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CARACTERIZAÇÃO DE RESÍDUOS ORIUNDOS DO ACABAMENTO DE

PAINÉIS ISOLANTES TÉRMICOS PARA ADIÇÃO EM ARGAMASSAS E


CONCRETOS
CHARACTERIZATION OF WASTE FROM THERMAL INSULATION PANELS´ FINISHING
FOR ADDITION IN MORTARS AND CONCRETES
Paulo Martins dos Passos(1); Letícia Lima das Chagas (2); Leonardo Dorninger Feitosa (3); Marília Mendes
Ribeiro (4); Helena Carasek (5)

(1) Mestrando em Construção Civil, PPG-GECON - Universidade Federal de Goiás


(2) Bacharel em Engenharia Civil, Universidade Federal de Goiás
(3) Graduando em Engenharia Ambiental e Sanitária, Universidade Federal de Goiás
(4) Graduanda em Engenharia Civil, Universidade Federal de Goiás
(5) Professora Doutora, Escola de Engenharia Civil e Ambiental - Universidade Federal de Goiás
hcarasek@gmail.com

Resumo
O setor industrial é responsável por uma grande produção de resíduos sólidos que possuem o descarte
limitado pelo espaço físico e legislação ambiental. Propor alternativas para a reutilização desses resíduos é
uma alternativa ambientalmente sustentável e motivo de várias pesquisas. A utilização de resíduos em
aplicações da engenharia envolve, além de aspectos ambientais, o estudo das modificações nas
propriedades do produto final considerando o custo/benefício desse acréscimo. A incorporação destes
resíduos na produção de argamassas e concretos é uma alternativa para a destinação de alguns destes
resíduos sólidos industriais. O presente trabalho tem como objetivo caracterizar o resíduo oriundo do
processo de acabamento de placas isolantes térmicas compostas por lã de rocha, lã de vidro e vermiculita e
avaliar seu potencial como adição para argamassas e concretos. Além da caracterização física, o resíduo foi
caracterizado por meio de difração de raios X, lupa estereoscópica e Microscópio Eletrônico de Varredura. A
avaliação da incorporação às argamassas foi realizada com dosagens de 0%, 25%, 50% e 75% de adição
em volume, em relação ao cimento, para um traço 1:3 (cimento:areia). As argamassas foram ensaiadas
para determinação da resistência à compressão, à tração na flexão, bem como quanto ao módulo de
elasticidade dinâmico. Os resultados permitem inferir que as argamassas corretamente dosadas com teores
adequados dessa adição apresentam propriedades significativamente melhores, como tração na flexão,
mostrando potencial de utilização em concretos e argamassas.
Palavra-Chave: Resíduos. Argamassa. Lã de rocha. Lã de vidro.

Abstract
The industrial sector is responsible for a major production of solid waste its disposal has limited physical
space and the restriction of environmental legislation. Therefore, reuse of this waste becomes the object of
study of various researches in order to propose an environmentally sustainable alternative. The use of waste
in engineering applications involves, besides of environmental aspects, the study of modifications in the final
product properties, considering the cost/benefit of this increase. Wastes' incorporation in manufacture of
mortars and concretes could be an alternative for the disposal of some industrial solid waste. The goal of this
study is to characterize the waste of rock wool, glass wool and vermiculite from a panel of thermal insulation
composite, and evaluate the potential as addition for mortars and concretes. In addition to the physical
characterization, the waste was characterized by X-ray diffraction, stereoscopic loupe and Scanning Electron
Microscope. The evaluation of incorporating waste to mortars was made by recipes with 0%, 25%, 50% and
75% in volume, added to cement, for 1:3 (cement:sand). The mortars' mechanical properties determined
were traction in flexion, compressive strength and dynamic modulus of elasticity. The results show that
mortars with addition of this waste improved properties, as traction in flexion, presenting a potential utilization
in concretes and mortars.
Keywords: Waste. Mortar. Rockwool. Glasswool.

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1 Introdução
Historicamente a construção civil se posicionou como grande consumidora de materiais
extraídos de ambientes naturais de forma a permitir o desenvolvimento de infraestruturas
e dos ambientes urbanos. Exemplos clássicos são a extração de agregados e a produção
de cimento que emitem toneladas de dióxido de carbono em processos logísticos e
produtivos. A partir da compreensão de impactos causados pelas atividades humanas, a
sustentabilidade se tornou um fator de destaque em vários seguimentos. Na construção
civil isso se reflete na busca por diferentes tecnologias, novos materiais e reciclagem de
resíduos, de forma a reinventar o modelo clássico adotado no decorrer da história e criar
o conceito de construções mais sustentáveis.

A incorporação de resíduos a materiais convencionais pode ser adotada como alternativa


para compensação de emissões de gás carbônico e mitigação da geração de resíduos da
indústria da construção civil. Para se adequar sustentabilidade à viabilidade técnica na
utilização desses resíduos é necessária a investigação das propriedades particulares
desses materiais assim como em conjunto às matrizes em que é proposta a incorporação.
O objeto deste estudo e sua caracterização harmonizam com os objetivos de pesquisas
que investigam novas alternativas para o desenvolvimento sustentável na construção civil.
O resíduo a ser estudado de forma inédita neste artigo tem composição de lã de rocha, lã
de vidro e vermiculita que, em conjunto, são materiais utilizados na fabricação de placas
isolantes termoacústicas.

Essas lãs são fibras minerais de formato amorfo composto por silicatos. A lã de vidro é
formada por finas fibras de vidro obtidas através do sopro de ar diretamente no vidro em
fusão e a lã de rocha por finas fibras obtidas do basalto. Ambas as fibras possuem como
característica a baixa densidade o que confere leveza e facilidade de manusear. Além
disso, são inertes, não inflamáveis e por terem baixa condutividade, possuem capacidade
de isolação térmica (EVANGELISTA; TENÓRIO; OLIVEIRA, 2012).

A vermiculita é uma argila formada pela superposição de finíssimas lamínulas que ao


serem submetidas a altas temperaturas sofrem expansão volumétrica. Os espaços vazios
formados nessa expansão são preenchidos por ar conferindo leveza ao material,
isolamento térmico e acústico (CINTRA, 2013).

Durante o processo de fabricação de placas divisórias de ambiente é gerado uma grande


quantidade de resíduos composto por uma mistura de lã de vidro, lã de rocha e
vermiculita. Sendo impossível a não-geração desses resíduos, é necessário a proposição
de alternativas de reciclagem e reutilização que visam dar um destino ambientalmente
mais sustentável. Esse estudo tem como objetivo realizar a caracterização física e
química desses resíduos e avaliar as propriedades da argamassa com adição desses
materiais.

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2 Programa Experimental
A figura 1 apresenta o fluxograma que detalha o programa experimental de caracterização
dos resíduos e argamassas produzidas para o estudo.

Figura 1 – Fluxograma do programa experimental.

Para a avaliação da incorporação de resíduos às argamassas foram produzidos os


proporcionamentos de materiais apresentados na Tabela 1 (traço em volume).

Tabela 1 – Traços com adição de resíduos.


Adição de
Traço Cimento Areia
resíduo
A0 1 3 0,00
A25 1 3 0,25
A50 1 3 0,50
A75 1 3 0,75

2.1 Materiais

a. Aglomerantes: utilizou-se cimento CPII-Z-32 (caracterização apresentada na


Tabela 2).
b. Agregado: foi utilizada areia média quartzosa, lavada, natural. A caracterização
do agregado miúdo é apresentada na Tabela 3 e na Figura 2.
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Tabela 2 – Caracterização do cimento.
Química (%) Física
Perda CaO Resíd. Equiv. Blaine # 200
Al2O3 SiO2 Fe2O3 CaO MgO SO3
Fogo livre Insol. Alcal. (cm²/g) (%)
6,77 22,59 3,10 53,20 3,94 2,77 5,01 0,80 12,31 0,80 3621 2,73

Tabela 3 – Caracterização da areia.


Dimensão máxima Massa Teor de materiais
Módulo de finura
característica específica pulverulentos

2,01 1,18 mm 2,62 g/cm³ 1,0%

Figura 2 – Distribuição granulométrica da areia natural.

c. Resíduo de lã de rocha, lã de vidro e vermiculita: este resíduo foi obtido do


polimento de placas divisórias. Composto por fibras de pequena dimensão e grãos
de vermiculita expandida (Figura 3).

Figura 3 – Resíduo de lã de rocha lã de vidro e vermiculita.

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2.2 Métodos
2.2.1 Caracterização dos resíduos
Para as análises realizou-se preparo específico das amostras de acordo com as
exigências das técnicas utilizadas. Os métodos e equipamentos são definidos a seguir:

 Difratometria de raios X (DRX): o equipamento da marca Siemens, modelo D5000,


configuração theta/2theta, anodo de cobre (Cu), 40kV e 30mA, varredura com
passo de 0,05° e tempo por passo de 1s. A preparação da amostra foi feita por
moagem com peneiramento total em abertura 0,074mm.
 Fluorescência de raios X (FRX): equipamento da marca Thermo Fischer Scientific,
modelo ARL PERFORM’X 4200. A preparação da amostra foi feita por moagem
com peneiramento total em abertura 0,074mm.
 Microscópio eletrônico de varredura (MEV): o equipamento utilizado foi da marca
Jeol, modelo JSM – 6610. A amostra, por não ser condutora de corrente elétrica,
foi previamente metalizada com ouro e depositada em fita carbono de dupla face.
As imagens obtidas foram a partir dos sinais de elétrons secundários, com uma
tensão de 5 kV.
 Espectrometria de energia dispersiva de raios X (EDS): o equipamento utilizado foi
da marca Jeol, modelo JSM – 6610 equipado com sistema EDS, sendo o mesmo
equipamento, a mesma amostra e preparação utilizada para análise do MEV. A
determinação da composição quantitativa foi feita a partir da emissão de raios X
característicos com uma tensão de 15 kV.
 Picnometria a gás hélio: utilizou-se o equipamento AccuPyc II 1340 Micromeritics,
com precisão decimal na quarta casa. Foram realizadas 3 determinações e obteve-
se a média dos valores. O uso de gás hélio se justifica por ser inerte e pelo
pequeno tamanho de átomos que penetra facilmente nos poros acessíveis da
amostra sendo possível a determinação do volume para cálculo de massa
específica com maior precisão.

2.2.2 Caracterização das argamassas


Para este estudo foram produzidas argamassas utilizando o cimento do tipo CPII-Z-32, o
traço de 1:3 em volume de cimento e areia foi utilizado como referência. Posteriormente,
ao traço convencional foi incorporado o resíduo sem nenhum tipo de processamento na
proporção de 25%, 50% e 75% em relação ao volume de cimento (Tabela 1).

As argamassas de laboratório foram produzidas utilizando-se um agitador mecânico com


controle de rotação da marca IKA, modelo EUROSTAR 60 Control, provido de haste de
hélice com 4 pás. A moldagem dos corpos-de-prova prismáticos seguiu as orientações
descritas na NBR 13279/05. A desmoldagem foi realizada com 48 horas de idade, os
corpos de prova permaneceram em ambiente de laboratório, sem cura, até a idade dos
ensaios.

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Para a caracterização das argamassas, foram realizados os seguintes ensaios no estado
fresco:
 Índice de consistência – flow table – ABNT NBR 13276:2005;
 Densidade de massa e teor de ar incorporado – NBR 13278/05.

Aos 28 dias, no estado endurecido, foram realizados os seguintes ensaios para


caracterização das argamassas:
 Resistência à compressão e à tração na flexão - NBR 13279/05;
 Módulo de elasticidade dinâmico (determinação por propagação de onda
Ultrassônica) - NBR 15630/08;
 Absorção de água por capilaridade – NBR 15259/2005;
 Densidade de massa aparente – NBR 13280/05.

Adicionalmente, realizou-se inspeção dos corpos de prova após fratura por meio de lupa
estereoscópica da marca Leica Mycrosystems modelo MZ12.5 com uma câmera acoplada
ao computador.

3 Resultados e discussões
3.1 Resíduo
A caracterização realizada para o resíduo oriundo do processo de acabamento de placas
compósitas de vermiculita, lã de rocha e lã de vidro é apresentada nos tópicos a seguir.
3.1.1 Fluorescência de Raios X (FRX)
A partir da técnica qualitativa e quantitativa de fluorescência de raios X pode se obter a
composição elementar do resíduo (Tabela 4).

Tabela 4 – Caracterização do resíduo (%).


Equiv. Perda
SiO2 CaO Al2O3 MgO Fe2O3 Na2O K2O SO3 Alcal. ao fogo

43,15 16,07 10,04 7,23 6,65 2,77 1,7 0,00 4,5 10,71

3.1.2 Difratometria de Raios X (DRX)


A Figura 4 apresenta o difratograma do resíduo em estudo. A identificação mineralógica
resultou em constituintes principais tais como: vermiculita, cristobalita, trimidita e sílica.
Traços de Calcita, tungstenita, ominelita e andalusita foram também identificados no
ensaio de difratometria.

Aproximadamente 60% da massa dos resíduos é constituída por SiO 2, Al2O3 e Fe2O3,
este indicador de composição química indicaria indícios de pozolanicidade, segundo a
ABNT NBR 12653:2012. Entretanto, índices de finura e de perda ao fogo impossibilitam
em primeira análise essa classificação.

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200
190
180
170
160
150
140
130
Lin (Counts)

120
01
,6

14,3400

110
30

100
4,1058

90
80
4,5209
5,6192

70
3,0420
5,0135
6,2031

60
50
40
30
20
10
0

3 10 20 30 40 50 60 70

2-Theta - Scale
755.2016 - Co - File: 755.2016 - Co.raw - Type: 2Th/Th loc 01-070-8525 (*) - Ominelite - (Fe0.927Mg0.073)Al3BSiO9

01-074-1732 (I) - Vermiculite-2M - Mg3Si4O10(OH)2 00-008-0237 (I) - Tungstenite - WS2

01-085-0621 (I) - Cristobalite - SiO2 00-016-0152 (D) - Tridymite - SiO2

00-058-0344 (N) - Silicon Oxide - SiO2 01-075-4822 (A) - Andalusite - Al2SiO5

00-001-0837 (D) - Calcite - CaCO3 00-018-0036 (I) - Andalusite, manganian - (Al,Mn)2(SiO4)O


Figura 4 – Difratograma do resíduo.

Índices de finura seriam atingidos com processamento, que aumentariam o custo para
utilização dos resíduos. A análise de DRX indica fases cristalinas que diminuiriam o
potencial reativo, caso houvesse pozolanicidade. O resíduo em estudo constitui-se
indissociavelmente de lã de rocha, lã de vidro e vermiculita. Evangelista, Tenório e
Oliveira (2012), em estudo de lã de vidro indica que índices satisfatórios de
pozolanicidade não foram encontrados. Por outro lado, Cheng, Lin e Huang (2011) bem
como Lin et al. (2013) comprovaram a melhoria da microestrutura e um nível
pozolanicidade para utilização de resíduos de lã de rocha finamente triturados. Cabe
destaque também a presença de tridimita e cristobalita, possivelmente originárias da lã de
vidro, fases estas que podem ser reativas com os álcalis da pasta de cimento. No entanto,
dado o tamanho das partículas envolvidas, não é esperada reação expansiva deletéria
nos compósitos elaborados com estes resíduos.

3.1.3 Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) e Espectometria de Energia Dispersiva


(EDS)
A Figura 5 apresenta a realização de medições de diâmetros e a variedade dessas
dimensões (5,7 – 18,1 µm) e a figura 5 mostra o aspecto em forma de bastonetes
alongados (seção transversal circular) das fibras (lãs) e seu entorno com polímero
aderido. Os polímeros são utilizados para dar unidade às placas isolantes unindo as fibras
das lãs e partículas de vermiculita.

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Figura 5 – Medidas de diâmetros das fibras.

Figura 6 – Aspecto de forma cilíndrico das fibras.

A partir das medidas de diâmetro e comprimentos obtidas por meio do MEV foi possível
obter a relação de aspecto. Esse parâmetro é a relação entre comprimento e diâmetro.
Foram aferidas medidas de comprimento e diâmetro de 25 filamentos de fibras e realizou-
se o cálculo do fator de forma. A análise das fibras resultou em comprimento médio de

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453,5 µm (Desvio Padrão: 305,2 µm; Coeficiente de variação: 67%) e diâmetro de 6,9 µm
(Desvio Padrão: 4,6 µm; Coeficiente de variação: 66%). Nessa conformidade, obteve-se
fator de forma (Relação de Aspecto – RA) calculado de 65,6.

O comprimento pode ser fator limitador do desempenho de fibras, um comprimento


mínimo é necessário para ancoragem à matriz de cimento, e em comprimentos longos
altas tensões podem ser absorvidas levando à ruptura precoce. Savastano (2000) destaca
que a eficiência do compósito depende de uma relação de aspecto bem proporcionada,
ou seja, entre 50 e 200. O valor de RA determinado para as fibras que compõem o
resíduo em estudo se situa nesta faixa de valores que indicam bom desempenho.

Através da espectrometria de energia dispersiva pode se obter através da análise de


multipontual os gráficos dos componentes químicos das fibras e também da vermiculita
(Figura 7).

Figura 7 – Microanálise por EDS: A) fibras; B) vermiculita.

3.1.4 Massa específica


As determinações segundo o método de picnometria a gás Hélio resultaram em valor de
massa específica dos resíduos de 2,46 g/cm³.

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3.2 Argamassas
As propriedades das argamassas com os resíduos são apresentadas a seguir.

3.2.1 Estado Fresco


A partir da produção das argamassas obteve-se a caracterização no estado fresco
apresentada na Tabela 5.

Para a produção das argamassas foi mantida fixa a relação água/cimento com o intuito de
avaliar as diferenças no índice de consistência conforme o acréscimo de teor de resíduo.
Segundo a Tabela 5, infere-se que houve uma perda gradativa no índice de consistência,
conforme adição de resíduo nos traços estudados indicando uma perda de
trabalhabilidade da mistura.

Tabela 5 – Caracterização das argamassas no estado fresco.


Índice de Relação Massa
Relação Teor de Ar
Traço Consistência Água/materiais específica
Água/cimento (%)
(mm) secos (kg/m³)
A0 325 0,218 2098 0,99%
A25 295 0,214 2039 1,45%
1,0
A50 230 0,210 2037 1,75%
A75 205 0,206 2070 0,42%

A Figura 8 apresenta a relação linear obtida entre o índice de consistência e o teor de


adição de resíduo, com coeficiente de determinação R²=0,97. O mesmo coeficiente de
determinação foi obtido para a relação linear entre os parâmetros água/materiais secos e
índice de consistência que corrobora com a explicação do fenômeno.

Figura 8 – Gráfico Índice de consistência x Teor de adição.

A inadequada dispersão do resíduo, para teores mais elevados, contribui para a redução
da eficiência de mistura. A homogeneização é prejudicada como é exibido na Figura 9 em
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que um exemplo de “novelo” formado no traço A75 foi registrado. Esta imagem foi obtida
de corpo de prova de argamassa fraturado (após ensaios mecânicos no estado
endurecido) em análise por lupa estereoscópica.

Figura 9 – Imagem de corpo de prova fraturado, obtido em lupa estereoscópica, traço A75.

3.2.2 Estado Endurecido


Os resultados obtidos para a caracterização das argamassas no estado endurecido são
apresentados na Tabela 6.

Tabela 6 – Caracterização das argamassas em estado endurecido.


Relação
Módulo de
Coeficiente de Densidade Resistência Resistência à Resist. à
elasticidade
Traço capilaridade médio de massa à tração na compressão tração/
1/2 dinâmico
(g/dm²min ) (kg/m³) flexão (MPa) (MPa) Resist. à
(GPa)
compressão
A0 8,0 1825 13,19 2,71 8,85 0,31
A25 8,2 1788 12,74 2,94 9,64 0,30
A50 9,6 1780 11,95 2,94 7,41 0,40
A75 9,0 1791 11,61 3,21 6,01 0,53

A inserção de resíduos não prejudicou a capilaridade, os valores encontrados são


similares aos valores do traço de referência (A0) A densidade de massa específica
também apresenta valores similares para os traços de referência e com inserção de
teores de resíduos.

Os ensaios de resistência mecânica e de módulo de elasticidade dinâmico foram


submetidos à análise de variância (ANOVA) para interpretação da significância de valores
entre os grupos de diferentes teores de adição. A análise é apresentada na Tabela 7. A
análise resulta em diferenças estatisticamente significativas para as argamassas com

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diferentes teores de adição, tanto quando avaliada a resistência à tração como à
compressão.

Tabela 7 – Análise de Variância de ensaios mecânicos.


ANOVA (Resistência à tração na flexão)
Fonte da variação SQ gl MQ F valor-P F crítico
Entre grupos 13,26 1 13,26 181,70 1,03E-05 5,99
Dentro dos grupos 0,44 6 0,07
Total 13,70 7
ANOVA (Resistência à compressão)
Fonte da variação SQ gl MQ F valor-P F crítico
115,6
Entre grupos 115,60 1 86,36 8,78E-05 5,99
0
Dentro dos grupos 8,03 6 1,34
Total 123,63 7
ANOVA (Módulo de elasticidade dinâmico)
Fonte da variação SQ gl MQ F valor-P F crítico
Entre grupos 288,01 1 288,01 924,11 8,41E-08 5,99
Dentro dos grupos 1,87 6 0,31
Total 289,88 7

O valor de F para a ANOVA demonstra que o resíduo apresenta um impacto mais


significativo nos valores de resistência à tração se comparado à propriedade de
resistência à compressão. Os gráficos presentes nas Figuras 10 e 11 apresentam,
respectivamente, o comportamento de resistência à tração na flexão e resistência à
compressão em função do teor de adição.

Figura 10 – Gráfico resistência à tração na flexão x teor de adição.

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Figura 11 – Gráfico resistência à compressão x teor de adição.

A resistência à tração aumenta com o acréscimo do teor de adições, fenômeno explicado


pelo tipo de reforço advindo do resíduo constituído por fibras que atuam especificamente
sob resposta às ações de tração, o fator de forma bem proporcionado das fibras
presentes no resíduo se comprovou eficaz. A resistência à compressão em contrapartida
decai com o incremento dos teores de adição, a justificativa para estes valores se
encontra na incorporação de ar, redução de massa específica e para o traço A75 a
presença de aglomerados do resíduo que perfazem zonas mais frágeis. A queda dos
valores de resistência à compressão pode ainda ser explicada pela dificuldade de
adensamento dos corpos de prova com maiores teores de resíduos, que proporciona
queda da relação água/materiais secos. Mantida a relação água/cimento fixa, mas
permitindo alteração dos valores de consistência houve uma redução da fluidez da
argamassa com fibras.

A avaliação da relação entre as resistências de tração e compressão (RT/RC) apresenta


valor similar para o traço A0 e A25, entretanto, avaliando-se individualmente os valores de
resistência infere-se que adição do resíduo é responsável pelos incrementos em ambas
as propriedades, com significância estatística. A relação RT/RC para os traços A50 e A75
aumenta, porém tal fato é ocasionado pelo acréscimo dos valores de resistência à tração,
benefício proveniente do resíduo, e decréscimo da resistência à compressão
anteriormente explicado.

Os valores de módulo de elasticidade dinâmico apresentaram também significância


estatística entre valores para os grupos de teores de resíduos. Os valores são próximos
para os traços desenvolvidos, mas demonstra-se uma tendência de diminuição desses
valores com o aumento do teor de fibras conforme apresentado na Figura 12.

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Figura 12 – Módulo de elasticidade dinâmico x teor de adição.

4 Considerações Finais

Por meio da caracterização do resíduo em estudo e da incorporação deste em matriz


cimentícia foi possível obter parâmetros que mostram o potencial de utilização desse
resíduo incorporado a argamassas e concretos. Significância estatística foi obtida para os
parâmetros obtidos em ensaios mecânicos, com expressividade dos resultados do traço
A25 (25% de adição de resíduo) para ambas as propriedades de resistência.

As análises químicas e físicas do resíduo permitem a catalogação e referenciação de


utilizações para um material com potencial para argamassas e concretos. Em pesquisas
futuras pode-se expandir o campo de investigação acerca do resíduo e verificar o impacto
da utilização de aditivos que possam garantir trabalhabilidade adequada para as
argamassas. Outro campo de estudo é empregar técnicas de pós-processamento como
moagem e/ou peneiramento para separar frações de interesse. A composição química do
material é interessante para estudos como adição pozolânica, mas deve ainda ser
descartada a possibilidade reações deletérias das fibras de vidro com os álcalis do
cimento.

Agradecimentos
Os autores agradecem o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq) pelo apoio financeiro. Nessa oportunidade, gostariam de agradecer o apoio nos
ensaios laboratoriais do: Laboratório Multiusuário de Microscopia de Alta Resolução
(LabMic) da Universidade Federal de Goiás; Laboratório Furnas/Eletrobrás; e ao

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Laboratório de Ensaios em Durabilidade dos Materiais da Escola Politécnica da
Universidade Federal da Bahia.

Referências
ABNT: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13276:
Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos - Preparo da
mistura e determinação do índice de consistência. Rio de Janeiro, 2005.

_____. NBR 13278: Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e


tetos - Determinação da densidade de massa e do teor de ar incorporado. Rio de
Janeiro, 2005.

_____. NBR 13279: Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e


tetos - Determinação da resistência à tração na flexão e à compressão. Rio de
Janeiro, 2005.

_____. NBR 13280: Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e


tetos - Determinação da densidade de massa aparente no estado endurecido. Rio de
Janeiro, 2005.

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