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La política existe cuando el orden natural de la dominación es interrumpido por la

institución de una parte de los que no tienen parte. Esta institución es el todo de la
política como forma específica de vínculo. La misma define lo común de la comunidad
como comunidad política, es decir dividida, fundada sobre una distorsión que escapa a
la aritmética de los intercambios y las reparaciones. Al margen de esta institución, no
hay política. No hay más que el orden de la dominación o el desorden de la revuelta.
[...]
La política es en primer lugar el conflicto acerca de la existencia de un escenario
común, la existencia y la calidad de quienes están presentes en él. Antes que nada es
preciso establecer que el escenario existe para el uso de un interlocutor que no lo ve y
que no tiene motivos para verlo dado que aquél no existe. Las partes no preexisten al
conflicto que nombran y en el cual se hacen contar como partes. La “discusión” sobre
la distorsión no es un intercambio - ni siquiera violento - entre interlocutores
constituidos. Concierne a la misma situación verbal y a sus actores. No hay política
porque los hombres, gracias al privilegio de la palabra, ponen en común sus intereses.
Hay política porque quienes no tienen derecho a ser contados como seres parlantes se
hacen contar entre éstos e instituyen una comunidad por el hecho de poner en común
la distorsión, que no es otra cosa que el enfrentamiento mismo, la contradicción de
dos mundos alojados en uno solo: el mundo en que son y aquel en que no son, el
mundo donde hay algo “entre” ellos y quienes no los conocen como seres parlantes y
contabilizables y el mundo donde no hay nada.

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A política existe quando a ordem natural de dominação é interrompida pela instituição de


uma parte daqueles que não têm parte. Esta instituição é toda a política como uma forma
específica de vínculo. Define a comunidade comum como uma comunidade política, ou
seja, dividida, fundada sobre uma distorção que escapa à aritmética das trocas e
reparações. À margem desta instituição, não há política. Existe apenas a ordem de
dominação ou a desordem da revolta.
[...]
A política é, em primeiro lugar, o conflito sensível da existência de um cenário comum,
em torno da existência e a qualidade daqueles que estão aí presentes. Antes de mais
nada, é preciso estabelecer que o cenário existe para o uso de um interlocutor que não o
vê e não tem motivos para vê-lo, dado que aquele não existe. As partes não preexistem
ao conflito que eles nomeiam e no qual são contabilizados como partes. A “discussão”
sobre a distorção não é uma troca – nem mesmo violenta – entre interlocutores
constituídos. Trata-se da mesma situação verbal e dos seus atores. Não há política
porque, graças ao privilégio da palavra, põem em comum seus interesses. Existe política
porque aqueles que não têm direito de ser contados como seres falantes, conseguem ser
contados, e instituem uma comunidade pelo fato de colocarem em comum a distorção,
que nada mais é que o próprio enfrentamento, a contradição de dois mundos alojados
em um só: o mundo em que estão e aquele em que não são, o mundo onde há algo
“entre” eles e aqueles que não os conhecem como seres falantes e contabilizáveis e o
mundo onde não há nada.