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Marco Antonio Reis Marques
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ÀS REDES.................................................................................................................... 8
1.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO................................................................................................................ 8
1.2 FAZENDO CONEXÃO À INTERNET..................................................................................................... 9
1.2.1 Requisitos para a conexão à Internet T ................................................................................................. 9
1.2.2 Conceitos Básicos de PCs................................................................................................................... 10
1.2.3 Placa de Rede ..................................................................................................................................... 13
1.2.4 Instalação da placa de rede e modem ................................................................................................. 14
1.2.5 Visão geral da conectividade em alta velocidade e por discagem ....................................................... 16
1.2.6 Descrição e configuração TCP/IP ........................................................................................................ 16
1.2.7 Testando a conectividade com o ping.................................................................................................. 16
1.2.8 Navegador Web e plug-ins................................................................................................................... 17
1.2.9 Resolução de problemas com conexões na Internet ........................................................................... 19
1.3 A MATEMÁTICA DAS REDES ............................................................................................................ 20
1.3.1 Apresentação Binária de Dados .......................................................................................................... 20
1.3.2 Bits e bytes .......................................................................................................................................... 21
1.3.3 Sistema numérico Base 10 .................................................................................................................. 21
1.3.4 Sistema numérico Base 2 .................................................................................................................... 22
1.3.5 Convertendo números decimais em números binários de 8 bits.......................................................... 23
1.3.6 Conversão de números binários de 8 bits em números decimais........................................................ 24
1.3.7 Representação decimal pontuada em quatro octetos .......................................................................... 24
1.3.8 Hexadecimal ........................................................................................................................................ 25
1.3.9 A lógica booleana ou binária................................................................................................................ 27
1.3.10 Endereços IP e máscaras da rede ....................................................................................................... 29
2 CONCEITO BÁSICO DAS REDES ...................................................................................................... 34
2.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO.............................................................................................................. 34
2.2 TERMINOLOGIA DAS REDES ............................................................................................................ 35
2.2.1 Redes de Dados .................................................................................................................................. 35
2.2.2 História das Redes............................................................................................................................... 37
2.2.3 Dispositivos de rede............................................................................................................................. 38
2.2.4 Topologias de rede .............................................................................................................................. 42
2.2.5 Protocolos de rede ............................................................................................................................... 44
2.2.6 Redes locais (LANs) ............................................................................................................................ 45
2.2.7 Redes de longa distância (WANs) ....................................................................................................... 46
2.2.8 Redes de áreas metropolitanas (MANs) .............................................................................................. 47
2.2.9 Storage-area networks (SANs) ............................................................................................................ 48
2.2.10 Virtual Private Network (VPN) .............................................................................................................. 49
2.2.11 Vantagens das VPNs ........................................................................................................................... 49
2.2.12 Intranets e extranets ............................................................................................................................ 50
2.3 LARGURA DE BANDA ........................................................................................................................ 51
2.3.1 Importância da largura de banda ......................................................................................................... 51
2.3.2 O desktop............................................................................................................................................. 52
2.3.3 Medição ............................................................................................................................................... 54
2.3.4 Limitações............................................................................................................................................ 55
2.3.5 Throughput........................................................................................................................................... 57
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2.3.6 Cálculo da transferência de dados....................................................................................................... 58
2.3.7 Digital versus analógico ....................................................................................................................... 59
2.4 MODELOS DE REDES........................................................................................................................ 61
2.4.1 Usando camadas para analisar problemas em um fluxo de materiais ................................................. 61
2.4.2 Usando camadas para descrever a comunicação de dados................................................................ 63
2.4.3 Modelo OSI .......................................................................................................................................... 64
2.4.4 Camadas OSI ...................................................................................................................................... 65
2.4.5 Comunicação ponto-a-ponto................................................................................................................ 66
2.4.6 Modelo TCP/IP..................................................................................................................................... 68
2.4.7 Processo detalhado de encapsulamento ............................................................................................. 72
3 MEIOS FÍSICOS PARA REDES .......................................................................................................... 77
3.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO.............................................................................................................. 77
3.2 MEIOS EM COBRE ............................................................................................................................. 79
3.2.1 Átomos e Elétrons................................................................................................................................ 79
3.2.2 Voltagem.............................................................................................................................................. 82
3.2.3 Resistência e Impedância .................................................................................................................... 82
3.2.4 Corrente ............................................................................................................................................... 84
3.2.5 Circuitos ............................................................................................................................................... 85
3.2.6 Especificações de Cabos..................................................................................................................... 88
3.2.7 Cabo Coaxial ....................................................................................................................................... 89
3.2.8 Cabo STP ............................................................................................................................................ 91
3.2.9 Cabo UTP ............................................................................................................................................ 93
3.3 MEIOS ÓPTICOS ................................................................................................................................ 97
3.3.1 O Espectro Eletromagnético ................................................................................................................ 97
3.3.2 A Teoria de Raios de Luz..................................................................................................................... 99
3.3.3 Reflexão............................................................................................................................................. 100
3.3.4 Refração ............................................................................................................................................ 101
3.3.5 Reflexão Interna Total........................................................................................................................ 102
3.3.6 Fibra Multimodo ................................................................................................................................. 105
3.3.7 Fibra Monomodo ................................................................................................................................ 108
3.3.8 Outros componentes ópticos ............................................................................................................. 110
3.3.9 Sinais e Ruídos em Fibras Ópticas .................................................................................................... 112
3.3.10 Instalação, Cuidados e Testes de Fibras Ópticas. ............................................................................. 113
3.4 MEIOS SEM-FIO................................................................................................................................ 116
3.4.1 Padrões e Organizações de Redes Locais Sem-fio........................................................................... 116
3.4.2 Topologias e Dispositivos Sem-fio ..................................................................................................... 117
3.4.3 Como as Redes Locais Sem-fio se Comunicam ................................................................................ 119
3.4.4 Autenticação e associação ................................................................................................................ 120
3.4.5 Os espectros de radiofreqüência e de microondas ............................................................................ 121
3.4.6 Sinais e ruído em uma WLAN............................................................................................................ 123
3.4.7 Segurança para Sem-fio .................................................................................................................... 124
4 TESTE DE CABOS ............................................................................................................................ 129
4.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO............................................................................................................ 129
4.2 FUNDAMENTOS PARA O ESTUDO DE TESTES DE CABOS BASEADOS EM FREQÜÊNCIAS ... 130
4.2.1 Ondas ................................................................................................................................................ 130
4.2.2 Ondas Senoidais e Ondas Quadradas............................................................................................... 131

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4.2.3 Exponentes e Logaritmos .................................................................................................................. 132
4.2.4 Decibéis ............................................................................................................................................. 133
4.2.5 Visualizando Sinais em Tempo e Freqüência .................................................................................... 134
4.2.6 Sinais Digitais e Analógicos em Tempo e Freqüência ....................................................................... 134
4.2.7 Ruído em Tempo e Freqüência ......................................................................................................... 135
4.2.8 Largura de Banda .............................................................................................................................. 136
4.3 SINAIS E RUÍDOS ............................................................................................................................. 137
4.3.1 Sinalização Através de Cabeamento de Cobre e de Fibra Ótica ....................................................... 137
4.3.2 Atenuação e Perda por Inserção em Meios de Cobre ....................................................................... 139
4.3.3 Fontes de Ruído nos Meios de Cobre................................................................................................ 140
4.3.4 Tipos de Diafonia ............................................................................................................................... 142
4.3.5 Procedimentos para Testar Cabos..................................................................................................... 144
4.3.6 Outros Parâmetros de Testes ............................................................................................................ 146
4.3.7 Parâmetros Baseados em Tempo...................................................................................................... 147
4.3.8 Testando Fibras Óticas ...................................................................................................................... 148
4.3.9 Um Novo Padrão ............................................................................................................................... 149
5 CABEAMENTO PARA REDES LOCAIS E WANS............................................................................. 154
5.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO............................................................................................................ 154
5.2 Cabeamento de LAN.......................................................................................................................... 155
5.2.1 Camada física de rede local............................................................................................................... 155
5.2.2 Ethernet no Campus .......................................................................................................................... 156
5.2.3 Meios Ethernet e requisitos de conectores ........................................................................................ 158
5.2.4 Meios de conexão .............................................................................................................................. 159
5.2.5 Implementação de UTP ..................................................................................................................... 160
5.2.6 Repetidores........................................................................................................................................ 164
5.2.7 Hubs................................................................................................................................................... 165
5.2.8 Sem-fio............................................................................................................................................... 166
5.2.9 Bridges............................................................................................................................................... 167
5.2.10 Comutadores ..................................................................................................................................... 169
5.2.11 Conectividade do Host ....................................................................................................................... 171
5.2.12 Comunicação Ponto-a-Ponto ............................................................................................................. 172
5.2.13 Cliente/Servidor ................................................................................................................................. 173
5.3 CABEAMENTO DE WAN................................................................................................................... 176
5.3.1 Camada física de WAN...................................................................................................................... 176
5.3.2 Conexões seriais de WAN ................................................................................................................. 177
5.3.3 Roteadores e Conexões Seriais ........................................................................................................ 178
5.3.4 Roteadores e Conexões ISDN BRI .................................................................................................... 180
5.3.5 Roteadores e Conexões DSL ............................................................................................................ 182
5.3.6 Roteadores e Conexões de Cabos .................................................................................................... 182
5.3.7 Instalando Conexões de Console ...................................................................................................... 183
6 CONCEITOS BÁSICOS DE ETHERNET........................................................................................... 189
6.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO............................................................................................................ 189
6.2 CONCEITOS BÁSICOS DE ETHERNET........................................................................................... 190
6.2.1 Introdução à Ethernet......................................................................................................................... 190
6.2.2 Regras de nomenclatura da Ethernet IEEE ....................................................................................... 192
6.2.3 Ethernet e o modelo OSI.................................................................................................................... 193

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6.2.4 Nomenclatura..................................................................................................................................... 196
6.2.5 Quadros da camada 2........................................................................................................................ 197
6.2.6 Estrutura do quadro Ethernet............................................................................................................. 200
6.2.7 Campos de um quadro Ethernet ........................................................................................................ 201
6.3 Operação da Ethernet........................................................................................................................ 203
6.3.1 Media Access Control (MAC)............................................................................................................. 203
6.3.2 Regras MAC e detecção de colisões/backoff..................................................................................... 204
6.3.3 Temporização Ethernet...................................................................................................................... 205
6.3.4 Espaçamento entre quadros (Interframe spacing) e backoff.............................................................. 208
6.3.5 Tratamento de erros........................................................................................................................... 209
6.3.6 Tipos de colisão ................................................................................................................................. 211
6.3.7 Erros da Ethernet ............................................................................................................................... 213
6.3.8 FCS e além ........................................................................................................................................ 214
6.3.9 Autonegociação da Ethernet.............................................................................................................. 216
6.3.10 Estabelecimento de um link, full duplex e half duplex ........................................................................ 217
7 TECNOLOGIAS ETHERNET ............................................................................................................. 223
7.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO............................................................................................................ 223
7.2 ETHERNET 10 Mbps e 100 Mbps ..................................................................................................... 224
7.2.1 Ethernet 10 Mbps............................................................................................................................... 224
7.2.2 10BASE5 ........................................................................................................................................... 227
7.2.3 10BASE2 ........................................................................................................................................... 228
7.2.4 10BASE-T .......................................................................................................................................... 229
7.2.5 Cabeamento e arquitetura do 10BASE-T........................................................................................... 230
7.2.6 Ethernet 100-Mbps............................................................................................................................. 231
7.2.7 100BASE-TX...................................................................................................................................... 232
7.2.8 100BASE-FX...................................................................................................................................... 234
7.2.9 Arquitetura Fast Ethernet ................................................................................................................... 235
7.3 GIGABIT ETHERNET e 10 GIGABIT ETHERNET............................................................................. 236
7.3.1 Ethernet 1000-Mbps........................................................................................................................... 236
7.3.2 1000BASE-T ...................................................................................................................................... 238
7.3.3 1000BASE-SX e LX ........................................................................................................................... 240
7.3.4 Arquitetura Gigabit Ethernet............................................................................................................... 242
7.3.5 Ethernet 10 Gigabit ............................................................................................................................ 243
7.3.6 Arquiteturas 10 Gigabit Ethernet ........................................................................................................ 245
7.3.7 Futuro da Ethernet ............................................................................................................................. 247
8 COMUTAÇÃO ETHERNET ............................................................................................................... 252
8.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO............................................................................................................ 252
8.2 BRIDGING DA CAMADA 2 ................................................................................................................ 253
8.3 COMUTAÇÃO DA CAMADA 2 .......................................................................................................... 255
8.4 SWITCH OPERATION....................................................................................................................... 256
8.5 LATÊNCIA ......................................................................................................................................... 258
8.6 MODOS DE UM SWITCH.................................................................................................................. 259
8.7 SPANNING-TREE PROTOCOL (PROTOCOLO SPANNING-TREE) ................................................ 261
8.8 DOMÍNIOS DE COLISÃO E DOMÍNIOS DE BROADCAST .............................................................. 263
8.8.1 Ambiente de meios compartilhados ................................................................................................... 263
8.8.2 Domínios de colisão........................................................................................................................... 264

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8.8.3 Segmentação..................................................................................................................................... 267
8.8.4 Broadcasts da Camada 2................................................................................................................... 269
8.8.5 Domínios de broadcast ...................................................................................................................... 272
8.8.6 Introdução a fluxo de dados............................................................................................................... 273
8.8.7 O que é um segmento de rede? ........................................................................................................ 275
9 CONJUNTO DE PROTOCOLOS TCP/IP E ENDEREÇAMENTO IP ................................................. 280
9.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO............................................................................................................ 280
9.2 INTRODUÇÃO AO TCP/IP ................................................................................................................ 282
9.2.1 História e futuro do TCP/IP ................................................................................................................ 282
9.2.2 Camada de aplicação ........................................................................................................................ 283
9.2.3 Camada de Transporte ...................................................................................................................... 285
9.2.4 Camada de Internet ........................................................................................................................... 287
9.2.5 Camada de acesso à rede ................................................................................................................. 289
9.2.6 Comparação modelo OSI com o modelo TCP/IP............................................................................... 290
9.2.7 Arquitetura da Internet ....................................................................................................................... 291
9.3 ENDEREÇOS DE INTERNET ........................................................................................................... 294
9.3.1 Endereçamento IP ............................................................................................................................. 294
9.3.2 Conversão decimal/binário................................................................................................................. 296
9.3.3 Endereçamento IPv4.......................................................................................................................... 297
9.3.4 Endereços IP classes A, B, C, D e E ................................................................................................. 300
9.3.5 Endereços IP reservados................................................................................................................... 304
9.3.6 Endereços IP públicos e privados ...................................................................................................... 307
9.3.7 Introdução às sub-redes .................................................................................................................... 309
9.3.8 IPv4 X IPv6 ........................................................................................................................................ 311
9.4 OBTER UM ENDEREÇO IP .............................................................................................................. 314
9.4.1 Obtendo um endereço da Internet ..................................................................................................... 314
9.4.2 Atribuição estática do endereço IP .................................................................................................... 315
9.4.3 Atribuição de endereço IP utilizando RARP....................................................................................... 315
9.4.4 Atribuição de endereço IP BOOTP .................................................................................................... 320
9.4.5 Gerenciamento de Endereços IP com uso de DHCP......................................................................... 324
9.4.6 Problemas de resolução de endereços.............................................................................................. 333
9.4.7 Protocolo de Resolução de Endereços (ARP) ................................................................................... 334
10 CONCEITOS BÁSICOS DE ROTEAMENTO E DE SUB-REDES ..................................................... 343
10.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO............................................................................................................ 343
10.2 PROTOCOLO ROTEADO ................................................................................................................. 344
10.2.1 Protocolos roteáveis e roteados......................................................................................................... 344
10.2.2 IP como protocolo roteado ................................................................................................................. 346
10.2.3 Propagação de pacotes e comutação em um roteador...................................................................... 348
10.2.4 Internet Protocol (IP) .......................................................................................................................... 352
10.2.5 Anatomia de um pacote IP................................................................................................................. 354
10.3 PROTOCOLOS DE ROTEAMENTO IP ............................................................................................. 356
10.3.1 Visão geral de roteamento ................................................................................................................. 356
10.3.2 Roteamento X comutação.................................................................................................................. 359
10.3.3 Roteado X roteamento ....................................................................................................................... 362
10.3.4 Determinação do caminho ................................................................................................................. 364
10.3.5 Tabelas de roteamento ...................................................................................................................... 366

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10.3.6 Algoritmos e métricas de roteamento................................................................................................. 367
10.3.7 IGP e EGP ......................................................................................................................................... 369
10.3.8 Vetor de estado do link e de distância ............................................................................................... 370
10.3.9 Protocolos de roteamento .................................................................................................................. 371
10.4 AS MECÂNICAS DA DIVISÃO EM SUB-REDES .............................................................................. 372
10.4.1 Classes de endereços IP de rede ...................................................................................................... 372
10.4.2 Introdução e razão para a divisão em sub-redes ............................................................................... 373
10.4.3 Estabelecimento do endereço da máscara de sub-rede .................................................................... 374
10.4.4 Aplicação da máscara de sub-rede.................................................................................................... 376
10.4.5 Divisão de redes das classes A e B em sub-redes ............................................................................ 378
10.4.6 Cálculo da sub-rede residente através do ANDing ............................................................................ 380
11 CAMADA DE TRANSPORTE TCP/IP E DE APLICAÇÃO ................................................................. 384
11.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO............................................................................................................ 384
11.2 CAMADA DE TRANSPORTE TCP/IP................................................................................................ 385
11.2.1 Introdução à camada de transporte ................................................................................................... 385
11.2.2 Controle de fluxo ................................................................................................................................ 386
11.2.3 Visão geral de estabelecimento, manutenção e término de sessões ................................................ 387
11.2.4 Handshake triplo ................................................................................................................................ 389
11.2.5 Janelamento ...................................................................................................................................... 390
11.2.6 Confirmação....................................................................................................................................... 393
11.2.7 Protocolo de Controle de Transmissão (TCP) ................................................................................... 395
11.2.8 Protocolo de Datagrama de Usuário (UDP) ....................................................................................... 396
11.2.9 Números de porta TCP e UDP........................................................................................................... 397
11.3 A CAMADA DE APLICAÇÃO ............................................................................................................. 400
11.3.1 Introdução à camada de aplicação TCP/IP........................................................................................ 400
11.3.2 DNS ................................................................................................................................................... 401
11.3.3 FTP .................................................................................................................................................... 402
11.3.4 HTTP.................................................................................................................................................. 402
11.3.5 SMTP ................................................................................................................................................. 404
11.3.6 SNMP................................................................................................................................................. 405
11.3.7 Telnet ................................................................................................................................................. 406

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Módulo I – Introdução às Redes

1 INTRODUÇÃO ÀS REDES

1.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO

Para entender o papel que os computadores exercem em um sistema de redes, considere a


Internet. A Internet é um recurso de grande importância; estar conectado a ela é essencial no
comércio, na indústria e na educação. A elaboração de uma rede que será conectada à Internet exige
um planejamento cuidadoso. Para que um computador pessoal (PC) individual se conecte a Internet, é
necessário algum planejamento e tomar algumas decisões. Os recursos do computador precisam ser
considerados para a conexão a Internet. Isto inclui o tipo de equipamento que conecta o PC a Internet,
tal como placa de rede (NIC) ou modem. Protocolos, ou regras, devem ser configurados antes que um
computador possa se conectar a Internet. A seleção de um navegador web apropriado também é
importante.

Os alunos, ao concluírem esta lição, deverão poder:

• Entender a conexão física que precisa ser realizada para o computador conectar-se à
Internet.
• Reconhecer os componentes do computador.
• Instalar e resolver problemas com placas de interface de rede e modem.
• Configurar o conjunto de protocolos necessários a conexão Internet.
• Usar procedimentos básicos para testar a conexão à Internet.
• Demonstrar um conhecimento básico da utilização de navegadores web e seus plug-ins.

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8
Módulo I – Introdução às Redes

1.2 FAZENDO CONEXÃO À INTERNET

1.2.1 Requisitos para a conexão à Internet

A Internet é a maior rede de dados do mundo. A Internet consiste em um grande número de


redes interconectadas, incluindo redes de pequeno, médio e grande porte. Computadores individuais
são as origens e destinos da informação que atravessa a Internet. A conexão à Internet pode ser
dividida em conexão física, conexão lógica e aplicações.

Figura 1 - Requisitos para uma conexão à Internet

A conexão física é realizada pela conexão de uma placa de expansão, como um modem ou
uma placa de rede, entre um PC e a rede. A conexão física é utilizada para transferir sinais entre PCs
dentro de uma Rede local (LAN) e para dispositivos remotos na Internet.
A conexão lógica utiliza padrões denominados protocolos. Um protocolo é uma descrição
formal de um conjunto de regras e convenções que governam a maneira de comunicação entre os
dispositivos em uma rede. As conexões na Internet podem utilizar vários protocolos. A suíte TCP/IP
(Transmission Control Protocol/Internet Protocol) é o principal conjunto de protocolos utilizados na
Internet. O conjunto TCP/IP coopera entre si para transmitir e receber dados, ou informações.
A última parte da conexão são os aplicativos, ou programas, que interpretam e exibem os
dados de forma inteligível. Os aplicativos trabalham em conjunto com os protocolos para enviar e
receber dados através da Internet. Um navegador Web exibe HTML como página Web. Exemplos de
navegadores Web incluem o Internet Explorer e o Netscape. O File Transfer Protocol (FTP) é utilizado
para fazer a transferência de arquivos e programas através da Internet. Os navegadores web também
utilizam aplicativos plug-in proprietários para exibir tipos de dados especiais tais como filmes ou
animações em flash.
Esta é uma visão inicial da Internet, e poderá parecer um processo demasiadamente
simples. Ao explorarmos este tópico mais profundamente, tornar-se-á aparente que o envio de dados
através da Internet é uma tarefa complicada.

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9
Módulo I – Introdução às Redes

1.2.2 Conceitos Básicos de PCs

Já que os computadores são elementos importantes de uma rede, é necessário poder


reconhecer e identificar os principais componentes de um PC. Muitos dispositivos de uma rede são em
si computadores com objetivos específicos, contendo muitos dos componentes também utilizados em
um PC normal.
Para poder utilizar um computador como meio confiável na obtenção de informações, tal
como o acesso a um curso baseado na Web, ele precisa estar em bom estado de funcionamento. Para
manter um PC em bom estado de funcionamento, será necessário ocasionalmente analisar e resolver
problemas simples com o hardware e software do computador. É, portanto, necessário poder
reconhecer os nomes e o propósito dos seguintes componentes de um PC:

Componentes Pequenos, Discretos.

• Transistor – Um dispositivo que amplifica um sinal ou que abre e fecha um circuito.


• Circuito integrado – Um dispositivo feito de material semicondutor que contém vários
transistores e realiza uma tarefa específica.
• Resistor – Um componente elétrico que limita ou regula o fluxo de corrente elétrica em um
circuito eletrônico.
• Capacitor – Um componente eletrônico que armazena energia na forma de campo
eletrostático que consiste em duas placas de metal condutor separadas por um material
isolante.
• Conector – A parte de um cabo que se liga a uma porta ou interface.
• Diodo emissor de luz (LED-Light emitting diode) – Um dispositivo semicondutor que emite
luz ao passar por ele uma corrente elétrica.

Subsistemas de um Computador Pessoal

• Placa de circuito impresso (PCB) – Uma placa de circuito que possui trilhas condutoras
superpostas, ou impressas, em um ou nos dois lados. Também pode conter camadas internas
de sinalização ou planos de terra e voltagem. Microprocessadores, chips e circuitos integrados
e outros componentes eletrônicos são montados em uma PCB.

• Unidade CD-ROM (Compact disk read-only memory drive) – um dispositivo que pode ler
informações de um CD-ROM.

• Unidade central de processamento (CPU) – A parte do computador que controla a operação


de todas as outras partes. Ela obtém instruções da memória e as decodifica. Executa
operações matemáticas e lógicas, e traduz e executa instruções.

• Unidade de disco flexível – Uma unidade de disco que pode ler e gravar dados em discos
plásticos cobertos de metal de 3,5 polegadas. Um disco flexível padrão pode armazenar
aproximadamente 1 MB de informação.

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• Unidade de disco rígido – Um dispositivo de armazenagem que usa um conjunto de discos


revestidos magneticamente, chamados de pratos, para armazenarem dados ou programas. As
unidades de disco rígido estão disponíveis em diferentes capacidades de armazenagem.

• Microprocessador – Um microprocessador é um processador que consiste de um chip de


silício projetado com um propósito e fisicamente muito pequeno. O microprocessador utiliza
tecnologia de circuito VLSI (Very Large-Scale Integration) para integrar memória, lógica e
controle do computador em um único chip. Um microprocessador contém uma CPU.

• Placa-mãe – A placa impressa principal em um microcomputador. A placa-mãe contém o


barramento, o microprocessador, e os circuitos integrados usados para controlar quaisquer
periféricos integrados, tal como teclado, display texto e gráficos, portas serial e paralela,
interfaces de joystick e de mouse.

• Barramento – Um conjunto de fios na placa-mãe através dos quais são transmitidos os dados
e sinais de temporização de uma parte do computador a outra.

• Memória de acesso aleatório (RAM) – Também conhecida como memória de Leitura-


Gravação. Nela podem ser gravados novos dados e dela podem ser lidos dados armazenados.
A RAM exige alimentação elétrica para manter os dados armazenados. Se o computador for
desligado ou se falta energia, todos os dados armazenados na RAM serão perdidos.

• Memória apenas de leitura (ROM) – Memória de um computador na qual foram pré-gravados


dados. Uma vez que foram gravados dados no chip ROM, não podem ser removidos e só
podem ser lidos.

• Unidade do sistema (system unit) – A parte principal de um PC, que inclui o chassis, o
microprocessador, a memória principal, o barramento e as portas. A unidade do sistema não
inclui o teclado, o monitor, ou qualquer dispositivo externo ligado ao computador.

• Slot de expansão – Um Conector na placa-mãe onde pode ser inserido uma placa de circuitos
para acrescentar novas capacidades ao computador. A Figura
mostra slots de expansão PCI (Peripheral Component Interconnect) e AGP (Accelerated
Graphics Port). PCI provê conexão rápida para placas, como NICs, modems internos, e placas
de vídeo. A porta AGP provê conexão com grande largura de banda entre dispositivos gráficos
e a memória do sistema. AGP provê conexão rápida para gráficos 3-D em sistemas de
computador.

• Fonte de alimentação – O componente que fornece energia ao computador.

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Componentes de backplane

• Backplane – O backplane é uma placa de circuito eletrônico que contém circuitaria e soquetes
nos quais dispositivos eletrônicos em outras placas ou cartões podem ser conectados
adicionalmente; em um computador, geralmente é sinônimo da ou de parte da placa-mãe.

• Placa de rede (NIC) – Uma placa de expansão inserida num computador para que este possa
ser conectado a uma rede.

• Placa de vídeo – Uma placa que é inserida em um PC para proporcionar-lhe capacidades de


exibição visual.

• Placa de áudio – Uma placa de expansão que permite que o computador manipule e produza
sons.

• Porta paralela – Uma interface com capacidade para transferir simultaneamente mais de um
bit e que é utilizada para conectar dispositivos externos tais como impressoras.

• Porta serial – Uma interface que pode ser utilizada para comunicações seriais, nas quais é
transmitido apenas 1 bit de cada vez.

• Porta USB – Um conector Universal Serial Bus. Uma porta USB conecta dispositivos como
mouse ou impressora ao computador rapidamente e facilmente.

• Firewire – Um padrão de interface de barramento serial que oferece comunicação de alta


velocidade, e serviços de dados em tempo-real isócrono.

• Porta do mouse – Uma porta destinada à conexão de um mouse ao PC.

• Cabo de alimentação – Um cabo utilizado para ligar um dispositivo elétrico a uma tomada
elétrica que fornece energia ao dispositivo.

Pense nos componentes internos de um PC como uma rede de dispositivos, todos ligados
ao barramento do sistema. De certa maneira, um PC é uma pequena rede de computador.

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1.2.3 Placa de Rede

Uma placa de rede (NIC), ou adaptador de rede, oferece capacidades de comunicações nos
dois sentidos entre a rede e um computador pessoal. Em um sistema de computação desktop, é uma
placa de circuito impresso que reside em um slot na placa-mãe e provê uma interface de conexão ao
meio de rede.

Figura 2 - Placa de Rede Interna

Em um sistema de computação laptop, é normalmente integrada ao laptop ou disponível em


um cartão PCMCIA, que é pequeno do tamanho de um cartão de crédito. A placa de rede utilizada
precisa ser compatível com o meio físico e com os protocolos utilizados na rede local.

Figura 3 - Placa de Rede PCMCIA

A placa de rede utiliza um pedido de interrupção (IRQ-Interrupt Request), um endereço de


I/O e um espaço na memória superior para interagir com o sistema operacional. Um valor de IRQ
(requisição de interrupção) é um local designado onde o computador sabe que um dispositivo em
particular pode interrompê-lo, quando o dispositivo enviar ao computador sinais sobre sua operação.
Por exemplo, quando a impressora termina de imprimir, ela envia um sinal de interrupção ao
computador. O sinal interrompe momentaneamente o computador, de modo que ele possa decidir o
que processar a seguir. Como múltiplos sinais na mesma linha de interrupção podem não ser
entendidos pelo computador, um valor único deve ser especificado para cada dispositivo, assim como
o seu caminho para o computador. Antes de existirem dispositivos Plug-and-Play (PnP), usuários
freqüentemente tinham que configurar valores de IRQ manualmente, ou estar a par deles, ao adicionar
novos dispositivos a um computador.

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Ao selecionar uma placa de rede, considere os seguintes fatores:

• Protocolos – Ethernet, Token Ring, ou FDDI

• Tipos de meios – Par trançado, coaxial, wireless, ou fibra óptica.

• Tipo de barramento do sistema – PCI ou ISA

1.2.4 Instalação da placa de rede e modem

A conectividade à Internet exige uma placa adaptadora, que pode ser um modem ou uma
placa de rede.

Um modem, ou modulador-demodulador, é um dispositivo que proporciona ao computador a


conectividade através de uma linha de telefone. O modem converte (modula) os dados de um sinal
digital em sinal analógico compatível com uma linha de telefone padrão. O modem na extremidade
receptora demodula o sinal, o qual é convertido novamente em sinal digital. Os modems podem ser
instalados internamente ou ligados ao computador externamente usando uma linha telefônica.

Figura 4 - Placa de Modem e Modem externo

A instalação de uma placa de rede, que proporciona a interface de um computador com a


rede, é exigida para cada dispositivo que se conecta à rede. Existem placas de rede de vários tipos
conforme a configuração do dispositivo. Notebooks podem ter interfaces embutidas ou podem utilizar
um cartão PCMCIA.

A Figura 5 mostra placas de rede PCMCIA com e sem fio, e um adaptador Ethernet USB.
Desktops podem utilizar uma placa de rede interna, chamada NIC, ou uma placa de rede externa que
conecta a rede através de uma porta USB.

Figura 5 - Placa de Rede PCMCIA e NIC

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Figura 6 - Adaptador de Rede USB 10/100

Situações que requerem a instalação de uma placa de rede incluem as seguintes:

• A instalação de uma placa de rede em um PC que não tem uma já instalada


• A substituição de uma placa de rede defeituosa ou danificada
• Atualização de uma placa de rede de 10-Mbps para uma placa de rede de 10/100/1000-
Mbps
• A mudança para uma placa de rede diferente, como uma sem fio.
• A instalação de uma placa de rede secundária, ou backup, por razões de segurança de
redes.

Para realizar a instalação de uma placa de rede ou modem, poderão ser necessários os
seguintes recursos:

• Conhecimento da configuração do adaptador, incluindo os jumpers e o software plug and


play.
• A disponibilidade de ferramentas de diagnóstico
• A capacidade de resolver conflitos nos recursos de hardware

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1.2.5 Visão geral da conectividade em alta velocidade e por discagem

No início da década de 60, foram introduzidos modems para proporcionar a conectividade de


terminais burros com um computador central. Muitas empresas alugavam tempo nos computadores
devido à grande despesa de possuir um sistema nas próprias instalações, o que era economicamente
inviável. A taxa de transmissão de dados era muito lenta, 300 bits por segundo (bps), que se traduzia
em aproximadamente 30 caracteres por segundo.
À medida que os PCs se tornaram mais acessíveis nos anos 70, começaram a aparecer
sistemas de quadro de avisos (BBS-Bulletin Board Systems). Estes BBSs permitiam que os usuários
se conectassem para colocar ou ler mensagens em um quadro de avisos. A transmissão a 300 bps era
aceitável, já que esta velocidade excedia a capacidade da maioria das pessoas de ler e digitar. No
início da década de 80, a utilização dos quadros de avisos aumentou exponencialmente e a velocidade
de 300 bps se tornou muito lenta para a transferência de grandes arquivos e gráficos. Até os anos 90,
os modems já rodavam a 9600 bps e até 1998, atingiram o padrão atual de 56 kbps (56.000 bps).
Inevitavelmente, os serviços de alta velocidade utilizados no ambiente corporativo, tais como
Digital Subscriber Line (DSL) e acesso por cable modem, entraram no mercado consumidor. Estes
serviços já não exigem equipamentos caros ou uma linha de telefone adicional. Estes serviços estão
"sempre conectados" permitindo um acesso instantâneo e não exigem o estabelecimento de uma
conexão para cada sessão. Isto resulta em maior confiabilidade e flexibilidade, e acabou facilitando o
compartilhamento de conexões de Internet em redes de escritórios pequenos e domésticos.

1.2.6 Descrição e configuração TCP/IP

O Transmission Control Protocol/Internet Protocol (TCP/IP) é um conjunto de protocolos ou


regras desenvolvidas para a cooperação entre computadores para que compartilhem recursos através
de uma rede. Para ativar o TCP/IP em uma estação de trabalho, esta precisa ser configurada através
das ferramentas do sistema operacional. O processo é bastante semelhante independentemente da
utilização de um sistema operacional Windows ou Mac.

1.2.7 Testando a conectividade com o ping

O ping é um programa básico que verifica se um endereço IP particular existe e pode aceitar
requisições. O acrônimo de computação ping significa Packet Internet or Inter-Network Groper. O nome
foi concebido para ser comparável ao termo usado em submarinos para o som de um pulso de sonar
retornando de um objeto submerso.

O comando ping funciona enviando vários pacotes IP, chamados datagramas ICMP de
Requisição de Eco, a um destino específico. Cada pacote enviado é uma solicitação de resposta. A
resposta de saída de um ping contém a relação de sucesso e o tempo de ida e volta ao destino. A
partir destas informações, é possível determinar se existe ou não conectividade com um destino. O
comando ping é utilizado para testar a função de transmissão/recepção da placa de rede, a

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configuração do TCP/IP e a conectividade na rede. Os seguintes tipos de testes ping podem ser
emitidos:

• ping 127.0.0.1 – Como nenhum pacote é transmitido, efetuar o ping da interface loopback
testa a configuração TCP/IP básica.

• ping endereço IP do computador – Um ping para um PC host verifica a configuração do


endereço TCP/IP do computador local assim como a conectividade com o computador.

• ping endereço IP do gateway padrão – Um ping para o gateway padrão verifica se o roteador
que conecta a rede local a outras redes pode ser alcançado.

• ping endereço IP do destino remoto – Um ping para o destino remoto verifica a conectividade
ao computador remoto.

1.2.8 Navegador Web e plug-ins

Um navegador Web realiza as seguintes funções:


• Faz contato com um servidor da Web;
• Solicita informações;
• Recebe informações;
• Exibe os resultados na tela.

Um navegador Web é um software que interpreta a linguagem de marcação de hipertexto


(HTML-Hypertext Markup Language), uma das linguagens utilizadas para codificar o conteúdo de
páginas da Web. Outras linguagens de marcação com recursos mais avançados fazem parte de
tecnologias emergentes. A HTML, a linguagem de marcação mais comum, pode exibir gráficos, tocar
sons, filmes e outros arquivos de multimídia. Hiperlinks são embutidos nas páginas da Web e
proporcionam um link rápido para outro local na mesma página ou em outra página da Web totalmente
diferente.
Dois dos navegadores Web mais utilizados são o Internet Explorer (IE) e o Netscape
Communicator. Embora sejam idênticos nas tarefas que realizam, existem diferenças entre estes dois
navegadores. Certos websites talvez não suportem a utilização de um ou outro, e poderá ser vantajoso
contar com os dois programas instalados no computador.

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Netscape Navigator:

• O primeiro navegador popular;


• Ocupa menos espaço no disco;
• Exibe arquivos HTML, realiza a transferência de e-mail e de arquivos, assim como outras
funções;

Internet Explorer (IE):

• Fortemente integrado com outros produtos da Microsoft;


• Ocupa mais espaço no disco;
• Exibe arquivos HTML, realiza a transferência de e-mail e de arquivos, assim como outras
funções;

Também existem tipos de arquivos especiais, ou proprietários, que os navegadores Web


normais não podem exibir. Para visualizar tais arquivos, o navegador precisa ser configurado para
utilizar aplicativos plug-in. Estes aplicativos trabalham em conjunto com o navegador para iniciar o
programa requerido para visualizar os seguintes tipos de arquivos:

• Flash – toca arquivos de multimídia e foi criado pelo Macromedia Flash


• Quicktime – toca arquivos de vídeo e foi criado pela Apple
• Real Player – toca arquivos de áudio

Para instalar o plug-in do Flash, faça o seguinte:

• Vá até o website da Macromedia.


• Faça o download do programa de instalação mais recente do "Macromedia flash player".
• Rode-o e instale-o no Netscape ou no IE.
• Verifique a instalação e correta operação, acessando o website da Cisco Academy.

Além de configurar o computador para visualizar o currículo da Cisco Academy, os


computadores realizam várias outras tarefas úteis. No comércio, os funcionários freqüentemente
utilizam um conjunto de aplicativos que se apresentam como conjunto para escritório, por exemplo, o
Microsoft Office. Os conjuntos para escritório tipicamente incluem os seguintes:

• Software de planilha, contendo tabelas constituídas de colunas e linhas onde freqüentemente


se utilizam fórmulas para processar e analisar dados.
• Um processador de texto é um aplicativo usado para criar e editar documentos de texto. Os
processadores de texto modernos permitem que o usuário crie documentos sofisticados, que
incluem gráficos e texto com rica formatação.

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• O software de gerenciamento de banco de dados é utilizado para armazenar, manter,


organizar, classificar e filtrar registros. Um registro é uma compilação de informações
identificadas por algum conceito em comum, tal como nome de cliente.
• O software de apresentação é utilizado para projetar e desenvolver apresentações a serem
exibidas em reuniões, aulas ou apresentações de vendas.
• Um gerenciador de informações pessoais inclui um utilitário de e-mail, uma lista de contatos,
um calendário e uma lista de tarefas a realizar.

Os aplicativos de escritório hoje fazem parte do trabalho diário, como era o caso da máquina
de escrever antes do advento do computador pessoal.

1.2.9 Resolução de problemas com conexões na Internet

Neste exercício de identificação e resolução de problemas, existem problemas na


configuração do hardware, do software e da rede. O objetivo, dentro de um período de tempo
predeterminado, é identificar e resolver os problemas, permitindo finalmente o acesso ao currículo.
Este exercício demonstrará a complexidade da configuração até dos processos mais simples de
acesso à Web. Isto inclui os processos e procedimentos envolvidos na resolução de problemas no
hardware do computador, no software e nos sistemas da rede.

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1.3 A MATEMÁTICA DAS REDES

1.3.1 Apresentação Binária de Dados

Os computadores funcionam e armazenam dados mediante a utilização de chaves


eletrônicas que são LIGADAS ou DESLIGADAS. Os computadores só entendem e utilizam dados
existentes neste formato de dois estados, ou seja, binário. Os uns e zeros são utilizados para
representar os dois possíveis estados de um componente eletrônico em um computador. O 1
representa um estado LIGADO, e 0 representa um estado DESLIGADO. São denominados dígitos
binários ou bits.

O American Standard Code for Information Interchange (ASCII) é o código mais


freqüentemente utilizado para representar dados alfanuméricos em um computador.
O código ASCII utiliza dígitos binários para representar os símbolos digitados no teclado. Quando os
computadores enviam estados LIGADOS/DESLIGADOS através de uma rede, as ondas de rádio ou de
luz são utilizadas para representar os 1s e 0s. Note que cada caractere possui um conjunto singular de
oito dígitos binários designado para representar o caractere.

Os computadores são desenhados para trabalharem com chaves LIGADAS/DESLIGADAS e,


portanto os dígitos binários e números binários são naturais para eles. Os seres humanos utilizam o
sistema numérico decimal, que é relativamente simples quando comparado com as longas séries de 1s
e 0s utilizados pelos computadores. Portanto, os números binários do computador precisam ser
convertidos em números decimais.

Às vezes os números binários precisam ser convertidos em números hexadecimais (hex), o


que reduz uma longa seqüência de dígitos binários em poucos caracteres hexadecimais. Estes
processos tornam os números mais fáceis de lembrar e manipular.

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1.3.2 Bits e bytes

Um 0 binário pode ser representado por 0 volts de eletricidade (0 = 0 volts). Um 1 binário


pode ser representado por +5 volts de eletricidade (1 = +5 volts).Os computadores foram concebidos
para utilizarem grupos de oito bits. Este grupo de oito bits é denominado byte.

Figura 7 - Unidades de Armazenagem de Dados

Em um computador, um byte representa um único local de armazenamento endereçável.


Estes locais de armazenamento representam um valor ou um único caractere de dados, por exemplo,
um código ASCII. O número total de combinações de oito chaves ligadas ou desligadas é de 256. A
faixa de valores de um byte é de 0 a 255. Portanto, é importante entender o conceito do byte ao
trabalhar com computadores e redes.

1.3.3 Sistema numérico Base 10

Os sistemas numéricos consistem em símbolos e regras para a utilização destes símbolos.


O sistema numérico mais freqüentemente utilizado é o sistema numérico Base 10 ou decimal. Base 10
utiliza os dez símbolos 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9. Estes símbolos podem ser combinados para
representar todos os valores numéricos possíveis.

O sistema numérico decimal é baseado em potências de 10. Cada posição da coluna de um


valor, da direita para a esquerda, é multiplicada pelo número 10, que é o número base, elevado a uma
potência, que é o expoente. A potência à qual é elevado o valor 10 depende da sua posição à
esquerda do ponto decimal. Quando um número decimal é lido da direita para a esquerda, a primeira
posição, ou a mais à direita representa 100 (1), a segunda posição representa 101 (10 x 1 = 10). A
terceira posição representa 102 (10 x 10 = 100). A sétima posição à esquerda representa 106 (10 x 10 x
10 x 10 x 10 x 10 = 1, 000,000). Esta é a verdade independentemente de quantas colunas sejam
ocupadas pelo número.

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Figura 8 - Sistema Numérico Base 10

Exemplo:

2134 = (2 x 103) + (1 x 102) + (3 x 101) + (4 x 100)

Existe o número 4 na posição das unidades, 3 na posição das dezenas, 1 na posição das
centenas e 2 na posição dos milhares. Este exemplo parece óbvio ao usar-se o sistema numérico
decimal. É importante entender exatamente como funciona o sistema decimal porque este
conhecimento é necessário para entender dois outros sistemas numéricos, Base 2 e Base 16,
hexadecimal. Estes sistemas utilizam o mesmo método do sistema decimal.

1.3.4 Sistema numérico Base 2

Os computadores reconhecem e processam dados, utilizando-se o sistema numérico binário


ou Base 2.

Figura 9 - Sistema Numérico Base 2


O sistema binário utiliza dois símbolos, 0 e 1, em vez dos dez símbolos utilizados no sistema
numérico decimal. A posição, ou casa, de cada algarismo da direita para a esquerda em um número
binário representa 2, o número base, elevado a uma potência ou expoente, começando com 0. Estes
valores das casas são da direita para a esquerda, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, e 27, ou 1, 2, 4, 8, 16, 32, 64
e 128, respectivamente.

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Exemplo:

101102 = (1 x 24 = 16) + (0 x 23 = 0) + (1 x 22 = 4) + (1 x 21 = 2) + (0 x 20 = 0) = 22 (16 + 0 +


4 + 2 + 0)

Se o número binário (101102) for lido da esquerda para a direita, estão os números 1 na
posição dos 16, 0 na posição dos 8, 1 na posição dos 4, 1 na posição dos 2 e 0 na posição das
unidades, que

1.3.5 Convertendo números decimais em números binários de 8 bits

Existem várias maneiras de converter números decimais em números binários. O fluxograma


na Figura descreve um dos métodos. O processo tenta descobrir quais valores da potência 2 podem
ser somados para obter o número decimal que está sendo convertido em número binário. Este método
é um dos vários que podem ser utilizados. É melhor selecionar um método e ir praticando com ele até
que sempre produza a resposta correta.

Exercício de conversão

Use o exemplo a seguir para converter o número decimal 168 em número binário:

• 128 cabem dentro de 168. Portanto, o bit mais à esquerda do número binário é 1. 168 – 128 =
40.
• 64 não cabem dentro de 40. Portanto, o segundo bit da esquerda é 0.
• 32 cabem dentro de 40. Portanto, o terceiro bit da esquerda é 1. Subtraindo 40 – 32 = 8.
• 16 não cabem dentro de 8. Portanto, o segundo bit da esquerda é 0.
• 8 cabem dentro de 8. Portanto, o quinto bit da esquerda é 1. 8 – 8 = 0. Portanto todos os bits à
direita são 0.

Resultado: 168 decimal = 10101000

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1.3.6 Conversão de números binários de 8 bits em números decimais

Existem duas maneiras básicas de converter números binários em números decimais. O


fluxograma na Figura mostra um exemplo.
Os números binários também podem ser convertidos em números decimais, multiplicando os
dígitos binários pelo número base do sistema, o qual é Base 2, e elevando-os ao expoente da sua
posição.

Exemplo:

Converta o número binário 01110000 em um número decimal.

Calcule da direita para a esquerda. Lembre-se de que qualquer número elevado à potência de 0
equivale a 1. Portanto, 20 = 1

1.3.7 Representação decimal pontuada em quatro octetos

Atualmente, os endereços designados a computadores na Internet consistem em números


binários de 32 bits.

Figura 10 - Notação Decimal Pontuada

Para facilitar a utilização destes endereços, o número binário de 32 bits é convertido em uma
série de números decimais. Para este fim, divida o número binário em quatro grupos de oito dígitos
binários. Em seguida, converta cada grupo de oito bits, também denominado octeto, em seu
equivalente decimal. Faça esta conversão exatamente conforme indicado no tópico de conversão de
binário em decimal na página anterior.
Quando escrito, o número binário completo é representado por quatro grupos de dígitos
decimais separados por pontos. Esta representação é denominada notação decimal pontuada e provê
uma maneira compacta e fácil de lembrar de referir-se aos endereços de 32 bits. Esta representação é
usada freqüentemente mais adiante neste curso, de modo que é necessário entendê-la. Ao converter
em binário de decimal pontuado, lembre-se de que cada grupo, que consiste em entre um e três dígitos
decimais, representa um grupo de oito dígitos binários. Se o número decimal a ser convertido for
inferior a 128, será necessário adicionar zeros à esquerda do número binário equivalente até que
exista um total de oito bits.

Exemplo:

Converta 200.114.6.51 em seu equivalente binário de 32 bits.

Converta 10000000 01011101 00001111 10101010 em seu equivalente decimal pontuado.

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1.3.8 Hexadecimal

Hexadecimal (hex) é freqüentemente utilizado ao trabalhar com computadores pois pode ser
usado para representar números binários em uma forma mais legível.

DECIMAL BINÁRIO HEXADECIMAL

0 00000000 00
1 00000001 01
2 00000010 02
3 00000011 03
4 00000100 04
5 00000101 05
6 00000110 06
7 00000111 07
8 00001000 08
9 00001001 09
10 00001010 0A
11 00001011 0B
12 00001100 0C
13 00001101 0D
14 00001110 0E
15 00001111 0F
16 00010000 10
32 00100000 20
64 01000000 40
128 10000000 80
255 11111111 FF

Figura 11 - Sistemas numérico Binário e Hexadecimal

O computador realiza computações em binário, mas existem várias situações em que a


saída binária de um computador é expressa em hexadecimal para torná-la mais fácil de ler.
A conversão de números hexadecimais em binários e números binários em hexadecimais é
uma tarefa comum ao manejar os registros de configuração em roteadores da Cisco. Os roteadores da
Cisco possuem um registro de configuração de 16 bits. Este número binário de 16 bits pode ser
representado como número hexadecimal de quatro dígitos. Por exemplo, 0010000100000010 em
binário equivale a 2102 em hex. A palavra hexadecimal é frequentemente abreviada como 0x quando
utilizada com um valor, conforme aparece com o número acima: 0x2102.
Igualmente aos sistemas binário e decimal, o sistema hexadecimal baseia-se na utilização
de símbolos, potências e posições. Os símbolos usados pelo sistema hex são 0 a 9, e A, B, C, D, E, e
F.
Todas as combinações possíveis de quatro dígitos binários podem ser representadas por um
só símbolo hexadecimal. Estes valores requerem, entretanto, um ou dois símbolos decimais. Dois

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dígitos hexadecimais podem representar eficientemente qualquer combinação de oito dígitos binários.
A representação decimal de um número binário de 8 bits irão requerer dois ou três dígitos decimais.
Uma vez que um digito hexadecimal sempre representa 4 dígitos binários, símbolos hexadecimais são
mais fáceis de utilizar que símbolos decimais ao operar com números binários muito grandes. O uso da
representação hexadecimal também reduz a confusão na leitura de números binários muito grandes e
a quantidade de espaço normalmente utilizado para gravar números binários. Lembre que a
representação 0x pode ser utilizada para indicar um número hexadecimal. O número hexadecimal 5D
pode ser escrito como 0x5D.
Para converter de hex em binário, simplesmente expanda cada dígito hex ao seu equivalente
binário de quatro bits.

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1.3.9 A lógica booleana ou binária

A lógica booleana baseia-se em circuitos digitais que aceitam uma ou duas voltagens de
entrada.

Figura 12 - Portas Lógicas

Com base na voltagem de entrada, é gerada uma voltagem de saída. Para os fins dos
computadores, a diferença de voltagem é associada como dois estados, ligado ou desligado. Por sua
vez, estes dois estados são associados como 1 ou 0, equivalentes aos dois dígitos do sistema
numérico binário.

A lógica booleana é uma lógica binária que permite a comparação de dois números e a
geração de uma escolha baseada nos dois números. Estas escolhas são as operações lógicas AND,
OR e NOT. Com a exceção do NOT, as operações booleanas têm a mesma função. Aceitam dois
números, a saber, 1 ou 0, e geram um resultado baseado na regra lógica.

Figura 13 - Porta Lógica de NOT Booleano

A operação NOT examina qualquer valor apresentado, 0 ou 1, e o inverte. O um se torna


zero e o zero se torna um. Lembre-se que as portas lógicas são dispositivos eletrônicos criados
especificamente para este fim. A regra lógica que seguem é que qualquer que seja a entrada, a saída
será o contrário.

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27
Módulo I – Introdução às Redes

Figura 14 - Porta Lógica de AND Booleano

A operação AND aceita dois valores de entrada. Se ambos os valores forem 1, a porta lógica
gera uma saída de 1. Caso contrário, gera uma saída de 0. Existem quatro combinações de valores de
entrada. Três destas combinações geram 0, e uma combinação gera 1.

Figura 15 - Porta Lógica de OR Booleano


A operação OR também aceita dois valores de entrada. Se pelo menos um dos valores de
entrada for 1, o valor de saída será 1. Mais uma vez, existem quatro combinações de valores de
entrada. Desta vez, três das combinações geram uma saída de 1 e a quarta gera uma saída de 0.

As duas operações de redes que utilizam a lógica booleana são máscaras de sub-rede e as
máscaras coringa. As operações de máscara oferecem uma maneira de filtrar endereços. Os
endereços identificam os dispositivos na rede, permitindo que os endereços sejam agrupados ou
controlados por outras operações da rede. Estas funções serão explicadas em maiores detalhes mais
adiante no currículo.

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28
Módulo I – Introdução às Redes

1.3.10 Endereços IP e máscaras da rede

Os endereços binários de 32 bits utilizados na Internet são denominados endereços IP


(Internet Protocol). A relação entre os endereços IP e as máscaras da rede será considerada nesta
seção.

Figura 16 - Componentes do Endereço IP

Quando os endereços IP são designados a computadores, alguns dos bits à esquerda do


número IP de 32 bits representam uma rede. O número de bits designados depende da classe do
endereço. Os bits restantes do endereço IP de 32 bits identificam um computador em particular na
rede. Um computador é identificado como "host". O endereço IP de um computador consiste em uma
parte para uma rede e outra parte para um host que juntos representam um computador em particular
em uma rede em particular.
Para informar um computador sobre como o endereço IP de 32 bits foi dividido, é utilizado
um segundo número de 32 bits, denominado máscara de sub-rede. Esta máscara é um gabarito que
indica como o endereço IP deve ser interpretado, identificando quantos dos bits são utilizados para
identificar a rede do computador. A máscara de sub-rede preenche seqüencialmente os 1s do lado
esquerdo da máscara. Uma máscara de sub-rede será totalmente constituída de 1s até que seja
identificado o endereço da rede e em seguida será constituída totalmente de 0s daquele ponto até o bit
mais à direita da máscara. Os bits na máscara de sub-rede com valor de 0 identificam o computador ou
host naquela rede. Alguns exemplos de máscaras de sub-rede são:

11111111000000000000000000000000 escrito em decimal pontuado como 255.0.0.0

ou

11111111111111110000000000000000 escrito em decimal pontuado como 255.255.0.0

No primeiro exemplo, os primeiros oito bits da esquerda representam a porção do endereço


da rede, e os últimos 24 bits representam a porção do endereço do host. No segundo exemplo, os
primeiros 16 bits representam a porção do endereço da rede, e os últimos 16 bits representam a
porção do endereço do host.

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29
Módulo I – Introdução às Redes

A conversão do endereço IP 10.34.23.134 em binário resultaria em:

00001010.00100010.00010111.10000110

A operação booleana AND sobre o endereço IP 10.34.23.134 junto com a máscara de sub-
rede 255.0.0.0 produz o endereço de rede deste host:

00001010.00100010.00010111.10000110
11111111.00000000.00000000.00000000
00001010.00000000.00000000.00000000

00001010.00100010.00010111.10000110
11111111.11111111.00000000.00000000
00001010.00100010.00000000.00000000

Ao converter o resultado em decimal pontuado, 10.0.0.0 será a parte do endereço IP


correspondente à rede, ao utilizar a máscara 255.0.0.0.

A operação booleana AND sobre o endereço IP 10.34.23.134 junto com a máscara de sub-
rede 255.255.0.0 produz o endereço de rede deste host:

Ao converter o resultado em decimal pontuado, 10.34.0.0 será a parte do endereço IP


correspondente à rede, ao utilizar a máscara 255.255.0.0.

Esta é uma breve Figura do efeito que tem uma máscara de rede sobre um endereço IP. A
importância das máscaras se tornará muito mais óbvia ao trabalharmos mais com os endereços IP.
Para o momento, é só importante que o conceito de máscaras seja entendido.

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30
Módulo I – Introdução às Redes

Resumo do Módulo

Deve ter sido obtido um entendimento dos seguintes conceitos importantes:

• A conexão física que precisa ser realizada para que um computador seja conectado à Internet
• Os principais componentes de um computador
• A instalação e resolução de problemas de placas de rede e/ou de modems
• Os procedimentos básicos para testar a conexão à Internet
• A seleção e configuração de um navegador Web
• O sistema numérico Base 2
• A conversão de números binários em decimais
• O sistema numérico hexadecimal
• A representação binária de endereços IP e máscaras de redes
• A representação decimal de endereços IP e máscaras de redes

Figura 17 - Resumo do Módulo 1

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31
Módulo I – Introdução às Redes

TESTE

1) Qual das seguintes alternativas é o equivalente binário do número 186 decimal?


 10100110;
 10111010;
 10111010
 10101100;
2) Qual das seguintes alternativas é o equivalente decimal do número binário 10110011?
 113;
 179;
 205;
 263;

3) Qual é o equivalente hexadecimal do número binário 11000011?


 A9;
 B1;
 B3;
 C3;

4) Todos os sistemas de numeração são representados por um conjunto de dígitos. Selecione


o primeiro e último dígitos que representam a Base 16, hexadecimal. (Escolha duas)?
 0;
 A;
 9;
 F;
 15;

5) Que comando é utilizado para visualizar a configuração IP em um PC Windows XP?


 ping;
 tracert;
 ipconfig;
 ftp;

6) Qual das seguintes alternativas descreve a função de uma placa de rede?


 Um adaptador WAN usado para conexão de discagem;
 Um dispositivo que melhora a saída de vídeo na internet;
 Um adaptador que liga um computador ao meio físico de rede;
 Uma unidade que controla a capacidade de um sistema de computador processar dados da web;

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32
Módulo I – Introdução às Redes

7) Qual o sistema de numeração que utiliza só 0s e 1s?


 Base 2;
 Base 8;
 Base 10;
 Base 16;

8) Faça a correspondência entre as unidades de medidas ou descrição?


1 Bit 1024 bytes
2 Byte 1024 Kilobytes
3 Kilobytes 1024 Megabytes
4 Megabyte Um só dígito binário
5 Gigabyte 1024 Gigabytes
6 Terabyte 8 Bits

9) Faça a conversão e a correspondência dos seguintes números decimais aos seus


equivalentes binários?
1 255 100000001
2 67 00100100
3 36 11111111
4 129 01000011

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Módulo II – Conceito Básico das Redes

2 CONCEITO BÁSICO DAS REDES

2.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO

A largura de banda é um componente crucial de redes. A largura de banda é uma das


decisões mais importantes a serem tomadas quando da criação de uma rede. Este módulo estuda a
importância da largura de banda, explica como é calculada e como é medida.

As funções de rede são descritas utilizando-se modelos em camadas. Este módulo cobre os
dois modelos mais importantes, que são o modelo Open System Interconnection (OSI) e o modelo
Transmission Control Protocol/Internet Protocol (TCP/IP). O módulo apresenta também as
diferenças e similaridades entre os dois modelos.

Além disso, este módulo apresenta uma breve história sobre redes. Ele descreve também os
dispositivos de rede, assim como cabeamento, e as disposições físicas e lógicas. Este módulo também
define e compara LANs, MANs, WANs, SANs, e VPNs.

Os alunos, ao concluírem este módulo, deverão poder:

• Explicar a importância da largura de banda em redes.


• Usar uma analogia a partir de sua experiência para explicar a largura de banda.
• Identificar bps, Kbps, Mbps, e Gbps como sendo unidades de largura de banda.
• Explicar a diferença entre largura de banda e throughput.
• Calcular as taxas de transferência de dados.
• Explicar por que são usados os modelos em camadas para descrever a comunicação de
dados.
• Explicar o desenvolvimento do modelo Open System Interconnection (OSI).
• Listar as vantagens de uma abordagem de camadas.
• Identificar cada uma das sete camadas do modelo OSI.
• Identificar as quatro camadas do modelo TCP/IP.
• Descrever as similaridades e diferenças entre os dois modelos.
• Explicar rapidamente a história das redes.
• Identificar os dispositivos usados nas redes.
• Entender a função dos protocolos nas redes.
• Definir LAN, WAN, MAN, e SAN.
• Explicar VPNs e suas vantagens.
• Descrever as diferenças entre intranets e extranets.

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Módulo II – Conceito Básico das Redes

2.2 TERMINOLOGIA DAS REDES

2.2.1 Redes de Dados


As redes de dados foram desenvolvidas como um resultado dos aplicativos empresariais que
foram escritos para microcomputadores. Naquela época os microcomputadores não eram conectados
da mesma maneira que os terminais de
computadores mainframe, portanto não
havia uma maneira eficiente de
compartilhar dados entre vários
microcomputadores.

Tornou-se óbvio que o


compartilhamento de dados através da
utilização de disquetes não era uma
maneira eficiente e econômica de se
administrar empresas. Os "Sneakernets",
como este compartilhamento era
Figura 18 - Evolução das Redes chamado, criavam várias cópias dos
dados. Cada vez que um arquivo era modificado ele teria que ser compartilhado novamente com todas
as outras pessoas que precisavam daquele arquivo. Se duas pessoas modificavam o arquivo e depois
tentavam compartilhá-lo, um dos conjuntos de modificações era perdido. As empresas precisavam de
uma solução que respondesse satisfatoriamente às três questões abaixo:

• Como evitar a duplicação de equipamentos e recursos;


• Como se comunicar eficazmente;
• Como configurar e gerenciar uma rede;

As empresas perceberam que


a tecnologia de rede aumentaria a
produtividade enquanto lhes
economizaria dinheiro. Novas redes
foram sendo criadas ou expandidas tão
rapidamente quanto surgiam novos
produtos e tecnologias de rede. No início
dos anos 80 houve uma grande
expansão no uso de redes, apesar da
desorganização na primeira fase de
desenvolvimento. As tecnologias de rede
que surgiram tinham sido criadas usando
Figura 19 - SneaKernet
diferentes implementações de hardware
e software. Cada empresa que criava hardware e software para redes usava seus próprios padrões.
Estes padrões individuais eram desenvolvidos devido à competição com outras companhias.

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Módulo II – Conceito Básico das Redes

Conseqüentemente, muitas das novas tecnologias de rede eram incompatíveis umas com as outras.
Tornou-se cada vez mais difícil para as redes que usavam especificações diferentes se comunicarem
entre si. Freqüentemente era necessário que o equipamento antigo de rede fosse removido para que
fosse implementado o novo equipamento.

Uma das primeiras soluções foi a criação de padrões de redes locais (LAN).
Já que os padrões de redes locais ofereciam um conjunto aberto de diretrizes para a criação de
hardware e software de rede, equipamentos de diferentes companhias poderiam então tornar-se
compatíveis. Isto permitiu estabilidade na implementação de redes locais.

Em um sistema de rede local, cada departamento da empresa é uma espécie de ilha


eletrônica. À medida que o uso do computador nas empresas cresceu logo se percebeu que até
mesmo as redes locais não eram o suficiente.

Era necessário um modo de mover informações de maneira rápida e eficiente, não só dentro
da empresa, mas também de uma empresa para outra. A solução, então, foi a criação de Redes de
Áreas Metropolitanas (MANs) e de Redes de Longa Distância (WANs). Como as WANs podiam
conectar as redes usuárias dentro de grandes áreas geográficas, elas tornaram possível a
comunicação entre empresas ao longo de grandes distâncias. Figura 3 resume os tamanhos relativos
de redes locais e WANs.

Figura 20 - Exemplos de Redes

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Módulo II – Conceito Básico das Redes

2.2.2 História das Redes

A história das redes de computador é complexa. Ela envolveu pessoas do mundo inteiro nos
últimos 35 anos. Apresentamos aqui uma visão simplificada de como evoluiu a Internet. Os processos
de invenção e comercialização são muito mais complicados, mas pode ser útil examinar o
desenvolvimento fundamental.

Nos anos 40, os computadores eram enormes dispositivos eletromecânicos propensos a


falhas. Em 1947, a invenção de um transistor semicondutor criou várias possibilidades para a
fabricação de computadores menores e mais confiáveis. Nos anos 50, os mainframes, que eram
acionados por programas em cartões perfurados, começaram a ser usados por grandes instituições.
No final dos anos 50, foi inventado o circuito integrado, que combinava vários, depois muitos e agora
combina milhões de transistores em uma pequena peça de semicondutor. Durante os anos 60, o uso
de mainframes com terminais era bastante comum assim como os circuitos integrados eram
largamente utilizados.

No final dos anos 60 e 70, surgiram computadores menores, chamados de


minicomputadores. No entanto, estes minicomputadores eram ainda muito grandes para os padrões
modernos. Em 1977, a Apple Computer Company apresentou o microcomputador, também conhecido
como computador pessoal. Em 1981 a IBM apresentou o seu primeiro computador pessoal. O Mac
amigável, o IBM PC de arquitetura aberta e a maior micro-miniaturização dos circuitos integrados
conduziram à difusão do uso de computadores pessoais nas casas e nos escritórios.

Em meados dos anos 80, os usuários com computadores stand alone começaram a
compartilhar dados usando modems para fazer conexão a outros computadores. Era conhecido como
comunicação ponto-a-ponto ou dial-up. Este conceito se expandiu com a utilização de computadores
que operavam como o ponto central de comunicação em uma conexão dial-up. Estes computadores
eram chamados de bulletin boards (BBS). Os usuários faziam a conexão aos BBSs, onde deixavam ou
pegavam mensagens, assim como faziam upload e download de arquivos. A desvantagem deste tipo
de sistema era que havia pouquíssima comunicação direta entre usuários e apenas com aqueles que
conheciam o BBS. Uma outra limitação era que o computador de BBS precisava de um modem para
cada conexão. Se cinco pessoas quisessem se conectar simultaneamente, seria necessário ter cinco
modems conectados a cinco linhas telefônicas separadas. Conforme foi crescendo o número de
pessoas desejando usar o sistema, este não foi capaz de atender às exigências. Por exemplo, imagine
se 500 pessoas quisessem fazer a conexão ao mesmo tempo. Tendo início nos anos 60 e continuando
pelos anos 70, 80 e 90, o Departamento de Defesa americano (DoD) desenvolveu grandes e confiáveis
redes de longa distância (WANs) por razões militares e científicas. Esta tecnologia era diferente da
comunicação ponto-a-ponto usada nos quadros de aviso. Ela permitia que vários computadores se
interconectassem usando vários caminhos diferentes. A própria rede determinaria como mover os
dados de um computador para outro. Em vez de poder comunicar com apenas um outro computador
de cada vez, muitos computadores podiam ser conectados usando a mesma conexão. A WAN do DoD
com o tempo veio a se tornar a Internet.

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2.2.3 Dispositivos de rede

Os equipamentos que se conectam diretamente a um segmento de rede são chamados de


dispositivos. Estes dispositivos são divididos em duas classificações. A primeira classificação é de
dispositivos de usuário final. Os dispositivos de usuário final incluem computadores, impressoras,
scanners e outros dispositivos que fornecem serviços diretamente ao usuário. A segunda classificação
é de dispositivos de rede. Dispositivos de rede incluem todos os dispositivos que fazem a interconexão
de todos os dispositivos do usuário final permitindo que se comuniquem.

Figura 21 - Estação de Trabalho

Os dispositivos de usuário final que fornecem aos usuários uma conexão à rede são também
conhecidos como hosts. Estes dispositivos permitem que os usuários compartilhem, criem e obtenham
informações. Os hosts podem existir sem uma rede, porém, sem a rede, suas capacidades são muito
limitadas. Os hosts são fisicamente conectados aos meios de rede usando uma placa de rede (NIC).
Eles usam esta conexão para realizar as tarefas de enviar de e-mails, imprimir relatórios, digitalizar
imagens ou acessar bancos de dados.

Figura 22 - Placa de Interface de Rede

Uma placa de rede é uma placa de circuito impresso que cabe no slot de expansão de um
barramento em uma placa-mãe do computador, ou pode ser um dispositivo periférico. É também
chamada adaptador de rede. As placas de rede dos computadores laptop ou notebook geralmente são
do tamanho de uma placa PCMCIA.

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Figura 23 - Adaptador Ethernet PCMCIA

Cada placa de rede individual transporta um identificador exclusivo, denominado endereço


de Controle de Acesso ao Meio (MAC - Media Access Control). Este endereço é usado para controlar
as comunicações de dados do host na rede. Maiores detalhes sobre endereços MAC serão fornecidos
mais adiante. Como o nome sugere, a placa de rede controla o acesso do host ao meio.

Não existem símbolos padronizados para representar na indústria de rede os dispositivos de


usuário final. Eles apresentam uma aparência semelhante aos dispositivos verdadeiros para permitir
um reconhecimento rápido.

Figura 24 - Ícones de dispositivos para usuário final

Os dispositivos de rede proporcionam transporte para os dados que precisam ser


transferidos entre os dispositivos de usuário final.

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Figura 25 - Ícones de dispositivos de Rede

Os dispositivos de rede proporcionam extensão de conexões de cabos, concentração de


conexões, conversão de formatos de dados, e gerenciamento de transferência de dados. Exemplos de
dispositivos que realizam estas funções são: repetidores, hubs, bridges, switches e roteadores. Todos
os dispositivos de rede mencionados aqui serão explicados em maiores detalhes mais adiante neste
curso. Para o momento, será fornecida uma breve visão geral dos dispositivos de rede.

Um repetidor é um dispositivo de rede usado para regenerar um sinal. Os repetidores


regeneram os sinais analógicos e digitais que foram distorcidos por perdas na transmissão devido à
atenuação. Um repetidor não realiza decisões inteligentes sobre o encaminhamento de pacotes como
um roteador ou bridge.

Figura 26 - Repetidor
Os hubs concentram conexões. Em outras palavras, juntam um grupo de hosts e permitem
que a rede os veja como uma única unidade. Isto é feito passivamente, sem qualquer outro efeito na
transmissão dos dados. Os hubs ativos não só concentram hosts, como também regeneram
sinais.

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Módulo II – Conceito Básico das Redes

Figura 27 – Bridges

As bridges, ou pontes, convertem os formatos de dados transmitidos na rede assim como


realizam gerenciamento básico de transmissão de dados. As bridges, como o próprio nome indica,
proporcionam conexões entre redes locais. As bridges não só fazem conexões entre redes locais,
como também verificam os dados para determinar se devem ou não cruzar a bridge. Isto faz com que
cada parte da rede seja mais eficiente.

Figura 28 - Switch
Os switches de grupos de trabalho (Workgroup switches) adicionam mais inteligência ao
gerenciamento da transferência de dados.

Eles não só podem determinar se os dados devem ou não permanecer em uma rede local,
mas como também podem transferir os dados somente para a conexão que necessita daqueles dados.
Outra diferença entre uma bridge e um switch é que um switch não converte os formatos dos dados
transmitidos.

Figura 29 - Roteador
Os roteadores possuem todas as capacidades listadas acima. Os roteadores podem
regenerar sinais, concentrar conexões múltiplas, converter formatos dos dados transmitidos, e
gerenciar as transferências de dados. Eles também podem ser conectados a uma WAN, que lhes

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41
Módulo II – Conceito Básico das Redes

permite conectar redes locais que estão separadas por longas distâncias. Nenhum outro dispositivo
pode prover este tipo de conexão.

2.2.4 Topologias de rede

Topologias de rede definem a estrutura da rede. Uma parte da definição de topologia é a


topologia física, que é o layout efetivo dos fios ou meios físicos. A outra parte é a topologia lógica, que
define como os meios físicos são acessados pelos hosts para o envio de dados. As topologias físicas
que são comumente usadas são as seguintes:

Figura 30 - Topologias Físicas


• Uma topologia em barramento (bus) usa um único cabo backbone que é terminado em ambas
as extremidades. Todos os hosts são diretamente conectados a este backbone.

• Uma topologia em anel (ring) conecta um host ao próximo e o último host ao primeiro. Isto cria
um anel físico utilizando o cabo.

• Uma topologia em estrela (star) conecta todos os cabos a um ponto central de concentração.

• Uma topologia em estrela estendida (extended star) une estrelas individuais ao conectar os
hubs ou switches. Esta topologia pode estender o escopo e a cobertura da rede.

• Uma topologia hierárquica é semelhante a uma estrela estendida. Porém, ao invés de unir os
hubs ou switches, o sistema é vinculado a um computador que controla o tráfego na topologia.

• Uma topologia em malha (mesh) é implementada para prover a maior proteção possível contra
interrupções de serviço. A utilização de uma topologia em malha nos sistemas de controle de
uma usina nuclear de energia interligados em rede seria um excelente exemplo. Como é
possível ver na figura, cada host tem suas próprias conexões com todos os outros hosts.
Apesar de a Internet ter vários caminhos para qualquer local, ela não adota a topologia em
malha completa.

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Módulo II – Conceito Básico das Redes

A topologia lógica de uma rede é a forma como os hosts se comunicam através dos
meios. Os dois tipos mais comuns de topologias lógicas são BROADCAST e PASSAGEM DE
TOKEN.
A topologia de broadcast simplesmente significa que cada host envia seus dados a todos os
outros hosts conectados ao meio físico da rede. Não existe uma ordem que deve ser seguida pelas
estações para usar a rede. A ordem é: primeiro a chegar, primeiro a usar. A Ethernet funciona desta
maneira conforme será explicado mais tarde neste curso.
A segunda topologia lógica é a passagem de token. A passagem de token controla o acesso
à rede, passando um token eletrônico seqüencialmente para cada host. Quando um host recebe o
token, significa que esse host pode enviar dados na rede. Se o host não tiver dados a serem enviados,
ele vai passar o token para o próximo host e o processo será repetido. Dois exemplos de redes que
usam passagem de token são: Token Ring e Fiber Distributed Data Interface (FDDI). Uma
variação do Token Ring e FDDI é Arcnet. Arcnet é passagem de token em uma topologia de
barramento.
O diagrama na Figura 31 mostra muitas topologias diferentes conectadas pelos dispositivos
de rede. Ele mostra uma rede local de complexidade moderada que é típica de uma escola ou de uma
pequena empresa. Ele tem muitos símbolos e representa muitos conceitos de rede que vão levar
tempo para serem aprendidos.

Figura 31-Ensinando Topologias

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2.2.5 Protocolos de rede

Conjuntos de protocolos (protocol suites) são coleções de protocolos que permitem a


comunicação de um host para outro através da rede. Um protocolo é uma descrição formal de um
conjunto de regras e convenções que governam a maneira de comunicação entre os dispositivos em
uma rede. Os protocolos determinam o formato, temporização, seqüência, e controle de erros na
comunicação de dados. Sem os protocolos, o computador não pode criar ou reconstruir o fluxo de bits
recebido de outro computador no seu formato original.

Figura 32 - Protocolos de Comunicação de Computadores

Os protocolos controlam todos os aspectos de comunicação de dados, que incluem o


seguinte:

• Como é construída a rede física;


• Como os computadores são conectados à rede;
• Como são formatados os dados para serem transmitidos;
• Como são enviados os dados;
• Como lidar com erros;

Estas regras para redes são criadas e mantidas por diferentes organizações e comitês.
Incluídos nestes grupos estão: Institute of Electrical and Electronic Engineers (IEEE), American
National Standards Institute (ANSI), Telecommunications Industry Association (TIA), Electronic
Industries Alliance (EIA) e International Telecommunications Union (ITU), anteriormente conhecida
como Comité Consultatif International Téléphonique et Télégraphique (CCITT).

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2.2.6 Redes locais (LANs)

As redes locais consistem nos seguintes componentes:

• Computadores;

• Placa de Interface de Rede;

• Dispositivos periféricos;

• Meios de rede;

• Dispositivos de rede;

Redes locais possibilitam que as empresas utilizem a tecnologia para o compartilhamento


eficiente de arquivos e impressoras locais, além de possibilitar a comunicação interna. Um bom
exemplo desta tecnologia é o e-mail. Elas unem dados, comunicações locais e equipamento de
computação.

Figura 33 - Redes Locais e seus Dispositivos

Algumas tecnologias comuns à rede local são:

• Ethernet

• Token Ring

• FDDI

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2.2.7 Redes de longa distância (WANs)

As WANs interconectam as redes locais, fornecendo então acesso a computadores ou


servidores de arquivos em outros locais. Como as WANs conectam redes de usuários dentro de uma
vasta área geográfica, elas permitem que as empresas se comuniquem ao longo de grandes
distâncias. Com a utilização de WANs torna-se possível que os computadores, impressoras e outros
dispositivos em uma rede local compartilhem e sejam compartilhados com locais distantes. As WANs
proporcionam comunicações instantâneas através de grandes áreas geográficas. A capacidade de
enviar uma mensagem instantânea (IM) para alguém em qualquer lugar do mundo proporciona as
mesmas capacidades de comunicação que antigamente eram possíveis somente se as pessoas
estivessem no mesmo escritório físico. O software de colaboração proporciona acesso a informações
em tempo real e recursos que permitem a realização de reuniões remotamente, ao invés de
pessoalmente. Redes de longa distância criaram também uma nova classe de trabalhadores
conhecidos como telecomutadores, que são pessoas que nunca precisam sair de casa para ir
trabalhar.

Figura 34 - WANs e Equipamentos WANs

As WANs são projetadas para executar as seguintes ações:

• Operar em grandes áreas separadas geograficamente;


• Permitir que os usuários tenham capacidades de comunicação em tempo real com outros
usuários;
• Proporcionar que recursos remotos estejam permanentemente conectados aos serviços locais;
• Proporcionar serviços de e-mail, World Wide Web, transferência de arquivos e e-commerce.

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Algumas tecnologias comuns à WAN são:


• Modems
• Integrated Services Digital Network (ISDN)
• Digital Subscriber Line (DSL)
• Frame Relay
• Hierarquias digitais T (EUA) e E (Europa): T1, E1, T3, E3
• Synchronous Optical Network (SONET)

2.2.8 Redes de áreas metropolitanas (MANs)

Uma MAN é uma rede que abrange toda a área metropolitana como uma cidade ou área
suburbana. Uma MAN geralmente consiste em duas ou mais redes locais em uma mesma área
geográfica. Por exemplo, um banco com várias sucursais pode utilizar uma MAN.

Figura 35 - Rede Metropolitana

Tipicamente um provedor de serviços está acostumado a conectar dois ou mais sites de


redes locais usando linhas privadas de comunicação ou serviços óticos. É também possível criar uma
MAN usando uma tecnologia de bridge sem fio (wireless) emitindo sinais através de áreas públicas.

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2.2.9 Storage-area networks (SANs)

Uma SAN é uma rede dedicada de alto desempenho, usada para transportar dados entre
servidores e recursos de armazenamento (storage). Por ser uma rede separada e dedicada, ela evita
qualquer conflito de tráfego entre clientes e servidores.

Figura 36 - Rede de Área de Armazenamento

A tecnologia SAN permite a conectividade em alta velocidade de servidor-a-área de


armazenamento, de área de armazenamento-a-área de armazenamento ou de servidor-a-servidor.
Este método usa uma infra-estrutura de rede separada que alivia qualquer problema associado à
conectividade da rede existente.
SANs oferecem os seguintes recursos:
• Desempenho: SANs permitem um acesso simultâneo de disk arrays ou tape arrays por
dois ou mais servidores em alta velocidade, oferecendo um melhor desempenho do
sistema.
• Disponibilidade: SANs já incorporam uma tolerância contra desastres, já que permitem o
espelhamento de dados usando uma SAN a distâncias de até 10 quilômetros (6,2 milhas).
• Escalabilidade: Como uma LAN/WAN, ela pode usar uma variedade de tecnologias.
Assim permitindo uma transferência fácil de dados de backup, operações, migração de
arquivos, e replicação de dados entre sistemas.

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2.2.10 Virtual Private Network (VPN)

Uma VPN é uma rede particular que é construída dentro de uma infra-estrutura de rede
pública como a Internet global. Ao usar uma VPN, um telecomutador pode acessar a rede da matriz da
empresa através da Internet criando um túnel seguro entre o PC do telecomutador a um roteador da
VPN na matriz.

Figura 37 - Conexões VPN

2.2.11 Vantagens das VPNs

Os produtos Cisco suportam a tecnologia VPN mais moderna. Uma VPN é um serviço que
oferece conectividade segura e confiável através de uma infra-estrutura de rede pública compartilhada
como a Internet. As VPNs mantêm as mesmas diretivas de segurança e gerenciamento como uma
rede particular. Elas apresentam o método mais econômico no estabelecimento de uma conexão
ponto-a-ponto entre usuários remotos e uma rede de clientes empresariais.

Figura 38 - Tecnologias VPNS

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Seguem abaixo os três tipos principais de VPNs:

• Access VPNs: Access VPNs proporcionam o acesso remoto para funcionários móveis e para
pequenos escritórios/escritórios domiciliares (SOHO) à Intranet ou Extranet da matriz através
de uma infra-estrutura compartilhada. Access VPNs utilizam tecnologias analógicas, de
discagem (dial-up), ISDN, DSL (digital subscriber line), IP móvel e de cabo para fazerem a
conexão segura dos usuários móveis, telecomutadores e filiais.

• Intranet VPNs: Intranet VPNs ligam os escritórios regionais e remotos à rede interna da matriz
através de uma infra-estrutura compartilhada com a utilização de conexões dedicadas. Intranet
VPNs diferem das Extranet VPNs dado que só permitem o acesso aos funcionários da
empresa.

• Extranet VPNs: Extranet VPNs ligam os associados empresariais à rede da matriz através de
uma infra-estrutura compartilhada com a utilização de conexões dedicadas. Extranet VPNs
diferem das Intranet VPNs dado que só permitem o acesso aos usuários externos à empresa.

2.2.12 Intranets e extranets

Intranet é uma configuração comum de uma rede local. Os servidores Intranet da Web
diferem dos servidores públicos da Web dado que os públicos devem ter permissões e senhas corretas
para acessarem a Intranet de uma organização. Intranets são projetadas para permitir o acesso
somente de usuários que tenham privilégios de acesso à rede local interna da organização. Dentro de
uma Intranet, servidores Web são instalados na rede. A tecnologia do navegador Web é usada como
uma interface comum para acessar informações tais como dados ou gráficos financeiros armazenadas
em formato texto nesses servidores.

Figura 39 - Intranet e Extranet VPN

Extranets se referem aos aplicativos e serviços desenvolvidos para a Intranet, e através de


acesso seguro têm seu uso estendido a usuários ou empresas externas. Geralmente este acesso é
realizado através de senhas, IDs dos usuários e outros meios de segurança ao nível do aplicativo.
Portanto, uma Extranet é uma extensão de duas ou mais estratégias da Intranet com uma interação
segura entre empresas participantes e suas respectivas intranets.

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2.3 LARGURA DE BANDA

2.3.1 Importância da largura de banda

A Largura de banda é definida como a quantidade de informações que flui através da


conexão de rede durante certo período de tempo. É extremamente importante entender o conceito de
largura de banda durante o estudo de redes devido às seguintes razões:

1. A largura de banda é finita.

Em outras palavras, independentemente dos meios usados para criar a rede, existem limites na
capacidade daquela rede de transportar informações. A largura de banda é limitada por leis da
física e pelas tecnologias usadas para colocar as informações nos meios físicos. Por
exemplo, a largura de banda de um modem convencional está limitada a aproximadamente 56
Kbps pelas propriedades físicas dos fios de par trançado da rede de telefonia e pela tecnologia do
modem. Entretanto, as tecnologias usadas pelo DSL também usam os mesmos fios de telefone de
par trançado, e ainda assim o DSL proporciona uma largura de banda muito maior do que a
disponível com modems convencionais. Assim, mesmo os limites impostos pelas leis da física são
às vezes difíceis de serem definidos. A fibra óptica possui o potencial físico de fornecer largura de
banda virtualmente sem limites. Mesmo assim, a largura de banda da fibra óptica não pode ser
completamente entendida até que as tecnologias sejam desenvolvidas para aproveitar de todo o
seu potencial.

2. Largura de banda não é grátis.

É possível comprar equipamentos para uma rede local que lhe oferecerá uma largura de banda
quase ilimitada durante um longo período de tempo. Para as conexões WAN (wide-area network),
é quase sempre necessário comprar largura de banda de um provedor de serviços. Em qualquer
caso, um entendimento de largura de banda e mudanças na demanda de largura de banda durante
certo período de tempo, poderá oferecer a um indivíduo ou a uma empresa, uma grande economia
de dinheiro. Um gerente de redes precisa tomar as decisões corretas na compra dos tipos de
equipamentos e serviços.

3. A largura de banda é um fator importante na análise do desempenho da rede, na criação


de novas redes, e no entendimento da Internet.

Um profissional de rede precisa entender o grande impacto da largura de banda e do throughput


no desempenho e desenho de redes. As informações fluem como uma seqüência de bits de
computador a computador por todo o mundo. Esses bits representam enormes quantidades de
informações que fluem de um lado a outro através do globo em segundos ou menos. De certa
maneira, pode ser apropriado dizer que a Internet é largura de banda.

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4. A demanda por largura de banda está sempre crescendo.

Tão logo são criadas novas tecnologias de rede e infra-estruturas para fornecer maior largura de
banda, também são criados novos aplicativos para aproveitar da maior capacidade. A transmissão,
através da rede, de conteúdo rico em mídia, inclusive vídeo e áudio streaming, exige quantidades
enormes de largura de banda. Os sistemas de telefonia IP agora são comumente instalados em
lugar dos sistemas de voz tradicionais, o que aumenta mais ainda a necessidade da largura de
banda. O profissional de rede eficiente deverá antecipar a necessidade de aumentar a largura de
banda e agir de acordo.

2.3.2 O desktop

Largura de banda é definida como a quantidade de informações que flui através da conexão
de rede durante de certo período de tempo. A idéia de que as informações fluem sugere duas
analogias que podem facilitar a visualização de largura de banda na rede. Já que se diz que tanto a
água como o tráfego fluem, considere as seguintes analogias:
• A largura de banda é como o diâmetro de um cano.

Figura 40 - Analogia do Cano para a Largura de Banda

Uma rede de canos traz água potável para residências e empresas e leva embora a água do
esgoto. Esta rede de água consiste em canos de vários diâmetros. Os canos principais de
água de uma cidade podem ter até dois metros de diâmetro, enquanto que o cano para a
torneira da cozinha pode ter apenas dois centímetros de diâmetro. O diâmetro do cano
determina a capacidade do cano levar água. Portanto, a água é como os dados, e o diâmetro
do cano é como a largura de banda. Muitos especialistas em rede falam que precisam colocar
canos maiores quando precisam aumentar a capacidade de transmitir informações.

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• A largura de banda é como o número de pistas de uma rodovia.

Figura 41 - Analogia da Rodovia para a Largura de Banda

Uma rede de estradas que atendem todas as cidades e municípios. As grandes rodovias com
muitas pistas são alimentadas por estradas menores com menos pistas. Estas estradas podem
conduzir a estradas menores e mais estreitas, que mais cedo ou mais tarde chegam até a
entrada da garagem das casas e das empresas. Quando pouquíssimos carros utilizam o
sistema de rodovias, cada veículo estará mais livre para se locomover. Quando houver mais
tráfego, os veículos se locomoverão mais lentamente. Este é o caso, especialmente em
estradas com menor número de pistas para os carros se locomoverem. Mais cedo ou mais
tarde, conforme o tráfego vai aumentando no sistema rodoviário, até mesmo as rodovias com
várias pistas se tornam lentas e congestionadas. Uma rede de dados é bem semelhante ao
sistema rodoviário. Os pacotes de dados são comparáveis a automóveis, e a largura de banda
é comparável ao número de pistas na rodovia. Quando é visualizada a rede de dados como um
sistema rodoviário, torna-se mais fácil ver como as conexões de largura de banda baixa podem
causar um congestionamento através de toda a rede.

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2.3.3 Medição

Nos sistemas digitais, a unidade básica de largura de banda é bits por segundo (bps). A
largura de banda é a medida da quantidade de informação que pode ser transferida de um lugar para o
outro em um determinado período de tempo, ou segundos. Apesar de que a largura de banda pode ser
descrita em bits por segundo, geralmente pode-se usar algum múltiplo de bits por segundo. Em outras
palavras, a largura de banda é tipicamente descrita como milhares de bits por segundo (Kbps), milhões
de bits por segundo (Mbps), bilhões de bits por segundo (Gbps) e trilhões de bits per segundo (Tbps).

Figura 42 - Unidades de Largura de Banda

Embora os termos largura de banda e velocidade sejam freqüentemente confundidos, não


são exatamente sinônimos. Pode-se dizer, por exemplo, que uma conexão T3 a 45Mbps opera a uma
velocidade mais alta que uma conexão T1 a 1,544Mbps. No entanto, se apenas uma pequena
quantidade da sua capacidade de transmitir dados estiver sendo usada, cada um desses tipos de
conexão transportará os dados com aproximadamente a mesma velocidade. Por exemplo, uma
pequena quantidade de água fluirá à mesma taxa através de um cano fino ou através de um grosso.
Portanto, é mais adequado dizer que uma conexão T3 tem uma largura de banda maior que uma
conexão T1. A razão é que a conexão T3 é capaz de transmitir mais informações durante o mesmo
período de tempo e não porque tem uma velocidade mais alta.

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2.3.4 Limitações

A largura de banda varia dependendo do tipo dos meios físicos assim como das tecnologias
de rede local e WAN utilizadas. A física dos meios explica algumas das diferenças. Os sinais são
transmitidos através de fio de cobre de par trançado, de cabo coaxial, de fibra óptica e do ar. As
diferenças físicas na maneira com que os sinais são transmitidos resultam em limitações fundamentais
na capacidade de transporte de informações de um determinado meio. Porém, a largura de banda real
de uma rede é determinada pela combinação de meios físicos e das tecnologias escolhidas para a
sinalização e a detecção de sinais de rede.
Por exemplo, o entendimento atual da física do cabo de cobre de par trançado não blindado
(UTP) coloca o limite teórico da largura de banda acima de um gigabit por segundo (Gbps). No entanto,
na realidade, a largura de banda é determinada pela utilização de Ethernet 10BASE-T, 100BASE-TX,
ou 1000BASE-TX. Em outras palavras, a largura de banda real é determinada pelos métodos de
sinalização, placas de rede (NICs), e outros itens de equipamento de rede escolhidos.
Conseqüentemente, a largura de banda não é somente determinada pelas limitações dos meios
físicos.
A Figura 42 mostra alguns tipos mais comuns de meios de rede junto com limites na
distância e na largura de banda quando se está usando a tecnologia de rede indicada.

Figura 43 – Larguras de Banda Máximas e Limitações de Comprimento

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A Figura 44 resume serviços comuns de WAN e a largura de banda associada a cada


serviço.

Figura 44 – Serviços e Larguras de Banda

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2.3.5 Throughput

Largura de banda é a medição da quantidade de informações que podem ser transferidas


através da rede em certo período de tempo. Portanto, a quantidade de largura de banda disponível é
uma parte crítica da especificação da rede. Uma rede local típica poderá ser confeccionada para
fornecer 100 Mbps para cada estação de trabalho de mesa, mas isso não quer dizer que cada usuário
será capaz de transmitir centenas de megabits de dados através da rede para cada segundo de uso.
Isto só seria possível sob circunstâncias ideais. O conceito de throughput poderá ajudar na explicação
de como isto é possível.
O throughput se refere à largura de banda real medida, em uma hora do dia específica,
usando específicas rotas de Internet, e durante a transmissão de um conjunto específico de dados na
rede. Infelizmente, por muitas razões, o throughput é muito menor que a largura de banda digital
máxima possível do meio que está sendo usado.

Figura 45 – Variáveis que podem afetar o throughput

Abaixo seguem alguns dos fatores que determinam o throughput:

• Dispositivos de interconexão
• Tipos de dados sendo transferidos
• Topologias de rede
• Número de usuários na rede
• Computador do usuário
• Computador servidor
• Condições de energia

A largura de banda teórica de uma rede é uma consideração importante na criação da rede,
pois a largura de banda de rede nunca será maior que os limites impostos pelos meios e pelas
tecnologias de rede escolhidas. No entanto, é também importante que o projetista e o administrador de
redes considerem os fatores que podem afetar o throughput real. Com a medição constante do
throughput, um administrador de redes ficará ciente das mudanças no desempenho da rede e na
mudança das necessidades dos usuários da rede. A rede poderá então ser ajustada apropriadamente.

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2.3.6 Cálculo da transferência de dados

Geralmente os administradores e projetistas de redes são convidados a tomar decisões


relativas à largura de banda. Uma das decisões seria a de aumentar ou não o tamanho das conexões
de WAN para acomodar um novo banco de dados. Outra decisão seria se o backbone atual da rede
local tem ou não largura suficiente para um programa de treinamento que utilize vídeo streaming. Nem
sempre é fácil encontrar as respostas aos problemas como esses, mas o melhor lugar por onde
começar é com um simples cálculo de transferência de dados.
Usando a fórmula tempo de transferência = tamanho do arquivo / largura de banda
(T = S/BW) permite que um administrador da rede faça uma estimativa de vários dos componentes
importantes do desempenho da rede. Se for conhecido o tamanho típico do arquivo para um
determinado aplicativo, a divisão do tamanho do arquivo pela largura de banda da rede resulta em uma
estimativa do tempo mais rápido no qual o arquivo pode ser transferido.

Figura 46 - Cálculo do Tempo de Transferência

Devem ser considerados dois pontos importantes ao fazer estes cálculos.

• O resultado é apenas uma estimativa, pois o tamanho do arquivo não inclui qualquer
encargo adicionado pela encapsulação.
• É provável que o resultado seja um tempo de transferência na melhor das hipóteses, pois a
largura de banda disponível nem sempre está a um máximo teórico para o tipo de rede
utilizada. Uma estimativa mais precisa poderá ser obtida se o throughput for substituído
pela largura de banda na equação.

Apesar dos cálculos da transferência de dados serem bem simples, deve-se ter cuidado para
usar as mesmas unidades por toda a equação. Em outras palavras, se a largura de banda for medida
em megabits por segundo (Mbps), o tamanho do arquivo deverá ser em megabits (MB), e não
megabytes (MB). Já que os tamanhos de arquivos são tipicamente dados em megabytes, talvez seja
necessário multiplicar por oito o número de megabytes para convertê-los em megabits.
Tente responder a seguinte pergunta, usando a fórmula T=S/BW. Não se esqueça de
converter as unidades de medição conforme o necessário.

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O que levaria menos tempo, enviar o conteúdo de um disquete (1,44 MB) cheio de dados por
uma linha ISDN ou enviar o conteúdo de um disco rígido de 10 GB cheio de dados por uma linha OC-
48?

2.3.7 Digital versus analógico

Até recentemente, as transmissões de rádio, televisão e telefone têm sido enviadas através
do ar e através de fios usando ondas eletromagnéticas. Essas ondas são denominadas analógicas
pois têm as mesmas formas das ondas de luz e de som que são produzidas pelos transmissores.
Conforme as ondas de luz e de som mudam de tamanho e forma, o sinal elétrico que transporta a
transmissão muda proporcionalmente. Em outras palavras, as ondas eletromagnéticas são análogas
às ondas de luz e de som.
A largura de banda analógica é medida de acordo com o quanto do espectro
eletromagnético é ocupado por cada sinal. A unidade básica da largura de banda analógica é hertz
(Hz), ou ciclos por segundo. Tipicamente, os múltiplos desta unidade básica da largura de banda são
usados, da mesma maneira que a largura de banda digital. As unidades de medição mais comumente
usadas são kilohertz (kHz), megahertz (MHz), e gigahertz (GHz). Estas são as unidades que se usa
para descrever as freqüências de telefones sem fio, que geralmente operam a 900 MHz ou 2,4 GHz.
Estas são também as unidades que se usa para descrever as freqüências de redes sem fio (wireless)
de 802.11a e 802.11b, que operam a 5 GHz e 2,4 GHz.

Figura 47 - Analogia de Áudio para a Largura de Banda

Já que os sinais analógicos são capazes de transportar uma variedade de informações, eles
possuem algumas desvantagens significativas ao serem comparados às transmissões digitais. O sinal
de vídeo analógico que requer uma ampla gama de freqüências para a transmissão não pode ser
comprimido para caber dentro de uma banda mais estreita. Portanto, se por acaso não estiver
disponível a largura de banda analógica, o sinal não poderá ser enviado.
Na sinalização digital, todas as informações são transmitidas como bits, independentemente
do tipo de informações. Voz, vídeo e dados todos se tornam fluxo de bits quando são preparados para
a transmissão através de meios digitais. Este tipo de transmissão proporciona uma vantagem muito

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importante da largura de banda digital sobre a largura de banda analógica. Podem ser enviadas
quantidades ilimitadas de informações através do canal digital que tenha a menor ou mais baixa
largura de banda. Independentemente do tempo que a informação digital leva para chegar ao seu
destino e ser reagrupada, ela pode ser vista, ouvida, lida ou processada na sua forma original.
É muito importante entender as diferenças e semelhanças entre a largura de banda
analógica e digital. Os dois tipos de largura de banda são fáceis de serem encontrados no campo da
tecnologia da informática. Porém, em função deste curso se preocupar primariamente com redes
digitais, o termo ‘largura de banda’ se refere a largura de banda digital.

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2.4 MODELOS DE REDES

2.4.1 Usando camadas para analisar problemas em um fluxo de materiais

O conceito de camadas é usado para


descrever como ocorre a comunicação de um
computador para outro. A Figura 48 mostra um
conjunto de questões que são relacionadas ao fluxo,
que é definido como um movimento de objetos físicos
ou lógicos através de um sistema. Estas questões
mostram como o conceito de camadas ajuda na
descrição dos detalhes do processo de fluxo. Este
processo pode ser associado a qualquer tipo de fluxo,
de um fluxo de tráfego em um sistema rodoviário até
o fluxo de dados através de uma rede.

Figura 48 - Analisando Redes em Camadas

A Figura 49 mostra vários exemplos de fluxo e maneiras em que o fluxo de informações


pode ser decomposto em detalhes ou camadas.

Figura 49 - Comparação das Redes

Uma conversação entre duas pessoas apresenta uma boa oportunidade para usar uma
abordagem de camadas para analisar o fluxo de informações. Em uma conversação, cada pessoa que
deseja comunicar-se começa por criar uma idéia. Em seguida deve-se tomar uma decisão de como
comunicar a idéia de maneira correta. Por exemplo, uma pessoa poderia decidir falar, cantar ou gritar,
e qual idioma usar. Finalmente a idéia seria entregue. Por exemplo, a pessoa cria o som que
transporta a mensagem.

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Este processo pode ser dividido em camadas separadas que podem ser aplicadas a todas
as conversações. A camada superior é a idéia que será comunicada. A camada do meio é a decisão
de como será comunicada a idéia. A camada inferior é a criação do som para transportar a
comunicação.

O mesmo método de dividir uma tarefa em camadas explica como uma rede de computador
distribui informações a partir de uma fonte até o seu destino. Quando os computadores enviam
informações através de redes, todas as comunicações têm origem na fonte e depois trafegam até um
destino.

Figura 50 - Comunicação em Rede

A informação que navega pela rede é geralmente conhecida como dados ou um pacote. Um
pacote é uma unidade de informações logicamente agrupadas que se desloca entre sistemas de
computadores. Conforme os dados são passados entre as camadas, cada camada acrescenta
informações adicionais que possibilitam uma comunicação efetiva com a camada correspondente no
outro computador.

Os modelos OSI e TCP/IP possuem camadas que explicam como os dados são
comunicados desde um computador para outro. Os modelos diferem no número e função das
camadas. Entretanto, cada modelo pode ser usado para ajudar na descrição e fornecimento de
detalhes sobre o fluxo de informação desde uma fonte até um destino.

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2.4.2 Usando camadas para descrever a comunicação de dados

Para que os pacotes de dados trafeguem de uma origem até um destino, através de uma
rede, é importante que todos os dispositivos da rede usem a mesma linguagem, ou protocolo. Um
protocolo é um conjunto de regras que tornam mais eficiente a comunicação em uma rede. Por
exemplo, ao pilotarem um avião, os pilotos obedecem a regras muito específicas de comunicação com
outros aviões e com o controle de tráfego aéreo.
Um protocolo de comunicações de dados é um conjunto de regras, ou um acordo, que
determina o formato e a transmissão de dados.
A Camada 4 no computador de origem comunica com a Camada 4 no computador de
destino.

Figura 51 - Comunicação em Camadas

As regras e convenções usadas para esta camada são conhecidas como protocolos de
Camada 4. É importante lembrar-se de que os protocolos preparam dados de uma maneira linear. Um
protocolo em uma camada realiza certos conjuntos de operações nos dados ao preparar os dados que
serão enviados através da rede. Em seguida os dados são passados para a próxima camada onde
outro protocolo realiza um conjunto diferente de operações.

Uma vez enviado o pacote até o destino, os protocolos desfazem a construção do pacote
que foi feito no lado da fonte. Isto é feito na ordem inversa. Os protocolos para cada camada no
destino devolvem as informações na sua forma original, para que o aplicativo possa ler os dados
corretamente.

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2.4.3 Modelo OSI

O início do desenvolvimento de redes era desorganizado em várias maneiras. No início da


década de 80 houve um grande aumento na quantidade e no tamanho das redes. À medida que as
empresas percebiam as vantagens da utilização da tecnologia de redes, novas redes eram criadas ou
expandidas tão rapidamente quanto eram apresentadas novas tecnologias de rede.
Lá pelos meados de 1980, essas empresas começaram a sentir os problemas causados
pela rápida expansão. Assim como pessoas que não falam o mesmo idioma têm dificuldade na
comunicação entre si, era difícil para as redes que usavam diferentes especificações e
implementações trocarem informações. O mesmo problema ocorreu com as empresas que
desenvolveram tecnologias de rede proprietária ou particular. Proprietário significa que uma empresa
ou um pequeno grupo de empresas controla todos os usos da tecnologia. As tecnologias de rede que
seguiam estritamente as regras proprietárias não podiam comunicar-se com tecnologias que seguiam
diferentes regras proprietárias.
Para tratar dos problemas de incompatibilidade entre as redes, a International Organization
for Standardization (ISO) realizou uma pesquisa nos modelos de redes como Digital Equipment
Corporation net (DECnet), Systems Network Architecture (SNA) e TCP/IP a fim de encontrar um
conjunto de regras aplicáveis a todas as redes. Com o resultado desta pesquisa, a ISO criou um
modelo de rede que ajuda os fabricantes na criação de redes que são compatíveis com outras redes.
O modelo de referência da Open System Interconnection (OSI) lançado em 1984 foi o
modelo descritivo de rede que foi criado pela ISO. Ele proporcionou aos fabricantes um conjunto de
padrões que garantiam uma maior compatibilidade e interoperabilidade entre as várias tecnologias de
rede produzidas pelas companhias ao redor do mundo.

Figura 52 - Vantagens do Modelo OSI

O modelo de referência OSI é o modelo fundamental para comunicações em rede. Apesar


de existirem outros modelos, a maioria dos fabricantes de redes relaciona seus produtos ao modelo de
referência OSI. Isto é especialmente verdade quando querem educar os usuários na utilização de seus
produtos. Eles o consideram a melhor ferramenta disponível para ensinar às pessoas a enviar e
receber dados através de uma rede.

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2.4.4 Camadas OSI

O modelo de referência OSI é uma estrutura que você pode usar para entender como as
informações trafegam através de uma rede. O modelo de referência OSI explica como os pacotes
trafegam através de várias camadas para outro dispositivo em uma rede, mesmo que a origem e o
destino tenham diferentes tipos de meios físicos de rede.
No modelo de referência OSI, existem sete camadas numeradas e cada uma ilustra uma
função particular da rede.
Dividir a rede nessas sete camadas oferece as seguintes vantagens:
• Decompõe as comunicações de rede em partes menores e mais simples.
• Padroniza os componentes de rede, permitindo o desenvolvimento e o suporte por parte
de vários fabricantes.
• Possibilita a comunicação entre tipos diferentes de hardware e de software de rede para
que possam comunicar entre si.
• Evita que as mudanças em uma camada afetem outras camadas.
• Decompõe as comunicações de rede em partes menores, facilitando sua aprendizagem
e compreensão.
Camadas Descrição
Processos da Rede para Aplicativos
7 Aplicação • Fornece serviços de rede para as aplicações (como correio eletrônico e emulação de
terminal).
Representação de Dados
• Garantir que os dados possam ser lidos pelo receptor;
6 Apresentação • Formato de dados;
• Estrutura de dados;
• Negocia a sintaxe de transferência de dados para a camada de aplicação.
Comunicação entre hosts
5 Sessão
• Estabelece, gerencia e termina sessões entre aplicativos
Conexões fim-a-fim
• Preocupado com questões de transporte entre hosts;
4 Transporte • Confiabilidade no transporte dos dados;
• Estabelecer, manter e terminar circuitos virtuais;
• Controle de fluxo de detecção de falhas e de recuperações de informações.
Endereço de Rede e determinação do melhor caminho
• Provê transferência de dados confiável através do meio;
3 Rede
• Conectividade e seleção de caminho entre sistemas;
• Endereçamento lógico e entrega por melhor esforço.
Controle de Enlace Direto, acesso ao meio
Enlace de
2 • Provê transferência de dados confiável através do meio;
Dados
• Conectividade e seleção de caminho entre sistemas hosts.
Transferência binária
1 Física
• Fios, conectores, voltagens e taxa de dados.

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2.4.5 Comunicação ponto-a-ponto

Para que os pacotes de dados trafeguem da origem para o destino, cada camada do modelo
OSI na origem deve se comunicar com sua camada par no destino. Essa forma de comunicação é
chamada ponto-a-ponto. Durante este processo, os protocolos de cada camada trocam informações,
denominadas unidades de dados de protocolo (PDUs). Cada camada de comunicação no computador
de origem se comunica com uma PDU específica da camada, e com a sua camada correspondente no
computador de destino, como ilustrado na Figura abaixo.

Figura 53 - Comunicação ponto-a-ponto

Pacotes de dados em uma rede são originados em uma origem e depois trafegam até um
destino. Cada camada depende da função de serviço da camada OSI abaixo dela. Para fornecer esse
serviço, a camada inferior usa o encapsulamento para colocar a PDU da camada superior no seu
campo de dados; depois, adiciona os cabeçalhos e trailers que a camada precisa para executar sua
função. A seguir, enquanto os dados descem pelas camadas do modelo OSI, novos cabeçalhos e
trailers são adicionados. Depois que as Camadas 7, 6 e 5 tiverem adicionado suas informações, a
Camada 4 adiciona mais informações. Esse agrupamento de dados, a PDU da Camada 4, é chamado
segmento.

Figura 54 - Comunicação ponto-a-ponto


A camada de rede fornece um serviço à camada de transporte, e a camada de transporte
apresenta os dados ao subsistema da Inter-Network. A camada de rede tem a tarefa de mover os
dados através da Inter-Network. Ela efetua essa tarefa encapsulando os dados e anexando um
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Módulo II – Conceito Básico das Redes

cabeçalho, criando um pacote (a PDU da Camada 3). O cabeçalho tem as informações necessárias
para completar a transferência, como os endereços lógicos da origem e do destino.
A camada de enlace de dados fornece um serviço à camada de rede. Ela faz o
encapsulamento das informações da camada de rede em um diagrama (a PDU da Camada 2). O
cabeçalho do quadro contém informações (por exemplo, endereços físicos) necessárias para
completar as funções de enlace de dados. A camada de enlace fornece um serviço à camada de rede
encapsulando as informações da camada de rede em um quadro.
A camada física também fornece um serviço à camada de enlace. A camada física codifica o
quadro de enlace de dados em um padrão de 1s e 0s (bits) para a transmissão no meio (geralmente
um cabo) na Camada 1.

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Módulo II – Conceito Básico das Redes

2.4.6 Modelo TCP/IP

O padrão histórico e técnico da Internet é o modelo TCP/IP. O Departamento de Defesa dos


Estados Unidos (DoD) desenvolveu o modelo de referência TCP/IP porque queria uma rede que
pudesse sobreviver a qualquer condição, mesmo a uma guerra nuclear. Em um mundo conectado por
diferentes tipos de meios de comunicação como fios de cobre, microondas, fibras ópticas e links de
satélite, o DoD queria a transmissão de pacotes a qualquer hora e em qualquer condição. Este
problema de projeto extremamente difícil originou a criação do modelo TCP/IP.
Ao contrário das tecnologias de rede proprietárias mencionadas anteriormente, o TCP/IP foi
projetado como um padrão aberto. Isto queria dizer que qualquer pessoa tinha a liberdade de usar o
TCP/IP. Isto ajudou muito no rápido desenvolvimento do TCP/IP como padrão.
O modelo TCP/IP tem as seguintes quatro camadas:
• A camada de Aplicação;
• A camada de Transporte;
• A camada de Internet;
• A camada de acesso à rede.

Figura 55 - Modelo TCP/IP

Embora algumas das camadas no modelo TCP/IP tenham os mesmos nomes das camadas
no modelo OSI, as camadas dos dois modelos não correspondem exatamente. Mais notadamente, a
camada de aplicação tem diferentes funções em cada modelo.
Os projetistas do TCP/IP decidiram que os protocolos de mais alto nível deviam incluir os
detalhes da camada de sessão e de apresentação do OSI. Eles simplesmente criaram uma camada de
aplicação que trata de questões de representação, codificação e controle de diálogo.
A camada de transporte lida com questões de qualidade de serviços, de confiabilidade,
controle de fluxo e correção de erros. Um de seus protocolos, o Transmission Control Protocol (TCP),
fornece formas excelentes e flexíveis de se desenvolver comunicações de rede confiáveis com baixa
taxa de erros e bom fluxo.
O TCP é um protocolo orientado a conexões. Ele mantém um diálogo entre a origem e o
destino enquanto empacota informações da camada de aplicação em unidades chamadas segmentos.
O termo orientado a conexões não quer dizer que existe um circuito entre os computadores que se

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Módulo II – Conceito Básico das Redes

comunicam. Significa que segmentos da Camada 4 trafegam entre dois hosts para confirmar que a
conexão existe logicamente durante certo período.
O propósito da camada de Internet é dividir os segmentos TCP em pacotes e enviá-los a
partir de qualquer rede. Os pacotes chegam à rede de destino independente do caminho levado para
chegar até lá. O protocolo específico que governa essa camada é chamado Internet Protocol (IP). A
determinação do melhor caminho e a comutação de pacotes ocorrem nesta camada.
É muito importante a relação entre IP e TCP. Pode-se imaginar que o IP aponta o caminho
para os pacotes, enquanto que o TCP proporciona um transporte confiável.
O significado do nome da camada de acesso à rede é muito amplo e um pouco confuso. É
também conhecida como a camada host-para-rede. Esta camada lida com todos os componentes,
tanto físico como lógico, que são necessários para fazer um link físico. Isso inclui os detalhes da
tecnologia de redes, inclusive todos os detalhes nas camadas física e de enlace do OSI.
A Figura 56 ilustra alguns dos protocolos comuns especificados pelo modelo de referência
TCP/IP. Alguns dos protocolos da camada de aplicação incluem os seguintes:

Figura 56 - Protocolos TCP/IP mais comuns

• File Transfer Protocol (FTP)


• Hypertext Transfer Protocol (HTTP)
• Simple Mail Transfer Protocol (SMTP)
• Sistema de Nomes de Domínios (DNS)
• Trivial File Transfer Protocol (TFTP)

Os protocolos mais comuns da camada de transporte incluem:

• Transport Control Protocol (TCP)


• User Datagram Protocol (UDP)

O principal protocolo da camada de Internet é:

• Internet Protocol (IP)

A camada de acesso à rede se refere a qualquer tecnologia em particular usada em uma


rede específica.

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Módulo II – Conceito Básico das Redes

Independentemente dos aplicativos de rede fornecidos e do protocolo de transporte utilizado,


existe apenas um protocolo de Internet que é o IP. Esta é uma decisão intencional de projeto. O IP
serve como um protocolo universal que permite que qualquer computador, em qualquer lugar, se
comunique a qualquer momento.
Uma comparação entre o modelo OSI e o modelo TCP/IP realçará algumas semelhanças e
diferenças.

Figura 57 - Comparação TCP/IP com Modelo OSI

Semelhanças incluem:

• Ambos têm camadas.


• Ambos têm camadas de aplicação, embora incluam serviços muito diferentes.
• Ambos têm camadas de transporte e de rede comparáveis.
• Os dois modelos precisam ser conhecidos pelos profissionais de rede.
• Ambos supõem que os pacotes sejam comutados. Isto quer dizer que os pacotes individuais
podem seguir caminhos diferentes para chegarem ao mesmo destino. Isto é em contraste com
as redes comutadas por circuitos onde todos os pacotes seguem o mesmo caminho.

As diferenças incluem:

• O TCP/IP combina os aspectos das camadas de apresentação e de sessão dentro da sua


camada de aplicação.
• O TCP/IP combina as camadas física e de enlace do OSI na camada de acesso à rede.
• O TCP/IP parece ser mais simples por ter menos camadas.
• Os protocolos TCP/IP são os padrões em torno dos quais a Internet se desenvolveu, portanto
o modelo TCP/IP ganha credibilidade apenas por causa dos seus protocolos. Ao contrário,
geralmente as redes não são desenvolvidas de acordo com o protocolo OSI, embora o modelo
OSI seja usado somente como um guia.

Embora os protocolos do TCP/IP sejam os padrões com os quais a Internet cresceu, este currículo vai
usar o modelo OSI pelas seguintes razões:

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Módulo II – Conceito Básico das Redes

• É um padrão genérico, independente de protocolos.


• Tem mais detalhes, o que o torna de maior ajuda para o ensino e a aprendizagem.
• Tem mais detalhes, o que pode ser útil na solução de problemas.

Muitos profissionais da rede têm opiniões diversas sobre que modelo usar. Devido à
natureza da indústria, é necessário familiarizar-se com ambos. Ambos os modelos OSI e TCP/IP serão
mencionados por todo o currículo. A ênfase deve ser no seguinte:

• TCP como um protocolo da Camada 4 do OSI


• TCP como um protocolo da Camada 3 do OSI
• Ethernet como uma tecnologia da Camada 2 e da Camada 1

Lembre-se de que existe uma diferença entre um modelo e um protocolo real que é usado em redes. O
modelo OSI será usado para descrever os protocolos TCP/IP.

Figura 58 - Enfoque do Currículo CCNA

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2.4.7 Processo detalhado de encapsulamento

Todas as comunicações numa rede começam em uma origem e são enviadas a um destino.
As informações enviadas através da rede são conhecidas como dados ou pacotes de dados. Se um
computador (host A) desejar enviar dados para outro computador (host B), os dados devem primeiro
ser empacotados através de um processo chamado encapsulamento.
O encapsulamento empacota as informações de protocolo necessárias antes que trafeguem
pela rede. Assim, à medida que o pacote de dados desce pelas camadas do modelo OSI, ele recebe
cabeçalhos, trailers e outras informações.
Para ver como o encapsulamento ocorre, vamos examinar a forma como os dados viajam
pelas camadas, como ilustrado na Figura 59.

Figura 59 - Encapsulamento de Dados

Uma vez que os dados são enviados pela origem, eles viajam através da camada de
aplicação em direção às outras camadas. O empacotamento e o fluxo dos dados que são trocados
passam por alterações à medida que as camadas executam seus serviços para os usuários finais.
Como ilustrado na Figura 60, as redes devem efetuar as cinco etapas de conversão a seguir para
encapsular os dados:

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Módulo II – Conceito Básico das Redes

Figura 60 - Exemplo de encapsulamento de dados

1. Gerar os dados.
Quando um usuário envia uma mensagem de correio eletrônico, os seus caracteres
alfanuméricos são convertidos em dados que podem trafegar na internetwork.

2. Empacotar os dados para transporte fim-a-fim.


Os dados são empacotados para transporte na internetwork. Usando segmentos, a função de
transporte assegura que os hosts da mensagem em ambas as extremidades do sistema de
correio eletrônico possam comunicar-se com confiabilidade.

3. Adicionar o endereço IP da rede ao cabeçalho.


Os dados são colocados em um pacote ou datagrama que contém um cabeçalho de pacote
contendo endereços lógicos de origem e destino. Esses endereços ajudam os dispositivos da
rede a enviar os pacotes através da rede por um caminho escolhido.

4. Adicionar o cabeçalho e o trailer da camada de enlace de dados.


Cada dispositivo da rede deve colocar o pacote dentro de um quadro. O quadro permite a
conexão com o próximo dispositivo da rede diretamente conectado no link. Cada dispositivo no
caminho de rede escolhido requer enquadramento de forma que possa conectar-se com o
próximo dispositivo.

5. Converter em bits para transmissão.


O quadro deve ser convertido em um padrão de 1s e 0s (bits) para transmissão no meio físico.
Uma função de sincronização de clock permite que os dispositivos diferenciem esses bits à
medida que trafegam no meio físico. O meio físico das redes interconectadas pode variar ao
longo do caminho usado. Por exemplo, a mensagem de correio eletrônico pode ser originada
em uma rede local, atravessar um backbone do campus e sair por um link da WAN até
alcançar seu destino em outra rede local remota.

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Módulo II – Conceito Básico das Redes

Resumo do Módulo

Deve ter sido obtido um entendimento dos seguintes conceitos importantes:

• Ao estudar redes é essencial ter um entendimento de largura de banda;


• Largura de banda é finita, custa dinheiro e a demanda aumenta diariamente;
• Usando a analogia como o fluxo de água e o fluxo de tráfego pode ajudar na explicação de
largura de banda;
• A largura de banda é medida em bits por segundo, bps, Kbps, Mbps ou Gbps;
• As limitações da largura de banda incluem o tipo de meio usado, as tecnologias de rede local
de WAN e o equipamento de rede;
• O throughput se refere à medida real da largura de banda, que é afetada por fatores que
incluem o número de usuários na rede, dispositivos de rede, tipos de dados, o computador do
usuário e o servidor;
• A fórmula T = S/BW (tempo de transferência = tamanho do arquivo / largura de banda) pode
ser usada para calcular o tempo que leva para fazer a transferência de dados;
• Comparação entre larguras de banda analógica e digital;
• Uma abordagem de camadas é eficiente ao analisar problemas;
• A comunicação de rede é descrita por modelos de camadas;
• Os modelos OSI e TCP/IP são os dois modelos mais importantes de comunicação de rede;
• O International Organization for Standardization criou o modelo OSI para tratar dos problemas
de incompatibilidade de redes;
• As sete camadas do OSI são: aplicação, apresentação, sessão, transporte, rede, enlace de
dados e física;
• As quatro camadas do TCP/IP são: aplicação, transporte, internet e acesso à rede;
• Os dispositivos fundamentais de rede são: hubs, bridges, switches e roteadores;
• A disposição da topologia física inclui: barramento, anel, estrela, estrela estendida, hierárquica
e malha;
• Uma WAN consiste em duas ou mais redes locais abrangendo uma área geográfica em
comum;
• Uma SAN oferece um melhor desempenho do sistema, é escalonável, e possui incorporada
uma tolerância contra desastres;
• Uma VPN é uma rede particular que é construída dentro de uma infra-estrutura de rede
pública;
• Três tipos principais de VPNs são: Acesso, Intranet e Extranet;
• As Intranets são projetadas para serem disponíveis aos usuários que têm privilégios de acesso
à rede interna de uma organização;
• As Extranets têm a finalidade de proporcionar aplicativos e serviços baseados na Intranet,
usando um acesso seguro para estendê-las para usuários ou empresas externas;

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Módulo II – Conceito Básico das Redes

TESTE

1) Qual é a topologia representada por um hub central ao qual se conectam quatro hubs,
sendo que em cada hub se conectam quatro estações de trabalho?

 Barramento (bus);
 Anel (ring);
 Estrela (star);
 Estrela estendida (extend star);

2) Qual das seguintes alternativas é usada para descrever a capacidade de transmissão de um


determinado meio físico de rede?

 Largura de banda;
 Banda base;
 Atraso;
 Latência;

3) Qual das seguintes alternativas descreve uma rede local?

 Uma rede que cobre uma área maior do que uma WAN;
 Uma rede que conecta estações de trabalho, terminais e outros dispositivos em uma grande
área metropolitana;
 Uma rede que conecta estações de trabalho, switches e outros dispositivos em uma área
geograficamente limitada;
 Uma rede que serve a usuários em uma área geograficamente ampla e frequentemente usa
dispositivos de transmissão fornecidos por uma empresa de telefonia comum;

4) João trabalha no escritório em Tuntum e precisa fazer a conexão à rede corporativa em


Lago do Junco. As informações que Joan precisa acessar são confidenciais e a segurança é
um fator importante. Que tipo de rede João deve usar?

 WAN;
 LAN;
 SAN;
 VPN;

5) Qual é a finalidade de uma VPN?(Escolha duas).

 Conectividade segura;
 Acesso público mais rápido;
 Conexão a uma rede privada através da internet;
 Conectividade insegura;
 Conexão à internet através de uma rede privada;

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Módulo II – Conceito Básico das Redes

6) Por que foi criado o Modelo OSI?

 Para garantir o sigilo de tecnologias de redes proprietárias;


 Para garantir que as redes sejam compatíveis umas com as outras;
 Para retardar a expansão de novas tecnologias;
 Para garantir que administradores de redes recebam um salário alto para decifrar as redes;

7) Corresponda as camadas do modelo OSI à descrição ou função apropriada?

7 Aplicação Conectividade e seleção do caminho


6 Apresentação Formato dos dados
5 Sessão Estabelece sessões entre as aplicações
4 Transporte Transmissão binária - fios e condutores
3 Rede Endereçamento físico
2 Enlace de Dados E-mail e transferência de dados
1 Física Conexão de confiança e correção dos dados

8) Faça a correspondência da unidade de dados do protocolo com a camada correspondente.


(Nem todas as opções são usadas ).

1 Camada 1 Byte
2 Camada 2 Bit
3 Camada 3 Quadro
4 Camada 4 Embalagem
5 Camada 5 Pacote
Seção
Segmento
Dados

9) Faça a correspondência das seguintes descrições às topologias físicas apropriadas.

Conectam um host ao outro e o último ao


1 Estrela (star)
primeiro
2 Barramento (bus) Todos os cabos se conectam a um só ponto
3 Anel (ring) Faz a ligação de estrelas individuais
Estrela Estendida
4 Usa um só cabo backbone
(extend star)
Cada host possui sua própria conexão aos
5 Malha (mesh)
demais hosts.

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Módulo III – Meios Físicos para Redes
3 MEIOS FÍSICOS PARA REDES

3.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO

Cabos de cobre são usados em quase todas as redes locais. Estão disponíveis vários
diferentes tipos de cabos de cobre, cada tipo tem suas vantagens e desvantagens. Uma seleção
cuidadosa de cabeamento é a chave para uma operação eficiente de redes. Já que o cobre transporta
informações usando corrente elétrica, é importante entender alguns conceitos básicos de eletricidade
quando se planeja a instalação de uma rede.
A fibra óptica é o meio mais freqüentemente usado para as transmissões ponto-a-ponto a
grandes distâncias e com alta largura de banda necessárias para backbones das redes locais e em
WANs. Usando um meio óptico, usa-se luz para transmitirem dados através de uma fibra fina de vidro
ou plástico. Os sinais elétricos fazem com que o transmissor de fibra óptica gere os sinais de luz que
são enviados através da fibra. O host receptor recebe os sinais de luz e os converte em sinais elétricos
na extremidade mais distante da fibra. No entanto, não existe eletricidade no próprio cabo de fibra
óptica. Aliás, o vidro usado no cabo de fibra óptica é um isolante muito bom.
A conectividade física permitiu um aumento na produtividade tornando possível o
compartilhamento de impressoras, servidores e software. Os sistemas de redes tradicionais exigem
que as estações de trabalho permaneçam estacionárias permitindo movimentação apenas dentro dos
limites dos meios e da área de escritórios.
A apresentação de tecnologia sem fio elimina essas restrições e oferece uma portabilidade
verdadeira ao mundo da computação. Atualmente, a tecnologia sem fio não fornece transferências em
altas velocidades, segurança ou confiabilidade no tempo de atividade nas redes cabeadas. Portanto, a
flexibilidade da tecnologia sem fio justifica o sacrifício.
Os administradores freqüentemente consideram a tecnologia sem fio ao instalarem uma
nova rede ou quando atualizam uma rede existente. Uma simples rede sem fio poderia funcionar
dentro de apenas alguns minutos após as estações de trabalho ser ligadas. A conectividade à Internet
é possível através de uma conexão com fios, roteador, cabo ou modem DSL e um ponto de acesso
sem fio que age como um hub para os nós sem fio. Em um ambiente residencial ou pequeno escritório,
estes dispositivos podem ser combinados em uma única unidade.
Os alunos, ao concluírem esta lição, deverão poder:
• Examinar as propriedades elétricas de matéria.
• Definir voltagem, resistência, impedância, corrente e circuitos.
• Descrever as especificações e desempenho dos diferentes tipos de cabos.
• Descrever o cabo coaxial e suas vantagens e desvantagens sobre outros tipos de cabos.
• Descrever cabos de par trançado blindado (STP) e suas utilizações.
• Descrever cabos de par trançado não blindado (UTP) e suas utilizações.
• Examinar as características dos cabos direto, cruzado e rollover e onde cada um é usado.
• Explicar os conceitos básicos do cabo de fibra óptica.
• Descrever como as fibras podem guiar a luz para longas distâncias.
• Descrever fibra multimodo e monomodo.
• Descrever como as fibras são instaladas.

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Módulo III – Meios Físicos para Redes
• Descrever o tipo de conectores e equipamento usado com cabos de fibra óptica.
• Explicar como são testadas as fibras para garantir que funcionarão corretamente.
• Examine as questões de segurança que tratam de fibras ópticas.

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Módulo III – Meios Físicos para Redes
3.2 MEIOS EM COBRE

3.2.1 Átomos e Elétrons

Toda matéria é composta de átomos. A Tabela Periódica dos Elementos lista todos os tipos
conhecidos de átomos e suas propriedades. O átomo é constituído de:
• Elétrons – Partículas que têm uma carga negativa e ficam em órbita em torno do núcleo;
• Prótons – Partículas com uma carga positiva;
• Nêutrons – Partículas sem carga (neutro);

Os prótons e nêutrons são combinados em um pequeno grupo chamado núcleo. Para ajudá-
lo a entender as propriedades elétricas dos elementos/materiais, localize o hélio (He) na tabela
periódica. Hélio tem um número atômico de 2, o que significa que tem 2 prótons e 2 elétrons. Tem um
peso atômico de 4. Subtraindo-se o número atômico (2) do peso atômico (4), você vai saber que o
hélio também tem 2 nêutrons.

Figura 61 - Tabela Periódica dos Elementos

O físico dinamarquês Niels Bohr desenvolveu um modelo simplificado para ilustrar os átomos.

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Módulo III – Meios Físicos para Redes

Figura 62 - Átomos de Hélio

Esta Figura mostra o modelo para o átomo de hélio. Se os prótons e nêutrons deste átomo
tivessem o tamanho adulto de uma bola de futebol (#5), no meio de um campo de futebol, a única
coisa menor que a bola seria os elétrons. Os elétrons seriam do tamanho de cerejas e ficariam em
órbita próximos aos assentos periféricos do estádio. Em outras palavras, o volume total deste átomo,
inclusive o caminho do elétron, seria mais ou menos do tamanho do estádio. O núcleo do átomo onde
existem os prótons e nêutrons seria do tamanho da bola de futebol.

Figura 63 - Forças Interior do Átomo

Uma das leis da natureza, chamada Lei da Força Elétrica de Coulomb, estabelece que
cargas opostas reajam entre si com uma força que as leva a se atraírem. Cargas semelhantes reagem
entre si com uma força que as leva a se repelirem. No caso de cargas opostas ou idênticas, a força
aumenta na medida em que as cargas se aproximam. A força é inversamente proporcional ao
quadrado da distância de separação. Quando as partículas se aproximam muito, a energia nuclear
sobrepuja a força elétrica de repulsão e mantém a coesão do núcleo. Isto explica porque o núcleo não
se desintegra.

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80
Módulo III – Meios Físicos para Redes
Examine o modelo de Bohr do átomo de hélio. Se a lei de Coulomb é verdadeira, e se o
modelo de Bohr descreve os átomos de hélio como estáveis então deve haver outras leis da natureza
em ação. Como ambos podem estar certos?

• Lei de Coulomb – Cargas opostas se atraem e cargas iguais se repelem.


• Modelo de Bohr – Prótons são cargas positivas e elétrons são cargas negativas. Há mais de 1
próton no núcleo.

Os elétrons permanecem em órbita, mesmo que os prótons atraem os elétrons. Os elétrons


têm velocidade o suficiente para orbitarem e não serem atraídos para o núcleo, da mesma forma que a
lua gira ao redor da Terra.
Os prótons não se afastam um do outro por causa de uma energia nuclear associada aos
nêutrons. A energia nuclear é uma força incrivelmente potente que age como um tipo de cola para
manter os prótons juntos.
Os prótons e nêutrons são ligados por uma força muito potente. No entanto, os
elétrons são ligados à sua órbita ao redor do núcleo por uma força mais fraca. Os elétrons em
certos átomos, tais como de metais, podem ser liberados do átomo e postos a fluir. Este mar de
elétrons, levemente ligados aos átomos, é o que torna possível a eletricidade. A eletricidade é um fluxo
livre de elétrons.
Os elétrons desprendidos que permanecem em um lugar, sem movimento e com carga
negativa, é chamada eletricidade estática. Se esses elétrons estáticos tiverem a oportunidade de
passar para um condutor, isso pode gerar uma descarga eletrostática (ESD). O estudo de condutores
virá mais adiante neste capítulo.

Figura 64 – Eletricidade Estática: Elétrons “Livres” em Repouso


Apesar de que o ESD é geralmente inofensivo às pessoas, ele pode criar problemas sérios
aos equipamentos eletrônicos sensíveis. A descarga estática pode danificar aleatoriamente chips,
dados ou ambos. O circuito lógico dos chips do computador é extremamente sensível à descarga
eletrostática. Use cuidado ao trabalhar dentro de um computador, roteador, etc.

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81
Módulo III – Meios Físicos para Redes
Átomos, ou grupos de átomos chamados moléculas, podem ser considerados materiais. Os
materiais são classificados como pertencentes a um de três grupos, dependendo de quão facilmente a
eletricidade, ou elétrons livres, fluem através deles.
A base para todos os dispositivos eletrônicos é o conhecimento sobre como os isolantes,
condutores e semicondutores controlam o fluxo de elétrons e como trabalham conjuntamente em
várias combinações.

3.2.2 Voltagem

Às vezes a voltagem é conhecida como força eletromotiva (EMF). A EMF é relacionada a


uma energia elétrica, ou pressão que ocorre quando os elétrons ou prótons são separados. A força
criada empurra em direção à carga oposta e afasta em direção contrária da carga semelhante. Isso é o
que acontece em uma bateria, onde ações químicas fazem com que os elétrons se soltem do terminal
negativo da bateria. Os elétrons então passam para o terminal oposto ou positivo através de um
circuito EXTERNO. Os elétrons não passam através da própria bateria. Lembre-se de que o fluxo de
eletricidade é realmente o fluxo de elétrons. A voltagem também pode ser criada de três maneiras. A
primeira é por fricção, ou eletricidade estática. A segunda é por magnetismo, ou gerador elétrico. E por
último, a voltagem pode ser criada por luz, ou célula solar.
A voltagem é representada pela letra V, e às vezes pela letra E, para energia eletromotiva. A
unidade de medida para voltagem é volt (V). Volt é definido como a quantidade de trabalho, por
unidade de carga, necessária para separar as cargas.

Figura 65 - Voltagem

3.2.3 Resistência e Impedância

Os materiais através dos quais flui a corrente oferecem graus variáveis de oposição, ou
resistência, ao movimento dos elétrons. Os materiais que oferecem pouca ou nenhuma resistência são
chamados condutores. Aqueles que não permitem o fluxo da corrente, ou o restringem muito, são
chamados isolantes. A quantidade de resistência depende da composição química dos materiais.
Todos os materiais que conduzem eletricidade têm certa medida de resistência ao fluxo de
elétrons através deles. Esses materiais têm também outros efeitos conhecidos como capacitância e
indutância associados ao fluxo de elétrons. Estas três características constituem a impedância, que
inclui a resistência.
O termo atenuação é importante quando se estuda sobre redes. A atenuação se refere à
resistência ao fluxo de elétrons e porque um sinal se torna degradado ao mover-se através do
conduíte.
A letra R representa resistência. A unidade de medida para resistência é o ohm (Ω). O
símbolo vem da letra grega ômega.

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Módulo III – Meios Físicos para Redes
Os isolantes elétricos, ou isolantes, são materiais que permitem o fluxo de elétrons com
grande dificuldade ou não permitem tal fluxo de forma alguma. Exemplos de isolantes elétricos incluem
plástico, vidro, ar, madeira seca, papel, borracha e o gás hélio. Esses materiais têm estruturas
químicas muito estáveis, com elétrons em órbita firmemente presos aos átomos.
Condutores elétricos, geralmente conhecidos como apenas condutores, são materiais que
permitem o fluxo de elétrons com grande facilidade. Eles fluem facilmente porque os elétrons nas
órbitas periféricas não estão fortemente ligados ao núcleo e são liberados com facilidade. À
temperatura ambiente, esses materiais têm um grande número de elétrons livres que podem oferecer
condução. A introdução da voltagem faz com que os elétrons livres se desloquem, causando a
passagem da corrente.
A tabela periódica categoriza alguns grupos de átomos, listando-os em colunas. Os átomos
em cada coluna pertencem a famílias químicas determinadas. Embora possam ter números diferentes
de prótons, nêutrons e elétrons, seus elétrons da camada externa têm órbitas similares e comportam-
se de maneira semelhante ao interagirem com outros átomos e moléculas. Os melhores condutores
são os metais, como o cobre (Cu), a prata (Ag) e o ouro (Au), porque possuem elétrons que são
liberados facilmente. Outros condutores incluem a solda, uma mistura de chumbo (Pb) e estanho (Sn)
e a água com íons. Um íon é um átomo que tem mais elétrons, ou menos elétrons, que o número de
prótons no núcleo do átomo. O corpo humano é composto de aproximadamente 70% de água com
íons, o que significa que ele, também, é um condutor.
Semicondutores são materiais onde a quantidade de eletricidade conduzida pode ser
controlada precisamente. Esses materiais estão listados juntos em uma coluna da tabela periódica. Os
exemplos incluem o carbono (C), germânio (Ge) e a liga arsenieto de gálio (GaAs). O mais importante
semicondutor, que faz os melhores circuitos eletrônicos microscópicos, é o silício (Si).
O silício é muito comum e pode ser encontrado na areia, no vidro e em muitos tipos de
rochas. A região de San Jose, na Califórnia, é conhecida como Vale do Silício porque a indústria de
computação, que depende de microchips de silício, começou nessa área.

Figura 66 - Isolantes, Condutores e Semicondutores

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Módulo III – Meios Físicos para Redes
3.2.4 Corrente

A corrente elétrica é o fluxo de cargas criado quando os elétrons se deslocam. Em circuitos


elétricos, a corrente é criada pelo fluxo de elétrons livres. Quando a voltagem, ou pressão elétrica, é
aplicada e há uma passagem para a corrente, os elétrons deslocam-se do terminal negativo através da
passagem até o terminal positivo.

Figura 67 – Corrente

O terminal negativo repele os elétrons e o positivo os atraem. A letra "I" representa corrente.
A unidade de medida para corrente é Ampére (A). Um ampére é definido como o número de cargas por
segundo que passa por um ponto ao longo de um caminho.
Se a amperagem ou corrente pode ser imaginada como sendo o número ou volume do
tráfego de elétrons que está fluindo, então a voltagem pode ser considerada como a velocidade do
tráfego de elétrons. A combinação de amperagem e voltagem equivale à wattagem. Os dispositivos
elétricos como lâmpadas, motores e fontes de alimentação para computadores são classificados em
termos de watts. Um watt é definido como a quantidade de energia consumida ou produzida por um
dispositivo.
É a corrente ou amperagem em um circuito elétrico que realmente faz o trabalho. Como um
exemplo, a eletricidade estática possui uma voltagem muito alta, tanto que pode pular um espaço de
2,5 cm ou mais. No entanto, possui uma amperagem muito baixa e como resultado pode criar um
choque mas não lesões permanentes. O motor de partida em um automóvel opera a uma voltagem
relativamente baixa de 12 volts, mas exige uma amperagem muito alta para gerar energia suficiente
para dar partida no motor. Raios possuem voltagem e amperagem muito altas e podem causar danos e
ferimentos gravíssimos.

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3.2.5 Circuitos

As correntes fluem em loops fechados chamados circuitos. Esses circuitos devem ser
compostos por materiais condutores e ter fontes de voltagem. A voltagem faz com que a corrente flua,
enquanto a resistência e a impedância se opõem a isso. A corrente consiste em elétrons que se
deslocam para longe dos terminais negativos e em direção aos terminais positivos. Conhecer esses
fatos permite que as pessoas controlem um fluxo de corrente.
Se houver um caminho, a eletricidade fluirá naturalmente para a terra. A corrente flui através
de caminhos que oferecem menor resistência. Se o corpo humano fornecer um caminho de menor
resistência, a corrente fluirá através dele. Quando um aparelho elétrico tem um plugue com três pinos,
um deles serve como terra, ou zero volts. O pino terra fornece um caminho de condução para os
elétrons fluírem para a terra, pois a resistência ao atravessar o corpo seria maior que a resistência ao
fluir diretamente à terra.
Terra geralmente significa nível de zero volts, quando se faz a medição elétrica. A voltagem
é criada pela separação de cargas, o que significa que as medições de voltagem devem ser realizadas
entre dois pontos.
A analogia com a água ajuda a explicar os conceitos da eletricidade. Quanto maior o nível de
água e maior a pressão mais a água fluirá. A corrente da água também depende do tamanho do
espaço por onde deve fluir. Da mesma forma, quanto maior a voltagem e maior a pressão elétrica,
mais corrente será produzida. A corrente elétrica, então, encontra resistência que, como a válvula de
água, reduz o fluxo. Se ela estiver em um circuito CA, a quantidade de corrente vai depender de
quanta impedância existe. Se ela estiver em um circuito CC, a quantidade de corrente vai depender de
quanta resistência existe. A bomba é como uma bateria. Ela fornece pressão para manter o fluxo em
movimento.

Figura 68 - Analogia da Água para a Eletricidade

A relação entre voltagem, resistência e corrente é voltagem (V) = corrente (I) multiplicada
pela resistência (R). Em outras palavras, V = I*R. Esta é a lei de Ohm, designada pelo nome de um
cientista que estudava estas questões.

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Os dois meios pelos quais a corrente flui são Corrente Alternada (CA) e Corrente Contínua
(CC). A corrente alternada (AC) e as voltagens variam com o tempo, mudando sua polaridade ou
direção. A CA flui em uma direção, depois inverte e flui na outra direção, e depois repete este
processo. A voltagem CA é positiva em um terminal, e negativa no outro. E depois a voltagem CA
inverte sua polaridade, para que o terminal positivo se torne negativo, e o negativo se torne positivo.
Esse processo se repete continuamente.
A corrente contínua (CC) flui sempre na mesma direção e as voltagens da CC têm sempre a
mesma polaridade. Um terminal é sempre positivo e o outro sempre negativo. Eles não se modificam
nem invertem.
Um osciloscópio é um dispositivo eletrônico usado para medir sinais elétricos relativos ao
tempo. Um osciloscópio representa em gráfico as ondas, os pulsos e os padrões elétricos. Ele tem um
eixo x que representa o tempo e um eixo y que representa a voltagem.
Geralmente, há duas entradas de voltagem no eixo y para que duas ondas possam ser observadas e
medidas ao mesmo tempo.

Figura 69 – Osciloscópio

Os fios elétricos levam eletricidade na forma de CA pois pode ser entregue eficientemente a
longas distâncias. A CC pode ser encontrada em pilhas de lanternas, baterias de carro e como fonte de
alimentação para microchips na placa-mãe de um computador, onde só precisa ir a uma curta
distância.
Os elétrons fluem em circuitos fechados, ou loops completos. A Figura 70
mostra um circuito simples. O processo químico na bateria provoca o acúmulo de carga.

Figura 70 - Circuito em Série: Lanterna

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Isto proporciona uma voltagem, uma pressão elétrica que facilitam o fluxo dos elétrons
através de vários dispositivos. As linhas representam um condutor, geralmente um fio de cobre.
Imagine um interruptor como sendo duas extremidades de um único fio que pode ser aberto ou
interrompido para impedir o fluxo de elétrons. Quando as duas extremidades estão fechadas, fixas ou
em curto, os elétrons são permitidos a se deslocarem. Finalmente, a lâmpada oferece resistência ao
fluxo de elétrons, fazendo com que liberem energia na forma de luz. Os circuitos envolvidos em redes
usam uma versão muito mais complexa deste circuito simplíssimo.
Nos sistemas elétricos CC e CA, o fluxo de elétrons é sempre da carga negativa para a
carga positiva. No entanto, para que haja o controle do fluxo de elétrons, é necessário um circuito
completo. A Figura 71 mostra parte do circuito elétrico que fornece energia a uma residência ou
escritório.

Figura 71 - Aterramento dos Equipamentos de Rede

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3.2.6 Especificações de Cabos

Os cabos possuem diferentes especificações e expectativas com relação ao seu


desempenho:
• Quais são as velocidades para transmissão de dados que podem ser alcançadas quando
se usa um determinado tipo de cabo? A velocidade da transmissão de bits através do cabo
é extremamente importante. A velocidade da transmissão depende do tipo de conduíte
usado.
• Qual é o tipo de transmissão sendo considerada? As transmissões serão digitais ou
baseadas em tecnologia analógica? A transmissão digital ou de banda base, e a
transmissão baseada na tecnologia analógica ou de banda base, são as duas escolhas.
• Qual é a distância que um sinal pode percorrer através de certo tipo de cabo antes que a
atenuação desse sinal se torne um problema? Em outras palavras, o sinal se tornará tão
degradado que o dispositivo receptor talvez não possa receber e interpretar corretamente
o sinal ao chegar àquele dispositivo? A distância que o sinal transita no cabo afeta
diretamente a atenuação do sinal. A degradação do sinal é diretamente relacionado à
distância que o sinal transita e o tipo de cabo usado.

Figura 72 - Especificações de Cabos

Alguns exemplos de especificações Ethernet relacionadas ao tipo de cabo incluem:


• 10BASE-T
• 10BASE5
• 10BASE2
A 10BASE-T se refere à velocidade de transmissão a 10 Mbps. O tipo de transmissão é
banda de base, ou interpretada digitalmente. O T significa par trançado.
A 10BASE5-T se refere à velocidade de transmissão a 10 Mbps. O tipo de transmissão é
banda de base, ou interpretada digitalmente. O 5 representa a capacidade do cabo de permitir que o
sinal transite aproximadamente 500 metros antes que a atenuação venha a interromper a capacidade
do receptor de interpretar corretamente o sinal sendo recebido. A 10BASE5 é geralmente conhecida
como Thicknet. Thicknet é um tipo de rede e 10BASE5 é a especificação Ethernet utilizada nesta rede.

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A 10BASE2 se refere à velocidade de transmissão a 10 Mbps. O tipo de transmissão é
banda de base, ou interpretada digitalmente. O 2 em 10BASE2 refere-se ao máximo comprimento
aproximado de um segmento ser 200 metros, antes que a atenuação venha a interromper a
capacidade do receptor de interpretar corretamente o sinal sendo recebido. O comprimento máximo do
segmento é de fato 185 metros. A 10BASE2 é geralmente conhecida como Thicknet. Thinnet é um tipo
de rede e 10BASE2 é a especificação Ethernet utilizada nesta rede.

3.2.7 Cabo Coaxial

O cabo coaxial consiste em um condutor de cobre envolto por uma camada isolante flexível. O
condutor central também pode ser feito de um fino cabo de alumínio laminado, permitindo que o cabo
seja industrializado a baixo custo. Sobre o material isolante, há uma trança de lã de cobre ou uma folha
metálica, que age como um segundo fio no circuito e como blindagem para o fio interior. Esta segunda
camada, ou blindagem, também reduz a quantidade de interferência eletromagnética externa. A capa
do cabo cobre esta blindagem.

Figura 73 - Cabo Coaxial

O cabo coaxial oferece muitas vantagens às redes locais. Pode cobrir maiores distâncias que o
cabo de par trançado blindado (STP), cabo de par trançado não blindado (UTP), e cabo de par
trançado "screened" (ScTP) sem a necessidade de repetidores. Os repetidores regeneram os sinais
em uma rede para que eles possam cobrir distâncias maiores. O cabo coaxial é mais barato do que o
cabo de fibra óptica e a tecnologia é bem conhecida. Ele tem sido usado por muitos anos em vários
tipos de comunicação de dados inclusive televisão a cabo.
Ao trabalhar com o cabo, é importante considerar a sua espessura. À medida que aumenta a
espessura do cabo, aumenta também a dificuldade de se trabalhar com ele. Lembre-se de que o cabo
tem de ser puxado através de conduítes e calhas existentes que têm espessuras limitadas. O cabo
coaxial existe em diversas espessuras. O maior diâmetro foi especificado para uso como cabo de
backbone Ethernet devido a sua maior extensão de transmissão e suas características de rejeição ao
ruído. Esse tipo de cabo coaxial é freqüentemente chamado de thicknet. Como o seu apelido sugere,

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esse tipo de cabo pode ser muito rígido para ser instalado facilmente em algumas situações.
Geralmente, quanto mais difícil for a instalação dos meios de rede, mais cara será a instalação. O cabo
coaxial é mais caro de se instalar do que o cabo de par trançado. O cabo thicknet quase não é mais
usado, exceto para fins de instalações especiais.
No passado, o cabo coaxial ‘thinnet’ com um diâmetro externo de apenas 0,35 cm era usado
em redes Ethernet. Ele era especialmente útil para instalações de cabo que exigiam que o cabo fizesse
muitas curvas e voltas. Já que o thinnet era mais fácil de instalar, a instalação era também mais
econômica. Isso fez com que algumas pessoas o chamassem de cheapernet. A malha externa de
cobre ou metálica no cabo coaxial constitui metade do circuito elétrico e deve-se ter muito cuidado para
garantir uma conexão elétrica sólida em ambas as extremidades, resultando em aterramento
apropriado. Uma conexão de blindagem ruim é uma das maiores fontes de problemas de conexão na
instalação do cabo coaxial. Problemas de conexão resultam em ruído elétrico que interfere na
transmissão de sinais no meio da rede. Por esta razão o thinnet não é mais comumente usado nem
suportado pelos padrões mais modernos (100 Mbps ou maior) para redes Ethernet.

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3.2.8 Cabo STP

O cabo de par trançado blindado (STP) combina as técnicas de blindagem, cancelamento e


trançamento de fios.

Figura 74 - Cabo de Par Trançado Blindado

Cada par de fios é envolvido por uma malha metálica. Os dois pares de fios são totalmente
envolvidos por uma malha ou folha metálica. Geralmente é um cabo de 150 Ohm. Conforme
especificado para utilização nas instalações de rede Token Ring, o STP reduz o ruído elétrico dentro
dos cabos como ligação dos pares e diafonia. O STP reduz também ruídos eletrônicos externos dos
cabos, por exemplo, a interferência eletromagnética (EMI) e interferência da freqüência de rádio (RFI).
O cabo de par trançado blindado compartilha muito das vantagens e desvantagens do cabo de par
trançado não blindado (UTP). O STP oferece maior proteção contra todos os tipos de interferência
externa, mas é mais caro e difícil de instalar do que o UTP.
Um novo híbrido do UTP como o STP tradicional é o Screened UTP (ScTP), também
conhecido como Foil Twisted Pair (FTP).

Figura 75 - ScTP (Par Trançado Isolado)

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O ScTP é basicamente o UTP envolvido em uma blindagem de folha ou malha metálica. ScTP,
como o UTP, também é um cabo de 100 Ohm. Muitos instaladores e fabricantes de cabos podem
utilizar o termo STP para descrever cabeamento ScTP. É importante entender a maioria das
referências feitas a STP hoje na verdade referem-se a cabeamento blindado de quatro pares. É
altamente improvável que o verdadeiro cabo STP seja usado em um trabalho de instalação de cabos.
Os materiais da blindagem metálica no STP e no ScTP precisam estar aterrados nas duas
extremidades. Se o aterramento for feito incorretamente ou se houver qualquer descontinuidade no
comprimento inteiro do material blindado, o STP e o ScTP podem se tornar suscetíveis a grandes
problemas de ruído. Eles são suscetíveis porque permitem que a blindagem funcione como uma
antena captando sinais indesejados. Entretanto, esse efeito atua nas duas direções. A blindagem não
só impede que as ondas eletromagnéticas entrantes causem ruído nos fios de dados, mas também
minimiza a saída das ondas eletromagnéticas irradiadas. Essas ondas poderiam causar ruídos em
outros dispositivos. Os cabos STP e ScTP não podem percorrer distâncias tão longas como outros
meios de rede como cabo coaxial ou fibra óptica, sem que o sinal seja repetido. Mais isolamento e
blindagem se combinam para aumentar consideravelmente o tamanho, peso e custo do cabo. Os
materiais de blindagem tornam as terminações mais difíceis e suscetíveis a más práticas de instalação.
Entretanto, o STP e o ScTP ainda têm seu lugar, especialmente na Europa ou em instalações onde
EMI e RFI são intensos próximo ao cabeamento.

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3.2.9 Cabo UTP

Cabo de par trançado não blindado (UTP) é um meio de fio de quatro pares usado em uma
variedade de redes. Cada um dos 8 fios individuais de cobre no cabo UTP é coberto por material
isolante. Além disso, cada par de fios é trançado em volta de si. Esse tipo de cabo usa apenas o efeito
de cancelamento, produzido pelos pares de fios trançados para limitar a degradação do sinal causada
por EMI e RFI. Para reduzir ainda mais a diafonia entre os pares no cabo UTP, o número de
trançamentos nos pares de fios varia. Como o cabo STP, o cabo UTP deve seguir especificações
precisas no que se refere as quantas torcidas ou trançados são permitidos por metro de cabo.

Figura 76 - Par Trançado Não Blindado

O TIA/EIA-568-B contém especificações que controlam o desempenho do cabo. Ele exige


que se passem dois cabos, um para voz e outro para dados, até cada tomada. Dos dois cabos, o que é
para voz deve ser o UTP com quatro pares. A categoria 5e atualmente é o tipo de cabo
freqüentemente recomendado e implementado em instalações de rede atuais. Contudo, previsões de
analistas e pesquisas independentes indicam que o cabo de categoria 6 vai substituir o cabo de
categoria 5e em instalações de rede. O fato de que os requisitos de enlace e canal em categoria 6 são
compatíveis com a categoria 5e faz com que seja muito fácil para clientes escolherem categoria 6 e
substituir a categoria 5e em suas redes. Aplicações que funcionam em categoria 5e irão funcionar em
categoria 6.

O cabo de par trançado não blindado tem muitas vantagens. Ele é fácil de ser instalado e
mais barato que outros tipos de meios de rede. Aliás, o UTP custa menos por metro do que qualquer
outro tipo de cabeamento de redes locais.

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Entretanto, a real vantagem é
o tamanho. Como tem o diâmetro
externo pequeno, o UTP não enche
os dutos de cabeamento tão
rapidamente quanto outros tipos de
cabo. Esse pode ser um fator muito
importante para se levar em conta,
particularmente quando se instala
uma rede em um prédio antigo. Além
disso, quando o cabo UTP é
instalado usando-se um conector RJ,
fontes potenciais de ruído na rede
são muito reduzidas e uma conexão
Figura 77 - Cabeamento UTP
bem sólida é praticamente garantida.
Há desvantagens no uso de cabeamento de par trançado. O cabo UTP é mais propenso a ruído e a
interferência elétrica do que outros tipos de meios físicos de rede, e a distância entre amplificações dos
sinais é menor no UTP do que nos cabos coaxiais e de fibra óptica.
O cabo de par trançado já foi considerado mais lento na transmissão de dados do que outros
tipos de cabos. Isto não é mais verdade. Na realidade, hoje, o cabo de par trançado é considerado o
meio baseado em cobre mais veloz.
Para que ocorra comunicação, o sinal que é transmitido pela origem precisa ser entendido
pelo destinatário. Isto é verdade sob o ponto de vista tanto física como de software. O sinal transmitido
precisa ser recebido corretamente pela conexão do circuito projetado para receber sinais. O pino
transmissor da fonte precisa estar em última instância, conectado ao pino receptor do destino. Abaixo
seguem os tipos de conexões de cabos entre dispositivos de internetwork.
Na Figura 78, um switch de rede local está conectado ao computador. O cabo que conecta
da porta do switch à porta da placa de rede é denominado um cabo direto.

Figura 78 - Ligando diferentes dispositivos

Na Figura 79, dois switches são conectados juntos. O cabo que conecta de uma porta do
switch a outra porta de switch é denominado um cabo cruzado.

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Figura 79 - Interligando dispositivos semelhantes

Na Figura 80, o cabo que conecta o adaptador RJ-45 na porta COM do computador à porta
do console do roteador ou switch é denominado um cabo rollover.

Figura 80 - Conectando a uma porta de console

Os cabos são definidos pelo tipo de conexões, ou pinagens, desde uma extremidade à outra
do cabo. Consulte as Figuras 81.

Figura 81 - Cabo Cruzado, Direto e Rollover

Um técnico pode comparar as duas extremidades do mesmo cabo ao colocá-los um ao lado


do outro, contanto que o cabo não tenha sido ainda colocado em uma parede. O técnico inspeciona as
cores das duas conexões RJ-45, colocando as duas extremidades com o clipe na mão e a parte

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superior das duas extremidades do cabo apontadas para fora. Um cabo reto deve ter as duas
extremidades com padrões idênticos de cores. Ao comparar as extremidades de um cabo cruzado, a
cor dos pinos #1 e #2 aparecerá na outra extremidade nos pinos #3 e #6, e vice versa. Isto acontece
porque os pinos transmissor e receptor estão em diferentes locais. Em um cabo rollover, a combinação
de cores da esquerda para a direita em uma extremidade deverá ser exatamente o oposto à
combinação de cores na outra extremidade.

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3.3 MEIOS ÓPTICOS

3.3.1 O Espectro Eletromagnético

A luz usada nas redes de fibra óptica é um tipo de energia eletromagnética. Quando uma
carga elétrica se desloca para lá e para cá, ou acelera, é produzido um tipo de energia conhecida
como energia eletromagnética. Esta energia na forma de ondas pode deslocar-se através do vácuo, o
ar, e através de alguns materiais como vidro. Uma propriedade importante de qualquer onda de
energia é o comprimento de onda.

Figura 82 - Comprimento de Onda

O rádio, as microondas, o radar, luzes visíveis, raios-x e raios gama parecem ser coisas
muito diferentes. Entretanto, todos são tipos de energia eletromagnética. Se todos os tipos de ondas
eletromagnéticas forem arranjadas na ordem desde o maior comprimento de ondas até o menor, será
criada uma série contínua, denominada espectro eletromagnético.

Figura 83 - Espectro Eletromagnético

O comprimento da onda de uma onda eletromagnética é determinado pela freqüência com


que a carga elétrica que gera a onda se desloca para lá e para cá. Se a carga se desloca lentamente,
o comprimento da onda que é gerada é um longo comprimento de onda. Imagine o movimento de uma
carga elétrico como sendo um pau em uma piscina. Se o pau é movimentado lentamente de um lado a
outro, serão geradas ondas na água com um comprimento de onda longo entre os picos das ondas. Se

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o pau é movimentado de um lado a outro com maior rapidez, as ondas terão um comprimento de onda
mais curta.

Porque as ondas eletromagnéticas são todas geradas de maneira idêntica, compartilham


muitas das mesmas propriedades. Todas as ondas se deslocam a uma mesma velocidade no vácuo. A
taxa é de aproximadamente 300.000 quilômetros por segundo ou 186.283 milhas por segundo. Esta
também é a velocidade da luz.

Os olhos humanos só podem perceber a energia eletromagnética com comprimento de


ondas entre 700 e 400 nanômetros (nm). Um nanômetro é um bilionésimo de um metro (0,000000001
metro) de comprimento. A energia eletromagnética com comprimento de onda entre 700 e 400 nm é
conhecida como luz visível. Os comprimentos de onda mais longos de luz de mais ou menos 700 nm
são visualizados como cor vermelha. Os comprimentos de onda mais curtos, mais ou menos 400 nm
aparecem como a cor violeta. Esta parte do espectro eletromagnético é visto como as cores de um
arco-íris.

Figura 84 - Espectro Visível

Estes comprimentos de onda que não são visíveis aos olhos humanos são usados para
transmitir dados através de fibra óptica. Esses comprimentos de onda são levemente maiores que a luz
vermelha e são chamadas luz infravermelha. A luz infravermelha é usada em controles remotos de TV.
O comprimento de onda de luz na fibra óptica é 850 nm, 1310 nm ou 1550 nm. Esses comprimentos de
onda foram selecionados, pois se propagam pela fibra óptica melhor que outros comprimentos de
onda.

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3.3.2 A Teoria de Raios de Luz

Quando as ondas eletromagnéticas procedem de uma origem, elas se propagam em linhas


retas. Estas linhas retas que se projetam a partir da fonte são denominadas raios.

Figura 85 - Espectro da Luz

Imagine os raios de luz como sendo feixes de luz estreitos como aqueles produzidos por
lasers. No vácuo de espaço vazio, a luz se propaga continuamente em uma linha reta a 300.000
quilômetros por segundo. Porém, a luz se propaga a diferentes velocidades mais lentas através de
outros materiais como ar, água e vidro. Quando um raio de luz denominado raio incidente, cruza o
limite entre um material e outro, um pouco da energia da luz no raio será refletida de volta. É por isso
que você pode ver-se no vidro da janela. A luz que é refletida de volta é denominada raio refletido.
A energia da luz no raio incidente que não é refletida entrará no vidro. O raio que entra será
desviado a um ângulo a partir de seu caminho original. Este raio é chamado raio refratado. A
quantidade de raio de luz incidente que é desviada depende do ângulo no qual o raio incidente atinge a
superfície do vidro e a diferentes taxas de velocidade com que a luz se propaga através das duas
substâncias.
O desvio dos raios de luz nos limites de duas substâncias é a razão porque os raios de luz são
capazes de propagar-se através de uma fibra óptica mesmo que a fibra se curve em círculo.
A densidade óptica do vidro determina o quanto que os raios de luz se desviam no vidro. A
densidade óptica se refere ao quanto que o raio de luz desacelera ao passar através de uma
substância. Quanto maior a densidade óptica de um material, mais a luz desaceleram da sua
velocidade em um vácuo. O Índice de Refração é definido como a velocidade da luz no vácuo dividida
pela velocidade da luz no meio. Portanto, a medida da densidade óptica de um material é o índice de
refração daquele material. Um material com um grande índice de refração é mais opticamente denso e
desacelera mais luz que um material com menor índice de refração.

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Figura 86 - Índice de Refração

Para uma substância como vidro, o Índice de Refração, ou densidade óptica, pode ser
aumentada ao adicionar-se materiais químicos ao vidro. Purificando bem o vidro pode reduzir o índice
de refração. As próximas lições apresentarão maiores informações sobre reflexão e refração, e sua
relação ao design e função da fibra óptica.

3.3.3 Reflexão

Quando um raio de luz (o raio incidente) atinge a superfície brilhante de um pedaço de vidro
plano, um pouco da energia da luz no raio é refletida.

Figura 87 - Reflexão

O ângulo entre o raio incidente e uma linha perpendicular à superfície do vidro no ponto onde o
raio incidente atinge o vidro é denominado ângulo de incidência. A linha perpendicular é chamada
normal. Não é o raio de luz, mas sim a ferramenta que permite as medições de ângulos. O ângulo
entre o raio refletido e a normal é chamado ângulo de reflexão. A Lei da Reflexão declara que o ângulo
de reflexão de um raio de luz é igual ao ângulo de incidência. Em outras palavras, o ângulo onde o raio
de luz atinge uma superfície refletiva determina o ângulo que o raio se refletirá da superfície.

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Figura 88 – Reflexão

3.3.4 Refração

Quando uma luz atinge a interface entre dois materiais transparentes, a luz divide em duas
partes. Uma parte do raio de luz é refletido de volta na primeira substância, com o ângulo de reflexão
igual ao ângulo de incidência. A energia restante no raio de luz cruza a interface e entra na segunda
substância.
Se o raio incidente atinge a superfície do vidro a um ângulo exato de 90 graus, o raio entra
direto no vidro. O raio não é desviado. No entanto, se o raio incidente não estiver a um ângulo exato de
90 graus com relação à superfície, então o raio transmitido que entra no vidro será desviado. O desvio
do raio entrante é chamado refração. A quantidade do raio que é refratado depende do índice de
refração de dois materiais transparentes. Se o raio de luz se propaga de uma substância cujo índice de
refração é menor, até uma substância onde o índice de refração é maior, o raio refratado é desviado
em direção ao normal. Se o raio de luz se propaga de uma substância cujo índice de refração é maio,
até uma substância onde o índice de refração é menor, o raio refratado é desviado para longe do
normal.

Figura 89 – Refração

Considere um raio de luz se propagando a um ângulo diferente de 90 graus através do limite


entre vidro e um diamante.

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Figura 90 - Refração

O vidro tem um índice de refração de aproximadamente 1,523. O diamante tem um índice de


refração de aproximadamente 2,419. Portanto, o raio que continua para dentro do diamante será
desviado em direção ao normal. Quando aquele raio de luz cruza os limites entre o diamante e o ar a
um ângulo diferente de 90 graus, ele será desviado para longe do normal. A razão para isso é que o ar
tem um índice de refração menor, aproximadamente 1,000 vezes menor que o índice de refração do
diamante.

3.3.5 Reflexão Interna Total

Um raio de luz que é ligado e desligado para enviar dados (1s e 0s) a uma fibra óptica deverá
permanecer dentro da fibra até que chegue à extremidade distante. O raio não deve refratar no
material que envolve a fibra. A refração causaria a perda de parte da energia da luz do raio. Deve ser
realizado um design para a fibra de modo que a superfície externa da fibra aja como espelho para o
raio de luz que se propaga pela fibra. Se qualquer raio de luz que tenta sair pelo lado da fibra for
refletido de volta na fibra a um ângulo que o envia em direção à extremidade distante da fibra, isto
seria um bom "duto" ou "guia de ondas" para as ondas de luz.

Figura 91 - Reflexão Interna Total

As leis da reflexão e da refração ilustram como desenhar uma fibra que guia as ondas de luz
através da fibra com uma perda mínima de energia. As duas condições abaixo precisam ser satisfeitas
para que os raios de luz em uma fibra possam ser refletidos de volta para dentro da fibra sem
nenhuma perda causada pela refração.

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• O núcleo da fibra óptica precisa ter um índice maior de refração (n) que o material que o
envolve. O material que envolve o núcleo da fibra óptica é chamado revestimento
interno.
• O ângulo de incidência do raio de luz é maior que o ângulo crítico para o núcleo e seu
revestimento interno.

Figura 92 - Reflexão Interna Total

Quando estas duas condições são satisfeitas, a inteira luz incidente na fibra será refletida de
volta para dentro da fibra. Isto é conhecido como reflexão interna total, que é a fundação sobre a qual a
fibra óptica é construída. A reflexão interna total faz com que os raios de luz na fibra reflitam no limite
do revestimento interno do núcleo e continue o seu percurso em direção à extremidade distante da
fibra. A luz seguirá um caminho de zig-zag através do núcleo da fibra.

A fibra que satisfaz a primeira condição pode ser facilmente criada. Além disso, o ângulo de
incidência dos raios de luz que entram no núcleo podem ser controlados. A restrição dos seguintes
fatores controlam o ângulo de incidência:

• A abertura numérica da fibra – A abertura numérica de um núcleo é a faixa


de ângulos de incidência de raios que entram na fibra que serão refletidos completamente.
• Modos – Os caminhos que podem ser seguidos pelo raio de luz ao propagar-
se através da fibra.

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Figura 93 - Abertura Numérica

Figura 94 - Ângulo Crítico

Com o controle das duas condições, o lance de fibra óptica possuirá uma reflexão interna total.
Isto proporciona um guia para a onda de luz que poderá ser usada para comunicações de dados.

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3.3.6 Fibra Multimodo

A parte de uma fibra óptica através da qual os raios de luz se propagam é chamada núcleo
da fibra.

Figura 95 - Fibra Ótica

Os raios de luz só podem entrar no núcleo se seus ângulos estiverem dentro da abertura
numérica da fibra. Da mesma maneira, uma vez que os raios tenham entrado no núcleo da fibra, existe
um número limitado de caminhos ópticos que podem ser seguidos pelo raio de luz através da fibra.
Estes caminhos ópticos são chamados modos. Se o diâmetro do núcleo da fibra for suficientemente
grande para que hajam muitos caminhos por onde a luz pode se propagar através da fibra, a fibra é
chamada fibra "multimodo". A fibra monomodo possui um núcleo muito menor que só permite que os
raios de luz se propaguem em um modo dentro da fibra.

Figura 96 - Monomodo versus Multimodo

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Figura 97 - Multimodo e Monomodo

Cada cabo de fibra óptica usado para redes consiste em duas fibras de vidro em
revestimentos separados. Uma fibra transporta dados transmitidos do dispositivo A até o dispositivo B.

Figura 98 - Fibra Duplex

A segunda fibra transporta dados do dispositivo B ao dispositivo A. As fibras são


semelhantes a duas ruas de mão única indo em direções opostas. Isso proporciona um link de
comunicação full-duplex. O par trançado de cobre usa um par de fios para transmitir e um par de fios
para receber. Os circuitos de fibra ótica usam uma única fibra para transmitir e uma para receber.
Tipicamente, estes dois cabos de fibra estarão em um único revestimento externo até que cheguem ao
ponto onde estão ligados os conectores.

Figura 99 - Conectores do cabo de fibra ótica

Até que os conectores sejam ligados, não existe a necessidade de blindagem, pois nenhuma
luz se escapa quando está dentro de uma fibra. Isto quer dizer que não existe questões de diafonia

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quando se trata de fibras. É bem comum ver pares de fibras múltiplas revestidas no mesmo cabo. Isto
permite que um único cabo seja lançado entre closets de dados, andares ou edifícios. Um cabo pode
conter de 2 a 48 ou mais fibras separadas. Com cobre, um cabo UTP teria que ser puxado para cada
circuito. A fibra pode transportar muito mais bits por segundo e transportá-los muito além do que pode
o cobre.
Geralmente cada cabo de fibra óptica é composto de 5 partes. As partes são: o núcleo, o
revestimento interno, um buffer, um material reforçante, e uma capa externa.

Figura 100 - Capa Externa

O núcleo é o elemento de transmissão de luz no centro da fibra óptica. Todos os sinais de


luz se propagam através do núcleo. Tipicamente um núcleo é feito de vidro com uma combinação de
dióxido de silício (sílica) e outros elementos. O multimodo usa um tipo de vidro para seu núcleo,
chamado vidro de índice gradual. Este vidro tem um índice menor de refração em direção à camada
externa do núcleo. Portanto, a área externa do núcleo é opticamente menos densa que o centro, e a
luz podem propagar-se mais rapidamente na parte externa do núcleo.

Figura 101 - Design do Cabo Ótico

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Este desenho é usado porque um raio de luz que segue um modo que vai diretamente ao
centro do núcleo não precisa propagar-se longe como um raio que segue um modo que repercute na
fibra. Todos os raios devem chegar juntos na extremidade da fibra. Depois o receptor na extremidade
da fibra recebe um forte lampejo de luz ao invés de um pulso longo e fraco.
Ao redor do núcleo está o revestimento interno. O revestimento interno é também feito de
sílica, mas com um índice menor de refração que o núcleo. Os raios de luz que se propagam através
do núcleo da fibra refletem na interface entre o núcleo e o revestimento interno ao propagar-se através
da fibra pela reflexão interna total. O cabo de fibra óptica multimodo padrão é o tipo mais comum de
cabo de fibra óptica usado em redes locais. Um cabo de fibra óptica multimodo padrão usa fibra óptica
com um núcleo de 62,5 ou 50 microns e um revestimento interno de 125 microns de diâmetro. Esta é
comumente designada como fibra óptica de 62,5/125 ou 50/125 microns. Um mícron é um milionésimo
de um metro (1µ).
Envolvendo o revestimento interno existe um material de buffer que geralmente é plástico. O
material de buffer ajuda a proteger o núcleo e o revestimento interno contra danos. Existem dois tipos
básicos de desenhos de cabos. Eles são os desenhos de cabos tipo tubo solto e tight-buffered.
A fibra mais usada em redes locais é o cabo multimodo tipo tight-buffered. Os cabos tight-buffered
possuem o material de buffer que envolve o revestimento interno em direto contato com ele. A
diferença prática entre os dois desenhos são as aplicações para as quais são usados. O cabo tubo
solto é usado primariamente para instalações do lado externo dos edifícios, enquanto que o cabo tight
buffered é usado dentro dos edifícios.
O material reforçante envolve o buffer, impedindo que o cabo da fibra seja esticado quando
os instaladores o puxem. O material freqüentemente usado é Kevlar, o mesmo material usado para
produzir coletes a prova de balas.
O elemento final é a capa externa. A capa externa envolve o cabo para proteger a fibra
contra abrasão, solvente e outros contaminantes. A cor da capa externa da fibra multimodo é
geralmente alaranjada, mas de vez em quando é de outra cor.
Os Diodos Emissores de Luz (LEDs) infravermelha ou Laser de Emissão Superficial com
Cavidade Vertical (VCSELs) são dois tipos de fonte de luz geralmente usados com fibra multimodo.
Use um ou outro. Os LEDs são um pouco mais baratos para fabricar e não exigem tanta preocupação
com a segurança quanto os lasers. Porém, os LEDs não podem transmitir a luz através dos cabos a
tanta distância quanto os lasers. A fibra multimodo (62,5/125) pode transportar dados a distâncias de
até 2000 metros (6.560 ft).

3.3.7 Fibra Monomodo

A fibra monomodo consiste nas mesmas partes que o multimodo. A capa externa da fibra
monomodo é geralmente amarela. A maior diferença entre a fibra multimodo e monomodo é que a
monomodo permite que somente um modo de luz se propague através do núcleo menor da fibra
óptica. O núcleo do monomodo é de oito a dez microns em diâmetro. Os núcleos mais comuns são os
de nove microns. Uma marcação 9/125 no revestimento da fibra monomodo indica que a fibra do
núcleo tem um diâmetro de 9 microns e o revestimento interno é de 125 microns em diâmetro.

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Um laser infravermelho é usado como fonte de luz em uma fibra monomodo. O raio de luz
que ele gera entra no núcleo a um ângulo de 90 graus. Como resultado, os pulsos dos raios de luz que
transportam dados em uma fibra monomodo são essencialmente transmitidos em linha reta direto pelo
meio do núcleo. Isto aumenta em muito a velocidade e a distância que os dados podem ser
transmitidos.

Figura 102 - Fibra Monomodo

Devido a este desenho, a fibra monomodo é capaz de taxas mais altas de transmissão de
dados (largura de banda) e maiores distâncias de lances de cabo que a fibra multimodo. A fibra
monomodo pode transportar dados de rede local até 3000 metros. Apesar de esta distância ser
considerada um padrão, novas tecnologias aumentaram esta distância e serão discutidas em um
módulo futuro. A multimodo é capaz de transportar só até 2000 metros. As fibras laser e monomodo
são mais caras que as fibras multimodo e LEDs. Devido a essas características, a fibra monomodo é
freqüentemente usada para conectividade dentro dos edifícios.

A luz laser usada com monomodo possui um maior comprimento de onda que pode ser
vista. O laser é tão forte que pode causar sérios danos aos olhos. Jamais olhe na extremidade
próxima de uma fibra que está ligada a um dispositivo na extremidade distante. Jamais olhe na porta
de transmissão na placa de rede, switch ou roteador. Lembre-se de manter capas protetoras nas
extremidades da fibra e inseridas nas portas da fibra óptica dos switches e roteadores. Tenha muita
cautela.

Figura 103 - Fibra Monomodo e Multimodo

A Figura 103 compara os tamanhos relativos do núcleo e do revestimento interno para os


dois tipos de fibra óptica em diferentes vistas em secção. O núcleo da fibra menor e mais refinado em
uma fibra monomodo é a razão porque a monomodo possui uma largura de banda e um lance de
distância do cabo maior que a fibra multimodo. No entanto, isto significa maiores custos de fabricação.

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3.3.8 Outros componentes ópticos

Muitos dos dados enviados através de rede local são na forma de sinais elétricos. Porém, os
links de fibra óptica usam luz para enviar dados. É necessária alguma coisa para converter a
eletricidade em luz e na outra extremidade da fibra converter a luz de volta em eletricidade. Isto
significa que são necessários um transmissor e um receptor.

Figura 104 - Dispositivos de Transmissão

O transmissor recebe os dados a serem transmitidos a partir de switches e roteadores. Estes


dados são na forma de sinais elétricos. O transmissor converte os sinais eletrônicos em pulsos de luz
equivalentes. Existem dois tipos de fontes de luz usados para codificar e transmitir os dados através de
cabo:

• Um diodo emissor de luz (LED) produzindo luz infravermelha com comprimentos de onda de
850 nm ou 1310 nm. Estes são usados com fibras multimodo nas redes locais. As lentes são
usadas para focalizar a luz infravermelha na extremidade da fibra.
• Light Amplification by Stimulated Emission Radiation (LASER) é uma fonte de luz que produz
um feixe fino de luz infravermelha intensa geralmente com comprimentos de ondas de 1310
nm ou 1550 nm. Os lasers são usados com fibras monomodo para longas distâncias
envolvidas em WANs ou backbones de campus. Deve-se ter muito cuidado para evitar
ferimentos às vistas.

Cada uma dessas fontes de luz podem ser iluminadas e escurecidas muito rapidamente para
enviarem dados (1s e 0s) a um grande número de bits por segundo.
Na outra extremidade da fibra óptica do transmissor está o receptor. O receptor funciona
mais ou menos como uma célula fotoelétrica em uma calculadora que usa energia solar. Quando a luz
atinge o receptor, ele produz eletricidade. A primeira tarefa do receptor é detectar um pulso de luz que
vem da fibra. Depois o receptor converte o pulso de luz de volta ao seu sinal elétrico original que
entrou primeiro no transmissor na extremidade distante da fibra. Agora o sinal está de volta na forma
de alterações de voltagem. O sinal está pronto para ser enviado através do fio de cobre a qualquer
dispositivo eletrônico receptor como um computador, switch ou roteador. Os dispositivos
semicondutores que são geralmente usados como receptores com links de fibra óptica são chamados
diodos p-intrínseco-n (fotodiodos PIN ).

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Os fotodiodos PIN são fabricados para ter sensibilidade a 850, 1310 ou 1550 nm de luz que
são geradas pelo transmissor na extremidade distante da fibra. Quando atingido por um pulso de luz
ao comprimento de onda correto, o fotodiodo PIN produz rapidamente uma corrente elétrica da
voltagem correta para a rede. Ele imediatamente pára de produzir a voltagem assim que a luz atinge o
fotodiodo PIN. Assim é gerada uma alteração de voltagem que representa os dados 1s e 0s no cabo
de cobre.
Os conectores são ligados às extremidades da fibra para que as fibras possam ser
conectadas às portas no transmissor e receptor. O tipo de conector mais comumente usado com a
fibra monomodo é o SC (Conector de Assinante). Na fibra monomodo, o conector ST (Straight Tip) é
usado freqüentemente.

Figura 105 - Conectores de Fibra Ótica

Além de transmissores, receptores, conectores e fibras que são sempre necessárias em uma
rede óptica, repetidores e fibras patch panel são vistas com freqüência.
Os repetidores são amplificadores ópticos que recebem pulsos de luz atenuados que são
propagados a longas distâncias e que os restauram às suas formas, intensidades e temporizações
originais. Os sinais restaurados podem então ser enviados até o receptor na extremidade distante da
fibra.
As fibras patch panels são semelhantes aos patch panels usados com o cabo de cobre.
Esses painéis aumentam a flexibilidade de uma rede óptica ao permitir alterações rápidas na conexão
dos dispositivos como switches ou roteadores com vários lances de fibras disponíveis, ou links de
cabos.

Figura 106 - Patch Panels de Fibra Ótica

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3.3.9 Sinais e Ruídos em Fibras Ópticas

O cabo de fibra óptica não é afetado pela fonte de ruído externo que causa problemas nos
meios de cobre porque a luz externa não pode entrar na fibra exceto na extremidade do transmissor. O
revestimento interno é coberto por um buffer e um revestimento externo, que impedem que a luz entre
ou saia do cabo.
Além disso, a transmissão da luz em uma fibra em um cabo não gera interferência que afeta
a transmissão em qualquer outra fibra. Isto quer dizer que a fibra não tem problema com diafonia o que
ocorre com meios de cobre. Aliás, a qualidade dos links de fibra óptica é tão boa que os padrões
recentes para gigabit e dez gigabit Ethernet especificam a distância de transmissão que ultrapassa o
alcance tradicional de dois quilômetros da Ethernet original. A transmissão de fibra óptica permite que
o protocolo Ethernet possa ser usado nas Redes de Áreas Metropolitanas (MANs) e Redes de Longa
Distância (WANs).
Apesar de que a fibra é a melhor de todos os meios de transmissão no transporte de
grandes quantidades de dados por longas distâncias, a fibra não está isenta de problemas. Quando a
luz se propaga através da fibra, alguma da energia da luz é perdida. Quanto mais longe o sinal de luz
se propaga através da fibra, mais é perdida a intensidade do sinal. Esta atenuação do sinal ocorre
devido a vários fatores relacionados à natureza da fibra propriamente dita. O fator mais importante é a
dispersão. A dispersão da luz na fibra é causada pela falta de uniformidade microscópica (distorções)
na fibra que reflete e dispersa um pouco da energia da luz.
A absorção é outra causa da perda de energia da luz. Quando um raio de luz atinge algum
tipo de impureza química em uma fibra, as impurezas absorvem parte da energia. Esta energia da luz
é convertida em pequenas quantidades de energia térmica. A absorção faz com que o sinal da luz
perca um pouco da sua intensidade.
Outro fator que causa a atenuação do sinal da luz são irregularidades de fabricação ou
aspereza no limite entre o núcleo e o revestimento interno. Certa intensidade do sinal da luz é perdida
devido à reflexão interna total imperfeita naquela área áspera da fibra. Quaisquer imperfeições
microscópicas na espessura ou simetria da fibra diminuirão a reflexão interna total e o revestimento
interno absorverá um pouco da energia da luz.
A dispersão de um lampejo de luz também limita as distâncias de transmissão em uma fibra.
Dispersão é o termo técnico para a dissipação de pulsos de luz ao se propagarem através da fibra.

Figura 107 - Dispersão em Fibra Ótica


A fibra multimodo de índice gradual é desenhada para compensar as diferentes distâncias
que vários modos de luz precisa se propagar no núcleo de diâmetro grande. A fibra monomodo não
tem problemas de caminhos múltiplos que o sinal da luz pode seguir. Entretanto, a dispersão cromática
é uma característica de ambas as fibras multimodo e monomodo. A dispersão é causada quando

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comprimentos de ondas de luz se propagam a velocidades um pouco diferentes de outros
comprimentos de ondas através de vidro. Isto é porque um prisma separa os comprimentos de ondas
da luz. Idealmente, uma fonte de luz LED ou Laser emitiria luz de uma só freqüência. Então a
dispersão cromática não seria um problema.
Infelizmente, os lasers, e especialmente os LEDs geram uma faixa de comprimentos de onda
que faz com que a dispersão cromática limite a distância que pode ser transmitida em uma fibra. Se
um sinal é transmitido para muito longe, o que começou como um pulso brilhante de energia da luz
será espalhado, separado e diminuído ao chegar até o receptor. O receptor não será capaz de
distinguir a diferença entre um e um zero.

3.3.10 Instalação, Cuidados e Testes de Fibras Ópticas.

A maior causa de muita atenuação no cabo de fibra óptica é instalação incorreta. Se a fibra
for esticada ou curvada demais, poderá causar pequenas rachaduras no núcleo o que fará com que os
raios de luz se espalhem. O ato de dobrar a fibra em curva muito fechada poderá alterar a incidência
dos raios de luz atingindo o limite entre o núcleo e o revestimento interno. Então o ângulo de incidência
do raio se tornará menor que o ângulo crítico para a reflexão interna total. Em vez de refletir ao redor
da curva, alguns dos raios de luz serão refratados no revestimento interno e serão perdidos.

Figura 108 - Difusão e Dobra

Para evitar que as curvas da fibra sejam muito fechadas, a fibra geralmente é puxada
através de um tipo de duto instalado chamado interducting. O interducting é muito mais rígido que a
fibra e não pode ser dobrado tanto que a fibra dentro dele tenha uma curva muito fechada. O
interducting protege a fibra, facilita o puxamento da fibra, e garante que o raio de curvatura (limite de
curva) da fibra não seja excedido.
Depois de puxada a fibra, as extremidades da fibra devem ser clivadas (cortadas) e
corretamente polidas para garantir que as extremidades estejam lisas.

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Figura 109 - Acabamento das Faces Terminais da Fibra

Um microscópio ou instrumento de teste com uma lente de aumento incorporada é usado


para examinar a extremidade da fibra e verificar se está corretamente polida e formada. Depois então o
conector é ligado cuidadosamente à extremidade da fibra. Os conectores incorretamente instalados,
incorretamente emendados ou a emenda de dois cabos com diferentes tamanhos de núcleo reduzirá
dramaticamente a luminosidade do sinal da luz.

Figura 110 - Técnicas de Polimento das Faces Terminais da Fibra

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Figura 111 - Emendas

Uma vez instalados os conectores e o cabo de fibra óptica, os conectores e as extremidades


das fibras devem ser mantidas impecavelmente limpas. As extremidades das fibras deverão ser
cobertas com capas protetoras para evitar danos às extremidades da fibra. Quando essas capas são
removidas antes da conexão da fibra a uma porta no switch ou roteador, as extremidades da fibra
deverão ser limpas. Limpe as extremidades da fibra com papel de limpar lentes que não solte fiapo
umedecido com álcool isopropil. As portas da fibra em um switch ou roteador deverão também ser
mantidas cobertas quando não estiverem sendo usadas e devem ser limpas com papel de limpar
lentes e álcool isopropil antes de se fazer a conexão. Extremidades sujas na fibra causarão uma
grande queda na quantidade de luz que chega até o receptor.
A difusão, a absorção, a dispersão, instalações incorretas e extremidades de fibra sujam
diminuem a intensidade do sinal da luz e são conhecidas como ruído da fibra. Antes de usar um cabo
de fibra óptica, ele deve ser testado para garantir que luz suficiente na realidade chega até o receptor
para que possa detectar os zeros e uns no sinal.
Quando se planeja um link de fibra óptica, deve-se calcular o nível de perda de potência do
sinal que pode ser tolerado. Isto é conhecido como budget de perda de link óptico. Imagine um
orçamento financeiro mensal. Depois que todas as despesas foram subtraídas da renda inicial, deve-
se deixar dinheiro suficiente para se sobreviver durante o restante do mês.
O decibel (dB) é a unidade usada para medir o nível de perda de potência. Ele indica qual a
percentagem de potência que sai do transmissor na realidade entra no receptor.
Fazer testes de links de fibras é extremamente importante e deve-se manter um registro dos
resultados de tais testes. São utilizados vários tipos de equipamentos de teste de fibra óptica. Dois dos
instrumentos mais importantes são Medidores de Perda Óptica e Reflectômetros Ópticos no Domínio
do Tempo (OTDRs).

Figura 112 - Medidor de Luz


Estes dois medidores testam o cabo óptico para garantir que os cabos satisfazem os
padrões TIA para fibras. Eles também testam para verificar que a perda de potência não caia abaixo do
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budget de perda de link óptico. Os OTDRs podem oferecer maiores informações detalhadas de
diagnóstico sobre um link de fibra. Quando surgirem problemas de link, eles poderão ser usados para
solucioná-los.

3.4 MEIOS SEM-FIO

3.4.1 Padrões e Organizações de Redes Locais Sem-fio

Um entendimento dos regulamentos e padrões que se aplicam à tecnologia sem-fio garantirá


que as redes implantadas serão interoperáveis e em conformidade com padrões. Da mesma forma que
em redes cabeadas, IEEE é o principal originador dos padrões para redes sem-fio. Os padrões foram
criados dentro do quadro de regulamentações criadas pela Federal Communications Commission
(FCC).
Uma tecnologia chave contida dentro do padrão 802.11 é Direct Sequence Spread Spectrum
(DSSS). O DSSS se aplica aos dispositivos sem-fio operando dentro da faixa de 1 a 2 Mbps. Um
sistema DSSS pode operar a até 11 Mbps, mas não será considerado em cumprimento acima de 2
Mbps. O próximo padrão aprovado foi o 802.11b, que aumentou as capacidades de transmissão para
11 Mbp. Apesar de que as WLANs DSSS eram capazes de interoperar com as WLANs Frequency
Hopping Spread Spectrum (FHSS), surgiram problemas que motivaram modificações no design pelos
fabricantes. Neste caso, a tarefa do IEEE era simplesmente criar um padrão que coincidisse com a
solução do fabricante.
O 802.11b podem também ser chamados Wi-Fi™ ou sem-fio de alta velocidade e se refere
aos sistemas DSSS que operam a 1, 2, 5.5 e 11 Mbps. Todos os sistemas 802.11b são retro-
compatíveis, dado que também suportam 802.11 para as taxas de dados de 1 e 2 Mbps só para DSSS.
Esta retro-compatibilidade é extremamente importante, pois permite a atualização da rede sem-fio sem
precisar repor as placas de rede ou pontos de acesso.
Os dispositivos 802.11b podem alcançar uma alta taxa de throughput de dados ao usar uma
técnica de codificação diferente do 802.11, permitindo que uma maior quantidade de dados seja
transferida durante o mesmo período de tempo. A grande maioria dos dispositivos de 802.11b ainda
não chega ao throughput de 11 Mbps e geralmente funciona na faixa de 2 a 4 Mbps.
O padrão 802.11a cobre os dispositivos WLAN que operam na banda de transmissão 5
GHZ. A utilização da faixa de 5 GHz impede a interoperabilidade dos dispositivos 802.11b, dado que
operam dentro de 2,4 GHZ. O 802.11a é capaz de fornecer throughput de dados de 54 Mbps e com a
tecnologia proprietária conhecida como "velocidade dupla" alcançou 108 Mbps. Nas redes práticas, um
regime mais padrão é de 20 a 26 Mbps.
O padrão 802.11g oferece a mesma largura de banda que a tecnologia 802.11a mas
mantém a compatibilidade com dispositivos 802.11b, usa a tecnologia de modulação Orthogonal
Frequency Division Multiplexing (OFDM) e opera na faixa de freqüência de 2.4 GHZ. A Cisco
desenvolveu um ponto de acesso que permite que os dispositivos 802.11b e 802.11a coexistam na
mesma WLAN. O ponto de acesso fornece serviços de gateway permitindo que esses dispositivos,
normalmente incompatíveis, se comuniquem.

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3.4.2 Topologias e Dispositivos Sem-fio

Uma rede sem-fio pode consistir em um mínimo de dois dispositivos.

Figura 113 - Placa de Rede Interna, PCMCIA e USB externa.

Os nós podem ser simplesmente estações de trabalho desktop ou computadores notebook.


Com a disponibilidade de placas de rede sem-fio, uma rede improvisada poderia ser estabelecida que
competisse com qualquer rede ponto-a-ponto cabeada. Ambos os dispositivos agem como servidores
e clientes neste ambiente. Embora ele proporcione conectividade, a segurança é mínima, como é o
caso também do throughput. Outro problema com este tipo de rede é a compatibilidade. Muitas vezes
as placas de redes de diferentes fabricantes não são compatíveis.

Figura 114 - Ponto de Acesso

Para resolver o problema de compatibilidade, um ponto de acesso (AP) é comumente


instalado para agir como hub central para o modo de infra-estrutura da WLAN. O AP é ligado através
de fios à rede local cabeada para fornecer acesso à Internet e conectividade à rede cabeada. Os APs
são equipados com antenas e fornecem conectividade sem-fio através de uma determinada área
conhecida como célula.

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Dependendo da composição estrutural do local onde é instalado o AP e o tamanho e o
ganho da antena, o tamanho da célula poderá variar em muito. Na maioria dos casos, a faixa será
entre 91,44 a 152,4 metros (300 a 500 pés). Para atender maiores áreas, podem ser instalados
múltiplos pontos de acesso com certo grau de sobreposição. A sobreposição permite roaming entre as
células.

Figura 115 - Rede Local Wireless

Figura 116 - Roaming


Isto é bem semelhante aos serviços fornecidos pelas companhias de telefones celulares. A
sobreposição, em redes AP múltiplas, é crítica para permitir o movimento dos dispositivos dentro da
WLAN. Apesar de não estar mencionado nos padrões IEEE, uma sobreposição de 20 a 30% é
desejável. Essa taxa de sobreposição permitirá o roaming entre as células, possibilita a atividade de
desconexão e reconexão transparente sem nenhuma interrupção nos serviços.

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Quando um cliente é ativado dentro da WLAN, será iniciada uma "escuta" por um dispositivo
compatível com o qual se "associar". Isto é conhecido como varredura e pode ser ativo ou passivo.
A varredura ativa faz com que uma solicitação de sonda seja enviada do nó sem-fio que
procura ligar-se à rede. A solicitação de sonda conterá o Service Set Identifier (SSID) da rede à qual
deseja ligar-se. Quando é encontrado um AP com o mesmo SSID, o AP publicará uma resposta à
sonda. Estão concluídas as etapas de autenticação e associação.
Os nós passivos de varredura procuram quadros de gerenciamento de beacon (beacons), os
quais são transmitidos pelo AP (modo infra-estrutura) ou por nós de ponto (improvisados). Quando um
nó recebe um beacon que contém o SSID da rede à qual está tentando ligar-se, é feita uma tentativa
para a ligação à rede. A varredura passiva é um processo contínuo e os nós podem se associar ou
desassociar com APs conforme vai mudando a intensidade do sinal.

3.4.3 Como as Redes Locais Sem-fio se Comunicam

Depois de estabelecer a conectividade a WLAN, um nó passará quadros da mesma maneira


como em qualquer outra rede 802.x. As WLANs não utilizam um quadro padrão 802.3. Desta maneira,
usar o termo Ethernet sem-fio dá a impressão errada. Existem três tipos de quadros: de controle, de
gerenciamento e de dados.

Somente o tipo de quadro de dados é semelhante aos


quadros 802.3. O payload dos quadros sem-fio e 802.3 é 1500
bytes; porém, um quadro Ethernet não pode exceder 1518
bytes enquanto que um quadro sem-fio pode chegar até 2346
bytes. Geralmente o tamanho do quadro da WLAN será
limitado a 1518 bytes pois na maioria dos casos é conectado a
uma rede Ethernet cabeada.
Já que a radiofreqüência (RF) é um meio
compartilhado, podem ocorrer colisões da mesma maneira que
acontece nos meios compartilhados cabeados. A diferença
Figura 117 - Tipo de Quadro IEEE maior é que não há nenhum método pelo qual o nó da fonte
802.11
seja capaz de detectar que ocorreu uma colisão. Por esta razão
as WLANs usam a Detecção de Portadora para Múltiplo Acesso com Prevenção de Colisões
(CSMA/CA). Isto é mais ou menos como a CSMA/CD do Ethernet.
Quando um nó da fonte envia um quadro, o nó receptor retorna uma confirmação positiva
(ACK). Isto pode causar um consumo de 50% da largura de banda disponível. Estes custos adicionais,
quando combinados com os custos adicionais do protocolo de prevenção de colisões, reduzem o
throughput efetivo de dados até um máximo de entre 5,0 e 5,5 Mbps numa rede local sem-fio 802.11b
com regime de 11 Mbps.
O desempenho na rede será afetado também pela intensidade do sinal e pela degradação da
qualidade do sinal devido à distância ou interferência. À medida que o sinal se enfraqueça, poderá ser

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Módulo III – Meios Físicos para Redes
invocada a ARS (Adaptive Rate Selection). A unidade transmissora reduzirá a velocidade dos dados de
11 Mbps até 5,5 Mbps, de 5,5 Mbps até 2 Mbps ou de 2 Mbps até 1 Mbps.

Figura 118 - Seleção Adaptativa da Taxa

3.4.4 Autenticação e associação

A autenticação na WLAN ocorre na Camada 2. Este é um processo de autenticação do


dispositivo e não do usuário. É crítico lembrar-se disso ao considerar a segurança, a resolução de
problemas e o gerenciamento geral de uma WLAN.
A autenticação pode ser até um processo nulo, como é o caso de um novo AP e placa de
rede com a configuração padrão estabelecida. O cliente enviará um quadro de pedido de autenticação
até o AP e o quadro será aceito ou rejeitado pelo AP. O cliente é notificado sobre a resposta por meio
de um quadro de resposta de autenticação. O AP também poderá ser configurado para fazer o handoff
da tarefa de autenticação a um servidor de autenticação, que realizaria um processo mais
pormenorizado do credenciamento.

Figura 119 - Tipos de Autenticação e Associação

A associação, realizada após a autenticação, é a condição que permite que um cliente use
os serviços do AP para transferir dados.

Tipos de Autenticação e Associação

• Não autenticado e não associado


• O nó está desconectado da rede e não associado a um ponto de acesso.
• Autenticado e não associado
• O nó foi autenticado na rede mas ainda não foi associado a um ponto de acesso.

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120
Módulo III – Meios Físicos para Redes
• Autenticado e associado
• O nó está conectado à rede e permitido a transmitir e receber dados através de um ponto de
acesso.

Métodos de autenticação (IEEE 802.11 admite dois tipos de processos de autenticação)

O primeiro processo de autenticação é o sistema aberto. Este é um padrão de conectividade


aberta no qual é só necessário que o SSID corresponda. Pode ser utilizado num ambiente seguro ou
não seguro embora seja alta a capacidade dos "sniffers" de baixo nível na rede de descobrir a SSID da
WLAN.
O segundo processo é a chave compartilhada. Este processo exige o uso de criptografia
WEP (Wired Equivalent Privacy). A criptografia WEP é um algoritmo relativamente simples usando
chaves de 64 e 128 bits. O AP é configurado com uma chave criptografada e os nós que tentam
acessar a rede através do AP precisam ter uma chave correspondente. Chaves WEP estaticamente
designadas providenciam um nível mais alto de segurança que os sistemas abertos mas certamente
não são "imunes aos hackers".
O problema da entrada não autorizada nas WLANs está sendo abordado por várias novas
tecnologias de soluções de segurança.

3.4.5 Os espectros de radiofreqüência e de microondas

Os computadores enviam sinais de dados eletronicamente. As transmissoras de rádio


convertem estes sinais elétricos em ondas de rádio. As alterações da corrente na antena de uma
transmissora geram ondas de rádio. Estas ondas de rádio irradiam em linhas retas da antena.
No entanto, as ondas de rádio são atenuadas à medida
que vão se afastando da antena de transmissão. Numa WLAN, os
sinais de rádio, medidos a uma distância de apenas 10 metros (30
pés) da antena de transmissão teriam somente um centésimo da
sua intensidade original. Como a luz, as ondas de rádio podem
ser absorvidas por certos materiais e refletidas por outros. Ao
passarem de uma substância, como o ar, para outra substância,
como uma parede de alvenaria, as ondas de rádio são refratadas.
As ondas de rádio também são espalhadas e absorvidas por
gotículas de água no ar. É importante lembrar-se destas
Figura 120 - Ondas de Rádio
qualidades das ondas de rádio ao planejar uma WLAN para um
edifício ou cidade universitária. O processo de avaliação de um local para a instalação de uma WLAN é
conhecido como Pesquisa do Local.
Porque os sinais de rádio se enfraquecem à medida que se desloquem da transmissora, o
receptor também precisa estar munido de antena. Quando as ondas de rádio intersectam a antena do
receptor, minúsculas correntes são geradas nessa antena. Estas correntes elétricas, causadas pelas
ondas de rádio recebidas, são iguais às correntes que originalmente geraram as ondas de rádio na
antena da transmissora. O receptor amplifica a intensidade destes minúsculos sinais elétricos.

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121
Módulo III – Meios Físicos para Redes

Figura 121 - Ondas de Rádio


Numa transmissora, os sinais elétricos (de dados) de um computador ou rede local não são
enviados diretamente à antena da transmissora. Antes, estes sinais de dados são usados para alterar
um segundo sinal mais forte, denominado sinal portador.
O processo de alterar o sinal portador que irá entrar na antena de uma transmissora chama-se
modulação. Há basicamente três maneiras em que um sinal portador pode ser modulado. Por exemplo,
as estações de rádio de Amplitude Modulada (AM) modulam a altura (amplitude) do sinal portador. As
estações de rádio de Freqüência Modulada (FM) modulam a freqüência do sinal portador, conforme
determinado pelo sinal elétrico proveniente do microfone. Nas WLANs, um terceiro tipo de modulação,
denominada fase modulada, é utilizado para sobrepor o sinal de dados no sinal portador que por sua
vez é transmitido pela transmissora.

Figura 122 – Modulação

Neste tipo de modulação, os bits de dados do sinal elétrico modificam a fase do sinal portador.
Um receptor demodula o sinal portador que chega da antena. O receptor interpreta as
mudanças de fase do sinal portador e reconstrói dele o sinal elétrico original dos dados.

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122
Módulo III – Meios Físicos para Redes
3.4.6 Sinais e ruído em uma WLAN

Em uma rede Ethernet cabeada, é normalmente um processo simples diagnosticar a causa de


interferências. Ao utilizar a tecnologia de radiofreqüência, vários tipos de interferência precisam ser
considerados.
A interferência de banda estreita é o contrário da tecnologia de espectro espalhado. Como o
nome implica a interferência de banda estreita não afeta todo o espectro de freqüências do sinal sem-
fio. Uma solução para um problema de interferência de banda estreita é simplesmente mudar de canal
sendo usado pelo AP. O efetivo diagnóstico da causa de uma interferência de banda estreita pode ser
uma experiência muito cara e demorada. A identificação da fonte exige um analisador de espectro e
mesmo um modelo econômico é relativamente caro.
A interferência em todas as bandas afeta todo o espectro. As tecnologias da Bluetooth™ pula
de ponta a ponta dos 2,4 GHz muitas vezes cada segundo e pode causar um altíssimo nível de
interferência em uma rede 802.11b. Não é raro ver letreiros nas instalações que usam redes sem-fio
pedindo que todos os dispositivos Bluetooth™ sejam desligados antes de entrar. Nas casas e nos
escritórios, um dispositivo freqüentemente esquecido como fonte de interferência é o forno de
microondas comum. Um vazamento de microondas a um nível de um só watt no espectro de
radiofreqüência pode causar graves problemas na rede. Os telefones sem-fio que operam no espectro
de 2,4 GHz também podem causar distúrbios na rede.

Figura 123 - Antena Omnidirecional

Geralmente, o sinal RF não será afetado mesmo pelas condições climáticas mais violentas. No
entanto, a neblina ou condições de umidade muito alta podem afetar, e de fato afetam, as redes sem-
fio. Os relâmpagos podem alterar a atmosfera e alterar o caminho de um sinal transmitido.
A primeira e mais obvia fonte de problemas com os sinais é a estação transmissora e o tipo de
antena. Uma estação com maior potência de saída transmitirá o sinal mais longe e uma antena
parabólica que concentra o sinal aumentará o alcance da transmissão.
Em um ambiente de escritório pequeno ou domiciliar (SOHO), a maioria dos pontos de acesso
utiliza antenas onidirecionais geminadas que transmitem os sinais em todas as direções, reduzindo
assim o alcance das comunicações.

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123
Módulo III – Meios Físicos para Redes
3.4.7 Segurança para Sem-fio

Como já foi estudado neste capítulo, a segurança pode ser difícil de conseguir em um sistema
sem-fio. Onde existem redes sem-fio, há pouca segurança. Isto vem sendo um problema desde os
primeiros dias das WLANs. Atualmente, muitos administradores estão falhos na implementação de
práticas eficazes de segurança.
Vão surgindo várias novas soluções e protocolos de segurança, tais como Virtual Private
Networking (VPN) e Extensible Authorization Protocol (EAP). Com o EAP, o ponto de acesso não
proporciona autenticação ao cliente, mas passa esta tarefa para um dispositivo mais sofisticado,
possivelmente um servidor dedicado e projetado para esse propósito. A utilização de uma tecnologia
VPN de servidor integrado cria um túnel por cima de um protocolo já existente, tal como IP. Esta é uma
conexão de Camada 3 e não uma conexão de Camada 2 entre o AP e o nó emissor.

Figura 124 - Segurança Sem-fio

• EAP-MD5-Challenge – O Extensible Authentication Protocol é o tipo mais antigo de


autenticação, que é muito semelhante à proteção CHAP por senha em uma rede cabeada.
• LEAP (Cisco) – O Lightweight Extensible Authentication Protocol é o tipo mais universalmente
usado nos pontos de acesso WLAN da Cisco. O LEAP oferece segurança durante a troca de
credenciais, criptografia com chaves WEP dinâmicas, e suporte à autenticação mútua.
• Autenticação dos usuários – Este permite que só os usuários autorizados façam conexão,
enviem e recebam dados sobre a rede sem-fio.
• Criptografia – Esta oferece serviços de criptografia para proteger ainda mais os dados contra
intrusos.
• Autenticação de dados – Esta garante a integridade dos dados ao autenticar tanto o
dispositivo de origem como o de destino.
A tecnologia VPN efetivamente fecha a rede sem-fio já que uma WLAN irrestrita irá
automaticamente encaminhar o tráfego entre nós que parecem estar na mesma rede sem-fio. As
WLANs freqüentemente estendem além dos perímetros da casa ou escritório em que estão instaladas
e, sem segurança, os intrusos podem infiltrar na rede com pouco esforço. Por outro lado, um mínimo
de esforço por parte do administrador da rede poderá providenciar para a WLAN uma segurança de
baixo nível.

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124
Módulo III – Meios Físicos para Redes
Resumo do Módulo

Deve ter sido obtido um entendimento dos seguintes conceitos importantes:

• Toda matéria é composta de átomos, e as três partes principais dos átomos são: prótons,
nêutrons e elétrons. Os prótons e nêutrons encontram-se na parte central (núcleo) do átomo.
• A descarga eletrostática (ESD) pode criar graves problemas para os equipamentos eletrônicos
sensíveis.
• A atenuação se refere à resistência ao fluxo de elétrons e porque um sinal se torna
degradado ao propagar-se.
• A corrente flui em laços fechados denominados circuitos, os quais precisam ser compostos de
material condutor e precisam de uma fonte de voltagem.
• Um multímetro é usado para medir voltagem, corrente, resistência e outras quantidades
expressas de forma numérica.
• Três tipos de cabos de cobre utilizados nas redes são: direto, cruzado e rollover
• O cabo coaxial consiste em um condutor cilíndrico externo, oco, que circunda um só fio
condutor interno.
• O cabo UTP é um meio de quatro pares de fios usado em uma variedade de redes.
• O cabo STP combina as técnicas de blindagem, cancelamento e trançamento de fios.
• A fibra óptica é um meio de transmissão muito bom quando corretamente instalada, testada e
mantida.
• A energia da luz, um tipo de onda de energia eletromagnética, é usada para transmitir grandes
quantidades de dados de maneira segura a distâncias relativamente grandes.
• O sinal de luz, transmitido por uma fibra, é produzida por uma transmissora que converte um
sinal elétrico em sinal de luz.
• A luz que chega à extremidade distante do cabo é convertida novamente pelo receptor no sinal
elétrico original.
• As fibras são usadas em pares para providenciar comunicações full duplex.
• Os raios de luz obedecem às leis de reflexão e refração ao propagar-se através da fibra de
vidro, fato que permite a fabricação de fibras com a propriedade de reflexão interna total.
• A reflexão interna total faz com que os sinais de luz permaneçam dentro da fibra, mesmo que
esta não esteja em linha reta.
• A atenuação de um sinal de luz se torna problemática em cabos longos, especialmente se
seções do cabo são conectadas em patch panels ou emendadas.
• Os cabos e conectores precisam ser corretamente instalados e completamente testados com
equipamentos de testes ópticos de alta qualidade antes de serem utilizados.
• Os links de cabos precisam ser testados periodicamente com instrumentos de testes ópticos
de alta qualidade para determinar se o link tenha de alguma maneira deteriorada.
• Sempre se deve tomar cuidado para proteger os olhos quando da utilização de fontes de luz
forte como lasers.

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125
Módulo III – Meios Físicos para Redes
• Um entendimento dos regulamentos e padrões que se aplicam à tecnologia sem-fio garantirá
que as redes implantadas serão interoperáveis e em cumprimento dos padrões.
• Problemas de compatibilidade das placas de rede são resolvidos pela instalação de um ponto
de acesso (AP) para agir como hub central da WLAN.
• Três tipos de quadros são usados nas comunicações sem-fio: de controle, de gerenciamento e
de dados.
• As WLANs usam a Detecção de Portadora para Múltiplo Acesso com Prevenção de Colisões
(CSMA/CA).
• A autenticação em WLAN é um processo que autentica o dispositivo e não o usuário.

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126
Módulo III – Meios Físicos para Redes
TESTE

1) Por que razão os pares de fios são trançados em um cabo UTP?


 O trançado dos fios faz com que seis pares caibam no espaço de quatro;
 O trançado dos fios o torna mais barato;
  O trançado dos fios o torna mais fino;
 O trançado dos fios reduz os problemas do ruído.

2) O que é necessário para que os elétrons fluam?


 Um loop fechado de condutores;
 Um loop aberto de isoladores;
 Um loop fechado de isoladores;
 Um loop aberto de condutores;

3) Qual dos seguintes materiais é considerado um semicondutor?


 Ar;
 Silício;
 Vidro;
 Ouro;

4) Quais das seguintes alternativas são partes componentes de um cabo UTP? (Escolha duas).
 Núcleo central;
 Revestimento interno;
 Pares de fios trançados;
 Blindagem;
 Capa externa;
 Buffer.

5) Qual dos seguintes cabos é utilizado para conectar um roteador a uma porta serial de um
PC?
 Um cabo rollover;
 Um cabo invertido;
 Um cabo cruzado;
 Um cabo direto;

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127
Módulo III – Meios Físicos para Redes
6) Qual é a configuração SSID necessária para que todos os dispositivos wireless possam se
comunicar na mesma rede loca?
 A mesma SSID;
 SSID invertida;
 Uma SSID diferente;
 Uma SSID não associada;

7) Quais das seguintes alternativas são partes de um cabo de fibra ótica?


 Malha;
 Núcleo;
 Revestimento interno;
 Par trançado;
 Buffer;
 Blindagem.

8) Faça a correspondência exata entre a conectividade do equipamento e tipo correto de


fiação.
1 Host para switch Direto
2 Switch para switch Rollover
Host para porta de console de
3 Cruzado
um dispositivo

9) Coloque cada item à esquerda na caixa a direita que corresponde às suas características
elétricas. Nem todos os itens serão utilizados.
Materiais Condutor Isolante
Vidro
Silício
Borracha
Prata
Cobre
Plástico
Papel
Ouro

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128
Módulo IV – Teste de Cabos
4 TESTE DE CABOS

4.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO

Os meios físicos de uma rede são literalmente a espinha dorsal dela. A qualidade inferior de
cabeamento de rede causa falha na rede e desempenho não confiável. Os meios físicos de uma rede
de cobre, de fibra ótica e wireless exigem testes para garantir que eles estão de acordo com as
orientações específicas estritas. Estes testes envolvem certos conceitos matemáticos e elétricos e
termos como sinal, onda, freqüência e ruído. É útil entender este vocabulário quando estiver estudando
sobre redes, cabeamento e testes de cabos.
A meta desta primeira lição neste módulo é fornecer algumas definições para que os
conceitos de testes de cabos sejam mais bem entendidos quando forem apresentados na segunda
lição.
A segunda lição deste módulo descreve as questões relacionadas aos meios de testes
usados para a conectividade de camada física nas redes locais (LANs). Para que a rede local possa
funcionar corretamente, o meio da camada física deve satisfazer as especificações padrão da
indústria.
A atenuação, que é a deteriorização do sinal, e o ruído, que é a interferência no sinal, podem
causar problemas nas redes, pois os dados enviados podem ser interpretados incorretamente ou não
serem reconhecidos ao serem recebidos. A terminação apropriada dos conectores de cabos e a
instalação correta dos cabos são fatores importantes. Se forem seguidos os padrões durante
instalações, reparos e mudanças, a atenuação e os níveis de ruído deveriam ser minimizados.
Depois de terminada a instalação do cabo, um testador de certificação de cabo pode verificar
se a instalação está de acordo com a especificação TIA/EIA. Este módulo descreve também os vários
testes importantes que são realizados.

Os alunos, ao concluírem esta lição, deverão poder:

• Diferenciar entre ondas senoidais e ondas quadradas.


• Definir e calcular expoentes e logaritmos.
• Definir e calcular decibéis.
• Definir a terminologia básica com relação ao tempo, freqüência e ruído.
• Diferenciar entre a largura de banda digital e a analógica.
• Comparar e contrastar os níveis de ruído em vários tipos de cabeamento.
• Definir e descrever os efeitos da atenuação e da diferença (mismatch) de impedância.
• Definir diafonia, diafonia próxima, diafonia distante, e soma das potências da diafonia próxima
(PSNEXT).
• Descrever como os pares trançados ajudam na redução de ruídos.
• Descrever os dez testes de cabos de cobre definidos em TIA/EIA-568-b.
• Descrever as diferenças entre cabos Categoria 5 e cabos Categoria 6.

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Módulo IV – Teste de Cabos
4.2 FUNDAMENTOS PARA O ESTUDO DE TESTES DE CABOS BASEADOS EM
FREQÜÊNCIAS
4.2.1 Ondas

Uma onda é energia que se propaga de um lugar para outro. Existem vários tipos de ondas,
mas todos podem ser descritos com um vocabulário semelhante.
Pode ajudar se pensamos em ondas como sendo distúrbios. Um balde de água que está
completamente parado não tem ondas, porque não existem distúrbios. Por outro lado, o oceano
sempre tem algumas ondas detectáveis devido a distúrbios como o vento e a maré.
As ondas do oceano podem ser descritas em termos de sua altura ou amplitude, que pode
ser medida em metros. Elas podem também ser descritas em termos de quão freqüentemente chegam
até a praia, usando período e freqüência. O período das ondas é o período de tempo entre cada onda,
medido em segundos. A freqüência é o número de ondas que chegam até a praia cada segundo,
medida em Hertz. Um Hertz equivale a uma onda por Segundo, ou um ciclo por segundo. Experimente
com estes conceitos ajustando a amplitude e a freqüência na Figura.

Figura 125 - Amplitude e Freqüência

Os profissionais de rede estão especificamente interessados nas ondas de voltagem nos


meios de cobre, ondas de luz em fibras óticas, e campos magnéticos e elétricos alternados conhecidos
como ondas eletromagnéticas. A amplitude de um sinal elétrico ainda representa altura, mas é medida
em volts (V) em vez de metros (M). O período é o período de tempo para completar um ciclo, medido
em segundos. A freqüência é o número de ciclos completos por segundo, medidos em Hertz.
Se um distúrbio é causado de propósito, e envolve uma duração prevista e fixa, é conhecido
como um pulso. Os pulsos são uma parte importante dos sinais elétricos, pois eles são a base da
transmissão digital. O padrão dos pulsos representa o valor dos dados sendo transmitidos.

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130
Módulo IV – Teste de Cabos

4.2.2 Ondas Senoidais e Ondas Quadradas

As ondas senoidais, ou sinusóides, são gráficos de funções matemáticas.

Figura 126 - Sinais Analógicos

As ondas senoidais possuem certas características. As ondas senoidais são periódicas, o


que quer dizer que repetem o mesmo padrão em intervalos regulares. As ondas variam continuamente,
o que quer dizer que dois pontos adjacentes no gráfico nunca terão o mesmo valor.
As ondas senoidais são representações gráficas de muitas ocorrências naturais que variam
regularmente através do tempo. Alguns exemplos dessas ocorrências são a distância da terra até o
sol, a distâncias do chão enquanto girando em uma roda gigante, e a hora do dia quando nasce o sol.
Já que as ondas senoidais variam continuamente, elas são exemplos de ondas analógicas.
As ondas quadradas, como as ondas senoidais, são periódicas.

Figura 127 - Ondas Quadradas

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131
Módulo IV – Teste de Cabos
No entanto, os gráficos das ondas quadradas não variam continuamente com o tempo. A
onda mantém um valor durante algum tempo, e depois muda repentinamente para um valor diferente.
Este valor é mantido por algum tempo, e depois muda rapidamente de volta ao valor original. As ondas
quadradas representam sinais digitais, ou pulsos. Da mesma maneira que todas as ondas, as ondas
quadradas podem ser descritas em termos de amplitude, período e freqüência.

4.2.3 Expoentes e Logaritmos

Em redes, existem três sistemas numéricos importantes:

• Base 2: binário
• Base 10: decimal
• Base 16: hexadecimal

Lembre-se de que a base de um sistema numérico se refere ao número de símbolos


diferentes que podem ocupar uma posição. Por exemplo, os números binários têm apenas dois
marcadores de lugar diferentes 0 e 1. Os números decimais têm 10 marcadores de lugar diferentes, os
números 0 a 9. Os números hexadecimais possuem 16 marcadores de lugar diferentes, os números 0
a 9 e as letras A a F.
Lembre-se de que 10x10 pode ser escrito como 102. 102 significa dez ao quadrado ou dez
elevado à segunda potência. Quando escrito desta maneira, diz-se que 10 é a base do número e 2 é o
expoente do número. 10x10x10 pode ser escrito como 103. 103 significa dez ao cubo ou dez elevado à
terceira potência. A base ainda é 10, mas o expoente agora é 3. Use a Atividade de Mídia abaixo para
praticar o cálculo de expoentes. Digite x, e y será calculado, ou digite y, e x será calculado.
A base do sistema numérico também se refere ao valor de cada dígito. O dígito menos
significante tem um valor de base0, ou um. O próximo dígito tem um valor de base1. Isto é igual a 2
para números binários, 10 para números decimais e 16 para números hexadecimais.
Os números com expoentes são usados para representar facilmente números muito grandes
ou muito pequenos. É muito mais fácil e menos susceptível a erro representar um bilhão
numericamente como 109 do que como 1000000000. Muitos cálculos envolvidos em testes de cabos
envolvem números que são muito grandes, por isso a utilização de expoentes é o formato de
preferência. Os expoentes podem ser explorados na atividade em flash.
Uma maneira de se trabalhar com números muito grandes e muito pequenos que ocorrem
nas redes é transformá-los de acordo com a regra, ou função matemática, conhecida como logaritmo.
Logaritmo é abreviado como "log". Qualquer número pode ser usado como base em um sistema de
logaritmos. Porém a base 10 tem muitas vantagens não obtidas cálculos comuns com outras bases. A
base 10 é usada quase que exclusivamente para cálculos comuns. Logaritmos com base 10 são
chamados de logaritmos comuns. Não é possível obter o logaritmo de um número negativo.
Para obter o "log" de um número, use uma calculadora ou a atividade em flash. Por exemplo,
o log (109) = 9. Pode-se também obter o logaritmo de números que não são expoentes de 10, mas não
se pode obter o logaritmo de um número negativo. O estudo de logaritmos esta além do escopo deste

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132
Módulo IV – Teste de Cabos
curso. Entretanto, a terminologia é usada freqüentemente no cálculo de decibéis e nas medidas de
intensidade do sinal em meios de cobre, óticos e wireless.

4.2.4 Decibéis

O decibel (dB) é uma unidade de medida importante na descrição de sinais nas redes. O
decibel é relacionado aos expoentes e logaritmos descritos nas seções anteriores. Existem duas
fórmulas para se calcular decibéis:

dB = 10 log10 (Pfinal / Pref)

dB = 20 log10 (Vfinal / Vref)

As variáveis representam os seguintes valores: dB mede a perda ou ganho da potência de


uma onda. Os decibéis podem ser números negativos, o que representa uma perda na potência da
onda ao se propagar, ou números positivos, o que representa um ganho na potência se o sinal for
amplificado.
log10 sugere que o número entre parênteses será transformado usando-se a regra de
logaritmo de base 10.
Pfinal é a potência entregue, medida em Watts.
Pref é a potência original, medida em Watts.
Vfinal é a voltagem entregue, medida em Volts.
Vreference é a voltagem original, medida em Volts.

A primeira formula descreve os decibéis em termos de potência (P), e a segunda em termos


de voltagem (V). Tipicamente, as ondas de luz em fibra ótica e as ondas de rádio no ar são medidas
usando-se a fórmula de potência. As ondas eletromagnéticas em cabos de cobre são medidas usando-
se a fórmula de voltagem. Essas formulas têm várias coisas em comum.
Na fórmula dB = 10 log10 (Pfinal / Pref), entre os valores para dB e Pref para descobrir a
potência entregue. Esta fórmula poderia ser usada para se ver o quanto da potência resta em uma
onda de rádio depois de propagar-se a certa distância através de diferentes materiais, e através de
vários estágios de sistemas eletrônicos como um rádio. Para estudar ainda mais sobre decibéis,
experimente com os seguintes exemplos usando as atividades em flash.
Se Pfinal é um microWatt (1 x 10-6 Watts) e Pref é um milliWatt (1 x 10-3 Watts), qual é o ganho
ou a perda em decibéis? Este valor é positivo ou negativo? O valor representa um ganho ou perda na
potência?
Se a perda total de um link de fibra é 84 dB, e se a potência da fonte do laser original (Pref)
é um milliWatt (1 x 10-3 Watts), quanta potência é entregue?
Se dois microVolts (2 x 10-6 Volts) são medidos na extremidade de um cabo e a voltagem da
fonte era um volt, qual é o ganho ou perda em decibéis? Este valor é positivo ou negativo? O valor
representa um ganho ou perda na potência?

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Módulo IV – Teste de Cabos
4.2.5 Visualizando Sinais em Tempo e Freqüência

Um dos fatos mais importante da era da informação é que os caracteres que simbolizam os
dados, palavras, fotografias, vídeo ou música podem ser representados eletronicamente por padrões
de voltagem nos fios e em dispositivos eletrônicos. Os dados representados por esses padrões de
voltagem podem ser convertidos em ondas de luz ou de rádio, e depois de volta em ondas de
voltagem. Considere o exemplo de um telefone analógico. As ondas sonoras da voz do chamador
entram num microfone no telefone. O microfone converte os padrões da energia sonora em padrões de
voltagem de energia elétrica que representam a voz.
Se os padrões de voltagem fossem colocados em um gráfico através do tempo, os padrões
distintos representando a voz seriam exibidos.

Figura 128 - Osciloscópio

Um osciloscópio é um dispositivo eletrônico importante usado para visualizar sinais elétricos


como as ondas e pulsos de voltagem. O eixo x no gráfico representa tempo, e o eixo y representa
voltagem ou corrente. Geralmente, há duas entradas no eixo y para que duas ondas possam ser
observadas e medidas ao mesmo tempo.
Analisar os sinais usando um osciloscópio é conhecido como análise de domínio de tempo,
pois o eixo x ou domínio da função matemática representa o tempo. Os engenheiros quando estudam
os sinais também usam a análise de domínio de freqüência. Na análise de domínio de freqüência, o
eixo x representa freqüência. Um dispositivo eletrônico conhecido como analisador de espectro cria
gráficos para análise de domínio de freqüência.
Os sinais eletromagnéticos usam diferentes freqüências para a transmissão para que os
diferentes sinais não interfiram uns com os outros. Os sinais de rádio de Freqüência Modulada (FM)
usam freqüências que são diferentes dos sinais de televisão ou de satélite. Quando os ouvintes
mudam a estação de um rádio, estão mudando a freqüência que o rádio está recebendo.

4.2.6 Sinais Digitais e Analógicos em Tempo e Freqüência

Para poder entender as complexidades dos sinais de redes e testes de cabos, examine
como os sinais analógicos variam com o tempo e com a freqüência. Primeiro, considere uma onda
senoidal elétrica de uma só freqüência, cuja freqüência pode ser detectada pelo ouvido humano. Se
este sinal for transmitido a um alto-falante, um tom poderá ser ouvido.
Depois imagine a combinação de várias ondas senoidais.

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134
Módulo IV – Teste de Cabos

Figura 129 - Síntese de Fourier de uma Onda Quadrada

A onda resultante é mais complexa que a onda senoidal pura. Podem ser ouvidos vários
tons. O gráfico de vários tons mostra várias linhas individuais correspondentes às freqüências de cada
tom. Finalmente, imagine um sinal complexo, como uma voz ou um instrumento musical. Se estiverem
presentes vários tons diferentes, um espectro contínuo de tons individuais seria representado.

4.2.7 Ruído em Tempo e Freqüência

O ruído é um conceito importante em sistemas de comunicações, inclusive redes locais.

Figura 130 - Sinal Digita e Ruído Elétrico

Já que o ruído geralmente se refere aos sons indesejáveis, os ruídos relacionados às


comunicações são conhecidos como sinais indesejáveis. Os ruídos podem ser originados em fontes
tecnológicas e naturais, e são acrescentados aos sinais de dados nos sistemas de comunicações.
Todos os sistemas de comunicações têm certo grau de ruído. Embora o ruído não possa ser
eliminado, seus efeitos podem ser minimizados se forem entendidas as fontes do ruído. Existem
muitas possíveis fontes de ruídos:

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135
Módulo IV – Teste de Cabos
• Cabos nas proximidades transportam sinais de dados;
• A interferência de radiofreqüência (RFI) que é o ruído vindo de outros sinais sendo
transmitidos nas proximidades;
• A interferência eletromagnética (EMI), que é o ruído vindo de fontes nas proximidades como
motores e luzes;
• O ruído laser no transmissor ou receptor de um sinal ótico.

O ruído que afeta igualmente todas as freqüências de transmissão é conhecido como ruído
branco. O ruído que afeta somente pequenas faixas de freqüências é conhecido como interferência de
banda estreita. Ao serem detectados em um receptor de rádio, o ruído branco interferiria com todas as
estações de rádio. A interferência de banda estreita afetaria somente poucas estações cujas
freqüências estão próximas umas às outras. Ao ser detectado em uma rede local, o ruído branco
poderia afetar todas as transmissões de dados, mas a interferência de banda estreita poderá afetar
apenas certos sinais.

4.2.8 Largura de Banda

A largura de banda é um conceito extremamente importante nos sistemas de comunicações.


Para o estudo das redes locais, há duas principais maneiras de considerar a largura de banda: largura
de banda analógica e largura de banda digital.
Tipicamente a largura de banda analógica se refere à faixa de freqüências de um sistema
eletrônico. A largura de banda analógica poderia ser usada para descrever a faixa de freqüências
transmitida por uma estação de rádio ou um amplificador eletrônico. A unidade de medida para a
largura de banda analógica é Hertz (Hz), mesma unidade de freqüência.
A largura de banda digital mede a quantidade de informação que pode ser transferida de um
lugar para o outro em um determinado período de tempo.

Figura 131 - Unidades de Largura de Banda Digital

A unidade fundamental de medida para a largura de banda digital é bits por segundo (bps).
Já que as redes locais são capazes de sustentar velocidades de milhares ou milhões de bits por
segundo, a medida é expressa em Kbps ou Mbps. Os meios físicos, as tecnologias atuais, e as leis da
física limitam a largura de banda.
Durante o teste de cabos, usa-se a largura de banda analógica para determinar a largura de
banda digital de um cabo de cobre. As formas de onda digitais são compostas de muitos ondas
senoidais (ondas analógicas). As freqüências analógicas são transmitidas de uma extremidade e

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136
Módulo IV – Teste de Cabos
recebidas na extremidade oposta. O dois sinais são então comparados, e é calculado o nível de
atenuação do sinal. Em geral, o meio que suportará maiores larguras de banda analógicas sem alto
grau de atenuação suportarão também maiores larguras de banda digitais.

4.3 SINAIS E RUÍDOS

4.3.1 Sinalização Através de Cabeamento de Cobre e de Fibra Ótica

Em cabo de cobre, os sinais de dados são representados por níveis de voltagem que
representam uns e zeros binários. Os níveis de voltagem são medidos com respeito a um nível de
referência de zero volt tanto na transmissora quanto no receptor. Esse nível de referência é conhecido
como terra do sinal. É importante que tanto o dispositivo de transmissão como de recepção se refira ao
mesmo ponto de referência de zero volt. Quando este for o caso, diz-se que estão adequadamente
aterrados.

Para que a rede local possa operar adequadamente, o dispositivo receptor deve ser capaz
de interpretar precisamente os uns e zeros binários transmitidos como níveis de voltagem. Já que a
tecnologia Ethernet atual sustenta faixas de dados de bilhões de bits por segundo, cada bit precisa ser
reconhecido, mesmo que a duração do bit seja bem pequena. Isto quer dizer que o máximo possível
da intensidade do sinal original precisa ser retido, conforme o sinal se propaga pelo cabo e passa
através dos conectores. Em antecipação de protocolos Ethernet cada vez mais rápidos, as novas
instalações de cabos devem ser feitas com os melhores cabos, conectores e dispositivos de
interconexão disponíveis como blocos punchdown e patch panels.

Figura 132 - Cabo Coaxial

Existem dois tipos básicos de cabos de cobre: blindado (STP) e não blindado (UTP).
No cabo blindado, o material de blindagem protege o sinal de dados contra fontes externas de ruído e
contra o ruído gerado por sinais elétricos dentro do cabo.

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137
Módulo IV – Teste de Cabos
O cabo coaxial é um tipo de cabo blindado. Ele consiste em um condutor de cobre sólido
envolto por material isolante, e depois por blindagem condutiva em malha. Em aplicações de redes
locais, a blindagem de malha é eletricamente aterrada para proteger a parte interna do condutor contra
ruídos elétricos externos. A blindagem também ajuda na eliminação da perda de sinais e mantém os
sinais transmitidos confinados ao cabo. Isto faz com que os cabos coaxiais tenham menos ruídos que
outros tipos de cabeamento de cobre, mas também os torna muito mais caros. A necessidade de se
aterrar a blindagem e grande tamanho dos cabos coaxiais dificultam mais a instalação do que outro
cabeamento de cobre.
Existem dois tipos de cabos de cobre de par trançado: par trançado blindado (STP) e par
trançado não blindado (UTP).

Figura 133 - Par Trançado Blindado Figura 134 - Par Trançado Não Blindado

O cabo STP contém uma capa externa condutiva que é eletricamente aterrada para isolar os
sinais contra qualquer ruído elétrico externo. O STP também usa blindagens metálicas internas para
proteger cada par de fios contra ruídos gerados pelos outros pares. O cabo STP às vezes é chamado
par trançado isolado (ScTP) erradamente. ScTP geralmente refere-se ao cabeamento de par trançado
Categoria 5 ou Categoria 5e, enquanto STP refere-se a um cabo específico da IBM que contém
somente dois pares de condutores. O cabo ScTP é mais caro, mais difícil de instalar e menos
freqüentemente usado que o UTP. O UTP não contém blindagem e é mais susceptível aos ruídos
externos, mas é mais freqüentemente usado, pois é mais barato e mais fácil de instalar.
O cabo de fibra ótica é usado para transmitir sinais de dados por meio de aumentar e
abaixar a intensidade da luz para representar uns e zeros binários.

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Módulo IV – Teste de Cabos

Figura 135 - Cabo de Fibra Óptica

A intensidade de um sinal de luz não diminui tanto quanto a intensidade de um sinal elétrico
transmitido através de uma distância idêntica. Os sinais óticos não são afetados pelo ruído elétrico, e a
fibra ótica não precisa ser aterrada a menos que a capa contenha um metal ou um membro de
resistência metálica. Portanto, as fibras óticas são freqüentemente usadas entre edifícios e entre
andares dentro do edifício. Conforme vão se abaixando os custos e vai aumentando a demanda pela
velocidade, as fibras óticas poderão tornar-se os mais usados em redes locais.

4.3.2 Atenuação e Perda por Inserção em Meios de Cobre

A atenuação é a redução da amplitude do sinal ao longo de um link. Longos comprimentos


de cabos e altas freqüências de sinais contribuem para uma maior atenuação dos sinais. Desta
maneira, a atenuação em um cabo é medida por um testador de cabos usando as mais altas
freqüências indicadas para o regime do cabo. A atenuação é expressa em decibéis (dB) usando
números negativos. Os valores dB negativos menores indicam um desempenho melhor do link.

Figura 136 - Atenuação

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Módulo IV – Teste de Cabos
Existem vários fatores que contribuem para a atenuação. A resistência do cabo de cobre
converte em calor um pouco da energia elétrica do sinal. A energia do sinal é também perdida quando
vaza pelo isolamento do cabo e pela impedância causada por conectores defeituosos.
Impedância é a medição da resistência do cabo à corrente alternada (CA) e é medida em
ohms. A impedância normal, ou característica, de um cabo Cat5 é de 100 ohms. Se um conector for
instalado incorretamente no Cat5, ele terá um valor de impedância diferente que o do cabo. Isto se
chama descontinuidade de impedância ou uma diferença (mismatch) de impedância.
As descontinuidades de impedância causam a atenuação, pois uma parte de um sinal
transmitido será refletida de volta ao dispositivo transmissor ao invés de continuar até o receptor, o que
é bem semelhante a um eco. Este efeito é intensificado se houver várias descontinuidades causando
com que porções adicionais do sinal restante sejam refletidas de volta à transmissora. Quando esta
reflexão volta e atinge a primeira descontinuidade, um pouco do sinal reflete em direção ao sinal
original, criando múltiplos efeitos de ecos. Os ecos atingem o receptor a diferentes intervalos tornando
difícil o receptor detectar precisamente os valores dos dados no sinal. Isto é chamado atraso do
sincronismo e resulta em erros nos dados.
A combinação dos efeitos da atenuação do sinal e as descontinuidades de impedância em
um link de comunicações é conhecido como perda por inserção. Uma operação adequada de rede
depende de uma impedância característica constante em todos os cabos e conectores, sem
descontinuidades de impedância em todo o sistema de cabos.

4.3.3 Fontes de Ruído nos Meios de Cobre

O ruído é qualquer energia elétrica no cabo de transmissão que torna difícil ao receptor a
interpretação dos dados enviados pelo transmissor. A certificação TIA/EIA-568-B de um cabo agora
exige testes para uma variedade de tipos de ruídos.

Figura 137 - Conexões dos Fios


A diafonia envolve a transmissão de sinais de um fio até outro fio nas imediações. A energia
eletromagnética é gerada quando as voltagens mudam em um fio. Esta energia é irradiada para fora
desde o fio transmissor como é o caso do sinal de rádio de uma transmissora. Os fios adjacentes no
cabo funcionam como antenas, recebendo a energia transmitida, que interfere com os dados naqueles

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Módulo IV – Teste de Cabos
fios. A diafonia também pode ser causada pelos sinais em cabos separados nas imediações. Quando a
diafonia é causada por um sinal em outro cabo, é conhecida como diafonia alheia. A diafonia é mais
destrutiva a freqüências mais altas de transmissão.
Os instrumentos de testes de cabos medem a diafonia com a aplicação de um sinal de teste
a um par de fios. O testador de cabos então mede a amplitude dos sinais da diafonia não desejada
induzidos nos outros pares de fios no cabo.
O cabo de par trançado é desenhado para aproveitar-se dos efeitos da diafonia a fim de
minimizar o ruído. Em um cabo de par trançado, um par de fios é usado para transmitir um sinal. O par
de fios é trançado para que cada fio sofra diafonia similar. Já que um sinal de ruído em um fio aparenta
ser idêntico ao do outro fio, o ruído poderá ser facilmente detectado e filtrado no receptor.
A trança de um par de fios em um cabo também ajuda na redução da diafonia dos dados ou
sinais de ruído vindos de um par adjacente de fios. As categorias mais altas de UTP exigem mais
torções em cada par de fios no cabo para minimizar a diafonia a altas freqüências de transmissão.
Quando se liga os conectores às extremidades do cabo UTP, o destrançamento dos pares de fios deve
ser mantido ao mínimo absoluto para garantir comunicações de redes locais confiáveis.

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Módulo IV – Teste de Cabos
4.3.4 Tipos de Diafonia

Existem três tipos distintos de diafonia:


• Diafonia Próxima (NEXT – Near-end Crosstalk);
• Diafonia Distante (FEXT – Far-end Crosstalk);
• Diafonia Próxima por Soma de Potências (PSNEXT – Power Sum Near-end
Crosstalk);
A diafonia próxima (NEXT) é calculada como a razão das amplitudes de voltagem entre o
sinal de teste e o sinal de diafonia quando medidas na mesma extremidade do link. Essa diferença é
expressa em um valor negativo de decibéis (dB). Os números negativos menores indicam mais ruído,
assim como baixas temperaturas negativas indicam mais calor. Por tradição, os testadores de cabos
não mostram o sinal negativo indicando os valores NEXT negativos. Uma leitura de 30 dB de NEXT
(que na verdade indica –30 dB) indica menos ruído, e conseqüentemente um sinal mais limpo, do que
aquele que dá uma leitura de 10 dB de NEXT.
A NEXT precisa ser medida entre cada par e cada outro par em um link de UTP, e nas duas
extremidades do link. Para diminuir o tempo dos testes, alguns instrumentos de teste de cabos
permitem que o usuário teste o desempenho de NEXT de um link usando maiores intervalos entre
freqüências do que o especificado pelo padrão TIA/EIA. As medições resultantes podem não atender
aos padrões TIA/EIA-568-B e podem ignorar falhas do link. Para verificar o desempenho adequado do
link, a NEXT deverá ser medida das duas extremidades do link com um instrumento de testes de alta
qualidade. Isto é também um requisito para o cumprimento total das especificações dos cabos de alta
velocidade.
Devido à atenuação, a diafonia que ocorre longe do transmissor cria menos ruído em um
cabo do que a NEXT.

Figura 138 - Diafonia Próxima

Isto é conhecido como diafonia mais distante, ou FEXT. O ruído causado pela FEXT ainda
se propaga de volta à fonte, mas é atenuado na sua volta. Desta maneira, a FEXT não é um problema
tão sério quanto a NEXT.

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Módulo IV – Teste de Cabos

Figura 139 - Diafonia Distante

A NEXT por Soma de Potências (PSNEXT) mede o efeito cumulativo da NEXT de todos os
pares de fios no cabo.

Figura 140 - Soma das Potências da Diafonia Próxima (PSNEXT)

A PSNEXT é computada para cada par de fios baseada nos efeitos da NEXT dos outros três
pares. O efeito combinado da diafonia de múltiplas fontes simultâneas de transmissão pode ser muito
prejudicial ao sinal. A certificação TIA/EIA-568-B agora exige este teste da PSNEXT.

Alguns padrões Ethernet como 10BASE-T e 100BASE-TX recebem dados de apenas um par
de fios em cada direção. No entanto, para as novas tecnologias como é o caso do 1000BASE-T que
recebem dados simultaneamente de vários pares na mesma direção, as medições de soma de
potências são testes muito importantes.

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143
Módulo IV – Teste de Cabos
4.3.5 Procedimentos para Testar Cabos

O padrão TIA/EIA-568-B especifica dez testes que o cabo de cobre deve passar antes que
possa ser usado em redes locais Ethernet de alta velocidade. Todos os links de cabos deverão ser
testados até a capacidade máxima que é aplicada à categoria do cabo sendo instalado.

Os dez parâmetros de testes primários que devem ser verificados para que um link de
cabo possa satisfazer os padrões TIA/EIA são:

• Mapa de fios;
• Perda por inserção;
• Diafonia próxima (NEXT – Near-end crosstalk);
• Diafonia próxima por soma de potências (PSNEXT – Power sum near-end crosstalk);
• Diafonia distante de mesmo nível (ELFEXT – Equal-level far-end crosstalk);
• Diafonia distante por soma de potência de mesmo nível (PSELFEXT – Power sum equal-
level far-end crosstalk);
• Perda de retorno;
• Atraso de propagação;
• Comprimento do cabo;
• Desvio de atraso;

O padrão Ethernet especifica que cada um dos pinos em um conector RJ-45 tenha um
determinado propósito.

Figura 141 - Padrões de Ethernet

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Módulo IV – Teste de Cabos
Uma placa de rede transmite sinais nos pinos 1 e 2, e recebe sinais nos pinos 3 e 6. Os fios
do cabo UTP precisam estar conectados aos pinos corretos de cada extremidade de um cabo.

Figura 142 - Padrão de Testes de Cabos

O teste de mapa de fios garante que não existe nenhum circuito aberto ou curto no cabo. Um
circuito aberto ocorre se o fio não for ligado corretamente ao conector. Um curto circuito ocorre se dois
fios forem ligados um ao outro.
O teste de mapa de fios também verifica se todos os oito fios foram conectados aos pinos
corretos nas duas extremidades do cabo. Existem várias falhas diferentes de cabeamento que o teste
de mapa de fios pode detectar.

Figura 143 - Falha de Fiação


A falha de par invertido ocorre quando um par de fios é instalado corretamente em um
conector, mas invertido no outro conector. Se o fio listrado branco/alaranjado estiver terminado no pino

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Módulo IV – Teste de Cabos
1 e o fio estiver terminado alaranjado no pino 2 em uma extremidade, mas invertido na outra
extremidade, então o cabo possui uma falha de par invertido. Este exemplo é exibido no gráfico.
Uma falha de cabeamento de par dividido ocorre quando um fio de um par é trocado com um
fio de um par diferente. Esta mistura engana o processo de cancelamento e torna o cabo mais
suscetível a diafonia e interferência. Observe cuidadosamente os números dos pinos no gráfico para
detectar a falha no cabeamento. Um par dividido cria dois pares de transmissão ou de recepção, cada
par com fios que não estão trançados juntos.
As falhas de cabeamento de pares transpostos ocorrem quando um par de fios for
conectado aos pinos completamente diferentes nas duas extremidades. Compare isto com um par
invertido, onde o mesmo par de pinos é usado nas duas extremidades.

4.3.6 Outros Parâmetros de Testes

A combinação dos efeitos da atenuação do sinal e as descontinuidades de impedância em


um link de comunicações são conhecidas como perda por inserção. A perda por inserção é medida em
decibéis na extremidade mais distante do cabo. O padrão TIA/EIA exige que um cabo e seus
conectores passem por um teste de perda por inserção antes que possam ser usados como link de
comunicações em uma rede local.
A diafonia é medida em quatro testes separados. Um testador de cabos mede a NEXT
aplicando um sinal de teste a um par de cabos e medindo a amplitude dos sinais de diafonia recebidos
pelos outros pares de cabos. O valor de NEXT, expresso em decibéis, é computado como uma
diferença de amplitude entre o sinal de teste e o sinal de diafonia medidos na mesma extremidade do
cabo. Lembre-se, já que o número de decibéis que o testador exibe é um número negativo, quanto
maior o número, menor a NEXT no par de fios. Conforme mencionado antes, o teste da PSNEXT é na
realidade um cálculo baseado nos efeitos combinados de NEXT.
O teste da diafonia distante de mesmo nível (ELFEXT) mede a FEXT. A ELFEXT de par a
par é expressa em dB como a diferença entre a FEXT medida e a perda por inserção do par de fios
cujo sinal é afetado pela FEXT. A ELFEXT é uma medição importante nas redes Ethernet que usam as
tecnologias 1000BASE-T. A diafonia distante por soma de potências (PSELFEXT) é o efeito
combinado da ELFEXT de todos os pares de fios.
A perda de retorno é uma medida em decibéis de reflexões que são causadas pelas
descontinuidades de impedância em todos os locais ao longo do link. Lembre-se de que o impacto
principal da perda de retorno não está na perda da intensidade do sinal. O problema mais significativo
é que os ecos de sinais causados pelas reflexões das descontinuidades de impedância atingirão o
receptor a diferentes intervalos causando o atraso de sincronismo do sinal.

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Módulo IV – Teste de Cabos
4.3.7 Parâmetros Baseados em Tempo

O atraso de propagação é uma medição simples para se saber quanto tempo leva para um
sinal propagar-se ao longo do cabo sendo testado. O atraso em um par de fios depende do seu
comprimento, taxa de torcimento e propriedades elétricas. Os atrasos são medidos em centésimos de
nanosegundos. Um nanosegundo é um bilionésimo de um segundo, ou 0.000000001 segundo. Os
padrões TIA/EIA-568-B estabelecem um limite para o atraso da propagação para várias categorias de
UTP.
As medições de atraso de propagação são a base da medição do comprimento do cabo. O
padrão TIA/EIA-568-B.1 especifica que o comprimento físico do link será calculado usando-se o par de
fios com o menor atraso elétrico. Os testadores medem o comprimento do fio baseando-se no atraso
elétrico conforme medido por um teste de TDR (Reflectometria de Domínio de Tempo), e não pelo
comprimento físico da capa do cabo. Já que os fios dentro do cabo são trançados, os sinais na
verdade se propagam muito mais longe do que o comprimento físico do cabo. Quando um testador de
cabos faz uma medição TDR, ele envia um sinal de pulso ao longo do par de fios e mede o tempo
exigido para que o pulse volte ao mesmo par de fios.
O teste TDR é usado não somente para determinar comprimento, mas também para
identificar a distância até as falhas de cabeamento como curtos e abertos. Quando o pulso se depara
com uma conexão aberta, em curto ou defeituosa, toda ou parte da energia do pulso é refletida de
volta ao testador. Isto pode ser usado para calcular a distância aproximada até a falha de cabeamento.
A distância aproximada poderá ser útil ao localizar-se o ponto da conexão defeituosa ao longo de um
lance de cabo, como um conector de parede.
Os atrasos de propagação de diferentes pares de fios em um único cabo podem ser
ligeiramente diferentes devido às diferenças no número de tranças e propriedades elétricas de cada
par de fios. A diferença de atraso entre pares é conhecida como desvio de atraso. O desvio de atraso é
um parâmetro crítico para redes de alta velocidade nas quais os dados são simultaneamente
transmitidos através de pares de fios múltiplos, como 1000BASE-T Ethernet. Se o desvio de atraso
entre os pares for muito grande, os bits chegam a diferentes tempos e os dados não podem ser
reagrupados adequadamente. Apesar de que um link de cabo não tenha sido projetado para este tipo
de transmissão de dados, o teste de desvio de atraso ajudará a garantir que o link suportará
atualizações futuras para redes de alta velocidade.
Todos os links de cabos em uma rede local precisam passar em todos os testes
mencionados anteriormente conforme especificados no padrão TIA/EIA-568-B para serem
considerados de acordo com o padrão. Um testador de certificação deve ser usado para garantir que
todos os testes foram aprovados para serem considerados de acordo com o padrão. Esses testes
garantem que os links de cabos funcionarão de forma confiável a altas velocidades e freqüências. Os
testes de cabos deverão ser realizados quando o cabo for instalado e depois regularmente para
garantir que o cabeamento das redes locais satisfaça os padrões da indústria. Os instrumentos de
testes de cabos de alta qualidade deverão ser corretamente utilizados para garantir que os testes são
precisos. Os resultados deverão também ser cuidadosamente documentados.

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Módulo IV – Teste de Cabos
4.3.8 Testando Fibras Óticas

Um link de fibra consiste em duas fibras de vidro separadas funcionando como caminhos de
dados independentes. Uma fibra leva sinais transmitidos em uma direção, enquanto a segunda leva
sinais na direção oposta. Cada fibra de vidro é envolta por uma camada que impede que a luz a
atravesse, portanto não há problemas com diafonia em cabo de fibra ótica. A interferência
eletromagnética externa ou ruído não afetam o cabeamento de fibras. A atenuação ocorre nos links de
fibras, mas a um nível bem menor que aquele no cabeamento de cobre.
Os links de fibras estão sujeitos ao equivalente ótico de descontinuidades de impedância de
UTP.

Figura 144 - Descontinuidade


Quando a luz encontra uma descontinuidade ótica, como uma impureza no vidro ou uma
micro-fratura, um pouco do sinas de luz é refletido de volta na direção oposta. Isto significa que apenas
uma fração do sinal de luz original continuando ao longo da fibra em direção ao receptor. Isso resulta
na redução da quantidade de energia que chega até o receptor, tornando difícil o reconhecimento do
sinal. Da mesma maneira que com o cabo UTP, os conectores instalados incorretamente são a
principal causa da reflexão da luz e perda da intensidade do sinal na fibra ótica.
Já que o ruído não é problema quando se transmite em fibra ótica, a maior preocupação com
o link de fibra é a intensidade do sinal de luz que chega até o receptor. Se a atenuação enfraquece o
sinal de luz no receptor, então erros nos dados resultarão. O teste de cabo de fibra ótica envolve
principalmente a projeção de uma luz através da fibra e a medição para verificar se chega até o
receptor uma intensidade suficiente da luz.
Em um link de fibra ótica, precisa ser calculado o nível aceitável de perda de potência do
sinal que pode ocorrer sem cair abaixo dos requisitos do receptor. Este cálculo é conhecido como
optical link loss budget (orçamento de perda de enlace ótico). Um instrumento de teste de fibra,
conhecido como testador de potência e fonte de luz, verifica se o optical link loss budget (orçamento de
perda de enlace ótico) foi excedido.
Se a fibra não passar no teste, um outro instrumento de teste de cabo pode ser usado para
indicar onde ocorrem as descontinuidades óticas ao longo do comprimento do link de cabo. Um TDR
ótico, conhecido como OTDR, é capaz de localizar estas descontinuidades. Geralmente, o problema é
um ou mais conectores ligados incorretamente. O OTDR indicará o local das conexões defeituosas que
precisam ser substituídas. Depois de corrigidas as falhas, o cabo deverá ser testado novamente.

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Módulo IV – Teste de Cabos
4.3.9 Um Novo Padrão

Em 20 de junho de 2002, foi publicada a emenda ao padrão TIA-568 para a Categoria 6 (ou
Cat 6). O título oficial do padrão é ANSI/TIA/EIA-568-B.2-1. Este novo padrão especifica o conjunto
original de parâmetros de desempenho que precisam ser testados para cabeamento Ethernet, assim
como os valores mínimos para aprovação em cada um destes testes. Os cabos certificados como
cabos Cat 6 precisam passar todos os dez testes.
Apesar dos testes para Cat 6 serem essencialmente os mesmos daqueles especificados
para o padrão de Cat 5, o cabo Cat 6 precisa passar os testes com resultados mais altos para ser
certificado. O cabo Cat 6 precisa ser capaz de levar freqüências de até 250 MHz e precisa ter menores
níveis de diafonia e perda de retorno.
Um testador de cabo de qualidade semelhante à série Fluke DSP-4000 ou Fluke
OMNIScanner2 pode realizar todas as medições de testes exigidos para a certificação dos cabos Cat
5, Cat 5e e Cat 6 tanto dos links permanentes como dos links de canais. A Figura 145
mostra o analisador de cabo Fluke DSP-4100 com um DSP-LIA013 adaptador de canal/tráfego para
Cat 5e.

Figura 145 - Fluke DSP-LIA013 Adaptador de Canal / Tráfego

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Módulo IV – Teste de Cabos
Resumo do Módulo

Deve ter sido obtido um entendimento dos seguintes conceitos importantes:

• As ondas são energias que se propaga de um lugar a outro, e são criadas por distúrbios.
Todas as ondas têm atributos similares como amplitude, período e freqüência.
• As ondas senoidais são funções periódicas, variando continuamente. Os sinais
analógicos se parecem com as ondas senoidais.
• As ondas quadradas são funções periódicas cujos valores permanecem constantes por
um período de tempo e depois mudam repentinamente. Os sinais digitais se parecem
com as ondas quadradas.
• Os expoentes são usados para representar números muito grandes ou muito pequenos. A
base de um número elevado a um expoente positivo é igual à base multiplicada por si mesma
o número de vezes indicado pelo expoente. Por exemplo, 103 = 10 x 10 x 10 = 1000.
• Os logaritmos são semelhantes aos expoentes. Um logaritmo na base 10 de um número
equivale ao expoente ao qual 10 teria que ser elevado para obter o número. Por exemplo, log10
1000 = 3 porque 103 = 1000.
• Os decibéis são medições de um ganho ou perda na energia de um sinal. Os valores
negativos representam perdas e os positivos representam ganhos.
• A análise de domínio de tempo é a elaboração de gráficos de voltagem ou de corrente com
respeito ao tempo, utilizando um osciloscópio. A análise de domínio de freqüência é a
elaboração de gráficos de voltagem ou de energia com respeito à freqüência, utilizando um
analisador de espectro.
• Os sinais indesejáveis em um sistema de comunicações são conhecidos como ruídos. O
ruído é originado de outros cabos, RFI e EMI. O ruído branco afeta todas as freqüências,
enquanto a interferência de banda estreita afeta apenas certo subgrupo de freqüências.
• A largura de banda analógica é a faixa de freqüência que é associada a certas transmissões
analógicas, como televisão ou rádio FM.
• A largura de banda digital mede a quantidade de informações que pode ser transferida de um
lugar para outro em um determinado período de tempo. As suas unidades são vários múltiplos
de bits por segundo.
• A maioria dos problemas de rede local ocorre na camada física. A única maneira de prevenir
ou solucionar muitos destes problemas é pela utilização de testadores de cabos.
• A instalação correta de cabos e de acordo com os padrões aumenta a confiabilidade e
desempenho da rede local.
• Os meios de cobre são disponíveis nos formatos blindado e não blindado. O cabo não blindado
é mais susceptível a ruídos.
• A degradação do sinal é devido a vários fatores como ruído, atenuação, diferença (mismatch)
de impedância e vários tipos de diafonia. Esses fatores causam um desempenho reduzido da
rede.

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Módulo IV – Teste de Cabos
• O padrão TIA/EIA-568-B especifica dez testes que um cabo de cobre deve passar antes que
possa ser usado em redes locais Ethernet modernas de alta velocidade.
• A fibra ótica também precisa ser testada de acordo com os padrões das redes.
• Os cabos Categoria 6 precisam satisfazer padrões de testes de freqüência mais rigorosos que
o cabo Categoria 5.

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151
Módulo IV – Teste de Cabos
TESTE

1) Qual das alternativas a seguir descreve a atenuação?


 A perda da intensidade de um sinal;
 Um aumento da amplitude de um sinal;
 O atraso que ocorre durante o trânsito do sinal;
 O tempo que leva para um sinal chegar ao seu destino;

2) Qual das alternativas a seguir é uma causa de diafonia?


 Cabeamento em uma rede com terminação mal feita;
 Um sinal que perde sua referência em relação ao terra elétrico;
 Ruído em uma linha CA oriundo de um monitor de vídeo ou disco rígido que estejam próximos;
 Sinais de rádio FM, sinais de TV, vários tipos de equipamentos de escritório;

3) Qual das alternativas são testes especificados pelo padrão TIA/EIA 568-B para cabos de
cobre? (Escolha três)
 Harmônicos de sinal;
 Resposta condutiva;
 Mapa de fios;
 Absorção de sinais;
 Perda por inserção;
 Atraso de propagação;

4) Qual das seguintes alternativas descreve uma função normal de um testador de cabos?
 Um TDR testa e detectam falhas em circuitos virtuais;
 Um TDR proporciona informações sobre a localização de um cabo;
 Os mapas de fios proporcionam informações sobre a distância até uma falha no cabeamento;
 Os testadores de cabos podem detectar circuitos abertos em instalações de cabos já existentes;

5) De acordo com o Mapa de fios da figura, quais informações podem ser determinadas com
esse teste de cabos?
 Uma falha nos cabos;
 Um fio aberto;
 Um curto-circuito;
 Um mapa correto;
 Um par dividido;

6) Qual das seguintes alternativas é a razão pela


quais os pares de cabos são trançados no UTP?
 Para ajudar a evitar a diafonia;

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152
Módulo IV – Teste de Cabos
 Para encurtar o cabo;
 Para afinar o cabo;
 Para evitar que o cabo seja dobrado.
7) As placas de rede Ethernet com conectores RJ45 recebem sinais em que par de pinos?
 1 e 2;
 3 e 6;
 4 e 5;
 7 e 8;
8) As placas de rede Ethernet com conectores RJ45 transmitem sinais em que par de pinos?
 1 e 2;
 3 e 6;
 4 e 5;
 7 e 8;
9) Qual dos seguintes cabos será apresentado pelo testador de cabos como uma falha de
cabeamento de pares transpostos?
 Cabo direto;
 Cabo de console;
 Cabo serial;
 Cabo crossover;
 Cabo Ethernet;
10) Através dos testes de fios, a interferência elétrica e a perda de sinal podem ser medidas.
Faça corresponder os nomes com as definições?
Redução da intensidade do sinal através de
1 Diafonia próxima
um meio físico.
2 Diafonia distante Diafonia que ocorre longe do transmissor.
Diafonia próxima por soma de potências
3 Mede o efeito cumulativo da NEXT
(PSNEXT – power sum near-end crosstalk)
O sinal da diafonia sendo medido próximo ao
4 Atenuação
transmissor.
Garante que não existam circuitos de cabos
5 Perda por inserção
abertos ou com curtos-circuitos
Descontinuidade de impedância em um lance
6 Mapa de fios
de cabos

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153
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

5 CABEAMENTO PARA REDES LOCAIS E WANS

5.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO

Mesmo que cada rede local seja única, existem muitos aspectos no desenvolvimento de
projetos que são comuns a todas as redes locais. Por exemplo, grande parte das redes locais segue os
mesmos padrões e os mesmos componentes. Este módulo apresenta informações sobre os elementos
que compõem as redes locais Ethernet e sobre os dispositivos mais usados em redes locais.
Estão disponíveis várias opções de conexão a redes de longa distância (WAN). Elas variam
desde o acesso dial-up até o acesso de banda larga e diferem na largura de banda, no custo e nos
equipamentos necessários. Este módulo apresenta informações sobre os vários tipos de conexões
WAN.

Os alunos, ao concluírem este módulo, serão capazes de:

• Identificar as características das redes Ethernet.


• Identificar os cabos direto, cruzado e rollover.
• Descrever a função, as vantagens e desvantagens dos repetidores, hubs, bridges,
comutadores e componentes de rede sem-fio.
• Descrever a função das redes ponto-a-ponto.
• Descrever a função, vantagens e desvantagens das redes cliente-servidor.
• Descrever e diferenciar os tipos de conexões para WAN entre serial, Integrated Services
Digital Network (ISDN), Digital Subscriber Line (DSL) e cable modem.
• Identificar portas seriais de roteador, cabos e conectores.
• Identificar e descrever o posicionamento dos equipamentos usados em várias configurações
de WAN.

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154
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

5.2 Cabeamento de LAN

5.2.1 Camada física de rede local

Vários símbolos são usados para representar os tipos de meios. O Token Ring é
representado por um círculo. Fiber Distributed Data Interface (FDDI) é representado por dois círculos
concêntricos e o símbolo Ethernet é representado por uma linha reta. As conexões seriais são
representadas por um raio.
Uma rede de computador pode ser montada utilizando vários tipos de meios físicos. A
função dos meios é transportar um fluxo de informações através de uma rede local. As redes locais
sem-fio usam a atmosfera, ou o espaço, como o meio. Outro meio de rede limita os sinais de rede a
um fio, cabo ou fibra. Os meios de rede são considerados componentes da Camada 1, ou camada
física, das redes locais.

Figura 146 - Meios


Todos os meios têm vantagens e desvantagens. Algumas comparações entre vantagens e
desvantagens estão relacionadas à:

• Comprimento do cabo;
• Custo;
• Facilidade de instalação;
• Suscetibilidade à interferência;

O cabo coaxial, a fibra óptica e mesmo o espaço podem transportar sinais de rede. No
entanto, o meio principal que será estudado é o cabo do tipo par trançado não blindado Categoria 5
(Cat 5 UTP) que inclui a família Cat 5e de cabos.
Várias topologias podem ser empregadas em redes locais, assim como vários meios físicos
diferentes. A Figura 147 mostra um subconjunto de implementações de camada física que podem ser
empregadas em redes Ethernet.

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155
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

Figura 147 – Implementação da Camada Física da Rede Local

5.2.2 Ethernet no Campus

A Ethernet é a tecnologia mais usada em redes locais. A Ethernet foi implementada


inicialmente pelo grupo Digital, Intel e Xerox, conhecido como DIX. O grupo DIX criou e implementou a
primeira especificação para redes locais Ethernet, que foi usada como base para a especificação 802.3
IEEE - Institute of Electrical and Electronics Engineers, lançada em 1980. Mais tarde, o IEEE estendeu
a 802.3 a três novos comitês conhecidos como 802.3u (Fast Ethernet), 802.3z (Gigabit Ethernet
através de Fibra Ótica), e 802.3ab (Gigabit Ethernet através da UTP).
Os requisitos de rede podem exigir que seja realizada uma atualização para uma das
tecnologias Ethernet mais rápidas. A maior parte das redes Ethernet suporta velocidades de 10 Mbps e
100 Mbps.
A nova geração de produtos multimídia, de processamento de imagens e de banco de
dados, pode facilmente sobrecarregar uma rede Ethernet que opera a velocidades tradicionais de 10 e
100 Mbps. Os administradores de rede podem considerar a possibilidade de utilizarem Gigabit Ethernet
desde o backbone até o usuário final. Os custos para a instalação de novo cabeamento e adaptadores
podem ser proibitivos. O Gigabit Ethernet para a área de trabalho não é uma instalação padrão
atualmente.

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156
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

Geralmente as tecnologias Ethernet podem ser usadas de várias maneiras na rede de um


campus:

• Uma velocidade Ethernet de 10 Mbps pode ser usada no nível do usuário para proporcionar
um bom desempenho. Os clientes ou servidores que exijam mais largura de banda podem
usar Ethernet de 100 Mbps.

• A Fast Ethernet é usada como a ligação entre os dispositivos dos usuários e da rede. Ela pode
suportar a combinação de todo o tráfego de todos os segmentos Ethernet.

• Para aprimorar o desempenho cliente-servidor através da rede do campus e evitar gargalos


(estrangulamentos), pode-se usar Fast Ethernet para conectar os servidores empresariais.

• Fast Ethernet ou Gigabit Ethernet são acessíveis e devem ser implementadas entre os
dispositivos de backbone.

Figura148 - Ethernet no Campus

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157
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

5.2.3 Meios Ethernet e requisitos de conectores

Antes de se selecionar uma implementação Ethernet, considere os requisitos dos meios e


conectores para cada implementação. Considere também o nível de desempenho que a rede
necessita.
As especificações dos cabos e conectores usados para suportar as implementações
Ethernet se originam dos padrões da Electronic Industries Association e da Telecommunications
Industry Association (EIA/TIA). As categorias de cabeamento definidas para Ethernet se originam nos
padrões EIA/TIA-568 (SP-2840) Commercial Building Telecommunications Wiring Standards.
A Figura 149 compara as especificações de cabos e conectores para as implementações
Ethernet mais usadas. É importante observar a diferença entre os meios que podem ser usados para a
Ethernet de 10 Mbps e os que podem ser usados em redes Ethernet de 100 Mbps. Redes onde há
uma combinação de tráfego de 10 e 100Mbps precisam utilizar cabo UTP categoria 5 ou superior para
que possam suportar Fast Ethernet.

Figura 149 – Meios Ethernet e Requisitos do Conector

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158
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

5.2.4 Meios de conexão

A Figura 150 ilustra os diferentes tipos de conexões usados por cada implementação de
camada física. O jack e conector RJ-45 (registered jack) são os mais comuns. Os conectores RJ-45
são estudados em maiores detalhes na próxima seção.

Figura 150 – Diferenciando entre as Conexões

Em alguns casos o tipo de conector de uma placa de rede (NIC) não corresponde aos meios
com os quais ele precisa conectar-se. Como mostra a Figura 150, pode haver uma interface com o
conector AUI (Attachment Unit Interface) de 15 pinos. O conector AUI permite conexão a diferentes
meios físicos quando são usados com o transceiver apropriado. Um transceiver é um adaptador que
converte um tipo de conexão em outra. Tipicamente, um transceiver converte um AUI em um conector
RJ-45,em coaxial ou em um conector de fibra óptica. Na Ethernet 10BASE5, ou Thicknet, é usado um
pequeno cabo para conectar o AUI com um transceiver instalado no cabo principal.

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159
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

5.2.5 Implementação de UTP

Os padrões EIA/TIA especificam o uso de um conector RJ-45 para cabos UTP. As letras RJ
representam Registered Jack, e o número 45 se refere a uma seqüência específica de cabeamento.
Um conector transparente RJ-45 mostra oito fios coloridos. Quatro desses fios transportam a voltagem
e são denominados "TIP" (T1 a T4). Os outros quatros fios são aterrados e são conhecidos como
"RING" (R1 a R4). Tip e Ring são termos originários dos primórdios da telefonia. Atualmente, estes
termos se referem ao positivo e o negativo em um par de fios . Os fios no primeiro par de um cabo ou
conector são designados como T1 e R1. O segundo par é T2 e R2 e assim por diante.
O conector RJ-45 é o componente macho, crimpado na extremidade do cabo. Quando se
olha o conector macho de frente, os locais dos pinos são numerados de 1 a 8, da direita para a
esquerda conforme mostra a Figura 151.

Figura 151 – Conector RJ45

O jack é o componente fêmea em um dispositivo de rede, tomada de parede ou patch panel


conforme ilustrado na Figura 152.

Figura 152 - Conector Jack

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160
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

A Figura 153 exibe as conexões de punch down na parte de trás do jack onde o cabo UTP
Ethernet se conecta.

Figura 153 – Parte de trás do jack

Para que a eletricidade possa fluir entre a tomada e o conector, a ordem dos fios deve seguir
o código de cores T568A ou T568B encontrado nos padrões EIA/TIA-568-B.1, conforme ilustrado na
Figura 154.

Figura 154 – Padrões EIA/TIA T568A e 568-B

Para identificar a categoria EIA/TIA correta do cabo a ser usado para conectar um
equipamento, olhe a documentação do equipamento ou procure uma etiqueta próxima ao conector. Se
não houver documentação ou etiqueta disponível, use um cabo Categoria 5E ou superior já que
categorias mais altas podem ser usadas no lugar das mais baixas. Então determine se deve usar um
cabo direto ou crossover.
Se os dois conectores RJ-45 de um cabo forem mantidos lado a lado na mesma direção, os
fios coloridos serão vistos em cada um deles. Se a ordem dos fios coloridos for a mesma em cada
extremidade, então o cabo é direto conforme ilustrado na Figura 155.

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161
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

Figura 155 – Cabo direto

Com o cruzado, os conectores RJ-45 em ambas as extremidades mostram que alguns dos
fios em um lado do cabo são cruzados para um pino diferente no outro lado do cabo. A Figura 156
mostra que os pinos 1 e 2 em um conector se conectam aos pinos 3 e 6 no outro conector,
respectivamente.

Figura 156 - Cabo cruzado

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162
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

A Figura 157 ilustra as diretrizes do tipo de cabo que deve ser usado quando se faz a
interconexão de dispositivos Cisco.

Figura 157 – Implementação UTP

Use cabos diretos para o seguinte cabeamento:


• Comutador ao roteador
• Comutador para o PC ou servidor
• Hub para PC ou servidor
Use cabos cruzados para os seguintes cabeamentos:
• Comutador para comutador
• Comutador para hub
• Hub para hub
• Roteador para roteador
• PC para PC
• Roteador para PC

A Figura 158 ilustra como uma variedade de tipos de cabos pode ser exigida em uma dada
rede. A categoria exigida de cabo UTP é baseada no tipo de Ethernet escolhida.

Figura 158 – Interconexões de dispositivos com cabo cruzado


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163
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

5.2.6 Repetidores

O termo repetidor tem sua origem nos primeiros tempos das comunicações a longa
distância. O termo descreve a situação onde uma pessoa em uma colina repetia o sinal que acabara
de receber de uma pessoa na colina anterior. O processo se repetia até que a mensagem chegasse ao
seu destino. As comunicações por telégrafo, telefone, microondas e ópticas usam repetidores para
fortalecer os sinais enviados a longa distância.
Um repetidor recebe um sinal, restaura esse sinal e o passa adiante. Ele pode restaurar e
retemporizar os sinais de rede ao nível de bit para permitir que trafeguem uma distância maior nos
meios.

Figura 159 – Repetidores

Ethernet e IEEE 802.3 implementa uma regra, conhecida como a regra 5-4-3, para o número
de repetidores e segmentos em backbones de acesso compartilhado Ethernet em um topologia em
árvore. A regra 5-4-3 divide a regra em dois tipos de segmentos físicos: segmentados populados
(usuário), e segmentos não-populados (link). Segmentos de usuários têm usuários de sistemas
conectados a eles. Segmentos de link são usados para conectar os repetidores da rede juntos. A regra
dita que entre quaisquer dois nós na rede podem existir o máximo de cinco segmentos, conectados
através de quatro repetidores, ou concentradores, e somente três dos cinco segmentos podem conter
conexões de usuários.
O protocolo Ethernet requer que o sinal enviado a LAN alcance todas as partes da rede
dentro de um tamanho de tempo especificado. A regra 5-4-3 garante isto. Cada repetidor pelo qual um
sinal passa adiciona uma pequena quantidade de tempo para processar, de modo que a regra é
projetada para minimizar o tempo de transmissão dos sinais. Muita latência na LAN aumenta o número
de colisões tardias e faz com que a LAN seja menos eficiente.

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164
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

5.2.7 Hubs

Os hubs são na realidade repetidores multiporta. Em muitos casos, a diferença entre os dois
dispositivos é o número de portas que cada um oferece. Enquanto um repetidor típico possui apenas
duas portas, um hub geralmente possui de quatro a vinte e quatro portas.

Figura 160 - Hub

Os hubs são mais comumente usados em redes Ethernet 10BASE-T ou 100BASE-T, embora
existam outras arquiteturas de redes que também os utilizam.
A utilização de um hub modifica a topologia da rede de um barramento linear, onde cada
dispositivo se liga diretamente a um fio, em uma topologia em estrela. Com os hubs, os dados que
chegam através de cabos a uma porta do hub, são repetidos eletricamente em todas as outras portas
conectadas ao mesmo segmento da rede, com exceção da porta na qual os dados foram enviados.

Os hubs vêm em três tipos básicos:

• Passivo: Um hub passivo serve apenas de ponto de conexão física. Ele não manipula ou
verifica o tráfego que o cruza. Não reforça ou limpa o sinal. Um hub passivo é usado somente
para compartilhar os meios físicos. Desta maneira, o hub passivo não necessita de energia
elétrica.
• Ativo: Um hub ativo precisa estar ligado a uma tomada elétrica, pois necessita de energia para
amplificar o sinal que chega a uma porta antes de passá-lo para as outras portas.
• Inteligente: Os hubs inteligentes às vezes são chamados smart hubs. Esses dispositivos
basicamente funcionam como hubs ativos, mas incluem também um chip microprocessador e
capacidade de diagnóstico. Os hubs inteligentes são mais caros que os ativos, mas são mais
úteis nas situações de resolução de problemas.

Os dispositivos que estão ligados ao hub recebem todo o tráfego que passa pelo hub.
Quanto mais dispositivos estiverem ligados ao hub, maior será a possibilidade de ocorrerem colisões.
Uma colisão ocorre quando duas ou mais estações de trabalho enviam dados através do fio da rede ao

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165
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

mesmo tempo. Quando isso ocorrer, todos os dados serão corrompidos. Todos os dispositivos
conectados ao mesmo segmento de rede são conhecidos como membros de um domínio de colisão.
Às vezes os hubs são chamados de concentradores, pois servem como um ponto central de
conexão para uma rede local Ethernet.

5.2.8 Sem-fio

Uma rede sem-fio pode ser criada com muito menos cabeamento que outras redes. Os
sinais sem-fio são ondas eletromagnéticas que se propagam através do ar. As redes sem-fio usam
radiofreqüências (RF), laser, infravermelho (IR) ou satélite/microondas para transportar os sinais de um
computador a outro sem uma conexão permanente por cabos. O único cabeamento permanente pode
ser para os pontos de acesso da rede (access points). As estações de trabalho dentro da faixa da rede
sem-fio podem ser movidas facilmente sem conectar e reconectar o cabeamento da rede.

Figura 161 - Meios sem-fio

Uma aplicação comum de comunicações de dados sem-fio é para uso de usuários móveis.
Alguns exemplos de usuário móvel incluem viajantes, aviões, satélites, sondas espaciais remotas,
estações e ônibus espaciais.
No núcleo das comunicações sem-fio se encontram dispositivos conhecidos como
transmissores e receptores. O transmissor converte dados de origem em ondas eletromagnéticas (EM)
que são transmitidas para o receptor. O receptor então converte essas ondas eletromagnéticas
novamente em dados para o destino. Para comunicações de mão dupla, cada dispositivo exige um
transmissor e um receptor. Muitos fabricantes de dispositivos para redes confeccionam o transmissor e
o receptor em uma só unidade conhecida como transceiver ou placa de rede sem-fio. Todos os
dispositivos em redes locais sem-fio (WLANs) precisam ter instalada a placa de rede sem-fio
apropriada.
As duas tecnologias sem-fio mais comumente usadas para redes são IR e RF. A tecnologia
IR tem seus pontos fracos. As estações de trabalho e os dispositivos digitais precisam estar na linha de
visão do transmissor para que possam operar. Uma rede baseada em infravermelho é própria para

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Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

ambientes onde todos os dispositivos digitais que exigem conectividade de rede estejam em uma só
sala. A tecnologia de rede IR pode ser rapidamente instalada, mas os sinais de dados podem ser
atenuados ou obstruídos pela umidade do ar ou por pessoas que andam pela sala. Há, porém, novas
tecnologias IR sendo desenvolvidas que podem funcionar fora da linha de visão.
A tecnologia de radiofreqüência permite que os dispositivos estejam em salas ou mesmo em
edifícios diferentes. A faixa limitada dos sinais de rádio restringe o uso deste tipo de rede. A tecnologia
RF pode utilizar apenas uma ou múltiplas.freqüências. Uma radiofreqüência simples está sujeita à
interferência externa e obstruções geográficas. Além do mais, uma freqüência simples é mais fácil de
ser monitorada por outros, o que torna a transmissão de dados menos segura. A tecnologia de
espectro espalhado evita problemas de segurança na a transmissão de dados ao usar freqüências
múltiplas para aumentar a imunidade ao ruído e para dificultar a interceptação de transmissões de
dados por pessoas estranhas.
Dois métodos atualmente sendo considerados para implementar a tecnologia de espectro
espalhado para transmissões WLAN são Frequency Hopping Spread Spectrum (FHSS) e Direct
Sequence Spread Spectrum (DSSS). Os detalhes técnicos de como essas tecnologias funcionam
estão além do escopo deste curso.

5.2.9 Bridges

Às vezes é necessário dividir uma rede local grande em segmentos menores e mais fáceis
de serem gerenciados.

Figura 162 - Bridges segmentando uma rede

Isso diminui o tráfego em uma única rede local e pode estender a área geográfica além do
que uma única rede local pode suportar. Os dispositivos usados para conectar os segmentos de uma
rede incluem bridges, comutadores, roteadores e gateways. Os switches e bridges operam na camada
de Link de Dados do modelo OSI. A função da bridge é tomar decisões inteligentes sobre repassar ou
não os sinais para o próximo segmento de uma rede.

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167
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

Figura 163 – Bridges segmentando redes

Quando uma bridge recebe um quadro da rede, o endereço MAC de destino é procurado na
tabela da bridge para determinar se deve ou não filtrar, passar adiante ou copiar o quadro para o outro
segmento. Este processo de decisão ocorre da seguinte maneira:

• Se o dispositivo de destino estiver no mesmo segmento que o quadro, a bridge impede que o
quadro siga para outros segmentos. Este processo é conhecido como filtragem.
• Se o dispositivo de destino estiver em um segmento diferente, a bridge encaminhará o quadro
ao segmento apropriado.
• Se o endereço de destino for desconhecido para a bridge, a bridge encaminha o quadro a
todos os segmentos com exceção daquele de onde foi recebido. Este processo é conhecido
como inundação (flooding).
• Se for colocada estrategicamente, uma bridge pode aumentar em muito o desempenho da
rede.

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168
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

5.2.10 Comutadores

Um comutador às vezes é descrito como uma bridge multiporta. Enquanto que uma bridge
típica poderá ter apenas duas portas ligando os segmentos da rede, o comutador pode ter várias
portas dependendo de quantos segmentos de rede deverão ser ligados. Como as bridges, os
comutadores aprendem certas informações sobre os pacotes de dados que são recebidos de vários
computadores na rede. Os comutadores usam essas informações para fazer tabelas de
encaminhamento para determinar o destino dos dados que estão sendo enviados por um computador
a outro dentro da rede.

Figura 164 - Switch Cisco série 2900

Figura 165 – Tabela de Comutação

Embora haja algumas semelhanças entre os dois, o comutador é um dispositivo mais


complexo que a bridge. Uma bridge determina se o quadro deveria ser encaminhado ao outro
segmento de rede baseado no endereço MAC de destino. Um comutador tem muitas portas com
muitos segmentos de redes conectados a ele. Um comutador escolhe a porta à qual o dispositivo de

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169
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

destino ou estação de trabalho será conectado. Os comutadores Ethernet estão se tornando soluções
populares de conectividade porque, como as bridges, eles aprimoram o desempenho da rede ao
melhorar a velocidade e largura de banda.
A comutação é uma tecnologia que alivia o congestionamento nas redes locais Ethernet,
reduzindo o tráfego e aumentando a largura de banda. Os comutadores podem facilmente substituir os
hubs, pois funcionam com a infra-estrutura de cabos já existente. Isso melhora o desempenho com um
mínimo de invasão na rede já existente.
Nas comunicações de dados hoje, todo o equipamento de comutação realiza duas
operações básicas. A primeira operação é conhecida como comutação de quadros de dados
(frames). A comutação de quadros de dados é o processo pelo qual um quadro é recebido em um
meio de entrada e depois transmitido a um meio de saída. A segunda é a manutenção das
operações de comutação onde os comutadores criam e mantêm tabelas de comutação e
procuram por loops.
Os comutadores operam em velocidades muito mais altas que as bridges e podem suportar
novas funcionalidades, como redes locais virtuais (Virtual LAN).
Um comutador Ethernet oferece muitas vantagens. Uma vantagem é que um comutador
Ethernet permite que muitos usuários se comuniquem em paralelo através da utilização de circuitos
virtuais e segmentos dedicados de rede em um ambiente virtualmente livre de colisões.

Figura 166 – Microsegmentação da Rede

Isso maximiza a largura de banda disponível no meio compartilhado. Outra vantagem é que
mudar para um ambiente de rede local comutada é muito econômico porque o cabeamento e o
hardware existentes podem ser reutilizados.

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5.2.11 Conectividade do Host

A função de uma placa de rede é conectar um dispositivo host ao meio de rede. Uma placa
de rede é uma placa de circuito impresso que cabe no slot de expansão na placa mãe ou dispositivo
periférico a ser inserido em um computador. A placa de rede é também conhecida como adaptador de
rede. Nos computadores laptop ou notebooks uma placa de rede é do tamanho de um cartão de
crédito.

Figura 167 - Placa de Rede

As placas de redes são consideradas dispositivos de Camada 2, pois cada uma delas
contém um código particular chamado endereço MAC. Este endereço é usado para controlar as
comunicações de dados para o host na rede. Mais adiante você vai saber mais sobre o endereço MAC.
Como o nome sugere, a placa de interface de rede controla o acesso do host ao meio.
Em alguns casos o tipo de conector na placa de rede não corresponde ao meio físico ao qual
deve ser conectado. Um bom exemplo é um roteador Cisco 2500. No roteador é visto um conector AUI.
O conector AUI precisa ser conectado a um cabo UTP Cat 5 Ethernet. Para fazer isso, um
transmissor/receptor, também conhecido como transceiver, é usado. Um transceiver converte um tipo
de sinal ou conector em outro. Por exemplo, um transceiver não pode conectar uma interface AUI de
15 pinos a um conector RJ-45. Ele é considerado um dispositivo da Camada 1, porque só considera os
bits e não as informações de endereço ou protocolos de níveis superiores.
As placas de rede não têm nenhum símbolo padronizado. Subentende-se que, quando os
dispositivos de rede são conectados aos meios de rede, está presente uma placa de rede ou um
dispositivo similar a uma placa de rede. Sempre que se vê um ponto no mapa de topologia, ele
representa ou uma placa de rede ou uma porta, que funciona como uma placa de rede.

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171
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

5.2.12 Comunicação Ponto-a-Ponto

Com a utilização das tecnologias de redes locais e WAN, vários computadores são
interligados para oferecer serviços aos seus usuários. Para realizar isso, os computadores interligados
assumem diferentes papéis ou funções em relação aos outros.

Figura 168 - Rede ponto-a-ponto

Alguns tipos de aplicações exigem que os computadores funcionem como parceiros iguais.
Outros tipos de aplicações distribuem suas tarefas para que um computador funcione para servir vários
outros em uma relação de desigualdade. Em qualquer um dos casos, dois computadores tipicamente
se comunicam usando protocolos de pedido/resposta (request/response). Um computador emite um
pedido para um serviço e o segundo computador recebe e responde àquele pedido. O requisitante
assume o papel de um cliente e o que responde assume o papel de um servidor.
Em uma rede ponto-a-ponto, os computadores interconectados agem como parceiros iguais,
ou pares. Como pares cada computador pode assumir a função de cliente ou a função de servidor. Em
um momento, o computador A pode requisitar um arquivo do computador B, o qual responde enviando
o arquivo ao computador A. O Computador A funciona como cliente, enquanto que o B funciona como
servidor. E mais tarde, os computadores A e B podem inverter os papéis.
Em uma rede ponto-a-ponto, usuários individuais controlam seus próprios recursos. Os
usuários podem decidir compartilhar determinados arquivos com outros usuários.

Figura 170 - Compartilhando acesso Figura169 - Compartilhando pastas


Os usuários podem também requisitar senhas antes de permitir que outros acessem seus
recursos. Já que os usuários individuais tomam essas decisões, não existe um ponto central de
controle ou administração na rede. Além disso, os usuários individuais precisam fazer backup dos seus
próprios sistemas para poderem recuperar a perda de dados em caso de falhas. Quando um
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172
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

computador atua como servidor, o usuário daquela máquina poderá sofrer uma redução de
desempenho enquanto a máquina atende aos requisitos feitos por outros sistemas.
As redes ponto-a-ponto são relativamente fáceis de instalar e operar. Não é necessário
nenhum equipamento adicional além de um sistema operacional apropriado instalado em cada
computador. Já que os usuários controlam seus próprios recursos, não são necessários
administradores dedicados.
Com o crescimento das redes, as relações ponto-a-ponto se tornam cada vez mais difíceis
de coordenar. Uma rede ponto-a-ponto funciona bem com até 10 computadores. Já que as redes
ponto-a-ponto não se adaptam bem a seu crescimento, a sua eficiência diminui rapidamente conforme
for aumentando o número de computadores na rede. Também, os usuários individuais controlam o
acesso aos recursos em seus computadores, o que significa que poderá ser difícil manter a segurança.
O modelo de rede cliente/servidor pode ser usado para superar as limitações da rede ponto-a-ponto.

5.2.13 Cliente/Servidor

Em uma configuração cliente/servidor, os serviços de redes estão localizados em um


computador dedicado denominado servidor. O servidor responde às solicitações de clientes.

Figura 171 - Rede cliente-servidor

O servidor é um computador central que está disponível continuamente para atender às


solicitações de clientes para arquivos, impressão, aplicativos e outros serviços. A maior parte dos
sistemas operacionais de redes adotam o formato de relação cliente/servidor. Tipicamente, os
computadores de mesa funcionam como clientes e um ou mais computadores com maior capacidade
de processamento e memória além de softwares especializados funcionam como servidores.

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173
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

Figura 172 – Cliente-Servidor

Os servidores são projetados para processarem simultaneamente solicitações de vários


clientes. Antes que um cliente possa acessar os recursos do servidor, ele precisa ser identificado e
autorizado a usá-los. Isto é possível quando se dá a cada cliente um nome de conta e senha que é
verificada por um serviço de autenticação. O serviço de autenticação age como uma sentinela para
guardar o acesso à rede. Com a centralização das contas, da segurança e do controle de acesso do
usuário, as redes baseadas em servidor simplificam a administração de grandes redes.
A concentração de recursos de rede como arquivos, impressoras e aplicativos nos
servidores também torna mais fácil o back-up e a manutenção dos dados gerados. Ao invés de se ter
esses recursos espalhados em máquinas individuais, eles podem ser localizados em servidores
especializados e dedicados para um acesso mais fácil. A maior parte dos sistemas cliente/servidor
também inclui instalações para aprimorar a rede com a adição de novos serviços que ampliam a
utilidade da rede.
A distribuição das funções nas redes cliente/servidor traz consideráveis vantagens, mas
também acarretam alguns custos. Embora a agregação de recursos aos sistemas de servidor traga
maior segurança, um acesso mais simples e controle coordenado, o servidor apresenta um único ponto
falho à rede. Sem um servidor operacional, a rede não pode funcionar de maneira alguma. Os
servidores exigem pessoal treinado e experiente para administrá-los e mantê-los. Isso aumenta as
despesas de operação da rede. Os sistemas de servidor exigem hardware adicional e softwares
especializados, o que aumenta o custo.

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174
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

As Figuras e resumem as vantagens e desvantagens do ponto-a-ponto versus cliente-


servidor.

Rede Ponto-a-Ponto versus Cliente-Servidor

Vantagens da Rede Ponto-a-Ponto Vantagens da Rede Cliente-Servidor


Mais econômico Oferece melhor segurança
Não exige software adicional especializado de É mais fácil de administrar quando a rede é
administração de redes grande, pois a administração é centralizada.

Desvantagens da Rede Ponto-a-Ponto Desvantagens da Rede Cliente-Servidor


Não se adapta bem ao crescimento de grandes
Exige software especializado muito caro para a
redes e a administração se torna mais difícil de
operação e a administração de redes.
ser gerenciada.
Cada usuário precisa ser treinado para realizar Exige hardware mais caro e muito mais potente
as tarefas administrativas. para a máquina do servidor.
Menos seguro Requer um administrador profissional.
Todas as máquinas que compartilham os Possui um único ponto de falha. Se o servidor
recursos tem o desempenho afetado de maneira estiver inativo os dados do usuário não estarão
negativa. disponíveis.

Figura 173 - Ponto-a-ponto versus Cliente-Servidor

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175
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

5.3 CABEAMENTO DE WAN

5.3.1 Camada física de WAN

As implementações da camada física variam dependendo da distância entre o equipamento


e os serviços, da velocidade e do próprio tipo de serviço.
As conexões seriais são usadas para acomodar os serviços WAN tais como linhas
dedicadas alugadas sobre as quais é utilizado o Point-to-Point Protocol (PPP) ou Frame Relay. A
velocidade dessas conexões varia dos 2400 bits por segundo (bps) aos serviços T1 a 1,544 megabits
por segundo (Mbps) e E1 que opera a 2,048 megabits por segundo (Mbps).

Figura 174 - Tipos de Serviços WAN

ISDN oferece conexões de discagem por demanda ou serviços de dial backup. Uma Basic
Rate Interface (BRI) ISDN é composta de dois canais bearer de 64 kbps (canais B) para dados e um
canal delta (canal D) a 16 kbps usado para sinalização e tarefas de gerenciamento de links. PPP é
normalmente usado para transportar dado através dos canais B.
Com a crescente demanda para serviços residenciais de banda larga de alta velocidade, as
conexões DSL e cable modem estão se tornando as mais populares. Por exemplo, um serviço
residencial DSL típico pode alcançar velocidades T1/E1 através da linha telefônica já existente. Os
serviços de cabos usam as linhas de cabo coaxial para TV já existente. Uma linha de cabo coaxial
proporciona uma conectividade de alta velocidade que corresponde ou excede a de DSL. Os serviços
DSL e cable modem serão estudados em maiores detalhes em um módulo futuro.

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176
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

5.3.2 Conexões seriais de WAN

Para comunicações de longa distância, as WANs usam transmissões seriais. Este é um


processo pelo quais os bits de dados são enviados através de um único canal. Este processo
proporciona uma comunicação de longa distância confiável e a utilização de uma faixa específica de
freqüência óptica ou eletromagnética.
As freqüências são medidas em termos de ciclos por segundo e expressas em Hertz (Hz).
Os sinais transmitidos através de linhas telefônicas em nível de voz usam 4 kilohertz (kHz). O
tamanho da faixa de freqüência é conhecido como largura de banda. Em cabeamento de redes, a
largura de banda é a medida de bits por segundo que são transmitidos.

Figura175 – Comparação de padrões físicos

Para um roteador Cisco, a conectividade física na instalação do cliente é proporcionada por


um dos dois tipos possíveis de conexões seriais. O primeiro tipo de conexão serial é um conector de
60 pinos. O segundo é um conector ‘smart serial’ mais compacto. O conector com o provedor de
serviço varia conforme o tipo de equipamento de conexão fornecido.

Figura 176 – Opções de conexões seriais

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177
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

Se a conexão for feita diretamente em um provedor de serviços, ou um dispositivo que


proporcione sinal de sincronismo (clock) como uma CSU/DSU (Chanel/Data Service Unit), o roteador
será um DTE (equipamento de terminal de dados) e usará um cabo serial DTE. Normalmente este é o
caso. Porém, há ocasiões onde é necessário que o roteador local forneça o clock e, portanto utilizará
um cabo DCE (equipamento de comunicação de dados). Nos testes de curso dos roteadores, será
necessário que um dos roteadores conectados tenha a função de fornecer o clock. Portanto, a conexão
consistirá em um cabo DTE e de um DCE.

5.3.3 Roteadores e Conexões Seriais

Os roteadores são responsáveis pelo roteamento de pacotes de dados desde a origem até o
destino dentro da rede local e pelo fornecimento de conectividade à WAN. Dentro de um ambiente de
rede local o roteador bloqueia os broadcasts, fornecem serviços de resolução de endereços locais,
como ARP e RARP e pode segmentar a rede usando uma estrutura de sub-redes. A fim de
proporcionar esses serviços, o roteador precisa estar conectado à rede local e à WAN.
Além de determinar o tipo de cabo, é necessário determinar se é necessário ter os
conectores DTE ou DCE. O DTE é a terminação do dispositivo do usuário no link com a WAN. O DCE
é tipicamente o ponto onde a responsabilidade para a entrega de dados passa às mãos do provedor
de serviços.
Quando conectado diretamente a um provedor de serviços, ou a um dispositivo como uma
CSU/DSU que manterá o sincronismo (clocking) de sinal, o roteador é um DTE e necessita de um cabo
serial DTE.

Figura 177 - Implementação Serial de DTE e DCE

Isso é o caso típico no uso de roteadores. No entanto, há casos onde o roteador precisará
ser o DCE. Ao realizar uma experiência com roteador back-to-back em um ambiente de teste, um dos
roteadores será um DTE e o outro DCE.

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178
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

Ao se fazer o cabeamento para conectividade serial, os roteadores poderão ter portas fixas ou portas
modulares. O tipo de porta que estiver sendo usada afetará a sintaxe usada mais tarde para configurar
cada interface.

Figura178 - Conexão Serial Back-To-Back

As interfaces nos roteadores com portas seriais fixas são etiquetadas por tipo de porta e
número de porta.

Figura 179 - Interfaces Fixas

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179
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As interfaces nos roteadores com portas seriais modulares são etiquetadas por tipo de porta,
slot e número de porta.

Figura 180 - Interface de Porta Serial Modular

O slot é a localização do módulo. Para configurar uma porta em uma placa modular, é
necessário especificar a interface usando a sintaxe "port type slot number/port number". Use a
etiqueta "serial 1/0," quando a interface for serial, o número do slot onde o módulo estará instalado é 1,
e a porta que está sendo referenciada é porta 0.

5.3.4 Roteadores e Conexões ISDN BRI

Com ISDN BRI, podem ser usados dois tipos de interfaces, BRI S/T e BRI U. Determinar
quem está fornecendo o dispositivo NT1 (Network Termination 1) a fim de determinar qual o tipo de
interface é necessária.

Um NT1 é um dispositivo intermediário localizado entre o roteador e o comutador ISDN


provedor de serviços. O NT1 é usado para conectar o cabeamento de quatro fios do assinante ao loop
local de dois fios convencional. Na América do Norte, o cliente normalmente fornece o NT1, enquanto
no resto do mundo o provedor de serviços fornece o dispositivo NT1.

Talvez seja necessário fornecer um NT1 externo se o dispositivo já não estiver integrado ao
roteador. Analisar as etiquetas das interfaces dos roteadores é geralmente a maneira mais fácil de
determinar se o roteador tem um NT1 integrado. Uma interface BRI com um NT1 integrado é
etiquetada BRI U. Uma interface BRI sem um NT1 integrado é etiquetada BRI S/T. Já que os

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180
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

roteadores podem ter vários tipos de interfaces ISDN, determinar qual interface é necessária quando o
roteador é comprado. O tipo da interface BRI pode ser determinado verificando-se a etiqueta da porta.

Figura 181 – Roteadores de Cabeamento para Conexões ISDN

Para interconectar a porta ISDN BRI ao dispositivo do provedor de serviços, use um cabo
direto UTP Categoria 5.

É importante inserir o cabo que sai da porta ISDN BRI somente a um conector ou comutador ISDN. O ISDN
BRI usa voltagens que podem danificar gravemente os dispositivos que não são ISDN.

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181
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5.3.5 Roteadores e Conexões DSL

O roteador Cisco 827 ADSL possui uma interface ADSL (Asymmetric Digital Subscriber
Line).

Figura 182 - Roteador Cisco 827-4V

Para conectar uma linha ADSL à porta ADSL no roteador, faça o seguinte:

• Conecte o cabo telefônico à porta ADSL no roteador.


• Conecte a outra extremidade do cabo telefônico ao conector de telefone.

Para conectar um roteador ao serviço DSL, use um cabo telefônico com conectores RJ-11. O
DSL funciona através de linhas telefônicas padrão usando os pinos 3 e 4 em um conector RJ-11
padrão.

5.3.6 Roteadores e Conexões de Cabos

O roteador de acesso a cabo Cisco uBR905 fornece acesso de alta velocidade à rede
através do sistema de televisão a cabo de assinantes residenciais, e empresas de pequeno porte e
escritórios domiciliares (SOHO). O roteador uBR905 possui um cabo coaxial, ou conector F, interface
que conecta diretamente ao sistema de cabos. Um cabo coaxial e um conector F são usados para
conectar o roteador e o sistema de cabos.

Siga os seguintes passos para conectar o roteador de acesso por cabo Cisco uBR905 ao
sistema de cabos:

• Confirme que o roteador não esteja conectado à energia.


• Localize o cabo coaxial RF que vem da tomada de cabo coaxial (TV) na parede.
• Instale um divisor de sinais/acoplador direcional, caso necessário, para separar os sinais
para utilização da TV e do computador. Caso necessário, instale também um filtro passa-
alta para evitar a interferência entre sinais da TV e os do computador.
• Conecte o cabo coaxial ao conector F do roteador.

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182
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

Figura 183 - Roteador Cisco uBR905

• Aperte o conector com a mão, certificando-se de que esteja o mais firme possível e depois
o gire 60 graus com um alicate.

• Certifique-se de que todos os outros conectores de cabos coaxiais, todos os separadores


intermediários, acopladores ou blocos de aterramento estejam firmemente apertados
desde o quadro de distribuição até o roteador Cisco uBR905.

Não aperte o conector excessivamente. Apertar demais pode quebrá-lo. Jamais use uma chave de torque
devido ao perigo de apertar o conector mais do que os 60 graus recomendados depois de apertá-lo
firmemente.

5.3.7 Instalando Conexões de Console

Para realizar a configuração inicial de um dispositivo Cisco, uma conexão de gerenciamento


deve estar ligada diretamente ao dispositivo. Para o equipamento Cisco esta conexão de
gerenciamento é denominada porta de console. A porta de console permite a monitoração e
configuração de um hub, comutador ou roteador Cisco.

O cabo usado entre um terminal e uma porta de console é um cabo rollover, com conectores
RJ-45.

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183
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

Figura 184 - Configuração de uma Conexão de Console

O cabo rollover, também conhecido como cabo de console, possui uma pinagem diferente
daquela encontrada nos cabos RJ-45 diretos ou cruzados usados com Ethernet ou ISDN BRI. A
pinagem para um rollover é a seguinte:

1a8
2a7
3a6
4a5
5a4
6a3
7a2
8a1
Para instalar uma conexão entre o terminal e a porta de console Cisco, realize duas etapas.
Primeiro, faça a conexão dos dispositivos usando um cabo rollover de uma porta de console do
roteador à porta serial da estação de trabalho. Um adaptador RJ-45-para-DB-9 ou um RJ-45-para-DB-
25 pode ser necessário para o PC ou terminal. Em seguida, configure a aplicação da emulação do
terminal com as seguintes configurações de porta serial (COM): 9600 bps, 8 bits de dados, sem
paridade, 1 bit de parada, sem controle de fluxo.

A porta AUX é usada para fornecer gerenciamento out-of-band através de um modem. A


porta AUX deve ser configurada através da porta de console antes que possa ser usada. A porta AUX
também usa as configurações de 9600 bps, 8 bits de dados, sem paridade, 1 bit de parada, sem
controle de fluxo.

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184
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

Resumo do Módulo

Deve ter sido obtido um entendimento dos seguintes conceitos chave:

• Uma placa de rede (NIC) fornece recursos de comunicação entre a rede e um PC e vice-versa.
• Usar um cabo cruzado para fazer a conexão entre dois dispositivos semelhantes, como
comutadores, roteadores, PCs e hubs.
• Usar um cabo direto para fazer a conexão entre dispositivos diferentes, como conexões
entre um comutador e um roteador, um comutador e um PC ou um hub e um roteador.
• Existem dois tipos principais de redes locais, ponto-a-ponto e cliente/servidor.
• WANs usam transmissão serial de dados. Os tipos de conexões WAN incluem ISDN, DSL e
cable modems.
• Um roteador é geralmente o DTE e precisa de um cabo serial para conectar-se a um
dispositivo DCE como uma CSU/DSU.
• O ISDN BRI possui dois tipos de interfaces, S/T e U. Para interconectar a porta ISDN BRI ao
dispositivo do provedor de serviços, é usado um cabo direto UTP Categoria 5.
• Um cabo telefônico e um conector RJ-11 são usados para conectar um roteador para serviço
DSL.
• Um cabo coaxial e um conector BNC são usados para conectar um roteador ao serviço de
cabo.
• O cabo rollover é usado para conectar um terminal e a porta de console de um dispositivo
inter-redes.

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185
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

TESTE

1) De que maneira a utilização de um hub ou repetidor afeta o tamanho do domínio de colisão?


 Ele o reduz
 Ele o aumenta
 Ele o elimina
 Ele não tem efeito nenhum sobre ele.

2) Qual das seguintes alternativas causará colisão numa rede Ethernet?


 Dois nós com o mesmo endereço MAC.
 Dois ou mais nós transmitindo simultaneamente.
 Protocolos que não são compatíveis com o modelo OSI que está sendo executado na rede.
 Vários protocolos roteados sendo executados na mesma rede.

3) Qual das seguintes afirmações com relação aos switch é correta?


 Os switches encapsulam segmentos em pacotes.
 Os switches regulam o tráfego baseado no endereçamento da Camada 1.
 Os switches destinados às redes Token Ring são conhecidos como MAUs.
 Os switches combinam a conectividade de um hub com o controle de tráfego de uma bridge.

4) Que interface no roteador proporciona conectividade física para uma WAN?


 Console.
 Ethernet.
 Serial.
 Token Ring.

5) Um roteador modular possui um cartão com duas interfaces seriais no slot 1. Qual das
seguintes alternativas seria a sintaxe correta para identificar a primeira interface?
 Serial 0/0.
 Serial 0/1.
 Serial 1/0.
 Serial 1/1.
6) Quais implementações de Ethernet utilizam conectores RJ-45? (Escolha três)
 10BASE2.
 10BASE5.
 10BASE-T.
 100BASE-TX.
 100BASE-FX.
 1000BASE-T.
7) Quais são as funções de um roteador em uma rede ? (Escolha três)
 Contenção de Broadcast.

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Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

 Segmentação de pacotes de dados.


 Roteamento da Camada 2.
 Segmentação na rede.
 Somente um dispositivo DCE.

8) Um roteador modular possui um cartão com duas interfaces seriais no slot 1. Qual das
seguintes alternativas seria a sintaxe correta para identificar a segunda interface?
 Serial 0/0.
 Serial 0/1.
 Serial 0/2.
 Serial 1/0.
 Serial 1/1.
 Serial 1/2.

9) Classifique os dispositivos da coluna da esquerda em uma das camadas do modelo OSI na


coluna da direita. Nem todas as opções se aplicam.
Camada do modelo OSI
Dispositivos
Enlace de Dados Física
NIC x
Bridge x
Hub x
Roteador
Switch x
Repetidor x
Transceptor x

10) Faça as correspondências entre as cores e os números que representam as pinagens dos
fios para patch cable 568B.
Cores Pinagens
Laranja 1–2
Azul 4-5
Verde 3-6
Marrom 7-8

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187
Módulo V: Cabeamento para Redes Locais e WANs

11) Associe cada pino do lado esquerdo ao pino do lado direito para criar corretamente um
conector RJ-45 para um cabo de console de um roteador.
Lado direito Lado esquerdo
Pino 1
Pino 2
Pino 3
Pino 4
Pino 5
Pino 6
Pino 7
Pino 8

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Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

6 CONCEITOS BÁSICOS DE ETHERNET

6.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO

A Ethernet é atualmente a tecnologia dominante de redes locais do mundo. A Ethernet não é


uma tecnologia, mas uma família de tecnologias de redes locais e pode ser mais bem entendida
considerando-se o modelo de referência OSI. Todas as redes locais precisam lidar com as questões
básicas de como as estações individuais (nós) são nomeadas, e a Ethernet não é nenhuma exceção.
As especificações da Ethernet suportam diferentes meios físicos, larguras de banda e outras variações
das camadas 1 e 2. Porém, o formato básico dos quadros e o esquema de endereçamento são
idênticos para todas as variedades de Ethernet.
Para que várias estações possam obter acesso aos meios físicos e outros dispositivos das
redes, têm sido elaboradas várias estratégias de controle de acesso aos meios físicos. É essencial ter
um entendimento de como os dispositivos de rede obtêm acesso aos meios físicos da rede para poder
entender e resolver problemas na operação de toda a rede.

Os alunos, ao concluírem este módulo, deverão estar aptos a:

• Descrever a tecnologia básica da Ethernet.


• Explicar as regras de nomenclatura da tecnologia Ethernet.
• Definir como a Ethernet e o modelo OSI interagem.
• Descrever o processo de enquadramento e a estrutura de quadros Ethernet.
• Enumerar os nomes e propósitos dos campos dos quadros Ethernet.
• Identificar as características do CSMA/CD.
• Descrever os aspectos principais da temporização, espaçamento entre quadros e backoff após
uma colisão de Ethernet.
• Definir erros e colisões de Ethernet.
• Explicar os conceitos de autonegociação com relação à velocidade e modo de operação.

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189
Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

6.2 CONCEITOS BÁSICOS DE ETHERNET

6.2.1 Introdução à Ethernet

A maior parte do tráfego na Internet origina-se e termina com conexões Ethernet. Desde seu
início nos anos 70, a Ethernet evoluiu para acomodar o grande aumento na demanda de redes locais
de alta velocidade. Quando foram produzidos novos meios físicos, como a fibra ótica, a Ethernet
adaptou-se para aproveitar a largura de banda superior e a baixa taxa de erros que as fibras oferecem.
Atualmente, o mesmo protocolo que transportava dados a 3 Mbps em 1973 está transportando dados a
10 Gbps.

Esse sucesso da Ethernet deve-se aos seguintes fatores:

• Simplicidade e facilidade de manutenção


• Capacidade de introdução de novas tecnologias
• Confiabilidade
• Instalação e atualização econômicas

Com a introdução da Gigabit Ethernet, aquilo que começou como uma tecnologia de redes
locais, agora se estende a distâncias que fazem da Ethernet um padrão para MAN (Rede
Metropolitana) e para WAN (Rede de longa distância). A idéia original para Ethernet surgiu de
problemas em permitir que dois ou mais hosts usem o mesmo meio físico e de evitar que sinais
interfiram um com o outro. Esse problema de acesso de vários usuários a um meio físico
compartilhado foi estudado no início dos anos 1970 na University of Hawaii. Foi desenvolvido um
sistema denominado Alohanet para permitir o acesso estruturado de várias estações nas Ilhas do
Havaí à banda compartilhada de radiofreqüência na atmosfera.

Esse trabalho veio a formar a base


para o método de acesso Ethernet conhecido
como CSMA/CD.

A primeira rede local do mundo foi a


versão original da Ethernet. Robert Metcalfe e
seus colegas na Xerox fizeram o seu projeto há
mais de trinta anos. O primeiro padrão Ethernet
foi publicado em 1980 por um consórcio entre a
Digital Equipment Company, a Intel, e a Xerox
(DIX). Metcalfe quis que a Ethernet fosse um
Figura 185 – Evolução da Ethernet padrão compartilhado que beneficiasse a todos e
foi então lançada como padrão aberto. Os
primeiros produtos desenvolvidos que usavam o padrão Ethernet foram vendidos durante o início dos
anos 80. A Ethernet transmitia até 10 Mbps através de cabo coaxial grosso a uma distância de até 2
quilômetros. Esse tipo de cabo coaxial era conhecido como thicknet e era da espessura de um
pequeno dedo.

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190
Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

Em 1985, o comitê de padronização de Redes Locais e Metropolitanas do Institute of


Electrical and Electronics Engineers (IEEE) publicou padrões para redes locais. Esses padrões
começam com o número 802. O padrão para Ethernet é 802.3. O IEEE procurou assegurar que os
padrões fossem compatíveis com o modelo da International Standards Organization (ISO)/OSI. Para
fazer isso, o padrão IEEE 802.3 teria que satisfazer às necessidades da camada 1 e da parte inferior
da camada 2 do modelo OSI. Como resultado, no 802.3, foram feitas algumas pequenas modificações
em relação ao padrão Ethernet original.

As diferenças entre os dois padrões eram tão insignificantes que qualquer placa de rede
Ethernet (NIC) poderia transmitir e receber quadros tanto Ethernet como 802.3. Essencialmente,
Ethernet e IEEE 802.3 são padrões idênticos.

A largura de banda de 10 Mbps da Ethernet era mais do que o suficiente para os


computadores pessoais lentos (PCs) dos anos 80. No princípio dos anos 90, os PCs tornaram-se mais
rápidos, os tamanhos dos arquivos aumentaram e ocorreram gargalos no fluxo de dados. A principal
causa era a baixa disponibilidade de largura de banda. Em 1995, o IEEE anunciou um padrão para 100
Mbps Ethernet. A esse, seguiram-se padrões para Ethernet de gigabit por segundo (Gbps, 1 bilhão de
bits por segundo) em 1998 e 1999.

Todos esses padrões são essencialmente compatíveis com o padrão Ethernet original. Um
quadro Ethernet podia sair de uma placa de rede Ethernet de cabo coaxial mais antiga de 10 Mbps
instalada em um PC, ser colocado em um link de fibra Ethernet de 10 Gbps e ter seu destino em uma
placa de rede de 100 Mbps. Contanto que o pacote permaneça em redes Ethernet, não será
modificado. Por essa razão, a Ethernet é considera bem escalável. A largura de banda da rede poderia
ser aumentada muitas vezes sem modificar a tecnologia Ethernet subjacente.

O padrão Ethernet original tem sido atualizado várias vezes com a finalidade de
acomodar novos meios físicos e taxas mais altas de transmissão. Essas atualizações
proporcionam padrões para as tecnologias emergentes e mantêm compatibilidade entre as
variações da Ethernet.

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191
Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

6.2.2 Regras de nomenclatura da Ethernet IEEE

A Ethernet não é apenas uma tecnologia, mas uma família de tecnologias de redes que
incluem a Ethernet Legada, Fast Ethernet e Gigabit Ethernet. As velocidades Ethernet podem ser 10,
100, 1000, ou 10.000 Mbps. O formato básico dos quadros e as subcamadas IEEE das camadas 1 e 2
do modelo OSI permanecem consistentes através de todas as formas de Ethernet.

Quando a Ethernet precisava ser expandida para acrescentar um novo meio físico ou
capacidade, o IEEE publica um novo suplemento para o padrão 802.3. Os novos suplementos
recebem uma ou duas letras de designação, como 802.3u. Uma descrição abreviada (denominada
identificador) também é designada para o suplemento.

Velocidade Método de Sinalização Meio

10 BASE 2

100 BROAD 5

1000 -T

10G -TX

-SX

-LX

Figura 186 – Nomes da Partes da Ethernet

A descrição abreviada consiste em:

• Um número indicando o número de Mbps transmitido.


• A palavra base, indicando que foi usada a sinalização banda base (baseband).
• Uma ou mais letras do alfabeto, indicando o tipo do meio físico usado (F = cabo de fibra ótica,
T = par trançado de cobre não blindado).

A Ethernet se vale da sinalização banda base (baseband), que usa toda a largura de banda
disponível no meio físico de transmissão. O sinal de dados é transmitido diretamente através do meio
físico de transmissão.

Na sinalização de banda larga (broadband), o sinal de dados jamais é colocado diretamente


no meio físico. Um sinal analógico, a portadora, é modulado pelo sinal de dados e o sinal da portadora
modulado é então transmitido no meio físico. As transmissões de rádio e TV a cabo usam a sinalização
de banda larga (broadband). A Ethernet utiliza a sinalização de banda larga (broadband) no padrão
10BROAD36. 10BROAD36 é o padrão IEEE para redes Ethernet operando a 10Mbps que usa

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192
Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

transmissão de banda larga (broadband) em cabo coaxial grosso. Atualmente, o padrão 10BROAD36
está obsoleto.

O IEEE não pode forçar os fabricantes de equipamentos de redes a cumprirem


completamente todas as particularidades de qualquer padrão. O IEEE espera alcançar o seguinte:

• Fornecer informações de engenharia necessárias para a fabricação de dispositivos que


cumpram os padrões Ethernet.
• Promover inovações feitas pelos fabricantes.

6.2.3 Ethernet e o modelo OSI

A Ethernet opera em duas áreas do modelo OSI, a metade inferior da camada de enlace de
dados, conhecida como subcamada MAC, e a camada física.

Figura 187 – Ethernet em relação ao Modelo OSI

Para mover dados entre uma estação Ethernet e outra, os dados freqüentemente passam
através de um repetidor. As demais estações no mesmo domínio de colisão vêem o tráfego que passa
através de um repetidor.

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193
Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

Figura 188 – Repetidor visto pelo Modelo OSI

Um domínio de colisão é, portanto, um recurso compartilhado. Quaisquer problemas


originados em uma parte do domínio de colisão geralmente afetam o domínio de colisão inteiro.
Um repetidor é responsável pelo encaminhamento de todo o tráfego a todas as outras
portas. O tráfego recebido por um repetidor jamais será enviado à porta de origem. Qualquer sinal
detectado por um repetidor será encaminhado. Se o sinal for degradado pela atenuação ou pelo ruído,
o repetidor tentará reconstruir e regenerar o sinal.
Os padrões garantem um mínimo de largura de banda e operacionalidade, ao especificar o
número máximo de estações, o comprimento máximo do segmento, o número máximo de repetidores
entre estações, etc. As estações que são separadas por repetidores estão dentro do mesmo domínio
de colisão. As estações separadas por bridges ou roteadores estão em domínios de colisão diferentes.
A Figura 189 mapeia uma variedade de tecnologias Ethernet para a metade inferior da
camada 2 do modelo OSI e toda a camada 1. A camada 1 da Ethernet envolve as interfaces entre
meios físicos, sinais, fluxo de bits que se propagam nos meios físicos, componentes que colocam
sinais nos meios e várias topologias. A camada 1 da Ethernet realiza um papel importante na
comunicação que ocorre entre dispositivos, mas cada uma de suas funções tem limitações. A camada
2 trata dessas limitações.

Figura 189 - Padrão IEEE 802.X

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194
Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

As subcamadas de enlace de dados contribuem significativamente para a compatibilidade da


tecnologia e a comunicação entre computadores. A subcamada MAC trata dos componentes físicos
que serão usados para comunicar as informações. A camada LLC (Logical Link Control) permanece
relativamente independente do equipamento físico que será usado para o processo de comunicação.

Camada 1 versus Camada 2

Camada 1 Camada 2

Não pode comunicar-se com as camadas de


Faz isso com o Controle Lógico de Enlace (LLC).
nível superior.

Não pode identificar computadores. Usa um processo de endereçamento.

Usa o enquadramento para organizar ou agrupar


Pode apenas descrever os fluxos de bits.
os bits.

Não pode decidir que computador irá transmitir


Usa um sistema de Controle de Acesso ao Meio
os dados binários de um grupo onde todos
(MAC).
tentam transmitir ao mesmo tempo.

A Figura 190 mapeia uma variedade de tecnologias Ethernet para a metade inferior da
camada 2 e para toda a camada 1do modelo OSI. Já que existem outras variedades de Ethernet,
aquelas exibidas aqui são as mais universalmente usadas.

Figura 190 – As tecnologias Ethernet mapeadas para o Modelo OSI

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195
Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

6.2.4 Nomenclatura

Para permitir uma entrega local de quadros na Ethernet, deverá existir um sistema de
endereçamento, uma maneira exclusiva de identificação de computadores e interfaces.

Figura 191 - Computador sem nome em uma rede

A Ethernet usa endereços MAC que têm 48 bits de comprimento e são expressos como doze
dígitos hexadecimais. Os primeiros seis dígitos hexadecimais, que são administrados pelo IEEE,
identificam o fabricante ou o fornecedor. Esta parte do endereço MAC é conhecida como OUI
(Organizational Unique Identifier). Os seis dígitos hexadecimais restantes representam o número de
série da interface ou outro valor administrado pelo fabricante do equipamento específico.

Figura 192 - Formato do Endereço MAC

Os endereços MAC às vezes são conhecidos como burned-in addresses (BIA), porque são
gravados na memória apenas de leitura (ROM) e são copiados na memória de acesso aleatório (RAM)
quando a placa de rede é inicializada.

Na camada de enlace de dados, cabeçalhos e trailers MAC são adicionados aos dados da
camada superior. O cabeçalho e o trailer contêm informações de controle destinadas à camada de
enlace de dados no sistema de destino. Os dados das camadas superiores são encapsulados dentro
do quadro da camada de enlace de dados, entre o cabeçalho e o trailer, que é então transmitido na
rede.

As placas de rede usam o endereço MAC para avaliar se a mensagem deve ser passada
para as camadas superiores do modelo OSI. A placa de rede faz essa avaliação sem usar o tempo de
processamento da CPU, proporcionando melhores tempos de comunicações na rede Ethernet.

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196
Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

Em uma rede Ethernet, quando um dispositivo quer enviar dados, ele pode abrir um caminho
de comunicação com o outro dispositivo, usando o endereço MAC de destino. O dispositivo de origem
insere um cabeçalho com o endereço MAC do destino pretendido e envia os dados para a rede. Como
esses dados trafegam pelos meios físicos da rede, a placa de rede em cada dispositivo na rede verifica
se o seu endereço MAC corresponde ao endereço de destino físico carregado pelo quadro de dados.
Se não houver correspondência, a placa de rede descartará o quadro de dados. Quando os dados
chegam ao seu nó de destino, a placa de rede faz uma cópia e passa o quadro adiante pelas camadas
OSI. Em uma rede Ethernet, todos os nós precisam examinar o cabeçalho MAC, mesmo que os nós de
comunicação estejam lado a lado.

Todos os dispositivos conectados à rede local Ethernet têm interfaces endereçadas,


inclusive estações de trabalho, impressoras, roteadores e switches.

6.2.5 Quadros da camada 2

Os fluxos de bits codificados (dados) em meios físicos representam uma grande realização
tecnológica, mas eles, sozinhos, não são suficientes para fazer com que a comunicação ocorra. O
enquadramento ajuda a obter as informações essenciais que não poderiam, de outra forma, ser
obtidas apenas com fluxos de bit codificados. Exemplos dessas informações são:

• Quais computadores estão se comunicando entre si


• Quando a comunicação entre computadores individuais começa e quando termina
• Providencia um método para a detecção de erros que ocorreram durante a comunicação
• De quem é a vez de "falar" em uma "conversa" entre computadores

Enquadramento é o processo de encapsulamento da camada 2. Um quadro é uma unidade


de dados de protocolo da camada 2.

Um gráfico de tensão em relação ao tempo pode ser usado para visualizar bits. No entanto,
ao se lidar com unidades de dados maiores e informações de endereçamento e de controle, um gráfico
de tensão X tempo pode se tornar muito grande e confuso. Outro tipo de diagrama que pode ser usado
é o diagrama de formato de quadro, baseado em gráficos de tensão em relação ao tempo. Diagramas
de formato de quadros são lidos da esquerda para a direita, como um gráfico de osciloscópio. O
diagrama de formato de quadros exibe diferentes agrupamentos de bits (campos) que executam outras
funções.

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197
Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

Figura 193 - De Quadro a Bits


Há muitos tipos diferentes de quadros descritos por diversos padrões. Um único quadro
genérico tem seções chamadas de campos e cada campo é composto de bytes. Os nomes dos
campos são os seguintes:

• Campo de início de quadro


• Campo de endereço
• Campo de comprimento/tipo
• Campo de dados
• Campo de seqüência de verificação de quadro

Figura 194 - Formato de Quadro Genérico

Quando os computadores estão conectados a um meio físico, deve haver alguma forma de
informar aos outros computadores quando eles estão a ponto de transmitir um quadro. Tecnologias
diversas têm formas diferentes de fazer isso, mas todos os quadros, independentemente da tecnologia,
têm uma seqüência de bytes para a sinalização do início de quadro.

Todos os quadros contêm informações de identificação, como o nome do nó de origem


(endereço MAC) e o nome do nó de destino (endereço MAC).

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198
Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

A maioria dos quadros tem alguns campos especializados. Em algumas tecnologias, um


campo de comprimento especifica o comprimento exato de um quadro em bytes. Alguns quadros têm
um campo de tipo, que especifica que o protocolo da camada 3 está fazendo o pedido de envio.

A finalidade do envio de quadros é a transferência de dados de camadas superiores,


essencialmente os dados de aplicativos do usuário, da origem para o destino. O pacote de dados inclui
a mensagem a ser transmitida, ou seja, os dados do aplicativo do usuário. Os bytes de enchimento
podem ser acrescentados para que os quadros possam ter um comprimento mínimo para fins de
temporização. Os bytes do LLC (Logical Link Control) também estão incluídos no campo de dados nos
quadros padrão IEEE. A subcamadas LLC pega os dados do protocolo de rede, um pacote IP e
adiciona mais informações de controle para ajudar a entregar esse pacote IP ao nó de destino. A
camada 2 comunica-se com as camadas de nível superior através do LLC.

Todos os quadros e os bits, bytes e campos neles contidos, são susceptíveis a erros de uma
variedade de origens. O campo FCS (Frame Check Sequence) contém um número calculado pelo nó
de origem baseado nos dados do quadro. Esse FCS é, então, adicionado ao final do quadro que está
sendo enviado. Quando o nó de destino recebe o quadro, o número FCS é recalculado e comparado
ao número FCS incluído no quadro. Se os dois números são diferentes, conclui-se que há um erro, o
quadro é então descartado.

Em função da origem não ter como detectar que o quadro foi descartado, a retransmissão
tem que ser iniciada pelas camadas superiores por meio de protocolos orientados a conexão que
provêem um controle no fluxo de dados.

Existem três formas principais de calcular o número Frame Check Sequence:

• CRC (Verificação de Redundância Cíclica): realiza cálculos nos dados.


• Paridade bidimensional: coloca bytes individuais em uma matriz bidimensional, sobre a qual
é realizada uma verificação horizontal e vertical, criando um byte extra para que se tenha um
número par ou ímpar de 1s binários.
• Internet checksum: adiciona os valores de todos os bits de dados para obter uma soma

O nó que transmite os dados deve obter atenção de outros dispositivos, para iniciar um
quadro e para concluir o quadro. O campo tamanho indica o fim do quadro, e o quadro é considerado
concluído depois do FCS. Algumas vezes, há uma seqüência formal de bytes chamada de delimitadora
de fim de quadro.

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199
Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

6.2.6 Estrutura do quadro Ethernet

Na camada de enlace de dados, a estrutura do quadro é quase idêntica para todas as


velocidades da Ethernet, desde 10 Mbps até 10.000 Mbps.

Figura 195 - Ethernet 802.3


No entanto, na camada física, quase todas as versões de Ethernet são substancialmente
diferentes umas das outras, com cada velocidade tendo um diferente conjunto de regras de projeto de
arquitetura.

Na versão da Ethernet que foi desenvolvida por DIX antes da adoção da versão IEEE 802.3
da Ethernet, o Preâmbulo e o SFD (Start Frame Delimiter) foram combinados em um único campo,
apesar de o padrão binário ser idêntico. O campo denominado Comprimento/Tipo foi identificado
apenas como Comprimento nas primeiras versões do IEEE e apenas como Tipo na versão DIX. Esses
dois usos do campo foram oficialmente combinados em uma versão mais recente do IEEE, pois os
dois usos do campo são comuns por toda a indústria.

Figura 196 - Formato de Quadro Ethernet II

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200
Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

O campo Tipo da Ethernet II está incorporado na definição de um quadro no padrão 802.3


atual. O nó receptor precisa determinar qual é o protocolo de camada superior que está presente em
um quadro de entrada, examinando o campo Comprimento/Tipo. Se o valor dos dois octetos é igual ou
maior que 0x0600 (hexadecimal), 1536 em decimal, então o conteúdo do campo de dados (data field)
do quadro é decodificado de acordo com o protocolo indicado. Ethernet II é o formato de quadro
Ethernet utilizado em redes TCP/IP.

Figura 197 - Ethernet II

6.2.7 Campos de um quadro Ethernet

Alguns dos campos permitidos ou exigidos em um Quadro Ethernet 802.3 são:

Figura 198 - Formato de Quadro Ethernet e IEEE 802.3

• Preâmbulo
• Delimitador de Início de Quadro
• Endereço de Destino
• Endereço de Origem
• Comprimento/Tipo
• Dados e Enchimento
• FCS
• Extensão

O Preâmbulo é um padrão de uns e zeros alternantes usado para a sincronização da


temporização em Ethernet assíncrona de 10 Mbps e em implementações mais lentas. As versões

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201
Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

mais rápidas da Ethernet são síncronas, e essa informação de temporização é redundante mas
mantida para fins de compatibilidade.

Figura 199 - Preâmbulo


Um Delimitador de Início de Quadro consiste em um campo de um octeto que marca o final
das informações de temporização e contém a seqüência de bits 10101011.

O campo Endereço de Destino contém um endereço de destino MAC. O endereço de destino


pode ser unicast, multicast ou broadcast.

O campo Endereço de Origem contém um endereço de origem MAC. O endereço de origem


é geralmente o endereço unicast do nó Ethernet que está transmitindo. Existe, contudo, um crescente
número de protocolos virtuais em uso que utiliza, e às vezes, compartilha um endereço MAC de origem
específico para identificar a entidade virtual.

O campo Comprimento/Tipo suporta dois usos diferentes. Se o valor for inferior a 1536
decimal, 0x600 (hexadecimal), então o valor indica o comprimento. A interpretação do comprimento é
usada onde a Camada LLC proporciona a identificação do protocolo. O valor do tipo especifica o
protocolo da camada superior que recebe os dados depois que o processamento da Ethernet estiver
concluído. O tamanho indica o número de bytes de dados que vêm depois desse campo.

O campo Dados e o enchimento (padding), se necessário, pode ser de qualquer tamanho


que não faça com que o quadro exceda o tamanho máximo permitido para o quadro A MTU (Unidade
de Transmissão Máxima) para Ethernet é de 1500 octetos. Portanto, os dados não devem exceder
esse tamanho. O conteúdo desse campo não é especificado. Um enchimento não especificado será
inserido imediatamente após os dados do usuário quando não houver dados de usuário suficientes
para que o quadro satisfaça o comprimento mínimo para o quadro. A Ethernet exige que o quadro
tenha entre 64 e 1518 octetos.

Uma FCS contém um valor CRC de 4 bytes que é criado pelo dispositivo emissor e
recalculado pelo dispositivo receptor para verificar se há quadros danificados. Já que a corrupção de
um único bit em qualquer lugar desde o início do Endereço de Destino até o final do campo FCS fará
com que o checksum seja diferente, o cálculo do FCS inclui o próprio campo FCS. Não é possível
distinguir entre a corrupção do próprio FCS e a corrupção de qualquer outro campo usado no cálculo.

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202
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6.3 Operação da Ethernet

6.3.1 Media Access Control (MAC)

MAC refere-se aos protocolos que determinam qual dos computadores em um ambiente de
meios físicos compartilhados, ou domínio de colisão, tem permissão para transmitir os dados. O MAC,
com o LLC, compreende a versão IEEE da Camada 2 do OSI. O MAC e o LLC são subcamadas da
Camada 2. Há duas abrangentes categorias de Controle de Acesso aos Meios, determinístico
(revezamento) e não determinístico (primeiro a chegar, primeiro a usar).

Exemplos de protocolos
determinísticos incluem Token Ring e
FDDI. Em uma rede Token Ring, os
hosts individuais são organizados em
um anel e um token especial de dados
circula ao redor do anel, chegando a
cada host seqüencialmente. Quando
um host quer transmitir, ele captura o
token, transmite os dados durante um
tempo limitado e depois encaminha o
token até o próximo host no anel. O
Token Ring é um ambiente sem
colisões, pois apenas um host é capaz
de transmitir em qualquer dado
momento.

Os protocolos MAC não-


Figura 200 - Tecnologias Comuns de Redes Locais
determinísticos usam uma abordagem
primeiro a chegar, primeiro a usar. O CSMA/CD (Carrier Sense Multple Access / Collision Detection) é
um sistema bem simples. A placa de rede observa se há ausência de sinal nos meios físicos e começa
a transmitir. Se dois nós transmitirem simultaneamente, ocorrerá uma colisão e nenhum dos nós
poderá transmitir.

Três tecnologias comuns da camada 2 são Token Ring, FDDI e Ethernet. Todas as três
especificam questões relativas à camada 2, LLC, nomeação, enquadramento e MAC, assim como
componentes de sinalização da Camada 1 e questões dos meios físicos. As tecnologias específicas de
cada uma delas são as seguintes:

• Ethernet: topologia de barramento lógico (o fluxo de informações acontece em um barramento


linear) e estrela física ou estrela estendida (cabeada como uma estrela);

• Token Ring: topologia lógica em anel (em outras palavras, o fluxo de informações é
controlado em um anel) e uma topologia física em estrela (em outras palavras, é cabeada
como uma estrela);

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203
Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

• FDDI: topologia em anel lógico (o fluxo de informações é controlado em um anel) e topologia


em anel duplo (cabeado como um anel duplo).

6.3.2 Regras MAC e detecção de colisões/backoff

A Ethernet é uma tecnologia de broadcast de meios físicos compartilhados. O método de


acesso CSMA/CD usado na Ethernet executa três funções:

Figura 201 - CSMA/CD

• Transmitir e receber quadros de dados

• Decodificar quadros de dados e verificar se os endereços são válidos, antes de


passá-los às camadas superiores do modelo OSI

• Detectar erros dentro dos quadros de dados ou na rede

No método de acesso CSMA/CD, os dispositivos de rede com dados a serem transmitidos


funcionam em modalidade de "escutar antes de transmitir". Isso significa que, quando um nó deseja
enviar dados, ele deve verificar primeiramente se os meios da rede estão ocupados. Se o nó
determinar que a rede está ocupada, o nó aguardará um tempo aleatório antes de tentar novamente.
Se o nó determinar que os meios físicos da rede não estejam ocupados, o nó começará a transmitir e a
escutar. O nó escuta para garantir que nenhuma outra estação esteja transmitindo ao mesmo tempo.
Depois de completar a transmissão dos dados, o dispositivo retornará ao modo de escuta.

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Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

Figura 202 - Processo CSMA/CD

Os dispositivos de rede detectam a ocorrência de uma colisão pelo aumento da amplitude do


sinal nos meios físicos da rede. Quando ocorre uma colisão, cada um dos nós que está transmitindo
continuará a transmitir por um curto espaço de tempo, para garantir que todos os dispositivos
identifiquem a colisão. Depois que todos os dispositivos detectaram a colisão, um algoritmo de recuo
(backoff) será invocado e a transmissão será interrompida. Os nós param então de transmitir durante
um tempo aleatório determinado pelo algoritmo de backoff. Quando este período expirar, cada um dos
nós envolvidos poderá tentar obter acesso aos meios físicos da rede. Os dispositivos envolvidos na
colisão não terão prioridade na transmissão.

6.3.3 Temporização Ethernet

As regras e especificações básicas para a operação apropriada da Ethernet não são


particularmente complicadas, embora algumas implementações mais rápidas das camadas físicas
caminhem neste sentido. Apesar da simplicidade básica, quando surge um problema na Ethernet é
freqüentemente bem difícil identificar a origem. Devido à arquitetura de barramento comum da
Ethernet, também descrita como um único ponto distribuído de falhas, o escopo do problema
geralmente engloba todos os dispositivos dentro do domínio de colisão. Em situações onde são usados
repetidores, podem-se incluir dispositivos até quatro segmentos distantes.

Qualquer estação em uma rede Ethernet que deseje transmitir uma mensagem, primeiro
"escuta" para garantir que nenhuma outra estação esteja atualmente transmitindo. Se o cabo estiver
silencioso, a estação começará imediatamente a transmitir. O sinal elétrico demora um pouco para
trafegar pelo cabo (atraso) e cada repetidor subseqüente introduz um pouco de latência no
encaminhamento do quadro de uma porta até a próxima. Devido ao atraso e à latência, é possível que

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Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

mais de uma estação comece a transmissão no mesmo, ou quase no mesmo momento. Isso resulta
em uma colisão.

Se a estação conectada estiver operando em full-duplex, a estação poderá enviar e receber


simultaneamente e não deverão ocorrer colisões. A operação full-duplex também muda as
considerações de temporização e elimina o conceito de slot time (tempo de espera). A operação full-
duplex acomoda projetos de arquitetura de redes maiores já que é removida a restrição de
temporização para detecção de colisões.

Em half-duplex, contanto que não ocorra uma colisão, a estação emissora transmitirá 64 bits
de informações de sincronização de temporização, conhecidos como preâmbulo. A estação emissora
então transmitirá as seguintes informações:

• Informações de endereçamento MAC de destino e origem


• Outras informações de cabeçalho
• O próprio payload de dados
• Checksum (FCS) usado para garantir que a mensagem não foi corrompida ao longo do
caminho

As estações que recebem o quadro recalculam o FCS para determinar se a mensagem


recebida é válida e depois passam as mensagens válidas para a camada superior na pilha de
protocolos.
As versões de 10 Mbps e mais lentas da Ethernet são assíncronas. Assíncrona significa que
cada estação receptora usará os oito octetos de informações de temporização para sincronizar o
circuito receptor aos dados recebidos para depois descartá-las. As implementações de 100 Mbps e
mais rápidas são síncronas. Síncrona significa que as informações de temporização não são
necessárias, porém por razões de compatibilidade o Preâmbulo e o Delimitador de Inicio de Quadro
(Start Frame Delimiter – SFD) permanecem presentes.
Para todas as velocidades de transmissão Ethernet a 1000 Mbps ou inferiores, o padrão
descreve como uma transmissão não pode ser menor que o slot time. O slot time para Ethernet de 10
e 100 Mbps é de 512 tempos de bit, ou 64 octetos. O slot time para 1000 Mbps Ethernet é de 4096
tempos de bit, ou 512 octetos. O slot time é calculado considerando comprimentos máximos de cabo
na maior arquitetura permitida para as redes. Todos os tempos de atraso da propagação do hardware
estão ao máximo permitido e o sinal de bloqueio (jam signal) de 32 bits é usado quando são
detectadas colisões.
O slot time real calculado é um pouco maior que o tempo teórico exigido para transitar entre
os pontos mais distantes do domínio de colisão, colidir com outra transmissão no último instante
possível e depois enviar de volta os fragmentos da colisão à estação emissora para então ser
detectada. Para que o sistema funcione, a primeira estação precisa saber sobre a colisão antes de
terminar de enviar um quadro de tamanho mínimo permitido. Para permitir que uma 1000-Mbps
Ethernet opere em half-duplex, foi adicionado o campo Extensão ao enviar pequenos fragmentos
meramente para manter o transmissor ocupado durante um tempo suficiente para a volta do fragmento

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Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

da colisão. Esse campo está presente apenas em links half-duplex de 1000 Mbps e permite que os
quadros de tamanho mínimo sejam de tamanho suficiente para satisfazer os requisitos do slot time. Os
bits do campo Extensão são descartados pela estação receptora.
Na Ethernet de 10 Mbps, um bit na camada MAC exige 100 nanossegundos (ns) para
transmitir. A 100 Mbps aquele mesmo bit exige 10 ns para transmitir e a 1000 Mbps, leva apenas 1 ns.
Como estimativa aproximada, 20,3 cm (8 pol.) por nanossegundo é freqüentemente usado para o
cálculo do atraso de propagação ao longo do cabo UTP. Para 100 metros de UTP, significa que leva
um pouco menos de 5 tempos de bit para um sinal 10BASE-T transitar todo o comprimento do cabo.

Figura 203 - Tempo de bit

Para que a CSMA/CD Ethernet possa operar, a estação emissora deve estar ciente de uma
colisão antes de completar a transmissão de um quadro de tamanho mínimo. A 100 Mbps, a
temporização do sistema mal pode acomodar 100 metros de cabos. A 1000 Mbps, são exigidos ajustes
especiais, já que quase um quadro inteiro de tamanho mínimo seria transmitido antes que o primeiro
bit atravessasse os primeiros 100 metros no cabo UTP. Por essa razão half-duplex não é permitido em
10-Gigabit Ethernet.

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Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

6.3.4 Espaçamento entre quadros (Interframe spacing) e backoff

O espaçamento mínimo entre dois quadros que não colidem é também conhecido como
espaçamento entre quadros (interframe spacing). A medida é feita desde o último bit do campo FCS do
primeiro quadro até o primeiro bit do preâmbulo do segundo quadro.

Figura 204 - Espaçamento entre Quadros

Depois de enviado um quadro, todas as estações na 10-Mbps Ethernet devem esperar um


mínimo de 96 tempos de bit (9,6 microssegundos) antes que qualquer estação possa ter permissão
para transmitir o próximo quadro. Nas versões mais rápidas de Ethernet o espaçamento (spacing gap)
permanece igual, 96 tempos de bit, mas o tempo exigido para aquele intervalo vai diminuindo
proporcionalmente. Esse intervalo é conhecido como intervalo de espaçamento. O intervalo tem a
finalidade de permitir que as estações mais lentas tenham tempo para processar o quadro anterior e
preparar para o próximo quadro.

É esperado que o repetidor regenere as informações completas de temporização de 64 bits,


que são o preâmbulo e o SFD, no início de cada quadro. Esse é o caso apesar da potencial perda de
alguns bits iniciais do preâmbulo devido à sincronização lenta. Devido a essa reintrodução forçada de
bits de temporização, uma pequena redução do intervalo entre quadros não é somente possível, mas o
esperado. Alguns chipsets Ethernet não se acomodam à redução do espaçamento entre quadros e
começam a deixar de ver os quadros à medida que o intervalo seja reduzido. Com o aumento da
potência de processamento nos dispositivos desktop, seria muito fácil um computador pessoal saturar
um segmento Ethernet com tráfego e começar a transmitir novamente antes que fosse satisfeito o
tempo de atraso do espaçamento entre quadros.

Figura 205 - Parâmetro do tempo

Depois de ocorrer uma colisão e todas as estações permitirem que o cabo se torne inativo
(cada um espera o espaçamento completo entre quadros), as estações que colidiram então precisam
esperar outro período de tempo, que possivelmente aumentará ainda mais, antes que tentem

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Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

retransmitir o quadro que colidiu. O período de espera é intencionalmente definido como aleatório para
que duas estações não atrasem por um período de tempo idêntico antes da retransmissão, resultando
em mais colisões. Isso se realiza em parte mediante a expansão do intervalo do qual o tempo da
retransmissão aleatória é selecionado em cada tentativa de retransmissão. O período de espera é
medido em incrementos do slot time do parâmetro.

Se a camada MAC for incapaz de enviar o quadro após dezesseis tentativas, ela desiste e
gera um erro para a camada da rede. Tal ocorrência é comparativamente rara e só acontece sob
cargas de rede extremamente pesadas, ou quando existe um problema físico na rede.

6.3.5 Tratamento de erros

A condição de erro mais comum em redes Ethernet é a colisão. As colisões representam o


mecanismo para resolver a competição para o acesso à rede. A existência de algumas colisões
proporciona uma maneira elegante, simples e econômica dos nós da rede arbitrarem a competição
pelos recursos da rede. Quando a competição para a rede se torna excessiva, as colisões podem se
tornar um impedimento significativo para a operação útil da rede.
As colisões resultam em perda de largura de banda na rede igual à transmissão inicial e o
sinal de bloqueio (jam signal) da colisão. Isso é um atraso de consumo e afeta todos os nós de rede e
possivelmente causa uma redução significativa no throughput da rede.
A grande maioria de colisões ocorre bem no início do quadro, geralmente antes do SFD. As
colisões que ocorrerem antes do SFD geralmente não serão relatadas às camadas mais altas, como
se a colisão nunca tivesse ocorrido. Assim que uma colisão for detectada, as estações emissoras
transmitirão um sinal de "bloqueio" de 32 bits que cuidará da colisão. Isso é feito para que quaisquer
dados sendo transmitidos sejam completamente corrompidos e todas as estações tenham a
oportunidade de detectar a colisão.

Figura 206 - Rotinas de Tratamento de Erro em um Domínio de Colisão a 10 Mbps

Na Figura 206, duas estações escutam para garantir que o cabo esteja inativo e depois
transmitem. A estação 1 conseguiu transmitir uma boa porcentagem do quadro antes que o sinal

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Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

chegasse ao último segmento de cabo. A estação 2 não havia recebido o primeiro bit de transmissão
antes do início de sua própria transmissão e só conseguiu enviar poucos bits antes que a placa de
rede detectasse a colisão. A estação 2 imediatamente interrompeu a transmissão em andamento,
substituiu o sinal de bloqueio (jam signal) de 32 bits e interrompeu todas as transmissões. Durante o
evento de colisão e bloqueio que a Estação 2 experimentava, os fragmentos da colisão estavam no
seu caminho de volta através do domínio repetido de colisão em direção à Estação 1. A Estação 2
completou a transmissão do sinal de bloqueio (jam signal) de 32 bits e ficou silenciosa antes que a
colisão se propagasse de volta à Estação 1, que ainda não sabia da colisão e continuava a transmitir.
Quando os fragmentos de colisão finalmente chegaram a Estação 1, a transmissão atual foi
interrompida e substituída por um sinal de bloqueio (jam signal) de 32 bits em lugar do restante do
quadro que estava sendo transmitido. Depois de enviar o sinal de bloqueio (jam signal) de 32 bits a
Estação 1 interrompeu todas as transmissões.
Um sinal de bloqueio (jam signal) pode ser composto de quaisquer dados binários desde que
não formem um checksum apropriado para a porção do quadro já transmitido. O padrão de dados mais
universalmente observado para um sinal de bloqueio (jam signal) é simplesmente uma repetição de
um, zero, um, zero, o mesmo que o Preâmbulo. Quando observado por um analisador de protocolos,
esse padrão se parece como uma seqüência de repetição hexadecimal 5 ou A. As mensagens
corrompidas e parcialmente transmitidas são conhecidas como fragmentos de colisão ou "runts". As
colisões normais têm um comprimento inferior a 64 octetos e por isso falham no teste de comprimento
mínimo e no teste de checksum FCS.

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Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

6.3.6 Tipos de colisão

As colisões geralmente acontecem quando duas ou mais estações Ethernet transmitem


simultaneamente dentro de um domínio de colisão. Uma colisão simples é uma colisão que foi
detectada enquanto se tentava transmitir um quadro, mas que, na próxima tentativa, o quadro foi
transmitido com êxito. Colisões múltiplas indicam que o mesmo quadro colidiu repetidamente antes de
ser transmitido com êxito. Os resultados de colisões, fragmentos de colisões, são quadros parciais ou
corrompidos inferiores a 64 octetos e que têm um FCS inválido.

Figura 207 - Resumo dos Tipos de Colisão: Local, Remota e Retardada

Os três tipos de colisão são:

• Local;
• Remota;
• Tardia.

Para ser criada uma colisão local no cabo coaxial (10BASE2 e 10BASE5), o sinal se propaga
ao longo do cabo até encontrar um sinal de outra estação. As formas de onda então se sobrepõem,
cancelando algumas partes do sinal e reforçando ou duplicando outras partes. A duplicação do sinal
impele o nível de tensão do sinal além do máximo permitido. Esta condição de sobretensão é então
detectada por todas as estações no segmento do cabo local como uma colisão.

Figura 208 – 10BASE2 / 10BASE5 Colisão Local

No começo, a forma de onda na Figura 208 representa dados codificados Manchester


normais. Alguns ciclos à frente na amostra, a amplitude da onda é duplicada. Esse é o começo da
colisão, onde as duas formas de onda estão se sobrepondo. Um pouco antes do final da amostra, a

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Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

amplitude retorna ao normal. Isto acontece quando a primeira estação a detectar a colisão interrompe
a transmissão e o sinal de bloqueio da segunda estação de colisão ainda é observado.
Em um cabo UTP, como 10BASE-T, 100BASE-TX e 1000BASE-T, uma colisão é detectada
no segmento local somente quando uma estação detecta um sinal no par RX ao mesmo tempo em que
está transmitindo através do par TX. Como os dois sinais estão em pares diferentes, não há nenhuma
mudança característica no sinal. As colisões são reconhecidas em UTP somente quando a estação
está operando em half-duplex. A única diferença funcional entre a operação half e full-duplex a esse
respeito é se os pares de transmissão e recepção podem ou não ser usados simultaneamente. Se a
estação não estiver realizando uma transmissão, ela não poderá detectar uma colisão local.
Inversamente, uma falha no cabo, tal como um excesso de diafonia, pode fazer com que a estação
interprete a sua própria transmissão como uma colisão local.
Uma colisão remota se caracteriza por um quadro de comprimento inferior ao mínimo, que
tenha um checksum FCS inválido, mas que não demonstre os sintomas de sobretensão ou atividade
RX/TX simultânea, indicativos de uma colisão local. Este tipo de colisão normalmente resulta de
colisões que ocorrem na extremidade remota de uma conexão repetida. Um repetidor não transfere um
estado de sobretensão e não pode ser a causa de uma estação ter o par TX e o par RX ativos
simultaneamente. A estação teria que estar transmitindo para ter os dois pares ativos e isso constituiria
uma colisão local. Nas redes com UTP, este é o tipo de colisão mais freqüentemente observada.
Não existe mais possibilidade de uma colisão normal ou válido depois que os primeiros 64
octetos de dados tenham sido transmitidos pelas estações emissoras. As colisões que ocorrem depois
dos primeiros 64 octetos são chamadas "colisões tardias". A diferença mais significativa entre colisões
tardias e colisões que ocorrem antes da transmissão dos primeiros 64 octetos é que a placa de rede
Ethernet retransmite automaticamente os quadros que colidiram normalmente, mas não retransmite
automaticamente um quadro que colidiu mais tarde. Sob o ponto de vista da placa de rede tudo saiu
bem, e são as camadas superiores da pilha de protocolos que devem determinar que o quadro foi
perdido. Com exceção da retransmissão, uma estação que detecta uma colisão tardia a trata de
maneira idêntica a uma colisão normal.

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Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

6.3.7 Erros da Ethernet

É inestimável o conhecimento dos erros típicos para entender tanto a operação quanto a
solução de problemas das redes Ethernet.

A seguir, temos as origens de erros de Ethernet:

• Colisão ou "runt": Transmissão simultânea que ocorre antes que tenha decorrido o slot
time.

• Colisão tardia: Transmissão simultânea que ocorre após ter decorrido o slot time.

• Jabber, erros de quadros longos (long frames) e de tamanho (range error):


Transmissão excessivamente longa ou de comprimento proibido.

• Quadro pequeno (short frame), fragmento de colisão ou "runt": Transmissão muito


curta.

• Erro de FCS: Transmissão corrompida

• Erro de alinhamento: Número insuficiente ou excessivo de bits transmitidos

• Erro de tamanho (range error): O número real e o número relatado de octetos no


quadro não são idênticos

• Fantasma ou jabber: Um preâmbulo anormalmente longo ou evento de bloqueio

Enquanto as colisões locais e remotas são consideradas como parte normal das operações
da Ethernet, as colisões tardias são consideradas erros. A presença de erros em uma rede sempre
indica que uma investigação mais detalhada é recomendável. A gravidade do problema é uma
indicação da urgência na solução dos erros detectados. Alguns erros detectados ao longo de vários
minutos ou horas seriam considerados uma baixa prioridade. Milhares de erros detectados durante
poucos minutos indicam que uma atenção urgente é recomendável.
O Jabber é definido em vários lugares no padrão 802.3 como sendo uma transmissão com
uma duração de pelo menos 20.000 a 50.000 tempos de bits. No entanto, a maioria das ferramentas
de diagnóstico relata o jabber sempre que é detectada uma transmissão que excede o tamanho de
quadro máximo permitido, o que é consideravelmente inferior a 20.000 a 50.000 tempos de bits. A
maioria das referências ao jabber pode ser mais corretamente denominadas quadros compridos (long
frames).

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Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

Figura 209 - Long Frame


Um quadro comprido (long frame) é maior que o tamanho máximo permitido, considerando
se o quadro foi marcado ou não. Não se considera se o quadro tem ou não um checksum FCS válido.
Este erro normalmente significa que foi detectado jabber na rede.
Um quadro pequeno é um quadro de tamanho inferior ao máximo permitido de 64 octetos,
com uma boa seqüência de verificação de quadro (FCS). Alguns analisadores de protocolos e
monitores de redes chamam tais quadros de "runts" (cotocos). Em geral, a presença de quadros
pequenos (short frames) não é nenhuma garantia de que a rede está falhando.

Figura 210 - Short Frame

O termo "runt" é geralmente um termo impreciso da gíria que significa algo menor que um
quadro de tamanho permitido. Pode referir-se a quadros pequenos (short frames) com checksums FCS
válidos, embora, geralmente, refere-se a fragmentos de colisões.

6.3.8 FCS e além

Um quadro recebido que tenha uma seqüência de verificação de quadro (FCS) defeituoso,
também conhecido como erro de Checksum ou erro de CRC, difere da transmissão original em pelo
menos um bit. Em um quadro de erro de FCS, as informações do cabeçalho provavelmente estão
corretas, mas o checksum calculado pela estação receptora não é igual ao checksum incluído no final
do quadro pela estação transmissora. O quadro é, então, descartado.

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214
Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

Figura 211 - Erros FCS

Um grande número de erros FCS originados de uma única estação geralmente indica uma
placa de rede defeituosa e/ou softwares de drivers corrompidos ou, ainda, um defeito no cabo que liga
essa estação à rede. Se os erros de FCS forem associados a várias estações, então eles geralmente
podem ser atribuídos a defeitos no cabeamento, uma versão defeituosa do driver das placas de rede,
um defeito da porta de um hub ou um ruído derivado do sistema de cabeamento.
Uma mensagem que não termina em um limite de octeto é conhecida como erro de
alinhamento. Em vez de existir um número correto de bits na formação dos grupos de octetos, existem
bits adicionais ou restantes (menos de oito). Tal tipo de quadro é truncado até o limite de octeto mais
próximo e, se o checksum FCS falhar, é relatado um erro de alinhamento. Em muitos casos, este tipo
de erro é causado por defeitos no software de drivers ou por colisões e, freqüentemente, é
acompanhado por falhas do checksum FCS.
Um quadro com valor válido no campo Length (Comprimento), mas que não possui o número
correto de octetos contados no campo de dados do quadro recebido, é conhecido como erro de
tamanho (range error). Este erro também aparece quando o valor no campo de comprimento é inferior
ao tamanho mínimo permitido sem enchimento adicional do campo de dados. Um erro semelhante,
Fora da Faixa (out of range), é relatado quando o valor no campo Length (Comprimento) indica dados
com tamanho superior ao limite permitido.
A Fluke Networks criou o termo "ghost" (fantasma) para significar energia (ruído) detectado
no cabo que parece ser um quadro, mas ao qual falta um SFD válido. Para ser qualificado como
fantasma, um quadro precisa ter um comprimento mínimo de 72 octetos, incluído o preâmbulo. Caso
contrário é classificado como uma colisão remota. Devido à natureza peculiar dos fantasmas, é
importante notar que os resultados dos testes dependem em grande parte de onde é realizada a
medição no segmento.
Loops de terra e outros problemas de fiação são geralmente a causa dos quadros
fantasmas. A maioria das ferramentas de monitoração de redes não reconhece a existência de
fantasmas pela mesma razão que não reconhece colisões de preâmbulo. Essas ferramentas baseiam-
se totalmente nas informações fornecidas pelo chipset. Os analisadores de protocolo somente por
software, muitos analisadores baseados em hardware, ferramentas portáteis de diagnóstico, assim
como a maioria das pontas de prova RMON (de monitoração remota), não relatam tais eventos.

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215
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6.3.9 Autonegociação da Ethernet

Com o crescimento da Ethernet de 10 a 100 e até 1000 Mbps, uma exigência era possibilitar
a interoperabilidade de cada uma destas tecnologias, a ponto de permitir a conexão direta entre as
interfaces de 10, 100 e 1000. Foi elaborado um processo denominado Autonegociação de velocidades
em half-duplex ou full-duplex. Especificamente, por ocasião da introdução da Fast Ethernet, o padrão
incluía um método de configurar automaticamente uma dada interface para coincidir com a velocidade
e capacidade do parceiro interligado. Este processo define como dois parceiros de interligação podem
negociar automaticamente a sua configuração para oferecer o melhor nível de desempenho conjunto.
O processo ainda possui a vantagem de envolver somente a parte mais baixa da camada física.
10BASE-T exigia que cada estação emitisse um link pulse a cada 16 milissegundos,
aproximadamente, enquanto a estação não estivesse ocupada com a transmissão de uma mensagem.
A autonegociação adotou este sinal e deu-lhe o novo nome de Normal Link Pulse (NLP). Quando é
enviada uma série de NLPs em um grupo para fins de Autonegociação, o grupo é denominado rajada
de Fast Link Pulse (FLP). Cada rajada de FLP é enviada num intervalo de temporização idêntico ao de
um NLP e tem a finalidade de permitir que os dispositivos 10BASE-T mais antigos operem
normalmente no caso de receberem uma rajada de FLP.

Figura 212 - Temporização FLP versus NLP

A Autonegociação é realizada pela transmissão de uma rajada de Link Pulses 10BASE-T de


cada um dos parceiros interligados. A rajada comunica as capacidades da estação transmissora ao
seu parceiro interligado. Após ambas as estações interpretarem o que a outra parte está oferecendo,
cada alterna para a configuração de desempenho conjunto mais alto e estabelecem um link naquela
velocidade. Se algo interromper as comunicações e o link for perdido, os dois parceiros primeiro
tentarão restabelecer o link à velocidade anteriormente negociada. Se isso falhar, ou se tiver decorrido
muito tempo desde a perda do link, o processo de Autonegociação irá recomeçar. O link pode ser
perdido devido a influências externas, como falha do cabo, ou pela emissão de um reset por um dos
parceiros.

Figura 213 - Seqüência FLP Real de Autonegociação

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Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

6.3.10 Estabelecimento de um link, full duplex e half duplex

Os parceiros interligados podem dispensar a oferta de configurações dentro da sua


capacidade. Isto permite que o administrador da rede force certas portas a uma velocidade
selecionada e a uma configuração de duplex predeterminada, sem desativar a Autonegociação.
A Autonegociação é opcional para a maioria das implementações de Ethernet. Gigabit
Ethernet exige a sua implementação, embora o usuário possa desativá-la. A Autonegociação foi
originalmente definida para implementações UTP de Ethernet e foi estendida para funcionar com
outras implementações em fibra ótica.
Quando uma estação em Autonegociação está tentando completar um link, ela deve ativar
100BASE-TX para tentar estabelecer imediatamente uma ligação. Se estiver presente a sinalização
100BASE-TX e se a estação suportar 100BASE-TX, ela tentará estabelecer um link sem negociação.
Se qualquer sinalização produzir um link ou se forem recebidas rajadas de FLP, a estação prosseguirá
com essa tecnologia. Se um dos parceiros não oferecer uma rajada FLP, mas oferecer NLPs no seu
lugar, o dispositivo será automaticamente considerado uma estação 10BASE-T. Durante este intervalo
inicial de testes, procurando outras tecnologias, o trajeto de transmissão está enviando rajadas de FLP.
O padrão não permite a detecção em paralelo de qualquer outra tecnologia.
Se for estabelecido um link através de detecção paralela, ele será forçosamente half-duplex.
Existem apenas dois métodos de se obter um link full-duplex. Um método é através de um ciclo
completo de Autonegociação e o outro é pela imposição da execução do full-duplex em ambos os
parceiros do link. Se um dos parceiros do link for forçado a full-duplex, mas o outro tentar a
Autonegociação, com certeza haverá uma incompatibilidade (mismatch) no modo de operação. Isto
resultará em colisões e erros nesse link. Além disso, se uma extremidade é forçada a full-duplex, a
outra também precisa ser forçada. A exceção a esta regra é a 10-Gigabit Ethernet, que não suporta
half-duplex.
Muitos fornecedores implementam o hardware de modo que ele alterne continuamente entre
os vários estados possíveis. Transmite rajadas de FLP para a Autonegociação durante certo período e,
em seguida, configura-se para Fast Ethernet, tenta um link durante certo período e depois só escuta.
Alguns fornecedores não oferecem qualquer tentativa de link até que a interface ouça uma rajada de
FLP ou algum outro esquema de sinalização.
Existem dois modos de operação, half e full duplex. Para meios compartilhados, o modo half-
duplex é obrigatório. Todas as implementações por cabo coaxial são half-duplex por natureza e não
podem operar em full-duplex. As implementações em UTP e em fibra podem ser operadas em half-
duplex. As implementações de 10-Gbps são especificadas exclusivamente para full-duplex.
No modo half-duplex, só uma estação pode transmitir de cada vez. Para implementações por
cabo coaxial, uma segunda estação transmitindo ao mesmo tempo causa uma sobreposição de sinais
que se tornam corrompidos. Dado que UTP e fibra geralmente transmitem em pares separados, os
sinais não têm oportunidade de se sobreporem e se tornarem corrompidos. Ethernet possui regras
para arbitrar conflitos que surgem em ocasiões em que mais de uma estação tenta transmitir de uma
só vez. Ambas as estações em uma ligação full-duplex ponto-a-ponto é permitido transmitir a qualquer
momento, independentemente da outra estação estar transmitindo ou não.

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217
Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

A Autonegociação evita a maioria das situações onde uma estação de uma ligação ponto-a-
ponto esteja transmitindo sob as regras de half-duplex e a outra esteja transmitindo sob as regras de
full-duplex.
Na situação em que os parceiros do link são capazes de compartilhar mais de uma
tecnologia conjunta, consulte a lista na Figura 214.

Figura 214 - Ordem de Prioridade de Transmissão

Esta lista é usada para determinar qual tecnologia deverá ser escolhida dentre as
configurações oferecidas. As implementações de Ethernet de fibra ótica não são incluídas nesta lista
de resolução de prioridades porque os circuitos eletrônicos e óticos das interfaces não permitem uma
reconfiguração simples entre implementações. Presume-se que a configuração da interface seja fixa.
Se as duas interfaces são capazes de realizar a Autonegociação, então já estão utilizando a mesma
implementação de Ethernet. Entretanto, ainda existem várias opções de configuração tais como a
duplexação ou qual das estações servirá como Mestre para fins de temporização, que precisa ser
determinada.

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218
Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

Resumo do Módulo

Deve ter sido obtido um entendimento dos seguintes conceitos chave:

• Os conceitos básicos da tecnologia Ethernet


• As regras de nomenclatura da tecnologia Ethernet
• Como a Ethernet e o modelo OSI interagem
• O processo de enquadramento e a estrutura dos quadros
• Os nomes e a finalidade dos campos dos quadros Ethernet
• As características e funções do CSMA/CD
• Temporização Ethernet
• Espaçamento entre quadros
• Algoritmo e tempo de backoff após uma colisão
• Erros e colisões de Ethernet
• A Autonegociação em relação à velocidade e ao modo de operação

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Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

TESTE
1) Como um host receptor detecta que ocorreu um erro durante a transmissão de um quadro?
 Examina o campo tipo / comprimento para certificar-se que o quadro não seja muito pequeno;
 Compara o FCS incluído no quadro com o FCS que ele mesmo recalcula;
 Calcula uma soma de verificação dos dados no quadro e os envia de volta à origem para
verificação;
 Examina o campo início de quadro e o campo fim de quadro para certificar-se de que o campo
de dados tenha o comprimento correto;

2) Qual das seguintes alternativas é um exemplo de tecnologia de rede local não


determinística?
 Ethernet;
 FDDI;
 IEEE 802.5;
 Token Ring;

3) Qual das seguintes alternativas descreve um endereço MAC?


 Os primeiros 6 dígitos hexadecimais identificam o dispositivos e os últimos 6 dígitos identificam o
OUI;
 Os primeiros 6 dígitos hexadecimais identificam o fabricante os últimos 6 dígitos identificam o
dispositivo;
 Os primeiros 4 dígitos hexadecimais identificam o fabricante e os últimos 4 dígitos identificam o
dispositivo;
 Os primeiros 8 dígitos hexadecimais identificam o fabricante e os últimos 8 dígitos identificam o
dispositivo;

4) Qual é a subcamada da camada 2 que fornece serviços à camada de rede do modelo OSI ?
 FCS;
 IEEE 802.3;
 LLC;
 MAC;

5) Quais são os campos permitidos em um quadro Ethernet 802.3? (Escolha três).


 Endereço de destino;
 Fornecedor;
 FCS;
 Token;
 Endereço de origem;

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Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

6) Quais das seguintes alternativas são realizadas pela autonegociação em uma rede
Ethernet? (Escolha duas).
 Definição da velocidade do link;
 Definição do endereço IP;
 Define se o link irá operar em half-duplex ou full-duplex;
 A autonegociação não é possível em redes Ethernet;
 Definição da velocidade do anel;

7) Quais das seguintes opções são campos do quadro Ethernet? (Escolha três).
 Endereço físico de origem;
 Endereço lógico de origem;
 Identificador do tipo de mídia;
 Frame Check Sequence (FCS);
 Endereço físico de destino;
 Endereço lógico de destino;

8) Qual das seguintes alternativas é uma desvantagem do método de acesso CSMA/CD?


 As colisões podem prejudicar o desempenho da rede;
 É mais complexo que o protocolo não determinístico;
 Os protocolos de acesso aos meios determinísticos retardam o desempenho da rede;
 As tecnologias CSMA/CD das redes locais só estão disponíveis a velocidades inferiores àquelas
de outras tecnologias de redes locais;

9) A especificação da placa de rede indica que ela “suporta autonegociação”. Quais das
seguintes opções são verdadeiras? (Escolha duas).
 A placa de rede pode negociar comunicação segura com outros hosts;
 A placa de rede pode negociar a velocidade de transmissão no link com um hub ou switch;
 A placa de rede pode negociar a “Qualidade de serviço” (QoS) no link com um hub ou switch;
 A placa de rede pode negociar a configuração de comunicação duplex com um hub ou switch;
 A placa de rede pode negociar a alocação dinâmica dos parâmetros IP de um host;

10) Que propósito é atendido pelo endereço MAC de destino de um quadro Ethernet?
 Requisitar um endereço MAC (Media Access Control) para um endereço físico;
 Identificar a interface de rede para a entrega do quadro;
 Determinar a rota necessária para atender o destino;
 Evitar colisões se o destino já estiver ocupado;

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221
Módulo VI: Conceitos Básicos de Ethernet

11) Na figura, o host A completou 50% da transmissão de uma quadro Ethernet de 1 KB para o
host D, quando o host B precisa transmitir um quadro para o host C. O que o host B deve
fazer?
 O host B pode transmitir imediatamente uma vez que está conectado ao seu segmento de cabo;
 O host B precisa aguardar para receber uma transmissão CSMA ao hub, para sinalizar a sua
vez;
 O host B precisar enviar um sinal de requisição para o host A transmitindo um interframe gap;
 O host B aguarda até que esteja certo que o host A completou o envio do seu quadro;

12) Faça a correspondência entre os termos e definições das funções de enlace de dados da
camada 2?
1 Determinístico Categoria de Media Access Control utilizando revezamento
Categoria de Media Access Control utilizando a primeira a
2 Não Determinístico
chegar, primeiro a usar.
3 Token Ring Tecnologia da camada 2 que utiliza um ambiente sem colisões
4 Media Access Control Subcamada mais baixa da camada 2
Tecnologia da camada 2 que utiliza um ambiente orientado a
5 CSMA/CD
colisões.

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222
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

7 TECNOLOGIAS ETHERNET

7.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO

A Ethernet tem sido a tecnologia de rede local de maior sucesso especialmente devido à
simplicidade de implementação se comparada com outras tecnologias. Uma outra razão do sucesso da
Ethernet é a flexibilidade da tecnologia que tem evoluído para atender às exigências do meio físico.
Este módulo apresenta as especificações dos tipos mais importantes de Ethernet. O objetivo não é
mostrar todos os detalhes sobre cada tipo de Ethernet, mas sim, desenvolver um senso do que é
comum em todas as formas de Ethernet.
As mudanças na Ethernet têm resultado em grandes melhoramentos na Ethernet 10-Mbps
que era utilizada no início dos anos 80. O padrão da Ethernet 10-Mbps permaneceu literalmente
inalterado até 1995, quando o IEEE anunciou um padrão para Fast Ethernet de 100 Mbps. Em anos
mais recentes, um crescimento ainda mais rápido na velocidade dos meios de comunicação levou à
transição de Fast Ethernet para Gigabit Ethernet. Os padrões para Gigabit Ethernet surgiram em
apenas três anos. Uma versão ainda mais rápida, a 10 Gigabit Ethernet, já está disponível e estão
sendo desenvolvidas versões ainda mais rápidas.
Nessas versões mais rápidas de Ethernet, o endereçamento MAC, o CSMA/CD e o formato
de quadros não foram modificados em relação aos utilizados nas primeiras versões de Ethernet. No
entanto, outros aspectos da subcamada MAC, da camada física e dos meios de comunicação foram
alterados. Placas de rede (NICs) utilizando meio de cobre e capazes de operar a 10/100/1000 são
bastante comuns atualmente. Portas Gigabit para switches e para roteadores estão se tornando o
padrão nos wiring closets. A fibra óptica capaz de suportar o Gigabit Ethernet é considerada um
modelo para o cabeamento de backbone na maioria das novas instalações.

Os alunos, ao concluírem este módulo, deverão poder:

• Descrever as diferenças e semelhanças entre Ethernet 10BASE5, 10BASE2 e 10BASE-T.


• Definir a codificação Manchester.
• Enumerar os fatores que afetam os limites de temporização da Ethernet.
• Enumerar os parâmetros de cabeamento 10BASE-T.
• Descrever as características principais e as variedades de Ethernet 100 Mbps.
• Descrever a evolução da Ethernet.
• Explicar os métodos MAC, os formatos de quadros e o processo de transmissão de Gigabit
Ethernet.
• Descrever a utilização de meios físicos e de codificação específicos para Ethernet Gigabit.
• Identificar as pinagens e a fiação típica para as várias implementações de Ethernet Gigabit.
• Descrever as semelhanças e as diferenças entre Gigabit e Ethernet Gigabit 10.
• Descrever as considerações básicas da arquitetura Gigabit e 10 Gigabit Ethernet.

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223
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

7.2 ETHERNET 10 Mbps e 100 Mbps

7.2.1 Ethernet 10 Mbps

Ethernet 10BASE5, 10BASE2 e 10BASE-T são consideradas Ethernet Legadas (Antigas).

Figura 215 - Tipos de Ethernet


As quatro características comuns em todos os tipos de Ethernet legadas são os parâmetros de
temporização, o formato de quadros, o processo de transmissão e as regras básicas de projeto.
A figura 215 apresenta os parâmetros de operação da tecnologia Ethernet 10-Mbps.

Figura 216 - Parâmetros para Operação de 10 Mbps

A Ethernet 10-Mbps e versões mais lentas de Ethernet são assíncronas. Cada estação
receptora usa 8 octetos de informação de temporização para sincronizar seus circuitos de recepção em
relação aos dados que chegam. 10BASE5, 10BASE2, e 10BASE-T compartilham os mesmos
parâmetros de temporização, conforme mostra a Figura 217 (1 tempo de bit a 10 Mbps = 100

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224
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

nanosegundos = 0,1 microsegundo = 10- milionésimos de um segundo). Isto significa que em uma
rede Ethernet 10-Mbps, 1 bit leva 100 ns para ser transmitido pela subcamada MAC.

Figura 217 – Quadro Ethernet

Em todas as variações de Ethernet com taxas de transmissão de 1000Mbps ou inferiores, o


tempo de transmissão de um quadro não pode ser inferior a um slot time. Slot time é o tempo
exatamente acima ao tempo que leva, teoricamente, para ir de um extremo ao outro do maior domínio
de colisão Ethernet permitido, colidir com outra transmissão no último instante possível, e detectar os
fragmentos da colisão que retornaram à estação transmissora.
10BASE5, 10BASE2 e 10BASE-T também utilizam o mesmo formato de quadro.
Ethernet legada é idêntica até a parte mais baixa da camada física do modelo OSI. Quando
o quadro passa da subcamada MAC à camada física, processos adicionais ocorrem antes que os bits
sejam transferidos da camada física para o meio físico. Um processo importante é o sinal SQE (Signal
Quality Error). O SQE é uma transmissão enviada por um transceiver de volta à controladora para que
esta possa saber que o circuito de colisão está funcionando corretamente. O SQE também é chamado
de heartbeat (batimento cardíaco). O sinal SQE foi projetado para corrigir o problema de versões mais
antigas de Ethernet onde um host não sabia se o transceiver estava conectado. Em half-duplex, o SQE
é sempre usado. O SQE pode ser usado em operações full-duplex, mas não é imprescindível. O SQE
é ativado nas seguintes condições:

• Dentro de 4 a 8 microssegundos depois de uma transmissão normal, para indicar se o quadro


de saída foi transmitido com êxito.

• Sempre que houver uma colisão no meio físico.

• Sempre que houver um sinal inadequado no meio físico, como jabber ou reflexões que
resultem de um curto no cabo.

• Sempre que uma transmissão for interrompida.

Todas as formas de Ethernet 10 Mbps usam os octetos recebidos de uma subcamada MAC
e realizam um processo conhecido como codificação da linha. A codificação da linha descreve
exatamente como os bits são sinalizados no fio. As codificações mais simples têm características
elétricas e de temporização indesejáveis. Portanto, os códigos de linha foram elaborados para que
tenham propriedades de transmissão desejáveis. Esta forma de codificação usada nos sistemas de 10-
Mbps é conhecida como codificação Manchester.

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225
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

A codificação Manchester se baseia no sentido da transição da borda do sinal no meio da


janela de tempo do bit, de forma a determinar o valor binário para aquele bit.
A forma de onda superior tem
uma borda descendente de modo que é
interpretada como 0 binário. A segunda
forma de onda apresenta uma borda
ascendente que é interpretada como 1
binário. Na terceira forma de onda existe
uma seqüência binária alternada. Com
os dados binários alternados não há
necessidade de voltar ao nível de
voltagem anterior. Como se pode ver
pela terceira e quarta formas de onda no
gráfico, os valores binários de bits são
indicados pelo sentido da mudança
Figura 218 - Exemplo de Codificação Manchester
durante qualquer período de bits
apresentado. Os níveis de voltagem da forma de onda, no início ou no fim de qualquer período, não
são fatores determinantes de valores binários.
Todos os tipos de Ethernet legada possuem características comuns de arquitetura.
Geralmente as redes contêm vários tipos de meios físicos. O padrão garante que seja mantida a
interoperabilidade. O projeto completo é extremamente importante quando se implementa uma rede
utilizando diferentes meios. Conforme a rede vai crescendo, torna-se mais fácil a violação dos limites
máximos de atraso. Os limites de temporização são baseados em parâmetros, tais como:

• O comprimento do cabo e seu atraso de propagação


• O atraso dos repetidores
• O atraso dos transceivers
• A redução do espaço entre quadros
• Atrasos dentro da estação

A Ethernet 10-Mbps opera dentro dos limites de temporização oferecidos por uma série de,
no máximo, cinco segmentos separados por até quatro repetidores, no máximo. Isto é conhecido como
a regra 5-4-3. Um máximo de quatro repetidores podem ser conectados em série entre duas estações
distantes. Pode haver no máximo três segmentos povoados entre duas estações distantes.

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226
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7.2.2 10BASE5

O produto original Ethernet 10BASE5 de 1980 transmitia 10 Mbps através de um único


barramento de cabo coaxial grosso. O 10BASE5 é importante, pois foi o primeiro meio físico usado
pela Ethernet. 10BASE5 fazia parte do padrão 802.3 original. A principal vantagem de 10BASE5 era o
comprimento. Hoje pode ser encontrado em instalações antigas, mas não seria recomendado para
novas instalações. Os sistemas 10BASE5 são econômicos e não exigem configuração, mas os
componentes básicos, como placas de rede, são muito difíceis de encontrar por serem sensíveis às
reflexões de sinais no cabo. Os sistemas 10BASE5 representam também, um único ponto de falha.
10BASE5 usa codificação Manchester. Possui um condutor central sólido. Cada um dos (no
máximo) cinco segmentos de coaxial grosso pode ter até 500 m (1640,4 pés) de comprimento. O cabo
é grande, pesado e difícil de instalar. No entanto, os limites de distância foram favoráveis e isso
prolongou a sua utilização em certas aplicações.
Já que o meio físico é composto de um único cabo coaxial, apenas uma estação pode
transmitir de cada vez, caso contrário, ocorrerá uma colisão. Portanto, 10BASE5 só funciona em half-
duplex, resultando num máximo de 10 Mbps de transferência de dados.
A Figura 219 exibe uma configuração possível para um domínio de colisão. Entre duas
estações distantes quaisquer, apenas três segmentos têm permissão para terem estações conectadas,
com os outros dois segmentos usados apenas como segmentos de ligação para entender a rede.

Figura 219 - Exemplo de Arquitetura 10BASE2

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227
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

7.2.3 10BASE2

10BASE2 foi introduzido em 1985. A instalação era mais fácil porque o cabo era menor, mais
leve e mais flexível. Esta tecnologia ainda existe em redes antigas. Como o 10BASE5, atualmente não
é recomendado para novas instalações. É econômico e não necessita de hubs. Da mesma forma,
placas de rede para este meio também são difíceis de obter.
10BASE2 usa codificação Manchester. Os computadores de rede local eram ligados um ao
outro por uma série de lances de cabos coaxiais ininterruptos. Estes lances de cabo eram ligados por
conectores BNC a um conector em formato de T na placa de rede.
O meio físico em 10BASE2 utiliza um condutor central retorcido. Cada um dos cinco
segmentos de cabo coaxial fino permitido entre estações pode ter um comprimento de até 185 metros,
e cada estação é conectada diretamente ao conector BNC tipo “T” no cabo coaxial.
Apenas uma estação pode transmitir por vez, caso contrário ocorrerá uma colisão. 10BASE2
também usa half-duplex. A taxa máxima de transmissão de 10BASE2 é de 10 Mbps.
Pode haver até 30 estações em qualquer segmento 10BASE2. Dentre os cinco segmentos
consecutivos em série, entre quaisquer duas estações distantes, apenas três podem ter estações
ligadas a eles.

Figura 220 - Limites de Projeto de Redes 10BASE2

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228
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7.2.4 10BASE-T

10BASE-T foi introduzido em 1990. 10BASE-T usava cabos de cobre de par trançado, não
blindado (UTP), que era mais barato e mais fácil de instalar que o cabo coaxial. O cabo era plugado a
um dispositivo central de conexão que continha o barramento compartilhado. Esse dispositivo era um
hub. Ele se localizava no centro de um conjunto de cabos que eram distribuídos aos PCs como os
raios de uma roda. Isto é conhecido como topologia estrela. As distâncias que os cabos podiam ter até
o hub, e a maneira pela qual o UTP era instalado, levavam cada vez mais à utilização de estrelas
compostas de estrelas, em uma topologia chamada de estrela estendida. Originalmente, o 10BASE-T
era um protocolo half-duplex, mas a funcionalidade de full-duplex foi adicionada posteriormente. A
explosão da popularidade da Ethernet entre meados e fins dos anos 90 foi quando a Ethernet passou a
dominar a tecnologia de redes locais.
10BASE-T também usa codificação Manchester. Um cabo UTP 10BASE-T tem um condutor
sólido para cada fio nos 90 metros (no máximo) de cabo horizontal. O cabo UTP usa conectores RJ-45
de oito pinos. Embora o cabo Categoria 3 seja adequado para utilização nas redes 10BASE-T,
recomenda-se enfaticamente que qualquer instalação nova de cabos seja feita com Categoria 5 ou
melhor. Todos os quatro pares de fios deverão ser usados conforme os padrões de pinagem T568-A
ou T568-B. Com os cabos instalados desta forma, é suportada a utilização de vários protocolos sem
que a fiação precise ser alterada. A Figura 221 ilustra a disposição da pinagem para uma conexão
10BASE-T. O par transmissor na extremidade receptora é conectado ao par receptor no dispositivo
conectado.
A utilização de half-duplex ou full-duplex é uma escolha de configuração. 10BASE-T
transporta 10 Mbps de tráfego no modo half-duplex e 20 Mbps no modo full-duplex.

Figura 221 - 10BASE-T - Pinagens de Conectores Modulares

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229
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

7.2.5 Cabeamento e arquitetura do 10BASE-T

Os links 10BASE-T geralmente consistem numa conexão entre a estação e um hub ou


switch. Os hubs são repetidores multiportas e contam como parte do limite de repetidores permitidos
entre estações distantes. Os hubs não dividem os segmentos de rede em domínios de colisão
separados. Já que os hubs ou repetidores apenas estendem o comprimento de um segmento de rede
dentro de um único domínio de colisão, existe um limite do número de hubs que podem ser usados
naquele segmento. Os bridges e switches dividem um segmento em domínios de colisão separados,
deixando apenas as limitações dos meios físicos para determinar a distância entre os switches.
10BASE-T limita a distância entre os switches em 100 m (328 pés).
Embora os hubs possam ser interligados, é melhor evitar esta configuração. Isto evita
exceder o limite do atraso máximo entre estações distantes. Quando houver a necessidade de vários
hubs, será melhor configurá-los em uma ordem hierárquica de maneira a criar uma estrutura de árvore.
O desempenho será melhorado se as estações forem separadas por poucos repetidores.
Consulte a Figura 222 para ver um exemplo de arquitetura. São aceitáveis todas as
distâncias entre estações. Porém, a distância total de uma extremidade da rede à outra, coloca a
arquitetura em seu limite máximo. O aspecto mais importante a ser considerado é como manter ao
mínimo o atraso entre as estações distantes, independente da arquitetura e dos tipos de meios
envolvidos. Um atraso máximo menor proporcionará um melhor desempenho global.
Os links 10BASE-T podem ter distâncias sem repetição de até 100 m. Embora isto possa
parecer uma grande distância, tipicamente será consumida totalmente quando se faz o cabeamento de
um edifício. Os hubs podem resolver as questões de distância mas permitirão a propagação de
colisões. A vasta introdução de switches tornou menos importante a limitação de distâncias. Contando
que as estações de trabalho estejam localizadas dentro de 100 m de um switch, a distância de 100 m
começa novamente no switch.

Figura 222 - 10BASE - T - Limites Repetidos de Desenho de Redes

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230
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7.2.6 Ethernet 100-Mbps

A Ethernet 100 Mbps é também conhecida como Fast Ethernet. As duas tecnologias que se
destacaram foram a 100BASE-TX, que utiliza um meio físico de cabo de cobre UTP e a 100BASE-FX
que utiliza um meio físico de fibra ótica multimodo.
100BASE-TX e 100BASE-FX têm três características em comum: parâmetros de
temporização, formato de quadros e partes do processo de transmissão. 100BASE-TX e 100-BASE-FX
compartilham os parâmetros de sincronismo. Note que um tempo de bit em Ethernet 100 Mbps é de 10
nseg = 0,01 microssegundos = 1 centésimo-milionésimo de um segundo.

Figura 223 - Parâmetros para Operação Ethernet 100 Mbps

O formato de quadro 100-Mbps é o mesmo do quadro 10-Mbps.

Figura 224 - Quadro Ethernet

Fast Ethernet representa um aumento de dez vezes sobre a velocidade de 10BASE-T.


Devido ao aumento na velocidade, deve-se ter um cuidado adicional, pois os bits enviados diminuem
sua duração e ocorrem mais freqüentemente. Estes sinais de freqüência mais alta são mais sensíveis
a ruídos. Como resposta a essas questões, a Ethernet 100 Mbps usa duas etapas separadas de
codificação. A primeira parte da codificação usa uma técnica denominada 4B/5B, a segunda parte da
codificação é a codificação de linha específica para cobre ou fibra.

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7.2.7 100BASE-TX

Em 1995, o 100BASE-TX era o padrão, usando cabo UTP Cat 5, que se tornou um sucesso
comercial.
O cabo coaxial Ethernet original usava transmissão half-duplex e apenas um dispositivo
podia transmitir de cada vez. Porém, em 1997, a Ethernet foi expandida para incluir a capacidade de
incluir full-duplex permitindo que mais de um PC em uma rede pudesse transmitir ao mesmo tempo.
Pouco a pouco os switches substituíram os hubs. Esses switches ou comutadores tinham a
capacidade de full-duplex e de manipular rapidamente quadros Ethernet.
100BASE-TX usa codificação 4B/5B, que é então embaralhada e convertida em níveis MLT-
3 (multi-level transmit-3).

Figura 225 - Codificação MLT3

Na figura, a janela destacada exibe quatro exemplos de forma de onda. A forma de onda
superior não possui transição no centro da janela de tempo de bit. A falta de transição indica que um 0
binário está presente. A segunda forma de onda mostra uma transição no centro da janela de timing.
Um 1 binário é representado por uma transição. A terceira forma de onda mostra uma seqüência
binária alternada. A ausência de transição binária indica um 0 binário, e a presença de transição indica
um 1 binário. Uma borda ascendente ou descendente indica um 1. Uma variação muito repentina no
sinal indica um 1. Qualquer linha horizontal detectada no sinal indica um 0.

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232
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

Figura 226 - 100BASE-TX - Pinagens de Conectores Modulares

A Figura 226 exibe a pinagem para uma conexão 100BASE-TX. Observe que existem dois
caminhos separados de transmissão/recepção. Isto é idêntico à configuração 10BASE-T.
100BASE-TX transporta 100 Mbps de tráfego no modo half-duplex. No modo full-duplex,
100BASE-TX pode trocar 200 Mbps de tráfego. O conceito de full-duplex torna-se cada vez mais
importante conforme vai aumentando a velocidade da Ethernet.

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233
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7.2.8 100BASE-FX

Na época em que a Fast Ethernet baseada em cobre foi introduzida, foi também necessária
uma versão para fibra ótica. Uma versão para fibra ótica poderia ser usada para aplicações de
backbone, conexões entre andares e edifícios onde o cobre é menos desejável e também em
ambientes com muito ruído. 100BASE-FX foi criado para satisfazer essa necessidade. Porém,
100BASE-FX nunca foi adotado com êxito. Isto ocorreu devido à conveniente introdução dos padrões
Gigabit Ethernet em cobre e fibra. Os padrões Gigabit Ethernet são agora a tecnologia dominante para
as instalações de backbone, conexões cruzadas de alta velocidade e necessidades de infra-estrutura
geral.

Figura 227 - Codificação NRZI

A temporização, o formato de quadro e a transmissão são as mesmas nas versões em cobre


e em fibra ótica de Fast Ethernet 100 Mbps. 100BASE-FX, entretanto, usa a codificação NRZI, a qual é
apresentada na Figura 227. Na primeira forma de onda não há transição no sinal, o que indica um 0
binário. A segunda forma de onda mostra uma transição no centro da janela de timing. Um 1 binário é
representado por uma transição. Na terceira forma de onda, existe uma seqüência binária alternada.
Neste exemplo, é mais óbvio que a falta de transição indica um 0 binário e a presença de transição
indica um 1 binário.

Figura 228 - Pinagem 100BASE-FX

A Figura 228 resume um link e as pinagens do 100BASE-FX. Geralmente, são mais usados
os pares de fibra com conectores ST ou SC.

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234
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

Caminhos separados de Transmissão (TX) e Recepção (RX) na fibra óptica 100BASE-FX


permitem uma transmissão a 200 Mbps.

7.2.9 Arquitetura Fast Ethernet

Os links Fast Ethernet geralmente consistem numa conexão entre uma estação e um hub ou
switch. Os hubs são considerados repetidores multiportas e os switches são considerados bridges
multiportas. Estão sujeitos ao limite de distância dos meios físicos UTP de 100 m.
Um repetidor Classe I pode introduzir até 140 tempos de bit de latência. Qualquer repetidor
que mude entre uma implementação Ethernet e outra é um repetidor Classe I. Repetidor classe II é
limitado a atrasos menores, 92 tempos de bit, porque ele repete imediatamente o sinal que chega para
todas as outras portas, sem que este passe por um processo de conversão. Para obter um atraso
menor, repetidores classe II podem conectar somente segmentos que utilizem a mesma sinalização.
Como no caso das versões de 10 Mbps, é possível modificar algumas das regras de
arquitetura para as versões 100 Mbps. Porém, virtualmente não existe tolerância alguma para atraso
adicional. A modificação das regras de arquitetura é enfaticamente desencorajada para 100BASE-TX.
O cabo 100BASE-TX entre os repetidores Classe II não pode exceder a 5 metros. Não é raro encontrar
links operando em half-duplex em Fast Ethernet. No entanto, não é aconselhável usar half-duplex, pois
o esquema de sinalização é basicamente para full-duplex.
A Figura 229 exibe as distâncias permitidas de cabos para cada configuração utilizada. Os
links 100BASE-TX podem ter distâncias sem repetição de até 100 m. A introdução universal de
switches diminuiu a importância deste limite. Já que a maior parte de Fast Ethernet é comutada, estes
são os limites práticos entre dispositivos.

Figura 229 - Exemplo de Configuração da Arquitetura e Distâncias dos Cabos

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235
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7.3 GIGABIT ETHERNET e 10 GIGABIT ETHERNET

7.3.1 Ethernet 1000-Mbps

Os padrões para Ethernet 1000-Mbps ou Gigabit Ethernet representam transmissões usando


meios físicos tanto de fibra como de cobre.

Figura 230 - Tipos de Ethernet


O padrão 1000BASE-X, IEEE 802.3z, especifica 1 Gbps full duplex sobre fibra óptica. O
padrão 1000BASE-T, IEEE 802.3ab, usa cabo de par trançado balanceado categoria 5, ou maior.
1000BASE-TX, 1000BASE-SX e 1000BASE-LX usam os mesmos parâmetros de
temporização, conforme exibido na Figura 26. Eles usam um tempo de bit de 1 nanossegundo
(0,000000001 segundo) ou 1 bilionésimo de segundo . O quadro Gigabit Ethernet possui o mesmo
formato usado para Ethernet 10 e 100-Mbps. Dependendo da implementação, a Gigabit Ethernet pode
usar diferentes processos para converter quadros em bits no cabo.

Figura 231 - Parâmetros para Operação Gigabit Ethernet

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236
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

A Figura 232 ilustra os formatos de quadro Ethernet.

Figura 232 - Quadros Ethernet


As diferenças entre o padrão Ethernet, Fast Ethernet e Gigabit Ethernet ocorre na camada
física. Devido às velocidades aumentadas desses novos padrões, os tempos de bit de duração mais
curta necessitam de considerações especiais. Já que os bits são introduzidos nos meios físicos por um
tempo reduzido e com uma freqüência mais alta, a temporização é crítica. Esta transmissão de alta
velocidade exige freqüências próximas aos limites de largura de banda dos meios de cobre. Isto faz
com que os bits se tornem mais sensíveis ao ruído em meios de cobre.
Essas questões exigem que a Gigabit Ethernet use duas etapas separadas de codificação. A
transmissão de dados é agilizada com a utilização de códigos para representar o fluxo binário de bits.
Os dados codificados proporcionam características de sincronização, uso eficiente de largura de banda
e uma melhor relação Sinal/Ruído.
Na camada física, os padrões de bits da camada MAC são convertidos em símbolos. Os
símbolos podem também controlar informações como início e fim de quadro, e condições de meio
inativo. O quadro é codificado em símbolos de controle e de dados para aumentar o throughput da
rede.
Gigabit Ethernet (1000BASE-X) baseada em fibra usa codificação 8B/10B, que é semelhante
ao conceito 4B/5B. Isto é seguido pelo uso da codificação NRZ (Non-Return to Zero) da luz na fibra
óptica. Este processo mais simples de codificação é possível porque o meio físico da fibra pode
transportar sinais de maior largura de banda.

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237
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

7.3.2 1000BASE-T

Ao ser instalada a Fast Ethernet para aumentar a largura de banda das estações de
trabalho, começaram a aparecer gargalos nos troncos da rede. 1000BASE-T (IEEE 802.3ab) foi
desenvolvido para proporcionar largura de banda adicional para ajudar a aliviar tais gargalos. Isto
proporcionou mais throughput para dispositivos como backbones entre edifícios, links entre switches,
server farms e outras aplicações de wiring closet, assim como conexões para estações de trabalho de
alto desempenho. Fast Ethernet foi projetada para funcionar através de cabos de cobre Cat 5 que
foram terminados corretamente e que conseguissem passar nos testes de certificação de cabos 5e. A
maioria dos cabos Cat 5 que foram instalados conseguem passar nos testes de certificação de cabos
5e. Um dos atributos mais importantes do padrão 1000BASE-T é que seja mutuamente operável com
10BASE-T e 100BASE-TX.
Já que o cabo Cat 5e pode transportar com confiabilidade até 125 Mbps de tráfego, conseguir
1000 Mbps (Gigabit) de largura de banda foi um desafio para o projeto. A primeira etapa para viabilizar
o 1000BASE-T é usar todos os quatro pares de fios, ao invés dos dois pares tradicionais de fios
usados para 10BASE-T e 100BASE-TX Isto é feito usando-se circuitos complexos para permitir
transmissões full-duplex no mesmo par de fios. Isto proporciona 250 Mbps por par. Com todos os
pares de quatro fios, isto proporciona os 1000 Mbps desejados. Já que as informações se propagam
simultaneamente através dos quatro caminhos, os circuitos precisam dividir quadros no transmissor e
reorganizá-los no receptor.
A codificação 1000BASE-T com codificação de linha 4D-PAM5 é usada em cabos UTP Cat 5e,
ou melhores. Isto significa que a transmissão e recepção de dados ocorrem em ambos os sentidos, no
mesmo fio e ao mesmo tempo. Pode-se esperar que isso resulte em uma colisão permanente nos
pares de fios. Essas colisões resultam em padrões complexos de voltagens. Com circuitos integrados
complexos e usando técnicas tais como cancelamento de eco, FEC da Camada 1 (Forward Error
Correction) e a prudente seleção dos níveis de voltagem, o sistema consegue um throughput de 1
Gigabit.
Em períodos de inatividade, existem nove níveis de voltagem encontrados no cabo e, durante
períodos de transmissão de dados, podem ser encontrados 17 níveis de voltagem no cabo.

Figura 233 - Sinal de Saída (TX) 1000BASE-T

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238
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

Com este grande número de estados e com os efeitos de ruído, o sinal no fio parece mais
analógico que digital. Como é o caso de um sistema analógico, este sistema é mais sensível a ruídos
oriundos de problemas nos cabos e nas terminações.
Os dados vindos da estação emissora são cuidadosamente divididos em quatro fluxos
paralelos, codificados, transmitidos e detectados em paralelo e depois reorganizados e recebidos em
um só fluxo de bits. A Figura 234 representa full-duplex simultâneo em pares de quatro fios.
1000BASE-T suporta uma operação tanto em half-duplex como em full-duplex. 1000BASE-T full-duplex
é amplamente utilizado.

Figura 234 - Transmissão Real do Sinal 1000BASE-T

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239
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

7.3.3 1000BASE-SX e LX

O padrão IEEE 802.3 recomenda que a Gigabit Ethernet através de fibra seja a tecnologia
adequada para o backbone.

Figura 235 - Vantagens do Gigabit Ethernet em Fibra

A temporização, o formato de quadros e a transmissão são iguais para todas as versões de


1000 Mbps. Dois esquemas de codificação de sinal são definidos na camada física.

Figura 236 - Camadas Gigabit Ethernet

O esquema 8B/10B é usado para fibra óptica e meios de cobre blindado, e a modulação de
amplitude de pulso 5 (PAM5) é usada para UTP.
1000BASE-X usa a codificação 8B/10B convertida em codificação de linha NRZ (Non-Return to
Zero). A codificação NRZ baseia-se no nível de sinal encontrado na janela de tempo de bit para
determinar o valor binário desse bit. Ao contrário de muitos dos outros esquemas de codificação, este
sistema é determinado pelo nível e não pela borda. Isto é, a determinação de um bit representar 0 ou 1
é feita pelo nível do sinal e não quando o sinal muda de nível.
Os sinais NRZ são então inseridos na forma de pulsos para dentro da fibra usando fontes de
luz com comprimento de onda curta ou longa. As de comprimento de onda curta usam como fonte um
laser de 850 nm ou um LED em fibra óptica multimodo (1000BASE-SX). É a mais econômica entre as
opções, mas é limitada por distâncias mais reduzidas. As de comprimento de onda longa (1310 nm)
originadas por laser usam fibra óptica monomodo ou multimodo (1000BASE-LX). Laser usado com
fibra monomodo pode alcançar distâncias de até 5000 metros. Devido ao curto tempo necessário para

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240
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

ligar e desligar totalmente o LED ou o laser, a luz é pulsada na fibra usando potência baixa e alta. Um
0 lógico é representado por uma luz de baixa potência e um 1 por uma de alta potência.
O método de Controle de Acesso ao Meio trata o link como ponto-a-ponto. Já que fibras
separadas são usadas para transmissão (Tx) e recepção (Rx) a conexão é inerentemente full-duplex. A
Gigabit Ethernet permite um único repetidor entre duas estações. A Figura
é um gráfico de comparação dos meios físicos utilizados em Ethernet 1000BASE.

Figura 237 - Comparação dos Meios Gigabit Ethernet

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241
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

7.3.4 Arquitetura Gigabit Ethernet

As limitações de distância dos links full-duplex são apenas definidas pelo meio físico e não
pelo atraso de ida e volta. Já que a maioria das Gigabit Ethernet é comutada, os valores nas Figuras
238 e 239 são os limites práticos entre os dispositivos. São permitidas todas as topologias em cascata,
de estrela e de estrela estendida. A questão então passa a ser de topologia lógica e de fluxo de dados,
e não de temporização ou de limitações de distância.

Figura 238 - Distancias Máximas para o Cabo 1000BASE-SX

Figura 239 - Distancia Máximas para o Cabo 1000BASE-LX

Um cabo 1000BASE-T UTP é idêntico aos cabos 10BASE-T e 100BASE-TX, exceto que o
desempenho dos links precisa satisfazer os requisitos de qualidade mais altos de Categoria 5e ou ISO
Classe D (2000).
A modificação das regras definidas na arquitetura 1000BASE-T é totalmente desencorajada.
A 100 metros, 1000BASE-T está operando perto do limite da capacidade do hardware em recuperar o
sinal transmitido. Quaisquer problemas de cabeamento ou ruído ambiental poderia tornar inoperante
um cabo normalmente compatível, mesmo a distâncias dentro das especificações.
É recomendado que todos os links entre uma estação e um hub ou switch sejam
configurados para a Auto Negociação, de forma a permitir o mais alto desempenho comum a todos.
Isto evitará que seja realizada por acidente uma configuração errada dos outros parâmetros exigidos
para uma operação adequada do Gigabit Ethernet.

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242
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7.3.5 Ethernet 10 Gigabit

IEEE 802.3ae foi adaptado para incluir transmissões 10 Gbps full-duplex através de cabos
de fibra óptica. As semelhanças básicas entre 802.3ae e 802.3, a Ethernet original, são
impressionantes. Esta 10-Gigabit Ethernet (10GbE) está evoluindo não só para redes locais mas
também para MANs e WANs.
Com o formato de quadros e outras especificações Ethernet da Camada 2, compatíveis com
padrões anteriores, 10GbE pode fornecer o aumento necessário na largura de banda para que seja
mutuamente operável com a infra-estrutura das redes já existentes.
Uma mudança conceitual importante para Ethernet está surgindo com 10GbE. Ethernet é
tradicionalmente considerada uma tecnologia para redes locais, mas os padrões da camada física de
10GbE permitem uma extensão da distância de até 40 km sobre fibra monomodo e compatibilidade
com redes SONET (Synchronous Optical Network) e com a SDH (Synchronous Digital Hierarchy). Uma
operação a 40 km de distância torna a 10GbE uma tecnologia viável para MAN. A compatibilidade com
as redes SONET/SDH operando a velocidades de até OC-192 (9,584640 Gbps) torna a 10GbE uma
tecnologia viável para WAN. 10GbE pode também competir com ATM para certas aplicações.
Em resumo, como se compara 10GbE com outras variedades de Ethernet?

• O formato dos quadros é idêntico, permitindo a sua mútua operabilidade com todas as
variedades de Ethernet legada, fast, gigabit e 10 Gigabit sem conversões de quadros ou de
protocolos.
• O tempo de bit agora é de 0,1 nanossegundo. As demais variáveis de tempo são ajustadas
apropriadamente.
• Não é necessário o CSMA/CD, já que são usadas apenas conexões de fibra full-duplex.
• As subcamadas de IEEE 802.3, dentro das Camadas 1 e 2 do modelo OSI, na sua maioria são
preservadas, com algumas adições para acomodar 40 km de links de fibra e a mútua
operabilidade com as tecnologias SONET/SDH.
• Torna-se possível a criação de redes Ethernet flexíveis, eficientes, confiáveis e de custo
relativamente baixo do começo ao fim.
• O TCP/IP pode rodar sobre redes locais, MANs e WANs com um só método de Transporte de
Camada 2.

O padrão básico que governa o CSMA/CD é IEEE 802.3. Um suplemento do IEEE 802.3,
conhecido como 802.3ae, regula a família 10GbE. Como é típico para novas tecnologias, uma série de
implementações estão sendo consideradas:

• 10GBASE-SR: Destinado a curtas distâncias através de fibras multimodo já instaladas,


suporta uma distância entre 26 m e 82 m
• 10GBASE-LX4: utiliza WDM (Wavelength Division Multiplexing), suporta distâncias de 240 m a
300 m através das fibras multimodo já instaladas, e 10 km através de fibras monomodo
• 10GBASE-LR e 10GBASE-ER: Suporta de 10 km a 40 km através de fibra monomodo

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• 10GBASE-SW, 10GBASE-LW e 10GBASE-EW: Conhecidos de forma genérica como


10GBASE-W são destinados a funcionar com equipamentos OC-192 STM (synchronous
transport module) SONET/SDH para WAN

A Força Tarefa IEEE 802.3ae e a Ethernet Alliance 10-Gigabit (10 GEA) estão trabalhando
para padronizar essas tecnologias emergentes.
A Ethernet 10-Gbps (IEEE 802.3ae) foi padronizada em junho de 2002. É um protocolo full-
duplex que usa fibra ótica como meio de transmissão. A distância máxima de transmissão depende do
tipo de fibra a ser usada. Quando se usa fibra monomodo como o meio de transmissão, a distância
máxima de transmissão é de 40 quilômetros (25 milhas). Algumas discussões entre os membros do
IEEE sugerem a possibilidade de padrões para 40, 80 e mesmo 100-Gbps Ethernet.

Figura 240 - Parâmetros para Operação Ethernet de 10 Gbps

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Módulo VII: Tecnologias Ethernet

7.3.6 Arquiteturas 10 Gigabit Ethernet

Semelhante ao desenvolvimento da Gigabit Ethernet, o aumento da velocidade é


acompanhado por requisitos adicionais. A reduzida duração do tempo de bit, devido ao aumento da
velocidade, requer considerações especiais. Para transmissões 10 GbE, cada duração de bit de dados
é 0,1 nanossegundo. Isto significa que poderá haver 1.000 bits de dados GbE, no mesmo tempo de bit
de um só bit de dados de um fluxo de dados Ethernet 10-Mbps. Devido à curta duração do bit de dados
10 GbE, às vezes é difícil distinguir entre um bit de dados e ruído. A transmissão de dados 10 GbE
conta com a precisão na temporização dos bits para separar os dados dos efeitos do ruído na camada
física. Este é o propósito da sincronização.
Como resposta a estas questões de sincronização, largura de banda e Relação Sinal/Ruído,
o 10 Gigabit Ethernet usa duas etapas separadas de codificação. A transmissão se torna mais eficiente
com a utilização de códigos que representam os dados do usuário. Os dados codificados proporcionam
características como sincronização, uso eficiente de largura de banda e uma melhoria na relação
Sinal/Ruído.
Fluxos de bits seriais complexos são usados para todas as versões de 10GbE, exceto para
10GBASE-LX4, que usa (WWDM) (Wide Wavelength Division Multiplex) para multiplexar quatro fluxos
de bits simultâneos, como quatro feixes de luz de diferentes comprimentos de onda, projetados
simultaneamente na fibra.

Figura 241 - Multiplexador de Sinal 10GBASE-LX4

A Figura 241representa o caso particular da utilização de quatro fontes de luz com


comprimentos de onda ligeiramente diferentes. Ao ser recebido pelo meio, o sinal ótico é
demultiplexado em quatro fluxos óticos separados. Os quatro fluxos óticos são então convertidos de
volta em quatro fluxos de bits, enquanto passam por processo reverso semelhante através das
subcamadas da camada MAC.
Atualmente, a maioria dos produtos 10GbE está na forma de módulos, ou placas (line cards),
para serem incorporados em switches e roteadores de alto desempenho. Conforme as tecnologias

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245
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

10GbE vão evoluindo, é de se esperar um aumento na diversidade de componentes de sinalização.


Conforme as tecnologias óticas vão evoluindo, são incorporados nesses produtos transmissores e
receptores melhorados, valendo-se cada vez mais da modularidade. Todas as variedades de 10GbE
usam meios de fibra ótica. Os tipos de fibras incluem fibra monomodo 10µ e 50µ e fibras multimodo
62.5µ. É suportada uma série de fibras com diferentes características de atenuação e dispersão, o que
limita as distâncias de operação.
Embora o suporte seja limitado aos meios de fibras ópticas, alguns dos comprimentos
máximos de cabo são surpreendentemente curtos.

Figura 242 - Implementações 10-Gigabit Ethernet

Não há repetidor definido para 10-Gigabit Ethernet já que o half-duplex não é explicitamente
suportado.
Como é o caso das versões 10 Mbps, 100 Mbps e 1000 Mbps, é possível modificar
ligeiramente algumas das regras da arquitetura. Possíveis ajustes na arquitetura são relacionados à
perda de sinais e distorção ao longo do meio físico. Devido à dispersão do sinal e outras questões, o
pulso de luz se torna indecifrável a partir de certas distâncias.

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246
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

7.3.7 Futuro da Ethernet

A Ethernet tem passado por uma evolução: tecnologias Ethernet legada Fast ? Gigabit?
MultiGigabit. Enquanto outras tecnologias de redes locais ainda podem ser encontradas em
funcionamento (instalações antigas), a Ethernet domina as novas instalações de redes locais. Tanto é
que algumas se referem a Ethernet como o "tom de discagem" da rede local. Ethernet agora é o
padrão para conexões horizontais, verticais e entre edifícios. As versões de Ethernet recentemente
desenvolvidas estão tornando confusas as distinções entre redes locais, MANs e WANs.
Enquanto há atualmente uma ampla disponibilidade de produtos 1-Gigabit Ethernet e os de
10 Gigabit estão se tornando mais acessíveis, o IEEE e o Ethernet Alliance estão trabalhando com
padrões de 40, 100 ou mesmo 160 Gbps. As tecnologias que serão adotadas dependem de vários
fatores, inclusive da taxa de maturação das tecnologias e padrões, da taxa de adoção no mercado, e
custos.
Já têm sido feitas outras propostas de esquemas de arbitramento Ethernet além do
CSMA/CD. O problema de colisões existente nas topologias físicas de barramentos do 10BASE5 e do
10BASE2 e nos hubs 10BASE-T e 100BASE-TX já não são tão comuns. O uso de cabos UTP e de
fibra ótica com caminhos separados de Tx e Rx, e a redução nos custos de switches tornam muito
menos importantes as conexões em um único meio físico compartilhado e half-duplex.
O futuro dos meios físicos de rede engloba três fatores:

1. Cobre (até 1000 Mbps, talvez mais);


2. Wireless (sem-fio) (aproximadamente 100 Mbps, talvez mais);
3. Fibra óptica (atualmente até 10.000 Mbps e em breve será mais);

Os meios de cobre e wireless têm certas limitações físicas e práticas nos sinais das
freqüências mais altas que podem ser transmitidos. Este não é um fator limitador para a fibra ótica num
futuro próximo. As limitações de largura de banda da fibra óptica são extremamente grandes e ainda
não estão sendo ameaçadas. Nos sistemas de fibra, é a tecnologia eletrônica (como emissores e
detectores) e o processo de manufatura de fibras que mais limitam a velocidade. Futuros
desenvolvimentos na Ethernet provavelmente envolverão fontes de luz Laser e fibra óptica monomodo
mais do que qualquer outra tecnologia.

Figura 243 - O Escopo da Expansão da Ethernet

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247
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

Quando a Ethernet era mais lenta, half-duplex, sujeita a colisões e a um processo


"democrático" para priorização, não era considerada como tendo capacidades de QoS (Qualidade de
Serviço) necessárias para lidar com certos tipos de tráfego. Isto incluía telefonia IP e vídeo multicast.
As tecnologias Ethernet para full-duplex em alta velocidade, que agora dominam o mercado,
estão se mostrando suficientes para suportar mesmo as aplicações que fazem uso intensivo de QoS.
Isto torna a gama de aplicações potenciais em redes Ethernet ainda mais ampla. É irônico que a
capacidade de QoS fim-a-fim ajudou a impulsionar o uso de ATM no ambiente dos desktops e na WAN
em meados dos anos 90, mas agora é a Ethernet e não o ATM que está alcançando esta meta.

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248
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

Resumo do Módulo

Deve ter sido alcançada a compreensão dos seguintes conceitos importantes:

• As diferenças e semelhanças entre Ethernet 10BASE5, 10BASE2 e 10BASE-T


• Codificação Manchester
• Os fatores que afetam os limites de temporização Ethernet
• Os parâmetros de fiação 10BASE-T
• As características principais e as variedades de Ethernet 100-Mbps
• A evolução da Ethernet
• Os métodos MAC, os formatos de quadros e o processo de transmissão de Gigabit Ethernet
• A utilização meios específicos e de codificação em Gigabit Ethernet
• As pinagens e a fiação típica para as várias implementações de Gigabit Ethernet
• As semelhanças e as diferenças entre Gigabit e 10 Gigabit Ethernet
• As considerações básicas das arquiteturas Ethernet Gigabit e 10 Gigabit

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249
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

TESTE
1) Qual das alternativas a seguir é uma descrição exata de uma tecnologia Ethernet ?
 100BASE-FX – usa fibra multimodo e transmite a 10 Mbps;
 10BASE2 – usa dois pares em cabo CAT 3 e transmite a 10 Mbps;
 10BASE-T – usa dois pares de fios em cabo CAT 5 e transmite a 10 Mbps;
 10BASE-TX – usa todos os quatro pares de fios em cabo CAT 5 e transmite a 100 Mbps;

2) Quais das seguintes alternativas são tecnologias baseadas em cabos UTP ?


 10BASE-T;
 10BASE5;
 10BASE2;
 100BASE-FX;
 100BASE5;
 100BASE-TX.

3) Quais das seguintes topologias físicas são usadas com Ethernet 10BASE-T? (Escolha
duas).
 Malha (mesh);
 Estrela (star);
 Estrela estendida (extend star);
 Anel (ring);

4) Qual das seguintes alternativas é exclusiva de 1000BASE-T em comparação com 10BASE-


Te 100BASE-TX?
 UTP CAT 3;
 Cabo Coaxial;
 Usa todos os quatros pares de fios;
 Formato de quadro diferente;
 Half-duplex;

5) Quais das seguintes alternativas utilizam UTP como meio físico? (Escolha duas).
 10BASE2;
 10BASE5;
 10BASE-T;
 100BASE-TX;
 100BASE-FX;

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250
Módulo VII: Tecnologias Ethernet

6) Qual é a distância máxima de transmissão suportada por Ethernet 1000BASE-T?


 82 metros;
 100 metros;
 185 metros;
 500 metros;
 40 quilômetros;

7) Qual é a camada do modelo OSI que processa o tempo de bit (bit time) e temporização de
sinal para Ethernet padrão, Fast Ethernet e Gigabit Ethernet?
 Aplicação;
 Sessão;
 Transporte;
 Rede;
 Enlace de Dados;
 Física;

8) Por que deve ser considerado o uso de fibra ótica no lugar do cabo UTP nos novos projetos
de cabeamento da rede?
 Fibra ótica é mais barata;
 Fibra ótica é mais fácil de instalar;
 Fibra ótica possui maior largura de banda;
 Fibra ótica suporta apenas half-duplex;

9) Dois hosts da rede separados por uma distância de 220m precisam ser conectados
utilizando 100BASE-TX. Para minimizar os custos, que dispositivos serão necessários ?
 Dois hubs classe I;
 Dois hubs classe II;
 Um hub classe I e um switch;
 Dois switches;

10) Faça a correspondência entre o padrão Ethernet apropriado com o seu comprimento
máximo de cabo.
1 10BASE2 100m
2 100BASE-FX 185m
3 10BASE5 412m
4 100BASE-TX 500m

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251
Módulo VIII: Comutação Ethernet
8 COMUTAÇÃO ETHERNET
8.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO

A Ethernet compartilhada funciona extremamente bem sob condições ideais. Quando o


número de dispositivos que tentam acessar a rede é baixo, o número de colisões permanece bem
dentro dos limites aceitáveis. No entanto, quando aumenta o número de usuários na rede, o aumento
do número de colisões pode causar um desempenho inaceitavelmente baixo. O uso de bridges foi
elaborado para ajudar a amenizar os problemas de desempenho que surgiram devido ao aumento das
colisões. A comutação evoluiu a partir do bridging para tornar-se a tecnologia principal nas modernas
redes locais Ethernet.
As colisões e broadcasts são eventos esperados nas redes modernas. Aliás, são elaborados
como parte integrante do projeto de Ethernet e das tecnologias de camadas superiores. Porém,
quando as colisões e broadcasts ocorrem em número acima do aceitável, o desempenho da rede é
afetado. O conceito de domínios de colisão e de broadcast trata de como as redes podem ser
projetadas para limitarem os efeitos negativos das colisões e broadcasts. Este módulo explora os
efeitos de colisões e broadcasts sobre o tráfego da rede e depois descreve como as bridges e
roteadores são usados para segmentar as redes para obter-se um melhor desempenho.

Os alunos, ao concluírem este módulo, deverão poder:

• Definir bridging e comutação.


• Definir e descrever a tabela CAM (content-addressable memory).
• Definir a latência.
• Descrever os modos armazenar e encaminhar e comutação cut-through.
• Explicar o protocolo STP (Spanning-Tree Protocol).
• Definir colisões, broadcasts, domínios de colisão e domínios de broadcast.
• Identificar os dispositivos de Camada 1, 2 e 3 usados para criar domínios de colisão e
domínios de broadcast.
• Discutir fluxo de dados e problemas com broadcasts.
• Explicar a segmentação de redes e relatar os dispositivos usados para criar segmentos.

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252
Módulo VIII: Comutação Ethernet
8.2 BRIDGING DA CAMADA 2

Conforme vão sendo adicionados nós a um segmento físico Ethernet, vai aumentando a
competição para os meios. Ethernet significa meios compartilhados, o que quer dizer que somente um
nó de cada vez pode transmitir dados. O acréscimo de mais nós aumenta a demanda sobre a largura
de banda disponível e coloca cargas adicionais nos meios físicos. Com o aumento do número de nós
em um único segmento, aumenta a probabilidade de colisões, o que resulta em mais retransmissões. A
solução deste problema é dividir os grandes segmentos em partes e separá-las em domínios de
colisão isolados.
Para que isso seja feito, uma bridge mantém uma tabela de endereços MAC e as portas a eles
associadas. A bridge então encaminha ou descarta os quadros baseados nas entradas da tabela. As
seguintes etapas ilustram a operação de uma bridge.

Figura 244 - Operação de Bridge

• A bridge acaba de ser iniciada de modo que a tabela da bridge está vazia. A bridge só espera
o tráfego no segmento. Quando o tráfego é detectado, ele é processado pela bridge.

• O Host A está fazendo ping ao Host B. Já que os dados são transmitidos no segmento inteiro
do domínio de colisão, tanto a bridge como o Host B processam o pacote.

• A bridge acrescenta o endereço de origem do quadro à sua tabela de bridge. Já que o


endereço estava no campo endereço de origem e o quadro foi recebido na porta 1, o quadro
precisa estar associado com a porta 1 na tabela.

• O endereço de destino do quadro é comparado com a tabela da bridge. Já que o endereço não
está na tabela, apesar de estar no mesmo domínio de colisão, o quadro é encaminhado ao
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253
Módulo VIII: Comutação Ethernet
outro segmento. O endereço do Host B ainda não foi registrado porque somente o endereço de
origem de um quadro é registrado.

• O Host B processa a solicitação de ping e transmite uma resposta de ping de volta ao Host A.
Os dados são transmitidos através de todo o domínio de colisão. Tanto o Host A como a bridge
recebem o quadro e o processam.

• A bridge acrescenta o endereço de origem do quadro à sua tabela de bridge. Já que o


endereço de origem não estava na tabela da bridge e foi recebido na porta 1, o endereço de
origem do quadro precisa ser associado à porta 1 na tabela. O endereço de destino do quadro
é comparado com a tabela da bridge para ver se a entrada consta. Já que o endereço está na
tabela, a designação da porta é verificada. O endereço do Host A é associado à porta pela
qual o quadro entrou, de modo que o quadro não é encaminhado.

• O Host A agora vai fazer ping ao Host C. Já que os dados são transmitidos no segmento
inteiro do domínio de colisão, tanto a bridge como o Host B processam o quadro. O Host B
descarta o quadro porque não era o destino pretendido.

• A bridge acrescenta o endereço de origem do quadro à sua tabela de bridge. Já que o


endereço já está registrado na tabela de bridge a entrada é apenas renovada.

• O endereço de destino do quadro é comparado com a tabela de bridge para ver se a entrada
consta. Já que o endereço não consta da tabela, o quadro é encaminhado ao outro segmento.
O endereço do Host C ainda não foi registrado porque somente o endereço de origem de um
quadro é registrado.

• O Host C processa a solicitação de ping e transmite uma resposta de ping de volta ao Host A.
Os dados são transmitidos através de todo o domínio de colisão. Tanto o Host D como a
bridge recebem o quadro e o processam. O Host D descarta o quadro porque não era o
destino pretendido.

• A bridge acrescenta o endereço de origem do quadro à sua tabela de bridge. Já que o


endereço estava no campo de endereços de origem e o quadro foi recebido na porta 2, o
quadro precisa estar associado à porta 2 na tabela.

• O endereço de destino do quadro é comparado com a tabela da bridge para ver se a entrada
consta. O endereço consta da tabela mas está associado à porta 1, por isso, o quadro é
encaminhado ao outro segmento.

• Quando o Host D transmite dados, o seu endereço MAC também é registrado na tabela da
bridge. É assim que a bridge controla o tráfego entre os domínios de colisão.

Estas são as etapas que a bridge usa para encaminhar e descartar quadros recebidos em
qualquer uma de suas portas.

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254
Módulo VIII: Comutação Ethernet
8.3 COMUTAÇÃO DA CAMADA 2

Geralmente, uma bridge possui apenas duas portas e divide o domínio de colisão em duas
partes. Todas as decisões feitas por uma bridge são baseadas no endereçamento MAC ou da Camada
2 e não afetam o endereçamento lógico ou da Camada 3. Assim, uma bridge divide um domínio de
colisão mas não tem efeito nenhum no domínio lógico ou de broadcast. Não importa quantas bridges
existam em uma rede, a não ser que haja um dispositivo como um roteador que funcione com o
endereçamento da Camada 3, a rede inteira compartilhará o mesmo espaço de endereço lógico de
broadcast. Uma bridge criará mais domínios de colisão mas não adicionará domínios de broadcast.

Figura 245 - Bridges

Um switch é essencialmente uma bridge rápida multiportas, que pode conter dezenas de
portas. Em vez de criar dois domínios de colisão, cada porta cria seu próprio domínio de colisão. Em
uma rede de vinte nós, podem existir vinte domínios de colisão se cada nó for ligado em sua própria
porta no switch. Se estiver incluída uma porta uplink, um switch criará vinte e um domínios de colisão
com um único nó. Um switch dinamicamente constrói e mantém uma tabela CAM (Content-
Addressable Memory), mantendo todas as informações MAC necessárias para cada porta.

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255
Módulo VIII: Comutação Ethernet
8.4 SWITCH OPERATION

Um switch é simplesmente uma bridge com muitas portas. Quando apenas um nó está
conectado a uma porta do switch, o domínio de colisão nos meios compartilhados contém apenas dois
nós. Os dois nós neste pequeno segmento, ou domínio de colisão, consistem na porta do switch e o
host conectado a ela. Estes pequenos segmentos físicos são conhecidos como microssegmentos.

Figura 246 - Operação do Switch

Outra capacidade se revela quando apenas dois nós são conectados. Em uma rede que usa
cabeamento de par trançado, um par é usado para transportar o sinal transmitido de um nó para outro.
Um segundo par é usado para o sinal de retorno ou sinal recebido. É possível a passagem simultânea
dos sinais através de ambos os pares. A capacidade da comunicação nos dois sentidos ao mesmo
tempo é conhecida como full duplex.

Figura 247 - Full Duplex

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256
Módulo VIII: Comutação Ethernet
A maior parte dos switches é capaz de suportar full duplex, como é o caso das placas de
rede (NICs). No modo full duplex, não existe competição para os meios. Assim, um domínio de colisão
não mais existe. Teoricamente, a largura de banda é o dobro quando o full duplex é usado.
Além de microprocessadores e memória mais rápidas, dois outros avanços na tecnologia
possibilitaram a existência de switches. A CAM (Content-addressable memory) é uma memória que
funciona de maneira contrária, comparada à memória convencional. A introdução de dados na
memória retornará o endereço associado. A utilização da CAM permite que um switch encontre
diretamente a porta associada ao endereço MAC sem usar algoritmos de procura. Um ASIC
(application-specific integrated circuit) é um dispositivo que consiste de gates lógicos não dedicados
que podem ser programados para realizar funções a velocidades de própria lógica. As operações antes
realizadas no software agora podem ser realizadas no hardware, usando-se um ASIC. A utilização
destas tecnologias reduz imensamente os atrasos causados pelo processamento de software e
permite que um switch acompanhe as exigências de dados dos vários microssegmentos e da taxa alta
de bits.

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257
Módulo VIII: Comutação Ethernet
8.5 LATÊNCIA

A latência é o atraso entre o tempo que o quadro primeiro começa a sair do dispositivo de
origem e o tempo que a primeira parte do quadro chega ao seu destino. Uma grande variedade de
condições pode causar atrasos à medida que o quadro se propaga desde a origem até o destino:

1. Atrasos do meio físico causados pela velocidade finita em que os sinais podem se propagar
através do meio físico.
2. Atrasos de circuito causados pelos circuitos eletrônicos que processam o sinal ao longo do
caminho.
3. Atrasos de software causados pelas decisões que o software precisa tomar para implementar
a comutação e os protocolos.
4. Atrasos causados pelo conteúdo do quadro e onde na comutação do quadro poderão ser feitas
as decisões de comutação. Por exemplo, um dispositivo não pode rotear um quadro para um
destino até que o endereço MAC de destino tenha sido lido.

Figura 248 - Latência da Rede

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258
Módulo VIII: Comutação Ethernet
8.6 MODOS DE UM SWITCH

A maneira pela qual um quadro é comutado à sua porta de destino é uma concessão entre
latência e confiabilidade. Um switch poderá começar a transferir o quadro assim que o endereço MAC
de destino for recebido. A comutação feita neste ponto é conhecida como comutação cut-through e
resulta na latência mais baixa através do switch.

Figura 249 - Cut-Through

No entanto, não oferece nenhuma verificação de erros. Por outro lado, o switch pode receber
um quadro completo antes de enviá-lo à porta de destino. Isso dá ao software do switch a oportunidade
de verificar o FCS (Frame Check Sequence) para garantir que o quadro foi recebido com integridade
antes de enviá-lo ao destino. Se o quadro for identificado como inválido, ele será descartado nesse
switch e não no destino final. Já que o quadro inteiro é armazenado antes de ser encaminhado, este
modo é conhecido como armazenar e encaminhar.

Figura 250 - Armazenar e Encaminhar

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259
Módulo VIII: Comutação Ethernet
Uma solução intermediária entre os modos cut-through e armazenar e encaminhar é o modo
livre de fragmentos. O modo livre de fragmentos lê os primeiros 64 bytes, que incluem o cabeçalho do
quadro, e a comutação se inicia antes que sejam lidos todo o campo de dados e o checksum. Este
modo verifica a confiabilidade das informações do endereçamento e do protocolo LLC (Logical Link
Control) para garantir que o destino e o tratamento dos dados estejam corretos.
Quando se usa os métodos de comutação cut-through, tanto a porta de origem como a de
destino precisam operar à mesma taxa de bits a fim de manter a integridade do quadro. Isto é
conhecido como comutação simétrica. Se as taxas de bits não forem iguais, o quadro precisará ser
armazenado com uma taxa de bits antes de ser enviado com outra taxa de bits. Isso é conhecido como
comutação assimétrica. O modo Store-and-Forward precisa ser usado em comutação assimétrica.
A comutação assimétrica proporciona conexões comutadas entre portas com larguras de
banda desiguais, como por exemplo, uma combinação de 100 Mbps e 1000 Mbps. A comutação
assimétrica é otimizada para os fluxos de tráfego cliente/servidor no qual vários clientes se comunicam
simultaneamente com um servidor, exigindo mais largura de banda dedicada à porta do servidor para
evitar um gargalo naquela porta.

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260
Módulo VIII: Comutação Ethernet
8.7 SPANNING-TREE PROTOCOL (PROTOCOLO SPANNING-TREE)

Quando os switches são organizados em uma simples árvore hierárquica, é difícil que
ocorram loops de comutação. Porém, as redes comutadas são freqüentemente projetadas com
caminhos redundantes para proporcionar confiabilidade e tolerância a falhas.

Figura 251 - Operação Spanning-Tree

Embora os caminhos redundantes sejam desejáveis, eles podem ter efeitos colaterais
indesejáveis. Os loops de comutação representam um desses efeitos colaterais. Os loops de
comutação podem ocorrer de propósito ou por acidente, e podem resultar em tempestades de
broadcast que podem rapidamente dominar a rede. Para neutralizar a possibilidade de loops, os
switches vêm munidos de um protocolo baseado em padrões denominado STP (Spanning-Tree
Protocol). Cada switch em uma rede local que usa STP envia mensagens especiais denominadas
BPDUs (Bridge Protocol Data Units) a todas as suas portas para informar aos outros switches da sua
existência e para eleger uma bridge raiz para a rede. Os switches então usam o STA (Spanning-Tree
Algorithm) para resolver e suspender caminhos redundantes.

Figura 252 - Estados STP

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261
Módulo VIII: Comutação Ethernet
Cada porta em um switch que estiver usando um Protocolo Spanning-Tree existe em
um dos seguintes estados:
• Bloqueio
• Escuta
• Aprendizado
• Encaminhamento
• Desativado

Uma porta passa através destes cinco estados na seguinte ordem:


• Desde a inicialização até o bloqueio
• Desde o bloqueio até a escuta ou até desativado
• Desde a escuta até o aprendizado ou até desativado
• Desde o aprendizado até o encaminhamento ou até desativado
• Desde o encaminhamento até desativado

O resultado da resolução e eliminação de loops com a utilização de STP é a criação de uma


árvore hierárquica lógica sem loops. No entanto, os caminhos alternativos ainda estarão disponíveis
caso sejam necessários.

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262
Módulo VIII: Comutação Ethernet

8.8 DOMÍNIOS DE COLISÃO E DOMÍNIOS DE BROADCAST

8.8.1 Ambiente de meios compartilhados

Para poder entender os domínios de colisão é preciso entender o que são colisões e como são
causadas. Para ajudar a explicar colisões, as topologias e meios físicos da Camada 1 são
apresentados aqui.
Algumas redes são diretamente conectadas e todos os hosts compartilham a Camada 1.
Veja abaixo alguns exemplos:

• Ambiente de meios compartilhados: Isto ocorre quando vários hosts obtêm acesso ao
mesmo meio. Por exemplo, se vários PCs estiverem conectados ao mesmo fio físico ou à
mesma fibra ótica, todos eles compartilharão o mesmo ambiente de meios compartilhados.

• Ambiente estendido de meios compartilhados: Este é um tipo especial de ambiente de


meios compartilhados no qual os dispositivos de rede podem estender o ambiente para que
possa acomodar múltiplos acessos ou distâncias de cabos mais longas.

• Ambiente de rede ponto-a-ponto: Amplamente usado em conexões de redes dial-up é o


mais conhecido pelo usuário domiciliar. É um ambiente de rede compartilhado onde um
dispositivo está conectado a apenas um outro dispositivo, como a conexão de um computador
ao provedor de serviços de Internet através de modem e uma linha telefônica.

Figura 253 - Tipos de Rede


É muito importante poder identificar um ambiente de meios compartilhados, pois só em
ambientes compartilhados ocorrem as colisões. Um sistema de rodovias é um exemplo de um
ambiente compartilhado no qual podem ocorrer colisões porque vários veículos estão usando as
mesmas pistas. Conforme mais veículos entram no sistema, maior se torna a probabilidade de
colisões. Uma rede de dados compartilhada é semelhante a uma rodovia. Existem regras para

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263
Módulo VIII: Comutação Ethernet
determinar quem tem acesso aos meios da rede, às vezes, no entanto, as regras simplesmente não
podem acomodar a carga do tráfego e consequentemente ocorrem colisões.

8.8.2 Domínios de colisão

Os domínios de colisão são os segmentos físicos conectados da rede onde podem ocorrer
colisões.

Figura 254 - Colisões em Domínios de Colisão

As colisões fazem com que a rede se torne ineficiente. Cada vez que ocorre uma colisão em
uma rede, todas as transmissões são interrompidas por um período de tempo. A duração deste
período de tempo sem transmissões varia e é determinado por um algoritmo de backoff (recuo) para
cada dispositivo da rede.
Os tipos de dispositivos que interconectam os segmentos dos meios definem os domínios de
colisão.

Figura 255 - Segmentação de Domínio de Colisão


Estes dispositivos têm sido classificados como dispositivos da Camada 1, 2 ou 3 do modelo
OSI. Os dispositivos da Camada 1 não dividem os domínios de colisão; os dispositivos da Camada 2 e
Camada 3 dividem domínios de colisão. A divisão ou aumento no número de domínios de colisão pelos
dispositivos das Camadas 2 e 3 é também conhecida como segmentação.

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264
Módulo VIII: Comutação Ethernet
Os dispositivos da Camada 1, como repetidores e hubs, atendem a função principal de
estender os segmentos de cabos Ethernet.

Figura 256 - Aumentando o Domínio de Colisão

Mais hosts podem ser adicionados quando as redes são estendidas. No entanto, cada host
adicionado aumenta o potencial de tráfego na rede. Já que os dispositivos da Camada 1 passam
adiante tudo que é enviado sobre os meios, quanto maior o tráfego transmitido dentro de um domínio
de colisão, maiores são as chances de colisões. O resultado final será uma diminuição no desempenho
da rede, que será mais pronunciada se todos os computadores naquela rede estiverem solicitando um
alto nível de largura de banda. Em palavras mais claras, os dispositivos da Camada 1 estendem os
domínios de colisão, mas o comprimento de uma rede local também pode ser estendido demais e
causar outros problemas de colisão.
A regra de quatro repetidores na Ethernet declara que podem existir, no máximo, quatro
repetidores ou hubs de repetição entre dois computadores na rede.

Figura 257 - Regra dos Quatros Repetidores


Para garantir que uma rede 10BASE-T com repetidores funcione corretamente, o cálculo do
atraso de ida e volta deverá permanecer dentro de certos limites, caso contrário, nem todas as
estações de trabalho poderão escutar todas as colisões na rede. A latência dos repetidores, o atraso
da propagação e a latência das placas de rede contribuem para a regra de quatro repetidores.

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Módulo VIII: Comutação Ethernet

Figura 258 - Cálculo do atraso de ida-e-volta

Exceder a regra de quatro repetidores pode levar à violação do limite máximo de atraso.
Quando for excedido este limite de atraso, o número de colisões tardias aumentará consideravelmente.
Uma colisão tardia é quando ocorre uma colisão depois que os primeiros 64 bytes do quadro tenham
sido transmitidos. Os chipsets (conjuntos de chips) nas placas de rede não são obrigados a retransmitir
automaticamente com a ocorrência de uma colisão tardia. Estes quadros de colisão retardada
adicionam um atraso conhecido como atraso de consumo. À medida que aumenta o atraso de
consumo e a latência, vai diminuindo o desempenho da rede.
A regra 5-4-3-2-1 também oferece diretrizes para manter o tempo de atraso da ida e
volta em uma rede compartilhada dentro dos limites aceitáveis:
• Cinco segmentos de meios de rede;
• Quatro repetidores ou hubs;
• Três segmentos de host da rede;
• Duas seções de links (sem hosts);
• Um domínio grande de colisão;
A regra 5-4-3-2-1 também oferece diretrizes para marcar o tempo de atraso da ida e
volta em uma rede compartilhada dentro dos limites aceitáveis.

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266
Módulo VIII: Comutação Ethernet
8.8.3 Segmentação

A história de como a Ethernet lida colisões e domínios de colisão data do ano de 1970 em
pesquisas na University of Hawaii. Enquanto tentavam desenvolver um sistema de comunicação sem-
fio para as ilhas do Havaí, os pesquisadores da universidade desenvolveram um protocolo conhecido
como Aloha. O protocolo Ethernet é na realidade baseado no protocolo Aloha.
Uma habilidade importante para um profissional de rede é a capacidade de reconhecer os
domínios de colisão.

Figura 259 - Dispositivos da Camada 1 Estendem Domínios de Colisão

A conexão de vários computadores a um único meio de acesso compartilhado que não


possui nenhum outro dispositivo de rede conectado cria um domínio de colisão. Esta situação limita o
número de computadores que podem usar os meios, também conhecido como segmento. Os
dispositivos da Camada 1 estendem, mas não controlam os domínios de colisão.
Os dispositivos da Camada 2 segmentam ou dividem os domínios de colisão.

Figura 260 - Limitando o Domínio de Colisão


O controle da propagação do quadro usando um endereço MAC designado a cada
dispositivo Ethernet realiza essa função. Os dispositivos da Camada 2, as bridges e os switches,
rastreiam os endereços MAC e os segmentos nos quais se encontram. Ao fazerem isso, estes

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267
Módulo VIII: Comutação Ethernet
dispositivos podem controlar o fluxo do tráfego ao nível da Camada 2. Esta função aumenta a
eficiência das redes ao permitir que os dados sejam transmitidos em diferentes segmentos da rede
local simultaneamente sem a colisão dos quadros. Com a utilização de bridges e switches, o domínio
de colisão é dividido em partes menores, cada um deles se tornando seu próprio domínio de colisão.
Estes domínios de colisão menores terão menos hosts e menos tráfego que o domínio
original.

Figura 261 - Segmentando um Domínio de Colisão com uma Bridge

Quanto menos hosts existirem em um domínio de colisão, maior será a probabilidade de que
os meios estejam disponíveis. Contanto que não haja muito tráfego entre os segmentos interligados via
bridge, uma rede com bridges funciona perfeitamente. Caso contrário, o dispositivo da Camada 2
poderá até retardar a comunicação e também transformar-se em gargalo.
Os dispositivos da Camada 3, da mesma maneira que os dispositivos da Camada 2, não
encaminham colisões. Por esta razão, a utilização dos dispositivos da Camada 3 em uma rede tem o
efeito de dividir os domínios de colisão em domínios menores.
Os dispositivos da Camada 3 realizam mais funções do que apenas dividir um domínio de
colisão. Os dispositivos da Camada 3 e suas funções serão estudadas em maiores detalhes na seção
sobre domínios de broadcast.

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268
Módulo VIII: Comutação Ethernet
8.8.4 Broadcasts da Camada 2

Para a comunicação com todos os domínios de colisão, os protocolos usam os quadros


broadcast e multicast na Camada 2 do modelo OSI.

Figura 262 - Broadcasts em um ambiente com Bridge

Quando um nó precisa comunicar-se com todos os hosts na rede, ele envia um quadro de
broadcast com um endereço MAC de destino 0xFFFFFFFFFFFF. Este é um endereço ao qual a placa
de rede (NIC) de cada host precisa responder.
Os dispositivos da Camada 2 precisam propagar todo o tráfego de broadcast e multicast. O
acúmulo de tráfego broadcast e multicast de cada dispositivo na rede é conhecido como radiação de
broadcast. Em alguns casos, a circulação da radiação de broadcast poderá saturar a rede de maneira
que não sobre largura de banda para os dados das aplicações. Neste caso, novas conexões de rede
não podem ser estabelecidas e as conexões existentes podem ser descartadas, uma situação
conhecida como tempestade de broadcast. A probabilidade de tempestades de broadcast aumenta
com o crescimento da rede comutada.
Já que a placa de rede precisa interromper a CPU para processar cada grupo de broadcast
ou multicast a que pertence, a radiação de broadcast afeta o desempenho do host na rede.

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269
Módulo VIII: Comutação Ethernet

Figura 263 - Efeito de Irradiação de Broadcast em host em uma Rede IP

A Figura 263 mostra os resultados dos testes que a Cisco realizou sobre o efeito da radiação
de broadcast no desempenho da CPU de uma Sun SPARC station 2 com uma placa Ethernet padrão
incorporada. Conforme indicado pelos resultados mostrados, uma estação de trabalho IP pode ser
virtualmente paralisada por uma inundação de broadcasts na rede. Embora seja um exemplo extremo,
picos de broadcasts em milhares de broadcasts por segundo têm sido observados durante
tempestades de broadcast. Os testes feitos sob condições controladas com uma variedade de
broadcasts e multicasts na rede mostram considerável degradação do sistema até com 100 broadcasts
ou multicasts por segundo.
Mais freqüentemente, o host não se beneficia do processamento do broadcast, pois não é o
destino almejado. O host não se preocupa com o serviço que está sendo anunciado, ou já sabe sobre
o serviço. Altos níveis de radiação de broadcast podem degradar consideravelmente o desempenho do
host. As três fontes de broadcasts e multicasts em redes IP são estações de trabalho, roteadores e
aplicações multicast.
As estações de trabalho fazem broadcast de uma solicitação ARP (Address Resolution
Protocol) todas as vezes que precisam localizar um endereço MAC que não se encontra na tabela
ARP.

Figura 264 - Número médio de Broadcasts e Multicasts para IP

Embora os números na figura possam parecer baixos, representam em média, uma rede IP
média bem planejada. Quando o tráfego de broadcast e multicast chegam a um pico devido a uma
condição de tempestade, as perdas de nível mais alto na CPU podem atingir ordens de magnitude
acima da média. As tempestades de broadcast podem ser causadas por um dispositivo solicitando
informações de uma rede que já está extremamente grande. Tantas respostas são enviadas à
solicitação original que o dispositivo não pode processá-las, ou a primeira solicitação dispara
solicitações semelhantes de outros dispositivos que virtualmente bloqueiam o fluxo do tráfego normal
na rede.

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270
Módulo VIII: Comutação Ethernet
Como exemplo, o comando telnet mumble.com se traduz em endereço IP através de
uma procura no DNS (Domain Name System). Para localizar o endereço MAC correspondente, a
solicitação ARP é transmitida usando broadcast. Geralmente, as estações de trabalho IP mantêm em
cache entre 10 e 100 endereços nas suas tabelas ARP durante mais ou menos duas horas. A taxa
ARP para uma estação de trabalho típica deve ser de mais ou menos 50 endereços a cada duas horas
ou 0,007 ARPs por segundo. Desta maneira, 2000 estações IP finais produzem mais ou menos 14
ARPs por segundo.
Os protocolos de roteamento que estão configurados em uma rede podem aumentar
consideravelmente o tráfego de broadcast. Alguns administradores configuram todas as estações de
trabalho para que executem o RIP (Routing Information Protocol) por regra de redundância e alcance.
Cada 30 segundos, o RIPv1 usa broadcasts para retransmitir a tabela inteira de roteamento RIP para
outros roteadores RIP. Se 2000 estações de trabalho estiverem configuradas para executar o RIP e, na
média, são exigidos 50 pacotes para transmitir a tabela de roteamento, as estações de trabalho
gerariam 3333 broadcasts por segundo. A maioria dos administradores configura apenas um pequeno
número de roteadores, geralmente de cinco a dez para executar o RIP. Para uma tabela de roteamento
que tenha um tamanho de 50 pacotes, 10 roteadores RIP gerariam mais ou menos 16 broadcasts por
segundo.
As aplicações multicast IP podem afetar adversamente o desempenho das redes grandes,
escalonadas e comutadas. Embora o multicasting seja uma maneira eficiente de se enviar um fluxo de
dados de multimídia a vários usuários em um hub de meios compartilhados, ele afeta cada um dos
usuários em uma rede linear comutada. Uma determinada aplicação de pacotes de vídeo pode gerar
um fluxo de sete megabytes (MB) de dados multicast que, em uma rede comutada, seria enviado a
cada segmento, resultando em um grave congestionamento.

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271
Módulo VIII: Comutação Ethernet
8.8.5 Domínios de broadcast

Um domínio de broadcast é um agrupamento de domínios de colisão que estão conectados


por dispositivos da Camada 2.

Figura 265 - Segmentação Domínio de Broadcast

A divisão de uma rede local em vários domínios de colisão aumenta a oportunidade para que
cada host na rede ganhe acesso aos meios. Isto efetivamente reduz as chances de colisões e aumenta
a disponibilidade de largura de banda para cada host. Mas os broadcasts são encaminhados pelos
dispositivos da Camada 2 e se excessivos, poderão reduzir a eficiência de toda a rede local. Os
broadcasts precisam ser controlados nos dispositivos na Camada 3, pois os dispositivos da Camada 2
e da Camada 1 não possuem recursos para controlá-los. O tamanho total de um domínio de broadcast
pode ser identificado ao examinarmos todos os domínios de colisão que são processados pelo mesmo
quadro de broadcast. Em outras palavras, todos os nós que fazem parte daquele segmento de rede
ligado por um dispositivo de camada três. Os domínios de broadcast são controlados na Camada 3
pois os roteadores não encaminham broadcasts. Os roteadores na realidade funcionam nas Camadas
1, 2, e 3. Eles, como todos os dispositivos de Camada 1, possuem uma conexão física aos meios
físicos e transmitem dados através deles. Eles possuem um encapsulamento da Camada 2 em todas
as interfaces e funcionam como qualquer outro dispositivo da Camada 2. É a Camada 3 que permite
que o roteador segmente os domínios de broadcast.
Para que um pacote possa ser encaminhado através de um roteador, ele precisa já ter sido
processado pelo dispositivo da Camada 2 e ter as informações do quadro removidas. O
encaminhamento da Camada 3 é baseado no endereço IP de destino e não no endereço MAC. Para
que um pacote possa ser encaminhado, ele precisa conter um endereço IP que esteja fora da faixa de

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272
Módulo VIII: Comutação Ethernet
endereços designados à rede local e o roteador precisa ter na sua tabela de roteamento um destino
para onde enviar o pacote específico.

8.8.6 Introdução a fluxo de dados

O conceito de fluxo de dados no contexto dos domínios de colisão e broadcast se concentra


em como os quadros de dados se propagam através de uma rede. Ele se refere ao movimento dos
dados através dos dispositivos das Camadas 1, 2 e 3 e como os dados precisam ser encapsulados
para fazerem o percurso com eficácia. Lembre-se de que os dados são encapsulados na Camada da
rede com um endereço IP de origem e de destino, e na Camada de enlace com um endereço MAC de
origem e de destino.

Figura 266 - Fluxo de dados através de uma Rede

Uma boa regra a ser seguida é que um dispositivo de Camada 1 sempre encaminha o
quadro, enquanto que o dispositivo de Camada 2 quer encaminhar o quadro. Em outras palavras, um
dispositivo de Camada 2 encaminhará o quadro a não ser que alguma coisa o impeça de fazê-lo. Um
dispositivo de Camada 3 não encaminhará o quadro a não ser que seja obrigado. A utilização desta
regra ajudará a identificar como os dados fluem através de uma rede.
Os dispositivos de Camada 1 não fazem filtragem, de modo que tudo que é recebido é
passado adiante ao próximo segmento. O quadro é simplesmente regenerado e retemporizado e assim
restaurado à sua qualidade original de transmissão. Quaisquer segmentos conectados pelos
dispositivos de Camada 1 fazem parte do mesmo domínio, isto é, de colisão e de broadcast.
Os dispositivos de Camada 2 filtram os quadros de dados baseados no endereço MAC de
destino. Um quadro é encaminhado se for para um destino desconhecido fora do domínio de colisão. O
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273
Módulo VIII: Comutação Ethernet
quadro será também encaminhado se for um broadcast, multicast ou unicast indo para fora do domínio
de colisão local. A única situação em que um quadro não é encaminhado é quando o dispositivo de
Camada 2 descobre que o host de envio e o host de recepção estão no mesmo domínio de colisão.
Um dispositivo de Camada 2, como uma bridge, cria vários domínios de colisão mas mantém apenas
um domínio de broadcast.
Os dispositivos de Camada 3 filtram os pacotes de dados baseados no endereço IP de
destino. A única maneira de um pacote ser encaminhado é se o seu endereço IP estiver fora do
domínio de broadcast e se o roteador tiver um local identificado para onde mandar o pacote. Um
dispositivo de Camada 3 cria vários domínios de colisão e de broadcast.
O fluxo de dados através de uma rede roteada baseada em IP, envolve dados que passam
através de dispositivos de gerenciamento de tráfego nas Camadas 1, 2 e 3 do modelo OSI. A Camada
1 é usada para a transmissão através de meios físicos, a Camada 2 para gerenciamento de domínios
de colisão e a Camada 3 para gerenciamento de domínios de broadcast.

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274
Módulo VIII: Comutação Ethernet
8.8.7 O que é um segmento de rede?

Como é o caso de muitos termos e siglas, a palavra segmento possui vários significados. A
definição do termo no dicionário é a seguinte:

• Uma porção de um todo


• Uma das partes nas quais uma entidade ou quantidade é dividida ou pela qual é delineada
como se por marcos naturais

No contexto das comunicações de dados, as seguintes definições são usadas:

• Uma seção de uma rede que é ligada por bridges, roteadores ou switches.
• Em uma rede local usando uma topologia de barramento, um segmento é um circuito elétrico
contínuo que é freqüentemente conectado a outros tantos segmentos com repetidores.
• Um termo usado na especificação do TCP para descrever uma unidade de informação da
camada de transporte. Os termos datagrama, quadro, mensagem e pacote são também
usados para descrever agrupamentos lógicos de informações em várias camadas do modelo
OSI de referência e em vários círculos tecnológicos.

Para definir adequadamente o termo segmento, o contexto da sua utilização precisa ser
apresentado juntamente com a palavra. Um termo usado na especificação do TCP para descrever uma
unidade de informação da camada de transporte. Se o termo segmento estiver sendo usado no
contexto de meios físicos de rede em uma rede roteada, será visto como uma das partes ou seções de
uma rede total.

Figura 267 - Segmentos

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275
Módulo VIII: Comutação Ethernet
Resumo do Módulo

Deverá ter sido obtido um entendimento dos seguintes conceitos importantes:

• Evolução de bridging e comutação


• CAM (Content-addressable memory)
• Latência de bridging
• Modos de comutação armazenar e encaminhar e cut-through
• STP (Spanning-Tree Protocol)
• Colisões, broadcasts, domínios de colisão e domínios de broadcast
• Os dispositivos das Camadas 1, 2 e 3 usados para criar domínios de colisão e domínios de
broadcast
• Fluxo de dados e problemas com broadcasts
• Segmentação de redes e os dispositivos usados para criar segmentos

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276
Módulo VIII: Comutação Ethernet
TESTE

1) Qual das seguintes alternativas é um tipo de rede largamente utilizado em redes dial-up (de
discagem)?
 Meios compartilhados;
 Ponto-a-ponto;
 Meios compartilhados estendidos;
 Ponto-a-multiponto.
2) João foi contratado como administrador de rede para uma empresa local e decidiu adicionar
hubs à rede existente da empresa. Qual dos seguintes resultados foi causado pela falta de
experiência de João?
 Domínio de Colisão estendido;
 Maior número de domínios de colisão;
 Aumento no desempenho da rede;
 Maior largura de banda;
 Largura de banda estendida;
3) Um computador A está tentando localizar um novo computador denominado computador B
na rede. Qual das seguintes alternativas define o processo em que o Computador A envia
um pacote de broadcast para encontrar o endereço MAC do computador B?
 Solicitação de MAC;
 Solicitação de ARP;
 Ping;
 Telnet;
 Proxy ARP;
4) Em que camadas do modelo OSI operam os roteadores? (Escolha três).
 Apresentação;
 Sessão;
 Transporte;
 Rede;
 Enlace de dados;
 Física;
5) Qual é o dispositivo considerado uma bridge multiporta?
 Hub;
 Roteador;
 Switch;
 Gateway;
 Transceptor;
 Repetidor;

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277
Módulo VIII: Comutação Ethernet
6) Qual dos seguintes termos descreve o atraso de tempo entre o envio de um quadro pelo
dispositivo de origem até o seu recebimento pelo dispositivo destino?
 Largura de bando;
 Latência;
 Atenuação;
 Time-to-live;
 Frame check sequence (FCS);
7) Qual das seguintes técnicas de comutação precisa ser usada para a comutação
assíncrona?
 Fragment-free;
 Cut-through;
 Store-and-forward;
 Latency forward;
 Straight forward;
 Fast forward;

8) Quais das seguintes alternativas são estados usados pelo Spanning-Tree Protocol para
criar uma topologia livre de loops em uma rede comutada? (Escolha duas).
 Bloqueio (blocking);
 Redundância (redundancy);
 Fragmentação (fragmenting);
 Latência (latency);
 Aprendizado (learnig);
9) Qual é o estado do protocolo Spanning-Tree na interface do switch, quando esta interface
está administrativamente inativa?
 Bloqueio (blocking);
 Escuta (listening);
 Encaminhamento (forwarding);
 Desativado (disable);
 Aprendizado (learnig);
10) Associe as funções com o tipo de dispositivo de rede adequado?
Roteador Switch ou bridge Hub ou repetidor
Sem filtragem de dados
Os quadros são filtrados
Filtros baseados em endereços IP
O quadro é regenerado e retemporizado
Cria vários domínios de colisão
Cria vários domínios de colisão e broadcast

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278
Módulo VIII: Comutação Ethernet
11) Ordene os estados que uma porta de switch passa utilizando o protocolo Spanning-Tree?
1 Escuta (listening) Primeiro
2 Encaminhamento (forwarding) Segundo
3 Aprendizado (learning) Terceiro
4 Bloqueio (blocking) Quarto

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279
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP

9 CONJUNTO DE PROTOCOLOS TCP/IP E ENDEREÇAMENTO IP

9.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO

A Internet foi desenvolvida para oferecer uma rede de comunicação que pudesse continuar
funcionando em tempos de guerra. Embora tenha evoluído de maneira bem diferente daquela
imaginada por seus idealizadores, ela ainda é baseada no conjunto de protocolos TCP/IP. O projeto do
TCP/IP é ideal para uma rede descentralizada e robusta como é a Internet. Muitos protocolos usados
hoje em dia foram criados usando o modelo TCP/IP de quatro camadas.
É útil conhecer os dois modelos de rede TCP/IP e OSI. Cada modelo oferece sua própria
estrutura para explicar como uma rede funciona, mas há muita sobreposição entre eles. Sem conhecer
os dois, é possível que um administrador de rede não tenha uma percepção suficientemente clara
sobre as razões pelas quais uma rede funciona da maneira que funciona.
Qualquer dispositivo da Internet que queira comunicar-se com outros dispositivos da Internet
precisa ter um identificador exclusivo. Esse identificador é conhecido como endereço IP, porque os
roteadores usam um protocolo da camada três, o protocolo IP, para encontrar o melhor caminho até
esse dispositivo. O IPv4, versão atual do IP, foi concebido antes que houvesse uma grande demanda
por endereços. O crescimento explosivo da Internet tem ameaçado esgotar o estoque de endereços IP.
As sub-redes, a tradução de endereços de rede (NAT, Network Address Translation) e o
endereçamento privado são usados para expandir o endereçamento IP sem que esse estoque termine.
Uma outra versão do IP, conhecida como IPv6, apresenta melhorias em relação à versão atual,
oferecendo um espaço de endereçamento muito maior, integrando ou eliminando os métodos usados
para lidar com as deficiências do IPv4.
Para fazer parte da Internet, além do endereço MAC físico, cada computador precisa de um
endereço IP exclusivo, às vezes chamado de endereço lógico. Há vários métodos para atribuir um
endereço IP a um dispositivo. Alguns dispositivos têm sempre um endereço estático, enquanto outros
têm um endereço temporário atribuído a eles toda vez que se conectam à rede. Quando é necessário
um endereço IP atribuído dinamicamente, o dispositivo pode obtê-lo por meio de vários métodos.
Para que ocorra um roteamento eficiente entre os dispositivos, outras questões precisam ser
resolvidas. Por exemplo, endereços IP duplicados podem impedir o roteamento eficiente dos dados.
Os alunos que concluírem esta lição deverão ser capazes de:
Explicar por que a Internet foi desenvolvida e como o TCP/IP se situa no projeto da Internet.

• Relacionar as 4 camadas do modelo TCP/IP.


• Descrever as funções de cada camada do modelo TCP/IP.
• Comparar o modelo OSI e o modelo TCP/IP.
• Descrever a função e a estrutura dos endereços IP.
• Entender por que as sub-redes são necessárias.
• Explicar a diferença entre os endereçamentos público e privado.
• Entender a função dos endereços IP reservados.
• Explicar o uso de endereçamento estático e dinâmico para um dispositivo.

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280
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP
• Entender como o endereçamento dinâmico pode ser feito usando RARP, BootP e DHCP.
• Usar ARP para obter o endereço MAC e enviar um pacote para outro dispositivo.
• Entender as questões relacionadas ao endereçamento entre redes.

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281
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP
9.2 INTRODUÇÃO AO TCP/IP

9.2.1 História e futuro do TCP/IP

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD) criou o modelo de referência TCP/IP
porque queria uma rede que pudesse sobreviver a qualquer condições.

Figura 268 - Modelo TCP/IP


Para ilustrar, imagine um mundo atravessado por muitos cabos, fios, microondas, fibras óticas
e conexões de satélite. Imagine também a necessidade de transmitir dados independentemente da
condição de um determinado nó ou rede. O DoD exigia transmissão confiável de dados para qualquer
destino da rede sob quaisquer circunstâncias. A criação do modelo TCP/IP ajudou a resolver esse
difícil problema de projeto. Desde então, o modelo TCP/IP tornou-se o padrão no qual a Internet se
baseia.
Ao ler sobre as camadas do modelo TCP/IP, tenha em mente a intenção original da Internet.
Lembrando-se disso, haverá menos confusão. O modelo TCP/IP tem quatro camadas: a camada de
aplicação, a camada de transporte, a camada de Internet e a camada de acesso à rede. Algumas
das camadas do modelo TCP/IP têm o mesmo nome das camadas do modelo OSI. É essencial não
confundir as funções das camadas dos dois modelos, pois as camadas contêm diferentes funções em
cada modelo.
A versão atual do TCP/IP foi padronizada em setembro de 1981.

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282
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP
9.2.2 Camada de aplicação

A camada de aplicação do modelo TCP/IP trata de protocolos de alto nível, questões de


representação, codificação e controle de diálogos. O conjunto de protocolos TCP/IP combina todas as
questões relacionadas às aplicações em uma única camada e garante que esses dados são
empacotados corretamente antes de passá-los adiante para a próxima camada. O TCP/IP inclui não
somente especificações da camada de Internet e transporte, tais como IP e TCP, mas também
especificações para aplicações comuns.

Figura 269 - Aplicações TCP/IP

O TCP/IP tem protocolos que suportam transferência de arquivos, correio eletrônico e lajem
remoto, em adição aos seguintes:

• FTP (File Transfer Protocol – Protocolo de Transferência de Arquivos) – O FTP é


um serviço confiável, orientado a conexões, que usa o TCP para transferir arquivos
entre sistemas que suportam o FTP. Este protocolo suporta transferências
bidirecionais de arquivos binários e ASCII.

• TFTP (Trivial File Transfer Protocol – Protocolo de Transferência de Arquivos


Simples) – O TFTP é um serviço sem conexão que usa o UDP (User Datagram
Protocol – Protocolo de Datagrama de Usuário). Esse protocolo é usado no roteador
para transferir arquivos de configuração e imagens IOS da Cisco e para transferir
arquivos entre sistemas que suportam TFTP. É útil em algumas redes locais porque
opera mais rápido do que o FTP em um ambiente estável.

• NFS (Network File System – Sistema de Arquivos de Rede) – O NFS é um conjunto


de protocolos de sistema de arquivos distribuído, desenvolvido pela Sun
Microsystems, que permite acesso a arquivos de um dispositivo de armazenamento
remoto, como um disco rígido, através da rede.

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283
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP
• SMTP (Simple Mail Transfer Protocol – Protocolo Simples de Transferência de
Correio) – O SMTP administra a transmissão de correio eletrônico através de redes de
computadores. Ele não oferece suporte à transmissão de dados que não sejam em
texto simples.

• Telnet (Terminal emulation – Emulação de terminal) – O Telnet permite o acesso


remoto a outro computador. Ele permite que um usuário efetue logon em um host da
Internet e execute comandos. Um cliente Telnet é chamado host local. Um servidor
Telnet é chamado host remoto.

• SNMP (Simple Network Management Protocol – Protocolo Simples de


Gerenciamento de Rede) – O SNMP é um protocolo que oferece uma forma de
monitorar e controlar dispositivos de rede e de gerenciar configurações, coleta de
dados estatísticos, desempenho e segurança.

• DNS (Domain Name System – Sistema de Nomes de Domínio) – O DNS é um


sistema usado na Internet para converter os nomes de domínios e seus respectivos
nós de rede divulgados publicamente em endereços IP.

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284
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP
9.2.3 Camada de Transporte

A camada de transporte oferece serviços de transporte desde o host de origem até o host de
destino. Ela forma uma conexão lógica entre dois pontos da rede, o host emissor e o host receptor.

Figura 270 - Protocolos da Camada de Transporte

Os protocolos de transporte segmentam e remontam os dados das aplicações da camada


superior enviado dentro do mesmo fluxo de dados, ou conexão lógica, entre os dois pontos. O fluxo de
dados da camada de transporte oferece serviços de transporte ponta-a-ponta.
Geralmente, a Internet é representada por uma nuvem. A camada de transporte envia pacotes
de dados da origem para o destino receptor através dessa nuvem. O controle ponta-a-ponta, fornecido
pelas janelas móveis e pela confiabilidade dos números de seqüenciamento e das confirmações, é a
principal tarefa da camada de transporte quando se usa o TCP. A camada de transporte também
define a conectividade ponta-a-ponta entre as aplicações do host. Os serviços de transporte incluem
todos os serviços abaixo:

TCP e UDP

• Segmentação de dados das aplicações das camadas superiores


• Envio de segmentos de um dispositivo em uma ponta para um dispositivo em outra ponta

Somente TCP

• Estabelecimento de operações ponta-a-ponta


• Controle de fluxo proporcionado pelas janelas móveis
• Confiabilidade proporcionada pelos números de seqüência e confirmações

Geralmente, a Internet é representada por uma nuvem. A camada de transporte envia


pacotes de dados da origem para o destino receptor através dessa nuvem.

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285
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP

Figura 271 - Protocolos da Camada de Transporte

Essa nuvem trata de questões como "Qual dos vários caminhos é o melhor para uma rota
especificada?”.

Figura 272 - Protocolos da Camada de Transporte

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286
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP
9.2.4 Camada de Internet

A finalidade da camada de Internet é escolher o melhor caminho para os pacotes viajarem


através da rede. O principal protocolo que funciona nessa camada é o IP (Internet Protocol). A
determinação do melhor caminho e a comutação de pacotes ocorre nesta camada.

Figura 273 - Protocolos de Camada de Internet

Os seguintes protocolos operam na camada de Internet TCP/IP:

• O IP - oferece roteamento de pacotes sem conexão, e uma entrega de melhor esforço. Ele não
se preocupa com o conteúdo dos pacotes, apenas procura um caminho até o destino.
• O ICMP (Internet Control Message Protocol – Protocolo de Mensagens de Controle da
Internet) oferece recursos de controle e de mensagens.
• O ARP (Address Resolution Protocol – Protocolo de Resolução de Endereços) determina
o endereço da camada de enlace (-o endereço MAC),ara os endereços IP conhecidos.
• O RARP (Reverse Address Resolution Protocol – Protocolo de Resolução Reversa de
Endereços) determina os endereços IP quando o endereço MAC é conhecido.

O IP realiza as seguintes operações:

• Define um pacote e um esquema de endereçamento;


• Transferem dados entre a camada de Internet e as camadas de acesso à rede;
• Roteia os pacotes para os hosts remotos;

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287
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP

Figura 274 - Determinação do Caminho da Internet

Finalmente, como esclarecimento sobre a tecnologia, o IP às vezes é considerado um


protocolo não-confiável. Isso não significa que o IP não entregue os dados de maneira precisa através
de uma rede. Chamá-lo de protocolo não-confiável significa simplesmente que o IP não realiza a
verificação e correção de erros. Essa função é realizada pelos protocolos de camadas superiores, as
camadas de transporte ou de aplicação.

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288
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP
9.2.5 Camada de acesso à rede

A camada de acesso à rede é também denominada camada host-to-network.

Figura 275 - Protocolos de Acesso à Rede

A camada de acesso à rede é a camada que cuida de todas as questões necessárias para
que um pacote IP estabeleça efetivamente um link físico com os meios físicos da rede. Isso inclui
detalhes de tecnologia de redes locais e de WANs e todos os detalhes contidos nas camadas física e
de enlace de dados do modelo OSI.
Drivers de aplicativos, de placas de modem e de outros dispositivos operam na camada de
acesso à rede. A camada de acesso à rede define os procedimentos para estabelecer uma interface
com o hardware de rede e para acessar o meio de transmissão. Padrões de protocolos conhecidos são
detectados e instalados tais como o SLIP (Serial Line Internet Protocol – Protocolo de Internet de Linha
Serial) e o PPP (Point-to-Point Protocol – Protocolo Ponto a Ponto) que oferecem acesso à rede
através de uma conexão com modem. Devido a uma complexa interação entre as especificações de
hardware, software e meios de transmissão há muitos protocolos em operação nesta camada. Isso
pode causar confusão para os usuários. A maioria dos protocolos reconhecíveis opera nas camadas
de transporte e de Internet do modelo TCP/IP.
As funções da camada de acesso à rede incluem o mapeamento de endereços IP para
endereços físicos de hardware e o encapsulamento de pacotes IP em quadros. Com base no tipo de
hardware e na interface de rede, a camada de acesso à rede define a conexão com os meios físicos da
rede.
Um bom exemplo de configuração da camada de acesso à rede seria a de um sistema
Windows usando uma placa de rede de terceiros. Conforme a versão do Windows, a placa de rede
seria detectada automaticamente pelo sistema operacional e os drivers adequados seriam instalados.
Se a versão do Windows fosse mais antiga, o usuário precisa especificar o driver da placa de rede. O
fabricante da placa fornece esses drivers em discos ou CD-ROMs.

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289
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP
9.2.6 Comparação modelo OSI com o modelo TCP/IP

A seguir, veremos uma comparação entre o modelo OSI e o modelo TCP/IP, observando
suas semelhanças e diferenças:

Figura 276 - Comparação do TCP/IP com o OSI

Semelhanças entre os modelos OSI e TCP/IP:

• Ambos são divididos em camadas.


• A camada de transporte do TCP/IP ao utilizar o protocolo UDP.
• Ambos são divididos em camadas de transporte e de rede equivalentes.
• A tecnologia de comutação de pacotes (e não de comutação de circuitos) é presumida por
ambos.
• Os profissionais de rede precisam conhecer ambos os modelos.

Diferenças entre os modelos OSI e TCP/IP:

• O TCP/IP combina as camadas de apresentação e de sessão dentro da sua camada de


aplicação.
• O TCP/IP combina a camada física e de enlace do modelo OSI em uma única camada.
• O TCP/IP parece ser mais simples por ter menos camadas.
• A camada de transporte do TCP/IP, que utiliza o UDP, nem sempre garante a entrega
confiável dos pacotes, ao contrário da camada de transporte do modelo OSI.

A Internet se desenvolve com o uso dos padrões de protocolos TCP/IP. O modelo


TCP/IP ganha credibilidade graças a seus protocolos. Por outro lado, as Redes normalmente
não são implementadas sobre o protocolo do modelo OSI. O modelo OSI é usado como guia
para o entendimento do processo de comunicação.

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290
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP
9.2.7 Arquitetura da Internet

Embora a Internet seja complexa, há algumas idéias básicas relacionadas à sua operação.
Nesta seção, examinaremos a arquitetura básica da Internet. A Internet é uma idéia que aparenta
simples que, quando repetida em grande escala, permite a comunicação de dados quase instantânea
ao redor do mundo entre quaisquer pessoas, em qualquer lugar, a qualquer momento.
As redes locais são redes menores, limitadas a uma área geográfica. Muitas redes locais
conectadas entre si possibilitam o funcionamento da Internet. Mas as redes locais têm limitações de
escala. Embora tenha havido avanços tecnológicos que melhoraram a velocidade das comunicações,
com o Ethernet Metro Optical, Gigabit e 10 Gigabits, a distância ainda representa um problema.
Focar na comunicação no nível da camada de aplicação entre os computadores de origem e
destino e os computadores intermediários é uma forma de ter uma visão geral da arquitetura da
Internet. Colocar instâncias idênticas de um aplicativo em todos os computadores da rede poderia
facilitar a entrega de mensagens através da grande rede. Entretanto, isso apresenta problemas de
escala. Para que um novo software funcione corretamente, é necessário que os novos aplicativos
sejam instalados em todos os computadores da rede. Para que um novo hardware funcione
corretamente, é necessário modificar o software. Qualquer falha de um computador intermediário ou de
um aplicativo do computador causaria uma ruptura na cadeia de mensagens sendo transmitidas.
A Internet usa o princípio da interconexão de camadas de rede. Usando o modelo OSI como
exemplo, o objetivo é construir a funcionalidade da rede em módulos independentes. Isso permite uma
diversidade de tecnologias de LAN nas camadas 1 e 2 e uma diversidade de aplicações funcionando
nas camadas 5, 6 e 7. O modelo OSI oferece um mecanismo no qual os detalhes das camadas
inferiores e superiores estão separados. Isso permite que os dispositivos de rede intermediários
"comutem" o tráfego sem ter que se preocupar com os detalhes da LAN.
Isso leva ao conceito de internetworking, ou construção de redes compostas de redes. Uma
rede de redes é chamada de internet (com "i" minúsculo). Quando falamos das redes que se
desenvolveram a partir do Departamento de Defesa dos EUA, nas quais funciona a World Wide
Web (www) ou rede mundial, usamos o "I" maiúsculo, Internet. As internets devem ser
escalonáveis com relação à quantidade de redes e computadores conectados. A interconexão de
redes deve ser capaz de lidar com o transporte de dados através de enormes distâncias. Deve ser
flexível para dar conta das constantes inovações tecnológicas. Deve ser capaz de se ajustar às
condições dinâmicas da rede. E as internets devem ser econômicas. Por fim, as internets devem ser
projetadas para permitir comunicações de dados para qualquer pessoa, a qualquer momento, em
qualquer lugar.

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291
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP

Figura 277 - Um roteador interconecta duas Redes

A figura 277 resume a conexão de uma rede física à outra por meio de um computador com
função especial, chamado roteador. Essas redes são descritas como diretamente conectadas ao
roteador. O roteador é necessário para cuidar das decisões sobre os caminhos a serem utilizados para
que ocorra a comunicação entre duas redes. São necessários muitos roteadores para manejar grandes
volumes de tráfego de rede.

Figura 278 - Os Roteadores Interconectam Redes Locais e Remotas

A figura 278 expande a idéia para três redes físicas conectadas por dois roteadores. Os
roteadores tomam decisões complexas para permitir que todos os usuários em todas as redes se
comuniquem. Nem todas as redes estão diretamente conectadas entre si. O roteador precisa de algum
método para lidar com essa situação.
Uma opção é que o roteador mantenha uma lista de todos os computadores e de todos os
caminhos até eles. Assim, o roteador decidiria como encaminhar os pacotes de dados com base nessa
tabela de referência. O encaminhamento é baseado no endereço IP do computador de destino. Essa
opção ficaria difícil conforme fosse aumentando a quantidade de usuários. A escalabilidade é
introduzida quando o roteador mantém uma lista de todas as redes, mas deixa os detalhes da entrega
local para as redes físicas locais. Nesta situação, os roteadores passam mensagens para os outros
roteadores. Cada roteador compartilha informações sobre quais redes estão conectadas a ele. Isso
cria a tabela de roteamento.

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292
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP

Figura 279 - Os Usuários Vêem a Nuvem TCP/IP

A figura 279 mostra a transparência exigida pelos usuários. Mesmo assim, as estruturas física
e lógica dentro da nuvem da Internet podem ser extremamente complexas, conforme indica a figura
280.

Figura 280 - Detalhes Físicos Ocultos dos Usuários

A Internet tem crescido rapidamente para aceitar cada vez mais usuários. O fato de a Internet
ter-se tornado tão grande, com mais de 90.000 rotas centrais e 300.000.000 de usuários finais, é uma
prova da solidez da sua arquitetura.
Dois computadores, em qualquer parte do mundo, seguindo certas especificações de
hardware, software e protocolo, podem comunicar-se de maneira confiável. A padronização das
práticas e dos procedimentos para movimentação de dados através das redes tornou a Internet
possível.

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293
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP
9.3 ENDEREÇOS DE INTERNET
9.3.1 Endereçamento IP

Para que dois sistemas quaisquer se comuniquem, eles precisam ser capazes de se identificar
e localizar um ao outro. Embora os endereços da figura 281 não sejam endereços de rede reais,
representam e mostram o conceito de agrupamento de endereços.

Figura 282 - Endereços de Host

Um computador pode estar conectado a mais de uma rede. Nesta situação, o sistema deve
receber mais de um endereço.
Cada endereço identificará a
conexão do computador a uma rede
diferente. Não se fala que um
dispositivo tem um endereço, mas que
cada um dos pontos de conexão (ou
interfaces), daquele dispositivo tem um
endereço para uma rede. Isso permite
que os outros computadores localizem
o dispositivo nessa rede específica. A
combinação de letra (endereço da rede)
e número (endereço do host) cria um
endereço exclusivo para cada
Figura 283 – Dual-homed (Computador de Base Dupla) dispositivo da rede. Cada computador
em uma rede TCP/IP deve receber um identificador exclusivo, ou endereço IP. Esse endereço,

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294
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP
operando na camada 3, permite que um computador localize outro computador na rede. Todos os
computadores também têm um endereço físico exclusivo, conhecido como endereço MAC. Esse
endereço é atribuído pelo fabricante da placa de interface de rede. Os endereços MAC operam na
camada 2 do modelo OSI.

Um endereço IP é uma seqüência de 32 bits de 1s e 0s. A figura 227 mostra um exemplo de um


número de 32 bits.

Figura 284 - Endereçamento IP

Para facilitar a utilização do endereço IP, geralmente ele é escrito como quatro números
decimais separados por pontos. Por exemplo, o endereço IP de um computador é 192.168.1.2. Outro
computador pode ter o endereço 128.10.2.1. Essa maneira de escrever o endereço é chamada de
formato decimal pontuado. Nesta notação, cada endereço IP é escrito em quatro partes separadas por
pontos. Cada parte do endereço é denominada octeto, já que é formada de oito dígitos binários. Por
exemplo, o endereço IP 192.168.1.8 seria 1000000.10101000.00000001.00001000 em notação
binária. A notação decimal separada por pontos é um método mais fácil de entender do que o método
que utiliza dígitos binários um e zero. Essa notação decimal separada por pontos também evita a
grande quantidade de erros de transposição que ocorreriam se fosse usada somente a numeração
binária.
A utilização da notação decimal separada por pontos permite que os padrões numéricos
sejam mais facilmente entendidos. Tanto os números binários quanto os decimais na figura 285
representam os mesmos valores, mas é mais fácil de entender a notação decimal separada por
pontos.

Figura 286 - Valores Binários e Decimais Consecutivos


Este é um dos problemas comuns quando se trabalha diretamente com números binários. As
longas cadeias de uns e zeros repetidos aumentam a probabilidade de erros de transposição e
omissão.

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295
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP
É fácil ver a relação entre os números 192.168.1.8 e 192.168.1.9, enquanto que não é tão
fácil reconhecer a relação entre 11000000.10101000.00000001.00001000 e
1000000.10101000.00000001.00001001. Observando os números binários, é quase impossível
perceber que são números consecutivos.

9.3.2 Conversão decimal/binário

Há várias maneiras de se resolver um problema. Também existem várias maneiras de se


converter números decimais em números binários. Aqui apresentamos um método, embora não seja o
único. O aluno pode achar outro método mais fácil. É uma questão de preferência pessoal.
Ao converter um número decimal em binário, é preciso determinar a maior potência de 2 que
se encaixará no número decimal.

Figura 287 - Dois Bytes (Número de Dezesseis bits)

Se esse processo deve funcionar com computadores, o lugar mais lógico para se começar é
com os maiores valores que se encaixam em um byte ou dois bytes. Conforme mencionado
anteriormente, o agrupamento mais comum de bits é o de oito bits, equivalente a um byte. Às vezes,
porém, o maior valor que pode um byte pode comportar não é suficientemente grande para os valores
necessários. Para acomodar isso, bytes são combinados. Em vez de dois números de 8 bits, cria-se
um número de 16 bits. Em vez de três números de 8 bits, cria-se um número de 24 bits. Aplicam-se as
mesmas regras dos números de 8 bits. Multiplique o valor da posição anterior por 2 para obter o valor
da coluna atual.
Em computação, como geralmente se fala em bytes, é mais fácil começar pelas fronteiras
dos bytes e calcular a partir daí.

Figura 288 - Dois Bytes (Dezesseis bits)

Comece calculando alguns exemplos. O primeiro será 6.783. Como esse número é maior
que 255, o maior valor possível em um único byte, usaremos dois bytes. Comece calculando a partir de
215. O equivalente binário de 6.783 é 00011010 01111111.
O segundo exemplo é 104. Como esse número é menor que 255, ele pode ser representado
por um único byte. O equivalente binário de 104 é 01101000.

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296
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Figura 289 - Um Byte (Número de Oito Bits)

Esse método funciona para qualquer número decimal. Considere o número decimal um
milhão. Como um milhão é maiores que o maior valor que pode ser guardado em dois bytes, 65.535,
serão necessários pelo menos três bytes. Multiplicando-se por dois até alcançar 24 bits (3 bytes), o
valor será 16.777.215. Isso significa que o maior valor que pode ser guardado em 24 bits é 16.777.215.
Portanto, começando do bit 24, continue o processo até alcançar zero. Continuando com o
procedimento descrito, determina-se que o número decimal 1.000.000 é igual ao número binário
00001111 01000010 01000000.

9.3.3 Endereçamento IPv4

Um roteador encaminha pacotes da rede de origem para a rede de destino usando o


protocolo IP. Os pacotes devem incluir um identificador tanto para a rede de origem quanto para a de
destino.

Figura 290 - Caminho de Comunicação da Camada de Rede

Usando o endereço IP da rede de destino, um roteador pode entregar um pacote para a rede
correta. Quando o pacote chega a um roteador conectado à rede de destino, esse roteador usa o
endereço IP para localizar o computador específico conectado a essa rede. Esse sistema funciona de
maneira muito parecida com o sistema dos correios. Quando uma correspondência é roteada, primeiro
ela deve ser entregue à agência dos correios na cidade de destino usando-se o CEP. Em seguida,
essa agência deve localizar o destino final nessa cidade usando-se o nome da rua. É um processo em
duas etapas.
Da mesma maneira, todo endereço IP tem duas partes.

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297
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP

Figura 291 - Endereçamento de Rede e de Host

Uma parte identifica a rede à qual o sistema está conectado; a outra parte identifica o
sistema específico na rede. Conforme mostrado na figura 290, cada octeto vai de 0 a 255. Cada um
dos octetos divide-se em 256 subgrupos, que se dividem em outros 256 subgrupos com 256 endereços
em cada um deles. Ao se referir ao endereço do grupo diretamente acima de um grupo na hierarquia,
todos os grupos que se ramificam desse endereço podem ser mencionados como uma única unidade.

Figura 292 - Endereços de Internet

Esse tipo de endereço é chamado de endereço hierárquico, porque contém diferentes níveis.
Um endereço IP combina esses dois identificadores em um único número. Esse número deve ser
exclusivo, já que endereços duplicados tornariam o roteamento impossível. A primeira parte identifica o
endereço de rede do sistema. A segunda parte, chamada de parte do host, identifica qual é a máquina
específica na rede.
Os endereços IP são divididos em classes, para definir redes pequenas, médias e grandes.
Os endereços de classe A são atribuídos a redes maiores. Os endereços de classe B são usados para
redes de porte médio e os de classe C para redes pequenas.

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298
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP

Figura 293 - Classes de Endereços IP

A primeira etapa para determinar qual parte do endereço identifica a rede e qual parte
identifica o host é identificar a classe do endereço IP.

Figura 294 - Identificação de Classes de Endereços

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299
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9.3.4 Endereços IP classes A, B, C, D e E

Para acomodar redes de diferentes tamanhos e ajudar na classificação dessas redes, os


endereços IP são divididos em grupos chamados classes.

Figura 295 - Prefixos de Classes de Endereços

Isto é conhecido por endereçamento classe full. Cada endereço IP completo de 32 bits é
dividido em uma parte da rede e uma parte do host.

Figura 296 - Divisão de Rede e Host

Um bit ou uma seqüência de bits no início de cada endereço determina a classe do


endereço. Há cinco classes de endereços IP, conforme mostrado na figura.

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300
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP
O endereço de classe A foi criado para suportar redes extremamente grandes, com mais de
16 milhões de endereços de host disponíveis.

Figura 297 - Endereço de Classe A

Os endereços IP de classe A usam somente o primeiro octeto para indicar o endereço de


rede. Os três octetos restantes são responsáveis pelos endereços de rede.
O primeiro bit de um endereço de classe A é sempre 0. Como esse primeiro bit é 0, o menor
número que pode ser representado é 00000000, que também é o 0 decimal. O maior número que pode
ser representado é 01111111, equivalente a 127 em decimal. Os números 0 e 127 são reservados e
não podem ser usados como endereços de rede. Qualquer endereço que comece com um valor entre
1 e 126 no primeiro octeto é um endereço de classe A.
A rede 127.0.0.0 é reservada para testes de loopback. Os roteadores ou as máquinas locais
podem usar esse endereço para enviar pacotes para si mesmos. Por isso, esse número não pode ser
atribuído a nenhuma rede.
O endereço classe B foi criado para dar conta das necessidades de redes de porte médio a
grande.

Figura 298 - Endereço de Classe B

Um endereço IP de classe B usa os dois primeiros octetos para indicar o endereço da rede.
Os outros dois octetos especificam os endereços dos hosts.
Os dois primeiros bits do primeiro octeto de um endereço classe B são sempre 10. Os seis
bits restantes podem ser preenchidos com 1s ou 0s. Portanto, o menor número que pode ser
representado por um endereço classe B é 10000000, equivalente a 128 em decimal. O maior número

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301
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que pode ser representado é 10111111, equivalente a 191 em decimal. Qualquer endereço que
comece com um valor no intervalo de 128 a 191 no primeiro octeto é um endereço classe B.
Das classes de endereços originais, o espaço de endereços de classe C é o mais usado.

Figura 299 - Endereço de Classe C

Esse espaço de endereços tinha como objetivo suportar redes pequenas com no máximo
254 hosts.
Um endereço classe C começa com o binário 110. Assim, o menor número que pode ser
representado é 11000000, equivalente a 192 em decimal. O maior número que pode ser representado
é 11011111, equivalente a 223 em decimal. Se um endereço contém um número entre 192 e 223 no
primeiro octeto, é um endereço classe C.
O endereço classe D foi criado para permitir multicasting em um endereço IP.

Figura 300 - Arquitetura de Endereços de Classe D

Um endereço de multicast é um endereço de rede exclusivo que direciona os pacotes com


esse endereço de destino para grupos predefinidos de endereços IP. Assim, uma única estação pode
transmitir simultaneamente um único fluxo de dados para vários destinatários.
O espaço de endereços de classe D, de forma muito semelhante aos outros espaços de
endereços, é limitado automaticamente. Os primeiros quatro bits de um endereço classe D devem ser
1110. Assim, o intervalo de valores no primeiro octeto dos endereços de classe D vai de 11100000 a
11101111, ou de 224 a 239 em decimal. Um endereço IP que comece com um valor no intervalo de
224 a 239 no primeiro octeto é um endereço classe D.
Também foi definido um endereço classe E.

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302
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP

Figura 301 - Arquitetura de Endereços de Classe E

Entretanto, a IETF (Internet Engineering Task Force) reserva esses endereços para suas
próprias pesquisas. Dessa forma, nenhum endereço classe E foi liberado para uso na Internet. Os
primeiros quatro bits de um endereço classe E são sempre definidos como 1s. Assim, o intervalo de
valores no primeiro octeto dos endereços de classe E vai de 11110000 a 11111111, ou de 240 a 255
em decimal.

Figura 302 - Intervalo de Endereços IP

A figura 300 mostra o intervalo de endereços IP do primeiro octeto, tanto em decimal quanto
em binário, para cada classe de endereços IP.

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9.3.5 Endereços IP reservados

Alguns endereços de host são reservados e não podem ser atribuídos a dispositivos em uma
rede. Esses endereços de host reservados incluem o seguinte:
• Endereço de rede: Usado para identificar a própria rede;

Figura 303 - Endereço da Rede

Na figura 301, a seção identificada pela caixa superior representa a rede 198.150.11.0. Os
dados que são enviados para qualquer host dessa rede (198.150.11.1- 198.150.11.254) serão vistos
para fora da rede local como 198.159.11.0. O único momento em que os números dos hosts têm
importância é quando os dados estão na rede local. A LAN que está contida na caixa inferior é tratada
da mesma maneira que a LAN superior, com a diferença de que seu número de rede é 198.150.12.0.
• Endereço de broadcast: Usado para realizar broadcast de pacotes para todos os
dispositivos de uma rede.

Figura 304 - Endereço de Broadcast


Na figura 302, a seção identificada pela caixa superior representa o endereço de broadcast
198.150.11.255. Os dados enviados para o endereço de broadcast são lidos por todos os hosts dessa

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304
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rede (198.150.11.1- 198.150.11.254). A LAN que está contida na caixa inferior é tratada da mesma
maneira que a LAN superior, com a diferença de que seu endereço de broadcast é 198.150.12.255.
Um endereço IP com 0s binários em todas as posições de bits dos hosts é reservado para o
endereço de rede. Em um exemplo de rede de classe A, 113.0.0.0 é o endereço IP da rede (conhecido
como ID da rede) que contém o host 113.1.2.3. Um roteador usa o endereço IP da rede ao encaminhar
dados na Internet. Em um exemplo de rede de classe B, o endereço 176.10.0.0 é um endereço de
rede, conforme mostrado na figura 303.

Figura 305 - Endereços de Redes

Em um endereço de rede classe B, os dois primeiros octetos são designados como a parte
da rede. Os dois últimos octetos contêm 0s porque esses 16 bits são para os números de host e são
usados para identificar os dispositivos conectados à rede. O endereço IP 176.10.0.0 é um exemplo de
endereço de rede. Esse endereço nunca é atribuído como endereço de host. O endereço de host de
um dispositivo da rede 176.10.0.0 poderia ser 176.10.16.1. Neste exemplo, "176.10" é a parte da rede
e "16.1" é a parte do host.
Para enviar dados a todos os dispositivos de uma rede, é necessário um endereço de
broadcast.

Figura 306 - Transmissão Unicast


Um broadcast acontece quando uma origem envia dados a todos os dispositivos de uma
rede. Para garantir que todos os outros dispositivos da rede processem o broadcast, o remetente deve
usar um endereço IP de destino que eles possam reconhecer e processar. Os endereços IP de
broadcast utilizam bits 1s em toda a parte do endereço reservada para a identificação de host.

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305
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No exemplo da rede 176.10.0.0, os 16 últimos bits formam o campo de hosts ou parte do
host do endereço.

Figura 307 - Endereço de Broadcast

Um broadcast enviado a todos os dispositivos dessa rede incluiria um endereço de destino


176.10.255.255. Isso porque 255 é o valor decimal de um octeto que contém 11111111.

Figura 308 - Transmissão de Broadcast

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306
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9.3.6 Endereços IP públicos e privados

A estabilidade da Internet depende diretamente da exclusividade dos endereços de rede


usados publicamente.

Figura 309 - Endereços Exclusivos Exigidos

Na figura 307, há um problema no esquema de endereçamento da rede. Observando as


redes, vemos que ambas tem o endereço de rede 198.150.11.0. O roteador nessa Figura não será
capaz de encaminhar os pacotes de dados corretamente. Endereços IP de rede duplicados impedem
que o roteador realize sua função de selecionar o melhor caminho. Para cada dispositivo de uma rede,
é necessário um endereço exclusivo.
Foi necessário criar um procedimento que garantisse que os endereços fossem realmente
exclusivos. Inicialmente, uma organização conhecida como InterNIC (Internet Network Information
Center – Centro de Informações da Rede Internet) cuidou desse procedimento. A InterNIC não existe
mais e foi substituída pela IANA (Internet Assigned Numbers Authority). A IANA gerencia
cuidadosamente o estoque de endereços IP para garantir que não haja duplicidade de endereços
usados publicamente. A duplicidade causaria instabilidade na Internet e comprometeria sua
capacidade de entregar datagramas para as redes.
Os endereços IP públicos são exclusivos. Nunca pode haver mais de uma máquina que se
conecte a uma rede pública com o mesmo endereço IP, pois os endereços IP públicos são globais e
padronizados. Todas as máquinas conectadas à Internet concordam em obedecer a esse sistema. Os
endereços IP públicos precisam ser obtidos de um provedor de serviços de Internet ou através de
registro a certo custo.
Com o rápido crescimento da Internet, os endereços IP públicos começaram a escassear.
Para ajudar a solucionar o problema, foram desenvolvidos novos esquemas de endereçamento, como
o CIDR (classless interdomain routing – roteamento sem classes entre domínios) e o IPv6. O CIDR e o
IPv6 serão discutidos mais adiante neste curso.

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307
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP
Os endereços IP privados é outra solução para o problema da escassez iminente dos
endereços IP públicos. Como foi dito, as redes públicas exigem que os hosts tenham endereços IP
exclusivos. Entretanto, as redes privadas que não estão conectadas à Internet podem usar quaisquer
endereços de host, contanto que cada host dentro da rede privada seja exclusivo. Muitas redes
privadas existem em paralelo com as redes públicas. Porém, não é recomendável que uma rede
privada use um endereço qualquer, pois essa rede pode ser conectada à Internet algum dia. O RFC
1918 reserva três blocos de endereços IP para uso interno e privado.

Figura 310 - Endereços IP Privados

Esses três blocos consistem de um endereço de classe A, um intervalo de endereços de


classe B e um intervalo de endereços de classe C. Os endereços dentro desses intervalos não são
roteados no backbone da Internet. Os roteadores da Internet descartam imediatamente os endereços
privados. Para endereçar uma intranet não-pública, um laboratório de testes ou uma rede doméstica,
podem-se usar esses endereços privados no lugar dos endereços globalmente exclusivos.

Figura 311 - Utilização de Endereços Privados na WAN

Os endereços IP privados podem ser combinados, conforme mostrado no gráfico, com os


endereços públicos. Isso poupará a quantidade de endereços usados para as conexões internas.
Conectar uma rede que usa endereços privados à Internet exige a conversão dos endereços
privados em endereços públicos. Esse processo de conversão é chamado de NAT (Network Address
Translation – Conversão de Endereços de Rede). Geralmente, o roteador é o dispositivo que realiza a
NAT. A NAT, juntamente com o CIDR e o IPv6, é tratada em maior profundidade mais adiante no
curso.

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308
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9.3.7 Introdução às sub-redes

O uso de sub-redes é um método usado para gerenciar endereços IP, como mostrado no
exemplo, a rede 131.108.0.0 é subdividida nas sub-redes 131.108.1.0, 131.108.2.0 e 131.108.3.0.

Figura 312 - Endereçamento com Sub-redes

Esse método de dividir classes inteiras de endereços de redes em pedaços menores impediu
o esgotamento completo dos endereços IP. É impossível abordar o TCP/IP sem mencionar as sub-
redes. Como administrador de sistemas, é importante compreender a utilização de sub-redes como
uma forma de dividir e identificar redes independentes através da LAN. Nem sempre é necessário
dividir uma rede pequena em sub-redes. Entretanto, para redes grandes ou extremamente grandes, a
divisão em sub-redes é necessária.

Figura 313 - Endereços de Sub-redes

Dividir uma rede em sub-redes significa usar a máscara de sub-rede para dividir a rede em
segmentos menores, ou sub-redes, mais eficientes e mais fáceis de gerenciar. Um exemplo
semelhante seria o sistema telefônico brasileiro, que é dividido em códigos DDD, prefixos e números
locais.

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309
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O administrador do sistema precisa resolver essas questões ao adicionar e expandir a rede.
É importante saber quantas sub-redes ou redes são necessárias e quantos hosts serão necessários
em cada rede. Com as sub-redes, a rede não fica limitada às máscaras de rede padrão de classes A, B
ou C, e há maior flexibilidade no projeto da rede.
Os endereços de sub-rede incluem a parte da rede, mais um campo de sub-rede e um
campo do host. O campo da sub-rede e o campo do host são criados a partir da parte do host original
para toda a rede. A possibilidade de decidir como dividir a parte reservada originalmente ao endereço
de host em novos campos para a identificação de sub-rede e host, provendo para o administrador da
rede uma maior flexibilidade no endereçamento.
Para criar um endereço de sub-rede, um administrador de rede toma emprestados alguns
bits do campo do host e os designa como o campo da sub-rede.

Figura 314 - Guia de Referência Rápida de Sub-redes

A quantidade mínima de bits que podem ser emprestados é 2. Se criássemos uma sub-rede
tomando somente um bit emprestado, o número da rede seria .0. O número de broadcast seria .255. A
quantidade máxima de bits que podem ser emprestados é qualquer valor que deixe pelo menos 2 bits
sobrando para o número do host.

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310
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9.3.8 IPv4 X IPv6

Quando o TCP/IP foi adotado, na década de 80, ele se baseava em um esquema de


endereçamento em dois níveis. Na época, isso oferecia uma escalabilidade adequada. Infelizmente, os
idealizadores do TCP/IP não poderiam prever que esse protocolo acabaria sustentando uma rede
global de informações, comércio e entretenimento. Há mais de vinte anos, o IP versão 4 (IPv4)
ofereceu uma estratégia de endereçamento que, embora fosse escalonável durante certo tempo,
resultou em uma alocação ineficiente dos endereços.

Figura 315 - Alocação de Endereçamento IPv4

Os endereços classe A e B representam 75% do espaço de endereços do IPv4, embora


menos de 17.000 organizações possam receber um número de rede classes A ou B.
Os endereços de rede de classe C são muito mais numerosos do que os de classes A e B, embora
representem somente 12,5% dos 4 bilhões de possíveis endereços IP.
Infelizmente, os endereços de classe C estão limitados a 254 hosts utilizáveis. Isso não
atende ás necessidades de organizações maiores, que não podem adquirir um endereço de classes A
ou B. Mesmo se houvesse mais endereços classe A, B ou C, um excesso de endereços de rede faria
com que os roteadores da Internet viessem a parar sob o peso do enorme tamanho das tabelas de
roteamento necessárias para armazenar as rotas para alcançar cada rede.
Já em 1992, a IETF (Internet Engineering Task Force – Força-Tarefa de Engenharia da
Internet) identificou as duas seguintes preocupações específicas:
• Esgotamento dos endereços de rede IPv4 restantes, não atribuídos. Naquela época, o espaço
de classe B estava prestes a se esgotar.
• Ocorreu um crescimento forte e rápido do tamanho das tabelas de roteamento da Internet
quando mais redes de classe C ficaram on-line. A inundação de novas informações de rede
daí resultante ameaçou a capacidade dos roteadores de Internet de reagir de maneira
eficiente.

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311
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Durante as duas últimas décadas, foram desenvolvidas diversas extensões do IPv4. Essas
extensões foram projetadas especificamente para melhorar a eficiência de utilização do espaço de
endereços de 32 bits. Duas das mais importantes extensões são as máscaras de sub-rede e o
roteamento interdomínios classless (CIDR), que serão discutidos em maior profundidade em lições
posteriores.
Nesse meio tempo, foi definida e desenvolvida uma versão ainda mais extensível e
escalonável do IP, o IP versão 6 (IPv6).

Figura 316 - IPv4 e IPv6

O IPv6 usa 128 bits em vez dos 32 bits usados atualmente no IPv4. O IPv6 usa números
hexadecimais para representar os 128 bits. Ele oferece 640 sextilhões de endereços. Essa versão do
IP deve oferecer endereços suficientes para as futuras necessidades das comunicações.

Figura 317 - Endereços IPv4 e IPv6

A figura 315 mostra um endereço IPv4 e um endereço IPv6. Endereços IPv4 têm 32 bits de
comprimento, são escritos em formato decimal e separados por pontos. Endereços IPv6 têm 128 bits

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312
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de comprimento e são utilizados para identificar interfaces individuais ou conjuntos de interfaces.
Endereços IPv6 são atribuídos a interfaces, não aos nós. Uma vez que cada interface pertence a um
único nó, qualquer endereço unicast atribuído às interfaces de um nó podem ser utilizadas como um
identificador deste nó. Endereços IPv6 são escritos em formato hexadecimal e separados por dois
pontos. Os campos do IPv6 têm 16 bits de comprimento. Para facilitar a leitura dos endereços, os
zeros à esquerda podem ser omitidos em todos os campos. O campo: 0003: é escrito como: 3:. A
representação abreviada do IPv6 para os 128 bits usa oito números de 16 bits, mostrados como quatro
dígitos hexadecimais.
Após anos de planejamento e desenvolvimento, o IPv6 está sendo implementado lentamente
em algumas redes. No futuro, o IPv6 pode vir a substituir o IPv4 como protocolo Internet dominante.

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313
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9.4 OBTER UM ENDEREÇO IP

9.4.1 Obtendo um endereço da Internet

Um host de rede precisa obter um endereço único para operar na Internet. O endereço físico
ou MAC de um host só é significativo localmente, identificando o host dentro da rede local. Como esse
endereço é de camada 2, o roteador não o utiliza para encaminhamento fora da LAN.
Os endereços IP são os endereços mais usados para as comunicações na Internet. Esse
protocolo é um esquema de endereçamento hierárquico que permite que os endereços individuais
sejam associados entre si e tratado como grupos. Esses grupos de endereços permitem uma
transferência eficiente de dados através da Internet.

Figura 318 - Endereços de Internet

Os administradores de rede usam dois métodos para atribuir endereços IP. Esses métodos
são: estático e dinâmico. Mais adiante nesta lição, abordaremos o endereçamento estático e três
variações do endereçamento dinâmico. Independentemente do esquema de endereçamento escolhido,
duas interfaces não podem ter o mesmo endereço IP. Dois hosts que tenham o mesmo endereço IP
poderiam gerar um conflito, fazendo com que os dois hosts envolvidos não funcionassem
corretamente. Conforme mostrado na figura 317, os hosts têm um endereço físico, atribuído à placa de
interface de rede que permite a conexão ao meio físico.

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314
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Figura 319 - Atribuição de Endereços IP

9.4.2 Atribuição estática do endereço IP

A atribuição estática funciona bem em redes pequenas, que mudam pouco. O administrador do
sistema atribui e rastreia manualmente os endereços IP de cada computador, impressora ou servidor
da intranet. Uma boa manutenção de registros é essencial para evitar problemas relacionados a
endereços IP duplicados. Isso só é possível quando há uma quantidade pequena de dispositivos para
rastrear.
Os servidores devem receber um endereço IP estático, para que as estações de trabalho e os
outros dispositivos sempre saibam como acessar os serviços necessários. Imagine a dificuldade que
seria telefonar para uma empresa que mudasse de número de telefone todos os dias.
Outros dispositivos que devem receber endereços IP estáticos são as impressoras de rede, os
servidores de aplicativos e os roteadores.

9.4.3 Atribuição de endereço IP utilizando RARP

O RARP (Reverse Address Resolution Protocol – Protocolo de Resolução Reversa de


Endereços) associa um endereço MAC conhecido a um endereço IP. Essa associação permite que os
dispositivos de rede encapsulem os dados antes de enviá-los à rede. Um dispositivo de rede, como
uma estação de trabalho sem disco, por exemplo, pode conhecer seu endereço MAC, mas não seu
endereço IP. O RARP permite que o dispositivo faça uma solicitação para saber seu endereço IP. Os
dispositivos que usam o RARP exigem que haja um servidor RARP presente na rede para responder
às solicitações RARP.
Suponha uma situação em que um dispositivo de origem queira enviar dados a outro
dispositivo. Nesse caso, o dispositivo de origem sabe seu próprio endereço MAC, mas não consegue
localizar seu endereço IP na tabela ARP. O dispositivo de origem deve incluir tanto seu endereço MAC

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315
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quanto seu endereço IP para que o dispositivo de destino recupere os dados, passe-os às camadas
superiores do modelo OSI e responda ao dispositivo de origem. Assim, a origem inicia um processo
chamado de solicitação RARP. Essa solicitação ajuda o dispositivo de origem a detectar seu próprio
endereço IP. As solicitações RARP são enviadas por broadcast para a LAN e são respondidas pelo
servidor RARP, que geralmente é um roteador.
O RARP usa o mesmo formato de pacote do ARP, mas, em uma solicitação RARP, os
cabeçalhos MAC e o "código de operação"(operation code) são diferentes dos de uma solicitação ARP.

Figura 320 - Estrutura de Mensagens ARP/RARP

Figura 321 - Descrições de Campos de Mensagens ARP/RARP


O formato do pacote RARP contém espaços para os endereços MAC dos dispositivos de
destino e de origem. O campo de endereço IP de origem é vazio. O broadcast vai para todos os
dispositivos da rede. Portanto, o endereço MAC de destino será definido como FF:FF:FF:FF:FF:FF. As
estações de trabalho que executam o RARP têm códigos na ROM que as instruem a iniciar o processo
RARP. As figuras 320 a 327 ilustram o processo RARP em um layout passo a passo.

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Figura 322 - RARP - Segmento de Rede

Figura 323 - RARP - Geração de Solicitação

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Figura 324 - RARP - Transmissão de Solicitação

Figura 325 - RARP - Verificação de Solicitação

Figura 326 - RARP - Geração de Resposta

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Figura 327 - RARP - Transmissão de Resposta

Figura 328 - RARP - Avaliação da Resposta

Figura 329 - RARP - Armazenamento de Dados

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9.4.4 Atribuição de endereço IP BOOTP

O protocolo bootstrap (BOOTP) opera em um ambiente cliente-servidor e exige a troca de


apenas um pacote para obter informações de IP.

Figura 330 - Estruturas de Mensagens BOOTP

Figura 331 - Descrições de Campos da Estrutura de Mensagens BOOTP

Entretanto, diferentemente do RARP, os pacotes BOOTP podem incluir o endereço IP, assim
como o endereço de um roteador, de um servidor e informações específicas do fabricante.
Um problema do BOOTP, contudo, é não ter sido projetado para fornecer atribuição dinâmica
de endereços. Com o BOOTP, um administrador de rede cria um arquivo de configuração que

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320
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especifica os parâmetros de cada dispositivo. O administrador precisa adicionar hosts e manter o
banco de dados do BOOTP. Mesmo que os endereços sejam atribuídos dinamicamente, continua
havendo uma relação de um para um entre a quantidade de endereços IP e a quantidade de hosts.
Isso significa que para cada host da rede deve haver um perfil BOOTP com uma atribuição de
endereço IP dentro dele. Não pode haver dois perfis com o mesmo endereço IP. Esses perfis poderiam
ser usados ao mesmo tempo, o que corresponderia a dois hosts com o mesmo endereço IP.
Um dispositivo usa o BOOTP para obter um endereço IP durante a inicialização. O BOOTP
usa o UDP para transportar as mensagens. A mensagem UDP é encapsulada em um pacote IP. O
computador usa o BOOTP para enviar um pacote IP de broadcast usando um endereço IP de destino
somente com 1s, equivalente a 255.255.255.255 na notação decimal com pontos. O servidor BOOTP
recebe o broadcast e depois o envia de volta. O cliente recebe um quadro e verifica o endereço MAC.
Se o cliente encontrar seu próprio endereço MAC no campo do endereço de destino e um broadcast no
campo de destino do IP, ele obtém e armazena o endereço IP e as outras informações fornecidas pela
mensagem de resposta do BOOTP. As figuras 330 a 337 mostram esse processo em uma descrição
passo a passo.

Figura 332 - BOOTP - Segmento de Rede

Figura 333 - BOOTP - Criação de Solicitação

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321
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Figura 334 - Transmissão de Solicitação BOOTP

Figura 335 - BOOTP - Verificação de Solicitação

Figura 336 - Criação de Resposta

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322
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Figura 337 - BOOTP - Transmissão da Resposta

Figura 338 - BOOTP - Resposta Verificada

Figura 339 - BOOTP - Armazenamento de Dados

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9.4.5 Gerenciamento de Endereços IP com uso de DHCP

O DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol) é o sucessor do BOOTP. Diferentemente do


BOOTP, o DHCP permite que um host obtenha um endereço IP dinamicamente sem que o
administrador da rede tenha que configurar um perfil individual para cada dispositivo. Tudo o que é
necessário ao usar o DHCP é um intervalo de endereços IP definido em um servidor DHCP. À medida
que ficam on-line, os hosts entram em contato com o servidor DHCP e solicitam um endereço. O
servidor DHCP escolhe um endereço e o concede a esse host. Com o DHCP, toda a configuração de
rede de um computador pode ser obtida em uma única mensagem.

Figura 340 - Estrutura de Mensagem DHCP

Figura 341 - Descrições da Estrutura de Mensagens DHCP

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324
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Isso inclui todos os dados fornecidos pela mensagem BOOTP mais um endereço IP concedido
e uma máscara de sub-rede.
A principal vantagem do DHCP em relação ao BOOTP é permitir a mobilidade dos usuários.
Essa mobilidade possibilita que os usuários mudem as conexões da rede de um local para outro.
Assim, deixa de ser necessário manter um perfil fixo para cada dispositivo conectado à rede, como
acontecia com o sistema BOOTP. A importância desse avanço do DHCP é a sua capacidade de
conceder um endereço IP a um dispositivo e, em seguida, recuperar esse endereço para outro usuário,
depois que o primeiro usuário o tiver liberado. Isso significa que o DHCP oferece uma relação de
endereços IP de um para vários e que um endereço está disponível para qualquer um que se conectar
à rede. Uma descrição passo-a-passo do processo é apresentado nas figuras de
340 a 354.

Figura 342 - DHCP: Host Inicializa

Figura 343 - Descrições de Campos da Estrutura de Mensagens DHCP

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Figura 344 - Solicitação Transmitida

Figura 345 - Solicitação Avaliada

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Figura 346 - Oferta DHCP Preparada

Figura 347 - Oferta DHCP Transmitida

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Figura 348 - Oferta DHCP Avaliada

Figura 349 - Oferta DHCP Transmitida

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Figura 350 - Oferta DHCP Avaliada

Figura 351 - Solicitação DHCP Gerada

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Figura 352 - Solicitação DHCP Transmitida

Figura 353 - DHCPACK Criado

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Figura 354 - DHCPACK Transmitido

Figura 355 - DHCPACK Avaliado

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Figura 356 - DHCPACK Criado

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332
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9.4.6 Problemas de resolução de endereços

Um dos principais problemas dos sistemas em rede é como se comunicar com os outros
dispositivos da rede.

Figura 357 - Questões de Resolução de Endereços de Transmissão de Redes Locais

Nas comunicações por TCP/IP, um datagrama em uma rede local deve conter um endereço
MAC de destino e um endereço IP de destino. Esses endereços devem estar corretos e coincidir com
os endereços MAC e IP de destino do dispositivo host. Se não coincidirem, o datagrama será rejeitado
pelo host de destino. As comunicações dentro de um segmento de LAN requerem dois endereços.
Deve haver uma maneira de mapear automaticamente os endereços IP para endereços MAC. O
usuário gastaria muito tempo se tivesse que criar os mapas manualmente. O TCP/IP tem um protocolo
chamado ARP (Address Resolution Protocol – Protocolo de Resolução de Endereços), que pode obter

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automaticamente os endereços MAC para transmissão local. Surgem outros problemas quando os
dados são enviados para fora da rede local.

Figura 358 - Questões de Resolução de Endereços Não Locais

As comunicações entre dois segmentos de LAN têm uma tarefa adicional. Tanto o endereço IP
quanto o endereço MAC são necessários para o host de destino e para o dispositivo de roteamento
intermediário. O TCP/IP tem uma variação do ARP chamada Proxy ARP, que fornece o endereço MAC
de um dispositivo intermediário para transmissão fora da LAN para outro segmento da rede.

9.4.7 Protocolo de Resolução de Endereços (ARP)

Em redes TCP/IP , um pacote de dados deve conter tanto um endereço MAC de destino
quanto um endereço IP de destino. Se um dos dois estiver faltando, os dados não passarão da
camada 3 para as camadas superiores. Dessa forma, os endereços MAC e os endereços IP agem
como verificadores e balanceadores entre si. Depois de determinarem os endereços IP dos
dispositivos de destino, os dispositivos podem adicionar os endereços MAC de destino aos pacotes de
dados.
Alguns dispositivos mantêm tabelas que contêm os endereços MAC e os endereços IP de
outros dispositivos conectados à mesma LAN.

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334
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Figura 359 - Entrada da Tabela ARP

Elas são chamadas de tabelas ARP. As tabelas ARP são armazenadas na memória RAM,
onde as informações sobre cada um dos dispositivos são mantidas automaticamente em cache. É
muito raro que o usuário tenha que criar uma entrada na tabela ARP manualmente. Cada dispositivo
em uma rede mantém sua própria tabela ARP. Quando um dispositivo da rede quer enviar dados
através dela, ele usa as informações fornecidas pela tabela ARP.
Quando uma origem determina o endereço IP de um destino, ela consulta a tabela ARP a fim
de localizar o endereço MAC do destino. Se a origem localizar uma entrada na sua tabela (endereço IP
de destino para o endereço MAC de destino), ela associa o endereço IP ao endereço MAC e o utiliza
para encapsular os dados. Então, o pacote de dados é enviado pelos meios físicos da rede para ser
capturado pelo dispositivo de destino.
Os dispositivos podem usar duas formas de obter os endereços MAC que eles precisam para
adicionar aos dados encapsulados.

Figura 360 - Funções da Tabela ARP

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335
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A primeira maneira é monitorar o tráfego que ocorre no segmento local da rede. Todas as
estações de uma rede Ethernet analisarão todo o tráfego para determinar se os dados são para elas.
Parte desse processo é gravar os endereços IP e MAC de origem do datagrama em uma tabela ARP.
Conforme os dados são transmitidos pela rede, os pares de endereços preenchem a tabela ARP. A
outra maneira de obter um par de endereços para transmissão dos dados é enviar uma solicitação
ARP broadcast.

Figura 361 - O Processo ARP

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336
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Figura 362 - Solicitação ARP

O computador que requer um par de endereços IP e MAC envia uma solicitação ARP
broadcast. Todos os outros dispositivos da rede local analisam essa solicitação. Se um dos
dispositivos locais corresponder ao endereço IP da solicitação, ele devolve uma resposta ARP que
contém seu par IP-MAC. Se o endereço IP for para a rede local e o computador não existir ou estiver
desligado, não haverá resposta à solicitação ARP. Nesta situação, o dispositivo de origem relata um
erro. Se a solicitação for para uma rede com outro IP, há outro processo que pode ser usado.
Os roteadores não encaminham pacotes de broadcast. Se este recurso estiver ativado, o
roteador realiza um Proxy ARP.

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Figura 363 - Solicitação de Proxy ARP

O Proxy ARP é uma variação do protocolo ARP. Nesta variação, um roteador envia ao host
solicitante uma resposta ARP com o endereço MAC da interface na qual a solicitação foi recebida. O
roteador responde com os endereços MAC às solicitações cujo endereço IP não esteja no intervalo de
endereços da sub-rede local.
Outro método para enviar dados ao endereço de um dispositivo que está em outro segmento
da rede é configurar um gateway padrão.

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338
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Figura 364 - Gateway Padrão

O gateway padrão é uma opção de host em que o endereço IP da interface do roteador é


armazenado na configuração de rede do host. O host de origem compara o endereço IP de destino
com o seu próprio endereço IP para determinar se os dois endereços IP estão localizados no mesmo
segmento. Se o host receptor não estiver no mesmo segmento, o host de origem envia os dados
usando o endereço IP real do destino e o endereço MAC do roteador. O endereço MAC do roteador foi
obtido da tabela ARP, usando o endereço IP desse roteador.
Se o gateway padrão no host e o recurso de Proxy ARP no roteador não estiverem
configurados, nenhum tráfego poderá sair da rede local. Um dos dois precisa estar configurado para
que haja uma conexão para fora da rede local.

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Resumo do Módulo

Deve ter sido obtido um entendimento dos principais conceitos a seguir: texto

• Por que a Internet foi desenvolvida e como o TCP/IP situa-se no projeto da Internet.
• As 4 camadas do modelo TCP/IP.
• As funções de cada camada do modelo TCP/IP.
• O modelo OSI comparado ao modelo TCP/IP.
• O endereçamento IP dá a cada dispositivo na Internet um identificador exclusivo.
• As classes de endereços IP são divisões lógicas do espaço de endereços usadas para atender
às necessidades de vários tamanhos de redes.
• As sub-redes são usadas para dividir uma rede em redes menores.
• Os endereços reservados desempenham um papel especial no endereçamento IP e não
podem ser usados para nenhuma outra finalidade.
• Os endereços privados não podem ser roteados na Internet pública.
• A função de uma máscara de sub-rede é mapear as partes de um endereço IP que
correspondem à rede e ao host.
• Algum dia, o IPv4 estará totalmente obsoleto e a versão usada comumente será a IPv6.
• Um computador precisa ter um endereço IP para se comunicar na Internet.
• Um endereço IP pode ser configurado estaticamente ou dinamicamente.
• Um endereço IP dinâmico pode ser alocado usando-se o RARP, BOOTP ou DHCP.
• O DHCP fornece mais informações a um cliente do que o BOOTP.
• O DHCP permite que os computadores sejam móveis, possibilitando a conexão a várias redes
diferentes.
• O ARP e o Proxy ARP podem ser usados para solucionar problemas de resolução de
endereços.

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Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP
TESTE

1) Qual é o endereço de destino de um quadro que contém uma solicitação ARP?


 Um endereço IP de broadcast;
 Um endereço MAC de broadcast;
 O endereço IP do gateway padrão;
 O endereço MAC do gateway padrão;

2) Quais das seguintes alternativas são endereços IP privados?(Escolha três).


 10.1.1.1;
 172.32.5.2;
 192.167.10.10;
 172.16.4.4;
 192.168.5.5;
 224.6.6.6;

3) Qual dos seguintes endereços é um exemplo de um endereço de broadcast de uma rede


classe B com uma máscara de sub-rede padrão?
 147.1.1.1;
 147.13.0.0;
 147.14.255.0;
 147.14.255.255;

4) Quais das seguintes alternativas é uma característica do Ipv6?


 Utiliza um endereço de 32 bits;
 Utiliza um endereço de 128 bits;
 Convenções melhoradas de nomeação de host;
 O mesmo esquema de endereçamento do Ipv4;
 Protocolos de roteamentos mais rápidos;

5) Quantos endereços de host utilizáveis estão disponíveis em uma rede classe C com
máscara de sub-rede padrão?
 128;
 254;
 255;
 256;

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341
Módulo IX: Conjunto de Protocolos TCP/IP e endereçamento IP
6) Quais dos seguintes dispositivos de rede devem ser associados a IP estáticos?( Escolha
três).
 Estações de trabalho de redes locais;
 Servidores;
 Impressoras de rede;
 Roteadores;
 Estações de trabalho remotas;
 Laptops.
7) Qual das seguintes afirmativas descreve corretamente a forma como o DHCP opera na
atribuição de endereços IP?
 O administrador de rede precisa associar novamente ao pool DHCP um endereço IP liberado por
um host;
 O DHCP oferece o mesmo endereço IP a vários usuários.
 O DHCP permite que os usuários obtenham endereços IP somente se estes tiverem um perfil
definido no pool DHCP;
 O DHCP pode dispor de um endereço IP após este ter sido liberado por uma estação de
trabalho;

8) Faça a correspondência das características do lado esquerdo aos tipos apropriados de


endereçamento do lado direito?
Endereços MAC Endereços IP
32 bits
48 bits
Designado pelo fabricante da placa de rede
Designado pelo administrador de rede
Esquema hierárquico de endereçamento
Esquema linear de endereçamento
Dividido em código do fabricante e número serial
Divido em porção de rede e porção de host

9) Faça a correspondência do nome do protocolo da camada 7 com a definição


correspondente?
1 SNMP Acessar e executar comandos em um computador remoto.
2 TFTP Monitorar e controlar dispositivos de rede.
3 SMTP Tradução de nomes em endereços IP.
4 FTP Transferência de arquivos sem estabelecimento de conexão utilizando UDP
5 DNS Transferência de arquivos orientada a conexão usando TCP
6 Telnet Transmissão de e-mail através de rede de computadores.

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342
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
10 CONCEITOS BÁSICOS DE ROTEAMENTO E DE SUB-REDES
10.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO

Internet Protocol (IP) é o principal protocolo roteado da Internet. O endereçamento IP permite o


roteamento de pacotes da origem ao destino usando o melhor caminho disponível. A propagação de
pacotes, as alterações de encapsulamento e os protocolos orientados para conexões e sem conexão
também são críticos para assegurar a transmissão correta dos dados ao seu destino. Este módulo
fornecerá uma visão geral de cada um desses tópicos.
A diferença entre protocolos de roteamento e roteados é uma fonte comum de confusão para
quem está aprendendo sobre redes. Essas duas palavras são parecidas, mas seu sentido é bastante
diferente. Este módulo também apresenta protocolos de roteamento que permitem que os roteadores
construam tabelas das quais se pode determinar o melhor caminho para um host na Internet.
Não há duas organizações idênticas no mundo. Na verdade, nem todas as organizações
podem enquadrar-se no sistema de três classes de endereços A, B, e C. No entanto, há flexibilidade
no sistema de endereçamento por classes e esta flexibilidade chama-se divisão em sub-redes. A
divisão em sub-redes permite que os administradores de rede determinem o tamanho dos
componentes da rede com a qual trabalharão. Uma vez determinado como segmentar a rede, eles
podem usar a máscara de sub-rede para determinar em que parte da rede está cada dispositivo.

Ao concluírem este módulo, os alunos deverão ser capazes de:

• Descrever protocolos roteados (roteáveis).


• Relacionar as etapas do encapsulamento de dados em uma internetwork à medida que esses
dados são roteados para um ou mais dispositivos da camadas 3.
• Descrever os tipos de entrega sem conexão e orientada a conexão.
• Citar os campos de pacotes IP.
• Descrever o processo de roteamento.
• Comparar e diferenciar tipos de protocolos de roteamento.
• Relacionar e descrever várias métricas usadas por protocolos de roteamento.
• Relacionar várias utilizações para a divisão em sub-redes.
• Determinar a máscara de sub-rede para uma determinada situação.
• Utilizar uma máscara de sub-rede para determinar a ID da sub-rede.

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343
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
10.2 PROTOCOLO ROTEADO

10.2.1 Protocolos roteáveis e roteados

Um protocolo é um conjunto de regras que determina como os computadores comunicam-se


uns com os outros através de redes. Os computadores comunicam-se uns com os outros trocando
mensagens de dados. Para aceitar e atuar com base nessas mensagens, os computadores devem ter
definições para sua interpretação. Os exemplos de mensagens incluem aquelas que estabelecem
conexão com uma máquina remota, mensagens de e-mail e arquivos transferidos via rede.

Um protocolo descreve:

• O formato que deve ser adotado por uma mensagem


• O modo como os computadores devem trocar uma mensagem no contexto de uma
atividade em particular

Um protocolo roteado permite que o roteador encaminhe dados entre nós de diferentes redes.

Figura 365 - Endereço IP

Para um protocolo ser roteável, ele deve propiciar a capacidade de atribuir um número de
rede e um número de host a cada dispositivo individual. Alguns protocolos, como o IPX, exigem
apenas um número de rede, porque usam um endereço MAC de host para o número do host. Outros
protocolos, como o IP, exigem um endereço completo, que consiste em uma parte da rede e uma parte
do host. Esses protocolos também exigem uma máscara de rede para diferenciar os dois números. O
endereço de rede é obtido pela operação AND do endereço com a máscara de rede.
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344
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes

Figura 366 - Agrupamento de Endereços IP

A razão para a utilização de uma máscara de rede é permitir que grupos de endereços IP
seqüenciais sejam tratados como uma única unidade. Se esse agrupamento não fosse permitido, cada
host precisaria ser mapeado individualmente para o roteamento. Isto seria impossível, porque de
acordo com o Internet Software Consortium existem atualmente aproximadamente 233.101.500 hosts
na Internet.

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345
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
10.2.2 IP como protocolo roteado

O Internet Protocol (IP) é a implementação mais utilizada de um esquema de endereçamento


de rede hierárquico.

Figura 367 - Protocolos Roteados

O IP é um protocolo sem conexão, de melhor entrega possível e, não confiável. O termo "sem
conexão" significa que não há conexão com circuito dedicado estabelecida antes da transmissão,
como ocorre quando é feita uma ligação telefônica. O IP determina a rota mais eficiente para os dados
com base no protocolo de roteamento. Os termos "não confiável" e "melhor entrega" não implicam que
o sistema não seja confiável e que não funcione bem, mas que o IP não verifica se os dados chegaram
ao destino. Se necessário, a verificação é controlada pelos protocolos da camada superior.
À medida que as informações fluem pelas camadas do modelo OSI, os dados são
processados em cada camada.

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346
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes

Figura 368 - Encapsulamento de Dados

Na camada de rede, os dados são encapsulados em pacotes (também conhecidos como


datagramas).

Figura 369 - Cabeçalho do Pacote IP

O IP determina o conteúdo do cabeçalho do pacote IP, que inclui informações sobre


endereçamento e outras informações de controle, mas não trata dos dados em si. O IP aceita
quaisquer dados que lhe forem passados das camadas superiores.

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347
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
10.2.3 Propagação de pacotes e comutação em um roteador

À medida que um pacote trafega em uma internetwork até seu destino final, os cabeçalhos e
trailers de quadros da camada 2 são removidos e substituídos em cada dispositivo da camada 3.

Figura 370 - Dispositivos da Camada de Rede no Fluxo de Dados

Isso ocorre porque as unidades de dados, da camada 2 (quadros) destinam-se ao


endereçamento local. As unidades de dados, da camada 3 (pacotes) destinam-se ao endereçamento
fim-a-fim.

Figura 371A - Descarte de Protocolo do Roteador

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348
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes

Figura 372B - Descarte de Protocolo do Roteador

Figura 373C - Descarte de Protocolo do Roteador

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Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes

Figura 374D - Descarte de Protocolo do Roteador

Figura 375E - Descarte de Protocolo do Roteador

Figura 376F - Descarte de Protocolo do Roteador

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Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes

Figura 377G - Descarte de Protocolo do Roteador

Figura 378H - Descarte de Protocolo do Roteador

Os quadros Ethernet foram criados para operar em um domínio de broadcast usando o


endereço MAC incorporado ao dispositivo físico. Outros tipos de quadros da camada 2 incluem links
seriais do Point-to-Point Protocol (PPP) e conexões Frame Relay, que usam diferentes esquemas de
endereçamento da camada 2. Independentemente do tipo de endereçamento da camada 2 utilizado,
os quadros foram criados para operar em um domínio de broadcast da camada 2; à medida que os
dados atravessam um dispositivo da camada 3, as informações da camada 2 mudam.
À medida que um quadro é recebido em um roteador ou em uma interface de roteador, o
endereço MAC de destino é extraído.
O endereço é analisado para verificar se o quadro é endereçado diretamente à interface do
roteador ou se é um broadcast. Em qualquer um desses dois casos, o quadro é aceito. Caso contrário
é descartado, já que se destina a outro dispositivo no domínio de colisão. O quadro aceito tem as
informações de Cyclic Redundancy Check (CRC) extraídas do trailer do quadro e calculadas, para
verificar se os dados do quadro não contêm erro. Se a verificação falhar, o quadro é descartado. Se a

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Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
verificação for válida, o cabeçalho e o trailer do quadro são removidos e o pacote passa à camada 3.
Ele é, então, analisado para verificar se realmente destina-se ao roteador ou se deve ser roteado para
outro dispositivo da internetwork. Se o endereço IP de destino coincidir com uma das portas do
roteador, o cabeçalho da camada 3 é removido e os dados passam à camada 4. Se o pacote for
roteado, o endereço IP de destino será comparado à tabela de roteamento. Se houver coincidência ou
se houver uma rota padrão, o pacote será enviado à interface especificada na instrução da tabela de
roteamento coincidente. Quando o pacote é comutado para a interface de saída, um novo valor de
CRC é adicionado como trailer de quadro e o cabeçalho de quadro correto é adicionado ao pacote. O
quadro é, então, transmitido ao próximo domínio de broadcast em seu trajeto até o destino final.

10.2.4 Internet Protocol (IP)

Dois tipos de serviços de entrega são: sem conexão e orientados a conexões. Esses dois
serviços fornecem a entrega real de dados fim-a-fim em uma internetwork.
A maioria dos serviços de rede usa um sistema de entrega sem conexão.

Figura 379 - Serviços de Rede Sem Conexão

Pacotes diferentes podem seguir caminhos diferentes para atravessar a rede, mas são
reagrupados após chegarem ao destino. Em um sistema sem conexão, o destino não é contatado
antes de o pacote ser enviado. Uma boa comparação para um sistema sem conexão é o sistema
postal. O destinatário não é contatado antes do envio para verificar se aceitará a carta. Além disso, o
remetente nunca sabe se a carta chegou ao destino.
Em sistemas orientados a conexão, é estabelecida uma conexão entre o remetente e o
destinatário antes que qualquer dado seja transferido.

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Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes

Figura 380 - Serviços Orientados a Conexão

Um exemplo de rede orientada a conexão é o sistema telefônico. O autor da chamada faz uma
ligação, é estabelecida uma conexão e ocorre a comunicação.
Os processos de rede não orientados a conexão são normalmente conhecidos como
comutados por pacote (packet-switched). À medida que os pacotes trafegam da origem para o destino,
os mesmos podem ser comutados por caminhos diferentes e, possivelmente, chegar fora de ordem.
Cada pacote contem as instruções, como por exemplo, o endereço de destino e sua ordem dentro da
mensagem, que coordenam sua chegada com a chegada dos outros pacotes associados. Os pacotes
são colocados na seqüência correta quando chegam ao destino. Os dispositivos determinam os
caminhos para cada pacote com base em diversos critérios. Alguns deles, como por exemplo, largura
de banda disponível, pode diferir de pacote para pacote.
Os processos de rede orientados a conexão (conection-oriented) são freqüentemente
conhecidos como comutados por circuito. Inicialmente é estabelecida uma conexão dedicada com o
receptor e, em seguida, começa a transferência dos dados. Todos os pacotes trafegam
seqüencialmente pelo mesmo circuito, físico ou virtual, em um fluxo contínuo.
A Internet é uma rede gigantesca não orientada a conexão na qual a maioria das entregas de
pacotes é feita através de IP. O TCP adiciona serviços de confiabilidade próprios da Camada 4,
orientada a conexão, às comunicações não orientadas a conexão feitas sobre IP.

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353
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
10.2.5 Anatomia de um pacote IP

Os pacotes IP consistem dos dados das camadas superiores somados a um cabeçalho IP. O
cabeçalho IP consiste de:

• Versão – Especifica o formato do cabeçalho do pacote IP. O campo versão (4-bits) contém o
valor 4 se este for um pacote IPv4 e 6 se este for um pacote IPv6. Entretanto, este campo não
é utilizado para distinguir pacotes IPv4 e IPv6. O campo "Tipo de protocolo" no cabeçalho da
camada 2 é usado para isto.

• Tamanho do cabeçalho IP (HLEN) – Indica o tamanho do cabeçalho do datagrama em


palavras de 32 bits. Esse é o tamanho total de todas as informações do cabeçalho,
correspondentes aos dois campos de cabeçalho de tamanhos variáveis.

• Tipo de serviço (TOS) – Especifica o nível de importância atribuído por um determinado


protocolo de camada superior; oito bits.

• Extensão total – Especifica o tamanho total do pacote em bytes, inclusive dados e cabeçalho;
16 bits. Para obter o tamanho do payload dos dados, subtraia o HLEN do tamanho total.

• Identificação – Contém um número inteiro que identifica o datagrama atual; 16 bits. Esse é o
número de seqüência.

• Flags – Um campo de três bits em que os dois bits de ordem inferior controlam a
fragmentação. Um bit especifica se o pacote pode ser fragmentado; o outro, se este é o último
fragmento de uma série de pacotes fragmentados.

• Deslocamento de fragmento – Usado para ajudar a juntar fragmentos de datagramas; 13


bits. Este campo permite que o anterior termine em um limite de 16 bits.

• Time-to-live (TTL) – Um campo que especifica o número de saltos pelos quais um pacote
pode trafegar. Este número diminui em um à medida que o pacote trafega por um roteador.
Quando o contador chega a zero, o pacote é descartado. Isso impede que os pacotes
permaneçam infinitamente em loop.

• Protocol – Indica que protocolo de camada superior, por exemplo, TCP ou UDP, receberá os
pacotes de entrada após a conclusão do processamento IP; oito bits.

• Checksum do cabeçalho – Ajuda a assegurar a integridade do cabeçalho IP; 16 bits.

• Endereço de origem – Especifica o endereço IP do nó de envio; 32 bits.

• Endereço de destino – Especifica o endereço IP do nó de recebimento; 32 bits.

• Opções – Permite que o IP suporte várias opções, como segurança; tamanho variável.

• Enchimento – Zeros adicionais são adicionados a este campo para assegurar que o
cabeçalho IP seja sempre um múltiplo de 32 bits.

• Dados – Contêm informações da camada superior; tamanho variável, máximo de 64 Kb.

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354
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
Embora os endereços IP de origem e de destino sejam importantes, os outros campos do
cabeçalho têm feito do IP um protocolo bastante flexível. Os campos do cabeçalho apresentam
informações sobre os endereços da origem e destino do pacote e geralmente indicam o tamanho da
mensagem de dados. A informação de roteamento da mensagem também está contida no cabeçalho
do IP, a qual pode longa e complexa.

Figura 381 - Campos da Camada de Rede

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355
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes

10.3 PROTOCOLOS DE ROTEAMENTO IP

10.3.1 Visão geral de roteamento

O roteamento é uma função OSI da camada 3.

Figura 382 - A Camada de Rede

Roteamento é um esquema hierárquico de organização que permite o agrupamento de


endereços individuais. Esses endereços individuais são tratados como uma única unidade até que o
endereço de destino seja necessário para a entrega final dos dados.

Figura 383 - Roteamento

O roteamento é o processo de localizar o caminho mais eficiente entre dois dispositivos. O


dispositivo primário que executa o processo de roteamento é o roteador.

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356
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
Veja a seguir as duas funções-chave de um roteador:

• Os roteadores devem manter tabelas de roteamento e verificar se os outros roteadores


conhecem as alterações na topologia da rede. Esta função é executada com o uso de um
protocolo de roteamento para comunicar informações de rede a outros roteadores.
• Quando os pacotes chegam a uma interface, o roteador deve usar a tabela de roteamento para
determinar para onde enviá-los. O roteador comuta os pacotes para a interface apropriada,
adiciona as informações de enquadramento necessárias à interface e transmite o quadro.

Um roteador é um dispositivo de camada de rede que usa uma ou mais métricas para
determinar o caminho ideal pelo qual o tráfego da rede deve ser encaminhado. Métricas de roteamento
são valores usados para determinar a vantagem de uma rota sobre a outra.
Os protocolos de roteamento usam várias combinações de métricas para determinar o
melhor caminho para os dados.

Figura 384 - Métricas de Roteamento

Os roteadores interconectam segmentos de rede ou redes inteiras. Eles passam quadros de


dados entre as redes com base nas informações da camada 3. Os roteadores tomam decisões lógicas
relativas ao melhor caminho para a entrega de dados. Em seguida, direcionam os pacotes para a porta
de saída apropriada, para que sejam encapsulados para transmissão.
O processo de encapsulamento e de desencapsulamento ocorre cada vez que um pacote
trafega através de um roteador. O roteador precisa desemcapsular o quadro de camada 2 para ter
acesso e examinar os endereços da camada 3. Como mostra a Figura 383, o processo completo de
envio de dados de um dispositivo ao outro envolve o processo de encapsulamento e
desencapsulamento em todas as setes camadas OSI.

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357
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes

Figura 385 - Encapsulamento de Dados

Este processo fragmenta o fluxo de dados em segmentos, adiciona os cabeçalhos e trailers


apropriados e transmite os dados. O processo de desencapsulamento é o oposto, removendo os
cabeçalhos e trailers e recombinando os dados em um fluxo contínuo.
Este curso enfoca o protocolo roteável mais comum, o Internet Protocol (IP). Outros
exemplos de protocolos roteáveis incluem IPX/SPX e AppleTalk. Esses protocolos fornecem suportem
à camada 3. Os protocolos não roteáveis não fornecem esse suporte. O protocolo não roteável mais
comum é o NetBEUI. O NetBEUI é um protocolo pequeno, rápido e eficiente, cuja entrega de quadros
limita-se a um segmento.

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10.3.2 Roteamento X comutação

É freqüente a comparação entre roteamento e comutação.

Figura 386 - A Camada de Rede

Roteamento e comutação podem, aparentemente, aos olhos de um observador


inexperiente, executar a mesma função. A principal diferença é que a comutação ocorre na camada 2,
a camada de enlace do modelo OSI, e o roteamento ocorre na camada 3. Esta distinção significa que
roteamento e comutação usam informações diferentes no processo de mover dados da origem até o
destino.
A relação entre comutação e roteamento é comparável àquela das ligações telefônicas
locais e de longa distância. Quando é feita uma ligação telefônica para um número no mesmo código
de área, ela é tratada por um comutador local. No entanto, esse comutador pode rastrear apenas seus
próprios números locais. Ele não pode lidar com todos os números de telefone do mundo. Quando o
comutador recebe uma solicitação de ligação fora do seu código de área, passa essa ligação ao
comutador de nível mais alto, que reconhece códigos de área. Esse comutador, em seguida, passa a
ligação, de modo que ela chegue ao comutador local relativo ao código de área discado.

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359
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes

Figura 387 - Comutação da Camada 2 e Roteamento da Camada 2

O roteador executa uma função parecida com aquela do comutador de nível mais alto no
exemplo do telefone.

Figura 388 - Tabelas ARP e de Roteamento

A Figura 388 mostra as tabelas ARP para o endereços MAC da camada 2 e as tabelas de
roteamento para o endereços IP da camada 3. Cada interface de computador e de roteador mantém

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360
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
uma tabela ARP para a comunicação da camada 2. A tabela ARP tem efeito somente sobre o domínio
de broadcast ao qual está conectada. O roteador também mantém uma tabela de roteamento que lhe
permite rotear dados para fora do domínio de broadcast. Cada entrada na tabela ARP contém um par
de endereços IP-MAC. As tabelas de roteamento também rastreiam como a rota foi aprendida (nesse
caso, conectada diretamente [C] ou aprendida por RIP [R]), o endereço IP da rede para redes
alcançáveis, a contagem de saltos ou a distância até essas redes e a interface à qual os dados devem
ser enviados para chegar à rede de destino.
O switch de camada 2 monta a sua tabela de encaminhamento (forwarding table) utilizando
endereços MAC. Quando um host tem dados para um endereço IP não-local, envia o quadro ao
roteador mais próximo. O host usa o endereço MAC do roteador como o endereço MAC de destino.
Um switch conecta segmentos pertencentes à mesma rede ou sub-rede lógica.
Para hosts não locais, o switch encaminha o quadro para o roteador com base no endereço MAC do
destino. O roteador examina o endereço de destino da camada 3 do pacote para decidir o
encaminhamento. O Host X conhece o endereço IP do roteador porque a configuração IP do host inclui
o endereço IP do gateway padrão (default gateway).
Assim como o switch mantém uma tabela de endereços MAC conhecidos, o roteador
mantém uma tabela de endereços IP conhecida como tabela de roteamento.
Há uma diferença entre esses dois tipos de endereços. Os endereços MAC não são organizados
logicamente, mas os endereços IP são organizados de forma hierárquica. Um switch pode lidar com
um número razoável de endereços MAC não-organizados, pois só precisará pesquisar sua tabela para
verificar aqueles endereços contidos no seu segmento. Os roteadores precisam lidar com um volume
maior de endereços. Assim, eles precisam de um sistema de endereçamento organizado, capaz de
agrupar endereços semelhantes e tratá-los como uma única unidade de rede até que os dados atinjam
o segmento de destino. Se os endereços IP não fossem organizados, a Internet simplesmente não
funcionaria. Um exemplo seria uma biblioteca com milhões de páginas individuais de material impresso
colocadas em uma grande pilha. Esse material é inútil, pois é impossível localizar ali um documento
individual. Se as páginas foram organizadas em livros com cada página individualmente identificada e
se os livros também forem catalogados, fica muito mais fácil localizar e usar os dados.
Outra diferença entre redes comutadas e roteadas é que as redes comutadas não bloqueiam
os broadcasts.

Figura 389 - Comparação dos Recursos de Roteadores e Switch

Como resultado, os comutadores podem ficar sobrecarregados por tempestades de


broadcast. Os roteadores bloqueiam broadcasts de rede local; assim, uma tempestade de broadcast

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afeta apenas o domínio de broadcast que a originou. Como os roteadores bloqueiam broadcasts,
também fornecem um nível de segurança e de controle de largura de banda superior ao dos
comutadores.

10.3.3 Roteado X roteamento

Os protocolos usados na camada de rede que transferem dados de um host para outro
através de um roteador são chamados protocolos roteados ou roteáveis. Os protocolos roteados
transportam dados através de uma rede. Os protocolos de roteamento permitem que os roteadores
escolham o melhor caminho para os dados, da origem ao destino.

Figura 390 - Protocolo Roteado

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Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes

As funções de um protocolo roteado abrangem:

• Incluir qualquer conjunto de protocolos de rede que forneça informações suficientes em


seu endereço de camada de rede para que um roteador o encaminhe ao próximo
dispositivo e, por fim, ao seu destino.
• Definir o formato e o uso dos campos em um pacote

O Internet Protocol (IP) e o Internetwork Packet Exchange (IPX) da Novell são exemplos de
protocolos roteados. Outros exemplos incluem DECnet, AppleTalk, Banyan VINES e Xerox Network
Systems (XNS).
Os roteadores usam protocolos de roteamento para trocar tabelas de roteamento e
compartilhar informações de roteamento. Em outras palavras, os protocolos de roteamento permitem
que os roteadores direcionem protocolos roteados.

Figura 391 - Protocolo de Roteamento

As funções de um protocolo de roteamento incluem:

• Fornecer processos para o compartilhamento de informações de rota


• Permitir que os roteadores comuniquem-se uns com os outros para atualizar e manter as
tabelas de roteamento

Exemplos de protocolos de roteamento que suportam o protocolo roteado IP incluem Routing


Information Protocol (RIP), Interior Gateway Routing Protocol (IGRP), Open Shortest Path First
(OSPF), Border Gateway Protocol (BGP) e Enhanced IGRP (EIGRP).

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10.3.4 Determinação do caminho

A determinação do caminho ocorre na camada de rede.

Figura 392 - Determinação do Caminho

A determinação do caminho permite que um roteador compare o endereço de destino às


rotas disponíveis em sua tabela de roteamento e selecione o melhor caminho. O roteador aprende
essas rotas disponíveis através de roteamento estático ou dinâmico. As rotas configuradas
manualmente pelo administrador da rede são estáticas. As rotas aprendidas por outros roteadores com
o uso de um protocolo de roteamento são dinâmicas.
O roteador usa a determinação do caminho para decidir por que porta um pacote de entrada
deve sair para continuar seu tráfego até o destino.

Figura 393 - Determinação do Caminho

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364
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
Este processo também é conhecido como roteamento do pacote. Cada roteador que o
pacote encontra em seu caminho é chamado salto. A contagem de saltos é a distância percorrida. A
determinação do caminho pode ser comparada a uma pessoa que dirige um carro de um local a outro
em uma cidade. O motorista tem um mapa que mostra as ruas que podem ser percorridas para chegar
ao destino, exatamente como um roteador usa uma tabela de roteamento. O motorista trafega de um
cruzamento ao outro, como o pacote trafega de um roteador ao outro em cada salto. Em qualquer
cruzamento, o motorista pode orientar-se optando por virar à esquerda, à direita ou seguir em frente.
Do mesmo modo, um roteador decide a que porta de saída o pacote deve ser enviado.
As decisões de um motorista são influenciadas por fatores como o volume de tráfego em
uma estrada, seu limite de velocidade e número de pistas, se há pedágio nessa estrada e se ela está
sempre aberta ao tráfego. Às vezes, é mais rápido adotar uma rota mais longa, usando uma rua
menor, menos movimentada, em vez de uma estrada com tráfego muito intenso. De forma semelhante,
os roteadores podem decidir com base em fatores como carga, largura de banda, atraso, custo e
confiabilidade de um link de rede.

Figura 394 - O Processo de Roteamento

O processo a seguir é usado durante uma determinação do caminho para cada pacote
roteado:

• O roteador compara o endereço IP do pacote que ele recebeu com as tabelas IP que tem.
• A máscara da primeira entrada da tabela de roteamento é aplicada ao endereço de destino.
• O destino com a máscara é comparado à tabela de roteamento.
• Se houver correspondência, o pacote é encaminhado à porta associada a essa entrada da
tabela.
• Caso contrário, é verificada a próxima entrada da tabela.

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365
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
• Se o pacote não corresponder a nenhuma entrada da tabela, o roteador verifica se foi definida
uma rota padrão.
• Em caso afirmativo, o pacote é encaminhado à porta associada. Uma rota padrão é aquela
configurada pelo administrador da rede como a rota a ser usada caso não haja
correspondências na tabela de roteamento.
• Se não houver rota padrão, o pacote é descartado. Normalmente, uma mensagem é enviada
de volta ao dispositivo de envio, com a indicação de que o destino não pôde ser alcançado.

10.3.5 Tabelas de roteamento

Os roteadores usam protocolos de roteamento para construir e manter tabelas de


roteamento que contêm informações de rota. Isso auxilia o processo de determinação do caminho. Os
protocolos de roteamento preenchem tabelas de roteamento com diversas informações de rota. Essas
informações variam, dependendo do protocolo de roteamento usado. As tabelas de roteamento contêm
as informações necessárias para encaminhar pacotes de dados através de redes conectadas. Os
dispositivos de camada 3 interconectam domínios de broadcast ou LANs. É necessário um esquema
de endereçamento hierárquico para que ocorra a transferência de dados.

Figura 395 - Tabelas de Roteamento

Os roteadores rastreiam informações importantes em suas tabelas de roteamento,


inclusive:

• Tipo de protocolo – O tipo de protocolo de roteamento que criou a entrada da tabela de


roteamento

• Associações com destino/próximo salto – Essas associações informam a um roteador se


um destino específico está diretamente conectado ao roteador ou se pode ser alcançado com
o uso de um outro, chamado "próximo salto" no trajeto até o destino final. Quando um roteador

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366
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
recebe um pacote, verifica o endereço de destino e tenta fazer a correspondência entre esse
endereço e uma entrada da tabela de roteamento.

• Métrica de roteamento – Protocolos de roteamento diferentes usam métricas de roteamento


diferentes. As métricas de roteamento são usadas para determinar se uma rota é interessante.
Por exemplo, o Routing Information Protocol (RIP) usa a contagem de saltos como única
métrica de roteamento. O Interior Gateway Routing Protocol (IGRP) usa uma combinação de
métricas de largura de banda, carga, atraso e confiabilidade para criar um valor de métrica
composto.

• Interface de saída – A interface na qual os dados devem ser enviados, para que cheguem ao
destino final.

Os roteadores comunicam-se uns com os outros para manter suas tabelas de roteamento
através da transmissão de mensagens de atualização de roteamento. Alguns protocolos de roteamento
transmitem mensagens de atualização periodicamente; outros as enviam somente quando há
alterações na topologia da rede. Alguns protocolos transmitem toda a tabela de roteamento em cada
mensagem de atualização; outros transmitem somente as rotas que sofreram alteração. Analisando as
atualizações de roteamento dos roteadores vizinhos, um roteador constrói e mantém sua tabela de
roteamento.

10.3.6 Algoritmos e métricas de roteamento

Um algoritmo é uma solução detalhada para um problema. No caso de pacotes de


roteamento, protocolos de roteamento diferentes usam algoritmos diferentes para decidir a que porta
um pacote recebido deve ser enviado. Para tomar decisões, os algoritmos de roteamento dependem
de métricas.

Os protocolos de roteamento freqüentemente têm um ou mais dos objetivos de


projeto a seguir:

• Otimização – A otimização descreve a capacidade do algoritmo de roteamento de selecionar a


melhor rota. A rota dependerá das métricas e dos pesos dessas métricas usados no cálculo.
Por exemplo, um algoritmo pode usar métricas de contagem de saltos e de atraso, mas
considerar as métricas de atraso mais importantes no cálculo.

• Simplicidade e economia – Quanto mais simples o algoritmo, mais eficientemente ele será
processado pela CPU e pela memória no roteador. Isso é importante para o dimensionamento
da rede em grandes proporções como, por exemplo, a Internet.

• Robustez e estabilidade – Um algoritmo de roteamento deve funcionar corretamente caso


enfrente circunstâncias incomuns ou imprevistas, como, por exemplo, falhas de hardware,
condições de cargas elevadas e erros de implementação.

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367
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
• Flexibilidade – Um algoritmo de roteamento deve adaptar-se rapidamente a diversas
alterações da rede. Essas alterações incluem disponibilidade e memória do roteador,
alterações na largura de banda e atraso da rede.

• Convergência rápida – Convergência é o processo de concordância de todos os roteadores


em rotas disponíveis. Quando um evento de rede altera a disponibilidade de um roteador, são
necessárias atualizações para restabelecer a conectividade da rede. Algoritmos de roteamento
com conversão lenta podem impedir a entrega dos dados.

Os algoritmos de roteamento usam diferentes métricas para determinar a melhor rota.


Cada algoritmo de roteamento interpreta a melhor opção segundo seu próprio julgamento. O algoritmo
de roteamento gera um número, chamado valor de métrica, para cada caminho na rede. Algoritmos de
roteamento sofisticados baseiam a seleção de rotas em várias métricas, combinando-as em um único
valor composto de métrica. Normalmente, valores de métrica menores indicam caminhos preferidos.
As métricas podem basear-se em uma única característica de um caminho ou podem ser
calculadas com base em várias características. Veja a seguir as métricas mais comumente usadas
por protocolos de roteamento:

• Largura de banda – A capacidade de dados de um link. Normalmente, um link Ethernet de 10


Mbps é preferível a uma linha alugada de 64 kbps.

• Atraso – O tempo necessário para mover um pacote em cada link da origem até o destino. O
atraso depende da largura de banda de links intermediários, do volume de dados que podem
ser armazenados temporariamente em cada roteador, do congestionamento na rede e da
distância física.

• Carga – O volume de atividade em um recurso de rede, como, por exemplo, um roteador ou


um link.

• Confiabilidade – Normalmente, uma referência à taxa de erros de cada link da rede.

• Contagem de saltos – O número de roteadores pelos quais um pacote deve trafegar antes de
chegar ao destino. Cada roteador pelo qual os dados devem passar é igual a um salto. Um
caminho que tem contagem de saltos quatro indica que os dados que trafegam por esse
caminho devem passar por quatro roteadores antes de chegar ao seu destino final. Se vários
caminhos estiverem disponíveis para um destino, o preferido será aquele com o menor número
de saltos.

• Ticks – O atraso em um link de dados que usa clock ticks (pulsos do relógio) do PC IBM. Um
tick corresponde a aproximadamente 1/18 de segundo.

• Custo – Um valor arbitrário, normalmente baseado em largura de banda, despesa ou em outra


medida, atribuído por um administrador de rede.

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368
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10.3.7 IGP e EGP

Um sistema autônomo é uma rede ou um conjunto de redes sob controle administrativo


comum, como o domínio cisco.com. Um sistema autônomo consiste de roteadores que apresentam
uma visão consistente de roteamento para o mundo exterior.
Duas famílias de protocolos de roteamento são Interior Gateway Protocols (IGPs) e Exterior
Gateway Protocols (EGPs).

Figura 396 - Interior Gateway Protocols e Exterior Gateway Protocols

Os IGPs roteiam dados em um sistema autônomo.

• Routing Information Protocol (RIP) e (RIPv2)


• Interior Gateway Routing Protocol (IGRP)
• Enhanced Interior Gateway Routing Protocol (EIGRP)
• Open Shortest Path First (OSPF)
• Protocolo Intermediate System-to-Intermediate System (IS-IS)

Os EGPs roteiam dados entre sistemas autônomos. Um exemplo de EGP é o Border


Gateway Protocol (BGP).

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369
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
10.3.8 Vetor de estado do link e de distância

Os protocolos de roteamento podem ser classificados como IGPs ou EGPs, o que descreve
se um grupo de roteadores está ou não sob uma única administração. Os IGPs podem ser mais
detalhadamente categorizados como protocolos de vetor de distância ou de estado de link.
A abordagem de roteamento pelo vetor de distância determina a distância e a direção (,-
vetor), para qualquer link na internetwork. A distância pode ser a contagem de saltos até o link. Os
roteadores que usam algoritmos de vetor de distância enviam periodicamente todas ou parte das suas
entradas da tabela de roteamento para roteadores adjacentes. Isso acontece mesmo que não haja
alterações na rede. Recebendo uma atualização do roteamento, um roteador pode verificar todas as
rotas conhecidas e alterar sua tabela de roteamento. Esse processo também é conhecido como
roteamento por "rumor". A compreensão que um roteador tem da rede baseia-se na perspectiva do
roteador adjacente na topologia da rede.
Exemplos de protocolos de vetor de distâncias incluem:

• Routing Information Protocol (RIP) – O IGP mais comum na Internet, o RIP usa a
contagem de saltos como única métrica de roteamento.

• Interior Gateway Routing Protocol (IGRP) – Este IGP foi criado pela Cisco para atacar
problemas associados ao roteamento em redes grandes e, heterogêneas.

• Enhanced IGRP (EIGRP) – Este IGP exclusivo da Cisco inclui muitos dos recursos de um
protocolo de roteamento de estado de link. Por isso, ele recebeu o nome de protocolo
híbrido balanceado mas é, na verdade, um protocolo avançado de roteamento de vetor de
distância.

Os protocolos de roteamento de estado de link foram criados para superar as limitações dos
protocolos de roteamento de vetor de distância. Os protocolos de roteamento de estado de link
respondem rapidamente a alterações da rede, enviando atualizações de disparo somente quando
ocorre uma dessas alterações. Os protocolos de roteamento de estado de link enviam atualizações
periódicas, conhecidas como atualizações de estado de link em intervalos maiores, como, por
exemplo, a cada 30 minutos.
Quando uma rota ou um link muda, o dispositivo que detectou a alteração cria um link-state
advertisement (LSA, anúncio de estado de link) relativo a esse link. O LSA é, então, transmitido a todos
os dispositivos vizinhos. Cada dispositivo de roteamento pega uma cópia do LSA, atualiza seu banco
de dados de estados de link e encaminha esse LSA a todos os dispositivos vizinhos. Essa inundação
de LSAs é necessária para garantir que todos os dispositivos de roteamento criem bancos de dados
que reflitam exatamente a topologia da rede antes de atualizar suas tabelas de roteamento.
Os algoritmos de estado de link normalmente usam seus bancos de dados para criar
entradas de tabelas de roteamento que preferem o caminho mais curto. Exemplos de protocolos de
estado de link incluem Open Shortest Path First (OSPF) e Intermediate System-to-Intermediate System
(IS-IS).

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370
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
10.3.9 Protocolos de roteamento

O RIP é um protocolo de roteamento de vetor de distância que usa a contagem de saltos


como métrica para determinar a direção e a distância até qualquer link na internetwork. Se houver
vários caminhos até um destino, o RIP seleciona aquele com o menor número de saltos. No entanto,
como a contagem de saltos é a única métrica de roteamento usada pelo RIP, ele nem sempre
seleciona o caminho mais rápido até um destino. Além disso, o RIP não pode rotear um pacote além
de 15 saltos. O RIP versão 1 (RIPv1) exige que todos os dispositivos na rede usem a mesma máscara
de sub-rede, pois ele não inclui informações sobre essas máscaras nas atualizações de roteamento.
Esse processo também é conhecido como roteamento classful (por classes).
O RIP versão 2 (RIPv2) fornece roteamento de prefixo e envia informações sobre máscaras
de sub-rede nas atualizações de roteamento. Esse processo também é conhecido como roteamento
classless (sem classes) Com os protocolos de roteamento classless, sub-redes diferentes dentro da
mesma rede podem ter máscaras de sub-rede diferentes. O uso de diferentes máscaras de sub-rede
na mesma rede é citado como variable-length subnet masking (VLSM - mascaramento de sub-redes
com tamanho variável).
O IGRP é um protocolo de roteamento de vetor de distância desenvolvido pela Cisco. O
IGRP foi criado especificamente para atacar problemas associados ao roteamento em redes de grande
porte que estavam além do alcance de protocolos como o RIP. O IGRP pode selecionar o caminho
mais rápido disponível com base no atraso, na carga e na confiabilidade. O IGRP também tem um
limite máximo para a contagem de saltos mais altos do que o RIP. O IGRP utiliza somente roteamento
classful.
O OSPF é um protocolo de roteamento de estado de link desenvolvido pela Internet
Engineering Task Force (IETF) em 1988. O OSPF foi escrito para atender às necessidades de
internetworks de grande porte e, dimensionáveis o que não podia ser feito pelo RIP.
O Intermediate System-to-Intermediate System (IS-IS) é um protocolo de roteamento de
estado de link usado para protocolos roteados diferentes do IP. O Integrated IS-IS é uma
implementação expandida do IS-IS que suporta vários protocolos roteados, inclusive IP.
Como o IGRP, o EIGRP é um protocolo exclusivo da Cisco. O EIGRP é uma versão
avançada do IGRP. Especificamente, o EIGRP oferece eficiência operacional superior, como, por
exemplo, convergência rápida e baixa largura de banda de overhead (espaço sem dados). O EIGRP é
um protocolo avançado de vetor de distância que também usa funções de protocolo de estado de link.
Assim, o EIGRP é, às vezes, categorizado como protocolo de roteamento híbrido.
Um exemplo de External Gateway Protocol (EGP) é o Border Gateway Protocol (BGP). O
BGP troca informações de roteamento entre sistemas autônomos, ao mesmo tempo em que garante a
seleção de caminhos livre de loops. O BGP é o principal protocolo de anúncio de rota usado pelas
maiores empresas e ISPs (provedores de serviços de Internet) na Internet. O BGP4 é a primeira
versão do BGP que suporta roteamento entre domínios (CIDR) e agregação de rotas. Ao contrário dos
protocolos Internal Gateway Protocols (IGPs) comuns, como o RIP, OSPF e EIGRP, o BGP não usa
métricas como a contagem de saltos, largura de banda ou atraso. Em vez disso, o BGP toma decisões

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371
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
de roteamento com base em políticas de rede ou em regras que usam vários atributos de caminhos do
BGP.

10.4 AS MECÂNICAS DA DIVISÃO EM SUB-REDES

10.4.1 Classes de endereços IP de rede

As classes de endereços IP oferecem uma faixa de 256 a 16,8 milhões de hosts, conforme já
foi discutido anteriormente neste módulo. Para que se gerencie com eficiência um grupo limitado de
endereços IP, todas as classes podem ser subdivididas em sub-redes menores. A Figura 45 fornece
uma visão geral da divisão entre redes e hosts.

Figura 397 - Padrões de Bits do Endereçamento IP

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372
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
10.4.2 Introdução e razão para a divisão em sub-redes

Para criar a estrutura de sub-redes, os bits do host devem ser reatribuídos como bits da sub-
rede. Esse processo é freqüentemente chamado “’pedir emprestado”’ bits. No entanto, um termo mais
preciso seria “’emprestar”’ bits. O ponto de partida para este processo é sempre o bit do host mais à
esquerda, aquele mais próximo ao último octeto da rede.

Figura 398 - Subdivisão dos Octetos de Host de um Endereço Classe C

Figura 399 - Subdivisão dos Octetos de Host de um Endereço Classe B

Figura 400 - Subdivisão dos Octetos de Host de um Endereço Classe A

Os endereços de sub-rede incluem a parte da rede de classe A, classe B e classe C, mais


um campo de sub-rede e um campo de host. O campo da sub-rede e o campo do host são criados da
parte original do host do endereço IP principal. Isso é feito com a atribuição de bits da parte do host à
parte de rede original do endereço. A capacidade de dividir a parte do host original do endereço nos
novos campos de sub-rede e de host proporciona flexibilidade de endereçamento ao administrador da
rede.
Além da necessidade de gerenciabilidade, a divisão em sub-redes permite que o
administrador da rede ofereça contenção de broadcast e segurança nos níveis inferiores na rede local.
Ela proporciona alguma segurança, pois o acesso a outras sub-redes está disponível somente através
dos serviços de um roteador. Além disso, a segurança de acesso pode ser proporcionada com o uso
de listas de acesso. Essas listas podem permitir ou negar acesso a uma sub-rede com base em
diversos critérios, proporcionando, assim, mais segurança. As listas de acesso serão estudadas
adiante no curso. Alguns proprietários de redes das classes A e B também descobriram que a divisão
em sub-redes cria uma fonte de lucros para a organização através do aluguel ou da venda de
endereços IP não usados anteriormente.
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373
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
A divisão em sub-redes é uma função interna à rede. Para fora da rede, uma LAN é vista
como uma única rede sem que sejam apresentados detalhes da estrutura da rede interna. Esta visão
da rede mantém as tabelas de roteamento pequenas e eficientes. Dado o endereço do nó local
147.10.43.14, pertencente à sub-rede 147.10.43.0, o mundo externo à LAN vê apenas o número
anunciado da rede principal 147.10.0.0. A razão para isso é que o endereço da sub-rede 147.10.43.0 é
utilizado apenas dentro da LAN à qual a sub-rede pertence.

10.4.3 Estabelecimento do endereço da máscara de sub-rede

A seleção do número de bits a serem usados no processo de sub-redes dependerá do


número máximo de hosts exigido por sub-rede. É necessária alguma compreensão de números
binários e de valores de posição dos bits em cada octeto ao calcular o número de sub-redes e de hosts
criados quando esse bit foi tomado por empréstimo.

Figura 401 - Guia de Redes (Posição e Valor de Bits)

Os dois últimos bits do último octeto, independentemente da classe de endereço IP,


jamais poderão ser atribuídos à sub-rede. Eles são chamados de os últimos dois bits significativos.
O uso de todos os bits disponíveis para criar sub-redes, exceto esses dois últimos, resultará em sub-
redes com apenas dois hosts utilizáveis. Esse é um método prático de conservação de endereços para
o endereçamento de links de roteadores seriais. No entanto, para uma rede local em funcionamento,
ele resultaria em custos proibitivos de equipamento.
A máscara de sub-rede fornece ao roteador as informações necessárias para determinar em
que rede e sub-rede um host específico reside.

Figura 402 - Guia de Redes (Identificador de Máscara de Sub-rede)

A máscara de sub-rede é criada com o uso de 1s binários nas posições dos bits relativos à
rede. Os bits da sub-rede são determinados com a adição do valor às posições dos bits tomados por
empréstimo. Se tivessem sido tomados três bits, a máscara para um endereço de classe C seria
255.255.255.224.

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374
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes

Figura 403 - Divisão em Sub-redes

Essa máscara também pode ser representada, no formato de barras, como /27. O
número após a barra é o total de bits usados para a parte da rede e da sub-rede.
Para determinar o número de bits a serem usados, o projetista da rede precisa calcular
quantos hosts a maior sub-rede requer e o número necessário de sub-redes. Por exemplo, a rede
precisa de 6 sub-redes com 25 hosts cada. Uma maneira de determinar a quantidade de bits que
devem ser emprestados é através da tabela de sub-redes.

Figura 404 - Gráfico de Sub-redes

Consultando a linha "Sub-redes Utilizáveis", a tabela indica que para ter seis sub-redes são
necessários 3 bits adicionais na máscara de sub-rede. A tabela mostra que desta forma são criados 30
hosts utilizáveis por sub-rede, o que irá satisfazer os requisitos deste esquema. A diferença entre hosts
utilizáveis e total de hosts resulta do uso do primeiro endereço disponível como ID e do último
endereço disponível como broadcast para cada sub-rede. Tomar emprestado o número apropriado de
bits para acomodar o número necessário de sub-redes e de hosts por sub-rede pode ser resultado de

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375
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
um ato de balanceamento, que pode resultar em endereços de host não utilizados em múltiplas sub-
redes. A habilidade de usar estes endereços não é provida em roteamento classfull. De qualquer
maneira, o roteamento classless, que será visto mais tarde no curso, pode recuperar muitos destes
endereços desperdiçados.
O método usado para criar a tabela de sub-redes pode ser usado para resolver todos os
problemas da divisão em sub-redes.
Esse método usa a seguinte fórmula:
Número de sub-redes utilizáveis = dois elevado ao número de bits de sub-rede
atribuídos ou tomados por empréstimo, menos dois. O menos dois é dos endereços reservados
para ID da rede e de broadcast da rede.
(2 núm. de bits emprestados) – 2 = sub-redes utilizáveis

(23) – 2 = 6

Número de hosts utilizáveis = dois elevado ao número de bits restantes menos dois
(endereços reservados para ID da sub-rede e broadcast da sub-rede)
(2 núm. de bits restantes) – 2 = hosts utilizáveis

(25) – 2 = 30

10.4.4 Aplicação da máscara de sub-rede

Uma vez estabelecida a máscara de sub-rede, ela pode ser usada para criar o esquema de
sub-redes.

Figura 405 - Esquema de sub-redes


A tabela mostrada na figura 403 é um exemplo das sub-redes e endereços criados pela
atribuição de três bits ao campo de sub-rede. Isso criará oito sub-redes com 32 hosts por sub-rede. Ao
numerar sub-redes, comece com zero (0). A primeira sub-rede é sempre chamada sub-rede zero.
Quando se preenche a tabela de sub-redes, três dos campos são automáticos; os outros
exigem cálculos. A ID da sub-rede zero é igual ao número da rede principal, sendo, neste caso,

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Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
192.168.10.0. A ID de broadcast para toda a rede é o maior número possível, sendo, neste caso,
192.168.10.255. O terceiro número fornecido é a ID de sub-rede para a sub-rede número sete. Esse
número reflete os três octetos da rede com o número da máscara de rede inserido na quarta posição
do octeto. Foram atribuídos três bits ao campo de sub-rede com valor cumulativo 224.

Figura 406 - Guia de Sub-redes

A ID para a sub-rede sete é 192.168.10.224. Com a inserção desses números, foram


estabelecidos pontos de verificação, que verificarão a precisão quando a tabela for concluída.
Consultando-se a tabela de divisão em sub-redes ou utilizando-se a fórmula, os três bits
atribuídos ao campo de sub-rede resultarão no total de 32 hosts atribuídos a cada sub-rede.
Essas informações fornecem a contagem de etapas para cada ID de sub-rede. Adicionando-se 32 a
cada número precedente, começando com a sub-rede zero, é estabelecida a ID para cada sub-rede.
Observe que a ID de sub-rede tem todos os 0s binários na parte do host.
O campo de broadcast é o último número em cada sub-rede e tem todos os uns binários na
parte do host. Esse endereço pode fazer broadcast somente para os membros de uma única sub-rede.
Como a ID de sub-rede para a sub-rede zero é 192.168.10.0 e há um total de 32 hosts, a ID de
broadcast será 192.168.10.31. Começando em zero, o 32o número seqüencial será 31. É importante
lembrar que zero (0) é um número real no mundo das redes.
O equilíbrio da coluna de ID de broadcast pode ser obtido com o mesmo processo usado na
coluna de ID de sub-rede. Simplesmente, adicione 32 à ID de broadcast precedente da sub-rede. Outra
opção é começar na parte inferior e preencher até o alto da coluna, subtraindo um da ID de sub-rede
precedente.

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Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
10.4.5 Divisão de redes das classes A e B em sub-redes

O procedimento de divisão em sub-redes das classes A e B é idêntico ao da classe C,


exceto que pode envolver um número significativamente maior de bits. O número de bits disponíveis
para atribuição ao campo de sub-rede em um endereço de Classe A é 22, enquanto um endereço de
classe B tem 14 bits.

Figura 407 - Subdivisão dos Octetos de Host de uma Rede Classe B

Figura 408 - Subdivisão dos Octetos de Host de uma Rede Classe A

A atribuição de 12 bits de um endereço de classe B ao campo de sub-rede cria uma máscara


de sub-rede 255.255.255.240, ou /28. Todos os oito bits foram atribuídos no terceiro octeto, resultando
em 255, valor total dos oito bits. Quatro bits foram atribuídos no quarto octeto, resultando em 240.
Lembre-se que, a máscara com barra é a soma total dos bits atribuídos à sub-rede mais os bits fixos
da rede.

Figura 409 - Divisão em sub-redes

A atribuição de 20 de um endereço de classe A ao campo de sub-rede cria uma máscara de


sub-rede 255.255.255.240, ou /28. Todos os oito bits dos segundo e terceiro octetos foram atribuídos
ao campo de sub-rede e quatro bits do quarto octeto.
Nessa situação, é visível que a máscara de sub-rede para os endereços das classes A e B
parece idêntica. A menos que a máscara esteja relacionada a um endereço de rede, não é possível
saber quantos bits foram atribuídos ao campo de sub-rede.

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378
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
Qualquer que seja a classe de endereço a ser dividida em sub-redes, as regras a seguir são
as mesmas:

Total de sub-redes = 2 elevado ao número de bits tomados por empréstimo

Total de hosts= 2 elevado ao número de bits restantes

Sub-redes utilizáveis = 2 elevado ao número de bits tomados por empréstimo menos 2

Hosts utilizáveis= 2 elevado ao número de bits restantes menos 2

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379
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10.4.6 Cálculo da sub-rede residente através do ANDing

Os roteadores usam máscaras de sub-rede para determinar a sub-rede de origem para nós
individuais. Esse processo é chamado ANDing lógico. O ANDing é um processo binário pelo qual o
roteador calcula a ID de sub-rede para um pacote enviado.

Figura 410 - O Processo Lógico AND

O ANDing é semelhante à multiplicação.


Esse processo é controlado no nível binário. Assim, é necessário visualizar o endereço IP e
a máscara em binários.

Figura 411 - Cálculo da ID da Sub-rede

Os endereços IP e de sub-rede são ANDed (operação lógica AND) e o resultado é a ID de


sub-rede. Em seguida, o roteador usa essas informações para encaminhar o pacote pela interface
correta.
A divisão em sub-redes é uma habilidade que se aprende. Serão necessárias muitas horas
de exercícios práticos para que se domine o desenvolvimento de esquemas flexíveis e funcionais.
Diversas calculadoras para sub-redes estão disponíveis na Web. No entanto, um administrador de
redes deve saber calcular sub-redes manualmente, para que possa projetar o esquema da rede com
eficiência e garantir a validade dos resultados de uma calculadora. A calculadora de sub-redes não
fornecerá o esquema inicial, mas apenas o endereçamento final. Além disso, não são permitidas
calculadoras, de nenhum tipo, durante a prova de certificação.

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380
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
Resumo do Módulo

Devem ter sido compreendidos os importantes conceitos a seguir:

• As características de protocolos roteados ou roteáveis


• As etapas do encapsulamento de dados em uma internetwork, à medida que esses dados são
roteados para um ou mais dispositivos da camadas 3
• AA entrega sem conexão e orientada a conexão
• Os campos do pacote IP
• Os roteadores operam na camada de rede. Inicialmente, o roteador recebe um quadro da
camada 2 com um pacote da camada 3 encapsulado. Ele deve desmembrar o quadro da
camada 2 e examinar o pacote da camada 3. Quando estiver pronto para transmitir o pacote,
deverá encapsular o pacote da camada 3 em um novo quadro da camada 2.
• Os protocolos roteados definem o formato e o uso dos campos em um pacote. Os pacotes
geralmente são transmitidos de um sistema final a outro.
• O LAN switching ocorre na camada 2 do modelo de referência OSI e o roteamento ocorre na
camada 3.
• Os protocolos de roteamento são usados entre roteadores para determinar caminhos e manter
tabelas de roteamento. Os protocolos roteados são usados para direcionar o tráfego do
usuário.
• O roteamento envolve duas atividades básicas: determinar os melhores caminhos e transportar
pacotes em uma internetwork.
• Os algoritmos de roteamento processam as atualizações e preenchem a tabela de roteamento
com as melhores rotas.
• As tabelas de roteamento contêm as melhores rotas para todas as redes conhecidas. Essas
rotas podem ser estáticas, que são inseridas manualmente, ou dinâmicas, que são aprendidas
via protocolos de roteamento.
• A convergência descreve a velocidade com que todos os roteadores decidem sobre uma
alteração na rede.
• Os protocolos de roteamento interno roteiam dados dentro de sistemas autônomos; os
protocolos de roteamento externo roteiam dados entre sistemas autônomos.
• Os roteadores que usam protocolos de roteamento de vetor de distância enviam
periodicamente atualizações de roteamento, que consistem na sua tabela de roteamento
completa ou parcial. Os roteadores que usam protocolos de estado de link usam link-state
advertisements (LSAs, anúncios de estado de links) para enviar atualizações somente quando
ocorrem mudanças na topologia da rede, e enviam tabelas completas de roteamento com
muito menos freqüência.
• As utilidades da divisão em sub-redes
• Como determinar a máscara de sub-rede apropriada para uma determinada situação
• Como dividir redes das classes A, B e C em sub-redes
• Como utilizar uma máscara de sub-rede para determinar a ID da sub-rede

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381
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes

TESTE

1) Qual das alternativas a seguir descreve o roteamento dinâmico?


 Exige que as rotas sejam configuradas manualmente;
 Ajusta-se automaticamente às mudanças da rede;
 É utilizado somente quando há só um caminho para a rede de destino;
 É mais trabalhosa, mais demorada e mais cara que a administração manual de rotas;

2) Qual das alternativas a seguir melhor descreve a função de um roteador?


 Um roteador verifica o tráfego de rede com base no endereçamento MAC de origem e de
destino;
 Um roteador estende a distância operacional de uma rede pela regeneração de sinais digitais;
 Um roteador age como repetidor multiporta e ocupa o centro de uma rede de topologia estrela;
 Um roteador encaminha pacotes de uma rede para outra com base nas informações da camada
de rede.
3) Quantos bits de host estão disponíveis na máscara de rede de máscara de sub-rede
255.255.248.0 ?
 8;
 9;
 11;
 13;
4) Por que um roteador usa um AND lógico?
 Para determinar o endereço de origem de um pacote;
 Para determinar o endereço de host de um destino;
 Para determinar a rede ou sub-rede para a qual um pacote deve ser enviado;
 Para determinar a máscara de sub-rede e compara-la com as informações da tabela de
roteamento;

5) Quais das seguintes alternativas descrevem um sistema autônomo?


 Convergência rápida de uma rede local;
 Protocolos otimizados dentro de um roteador;
 Um conjunto de redes sob uma administração comum;
 Algoritmos sofisticados de roteamento;
 Sistemas que utilizam o mesmo protocolo de roteamento;

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382
Módulo X: Conceitos Básicos de Roteamento e de Sub-redes
6) Quais das seguintes alternativas são campos do cabeçalho de um pacote IP? (Escolha três).
 TTL;
 Endereço MAC;
 FCS;
 Enchimento (padding);
 Flags;
7) Faça a correspondência entre a máscara de sub-rede “em formato barra” e o último octeto
da máscara de sub-rede utilizada com o endereço IP 200.100.50.0.
1 /24 128
2 /25 252
3 /26 224
4 /27 0
5 /28 248
6 /29 192
7 /30 240

8) Faça a correspondência entre os protocolos do lado esquerdo com os tipos corretos da


lado direito.
Protocolo Roteado Protocolo de Roteamento
RIP
IPX
IGRP
IP
Apple Talk
EIGRP
DECnet
OSPF

9) Determine os endereços IP utilizáveis para hosts nas sub-redes da rede 200.100.50.0/28.

Utilizável para endereços host Não utilizável para endereços host


200.100.50.25
200.100.50.80
200.100.50.100
200.100.500.143
200.100.50.208
200.100.50.170
200.100.5090
200.100.50,79

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383
Módulo XI: Camada de Transporte TCP/IP e de Aplicação

11 CAMADA DE TRANSPORTE TCP/IP E DE APLICAÇÃO

11.1 VISÃO GERAL DO MÓDULO

Conforme o nome sugere, a camada de transporte TCP/IP transporta dados entre aplicativos
em dispositivos de destino. Para a compreensão das redes de dados modernas, é essencial um
entendimento completo da operação da camada de transporte. Este módulo descreverá as funções e
serviços desta camada crítica do modelo de rede TCP/IP.
Muitas das aplicações de rede encontradas na camada de aplicação TCP/IP são familiares
até mesmo aos usuários ocasionais de redes. HTTP, FTP e SMTP, por exemplo, são acrônimos
comumente vistos por usuários de navegadores Web e clientes de correio eletrônico. Este módulo
também descreve a função desses e de outros aplicativos, usando como base o modelo de redes
TCP/IP.
Ao concluírem este módulo, os alunos deverão ser capazes de:

• Descrever as funções da camada de transporte TCP/IP.


• Descrever o controle de fluxo.
• Descrever os processos de estabelecimento de conexão entre sistemas pares.
• Descrever o processo de janelamento.
• Descrever o processo de confirmação.
• Identificar e descrever protocolos da camada de transporte.
• Descrever formatos de cabeçalho TCP e UDP.
• Descrever números de porta TCP e UDP.
• Relacionar os principais protocolos da camada de aplicação TCP/IP.
• Descrever resumidamente os recursos e a operação de aplicações TCP/IP conhecidas.

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384
Módulo XI: Camada de Transporte TCP/IP e de Aplicação

11.2 CAMADA DE TRANSPORTE TCP/IP

11.2.1 Introdução à camada de transporte

As responsabilidades principais da camada de transporte, camada 4 do modelo OSI, são


transportar e regular o fluxo de informações da origem até o destino, de forma confiável e precisa.

Figura 412 - Camada de Transporte

Controle fim-a-fim e confiabilidade são proporcionados por janelas deslizantes, números de


seqüência e confirmações.
Para compreender a confiabilidade e o controle de fluxo, imagine alguém que estuda um
idioma estrangeiro durante um ano e, então, visita o país onde esse idioma é usado. Na conversação,
as palavras devem ser repetidas para que haja confiabilidade e deve-se falar lentamente para que o
sentido da conversa não se perca; isso é controle de fluxo.
A camada de transporte fornece serviços de transporte do host ao host origem de destino.
Ela estabelece uma conexão lógica entre as extremidades da rede. Protocolos na camada de
transporte segmentam e remontam os dados
que são enviados por várias aplicações de
camada superior no mesmo fluxo de dados da
camada de transporte. Esses dados da camada
de transporte fornecem serviços de transporte
fim-a-fim.
O fluxo de dados da camada de
transporte é uma conexão lógica entre as
extremidades de uma rede. Suas
responsabilidades principais são transportar e
Figura 413 - Analogias da Camada de Transporte regular o fluxo de informações da origem ao
destino de forma confiável e precisa. A responsabilidade principal da camada 4 é fornecer controle fim-
a-fim usando janelas móveis e oferecer confiabilidade nos números de seqüência e nas confirmações.
A camada de transporte define a conectividade fim-a-fim entre aplicações de host. Os serviços de
transporte incluem os seguintes serviços básicos:

• Segmentação de dados de aplicações de camada superior


• Estabelecimento de operações fim-a-fim
• Transporte de segmentos de um host final ao outro

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385
Módulo XI: Camada de Transporte TCP/IP e de Aplicação

• Controle de fluxo proporcionado por janelas móveis


• Confiabilidade proporcionada por números de seqüência e por confirmações

O TCP/IP é uma combinação de dois protocolos individuais. O IP opera na camada 3 e é um


protocolo sem conexão, que oferece um serviço de entrega de melhor esforço (best effort) em uma
rede. O TCP opera na camada 4 e é um serviço orientado a conexão que oferece controle de fluxo e
confiabilidade. Esses protocolos juntos fornecem uma ampla variedade de serviços e são a base de
todo um conjunto de protocolos, chamado TCP/IP. A Internet foi construída com base nesse conjunto
de protocolos.

11.2.2 Controle de fluxo

À medida que a camada de transporte envia segmentos de dados, ela procura garantir que
eles não sejam perdidos. Um host receptor que não consiga processar dados com a mesma rapidez
com que chegam, pode causar perda de dados. O host receptor é, então, forçado a descartá-los. O
controle de fluxo evita que um host transmissor sobrecarregue os buffers de um host receptor. O TCP
fornece o mecanismo para controle de fluxo, permitindo a comunicação entre os hosts de envio e de
recepção. Os dois hosts, então, estabelecem uma taxa de transferência de dados satisfatória para
ambos.

Figura 414 - Controle de Fluxo

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386
Módulo XI: Camada de Transporte TCP/IP e de Aplicação

11.2.3 Visão geral de estabelecimento, manutenção e término de sessões

Várias aplicações podem compartilhar a mesma conexão de transporte no modelo de


referência OSI. Esse processo é chamado de multiplexação de conversas de camada superior.

Figura 415 - Multiplexação de Conversas da Camada Superior

Várias conversas simultâneas da camada superior podem ser multiplexadas sobre uma
única conexão. A funcionalidade de transporte é realizada segmento-por-segmento. Em outras
palavras, diferentes aplicações podem enviar segmentos de dados de acordo com a política primeiro a
chegar, primeiro a ser servido (First-come, first-served). O segmento que chegar primeiro será servido
primeiro. Esses segmentos podem então ser roteados para o mesmo destino, ou para diferentes
destinos.
Uma função da camada de transporte é estabelecer uma sessão orientada à conexão entre
dispositivos similares na camada de aplicação. Para que a transferência de dados comece, as
aplicações de envio e de recebimento informam aos
respectivos sistemas operacionais que será iniciada
uma conexão. Um nó inicia uma conexão que deverá
ser aceita pelo outro. Os módulos do software de
protocolo nos dois sistemas operacionais comunicam-
se enviando mensagens pela rede, para verificar se a
transferência está autorizada e se ambos os lados
estão prontos.
A conexão é estabelecida e a transferência
de dados começa após ter ocorrido toda a
sincronização. Durante a transferência, as duas
máquinas continuam a se comunicar com seu software
de protocolo, para verificar se os dados estão sendo
recebidos corretamente.
A Figura 414 mostra uma conexão típica
Figura 416 - Estabelecendo Conexão
com um Sistema Par entre os sistemas de envio e de recebimento. O
primeiro handshake solicita sincronização. O segundo e o terceiro confirmam a solicitação de

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387
Módulo XI: Camada de Transporte TCP/IP e de Aplicação

sincronização inicial e também sincronizam os parâmetros de conexão na direção oposta. O segmento


de handshake final é uma confirmação usada para informar ao destino que ambos os lados concordam
que foi estabelecida uma conexão. Após o estabelecimento da conexão, começa a transferência de
dados.
Congestionamentos durante a transferência de dados podem ocorrer por dois
motivos:
• Primeiro, um computador com alta velocidade pode gerar tráfego mais rapidamente do que
uma rede pode ser capaz de transferir.
• Segundo, se muitos computadores precisarem enviar datagramas simultaneamente a um único
destino, esse destino pode sofrer congestionamento, embora o problema não tenha uma
origem única.

Quando os datagramas chegam muito rapidamente para que um host ou gateway os


processe, eles são armazenados temporariamente na memória. Se o tráfego prosseguir, o host ou
gateway, por fim, esgotará sua memória e deverá descartar os datagramas adicionais que chegarem.
Em vez de permitir que os dados sejam perdidos, o processo TCP na máquina que está
recebendo os dados pode emitir um indicador de “não-pronto” (not-ready) para o remetente. Atuando
como uma placa de “Pare”, esse indicador sinaliza para que o remetente pare de enviar dados.
Quando o receptor puder lidar com mais dados, ele enviará um indicador de transporte de “pronto”
(Ready). Quando esse indicador é recebido, o remetente retoma a transmissão de segmentos.

Figura 417 - Controle de Fluxo

Ao final da transferência de dados, o host transmissor envia um sinal que indica o final da
transmissão. O host receptor na extremidade da seqüência de dados confirma o fim da transmissão e a
conexão é encerrada.

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388
Módulo XI: Camada de Transporte TCP/IP e de Aplicação

11.2.4 Handshake triplo

O TCP é um protocolo orientado à conexões. Ele requer o estabelecimento de uma conexão


antes do começo da transferência de dados. Para que uma conexão seja estabelecida ou inicializada,
os dois hosts devem sincronizar seus Initial Sequence Numbers (ISNs). A sincronização é feita através
da troca de segmentos de estabelecimento de conexão que transportam um bit de controle chamado
SYN, para a sincronização, e os ISNs. Os segmentos que transportam o bit SYN também são
chamados "SYNs". Essa solução requer um mecanismo adequado para a obtenção de um número de
seqüência inicial e um handshake simples para a troca de ISNs.
A sincronização requer que cada um dos lados envie seu número de seqüência inicial (ISN)
e que receba uma confirmação dessa troca através de um acknowledgment (ACK) enviado pelo outro
lado. Cada um dos lados também deve receber o ISN do outro lado e enviar um ACK de confirmação.
A seqüência é:

1. O host (A) inicia uma conexão enviando um pacote SYN para o host (B) indicando que o seu
ISN = X:

A —> B SYN, seq de A = X

2. B recebe o pacote, grava que a seq de A = X, responde com um ACK de X + 1, e indica que
seu ISN = Y. O ACK de X + 1 significa que o host B já recebeu todos os bytes até ao byte X e
que o próximo byte esperado é o X + 1:

B —> A ACK, seq de A = X, SYN seq de B = Y, ACK = X + 1

3. A recebe o pacote de B, fica sabendo que a seqüência de B = Y, e responde com um ACK de


Y + 1, que finaliza o processo de estabelecimento da conexão:

A —> B ACK, seq de B = Y, ACK = Y + 1

Essa troca é chamada handshake triplo.

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389
Módulo XI: Camada de Transporte TCP/IP e de Aplicação

Figura 418 - Handshake Triplo

Um handshake triplo é necessário porque os números de seqüência não são vinculados a


um relógio global na rede e os protocolos TCP podem ter mecanismos diferentes para captar o ISN. O
receptor do primeiro SYN não tem meios para saber se este é um segmento antigo atrasado, a menos
que tenha registrado o último número de seqüência usado na conexão. Nem sempre é possível
lembrar esse número. Assim, o receptor deve pedir ao remetente que verifique esse SYN.

11.2.5 Janelamento

Os pacotes de dados devem ser enviados ao receptor na mesma ordem em que foram
transmitidos, para que haja uma transferência de dados confiável, orientada à conexão. O protocolo
falha se algum pacote for perdido, danificado, duplicado ou recebido em ordem diferente. Uma solução
fácil é fazer com que o receptor confirme o recebimento de cada pacote antes do envio do pacote
seguinte.

Figura 419 - Janela Básica TCP

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390
Módulo XI: Camada de Transporte TCP/IP e de Aplicação

Se o remetente precisar esperar uma confirmação após enviar cada pacote, o throughput
será lento. Por isso, a maioria dos protocolos confiáveis, orientados à conexão, permite mais de um
pacote trafegando na rede por vez. Como há tempo disponível após o encerramento da transmissão de
dados pelo remetente e antes que o receptor termine o processamento de qualquer confirmação
recebida, esse intervalo é usado para transmitir mais dados. O número de pacotes de dados restantes
que o emissor tem permissão para ter sem ter recebido uma confirmação é conhecido como tamanho
da janela ou janela.
O TCP usa confirmações esperadas. A expressão "confirmações esperadas" significa que o
número da confirmação refere-se ao pacote esperado em seguida. A expressão "janelamento" refere-
se ao fato de o tamanho da janela ser negociado dinamicamente durante a sessão do TCP. O
janelamento é um mecanismo de controle de fluxo. O janelamento exige que o dispositivo de origem
receba uma confirmação do destino depois de transmitir uma determinada quantidade de dados. O
processo de recebimento TCP informa uma "janela" ao TCP de envio. Essa janela especifica o número
de pacotes, começando com o número da confirmação, que o processo TCP receptor está preparado
para receber no momento.
Com um tamanho de janela três, o dispositivo de origem pode enviar três bytes ao destino. O
dispositivo de origem deve, então, aguardar uma confirmação. Se o destino receber os três bytes, ele
enviará uma confirmação ao dispositivo origem, que poderá então transmitir mais três bytes. Se o
destino não receber os três bytes, devido a sobrecarga nos buffers, não enviará a confirmação. Por
não receber a confirmação, a origem saberá que os bytes deverão ser retransmitidos e que a taxa de
transmissão deverá ser diminuída.
Os tamanhos de janela do TCP são variáveis durante todo o tempo de vida de uma conexão.
Cada confirmação contém um anúncio de janela que indica o número de bytes que o receptor pode
aceitar. O TCP também mantém uma janela de controle de congestionamento. Essa janela tem,
normalmente, tamanho igual ao da janela do receptor. No entanto, ela é reduzida à metade quando um
pacote se perde, talvez como resultado de congestionamento na rede. Essa técnica permite que a
janela seja expandida ou reduzida conforme necessário, para gerenciar o espaço no buffer e o
processamento. Um tamanho de janela maior permite o processamento de mais dados.

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391
Módulo XI: Camada de Transporte TCP/IP e de Aplicação

Figura 420 - Janela Dimensionável TCP

Conforme mostra a Figura 418, o remetente envia três pacotes antes de esperar por um
ACK. Se o receptor puder lidar com um tamanho de janela de dois pacotes apenas, a janela descarta o
pacote três, especifica três como o próximo pacote e dois como novo tamanho de janela. O remetente
envia os próximos dois pacotes, mas ainda especifica três como tamanho de janela. Isso significa que
o remetente ainda esperará uma conformação de três pacotes do receptor. O receptor responde
solicitando o pacote cinco, novamente especificando dois como tamanho de janela.

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392
Módulo XI: Camada de Transporte TCP/IP e de Aplicação

11.2.6 Confirmação

A entrega confiável garante que um fluxo de dados enviado de um dispositivo seja, através
de um enlace de dados, entregue a outro dispositivo, sem duplicação ou perda de dados. A
confirmação positiva com retransmissão é uma técnica que garante a entrega confiável de dados. Ela
exige que um receptor se comunique com a origem e retorne uma mensagem de confirmação quando
os dados são recebidos. O remetente mantém registro de cada pacote de dados (segmento TCP)
enviado e espera uma confirmação. Ele também aciona um timer quando envia um segmento e
retransmitirá um segmento se o timer expirar antes que chegue uma confirmação.

Figura 421 - Janela Dimensionável TCP

A Figura 419 mostra o remetente transmitindo os pacotes de dados 1, 2 e 3. O receptor


confirma o recebimento dos pacotes, solicitando o pacote 4. Ao receber a confirmação, o remetente
envia os pacotes 4, 5 e 6. Se o pacote 5 não chegar ao destino, o receptor confirma solicitando o
reenvio do pacote 5. O remetente reenvia o pacote 5 e recebe uma confirmação para prosseguir com a
transmissão do pacote 7.
O TCP fornece a seqüência de segmentos com uma confirmação de referência de
encaminhamento. Cada segmento é numerado antes da transmissão.

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393
Módulo XI: Camada de Transporte TCP/IP e de Aplicação

Figura 422 - Seqüência TCP e Confirmação

Na estação receptora, o TCP reagrupa os segmentos em uma mensagem completa. Se um


número de seqüência estiver faltando na série, aquele segmento será retransmitido. Os segmentos
não confirmados dentro de um determinado período serão retransmitidos.

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394
Módulo XI: Camada de Transporte TCP/IP e de Aplicação

11.2.7 Protocolo de Controle de Transmissão (TCP)

O Protocolo de Controle de Transmissão (Transmission Control Protocol TCP) é um


protocolo da camada 4 orientado a conexão que fornece transmissão de dados full duplex confiável. O
TCP faz parte da pilha de protocolos TCP/IP. Em um ambiente de conexão orientada à conexão, é
estabelecida uma conexão entre as extremidades antes do início da transferência de informações. O
TCP é responsável por decompor mensagens em segmentos, reagrupá-los na estação de destino,
reenviar qualquer item não recebido e reagrupar essas mensagens com base nos segmentos. O TCP
proporciona um circuito virtual entre aplicações do usuário final.

Os protocolos que usam o TCP incluem:


• FTP (File Transfer Protocol)
• HTTP (Hypertext Transfer Protocol)
• SMTP (Simple Mail Transfer Protocol)
• Telnet

Figura 423 - Formato do Segmento TCP

Veja a seguir as definições dos campos no segmento TCP:


• Porta de origem: Número da porta chama dora.
• Porta de destino: Número da porta chamada.
• Número de seqüência: Número usado para garantir a seqüência correta dos dados
que estão chegando.
• Número de confirmação: Próximo octeto TCP esperado.
• HLEN: Número de palavras de 32 bits no cabeçalho.
• Reservado: Definido como zero.
• Bits de código: Funções de controle, como a configuração e término de uma
sessão.
• Janela: Número de octetos que o remetente está disposto a aceitar.
• Checksum: Um cálculo de verificação (checksum) feito a partir de campos do
cabeçalho e dos dados.
• Urgent Pointer (Ponteiro de Urgência): Indica o final de dados urgentes.
• Opção: Uma opção atualmente definida, tamanho máximo do segmento TCP.

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395
Módulo XI: Camada de Transporte TCP/IP e de Aplicação

• Dados: Dados de protocolo de camada superior.

11.2.8 Protocolo de Datagrama de Usuário (UDP)

O Protocolo de Datagrama de Usuário (User Datagram Protocol UDP) é o protocolo de


transporte sem conexão da pilha de protocolos TCP/IP. O UDP é um protocolo simples que troca
datagramas, sem confirmações ou entrega garantida. O processamento de erros e a retransmissão
devem ser tratados por protocolos de camada superior.
O UDP não usa janelamento nem confirmações; assim, a confiabilidade, se necessária, é
fornecida por protocolos da camada de aplicação. O UDP é projetado para aplicações que não
precisam juntar seqüências de segmentos.

Figura 424 - Formato do Segmento UDP

Os protocolos que utilizam o UDP incluem:

• TFTP (Trivial File Transfer Protocol)


• SNMP (Simple Network Management Protocol)
• DHCP (Dynamic Host Control Protocol)
• DNS (Sistema de Nomes de Domínio)

Veja a seguir as definições dos campos no segmento UDP:

• Porta de origem: Número da porta chamadora.


• Porta de destino: Número da porta chamada
• Comprimento: Número de bytes que inclui cabeçalho e dados
• Checksum: Um cálculo de verificação (checksum) feito a partir de campos do
cabeçalho e dos dados
• Dados: Dados de protocolo de camada superior

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396
Módulo XI: Camada de Transporte TCP/IP e de Aplicação

11.2.9 Números de porta TCP e UDP

Tanto o TCP quanto o UDP usam números de porta (soquete) para passar as informações
às camadas superiores. Os números de porta são usados para manter registro de diferentes
conversações que cruzam a rede ao mesmo tempo.
Os desenvolvedores de aplicações de software concordaram em usar números de porta
bastante conhecidos, emitidos pelo órgão Internet Assigned Numbers Authority (IANA).

Figura 425 - Número de Porta

Toda conversação destinada à aplicação FTP usa os números de porta padrão 20 e 21. A
porta 20 é usada para a parte de dados; a porta 21 é usada para controle. As conversações que não
envolvem uma aplicação com número de porta conhecido recebem números de porta aleatórios em um
intervalo específico acima de 1023. Algumas portas são reservadas no TCP e no UDP, embora possa
haver aplicações que não os suportem.

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397
Módulo XI: Camada de Transporte TCP/IP e de Aplicação

Figura 426 - Números Reservados das Portas TCP e UDP

Os números de portas têm os seguintes intervalos atribuídos:

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398
Módulo XI: Camada de Transporte TCP/IP e de Aplicação

• Números abaixo de 1024 são considerados números de porta conhecidos.


• Números acima de 1023 recebem números de porta atribuídos dinamicamente.
• Números de porta registrados são aqueles registrados para aplicações específicas de
fabricantes. A maioria desses números é superior a 1024.

Os sistemas finais usam números de portas para selecionar a aplicação correta. O host
origem atribui dinamicamente números de porta de origem gerados na própria origem. Esses números
são sempre superiores a 1023.

Figura 427 - Números de Portas

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399
Módulo XI: Camada de Transporte TCP/IP e de Aplicação

11.3 A CAMADA DE APLICAÇÃO

11.3.1 Introdução à camada de aplicação TCP/IP

Quando o modelo TCP/IP foi criado, as camadas de sessão e de apresentação do modelo


OSI foram agrupadas na camada de aplicação do modelo TCP. Isso significa que as questões de
representação, codificação e controle de diálogo são tratadas na camada de aplicação e não em
camadas inferiores separadas, como ocorre no modelo OSI. O projeto garante que o modelo TCP/IP
forneça máxima flexibilidade na camada de aplicação para desenvolvedores de software.
Os protocolos TCP/IP que suportam transferência de arquivos, e-mail e logo remoto são,
provavelmente, os mais familiares aos usuários da Internet.

Figura 428 - Camada de Aplicação

Esses protocolos incluem as seguintes aplicações:

• Sistema de Nomes de Domínios (DNS)


• File Transfer Protocol (FTP)
• Hypertext Transfer Protocol (HTTP)
• Simple Mail Transfer Protocol (SMTP)
• Simple Network Management Protocol (SNMP)
• Telnet

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400
Módulo XI: Camada de Transporte TCP/IP e de Aplicação

11.3.2 DNS

A Internet foi construída com base em um esquema de endereçamento hierárquico. Esse


esquema permite que o roteamento tenha por base classes de endereços, e não endereços
individuais. O problema que isso cria para o usuário é a associação do endereço correto ao site da
Internet. É muito fácil esquecer um endereço IP de um determinado site, porque não há nada que
permita a associação do conteúdo do site ao seu endereço. Imagine a dificuldade de lembrar os
endereços IP de dezenas, centenas ou até mesmo milhares de sites na Internet.
Um sistema de nomes de domínio foi desenvolvido para associar o conteúdo do site ao seu
endereço. O Domain Name System (DNS) é um sistema usado na Internet para converter nomes de
domínios e seus nós de rede anunciados publicamente em endereços IP. Um domínio é um grupo de
computadores associados por sua localização geográfica ou pelo seu tipo de negócio. Um nome de
domínio é uma cadeia de caracteres, números ou ambos. Normalmente, um nome ou uma abreviação
que represente o endereço numérico de um site na Internet formará o nome do domínio. Existem mais
de 200 domínios de nível superior na Internet, cujos exemplos incluem:

.us: Estados Unidos


.uk: Reino Unid