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Psicologia e trânsito

Muitos nem sabem, mas existe um ramo da psicologia que estuda e analisa os comportamentos
humanos em função das normas ou leis que buscam a segurança e a integridade de todos que se
locomovem.

O professor José Aparecido da Silva, pesquisador da área de psicofísica e percepção, especialista em
processos sensoriais do Departamento de Psicologia e Educação do câmpus da USP de Ribeirão
Preto, dedica­se principalmente à psicologia do trânsito. Ele afirma que é preciso reduzir os fatores
que levam aos acidentes fatais no trânsito, que em mais de 90% dos casos são fatores humanos.

Segundo o especialista, a psicologia do trânsito entende que o trânsito é composto pela interação
entre três grandes subsistemas — o homem, a via e o veículo — e que uma locomoção segura e
organizada envolve três elementos principais: engenharia, educação e policiamento/legislação. Mas
aponta que o homem, com seus múltiplos fatores sensoriais, motivacionais, emocionais e de
personalidade, é o maior responsável pelas diferentes causas dos acidentes de trânsito.

Leia trechos da entrevista com José Aparecido da Silva, em que ele esclarece um pouco sobre os
riscos do uso de celular na direção.

A infração de uso de celular no trânsito é uma das que mais cresce no país. Algumas
pessoas acreditam que o uso do telefone não interfere em seus reflexos. Na sua opinião,
o que falta para as pessoas é bom censo ou informação?
Certamente, essa infração é uma das que mais cresce em todo o país. Ser flagrado falando ao
telefone celular pode levar à perda de quatro pontos na carteira de habilitação e a uma multa de 80
Ufirs. Talvez, devido ao fato de essa infração ser difícil de ser flagrada, os motoristas têm abusado
cada vez mais. Esse abuso certamente se deve à falta de informação da maioria das pessoas.
Faltam­lhes conhecimento e educação para o trânsito. O comportamento de dirigir um veículo é
composto por múltiplas tarefas. Envolve a tomada de informação, o processamento de informação,
a tomada de decisão e as atividades motoras. Muitos motoristas acreditam que dirigir envolve
apenas as atividades motoras e, portanto, o uso do telefone celular, especialmente o viva­voz e o
fone de ouvido, não afetaria o comportamento de dirigir, pois as mãos ficam livres. Todavia, não é
bem assim. Dirigir envolve uma carga mental ou cognitiva, isto é, o motorista precisa atender e
depreender vários estímulos que estão em seu ambiente interno (dentro do veículo) e externo
(vias, estradas, ambiente em geral). Dados epidemiológicos e experimentais revelam que os
motoristas que fazem uso do telefone celular enquanto estão dirigindo têm um risco de 3 a 9 vezes
maior de se envolverem em acidentes fatais quando comparados com aqueles que não fazem uso
de celulares. Além disso, não há qualquer vantagem no uso do telefone celular viva­voz ou fone de
ouvido em relação ao uso do telefone celular manual. O risco é idêntico em todas as condições.

As constantes mudanças no Código Brasileiro de Trânsito, que proibiu e logo depois
permitiu o uso do fone de ouvido, contribuem para que os motoristas não levem a sério
o risco de usar esses aparelhos?
Sim, as constantes mudanças ou a instabilidade dessas regras podem certamente contribuir para
que os motoristas não considerem seriamente a possibilidade de que o uso de um telefone celular
no trânsito possa afetar a sua carga cognitiva ou mental. Aliado também ao fato de que os
motoristas, em sua maioria, não estão cientes desses riscos ou de que o uso de equipamentos
dessa natureza possa afetar os limites de sua atenção.
Os motoristas precisam continuamente ser instruídos/educados para os fatores de risco que podem
aumentar a probabilidade de acidentes de trânsito. O que se faz necessário é que o
Denatran/Contran tenha um centro de pesquisas voltado para investigar fatores de risco no
trânsito antes de introduzir qualquer modificação ou relaxamento de qualquer lei de trânsito.
Pesquisas são sempre necessárias.

Do seu ponto de vista, qual seria a melhor solução para a conscientização dos riscos a
que se expõem às pessoas que usam o celular enquanto dirigem?
Campanhas educativas intensas. Deveria haver demonstrações durante o período de obtenção da
carteira de habilitação, no qual poderia ser exemplificado que o uso dos celulares na direção afeta a
carga mental, ou seja, desvia a atenção do motorista para os sinais ou demandas mais relevantes
do ato de dirigir. Também deveriam ser utilizadas propagandas dramáticas demonstrando acidentes
causados pelo desvio de atenção, incluindo o uso dos telefones celulares, além de campanhas
educativas nas escolas secundárias.