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CAPÍTULO 6

COMBUSTÍVEIS E
COMBUSTÃO

1. INTRODUÇÃO
2. COMBUSTÍVEIS
3. COMPOSIÇÃO DOS COMBUSTÍVEIS
4 COMBUSTÃO
5 AR TEÓRICO NECESSÁRIO À COMBUSTÃO
6 COEFICIENTE DE EXCESSO DE AR
7 INFLUÊNCIA DO COEFICIENTE DE EXCESSO DE
AR NOS PRODUTOS DA COMBUSTÃO
8 PROPRIEDADES GERAIS DOS COMBUSTÍVEIS
9 PODER CALORÍFICO DOS COMBUSTÍVEIS
10 LEITURA COMPLEMENTAR
11 BIBLIOGRAFIA

Embora o processo de combustão seja bastante complexo, através da utilização de


algumas considerações, o aluno aprende aqui a avaliar alguns parâmetros de combustão
importantes na seleção de equipamentos como geradores de vapor. A partir da informação dos
tipos de combustíveis, de sua composição e poder calorífico, pode-se levantar a quantidade de
ar necessária ao processo de combustão, assim como a de emissão de poluentes. Essas
informações podem servir de base para a seleção de ventiladores, bombas de combustíveis e
até em questões de logística, como a determinação de espaço para armazenamento de
combustíveis numa empresa.

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ÍNDICE

1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 4

2. COMBUSTÍVEIS .......................................................................................................... 4

2.1 Definição ................................................................................................................. 4

2.2 Escolha do Combustível .......................................................................................... 4

2.3 Classificação ........................................................................................................... 5

2.3.1 Classificação dos combustíveis quanto à origem ................................................. 5

2.3.2 Classificação dos Combustíveis quanto ao estado de agregação........................ 6

3. COMPOSIÇÃO DOS COMBUSTÍVEIS ........................................................................ 7

3.1 Combustíveis Sólidos e Líquidos............................................................................. 7

3.2 Combustíveis Gasosos ............................................................................................ 8

4 COMBUSTÃO .............................................................................................................. 9

5 AR TEÓRICO NECESSÁRIO À COMBUSTÃO ..........................................................10

5.1 Quantidade de ar e de Combustível em uma Reação de Combustão....................11

5.2 Quantidade de ar teórica ........................................................................................12

6 COEFICIENTE DE EXCESSO DE AR ........................................................................15

6.1 Definição do Coeficiente de Excesso de Ar ............................................................15

7 INFLUÊNCIA DO COEFICIENTE DE EXCESSO DE AR NOS PRODUTOS DA


COMBUSTÃO .............................................................................................................19

8 PROPRIEDADES GERAIS DOS COMBUSTÍVEIS ....................................................20

9 PODER CALORÍFICO DOS COMBUSTÍVEIS ............................................................21

9.1 Definição de Poder Calorífico .................................................................................21

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9.2 Poder Calorífico Superior (pcs) ..............................................................................21

9.3 Poder Calorífico Inferior (pci) ..................................................................................21

10 LEITURA COMPLEMENTAR ......................................................................................23

10.1 Controle da Combustão ......................................................................................23

10.2 Percentual de CO2 nos Gases da Chaminé ........................................................23

10.3 Tiragem ...............................................................................................................23

10.4 Temperatura dos Gases......................................................................................24

10.5 Quantidade de Fuligem .......................................................................................24

11 BIBLIOGRAFIA .........................................................................................................26

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1. INTRODUÇÃO

O conhecimento dos combustíveis mais utilizados na geração de energia e a


compreensão dos processos de combustão são de grande valia na administração dos
insumos energéticos, que tem por fim a minimização dos custos de processamento das
matérias-primas. Somado a isso, cabe colocar aqui a preocupação constante com a redução
das reservas naturais e com os impactos ambientais decorrentes da sua aplicação.

2. COMBUSTÍVEIS

2.1 Definição

Combustível é toda substância, natural ou artificial, que se apresente na forma sólida,


líquida ou gasosa, capaz de reagir com o gás oxigênio do ar (O2), liberando calor.

São exemplos de combustível:

 Óleo combustível;
 Lenha;
 Carvão (mineral ou vegetal);
 Bagaço de cana;
 Casca e cavacos de madeira;
 Óleo de Xisto;
 Álcool;
 Gás combustível;
 Biodiesel;
 Querosene de aviação.

2.2 Escolha do Combustível

Os principais fatores que devem ser levados em conta na escolha de um combustível


estão relacionados ao custo (produção, extração, transporte, estocagem e manuseio), à
disponibilidade e às restrições impostas pela legislação ambiental, relacionadas ao controle
de efluentes líquido/sólidos e gasosos.

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2.3 Classificação

Os combustíveis podem ser classificados quanto à origem e ao seu estado de agregação.

2.3.1 Classificação dos combustíveis quanto à origem

Quanto à origem os combustíveis podem ser classificados em: fósseis, renováveis e


nucleares, como ilustrado na Tabela 1, acompanhado de alguns exemplos.

As indústrias de cimento são grandes consumidoras de energia. Normalmente são usados


combustíveis residuais para alimentar os fornos das cimenteiras. Esses fornos têm até 100
m de comprimento, são de forma cilíndrica e fundamentais para a produção da pasta (o
clinquer), que dará origem ao cimento. Nesses fornos são admitidos pneus velhos (de
caminhões fora de estrada), por exemplo. Deve-se garantir, entretanto, que a qualidade do
cimento seja aquela especificada pelo mercado e para isso a quantidade desses
combustíveis residuais é limitada (por volta de 20%).

Tabela 1 - Classificação dos combustíveis quanto à origem.

Origem Natural Derivados

Petróleo, Carvão
GLP, óleo diesel, óleo
Fóssil mineral, gás natural,
combustível, coque, GNL.
xisto, turfa

Resíduos
agroindustriais, lenha, Carvão vegetal, metanol,
Renovável resíduos animais, etanol, serragem, cavacos,
e Residual resíduos urbanos (lixo), resíduos florestais, biogás,
etanol (álcool), óleos biodiesel.
vegetais.

Nuclear Urânio U-235, U-238.

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Os combustíveis fósseis são assim denominados pelo fato de serem restos de plantas
e animais mortos há muito tempo, submetidos à ação de agentes bioquímicos, a altas
pressões, altas temperaturas e imersão. Os combustíveis renováveis são aqueles que
podem ser produzidos por novas safras, como a biomassa, lenha, óleos vegetais. Os
combustíveis residuais, por sua vez, são chamados assim pelo fato de poderem ser
reaproveitados (cascas de arroz, podas de árvores, resíduos agroindustriais, lixo urbano pré-
separado, etc.).

Dentre os combustíveis nucleares, os Físseis são aqueles suscetíveis de sofrer uma


fissão nuclear por absorção de um nêutron térmico. Os combustíveis físseis, comumente
empregados nas centrais nucleares, são: o Urânio, o Plutônio e o Tório. Já os Férteis são
aqueles suscetíveis de se transformar, direta ou indiretamente, em um combustível físsil.
Assim, o urânio 238 é um combustível fértil, pois, por irradiação, pode ser transformado em
plutônio 239, que é físsil.

2.3.2 Classificação de Combustíveis quanto ao estado de agregação

Quanto ao estado de agregação, os combustíveis podem ser classificados em


combustíveis sólidos, líquidos e gasosos.

Tabela 2 - Estado de agregação dos combustíveis.

Estado físico Natural

Carvão mineral, carvão vegetal, xisto, turfa, lenha,


Sólido
resíduos agroindustriais, bagaço de cana, biomassa.

Gasolina, querosene, diesel, óleos combustíveis,


Líquido metanol (CH3OH), etanol (C2H5OH), óleos vegetais
(biodiesel).

Gasoso Gás natural, GLP, biogás.

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3. COMPOSIÇÃO DOS COMBUSTÍVEIS

3.1 Combustíveis Sólidos e Líquidos

Os combustíveis sólidos e líquidos são formados basicamente pela parte oxidável, ou


seja: C – carbono; H – hidrogênio e S – enxofre e por componentes não combustíveis, como
O – oxigênio; N – nitrogênio além de Z – cinzas (óxidos e sais) e W – água (na forma de
umidade).

Conforme podemos observar, nem todos os componentes agem como combustíveis


propriamente ditos. A seguir, faz-se necessário um breve comentário sobre cada um desses
componentes, para que possamos conhecer os principais efeitos causados devido as suas
presenças na composição do combustível.

Tanto o carbono, como o hidrogênio ou o enxofre são componentes que agem como
combustível, ou seja, reagem com o oxigênio, liberando calor. Entretanto, o enxofre contribui
negativamente para o meio ambiente, como poluente, formando ácidos:

etapa1 S  O2  SO2 etapa 2b SO2  H 2O  H 2 SO3

etapa 2a SO2  12 O2  SO3 etapa 3a SO3  H 2O  H 2 SO4

Com temperatura menor que 1600C os ácidos começam a se condensar e depositam-


se provocando corrosão nas tubulações onde escoam. Para precaver-se deste efeito seria
necessário que as menores temperaturas fossem da ordem de 2200C (temperaturas essas
que ocorrem principalmente na base das chaminés das caldeiras industriais). Outra opção
seria usar aço revestido nas partes dos dutos submetidos a temperaturas menores que
1600C. Essas alternativas, entretanto, acarretam em perda de rendimento e elevação do
custo, respectivamente.

Além da formação de ácidos, outro problema preocupante refere-se à própria


formação do SO2 (dióxido de enxofre), um gás poluente.

O oxigênio, responsável pela reação de combustão, e o nitrogênio, praticamente um


gás inerte, não são combustíveis. O nitrogênio ainda pode reagir com o oxigênio em
temperaturas muito mais elevadas do que as das combustões normais, e podem formar os
indesejáveis NOx (dióxidos de nitrogênio), poluentes do meio ambiente.

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As cinzas são formadas pelos precipitados da combustão e pelos componentes do


combustível que não reagiram com o oxigênio. São representadas, sobretudo, por óxidos e
sais: SiO2, Fe2O3, Al2O3, CaO, MgO, etc.

Os principais problemas com as cinzas são:

 O baixo ponto de fusão. Nestes casos, uma camada de cinza fundida se forma no
contorno dos grãos dos carvões impedindo a entrada do oxigênio (O2), acarretando
um baixo rendimento do combustível queimado. A solução seria projetar a fornalha
das caldeiras para queimar com temperaturas baixas afim de evitar a fusão das
cinzas;
 Aderência de cinzas nos tubos das caldeiras, o que dificulta a troca de calor, agindo
como camada isolante;
 Aderência de cinzas na grelha, impedindo ou dificultando a queima. A solução é
aumentar a frequência de limpeza da grelha das caldeiras.

A umidade (W) pode apresentar-se no combustível sob duas formas: a que se encontra
mecanicamente misturada, podendo ser facilmente evaporada, e a higroscópica, ou seja,
inserida nos poros dos combustíveis sólidos, mais difícil de ser retirada.

O principal inconveniente da presença de umidade no combustível reside no fato da água


utilizar parte do calor produzido na combustão para a sua evaporação.

3.2 Combustíveis Gasosos

Os combustíveis gasosos são constituídos, principalmente, por elementos combustíveis,


como CO – monóxido de carbono, H2 – hidrogênio, CH4 – metano, C2H4 - etano e outros
elementos como: CO2 – dióxido de carbono; SO2 – dióxido de enxofre; O2 – oxigênio e N2 –
nitrogênio.

Oficina teórica:

a)Qual o nome dado à substância capaz de reagir com o oxigênio do ar produzindo


calor?

Combustível

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_________________________________________________________________________

b)Os combustíveis podem se apresentar na forma sólida, líquida ou gasosa. Cite um


exemplo de cada.

Lenha querosene GLP

________________________ _____________________ _______________________

c)São elementos combustíveis:

1) (F) carbono, hidrogênio, oxigênio; o oxigênio não é.

2) (F) cinzas, oxigênio, carbono; o oxigênio não é.

3) (V) carbono, hidrogênio, monóxido de carbono; todos são.

4) (F) óxido de cálcio, carbono, hidrogênio; O óxido de cálcio não é.

4 COMBUSTÃO

Combustão ou queima de um combustível é uma reação química acompanhada de


liberação de calor. Toda reação de combustão pode ocorrer de duas maneiras: completa ou
incompleta. A combustão será dita completa quando toda a massa dos elementos
combustíveis reage completamente com o oxigênio. Exemplo:

C  O2  CO2  calor

H 2  12 O2  H 2O  calor

S  O2  SO2  calor

A combustão será dita incompleta quando a massa dos elementos combustíveis


recebe ar (O2) insuficiente para a combustão completa do combustível. Exemplo:

C  12 O2  CO  calor

Lembrando que o monóxido de carbono ainda é um elemento combustível (o CO


poderia reagir com o oxigênio e liberar mais calor, transformando-se em CO2), há uma perda
de calor devido à reação de combustão incompleta.

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5 AR TEÓRICO NECESSÁRIO À COMBUSTÃO

No presente item estaremos interessados em calcular a quantidade teórica de ar por


quilograma de combustível (em massa ou volume) que é necessária para que tenhamos
uma combustão completa. Essa quantidade teórica de ar também é denominada de: ar
teórico, ar estequiométrico ou ar mínimo.

As quantidades necessárias de ar variam em função do combustível para garantir


combustão completa. Como se sabe, o ar seco padrão é composto pelos componentes
mostrados na Tabela 3.

Tabela 3 - Composição do ar atmosférico.

Massa molecular,
Elemento % em volume
kg/kmol

N2 28,016 78,09

O2 32,000 20,95

Argônio 39,944 0,93

CO 44,010 0,03

Ne, He, Kr, H2, Xe, Oz <0,003

Aproximando a composição do ar para 79% de N2 contra 21% de O2, colocam-se


assim, as relações pertinentes em termos volumétricos:

Nitrogenio  3,76 e Ar  4,76


Oxigenio Oxigenio

De fato, a composição do ar atmosférico seco, sem umidade, apresenta 78,08% de N2,


20,95% de O2, 0,93% de Argônio, 0,03% de CO2 e 0,01% de Neônio, Helio, Metano e outros.

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Essas percentagens são em fração molar, que equivalem a fração volumétrica. Mas para
muitos fins é comum a consideração de que o ar tem 79% de nitrogênio e 21% de oxigênio.

Além disso, a massa molecular do ar pode ser obtida pela expressão:

M   yi M i (01)
i

Para o ar,

Mar = 0,79 MN2 + 0,21 MO2 = 0,79*28,016 + 0,21*32,00 = 28,85 kg/kmol de ar

Para a maioria dos casos de interesse, o ar pode ser considerado um gás que
obedece a hipótese de comportamento ideal, podendo-se utilizar então a seguinte forma:

m m
pV  nRT  pv  RT  pM ar  RT
M ar V

Da relação dos gases ideais acima, a massa específica, , pode ser obtida pela seguinte
expressão (onde R é a constante universal dos gases):

m pM ar
  (02)
V RT

À pressão de 1 atm e à temperatura de = 273,15 K, o ar tem uma massa específica


de: 0 = 1,293 kg/ m-3 .

R , a constante universal dos gases, no sistema internacional de unidades, recebe o valor


de 8,314 kJ/kmol.K. No sistema inglês de unidades, R pode ser expresso como 1545
ft.lbf/lbmoloR ou 1,986 Btu/lbmol.oR.

5.1 Quantidades de ar e de Combustível em uma Reação de Combustão

Relação ar-combustível.

1. Em base mássica

m ar
AC  (03)
mc

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2. Em base molar

nar
AC  . (04)
nc

Mas como

m AR nar M ar
AC   . (05)
mC n c M Combust

Logo

M ar
AC  . AC (06)
M Combust

Mar = 28,97 kg/kmol representa o peso molecular do ar.

5.2 Quantidade de ar teórica

É a quantidade de ar que fornece o oxigênio mínimo para a combustão completa do


carbono, do hidrogênio e do enxofre presentes no combustível. São produtos da combustão:
CO2, H2O, SO2, N2 provindo do ar e do combustível, além de O2 que possa ter sido
adicionado em excesso.

C  O2  CO2
2 H 2  O2  2 H 2O
S  O2  SO2

Como já vimos,

12kgC  32kgO2  44kgCO2


4kgH  32kgO2  36kgH 2O
32kgS  32kgO2  64kgSO2

ou

1kgC  2, 67kgO2
1kgH  8kgO2
1kgS  1kgO2

A reação de combustão estequiométrica do metano é expressa por:

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CH 4  2O2  3,76 N 2   CO2  2H 2 O  7,52 N 2

A quantidade de oxigênio necessária à combustão pode ser determinada por:

Ct Ht St
m  2, 67
o
O2 8 1 [kg/kg]. (07)
100 100 100

E se o combustível já contiver alguma quantidade de oxigênio próprio,

Ct Ht St Ot
moo2  2,67 8 1  . (08)
100 100 100 100

Sabendo-se a quantidade de oxigênio no ar, pode-se calcular a quantidade


volumétrica de ar necessária à combustão de combustíveis sólidos e líquidos por:

1  Ct Ht St Ot 
Varo   2, 67  8  1   [m3/kg]. (09)
O2 0, 21  100 100 100 100 

Para a condição padrão (P = 1 bar, T = 0oC, O2 =1,428 kg/m3) temos então:

Varo  0,0889  C t  0,375S t   0, 265H t  0,033Ot , [m3/kg] (010)

Para outras temperaturas, vale a expressão:

 273  T (o C ) 
Var _ t 0  Vo
ar _ t  0   (011)
 273 

No caso de combustíveis gasosos, a quantidade de ar teórico necessário pode ser


avaliado entrando com a composição porcentual volumétrica do combustível, através da
seguinte expressão:

  n  
Varo  0, 0476 0,5CO  0,5H 2  1,5H 2 S    m   Cm H n   O2  , m3/ m3. (012)
  4  

Oficina teórica

a) Qual nome se dá à quantidade de ar mínima que deve ser fornecida para a


combustão completa de um combustível?
Quantidade de ar estequiométrica ou teórica.

______________________________________

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b) Qual a proporção aproximada entre as quantidades volumétricas de nitrogênio


e oxigênio presentes na atmosfera?
3,76 m3 de N2 para 1 m3 de O2

_________________ _________________________

Aplicação:

Calcular o volume de ar teórico à 40oC para queimar gás natural com a seguinte
composição molar ou volumétrica:

CH4=91,8%; C2H6=5,58%; C3H8=0,97%; C4H10=0,05%; C5H12=0,1%; N2=1,42%;


CO2=0,08%.

De acordo com a equação (12),

  n  
Varo  0, 0476 0,5CO  0,5H 2  1,5H 2 S    m   Cm H n   O2 
  4  

Varo  0, 0476 0,5 x0  0,5 x0  1,5 x0   91,8 x2  5,58 x3,5  0,97 x5  0, 05 x6,5  0,1x8  0
Varo  10m3 / m3

 273  T (o C )   273  40 
E na temperatura de 40oC Var _ t 0  Varo _ t 0    10    11, 46m / m
3 3

 273   273 

Oficina teórica:

Determine a massa molecular média do combustível apresentado na aplicação acima.

Solução:

De acordo com a equação (01),

M   yi M i  0,918M CH 4  0, 0558M C2 H6  0, 0097 M C3 H8  0, 0005M C4 H10 


i

0, 001M C5 H12  0, 0142M N2  0, 0008M CO2

Levando-se em conta os valores das massas moleculares de cada componente,


chega-se ao valor de 17,32 kg/kmol.

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M   yi M i  0,918 x16  0, 0558 x30  0, 0097 x 44  0, 0005 x58 


i

0, 001x72  0, 0142 x 28  0, 0008 x 44  17,32kg / kmol

6 COEFICIENTE DE EXCESSO DE AR (X)

6.1 Definição do Coeficiente de Excesso de Ar

Na prática, para que se possa garantir que realmente teremos uma combustão completa
ou quase completa, deve-se introduzir mais ar do que a quantidade teórica mínima
necessária. Para isso, multiplica-se a quantidade de ar teórico (em massa ou volume) por
um coeficiente maior que 1, chamado “coeficiente de excesso de ar (x)”.

Em massa

L  x.L0 (013)

Onde L0 é a massa teórica de ar necessária à combustão, ou ar teórico (kg. ar/kg.comb.),

e L é a massa de ar que realmente é introduzida, ou ar real (kg. ar/kg.comb.);

Em volume

V  xV
. 0, (014)

onde V0 é o volume teórico de ar necessário à combustão, ou ar teórico (m3. ar/kg.comb.),

e V o volume teórico que realmente é introduzido, ou ar real (m3. ar/kg.comb.).

Os fatores que influenciam no valor do coeficiente de excesso de ar normalmente estão


relacionados com algumas características específicas de cada combustível, como sua
capacidade de agregação (sólido, líquido ou gasoso), o sistema de mistura (turbulência)
utilizado pelos equipamentos, a pressão de pulverização, dentre outros.

Para que a reação do combustível com o ar (oxigênio) aconteça do modo mais eficiente
possível, deve-se tentar transformar o combustível numa mistura de partículas muito
pequenas. Pois desse modo, a área de contato do combustível com o ar será a maior
possível e a reação acontecerá de modo mais eficiente. Assim, antes da reação, os

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combustíveis sólidos (carvão, por exemplo) são pulverizados (através de equipamentos


denominados moinhos) e combustíveis líquidos (gasolina, diesel, etc.) atomizados. Os
combustíveis gasosos são os mais eficientes na reação com o ar por já estarem na fase
gasosa.

A Tabela 4 apresenta alguns valores de excesso de ar adotados em projetos de


fornalhas de geradores de vapor.

Tabela 4 - Valores de excesso de ar em função do combustível e do tipo de


fornalha.

Excesso de Ar
Combustível Fornalha
(X)

Grelhas rotativas, ar forçado 1,15 - 1,50


Carvão britado
Grelhas planas, ar natural 1.50 - 1;65

Carvão moído Ciclone 1.10 - 1;15

Carvão pulverizado Integralmente irradiada 1,15 - 1,20

Queimador de óleo de baixa


1,30 - 1,40
pressão de ar
Queimador de pulverização
Óleo combustível 1,20 - 1,25
mecânica
Queimador de pulverização
1,05 - 1,15
mecânica com vapor auxiliar

Bagaço de cana Fornalha celular 1,25 - 1,30

Gás de refinaria Queimador com registro 1,05 - 1,10

Grelha plana, ar forçado 1,30 - 1,35

Lenha Grelha plana, ar natural 1,40 - 1,50

Grelha inclinada 1,40 - 1,50

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Vejamos como determinar a quantidade teórica de ar para a combustão completa de


metano (CH4). Neste caso, os produtos contêm apenas CO2, H2O, N2 e a reação pode ser
escrita por:

CH 4  aO2  3,76 N 2   bCO2  cH 2 O  dN 2

Os coeficientes estequiométricos a, b, c e d representam números de moles e são


obtidos do princípio da conservação de massa para os elementos:

C b=1

H 2c = 4

O 2 a = 2b + c

N (2 x 3,76) a = 2d

Resolvendo este sistema de 4 equações tem-se: a = 2; b = 1; c = 2; e d = 7,52. A


reação de combustão estequiométrica do metano fica, portanto,

CH 4  2O2  3,76 N 2   CO2  2H 2 O  7,52 N 2

A quantidade teórica de ar deve conter neste caso 2 moles de O2 acrescidos de 7,52


moles de N2 resultando em 9,52 moles de ar por mol de CH4 alimentado. Esta é a relação ar
combustível em base molar para a combustão estequiométrica. Em termos de relação ar
combustível em base mássica, teremos:

M ar 28,97 kg de ar
AC  AC .  9,52.  17,19
M CH 4 16,04 kg de CH 4

A quantidade de ar real admitida num queimador (aparelho que mistura o ar com o


combustível nas caldeiras industriais) pode ser maior ou menor do que a quantidade
estequiométrica de ar teórico. Expressando em termos de porcentagem de ar teórico, pode-
se escrever: 150% de ar teórico, equivalente a 1,5 vezes a quantidade teórica. Pode-se se
apresentar também em porcentagem em excesso ou deficiência percentual de ar: exemplo,
150% de ar teórico representa 50% de ar em excesso; 80% de ar teórico representa uma
deficiência de 20% de ar.

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Quando se fornece uma quantidade de ar excedente para a queima do metano com


150% de ar teórico, desde que todo o combustível oxide, tem-se então a seguinte reação:

CH 4  1,5  2  O2  3,76 N2   CO2  2H 2O  11, 28N2  O2

O excesso de ar fornecido aparece nos produtos como um mol de oxigênio para cada
mol de combustível sem reagir.

Aplicação:

Determine a relação ar/combustível nas bases molar e mássica, assim como a


quantidade de dióxido de carbono emitida a partir da combustão teórica do etanol e
da combustão com 50% de excesso de ar.

C2 H5OH  a  O2  3,76 N2   bCO2  cH 2O  dN2

Onde

C b=2

H 2c =6

O 2 a +1= 2b + c

N 3,76 a = d

Resolvendo este sistema de 4 equações tem-se: a = 3; b = 2; c = 3; e d = 11,28.


A reação de combustão estequiométrica do metano fica, portanto,

C2 H5OH  3  O2  3,76 N2   2CO2  3H 2O  11, 28N2

Neste caso a relação ar/combustível vale 14,28/1.

Para o caso da combustão com 50% de excesso de ar, a reação fica desta forma:

C2 H5OH  1,5x3  O2  3,76 N2   2CO2  3H 2O  1,5x11, 28N2  eO2

1  4,5 x2  4  3  2 xe
e  1,5

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Desta forma C2 H5OH  4,5  O2  3,76 N2   2CO2  3H 2O  16,92 N2  1,5O2

Neste caso a relação ar/combustível vale 21,42/1.

7 INFLUÊNCIA DO COEFICIENTE DE EXCESSO DE AR NOS PRODUTOS DA


COMBUSTÃO

A qualidade da reação de combustão depende diretamente do coeficiente de excesso


de ar adotado, o que possibilita que a maior parte do combustível seja oxidada produzindo
energia. Caso o excesso de ar seja menor ou maior que o ideal, o aproveitamento da energia
química do combustível será menor, podendo vir acompanhado de emissão de poluentes. A
Tabela 5 e a Tabela 6 mostram isso. Note que um excesso de ar alto tende a reduzir a
temperatura da chama, e, a partir de certo valor, pode também produzir queima incompleta.

Tabela 5 - Influência do excesso de ar nos gases de combustão.

Variáveis "x" baixo "x" normal "x" alto

Gases CO2 ,H2O, CO2 ,H2O, SO2 O2,


Resultantes SO2 O2, N2 N2 CO2 ,H2O, SO2
da CO (maior %) CO (pouco) O2, N2
Combustão C (maior %) C (muito pouco)

Tabela 6 - Influência do excesso de ar nos gases de combustão

Coeficiente de Excesso de Ar (x)

Variáveis "x" baixo "x" normal "x" alto

% O2 nos gases Baixo (ex.: 2%) Normal (ex.: 6%) Alto (ex.: 7,5%)

Normal (ex.:
% CO2 nos gases Alto (ex.: 14%) Baixo (ex.: 9%)
12%)

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Alto (ex.: 2,5 Baixo (ex.:


% CO nos gases Normal (ex.: 1%)
%) 0,3%)
Pouco
% de fuligem Teor maior Zero
(desprezível)
Levemente
Cor dos gases Escura Incolor
escura
Perda por
combustível não Alta Normal Baixa
queimado
Perda por calor nos
Menor Normal Maior
gases da chaminé

Oficina teórica:

a) Cite dois fatores que influenciam no valor do excesso de ar aplicado numa


reação de combustão.

Capacidade de agregação do combustível Tipo de queimador utilizado

_________________________________ ____________________________________

b)O valor do excesso de ar poder ser aumentado indefinidamente?

Não, porque isto poderia reduzir a temperatura da chama provocando o seu


apagamento.

_____________________________________________________________________

8 PROPRIEDADES GERAIS DOS COMBUSTÍVEIS

O conhecimento de algumas propriedades dos combustíveis é de suma importância na


avaliação dos seguintes aspectos: energia disponível, procedimentos de segurança,
estocagem, avaliação de potência de bombeamento, necessidade de aquecimento de linhas
de fornecimento, etc. e, dentre tais propriedades pode-se citar:

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 Poder calorífico;
 Composição química;
 Temperatura de inflamação;
 Peso específico;
 Viscosidade (líquido);
 Ponto de fluidez.

9 PODER CALORÍFICO DOS COMBUSTÍVEIS

O poder calorífico dos combustíveis é uma das mais importantes propriedades, visto que
ele está relacionado com a quantidade de energia química disponibilizada.

9.1 Definição de Poder Calorífico

Define-se por “poder calorífico” a quantidade de calor liberada por unidade de massa ou
volume do combustível quando o mesmo é submetido a uma combustão completa. Pode ser
avaliado em kJ / kg (combustível sólido ou líquido) ou em kJ / m3 (combustível gasoso).

9.2 Poder Calorífico Superior (pcs)

É a energia liberada na queima de 1kg de combustível, supondo-se que os gases


resultantes da combustão retornam à temperatura original do combustível. Isto significa que
a energia consumida para a evaporação da água foi devolvida através da condensação da
mesma. A água pode estar misturada no combustível a ser queimado ou pode ser formada
após a reação de oxidação do hidrogênio.

9.3 Poder Calorífico Inferior (pci)

É a energia liberada na queima de 1kg de combustível, considerando-se que o vapor de


água é um dos produtos da combustão, ou seja, a energia consumida para a vaporização
da água não é devolvida.

pci = pcs – calor utilizado na vaporização da água (1.8)

Como os gases combustíveis nos equipamentos industriais transitam com


temperaturas maiores que a de ebulição da água, e, portanto, a água nele contida encontra-
se superaquecida, a energia de vaporização não é aproveitada.

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A Tabela 7 mostra os valores dos poderes caloríficos inferior e superior de alguns


elementos.

Tabela 7 - Poder calorífico dos principais componentes de combustíveis sólidos,


líquidos e gasosos.

Massa molar pcs pci


Substância Fórmula
[kg/kmol] [MJ/kg] [MJ/m3] [MJ/kg] [MJ/m3]

Carbono C 12,01 33,913 33,913

Hidrogênio H2 2,016 142,184 12,112 120,17 10,249

Enxofre S 32,06 9,269 9,269

Monóxido
CO 28,01 10,128 11,999 10,128 11,999
de Carbono

Metano CH4 16,041 55,596 37,744 50,095 34,022

Etano C2H6 30,067 51,958 66,775 60,311 47,562

Propano C3H8 44,092 50,423 96,509 46,427 88,454

Massa molar pcs pci


Substância Fórmula
[kg/kmol]
[MJ/kg] [MJ/m3] [MJ/kg] [MJ/m3]

Propileno C3H6 42,077 48,981 87,044 45,837 81,454

Octano C8H18 114,229 47,900 44,430

Etanol (l) C2H5OH 46,06 29,670 26,800

Etanol (g) C2H5OH 46,06 30,590 27,720

Acetileno C2H2 32,06 50,049 55,856 48,362 53,955

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10 LEITURA COMPLEMENTAR

Todo técnico de operação e manutenção de equipamentos de processos industriais deve


saber identificar alguns parâmetros de funcionamento que permitam avaliar se a instalação
está funcionando com o rendimento esperado. Pensando nisso, são apresentados nos itens
a seguir alguns desses parâmetros.

10.1 Controle da Combustão

É de extrema importância o controle da combustão nos geradores de vapor,


principalmente nos dias atuais em que os custos com energia são extremamente altos. O
controle da combustão evita perdas desnecessárias de calor e, por consequência, leva à
economia de combustível, aumentando a eficiência da queima.

Existem aparelhos que medem os seguintes parâmetros de controle:

10.2 Percentual de CO2 nos Gases da Chaminé

A quantidade de dióxido de carbono nos gases de combustão se constitui num indicativo


da qualidade do aproveitamento do combustível. O aparelho mais empregado na medição
do percentual de CO2 nos gases na chaminé é o de ORSAT. Um baixo teor de CO2 pode
indicar, por exemplo:

 Distribuição imperfeita do combustível na fornalha;


 Excesso de ar inadequado;
 Entrada (infiltração) de ar na fornalha.

10.3 Tiragem

A medida de passagem dos gases de combustão pela caldeira chama-se “tiragem”. O ar


é aspirado para o sistema de geração de vapor e em seguida os gases provenientes da
queima do combustível na câmara passam por vários equipamentos, auxiliando no
aquecimento, até serem direcionados para a chaminé, onde são expelidos para a atmosfera.
Dois aspectos devem ser verificados em relação à tiragem:

 Tiragem excessiva leva ao aumento da temperatura dos gases na chaminé e reduz o


teor de CO2;

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 A tiragem deve produzir pressão negativa (deve ter uma pressão menor do que a
pressão atmosférica para forçar a entrada do ar para a combustão) no interior da
câmara de combustão.

10.4 Temperatura dos Gases

Temperatura elevada dos gases na chaminé indica baixo aproveitamento do calor na


caldeira, mas pode estar relacionada ainda com:

 Queimador superdimensionado, ou seja, a fonte de energia é maior que a quantidade


de energia demandada;
 Tiragem excessiva;
 Superfície de troca de calor suja (com incrustações de diversos compostos que se
depositam durante o longo tempo de funcionamento do sistema) ou sub-
dimensionada.

Normalmente a temperatura máxima dos gases na chaminé deve estar em torno de


220oC.

10.5 Quantidade de Fuligem

A qualidade da queima pode ser estimada pela quantidade de fuligem (C) nos gases da
chaminé. Alto teor de fuligem pode ser devido a:

 Nebulização imperfeita do combustível na câmara de combustão;


 Mistura rica em combustível (excesso de combustível: coeficiente de excesso de ar
“x” pequeno);
 Tiragem insuficiente;
 Defeitos na fornalha.

Uma das principais consequências da fuligem nos gases da chaminé é a poluição


ambiental, que deve ser evitada de todas as maneiras, seja melhorando a combustão na
câmara, seja por meio de filtros ou precipitadores colocados no topo da chaminé, que
reduzem substancialmente o percentual de partículas presentes nos gases.

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O processo denominado tiragem pode ser natural, quando os gases de combustão saem
pela chaminé e o ar para a combustão entra no sistema sem a necessidade de sopradores
ou aspiradores (é uma situação menos frequente na indústria). Quando esses equipamentos
estão presentes na instalação, estamos falando de tiragem forçada.

Oficina teórica

a) Qual a propriedade dos combustíveis que define a quantidade de calor que é


liberada por unidade de massa ou volume do combustível quando o mesmo é
submetido a uma combustão completa?
Poder calorífico

__________________________________________

b) A diferença entre o PCS e o PCI de um combustível refere-se a;


1) energia decorrente de problemas de pulverização de combustíveis líquidos;
2) energia de vaporização da umidade que o combustível contém antes de
queimar;
3) energia de vaporização da umidade contida nos gases de
combustão;(resposta)
4) energia da quantidade de carbono que não oxidou durante o processo de
combustão.

c) De acordo com a Tabela 7, qual a potência em MW e a energia produzida em


kW/h a partir da queima de 10 m3 de metano durante 30 minutos
Solução: a energia produzida é calculada por
E  V . pci  10m3.34,022MJ / m3  340, 22MJ
A potência seria
340, 00MJ
E  0,19MW
30.60s
E a energia em kW/h seria

E  0,19MW .2  380kWh

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11 BIBLIOGRAFIA

1. EL-WAKIL, M. M., Powerplant Technology. McGraw-Hill International Editions, 1984.


2. GARCIA, R., Combustíveis e Combustão Industrial. Editora Interciência, 2002.
3. VLASSOV, D., Combustíveis, Combustão e Câmaras de Combustão. Editora da
UFPR, 2001.
4. LORA, E.E., Geração Termelétrica, Planej. Prof. e Construção, Ed. Interciência, vol.
1, 2004.

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