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1.

INTRODUÇAO

A época medieval marcou o continente Europeu num período entre os seculos V e XV, que
teve início com a queda do império Romano do Ocidente e que vai ter o seu fim com a
transição para a idade moderna, a época medieval vai determinar interposição da história
do ocidente segundo a divisão clássica em três (3) períodos nomeadamente. A
Antiguidade, precisamente a Idade Media e a Idade Moderna.

A derrocada da sociedade antiga representada pela desintegração do Imperio Romano


escravista no séc. V e a ascensão do cristianismo podem ser apontadas como os
acontecimentos mais marcantes que se processaram na história da Europa Ocidental. O
extenso período coberto pela idade Media marcado pela hegemonia da Igreja Crista, pela
invasão e conquistas dos povos nórdicos e pela estrutura social económica das relações
Feudais, expressará uma cultura engendrada no pensamento grego, na tradição jurídica
romana e na matriz teológica judaica, aglutinando elementos novos advindo das fontes
cristãs e germânicas.

São vários os factores que servem de suporte para explicar o fim da antiguidade e os
primórdios da idade Media nomeadamente: politico, económico, social e cultural, a
organização social era estratificada em segmentos representativos com rigidez relativa:
elite clerical (o alto e baixo clero), os guerreiros (nobreza feudal, cavaleiros) e os
trabalhadores (camponeses livres, servos escravos etc). As relações sociais se
personalizaram e se hierarquizaram, sendo que o poder senhorial se contrapunha a
vassalagem dependente, o mundo feudal estava profundamente marcado pela hegemonia
e pelo controle eclesiástico que influenciava as relações sociais, os valores culturais e as
formas de exercício dos poderes políticos.

Durante o período medieval destacaram-se autores como santo agostinho e são tomas de
Aquino e que coincidentemente vão ser estes 2 grandes pensadores objetos de estudo
deste trabalho numa vertente essencialmente da história da ideia politica vivida naquele
período.

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PENSAMENTO POLITICO DE SANTO AGOSTINHO E SÃO TOMAS DE AQUINO
DURANTE A EPOCA MEDIEVAL

2. PENSAMENTO POLITICO DE SANTO AGOSTINHO

Santo Agostinho (354-430) foi provavelmente o mais destacado cristão da patrística e de


toda a primeira fase da idade Media, em sua maior obra intitulada cidade de Deus (De
Civitate Dei) reproduz uma síntese admirável da cultura clássica antiga com o legado
judaico-cristão através da interpretação Pauliniana.
Para Santo Agostinho a política constitui uma atividade fundamental para que no seio da
sociedade humana haja o bem e a paz. A função politica só será corretamente vivenciada
se for pautada pelo interesse dos governantes em servir e prestar culto ao verdadeiro
Deus:

“Se, por conseguinte, se rende culto ao Deus verdadeiro, servindo com sacrifícios sinceros e
bons costumes, é útil que os bons reinem por muito tempo e onde quer que seja. E não o é
tanto para os governados como para os governantes. Quanto a eles, a piedade e a bondade,
grandes dons de Deus, lhes bastam para a felicidade verdadeira, que, se merecida, permite
à gente viver bem nesta vida e conseguir depois a vida eterna”.

Os aspectos essenciais do pensamento político de Santo Agostinho segundo a sua obra


com maior relevância política podem ser sintetizados em três questões fundamentais
nomeadamente:
a) A apresentação do modelo das duas cidades;
b) O Poder considerado como uma dádiva de Deus;
c) As relações entre o Estado e a Igreja.

2.1 A APRESENTAÇÃO DO MODELO DE DUAS CIDADES


Santo Agostinho propõe dois tipos de ideias de organização: a cidade de Deus e a Cidade
terrena.
 Cidade de Deus
Caracteriza-se por reunir os eleitos que vivem em conformidade com os mandamentos
de Deus e que por essa via alcançam o amor-perfeito, a Paz profunda, a justiça plena a
liberdade e a realização pessoal.
 Cidade Terrena
A cidade terrena caracteriza-se por ser segundo Santo Agostinho reino do Satanás,
caracterizada essencialmente por colocar as pessoas a viverem num clima permanente
de conflitos de injustiça e de guerra.
Estas duas cidades estão em conflito permanente, com o objetivo de terem o mundo
controlado, em sua obra Santo Agostinho apresenta Cidade de Deus como um objetivo a

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alcançar, particularmente pelos estados cristãos, não obstante o seu pessimismo em
relação a natureza humana e a capacidade de os homens actuarem de forma a se poderem
regenerar.

2.2 A AUTORIDADE POLITICA CONSIDERADA COMO UMA DADIVA DE DEUS AOS


HOMENS
Para que a paz, a justiça, a ordem e a segurança sejam um garante da sociedade e que de
forma consistente seja mantida Santo Agostinho e da opinião de que a existência de uma
autoridade politica e de Estado seja necessária e vai nestes termos conceber a autoridade
politica como uma dadiva de Deus aos seres humanos.

E desta característica do poder político defendida por Santo Agostinho vão resultar duas
(2) consequências importantes: a primeira é que é importante e absoluto o dever da
obediência dos governados em relação aos governantes. E a segunda é que não compete
aos homens distinguir entre governantes bons e maus ou entre formas de governo justas
ou injustas.

A paz é o bem supremo da Cidade e integra-se numa aspiração universal. Isso não impede
no entanto que em certas circunstâncias, como a reparação de uma injustiça ou o castigo
de uma injúria, seja justificado o recurso a guerra, nessas circunstâncias qualificada como
guerra justa.

2.3 RELAÇOES ENTRE O ESTADO E A IGREJA


As relações entre os poderes eclesiástico e civil são concebidas em termos de separação
e independência sendo considerada inconveniente e perigosa qualquer ingerência de um
em relação ao outro.
Não se encontra neste termo no pensamento de Santo Agostinho a defesa da supremacia
papal, não obstante esta teoria ter sido designada ao longo dos seculos como
agostinianismo politico.
Portanto segundo Freitas de Amaral o pensamento de Santo Agostinho é importante na
historia das ideias politicas, na medida em que Santo Agostinho e é o primeiro pensador
politico da igreja católica e faz a primeira síntese do pensamento clássico, especialmente
de Platão com a doutrina ensinada por cristo.
Santo Agostinho deixou conceitos que mantêm plena validade no quadro de uma visão
cristã da vida e do mundo, a par de outras noções que ainda hoje serão sem dúvidas
subscritas por muitos dos que não professam a fé cristã. Refiram-se entre os primeiros,
as definições em cascata acerca da paz individual e coletiva e o correspondente conceito
de ordem e, entre segundas, as referências a necessidade de o poder prosseguir a justiça
o valor fundamental da paz, a distinção entre a paz injusta e justa, as funções
características da autoridade.
Santo Agostinho marcou ainda profundamente a doutrina da Igreja católica e dos
principais países cristãos, durante seculos com o seu pessimismo, com o seu

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conservadorismo, com o seu autoritarismo, tendo em consideração a contemporização,
apesar do cristianismo com a escravatura; a concepção demasiada pessimista do Homem
e do mundo; a visão unicamente repressiva do Estado sem desenvolver a componente do
officium providendi; em consequência, a feição marcadamente conservadora imprimida a
uma ordem social estática e não evolutiva; a recusa da noção de progresso histórico como
se a humanidade fosse totalmente de progredir de se aperfeiçoar, de melhorar as suas
instituições e as condições de vida dos povos

3. PENSAMENTO POLICO DE SÃO TOMAS DE AQUINO

São tomas de Aquino teve durante o período medieval algumas obras relevantes
nomeadamente: comentário a politica de Aristóteles, a Summa Theologica a Summa
contra Gentilis e o de regimene principum.

São tomas de Aquino é uma figura de grande importância na igreja católica tendo sido
canonizado em 1323 e proclamado doutor da Igreja em 1567.
A sua obra procura fazer uma síntese entre o cristianismo e o pensamento de Aristóteles
que tinha sido redescoberto pelo ocidente nessa época, apos terem sido traduzidos as
versões árabes através das quais se tinham conservado
É um autor jusnaturalista, dado que defende a existência de uma ordem única na natureza
criada pela providência divina e que se encontram escritas em todos os seres e, em
espécies, no homem e na sua razão.

Os aspectos essenciais do pensamento político de são Tomas de Aquino podem ser


sintetizados em 7 questões fundamentais:

a) A existência de leis gerais do universo criadas por Deus;


b) A necessidade da comunidade politica para a realização do homem;
c) A previsão do “ bem comum” como fim do Estado;
d) A doutrina da origem popular do poder;
e) A tirania como o pior regime politica e a previsão de remédios contra a tirania;
f) Os deveres do príncipe cristão

3.1 A EXISTÊNCIA DE LEIS GERAIS DO UNIBERSO CRIADAS POR DEUS


São Tomas de Aquino defende que Deus criou o mundo e o homem e o governa ao ter
estabelecido as leis gerais do universo
Nestes termos, para este autor, existem quatro espécies de leis nomeadamente:
 Lei eterna – lei estabelecida por Deus que destina-se a todos os seres por ele criado,
considerada lei do Universo
 Lei divina – deus para orientar a lei humana criou normas constituídas por questões
essências nomeadamente os 10 mandamentos, o Antigo e o Velho Testamento;

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 Lei natural – participação dos seres criados na razão estabelecida pela lei eterna,
concretizando a inclinação natural do homem a ordenar a sua conduta de acordo com
a lei eterna e que se traduz num preceito fundamental que é “fazer o bem e evitar o
mal”.
 Lei humana – tendo em conta que compete ao homem a partir da razão extrair dela
todas as suas consequências, corolários e desenvolvimentos ou seja todas as normas
de aplicação daquele princípio fundamental a lei humana vai enquadra-se na
particularização da lei natural de circunstâncias concretas.

3.2 A NECESSIDADE DA COMUNIDADE POLITICA PARA A REALIZACAO DO HOMEM


No seguimento do pensamento de Aristóteles São Tomas de Aquino entende que o
homem e um “animal politico”. Decorre a ideia de que a Sociedade politica tem uma
origem natural, tendo em conta que é a natureza social do homem que racionalmente
exige a criação de uma autoridade para exercer a governação.
São tomas de Aquino com o objectivo de permitir satisfazer as necessidades básicas
daqueles que compões as comunidades humanas defende que estas por sua vez devem
ter uma dimensão considerável, e nesse contexto discorda com o modelo da cidade-
Estado Grega e considera o Estado como um modelo da sociedade perfeita
O estado não sobrepõe o homem pelo simples facto deste sentir a necessidade de estar
integrado nele, pelo contrario é que tendo se criado a imagem e a semelhança de Deus o
homem é um ser cuja dignidade determina o reconhecimento de um conjunto de Direitos.
E é este pensamento que vai nortear uma consequência política muito importante: que o
homem não é uma simples peça de mecanismo Estadual, tem autonomia, goza de
independência é um ser com fins próprios tem um programa próprio de accao” diretamente
em ligação com Deus e por essa razão não pode ser esmagado nem absorvido pelo Estado.

3.3 A PREVISAO DO “BEM COMUM” COMO FIM DO ESTADO


Para São Tomas De Aquino o fim do Estado vai estar em conformidade com o bem
comum, por se tratar de um conceito adequado a dignidade essencial a pessoa humana,
visto que comporta simultaneamente um sentido coletivo e uma dimensão individual.
E dessa visão individual do bem comum vai resultar em concordância, que cada um dos
homens que integram a sociedade devam ter acesso a um mínimo de bens que possam
assegurar a subsistência.

3.4 A DOUTRINA DA ORIGEM POPULAR DO PODER


São tomas de Aquino é da opinião de que o poder tem uma origem divina, e ainda
acrescenta que com base no pensamento tradicional de que a titularidade do poder é do
povo e que só através deste que pode-se transmitir aos governantes, norteando a ideia
segundo esse pensamento de que sendo o povo titular do poder politico, tanto pode ser

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exercício pelo povo de uma forma colectiva ou pelos governantes que tenham sido
escolhidos por eles.
Esta doutrina é designada doutrina da origem popular do poder que sintetiza a seguinte
formula: todo o poder vem de Deus através do Povo. Contrariando a doutrina do direito
divino dos reis que defendia que o poder dos Reis tinha origem diretamente em Deus sem
intervenção do povo.

3.5 A TIRANIA COMO O PIOR REGIME POLITICO E A PREVISAO DE REMEDIOS CONTRA


A TIRANIA
São tomas de Aquino concorda com a classificação dada por Aristóteles no que concerne
a matéria relacionada com os regimes políticos. Quanto a um regime ideal ele defende
que em teoria o melhor regime é a monarquia com certos elementos aristocráticos e de
Republica, mas que prefere uma monarquia mista se for a olhar numa perspetiva real e
concreta.
Com vista a impossibilitar com que o monarca se torne num tirano, visto que a sua tese
determina a tirania como o pior regime político é da opinião de que deve-se utilizar todos
os meios preventivos possíveis.
Defende que se por acaso a tirania for instalada seria contra o tiranicídio, sustentando
para essa sua teoria a ideia de que ser a tirania for excessiva deve ser tolerada, prevendo
deste modo 4 remédios ou soluções contra uma tirania intolerável nomeadamente:

 A possibilidade da deposição do rei, se este tiver sido objecto de escolha;


 O pedido de substituição do Rei, se o direito de escolha pertencer a uma autoridade
superior;
 O recurso directo a Deus – quando não houver esperança humana de ajuda contra a
tirania, dado que este pode transformar o coração cruel de um tirano;
 O direito da deposição do rei que tiver sido declarado pela Igreja como herético,
cismático ou excomungado.

3.6 OS DEVERES DO PRINCIPE CRISTÃO


Na obra de regimene Principum são Tomas de Aquino destaca os deveres de um Príncipe
cristão no exercício das suas tarefas, relatando obrigações de caracter espiritual e de
caracter material no exercício do governo nomeadamente.
Obrigações de caracter material
 Garantir a Paz e a unidade do Pais;
 Prevenir os crimes, reprimir a violência e fazer justiça
 Defender o Reino contra os seus inimigos;
 Prover os lugares públicos;
 Proporcionar aos necessitados meios de subsistência ou suficiência de bens
corporais.

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E no exercício do poder o Príncipe subordina-se a suas próprias leis ou seja deve
obediência a leis criadas por ele no que tange a sua força directiva, diferente da coação
na medida em que a utilização da forca é um das prerrogativas do Monarca.

3.7 AS RELAÇÓES ENTRE O ESTADO E A IGREJA


No que toca a relação entre o Estado e a Igreja, São Tomas de Aquino faz um abordagem
prudente, tendo em conta o período, na sua análise doutrinalmente o predomínio do
poder era espiritual, defendendo que tanto o poder espiritual como o poder temporal
tinham como origem a divindade, onde segundo esse pensamento vai resultar a ideia de
que a primazia do primeiro só seria justificável nos assuntos relacionados com a Salvação
da alma.

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4. CONCLUSÃO

A filosofia política de Santo Agostinho é uma filosofia de tempos difíceis. Santo Agostinho
apenas ocasionalmente utilizou a expressão “filosofia cristã”; mas certamente não
suspeitava de nenhuma contradição nos termos (como foi feito no período
neoescolástico, talvez ela devesse parecer-lhe tautológica. Muitas de suas obras
constituem sínteses de filosofia, teologia, estudo das relações entre o Estado e a liberdade
de consciência. Admite-se até que Santo Agostinho contribuiu para a existência da
pedagogia da essência.
Santo Agostinho busca o amor como fundamento da ordem social, para que se torne o
Estado de Deus. O homem que tem amor a Deus, há de tê-lo também aos seus
semelhantes. A ordem social não é senão um prolongamento da ordem moral
fundamental, isto é, da reta ordem do amor. A vida feliz é inseparável do social: a vida
moral e a felicidade pressupõem uma vida em comunidade. Toda sociedade, boa ou má,
visa a paz.
A nosso ver, os escritos políticos de Tomás de Aquino são fundamentais por
manifestarem uma leitura conciliatória entre os textos antigos e os cristãos, tão
necessária ao século XIII. Ao estabelecer uma continuidade entre a teologia e a filosofia,
entre o saber divino e o saber humano, entre o “viver” para a alcançar a vida eterna e o
“viver” para o bem comum, esse mestre pôde estabelecer a necessidade das ações
humanas. Ao mesmo tempo, definiu, de maneira clara, os limites da lei divina e da lei
humana, apontando a importância da pessoa e do agir ético.
Entendemos que o autor colabora para a gênese do pensamento político moderno, não
porque sua ética aponte para a existência do indivíduo ou sua política para um estado
autônomo. Muito pelo contrário. A ética que encontramos em Tomás de Aquino pauta-se
na liberdade moral e a política no bem comum, numa participação consciente, que
também corresponde a uma postura teológica.

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5. BIBLIOGRAFIA

LAUAND, J. Tomás de Aquino: vida e pensamento – Estudo introdutório geral. In:


TOMÁS DE AQUINO. Verdade e conhecimento. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p.1-80.

BASTOS, Fernando Loureiro,Ciência politica – guia de estudo – faculdade de Direito, ed


Universidade Eduardo Mondlane, 1999.

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