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CIÊNCIAS CONTÁBEIS

CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ENSINO SUPERIOR DO AMAZONAS - CIESA

APOSTILA SIMPLIFICADA

Teoria da Contabilidade

Prof.Valbertone C. de Araújo

Edição especial para distribuição gratuita pela Internet,


com autorização do Autor.
Teoria da Contabilidade

INTRODUÇÃO

Inicio apresentado a vocês algumas razões para gostarem do campo de atuação da


contabilidade e o nosso posicionamento e conhecimento sobre a forma tradicional de
como conduzir o assunto.

Qualquer entidade deverá zelar pela manutenção e crescimento do seu patrimônio e o


nosso objetivo será, de maneira bastante simplória, levar os conhecimentos básicos de
que maneira deveremos cuidar da saúde das pessoas jurídicas que estaremos
acompanhando durante as nossas atividades profissionais.

As empresas (entidades) são criadas, de maneira geral, com objetivo de gerarem lucros
advindos de suas atividades a nível suficiente para remunerar o capital empregado.

Com o advento da Internet e o avanço tecnológico requer que os profissionais


financeiros, executivos e empreendedores passem por um reaprendizado sobre controle
do patrimônio. Nada mais certo do que começarmos nosso estudo pela identificação das
Noções Preliminares da contabilidade e lentamente nos aprofundarmos nos
conhecimentos que norteiam está Ciência Social que escolhemos como opção de atuação
profissional para nossas vidas.

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1 A EVOLUÇÃO DA CONTABILIDADE

Tão antiga quanto a própria história da civilização é a história da contabilidade. O


homem pré-histórico, inicialmente, foi um animal que, como os demais, lutou pela
sobrevivência, buscando na natureza os meios primitivos de manter a vida através da caça.

O segundo estágio em busca da sobrevivência foi a preocupação com agricultura e em


seguida com a atividade pastoril criando condições próprias para a sobrevivência surgindo
divisões e o senso de propriedade.

No final de sua existência, ao morrer, o legado ficava a disposição dos herdeiros ou


mais próximos, denominado pelos antigos como patrimonium, termo romano (latim) que
representava a herança do pai, que posteriormente ficou denominado como patrimônio. A
nomenclatura passou a ser utilizada para quaisquer valores, mesmo que estes não tivessem sido
herdados.

Historicamente as primeiras cidades comerciais eram dos fenícios, mas a prática do


comércio não era exclusiva dos mesmos, sendo exercida nas principais cidades da Antiguidade.

O início da Contabilidade está ligada a necessidade de registros do comércio.

Data do ano 2000 a.C., documentos elaborados por um escriba egípcio relatando
(contabilizando) os negócios efetuados pelo governo de seu país. Era comum as trocas de bens e
serviços serem seguidas de relatórios simples sobre o fato. Na antiga Babilônia podemos já
existiam critérios de arrecadação de tributos já era praticada, através de escritas, de maneira
muito primária.

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Teoria da Contabilidade

A preocupação com o futuro que levou o homem as primeiras anotações a fim de que
pudesse conhecer as suas reais possibilidades de uso, de consumo, produção, comercialização e
etc.

Não havia, naquele tempo, o crédito (evidentemente inexistência de débito), ou seja, as


compras, vendas e trocas eram à vista. Com o decorrer do tempo surgiram os primeiros controles
sobre dívidas e liquidações. Com o surgimento, no Egito antigo, do papiro (papel) e do cálamo
(pena de escrever), facilitou enormemente o registro sobre negócios.

Com o crescimento da atividade comercial, por serem de difícil memorização, o homem


sentiu a necessidade de registros, com a finalidade de memorização das suas atividades e
conhecimento de seus haveres e deveres com o objetivo de aumentar suas posses.

Com as operações econômicas se tornando a dia-a-dia mais complexas, houve e


necessidade de maior refino de seu controle. Na República Romana (200 a.C.), nas escritas
governamentais já existiam receitas de caixa ordenadas em rendas e lucros, e as despesas
contemplando os itens perdas, salários e diversões.

No período medieval, foram introduzidas diversas inovações nos controles por


governos e pela igreja, mas foi na Itália que surgiu o termo Contabilitá.

1.1 Evolução da Ciência Contábil

 CONTABILIDADE DO MUNDO ANTIGO - inicia com as primeiras


civilizações e vai até 1202 da Era Cristã, quando apareceu o Liber Abaci , da
autoria Leonardo Fibonaci, o Pisano.

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 CONTABILIDADE DO MUNDO MEDIEVAL - período que vai de 1202 da


Era Cristã até 1494. Com o surgimento do Tratactus de Computis et Scripturis
(Contabilidade por Partidas Dobradas) de Frei Luca Paciolo, data de publicação
1494, enfatizando que à teoria contábil do débito e do crédito corresponde à
teoria dos números positivos e negativos, obra que colaborou muito para que a
contabilidade fosse inserida entre os ramos do conhecimento humano.

 CONTABILIDADE DO MUNDO MODERNO - período que vai de 1494 até


1840, com o aparecimento da Obra "La Contabilità Applicatta alle
Amministrazioni Private e Pubbliche" , da autoria de Franscesco Villa, sendo
premiada pelo governo da Áustria. Sendo na história da Contabilidade uma obra
importantíssima.

 CONTABILIDADE DO MUNDO CIENTÍFICO - período que se inicia em


1840 e se perpetua até os dias de hoje.

1.2 Perspectiva da Contabilidade e da Profissão Contábil no Brasil

As características básicas para um profissional da contabilidade são:

 gostar de cálculos matemáticos,


 ser organizado,
 ser ético,
 gostar e ter o hábito da leitura,
 atenção a detalhes,
 ter visão futurista,
 ter planejamento de trabalho definido,
 postura crítica,
 segurança diante de problemas e
 ser flexível.

De acordo com pesquisa realizada, verificamos como MARION, José Carlos, professor
doutor e autor da obra “Introdução à Teoria da Contabilidade”, classifica as atribuições do
profissional de contabilidade:

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Teoria da Contabilidade

 na empresa:
 planejador tributário,
 analista financeiro, contador geral,
 cargos administrativos,
 auditor interno,
 contador de custo,
 contador gerencial e
 atuário.

 independente (autônomo):
 auditor Independente,
 consultor,
 contador (propriamente dito,inclusive, defendendo o cliente na
fase administrativa de algum processo de imposição fiscal de
multas ou penalidades),
 empresário contábil,
 perito contábil e
 investigador de fraude
.
 no ensino:
 professor,
 pesquisador,
 escritor e
 conferencista.

 no órgão público:
 contador público,
 agente fiscal de rendas, apresenta pré-requisitos para
participar de diversos concursos públicos
 controlador de arrecadação,
 contador do Ministério Público da União,
 fiscal do Ministério do Trabalho,
 Banco Central do Brasil,
 analista de finanças e controles, outros
 tribunal de contas e
 oficial contador.

O mesmo autor tece alguns comentários de muita importância reflexiva para todos que
pretendam bacharelar-se em contabilidade e atuar neste nicho de mercado de opções que estão à
disposição do Contador:
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“Não basta apenas ter um diploma. É preciso conhecer informática, dominar outro idioma, ser
criativo, saber trabalhar em equipe, ter equilíbrio emocional, aprender a liderar, ter boa comu-
nicação, pensar em pós-graduação, e ler muito”.

“As pessoas que sonham com o impossível são as únicas que têm chance de alcançá-lo.”

“Os estudantes e profissionais que estão investindo em contabilidade podem sonhar alto, aumen-
tar sua auto-estima, pois escolheram uma das melhores ou, quem sabe, a melhor profissão da vi-
rada do milênio."

Alguns outras observações do Prof. Dr. Jose Carlos Marion:

 Valorize a profissão: é a única com desemprego zero; tem 23 áreas de


especialização diferentes; o mercado não tem “preconceitos” de idade para esta
profissão (as pessoas acima dos 40 anos conseguem trabalho).

 Os professores de contabilidade normalmente são profissionais bem sucedidos.


Aproveite a máximo deles, pergunte, busque conselhos. Dedique-se o máximo
no seu curso. Se você for usar o professor como consultor depois do curso, isto
vai lhe custar caro, em média US$ 100,00 por hora.

 Busque conhecimento paralelo ao seu curso: marketing contábil (como ter sua
marca); conheça pelo menos mais de uma língua (de preferência inglês); seja
bom na área de informática (domine Internet, softwares contábeis, planilhas
eletrônicas, bancos de dados...).

 Seja um pesquisador por excelência. Não aceite apenas receber tudo


“mastigado” do professor. Lá na empresa não haverá mais professor e você terá
que buscar, descobrir conhecimento. Faça da sua escola um laboratório.

 Há áreas de conhecimento que serão decisivas, além da contabilidade, no seu


sucesso profissional: métodos quantitativos (matemática e estatística), disciplina
afins (administração e economia), legislação (direito) etc...;

 Aprenda a ser desinibido, a falar bem: participe dos seminários (o contador é a


pessoa que mais fala para induzir às decisões certas na empresa), manifeste
opinião na sala de aula, leia um jornal diariamente e revistas de negócios. Fique
atento aos professores que se expressam bem. Use dicionário várias vezes na
semana.

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Teoria da Contabilidade

 O mercado não vê com bons olhos o “clínico geral” (o que sabe de tudo um
pouco). Procure se especializar, concentrar esforços em uma atividade contábil
que você tem mais dons (durante o curso estes dons serão despertados):
auditoria (interna e externa), perito contábil, contador de custos, controller,
planejador tributário, atuário, carreira acadêmica, concurso público, consultor,
investigador de fraudes, empresário contábil, analista (financeiro, de crédito, de
investimento), pesquisador contábil, escritor contábil etc.

ABC DA CONTABILIDADE
Figura 1 Fonte: Elaborada pelo autor.

A Ativo: Bens e Direitos Metodologia M


B Balanço Normas N
C Custos Obrigações: Passivo O
D Despesas – Deveres Patrimônio P
E Entidade – Empresa Quota Q
F Fatos Receita: Bruta / Líquida R
G Gastos Saldo S
H Haveres: Existências Transação T
I Investimentos Uniformidade U
J Juros: Ativos / Passivos Veracidade V
L Lucro: Bruto / Líquido Zelo Z

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2 CAMPO DE ATUAÇÃO DA CONTABILIDADE

A contabilidade como ciência, possui como objeto de estudo o patrimônio e como


objetivo, estudar, registrar, controlar e divulgar os fatos que afetam o patrimônio das entidades e
também auxiliar no planejamento.

É atingida a finalidade contábil através do registro, ou seja a escrituração, elaboração de


demonstrações além da análise e interpretação dos fatos que ocorreram em uma entidade
afetando o seu patrimônio, com a finalidade de fornecer informações sobre sua composição e as
possíveis variações além de apurar o resultado obtido durante um determinado período.

A contabilidade estuda e controla o Patrimônio das entidades com fins lucrativos ou


não, através de registros dos fenômenos econômicos e financeiros que alteram seu patrimônio.

A contabilidade é utilizada tanto para as pessoas físicas como para as pessoas jurídicas.
O campo de atuação e o objeto da Contabilidade são em ordem: a entidade e o patrimônio.

2.1 Finalidades da Informação Contábil

Podemos afirmar que as principais finalidades da informação concentram-se em duas


que são fundamentais:

 Informações com Finalidade de Controle e


 Informações com finalidade de Planejamento

CONTROLE - podemos entender como um processo pelo qual a alta administração se


certifica que a organização está se comportando em conformidade com as políticas traçadas
pelos investidores. Podemos afirmar que esta é uma concepção bem ampla de controle. A
informação contábil será útil ao processo de controle sob os seguintes aspectos:

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Teoria da Contabilidade

a) Como objeto de comunicação – Os relatórios oriundos da contabilidade poderão ser


de grande valia, ao informar a organização sobre os planos e políticas da alta administração
e, de maneira geral, o posicionamento que a administração deseja tomar sobre a organização

b) Como objeto motivacional – Excluindo as empresas individuais, onde compete ao


administrador executar o serviço, não será competência do(s) administrador(es), fazer o
serviço ou fabricar o produto e sim verificar se os serviços e produtos estão sendo elaborados
por colaboradores que estarão a serviço da organização, sendo os responsáveis inclusive pela
contratação de um quadro de pessoas competentes para atingirem as metas estabelecidas. As
informações contábeis, certamente auxiliarão, se bem utilizadas, como fator motivacional e
por outro lado se utilizadas de maneira incorreta poderão contribuir negativamente.

c) Como objeto de verificação – A administração necessita periodicamente analisar o


desempenho e a qualidade dos serviços e produtos elaborados pelos colaboradores. A analise
de desempenho poderá resultar em ações corretivas, em promoções e reajustes salariais a
favor dos colaboradores, ou, em casos de força maior em demissões. Certamente a
informação contábil estará auxiliando neste processo de avaliação, embora nem sempre o
desempenho humano possa ser medido através de informações contidas em registros
contábeis.

PLANEJAMENTO – é o estabelecimento de processo decisório, definindo ações a


serem tomadas a curto, médio e longo prazo. Tais ações decisórias entre várias alternativas
devem ser consideradas as prioritárias podendo atingir parte da empresa ou mesmo a empresa
como um todo.

Normalmente para tomadas de decisão as informações contábeis são de muita


importância, pois quando bem elaborada a contabilidade informa o fiel estado da entidade em
um determinado momento e as variações ocorridas durante um intervalo de tempo que servirão
como um dos pontos favoráveis para elaboração de um plano de ação.
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2.2 Especializações Contábeis e Funções Contábeis Típicas.

Entre as providências preliminares para se colocar em funcionamento o sistema


organizacional de qualquer entidade será necessário o planejamento geral do setor de
contabilidade.

O contador deverá estudar a natureza da entidade, constatando os tipos de transações


prováveis que ocorrerão e planejar a maneira como tais transações deverão ser escrituradas,
sintetizadas e evidenciadas.

Deverá o responsável pelo setor de contabilidade, o contador, elaborar um plano de


contas, atendendo a estrutura da empresa e elaborando um manual de utilização do mesmo. Por
outro lado, caberá também ao contador definir o processo de escrituração a ser adotado pela
entidade.

A escrituração contábil se torna de certa forma rotineira, quando a contabilidade é bem


planejada, podendo ser terceirizada, de responsabilidade de um escritório de contabilidade. Em
qualquer empresa surgem a cada momento situações que somente poderão ser esclarecidas por
profissionais qualificados.

Às vezes, são problemas de interpretação e classificação de novos fatos ou operações


não previstas inicialmente. Em outras ocasiões, verifica-se a necessidade de modificação do
plano de contas, ou processo de escrituração, ou ainda sistema de apuração de dados para uma
melhor qualidade, o mesmo rapidez, na qualidade das informações.

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Teoria da Contabilidade

Elaboração e Interpretação de Relatórios, tais como Balanço Patrimonial,


Demonstração de Resultados, Fluxo de Caixa, Demonstrações de Origens e Aplicações de
Resultados, Balancetes de Verificação e muitos outros, são o resultado final do processo de
escrituração. Todo trabalho de natureza contábil numa entidade exigirá do profissional de
contabilidade, o Contador, uma especialização neste ou naquele ramo, Exemplo:

 Contabilidade Comercial;
 Contabilidade Pública;
 Contabilidade Bancária;
 Contabilidade de Custos;
 Contabilidade Industrial, etc...

Entre outros ramos da contabilidade. Importante lembrar que todas as ramificações da


contabilidade surgem da Contabilidade Geral que é a “mãe” de todas.

Figura 2 Fonte: Elaborada pelo autor.

E
Essppeecciiaalliizzaaççõõeess D
Diivveerrssooss:

ATIVIDADE RAMO DA CONTABILIDADE


Comercial Contabilidade Comercial
Industrial Contabilidade Industrial
Pública Contabilidade Pública
Bancária Contabilidade Bancária
Agrícola Contabilidade Agrícola
de Custos Contabilidade de Custos
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Dentre as ramificações ou detalhamentos da contabilidade, podemos destacar como


relevantes:

 Financeira e Contabilidade de Custos, esta praticada pelo Contador de Custos;


 Auditoria, podendo a mesma ser interna ou externa;
 Análise e Interpretação de Demonstrações Financeiras, exercida por Analistas
com formação básica em Contabilidade;
 Sistemas e Métodos, onde atuam Contadores com alto nível de especialização;
 Controladoria, cargo de alta especialização a ser atingido por um Contador
dentro de uma empresa, ligado a alta administração e responsável pela
supervisão da Contabilidade Financeira, Contabilidade de Custos, Auditoria
Interna, Contabilidade Fiscal, etc, reportando-se diretamente com altos
mandatários da empresa, tais como, Gerentes, Diretores e até mesmo com
Acionistas em alguns casos;
 Perícia Contábil, com a participação de Contadores com elevado nível técnico e
conhecimentos jurídicos.

Preliminarmente daremos maior ênfase à Contabilidade Financeira, responsável pelos


mecanismos básicos de acumulação de dados, registros e relatórios dentro das empresas. É
importante lembrar, também, que Contadores devidamente habilitados, com Registro no CRC,
podem exercer atividades periciais, judiciais ou extrajudiciais, trabalhos de Consultoria e
Auditoria.

2.3 Mercado de Trabalho

Podemos afirmar, que o mercado de trabalho, hoje no Brasil, é sem dúvida alguma um
dos mais promissores para Contadores de alto nível. É sem dúvida, um dos melhores e mais
remunerados entre os profissionais liberais.

Uma das razões é a obrigatoriedade das empresas em manterem os registros contábeis


atualizados para atender as exigências internas e externas. Esse papel traz, além de capacitação
técnica do Contador, alta dose de prudência, ética, de zelo e seriedade em suas atitudes.
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Teoria da Contabilidade

2.4 Limitações do Método Contábil

É importante lembrar algumas limitações do método contábil. A Contabilidade não


pode nem deve ser entendida como um fim em si mesma. Não podemos afirmar que as
informações advindas da Contabilidade só terão utilidade desde que atendam as necessidades da
administração e de outros interessados, e não apenas às necessidades do Contador.

Muitos relatórios contábeis ainda são elaborados sem muita utilidade para a
organização. O Contador deverá ter o cuidado de efetuar os registros dos eventos mensuráveis.
Ainda encontramos Contadores inescrupulosos no que diz respeito a princípios, a procedimentos
de avaliação e utilização de terminologias apropriadas.

O resultado de tais limitações, podemos verificar nos relatórios, que certamente não irão
refletir uma “imagem clara” da entidade em determinado momento.

2.5 Horizontes para a Contabilidade

À medida que a evolução na formação profissional do Contador for enriquecida; à


medida que os órgãos representantes de classe se preocuparem com a valorização do
profissional de contabilidade, certamente os horizontes da Contabilidade serão os mais amplos e
promissores.

A graduação é o início de um processo que no dia-a-dia deverá sofrer melhoria


contínua. Cada dia é uma nova oportunidade de aprender e colocar em prática os ensinamentos
adquiridos.

Lamentavelmente ainda encontramos profissionais muito voltados para si mesmos,


esquecendo que o fortalecimento da classe é iniciado pela união dos que a compõem.
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2.6 O Patrimônio

A palavra PATRIMONIO tem origem latina “patrimonium”, inicialmente tendo


como tradução a herança recebida do pai. O conceito inicial evoluiu e hoje entendemos como
Patrimônio o conjunto de Bens, Direitos e Obrigações de uma pessoa, correspondendo,
portanto, ao seu Patrimônio.

2.6.1 - Bens, direitos e obrigações.

Os bens de sua propriedade e os valores a receber de terceiros, bem como outros


direitos de uma pessoa representam os elementos positivos do patrimônio, os seus ativos.
Os valores provenientes de dívidas assumidas com terceiros e que serão devolvidos através de entrega de
ativos ou com surgimento de receitas, são elementos negativos do patrimônio, constituem o passivo.

Figura 2 Fonte: Elaborada pelo autor.

REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO PATRIMÔNIO

BENS + DIREITOS OBRIGAÇÕES

BENS

Dinheiro
Estoques
Ferramentas Aluguéis a Pagar
Imóveis Contas a Pagar
Máquinas Dividendos a Pagar
Marcas e Patentes Empréstimos
Móveis e Utensílios Encargos Sociais a Recolher
Obras de Arte Financiamentos a pagar
Veículos Fornecedores
Impostos a Recolher
DIREITOS Promissórias a Pagar
Prvisão de 13º Salário
Aluguéis a Receber Prvisão de Fédias
Depósitos Bancários Salários a Pagar
Duplicatas a Receber Títulos a pagar
Empréstimos a Sócios
Impostos a Recuperar
Investimentos Bancários
Títulos a Receber

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Teoria da Contabilidade

ESTÁTICA PATRIMONIAL

O Balanço patrimonial é uma das principais demonstrações contábeis, por meio da qual
podemos apurar situação patrimonial-financeira de uma entidade em determinado momento.
Serão evidenciadas, com bastante clareza, o Ativo, o Passivo e o Patrimônio Líquido da
entidade.

“ALPHA S.A.”

Balanço Patrimonial em 31-01-20..

ATIVO Passivo e Patrimônio Líquido


PASSIVO
Caixa 1.000 Títulos a Pagar 3.500
Bancos 800 Obrigações a Pagar 1.800 5.300
Títulos a Receber 3.000
Terrenos 1.700 PATRIMÔNIO Líquido
Veículos 500 Capital 4.000
Materiais 3.000 Reservas 700 4.700

TOTAL 10.000 TOTAL 10.000

ATIVO

Todos os elementos do Ativo estarão discriminados do lado esquerdo do Balanço


Patrimonial e serão representados por Bens e Direitos, como por exemplo: Caixa e Bancos
(valores que representam disponibilidades financeiras imediatas ), Títulos a Receber, Clientes ou
Duplicatas a Receber representando valores advindos empréstimos realizados a terceiros ou
Vendas efetuadas com vencimento futuro. Encontramos ainda os valores registrados de bens da
empresa tais como: Mercadorias, Terrenos, Imóveis, Veículos, Equipamentos e outros. É
oportuno lembrar que todas as contas com os termos complementares: a receber, a apropriar, a
compensar, pagas antecipadamente certamente terão grande possibilidade de serem classificadas
como de direitos, portanto serão do Ativo. Depreciação Acumulada de..., Amortização Acumu-
lada de... e Exaustão Acumulada de... são contas Redutoras do Ativo.

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PASSIVO

O Passivo compreende todas as obrigações a pagar da entidade assumidas com


terceiros, pessoas Jurídicas ou Físicas (Capitais de Terceiros). Os elementos estarão
representados do lado Direito da demonstração denominada Balanço Patrimonial. Entre outros
grupos do Passivo, podemos citar: Títulos a Pagar, Contas a Pagar, Fornecedores, Salários a
Pagar, Tributos a Pagar, Hipotecas a Pagar. Contas com a complementação em suas
nomenclaturas: a Pagar ou a Recolher indicam obrigações, portanto serão contas do Passivo.

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

O Patrimônio Líquido terá o seu valor apurado pela diferença entre o Total do Ativo
menos o Total do Passivo. (Bens e Direitos – Obrigações). Todos os elementos componentes do
Patrimônio Líquido estarão discriminados do lado direito do Balanço Patrimonial. Contas que
tiverem em sua nomenclatura o termo Reserva(s) certamente deverão ser classificadas no
Patrimônio Líquido.

Tomando-se como base o Balanço Patrimonial da empresa “ALPHA S.A.”


exemplificaremos abaixo:

Total do ativo da entidade . .. . . . . . . . . . . . . . $ 10.000


Valor Total do Passivo . . . . . . . . . . . . . . . . . . $ 5.300
Patriônio Liquido . . . . . . . . . .............. $ 4.700

AS FONTES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO


Podemos afirmar que as origens de recursos classificados no Patrimônio Líquido são de
fatos que nasceram dentro da própria entidade:

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Teoria da Contabilidade

o INVESTIMENTOS – Efetuados pelos Investidores (proprietários) em troca


de Ações, quotas ou outras participações;

o RESERVAS – Valores oriundos dos resultados obtidos pela entidade


Lucros ou Prejuízos, provenientes dos resultados operacionais da entidade
(são recursos próprios oriundos das atividades operacionais do empre-
endimento).

EXERCÍCIO E SOLUÇÕES

EXERCÍCIO Nº 01

Conforme as transações, informadas a seguir, de maneira cronológica, elaborar um


Balanço Patrimonial da empresa COMERCIAL MANAUARA S.A., após cada operação (em R$
mil).

DATA FATOS OCORRIDOS VALOR


01 02/01/20X1 Investimento inicial de Integralização de
Capital, em dinheiro. R$ 15.000
03/01/20X1 Aquisição de um Imóvel da Cia Beta S.A. com
02
Pagto. de R$ 2.000 e saldo a prazo R$ 5.500
05/01/20X1 Compra a vista de Veículo Cia. VCA Ltda.
03 Pagamento efetuado pelo Caixa. R$ 1.000
07/01/20X1 Aquisição de Equipamentos Industriais
04 (máquinas) da Cia. Brasil Ltda com
vencimento para 30 e 60 d.d.d. R$ 3.000
05 10/01/20X1 Pagamento efetuado por Caixa referente
Aquisição de Instalações para a empresa. R$ 1.500
14/01/20X1
06 Empréstimo realizado junto ao Bco. Do Brasil
S.A, venc. Em 31/03/20X1 Cred. em Conta
R$ 15.000
07 20/01/20X1 Pagamento saldo do Imóvel adquirido em
03/01/20X1 R$ 3.500
22/01/20X1 Integralização de Capital efetuada pelos
08 sócios com depósito efetuado no Bco. do
Brasil S.A. R$ 7.000
25/01/20X1 Compra a vista de Mercadorias Para Revenda
09 com Pagto. Pelo CH. Nº 001 Bco. do Brasil
S.A. R$ 10.000

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01 COMERCIAL MANAUARA S.A


Balanço Patrimonial em 02/01/20X1

Ativo Passivo + Patrimônio Líquido


ATIVO PATRIMONIO LÍQUIDO
Caixa R$ 15.000 Capital R$ 15.000

TOTAL . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 15.000 TOTAL . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 15.000

02 COMERCIAL MANAUARA S.A


Balanço Patrimonial em 03/01/20X1
Ativo Passivo + Patrimônio Líquido
ATIVO PASSIVO
Cia Beta S.A. R$ 3.500
Caixa R$ 13.000 PATRIMONIO LÍQUIDO
Imóvel R$ 5.500 Capital R$ 15.000

TOTAL . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 18.500 TOTAL . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 18.500

03 COMERCIAL MANAUARA S.A


Balanço Patrimonial em 05/01/20X1
Ativo Passivo + Patrimônio Líquido
ATIVO PASSIVO
Caixa R$ 12.000 Cia Beta S.A. R$ 3.500
Imóvel R$ 5.500 PATRIMONIO LÍQUIDO
Veículos R$ 1.000 Capital R$ 15.000

TOTAL . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 18.500 TOTAL . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 18.500

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Teoria da Contabilidade

04 COMERCIAL MANAUARA S.A


Balanço Patrimonial em 07/01/20X1

Ativo Passivo + Patrimônio Líquido


ATIVO PASSIVO
Caixa R$ 12.000 Cia Beta S.A. R$ 3.500
Imóvel R$ 5.500 Cia Brasil Ltda. R$ 3.000
Veículos R$ 1.000
Equipamentos Industriais R$ 3.000
PATRIMONIO LÍQUIDO
Capital R$ 15.000
TOTAL . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 21.500 TOTAL . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 21.500

05 COMERCIAL MANAUARA S.A


Balanço Patrimonial em 10/01/20X1
Ativo Passivo + Patrimônio Líquido
ATIVO PASSIVO
Caixa R$ 10.500 Cia Beta S.A. R$ 3.500
Imóvel R$ 5.500 Cia Brasil Ltda. R$ 3.000
Veículos R$ 1.000
Equipamentos Industriais R$ 3.000
Instalações R$ 1.500

PATRIMONIO LÍQUIDO
Capital R$ 15.000
TOTAL . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 21.500 TOTAL . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 21.500

COMERCIAL MANAUARA S.A


06
Balanço Patrimonial em 14/01/20X1

Ativo Passivo + Patrimônio Líquido


ATIVO PASSIVO
Caixa R$ 10.500 Cia Beta S.A. R$ 3.500
Imóvel R$ 5.500 Cia Brasil Ltda. R$ 3.000
Veículos R$ 1.000 Bco. do Brasil S.A (Emprest.) R$ 15.000
Equipamentos Industriais R$ 3.000
Instalações R$ 1.500
Bco. do Brasil S.A (C.Movim.) R$ 15.000
PATRIMONIO LÍQUIDO
Capital R$ 15.000
TOTAL . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 36.500 TOTAL . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 36.500
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Prof. Valbertone C. de Araújo

07 COMERCIAL MANAUARA S.A


Balanço Patrimonial em 20/01/20X1
Ativo Passivo + Patrimônio Líquido
ATIVO PASSIVO
Caixa R$ 7.000
Imóvel R$ 5.500 Cia Brasil Ltda. R$ 3.000
Veículos R$ 1.000 Bco. do Brasil S.A (Emprest.) R$ 15.000
Equipamentos Industriais R$ 3.000
Instalações R$ 1.500
Bco. do Brasil S.A (C.Movim.) R$ 15.000
PATRIMONIO LÍQUIDO
Capital R$ 15.000
TOTAL . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 33.000 TOTAL . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 33.000

08 COMERCIAL MANAUARA S.A


Balanço Patrimonial em 22/01/20X1

Ativo Passivo + Patrimônio Líquido


ATIVO PASSIVO
Caixa R$ 7.000 Cia Brasil Ltda. R$ 3.000
Imóvel R$ 5.500 Bco. do Brasil S.A (Emprest.) R$ 15.000
Veículos R$ 1.000
Equipamentos Industriais R$ 3.000
Instalações R$ 1.500
Bco. do Brasil S.A (C.Movim.) R$ 22.000
PATRIMONIO LÍQUIDO
Capital R$ 22.000
TOTAL . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 40.000 TOTAL . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 40.000

COMERCIAL MANAUARA S.A


09 Balanço Patrimonial em 25/01/20X1

Ativo Passivo + Patrimônio Líquido


ATIVO PASSIVO
Caixa R$ 7.000 Cia Brasil Ltda. R$ 3.000
Imóvel R$ 5.500 Bco. do Brasil S.A (Emprest.) R$ 15.000
Veículos R$ 1.000
Equipamentos Industriais R$ 3.000
Instalações R$ 1.500
Bco. do Brasil S.A (C.Movim.) R$ 12.000
Mercadorias P/Revenda R$ 10.000 PATRIMONIO LÍQUIDO
Capital R$ 22.000
TOTAL . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 40.000 TOTAL . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 40.000

21
Teoria da Contabilidade

2.6.2 - Composição patrimonial de acordo com a Lei 11.638/07


Estrutura do Balanço Patrimonial segundo a Lei 6.404/76 x Lei 11.638/07.
Figura 3 Fonte: Elaborada pelo autor.
ANTES DEPOIS

ATIVO CIRCULANTE ATIVO CIRCULANTE

REALIZÁVEL A LONGO PRAZO ATIVO NÃO CIRCULANTE

ATIVO PERMANENTE • REALIZÁVEL A LONGO PRAZO


• INVESTIMENTO • INVESTIMENTO
• IMOBILIZADO • IMOBILIZADO
• DIFERIDO • INTANGÍVEL
• DIFERIDO

ANTES DEPOIS

PASSIVO CIRCULANTE
PASSIVO CIRCULANTE
PASSIVO NÃO CIRCULANTE
PASSIVO EXIGÍVEL A LONGO
PRAZO • EXIGÍVEL A LONGO PRAZO
• RESULTADO DE EXERCÍCIOS
RECEITAS DE EXERCÍCIOS FUTUROS
FUTUROS
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
PATRIMÔNIO LÍQUIDO • CAPITAL SOCIAL
• CAPITAL SOCIAL • RESERVA DE CAPITAL
• RESERVA DE CAPITAL • AJUSTE DE AVALIAÇÃO
• RESERVA DE REAVALIAÇÃO PATRIMONIAL
• RESERVAS DE LUCROS • RESERVAS DE LUCROS
• LUCROS OU PREJUIZOS • AÇÕES EM TESOURARIA
ACUMULADOS • PREJUIZOS ACUMULADOS

Pode-se verificar no quadro a cima, que com a vigência da Lei 11.368/07, já ocorreram
mudanças na estrutura do Balanço Patrimonial, como:

22
Prof. Valbertone C. de Araújo

 Criação do subgrupo “INTANGÍVEL” no Permanente, desdobrado do subgrupo


Imobilizado. (art. 179, VI);

 Extinção da possibilidade de reavaliação dos bens do Ativo Imobilizado e,


consequentemente, eliminação das Reservas de Reavaliação;

 O uso do subgrupo Diferido fica restrito ao registro das despesas pré-


operacionais e aos gastos de reestruturação. (art. 179, V);

 Eliminação da conta “Lucros ou Prejuízos Acumulados” mantendo somente a


conta “Prejuízos Acumulados” (art. 178, § 2°, d);

 Criação, no Patrimônio Líquido, do subgrupo “Ajustes de Avaliação


Patrimonial”, englobando, (art. 182, § 3°) “;

 Como “Reservas de Capital” passam a ser considerados apenas os ganhos


relacionados com o Capital Social da empresa;

 Reserva de Lucros a Realizar – Inclusão, no cálculo da parcela realizada do


lucro líquido do exercício, do resultado não realizado da contabilização de ativo
e passivo pelo valor de mercado (art. 197, § 2°, II).

2.6.3. – Equação fundamental do patrimônio

A demonstração quantitativa do Patrimônio de uma entidade é denominada


como BALANÇO PATRIMONIAL, como já vimos, informando do lado esquerdo o
ATIVO e do lado direito o PASSIVO e o PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Figura 4 Fonte: Elaborada pelo autor.

23
Teoria da Contabilidade

Uma das demonstrações clássicas da representação equilíbrio patrimonial é a indicada


acima onde visualizamos uma balança contendo dois pratos com pessoa iguais, indicando que a
soma das origens de recursos (recursos próprios mais capitais de terceiros) é exatamente igual ao
total das aplicações (bens e direitos).

A seguir apresentaremos outras representações que demonstram o equilíbrio dos valores


constantes em um BALANÇO PATRIMONIAL. Procurem com bastante calma analisarem
cuidadosamente as demonstrações e entenderão, certamente, a razão da igualdade de valores
existentes do lado esquerdo do (ATIVO, Bens e Direitos) e do lado direito (PASSIVO + PL,
Obrigações mais Capital Próprio).

PATRIMÔNIO

CONCEITO:
•CONJUNTO DE BENS PERTENCENTES A UMA PESSOA OU A
UMA EMPRESA  BENS.
• VALORES A RECEBER E DIREITOS A RECEBER DIREITOS,
• CONTAS A PAGAR, DÍVIDAS  OBRIGAÇÕES.

Podemos afirmar, portanto, que Patrimônio é o conjunto de bens, direitos e obrigações


de uma entidade.

BENS :São as coisas úteis, capazes de satisfazer às necessidades das pessoas físicas ou jurídicas.
Em direito coisa é: “tudo aquilo que carece de personalidade’.
Somente o homem possui personalidade, portanto, coisa é tudo que existe além dele.

São Classificados em:

Bens Tangíveis = Aqueles que Têm forma física, são palpáveis (concretos).
Ex.: Veículos, estoques de mercadorias, ferramentas, imóveis, dinheiro,
móveis e utensílios, etc.
24
Prof. Valbertone C. de Araújo

Bens Intangíveis = Não são palpáveis, não constituídos de matéria.


Ex.: Marcas (Arisco, Coca-cola), patentes de invenção (direito exclusivo
de explorar uma invenção). Denominados também de incorpóreos

Conforme o Código Civil Brasileiro:

Bens Imóveis = Vinculados ao solo. Não podem ser retirados sem destruição ou
dano: edifício, árvores etc.

Bens móveis = Podem ser removidos por si próprios ou por outras pessoas:
animais (semoventes), máquinas, equipamentos, estoques de mercadorias.

DIREITOS: Em Contabilidade entende-se como o poder de exigir alguma coisa de alguém. São
os valores a receber, tais como: títulos a receber, contas a receber, etc. No que se
refere a empresa, o direito a receber mais comum decorre das vendas a prazo,
quando a empresa vendedora emite uma duplicata como documento comprobatório
da transação. Esse direito denomina-se duplicatas a receber.

Como exemplos de outros direitos podemos destacar alugueis a receber, promissó-


rias a receber, impostos a recuperar, etc. Os valores depositados e ou aplicados em
instituições financeiras também são direitos das entidades.

OBRIGAÇÕES: São dívidas com outras Pessoas Jurídicas ou Físicas. Em Contabilidade tais
dívidas são denominadas obrigações exigíveis, compromissos que deverão
ser pagos nas datas de vencimento. Uma obrigação exigível bastante comum
nas empresas é a compra de mercadorias a prazo. Nesta operação a empresa
compradora fica devendo ao fornecedor da mercadoria; por essa razão, essa
dívida é conhecida como fornecedores.
Em algumas ocasiões as entidades recorrem a Instituições Financeiras
(Bancos) com a finalidade de obtenção de financiamentos com o objetivo de
melhorar o seu Capital de Giro ou aquisição de bens para suprir as
necessidades de suas atividades.
Obrigações trabalhistas, oriundas de encargos trabalhistas, são normais em
todas as entidades.
Outras obrigações exigíveis são com o governo; impostos a recolher – com as
financeiras; financiamentos a pagar – com o INSS e FGTS; encargos sociais a
recolher – com o locador do prédio; aluguéis a pagar.

25
Teoria da Contabilidade

Figura 4 Fonte: Elaborada pelo autor.

2.6.4 Representação gráfica dos estados patrimoniais

PATRIMÔNIO

PATRIMÔNIO DA CIA. CONTÁBEIS

BENS + DIREITOS OBRIGAÇÕES EXIGÍVEIS


Bens 1.830 Obrigações 4.500
Direitos 2.800

Lado Esquerdo Lado Direito

Nesta representação, coloca-se no lado esquerdo Bens e Direitos e


no lado direito, Obrigações.

Bens + Direitos – Obrigações Exigíveis = Patrimônio Líquido

Patrimônio Líquido = $ ???? O P.L. pode ser negativo ???

PATRIMÔNIO DA CIA. TERESÓPOLIS


BENS + OBRIGAÇÕES
DIREITOS EXIGÍVEIS
Bens 1.830 Obrigações 4.500
Direitos 2.800 Patrimônio Líquido 130
TOTAL 4.630 TOTAL 4.630
Patrimônio Líquido = $ 130

26
Prof. Valbertone C. de Araújo

Figura 5 Fonte: Elaborada pelo autor.


PATRIMÔNIO

Pessoa Jurídica Pessoas Físicas


Nasce de um contrato Reúnem-se p/ estruturar a PJ

Precisa de uma quantia inicial


$ para Iniciar o Negocio ????
Usam suas poupanças como
Capital Social uma reserva Inicial e forne-
cem à PJ

ATIVO PC + PL
Sócios
A - 30.000
Bens=Aplic. PL = Origem Aplicam na PJ B - 30.000
Caixa 90.000 Capital 90.000 C - 30.000
90.000
Aplic. = $ 90.000 P. L = $ 90.000

27
Teoria da Contabilidade
Proprietários
(PL)
Figura 6 Fonte: Elaborada pelo autor. Fornecedores
Governo
Bancos, etc...
Financeira
Caixa
Estoque s etc.
Máquinas Balanço Patrimonial
Imóveis Ativo P e PL (origens)
etc. $$$$$$
$$
De
Aplicaçõe $$$$$$$ $$$
terceiros $$$$$$
s $ $
e próprio $$
$

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

ATIVO - PASSIVO

ATIVO

PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

ATIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

PASSIVO

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Prof. Valbertone C. de Araújo

Figura 7 Fonte: Elaborada pelo autor.


DENOMINAÇÕES UTILIZADAS SOBRE PATRIMÔNIO

PATRIMONIO

BENS DIREITOS OBRIGAÇÕES

ATIVO PASSIVO
ou ou
CAPITAL APLICADO CAPITAL ALHEIO
ou ou
PATRIMONIO BRUTO PASSIVO EXIGÍVEL
ou ou
RECURSOS APLICADOS CAPITAL DE TERCEIROS
ou ou
APLICAÇÃO DOS RECURSOS RECURSOS DE TERCEIROS

PATRIMÔNIO LÍQUIDO = BENS + DIREITOS - OBRIGAÇÕES

OU

PATRIMÔNIO LÍQUIDO = ATIVO - PASSIVO EXIGÍVEL

OUTRAS DENOMINAÇÕES PARA PATRIMÔNIO LÍQUIDO:

SITUAÇÃO LÍQUIDA
OU
RECURSOS PRÓPRIOS
OU
CAPITAL PRÓPRIO
OU
PASSIVO NÃO-EXIGÍVEL

29
Teoria da Contabilidade

3. INFORMAÇÃO CONTÁBIL

De maneira bastante objetiva, podemos afirmar que a Contabilidade coleta, processa e


divulga dados, traduzidos monetariamente, do patrimônio das entidades.

Figura 8 Fonte: Elaborada pelo autor.

DADOS
$ RELATÓRIOS
PATRIMONIAIS PROCESSAMENTO

3.1 Técnicas Contábeis

Lopes de Sá, em seu Dicionário de Contabilidade, fala sobre técnica contábil como:
“conjunto de processos adotados em Contabilidade para registrar ou levantar os fatos
patrimoniais”. Considerando, portanto, a escrituração como técnica contábil. Os autores de
maneira geral consideram como técnicas contábeis: Escrituração, Demonstrações Contábeis,
Análise de Balanço e Auditoria.

 Escrituração: Técnica que proporciona o levantamento e processamento dos


registros contábeis em ordem cronológica proporcionando uma historia real da
entidade ao longo do tempo;

 Demonstrações Contábeis: São constituídas por um conjunto de peças que


evidenciam os resultados Econômicos e Financeiros das entidades em um
determinado momento e a apuração de vantagens ou desvantagens durante um
determinado período;

30
Prof. Valbertone C. de Araújo

Podemos enumerar como principais:


 Balanço Patrimonial;
 Demonstração de Resultado do Período;
 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido;
 Demonstração dos Fluxos de Caixa; e
 Demonstração do Valor Agregado.

 Análise de Balanço: É o estudo das demonstrações contábeis por meio de


índices que permitem avaliar a situação financeira, econômica e patrimonial das
entidades.

 A Auditoria: No sentido lato, é um conjunto de procedimentos técnicos


aplicados sobre uma relação de responsabilidade, com o objetivo de emissão de
um relatório. Em sentido restrito, a Auditoria Contábil objetiva após aplicação
de procedimentos técnicos, a emissão de opinião sobre a adequação das
demonstrações contábeis através de parecer.

O CFC conceitua a Auditoria Contábil como:

 A auditoria das demonstrações contábeis constitui o conjunto de procedimentos


técnicos que tem por objetivo a emissão de parecer sobre a sua adequação,
consoante os Princípios Fundamentais de Contabilidade e as Normas Brasileiras de
Contabilidade e, no que for pertinente, a legislação específica.

Resumo gráfico de Técnicas Contábeis:

Figura 9 Fonte: Elaborada pelo autor.

ESCRITURAÇÃO

DEMONSTRAÇÕES
CONTÁBEIS

ANÁLISE DE
AUDITORIA BALANÇO

31
Teoria da Contabilidade

3.2 Usuários da Informação Contábil

Todas as pessoas físicas ou jurídicas possuem algum patrimônio; logo podemos afirmar
que todas necessitam e se interessam por informações contábeis.

Podemos citar entre outros os interessados que seguem:

 Os proprietários – todo proprietário (empresário), que pode ser um acionista ou


cotista, pessoa física ou jurídica necessita de informações para saber se as metas
estabelecidas estão sendo observadas e se os objetivos da empresa estão sendo
atingidos. Para tomar conhecimento sobre os resultados, favoráveis ou
desfavoráveis da empresa sempre as terá através das informações contábeis.

 Os administradores – através da contabilidade, os administradores poderão


realizarem o planejamento das ações a serem tomadas, bem como, acompanhar
os resultados e analisar as variações ocorridas, uma vez que a maioria das
decisões envolvem aspectos financeiros. O conhecimento das práticas contábeis
e das informações geradas será de grande valia para todo administrador.

 Os fornecedores – para os fornecedores de bens ou serviços é de grande


interesse ter conhecimento da situação financeira de seu cliente. Para tanto
existe o interesse sobre as informações contábeis com o objetivo de saber se o
seu cliente possui as condições financeiras, para na data de suas liquidações, por
compras realizadas, terão condições de liquidar tais compromissos.

 Os clientes – é evidente que para os clientes há também interesse sobre o


conhecimento das informações contábeis de seus fornecedores. E muito
importante em alguns casos que o cliente tenha a certeza, principalmente sobre a
continuidade e capacidade suprir suas necessidades sobre o fornecimento de
bens ou serviços prestados.

 Os banqueiros – os bancos, principais financiadores de capitais, sendo um dos


mais importantes agentes para o fomento da economia. Para o fornecimento de
credito e concessão de empréstimos a seus clientes sempre os mesmos passam
por análise e aprovação para a concessão de empréstimos para se assegurarem
que não terão futuros prejuízos.

 Os economistas – Para a laboração de projetos, as peças contábeis são de grande


valia para os profissionais de economia. Através das informações contábeis os
mesmos terão uma visão sobre as reais condições econômicas e financeiras das
empresas, para bem elaborarem os seus trabalhos.

32
Prof. Valbertone C. de Araújo

 O governo – como bem sabemos a principal fonte de arrecadação para os três


níveis de governo, municipal, estadual e federal, são as Pessoas Jurídicas através
de tributos e a maioria deles baseados em informações reunidas da contabilidade
das empresas. O Sistema Tributário Nacional é o instrumento responsável
pela distribuição de renda arrecadada através dos tributos pagos
pelos brasileiros. O tributo tem como finalidade o financiamento dos serviços
públicos prestados no Brasil, tais como serviços de segurança pública, educação,
fiscalização, previdência social, entre outros.

 Os sindicatos – e evidente que as classes trabalhistas, através dos sindicatos são


também interessados nas informações contábeis das empresas com a finalidade
de acompanhar os resultados econômicos e a saúde financeira das empresas com
o objetivo de bem negociarem os reajustes da categoria e também analisarem a
participação nos resultados.

 Os auditores – os profissionais de auditoria são contratados para emitir opinião


sobre a adequação ou não dos demonstrativos contábeis elaborados. É evidente
que para os mesmos os relatórios contábeis são peças fundamentais para
elaboração de seu trabalho.

33
Teoria da Contabilidade

4 . PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE – CFC

De acordo com a estrutura conceitual do CFC: os Princípios Fundamentais de


Contabilidade são aqueles determinados pelo Conselho Federal de Contabilidade, pela
Resolução CFC Nº 750/94, e complementarmente temos a Resolução CFC Nº 794, que se trata
de um Apêndice aos Princípios Fundamentais de Contabilidade, contendo comentários sobre o
conteúdo dos enunciados, tendo por objetivo uma melhor compreensão sobre tão importante
assunto.

A própria resolução nos diz que os Princípios Fundamentais de Contabilidade,


aprovados pela Resolução CFC n° 750-93, de 29 de dezembro de 1993, requerem, para o seu
amplo entendimento pelos usuários da informação contábil e para a perfeita compreensão pelos
profissionais da contabilidade, um grau de detalhamento que não é possível abranger os próprios
enunciados.

4.1 Resolução 750/94 – CFC

A Resolução CFC Nº 750/94 estabelece que os Princípios Fundamentais de


Contabilidade representam a essência das doutrinas e teorias relativas à Ciência da
Contabilidade,consoante o entendimento predominante nos universos científico e profissional de nosso País.
Concernem, pois, à Contabilidade no seu sentido mais amplo de ciência social, cujo objeto é o Patrimônio
das Entidades. A Resolução 774/94 esclarece que os Princípios Fundamentais de Contabilidade
representam o núcleo central da própria Contabilidade, na sua condição de “ciência social”, sendo a ela
inerentes. Os Princípios constituem sempre vigas-mestras de uma ciência, revestindo-se dos atributos de
universalidade e veracidade, conservando validade em qualquer circunstância ...Os princípios
contábeis, de acordo com a estrutura do CFC, foram determinados pela Resolução CFC Nº 750/94, e
comentada pela Resolução CFC Nº 794

34
Prof. Valbertone C. de Araújo

De acordo com essas resoluções, os Princípios Fundamentais de Contabilidade são:

 ENTIDADE;
 CONTINUIDADE;
 OPORTUNIDADE;
 REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL;
 COMPETÊNCIA;
 PRUDÊNCIA.

A seguir serão fornecidas as características desses princípios, extraídas da Resolução 750.

PRINCÍPIO DA ENTIDADE

O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e


afirmando a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo
dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas,
uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüente,
nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de
sociedade ou instituição.O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A
soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas
numa unidade de natureza econômico-contábil.

PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE

A CONTINUIDADE ou não da ENTIDADE, bem como sua vida definida ou provável,


deve ser considerada quando da classificação e avaliação das mutações patrimoniais,
quantitativas e qualitativas.

35
Teoria da Contabilidade

A CONTINUIDADE influencia o valor econômico dos ativos e, em muitos casos, o valor ou o


vencimento dos passivos, especialmente quando a extinção da ENTIDADE tem prazo
determinado, previsto ou previsível. A observância do Princípio da CONTINUIDADE é
indispensável à correta aplicação do Princípio da COMPETÊNCIA, por efeito de se relacionar
diretamente à quantificação dos componentes patrimoniais e à formação do resultado, e de constituir
dado importante para aferir a capacidade futura de geração de resultado.

PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE

O Princípio da OPORTUNIDADE refere-se, simultaneamente, à tempestividade e à


integridade do registro do patrimônio e das suas mutações, determinando que este seja feito de
imediato e com a extensão correta, independentemente das causas que as originaram. Como
resultado da observância do Princípio da OPORTUNIDADE:

 Desde que tecnicamente estimável, o registro das variações patrimoniais deve


ser feito mesmo na hipótese de somente existir razoável certeza de sua
ocorrência;

 o registro compreende os elementos quantitativos e qualitativos, contemplando


os aspectos físicos e monetários;

 o registro deve ensejar o reconhecimento universal das variações ocorridas no


patrimônio da ENTIDADE, em um período de tempo determinado, base
necessária para gerar informações úteis ao processo decisório da gestão.

PRINCÍPIO DO REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL

Os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das


transações com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do país, que serão
mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou
decomposições no interior da ENTIDADE.
36
Prof. Valbertone C. de Araújo

Do Princípio do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL resulta:

 a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores
de entrada, considerando-se como tais os resultantes do consenso com os
agentes externos ou da imposição destes;

 uma vez integrado ao patrimônio, o bem, direito ou obrigação não


poderão ter alterados seus valores intrínsecos, admitindo -se, tão-
somente, sua decomposição em elementos e/ou sua agregação, parcial
ou integral, a outros elementos patrimoniais;

 o valor original será mantido enquanto o componente permanecer como parte do


patrimônio, inclusive quando da saída deste;

 o uso da moeda do país na tradução do valor dos componentes patrimoniais constitui


imperativo de homogeneização quantitativa dos mesmos.

PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA

As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em


que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou
pagamento.

O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo


resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das
mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE.

O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas,é conseqüente


natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. As consideram-se realizadas:

 nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou


assumirem compromisso de efetivá-lo, quer pela investidura na propriedade de bens

37
Teoria da Contabilidade

anteriormente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta


prestados;

 quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o


motivo,sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou
maior;

 pela geração natural de novos ativos independentemente da intervenção de


terceiros;

 no recebimento efetivo de doações e subvenções.

 Consideram-se incorridas as despesas:

 quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por transferência de sua


propriedade para terceiro;

 pela diminuição ou extinção do valor econômico de um ativo;

 pelo surgimento de um passivo, sem o correspondente ativo.

PRINCÍPIO DA PRUDÊNCIA

O Princípio da PRUDÊNCIA determina a adoção do menor valor para os componentes


do ATIVO e do maior para os do PASSIVO, sempre que se apresentem alternativas
igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem o patrimônio
líquido.O Princípio da PRUDÊNCIA impõe a escolha da hipótese de que resulte
menor patrimônio líquido, quando se apresentarem opções igualmente aceitáveis diante dos demais Princípios
Fundamentais de Contabilidade.O Princípio da PRUDÊNCIA somente se aplica às mutações posteriores,
constituindo-se ordenamento indispensável à correta aplicação do Princípio da COMPETÊNCIA.
A aplicação do Princípio da PRUDÊNCIA ganha ênfase quando, para definição dos valores relativos às
variações patrimoniais, devem ser feitas estimativas que envolvem incertezas de grau variável.

38
Prof. Valbertone C. de Araújo

RESUMO DOS PRINCÍPIOS CONTÁBEIS

1.Reconhece o patrimônio como objeto da contabilidade, afirmando a


autonomia patrimonial;
ENTIDADE:
2.O patrimônio não se confunde com aqueles dos sócios ou
proprietários.

A continuidade das operações e presumida indefinidamente pela


CONTINUIDADE:
Contabilidade.

Os registros contábeis relacionados às mutações patrimoniais


OPORTUNIDADE: efetuados de forma tempestiva e integral, no tempo (momento) certo e
com extensão correta.

Os componentes patrimoniais devem ser registrados pelos valores


REGISTRO PELO
originais (documentais) das transações com o mundo exterior,
VALOR ORIGINAL:
expressos a valor presente na moeda do país.

As receitas e despesas devem ser incluídas na apuração do resultado


COMPETÊNCIA: do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se
correlacionarem, independente de terem sido recebidas ou pagas.

Determina a adoção do menor valor aos componentes do ATIVO e


maior para o PASIVO, sempre que se apresentarem alternativas
PRUDÊNCIA:
igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais
que alteram o Patrimônio Líquido.

39
Teoria da Contabilidade

5 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

No Capítulo 3 conhecemos algumas Técnicas Contábeis tais como:

 Escrituração;

 Demonstrações Contábeis;
Balanço Patrimonial;
Demonstração de Resultado do Período;
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido;
Demonstração dos Fluxos de Caixa; e
Demonstração do Valor Agregado.

 Análise de Balanço; e

 A Auditoria.

Para iniciantes o estudo de Ciências Contábeis iremos explorar parcialmente tais técnicas,
tais como:

 Escrituração;
 Demonstrações Contábeis;
Balanço Patrimonial;
Demonstração de Resultado do Período.

5.1 Escrituração

Não teríamos hoje condições de elaborarmos as demonstrações contábeis se inexistisse


a escrituração dos fatos contábeis. A escrituração representa uma técnica utilizada pela
contabilidade e representa o registro, em livros próprios, de todos os fatos que provocam
alterações no patrimônio da empresa. É importante lembrar alguns conceitos, antes de mais nada
sobre aquilo que efetivamente é escriturado contabilmente.

40
Prof. Valbertone C. de Araújo

Na verdade a escrituração, não é nada mais que o registro de ações administrativos que
causam variações no patrimônio da entidade, portanto devemos distinguir quais que podem ser
traduzidos como fatos contábeis.

Ações Administrativos – São ocorrências que podem ou não modificar os elementos


patrimoniais, tais como: reunião da diretoria, compra de veículo, inventário de bens, compra de
mercadorias para revenda ou consumo, admissão ou demissão de colaborador etc.. São Atos e
Fatos Administrativos.

Ato Administrativo - Ação praticada pela administração que não provoca (podendo vir
a provocar) alteração qualitativa e/ou quantitativa no patrimônio da entidade, portanto, não
interessa à contabilidade.

Exemplo: avalizar uma compra, ATO ADMINISTRATIVO, não altera o Patrimônio.

Fato Administrativo - Ação praticada pela administração que provoca alteração


qualitativa e/ou quantitativa no patrimônio da entidade, portanto interessa à contabilidade.

Exemplo: pagar o aval de uma compra, FATO ADMINISTRATIVO = FATO CONTABIL,


ALTERA O PATRIMÔNIO.

Fatos Contábeis – São ocorrências que provocam alterações qualitativas e quantitativas


nos elementos do patrimônio, tais como: compra de mercadorias para revenda, compra de
veículo, venda de mercadorias, pagamento de ordenados e salários etc..

5.2 – Variações Patrimoniais

Conceito de Variações Patrimoniais: São todas as alterações sofridas pelo patrimônio na


sua composição qualitativa e/ou quantitativa em virtudes de atos praticados pela administração,
ou fatos vinculados às atividades da entidade ou, ainda, resultantes de fatos totalmente
imprevistos ou fortuitos.

41
Teoria da Contabilidade

Podemos verificar que todo fato contábil é um fato administrativo, todavia não
podemos afirmar que todo ação administrativo se constitua em um fato contábil. As decisões dos
administradores das entidades que podem ser traduzidos (convertidos) monetariamente em
moeda são aqueles que denominamos como fatos contábeis, e portanto, deverão ser reconhecidos
contabilmente em sua escrituração.

Sá, Antônio Lopes de, em seu livro Princípios Fundamentais de Contabilidade, quando
se reporta sobre variações patrimoniais, afirma:

As variações patrimoniais e o Princípio da COMPETÊNCIA


A compreensão do cerne do Princípio da COMPETÊNCIA está diretamente
ligada ao entendimento das variações patrimoniais e sua natureza. Nestas
encontramos duas grandes classes: a daquelas que somente modificam a
quantidade ou a natureza dos componentes patrimoniais, sem repercutirem no
montante do Patrimônio Líquido, e a das que o modificam. As primeiras são
denominadas de ”qualitativas”, ou “permutativas”, enquanto as segundas são
chamadas “quantitativas”, ou “modificativas”. Cumpre salientar que estas
últimas sempre implicam a existência de alterações qualitativas no patrimônio,
a fim de que permaneça inalterado o equilíbrio patrimonial.

5.2.1 – Tipos de Variações Patrimoniais:

Os fatos contábeis podem ser classificados em:

 - Fatos Permutativos (ou compensativo): são aqueles que apenas provocam


alterações em contas do patrimônio. O valor e do fato não irá afetar o
Patrimônio Líquido da entidade;

Exemplos:

 depósito bancário;
 venda de um bem sem lucro nem prejuízo;
 compra de mercadorias a prazo;
 compra de mercadorias a vista;
 aumento de capital com Reservas;
 pagamento de uma dívida.

42
Prof. Valbertone C. de Araújo

 - Fatos Modificativos: são todos aqueles que modificam o Patrimônio Líquido


da entidade, na maioria das vezes envolvem contas de Resultado (Despesas ou
Receitas).

Exemplos:

 constituição do capital da entidade;


 despesas com energia a pagar;
 pagamento de despesas com ordenados e salários;
 pagamento de despesas de aluguel;
 recebimento de receitas com serviços;
 receitas de vendas a receber
 recebimento de juros ativos;
 pagamentos de juros passivos.

 - Fatos Mistos (ou composto): São todos os fatos que envolvem além de contas
do patrimônio entre si ainda modificam a Situação Líquida da entidade,
provocam alterações no Patrimônio Líquido.

Exemplos:
 recebimento de um direito com juros ou desconto;
 venda de um veículo com lucro ou prejuízo;
 pagamento de uma obrigação com juros ou desconto;
 venda de mercadorias para revenda com lucro ou prejuízo;
 operação de Desconto de Duplicatas;
 compra ou venda de ações com ágio ou deságio, etc.

5.2.1.1 - Superveniência e Insubsistência

Conceito: Eventuais alterações positivas ou negativas da Situação Líquida, independentes de


intervenção da gestão.

43
Teoria da Contabilidade

 Superveniência: Provocam aumento e pode ser:

 SUPERVENIÊNCIA ATIVA

– Aumento do ativo (variação patrimonial ativa). Ex: Recebimento de valores


provenientes de prêmios, loterias, herança ou legado doação.

 SUPERVENIENCIA PASSIVA

– Aumento do passivo (variação patrimônio passiva). Ex: Reconhecimento de


dívidas anteriormente não registradas no passivo, provenientes de decisão
judicial ou de outros casos fortuitos.

 Insubsistência: Provocam diminuição e pode ser:

 INSUBSISTÊNCIA DO ATIVO

– diminui o ativo (variação patrimonial passiva) Ex: Ocorrência de incêndio,


furto, perda de rebanho por morte.

 INSUBSISTËNCIA DO PASSIVO

– diminui o passivo (variação patrimonial ativa). Ex: Redução no valor das


obrigações por motivo de prescrição ou baixa da dívida correspondente

 Efeitos no Patrimônio Líquido

 Superveniência ativa – Aumenta o patrimônio líquido (receita)


 Superveniência passiva – Diminui o patrimônio líquido (despesa)
 Insubsistência do ativo – Diminui o patrimônio líquido (despesa).
Também denominada de Insubsistência Passiva.

 Insubsistência do passivo – Aumenta o patrimônio líquido


(receita). Também denominada de Insubsistência Ativa.

44
Prof. Valbertone C. de Araújo

5.2.1.2 – Contas de Resultado (elementos modificativos)

 Receitas
As Receitas constituem os elementos denominados positivos, ou seja, aumentam
o Patrimônio Líquido.

Abaixo algumas nomenclaturas de Receitas:


 receitas com vendas;
 receitas de alugueis;
 juros ativos;
 descontos obtidos;
 outras receitas.

Para o Comitê de Pronunciamentos Contábeis - (PCP), organismo criado pela


Resolução n.1.055/2005 para o estudo, o reparo e emissão de Procedimentos
Técnicos sobre normas de Contabilidade, Receitas “são aumento nos
benefícios econômicos durante o período sob a forma de aumentos de Ativos
ou diminuição de Passivos, que resultam em aumentos do Patrimônio Líquido
e que não sejam provenientes de aportes dos proprietários da entidade”.

 Despesas.

De maneira inversa as Despesas São consideradas como elementos negativos


que, reduzem o Patrimônio Líquido da entidade. Podem ser consideradas como
consumo de um bem ou serviço que direta ou indiretamente irão gerar Receitas.
São também as Despesas consideradas como reduções do Ativo sem a
correspondente redução do Passivo.

Podemos exemplificar como Despesas:


 Custo das Mercadorias Vendidas (CMV);
 Custo dos Produtos Vendidos (CPV);
 Custo dos Serviços Prestados (CSP);
 impostos sobre vendas;
 despesas com salários;
 despesas com condução;
 despesas com veículos;
 juros passivos;
 despesas com seguros;
 despesas com encargos sociais;
45
Teoria da Contabilidade

Para o Comitê de Pronunciamentos Contábeis - (PCP), despesas “são decréscimos nos


benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de saída ou redução de ativos ou
incrementos em passivos, que resultam em decréscimo do Patrimônio Líquido e que não sejam
provenientes de distribuição de resultado ou de Capital aos proprietários da entidade”.

Toda entidade constituída, para exercer atividade, com objetivo de obter Lucro, visa
evidentemente o crescimento de seu patrimônio através de realização de Lucros.

A máxima contábil da Confrontação da Receita (para cada receita teremos uma ou mais
despesas que lhe deu origem), as Receitas devem sempre ser apresentadas em confronto com as
Despesas correspondentes, pois somente dessa forma que apuramos o resultado (Lucro ou
Prejuízo), aumentando ou diminuindo o Patrimônio Líquido.

Confrontação das Contas de Resultado:

Quando as Receitas superarem as Despesas em um mesmo período, afirmamos que a


entidade obteve um Lucro. R > D

Quando as Despesas superarem as Receitas, afirmamos que a entidade obteve um


Prejuízo. D > R

Podendo, raramente ocorrer, a igualdade entre as Receitas e Despesas em um período e


caso isso ocorra o resultado será nulo. R = D

46
Prof. Valbertone C. de Araújo

Figura 10 Fonte: Elaborada pelo autor.

ESUMO DAS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS

APLICAÇÕES DE ORIGENS DE
RECURSOS DIREITOS RECURSOS

ATIVO PASSIVO

BENS OBRIGAÇÕES

PATRIMONIO
LÍQUIDO

RECEITAS DESPESAS

FATOS MODIFICATIVOS

ORIGENS DE CONSUMO DE
RECURSOS APLICAÇÕES

47
Teoria da Contabilidade

Os fatos contábeis provocam impactos qualitativos e/ou quantitativos no Patrimônio de


uma entidade, modificando a situação patrimonial. Assim podemos analisar o Exercício abaixo:

a) Constituição da Cia. Contábeis Só Nota Dez com o Capital de R$ 100.000,00, em


espécie.

BALANÇO PATRIMONIAL

Cia. Contábeis Só Nota Dez


CNPJ. XX.XXX.XXX/0001-XX
Data:
(Em R$ 1,00)
ATIVO PASSIVO + PL
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Caixa 100.000,00 Capital 100.000,00

TOTAL 100.000,00 TOTAL 100.000,00

Passivo +
Ativo = Patrimônio
Líquido
0 + R$
R$ 100.000,00
= 100.000,00
R$ 100.000,00 = R$ 100.000,00

Comentários: observem que os sócios (pessoas físicas ou jurídicas) através de dinheiro


constituíram o Capital da Cia. Contábeis Só Nota Dez, dessa forma, fazendo nascer uma nova
(entidade) Pessoa Jurídica. No momento a nova Pessoa Jurídica, Cia. Contábeis Só Nota Dez,
possui recursos próprio no valor de R$ 100.000,00 (Capital) e verificamos que o mesmo valor
constará no Caixa da entidade, aplicação de recursos R$ 100.000,00. Constatamos aqui um Fato
Modificativo, pois o Patrimônio Líquido da entidade que era R$ 0,00 passou a ser de R$
100.000,00.

48
Prof. Valbertone C. de Araújo

b) os investidores praticaram os seguintes atos administrativos:


 reunião para definirem o início das atividades comerciais;
 abertura de vagas para contratação de colaboradores (funcionários);
 para maior segurança dos bens numerários existentes decidiram pela aber-
tura de uma Conta Corrente no Banco do Brasil S.A. depositando na
mesma 50% das disponibilidades imediatas da empresa.

BALANÇO PATRIMONIAL

Cia. Contábeis Só Nota Dez


CNPJ. XX.XXX.XXX/0001-XX
Data:
(Em R$ 1,00)
ATIVO PASSIVO + PL
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Caixa 50.000,00 Capital 100.000,00
Bancos c/Movimento 50.000,00

TOTAL 100.000,00 TOTAL 100.000,00

Ativo = Passivo + P. Líquido


Bens R$ 50.000,00 0 + R$ 100.000,00
Direitos R$ 50.000,00 = R$ 100.000,00
TOTAL R$ 100.000,00 = R$ 100.000,00

Comentários: como podemos observar no item “b” nem todo ação administrativo será
considerado como sendo um Fato Contábil. A decisão dos administradores de se reunirem para
definirem o início das atividades comerciais não será um Fato Administrativo, pois nenhuma
influencia provocará monetariamente a entidade. Outra decisão tomada, a de abrirem vagas para
contratação de colaboradores. A exemplo do primeiro caso não provocou impacto qualitativo
e/ou quantitativo ao Patrimônio da entidade, portanto, não é um Fato Contábil e por esta razão
não será reconhecido contabilmente.

49
Teoria da Contabilidade

A terceira ação administrativo abertura de uma Conta Corrente no Banco do Brasil S.A.
depositando na mesma 50% das disponibilidades imediatas da empresa, este sim, por ser um
Fato Administrativo provocou um impacto qualitativo, portanto um Fato Contábil Permutativo.
O Patrimônio Líquido da entidade não sofreu acréscimo nem decréscimo permaneceu com o
valor de R$ 100.000,00. O depósito de R$ 50.000,00 no Banco do Brasil S.A. quando
reconhecido contabilmente provocou uma permuta entre contas do Ativo (aplicações de
recursos) a conta Caixa que tinha um montante de Bens Numerários no valor de R$ 100.000,00
ao entregar 50% à instituição financeira adquiriu um direito em igual valor.

d) Compra de um veículo a prazo 30 e 60 d.d.d. (notas promissórias) por R$ 25.000,00.

BALANÇO PATRIMONIAL

Cia. Contábeis Só Nota Dez


CNPJ. XX.XXX.XXX/0001-XX
Data:
(Em R$ 1,00)
ATIVO PASSIVO + PL
PASSIVO
Caixa 50.000,00 Notas Promis. a Pagar 25.000,00
Bancos c/Movimento 50.000,00
Veículos 25.000,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Capital 100.000,00
TOTAL 125.000,00 TOTAL 125.000,00

Ativo = Passivo + Patrim. Líquido


Bens R$ 75.000,00 Cap. Terc. R$ 25.000,00
Direitos R$ 50.000,00 Cap. Prop. R$ 100.000,00
TOTAL R$ 125.000,00 = TOTAL R$ 125.000,00

Comentários: houve um acréscimo no Ativo de R$ 25.000,00 com a aquisição de um


veículo (Bem) e ao mesmo tempo um acréscimo no Passivo em igual valor, pelo registro
50
Prof. Valbertone C. de Araújo

compromisso assumido no ato da compra (Obrigação). Observem que o Patrimônio Líquido não
sofreu variação, portanto, tivemos um impacto qualitativo, Fato Contábil Permutativo.

e) Compra de Mercadorias para Revenda aprazo no valor de R$ 35.000,00 com


vencimentos em 30 e 60 d.d.d.

BALANÇO PATRIMONIAL

Cia. Contábeis Só Nota Dez


CNPJ. XX.XXX.XXX/0001-XX
Data:
(Em R$ 1,00)
ATIVO PASSIVO + PL
PASSIVO
Caixa 50.000,00 Fornecedores 35.000,00
Bancos c/Movimento 50.000,00 Notas Promis. a Pagar 25.000,00
Mercadorias p/Revenda 35.000,00
Veículos 25.000,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Capital 100.000,00
TOTAL 160.000,00 TOTAL 160.000,00

Ativo = Passivo + Patrim. Líquido


Bens R$ 110.000,00 Cap. Terc. R$ 60.000,00
Direitos R$ 50.000,00 Cap. Prop. R$ 100.000,00
TOTAL R$ 160.000,00 = TOTAL R$ 160.000,00

Comentários: houve um acréscimo no Ativo de R$ 35.000,00 com a aquisição de


Mercadorias para Revenda (Bens) e um acréscimo no Passivo de valor idêntico, pelo registro da
dívida assumida no ato da compra (Obrigação). Permanecendo e o Patrimônio Líquido
inalterado, o Fato Contábil Permutativo.

51
Teoria da Contabilidade

Consideramos no Passivo o valor da compra a prazo de mercadorias para revenda no


grupo de Fornecedores. Motivo: as obrigações provenientes de compra de bens para uso,
consumo ou comercialização são classificadas neste grupo (Fornecedores).

e) Venda de mercadorias adquiridas ao custo de R$ 15.000,00 por R$ 25.000,00 a prazo


com vencimento para 30 d.d.d.

BALANÇO PATRIMONIAL

Cia. Contábeis Só Nota Dez


CNPJ. XX.XXX.XXX/0001-XX
Data:
(Em R$ 1,00)
ATIVO PASSIVO + PL

PASSIVO
Caixa 50.000,00 Fornecedores 35.000,00
Bancos c/Movimento 50.000,00 Notas Promis. a Pagar 25.000,00
Clientes 25.000,00
Mercadorias p/Revenda 20.000,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Veículos 25.000,00 Capital 100.000,00

(+)Receitas 25.000,00
(-)Despesas 15.000,00
TOTAL 170.000,00 TOTAL 170.000,00

Ativo = Passivo + Patrim. Líquido


Bens R$ 95.000,00 Cap. Terc. R$ 60.000,00
Direitos R$ 75.000,00 Cap. Prop. R$ 100.000,00
Resultado R$ 10.000,00
TOTAL R$ 170.000,00 = TOTAL R$ 170.000,00

Comentários: houve um acréscimo no Ativo de R$ 25.000,00 com a obtenção de um


Direito adquirido pel[a Revenda de Mercadorias e um acréscimo no Patrimônio Líquido de
52
Prof. Valbertone C. de Araújo

igual valor (Receita de Vendas) , ocorrendo também um decréscimo no Patrimônio Líquido pelo
reconhecimento do Custo das Mercadorias Vendidas (despesa). Ocorreu um Fato Misto pois
envolveu além de contas do patrimônio entre si ainda houve modificação a Situação Líquida da
entidade, provocam alterações no Patrimônio Líquido.

Analisando o Princípio de Competência: “As receitas e despesas devem ser incluídas na


apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se
correlacionarem, independente de terem sido recebidas ou pagas”. Foi o que ficou caracterizado
como registro contábil o registro simultâneo da Receita s/Vendas e a Despesa provocada pela
obtenção da mesma Receita (Despesas são Gastos necessários para obtenção de Receitas).

Confrontação do Resultado: R > D Receitas maiores que Despesas, portanto Lucro.

5.1 - Evolução da escrituração no Brasil

 Interferência marcante da legislação

 O Código Comercial 1850, uma das primeiras manifestações que instituiu a


obrigatoriedade da escrituração contábil e da elaboração anual do balanço geral
das empresas comerciais no Brasil.

 Em 1940 o Decreto-Lei nº. 2627 , constituiu a primeira Lei das S/A,


determinando procedimentos para a contabilidade, como regras para avaliação
de ativos, apuração e distribuição dos lucros, criação de reservas, padronizações
para publicação do Balanço e demonstração de Lucros e Perdas.

 O CFC através da Resolução 321/72 passou a adotar os Princípios de


Contábeis, como normas resultantes do desenvolvimento da aplicação prática
dos princípios técnicos emanados da contabilidade.

 Foi publicada em 1976 a nova Lei das S/A Nº 6404, significando uma nova fase
para o desenvolvimento da contabilidade no Brasil e de forma definitiva
incorporando as tendências da Escola Norte-Americana.

53
Teoria da Contabilidade

 Recentemente em 2007 foi publicada a Lei 11.638/07, com a preocupação maior


de tornar a Composição Patrimonial de acordo com as Normas Internacionais de
Contabilidade, atendendo as exigências provocadas pela Globalização.

5.2 – Mecanismo de Débito e Crédito

O equilíbrio patrimonial existe, partindo da afirmativa que a soma dos Débitos


reconhecidos contabilmente sempre será igual d soma dos Créditos existentes na Escrituração
Contábil. Podemos constatar a veracidade da afirmativa pelos demonstrativos até aqui
apresentados.

Alguns autores procuram, quando abordam o assunto, afirmar que débitos são valores
positivos e créditos são valores negativos. Se formos analisar matematicamente tal informação
iremos constatar que ela é falsa, pois: A – P = PL matematicamente falando se fossemos

resolver esta expressão teríamos { A – (-P)} = PL, portanto A + P = PL. Afirmamos que os
valores do Ativo sempre serão maiores que zero e os valores que compõem o Passivo, a exemplo
daqueles, também serão maiores de zero. O mais correto seria afirmar que a soma dos valores
constantes no Ativo são valores favoráveis e a soma dos valores do Passivo são os desfavoráveis
em relação ao Patrimônio da entidade.

Para melhor entendimento sobre o mecanismo de Débito e Crédito vamos em primeiro


lugar conhecer a natureza das contas contábeis em relação ao assunto.

 Conta de Natureza Devedora, aquela que têm o seu saldo devedor:

 Contas do Ativo, exceto as Retificadoras;


As contas do Ativo, aquelas nas quais encontramos os valores
representantes de Bens e Direitos da entidade, são de Natureza Devedora,
representa dizer que os seus saldos serão sempre devedores, com exceção
das Contas Retificadoras que são aquelas que, como o próprio nome
54
Prof. Valbertone C. de Araújo

indica retifica (reduz) o valor da conta principal (ex.: Provisão


p/Desvalorização de Estoques, Depreciação Acumulada, Amortização
Acumulada, etc).
São contas denominadas como Patrimoniais, os seus saldos são de
caráter permanente, o que vale dizer que passam de um exercício
financeiro para outro levando os saldos existentes.

 Contas de Despesas.
Todas as contas de Despesas são de Natureza Devedora, o que vale
lembrar que são sempre crescentes com valores a elas debitados e
decrescentes com créditos eventualmente reconhecidos (lançados).
São contas denominadas como de Resultado, são chamadas de
Transitórias, ou seja, são encerradas no final de cada Exercício
Financeiras com a finalidade de apuração do resultado, Lucro ou
Prejuízo (Superávit ou Déficit) reiniciando nova acumulação de valores
no primeiro dia do exercício subsequente conforme a sucessão dos fatos
contábeis.

 Conta de Natureza Credora, aquelas que têm o saldo credor:

 Contas do Passivo, exceto as Retificadoras;


Contas do Passivo, aquelas nas quais encontramos os valores
correspondentes às obrigações da entidade (dívidas assumidas junto a
terceiros), são de Natureza Credora, isto é, os seus saldos serão sempre
credores, com exceção das Contas Retificadoras que, a exemplo daquelas
do Ativo, retifica (reduz) o valor da conta principal.
São contas, como aquelas do ativo, denominadas como Patrimoniais, os
seus saldos são de caráter permanente, passam de um exercício
financeiro para outro levando os saldos existentes.

 Contas do Patrimônio Líquido.


Contas do Patrimônio Líquido, aquelas nas quais encontramos os valores
correspondentes às origens de recursos, denominado de Capitais
Próprios, correspondentes ao valor integralizado pelos investidores,
Pessoas Físicas ou Jurídicas e demais valores oriundos da própria
atividade da entidade como por exemplo resultados favoráveis (lucros)
ou desfavoráveis (prejuízos). São de Natureza Credora, isto é, os seus
saldos serão sempre credores, com exceção das Contas Retificadoras,
reduz o valor da conta principal (ex.: Prejuízos Acumulados, Ações em
Tesouraria).
O resultado apurado no final e cada Exercício Financeiro (Lucro ou
Prejuízo), será incorporado a este Grupo Patrimonial.
55
Teoria da Contabilidade

São contas, denominadas como Patrimoniais, os seus saldos são de


caráter permanente, passam de um exercício financeiro para outro
levando os saldos existentes.

 Contas de Resultado.
Todas as contas de Receitas são de Natureza Credora, são sempre
crescentes com valores a elas creditados e decrescentes com débitos
eventualmente lançados.
São contas denominadas como de Resultado, são chamadas de
Transitórias, por serem encerradas no final de cada Exercício Financeiras
com a finalidade de apuração do resultado, Lucro ou Prejuízo (em
Contabilidade Publica e nas entidades sem fins lucrativos as
terminologias utilizadas são: Superávit ou Déficit) reiniciando nova
acumulação de valores no primeiro dia do exercício subsequente
conforme os fatos contábeis que as movimentarão.

Figura 11 Fonte: Elaborada pelo autor.

QUADRO RESUMO DOS EFEITOS DÉBITO X CRÉDITO


Natureza Para o Saldo
Das Contas Do Saldo Aumentar Diminuir
Ativo = Bens e Direitos D D C
Passivo = Obrigações C C D
Patrimônio Líquido C C D
Receitas C C D
Despesas D D C
Contas Retificadoras do Ativo C C D
Contas Retificadoras do Passivo D D C

DÉBITO = APLICAÇÃO DE RECURSO; CRÉDITO = ORIGEM DO RECURSO

56
Prof. Valbertone C. de Araújo

Figura 12 Fonte: Elaborada pelo autor.


NATREZA DAS CONTAS

ATIVO

As contas do Ativo são de Natureza Devedora

DÉBITO CRÉDITO

Acréscimos Decréscimos

DESPESAS
As contas de Despesas são de Natureza Devedora

PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO

As contas do Passivo e do Patrimônio Líquido são de


Natureza Credora

DÉBITO CRÉDITO

Decréscimos Acréscimos

RECEITAS

As contas de Receitas são de Natureza Credora

Como podemos verificar: contas do Ativo (Aplicações de Recursos) são de Naturesa Credora,
contas do Passivo (Capitais de Terceiros) e Patrimonio Líquido (Capital Próprio), são de Natu-
reza Credora
Contas de Resultado: Receitas e Despesas.
São denominadas de Resultado, pois é exatamente por intermédio das mesmas que sabemos,
no final de cada período, se a entidade obteve resultado favorável ou desfavorável [(Lucro /
Prejuizo) ou (Déficit / Superávit)]

57
Teoria da Contabilidade

5.2.1. Lançamento Contábil

Foi com o surgimento da escrita que o homem de maneira mais clara conseguiu
historiar as ações praticadas por ele próprio, bem como, as ocorrências de fenômenos naturais
ocorridos e registrar previsões de fatos futuros, procurando muitas vezes evitar eventuais danos
baseado em suas memórias devidamente registradas.

Podemos afirmar que é através dos lançamentos contábeis que contamos de maneira
real a HISTÓRIA da entidade, uma vez que, como veremos em tópico próprio, no livro
obrigatório denominado Diário Geral, teremos os registros efetuados em ordem cronológica de
todos os Fatos Contábeis ocorridos na entidade. Se voltarmos ao item 4 (PRINCÍPIOS
FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE) verificamos que os mesmos deverão ser rigorosamente
atendidos por todos os profissionais de contabilidade. Em especial: o Princípio da Entidade; o
Princípio da Oportunidade; e o Princípio da Competência.

O lançamento contábil é o registro de um fato contábil e todo fato que origina um


lançamento contábil deve estar suportado em documentação idônea.

Fazendo uma breve analise constaremos que quando se trata do Princípio da Entidade,
somente os fatos contábeis relacionados com a entidade (pessoa Jurídica 100% independente das
demais Pessoas Jurídicas ou Físicas relacionadas ou não com ela) deverão ser escriturados.

 Princípio da Entidade: Reconhece o patrimônio como objeto da


contabilidade, afirmando a autonomia patrimonial; .O patrimônio não se
confunde com aqueles dos sócios ou proprietários.

 Princípio da Oportunidade: Os registros contábeis relacionados às


mutações patrimoniais efetuados de forma tempestiva e integral, no
tempo (momento) certo e com extensão correta.

 Princípio da Competência: As receitas e despesas devem ser incluídas


na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre

58
Prof. Valbertone C. de Araújo

simultaneamente quando se correlacionarem, independente de terem sido


recebidas ou pagas.
No Diário Geral encontraremos fato a fato registrado rigorosamente em ordem
cronológica, atendendo aos Princípios Contábeis acima, mostrando exatamente a HISTÓRIA da
entidade.

Lançamentos são os registros dos fatos contábeis, efetuados de acordo com o método
das partidas dobradas. É feito em ordem cronológica e obedecendo a determinada técnica.

O lançamento é feito nas contas Patrimoniais, pertencentes ao grupo do ATIVO,


PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO, e nas contas de Resultado, representadas pelas
RECEITAS, e DESPESAS (em Capítulo próprio sobre Plano de Contas estudaremos melhor o
assunto).

5.2.1.1 - Etapas para se Efetuar um Lançamento.

Na existência de um fato contábil, devemos seguir algumas etapas para efetuar seu devido
lançamento, sempre levando em consideração os Princípios Contábeis.

Exemplo: Compra de Mercadorias Para Revenda à vista em espécie no valor total de

R$ 1.000,00

1ª Etapa – identificar as contas envolvidas no fato;

Mercadorias Para Revenda (bem de venda)


Caixa (bem - valor em espécie)

2ª Etapa – identificar a que grupos pertencem e a natureza das contas:


 Ativo (A) - natureza Devedora (D);
 Passivo (P) - natureza Credora;
59
Teoria da Contabilidade

 Patrimônio Líquido (PL) - natureza Credora;


 Receitas (R) - natureza Credora; ou
 Despesas (D) - natureza Devedora (D).

Caixa – Ativo (A)


Veículo – Ativo (A)

3ª Etapa – analisar o que o fato provoca sobre o saldo das contas, ou seja, se o saldo aumento ou
diminuição; no caso:

Caixa (A) pela saída de numerários o saldo diminuirá ( - ).


Veículos (A) com o acréscimo de um bem o saldo aumentará ( + ).

4ª Etapa – efetuar o lançamento contábil segundo o método das partidas dobradas.

 A conta Veículos aumentará, portanto será a conta a ser debitada;

 A conta Caixa, com a saída de bens numerários, diminuirá, portanto será creditada.

Lançamento: Débito: Conta Veículos


Crédito: Caixa

5.2.1.2 - Funções do Lançamento

Ao conjunto de lançamentos, como já estudamos, denomina-se ESCRITURAÇÂO. O


lançamento é uma parcela da Escrituração, e apresenta duas funções:

 Função Histórica
 Consiste em narrar o fato contábil em ordem cronológica.

 Função Monetária

 Compreende o registro da expressão monetária dos fatos e seu


agrupamento segundo a natureza de cada um.
60
Prof. Valbertone C. de Araújo

5.2.1.3 - Elementos do Lançamento

5 (cinco) são os elementos obrigatórios de um lançamento:

 1. Local e data – local da empresa e dia, mês e ano da ocorrência do registro.


 2. Conta devedora – é a conta debitada. Vem sempre em primeiro lugar.
 3. Conta credora – é a conta creditada, que vem acompanhada da preposição “a”.
 4. Histórico – é a narração do fato ocorrido, resumida e exprimindo bem a operação.
 5. Valor – é a Importância das operações expressas em unidades monetárias.

5.2.2. Formulas de Lançamentos

O lançamento contábil é o registro do fato contábil. Todo registro contábil deve estar
suportado em documentação idônea.

Os lançamentos contábeis são classificados como:

 Lançamento de Primeira Fórmula;


 Lançamento de Segunda Fórmula;
 Lançamento de Terceira Fórmula;
 Lançamento de Quarta Fórmula.

Como já estudamos no item 5.4.1.3 – Elementos do Lançamento, observamos que para


a escrituração do Fato Contábil devemos seguir, em ordem crescente, os seguintes registros: 1.
Local e data; 2. Conta devedora; 3. Conta credora; 4. Histórico e 5. Valor.

Ao falarmos de Formulas de Lançamentos estaremos analisando apenas dois elementos


de um lançamento contábil:

 Débito e
 Crédito

61
Teoria da Contabilidade

LANÇAMENTO DE PRIMEIRA FÓRMULA


É todo registro do fato contábil que envolve somente uma conta devedora e outra conta credora.
Exemplo: Depósito bancário com recursos do caixa:

Data do lançamento: 14.07.2011 (Histórico): (valor total)


D: Banco do Brasil S/A (Ativo)
C: .a Caixa Matriz (Ativo) Depósito N/data R$ 10.000,00

LANÇAMENTO DE SEGUNDA FÓRMULA

É o registro contábil um fato constituído de um Débito tendo como contrapartida dois


ou mais Créditos com o valor total corresponde ao valor debitado.

Exemplo: Recebimento de Clientes Duplicata no valor de R$ 5.000,00 com Juros de R$ 500,00:

Data do lançamento: 14.07.2011 (Histórico): (valor parc.) (valor total)


D: Caixa Matriz (Ativo)
C: .a DIVERSOS
.a Duplicatas a Receber: (Ativo) Rec. Dupl. 345-A R$ 5.000,00
.a Juros Ativos: (Receita) Jrs. S/Dupl. 345-A R$ 500,00 R$ 5.500,00

LANÇAMENTO DE TERCEIRA FÓRMULA

É o registro contábil um fato constituído de dois ou mais Débito tendo como


contrapartida um Créditos correspondente ao total dos valores debitados.

Exemplo: Pagamento a Fornecedor de Duplicata R$ 2.350,00 com acréscimo de Juros R$ 23,50:


Data do lançamento: 14.07.2011 (Histórico): (valor parc.) (valor total)
D: DIVERSOS
C: .a Caixa Matriz (Ativo)
FORNECEDORES
(Cia “X” Ltda, : (Passivo) Pagto.. Dupl. 2.450 R$ 2.350,00
DESPESAS FIANCEIRAS
Juros Passivo: (Despesa) Jrs. S/Dupl. 2.450 R$ 23,50 R$ 2.373,50

62
Prof. Valbertone C. de Araújo

LANÇAMENTO DE QUARTA FÓRMULA


É o registro contábil de um fato constituído de Diversos Débito tendo como
contrapartida Diversos Créditos correspondentes, sendo o mesmo valor monetário total (Débitos
= Créditos).

Exemplo: Compra de Cia Contábeis Ltda. de Mercadorias P/Revenda através da NF. 31 no valor
de R$ 10.000,00 com 17% de ICMS recuperável, sendo que houve um adiantamento de 30% do
valor total da NF.

Data do lançamento: 14.07.2011 (Histórico): Débitos Créditos


D: DIVERSOS (valor) (valor)
C: DIVERSOS
NF.31 da Cia. Com-
Mercadorias P/Revenda (Ativo)
tábeis Ltda. R$ 8.300,00
ICMS a Recuperar (Ativo) ICMS NF. 31 R$ 1.700,00
.a FORNECEDORES
Cia Contábeis Ltda. (Passivo) Saldo NF. 31 R$ 5.000,00
.a ADIANT. A FORNECEDORES
Cia Contábeis Ltda. (Ativo) Bx. pelo rec.NF. 31 R$ 5.000,00

Hoje o Lançamento de Quarta Fórmula é muito comum quando os profissionais de


Contabilidade utilizam Sistemas Eletrônicos de Contabilidade.

5.2.3. Formas de Retificação de Lançamentos Contábeis

Encontramos nas Normas Brasileiras de Contabilidade T 20 que trata da Escrituração


Contábil nos Itens de 48 a 53 os procedimentos a serem observados:

48. Retificação de lançamento é o processo técnico de correção de registro


realizado com erro, na escrituração contábil da entidade e pode ser feito por meio
de:

a) estorno;

b) transferência; e

c) complementação.

63
Teoria da Contabilidade

49. Em qualquer das formas supramencionadas, o histórico do lançamento deve


precisar o motivo da retificação, a data e a localização do lançamento de origem.

50. O estorno consiste em lançamento inverso àquele feito erroneamente,


anulando-o totalmente.

51. Lançamento de transferência é aquele que promove a regularização de


conta indevidamente debitada ou creditada, por meio da transposição do valor para
a conta adequada.

52. Lançamento de complementação é aquele que vem, posteriormente,


complementar, aumentando ou reduzindo o valor anteriormente registrado.

53. Os lançamentos realizados fora da época devida devem consignar, nos


seus históricos, as datas efetivas das ocorrências e a razão do atraso.

5.2.4. Demonstrações Contábeis Obrigatórias

As Demonstrações Contábeis compõem o conjunto de informações divulgadas


obrigatoriamente anualmente, pela administração de uma sociedade por ações, segundo a lei
6404/76 e representa a sua prestação de contas para os acionistas.
Na prestação anual de contas iremos encontrar: Relatório da Administração, as
Demonstrações Contábeis e as notas explicativas, Parecer dos Auditores Independentes e o
Parecer do Conselho fiscal.

 Balanço Patrimonial

Demonstração Contábil que mostrar a situação financeira e patrimonial de uma entidade


numa determinada data. Poderíamos comparar como uma foto da entidade, uma posição estática
da mesma. O Balanço apresenta do seu lado esquerdo os Ativos (bens e direitos) e do lado
esquerdo o Passivos (exigibilidades e ou obrigações) e o Patrimônio Líquido (resultante apurado
entre o total de ativos menos os passivos).

64
Prof. Valbertone C. de Araújo

 Demonstrações do Resultado do Exercício – DRE

Tem por finalidade evidenciar a formação de resultado líquido do exercício (diferença


entre as Receitas menos da Despesas) apuradas segundo o regime de competência. A DRE
oferece um resumo econômica dos resultados operacionais de uma entidade durante um certo
período, normalmente anual e denominado de Exercício Financeiro. Embora elaboradas
anualmente para fins de divulgação, atendendo legislação vigente. Em geral para atender a
administração, como auxílio a decisões financeiras, são feitas mensalmente e trimestralmente
por exigências fiscais.

 Demonstrações de Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL

Evidencia a mutação do Patrimônio Líquido em termos globais (novas integralizações


de capital, ajustes de exercícios anteriores, resultado do exercício, dividendos, etc.) e em termos
de mutações internas (incorporações de reservas ao capital, transferências de lucros, entre
outras).

 Demonstração dos Fluxos de Caixa – DFC

Tem como finalidade mostrar como ocorreram as movimentações das disponibilidades


e o Fluxo de Caixa em um dado período de tempo. Substituiu a Demonstração das Origens e
Aplicações de Recursos – DOAR (que procurava evidenciar as origens de recursos que ampliam
a folga financeira de curto prazo e as aplicações de recursos que consomem essa folga). É
fundamentada pela Lei n° 11.638/07.

 Demonstração do Valor Adicional – DVA

Implantada oficialmente no Brasil pela Lei n° 11.638/07 tem como objetivo principal
informar ao usuário o valor da riqueza criada pela empresa e a forma de sua distribuição.

65
Teoria da Contabilidade

 Demonstrações Comparativas

Tem como objetivo a analise da entidade feita com vista no futuro. São elaboradas
comparando as demonstrações contábeis dos dois últimos Exercícios Sociais. Para fins
gerenciais, em alguns casos, são elaboradas demonstrações do triênio (últimos três anos) ou até
mesmo do qüinqüênio (últimos cinco anos). É importante analisar a evolução, e não apenas
situação em um determinado momento (estática).

Em elaboração de orçamentos são elaboradas projeções de Demonstrações


Comparativas que posteriormente servirão como base comparativa quando da elaboração das
Demonstrações Reais (Demonstração Orçada X Demonstração Real).

 Consolidação das Demonstrações Contábeis

Para Companhias Abertas e Grupos Societários, além das Demonstrações Contábeis


normais, faz-se necessário também apresentação das Demonstrações Contábeis Consolidadas da
Investidora com suas Controladas (No Brasil - Instrução CVM nº 247/96).

 Balanço Social

O balanço social é demonstrativo publicado pela entidade com um conjunto de


informações tais como: planos; projetos; benefícios, e ações sociais direcionadas aos
colaboradores internos (funcionários), investidores, clientes, fornecedores, empresas parceiras e
demais que direta ou indiretamente se favorecem com as atividades da entidade, em alguns casos
utilizado para campanhas publicitárias fortalecendo o nome e a marca da organização.

Com a preocupação com o meio ambiente e com a sociedade que vive em torno das
companhias, muitas empresas estão elaborando e publicando as seguintes demonstrações:

66
Prof. Valbertone C. de Araújo

 Balanço Ambiental – Mostra a postura da entidade com os recursos naturais,


compreendendo gastos com a preservação, proteção e recuperação bom como,
investimentos com tecnologias, equipamentos e campanhas voltadas para o meio
ambiente. O demonstrativo, a exemplo do Balanço Patrimonial, podem ser
comparativos, deixando transparecer o crescimento ou decrescimento das ações
praticadas pela entidade. como por exemplo: poluentes produzidos entre um
período e outro.

 Balanço de Recursos Humanos – Tem como finalidade mostrar o perfil da força de


trabalho, remuneração, e gastos com treinamento de colaboradores, além das
informações de outros gastos , como centros de recreação e benefícios assisten-
ciais.

No Brasil em 1997, o sociólogo Betinho, iniciou uma campanha incentivando a


divulgação voluntária pelas empresas do Balanço Social.

Em 1998, o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), lançou o selo


Balanço Social Ibase/Betinho, conferido anualmente às empresas que publicam o balanço social
no modelo sugerido pela entidade.

 Outros Itens da Prestação Anual de Contas 



 Relatório da Administração

Não faz parte das demonstrações contábeis, porém é por Lei ( artigo 133 da Lei 6.404/76 , alterada
pela Lei 10.303/01) determina que o Relatório da Administração deve ser publicado em conjunto
com as demonstrações financeiras, que evidenciará os principais fatos administrativos e financeiros
ocorridos durante o Exercício Social, tais como: a política de distribuição de dividendos;
investimentos feitos em outras entidades; a política de reinvestimento dos resultados obtidos etc.

 Notas Explicativas

É a complementação das Demonstrações Contábeis devem conter no mínimo: a descrição dos


critérios deavaliação dos elementos patrimoniais e das práticas contábeis adotadas, ônus sobre
ativos, detalhamento das dívidas de longo prazo, dos ajustes dos períodos anteriores, do capital e
dos investimentos relevantes aplicados em outras sociedades etc.

 Parecer dos Auditores Independentes


No Brasil a Lei das Sociedades por Ações (Lei nº. 6.404/76, sendo alterada em parte pela Lei nº.
11.638 de 28/12/2007), determina que as demonstrações contábeis brasileiras sejam auditadas por
67
Teoria da Contabilidade

auditores independentes registrados na Comissão de Valores Mobiliários - CVM. Normas próprias


exigem que as instituições subordinadas ao Banco Central do Brasil, à Superintendência de Seguros
Privados e outras também tenham suas demonstrações contábeis auditadas.

O parecer emitido pelo auditor independente compõe-se basicamente, de três parágrafos, como se
segue:

a) Parágrafo referente à identificação das demonstrações contábeis e à definição das


responsabilidades da administração e dos auditores;b) Parágrafo referente à extensão dos trabalhos;
c) Parágrafo referente à opinião sobre as demonstrações contábeis.
Nos Estados Unidos da América esta necessidade é ainda maior após o advento da SOX ([The
Sarbanes-Oxley Act of 2002] ou Sarbanes-Oxley compliance) e normalmente exigido o Parecer dos
Auditores Independentes se refletindo a todas filiadas americanas domiciliadas em outros países.

Tipos de Parecer de Auditores:

 Parecer sem ressalva: é quando o auditor, de forma clara e objetiva, expressa estar convencido
sobre todos os aspectos relevantes dos assuntos tratados no âmbito de auditoria.

 Parecer com ressalva: é quando o auditor detecta discordância ou restrição na extensão de um


trabalho e conclui que o efeito de qualquer forma não é tão relevante que requeira parecer adverso
ou abstenção de opinião.

 Parecer adverso: é quando o auditor verificar que as demonstrações contábeis estão incorretas, de tal
forma que impossibilite a emissão do parecer com ressalva.

 Parecer com abstenção de opinião: é quando o auditor se depara com limitação significativa na
extensão de seus exames impossibilitando expressar opinião sobre as demonstrações contábeis

 Parecer do Conselho Fiscal


No Brasil não existe a obrigatoriedade de publicação do Parecer do Conselho Fiscal, na sua
existência ele deve ser submetido à Assembléia Geral dos acionistas, mas é publicado na maioria
das vezes.

68
Prof. Valbertone C. de Araújo

Demonstrações Contábeis e Relatórios Obrigatórios


Segundo a Lei 6404/76

 Composição das Demonstrações Contábeis

 Balanço Patrimonial


 Demonstração do Resultado do Exercício – DRE
 Demonstra ações de Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL (*)
 Demonstração dos Fluxos de Caixa – DFC (**)
 Demonstração do Valor Adicionado – DVA
 Demonstrações Comparativas
 Consolidação das Demonstrações Contábeis
 Balanço Social

 Outros Itens da Prestação Anual de Contas

 Relatório da Administração


 Notas Explicativas
 Parecer dos Auditores Independentes
 Parecer do Conselho Fiscal

* DMPL consta indiretamente a Demo. dos Lucros ou Prejuízos Acumulados - DLPA .


Conforme a legislação do Imposto de Renda (art. 274 do RIR/99) continua sendo
obrigatória (DLPA) para as empresas de maneira geral.
** Conforme Lei 11.638/07 substituiu a Demo. das Origens e Aplic. de Recursos – DOAR

5.2.5. Livros Contábeis Obrigatórios

A Resolução nº. 1330/11 que aprovada a ITG 2000 – ESCRITURAÇÃO CONTÁBL,


publicada no Diário Oficial da União de 22 de março de 2011 , nos itens de 9. a 28., estabelece
alguns procedimentos sobre: Livros contábeis; Escrituração contábil de filial e Documentação
contábil. A seguir transcrição na íntegra os itens acima citados.

……………………………………………………………
69
Teoria da Contabilidade

9. Os livros contábeis obrigatórios, entre eles o Livro Diário e o Livro Razão,


em forma não digital, devem revestir-se de formalidades extrínsecas, tais como:

a) serem encadernados;nxxxxnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn

b) terem suas folhas numeradas sequencialmente;xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

c) conterem termo de abertura e de encerramento assinados pelo titular ou


representante legal da entidade e pelo profissional da contabilidade
regularmente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade.xxxxxxxxxx

10. Os livros contábeis obrigatórios, entre eles o Livro Diário e o Livro Razão,
em forma digital, devem revestir-se de formalidades extrínsecas, tais como:

a) serem assinados digitalmente pela entidade e pelo profissional da


contabilidade regularmente habilitado;xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

b) serem autenticados no registro público competente.xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

11. Admite-se o uso de códigos e/ou abreviaturas, nos históricos dos


lançamentos, desde que permanentes e uniformes, devendo constar o
significado dos códigos e/ou abreviaturas no Livro Diário ou em registro
especial revestido das formalidades extrínsecas de que tratam os itens 9 e 10.

12. A escrituração contábil e a emissão de relatórios, peças, análises,


demonstrativos e demonstrações contábeis são de atribuição e de
responsabilidade exclusivas do profissional da contabilidade legalmente
habilitado.

13. As demonstrações contábeis devem ser transcritas no Livro Diário,


completando-se com as assinaturas do titular ou de representante legal da
entidade e do profissional da contabilidade legalmente habilitado.

Livro diário e livro razãoxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

14. No Livro Diário devem ser lançadas, em ordem cronológica, com


individualização, clareza e referência ao documento probante, todas as
operações ocorridas, e quaisquer outros fatos que provoquem variações
patrimoniais.

15. Quando o Livro Diário e o Livro Razão forem gerados por processo que
utilize fichas ou folhas soltas, deve ser adotado o registro “Balancetes Diários e
Balanços”.

70
Prof. Valbertone C. de Araújo

16. No caso da entidade adotar processo eletrônico ou mecanizado para a sua


escrituração contábil, os formulários de folhas soltas, devem ser numerados
mecânica ou tipograficamente e encadernados em forma de livro.

17. Em caso de escrituração contábil em forma digital, não há necessidade de


impressão e encadernação em forma de livro, porém o arquivo magnético
autenticado pelo registro público competente deve ser mantido pela entidade.

18. Os registros auxiliares, quando adotados, devem obedecer aos preceitos


gerais da escrituração contábil.xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

19. A entidade é responsável pelo registro público de livros contábeis em órgão


competente e por averbações exigidas pela legislação de recuperação judicial,
sendo atribuição do profissional de contabilidade a comunicação formal dessas
exigências à entidade.xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Escrituração contábil de filialxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

20. A entidade que tiver unidade operacional ou de negócios, quer como filial,
agência, sucursal ou assemelhada, e que optar por sistema de escrituração
descentralizado, deve ter registros contábeis que permitam a identificação das
transações de cada uma dessas unidades.xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

21. A escrituração de todas as unidades deve integrar um único sistema


contábil.

22. A opção por escrituração descentralizada fica a critério da entidade.

23. Na escrituração descentralizada, deve ser observado o mesmo grau de


detalhamento dos registros contábeis da matriz.xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

24. As contas recíprocas relativas às transações entre matriz e unidades, bem


como entre estas, devem ser eliminadas quando da elaboração das
demonstrações contábeis da entidade.xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

25. As despesas e as receitas que não possam ser atribuídas às unidades devem
ser registradas na matriz e distribuídas para as unidades de acordo com critérios
da administração da entidade. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Documentação contábil xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

26. Documentação contábil é aquela que comprova os fatos que originam


lançamentos na escrituração da entidade e compreende todos os documentos,
livros, papéis, registros e outras peças, de origem interna ou externa, que
apóiam ou componham a escrituração. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

27. A documentação contábil é hábil quando revestida das características


intrínsecas ou extrínsecas essenciais, definidas na legislação, na técnica-
71
Teoria da Contabilidade

contábil ou aceitas pelos “usos e costumes”. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

28. Os documentos em papel podem ser digitalizados e armazenados em meio


magnético, desde que assinados pelo responsável pela entidade e pelo
profissional da contabilidade regularmente habilitado, devendo ser submetidos
ao registro público competente. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
……………………………………………………………

72
Prof. Valbertone C. de Araújo

5.2.6. Aspectos Sobre Escrituração Contábil

ASPECTOS SOBRE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL


Contabilidade Tradicional X Moderna

A CONTABILIDADE ONTEM ERA A CONTABILIDADE HOJE TENDE A SER


HISTÓRICA FUTURISTA
1. Preocupava-se com os dados do 1. Sempre preocupada com o presente e
passado; futuro das operações e de seus
resultados sobre o patrimônio;
2. O produto final, embora contemplando
2. O produto final era o inventário dos dados passados, incorporam maior
diversos itens patrimoniais e análise quantidade dados provisionais.
como foram formados

SINTÉTICA ANALÍTICA
1. Objetivo principal: organização como 1. Preocupação com os componentes e
um todo; segmentos da organização;
2. Desdobramento somente a forma de 2. Divisão em quantos componentes e
razonetes auxiliares segmentos a gerência determinar.

PERSPECTIVA PRÁTICA
1. Preocupação exagerada com a exatidão 1. Preocupação com a velocidade das
dos dados de controle e medição informações;
2. Dados com precisão relativa;
3. A perfeição dependente das finalidades
para as quais estão sendo preparados.
INDEPENDENTE DEPENDENTE
1. Na maioria dos casos bastava-se a si 1. Integrada às demais funções da organi-
mesma; zação;
2. Dados manipulados de forma indepen- 2. Funcionamento dependente dos dados
dente que recebe das outras funções da
empresa.
JURÍDICA QUANTITATIVA
1. Preocupação exagerada com os aspectos 1. Dados monetários e não monetários
legais das transações; com tratamento matemático e
2. Em que pese ser ciência dos números, estatístico;
preocupação em mostrar a face jurídica 2. Preocupação em mostrar a correspon-
das operações financeiras. dência entre os resultados quantitativos
e as decisões tomadas.

73
Teoria da Contabilidade

ASPECTOS SOBRE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL


Contabilidade Tradicional X Moderna

A CONTABILIDADE ONTEM ERA A CONTABILIDADE HOJE TENDE A SER

MONETÁRIA
MONETÁRIA E NÃO MENTÁRIA
1. Manipulação somente de dados mone-
1. Além dos dados monetários, preo-
tários;
cupação com dados não monetários -
2. Relatórios preparados com base em da-
físicos, quantitativos, operacionais.
dos monetários.
INFORMATIVA
CONTROLISTA
1. Maior preocupação em manter a
1. Maior preocupação centrado nos itens
gerência informada a respeito das
patrimoniais
operações internas e externas do ponto
2. A função de controle como maior
de vista econômico, financeiro, legal e
campo de atuação.
administrativo.
ABRANGENTE
RESTRITIVA
1. Envolve todas as áreas da organização;
1. Restrito aos itens patrimoniais
2. Aplicação ampla, podendo atuar em
constantes do Balanço Patrimonial.
todas as funções empresariais e
2. Restrito aos dados levados aos livros
manipular os dados do ambiente
contábeis.
externo. Maior
INTEGRADA
NÃO-INTEGRADA
1. Interdependência com as demais fun-
1. Envolvidos somente em valores
ções. Utiliza dados não-monetários;
monetários;
2. Presente em qualquer função em-
2. Dados financeiros como principal bjeto.
presarial, como industrial e comercial.
ABERTA
FECHADA 1. Dados divulgados amplamente;
1. Dados manipulados e trabalhados para 2. Função de servir como centro de infor-
uso próprio; mações para os níveis gerenciais;
3. Constitui-se um meio;
2. O fim em si mesmo. 4. Utilizado por todos os segmentos em-
presariais.

74
Prof. Valbertone C. de Araújo

5.2.7. Curto Prazo e Longo Prazo

Importante lembrar que em Administração, Economia e Contabilidade sempre são


referenciados os termos Curto Médio e Longo Prazo, deixando a entender como intervalos de
tempo.

Em Contabilidade usualmente na elaboração de Demonstrativos, duas denominações


deverão ser analisadas: Curto Prazo e Longo Prazo. Ficamos aqui duas perguntas a serem
respondidas. Afinal qual o intervalo de tempo correspondente ao Curto Prazo? Para entrarmos
um conceito de tempo denominado de Longo Prazo quando assim podemos identificar?

Curto Prazo: Em contabilidade normalmente entende-se como Curto Prazo o intervalo


de tempo correspondente a 360 dias seguintes ao da data do Demonstrativo Contábil. Alguns
autores preferem afirmar que Curto Prazo referem-se a Direitos realizáveis antes do término do
próximo Exercício Financeiro da entidade ou Obrigações com exigibilidade também anteriores
ao final do próximo Exercício Social da entidade. Se formos analisar, os Demonstrativos
Contábeis, verificaremos que, no intervalo entre um Balanço Patrimonial e outro, no intervalo
dos doze meses que o compõe a empresa estará elaborando Balancetes de Verificação e também
Balaços Patrimoniais e Apurações de Resultados intermediários, tendo como finalidade manter
os usuários das demonstrações contábeis informados sobre a situação da entidade. É importante,
portanto, que levemos sempre em consideração como Curto Prazo todos os Direitos Realizáveis
até 360 dias apos a data da elaboração do Demonstrativo Contábil, valendo o mesmo conceito de
Curto Prazo para todas as obrigações exigíveis no mesmo intervalo de tempo.

Exercício Social (Financeiro) – é o espaço de tempo de (12 meses), quando as pessoas


jurídicas apuram resultado do exercício; ele pode coincidir, ou não, com o ano-calendário ou
Exercício Fiscal, de acordo com o que dispuser o estatuto ou o contrato social da entidade.

Exercício Fiscal é o período de 01 de janeiro a 31 de dezembro de cada ano calendário


utilizado pelo governo (federal, estadual ou municipal), como prazo prestação de contas.
75
Teoria da Contabilidade

OBS.: na empresa em que o ciclo operacional tiver duração maior que o exercício social, a
classificação de valores no circulante ou no longo prazo terá como base o prazo deste ciclo.

Ciclo Operacional:
Representa a rotatividade de recursos na atividade da entidade até a formação dos estoques que,
mediante venda, voltarão a ser valores disponíveis.

Ciclo Operacional de Longo Prazo:


Somente ocorrerá nas entidades onde o processo produtivo é muito lento, como por exemplo:
construção civil pesada, construção naval, construção de equipamentos de grande porte, etc.

Longo Prazo serão, portanto, todas as realizações de direitos ou exigibilidades de


obrigações que superarem o intervalo de tempo considerado como Curto Prazo, ou seja, todas as
realizações ou obrigações com prazos superiores a 360 dias da data da elaboração dos
demonstrativos contábeis deverão ser consideradas como Longo Prazo.

OBS.: os direitos derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou


controladas, diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituam
negócios usuais no objeto da exploração da entidade, independentemente do prazo.

5.3 Contas de Ativo

As contas do Ativo serão representativas de todos os Bens e Direitos da entidade,


portanto serão composta pelo reconhecimento de todos os fatos contábeis registrados, atendendo
os Princípios de Contabilidade, dos bens (tangíveis e intangíveis), bem como pelos direitos
adquiridos.

76
Prof. Valbertone C. de Araújo

No Balanço Patrimonial, representação que informa a situação estática de entidade em


determinado momento, elas deverão estar demonstradas em ordem decrescente ao grau de
liquides, ou seja, no Balanço Patrimonial aparecerá em primeiro lugar a conta Caixa por ser o
bem de maior liquides e as contas seguintes deverão seguir, conforme o prazo de conversão do
bem ou direito em moeda corrente.

Segundo o artigo 179 §1º da Lei Nº 11.941/09, O Ativo é, quando ocorre sua
escrituração, dividido nos seguintes grupos:

Disponibilidades
Ativo Circulante Direitos Realiáveis
Despesas de Exercício Seguintes

Realizavel a Longo Prazo


Investimentos
Ativo Não Circulante
Ativo Imobilizado
Ativo Intangível

ATIVO CIRCULANTE: Resumidamente pode-se afirmar que classificam-se todos os


Bens e Direitos imediatos ou realizáveis a curto prazo.

Disponibilidades: representam as disponibilidades os valores existentes em Caixa, os


saldos de contas-correntes de livre movimentação da empresa junto a instituições financeiras, as
aplicações de liquidez imediata e numerários em trânsito, em decorrência de transferências de
valores entre estabelecimentos de uma mesma entidade.

 Direitos Realizáveis:
 Duplicatas a Receber (Clientes), direitos que a entidade possui oriundos de vendas
de mercadorias, produtos ou serviços prestados a prazo, podendo ser dividida em
contas distintas para vendas no mercado interno e vendas para o exterior. No
77
Teoria da Contabilidade

segundo caso os saldos deverão sofrer o ajuste de variação cambial no final de cada
mês.
 Duplicatas Descontadas, títulos provenientes de vendas a prazo negociados com
instituições financeiras (normalmente Bancos) que adiantam os valores a receber
cobrando taxas e juros creditando o saldo na conta da entidade. Caso o Cliente não
venha a liquidas o seu débito a entidade terá que repor o valor anteriormente
antecipado. O valor nominal das duplicatas descontadas deverão ser controlados
em conta retificadora e a medida que ocorrem os recebimentos pela instituição que
efetuou o desconto são baixadas tendo como contrapartida a conta de Duplicatas a
Receber ou quando não há recebimento a conta de Bancos c/Movimento.
 Cheques a Receber ou a Depositar, são valores correspondentes a cheques
recebidos e, por alguma razão, não depositados ou devidamente compensados.
 Adiantamento para Viagens, são valores normalmente entregues a Colaboradores
da entidade em viagens a serviço da mesma. Tais valores deverão ser controlados
se possível em contas individuais e logo após a viagem, através da contabilização
dos gastos relacionados em formulário próprio acompanhado de documentação
legal.
 Adiantamento a Funcionários, são provenientes de valores entregues ou creditados
aos colaboradores, normalmente proveniente de direitos trabalhistas, tais como,
Adiantamento de Salários, Férias, 13º Salário e outros.
 Estoques, representam bens materiais produzidos ou adquiridos pela entidade,
destinados ao uso, consumo ou aqueles destinados a venda. Nesse grupo podemos
encontrar subgrupos tais como: Matéria-Prima, Material de Embalagem, Material
Secundário, Produtos Acabados, Mercadoria para Revenda, etc...
 Adiantamentos a Fornecedores, representam valores entregues a fornecedores de
bens ou serviços em garantia de contratos firmados com a garantia de entregas
futuras.

78
Prof. Valbertone C. de Araújo

 Impostos a Recuperar, são valores provenientes de créditos tributários, direitos


adquiridos pela entidade conforme legislação vigente.
 Dividendos a Receber, são valores que a entidade investidora, avaliada pela
equivalência patrimonial, tem a receber das entidades investidas.

 Despesas de Exercício Seguintes. Nesse subgrupo são classificados os valores


correspondentes aos gastos contratados, pagos ou não, que atenderão a entidade por
vários meses e deverão ser reconhecidos como custos ou despesas, atendendo o Regime
de Competência, como por exemplo: Seguros, Assinatura de Revistas e Periódicos,
Encargos Financeiros e outros.

ATIVO NÃO CIRCULANTE: grupo do ativo que está subdividido em Realizável a


Longo Prazo, Investimentos, Imobilizado e Diferido.

 Realizável a Longo Prazo, são classificados nesse grupo os bens e direitos realizáveis
após o exercício social seguinte àquele em que o Balanço Patrimonial está sendo
encerrado. Podemos encontrar subgrupos, tais como:
 Adiantamento a Diretores, representa os adiantamentos ou empréstimos efetuados
pela entidade a diretores e que deverão ser restituídos no futuro.
 Adiantamentos a Controladas e Coligadas ou outros direitos adquiridos
provenientes da atividade da entidade, como já tratamos quando comentamos
Longo Prazo, independentemente do prazo deverão ser classificados nesse
subgrupo.
 Títulos a Receber, Depósitos Judiciais, Empréstimos Compulsórios e outras sub-
contas poderão constar desse subgrupo desde que os valores se enquadrem no
conceito de Longo Prazo.

79
Teoria da Contabilidade

 Investimentos são aplicações de recursos em participações permanentes em outras


entidades bem como bens e direitos não classificados no Ativo Circulante, Imobilizado
ou diferido.

 Participações em Controladas, são participações de natureza permanente onde o


valor investido em ações ou cotas representam a maioria das ações com direito a
voto ou cotas da entidade investida.
 Participações em Outras Empresas, são aplicações de recursos em ações ou cotas
de participações quando a investidora não detêm a maioria de ações ou cotas da
empresa investida, representam normalmente pequenos investimentos.
 Imóveis de Renda, são imóveis de propriedade da entidade, não utilizados nas
suas atividades operacionais e não destinados a venda. A conta redutora de
Depreciação Acumulada de tais imóveis, quando houver, deverá fazer parte
integrante desse subgrupo (conta redutora).

 Imobilizado, a classificação do imobilizado está definida no inciso IV do art. 179 da Lei


11.638/07, são classificados nesse grupo todos os bens corpóreos destinados à
manutenção das atividades da entidade entre outras podemos citar as contas.
 Terrenos são valores de terrenos de propriedade da entidade utilizados nas
operações da mesma.
 Imóveis representam os edifícios de propriedade da entidade em uso nas suas
operações normais.
 Instalações como o próprio nome indica corresponderão aos gastos realizados em
propriedades da entidade ou mesmo em imóveis de terceiros a disposição da
entidade para suas atividades normais.
 Veículos representam os veículos de propriedade da entidade, utilizados em suas
atividades

80
Prof. Valbertone C. de Araújo

 Móveis e Utensílios são as aplicações realizadas pela entidade na aquisição de


bens como o próprio nome indica utilizados nas atividades-fins.
 Máquinas e equipamentos, Computadores e Periféricos e outras contas farão parte
desse grupo.

OBS.: Cada ma dessas contas, com exceção da conta Terrenos terá uma conta retificadora com o
a denominação de Depreciação Acumulada (Depreciação Acumulada Imóveis, Depreciação
Acumulada Instalações, Depreciação Acumulada Veículos, etc...).

 Intangível

5.4 Passivo

No passivo iremos encontrar os valores correspondentes as fontes de recursos


provenientes de capitais de terceiros, ou seja valores financiados por terceiros que serão
aplicados no ativo com a finalidade da entidade exercer as suas atividades afins.

As contas devem ser classificadas, quando aplicável, em ordem decrescente de


exigibilidade, isto é, as obrigações com vencimentos mais próximos à data da elaboração do
Balanço Patrimonial deverão ser as primeiras a serem demonstradas seguindo sucessivamente as
demais obrigações atendendo a ordem decrescente, sendo subdivididas em dois grupos distintos,
Passivo Circulante e Passivo Não Circulante.

81
Teoria da Contabilidade

Empréstimos e Financiamentos
Fornecedores
Passivo Circulante Obrigações Fiscais
Outras Obrigações
Provisões Trabalhistas

Empréstimos e Financiamentos
Passivo Não Circulante
Resultados de Exercícios Futuros

 Passivo Circulante, a identificação das sub-contas que comporão esse grupo do Passivo
será determinada atendendo as normas estabelecidas pelo Comitê de Pronunciamentos
Contábeis – CPC, órgão do Conselho Federal de Contabilidade – CFC.
Conforme Pronunciamento Técnico CPC 26, item 69, temos:

69. Um passivo deve ser classificado como circulante quando satisfizer qualquer
dos seguintes critérios:

(a) espera-se que seja liquidado durante o ciclo operacional normal da entidade;
(b) está detido essencialmente para a finalidade de ser negociado;
(c) deverá ser liquidado num período até doze meses após a data do balanço; ou
(d) a entidade não tem um direito incondicional de diferir a liquidação do passivo
durante pelo menos doze meses após a data do balanço. Todos os outros
passivos devem ser classificados como não circulantes.

 Empréstimos e financiamentos
 Fornecedores
 Obrigações Fiscais
 Outras Obrigações
 Provisões Trabalhistas

 Passivo não Exigível

82
Prof. Valbertone C. de Araújo

 Empréstimos e Financiamentos
 Resultados de Exercícios Futuros

5.5 Contas de Patrimônio Líquido

Capital
Patrimônio Líquido Reservas de Capital
Reservas de Lucros

5.6 A escrituração das contas de resultado

Receita Bruta de Vendas


Deduções da Receita Bruta
Ajuste a Valor Presente de Clientes
Custo dos Produtos e Serviços
Contas de Resultado
Despesas Operaconais
Ouros Resultaos (não operacionais)
Tributos Sobre o Lucro
Participações e Contribuições

83
Teoria da Contabilidade

Figura 12 Fonte: Elaborada pelo autor.

BALANÇO PATRIMONIAL

ATIVO PASSIVO

Aplicações de Recursos Origens de Recursos

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Reservas Reservas
Capital + de Capital + de Lucros

DEMONSTRATIVO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

LUCRO / NULO / PREJUÌZO

RECEITAS DESPESAS

Comentários:
No quadro acima podemos verificar alguns situações peculiaes sobre Naturesa das contas.
ATIVO > PASSIVO = PATRIMÔNIO LÍQUIDO > Ø
ATIVO = PASSIVO = PATRIMÔNIO LÍQUIDO = Ø
ATIVO < PASSIVO = PATRIMÔNIO LÍQUIDO < Ø

As Contas Patrimoniais demonstradas do lado esquerdo do Balanço Patrimonial (ATIVO) são


de Natureza DEVEDORA.
As Contas Patrimoniais demonstradas do lado direito do Balanço Patrimonial (PASSIVO E
PATRIMÔNIO LÍQUIDO) são de Natureza CREDORA.
Analizando CONTAS DE RESULTADO (Receitas e Despesas), não podemos esquecer do
Princíio da Competência. Confrontação entre Receitas e Despesas. No final de cada período
predeterminado para apuração do Resultado Econômico o mesmo será incorporado ao
Patrimônio Líquido da entidade. Resultado Credor Lucro quando devedor Prejuizo.

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Prof. Valbertone C. de Araújo

5.7 Operações com mercadorias

5.8 Inventário periódico

5.9 Inventário permanente

85
Teoria da Contabilidade

6 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
6.1 Balanço Patrimonial
Figura 13 Fonte: Elaborada pelo autor.

BALANÇO PATRIMONIAL
Cia Contábeis Só Nota Dez
CNPJ Nº XX.XXX.XXX/0001-XX
Exercícios findo em 31 de dezembro de 20X1 e 20X2

ATIVO 20X1 20X2 PASSIVO 20X1 20X2


ATIVO CIRCULANTE PASSIVO CIRCULANTE
DISPONBILIDADES EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS
Caixa Empréstimos e Financiamentos
Bancos Conta Movimento Credores por Financiamento
Aplicações Financeiras Financiamentos Bancários (CP)
Numerários em Trânsito Títulos a Pagar
DIREITOS REALIZÁVEIS Juros a Pagar de Empréstimo e Financiamento
Duplicatas a Receber Nacionais (Clientes) FORNECEDORES
Duplicatas a Receber Exterior (Clientes) Fornecedores Nacionais
(-) Duplicatas Descontadas (-) Ajuste a Valor Presente
(-) Provisão Créditos Liquidação Duvidosa Fornecedores Estrangeiros
Cheques a Receber OBRIGAÇÕES FISCAIS
Adiantamentos ICMS a Recolher
Estoques ISS a Recolher
ICMS a Recuperar Pis a Recolher
ISS a Recuperar Cofins a Recolher
Pis a recuperar IR a Pagar
Cofins a Recuperar CS a Pagar
IR a Recuperar Outros Impostos e Taxas a Recolher
Dividendos a Receber OUTRAS OBRIGAÇÕES
DESPESAS DE EXERCICIO SEGUINTE Adiantamento de Clientes
Encargos Financeiros a Apropriar Contas a Pagar
Seguros a Apropriar Ordenados e Salários a Pagar
ATIVO NÃO CIRCULANTE Encargos Sociais a Pagar
REALIZAVEL A LONGO PRAZO FGTS a Recolher
Adiantamento a Diretores Honorários da Diretoria a Pagar
Adiantamento a Controladas Comissões a Pagar
Títulos a Receber Dividendos a Pagar
Duplicatas a Receber
Depósitos Judiciais PROVISÕES TRABALHISTAS
INVESTIMENTOS Férias
Participações em Controladas 13º Salário
Imóveis de Renda Encargos Sociais
Participação em Outras Empresas FGTS
(-) Depreciação Acumulada PASSIVO NÃO CIRCULANTE
(-) Provisão Desvalorização de Investimentos EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS
IMOBILIZADO Empréstimos e Financiamentos Nacionais
Terrenos Juros a pagar em Moeda Nacional (LP)
Imóveis Empréstimos e Financiamentos Estrangeiros
Veículos Juros a Pagar em Moeda Estrangeira (LP)
Móveis e Utensílios RESULTADOS DE EXERCÍCIOS FUTUROS
Instalações Receita de Exercícios Futuros
(-) Depreciações Acumuladas (-)Custos Correspondentes às Receitas
INTANGÍVEIS PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Fundo de Comércio CAPITAL
Marcas e Patentes RESERVAS DE CAPITAL
(-) Amortizações Acumuladas RESERVAS DE LUCROS
TOTAL DO ATIVO TOTAL DO PASSIVO

NE = Notas explicativas - fazem parte integrante das demonstrações contábeis.

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Prof. Valbertone C. de Araújo

6.2 Demonstração do Resultado do Exercício – DRE


Figura 14 Fonte: Elaborada pelo autor.
Cia Contábeis Só Nota Dez
CNPJ Nº XX.XXX.XXX/0001-XX
Período de 01/01/20X2 a 31/12/20X2

DEMONSTRATIVO DE RESULTADO DO EXERCÍCIO 20X1 20X2


I. RECEITA BRUTA DE VENDAS
VENDAS DE PRODUTOS
Mercado nacional
Exportação
VENDAS DE SERVIÇOS
Mercado nacional
Exportação
II. DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA
VENDAS CANCELADAS E DEVOLUÇÕES
ABATIMENTOS
IMPOSTOS INCIDENTES SOBRE VENDAS
ICMS
ISS
PIS
COFINS
III. AJUSTE A VALOR PRESENTE DE CLIENTES (D)
IV. CUSTO DOS PRODUTOS E DOS SERVIÇOS
CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS
CUSTO DOS SERVIÇOS PRESTADOS
V. DESPESAS OPERACIONAIS
ADMINISTRATIVAS
COMERCIAIS
RESULTADO FINANCEIRO LÍQUIDO
RECEITA E DESPESAS FINANCEIRAS
Despesas Financeiras
Receitas Financeiras
Resultado Financeiro Comercial
VARIAÇÕES MONETÁRIAS DE OBRIGAÇÕES E CRÉDITOS
Variações de Obrigações
Variações de Créditos
PIS SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS
COFINS SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS
OUTRAS RECEITAS E DESPESAS OPERACIONAIS
LUCROS E PREJUÍZOS DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIA
VENDAS DIVERSAS
VI. OUTROS RESULTADOS (NÃO OPERACIONAIS)
GANHOS E PERDAS DE CAPITAL NOS INVESTIMENTOS
GANHOS E PERDAS DE CAPITAL NO IMOBILIZADO
GANHOS E PERDAS DE CAPITAL NO ATIVO DIFERIDO
VII. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL
VIII. PARTICIPAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES
DEBÊNTURES
EMPREGADOS
ADMINISTRADORES
PARTES BENEFICIÁRIAS

IX. LUCRO (PREJUÍZO) LÍQUIDO DO EXERCÍCIO

NE = Notas explicativas - fazem parte integrante das demonstrações contábeis.

87
Teoria da Contabilidade

6.3 Demonstrações de Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL


Figura 15 Fonte: Elaborada pelo autor.

Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido


Cia Contábeis Só Nota Dez
CNPJ Nº XX.XXX.XXX/0001-XX
Para os Exercícios Findos em 31 de dezembro de 20X1 e de 20X2

Reserva de
Capital Reserva Lucros
retenção Total
Social Legal Acumulados
Lucros

Saldo em 31 de dezembro de 20X0 32.143,36 199,94 1.442,42 - 33.785,72

Aumento de capital social 11.295,20 11.295,20


Lucro líquido do exercício 11.629,20 11.629,20
Destinação proposta à A.G.O.:
Reserva legal - 581,46 (581,46) -
Juros sobre o capital próprio (2.214,32) (2.214,32)
Dividendos (1.217,58) (1.217,58)
Reserva para investimentos - - 7.615,84 (7.615,84) -

Saldo em 31 de dezembro de 20X1 43.438,56 781,40 9.058,26 - 53.278,22

Lucro líquido do exercício - - - 7.258,32 7.258,32


Destinação proposta à A.G.O.:
Reserva legal - 362,92 (362,92)
Juros sobre o capital próprio - - - (2.213,33) (2.213,33)
Reserva para investimentos - - 4.682,07 (4.682,07) -

Saldo em 31 de dezembro de 20X2 43.438,56 1.144,32 13.740,33 0,00 58.323,21

NE = Notas explicativas - fazem parte integrante das demonstrações contábeis.

88
Prof. Valbertone C. de Araújo

6.4 Demonstração dos Fluxos de Caixa – DFC


Figura 16 Fonte: Elaborada pelo autor.

Demonstração dos Fluxos de Caixa


Cia Contábeis Só Nota Dez
CNPJ Nº XX.XXX.XXX/0001-XX
Para os Exercícios Findos em 31 de dezembro de 20X1 e de 20X2

20X1 20X2
Fluxos de caixa das atividades operacionais
Lucro líquido do exercício
Ajustes para a reconciliação do lucro líquido do exercício
com a geração de caixa das atividades operacionais:
Provisão (reversão) para créditos de liquidação duvidosa
Depreciação
Amortização de intangíveis
Variações monetárias e cambiais não realizadas - líquidas
Provisões no passivo não circulante
Baixas de imobilizado - líquidas
Baixas de intangível - líquidas

Redução (aumento) dos ativos


Duplicatas a Receber
Dividedos a Receber
Impostos e contribuições sociais
Estoques
Dividenddos a Receber
Gastos a Aproprias
Outros créditos

Aumento (redução) dos passivos


Empréstimos e financiamentos - juros pagos
Dividendos a Pagar
Fornecedores
Obrigações Fiscais
Folha de pagamento e provisões trabalhistas
Encargos Sociais a recolher
Outras Obrigações

Caixa líquido gerado pelas atividades operacionais

Fluxos de caixa das atividades de investimento


Adições no imobilizado
Adições no intangível
Venda de imobilizado

Caixa líquido utilizado pelas atividades de investimento

Fluxos de caixa das atividades de financiamento


Empréstimos Nacionais Obtidos
Empréstimos Estrangeiros Obtidos
Juros s/Emprestimos
Empréstimos e Juros - amortização
Integralização de capital social

Caixa líquido gerado (utilizado) pelas atividades de financiamento

Total dos efeitos no caixa e equivalentes de caixa

Saldo inicial de caixa e equivalentes de caixa


Saldo final de caixa e equivalentes de caixa
Variação no caixa e equivalentes de caixa

NE = Notas explicativas - fazem parte integrante das demonstrações contábeis.

89
Teoria da Contabilidade

6.5 Demonstração do Valor Adicionado – DVA


Figura 16 Fonte: Elaborada pelo autor.

Demonstração do Valor Adicionado


Cia Contábeis Só Nota Dez
CNPJ Nº XX.XXX.XXX/0001-XX
Para os Exercícios Findos em 31 de dezembro de 20X1 e de 20X2
DESCRIÇÃO 20X1 20X2
1-RECEITAS
Vendas de mercadoria, produtos e serviços
Provisão p/devedores duvidosos – Reversão/(Constituição)
Não operacionais
( - ) INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS
Matérias-Primas consumidas
Custos das mercadorias e serviços vendidos
Materiais, energia, serviços de terceiros e outros
Perda/Recuperação de valores ativos
( = ) VALOR ADICIONADO BRUTO
( - ) RETENÇÕES
Depreciação, amortização e exaustão
( = ) VALOR ADICIONADO LÍQUIDO
( + ) VALOR RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA
Resultado de equivalência patrimonial
Receitas financeiras
( = ) VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR

DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO 20X1 % 20X2 %


Pessoal e encargos
Impostos, taxas e contribuições
Juros e aluguéis
Juros s/ capital próprio e dividendos
Lucros retidos / prejuízo do exercício
* TOTAL 100 100
* O total deve ser exatamente igual ao Total a Distribuir
NE = Notas explicativas - fazem parte integrante das demonstrações contábeis.

90