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COLÉGIO MENDEL

Série: 8ª A – Profª.: Nadja Leal


Disciplina: Artes Visuais
Componentes: Gabriel e Victor Mendes
SUMÁRIO:

Introdução ............................................................3

Tráfico Negreiro ..................................................3

Samba-de-roda, uma antiga tradição herdada dos escravos ..................4

Conjuração Baiana ................................................4

Religiões Afro-Brasileiras ...................................5

Umbanda ..................................................................................................5

Kimbanda .................................................................................................7

Vodu .........................................................................................................8

Orixá .......................................................................................................10

Batuque ...................................................................................................11

Macumba ................................................................................................12

Catimbó ..................................................................................................13

Xambá .....................................................................................................17

Origem do Racismo ...............................................19

Conclusão ............................................................19

Anexos ..................................................................20

Bibliografia ........................................................21

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INTRODUÇÃO

A partir deste trabalho, saberemos várias partes da cultura Baiana atual,


entretanto teremos que voltar no tempo para saber como ela foi construída.
Começaremos com a vinda da cultura africana.

TRÁFICO NEGREIRO

Na Colônia, ainda no século XVI, os portugueses já haviam dado início ao


tráfico negreiro, atividade comercial bastante lucrativa. Os traficantes de escravos
negros, interessados em ampliar esse rendoso negócio, firmaram alianças com os
chefes tribais africanos. Estabeleceram com eles um comércio baseado no escambo,
onde trocavam tecidos de seda, jóias, metais preciosos, armas, tabaco, algodão e
cachaça, por africanos capturados em guerras com tribos inimigas.
Os negros trazidos para o Brasil pertenciam, principalmente, a dois grandes
grupos étnicos: os sudaneses, originários da Nigéria, Daomé e Costa do Marfim, e os
bantos, capturados no Congo, Angola e Moçambique. Estes foram desembarcados,
em sua maioria, em Pernambuco, Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Os sudaneses
ficaram na Bahia. Calcula-se que entre 1550 e 1855 entraram nos portos brasileiros
cerca de quatro milhões de africanos, na sua maioria jovens do sexo masculino.
Os navios negreiros que transportavam africanos até o Brasil eram chamados
de tumbeiros, porque grande parte dos negros, amontoados nos porões, morria
durante a viagem. O banzo (melancolia), causado pela saudade da sua terra e de sua
gente, era outra causa que os levava à morte. Os sobreviventes eram desembarcados e
vendidos nos principais portos da Colônia, como Salvador, Recife e Rio de Janeiro.
Os escravos africanos eram, de forma geral, bastante explorados e maltratados e, em
média, não agüentavam trabalhar mais do que dez anos. Como reação a essa situação,
durante todo o período colonial foram constantes os atos de resistência, desde fugas,
tentativas de assassinatos do senhor e do feitor, até suicídios.
Essas reações contra a violência praticada pelos feitores, com ou sem ordem
dos senhores, eram punidas com torturas diversas. Amarrados no tronco
permaneciam dias sem direito a comida e água, levando inumeráveis chicotadas.
Eram presos nos ferros pelos pés e pelas mãos. Os ferimentos eram salgados,
provocando dores atrozes. Quando tentavam fugir eram considerados indignos da
graça de Deus, pois, segundo o padre Antônio Vieira, ser "rebelde e cativo" é estar
"em pecado contínuo e atual"

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Os escravos que trabalhavam na casa grande recebiam um tratamento melhor
e, em alguns casos, eram considerados pessoas da família. Esses escravos, chamados
de "ladinos" (negros já aculturados), entendiam e falavam o português e possuíam
uma habilidade especial na realização das tarefas domésticas. Os escravos chamados
"boçais", recém-chegados da África, eram normalmente utilizados nos trabalhos da
lavoura. Havia também aqueles que exerciam atividades especializadas, como os
Mestre-de-Açúcar, os ferreiros, e outros distinguidos pelo senhor de engenho.
Chamava-se de crioulo o escravo nascido no Brasil. Geralmente dava-se preferência
aos mulatos para as tarefas domésticas, artesanais e de supervisão, deixando aos de
cor mais escura, geralmente os africanos, os trabalhos mais pesados.
A convivência mais próxima entre senhores e escravos, na casa grande, abriu
espaço para as negociações. Esta abertura era sempre maior para os ladinos,
conhecedores da língua e das manhas para "passar a vida", e menor para os africanos
recém-chegados, os boçais. Na maioria das vezes, essas negociações não visavam à
extinção pura e simples da condição de escravo, e sim, obter melhores condições de
vida: manutenção das famílias, liberdade de culto, permissão para o cultivo em
pedaço de terra do senhor, com a venda da produção, e condições de alimentação
mais satisfatórias.
Uma das formas da resistência negra era a organização dos quilombos -
comunidades livres constituídas pelos negros que conseguiam fugir com sucesso. O
mais famoso deles, o Quilombo de Palmares, formou-se na Serra da Barriga, atual
Alagoas, no início do século XVII. Resistindo por mais de 60 anos, nele viveram
cerca de 200 mil negros. Palmares sobreviveu a vários ataques organizados pela
Coroa portuguesa, pelos fazendeiros e até pelos holandeses.
Para o senhor de engenho a compra de escravos significava um gasto de
dinheiro considerável e, portanto, não desejava perdê-los, qualquer que fosse o
motivo: fuga ou morte, inutilização, por algum acidente ou por castigos aplicados
pelos feitores. A perda afetava diretamente as atividades do engenho. Outro
problema a evitar era que as revoltas se tornassem uma ameaça ao senhor e à sua
família, ou à realização das tarefas cotidianas. Dessa forma, se muitas vezes as
relações entre senhores e escravos eram marcadas pelos conflitos causados pelas
tentativas dos senhores de preservar suas conquistas, em muitos casos, a garantia
dessas conquistas era justamente o que possibilitava uma convivência mais
harmoniosa entre os dois grupos.

SAMBA-DE-RODA, UMA ANTIGA TRADIÇÃO


HERDADA DOS ESCRAVOS.

Segundo historiadores o samba-de-roda da Bahia foi criado pelos negros na


época do Brasil colonial, precisamente no Baiano, onde ate hoje as tradições são
mantidos no passado, os escravos organizavam o samba-de-roda sempre à noite na
hora do descanso.Era o momento de celebrar a alegria e a descontração. Quando a

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festa terminava, todos saiam renovados e confiantes para enfrentar as dificuldades do
dia-dia.
Ao primeiro toque do tambor, homens e mulheres se colocavam a postos em
círculo. Sobre o chão de terra, começavam as cantorias.
E, no centro da roda, dançavam-se sozinhos ou em pares, enquanto os outros
acompanhavam com palmas. Com o passar dos anos, o samba-de-roda foi
ultrapassando as Fronteiras e a descentralização foi inevitável: saiu do recôncavo
para outros municípios, chegando ate aqui, na antiga Santo Amaro de Ipitanga, atual
Lauro de Freitas.

CONJURAÇÃO BAIANA

Em 1761, com a mudança da sede do Governo Geral para o Rio de Janeiro, a


Capitania da Bahia perdeu sua importância política, apesar de continuar
desenvolvendo-se economicamente e a manter seu crescimento, graças ao comércio
estrangeiro bastante intenso. Entretanto, não houve melhoria nas condições de vida
da população. O renascimento agrícola, que se verificou a partir de 1770, beneficiou
apenas os senhores de engenho e os grandes comerciantes agravando, ainda mais, as
contradições sociais.
Contava a Capitania com uma população de aproximadamente 50 mil
habitantes, a maioria composta por escravos negros ou alforriados, pardos e mulatos,
homens livres e pobres que desempenhavam atividades manuais consideradas
desprezíveis pelas elites dominantes.
Essa população pobre, negra, branca e mestiça, sofria com o aumento do custo
de vida, com a escassez de alimentos e com o preconceito racial. As agitações eram
constantes. Entre 1797 e 1798 ocorreram vários saques aos armazéns do comércio de
Salvador, e até os escravos que levavam a carne para o general-comandante foram
assaltados. A população faminta roubava carne e farinha. Em inícios de 1798, a forca,
símbolo do poder colonial, foi incendiada. O descontentamento crescia também nos
quartéis, onde incidentes envolvendo soldados e oficiais tornavam-se freqüentes.
Havia, portanto, nesse clima tenso, condições favoráveis para a circulação das idéias
de Igualdade, Liberdade e Fraternidade.

RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS
UMBANDA

A Umbanda é uma religião tipicamente brasileira. Na verdade, pode-se dizer


que ela não existe em nenhuma outra parte do mundo. Além do sincretismo clássico
entre a herança religiosa africana e o Catolicismo, a Umbanda absorveu

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elementos do Espiritismo kardecista, de modo que, no decorrer dos rituais, o fiel se
comunica com espíritos desencarnados.
As práticas existentes dentro dos terreiros de Umbanda variam muito. Alguns
demonstram uma ligação mais forte com o Espiritismo, outros se aproximam mais do
Candomblé. Em comum, têm a força dos rituais, denominados giras, em que os filhos
e filhas-de-santo entoam cânticos e dançam ao som dos atabaques. As cerimônias
geralmente acontecem à noite e se estendem madrugada adentro. Os espíritos que
"descem" incorporam-se nos fiéis que estão participando da gira. Aqueles que
"recebem" os espíritos são chamados de cavalos. Durante a incorporação, o "cavalo"
permanece inconsciente, e quem fala através dele é seu "guia", ou seja, a entidade
espiritual a ele associada. Para auxiliar os cavalos, existem os cambonos, que ocupam
papel relevante na hierarquia do terreiro. Mas a posição mais elevada cabe à mãe ou
ao pai-de-santo, que é a pessoa responsável pelos trabalhos espirituais. Nos terreiros
umbandistas, o ponto focal é o congá, altar profusamente enfeitado com flores, velas
acesas e colares de contas coloridas, que simbolizam os diferentes santos e orixás. No
congá, imagens de Jesus, Nossa Senhora e santos católicos dividem espaço com
estatuetas de preto-velhos, caboclos, ciganos, marinheiros e outras entidades
espirituais. A hierarquia do terreiro
Babalorixás (Babalaô, quando homem, e Ialorixá, quando mulher) - São os dirigentes.

Zeladores (jibonã e sidagã) - Auxiliam os dirigentes.


Ogã e Sambas - Tocam os atabaques e observam a disciplina.
Pais e Mães-Pequenas (Baba Mindim) - Assistentes do dirigente. Em geral, ajudam
no trabalho de desenvolvimento da mediunidade dos filhos de fé.
Cambonos e coroados (feitos e / ou confirmados) - Prestam assistência aos cavalos,
durante a gira. Filhos de fé (aceitos) - São aqueles que se preparam para entrar em
desenvolvimento. Filhos de fé (em observação) - Freqüentam os trabalhos para o
desenvolvimento de seus dons mediúnicos. As sete linhas da Umbanda. A Umbanda
se divide em sete linhas, ou "bandas", sendo que cada uma delas é consagrada a um
orixá. Cada uma dessas divindades, por sua vez, comanda sete falanges. Uma dessas
falanges corresponde à vibração original do orixá (por exemplo: linha de Ogum). As
outras seis falanges do orixá significam o cruzamento da energia original do orixá
com as dos outros seis orixás (exemplo: a linha de Ogum Beira-Mar é o cruzamento
da linha de Ogum com a de Iemanjá). Temos assim um total de 49 falanges. Como o
orixá nunca incorpora no ritual da Umbanda, a função das entidades pertencentes às
falanges é justamente descer à Terra e executar o trabalho ordenado pelo orixá. Elas
são portadoras da força da divindade.
Existe ainda uma outra subdivisão, que diz respeito à faixa etária das
entidades. Desse modo, temos as crianças, os adultos e os velhos. Por exemplo:
podemos ter uma criança de Xangô, um Caboclo de Oxóssi e um Preto Velho de
Oxalá.
Os orixás que comandam as falanges são Iansã, Iemanjá, Ogum, Oxalá, Oxóssi,
Oxum e Xangô.

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OFERENDAS
Quando as entidades que compõem as diferentes falanges estão incorporadas,
elas se prestam a aconselhar seus consulentes e a realizar alguns rituais. Nestas
ocasiões, utilizam-se dos quatro elementos básicos da Natureza - ou seja, AR,
TERRA, FOGO e ÁGUA. É por isso que, muitas vezes, essas entidades solicitam
cigarros, bebidas, alimentos. Cada item pedido corresponde a determinados
elementos naturais. Veja os exemplos: Água e bebidas não-alcoólicas: Servem para a
cura, pois simbolizam a força, o remédio e o poder gerador. Bebidas alcoólicas:
Pertencem ao elemento Fogo e permitem transmutar as energias. Cachimbo, charuto
ou cigarro: Une o Fogo, a Água, a Terra e o Ar, sintetizando, assim, os elementos de
todas as linhas.

KIMBANDA

NA ÁFRICA
Em terras bantas, muito antes de chegada do branco, já existia o culto aos
ancestrais (chamados depois no Brasil "guias"). Também era conhecida a palavra
"mbanda" (umbanda) significando "a arte de curar" ou "o culto pelo qual o sacerdote
curava", sendo que mbanda quer dizer "O Além - onde moram os
espíritos". Os sacerdotes da umbanda eram conhecidos como "kimbandas"
(ki-mbanda = comunicador com o Além).
Quando chegam os portugueses e têm contato com os reinos
bantos, procuram comerciar com eles de um jeito pacífico. Mais tarde, o
Rei do Kongo (manikongo) descendente do primeiro ancestral kongo divinizado o
“Tatá Akongo” converte-se ao catolicismo, também fazem o mesmo todos os seus
vassalos. Pôde-se apreciar então, que os negros bantos eram evangelizados ainda na
África, por vontade própria, fazendo eles mesmos, em sua terra, sincretismos entre
Santos e Nkisis. Porém, uma parte banta não aceitou, nem adotou a evangelização,
então tramaram uma revolução contra do rei do Congo para se mostrarem opostos ao
homem branco e os Santos, começaram a dizer que eram do Diabo. Esses povos
bantos eram os Bagandas, Balundas e Balubas. Depois de um tempo os Bagandas em
revolta conquistaram a região de Angola e logo após quase todo o reino congo (que
era formado por vários reinos vassalos). Um dos reis Bagandas foi Ngola Mbandi, de
onde provém o nome de Angola. Esses revolucionários estavam apoiados pelos
grandes feiticeiros e guardiões das tradições bantas. Sua bandeira era formada pelas
cores da tribo dominante: vermelho e preto (muito depois seriam as cores de
Angola). Os Luba-Lunda, que ajudavam na guerra em contra os brancos e os reinos
congos evangelizados usavam na bandeira as cores vermelha, preta e branca.
Devemos também dizer que depois de muito tempo de paz entre portugueses
e congos, um dos descendentes do Rei do Congo para não perder o reino, decidiu se
unir ao pensamento das outras tribos, pegando novamente seu nome africano e
declarando a guerra contra os portugueses, aliando-se com o resto dos povos bantos.

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Os portugueses por seu lado, levaram-se milhares de escravos bantos para o Brasil, e
entre eles se encontravam partidários dos dois grupos bantos: os evangelizados e os
defensores das tradições. Este último grupo, já no Brasil, continuou em estado de
revolta, contrário a tudo que vinha do branco, e também em parte "inimigo" dos
escravos feiticeiros que sincretizavam os Nkisis com os Santos.

NO BRASIL
No período da escravidão, os bantos dos dois grupos (revolucionários e
evangelizados) fazem contato com os grupos tupi-guaranis, sendo que também entre
os índios, havia dois grupos com afinidade aos grupos bantos: índios bruxos que não
aceitavam os santos (se identificando com o diabo) e os índios evangelizados que
gostavam da idéia do sincretismo dos santos. Esses grupos se uniram para fazer suas
magias em separado, quer dizer, os negros bantos contrários ao branco e aos santos
com os índios bruxos; e os negros bantos evangelizados com os índios evangelizados.
Daí o surgimento de duas correntes paralelas e opostas que seriam conhecidas no
Brasil como Umbanda - o culto dos caboclos e pretos evangelizados; e a Quimbanda -
o culto dos caboclos e pretos que não aceitaram viver em baixo do pé do Deus dos
brancos, se aliando ao Diabo (inimigo do branco) e com Exu (aquele que também era
olhado como um demônio).
Aliás, temos dizer que, com o passar do tempo, quando morrem os escravos
dos dois grupos, estes são chamados e incorporados através de transe por seus
descendentes, a princípio na Macumba e logo depois na Umbanda. Porém, os
espíritos chegavam todos num mesmo terreiro sem tanta diferenciação e até
confundindo os grupos. O que os descendentes de escravos menos queriam era de
serem chamados de satanistas ou macumbeiros, por isso colocaram aos grupos
revoltosos em baixo do pé dos grupos evangelizados e a Kimbanda ficou sendo uma
sublinha da Umbanda. Porém os próprios Espíritos se encarregaram de fazer a
separação e hoje em dia podemos dizer sem dúvida que existem duas religiões
paralelas e diferentes: a Umbanda - aonde chegam os Espíritos Guias dos Pretos e
Caboclos evangelizados, vestidos de branco, humildes, que acreditam nos santos e os
orixás, onde não se fazem sacrifícios de animais, que não fazem o mal, etc, e a
Kimbanda - aonde chegam os Espíritos Guias dos Pretos e Caboclos que trabalham
para bem ou mal, com sacrifícios de animais, luxo, orgulho, revolução e que não
acreditam nos Santos da Igreja, defensores de tudo o que seja africanismo, e aceitam
os Orixás e Nkisis.
Cabe dizer, que os seguidores dos distintos ramos da umbanda, adotam e
adaptam as duas linhas (umbanda-kimbanda) segundo os preceitos e as influências
majoritárias da sua Casa de Religião. Por exemplo, aqueles que fazem Umbanda
Branca (sem sangue) colocam a kimbanda em baixo da mesma e continuam sem
praticar sacrifícios de sangue para os Exus. Aqueles que fazem culto aos Orixás
iorubás e também praticam a Umbanda, dadas às influências iorubanas, olham na
Umbanda como na Kimbanda um culto aos ancestrais (ou Linha de Almas)
submetidos aos Orixás, fazendo para os ancestrais rituais de sacrifícios (princípio
fundamental dessa cultura).

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Hoje em dia podemos dizer que a Kimbanda se libertou da Umbanda,
existindo um culto separado só para Exu da Kimbanda e fora do contexto
umbandista.

VODU

Vodu é uma tradição espiritual originada no Haiti durante o período de


escravidão colonial francesa. Africanos de muitas linhagens étnicas
foram transportados à força para o Haiti, para servirem
principalmente como escravos agricultores. Os povos nativos das
ilhas, os Taino e os Carib, foram exterminados pelos espanhóis
durante as primeiras invasões. Durante este período histórico,
europeus da França e de outros países, incluindo deportados pro-Stuart da Escócia,
radicaram no Haiti.
Devido a tantas linhagens estarem representadas, nenhum culto africano
poderia satisfazer todos os participantes, pois a reverência aos ancestrais era muito
importante. Entretanto, cada “nação” tomaria sua vez num encontro. Essa
alternância de cultos eventualmente evoluiu para a ordem cerimonial da liturgia
Vodu. Durante este período formativo é que foram adotadas também entidades
européias pré-cristãs, como Brigid, ou Maman Brigitte na tradição vodu. Também
houve uma pequena influência das populações restantes de Tainos e Caribs. Também
há sectos no Vodu, assim como em tantas outras religiões. O primeiro e mais
amplamente conhecido é o Vodu Ortodoxo. Nesta seita, o Rito Dahomeano tem
posição de primazia e as iniciações são conduzidas com base principalmente no
modelo dahomeano. Um sacerdote ou sacerdotisa recebe o asson, um chocalho ritual,
como símbolo do sacerdócio. Neste rito, um sacerdote é chamado de Houngan, ou às
vezes de Gangan; uma sacerdotisa é conhecida como Mambo. No vodu ortodoxo, as
linhas Iorubás também têm certa proeminência. Outras “nações” ou linhagens que
não a Dahomeana são vistas com menor importância, como subtítulos na ordem
cerimonial. Este rito é amplamente representado no Haiti, e concentrado em Port Au
Prince e no sul do Haiti. O segundo secto é chamado de Makaya. Neste rito, as
iniciações são menos elaboradas e o sacerdote ou sacerdotisa não recebem o asson.
Um sacerdote makaya é chamado de Bokor e uma sacerdotisa é às vezes chamada de
Mambo, às vezes de sorcière. Os termos bokor e sorcière são pejorativos no vodu
ortodoxo e o termo bokor pode também servir para classificar um especialista em
magia maléfica não iniciado, também chamado de malfacteur. Tais indivíduos não
são clericais em qualquer seita. A liturgia makaya é menos uniforme de peristilo
(“terreiro”) para peristilo do que a do vodu ortodoxo e há uma ênfase maior na magia
do que na religião. Este rito está presente em Port Au Prince e é fortemente
representado no Vale Artibonite, no Haiti central.
Um terceiro secto é o Rito Kongo. Como o próprio nome já diz, é quase que
exclusivamente representante da tradição do Kongo. A iniciação é baseada no
modelo kongo; o sacerdote e a sacerdotisa são ambos chamados de Serviteur. No

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vodu ortodoxo, um (a) serviteur é apenas o iniciado que serve o Loa (deidade do
vodu). Este rito está concentrado perto de Gonaives, no centro do Haiti e um grande
festival anual dos Kongo é realizado perto em Sucrie, perto de Gonaives.
Todas estas tradições têm pontos em comum: Há apenas um Deus, chamado
de Gran Met, o Grande Mestre; e também de Bondye, do francês Bon Dieu, o Bom
Deus.
Há entidades menores, chamadas de Loa (singular). Elas são consideradas
acessíveis de imediato através do mecanismo de possessão. Tal estado é considerado
normal e natural dentro do contexto duma cerimônia vodu e também altamente
desejável, havendo, entretanto certa “etiquette” para a mesma ocorrer, que será
discutida em lições mais avançadas. Todos os ritos empregam orações, cânticos,
percussão, roupas específicas e danças durante as cerimônias.

ORIXÁ

Olorun é o Deus supremo do povo Yoruba, que criou as divindades chamadas Orixá
para representar todos os seus domínios aqui na terra, mas não são considerados
deuses. Aqui estão eles:
 Exu, Orixá guardião dos templos, casas, cidades e das pessoas, mensageiro
divino dos oráculos.
 Ogum, Orixá do ferro, guerra, fogo, e tecnologia.
 Oxóssi, Orixá da caça e da fartura.
 Logunedé, Orixá jovem da caça e da pesca.
 Xangô, Orixá do fogo e trovão, protetor da justiça.
 Obaluaiyê, Orixá das doenças epidérmicas e pragas.
 Oxumaré, Orixá da chuva e do arco-íris.
 Ossaim, Orixá dos remédios, conhece o segredo de todas as folhas.
 Oyá ou Iansã, Orixá feminino dos ventos, relâmpagos, tempestade, e do Rio
Niger
 Oxum, Orixá feminino dos rios, do ouro, jogo de búzios, e amor.
 Iemanjá, Orixá feminino dos lagos, mares e fertilidade, mãe de muitos Orixás.
 Nanã, Orixá feminino dos pântanos e da morte, mãe de Obaluaiê.
 Ewá, Orixá feminino do Rio Ewá.
 Obá, Orixá feminino do Rio Oba, uma das esposas de Xangô
 Axabó, Orixá feminino da família de Xangô
 Ibeji, Orixá dos gêmeos
 Irôco, Orixá da árvore sagrada, (gameleira branca no Brasil).
 Egungun, Ancestral cultuado após a morte em Casas separadas dos Orixás.
 Onilé, Orixá do culto de Egungun
 Omolu, Orixá da terra e da saúde
 Oxalá, é um nome genérico para vários Orixás Funfun (branco)
 OrixaNlá ou Obatalá, o mais respeitado, o pai de quase todos orixás, criador
do mundo e dos corpos humanos

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 Ifá ou Orunmila-Ifa, Ifá é o porta-voz de Orunmila, Orixá da Adivinhação e
do destino.
 Odudua, Orixá também tido como criador do mundo, pai de Oranian e dos
yoruba.
 Oranian, Orixá filho mais novo de Odudua
 Baiani, Orixá também chamado Dadá Ajaká
 Olokun, Orixá divindade do mar
 Oxalufon, Orixá velho e sábio
 Oxaguian, Orixá jovem e guerreiro
 Orixá Oko, Orixá da agricultura
Na África cada Orixá estava ligado originalmente a uma cidade ou a um país
inteiro. Tratava-se de uma série de cultos regionais ou nacionais. Sàngó em Oyó,
Yemoja na região de Egbá, Iyewa em Egbado, Ogún em Ekiti e Ondô, Òssun em
Ijexá e Ijebu, Erinlé em Ilobu, Lógunnède em Ilexá, Otin em Inixá, Osàálà-Obàtálá
em Ifé, subdivididos em Osàlúfon em Ifan e Òságiyan em Ejigbô
No Brasil, em cada templo religioso são cultuados todos os Orixás,
diferenciando que nas casas grandes tem um quarto separado para cada Orixá, nas
casas menores são cultuados em um único quarto de santo (termo usado para
designar o quarto onde são cultuados os Orixás).

BATUQUE

Batuque é uma Religião Afro-brasileira de culto aos Orixás encontrados


principalmente no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, de onde se estendeu para os
países vizinhos tais como Uruguai e Argentina.
Batuque é fruto de religiões dos povos da Costa da Guiné e da Nigéria, com as
nações Jêje, Ijexá, Oyó, Cabinda e Nagô.
A estruturação do Batuque no estado do Rio Grande do Sul deu-se no inicio
do século XIX, entre os anos de 1833 e 1859 (Correa, 1988 a: 69). Tudo indica que os
primeiros terreiros foram fundados na região de Rio Grande e Pelotas. Têm-se
notícias, em jornais desta região, matérias sobre cultos de origem africana datadas de
abril de 1878, (jornal do comércio, Pelotas). Já em Porto
Alegre, as notícias relativas ao Batuque, datam da
segunda metade do século XIX, quando ocorreu a
migração de escravos e ex-escravos da região de pelotas
e Rio Grande para Capital.
Os rituais do Batuque seguem fundamentos,
principalmente das raízes da nação Ijexá, proveniente da Nigéria, e dá lastro as outras
nações como o Jêje do Daomé, hoje Benim, Cabinda (enclave Angolano) e Oyó,
também, da região da Nigéria. O Batuque surgiu como diversas religiões afro-
brasileiras praticadas no Brasil, e tem as suas raízes na África, tendo sido criado e
adaptado pelos negros no tempo da escravidão. Um dos principais fundadores do
Batuque foi o Príncipe Custódio de Xapanã. O nome batuque era dado pelos brancos,

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sendo que os negros o chamavam de Pará. É da Junção de todas estas nações que se
originou esta cultura conhecida como Batuque, e os nomes mais expressivos da
antiguidade, que de uma maneira ou de outra contribuíram para a continuidade dos
rituais foram:

As entidades cultuadas são as mesmas em quase todos terreiros, os


assentamentos tem rituais e rezas muito parecidos, as diferenças entre as nações é
basicamente em respeito as tradições próprias de cada raiz ancestral, como no
preparo de alimentos e oferendas sagradas. O Ijexá é atualmente a nação
predominante, encontra-se associado aos rituais de todas as nações.

CRENÇAS
O batuque é uma religião onde se cultuam vários Orixás, oriundos de várias
partes da África, e suas forças estão em parte dentro dos terreiros, onde permanecem
seus assentamentos e na maior parte na natureza: rios, lagos, matas, mar, pedreiras,
cachoeiras etc., onde também invocamos as vibrações de nossos Orixás.
Todo ser humano nasce sob a influencia de um Orixá, e em sua vida terá as
vibrações e a proteção deste Orixá que está
naturalmente vinculado e rege seu destino, com
características individuais, em que o Orixá exige sua
dedicação, onde este poderá ser um simples colaborador
nos cultos, ou até mesmo se tornar um Babalorixá ou
Iyalorixá.
Há uma questão de ordem etimológica no Termo Pará, onde se afirma ser este
o outro nome pelo qual é conhecido o Batuque, ora sabe-se que todo freqüentador de
Terreiros chama na verdade o Peji ou quarto-de-santo de Pará e não o ritual sagrado
dos Orixás, este sim o Batuque. Esta questão já está dimensionada desde os anos 50,
nas pesquisas etnográficas de Roger Bastide sobre a Religião Africana no Rio Grande
do Sul. São consideradas Religiões Afro-Brasileiras, todas as religiões que tiveram
origem nas religiões africanas, que foram trazidas para o Brasil pelos escravos.
Batuque Candomblé Catimbó Culto aos Egungun Culto de Ifá Jurema sagrada
Quimbanda Macumba Tambor-de-Mina Umbanda Xangô do Nordeste Xambá As
Religiões Afro-Brasileiras são relacionadas com a Religião Yorubá e outras Religiões
africanas, e diferentes das Religiões Afro-Caribenhas como a Santeria e o Vodu.

MACUMBA

A primeira definição de Macumba que se encontra em qualquer dicionário é


de: antigo instrumento musical de percussão, espécie de reco-reco, de origem
africana, que dá um som de rapa (rascante);
Macumba também pode ser a designação genérica dos cultos sincréticos afro-
brasileiros derivados de práticas religiosas e divindades de povos bantos,

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influenciadas pelo candomblé e com elementos ameríndios, africanos, do
catolicismo, do espiritismo, do ocultismo, etc. Veja a Definição de João do Rio:
"No Rio de Janeiro, as nações do candomblé se fundiram umas nas outras,
deixando-se também penetrar profundamente por influências exteriores, ameríndias,
católicas, espíritas, dando nascimento a uma religião essencialmente sincrética, a
Macumba". João do Rio, As Religiões do Rio, 13-52.
O mesmo que candomblé, correspondente ao xangô pernambucano.
Diz-se mais comumente macumba que candomblé, no Rio de Janeiro, e mais
candomblé do que macumba, na Bahia.
Macumba, na acepção popular do vocábulo, é mais ligada ao emprego do ebó,
feitiço, coisa-feita, mironga, mandinga, muamba, mais reunião de bruxaria que ato
religioso como candomblé.
Palavra usada no sentido pejorativo para se referir ao candomblé do Rio de
Janeiro
Palavra usada para definir a mistura de umbanda, kimbanda, vodu,
candomblé, feitiçaria e bruxaria.
Palavra utilizada para se referir aos despachos depositados em encruzilhadas.
Macumba, como a palavra é conhecida no Rio de Janeiro, é o mesmo que
"Ebó", como é conhecida na Bahia (Candomblé).
Denominação atribuída à quimbanda pelos seguidores do umbanda da
chamada linha branca.

CATIMBÓ
Catimbó - Magia e misticismo no Nordeste Brasileiro

O Catimbó é uma prática de magia baseada no Cristianismo, onde apóia toda a


sua doutrina religiosa. O Catimbó não inventa deuses ou os importa da África porque
não faz parte das religiões afro-brasileiras. O Catimbó não é afro, não é Umbanda e
muito menos Candomblé.
O Catimbó não é uma religião, mas pode ser classificado como uma seita
derivada do catolicismo, por mais imprecisa que possa parecer esta definição. Apesar
de católico é uma prática espírita porque trabalha com a incorporação de almas de
pessoas já falecidas e é neste sentido que se afasta da religião base. O Catimbó se
apóia totalmente na religião católica, apesar de guardar um pouco das práticas pagãs,
vindas da bruxaria européia.
Ele pode se parecer um pouco com o Umbanda, mas, nem um pouco com o
Candomblé. A semelhança com o Umbanda é devido ao trabalho com entidades
incorporadas. Entretanto, os Mestres do Catimbó possuem uma teatralidade de
incorporação muito típica e discreta, e o Catimbó esta longe do trabalho de palco do
Umbanda. Outra infeliz coincidência é a presença da entidade Zé Pelintra que no
Catimbó é dito como mestre e no Umbanda é muito cultuado como Exu e malandro.
Catimbó não é Umbanda!
O Catimbó tem uma raiz índia que foi se perdendo com o tempo. Não há
dúvida que o Catimbó é xamanista com muitas práticas de pajelança, mas, não é

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baseado em Caboclos e sim em Mestres, apesar de os Caboclos também terem
participação. O Catimbó não é muito diferente ou melhor do que estes cultos que
citamos, não podemos dizer inclusive que suas entidades sejam de nível superior,
pelo contrário, sob o ponto de vista espírita-kardecista são ainda entidades de baixa
energia e que guardam muitas referências com a última vida que tiveram em "terra
fria".
No Catimbó faz se o bem, através de curas, problemas sentimentais, mas,
também o mal, dependendo da cabeça de que o dirige, infelizmente, como em outras
práticas. O Catimbó é influenciado pela feitiçaria européia de onde adotou várias
práticas.
O Catimbó é uma reunião alegre e festiva quando em sua forma de roda (ou
gira), mas, pela falta da corrente doutrinaria formal vários formatos serão
encontrados, dependendo da “ciência”, vidência, maturidade e ética de quem o dirige
e realiza, podendo ser práticas bem soturnas.
O Catimbó e as religiões Afro-Brasileiras
O Catimbó não está ligado aos Orixás africanos. No Catimbó trabalham os
Mestres, que foram pessoas que viveram e ao morrerem se "encantaram". Geralmente
os mestres são ex-Catimbozeiros. O Catimbó não era cultuado na África e o Catimbó
não cultua os Orixás das nações, de forma que os Mestres não lhes fazem ou devem
obediência hierárquica. É claro que se o consulente ou o discípulo já for do Povo de
Santo então existe um enredo, fundamento maior que o Catimbó, que deve ser
respeitado devido ao nível espiritual maior dos Orixás.
Catimbó não é umbanda e se desenvolveu de forma paralela e independente.
E encontrou a umbanda nos grandes centros e ao receber pessoas que se
desenvolveram no Umbanda, estas podem passar a receber suas entidades também no
Catimbó, principalmente os Caboclos e Exus de Umbanda. Pelo mesmo processo nos
quais as pessoas que atuam no Umbanda vão agregando ao seu ritual prática de
outros que eles encontram, o Catimbó foi confundido com o Umbanda.
De fato existem algumas similaridades na forma entre um e outro, mas a
essência é outra. Considerar o Catimbó uma forma de umbanda, pode ser uma
simplificação grosseira ou até mesmo um preconceito. O Catimbó é uma
manifestação puramente Brasileira sem a importação de africanismos.
Mas até certo ponto esta confusão é justificável, ainda mais partindo da base
de quem escreve sobre estas manifestações é de grandes centros e nestes locais vai
encontrar muitas vezes os mestres misturados com os cablocos e exus de Umbanda.
Mas o Catimbó é bem diferente das religiões afro-brasileiras. Todo o trabalho
e a força esta na Fumaça, e nas ervas, sendo o fumo, especialmente preparado, a sua
forma primária de trabalho. O Catimbó não "arria" trabalho no chão de a sua magia
vai pelo ar, no tempo, junto com sua fumaça. Muitos tem, com razão o que temer do
Catimbó, mas, pessoas do bem nunca devem temer a ninguém.
No Catimbó São Pedro é São Pedro e não Xangô. Santo Antônio é Santo
Antônio, Santa Terezinha é Santa Terezinha e assim por diante.
O Catimbó cultua ervas, símbolos e santos católicos, mas se tivermos que
caracterizar qual é o principal objeto de culto não há dúvida que são as ervas. O

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Catimbó tem como principal elemento a árvore da Jurema e todos os Mestres tem
uma erva de fundamento.
É claro que podem dizer que o Candomblé também é fundamentado em ervas
e sem erva não se faz santo, mas, observe que apesar de importante as ervas (Ewé) no
Candomblé, estas são um dos elementos que compõe o fundamento de cada Orixá.
No Catimbó este é “o elemento” principal.

O MITO, O PRECONCEITO E O ERRO NA DEFINIÇÃO


Entre muitos que freqüentam terreiros de Umbanda e Candomblé, Catimbó é
sinônimo da prática ou seja da macumba em si. Para outros, de Umbanda, trabalhar
no Catimbó está associado ao uso de forças e energias de esquerda ou negativa. Esta é
uma visão equivocada. Qualquer prática mágica pode ser usada com qualquer
finalidade, mas, o objetivo do Catimbó é a evolução dos seus Mestres através do bem
e da cura. Se o mal é feito, isto pode ocorrer pelo erro do médium ou pela
necessidade de justiça a quem pede.

CATIMBÓ É DE BASE RELIGIOSA CATÓLICA E NÃO AFRO-BRASILEIRO


O Catimbó é uma prática ritualista mágica com base na religião católica de
onde busca os seus santos, óleos, água benta e outros objetos litúrgicos. É também
uma prática espírita que trabalha com a incorporação de espíritos de ex-vivos (eguns
ou egunguns) chamados Mestres e é através deles que se trabalha principalmente
para cura, mas também para a solução de alguns problemas materiais (como a
Umbanda) e amorosos, mas, é importante destacar que a prática da cura é a principal
finalidade.
Não se encontra no Catimbó, nas suas práticas e liturgias os elementos das
nações africanas de forma que classificar o Catimbós como uma seita afro-brasileira é
um erro. Mestres não se subordinam a Orixá e fora o aspecto de que certamente ele
é, também, praticado por Negros não existe outra relação direta com a religião
africana.
De fato a mitologia e teogonia do Candomblé é rica e complexa, a do Catimbó
é pobre e incipiente, seja porque a antiga mitologia indígena perdeu-se na
desintegração das tribos primitivas, na passagem da cultura local para a cultura dos
brancos, que estavam dispostos a aceitar os ritos, porém não os dogmas pagãos, na sua
fidelidade ao catolicismo – seja porque o Catimbó foi, mais, concebido como magia
do que como religião propriamente dita, devido sobretudo aos elementos perigosos e
temíveis e às perseguições primeiro da igreja e depois da polícia.
Além dos dogmas da religião católica o Catimbó incorpora componentes
europeus como o uso do caldeirão e rituais de magia muito próximos das praticas
Wiccanas. Tanto dos europeus como dos brasileiros o uso de ervas e raízes é básico e
fundamental nos rituais. Cada Mestre se especializa em determinada erva ou raiz.
Não existe Catimbó sem santo católico, sem terço, sem água benta, sem reza,
sem fumaça de cachimbo e sem bebida, que pode nem sempre ser a Jurema (como eu
disse Catimbó não é o Santo Daime).

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MEDIUNIDADE E INCORPORAÇÃO
Sob o ponto de vista espiritualista a incorporação mediúnica pode ser
considerada de baixa energia, no sentido de não ser profunda, mas, não que falte
qualidade. Os Mestres são entidades que guardam muito os reflexos, comportamento
e personalidade de sua última vida de forma que os torna muito caracterizados e
ligados na caracterização física.
O uso de bebida e fumo é comum e difundido, não existe Catimbó sem isso.
Entretanto esta ligação fortemente carnal, faz dos Mestres entidades muito alegres,
naturais e espontâneos, muito diferentes das entidades fortemente, às vezes
grotescamente, teatralizadas da Umbanda.
Não existem Mestres do bem ou do mal. Os Mestres tanto podem trabalhar
para o bem como para o mal, diferente a Umbanda que especializa as entidades. Os
feitiços do Catimbó são mais temidos do que a Quimbanda, mas, não quero aqui
iniciar uma polêmica, porque isso é de importância menor. A magia negra é uma
corruptela da magia e pode ser praticado por qualquer um. Não existe necessidade de
se estar na Umbanda ou no Catimbó para se fazer magia negra. Ela existe desde o
início dos tempos e está associada a índole de quem a faz. Assim dependo da
orientação da casa e do médium os mestres poderão trabalhar para o mal, para a
reparação, para a vingança ou para a justiça, como se queira denotar. Quem faz o mal
precisa apenas de um motivo ou justificativa qualquer. Mas os Mestres são pau para
toda a obra.
Eventualmente a presença no Catimbó de ex-Umbandistas vai trazer com
estes as suas entidades de Umbanda que irão trabalhar dentro do Catimbó, mas, isso
não faz do Catimbó uma Umbanda, como também não se vai impedir que entidades
de Umbanda que já pertençam aos médiuns trabalhem nas rodas de Catimbó. O
Catimbó existe sem a Umbanda apesar de como estas ir se incorporando,
eventualmente, de entidades e práticas.
É importante compreender que diferente da Umbanda e do Candomblé os
Mestres não respondem a Orixás ou falangeiros. A Jurema tem sua própria hierarquia
e Mestres respeitam outros Mestres maiores e mais fortes.
Considerar Catimbó uma Umbanda é dar uma conotação preconceituosa,
como se tudo o que fosse espiritista fosse Umbanda ou tudo o que envolvesse negros
e mulatos ou então gente simples fosse macumba ou afro-brasileiro.
Dito isto, reafirmo, Catimbó não é Umbanda! Os Umbandistas que fiquem
com ela. Também não tem nada haver com o Candomblé. Nunca foi ou será
Kardecista. Catimbó é Catimbó!
Finalmente não existe padrão para o Catimbó. Cada um tem o seu.

ORIGEM DO CATIMBÓ
O Catimbó é, sem duvida nenhuma, de origem índia. Sem voltar às descrições
antigas da pajelança e aos primeiros contatos entre o catolicismo e a religião dos
índios, inclusive àqueles fenômenos de “santidade” que conhecemos tão bem através
das informações do Tribunal do Santo Ofício, sem tentar traçar a genealogia histórica

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do Catimbó, encontramos ainda hoje entre o puro índio e o homem do Nordeste toda
a gradação que nos conduz pouca a pouco do paganismo do Catimbó.
O Catimbó de hoje é o resultado desta fusão da prática pagã inicial dos índios
com o catolicismo sobre o qual construiu a base da “religião” . É impossível dissociar
o Catimbó do catolicismo e de outras tradições européias, provavelmente adquiridas
dos holandeses, mesmo após as influências que recebeu do Candomblé e do
kardecismo.
Podemos considerar que a mesma falta de força étnica que fez com que os
índios fossem antropologicamente sobrepujados por outras culturas fez com que o
Catimbó perde-se a sua identidade índia original (pajelança) e adquirisse os rituais
importados de outras práticas religiosas mais “fortes”. Neste caso contribuiu muito a
falta da cultura escrita que fez com que na medida em que os próprios índios eram
extintos a prática religiosas Xamanista fosse sendo perdida ou diluída.
Entretanto do Xamanismo original foram preservadas as ervas e raízes nativas
como base de todos os trabalhos e na prática da fumigação com fumaça de cachimbos
e fumos especialmente preparados o elemento mágico de difusão.
Para o índio, o fumo é a planta sagrada e é a sua fumaça que cura as doenças,
proporcionando e êxtase, dá poderes sobrenaturais, põe o pajé em comunicação com
os espíritos.
Os primeiro elementos do Catimbó que devemos lembrar é o uso da
defumação para curar doenças, o emprego do fumo para entrar em estado de transe, a
idéia do mundo dos espíritos entre os quais a alma viaja durante o êxtase, onde há
casa e cidades análogas às nossas. A grande diferença é que a fumaça na pajelança é
absorvida, enquanto no Catimbó ela é expelida. O poder intoxicante do fumo é
substituído aqui pela ação da jurema.
O Catimbó se desenvolveu diferentemente no interior e no litoral, nas
capitais. As influências de outras práticas religiosas mais fortes em cada um deste
locais acabam determinando o formato do Catimbó. Podemos dizer que quanto mais
para o interior mais simples ele será devido a menor influência das religiões
africanas.

XAMBÁ

A Nação Xambá está ainda bem viva e ativa em Olinda, Pernambuco. Apesar
de alguns autores como: Olga Caciatore (Dicionário de Cultos Afro-Brasileiros. Rio
de Janeiro, Forense Universitária, 3ª Edição, 1988) e Reginaldo Prandi (Candomblés
de São Paulo. São Paulo, HUCITEC, 1991) afirmarem que culto Xambá no Brasil está
praticamente extinto. O Xambá de Pernambuco ainda permanecerá vivo por muitas
e muitas gerações, mantendo seus ritos, mitos e tradição.

HISTÓRIA
Com o falecimento da grande Iyalorixá do Xambá, Severina Paraíso da Silva
“Mãe Biu”, como era mais conhecida em 1993, o herdeiro do trono do Xambá é o

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Babalorixá Adeildo Paraíso. Conhecido popularmente e pelos que fazem parte
daquele terreiro como Ivo do Xambá, que convocou seus filhos de Santo: Profs.
Antonio Albino, Hildo Leal e João Monteiro, para elaborarem um projeto arrojado e
inovador, para o terreiro do Portão do Gelo, que seria o Memorial do Xambá, onde
seriam reunidos e preservados documentos fotográficos e objetos ligados à vida e a
atuação da grande líder religiosa, bem como da memória do “Terreiro Santa Bárbara
Nação Xambá".
Fugindo de Maceió, capital do estado de Alagoas, no inicio da década de 20 do
século XX, o babalorixá Artur Rosendo Pereira, de acordo com a “Cartilha da Nação
Xambá” (Hildo Leal Rosa,2000), devido à perseguição política às religiões Afro-
brasileiras da época, se estabelece no Recife, mais exatamente na Rua da
Regeneração, no bairro de Água Fria. Antes mesmo de fugir da repressão política e
ainda residindo em Maceió, o babalorixá Artur Rosendo viaja à Costa da África onde
permanece por quatro anos e com Tio Antonio, que trabalhava no mercado de
Dakar, no Senegal vendendo panelas, segundo René Ribeiro. E por volta de 1923,
seguindo as tradições da Nação Xambá, e já em Recife, reinicia suas atividades de
zelador de Orixás.
O babalorixá Artur Rosendo iniciou muitos filhos de santo, tendo muitos
deles aberto terreiro.
Uma de suas filhas mais notáveis foi Maria das Dores da Silva “Maria Oyá”
iniciada em 1928. A saída de iyawó de Maria Oyá foi realizada sem toque dos
tambores e cantada em voz baixa por causa da perseguição. Logo após a iniciação de
Maria Oyá, Artur Rosendo volta para Maceió.
Em 1930, Maria Oyá inaugura seu terreiro na rua da Mangueira no bairro de
Campo Grande em Recife. Com a conclusão de sua iniciação em 13 de dezembro de
1932, recebe então as folhas, a faca e a espada das mãos de seu babalorixá que
realizou ao meio dia o ritual de coroação de Oyá no trono. Cerimônia belíssima que
ate hoje é repetida mantendo a tradição Xambá de Pernambuco.
Em 1932 Maria Oyá tira seu primeiro barco de três iyawôs. Ainda em 1932 ela
inicia seu segundo barco de iyawôs, este maior e iniciando principalmente Donatila
Paraíso do Nascimento que em 1933 assume o cargo de Mãe Pequena do terreiro
Santa Bárbara vindo a falecer em 2003 aos 92 anos e passando 60 anos de sua vida no
cargo sendo mais conhecida como Tia Tila, uma outra filha ilustre foi Lídia Alves da
Silva (Talabi).
Daí em diante a sucessão de iniciações crescem, o Xambá passa a brilhar ainda
mais. Quando em junho de 1935 Maria Oyá inicia nos ritos a sua mais primorosa
filha, a que lhe sucederá, Severina Paraíso da Silva, “Mãe Biu”.
Com o passar dos anos e com a violência policial do Estado Novo cada vez
mais rígida. Em 1938 Maria Oyá é obrigada a fechar seu terreiro. Terreiro esse que
não mais abrira suas portas guiado por aquela que pela mãos de Artur Rosendo
Pereira trouxe o Xambá para Pernambuco. Pois em 1939 Maria Oyá se despede de
sua vida terrena, deixando o Xambá órfão. É ainda nesse duro período de
perseguições que juntamente com as outras nações de candomblé cultuadas em
Pernambuco que todos os terreiros são fechados e seus fieis tolhidos, durante 12

18
longos anos até 1950, daquilo que lhes é mais precioso, do culto de seus Orixás,
Inkices e Voduns.
Porém, como depois de uma guerreira de Oyá há de vir uma outra guerreira
para continuar a luta por seus ideais, pela conservação dos ritos e mitos de uma
tradição, Mãe Biu de Oyá Megué reabre o terreiro Xambá em 1950 na Estrada do
Cumbe, 1012 no bairro de Santa Clara na cidade do Recife. Tendo como seu
babalorixa o Sr. Manoel Mariano da Silva, como Iyalorixá D. Eudoxia, como
padrinho o Sr. Luiz da Guia e madrinha D. Severina. Tendo permanecido nesse
endereço por apenas dez meses, no dia 07 de abril de 1951 o terreiro se muda para o
atual endereço na antiga rua Albino Neves de Andrade, hoje em homenagem a sua
grande Mãe Biu, rua Severina Paraíso da Silva, 65 na localidade do Portão do Gelo,
bairro de São Benedito – Olinda – Pernambuco.
Com o falecimento de Mãe Biu, que durante 54 anos dirigiu o Terreiro
Xambá, auxiliada por sua fiel e inseparável irmã e amiga Tia Tila que então assume o
cargo de Iyalorixá do Xambá por um período de 10 anos, tendo como babalorixá seu
sobrinho carnal Adeildo Paraíso, filho carnal de Mãe Biu. Hoje em 2004 com o
falecimento de Tia Tila, assume o Trono do Xambá a Iyalorixá Maria de Lourdes da
Silva de Iemanjá, iniciada por Mãe Biu em 18 de maio de 1958.
A jovem guarda do Xambá de Pernambuco orgulha-se de seu terreiro, do seu
povo, de sua simplicidade sem invenções modernas, sem sequer mudar uma linha do
que lhes deixou seu propulsor e suas grandes e humildes mães de santo. O terreiro
Xambá está lá no Portão do Gelo, preservado, conservado e servindo de exemplo pra
muitos terreiros tradicionais. O Memorial do Xambá foi criado de acordo com a
solicitação de seu babalorixá aos seus filhos, para contar a historia de um povo
aguerrido e ordeiro.

ORIGEM DO RACISMO

O racismo foi inventado pelos ricos para manter os trabalhadores divididos de


forma a que eles não se unissem e derrubassem o capitalismo. O racismo originou-se
com o sistema europeu de classes em que as pessoas apenas tinham peles pigmentadas
se trabalhassem no exterior. Os ricos consideravam o trabalho manual o dever dos
inferiores e por conseguinte viam qualquer um com as características de trabalhador
como pertencendo a um estrato inferior. O termo “sangue azul” teve origem na
possibilidade de se observar as veias das pessoas ricas através da sua pele pálida. As
designações “cavalheiro”, “dama”, “de boa família” referem-se a uma pessoa criada
para acreditar que o esforço físico é o trabalho dos inferiores. Os aristocratas criaram
códigos de conduta rígidos de forma a excluir qualquer intruso dos privilégios que
eles próprios desfrutavam.
O poder da classe dominante teve origem na posse da terra o que lhe deu o
monopólio da produção de comida. O controlo da terra eventualmente conferiu-lhe
influência sob o governo. O capitalismo originou-se com comerciantes e banqueiros

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que não possuíam terra mas compravam e vendiam os produtos a artesãos e a
proprietários de terras. A invenção da indústria possibilitou a estes comerciantes
ultrapassar a riqueza dos proprietários de terras.
Quando os capitalistas começaram a dominar a economia aspiraram a viver
como os fidalgos o que incluía o seu estatuto de classe. Os países europeus que
exploraram o mundo justificaram a tomada da terra aos não-europeus baseando-se na
intolerância religiosa ou cultural. Os aristocratas que acreditavam que os
trabalhadores eram inferiores viam os povos “não-cristãos” ou de “cor”, que eles
vendiam como escravos ou forçavam à pobreza e à fome ao roubar-lhes as terras,
como menos que humanos (os pretos valiam 3/5 de uma pessoa na constituição dos
EUA e os nativos americanos não contavam). Descobriram que poderiam usar os seus
exércitos para forçar estas pessoas a viver com menos do que eles pagavam aos seus
trabalhadores europeus, se dissessem aos trabalhadores europeus que os “de cor”
apenas ficariam com o trabalho sujo que eles não queriam fazer.

CONCLUSÃO

Conhecemos parte da cultura baiana, de origem africana; entendemos sua


chegada à Bahia, suas religiões se misturando com a indígena e portuguesa, formando
nossa atual cultura.
Vimos também a mudança social na Conjuração Baiana e a origem do racismo
social, racial e cultural dos negros e seus descendentes.

ANEXOS:

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BIBLIOGRAFIA:

http://pt.wikipedia.org/
http://www.thecauldronbrasil.com.br/
http://guardioesdaluz.com.br/
http://suapesquisa.com/
http://www.crençasafro.com.br/
http://www.nomismatike.hpg.ig.com.br/
http://www.candobléefoclore.com.br/
http://terraviva.weblog.com.pt/arquivo/2005/09/de_onde_veio_o.html

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