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As obrigações naturais

O art. 402 e seg. do CC refere-se as obrigações naturais como:


Obrigações naturais

ARTIGO 402º
(Noção)

A obrigação diz-se natural, quando se funda num mero dever de ordem moral ou social, cujo cumprimento não é judicialmente
exigível, mas corresponde a um dever de justiça.

O que caracteriza as obrigações naturais é assim a não exigibilidade judicial da prestação,


resumindo-se a sua tutela jurídica á possibilidade de o credor conservar a prestação
espontaneamente realizada a que se refere o art. 403 do CC.
ARTIGO 403º
(Não repetição do indevido)

1. Não pode ser repetido o que for prestado espontaneamente em cumprimento de obrigação natural, excepto se o devedor não tiver
capacidade para efectuar a prestação.

2. A prestação considera-se espontânea, quando é livre de toda a coacção.

As obrigações naturais não podem ser convencionadas livremente pelas partes no exercício da
sua autonomia privada uma vez que uma convenção nesse sentido equivaleria a uma renúncia
do credor ao direito de exigir o cumprimento, o que é expressamente vedado pelo art. 809.
Fixação contratual dos direitos do credor

ARTIGO 809º
(Renúncia do credor aos seus direitos)

É nula a cláusula pela qual o credor renuncia antecipadamente a qualquer dos direitos que lhe são facultados nas divisões anteriores
nos casos de não cumprimento ou mora do devedor, salvo o disposto no nº 2 do artigo 800º.

Só poderão admitir-se obrigações naturais com base na disposição do art. 402 que se refere
aos deveres de ordem moral ou social que correspondam a um dever de justiça como é o
exemplo do jogo e aposta referido no art. 1245 ou o pagamento ao filho de uma compensação
pela obtenção de bens para os pais referida no art. 1895 nrº2
Jogo e aposta

ARTIGO 1245º
(Nulidade do contrato)

O jogo e a aposta não são contratos válidos nem constituem fonte de obrigações civis; porém, quando lícitos, são fonte de
obrigações naturais, excepto se neles concorrer qualquer outro motivo de nulidade ou anulabilidade, nos termos gerais de direito, ou
se houver fraude do credor na sua execução.
ARTIGO 1895º
(Bens cuja propriedade pertence aos pais)

1. Pertence aos pais a propriedade dos bens que o filho menor, vivendo em sua companhia, produza por trabalho prestado aos seus
progenitores e com meios ou capitais pertencentes a estes.

2. Os pais devem dar ao filho parte nos bens produzidos ou por outra forma compensá-lo do seu trabalho; o cumprimento deste
dever não pode, todavia, ser judicialmente exigido.

A lei manda aplicar às obrigações naturais o regime das obrigações civis em tudo o que não se
relacione com a realização coactiva da prestação, salvas as excepções da lei (art. 404). A
obrigação natural será pois o próprio dever moral, a cuja prática realizada pelo devedor, a lei,
em certos casos, atribui efeitos jurídicos.

ARTIGO 404º
(Regime)

As obrigações naturais estão sujeitas ao regime das obrigações civis em tudo o que não se relacione com a realização coactiva da
prestação, salvas as disposições especiais da lei.
A doutrina dominante onde se inclui Menezes Cordeiro defende que as obrigações naturais
são verdadeiras obrigações jurídicas, sendo o seu regime apenas diferente das restantes por a
lei não permitir a sua execução, na medida em que nela não existe um vínculo jurídico por
virtude do qual uma pessoa fique adstrita para com outra á realização da prestação. A simples
existência de um dever moral e social, que corresponda a um dever de justiça, não basta para
se considerar subjacente na obrigação natural um vinculo jurídico, uma vez que é a própria lei
que recusa ao credor natural a tutela jurídica desse direito ao negar a faculdade de exigir
judicialmente o cumprimento.

Efectivamente, a obrigação natural não parece poder qualificar-se como um dever jurídico,
mas antes como um dever oriundo de outras ordens normativas que pelo facto de
corresponder a um dever de justiça, leva a que o direito atribua causa jurídica às atribuições
patrimoniais realizadas espontaneamente em seu cumprimento. No fundo a função o art. 403
nrº1 não reside numa juridificação da obrigação natural, mas antes na tutela da aquisição pelo
credor natural, em consequência da prestação, á qual se atribui assim causa jurídica

Classificação das obrigações em função dos tipos de


prestações
A. Prestações de coisa e prestações de facto
Prestações de coisa são aquelas cujo objecto consiste na entrega de uma coisa. Por exemplo
na hipótese de alguém comprar um bem, o vendedor obriga-se a entrega-lo (art. 879 al. b)
CC).
Efeitos da compra e venda

ARTIGO 879º
(Efeitos essenciais)

A compra e venda tem como efeitos essenciais:

a) A transmissão da propriedade da coisa ou da titularidade do direito;

b) A obrigação de entregar a coisa;

c) A obrigação de pagar o preço.

Prestações de facto são aquelas que consistem em realizar uma conduta de outra ordem
como na hipótese de alguém se obrigar a cuidar de um jardim (art. 1154 CC).
Prestação de serviço

ARTIGO 1154º
(Noção)

Contrato de prestação de serviço é aquele em que uma das partes se obriga a proporcionar à outra certo resultado do seu trabalho
intelectual ou manual, com ou sem retribuição.

As prestações de coisa dizem respeito ao fornecimento de bens e as prestações de facto á


realização de serviços. No entanto o direito de crédito nunca incide directamente sobre a
cosia, mas antes sobre a conduta do devedor, já que se exige sempre a mediação da actividade
do devedor para o credor obter o seu direito. Dai que mesmo nos casos de prestações de
coisa, o credor não tenha qualquer direito sobre a cosia, mas antes um direito a uma
prestação, que consiste na entrega dessa coisa, mesmo que o credor obtenha a execução
específica dessa obrigação, conseguindo na execução que a entrega da coisa lhe seja feito por
outrem (art. 827) continuamos a estar perante um direito a uma prestação, só que este é
realizada através da acção executiva.
Execução específica
ARTIGO 827º
(Entrega de coisa determinada)

Se a prestação consistir na entrega de coisa determinada, o credor tem a faculdade de requerer, em execução, que a entrega lhe seja
feita.

Há que distinguir entre prestação de coisa presente e prestação de coisa futura. O art. 211 CC
define as coisas futuras, como as que não estão em poder do disponente ou a que este não
tem direito, ao tempo da declaração negocial.
ARTIGO 211º
(Coisas futuras)

São coisas futuras as que não estão em poder do disponente, ou a que este não tem direito, ao tempo da declaração negocial.

As prestações de coisa futura são aquelas em que os bens futuros, não tendo existência, não
possuindo autonomia própria ou não se encontrando na disponibilidade do sujeito, são
objecto de negócio jurídico na perspectiva da aquisição futura destas características. Exemplos
de bens futuros são coisas ainda inexistentes como os objectos a fabricas, ou os frutos a
produzir, ou coisa não autónomas de outras coisas como é o exemplo frutos das árvores ou as
partes componentes ou integrantes de prédio, ou ainda coisas não pertencentes ao sujeito
como é o caso de bens alheios, vendidos nessa qualidade). Existe algumas restrições quanto á
constituição de obrigações sobre coisas futuras. Pois os bens futuros podem ser objecto da
compra e venda (art. 880), mas já não podem ser objecto de doação (art. 942 nrº1)
ARTIGO 880º
(Bens futuros, frutos pendentes e
partes componentes ou integrantes)

1. Na venda de bens futuros, de frutos pendentes ou de partes componentes ou integrantes de uma coisa, o vendedor fica obrigado a
exercer as diligências necessárias para que o comprador adquira os bens vendidos, segundo o que for estipulado ou resultar das
circunstâncias do contrato.

2. Se as partes atribuírem ao contrato carácter aleatório, é devido o preço, ainda que a transmissão dos bens não chegue a verificar-
se.

ARTIGO 942º
(Objecto da doação)

1. A doação não pode abranger bens futuros.

2. Incidindo, porém, a doação sobre uma universalidade de facto que continue no uso e fruição do doador, consideram-se doadas,
salvo declaração em contrário, as coisas singulares que venham de futuro a integrar a universalidade.

As prestações de facto admitem uma classificação entre prestações de facto positivo e


prestações de facto negativo. As de facto positivo são aquelas em que a prestação tem por
uma acção por objecto e as de facto negativo aquelas em que a prestação tem por objecto
uma omissão do devedor (ex. realizar ou não determinada obra. Celebrar ou não determinado
contrato
B. Prestações fungíveis e prestações infungíveis
Prestações fungíveis são aquelas em que a prestação pode ser realizada por outrem que não o
devedor, podendo assim esse fazer-se substituir no cumprimento. Pelo contrário são
prestações infungíveis são aquelas em que só o devedor pode realizar a prestação, não sendo
permitida a sua realização por terceiro. Regra geral a prestação é fungível que resulta do 767
nr1 CC mas o nrº2 refere os casos em que a prestação é infungível (quando a substituição
prejudica o credor). É a infungibilidade natural que também pode ser convencional quando se
tenha acordado que a prestação só pode ser realizada pelo devedor.
Quem pode fazer e a quem pode ser feita a prestação

ARTIGO 767º
(Quem pode fazer a prestação)

1. A prestação pode ser feita tanto pelo devedor como por terceiro, interessado ou não no cumprimento da obrigação.
2. O credor não pode, todavia, ser constrangido a receber de terceiro a prestação, quando se tenha acordado expressamente em que
esta deve ser feita pelo devedor, ou quando a substituição o prejudique.

A fungibilidade da prestação é a regra geral, pelo que o devedor pode em princípio fazer-se
substituir no cumprimento. Por exemplo um advogado encarregado de um processo pode
fazer-se substituir por um colega na realização de um julgamento, mas se por exemplo alguém
contrata um pintor famoso para pintar um quadro, obviamente não se poderá aceitar que o
quadro seja realizado por um seu aprendiz.
Pela infungibilidade convencional compreende-se o exemplo de se convencionar com um
médico encarregado de tratar de uma pessoa, que este nunca se poderá fazer substituir nesse
trabalho.
Se a prestação é fungível, o credor pode, sem prejuízo para o seu interesse obter a realização
da prestação de qualquer pessoa e não apenas do devedor. Se a prestação é infungível, a
substituição do devedor no cumprimento já não é possível, pelo que a lei não admite a
execução específica da obrigação. Admite-se porem em alguns casos a aplicação de uma
sanção pecuniária compulsória, que visa coagir o devedor a cumprir a obrigação (art. 829 – A
CC).
ARTIGO 829º-A
(Sanção pecuniária compulsória)

1. Nas obrigações de prestação de facto infungível, positivo ou negativo, salvo nas que exigem especiais qualidades científicas ou
artísticas do obrigado, o tribunal deve, a requerimento do credor, condenar o devedor ao pagamento de uma quantia pecuniária por
cada dia de atraso no cumprimento ou por cada infracção, conforme for mais conveniente às circunstâncias do caso.

2. A sanção pecuniária compulsória prevista no número anterior será fixada segundo critérios de razoabilidade, sem prejuízo da
indemnização a que houver lugar.

3. O montante da sanção pecuniária compulsória destina-se, em parte iguais, ao credor e ao Estado.

4. Quando for estipulado ou judicialmente determinado qualquer pagamento em dinheiro corrente, são automaticamente devidos
juros à taxa de 5% ao ano, desde a data em que a sentença de condenação transitar em julgado, os quais acrescerão aos juros de
mora, se estes forem também devidos, ou à indemnização a que houver lugar.

Para além disso, as obrigações infungíveis estão sujeitas a um regime especifico em caso de
impossibilidade da prestação, uma vez que nelas a impossibilidade relativa á pessoa do
devedor (o pintor fica sem a mão direita) acarreta mesmo a extinção da obrigação em virtude
de não ser admitida a sua subsituação no cumprimento (art. 791 CC)
ARTIGO 791º
(Impossibilidade subjectiva)

A impossibilidade relativa à pessoa do devedor importa igualmente a extinção da obrigação, se o devedor, no cumprimento desta,
não puder fazer-se substituir por terceiro.

C. Prestações instantâneas e prestações duradouras


As prestações instantâneas são aquelas cuja execução ocorre num único momento (ex. a
entrega da coisa no contrato de compra e venda). As prestações instantâneas não têm o seu
conteúdo e extensão delimitados em função do tempo e podem classificar-se em:
 Prestações instantâneas integrais – são realizadas de uma só vez como é o
exemplo da entrega da coisa pelo vendedor (art. 882), ou a realização da obra
pelo empreiteiro (art. 1208)
 Prestações instantâneas fraccionadas – o montante global é dividido em várias
fracções a realizar sucessivamente, como é o exemplo do pagamento do preço
na venda a prestações (art. 934). Está-se perante uma única obrigação cujo
objecto é dividido em fracções, com vencimentos intervalados, pelo que há
sempre a definição prévia do seu montante global e o decurso do tempo não
influi no conteúdo e extensão da prestação. Assim, a compra e venda a
prestações o preço é previamente fixado em globo, servindo o decurso do
tempo apenas para escalonar a sua divisão em partes.
ARTIGO 882º
(Entrega da coisa)

1. A coisa deve ser entregue no estado em que se encontrava ao tempo da venda.

2. A obrigação de entrega abrange, salvo estipulação em contrário, as partes integrantes, os frutos pendentes e os
documentos relativos à coisa ou direito.

3. Se os documentos contiverem outras matérias de interesse do vendedor, é este obrigado a entregar pública-forma
da parte respeitante à coisa ou direito que foi objecto da venda, ou fotocópia de igual valor.

ARTIGO 1208º
(Execução da obra)

O empreiteiro deve executar a obra em conformidade com o que foi convencionado, e sem vícios que excluam ou
reduzam o valor dela, ou a sua aptidão para o uso ordinário ou previsto no contrato.
Venda a prestações

ARTIGO 934º
(Falta de pagamento de uma prestação)

Vendida a coisa a prestações, com reserva de propriedade, e feita a sua entrega ao comprador, a falta de pagamento de uma só
prestação que não exceda a oitava parte do preço não dá lugar à resolução do contrato, nem sequer, haja ou não reserva de
propriedade, importa a perda do benefício do prazo relativamente às prestações seguintes, sem embargo de convenção em contrário.

As prestações duradouras são aquelas cuja execução se prolonga no tempo em virtude de


terem por conteúdo ou um comportamento prolongado ou uma repetição sucessiva de
prestações isoladas por um período de tempo (ex. as prestações relativas aos contratos de
locação, de sociedade, de mutuo, de trabalho, ou contratos de fornecimento como os de gás
ou electricidade). As prestações duradouras implicam a atribuição de um regime especial de
extinção aos contratos que as incluir. O facto de estes contratos se poderem prolongar no
tempo implica que a lei deva assegurar também alguma limitação á sua duração, sob pena de a
liberdade económica das partes poder ficar seriamente comprometida. Efectivamente a
vinculação absoluta a um contrato de execução duradoura não delimitado temporalmente
implicaria que as partes não pudessem celebrar durante um período longo e indefinido
contratos semelhantes com outros concorrentes, limitando assim a sua autonomia privada e
pondo em causa a liberdade de concorrência em que assenta o nosso sistema económico.
A lei delimita assim temporalmente os contratos de execução duradoura, que é realizado pela
extinção do contrato por caducidade ou através do instituto da denuncia do contrato que
permite as partes que não tenham fixado a duração do contrato procedam á sua extinção,
através de um negocio jurídico unilateral.
Os contratos de execução duradoura caracterizam-se por neles vigorarem com maior
intensidade os deveres de boa fé. Efectivamente, trata-se de relações que, atendendo á sua
duração, pressupõem uma intensa relação de confiança e colaboração entre as partes, o que
pressupõe uma aplicação mais intensa do principio da boa fé e dos deveres acessórios de
protecção, informação e lealdade em ordem a manter uma permanente confiança recíproca e
entendimento mutuo no âmbito daquele contrato. Daqui resulta que, se alguma das partes
vier a lesar a confiança da outra, mesmo que não incumprindo uma prestação recíproca, ela
tenha o direito de resolução do contrato, com fundamento em justa causa (art. 1002, 1140,
1150, 1194 e 1201)
ARTIGO 1002º
(Exoneração)

1. Todo o sócio tem o direito de se exonerar da sociedade, se a duração desta não tiver sido fixada no contrato; não se considera,
para este efeito, fixada no contrato a duração da sociedade, se esta tiver sido constituída por toda a vida de um sócio ou por período
superior a trinta anos.

2. Havendo fixação de prazo, o direito de exoneração só pode ser exercido nas condições previstas no contrato ou quando ocorra
justa causa.

3. A exoneração só se torna efectiva no fim do ano social em que é feita a comunicação respectiva, mas nunca antes de decorridos
três meses sobre esta comunicação.
ARTIGO 1140º
(Resolução)
Não obstante a existência de prazo, o comodante pode resolver o contrato, se para isso tiver justa causa.

ARTIGO 1150º
(Resolução do contrato)

O mutuante pode resolver o contrato, se o mutuário não pagar os juros no seu vencimento.

ARTIGO 1194º
(Prazo de restituição)

O prazo de restituição da coisa tem-se por estabelecido a favor do depositante; mas, sendo o depósito oneroso, o depositante
satisfará por inteiro a retribuição do depositário, mesmo quando exija a restituição da coisa antes de findar o prazo estipulado, salvo
se para isso tiver justa causa.

ARTIGO 1201º
(Restituição da coisa)

Não tendo sido convencionado prazo para a restituição da coisa, o depositário tem o direito de a restituir a todo o tempo; se, porém,
tiver sido convencionado prazo, só havendo justa causa o pode fazer antes de o prazo findar.

Há que distinguir entre prestações duradouras continuadas e prestações duradouras


periódicas:
 As prestações duradouras continuadas – a prestação não sofre qualquer interrupção
(ex. prestação do locador, prevista no art. 1031 al. b), ou o fornecimento de
electricidade).
ARTIGO 1031º
(Enumeração)

São obrigações do locador:

a) Entregar ao locatário a coisa locada;

b) Assegurar-lhe o gozo desta para os fins a que a coisa se destina.

 As prestações duradouras periódicas – a prestação é sucessivamente repetida em


certos períodos de tempo (ex. pagamento da rendo pelo locatário, referido no art.
1038 a), ou o pagamento de juros pelo mutuário, referido no art. 1145 nº 1). Nas
prestações periódicas verifica-se uma pluralidade de obrigações distintas, pelo que por
definição não pode haver qualquer fixação inicial do seu montante global, já que é o
decurso do tempo que determina o número de prestações que é realizado.
ARTIGO 1038º
(Enumeração)

São obrigações do locatário:

a) Pagar a renda ou aluguer;

b) Facultar ao locador o exame da coisa locada;

c) Não aplicar a coisa a fim diverso daqueles a que ela se destina;

d) Não fazer dela uma utilização imprudente;

e) Tolerar as reparações urgentes, bem como quaisquer obras ordenadas pela autoridade pública;

f) Não proporcionar a outrem o gozo total ou parcial da coisa por meio de cessão onerosa ou gratuita da sua posição jurídica,
sublocação ou comodato, excepto se a lei o permitir ou o locador o autorizar;

g) Comunicar ao locador, dentro de quinze dias, a cedência do gozo da coisa por algum dos referidos títulos, quando permitida ou
autorizada;

h) Avisar imediatamente o locador, sempre que tenha conhecimento de vícios na coisa, ou saiba que a ameaça algum perigo ou que
terceiros se arrogam direitos em relação a ela, desde que o facto seja ignorado pelo locador;

i) Restituir a coisa locada findo o contrato.

ARTIGO 1145º
(Gratuidade ou onerosidade do mútuo)

1. As partes podem convencionar o pagamento de juros como retribuição do mútuo; este presume-se oneroso em caso de dúvida.

2. Ainda que o mútuo não verse sobre dinheiro, observar-se-á, relativamente a juros, o disposto no artigo 559º e, havendo mora do
mutuário, o disposto no artigo 806º.
D. Prestações determinadas e prestações indeterminadas
Resulta dos art. 280 e 400 que a prestação não necessita de se encontrar determinada no
momento da conclusão do negócio, bastando que seja determinável. É o que acontece quando
as partes celebram um negócio sem estabelecer a forma da prestação ou o montante de
contraprestação.
ARTIGO 280º
(Requisitos do objecto negocial)

1. É nulo o negócio jurídico cujo objecto seja física ou legalmente impossível, contrário à lei ou indeterminável.

2. É nulo o negócio contrário à ordem pública, ou ofensivo dos bons costumes.


ARTIGO 400º
(Determinação da prestação)

1. A determinação da prestação pode ser confiada a uma ou outra das partes ou a terceiro; em qualquer dos casos deve ser feita
segundo juízos de equidade, se outros critérios não tiverem sido estipulados.

2. Se a determinação não puder ser feita ou não tiver sido feita no tempo devido, sê-lo-á pelo tribunal, sem prejuízo do disposto
acerca das obrigações genéricas e alternativas.

Nas prestações indeterminadas a determinação da prestação terá que ocorrer até ao


momento do cumprimento. Muitas vezes essa indeterminação resulta de as partes não terem
julgado necessário tomar posição sobre o assunto, em virtude de existir regra supletiva
aplicável, ou de pretenderem aplicar ao negócio as condições usuais no mercado. Nesse caso a
lei remete precisamente para esses critérios, procedendo assim á determinação da prestação
por essa via. Essa solução contra do art. 883 relativa á compra e venda, e do art. 1158 nrº2
relativo ao mandato, os quais são extensíveis, respectivamente, a outros contratos onerosos
de transmissão de bens ou de prestação de serviços pelos art. 939 e 1158.
ARTIGO 883º
(Determinação do preço)

1. Se o preço não estiver fixado por entidade pública, e as partes o não determinarem nem convencionarem o modo de ele ser
determinado, vale como preço contratual o que o vendedor normalmente praticar à data da conclusão do contrato ou, na falta dele, o
do mercado ou bolsa no momento do contrato e no lugar em que o comprador deva cumprir; na insuficiência destas regras, o preço é
determinado pelo tribunal, segundo juízos de equidade.

2. Quando as partes se tenham reportado ao justo preço, é aplicável o disposto no número anterior.

ARTIGO 939º
(Aplicabilidade das normas relativas à compra e venda)

As normas da compra e venda são aplicáveis aos outros contratos onerosos pelos quais se alienam bens ou se estabeleçam encargos
sobre eles, na medida em que sejam conformes com a sua natureza e não estejam em contradição com as disposições legais
respectivas.

ARTIGO 1158º
(Gratuidade ou onerosidade do mandato)

1. O mandato presume-se gratuito, excepto se tiver por objecto actos que o mandatário pratique por profissão; neste caso, presume-
se oneroso.

2. Se o mandato for oneroso, a medida da retribuição, não havendo ajuste entre as partes, é determinada pelas tarifas profissionais;
na falta destas, pelos usos; e, na falta de umas e outros, por juízos de equidade.

Assim por exemplo se alguém encomendar o fornecimento de certa quantidade de uma


mercadoria, o facto de não ser determinado o preço e as condições de fornecimento significa
normalmente uma referência implícita ao preço e condições de fornecimento habituais no
mercado, o que permite que a prestação seja determinada através desse critério (art. 883 nrº1
e 239)
Outras vezes, a indeterminação da prestação resulta de as partes terem pretendido conferir a
uma delas a faculdade de efectuar essa determinação porque só essa parte tem os
conhecimentos necessários para o poder fazer adequadamente. Assim, por exemplo, se
alguém pede a um mecânico que lhe repare o seu automóvel, apenas o mecânico pode saber
que tipo de reparação é exigida e também quando é que deve cobrar por ela, dependendo a
determinação da prestação da obtenção dessa informação. Nesses casos a prestação vem a ser
determinada durante as negociações, o que permite que esteja determinada no momento da
conclusão do negócio. Quando porem essa circunstância não ocorre, tal significa que as partes
delegaram num delas a faculdade de determinar o conteúdo da prestação. Essa situação pode
qualificar-se como um poder potestativo, que tem como contraponto um estado de sujeição
da outra parte, a ver determinado o objecto da prestação de acordo com a decisão da
primeira.
Obrigações genéricas
O art. 539 define as obrigações genéricas como aquelas em que o objecto da prestação se
encontra apenas determinado quando ao género.
Obrigações genéricas

ARTIGO 539º
(Determinação do objecto)

Se o objecto da prestação for determinado apenas quanto ao género, compete a sua escolha ao devedor, na falta de estipulação em
contrário.

Isto significa que a prestação se encontra determinada apenas por referencia a uma certa
quantidade, peso ou medida de coisas dentro de um género, mas não está ainda
concretamente determinado quais os espécimes daquele género que vão servir para o
cumprimento da obrigação. Exemplos serão a obrigação de entrega de vinte garrafas de vinho
ou de dez quilos de maçãs. Há uma referencia ao género (vinho, maçãs) e á quantidade (vinte
garrafas, dez quilos) mas ainda não estão concretizadas quais as unidade com que o devedor
devera cumprir a obrigação. Dai que a obrigação se denomine genérica, pois apenas o género
se encontra determinado. Ao contrario da obrigação especifica que o género como os
espécimes da prestação se encontram determinados. As obrigações genéricas são bastante
comuns no comércio onde se efectua uma negociação sobre coisas fungíveis (art. 207)
ARTIGO 207º
(Coisas fungíveis)

São fungíveis as coisas que se determinam pelo seu género, qualidade e quantidade, quando constituam objecto de relações
jurídicas.

O facto de a obrigação ser genérica implica naturalmente que tenha que ocorrer um processo
de individualização dos espécimes dentro do género. É a denominada escolha que nos termos
do art. 400 pode caber a ambas as partes ou a terceiro. Nos termos do art. 539 a regra é a de
que a escolha cabe ao devedor, referindo o art. 542 as hipóteses excepcionais de a escolha
caber ao credor ou a terceiro.
ARTIGO 400º
(Determinação da prestação)

1. A determinação da prestação pode ser confiada a uma ou outra das partes ou a terceiro; em qualquer dos casos deve ser feita
segundo juízos de equidade, se outros critérios não tiverem sido estipulados.

2. Se a determinação não puder ser feita ou não tiver sido feita no tempo devido, sê-lo-á pelo tribunal, sem prejuízo do disposto
acerca das obrigações genéricas e alternativas.
Obrigações genéricas

ARTIGO 539º
(Determinação do objecto)

Se o objecto da prestação for determinado apenas quanto ao género, compete a sua escolha ao devedor, na falta de estipulação em
contrário.
ARTIGO 542º
(Concentração por facto do credor ou de terceiro)

1. Se couber ao credor ou a terceiro, a escolha só é eficaz se for declarada, respectivamente, ao devedor ou a ambas as partes, e é
irrevogável.

2. Se couber a escolha ao credor e este a não fizer dentro do prazo estabelecido ou daquele que para o efeito lhe for fixado pelo
devedor, é a este que a escolha passa a competir.

A indeterminação inicial da obrigação genérica coloca o problema da averiguação do momento


em que tem lugar a transferência da propriedade sobre as coisas que vão servir para
cumprimento da obrigação, uma vez que a regra é a de que o risco do perecimento da coisa
corre por conta do seu proprietário (art. 796)
ARTIGO 796º
(Risco)

1. Nos contratos que importem a transferência do domínio sobre certa coisa ou que constituam ou transfiram um direito real sobre
ela, o perecimento ou deterioração da coisa por causa não imputável ao alienante corre por conta do adquirente.

2. Se, porém, a coisa tiver continuado em poder do alienante em consequência de termo constituído a seu favor, o risco só se
transfere com o vencimento do termo ou a entrega da coisa, sem prejuízo do disposto no artigo 807º.

3. Quando o contrato estiver dependente de condição resolutiva, o risco do perecimento durante a pendência da condição corre por
conta do adquirente, se a coisa lhe tiver sido entregue; quando for suspensiva a condição, o risco corre por conta do alienante
durante a pendência da condição.

Mas na obrigação genérica a transferência da propriedade não pode ocorrer no momento da


celebração do contrato, conforme resulta do art. 408 nrº1 (pois aqui estamos perante coisas
determinadas). O direito real só pode ter por objecto coisas corpóreas e determinadas. Assim
há sempre que determinar a prestação para se obter a transferência da propriedade.
ARTIGO 408º
(Contratos com eficácia real)

1. A constituição ou transferência de direitos reais sobre coisa determinada dá-se por mero efeito do contrato, salvas as excepções
previstas na lei.

2. Se a transferência respeitar a coisa futura ou indeterminada, o direito transfere-se quando a coisa for adquirida pelo alienante ou
determinada com conhecimento de ambas as partes, sem prejuízo do disposto em matéria de obrigações genéricas e do contrato de
empreitada; se, porém, respeitar a frutos naturais ou a partes componentes ou integrantes, a transferência só se verifica no momento
da colheita ou separação.

Só que as obrigações genéricas são exceptuadas desse regime, estando a transferência da


propriedade sobre as coisas que servem para o seu cumprimento sujeitas a outras regras.
Efectivamente a transmissão de propriedade e a transferência de risco a ela associada ocorre
quando a obrigação passa de genérica a especifica. Mas quando é que ocorre a concentração
da obrigação? Três teorias:

1. A teoria da escolha (Thöl) – segundo esta teoria a concentração da obrigação genérica


ocorre logo no momento em que o devedor procede á separação dentro do género
das coisas que pretende usar par ao cumprimento da obrigação, pelo que nesse
momento a obrigação deixaria de ser genérica e passaria considerar-se específica,
correndo o risco a partir deste momento por conta do credor.
2. A teoria do envio (Puntschart) – segundo esta teoria a simples separação não basta,
exigindo-se antes que o devedor proceda ao envio para o credor das coisas com que
pretende cumprir a obrigação. Neste caso a concentração ocorre logo que as coisas
saem do domicilio do devedor correndo o risco por conta do credor a partir daqui.
3. A teoria da entrega (Jhering) – segundo esta teoria a concentração da obrigação
genérica só ocorreria com o cumprimento da obrigação. Só nesse momento se
efectuando a transferência do risco para o credor. Consequentemente qualquer
perecimento da coisa que ocorresse anteriormente a esse momento correria por conta
do devedor.

A nossa lei consagrou no art. 540, a teoria da entrega relativamente á concentração das
obrigações genéricas por escolha do devedor. É esse também o momento da transferência da
propriedade sobre as coisas objecto da obrigação genérica, já que, em face do art. 408 nº 2 a
transmissão da propriedade sobre coisas genéricas exige a sua concentração que normalmente
apenas ocorre mediante a entrega pelo devedor (art. 540)
ARTIGO 540º
(Não perecimento do género)

Enquanto a prestação for possível com coisas do género estipulado, não fica o devedor exonerado pelo facto de perecerem aquelas
com que se dispunha a cumprir.

Concluímos assim que no nosso direito, a concentração da obrigação genérica, quando a


escolha compete ao devedor, apenas se dá no momento do cumprimento, podendo até lá o
devedor revogar escolhas que anteriormente tenha realizado. Tal só não sucederá se tiver
perdido a possibilidade material de o fazer (perecimento das restantes coisas do género), ou
se a escolha tiver sido aceite, o que significa que as partes por acordo modificaram a
obrigação, transformando-a em específica. Não há assim desvios á consagração da teoria da
entrega no art. 540 com soluções próximas da teoria da escolha ou do envio, pois a mora do
credor não deve impedir a realização de nova escolha pelo devedor até ao cumprimento e na
promessa de envio referido no art. 797 é de verdadeiro cumprimento que se trata.
ARTIGO 797º
(Promessa de envio)

Quando se trate de coisa que, por força da convenção, o alienante deva enviar para local diferente do lugar do cumprimento, a
transferência do risco opera-se com a entrega ao transportador ou expedidor da coisa ou à pessoa indicada para a execução do envio.

Diferentemente se passam as coisas quando a escolha compete ao credor ou a terceiro. A


nossa lei adopta plenamente a teoria da escolha, referindo o art. 542 que uma vez realizada
pelo credor ou pelo terceiro, passa a ser irrevogável. Se no entanto a escolha couber ao credor
e este não fizer dentro do prazo estabelecido ou daquele que para o efeito lhe for fixado pelo
devedor, é a este que a escolha passa a competir (art. 542 nrº2). Naturalmente que nesta
situação passam a ser aplicáveis as disposições do art. 540 e 541 como se a escolha coubesse
ao devedor desde o inicio.
ARTIGO 542º
(Concentração por facto do credor ou de terceiro)

1. Se couber ao credor ou a terceiro, a escolha só é eficaz se for declarada, respectivamente, ao devedor ou a ambas as partes, e é
irrevogável.

2. Se couber a escolha ao credor e este a não fizer dentro do prazo estabelecido ou daquele que para o efeito lhe for fixado pelo
devedor, é a este que a escolha passa a competir.

As obrigações alternativas
Caracterizam-se por existirem duas ou mais prestações de natureza diferente, mas em que o
devedor se exonera com a mera realização de uma delas que por escolha vier a ser designada
(art. 543 CC).
Obrigações alternativas

ARTIGO 543º
(Noção)

1. É alternativa a obrigação que compreende duas ou mais prestações, mas em que o devedor se exonera efectuando aquela que, por
escolha, vier a ser designada.
2. Na falta de determinação em contrário, a escolha pertence ao devedor.
Assim se o devedor se obrigar a entregar ao credor o barco X ou o automóvel Y cumpre a
obrigação se entregar qualquer um destes objectos. As duas prestações encontram-se em
alternativa, mas apenas uma é concretizável através de uma escolha. Na falta de terminação
em contrário, a escolha pertence ao devedor (art. 543 nrº2), mas pode também competir ao
credor ou a terceiro (art. 549).
ARTIGO 549º
(Escolha pelo credor ou por terceiro)

À escolha que o credor ou terceiro deva efectuar é aplicável o disposto no artigo 542º.

Assim, apesar de existirem duas ou mais prestações, o devedor tem apenas uma obrigação e o
credor apenas um direito de crédito. Só constituem obrigações alternativas aquelas que
pressupõem uma escolha entre prestações.
Nas obrigações alternativas, a escolha tem que se verificar entre uma ou outra das prestações,
não sendo permitido, mesmo tratando-se de prestações divisíveis, que aquela a quem
incumbe a escolha decida realiza-la entre parte de uma prestação ou parte de outra (art. 544)
ARTIGO 544º
(Indivisibilidade das prestações)

O devedor não pode escolher parte de uma prestação e parte de outra ou outras, nem ao credor ou a terceiro é lícito fazê-lo quando a
escolha lhes pertencer
A designação do devedor, desde que conhecida da outra parte, que determina a prestação
devida (art.543 nr1 e art. 548).
ARTIGO 548º
(Falta de escolha pelo devedor)

O credor, na execução, pode exigir que o devedor, dentro do prazo estipulado ou do estabelecido na lei de processo, declare por qual
das prestações quer optar, sob pena de se devolver ao credor o direito de escolha.

Não é permitida ao devedor a posterior revogação da escolha efectuada, uma vez que, após a
realização da escolha, ela só se exonera efectuando a prestação escolhida. A escolha é
igualmente irrevogável quando compete ao credor ou a terceiro, por forca da remissão do art.
549 para o art. 542.
ARTIGO 549º
(Escolha pelo credor ou por terceiro)

À escolha que o credor ou terceiro deva efectuar é aplicável o disposto no artigo 542º.

ARTIGO 542º
(Concentração por facto do credor ou de terceiro)

1. Se couber ao credor ou a terceiro, a escolha só é eficaz se for declarada, respectivamente, ao devedor ou a ambas as partes, e é
irrevogável.

2. Se couber a escolha ao credor e este a não fizer dentro do prazo estabelecido ou daquele que para o efeito lhe for fixado pelo
devedor, é a este que a escolha passa a competir.

Se porem alguma das partes não realizar a escolha no tempo devido, a lei prevê a devolução
dessa faculdade á outra parte (art. 542 nrº2, art. 549 e art. 548). Se a escolha couber ao
credor e ele não a fizer no prazo estipulado ou naquele que para o efeito for fixado pelo
devedor, a escolha passa imediatamente a competir a este. Se porem a escolha couber ao
devedor, a devolução da escolha ao credor ocorre apenas na fase da execução tendo o credor,
na fase declarativa, que obter uma condenação em alternativa através da formulação de um
pedido alternativo.
As obrigações alternativas têm um regime especial em sede de impossibilidade da prestação,
quando esta se verifica antes de a escolha ter ocorrido. Devemos neste caso distinguir entre:
1. Impossibilidade casual – aquela que não é imputável a nenhuma das partes (art. 545).
Neste caso e uma vez que a prestação ainda esta indeterminada por não ter ocorrido a
escolha, a propriedade sobre qualquer dos objectos da obrigação alternativa ainda
não se transmitiu para o credor, pelo que o risco pelo perecimento casual de alguma
das prestações corre por conta do devedor. Assim se o devedor se comprometeu a
entregar ao credor o carro X ou o barco Y e este último náufraga em virtude de um
temporal, é o devedor que tem que suportar esse prejuízo, devendo entregar ao
credor o carro X. Em virtude da impossibilidade casual ocorre um fenómeno de
redução da obrigação alternativa á prestação que ainda seja possível.
ARTIGO 545º
(Impossibilidade não imputável às partes)

Se uma ou algumas das prestações se tornarem impossíveis por causa não imputável às partes, a obrigação considera-se limitada às
prestações que forem possíveis.

2. Impossibilidade imputável ao devedor – Neste caso temos que verificar a quem


pertence a escolha, já que a impossibilidade de uma das prestações pode afectar a
escolha que a outra parte pretenda fazer, quando esta lhe compete. Ao art. 546 refere
o caso de a impossibilidade ser imputável ao devedor. Neste caso, se a escolha lhe
competir, ele deve efectuar uma das prestações possíveis. Mas se a escolha competir
ao credor, ele pode exigir uma das prestações possíveis, ou exigir indemnização pelos
danos de não ter sido realizada a prestação que se tornou impossível, ou resolver o
contrato nos termos geral.
ARTIGO 546º
(Impossibilidade imputável ao devedor)

Se a impossibilidade de alguma das prestações for imputável ao devedor e a escolha lhe pertencer, deve efectuar uma das prestações
possíveis; se a escolha pertencer ao credor, este poderá exigir uma das prestações possíveis, ou pedir a indemnização pelos danos
provenientes de não ter sido efectuada a prestação que se tornou impossível, ou resolver o contrato nos termos gerais.

3. Impossibilidade imputável ao credor – aplica-se á situação o art. 547. Se a escolha


pertence ao credor, considera-se a obrigação como cumprida. Esta é a solução lógica
pois o devedor não tinha a faculdade de escolher e a atitude do credor, ao
impossibilitar culposamente uma das prestações deve ser equiparada á situação de
ele a escolher. Se à escolha pertence ao devedor, a obrigação também se considera
como cumprida, a menos que o devedor prefira realizar outra prestação e ser
indemnizado dos danos que haja sofrido. Neste caso, a atitude do credor implica
impossibilitação da escolha pelo devedor, pelo que se concede ainda a este a
alternativa de optar pela indemnização.
ARTIGO 547º
(Impossibilidade imputável ao credor)

Se a impossibilidade de alguma das prestações for imputável ao credor e a escolha lhe pertencer, considera-se cumprida a obrigação;
se a escolha pertencer ao devedor, também a obrigação se tem por cumprida, a menos que este prefira efectuar outra prestação e ser
indemnizado dos danos que houver sofrido.

As obrigações pecuniárias
Uma das mais importantes categorias das obrigações consiste nas obrigações pecuniárias.
Estas correspondem ás obrigações que têm dinheiro por objecto, visando proporcionar ao
credor o valor que as respectivas espécies monetárias possuam. As obrigações têm por objecto
a entrega de quantias em dinheiro. A divida terá em certo momento, que ser liquidada em
dinheiro, pelo que nesse momento se converterá em obrigação pecuniária.
As obrigações pecuniárias podem subdividir-se em três modalidades:
1. Obrigações de quantidade - consistem naquelas obrigações que têm por objecto uma
quantidade de moeda com curso legal no país. O regime das obrigações de quantidade
consta do art. 550 que nos refere o seguinte:
ARTIGO 550º
(Princípio nominalista)

O cumprimento das obrigações pecuniárias faz-se em moeda que tenha curso legal no País à data em que for efectuado e pelo valor
nominal que a moeda nesse momento tiver, salvo estipulação em contrário.
Deste artigo resulta:
 O princípio do curso legal – significa que o cumprimento das obrigações pecuniárias se
deve realizar apenas com espécies monetárias a que o Estado reconheça função
liberatória genérica, cuja aceitação é obrigatória para os particulares. As obrigações de
quantidade consistem em obrigações genéricas, sujeitas ao regime respectivo, mas o
género de referência toma por base todo o universo da moeda com curso legal nos
pais. Dai que nas obrigações pecuniárias seja impossível a extinção do género referida
no art. 541, não ficando o devedor liberado pelo facto de não possuir dinheiro para
efectuar o pagamento. Efectivamente a impossibilidade económica do devedor não é
causa de extinção da obrigação, dado o facto de enquanto existir moeda com curso
legal substituir o género acordado para o pagamento.
 O princípio do nominalismo monetário - a moeda além do valor nominal, facial ou
extrínseco, corresponde às unidades monetárias nela referidas, possui um valor de
troca. Ora em períodos de inflação ou deflação, o valor de troca da moeda pode sofrer
alteração entre o momento de constituição da obrigação e o momento do
cumprimento levando a que a entrega das espécies monetárias já não tenha
correspondência com o valor de troca que a moeda possuía no momento da
constituição da obrigação. A lei vem resolver esse problema, dando preferência ao
valor nominal da moeda para efeitos do cumprimento. É o que refere o art. 550 ao
prever que o cumprimento das obrigações pecuniárias se faz pelo valor nominal da
moeda no momento do cumprimento. Temos assim a consagração expressa do
princípio do nominalismo monetário segundo o qual se deve tomar em consideração
somente o valor nominal da moeda independentemente de qual seja o seu valor de
troca no momento do cumprimento. O risco da desvalorização da moeda é suportado
pelo credor. No entanto existem algumas excepções como as partes convencionarem
ao abrigo da autonomia privada formas de actualização da prestação de que é
exemplo a convenção de rendas escalonadas (art. 1077 nr1). Mas em algumas
situações é a própria lei que prevê a actualização das obrigações pecuniárias, que
acontece normalmente nas situações de prestações periódicas.

2. Obrigações em moeda específica – as obrigações em moeda específica correspondem


a situações em que a obrigação pecuniária é convencionalmente limitada a espécies
metálicas ou ao valor delas, afastando-se assim por via contratual a possibilidade do
pagamento em notas. Apesar do princípio do curso legal que naturalmente também
abrange as notas é possível as partes convencionarem que o cumprimento se fará em
moeda específica (art. 552)
Obrigações de moeda específica

ARTIGO 552º
(Validade das obrigações de moeda específica)

O curso legal ou forçado da nota de banco não prejudica a validade do acto pelo qual alguém se comprometa a pagar em
moeda metálica ou em valor dessa moeda.

3. Obrigações em moeda estrangeira – ou obrigações valutárias. São aquelas em que a


prestação é estipulada em relação a espécies monetárias que têm curso legal apenas
no estrangeiro. Esta estipulação é comum sempre que as partes pretendam acautelar-
se contra uma eventual desvalorização da moeda europeia ou especular com a
eventual subida de valor da moeda estrangeira. Existe uma distinção entre:
 Obrigações valutárias próprias ou puras - verifica-se que o próprio cumprimento
da obrigação só pode ser realizado em moeda estrangeira, não podendo o credor
exigir o pagamento em moeda nacional nem o devedor entregar esta moeda.
 Obrigações valutárias impróprias ou impuras – a estipulação da moeda estrangeira
funciona apenas como unidade de referência para determinar, através do câmbio
de determinada data, a quantidade de moeda nacional devida. Nesse caso, o
cumprimento terá obrigatoriamente que ser realizado em moeda nacional (art.
558).
Obrigações em moeda estrangeira

ARTIGO 558º
(Termos do cumprimento)

1 - A estipulação do cumprimento em moeda com curso legal apenas no estrangeiro não impede o devedor de pagar em moeda com
curso legal no País, segundo o câmbio do dia do cumprimento e do lugar para este estabelecido, salvo se essa faculdade houver sido
afastada pelos interessados.

2. Se, porém, o credor estiver em mora, pode o devedor cumprir de acordo com o câmbio da data em que a mora se deu.

Obrigações de juros
Caracterizam-se por corresponderem á renumeração da cedência ou do diferimento da
entrega de coisas fungíveis (capital) por um certo lapso de tempo. A lei caracteriza os juros
como frutos civis (art. 212 nr.2), uma vez que são frutos das coisas fungíveis, produzidos
periodicamente em virtude de uma relação jurídica.
ARTIGO 212º
(Frutos)

1. Diz-se fruto de uma coisa tudo o que ela produz periodicamente, sem prejuízo da sua substância.

2. Os frutos são naturais ou civis; dizem-se naturais os que provêm directamente da coisa, e civis as rendas ou interesses que a coisa
produz em consequência de uma relação jurídica.

3. Consideram-se frutos das universalidades de animais as crias não destinadas à substituição das cabeças que por qualquer causa
vierem a faltar, os despojos, e todos os proventos auferidos, ainda que o título eventual.

O juro é calculado em função do lapso de tempo correspondente de te á utilização do capital.


Os juros representam assim uma prestação devida como compensação ou indemnização pela
privação temporária de uma quantidade de coisas fungíveis denominada capital e pelo risco de
reembolso desta.
A obrigação de juros aparece como uma obrigação que se constitui tendo como referencia
uma outra obrigação (a obrigação de entrega ou retribuição do capital) e constitui
economicamente um rendimento desse mesmo capital. São no entanto, duas obrigações
distintas, já que a partir do momento em que se constitui, o crédito de juros adquire
autonomia em relação ao crédito de capital, podendo qualquer deles ser cedido ou extinguir-
se sem o outro (art. 561)
ARTIGO 561º
(Autonomia do crédito de juros)

Desde que se constitui, o crédito de juros não fica necessariamente dependente do crédito principal, podendo qualquer deles ser
cedido ou extinguir-se sem o outro.

Existe um distinção entre:


1. Juros legais – encontram-se referidos no art. 559 nrº1. São aqueles que são aplicáveis
sempre que haja normas legais que determinem atribuição de juro em consequência
do diferimento na realização de uma prestação, funcionado ainda supletivamente
sempre que as partes estipulem a atribuição de juros sem determinarem a sua taxa ou
quantitativo.
ARTIGO 559º
(Taxa de juro)

1. Os juros legais e os estipulados sem determinação de taxa ou quantitativo são os fixados em portaria conjunta dos Ministros da
Justiça e das Finanças e do Plano.
2. A estipulação de juros a taxa superior à fixada nos termos do número anterior deve ser feita por escrito, sob pena de serem apenas
devidos na medida dos juros legais.

2. Juros convencionais – são aqueles em que a sua taxa ou quantitativo é estipulada


pelas partes. No entanto existem restrições (art. 559 – A), pois são considerados como
usurários juros anuais que excedam os juros legais acima de3% ou 5%, conforme
exista ou não garantia real (art. 1146 nrº1), sendo apenas permitida a cobrança de
juros superiores em se tratando de uma cláusula penal moratória, caso em que esses
limites são respectivamente elevados para 7% e 9% (art. 1146 nrº2). Assim as partes
estão impedidas de estipular juros que ultrapassem esses limites.
ARTIGO 559º-A
(Juros usurários)

É aplicável o disposto no artigo 1146º a toda a estipulação de juros ou quaisquer outras vantagens em negócios ou actos de
concessão, outorga, renovação, desconto ou prorrogação do prazo de pagamento de um crédito e em outros análogos.

ARTIGO 1146º
(Usura)

1. É havido como usurário o contrato de mútuo em que sejam estipulados juros anuais que excedam os juros legais, acrescidos de
3% ou 5%, conforme exista ou não garantia real.
2. É havida também como usurária a cláusula penal que fixar como indemnização devida pela falta de restituição de empréstimo,
relativamente ao tempo de mora, mais do que o correspondente a 7% ou a 9% acima dos juros legais, conforme exista ou não
garantia real.

3. Se a taxa de juros estipulada ou o montante da indemnização exceder o máximo fixado nos números precedentes, considera-se
reduzido a esses máximos, ainda que seja outra a vontade dos contraentes.

4. O respeito dos limites máximos referidos neste artigo não obsta à aplicabilidade dos artigos 282º a 284º.

Existem ainda outras distinções como:


 Juros remuneratórios
 Juros compensatórios
 Juros moratórios
 Juros indemnizatórios
Uma da regras importantes relativas á obrigação de juros é a proibição do anatocismo, ou seja
da cobrança de juros sobre juros. A lei consagra assim a regra de que o juro não vence juros, a
menos que haja convenção posterior ao vencimento, ou seja efectuada uma notificação
judicial ao devedor para capitalizar os juros ou proceder ao seu pagamento, soba pena de
capitalização (art. 560 nrº1). Só nesses dois casos há lugar á capitalização de juros e mesmo
assim só podem ser capitalizados os juros correspondentes ao período mínimo de um ano (art.
560 nr.2)
ARTIGO 560º
(Anatocismo)

1. Para que os juros vencidos produzam juros é necessária convenção posterior ao vencimento; pode haver também juros de juros, a
partir da notificação judicial feita ao devedor para capitalizar os juros vencidos ou proceder ao seu pagamento sob pena de
capitalização.

2. Só podem ser capitalizados os juros correspondentes ao período mínimo de um ano.

3. Não são aplicáveis as restrições dos números anteriores, se forem contrárias a regras ou usos particulares do comércio.