Anda di halaman 1dari 13

FACULDADE ASSIS GURGACZ

CURSO DE DIREITO
HISTÓRIA DO DIREITO E DIREITO ROMANO
PROFESSOR LUCAS P. O. DE OLIVEIRA

Aula 01 – 2º Bimestre
Introdução ao desenvolvimento histórico da civilização romana

Objetivo 1.1 – Apresentar as fases de desenvolvimento da civilização


romana, de sua constituição até seu declínio, a partir dos elementos de
sua ordem jurídica.

Obra de referência: KASER, Max. Direito privado romano; trad. Samuel


Rodrigues e Ferdinand Hämmerle. 2. ed. Lisboa: Fundação Calouste
Gulbenkian, 2011. P. 17-43.

Dicas de leitura complementar:

Nível Básico:

VENOSA, Silvio de Salvo. Introdução ao estudo do direito: primeiras linhas. 4


ed. São Paulo: Atlas, 2014. P. 268-289.

Nível Avançado:

COULANGES, Fustel. A cidade antiga; trad. Fernando de Aguiar. 4. ed. São Paulo:
Martins Fontes, 2000.

Se o direito ocidental tem um fundamento que o caracteriza em sua


identidade mais profunda, esse fundamento pode ser considerado o direito
romano.
Foi durante as fases de desenvolvimento do maior império que o
ocidente conheceu que se consolidaram os principais elementos da ordem
jurídica dos povos latinos.
Neste sentido ganha contexto a afirmação de Jhering,:

Três vezes Roma conferiu leis ao mundo e por três vezes serviu de
laço de união entre os povos: primeiro, em face da unidade do
Estado, quando o povo romano se encontrava no auge do poder;
depois, na unidade da igreja nascente da queda do império; e,
finalmente, pela unidade do direito ao ser adotado durante a Idade
1
Média‖.

1
JHERING, Rudolf von. Geist des römischen Rechts auf den verschieden Stufen seiner Entwicklung. Leipzig: Breitkopf
u. Härtel, 1907. P.1 apud BRANDÃO, Cláudio; SALDANHA, Nelson e FREITAS, Ricardo. História do direito e do
pensamento jurídico em perspectiva. São Paulo: Atlas, 2012. P. 121.

1
FACULDADE ASSIS GURGACZ
CURSO DE DIREITO
HISTÓRIA DO DIREITO E DIREITO ROMANO
PROFESSOR LUCAS P. O. DE OLIVEIRA

No entanto, para que possam ser melhor compreendidas as fases de


desenvolvimento e influência dessa ordem jurídica, adotar-se-á as divisões
temporais apresentadas por Max Kaser, conforme segue.

Período arcaico (750 a.C – Séc. III a.C)

Trata-se justamente do período de formação e consolidação do império


romano. Nesta época, há um predomínio das atividades econômicas voltadas
para agricultura e pecuária. Roma não é a grande cidade que seria nos anos
seguintes. Assim, também o sua estrutura jurídica não demonstra a grandeza
que viria com os tempos de maior glória.
Há uma referência muito grande na produção do direito a partir das
práticas religiosas. Os romanos da aristocracia, Patrícios, prestam devoção aos
seus antepassados, conhecidos por Lares, o fundamento de autoridade que
esses Lares conferem ao Patriarca vivo de uma linhagem genealógica é pater
familia. A partir deste conceito é que se tem o fundamento para a legitimação
do poder exercido pelo patriarca em relação a todo o seu núcleo familiar. Isto é,
a razão pela qual o pai é a referência de autoridade para o exercício do poder
nessa fase do desenvolvimento romano, conforme explicado por Fustel de
Coulanges:

A quem competirá, pois a autoridade principal? Ao pai? Não. Porque


existe em todas as casas algo de superior ao próprio pai: a religião
doméstica, (...) [o] Lar familiae Pater. Nessa divindade interior, ou, o
que vem a dar no mesmo, na crença existente na alma humana,
reside a autoridade menos discutível. É essa crença que indica na
família a condição de cada um.
O pai é o primeiro junto ao lar; é ele que o acende e o conserva; é
seu pontífice. Em todos os atos religiosos desempenha a função mais
elevada; degola a vítima; a sua boca pronuncia a fórmula da oração
que deve chamar sobre si a proteção dos deuses. A família e o culto
perpetuam-se por seu intermédio; só o pai representa a cadeia dos
descendentes. No pai se funda o culto doméstico; quase pode se
dizer como o hindu: ―Eu é que sou o deus‖. Quando a morte chegar, o
2
pai será um ser divino que os seus descendentes invocarão.

2
COULANGES, Fustel. A cidade antiga; trad. Fernando de Aguiar. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

2
FACULDADE ASSIS GURGACZ
CURSO DE DIREITO
HISTÓRIA DO DIREITO E DIREITO ROMANO
PROFESSOR LUCAS P. O. DE OLIVEIRA

Assim, é encontrado no fundamento da religião as formações das


primeiras organizações romanas. Essa origem, relacionada ao seio familiar e à
religião que fortalece a figura do patriarca irá acompanhar todo o
desenvolvimento da ordem jurídica de Roma, sendo estes padrões os
apropriados para a composição do direito, mesmo após o período de
urbanização:

O antigo direito não é obra do legislador; o direito pelo contrário,


impôs-se ao legislador. Teve sua origem na família. Nasceu ali
espontânea e inteiramente elaborado nos antigos princípios que a
constituíram. Originou-se das crenças religiosas universalmente
admitidas na idade primitiva desses povos que exerciam o domínio
3
sobre as inteligências e sobre as vontades.

(...)

A família não recebeu das cidades as suas leis. Se a cidade tivesse


estabelecido o direito privado, é provável que instituísse normas
inteiramente diferentes daquelas aqui estudadas por nós. Teria
regulamentado segundo outros princípios o direito da propriedade e
da sucessão; com efeito, para a cidade, não havia interesse na
inaliebilidade da terra nem na indivisibilidade do patrimônio. A lei que
permite ao pai vender e até mesmo matar o seu filho (lei que
encontramos vigente tanto na Grécia como em Roma) não foi criada
pela cidade. A cidade teria antes dito ao pai: ―A vida da tua mulher e
de teu filho não te pertencem, assim como não te diz respeito a sua
liberdade; eu os protegerei, mesmo contra ti; não serás tu que os
julgarás, que os matarás, se faltarem aos seus deveres; só eu serei
juiz‖. Se a cidade não fala deste modo é evidente que não o pode
4
fazê-lo. O direito privado surgiu antes da cidade.

Os direitos conferidos ao poder do pai, enquanto autoridade religiosa e


como autoridade suprema de sua sociedade (família), incluíam o direito de
reconhecer como seu ou não o filho ao nascer; repudiar sua mulher, caso
estéril, considerando que é necessário que a família não seja extinta ou ainda
em caso de adultério, evitando contatos impuros; o direito de casar a filha,
cedendo a outro o poder que tem sobre ela; o direito de incluir ou excluir
qualquer um do culto de seus lares e o direito de designar um tutor para sua
mulher e filhos para quando morresse.

3
COULANGES, Fustel. Op. cit. p. 85.
4
Idem

3
FACULDADE ASSIS GURGACZ
CURSO DE DIREITO
HISTÓRIA DO DIREITO E DIREITO ROMANO
PROFESSOR LUCAS P. O. DE OLIVEIRA

Em relação aos outros membros da família, tem-se claro que faziam


parte dessa enquanto pudessem render culto ao mesmo pater familia que seu
patriarca era sacerdote.
A mulher, mesmo em épocas mais desenvolvidas do império não podia
ser levada perante a justiça, cabendo ao patriarca a determinação de sua
punição, caso cometesse algum ilícito. A decisão imposta à mulher, nestes
casos, não poderia ser revista por nenhuma autoridade política constituída.
Já, quanto aos filhos, esses poderiam auxiliar o pai no culto doméstico,
mas somente o primogênito um dia poderia presidir o culto aos lares. Mesmo
depois de casados os irmãos continuavam ligados pela questão da religião,
mantendo os mesmos
antepassados como
deuses, sob o
sacerdócio do mais
velho.
Quanto às
filhas mulheres
passavam a integrar
outra família quando
cedido o direito de autoridade que o pai tivesse sob estas por ocasião da união
matrimonial.
Por certo que não se pode pensar o desenvolvimento histórico de
forma estanque. Sendo assim, há que se considerar que contra essa
hegemonia dos pais de família, formou-se aos poucos um grande atrito com a
massa do povo, que não praticava e rendia culto às mesmas divindades que os
Patrícios.
Considerando que este primeiro recorte arcaico envolve um período de
monarquia, com sete reis sucessivos, e um período de república, há que se
entender a organização social e jurídica em dois momentos.
Na sucessão dos reis que governaram Roma em seu início, há o
exercício político e religioso unificado em uma só pessoa, no caso, o monarca.
É compreensível a necessidade de um rei, considerando que esse seria uma

4
FACULDADE ASSIS GURGACZ
CURSO DE DIREITO
HISTÓRIA DO DIREITO E DIREITO ROMANO
PROFESSOR LUCAS P. O. DE OLIVEIRA

demanda da própria concepção de sociedade. O monarca, neste caso, seria o


pater familia da sociedade. Assim, além da função política, também era
responsável pelo exercício religioso.
Junto com o rei, havia uma espécie de assembleia composta pelos
outros pater familia, que formavam um órgão análogo a um conselho de
governo.
Na sucessão dos reis houve aqueles que se detiveram mais
especificamente sobre as questões religiosas. Estes chegaram até o fim de
suas vidas sem enfrentar grandes problemas com este conselho aristocrático.
Contudo, houve casos de reis que tentaram se tornar independentes
dos Patrícios, não exercendo a dimensão religiosa como determinado pelos
ditames de maior rigor e buscando a ascensão política por meio de iniciativas
que estabeleciam vínculo com a plebe, esta completamente alheia ao processo
de disputa de poder neste primeiro momento.
Certamente que estes reis encontraram forte oposição da parte dos
membros da aristocracia, sendo, em todos os casos, mortos pelos
representantes do conselho, por terem se desligado do fundamento primeiro de
poder: a religião dos antigos.
Com o último rei sendo deposto e morto, justamente por ter
implementado medidas de governo que contrariavam interesses da classe
dominante e favoreciam às massas, instaurou-se a república.
Agora havia a constituição de cônsules, responsáveis pela
administração religiosa e política de Roma. Esses cônsules era também os que
compunham, por indicações políticas, o senado, órgão com o qual, por questão
de respeito e também pela necessidade de apoio dos patrícios, era
constantemente consultado a respeito das decisões importantes da cidade e
fonte de aprovação dos pedidos de leis encaminhados pelos magistrados.
A realeza teria seu fim
aproximado no ano de 510 a.C.,
sendo que a passagem de uma
forma de governo para outro se deu

5
Figura 1 Representação gráfica de uma sessão do Senado
Romano
FACULDADE ASSIS GURGACZ
CURSO DE DIREITO
HISTÓRIA DO DIREITO E DIREITO ROMANO
PROFESSOR LUCAS P. O. DE OLIVEIRA

com intensas disputas entre os patrícios e a plebe.


Sendo assim, não tardou para que a plebe se organizasse e
reivindicasse alguns primeiros avanços que culminariam, ao longo de um
processo de 400 anos, em grandes conquistas para o grupo.
Um dos marcos para este avanço foi a democratização do acesso à lei.
Antes a lei era restrita ao conhecimento dos sacerdotes e dos pater familia. Ou
seja, inacessível para os membros da plebe. Em uma revolta onde a população
inteira sai da cidade e se dirige a um monte fora dos limites de Roma, a plebe
conquista abertura para a possibilidade de que fossem escritas as leis a serem
aplicadas em Roma.
Evidentemente que isso não aconteceu de forma tão fácil. Em um
primeiro momento a plebe solicitou que todas as leis então em vigor fossem
suspensas e que fosse criada uma comissão de dez pessoas, decenvirato,
incluindo membros da própria plebe, para a realização de leis escritas que
permitissem uma maior igualdade entre as classes.
Os Patrícios protestaram, afinal, elaborar leis era algo que remetia a
sua prerrogativa de detentores do culto. Neste ponto cederam os plebeus para
que a comissão de dez fosse composta inicialmente apenas de Patrícios, mas
que as leis por ela elaboradas deveriam ser aprovadas pela plebe,
posteriormente, para que então pudessem ter vigência.
Houve a publicação de dez tábuas iniciais que foram aprovadas.
Contudo, ainda faltaram alguns pontos de reivindicação da plebe, de sorte que
foi criada uma nova comissão de dez membros, desta vez sendo três
representantes da própria plebe, que resultou na confecção de mais duas
tábuas, complementando a pauta de exigências da classe.
A partir deste precedente, onde os plebeus conquistaram o direito de
ter sua união reconhecida, tal qual era o casamento sagrado realizado na
religião Patrícia, bem como de poder acontecer casamento entre as classes,
misturando seus sangues, houve uma sequência de conquistas políticas dos
plebeus, sendo a última delas o direito de ter reconhecida uma religião própria
das massas, minando, de forma contundente, o poder anteriormente
estabelecido.

6
FACULDADE ASSIS GURGACZ
CURSO DE DIREITO
HISTÓRIA DO DIREITO E DIREITO ROMANO
PROFESSOR LUCAS P. O. DE OLIVEIRA

República tardia (Séc. III a.C e I a.C)

Na parte da República tardia, entendida como a parte final desta forma


de organização do Estado romano, muda-se de configuração. Há um
desenvolvimento econômico maior, com domínio do comércio, indústria e
movimento de capitais.
Há uma forte influência da cultura helênica5, sendo esta notada no uso
de elementos próprios da filosofia grega na preparação da ciência jurídica
romana, especialmente em relação ao método de síntese e análise para
sistematização e sustentação dos silogismos jurídicos.6 Em que pese essa
questão da influência filosófica, jamais a cultura jurídica romana perdeu de
vista o caráter prático de sua atuação.
Nessa época nascem princípios e institutos de direito que seriam
fundamentais para dar suporte ao desenvolvimento que viria.

Principado (Séc. I a.C. a II d.C)

Com a sua hegemonia já consolidada e com Augusto ocupando o trono


de imperador, tem-se o período do Principado entendido também como período
clássico.
Com base nos princípios e fundamentos desenvolvidos por seus
antecessores e sem constrangimentos autoritários por parte dos imperadores,
os juristas dessa época, se não conseguiram superar em criatividade seus
predecessores, conseguiram deixar como legado para os romanos e toda a
humanidade um direito extremamente preciso e com grande rigor: Com o nome
de clássicos designamos os juristas com essa máxima perfeição e validade
permanente, graças às quais suas obras podem servir de modelo às épocas
futuras e até aos nossos dias7.
Mantendo a mesma característica de orientação práticas, os conceitos
desenvolvidos antes de representarem abstrações desconectadas da

5
Cultura helênica é marcada por uma forte influência grega misturada com elementos orientais e que era próprio do
império erguido por Alexandre Magno.
6
Silogismo é uma estrutura argumentativa.
7
KASER, Max. Direito privado romano; trad. Samuel Rodrigues e Ferdinand Hämmerle. 2. ed. Lisboa: Fundação
Calouste Gulbenkian, 2011. p. 20.

7
FACULDADE ASSIS GURGACZ
CURSO DE DIREITO
HISTÓRIA DO DIREITO E DIREITO ROMANO
PROFESSOR LUCAS P. O. DE OLIVEIRA

realidade, tinham o papel de servir de apoio, justamente, para a resolução dos


casos apresentados ao poder jurisdicional romano.
Essa atenção com os casos práticos deu origem à nomenclatura da
principal escola desse período, a escola da jurisprudência. Concomitante a esta
escola, surge também outra, conhecida como jurisprudência didática.
Desta última o maior representante é Gaio, que publicou uma obra em
160 d.C. chamada Instituições, a primeira tentativa que se tem registro de
organização das leis em categorias como direito das obrigações, direito de
família, direito de propriedade, pensando numa sistematização do direito.

Estruturas comuns do período pré-clássico e clássico

O período pré-clássico e clássico possuem algumas estruturas


comuns. Como forma de facilitar a compreensão, são colocados neste tópico
tais elementos.
Em que pese os cargos que tomavam as decisões jurisdicionais, isto é,
os Pretores, os Edis, os jurados e os Governadores de Província, fossem de
caráter eminentemente político, a qualidade das decisões era assegurada pela
participação de juristas que prestavam consulta para os ocupantes dos cargos
decisionais, os jurisconsultos.
Esses consultores não viviam dessa atividade, faziam isso por paixão
pelo conhecimento das leis e por interesse na coisa pública. Desta forma, ainda
que fossem os ocupantes dos cargos de decisão eleitos anualmente para seus
postos, era comum a manutenção dos consultores em eventual troca,
mantendo a segurança jurídica e a confiança da população.
Quando da tomada de decisão a respeito do seguimento de um
processo ou não ou qual seria a fórmula processual adequada para que a ação
fosse apreciada pelo juiz competente, o Pretor, por exemplo, consultava esse
douto, que fundamentava a decisão a ser tomada de acordo com o direito.
Nesse período nasce um direito extremamente elaborado e em sintonia
com a prática: a jurisprudência romana. Há, desta forma, o ius civile, direito
escrito, previsto em lei solicitadas pelos magistrados e acolhidas pelo Senado e

8
FACULDADE ASSIS GURGACZ
CURSO DE DIREITO
HISTÓRIA DO DIREITO E DIREITO ROMANO
PROFESSOR LUCAS P. O. DE OLIVEIRA

o ius honorarium direito que nasce dos pareceres dos jurisconsultos e da


prática jurisprudencial8.
Essa fonte prática do direito, permitiu que Roma mudasse de forma de
organização de Estado, de República para Império, sem grande rupturas com
sua ordem jurídica, haja vista a grande flexibilidade e sintonia com as
necessidades das relações comerciais e culturais do cotidiano que o formato
guardava.
Assim, como uma forma de organizar a tradição acumulada e o
conteúdo do ius honorarium nascem os Éditos ou Edictor Pretor, um extenso
programa de ação que o Magistrado (Pretor) manda afixar no início de seu
mandato. O seu conteúdo principal é a compilação de todas as actiones (direito
de ação para os autores), exceptiones (fórmulas para as defesas dos réus), e
outras providências jurídicas, enunciando as fórmulas de acordo com o ius
honorarium e o ius civile.
Já em um momento de maior organização o Imperador Adriano publica
em 130 d.C. o Edictum Perpetuum9, cortando a evolução fluída do conteúdos
dos éditos, já que sob o crivo do imperador, tal publicação teria a característica
de ser definitiva e inalterável ante os Pretores. As interpretações e
possibilidades de novas inclusões ou supressões do conteúdo deste édito se
davam apenas por constituições do próprio imperador, por meio de suas
constituições (decretos)10.

Período Pós-Clássico (Séc. III até o fim do mundo antigo)

Neste período começam-se a se constatar os primeiros sinais de


decadência do direito romano. Após várias tensões internas e externas, com

8
A oposição realizada aqui entre o ius civile e o ius honorarium, direito escrito e emanado do senado e das
assembleias versus o direito nascido dos pareces dos jurisconsultos, tendo em vista a análise dos casos concretos,
não se confunde com a oposição entre ius civile e ius gentium entendidos, respectivamente, como o direito aplicável ao
cidadão romano e o direito aplicado nas relações dos romanos com os demais povos, especialmente por conta das
transações comerciais. Para sintetizar, há duas acepções de ius civile, a primeira é a que se contrapõe ao ius
honorarium (direito dos pareceres) e remete ao direito escrito. A segunda, é referente à oposição entre o direito interno
(direito para os romanos) em contraste com o direito externo (ius gentium) aplicado nas relações internacionais.
9
É deste período que Justiniano I irá buscar os elementos para a composição de sua Corpus Juris Civilis de 533-534.
(VENSOA, Silvio Salvo. Introdução ao Estudo do direito. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2014. p. 275).
10
Na fase do principado tem-se os decretos (constitutiones) podiam ser como o Edicta ou mandata (ordem a
funcionários), decreta (decisões jurisdicionais) ou os rescripta (pareceres jurídicos).

9
FACULDADE ASSIS GURGACZ
CURSO DE DIREITO
HISTÓRIA DO DIREITO E DIREITO ROMANO
PROFESSOR LUCAS P. O. DE OLIVEIRA

constantes problemas com os cristãos e dificuldades para manter suas


fronteiras mais periféricas, Diocleciano (284-305), centraliza novamente o
poder sob seus auspícios. Há neste momento uma quebra no ritmo de
desenvolvimento da jurisprudência clássica.
Com Constantino (307-337) ocorre o fenômeno da vulgarização:

Perde-se a técnica jurídica de pensamento e expressão altamente


refinada dos juristas clássicos. Em seu lugar surgem as concepções
de leigos em direito ou de práticos e professores com meia formação
profissional, que frequentemente interpretam mal e falsificam a
substância do direito clássico. Tais visões errados do direito eram
complemente alheias à prática clássica, em especial nas províncias;
mas foram em geral suprimidas (...).

Assim, compreende-se que a vulgarização do direito é a não aplicação


do direito clássico, aquele desenvolvido pela fase da jurisprudência. Nasce aqui
um direito mais assemelhado ao período arcaico, com baixo teor científico e
mais vulnerável às decisões vazias em relação à fundamentação de teor
jurídico.
É uma época em que se
anuncia o colapso romano, uma vez que
há o empobrecimento das massas,
dificuldade nas relações comerciais. No
direito privado, emanado da vontade do
imperador, há a restrição do direito de
propriedade e também na liberdade de
compra e venda.
Com Teodósio Magno (395)
ocorre a cisão do império do ocidente
com o oriente, sendo que as leis
adotadas em cada parte do império
(ocidental e oriental) dependiam, em um
Figura 2 Imagem de Justiniano I primeiro momento, da publicação em
ambos os hemisférios para serem
válidas. Contudo, a parte do oriente promoveu uma busca pela retomada do
direito clássico, esforço que não foi acompanhado pela parte ocidental, razão

10
FACULDADE ASSIS GURGACZ
CURSO DE DIREITO
HISTÓRIA DO DIREITO E DIREITO ROMANO
PROFESSOR LUCAS P. O. DE OLIVEIRA

pela qual em alguns anos o direito ocidental deixou inteiramente de ser


adotado pelo império do leste.
Na parte oriental, sob o comando de Justiniano I, há um
desenvolvimento da estrutura semelhante ao período clássico, recebendo
influências da filosofia da época e da teologia.
Desse período tem-se no Corpus juris civilis, publicado em 533 em 534.
Uma consolidação dos éditos dos períodos pré-clássico e clássico, com a
pretensão de realizar o grande ideal de um Estado cristão próspero de governo
absolutista.

Superveniências

Neste capítulo o autor retrata os ecos que o direito romano ressoou na


história do direito que seguiu após a queda do império.
Nas legislações dos bárbaros que ocuparam áreas do antigo império
do Ocidente houve a publicação de algumas legislações que reconheciam o
instituto da personalidade, isto é, se de ascendência romana, o cidadão era
tratado de acordo com suas leis. Mas registre-se que não eram status jurídicos
bem quistos entre os seus destinatários, haja vista que houve mudanças
culturais bruscas, de famílias inteiras que antes romanas, aderiam aos
costumes bárbaros para terem um mínimo de dignidade e reconhecimento em
suas sociedades.
Já no século XII a Igreja Católica passa por um grande período de
reforma, com o desenvolvimento de uma grande estrutura administrativa
inspirada em elementos do direito romano, que mais tarde contribuiria também
para o desenvolvimento da estrutura administrava dos Estados absolutistas.
Após esse período, Alta Idade Média, segue-se a Baixa Idade Média,
onde os Glosadores, especialmente de Bolonha, tiveram acesso aos
manuscritos com os institutos compilados por Justiniano, e em um esforço de
reconstrução da ordem jurídica clássica, tentaram, como quem monta um
quebra—cabeças histórico, reconstruir a ordem dos institutos clássicos.

11
FACULDADE ASSIS GURGACZ
CURSO DE DIREITO
HISTÓRIA DO DIREITO E DIREITO ROMANO
PROFESSOR LUCAS P. O. DE OLIVEIRA

Não demorou que as adaptações realizadas com Justiniano e o direito


que dialogava tão bem com uma estrutura centralizada de poder, associada a
períodos prósperos de comércio viesse a calhar aos interesses da monarquia e
da burguesia ascendente na Europa. Desta forma, coube aos comentadores
realizarem as adaptações históricas necessárias para legitimar a aplicação do
direito romano. Assim explica Max Kaser: penetram as instituições da época de
origem romana ou germânica com os métodos aprendidos dos romanos, e não
raramente, transformam as ideias romanas de forma caprichosa.11
Nos séculos XV e XVI se desenvolve a escola do usus modernus
pandectaram, um esforço dos juristas germânicos para aplicar o direito romano
conhecido de forma direita em seu tempo, pelo argumento de que como o
Sacro Império Romano Germânico seria herdeiro direto do império e seu
imperador também o sucessor do imperador romano, caberia a aplicação direta
da ordem jurídica clássica em pleno renascimento.
Com a publicação de vários Códigos, muito influenciados pelo
iluminismo, houve a ruptura dessa noção de recepção das leis romanas,
entrando em vigor uma perspectiva universal do direito, muito próprio do
positivismo exegético.
Em contraposição a essa ruptura, um dos grandes últimos movimentos
influenciados pelo direito romano foi a Escola Histórica do direito, cujo maior
representante é Karl von Savigny.
Esta escola pretendeu tirar as camadas de adaptações realizadas
pelos comentadores e pela escola do usus modernus pandectarum
redescobrindo a essência do direito do período clássico.

Exercício para a revisão:

Assinale V ou F de acordo com o valor de verdade de cada enunciado:

( ) – Roma teve em seu início de civilização uma forte inspiração nos fundamentos
gregos, recebendo uma grande influência, especialmente no que tange ao sistema de
organização em Cidades-Estados;

11
KASER, Max. Op. Cit. p. 08.

12
FACULDADE ASSIS GURGACZ
CURSO DE DIREITO
HISTÓRIA DO DIREITO E DIREITO ROMANO
PROFESSOR LUCAS P. O. DE OLIVEIRA

( ) – Em seu período arcaico, predomina em Roma a necessidade do


desenvolvimento rumo ao Mediterrâneo, já era no Nostro Mare principal atividade
econômica da época: a pesca;

( ) – Durante o período arcaico, a ordem jurídica romana é assentada nas premissas


da religião dos Patrícios, aristocratas da época, atribuindo a essa sociedade e às
demais que se inspiraram em sua direito, um caráter eminentemente patriarcal;

( ) – As primeiras estruturas de leis escritas, que permitiam, desta forma, uma maior
igualdade entre as classes, foram a Lei das XII Tábuas, confeccionadas por duas
comissões de dez membros, sendo que na última havia representação de três
integrantes da plebe.

( ) - O Período pré-clássico é conhecido por ter, a partir das influências da cultura


helenística, desenvolvido estruturas que possibilitaram a efervescência do direito
romano.

( ) O direito romano, especialmente o ius honorarium, é conhecido por seu caráter


pragmático, com uma grande sintonia com os casos reais que eram apreciados pelo
aparelho jurisdicional da época

( ) O fenômeno da vulgarização, na fase de império, consistiu na redução da


participação dos jurisconsultos no auxílio para a resolução dos casos concretos, como
ocorria nos períodos pré-clássico e clássico.

13