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Uma vez que o bebê encontra certa organização pulsional, começam a

acontecer escolhas objetais. Estas escolhas não são aleatórias, tem tudo haver
com o que a mãe oferece como cuidado para o bebê. Ou seja, o objeto
escolhido na pulsão oral é o seio (objeto que porta o alimento) que a mãe
oferece; na pulsão anal, o que determina a escolha de objeto é o cuidado de
higiene e o treinamento cultural de onde depositar as fezes. Tais escolhas e
trânsitos pulsionais são chamados de organização pré-genital da libido.
Tendo o bebê amadurecido, tornado-se criança e passado pela
organização pré-genital, cabe, nesse momento uma escolha objetal voltada ao
cuidador. O que coincide com a capacidade cognitiva da criança de elaborar
teorias sexuais acerca de sua existência, da diferença anatômica dos sexos e
de onde vem os bebês. Diz Freud:

A escolha de um objeto, tal como mostramos ser característica da fase


puberal do desenvolvimento, já foi frequente ou habitualmente feita durante
os anos de infância: isto é, a totalidade das correntes sexuais passou a ser
dirigida para uma única pessoa em relação à qual elas buscam alcançar
seus objetivos. (vol XIX, pág. 157)

Esta única pessoa é, sempre, à princípio a mãe, seja para o bebê do


sexo masculino ou para o bebê do sexo feminino. Ao adentrarem o estádio
fálico, tanto a menina quanto o menino já tinham como objeto de amor aquela
que era a portadora dos cuidados. Cuidado, para o ser humano, sempre é
confundido com amor porque aquela que cuida, a mãe, de alguma forma
transmite que cuida porque ama.
A organização genital infantil do estádio fálico é marcada pela antítese
entre possuir um órgão genital masculino e ser castrado. Ao perceber a
diferença anatômica entre os sexos, o menino, a posteriori, ressignifica as
ameaças e repreensões causadas pela masturbação infantil e entende que
pode perder parte de si. Freud afirma que o menino reconhece a falta de pênis
na menina e finalmente localiza na falta o poder da castração e o pênis pode
ser significantizado como falo por comparecer como falta em outro corpo.
Qualquer enlace libidinal passará pelo crivo daquele que pode ter o poder de
castrá-lo: o pai.
O pai tem um papel importantíssimo no desenrolar da fase fálica por ser
aquele cujo papel é o de apontar o desejo da mãe. No triângulo pai-mãe-filho
não há rivalidade possível entre pai e filho, porque para o filho há a mãe e para
o pai há a mulher. O grande mal-estar é que o mesmo sujeito encarna estas
duas posições: mulher e mãe. A criança, então, percebe que sua mãe tem
desejos que estão além de ser sua cuidadora e que estes desejos dizem
respeito ao que o pai pode dar a ela. O desejo da mãe enquanto mulher é
mediado pelo pai.
O texto “A dissolução do complexo de Édipo” de 1924 se ocupa em
explorar a construção teórica que a destruição do complexo de Édipo é
ocasionada pela ameaça de castração.
No menino, é a ameaça de castração que ocasiona a desmoronamento
da organização genital fálica. No entanto, esta ameaça só produz efeito à
posteriori, quando o menino se depara com a visão dos órgãos genitais
femininos. “Com isso, a perda de seu próprio pênis fica imaginável e a ameaça
de castração ganha seu efeito adiado.” (FREUD, [1924]1996, vol. XIX, pág.
195).
Uma vez que a conseqüência para o que a fantasia do complexo de
Édipo se realize é a castração, o menino se vê num embate entre seu interesse
narcísico e a catexia libidinal investida em seus objetos parentais. Neste
conflito vence o narcisismo e o menino deixa seus impulsos edipianos de lado.
Esta desistência, no entanto, tem conseqüências. As catexias são
substituídas por identificações. Freud explica que:

A autoridade do pai ou dos pais é introjetada no ego e aí forma o núcleo do


superego, que assume a severidade do pai e perpetua a proibição deste
contra o incesto, defendendo assim o ego do retorno da catexia libidinal. As
tendências libidinais pertencentes ao complexo de Édipo são em parte
dessexualizadas e sublimadas (coisa que provavelmente acontece com toda
transformação em uma identificação) e em parte são inibidas em seu
objetivo e transformadas em impulsos de afeição. (FREUD, [1924]1996, vol.
XIX, pág. 196)

No que diz respeito ao processo nas meninas, Freud instrui que o clitóris
seria um equivalente do pênis, mas não seria um representante fálico por muito
tempo. A fantasia feminina vai da crença de que o clitóris crescerá e será um
apêndice tão grande quanto o do menino até o deslizar metonímico (ou, nos
termos de Freud, a equação simbólica) do pênis para um bebê. O complexo de
Édipo feminino tem seu ápice no desejo de receber do pai um filho como
presente. Uma vez que este desejo jamais se realiza, o complexo de Édipo é
abandonado e o anseio permanece catexizado no inconsciente, preparando a
menina para o papel posterior de mãe.
O menino faria sua entrada no complexo de Édipo pelo amor que sente
pela mãe e o pai compareceria no romance familiar como agente
impossibilitador deste amor. A saída do Édipo, portanto, remete ao complexo de
castração.
Com a menina a história é mais complexa. Ela teria que abrir mão da
primeira relação de amor objetal que tem com a mãe, ligação que influencia
suas outras escolhas objetais e seu desenvolvimento libidinal futuro. Abre mão
ao se dar conta de que sua mãe também é castrada, desenvolvendo, então, a
hostilidade para com a mãe necessária para que a menina volte-se para o pai e
o eleja como objeto amoroso, por ter aquilo que nem ela e nem a mãe tem.
Com isso fica claro que é a partir das tramas pré-edipianas que a entrada no
complexo de castração conduz ao complexo de Édipo feminino.