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14/03/2017 Psicanálise no Cotidiano: O INCONSCIENTE E OS ATOS FALHOS ­ O que as pessoas revelam sobre si mesmas quando cometem erros

Psicanálise no Cotidiano

"Onde 'isso' estava, Eu devo advir" ­ Sigmund Freud 

21 de janeiro de 2013 Arquivo do blog

►  2016 (2)
O INCONSCIENTE E OS ATOS FALHOS ­ O que as pessoas
►  2015 (1)
revelam sobre si mesmas quando cometem erros
▼  2013 (4)
A  suposição  de  atividade  mental  inconsciente  é  o  que  possibilitou  a  Freud
►  Março (1)
elaborar  toda  a  teoria  psicanalítica.  Vários  fenômenos  o  levaram  a  sustentar  a
existência  do  inconsciente.  Um  deles  em  particular  é  bem  divertido,  pois ►  Fevereiro (1)
facilmente  observado  em  nossa  vida  cotidiana:  os  atos  falhos.  A  partir  do ▼  Janeiro (2)
momento que passamos a compreender o real sentido dos atos falhos, podemos
Um sonho analisado por mim ­
ver  o  modo  como  o  inconsciente  de  um  indivíduo  o  trai  e  revela  suas  reais exemplo do sentido do...
intenções.
O INCONSCIENTE E OS
ATOS FALHOS ­ O que as
Os  atos  falhos  consistem  em  pequenos  lapsos  ­  esquecimentos  de  nomes,  de
pessoas...
horários,  datas,  coisas  a  fazer,  ou  algo  dito  que  não  era  o  que  tinha  sido
intencionado  a  dizer,  erros  ao  fazer  alguma  coisa,  em  suma,  todo  processo  em
►  2012 (7)
que  ocorre  alguma  interferência  no  que  foi  planejado,  na  atitude  "normal"
esperada, por isso o nome ato falho.
Quem sou eu
Até  antes  de  Freud  ­  na  verdade  até  hoje,  para  aqueles  que  desconhecem  a Diêgo Santos Gonçalves
psicanálise  e  querem  ocultar  o  real  sentido  dos  pequenos erros  ­  os  atos  falhos Aracaju, Sergipe, Brazil
eram  tidos  apenas  como  simples  equívocos,  algo  feito  "sem  querer",  que  não Bacharel em Psicologia pela
tinha  maior  importância,  que  não  possuíam  nenhuma  causa  e  eram  atribuídos Universidade Tiradentes, e Mestre
em Psicologia Social pela
simplesmente a um "descuido". Freud, por sua vez, pôde mostrar no livro "Sobre a
Universidade Federal de Sergipe.
psicopatologia da vida cotidiana" que até os erros mais simples teriam um sentido Psicanalista em formação, membro
oculto que teria sido evidenciado de tal forma ­ no erro. do Instituto Freudiano de Orientação
Lacaniana de Sergipe.
Num  exemplo  do  livro,  um  senhor  estava  conversando  com  uma  jovem  sobre Visualizar meu perfil completo
como a cidade [Berlim] estava bonita com os preparativos para a Páscoa, e disse:
Endereço profissional:
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14/03/2017 Psicanálise no Cotidiano: O INCONSCIENTE E OS ATOS FALHOS ­ O que as pessoas revelam sobre si mesmas quando cometem erros
"viu  a  loja  Wertheim?  Está  toda  decotada,  oh,  quis  dizer  decorada!".  Esse  é  um Rua Profº José Freitas de Andrade,
exemplo bastante simples, mas é interessante pois comumente as pessoas têm a nº 2685, Bairro Coroa do Meio,
tendência a atribuir um erro como esse simplesmente ao acaso, e não procuram Aracaju/SE. 
Tel p/ contato: (79) 99935­9303. 
investigar o que o ocasionou. O locutor diria "oh, quis dizer decorada!" e a coisa
ficaria  por  aí  mesmo.  A  outra  pessoa  da  conversa  geralmente  tende  a  não  dar Pesquisar este blog
atenção  ao  ato  falho.  Já  Freud  interpreta  esse  pequeno  erro  como  uma
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interferência de um pensamento inconsciente do senhor a respeito do decote da
roupa da jovem senhora. Em todos os casos analisados, Freud consegue mostrar
que  os  atos  falhos,  dos  mais  simples  aos  mais  complexos,  são  fruto  de  um
processo inconsciente suprimido e que sua causa pode ser descoberta.

Outro exemplo do livro: um professor de medicina, conhecido por sua arrogância,
dá  uma  aula  sobre  cavidades  nasais.  Depois  de  perguntar  se  todos  os  alunos
entenderam  recebe  um  'sim'  geral.  Diz  então  que  esse  assunto  é  muito  difícil  e
que  duvidava  da  compreensão  deles.  Afirma  que  'mesmo  em  Viena,  com  seus
milhões  de  habitantes,  os  que  entendem  das  cavidades  nasais  podem  ser
contados num dedo, quero dizer, nos dedos das mãos'. O inconsciente do prof. o
traiu aqui ­ no fundo de si, de todos os médicos da cidade ele acredita ser o único
a saber sobre o assunto.

Já vemos nesses pequenos exemplos o que provoca a irrupção do ato falho. Por
razões  sociais,  sabemos  que  não  podemos  dizer  tudo  o  que  temos  vontade,  e
apesar  de  nosso  controle  para  segurar  e  suprimir  o  que  realmente  queremos
dizer, o pensamento ainda resiste com notável força no inconsciente para se fazer
ouvir  no  ato  falho.  De  fato,  alguns  atos  falhos  dizem  respeito  somente  a
conteúdos que são significativos para quem os comete. Estes não são assim tão
facilmente  explicados  nem  prontamente  reconhecidos  por  quem  os  comete,  e
geralmente são dotados de alto valor afetivo.

Portanto, pode­se ter em mente que quase todo erro cometido tem um significado
oculto.  Digo  quase  todo  porque  às  vezes  erros  são  fruto  do  alto  investimento
psíquico em outros fatores ­ por exemplo, alguém extremamente preocupado com
uma  reunião  de  negócios  pode  vir  a  esquecer  de  pegar  a  filha  no  colégio.  Esse
erro não seria inconscientemente motivado, mas fruto da preocupação com algo.
De qualquer forma, existem em bem menor quantidade.

Uma  vez  certa  paciente  minha,  bem  resistente  ao  tratamento,  mandou­me  uma
mensagem  desculpando­se  por  ter  que  remarcar  novamente  a  sessão,  e
escreveu: "Por favor, me pergunte, estou angustiada". Num primeiro momento não
entendi, mas depois vi que a intenção dela era dizer "por favor, me perdoe, estou
angustiada". A interpretação desse ato falho foi bastante óbvia.

Noutro exemplo ­ esse foi particularmente engraçado ­ ouvi uma garota certa vez
numa  lanchonete  pedir  um  suco  de  "capuaçu"  à  garçonete  enquanto  estava  em
companhia do que pareciam ser seus pais. Podemos bem entender que o decoro
exerceu sua influência sobre este lapso, impossibilitando a menção a uma palavra
tão vulgar na frente dos mais velhos.

A lista aqui poderia ser bem vasta, principalmente para quem gosta de colecionar
esses  fenômenos  na  memória,  que  são  uma  verdadeira  prova  da  existência  de
atividade mental inconsciente. Vou agora rever o texto para ver se cometi algum
erro... Pretendo trazer mais alguns exemplos de atos falhos depois.

Postado por Diêgo Santos Gonçalves às 4:08 PM 

94 comentários:

Anônimo 17 de agosto de 2013 22:50
Caro Dr. Diego,  
primeiramente, obrigada pela importante informação sobre atos falhos. 
Entretanto, preciso com urgência, de uma palavra ou frase de "como"
resolver  esse  problema  sem  ser  preciso  uma  terapia  que  dure  toda
uma vida. 
No  texto  acima  diz:  Freud  consegue  mostrar  que  os  atos  falhos,  dos
mais  simples  aos  mais  complexos,  são  fruto  de  um  processo

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inconsciente suprimido e que sua causa pode ser descoberta. 
Após  descoberta  a  causa,  como  mudar  esse  hábito  repetitivo  de
cometer certos erros? 

Responder

Respostas

Diêgo Santos Gonçalves 11 de março de 2014 23:15
Bom, primeiro obrigado pelo comentário. Acredito que esse
"hábito  repetitivo"  ao  qual  se  refere  seria  antes  a  chamada
"compulsão  à  repetição"  que  Freud  observou  em  seus
pacientes  neuróticos  durante  o  tratamento.  Esse  fenômeno
seria  diferente  e  um  pouco  mais  complexo  do  que  os  ditos
"atos  falhos".  Acontece  que  esses  pacientes  mostravam
uma  tendência  a  repetir  sempre  as  mesmas  situações  no
decorrer  de  sua  vida,  a  estarem  fadados  a  um  destino
irremediável. E uma característica desse destino que tendia
a  se  repetir  é  que  desde  a  sua  primeira  ocorrência  ele  não
trazia  ao  sujeito  um  afeto  de  prazer,  e  sim  de  desprazer.
Apesar  de  sofrer  e  sentir  a  situação  de  vida  como  penosa,
os sujeitos ainda sim mostravam uma espécie de compulsão
à  repeti­la,  indefinidamente.  Por  exemplo,  uma  garota  que
vê todo relacionamento amoroso seu acabar em traição, ou
um  rapaz  que  vê  todas  suas  tentativas  de  produção
culminarem  no  fracasso.  O  que  Freud  mostrou  foi  que,
apesar de tais pessoas "aparentemente" sofrerem tal destino
mórbido de forma passiva, na verdade elas tinha papel ativo
nesse desenrolar de sua história. A única adversativa a isto
é  que  esse  papel  relevante  do  sujeito  ao  escrever  sua
própria  história  estava  sendo  guiado  por  determinantes
inconscientes.  Essa  era  única  diferença:  os  sujeitos
construiam  seu  próprio  destino  inconscientemente,  sem
saber  os  fatores  que  os  levavam  a  tanto.  Por  exemplo  no
caso da garota que vê todo relacionamento seu terminar em
fracasso,  poderia­se  suspeitar  que  logo  de  início  ela
escolheu  o  parceiro  "errado"  ­  ou  certo,  se  tomarmos  as
coisas do ponto de vista do inconsciente. 
Acontece  que  você  tocou  numa  questão  delicada  do  ponto
de  vista  da  psicanálise.  A  compulsão  à  repetição  foi  o
fenômeno que levou Freud a revolucionar toda a sua teoria,
e  a  substituir  o  antigo  princípio  do  prazer  pelo  conceito  de
pulsão  de  morte.  Como  foi  colocado,  os  indivíduos
compulsoriamente  eram  levados  ao  mesmo  destino
independentemente  da  quantidade  de  sofrimento  que  isso
lhes trazia. Com isso, o conceito da pulsão de morte trouxe
sérias  complicações  ao  tratamento  analítico.  Apesar  disso,
ele  era  capaz  de  explicar  satisfatoriamente  porque  certos
pacientes  simplesmente  não  conseguiam  abdicar  de  seus
sintomas. 
De  acordo  com  a  terapia  analítica,  o  "saber"  que  o  sujeito
constrói sobre si mesmo durante o processo de análise, faz
com  que  ele  crie  uma  espécie  de  barreira  contra  esse
caráter nefasto da compulsão à repetição. O saber sobre si,
isto é, o conhecimento sobre seu próprio inconsciente, sobre
as  experiências  de  vida  e  afetos  que  constituíram  o  sujeito
tal como ele é, único, é capaz de fazer barra à repetição. 
Acontece  que  esse  saber  é  dificilmente  adquirido,  não  se
acha presente em nenhum livro no mundo, demanda tempo
e  trabalho  de  construção  do  sujeito  em  análise.  Cabe
àqueles  interessados  decidir  se  essa  volta  vale  a  pena  ou
não. 

Espero que tenha respondido sua pergunta. 
Att. Diêgo S. Gonçalves
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