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Mecanismos institucionalizados na procura de trabalho: como se

configura o mercado de locação de mão de obra? 1

Flávia Consoni2
Vagner Bessa3

O propósito desse artigo é buscar uma maior compreensão acerca dos mecanismos
institucionalizados existentes no mercado de trabalho que são acionados pelos indivíduos na
saída do desemprego e/ou para o acesso a novas oportunidades ocupacionais. Estamos nos
referindo ao segmento composto pelas empresas de locação de mão de obra, instituições
essas que têm assumido um papel cada vez mais importante no processo de “intermediação
do emprego”. A proposta desse estudo consiste em caracterizar a configuração do mercado
de intermediação no Estado de São Paulo, o que fazemos a partir de estudo quantitativo
realizado a partir da base de dados da Pesquisa da Atividade Econômica Paulista (PAEP/
SEADE) a qual apresenta o perfil das empresas que compõem esse universo em termos de
sua estrutura econômica, patrimonial e de posicionamento no mercado. Dentre as
conclusões, observamos que as empresas desse segmento revelam relações cruzadas, isto é,
os segmentos tradicionais, mesmo caracterizados pelo agenciamento de trabalhadores em
ocupações de baixa-qualificação, mostram uma estrutura baseada em empresas de grande
porte; por outro lado, as empresas menores, mesmo com baixa densidade de capitais, são
capazes de prover serviços ultra-especializados de alto valor agregado vinculados à gestão
das grandes corporações. O estudo também aponta para a diversificação dos serviços
oferecidos por elas, algumas inclusive assumido funções que avançam no provimento de
serviços de caráter mais estratégico e qualificado, ligados às atividades principais das
empresas clientes.

1. Introdução:

O propósito do artigo é buscar uma maior compreensão acerca dos mecanismos


institucionalizados existentes no mercado de trabalho, os quais têm caracterizado um
segmento próprio de atividade, e que são acionados pelos indivíduos na saída do desemprego

1
Esse texto é parte dos esforços do Sub-Projeto Fapesp/CEM/CNPq – “À procura de trabalho. Instituições do trabalho e
redes de sociabilidade”, coordenado pela prof. Dra. Nadya de Araújo Guimarães (Cebrap/ USP).Gostaríamos aqui de
registrar os nossos agradecimentos a algumas pessoas que tiveram uma participação direta desse estudo, seja com idéias
estimulantes e apoio à execução da pesquisa, como foi o caso de Nadya Araújo Guimarães, seja na parte operacional de
elaboração dos dados, a quem registramos os agradecimentos a J. Bicev e A. França. Certamente, e nunca é por demais
reforçar, as idéias expressas nesse texto são de inteira responsabilidade dos autores.
2
Pós-doutoranda e bolsista PRODOC/ CAPES (Programa de Apoio a Projetos Institucionais com a Participação de Recém
Doutores) no Departamento de Sociologia da USP, sob supervisão da Prof. Dra. Nadya de Araújo Guimarães. E-mail:
flavia.consoni@gmail.com
3
Analista de Planejamento da Fundação Seade; doutorando em economia no Instituto de Economia da Unicamp. E-mail:
vagner@seade.gov.br

1
e/ou para o acesso a novas oportunidades ocupacionais. Estamos nos referindo ao segmento
composto pelas empresas de locação de mão de obra, as quais podem ser tanto instituições
públicas (agencias governamentais e sindicais) como privadas (agencias de emprego ou
empresas de trabalho temporário). E, independentemente da estrutura de capital que as
mantém, é fato que tais instituições têm assumido um papel cada vez mais importante e,
diríamos mesmo, indispensável no processo de “intermediação do emprego”. Recorrendo à
analogia feita por Guimarães (2006) elas configuram um dos três grandes pólos que
estruturam o mercado de trabalho nos dias atuais, composto: pelos agentes que demandam o
emprego; pelas empresas-clientes que recorrem aos serviços prestados de oferta de mão de
obra em determinada especialidade e, dos agentes intermediadores, que fazem o processo de
seleção e triagem da mão de obra e disponibilizam tais vagas no mercado.
Embora reconhecendo a importância dos estudos que analisam a sintonia entre esses
três pólos do mercado de trabalho, a proposta que se coloca não consiste em discutir a
eficiência dessas instituições no que concerne à (re)inserção ou locação de mão de obra.
Guimarães (2006) já analisa que, no caso brasileiro (e paulista, em particular), as empresas de
intermediação se mostram pouco eficientes como provedoras de empregos para aqueles que a
elas recorrem. Nessa análise, a autora observa que os mecanismos que o indivíduo utiliza para
viabilizar sua inserção ainda são predominantemente informais, no âmbito da sua rede social,
e incluem seus contatos pessoais, com a família, amigos, vizinhos, etc. Tais redes,
estabelecidas e constantemente reestruturadas ao longo da sua vida, desempenham um papel
estratégico no retorno ao mercado de trabalho, tal como fora discutido por Granovertte
(1974).
O indivíduo, já se vê, é central nessa discussão sobre o mercado de intermediação posto
que é a sua força de trabalho (ou os seus serviços), que é negociada pelos intermediadores
com as empresas-clientes; e diversas são as suas formas de trabalho: ele pode estar sujeito às
praticas de terceirização; vincular-se como subcontratado, ou mesmo como trabalhador avulso
ou temporário. Entretanto, para melhor precisão, há algumas categorias conceituais a
considerar. Na perspectiva de Reinecke (1999), as expressões “terceirização” e
“subcontratação” referem-se ambas a uma forma atípica de emprego, isso é, que difere das
características ligadas ao emprego do tipo “padrão”. Reinecke (1999), apoiando-se em outros
autores (Rodger, 1989; Guerra, 1994), define emprego padrão como o modelo que
representou a forma dominante de emprego nos países industrializados e que envolve: um
único empregador e um único local de trabalho; existência de contrato de trabalho entre o
empregador e o empregado; serviços contínuos; dia de trabalho integral; seguridade social e
proteção a certos direitos.
Vale esclarecer que as formas atípicas de emprego, tal como conceituado por Reinecke
(1999), não necessariamente implicam em precarização das condições e da qualidade de
emprego; isso irá depender de uma multiplicidade de situações, tais como o país, o setor
econômico, a qualificação do trabalhador, o sexo, a raça, bem como da especialização e da
autonomia da empresa subcontratada. Dependendo do serviço em questão, o impacto sobre a
qualidade do emprego tende a se moldar a diferentes condições, que tanto podem ser
precarizadas, como não. Nessa mesma linha de argumentação, a Associação Brasileira das
Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem) argumenta que o
trabalho temporário ou o terceirizado configura uma relação de emprego formal e, como tal,
possui diversas garantias legais, trabalhistas e previdenciárias, com direitos semelhantes aos
de um empregado tradicionalmente contratado.
Podemos dizer que terceirizar (no inglês, outsorcing) significa transferir a
responsabilidade e a execução de determinadas atividades e/ou serviços, ou por determinada

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fase da produção ou comercialização, a pessoas ou organizações de fora do quadro da
empresa, por meio de contrato de serviço, concessão, permissão, autorização, convênio ou
acordo de cooperação técnica. Na prática de mercado, significa deixar de fazer uma atividade,
com seus próprios recursos humanos, financeiros e materiais, e repassá-la para uma outra
empresa contratada. Buscando um melhor rigor em termos das terminologias inerentes à
terceirização, Matteo e Bessa (2001: 2) colocam que essa prática implica a existência de um
“terceiro especialista, chamado fornecedor ou prestador de serviços que, munido de
conhecimentos técnicos, presta serviços especializados ou produz bens, em condição de
parceria, para a empresa contratante chamada de tomadora ou cliente”. A Asserttem contribui
com essa discussão ao classificar as muitas formas de terceirização, que incluiriam a
contratação formal para uma atividade específica (subcontratação); a intermediação de mão-
de-obra temporária; as empreitadas de projetos; e até mesmo certos tipos de franquias
(franchising).
Assim, ainda que a subcontratação seja uma forma de terceirização, sua abrangência é
mais restrita. De acordo com os critérios da Organização Internacional do Trabalho (OIT) “o
conceito de subcontratação parece dizer respeito principalmente a relações (sejam relações
diretas entre trabalhador e empresa, sejam relações indiretas envolvendo um intermediário)
nas quais (i) a forma da relação entre a empresa usuária e os trabalhadores envolvidos é de
independência e autonomia; (ii) o conteúdo da relação é, apesar de tudo, assimétrico por causa
da dependência do trabalhador em relação à empresa usuária, resultado da organização dos
trabalhadores e da subordinação técnica à empresa usuária. O termo subcontratação é mais
freqüentemente usado para se referir a situações em que o conteúdo da relação parece ser
similar a uma relação de emprego, enquanto a forma é de tipo comercial, ou ao menos quando
parece haver algum tipo de combinação entre os aspectos comerciais e de emprego na relação
estabelecida”4. A OIT também chama a atenção para algumas distinções ligadas ao conceito
da subcontratação:
a) pode-se subcontratar a produção de bens ou serviços ou apenas o trabalho. Na
subcontratação de produção de bens ou serviços a empresa subcontratada realiza uma
determinada tarefa usando os seus próprios recursos humanos, materiais e financeiros; na
subcontratação de trabalho o único ou o principal objetivo da relação contratual é o
fornecimento do trabalho (e não de bens ou serviços).
b) a subcontratação pode ser interna ou externa. Na subcontratação interna, o trabalho é
realizado dentro do espaço físico da empresa que subcontrata; na subcontratação externa o
trabalho é realizado fora do espaço físico da empresa que subcontrata.
A subcontratação consiste, portanto, na alocação de um especialista em determinada
área (que pode ser uma empresa de serviços ou manufatureira), a curto, médio ou longo prazo,
para que ele execute determinada atividade internamente, mas não necessariamente, nas
instalações da própria empresa contratante. Embora este se torne praticamente um trabalhador
da empresa contratante, não existe qualquer relação laboral entre o cliente e o especialista. O
motivo é que, em tese, o especialista está prestando um serviço à empresa que o contratou.
De certa forma, a prática de intermediação de mão-de-obra, correntemente referida
como subcontratação e/ou terceirização, já se encontra consolidada e regulamentada Brasil

4
De acordo com o relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para a Conferência Internacional sobre
Trabalho, em 1995, apud Reinecke (1999: 135).

3
desde a década de 705. Isso ocorreu em função do estabelecimento de uma legislação
específica, no âmbito do Tribunal Superior do Trabalho, com a criação do enunciado 331, que
regulamentou a atividade de terceirização no país; em 1974, o fornecimento de mão de obra
temporária foi regulamentado por meio da aprovação da lei 6.019/74 do trabalho temporário.
Entretanto, a ocorrência de práticas de terceirização e de trabalho temporário tem sido
sobremaneira intensificada a partir da reestruturação produtiva, particularmente depois da
década de 1990, na linha do que demonstra Pamplona (2002). Ocorre que a configuração de
um dinâmico e pungente mercado de intermediação de mão de obra tem sido uma resposta à
algumas necessidades sentidas pelas empresas industriais e de serviços. Tal necessidade pode
ser interpretada como uma demanda por formas de flexibilização das relações de trabalho e da
produção que se costuma denominar de “numérica” (relativa a necessidades localizadas de
aumento de mão de obra), e de “qualitativa” ou “funcional” (por ser relativa a necessidades de
qualificações específicas). Outra necessidade, que se aplica diretamente às empresas que
mantém ações em bolsa de valores, é o fato dessas utilizarem a relação faturamento por
empregados como medida de produtividade. Esse indicador tem se colocado como um
estímulo às terceirizações, mesmo no caso em que as mesmas deixam de ser economicamente
viáveis6.
A literatura dos anos 90 com respeito ao tema destacou que essa prática da terceirização
tem sido maior entre funções classificadas como não-especializadas ou que não requeriam
grau elevado de escolaridade para executá-la. Como exemplo, destaca-se um intenso processo
de terceirização que atingiu e ainda atinge as funções de segurança, limpeza e alimentação à
ponto de consolidar toda uma rede de serviços voltados à intermediação de empregos que se
especializaram no atendimento dessas necessidades e na prestação desses serviços às
empresas industriais e de serviços. Vale acrescentar que esse universo da terceirização é
bastante heterogêneo. Somente para exemplificar tal heterogeneidade, destacamos que ele
compreende desde agências de emprego temporário e locação de mão-de-obra, até agências de
emprego on line, empresas de recrutamento de executivos, agências de modelos e empresas
de part-time.
O objetivo que aqui se procura alcançar consiste em descrever a configuração do
mercado de intermediação formal, caracterizando qual é o perfil das empresas que compõem
esse universo. Parte desse esforço é alcançado a partir das discussões da literatura,
especificamente aquela voltada a entender como se configura tal mercado. Porém, a
contribuição deste artigo é o detalhamento do perfil das empresas responsáveis pela atividade
de intermediação de mão de obra no Estado de São Paulo. As unidades empresariais em foco
constituem-se como empresas que realizam atividades de fornecimento, a terceiros, por tempo
determinado, de pessoal recrutado e remunerado por agências de trabalho temporário, nas
condições da legislação trabalhista, e o recrutamento, seleção e agenciamento de pessoal. A
meta é traçar um contraponto com o que nos diz a literatura nacional e internacional sobre o
tema, de modo a contribuir inserindo novos elementos para o debate.
Além da existência de base de dados com grande detalhamento de informações para
estudar o segmento, a escolha do Estado de São Paulo resulta da constatação de que ali se
situa o mais significativo mercado de intermediação de mão de obra no país. Conforme
mostrou Guimarães (2004), a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) concentra as

5
Destaca-se, por exemplo, a iniciativa de criação da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de
Trabalho Temporário (Asserttem), em 17 de março de 1970, por iniciativa dos empresários nacionais do setor no sentido de
legalizar, regulamentar e normatizar o trabalho temporário no Brasil.
6
Esse tipo de indicador é freqüentemente adotado em cotações da bolsa de valores por se traduzir em um índice simples e de
fácil compreensão para parcela dos pequenos investidores.

4
maiores quantidades, tanto de demandantes quanto de vagas ofertadas, com relação ao
mercado de intermediação nacional, ao menos quando se analisam os dados governamentais a
respeito; ademais se consolidou como um verdadeiro mercado de serviços de intermediação
na medida em que passou a concentrar todos os agentes econômicos desse mercado particular
de serviços. Por outro lado, o Estado enfrenta sérios problemas estruturais de desemprego,
informalidade, distribuição não eqüitativa de renda, características essas que contribuem para
qualificar o mercado de trabalho de São Paulo como heterogêneo e socialmente desigual.
Dado esse conjunto de condições, o Estado de São Paulo tem se tornado precursor dessa
tendência no mercado brasileiro de trabalho.
O artigo que aqui apresentamos encontra-se em três seções, além dessa introdução. A
seção que se segue busca caracterizar o universo da intermediação de mão de obra a partir de
consulta à literatura, nacional e internacional; pretendemos detalhar a forma como a atividade
de intermediação tem se configurado nas últimas décadas em relação à mão de obra requisita,
à sua estrutura e à relação com seus clientes. A terceira seção analisa informações
quantitativas obtidas a partir da base de dados da Pesquisa da Atividade Econômica Paulista -
PAEP, da Fundação SEADE7, caracterizando esse setor no Estado de São Paulo em termos de
sua estrutura econômica, patrimonial e de posicionamento no mercado. Por fim, na quarta
seção concluímos, resumindo os principais achados dessa pesquisa.

2. O mercado de intermediação de mão de obra a partir da literatura


Ainda que a discussão acerca das instituições que atuam na intermediação da mão de
obra reúna uma literatura relativamente recente, é possível encontrar uma quantidade
crescente de estudos que buscam melhor compreender e qualificar essa categoria. Alguns
desses trabalhos merecem ser citados na medida em que eles têm sido pioneiros na descrição
e detalhamento dessa categoria e do seu papel no mercado de trabalho. Em âmbito
internacional, destacam-se os estudos realizados em países como Estados Unidos (Peck e
Theodore, 1999; Pastor et al, 2003), Holanda e Inglaterra (Purcell e Koene, 2004) e América
Latina (Echeverría, 2001). Sobre o caso brasileiro, destacam-se pelo menos duas referências: o
trabalho de Pamplona (2002), que se utilizou dos dados da PASSE/ABC (Pesquisa de
Atividade do Setor de Serviços Empresariais do Grande ABC) para caracterizar o subsetor de
serviços de seleção, agenciamento e locação de mão de obra na região Metropolitana de São
Paulo; e os vários estudos que têm se originado a partir do projeto de pesquisa “À procura de
trabalho. Instituições do trabalho e redes de sociabilidade”, e que se dedicam a analisar
ambos os mecanismos existentes no mercado de trabalho que são acionados pelos indivíduos
na saída do desemprego, quais sejam, os mecanismos institucionalizados (agências de
emprego e empresas de trabalho temporário) e os mecanismos não institucionalizados,
mediante a mobilização de redes sociais em espaços de sociabilidade (Guimarães, 2004,
2006; Bicev, 2005; Georges e Janequine, 2005; Hirano, 2006; Vieira, 2006; Pedro, 2006).

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A PAEP é uma pesquisa ampla de caráter amostral, produzida pela Fundação SEADE que cobre informações de firmas
com 5 ou mais empregados no Estado de São Paulo, de cinco setores a quatro dígitos da CNAE: indústria manufatureira,
construção civil, serviços, informática, e bancos comerciais. Sua abordagem é a do sujeito, visto que sua unidade de
investigação é a firma ou a unidade local. A primeira pesquisa PAEP cobre informações no período base de 1994-96; a
segunda PAEP refere-se aos anos de 1999-2001. Para esse artigo, trabalhando com as informações da segunda edição da
PAEP por ser mais abrangente no que concerne à captura de informações sobre o segmento das empresas de alocação e
agenciamento de mão de obra.

5
A emergência e a maior centralidade de uma literatura sobre tal tema refletem a
crescente importância do mercado de intermediação de mão de obra no processo de
(re)inserção de pessoal em postos de trabalho. Sua atuação se expressa numa dupla via: por
um lado, e tomando a perspectiva do trabalhador, ele viabiliza o acesso ao emprego e ao
trabalho; por outro, e tomando a perspectiva das empresas-clientes que recorrem aos seus
serviços, ele facilita o processo de identificação e de contratação do profissional requisitado.
Em outras palavras, tem sido válida a afirmação de que as instituições que atuam na
intermediação de mão de obra vêm desempenhando uma diversidade de funções, resultado de
um conjunto de mudanças que tem implicado alteração na sua dinâmica atual. E, nesse
sentido, torna-se necessário trazer algumas respostas acerca do espaço no mercado de trabalho
ocupado pelos agentes responsáveis pela (re)locação e agenciamento da mão de obra assim
como discutir quais as suas configurações.
A reflexão feita por Guimarães (2006) é bastante sugestiva ao apresentar seus achados
quanto ao posicionamento e às atividades desempenhadas por esse setor no Brasil. Ao se
referir aos agentes econômicos que atuam na intermediação do emprego como nossos
“ilustres desconhecidos”, a autora chama a atenção para o emaranhado de formas e
configurações que norteiam a atuação dessas empresas no mercado de trabalho, que podem
variar segundo os contextos econômicos em que estão inseridas. Especificamente com relação
ao Estado de São Paulo, a autora acentua as diferenças e complementaridades entre os
principais agentes responsáveis pela intermediação de mão de obra, ou seja, as agências
públicas, composta pelas sindicais e governamentais, e as agências privadas, desde a sua
captura ao preenchimento das vagas. Segundo coloca, “o sistema mantido com recurso
público é tão bem organizado para mapear o demandando quanto mal aparelhado para
localizar a vaga que poderá acolhê-lo” (Guimarães, 2006:23). Essa função de localizar vagas
disponíveis no mercado de trabalho parece ser bem melhor executadas pelas empresas
privadas, cuja racionalidade está orientada a cativar a empresa-cliente, que recorre aos seus
serviços para suprir suas demandas por mão de obra. Em contra-partida, as agências privadas,
sobretudo aquelas de pequeno e médio porte, fazem poucos investimentos no que concerne à
captura dos demandantes para vaga de trabalho.
À primeira vista, parece prevalecer uma sintonia fina entre os três pólos do mercado de
trabalho no sentido da sua eficiência coletiva: as empresas públicas com competência para
identificar os demandantes por emprego; as empresas privadas, especializadas em encaminhá-
los às vagas oferecidas por suas empresas-clientes. Completar-se-ia o ciclo, se não ficasse
evidente a ineficiência presente nessa interação, de ambos os lados: do sistema público, por
não conseguir estatísticas acerca do destino dos candidatos que são encaminhados ao sistema
privado, ausência essa que compromete a liberação de recursos dado que o mesmo está
condicionado ao número de vagas de trabalho preenchidas. E, por parte do segmento privado,
há um descontentamento em relação à triagem de candidatos que o sistema público realiza e
encaminha à eles, muitas vezes inadequados às vagas a serem preenchidas, ação que coloca
em risco a credibilidade das mesmas frente às empresas- clientes (Guimarães, 2006).
Motivações semelhantes, quais sejam, interpretar a lógica da indústria de intermedição
de mão de obra, levaram Peck e Theodore (1999) a intuir que o mercado de trabalho
temporário nos EUA, sobretudo em Chicago, cidade berço da indústria de colocação do
trabalho temporário, estaria passando por mudanças estruturais de grande alcance. Ao
discutirem a expansão e reestruturação da indústria de trabalho temporário, eles afirmam que
teria havido uma polarização nesse segmento, tanto do ponto de vista organizacional quanto
no que se refere ao mercado de trabalho.

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Reforçando o aspecto da heterogeneidade que caracteriza essa indústria, os autores
argumentam que dois segmentos distintos têm prevalecido. Um deles, resultado de uma
reestruturação “para baixo”, tem se caracterizado pela predominância de agências pequenas,
de proprietários locais, movidas pela lógica de redução de custos já que atendem a mercados
sensíveis a preço, com predomínio de trabalhadores com baixa qualificação profissional, e
que atendem sobretudo ao setor da indústria leve (embalagem,montagem, transporte de
materiais e operações de máquinas). Caracterizam, assim, uma espécie de “via baixa” (low
road) em que, segundo os autores, predominam relações hipermercantilizadas, instabilidade
nos vínculos de emprego e altas taxas de exploração. Em oposição, eles também identificam
um segundo segmento de empresas cuja reestruturação ocorre “para cima”, caracterizando
uma espécie de “via alta” (high road). Prevalecem, nessa categoria, empresas de maior porte
que mantém relações mais estáveis e contratuais com seus clientes, oferecendo a eles
serviços mais seletivos e diferenciados. Portanto, empregam trabalhadores mais qualificados e
especializados, que contam com maior estabilidade dos laços de emprego, melhores salários e
condições de trabalho mais adequadas.
Face a tais indagações, torna-se necessário, nessa discussão, trazer algumas respostas
sobre o espaço no mercado de trabalho brasileiro ocupado pelos agentes responsáveis pela
(re)locação e agenciamento da mão de obra e quais as suas configurações, aqui considerando
a metamorfose que a literatura vem destacando acerca de sua dinâmica atual. Essa
necessidade se justifica a partir da seguinte constatação: se a formação do mercado de
intermediação de mão de obra em segmentos de baixa qualificação tem induzido a discussão
sobre a correlação entre a inserção profissional e o avanço da precarização do mercado de
trabalho, no caso das empresas que atuam no Estado de São Paulo, as características do
mercado de alocação e agenciamento com seus clientes mostram exatamente o oposto. Ou
seja, ocorre que a gestão das relações inter-industriais entre as empresas de locação e as
empresas-clientes se dá por arranjos contratuais em um ambiente com alto nível de
institucionalização, moldadas por grandes unidades de negócios e transitam dentro de
modelos organizacionais baseados historicamente no modos operandi da grande empresa
industrial – ampla escala de operação, planejamento centralizado e estreitos compromissos de
colaboração e parceria por meio de vínculos de médio e longo prazos. A seção que se segue
busca desenvolver e sustentar esse argumento, a partir da caracterização que fazemos acerca
desse setor no Estado de São Paulo.

3. O mercado de locação e agenciamento de mão de obra descrito a partir da PAEP


A discussão sobre as empresas que formaram a estrutura de intermediação de mão-de-
obra no Estado de São Paulo foi realizada por Pamplona (2002) e Guimarães (2004), com
foco na Região Metropolitana de São Paulo a partir dos dados coletados em 116 unidades por
meio da Pesquisa da Atividade de Setor de Serviços Empresariais do Grande ABC (PASSE-
ABC) no ano de 1999. A análise que se segue tem abrangência mais ampla, contemplando
2.989 empresas que atuavam no Estado de São Paulo em 2001. Esse é o universo abrangido
pela base de dados da PAEP/ SEADE.
A primeira constatação consiste em mostrar que o segmento de alocação e
agenciamento de mão de obra paulista é fortemente organizado em torno das grandes
empresas. No que tange à distribuição do pessoal ocupado segundo o porte das empresas, a
tabela abaixo mostra uma estrutura na qual as empresas com até 29 empregados representam
cerca de 80% do total dos estabelecimentos, mas empregam apenas 15,6% do pessoal
ocupado. Por outro lado, aquelas com mais de 100 pessoas, que representam 9% do universo
total de empresas, é responsável por 73.6%, sendo que somente as vinte empresas do

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segmento com mais de mil empregados empregam 39,0% do total de trabalhadores no
segmento.

Tabela 1: Distribuição das empresas do segmento de locação e agenciamento segundo o porte,


número de empresas e de pessoal ocupado (ESP*, 2001)
Porte de pessoal Número de Pessoal % Número de % Pessoal
ocupado empresas ocupado empresas ocupado
de 1 a 5 ocupados 442 1.486 14.8 0.7
de 6 a 10 672 5.675 22.5 2.7
de 11 a 19 649 9.277 21.7 4.5
de 20 a 29 626 15.792 20.9 7.6
de 30 a 49 74 2.666 2.5 1.3
de 50 a 99 260 19.685 8.7 9.5
de 100 a 499 215 49.202 7.2 23.8
500 a 999 33 22.394 1.1 10.8
1000 ou mais 20 80.576 0.7 39.0
Total 2.989 206.753 100.0 100.0
Fonte: Fundação Seade. Pesquisa da Atividade Econômica Paulista – PAEP 2001.
* ESP = Estado de São Paulo

Do ponto de vista patrimonial, os dados da Paep 2001 mostram que o segmento


apresenta uma estrutura com características de comando de capitais que não difere muito
daquela observada no setor terciário paulista, na qual há forte predominância de empresas
controladas por capitais nacionais. No segmento de locação e agenciamento, encontramos
97,6% do universo de entidades com atividade no Estado de São Paulo, enquanto a presença
de capitais estrangeiros se limita a composição de alianças com empresas de capital nacional
em pequena escala, pois as entidades de capital misto eram responsáveis por apenas 2,6% das
empresas.
No que diz respeito à origem das empresas desse segmento, os dados da Paep sugerem
que o forte processo de terceirização (outsourcing e offshoring) na economia brasileira e
paulista na década de 1990 foi responsável pelo crescimento do segmento, explicando a
predominância de outras empresas na origem de seu processo de constituição das unidades
que atuam no segmento. A tabela abaixo aponta que 61,7% das empresas foram fundadas por
empresas independentes, 37,5% por pessoas físicas e apenas 0,8% por grupos de empresas.

Tabela 2: Processo de constituição das empresas no segmento de locação e


agenciamento (ESP, 2001)
Origem do processo Valor Absoluto Percentual
Empresa independente 1.713 61.7
Pessoa física 1.043 37.5
Grupo de empresa 21 0.8
Total 2.777 100.0
Fonte: Fundação Seade. Pesquisa da Atividade Econômica Paulista – PAEP 2001.

Os nossos achados relativos à data de fundação de empresas corroboram os achados de


Pamplona (2002) e Guimarães (2004) sobre o grande impacto das transformações ocorridas
com a reestruturação produtiva e organizacional dos anos de 1990. Tais transformações
tiveram grande impacto para o crescimento do segmento em termos de números de empresas
na Região Metropolitana de São Paulo, o que seria um indicativo das intensas interações entre

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ambos os segmentos da atividade econômica. Ocorre que a reestruturação produtiva, pós anos
90, propaga os serviços de terceirização e cria demanda por velhos e novos serviços.
Expande-se assim o número de “empresas prestadoras de serviços empresariais” que
interagem com o setor industrial reestruturado. De fato, 24,7% das unidades iniciam suas
atividades entre 1990 e 1994 e 42.2% entre 1995 e 1999. Entretanto, observa-se que as
empresas consolidadas fundadas até 1980, apesar de representarem apenas 29,2% das
unidades, são responsáveis por cerca de 54,5% do valor adicionado e 51,1% do total de
empregos. Trata-se de um fato indicativo de que as condições existentes para a expansão das
atividades foram catalisadas por empreendimentos novos, mas a estrutura do setor ainda
mostra o comandado das empresas mais antigas. Como ilustração, vale mencionar o caso de
uma das primeiras empresas de intermediação no Brasil, a Gelre, de capital nacional, fundada
em 1964/65 e hoje é uma das maiores empresas desse tipo, presente a partir de mais de 80
escritórios espalhados pelo Brasil, estando presente, inclusive, em outros países da América
Latina.

Tabela 3: Caracterização das empresas de locação e agenciamento segundo o ano de fundação (ESP,
2001)
Número de Número de Valor Pessoal
Ano de fundação Empresas Unidades (%) Adicionado (%) Ocupado (%)
Até 1970 161 5.8 14.8 23.1
De 1980 a 1989 653 23.4 39.7 27.9
1990 a 1994 1,868 24.7 18.9 19.9
1995 a 1999 108 42.2 25.1 27.9
Após ano 2000 200 3.9 1.5 1.1
Total 2,989 100.0 100.0 100.0
Fonte: Fundação Seade. Pesquisa da Atividade Econômica Paulista – PAEP 2001.

Do ponto de vista da cadeia produtiva, nota-se que, entre todos os setores de


atividades, o processo de terceirização da indústria tem forte comando sobre a demanda para
o segmento. Cerca de metade da receita gerada nas empresas de alocação e agenciamento de
mão de obra tem sua origem no setor industrial, seguida pelas empresas de serviços (17,6%),
comércio (15,9%) e pessoas físicas (12,1%). Entretanto, os dados da Paep sugerem ainda que
a importância da indústria para o segmento está vinculada a uma rede de clientes composta,
sobretudo, pelas grandes corporações: enquanto na média da indústria 14% das cerca de 41
mil empresas atuantes no Estado de São Paulo terceirizavam as atividades de recrutamento,
seleção de mão de obra e treinamento de mão de obra, entre aquelas com mais de 500
empregados esse percentual alcançava de 47%.

9
Gráfico 1: Percentual da receita das empresas locação e agenciamento por clientes (ESP, 2001)

1% 12%
18%
0%

3%

16%

50%

Pessoa física Agricultura


Indústria Comércio
Bancos/ instituições financeiras Serviços
Governo

Fonte: Fundação Seade. Pesquisa da Atividade Econômica Paulista – PAEP 2001.

Os dados da Paep sugerem que a forte inserção dessas empresas no tecido industrial
tem natureza não eventual e se estrutura de forma sistêmica dentro do tecido econômico. Os
dados da tabela abaixo mostram que apenas 15,4% da empresas fazem transações sem
contratos de venda, sendo que a 59,6% delas tem contrato de venda de curto prazo e 53,7% de
longo prazo. Pouco mais de um terço das empresas apresenta exclusividade no fornecimento
de serviços, 67% das empresas trocam informações sobre a qualidade e desempenho dos
serviços e 50,5% fazem pesquisa visando identificar mudanças no perfil dos clientes.

Tabela 4: Caracterização das transações feitas pelas empresas de locação e agenciamento, em


percentual (ESP, 2001)
n.d. (%) Sim (%) Não (%)
Sem contrato de venda 3.5 15.4 81.1
Contrato de venda de curto prazo 3.5 59.6 36.9
Contrato de venda longo prazo 3.5 53.7 42.8
Vendas sob encomenda 3.5 19.0 77.6
Exclusividade no fornecimento 3.5 38.5 58.0
Contrato de assistência técnica ou prestação de serviços 3.5 28.3 68.3
Troca informação: qualificação e desempenho 3.5 67.1 29.5
Troca informação: mudanças do cliente 3.5 50.5 46.1
Fonte: Fundação Seade. Pesquisa da Atividade Econômica Paulista – PAEP 2001.

O encadeamento de relações mais formalizadas e a existência de contratos de


exclusividade na cadeia de subcontratação resultam em uma carteira relativamente restrita de
clientes entre as empresas de alocação e agenciamento de mão de obra. Observando a tabela
que se segue, verifica-se que 53,5% delas tem até 50 clientes, sendo que 35,3% até 25. Por

10
outro lado, a concentração do faturamento em relação aos clientes é ainda mais alta e mostra
como as empresas de alocação de mão-de-obra são dependentes de um grupo restrito de
empresas consumidoras de seus serviços: em média, o principal cliente das empresas
representa 36,9% do total de seu faturamento e, o segundo, 15,5%.

Tabela 5: Faixa de número de clientes declarado pelas empresas de locação e


agenciamento (ESP, 2001)
Total de % total de Percentual
Faixa de clientes empresas empresas Acumulado
de 1 até 25 clientes 1054 35.3 35.3
de 26 a 50 clientes 540 18.1 53.4
de 50 a 100 clientes 584 19.5 72.9
de 100 a 200 clientes 176 5.9 78.8
+ de 200 clientes 200 6.7 85.5
100% clientes pessoa física 267 9.0 94.4
Sem informação 166 5.6 100.0
Total 2989.1 100.0
Fonte: Fundação Seade. Pesquisa da Atividade Econômica Paulista – PAEP 2001.

4. Conclusão
Esse texto se propôs a qualificar o universo das empresas de locação e agenciamento de
mão de obra sediadas no Estado de São Paulo, região que se destaca como sendo uma das
mais significativas e representativas quanto à presença de mecanismos institucionalizados no
mercado de trabalho que são acionados pelos indivíduos na sua busca por novas colocações
profissionais. Nossos alvos eram dois: qualificar o perfil da empresa que compõe esse
segmento e avançar na descrição dos serviços e atividades por elas executados.
Em termos da caracterização das empresas de locação e agenciamento, dificilmente
poderíamos fazer uma análise sobre elas em termos de “via baixa” (low road) e “via alta”
(high road), tal como proposto por Peck e Theodore (1999). As dificuldades emergem da
coerência do modelo, dado que a via baixa derivaria das relações das empresas de locação e
agenciamento com o mercado de trabalho, enquanto a via alta obedece a uma lógica distinta,
centrada na descrição de relações inter-empresariais. No caso paulista, as empresas desse
segmento mostram relações cruzadas, isto é, os segmentos tradicionais, mesmo caracterizados
pelo agenciamento de trabalhadores em ocupações de baixa-qualificação, mostram uma
estrutura baseada em empresas de grande porte; por outro lado, as empresas menores, mesmo
com baixa densidade de capitais, são capazes de prover serviços ultra-especializados de alto
valor agregado vinculados à gestão das grandes corporações.
Em termos dos seus serviços e atividades, as práticas de terceirização e a alocação de
mão de obra avançam em direção a novos horizontes. Assim, até à década de 1990 elas se
concentravam majoritariamente no âmbito das funções tidas como tradicionais (e
convencionais), tais como segurança, manutenção predial, alimentação, limpeza, transporte de
produtos, saúde, etc, e, portanto, marginais às atividades principais da empresa. Como uma
resposta às necessidades vivenciadas pelas firmas, ou até mesmo se antecipando às demandas
colocadas por elas, as empresas de locação e agenciamento de mão de obra acabaram
ampliando a gama de serviços, disseminando a sua atuação.
Algumas dessas empresas têm inclusive assumido funções que avançam no provimento
de serviços de caráter mais estratégico e qualificado, não tão alheios às atividades core das
empresas clientes. Elas deixam, assim, de ser apenas agenciadoras e intermediadoras de mão

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de obra, passando a prover uma diversidade de serviços aos seus clientes, cujo conteúdo tem
sido qualitativamente distinto daquele que até então compunha seu portfolio de atividades.
Inserem-se, no âmbito dessas atividades terceirizadas e/ou supridas por trabalhadores
temporários, vários dos serviços ligados à tecnologia da informação, ensaios e análises,
projetos de engenharia, gestão de recursos humanos, entre outros8.
A conseqüência direta do aumento dessa oferta e demanda por velhos e novos serviços
nos remete a levantar uma nova hipótese sobre a possível existência de processos virtuosos
nas práticas de subcontratação. Porém, trata-se ainda de casos pouco retratados pela literatura,
até aqui farta em exemplos que associam a terceirização e a subcontratação com a
precarização das condições de emprego. Essas novidades são talvez menos freqüentes, ou
mais recentes. Entretanto, uma afirmação desse tipo deve ser interpretada no âmbito das
hipóteses; sua validação ainda requer um aprofundamento do trabalho de pesquisa empírica,
atividade essa que tem sido conduzida pelos autores. Por isso mesmo, esses instigantes
achados iniciais ainda não podem ser generalizáveis para a dinâmica de todo o segmento de
locação e agenciamento de mão de obra.

5. Bibliografia
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pp. Disponível em: http://www.fflch.usp.br/sociologia/nadya
GUIMARÃES, N. A. Empresariando o trabalho: os agentes econômicos da intermediação de empregos, esses
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KOENE, B.; PURCELL, K. The value of relationships in a transactional labour market: constructing a market
for temporary employment. Manuscrito não-publicado, outubro, 2004.

8
Esse achado reitera e aprofunda o que foi achado por Guimarães (2006).

12
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Paulo: Hucitec. 1994.
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13