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NOVA VERSÃO I N T E R N A C I O N A L

FAÇA UMA J O R N A D A VISUAL


ATRAVÉS DA V I D A E D O S
TEMPOS BÍBLICOS
AUTOR, LUGAR E DATA DA RE DAÇÃO
A autoria de 1 e 2Pedro é discutida hoje, e muitos negam que Pedro tenha escrito alguma das duas epístolas. Entretanto, evidência substancial
interna fornecida pela da igreja primitiva favorece a autoria petrina de ambas as cartas (ver “A autoria das epístolas de Pedro”, em 1 Pe 1).
Sem dúvida, uma forte tradição afirma que Pedro foi martirizado durante o governo de Nero por volta de 66 d.C. — depois do
grande incêndio em Roma (64 d.C.), porém antes da morte de Nero (68 d.C.). Além do mais, Pedro demonstrou familiaridade com os
colossenses e os efésios (ver 2Pe 3.15; cp. 1 Pe 1.1 -3 com Ef 1.1 -3; 1 Pe 2.18 com Cl 3.22). Essas cartas de Paulo são de data posterior
a 60 d.C., por isso 1 Pedro deve ser datada entre 60 e 64, antes do início das perseguições de Nero.
Em 1 Pedro 5.13, o autor afirma que escreveu da “Babilônia”. Apesar de vários lugares terem sido sugeridos como a “Babilônia” de
Pedro, apenas dois parecem razoáveis: a verdadeira Babilônia, na Mesopotâmia (centro importante da cultura judaica), ou uma Babilônia
metafórica (Roma), embora o contexto de 5.13 não pareça figurativo ou secreto.

DESTINATÁRIO
A carta é endereçada aos cristãos “no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na província da Ásia e na Bitínia” (1.1). Isso parece incluir a maior
parte da Ásia Menor (a moderna Turquia), mas Pedro pode ter usado os termos num sentido mais restrito. Os cristãos dessas regiões
estavam sofrendo perseguição por causa de sua fé (1.6; 4.12-19; 5.9,10), e Pedro descreve seus destinatários como “eleitos de Deus” na
Diáspora (1.1), termos relacionados aos judeus. No entanto, ele afirma que seus destinatários antes seguiam a maneira vazia de viver
herdada de seus antepassados (1.18; cf. 4.3-5). Diante disso, parece que os leitores originais de Pedro eram gentios que se tornaram
cristãos e, portanto, eram como estrangeiros e peregrinos (2.11) neste mundo.

FATOS CULTURAIS E DESTAQUES


Pedro não trata de nenhuma questão ou crise específica, mas aconselha seus leitores a respeito do que é fundamental na vida cristã. A carta
é, na verdade, um panfleto sobre a vida cristã, escrito para benefício dos crentes em lugares e circunstâncias diferentes.

LINHA DO T E M P O

10 B.C. A.D.1 10 20 30 40 50 60 70

Nascimento de Jesus (ca. 6/ 5 a.C.)

Pedro se torna discípulo (ca. 26 d.C.)

Morte, ressurreição e ascensão de Jesus (ca. 30 d.C.)

Conversão de Paulo (ca. 35 d.C.)

Concilio de Jerusalém (ca. 50-51 d.C.)

Reinado de Nero (ca. 54-68 d.C.)

Redação de 1Pedro (ca. 60-64 d.C.)

Destruição do templo de Jerusalém (ca. 70 d.C.)

ENQUANTO VOCÊ LÊ
Atente para os princípios gerais a respeito de assuntos problemáticos como a dor, o sofrimento e a perseguição, e descubra o motivo de
Pedro para se ter esperança. Observe o estilo de Pedro e sua harmonização de diretrizes doutrinárias e práticas para a vida cristã. Estude
sua doutrina sobre a submissão às autoridades e suas ramificações.
IN T R O D U Ç Ã O A 1PEDRO 2009

VOCÊ SABIA?
• Na linguagem do século I, “preparar para agir” literalmente sugere que os leitores arregacem as vestes longas e flutuantes e se prepa­
rem para alguma atividade física (1.13).
• No mundo grego, o escravo podia ser resgatado por meio de um pagamento em dinheiro, feito por um terceiro ou pelo próprio escravo
(1.18).
• Os “escravos” são servos domésticos, sem importar qual seja seu treinamento ou função (2.18).

TEMAS
A primeira carta de Pedro contém os seguintes temas:
1. A nova identidade dos crentes. 0 objetivo de Pedro é encorajar os cristãos diante da perseguição. Por causa da grande misericórdia de
Deus, foi dada nova vida aos crentes, uma “esperança viva” (1.3; ver também 1.13,21; 3.15) e uma herança etem a (1.4). Eles são agora
“o povo de Deus" (2.10). Como tal, devem se alegrar (1.6,8; 4.13) e ser corajosos em meio ao sofrimento.
2. Sofrer p or fazer o bem. Embora os crentes possam experimentar “todo tipo de provação ” (1.6), eles deve permanecer firmes na fé (5.9).
0 sofrimento age como fogo purificador para provar a genuinidade da fé (1.7) e dá aos cristãos a oportunidade de testemunhar acerca de
sua esperança (3.15). Quando o crente sofre injustamente, está seguindo o exemplo de Cristo (2.21).
3. Vida cristã. Os cristãos devem viver uma vida compatível com sua conversão. Pedro descreve a salvação como um processo (1.9; 2.2),
no qual o crente se desenvolve a partir de sua fidelidade pressionada no dia a dia. Eles devem se esforçar em busca de santidade pessoal
(1.13-21) por meio do temor reverente a Deus (1.17-21) e demonstrar sua fé amando os outros (1.22).

SUMÁRIO
I. Saudação (1.1-12)
II. Exortações à vida santa (1.13— 5.11)
A. Domínio próprio e santidade (1.13— 2.3)
B. A conduta do povo de Deus (2.4-12)
C. Submissão à autoridade (2.13— 3.7)
D. Sofrer por fazer o bem (3.8-17)
E. Armados com a atitude de Cristo (3.18— 4.6)
F. Conduta na iminência do fim de todas as coisas (4.7-11)
G. Sofrer por ser cristão (4.12-19)
H. Exortações aos anciãos (5.1 -4)
I. Exortações aos jovens (5.5-11)
III. A proposta da carta (5.12)
IV. Saudação final (5.13,14)
2010 1 P E D R O 1.1

Pedro, apóstolo de Jesus Cristo,3 1.1 a2Pe1.1;


»Mt 24.22; C16.7
í aos eleitos de Deus,bperegrinos dispersos no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na província da Ásia
e na Bitínia,c 2 escolhidos de acordo com o pré-conhecimentod de Deus Pai, pela obra santificadora do 1.2 iRm 8.29;
e2Ts 2.13;
Espírito,e para a obediência a Jesus Cristo e a aspersão do seu sangue:f W) 10.22; 12.24

Graça e paz lhes sejam multiplicadas.

Louvor a Deus p o r um a Esperança Viva


3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo!9 Conforme a sua grande misericórdia,hele 1-3o2Co1.3;
Ef 1.3;
nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,' hTt 3.5; Tg 1.18;
ICo 15.20
4 para uma herança que jamais poderá perecer, macular-se ou perder o seu valor. Herança guardada 1.4 «1.5
nos céus para vocêsi5 que, mediante a fé, são protegidos pelo poder de Deusk até chegar a salvação 15 “Jo 10.28
prestes a ser revelada no último tempo. 6 Nisso vocês exultam,' ainda que agora, por um pouco de 1.6 Km 5.2;
tempo,mdevam ser entristecidos por todo tipo de provação.117 Assim acontece para que fique compro­ m 1Pe 5.10; nTg 1.2
1.7 oJó 23.10; SI
66.10;
vado que a fé que vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, mesmo que refinado pelo 1.3;iRo2.7 Pv 17.3; PTg

fogo,0 é genuínaP e resultará em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado.^8 Mesmo 1.8'Jo 20.29
não o tendo visto, vocês o amam; e, apesar de não o verem agora, creem nele' e exultam com alegria
indizível e gloriosa,9 pois vocês estão alcançando o alvo da sua fé, a salvação das suas almas.s
10 Foi a respeito dessa salvação que os profetas que falaram1 da graça destinada a vocês investi­1.10 «Mt 26.24;
uMt 13.17
garam e examinaram,u 11 procurando saber o tempo e as circunstâncias para os quais apontava o 1.11 v2Pe 1.21
Espírito de Cristovque neles estava, quando predisse a vocês os sofrimentos de Cristo e as glórias que
se seguiriam àqueles sofrimentos.12 A eles foi revelado que estavam ministrando, não para si próprios,
mas para vocês, quando falaram das coisas que agora lhes são anunciadas por meio daqueles que
pregaram o evangelhowpelo Espírito Santo enviado dos céus; coisas que até os anjos anseiam observar.

Exortação à Santidade
13 Portanto, estejam com a mente preparada, prontos para agir; estejam alertas e ponham toda a
esperança na graça que será dada a vocês quando Jesus Cristo for revelado.14 Como filhos obedientes, 1.14 *Rm 12.2;
»Ef 4.18
não se deixem amoldarx pelos maus desejos de outrora, quando viviam na ignorância.v15 Mas, assim 1.15 z2Co 7.1;
1Ts 4.7
como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem,2 16 pois está 1.16 *Lv 11.44,45
escrito: “Sejam santos, porque eu sou santo”fl.a
17 Uma vez que vocês chamam Pai àquele que julga imparcialmenteb as obras de cada um, portem-1.17 bAt 10.34;
<flb 12.28
-se com temor durante a jornada terrena de vocês.c 18 Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas 1.18 dMt 20.28;
perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos0 da sua maneira vazia de viver, transmitida 1Co 6.20
por seus antepassados,19 mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiroe sem mancha e 1.19 ®Jo 1.29;
sem defeito,f 20 conhecido*7antes da criação do mundo,9 revelado nestes últimos temposh em favor de <Êx12.5
1.20901.4;
vocês.21 Por meio dele vocês creem em Deus,' que o ressuscitou dentre os mortos e o glorificou, »Hb9.26
1.21 iRm 4.24
de modo que a fé e a esperança de vocês estão em Deus.

a 1 .1 6 Lv 11.44,45; 19.2; 20.7


b 1 .2 0 Ou escolhido

1 . 1 0 termo “peregrinos” nesse contexto indica as pessoas de baixas con­ 1.13 N a linguagem do século I, “preparar para agir” literalmente sugere
dições, que residiam numa área sem proteçáo legal e sem os direitos que os leitores arregacem as vestes longas e flutuantes e se preparem para
concedidos aos cidadãos ou que permaneciam num lugar por pouco tempo. alguma atividade física.
Os cristãos da Ásia Menor eram considerados peregrinos porque 1) já 1.14 Os cristãos, nascidos na família de Deus, são filhos do Pai celestial,
eram de castas sociais marginalizadas ou porque, 2) ao se tornar cristãos, também se diz que os crentes foram adotados na família de Deus (ver
se juntaram a um grupo privado de direitos. Rm 8.15 e nota).
Muitos cristãos judeus e gentios viviam dispersos por grande parte da 1.18 N a Bíblia, “redimir” significa livrar alguém de uma situação ruim
Ásia Menor. Muita gente dessa região estava em Jerusalém no dia de pagando multa ou resgate. De igual modo, no mundo grego, o escravo
Pentecoste (ver nota em At 2.9-11), e Paulo pregou e ensinou em algu­ podia ser resgatado por meio de um pagamento em dinheiro, feito por
mas dessas províncias. um terceiro ou pelo próprio escravo.
O nome Galácia também ocorre em At 16.6 e 18.23, lC o 16.1, G1 Alguns acreditam que a expressão “seus antepassados” implica que os
1.2 e 2Tm 4.10. Em At 16.6 e 18.23, o nome é um adjetivo do país destinatários haviam sido pagãos, porque o N T ressalta o vazio do paga­
ou da região gálata. Lucas, aparentemente, refere-se à região, não à nismo (Rm 1.21; E f 4.17). Outros pensam que eram judeus, por serem
província, uma vez que em Atos, ao falar da Ásia Menor, ele usa as antigas tradicionalistas e valorizarem a influência do pai como mestre no lar. À
designações etnográficas. O contexto em lPe 1.1 parece indicar a pro­ luz do contexto da carta inteira, os destinatários eram provavelmente
víncia. À prática paulina de usar designações políticas aponta para essa judeus e gentios.
aplicação também em lC o 16.1 e G 1 1.2. 1.19 Os sacrifícios do AT eram tipos (prefigurações) de Cristo (ver
1.10-12 Ver “Escatologia judaica no século I d.C.”, em Rm 6. “Sacrifícios e ofertas na Bíblia e no antigo Oriente Médio”, em Lv 2).
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A C R E D I B I L I D A D E DA
^ 'V .

A
A U T O R I A DAS
E P Í S T O L A S DE P E D R O
1P E D R 01 Em 1 e 2Pedro, é invocada a autoria de Pedro, apóstolo assim não exige uma datação subsequente ao reinado de Nero. 0
de Jesus Cristo (1Pe 1.1; 2Pe 1.1,17,18) e "presbítero como eles e sofrimento a que Pedro se refere era local e esporádico, não universal
fc ttru
testemunha dos sofrimentos de Cristo, como alguém que participará ou decretado pelo império. De feto, Pedro ressalta mais os abusos ver­
da glória a ser revelada" (1 Pe 5.1). A igreja primitiva não hesitou em bais e o ostracismo social experimentados pelos cristãos que o martírio.
receber 1Pedro como autêntica. Alguns exemplos: ♦ A enorme região geográfica representada pelos destinatários
identificados em IPe 1.1 (i.e., os cristãos do Ponto, da Galácia, da
♦ Papias (60-135 d.C.) observa que "Marcos á mencionado por Capadócia, da Ásia e da Bitínia) sugere a muitos estudiosos que as duas
Pedro em sua primeira epístola" (Eusébio, História eclesiástica, 2.15). cartas foram escritas bem depois do ano 60. Eles argumentam que
♦ Clemente de Roma (30-101 d.C.); A Didaquê (obra anônima do muito tempo deve ter passado desde as viagens missionárias de Paulo
início do séc. II d.C., que contempla uma variedade de assuntos dou­ para tal crescimento do cristianismo nessas áreas, especialmente por
trinários e práticos de importância para a igreja primitiva); Policarpo não termos relatos de que o apóstolo visitou o Ponto, a Capadócia ou
(69-156 d.C.)— todos fizeram citações de 1Pedro. a Bitínia). Entretanto, como registram o livro de Atos e as cartas de
♦ Ireneu (130-200 d.C.) cita 1Pedro, usando o nome do apóstolo Paulo, as igrejas cristãs eram muitas vezes fundadas num curto
(Contra heresias, 4.9.2; 4.16.5). período de tempo, e Pedro deve ter se encontrado pela primeira vez
♦ Eusébio resume a discussão canônica 1classificando as cartas em com alguns de seus leitores em Jerusalém, no Pentecoste (At 2.9,10).
quatro categorias (História eclesiástica, 3.25): ♦ Percebe-se em 1 e 2Pedro um vocabulário refinado e um estilo
literário rico. Uma vez que Pedro e João são chamados "homens co­
a) as reconhecidas como autênticas por todos os cristãos (e.g., muns e sem instrução" (At 4.13), muitos acham improvável que Pedro
1Pe); tenha sido capaz de escrever essas epístolas. Entretanto, a palavra
b) as que, apesar de contestadas, foram ainda assim reconhe­ grega usada em Atos 4.13 (agrammatos) significa mais propriamente
cidas como autênticas pela Igreja e eram conhecidas pela algo como "sem uma educação avançada", não "iletrado". Os judeus
maioria dos cristãos (e.g., 2Pe); orgulhavam-se da educação dos filhos (cf. Josefo, Contra Ápion, 1.12;
c) obras espúrias, não canônicas que, apesar disso, eram conhe­ 2.26). Pedro, evidentemente, não tinha familiaridade com o Talmude
cidas; nem chegara à "faculdade". Entretanto, como negociante da indústria
d) as que eram, de modo geral, reconhecidas como heréticas. pesqueira, teria de ser alfabetizado e provavelmente era fluente no
grego, a língua comum na época. A imagem de Pedro apresenta­
Apesar da forte evidência histórica de que Pedro é o autor das da nas exposições populares das Escrituras— a ideia de que ele tinha
duas cartas que levam seu nome, alguns comentaristas hesitam em algo de grosseiro — é sem dúvida equivocada. Além do mais,
aceitar a autoria petrina por várias razões: 1 Pedro 5.12 relata que Silas ajudou a escrever a carta, indicação de
que Pedro se importava em garantir que sua carta fosse interpreta­
♦ A perseguição aos cristãos promovida por Nero, em Roma da corretamente.
(Tácito, Anais, 15.44), estabeleceu um precedente para que os oficiais
romanos de todas as províncias considerassem criminosos todos os 0 peso das evidências, portanto, é favorável à autenticidade
cristãos.2 Há em 1Pedro várias referências à perseguição aos cristãos de ambas as cartas. Além do mais, a igreja primitiva não aprovava,
fora de Roma (1.6; 2.15; 3.15,16; 4.12,13; 5.8,9). Uma vez que todos em princípio, livros escritos sob nomes falsos. Por exemplo, o pai da
os especialistas concordam em que Pedro morreu durante o reinado igreja, Tertuliano (Sobre o batismo, 17), informa que o ancião que
de Nero (64-68 d.C.; cf. Eusébio, História eclesiástica, 2.25) e que a escreveu a obra pseudônima Atos de Paulo a fim de aumentar
perseguição fora de Roma teve início após a morte desse imperador,3 "a fama de Paulo" foi exonerado, e o chamado Evangelho de Pedro foi
muitos comentaristas do NT sustentam que 1 e 2Pedro são obras criticado por ser falso (Eusébio, História eclesiástica, 6.12). Além dis­
pseudônimas (falsamente atribuídas a Pedro). 0 texto, entretanto, so, os materiais pseudônimos tendem a ser drasticamente diferentes
não faz referência a nenhuma perseguição oficial em larga escala, de 1 e 2Pedro.

'Ver o Glossário na p. 2080 para as definições das palavras em negrito. 2Ver "Nero, o perseguidor dos cristãos", em Fp 4. 3Ver "Primeiras perseguições à Igreja", em
; Ap17.
2012 1 P E D R O 1.22

22 Agora que vocês purificarami a sua vida pela obediência à verdade, visando ao amor fraternal1-22iTg4.8;
KJo 13.34; Hb 13.1
e sincero, amem sinceramente uns aos outrosk e de todo o coração.23 Vocês foram regenerados,1não 1.23 'Jo 1.13;
de uma semente perecível, mas imperecível, por meio da palavra de Deus,mviva e permanente.24 Pois mHb4.12
“toda a humanidade*
é como a relva e toda a sua glória
como a flor da relva; a relva murcha e cai a sua flor,
25 mas a palavra do Senhor permanece para sempre”fc.n
Essa é a palavra que foi anunciada a vocês.

2 Portanto, livrem-se0 de toda maldade e de todo engano, hipocrisia, inveja e toda espécie de
maledicência^ 2 Como crianças recém-nascidas, desejem de coração o leite espiritual^ puro, para
que por meio dele cresçamr para a salvação,3 agora que provaram que o Senhor é bom.s
2.1 °Ef 4.22;
pTg411
22 Q1Co 3.2;
«4.15,16
2^*Hb6.5

A Pedra Viva e o Povo Escolhido


4 À medida que se aproximam dele, a pedra viva1 — rejeitada pelos homens, mas escolhida por 2ÂW.7
Deus e preciosa para ele —, 5 vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificaçãou Z 5 “1Co3.9;
v1Tm3.15;
de uma casa espiritualv para serem sacerdócio santo,w oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a "Is 61.6; *Fp 4.18;
Deus, por meio de Jesus Cristo.x 6 Pois assim é dito na Escritura: Hb 13.15
2.6 yEf2.20;
4s 28.16
“Eis que ponho em Sião
uma pedra angular,v escolhida e preciosa,
e aquele que nela confia
jamais será envergonhado”c.z
7 Portanto, para vocês, os que creem, esta pedra é preciosa; mas, para os que não creem,3 2.7®2Co2.16;
>>S1118.22
“a pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se a pedra angular”4*
*e Z 8 cls8.14;
“pedra de tropeço 1Co 1.23;
<iRm9.22
e rocha que faz cair”e.c
Os que não creem tropeçam, porque desobedecem à mensagem; para o que também foram
destinados.d
9 Vocês, porém, são geração eleita,e sacerdócio real, nação santa,f povo exclusivo de Deus, para anun­Z9eDt 10.15;
ciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.910Antes vocês nem sequer Is 62.12; aAt 26.18
2.10 h0s 1.9,10
eram povo, mas agora são povo de Deus;hnão haviam recebido misericórdia, mas agora a receberam.

Deveres Sociais dos Cristãos


11 Amados, insisto em que, como estrangeiros e peregrinos no mundo, vocês se abstenham dos2.11 *GI 5.16;
•Tg4.1
desejos carnais' que guerreiam contra a alm aJ12 Vivam entre os pagãos de maneira exemplar para 2.12 f p 2.15;
que, mesmo que eles os acusem de praticar o mal, observem as boas obrask que vocês praticam e IPe 3.16; <Mt9.8
glorifiquem a Deus1no dia da intervenção àelef.
13 Por causa do Senhor, sujeitem-se a toda autoridademconstituída entre os homens; seja ao rei,2.13 mRm 13.1
como autoridade suprema,14 seja aos governantes, como por ele enviados para punir os que praticam 2.14 "Rm 13.4;
o maln e honrar os que praticam o bem.0 15 Pois é da vontade de DeusP que, praticando o bem, vocês 2°Rm 13.3
1 5 PlPe 3.17;
silenciem a ignorância dos insensatos.^16 Vivam como pessoas livres/ mas não usem a liberdade como iv. 12
2.16 rJo 8.32;
desculpa para fazer o mal; vivam como servos* de Deus.s 17 Tratem a todos com o devido respeito: sRm6.22
2.17 <Rm 12.10;
amem os irmãos, temam a Deus1e honrem o rei.u “Rm13.7

a 1 .2 4 Grego: carne.
» 1 .2 4 ,2 5 Is 40.6-8.
c 2 .6 Is 28.16.
d 2 .7 SI 118.22.
* 2 .8 Is 8.14.
f 2 .1 2 Grego: visitação.
9 2 .1 6 Isto é, escravos.

1.22 Sobre os “irmãos”, ver nota em Rm 1.13. mental”. Aqui, sem dúvida, a noção de submissão ao governo é secun­
2.6 A pedra angular, que determinava o projeto e a orientação do edi­ dária à de obediência a Deus (1.2,14,22) e de fàzer sua vontade (2.15).
fício, era a pedra mais importante da estrutura. Aqui é uma referência Quando Pedro escreveu a carta, o imperador (“rei”) era o brutal Nero,
óbvia a Cristo. que governou de 54 a 68 d.C. (ver “Nero, o perseguidor dos cristãos”,
2.13 O sentido de “submeter” no grego é “pôr alguém sob/ de acordo em Fp 4).
com um relacionamento” ou “viver de acordo com a ordem governa­ 2.16 Sobre os vários nomes pelos quais os cristãos eram conhecidos, ver
nota em 4.16.
1 P E D R O 3. 2 20 1 3

2.18 vEf 6.5; 18 Escravos, sujeitem-se a seus senhores com todo o respeito,v não apenas aos bons e amáveis,w
wTg3.17
2.19 *1Pe 3.14,17 mas também aos m au s.19 Porque é louvável que, por motivo de sua consciência para com Deus,x
alguém suporte aflições sofrendo injustamente.20 Pois que vantagem há em suportar açoites recebidos
por terem cometido o mal? Mas, se vocês suportam o sofrimento por terem feito o bem, isso é louvável
2.21 zAt 14.22; diante de Deus.y21 Para issoz vocês foram chamados, pois também Cristo sofreu no lugar de vocês,
■Mt 16.24
deixando exemplo,3 para que sigam os seus passos.
22 “Ele não cometeu pecado algum,
e nenhum engano foi encontrado em sua boca.”'lb
2.23 cls 53.7; 23 Quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças,c mas entregava-sed àquele
dLc 23.46
2.24 eHb 9.28; que julga com justiça.24 Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecadose sobre o madeiro, a fim de que
fRm 6.2; 9ls 53.5;
Hb 12.13; Tg 5.16 morrêssemos para os pecados* e vivêssemos para a justiça; por suas feridas vocês foram curados.s25 Pois
2.25 "Is 53.6; vocês eram como ovelhas desgarradas,h mas agora se converteram ao Pastor1e Bispo de suas almas.
iJo 10.11

Deveres Conjugais
3.1 i1Pe 2.18;
• íf 5.22;
'1Co 7.16; 9.19 3 Do mesmo modo, mulheres, sujeite-sei cada uma a seu marido,k a fim de que, se ele não obedece
à palavra, seja ganho1 sem palavras, pelo procedimento de sua mulher, 2 observando a conduta

« 2 .2 2 Is 53.9.

2 .1 8 Os “escravos” são servos domésticos, sem importar qual seja seu 3.1 Sem dúvida, Pedro encontrou um grande número de mulheres cujos
treinamento ou função (ver “Trabalho e bem-estar no mundo antigo”, maridos não eram cristãos ainda. Seu apelo à submissão é seguido pelo
em 2Ts 3, e “Escravidão no mundo greco-romano”, em Fm). O contex­ motivo: ganhar os maridos para a fé, tendo como base o comportamento
to mostra que Pedro se dirige aos escravos cristãos. cristão. O mesmo verbo grego traduzido por “sujeitar-se” é usado em
2.25 Por todo o AT e no antigo Oriente Médio, o termo “pastor” era 2.13,18 como chamado à submissão a uma autoridade oficial. Aqui
muitas vezes aplicado aos governantes (2Sm 5.2; Jr 23.2; ver nota em SI o contexto é a estrutura hierárquica do lar na Antiguidade. Quando a
23.1; ver também “Pastoreio de ovelhas no mundo antigo”, em Ez 34). mulher abraçava uma religião que não era a de seu marido, a atitude
Aqui é uma referência a Cristo. podia ser entendida como insubordinação (ver “Maridos e esposas: vida
Sobre o Bispo (novamente Cristo), ver nota em lT m 3.1-7. Os anciãos familiar no mundo greco-romano” , em E f 6, e “A conduta das esposas”,
devem ser pastores e bispos. em lPe 3).

A conduta das esposas


1 PEDRO 3 Em 1Pedro 3.1-7, os cristãos são submissão às instituições humanas, para que tranças no cabelo, misturando nelas lantejou-
instruídos sobre como se portar de modo os gentios possam observar o comportamen- las douradas e fios que cintilavam e tilintavam
honroso entre os gentios. É recomendada a to cristão, converter-se e glorificar a Deus. a cada movimento da cabeça. 0 escritor Xeno-
A mulher casada com um fonte de Éfeso descreve as mulheres de cabe­
homem não crente deveria lo trançado numa procissão à deusa Ãrtemis
usar sua conduta cristã para como eroticamente atraentes.1 As mulheres
conduzir o marido à fé em cristãs não deviam se comportar assim.
Cristo. 0 tema da conduta cristã continua quan­
Pedro exorta as mu­ do as discussões se voltam para Sara, "que
lheres a cultivar a beleza obedecia a Abraão e o chamava senhor"
que brota do coração, não (v. 6). A palavra traduzida aqui por "senhor" (ver
aquela baseada na aparên­ Jo 12.21) era um modo comum e diferencia­
cia externa. A expressão do do de se diriqir a alguém. Esperava-se dos
versículo 3 pode ser tra­ maridos, de igual modo, que demonstrassem
duzida simplesmente por respeito pelas esposas (1 Pe 3.7).2
"cabelo trançado de ouro",
em vez de "cabelo trançado
1Ver "A Ártemis dos efésios", em At 19. 2Ver
e uso de joias de ouro". "Maridos e esposas: vida fam iliar no mundo greco-
As mulheres no tempo de romano", em Ef 6.

Pedro costumavam fazer


Espelho de mão encontrado em Qumran
Preserving Bible Times; © dr. James C. Martin: r a o ; o tr
permissão do Museu de Israel/ R e ia ne ± Uno
2014 1 P E D R O 3. 3

honesta e respeitosa de vocês.3 A beleza de vocês não deve estar nos enfeites exteriores, como cabelos 3.3 mls 3.18-23;
1Tm2.9
trançados e joias de ouro ou roupas finas.1114 Ao contrário, esteja no ser interior0,11 que não perece, 3.4 "Rm 7.22
beleza demonstrada num espírito dócil e tranqüilo, o que é de grande valor para Deus.5 Pois era assim
que também costumavam adornar-se as santas mulheres do passado, cuja esperança estava em Deus.0
Elas se sujeitavam cada uma a seu m arido,6 como Sara, que obedecia a Abraão e o chamava senhor.P
Dela vocês serão filhas, se praticarem o bem e não derem lugar ao medo.
7 Do mesmo modo vocês, maridos,1Qsejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas 3.7 « f 5.25-33
com honra, como parte mais frágil e co-herdeiras do dom da graça da vida, de forma que não sejam
interrompidas as suas orações.

Sofrendo p or Fazer o Bem


8 Quanto ao mais, tenham todos o mesmo modo de pensar, sejam compassivos, amem-se 3.8 fRm 12.10;
s1Pe5.5
fraternalmente/ sejam misericordiosos e humildes.s 9 Não retribuam mal com mal,* nem insulto com 3.9 tRm 12.17;
insulto;11ao contrário, bendigam; pois para issov vocês foram chamados, para receberem bênção por u1Pe 2.23;
*1Fe 2.21;
herança."10 Pois wHb 6.14

“quem quiser amar a vida e ver dias felizes


guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade.
11 Afaste-se do mal e faça o bem;
busque a paz com perseverança.
12 Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos 3.12 *SI 34.12-16
e os seus ouvidos estão atentos à sua oração,
mas o rosto do Senhor volta-se contra os que praticam o mal”6.*
13 Quem há de maltratá-los, se vocês forem zelosos na prática do bem?v14 Todavia, mesmo que3.13 vPv 16.7
3.14 z1Pe 2.19,20;
venham a sofrer porque praticam a justiça, vocês serão felizes.2 "Não temam aquilo que eles tememc, 4.15,16;
não fiquem amedrontados.”lia 15 Antes, santifiquem Cristo como Senhor em seu coração. Este­ ais 8.12,13
3.15 «d 4.6
jam sempre preparados para responderb a qualquer pessoa que pedir a razão da esperança que há em
vocês.16 Contudo, façam isso com mansidão e respeito, conservando boa consciência,0 de forma que 3.16 «Hb 13.18;
os que falam maldosamente contra o bom procedimento de vocês, porque estão em Cristo, fiquem 11Pe 2.12,15
envergonhados de suas calúnias.d 17 É melhor sofrer por fazer o bem,e se for da vontade de Deus,f do 3.17 e1Pe 2.15;
que por fazer o m al.18 Pois também Cristo sofreu pelos pecadosa uma vez por todas, o justo pelos *1Pe2.20
3.18 91Pe 2.21;
injustos, para conduzir-nos a Deus. Ele foi morto no corpoc,h mas vivificado pelo Espírito/,'19 no qual "Cl 1.22; 1Pe 4.1;
*1Pe 4.6
também foi e pregou aos espíritos.em prisão!20 que há muito tempo desobedeceram, quando Deus es­ 3.1911Pe4.6
3 2 0 kGn 6.3,5,
perava pacientemente nos dias de Noé, enquanto a arca era construída.kNela apenas algumas pessoas, 13,14; 'Hb 11.7
a saber, oito, foram salvas1por meio da água,21 e isso é representado pelo batismo que agora também 3.21 T í 3.5;
salva vocêsm — não a remoção da sujeira do corpo, mas o compromisso dei uma boa consciência n1Pe 1.3
diante de Deus — por meio da ressurreição de Jesus Cristo,1122 que subiu aos céus e está à direita de 3.22 °Mc 16.19;
pRm8.38
Deus;0 a ele estão sujeitos anjos, autoridades e poderes.P

Vivendo p a ra Deus

4 Portanto, uma vez que Cristo sofreu corporalmente*, armem-se também do mesmo pensamento,
pois aquele que sofreu em seu corpo' rompeu com o pecado,2 para que, no tempo que lhe resta,
não viva mais para satisfazer os maus desejos h u m an o s,m as sim para fazer a vontade de Deus.
0 a3 .4 Grego: no homem oculto do coração,
b 3 .1 0 - 1 2 SI 34.12-16.
c 3 .1 4 Ou Não temam as ameaças deles.
d 3 .1 4 Is 8.12.
e 3 .1 8 Grego: carne; também no versículo 21.
f 3 .1 8 Ou no espírito; também em 4.6.
9 3 .2 1 Ou a indagação de; ou ainda a súplica por, ou ainda o resultado de.
h 4 .1 Grego: na carne; também em 4.6.
1 4 .1 Grego: em sua carne.

3.3 A mulher cristá, afirma Pedro, não deve permitir que sua beleza de­ de João ao “Primeiro e o Último”, que tem “as chaves da morte e do
penda dos adornos ou da exibição de joias e roupas caras (ver “Vestuário Hades” (Ap 1.17,18). As regiões inferiores eram conhecidas como a ha­
e moda no mundo greco-romano”, em Tg 3). bitação dos espíritos desencarnados, mas 1Pe 4.6 pode estar se referindo
3.5-7 Ver “Maridos e esposas: vida familiar no mundo greco-romano”, aos anjos caídos (cf. Jd 6; ver “Sheol, Hades, Geena, Abismo e Tártaro:
em E f 6. imagens do inferno”, em SI 139).
3.19 A afirmação do Credo apostólico de que Jesus desceu ao inferno está 3.21 Ver “Batismo no mundo antigo”, em Mt 3.
baseada principalmente em duas referências de 1Pedro, uma das quais 3.22 Ver “A ‘mão direita’ no pensamento antigo” , em Hb 1.
(3.19) é mais direta do que a outra (4.6), apoiada por implicações ex­ 4.3 Os termos “pagãos” (lit. “os gentios”) e “idolatria” sugerem que pelo
traídas de dois outros versículos do N T (At 2.27; Rm 10.7). O termo menos alguns dos leitores de Pedro eram gentios convertidos de um es­
também está em harmonia com a linguagem de Paulo, quando ele diz tilo de vida pagão (ver “Os prosélitos no judaísmo do segundo templo”,
que Cristo desceu “às profundezas da terra” (Ef 4.9), e com a menção em At 6).
1 P E D R O 4.7 2015

4.3 € f 2.23 No passador vocês já gastaram tempo suficiente fazendo o que agrada aos pagãos. Naquele tempo
vocês viviam em libertinagem, na sensualidade, nas bebedeiras, orgias e farras, e na idolatria repug-
4.4siPe 3.16nante.4 Eles acham estranho que vocês não se lancem com eles na mesma torrente de imoralidade e
4.5 'At 10.42; por isso os insultam.s 5 Contudo, eles terão que prestar contas àquele que está pronto para julgar os
4.6 “1Pe 3.19 vivos e os mortos.16 Por isso mesmo o evangelho foi pregado também a mortos,upara que eles, mesmo
julgados no corpo segundo os homens, vivam pelo Espírito segundo Deus.
4.7 vRm 13.11 7 o fim de todas as coisas está próximo.1' Portanto, sejam criteriosos e estejam alertas; dedi-
4.8 wiPe 1. 22; quem-se à oração. 8 Sobretudo, amem-se sinceramente uns aos outros,w porque o amor perdoa

Vinho e bebida alcoólica no mundo antigo


1 PEDRO 4 0 vinho, a bebida fermentada raposas para mantê-
mais consumida no mundo antigo, estava -las longe das vinhas.
presente nos rituais religiosos, nas celebra­ Depois que as uvas eram
ções festivas e no dia a dia da cultura medi­ colhidas, produzia-se o
terrânea. Era celebrado na cultura pagã, e as mosto (suco de uva
libações de vinho eram vertidas aos deuses pronto para a fermen­
— divindades como Dionísio (o deus do tação) no lagar pelo
vinho) tinham muitos devotos.1 Até mesmo método de pisotear as
em Israel o vinho era usado nos rituais reli­ uvas.2 0 mosto era fil­
giosos (Nm 15.7), e a vinicultura (cultivo de trado, e o processo de
uvas para a elaboração do vinho) continua a fermentação iniciava.
ser significativa na moderna nação de Israel. Os vinhos combinados
Naquele tempo, como agora, havia eram criados pela
muitas variedades de vinho, como o tinto, o mistura do suco de
branco e vinhos combinados. 0 AT emprega uva fermentado com
várias palavras para os diferentes tipos de outros elementos, até
vinho. Traduções precisas para as palavras mesmo outros vinhos,
hebraicas são ilusórias, uma vez que não temperos, mel ou be­
conhecemos exatamente como eles dife­ bida forte originada
renciavam um do outro, mas os tradutores, de outros frutos ou
Mosaico de Pafos (a inscrição diz: "Os primeiros bebedores de vinho")
regularmente, usam termos como "vinho", grãos. 0 vinho diluído Preserving Bible Times; © dr. James C Martin

"vinho novo", "vinho temperado" e "vinho em água era tido


doce". Passagens como Oseias 4.11 deixam como de qualidade o consumo de vinho e de qualquer produto
claro que esses vinhos eram alcoólicos e inferior (Is 1.22). No entanto, os gregos, que da videira quando estivessem sob as restri­
inebriantes. Não há fundamento para sugerir consideravam o consumo de vinho puro um ções do voto nazireu (Nm 6.4). Além dessas
que os termos gregos ou hebraicos para o excesso, tinham o hábito de diluir a bebida. poucas exceções, entretanto, as referências
vinho se refiram a um suco de uva não fer­ Os vinhos combinados tinham usos diversos: bíblicas deixam claro que o vinho era parte
mentado. vinho misturado com cevada dava um bom comum da dieta regular do povo (Gn 14.18;
A produção de vinho, é claro, exigia a vinagre; combinado com mirra, produzia um 1Sm 16.20). As Escrituras, no entanto, re­
plantação de vinhas. Torres de vigia eram anestésico, como o que foi oferecido a Jesus petidamente aconselham a moderação e os
construídas para protegê-las (Is 5.1,2; Mc na cruz (Mc 15.23). perigos dos excessos (Pv 20.1; 23.20; Is 5.11;
12.1), e a principal preocupação era com as Os sacerdotes não podiam beber vi­ ver "Comida e agricultura", em Rt 2.
raposas, que vinham comer as uvas (Ct 2.15). nho enquanto ministrassem no santuário
No mundo grego, os meninos caçavam (Lv 10.9), e as pessoas comuns deviam evitar

1Ver "0 culto a Dionísio", em Ef 5. 2Ver "0 lagar", em Is 63.


2016 1 P E D R O 4. 9

muitíssimos pecados/ 9 Sejam mutuamente hospitaleiros, sem reclamação.y10 Cada um exerça o dom *Pv 10.12
4.9 yFp2.14
que recebeu para servir os outros,2 administrando fielmente3 a graça de Deus em suas múltiplas for­ 4.10 zRm 12.6,7;
*10)4.2
mas. 11 Se alguém fala, faça-o como quem transmite a palavra de Deus. Se alguém serve, faça-o com a 4.11 bEf 6.10;
força que Deus provê,b de forma que em todas as coisas Deus seja glorificadoc mediante Jesus Cristo, ‘ 1Co 10.31

a quem sejam a glória e o poder para todo o sempre. Amém.

Sofrendo p o r ser Cristão


12 Amados, não se surpreendam com o fogo que surge entre vocês para prová-los,dcomo se algo es­4.12 01Pe 1.6,7
tranho estivesse acontecendo.13 Mas alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, 4.13 «Rm8.17
para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com grande alegria.e 14 Se vocês são 4.14 <Mt 5.11
insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês,fpois o Espírito da glória, o Espírito de Deus,
repousa sobre vocês.15 Se algum de vocês sofre, que não seja como assassino, ladrão, criminoso, ou
como quem se intromete em negócios alheios.16 Contudo, se sofre como cristão, não se envergonhe,
mas glorifique a Deus por meio desse nome.917 Pois chegou a hora de começar o julgamento pela casa 4.17 hJr 25.29;
de Deus;h e, se começa primeiro conosco, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho '2Ts 1.8
de Deus?'18 E, 4.18 JPv 11.31;
Lc 23.31
“se ao justo é difícil ser salvo,
que será do ímpio e pecador?”*!
19 Por isso mesmo, aqueles que sofrem de acordo com a vontade de Deus devem confiar sua vida
ao seu fiel Criador e praticar o bem.

Aos Presbíteros e aos Jovens

5
Portanto, apelo para os presbíteros que há entre vocês e o faço na qualidade de presbíterok como 5.1 m 11.30;
'Lc 24.48;
eles e testemunha1dos sofrimentos de Cristo como alguém que participará da glória a ser revelada:"1 m1Pe 1.5,7; 4.13;
Ap 1.9
2 pastoreiem o rebanho de Deusn que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de 5.2 nJo 21.16;
livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância,0 mas com o desejo de servir.3 Não ajam °1Tm 3.3
5.3 pEz 34.4;
como dominadoresP dos que foram confiados a vocês, mas como exemplos^ para o rebanho.4 Quando iFp 3.17
5 .4 1 Co 9.25
se manifestar o Supremo Pastor, vocês receberão a imperecível coroa da glória/
5 Da mesma forma, jovens, sujeitem-se8 aos mais velhos^. Sejam todos humildesc uns para com 5.5 € f 5.21;
tPv 3.34; Tg 4.6
os outros, porque
“Deus se opõe aos orgulhosos,
mas concede graça
aos humildes”4*.1
6 Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele os exalte no tempo 5.6 “Tg 4.10
devido.u 7 Lancem sobre ele toda a sua ansiedade/ porque ele tem cuidado de vocês.w 5.7 vSI 37.5;
Mt 6.25; «Hb 13.5
8 Estejam alertas e vigiem. O Diabo, o inimigo de vocês, anda ao redorx como leão, rugindo e pro­5.8 XJÓ1.7
curando a quem possa devorar.9 Resistam-lhe,y permanecendo firmes na fé,z sabendo que os irmãos 5.9 vTg 4.7; ^ 2.5;
aAt 14.22
que vocês têm em todo o mundo estão passando pelos mesmos sofrimentos.3

0 4 .1 8 Pv 11.31.
b 5 .5 Ou aos presbíteros.
c 5 .5 Grego: Vistam todos o avental da humildade,
d 5 .5 Pv 3.34.

4.16 O sentido bíblico do título “cristão” é “adepto de Cristo”. Os dis­ seguidores de Cristo: “irmãos” (At 14.2); “discípulos” (At 6.1,2); “santos”
cípulos foram formalmente chamados “cristãos” pela primeira vez em (At 9.13; Rm 1.7; 2Co 1.1); “crentes” (lT m 4.12; “fiéis”, NVT); “a igre­
Antioquia (At 11.26). Mais tarde, Agripa reconheceu que acreditar no ja de Deus” (At 20.28); “todos os que invocam o nome [do Senhor]”
que Paulo pregava iria fàzer dele um cristão (At 26.28). Pedro aceita­ (At 9.14; ver Rm 10.12,13). Ver nota sobre os cristãos em At 11.26.
va o título assim como a perseguição que vinha com ele. Desse modo, 5.1 Ao usar a expressão “presbítero como eles”, Pedro se identifica com
aos poucos um título imposto pelos gentios foi adotado pelos próprios os presbíteros das igrejas. Isso deve tê-los animado, tendo em vista a
discípulos de Jesus. Alguns judeus identificavam os seguidores de Jesus grande responsabilidade deles e a situação difícil em que as igrejas se
como “a seita dos nazarenos” (At 24.5), e Paulo, quando ainda era per­ encontravam. Essas igrejas, pelas quais esses presbíteros eram responsá­
seguidor, designava-os como aqueles “que pertenciam ao Caminho” (At veis, estavam espalhadas por boa parte da Ásia Menor, de modo que, se
9.2). O sufixo latino -iano era usado muitas vezes com o nome do dono Pedro fosse líder de uma igreja local, deveria ter relacionamento formal
do escravo (e.g., um escravo de Julio devia ser chamado “juliano”). Essa com uma delas.
noção ocorre no N T (e.g., Rm 6.22; lPe 2.16). Os apóstolos, ao es­ 5.2 Sobre os que pastoreiam, ver nota em 2.25. Aqui o verbo se aplica
crever suas cartas, identificavam-se como “servos” (escravos) de Cristo aos anciãos da igreja.
(Rm 1.1; T g 1.1; 2Pe 1.1; Jd 1; Ap 1.1), e o N T assim denomina os
1 P E D R O 5.14 2017

5.10 b2Co 4.17; 10 O Deus de toda a graça, que os chamou para a sua glória eternabem Cristo Jesus, depois de terem
«2TS2.17
sofrido por pouco tempo, os restaurará, os confirmará, os fortalecerá0 e os porá sobre firmes alicerces.
5.11 dRm 11.36 11A ele seja o poder para todo o sempre. Amém.d

Saudações Finais
5.12 <2Co 1.19; 12 Com a ajuda de Silvano°,e a quem considero irmão fiel, eu escrevi resumidamente,f encorajando-
Hb 13.22
-os e testemunhando que esta é a verdadeira graça de Deus. Mantenham-se firmes na graça de Deus.
13 Aquela que está em Babilônia1’, também eleita, envia saudações, e também Marcos,s meu filho.
5.14 “Rm 16.16; 14 Saúdem uns aos outros com beijo de santo amor.h
06.23
Paz' a todos vocês que estão em Cristo.
0 5 .1 2 Ou Silas, variante de Silvano.
b 5 .1 3 Muito provavelmente Roma.

5.12 Silas (ver nota em At 15.22) pode ter sido o portador da carta. Pode de sua terra natal, a Judeia. Em todo caso, a descrição encaixa-se com
também ter atuado como escriba, registrando o que era ditado por Pedro Roma, e a tradição cristã primitiva indica que Pedro escreveu quando
e ajudando, como secretário bem-informado e inteligente, na fraseologia estava nessa cidade.
dos pensamentos do apóstolo. Pedro trata Marcos (ver nota em Cl 4.10) com extrema cordialidade
5.13 Por ser a Babilônia do A T um lugar notório de pecado, o nome da e tem por ele tanta afeição que o considera um filho. É possível que
cidade tornou-se a expressão abreviada para identificar qualquer outro Pedro tenha conduzido Marcos a Cristo (cf. lT m 1.2). De qualquer
lugar conhecido por sua impiedade. Pedro pode também ter usado o modo, a tradição cristã primitiva associa intimamente os dois.
nome aqui para descrever o lugar para o qual os cristãos foram deportados