanos vem um mundo insano. Do
julgamento vem um mundo condenado.

Ouvindo o ego, olhamos ao redor e vemos o pecado no mundo todo, mas não em nós
mesmos. Ainda que víssemos o pecado dentro de nós, rapidamente iríamos atribuí-lo ao
pecado de outra pessoa, começando com nossos pais. Buscamos encontrar o pecado porque,
mais uma vez, ele significa que nossa separação de Deus é real e, portanto, nossas
identidades individuais são reais também. Ver o pecado em todos os outros nos permite
escapar da responsabilidade por ele. Por outro lado, quando entendemos que cometemos um
equívoco e que tem que existir outro caminho, escolhemos o perdão do Espírito Santo e
percebemos um mundo totalmente diferente, como agora lemos:

(1:6) E de pensamentos de perdão vem um mundo gentil e misericordioso para com o


Filho santo de Deus, oferecendo-lhe um lar benigno, onde Ele pode descansar por um
momento antes de prosseguir viagem e ajudar os seus irmãos a andar para frente com
ele a fim de achar o caminho para o Céu e para Deus.

Quando perdoamos totalmente, o “mundo gentil” se transforma no mundo real. Tudo o


que precisamos fazer para reconhecer qual escolha fizemos é prestar atenção aos nossos
pensamentos em relação aos outros. O valor do mundo é que ele reflete nossas escolhas de
volta para nós. Nós inicialmente escolhemos de forma errada, mas tão logo isso seja
reconhecido, podemos pedir ao nosso Professor para reinterpretar nossas percepções,
ajudando-nos a escolher outra vez. Assim, precisamos ser especialmente vigilantes em relação
ao que estamos vendo nos outros e em nós mesmos. O corpo de outra pessoa não é mais real
do que o nosso próprio e, portanto, o que projetamos no corpo de outra pessoa é o que
projetamos no nosso. Mais uma vez, ficarmos cientes dos nossos julgamentos e ataques nos
ajuda a entender nosso equívoco, para que possamos voltar à sua fonte na mente e corrigi-lo.

265
(2) Pai nosso, as Tuas idéias refletem a verdade e as minhas, à parte das Tuas, apenas
inventam sonhos. Que eu só contemple aquilo que as Tuas refletem, pois as Tuas e só
as Tuas estabelecem a verdade.

O reflexo das idéias de Deus é o mundo real. Nós precisamos primeiro reconhecer nosso
investimento em vermos nossas vidas como a realidade. A seguir, vemos que esse
investimento em nosso ser individual não nos torna felizes, pois é apenas um sonho vazio. Tal
compreensão permite que o sonho feliz substitua o infeliz, prenunciando o mundo real do
reflexo da verdade.

266
LIÇÃO 326

Eu sou para sempre um Efeito de Deus.

Essa lição também é importante para estabelecer Quem somos como o Efeito do Amor de
Deus. Ela reafirma o princípio da Expiação de que nada mudou – nenhum dos nossos sonhos
tristes ou pecaminosos mudou o fato de que permanecemos em unidade com nossa Fonte.

(1:1-5) Pai, fui criado em Tua Mente, um Pensamento santo que nunca deixou o seu lar.
Sou para sempre o Teu Efeito e Tu és para todo o sempre a minha Causa. Tal como me
criaste permaneci. Onde me estabeleceste eu ainda habito. E todos os Teus atributos
habitam em mim, pois é Tua Vontade ter um Filho tão semelhante à sua Causa, que vem
a ser impossível distinguir a Causa do Efeito.

Nós nunca deixamos a Mente do nosso Pai, porque idéias não deixam sua fonte. Nós
reconhecemos que o sistema de pensamento do ego foi um equívoco, e, portanto, escolhemos
nos lembrar do Pensamento que nos criou e que compartilha seus atributos de imutabilidade,
ausência de forma, amor e vida eterna conosco:

Agora, o Filho de Deus está afinal ciente da Causa presente e de Seus Efeitos
benignos... A sua Causa é os Seus Efeitos. Nunca houve uma outra causa além
Dessa que pudesse gerar um passado ou um futuro diferentes (T-28.I.14:1,5-7).

(1:6-7) Que eu tenha o conhecimento de que sou um Efeito de Deus e assim tenho o
poder de criar como Tu crias. E é assim na terra como no Céu.

No Céu, Deus estende Seu Amor – o significado da criação -, estabelecendo-nos como


Seu Filho. Ele, portanto, é nossa Causa e nós somos o Seu Efeito, criando como Ele criou – o
círculo da criação:

Assim, o Filho dá a Paternidade a seu Criador e recebe a dádiva que deu a Ele. E
porque ele é o Filho de Deus tem que ser também um pai, que cria como Deus o
criou. O círculo da criação não tem fim... Mas, em si, ele contém todo o universo da
criação sem começo e sem fim (T-28.II.1:4-6,8).

Nesse mundo, nós refletimos a criação do Céu por estendermos o Amor do Espírito Santo
através de nossas decisões de perdoarmos.

(1:8) Sigo o Teu plano aqui e, no final, sei que reunirás os Teus efeitos no Céu tranqüilo
do Teu Amor, onde a terra desaparecerá e todos os pensamentos separados unir-se-ão
em glória como o Filho de Deus.

Mais uma vez, Deus não tem literalmente um plano, que é realmente a Expiação do
Espírito Santo, refletindo Seu Amor. Ainda uma ilusão, no entanto, a Expiação não se opõe à
verdade, como as outras ilusões fazem. No fim da jornada, Deus reúne Seus Efeitos no último
passo que segue a Segunda Vinda e o Julgamento Final. Em outras palavras, os Filhos
separados se reúnem como um, conforme Deus os eleva até Ele, reunindo o Filho com a Fonte
que Ele nunca deixou.

(2) Hoje contemplemos a terra desaparecer, primeiro transformada e em seguida


perdoada, desvanecendo-se inteiramente na santa Vontade de Deus.
267
Esse é o processo: nós permanecemos no mundo, mas olhamos para ele de forma
diferente – perdoando a ele e a nós mesmos – e então, tudo desaparece, pois a Vontade de
Deus alvorece na mente curada e santa do Filho. E ele está em casa, onde Deus quer que
esteja (T-31.VIII.12:8).

268
LIÇÃO 327

Só preciso chamar e Tu me responderás.

Nós chamamos e Deus nos responde, porque Sua Resposta já está presente em nossas
mentes. Nós vagamos para longe e escolhemos a resposta do ego em vez dela. Chamar por
Deus agora é como percebemos nosso equívoco, e então, voltamos à parte tomadora de
decisões em nossas mentes e escolhemos corretamente. Deus automaticamente responde
porque ele colocou a nós mesmos na presença da Sua Resposta.

(1:1-4) Não me é pedido que aceite a salvação baseando-me em uma fé sem fundamento.
Pois Deus prometeu que ouvirá o meu chamado e que ele Mesmo responderá. Que eu
apenas aprenda por experiência própria que isso é verdadeiro e a fé Nele seguramente
virá a mim. Essa é a fé que perdurará e que me levará cada vez mais adiante na estrada
que conduz a Ele.

Jesus está nos dizendo aqui, como veremos na oração abaixo, que isso é algo que
precisamos praticar. Nossa experiência de que o Amor de Deus substitui o ódio do ego vai nos
ensinar que tudo no Um Curso em Milagres é verdadeiro, mas até essa experiência ser
escolhida, resta uma parte de nós que duvida do que ele diz. É só quando colocamos as idéias
em prática – percebendo que o ódio, julgamento e depressão são simplesmente escolhas
equivocadas – que entendemos: Sim, tudo isso é verdadeiro, e eu escolho seguir a estrada que
me leva para casa.

(1:5) Pois, assim, terei certeza de que Ele não me abandonou e ainda me ama, esperando
apenas pelo meu chamado para dar-me toda a ajuda de que preciso para vir a Ele.

Pelo fato de eu acreditar que abandonei Deus, acredito que Ele me abandonou; um
equívoco que Sua Voz corrige nesse inspirador final de A Canção da Oração:

Não abandones o Amor. Lembra-te disso: seja o que for que penses de ti mesmo,
seja o que for que penses do mundo, o teu Pai precisa de ti e te chamará até que
finalmente venhas a Ele em paz (C-3.IV.10:6-7).

(2:1) Pai, agradeço a Ti porque as Tuas promessas jamais falharão na minha experiência,
se eu apenas testá-las.

Jesus está dizendo: “Você deu ao ego muitas chances e ele tem falhado com você
miseravelmente. Por favor, deixe-me tentar. Teste o que estou dizendo, e veja o quanto você
se sente melhor quando libera o julgamento. Lembre-se das minhas palavras:

Tu não tens idéia da tremenda liberação e da profunda paz que vêm de te


encontrares contigo mesmo e com teus irmãos totalmente sem julgamento (T-
3.VI.3:1).

Tente. Você sempre pode reter o julgamento se quiser. Primeiro, no entanto, teste esses
pensamentos e verá o quanto vai se sentir melhor sem o seu especialismo”.

(2:2-4) Que eu tente, portanto, fazer uma experiência e que não as julgue. O Teu Verbo é
um Contigo. Tu dás os meios pelos quais vem a convicção e a certeza de que o Teu
Amor duradouro foi finalmente obtido.
269
Isso significa que vamos pelo menos temporariamente aceitar as promessas de Deus sem
julgá-las. Mais uma vez, sempre podemos retornar ao ego se quisermos. No entanto, o fato de
termos falhado tão miseravelmente por conta própria, e termos sido tão infelizes através de
nossas vidas deveria nos mostrar que nosso sistema de pensamento não funciona.

270
LIÇÃO 328

Eu escolho o segundo lugar para ganhar o primeiro.

Esse pensamento vem da famosa declaração bíblica que os últimos serão os primeiros e
os primeiros serão os últimos (Mateus 19:30; 20:16a), e diz respeito à crença fundamental do
sistema do ego: um ou outro – Deus é o segundo porque o ego é o primeiro. Isso obviamente
significaria que Deus não é mais Deus, e então, foi destruído. No entanto, podemos reconhecer
nosso equívoco e entendermos que estamos muito melhor em segundo lugar. Uma vez que
aceitemos isso – “Deus é a Causa e eu sou o Efeito” – estamos automaticamente em primeiro
lugar, porque existe apenas um lugar. Assim, Jesus diz no texto, referindo-se à Trindade: Deus
é o primeiro, mas não existe segundo (T-14.IV.1:7-8), porque apenas a perfeita Unicidade é
real. Na verdade, então, não existe Pai, Filho e Espírito Santo no Céu – apenas o perfeito
Amor. Além disso, no instante em que escolhemos o segundo lugar – liberando o ego e
escolhendo Jesus como nosso professor – entendemos que existe apenas a unidade do Pai e
do Filho – nenhuma competição, campo de batalha, nada de um e dois. Apenas Um.

(1:1) O que parece ser o segundo lugar é o primeiro, pois todas as coisas que
percebemos estão de cabeça para baixo até escutarmos a Voz por Deus.

Se eu disser que sou o segundo, alguém mais tem que ser o primeiro. Por exemplo,
nenhum time esportivo quer terminar em segundo, pois isso significa que o outro time venceu –
a percepção invertida do mundo. Para o Espírito Santo, no entanto, quando você é o segundo,
automaticamente se torna o primeiro, porque, mais uma vez, existe apenas um. Assim, quando
você aprende que Deus é sua Causa e não o ego, a memória de Deus e de Sua Unicidade
retorna.

(1:2) Parece que só ganharemos autonomia lutando para sermos separados e que a
nossa independência do resto da criação de Deus é o caminho no qual a salvação é
obtida.

De forma concisa, mais uma vez, vemos o que fizemos a Deus e o que acreditamos ter
feito no mundo, refletindo o princípio do ego de um ou outro. Lutando para nos separarmos,
estamos por conta própria – autônomos e livres, mas a um preço que Deus tem que pagar com
Sua vida. Uma vez que esse princípio estabeleceu nossa identidade, nós o carregamos para
nossos sonhos. Conseqüentemente, precisamos ser independentes de todos os outros –
somos nós ou eles. O ego, portanto, nos previne para estarmos em guarda, pois do contrário,
outros tomarão de volta o que acreditamos ter tirado deles. Essa, então, é a essência dos
relacionamentos de amor e ódio especial: os outros são percebidos como tendo o que nos falta
e o que queremos, e nós temos que tirar isso deles, de outra forma, não poderemos sobreviver.

(1:3-6) No entanto, tudo o que achamos é a doença, o sofrimento, a perda e a morte. Não
é essa a Vontade do nosso Pai para nós e não há uma segunda vontade. Unir-nos à Sua
é achar a nossa. E, uma vez que a nossa vontade é a Sua, é a Ele que devemos ir para
reconhecer a nossa vontade.

Jesus quer que reconheçamos que esses são os efeitos de escolhermos ser o número
um, os resultados infelizes do especialismo que poderia nos tornar certos, mas nunca felizes
(T-29.VII.1:9). Quando escolhemos estar em segundo lugar, estamos na Unicidade viva de
Deus, onde nossa vontade é uma com a Dele. Para o ego, isso significa que somos os
segundos melhores, mas nossas mentes certas nos dizem que isso é o reflexo da verdade.
271
(2) Não há outra vontade senão a Tua. E estou contente porque nada do que eu imagino
contradiz o que queres que eu seja. É Tua Vontade que eu esteja totalmente a salvo e
eternamente em paz. E, com felicidade eu compartilho essa Vontade, que Tu, meu Pai,
me deste como parte de mim.

Em outras palavras, inventamos o sonho das nossas vidas, e somos gratos porque ele
não teve efeitos sobre a realidade.

272
LIÇÃO 329

Eu já escolhi aquilo que é a Tua Vontade.

Nós chegamos a outra lição sobre o tema da unicidade – a unidade da nossa vontade e
da de Deus. Nosso Criador quer que sejamos para sempre uma parte Dele, não separados, e o
que Ele quer nunca pode deixar de ser.

(1:1-4) Pai, eu pensei ter me desviado da Tua Vontade, tê-la desafiado e quebrado as
suas leis, interpondo uma segunda vontade mais poderosa do que a Tua. No entanto, o
que sou na verdade é apenas a Tua Vontade, que se estendeu e que se estende. Isso sou
eu e isso jamais mudará. Como Tu és um, assim também eu sou um Contigo.

Nós acreditamos ter alcançado o impossível na separação, tendo vagado para o país
distante das vontades separadas do ego. Nossa culpa, nascida do pensamento de que
pecamos contra nosso Pai, nos transformou em suas crianças em vez de nas crianças do
Amor. A verdade, no entanto, é que uma extensão da Vontade de Deus nunca deixa sua Fonte,
e então, nós alegremente reconhecemos o equívoco de termos acreditado em ilusões,
aceitando alegremente a verdade da nossa criação em seu lugar.

(1:5) E isso escolhi na minha criação, quando a minha vontade veio a ser para sempre
una com a Tua.

Eu já me referi à seção importante “Os votos secretos”, onde Jesus fala da promessa de
Deus a nós de que seríamos para sempre Seu Filho, sempre um com Seu Amor. O Filho se
esqueceu de que “ele respondeu, ‘assim serei’, embora dessa promessa, ele tenha nascido”
(T-28.VI.6:4-6). Nessa adorável passagem, Jesus expressa poeticamente o que aconteceu na
nossa criação, e se refere a ela aqui também – nós, como o Filho de Deus, estamos
eternamente em unidade com Sua Vontade.

(1:6-7) Essa escolha foi feita por toda a eternidade. Não pode mudar, nem estar em
oposição a si mesma.

Podemos sonhar que estamos em oposição a Deus e Sua Vontade, mas na verdade,
nada aconteceu para perturbar o lugar em que habitamos, no Céu:

Não penses que és capaz de mudar a Sua [de Deus e Seu Filho] morada. Pois a tua
Identidade habita Neles, e onde Eles estão tu tens que estar para sempre. A
imutabilidade do Céu está em ti, tão profundamente interiorizada que tudo nesse
mundo apenas passa ao largo, despercebido e sem ser visto (T-29.V.2:1-3).

(1:8-9) Pai, a minha vontade é a Tua. E estou a salvo, imperturbado e sereno em alegria
sem fim porque é Tua Vontade que assim seja.

Que alegria maior pode haver em nosso mundo de separação do que aprender que
estamos perfeitamente a salvo – em exatamente todos os lugares – porque nossa vontade e da
de Deus são uma?

(2) Hoje aceitaremos a nossa união um com o outro e com a nossa Fonte. Não temos
nenhuma vontade à parte da Sua e somos todos um porque a Sua Vontade é

273
compartilhada por todos nós. Através dela, reconhecemos que somos um. Através dela
enfim achamos o nosso caminho para Deus.

Se formos sinceros em nosso desejo de voltarmos para casa e despertarmos para nossa
identidade como o Filho de Deus, não podemos ver a nós mesmos como separados de
ninguém mais. A Filiação de Deus é uma, assim como é no Céu, e lembrar desse fato feliz é o
caminho para atingirmos a casa do Pai.

274
LIÇÃO 330

Eu não me ferirei novamente hoje.

Essa é outra lição significativa, que nos lembra da nossa necessidade de reconhecermos
o quanto ferimos continuamente a nós mesmos por nos agarrarmos a pensamentos de
especialismo. Persistentemente nos engajarmos em pensamentos e comportamentos que
sabemos que vão nos ferir – apesar das mentiras do ego de que vão nos dar prazer – é uma
forma de dizer: “Eu quero me ferir, porque isso estabelece minha existência sem que eu seja
responsável por ela”. Nós, portanto, precisamos estar cientes do quanto somos a causa do
nosso próprio sofrimento.

(1:1-3) Hoje, aceitemos o perdão como a nossa única função. Por que deveríamos atacar
as nossas mentes e dar-lhes imagens de dor? Por que deveríamos ensinar-lhes que não
têm poder, quando Deus oferece o Seu poder e o Seu Amor e as convida a aceitar o que
já lhes pertence?

As imagens de dor são o que nós experimentamos como corpos, mas são apenas
sombras da dor da culpa na mente. Jesus nos pede para questionarmos termos tornado a
mente sem poder, o que fazemos sempre que nos identificamos com o sofrimento do corpo. Se
o corpo sofre, e nós culpamos outra pessoa, negamos o poder da mente de escolher a dor;
assim, tornamos a figura de sonho real, pois queremos esconder o papel da mente como o
sonhador. Reconhecendo nosso equívoco, não queremos mais ensinar nossa falta de poder,
mas em vez disso, que nosso sofrimento vem da escolha da mente – o mundo nunca pode nos
ferir, mas nós ferimos a nós mesmos pelas nossas decisões equivocadas.

(1:4) A mente que se faz disposta a aceitar as dádivas de Deus foi restituída ao espírito e
estende a sua liberdade e a sua alegria, conforme a Vontade de Deus unida à sua.

Jesus nos ajuda a levar a imagem de dor, que é experienciada no mundo e no corpo, de
volta à mente que é o assento de todo poder. Assim, podemos escolher mais uma vez
aceitarmos as dádivas de Deus em vez das do ego – liberdade e alegria em vez de
aprisionamento e dor.

(1:5-6) O Ser Que Deus criou não pode pecar e, portanto, não pode sofrer. Escolhamos
hoje que Ele seja a nossa Identidade e assim escapemos para sempre de todas as coisas
que o sonho do medo parece nos oferecer.

Lembre-se dessa linha adorável, descrevendo o ato de nos voltarmos do medo para o
Amor de Deus, que é o nosso Ser:

Não pense que qualquer coisa que as dádivas do medo contenham vale um instante
de hesitação, quando a porta do Céu está diante de ti e o Cristo de Deus está
esperando teu retorno (As Dádivas de Deus, p. 121-122).

(2) Pai, o Teu Filho não pode ser ferido. E se pensamos que estamos sofrendo, apenas
falhamos em conhecer a nossa única Identidade que compartilhamos Contigo. Hoje
queremos voltar para Ela para nos libertarmos para sempre de todos os nossos
equívocos e sermos salvos do que pensávamos ser.

275
Implícito nessa declaração está o propósito de todo sofrimento – percebido em nós
mesmos e em outros -, impedindo-nos de conhecermos nossa Identidade. Quando nos
lembramos quem somos como o Filho único de Deus, não somos mais o ego – um ser
especial, único e individual. Portanto, para assegurar que não nos lembremos, só precisamos
sofrer, e então culpar algo ou alguém mais por isso. Assim, nosso foco deveria estar em
aprendermos o propósito inerente à dor. O que torna o Um Curso em Milagres único entre
sistemas espirituais é que Jesus nos ajuda a entender por que escolhemos esta nesse mundo
e corpo, por que escolhemos sofrer, e por que escolhemos permanecer aqui em um estado tão
doloroso. Portanto, existe um método na loucura do ego – manter a memória de Deus para
sempre enterrada na mente, além da nossa habilidade, como corpos sem mentes, de aceitá-la.

276
12. O que é o ego?

(1:1) O ego é idolatria; o sinal de um ser separado e limitado, nascido em um corpo,


destinado a sofrer e a terminar sua vida na morte.

No entanto, esse ser é o que nós continuamente escolhemos idolatrar. Um ídolo é


destinado a substituir o verdadeiro Deus, com imagens que assumem a forma do nosso
Criador, Que é abstrato e sem forma. Nós então adoramos os ídolos, vendo sua forma como a
verdade, enquanto o tempo todo perdemos o conteúdo de amor da verdade. Da mesma forma,
adoramos o ego na forma do corpo, substituindo o Ser de Cristo pelo seu ser. O corpo, assim,
se torna realidade para nós, o “herói” do sonho do ego, como Jesus nos diz no texto:

O corpo é a figura central no sonhar do mundo. Não há sonho sem ele, e nem ele
existe sem o sonho no qual age como se fosse uma pessoa que se vê e na qual se
acredita. Ele ocupa o lugar central em todos os sonhos, que contam a história de
como ele foi feito por outros corpos, nasceu para o mundo do lado de fora, vive um
pouco e depois morre para ser unido, no pó, a outros corpos que morrem como ele
(T-27.VIII.1:1-3).

Em nossa insanidade, nós realmente acreditamos que esse corpo moribundo, a “espiral
mortal” de Hamlet, é nossa identidade.

(1:2) É a “vontade” que vê a Vontade de Deus como inimiga e toma uma forma na qual
ela é negada.

A trindade não-santa de pecado, culpa e medo do ego nos deixa aterrorizados em relação
a Deus, Que se torna nosso inimigo mortal – em guerra conosco porque nós estamos
secretamente em guerra com Ele. Claramente, isso não tem nada a ver com o verdadeiro
Deus, mas com a deidade vingativa do sonho do ego. Essa passagem do manual para
professores descreve dramaticamente o sistema de pensamento de mágica, vingança e
assassinato do ego:

Um pensamento mágico, pela sua simples presença, toma conhecimento de que


houve uma separação de Deus. Declara, da forma mais clara possível, que a mente
que acredita que tem uma vontade capaz de se opor à Vontade de Deus, acredita
também que pode ter sucesso. É óbvio que isso dificilmente pode ser um fato.
Entretanto, é igualmente óbvio que pode-se acreditar nisso como um fato. E aqui
está o berço da culpa. Quem usurpa o lugar de Deus e o toma para si tem agora um
“inimigo” mortal. E tem que ficar sozinho para proteger-se e fazer um escudo para si
mesmo para guardar-se de uma fúria que nunca pode ser abatida e de uma
vingança que nunca pode ser satisfeita (MP-17.5:3-9).

(1:3) O ego é a “prova” de que a força é fraca e o amor amedrontador, de que a vida é
realmente morte e de que só aquilo que se opõe a Deus é verdadeiro.

A força de Cristo é fraqueza para o ego, porque é o poder da perfeita Unicidade. A força
do ego – verdadeiramente fraqueza – é o poder aparente da separação, o qual o mundo atesta.
Nós acreditamos que somos fortes porque, se estamos aqui – e certamente acreditamos estar
-, é pelo fato de termos derrotado Deus. Nós então derrotamos a todos os outros através da
indulgência do nosso especialismo – nossa idéia invertida de força. No entanto, somos
solicitados a considerar se essa é realmente a força que queremos, como no poema de Helen,
“Alternativas”:
277
Uma fantasia de dor, um sonho de morte,
Um grito de agonia, uma respiração superficial,
Tal é o mundo que tu vês. É essa tua escolha
Para substituir a Voz por Deus?

(As Dádivas de Deus, p. 11).

Em linhas já familiares para nós, Jesus nos pergunta diretamente no final do texto se é
nosso desejo sucumbirmos à tentação do ego de nos identificarmos com o corpo fraco,
impotente e agressor:

A tentação tem uma lição a ensinar em todas as suas formas, sempre que ocorre.
Ela quer persuadir o santo Filho de Deus de que ele é um corpo, nascido no que
tem que morrer, incapaz de escapar à sua fragilidade e limitado ao que o corpo
ordena que ele sinta. O corpo estabelece os limites do que ele pode fazer, seu
poder é a única força que ele tem; o que ele apreende não pode exceder o alcance
diminuto do corpo. Quererias ser assim, se Cristo te aparecesse em toda a Sua
glória pedindo-te apenas isso:

Escolhe outra vez se queres tomar o teu lugar entre


os salvadores do mundo, ou se queres permanecer
no inferno e lá manter os teus irmãos.

Pois Ele veio e Ele está pedindo isso.


Como fazes a escolha? Como isso é explicado facilmente! Sempre escolhes entre a
tua fraqueza e a força de Cristo em ti, o que escolhes é o que pensas que é real (T-
31.VIII.1:1-2:4).

(2:1-4) O ego é insano. Ele se estabelece no medo, além de Todos os Lugares, à parte de
Tudo, separado do Infinito. Em sua insanidade, pensa que veio a ser vitorioso sobre o
próprio Deus. E em sua terrível autonomia, “vê” que a Vontade de Deus foi destruída.

“Vê” está entre aspas porque a Vontade de Deus não foi destruída. No entanto,
subjacente à nossa crença de que existimos como indivíduos está o pensamento de que
realmente O destruímos – a pedra fundamental do insano sistema de pensamento do ego:

O ego não é mais do que uma idéia segundo a qual é possível que coisas
aconteçam ao Filho de Deus sem a sua vontade e, portanto, sem a Vontade do seu
Criador, Cuja Vontade não pode ser separada da sua própria. O que substitui a
vontade do Filho de Deus é isso: uma louca revolta contra o que não pode deixar de
ser para sempre. Essa é a afirmação de que ele tem o poder de tornar Deus
impotente, e assim tomar para si o poder de Deus e deixar-se sem aquilo que tem
sido a Vontade de Deus para ele. Essa é a idéia louca que entronizaste sobre os
teus altares e adoras (T-21.II.6:4-7).

(2:5) Ele sonha com o castigo e treme com as figuras dos seus sonhos, seus inimigos
que buscam assassiná-lo antes que ele consiga garantir a sua segurança atacando-os.

Esse é o sistema de pensamento

Um irmão separado de ti, um antigo inimigo, um assassino que te assalta no meio


da noite e planeja a tua morte, no entanto, a planeja de forma lenta, demorada – é
com isso que sonhas. Entretanto, por trás desse sonho há ainda outro, no qual
278
passas a ser o assassino, o inimigo secreto, o vingador e o destruidor do teu irmão e
do mundo da mesma forma (T-27.VII.12:1-2).

A verdade, no entanto reside seguramente além desses sonhos, pois “Deus pensa de
outra forma” (T-23.I.2:7).

(3) O Filho de Deus não tem ego. O que pode ele saber da loucura e da morte de Deus, se
habita Nele? O que pode conhecer do pesar e do sofrimento, se vive na alegria eterna? O
que pode saber do medo e do castigo, do pecado e da culpa, do ódio e do ataque, se
tudo o que o cerca é a paz que dura para sempre, para sempre sem conflitos e
imperturbada, no mais profundo silêncio e tranqüilidade?

Em outras palavras, quando estamos em nossas mentes certas, fora do sonho e nos
lembrando da nossa identidade como Cristo, não mais conhecemos a loucura ou a morte de
Deus. Tendo retornado à sanidade, entendemos que essa loucura era um sonho que agora
desapareceu. O trecho acima nos diz mais uma vez que Deus não pode conhecer nada nesse
mundo, pois como Ele poderia conhecer o pecado, culpa, medo ou separação, nenhum dos
quais aconteceu? O esclarecimento de termos provê esse contraste entre o ego e o milagre, e
Jesus mais uma vez nos pedindo para escolhermos entre a insanidade e a sanidade, a ilusão e
a verdade:

Isso era o ego – todo o ódio cruel, a necessidade de vingança e os gritos de dor, o
medo de morrer e a urgência em matar, a ilusão sem fraternidade e o ser que
parecia sozinho em todo o universo. Esse terrível equívoco acerca de ti mesmo, o
milagre corrige com tanta gentileza quanto uma mãe amorosa nina sua criança. Não
é uma canção como essa que gostarias de ouvir? Não responderia ela a tudo o que
pensaste em perguntar, tornando até mesmo a pergunta sem significado? (ET-2.8).

O próximo parágrafo começa com o mesmo pensamento:

(4:1) Conhecer a realidade é não ver o ego e os seus pensamentos, seus trabalhos, seus
atos, suas leis e suas crenças; seus sonhos, suas esperanças, seus planos para a
própria salvação e quanto custa acreditar nele.

Quando você está na presença da realidade, não vê o ego, seus pensamentos ou


qualquer outra coisa, o que é o motivo de Jesus estar nos dizendo que quando despertarmos
do sonho não vamos mais nos lembrar dele, porque não existe nada para se lembrar (T-19.IV-
D.6). É por isso, da perspectiva não-dualista do Um Curso em Milagres, que o espírito não
pode ter nada a ver com o sonho, pois ele não conhece o ego ou o seu mundo (i.e., T-4.II.8:6).
A realidade – e o Filho de Deus é parte da realidade – é literalmente sem ego e à parte da
insanidade do ego. Como, então, o ego pode ser visto, para não falar em se reagir a ele,
quando literalmente não está lá?

O que é o ego? Apenas um sonho acerca do que realmente és. Um pensamento


segundo o qual estás à parte do teu Criador e um desejo de seres o que Ele não
criou. É uma loucura, sem nenhuma realidade. Um nome para o que não tem nome,
é tudo o que ele é. Um símbolo da impossibilidade, uma escolha por opções que
não existem... O que é o ego? O nada, mas em uma forma que aparenta ser algo.
Em um mundo de formas, o ego não pode ser negado, pois só ele parece real. No
entanto, seria possível o Filho de Deus, tal como Ele o criou, habitar na forma ou em
um mundo de formas? (ET-2.1:4-9; 2:1-4).

279
(4:2) O preço da fé no ego é tão imenso em sofrimento que a crucificação do Filho de
Deus é diariamente oferecida no seu santuário escuro e o sangue tem que ser
derramado diante do altar onde os seus seguidores doentios preparam-se para morrer.

O termo altar no Um Curso em Milagres é usado como um símbolo para o tomador de


decisões, como já aprendemos. Ele é a parte das nossas mentes que pode escolher se
identificar com o ego ou o Espírito Santo. A passagem acima descreve nossa escolha de
adorarmos o altar do ego – seu sistema de pensamento de pecado, culpa e medo; de
sofrimento, assassinato e morte – enquanto a seguinte passagem do texto explica mais
detalhadamente para nós o altar do ego como se manifesta em nossos relacionamentos
especiais:

O sofrimento e o sacrifício são as dádivas com as quais o ego quer “abençoar” todas
as uniões. E aqueles que estão unidos no seu altar aceitam o sofrimento e o
sacrifício como o preço da união. Em suas alianças de raiva, nascidas do medo da
solidão e ainda assim dedicadas à continuidade da solidão, cada um busca alívio da
culpa aumentando-a no outro. Pois cada um acredita que isso diminui a culpa em si
mesmo. O outro parece estar sempre atacando-o e ferindo-o, talvez de pequenas
maneiras, talvez “inconscientemente”, mas nunca sem a exigência do sacrifício. A
fúria dessas pessoas reunidas no altar do ego excede em muito a consciência que
podes ter disso. Pois o que o ego realmente quer, tu não te dás conta (T-15.VII.9).

O sangue jorra livremente nesse altar de especialismo, pois ele representa a crucificação
do Filho de Deus. Assim, quando Jesus apareceu no mundo, as pessoas o transformaram em
parte do seu sonho de crucificação, idolatrando seu salvador crucificado. No entanto, a verdade
invulnerável do Filho inocente de Deus – refletida na forma de Jesus – repousava dentro da
mente certa do Filho, calmamente aguardando seu retorno à sanidade.

(5:1) E, no entanto, um só lírio de perdão transforma a escuridão em luz, o altar às


ilusões no santuário da própria Vida.

Nosso tomador de decisões agora percebe seu equívoco, muda sua mente e se volta
para a luz do Espírito Santo. O altar ensangüentado é limpo do ódio através do perdão, que
não vê pecado, pois o amor substituiu o medo, a paz a guerra, e a alegria a dor. A luz da
verdade veio dissipar a escuridão da ilusão:

Cada um aqui entrou na escuridão, no entanto, ninguém entrou sozinho. Nem


precisa ficar mais do que um instante. Pois veio com a Ajuda do Céu dentro de si,
pronta para conduzi-lo para fora da escuridão rumo à luz a qualquer momento. O
momento que ele escolhe pode ser qualquer momento, pois a ajuda está lá, apenas
esperando pela sua escolha. E quando ele escolhe usar o que lhe é dado, então
verá cada situação que antes imaginava como um meio para justificar a sua raiva se
transformar em um evento que justifica o seu amor. Ele ouvirá claramente que os
chamados para a guerra que antes escutava são realmente chamados para a paz.
Ele perceberá que onde investiu o seu ataque, existe apenas um outro altar onde
ele poderia ter concedido, com igual facilidade e muito maior felicidade, o perdão. E
irá re-interpretar toda a tentação como apenas uma outra chance de trazer alegria a
si mesmo (T-25.III.6).

(5:2) E a paz será para sempre restituída às mentes santas que Deus criou como Seu
Filho, Sua morada, Sua alegria, Seu Amor, completamente Seu, completamente um com
Ele.

280
Nós voltamos às nossas mentes certas, entendendo que não existe lugar onde
preferiríamos estar, o pré-requisito para estarmos no mundo real, no qual a mente errada
desaparece, assim como seu mundo de separação e pecado. Tudo o que resta é a memória de
Quem somos como o Filho único e unificado de Deus, tão santo quanto seu Criador, a Própria
Santidade:

Como vem a ser amável o mundo naquele único instante em que vês a verdade
acerca de ti mesmo refletida nele. Agora és sem pecado e contemplas a tua
impecabilidade. Agora és santo e te percebes assim. E agora a mente retorna ao
seu Criador, a união do pai e do Filho, a Unidade das unidades que está por trás de
toda união, mas além de todas elas. Deus não é visto, apenas compreendido. Seu
Filho não é atacado, apenas reconhecido (ET-3.8).

281
LIÇÃO 331

Não há conflito, pois a minha vontade é a Tua.

Nessa lição, Jesus se focaliza no papel proeminente que o conflito desempenha no


sistema de pensamento do ego. O ego acredita que desafiou a Vontade de Deus e permanece
em oposição a Ela. Essa é a base de todo o conflito, manifesta na mente dividida entre o ego e
o Espírito Santo. Isso, é claro, não é como Ele pensa, mas é o cerne do sistema de
pensamento do ego, que estabeleceu nossas identidades através do conflito, oposição, desafio
e assassinato – refletido em um mundo que floresce no conflito, oposição, desafio e
assassinato. O ego, portanto, proclama que o conflito está vivo e bem – nós tiramos de Deus,
Que agora vai tirar de volta de nós – o que é testemunhado por sua sombra de conflito e guerra
no mundo. Isso requer que nós façamos algo sobre a ameaça iminente à nossa existência, e o
produto final desse “fazer” é o mundo de ataque.

(1:1-5) Que tolice, Pai, acreditar que o Teu Filho poderia causar sofrimento a si mesmo!
Ser-lhe-ia possível fazer um plano para a sua própria maldição e ser deixado sem um
caminho certo para a sua liberação? Tu me amas, Pai. Não poderias nunca deixar-me
desolado, para morrer num mundo de dor e crueldade. Como pude pensar que o Amor
abandonou a Si Mesmo?

O ego nos diz que Deus nos abandonou. Ele nos criou em corpos e então nos deixou
nesse mundo para que arranjássemos nossa própria subsistência, sofrêssemos e finalmente
morrêssemos. Ele nunca nos diz que nós abandonamos Deus, nem a verdade final – não
houve abandono de forma alguma, pois como o Amor poderia abandonar a Si Mesmo?

(1:6-9) Não há outra vontade senão a Vontade do Amor. O medo é um sonho e não há
vontade que possa entrar em conflito com a Tua. O conflito é o sono e a paz o despertar.
A morte é ilusão; a vida, verdade eterna.

Você pode se lembrar da Lição 190, “Escolho a alegria de Deus ao invés da dor”, termina
com um ritmo similar. As palavras são diferentes, mas o significado e a apresentação são os
mesmos:

Esse é o dia em que te é dado compreender a lição que contém todo o poder da
salvação. É essa: a dor é ilusão, a alegria, realidade. A dor é apenas sono; a alegria
é despertar. A dor é engano; só a alegria é verdade (LE-pI.190.10:3-6).

(1:10-11) Não há oposição à Tua Vontade. Não há conflito, pois a minha vontade é a Tua.

Nossas vidas como seres físicos, psicológicos – sombras do problema de autoridade com
Deus – são baseadas na oposição e no conflito. Se não nos defendermos, outros vão nos
atacar e acabar com nossa existência, e assim, sempre precisamos estar engajados em auto-
proteção. Finalmente, no entanto, entendemos que existe algo errado com essa vida de
ataque-defesa, e podemos escolher outra vez, como Jesus agora nos diz:

(2) O perdão nos mostra que a Vontade Deus é uma só e que nós a compartilhamos.
Contemplemos as visões santas que o perdão nos mostra hoje para que possamos
achar a paz de Deus. Amém.

282
O perdão desfaz a falsa percepção de conflito por terminar com o sonho de que você e eu
somos separados, mantidos à parte por pensamentos de culpa e julgamento, dor e pesar. A
verdadeira percepção revela um mundo limpo do pecado, conforme nos lembramos do nosso
interesse compartilhado de encontrarmos a paz de Deus e voltarmos para casa:

... a visão de um mundo diferente, tão novo e limpo e fresco que tu vais te esquecer
da dor e pesar que vistes antes (T-31.VIII.8:4).

283
LIÇÃO 332

O medo limita o mundo. O perdão o liberta.

O mundo está limitado pelo meu medo porque o mundo é o meu pensamento. Eu vou
olhar para um mundo baseado no medo, vendo o aprisionamento em todos os lugares ao meu
redor. Se eu escolher o perdão, vou olhar para um mundo no qual todos estão livres e
ilimitados. Eu posso ver as pessoas tendo a ilusão de que estão aprisionadas, mas não vou
mais participar do seu sonho por sentir os efeitos da sua dor. Conforme praticamos o Um
Curso em Milagres, não somos solicitados a negar o que acontece no mundo, mas
simplesmente a não participarmos do seu sistema de pensamento por lhe dar poder sobre
nossas mentes. Para outros, podemos parecer estar participando da ilusão, mas nossas
mentes permanecem em paz. Portanto, o que governa nosso comportamento são a paz e o
perdão, não o conflito e o medo.

(1:1-4) O ego faz ilusões. A verdade desfaz os seus sonhos maus através da luz que os
dispersa. A verdade nunca ataca. Apenas é.

O perdão não faz nada, ele meramente é. O amor não faz nada, ele meramente é.
Quando Jesus estava aqui, ele não fez nada, ele meramente foi. Aquele que está no mundo
real e parece estar aqui não faz nada, também, no sentido de corrigir ativamente os equívocos
do ego. O amor interior simplesmente dissipa os pensamentos equivocados na mente do Filho
único de Deus.

(1:5) E, pela sua presença, a mente é despertada das fantasias acordando para o real.

“Mente” aqui é o tomador de decisões reconhecendo seu equívoco. Ele se identificou com
fantasias, e agora percebe que elas não vão levá-lo à felicidade.

(1:6-8) O perdão convida essa presença a entrar e a ocupar o seu lugar de direito no
interior da mente. Sem perdão, a mente permanece acorrentada, acreditando na própria
futilidade. Mas com o perdão, a luz brilha através do sonho da escuridão, oferecendo-lhe
esperança e dando-lhe os meios para reconhecer a liberdade que é a sua herança.

Quando escolhemos nos identificar com o ego, escolhemos estar em um estado


aprisionador de pecado, culpa e medo. Quando corrigimos nosso equívoco e escolhemos o
perdão, desfazemos o sistema de pensamento do ego por olharmos para ele sem julgamento.
Então, o sonho sombrio, no qual estamos acorrentados à culpa, se vai e seu lugar é tomado
pela luz da liberdade que é nossa verdadeira herança, não-afetada pelas fantasias de rejeição
e ódio do ego:

A paz é uma herança natural do espírito. Cada um é livre para se recusar a aceitar a
própria herança, mas não é livre para estabelecer o que é a sua herança (T-
3.VI.10:1-2).

(2) Hoje não queremos aprisionar o mundo novamente. O medo o mantém prisioneiro. E,
no entanto, o Teu Amor nos deu os meios para libertá-lo. Pai, queremos liberá-lo agora.
Pois, ao oferecermos a liberdade, ela nos é dada. E não queremos permanecer
prisioneiros quando Tu nos ofereces a liberdade.

284
Nós entendemos que o que limita o mundo não é o que acontece externamente, mas o
que tornamos real em nossas mentes. Nós mudamos nosso estado aprisionado por mudarmos
de professores, e nosso mundo muda de acordo. Inimigos se tornam amigos, e as portas da
prisão aparentemente fechadas para sempre se abrem totalmente conforme emergimos em
alegre gratidão do cativeiro de culpa e ódio. No entanto, não emergimos sozinhos, pois todos
os nossos irmãos caminham conosco da escuridão para a luz, do aprisionamento para a
liberdade, e do medo para o amor.
A próxima lição continua com esse tema alegre.

285
LIÇÃO 333

Aqui o perdão põe fim ao sonho de conflito.

Esse mundo se originou com um pensamento de medo, a fonte do conflito que está
enraizado em todos os sonhos. Assim, por exemplo, eu temo algo ou alguém fora de mim, sua
vontade sendo o ataque, claramente em conflito com a minha própria, que eu percebo como
amorosa e pacífica. No entanto, é impossível estar nesse mundo como um corpo sem conflitos
dessa natureza, pois a essência da vida física está enraizada no princípio da mente errada de
um ou outro – um aspecto da noção de sobrevivência dos mais adaptados, de Darwin. É só
quando, através do perdão, damos um passo para fora do sonho com Jesus que entendemos a
natureza ilusória do sistema de pensamento de separação e conflito do ego. Essa lição é
especialmente importante por causa da sua ênfase em resolver o problema do conflito do ego
na mente, não no mundo ou no corpo.

(1:1-3) O conflito tem que ser resolvido. Para escapar dele, não é possível esquivar-se ou
deixá-lo de lado, negado, disfarçado, visto em outro lugar, chamado por outro nome ou
escondido por qualquer tipo de engano. Ele tem que ser visto exatamente como é, onde
se pensa que esteja, na realidade que lhe foi dada e com o propósito que a mente lhe
conferiu.

Os psicólogos da psicodinâmica têm se focalizado no que eles chamam de conflito


básico, e cada teorista teve uma definição diferente. Jesus também tem uma teoria, e define o
conflito básico com existindo entre ilusão e verdade. Esse conflito do ego com Deus está
subjacente a tudo nesse mundo, e Jesus enfatiza que não podemos resolvê-lo do lado de fora,
mas apenas na sua fonte – a decisão da mente de estar certa em vez de ser feliz, alinhando-se
com o ego em vez de com o Espírito Santo. Assim, nenhum conflito é realmente resolvido no
mundo, e nunca haverá paz duradoura aqui; apenas ódio, porque não estamos em contato com
sua fonte, que reside dentro do sistema de pensamento do ego, compartilhado pelos litigantes
em cada conflito – passado, presente e futuro.
Nós, portanto, precisamos ver o conflito onde ele está: na mente, escolhido pela mente.
Uma vez escolhido, o conflito é dissociado e então - projetado -, é visto no mundo. Então, não
há esperança de desfazê-lo. Como nosso professor, Jesus nos pede para deixarmos que seus
olhos sejam os nossos, para que possamos aprender qual é a verdadeira fonte do conflito;
nunca do lado de fora – entre pessoas, governos, religiões e raças -, mas na mente que
acredita que só pode existir através do conflito, enraizada em sua crença em que travou uma
guerra com Deus, O derrotou, e agora tem que evitar Sua retaliação inevitável. O processo de
cura começa com nossas percepções externas, e Jesus nos ajuda a ver que tudo isso é
apenas “o retrato externo de uma condição interna” (T-21.in.1:5).

(1:4) Pois só então as suas defesas serão suspensas e a verdade poderá iluminá-las até
que desapareçam.

O conflito termina quando levamos sua escuridão à luz do perdão – na mente. Pedir ajuda
a Jesus significa olhar para a situação através dos seus olhos, aprendendo que o que
percebemos como conflito externo é uma projeção do conflito interno: nossa guerra com Deus.
Só quando olhamos para esse pensamento, podemos entender sua insanidade, permitindo que
a luz da verdade o dissipe.

(2) Pai, o perdão é a luz que escolheste para dissipar com o seu brilho todo conflito e
toda dúvida e iluminar o caminho da nossa volta a Ti. Nenhuma outra luz senão essa é
286
capaz de pôr um fim ao nosso sonho mau. Nenhuma luz senão essa pode salvar o
mundo. Pois só ela jamais falhará em coisa alguma, sendo uma dádiva Tua para o Teu
Filho amado.

Jesus está dizendo que nenhum problema será jamais resolvido nesse mundo sem
primeiro o levarmos à sua fonte, e depois mudarmos a decisão da mente pelo ego. Só então, a
luz retornará.

287
LIÇÃO 334

Hoje reivindico as dádivas que o perdão dá.

As Lições 334 até 337 estão centradas no tema de perceber a impecabilidade dos nossos
irmãos, o que nos permite entender que somos impecáveis também. Elas são um leve esboço
das duas seções que finalizam o Capítulo 20, “A consistência entre meio e fim” e “A visão da
impecabilidade” (T-20.VII, VIII). A dádiva do perdão desperta em nós a memória da nossa
inocência, pois, ao desfazer o pecado que nós percebemos em outros, damos a nós mesmos a
oportunidade de escolher a impecabilidade que o Espírito Santo oferece, contra a dádiva de
pecaminosidade do ego.

(1:1) Não esperarei nem mais um dia para achar os tesouros que o meu Pai me oferece.

Aqui novamente, Jesus apela a nós para reconhecermos o quanto estamos vivendo
infelizes sob a orientação do ego, e o quanto seríamos felizes se deixássemos que ele fosse o
nosso professor em vez disso.

(1:2) Todas as ilusões são vãs e os sonhos se desvanecem no momento em que são
tecidos a partir de pensamentos fundamentados em falsas percepções.

Em outras palavras, o mundo já acabou. O princípio da Expiação nunca deixou de existir,


e tudo o que jamais sonhamos, pensamos ou experimentamos é uma ilusão que nunca
aconteceu – “Esse mundo acabou há muito tempo” (T-28.I.1:6).

(1:3-6) Que hoje eu não aceite essas parcas dádivas novamente. A Voz de Deus está
oferecendo a paz de Deus a todos aqueles que ouvem e escolhem segui-Lo. Hoje, essa é
a minha escolha. E assim sigo para achar os tesouros que Deus me deu.

Nós vimos a importância de escolher o segundo lugar, para que possamos nos lembrar de
que nós – um aspecto do Filho de Deus – somos parte do primeiro. Se nós estamos infelizes
com as dádivas de raiva, depressão ou dor do ego, precisamos apenas nos lembrar de que
tudo isso foi nossa escolha, e assim, podemos escolher outra vez.

(2:1) Só busco o eterno.

O ego vai sempre nos fazer buscar o efêmero: as dádivas de especialismo do mundo.
Jesus nos lembra de que o que realmente queremos, e só o que queremos, é o amor que
nunca termina:

Permite então que tua dedicação seja para com o eterno, e aprende como não
interferir com ele e torná-lo escravo do tempo (T-19.I.16:1).

(2:2-5) Pois o Teu Filho não pode se contentar com nada menos do que isso. Então, o
que pode ser o seu consolo, senão o que ofereces à sua mente confusa e ao seu
coração assustado para dar-lhe certeza e trazer-lhe paz? Hoje quero contemplar o meu
irmão sem pecado. Essa é a Tua Vontade para mim, pois assim contemplarei a minha
impecabilidade.

A maneira de encontrarmos o amor eterno em nós mesmos é perdoarmos. Jesus, como já


vimos repetidamente, nos faz trabalhar de forma inversa. Nós começamos onde pensamos
288
estar – nos relacionamentos especiais, repletos de necessidades e mágoas. Nós aprendemos
a usar tudo isso como salas de aula sob a orientação do nosso novo professor, nas quais
entendemos que o pecado que percebemos ao nosso redor, ou até mesmo em nossos próprios
corpos, é uma projeção da crença da mente no pecado. Uma vez que retornamos à fonte do
erro, podemos, como tomadores de decisão, escolher de forma diferente. Nós começamos
pedindo ajuda para mudarmos nossa percepção sobre alguém percebido como externo a nós,
e gentilmente nos movemos até nossa mente desnorteada e coração amedrontado, para lá
aceitarmos nossa impecabilidade inerente como o Filho verdadeiro de Deus.

289
LIÇÃO 335

Escolho ver a impecabilidade do meu irmão.

Isso reafirma o que Jesus nos fez escolher no final da lição anterior. Nós agora
escolhemos a visão da impecabilidade em relação ao nosso irmão em vez do pecado, porque
escolhemos ver a inocência em nós mesmos.

(1:1-3) O perdão é uma escolha. Nunca vejo o meu irmão tal como é, pois isso está muito
além da percepção. O que vejo nele não passa do que desejo ver, porque representa o
que quero que seja a verdade.

Além da percepção está minha realidade como Cristo, no entanto, dentro do sonho posso
perceber o pecado ou ausência de pecado como a verdade, dependendo do professor que eu
escolher e das lições que quero aprender: aquelas que reforçam meu sonho de individualidade,
ou aquelas que me ajudam a despertar dele. Assim, a maneira de eu ver você vem da maneira
com que vejo a mim mesmo – a projeção faz a percepção. O que eu julguei real e importante
na minha mente é o que agora verei como real e importante fora de mim, no corpo. Se eu julgar
minha individualidade como valiosa, é isso o que verei em você; mas verei o pecado lá
também, e não dentro. Como aprendemos na Lição 161, o ego nos fez fazer o mundo de
especificidades, precisamente para que pudéssemos ter pessoas sobre as quais projetarmos a
responsabilidade pela nossa existência individual e separada.

(1:4) É só a isso que respondo por mais que eu pareça ser impelido por acontecimentos
externos.

Esse é um dos princípios principais no Um Curso em Milagres. Nós parecemos ser


afetados pelo que está fora de nós; mas na verdade, somos afetados apenas pela decisão da
mente pelo especialismo do ego ou pelo perdão do Espírito Santo.

(1:5-7) Escolho ver o que desejo contemplar e é isso o que vejo e nada mais. A
impecabilidade do meu irmão mostra-me que quero olhar para a minha. E eu a verei
tendo escolhido contemplar o meu irmão à sua luz santa.

Em um nível prático, isso não significa que nós deveríamos nos sentir culpados porque
vemos assassinato, dor, morte e doença em todos os lugares ao nosso redor. Lembre-se de
que a percepção é uma interpretação (i.e., MP-17.4:1-2). Não é o que nossos olhos vêem
“objetivamente” que é a questão, mas a interpretação do que nossos olhos vêem. Assim, nós
não negamos o que nossos corpos fazem, mas negamos a interpretação do ego, que seria a
de que o pecado está desenfreado, tanto em nós mesmos quanto nos outros. A mudança que
queremos efetuar em nossas mentes é para vermos em nós mesmos e em outros, expressões
de amor ou pedidos de amor, não o pecado e o mal.

(2) O que poderia restaurar a Tua memória em mim, senão ver a impecabilidade do meu
irmão? A sua santidade me lembra que ele foi criado um comigo e como eu. Nele, acho o
meu Ser e no Teu Filho acho também a Tua memória.

O que restaura a memória de Deus a nós, e nossa memória de Quem somos como Cristo,
é liberarmos a crença na realidade do pecado. Removendo as barreiras da separação que
colocamos entre nós mesmos e nossos parceiros especiais, removemos o véu do
esquecimento que nos manteve distantes da consciência de Deus em nossas mentes. O
perdão é o meio do Espírito Santo para levantar esse véu, permitindo que a memória de Deus
retorne, e ficamos alegres e gratos por ser assim.
290
LIÇÃO 336

O perdão me permite saber que as mentes são unidas.

No Um Curso em Milagres, pecado e separação são virtualmente sinônimos. O pecado é


a crença em que a separação é real, e é deplorável porque foi atingida através de um ataque
cruel. No entanto, se mentes são unidas, não pode haver separação ou diferenças, e, portanto,
nenhum pecado. Na verdade, não existe nada além de Deus e Cristo. Sua Unicidade é
totalmente não-afetada pelo que nunca aconteceu. Pedir ajuda para mudar nossa percepção
sobre o mundo – o significado do perdão – nos permite entender que somos verdadeiramente
um: em mente e em Mente.

(1:1-2) O perdão é o meio designado para o fim da percepção. O conhecimento é


restabelecido uma vez que a percepção é modificada e então dá lugar inteiramente
àquilo que permanece para sempre fora do seu alcance.

Nós primeiro pedimos ajuda para mudarmos da falsa percepção do ego para a
percepção verdadeira do Espírito Santo. Quando Sua visão limpou todos os pensamentos
equivocados mantidos em nossas mentes, tudo o que resta é que Deus dê Seu passo final.
Assim, a percepção termina, como o esclarecimento de termos diz, em “uma luz brilhante”, e o
que toma seu lugar é o conhecimento imutável do nosso Ser (ET-4.7).

(1:3) Pois cenas e sons podem, no máximo, servir para trazer a memória que está além
de todos eles.

As cenas e sons do mundo da percepção podem servir para ajudar a desfazer a ilusão.
Em si mesma, a percepção não é verdade, e, quando o corpo serviu à sua função como um
instrumento de comunicação e sala de aula de aprendizado, ambos desaparecem. A memória
de Deus alvorece em nossas mentes perdoadas, e então descansamos.

(1:4) O perdão varre as distorções e abre o altar escondido para a verdade.

O altar oculto está dentro da mente, onde o tomador de decisões escolhe a verdade em
vez da ilusão. O perdão desvela o altar para que possamos apresentar a dádiva de lírios para
nós mesmos.

(1:5-6) Os seus lírios brilham no interior da mente e a chamam para que retorne e olhe
para dentro, para achar o que inutilmente buscou do lado de fora. Pois aqui e só aqui a
paz é restaurada, pois essa é a morada do próprio Deus.

O chamado para retornar é o chamado para que nosso tomador de decisões mude sua
mente, outra forma de dizer que somos solicitados não a olharmos para fora, mas a
permitirmos que o que nossos olhos percebem reflitam o que primeiro escolhemos ver dentro
de nós. Só então podemos mudar nossas mentes sobre suas falsas percepções, e abrir a porta
para Deus e Sua paz.

(2) Em quietude, que o perdão apague os meus sonhos de separação e pecado. E então,
Pai, que eu olhe para dentro e descubra que a Tua promessa da minha impecabilidade
foi mantida, que o Teu Verbo permanece imutável no interior da minha mente e o Teu
Amor ainda habita no meu coração.

291
O Verbo de Deus é a Expiação, cuja aceitação desfaz o sistema de pensamento do ego.
Nós precisamos primeiro pedir ajuda a Jesus para mudarmos nossa percepção sobre nosso
irmão, o que permite que nosso pecado projetado seja trazido de volta à mente, onde se
originou. Nós então olhamos para dentro, para a decisão da mente errada pelo ego,
reconhecemos nossa escolha equivocada e escolhemos corretamente, voltando para casa,
finalmente para o amor em nossos corações.

292
LIÇÃO 337

A minha impecabilidade me protege de todo o mal.

A crença em que nosso ataque pecaminoso contra Deus será usado contra nós nos faz
caminhar pelo mundo em um estado de medo e vulnerabilidade. No entanto, escolher ser
impecável nos ajuda a entender que não existe nada a temer, porque não existe projeção de
culpa que exija ataque em troca.

(1:1-4) A minha impecabilidade me garante a paz perfeita, a segurança eterna, o amor


que dura para sempre, a liberdade permanente de todo pensamento de perda e a
completa liberação do sofrimento. E só a felicidade pode ser o meu estado, pois só a
felicidade me é dada. O que tenho que fazer para saber que tudo isso é meu? Preciso
aceitar a Expiação para mim mesmo e nada mais.

Eu encontro paz, segurança, amor e felicidade, não através da mudança do mundo ou da


minha manipulação de outros para satisfazerem minhas necessidades especiais, mas em vez
disso, mudando o sistema de pensamento da minha mente ou o professor. Aceitar a Expiação
do Espírito Santo para mim mesmo permanece minha única e exclusiva responsabilidade (T-
2.V.5:1).

(1:5-6) Deus já fez todas as coisas que precisavam ser feitas. E eu tenho que aprender
que não preciso fazer nada a partir de mim mesmo, pois só preciso aceitar o meu Ser, a
minha impecabilidade, criada para mim e que agora já é minha, para sentir o Amor de
Deus me protegendo do mal, para compreender que o meu Pai ama o Seu Filho, para
saber que eu sou o Filho que o meu Pai ama.

Para citar a importante seção do texto: eu não preciso fazer nada (T-18.VII). Tudo o que
preciso fazer é desfazer o que o meu ego me ensinou, e que eu aceitei em vez da verdade da
Expiação. Reverter minha decisão me permite mudar minha identificação do pecado para a
impecabilidade, da culpa para a inocência, do medo para o amor, pois aceitei as palavras já
familiares de Jesus como a verdade:

Caminha em glória com a cabeça erguida e não temas mal algum. Os inocentes
estão a salvo porque compartilham sua própria inocência. Nada do que vêem é
danoso, pois a sua consciência da verdade libera todas as coisas da ilusão do dano.
E o que parecia causar dano, agora está brilhando em inocência, liberado do
pecado e do medo e alegremente devolvido ao amor (T-23.in.3:1-4).

(2:1) Tu, Que me criaste na impecabilidade, não estás enganado quanto ao que eu sou.

Isso traz à mente a afirmação tranqüilizadora de Jesus no texto:

A minha confiança em ti é maior do que a tua em mim no momento... Tu estás


sendo solicitado a viver de tal forma que demonstre que tu não és um ego e que eu
não escolho os canais de Deus de modo errado. Aquele que é Santo compartilha a
minha confiança e aceita as minhas decisões no que diz respeito à Expiação,
porque a minha vontade nunca está em desacordo com a Sua (T-4.VI.6:1,3-4).

Na certeza de Jesus nós descansamos contentes – a salvo da culpa, a salvo do ataque, a


salvo para o amor.
293
(2:2-4) Eu estava enganado quando pensei ter pecado, mas aceito a Expiação para mim
mesmo. Pai, o meu sonho agora acabou. Amém.

Mais uma vez, vemos a idéia crucial de que temos que reconhecer nossos equívocos –
estávamos errados e Deus certo. De novo e de novo através de todo o livro de exercícios –
tanto explícita quanto implicitamente -, Jesus nos leva a entender que embora percebamos,
pensemos e entendamos de forma incorreta, existe Alguém dentro de nós Que conhece a
verdade. É a Ele que devemos ir para despertarmos dos sonhos de inferno do ego para o Céu.

294
LIÇÃO 338

Só os meus pensamentos me afetam.

Nessa lição e nas duas próximas, Jesus nos lembra como nos libertarmos do sofrimento.
Uma vez que a dor não se origina do lado de fora, liberá-la não pode ser buscado lá. Nós
pensamos que somos afetados por tudo, menos pelos nossos pensamentos – clima, germes,
insultos, deterioração do corpo, etc. No entanto, uma vez que esse é o nosso sonho, só
podemos ser afetados pelos nossos pensamentos. Essa compreensão marca o fim da dor.
Como Jesus diz em “O sonhador do sonho”, a maneira de nos libertarmos de todo sofrimento é
vermos o problema como ele é, não da forma que nós o estabelecemos (T-27.VII.2). Nosso
arranjo foi para atribuirmos a causa da nossa aflição a algo externo. Ver o problema como ele
é, no entanto, é aceitar a causa interna do sofrimento – a decisão da mente pela culpa e falta
de perdão.

(1:1-4) Só preciso disso para que a salvação venha ao mundo todo. Pois, nesse único
pensamento, cada um é enfim liberado do medo. Ele agora aprendeu que ninguém o
assusta e que nada pode ameaçá-lo. Não tem inimigos e está a salvo de todas as coisas
externas.

A salvação vem quando eu entendo que sou afetado apenas pelos meus pensamentos.
Se o mundo não é nada além de uma projeção do meu pensamento, quando esse pensamento
muda, minha percepção do mundo muda também. Dentro do sonho, nossos corpos não estão
a salvo; na verdade, eles foram feitos para serem vulneráveis. No entanto, não estamos
falando sobre o herói do sonho corporal. Os ensinamentos de Jesus podem ser entendidos
apenas quando somos capazes de dar um passo para fora do sonho e não vemos mais a nós
mesmos como figuras dentro dele. Estando acima do campo de batalha com Jesus (T-23.IV),
nós entendemos que trouxemos tudo isso a nós mesmos, pois nosso propósito era provar que
somos vítimas inocentes, não vitimadores pecaminosos. Assim, realmente vemos que só
podemos ser afetados pelos nossos próprios pensamentos vitimadores, e nada mais, e,
portanto, estamos a salvo de toda ameaça e liberados do medo.

(1:5-7) Os seus pensamentos podem assustá-lo, mas como pertencem exclusivamente a


ele, lhe é dado o poder de mudá-los e de trocar cada pensamento de medo por um feliz
pensamento de amor. Ele crucificou a si mesmo. Mas Deus planejou que o Seu Filho
amado fosse redimido.

O plano de Deus – a Expiação – desfaz nossos pensamentos equivocados. Nosso


primeiro passo é entender que o problema não está do lado de fora, mas é os nossos
pensamentos sobre o que está do lado de fora. É por isso que o Um Curso em Milagres nos dá
esperança verdadeira, pois podemos fazer algo sobre nossos pensamentos. Uma vez que é o
nosso sonho, podemos mudá-lo, mas, se formos a vítima do sonho de outra pessoa, não existe
esperança para nós – exceto atacar.

(2) Só o Teu plano é seguro, meu Pai, - só o Teu. Todos os outros falharão. E terei
pensamentos que me assustarão até aprender que me deste o único Pensamento que
me conduz à salvação. Só os meus falharão e não me levarão a lugar nenhum. Mas o
pensamento que me deste promete levar-me para casa, porque mantém a Tua promessa
ao Teu Filho.

295
O plano de Deus é devolver o problema à mente, porque é ali que ele é desfeito. Os
planos do mundo – religiosos, econômicos, políticos, educacionais – são destinados a tornarem
o sonho melhor. É por isso que, em última instância, falham. O único plano que vai funcionar –
a Expiação – nos leva para fora do corpo e da mente errada, até o tomador de decisões, onde
o sonho começou, e onde escolhemos despertar dele. Nós humildemente reconhecemos que
nossos planos para minimizarmos a dor e maximizarmos o prazer nunca vão funcionar. De
uma forma ou de outra, esse é o plano de todos quando despertam a cada manhã: Como
posso fazer para que eu me sinta melhor? Podemos conseguir o que queremos durante o dia,
mas no final, o prazer ou felicidade nunca vão durar. O plano de Deus de Expiação é o único
que pode cumprir Sua promessa de felicidade eterna para Seu Filho.

296
LIÇÃO 339

Receberei o que quer que seja que eu peça.

Se eu sentir dor é porque escolhi a dor, e a escolho por causa do seu valor em manter
Deus distante. O sofrimento nunca vai cessar, portanto, até que eu mude minha mente em
relação ao seu propósito.

(1:1-4) Ninguém deseja dor. Mas pode pensar que a dor é prazer. Ninguém quer evitar a
própria felicidade. Mas pode pensar que a alegria é dolorosa, ameaçadora e perigosa.

Jesus discute essa idéia no final do primeiro e segundo obstáculos à paz (T-19.IV-
A.17:10-12; T-19.IV-B.15). Ele explica que nós realmente não entendemos a diferença entre
prazer e dor, e que se acreditarmos que o corpo pode nos dar um, ele também tem que poder
dar o outro. Nós ficamos confusos porque recebemos instrução de um professor com um
interesse fixo no que aprendemos – que permaneçamos em dor e culpemos alguém mais por
ela. Esse é o método insano do ego para nos libertar da culpa. Assim, precisamos de um
Professor Que nos ajude a entender que qualquer coisa que seja do ego é, em última instância,
dolorosa, e que o único prazer real está em fazer a Vontade de Deus (T-1.VII.1:4), que nesse
mundo encerra aprender a perdoar.
Portanto, nossa alegria real está em desistirmos do ego, o que significa desistirmos da
nossa individualidade e auto-importância. Para nossos egos, no entanto, isso só pode ser
percebido como doloroso. Jesus nos lembra de que bebês choram quando a tesoura com a
qual estão brincando é tirada deles (T-4.II.5:2). Para um adulto cuidadoso, a diversão do bebê
é cortantemente perigosa, e então, ele remove a potencial fonte de dano. Jesus é o adulto
cuidadoso tentando fazer o mesmo conosco, exceto que ele não tem o mesmo poder de
efetuar mudanças que um adulto tem sobre uma criança. Assim, ele espera pacientemente até
que mudemos nossas mentes o suficiente para entendermos que ele sabe melhor do que nós.
Ele está tentando levar embora nosso especialismo, não pela força, mas por gentilmente nos
lembrar de que ele não vai nos fazer felizes.

(1:5-9) Cada um receberá o que pedir. Mas, de fato, pode ficar confuso quanto às coisas
que quer e ao estado que almeja atingir. Assim, o que pode ele pedir que ainda queira
quando a receber? Pediu o que o assustará e lhe trará sofrimento. Decidamos, hoje,
pedir o que realmente queremos e nada mais para que possamos passar esse dia sem
medo, sem confundir a dor com a alegria ou o medo com o amor.

Mais uma vez, todos nós recebemos o que queremos, e queremos felicidade; mas não
entendemos que o que pensamos que vai nos fazer felizes só vai nos trazer sofrimento e dor.
Precisamos de uma definição diferente de felicidade, que vem quando damos um passo com
Jesus para fora do sonho – fora da nossa identidade, desejos e especialismo pessoal – e o
deixamos nos ensinar a única coisa que vai nos dar o que queremos: a mudança perceptual
sobre os relacionamentos que o perdão traz. Assim é o Reino do Céu na terra, pois a alegria
substitui a dor, e o amor toma o lugar do medo.

(2) Pai, esse é o Teu dia. É um dia em que não quero fazer nada por mim mesmo, mas
ouvir a Tua Voz em tudo o que eu fizer, pedindo apenas o que me ofereces, aceitando
apenas os Pensamentos que compartilhas comigo.

Quando nosso dia é dado ao Espírito Santo, nosso plano é não fazermos nada por conta
própria. Precisamos apenas estar cientes da rapidez com que esquecemos da nossa intenção
297
da mente certa, conforme somos sobrecarregados com as pressões do dia. Vai parecer que
essas são as causas que nos fazem esquecer do nosso Professor, mas a prática constante vai
nos ajudar a lembrar de que fomos nós que demos poder a essas pressões para nos
empurrarem para longe Dele. Nada nem ninguém pode tirar o Espírito Santo de nós, exceto
nosso medo da Sua Expiação e Amor. Finalmente, escolhemos ouvir Sua Voz e damos boas-
vindas a Ele em nosso lar compartilhado, na mente.

298
LIÇÃO 340

Eu posso ficar livre do sofrimento hoje.

Essa lição nos provê outra clara declaração do que nossa experiência pode ser se
escolhermos o Professor da liberdade em vez do professor do sofrimento.

(1:1-2) Pai, eu Te agradeço pelo dia de hoje e pela liberdade que ele com certeza trará.
Esse dia é santo, pois hoje o Teu Filho será redimido.

Nossa gratidão não é por qualquer dor que experimentemos nesse dia – isso seria
masoquismo. Nós agradecemos ao nosso Pai pelo Seu Amor, o qual, através da Presença do
Espírito Santo em nossos sonhos dolorosos, nos lembra de que ainda podemos escolher outra
vez. Nosso sofrimento é o efeito da escolha equivocada da mente por um professor, mas
podemos mudar a causa para a Causa, que é a única que vai nos libertar da nossa prisão da
dor. O perdão é o meio do Espírito Santo nos liberar do inferno, pois reflete a Vontade do Céu,
a única Fonte de alegria:

Cumprir a Vontade de Deus de forma perfeita é a única alegria e a única paz que se
pode conhecer inteiramente (T-8.III.2:1).

(1:3-6) O seu sofrimento acabou. Pois ele ouvirá a Tua Voz dirigindo-o para achar a visão
de Cristo através do perdão e para ser livre para sempre de todo sofrimento. Obrigado
pelo dia de hoje, meu Pai. Nasci nesse mundo apenas para conseguir esse dia e
alcançar o que ele encerra de alegria e liberdade para o Teu Filho santo e para o mundo
que ele fez, que hoje é liberado junto com ele.

Escolher a Voz de perdão em vez da voz de culpa marca o fim do sofrimento. Não existe
outra maneira de nos lembrarmos do nosso Ser livre da dor do que reconhecer que o fim do
sofrimento vem com o fim da separação, expresso através de não vermos os interesses de
outra pessoa como separados dos nossos próprios – a essência do perdão. Como Jesus nos
lembra em Psicoterapia:

Ouve o pedido de ajuda de um irmão e responde-o... Não há nenhum outro caminho


para ouvir a Sua Voz. Não há nenhum outro caminho para buscar o Seu Filho. Não
há nenhum outro caminho para achar o teu Ser (P-2.V.8:4,6-8).

(2) Fica contente, hoje! Hoje não há espaço para mais nada além da alegria e da gratidão.
O nosso Pai redimiu o Seu Filho no dia de hoje. Ninguém deixará de ser salvo hoje.
Nenhum de nós permanecerá no medo e o Pai não deixará de reunir nenhum de nós a
Ele, despertos no Céu no Coração do Amor.

O único propósito da mente certa para estarmos aqui é aprendermos que o sofrimento
vem de um desejo que em troca fez surgir um pensamento. Esse então, fez surgir uma
experiência projetada. Lembre-se dessas linhas importantes no texto:

A percepção parece te ensinar o que vês. No entanto, não faz senão testemunhar o
que ensinaste. É a figura exterior de um desejo, uma imagem que tu querias que
fosse verdadeira (T-24.VII.8:8-10).

299
Se eu não estiver feliz com o meu sofrimento, posso voltar ao tomador de decisões na
minha mente e dizer: “Não quero mais isso”. No entanto, dizer que não quero essa dor também
tem que significar que não quero mais sua causa – a decisão de estar por conta própria e
separado do Amor de Deus. Assim, eu alegremente me permito ouvir o Julgamento amoroso
de Deus sobre mim, Seu Filho:

Tu és santo, eterno, livre e íntegro, para sempre em paz no Coração de Deus (MP-
15.1:11).

300
13. O que é um milagre?

Esse é o resumo mais importante dos 14 na Parte II, pois o foco do Um Curso em
Milagres está no milagre, que é o motivo pelo qual ele é parte do título do Curso. Vai ficar claro,
conforme passarmos por esse resumo, assim como pelas lições que virão, que Jesus trata os
papéis do milagre e do perdão de forma sinônima. Seria difícil considerá-los como
significativamente diferentes uma vez que realmente são aspectos do mesmo processo de
cura, no entanto, com muita freqüência, Jesus dá o nome de perdão ao processo de mudança
de nossas mentes, e milagre à compreensão de que nossas mentes são a causa do sonho,
não seu efeito.

(1:1-3) Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada. Apenas
olha para a devastação e lembra à mente que o que ela vê é falso.

Essa passagem é similar ao primeiro resumo, que diz que o perdão “é quieto, e
quietamente nada faz... Ele meramente olha, e espera, e não julga” (LE-pII.1.4:1,3). Em outras
palavras, o milagre pode ser visto como o processo de: 1) ir acima do campo de batalha com
Jesus e olhar para a devastação do mundo – o que acreditamos que vitimou a nós mesmos ou
a outros – e entender que isso é o sonho externo que espelha nosso sonho interno de
devastação – a crença em que atacamos Deus e O destruímos; e 2) olhar para aquela crença
com um sorriso gentil, ao entendermos que aquilo para o que estamos olhando – forma e
conteúdo – é falso. Assim, o milagre não é sobre mudanças externas, mas somente sobre uma
mudança da mente. É como se mudássemos de lentes – não olhando mais para o mundo
através das lentes do ego, mas através das lentes do Espírito Santo. Lembre-se de que o
milagre não é a verdade e, portanto, não pode ser encontrado no Céu. Seu lar é a ilusão, onde
ele simplesmente desfaz o falso, corrigindo o que o ego nos disse que era verdadeiro.

(1:4-6) Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do
perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. No entanto, prepara o caminho para a
volta da intemporalidade e do despertar do amor, pois o medo tem que desaparecer com
o gentil remédio que ele traz.

O milagre, como o perdão, é uma ilusão, assim como a função do Espírito Santo que
corrige o que nunca aconteceu. Antes de atingirmos essa compreensão, entretanto, temos que
primeiro olhar para o que o ego fez no mundo, entendendo que o que parece ser externo é o
reflexo do que nós tornamos real em nossas mentes. Só então podemos entender que outra
escolha é possível.
Jesus fala do milagre como um remédio gentil porque ele não faz ou exige coisa alguma.
Lembre-se dessa maravilhosa passagem descrevendo a gentileza do Espírito Santo:

A Voz do Espírito Santo não comanda, pois é incapaz de arrogância. Não exige,
porque não busca o controle. Não vence, porque não ataca. Simplesmente lembra.
É capaz de compelir devido apenas ao que ela relembra. Traz à tua mente o outro
caminho, permanecendo quieta mesmo em meio ao tumulto que possas fazer (T-
5.II.7:1-6).

Assim, não precisamos fazer nada exceto olhar de forma não-julgadora para o ego, que é
o motivo pelo qual Jesus repetidamente diz que seu curso é simples. Ele não está dizendo que
temos que mudar ou desistir de coisa alguma, mas apenas mudarmos nosso professor, o que
desfaz nossa escolha original pelo ego. Mais uma vez, o milagre meramente desfaz o erro,
permitindo que a verdade seja ela mesma:

301
O milagre nada faz. Tudo o que ele faz é desfazer. E assim anula a interferência
naquilo que foi feito. Ele não acrescenta, apenas retira (T-28.I.1:1-4).

(2:1) O milagre contém a dádiva da graça, pois é dado e recebido como um só.

Isso é assim porque a mente do Filho de Deus é uma. A correção que eu ofereço a você
por liberar minhas percepções falhas é o que ofereço a mim mesmo. Essa é dádiva dada no
instante santo, no qual o passado pecaminoso e o futuro amedrontador são ignorados na graça
presente do milagre:

Pois um milagre é agora. Ele já está aqui, em graça presente dentro do único
intervalo de tempo que o pecado e o medo não viram, mas que é tudo o que existe
do tempo (T-26.VIII.5:8-9).

(2:2-3) E assim ilustra a lei da verdade que o mundo não obedece porque falha
inteiramente em compreender os seus caminhos. O milagre inverte a percepção que
antes estava de cabeça para baixo, e assim acaba com as estranhas distorções ali
manifestadas.

A lei do sonho de que a mente determina tudo reflete a lei da verdade do Céu – a Mente
de Deus é a Fonte de tudo o que existe. Em nossa mente certa, nós entendemos que a mente
é a fonte de tudo o que percebemos, enquanto a lei da mente errada da ilusão ensina que o
mundo determina tudo sobre nós. Para usar a terminologia perceptual de figura e cenário (NT:
em percepção visual, isso se refere à habilidade humana de separar elementos baseado no contraste,
constituindo-se em uma das leis mais básicas da percepção – em inglês: figure and groud) , percebemos
figuras ou objetos em nosso ambiente contra um pano de fundo, e então julgamos seu valor de
acordo com isso. Por exemplo, enquanto vejo pessoas sentadas em um auditório no qual estou
dando uma palestra, não presto muita atenção ao pano de fundo da sala física em si: cor,
tapete, iluminação, decorações nas paredes, etc., focalizando-me em vez disso nas pessoas
com quem estou falando. Embora todos nós normalmente percebamos dessa forma em nosso
mundo diário, o que o ego tem feito com esse conceito de figura-contexto é realmente anormal.
O ego faz com que a mente retroceda tanto nos bastidores, que nem mesmo sabemos
que temos uma mente, tendo como primeiro plano apenas o corpo. O milagre reverte essa
relação, invertendo a percepção. Os bastidores – a mente – agora assumem o primeiro plano,
e nós entendemos que essa mente é a causa de tudo. O mundo que antes tinha sido a figura
dominante, agora retrocede em importância, conforme entendemos que as figuras que
percebemos são simplesmente reflexos sombrios dos pensamentos da mente. Assim, o
milagre não desfaz totalmente a percepção, mas simplesmente reverte nossa perspectiva.
Lembre-se desse trecho já citado do poema de Helen, “Transformação”:

Aconteceu subitamente. Existe uma Voz que


fala uma única Palavra, e tudo é modificado.
..............................................
O que parecia grande, se resume à pequenez
que lhe é devida.
O opaco se torna brilhante, e o que antes
Foi brilhante
Tremula e se desvanece e finalmente se vai.

(As dádivas de Deus, p. 64).

Em outras palavras, por um momento, ainda percebemos um mundo, no entanto, ele é


interpretado como refletindo de volta para nós uma decisão tomada pela mente. Mais uma vez,
302
o milagre nos permite reverter causa e efeito, e a seguinte passagem do texto resume esse
processo de reversão ou inversão, usando a metáfora do sonho:

O milagre estabelece que tu estás sonhando um sonho, e que o seu conteúdo não é
verdadeiro. Esse é um passo crucial para se lidar com ilusões... A separação teve
início com o sonho de que o Pai foi destituído de Seus Efeitos e ficou impotente para
mantê-los, já que não era mais o seu Criador... O efeito e a causa são, em primeiro
lugar, separados e depois revertidos de tal modo que o efeito vem a ser uma causa
e a causa um efeito... O milagre é o primeiro passo na devolução à Causa da função
da causalidade, não do efeito... Esse mundo está cheio de milagres. Eles estão em
silêncio radiante ao lado de cada sonho de dor e de sofrimento, de pecado e de
culpa. Eles são a alternativa para o sonho, a escolha de ser o sonhador ao invés de
negar o papel ativo na invenção do sonho (T-28.II.7:1-2; 8:1,8; 9:3; 12:1-3).

Nós, portanto, somos os sonhadores do sonho, não suas figuras. Essas figuras – nossos
corpos e os corpos dos outros – têm sido a percepção dominante do ego, mas vistas através
da visão do Espírito Santo, elas se tornam o pano de fundo, com o propósito da mente em
primeiro plano.

(2:4-5) Agora a percepção está aberta para a verdade. Agora, vê-se o perdão justificado.

Quando sou restaurado ao meu papel como sonhador do sonho – o tomador de


decisões -, estou disponível para escolher a verdade da mente certa. Lembre-se da linha
maravilhosa de O Casamento do Céu e do Inferno, de William Blake:

Se as portas da percepção fossem limpas, tudo


Pareceria a um homem como é: infinito.

A inversão da percepção feita pelo milagre – movendo nossa atenção do mundo para a
mente demonstra o alcance bem sucedido do desfazer da culpa: o processo de perdão que
limpa a mente de seu sistema de pensamento de separação e nos abre para a visão que leva
ao infinito:

O perdão é a cura da percepção da separação. A percepção correta do teu irmão é


necessária porque as mente escolheram ver a si mesmas como separadas... Mas os
milagres de Deus são tão totais quanto os Seus Pensamentos, porque são os Seus
Pensamentos (T-3.V.9:1-2,7).

(3:1-3) O perdão é o lar dos milagres. Os olhos de Cristo os enviam a tudo o que
contemplam em misericórdia e amor. A percepção está corrigida à Sua vista e o que
pretendia amaldiçoar veio para abençoar.

O perdão torna os milagres possíveis, pois ele pede ao Espírito Santo que percebamos o
mundo de forma diferente. O mundo do ego, feito para amaldiçoar Deus e a todos os outros
nele, agora se torna uma bênção porque serve ao Seu propósito, conforme o Filho de Deus
retorna ao Seu Pai – pois Eles vieram:

Um antigo milagre veio para abençoar e para substituir uma antiga inimizade que
tinha vindo para matar. Em gentil gratidão a Deus, o Pai e o Filho retornam ao que é
Deles e será para sempre. Agora o propósito do Espírito Santo está consumado.
Pois Eles vieram! Pois Eles vieram afinal! (T-26.IX.8:5-9).

303
(3:4-5) Cada lírio de perdão oferece ao mundo inteiro o silencioso milagre do amor. E
cada um é depositado diante do Verbo de Deus, sobre o altar universal do Criador e da
criação, à luz da pureza perfeita e da alegria sem fim.

Nós levamos nossas percepções equivocadas de volta ao amor que está no altar
universal de luz na mente. Escolhendo o Espírito Santo em vez do ego, escolhemos o
pensamento que nos lembra de que o Criador e a criação são um. Nosso caminho para casa,
trilhado com todos os nossos irmãos, é alegremente polvilhado de lírios:

Não queres que o teu santo irmão te conduza até lá? A sua inocência iluminará o
teu caminho, oferecendo-te a luz que guia e a proteção segura e está brilhando a
partir do altar santo dentro dele onde tu depositaste os lírios do perdão. Permite que
ele seja para ti o salvador de todas as ilusões e olha para ele com a nova visão que
olha para os lírios e te traz alegria. Nós vamos além do véu do medo, iluminando o
caminho um para o outro. A santidade que nos conduz está dentro de nós assim
como a nossa casa. Dessa forma nós acharemos aquilo que temos que achar
segundo Aquele Que nos conduz... Caminha com ele agora em regozijo, pois aquele
que salva de todas as ilusões veio para saudar-te e conduzir-te para casa com ele
(T-20.II.9; 10:5).

(4:1) O milagre é inicialmente aceito com base na fé, porque pedi-lo significa que a
mente está preparada para conceber aquilo que não pode ver e que não compreende.

Isso reflete o processo de cura, conforme começamos a praticar os princípios do Curso.


Jesus sabe que nós ainda não acreditamos em tudo o que ele diz. No entanto, vamos acabar
aceitando seus ensinamentos quando entendemos que eles funcionam, sentindo-nos mais
pacíficos porque nos sentimos menos vitimados pelo que acontece ao nosso redor. Nossa
felicidade, assim, não repousa em uma fantasia, como é freqüentemente o caso: alguém tem
um bom ou mau dia, sorri ou não sorri; o clima está bom ou desagradável – ou qualquer outra
coisa que acreditemos que assegure nossa felicidade e paz. Ao experimentarmos
crescentemente essa liberação dos pesadelos de dor e julgamento do ego, nós reconhecemos
a alegria de aprender que não somos figuras nesse sonho, mas o sonhador. Dito de forma
simples, vamos nos sentir melhor conforme alegremente aprendermos que estávamos errados
sobre tudo – o sonho ilusório que nunca deixou sua fonte na mente ilusória – e que a fé em
Jesus como nosso professor produziu para nós um fruto maravilhoso.

(4:2-3) Mas a fé trará as suas testemunhas para demonstrar que se baseou em algo que
realmente existe. E, assim, o milagre justificará a tua fé nele e mostrará que se baseou
num mundo mais real do que aquele que vias antes, um mundo redimido daquilo que
pensavas que existisse.

Nós nos sentimos melhor não porque algo mágico aconteceu, mas porque praticamos o
que o Um Curso em Milagres ensina. Levar o problema à sua fonte na mente muda a maneira
como nos sentimos. Através da decisão pelo milagre, somos redimidos. Ao chamarmos nossos
irmãos para compartilharem nossa fé no milagre, a nossa se torna a redenção final que é o
mundo real, a visão de uma luz única que é a unidade do Filho santo de Deus:

O milagre é o ato de um Filho de Deus que deixou de lado todos os deuses falsos e
chama seus irmãos a fazerem o mesmo. É um ato de fé, porque é o reconhecimento
de que seu irmão é capaz de fazê-lo. É um chamado para o Espírito Santo na mente
do seu irmão, um chamado que é reforçado pela união... O poder de uma mente
pode brilhar em outra porque todas as lâmpadas de Deus foram acesas pela mesma
centelha. Ela está em toda parte e é eterna (T-10.IV.7:1-3,5-6).
304
Os milagres que se seguem a essa decisão também nascem da fé. Pois a visão é
dada a todos aqueles que escolhem olhar para longe do pecado e eles são
conduzidos à santidade (T-21.III.8:5-6).

(5:1) Os milagres caem como gotas da chuva regeneradora do Céu sobre um mundo
seco e poeirento, aonde criaturas famintas e sedentas vêm para morrer.

Eu já mencionei que essa linha é emprestada do lindo discurso de Pórcia em O Mercador


de Veneza, que começa:

A qualidade da misericórdia não é forçosa,


Ela goteja como uma chuva gentil do céu
Sobre o lugar abaixo... (IV,i).

No processo de perdão, nós primeiro entendemos que esse mundo é seco, poeirento e
sem vida. Famintos e sedentos por amor, vamos a esse mundo apenas para morrer. Tem que
ser assim porque esse mundo de morte vem de um pensamento de morte. No entanto, nossa
percepção do corpo muda conforme escolhemos um Professor diferente – o que foi um sinal de
morte agora significa vida. Nada externo muda – corpos nascem, sofrem e morrem -, mas a
lembrança de Cristo, Cuja impecabilidade identificamos como a nossa própria, renasce em
nossas mentes ao fazermos a escolha pela vida redimida e eterna:

Nesse espaço vazio, do qual foi removida a meta do pecado, o Céu está livre para
ser lembrado. Aqui a paz celestial pode vir e a cura perfeita pode tomar o lugar da
morte. O corpo pode vir a ser um sinal de vida, uma promessa de redenção e um
sopro de imortalidade para aqueles que ficaram doentes por respirar o odor fétido da
morte. Permite que ele tenha a cura como seu propósito... Permite que ele receba o
poder de representar uma vida sem fim, para sempre inatacada (T-27.I.10;1-4,6).

(5:2-4) Agora, elas têm água. Agora, o mundo está verde. E em toda parte, surgem sinais
de vida para mostrar que o que nasceu nunca pode morrer, pois o que tem vida tem
imortalidade.

O que nasce é o Filho de Deus, criado à imagem do seu Pai, e esse renascimento como
Cristo é independente do nascimento do corpo, envolvendo apenas a escolha da mente pelo
poder curativo do milagre. O ego nos diz que esse Cristo foi crucificado, no entanto, permanece
a verdade de que Ele nunca morreu, uma vez que Ele nunca deixou a Fonte da Vida eterna. O
milagre do perdão inicia o processo de desfazer o sistema de pensamento de morte, por nos
fazer levar a idéia à fonte, a forma ao conteúdo, o ego ao Espírito Santo:

Quando aceitaste o propósito do Espírito Santo em lugar do propósito do ego,


renunciaste à morte trocando-a pela vida. Nós temos o conhecimento de que uma
idéia não deixa a sua fonte. E a morte é o resultado do pensamento a que
chamamos de ego com tanta certeza quanto a vida é o resultado do Pensamento de
Deus (T-19.IV-C-2:13-15).

O milagre da vida não tem idade, tendo nascido no tempo, mas nutrido na
eternidade. Contempla esse infante, a quem deste um lugar de descanso através do
teu perdão ao teu irmão e vê nele a Vontade de Deus. Aqui renasce o bebê de
Belém. E todos aqueles que lhe dão abrigo o seguirão, não à cruz, mas à
ressurreição e à vida (T-19.IV-C-10:6-9).

305
Nós encerramos com essa adorável passagem de “Pois Eles vieram”, ecoando a
conclusão desse resumo, e refletindo o fim do reinado do ódio e o retorno às nossas mentes da
Unicidade de Deus e de Seu Filho:

O sangue do ódio se desvanece para deixar que a grama verde cresça outra vez e
as flores sejam todas brancas e resplandecentes no sol de verão. O que foi um lugar
de morte agora veio a ser um templo vivo em um mundo de luz. Por causa Deles. É
a Presença Deles que elevou a santidade para retomar o seu antigo lugar sobre um
antigo trono. Por causa Deles, milagres brotaram como grama e flores na terra árida
que o ódio havia queimado e deixado desolada. O que o ódio engendrou, Eles
desfizeram. E agora estás em uma terra tão santa que o Céu se inclina para unir-se
a ela e faz com que ela seja como ele próprio. A sombra de um antigo ódio se foi e
todas as pragas e toda a aridez deixaram para sempre a terra à qual Eles vieram (T-
26.IX.3).

306
LIÇÃO 341

Só posso atacar a minha própria impecabilidade,


e é apenas isso que me mantém a salvo.

Iniciando com a Lição 341, as próximas dez lições diferem do que nos acostumamos a ver
na Parte II. Primeiro, o título da lição aumenta, começando com duas linhas em vez de uma, e
depois, passando a três, na Lição 347. Em segundo lugar, cada lição começa com uma oração
a Deus, a parte dominante da lição. Assim, o número de palavras que Jesus nos diz diminui,
enquanto ele amplia o que devemos dizer a Deus em nossa oração:

Essa primeira lição é uma extensão da Lição 135, “Se eu me defendo, sou atacado”. Se
eu vir a mim mesmo como vulnerável e precisando de defesa, preciso ver a mim mesmo como
separado e pecador. Portanto, quando mantenho mágoas contra outros, ataco não apenas sua
impecabilidade, mas a minha também, uma vez que somos um.

(1) Pai, o Teu Filho é santo. Eu sou aquele a quem sorris com amor e com tão profunda e
serena ternura que o universo sorri de volta a Ti e compartilha da Tua Santidade. Quão
puros, seguros e santos somos nós, habitando no Teu Sorriso, com todo o Amor que Tu
nos concedeste, vivendo e sendo uno Contigo em fraternidade e Paternidade completas,
em impecabilidade tão perfeita, que o Senhor da Impecabilidade nos concebe como Seu
Filho, um universo de Pensamento que O contempla.

Essa é uma adorável versão da Unicidade da Filiação como Cristo, e Sua Unicidade com
Deus. O sorriso de Deus – uma metáfora, é claro – nos diz que nada aconteceu na separação,
pois fomos nós que levamos a diminuta e louca idéia a sério, fazendo um mundo baseado na
reação equivocada do ego. O sorriso gentil do Espírito Santo – a expressão do princípio de
Expiação – reflete o sorriso de Deus que desfaz essa tolice, como vemos nessa importante e
familiar passagem do texto:

O Espírito Santo percebe a causa rindo gentilmente e não olha os efeitos. De que
outra maneira poderia ele corrigir o teu erro, já que absolutamente não olhaste para
a causa? Ele pede que tu Lhe tragas cada efeito terrível para que possam olhar
juntos para a sua causa tola e possas rir um pouco com Ele. Tu julgas os efeitos,
mas Ele julgou a causa. E através do julgamento do Espírito Santo os efeitos são
removidos. Talvez venhas em lágrimas. Mas ouve-O dizer: “Meu irmão, Filho santo
de Deus, contempla o teu sonho vão, no qual isso poderia ocorrer”. E deixarás o
instante santo com o teu riso e o do teu irmão unidos ao Seu (T-27.VIII.9).

(2) Então, não ataquemos a nossa impecabilidade, pois ela contém o Verbo de Deus para
nós. E, no seu reflexo benigno, somos salvos.

Nós atacamos nossa pecaminosidade por atacarmos nossos irmãos, que é o motivo pelo
qual os atacamos: manter o pecado intacto em nossas mentes iludidas e, portanto, manter a
realidade da separação. Assim, Jesus nos pede, mais uma vez, para escolhermos o que
queremos – pecado ou impecabilidade, aprisionamento ou liberdade, cegueira ou visão:

A tua questão não deveria ser “Como posso ver o meu irmão sem o corpo?”.
Apenas pergunta: “Realmente desejo vê-lo sem pecado?”. E ao perguntares, não te
esqueças de que é vendo a sua impecabilidade que tu escaparás do medo. A
salvação é a meta do Espírito Santo. O meio é a visão. Pois aqueles que vêem
307
olham para o que é sem pecado. Ninguém que ame pode julgar e o que ele vê está
livre de qualquer condenação. E o que ele vê, ele não fez, pois lhe foi dado para que
ele veja, assim como lhe foi dada a visão que fez com que fosse possível ver (T-
20.VII.9).

308
LIÇÃO 342

Deixo o perdão descansar sobre todas as coisas,


pois assim o perdão me será dado.

As Lições de 342 a 345 revisitam o tema do dar e receber, tão proeminente no livro de
exercícios, para não mencionar no texto. O fato de que dar e receber são o mesmo desfaz o
princípio do ego de um ou outro – se eu der algo a você, você o tem e eu não; se eu o tirar de
você, você não o terá e eu terei. Assim, para o ego, dar e receber não são o mesmo. Isso é
patentemente verdadeiro no mundo da materialidade, mas não em pensamento, onde a
igualdade de dar e receber vale tanto para o ego quanto para o Espírito Santo. Se eu der
minha culpa a você e o atacar, ainda a receberei. Da mesma forma, quando desfaço a culpa e
perdôo, ensino a mim mesmo que estou perdoado também: “Deixo o perdão descansar sobre
todas as coisas, pois assim o perdão me será dado”. Eu, portanto, aprendo que o meu pecado
de separação de Deus é desfeito através do reconhecimento de que não existe pecado no meu
irmão. Começo ali porque é aí que o ego me ensinou que eu estou – o mundo agressivo de
corpos -, no início da sua escada de culpa e ódio. Pedindo a Jesus para me ajudar a olhar de
forma diferente para minhas percepções de corpos separados no relacionamento, aprendo que
o que eu percebi fora é simplesmente o que tornei real dentro; uma escolha equivocada pela
separação que agora posso alegremente corrigir através do perdão – a dádiva que tanto dou
quanto recebo.

(1:1-4) Pai, eu Te agradeço pelo Teu plano para salvar-me do inferno que fiz. Ele não é
real. E Tu me deste os meios de provar a sua irrealidade para mim. A chave está em
minhas mãos e alcancei a porta além da qual está o fim dos sonhos.

O inferno do mundo externo de sofrimento e morte não é real, e nem o inferno do mundo
interno de pecado, culpa e medo. Metaforicamente falando, Deus nos dá os meios de
provarmos essa irrealidade através do Espírito Santo em nossas mentes. A “chave” não está
nas mãos de Jesus, nas Mãos de Deus, ou nas mãos do Curso; ela está em nossas mãos. Foi
nossa escolha deixarmos o Céu, e agora é nossa escolha voltarmos a ele. “O perdão é a
chave para a felicidade” (LE-pI.121), mas só podemos virar a chave quando nossas mãos
estão unidas às de Jesus. Não podemos fazê-lo sem ele, e ele não pode fazê-lo sem nós.
Pacientemente, ele espera nossa decisão de deixá-lo nos ajudar.

(1:5-8) Paro diante da porta do Céu e me pergunto se devo entrar e estar em casa. Que
hoje eu não espere de novo. Que eu perdoe todas as coisas e deixe a criação ser como
queres que seja e como é. Que eu me lembre que sou Teu Filho e, quando enfim abrir a
porta, que eu esqueça as ilusões no esplendor da luz da verdade à medida em que a Tua
memória volta a mim.

Como está acostumado a fazer, Jesus nos mostra que existe uma parte de nós que ainda
está incerta de que é isso o que queremos, pois tememos que se fizermos o que ele pede,
vamos nos perder.

(2) Irmão, perdoa-me agora. Venho para levar-te para casa comigo. E, à medida que
caminhamos, o mundo vai conosco no nosso caminho para Deus.

Jesus nos diz, “Eu não posso ajudá-lo a voltar para casa se você ainda guardar mágoas
contra mim, pensando que eu sou um tirano que exijo sacrifício de você, insistindo em que
você faça do meu jeito em vez do seu. Você tem que entender que isso são projeções que
309
você colocou sobre mim, e não tem nada a ver com o meu amor por você”. Desnecessário
dizer, conforme caminhamos para casa com Jesus, caminhamos com todos os outros. O Filho
de Deus é um e, através do nosso perdão a um que representa o Um, nós lembramos do Cristo
Que é nosso lar.

310
LIÇÃO 343

Não me é pedido que faça um sacrifício


para achar a misericórdia e a paz de Deus.

Continuando com o tema da unidade de dar e receber, essa lição se focaliza


especificamente no sacrifício, que é baseado na idéia de que se eu for receber algo, tenho que
me desfazer de algo; se eu for receber amor, tenho que pagar por ele.

(1:1-4) O fim do sofrimento não pode ser perda. A dádiva de todas as coisas só pode ser
benefício. Tu apenas dás. Nunca tiras.

Essa é nossa oração a Deus, mas o ego nos faz acreditar exatamente no oposto: o Deus
do mundo dá a vida e a tira. Os serviços de funerais quase sempre afirmam esse pensamento,
e por trás dele está a idéia de que nós roubamos de Deus, e agora Ele está justificado em
pegar de volta – através da morte – a vida que acreditamos ter roubado Dele.

(1:5-11) E me criaste para ser como Tu és, por isso o sacrifício é impossível para mim
como para Ti. Eu também tenho que dar. Assim todas as coisas me são dadas para todo
o sempre. Permaneço como fui criado. O Teu Filho não pode fazer nenhum sacrifício,
pois não pode deixar de ser completo, tendo a função de completar a Ti. Sou completo
porque sou Teu Filho. Não posso perder, pois só posso dar e tudo é meu para sempre.

Isso corrige o sistema de pensamento do ego que diz que a forma de ganhar a
misericórdia e a paz de Deus é pagá-Lo por isso – o nascimento da estranha noção de que
Deus exige sacrifício. Nos tempos bíblicos, Deus exigia sacrifício animal, e depois, o sacrifício
do Seu Filho. Seguindo isso, nós sacrificamos o prazer dos nossos próprios corpos. Tudo isso
faz sentido perfeito do ponto de vista do ego, mas não faz sentido algum do ponto de vista da
verdade, que não sabe nada sobre tal insanidade:

O sacrifício é uma noção totalmente desconhecida para Deus. Ele só surge do medo
e pessoas assustadas podem ser perversas. O sacrifício, sob qualquer forma, é uma
violação da minha injunção segundo a qual deverias ser misericordioso até mesmo
como o Teu Pai no Céu é misericordioso (T-3.I.4:1-3).

Em outras palavras, “Deus pensa de outra forma” (T-23.I.2:7), e então, nosso sistema de
pensamento de culpa e punição, vingança e sacrifício, é quietamente desfeito através do
perdão, que restaura nossa consciência da completude do Filho de Deus. O sonho de sacrifício
do ego – um ou outro – termina com nosso acolhimento ao princípio do Espírito Santo – juntos,
ou não de forma alguma. Assim, nos lembramos da nossa Identidade, o Cristo eterno que Deus
criou como Ele Mesmo.

(2) A misericórdia e a paz de Deus são gratuitas. A salvação não tem nenhum custo. É
uma dádiva que tem que ser livremente dada e recebida. E é isso que queremos
aprender hoje.

O amor de Deus é total, e é totalmente presente para todos os Filhos, que, em suas
ilusões, acreditam que são separados. Assim, eles acreditam que sua separação de Deus tem
que ser comprada a um preço – a transigência da Unicidade de Deus e Seu Filho. No entanto,
Jesus nos salva dessa insanidade por gentilmente nos ensinar que não podemos fazer
311
transigências com a realidade, pois o amor do Céu não é diminuído pela nossa crença no
inferno do julgamento:

A salvação não é uma transigência de maneira alguma. Fazer transigências é


aceitar apenas parte do que queres, levar um pouco e renunciar ao resto. A
salvação não renuncia a nada. Ela é completa para todos (T-23.III.3:1-4).

Lembre-se dessa declaração reconfortante: “O Verbo de Deus não tem exceções” (MP-
13.7:5).

312
LIÇÃO 344

Hoje aprendo a lei do amor: o que


dou ao meu irmão é a minha dádiva para mim.

Isso reitera a idéia de que dar e receber são o mesmo, tanto do ponto de vista da mente
errada quanto da mente certa. Isso também vale para a lei do ódio e para a lei do amor, e
então, a culpa que dou ao meu irmão é a culpa que dou a mim mesmo, assim como acontece
com o perdão.

(1:1-2) Essa é a Tua lei, meu Pai, e não a minha. Eu não compreendia o que significava
dar e pensava em guardar o que desejava só para mim.

Nós temos um lugar secreto em nossas mentes, onde nos agarramos ao que nutrimos e
chamamos de nosso. Nunca vamos abrir mão disso e, portanto, nunca vamos poder dar amor
inteiramente. Quer estejamos conscientes desse pensamento ou não, ele está em todos nós.
Não vamos dar tudo a um relacionamento; não vamos dar tudo a Jesus ou ao Um Curso em
Milagres; não vamos dar tudo a Deus. Resta uma parte da nossa individualidade que
mantemos afastada. Essa é nossa lei, porque se perdermos essa identidade especial,
perderemos nossos próprios seres.

(1:3-4) E, ao olhar para o tesouro que pensei ter, achei um vazio onde não há nada,
jamais houve e jamais haverá. Quem pode compartilhar um sonho?

As dádivas que você me dá quando perdôo são as dádivas da lembrança da minha


impecabilidade. Quando perdôo você, percebo que a luz de Cristo brilha em você assim como
brilha em mim, e sua falta de benignidade é apenas um pedido de amor que espelha o meu
próprio. Nós somos unidos nesse chamado por amor, assim como somos unidos no amor que
é nosso verdadeiro Ser.

(2) Como estamos próximos um do outro ao caminharmos para Deus! Como Ele está
perto de nós! Como estão próximos o fim do sonho do pecado e a redenção do Filho de
Deus!

Nós precisamos aprender, conforme trilhamos nosso caminho para casa, o quanto
estamos próximos uns dos outros, e no final da jornada, entendemos que não estamos
próximos uns dos outros de forma alguma, nós somos os outros; não os seres individuais que
parecem compartilhar, mas o Filho único de Deus que adormeceu, e o Filho único de Deus que
permaneceu desperto dentro do seu Pai. Lembre-se dessa passagem de A Canção da Oração:

A escada termina com isso, pois o aprendizado já não é mais necessário. Agora
estás diante do portão do Céu, e lá teu irmão está ao teu lado. O gramado é
profundo e quieto, pois é aqui o lugar marcado para o momento em que deverias vir,
e ele esperou por ti durante muito tempo. Aqui o tempo acabará para sempre. Neste
portão a própria eternidade se unirá a ti. A oração veio a ser o que deveria ser, pois
reconheceste o Cristo em ti (C-1.V.4).

313
LIÇÃO 345

Hoje só ofereço milagres,


pois quero que eles me sejam devolvidos.

O tema da unicidade de dar e receber é discutido aqui no contexto dos milagres. Os


milagres que oferecemos corrigem nossos pensamentos projetados. Eles não são nada
externo; não são lindos, benignos, santos ou puros – não são algo sobre o que nos gabarmos.
Eles são apenas a retirada da projeção, refletindo a mudança da mente sobre nossa culpa
original. Eles desfazem, revertendo o que o ego fez. Assim, olhamos para os sonhos de
devastação do ego – interno e externo, e gentilmente sorrimos ao aceitarmos que eles não são
a verdade. Portanto, é nossa meta da mente certa ensinar uns aos outros, mostrando que os
ataques daqueles que tentaram nos ferir não tiveram efeito sobre o nosso amor. Ao
ensinarmos esse milagre aos outros, reforçamos sua verdade em nós mesmos.

(1:1) Pai, um milagre reflete as Tuas dádivas para mim, Teu Filho.

A dádiva de Deus é o Seu Amor; o milagre é o Seu reflexo. No início do texto, Jesus diz
que a fonte dos milagres é o amor (T-1.I.3), o que significa que o milagre não é amor, mas a
princípio de correção do Espírito Santo em nossas mentes – o pensamento de Expiação da
mente certa que reflete o amor do Céu.

(1:2-4) E cada um que eu dou volta para mim, lembrando-me que a lei do amor é
universal. Mesmo aqui, ele se manifesta de uma forma que pode ser reconhecida e pode-
ser ver que funciona. Os milagres que dou me são dados de volta sob a forma exata de
que preciso para ajudar-me com os problemas que percebo.

A lei do amor é universal, valendo para todos; o princípio de Expiação é universal,


valendo para todos. No entanto, as formas específicas nas quais praticamos a Expiação vão
diferir para cada um de nós; o significado das palavras de Jesus no final do manual de que o
currículo é altamente individualizado (MP-29.2:6). É isso o que ele quer dizer aqui quando fala
que vamos experimentar a correção nas formas que precisarmos. Uma vez que escrevemos
nossos roteiros de relacionamentos especiais, e eles diferem dos roteiros dos outros, nossas
experiências de desfazer o ego também vão diferir. O princípio subjacente é sempre o mesmo,
entretanto – a mente sonhou o sonho e, portanto, é só a mente que pode modificá-lo.

(1:5-7) Pai, no Céu é diferente, pois lá não há necessidades. Mas aqui na terra. O milagre
está mais próximo das Tuas dádivas do que qualquer outra dádiva que eu possa dar.
Portanto, que hoje eu só ofereça essa dádiva nascida do verdadeiro perdão, pois ela
ilumina o caminho que tenho que percorrer para lembrar-me de Ti.

Nossa única necessidade aqui é o perdão ou o milagre, pois, como o texto afirma, nós já
temos tudo o que precisamos como o Filho de Deus (T-3.V.6). O milagre nos lembra da nossa
escolha anterior pelo nada, que agora pode ser reconsiderada à luz do reflexo da verdade de
Tudo. No fim, fazer a escolha certa é inevitável, como nos lembramos:

Quem sustentado pelo Amor de Deus poderia achar a escolha entre os milagres e o
assassinato difícil de fazer? (T-23.IV.9:8).

314
(2) Que hoje a paz esteja em todos os corações que buscam. A luz veio para oferecer
milagres para abençoar o mundo cansado. Hoje ele achará o descanso, pois
ofereceremos o que recebemos.

Mais uma vez, o milagre não é necessário no Céu. No entanto, enquanto eu acreditar que
estou nesse mundo exaustivo, preciso do descanso que só apenas a luz curativa do milagre
pode prover.

315
LIÇÃO 346

Hoje a paz de Deus me envolve,


e esqueço todas as coisas exceto o Seu Amor.

Essa é outra lição importante que pode ser útil conforme você atravessar seu dia.
Perceba o quanto você se esquece do Seu Amor e busca se lembrar de tudo o mais. Se for do
Seu Amor que você realmente quiser se lembrar, seu especialismo precisa recuar para os
bastidores e Seu Amor, como refletido através do ensinamento de perdão de Jesus, virá para o
primeiro plano. Se você entender que o propósito desse dia não é satisfazer as necessidades
do seu ego, mas em vez disso ser uma sala de aula na qual sua única necessidade de perdão
é satisfeita, esse propósito estará no primeiro plano, e os eventos e relacionamentos diários
vão refletir esse propósito modificado. Eles, portanto, vão se tornar o currículo no qual você
aprende as lições que vão impulsioná-lo ao longo do seu caminho de Expiação. Esse é o
significado de “esqueço de todas as coisas exceto o Seu Amor”. Jesus não quer dizer que você
tem que literalmente pensar no Amor de Jesus durante o dia todo; mas ele pede que você
pense na dádiva que o reflexo do Amor oferece a você de formas muito específicas – a
oportunidade de aprender lições na sua sala de aulas de perdão.

(1:1-2) Pai, hoje desperto com milagres corrigindo a minha percepção de todas as
coisas. E assim começa o dia que compartilho Contigo como compartilho a eternidade,
pois nesse dia o tempo deu um passo ao lado.

Quando escolho o instante santo, estou fora do tempo. É assim que ele é deixado de
lado. Isso não significa que nego que vivo em um mundo de tempo e espaço. Simplesmente
significa que o mundo recua para os bastidores, e seu lugar é tomado pela lição que vem da
intemporalidade – minha realidade está fora do sonho. Eu agora entendo que escolhi esse
sonho porque desejei manter minha figura especial de sonho viva e bem, mas estou pronto
para querer aprender algo mais.

(1:3-4) Não busco as coisas do tempo e por isso não olharei para elas. O que busco hoje
transcende todas as leis do tempo e das coisas percebidas no tempo.

Isso não implica em que você não assiste às notícias, lê jornais, ou ouve a história triste
de alguém, mas que olha para tudo isso através dos olhos de Jesus. Lembre-se de que antes
de você entender que o mundo perceptual é uma ilusão, primeiro tem que reverter a figura e
cenário; seu lugar tomado pela lição que vem da intemporalidade – minha realidade está fora
do sonho. Eu agora entendo que escolhi esse sonho porque desejei manter minha figura de
sonho especial viva e bem, mas estou pronto e disposto a aprender algo mais.

(1:5-7) Quero esquecer todas as coisas, exceto o Teu Amor. Quero habitar em Ti e não
conhecer outras leis, exceto a Tua lei do amor. E quero achar a paz que criaste para o
Teu Filho, esquecendo todos os tolos brinquedos que fiz ao contemplar a Tua glória e a
minha.

Esses brinquedos tolos, como vimos em outro trecho, são os pensamentos de pecado e
ataque do ego.

(2) E hoje, ao cair da noite, não nos lembraremos de nada além da paz de Deus. Pois
hoje aprenderemos qual é a nossa paz, ao esquecermos todas as coisas exceto o Amor
de Deus.
316
Esse é o pensamento com o qual deveríamos despertar, manter conosco durante o dia
todo, e com o qual iremos para a cama; isto é, nosso único propósito aqui é aprender que não
estamos aqui. Nosso professor amoroso nos ajuda a lembrar desse propósito quando nos
esquecermos.

317
LIÇÃO 347

A raiva vem do julgamento. O julgamento é


a arma que eu quero usar contra mim mesmo
para afastar de mim o milagre.

A Lição 347 é outra oportunidade para entendermos a insanidade de nossas escolhas,


aqui, exemplificada por julgarmos a nós mesmos, a causa da nossa raiva. Assim, vemos
novamente a importância de reconhecer o propósito por trás da feitura do mundo e de
julgarmos tudo nele. Tais julgamentos nos mantêm em um estado de ausência de mente, o que
mantém o milagre do Espírito Santo distante de nós.

(1:1-3) Pai, quero o que se opõe à minha vontade e não o que é a minha vontade ter.
Endireita a minha mente, meu Pai. Ela está doente.

Essa passagem traz à mente o conhecido lamento de São Paulo: “Por que o bem que
quero fazer, não faço, e o mal que não quero fazer, faço?” (Romanos 7:19). Em outras
palavras, porque sou tão insano? Por que é que aquela parte de mim quer fazer a coisa certa
e, no entanto, sempre acabo fazendo a coisa errada; e as coisas erradas que não quero fazer,
são as próprias coisas que me pego fazendo? Esse é o ponto de Jesus aqui, deixando clara
para nós nossa insanidade em fazermos as próprias coisas que nos impedem de sermos
felizes. Nós pensamos que a felicidade vem de guardar mágoas ou adorar os ídolos do
especialismo. No entanto, eles apenas nos trazem tristeza, e nossas mentes estão doentes
para pensarem de outra forma. A humildade nos ajuda a entender essa doente insanidade, o
precursor de liberá-la.

(1:4-8) Mas Tu me ofereceste a liberdade e hoje eu escolho reivindicar a Tua dádiva.


Assim, dou todo julgamento Àquele Que me deste para julgar por mim. Ele vê o que eu
contemplo e ainda assim conhece a verdade. Ele olha para a dor, e ainda assim
compreende que não é real e, na Sua compreensão, ela é curada. Ela dá os milagres que
os meus sonhos querem esconder da minha consciência.

De forma interessante, no contexto dessa passagem, o Espírito Santo vê o mundo através


dos nossos olhos. Estritamente falando, é claro, Ele não vê coisa alguma; o ponto sendo que
nós não deveríamos negar o que nossos olhos vêem, mas em vez disso, olhar para o mundo
através de lentes diferentes. Jesus nos diz, por exemplo, que deveríamos olhar para nossa dor:
“Não negue a existência das guerras, enchentes e escassez, sob as quais inúmeras pessoas
sofrem. Não negue que você está sofrendo. Mas deixe-me ajudá-lo a olhar para a dor de forma
diferente. Deixe-me usar sua percepção de sofrimento para mostrar a você que ela espelha
sua escolha por um pensamento interno de sofrimento”. Esse, então, é o único valor do mundo
– não existe outra forma de voltar à mente exceto através do mundo, porque nós o fizemos e
acreditamos estar aqui. Embora o mundo em si não seja santo, ele ainda pode servir ao
propósito santo de refletir de volta para nós as escolhas reprimidas da mente, o que corrige o
propósito ao qual os sonhos de raiva, julgamento, dor e morte do ego servem: ocultar o fato de
que somos os tomadores de decisão na mente, o sonhador do sonho.

(1:9-11) Que Ele julgue no dia de hoje. Não conheço a minha vontade, mas Ele tem
certeza de que é a Tua. E Ele falará por mim e invocará os Teus milagres para que
venham a mim.

Eu simplesmente tenho que pedir ajuda ao Espírito Santo, e assim, Jesus nos diz:
318
(2) Hoje, escuta. Fica muito quieto e ouve a Voz gentil por Deus, assegurando-te que Ele
te julgou como o Filho que Ele ama.

Ficar quieto significa silenciar meus pensamentos de julgamento, raiva e especialismo e,


acima de tudo, minhas declarações arrogantes de que estou certo.

319
LIÇÃO 348

Não tenho razão para ter raiva ou medo,


pois estás à minha volta. E, para cada necessidade
que percebo, a Tua graça me basta.

“Não tenho razão para ter raiva ou medo” porque sou invulnerável e assim, não tenho
mais que me defender – preservando minha individualidade por ficar zangado, amedrontado
com o que os outros farão a mim. Isso reflete a crença do ego de que a graça de Deus não é
suficiente, a antítese da experiência de São Paulo sobre Jesus dizendo a ele: “Minha graça é
suficiente para ti” (2 coríntios 12:9a). Assim, queremos entender que sempre que estivermos
zangados ou fizermos indulgências ao nosso especialismo, estamos dizendo a Jesus: “Seu
amor e paz não são suficientes; eu desejo o amor especial e a minha paz. Eu quero as coisas
do meu jeito, não do seu, e se você insistir em me ajudar, tenha certeza de que será do jeito
que eu quiser que seja”. Entendendo a insanidade dessa posição, finalmente estaremos livres
para fazer outra escolha – a dele.

(1:1-5) Pai, que eu me lembre de que estás aqui e de que não estou só. Estou cercado do
Amor que dura para sempre. Não há causa para coisa alguma exceto a paz perfeita e a
alegria que compartilho Contigo. Que necessidade tenho eu da raiva e do medo? Estou
cercado de perfeita segurança.

Quando somos indulgentes com o nosso especialismo, estamos zangados e


amedrontados, é o deus do ego que está conosco, não o verdadeiro Deus. O que torna o Um
Curso em Milagres único entre as espiritualidades do mundo é o ensinamento de Jesus de que
existe uma motivação específica para a raiva, medo e especialismo: bloquear a consciência do
seu amor e a memória de Deus.

(1:6-8) Como posso ter medo, se a Tua promessa eterna vai comigo? Estou cercado de
perfeita impecabilidade. De que posso ter medo, se me criaste em santidade tão perfeita
quanto a Tua?

Quando estou com medo, zangado e cheio de julgamentos, nego minha invulnerabilidade
e segurança pelo fato do Amor de Deus estar dentro de mim. Eu, portanto, neguei o Amor que
é minha única necessidade, e a promessa de Deus quando me criou. A segunda estrofe do
poema de Helen, “A Promessa”, também fala da promessa do nosso Criador:

Através dos anos, através do arco do tempo,


O que era quieto é, e ainda será novamente;
Tua única promessa, nunca será modificada.
Ouça-me, meu Senhor! Eu não posso chamar em vão.

(As Dádivas de Deus, p. 14)

(2) A graça de Deus nos basta para tudo o que Ele quer que façamos. E escolhemos que
a nossa vontade, assim como a Sua, seja apenas isso.

Nós precisamos entender o quanto não escolhemos a Vontade de Deus em nossa vida
diária, e, no entanto, temos o poder de escolher Sua Graça como o guia abençoado em nossa
atividade diária, como lemos novamente no verso final do manual:

320
E agora, em tudo o que faças sê tu abençoado.
Deus volta-Se para ti pedindo ajuda para salvar o mundo.
Professor de Deus, Ele te oferece a Sua gratidão,
e o mundo todo fica em silêncio na graça que trazes do Pai (MP-29.8:1-3).

321
LIÇÃO 349

Hoje deixo que a visão de Cristo contemple


todas as coisas por mim sem julgá-las, mas dando
a cada uma um milagre de amor.

Nossa oração, então, é que não julguemos, o que significa que não atacamos ou
condenamos nossos irmãos. Ao fazermos isso, nós atacamos a nós mesmos e, portanto,
pedimos ajuda para olharmos para o mundo através da visão de Cristo em vez da nossa
própria, permitindo que Seu milagre repouse sobre nós.

(1:1) Assim quero liberar todas as coisas que vejo e dar-lhes a liberdade que busco.

Liberando-o das amarras da culpa que coloquei em você, o libero do meu sonho. Dentro
do seu sonho, você ainda tem que escolher se vai ou não aceitar essa liberdade, mas no meu
perdão, demonstro que nosso princípio orientador não é um ou outro, mas juntos, ou não de
forma alguma. É assim que entendo que estou perdoado também.

(1:2-6) Pois assim obedeço a lei do amor, dando o que quero achar e fazer com que seja
meu. E isso me será dado, porque o escolhi como a dádiva que quero dar. Pai, as Tuas
dádivas são minhas. Cada uma que aceito me dá um milagre para ser dado. E, ao dar
como quero receber, aprendo que os Teus milagres de cura me pertencem.

Eu quero dar a dádiva, porque quero recebê-la. Se eu realmente quiser aprender que
meus pecados estão perdoados e que Deus me ama, tudo o que preciso fazer é estender esse
amor através do meu perdão a outros, que ainda podem acreditar de outra forma.

(2) O nosso Pai conhece as nossas necessidades. Ele nos dá a graça para atender a
todas elas. E assim confiamos que Ele nos enviará milagres para abençoar o mundo e
curar as nossas mentes, à medida em que voltamos para Ele.

Isso foi tirado do Sermão da Montanha, no evangelho de Mateus, onde Jesus explica que
Deus conhece nossas necessidades e nos ama: na verdade, que cada cabelo de nossas
cabeças está contado, e que Ele nos ama ainda mais do que aos lírios do campo (Mateus
6:8,28-30,32). Colocando isso dentro dos ensinamentos do Um Curso em Milagres,
entendemos que Deus não conhece realmente nada sobre nossa necessidade, porque Ele não
conhece nada sobre nós em um estado separado. No entanto, Seu Amor veio até nós dentro
da ilusão através do Espírito Santo e, portanto, a necessidade que “nosso Pai conhece” é
desfazer nossa escolha equivocada através do milagre. Nós já vimos que a natureza corretiva
do milagre reflete o Amor de Deus dentro do sonho, que desfaz o sistema de pensamento do
ego e cura nossos pesadelos sangrentos de separação, desesperança e morte. O milagre que
o perdão traz, portanto, só pode curar nosso irmão e a nós mesmos como um, a única
necessidade mantida pelo mundo de ódio e culpa, pois só o milagre permite que ouçamos o
antigo toque de clarins da graça do Pai:

Um milagre não pode oferecer a ele nada menos do que deu a ti. Assim a tua cura
mostra que a tua mente está curada e perdoaste o que ele não fez. E assim ele se
convence de que a sua inocência nunca foi perdida e é curado junto contigo. Deste
modo, o milagre desfaz todas as coisas que o mundo atesta que nunca podem ser
desfeitas. E a desesperança e a morte têm que desaparecer diante do antigo
chamado da vida que é feito por clarins. Esse chamado tem um poder muito maior
322
do que o grito fraco e miserável da morte e da culpa. O antigo chamado do Pai ao
Seu Filho e do Filho ao que é dele, ainda será a última trombeta que o mundo
jamais ouvirá. Irmão, a morte não existe. E isso aprendes quando apenas desejas
mostrar ao teu irmão que não foste ferido por ele. Ele pensa que o teu sangue está
nas suas próprias mãos e assim está condenado. Entretanto é dado a ti mostrar-lhe,
através da tua cura, que a sua culpa não é senão a base de um sonho sem sentido
(T-27.II.6).

323
LIÇÃO 350

Os milagres espelham o eterno Amor de Deus.


Oferecê-los é lembrar-se Dele
e, através da Sua memória, salvar o mundo.

A maneira de nos lembrarmos do Amor de Deus é perdoar, retirando as projeções


colocadas no mundo. Uma vez que ele é um com nosso pensamento, quando o pensamento
de separação é curado, o mundo é curado também.

(1:1-2) O que perdoamos vem a ser parte de nós assim como percebemos a nós
mesmos. O Filho de Deus incorpora todas as coisas dentro de si, tal como Tu o criaste.

Meu ataque ensina que você é diferente e separado de mim; não uma parte do meu ser.
Esse é o propósito do ego para corpos específicos – perceber as pessoas como separadas e
diferentes: “Você é pecador e eu inocente. Assim, você não é uma parte de mim e eu evito a
sua presença senão seus pecados vão contaminar minha inocência”. Quando deixo esse
insano pensamento de lado, começo a entender que você e eu somos um, e que eu não posso
voltar para casa, para o Amor de Deus, a menos que primeiro entenda que nós somos o
mesmo – na ilusão e na verdade. Isso desfaz nossas tentativas da mente errada de
separarmos todas as coisas de nós mesmos. A correção – a dádiva do milagre – nos ajuda a
lembrar da nossa unicidade inerente como o Filho de Deus.

(1:3-5) A Tua lembrança depende do seu perdão. O que ele é não é afetado pelos seus
pensamentos. Mas o que ele contempla é o seu resultado direto.

Lembre-se do que equivale a uma fórmula no Um Curso em Milagres: nós vemos a face
de Cristo em nosso irmão e nos lembramos de Deus. Ver a face de Cristo é perdoar, o que
permite que a memória do Amor de Deus volte a nós. A verdadeira Identidade do Filho de Deus
nunca foi afetada por esse pensamento insano, mas o que nós acreditamos que somos e
percebemos com nossos olhos é um resultado direto dos pensamentos do ego. Quando somos
indulgentes com esses pensamentos, os tornamos reais, os projetamos e acreditamos que os
vemos em todos os lugares ao nosso redor em vez de em nós mesmos. No entanto, nossa
verdadeira realidade não é afetada pelo que pensamos – o significado da Expiação. No
entanto, pelo fato de pensarmos que esses pensamentos de separação são reais, continuamos
adormecidos, acreditando que nossos sonhos são a realidade. Nossas experiências físicas e
psicológicas como corpos são as testemunhas que “provam” que o que estamos sonhando
está realmente ali. É desse sonho de insanidade que o milagre nos ajuda gentilmente a
despertar.

(1:6-8) Portanto, meu Pai, quero me voltar para Ti. Só a Tua memória me libertará. E só o
meu perdão ensina-me a deixar que a Tua memória volte a mim e a dá-la ao mundo com
gratidão.

A única maneira da memória de Deus voltar a mim e eu perceber que sou Seu Filho é
mudando meu sistema de pensamento de separação e especialismo. Eu consigo isso através
da liberação do meu investimento em seus efeitos – as projeções que coloquei em todos ao
meu redor, que aprisionaram o mundo, junto comigo.

(2) E ao reunirmos os milagres de Deus, ficaremos realmente gratos. Pois, à medida em


que nos lembrarmos Dele, Seu Filho nos será restituído na realidade do Amor.
324
Esse Filho é a Unicidade de Cristo. Como o texto diz, a Unicidade do Filho transcende a
soma das suas partes (T-2.VII.6:3). Não é você, eu, e todos os outros somados como um
glorioso todo, pois o todo de Cristo é sua unidade indivisa e ausência de individualidade.
Lembrar dessa Identidade através do perdão é de onde brotam a nossa gratidão e o retorno à
sanidade.

325
14. O que sou eu?

Nós chegamos ao resumo final, “O que sou eu?”. Das muitas jóias no baú de tesouros do
Curso, esta está entre as mais valiosas – uma linda descrição de Quem somos como o Filho de
Deus. A resposta que Jesus dá a essa questão é o foco subjacente no Um Curso em Milagres,
na medida em que o problema no início, quando escolhemos o ego em vez do Espírito Santo,
foi termos feito um ser que decididamente não é Quem nós somos. Paralela a isso está a única
pergunta feita a seus seguidores pelo iluminado professor indiano Ramana Maharshi: “Quem
sou eu?”. Se a resposta for o corpo e a personalidade, teremos respondido de forma incorreta,
e dessa crença vem nossa dor, miséria e infelicidade. O propósito do Um Curso em Milagres,
portanto, é nos ajudar a estarmos abertos a fazermos à pergunta certa – “O que sou eu?” -,
para que possamos ouvir e aceitar sua inspiradora resposta:

(1) Eu sou o Filho de Deus, completo, curado e íntegro, brilhando no reflexo do Seu
Amor. Em mim a Sua criação é santificada e a vida eterna é garantida. Em mim o amor
vem a ser perfeito, o medo impossível e a alegria é estabelecida sem opostos. Eu sou o
lar santo do próprio Deus. Eu sou o Céu onde habita o Seu Amor. Sou a Sua santa
impecabilidade, pois na minha pureza habita a Sua própria.

Essa é nossa resposta a tudo o que o ego jamais ensinou ser verdadeiro sobre nós
mesmos, desfazendo todo medo e culpa, toda dor e sofrimento. O que resta é a vida eterna
dada a nós na criação, sem ser maculada pelos pensamentos manchados de culpa, dor e
sofrimento do ego. Nunca reais, esses pensamentos se desvanecem na nulidade de sua
própria ilusão. No final glorioso do texto, lemos sobre o fim de uma jornada que nunca
realmente aconteceu:

A fé não é dada à nenhuma ilusão e nada que venha das trevas ainda permanece
para esconder a face de Cristo de quem quer que seja (T-31.VIII.12:5).

Essa face brilhante dura só um instante antes que seu lugar seja tomado pelo Ser
impecável que Deus criou, residindo no lar santo de Deus. Lembre-se desse adorável final ao
esclarecimento de termos:

O Filho está quieto, e na quietude que Deus deu a ele, entra em seu lar e está em
paz afinal (ET-ep.5:6).

A voz de Jesus agora volta a falar conosco:

(2:1-2) Agora, o uso das palavras para nós está quase no fim. Entretanto, nos últimos
dias deste ano que, juntos, tu e eu demos a Deus, achamos um único propósito que
compartilhamos.

Lembre-se de que o Um Curso em Milagres é sobre propósito e nossa necessidade de


entendermos que manter o propósito de individualidade do ego não nos tornou felizes nem nos
trouxe paz. Na verdade, o único propósito acima mencionado, compartilhado com todos, é a
necessidade de perdoarmos e reconhecermos nosso simples equívoco – nada mais do que um
sonho mau, que vai durar apenas enquanto escolhermos acreditar no propósito de separação
do ego. Essa passagem do texto expressa lindamente nosso propósito compartilhado, que
revela à nossa consciência adormecida a consciência da unicidade da Vontade santa de Deus:

A Vontade de Deus está para sempre naqueles cujas mãos estão unidas... Mas
quando se uniram e compartilharam um único propósito, foram livres para aprender
326
que a sua vontade é uma só. E assim a Vontade de Deus tem que chegar à
consciência de todo eles. Tampouco são capazes de esquecer por muito tempo que
ela não é senão a própria vontade de cada um (T-30.V.11:1,3-5).

(2:3) E assim tu te uniste a mim de modo que o que eu sou tu também és.

Jesus agora volta a esse tema importante – nós somos como ele. Ele anuncia isso no
início do texto porque é essencial para nosso aprendizado, tanto que vale outra citação aqui:

Iguais não devem se reverenciar um ao outro, pois a reverência implica


desigualdade. É, portanto, uma reação inadequada a mim. Um irmão mais velho tem
direito ao respeito por sua maior experiência e à obediência por sua maior
sabedoria. Ele também tem direito ao amor, porque é um irmão e à devoção, e é
devotado. É somente a minha devoção que me dá direito à tua. Não há nada em
mim que tu não possas atingir. Eu nada tenho que não venha de Deus. A diferença
entre nós agora é que eu não tenho nada mais. Isso me deixa em um estado que
em ti é apenas potencial (T-1.II.3:5-13).

Seu ensinamento é crucial para desfazer a tradição milenar cristã de que Jesus é
ontologicamente diferente de nós e, portanto, nós não somos como ele. Tendo tal especialismo
como nossa fundação, só podemos ter esperança de nos unirmos a ele, pedindo sua ajuda e
sofrendo como ele fez, mas nunca seremos capazes de ver que somos como ele. Lembre-se
dessas linhas do poema de Helen, “Uma oração a Jesus” que, em contraste, confiantemente
pede ajuda a Jesus para de fato nos tornamos como ele – assim para sermos vistos pelos
nossos irmãos e para nos lembrarmos nós mesmos:

Venham irmão, vejam


O quanto sou semelhante a Cristo, e a você
A quem Ele abençoou e que mantém como um comigo.
Um retrato perfeito do que eu posso ser
Você me mostra, que eu poderia ajudar a renovar
A visão falha dos seus irmãos. Conforme eles erguem os olhos
Que eles não olhem para mim, mas apenas para Você.

(As Dádivas de Deus, p. 92-83)

(2:4-5) A verdade do que somos não pode ser dita ou descrita por palavras. No entanto,
podemos reconhecer a nossa função aqui e as palavras podem falar dela e também
ensiná-la, se exemplificarmos as palavras em nós.

Mais uma vez, Quem somos como Cristo no reino do conhecimento não é o que Jesus
ensina em seu curso, e certamente não é o que somos capazes de aprender. No entanto, ele
pode ensinar e nós podemos aprender como desfazer as interferências à lembrança do nosso
Ser. Portanto, as palavras podem ser úteis como símbolos que corrigem os símbolos do ego. O
leitor sem dúvida vai se lembrar dessa importante discussão no esclarecimento de termos,
onde Jesus explica como as palavras – i.e., símbolos – cumprem seu propósito no Um Curso
em Milagres:

Esse curso permanece dentro da estrutura do ego, onde ele é necessário. Não se
ocupa do que está além de todo erro, porque está planejado somente para
estabelecer a direção nesse sentido. Por conseguinte, usa palavras que são
simbólicas e não podem expressar o que está além dos símbolos (ET-in.3:1-3).

327
O ego fala primeiro, diz o texto (T-5.VI.3:5), e está sempre errado. O Espírito Santo é a
Resposta, e está sempre certo. O ego falou primeiro por produzir seu sistema de pensamento
de separação e fazer o mundo perceptual que é sua cobertura. Um Curso em Milagres é uma
das respostas que o Espírito Santo deu, que usa os símbolos do ego dentro da sua moldura –
o mundo separado -, para um propósito totalmente diferente. Nossa função, no entanto, não é
ensinar a verdade do Um Curso em Milagres por pregá-lo ou explicar sua teoria, mas por
aceitar seus princípios e vivenciá-los, aceitando o amor misericordioso de Jesus que se
estende através de nós. É isso o que ele ensina, e pede para ensinarmos através dele. Não
podemos citar com freqüência suficiente sua exortação a nós, seus discípulos: “Não ensines
que eu morri em vão. Ensine, ao invés disso, que eu não morri, demonstrando que vivo em ti”
(T-11.VI.7:3-4).

(3:1) Somos os portadores da salvação.

Mais uma vez, levamos a salvação exemplificando o ensinamento de Jesus. Um Curso


em Milagres afirma que o melhor ensinamento é através do exemplo (T-5.IV.5:1). De fato,
poderíamos dizer que o único ensinamento real é pelo exemplo, como essa passagem já citada
do manual ilustra:

Ensinar é demonstrar. Existem somente dois sistemas de pensamento e a todo


momento demonstras que acreditas que um ou outro é verdadeiro. A partir da tua
demonstração outros aprendem e tu também. A questão não é se vais ou não
ensinar, pois nisso não há escolha. O propósito do curso é, digamos, prover para ti
um meio de escolheres o que queres ensinar com base naquilo que queres
aprender (MP-in.2:1-5).

Assim, nossa escolha é se vamos ser os portadores da salvação ou da danação, da


ressurreição ou da crucificação – sabendo que o que levamos aos outros, primeiro trouxemos a
nós mesmos.

(3:2-4) Aceitamos o nosso papel de salvadores do mundo que, através do nosso perdão
conjunto, é redimido. E esse, a nossa dádiva, assim nos é dado. Olhamos para todos
como irmãos e percebemos todas as coisas como benignas e boas.

Não é que as coisas em e por si mesmas sejam benignas e boas – sendo nada, ilusões
não têm qualidades nem positivas nem negativas. É o propósito que damos às coisas desse
mundo que as torna benignas e boas. O perdão nos traz essa percepção beneficente, pois só
ele ergue os véus que lançam um pálido mal sobre o mundo projetado que nossos egos nos
fazem ver. No entanto, nossa visão limpa revela um mundo benigno e bom, pois reflete a
benigna bondade do Amor do Espírito Santo, que redime o mundo dos seus falsos conceitos e
percepções – nosso ódio especial se torna nosso amor especial (T-25.VI.6:8), nosso inimigo se
torna nosso amigo.

(3:5-7) Não buscamos uma função que esteja além das portas do Céu. O conhecimento
retornará quando tivermos feito a nossa parte. Só nos preocupamos em dar boas-vindas
à verdade.

Nossa função quando ultrapassamos a porta do conhecimento do Céu é criar, como uma
extensão do Amor e espírito de Deus. Nossa meta aqui, no entanto, é diferente, como nos
lembramos:

O conhecimento não é a motivação para se aprender esse curso. A paz sim. Esse é
o pré-requisito para o conhecimento somente porque aqueles que estão em conflito
328
não estão em paz, e a paz é a condição do conhecimento porque é a condição do
Reino. O conhecimento só pode ser restaurado quando satisfazes as suas
condições (T-8.I.1:1-4).

Nesse mundo, almejamos perdoar, e então, permitimos que o perdão que escolhemos se
estenda através de nós, sem introduzirmos qualquer coisa nossa para interferir com seu fluxo
gentil. Deixado por conta própria, sem o ego, o perdão naturalmente se estende, e nós não
precisamos nos preocupar com a verdade, mas apenas em dar boas-vindas a ela. Nós vimos
essa idéia muitas vezes antes:

A tua tarefa não é buscar o amor, mas simplesmente buscar e achar todas as
barreiras que construíste dentro de ti contra ele. Não é necessário buscar o que é
verdadeiro, mas é necessário buscar o que é falso (T-16.IV.6:1-2).

O perdão abre espaço para a verdade, sempre presente em nós. Assim, ela se torna
bem-vinda.

(4:1-3) São nossos os olhos pelos quais a visão de Cristo vê um mundo redimido de
todos os pensamentos de pecado. São nossos os ouvidos que ouvem a Voz por Deus
proclamar que o mundo é Sem pecado. São nossas as mentes que se unem quando
abençoamos o mundo.

Mesmo aqui, no final do livro de exercícios, Jesus deixa claro que ainda temos olhos e
ouvidos corporais – ele não está nos pedindo para ignorarmos ou negarmos nossas
experiências físicas –, mas elas agora servem a um propósito diferente: uma sala de aula na
qual aprendemos a aceitar a visão de Cristo como a nossa própria, e a Voz do Espírito Santo
como a Única que desejamos ouvir. Um dos primeiros poemas de Helen “Teu Reino Veio”,
expressa esse mesmo pensamento:

Não existe resposta para a Voz por Deus


Exceto Seu Verbo.
Não existe som, exceto a Voz por Deus,
Que possa ser ouvido.
Para isso Seu Filho tem ouvidos; para ouvir a Vontade de Deus
E deixar que a voz do ego finalmente se aquiete.

(As Dádivas de Deus, p. 12)

(4:4) E, da unicidade que alcançamos, chamamos todos os nossos irmãos pedindo-lhes


que compartilhem a nossa paz e consumam a nossa alegria.

Isso expressa poeticamente aquilo com o que já estamos tão familiarizados – a Filiação
de Deus é uma, e o que nós aceitamos para nós mesmos, temos que aceitar para todos. Se
excluirmos até mesmo uma única pessoa dessa unicidade, teremos crucificado Cristo mais
uma vez. Assim, pela nossa inclusão – chamando todos os irmãos, sem exceção -, nos
tornamos o mensageiro do Próprio Cristo. Nós citamos novamente um poema inicial de Helen –
dessa vez, “A necessidade de Cristo” – para expressarmos esse propósito da mente certa para
viver no mundo como corpos:

Ele precisa da minha voz. Ele precisa das minhas mãos e pés.
Ele precisa dos meus olhos para olhar e abençoar
Nossos irmãos cansados, exauridos pelo mundo,
E, no entanto, acreditando que ele é tudo o que existe.
329
Como eles poderiam aprender exceto que Ele ensine
Através de mim?
Como Ele poderia dar-lhes esperança, a não ser
Através da minha voz?
Como eu poderia ouvir Sua Voz exceto através deles?

(As Dádivas de Deus, p. 20)

(5:1) Somos os mensageiros santos de Deus que falam por Ele e ao levar o Seu Verbo a
todos aqueles que Ele nos envia, aprendemos que está escrito em nossos corações.

A frase adorável “está escrito em nossos corações” vem de São Paulo (Romanos 2:15).
Estritamente falando, como vimos, Deus não envia pessoas a nós, ainda que essa possa ser
nossa experiência porque estamos inconscientes de que o tomador de decisões escolheu
experimentar sonhos diferentes, que já estão presentes em nossas mentes. Exemplificando o
Verbo de Deus – o princípio da Expiação -, aprendemos que ele também está seguro dentro de
nós, e reconhecemos Seu Verbo pela sua expressão totalmente inclusiva: todos são parte do
seu amor curativo.

(5:2-5) E assim mudamos as nossas mentes quanto ao objetivo da nossa vinda, ao qual
nós buscamos servir. Trazemos boas-novas ao Filho de Deus, que pensava sofrer.
Agora ele é redimido. E, ao ver as portas do Céu abrirem-se diante dele, entrará e
desaparecerá no Coração de Deus.

O livro de exercícios continua mais um pouco essa linda conclusão, mas a passagem
acima reflete sua visão final: nós entendemos nosso equívoco, e através dessa compreensão,
o pensamento de correção brilha através da mente da Filiação, conforme o sonho gentilmente
desaparece e nós passamos através da porta do Céu. Esse, então, é o papel de Jesus,
levando-nos através da ponte da redenção para o mundo real, e além dos seus portais santos,
para o Coração do Próprio Deus, onde somos completos para sempre:

A ponte, através da qual Ele quer carregar-te, te elevaria do tempo para a


eternidade. Desperta do tempo e responde sem medo ao chamado Daquele que te
deu a eternidade na tua criação. Desse lado da ponte que leva à intemporalidade, tu
nada compreendes. Mas conforme fores pisando levemente sobre ela, seguro pela
intemporalidade, és dirigido diretamente ao Coração de Deus. No seu centro e
somente lá, estás a salvo para sempre porque estás completo para sempre. Não há
nenhum véu que o Amor de Deus em nós juntos não posa levantar. O caminho para
a verdade está aberto. Segue-o comigo (T-16.IV.13:4-11).

330
Comentários Introdutórios

Chegamos agora à última série de dez lições, e, antes de continuarmos, gostaria de rever
brevemente o propósito do livro de exercícios e do próprio Um Curso em Milagres, que é nos
ajudar a reverter figura e cenário das nossas percepções. Para o ego, seu mundo de
especialismo é proeminente, empurrando para os bastidores – de tal forma que nem mesmo
estamos cientes dela – a culpa que é a fonte do seu mundo. Aprender as lições de Jesus nos
capacita a mudarmos nossa percepção para que o mundo, anteriormente no primeiro plano,
recue para os bastidores e se torne a sala de aula na qual o pensamento de Expiação do
Espírito Santo assuma a proeminência como a correção da mente para o relacionamento
especial.
É extremamente fácil, conforme você faz as lições diárias ou lê o texto, se esquecer de
que seu trabalho com o Um Curso em Milagres é sobre incorporar essa mudança perceptual
sobre como você pensa e percebe. É tentador perder de vista o propósito e fazer com que
essas palavras maravilhosas nunca sejam mais do que palavras maravilhosas, não tendo
significado real na experiência – você as repete a cada manhã e a noite, fala sobre elas e ouve
palestras, lê o livro, mas nunca realmente traz seu significado à sua vida diária. Quando você
fica preso em ter suas necessidades atendidas e provar que está certo por ver a si mesmo
como uma vítima inocente, é apenas porque você voltou à definição de figura e cenário do ego
– seu especialismo precisa continuar dominante em sua atenção, e então, o Espírito Santo
recua para os bastidores. Mais uma vez, o propósito em fazer o livro de exercícios é treinar a
mente para fazer exatamente o oposto: entender que você tem uma mente – o que esteve nos
bastidores, você traz para o primeiro plano – que contém dois sistemas de pensamento entre
os quais você pode escolher; um vai lhe trazer dor, e o outro a libertação da dor.
Ao chegarmos ao fim do livro de exercícios, Jesus presume que aprendemos suas lições,
mas, parafraseando sua declaração no texto, aprender não significa mestria (T-2.VII.7). E
então, ele nos diz no Epílogo que seu curso “é um início não um fim” (LE-ep.1:1), lembrando-
nos de que qualquer coisa que aprendemos tem que ser praticada e praticada, de novo e de
novo. Jesus, assim, nos impele a mantermos uma vigilância constante sobre os pensamentos
do ego que iriam nos tentar a pensar que esse programa de treinamento mental é ameaçador
demais, e que nos aconselha a empurrarmos o Ser glorioso de Cristo tão profundamente
quanto possível nos bastidores, dessa forma preservando nossos seres separados. Portanto,
Jesus nos encoraja em nossa jornada a sermos tão atentos quanto pudermos sobre o
propósito do Um Curso em Milagres, e o nosso como seus estudantes: praticarmos seus
ensinamentos, tentando o melhor que pudermos ver que tudo o que acontece em nossas vidas
tem um único propósito e significado – olhar dentro da mente para fazer a escolha pelo perdão,
uma escolha que não é possível no mundo sem mente de corpos.
Nós voltamos agora à série final de lições.

331
LIÇÃO 351

O meu irmão sem pecado é o meu guia para a paz.


O meu irmão pecador é o meu guia para a dor.
E contemplarei aquele que eu escolher ver.

Como vamos ver, essas lições finais são compostas apenas de orações a Deus. As duas
primeiras são similares ao apresentarem os dois sistemas de pensamentos opostos da mente –
pecaminosidade e impecabilidade (Lição 351), e julgamento e amor (Lição 352) – e nossa
habilidade de escolher entre eles. Também poderíamos dizer: eu escolho ver um ou outro – o
pecado ou a impecabilidade – e, mantendo minha escolha, eu a torno real em minha
percepção. Assim, a forma com que eu percebo você vai me mostrar como percebi a mim
mesmo.

(1:1) Quem é o meu irmão, senão o Teu Filho santo?

Lembre-se, o Filho de Deus é um, e, portanto, a maneira com que vejo você tem que ser
a maneira com que vejo a mim mesmo. Acreditar em qualquer coisa diferente desse princípio
nega a Expiação e afirma a realidade aparente da separação.

(1:2-3) Se o vejo pecador, estou proclamando que sou um pecador e não um Filho de
Deus, só e sem amigos, num mundo amedrontador. No entanto, essa percepção é uma
escolha que faço e posso abandonar.

A única maneira de liberarmos essa percepção é entendermos que ela é uma escolha que
nos traz dor – o ponto de virada em nossa jornada. Jesus, portanto, apela à necessidade
egoísta em todos nós de nos sentirmos melhor. O problema é, como já vimos, que não
sabemos o que vai nos fazer sentir melhor. Nós pensamos que o prazer é dor e que a dor é
prazer. Daí nossa necessidade de um Professor que nos instrua sobre a diferença, ajudando-
nos a entender que só o perdão nos traz prazer, enquanto uma vida de ataque e medo reforça
a dor da nossa separação e solidão. Uma vez que essa compreensão é tornada clara para nós,
a escolha não é difícil de fazer.

(1:4-7) Também me é possível ver o meu irmão sem pecado, como Teu Filho santo. E
com essa escolha, vejo a minha impecabilidade, o meu eterno Consolador e Amigo a
meu lado e o meu caminho seguro e claro. Por isso, escolhe por mim, meu Pai, através
da Tua Voz. Pois só Ele faz julgamentos em Teu Nome.

Nós vimos que Deus não escolhe. Essas palavras apenas simbolizam Jesus nos
lembrando de que somos nós que temos que escolher o Espírito Santo – nosso Confortador e
Amigo – como correção para a escolha original e contínua pelo sistema de pensamento de
separação, pecado e ódio do ego. Assim, o Amor do Espírito Santo se torna a base do nosso
julgamento do Filho de Deus como sem pecado, o meio certo para nosso retorno para casa ao
longo do caminho do perdão, e a forma de nos lembrarmos de que o Nome de Deus é o nosso
– nossa herança como Seu Filho amado e unificado. Assim, dizemos ao nosso irmão inocente,
em palavras do poema de Helen, “À semelhança de Deus”:

Quão santo és tu, Filho de Deus! Como são puros


teus pensamentos; como é inocente tua mente. Em ti
vejo o Anfitrião de Deus; Seu Amor, Sua Alegria,
sua criação única, indivisível.
Tu és tão semelhante a Deus quanto eu a ti.
E, sendo como tu, eu sou como Ele. (As Dádivas de Deus, p. 17)
332
LIÇÃO 352

O julgamento e o amor são opostos. De um


vêm todas as tristeza do mundo. Mas do outro
vem a paz do próprio Deus.

Enquanto estivermos com medo da paz de Deus – dentro da qual, nossa individualidade,
baseada no conflito e na infelicidade, vai desaparecer -, vamos escolher defender nosso ser.
Julgamento – percebendo alguém mais como pecador – é a forma perfeita do ego de executar
sua defesa.

(1:1) O perdão olha apenas para a impecabilidade e não julga.

Somos solicitados primeiro a reconhecermos como olhamos para a impecabilidade em


outros e em nós mesmos, e então pedirmos ajuda a Jesus. Ele reinterpreta nossas percepções
para que entendamos que agir de forma pecaminosa vem do medo – “pessoas assustadas
podem se cruéis” (T-3.I.4:2) –, por trás do qual está o pedido de amor que não acreditamos
merecer. Nessa compreensão os pecados são perdoados, porque são vistos de forma
diferente. A idéia-chave, como vimos através da nossa jornada com o livro de exercícios, é
que, quando olhamos com Jesus para o que acontece no mundo e em nossos
relacionamentos, evitamos julgar – o julgamento é o problema; o perdão, a resposta.

(1:2) Através disso venho a Ti.

É através do nosso perdão que voltamos a Deus. Lembre-se de que essas orações são
dirigidas a Deus como correção para as orações do nosso ego aos seus deuses de julgamento
e punição.

(1:3-4) O julgamento limitará os meus olhos e me cegará. Mas o amor, aqui refletido no
perdão, lembra a mim que Tu me deste um caminho para achar a Tua paz outra vez.

Mais uma vez, o caminho para encontrarmos a paz de Deus, voltarmos para casa e
lembrarmos da nossa Identidade como Cristo é perdoar. Quando mantemos mágoas e
negamos o perdão, é porque não queremos despertar do sonho, perdendo nosso ser para
encontrarmos nosso Ser.

(1:7) Dentro de mim, trago tanto a Tua memória quanto Aquele Que me conduz a ela.

Como vimos em outras lições, meio e fim são um. Assim, tenho dentro de mim o fim ou a
meta, que é lembrar Quem sou como o Filho de Deus. Eu também tenho dentro de mim,
através do Espírito Santo, o meio de me lembrar. Tanto o meio quanto o fim estão presente em
minha mente, pois a Idéia do Filho de Deus nunca deixou sua Fonte.

(1:8-9) Pai, quero ouvir a Tua Voz e achar a Tua paz no dia de hoje. Pois quero amar a
minha própria Identidade e Nela achar a memória de Ti.

Essa é a idéia central. Nós não amamos nossa própria Identidade como Cristo porque
amamos mais nossa identidade individual. Crucial para nossa prática diária, então, é a
vigilância em relação a quanto nutrimos esse ser único e especial. Nós até chegaríamos ao
ponto de matar para preservá-lo. No entanto, quando finalmente entendemos a perda para nós,
escolhemos ouvir a Voz da sanidade e voltarmos ao nosso verdadeiro amor – nosso Ser e
nosso Deus.

333
LIÇÃO 353

Hoje os meus olhos, a minha língua, as minhas mãos e os


meus pés têm um só propósito: serem dados a Cristo,
para que sejam usados para abençoar o mundo com milagres.

As Lições 353 e 354 também compartilham um tema comum – ajudar-nos a reconhecer a


diferença entre Cristo e o ego. Nós despertamos a cada manhã, ainda no corpo, mas agora
com um propósito diferente: fazer com que nossas experiências diárias sejam a sala de aula na
qual o Espírito Santo – aqui o Professor é Cristo – pode nos ensinar. Em conjunção com esse
pensamento, ambas as lições nos lembram de que precisamos reconhecer o quanto nutrimos o
que acreditamos ser nosso. Não queremos perder nossa identidade individual – nosso ser,
corpo e interesses pessoais – que nós acreditamos ser sagrada. Para o ego, é claro, ela é
sagrada, pois esse ser especial preserva a religião da individualidade.

(1:1-2) Pai, hoje dou tudo o que é meu à Cristo para ser usado da melhor maneira a fim
de servir ao propósito que compartilho com Ele. Nada é só meu, pois Ele e eu estamos
unidos num só propósito.

Qualquer coisa que você acredite ser só sua é do ego, e, portanto, ilusória – um sonho
sem realidade. A única coisa dentro do sonho que reflete a realidade é o reconhecimento do
propósito comum. Portanto, uma vez preso em definir a si mesmo e a seu mundo – nome,
corpo, escrivaninha, roupas, carro, casa, religião ou país -, você está no mundo de ilusão, que
só pode lhe trazer dor. Desde o momento em que você abre seus olhos pela manhã, portanto,
dedique seu dia a aprender que acalentar qualquer coisa como sua resulta em dor, e apenas
quando você renuncia ao investimento em você mesmo e no que é só seu, vai entender o que
é verdadeiramente seu – o propósito e identidade que pode ser compartilhado com todos os
outros. Tudo o mais é do ego e então, não pertence a ninguém, pois o ego não é nada.
Lembre-se dessa passagem do manual sobre o uso da mente certa para o corpo:

Entretanto, o que faz os professores de Deus é o seu reconhecimento do propósito


que é próprio do corpo. À medida em que avançam em sua profissão, vêm a estar
cada vez mais certos de que a função do corpo é apenas deixar que a Voz de Deus
fale através dele para ouvidos humanos. E esses ouvidos carregarão para a mente
do ouvinte mensagens que não são desse mundo e a mente compreenderá devido à
Sua Fonte. Dessa compreensão virá o reconhecimento, nesse novo professor de
Deus, de qual é realmente o propósito do corpo, do único uso que realmente existe
para ele. Essa lição é suficiente para permitir a entrada do pensamento da unidade,
e o que é um é reconhecido como um (MP-12.4:1-5).

(1:3-4) Assim, o aprendizado está quase chegando ao fim designado para ele. Trabalho
com Ele ainda por algum tempo para servir ao Seu propósito.

Jesus não está dizendo que agora vamos desaparecer no Coração de Deus. Essa é
nossa meta final, mas ele está nos dizendo aqui que ainda temos trabalho a fazer na sala de
aula das nossas vidas, na qual seu amor vai nos ensinar a perdoar.

(1:5) Depois me perco na minha Identidade e reconheço que Cristo nada mais é do que o
meu Ser.

334
Esse é o medo do ego, e o nosso, que nos identificamos com seu sistema de pensamento
de separação e especialismo. Nós não queremos perder nossa identidade como indivíduos,
que é o motivo pelo qual somos tão tentados a trazer Jesus e o Espírito Santo para o sonho
para interagirem conosco. Tornando-Os figuras de sonho junto conosco, mantemos nossa
identidade como seres individuais intacta, reforçada pelo nosso julgamento contínuo sobre os
outros.

335
LIÇÃO 354

Estamos juntos, Cristo e eu, na paz


e na certeza do nosso propósito. E Nele
está o Criador, como Ele está em mim.

O que se segue reitera o ponto da última lição:

(1:1) A minha unicidade com o Cristo me estabelece como o Teu Filho, além do alcance
do tempo e totalmente livre de todas as leis, exceto as Tuas.

Não somos solicitados dentro de nossa experiência aqui a irmos além do tempo, nem a
nos identificarmos com a lei de amor de Deus como ela verdadeiramente é, o que envolve
apenas o espírito unificado que está totalmente além do mundo de separação. Em vez disso,
somos solicitados a nos identificarmos com um uso diferente do tempo, refletindo a lei de Deus
– o que eu dou ao meu irmão, dou a mim mesmo, porque somos um. Nós, portanto, mudamos
nosso propósito por nos unirmos ao perdão do Espírito Santo, e depois nos lembrarmos da
nossa Unicidade no Céu, que está além de todas as leis, mas é a lei de amor do Céu.

(1:2) Não tenho outro ser, senão o Cristo em mim.

Passe algum tempo refletindo sobre esse pensamento. Se você pensar sobre ele, pode
até irromper em um suor frio, junto com ansiedade e palpitações. O ser que está lendo essas
palavras é muito real para você, e você não quer liberá-lo. É por isso que você se sente
tentado a levar a verdade à sua ilusão, em vez de levar a ilusão do seu ser à verdade do Cristo
que repousa além de todas as palavras.

(1:3-5) Não tenho outro propósito, senão o Dele. E Ele é como Seu Pai. Portanto, também
tenho que ser um Contigo assim como com Ele.

Nós somos Cristo, unidos como o Filho de Deus, como Cristo é unido com Deus. Quando
realmente entendemos essas palavras, percebemos que esses próprios termos – Deus e
Cristo, Pai e Filho – não têm significado real. Eles são símbolos dualistas que refletem um
estado de unidade muito além da nossa habilidade de compreensão. Lembre-se dessas
palavras do texto sobre o verdadeiro estado da Trindade:

Pai, Filho e Espírito Santo são como Um só, assim como todos os teus irmãos se
unem como um na verdade. Cristo e Seu Pai nunca foram separados e Cristo habita
dentro da tua compreensão, na parte de ti que compartilha a Vontade do Seu Pai. O
Espírito Santo liga a outra parte – o diminuto, louco desejo de ser separado,
diferente e especial – com o Cristo, para fazer com que a unificação fique clara para
o que é realmente um. Nesse mundo, isso não é compreendido, mas pode ser
ensinado (T-25.I.5:3-6).

Essa unicidade é ensinada através do perdão – o desfazer das barreiras que colocamos
entre nós mesmos e nossos irmãos; sombras da barreira que colocamos entre nós e Deus.

(1:6-7) Pois quem é o Cristo, senão o Teu Filho tal como O criaste? E o que sou eu senão
o Cristo em mim?

336
Escolhendo contra o falso ser do ego, nós abrimos espaço para que a memória do nosso
verdadeiro Ser alvoreça em nossas mentes curadas, como lemos novamente nessa importante
declaração perto do final do texto:

Eu não sei o que sou e, portanto, não sei o que estou


fazendo, onde estou ou como olhar para o mundo
ou para mim mesmo.

Entretanto, é aprendendo isso que nasce a salvação. E O Que tu és te falará de Si


Mesmo (T-31.V.17:7-9).

337
LIÇÃO 355

Não há fim para toda a paz e a alegria,


e para todos os milagres que darei
quando aceitar o Verbo de Deus. Por que não hoje?

Lembre-se da questão apresentada por Jesus mais cedo: “Por que esperar pelo Céu?”
(LE-pI.131.6:1; LE-pI.188.1:1). Aqui, ele implora a nós: “Por que continuar transtornado ou com
dor? Tudo o que você precisa fazer é me ouvir, segurar minha mão, e deixar que eu o ensine
como olhar para o mundo de forma diferente. Você, então, certamente vai experimentar minha
paz e alegria”.

(1:1-2) Por que deveria eu esperar, meu Pai, pela alegria que me prometeste? Pois Tu
manterás o Verbo que deste ao Teu Filho em exílio.

Seu Verbo, mais uma vez, é a Expiação. Quando adormecemos e sonhamos com o exílio,
levamos conosco para o sonho a memória da nossa Identidade como o Filho de Deus, Que
nunca deixou Seu Pai. Essa memória é o Verbo que garante nossa alegria eterna porque
desfaz a crença na separação que é a causa do pesar.

(1:3-6) Estou certo de que o meu tesouro está à minha espera e de que só preciso
estender a mão para achá-lo. Mesmo agora os meus dedos podem tocá-lo.

A memória do Amor de Deus já está presente em nós. Ela está tão próxima de nós como
qualquer coisa poderia estar, porque ela é o pensamento do nosso Ser – a Idéia do Filho de
Deus que nunca deixou sua Fonte. O instante santo restaura o tesouro da nossa Identidade à
consciência, a mente certa que tem esperado pacientemente pelo nosso retorno à sanidade:

O que tem sido a Vontade de Deus para ti é teu. Ele tem dado a Sua vontade ao
Seu tesouro, de quem ela é o tesouro. O teu coração está ali onde está o teu
tesouro, assim como o Dele. Tu, que és o bem-amado de Deus, és totalmente bem-
aventurado (T-8.VI.10:1-4).

(1:7) É a Ti que eu escolho e a minha identidade junto Contigo.

Essa pode ser nossa escolha, como Jesus continuamente nos lembra. Fazermos a
escolha correta é garantido quando entendemos que nossas escolhas, sempre baseadas no
que pensamos que queremos, não nos trouxeram nada além de infelicidade e dor. A escolha
por Deus, no entanto, assegura nossa paz e alegria, o cerne da nossa Identidade como Seu
amado Filho.

(1:8) O Teu Filho quer ser Ele Mesmo e conhecer-Te como seu Pai e Criador e como o
seu Amor.

Escolhendo contra nosso ser – o filho do ego -, escolhemos a favor do nosso Ser – o Filho
de Deus -, o Cristo abençoado do nosso amoroso Criador. Essa escolha acontece conforme
mudamos nossas percepções sobre nossos irmãos, Filhos do mesmo Pai amoroso:

Não percebas nada do que Deus não criou, ou O estás negando. A Sua é a única
Paternidade e ela é tua só porque Ele a deu a ti... Entretanto, a Paternidade real tem
que ser reconhecida se é que se há de conhecer o Filho na realidade... Só se
338
aceitares a Paternidade de Deus é que terás qualquer coisa, porque a Sua
Paternidade te deu tudo. É por isso que negá-Lo é negar a ti mesmo (T-10.V.13:1-
2,5,7-8).

339
LIÇÃO 356

A doença é apenas um outro nome para o pecado.


A cura é apenas outro nome para Deus.
O milagre é, portanto, um chamado a Ele.

O milagre, como sabemos, não é nada além de uma correção. Nós escolhemos o pecado
como nossa Identidade, e dessa base insana, surgiu a doença. Quando escolhemos o milagre
do Espírito Santo em vez disso, a crença na separação é desfeita, o que por seu lado remove a
fundação de toda dor. Essa mudança de professores é o cerne da cura, uma vez que em nosso
sonho de pecado, o Espírito Santo é outro nome para Deus e, portanto, nossa escolha por Ele
como nosso Professor abre a porta para nosso retorno ao Céu.

(1:1-3) Pai, Tu prometeste que nunca falharias em responder a qualquer chamado que o
Teu Filho pudesse fazer. Não importa onde ele esteja, qual pareça ser o seu problema ou
o que acredite ter feito a si mesmo. Ele é o Teu Filho e Tu lhe responderás.

Em outras palavras, nada mudou Deus, nem Sua Resposta amorosa. Não importa onde
estamos no sonho – um sonho é um sonho, é um sonho -, isso não teve efeitos sobre nossa
realidade. É por isso que não pode haver hierarquia em ilusões e nenhuma ordem de
dificuldade em milagres. Todas as ilusões são a mesma, pois elas são desfeitas com a única
Resposta, como o poema de Helen, “Antes de pedirmos”, aponta para nós:

Que não questionemos, mas fiquemos quietos por um momento.


Existe uma resposta dada a nós antes de fazermos a
pergunta; uma solução para toda discórdia e dor e turbulência;
uma porta para o silêncio e a absolvição.
........................................
O Filho de Deus é respondido. Exausto afinal,
Ele chama o Nome de Seu Pai novamente.

(As Dádivas de Deus, p. 34)

O Nome do nosso Pai é a resposta para todos os problemas e preocupações, como agora
vemos:

(1:4-6) O milagre reflete o Teu Amor e, assim, é uma resposta para ele. O Teu Nome
substitui todos os pensamentos de pecado e aquele que é sem pecado não pode sofrer
dor. O Teu Nome dá uma resposta ao Teu Filho porque chamar o Teu nome é chamar o
seu próprio nome.

Lembre-se da nossa discussão anterior sobre o Nome de Deus (LE-pI.183,184), onde nós
discutimos como o uso que Jesus faz desse termo simboliza o sistema de pensamento da
mente certa que agora escolhemos em vez dos pequenos nomes que o ego fez em seu lugar:
pecado, individualidade e especialismo. O milagre substitui nosso desejo de sermos únicos e
especiais, e, dessa forma, invocar o Nome de Deus é chamar o Nome do nosso Ser – ouvir a
resposta do amor de Deus quando Ele nos criou em unidade com Ele como Seu único Filho:

O milagre apenas te chama pelo teu antigo Nome, o qual reconhecerás porque a
verdade está na tua memória... O teu Nome antigo pertence a todos, assim como o
de todos te pertence. Chama pelo nome do teu irmão e Deus responderá, pois O
340
chamas. Poderia ele recusar-Se a responder quando já respondeu a todos os que
chamam por Ele? Um milagre não pode fazer mudança alguma. Mas pode fazer
com que o que sempre foi verdadeiro seja reconhecido por aqueles que não têm
conhecimento disso e, através dessa pequena dádiva da verdade, se permite que o
que sempre foi verdadeiro seja o que é, que o Filho se Deus seja ele mesmo e que
toda a criação seja libertada para invocar o Nome de Deus como um só (T-
26.VII.16:1; 20).

341
LIÇÃO 358

Nenhum chamado a Deus pode deixar de ser ouvido


ou respondido. E disso posso estar certo:
A Sua resposta é a única que eu realmente quero.

Essa lição presume que nós entendemos nossa escolha equivocada e entendemos que
tem que existir outro caminho. Nós, portanto, sabemos que nosso chamado a Deus será
respondido, porque a resposta já está dentro de nós – e agora, nós o escolhemos. De forma
interessante, o início da oração é dirigido ao Espírito Santo – outra indicação de que Jesus não
é rígido sobre forma.

(1:1-3) Tu, Que lembras o que eu realmente sou, és o Único Que lembras o que
realmente quero. Tu falas por Deus e assim falas por mim. E o que me dás vem do
próprio Deus.

Aqui, nós nos dirigimos ao Espírito Santo, Que fala por Deus; Sua é a Voz que
escolhemos em vez da do ego. Na mesma sentença, Deus retorna como o objeto da nossa
oração:

(1:4) A Tua Voz, meu Pai, também é minha e tudo o que quero é o que me ofereces,
exatamente da forma que escolhes que seja meu.

Estritamente falando, somos nós que escolhemos a forma. O ego fala primeiro e escreve
seu roteiro de relacionamentos especiais, que se torna a forma na qual praticamos a função
especial que é a dádiva de Deus para nós – perdão das nossas projeções insanas sobre Ele:

A tua função especial é a forma especial na qual o fato de que Deus não é insano
parece mais sensato e significativo para ti. O conteúdo é o mesmo. A forma se
adapta às tuas necessidades especiais e ao tempo e ao local especial no qual
pensas que te encontras e onde podes estar livre do tempo e do espaço e de tudo o
que acreditas que não pode deixar de limitar-te (T-25.VII.7:1-3).

(1:5) Que eu me lembre de tudo o que não conheço e que a minha voz se cale ao
lembrar.

Mais uma vez, ouvimos um eco do Salmo 46: “Aquieta-te e saiba que eu sou Deus”.
Portanto, nossa oração a nós mesmos para deixarmos a voz do ego se aquietar. Se
aquietarmos seus sons discordantes, vamos nos lembrar do amor que negamos porque
estávamos com tanto medo da sua verdade.

(1:6) Mas que eu não esqueça o Teu Amor e o Teu cuidado, conservando a promessa
que fizeste ao Teu Filho para sempre na minha consciência.

Assim, quero esquecer o que meu ego me ensinou, e escolher me lembrar apenas do que
o Espírito Santo tem mantido para mim como a verdade. Acima de tudo:

(1:7) Que eu não esqueça que nada sou, mas que o meu Ser é tudo.

Essas linhas maravilhosas disparam o terror em nossos corações, pois elas nos dizem
que nós, que pensamos sobre nós mesmos como importantes e significativos, na verdade não
342
somos nada. Nós realmente pensamos, por exemplo, que Jesus deu esse curso a nós como
indivíduos, cada um de nós com um nome e identidade pessoal. Ele tem nos ensinado, no
entanto, que, em última instância, temos que entender que esse ser separado é uma ilusão. No
presente, nossos seres corporais são as salas de aula na qual aprendemos o instante santo
que nos ensina sua nulidade, mas que nosso verdadeiro Ser como Cristo é tudo – uma
compreensão que é a meta e propósito final do nosso aprendizado.

343
LIÇÃO 359

A resposta de Deus é uma forma de paz. Toda dor


é curada, toda miséria substituída pela alegria.
Todas as portas das prisões estão abertas. E todo pecado
é compreendido meramente como um equívoco.

Esse é o resultado feliz, quando entendemos que nós é que estávamos equivocados o
tempo todo, e que o Espírito Santo estava certo.

(1:1) Pai, hoje perdoaremos o Teu mundo e deixaremos a criação ser Tua.

O mundo de Deus, como já vimos, é o mundo real. Nós o perdoamos no sentido de que
agora o aceitamos como o que queremos, sem nenhum desejo adicional de atacá-lo; o que
somos compelidos a fazer em auto-defesa quando escolhemos reter nossa identidade como
um ser individual, aparentemente em casa no mundo de especialismo e morte do ego.

(1:2-3) Nós compreendemos equivocadamente todas as coisas. Mas não fizemos


pecadores dos Filhos santos de Deus.

Na insanidade da separação, acreditamos na realidade da nossa existência. No entanto,


essa crença não nos deu o poder de tornar o Filho de Deus um pecador. Idéias não deixam
sua fonte, e a verdade é que nós somos uma Idéia impecável na Mente impecável de Deus,
nossa Fonte.

O Filho de Deus pode estar equivocado, pode enganar-se, pode até mesmo voltar o
poder de sua mente contra si mesmo. Mas pecar ele não pode. Não há nada que ele
seja capaz de fazer que possa realmente mudar a sua realidade de forma alguma,
nem fazer com que ele seja realmente culpado (T-19.II.3:1-3).

(1:4-6) O que criaste sem pecado assim continuará para todo o sempre. Somos assim. E
nos alegramos ao aprender que cometemos equívocos que não têm efeitos reais sobre
nós.

Nós mais uma vez vemos nossa alegre gratidão em estarmos errados, vendo que nossos
equívocos ilusórios de trairmos o amor – rejeitando-o, atacando-o e destruindo-o – não
alcançaram nada. Deus nos ama; Jesus nos ama; nada mudou, pois o Cristo em nós
permanece impecável para sempre, com nossos loucos sonhos de pecado não tendo efeitos
sobre a realidade. Veja essas duas declarações do texto:

Filho de Deus, tu não pecaste, mas tens estado muito equivocado (T-10.V.6:1).

Apenas reconhece que tens estado equivocado e todos os efeitos dos teus
equívocos desaparecerão (T-21.II.2:7).

(1:7-9) O pecado é impossível e, com esse fato, o perdão repousa sobre uma base certa,
mais sólida do que o mundo de sombras que vemos. Ajuda-nos a perdoar, pois
queremos ser redimidos. Ajuda-nos a perdoar, pois queremos estar em paz.

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O perdão nos permite reconhecer a impossibilidade do pecado. Ele repousa em uma base
sólida – o reflexo do Amor de Deus em nossas mentes certas -, enquanto nossas percepções
do pecado corporal, ataque e dor não repousam em base alguma. Todas são ilusórias, seu
propósito sendo defender contra a ilusão de pecado e separação na mente. No entanto, ilusões
não nos trazem paz, e assim, nós alegremente escolhemos o perdão do Espírito Santo, a porta
de entrada para o mundo real de luz, paz e alegria – nosso lar longe de casa.

345
LIÇÃO 360

Que a paz esteja comigo, o Filho santo de Deus.


Que a paz esteja com meu irmão, que é um comigo.
Que o mundo todo seja abençoado pela paz através de nós.

Essa lição é uma versão adorável da unicidade do Filho de Deus.

(1:1) Pai, é a Tua paz que quero dar, recebendo-a de Ti.

Se eu estiver enamorado do meu ser pessoal – o ser que é fundamentado no conflito –


vou tentar continuar a atacar a paz e negá-la ao meu ser e a todos os outros. No entanto,
quando a dor se torna grande demais, nós alegremente escolhemos a Expiação que é a única
que limpa toda dor e restaura a paz de Deus à nossa consciência grata.

(1:2) Sou o Teu Filho, para sempre tal como me criaste, pois os Grandes Raios
permanecem eternamente quietos e imperturbados dentro de mim.

Esse é o único lugar no livro de exercícios onde Jesus usa a frase Grandes Raios. Eles
não são nada visual ou perceptual, nem estão associados de qualquer forma com os raios de
luz dos quais outros sistemas metafísicos falam. Como é usado no Um Curso em Milagres, o
termo é um símbolo para a Luz de Cristo, que é nosso verdadeiro Ser. Deus, então, seria o
“Sol” – a Fonte – e nós as emanações ou extensões – os Raios – daquela Luz. No texto, Jesus
fala da pequena centelha do grande Raio que existe em todos nós – a memória daquela
grande Luz, guardada para nós em nossas mentes certas pelo Espírito Santo, e encontrada
plenamente presente em todos os fragmentos aparentes da Filiação:

Em muitos, só a centelha permanece, porque os Grandes Raios são obscurecidos.


Entretanto, Deus tem mantido viva a centelha de modo que os Raios nunca possam
ser completamente esquecidos. Se apenas vires a pequena centelha, aprenderás
sobre a luz maior, pois lá estão os Raios que não são vistos... Mas a centelha é
ainda assim tão pura quanto a grande luz, pois é o chamado remanescente da
criação. Deposita nela toda a tua fé e o próprio Deus te responderá (T-10.IV.8:1-3,6-
7).

(1:3) Quero alcançá-los no silêncio e na certeza, pois em nenhum outro lugar pode a
certeza ser achada.

Eu alcanço a centelha desse Grande Raio em todos, em reconhecimento da nossa


unicidade inerente como o Filho de Deus. Jesus nos encoraja a pedir ajuda para percebermos
a Luz de Cristo – em vez da escuridão do ego – brilhando em todos. “Ouvindo” o silêncio do
ego em nossos irmãos, ouvimos a Voz do Espírito Santo respondendo às nossas orações pela
paz com a Sua certeza – a realidade do Filho único de Deus, em quem colocamos nossa fé:

Se queres saber se as tuas orações são respondidas, nunca duvides de um Filho de


Deus. Não o questiones nem o confundas, pois a tua fé nele é a tua fé em ti