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ANÁLISE DO POEMA “TOURO FUSCO” DE J. CORIOLANO

1 Levantamento vocabular

 Estragador (II estrofe, canto primeiro)

 Assoladora (IV estrofe, canto primeiro)

 Abrasadora (IV estrofe, canto primeiro)

 Botado (V estrofe, canto primeiro)

 Té (VIII estrofe, canto primeiro)

 Devesa (XV estrofe, canto primeiro)

 Relampos (XVI estrofes, canto primeiro)

 Patações (III estrofe, canto segundo)

 Imigo (III estrofe, canto segundo)

 Alumia (IV estrofe, canto segundo)

 Coça (XIV estrofe, canto terceiro)

 Defeso (XVII estrofe, canto terceiro)

2 Análise de imagens e sugestões poéticas

I
“Não vou cantar heróis, nem esses feitos
Que adornam os anais da humanidade,
Nem incensos queimar, nem render preitos
À precária e terrena potestade:
A um bruto vão ser meus versos feitos.
Pois que aos brutos deu a vida a Divindade;
E eu, louvando do bruto o fino instinto,
Mais amor e respeito por Deus sinto”.
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A primeira estrofe faz um paralelo com os poemas clássicos que narraram a


história de grandes heróis, como a Ilíada e a Odisseia. A história que será narrada
não tem nada de mitológica, pelo contrário, o “bruto”, ao qual o autor se refere
contrasta com a nobreza dos heróis das obras citadas, mas nem por isso é menos
digno de respeito, tal é a ressalva que o autor faz ao dizer que ao louvar essa
criatura, também louva a Deus, seu criador.

II

“Ó minha doce infância suspirada,


Que o tempo estragador levou consigo;
Terna lembrança dessa vida amada,
Que há de sempre viver, morrer comigo;
Campos em que brinquei, onde fadada
A vida me corria sem perigo,
Fazei que, embora pobre, o meu assunto
Seja do meu sentir fiel transunto”

O autor deixa claro que se trata de um relato de sua infância, que o tempo
levou, uma vez que é como adulto que ele fará seu relato. Tal estrofe reforça o que
havia sido dito na estrofe anterior: não será um relato épico, como nos textos
homéricos, mas será a história do herói da infância do poeta, sem criaturas mágicas
ou mundos fantásticos.

VII

“No ano trinta e seis ou trinta e sete


Era pai-de-curral o belo touro;
As proezas que fez, ainda repete
Quem nunca lhe notou um só desdouro:
Ouvir-lhe as duras brigas terror mete,
Às vezes de prazer rebenta o choro
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Se o Fusco fosse gente, ele seria


Mais herói que esse herói de Alexandria”

O poeta faz um paralelo com Alexandre, o grande, para exaltar a coragem do


Touro Fusco. E talvez a comparação revele o quão o poeta, em sua infância,
admirava o animal, a ponto de julgar seus feitos mais impressionantes que os de
Alexandre. No entanto, tal referência serve como ponto de contato de seus versos
com a tradição que vem dos textos homéricos: narrar os feitos dos grandes heróis.

XVI

“Dos touros vencedor, nunca vencido


Era o fusco o terror daqueles campos
Seu urro, qual trovão, era temido,
Seus olhos fuzilavam, quais relampos.
Era um touro valente e destemido,
Seu valor e denodo não estampo-os
Tudo quanto disser, é pouco, é nada,
Pra mostrar desse touro a nomeada”

Nessa estrofe o poeta remete às superstições típicas do povo do sertão: o


medo dos relâmpagos e dos trovões, pois chuva é rara e o povo, com sua
religiosidade teme esses fenômenos naturais. E tal o temor imbuído nessas pessoas
que o autor se vale dessas imagens pra descrever o nível de temor que o seu herói
despertava nas pessoas.

IV

“Tinha ele no meio do negrume


Que a bela e larga testa lhe cobria,
Uma estrela brilhante como lume,
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Aceso em noite escura, que alumia,


Outrora, parecendo a cor que assume
A clara papa-ceia que radia
Lá na esfera celeste: assim; ao vê-la,
Podíeis comparar do touro a estrela”.

Um dos touros que Fusco tem que enfrentar tem uma estrela na testa. Tal
poderia ser interpretada como a oposição das autoridades e mesmo das classes
altas do lugar, pois o Touro Fusco não é nobre e ainda assim derrota todos os touros
dos grandes fazendeiros, como acontece com o touro com a estrela na testa. Esse
foi um dos motivos da sua ruína.

3 Interpretação pessoal

O poema Touro Fusco é a narrativa da infância do autor na fazenda Boa Vista,


mas não é somente isso. É o retrato da vida do povo do sertão que tem que
enfrentar até mesmo o destino que lhe é imposto para poder sobreviver. Um povo
que enfrenta a seca, a fome e a exploração dos mais ricos e o abuso das
autoridades.

Nesse sentido, o poema é repleto de referências ao modo de vida do


sertanejo: a vida na fazenda. O Touro fusco é o herói de um menino que vivia em
meio a todas as dificuldades citadas anteriormente, mas não é o herói dos mitos e
nem o herói ao estilo europeu. É um “bruto”, como diz o autor. Mas uma criatura de
Deus. E como tal merece o mesmo respeito que qualquer outra criatura.

Há a questão da crítica social: o fato de alguém do povo se destacar acima


dos ricos, incomoda essa classe a tal ponto que somente a morte é a solução
encontrada pelos poderosos para suprimir a ascensão de alguém de uma classe
inferior.