Anda di halaman 1dari 53

Marcia Regina Zemella Luccas

Libras

Revisada por Marcia Regina Zemella Luccas (maio/2012)


APRESENTAÇÃO

É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Libras, parte integran-
te de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendizado dinâmico e autônomo que a educa-
ção a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar aos(às) alunos(as) uma apresentação
do conteúdo básico da disciplina.
A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidis-
ciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail.
Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br,
a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso,
bem como acesso a redes de informação e documentação.
Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suple-
mento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para
uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal.
A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar!

Unisa Digital
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO................................................................................................................................................ 5
1 MOVIMENTO HISTÓRICO DA LÍNGUA DE SINAIS........................................................... 7
1.1 Resumo do Capítulo........................................................................................................................................................9
1.2 Atividade Proposta...........................................................................................................................................................9

2 UM POUCO DA HISTÓRIA DOS SURDOS............................................................................. 11


2.1 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................18
2.2 Atividades Propostas....................................................................................................................................................19

3 AS TENDÊNCIAS NA EDUCAÇÃO DOS SURDOS............................................................ 21


3.1 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................26
3.2 Atividade Proposta........................................................................................................................................................26

4 LÍNGUA E LINGUAGEM..................................................................................................................... 27
4.1 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................30
4.2 Atividade Proposta........................................................................................................................................................30

5 LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS)........................................................................... 31


5.1 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................35
5.2 Atividades Propostas....................................................................................................................................................35

6 A LIBRAS E SUA GRAMÁTICA....................................................................................................... 37


6.1 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................39
6.2 Atividade Proposta........................................................................................................................................................40

7 ESTRUTURA LINGUÍSTICA DA LIBRAS.................................................................................. 41


7.1 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................52
7.2 Atividades Propostas....................................................................................................................................................52

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................................ 53
RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS...................................... 55
REFERÊNCIAS.............................................................................................................................................. 59
INTRODUÇÃO

Caro(a) aluno(a),

Esta apostila busca apresentar a você, aluno(a) do curso de graduação em Pedagogia e Licencia-
turas da Unisa, na modalidade a distância, os fundamentos da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Nesta
disciplina, temos como objetivos: refletir acerca das diferenças entre a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e
o Português; entender a importância da Língua Brasileira de Sinais para os surdos; conhecer e respeitar a
diferença linguística entre surdos e ouvintes; e capacitar futuros educadores na Libras.
Discutiremos aspectos fundamentais sobre língua e linguagem, a diferença entre as línguas orais-
-auditivas e visuais-espaciais, a estruturação da língua, assim como aspectos diferenciados da gramática
da Libras. Desenvolveremos a competência e habilidade de percepção visual e observação, aprendendo
a diferenciar a estrutura linguística das línguas orais e a de sinais, e percebendo as características dos
sinais a partir dos seus parâmetros. Iremos estudar, também, o alfabeto datilológico, a composição dos
sinais e sua legitimidade enquanto língua.
Lembramos que o conteúdo apresentado é introdutório e que, portanto, ninguém, ao término des-
te curso, terá proficiência em Libras, mas o foco desta disciplina é propor questionamentos e apontar
possibilidades de trabalho com alunos surdos, em relação à sua língua materna. Não há respostas pron-
tas em relação à língua, mas temos a certeza de que cada conteúdo aqui discutido irá beneficiar a sua
reflexão e o trabalho com seu(sua) aluno(a). Bem-vindo ao mundo das línguas visuais.

Bom trabalho!

Profa. Marcia Regina Zemella Luccas

5
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
MOVIMENTO HISTÓRICO DA LÍNGUA
1 DE SINAIS

Quando eu aceito a língua de outra pessoa, eu


aceitei a pessoa... Quando eu rejeito a língua, eu Saiba mais
rejeito a pessoa, porque a língua é parte de nós
mesmos... Quando eu aceito a língua de Sinais, Podemos entender a deficiência auditiva quando há
eu aceito o surdo, e é importante ter sempre em uma diminuição da audição, que produz uma redu-
mente que o surdo tem o direito de ser surdo. Nós ção na percepção de sons e dificulta a compreen-
não devemos mudá-los, ensiná-los, ajudá-los, são das palavras. A dificuldade aumenta com o grau
mas temos que permitir-lhes ser surdo. de perda. O deficiente auditivo é aquele que, com a
Anônimo utilização de uma prótese auditiva (aparelho de ampli-
ficação sonora), poderá reconhecer os sons do meio
ambiente, inclusive os sons da fala. A surdez pode
Caro(a) aluno(a), escrever sobre a história ser caracterizada pela impossibilidade de se ouvir,
da Libras e do movimento que ocorreu no Brasil mesmo com a utilização de próteses.
é uma tarefa árdua, pois, quando falamos sobre
esse assunto, não estamos falando somente de
um modo de comunicação, mas de uma concep- Podemos observar pelos dados citados que
ção de sujeitos e nos referindo à possibilidade de o número de pessoas surdas é gigantesco. En-
respeito a essa população surda, que, muitas ve- tendemos, então, que a Lei nº 10.436/02 (BRASIL,
zes, é invisível (MONTEIRO, 2006). 2002), que institui a Libras, é importante não só
É importante salientar que é bastante difí- para que se reconheça uma língua, mas um movi-
cil conhecer o número de deficientes auditivos e mento social e político para o resgate dos surdos
surdos existentes no Brasil, pois, quando é reali- da marginalização linguístico-educacional viven-
zado o censo populacional, o Instituto Brasileiro ciada por eles durante décadas.
de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pela
pesquisa, tem dificuldades para especificar este O Reconhecimento da Libras como Língua
número, uma vez que a pesquisa solicita o nú-
mero geral de “pessoas portadoras de deficiên-
Vamos entender agora como, então, a Li-
cias”, não especificando a questão da surdez.
bras passou a ser reconhecida como língua?
Alguns autores, entre eles Monteiro (2006),
Foi um processo longo e deveu-se prin-
apontam que, apesar de todas as dificuldades,
cipalmente ao envolvimento e movimento da
dados recentes do IBGE estimam que o número
comunidade surda. Pensar é produzir conheci-
total de surdos brasileiros seja de 5,7 milhões (di-
mento, portanto, a partir do reconhecimento da
vididos em: surdos profundos e deficientes au-
Libras como a língua própria dos surdos, houve
ditivos). Esses dados também apontam que, no
uma mudança na caracterização dos surdos bra-
Estado de São Paulo, há 480.000 e que, na capital
sileiros, pois, no momento em que sua língua foi
paulista, esse número é de 150.000 surdos e defi-
reconhecida socialmente, eles passaram a ser
cientes auditivos.
considerados cidadãos.

7
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

Como você já deve saber, os conhecimen- Parágrafo único. Entende-se como Lín-
tos que compõem a sociedade são transmitidos gua Brasileira de Sinais – LIBRAS a forma
de comunicação e expressão, em que o
pela classe dominante e esta acaba por “ditar” as
sistema lingüístico de natureza visual-
normas através das quais os seres humanos serão -motora, com estrutura gramatical pró-
julgados. Muitas vezes, a sociedade vê no cidadão pria, constituem um sistema lingüístico
surdo apenas um ser com um limite na audição de transmissão de idéias e fatos, oriundos
e nega reconhecer nessa pessoa um ser de direi- de comunidades de pessoas surdas do
Brasil.
tos e deveres, com uma língua e cultura próprias.
A conquista e o reconhecimento da Libras como Art. 2º Deve ser garantido, por parte do
poder público em geral e empresas con-
língua, e a modificação da visão do surdo como
cessionárias de serviços públicos, formas
uma pessoa que não possui uma deficiência, mas institucionalizadas de apoiar o uso e difu-
uma diferença no modo de aprender e apreen- são da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS
der o mundo, ainda são tímidos, mas já houve como meio de comunicação objetiva e
resultados significativos, como, por exemplo, a de utilização corrente das comunidades
surdas do Brasil.
aprovação da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro
de 2000, que prevê a formação de intérpretes Art. 3º As instituições públicas e empre-
sas concessionárias de serviços públicos
de língua de sinais para possibilitar aos surdos o de assistência à saúde devem garantir
acesso à informação (BRASIL, 2000). Com a Lei nº atendimento e tratamento adequado aos
10.436/02, que institui a Libras como língua ma- portadores de deficiência auditiva, de
terna dos surdos, o que passa a existir é a possibi- acordo com as normas legais em vigor.
lidade de uma mudança de comportamento e de Art. 4º O sistema educacional federal e
visão da sociedade em relação a essa população. os sistemas educacionais estaduais, mu-
nicipais e do Distrito Federal devem ga-
rantir a inclusão nos cursos de formação
de Educação Especial, de Fonoaudiologia
Dicionário e de Magistério, em seus níveis médio e
Lei: (do verbo latino ligare, que significa “aquilo
superior, do ensino da Língua Brasileira
que liga”, ou legere, que significa “aquilo que se de Sinais – LIBRAS, como parte integran-
lê”) é uma norma ou conjunto de normas jurídi- te dos Parâmetros Curriculares Nacionais
cas criadas através dos processos próprios do ato – PCNs, conforme legislação vigente.
normativo e estabelecidas pelas autoridades com-
Parágrafo único. A Língua Brasileira de
petentes para o efeito.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei.
Sinais – LIBRAS não poderá substituir a
modalidade escrita da Língua Portugue-
sa.
Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de
Preste atenção agora! sua publicação.
Brasília, 24 de abril de 2002; 181º da Inde-
Lei nº 10.436, de 24 de Abril de 2002. pendência e 114º da República.

Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais FERNANDO HENRIQUE CARDOSO


– Libras e dá outras providências. Paulo Renato Souza. (BRASIL, 2002).

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Como dito anteriormente, a Lei nº 10.436 foi


Faço saber que o Congresso Nacional de- sancionada a partir do movimento das comuni-
creta e eu sanciono a seguinte Lei: dades surdas brasileiras. Vale ressaltar que, apesar
Art. 1º É reconhecida como meio legal de dessa lei ter sido sancionada em 2002, somente
comunicação e expressão a Língua Brasi- em 22 de dezembro de 2005 é que sua regula-
leira de Sinais – LIBRAS e outros recursos
mentação foi aprovada, no Decreto nº 5.626, que
de expressão a ela associados.
define o que são pessoas com surdez, em seu art.

8
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Libras

2º: “Considera-se pessoa surda aquela que, por formação de professores para o exercício do ma-
ter perda auditiva, compreende e interage com gistério, em nível médio e superior, e nos cursos
o mundo por meio de experiências visuais, mani- de Fonoaudiologia. Assim, todos os cursos de li-
festando sua cultura principalmente pelo uso da cenciatura nas diferentes áreas do conhecimento
Língua Brasileira de Sinais-LIBRAS.” (BRASIL, 2005). também deverão oferecer essa disciplina.

Atenção
Dicionário
A Lei nº 10.436 aponta um grande avanço na
Decreto: refere-se a atos meramente administrati-
questão do reconhecimento dos surdos enquan-
vos da competência dos chefes dos poderes exe-
to sujeitos de direito, bem como o reconheci-
cutivos (presidente, governadores e prefeitos). Um
mento da sua comunicação enquanto uma cul-
decreto é usualmente utilizado pelo chefe do po-
tura diferenciada.
der executivo para fazer nomeações e regulamen-
tações de leis (como para lhes dar cumprimento
efetivo, por exemplo), entre outras coisas.

Assim, caro(a) aluno(a), afirmamos que a lín-


gua de sinais preenche as mesmas funções que
Saiba que é importante ressaltar que, nes- a língua portuguesa falada, portanto, para ser
sa nova legislação, há uma mudança significa- adquirida, preferencialmente é necessário que
tiva: passa-se a utilizar o termo “surdo” no lugar crianças surdas tenham o convívio com adultos
de deficiente auditivo, presente em documentos surdos, que possam inseri-las no funcionamento
anteriores. Determina, ainda, que a Libras deve linguístico-discursivo dessa língua.
ser disciplina curricular obrigatória nos cursos de

1.1 Resumo do Capítulo

Neste capítulo, observamos a dificuldade que os surdos tiveram para que pudessem ser reconhe-
cidos como pessoas que têm uma cultura diferenciada e principalmente uma língua própria. A Lei nº
10.436/2002 e o Decreto nº 5.626/2005 modificam a perspectiva dessa comunidade surda e suas possi-
bilidades de interação social.

1.2 Atividade Proposta

Vamos verificar sua aprendizagem?

1. Quem são as pessoas consideradas surdas nessa legislação?

9
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
2 UM POUCO DA HISTÓRIA DOS SURDOS

Caro(a) aluno(a), vamos conhecer agora um mento do ponto de vista histórico dos movimen-
pouco sobre o percurso histórico da educação tos dos surdos e dos intérpretes da Libras no Bra-
dos surdos. sil e seu reconhecimento no país.
Os surdos, ao longo da nossa história, foram Há pessoas surdas em todas as partes do
considerados deficientes e, assim como estes, fi- Brasil, porém muitos surdos são invisíveis à socie-
caram “escondidos” da sociedade. Este trabalho dade.
irá trazer alguns fatos que subsidiarão o conheci-

Saiba mais

“Em décadas passadas, existiam famílias ouvintes que ‘escondiam’ os filhos surdos pela ‘vergonha’ de terem concebido uma
criança fora dos padrões considerados normais; e por isso os surdos quase não saíam de casa ou sempre ficavam acompa-
nhados dos pais. A comunicação dos pais com os filhos surdos era muito complexa, pois esses não sabiam a Língua de Sinais
e também não a aceitavam; achavam que era ‘feio’ fazer ‘gesto’ ou ‘mímica’ (não Língua de Sinais) como forma de comunicação
com sua criança e, consequentemente, não aceitavam a língua de sinais como a primeira língua dos surdos. Os filhos surdos,
por sua vez, sentiam-se ‘isolados’ e sem comunicação alguma. Desse modo, muitas vezes criavam ‘complexos’ e/ou ficavam
‘nervosos’. Por muitos anos, os próprios surdos não compreenderam a importância da comunicação através da Língua de
Sinais para o processo de construção de sua Identidade Cultural, bem como para o desenvolvimento de sua cognição e
linguagem. Consequentemente, o bloqueio no desenvolvimento da Língua de Sinais causou problemas sociais, emocionais
e intelectuais na aquisição da linguagem nos surdos.
Além disso, esses indivíduos também não conseguiam alcançar suas metas e seus objetivos devido ao preconceito e à mar-
ginalização existentes, na sociedade, em relação à Língua de Sinais e à construção da Identidade e Cultura Surda Brasileira. A
sociedade ignorava as comunidades surdas brasileiras, que eram ‘isoladas’ e ‘discriminadas’.
Ultimamente, observa-se um processo de mudança significativa do olhar da sociedade em relação à questão do surdo, sua
língua e cultura. Entretanto, esse é ainda um processo muito lento dentro das políticas educacionais da sociedade brasileira.
Até poucos anos atrás, a Língua de Sinais Brasileira era ainda vista como ‘tabu’, pois não havia sido atribuída a língua de sinais
o status de língua. Essa era apenas considerada como ‘Linguagem’ e não ‘Língua’.” (MONTEIRO, 2006, p. 279).

A língua que conhecemos hoje como Libras Na história da nossa civilização e cultura, os
não é a língua de sinais como sua forma mais an- surdos e sua comunicação aparecem pela primei-
tiga. Como muitas das línguas faladas, a língua de ra vez no registro de dois grandes filósofos, Platão
sinais, em sua forma mais antiga, não foi preserva- e Aristóteles. Infelizmente, o pensamento de Aris-
da. Por meio de pesquisas, foi possível estabelecer tóteles (século IV a.C.) reflete-se até hoje no modo
algumas circunstâncias entre as quais a educa- como algumas pessoas encaram o surdo.
ção e a instrução formal de uma língua sinalizada
aconteceu.
A audição contribui para a maior parte
Como vimos anteriormente, apesar da es- do pensamento, porque a linguagem é a
cassez de informações sobre as línguas antigas, causa da instrução. Compõe-se, com efei-
acreditar que pessoas surdas não possuíam uma to, (a linguagem) de palavras e cada uma
língua sinalizada para sua comunicação, seria um das palavras é um signo. É por isso, que
equivocado. entre os homens privados congenita-

11
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

mente de um sentido, os cegos-natos são Os nossos mudos disputam, argumen-


mais inteligentes que os surdos-mudos. tam e contam histórias por gestos. Eu
(COUTINHO, 2008, p. 31). próprio os vi de tão flexíveis e formados
sobre aquilo que a verdade se refere que
não lhes falta nada para a perfeição de se
Como você pode perceber, a partir desse saberem fazer entender [...] necessitam
pensamento, podemos entender que os gregos para se exprimir do alfabeto dos dedos e
de uma gramática de gestos. (COUTINHO,
defendiam que a fala era de origem divina e que,
2008, p. 34).
para as pessoas surdas, deveria ser negada a ins-
trução, pois não falavam, portanto não eram con-
sideradas pessoas dignas. Até o presente momento do texto, pude-
Em outro momento histórico, têm-se as leis mos observar que a sociedade renegou os sur-
romanas e feudais que refletem a ideia de que o dos, porém vimos que as experiências educa-
surdo deveria ser excluído da sociedade e que não cionais promoveram uma modificação no modo
possuía direitos: “ao surdo não era permitido o de a sociedade encarar o surdo; concluiu-se que
acesso a herança e aos privilégios feudais” (COUTI- os surdos são pessoas inteligentes que podem
NHO, 2008, p. 32). Nos casos mais comuns, viviam aprender uma linguagem para exprimir seu pen-
como camponeses ou eram tolerados como “idio- samento.
tas ou débeis”. Sendo assim, os professores passam a uti-
Apesar da aparente exclusão dos surdos e lizar os gestos para ensinar seus alunos surdos,
da sua impossibilidade de participar ativamen- mas apenas como um modo de eles aprende-
te da vida comunitária, existem alguns registros rem a língua oral e se expressarem através dela.
de que, em algumas comunidades religiosas, os Apesar do sucesso do trabalho de Ponce de Leon,
surdos eram recolhidos e esses religiosos se be- entre outros, no século XVII e XVIII o conceito de
neficiavam dos conhecimentos da comunicação homem educado é aquele que fala bem. Logo, se
gestual. São Jerônimo (final século IV) observa não há palavra, não há pensamento.
que havia surdos que aprendiam o evangelho por Como estamos falando do percurso da edu-
meio de gestos. Já Santo Agostinho aponta que cação e do reconhecimento dos surdos na socie-
conhecia uma família surda muito respeitada da dade, podemos apontar uma grande mudança
burguesia milanesa, “cujos gestos formam pala- na educação dos surdos que acontece em 1755,
vras de uma língua e escreve que sua alma pode- com o Abade L’Epée, que, apesar de não adotar
ria ser enriquecida por meio dos gestos que pro- na íntegra a língua gestual da comunidade surda
duzem.” (COUTINHO, 2008, p. 32). parisiense, utiliza-a para criar uma língua supos-
No século XVI, surgem as primeiras tentati- tamente universal e estruturada de acordo com a
vas de “educar” os surdos. Os primeiros educado- sintaxe da língua francesa (o que hoje é chamado
res de pessoas surdas; Pedro Ponce de Leon, Juan francês sinalizado). Ele juntou sinais dos surdos
Pablo Bonet, entre outros, não reconheceram ex- franceses e outros inventados por ele mesmo para
plicitamente a comunicação por sinais como uma demonstrar as inflexões, os artigos e outras carac-
possibilidade linguística, mas defendiam a ideia terísticas do francês. O que muda, basicamente, é
de que, utilizando os seus “gestos naturais”, po- a importância da língua gestual, que passa a ser
deriam ensinar nossa própria língua (oral). Além utilizada como meio de ensino. Em 1776, publica
disso, Juan Pablo Bonet afirma que as crianças sua metodologia de ensino com seus “sinais me-
“surdas e mudas” não são mudas em termos de tódicos”.
pensamento, mas sim surdas, logo “são capazes
de aprender qualquer língua ou ciência”. Já Mon-
taigne (século XVI) defende a seguinte ideia:

12
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Libras

Diversos fatores foram compondo e conso-


Curiosidade
lidando o ensino de surdos através do bilinguis-
O abade, por meio da educação ministrada, “[...] mo.
conduziu pela primeira vez na história da cultu-
ra ocidental, o acesso de muitos dos seus alunos Saiba mais
surdos à cidadania. [...] os surdos já não eram edu-
cáveis pela palavra, pela oralidade: eram, reco-
“Em 1779, um encadernador de livros surdo de Paris,
nhecidamente, cidadãos como todos os outros;
Pierre Desloges, escreveu um livro ‘Observações de
e, pela lei promulgada em 1791 pela Assembléia um surdo-mudo, parisiense’. Desloges sentiu-se com-
Francesa, reconhecia-se os surdos o direito de pelido a escrever o livro, ele disse, depois de ouvir as
beneficiarem-se plenamente dos direitos dos ho- declarações de um certo abade Deschamps, afirman-
mens.” (COUTINHO, 2008, p. 37). do que as línguas de sinais não poderiam ser consi-
deradas línguas e que, portanto, não teriam utilidade
na educação das crianças surdas. Frente a essa decla-
ração, Desloges pensou ser seu dever falar em favor
da língua sinalizada natural dos surdos franceses... Essa
língua era passada de uma pessoa surda para outra,
O que se pode observar, é que em pouco
do mesmo modo que línguas que não sejam popu-
tempo, passa a existir na França uma escola de larmente aceitas em instituições educacionais são
surdos em cada cidade e mais, graças ao reconhe- também transmitidas para as gerações mais novas
falantes. Ao descrever um jovem surdo típico da Fran-
cimento implícito da comunicação gestual, apare-
ça no século XVIII, Desloges escreveu o seguinte: Ele
ce a figura do professor surdo para ensinar alunos encontra surdos-mudos com mais conhecimento do
surdos. Os primeiros professores surdos foram que ele aprende a combinar e aperfeiçoar seus sinais...
Ele rapidamente adquire, nas interações com seus
ex-alunos de L’Epée, os quais tiveram destaque
companheiros, a tão difícil – assim eles dizem! – arte
tanto como professores quanto em outras áreas de expressar e pintar seus próprios pensamentos, até
de atuação. É importante esclarecer um aspecto os mais abstratos, através de sinais naturais, como se
ele soubesse todas as regras da gramática, tamanha a
em relação à metodologia de ensino utilizada por
ordem e precisão...” (MOODY, 1987 apud SACKS, 1990,
L’Epée, o abade criou seus sinais metódicos, que p. 301).
se referiam à utilização dos sinais aprendidos com
os surdos de Paris, porém acreditava que essa lin-
guagem era desprovida de gramática, portanto
precisando da gramática francesa para que tives- Continuando a história, houve um fato im-
se sentido. portante em 1816: Thomas Hopkins Gallaudet
chega a Paris e encontra-se com Clerc, Massieu
O principal sucessor de L’Epée foi o Abade
e Sicard. Gallaudet estava à procura de uma me-
Sicard, que teve outros sucessores, como os Aba-
todologia adequada de ensino de surdos nos Es-
des Clerc, Messieu e Bébian. Bébian percebeu
tados Unidos, que permitisse fazer com que os
que a linguagem de sinais natural era autônoma
surdos tivessem real acesso à palavra de Deus. Os
e completa, e modificou a metodologia de ensi-
franceses o convencem de que esta é a melhor
no, passando a utilizar o bilinguismo, ou seja, a
metodologia de ensino, o bilinguismo, e assim,
língua natural de sinais e o ensino da língua fran-
em 1817, Laurent Clerc vai aos Estados Unidos
cesa escrita, cada uma com gramática e estrutura
com Gallaudet e funda em Hartford uma escola
próprias.
para “surdos e mudos”, o American Asylum for the
Ferdinand Berthier, aluno da escola de sur- Education and Instruction of the Deaf and Dumb.
dos, teve a oportunidade de desenvolver sua
Como pudemos verificar, a educação dos
escolaridade no ensino bilíngue. Ele é considera-
surdos teve grande desenvolvimento ao longo
do um dos “sucessos” da educação tendo como
dos anos, porém um fato irá modificar todo esse
metodologia de ensino o bilinguismo. Tornou-se
percurso. Em 1880, acontece o Congresso de Mi-
professor, escritor e um dos mentores da primeira
lão, marco histórico na educação dos surdos. Nes-
associação de surdos de Paris.
se congresso, a educação de surdos passa a ado-

13
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

tar como metodologia de trabalho o oralismo.


Curiosidade
Esse método considera a fala, ou a oralização, o
único meio de comunicação e de educação para Outra história que se destaca é sobre a língua de
os surdos. sinais de Vineyard. Esta é uma situação única que
se desenvolveu nesse local específico, no final do
Saiba mais século XVII:

A mudança na vida dos surdos! O Congresso de Martha’s Vineyard é uma ilha a cinco milhas da
Milão costa sudeste de Massachusetts. De 1690 até a
metade do século XX, uma elevada taxa de sur-
“O debate sobre a melhor forma de educar os surdos, dez genética aparecia entre a população da ilha.
se através da fala ou dos sinais, foi ganhando novos
Martha’s Vineyard é um exemplo de uma comu-
adeptos e culminou com a vitória do método oral,
em 1880, no Congresso de Milão. Como conclusão do nidade surda... O primeiro educador surdo que
Congresso, decidiu-se que: lá chegou com sua esposa e família em 1692 era
1- Dada a superioridade incontestável da fala sobre os fluente em algum tipo de língua sinalizada. Mui-
sinais para reintegrar os surdos-mudos na vida social tas das famílias que habitaram a ilha provinham
e para dar-lhes maior facilidade de linguagem, o con- da área de Boston e, antes disso, muitas outras
gresso declara que o método de articulação deve ter haviam imigrado de uma região da Inglaterra co-
preferência sobre o de sinais na instrução e educação nhecida como Weald, no interior de Kent... Com o
dos surdos-mudos. florescimento da comunidade surda, consolidou-
2- O método oral puro deve ser preferido, porque o -se também a sua língua... essa língua se expan-
uso simultâneo de sinais e fala tem a desvantagem
diu por toda a ilha, e quase todos os habitantes
de prejudicar a fala, a leitura oro-facial e a precisão de
idéias.” (LANE, 1989 apud SACKS, 1990, p. 394). da ilha, surdos ou não, foram capazes de utilizar
a língua de sinais... A surdez não era vista como
uma incapacidade. Naquela ilha, os surdos parti-
cipavam, integralmente, em todos os aspectos da
vida social. (GROCE, 1985 apud WILCOX; WILCOX,
2005, p. 36).
A modificação histórica que acabamos de
verificar reflete as consequências devastadoras
que o Congresso de Milão trouxe. Vários autores,
entre eles Coutinho (2008), apontam que o que E no Brasil?
aconteceu no ensino de surdos foi “um autêntico
desastre educacional [que] resultou do uso da lin-
guagem oral, falada ou escrita, para instruir crian- Um pouco da História da Educação dos Surdos
ças surdas.” Desde então, foram excluídas todas no Brasil
as possibilidades de uso das línguas de sinais na
educação desses sujeitos. Atualmente, os surdos Como você pôde observar, a história dos
educados por esse método falam dos horrores e surdos no mundo não foi simples! Como será que
das perseguições que sofreram ao usarem a lín- se deu então a educação dos surdos aqui n Brasil?
gua de sinais. Bem, podemos iniciar nossa história em
Depois de quase um século de trabalho ora- 1856, que foi quando chegou ao Brasil o professor
lista, na década de 1960, nos Estados Unidos, ini- Eduard Huet, surdo francês que trouxe o alfabe-
cia-se a implementação de uma nova filosofia de to manual francês e alguns sinais para o Brasil. Os
ensino chamada Comunicação Total e, nos anos surdos brasileiros, que já utilizavam um sistema
1980, há um retorno ao bilinguismo como me- de sinais próprio, em contato com a Língua de
lhor forma de ensino para pessoas surdas. O Brasil Sinais Francesa (LSF), produziram a Língua de
seguiu com alguns anos de atraso essas mesmas Sinais Brasileira. No ano seguinte, no dia 26 de
tendências e, hoje, procura o caminho do bilin- setembro de 1857, foi fundado o Imperial Institu-
guismo. to dos Surdos-Mudos do Rio de Janeiro e deno-

14
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Libras

minado o atual Instituto Nacional de Educação de 1895, teve o declínio do número de professores
Surdos (INES). surdos nas escolas para surdos e aumentou o nú-
É interessante ressaltar que esse Instituto mero de professores ouvintes.
era ligado ao governo central e possuía uma co-
missão de alto nível, formada por juristas, minis- Curiosidade
tros e sacerdotes, que deveriam supervisionar os
trabalhos. Fica claro que essa e outras instituições Outra escola que é importante na história dos
surdos é o Instituto Santa Terezinha, em São Pau-
para deficientes da mesma época só foram cria-
lo, fundado em 1925 e dedicado à educação de
das porque houve a intermediação de pessoas moças surdas. Nessa época, as surdas comunica-
influentes que possuíam interesse nessas escolas. vam-se somente fora das salas de aulas utilizan-
Essas pessoas importantes da época procuraram do sinais. Dentro das salas de aula, era utilizado
transmitir ensinamentos especializados aceitos principalmente o oralismo, visando ao desenvol-
vimento da fala.
como fundamentais e ficaram diretamente liga-
das à administração pública de tais instituições.
Como você sabe, antigamente, diferente-
mente de agora, as pessoas estudavam em in-
ternatos; e com os surdos acontecia o mesmo. A Importância da Convivência entre Pessoas
Os surdos vindos de outras cidades do Brasil dor- da mesma Cultura
miam na escola, que era um internato. Os surdos
que viviam no INES aprendiam por meio da língua Como você sabe, é fundamental para que
de sinais, mas nessa época não existia a Libras, en- possamos desenvolver uma língua o convívio com
tão eles utilizavam a Língua de Sinais Francesa e pessoas que a utilizem, certo? Quando pessoas de
a Língua de Sinais Brasileira antiga. Esse fato foi uma mesma cultura convivem, elas desenvolvem
importante, pois dessa instituição partiram os lí- uma linguagem própria. Com as pessoas surdas
deres surdos que têm divulgado, durante muitos não é diferente, elas desenvolveram uma lingua-
anos, a língua de sinais em todo o país. gem própria, visual-motora, chamada língua de
Sabemos que grande número de crianças sinais.
surdas são filhas de pais ouvintes, mas algumas Muitas pessoas perguntam: a Língua de Si-
famílias que possuem a surdez pela hereditarieda- nais é universal?
de transmitem a seus filhos a Libras como forma Não!
de comunicação efetiva. Esse fato fez com que a
Existe, no mundo, um grande número de
língua de sinais, mesmo com o oralismo imperan-
línguas de sinais, diferente do que muitas pessoas
do durante muitos anos na educação dos surdos,
ouvintes pensam. Quando falamos em língua de
não se extinguisse e criou resistências significati-
sinais, não estamos falando de alguma forma de
vas, as quais acabaram por refletir na sociedade o
comunicação manual do Português ou, mesmo,
crescente movimento que hoje se dá através da
de um Português sinalizado, mas de uma língua,
aprendizagem da língua de sinais por ouvintes e
com gramática e léxico próprios, expressiva, elo-
surdos.
quente e graciosa.
É importante saber que a primeira icono-
Podemos dizer que os seres humanos pos-
grafia dos sinais realizada aqui no Brasil foi em
suem uma capacidade inata de adquirir lingua-
1873, de autoria do aluno surdo Flausino José
gem, seja a fala ou o sinal.
de Gama, que estudava no Imperial Instituto dos
Surdos-Mudos.
Em 1881, a história narra o fato de a língua
de sinais ter sido proibida no INES e em todo o
Brasil. Como consequência dessa proibição, em

15
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

lações de afeto que ocorrem, refletindo necessi-


Atenção dades e interesses pessoais do indivíduo.
A aquisição do sinal, da fala ou de ambos, de-
pende do intercâmbio com as pessoas à volta,
do ouvir sua fala, ou do assistir seu sinal. Se aos Atenção
cinco ou seis anos a criança já tiver desenvolvido
a fluência em linguagem, seja o sinal ou a fala, É importante ressaltar que a linguagem é um in-
ela pode esperar ter uma vida rica de comunica- trincado mundo de significados gramaticais, ver-
ção e de intercâmbio comunitário, e desenvolver bais e intenção comunicativa, sendo que todos
fluência em leitura e escrita. Mas se ela não tiver esses elementos estão juntos no aprendizado e
tido a oportunidade de desenvolver a linguagem uso da linguagem.
a esta altura, então, ela pode esperar ter uma
vida de restrições e empobrecimento cultural, e
de incapacidade de ler e escrever. Naturalmente
para pessoas que nascem surdas, é muito mais As crianças aprendem a língua como apren-
fácil adquirir uma linguagem visual como pri- dem a andar. Ninguém lhes ensina a andar ou a
meira língua; e, dada uma firme fundação nessa falar. Aprender a andar ou aprender a falar é dife-
linguagem elas podem aprender a ler e escrever
e, talvez, a falar, ou seja, tornam-se bilíngues e bi- rente de aprender a ler ou aprender a andar de bi-
culturais, o que é ideal para elas (SACKS, 2000). cicleta. Embora todas essas atividades envolvam
habilidades cognitivas, em condições normais, as
Nenhum de nós é capaz de lembrar como duas primeiras acontecem inexoravelmente, en-
adquiriu a linguagem. Santo Agostinho propõe a quanto as duas últimas podem não ser desenvol-
seguinte ideia: vidas e permanecer desconhecidas, sem que isso
represente um distúrbio.
Também não somos como pais, chama- Portanto, caro(a) aluno(a), a aquisição da
dos a ‘ensinar’ a linguagem a nossos fi- linguagem acontece de forma assistemática, des-
lhos; eles adquirem ou parecem adquirir contínua, com interrupções e ruídos de comuni-
de uma forma automática, pela virtude
de serem crianças, nossas crianças, e pe- cação. Entretanto, o resultado é surpreendente: a
los intercâmbios comunicativos entre criança não só aprende a língua, com todas as su-
nós. (SACKS, 1990, p. 77). tilezas de sua articulação gramatical, semântica e
pragmática, como o faz de forma completa, isto é,
não existe conhecimento de língua materna pela
O primeiro uso da linguagem é, normal-
metade ou parcial, qualquer pessoa normal sabe
mente, através da mãe; a linguagem acontece en-
a língua de sua comunidade e a utiliza de forma
tre os dois, portanto o que podemos depreender
natural.
é que ninguém aprende a língua sozinho. É im-
possível aprender, adquirir linguagem sem uma Dada a constatação de que as crianças têm
capacidade inata, mas essa capacidade é ativada o domínio do sistema complexo da língua em um
apenas se o sujeito estiver em um meio no qual curto prazo, sem esforço, com poucos desvios
possa ser desenvolvida, ou seja, se outra pessoa ou erros (em face das opções que podem ser ex-
já possuir competência linguística. traídas dos dados a que são expostas), indepen-
dentemente da natureza do ambiente (com mais
Segundo Vigotsky, é através da “negocia-
ou menos reforço ou correção) e na ausência de
ção” com outras pessoas que se adquire a lingua-
certos tipos de evidência cruciais em situações de
gem. O intercâmbio social e emocional começa
aprendizagem por instrução, conclui-se que o ser
desde o primeiro dia de vida. Mãe, pai, professor,
humano é dotado de um estado cognitivo inicial
qualquer pessoa que fale com a criança leva o
rico, complexo, uma faculdade inata de adquirir
bebê a níveis superiores de linguagem. Contu-
linguagem, porém essa capacidade é ativada ape-
do, as palavras da mãe não teriam sentido se não
nas por outra pessoa que já possui competência
correspondessem a alguma coisa em sua própria
experiência. É necessário lembrar, também, as re-

16
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Libras

linguística. David Wood, em seu estudo, de longo mo que este lhe forneça poucas pistas. Vygotsky
prazo, de crianças surdas, escreve: aponta que a comunicação é a percepção de um
mundo e essa percepção leva a um mundo con-
Imaginem um bebê surdo com pouca ceitual. Ele fala de um “salto da sensação para o
ou nenhuma consciência do som. [...] pensamento”; isso envolve não somente a fala,
Quando olha para um objeto ou evento, mas o tipo certo de fala, um diálogo rico em in-
não recebe nada da ‘música de clima’ que tenção comunicativa. Para que a criança possa
acompanha a experiência social do bebê
auditivo. Vamos supor que desvie os realizar esse “salto” com sucesso,
olhos de um objeto que atrai sua atenção
para um adulto que está partilhando sua não importa essencialmente se a comu-
experiência com ele, e o adulto fala sobre nicação, o diálogo entre mãe e filho, é
o que o bebê acabou de olhar. Será que pela fala ou sinal, o que importa é a in-
o bebê sequer percebe que está ocorren- tenção comunicativa. Essa intenção pode
do uma comunicação? Para descobrir os estar na direção saudável de promover
relacionamentos entre uma palavra e seu seu crescimento, autonomia e expansão
referente, o bebê surdo precisa lembrar da mente. Mas o uso de sinais torna clara-
alguma coisa que acabou de observar e mente a comunicação mais fácil no início
relacionar essa lembrança com outra ob- da vida, porque os bebês surdos espon-
servação [...] o bebê surdo precisa fazer taneamente absorvem os sinais, mas não
mais, precisa ‘descobrir’ os relacionamen- podem absorver a fala da mesma forma.
tos entre duas experiências visuais muito (SACKS, 1990, p. 84).
diferentes que estão deslocadas no tem-
po. Essas e outras importantes considera-
ções, eles acham, podem causar graves Vários estudos foram realizados nos últimos
problemas de comunicação muito antes
do desenvolvimento da linguagem. As
anos em relação à surdez e à aprendizagem da
crianças surdas filhas de pais surdos tem língua de sinais por surdos.
boas possibilidades de serem poupadas A partir dos aspectos apontados, entende-
dessas dificuldades interacionais, pois -se que um surdo que tenha acesso à convivência
os pais sabem muito bem, por sua pró-
pria experiência, que toda comunicação com falantes de sua própria língua irá se desenvol-
e todos os jogos devem ser visuais e que ver sem atrasos e dificuldades. Significa dizer que
a ‘conversa de bebê’, em particular, deve as crianças surdas possuem muito mais que um
se realizar em termos visuais e gestuais. O diagnóstico médico apontando uma “deficiência”,
corolário de tudo isso é que se a comuni-
mas, na verdade, o que ocorre é um fenômeno
cação não se tornar significativa, afetará
o crescimento intelectual, o intercambio cultural, no qual os padrões sociais, emocionais e
social, o desenvolvimento da linguagem linguísticos estão intrinsecamente ligados.
e as atitudes emocionais, tudo ao mesmo
tempo, de forma simultânea e insepará-
vel. Isso é o que normalmente acontece
quando uma criança nasce surda. (SACKS,
1990, p. 79-80).

Então, o que podemos depreender desse


relato?
É que as crianças surdas acabam por viver
em um mundo diferente, muitas vezes sem que
haja uma comunicação, e ela passa a tentar rea-
lizar as conexões com o mundo ouvinte, mes-

17
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

Saiba mais

McCleary (2000, p. 672-681) destaca: “Natissurdos, por não terem acesso ao som da fala, não podem adquirir a fala natural-
mente, através dos processos com que toda criança adquire língua desde sua infância, na interação com falantes da língua,
com o processamento cognitivo dos inputs lingüísticos auditivos. Quando aprendem a língua oral, o fazem através de um
processo de ensino e treinamento mais artificial do que qualquer programa de ensino de língua estrangeira, e a língua que
acabam falando carrega as marcas desse processo. O quadro ideal para o desenvolvimento lingüístico de uma criança surda
é o de crescer dentro de uma família fluente em língua de sinais, para não sofrer nenhum atraso de aquisição de linguagem.
Mas isso ocorre apenas com os cerca de 10% de surdos que nascem em famílias de surdos. A grande maioria de natissurdos
nasce em famílias de pais ouvintes. No melhor dos cenários, os pais descobrem logo que o filho é surdo, começam a aprender
língua de sinais para poderem se comunicar com o filho e colocam o filho em contato com surdos fluentes na língua. Isso
raramente acontece. Na maioria dos casos, os pais não têm informações sobre a língua de sinais, ou, tendo, rejeitam-na por
preconceito e por medo de o filho ser ‘diferente’ e excluído. Na pior das hipóteses, os pais rejeitam o filho e interagem mini-
mamente com ele.
Dessa forma, muitos surdos crescem até a idade escolar essencialmente sem língua, com apenas alguns sinais ‘caseiros’ (quan-
do há), estabelecidos na comunicação com os familiares. Existem evidências de que esse atraso até o limite da ‘idade crítica’
de aquisição de linguagem (cerca de cinco anos) pode causar seqüelas lingüísticas, cognitivas e psicológicas.
Por outro lado, crianças (surdas e ouvintes) expostas a uma língua de sinais nos primeiros anos de vida adquirem essa língua
com tanta naturalidade, como acontece com frequência, então, que surdos começam a adquirir sua primeira língua já em
idade escolar, ou até em idade mais avançada, quando começam a ter contato com outras pessoas surdas. Existem relatos de
indivíduos surdos adultos que experimentam um ‘segundo nascimento’ ao descobrir o mundo surdo e sua língua totalmente
acessível e expressiva.

Curiosidade

Há dois tipos de surdos:

• os Natissurdos pré-linguais: ficaram surdos antes de aprender a falar (têm muita dificul-
dade em aprender a falar);
• os Ensurdecidos ou pós-linguais: Ficaram surdos após terem adquirido a linguagem
falada.
Fonte: http://www.asgfsurdos.org.br/?page_id=17.

2.1 Resumo do Capítulo

Aprendemos neste capítulo sobre a história da língua de sinais, suas raízes e como ela se mantém
até os dias atuais em nossa sociedade. Pudemos analisar o percurso realizado no Brasil, a criação da pri-
meira escola para surdos e como ela era restrita em seu atendimento.
Estudamos também a importância da comunicação e da interlocução na língua materna dos sur-
dos, a língua de sinais (Libras), para que este sujeito possa ter um desenvolvimento cognitivo e linguístico
significativo e equivalente aos das crianças ouvintes.

18
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Libras

2.2 Atividades Propostas

Responda às questões abaixo e verifique se você aprendeu.

1. Quem é a personagem histórica que modifica o percurso da educação dos surdos, passando a
utilizar a linguagem gestual no ensino?

2. Complete:

a) Em 1880 ocorre o _________________________ que modifica a educação dos surdos para


o _______________.
b) Hoje, o Brasil busca a metodologia ________________________ na educação dos surdos.

3. Os surdos, quando têm acesso na primeira infância à língua de sinais, terão um desenvolvi-
mento similar aos ouvintes?

19
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
AS TENDÊNCIAS NA EDUCAÇÃO DOS
3 SURDOS

Caro(a) aluno(a), neste capítulo você irá Na abordagem oralista, a linguagem fala-
conhecer mais sobre as metodologias de ensino da é tida como forma prioritária de comunicação
para alunos surdos. com os surdos e a aquisição da linguagem oral
Como vimos nos capítulos anteriores, as como fundamental para o desenvolvimento glo-
tendências de educação escolar para pessoas bal da criança surda. Dentro do processo da orali-
com surdez concentram-se basicamente em dois zação, ficam proibidos os usos de sinais ou gestos
polos: a inserção dos alunos em escolas comuns e do alfabeto datilológico.
ou em escolas especiais para surdos. Existem di- Como você pode ir percebendo, a via sen-
versos métodos de ensino para surdos, porém os sorial priorizada, nessa abordagem educacional,
mais importantes ao longo da nossa história po- é a oral, sendo enfatizadas as habilidades audi-
dem ser delimitados basicamente a três tendên- tivas (restos auditivos) e a leitura orofacial como
cias educacionais: a oralista, a comunicação total pré-requisitos para o desenvolvimento da lingua-
e a abordagem bilinguista. gem.
As escolas comuns ou especiais que utili- A abordagem dominou a educação de sur-
zam o oralismo visam à capacitação da pessoa dos tanto na Europa quanto nas Américas desde
com surdez para utilizar a língua na modalida- 1880, quando ocorreu o Congresso Internacio-
de oral, como única possibilidade linguística, de nal para Surdos em Milão, no qual foi aprovada a
modo que se utilize a voz e a leitura labial, tanto obrigatoriedade do uso exclusivo da linguagem
na vida social quanto na escola. oral na educação de surdos. Diversos autores dis-
O oralismo não conseguiu alcançar resul- correram sobre as abordagens do oralismo: há
tados muito positivos, pois, de acordo com Sá métodos de ensino unissensoriais, em que o indi-
(1999), ocasiona déficits cognitivos e legitima a víduo só se utilizaria de restos auditivos; e os mul-
manutenção do fracasso escolar, provocando di- tissensoriais, nos quais diversos canais (sensoriais,
ficuldades no relacionamento familiar. Este méto- táteis e visuais) são utilizados como pistas para o
do não aceita o uso da língua de sinais e discrimi- surdo acessar a informação.
na a cultura surda. Como vimos anteriormente, com a dissemi-
nação do oralismo, a imagem social dos surdos foi
O Oralismo sendo progressivamente danificada, sendo que
passaram a ser tratados apenas como deficien-
tes. Como consequência do método oralista e a
forte ênfase que era dada à oralização, observou-
Atenção -se uma dificuldade significativa de aprendiza-
gem desses sujeitos e, ao invés de os educado-
A tendência educacional do oralismo fundamen-
ta-se na perspectiva de aquisição da linguagem res questionarem o método de ensino, que dava
oral como requisito básico para que o surdo seja ênfase somente ao canal sensorial que faltava ao
integrado à sociedade, que é ouvinte.
surdo, passou-se a questionar a possibilidade de
cognição dos surdos. Capovilla (2000) observa

21
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

que, na Inglaterra, foi analisado que, após anos de linguagem, desenvolvido no Oralismo,
escolaridade especial, dos alunos com 15/16 anos procura-se ‘ensinar’ linguagem através de
atividades estruturais sistemáticas. (DOR-
somente 25% conseguiam articular-se de modo
ZIAT, 2008).
inteligível aos seus professores e que menos de
10% desses alunos tinha nível de leitura apropria-
do à sua idade. Você deve ter percebido que são utilizados
Apesar de todas as críticas a esse método, para o desenvolvimento da linguagem oral em
vamos explicitar alguns dos aspectos práticos crianças surdas aparelhos de amplificação sonora,
para que possa ser desenvolvida a aprendizagem treinamento auditivo, entre outras técnicas. Todas
dos surdos através do método oralista (ressalta- elas, segundo Goés (1999), tem o propósito tera-
mos que ainda hoje ele é muito utilizado). pêutico de tratar e reduzir os déficits auditivos, ou
seja, ela assume o surdo como um deficiente au-
ditivo, alguém a quem falta um dos sentidos, a au-
Atenção dição, mas que pode, através de tratamento, rea-
lizar de forma compensatória a leitura orofacial.
Os aspectos que devem ser desenvolvidos com o
aluno deficiente auditivo são: Ainda, a educação oralista vê no surdo alguém
que precisa ser reabilitado, entendendo a língua
• diagnóstico precoce (anterior aos dois anos de oral como meta e objetivo final de compreensão
idade): este é um dos aspectos fundamentais
e, de certa forma, determinante até os dias de e de possibilidade de inserção desses sujeitos na
hoje para que o surdo possa desenvolver fala; sociedade ouvinte.
• adaptação de Aparelho de Amplificação Sono-
ra Individual (AASI), nos dois ouvidos, logo após Você conseguiu perceber a dificuldade dos
o diagnóstico de deficiência auditiva; surdos em desenvolver a língua oral? Pois é, mas
• estimulação auditiva precoce (até os cinco houve mudanças ao longo dos anos, apesar de in-
anos de idade);
• desenvolvimento da fala através de feedback felizmente podermos dizer que ainda muitas fa-
auditivo; mílias apostam nessa aprendizagem, bem como
• desenvolvimento de leitura orofacial: discrimi- médicos, terapeutas e professores.
nação e identificação dos movimentos orais do
emissor;
• treinamento para o desenvolvimento de pistas
Comunicação Total
visuais, auditivas e táteis;
• treinamento auditivo, que seria a estimulação
auditiva (com a utilização de próteses), para
reconhecimento e discriminação de ruídos e
Vamos agora conhecer outro tipo de ensino,
sons ambientais; a Comunicação Total! Depois de quase um século
• treinamento e desenvolvimento da fala: emis- envolta em um ensino oralista os surdos puderam
são e recepção de fonemas utilizando exercí-
cios, mobilidade e tonicidade dos músculos da
ter acesso a outra forma de aprendizagem. Esta
face; era composta de oralização e também de sinais.
• exercícios de relaxamento e respiração para co-
Vamos conhecê-la um pouco mais.
locação dos fonemas.
A Comunicação Total envolve o uso de todas
as modalidades possíveis de comunicação: língua
Para o máximo aproveitamento auditivo, de sinais, alfabeto digital, amplificação sonora
o Oralismo tem como princípio a indica- com AASI, fala, leitura orofacial, leitura e escrita,
ção de prótese individual, que amplifica expressão facial, mímica e gestos; todos esses re-
os sons, admitindo a existência de resí- cursos podem ser utilizados a fim de potencializar
duo auditivo em qualquer tipo de surdez,
as interações sociais e possibilitar um melhor de-
mesmo na profunda. Esse método procu-
ra assim, reeducar auditivamente a crian- senvolvimento da competência linguística.
ça surda, através da amplificação dos
sons juntamente com técnicas específi-
cas de oralidade. Quanto ao trabalho de

22
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Libras

surda adquirisse linguagem. Aparentemente,


Saiba mais
essa filosofia de trabalho traria um desenvolvi-
mento linguístico e competência em leitura e
A Comunicação Total foi importante na história da
educação dos surdos, pois possibilitou depois de qua- escrita. Entretanto, esse fato não acontece, pois a
se um século o retorno dos sinais na vida dessa co- comunicação total, apesar de utilizar a comunica-
munidade. Apesar de ter como objetivo o desenvol-
ção de modalidade visual-motora, usava os sinais
vimento da fala e a utilização do sinal somente como
apoio. na estrutura da língua oral.

Marchesi (1987) apresenta a variedade


desses sistemas: língua falada de sinais
(codificada em sinais); língua falada sina-
Essa abordagem educacional tem como lizada exata (variante do sistema anterior,
distinguindo-se pela busca da reprodu-
meta estimular o desenvolvimento linguístico,
ção precisa da estrutura da língua); asso-
permitindo que a criança surda tenha acesso ao ciação de códigos manuais para auxiliar
maior número de códigos possível, de forma que na discriminação e articulação de sons
possa eleger aquele que lhe permita ter melhor (configuração) de mão perto do rosto,
compreensão. dando apoio à emissão de cada fonema);
e combinação diversa de sinais, fala, dati-
Essa filosofia de ensino possui uma maneira lologia, gesto, pantomina etc.
própria de compreender o surdo, ou seja, não o
A abordagem educacional bimodalista
considera portador de uma patologia, mas uma destaca-se nesses sistemas. As práticas
pessoa e a surdez, uma marca, que adquire ca- são qualificadas como bimodais ou si-
racterísticas e significações sociais. A Comunica- multâneas porque envolvem combina-
ção Total é incorporada em diversos lugares, mas, ções de uso concomitante de duas mo-
dalidades, isto é, os sinais e a fala. Para
como não é um método, apresenta versões mui- Stewart (1983), entretanto, a utilização
to variadas, caracterizando-se basicamente pela da fala codificada em sinais, caracteriza-
aceitação de vários recursos comunicativos, com -se como duas modalidades da mesma
a finalidade de ensinar a língua majoritária e pro- língua, porque baseia-se apenas na lín-
gua majoritária. Góes (1994) diz que essa
mover a comunicação.
idéia é variável entre pesquisadores e
educadores, porque existe também a no-
Saiba mais ção de um instrumento de comunicação
em que se inserem parâmetros de uma
“Apesar da idéia generalizada de oposição entre Co- língua de sinais para acompanhar a fala.
municação Total e Oralismo, devido à inclusão de si- (DORZIAT, 2008).
nais na prática daquela, Marchesi (1987) afirma que a
Comunicação Total não está em oposição à utilização
da língua oral, mas apresenta-se como um sistema de
comunicação complementar. Os adeptos da comuni- Nos Estados Unidos, como os resultados
cação total consideram a língua oral um código im- esperados não foram alcançados, as aulas de pro-
prescindível para que se possa incorporar a vida social fessores que utilizavam a língua inglesa sinalizada
e cultural, receber informações, intensificar relações
sociais e ampliar o conhecimento geral de mundo, foram filmadas e, posteriormente, analisadas. O
mesmo admitindo as dificuldades de aquisição, pelos que pode ser percebido é que, com a criação de
surdos, dessa língua.” (DORZIAT, 2008). muitos sinais artificiais para se marcar flexões ver-
bais, conjunções e outros aspectos utilizados na
língua oral, o discurso não fazia sentido nem para
Como vimos, a Comunicação Total se pro- os professores nem para os alunos.
punha a fazer uso de qualquer meio de comuni-
cação (palavras, símbolos, gestos, sinais naturais
ou artificiais), tudo para permitir que a criança

23
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

tos assegurados à educação em línguas faladas e


Curiosidade
de sinais.
“Para tanto, eles filmaram as aulas em comunica- Vários autores, baseados em diversas pes-
ção total ministradas pelas professoras em que quisas realizadas na Dinamarca, Suécia e Estados
elas sinalizavam e falavam ao mesmo tempo [...]
Unidos, apontam a importância da educação bi-
mostraram as professoras a filmagem sem som, e
quando estavam impossibilitadas de ouvir a fala língue.
que acompanhava a sinalização, as professoras
exibiram uma grande dificuldade em entender
o que elas próprias haviam sinalizado. [...] A con- Atenção
clusão desconcertantemente obvia é a de que
durante todo o tempo, as crianças não estavam “A aprendizagem do bilinguismo inclui, o desen-
obtendo uma versão visual da língua falada na volvimento adequado de competências linguís-
ticas e comunicativas, aquisição espontânea da
sala de aula, mas sim, uma amostra lingüística in-
linguagem, com o desenvolvimento intuitivo de
completa e inconsistente, em que nem palavras regras linguísticas e em contextos sociais motiva-
faladas e nem os sinais.” (CAPOVILLA, 2000, p. 108). dos linguisticamente a conexão baseada na ex-
periência entre o uso da linguagem e a formação
de conceitos, o desenvolvimento de padrões de
linguagem apropriados a faixa etária, e finalmen-
A sociedade educacional percebe que a uti- te o respeito e identidade próprios como pessoa
surda.” (CAPOVILLA, 2000, p. 112).
lização dos sinais auxiliou no desenvolvimento
dos alunos surdos, pois o canal de comunicação
era visual. Nessa época, início da década de 1980,
vários linguistas estudavam as línguas de sinais Veja um aspecto importante: a maioria
e perceberam a riqueza dessas línguas; assim, a dos alunos surdos chega à escola sem o desen-
sociedade começou a perceber que talvez o bi- volvimento da linguagem, muito diferente das
linguismo fosse a saída para o desenvolvimento crianças ouvintes que chegam à escola com a
integral dos surdos. linguagem desenvolvida, cabendo à instituição
educacional trabalhar e desenvolver o conheci-
Bilinguismo mento da linguagem escrita. Para os surdos, dife-
rentemente, cabe à escola, muitas vezes, desen-
volver a linguagem desse aluno, principalmente
Dicionário a língua de sinais.

Bilinguismo: aplicado ao indivíduo, pode significar


simplesmente a capacidade de expressar-se em
Para Ferreira Brito (1993), numa linha bi-
duas línguas. língue, o ensino do Português deve ser
ministrado para os surdos da mesma for-
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bilinguismo. ma como são tratadas as línguas estran-
geiras, ou seja, em primeiro lugar devem
ser proporcionadas todas as experiências
lingüísticas na primeira língua dos surdos
Apesar de variações entre os profissionais (língua de sinais) e depois, sedimentada
a linguagem nas crianças, ensina-se a
de diferentes países, em relação à época em que língua majoritária, (a Língua Portugue-
vai se introduzir as duas línguas e se a segunda sa) como segunda língua. Apesar dos
língua será a oral ou a escrita, o consenso entre argumentos favoráveis à aprendizagem
todos é a importância do contato da criança sur- da língua de sinais, existem obstáculos
para sua concretização. Esses vão além
da com a língua de sinais logo cedo.
da habilidade manual. A competência
Um dos primeiros países a adotar o bilin- na língua de sinais depende também do
guismo foi a Suécia, que reconheceu politicamen- conhecimento de como a própria comu-
te os surdos como minoria linguística, com direi- nidade de surdos se organiza, através do

24
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Libras

contato extra-institucional do professor adquirida de forma sistematizada, então


com os surdos. Tal contato é reduzido de- as pessoas surdas tem o direito de ser
vido às limitações de oportunidades para ensinadas na língua de sinais. A proposta
que isso ocorra. Além disso, os surdos, no bilíngüe busca captar esse direito. (QUA-
contato com os ouvintes, realizam adap- DROS, 1997, p. 49).
tações e ajustes na língua de sinais (lin-
guagem pidgen), visando a um melhor
entendimento, que acaba dificultando a Para finalizar, a educação bilíngue tem
exposição dos professores à língua de si- como meta o desenvolvimento da criança sur-
nais. (DORZIAT, 2008).
da, para que ela possa perceber e compreender
o interlocutor surdo. Para isso, deverá conhecer
e utilizar a língua de sinais para realizar pedidos,
Atenção
estabelecer uma comunicação, estabelecer con-
O bilinguismo, como o próprio nome indica, pro- versas informais, dando sua opinião, concordan-
põe a exposição do surdo a duas línguas, sendo a do ou discordando de seus interlocutores. A partir
primeira a língua de sinais.
da aprendizagem e desenvolvimento da língua,
como qualquer outra pessoa que vive em uma so-
ciedade, o surdo terá possibilidades de desenvol-
E no Brasil? ver a aprendizagem da língua escrita e ter acesso
Aqui no Brasil, concebemos a perspectiva a todo o conhecimento desenvolvido pela socie-
da educação bilíngue a partir da ideia de que a dade.
Libras é a primeira língua dos surdos, é sua língua Podemos concluir, então, caro(a) aluno(a),
natural, e a Língua Portuguesa, em sua modali- que o oralismo e a comunicação total obtêm resul-
dade escrita, a segunda língua. É por esse motivo tados questionáveis. Os enfoques, tanto da comu-
que hoje você está estudando esta disciplina! nicação total quanto do oralismo, negam a língua
A partir dessa concepção, entendemos que natural das pessoas surdas e provocam perdas
a criança surda deve viver “a” e “na” língua de si- consideráveis nos aspectos cognitivos, socioafe-
nais, não somente restrita ao ambiente escolar, tivos, linguísticos, político-culturais e na apren-
mas em todos os ambientes em que habita so- dizagem desses alunos. Por fim, o bilinguismo é
cialmente. visto, hoje, como a melhor forma de abordagem
educacional para o surdo, pois visa a capacitá-lo
Se a língua de sinais é uma língua natu- na utilização de duas línguas: a língua de sinais e
ral adquirida de forma espontânea pela a língua escrita da comunidade em que vive. A lín-
pessoa surda em contato com pessoas gua de sinais é, certamente, o principal meio de
que usam essa língua e se a língua oral é comunicação entre as pessoas com surdez.

Multimídia

Para você conhecer um pouco mais sobre a sur-


dez e os métodos de ensino, assista aos filmes:

Mr. Holland: Meu Adorável Professor


Filhos do Silêncio

25
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

3.1 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), pudemos verificar neste capítulo as diferentes metodologias de ensino para os
surdos ao longo da história, porém ainda hoje há muita controversa quanto à melhor forma de ensinar o
surdo. Sabe-se por meio de pesquisas que o bilinguismo tende a ser a melhor metodologia, pois a criança
irá desenvolver em primeiro lugar a comunicação em sinais e depois irá aprender a língua escrita de seu
país como segunda língua. Apesar desse fato, ainda há muitas famílias e profissionais da medicina que
apostam no oralismo.

3.2 Atividade Proposta

Vamos checar sua aprendizagem?

1. Descreva brevemente:

a) Oralismo.
b) Comunicação Total.
c) Bilinguismo.

26
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
4 LÍNGUA E LINGUAGEM

Querido(a) aluno(a), pudemos discutir até Os linguistas possuem várias definições so-
o presente momento a importância da aprendi- bre língua. Neste curso estamos partindo dos en-
zagem e desenvolvimento de língua, vimos a im- sinamentos de Quadros (2002), que com base em
portância do ensino bilíngue para pessoas com Saussure (1995), que define língua como a parte
surdez e as dificuldades que vivem para aprende- determinada da linguagem, essencial a ela. A lín-
rem. gua é, ao mesmo tempo, um produto social da
A linguagem é o canal para o desenvolvi- faculdade da linguagem e um conjunto de con-
mento dos seres humanos, reafirma a pessoa venções que são necessárias para o exercício da
humana e a sua humanidade. Sim, é a linguagem comunicação entre os indivíduos. Ele lembra que
que nos diferencia dos outros animais! a faculdade – natural ou não – de articular palavras
É por meio da linguagem que nós, indiví- não se exerce senão com a ajuda de instrumento
duos, armazenamos informações (o nosso mun- criado e fornecido pela coletividade. Para esse au-
do interior, o mundo ao nosso redor, o mundo tor, é a língua que faz a unidade da linguagem.
com o qual sonhamos). É também utilizando a lin- Como vimos, a partir da definição de Saus-
guagem que a humanidade pode transmitir seus sure, outros linguistas também consideram as
valores, sua história, sua cultura. línguas um produto das convenções e dos valo-
res sociais, do qual derivam as regras que tornam
compreensíveis as intercomunicações dos indiví-
Língua
duos e asseguram a sobrevivência e coesão das
sociedades. Portanto, as línguas naturais não são
Atenção um decalque nem uma rotulação da realidade;
elas delimitam aspectos de experiências vividas
Definição de Língua - “É um sistema de signos
compartilhado por uma comunidade linguística por cada povo e essas experiências, como as lín-
comum. A fala ou os sinais são expressões de di- guas, não coincidem, necessariamente, de uma
ferentes línguas. A língua é um fato social, ou seja, região para outra. Do mesmo modo que as lín-
um sistema coletivo de uma determinada comu-
nidade linguística. A língua é a expressão linguís- guas diferem na análise da realidade, elas diferem
tica que é tecida em meio a trocas sociais, cul- também entre si, por possuírem sons típicos (fo-
turais e políticas. As línguas naturais apresentam nemas). Os fonemas de que se valem os falantes
propriedades específicas da espécie humana: são
recursivas (a partir de um número reduzido de de diferentes idiomas para se expressar são seme-
regras, produz-se um número infinito de frases lhantes, mas não absolutamente iguais.
possíveis), são criativas (ou seja, independentes
de estímulo), dispõem de uma multiplicidade de Outros linguistas, entre eles Bakhtin (1992
funções (função argumentativa, função poética, apud KOBER, 2008), filósofo da linguagem e de-
função conotativa, função informativa, função fensor de uma concepção sócio-histórica de lín-
persuasiva, função emotiva, etc.) e apresentam
dupla articulação (as unidades são decomponí- gua, criticam essa visão saussuriana de língua que
veis e apresentam forma e significado).” (QUA- coloca o sistema de formas fonéticas, gramaticais
DROS, 2002, p. 8). e lexicais da língua como o centro organizador de
todos os fatos da língua, independentemente de

27
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

todos os atos de criação individual. Para eles, a lín- mais diversos. Ele é comumente empregado para
gua está colocada fora do fluxo da comunicação designar, indiferentemente, fenômenos tão afas-
verbal. Nesse sentido, Bakhtin (1992 apud KOBER, tados como a linguagem dos animais, a lingua-
2008) argumenta que, na prática viva da língua, a gem falada, a linguagem escrita, a linguagem das
consciência linguística do locutor e do receptor artes e a linguagem dos gestos.
nada tem a ver com um sistema abstrato de for- É comum a observação de que os animais
mas normativas, mas apenas com a linguagem no são capazes de exteriorizar (comunicar) o medo,
sentido de conjunto dos contextos possíveis de o prazer, a cólera etc. por meio de determinados
uso de cada forma particular. O essencial na tare- sons ou gestos (comunicar aqui se toma no sen-
fa de decodificação não consiste em reconhecer tido de influenciar o comportamento de outros
a forma utilizada, mas em compreendê-la num animais que presenciarem tais manifestações).
contexto preciso, compreender sua significação Pode-se chamar esse tipo de comunicação
numa enunciação particular. de linguagem?
Na verdade, apesar de muito preciso e “en-
[...] os indivíduos não recebem a língua
genhoso”, esse sistema de comunicação entre as
pronta para ser usada; eles penetram na
corrente da comunicação verbal; ou me- abelhas ou outro tipo qualquer de sistema de co-
lhor, somente quando mergulham nessa municação utilizado pelos animais não constitui,
corrente é que sua consciência desperta para Lopes, ainda uma linguagem, pelo menos
e começa a operar [...] Os sujeitos não ad-
no sentido em que utilizamos o termo quando
quirem sua língua materna; é nela e por
falamos da linguagem humana. Em primeiro lu-
meio dela que ocorre o primeiro desper-
tar da consciência. (BAKHTIN apud KO- gar, porque a linguagem dos animais não é um
BER, 2008, p. 163). produto cultural (a cultura é tipicamente huma-
na). Essa linguagem não é senão um componente
da organização físico-biológica das abelhas (por
Então, você está acompanhando a discus-
exemplo), herdada com a programação genética
são? Podemos dizer então que a língua não está
da espécie. A linguagem humana, por seu lado,
pronta, mas se desenvolve no processo de inter-
não é herdada: o homem aprende a sua língua.
locução.
Em segundo lugar, a linguagem dos animais é
Outro pesquisador importante, Geraldi invariável, no tempo e no espaço. Ela fornece
(1997), que atua principalmente na área de en- sempre, ao mesmo grupo, o mesmo tipo de infor-
sino da Língua Portuguesa, fundamenta-se em mação (alimento, por exemplo). Por outro lado,
uma concepção sócio-histórica que, como a pro- a linguagem dos animais é composta de índices,
posta por Bakhtin, considera que a língua não isto é, de um dado físico ligado a outro dado físico
está de antemão pronta, dada como um sistema por uma causalidade natural; ela não se compõe,
de que o sujeito se apropria para ao contrário da
usá-la, mas que o próprio proces- nossa, de signos
Atenção
so de interlocução, na atividade que nascem das
de linguagem, está sempre e a Definição de Linguagem – “É utilizada num sen- convenções feitas
cada vez se “reconstruindo”. tido mais abstrato do que língua, ou seja, refere-
-se ao conhecimento interno dos falantes-ouvin-
pelo homem.
tes de uma língua. Também pode ser entendida
Linguagem num sentido mais amplo, ou seja, incluindo qual-
quer tipo de manifestação de intenção comuni-
cativa, como, por exemplo, a linguagem animal e
todas as formas que o próprio ser humano utiliza
Diversos autores apontam para comunicar e expressar ideias e sentimentos
que o termo “linguagem” apre- além da expressão linguística (expressões corpo-
senta uma notável flutuação de rais, mímica, gestos etc.). (QUADROS, 2002, p. 8).
sentido, prestando-se aos usos

28
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Libras

Em sua tese de doutorado, Trenchi observa:


Atenção

Para Saussure (1995), o exercício da linguagem O termo sócio-interacionismo é utilizado


repousa numa faculdade que nos é dada pela para refletir aos estudos sobre desen-
natureza, ao passo que a língua constitui algo ad- volvimento da linguagem que se afiliam
quirido e convencional. às propostas de Vygotsky (1984), entre
outros, e de terem em comum o fato de
considerarem o social um lugar de inser-
Linguistas apontam, a partir das ideias de ção do organismo na ordem simbólica
Saussure, que todos os humanos depois da infân- e a essa como condição necessária para
o pensamento e para construção do co-
cia sabem utilizar a linguagem para se comunicar
nhecimento.
com seus semelhantes; é essa capacidade que
Fundamentado nessas idéias, o sócio-
distingue o homem de todos os outros seres. Isso
-interacionaismo enfatiza a natureza da
não quer dizer que os outros seres vivos não se linguagem enquanto atividade cognitiva
comunicam com os membros da sua espécie; é (de ação sobre o mundo) e comunicativa
claro que o fazem e alguns deles têm sistema de (de ação sobre o outro)... O diálogo en-
comunicação complexos e suficientemente flexí- quanto fenômeno de natureza discursiva
é, portanto, o lugar de inserção da criança
veis que merecem o nome de “linguagem”, como
na linguagem. Nessa perspectiva, ele é o
as abelhas e os golfinhos. Todavia, nenhuma des- fundamento da possibilidade de a crian-
sas linguagens se aproxima da complexidade e da ça vir a falar. Nele, a criança é falada antes
flexibilidade de qualquer das línguas humanas. de falar. Falam por ela, dela e para ela ini-
cialmente. Nesse processo, ela passa da
Então, caro(a) aluno(a), podemos dizer que,
condição de interpretado para interprete.
o lugar privilegiado da linguagem é a interlocu- Ou seja, a interação é vista como matriz
ção, entendida como espaço de produção de lin- de significação e a linguagem como ati-
guagem e de constituição de sujeitos (GERALDI, vidade simbólica, através da qual a crian-
1997). Focalizar a linguagem a partir do processo ça vai incorporando, gradualmente, mas
não de modo linear, as categorias linguís-
interlocutivo e, com esse olhar, pensar o processo ticas. O adulto aqui não é o provedor, mas
educacional exige instaurá-la sobre a singularida- o co-autor no processo de constituição
de dos sujeitos em contínua constituição. da linguagem, ou seja, aquele que inter-
preta comportamentos comunicativos
da criança, atribuindo-lhes significado.
Dicionário (TRENCH, 1995, p. 65; 74-75).
Interlocução: conversação entre duas ou mais pes-
soas; diálogo.
Fonte: http://www.dicio.com.br.
Essa concepção de linguagem permite não
só visualizar uma relação dinâmica e constitutiva
entre o sujeito e a linguagem, como também vol-
A concepção sócio-histórica de linguagem tar a atenção para os sujeitos reais e suas histórias
é adotada também por outros autores, como individuais de relação com a linguagem. Dentro
Abaurre (1999), que a define como lugar de in- da concepção assumida pela autora, interessam
teração humana, de interlocução. Tomada como as situações reais de interlocução, historicamente
atividade, como trabalho, a linguagem, ao mes- situadas. Ora, sujeitos reais costumam usar a lin-
mo tempo em que constitui os polos da subjetivi- guagem, seja em sua forma oral, seja em sua for-
dade e da alteridade, é também constantemente ma escrita, de maneira por vezes absolutamente
modificada pelo sujeito que sobre ela atua. singular.
Como vimos, a linguagem é fundamental
para o desenvolvimento dos seres humanos.

29
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

Atenção

A linguagem é um aspecto desenvolvido pelos


seres humanos a partir de situações de interlo-
cução!

4.1 Resumo do Capítulo

Você se lembra de tudo que vimos neste capítulo? Vamos então recordar: a linguagem é fator fun-
damental para o desenvolvimento do ser humano, é ela que nos diferencia dos outros animais. O texto
nos propõe a reflexão da importância da interação e interlocução para que a linguagem seja significada.
O adulto é o coautor no processo de constituição da linguagem, aquele que atribui significado aos com-
portamentos comunicativos.

Multimídia

Para entender melhor sobre o desenvolvimento


de linguagem e língua assista aos filmes:

O Garoto Selvagem
O Milagre de Anne Sullivan

4.2 Atividade Proposta

Vamos treinar um pouco agora!

1. Complete:

a) a) Refere-se ao conhecimento interno dos falantes-ouvintes de uma língua. Também pode


ser entendida num sentido mais amplo, ou seja, incluindo qualquer tipo de manifestação
de intenção comunicativa. Estamos falando sobre a ____________________.

b) b) É um sistema de signos compartilhado por uma comunidade linguística comum. A fala


ou os sinais são expressões de diferentes línguas. A ______________ é um fato social, ou
seja, um sistema coletivo de uma determinada comunidade linguística.

30
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
5 LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS)

Então o que você achou até aqui? Está gos- dade humana para a linguagem e porque surgem
tando de aprofundar seus conhecimentos sobre da mesma necessidade específica das línguas
as questões da língua? orais, ou seja, a necessidade de os seres humanos
Agora, nós vamos conhecer mais sobre a utilizarem um sistema linguístico que é transmiti-
língua de sinais, lembrando que essa língua pos- do através de gerações para expressarem ideias,
sui uma modalidade visomotora. sentimentos e ações.
As pessoas estão acostumadas a relacionar Quadros (1999) observa que, até recente-
língua com fala. “Assim, quando falamos em lín- mente, as pessoas acreditavam que as línguas
gua de sinais, que exige uma associação de língua de sinais eram representações miméticas, total-
com sinais, normalmente as pessoas apresentam mente icônicas e sem nenhuma estrutura for-
concepções equivocadas.” (QUADROS, 1997, p. mativa. No entanto, várias pesquisas vêm sendo
46). realizadas e apontam que essas línguas são sis-
temas abstratos de regras gramaticais. Apesar de
Atenção apresentarem formas icônicas, elas são altamente
complexas e apresentam mecanismos sintáticos
As línguas de sinais apresentam-se em uma mo- espaciais, evidenciando os recursos e sua comple-
dalidade diferente da das línguas orais.
xidade. Assim, como em qualquer outra língua, é
possível produzir e reproduzir expressões meta-
Elas são línguas espaço-visuais, ou seja, a fóricas (poemas, expressões idiomáticas, piadas
realização dessas línguas não é estabelecida atra- etc.) utilizando a língua de sinais.
vés de canais orais-auditivos, mas através da visão
e da utilização do espaço. Dicionário
Preste atenção!!! Mimético: que imita algo ou outrem; reproduz
algo ou um comportamento de modo idêntico.

A diferença na modalidade determina Fonte: www.dicionarioinformal.com.br.


o uso de mecanismos sintáticos espe-
cialmente diferentes dos utilizados nas Icônico: que representa, que reproduz, que foi co-
línguas orais. As línguas de sinais são sis- piado; adj - 1. Relativo a ícone. 2. Relativo à ima-
temas linguísticos independentes das lín- gem ou imagens. 3. Que é conforme ao modelo. 4.
guas orais, desmistificando a idéia de que Que representa com exatidão.
as línguas de sinais derivam da comuni-
Fonte: http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.
cação gestual espontânea dos ouvintes.
aspx?pal=ic%C3%B3nico.
(QUADROS, 1997, p. 46-47).

Como foi dito até aqui, as línguas de sinais
Outro fato importante para pensarmos é apresentam as propriedades específicas das lín-
a forma como foram criadas as línguas de sinais. guas naturais, sendo, portanto, reconhecidas en-
Elas são línguas naturais, pois refletem a capaci- quanto línguas pela Linguística. São visual-espa-

31
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

ciais, captando as experiências visuais das pessoas utilizada pelos índios Urubus-Kaapor, na Floresta
surdas. Elas vêm mostrando que são comparáveis Amazônica. Muitas pessoas acreditam, também,
às línguas orais no que diz respeito à expressão de que a Libras é o Português feito com as mãos,
ideias e à sutileza que as caracteriza. Os usuários que os sinais substituem as palavras dessa língua
das línguas de sinais, no caso do Brasil, da Libras, e que ela é uma mímica e só consegue expressar
podem discutir Filosofia, sonhos, ideias, política, conceitos concretos.
declamar poesias etc., ou seja, podem expressar
todas as funções que o Português realiza. As Relações Espaciais e as Línguas de Sinais
Como toda língua, a língua de sinais é viva,
dessa forma, ao longo do tempo, vão sendo in-
Bem, caro(a) aluno(a), como estamos po-
corporados novos vocábulos/sinais a ele; assim,
dendo observar, a Libras é uma língua que pos-
quando há a necessidade, surge um novo sinal e,
sibilita uma comunicação completa, porém sua
desde que se torne aceito pela comunidade, será
característica é diversa do oralismo. A língua de
aceito e incorporado à língua.
sinais Libras utiliza o espaço para a sua comuni-
Você acha que a língua de sinais é universal? cação e, para que haja uma organização desses
Pois não é. Esta é uma fantasia corrente, sinais, ela possui parâmetros para a sua utilização.
principalmente entre ouvintes, que a língua de Como estamos verificando, as relações es-
sinais seja universal. Assim como as línguas orais, paciais nas línguas de sinais são muito complexas.
cada localidade possui a sua língua. Podemos ci- Na Libras, assim como verificado na Língua Ameri-
tar o exemplo de países que utilizam a mesma lín- cana de Sinais (American Sign Language – ASL), as
gua de sinais, Estados Unidos e Canadá. Embora relações gramaticais são especificadas através da
cada língua de sinais seja diferente e possua a sua manipulação dos sinais no espaço. As sentenças
estrutura gramatical, é inegável que surdos de ocorrem dentro de um espaço definido, na frente
países diferentes comunicam-se com maior facili- do corpo, em uma área limitada pelo topo da ca-
dade uns com os outros, mesmo que não conhe- beça e que se estende até os quadris. Além disso,
çam a outra língua, diferentemente do que ocorre o final de uma sentença, em Libras, é indicado por
na oralidade. uma pausa. A Figura 1 ilustra o espaço de realiza-
Para você saber, no Brasil, as comunidades ção dos sinais na Libras, conforme Langevin e Fer-
surdas utilizam a Libras, mas, além dela, há di- reira Brito (1998).
versos registros de outra língua de sinais, que é

Figura 1 – Espaço de realização dos sinais na Libras.

Fonte: Brito (2006).

32
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Libras

Então, como vimos, os sinais são formados ƒƒ Ponto de articulação: é aquela área no
a partir da combinação do movimento das mãos corpo, no espaço de articulação defini-
em um determinado local e de uma determinada do pelo corpo ou perto do qual o sinal
forma são chamados de parâmetros. é articulado. Na Libras, o espaço onde
Portanto, o que é denominado palavra ou o sinal é realizado é uma área que con-
item lexical nas línguas orais-auditivas é deno- tém todos os pontos dentro do raio de
minado sinal nas línguas de sinais. Os sinais são alcance das mãos. Dentro desse espaço
formados a partir da combinação do movimento de enunciação, que seria cabeça e tron-
das mãos com um determinado formato em um co, pode-se determinar um número li-
determinado lugar, podendo esse lugar ser uma mitado de lugares, sendo alguns mais
parte do corpo ou um espaço em frente ao corpo. exatos, como, por exemplo, a ponta do
Essas articulações das mãos, que podem ser com- nariz, e outros mais abrangentes, como
paradas aos fonemas e, às vezes, aos morfemas, a frente do tórax. Em algumas situações,
são chamadas parâmetros. a localização do sinal será reposiciona-
Para realizarmos então os sinais, precisamos da, pois o sinal pode estar vindo de ou-
utilizar os parâmetros. Nas línguas de sinais, de tro interlocutor; por exemplo: B faz sinal
acordo com o MEC (2007), podem ser encontra- para A. Nesse caso, a localização deve
dos os seguintes parâmetros: levar em consideração as localizações
dos interlocutores, na enunciação ideal;
Agora, preste muita atenção!
ƒƒ Movimento: os sinais podem ter um
movimento ou não. Ferreira Brito (1990)
ƒƒ Configuração das mãos: são formas
menciona que os movimentos podem
das mãos, que podem ser da datilologia
estar nas mãos, pulsos ou antebraço e
(alfabeto manual) ou formas feitas pela
ser unidirecionais (para cima, para bai-
mão predominante ou pelas duas mãos
xo, para a direita, para a esquerda, para
do sinalizador. A Libras apresenta 46
fora, para dentro, para a lateral inferior
configurações de mãos; são elas:
esquerda ou direita, para a lateral su-
perior esquerda ou direita) ou bidire-
Figura 2 – Configuração de mãos. cionais (para cima e para baixo, para a
esquerda e para a direita, para dentro e
para fora, para laterais opostas – supe-
rior e inferior direita ou esquerda);
ƒƒ Orientação/direcionalidade: os sinais
têm uma direção com relação aos parâ-
metros citados. Assim, os verbos ir e vir
se opõem em relação à direcionalidade,
como os verbos. Na Libras, temos seis ti-
pos de orientações da palma das mãos:
para cima, para baixo, para o corpo, para
frente, para a direita e para a esquerda;
ƒƒ Expressão facial e/ou corporal: mui-
tos sinais, além dos quatro parâmetros
Fonte: Brito (2006). mencionados, em sua configuração

33
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

também têm como traço diferenciador celhas franzidas, cabeça projetada para
a expressão facial e/ou corporal, como trás e olhos arregalados.
os sinais alegre e triste. Há sinais reali- Tronco: para frente, para trás; balancea-
zados somente com a bochecha, como mento alternado dos ombros; balan-
ceamento simultâneo dos ombros. Ba-
ladrão e ato sexual; sinais feitos com a
lanceamento único ombro. (QUADROS;
mão e a expressão facial, como bala, e, KARNOPP, 2004, p. 61).
ainda, sinais em que sons e expressões
faciais complementam os traços ma-
nuais, como os sinais de helicóptero e Como apontamos anteriormente, portanto,
moto. “falar com as mãos” não é simplesmente fazer mí-
micas ou indicar algo, mas é a utilização de uma
combinação de elementos que produzirá sinais,
Atenção
os quais, combinados, formarão frases em um
São cinco parâmetros: configuração de mãos, contexto. É importante lembrar que a Libras vai
ponto de articulação, movimento, orientação e transmitir todas as informações necessárias, utili-
direcionalidade e expressão facial e/ou corporal.
zando os sinais, porém é preciso que se tenha em
mente que:

Você já viu um surdo fazendo sinais? Se sim,


a) o Português e a Libras são línguas com-
notou como eles modificam sua expressão facial
pletamente distintas, não apenas em
e corporal. Por que isso acontece?
relação à estrutura (gramática e léxico),
Duas estudiosas da língua de sinais, Qua-
mas ao próprio suporte;
dros e Karnopp (2004), linguistas, apontam a im-
b) a sentença em Língua Portuguesa pos-
portância das expressões não manuais (expres-
sui redundâncias (como a concordância
são dos olhos, movimento da face, da cabeça ou
de número, gênero e pessoa gramati-
tronco), que têm como função marcar sentenças
cal), que seriam suprimidas no processo
interrogativas, relativas, concordância, foco, entre
de representação em Libras;
outros aspectos. Ressaltamos que duas expres-
sões não manuais podem acontecer simultanea- c) a sentença, em Língua Portuguesa, pos-
mente, como, por exemplo, marcas de interroga- sui informações (como a ordem dos
ção e negação. Apresentamos, a seguir, algumas constituintes) que nem sempre são re-
possibilidades de expressões não manuais da levantes para a representação.
língua de sinais brasileira:

Rosto: sobrancelhas franzidas, olhos ar-


Saiba mais
regalados, lance de olhos, sobrancelhas
levantadas; bochechas infladas, boche- Para conversarmos, em qualquer língua, não basta
chas contraídas, lábios contraídos e pro- conhecermos as palavras, ou vocabulário, é preciso
jetados e sobrancelhas franzidas, correr incorporar as regras gramaticais para a formação das
da língua contra a parte inferior interna frases. Na língua de sinais, além disso, a utilização das
expressões não manuais é fundamental para a com-
da bochecha, apenas bochecha direita
preensão do que está sendo dito!
inflada, contração do lábio superior, fran-
zir do nariz.
Cabeça: balanceamento para frente e
para trás (sim), balanceamento para os
lados (não), inclinação para frente, incli-
nação para o lado e inclinação para trás.
Rosto e Cabeça: cabeça projetada para
frente, olhos levemente cerrados, sobran-

34
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Libras

5.1 Resumo do Capítulo

Neste capítulo pudemos conhecer melhor as características das línguas de sinais, sua modalidade,
ou seja, é uma língua visomotora, diferente da língua oral que é de modalidade oral-auditiva. Conhece-
mos o espaço onde são realizados e os parâmetros que devem ser levados em consideração para que os
sinais sejam realizados de forma correta.

5.2 Atividades Propostas

Para finalizar, vamos relembrar alguns conceitos deste capítulo.

1. Os parâmetros da língua de sinais são:

2. Podemos dizer que a língua de sinais é, simplesmente, “falar com as mãos”?

35
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
6 A LIBRAS E SUA GRAMÁTICA

Caro(a) aluno(a), na verdade, cada pessoa que participa da comu-


Muitas vezes ficamos pensando se a Libras nidade surda possui um sinal próprio (essa desig-
pode ser grafada. Sim, de duas maneiras: por nação é sempre realizada pela comunidade surda
meio de sinais ou por meio do alfabeto manual e a partir de uma marca ou característica pessoal).
ou datilológico.
Saiba mais
Utilizamos a datilologia somente quando
vai se digitar o próprio nome ou quando quere-
Comunicar-se em Libras não é ficar digitando todas as
mos designar uma palavra que não possui um si-
palavras! Como dito anteriormente, a digitação, ou uti-
nal. No restante do tempo, não há digitação ou lização do alfabeto manual ou datilológico, é somente
utilização do alfabeto manual. usada para explicitar um nome ou explicitar um termo
que não exista correspondência em sinais.
Cada pessoa possui um sinal que a desig-
na, portanto, em uma conversa, não se utiliza o
nome da pessoa que se quer perguntar ou referir;

Alfabeto Manual ou Datilológico

Figura 3 – Alfabeto manual – Letras.

Fonte: valpimentinha.blogspot.com.

37
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

Figura 4 – Números.

Fonte: eeblmlibras.blogspot.com.

Fonte: aprendendoporlibras.zip.net.

Os Pronomes Pessoais e, com a configuração da mão em “d”, fazer um se-


micírculo à frente ou ao lado do interlocutor.
Quando estamos utilizando a Libras para É normal, na conversação em Libras, a omis-
nos comunicarmos, também utilizamos os prono- são da primeira pessoa. Já os pronomes pessoais
mes pessoais. Devemos seguir as seguintes nor- na terceira pessoa não possuem marca para gê-
mas, se for falar “eu”, deve-se apontar o indicador nero (masculino e feminino), sendo grafados,
para o próprio peito (pessoa que está falando); o para termos de escrita, com o sinal @.
sinal para “você” é apontar para o receptor. Se for
“ele” ou “ela”, apontar para a pessoa, que não está
na conversa, ou um lugar que foi convencionado Atenção
para determinar a outra pessoa. Quando vamos
Quando estamos falando em Libras na primeira
falar “grupo”, fazer o numeral com a mão predo-
pessoa, não é necessário fazer o sinal de “eu”.
minante. Podemos grafar esse sinal de duas ma-
neiras básicas: fazendo o número (por exemplo,
dois), mais a palavra “grupo”; ou grafar o número

38
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Libras

Pronomes Demonstrativos e Advérbios de Pronomes Possessivos


Lugar
Os pronomes possessivos são utilizados na
Como dissemos acima, temos os pronomes Libras também, eles estão relacionados à pessoa
em Libras assim como na língua portuguesa. Os do discurso e não ao objeto possuído.
pronomes demonstrativos e os advérbios de lu- Preste atenção agora!
gar, em Libras, estão relacionados às pessoas do Para a primeira pessoa (meu), pode haver
discurso. Os pronomes demonstrativos e os ad- duas configurações de mão:
vérbios de lugar relacionados a primeira pessoa
(“est@ aqui”) são representados por: apontar para
ƒƒ mão aberta com os dedos juntos, que
o local onde está, acompanhado do olhar do
bate levemente no peito do emissor;
emissor. Se a pessoa não estiver presente, deve-
mos olhar e apontar para o local predeterminado ƒƒ mão em “p” com o dedo médio batendo
da pessoa em questão. Se formos falar “aquel@ no peito (quer dizer “meu próprio”).
lá”, devemos apontar para um local mais distante,
direcionado para a coisa/pessoa ou lugar. Em relação a você ou el@, o movimento de
“p” é em direção à pessoa de quem se fala.
Pronomes demonstrativos Não há sinal específico para as pessoas no
Pronomes pessoais
ou advérbio de lugar
plural.
EU (olhando para o EST@/AQUI (olhando para a
receptor) coisa/lugar, perto da 1ª pes-
soa)
VOCÊ (olhando para
o receptor) ESS@/AÍ AQUI (olhando para
a coisa/lugar, perto da 2ª pes-
EL@ (olhando para o soa)
receptor)
AQUEL@/ LÁ AQUI (olhando
para a coisa/lugar distante
apontada)

6.1 Resumo do Capítulo

Você aprendeu neste capítulo o alfabeto datilológico ou manual e sua importância na língua de
sinais. Pudemos entender como são utilizados os pronomes pessoais, demonstrativos e os pronomes
possessivos. Entendemos que os surdos utilizam a digitação, ou soletração somente em algumas situa-
ções específicas, como para designar o nome de uma pessoa, ou lugar, ou ainda quando não há sinal
específico para a palavra, então digitamos a mesma e explicamos seu significado.

39
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

6.2 Atividade Proposta

Vamos testar agora o que aprendeu?

1. Complete:

a) O alfabeto datilológico é utilizado quando:

40
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
7 ESTRUTURA LINGUÍSTICA DA LIBRAS

Prezado(a) aluno(a), vamos observar como é Morfologia “é o estudo da estrutura da palavra ou


a estrutura da Libras. do sinal, assim como as regras que determinam
a formação de palavras.” (QUADROS; KARNOPP,
Atenção 2004, p. 83, 86).
Quando aprendemos a Língua Portuguesa,
“A LIBRAS é dotada de uma gramática constituída temos o som, os fonemas e a sua representação
a partir de elementos constitutivos das palavras
ou itens lexicais e de um léxico (o conjunto das através de letras, como, por exemplo, na palavra
palavras da língua) que se estruturam a partir de “certo”. Falamos “/sertu/” e escrevemos “certo”. Te-
mecanismos morfológicos, sintáticos e semânti- mos, aqui, cinco letras ou grafemas componentes
cos que apresentam especificidade, mas seguem
também princípios básicos gerais. Estes são usa- da palavra escrita; não consideramos a letra uma
dos na geração de estruturas linguísticas de for- unidade mínima, como o fonema, porque o fone-
ma produtiva, possibilitando a produção de um ma, às vezes, é representado, na escrita, por mais
número infinito de construções a partir de um
número finito de regras. É dotada também de de uma letra.
componentes pragmáticos convencionais, codi- Assim, como vimos acima, são cinco os
ficados no léxico e nas estruturas da LIBRAS e de
princípios pragmáticos que permitem a geração
componentes ou as unidades mínimas constitu-
de implícitos sentidos metafóricos, ironias e ou- tivas das palavras em Português. Essas unidades
tros significados não literais.” (BRITO, 2006). mínimas são chamadas fonemas, que sabemos
serem sequencialmente combinadas para formar
as palavras.
Buscando compreender a estrutura de uma                             
língua, devemos observar seus aspectos: certo -   /s e r t u/
Em LIBRAS, as unidades mínimas ou com-
ƒƒ Morfológico – Morfologia é a ciência ponentes da palavra ou sinal CERTO são
que estuda a estrutura interna das pa- os seguintes:
lavras;
ƒƒ Fonético – Fonologia é uma área que
busca interpretar sons da fala, tendo
sempre por base os sistemas de sons
das línguas e os modelos teóricos dis-
poníveis.

Em relação à língua de sinais, esses estu-


dos também são realizados, porém essas áreas
CM = configuração de mãos;
da Linguística se detêm no estudo das unidades
mínimas dos sinais. A preocupação da Fonética M =  é o movimento linear, para baixo
com retenção final;
é “descrever as unidades mínimas dos sinais” e a

41
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

PA =  é o ponto de articulação do sinal, Os Pares Mínimos


isto é tronco, busto, lado direito;
O = é a orientação da palma da mão para
Veja, agora, várias possibilidades de modifi-
a esquerda;
cação dos sinais a partir dos pares mínimos!
S = é a simetria no movimento ou uso da
mão esquerda, realizando o mesmo mo- Os pares mínimos, na língua de sinais, acon-
vimento que a esquerda, também como tecem quando temos um dos parâmetros dos si-
articulador e não apenas como mão de nais modificados. Essas modificações podem ser
apoio; quanto a:
Em português, as unidades mínimas ou
componentes da palavra certo /sertu/
podem ser descritas da seguinte forma: Configuração de mãos
/s/  som com passagem obstruída (con-
soante), surdo, fricativo;
/e/  som com passagem livre (vogal), so-
noro, aberto, médio;
/r/  som com passagem obstruída (con-
soante), sonoro, vibrante;
/t/  som com passagem obstruída (con-
soante), surdo, oclusivo;
/u/ som com passagem livre (vogal) sono- Educar Acostumar
ro, fechado, posterior. (BRITO, 2006). Fonte: Brito (2006).

Você percebeu a diferença entre a descri- No sinal de educar, a configuração da mão


ção das unidades mínimas de “certo” em Libras direita é em “L” e, no sinal de acostumar, a confi-
e em Português. Na Libras, as características dos guração da mão direita é “mão aberta”. É uma dife-
sinais são espaciais (configuração de mão, pon- renciação pequena, porém significativa;
to de articulação, movimento e orientação) e, no
Português, as unidades da palavra são acústico- 1. Ponto de articulação:
-sonoras.
Como pudemos verificar, as palavras na Li-
bras também se utilizam de unidades mínimas.
Quando uma dessas unidades é modificada, gera
um novo significado.

Atenção Fonte: Brito (2006).

Na Libras, assim como na língua portuguesa, a


modificação de um parâmetro modifica o vocá- As duas palavras apresentadas nesse exem-
bulo. Por exemplo, se na palavra “lobo” mudar o
lugar de uma letra, “b” por “l”, teremos outra pa- plo – aprender e sábado –, possuem a mesma
lavra, “bolo” e não mais “lobo”. Da mesma forma configuração de mão e, também, o mesmo mo-
na língua de sinais, se modificarmos um dos pa- vimento, porém o que as distingue é o local onde
râmetros (configuração de mãos, ponto de arti- cada uma delas é realizada. Na palavra “aprender”,
culação, movimento, ou orientação) estaremos
mudando o sinal. a localização do sinal é na testa e, no sinal de sá-
bado, o ponto de articulação é em frente à boca. A
alteração desse parâmetro modifica o significado
das palavras.

42
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Libras

É devido às mesmas restrições que as uni-


Saiba mais dades ou fonemas do português se orga-
nizam ou estruturam seqüencialmente
Uma das possibilidades de alteração de parâmetro é ou linearmente no tempo, enquanto que
a mudança no ponto de articulação. “Isto é, há uma as unidades ou ‘fonemas’ da LIBRAS se es-
característica espacial distinta nos sinais, o ponto de truturam simultaneamente ou ao mesmo
articulação, que os distingue. Essas características, /na tempo no espaço. (BRITO, 2006).
testa/ e /na boca/, são unidades mínimas distintivas
equivalentes aos fonemas das palavras pata e bata do
português, /p/ e /b/, que também distinguem as for-
mas linguísticas e seus significados.” (BRITO, 2006).
Morfemas e Formação de Palavras por
Derivação

2. Movimento: As duas linguistas Quadros e Karnopp


(2004) apontam que uma das principais funções
da Morfologia é a utilização de uma ideia de uma
palavra em outra classe gramatical. Na Libras, a
função de derivação é muito utilizada; por exem-
plo: derivar nomes de verbos ou vice-versa.
“[...] observa-se que a Língua de Sinais Bra-
sileira pode derivar nomes de verbos pela mu-
dança no tipo de movimento. Este pode ser en-
Verde (SP)                 Gelado (SP) curtado no caso do verbo e repetido no caso do
Fonte: Brito (2006). nome”. (BRITO, 2006). Por exemplo, no verbo “sen-
tar”, o sinal é realizado uma única vez. Já no subs-
tantivo “cadeira”, é utilizado o mesmo sinal de sen-
As palavras “verde” e “gelado” são também
tar, mas ele possui movimento repetido, ou seja,
pares mínimos, pois há a modificação de um pa-
o sinal de sentar é realizado duas vezes. Portanto,
râmetro; nesse caso, a diferença é o movimento.
o sinal de cadeira é derivado do sinal de sentar.
Como pudemos observar, pelos exemplos
Se observarmos o exemplo a seguir (BRITO,
citados, que, tanto na Libras quanto no Portu-
2006), nos sinais de “falar” e de “falar muito”, ou
guês, as palavras são constituídas a partir de uni-
“falar pelos cotovelos”, a modificação acontece na
dades mínimas. Apesar de o número dessas uni-
sua duração.
dades ser finito e pequeno, combinados, geram
um número infinito de palavras. Assim, o léxico da
Libras, como de qualquer outra língua, é infinito,
pois sempre há a possibilidade de novas palavras.
O fato de, em algumas línguas, não haver vocábu-
los para designar alguns campos semânticos não
quer dizer que a língua seja “pobre”, pois ela pos-
sui todos os mecanismos para criar palavras para
Falar Sem Parar
qualquer conceito que venha a ser utilizado pela Falar Falar Pelos Cotove-
comunidade. los
Verifica-se, também, que os princípios e Falar + aspecto conti-
nuativo
mecanismos utilizados na Libras são os mesmos Fonte: Brito (2006).
utilizados em qualquer outra língua. A grande di-
ferenciação entre a Libras e outras línguas é sua
No exemplo a seguir (BRITO, 2006), pode-
característica visual.
mos perceber que o sinal de “saber” possui uma
Preste atenção!

43
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

configuração de “mão aberta”. A modificação do Podemos apontar, no exemplo a seguir, “Ela


sinal para a negativa “não saber” altera a configu- falou com você semana passada”, que o aspecto
ração de mão; a configuração de mão utilizada pontual vai se referir a essa ação que ocorreu em
nesta palavra é a configuração número treze (13), um determinado momento definido no passado.
o que modifica o sinal e incorpora a negativa. Nessa frase, podemos dizer que a ação aconteceu
em um determinado momento: “semana passa-
da”.
Preste atenção!
Em LIBRAS, temos um sinal FALAR para um
contexto linguístico similar. Por exemplo, ELE FA-
LAR VOCÊ ONTEM (= ele falou com você ontem).
Saber                      Não Saber Entretanto, temos também o sinal FALAR SEM PA-
Fonte: Brito (2006). RAR que se refere a uma ação que tem uma conti-
nuidade no tempo como no exemplo ELE FALAR
Formação de Palavras por Composição SEM PARAR AULA (= ele falou sem parar durante a
aula) (BRITO, 2006).

Podemos observar então que, assim como


na Língua Portuguesa palavras derivam de outras,
também podemos formar diferentes palavras a
partir do processo de composição. A composição
é o processo de juntar duas palavras, como, por
exemplo, “guarda-chuva”; no caso dos sinais, isso
ocorre pela adjunção de dois sinais simples, trans-
FALAR      FALAR SEM PARAR    
formando-os em formas compostas.
(aspecto pontual)  (aspecto continuativo)
Por exemplo: Fonte: Brito (2006).

CASA + CRUZ = IGREJA O aspecto durativo vai indicar outro ele-


MULHER + PEQUENO = MENINA mento do sinal e da conversação: quando, em
HOMEM + PEQUENO = MENINO Libras, queremos mostrar a intensidade do sinal,
modificamos um ou mais parâmetros e temos
uma nova palavra.
É importante ressaltar que alguns sinais são
distintos quanto à forma e à categoria e o que vai Podemos entender melhor com os exem-
defini-los é a sua função na frase ou, como os sur- plos a seguir, retirados de Brito (2006):
dos nos apontam regularmente, dependerá do
contexto. 

Aspecto Verbal

Assim como em outras línguas, a Libras vai


distinguir alguns aspectos dos sinais. Essas modu- OLHAR (pontual)
lações são três: pontual, continuativo ou durati- OLHAR VOCÊ ONTEM VOCÊ NÃO ENXER-
vo e interativo. GAR (pontual)

44
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Libras

É importante ressaltar que esse tipo de


evento não acontece na Língua Portuguesa.  
Itens Lexicais para Tempo e Marca de Tempo

Um aspecto importante para observarmos


é que na Libras não há a marcação de tempo no
OLHAR (durativo) sinal.
ELE FICAR OLHANDO LONGAMENTE MAR
(durativo) A língua de sinais não possui marcação de
A modificação no parâmetro é o ponto de ar- tempo verbal como o Português. Para demonstrar
ticulação, que mudou do olho para a ponta do o tempo verbal, utilizamos os sinais adverbiais
nariz. como ontem, hoje, amanhã, semana passada,
próximo ano etc. Com a utilização dessa marca-
ção, não há risco de ambiguidade temporal; sabe-
-se exatamente o tempo que está sendo narrado,
pois, enquanto não aparecer outro item lexical, o
tempo é o que foi marcado a priori.

OLHAR (durativo) Atenção


ELA PASSAR TODOS OLHAR CONTINUADA-
MENTE (durativo) Os sinais que veiculam conceito temporal, em
Fonte: Brito (2006). geral, vêm seguidos de uma marca de passado,
futuro ou presente da seguinte forma: Movimen-
to para trás, para o passado; Movimento para
frente, para o futuro; e Movimento no plano do
Já o aspecto interativo pode aparecer em corpo, para presente. Alguns desses sinais, en-
contextos em que seja necessário apontar uma tretanto, incorporam essa marca de tempo não
interação com o meio. Por exemplo, “PAULO requerendo, pois, uma marca isolada como é o
caso dos sinais ONTEM e ANTEONTEM.
VIAJAR- MUITAS-VEZES”. O sinal interativo se dá
quando o evento ou ação acontece repetidas ve-
zes. Veja o exemplo do que acabamos de expli-
Veja o exemplo a seguir, retirado de Brito car:
(2006):

ONTEM                           ANTEONTEM
VIAJAR (pontual)                              VIAJAR (interativo)

45
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

Outros sinais como ANO requerem o


acompanhamento de um sinal de futuro
ou de presente, mas, quando se trata de
passado, ele sofre uma alteração na di-
reção do movimento de para frente para
trás e, por si só já significa ‘ano passado’.
Os sinais de ANO e ANO-PASSADO po- UMA-VEZ                    DUAS-VEZES             TRÊS-VEZES
dem ser observados nas ilustrações que Fonte: Brito (2006).
se seguem:  

Em alguns momentos, alongando o movi-


mento do sinal e acelerando-o, estamos marcan-
do sua intensidade ou quantidade. No exemplo a
seguir, temos o sinal de longe e, com a intensifica-
ção do movimento e seu alongamento, temos a
expressão “muito longe”.
    ANO                                            ANO-PASSADO
Fonte: Brito (2006).

Quantificação e Intensidade

Quando precisamos apontar uma quantifi-


cação em Português, normalmente dizemos “há
LONGE                        MUITO-LONGE
muitas pessoas nesta festa” ou “há pouco espaço Fonte: Brito (2006).
nesta escola”. Essas expressões não são utiliza-
das na Libras. Utilizamos a configuração de mãos
Como você pode ver, pudemos verificar vá-
para mostrar a diferença; por exemplo: se for uma
rias formas de utilizar a linguagem que é carac-
única pessoa, será apenas um dedo para mostrar
terística da língua de sinais e não é utilizada nas
quem é; se forem muitas pessoas, vamos utilizar
línguas orais.
as duas mãos, apontando para o espaço, mos-
trando “todos”.
Se for necessário utilizarmos alguma marca- Classificadores
ção com número, como para horas, meses, dias,
semanas ou pessoas, podemos nos referir a até Muitas pessoas dizem que os surdos fazem
três incorporados ao sinal. No exemplo a seguir, “mímica”. Na verdade isso não acontece, mas exis-
a figura está mostrando uma vez com o numeral te um componente da gramática da língua de si-
um, dois e três. Há a modificação do parâmetro, nais que se chama classificadores.
o que modifica o sinal. Se a quantidade for acima Os classificadores compõem um aspecto
de cinco, faz-se o sinal do número e, em seguida, que pode ser encontrado também nas línguas
o sinal referente ao vocábulo. Observe no exem- orais. Segundo Brito (2006):
plo do desenho:

46
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Libras

[...] como algumas línguas orais e como tuguês. Realmente, no que diz respeito à ordem
várias línguas de sinais, a LIBRAS pos- das palavras, há uma diferença, pois o Português
sui classificadores, um tipo de morfema
é uma língua de base sujeito-verbo-predicado,
gramatical que é afixado a um morfema
lexical ou sinal para mencionar a classe a enquanto que a Libras é uma língua do tipo tópi-
que pertence o referente desse sinal, para co comentário.
descrevê-lo quanto à forma e tamanho, Quadros e Karnopp (2004) mencionam dois
ou para descrever a maneira como esse
trabalhos que mostram a flexibilidade na ordem
referente é segurado ou se comporta na
ação verbal. das frases na Libras. Para eles, Felipe e Ferreira
Brito apontam que há várias possibilidades de
ordenação das palavras nas sentenças, mas que,
Em Libras, os classificadores são incorpo- apesar da flexibilidade, há uma ordenação bási-
rados ao sinal e têm como característica atribuir ca, que seria sujeito-verbo-objeto. Todas as frases
uma qualidade a um objeto, pessoa, animal. Por que utilizam essa organização são gramaticais.
exemplo: se queremos demonstrar que o “copo
Veja alguns exemplos de possibilidades de
é quadrado”, utilizaremos os classificadores para
frases em Libras, retirados de Quadros e Karnopp
designar a forma e o tamanho do copo.
(2004, p. 140-143):

Ao se atribuir uma qualidade a uma coi-


sa, por exemplo: arredondada, quadrado, 1- Ela gosta de futebol
cheio de bolas, de listras, entre outras, S V O
isso representa um tipo de qualificação.
Assim, classificadores são formas que,
substituindo o nome que as precede, Nessa frase, há uma marca não manual, ou
vêm do verbo. Portanto, os classificado- seja, o narrador marca com a direção dos olhos,
res na LIBRAS são marcadores de concor-
que acompanha a concordância de pessoa asso-
dância de gênero: pessoa, animal, coisa.
Os classificadores para pessoa ou animal ciada ao verbo.
podem ter plural, que é marcado ao se re- 2 - TV ela assiste
presentar duas pessoas ou animais simul-
O S V
taneamente com as duas mãos ou fazen-
do um movimento repetido em relação
ao número. Os classificadores para coisa 3 - Futebol ele gosta
representam, através de concordância,
uma característica desta coisa que está O S V
sendo o objeto da ação verbal. (FELIPE,
2007, p. 150).
Ele futebol gosta
S O V
Atenção

Os classificadores não são “mímica”, mas sim a


Essas construções de frases mostram frases
atribuição de uma qualidade ou característica ao simples em que o referente não está presente; po-
sinal. rém, se a frase tiver uma estrutura mais complexa,
não será possível mudar o objeto da ordem.
Por exemplo:
A Estruturação de Sentenças em Libras
Eu querer Maria trabalhar melhor
Não é difícil encontrar pessoas que apon- S V O
tam que a constituição da estrutura das senten-
ças em Libras é completamente diferente no Por-

47
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

Uma possível explicação para a flexibilida- pronominais para marcar as pessoas no discurso.
de da ordem das frases na língua de sinais está Os desenhos e texto citados são da Professora Ro-
relacionada à topicalização, que está associada à nice Quadros em seu estudo sobre Linguística da
marcação não manual. Libras (1997, p. 49-64).
A seguir, você poderá verificar o estudo de
Quadros e Karnopp (2004) a respeito das formas

Figura 5 – Formas pronominais usadas com referentes presentes.

Fonte: Quadros (1997, p. 49-64).

O desenho apresentado anteriormente do sinalizador. A apontação pode designar, tam-


aponta como as relações na Libras podem ser bém, lugares e/ou objetos no espaço.
complexas, ou seja, de O exemplo a seguir
que forma o sinalizador Saiba mais esclarece como o sinali-
pode marcar as pessoas zador atua para marcar
do discurso. Essas pessoas “A referência anafórica requer que o sinalizador aponte referentes não presentes.
podem estar presentes ou (olhe ou gire o corpo) um local pré-estabelecido, isto O sinalizador irá relacio-
não no diálogo; quando é, após a introdução de um nominal co-referente a um
ponto estabelecido no espaço, esse ponto no espaço
nar um local à sua direita
presentes, a sinalização referir-se-á àquele nominal, mesmo depois de outros e irá nomeá-lo; por exem-
acontece apontando-se sinais serem introduzidos no discurso.” (QUADROS, plo: João à direita e à sua
diretamente ao referente. 1997, p. 50).
esquerda Maria. Todas as
Se o referente não estiver vezes que ele mostrar ou
presente, ou tempora- referir-se à sua direita es-
riamente ausente, é realizado o mecanismo de tará se referindo a João e, à esquerda, Maria. Ob-
apontação, que é direcionado para um local es- serve o desenho:
pecífico, sempre na horizontal defronte ao corpo

Figura 6 – Formas pronominais para marcar as pessoas do discurso.

Fonte: Quadros (1997, p. 193).

48
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Libras

Como você pode observar, o sinalizador Vamos mostrar, agora, alguns mecanismos
não distribui os locais referentes aleatoriamente. utilizados para estabelecer referentes no espaço.
Os referentes somente serão arbitrários, segun- São eles:
do Lilo-Martin e Klima (1990), se forem referentes
abstratos (parlamentarismo, presidencialismo) ou a) fazer o sinal em uma localização parti-
para referentes descritos individualmente não in- cular (se a forma do sinal permitir);
teragindo com outros (diferentes turmas dentro b) apontar um substantivo em uma locali-
de uma escola). Os locais devem distribuídos no zação particular;
espaço, de forma que possam ser diferenciados,
c) direcionar a cabeça e os olhos (e talvez
ou seja, que não gere confusão nos interlocuto-
o corpo) em direção a uma localização
res. É importante, também, ressaltar a importân-
particular, fazendo o sinal de um subs-
cia do olhar do sinalizador, pois, se o sinalizador
tantivo ou apontando para o substanti-
estiver olhando para o interlocutor A (exemplo a
vo;
seguir), ele estará se referindo a “você\tu”.
d) usar um pronome antes de um sinal
para um referente;
Figura 7 – Pronome de 2ª pessoa: VOCÊ/TU.
e) usar um pronome numa localização
particular quando é óbvio o referente;
f) usar um classificador (que representa
aquele referente) em uma localização
particular;
g) usar um verbo direcional quando é ób-
vio o referente. (QUADROS, 1997, p. 53).

Ressaltamos que, se o sinalizador modificar


Fonte: Quadros (1997, p. 53).
sua localização no espaço, todos os envolvidos no
discurso também sofrerão alteração.
É importante ressaltar que, se o sinalizador
estiver olhando para B quando apontar para A,
Concordância Verbal
significa que serão ambos ele/ela.

Figura 8 – Pronome de 3ª pessoa: ELE(A). A concordância verbal é um aspecto impor-


tante em qualquer língua. Quadros (1997) aponta
as diversas classificações dos verbos. Para a auto-
ra, os verbos, na Libras, apresentam a flexão e a
concordância através do sinalizador, que é iden-
tificado como primeira pessoa se a orientação do
movimento for do sinalizador para outra pessoa
ou pessoas. Se a direção do sinal for de outro local
(referencial não presente), o sinalizador será con-
siderado segunda pessoa do discurso, pois ele
Fonte: Quadros (1997, p. 53). estará “sofrendo” a ação. Outras localizações uti-
lizadas no discurso podem identificar as terceiras
pessoas do discurso. Vamos visualizar o exemplo
Atenção agora!!!
do verbo ‘dizer’.

49
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

Salientando a observação de Baker e Co- b) Segunda Pessoa: na direção do interlo-


kely, Padden (1983 apud QUADROS, 1997, p. 61) cutor, determinado pelo contato do olhar
com o interlocutor real ou marcado dis-
apresenta as seguintes formas de concordância
cursivamente;
pessoal:
c) Terceira Pessoa: o marcador de concor-
dância terá o mesmo ponto no espaço
a) Primeira Pessoa: próximo ao corpo do neutro assinalado 3º pessoa.
sinalizador;

Figura 9 – Verbo ‘dizer’ em concordância na Libras.

Fonte: Quadros (1997, p. 61).

A autora aponta ainda que, segundo Pad- do discurso é uma pessoa não presente, mas diz
den, a primeira pessoa do discurso é sempre fixa algo ao sinalizador, que é a segunda pessoa do
e que a segunda e a terceira podem ter infinitas discurso.
possibilidades a partir da localização que ocu- No quadro C, a primeira pessoa é alguém
pam. Assim, a concordância do verbo se dará a não presente, nomeado como “c”, que diz algo
partir do movimento e orientação do sinal. para “a”, que também é um referencial não pre-
No exemplo anterior, com dizer, no primei- sente. No quadro D, a primeira pessoa é o sinaliza-
ro quadro, o sujeito é o próprio sinalizador. A per- dor, que diz algo a todos os interlocutores desse
sonagem está dizendo algo a alguém; sabemos diálogo.
disso pela orientação e pelo movimento do sinal Podemos observar o mesmo fenômeno
(ele sai dela, sinalizador, para outra pessoa). No descrito com o verbo ‘dizer’ nos exemplos a se-
quadro B, a sinalização se inicia em outro local guir:
marcado no espaço, portanto a primeira pessoa

50
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Libras

DAR:

Figura 10 – Verbo “dar” com concordância na ASL e na Libras.

Fonte: Quadros (1997, p. 63).

AJUDAR e OLHAR:

Figura 11 – Variações do verbo “olhar”.

Fonte: Quadros (1997, p. 49-64).

51
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

Após todos os exemplos apontados, pode- Quando pensamos então em uma aborda-
mos dizer: gem de ensino bilíngue, que é a proposta de ensi-
no aos surdos no Brasil, cabe a nós, profissionais,
adquirirmos e desenvolvermos proficiência nessa
Libras é uma língua, não uma linguagem, e possui re- língua, para que a interação com o aluno ocorra
cursos infinitos para designar quaisquer que sejam os verdadeiramente.
assuntos a serem discutidos.

7.1 Resumo do Capítulo

Este capítulo foi longo e por meio dele pudemos compreender aspectos da gramática da língua de
sinais. Observamos novamente a importância dos parâmetros dos sinais em comparação com a língua
portuguesa e sua característica dos sinais serem espaciais. Os pares mínimos que são elementos da lín-
gua de sinais e são caracterizados quando há a alteração de somente um dos parâmetros modificando
assim o sinal seu significado e significante.
Outros aspectos da língua de sinais que pode ser observado também na língua portuguesa oral e
escrita são as palavras por derivação, ou seja, quando uma modificação no parâmetro modifica a palavra
inicial, por exemplo cadeira e sentar.
As palavras em sinais podem ser formadas a partir do processo de composição, ou seja, dois sinais
diferentes juntos possuem um significado diferente, por exemplo casa + estudar = escola.
A intensidade do sinal também pode modificar sua característica inicial. A organização das frases
em Libras é diferenciada do português e finalmente pudemos aprender sobre os classificadores, que são
aspectos importantes na comunicação dos surdos.

7.2 Atividades Propostas

Vamos retomar agora, para que você fixe bem o conteúdo.

Responda:

1. Quais são, em Libras, as unidades mínimas ou componentes do sinal?


2. O que são pares mínimos?
3. O que são palavras por composição?
4. O que é a apontação?
5. O que são os classificadores?

52
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Prezado(a) aluno(a),
Temos a certeza de que a aprendizagem da Libras está apenas começando e que, nesta apostila,
não esgotamos o assunto. O importante é que este momento tenha servido para reflexão acerca do ou-
tro diverso, do diferente e do quanto temos a aprender com ele; isso já foi válido.
Nossa posição, enquanto professores, não é dizer o que é certo ou errado, mas entender que não
existe uma única realidade. O mundo não é nem ouvinte nem surdo, mas é da forma como o criamos,
mediante nossa percepção, disposição e possibilidade de relação.

53
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
RESPOSTAS COMENTADAS DAS
ATIVIDADES PROPOSTAS

Caro(a) aluno(a),

Apresentamos, a seguir, as respostas esperadas para as atividades propostas.

CAPÍTULO 1
1. Como vimos no decorrer do capítulo, o Decreto nº 5.626, considera surdo a pessoa que, por
ter perda auditiva, interage e compreende o mundo utilizando-se de experiências visuais e
manifestando sua cultura, principalmente, pela Libras. Nessa legislação, não se leva em consi-
deração somente a perda auditiva, mas principalmente a utilização da cultura surda por meio
da língua.

CAPÍTULO 2
1. O personagem mais importante na educação dos surdos foi o Abade L’Epèe, pois ele modifi-
cou a visão da educação dos surdos em sua época e possibilitou o acesso ao conhecimento
historicamente acumulado dessa população. Como você pôde perceber ao longo da apostila,
várias pessoas tentaram educar os surdos utilizando recursos de gestos, mas somente o Aba-
de L’Epèe é quem conseguiu reconhecimento.

2. Para completarmos essas perguntas, é necessário voltarmos ao texto. Releia e compreenda


bem o que ali está dito.
a) Em 1880, ocorre o Congresso de Milão, que modifica a educação dos surdos, para o oralis-
mo. O Congresso de Milão conforme vimos no texto foi um marco histórico na educação
dos surdos, pois modificou a visão dessas pessoas e suas possibilidades de aprendizagem.
b) Hoje, o Brasil busca a metodologia do bilinguismo na educação dos surdos. O Brasil, assim
como outros países, busca o bilinguismo como metodologia de ensino, tendo em vista o
fato de que pesquisas foram realizadas e constatou-se que essa é a melhor forma de apren-
dizagem desses alunos.

3. Espero que sua resposta tenha sido Sim. As crianças surdas que aprendem a língua de sinais
na primeira infância e têm acesso a falantes nativos da língua terão um desenvolvimento sem
atrasos, de forma similar às crianças ouvintes, porém em uma língua de modalidade visomo-
tora. É importantíssimo que, para que se desenvolva a língua, as crianças tenham vivência
com pessoas proficientes; o que irá modificar sua forma de aprendizagem e de apreensão do
mundo que a cerca.

55
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

CAPÍTULO 3
1. Descreva brevemente:
a) Como pudemos verificar durante nossos estudos, o oralismo foi a forma de ensino empre-
gada após o Congresso de Milão. Ele visa ao desenvolvimento da fala como objetivo pri-
mordial. Utiliza-se de próteses de amplificação sonora, pistas visuais, treinamento e desen-
volvimento da fala, emissão e recepção de fonemas. Essa forma de ensino perdura até os
dias de hoje, porém não necessariamente traz benefícios para a aprendizagem dos surdos.
b) Veja: a Comunicação Total é uma metodologia de ensino desenvolvida após quase um sé-
culo de fracasso na educação dos surdos, que buscou alternativas para sua aprendizagem.
A Comunicação Total tem como objetivo estimular o desenvolvimento linguístico, utilizan-
do-se de todas as modalidades possíveis de comunicação, como: língua oral sinalizada,
utilização de AASI, fala, leitura orofacial, leitura e escrita. Considera o desenvolvimento da
língua oral imprescindível para o surdo. Além disso, a Comunicação Total foi importantís-
sima historicamente, pois trouxe nova luz sobre a educação dos surdos após tantos anos
utilizando o oralismo, mas hoje não é mais utilizada.
c) Conforme discutimos, o bilinguismo é a forma mais completa de ensino para pessoas sur-
das, ele possibilita a aprendizagem de duas línguas, a primeira de sinais e a segunda prin-
cipalmente na modalidade escrita. Bilinguismo: é a utilização da língua de sinais como pri-
meira língua na primeira infância e o ensino da língua escrita e oral do país como segunda
língua. Essa metodologia de ensino é hoje considerada a melhor forma de proporcionar
acesso ao conhecimento.

CAPÍTULO 4
1. Conforme estudamos, a língua e a linguagem são aspectos fundamentais para o desenvolvi-
mento dos seres humanos. A grande diferenciação dos seres humanos em relação aos ani-
mais é o potencial de desenvolvimento da língua e linguagem.
a) Atenção: refere-se ao conhecimento interno dos falantes-ouvintes de uma língua. Também
pode ser entendida num sentido mais amplo, ou seja, incluindo qualquer tipo de manifes-
tação de intenção comunicativa. Estamos falando sobre a Linguagem.
b) Observe atentamente: é um sistema de signos compartilhado por uma comunidade lin-
guística comum. A fala ou os sinais são expressões de diferentes línguas. A língua é um fato
social, ou seja, um sistema coletivo de uma determinada comunidade linguística.

CAPÍTULO 5
1. Você deve observar que os parâmetros na língua de sinais são fundamentais, pois é por meio
deles que os sinais podem ser realizados. São cinco os parâmetros que formam os sinais: confi-
guração de mãos, ponto de articulação, movimento, orientação e direcionalidade, e expressão
facial e corporal.

2. Espera-se que sua resposta tenha sido negativa. Muitas vezes as pessoas confundem a mímica
ou outras formas de gestos cotidianos com a comunicação em Libras, mas elas são absolu-
tamente diferentes. As línguas de sinais, como a Libras, são a utilização de uma combinação
de elementos que produzirá sinais, os quais, combinados, formarão frases em um contexto.
É importante lembrar que, como a Libras é uma língua, vai transmitir todas as informações
necessárias, utilizando os sinais.

56
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Libras

CAPÍTULO 6
1. Conforme observamos, o alfabeto datilológico tem uma função importantíssima na língua
de sinais, porém utilizá-lo não quer dizer comunicar-se em Libras. Lembre-se que o alfabeto é
utilizado somente em algumas situações, mas a maioria das vezes a comunicação em Libras é
realizada em sinais.
a) O alfabeto datilológico é utilizado quando precisamos apresentar o nome de uma pessoa
ou designar uma palavra que não possui um sinal próprio.

CAPÍTULO 7
1. Lembre-se que para realizarmos os sinais, é fundamental levarmos em consideração onde,
como e com quais movimentos eles devem ser realizados. Para isso existem os parâmetros da
língua de sinais, que são: configuração de mãos, movimento, ponto de articulação, orientação
e simetria.

2. Espera-se que você tenha respondido que os pares mínimos ocorrem quando temos um dos
critérios do sinal modificado; quando se dá esse fato temos um outro sinal. Essa modificação é
chamada de pares mínimos. Na língua de sinais, acontece quando temos um dos parâmetros
dos sinais modificados, transformando-o em outro sinal. Por exemplo: no sinal de educar, a
configuração da mão direita em “L” e, no sinal de acostumar, a configuração d da mão direita é
“aberta”. Os outros parâmetros são os mesmos.

3. Como estudamos, as palavras compostas expressam um único vocábulo, porém necessitam


de mais de um sinal para expressá-las. As palavras por composição são aquelas que são forma-
das no processo de junção de duas palavras. No caso dos sinais, esse fato ocorre com a junção
de dois sinais simples e a transformação deles em formas compostas. Por exemplo, a palavra
“escola”: sinal de casa + estudar.

4. Você deve ter se lembrado de que a apontação é um fenômeno que ocorre somente nas
línguas de sinais, nas línguas orais ela não existe, pois não nos utilizamos do espaço para
manifestar uma ideia. A apontação pode designar um lugar, objeto ou pessoa. Esse ponto, no
espaço, refere-se àquele nominal do discurso. Esse recurso na língua de sinais é fundamental,
pois a língua é espacial e, portanto, marca no espaço onde estão os personagens do diálogo
ou narrativa.

5. Espero que você tenha se lembrado de que os classificadores são ferramentas importantíssi-
mas na língua de sinais, é por meio deles que designamos informações. São por meio deles
que podemos expressar uma ideia utilizando formas inequívocas de compreensão, por exem-
plo, para expressar o termo “lavar louça”, o sinal será realizado mostrando de forma icônica o
lavar um prato, por exemplo, que será diferente de quando vamos lavar o chão. Os classifica-
dores são a atribuição de qualidades ao objeto animal ou pessoa. Utilizamos os classificadores
quando queremos designar forma, tamanho ou características particulares ao objeto.

57
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e critérios básicos para a
promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá
outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 20 dez. 2000.

______. Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e dá
outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 25 abr. 2002.

______. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei nº 10.436, de 24 de abril


de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei nº 10.098, de 19 de
dezembro de 2000. Diário Oficial da União, Brasília, 23 dez. 2005.

BRITO, L. F. Estrutura Linguística da LIBRAS. Instituto Nacional de Educação de Surdos. 2006.


Disponível em: <http://www.ines.gov.br/ines_livros/35/35_PRINCIPAL.HTM>. Acesso em: 1 out. 2008.

CAPOVILLA, F. C. Filosofias educacionais em relação ao surdo: do oralismo a comunicação total ao


bilinguismo. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 6, n. 1, p. 99-116, 2000.

CAPOVILLA, F. C.; RAPHAEL W. D. Dicionário enciclopédico ilustrado trilingue língua de sinais


brasileira. São Paulo. EDUSP, 2006.

COUTINHO, D. LIBRAS e língua portuguesa (semelhanças e diferenças). João Pessoa: Arpoador, 2000.

COUTINHO, A. E. Surdo, professor de surdos: perspectiva histórica e situação atual. In: ARENA, S. A. et al.
Educação para surdos: práticas e perspectivas. São Paulo: Santos, 2008.

DAMAZIO, M. F. M. Atendimento educacional especializado – Pessoa com Surdez. Brasília: MEC, 2007.

DORZIAT, A. Metodologias específicas ao ensino de surdos: análise crítica. Instituto Nacional de


Educação de Surdos. Disponível em: <http://www.ines.gov.br/ines_livros/13/13_PRINCIPAL.HTM>.
Acesso: 1 out. 2008.

FELIPE, T. A. LIBRAS em contexto. Programa Nacional de Apoio à Educação dos Surdos. Brasília: MEC/
SEESP, 2007.

KOBER, D. C. Práticas de letramento do surdo. In: ARENA, S. A. et al. Educação para surdos: práticas e
perspectivas. São Paulo: Santos, 2008.

MONTEIRO, M. S. História dos movimentos dos surdos e o reconhecimento da LIBRAS no Brasil. EDT –
Educação Temática Digital, Campinas, v. 7, p. 279-289, 2006.

MCCLEARY, L. E. Oralidade visual: implicações para a história oral. In: ENCONTRO DE HISTÓRIA ORAL
DO NORDESTE, 2., 2000, Salvador. Do oral ao escrito 500 aos de história do Brasil – Anais... Salvador:
Universidade do Estado da Bahia, 2000.

MCCLEARY, L. E. Projeto EMEE: breve descrição. São Paulo: Núcleo de Pesquisa Escola do Futuro/USP,
2000.

59
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br
Marcia Regina Zemella Luccas

QUADROS, R. M. Educação de surdos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

______. O tradutor e intérprete da língua brasileira de sinais. Brasília: MEC, 2002.

QUADROS, R. M.; KARNOPP, L. B. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. Porto Alegre: Artmed,
2004.

SACKS, O. Vendo vozes: uma jornada pelo mundo dos surdos. Rio de Janeiro: Imago, 1990.

TRENCHE, M. C. B. A criança surda e a linguagem no contexto escolar. 1995. Tese (Doutorado em


Filosofia da Educação) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 1995.

WILCOX, S.; WILCOX, P. P. O ensino da língua de sinais americana como segunda língua. Rio de
Janeiro: Arara Azul, 2005.

60
Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br