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Falsa folha

de
rosto
Copyright © 2008 Aluízio A. Silva

VINHA Editora
Editora associada à ASEC - Associação Brasileira de Editores Cristãos

Diretor geral Aluízio A. Silva


Diretor executivo Naor Pedroza
Diretor comercial e vendas Marcos Moura
Gerente administrativo Márcio Alves
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DIREITOS RESERVADOS É proibida a reprodução total ou parcial da obra, de qualquer


forma ou por qualquer meio sem a autorização prévia e por escrito do autor. A violação
dos Direitos Autorais (Lei nº 9610/98) é crime estabelecido pelo artigo 48 do Código
Penal.

Impresso no Brasil
Printed in Brazil
2008
folha de rosto
Manual da visão de células
Categoria: Cristianismo / Discipulado / Vida cristã

Copyright © 2008 Aluízio A. Silva


Todos os direitos reservados

5ª edição maio de 2008


Edição Charleston Fernandes
Revisão Rosiane Braga
Diagramação Marcos Nascimento
Capa Julio Carvalho

Os textos das referências bíblicas foram extraídos da versão Almeida Revista e


Atualizada (Sociedade Bíblica do Brasil), salvo Indicação específica.

Dados internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Silva, Aluízio A., 2008


Manual da visão de células / Aluízio A. Silva. - Goiânia: VINHA Editora,
2008
ISBN: 978-85-98510-68-2
1: Cristianismo 2: Discipulado 3: Vida cristã 4: Título
CDD : 230/240

Índice para catálogo sistemático:


1: Cristianismo: Discipulado: Vida cristã 230/240

Editado e publicado no Brasil por:


VINHA Editora
Av T-7, 1361 Setor Bueno CEP: 74.210.260
Goiânia GO Brasil
Telefone: (62) 3534-8850 sac@vinhaeditora.com.br
S U M Á R I O

11 Uma igreja de vencedores

15 Cada membro um ministro


19 Cada casa uma extensão da igreja

23 Conquistando a nossa geração

27 Por que células?

33 As células estão na Bíblia

37 Igreja em células ou igreja com células?

41 O que é uma célula?

47 Os objetivos das células

53 O que é a multiplicação?

57 As pessoas de uma célula


61 Definindo as funções
71 O discipulado e a supervisão
77 A reunião da célula — o quebra-gelo
81 A reunião da célula — o louvor e a adoração

87 A reunião da célula — a edificação na Palavra

91 A reunião da célula — compartilhando a Palavra

97 A reunião da célula — a comunhão

101 Estratégias básicas para o crescimento da célula

109 Características de uma célula forte


113 Estágios de uma célula normal

119 Como começar uma célula?

123 Como guardar a visão de células?

129 Benefícios da visão

133 Inimigos da visão

139 Resolvendo problemas na célula

145 Por que a minha célula não cresce?

149 A célula infanto-juvenil

165 Dicas para líderes de célula


Introdução

Certa vez, um garoto perguntou para um homem de Deus:


– O que é unção?
O homem de Deus, então, chamando a atenção do garoto
para um boi que pastava à distância, indagou:
– Você está vendo aquele boi pastando?
– Sim.
– Aquilo não é unção.
Em seguida, olhou para um passarinho que cantava no galho
de uma árvore, e disse:
– Você está ouvindo aquele passarinho cantando?
– Sim.
– Aquilo também não é unção.
O garoto, exasperado, insistiu com o ancião:
– Diga-me, então, o que é unção?
Após uma pausa breve, o homem voltou-se para o garoto e
concluiu, dizendo:
– Se você vir um boi no galho de uma árvore, cantando feito
passarinho, aquilo, sim, é unção.
A verdadeira realidade da Igreja é sobrenatural. Se tudo o que
temos são passarinhos cantando nos telhados e bois pastando nos
campos, então, não temos nada além do que o mundo tem. A ver-
dadeira obra de Deus precisa ser sobrenatural, celestial e inusitada.
Estamos falando isso a propósito deste manual sobre a nossa
estrutura de células em nossa igreja. O nosso crescimento não vem
8 Manual da Visão de Células

porque temos uma boa estrutura e uma boa organização. Se a nossa


obra se resume a uma boa estrutura organizacional, então, em que
temos diferenciado do mundo? Ele possui estratégias de marketing,
qualidade total, gerenciamento participativo e muitas outras coisas
semelhantes às que possuímos e praticamos. Não podemos confiar
na técnica e na mera organização. Ela é apenas uma roupa que colo-
camos e que podemos trocar de acordo com a necessidade. Crianças
trocam de roupas ao crescerem e, como elas, as igrejas mudam de
estrutura e organização, à medida que crescem também.
Se a comunhão que praticamos em nada difere da do Rotary
ou do Lyons, o que estamos fazendo de mais? Se a nossa pregação
não se distingue da oratória política ou das palestras acadêmicas, o
que estamos ministrando de mais? A mensagem de Jesus foi muito
clara: Ele não veio para revogar, veio para transcender. É aqui que
reside a grande diferença: precisamos transcender às práticas co-
muns do mundo.
Transcender não é apenas fazer melhor, é fazer sobrenatural-
mente. Não podemos atrair o mundo apenas com nossas canções,
pois as pessoas do mundo têm músicas até melhor produzidas que
as nossas. Da mesma forma, não devemos atrai-los o mundo apenas
com teatro, dramas e encenações ou pequenos grupos, pois isso eles
já possuem e em alguns casos fazem melhor do que nós. Entretanto,
existe algo que nem eles e nem ninguém pode fazer: um boi cantar
em cima do telhado. Isso somente a unção pode fazer.
Sem o poder de Deus, entretemos os santos e nos iludimos
com atividades. A Igreja não é terrena; a sua origem é celestial as-
sim como o seu poder e a sua própria vida. Qualquer coisa, seja
comunhão, pregação, aconselhamento, músicas ou as células, que
não for feita com base nesta força espiritual não traduzirá a realida-
de da Igreja.
Precisamos da unção do Senhor, pois ela subverte a nossa or-
dem e os nossos conceitos. Ela transcende o padrão do nosso traba-
lho. Nossa comunhão não pode ser comum, natural, mas, sim, do
tipo com o qual o próprio Deus subsiste. Nossa pregação não pode
ser uma palestra inteligente e intrigante, mas, sim, a voz do próprio
Deus trovejando dos céus sobre a Terra. Nossa autoridade não pode
se prender aos títulos acadêmicos, nem ao volume de voz que usa-
mos nas pregações, e sim à autoridade do Espírito Santo. Não somos
Introdução 9

frutíferos porque temos técnicas, mas porque possuímos a unção.


Não importa o quanto tentemos, somente ela poderá levar um boi a
cantar como um pássaro em cima de um telhado.
Se a nossa ministração nas células reproduzir as técnicas e
dinâmicas aplicadas na psicologia de grupos, estaremos perdendo
o nosso tempo. Não somos uma empresa, somos Igreja do Se-
nhor Jesus. Aprenda a técnica e a metodologia de nossa visão,
mas lembre-se de que mais importante que os odres é a fonte real
do crescimento, da vida, dos frutos e de tudo o mais: o vinho
novo do Espírito.
Que o Senhor da glória, o Rei Jesus, derrame sobre você desta
unção que faz o inusitado e frutifica além do esperado. Esta unção é
que torna a vida mais que um evento e que faz dela uma expressão
do celestial.

Tudo começa com a oração


A nossa oração é que, em algum momento, enquanto você
estiver estudando este manual, você receba uma revelação especial
de Deus. Que você veja a Igreja pelos olhos dEle e seja conquistado
por uma visão celestial: a edificação de uma igreja de vencedores.
Deixe-se contagiar por estes dois sonhos: multiplicar as células (uma
vez por ano) e conquistar a nossa geração para Cristo. Mas, antes de
tudo, tire alguns minutos para escrever o que você está sentindo.
Use as linhas abaixo para escrever uma oração a Deus.
Uma igreja de vencedores

Nosso encargo é edificar uma igreja de vencedores,


onde cada membro é um ministro e cada casa uma
extensão da igreja, conquistando, assim, a nossa
geração para Cristo, através de células que se
multiplicam uma vez ao ano.

Essa é a nossa visão, a nossa declaração de propósito. A


primeira parte dele diz que nosso encargo é edificar uma igreja de
vencedores.
O que é ser uma igreja de vencedores? É ser uma igreja que
cumpre o propósito de Deus. E qual é esse propósito? Ter um grupo
de pessoas à Sua imagem e semelhança. Deus deseja encher o ho-
mem com Ele mesmo, com Sua vida, a fim de expressá-lO. Para que
assim o homem tenha o Seu domínio e O represente na Terra.
O homem foi criado como um vaso para conter Deus dentro
de si. Fomos feitos como uma luva para conter a Deus. A luva é
imagem e semelhança da mão, mas a mão é a realidade da luva.
Uma luva é criada conforme a semelhança da mão com o propósito
de contê-la. Igualmente, o homem foi criado à imagem do Senhor
com o propósito de conter a Divindade.
Uma vez que o homem recebe a Pessoa de Deus como vida
dentro de si mesmo, ele se torna um instrumento nas mãos dEle.
Para que o homem fosse usado como instrumento, Deus deu a ele a
seguinte ordem:

Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-


a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos
céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. (Gn 1.28)
12 Manual da Visão de Células

Crescer e multiplicar
A primeira ordem dada ao homem, na velha criação, foi para
crescer e multiplicar-se. A mesma ordem nos é dada, hoje, na nova
criação. Todos nós recebemos a ordem de crescer e multiplicar (Mt
28.20; Mc 16.15). A diferença é que Adão se multiplicava como
alma vivente. Hoje, porém, nós nos multiplicamos pelo espírito de
vida (1Co 15).
Uma igreja de vencedores, portanto, é aquela que cumpre o
propósito original de Deus: crescimento e multiplicação. Não há como
cumprir o propósito de Deus sem fecundidade e multiplicação. Por
isso, nossa visão exige a multiplicação de cada célula pelo menos uma
vez por ano. Um líder vencedor é aquele que assim se multiplica.

Sujeitar e dominar
Deus também disse para o homem dominar, ou seja, deu-lhe
autoridade para exercer o domínio como se fosse o próprio Deus.
Qualquer um que visse Adão saberia que ele representava Deus,
pois, em tudo, era semelhante ao Criador.
Conserve em sua mente estas duas palavras: imagem e domí-
nio. Porque temos a imagem, exercemos o domínio. Imagem é para
expressar (o próprio Deus) e domínio é para exercer autoridade
(de Deus).
Todos nós precisamos lidar com o inimigo sujeitando-o em to-
das as esferas de nossas vidas (Mt 16.19; 18.18; Rm 16.20). Sujeitar
o inimigo significa vencê-lo em todas as circunstâncias e não deixá-lo
levar vantagem em nenhum momento.
Quando sujeitamos e exercemos domínio, dizemos que
estamos cumprindo a visão de que cada crente é um ministro. O
ministro sujeita e domina através da oração e da autoridade no
nome de Jesus.
Assim, uma igreja de vencedores é aquela que cresce e se mul-
tiplica. Porém, ela também exerce domínio, porque possui a ima-
gem de Deus em seu caráter. Guarde o propósito duplo de Deus.
Primeiro, Ele quer ter o homem à Sua imagem para exercer domí-
nio, ou seja: ser um ministro. Em segundo lugar, Deus deseja que
esse homem se multiplique. Uma igreja de vencedores tem a visão de
conquistar a sua geração para Cristo.
Uma igreja de vencedores 13

Não apenas salvos, mas vencedores


O entendimento comum no meio evangélico é de que todo
crente é um vencedor. De fato, isso é parcialmente verdadeiro.

Em todas estas coisas, porém, somos mais que


vencedores, por meio daquele que nos amou. (Rm 8.37)

Na verdade, todo crente é legalmente um vencedor, por causa


da vitória de Cristo. Mas, experimentalmente, muitos vivem como
derrotados. Os crentes vencedores cumprem o propósito de Deus,
enquanto os derrotados ignoram e desprezam o encargo de Deus
para esta geração.
Há uma diferença entre posição legal e posição experimental.
Posição legal é aquilo que, por direito, é nosso. Legalmente, já somos
mais que vencedores — Cristo já nos garantiu a vitória. Ele já pagou o
preço da nossa redenção, na cruz, e subjugou todos os principados e
potestades. Ele venceu, e assim, porque estamos nEle, nós também
somos vencedores. A posição dEle é a nossa posição também.
Entretanto, posição experimental é algo bem diferente. Tomar
algo dessa forma significa praticar algo que já é uma verdade legal.
Há muitos crentes que legalmente são herdeiros de uma grande for-
tuna, mas não experimentam disso, vivem numa miséria absoluta.
Sendo filhos do Rei, vivem como se fossem escravos.
Em nossa igreja, adotamos este slogan: O nosso encargo é
edificar uma igreja de vencedores. Vencedores são aqueles crentes
que já experimentam, na prática, aquilo que lhes pertence legalmen-
te. Uma coisa é ser salvo, outra coisa é ser vencedor.
Apesar de todo crente nascido de novo ser um vencedor legal-
mente, sabemos que essa não é a experiência de todos. Na verdade,
existem muitos crentes que são derrotados.
Talvez, você não concorde com essa tese e me questione: Você
está dizendo que um crente derrotado é salvo? Entenda isto: a condi-
ção para alguém obter a salvação é uma, enquanto a condição para
o salvo tornar-se vencedor é outra. A salvação tem a ver com a vida
eterna, que é um presente de Deus a todo aquele que crê. Agora,
tornar-se um vencedor é algo relacionado com o galardão e o reina-
do milenar com Cristo. A salvação é alcançada mediante a fé. Porém,
a recompensa, pelas obras que praticarmos diante de Deus.
14 Manual da Visão de Células

A salvação — ter a vida eterna — é uma coisa, enquanto o


reino — ser vencedor — é outra. A recompensa é apenas para os
vencedores. Você pode ter a vida eterna, ser salvo, e, ainda assim,
viver como um derrotado. Essa é uma questão muito séria.
Poucos se importam com a questão da recompensa ou do
galardão que receberemos diante de Deus. Ninguém se engane pen-
sando que receberemos galardão porque aceitamos a Jesus. Galardão
tem a ver com trabalho feito para Deus.
A grande recompensa dos crentes será reinar com Cristo du-
rante o milênio, depois que Ele voltar. Mas deixe-me dizer-lhe algo:
se você não está disposto nem mesmo a liderar uma célula, como
poderá reinar com Cristo? Se não existe o desejo, o encargo, de
multiplicar a sua célula uma vez por ano, não haverá galardão algum.
Numa igreja de vencedores, cada membro é um ministro e
todos se dispõem a liderar uma célula multiplicando-a uma vez por
ano. O sinal de que estamos atuando como uma igreja de vencedo-
res é ver as células se multiplicarem.

Notas

Se você deseja compreender melhor a visão dos vencedores,


leia:
NEE, Watchman. O dano da segunda morte. São Paulo: Árvore da Vida, 1996.
NEE, Watchman. The King and the kingdom of heaven. EUA: Christian Fellowship
Publishers, 1978.
NEE, Watchman. Aids to revelation. EUA: Christian Fellowship Publishers, 1978.
NEE, Watchman. Interpreting matthew. EUA: Christian Fellowship Publishers, 1978.
NEE, Watchman. Coleção o evangelho de Deus. São Paulo: Árvore da Vida, 1993.
NEE, Watchman. A igreja gloriosa. São Paulo: Árvore da Vida, 1991.
NEE, Watchman. A ortodoxia da igreja. São Paulo: Árvore da Vida, 1990.
Cada membro um ministro 15

Cada membro um ministro

Nosso encargo é edificar uma igreja de vencedores,


onde cada membro é um ministro e cada casa uma
extensão da igreja, conquistando, assim, a nossa
geração para Cristo, através de células que se
multiplicam uma vez ao ano.

Nossa visão é um encargo em nosso coração. Há uma dife-


rença entre cargo e encargo. Cargo é a posição que as pessoas assu-
mem dentro de uma organização. Encargo é um desejo profundo
no coração, compartilhado por aqueles que fazem parte de um
mesmo organismo. Este procede de um desejo profundo no cora-
ção. São sonhos do espírito. Enquanto aquele fala de posições que
geram status. Quem trabalha por cargo precisa ser supervisionado
o tempo todo, não tem motivação para criar nada e só faz o que
mandam. Mas, quem tem encargo está disposto a dar a própria
vida pelo objetivo proposto.
Existem dois tipos de líderes que não queremos em nossa igre-
ja: aqueles que não fazem o que se manda e aqueles que só fazem o
que se manda¹. Os primeiros são ineficazes e os segundos possuem
apenas o cargo, mas não o encargo. O líder que recebeu o encargo
não apenas faz o que se manda, mas vai além: ele cria, ele sonha e
realiza além do que foi pedido. São homens que estão dispostos a
verter sangue, suor e lágrimas, como dizia Winston Churchil.

O clericalismo
Existe um grande impedimento à visão de que cada crente seja
um ministro: o clericalismo. Ele é o sistema que surgiu dentro da
16 Manual da Visão de Células

igreja depois do quarto século e estabeleceu que na Igreja há dois


tipos de pessoas: os clérigos e os leigos. As especialmente dotadas e
capacitadas são chamadas clérigos (são os sacerdotes, reverendos,
doutores em divindades etc.) A outra classe, a dos ignorantes e inca-
pazes, é de leigos. O sistema de clérigos e leigos é totalmente maligno
e uma grande ameaça, pois ele anula completamente o conceito bá-
sico do sacerdócio universal dos crentes, ou seja, a verdade de que
cada crente é um ministro.
Infelizmente, na maioria das igrejas, predomina o clericalismo,
os membros não funcionam, tornaram-se letárgicos. O inimigo tem
conseguido anestesiar os membros para que não funcionem. Em
nossos dias, há dois tipos de clericalismo. Em um, os próprios clérigos
se colocam acima dos leigos, afirmando que são eles os que sabem,
os que conhecem e, portanto, são incontestáveis. Chegam mesmo a
proibir os membros de pregar, ensinar ou fazer qualquer outra coisa.
Nesse ambiente, a única função dos membros é ir à igreja e se assen-
tarem nos bancos olhando para a frente a fim de ouvir o pregador.
Certo artista plástico foi convidado a pintar um quadro que
fosse o retrato da Igreja. Surpreendentemente, ele pintou um monte
de nádegas com dois olhos enormes por cima. Aquela tela, infeliz-
mente, traduziu a realidade de muitas igrejas: um monte de nádegas
com dois olhos esbugalhados. Os membros só sabem sentar-se e
olhar para frente, nada mais.
O outro tipo de clericalismo é conseqüência do primeiro. Nele,
o povo está tão acostumado à situação que contrata um pregador
profissional — um funcionário do púlpito — e exige que ele faça a
obra de Deus, enquanto os membros apenas dão o dinheiro. No
primeiro caso, o clero proíbe o povo de falar; no segundo, o povo se
cala, deliberadamente, e contrata um profissional para expressar-se
em seu lugar.

Cada crente é um ministro


Na maioria das igrejas, hoje, não há nenhum senso de Corpo
de Cristo, ou estrutura na qual os membros possam estar envolvi-
dos de maneira funcional. Por causa disso, a maioria, por decisão
pessoal, escolhe sentar-se nos bancos do prédio da igreja, disposta
a não se envolver. Ao contrário dessa concepção, na visão de célu-
las, não há como se omitir ou não se envolver! Estar na visão é
estar comprometido!
Cada membro um ministro 17

Crentes que não se envolvem são crentes parasitas. Eles espe-


ram ser mimados, ministrados e entretidos pela igreja. Em troca, são
contabilizados na estatística e, eventualmente, dão uma oferta — ou
algo parecido — para manter “o sistema”. Esse tipo de crente faz
parte dos 85% dos membros que são carregados e ministrados pelos
outros 15%.
Não há, na igreja convencional, nenhum contexto no qual o
crente possa ser treinado a produzir, ao invés de consumir. Já na
igreja em células, seus membros têm a oportunidade de desenvol-
ver seus potenciais e se tornarem produtivos. Lamentavelmente,
essa dinâmica não é experimentada na maioria das igrejas cristãs de
hoje. Muitos de seus membros freqüentam, fortuitamente, apenas
as reuniões dominicais e não se dispõem a envolver-se nos progra-
mas de atividades de suas igrejas. Conseqüentemente, transformam-
se apenas em mais um dado estatístico do relatório anual de ativi-
dades da igreja “X”, o qual figuram no gráfico dos “esquentadores
de bancos”, ou no dos “contribuintes do Sistema”, ou no dos
“expectadores sem importância”.
O sistema de Jesus foi projetado para resultar em produtores,
e não em consumidores, ou parasitas. Precisamos retomar, nesses
dias, ao fundamento do sacerdócio universal do crente, a verdade de
que cada um de nós é um ministro. (IPe 2.9)
Não existe em nossa igreja um departamento ou um progra-
ma de células. O nosso alvo é bem mais ambicioso. Nós queremos
restaurar o modelo de Igreja do Novo Testamento, com um novo
tipo de membro. Isso, na verdade, representa o restabelecimento do
paradigma original da igreja. Nele o membro não é mais um mero
consumidor espiritual (no shopping da igreja), mas um produtor útil
e frutífero na família de Deus.
Muitos encaram a igreja como uma prestadora de serviços es-
pirituais, na qual podem buscar, quando desejarem, uma ministração
forte, uma palavra interessante, uma aula apropriada para seus fi-
lhos, um ambiente agradável, e assim por diante. Quando, por al-
gum motivo, os serviços da igreja caem de qualidade, esses consumi-
dores saem à procura de outro shopping espiritual mais eficiente.
Membros assim não têm aliança com o corpo.
Jesus nos chamou para fazer discípulos e não apenas converti-
dos!³ Por isso queremos ser um povo com uma vida cristã sólida,
18 Manual da Visão de Células

com a prática regular de oração e leitura da Palavra de Deus. Quere-


mos ser um povo cujos lares são aquecidos pelo amor! Uma comu-
nidade que serve a Deus com os dons na família, escola, trabalho,
igreja etc. Em outras palavras, nós desejamos ser ministros.

Como é o crente que se torna um ministro?


Existe uma diferença entre ter a visão e a visão ter você. Ter
uma visão não é algo difícil. Basta mudar nossa terminologia. Toda-
via, ser conquistado por uma visão é completamente diferente, pois
implica numa mudança de mentalidade.
Quando um crente compreende que ele deve produzir, e não
simplesmente consumir, uma verdadeira revolução acontece em sua
postura em relação à igreja local.
Ele não se preocupa em saber o que a igreja pode lhe oferecer.
Antes, preocupa-se em saber como ele pode ser útil a ela.
Ele não responsabiliza o pastor ou algum líder pelo seu cresci-
mento espiritual, porque sabe que pode e deve ter intimidade com
Deus sem intermediário algum.
Ele encara suas próprias guerras e ainda tem disposição para
dar apoio e socorro aos novos convertidos nas guerras deles.
Se tiver que se mudar para outra cidade, sabe que a Igreja vai
junto com ele. Sabe que mesmo distante do prédio, a Igreja acontece
onde ele estiver.
Alguém conquistado pela visão está consciente de seus dons e
de que deve usá-los para a edificação dos outros membros. Esta vi-
são, apesar de ser revolucionária, não é nova. Desde os tempos da
Reforma Protestante já se falava em sacerdócio universal dos crentes.
Estamos apenas retornando às origens e procurando viver segundo o
padrão de Deus.

NOTAS

¹Citação atribuída a Henry Ford no livro “Pequeno manual de administração e negócios”.


United Press, 1998.
²NEIGHBOUR, Ralph. Where do we go from here. EUA: Touch publications, 1990.
³BECKHAM, Bill. Manual do ano da transição. Curitiba: Ministério Igreja em células,
1995.
Cada casa uma extensão da igreja 19

Cada casa uma extensão da igreja

É algo realmente gratificante ver tantas pessoas


funcionando como membros do corpo vivo de Cristo.
Temos o privilégio de ver uma estrutura funcionando
com liberdade, sem temores e permitindo o
desenvolvimento do pleno potencial de cada um.

Em nossa igreja já não temos que convencer as pessoas a res-


peito de células, nós apenas as vivemos em nosso dia-a-dia. Ainda
temos sacerdotes profissionais (nada é perfeito!), mas cada crente
tem funcionado como um sacerdote, um ministro. Vejamos agora o
terceiro aspecto de nossa visão: cada casa é uma extensão da igreja.
O prédio onde nos reunimos não é o retrato de nossa igreja.
Ela poderia ser vista melhor como um tabernáculo no deserto,
perambulando de um lugar a outro, acontecendo simultaneamente
por toda a cidade, nas casas.
Nas células, existe uma mobilização natural para ajudar os ne-
cessitados. Os mais velhos ensinam aos mais novos o que é ser cren-
te. Os pastores treinam os novos líderes para o desempenho do ser-
viço e todo o corpo se mobiliza para a festa da colheita de almas.
Afinal, cada célula visa se reproduzir e se multiplicar uma vez ao ano.
Falamos todos uma mesma linguagem e há uma unanimidade santa
de propósito entre nós. Em nosso coração sentimos que estamos
voltando para os primórdios da Igreja do primeiro século.

Nós somos uma igreja em células


Cada instituição é a cara do prédio onde se reune, mas a nossa
igreja não existe em função do prédio onde nos reunimos. O prédio
20 Manual da Visão de Células

para nós é apenas um lugar de treinamento e celebração, a vida


normal da Igreja acontece em outros lugares, no nosso dia-a-dia.
Apesar de, no Velho Testamento, Deus ter habitado num tem-
plo, isso não acontece no Novo Testamento. Hoje, nós somos o
templo de Deus. Ele habita em nós. Assim, biblicamente falando, a
Igreja do Novo Testamento possui um lugar de reunião, mas não
possui templos.
Os templos são uma grande contradição do cristianismo. Na
verdade, eles não existiam até o segundo século. Se você procurasse
pela igreja no primeiro século você seria conduzido a grupos de pes-
soas se reunindo em casas. Não havia um prédio especial. No entan-
to, aquele foi o tempo em que a Igreja mais cresceu em número e na
vida espiritual.¹
Na verdade, esses são objetivos básicos da igreja: crescimento
em número, em fé e serviço. Os prédios em nada ajudam a atingir-
mos isso. Não sou contra o uso de prédios como lugares para a reu-
nião da Igreja. Creio que eles têm muitas lições a nos ensinar.

1. Prédios falam de imobilidade


O mover de Deus diz: Ide, mas nossos prédios nos dizem:
Fiquem. O mover de Deus diz: Busquem os perdidos. Mas os prédi-
os nos dizem: Deixem que eles venham até nós.²
Uma igreja em células é um tabernáculo ambulante. É sempre
móvel, uma peregrina. Nossa identidade não está associada a prédios.
Eles possuem uma utilidade meramente funcional, e não existencial.

2. Prédios falam de inflexibilidade


Faça você mesmo um teste. Vá a uma igreja para a qual o pré-
dio seja a própria identidade dessa comunidade. Avalie o grau de aber-
tura para mudanças no meio deles. Pode ter certeza: o resultado é
zero. O prédio determina o tipo de igreja que nele se reune. Tudo fica
em função do espaço disponível. Mas a pior coisa a respeito da falta de
flexibilidade é a estagnação. Entra e sai ano e aquela igreja é a mesma.
Sabe por quê? Porque ela e o prédio se confundem. Os prédios mu-
dam pouco, principalmente quando são caros e magníficos.
Na antiguidade, os judeus guardavam vinho em odres feitos de
couro de ovelha. Esses odres precisavam frequentemente ser unta-
dos por fora, para não se enrijecerem e se partirem, perdendo todo
Cada casa uma extensão da igreja 21

o vinho. Assim, a maior necessidade de um bom odre era ser flexível.


Isso era necessário por causa da fermentação do vinho que emite
gases e força a estrutura do odre.
Essa ilustração é incrivelmente clara. Odres (estruturas) preci-
sam ser flexíveis porque o vinho (Espírito Santo) é algo cheio de vida
que produz movimentos e mudanças eventuais de volume. E uma
boa maneira de torná-lo flexível é sempre mantê-lo cheio do óleo.
Nós somos uma igreja flexível e aberta ao mover de Deus, justamen-
te porque a nossa identidade está nas células.

3. Prédios falam de impessoalidade


Por si só os prédios são coisas impessoais. Apesar de, em alguns
momentos, inspirarem o culto, transpiram formalidade e distancia-
mento. Podemos estar alegres e descontraídos, mas quando entramos
num “templo”, somos atingidos por um espírito de impessoalidade.
Nos tornamos imediatamente frios, distantes e formais.
Esse tipo de problema não existe quando a vida da igreja
extrapola os limites do prédio, através das células. Elas definem tanto
a nossa liturgia quanto a nossa maneira de existir como Igreja.

4. Prédios nos falam de orgulho


Uma das motivações da construção da Torre de Babel foi a
perpetuação do nome dos seus construtores. Eles queriam tornar-se
célebres e famosos (Gn 11.4). Se, por um lado, os grupos estão à
procura de ostentação e glória e se preocupam muito com prédios,
por outro, as células não ostentam coisa alguma e estão em todo
lugar: nas casas, nas escolas, nas empresas. Não temos em que nos
gloriar, a não ser no poder de Deus.
Ao usar a analogia do templo, não estamos dizendo que so-
mos contra os prédios, cremos mesmo que eles são inevitáveis. Mas,
cuidado! Quando a identidade de uma igreja está ligada ao prédio,
então, a vida já se foi; o que resta é uma instituição morta.
Acabou-se o tempo em que a vida da igreja era algo que acon-
tecia aos domingos, nos templos. Numa igreja de vencedores, ser
cristão é um estilo de vida que praticamos em nosso dia-a-dia. A
igreja acontece em todo lugar: nas ruas, nos colégios, nos supermer-
cados, nos shoppings e, acima de tudo, nas casas.
Numa igreja de vencedores, não recrutamos membros, faze-
mos discípulos. Membros de igreja não podem alcançar muito para
22 Manual da Visão de Células

Deus, discípulos, porém, conquistam nações. Se a visão entrar em


você, onde você for a igreja irá junto. Se você se mudar para outra
cidade, a igreja irá junto com você. Não vá à igreja, mas carregue a
igreja aonde você for.

A IGREJA CENTRADA NA CÉLULA A IGREJA CENTRADA NO PRÉDIO

FLEXIBILIDADE INFLEXIBILIDADE

MOBILIDADE SIMPLICIDADE IMOBILIDADE ORGULHO

INTIMIDADE IMPESSOALIDADE

Notas

¹SNYDER, Howard. Vinho novo odres novos. São Paulo: ABU, 1997.
²SNYDER, Howard. Vinho novo odres novos. São Paulo: ABU, 1997.
Conquistando a nossa geração 23

Conquistando a nossa geração

Nosso encargo é ganhar a nossa geração para Cristo


através de uma igreja de vencedores. E uma igreja de
vencedores é aquela em que cada um é um ministro
e faz de sua casa uma extensão da igreja.

Através das células edificamos uma igreja de vencedores e ga-


nhamos a nossa geração. O alvo é edificar uma igreja de vencedores.
O meio são a células. Todo líder cristão sonha em encher sua igreja
com milhares de vidas. Nós sabemos que as células têm suprido essa
ânsia em muitas igrejas. Elas são uma base sólida para a manifestação
dos dons, o surgimento de líderes, apascentamento das ovelhas e a
multiplicação. Através das células podemos realizar o sonho de ver a
nossa cidade completamente tomada por grupos que expressam a
Cristo em vida, amor e santidade.
Cremos que é possível uma célula se multiplicar uma vez por
ano. Este é o nosso desafio e a nossa visão. E convidamos você a
abraçá-la. Nossa geração, nossa cidade e nação podem ser alcançadas
para Cristo. Para isso basta que multipliquemos nossas células uma
vez a cada ano.
Nós podemos transformar nosso país num exército de líderes
de células, os quais, como você, abraçarão a visão de multiplicar as
suas células anualmente. É possível fazer isso porque podemos todas
as coisas naquele que nos fortalece. Queremos fazer isso, e você?
Pense nisso!
Uma célula, normalmente, começa com seis ou sete pesso-
as. Para duplicá-la em um ano sua tarefa será levar esse grupo de
seis ou sete pessoas a ganhar uma pessoa a cada dois meses apro-
24 Manual da Visão de Células

ximadamente. Isso não parece ser um alvo tão difícil. Você pode
fazê-lo! Centenas de outros líderes têm feito isso todos os anos
em nossa igreja.

Nós somos uma igreja em células


Para nós, as células são a nossa maneira de sermos igreja. Não
ficamos preocupados em fazer coisas diferentes ou termos progra-
mações variadas. O que fazemos é concentrar-nos em um único ob-
jetivo: levar cada célula a se multiplicar ano após ano.
A nossa igreja acontece nas células. Ensino, cuidado mútuo,
compartilhamento, amor, encorajamento, dons, serviço, tudo acon-
tece nas células e através delas. Até algum tempo atrás, isso era um
sonho, mas hoje já é uma realidade.
Nós podemos ter uma série de outros programas suplementa-
res: programas de televisão, rádio, revista e ministérios sociais. Entre-
tanto, é no trabalho das células que está o fundamento do cresci-
mento constante e consistente.
Venha caminhar entre vencedores. Queremos contagiar você
com esse sonho de alcançar a nossa geração para Cristo. Este peque-
no manual visa dar a você as primeiras direções de como conduzir
uma célula e levá-la a se multiplicar uma vez por ano. Nós podemos
alcançar a nossa nação com líderes de células que assim se multipli-
cam. Não estamos convidando você para nos ajudar em um traba-
lho, mas estamos compartilhando com você o nosso sonho. Venha
sonhar conosco!
Se cada crente for um ministro e cada casa for uma extensão
da igreja, seremos uma igreja de vencedores e, conseqüentemente,
conquistaremos a nossa geração para o Senhor! O propósito de
Deus somente pode ser atingido pela multiplicação, pela fecun-
didade, pela frutificação, pelo crescimento e pela expansão. As cé-
lulas são apenas um meio. O fim é a edificação e a expansão do
Corpo de Cristo nesta geração!
O desafio é claro: cada líder deve multiplicar a sua célula uma
vez ao ano. Esse é um ponto muito importante dentro da nossa visão
e por isso nunca será demais enfatizá-lo. Nós podemos conquistar a
nossa nação nessa geração se tivermos líderes dispostos a multiplicar
a sua célula uma vez ao ano.
Conquistando a nossa geração 25

Suponha que apenas 20% das Suponha que apenas 40%


células se multipliquem a cada das células se multipliquem
ano. Uma igreja assim dobrará a cada ano. Uma igreja assim
de tamanho a cada quatro dobrará de tamanho a cada
anos aproximadamente. dois anos aproximadamente.

Ano Células Membros Ano Células Membros


10 150 10 150
2 12 180 2 14 210
3 14 210 3 20 300
4 18 270 4 28 420
5 22 330 5 39 585
6 26 390 6 55 825
7 31 465 7 77 1155
8 37 555 8 108 1620
9 44 660 9 151 2265
10 53 795 10 211 3165

Convidamos você para abraçar a visão de contemplar a nossa


geração conquistada para o Senhor, por meio de uma igreja onde
cada membro é um ministro. Convidamos você a fazer parte de um
exército de crentes que estão usando seus dons para levar suas célu-
las a crescerem e se multiplicarem uma vez por ano.

Notas

¹HUNT, Josh. You can doble your class in two years or less. EUA: Group, 1997.
Por que células?

Em nossa igreja, as células não são apenas uma


estratégia que escolhemos, dentre as muitas
disponíveis. Elas fazem parte de uma visão de como a
Igreja deveria ser.

Nosso objetivo não é simplesmente levar a nossa igreja a crescer


numericamente. Nós desejamos estar, de fato, trabalhando na edificação
da Igreja como a noiva de Cristo.
Não consideramos as células uma doutrina, mas cremos que elas
estabelecem uma visão e definem o nosso modelo de igreja. Por essa
razão, somos tão radicais nessa visão. Em nossa igreja, as células não são
mais um dentre os muitos departamentos em atividade, elas são a pró-
pria vida da igreja. Um membro que se recusa a participar de uma
célula está se excluindo da vida do corpo.
Não somos uma igreja em células por modismo, mas por convic-
ções claras e firmes. Vejamos algumas razões porque somos uma igreja
em células.

A igreja deve crescer e se multiplicar


Assim como as células biológicas se juntam para formar o cor-
po humano, as células da igreja se juntam para formar o Corpo de
Cristo. Do mesmo modo como o corpo humano cresce e se desen-
volve através do processo de multiplicação celular (cada uma delas,
ao atingir a maturidade, se divide em outras duas), a igreja também
cresce através da multiplicação de células sadias.
28 Manual da Visão de Células

Ser uma comunidade terapêutica e transformadora


Esta é a vocação da Igreja: ser um lugar onde há vida, liberta-
ção, cura e aconchego. Queremos ser um povo que conhece e vive
plenamente a Verdade. Desejamos ser uma comunidade carismática
e missionária, que cresce na vida interior e se expande para o exteri-
or, para ganhar a nossa cidade, o nosso país e a nossa geração! As
células são a nossa estratégia.

O crente cresce saudável se ouvir e falar


Todos nós necessitamos de uma dieta espiritual equilibrada,
que envolve ouvir e falar. Em Romanos 10.17, vemos que a fé vem
pelo ouvir a Palavra. Por um lado, quando participamos da reunião
de celebração, o alvo é recebermos fé pelo ouvir. Mas por outro, se
quisermos crescer, precisamos também compartilhar o que ouvimos.
É pelo falar que somos cheios do Espírito, que geramos, liberamos e
ministramos vida! Nas reuniões de celebração, ouvimos para receber
fé, e, nas reuniões da célula, falamos para crescer em fé!

A Igreja é um edifício, não um monte de pedras


Para muitos, hoje, no meio evangélico, a Igreja não passa de
um prédio feito de concreto. Chegam mesmo a reverenciar o lugar e
cometem a heresia de chamá-lo “casa de Deus”. Eles dizem que
estão indo à Igreja se referindo ao edifício. Este é um conceito com-
pletamente equivocado, pois a Igreja somos nós — as pedras vivas
(1Pe 2.5) que, após sermos edificados mutuamente, somos constitu-
ídos habitação de Deus, no Espírito (Ef 2.20-22).
A Igreja, indiscutivelmente, não é o prédio onde nos reuni-
mos. No entanto, ainda assim, é um edifício, ou seja, um edifício
espiritual feito de pedras vivas. A palavra de Deus nos diz que a Igreja
é uma construção e, como tal, requer uma planta, um alicerce e
materiais adequados para a sua edificação.
Toda Igreja local deve ser um edifício. Todavia, um grupo de
crentes pode se reunir aos domingos e, ainda assim, não ser um
edifício. Para isso, as pedras devem estar edificadas mutuamente e
ligadas pela argamassa do Espírito. Pedras isoladas e amontoadas aos
domingos não constituem um edifício. Assim como um depósito de
tijolos não é uma construção.
Por que células? 29

Você percebe a diferença entre um edifício e um depósito de


material de construção? Tudo que está em um também está no ou-
tro, mas com uma diferença: no edifício, os materiais estão edificados
dentro de um projeto e de uma visão.

O EDIFÍCIO A IGREJA

Tem uma planta ] O livro de Atos (At 2.42-47)


Tem um alicerce ] Cristo é o alicerce (1Co 3.11)
Tem pedras Os crentes são pedras vivas (1Pe 2.5)
]
Tem argamassa Os crentes trabalham por encargo
]
É mais do que um amontoado de É mais do que um amontoado de
materiais de construção. crentes reunidos no prédio.
]

Desejamos ser uma grande igreja na qual os vínculos entre os


irmãos sejam preservados. Mas a única chance de atingirmos esse
alvo é edificando a igreja nas reuniões menores, ou seja, nas célu-
las. Numa igreja (estruturada em departamentos) em que se reú-
nem mais de duzentas pessoas, torna-se difícil a manutenção de
vínculos satisfatórios. Já na igreja estruturada em células, esse pro-
blema não existe.

A Igreja deve ser um corpo (Ef 4.15,16; 1Co 12.12-27)


Para ser um corpo, pelo menos duas condições são neces-
sárias: os membros precisam estar ligados e funcionando. Vejamos
primeiro a questão de se estar vinculado.
Se pegarmos pernas, braços, cabeça e tronco, e os ajuntar-
mos, teremos um amontoado de membros. Ter um amontoado de
membros em nossas reuniões não faz de nós um corpo! Para ser um
corpo, os membros precisam estar vinculados — ligados uns aos ou-
tros — para que o sangue, a vida de Deus, circule entre eles. Nós
somos uma igreja em células porque desejamos ser um organismo
vivo, e não uma mera organização!
Vamos fazer uma breve comparação entre um organismo e
uma organização.
30 Manual da Visão de Células

• No organismo, os membros estão vinculados. Na organização,


estão associados.
• No organismo, os membros têm funções. Na organização,
têm cargos.
• No organismo, cada membro tem um ministério. Na organi-
zação, tem mandato.
• Na organização, trabalhamos por responsabilidade ou recom-
pensa. No organismo, temos encargos no coração.
• Na organização, a autoridade é pelo cargo. No organismo, a
autoridade vem pela vida e pelo reconhecimento.
• A organização é algo morto e o organismo é essencialmente vivo.

ORGANIZAÇÃO ORGANISMO

Importa o que você sabe ] Importa o que você é


A autoridade é baseada no título ] A autoridade é baseada em vida
Os membros têm cargos ] Os membros têm funções
Os membros trabalham por obrigação ]
Os membros trabalham por encargo

Os membros têm mandato ]


Os membros têm ministério

É uma equipe É uma comunidade


]
É morta ] É vivo

Mas o corpo não é apenas uma questão de ter membros vin-


culados. É também necessário que os membros funcionem e exer-
çam seus dons.
Nas igrejas convencionais, as pessoas somente podem exercer
seus dons nos cultos. Por isso não vemos ali o corpo funcionando. Se
fôssemos dar oportunidade para cada membro participar do culto
de domingo, precisaríamos de uma eternidade para que todos exer-
citassem os seus dons. É uma situação impossível. Todavia, a Palavra
de Deus nos mostra o padrão bíblico de reunião e, nesse padrão,
todos devem participar.

Que fazer irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo,


outro doutrina, este traz revelação aquele outro língua, e
Por que células? 31

ainda outro interpretação. Tudo seja feito para edificação.


(1Co 14.26)

Não podemos simplesmente dizer que não é mais possível


praticarmos, nas reuniões da igreja, o padrão da Palavra de Deus.²
Cremos que o padrão de Coríntios deve ser aplicado. Esse é o
segredo da edificação da igreja e do seu crescimento. Mas, eviden-
temente, esse padrão somente pode ser atingido nas reuniões da
célula. É preciso enfatizar que a reunião da célula é tão importan-
te quanto as reuniões gerais de celebração. Um crente que deixa
de participar da célula está comprometendo o seu próprio cresci-
mento espiritual, do mesmo modo que aquele que deixa de par-
ticipar da reunião geral de celebração está se privando do alimen-
to da fé. Nós precisamos desses dois tipos de reuniões para cres-
cermos apropriadamente.
Os dons são um grande instrumento para a edificação e o
crescimento da Igreja. Quando há profecia, fé, milagres, curas, pa-
lavras de sabedoria e de conhecimento, os incrédulos são impactados
e os crentes, renovados em sua fé. A célula é o lugar mais apropri-
ado para a manifestação dos dons do Espírito disponíveis a todo
membro do corpo.

A igreja precisa ser uma grande família


De um modo geral, as pessoas estão carentes de amor e acei-
tação. Por isso, precisamos ser a resposta de Deus para os seus anseios!
A igreja precisa ser uma grande família. A sociedade está cheia de
pessoas feridas e desajustadas emocionalmente, as quais somente
serão alcançadas através de um ambiente de amor e aceitação fami-
liar. É justamente esta a visão que temos para as células de nossa
igreja: que cada célula seja um grupo familiar no qual as pessoas
sejam aceitas e amadas.
Na mente de todo homem, o lar é o ponto de convergência —
o lugar de aceitação, de expressões incondicionais, de acolhimento e
aconchego.³ A Igreja, dentre tantas ilustrações bíblicas, é um lar, que
deve ter todas essas expressões de vida e amor. É por isso que somos
uma igreja em células, porque desejamos ser um lugar de acolhimen-
to e amor.
32 Manual da Visão de Células

Não há maneira melhor de se fazer discípulos


O plano de Deus para formar discípulos espiritualmente ma-
duros envolve colocá-los dentro de um contexto de grupos peque-
nos, ou seja, células. Jamais alguém escalou o monte Everest sozi-
nho. Porém, a cada ano, pequenas equipes o fazem, atingindo as
maiores alturas!4

Queremos ganhar a nossa geração


As células são uma estratégia leve, ágil e feroz, diz Ralph
Neighbour.5 O inimigo pode até resistir a grandes líderes e ministéri-
os, mas como ele poderá resistir a todo o Corpo de Cristo, funcio-
nando em milhares e milhares de células? As portas do inferno não
poderão nos resistir!

Nós cremos na restauração da Igreja


O clericalismo e o templismo são impedimentos sérios para o
cumprimento do plano de Deus. Ministros profissionais e templos
fechados não podem produzir a Igreja do Novo Testamento. As célu-
las são um manifesto de restauração — o retorno às origens, em que
cada membro é um ministro e cada casa uma extensão da igreja.

Notas

¹STOCKSTILL, Larry. A igreja em células. Belo Horizonte: Betânia, 2000.


²NEIGHBOUR, Ralph. Where do we go from here. EUA: Touch publications, 1990.
³BECKHAM, Bill. Apostila do ano da transição. Curitiba: Ministério Igreja em células,
1995.
4
HUNT, Josh. You can doble your class in two years or less. EUA: Group, 1997.
5
NEIGHBOUR, Ralph. Citado no Manual do ano da Transição. Curitiba: Ministério
Igreja em células, 1995.
As células estão na Bíblia 33

As células estão na Bíblia

No Velho testamento, o povo se encontrava com Deus


no Tabernáculo de Moisés e, depois, no templo de
Salomão. Ali era o lugar onde Deus morava. Se alguém
quisesse buscar a Deus, deveria ir até aquele lugar.

Havia um lugar designado para servir a Deus e as ofertas deve-


riam ser entregues ali. Hoje, no tempo da nova aliança, Deus já não
habita em lugares feitos por homens. Nós somos a habitação de Deus.
Cada um é individualmente habitação de Deus e, como Igreja, so-
mos individualmente pedras, e somos edificados mutuamente para a
habitação plena de Deus, no Espírito.
Em 1Coríntios 3.16, Paulo nos adverte:

Não sabeis que sois santuário de Deus, e que o Espírito


de Deus habita em vós?

E outra vez, em 1Coríntios 6.19, ele repete a pergunta:

Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito


Santo que está em vós, o qual tendes da parte de Deus,
e que não sois de vós mesmos?

E ainda, no verso 17, ele mesmo nos dá a resposta:

Aquele que se une ao Senhor é um só espírito com Ele.

Individualmente somos habitação de Deus e, como Igreja,


estamos sendo edificados casa de Deus, como diz em Efésios 2.20-22:
34 Manual da Visão de Células

... edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas,


sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual
todo edifício bem ajustado, cresce para santuário dedicado
ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo
edificados para habitação de Deus no Espírito.

Também, em 1Pedro 2.5, entendemos que a verdadeira casa


espiritual somos nós:

...também vós mesmos, como pedras que vivem, sois


edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a
fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus
por intermédio de Jesus Cristo.

Durante os três primeiros séculos, a igreja não tinha templos. E


foi nesse período que ela experimentou o maior crescimento de sua
história. Os irmãos se reuniam basicamente nos lares e usavam luga-
res neutros como sinagogas e anfiteatros apenas para evangelizar. A
igreja era uma igreja nos lares.
Em Atos 2.46, Lucas diz que

diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam


o pão de casa em casa, e tomavam as suas refeições com
alegria e singeleza de coração...

pois

todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam


de ensinar, e de pregar a Jesus, o Cristo.

Depois de saírem da prisão, Paulo e Silas se dirigiram para a


casa de Lídia, que era o lugar onde os irmãos se reuniam.

Tendo-se retirado do cárcere, dirigiram-se para a casa de


Lídia e, vendo os irmãos, os confortaram (At 16.40).

Falando aos presbíteros de Éfeso, Paulo os exorta dizendo que


ele próprio jamais havia deixado de anunciar coisa alguma proveito-
sa, de ensinar publicamente e também de casa em casa (At 20.20).
Em Romanos 16.5 e em 1Coríntios 16.19, Paulo faz uma sau-
dação à igreja que se reúne na casa de Áquila e Priscila:

No Senhor muito vos saúdam Áquila e Priscila e, bem


assim, a igreja que está na casa deles.
As células estão na Bíblia 35

Ao que tudo indica não era uma reunião temporária, mas uma
prática normal da igreja. Em Colossenses 4.15, Paulo saúda os ir-
mãos de Laodicéia, à Ninfa e à igreja que ela hospedava em sua casa.
E, finalmente, em Filemon 1.2, ficamos sabendo de uma igreja que
se reunia na casa de um certo irmão Arquipo:

...e à irmã Áfia, e a Arquipo, nosso companheiro de lutas,


e à igreja que está em sua casa.

No Velho Testamento, quando Moisés se sentiu cansado, por


causa do peso do trabalho, a orientação dada por Deus nos faz lem-
brar das células. Todo o povo deveria ser dividido em grupos de mil,
de cem, de cinqüenta e de dez pessoas. Cada grupo com o seu líder
(Êx 18.1-27). Foi uma estratégia dada diretamente por Deus. É im-
possível um único líder cuidar de centenas de pessoas.
Jesus priorizou um grupo pequeno de pessoas no seu ministé-
rio. E, apesar de ter gasto um tempo considerável ensinando nas
sinagogas e ao ar livre, Jesus parece dar especial atenção a grupos
pequenos. Ele separou setenta e os enviou de dois em dois (Lc 10.1),
e também nas inúmeras vezes em que ministrou em casas. (Mc 1.29-
34; 2.15; 3.20-34; 7.17; 9.28; Mt 10.12-14; Lc 10.5-7)
Quando olhamos para a história da Igreja, notamos que a igreja
nas casas tem sido a forma de expressão comum da Igreja Cristã.
Quando Constantino se tornou cristão, houve uma grande
mudança da adoração subterrânea nas catacumbas e das igrejas
nas casas para as catedrais. A igreja nas casas, que tinha sido o
símbolo de comunidade e espiritualidade, desapareceu da estrutu-
ra da Igreja. No entanto, parte do movimento monástico e alguns
grupos sectários continuaram com a igreja nas casas como uma ati-
vidade paralela.
Na época da Reforma Protestante, a corrente principal da re-
forma continuou atada às catedrais, mas os anabatistas, que não ti-
nham prédios de igrejas, se reuniam em casas para adoração e cres-
cimento espiritual. Os pietistas se tornaram a expressão mais marcante
da igreja nas casas, logo após a Reforma.
Dois séculos depois, encontramos um importante personagem
da história da igreja: João Wesley. Ele foi profundamente influencia-
do pelos morávios. Ele criou os chamados clubes de santidade. Esses
clubes de santidade se tornaram a base para o avivamento Wesleyano.
36 Manual da Visão de Células

Eles funcionavam basicamente como as células de hoje e se espalha-


ram por todo o mundo.
As igrejas que mais crescem hoje no mundo são as igrejas em
células. Isso acontece pela ação poderosa do Espírito Santo, o qual
está restaurando a noiva de Cristo, para a glória do “primeiro século.1

Notas

¹Vários. Manual do auxiliar de célula. Curitiba: Ministério Igreja em células, 1995.


Igreja em células ou igreja com células? 37

Igreja em células
ou
igreja com células?

As células não são um ministério novo dentro da igreja,


elas são a igreja funcionando. Não há um ministério
de células, há ministérios nas células.

As células são uma maneira de nos organizarmos e de sermos


expressivos e eficientes dentro da visão que Deus nos deu. Elas são a
nossa maneira de sermos Igreja.
Nós somos uma igreja em células. Em uma igreja assim há um
equilíbrio entre as células e as reuniões de celebração. Os grupos não
são opcionais e nem tampouco um ministério. Nessas igrejas, os líde-
res-chave são os líderes das células e todo o processo de liderança é
integrado e descentralizado, para que os líderes de grupo tenham
autonomia para apascentar. Ali, os ministérios fluem através das cé-
lulas e acaba a distinção entre clérigos e leigos, sendo os grupos, nor-
malmente, homogêneos.¹
Na igreja em células há um equilíbrio entre as reuniões da cé-
lula e de celebração. Bill Beckham define uma igreja em células como
uma igreja de duas asas: uma asa é a célula, e a outra, a celebração
de domingo. Se as duas asas estão equilibradas, a igreja poderá voar
para posições mais altas. Não podemos admitir que os irmãos parti-
cipem apenas de uma das reuniões, precisamos das duas.²

O que são reuniões de celebração?


São reuniões semanais nas quais todas as células se reúnem
para adoração e treinamento. Essas reuniões acontecem a cada do-
mingo, no prédio da igreja. Elas são muito importantes e nenhum
membro deveria faltar a elas.
38 Manual da Visão de Células

Diferenças entre a celebração e a célula


• Na celebração, ouvimos para gerar fé. Na célula, falamos para
crescer em fé.
• Na celebração, fazemos oração de guerra em nível estratégico.
Na célula, fazemos oração de guerra em nível pessoal.
• Na celebração, buscamos libertação. Na célula, mantemos a
libertação.
• Na celebração, o alvo é treinamento. Na célula, o alvo é
discipulado.
• Na celebração, o alvo é ministrar a Palavra. Na célula, o alvo é
praticar e compartilhar a Palavra.
• Na celebração, aprende-se com o pregador. Na célula, aprende-
se uns com os outros.
• Na celebração, temos testemunho e evangelismo de massa. Na
célula, temos testemunho e evangelismo pessoal.

OBJETIVOS DAS DUAS REUNIÕES

Reunião de Celebração Reunião da Célula

Ouvir para gerar fé Falar para crescer em fé


Oração de guerra em nível estratégico Oração de guerra em nível pessoal
Libertação Manter a libertação
O alvo é o treinamento O alvo é modelar vidas
O alvo é ministrar a Palavra O alvo é praticar a Palavra
Aprende-se com o pregador Aprende-se uns com os outros
Testemunho e evangelismo em massa Testemunho e evangelismo pessoal

Durante muitos séculos, a Igreja tem ignorado as reuniões pe-


quenas e enfatizado somente as reuniões gerais de celebração. Desta
forma, ela se tornou uma igreja de uma única asa: desequilibrada e
incapaz de voar apropriadamente. Veja o que mudou quando ela
trocou os grupos pequenos pelo grande:

• A ceia do Senhor transformou-se em um mero ritual.


• O estilo de liderança tornou-se profissional.
• O discipulado virou treinamento.
Igreja em células ou igreja com células? 39

• A oferta virou um negócio com Deus.


• O testemunho tornou-se uma venda.
• Deixou-se de participar do culto para assistir ao culto.
• O uso dos dons mudou da edificação para o impressionismo.
• O membro tornou-se um simples consumidor.
• O crescimento mudou da multiplicação para a adição.
• Os edifícios mudaram de funcionais para sagrados.

IGREJA EM CÉLULAS IGREJA COM CÉLULAS

As células são a vida da igreja As células são apenas um dos programas


As células são imprescindíveis As células são opcionais
Os líderes-chaves são os líderes de células Os líderes-chaves são os pastores
A liderança é integrada A liderança é difusa
Cuidado pastoral é feito pelos líderes de células O cuidado pastoral é feito pelos pastores
Ministério por meio das células Ministério fora das células
Mais oportunidades Menos oportunidades
Diminui a distinção entre clero e leigos Reforça a distinção entre clero e leigos
Maior facilidade em encontrar líderes Dificuldade em encontrar líderes
As células são parecidas Os grupos são distintos

Bill Beckham
Ministério Igreja em Células

Nós somos uma igreja em células. Trabalhamos para ver as


células em pleno funcionamento. Para tanto, demonstramos aos mem-
bros que as células são a prioridade de diversas formas:

• Os líderes de célula são honrados e reconhecidos publicamente


e recebem tratamento especial.
• A preparação para o batismo é feita na célula.
• O batismo é feito pelos pastores junto com os líderes de célula.
• Ninguém se batiza sem que esteja numa célula.
• Para participar de um ministério de apoio (como o louvor, por
exemplo), o membro precisa ter a recomendação do líder de
sua célula.
40 Manual da Visão de Células

• Ministramos a ceia e coletamos ofertas na célula.


• Uma pessoa somente poderá receber ajuda da assistência social
por recomendação do líder de célula.
• Nunca permitimos que as programações especiais da igreja atra-
palhem as reuniões da célula ou que elas sejam canceladas.

Estas medidas práticas trazem seriedade às células e estimulam


a participação da igreja. Na prática, toda a estrutura de funciona-
mento da igreja tem como base a célula.

Notas

¹O ano da transição. Curitiba: Ministério Igreja em células, 1995. Esse conceito de igre-
jas em células e igrejas com células foi desenvolvido por Ralph Neighbour.
²O ano da transição. Curtitiba: Ministério Igreja em células, 1995. O conceito de igreja
de duas asas foi concebido por Bill Beckham.
O que é uma célula? 41

O que é uma célula?

Uma célula é um grupo constituído de cinco a quinze


pessoas, que reúnem-se, semanalmente, para
aprenderem como tornar-se uma família, adorar o
Senhor, edificar a vida espiritual uns dos outros, orar
uns pelos outros e levar pessoas ao Evangelho.

Cada célula deve ter no mínimo cinco pessoas e não deverá


ultrapassar o limite de quinze. Os grupos de Moisés eram constituí-
dos de 10 (Êx 18.21) e Jesus liderou doze. Quinze pessoas é o núme-
ro ideal de membros para uma célula. Quando atingir esse limite, a
célula deve se multiplicar.

Onde a célula se reúne?


Apesar de preferirmos residências, uma célula pode se reunir
também em empresas (no horário do almoço), em escolas, em sa-
lões de festas (de condomínios) e em qualquer lugar onde haja o
mínimo de silêncio e privacidade. Só não recomendamos reuniões
em bares ou lugares semelhantes. Quando a célula não se reúne em
uma casa, não haverá a figura do anfitrião. Contudo, a maioria das
nossas células acontecem em residências.

Por que a célula não deve ter mais de quinze pessoas?


Não há tempo suficiente numa reunião para mais de quinze
pessoas receberem ministração e compartilharem no grupo. É muito
difícil para um líder, mesmo com um líder-em-treinamento, apas-
centar todas as pessoas. Também, as casas, normalmente, não com-
portam mais do que essa quantidade de pessoas numa sala, para
uma reunião.
42 Manual da Visão de Células

A razão para se limitar o número de pessoas numa reunião de


células tem muito a ver com as “linhas de comunicação”. Ralph
Neighbour enfatiza essa questão com muita clareza: Quando duas
pessoas se encontram, existem duas linhas de comunicação. Quan-
do três estão reunidas, existem seis. Se há quatro pessoas reunidas,
então temos doze. Se há cinco, o número sobe para vinte, e quando
chega a dez, já são noventa linhas de comunicação. Quinze pessoas
reunidas resultam em 210 linhas de comunicação, ou seja, a comu-
nicação já não é apropriada.

Cuidado! Isso não é uma célula!


Existem alguns tipos de grupos que não são células. Assim, pre-
cisamos também saber o que não é uma célula.

1. Grupo de oração
Normalmente esse tipo de grupo é composto de pessoas que
têm a seguinte atitude: O que esse grupo pode fazer por mim?

2. Grupo de estudo bíblico


O problema deste tipo de grupo é que ele não estimula o com-
partilhar de necessidades e nem a verdadeira comunhão. Pelo con-
trário, tende a se tornar um grupo restrito e fechado, no qual o incré-
dulo não é bem-vindo.

3. Grupo de discipulado
Este tipo de grupo procura um crescimento espiritual num am-
biente fechado e exclusivista.

4. Grupo de cura interior


É um tipo de grupo que usa técnicas da psicologia para buscar
cura para os seus traumas emocionais. Todos eles são estéreis, me-
lancólicos e introspectivos.

5. Grupo de apoio
Grupos assim são semelhantes aos Alcoólicos Anônimos: as
pessoas se reúnem para falar de seus problemas, dia após dia, sema-
na após semana.
O que é uma célula? 43

6. Ponto de pregação
Grupos assim têm como deficiência básica o fato de não com-
partilharem a realidade da vida do corpo. As pessoas vêm e vão e o
grupo é só um ajuntamento.

7. Qualquer grupo com as seguintes características


• Fechado, criado só para as pessoas de um departamento da igreja.
• A multiplicação não é um objetivo.
• Não se submete à liderança geral das células.
• É apenas uma reunião social.

Cuidado! Não se engane! Esses grupos acima não são células!

GRUPOS SEM FUNDAMENTO BÍBLICO

Problemas Características Falhas básicas

Não há compromisso com o grupo.


Quando a necessidade for suprida,
eles deixam o grupo.
Grupos de oração Essa é a única razão para participa- É um grupo centrado
rem. em si mesmo.

As pessoas se esforçam para ser to-


Normalmente são grupos
Grupos de talmente transparentes buscando
fechados. A alienação desse
cura interior um nível maior de consciência de
grupo resultará em
si mesmos. São instropectivos e
Grupo de apoio estagnação e morte.
estéreis.

São limitados no seu objetivo


Grupos de pregação Não compartilham a realidade do de ganhar os perdidos.
Pontos de pregação Corpo de Cristo. Existe um rodízio Não dão a oportunidade ao
de pessoas e o grupo é apenas um incrédulo de observar o povo
ajuntamento. de Deus se edificando
mutuamente.

Reúnem-se para planejar a sua


Grupos de comunhão estratégia, para ensaiar ou planejar Nesta forma, o Corpo de Cris-
Grupos feitos para um evento. Existem to mais uma vez se afasta do
agrupar pessoas de exclusivamente em função do mundo à sua volta.
um departamento próprio ministério.

O líder segue um texto, um livro da O grupo fortalece a sua


Bíblia ou um tema específico é estu- ignorância mútua. Acabam
Grupos de estudos dado. O grupo discute o material. caindo em confusão ou se
bíblicos Um comentário pode ser usado tornando senhores do saber
como material de apoio. da igreja.
44 Manual da Visão de Células

Como é uma célula?


A célula não é um grupo de oração, ainda que a oração seja
um dos seus ingredientes básicos. Não é um grupo de discipulado,
ainda que o discipulado aconteça espontaneamente. Não é um gru-
po de estudo bíblico, ainda que a edificação seja forte nas reuniões.
Não é um grupo de cura interior, ainda que seja um ambiente de
restauração. Não é um ponto de pregação, ainda que o objetivo
básico de cada célula seja a multiplicação. É, na verdade, um pouco
de cada um desses grupos.
A célula da igreja pode ser comparada a uma célula do nosso
corpo. Ela não é o corpo todo, mas traz dentro de si todas as infor-
mações necessárias para gerar um corpo inteiro. Isto é o que nós
chamamos de informação genética.
Nesse contexto, célula é simplesmente uma miniatura da igreja
reunindo-se nas casas. Não existe algo como um ministério de célu-
las. Elas são o ambiente em que os ministérios fluem.
Sua importância é muito maior que a sua reunião. Se a célula
só existe no dia da reunião, então não é uma célula, mas apenas um
culto doméstico. Ela acontece a semana toda: no supermercado, no
shopping, na caminhada, no lazer, nas casas. Sempre que os irmãos
se encontram, ela acontece. Sua primeira característica da célula é
ser uma comunidade, e não o fato de existir como uma reunião.

1. A célula não é um lugar onde, a cada semana, comparece um grupo


diferente de pessoas
Apesar da reunião de célula não ter como objetivo o
evangelismo, o visitante será sempre bem-vindo. Na verdade, a célu-
la visa à multiplicação, enquanto a reunião, propriamente dita, está
voltada para edificação.
Ainda que a reunião não seja evangelística, todo o projeto final
da célula visa à multiplicação. Crentes realmente edificados na Pala-
vra são crentes frutíferos. E o ambiente adequado para se frutificar é
no círculo familiar, na escola e no trabalho. A reunião funciona como
um lugar de treinamento e motivação, para que cada um possa en-
frentar, com ousadia, a guerra lá fora.

2. A célula possue endereço e dia certo de reunião


Existem igrejas em que a reunião da célula é feita, a cada se-
mana, na casa de um dos membros da mesma. A nossa experiência,
O que é uma célula? 45

porém, tem demonstrado que um lugar de reunião definido produz


um senso de identidade, constância e segurança ao grupo.

3. A célula se reúne regularmente


A chave para a comunhão é a constância, a regularidade. Não
basta ter um lugar de reunião, é preciso que a célula se reúna numa
base regular, semanalmente. Nenhum relacionamento sólido e grati-
ficante pode ser construído sem convivência. É a convivência que vai
produzir vínculos de amor, de amizade e de aceitação.

4. A célula é homogênea
Quando participamos de um grupo que possui as mesmas ca-
racterísticas gerais peculiares às nossas, nos sentimos muito mais à
vontade para compartilhar. Em nossa igreja, as células são padroniza-
das por faixa etária e não por sexo. Assim, temos redes de células de
crianças, adolescentes, jovens e casais (mas temos também algumas
células mistas).

Notas

¹Vários. Manual do líder de célula. Curitiba: Ministério Igreja em células, 1995. Esse
conceito de linhas de comunicação foi desenvolvido por Ralph Neighbour.
Os objetivos das células

Uma célula é mais do que uma reunião semanal. A


reunião é o encontro dos membros da célula que
acontece a semana toda. Não queremos apenas ter
cultos nos lares, nós queremos edificar células.

A diferença entre estas duas coisas é muito grande. Um culto


doméstico é uma reunião realizada numa casa, na qual os presentes
não estão necessariamente vinculados e, às vezes, nem mesmo se
conhecem. A célula, por outro lado, é mais que uma reunião: é um
grupo de irmãos que estão ligados e vinculados entre si. Esses irmãos
buscam, ao mesmo tempo, uma vida de comunidade e almejam
multiplicar-se pelo menos uma vez por ano. A célula é maior que a
sua reunião e vai muito além dela.
Resumimos os objetivos da célula em quatro pontos:
Comunhão: visa ao desenvolvimento de uma vida compartilhada,
alvos comuns e aliança mútua entre todos os membros.
Ensino: a célula oferece o ambiente para crescimento espiritual,
aprendizado prático e disciplina em amor.
Multiplicação: a célula é o ambiente no qual inserimos novos
membros na igreja. É nela que alimentamos, guardamos e suprimos os
novos irmãos.
Serviço: na célula, cada membro é um ministro. Ali, os membros
exercitam os seus dons para o serviço mútuo.
A seguir, apresentaremos, em detalhes, cada um desses objetivos.

Comunhão
A igreja é um corpo vivo. Nela, através das células, os vínculos
de comunhão do corpo são edificados. Esses vínculos são importan-
48 Manual da Visão de Células

tes, pois eles propiciam a circulação de vida. A Palavra de Deus diz


que o sangue é vida, é um símbolo perfeito da vida do próprio Deus.
Aquilo que o sangue faz em nosso corpo físico, a vida de Deus faz na
Igreja — o Corpo de Cristo. O sangue realiza, pelo menos, cinco
funções no corpo:
• retira as impurezas.
• mata os germes.
• alimenta as células.
• traz energia.
• mantém a temperatura.

1. Retirar as impurezas
Em primeiro lugar, o sangue tem o poder de retirar as impure-
zas do nosso organismo. Do mesmo modo, a vida de Deus, circulan-
do entre os membros do corpo, expele todo tipo de impureza na
vida dos membros. Quanto mais a vida de Deus fluir em uma célula,
maior será a expressão de santidade pessoal.
A vida de Deus se manifesta plenamente nos relacionamentos.
Quando estamos conectados uns aos outros, em vínculos de amor e
comunhão, a vida, espontaneamente, elimina as impurezas do peca-
do. Se tudo na igreja se resume em fazer coisas, então nos tornamos
uma organização morta. Uma organização morta é apenas uma ins-
tituição, um monumento. Mas um corpo acontecerá quando formos
membros uns dos outros e, ajudados e consolidados pelo auxílio de
toda junta, efetuarmos o nosso próprio crescimento pela vida de Cristo
(Rm 12.5; Ef 4.16)

2. Matar os germes
Um dos componentes do sangue são os leucócitos, ou glóbulos
brancos, cuja função é promover a defesa imunitária do organismo
celular. Em outras palavras, eles são os agentes de defesa do corpo
humano. Eles têm a propriedade de atacar e destruir os germes inva-
sores do organismo. Semelhantemente, a vida de Deus, que circula
entre os membros do Corpo de Cristo, destrói as setas do diabo e
expulsa os demônios invasores.
Cada membro do corpo precisa compreender a importância
de estarmos juntos, de ministrarmos uns aos outros e funcionarmos
Os objetivos das células 49

como membros de um corpo. Tal funcionamento tem nenhuma re-


lação com o prédio, é uma relação viva no meio das células.

3. Alimentar as células
Assim como os membros do corpo humano são supridos e
alimentados pelo mesmo sangue que circula entre eles, a vida de
Deus também supre e alimenta os membros do Corpo de Cristo em
comunhão uns com os outros. Os membros podem ser muitos, mas
a vida que circula entre eles é a mesma: a vida de Deus.
Muitos podem testificar que são alimentados nos cultos pela
Palavra ministrada, isso é bom e necessário. Mas há um tipo de forta-
lecimento maior que aprender algo novo, é ver e ouvir repetidamen-
te o mesmo ensino no relacionamento espontâneo entre irmãos. A
comunhão alimenta o membro e fortalece a vida.

4. Trazer energia
Ainda que a forma e o estilo de comunhão variem, o cren-
te que não experimenta uma vida de intimidade com uma célula
de irmãos já perdeu o real sentido do que significa ser membro
do corpo.
Quando estamos vinculados uns aos outros, somos supridos
de energia e vigor espiritual. O poder de Deus é a sua própria vida
liberada através da comunhão. Uma coisa é a oração individual, mas
outra muito diferente e mais poderosoa é a oração em grupo. O
mesmo se pode dizer da adoração, do louvor e da celebração. O
sangue da vida de Deus é poder disponível a todos quando estamos
conectados no corpo.

5. Manter a temperatura
Enfim, é o sangue que tem a propriedade de manter a tempe-
ratura do nosso corpo humano. Uma célula cheia de vida, invariavel-
mente, será um lugar quente, cheio do fogo do Espírito. Quando não
há vida, os membros se tornam frios, mas, se o sangue circula entre
eles, a temperatura se eleva. Existem muitos que se esfriaram porque
estão sós. Individualismo, definitivamente, é uma palavra que não
combina com cristianismo. Uma brasa sozinha logo se apaga.
Sei que os evangelistas podem me apedrejar por dizer isso,
mas a Bíblia fala muito mais de comunhão da igreja do que de
50 Manual da Visão de Células

evangelismo. Creio mesmo que a melhor estratégia de evangelismo é


a verdadeira e genuína comunhão entre os irmãos. Jesus disse que o
mundo nos reconheceria como seus discípulos se amássemos uns
aos outros. É através da comunhão que testemunhamos desse amor.
Você notou quantas coisas a vida de Deus pode operar em
nós? Basta que os membros estejam devidamente ligados pelo auxílio
de toda a junta, segundo a justa cooperação de cada parte. (Ef 4.16)
Precisamos ser cuidadosos para que a nossa comunhão não se
transforme em clube social e, assim, sermos distraídos por outras
coisas. Tudo isso foi dito para mostrar o quanto é importante a ques-
tão dos vínculos de comunhão dentro da Igreja. Por isso, cada líder
deve priorizar a comunhão de sua célula.
Cada membro de sua célula deve estar vinculado a outro mem-
bro em amor e também em sujeição de autoridade. Cada um deve
ter alguém a quem se sujeitar, para receber edificação pessoal e su-
primento em amor. O discipulador natural de uma pessoa é aquele
que o ganhou para Cristo, mas mesmo aqueles que já têm muitos
anos de convertidos devem se submeter a outro que seja reconheci-
do como mais maduro e experiente na fé. Não deve existir ninguém
sem vínculo.

Ensino
Cada célula precisa ter um nível forte de compartilhamento da
Palavra. Quando falo de nível, não me refiro à erudição, nem à cul-
tura dos irmãos, mas ao fogo que queima quando a Palavra é minis-
trada. Quando temos o coração incendiado pela Palavra, contami-
namos toda a célula.
O ensino ministrado deve ser fruto de revelação. O líder não
precisa saber muito, mas aquilo que ele falar, por mais simples que
seja, deve vir do coração, fruto da luz de Deus em seu espírito. Uma
Palavra forte não é necessariamente profunda ou erudita. Conta-se
que quando Evans Roberts pregava, às vezes, ele não dizia muita
coisa, apenas repetia algumas frases do tipo: Deus ama você. Acon-
tece que ele dizia isso com o coração queimando, e o seu auditório
era fortemente impactado. Talvez não tenham aprendido algo pro-
fundo, mas foram ministrados de forma correta.
Este é o segundo objetivo da célula: compartilhar a Palavra
de Deus com vida. Não é ensinar muito, mas ensinar de forma
correta, com revelação.
Os objetivos das células 51

Multiplicação
Cada célula deve se multiplicar pelo menos uma vez ao ano.
Para que esse alvo seja alcançado, é necessário ganhar e consolidar
as pessoas. Assim, a célula não é somente para ganhar, mas também
para consolidar e cuidar das novas ovelhas. A multiplicação é fruto
de ganhar e consolidar.
Todo novo convertido é como uma criança e, como tal, neces-
sita de alguns cuidados básicos. Ele necessita de cinco coisas: Alimen-
to, Proteção, Ensino, Disciplina e Amor. Esses cuidados não podem
ser dados de maneira massificada, mas individual.

1. Alimento
Todo novo convertido necessita de uma dieta balanceada. Se
não for alimentado nesta fase da vida espiritual, poderá tornar-se um
crente problemático, se não morrer de inanição. Na célula, eles são
alimentados com palavras de fé, encorajamento e ânimo.

2. Proteção
Além de alimento, o recém-nascido precisa de proteção. A
rotatividade na igreja é fruto da falta de cuidado e proteção. O lobo
entra e leva a ovelha, pois não há pastores guardando o rebanho.
Líderes de célula são pastores que vigiam o rebanho. Até que o novo
convertido aprenda a caminhar sozinho, é fundamental a proteção
de um pai espiritual.

3. Ensino
O termo ensino não se refere simplesmente ao aprendizado
de doutrinas, mas à aquisição de hábitos espirituais. O ensino aponta
para a conduta e as atitudes que devem ser desenvolvidas no novo
crente. Se, por exemplo, quando criança, o crente não é ensinado a
ser dizimista, é difícil ser mudado depois de velho na fé. É na célula
que a criança espiritual recebe o ensino.

4. Disciplina
Todo novo convertido deve ser alimentado, protegido, ensina-
do e também corrigido quando sair do padrão da Palavra. Na célula,
existe um ambiente para ele ser exortado, admoestado e corrigido
em amor.
52 Manual da Visão de Células

5. Amor
Por último, a criança na fé precisa ser amada. Todos vimos
para a vida da igreja com nossas emoções destruídas. Entretanto, o
amor paciente dos irmãos na célula restaura a nossa alma. Uma cri-
ança só recebe amor e suprimento adequado em um ambiente
famíliar. E a proposta das células é justamente esta: ser uma família
vinculada pelo amor. Nesse ambiente familiar, nossos filhos serão
supridos e nenhum deles, de forma alguma, se extraviarão.

Serviço mútuo
Muita gente pensa que servir a Deus é fazer coisas na igreja,
como cantar, orar e pregar. Poucos percebem que servimos a Deus
quando exercitamos nossos dons e conhecimentos para ajudar a
edificar as pessoas, sejam irmãos ou não.
Se você tem filhos e é experiente em cuidar de crianças, ajude
as novas mães ensinando-as como cuidar dos filhos. Outros podem
servir de babá para que um casal possa passear numa noite, ou ain-
da, se alguém não pode pagar um cursinho, poderíamos ajudar com
aulas para o vestibular. São tantas as possibilidades de ajuda mútua e
serviço que não poderíamos enumerá-las aqui.
Jesus disse que seríamos conhecidos como seus discípulos se
nos amássemos uns aos outros. Não existe melhor forma de expres-
sar o nosso amor do que servindo aos nossos irmãos.
Quando uma célula atinge estes quatro objetivos: comunhão,
edificação, multiplicação e serviço, ela se torna um pedaço do céu
na Terra.
O que é a multiplicação? 53

O que é a multiplicação?

Multiplicação é o processo pelo qual uma célula se


divide em duas, quando atinge o número de 15
membros. Todavia, jamais dizemos que uma célula se
dividiu em duas, sempre dizemos que ela se
multiplicou em duas.

Multiplicar é positivo, enquanto dividir, nesse contexto, é ne-


gativo. Multiplicar-se é o alvo primário de cada célula.
Normalmente, uma célula começa com sete ou oito pessoas.
Sendo assim, precisamos alcançar apenas uma pessoa a cada dois
meses, aproximadamente, para atingirmos o objetivo de multiplicar-
mos a célula uma vez por ano. Este alvo é perfeitamente alcançável!
Para atingir esse objetivo, o líder deve apresentar o alvo para toda a
célula e mostrar sua praticidade e simplicidade.

Como é feita a multiplicação?


Na multiplicação da célula, o líder mais experiente sai com a
metade dos membros para formar outra célula. O líder mais novo
fica com a outra metade na célula que já está funcionando. A distri-
buição dos membros entre as células é feita pelo líder, com o auxílio
do seu discipulador, que deve acompanhar todo o processo. O alvo
de cada célula é multiplicar-se pelo menos uma vez ao ano.

Formas de multiplicação

1. A multiplicação por tempo decorrido


Uma célula não deve demorar mais do que um ano para se
multiplicar. Se uma célula, após um ano ou mais, ainda não se multi-
54 Manual da Visão de Células

plicou, é necessário multiplicá-la assim mesmo. Ainda que não tenha


atingido o número de 15 pessoas é preciso multiplicá-la, pois, caso
contrário, jamais romperá. Esse é o caso no qual todos os crentes já
são maduros e estão aptos a iniciarem uma nova célula.

2. A multiplicação em mais de duas células


Esta situação ocorre quando uma célula cresce de maneira ex-
plosiva. Num mês estava com doze pessoas, e no mês seguinte mais
quinze pessoas foram acrescentadas. Assim, depois de consolidar os
novos convertidos, é possível multiplicar essa célula em quatro. Esta
situação tem se tornado muito comum entre nós.

3. A célula-embrião ou grupo pioneiro


São células que iniciam do zero. Não são fruto de uma multi-
plicação. Existem muitos irmãos com o dom de evangelista dentro da
igreja. Tais irmãos possuem a habilidade especial de começar do zero.
Muitas vezes, nem a casa para as reuniões eles têm, a princípio. Eles
ganham uma família, e vão para a casa dela e, a partir dali, começam
uma célula. Recomendamos que essa estratégia seja usada somente
por líderes com o dom de evangelista.

Considerações para se fazer a multiplicação


1. Relacionamentos
Na hora de distribuir as pessoas entre as duas novas células, o
primeiro critério a ser considerado são os relacionamentos e vínculos
pessoais dentro da célula. Se alguém ganhou o outro, ambos devem
ficar juntos. Se pertencerem à mesma família, também é melhor que
fiquem juntos.

2. Localização geográfica
O segundo critério a ser seguido é a localização geográfica. As
pessoas que moram mais próximas da casa do anfitrião deveriam ficar
na célula que se reunirá ali. Em alguns momentos, os relacionamentos
não são tão fortes e as pessoas optam por ficar na célula mais pró-
xima. O processo de multiplicação precisa ser o mais suave possível.

3. Maturidade dos membros


Quando não existem diferenças de vínculos entre os irmãos,
os relacionamentos são igualmente significativos para todos. Assim, a
O que é a multiplicação? 55

localização geográfica já não é importante porque os grupos são muito


próximos. Neste caso, lançamos mão da maturidade espiritual dos
irmãos e simplesmente enviamos as pessoas mais maduras para inici-
arem a nova célula em outra casa.

Quando a multiplicação não é feita no tempo certo


A multiplicação é uma necessidade. Quando a célula atinge o
número de quinze pessoas, ela deve se multiplicar. Se retardarmos o
processo algumas consequências virão:

1. A reunião já não é produtiva


Como foi dito, depois que o número de pessoas ultrapassa o
limite de quinze, a célula se desvirtua e torna-se simplesmente um
culto no lar. As pessoas já não têm liberdade para compartilhar e o
ambiente torna-se impessoal.

2. Os membros tornam-se turistas


Quando a célula fica demasiadamente grande, começa a ocorrer
uma rotatividade entre os membros. O raciocínio é simples: quando
havia 10 pessoas e um casal faltava, o percentual de ausência era de
20%. Mas com a célula maior as pessoas faltam e ninguém sente
falta. A tendência é se degenerar.

3. A intimidade diminui
Numa célula muito grande, as pessoas perdem a liberdade para
abrir-se e o líder não tem como fazer um apascentamento efetivo.

4. O anfitrião fica desanimado


Um anfitrião pode ficar traumatizado com os problemas de
uma célula gigante e se fechar para receber a célula no futuro. Imagi-
ne ter 20, 30 ou 40 pessoas na sua casa toda semana? O lanche vira
uma festa e a casa uma tremenda bagunça.

5. A célula pode morrer


Se uma célula chega ao ponto de multiplicação, e ela não
é feita, a célula pode vir a morrer. Temos visto isso acontecer
muitas vezes. Por todos os motivos mencionados o grupo pode
vir a se desintegrar.
56 Manual da Visão de Células

A Festa da Multiplicação
É o dia marcado para a multiplicação de uma célula. Tal dia
não pode ser um evento triste de separação, mas, sim, a celebração
de uma vitória alcançada, de um tremendo alvo atingido. O líder
precisa fazer com que esta festa seja bem significativa. É tempo de
comemorar, ouvir testemunhos, lembrar-se de momentos engraça-
dos vividos juntos e receber a bênção do discipulador.

A Festa da Colheita
Na medida do possível, fazemos com que todas as células se
multipliquem numa mesma época do ano (normalmente no final do
ano). Quando isso acontece, fazemos então uma grande celebração,
com fogos de artifícios, balões, danças, testemunhos e algum ato sim-
bólico que nos faça lembrar uma grande colheita. Todo líder deve
participar dessa festa.
As pessoas de uma célula 57

As pessoas de uma célula

Dentro da estrutura de células existem algumas pessoas


fundamentais. Elas desempenham funções básicas e
imprescindíveis para o funcionamento da célula.

O líder
É alguém que se converteu, foi ao Encontro, batizou-se, fez o
Curso de Maturidade no Espírito, tornou-se líder-em-treinamento na
célula durante algum tempo. E agora, após iniciar o CTL e depois da
multiplicação da célula, tornou-se líder e tem a sua própria célula. Ele
lidera uma célula de acordo com sua faixa etária, no próprio bairro
ou região da cidade onde mora.
O líder de célula é a figura-chave dentro da estrutura de célu-
las. Ele não precisa ter um alto nível cultural ou intelectual e tampouco
ser um grande conhecedor das Escrituras. Não precisa saber respon-
der a todas as perguntas sobre a Bíblia, nem ter uma retórica impecá-
vel. Todavia, deve apresentar as seguintes características: ser cheio do
Espírito Santo, submisso, ensinável, transparente e tratável.

1. Cheio do Espírito
O que se espera de um líder, em primeiro lugar, é que ele seja
cheio do Espírito Santo. Isso vai gerar vida na célula e fazer frutificar o
seu trabalho. É preciso uma vida de oração íntima e diária com Deus
e com a Sua Palavra. As pessoas vão à célula esperando receber vida
de Deus, e o líder cheio do Espírito vai manifestar alegria, intensida-
de, profundidade e amor.
58 Manual da Visão de Células

2. Submisso
Quem não aprendeu a se submeter, também não pode lide-
rar. Não podemos tolerar pessoas arrogantes, soberbas, jactanciosas
e divisivas na liderança. Tais pessoas acabam por esfacelar o Corpo
de Cristo. Precisamos ser cuidadosos neste ponto.

3. Ensinável
Isso significa: disposto a aprender com qualquer um, sem se
julgar doutor em coisa alguma. Líderes que se julgam conhecedores
de tudo e nunca participam de reuniões de treinamento e discipulado
devem ser afastados, pois não trazem o Espírito de Cristo.

4. Transparente
O líder, como homem de Deus, deve andar na luz e não ocul-
tar coisa alguma de seu caráter. Isso é o que o torna alguém confiável.
Ele não dissimula coisa alguma e os seus problemas podem ser per-
cebidos e, conseqüentemente, corrigidos.

5. Tratável
Se na sua transparência percebemos algo errado, ele deve ser
suficientemene aberto para permitir ser tratado e corrigido. Um líder
não pode ser melindroso e deve estar disposto a ouvir o que precisa
e não somente o que lhe é agradável. Sem essas características bási-
cas, uma pessoa não deve ser constituída como líder de célula.

O líder-em-treinamento
É alguém que se converteu, foi ao Encontro, batizou-se, fez o
Curso de Maturidade no Espírito, e que está agora sendo treinado,
de forma prática, pelo líder de célula, para ser um líder, depois da
multiplicação da célula que fazia parte. Ele caminha junto com o líder
e é o seu virtual substituto.
O líder em treinamento é um líder em potencial. Não temos o
ministério de líder auxiliar. Todo líder-em-treinamento deverá tor-
nar-se um líder após a multiplicação.
Todos os aspectos de caráter que se aplicam ao líder, devem
ser observados na vida do líder-em-treinamento, durante o tempo
em que estiver sendo treinado.
As pessoas de uma célula 59

Todo o trabalho que o líder de célula realizar deverá ser feito


junto com o seu líder-em-treinamento. Esta é uma forma prática de
treiná-lo para fazer o mesmo depois, em outra célula.
Cada líder de célula deve ter um líder-em-treinamento, pois
uma célula sem um terá poucas chances de se multiplicar com saúde.
É ele quem carrega o DNA da visão, para que a próxima célula man-
tenha a visão como foi concebida.
O líder e seu líder-em-treinamento são servos para a célula, e
não mestres ou professores. Podemos dizer que eles são “facilitadores”.
Eles devem ter em mente que precisam conduzir a célula de tal for-
ma que cada membro possa funcionar de acordo com o seu dom.

O anfitrião
É aquele que recebe os irmãos na sua casa com disposição e
amor, para o bom funcionamento de um célula. Ele pode receber a
célula por um tempo determinado (por seis meses, por exemplo), ou
pode ter a célula na sua casa por tempo indeterminado. O que se
espera dele é que seja hospitaleiro e receba bem os irmãos.
Um anfitrião pode receber mais de uma célula em sua casa
em dias diferentes da semana. Também é normal haver uma célula
de adultos e outra de crianças se reunindo simultaneamente na mes-
ma casa.
O ideal é termos células somente em casas onde os dois cônju-
ges são crentes. Entretanto, reconhecemos que há circunstâncias em
que este padrão não pode ser seguido. Temos tido bons grupos que
funcionam em casas onde apenas um dos cônjuges é convertido. Se
o não-convertido não se opõe, podemos ter uma célula saudável em
sua casa.
O anfitrião tem duas funções básicas: receber bem os irmãos e
se envolver na vida do grupo. Ele é uma peça-chave na multiplicação
da célula. Se as pessoas que forem a uma célula não se sentirem à
vontade, aquela célula jamais prosperará! Por isso, o anfitrião deve
ser amável, hospitaleiro e receptivo, mantendo sempre um sorriso
aberto para todos. É necessário também que ele evite a todo custo
ausentar-se das reuniões. É desagradável ir a uma casa onde o dono
não está presente.
Se o anfitrião tem algo a reclamar sobre qualquer coisa, como
o exagero de intimidade de algum irmão na casa ou danos causa-
60 Manual da Visão de Células

dos nos móveis, deverá fazê-lo ao líder, à parte, e nunca na frente


da célula. Cabe ao líder corrigir os problemas. Quando o próprio
líder for o anfitrião, caberá ao líder-em-treinamento desempenhar
esse papel.
Durante as reuniões da célula, não deve haver televisão ligada
na sala ao lado e nem outra reunião paralela (exceto a célula de
crianças). O anfitrião deve zelar para que nada atrapalhe o bom an-
damento da reunião. Isso só é possível quando o anfitrião entende
que está desempenhando um ministério diante de Deus, e não me-
ramente cedendo sua casa para uma reunião.
Há anfitriões que entregam a sua casa, mas não participam da
célula. Isso é tomado pelas pessoas como indiferença e contrarieda-
de. Os donos da casa devem ser mais do que sorridentes e simpáti-
cos: devem participar ativamente da célula. A questão aqui não é de
formalidades, como cortesia e gentileza, mas de levar as pessoas a se
sentirem parte da família. Com a nossa família não nos preocupamos
com deferências. Por quê? Porque todos estão à vontade. É o sufici-
ente. O mesmo acontecerá na célula: quando a intimidade crescer,
desaparecerão as formalidades.

O discipulador
É um líder de célula que multiplicou suas células diversas
vezes. Ele supervisiona uma quantidade “x” de células, de acordo
com a sua capacidade e disponibilidade de tempo. A princípio,
ele pode supervisionar enquanto ainda lidera sua própria célula.
Anteriormente, chamávamos o discipulador de supervisor, porque
esta é a sua principal função: supervisionar as células e zelar pela
visão, para que não se degenere.

O pastor de rede
É um líder de célula bem-sucedido, que se tornou um
discipulador, cuja capacidade para liderar e multiplicar suas células
foi reconhecida. Ele apascenta as células debaixo de sua cobertura,
edificando encorajando seus membros. O pastor de rede é respon-
sável por uma quantidade de discipuladores e suas respectivas célu-
las. Ele se reúne uma vez por semana com eles, em grupo e, indivi-
dualmente, com cada discipulador.
Definindo as funções 61

Definindo as funções

Somos uma igreja de ministros. temos uma visao e ela


é o encargo dos nossos corações. Se cada membro
desempenhar com encargo e uinçao soa funçao,
certamente as células alcançaram vitória em seus alvos
e se multiplicarão.

Basicamente, seguimos o modelo de Jetro com relação à ca-


deia de autoridade.

PASTOR DA IGREJA

PASTOR DA REDE PASTOR DA REDE

DISCIPULADORES DISCIPULADORES

LÍDERES DE CÉLULAS LÍDERES DE CÉLULAS

O líder de célula

1. Pré-requisitos
• Aliança com a visão da igreja e com a sua liderança;
62 Manual da Visão de Células

• Vida santa, irrepreensível e consagrada ao Senhor (coração


ensinável, transparência e submissão);
• Prática diária de oração e leitura bíblica, e jejum semanal;
• Ter sido batizado no Espírito Santo.

2. Objetivos
O líder deve ter como objetivo principal na célula a edificação
dos irmãos. ELe precisa levá-los a funcionar no corpo, para que se-
jam supridos em amor, disciplina, alimento e proteção. Deve condu-
zir a célula à multiplicação, no mínimo, uma vez ao ano. Deve traba-
lhar sempre com muita alegria, diligência e motivação, lembrando
que no Senhor, o nosso trabalho não é vão. Estamos edificando uma
igreja de vencedores!

3. Responsabilidades na célula
• Estar na reunião da célula sempre com disposição e alegria.
• Planejar junto com seus auxiliares a reunião principal.
• Coordenar o compartilhamento da Palavra com a participação
de todos os membros da célula.
• Resolver todos os problemas de discórdia durante a reunião.
• Proporcionar vínculos de comunhão na célula.
• Entrar em contato com os membros que faltaram a reunião, o
mais rápido possível.
• Fazer o apascentamento dos membros, semanalmente.
• Visitar os membros e aqueles que visitarem a célula.
• Resolver e comunicar imediatamente ao discipulador todos os
casos de pecado dentro da célula.
• Planejar e realizar reuniões extras.
• Monitorar a assistência social aos carentes.
• Repassar todos os avisos da semana.
• Participar do projeto de oração e de reuniões previamente
marcadas.
• Participar da reunião de discipulado e entregar os relatórios
semanalmente.
• Planejar, junto com o discipulador, a multiplicação da célula.
Definindo as funções 63

• Valorizar cada momento de reunião da célula.


• Responder amorosa e imediatamente a uma necessidade surgida.
• Lidar com pessoas problemáticas, individualmente, fora do con-
texto da célula.
• Manter um ambiente calmo e descontraído na célula.
• Consolidar os novos convertidos.

4. Responsabilidades na igreja
Estar sempre presente nas celebrações da igreja.
Ter compromisso de oração e ministração nas celebrações da igreja.
Ser modelo de intensidade na oração, no louvor e na adoração.
Auxiliar na ministração dos apelos.
Ser padrão nos dízimos e ofertas.
Anotar e repassar para a célula todos os avisos da igreja.
Todo líder possui autonomia na sua célula. O discipulador e o pastor não o
controlarão. Ele é livre para ministrar ou não a Palavra, ou transformar a
reunião numa festa de aniversário.

Autonomia implica em responsabilidade, e responsabilidade


produz autoridade. Se o líder é responsável, ele tomará decisões, isto
é, não ficará passivo esperando todas as direções do discipulador ou
do pastor. Ele é o pastor da sua célula.

5. Autoridade
Na célula, o líder tem autoridade máxima para resolver ques-
tões relativas ao grupo, desde que não ultrapasse para os níveis
de discipulado.

6. Submissão
O líder de célula está diretamente submisso ao seu discipulador,
a quem deve sempre prestar relatórios de suas responsabilidades.

7. Tipos equivocados de liderança


Existem atitudes na vida de um líder que bloqueiam o fluir de
Deus na célula e sua conseqüente multiplicação. São atitudes contrá-
rias à visão. Assim, podemos ter alguns tipos de líderes que estão fora
da visão:
64 Manual da Visão de Células

a. O monopolizador
É aquele líder que trata a célula como se ela fosse uma congre-
gação. Ele é o pregador e não permite que os membros se expressem
nas reuniões. Ele faz tudo na célula, não distribui funções e impede,
com essa atitude, a célula de funcionar como um corpo. Normal-
mente, são líderes bem intencionados. Eles presumem que os mem-
bros mais novos ou os novos convertidos são incapazes de assumir
responsabilidades, por isso, fazem tudo por todos.

b. O nominal
Essa situação é comum quando o verdadeiro líder é a esposa
do líder, apesar de ele ter sido oficialmente constituído na liderança.
Também acontece quando o líder não compreendeu bem a visão de
células e pensa que o seu trabalho é apenas dirigir a reunião da
célula. Assim, ele não toma nenhuma iniciativa e nem conduz a célu-
la com firmeza em direção à multiplicação.

c. O deprimido
É o líder que vive em crise. O seu lema é: Minha capacidade, e
não a unção de Deus, é que move a célula. Como se sente incapaz,
ele logo conclui que sua célula não multiplicará. Ele é muito voltado
para si mesmo e vive debaixo de acusação, por sempre se comparar
com outros.

d. O ansioso
A pressão pela multiplicação, em vez de produzir motivação
nele, tem produzido angústia. Ele se torna melancólico e inseguro. O
medo está na base dessa situação de ansiedade. É preciso que ele
se sinta seguro de que o alvo é alcançável e que, no Senhor, tudo
é possível.

e. O super star
Alguns líderes possuem a noção equivocada de que eles são a
razão da unção, do crescimento e do êxito da célula. Desenvolvem a
postura de independência e de busca de reconhecimento para si
mesmos. Seu lema é: Sem mim esta célula não é nada.

f. O rebelde e o dependente
Existem dois tipos de líderes que não são úteis na visão de
células: o que não faz o que se manda e aquele que só faz o que se
Definindo as funções 65

manda. O primeiro tipo é rebelde; o segundo, dependente: não tem


ousadia, nem criatividade — depende do discipulador para as míni-
mas coisas.

8. O líder de célula ideal


O líder de célula ideal age como um maestro. Ele faz a célula
toda funcionar em harmonia. Ele é um facilitador e não um
manipulador. Seu alvo é ver todos os membros funcionando. Ele
trabalha para o reino e tributa toda glória ao Senhor. Seu lema é: Eu
sou instrumento de Deus para edificação do Seu povo.

O líder-em-treinamento
1. Objetivos
Juntamente com o líder, deve ter como objetivo principal, na
célula, a edificação dos irmãos e a multiplicação da célula, no míni-
mo uma vez ao ano.

2. Responsabilidades
• Participar do planejamento de todos os eventos da célula, junto
com o líder.
• Facilitar e proporcionar os vínculos de comunhão na célula.
• Fazer o apascentamento dos membros durante a semana.
• Organizar uma escala de visitas entre os membros.
• Monitorar a assistência social e a oferta na célula.
• Participar do projeto de oração e de reuniões previamente
marcadas, assim como manter uma vida constante de oração,
jejum, leitura da Palavra e santidade.
• Fazer a consolidação dos novos convertidos.
• Participar, quando solicitado pelo líder, da reunião de discipulado.
• Planejar a multiplicação da célula, junto com o líder.
• Motivar o surgimento de novos líderes.

3. Autoridade
Na célula, está submisso à autoridade do seu líder, ao qual
deverá sempre estar consultando sobre suas ações. Então, debaixo
das orientações do líder, poderá assumir outros níveis de liderança
dentro da célula.
66 Manual da Visão de Células

4. Submissão
Está diretamente submisso ao líder da célula, a quem deve
sempre prestar relatório pessoal e de suas responsabilidades na célula.

O Anfitrião

1. Objetivos
O propósito básico da função do anfitrião de célula é produzir
um ambiente físico propício para o fluir de Deus, ser agradável e
hospitaleiro para com os irmãos.

2. Responsabilidades
• Estar sempre presente na reunião, resguardar-se das possíveis
eventualidades.
• Participar do projeto de oração e de reuniões previamente
marcadas. Também deve manter uma vida constante de oração,
jejum, leitura da palavra e santidade.
• Receber bem os membros da célula — com alegria e satisfação
— sem formalidades.
• Preparar o ambiente com oração, desligar horas antes a televi-
são e organizar os assentos.
• Participar ativamente da célula.
• Informar ao líder sobre abusos de liberdade na casa ou quais-
quer prejuízos causados pelos membros da célula.
• Auxiliar e motivar, juntamente com o líder, o surgimento de
novos anfitriões.

3. Autoridade
Tem autoridade na célula para organizar e preparar o ambi-
ente como achar melhor, porém sempre checando com o líder se
está satisfatório.

4. Submissão
O anfitrião está diretamente submisso ao líder da célula, a
quem deve sempre prestar relatório pessoal e de suas responsabili-
dades no grupo.
Definindo as funções 67

5. Tipos equivocados de hospitalidade

a. Indiferente
Há anfitriões que julgam fazer um grande favor em ceder
suas casas para uma célula. Por isso, não participam da reunião,
não recebem as pessoas calorosamente, não se envolvem com a
reunião e, muito menos, com os membros da célula. Eles não são
anfitriões, apenas cedem a casa. Esse tipo está completamente fora
da visão da igreja.

b. Falante
Por ser muito falante, não dá oportunidade para o líder e
nem para os membros da célula falarem. Tende a monopolizar
todas as atenções e comumente fala o que não deve, tornando-se
inconveniente.

c. Constrangedora
É o tipo que não dá liberdade para o uso da casa. Restringe
áreas essenciais e mostra descontentamento com incidentes durante
as reuniões. O seu lema é: Cedi a minha casa, mas as minhas coisas
não estão à disposição da célula.

d. Mal-humorada
Não basta ceder a casa para a célula, é preciso que seja hos-
pitaleiro, receba bem as pessoas e tenha sempre um sorriso nos
lábios. Se as pessoas sentem que estão incomodando, elas não
retornarão à célula.

e. Controladora
Todos nós já brincamos de bola com alguém que era o dono
da bola. Porque a bola era dele, ele ditava as normas. Às vezes, acon-
tece o mesmo com o anfitrião da célula. Ele quer determinar todas as
regras e definir tudo na célula, porque é o dono da casa. Esse tipo de
hospitalidade impede a multiplicação da célula.

6. O anfitrião de célula ideal


É aquele que é gentil no acolhimento às pessoas, espontâ-
neo nos relacionamentos, educado para dar orientações quanto
ao uso da casa, paciente para tratar com incidentes e que partici-
68 Manual da Visão de Células

pa ativa e intensamente da reunião da célula. Seu lema é: A célu-


la é minha família.

Discipulador

1. Pré-requisitos
• Ter aliança com a visão da igreja e com a sua liderança.
• Ter uma vida santa, irrepreensível e consagrada ao Senhor, ex-
pressando um coração ensinável, transparente e submisso.
• Ter uma prática diária de oração, leitura bíblica e jejum semanal.
• Ter frutificado na função de líder de células, multiplicando-as
várias vezes.

2. Objetivos
Supervisionar a célula, apascentar e discipular os líderes e levar
todas as células debaixo de sua supervisão a se multiplicarem, no
mínimo, uma vez ao ano.

3. Responsabilidades
• Reunir-se semanalmente e individualmente com os líderes
de células, para apascentamento, discipulado e supervisão
das células.
• Supervisionar a assistência aos carentes de sua rede (não pode-
mos permitir uma única pessoa com necessidades básicas não
supridas em nosso meio).
• Participar das reuniões previamente marcadas pela liderança da
igreja.
• Gerar novos discipuladores entre seus líderes de célula.
• Entregar mensalmente a ficha de supervisão de célula e partici-
par do grupo de discipulado do pastor de rede.
• Verificar se a oferta e a ceia estão acontecendo mensalmente na
célula.
• Verificar se há consolidação dos novos convertidos.
• Observar se a célula tem crescido em comunhão.
• Checar se o ensino tem sido ministrado, quando esse for previ-
amente determinado.
• Reunir-se semanalmente com o pastor de rede para ser apas-
centado e supervisionado.
Definindo as funções 69

• Acompanhar o crescimento de cada célula debaixo de sua


supervisão.
• Verificar se cada célula possui um líder em treinamento.
• Acompanhar de perto a freqüência de cada célula.
• Atualizar mensalmente a listagem das células.þ
• Verificar se estão acontecendo as visitas e os eventos-ponte em
cada célula.
• Estabelecer escala de visitação semanal para as células e fazê-
las mensalmente.

4. Autoridade
O discipulador tem autoridade plena para resolver todos as
questões relativas às células que estão sob sua supervisão, dentro dos
limites das orientações do seu pastor de rede.

5. Submissão
O discipulador está diretamente submisso ao pastor de rede, a
quem deve sempre prestar contas através de relatórios e de quem
deve receber direção para o trabalho.
O discipulado e a supervisão

Todo organismo é organizado, mas nem tudo o que é


organizado é um organismo. Às vezes, é apenas uma
organização. Quando falamos de supervisão e relatórios
podemos incorrer no extremo de nos tornar uma mera
organização humana.

Por outro lado, não devemos pensar que um organismo seja de-
sorganizado. A organização humana é inteiramente diferente da orga-
nização feita por Deus. Vamos tomar a natureza como exemplo.
Quando olhamos uma floresta tendemos a pensar que aquilo
tudo é uma grande bagunça. É um tremendo engano. Existe uma
ordem sutil, uma hierarquia finamente estabelecida e um equilíbrio
maravilhoso. Cada animal, cada planta, cada elemento, estão todos
organizados e perfeitamente integrados dentro de um todo que é
vivo e altamente organizado.
O problema é que, para nossa mente carnal e obsessiva, o
melhor seria derrubarmos a floresta e fazermos ali um jardim com
grama e árvores geometricamente cortadas, com cada animal dentro
do seu espaço, enfim, tudo sob controle. Mas, esse tipo de jardim é
uma organização humana e como tal é tediosa e pobre.
Ficamos olhando para o céu e todas as estrelas e astros espa-
lhados pelo cosmos nos parecem tão caóticos. Se pudéssemos orga-
nizar as estrelas, o nosso céu seria quadriculado, com as estrelas de-
vidamente agrupadas por categorias. Você já viu uma área refloresta-
da? As árvores todas em fila, organizadas, sem surpresas. A ordem de
Deus é livre, flexível, adaptável e absolutamente viva.
Precisamos praticar essa organização divina. Creio que a igreja
deve ser assim. Nossa organização precisa ser clara, as funções devi-
72 Manual da Visão de Células

damente definidas e o propósito claramente estabelecido, mas com


bastante espaço para a espontaneidade da vida de Deus. A organiza-
ção que vem de Deus é algo vivo, é um organismo.
A organização, quando apropriada, nos ajuda a crescer e a
frutificar mais. Vamos tomar a lavoura como exemplo. Ela é uma
organização humana tirando o máximo do potencial da vida.
Muitos dizem que a Igreja deve crescer espontaneamente, sem
a cooperação do homem. Isso não é totalmente correto. A Bíblia não
diz que a Igreja é apenas uma planta, ela diz que a Igreja é uma
lavoura. O quanto a lavoura vai produzir não depende só de Deus,
mas do empenho e da técnica do agricultor. Essa cooperação huma-
na é maravilhosa e divina. É Deus quem gera a vida, mas o quanto
vamos colher depende de nós. E isso depende de técnica, planeja-
mento, estratégia, trabalho, ou seja, de muita organização.
O quanto uma igreja vai alcançar, ou uma célula poderá se
multiplicar, depende da organização, da estrutura e da liderança que
houver ali. No meio da desordem a vida não pode se manifestar.
Sei que, quando falamos de relatórios, as pessoas nos resistem
dizendo que isso não é de Deus. As coisas de Deus devem ser espon-
tâneas. Relatório é coisa de homem, dizem.
Isso é um equívoco. Veja o caso da criação da terra. Em Gênesis
1.2, vemos que a Terra era sem forma, vazia, em trevas, coberta de
águas e sem luz. Não havia vida porque não havia ordem. A vida de
Deus não se desenvolve no meio do caos. Antes de criar a vida, Deus
teve que colocar as coisas em ordem. Primeiro, separou a luz das
trevas. Depois, as águas de cima das águas de baixo e, por fim, sepa-
rou a terra do mar. Só então, o mistério da vida germinou.
O mesmo acontece na Igreja. Ela não pode ser sem forma, ou
seja, sem funções claras. Não pode ser vazia, isto é, sem vida. E nem
tampouco em trevas, ou seja, sem visão, sem alvo nem direção.
Para sermos uma igreja em células precisamos ser organizados.
Mas precisamos ser cuidadosos para que a nossa organização não seja
tão rígida e humana a ponto de destruir a vida e a espontaneidade.
Como conciliar organização com vida? Como ser organizado
sem deixar de ser um organismo? A resposta parece-me clara: se a
vida da igreja não possui ordem, não é de fato uma vida de Deus, é
apenas uma expressão humana. E se a organização da igreja destrói
a vida, então não é a organização de Deus, é a ordem humana,
O discipulado e a supervisão 73

decaída. A vida de Deus é sempre organizada e a organização de Deus


sempre cria condições para a vida.
Assim, estabelecemos algumas rotinas de controle de informa-
ção sobre a célula. Essas rotinas não devem nos prender, mas apenas
nos servir. E lembre-se: nós controlamos informações, mas nunca
controlamos as pessoas.

O relatório
O líder de célula deve preencher semanalmente uma ficha de
acompanhamento, na qual descreverá o andamento da célula. Essa
ficha contém dados que sinalizam quando há qualquer problema na
célula, o que permite ao discipulador corrigi-lo imediatamente. A fi-
cha de acompanhamento deve conter os seguintes dados:
• O número de membros da célula.
• O número de membros presentes na reunião.
• A frequência de visitantes na célula.
• Quantas visitas foram feitas pelo líder.
• Se o líder vai às reuniões de discipulado.
• Se há comunhão na célula.
• Se há novos convertidos.
• Se são promovidos eventos de evangelismo.
• O relato de qualquer situação fora do habitual.
• Se a ceia e a oferta foram realizadas.

Os dados do relatório demonstram para o discipulador se há


problemas na célula. Tais relatórios devem ser feitos de forma espon-
tânea e sem formalidades ou burocracias. Um relatório frio e impes-
soal está fora da visão de células. As fichas devem servir mais como
roteiro de conversa do que como documentos a serem arquivados.

O discipulado e a supervisão
Cada líder deve se reunir semanalmente com o seu discipulador.
É uma reunião de pastoreamento do líder, que visa orientá-lo, motivá-
lo e assisti-lo em qualquer dificuldade. A reunião deve enfocar os
aspectos positivos e as bênçãos que têm acontecido na célula. Nor-
malmente, os problemas serão tratados de maneira individual. Não
74 Manual da Visão de Células

nos reunimos só para tratar de problemas, isso seria completamente


desestimulante. É nessa reunião que os líderes devem entregar os
seus relatórios semanais.
Cada discipulador, por sua vez, deve se reunir semanalmente
com o seu pastor de rede. É uma reunião de pastoreamento do
discipulador, que visa orientá-lo, motivá-lo e assisti-lo em qualquer
dificuldade. Nessa reunião serão checados os objetivos da visão, isto
é, se os alvos estão sendo atingidos em cada célula.
O discipulador deve entregar mensalmente um relatório de
cada célula que supervisiona ao pastor de rede que o acompanha.
Esse relatório é baseado tanto nas fichas semanais entregues pelos
líderes que lhe são submissos, quanto nas visitas que porventura
tiver feito às células, durante o mês.
Todo líder é acompanhado por um discipulador. Ninguém li-
dera se não estiver debaixo de liderança. O discipulador desenvolve
com o líder de célula um relacionamento de pai e filho. Nesse aspec-
to, o discipulador tem uma responsabilidade maior que a do líder de
uma célula, pois vai cuidar de vários líderes, de acordo com a sua
capacidade e disponibilidade.
Como foi visto, na célula temos as ovelhas. No grupo de líde-
res, os discípulos. A seguir, mostramos algumas diferenças entre o
tratamento dispensado a cada um desses grupos:
• Conduzimos as ovelhas pela mão, ensinando-as a galgar os
degraus do crescimento. Ouvimos suas queixas e reclama-
ções, atendemos suas necessidades, curamos suas feridas,
não lhes fazemos grandes exigências nem lhes atribuímos gran-
des encargos.
• Com o discípulo é diferente (ele já está mais amadurecido, “não
chora à-toa”, não fica reclamando, pois sabe que, se o fizer,
será corrigido). Ele transpõe os degraus do crescimento com ma-
turidade. Apontamos o caminho, e ele segue sozinho.
• A ovelha não lidera, ainda precisa de colo, e nós lhe damos.
• Aos discípulos-líderes delegamos responsabilidades.
• Dessa maneira, o papel de discipulador é fundamental na es-
trutura de células, pois o líder bem acompanhado cuidará bem
da sua célula e gerará ovelhas sadias, que logo virão a ser discí-
pulos também.
O discipulado e a supervisão 75

O discipulado

1. Cada discipulador deve usar o formato do VOS


V: Visão. Repita a visão constantemente e de várias formas aos
seus líderes e líderes-em-treinamento.
O: Ouvir. Gaste o tempo necessário para ouvir os seus líderes
e tomar conhecimento sobre o que está acontecendo nas suas célu-
las, tanto em relação às notícias boas, quanto às dificuldades.
S: Servir. Sirva aos seus líderes em qualquer circunstância, pro-
curando suprir, de imediato, as necessidades apresentadas.
Tanto o pastor de rede, quanto o discipulador precisam apren-
der a praticar o método de Jesus:
a. Faça.
b. Delegue.
c. Deixe que os outros façam enquanto você os guia.
d. Libere-os para o ministério.

2. O líder-em-treinamento é discipulado pelo líder de célula


Eis o padrão do treinamento:
• O líder-em-treinamento observa o que você está fazendo.
• Verbalize o que fez e explica a ele por que razão o fez.
• Observe o líder-em-treinamento fazer aquilo que você já fez.
• Encoraje-o e mencione os pontos fortes e fracos que obser-
vou na atuação dele.
• Providencie atividades que o ajudem a se fortalecer nas áre-
as em que há fraqueza.
• Entregue ao líder-em-treinamento a responsabilidade por uma
determinada tarefa.
• Deixe essa tarefa na mão dele, empregando a estratégia da “ne-
gligência benigna”.
• Após a multiplicação, observe cuidadosamente a maneira como
o seu ex-líder-em-treinamento discipula agora o líder em treina-
mento dele.
• Continue sendo amigo próximo do seu ex-líder-em-treinamen-
to, tratando-o de igual para igual.
76 Manual da Visão de Células

3. Ensine o líder-em-treinamento a conduzir as reuniões da célula.


• Antes de cada reunião, conte para ele tudo o que você preten-
de fazer, explicando o porquê.
• Depois da reunião, troquem idéias sobre o que aprenderam por
meio daquilo que aconteceu. Aí, elaborem juntos o plano da
próxima reunião.
• roquem idéias sobre problemas que surgirem. or exemplo, al-
guém que travou a reunião por falar demais. Seja onde você for
ministrar, leve junto o seu líder em treinamento!
• Quando julgar que o líder em treinamento está pronto, deixe-o
conduzir as reuniões.
• Avalie os aspectos fortes e fracos da maneira com que ele con-
duziu a reunião.
• Durante o último mês antes da multiplicação, deixe o líder em
treinamento dirigir todo o ministério da célula. Dessa maneira,
quando metade for embora, sob a liderança dele, esses mem-
bros estarão sentindo plena confiança em seu novo líder.
• Quando for oportuno, deixe que o líder em treinamento assista,
enquanto você aconselha alguém. Depois, explique o porquê
de cada coisa que você fez.
• Quando fizer visitas ou procurar fazer novos contatos, leve junto
o seu líder em treinamento.
• Deixe que ele o observe ganhando pessoas para Cristo.
• Façam juntos uma vigília de oração — realmente orando!
A reunião da célula — o quebra-gelo 77

A reunião da célula — o quebra-gelo

O ambiente da célula é muito importante. As células


nas quais há risos e descontração tendem a se
multiplicar com maior facilidade do que as formais.

Numa reunião normal de célula, pelo menos seis momentos


devem acontecer:
• Envolvimento ou quebra-gelo
• Louvor e adoração.
• Ensino da Palavra.
• Compartilhamento da Palavra.
• Oração pelas necessidades.
• Comunhão ou lanche.
Qual é a razão para uma célula ser bem-sucedida? É a vida de
Deus fluindo entre nós, na pessoa do Senhor Jesus Cristo e do Espí-
rito Santo. O que faz uma célula ser bem-sucedida é a unção pode-
rosa do Senhor. É a unção que permite uma comunhão genuína e
gratificante, é a unção que libera a Palavra, é a unção que faz fluírem
os dons, os milagres e o poder de Deus.
Uma reunião bem-sucedida, cheia do poder e da presença de
Deus, é resultado da unidade de propósito de todos em buscar o
poder do Espírito Santo. Nada vai funcionar sem o óleo do Espírito.
Muitos pensam que não precisam orar por uma festa, um dia de
lazer ou uma comunhão do grupo. Sem oração e presença de Deus
tudo é insípido — até mesmo a atividade mais estimulante. Que a
dependência de Deus seja a base de nossas células.
78 Manual da Visão de Células

A principal característica da célula é a espontaneidade e a li-


berdade para a atuação do Espírito Santo. Não há como padronizar
a reunião. É preciso seguir o mover do Espírito, o qual, como o ven-
to, não pode ser contido nem sistematizado. Numa reunião, o Espí-
rito pode mover para o quebrantamento, em outra para a adoração
profunda, em outras, ainda, para a comunhão. Simplesmente, não
há regras. Cada líder deve procurar perceber em qual direção o ven-
to está soprando!
Tudo o que Deus faz, Ele o faz pela Palavra e pelo Espírito.
Da união da Palavra com o Espírito, a vida é gerada. Cada célula
precisa, basicamente, destes dois ingredientes: unção do Espírito e
revelação da Palavra. Tendo esses dois ingredientes, o resultado será
a vida de Deus fluindo na célula. Essa vida se manifestará na forma
de comunhão.

Alguns lembretes para a reunião da célula


1. Coloque as cadeiras em forma de círculo.
2. Apresente os visitantes.
3. Use uma forma de quebra-gelo.
4. Testemunhe alguns motivos de louvor.
5. Ministre a Palavra para aquela reunião.
6. Facilite a conversa no compartilhamento.
7. Compartilhe a visão do grupo.
8. Ore pelas pessoas necessitadas.
9. Faça um apelo para salvação.
10. Termine com um lanche.

O quebra-gelo
A primeira parte da reunião da célula é o quebra-gelo. Ele é de
suma importância, principalmente quando a célula é nova e as pes-
soas ainda não se conhecem bem. O seu objetivo é produzir um
ambiente informal e não ameaçador. As perguntas de apresentação
A reunião da célula — o quebra-gelo 79

têm sido usadas como quebra-gelo por centenas de pessoas. Use-as


quando a célula for nova, ou sempre que houver visitantes.
As perguntas de apresentação são do tipo: Onde você mora?
Quantos irmãos você tem? O que você faz? Quem é a pessoa mais
próxima de você? Quando foi que Deus se tornou mais que uma
palavra para você? Nenhuma das perguntas expõe a intimidade da
pessoa. É importante que todos respondam a uma mesma pergunta,
antes de ir à próxima.
O quebra-gelo deve ser apropriado para a célula. Não muito
infantil — para que as pessoas não se sintam desconfortáveis, nem
ameaçador — para elas não se afastem. Existem alguns métodos que
são mais apropriados para o início de uma célula do que outros.
Alguns podem ser usados muitas vezes. Por exemplo: Qual foi
a coisa mais importante que aconteceu com você nesta semana?
Lembre-se sempre de que o quebra-gelo não é um jogo. É
uma atividade que ajuda a pessoa a tirar a atenção de si mesma, para
se sentir à vontade com os outros. Ele ajuda a concentrar a atenção
de toda a célula numa única direção.¹
Não espere muito do quebra-gelo, a comunhão que ele pro-
duz é sempre superficial. Mas nunca o despreze. Ele não é um tempo
jogado fora. Use-o em cada reunião!²

Cuidados no período de quebra-gelo


• Não prolongue-o por mais de dez minutos.
• Cuidado para que não pareça triste ou melancólico.
• Faça um rodízio, deixando um irmão responsável pelo quebra-
gelo de cada reunião.
• Permita sempre um testemunho novo na célula.
• Seja positivo! Tenha uma palavra de fé!

Notas

¹ Vários, Manual do líder de célula. Curitiba: Ministério Igreja em células, 1995.


² O ministério Igreja em Células possui um pequeno manual comrcentenas de suges-
tões de quebra-gelo.
A reunião da célula —
o louvor e a adoração

É possível que aconteçam reuniões sem louvor, mas elas


serão muito raras. O normal é termos um bom tempo de
louvor, provavelmente no início de cada reunião.

Cada célula deve desenvolver um ambiente de adoração. Deus


não apenas habita no meio dos louvores, mas também age podero-
samente nele.
O líder precisa ter intensidade no Senhor. Onde não há ins-
trumentos musicais ou uma grande multidão, as pessoas tendem a
ser frias e superficiais. O líder precisa também ser exemplo de es-
pontaneidade, incentivando os irmãos a fazerem o mesmo. Ele deve
ser o primeiro a cantar, a dançar, a gritar, a erguer as mãos, a se pros-
trar, a cantar um novo cântico e tudo o mais. Os mais novos aprendem
pela imitação.

O caminho normal do louvor em uma reunião

Átrio
Santos dos Lugar
Santos Santo

>
Adoração Louvor Envolvimento
82 Manual da Visão de Células

Numa reunião, geralmente as pessoas passam por três fases


distintas em relação a comunhão com Deus. E isso é ilustrado pelo
Tabernáculo de Moisés:
• Átrio — lugar de cânticos de testemunho e de comunhão com
os irmãos.
• Lugar Santo — cânticos de louvor, de exaltação a Deus por aqui-
lo que Ele tem feito por nós.
• Santo dos Santos — cânticos de adoração, exaltação, atitude de
quebrantamento e cânticos espirituais que falam daquilo que
Ele é.
O propósito de Deus é de que todos, na reunião, cheguem ao
Santo dos Santos. Mas, infelizmente, boa parte do povo não alcança
esse nível de adoração.
O louvor normal em uma reunião segue um padrão ou uma
ordem específica: envolvimento, louvor e adoração. Sendo assim, o
líder deve ter uma lista dos cânticos sub-divididos por tópicos e por
ordem alfabética. Essas divisões nos ajudam a escolher um cântico
adequado para cada momento do louvor.

Diretrizes para o louvor na célula¹


O nosso objetivo, enquanto louvamos e adoramos, é chegar
ao Santo dos Santos. O fato de enfatizarmos alguns cânticos em
determinados momentos é visando desobstruir o espírito das pes-
soas e gerar fé para se achegarem diante de Deus. Devemos evitar
todas as distrações possíveis. A regra geral é: Faça tudo o mais sua-
vemente possível.
Inicie o período de louvor com músicas leves e conhecidas.
Escolher um cântico que o povo não conhece pode prejudicar e muito
a reunião. Use cânticos que testemunhem ou enfatizem, com leveza
e alegria, o amor, a graça e a misericórdia de Deus. Deixe os cânticos
devocionais ou consagratórios para mais tarde.
Comece onde as pessoas estão espiritualmente. Talvez você já
tenha orado o suficiente e esteja pronto para entrar no louvor, mas
eles não estão. Vá devagar, até que todos estejam com você.
Não tente atingir o clímax do louvor rapidamente. Alguns líde-
res tentam entoar cânticos espirituais depois de todo corinho. Dirija
o povo ao clímax do louvor quando eles estiverem mais cientes da
presença de Deus.
A reunião da célula — o louvor e a adoração 83

Se tentarmos guiar o povo ao cântico espiritual muito cedo


na reunião, isso se tomará uma coisa sentimental e melancólica, no
nível da alma. A atmosfera espiritual torna-se pesada e os mais no-
vos podem até mesmo sentir condenação, porque eles querem res-
ponder e não conseguem. Alguns tentam agradar ao líder fazendo
movimentos como se estivessem adorando e assim estaremos en-
corajando a religiosidade.
Todavia, não tenha medo de cantar um cântico mais de uma
vez, nem tenha receio de conduzir o grupo a um cântico espiritual.
Não espere que algo extraordinário aconteça para ministrar um novo
cântico ao Senhor.
Conforme Efésios 5.19, cânticos espirituais são a resposta inte-
rior espontânea de um adorador tocado pelo Espírito Santo. Isso é
expresso numa oferta pura de amor com frescor e espontaneidade
(SI 149.6 [tradução literal “louvor alto”]; 96.1; 66.17; Ap 5.9).
Ao final de uma música apropriada, o líder levará a célula a
uma expressão espontânea de louvor e adoração no espírito. E jun-
tos tentarão harmonizar e misturar os tons com o louvor do restante
da célula.
Esse novo cântico poderá surgir eventualmente (às vezes pro-
feticamente) através de um indivíduo. Após essa expressão livre e
espontânea, toda a célula prossegue cantando no momento em que
o cântico individual terminar.
Nem todos os cânticos conduzem ao cântico espiritual. Saiba
quais os cânticos que levam ao clímax e aperfeiçoe-se neles. Procure
variar os cânticos nas reuniões, diferencie para cada espécie de ênfase.
Uma maneira simples de conduzir ao louvor intenso é repetin-
do o estribilho de um cântico. Normalmente, é a parte mais intensa
da música.
Há um momento certo para o louvor elevado. O que re-
quer que o líder seja sensível. Se esperamos muito tempo, cantan-
do muitas vezes, perderemos a intensidade que poderíamos al-
cançar. Se, por outro lado, não cantamos o tempo suficiente, o
louvor não terá intensidade.

Orientações para o dirigente


Procure dirigir o louvor, e não apenas anunciar os cânticos que
serão cantados. Providencie uma folha escrita com os cânticos, em
cada reunião. A secretaria da igreja pode fornecer as fotocópias.
84 Manual da Visão de Células

Se não há nenhum músico na célula, o louvor pode ser feito


sem acompanhamento, desde que haja alguém com a voz forte e
firme. Caso contrário, é melhor usar um CD ou uma fita gravada e
acompanhar a reprodução do cântico.
Cante em voz alta com confiança. A unção está na voz do
líder e a firmeza incentiva os outros a unirem-se a ele. No começo
da estrofe, antecipe-se uma fração de segundos, para dar seguran-
ça aos irmãos.
Mantenha o controle do louvor. Não se perca na sua própria
adoração, ou você não estará liderando. Mantenha os olhos abertos
e atentos ao ambiente, sem descuidar-se de manter uma receptividade
espiritual interna.
Evite exortar o povo para ser mais expressivo. Lembre-se: as
ovelhas são dirigidas, nunca forçadas. Constrangindo-as, você estará
somente reforçando a religiosidade, fazendo com que apenas res-
pondam exteriormente. Temos que achar a chave para guiá-las a
Deus, numa resposta que vem do íntimo.
Evite cânticos com ações que obriguem as pessoas a uma res-
posta externa, quando ainda não houver um ambiente no louvor.
Precisamos de muita sensibilidade e sabedoria para sabermos quan-
do usar cânticos com movimentos.
Estimule e dê liberdade para expressões físicas de louvor, tais
como: palmas, danças, brados, prostrar-se, ajoelhar-se, assobios, ri-
sos, choro, erguer as mãos, clamor, silêncio, marcha e cânticos.
Considere sempre o tipo de reunião que você está dirigindo. É
importante considerarmos as pessoas que estão participando da reu-
nião: se é o grupo costumeiro, se há muitos visitantes, se é um even-
to-ponte ou um aniversário etc. Em cada tipo de reunião temos de
tomar uma direção adequada.
Não pregue sermões entre cada cântico, nem faça comentári-
os sobre cada um deles. Ocasionalmente, isto é apropriado, especial-
mente quando as pessoas precisam ter suas atenções voltadas para o
que estão cantando. Mas isto é mais exceção do que regra.
Não use um mesmo corinho em demasia. Se cantarmos um
cântico, semana após semana, ele perderá o seu frescor e significado
para o povo. Mais tarde, pode-se voltar para eles. Existem centenas
de bons cânticos, por isso não há necessidade de cantarmos o mes-
mo em todas as reuniões.
A reunião da célula — o louvor e a adoração 85

Em toda música de adoração profunda há momentos de silên-


cio. Haverá ocasiões em que um silêncio total será desejado (Hb 2.20;
Zc 2.13; Ap 8.1). Use-o.
Não prolongue demasiadamente o louvor. Muitos líderes que-
rem que Deus se mova no louvor em todas as reuniões. Mas talvez,
naquela reunião, Ele queira mover-se através da Palavra ou do
compartilhamento.

Aspectos que influenciam o louvor na reunião


Os caminhos de Deus são tão definidos quanto qualquer lei
científica. Deve haver uma razão específica pela qual a reunião vai
bem e também quando ela não flui. Vamos enumerar alguns prin-
cípios que afetam a sua reunião, tanto positiva quanto negativa-
mente. Vejamos:

1. Oração
Se desejarmos uma reunião forte, com um louvor fluente, de-
vemos antes pagar o preço em oração.

2. Fé e dependência
Quando há fé suficiente para seguir a direção do Espírito e
existe completa dependência, então haverá um ambiente adequado
para Deus atuar.

3. Cânticos adequados
Este é um aspecto muito importante, pois, se escolhermos os
cânticos a esmo, não teremos nenhuma ênfase na reunião. Mas se os
escolhermos adequadamente segundo a ênfase que o Espírito quer
trazer, então, o nível do louvor sofrerá influência.

4. Tempo gasto com Deus


Se estamos dispostos a gastar tempo ministrando diante de
Deus, podemos esperar grandes manifestações da sua presença.

5. Líder novo
Quando há um novo líder na célula, a tendência é os irmãos
se sentirem inseguros, porque ainda não estão acostumados com ele.
E essa insegurança afetará o nível do louvor. Não fique muito preo-
cupado com isso, logo as pessoas se acostumarão e o louvor fluirá.
86 Manual da Visão de Células

6. Localização
Faça com que as pessoas sentem-se próximas umas das ou-
tras, em círculo. Se as pessoas ficarem dispersas, o louvor não fluirá.

7. Cansaço
É muito comum as pessoas chegarem cansadas nas reuniões
da célula, depois de um dia de trabalho. Nesta circunstância, é bom
que elas fiquem sentadas um pouco mais, pois assim responderão
melhor ao louvor.

8. Desatenção
Se há muita desatenção no ambiente, é bom corrigirmos isso;
caso contrário, não conseguiremos levar o povo a lugar algum.

Notas

¹Estas orientações foram baseadas em um artigo do Pastor Victor Vellekoop, do Cen-


tro Crístiano Salém, Assunção, Paraguai.
A reunião da célula — a edificação na Palavra 87

A reunião da célula —
a edificação na Palavra

No momento do ensino da Palavra, o líder precisa ter


clareza sobre a diferença entre uma escola e uma
família. A célula é para ser família. O alvo não é fazer
um treinamento, mas ministrar vida.

É por isso que não haverá lugar para discussões teológicas ou


doutrinárias. A questão não é o que aprendemos, ou qual a nossa
opinião, mas qual é o nosso testemunho: estamos ou não pratican-
do a Palavra?
Cada líder receberá periodicamente, uma apostila com as pa-
lavras que devem ser ministradas na célula. Não queremos que apos-
tilas sejam simplesmente lidas na reunião, nem usadas como se fos-
sem revistas de Escola Dominical. As apostilas são um simples auxílio
para o líder que trabalha a semana toda e não tem como preparar
algo sistematicamente. Apesar disso, o líder tem liberdade de minis-
trar algo que Deus tenha direcionado especificamente para sua célu-
la, ou deixar de ter a Palavra em uma reunião em que o Espírito se
moveu de forma diferente. O normal, entretanto, é termos a edificação
na Palavra, em cada reunião.
O alvo da ministração na célula é a prática da Palavra e não o
ensino teológico. Quando compartilhamos a Palavra, queremos levar
a célula à prática da verdade exposta. O líder deve cuidar para que
muitos irmãos se revezem com ele, no compartilhamento da Palavra.
Quanto mais irmãos falarem, mais forte a célula se tornará! Se um
irmão novo convertido quiser pregar, o líder deve permitir que ele o
faça, reservando, porém, um tempo, no final, para complementar
algum ponto que não tenha sido falado por ele.
88 Manual da Visão de Células

A maneira como as pessoas se sentam na célula faz muita dife-


rença na sua participação. O melhor modelo é sempre um círculo,
com uma ou duas cadeiras vazias. Nunca organize a célula como se
fosse uma congregação — com os bancos enfileirados. Isso produz
religiosidade e passividade.
No final da Palavra, o líder pode usar o momento para orar o
texto bíblico que foi pregado com toda a célula ou fazer uma gosto-
sa confissão, todos juntos. Além de facilitar a memorização e o
aprendizado, esse método permite que a Palavra penetre em nosso
ser e nos transforme.
A célula não é uma escola, mas uma família. Veja as diferenças:
• Na escola, algumas pessoas passam e são recompensadas. Na
família, cada um pode alcançar objetivos e ser reconhecido.
• Na escola, o professor fala, os alunos ouvem. Na família, as
pessoas aprendem umas com as outras.
• Na escola, o alvo é completar a lição. Na família, o alvo é modi-
ficar vidas.
• Na escola, senta-se de frente para o professor. Na família, sen-
ta-se em círculos, de frente uns para os outros.
• A escola é formal, a família é informal.

Marcas de um bom ensino¹

1. Paixão
Quando apresentamos a verdade da Palavra, precisamos fazê-
lo com fogo e paixão! Se a verdade não empolga nem a você que a
ministra, não empolgará a mais ninguém! Se quisermos entediar as
pessoas, não devemos usar a Palavra de Deus para isso. Todo líder de
célula precisa perseguir este alvo: cultivar um coração cheio de fogo e
paixão pela Palavra! Lembre-se: não é uma questão de conteúdo,
mas de paixão! O conteúdo não tem de ser profundo, ou uma novi-
dade, mas precisa, sim, ser vivo! A ordem bíblica é clara: Sede
fervosoros de espírito! (Rm 12.11).

2. Praticidade
O que as pessoas sempre querem saber é: O que isso tem a
ver com a minha vida? Como esse ensino vai me ajudar no meu dia-
a-dia? Se você não tem uma resposta para essa questão, então pare!
A reunião da célula — a edificação na Palavra 89

O ensino não tem sentido se não tiver uma aplicação prática. Tenha
idéias práticas do que as pessoas podem fazer durante a semana,
para viverem o que foi ensinado. Não busque mudanças dramáticas
nas pessoas todas as semanas, mas estimule passos simples e práti-
cos. Nem toda aplicação é para ser praticada: algumas são para nos
mover em fé, outras, para nos motivar e despertar. Seja prático!

3. Humor
Existem momentos em que a célula cairá na risada. Isso é bom!
Risos são um dos maiores indicadores de saúde em uma célula. Quan-
do as pessoas se amam e gostam de estar umas com as outras, elas
riem bastante. A Palavra não tem de ser chata. Jesus foi desafiado a
transformar pedras em pães, mas muitos têm transformado o pão (a
Palavra) em pedra. Bom humor não significa contar piadas, mas fazer
comparações interessantes ou contar histórias engraçadas, como
exemplos práticos. O sorriso é a anestesia da espada do Espírito. Não
seja um comediante, mas tenha bom humor!

4. Testemunho pessoal
O ensino que não se aplica a mim não pode ser aplicável aos
outros também. O bom ensino não é vago e abstrato. Relate algumas
experiências pessoais, para mostrar a realidade do ensino da Palavra.
Ser igual às pessoas é uma ótima maneira de gerar interesse. As pes-
soas sempre querem saber a respeito da nossa vida. Conte a elas
aquilo que lhes possa ser edificante. Seja transparente e honesto,
mas não ultrapasse os limites do bom senso e da discrição!

5. Envolvente
A Palavra tem estimulado a participação de todos na célula?
Todos estão interessados? Uma maneira de manter as pessoas aten-
tas e interessadas é fazendo perguntas a elas. Quando elas estiverem
falando, você pode estar certo de que elas estarão interessadas. Uma
outra maneira de manter o interesse é levar as pessoas a relatarem
experiências pessoais a respeito do assunto. Quanto mais se envolve-
rem na célula for envolvido, mais as pessoas se interessarão!

6. Preparação anterior
Não chegue diante da sua célula sem um mínimo preparo an-
terior. Normalmente, o líder de célula recebe, previamente, o mate-
90 Manual da Visão de Células

rial a ser ministrado. Prepare-se de antemão! Preparo produz confi-


ança e segurança. Não tente saber tudo ou responder a todas as
perguntas, mas tente saber o máximo que você puder!

7. Ilustração
Jesus sempre empregou parábolas e analogias. Uma boa ilus-
tração vale mais que mil palavras. Você não tem de ser original.
Conte ilustrações que você ouviu ou leu. Na medida do possí-
vel, não fale sem citar nenhuma ilustração. Ilustrações esclarecem,
inspiram e motivam.

8. Inspiração e motivação
O objetivo básico do ensino é inspirar e motivar as pessoas.
Por isso, seja positivo! Não se coloque como um militar, dando uma
“dura” no seu pelotão. A melhor maneira de motivar alguém é mos-
trando-lhe as vantagens e as recompensas de alguma coisa. Mostre
sempre a recompensa e a vantagem de se obedecer à Palavra que
você está ensinando! Pregar é inspirar e motivar as pessoas. Lembre-
se que inspiração tem a ver com entusiasmo. Se você estiver entusias-
mado com a Palavra, a célula se motivará a praticá-la!

9. Focalizada numa idéia principal


Não seja uma metralhadora, atirando em todas as direções!
Se alguém perguntar para você, antes da reunião, a respeito do que
você irá falar, você precisa ser capaz de responder com uma única
frase! Você não tem de falar muito e nem deve falar sobre muita
coisa. Seja breve e específico!

Notas
¹HUNT, Josh. You can doble your class in two years or less. EUA: Group, 1997.
A reunião da célula — compartilhando a Palavra 91

A reunião da célula —
compartilhando a Palavra

O período de compartilhamento é fundamental para


a edificação dos membros da célula. Nesse momento,
o líder deve pedir a cada irmão que compartilhe aquilo
que Deus falou com ele durante a ministração da
Palavra ou algo que tem acontecido em sua vida
naqueles dias.

O alvo é que cada um possa compartilhar o que ouviu de


Deus, se está ou não praticando o que foi ministrado. Todos devem
falar, ainda que por poucos minutos.

Diretrizes para compartilhar a Palavra


• Não pressione ninguém a orar, falar ou compartilhar. Estimule as
pessoas, mas não as pressione! Isso pode afastá-las.
• Não deixe que os irmãos aproveitem a oportunidade para falar
de assuntos irrelevantes. Cada um deve compartilhar somente o
que Deus falou consigo, através da Palavra ministrada no dia ou
sobre algo que ele está enfrentando em sua vida prática.
• Estimule o compartilhamento de problemas e lutas pessoais
com a célula. Onde há honestidade, os vínculos são firmados.
Tenha o bom senso de perceber o limite de detalhes das con-
fidências compartilhadas.
• Todo testemunho deve ser para edificar e motivar a célula.
Desestimule toda palavra negativa e pessimista!
• Nunca permita discussões doutrinárias! O momento não é para
debater doutrina, mas para relatar vivências pessoais.
• Não deixe que uma pessoa monopolize esse tempo, falando
excessivamente.
92 Manual da Visão de Células

• Não permita que um irmão exponha a falha de outro! Cada um


deve falar somente dos seus próprios pecados, suas própias lu-
tas e fracassos.
• Não tente ter todas as respostas! Uma vez que alguém faça uma
pergunta, não se julgue na obrigação de ter que dar uma respos-
ta. Caso não saiba, diga que vai perguntar a um dos pastores e
depois trará a resposta a célula.
• A regra geral para o líder é: Sempre esteja alegre e bem humorado
nas reuniões! Isso quebra a tensão, relaxa o corpo e descansa
o nosso espírito. Todos se ressentem de líderes constantemen-
te melancólicos.
• Lembre-se sempre de deixar o Espírito dirigir a reunião. Deus
pode usar alguém nesse momento de compartilhamento e dar
uma virada na reunião. Seja sensível a isso!

A melhor forma é fazer perguntas


As pessoas estão mais interessadas no que elas têm a dizer do
que no que elas têm a ouvir. Por isso, a melhor forma de estimular o
compartilhamento na célula é fazer perguntas. No final de cada Pala-
vra, escreva algumas perguntas para facilitar o compartilhamento.

1. Perguntas envolvem
Quando não há envolvimento, não há discipulado.
Consequentemente não há mudança nem instruções e ensino. É im-
possível envolver pessoas sem fazer-lhes perguntas. O líder precisa
trabalhar para que cada membro da célula compartilhe algo signifi-
cativo com os outros, a cada semana.

b. Perguntas edificam relacionamentos


A célula possui muitos objetivos, um deles é a edificação de
relacionamentos e vínculos de amor. Boas perguntas ajudam os ir-
mãos a se conhecerem e a aprofundarem o relacionamento. Quan-
do respondemos perguntas, falamos de nós mesmos e nos damos a
conhecer. Quando somos conhecidos e conhecemos os outros, os
medos e constrangimentos desaparecem.

c. Perguntas revelam as necessidades


Os líderes precisam conhecer o nível espiritual de cada mem-
bro e quais suas necessidades mais urgentes. Essas informações são
A reunião da célula — compartilhando a Palavra 93

claramente fornecidas quando as pessoas respondem às perguntas.


As perguntas revelam o grau de maturidade dos irmãos. Não é possí-
vel haver compartilhamento na célula sem elas.

Como elaborar boas perguntas¹


Todo líder de célula precisa ser um especialista na arte de for-
mular perguntas. Não podemos deixar nenhuma pessoa excluída do
compartilhamento, e as perguntas são a melhor forma de envolvê-las.

1. Boas perguntas são amplas


Nunca faça uma pergunta cuja resposta seja simplesmente sim
ou não. Uma boa pergunta deve estimular o compartilhamento e
não bloqueá-lo.

2. Boas perguntas não inibem a resposta


Um líder resolve perguntar para alguém: Você crê na Bíblia,
não crê? Esta é uma pergunta repressora que já traz a resposta que
esperamos que a pessoa nos dê.

3. Boas perguntas estimulam a honestidade


É melhor perguntar: o quê?, qual? ou como?, do que pergun-
tar o por quê? É melhor perguntar, por exemplo, como você se sen-
tiu?, do que por que você sentiu?. Respostas aos porquês são difíceis
e quase sempre polêmicas. Mas, quando perguntamos: o quê?, qual?
ou como?, a resposta é quase sempre pessoal e prática. É um estí-
mulo à honestidade.

4. Boas perguntas produzem novas perguntas


Perguntas amplas estimulam as opiniões e as experiências, além
de favorecerem o pensamento e aprendizagem. Se depois de per-
guntar algo a alguém, o compartilhamento acaba, então, a nossa
pergunta não foi feliz.

A honestidade na célula¹
Um dos objetivos do compartilhamento é que as pessoas
possam também abrir eventuais dificuldades pessoais e buscar ajuda
na célula. Somos perdoados quando confessamos nossos peca-
dos a Deus, mas somos curados quando também os confessamos
aos irmãos.
94 Manual da Visão de Células

Sua tarefa como líder de célula é criar um ambiente no qual as


pessoas possam ser honestas e possam encontrar ajuda para as suas
dificuldades. Procure eliminar toda barreira à honestidade em sua
célula. Veja como você pode estimular a honestidade na célula:

1. Estimule um ambiente adequado


Os membros da célula estão mais interessados em discutir teo-
logia do que se envolver com vidas carentes do amor de Deus? Estão
mais interessados na festividade do que nas pessoas? Crie, então, um
ambiente que valorize as pessoas e suas necessidades.

2. Ensine as pessoas a serem sensíveis


Uma das maiores barreiras à honestidade surge quando pen-
samos que somos os únicos com problemas. Quando estamos numa
batalha e ninguém se solidariza conosco, a tendência é nos sentirmos
os piores e mais fracos da igreja. Sempre que alguém estiver em difi-
culdade, seja solidário com ele e compartilhe algo pessoal também.

3. Não permita a presença dos “amigos de Jó”


Eventualmente, alguns irmãos bem intencionados são muito
rápidos em oferecer diagnósticos. E assim, em vez de ajudar-nos,
acusam-nos, dizendo: Você não tem orado o suficiente, O diabo
está oprimindo você etc. Tais comentários até podem ser verdadei-
ros, mas precisam ser expostos de forma a não produzir mais fardo
e acusação.
Há pessoas que não expõem suas dificuldades financeiras, por
temor de serem acusados de infidelidade nos dízimos e nas ofertas.
Outras, carregam enfermidades sozinhas com receio de alguém afir-
mar que aquela doença é castigo de Deus, por algum pecado oculto
e não confessado. O que não falta em nosso meio são os “amigos de
Jó”. Estão sempre prontos a dizer: “Se não houvesse pecado na sua
vida, você não estaria assim.”

4. Não permita inconfidências


Uma das maiores barreiras à honestidade é o medo das fofo-
cas. Se as pessoas perceberem que algum membro da célula não é
confiável, elas jamais se abrirão ali honestamente.
A reunião da célula — compartilhando a Palavra 95

OS MOMENTOS DE UMA REUNIÃO DA CÉLULA

Envolvimento ou quebra-gelo
Louvor e adoração
Edificação na Palavra
Compartilhamento
Oração pelas necessidades
Comunhão

UM FORMATO SIMPLES DE REUNIÃO

1. Coloque as cadeiras em forma de círculos.


2. Apresente os vizitantes, quando houver.
3. Use uma forma de quebra-gelo.
4. Testemunhe alguns motivos de louvor.
5. Ministre a Palavra para aquela reunião.
6. Facilite a conversa no compartilhamento.
7. Compartilhe a visão da célula.
8. Ore pelas pessoas necessitadas.
9. Faça um apelo para salvação.
10. Termine com um lanche.

Notas

¹Vários. Manual do líder de célula. Curitiba: Ministério Igreja em células, 1995. Ralph
Neighbour faz uma explicação exaustiva sobre como fazer boas perguntas na célula.
² HUNT, Josh. You can doble your class in two years or less. EUA: Group, 1997.
A reunião da célula — a comunhão

Muitos crentes podem testemunhar que, primeiro, se


converteram aos irmãos; depois, a Jesus. A comunhão
foi a isca com a qual foram fisgados.

A principal característica da igreja deve ser o vínculo entre


os irmãos. A igreja é uma grande rede, os vínculos são os nós.
Quando esses nós são firmes e bem ligados, os peixes são apa-
nhados naturalmente.
A célula, porém, não pode ter aquele tipo de comunhão tão
intimista, que a torna exclusivista. Nem ser tão fechada que um novo
convertido não seja bem-vindo para não atrapalhar a comunhão.
Devemos ter cuidado para não transformar o corpo em corporação
e a koinonia em “koinonite”.
A célula deve ser um ambiente no qual as pessoas gostem de
estar. Qualquer ocasião é um pretexto a mais para a célula se reunir,
seja um almoço juntos, um churrasco, um aniversário ou um jogo da
seleção brasileira. As necessidades devem ser compartilhadas na reu-
nião e todos devem se empenhar em oração e em ação para resolver
os problemas dos irmãos.

A comunhão na célula
Em cada reunião, deve sempre haver um tempo de comu-
nhão descontraída entre os irmãos. Este momento pode ser antes ou
depois da reunião. O ideal é que sempre haja algum tipo de lanche.
Os membros devem se revezar no preparo desse lanche. É um mo-
mento de alegria e descontração e também a hora de todos os mem-
bros envolverem o visitante e o novo convertido.
98 Manual da Visão de Células

O líder deve evitar uma atmosfera de clube particular. Isto vai


realmente constranger o novo convertido e o visitante. Ele deve ser
inclusivo e abraçar todos os membros, não se detendo nesta ou
naquela “rodinha”. Como apascentador da célula, ele deve dar aten-
ção a todos, indistintamente.

2. A ceia na célula
A ceia deve ser ministrada em cada célula, pelo menos uma
vez a cada mês. Normalmente, a celebramos na segunda reunião do
mês. Deve ser uma reunião especial, distinta da reunião normal da
célula. Cremos que esta celebração é algo exclusivo da célula, reser-
vada aos membros batizados.
No livro de Atos, vemos o quanto a ceia do Senhor está relaci-
onada aos grupos pequenos. Ela era servida de casa em casa. Outras
passagens no Novo Testamento indicam que esse ato também incluía
práticas como o auto-exame (por cada membro), confissão de peca-
dos, perdão, discernimento do Corpo de Cristo, oração, gratidão e
louvor. Tudo isso estava ligado à reflexão em memória da morte,
sepultamento e ressurreição do Senhor, até à sua volta (1Co 10.16-21;
11.18-34; Jo 6.26-59; Lc 22.17-20; Mt 26.26-30).
No dia da ceia, é importante repassar as dez alianças da célula.
Nos tempos bíblicos, partir o pão freqüentemente significava que as
duas partes estavam fazendo uma aliança. A história do povo de
Deus é a de um povo de alianças e compromissos. O estilo de vida
do Novo Testamento, obviamente, envolve muito compromisso, tan-
to para com o Senhor como uns para com os outros.

Sugestões para o momento da ceia na célula¹


Faça com que cada ocasião seja especial e única, prevenindo
que ela se torne um formalismo morto.

• Peça a cada membro que diga, em uma sentença, o que signifi-


ca para ele o Corpo de Cristo. Em seguida, peça a cada um para
que diga, em uma sentença, o que significa para ele o sangue
de Cristo. Peça a cada um que faça uma oração de agradeci-
mento, ou cante uma música de adoração, ou ainda leia um
versículo bíblico, durante um momento de reconhecimento da
presença do Senhor.
A reunião da célula — a comunhão 99

• Leia uma das passagens da Bíblia indicadas e permita que as


pessoas participem a respeito da aplicação pessoal da passagem
lida, antes de distribuir a ceia.
• Compartilhe lembranças a respeito de tomar a ceia do Senhor
no passado, que foram significativas. Pergunte sobre o que é
especial e diferente no fato de ser tomada em um grupo peque-
no. Entrem em um tempo de louvor e ceiem juntos.
• Discuta o significado de Jesus ter lavado os pés dos discípulos
antes de repartir a ceia da Páscoa, em João 13. O líder da célula
pode começar lavando os pés de um dos membros, enquanto
compartilha o que ele próprio aprecia nesta pessoa. Permita que
cada pessoa faça o mesmo. Compartilhem juntos a ceia.
• Recrie uma refeição koinonia do primeiro século. Repartam um
banquete de amor juntos, ao tomarem a Ceia do Senhor. Este
banquete pode ser uma refeição simples.
• Recrie a última ceia, e a santa ceia original, com uma refeição
de páscoa tradicional, se você tem um judeu convertido em sua
célula. Descubra novas intensidades de significados na ceia do
Senhor, ao voltar para as raízes do Velho Testamento.
• Declarem uns aos outros as alianças feitas na célula, antes da
celebração da ceia do Senhor. A igreja é o lugar onde eu estou
em aliança com o Corpo de Cristo. Todos os meses, no dia da
ceia, os pactos são renovados na célula. Não podemos participar
de uma célula, se não estivermos dispostos a entrar em aliança
uns com os outros.

Visitante na célula! - Como agir?²


• Não mude a reunião por causa dele.
• Não seja apelativo – principalmente se houver apenas um
visitante.
• Não se apresse em evangelizá-lo. Deixe que ele estabeleça ami-
zades na célula.
• Não faça perguntas que o deixem embaraçado.
• Não pregue exclusivamente para ele.
• Todos devem ser apresentados ao visitante.
• Forneça a ele as letras das músicas, quando houver.
• Anote seu nome e telefone, para uma visita durante a semana.
100 Manual da Visão de Células

• Faça uma pequena explanação do que é uma célula ao visitante


e pergunte a ele se quer receber oração dos membros.
• Convide-o para voltar na próxima semana.

1. Como agir durante a semana?


• O líder deve informar-se mais sobre o visitante com quem o
trouxe.
• Dê ao visitante um cartão em nome da célula.
• A pessoa que trouxe o visitante deve continuar mantendo con-
tato com ele, convidando-o para a próxima reunião.
• O líder ou alguém designado deve fazer uma ligação a ele,
agradecendo a sua visita e convidando-o novamente para a
próxima reunião.
• Ore todos os dias pelo visitante!

Notas

¹Manual do ano da transição. Curitiba: Ministério Igreja em células, 1995.


²Vários. Manual do líder de célula. Curitiba: Ministério Igreja em células, 1995.
Estratégias básicas para o crescimento da célula 101

Estratégias básicas
para o crescimento da célula

Utilizamos cinco estratégias básicas de evangelismo e


crescimento das células: oração de concordância,
evento-ponte, encontro evangelístico, “anjo da guarda”
e visitas de consolidação. Estas quatro primeiras
estratégias são usadas simultaneamente.

Oração de concordância
A oração de concordância acontece quando dois membros da
célula se comprometem a orar e jejuar por três ou mais pessoas du-
rante trinta ou quarenta dias. No final desse período, as pessoas que
receberam oração serão convidadas para participar de um “evento-
ponte” da célula, ou de uma reunião de celebração e colheita no
prédio da igreja.

Evento-ponte
Cada célula deve realizar pelo menos um evento-ponte a cada
mês. Esses eventos podem ser de muitos tipos: um jogo de futebol,
um passeio no campo, um piquenique ou uma festa. O mais comum
é fazermos uma festa com comida, brincadeiras e um testemunho
com apelo no final.

Encontro evangelístico
Na maioria das igrejas, os Encontros¹ são apenas para crentes.
Em nossa igreja, nós os adaptamos para que qualquer pessoa possa
participar, principalmente visitantes e não-crentes. Cada célula deve
enviar pelo menos duas pessoas para o Encontro de sua rede, a cada
vez que for marcado.²
102 Manual da Visão de Células

O “anjo da guarda”
Cada novo convertido do grupo deve receber um “anjo da
guarda” para acompanhá-lo. O “anjo da guarda” é um irmão mais
velho na fé, que se responsabilizará por consolidá-lo na vida da célu-
la. Os objetivos principais são a proteção do novo convertido e o
estabelecimento de amizades dentro da célula.

Como organizar um evento-ponte

1. Planejamento e preparação
Um evento-ponte é um evento de evangelismo. O mais co-
mum é fazermos algum tipo de festa. Toda célula deve realizar pelo
menos um evento-ponte por mês. Nem sempre as pessoas se con-
verterão nele, mas certamente um laço de amizade será formado
para uma oportunidade futura.
O planejamenento é a chave para o sucesso de um evento-
ponte. Preparação é a chave para a implementação de um plano.
Eventos-ponte não acontecem por acaso. Alguém deve fazer com
que eles aconteçam! Alguém deve decidir que tipo de festa se fará,
onde será e quando irá acontecer.
No planejamento do evento, o líder precisa pensar em coisas
como:
• O que vestiremos? — Sempre há a possibilidade de um convi-
dado vir com roupa inadequada.
• O que comeremos? — Uma festa sem comida é uma incoerência.
• Como os convidados se sentirão?; ou Quem irá recebê-los à por-
ta?; e ainda, Quem irá acolhê-los?
• O que fazer com as crianças?; ou E se os convidados trouxerem
seus filhos pequenos?
• Como reagir se o convidado pedir uma bebida alcoólica?
Nós precisamos planejar nosso trabalho e trabalhar nosso
plano depois. Depois de planejar, precisamos, então, distribuir
responsabilidades. É preciso decidir quem fará cada coisa, mas
lembre-se: distribua responsabilidades e faça as cobranças devi-
Estratégias básicas para o crescimento da célula 103

das no tempo certo! Não permita que ninguém deixe de fazer a


sua parte!

2. Defina as atividades
Defina se na festa haverá algum tipo de brincadeira, como
jogos ou dinâmicas. Escolha atividades que não exijam experiência.
Quanto mais a atividade tirar o constrangimento das pessoas e puder
fazê-las rir, melhor. Charadas e jogos de mímica são muito simples e
divertidos. Não importa o que se faça no evento, o importante é que
a festa não seja chata e maçante.

3. Crie afinidades
O alvo do evento-ponte é que as pessoas se sintam tão à
vontade, que desejem vir a fazer parte da célula. Para isso, elas
têm de ter afinidade, sentir que possuem algo em comum com os
irmãos. As pessoas gostam de estar com quem elas sentem afini-
dade. Engenheiros gostam de estar com engenheiros, músicos com
outros músicos, e assim por diante. Depois de algum tempo con-
versando, as pessoas perceberão que não somos tão diferentes
como elas imaginam.

4. Converse com o convidado


A maneira de estabelecermos afinidade é através de con-
versas. Os membros da célula não devem fazer rodinhas para con-
versarem entre si, o alvo é envolver e fazer amizades com os con-
vidados. Se um convidado ficar sozinho, enquanto os crentes con-
versam entre si, ele se sentirá excluído e, provavelmente, nunca
irá à igreja.
Normalmente, serão os membros da célula que terão de pu-
xar conversa com o convidado. Use perguntas comuns que não te-
nham tom de interrogatório, tais como: Há quanto tempo você vive
aqui? De onde você é? Você trabalha em quê? Você tem filhos? É
casado? etc. Se o convidado tocar num assunto que você conhece, vá
fundo nele, mas se ele tocar em algo que você desconhece completa-
mente, faça disso sua arma para prolongar a conversa. Nada melhor
do que fazer uma investigação a respeito de uma profissão ou assun-
to dos quais você não sabe nada a respeito.
104 Manual da Visão de Células

O melhor assunto para se conversar é aquele a respeito do


qual não sabemos nada. É bom porque não temos de fazer nada,
apenas ouvir o outro. As pessoas amam falar de si mesmas. Conver-
sação é uma habilidade: para mostrar-se curioso, para fazer pergun-
tas e, acima de tudo, para ouvir. Mas também envolve habilidade
para contar histórias e manter um clima de bom humor (quem sabe
uma boa e santa piada?).

5. Crie um ambiente descontraído


No momento da comida, o ambiente já deverá estar mais livre
e as pessoas provavelmente já estarão rindo e contando as suas his-
tórias. Não podemos programar o riso, mas, numa festa em que não
há risos, certamente há algo errado. Rir é estar transbordante com a
vida! Sorrir é um dom de Deus!

6. Finalize com um testemunho


Tudo o que for feito deve ser permeado de oração e jejum.
Toda a célula deve se envolver, orando pelas pessoas que serão
convidadas. Teremos momentos de descontração e conversa, mas
precisamos terminar com um testemunho. É melhor que ele seja
antes dos comes e bebes. Que seja breve e focalizado nas neces-
sidades das pessoas.

7. Consolide os convertidos
Podemos fazer apelo ou não em um evento-ponte, tudo de-
pende do ambiente. Mas, uma vez que façamos o apelo, algumas
pessoas poderão se decidir. Nesse caso precisamos consolidá-la na
célula. Siga as recomendações que mencionamos no final do capítu-
lo anterior.

Visitas de consolidação
Uma célula que não visita efetivamente, nunca se multiplicará.
As células recebem, a cada semana, cartões com o nome de pessoas
que se decidiram no domingo anterior e elas próprias também rece-
bem visitantes a cada semana. Cada um desses visitantes do culto de
celebração ou da reunião da célula devem ser visitados na semana
seguinte. A visita não deve ser feita apenas pelo líder, mas todos os
membros da célula devem ser envolvidos.
Estratégias básicas para o crescimento da célula 105

1. Orientação para a visita de consolidação

a. Estabeleça um horário definido para fazer visitas


O melhor é termos em nossa agenda um tempo separado para
fazer visitas. Precisamos vigiar esse tempo porque o inimigo tentará
nos manter cheios de atividades nesse horário.

b. Esteja limpo e bem arrumado


Não deixe que a sua aparência impeça as pessoas de virem a
Cristo. Esteja limpo e bem arrumado. A aparência é fundamental
no evangelismo.

c. Leve consigo um Novo Testamento


Não use uma Bíblia de estudos de sete quilos. Isto pode inti-
midá-lo. Use uma Bíblia de bolso ou um Novo Testamento pequeno.

d. Saia em duplas
Jesus enviou os seus discípulos de dois em dois. Nunca vá fazer
uma visita sozinho. Além de evitar a aparência do mal, quando saí-
mos em duplas, um estimula o outro.

e. Deixe que apenas uma pessoa fale


É terrível quando duas pessoas tentam falar ao mesmo tempo.
Deixe que apenas um fale e o outro deve concordar e interceder.

f. Saia em fé e cheio do Espírito


Tenha uma atitude positiva. Creia que o Espírito já está ope-
rando na vida do novo convertido. O Espírito Santo vai inspirar você
nas palavras que você deve falar. Por isso, não visite sem antes colo-
car a pessoa diante de Deus, em oração.

g. Seja gentil
Não fique usando o tempo todo a linguagem religiosa. Cuida-
do para não dizer demais “glórias a Deus” e “aleluias”. As pessoas se
sentem intimidadas com isso. Seja sempre cortês e nunca discuta com
as pessoas que estiver visitando.
106 Manual da Visão de Células

h. Seja um bom ouvinte


As pessoas sempre querem compartilhar alguma luta ou dúvi-
da. Ouça bastante. Quando ouvimos, valorizamos as pessoas e as
conquistamos. Além disso, ao ouvir, você capta informações a respei-
to das necessidades deles e assim você pode aplicar melhor a mensa-
gem do Evangelho.

i. Seja cauteloso para entrar na casa


Não temos necessariamente de entrar na casa. Nós podemos
ficar na garagem, na varanda ou até no portão. As pessoas, às vezes,
se constragem com suas casas por estarem desarrumadas ou algo
assim. Seja sensível a isso.

j. Mantenha o objetivo da visita


Não se perca em discussões de doutrinas controversas ou opi-
niões. Não critique outras religiões ou igrejas. Não tente ter resposta
para tudo, apenas se mantenha ao ponto central do Evangelho, que
é a salvação em Cristo.

l. Use uma mensagem simples


Use as quatro leis espirituais da Cruzada Estudantil. Elas são
simples e fáceis de memorizar. Mas, se preferir, siga outros modelos.
Uma progressão simples de versículos para salvação é encontrada
em Romanos (3.23; 6.23; 5.8 e 10.13).

m. Faça sempre um apelo no final


Pergunte para ele se ele iria para o Céu se morresse hoje. Con-
vença-o a confessar a Cristo como Senhor e Salvador.

n. Convide-o para ir ao prédio de celebração e à célula


Quando ele for à igreja, sente-se ao lado dele durante o culto.
Vá à frente com ele no momento do apelo. Convide-o para estar em
sua célula.

o. Dê a ele algum material da igreja


Sempre fornecemos material para ser dado ao novo converti-
do. Use-o como um presente. Assim, as pessoas se sentirão valoriza-
das e se abrirão para voltar à célula.
Estratégias básicas para o crescimento da célula 107

p. Mantenha contato
Envie uma mensagem fonada durante a semana e ligue para
ela no dia da reunião da célula. Não tenha receio de parecer insisten-
te, lembre-se de que é a vida eterna dela que está em jogo.

Notas

¹O Encontro é uma estratégia desenvolvida na Colômbia, pelo pr. César Castellanos.


²A base para a visão dos doze. Manaus: Ministério Internacional da Restauração, 1999.
— para uma maior explanação sobre o Encotro.
Características
de uma célula forte

Existem três princípios espirituais tão básicos e


fundamentais que são a chave para o o crescimento
de qualquer pessoa em qualquer circunstância, seja
na célula, na vida espiritual, profissional etc.

Esses três princípios são: compromisso, disciplina e relacio-


namento.

Compromisso
O primeiro princípio é o compromisso. Todo crescimento co-
meça com compromisso. Nós nos tornamos semelhantes àqueles
com quem nos comprometemos. No casamento, os cônjuges se
tornam parecidos depois de algum tempo, por causa do compro-
misso. Nossa igreja será conhecida pelo nível de compromisso que
tivermos como membros. Um líder precisa se comprometer com
Deus e com o seu propósito se deseja ver sua célula se multiplican-
do. Uma célula comprometida com Deus e com a igreja, com cer-
teza, se multiplicará.

Porque de vós repercutiu a palavra do Senhor não só na


Macedônia e Acaia, mas também por toda parte se
divulgou a vossa fé para com Deus, a tal ponto de não
termos necessidade de acrescentar coisa alguma. (1Ts 1.8)

Jesus exige compromisso dos seus discípulos. Não podemos


seguir a Jesus sem compromisso. Precisamos ter compromisso com
Deus em primeiro lugar, mas devemos ter também compromisso com
a igreja, com os líderes, com uma visão e com irmãos.
110 Manual da Visão de Células

Disciplina
O segundo princípio é a disciplina. Os hábitos são formados
por disciplina e repetição durante um certo tempo. Depois que os
hábitos são formados, eles dificilmente são removidos.
Os hábitos são também chamados de disciplinas espirituais.
Elas são muitas, mas podemos resumi-las em três grupos: precisa-
mos colocar Deus em primeiro lugar com nosso tempo (Mc 1.35),
dinheiro (1Co 16.2) e relacionamentos (Hb 10.25). Uma célula em
que as pessoas procuram a disciplina nessas áreas invariavelmente
deverá se multiplicar.

Relacionamento
O terceiro princípio são relacionamentos corretos. Nossa per-
sonalidade é formada pelo nosso relacionamento com nossos pais e
irmãos. O mesmo acontece na vida espiritual, nós crescemos quando
nos relacionamos com pais e irmãos espirituais.
Costumamos dizer que todos nós precisamos em nossa vida
de um Paulo, um Barnabé e um Timóteo. Paulo aponta para o nosso
discipulador, aquele que fala em nossa vida. Barnabé é aquele que
caminha conosco, é o nosso companheiro de jugo. Timóteo é o nos-
so filho na fé, nosso discípulo.
Todos nós precisamos de um pai espiritual a quem possamos
imitar, mas também de um irmão que possa caminhar conosco. Toda-
via, o crescimento só se completa quando temos um filho espiritual.
A partir desses princípios, podemos estabelecer uma célula sau-
dável. Célula saudável será aquela que possui um compromisso fir-
me, que caminha de forma disciplinada e se relaciona entre si e com
Deus dinamicamente.

Pontos cruciais de uma célula saudável

1. Um líder forte
Líder forte não é aquele que possui o dom de evangelista, ou
uma personalidade carismática, ou ainda uma formação educacio-
nal superior. Líder forte é aquele que ora, jejua, se alimenta da Pala-
vra e se enche do Espírito. A vida de oração do líder é o fator mais
importante para a saúde e a multiplicação da célula. Líder forte é
aquele que é determinado e perseverante.
Características de uma célula forte 111

2. O grupo é mobilizado para o serviço


O trabalho na célula é um trabalho em equipe. Quando todos
exercitam seus dons, a célula cresce saudável e se multiplica. Numa
célula saudável, a pescaria é feita em grupo. Seus membros usam a rede
(esforço coletivo), em vez de anzóis (esforço individual). Quanto mais a
célula estreitar seus vínculos de amor e amizade, mais forte será!

3. Alvos claros de multiplicação


Alvos claramente definidos e uma atuação bem-sucedida da
célula formam um elo fortíssimo! A célula forte tem uma data defini-
da para a sua multiplicação. Com isso, todos trabalham e se esfor-
çam para atingi-lo.

4. Pratica a visão de que cada crente é um ministro


Uma célula forte tem um ou mais líderes-em-treinamento. Seu
líder não recruta novos membros, mas novos líderes. Seu alvo
prioritário é treinar outros líderes. Ali, todo líder em treinamento é
um líder em potencial.

5. Evangelismo
Uma célula na qual não há visitantes acaba por definhar ou
voltar-se para si mesma, numa comunhão doentia entre os mem-
bros. Novos convertidos trazem mudança, desafio e crescimento. Por
isso, uma célula forte sempre tem novos filhos na fé.

6. Visitas
Se as pessoas vão à célula e não recebem uma visita dentro das
próximas quarenta e oito horas, dificilmente voltarão. A visitação,
portanto, é vital para a consolidação do novo convertido, mas tam-
bém é importante para o crescimento e o fortalecimento da célula.
Não pense que apenas os novos devem ser visitados, os membros
também devem ser visitados pelo líder. Uma célula que visita é uma
célula forte!

7. Multiplicação
O maior e mais evidente sinal de saúde de uma célula é o seu
crescimento e, conseqüentemente, sua multiplicação. Uma célula que
não se multiplica revela membros espiritualmente enfermos. Há uma
relação direta entre a saúde e a fecundidade da célula.
112 Manual da Visão de Células

Ambientes de uma célula saudável

1. Um ambiente diretivo
Uma célula saudável é aquela em que existe um ambiente
diretivo. Ou seja, o líder diz o que se deve fazer, demonstra como
se faz e leva cada membro a realizar o que ele fez. Num ambiente
diretivo, o líder estimulará a participação de cada membro, seja no
louvor, na oração, no evangelismo ou nos eventos. Numa célula
normal, o líder é o cabeça, não há espaço para o provérbio: cada
um faça o que quiser.

2. Um ambiente facilitador
Numa célula saudável, as pessoas se sentirão à vontade para
aprender fazendo, ou seja, por tentativa e erro. Nele, o líder, ape-
sar de ser diretivo, também é um facilitador. Ele não faz tudo na
célula, mas deixa que os membros funcionem, exercitando seus
próprios dons.

3. Um ambiente descontraído e não ameaçador


A célula saudável é um lugar de descontração e risos. Não pos-
sui qualquer tipo de formalidade. As pessoas vêm e se sentem em
casa. Se elas não tiverem liberdade para a abertura e transparência
umas com as outras, jamais se livrarão de seus temores. Quanto mais
livres forem, mais descontraídas serão!

4. Um ambiente alegre e festivo


Uma célula saudável não perde nenhuma oportunidade de
festejar. Aniversários, chás-de-berço, chás-de-panela, noivados, ca-
samentos, e qualquer outro tipo de evento são motivos para um
churrasco, uma pizza ou um jantar. Naturalmente, haverá dias de
lutas e de luto, mas, normalmente, a célula deve ter um ambiente
alegre e festivo.
Estágios de uma célula normal 113

Estágios de uma célula normal

(Para discipuladores)

Uma célula pode nascer basicamente de duas formas:


a partir de uma obra pioneira ou vindo da multiplicação
de uma outra célula.

Normalmente, uma célula passará por quatro fases: comu-


nhão, edificação, evangelismo, e multiplicação. A duração média de
uma célula fica entre seis meses e um ano, quando, obrigatoriamen-
te, terá de se multiplicar. Após a multiplicação, as duas células resul-
tantes são considerados células novas. E como tais, talvez tenham de
passar novamente por esses quatro estágios. Contudo, há casos em
que não será necessário.
Algumas células poderão passar de uma fase a outra tão rapi-
damente que, talvez, nem percebamos. Outras, porém, poderão de-
morar-se mais numa determinada fase que a maioria. Cada célula
possui características próprias. Seja sensível e perceba a personalida-
de da célula. Existem células dinâmicas, células passivas, células ale-
gres, células jovens, células mais velhas e assim por diante.

Estágio da comunhão (primeiras 4 ou 6 semanas)


O alvo neste período é produzir vínculos e relacionamentos de
comunhão. Os eventos sociais devem ser mais freqüentes, para que
as pessoas se conheçam e criem intimidade entre si. Será necessário
dedicar pelo menos um mês inteiro para isso, até que haja afinidade
entre os irmãos. O processo pode ser acelerado, se for programado
um retiro de final de semana.
Nesse estágio, deve ser avaliado se as pessoas se sentem parte
da célula ou não, conforme os seguintes critérios:
114 Manual da Visão de Células

1. Vínculos na célula
Quando visitar a célula, pergunte às pessoas se elas se sentem
incluídas na célula ou não. Verifique também se elas estão incluindo
os outros no seu círculo de amizade.
Procure observar se as pessoas conseguem expressar seus pen-
samentos e sentimentos no meio da célula. Verifique se, na hora de
decidir uma questão, a célula tem postura própria ou fica apática,
esperando por uma definição do líder. Células apáticas são células
ainda desvinculadas. O que também pode ser observado na hora do
compartilhamento na reunião.
Observe como a comunhão acontece no final da reunião. Em
grupos desvinculados, as pessoas se dispersam rapidamente ou sim-
plesmente ficam sentadas.

2. Entendimento do compromisso e do propósito


Todas as partes básicas da visão devem ser estabelecidas: a
multiplicação (quando a célula atingir a faixa de 15 membros), cada
crente ser um ministro, cada casa se abrir para receber a igreja e os
outros objetivos básicos da célula (oração, comunhão e edificação).
Cada membro deve ter bem claro que tipo de compromisso se espe-
ra dele na célula.
As quatro primeiras reuniões serão dedicadas, basicamente,
ao entendimento da visão, ao estabelecimento das alianças da célula
e à compreensão dos objetivos e da dinâmica da reunião da célula.
Nunca é demais lembrar que a reunião é composta de: envolvimento,
ministração, edificação, compartilhamento e comunhão. Cada mem-
bro da célula deve entender que nós somos uma igreja em células.

3. Princípios enfatizados
Muitas células, no começo, são apenas cultos nos lares. Traba-
lhe para mudar isso. Fale, explique, exorte, mas não permita que
uma célula seja apenas um culto familiar.
Toda célula deve ter, no mínimo, um líder em treinamento.
Ele funciona como o DNA do grupo. Ou seja, ele é quem leva as
informações básicas que edificarão a próxima célula dentro da vi-
são. Se não houver líder em treinamento, a tendência é que a pró-
xima célula, resultante da multiplicação da célula atual, se fragilize e
a visão se degenere.
Estágios de uma célula normal 115

a. Enfatize as alianças da célula


Enfatize os objetivos da célula: oração, comunhão, edificação
e multiplicação. Nessa primeira fase, a ênfase maior deve ser dada
à comunhão. Estabeleça e monitore junto com o líder os eventos
de comunhão.
Faça um treinamento para demonstrar o nosso padrão de reu-
nião de célula, realçando cada parte da reunião e mostrando a im-
portância e a necessidade de cada uma.
Deixe claro, desde o início, os objetivos da célula e o paradigma
da igreja: oração de concordância — consolidação — Encontro —
Curso de Maturidade no Espírito — CTL — Escola de Ministério.

Estágio de edificação (do segundo ao quarto mês)


Esse é o estágio de conflito na vida da célula, no qual os
relacionamentos terão de passar do nível social para o pessoal.
Nesse momento, é natural a ocorrência de conflitos nos relacio-
namentos. Não pense que, com isso, a célula está decaindo, na
verdade, é um grande avanço, pois mostra que já não são indife-
rentes uns com os outros.

1. Relacionamentos pessoais
Nesta fase todos já devem se conhecer dentro da célula. Es-
pera-se que o líder já tenha sido reconhecido pela célula e que a
célula tenha avançado de um mero culto doméstico para um grupo
razoavelmente vinculado. Além disso, mais pessoas já podem mi-
nistrar a Palavra e o compartilhamento na reunião deve estar bem
mais participativo.

2. Compreensão do propósito
Dos quatro propósitos, o da edificação deve ocupar a posição
central. (Lembre-se de que os quatro objetivos da célula são: comu-
nhão, edificação, serviço e multiplicação.)
Muitos dos propósitos estabelecidos para a célula serão desa-
fiados. As tensões dentro da célula podem ser resolvidas pelos pactos
ou alianças da célula.

3. Princípios enfatizados
Cada crente é um ministro. Estimule o revezamento da Pala-
vra, monitore e estimule o compartilhamento. Todos os membros
116 Manual da Visão de Células

devem entender o nosso paradigma: oração de concordância — even-


to-ponte — consolidação — Encontro — Curso de Maturidade no
Espírito — CTL — Escola de Ministério.
Monitore quantos membros ainda não fizeram todo o proces-
so até o CTL. Na medida do possível, inclua o líder-em-treinamento
na reunião de supervisão e discipulado. Uma outra possibilidade se-
ria fazer uma reunião mensal que incluísse o líder em treinamento e
o anfitrião da célula.

Estágio de evangelismo (depois do quinto mês)


Os membros da célula tornam-se livres para se expressar, se
comprometer e falar abertamente. É neste tempo que a célula torna-
se um verdadeiro purê de batata, ou seja, o relacionamento sai do
nível pessoal para o nível comunitário.
Os objetivos a serem mais realçados na célula são a oração e a
edificação. É também uma fase em que a célula corre o risco de ficar
embriagada consigo mesma, visto que os relacionamentos são exce-
lentes, a comunhão é real e a reunião é viva. Se não for enfatizada a
visão da multiplicação, a célula pode se estagnar.
Se acontecer de a célula não sofrer uma crise de multiplicação,
é porque a visão não foi assimilada apropriadamente.

1. Princípios enfatizados
Procure ajudar a célula através do projeto de oração e das
vigílias. Nesse momento, os jejuns devem ser comuns.
Mais do que em qualquer outra fase, os eventos-ponte preci-
sam ser centralizados na vida da célula!
Em hipótese alguma, tolere uma célula sem um líder em trei-
namento nessa fase. Procure mostrar a importância e a bênção da
multiplicação. Comece a estimular irmãos a cederem suas casas para
a futura multiplicação. É tempo de localizar anfitriões.

Estágio de multiplicação (ou finalização)


Geralmente, o tempo de vida de uma célula será de 6 meses
a um ano. Qualquer célula, que não se multiplica depois de 12
meses, poderá se estagnar, perder seu dinamismo e, eventualmen-
te, morrer.
Estágios de uma célula normal 117

Toda célula deve ter uma finalização de algum tipo, e cada


membro deve estar atento para isso, desde o início. Consideramos
que uma célula se encerra ao se multiplicar. As duas células resultan-
tes da multiplicação são consideradas, então, duas novas células. E
como tais, talvez se torne necessário passarem novamente por todas
as fases.

1. Princípios enfatizados
Esse é um tempo de celebração. O líder deve ajudar os mem-
bros a verem a multiplicação como uma ocasião de alegria para to-
dos os envolvidos.
É tempo de planejar a multiplicação. Espera-se que o líder em
treinamento tenha tido oportunidade de realizar todas as tarefas de
um líder, ao lado do líder da célula. Se for necessário, ministre esse
manual de células para o líder em treinamento e para o anfitrião,
para reafirmar a visão.

Atividades constantes em todas as fases de uma célula


• Preencha a ficha de avaliação mensal da célula e apresente ao
pastor de rede.
• Envie todos os novos convertidos ao Encontro.
• Os novos membros vindo de outras igrejas somente serão rece-
bidos, pela ficha de indicação de novos membros, depois de,
pelo menos, oito reuniões.
• Os eventos-ponte devem acontecer mesmo quando a célula
ainda é um bebê. Por isso, planeje-os junto com o líder e o líder
em treinamneto.
• O paradigma deve tornar-se nítido para toda a célula, e a sua
prática deve ser normal e comum. A oração de concordância, o
evento-ponte, a consolidação, o encontro, o Curso de Maturida-
de no Espírito, o CTL e a Escola de Ministério devem ser mostra-
dos sempre como o caminho normal para cada membro em
nossa igreja.
• Esteja sempre atento a gerar novos anfitriões e líderes.
• Estimule cada membro a passar pelo processo completo: da con-
solidação ao Curso de Treinamento de Líderes.
• Cada líder deve estar consciente de sua responsabilidade em
indicar ou retirar qualquer membro da sua célula de qualquer
dos ministérios da igreja, conforme a qualificação do membro.
118 Manual da Visão de Células

Notas

¹As fases de uma célula foram primeiro propostas por Steve Barker, Good Things come
in small groups (Scripture Unin, 1985). Nós adaptamos as fases de acordo com a nossa
experiência e terminologia.
Como começar uma célula? 119

Como começar uma célula?

A primeira fase de uma célula normal é a comunhão.


É uma das mais importantes e precisa ser estabelecida
apropriadamente.

Nesta fase, que dura em torno de um mês, pelo menos quatro


passos devem ser dados (cada um deles, numa reunião):
• Convergir expectativas.
• Estabelecer o alvo.
• Reafirmar a visão da igreja.
• Estabelecer os pactos da célula.
Vejamos como:

Convergir expectativas
Ao iniciar-se uma célula, logo na primeira reunião, o líder deve
explicar aos membros o que é e como funciona uma célula. Cada
membro precisa saber qual é a dinâmica da reunião e o que se espe-
ra dele. Além disso, é bom esclarecer o que não é uma célula, para
que ninguém tenha expectativas erradas.

Estabelecer o alvo
Na segunda reunião, o líder deve expor, de forma bem clara,
os quatro objetivos da célula: comunhão, edificação, serviço e multi-
plicação. Também deve ser definida a data da multiplicação da célu-
la. Quando os membros da célula são previamente informados so-
bre os objetivos, uma de duas coisas acontece: ou eles se compro-
metem e se motivam mais, ou abandonam a célula.
120 Manual da Visão de Células

Reafirmar a visão da igreja


Cada membro da célula precisa ver a Videira como parte do
corpo, a célula como parte da Videira e ele próprio como parte da
célula. Aí está a razão de nossa existência. Por isso, reafirmamos:
Somos uma igreja em células. E tudo que fazemos, fazemos a partir
delas. Além disso, procuramos manter um equilíbrio entre a reunião
da célula e a reunião de celebração. Todo membro deve participar
dessas duas reuniões, pois delas se originam a trilha de crescimento
na Videira: consolidação — Encontro — batismo — Cursão (Curso
de Maturidade no Espírito) — CTL — líder-em-treinamento — líder
— discipulador — obreiro — pastor de rede. Tudo isso deve ser ex-
plicado na terceira reunião.

Estabelecendo os pactos da célula¹


O nosso crescimento espiritual depende de três coisas: com-
promisso, relacionamento e disciplina. Sem compromisso e sem ali-
anças não podemos edificar verdadeiramente a igreja. Sem compro-
misso mútuo, a célula não pode existir. Mostramos nosso compro-
misso com Deus quando temos compromisso com os nossos irmãos.
Os pactos devem ser firmados na quarta reunião e relembrados,
freqüentemente, pelo líder nas celebrações da ceia.

1. O pacto da amor incondicional (Cl 3.4-15)


Eu escolho amar vocês, edificá-los e aceitá-los, não importa o
que digam ou façam. Eu escolho amá-los do jeito que vocês são.
Nada do que fizeram ou venham a fazer poderá me impedir de
amá-los. Posso não concordar com suas ações, mas vou amá-los como
pessoas e fazer tudo para suportá-los, na força do amor de Deus que
habita em mim.

2. O pacto da honestidade (Ef 4.25-32)


Eu não vou esconder como me sinto a respeito de vocês. Con-
tudo, pelo Espírito Santo, procurarei conversar francamente, de modo
amoroso e perdoador, para que nossas frustrações mútuas não se
transformem em amargura. Comprometo-me a ser sincero e hones-
to com vocês, pois sei que, quando falamos a verdade em amor, é
que crescemos em tudo, naquele que é o cabeça, Cristo (Ef 4.15).
Empenhar-me-ei para expressar essa honestidade de maneira since-
ra e controlada.
Como começar uma célula? 121

3. O pacto da transparência (Rm 7.15-25)


Prometo empenhar-me para ser uma pessoa mais aberta e
compartilhar meus sentimentos, lutas, alegrias e dores, da melhor
maneira possível. Eu farei isso porque sei que, sem vocês, não irei
muito longe. Digo isso para afirmar o valor que vocês têm para mim,
como pessoas. Em outras palavras: eu preciso de vocês!

4. O pacto da oração (2Ts 1.11,12)


Eu faço um pacto de orar regularmente por vocês, pois creio
que é isso que o nosso amado Pai deseja: que oremos uns pelos
outros, para que todos sejam supridos em suas necessidades. Partici-
parei ativamente de quaisquer circunstâncias pelas quais vocês este-
jam passando, ajudando a cada um a levar o seu fardo.

5. O pacto da sensibilidade (Jo 4.1-29)


Assim como desejo ser ouvido, conhecido e compreendido
por vocês, do mesmo modo farei tudo ao meu alcance para ouvi-los,
conhecê-los e compreendê-los. Também prometo ser sensível tanto
a vocês, quanto às suas necessidades, e esforçar-me para livrá-los do
abismo do desânimo e do isolamento. E, com esse propósito, recu-
sar-me-ei a dar-lhes respostas simplistas para as situações difíceis em
que vocês se encontrarem.

6. O pacto da disponibilidade (At 2.47)


Aqui estou, se precisarem de mim! Tudo o que tenho — tem-
po, energia, entendimento, bens etc. — está à disposição de vocês,
até o limite dos meus recursos. Dou-lhes todas essas coisas, sem quais-
quer outras exigências.

7. O pacto de ser confiável (Pv 10.19; 11.9-13; 12.23; 15.4; 18.6-8)


Prometo manter em segredo tudo o que for compartilhado
dentro da célula, de modo a proporcionar uma atmosfera de confi-
ança, necessária à transparência. Entendo, no entanto, que essa dis-
crição não proíbe o meu líder de célula de compartilhar informações
adequadas ao meu pastor. Entendo que os líderes e líderes-em-trei-
namento trabalham sob a supervisão pastoral. Então, como resulta-
do disso, devem prestar contas aos pastores desta igreja, os quais,
por sua vez, prestam contas ao Pastor maior — Jesus Cristo, meu
Senhor! (Hb 13.17)
122 Manual da Visão de Células

8. O pacto da prestação de contas (Ez 3.16-21 e Mt 18.12-20)


Dou a vocês o direito de questionar-me, confrontar-me e de-
safiar-me em amor, quando eu estiver falhando em relação à minha
vida com Deus, à minha família e ao meu crescimento espiritual (ora-
ção, estudo da Palavra etc.). Confio que vocês serão guiados pelo
Espírito, quando assim o fizerem. Preciso de sua correção e repreen-
são, de modo a aperfeiçoar meu ministério, dado por Deus, no meio
de vocês. Faço o pacto de não reagir. (Pv 12.1-15; 13.10-18)

9. O pacto da assiduidade (Lc 9.57-62)


Não entristecerei o Espírito, nem impedirei o Seu trabalho na
vida dos meus irmãos, por minha ausência às reuniões, exceto em
caso de emergência. Somente com a permissão dEle, em oração,
considerarei a ausência uma possibilidade. Se estiver impossibilitado
de comparecer, por qualquer razão, em consideração aos irmãos,
comunicarei ao meu líder. Farei isso para que todos os membros do
grupo saibam o que está acontecendo, para que possam orar por
mim e não tenham maiores preocupações comigo.

10. O pacto da multiplicação (Mt 25.31-46)


Faço o pacto de encontrar meios de me sacrificar por aqueles
que se encontram fora da igreja, da mesma forma como fiz a aliança
de me sacrificar por vocês, meus irmãos e irmãs. Darei o máximo de
mim para trazer dois ou mais incrédulos para a minha célula, duran-
te o seu ciclo de vida. Quero fazê-lo em nome de Jesus, para que
outras pessoas sejam adicionadas ao reino de Deus, por amor a Ele!

Notas

¹Tomamos como base os pactos propostos por Bill Beckham no Manual do ano da
transição. Ministério Igreja em Células, 1999.
Como guardar a visão de células? 123

Como guardar
a visão de células?

Cada célula existe para se multiplicar. Então, como


uma igreja de vencedores, é preciso que cada líder
seja um guardião radical da visão.

Cada líder é um guardião da visão. Se desejamos manter a


direção, precisamos ser radicais na prática de alguns valores, por exem-
plo: cada célula existe para se multiplicar, todo líder deve fazer o
Curso de Treinamento, todo líder em treinamento é um discípulo e
cada crente é um ministro. Além desses, outros valores devem ser
guardados. Colocamos aqui alguns, na forma de mandamentos, para
que sejam ainda mais reforçados.

Mandamentos que protegem a Visão

1. As células são a base da igreja


A célula não é somente uma parte da vida da igreja, nem pode
ser confundida com dezenas de outras organizações. Ela é a vida da
igreja. Logo, quando ela existe apropriadamente, todas as outras es-
truturas tornam-se desnecessárias e inválidas.

2. A célula com 15 pessoas deve se multiplicar


A tendência de uma célula que não se multiplica é a estagna-
ção. A assiduidade cai, pois já não há como todos participarem do
compartilhamento. A reunião torna-se muito parecida com o culto
de domingo. Já não há um apascentamento adequado e os mem-
bros ficam acomodados.
124 Manual da Visão de Células

3. A célula não deve se embriagar consigo mesma


Células que ficam apenas olhando o próprio umbigo estão con-
denadas ao fracasso. Se não houver intenção de ganhar os perdidos,
então a célula perde a razão de existir.

4. A célula não deve ficar mais de um ano sem se multiplicar


Faremos tudo ao nosso alcance para monitorar o crescimento
da célula. Se for preciso, trocaremos de anfitrião, mudaremos de
bairro e até colocaremos membros de outras células. E, se essas me-
didas forem ineficazes, a célula será remanejada.

5. Não fecharemos células


Para nós, o fechamento ou encerramento de uma célula signi-
fica derrota. Faremos tudo o que for possível para salvar uma célula
e levá-la a se multiplicar: capacitaremos o líder, mudaremos a casa, o
anfitrião, o líder em treinamento e até o discipulador. Fechar uma
célula é uma medida que não faz parte da nossa visão.

6. A célula deve ter um líder em treinamento


O líder em treinamento é o DNA da célula. É ele que vai re-
produzir exatamente o padrão da célula. Se fizermos uma multipli-
cação, sem que um líder-em-treinamento tenha sido treinado, o DNA
não será transferido. Conseqüentemente, a nova célula poderá mor-
rer, ou então reproduzir a visão de forma errada.

7. Uma única célula não deve se transformar em congregação


Uma congregação será formada por um grupo de células numa
determinada região, nunca por uma única célula que se recusou a
multiplicar. Uma célula que se recusa a multiplicar é como um grão
de mostarda que vira árvore - uma monstruosidade.

8. Não permitiremos atividades que concorram com as células


No geral, as pessoas preferem os grandes eventos às reuniões
da célula. Apesar de considerarmos isso absolutamente natural, não
concordamos que outras atividades concorram com as reuniões das
células. É impossível conciliá-las.

9. Não permitiremos células sem supervisão


Todo líder deve ter sobre si uma autoridade. Alguém que não
admite estar debaixo de autoridade também não está qualificado
para exercer autoridade. Isso é proteção para o rebanho.
Como guardar a visão de células? 125

10. Não permitiremos pregadores de fora nas células


Apenas os pastores estão habilitados a fazer convites a prega-
dores de fora. Pessoas estranhas à visão de células costumam ensinar
padrões diferentes e contrários ao ensino da igreja local. Isso pode
produzir confusão entre os membros. Os líderes podem não perce-
ber tais ensinos errados, por inexperiência, por isso, somente o pas-
tor tem autoridade para convidar um pregador de fora.

Valores inegociáveis
É necessário que tenhamos a visão de células clara em nossa
mente. Quando tentamos edificar sem uma visão clara, negociamos
facilmente valores vitais. Vamos enumerar alguns desses valores que
são vitais para nós.

1. As células são a coluna da nossa igreja


Em nossa igreja, as células não são apenas uma estratégia que
escolhemos dentre as muitas disponíveis. Elas são parte de uma visão
a respeito da igreja, ou de como a igreja deveria ser. Não se trata,
portanto, de uma estratégia, mas de um novo paradigma.
Em nossa igreja, tudo é feito a partir das células:
• Só pode se batizar quem estiver firme em uma célula.
• A ceia é celebrada em cada célula, mensalmente.
• Um membro só pode fazer parte de um ministério com a reco-
mendação do seu líder.
• Um membro só recebe ajuda social com a recomendação escri-
ta do seu líder.
• Só consideramos membros aqueles que estão participando de
uma célula.
• Para alguém ser recebido como membro da igreja, é preciso
primeiro que ele se integre a uma célula.
• A função mais destacada em nossa igreja é a função de líder
de célula.

2. Nenhuma atividade pode concorrer com as células


Nunca permitimos que as programações especiais na igreja atra-
palhem as reuniões das células. Essas jamais serão canceladas. Agin-
do assim, todos percebem qual é a nossa prioridade. Ninguém tem
126 Manual da Visão de Células

dúvidas de que, para crescer em vida, em fé e em profundidade,


precisará participar ativamente de uma célula.

3. As células se reúnem semanalmente


Nossas células não se reúnem eventualmente. A cada semana
nos encontramos para renovar nosso compromisso, cultuarmos a
Deus juntos e sermos supridos pela vida do corpo. Talvez nem sem-
pre haja todos os momentos da celula, mas ela sempre se reunirá,
seja para um aniversário, uma festa, uma visita a um membro enfer-
mo, um velório etc.

4. Edificamos células, não apenas cultos nos lares


A célula é mais que uma reunião na quarta-feira, mais que um
evento, é um estilo de vida. Quando entendemos isso, ela passa a
acontecer todos os dias da semana. A reunião é apenas um elemen-
to da vida em comunidade.

5. Cada crente é um ministro e deve se tornar um líder


O sistema de clérigos e leigos é totalmente maligno; logo, é
uma grande ameaça para as células, pois anula completamente
o conceito básico do sacerdócio universal dos crentes. Cremos
que todos podem pregar, ensinar, expulsar demônios, orar com
os enfermos, e fazer tudo o que for necessário para a edificação
do Corpo.
Por que cada membro deve ser um líder de célula?
• Porque faz parte da nossa visão cada crente ser um ministro.
• Porque mostra compromisso com a visão.
• Porque é uma oportunidade dada por Deus para o crescimento
espiritual.
• Porque é a melhor forma de o crente ser discipulado.

6. Todo membro é equipado e treinado para o serviço


Um líder não deve ser constituído numa célula antes que con-
clua os cursos de treinamento: Curso de Maturidade no Espírito (o
Cursão) e CTL. Todo membro deve fazer os cursos. Assim, ele com-
preende porque cada um recebeu a unção para ser um ministro e
liderar uma célula.
Como guardar a visão de células? 127

7. Cada célula existe para se multiplicar


Desde que a célula funcione da maneira como foi estabelecida,
tendo os objetivos bem claros, com o padrão de reunião forte, pode-
mos dizer que esta célula frutificará espontaneamente. Uma célula
que não se multiplica está fora da visão!

8. As células são a própria igreja


Não somos uma igreja na qual as células são apenas departa-
mentos e programas existentes ou uma dentre as muitas opções den-
tro da igreja. Em igrejas nas quais as células são apenas um departa-
mento, as pessoas dizem que fazem parte do ministério de células,
como se fizessem parte do grupo de teatro, de música ou de qual-
quer outro. Nós somos o inverso disso: somos uma igreja em células!

9. Cada nível de liderança possui um discípulo auxiliar


O líder-em-treinamento não é apenas um ajudante do líder,
ele é um aprendiz, um discípulo. Ninguém será um auxiliar eterna-
mente, seu destino é tornar-se um líder. Esse é o segredo do sucesso
na visão de células: todos os líderes estão treinando discípulos!

10. Toda liderança está debaixo de cobertura e supervisão


Não existem líderes independentes em nossa igreja. Todos de-
vem prestar contas a um outro líder, no nível acima de autoridade.
Pessoas que não se submetem ao seu nível de liderança estão de-
monstrando que são desqualificadas para liderar entre nós. O bom
líder é um bom liderado.
Benefícios da visão

Quando somos fiés e coerentes à visão da igreja,


participamos da unção que está na visão.

Não há gastos
Para o funcionamento de uma célula, muito pouco é necessá-
rio, além da residência de um irmão. Nunca poderemos nos justificar
diante de Deus, dizendo que a nossa obra não prosperou por falta
de recursos financeiros. Com a estratégia de células, podemos fazer a
obra mesmo não tendo recurso algum.

Não há limite para o crescimento


Quando atinge certo tamanho, a célula deve se multiplicar e,
portanto, nunca chega ao ponto de não poder conter mais ninguém.
Depois de cada multiplicação, a célula diminui. Isso produz um novo
ciclo de crises de oração entre os membros, para o grupo crescer
novamente. Este ciclo se renova cada vez que a célula se multiplica,
tornando o crescimento virtualmente ilimitado. Não haverá prédios
suficientes para conter o grande número de vidas que serão colhidas
nestes últimos dias!

Criam-se lideranças reais


Se um líder é colocado por meio de eleições, ou outro método
artificial, criam-se líderes que têm o título, mas sem a realidade da
posição. São líderes artificiais. Na célula, esse processo acontece de
maneira natural. Quando chega o tempo de se multiplicar, todos,
naturalmente, já percebem quem deve ser o líder da nova célula. O
novo líder é reconhecido por causa da sua vida.
130 Manual da Visão de Células

É uma estrutura flexível


A célula pode se adaptar às novas exigências, circunstâncias de
emergência, ou até mesmo a uma situação de perseguição. As reuni-
ões podem mudar de dia, horário ou duração, e novos métodos e
estratégias podem ser tentados, sem perda ou risco para a estrutura
geral da igreja.

Facilita a mobilização da igreja


Uma necessidade da liderança é poder mobilizar toda a igreja,
de maneira rápida e eficiente, para a realização de um programa ou
atividade. Isto se torna muito simples, quando temos a nossa estrutu-
ra baseada nas células.

Produz crescimento numérico


O crescimento vem através do trabalho dos membros, os quais,
na célula, se tornam responsáveis pelo crescimento da igreja. Os mem-
bros entendem que evangelizar é mais do que convidar alguém para
ir ao culto. Além disso, cada célula deve se multiplicar uma vez ao
ano, no mínimo. Isso produz uma crise de crescimento em todos. Tal
crise (que poderíamos chamar de “dores de parto”) é o grande segre-
do do crescimento de uma igreja em células.

Leva cada membro a funcionar


Nós não estamos apenas tentando estabelecer um departa-
mento ou um programa de grupos na igreja. O nosso alvo é bem
mais ambicioso. Nós queremos estabelecer um novo modelo de igre-
ja, com um novo tipo de membro. Não mais um mero consumidor
espiritual no shopping da igreja, mas um produtor útil e frutífero na
família de Deus.

Quebra-se a tradição e a religiosidade


O ambiente familiar da célula estimula a espontaneidade. Na
maior parte das igrejas pentecostais, os dons se manifestam muito
mais freqüente e livremente nas casas do que nas reuniões da igreja.
É comum ouvirmos que pequenas reuniões de oração nos lares mu-
daram a história de toda uma igreja. A maior parte das igrejas tradici-
onais que se renovaram entraram na renovação quando um grupo
começou a orar em casas. A partir daí, um mover de Deus se estabe-
leceu, contagiando a muitos.
Benefícios da visão 131

Um lugar para os dons


Os dons são um grande instrumento para a edificação e o cres-
cimento da igreja. Quando há profecia, fé, milagres, curas, palavras
de sabedoria e de conhecimento, os incrédulos são impactados, e os
crentes renovados na sua fé. A célula é o melhor lugar para a mani-
festação dos dons do Espírito.

Gera apascentamento
Todo novo convertido é como uma criança, e como tal neces-
sita de alguns cuidados fundamentais. Toda criança necessita de cin-
co coisas: alimento, proteção, ensino, disciplina e amor. Esses cuida-
dos não podem ser dados de maneira massificada, mas sim, indivi-
dualmente, nas células.

Propicia uma assistência social mais eficiente


Na célula, conhecemos as necessidades dos nossos irmãos.
Temos visto grupos que se mobilizaram para construir casas para
viúvas, sustentar o líder que ficou desempregado e ajudar os irmãos
nas mais diversas situações. A igreja deve ter uma assistência social
mais abrangente e estruturada. Entretanto, o grupo deve procurar
assistir aos seus membros e só levar à igreja aquilo que estiver fora
do seu alcance.

Estabelece vínculos de comunhão


Muitos podem testemunhar que, antes de se converterem a
Jesus, se converteram aos irmãos. A comunhão foi a isca com a qual
foram fisgados. A principal característica da igreja deve ser o vínculo
entre os irmãos. Podemos dizer que a igreja é uma grande rede e os
vínculos são os nós da rede. Quando esta rede tem os seus nós firmes
e bem ligados, os peixes são naturalmente presos.
Inimigos da visão

A estrutura de células é muito sensível. É como uma


lavoura. Se a abandonamos por um momento ela pode
ser atacada por todo tipo de praga. Cultivar a visão,
portanto, é, acima de tudo, guardá-la e protegê-la.

Existem algumas pragas que podem destruir a visão de células.

Clericalismo
Clericalismo é o sistema que surgiu dentro da igreja após o
quarto século. Ele estabelece que na igreja há dois tipos de pessoas.
Há as especialmente dotadas e capacitadas — chamadas clérigos — e
a outra classe, dos ignorantes e incapazes — chamados leigos. O sis-
tema de clérigos e leigos é totalmente maligno e uma grande ameaça
para as células, pois anula completamente o conceito básico do sa-
cerdócio universal dos crentes.

Templismo
Provavelmente, o templismo e o clericalismo são as duas mai-
ores heranças católicas presentes no meio evangélico. Ambas são as-
sassinas da visão de comunhão. Até o século terceiro, a igreja não
tinha templo. Eles surgiram com Constantino, no século quarto, quan-
do sua mãe, chamada Helena, espalhou templos por todo o Império
Romano. Os templos, portanto, não são característica da Igreja do
Senhor Jesus.
Para muitos, hoje, no meio evangélico religioso, a igreja não
passa de um prédio feito de concreto. Chegam mesmo a reverenci-
ar o lugar, e se atrevem a chamá-lo casa de Deus. Eles dizem que
134 Manual da Visão de Células

estão indo à igreja, se referindo ao edifício. Muitos pastores gastam


toda a sua vida construindo prédios e pensam que estão edificando
a igreja. Que melancolia! Em quase todas as igrejas, os diáconos
têm a função medíocre de cuidar do prédio. Os pobres? Não é
função nossa! dizem. As vidas? É função do pastor! respondem.
Perdeu-se o senso de valores!
Os prédios têm o seu lugar, mas a Igreja somos nós, as pedras
vivas (1Pe 2.5), que, após sermos edificados mutuamente, somos cons-
tituídos habitação de Deus, no espírito. Sagrados somos nós, onde
Deus habita (1Co 3.16). Quando cada célula entende que a arca de
Deus está onde os crentes estão e que, onde chegamos, ali está a
igreja, o trabalho prospera e o inimigo é derrotado.

Tradição
Tradição é a atitude de sacralizar algo que Deus fez no passa-
do. Naquele momento, era direção de Deus, mas Deus avançou e
nós ficamos presos no passado. É perder o vento e ficar à deriva.
Quando não conseguimos seguir o mover de Deus, perdemos o fluir
nas células.

Medo
Muitos líderes não têm provado o melhor de Deus para os
seus ministérios por causa do medo. Fé é correr riscos com Deus.
Não podemos viver numa estrutura totalmente sem riscos. A partir
do momento que abrimos o trabalho para mais líderes, os riscos se
estabelecem. É tolice ficar parado sem fazer algo, porque esse algo
é arriscado. O melhor é termos um bom trabalho de supervisão e
corrigirmos os possíveis desvios, assim que eles forem detectados.

Resistência à multiplicação
Depois que uma célula cresce, começa a haver uma certa
resistência quanto à sua multiplicação. O grupo passa a se reunir,
não numa roda, mas em bancos enfileirados. Compra-se um púlpi-
to, retroprojetores, e as reuniões se descaracterizam. Uma congre-
gação não deve ser fruto de uma célula que resistiu à multiplicação.
Qualquer célula que se recusa a multiplicar deve ser encerrada.
Inimigos da visão 135

Critérios altos para se constituir líder


Colocamos como líder uma pessoa que, mesmo sendo re-
cém-convertida, seja cheia do Espírito e tenha feito os cursos de
treinamento. Além disso, cremos que um líder deve demonstrar
pelo menos quatro características: ser submisso, ensinável, transpa-
rente e tratável.

Falta de alvos
O objetivo final das células é dar à igreja uma estrutura para
controlar o crescimento. Se a liderança não tem uma visão de cresci-
mento, as células perdem a razão de existir. Sem visão não há projeto,
sem projeto não há alvos e, sem estes, ficamos à deriva. Isso acontece
poruqe não teremos um rumo para seguir. Se desejamos células, pre-
cisamos pensar em termos de multiplicação, e não mais em adição.

Divisão
Um povo dividido não constitui ameaça para o inferno, e mui-
to pouco pode realizar para o reino de Deus. A falta de unanimidade
é uma brecha terrível e deve ser eliminada a qualquer preço.

Células como um evento


Não é possível conciliar as células com muitas programações
semanais. Em geral, as pessoas preferem os grandes eventos às reuni-
ões dos grupos. Isso é absolutamente natural. Por isso, não deve ha-
ver concorrência com as reuniões de células. Quando as células são
apenas mais uma atividade da igreja, essa situação será muito fre-
qüente e logo as células definharão.

Imediatismo
Precisamos ser cautelosos quando colocamos alvos de multi-
plicação para as células. Um alvo exageradamente alto, influenciado
pelo nosso imediatismo, pode ter efeito contrário ao desejado. Em
vez de estimular, pode trazer prostração. Antes de estabelecer alvos,
devemos pedir discernimento ao Senhor e ouvir os nossos liderados.

Modismo
Precisamos ter consciência de que as células são, antes de tudo,
uma orientação bíblica, que tem demonstrado ser muito funcional
136 Manual da Visão de Células

em todo o mundo. Elas são uma estratégia para a edificação da igre-


ja. E somente funcionarão se tivermos clareza sobre o que significa
edificar a igreja. Se não sabemos como edificar a igreja, as células
serão uma boa ferramenta, mas inútil. Isto é modismo: quando co-
piamos um método, sem entender a sua finalidade.

Líderes destreinados
Um grande impedimento para o crescimento dos grupos é a
falta de treinamento adequado para os líderes. Um líder precisa de
um treinamento básico. Multiplicar células é multiplicar líderes! Se os
líderes não são treinados, as células morrem.

Indisciplina
Uma situação relativamente comum é quando a célula dege-
nera o conceito de reunião e se transforma numa constante festa. A
reunião da célula é um momento de ministração e deve ser preserva-
da a todo custo. O oposto também pode acontecer, quando o líder,
demasiadamente zeloso pela espiritualidade da célula, anula qual-
quer tipo de festa. Não podemos ter a célula que faz de cada reunião
um evento festivo. Entretanto, a célula que retira a comemoração da
dimensão da sua espiritualidade está condenada a morrer.

Falta de um líder-em-treinamento
O treinamento mais apropriado é aquele feito pelo discipulado.
O líder-em-treinamento é mais do que um ajudante do líder, é al-
guém que está aprendendo, com o objetivo de assumir a liderança. É
um discípulo! Se esta visão for ignorada, o resultado será que, em
duas ou três gerações, a visão se perderá.

Preletores de fora
Ao líder é proibido convidar preletores de fora sem o consen-
timento do pastor de rede. Muitas vezes, esses tais preletores são
lobos mercenários, buscando devorar o rebanho e roubar a sua lã.
Pessoas de fora costumam ensinar padrões diferentes e até contrári-
os ao ensino da igreja local. Isso produz confusão entre os membros.
Os líderes podem não perceber tais ensinos errados, por inexperiência.
Por isso, somente o pastor tem autoridade para convidar um prega-
dor de fora.
Inimigos da visão 137

Multiplicação tardia
Quando uma célula atinge 15 pessoas, ela deve se multiplicar
rapidamente. O discipulador e o líder devem planejar a multiplicação
com bastante antecedência, para que, no momento de executá-la, a
célula já tenha o novo anfitrião e o novo líder.
Quando tarda a multiplicação, as pessoas começam a ficar
inconstantes nas reuniões, a estrutura da casa entra em colapso e já
não há lugar para todos. Não há como todos participarem do
compartilhamento e a reunião fica muito parecida com o culto de
domingo. Já não há um apascentamento adequado e os membros
ficam acomodados.

Competições entre células


Naturalmente, os participantes de uma célula tendem a de-
senvolver um ambiente de equipe e passam a encarar os alvos de
multiplicação como uma competição entre grupos. A competição é
um meio de interação que não deveria ser estimulado na igreja. O
ambiente das células deve ser de cooperação mútua. A competição
produz separação e, eventualmente, discórdia.
Aqueles membros que vivem trocando de célula, fazendo com-
paração entre elas, podem se tornar um instrumento de Satanás para
produzir competição. Portanto, devem ser seriamente exortados. Os
discipuladores também podem vir a desenvolver este espírito, por
desejarem mostrar aos pastores o quanto são melhores e mais com-
petentes que os outros. A competição mina a base da visão!
Resolvendo problemas na célula

Cada líder enfrentará diversos problemas durante a


reunião e na vida da célula. Normalmente, serão
pessoas que, pelas suas atitudes, tenderão a obstruir
o fluir de Deus na célula.

Para proteger os membros e manter a integridade da célula, o


líder deve restringir essas atitudes em amor. Precisa estar ciente de
que ele está ali, confirmado pela autoridade que lhe foi dada pelo
presbitério da igreja.

O membro pecaminoso
A Palavra de Deus diz, em 1Coríntios 5.13, que devemos ex-
pulsar, de entre nós o malfeitor. Deus é muito zeloso pela Sua santi-
dade e também é muito zeloso pela santidade da Igreja. Ele não
permitirá de forma alguma o pecado no meio do Seu povo. Cada
líder deve saber que não basta haver crescimento numérico, é preci-
so haver santidade!
Baseados em 1 Coríntios 5.11-13, dizemos que seis grupos de
pecados não podem ser tolerados:
• Impureza — inclui todos os pecados sexuais.
• Avareza — é o amor ao dinheiro.
• Idolatria — inclui feitiçaria, adivinhação, prognóstico, astrologia,
consulta aos mortos etc.
• Maledicência — inclui calúnia, difamação, infâmia, mexerico,
fofoca etc.
• Bebedice — toda embriaguez provocada por bebida alcoólica,
drogas ou remédios.
140 Manual da Visão de Células

• Furto — aqui, inclui-se: ladrão, assaltante, sonegador, chanta-


gista etc.

Como lidar com o pecaminoso?


O membro faltoso deverá primeiro ser admoestado pelo ir-
mão que testemunhou ou tomou conhecimento do erro. Se o faltoso
ouvir e abandonar o erro, o pecado deve ser coberto.
Se o membro faltoso voltar a pecar, deverá ser admoestado
pelo líder da célula, em companhia da testemunha do pecado.
Caso o pecaminoso não mude de conduta e continue no pe-
cado, o líder deve entregar o problema para o discipulador, e este
para o pastor de rede. Caso o irmão não ouça também os pastores,
ele deverá ser convidado a se retirar da célula, até que resolva mudar
de vida.

O que se acha mais espiritual que os outros


O supercrente, certamente, tentará impressionar o grupo com
os seus dons e poderes especiais. Ele sempre discorre sobre passa-
gens bíblicas difíceis e assuntos polêmicos. E, se lhe deixarem falar,
provavelmente criticará o líder da célula, ainda que sutilmente, pro-
curando mostrar o quanto é mais capacitado e experiente.

Como lidar com esse tipo de membro?


Durante, o compartilhamento, o líder não deve encorajá-lo a
falar muito sobre suas experiências. Deve também procurar
redirecionar o assunto e dar oportunidade para outras pessoas opi-
narem. E, quando perceber oportunidade, deve conversar com a
pessoa em particular, mostrando-lhe os objetivos da célula e o quan-
to ela pode ser útil servindo os irmãos. Sutilmente, coloque-o para
servir em algo mais humilde, a fim de tratar com o seu Ego.

O que é discipulado, à distância, por líderes de outras


igrejas
Normalmente, esse membro estará sempre se referindo ao co-
nhecimento obtido fora da igreja local e assumindo uma atitude crí-
tica tanto em relação à célula, quanto ao líder. Tais pessoas podem
trazer confusão e, até mesmo, levar a célula a morrer.
Resolvendo problemas na célula 141

Como lidar com esse tipo de membro?


Não permita que alguém, com estas características, ensine na
célula, muito menos aos novos convertidos. Não admita críticas con-
tra a visão da igreja, nem comparações com o que acontece em ou-
tros lugares. Procure estar com ele a sós, e mostre-lhe a necessidade
de ter como discipulador alguém da liderança da igreja local, e não
pessoas de fora.

O pastor que vêm de fora


Depois que a igreja cresce, passa a atrair muitos pastores
desgarrados de outras igrejas. Geralmente, eles vão à célula e, su-
tilmente, resistem à autoridade do líder, tentando até mesmo con-
trolar a célula. Comumente, se utilizam do título de pastor para
causar impressão e ficam indignados quando não são reconheci-
dos como pregadores.

Como lidar com esse tipo de membro?


O líder não deve se intimidar com o título de pastor ostentado
pelo irmão. Ao contrário, deve procurar mostrar-lhe que ele é bem-
vindo à célula, mas somente será reconhecido como pastor ali, de-
pois que o presbitério da igreja reconhecê-lo. Cabe também ao líder
mostrar ao irmão que, em nossa igreja, valorizamos a função e não o
título. Por outro lado, o líder não deve permitir que ele monopolize a
Palavra, durante o tempo de compartilhamento.

O irmão muito falante


É aquele que procura monopolizar o tempo de
compartilhamento. Normalmente, opina sobre todos os assuntos, ain-
da que não os conheça a fundo. Conta longas histórias ou ilustrações
que não têm nada a ver com o que está sendo discutido e muda de
assunto o tempo todo. É muito imprudente em seus discursos: fala
de situações íntimas que não deveriam ser compartilhadas na célula
e geralmente mata a reunião quando abre a boca. Este tipo de irmão
atrai a antipatia dos outros, que passam, então, a rejeitá-lo.

Como lidar com esse tipo de membro?


O líder deve ajudar o irmão falante a se expressar, dirigindo-
lhe comentários do tipo: “Parece que você tem experimentado mui-
tas coisas, mas o que gostaríamos de saber é o que Deus falou com
142 Manual da Visão de Células

você hoje, nesta reunião”. Se ele persistir, em sua digressão, o líder


deverá confrontá-lo, dizendo: “Para que os outros também possam
compartilhar, por favor, resuma a sua conclusão em trinta segun-
dos.” O líder deve mostrar amor e paciência, sem rejeitar o irmão.

O antigo na igreja, mas que não lidera


Normalmente, as pessoas mais antigas, que não atingiram po-
sição de liderança, tendem a participar da célula de forma inconstan-
te e sem compromisso. Pessoas desse tipo, quando participam, são
difíceis de ser lideradas e sempre pensam que, por serem mais anti-
gas, devem ter uma posição diferente. Comumente, são saudosistas
e se referem ao passado como “os bons dias”. Por se referir ao passa-
do, como sendo melhor que hoje, tais pessoas produzem discórdia
na célula.

Como lidar com esse tipo de membro?


Não se deve dar nenhum tratamento especial a tais pessoas.
O líder deve enfatizar, constantemente, que tempo de igreja não
faz de ninguém líder. No tempo de compartilhamento, estimule o
irmão a falar sobre o que Deus está fazendo em sua vida hoje, e
quais são os seus alvos imediatos em Deus. Desafie-o a entrar na
visão e a ser um ministro!

O crítico da visão
Tais pessoas inicialmente serão muito sutis, mas no decorrer
do tempo expressarão suas opiniões acerca da liderança e da igreja.
Talvez apenas façam expressões de ironia e sarcasmo, quando algum
líder for mencionado na reunião. Estas pessoas, além de fazerem
com que um espírito de divisão e sectarismo penetre na célula, po-
dem também se tornar um tropeço na vida da igreja.

Como lidar com esse tipo de membro?


Quando ele expressar suas críticas, o líder deve dizer à célula
que todos têm liberdade para fazer suas críticas. Todavia, a célula
não é o lugar apropriado para isso. Quem tiver críticas e/ou sugestões
a fazer, faça-as pessoalmente aos líderes. Se o irmão insistir, diga que,
se todos concordarem, anotará as críticas e entregará pessoalmente
ao pastor principal. O líder deve mostrar aos irmãos que todos têm
Resolvendo problemas na célula 143

liberdade de dar sugestões construtivas e trazer novas idéias, mas que


as críticas negativas devem ser abolidas.

O anfitrião não hospitaleiro


O anfitrião é uma pessoa muito importante no contexto da
reunião da célula. Um anfitrião que freqüentemente esteja ausente
no dia da reunião pode ser um grave problema. Existem aqueles
que, pela idade e temperamento, tendem a manipular a célula e se
julgam no direito de falar o que bem quiserem, a qualquer hora.
Pessoas assim podem impedir o fluir de Deus nas reuniões e, conse-
qüentemente, destruir a célula.

Como lidar com esse tipo de membro?


O líder deve admoestá-lo amorosamente e mostrar-lhe o seu
papel na célula. Deve também conscientizá-lo tanto sobre o dom da
hospitalidade, quanto sobre os benefícios que, na Bíblia, são prome-
tidos aos que recebem a igreja na sua casa. Se os problemas continu-
arem, a única alternativa é mudar a célula de residência.

Crianças indisciplinadas
Esta é uma situação delicada, que o líder deve administrar
com muito cuidado e paciência. Uma repreensão pública pode ser
danosa e inibir os pais de levar os filhos à reunião. Por outro lado,
tolerar por muito tempo o problema pode causar muito desgaste
aos anfitriões.

Como lidar com esse tipo de membro?


Se os pais da criança forem novos na célula, todos devem exer-
citar a paciência e procurar contornar o problema, segurando as cri-
anças de uma maneira a demonstrar a insatisfação. Caso seja madu-
ro na célula , a melhor alternativa é uma orientação pública sobre o
problema. Separe uma reunião para falar sobre o papel de cada um
na célula e o dever dos pais de cuidar dos seus filhos.

A célula se recusa a multiplicar


Existem muitas causas para este problema. A primeira é que os
membros se tornaram confortáveis demais na companhia uns dos
outros. Eles se apegam fortemente a esses relacionamentos e não
querem deixá-los. Alguns chamam essa doença de koinonite.
144 Manual da Visão de Células

A segunda causa desse problema é que as pessoas experimen-


taram um grande mover na sua célula e agora temem que esse mo-
ver desapareça na nova célula.

Como lidar com essa situação?


Nas duas situações, a solução é relembrar a todos a visão da
multiplicação e mostrar-lhes a necessidade da salvação das vidas. To-
dos precisam estar cientes de que a unção é boa, mas que ela existe
para o propósito da multiplicação. A comunhão é boa, mas também
só tem sentido quando gera fecundidade e produz filhos.

Os membros não vão à celebração de domingo


Depois que uma igreja transiociona-se completamente para o
modelo de igreja em células, um fenômeno poderá ocorrer: as pes-
soas começarão a preferir as reuniões da célula às reuniões de cele-
bração aos domingos. Os motivos podem ser muitos, mas, o mais
comum é a distância. À medida que a igreja cresce, as células vão
ficando cada vez mais distantes. Às vezes, a causa é não haver estaci-
onamento no prédio da igreja, o trânsito ser ruim, os cultos muito
lotados e até mesmo o seu horário pode ser um problema numa
área particularmente perigosa.

Como lidar com essa situação?


O líder deve obervar se essa situação é fruto de descompromisso
com a igreja local. Se esse for o caso, os membros devem ser seria-
mente exortados. Todavia, se a causa for qualquer um dos motivos
mencionados, não há muito o que fazer. Toda igreja precisa crescer
em quantidade, qualidade e também em estrutura física.

Notas

STOCKSTILL, Larry. A igreja em células. Belo Horizonte: Betânia, 2000.


CHO, Paul Yonggi. Grupos familiares e o crescimento da igreja. São Pailo: Vida, 1982.
Vários, Manual do líder de célula. Curitiba: Ministério Igreja em células, 1995.
Por que a minha célula não cresce? 145

Por que a minha


célula não cresce?

Recusamo-nos a fechar células em nossa igreja.

Consideramos fechar uma célula uma grande derrota. Se


a célula não cresce, o discipulador e o pastor de rede precisam
acompanhar melhor a celula e observar os fatores que impedem
o crescimento.

Fatores que impedem o crecimento de um célula


1. O líder não ora
Monitore o tempo devocional do líder da célula. Joel Komiskey
diz que os líderes que investem 90 minutos ou mais em devocionais
diárias, multiplicam as suas células duas vezes mais do que aqueles
que investem menos do que 30 minutos por dia. Se o líder não ora,
não há multiplicação.¹

2. O líder não intercede pelos membros da célula


Os líderes que oram diariamente pelos membros da célula têm
maiores probabilidades de multiplicar suas células. O discipulador
deve fazer com que o líder carregue consigo uma lista com os nomes
dos membros da célula, levando-o a orar por cada um deles, todo o
tempo que lhe for possível.

3. Não há jejum
O discipulador deve programar uma campanha de jejum, de
pelo menos 21 dias, com os membros da célula que não se multipli-
cou depois de um ano inteiro. Não existem cadeias malignas que
resistam a um bom tempo de jejum e oração!
146 Manual da Visão de Células

4. O líder não se prepara para a reunião da célula


Investir tempo com Deus (preparar o coração para um encon-
tro da célula) é mais importante do que o preparo do estudo. Quan-
do o líder chega à célula com o coração aquecido e cheio de fé, o seu
grupo será contagiado e se disporá a atingir o alvo da multiplicação.

5. Os alvos não são devidamente estabelecidos


O líder que falha na fixação de alvos, dos quais os membros
recordem, tem 50% menos de probabilidade de multiplicar a sua
célula. Fixar alvos aumenta em 75% a probabilidade de multiplica-
ção. Cada discipulador deve checar se o líder tem lançado os alvos
com clareza e se os membros têm compreendido. Todos precisam
saber a data da multiplicação da célula.

6. O líder não foi bem treinado


Líderes de célula que foram bem treinados multiplicam suas
células com maior rapidez. Treinamento não é tão importante quan-
to a vida de oração do líder e a clareza de seus alvos. Todavia, quan-
do o líder não conduz a célula com segurança e firmeza, as pessoas
se sentem inseguras e não respondem adequadamente. O
discipulador deve reciclar e capacitar o líder.

7. O líder não visita


Líderes que fazem contato com cinco a sete pessoas novas por
mês têm 80% de probabilidade de multiplicar a sua célula. Quando
o líder visita somente uma a três pessoas por mês, as chances caem
para 60%. Líderes que visitam oito pessoas novas, ou mais, a cada
mês, multiplicam suas células duas vezes mais do que aqueles que
visitam uma ou duas vezes apenas.

8. Não há visitantes na célula


Líderes que encorajam semanalmente os membros a convidar
visitantes duplicam sua capacidade de multiplicar suas células, em
contraposição àqueles líderes que o fazem apenas ocasionalmente -
ou nunca. Se nunca houver visitantes na célula, não há como
multiplicá-la. Há uma relação direta entre o número de visitantes e o
número de vezes que o líder multiplica a célula.
Por que a minha célula não cresce? 147

9. A célula é muito formal


As células que têm seis ou mais encontros sociais por mês se
multiplicam duas vezes mais do que aquelas que têm apenas um ou
nenhum. Quanto mais a célula se parecer com uma família, ou com
uma equipe bem unida, mais facilmente ela se multiplicará. Grupos
festeiros e que gostam de estar juntos atraem pessoas como o ímã
atrai o ferro.

10. Não há cuidado pastoral


Visitação regular pelo líder aos membros da célula ajuda a con-
solidar a célula. Se um membro falta à reunião e o líder sequer faz
uma ligação para saber o que está acontecendo, fatalmente o mem-
bro se afastará.

11. O anfitrião não é hospitaleiro


Provavelmente, poucas coisas afetam tanto o grupo como um
anfitrião que não é hospitaleiro. Os visitantes se sentem constrangi-
dos e não voltam, os membros sempre estão entrando em atrito e o
ambiente da célula fica pesado. O melhor, nesse caso, é mudar a
célula de casa, imediatamente.

Sugestões práticas para tirar a célula da estagnação²


• Experimente levantar outro líder ou o líder-em-treinamento.
• Experimente mudar o anfitrião, mesmo sendo ele, aparente-
mente, um bom anfitrião.
• Tente transferir a célula de bairro.
• Experimente trocar o dia da reunião.
• Experimente mudar o horário da reunião.

Nem pense nisto! Não fechamos células!


Fechar uma célula é um acontecimento muito traumático.
Quando isso acontece, o líder e os membros da célula ficam com um
sentimento de fracasso e incapacidade. Isso pode afetar a fé deles
para uma nova tentativa.
Se não houver outro meio e a única saída for fechar, que se
faça da maneira mais discreta possível, como juntar uma célula a
outra, por exemplo.
148 Manual da Visão de Células

Cremos que não é apropriado colocar sobre o líder e a célula


a pressão esmagadora de “multiplicar ou fechar”. Precisamos fazer
como Jesus, na parábola da figueira. Precisamos dar tempo para que
o líder e a célula frutifiquem. Em Lucas 13.6-9, o prazo que o Senhor
deu para a figueira frutificar foi de quatro anos. Nossa visão é multi-
plicar cada célula uma vez por ano, mas precisamos ser pacientes
como o Senhor foi com a figueira.
Se as células que fecham são iguais em número às novas que
são abertas, então não temos crescimento real. Fechar uma célula
deve ser a última possibilidade a passar pela cabeça de um líder,
discipulador ou pastor.

Notas

¹KOMISKEY, Joel. O crescimento explosivo da igreja em célula. Curitiba: Ministério


Igreja em Células, 1998. Penso que é o melhor livro sobre o crescimento e a multipli-
cação da célula.
²MOREIRA, Dinamárcia F. B. Igreja em células. Profetizando Vida, 2000.
A célula infanto-juvenil 149

A célula infanto-juvenil

Por Márcia Silva Ribeiro

Criança não dá trabalho, dá frutos! Ensine as crinaças


evangelizar. Faça delas agentes do reino de Deus.

A melhor maneira de você se interessar por um assunto é identi-


ficando-se com ele! Como eu poderia me identificar com crianças, se
elas não tem nada a ver comigo?
Talvez seja esta a primeira vez que você se faz esta pergunta. Em
todo caso, deixe-me dar-lhe três razões pelos quais este assunto não é
direcionado apenas aos líderes de crianças, mas a todos quantos se
interessarem pelo reino de Deus.
Em primeiro lugar, ainda que elas lhe sejam indiferentes, Deus
age de modo totalmente contrário. Para Ele, as crianças são inco-
mensuravelmente importantes. A própria Bíblia as trata de uma for-
ma especial. Se elas são objeto do enfoque bíblico, não há nenhuma
razão para dúvidas: é um assunto importante. E se é importante para
Deus, deve ser importante para nós também.
Em segundo lugar, ser “perfeito” é uma virtude que só Jesus
teve. No entanto, Ele próprio se referiu certa vez a um ato humano
considerado perfeito aos olhos de Deus: o perfeito louvor extraído
da boca de pequeninos e crianças de peito (Mt 21.16).
Houve alguma ocasião em que Deus fez uma declaração se-
melhante sobre você? Neste caso, ou você tem algo em comum com
as crianças ou, então, algo a aprender com elas.
Em terceiro lugar, Jesus — o nosso modelo de vida, de lide-
rança e de caráter — usou uma criança como modelo para ensinar
aos discípulos sobre o tipo de pessoa que agrada a Deus.
150 Manual da Visão de Células

Se criança é um assunto importante para Deus, se elas con-


seguem agradar o padrão perfeito de Deus e se Ele diz que elas são
modelo para nós, quem somos nós para discutir com Ele? O me-
lhor que temos a fazer é começar a olhá-las da mesma forma como
Deus olha e tratá-las da forma como Ele próprio as trata e nos
ordenou tratar.

Como Deus nos manda tratar as crianças?


A resposta vem logo a seguir, em forma de mandamentos. Antes
de expô-los, é importante esclarecer duas coisas:
• Os mandamentos foram dados por Deus, no Velho Testamento,
para expressar o próprio Deus: aquilo que Ele é e a Sua maneira
de agir. Deus é santo e justo, por isso, Seus mandamentos ex-
pressam Sua santidade e justiça.
• Os mandamentos elaborados para as células de crianças expres-
sam o padrão do líder, tanto no ser quanto no fazer. Mas, desde
já, garantimos-lhe uma coisa: não tente cumpri-los com seu pró-
prio esforço. É algo tão impossível quanto cumprir os primeiros
mandamentos do Velho Testamento. Entretanto, se você de-
pender de Deus, aí, sim, você cumprirá cada um deles, pois
Jesus mesmo disse: sem mim, nada podeis fazer. (Jo 15.5)

Os 10 mandamentos da célula de crianças e juvenis


1. Veja as crianças da mesma forma como Deus as vê.
A visão é ganhar essa geração e também a próxima!

2. Receba-as como se elas fossem a própria Pessoa de Jesus.


Receba com o melhor!

3. Não seja tropeço a elas.


Seja o primeiro a abrir-lhes o caminho até Jesus.

4. Ame-as como Jesus as amou.


Invista tempo com elas!

5. Valorize as habilidades das crianças.


As pessoas são sempre mais importantes do que as coisas.
A célula infanto-juvenil 151

6. Supra as suas necessidades espirituais.


Crianças também fazem parte do corpo.

7. Toque o coração delas com a unção.


Ministre com Vida!

8. Não desista delas.


Persevere até ver os resultados!

9. Identifique-se com elas.


Torne-se como uma criança!

10. Transforme-as em agentes do reino.


Crianças não dão trabalho, elas dão frutos.

1. Veja as crianças como Deus as vê


Deus sempre trabalha “de geração para geração”. Desde o
princípio, quando Ele disse: “multiplicai-vos”, Ele via as crianças tra-
zendo dentro de si o potencial para multiplicar-se à Sua imagem e
semelhança. Foi o próprio Deus quem ordenou para ensinar-lhes
enquanto fossem pequenas, pois Ele sabia o que elas poderiam fazer
quando crescessem. Por isso, nosso encargo é alcançar tanto esta
quanto a próxima geração.
Esta é a nossa visão: “Edificar uma igreja de vencedores, na
qual cada criança torne-se um líder e leve a igreja para as suas casas.
Assim, conquistaremos essa geração através das células!”
Quando nos reunimos nas células, o nosso propósito não é
dar entretenimento às crianças, e sim levá-las a conhecer Jesus, for-
mar nelas a Sua imagem e levá-las à multiplicação.
Como isso é possível? Seguindo os mesmos passos da vida da
igreja e adaptando-os ao contexto infanto-juvenil. Esses passos são:
a comunhão, a edificação, o serviço e o evangelismo.Vejamos como
isso acontece na prática?

a. A comunhão
Visa a atrair as crianças à célula, através de um ambiente fami-
liar. Conseqüentemente, elas também estarão sendo atraídas a Jesus.
152 Manual da Visão de Células

A faixa etária das crianças com as quais trabalhamos nas célu-


las é entre 5 e 12 anos de idade. A maioria delas gosta de fazer parte
de uma turma, principalmente os maiores. A comunhão é o ponto
forte de uma turma. Enturmando-se, elas se sentirão mais à vontade
e, assim, o alvo será alcançado.
A Bíblia diz que esse estilo é bom:

...como é bom que os irmãos vivam em união. (Sl 133.1)

b. Comunhão é viver unido com os irmãos


Para estimular a comunhão, o líder deve promover eventos
especiais com a célula. Por exemplo: “A noite do pijama”, “Uma tar-
de no shopping” etc. As crianças amam isso!

c. Edificação
Edificar é fortalecer. Isso acontece através da Palavra liberada
pela boca do líder e também de uns para com os outros. O líder
deve ensinar as crianças a declararem a Palavra, sozinhas e também
em grupo.
Edificar visa também “formar uma mentalidade de filho de
Deus”. Edificar é construir. Forme nas crianças uma mentalidade de
filho de Deus, isto é, de vencedor!

d. Serviço
Visa inserir a criança na vida normal da igreja. O sentido espi-
ritual de corpo é que cada membro sirva uns aos outros, de acordo
com a função de cada um. Um dedo mindinho é pequenino, mas é
muito importante para o corpo. Assim também são as crianças: ape-
sar de pequenas, podem e devem servir ao Corpo de Cristo.
As crianças devem crescer, aprendendo a fazer isso. Comece
com coisas simples, tais como: servir o lanche, manter limpo o
lugar de reunião etc. Depois, elas estarão abertas para novos desa-
fios. Lembre-se: Quem aprende a ser fiel no pouco, certamente o
será no muito.

e. Evangelismo
O objetivo final é dar frutos. Primeiro, elas devem alcançar
outras crianças, vizinhos, colegas da escola e amigos, depois, os fami-
liares. O líder deve ensiná-las como falar de Jesus às outras pessoas.
A célula infanto-juvenil 153

Marque, com antecedência, eventos evangelísticos e mobilize


toda a célula para orar e jejuar. No dia programado, elas poderão pra-
ticar o que aprenderam através de testemunhos, encenações teatrais,
músicas etc. Esses eventos alcançam tanto crianças quanto adultos.
Uma boa sugestão para o evangelismo é comemorar os ani-
versários na célula, especialmente daquelas crianças cujos pais ainda
não se converteram. Nem sempre evangelizamos pregando, mas
podemos fazer isso expressando o amor de Deus.

2. Receba-as como se fossem o próprio Senhor Jesus


Jesus disse que devemos receber as crianças:

E quem receber uma criança, tal como esta, em meu


nome, a mim me recebe. (Mt 18.5)

Receber significa mostrar-se aberto a um relacionamento. É


importante que as crianças se sintam aceitas na célula. Se elas assim
se sentirem, certamente elas se sentirão como parte dela.
Jesus acrescentou que deveríamos recebê-las como se estivés-
semos O recebendo! Se fôssemos receber a Jesus, como O receberí-
amos? Certamente com o melhor. É assim que devemos receber as
crianças: com o melhor que nós temos. Isso implica em termos um
lugar limpo e decente, investirmos em material para a célula, prepa-
rarmos a reunião com antecedência, colocarmos cartazes de boas
vindas, orarmos pela reunião e pelas crianças.
O melhor de uma célula pode não ser o mesmo para outra.
Mas o importante é que todos façam o melhor dentro de sua realidade.

3. Não seja tropeço para as crianças

Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes


pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se
lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho,
e fosse afogado na profundeza do mar. (Mt 18.6)

Isso acontece quando se coloca empecilho no caminho delas,


impedindo-lhes o acesso a Deus. A reunião da célula de crianças e
de juvenis é tão importante quanto a de adultos. Nada deve impedir
que ela aconteça.
154 Manual da Visão de Células

Tenha muito cuidado com a sua atitude em relação a essa ques-


tão, pois a célula nunca é neutra. Ela pode ser um canal para levar
uma criança a Deus e firmá-la em seus caminhos, como também
pode tornar uma criança indiferente à Palavra de Deus.
O desprezo da parte daqueles que deveriam ser os primeiros a
liberar o caminho tem sido a maior pedra de tropeço para conduzir
as crianças a Cristo. Desprezo é a atitude de ignorar o outro, não
fazer caso, não dar importância. Essa tem sido a atitude de alguns
pais, líderes de crianças e, até mesmo, pastores em relação ao traba-
lho infanto-juvenil nas igrejas.
Aos que assim procedem, o Senhor Jesus faz esta advertên-
cia: Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos. O líder
deve ser o primeiro a mudar. Como? Valorizando a célula, cuidan-
do e protegendo as crianças de tudo que vem para destruí-las,
escandalizá-las e impedir-lhes de ter um encontro verdadeiro com
Deus. É dever do líder incentivar os pais das crianças a investirem e
participarem desse trabalho.

4. Ame-as como Jesus as amou

...se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou


como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom
de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência;
ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar
montes, se não tiver amor, nada serei. (1Co 13.2)

Toda obra de Deus deve ser feita com amor. Guarde estas
duas maneiras bem práticas de expressar o amor de Deus às crianças
na célula:

a. Seja paciente
Para lidar com crianças, é preciso paciência. E paciência é uma
pessoa: Jesus! Por isso elas gostavam de ficar perto dEle. Criança gos-
ta de ficar perto de gente alegre. Jesus, com certeza, era alegre e
sorridente. O líder deve ser assim também. Portanto, do mesmo modo
como Jesus se relacionou com as crianças, relacione você também.
Se você conquistar o coração das crianças, poderá influenciá-
las com a Palavra de Deus. A seguir, damos algumas sugestões que o
ajudarão a atingir esse objetivo.
A célula infanto-juvenil 155

Gaste tempo com elas


Jesus expressou seu amor pelas crianças ao gastar Seu tempo
com elas. Líder, o seu tempo não é mais valioso do que o de Jesus!
Portanto, invista e valorize seu tempo na reunião de célula. O ideal é
que a reunião dure uma hora, não mais que isso.
É bom lembrar que a célula existe todo o tempo, além do perío-
do da reunião. Por isso, o relacionamento entre o líder e as crianças
deve estender-se além da reunião.

Ouça o que elas têm a dizer


Para desenvolver um relacionamento de amor, você precisa
aprender a ouvir. Mostre preocupação com os problemas e dificul-
dades delas.
Na reunião da célula, o compartilhamento é o momento mais
importante pois, através do que a criança fala, você pode conhecê-la
melhor. Então, ouça-a.

Toque-as com o toque de Deus


O toque é uma expressão de amor. Normalmente, as crianças
gostam de ser tocadas. Ao fazer isso, faça com respeito e carinho.
Toque-as como se fossem seus filhos!
Existe um provérbio que diz: Diga-me, e me esquecerei. Mos-
tre-me, e talvez eu me lembre. Envolva-me, e compreenderei.

Ore com elas e abençoe-as


Abençoar é um ato de amor. É importante que o líder, antes
de orar abençoando, ore intercedendo. Intercessão é colocar-se no
lugar daquele por quem você intercede. Ore pelas crianças, para
que elas conheçam a Deus e sejam sensíveis ao Espírito Santo. Ore
também pelas famílias delas.
Depois, ore abençoando-as. Faça isso com elas e as deixe ou-
vir. Declare que elas são crianças inteligentes, obedientes, amadas,
preciosas e que serão cheias do poder de Deus. Ao fazer isto, você
estará ligando o céu à terra, isto é, trazendo à existência o propósito
de Deus para elas.

b. Mantenha a disciplina
Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim
de sermos participantes da sua santidade. (Hb 12.11)
156 Manual da Visão de Células

Onde existe a vida de Deus, há ordem! O líder deve manter a


disciplina, para que a vida de Deus possa se manifestar. A disciplina
visa ao aproveitamento, isto é, ao bem das crianças. Do contrário,
elas mesmas serão prejudicadas. O único interessado na indisciplina
é o diabo.
Mantenha um quadro na parede, com as regras escritas em
letras grandes e faça-os lembrar delas, se precisar. A disciplina depen-
de muito de como é conduzida a reunião. Portanto, seja criativo. A
seguir, damos algumas sugestões simples e práticas:
• De vez em quando, sente-se no chão com elas.
• Use uma linguagem clara, que elas entendam bem. Uma men-
te dispersa pode levar à indisciplina.
• Seja espontâneo e alegre. Evite chamar-lhes a atenção, a todo
instante (isso traz peso à reunião). Lembre-se: o ideal é elogiar
em público e repreender em particular.
• Tenha sempre à mão algo interessante, que possa prender a
atenção das crianças, enquanto você fala. Pode ser uma gravura,
ou algo relacionado com a lição. As crianças têm a capacidade
de prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo.
• Deixe-as participar. Você pode passar a mensagem, enquanto
brinca com elas.

5. Valorize as habilidades das crianças


As crianças são, normalmente, ativas: gostam de fazer uma
série de coisas. O líder deve explorar essas habilidades naturais para
ensinar-lhes princípios espirituais. Portanto:
• Descubra aquilo que elas gostam e que sabem fazer.
• Deixe elas perceberem que você realmente aprecia aquilo que
elas fazem. Um dos papéis do líder é ser um motivador.

As crianças são muito criativas: gostam de inventar coisas.


Portanto:
• Deixe que elas expressem com desenhos, pinturas e trabalhos
manuais, como elas se sentem, ou o que aprenderam no dia.

Elas gostam de representar. Portanto:


• Estimule um grupo de teatro na célula.
A célula infanto-juvenil 157

Elas gostam de contar suas experiências. Portanto:


• Reserve uma reunião só para testemunhos. Não deixe de com-
partilhar com os adultos aquilo que Deus tem feito na vida delas.

Elas gostam de ler histórias. Portanto:


• Faça um plano de leitura bíblica específico para elas e deixe que
elas contem a história que leram.

Elas gostam de ouvir histórias. Portanto:


• O líder deve ser um bom contador de histórias. Uma boa histó-
ria pode despertar a sede e levá-las a conhecer mais sobre Jesus.

Além de habilidades naturais, as crianças possuem outras:


• Elas podem orar nas reuniões. Então, a cada reunião, escale duas
crianças: uma criança para conduzir o período de oração e outra
para declarar a Palavra.
• Elas podem orar com os enfermos. Leve-as a orar com outras
crianças enfermas e, depois, com os adultos enfermos também.
• Elas gostam de cantar. Cante com elas. Se não houver acompa-
nhamento de algum instrumento musical, use um CD. Estimule
a adoração. Foi através de um grupo de cantores mirins que
Jesus declarou ter sido expresso o perfeito louvor.

6. Supra as necessidades espirituais das crianças


Toda criança possui espírito, alma e corpo. Cada uma dessas
partes tem suas necessidades próprias. Toda criança tem necessida-
des espirituais, que devem ser conhecidas e supridas por aqueles que
trabalham com elas. Portanto, a criança precisa:
• Ter um conceito verdadeiro de Deus. Para que isso aconteça,
ela precisa conhecer o Deus da Bíblia, pois, quando a Bíblia
fala, Deus fala. O líder deve evitar usar frases prontas, do
tipo: Deus não gosta de criança que faz isso ou aquilo, pois
distorcem o caráter de Deus. Deus nunca deixa de amar uma
criança, porque ela fez algo de errado. Ele odeia o pecado,
mas ama o pecador.
• Saber que ela tem valor para Deus. A criança precisa saber que
ela é importante para Deus e que Ele quer morar dentro dela.
158 Manual da Visão de Células

• Saber que a Bíblia é a verdade e aprender a aplicá-la à sua vida.


Ela precisa saber que Deus é o autor da Bíblia e que Ele a escre-
veu porque queria que O conhecêssemos. A Bíblia mostra a
vontade de Deus para nós, por isso, deve ser obedecida.
• Saber que ela tem um inimigo. Ela precisa saber que existem
dois reinos: o reino do céu, onde Deus reina, e o reino do mal,
onde o diabo reina. Ela não precisa temer o diabo, porque
Deus está sempre com ela e, ainda, é maior e mais poderoso
do que esse inimigo. O diabo mata, rouba e destrói. Entretan-
to, Deus quer usar a própria vida da criança para destruir as
obras do diabo.
• Ela precisa conhecer e receber o plano de salvação. Todos pre-
cisam de salvação, que é gratuita. Para a criança ser salva, basta
crer e confessar a Jesus como seu Salvador e Senhor. Através
do novo nascimento, qualquer um — e não apenas a criança
— torna-se um filho de Deus. É a única maneira de viver com
Deus para sempre. Ela pode escolher, Deus não a força. Mas
essa escolha só pode ser feita nesta vida, não haverá uma ou-
tra oportunidade.

7. Toque o coração delas com a unção


A unção é a vida de Deus que flui através de você. Ela tem o
poder de transformar as pessoas. E as crianças também precisam
de transformação.
O coração é a porta de entrada e saída de toda pessoa. Se
você tocar o coração da criança, ela irá abri-lo para receber a Palavra
de Deus.
Não é por se tratar de crianças que a reunião tem de ser su-
perficial. Isso é um engano! As crianças não precisam de um anima-
dor de auditório, nem de alguém para distraí-las enquanto os pais
fazem alguma coisa. Elas precisam ter contato com a vida de Deus. E
esse líder de célula é o canal. As reuniões acontecem com o propósi-
to de transmitir vida de Deus a um grupo de pessoas carentes e se-
dentas, as crianças. Portanto, não fuja do alvo.
As crianças precisam nascer de novo. Por isso, pregue o Evan-
gelho a elas, faça apelos, leve-as a confessar a Jesus Cristo como Se-
nhor e Salvador de suas vidas.
Elas precisam de transformação na alma, e isso só acontece me-
diante a Palavra. Fale a Palavra de Deus e aplique-a à vida das crianças
A célula infanto-juvenil 159

— isso tem poder! A Palavra é viva! Ensine-as a viver com Deus no dia-
a-dia: Influencie-as a orar, ler a Bíblia, obedecer e desejar agradar a
Deus. Para isso, você, líder, precisa ser alguém que vive e conhece a
Deus. Por quê? Porque as crianças receberão aquilo que você der a
elas. Se o que você tem for só aparência, de nada adiantará. Enfim,
não dependa de um manual, dependa do Espírito Santo.

8. Não desista delas!

É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma.


(Lc 21.19)

A palavra-chave para o líder é determinação. Isto é, decidir


continuar até atingir o objetivo. Por isso, o líder deve sempre estar:
• Determinado a vencer os testes. Muitos líderes de crianças de-
sistem na primeira dificuldade. Lembre-se: dificuldades,
freqüentemente, são testes, sob a permissão de Deus, para nos
aprovar. Então, persevere e responda a Deus.
• Determinado a vencer as resistências. Você luta contra um ini-
migo determinado, o diabo, mas se você resisti-lo, a sua deter-
minação prevalecerá. Resistências são vencidas com oração, per-
severança no trabalho e exercício de autoridade no mundo espi-
ritual. Deus deu autoridade ao líder para agir no lugar dEle. Ao
orar, ordene que o diabo solte as crianças, a sua célula, a multi-
plicação etc. Essas crianças são tesouros preciosos, não deixe
que o diabo as roube de suas mãos.
• Determinado a vencer os desafios.Os testes e resistências são
desafios que nós não escolhemos, mas temos de enfrentar. Os
alvos, porém, são aqueles desafios que nós mesmos estabele-
cemos. Ao estabelecer alvos, determine aquilo que você quer
ver e alcançar. Seja específico e estabeleça alvos para o mês, o
semestre e o ano. Mas não se esqueça de envolver as crianças
neles. Crie estratégias para alcançá-los. Lembre-se de sonhar
grande, porque o seu Deus é muito grande! Ele é o maior inte-
ressado em que a sua célula permaneça e dê frutos!
• Determinado a manter o seu compromisso com as pessoas. Seu
compromisso começa com Deus, depois com os pastores e
discipuladores e, também, com as crianças. No dia da reunião
da célula, o seu compromisso principal é com as crianças, não
pode haver outro. O líder não deve desmarcar a reunião da
160 Manual da Visão de Células

célula, a menos que seja inviável. Quando o líder deixa de ir à


reunião, por displicência, ele estará passando a mensagem de
que nem as crianças, nem os seus líderes são importantes. Esta-
rá dando um mau exemplo de liderança à elas. Um líder que
tem compromisso jamais abandona sua célula. Compromisso é
sinônimo de responsabilidade. O líder é responsável tanto pelo
sucesso, quanto pelo fracasso da célula.
• Determinado a vencer o desânimo. O desânimo é a ferramenta
mais eficaz que o diabo usa para nos paralisar. Cuidado com ela!
A maneira mais comum de sermos atingidos pelo desânimo é
através de palavras de desencorajamento.

Conta-se que, certa vez, uma formiguinha decidiu subir um


monte muito alto. Durante o trajeto, ela encontrou outras formigas,
que tentaram dissuadi-la de alcançar o topo do monte.
É melhor você parar e voltar — disseram-lhe.
Você nunca conseguirá chegar ao topo. Este monte é muito
alto. Volte!
A formiguinha, porém, continuou assim mesmo. Logo a se-
guir, apareceu outro grupo e, entre eles, mais conselheiros.
Você é muito pequenininha — disse-lhe uma operária, às vol-
tas com um enorme torrão de açúcar. Não vai chegar lá em cima.
Olhe as suas perninhas. — Agora era um robusto soldado,
chamando-a à razão. São tão fininhas, uma sonora gargalhada soou,
sarcasticamente.
Você não vai agüentar — continuou o defensor do ninho.
— Desista!
Ela, porém, continuou. De repente, olhando para o alto, viu,
lá no topo, outra formiguinha. Então, ela se voltou para os outros
membros da colônia e perguntou:
Uai! Se é tão difícil assim, como é que aquela formiguinha
chegou lá?
Ah! Você não sabe? Ela é surda!
Moral da história: Decida-se a respeito daquilo que você quer
ouvir e daquilo em que vai acreditar. Existe um tipo de declaração
pessimista, que vem só para desanimar. Por isso, recuse-se a ouvir
A célula infanto-juvenil 161

esses relatórios negativos. Firme-se na Palavra de Deus e mantenha


os olhos fixos nos alvos.
Nosso alvo é consolidar as crianças e firmá-las na igreja. Toda
criança na faixa etária entre 11 e 12 anos deve ser preparada para o
batismo. O líder deve esforçar-se para levá-las ao Encontro e, logo
após, batizá-las, inseri-las na célula como líderes-em-treinamento.
Além da consolidação, visamos também a multiplicação de células,
que deve ocorrer simultaneamente a multiplicação dos adultos. No
capítulo 10, você encontrará instruções sobre os procedimentos para
a multiplicação de células.
• Determinado a ver um milagre. Tenha certeza de uma coisa: A
menos que Deus realize um milagre, você fracassará! Por isso,
volte os seus olhos para o Senhor, porque dEle vem o seu socor-
ro. A única garantia de que você jamais fracassará é a interven-
ção de Deus. Trabalhe sempre com a expectativa de que o seu
trabalho é fruto de um milagre de Deus.

9. Identifique-se com as crianças


O líder de criança deve tornar-se como uma criança! Como?

a. Seja alegre
A alegria é uma característica própria das crianças. Elas gostam
de coisas alegres: o ambiente (decore-o), as histórias, as músicas etc.
Alegria se traduz em bom humor. O líder de crianças deve ser uma
pessoa bem-humorada. Sendo assim, as crianças certamente vão
querer ficar perto de você. Explore ao máximo essa virtude e você
terá uma célula forte. Pois é na alegria que está a sua força!

b. Seja espontâneo
Ser espontâneo é ser livre! Você pode seguir cada passo do
manual e, mesmo assim, ser livre. A sua espontaneidade deve estar
na sua expressão. Ser espontâneo é ser criativo. Use a sua criatividade
e brinque com as crianças!

c. Seja dependente
A crianças são as pessoas mais dependentes que existem.
Aprenda com elas a depender de Deus, e certamente você irá alcançá-
las com muito mais eficácia.
162 Manual da Visão de Células

10. Transforme-as em agentes do reino


O verdadeiro líder é aquele que consegue despertar nas pes-
soas aquilo que elas têm, mas não sabem!
As crianças têm um grande potencial, do qual elas não têm
conhecimento. A melhor maneira de começar é formando nelas uma
identidade de vencedor. Mostre, então, que este é o perfil de um
agente do reino:
• Ele é um vencedor — alguém que obedece a Deus.
• Ele é alguém que trabalha com Deus. Por isso, é chamado de
agente do reino, pois conhece os planos de Deus.
• Ele é um guerreiro. Ele luta contra o pecado — que nos separa
de Deus, contra o mundo — que só tem ilusão, e contra o
diabo, que engana e mente.
• Ele é alguém que agrada a Deus. Conte histórias de pessoas que
enfrentaram desafios, que venceram e que agradaram a Deus.
Diga-lhes que elas também vencerão.
• Um agente do reino é alguém que ora! Cremos que Deus quer
levantar uma geração de intercessores, mas para que isso acon-
teça, primeiro precisamos ensiná-las a orar.
• O vencedor realiza os sonhos de Deus. Plante sonhos no cora-
ção delas. Estimule o crescimento espiritual e estabeleça desafi-
os. Por exemplo: “Vamos ver quem consegue orar mais tempo
esta semana?” Ou então: “Este mês, a criança que ler mais
versículos do livro (escolha um livro da Bíblia) terá direito a um
lanche, no McDonalds”. Lembre-se: Você alcançará melhores
resultados, se associar os desafios, que visam explorar o poten-
cial, com a recompensa.

a. Crianças não dão trabalho, elas dão frutos


Estimule-as a testemunhar daquilo que Deus tem feito em suas
vidas. Uma criança de dez anos testemunhou que ganhou para Jesus
cinco amigas da escola e levou-as para a célula. Uma dessas se con-
verteu após a amiga cristã orar pelos pais dela, que estavam separa-
dos e, após um mês, eles se reconciliaram. Uma simples ação de fé
de uma criança pode salvar toda uma família.
As crianças, comumente, têm uma fé mais prática do que os
adultos. Mas elas precisam ser estimuladas a pregar. Líderes, vocês
têm um grande potencial nas mãos. Não o desperdice. Creiam e
vocês verão a glória de Deus.
A célula infanto-juvenil 163

As crianças são líderes em potencial. Inculque isso na mente


delas. Se elas acreditarem, no tempo certo estarão liderando e, as-
sim, nós teremos uma geração de líderes. Por isso, você deve man-
ter uma expectativa igual para com todas as crianças.Talvez, uma
criança que você pense não ter condições para liderar poderá tor-
nar-se um grande líder. Lembre-se: Nem sempre a resposta vem
rápido. Crescer leva tempo!
Gostaria de lembrar-lhes, ainda, que vivemos num país onde
metade da população é composta de menores de idade. Isso não é
por acaso, é providência de Deus. Nós podemos alcançar esta na-
ção, se alcançarmos as crianças.
Um querido homem de Deus disse, certa vez: Muitos estão
dispostos a perder a vida por causa de Jesus, mas poucos estão dis-
postos a perder a glória! Muitos não vêem glória nenhuma em traba-
lhar com crianças. Mas, afinal, de quem é a glória? A glória deve ser
apenas de um, daquele que merece toda a glória, honra e louvor:
Jesus Cristo ! Faça para Ele!

Conclusão
Na Videira, incentivamos o trabalho com as crianças. Temos
toda uma estrutura especial para elas, na célula infantil. As células de
crianças funcionam simultaneamente com as células de adultos. A
maioria delas funciona no mesmo dia e hora que a célula de casa-
dos, em outro local da casa, ou em outra residência.
As células de adultos, que não têm uma célula infantil paralela,
passam por dificuldades pelos seguintes motivos:
• Muitos pais deixam de ir à célula, pois não têm com quem dei-
xar as crianças e ficam constrangidos em levá-las, com receio
de que perturbem a reunião.
• Quando os pais levam as crianças e não há uma célula infantil, as
crianças ficam inquietas e passam a não querer mais ir à célula.
• Os anfitriões ficam incomodados com a bagunça e com o baru-
lho das crianças. Células com esse perfil chegam a fechar, pois
as reuniões não são produtivas.
• Muitos adultos pensam erroneamente que a célula é só para
adultos, e que as crianças precisam apenas ser entretidas com
alguma atividade.
164 Manual da Visão de Células

Temos um treinamento específico para preparar líderes de cri-


anças. Esses líderes estão ligados a discipuladores, os quais, por sua
vez, estão ligados à liderança geral das células.
Os grupos infantis também são cadastrados e prestam relatóri-
os. Na célula infantil, existe o mesmo acompanhamento e apoio que
também há na célula de casados e jovens.
Dicas para líderes de célula 165

Dicas para líderes de célula

Dicas de liderança
Você trabalhará melhor se planejar. Planeje as atividades de
sua célula no começo de cada mês. Organize um plano de atividades
para os quatro alvos da célula: comunhão, edificação, multiplicação
e serviço.
Faça uma lista de bons livros (peça uma indicação para o seu
discipulador ou pastor). Estabeleça como alvo lê-los durante o ano. A
leitura vai alargar a sua visão.
A liderança de uma célula é muito mais uma aventura lide-
rada pelo Espírito Santo do que uma técnica de estudos bíblicos
(Ralph Neighbour).
Você já marcou a data da multiplicação da sua célula? Líderes
que trabalham em função de alvos são mais bem-sucedidos. Divul-
gue a data para a sua célula e profetize a vitória!
Líderes que fizeram um bom curso de treinamento são mais
seguros e ousados para avançar com a sua célula. Estimule a todos
para que participem do Curso de Treinamento de Líderes.
“A unção está na visão.” Seja fiel e coerente com a visão da
igreja e você será participante da unção que está na visão celular!
“A unção está no propósito.” Se você se mantém fiel ao propó-
sito de multiplicação, o Senhor lhe honra!
Tenha uma atitude positiva e confiante em Deus! As pessoas
desejam andar com vencedores, os quais pisam na cabeça do diabo.
Líderes que oram e visitam incomodam o inferno. Aprenda a
suportar as pressões que vêm! Não se deixe intimidar pelo inimigo!
Fracassos fazem parte da vida, aprenda com eles! Para um
homem de Deus, o fracasso é momentâneo e a vitória é definitiva!
166 Manual da Visão de Células

Cada crente recebeu uma unção para multiplicação e


fecundidade. Creia nisso e creia na multiplicação da sua célula! (Cesar
Castellanos).
Ame os membros da célula! Jamais fale deles de forma negati-
va ou desdenhosa. Trate-os como vencedores, e eles responderão
como tais.
O seu sucesso como líder de célula não depende do que você
é, mas do que você faz. Quem visita e consolida, multiplica.
Um líder que demonstra continuamente que Deus fala com
ele, adquire reconhecimento e autoridade espiritual. Não despreze
seu tempo devocional!
Os membros da célula sabem quando será a próxima multipli-
cação? Trabalhe em função de um alvo! Líderes orientados por alvos
são líderes bem-sucedidos.
Se você estiver entusiasmado, a sua célula avançará. Motiva-
ção é contagiante! Líderes entusiasmados com o Senhor levantam
células fortes.
Valorize a reunião da célula! Ore para que ela seja forte e
inspiradora. Reuniões vivas são explosivas e tocam no coração dos
visitantes.
Não busque a multiplicação apenas por realização pessoal ou
por vaidade. Deus nos abençoa quando nossos motivos são puros.
Delegue funções e responsabilidades para cada membro da
célula, mesmo que seja algo bem simples. Isso produz compromisso
e seriedade entre todos.
Deus é especialista naquilo que é humanamente impossível!
Não olhe para os seus próprios recursos. Dependa do poder de Deus
e você multiplicará a sua célula.
Ter um líder em treinamento é vital para a multiplicação da
célula. Defina rapidamente quem são e treine-os para fazer o que
você faz.
A maneira de treinar um líder em treinamento é simples. Você
faz e ele vê. Em seguida, você o ensina a fazer. Depois, ele faz e você
observa. Por último, você o envia para fazer sozinho.
Treine o novo líder. Antes de cada reunião, diga-lhe tudo o
que você pretende fazer e explique o porquê do plano.
Dicas para líderes de célula 167

Treine o novo líder. Depois de cada reunião, troque idéias com


ele sobre o que aprenderam a respeito do que aconteceu na reunião.
Treine o novo líder. Troque idéias com ele sobre como resolver
os problemas que surgem na célula.
Treine o novo líder. Trace todas as estratégias de atuação na
célula junto com ele. Permita que ele dê sugestões!
Treine o novo líder. Quando julgar que ele está pronto, deixe
que ele mesmo dirija as reuniões da célula.
Treine o novo líder. Avalie a forma como ele dirigiu a reunião.
Elogie-o e realce os seus pontos fortes.
Treine o novo líder. Durante o último mês, antes da multiplica-
ção da célula, deixe que ele coordene todas as atividades da célula.
Deixe que os membros o reconheçam.
Treine o novo líder. Sempre que for oportuno, deixe que ele
veja você aconselhando alguém. Explique a ele, depois, o porquê de
cada coisa.
Treine o novo líder. Deixe que ele o observe, enquanto ganha
outras pessoas para Cristo, e leve-o consigo sempre que for fazer
uma visita.
Treine o novo líder. Realizem juntos um jejum ou uma vigília
de oração. Ore pra valer! Deixe que ele o veja orando.
Treine o novo líder. Onde quer que você for ministrar, leve-o
junto com você.
O poder dos líderes está no poder de seus sonhos e na capaci-
dade de comunicá-los. Grandes líderes estão sempre prontos para
avançar. Mire sempre a multiplicação.
O líder de célula que não visita dificilmente se multiplicará.
Faça uma agenda de visitação e siga-a, criteriosa e diligentemente.
O bom líder de célula visita, aconselha e ora pelo rebanho
doente. O líder que se vê como um pastor terá muitas ovelhas que se
multiplicarão.
Líderes de célula eficazes procuram conhecer cada pessoa que
entra na célula. Ele dá atenção a todos, indistintamente, e não se
limita a um pequeno grupo.
Um verdadeiro líder de célula tem um coração de pastor. Ele
não desiste das ovelhas que abandonaram a célula. O segredo da
multiplicação é fechar a porta de trás.
Se você for fiel em cuidar bem das ovelhas que Deus lhe deu,
Ele, com certeza, confiará muitas outras aos seus cuidados.
168 Manual da Visão de Células

Não se preocupe com a reunião da célula, antes, priorize


as ovelhas. Alimente-as e proteja-as, a sua célula crescerá saudá-
vel e fecunda.
O bom líder não é um mestre, um profeta ou um grande pre-
gador. O bom líder é aquele que é perito na arte de relacionar-se
com as pessoas (Ralph Neighbour).
Se você, como líder de célula, faz do desenvolvimento da lide-
rança o seu alvo supremo, você está a caminho de uma multiplicação
bem-sucedida da célula.
Não hesite em copiar de outros uma estratégia que funciona.
Os melhores líderes são os melhores tomadores de nota, os melho-
res perguntadores, os mais curiosos e os que têm mais “fome”.
As pessoas aprendem fazendo; por isso, envolva todos os mem-
bros da célula nas atividades.
Dê várias oportunidades às pessoas de sua célula. Não rotule
ou desista de alguém só porque falhou em trazer o lanche na últi-
ma reunião.
Não tema o fracasso! Líderes bem-sucedidos aprendem com
suas próprias falhas, tornando-se, em conseqüência, muito mais for-
tes. Desafie sua célula a crescer!
Para o líder bem-sucedido, o fracasso é o começo, é o tram-
polim da esperança. Aprenda com seus próprios erros! Nunca de-
sista! Se você não atingiu o alvo, tente novamente, e novamente,
e novamente...
O sucesso somente pode ser obtido por meio de fracassos
repetidos e avaliados. O sucesso é resultado de muitas tentativas
fracassadas.
A liberdade para cometer erros resulta em inovação e progres-
so. Tente coisas novas, idéias novas e maneiras novas de fazer as
mesmas coisas. A multiplicação pode estar depois da “esquina”.
Admita fracassos diante da célula. Não oculte os seus erros, e
desculpe-se sinceramente. As pessoas irão amá-lo e se sentirão livres
para ser gente.
Líderes de células bem-sucedidos vêem um líder em potencial
em cada membro da célula e investem tempo e fé para que isso se
torne realidade.
Você já marcou a data de multiplicação da célula? Líderes que
trabalham em função de alvos são mais bem-sucedidos. Divulgue a
data para a célula e profetize a vitória!
Dicas para líderes de célula 169

Estabeleça uma data para a multiplicação da célula e leve to-


dos a trabalhar em função dela.
Líderes que sabem bem a sua função e o que se espera deles
têm mais chances de multiplicar as células.
Líderes que falham em fixar alvos de crescimento para a célula
têm menos chance de multiplicação.
Você já recebeu imposição de mãos do seu pastor, para rece-
ber a unção de transferência? Você pode ser participante da unção
do seu pastor.
Sem visão, o povo perece. Não permita que a visão das células
se apague! Reafirme sempre que cada crente é um ministro e cada
casa, uma extensão da igreja.
Toda célula deve crescer mais calorosa através do
companheirismo, mais profunda através do discipulado, mais forte
através da adoração e mais numerosa através do evangelismo.
Você sabe quais são os quatro objetivos da célula? São eles:
comunhão, edificação, serviço e multiplicação. Se você se esquecer
deles, correrá o risco de se perder no caminho.
Você não está adicionando membros, mas multiplicando discí-
pulos. Priorize o compromisso na vida da célula! Sem compromisso,
não teremos uma célula saudável e forte.
Tempo gasto “afiando o machado” para decepar as árvores
não é tempo perdido. Uma hora gasta em oração fará com que uma
hora de trabalho renda mais que uma centena delas sem oração.
Desenvolva uma disciplina de oração!
A mensagem nunca muda, mas os métodos são variados. Seja
criativo, mas sem comprometer a mensagem do Evangelho. Bem-
aventurados os criativos, porque eles se multiplicarão!
Por que sua célula existe? Qual a missão dela? Como essa mis-
são será alcançada? Se você não sabe responder a essas perguntas,
você não pode ser um líder de célula.
Você quer ver a célula fluindo na direção certa? Então,
relembre os objetivos da célula com os membros, pelo menos uma
vez a cada mês.
A célula conhece a visão da igreja? “Nosso encargo é edificar
uma igreja de vencedores, onde cada crente é um ministro, e cada
casa uma igreja, conquistando, assim, a nossa geração, através das
células que se multiplicam uma vez ao ano”.
170 Manual da Visão de Células

Os membros da célula sabem quando será a multiplicação da


célula? Trabalhe em função de um alvo! Líderes orientados por alvos
são líderes bem-sucedidos.
Acredite nas pessoas! Delegue responsabilidades para cada
membro da célula. Quando nos sentimos úteis, nos compromete-
mos mais.
Não recrute pessoas para um trabalho, mas para um sonho!
As pessoas se alegram em poder participar da concretização de um
grande sonho. Sonhe e leve a célula a sonhar.
Lembre sempre aos membros da célula qual é a trilha de cres-
cimento: ir ao Encontro, batizar-se, fazer o Curso de Maturidade no
Espírito, o CTL, tornar-se um líder em treinamento e, depois, um
líder de célula.
Você é o pastor da célula. Ali, você batiza os novos converti-
dos, ministra a ceia e ora pelos enfermos.
Lembre-se, líder, de que a célula não é o seu rebanho particu-
lar! As células se ligam umas às outras numa só visão e prática.
O líder é alguém que emprega integralmente seu tempo na
célula. Dedique-se e você verá a célula crescendo e se multiplicando.
O poder da célula não consiste no desenvolvimento de uma
dinâmica de grupo. Seu poder está no fluir do Espírito Santo na vida
da célula.
Todo líder de célula precisa ser cheio do Espírito Santo. Busque
poder e ousadia. Todos querem estar perto de quem está perto de Deus.
Você nunca poderá levar os outros a níveis que você mesmo
não atingiu. Antes de ministrar à célula, ministre a Deus.
Jogue fora a idéia de que o serviço do líder se limita a uma noite
por semana. Ser líder é um estilo de vida. Aperfeiçoe a sua liderança.
Você, líder, é o responsável para que cada membro da célula
se torne um ministro na casa de Deus. Você é um guardião da visão.
Não seja um supercontrolador, nem um superprotetor da cé-
lula. Permita que os membros façam experimentações. Dê a eles
liberdade para errar enquanto aprendem.
Deixe que os sonhos de Deus encham o seu coração. Fale
deles com paixão para os membros da célula e permita que eles
sejam contagiados.
Espere grandes coisas de Deus e empenhe-se em fazer gran-
des coisas para Senhor. Sonhe com muitas células, e Ele satisfará o
desejo do seu coração.
Dicas para líderes de célula 171

Você não tem que ser um crente fenomenal para ser um líder
de célula. Deus usa pessoas comuns para fazer, através delas, coisas
extraordinárias.
Sem fé, você não chega lá! A multiplicação de uma célula re-
sulta do poder de Deus, e não de simples habilidade ou estratégia.
Creia e você verá!
Deus usa pessoas simples, que têm sonhos extraordinários.
Gente que sonha alto e realiza grandes coisas para Deus. Sonhe mul-
tiplicar a célula duas vezes neste ano.
Não queremos grupos grandes, sem vidas transformadas! Qua-
lidade é mais importante que quantidade. Faça discípulos, e não mem-
bros de igreja! Faça discípulos, e não freqüentadores de cultos!
Discípulos mostram evidências externas de mudanças interio-
res. Mas a mudança ocorre primeiro no interior. Aconselhe, ajude,
ensine e exorte, sem cessar, até que cada membro cresça.
Seja sal na boca dos membros da célula. Procure despertar
neles fome e sede de Deus. Se eles buscarem a intimidade com o
Senhor, a célula crescerá espontaneamente.
Jesus disse que o bom pastor dá a vida pelas ovelhas. Caro
líder, você é um pastor na célula. Ame os membros da célula, a pon-
to de se dar por eles.
Se os membros da célula têm tido compromisso com a Palavra
de Deus e com a igreja, então você está de fato fazendo discípulos.
Se os membros da célula são vistos como pessoas cheias de
amor uns pelos outros, então você está sendo bem-sucedido em for-
mar discípulos.
Nós nos tornamos discípulos quando frutificamos. Estimule cada
membro do grupo a frutificar. Nosso encargo é edificar uma igreja de
vencedores. Ser vencedor é ser discípulo.
Tudo o que Deus faz, Ele o faz pela Palavra e pelo Espírito. Isso
é tudo o que você precisa na célula: uma palavra viva e apaixonada
e a unção fresca do Espírito.
Ao ministrar na célula fale de coisas práticas, que podem ser
úteis no dia-a-dia. Fuja das doutrinas estéreis e de teologias mortas!
Permita que o fogo de Deus incendeie você! Deixe o seu cora-
ção arder e as pessoas virão para vê-lo pegando fogo! Seja um incen-
diário na sua célula!
Se você investir tempo para ouvir atentamente os membros da
célula, eles o ouvirão quando você falar.
172 Manual da Visão de Células

Não permita membros ociosos na célula! Se há alguém assim,


desafie-o a mudar! Se resistir, exorte-o! Seja firme e não desista de
fazer de cada membro um ministro.
Sempre teremos irmãos desanimados entre nós. Conforte-os
e seja sensível às suas dificuldades. Dê a eles uma palavra de ânimo,
não permita que eles percam a esperança.
Os irmãos mais fracos devem ser carregados pelos fortes. Os
membros devem dar-lhes a mão, passo a passo, amá-los e conduzi-
los, até que se fortaleçam no Senhor.
Seja cauteloso para não se sobrecarregar com excesso de ativi-
dades na célula! Zele para que os membros também estejam se de-
dicando apenas a um trabalho, de cada vez, na igreja.
Sem visão, o povo perece. Não permita que a visão de células
se apague. Reafirme sempre a necessidade de vínculos de amor e
de multiplicação.
Compartilhe com a célula o seu sonho. Fale daquilo que en-
che o seu coração e espere até que o coração deles também se en-
cha da mesma visão. A explosão será uma questão de tempo.
Forme nas crianças da célula uma mentalidade de líder vence-
dor. Se todos nós fizermos isso, estaremos garantindo os novos líde-
res da próxima geração.
Criança não dá trabalho, dá frutos! Ensine as crianças a
evangelizar. Faça delas agentes do reino de Deus!
O líder deve ser um facilitador, ou seja, alguém que faz a célula
acontecer, e não um chefe controlador que a sufoca.
Dobrar a célula não é multiplicá-la. Dobrar é sair de sete mem-
bros e chegar a quinze ou mais. Multiplicar é ter duas células depois
de um ano. Só multiplica quem gera discípulos e novos líderes.
Tudo o que você fizer, faça de todo o coração, como para o
Senhor! Você não está trabalhando para homens. Por isso, seja zelozo,
pois a sua recompensa virá do Senhor.
Lembre-se de que Jesus, que era cheio de zelo espiritual, rea-
lizou o trabalho mais duro de toda a história, sem jamais estressar-
se. Seu jugo é suave, por isso você não precisa viver estressado!
Líderes devem ser incendiados, mas nunca queimados. Deus
não deseja fazer a Sua obra sugando a energia do trabalhador. Você
é apenas uma sarça que pega fogo sem se consumir.
Dicas para líderes de célula 173

Você não conseguirá cuidar efetivamente de mais do que quin-


ze pessoas. Se a célula já chegou nesse patamar, planeje a multiplica-
ção o mais breve possível.
Você é um motivador. Como líderes de células, nós encoraja-
mos os membros a desenvolverem seus dons e a avançarem, frutifi-
cando para o Senhor.
Se existe uma forma de melhorar a célula, descubra-a! Rein-
vente! Experimente novas estratégias! Permita ao Espírito conduzi-lo
em criatividade!
Há dois tipos de líderes que não ajudam a igreja a avançar:
aqueles que não fazem o que se manda e aqueles que só fazem o
que se manda. Tenha iniciativas com submissão.
Obstáculos são aqueles gigantes que vemos diante de nós quan-
do tiramos os olhos de Canaã. Fixe sua atenção no seu objetivo de fé
e não se detenha diante de gigantes!
Vista a camisa de líder! Fale de si mesmo como líder! Apresen-
te-se como líder! Veja-se como tal! Identidade é a chave do reconhe-
cimento. Se a célula o reconhecer como líder, todos o seguirão.
Tenha uma atitude positiva e estimule os membros a fazerem
o mesmo. O problema não é o problema, mas é a atitude em rela-
ção ao problema.
Um diamante é um pedaço de carvão que se saiu bem sob
pressão. A maior característica do líder é a capacidade de suportar
pressão. Resista e você verá a célula se multiplicar.
Siga o modelo de reunião da igreja e faça os relatórios. Nunca
houve um campeão indisciplinado!
Existem duas coisas que levaremos daqui, quando partirmos:
o nosso nome e as vidas que ganharmos. Reputação e caráter, frutos
e vidas são os nossos tesouros no céu.
Existe o risco que você jamais pode correr e existe o risco que
você jamais pode deixar de correr. Aprenda a distingui-los. Liderar é
correr riscos com Deus!
Para crescer exteriormente, a célula precisa crescer interior-
mente, ou seja: para se multiplicar, os membros precisam, antes,
desenvolver uma vida íntima com o Espírito Santo.
Primeiro, as pessoas olham para você. Depois elas ouvem o
que você diz. Cuide bem da sua aparência! Seja um líder vencedor,
com aparência de vencedor!
174 Manual da Visão de Células

Reconheça os membros da célula, elogie-os e mostre-lhes o


quanto são importantes para a igreja como um todo! Fazendo isso,
você estará motivando-os para o avanço da célula!
Você está comprometido com os membros da sua célula, da
mesma forma como espera que eles estejam com você? O compro-
misso é a base da expansão da célula.
A célula deve ter olhos para dentro e para fora. O líder pro-
cura ajudar a cada membro a tornar-se um ministro fecundo espi-
ritualmente.
Determinação e perseverança são ingredientes básicos de um
líder vencedor. Proponha no seu coração alcançar o alvo da multipli-
cação e não desista! O Senhor honrará você.
Nós nos tornamos aquilo que nos comprometemos a ser. A
célula se multiplicará se ela se comprometer a isso.
Alguém somente se tornará membro da igreja depois de fre-
qüentar a célula e ser indicado pelo líder. Seja criterioso!
Lembre-se de que o nosso alvo é alcançar não-cristãos. Mem-
bros de outras igrejas devem ser cordialmente recebidos, mas nunca
os convide para voltar ou participar da célula.
Não tenha medo de repetir a visão e o ensino. As pessoas
demoram a assimilar uma verdade da Palavra. Você não está na célu-
la para ensinar, mas para alimentar as ovelhas.
Os pastores estão presentes para fazer com que o seu ministério
seja bem-sucedido na célula. Mas, nunca se esqueça, de que a respon-
sabilidade pela célula está sobre você, como líder, e não sobre eles.
Acredite no potencial de todos os que estão ao seu redor. Aquele
que pensamos ser o mais fraco poderá ser os mais frutíferos.

Dicas de multiplicação
Não fique preocupado com a sua classe social, idade, estado
civil ou sexo. Está comprovado que esses fatores não afetam na mul-
tiplicação de uma célula.
Não fique preocupado se você não é a pessoa mais engraçada
da festa. Tanto os introvertidos, quanto os extrovertidos, multiplicam
suas células.
As pessoas com os dons de ensino, de pastor, de misericór-
dia e de evangelismo multiplicam suas células do mesmo modo que
as outras.
Dicas para líderes de célula 175

Os líderes que oram diariamente pelos membros têm maiores


probabilidades de multiplicar suas células.
Líderes que gastam tempo com Deus, em preparação para a
reunião da célula, certamente atingirão o alvo de multiplicação.
Investir tempo com Deus e preparar o coração para o encon-
tro da célula é mais importante que o preparo do estudo.
Se o líder visitar de uma a três pessoas por mês, suas chances
de multiplicação são de 60% (Joel Komiskey).
Líderes que contactam entre cinco a sete novas pessoas
por mês têm 80% a mais de probabilidade de multiplicar a célula
(Joel Komiskey).
Líderes que visitam oito pessoas novas ou mais por mês, mul-
tiplicam seus grupos duas vezes mais do que aqueles que visitam uma
ou duas apenas (Joel Komiskey).
Os líderes que preparam novos líderes em treinamento para
ajudar na liderança dobram a sua capacidade de multiplicar a célula.
Visitas regulares feitas pelo líder e pelo líder-em-treinamento
aos membros da célula ajudam a consolidar a célula, criam um am-
biente de aceitação e favorecem a multiplicação da célula.
Ao analisar a relação entre a visitação a pessoas novas e a pre-
sença de visitantes, constatou-se que a quantidade de visitantes é
fator secundário. Fazer visitas é mais importante (Joel Komiskey).
Orar por membros da equipe e estabelecer alvos são princípi-
os primordiais para a primeira multiplicação de uma célula.
Os fatores essenciais para a multiplicação da célula são as
devocionais dos líderes, o evangelismo da célula e a formação de
uma equipe (Joel Komiskey).
Se um líder não visitar, ele terá poucas chances de multiplicar a
célula no tempo determinado. Agende suas visitas, ou então delegue
para que outros membros também colaborem.
Líderes que possuem dois, três ou mais líderes-em-treinamen-
to duplicam a capacidade de multiplicar a célula (Joel Comiskey).
Fixar alvos aumenta em 75% a chance de multiplicação de
uma célula (Joel Comiskey).
Líderes de célula que estabelecem alvos específicos de multipli-
cação multiplicam as suas células com mais freqüência do que os
líderes sem alvos (Joel Comiskey).
176 Manual da Visão de Células

De acordo com a Bíblia, o fracasso nunca é o final. Em Deus,


podemos nos levantar e começar outra vez. Se a célula não se multi-
plicar neste ano, tente de novo no próximo ano.
Líderes que encorajam os membros a convidar visitantes,
semanalmente, duplicam as chances de multiplicar suas células
(Joel Comiskey).
Os líderes que investem 90 minutos, ou mais, em devocional
diária, multiplicam suas células duas vezes mais que aqueles que in-
vestem menos de 30 minutos ao dia (Joel Comiskey).
Ao comparar o tempo devocional, alvos, treinamento e pre-
paro, constatou-se que a devocional e os alvos são os mais importan-
tes (Joel Comiskey).
As células que têm quatro ou mais encontros sociais por mês,
multiplicam duas vezes mais do que as que têm apenas um, ou ne-
nhum (Joel Comiskey).
Treinamento da liderança e encontros sociais são necessários
para a multiplicação contínua da célula.

Dicas de evangelismo
Prepare um evento evangelístico (evento-ponte) especialmen-
te para um segmento da sociedade, como, por exemplo: policiais
militares, bombeiros, professores etc.
Se você possui o dom de cura, use-o para ganhar almas. Faça
uma campanha de oração pelos enfermos.
Mateus era um discípulo popular que, quando se converteu,
fez uma festa e convidou todos os amigos para ouvir Jesus. Veja se há
um “Mateus” na célula (Mt 9.9-10).
Use o batismo de cada novo membro como pretexto para
uma festa de testemunho para a família dele.
André foi alguém que, quando se converteu, foi e chamou a
Pedro, seu irmão. Veja quantos “Andrés” há na célula. Estimule-os a
convidar os seus irmãos (Jo 1.41-42).
Lázaro foi um dos que Jesus ressuscitou dos mortos. Ele não
precisava falar nada. As pessoas vinham apenas para vê-lo. Veja se há
um “Lázaro” na célula e leve-o a testemunhar (Jo 12.1).
Use a revista da igreja como um cartão de visitas, para convi-
dar não-cristãos para a reunião da célula.
Se o seu bairro é pobre, talvez seja uma boa idéia fazer um
sopão, ou algum outro tipo de projeto social, para atrair a vizinhança.
Dicas para líderes de célula 177

Você já pensou em entrar numa sala de bate-papo na internet,


para falar de Jesus? Não despreze nenhum tipo de oportunidade.
Experimente usar um filme secular para discutir com não-cris-
tãos o que é o novo nascimento ou o sentido da vida. Vendo tais
filmes, eles poderão se desarmar.
Procure desenvolver um interesse real pelas pessoas. Quan-
do elas se sentem importantes e valorizadas, elas se abrem para
o Evangelho.
Não tenha receio de fazer apelos e desafiar pessoas a cre-
rem em Jesus. Mesmo que haja um único visitante na célula, desa-
fie-o a crer!
Faça pelo menos um evento-ponte a cada dois meses. Planeje-
o com antecedência e com oração e jejum. Qual foi o último que você
realizou na célula? Pode ser um bom momento para planejar outro.
Durante um tempo, a célula poderá fazer rodízio de anfitrião,
se reunindo, a cada semana, na casa de um membro. Esta pode ser
uma boa forma de atrair parentes e visitantes.
Torne-se um servo de quem você quer atrair para Jesus, aju-
dando-o em alguma necessidade que tenha, como, por exemplo,
cuidar de um bebê recém-nascido, fazer-lhe as compras etc.
Ensine a célula a usar “As quatro leis espirituais”, da Cruzada
Estudantil. Depois, desafie cada membro a pregar na escola, no tra-
balho e em casa. Células que semeiam certamente colherão.
Prepare uma noite de serenata para cada visitante que foi à
célula num determinado mês. A serenata tem um grande poder de
amolecer corações.
Faça um cartão personalizado da célula. Dê uma quantidade
para cada membro e peça-lhes que os distribuam entre seus própri-
os amigos.
Não há um modo correto para você multiplicar a célula. Seja
criativo e experimente todas as estratégias que o Espírito Santo inspi-
rar você a fazer.
Deixe uma cadeira vazia em toda reunião da célula. Leve to-
dos a orar para que a cadeira seja ocupada nas próximas reuniões,
por um novo convertido.
Não tenha receio de usar um velório como meio de evange-
lização. Muitas pessoas só pensam na morte nesses momentos.
178 Manual da Visão de Células

O segundo domingo de maio é o Dia das Mães. Que tal fazer


um evento-ponte para todas as mães da região, ou para as mães dos
membros da célula? Não perca oportunidades!
Anuncie constantemente o alvo de multiplicação para a sua cé-
lula. Estabeleça uma data-limite e declare desde já a vitória do plano.
Se você acabou de conhecer alguém na igreja, que está sem
célula, não hesite em convidá-lo. Às vezes, temos de pescar dentro
de nosso próprio aquário.
Cada líder deve lembrar constantemente os membros da célu-
la para convidar os amigos para a reunião.
Líderes experientes sabem que é necessário que se convide vin-
te e cinco pessoas, para que no mínimo quinze compareçam. Das
quinze, apenas oito virão realmente. E das oito, somente cinco, ou
menos, se decidirão a permanecer. Portanto, convide muitas pessoas.
Tente fazer jantares evangelísticos, eventos sociais, piqueniques
e festas. Jesus sempre comia com as pessoas. Comida, descontração
e visitantes são uma ótima combinação.
Faça o que funciona para você. O que importa é que o evento
atraia o visitante. Utilize o método à exaustão e, quando já estiver
cansado dele, tente algo diferente.
A maioria das pessoas se converte aos poucos, gradualmente.
Não desista se alguém parece estar retrocedendo. Crie um ambiente
de liberdade e aceitação, e a pessoa acabará se firmando.
O Dia dos Namorados é um evento muito popular. Programe
algo com os casais da célula. Talvez vocês possam fazer um jantar
romântico na casa de um deles.
Faça um evento-ponte especial para o Dia das Mães, a Pás-
coa ou o Natal. As pessoas se abrem para participar de eventos
nessas ocasiões.
Uma maneira prática de conquistar a simpatia dos vizinhos é
fazer um dia de serviços na comunidade, como, por exemplo: amo-
lar facas e tesouras, limpar jardins, lavar carros, arrumar telhados etc.
Leve os membros da célula a cultivarem amizades com os vizi-
nhos, convidando-os para almoçar juntos ou participar de um chur-
rasco na casa deles.
Se vários membros da célula vivem numa mesma área ou con-
domínio, juntem-se e façam um refeição para os novos vizinhos re-
cém-chegados.
Dicas para líderes de célula 179

Sua célula é capacitada a alcançar certos tipos de pessoas. Exis-


tem alguns tipos que sua célula jamais alcançará. Então, invista na-
quele tipo de peixe que você é capaz de pescar.
Como líder de célula, você vai atrair quem você é, e não quem
você quer. Se você é jovem, pregue para jovens, e assim por diante.
Não tente ser algo que você não é. Procure aperfeiçoar sua
bagagem e experiência, e invista tempo em alcançar aqueles que se
parecem com você.
Pessoas com familiares doentes, pais com filhos problemáticos,
casais com problemas conjugais e financeiros estão mais abertos para
ouvirem de Jesus.
Você é um pescador. Saiba que peixes você quer pegar. Cada
tipo de peixe exige uma isca específica e uma época específica de
pescaria. Escolha um público-alvo.
Você é um pescador. Diferentes tipos de peixes se alimentam
em diferentes locais, em horas diferentes do dia. Vá onde os peixes
estão. Nem todo peixe virá à sua célula.
Você é um pescador. Aprenda a pensar como tal. Entenda os
hábitos e os gostos de cada peixe. Em outras palavras, fale a lingua-
gem que as pessoas entendem.
Você é um pescador. Uma pescaria bem-sucedida requer que
façamos coisas desagradáveis para nós, mas boas para os peixes. Faça
qualquer coisa para pescar uma alma.
Você é um pescador. A maioria tem o hobby da pescaria, mas
você é um pescador que possui uma responsabilidade diante de Deus.
Seja sério e diligente na pescaria e os peixes virão.
Encoraje aqueles que estão sendo batizados a convidar os seus
amigos não-crentes para assistirem ao batismo. Use o batismo como
um evento-ponte da célula.
Leve toda a célula a fazer uma oração de entrega a Jesus. De-
pois, pergunte se alguém nunca fez aquela oração antes. Leve a pes-
soa que se decidiu a reafirmar a entrega de forma voluntária.
Nunca deixe de orar por cura, se houver alguém enfermo,
nem por libertação, se houver alguém oprimido na célula. Os mila-
gres são a grande isca de Deus para salvar as vidas!
Se você possui o dom, experimente fazer uma campanha de
cura, libertação, ou prosperidade, por sete ou dez reuniões seguidas.
Não tenha preconceitos com métodos.
180 Manual da Visão de Células

O segundo domingo de agosto é o Dia dos Pais. Que tal fazer


um evento-ponte para todos os pais da região, ou para os pais dos
membros da célula? Não perca oportunidades.
Se alguém na célula possui o dom de evangelista, use-o para
começar uma célula pioneira numa outra região da cidade.
Estamos numa guerra. Espere por lutas. Prepare-se para elas.
Uma célula é um pelotão empenhado em assaltar as portas do infer-
no, para libertar as vidas.
Ore para que Deus manifeste sinais na célula. Isto fortalece a
fé dos irmãos e atrai os não-cristãos.
Nunca deixe de participar de festas na sua empresa, na sua
escola ou no seu prédio. São excelentes oportunidades para se fazer
amizades e dar testemunho.
Se a célula tem disponibilidade, experimentem fazer uma ou-
tra reunião com a célula, exclusivamente para evangelismo.
Não fale de Jesus às pessoas assim que as encontrar, pela pri-
meira vez. Primeiro converse com elas sem nenhum interesse e tor-
ne-se amigo delas. Supra as suas necessidades e ame-as.
Se a sua célula tem sete pessoas e você quer multiplicá-lo em
um ano, o seu desafio será ganhar duas pessoas a cada quatro me-
ses. Não parece ser tão difícil, parece?
Podemos fazer convites, eventos, visitas e tudo o que for ne-
cessário para encher a célula de visitantes, mas se alguém não falar
algo da parte de Deus com paixão, as pessoas não voltarão.
É a verdade que liberta. Precisamos ter uma palavra viva, se
queremos ver gente sendo liberta. Não temos de pregar muito, mas
temos de pregar a verdade com vida.
É a unção que liberta do jugo. Precisamos orar para que haja
um fluir na célula e as pessoas sejam livres das cadeias malignas, pela
unção de Deus.
Crescimento não acontece por acaso. Você precisa querer se
multiplicar e se aplicar nesse propósito. Fale disso, compartilhe isso,
e faça-o!
Estimule os membros da célula a ampliarem seus círculos de
amizade. Quanto mais amigos não-convertidos eles tiverem, maio-
res serão as chances de multiplicação!
Existe uma lei chamada de Lei do número máximo. Que lei é
esta? Se você deseja ter quinze visitantes no evento-ponte, então con-
vide pelo menos sessenta.
Dicas para líderes de célula 181

Não confunda atividade com produtividade. Não queira ape-


nas fazer um evento-ponte para cumprir um programa. Queira fru-
tos, resultados.
O preço do crescimento da célula é ouvir “não” centenas de
vezes. Ensine os membros da célula a não ficarem desanimados
com recusas.
Convide um amigo para a reunião da célula, pelo menos uma
vez por mês, durante pelo menos um ano. Água mole em pedra dura...
O dia 12 de outubro é o dia das crianças. Programe um even-
to-ponte para atrair as crianças do bairro. Conte alegremente para
elas que o reino dos céus já é delas.
Receba as crianças da maneira como Jesus fazia: abençoando-
as e impondo-lhes as mãos para orar por elas. Pregar para as crian-
ças é uma boa isca para também atrair os pais.
Uma pesquisa comprova que mais de 50% dos membros das
igrejas se converteram antes dos 13 anos de idade. Esta é a melhor
fase para apresentarmos o plano do amor de Deus a elas.
Use as crianças como agentes do Reino. Não permita que as
crianças fiquem fora de nenhum projeto de oração ou jejum da célu-
la! Adapte o projeto para a realidade delas.
No dia 2 de Novembro, os cemitérios da cidade estarão cheios
de pessoas visitando sepulturas de entes queridos. Por que não sair
com a sua célula para distribuir folhetos ali?
O amor aproxima as pessoas, como um poderoso ímã. A falta
de amor faz com que as pessoas se afastem. Não apenas ame as
pessoas, mas demonstre esse amor por elas na célula.
Lembre-se de que os parentes e os amigos dos novos conver-
tidos são as pessoas mais receptivas ao Evangelho e devem ser o seu
alvo primordial.
A maioria das pessoas se sentem constrangidas ao serem con-
vidadas para assistir a um culto, mas nunca se constrangem quando
o convite é para uma festa. Faça, então, festas evangelísticas.
Planeje um “Jantar da amizade” em vez do encontro normal
da célula e convide amigos não-cristãos.
Durante uma reunião da célula, assistam a um filme evangelís-
tico, em vez de terem um estudo bíblico.
Muitas pessoas fechadas ao Evangelho se abrem, quando en-
frentam uma enfermidade ou problema na família. Ore por mila-
gres! Espere por milagres! A explosão é uma questão de tempo.
182 Manual da Visão de Células

Dezembro é o mês do Natal. Use essa data para fazer um


evento-ponte com as crianças da rua ou com os parentes dos mem-
bros da célula. O amigo-oculto pode ser uma boa idéia.
Estimule os membros a testemunharem na célula sobre o que
Deus tem feito na vida deles. Isto fortalece a fé de todos e abre o
coração do visitante.
Ensine aos membros da sua célula o que significa oikos (relaci-
onamentos com família, colegas de trabalho, vizinhos e colegas de
escola). Ensine-os a fazer evangelismo por amizade.
Incentive os membros da célula a fazer das festas de aniversá-
rio, ou qualquer outra comemoração, um motivo para convidar
amigos não-crentes e testemunhar a eles.
Recomende aos membros da célula a não se isolarem dos in-
crédulos, mas, sim, a estarem no meio deles para atraí-los para Jesus.
Faça um rodízio entre os membros, durante um certo período,
com o propósito de evangelizar os familiares e amigos de cada um.
Torne-se um servo daquele que você quer ganhar para Jesus,
ajudando-o em suas necessidades, como, por exemplo: carregar saco-
las, lavar roupas quando um bebê nasce, oferecer e dar carona etc.
Faça evangelismo em equipe. Experimente bater de porta em
porta e entregar um convite ou um folheto a respeito do Evangelho.
Use as crianças como instrumento para ganhar os pais. Muitos
adultos estão nas células por causa de uma criança. São muitos os
testemunhos de crianças que atraíram pais não-cristãos às células.
As crianças são mais fiéis à freqüência nas células do que seus
pais. São elas que não deixam os pais faltarem às reuniões, porque
elas não querem faltar. Use-as como meio para consolidar os pais!
Seja espontâneo ao falar de Jesus! Fale do Evangelho com a
mesma espontaneidade que você fala do seu time de futebol, ou
daquilo que mais gosta de fazer!
Se no seu bairro existe uma gangue, ore pela conversão do
líder e você receberá todos os outros membros juntamente com ele.
Deixe uma cadeira vazia na reunião da célula e peça que os
membros orem pela próxima pessoa que irá sentar-se ali.

Dicas de Consolidação
Existem muitas empresas de telemensagens. Use esse recurso
e mande mensagens para os visitantes que forem à célula.
Dicas para líderes de célula 183

As pessoas não se importam com o quanto você sabe, até elas


saberem o quanto você se importa. Visite o novo convertido, imedi-
atamente após a decisão dele por Cristo.
85% dos decididos que são visitados até 36 horas depois, per-
manecem. Entretanto, somente 60% dos que são visitados 72 horas
após retornam, e apenas 15% dos que são visitados uma semana
depois, voltam. O que você está esperando? Vá visitá-los!
Caso você não possa fazer uma visita em 36 horas, para o
novo convertido ou visitante, dê um telefonema ou envie uma men-
sagem a ele. Nunca deixe de contactar o novo decidido!
Não espere que o novo convertido vá sozinho à reunião da
célula. Busque-o, ou determine alguém para fazê-lo.
Valorize o momento do lanche na célula. Ele pode ser a chave
para consolidar o visitante. Estimule a célula a ficar em função do
visitante nesse momento.
Com respeito ao novo convertido, lembre-se: visite-o, sente-se
ao lado dele no culto de domingo, convide-o para almoçar na sua
casa e ligue freqüentemente para ele.
Faça um rodízio na célula para cuidar do novo convertido.
Escolha três pessoas para se revezarem, ora visitando-o, ora ligando
para ele, durante toda a semana.
Deixe bem claro aos membros que eles precisam ter como
prioridade fazer com que os novos convertidos se sintam à vontade
na célula.
Consolidar é formar vínculos de amizade. Um novo converti-
do só se consolidará na célula se for envolvido com amizade.
Uma pesquisa feita com crentes que estão fora da igreja mos-
trou que 70% deles saíram da igreja porque sentiam que ninguém se
importava com eles. O amor é a chave para ganhar e consolidar.
Nunca se esqueça de um visitante e também nunca deixe que
um visitante se esqueça de você! Não espere que ele volte à célula.
Providencie antes para que alguém vá até ele!
Não deixe de visitar! Vá atrás da ovelha desaparecida. Não acei-
te perder ninguém! Tenha uma atitude radical, a célula prosperará!
Não espere que o novo convertido vá sozinho à reunião da
célula! Às vezes, é necessário ir buscá-lo de carro. Insista, até que ele
se firme!
Um novo decidido precisa fazer pelo menos seis novas amiza-
des na igreja, para poder continuar participando. Estimule os víncu-
los de amizade!
184 Manual da Visão de Células

Dicas de oração
Aproveite os tempos de espera ou quando está no carro, diri-
gindo: tenha sempre um livro consigo, traga sempre um versículo
bíblico no bolso ou ouça CDs e DVDs no carro. Isso manterá você
incendiado o tempo todo.
Estimule cada membro da célula a comprar uma agenda e a
criar um diário pessoal de oração. Quando escrevemos o alvo de
oração e anotamos o dia da resposta, nossa fé é fortalecida.
A oração quebra todas as cadeias. Leve cada membro da célu-
la a orar pela conversão de três pessoas, numa oração diária de con-
cordância por um mês (use a ficha de oração de concordância).
O tempo devocional do líder influencia na multiplicação da
célula. Dessa forma, invista tempo em oração e você verá os resulta-
dos na sua célula.
Como está a sua disciplina de oração? Talvez seja a hora de
parar para uma avaliação séria. Muita oração, muito poder;. Pouca
oração, pouco poder; nenhuma oração, nenhum poder.
Escreva os nomes dos membros da célula num pedaço de papel
e carregue-o sempre consigo. Sempre que puder, ore por um deles!
Você possui um dia definido de jejum semanal? E a sua célula?
Manter uma disciplina constante de jejum e oração é uma garantia
de crescimento e multiplicação.
Como está o seu tempo diário de oração devocional? Peça ao
seu discipulador que o ajude a estabelecer uma disciplina de oração.
Uma forma prática de levar a célula a orar é criar uma cadeia
de oração, na qual cada um ora durante uma hora e liga para o
próximo da lista, passando a vez.
Caminhadas de oração com toda a célula são uma boa estra-
tégia para quebrar as resistências espirituais na rua ou no bairro.
Muitos se sentem mais motivados a orar em vigílias. Programe
vigílias eventuais para a célula.
Faça o mapeamento espiritual da sua região, na cidade. De-
pois, saia com a célula, orando e quebrando as amarras malignas no
seu bairro.
Orar diariamente pelos membros da célula transforma o seu
relacionamento com eles. Eles o reconhecerão e seguirão a sua lide-
rança, espontaneamente.
Se você orar diariamente pelos membros da célula, você senti-
rá o seu coração cheio de amor e paciência por eles.
Dicas para líderes de célula 185

Ore por todos os eventos da célula, seja um culto, uma festa


de aniversário ou um jogo de futebol. Esteja pronto para testemu-
nhar em qualquer circunstância!
Células que oram são células poderosas! Se o poder de Deus
vem sobre nós, não precisaremos nos esforçar para multiplicar, fruti-
ficaremos espontaneamente.
Somente Deus pode converter o coração de um incrédulo.
Assim, sem oração, não há multiplicação da célula. Existe algum evento
de oração programado para esse mês em sua célula?
Existem muitas formas de jejum. Experimente fazer um jejum
de carnes e doces durante uma semana com a célula. Oração e je-
jum são uma combinação explosiva!
Coloque um mapa da cidade na célula. Circule nele o seu bairro
e ore em todas as reuniões pelo crescimento da igreja ali. Deus ouvi-
rá a sua oração.
Antes de ensinar seus filhos a serem bem-sucedidos, ensine-
os a serem cheios do Espírito. Não há motivos para pensarmos que
as crianças não possam ser cheias do Espírito. Ore por elas!
Faça um mural na sua célula. Escreva o nome ou coloque a
foto de todos por quem a célula está orando ou a quem está
evangelizando. Ore por eles em toda reunião da célula. Espere
por resultados!
Estabeleça um dia fixo de jejum semanal da célula. Ore por
milagres na vida dos irmãos e pela conversão de pessoas. Onde hou-
ver oração, o poder se manifestará!
Se queremos ver uma geração de intercessores, precisamos
ensinar as crianças a orar. Não deixe as crianças da célula indiferentes
no momento da oração.
Faça um livro de oração para a célula. Registre nele os pedidos
e as respostas de oração. Ore com ele em toda reunião do grupo.
Experimente fazer uma lista de alvos de oração da sua célula.
Entregue uma cópia para cada membro, e ore em toda reunião por
cada pedido da lista.
Qualquer crente pode ser um “homem de oração”, mas você
precisa se tornar um “homem de orações respondidas”.
Crie um relógio de oração para a célula. Cada pessoa ora numa
determinada hora e, no final, liga para o irmão, que deve orar a
hora seguinte.
186 Manual da Visão de Células

Estabeleça um tempo de oração, jejum e leitura da Palavra. Tenha


sempre um bom livro consigo. O segredo do crescimento é a nutrição.
A oração é o segredo do reavivamento. E o reavivamento é o
segredo do crescimento da célula. A multiplicação é uma
consequência; por isso, comece pela oração.
Pode ser uma boa idéia estabelecer parceiros de oração na
célula. Distribua-os de dois em dois e peça para que um estimule o
outro na disciplina devocional.
Se a célula não estiver rompendo, experimente um jejum de
sete dias. Não há barreiras que o jejum não possa quebrar!
Não ignore as resistências espirituais! Ore quebrando toda seta
maligna direcionada contra a sua célula.

Dicas de comunhão
Quanto mais a sua célula se parecer com uma família unida e
amorosa, mais rapidamente ela se multiplicará.
Celebre uma ceia especial, para o lava-pés uns dos outros.
Esse ato cria um ambiente de unção e aliança mútua vital para o
mover de Deus na célula.
Procure criar um ambiente descontraído e alegre na célula. As
células em que há riso e descontração tendem a se multiplicar mais
facilmente do que as formais.
Aproveite todo tipo de evento para fortalecer a célula: chás-
de-berço, casamentos, batismos, chás-de-panela, aniversários. Tudo
é pretexto para festa e evangelismo.
Eventos de comunhão são fundamentais. Sem eles, a célula
não se vincula em amizade. Você programou algum evento este mês?
Bem, o próximo mês está apenas começando.
Programe um dia de lazer com a célula. Faça um passeio ao
campo ou a algum lugar turístico.
Já pensou em fazer uma noite inteira só de brincadeiras? Even-
tos assim são importantes para as células que estão começando e
cujos membros ainda não estabeleceram vínculos.
No dia da ceia, prepare uma páscoa judaica, com cordeiro
assado e tudo. A ceia pode ser um momento muito impactante para
a célula.
Recrie uma refeição koinonia do primeiro século, no dia da
ceia. Repartam um banquete de amor juntos, ao tomarem a ceia
do Senhor.
Dicas para líderes de célula 187

Programe para que toda a célula participe da celebração de


domingo, vestindo uma camiseta padronizada. Isso cria uma identi-
dade própria na célula e um senso de união.
Se na célula há alguém com algum talento especial, programe
uma apresentação, na celebração de domingo. Pode ser uma música
ou uma encenação breve. Isso gera unidade entre os membros.
Que tal recriar a última ceia original, com uma refeição de
páscoa tradicional? Não deixe de celebrar a ceia em sua célula.
Divertir-se juntos, para os membros da célula, é magnético,
atrai as pessoas e cria um ambiente de vida. Divirta-se com os irmãos
da célula!
Enfatize um compartilhamento transparente na célula! O visi-
tante pode ser tocado, se ele puder perceber que não somos perfei-
tos, mas apenas perdoados.
No dia da ceia, repasse os compromissos de aliança na célula.
Uma célula em que cada um é comprometido com a visão tende a se
multiplicar com saúde.
Conhecer-se mutuamente e compartilhar as necessidades têm
que ser alvos primordiais das células. Nessa atmosfera de aconchego
e amor, os visitantes são impactados.
Células eficazes fazem mais do que orar. Elas suprem, de ma-
neira prática, as necessidades dos irmãos.
Estimule os membros a se convidarem mutuamente para al-
moços, jantares e lanches, nas casas uns dos outros. Isso aumenta os
vínculos da célula.
Envie cartões especiais de aniversário, e em ocasiões festivas,
para os membros da célula e para os visitantes.
Mantenha uma lista das datas de aniversário de cada membro
da célula. Não deixe que nenhum aniversário passe em branco. Quan-
to mais festiva, mais forte é a célula.
A multiplicação de uma célula é uma ocasião especial. Faça
uma festa e convide o máximo possível de pessoas! Celebre!
Designe um “anjo da guarda” para cada novo convertido no
grupo, ou seja, um irmão mais velho para cuidar dele e consolidá-lo.
Experimente usar um CD no louvor da célula. Cantem juntos,
acompanhando o CD. Isso pode melhorar significativamente o mo-
mento de louvor e adoração.
188 Manual da Visão de Células

Quando algum membro da célula for ao Encontro, prepare


para ele uma gostosa recepção. Faça com que se sinta parte da família.
Talvez seja a hora de repassar os pactos e alianças das células.
Experimente fazer isso no dia da ceia.
Oficialmente, a célula se reúne uma vez por semana. Mas a cé-
lula, em si, é um estilo de vida. Os vínculos acontecem a semana toda!
Você já fez a lista dos aniversariantes de sua célula? Não perca
nenhuma oportunidade de festejar! Células alegres e festivas se mul-
tiplicam rapidamente.
Deve ser gostoso e divertido participar de uma célula. Experi-
mente contar experiências engraçadas e deixe os membros rirem à
vontade! Descontração combina com participação.
Faça perguntas nas reuniões da célula. Perguntas envolvem e
geram relacionamentos de amizade.
Quando as pessoas ouvem, elas podem estar interessadas ou
não; quando falam, elas se interessam. Use e abuse das perguntas.
Não deixe ninguém calado na célula.
As pessoas só se vinculam se puderem falar e se expressar na
célula. Por isso, não deixe ninguém calado! Estimule-os, fazendo per-
guntas de compartilhamento.
Não é apropriado dar dinheiro publicamente a um membro
da célula que está necessitado. É melhor que ele receba a ajuda ano-
nimamente, como que partindo de toda a célula.
As reuniões da célula servem para aumentar o nosso amor uns
pelos outros. O amor surge pela convivência. Precisamos nos reunir
continuamente, para que o amor crie raízes profundas.
As reuniões da célula são importantes para nos encorajarmos
mutuamente. Precisamos de pessoas que nos amem, e que nos aju-
dem quando passarmos pelas crises da vida.
As reuniões da célula são importantes para que possamos for-
talecer a fé uns dos outros. Todos precisamos de uma dose de poder,
a cada semana.
Células são como times de futebol: elas precisam fazer aqueci-
mento antes de começar. Faça sempre um quebra-gelo no início da
reunião, isso deixará o ambiente mais descontraído.
O ambiente da célula é muito importante. Não deixe as pesso-
as se sentarem muito distantes umas das outras. Isso produz uma
sensação de frieza e formalidade.
Dicas para líderes de célula 189

Envolva as crianças na vida da célula! Organize atividades em


função delas! Faça com que as crianças se sintam aceitas e valorizadas!
O ambiente da célula é muito importante. Não deixe as pes-
soas sentadas em linha reta. Isso impede que vejam o rosto uns dos
outros, o que dificulta a comunicação.
O ambiente da célula é muito importante. Se o telefone tocar
de dez em dez minutos, a melhor coisa a fazer é desligá-lo.
O ambiente da célula é muito importante. Se as pessoas se
sentarem atrás umas das outras, em vez de em círculo, o ambiente
produzido será de exclusão, ao invés de aproximação.
O ambiente da célula é muito importante. Gatos ou cachorros
devem ser mantidos fora!
Estimule os pais a acalentar os filhos para que não chorem no
momento da reunião; mas, se eles não conseguirem, libere-as a sair
com a criança até ela se acalmar.
O ambiente da célula é muito importante. Não permita televi-
são ou rádio ligados no momento da célula!
O ambiente da célula é muito importante. Providencie uma
iluminação adequada. Um ambiente de penumbra estimula o can-
saço e o sono.
No período do louvor, escolha cânticos conhecidos e fáceis. É
mais fácil focalizar a atenção em Deus, quando não temos que lutar
com letras e ritmos.
Providencie folhas com a letra dos cânticos para ajudar aque-
les que não sabem as letras de cor. No caso de haver visitantes, isso se
torna fundamental, para que não se sintam excluídos.
O seu trabalho principal como líder de célula não é dirigir uma
reunião, mas motivar pessoas, edificar vidas e aperfeiçoar os santos.
Relacionamento é tudo!
É comum fazermos o amigo-oculto em dezembro. Use esse
tipo de festa para evangelizar. Envolva outras pessoas, além dos mem-
bros da célula. Se preferir, use a brincadeira como isca para um evento
de comunhão.
Anime os membros a se edificarem mutuamente, por meio
dos dons espirituais que Deus distribuiu a cada um deles.
190 Manual da Visão de Células

Este manual de treinamento foi desenvolvido a partir das


seguintes fontes:

CHO, Paul Yonggi. Grupos familiares e o crescimento da igreja.


São Paulo: Vida, 1982.
COMISKEY, Joel. Crescimento explosivo da igreja em células.
Belo Horizonte: Profetizando Vida, 2000.
HUNT, Josh. You can doble your class in two years or less.
EUA: Group Publishing, 1997.
KIVITS, Ed René. Koinonia, manual para líderes de pequenos
grupos. São Paulo: Abba Press, 1994.
MOREIRA, Dinamárcia F. B. Igreja em células. Belo Horizonte:
Profetizando Vida, 2000.
NEIGHBOUR, Ralph. Where do we go from here. EUA: Touch
publications, 1990.
NEUMANN, Mikel. Alcançar a cidade — as células na
evangelização urbana. São Paulo: Vida Nova, 1993.
O Ano da Transição. Curitiba: Ministério Igreja em células, 1995.
POINTER, Roy. Good things come in small groups. EUA: Inter-
varsyty, 1985.
SNYDER, Howard. Vinho novo, odres novos. São Paulo: ABU,
1997.
STOCKSTILL, Larry. A igreja em células. Belo Horizonte: Betânia,
2000.
VÁRIOS. Manual do auxiliar de célula. Curitiba: Ministério Igreja
em células, 1995.
VÁRIOS. Manual do líder de célula. Curitiba: Ministério Igreja
em células, 1995.
VÁRIOS. Manual do supervisor de célula. Curitiba: Ministério
Igreja em células, 1995.
Dicas para líderes de célula 191