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tos fetais e diagnosticar as anomalias no período pré-­natal. Neste tava vivo ou morto pela ausculta dos batimentos cardíacos fetais
aspecto, o conhecimento do diagnóstico sindrômico e eventual- descritos no meio do século XVII. Há 50 anos, por meio da car­
mente do diagnóstico etiológico assume grande impor­tância, uma diotocografia, já era possível identificar os fetos que estavam em
vez que somente de posse deste conhecimento pode­rá a pacien- sofrimento e aqueles que não estavam. Atualmente, por meio da
te ser aconselhada a respeito dos riscos de recorrência, eventuais ultra-sonografia e da dopplervelocimetria arterial diagnosticamos
medidas preventivas ou terapêuticas e conduta pré-natal em futu- os fetos que irão ter deterioração da oxigenação e do crescimen-
ras gestações. to, assim separando uma população de alto risco, antes que haja hi­
Antes da realização da autópsia, é de fundamental importân­ póxia, para antecipação do parto em condições de boa oxigenação
cia que os pais ou parentes da criança dêem o consentimento por dos tecidos fetais, evitando assim seqüelas tardias, principalmente
escrito para a sua realização. É essencial durante a consulta aos fami- as neurológicas. Mas, em contrapartida, há o problema da prema­
liares que os mes­mos sejam adequadamente informados das vanta- turidade eletiva, às vezes muito precoce, que por si só traz graves
gens do proce­dimento e como poderá ajudá-los e a seus familiares. seqüelas para o neonato. Há, portanto, necessidade de se otimi­zar
Deve-se tomar o cuidado de ouvir as solicitações e preocupações a avaliação da vitalidade fetal, em busca de parâmetro que in­dique
dos pais no que se refere ao procedimento em si. A opção de au- o exato momento em que sofrimento fetal compensado es­tá pres-
tópsia limita­da deve ser cogitada. tes a deteriorar e meios de diagnóstico que afiram sobre a maturi-
No formulário de solicitação da autópsia, as informações for­ dade pulmonar fetal.
necidas pelo médico assistente permitirão ao patologista familiari-
zar-se com a história clínica. Devem ser feitas de maneira detalha­ Avaliação da vitalidade fetal
da, contendo história pormenorizada da gravidez atual; eventuais
complicações; doenças maternas; exposição a substâncias tóxicas; Dividimos a avaliação da vitalidade fetal em métodos clíni­
distúrbios do crescimento fetal; resultados de exames pré-natais; cos, laboratoriais e biofísicos.
características do parto; e principais achados pós-natais referentes
ao feto, placenta, cordão umbilical e membranas ovulares. Métodos clínicos
A documentação fotográfica de conceptos portadores de
anomalias estruturais, principalmente as externas, constitui ver­ A ausculta dos batimentos cardíacos fetais durante a con­
dadeiro documento, muitas vezes mais elucidativo do que longos sulta de pré-natal é meio bastante difundido e de baixo custo.
relatórios. As fotografias serão úteis em aconselhamentos genéti­ Pode ser realizada com estetoscópio de Pinard ou sonar-Doppler.
cos, bem como para a devida documentação do médico assisten­ A faixa de normalidade se encontra entre 110-160 batimentos
te para eventuais ações médico-legais. À primeira vista pode pare­ por minuto (bpm). Para se obter avaliação tranqüilizadora, há a
cer grande investimento, mas não é necessário que tais fotografias neces­sidade de se auscultar pelo menos uma aceleração dos ba-
sejam realizadas por fotógrafos profissionais e com equipamentos timentos cardíacos fetais, com aumento de 15 bpm e duração
sofisticados. Máquinas fotográficas simples freqüentemente são mínima de quinze segundos. Na ausência deste sinal, é possí­vel
capazes de realizar excelente trabalho de documentação das mal- ainda realizar o estímulo vibratório. Na ausência da resposta aci-
formações fetais. ma o teste é dito anormal e é necessária avaliação pe­los méto-
A realização de estudo radiológico em natimortos e em fetos dos biofísicos.
portadores de anomalias representa procedimento útil na identifi­ O conceito da contagem dos movimentos corpóreos fe­
cação das causas. Pelo estudo radiológico podemos analisar a pro­ tais existe há mais de um século e se correlaciona com a função
porção dos diversos segmentos do feto; verificar ausência de ossos neurológica do concepto. A percepção materna destes movimen­
ou parte deles; estudar distúrbios do crescimento e desenvolvimen­ tos constitui a forma mais simples e menos dispendiosa de avalia­
to dos ossos, não só do ponto de vista biométrico, mas também do ção da vitalidade fetal na segunda metade da gestação. Existem vá­
morfológico, como encurvamentos, alargamentos e distúrbios na rios métodos para a sua avaliação. Recomendamos que a grávida,
ossificação. Com esta avaliação podemos melhorar o diagnóstico, em período que julgar mais conveniente (preferencialmente 1h
em particu­lar, dos diversos tipos de displasias esqueléticas. após as refeições), fique em decúbito lateral esquerdo com a mão
Estima-se que haja de 40 a 60,0% de causas não identificadas sobre seu abdômen, e conte quantas vezes sentiu movimentação
para óbitos fetais, principalmente no terceiro trimestre de gravidez, fetal num período de 1 hora. A partir de 10 movimentos a avalia-
mesmo utilizando todos os recursos propedêuticos disponíveis. ção é dita normal.
Avaliação do líquido amniótico (amnioscopia) para a de-
tecção de me­cônio é método que embora seja de fácil realização,
requer que a paciente tenha pelo menos 2 cm de dilatação cervi-
cal, para a inser­ção do tubo transparente. É método subjetivo e exi-
ge experiência do examinador. O achado de liquido meconial só é
ominoso pa­ra o nascituro quando acompanhado de alterações na
freqüência cardíaca fetal.
351 Avaliação do Bem-estar Fetal
Métodos laboratoriais
Luciano Marcondes Machado Nardozza
Eduardo Cordioli A análise gasométrica do sangue fetal do couro cabeludo,
Maurício Mendes Barbosa é meio de melhorar a especificidade da monitoração da freqüência
Claudio Rodrigues Pires cardíaca fetal, embora seja método pouco usual entre os obstetras.
A amostragem de sangue fetal é limitada à pele que reveste a par­

O sofrimento fetal tem sido motivo de estudo ao longo dos te fetal apresentada, tendo que haver ruptura das membranas e no
séculos. No passado apenas era possível aferir se o feto es­ mínimo 2-3 cm de dilatação. Lembrar que edema altera a interpre­
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tação dos resultados. As amostras devem ser coletadas com a mãe Interpretação:
em decúbito lateral. Considera-se alterada a diferença maior que -Reativo (tranqüilizador): duas ou mais acelerações em 20
0,2 entre pH materno e fetal. minutos de registro;
-Não reativo (intranqüilizador): nenhuma ou uma acelera­
Métodos biofísicos ção em 20 minutos de registro.

Cardiotocografia (CTG) anteparto Perfil biofísico fetal (PBF)


A CTG pode ser iniciada, na grande maioria dos casos, a São avaliados quatro parâmetros ultra-sonográficos e um car­
partir de 32 - 34 semanas; entretanto, em gestações com múlti- diotocográfico. Para cada uma das variáveis avaliadas, é dada nota
plos fatores de risco a avalia­ção pode começar precocemente, com 0 ou 2. Feita a soma, a nota final varia entre 0 e 10. Os marcado­
26 - 28 semanas de gesta­ção. São indicações da propedêutica bio- res ultra-sonográficos fetais são os movimentos respiratórios, mo­
física entre outras: vimentos corpóreos, tônus e quantidade de líquido amniótico
Condições maternas: (LA). Este último é dito marcador crônico de sofrimento fetal. Já
- Distúrbios hipertensivos; os três primeiros e a cardiotocografia são ditos marcadores agu-
- Diabetes melito tipo I; dos. Na vigência de hipóxia aguda, o primeiro item a se alterar é
- Síndrome antifosfolípide; a cardiotocografia, se­guida dos movimentos respiratórios, movi-
- Hipertiroidismo (mal controlado); mentos corpóreos e por último o tônus. De forma geral, escores
- Hemoglobinopatias (hemoglobina SS, SC ou talassemia-S); em 10/10 ou 8/10 com liquido amniótico normal são tranqüi-
- Cardiopatia cianótica; lizadores, e não há a necessi­dade de intervenção. Se o liquido am­
- Lúpus eritematoso sistêmico; niótico está reduzido, provavelmente se trata de hipoxemia crô-
- Nefropatia crônica; nica compensada e risco para descompensação aguda. Este caso
Condições relacionadas à gravidez: merece maior atenção. Abaixo de 4/10 o resultado é positivo e há
- Hipertensão induzida pela gravidez; a ne­cessidade de intervenção obstétrica. Especial atenção se dá ao
- Redução de movimentos fetais; re­sultado de 6/10 (suspeito), caso em que, dependendo da idade
- Oligoidramnia; gestacional, há a necessidade de repetir o exame em 24 horas. A
- Polidramnia; Tabela 1 afere sobre cada escore e suas implicações.
- Crescimento intra-uterino restrito; A dopplervelocimetria, constitui do método mais moder-
- Gravidez pós-termo; no e que tem demonstrado em vários trabalhos e metanálises di-
- Aloimunização (moderada e grave); minuir a morbimortalidade perinatal em gestações de alto risco.
- Morte fetal prévia inexplicada;
Basicamen­te, o principio técnico é o estudo da velocidade do san-
- Gravidez múltipla (com significante discrepância de cres­
gue dentro de determinado vaso. Se houver aumento da resistên-
cimento).
cia, é registra­da velocidade baixa e se resistência diminuída, velo-
A cardiotocografia consiste na observação da freqüência car-
cidade alta.
díaca fetal (FCF), movimentação corpórea fetal, espontânea ou esti-
A artéria umbilical é o vaso que tem apresentado resultados
mulada, e contratilidade uterina espontânea (contrações de Braxton-
mais expressivos no diagnóstico de comprometimento fetal. Ela
Hicks), sem promover qualquer sobrecarga ao feto. É considerado
re­presenta a circulação placentária. Ambas as artérias devem ser in­
teste reativo, ou seja, tranqüilizador, a presença de pelo menos duas
sonadas, de preferência próximo à inserção umbilical. A onda de
acelerações transitórias em 20 minutos de registro. Devem ser anali-
velocidade de fluxo caracteriza-se por ter um pico de maior velo­
sadas, também, todas as outras caracte­rísticas da banda cardiográfica,
cidade durante a sístole cardíaca e uma velocidade menor relacio­
tais como nível da linha de base da FCF, variabilidade da linha de
nada à diástole. Quando esta última onda está com o valor zero
base da FCF e presença ou não de desacelerações. Desacelerações
ou negativo, dizemos que há alta resistência (insuficiência) na pla­
variáveis da FCF podem ser observadas em até 50% dos exames e
centa, e o parto deve ser indicado, sempre relacionando esta deci­
desde que esporádicas e de curta duração (<30 segundos), não in-
são com a idade.
dicam comprometimento fetal ou necessidade de intervenção obsté-
A artéria cerebral média deve ser estudada, juntamente com
trica. Contudo, desa­celerações variáveis repetitivas (pelo menos três
a umbilical. Na normalidade, a resistência ao fluxo de sangue nas
em 20 minutos), mesmo que leves e desacelerações da FCF durante
um exame que persistem por 1 (um) mi­nuto ou mais, têm sido as- artérias cerebrais médias é sempre maior que nas artérias umbili­cais.
sociadas com risco muito aumentado de cesárea por padrão intran- Já quando há hipoxemia compensada (sofrimento fetal crô­nico), há
qüilizador da CTG intraparto e óbi­to fetal. Caso o traçado não exi- o fenômeno da “centralização do fluxo fetal”, devido à queda de
ba duas acelerações em 20 minu­tos de registro, devemos prolongar pO do sangue fetal, e há tendência a proteger os ór­gãos mais no-
2
o registro por mais 20 minutos e/ou utilizar estímu­los (mudança bres, como cérebro, coração e adrenais, ocorrendo vasodilatação
de posição materna, estímulo mecânico, vibratório ou até mesmo nestes territórios. Assim, para se detectar de forma precoce o so-
sonoro), apenas com o objetivo de despertar o feto que se encon- frimento fetal compensado, está indicado o estudo dopplerveloci-
tre em sono profundo. Ausentes as duas acelera­ções transitórias, métrico da circulação fetal. Nesta situação a resis­tência das artérias
mesmo com as tentativas de estímulos, o teste deve ser considera- cerebrais é menor que a resistência das arté­rias umbilicais.
do não reativo (intranqüilizador). Questiona-se o momento ideal de antecipação do parto, uma
Propósito: obter traçado que apresente, no mínimo, duas vez que as alterações na circulação arterial diagnosticam o sofri­
acelerações da FCF dentro de um período de 20 minutos. Estas mento fetal compensado, e sendo antecipado o parto, o feto sofre
acelerações devem ter amplitude de subida da linha de base e du­ as conseqüências de prematuridade eletiva. Para evitá-la se estuda a
ração mínimas de 15 batimentos por minuto (BPM) e 15 segun­ circulação venosa fetal, em especial o ducto venoso. Recentemente,
dos, respectivamente; em idades gestacionais inferiores a 32 sema­ por meio de pesquisa realizada na UNIFESP - EPM, temos usado
nas bastam 10 BPM e 10 segundos. o valor do índice de pulsatilidade do ducto venoso > 0,76 para in-
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Tabela 1 - Escore PBF e conduta recomendada


Risco percentual Risco de morte fetal
Resultado Interpretação Controle recomendado
de asfixia (por 1000/semana)
10/10 Sem asfixia 0 0,565 Conservador
8/10 (LA
Sem asfixia 0 0,565 Conservador
normal)
8/8 (CTG não
Sem asfixia 0 0,565 Conservador
realizada)
8/10 (LA Asfixia crônica Se maduro, indicar o parto.
5-10 20-30
diminuído) compensada Se imaturo exame 2x semana
Se maduro, indicar o parto.
6/10 (LA
Possível asfixia aguda 0 50 Se imaturo repetir em 24 horas.
normal)
Se manter 6/10, parto
Se ≥ 32 semanas, parto.
6/10 (LA Asfixia crônica com
>10 >50 Se < 32 semanas, corticosteróide e
diminuído) possível asfixia aguda
exame diariamente
Se ≥ 32 semanas, parto.
4/10 (LA
Provável asfixia aguda 36 115 Se < 32 semanas, corticosteróide e
normal)
exame diariamente
4/10 (LA Asfixia crônica com
>36 >115 Se ≥ 26 semanas, parto
diminuído) provável asfixia aguda
2/10 (LA Asfixia aguda quase
73 220 Se ≥ 26 semanas, parto
normal) certa
0/10 Asfixia grave 100 550 Se ≥ 26 semanas, parto

dicar a resolução da gestação, na vigência de centralização da cir- cos ou laboratoriais que ocorrem em épocas distintas da gestação
culação fetal. Na Figura 1 indicamos um algorítmo da nossa con- e tentam correlacioná-los com a teoria sobre a formação de sur-
duta na vigilância fetal anteparto nas gestações de alto risco. factante. As vantagens da rea­lização dos métodos indiretos é que
eles são menos onerosos e não necessitam de pessoal especializa-
Avaliação da maturidade fetal do para a sua realização.

Quando avaliamos a maturidade fetal, atestamos que o Métodos indiretos


nas­cituro completou o desenvolvimento somático e funcional
dos diversos órgãos, estando apto à vida extra-uterina, fenô- O meio mais comum de se avaliar sobre a maturidade fetal
meno que ocorre classicamente a partir da 37ª semana de ges- é ter a idade gestacional de certeza, pois sabe-se que a partir da
tação. Sabemos que quando o parto ocorre previamente a esta 37ª semana a SDR é evento raro. Para isso dispomos de métodos
data, o recém-nato pode apresentar dificuldades de adaptação clí­nicos e laboratoriais:
ao novo habitat, princi­palmente o seu sistema respiratório, que
é o mais sensível na ocor­rência da prematuridade. Métodos clínicos
A síndrome do desconforto respiratório (SDR) ainda é a
principal causa de mortalidade neonatal em prematuros, ape- - Data da última menstruação.
sar do desenvolvimento de surfactante artificial e dos avanços - Início da percepção dos movimentos corpóreos fetais: entre
na área de suporte ventilatório. 16 semanas (multípara) e 18-20 semanas (primigesta).
- Início da ausculta dos batimentos cardíacos fetais: a partir
Diagnóstico da 20ª. semana com estetoscópio de Pinard ou 12 sema­
nas com sonar-Doppler.
Avaliamos a maturidade fetal, por meio do estudo da maturi­ - Mensuração seriada da altura uterina.
dade pulmonar fetal por métodos diretos ou indiretos, otimizando
a conduta obstétrica, diante da possibilidade de prematuridade ele- Métodos laboratoriais
tiva. Os métodos diretos têm maior sensibilidade e especificidade
que os métodos indiretos, e envolvem a análise direta da produ- - Ultra-som. Aqui se destaca a importância do exame ecográ­
ção de sur­factante, obtida com amostras do líquido amniótico pela fico precoce no 1º trimestre para a mensuração do compri­
técnica da amniocentese (discutida em detalhes em outro capítu- mento cabeça-nádega que em mão experiente tem margem
lo nesta Secção). Já os métodos indiretos buscam eventos clíni- de erro de 5 dias apenas. No 2º trimestre podemos fazer uso
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Figura 1 - Algoritmo da propedêutica subsidiária nas gestações de alto risco

Gestação de Alto Risco

Dopplervelocimetria

Normal

Centralização
Pré-termo

Ultra-som
CTG ou PBF seriados
< 34 semanas > 34 semanas

Quando restrição de
crescimento ou ILA
Corticóide < 5 ou PBF ≤ 6
Resolução
CTG Diária
PBF 2x semana
Doppler 2x semana

Termo

Diástole Zero ou Reserva.


CTG ou PBF alterado

da medida do diâmetro biparietal com erro de 14 dias. No Métodos diretos


3º trimestre realizamos a biometria completa do feto e bus-
camos os núcleos de ossificação. O distal do fêmur aparece - Relação fosfatidilcolina (lecitina) fosfatidilinusitol (esfingo­
com cerca de 32 semanas. Já o proximal da tíbia e do úme­ mielina) – L/E: Obtém-se a concentração destes dois pro­
ro aparece respectivamente com 36 e 38 semanas. dutos pela análise do líquido amniótico obtido na amnio­
- Amnioscopia: Consiste na visualização direta do líquido centese (cerca de 20 mL), usando-se a cromatografia em
amniótico através das membranas amnióticas por intermé­ camada fina unidimensional. Sabe-se que antes da 34ª semana
dio de tubo rígido de acrílico transparente introduzido no as concentrações destes dois glicerofosfolipídeos são similares.
colo uterino, com pelo menos 1 cm de dilatação. A con­ Após a 34ª semana esta relação começa a polari­zar em direção
firmação de grumos grossos ou líquido opalescente suge­ à lecitina. Quando a relação está maior ou igual a 2:1, a pro-
re maturidade fetal, ao passo que líquido amniótico claro babilidade de desenvolvimento de SDR neonatal é mínima.
sem grumos pode significar prematuridade. Infelizmente estas substâncias são acha­das no sangue mater-
- Amniocentese: buscamos no líquido amniótico certos pro­ no e no mecônio o que pode confun­dir os resultados. Uma
dutos que aparecem ou aumentam de concentração no ter­ relação maior ou igual a 2:1 entre a lecitina/ esfingo­mielina
mo. São eles: não exclui a possibilidade de SDR mesmo se obtida amos­tra
a) Creatinina: O nível de 2.0 mg/dL sugere maturida­de fe- sem contaminação de líquido amniótico, principalmente em
tal. Método pouco específico. Depende da massa muscular pa­cientes diabéticas com mal controle glicêmico.
fetal, podendo ser falso-positivo para fetos macrossômicos - Identificação de fosfatidilglicerol (PG): Devido ao baixo
ou falso-negativo para fetos com cresci­mento restrito. valor preditivo da relação L/E em pacientes diabéticas, al-
b) Porcentagem de células orangiófilas: Corando-se guns autores preconizam a mensuração da PG no líquido
uma gota do líquido amniótico com azul de Nilo a amniótico. Se identificado, acredita-se mais na maturida-
0,1% observam­-se dois tipos de células ao micros- de pulmonar fetal. O PG não é encontrado no sangue ma-
cópio óptico. As célu­las coradas em azul represen- terno, no mecônio, nem em secreções vaginais, o que tor-
tam pele descamada do feto e os corpúsculos laranja na o teste mais confiável, mas mesmo assim não se obtém
(células orangiófilas) represen­tam glândulas sebáce- 100% de valor preditivo.
as. A maturidade é indicada quando mais do que - Teste de Clements ou shake-test: O método mais usado na
10% das células são orangiófilas. prática obstétrica pelo seu baixo custo, se baseia na pro-
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priedade do surfactante do líquido amniótico em formar a diluição agita-se a mistura vigorosamente por 15 segun-
bolhas de espumas estáveis na interface ar-líquido na pre- dos e lê-se o exame após 5 minutos de repouso. O apareci-
sença de etanol a 95%. Não se deve contaminar o líquido mento do anel de espuma estável nos 5 tubos traduz matu-
amniótico com sangue ou mecônio, o que leva a resulta- ridade. No Departamento de Obstetrícia da Universidade
dos falso-positivos. Realiza-se diluição progressiva do líqui- Federal de São Paulo o exame é simplificado para os 3 pri-
do amniótico em 5 tubos de ensaio 15x100 mm, com so- meiros tubos, o que simplifica a sua execução sem desti-
ro fisiológico e etanol a 95% conforme a Tabela 2. Após tuir o seu valor preditivo. ­­ ­

TABELA 2 - Diluição para o teste de Clements


Tubos 1 2 3 4 5
Líquido Amniótico 1 mL 0,75 mlL 0,50 mL 0,25 mL 0,20 mL
SF 0.9% 0 mL 0,25 mL 0,50 mL 0,75 mL 0,80 mL
Etanol 1 mL 1 mL 1 mL 1 mL 1 mL

352 Prescrição em Obstetrícia di­pirona, doxazosina, eritromicina, estavudina, etambutol, fanciclo­


vir, fenacetina, fenazopiridina, fenoterol, glicopirrolato, insulina,
Luiz Kulay Junior Maria iodotirina, levotiroxina, lincomicina, liotironina, liotrix, loperami­da,
Nice Caly Kulay maprotilina, meclisina, metoclopramida, nadroparina, nistatina,
Luiza K. Matsumura nitrofurantoína, ondanetrona, penicilinas, pindolol, piperazina, po­
Mary Uchiyama Nakamura limixina B, prednisolona, prednisona, probenecida, quinupristina/
dalfopristina, rimantadina, sertalina, somatostatina, sotalol, sucral­

A história da especialidade tem três vertentes bem definidas. A he- fato, terbutalina, tinzaparin, tripelenamina, uroquinase, ursodiol,
morragia intracraniana foi vencida após maior liberaliza­ção da valaciclovir, vasopressina, zalcitabina, zidovudina. Na categoria X si-
via alta com advento da anestesia e antibioticoterapia, após a Segunda tuam-se os medicamentos contra-indicados em mulheres que estão
Guerra Mundial. A anóxia, graças à patologia médica e/ou obstétri- ou possam estar grávidas: aminopterina, clomifeno, contraceptivos
ca, foi bastante reduzida com os avanços da Medicina e da Fisiologia orais, cumarínicos, danazol, dienestrol, estrógenos conjugados,
Obstétrica, e atualmente vivemos a era da Me­dicina Fetal. estrona, etinilestradiol, fenciclidina, flurazepam, fluvastatina, iodeto
No que se refere às malformações, sua incidência entre glicerol, isotretinoína, leuprolida, lovastatina, menadiona, mestra­
os recém-nascidos é da ordem de 2-3%; no decorrer dos anos, nol, misoprostol, noretindrona, noretinodrel, norgestrel, pravas­tina,
porém, podem promover várias disfunções que, comprometendo quazepam, quinina, ribavirina, sinvastatina, temazepam, tria­zolam.
seu desenvolvimento tanto orgânico quanto mental, atingem A seguir, abordaremos os medicamentos das categorias C e D que
cifras bastante elevadas: 7% no primeiro não de vida, 12-14% revelam efeitos adversos, porém são ministrados quando o benefício
na idade escolar e aproximadamente 17% aos 18 anos. Quanto compensa o risco para o concepto.
à etiologia, sabemos que 65% são mul­tifatoriais ou de causa Analgésicos (não opióides): altas doses de derivados pira­
desconhecida. Entre as causas conhecidas es­tão a transmissão zolônicos podem promover retardo de crescimento intra-útero em
genética (20%), anomalias cromossômicas (5%) e fatores ambientais razão dos efeitos mitostático e mitoclásico. Doses elevadas de sali­
(10%), aí incluídas as irradiações (1%), as doen­ças maternas (1- cilatos e acetaminofeno podem inibir a síntese de prostaglandinas,
2%) e, maior contingente, drogas e agentes quí­micos (4-5%). As impedindo agregação plaquetária e promovendo oclusão prema­tura
drogas, portanto, representam aproximadamente 50% dos fatores do ducto anterior e, conseqüentemente, hipertensão pulmo­nar
ambientais ou 15% dos fatores conhecidos. primária. Opióides: codeína, heroína, levorfanol, meperidina,
Nos países desenvolvidos, 85% das mulheres ingerem metadona, morfina, ópio, propoxifeno e tramadol, ministrados
medi­camentos durante o período pré-natal; destas, 65% praticam próximos ao termo, podem determinar tanto depressão respirató­ria
automedicação. Por questões de ordem prática, listamos a seguir quanto síndrome de privação no recém-nascido.
os fármacos mais utilizados pelos profissionais das diversas Ansiolíticos (benzodiazepínicos): o alprazolam aumen­ta
Especialidades, conforme a classificação da DRUG AND FOOD incidência de abortamento, hidrocele e ascite. Diazepam, lora­
ADMINISTRATION (FEDERAL REGISTER, 44: 37434­67, zepam e clordiazepóxido promovem lábio leporino, fenda palati­
1980). Nas categorias A e B estão, respectivamente, medica­mentos na, assimetria facial, além das síndromes de privação e síndrome
que não demonstram risco para o concepto em qualquer dos floppy - hipotonia, letargia, diminuição de sucção. Entre os ago-
trimestres e aqueles que promovem efeitos adversos em ani­mais, nistas/antagonistas dos receptores da hidroxitriptamina (5HT), a
porém não confirmados em estudos controlados no homem, buspirona não tem qualquer associação com malformações, tan­to
quando ministrados conforme posologia indicada. São eles: ace­ em animais quanto no homem. Os antagonistas dos receptores
taminofeno, ácido fólico, ácido nalidíxico, anfotericina B, asparta­ β-adrenérgicos reduzem os sintomas de ansiedade, ao passo que
me, azatidina, bupropiona, cafeína, cefalosporinas, ciclizina, ciclo­ os barbitúricos são muito pouco utilizados atualmente. O mepro­
pirox, clavulato de potássio, clindamicina, clotrimazol, cromolin bamato e o hidrato de cloral não demonstram efeitos deletérios
sódico, dalteparina, desmopressina, didanosina, dietilpropiona, sobre o concepto.