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27/10/2017 Jaíza Pollyanna Dias da Cruz Rocha et alii, Mulheres e militância política durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985):

): luta, resistênci…

L'Ordinaire des Amériques


Comptes rendus
2017

Jaíza Pollyanna
Dias da Cruz Rocha et alii,
Mulheres e militância política
durante a ditadura militar no
Brasil (1964-1985): luta,
resistência e silêncio
J P D C R F
C O
Référence(s) :
Ingrid Faria Gianordoli-Nascimento, Zeidi Araújo Trindade, Maria de Fátima Souza Santos. Mulheres e
militância: encontros e confrontos durante a ditadura militar. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2012.

Texte intégral
1 Passado mais de trinta anos do término da ditadura militar no Brasil (1964-1985) a
retomada do tema se faz profícua, considerando inclusive, o cenário sociopolítico atual
– de publicação e entrega do relatório da Comissão Nacional da Verdade em 2014 e do
impeachment da presidenta eleita (mulher e militante que se opôs a ditadura militar no
Brasil). O período ditatorial ainda é um passado recente, em revisão, com o registro da
memória oficial dos vencedores; evocado e rememorado por parte da sociedade como
um momento de ordem e progresso. Marcado com certo saudosismo, o momento atual
fez remeter à lembrança de figuras emblemáticas do cenário, como o falecido coronel
do Exército Brasileiro, “Carlos Alberto Brilhante Ustra”, disciplinador ‘exemplar’ de
mulheres militantes, reconhecido pela justiça brasileira como torturador durante
a ditadura.
2 A participação de mulheres na política incomoda e provoca demandas que visam
impedir sua continuidade e questionar sua legitimidade, pois como pontua Goldenberg,
ao entrar e participar ativamente da política, atuando no espaço público, as mulheres
ocupariam um lugar de dupla transgressão: por serem mulheres, destinadas ao espaço
privado, do lar e ao cuidado com o marido e filhos; e por insurgirem contra o poder
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inquestionável do regime militar, um espaço notadamente formado por homens


brancos, velhos e heterossexuais. Nessa lógica, o lugar da política, o cenário público,
não pertence às mulheres. Sua entrada e exercício são questionados, provocando ações
de resistência e afirmação contínua, frente à violência a que são submetidas.
3 O livro “Mulheres e militância: encontros e confrontos durante a ditadura militar”,
fruto de pesquisa de doutorado em psicologia social, aborda a trajetória de militância
de nove mulheres militantes políticas do estado do Espírito Santo, Brasil. Desenvolve-
se a partir de dois pontos subalternos: a identidade feminina e a identidade capixaba.
São mulheres, na política, e com trajetória de nascimento e/ou atuação em um estado
com pouca expressividade no contexto regional do Sudeste, mas que ali e em suas
jornadas clandestinas e em exílio, inauguraram práticas e experiências, que
contribuíram para a resistência política e história daquele território, para a construção
de um Estado democrático, e para os novos modelos de gênero experimentados pelas
mulheres das gerações seguintes em todo o país.
4 Considerando a importância de estudos que foquem a participação de mulheres em
diferentes contextos sociais, como a política, o livro é um convite à reflexão sobre o
papel fundamental das mulheres nos anos de 1960-1980 no Brasil, e uma imersão aos
porões da ditadura militar no país.
5 As autoras apresentam inicialmente o contexto político no qual se deu o golpe militar
no Brasil, com enfoque principal na participação das mulheres na militância política de
oposição ao regime, contextualizando os antecedentes que possibilitaram a inserção
feminina nas lutas políticas a partir de 1964. Trata-se de mulheres em sua maioria de
classe média, que estavam se inserindo na universidade, participantes de agremiações
estudantis, de grupos religiosos libertários, e que por meio da escolarização em colégios
de elite, tiverem acesso e iniciação a leituras críticas, como o marxismo,
existencialismo, e literaturas diferenciadas dos livros de romances indicados a elas; o
que permitiu questionamentos futuros sobre o modelo pequeno-burguês de família,
casamento e maternidade.
6 A entrada nas universidades e a abertura de cursos superiores para além dos de
pedagogia e outras profissões ligadas ao cuidado, foram fundamentais para que
tomassem contato com um universo diferente e mais amplo que o espaço do lar. Seja
pela viagem para a capital, ao saírem do interior para se escolarizarem, ou pela nova
dinâmica e espaços de sociabilidades permitidos pela universidade. A entrada no
mundo da política se inicia para essas mulheres por via do ensino superior, o que já
sinalizava a quebra de um padrão, o de dar prosseguimento aos estudos e se
profissionalizar, ao invés de partir do ensino secundário, para o casamento.
7 Embora as autoras salientem o caráter inaugural das mulheres na política, na
universidade e em outros espaços públicos, deve-se ponderar que, a universidade, por
exemplo, não foi o único meio de inserção, nem o inicial, pois as mulheres, sobretudo
de outras classes e raças, teriam outros modos de entrada no espaço público, por via do
trabalho, por exemplo. E embora seja marcante e expressiva a participação política
feminina nesse contexto, no cenário brasileiro, em outros momentos da história
também se fizeram presentes, ainda que em menor número, e sem visibilidade nas
narrativas oficiais.
8 Tal expressividade da participação das mulheres é um dos aspectos importantes
desta obra, ao demonstrar como a socialização das ‘moças’ estavam pautadas em
modelos dos anos dourados (1940/50), no qual a preparação para o casamento era
fundamental. Durante os anos de 1960 a conjuntura político-cultural que se instaura no
cenário mundial, provoca movimentações da juventude, que se fortalece em manifestos
nas ruas para contestar a ordem estabelecida, festivais, ações culturais, artísticas e
outras práticas, nas quais homens e mulheres podem compartilhar o mesmo espaço, de
dia ou à noite, no ambiente público, em prol de melhorias em diferentes setores. Esses
novos questionamentos e espaços de sociabilidade permitiram segundo as autoras,
novos modelos inclusive de conjugalidade, já que o casamento enquanto instituição
começa a ser amplamente criticado, e as ideias de “amor livre” ganham força nesse
contexto contraditório, de inicial liberdade, mas de posterior cerceamento.
9 Embora pudessem experimentar a convivência no espaço público e nas ações
políticas, a presença feminina não foi e ainda não é igualitária em relação à participação
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masculina, quer em relação ao número de pessoas de ambos os sexos na cena política;


às atividades, cargos e tarefas desenvolvidas; e quanto às vozes e poder de fala dessas
mulheres, abafadas, silenciadas ou inaudíveis.
10 O método de coleta e análise de dados elencado pelas autoras no itinerário da
pesquisa, e a proposta geral do livro, nos parece a de fazer ecoar essas vozes, criando
espaços de elaboração e aparição delas, trancadas nos porões da ditadura e da memória
do medo, silêncio e esquecimento. Entretanto, nos questionamos quanto à decisão das
autoras em manter o anonimato das entrevistadas. Salienta-se na obra que temas
sensíveis nunca antes ditos emergiram no processo de narração, e que por esse motivo,
nomes fictícios foram utilizados, mas podemos problematizar as implicações desse
recurso no alcance do protagonismo em relação às próprias histórias e principalmente
para a história do país.
11 Parker nos alerta sobre alguns cuidados e posturas metodológicas nas pesquisas
qualitativas, sobretudo na produção de narrativas. Sugere a constante auto-interpelação
e autocrítica dos pesquisadores sobre suas posturas, a fim de se questionarem sobre a
manutenção ou não do sigilo dos entrevistados, e a favor de quem ele está. Pondera
ainda sobre certa autoconfiança na certeza ou defesa de que as pessoas de fato disseram
o que queriam dizer, e assim, nos contaram suas histórias. Embora se disponham a
narrar suas experiências, acredita-se que as narrativas seguem um movimento ligado ao
tempo, circunstância, contato, entre outros elementos que atravessam o processo
de pesquisa.
12 No caso da presente obra, trata-se do manejo de memórias silenciadas, cuja
publicização favorece a revisão do período e a aproximação das novas gerações a este
contexto, embora verse sobre questões de cunho familiar, ou confidenciais, nem sempre
compartilhados e revisados. O não anonimato das entrevistadas poderia contribuir para
a reafirmação pública de suas histórias e identidades, o que pode ter ocorrido ainda
assim. Deste modo, por se tratar de um passado que ainda causa temores e incertezas, a
escolha das autoras pareceu pertinente por relacionar-se com a dificuldade imposta
pelo próprio processo de rememorar os acontecimentos.
13 Nota-se a cuidadosa construção do capítulo metodológico, e a preparação para
imersão no campo de pesquisa, que demandaram uma aproximação ao período
ditatorial, através de recortes de jornais da época, músicas do período, conhecimento de
alguns locais da cidade de Vitória/ES, que ajudaram inclusive a ressignificar
o território.
14 Com períodos de longas horas de entrevistas, as mulheres entrevistadas foram
convidadas e se dispuseram a abrir as caixas de si, tão empoeiradas pelo tempo. Relatos
não apenas de suas vivências pessoais nas experiências de clandestinidade, prisão,
tortura, exílio, pós-prisão; mas uma reconstituição da trajetória coletiva de mulheres
que romperam com modelos e padrões de gêneros estabelecidos para sua época,
experimentando novos modos de atuação feminina na política, nas relações de
casamento e maternidade, e na conjugação de carreira com outras esferas da vida.
15 Nesse sentido, essa obra traz uma contribuição psicossocial ao possibilitar a
visualização, de forma não dicotomizada, da relação entre sujeito e sociedade,
permitindo a compreensão de que aspectos de experiências privadas ou microssociais
são indissociáveis dos aspectos macrossociais; ou seja, individual e coletivo estão
imbricados, e as memórias pessoais e comuns reavivadas por essas mulheres, são parte
da memória histórica do período no Brasil. A situação política produzida pela ditadura,
como a experiência de clandestinidade e de uma vida “ilegal”, a criação das categorias,
“preso político” e “desaparecido político”, e a especialização das práticas e técnicas de
tortura, são o cerne da história dessas mulheres; o pessoal, nesse sentido é político e o
político/histórico, é pessoal. Não há entre eles dissociação, uma história não se conta
sem a outra, embora haja tentativas de invizibilização, silenciamento e disputas no
campo da memória entre o que será mantido e esquecido.
16 O livro poderia ampliar ainda a discussão sobre as relações de poder e dominação
entre os grupos, e o faz, em alguma medida, ao lançar mão de diferentes abordagens
históricas e em psicologia, como a obra de Henri Tajfel, para compreender os
fenômenos de transformação da identidade social e as relações intergrupos, e sua
relação com a construção da memória social. As teorias de gênero especialmente as que
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se relacionam à discussão pautada na “segunda onda do feminismo”, também são


utilizadas para a compreensão das relações entre homens e mulheres e da construção
da identidade feminina.
17 Esse trabalho é assim um ícone importante na abordagem do tema em Psicologia
Social, já que os trabalhos até então publicados são de áreas afins, como história,
ciências sociais, e psicologia em sua abordagem clínica, numa compreensão dos
fenômenos como a tortura e seu impacto na vida das vítimas. Possibilitar a emergência
das vozes subalternas das vencidas, e de novas versões sobre esse passado recente, é
uma das contribuições relevantes para o campo psicossocial e para a história política do
país.
18 Por meio do método fenomenológico para organização e construção de narrativas, as
mulheres militantes relatam suas histórias, memórias, e através do distanciamento
permitido pelo tempo, podem fazer autocríticas, reflexões atuais conectando passado e
presente. O que importa é a experiência vivida e o modo como o fenômeno se apresenta
naquele momento. A descrição cuidadosa do percurso das pesquisadoras para a
inserção no campo de pesquisa, ao acesso e realização de entrevistas e para a
construção das narrativas, é também uma importante contribuição metodológica, para
o desenvolvimento de outros estudos sobre o tema.
19 As narrativas construídas retratam as transformações identitárias a partir das
modificações sociopolíticas engendradas pela ditadura militar, e pelas tensões e
convergência entre modelos, valores e padrões tradicionais e modernos. Essas mulheres
vivenciaram o rompimento com suas famílias, à necessidade de saída de suas casas e
entrada na clandestinidade ou exílio; novos relacionamentos afetivos e conjugais
assumidos; construíram modos de conjugar maternidade e militância; e sofreram
tratamento específico do aparato repressivo, bem como, a manutenção do
conservadorismo e machismo nas organizações de esquerda.
20 A partir da perspectiva teórica da identidade social, a divisão entre “nós” e “eles”, é
suficiente para criar categorizações, comparações e diferenciações sociais na dinâmica
intergrupal. Ao se compararem com suas mães ou família, as mulheres militantes
consideram ter rompido com alguns modelos aos quais foram socializadas, mas pelo
afeto com a família, mantiveram outros. Algumas se casaram nos moldes tradicionais,
mas se negaram a usar um vestido de noiva; outras contestaram a união legal civil; ao
se descobrirem grávidas, na maior parte das experiências, já na vida clandestina ou nas
prisões, passaram pela decisão entre manter ou interromper a gestação, e ao decidirem
manter, não aceitaram abandonar a vida na militância. Embora haja casos em que
houve o afastamento da militância política em detrimento do cuidado e dedicação aos
filhos, não foi feita sem crítica quanto à aceitação ao modelo de
maternidade tradicional.
21 É importante considerar que a vida pessoal das e dos militantes políticos passou por
grandes alterações, dada à configuração do cenário social com o acirramento das forças
repressivas nos chamados ‘anos de chumbo’, período marcado pela promulgação do Ato
Institucional número 5 (AI-5), no final de 1968. A restrição de liberdades individuais e
políticas propiciaram a vivência das militantes numa espécie de submundo. Assumiram
novos nomes e identidades, viviam como nômades, numa constante vigília e temor,
com ameaça iminente de morte. Os riscos deveriam ser avaliados de forma pessoal e
coletiva, já que os partidos políticos aos quais estavam vinculadas se transformaram em
organizações clandestinas.
22 No livro as autoras mostram como as mulheres que militaram antes do AI-5,
entraram na militância por via de organizações estudantis secundaristas, ou católicas,
já àquelas que entraram durante e após o AI-5, participavam de organizações de cunho
armado, estrutura considerada necessária para enfrentar a ditadura. Na comparação
entre elas e por outros grupos, as primeiras eram consideradas como “igrejeiras”, e as
outras como “piranhas”, que andavam sempre com grupos de homens, em bares e
durante as ações noturnas, demonstrando que mesmo entre elas haviam divergências
comportamentais e ideológicas, e, portanto, não se trata de um grupo homogêneo.
23 As autoras ressaltam que a entrada nos grupos de esquerda se deu quase sempre por
mediação de um homem (amigo, irmão, pai, parente próximo) e o tratamento dado às
mulheres, embora estivessem em organizações consideradas críticas, avançadas e
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revolucionárias, seguia bem de perto o modelo tradicional. Homens conservadores,


com atitudes machistas, com o pretexto de proteção e até certo paternalismo, já que as
mulheres ainda eram consideradas mais frágeis. Assim, não puderam assumir cargos de
liderança, portar armas pesadas e participar com a mesma expressividade nas ações
armadas, e o trabalho dentro dos chamados “aparelhos1”, era o de produzir o material
gráfico, panfletar, manutenção e limpeza do local de encontro, pichações, entre outras
atividades secundárias.
24 As que conseguiram espaço diferenciado tiveram que enfrentar os companheiros
homens, muitas vezes de geração anterior a delas, e se afirmarem “capazes” de assumir
determinadas tarefas e ações. Nas situações em que estavam grávidas foram afastadas
das atividades consideradas perigosas, mas por outro lado, eram convocadas para ações
de “despiste” frente aos militares e nas situações de proteção a todo o grupo, pois uma
mulher, sobretudo grávida, não seria alvo, nem suspeita. Situação que novamente
facilita a imersão do leitor em universo rico em valores tradicionais.
25 Nesse contexto de oposição convergiam valores tradicionais e modernos, o que ilustra
uma dinâmica onde nenhum movimento de rompimento é abrupto, mas, oscilante até
que gere mudança. Contudo, sem a resistência e enfrentamento dessas mulheres, esses
enquadramentos de fragilidade e prescrição de normas sobre o ser mulher, não seriam
questionadas, mesmo nesse espaço, considerado, mais democrático. Na década de 1970,
e com a saída de algumas militantes para o exílio, o contato com o feminismo fortaleceu
posicionamentos e críticas posteriores quanto às situações de opressão as quais
estiveram sujeitas, até mesmo dentro das organizações de esquerda, situação que pode
ser problematizada por elas apenas posteriormente.
26 Por parte do aparato repressivo do estado, exército, marinha, centros de informação,
departamentos de ordem política e social, e em outros centros e locais clandestinos
usados para a prisão e tortura, o tratamento dado às mulheres militantes ocorreu no
sentido de mostrar qual era o ‘verdadeiro lugar’ da mulher. Essas instituições eram
responsáveis por manter a desejada, ordem, moral e bons costumes, tão fundamentais à
sociedade; as militantes políticas consideradas desviantes, subversivas, “putas
comunistas”, vergonha da família e sociedade, foram violentadas de forma truculenta e
singular, em um verdadeiro exercício de correção e conformação de seus corpos.
27 Tais mulheres passaram por longos interrogatórios nos quais eram obrigadas a se
despir e desfilar nuas, para os interrogadores e outros militares convidados a assistir a
acareação, tendo seus corpos, muitas vezes, manipulados. As torturas iam desde
xingamentos e deboches sobre suas partes íntimas, passando pelo fato de ser uma
mulher comunista, até os choques elétricos na vagina e mamilos, e outros abusos
sexuais, como o estupro. Práticas exclusivas e especializadas para as mulheres. Por
meio de torturas psicológicas, físicas e sexuais, elas conheceram o ódio ao feminino, já
que a condição de ser mulher foi utilizada, quer para envergonhá-las, destituí-las, ou
fazerem-nas sucumbir.
28 As militantes sobreviveram ao ódio, mas nossa luta cotidiana ainda é grande, na
tarefa de resistir, enfrentar, e modificar as relações de poder e dominação sobre nossos
corpos, nossas decisões e no exercício da cidadania, buscando assim, espaços mais
igualitários e humanos. De alguma forma, somos herdeiras dessa luta, travada
duramente por essas mulheres, militantes, guerrilheiras, combatentes, que garantiram,
sobretudo, a transição para uma democracia, que mesmo com limitações e entraves,
nos permite alçar nossas vozes, manifestar nas ruas, ocupar lugares institucionais e de
liderança na política, nas universidades, empresas, e porque não, na presidência da
república. O convite é para que ao escutar essas vozes entendamos que são também as
vozes do Brasil, a nossa voz.

Bibliographie
GOLDENBERG, Miriam. Mulheres e Militantes. Estudos Feministas. 1997, Vol. 5, nº 2, 349-363.
PARKER, Ian. Qualitative Psychology Introducing Radical Research. New York: Open
University Press, 2005.
TAJFEL, Henri. Grupos humanos e categorias sociais. Vol. I e II. Lisboa: Livros Horizonte, 1983.
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Notes
1 Locais clandestinos que se serviam às atividades de impressão de materiais de panfletagem,
reuniões, organização/planejamento de ações, guarda de equipamentos. Durante o cotidiano, os
locais eram em sua maioria residenciais e aparentavam normalidade, ou seja, ausência de
implicação política.

Pour citer cet article


Référence électronique
Jaíza Pollyanna Dias da Cruz Rocha et Flaviane da Costa Oliveira, « Jaíza Pollyanna
Dias da Cruz Rocha et alii, Mulheres e militância política durante a ditadura militar no Brasil
(1964-1985): luta, resistência e silêncio », L'Ordinaire des Amériques [En ligne], Comptes
rendus, mis en ligne le 12 juillet 2017, consulté le 27 octobre 2017. URL :
http://orda.revues.org/3593

Auteurs
Jaíza Pollyanna Dias da Cruz Rocha
Universidade Federal de Minas Gerais
Psychologue, titulaire d’une Maîtrise en Psychologie et doctorante du programme d’études
supérieures en psychologie à l’Université Fédérale de Minas Gerais (UFMG), Brésil. Bourse de
soutien technique (2014-2016 – APQ‑01524‑13) et bourse de recherche (à partir de 2016) de la
FAPEMIG. Elle est membre du Groupe de recherche : Mémoire, représentations et pratiques
sociales.
jaizacruzz@gmail.com

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Flaviane da Costa Oliveira
Universidade Federal de Minas Gerais
Psychologue, titulaire d’une Maîtrise en Psychologie et doctorante du programme d’études
supérieures en psychologie à l’Université Fédérale de Minas Gerais (UFMG), Brésil. Bourse de
recherche de la CAPES. Elle est membre du Groupe de recherche : Mémoire, représentations et
pratiques sociales.
flavianecoliveira@gmail.com

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