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Aula 00

Legislação Especial p/ PRF - Policial - 2016


Professor: Paulo Guimarães
Legislação Especial para PRF
Teoria e exercícios comentados
Prof. Paulo Guimarães – Aula 00
AULA 00: Apresentação; Cronograma; Lei contra
o Preconceito (Lei n° 7.716/1989).

SUMÁRIO PÁGINA
1. Apresentação 1
2. Cronograma 3
3. Lei contra o Preconceito (Lei nº 7.716/1989) 5
4. Resumo do Concurseiro 16
5. Questões comentadas 19
6. Questões sem comentários 32

1. APRESENTAÇÃO

Olá, amigo concurseiro! O edital para o concurso da Polícia


Rodoviária Federal está no forno! A PRF já solicitou ao Ministério do
Planejamento autorização para lançar concurso com 1.500 vagas. Não dá
para esperar o edital para começar a estudar, não é mesmo!? 
Meu nome é Paulo Guimarães, e estarei junto com você na
sua jornada rumo à aprovação. Vamos estudar em detalhes o conteúdo
da Legislação Especial, de acordo com o edital do concurso anterior.
Teremos questões comentadas e trataremos desses temas de forma
exaustiva.
A banca organizadora do nosso concurso ainda não foi
escolhida, mas o último certame foi conduzido pelo Centro de Seleção e
de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília. Darei ênfase no
Cespe/UnB quando procurar questões de concursos anteriores para
resolver, mas por não ter tantas questões assim disponíveis, poderei
também utilizar questões de outras bancas, e em alguns momentos talvez
seja necessário que eu crie minhas próprias questões.
Antes de colocarmos a “mão na massa”, permitam-me uma
pequena apresentação. Nasci em Recife e sou graduado em Direito pela
Universidade Federal de Pernambuco. Minha vida de concurseiro começou

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ainda antes da vida acadêmica, quando concorri e fui aprovado para uma
vaga no Colégio Militar do Recife, aos 10 anos de idade .
Em 2003, aos 17 anos, fui aprovado no concurso do Banco do
Brasil, e cruzei os dedos para não ser convocado antes de fazer
aniversário. Tomei posse em 2004 e trabalhei como escriturário, caixa
executivo e assistente em diversas áreas do BB, incluindo atendimento a
governo e comércio exterior. Fui também aprovado no concurso da Caixa
Econômica Federal em 2004, mas não cheguei a tomar posse.
Mais tarde, deixei o Banco do Brasil para tomar posse no
cargo de técnico do Banco Central, e lá trabalhei no Departamento de
Liquidações Extrajudiciais e na Secretaria da Diretoria e do Conselho
Monetário Nacional.
Em 2012, tive o privilégio de ser aprovado no concurso para o
cargo de Analista de Finanças e Controle da Controladoria-Geral da União,
em 2° lugar na área de Prevenção da Corrupção e Ouvidoria. Atual mente,
desempenho minhas funções na Ouvidoria-Geral da União, que é um dos
órgãos componentes da CGU.
Minha experiência prévia como professor em cursos
preparatórios engloba as áreas de Direito Constitucional, legislação
específica e regimento interno.
Quanto ao nosso concurso, você já deve conhecer um pouco
do Departamento de Polícia Rodoviária Federal e sua política de gestão de
pessoas. A remuneração do seu cargo é muito interessante, e certamente
você trabalhará com pessoas apaixonadas pela profissão e pela atividade
policial.
Sua opção por se preparar com o Estratégia Concursos é, sem
dúvida, a melhor escolha em termos de qualidade do material
apresentado e de comprometimento dos professores.
Seu único verdadeiro inimigo na preparação para o concurso
será a banca organizadora. O Cespe/UnB costuma fazer provas difíceis, e
as questões da prova costumam ser no estilo certo ou errado, com cada
erro anulando um acerto.

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De qualquer forma, se pecarmos, será pelo excesso. Pretendo
exaurir a análise teórica dos temas e resolver diversas questões sobre o
assunto da sua prova.
Acredito que nossa matéria seja uma daquelas que
constituirão o verdadeiro diferencial dos aprovados. Muitos candidatos
deixam o estudo de legislação específica para a última hora, mas i sso não
vai acontecer com você! 
Garanto que todos os meus esforços serão concentrados na
tarefa de obter a SUA aprovação. Esse comprometimento, tanto da minha
parte quanto da sua, resultará, sem dúvida, numa preparação
consistente, que vai permitir que você esteja pronto no dia da prova, e
tenha motivos para comemorar quando o resultado for publicado.
Muitas vezes, tomar posse em cargos como esses parece um
sonho distante, mas, acredite em mim, se você se esforçar ao máximo,
será apenas uma questão de tempo. E digo mais, quando você for
aprovado, ficará surpreso em como foi mais rápido do que você
imaginava.

2. CRONOGRAMA

Nosso cronograma nos permitirá cobrir todo o conteúdo de


Legislação Específica, enfatizando sempre os aspectos mais importantes e
pontuando as possibilidades de cobrança por parte da banca.
Caso o edital seja publicado ao longo do nosso curso, farei as
devidas adaptações de conteúdo, caso seja necessário, ok?

Apresentação; Cronograma; Lei contra o Preconceito (Lei n°


Aula 00
7.716/89 e suas atualizações).

Aula 01 Lei nº 9.605/1998 e alterações (Lei dos crimes contra o meio


14/12/2015 ambiente)

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Aula 02 Lei nº 11.343/2006 (sistema nacional de políticas públicas
23/12/2015 sobre drogas)

Lei nº 9.455/1997 (definição dos crimes de tortura). Lei nº


Aula 03 4.898/1965 (direito de representação e processo de
31/12/2015 responsabilidade administrativa, civil e penal, nos casos de
abuso de autoridade).

Lei nº 10.826/2003 e alterações (Estatuto do


Aula 04
Desarmamento). Lei nº 5.553/1968 (apresentação e uso de
6/1/2016
documentos de identificação pessoal).

Lei nº 9.099/1995 e alterações (juizados especiais cíveis e


Aula 05 criminais), Capítulo III. Lei nº 10.259/2001 e alterações
13/1/2016 (juizados especiais cíveis e criminais no âmbito da Justiça
Federal).

Lei nº 8.069/1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente),


Aula 06 Título II, Capítulos I e II, Título III, Capítulo II, Seção III,
20/1/2016 Título V e Título VII. Lei nº 10.741/2003 e alterações
(Estatuto do Idoso).

Aula 07
Decreto-Lei nº 3.688/1941 (Lei das contravenções penais).
27/1/2016

Lei nº 11.340/2006 (Maria da Penha – violência doméstica e


Aula 08
familiar contra a mulher). Decretos nº 5.948/2006, nº
3/2/2016
6.347/2008 e nº 7901/2013 (Tráfico de pessoas).

Aula 09
Lei nº 12.850/2013 (Crime Organizado).
10/2/2016

Encerrada a apresentação, vamos à matéria. Lembro a você


que essa aula demonstrativa serve para mostrar como o curso funcionará,
mas isso não quer dizer que a matéria explorada nas páginas a seguir não
seja importante ou não faça parte do programa.

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Analise o material com carinho, faça seus esquemas de
memorização e prepare-se para a revisão final. Se você seguir esta
fórmula, o curso será o suficiente para que você atinja um excelente
resultado. Espero que você e goste e opte por se preparar conosco.

Agora vamos o que interessa. Mãos à obra!

3. LEI CONTRA O PRECONCEITO (Lei nº 7.716/1989)

Não pretendo tecer longas considerações histórias a respeito


das origens do preconceito e do racismo no Brasil. Você sabe que por
séculos a sociedade brasileira considerou os negros de origem africana
como objetos, e que, com a abolição da escravatura, não houve qualquer
política de inclusão dos negros na atividade produtiva, e por isso essas
pessoas permaneceram à margem da sociedade, sem instrução formal, e
sofrendo fortíssimo preconceito em qualquer lugar que fossem.
Do ponto de vista penal, por muito tempo os escravos
naforam considerados pessoas, mas apenas em termos de culpabilidade.
Eles eram criminosos, mas não podiam ser vítimas, pois eram
propriedade do seu senhor.
A primeira lei que tratou de combater o preconceito de raça e
cor foi a Lei Afonso Arinos, de 1951, que tratou a discriminação como
contravenção penal. Infelizmente essa foi uma daquelas famosas leis que
“não pegam”.
A Constituição de 1988 determina, em seu art. 4°, que o
repúdio ao racismo é um dos princípios que regem a República em suas
relações internacionais. Além disso, a prática de racismo é crime
inafiançável e imprescritível, sujeito a pena de reclusão.
A Lei n° 7.716/1989 surgiu para criminalizar as condutas de
preconceito de raça ou de cor. Em 1997, a lei sofreu uma reforma de
proporções consideráveis, que inclui em seu escopo também a

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discriminação ou preconceito de etnia, religião e procedência
nacional.

Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de


discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional.

Vamos fazer uma pequena análise da terminologia utilizada


pelo dispositivo, com base nas explanações doutrinárias sobre o tema,
ok?
Discriminação é a separação, segregação. Representa o
rompimento da igualdade, mas nem sempre é ilegítima. Existem, por
exemplo, as políticas que são comumente chamadas de “Discriminação
Positiva”, que são voltadas para apenas uma parcela da população.
Tratando-se da população negra, podemos mencionar como exemplo o
estabelecimento de cotas para acesso às instituições de ensino superior.
Preconceito é um sentimento ou ideia pré-formatada, que
seja favorável ou desfavorável em relação a determinada pessoa. O
preconceito e a discriminação puníveis são aqueles relacionados à
raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Para fins e interpretação legal, raças são subgrupos nos quais
a humanidade se divide, de acordo com características fisiológicas
comuns. Uma observação interessante é que mesmo a ciência já não
aceita pacificamente a existência de diferentes raças. A ideia já foi
inclusive confirmada pelo STF, no julgamento do HC 82424.
A cor se refere à tonalidade da pele da pessoa. A etnia diz
respeito à origem das comunidades, e abarca não só características
físicas, mas também componentes culturais (dialetos, religião, crenças,
costumes).
Religião é uma crença em comum, normalmente manifestada
por meio de ritos próprios. Origem nacional se refere ao país de
procedência da pessoa. Aqui a Doutrina faz considerações também sobre

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os locais de origem dentro de um mesmo país, com relação a uma região
específica, estado ou cidade.
Normalmente nos referimos aos crimes previstos na Lei nº
7.716/1989 como “crimes de racismo”. O racismo, na realidade, é a
crença na superioridade de uma determinada raça sobre outra, que gera
consequências sociais extremas. Utilizarei esta expressão aqui para me
referir aos crimes previstos na lei, ok?
Primeiramente vamos analisar o tipo mais genérico, previsto
no art. 20.

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito


de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Pena: reclusão de um a três anos e multa.

Este tipo abarca qualquer ato relacionado à promoção de


atitudes discriminatórias ou preconceituosas relacionadas aos elementos
que já estudamos.

§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos,


emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz
suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo.
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.

§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por


intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de
qualquer natureza:
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.

§ 3º No caso do parágrafo anterior, o juiz poderá determinar, ouvido


o Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial,
sob pena de desobediência:

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I - o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares
do material respectivo;
II - a cessação das respectivas transmissões radiofônicas,
televisivas, eletrônicas ou da publicação por qualquer meio;
III - a interdição das respectivas mensagens ou páginas de
informação na rede mundial de computadores.
§ 4º Na hipótese do § 2º, constitui efeito da condenação, após o
trânsito em julgado da decisão, a destruição do material apreendido.

A criminalização do uso do símbolo do nazismo (suástica) é


consequência dos traumas gerados pelas políticas racistas e
segregacionistas adotadas pelo regime de Adolf Hitler e que marcaram a
expansão alemã durante a Segunda Guerra Mundial.
O símbolo ficou tão fortemente ligado ao racismo, que até
hoje sua utilização constitui crime punido severamente.
Há também uma pena mais grave se os crimes de racismo
forem cometidos utilizando-se meios de comunicação social ou
publicação. Esses meios são aqueles conhecidos como “comunicação de
massa”. Uma atitude racista transmitida na TV, rádio ou internet é punida
mais severamente do que aquela feita de forma tímida e com menor
alcance.
Para investigar a utilização de meios de comunicação, o juiz
pode determinar medidas cautelares com a principal finalidade de
interromper a transmissão de conteúdos racistas. O §4º determina ainda
que a destruição do material de cunho racista é efeito da condenação.

Art. 3º Impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente


habilitado, a qualquer cargo da Administração Direta ou Indireta, bem
como das concessionárias de serviços públicos.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, por motivo de
discriminação de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional,
obstar a promoção funcional.

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Pena: reclusão de dois a cinco anos.

Aqui a conduta tipificada é a obstacularização ou o


impedimento do acesso de pessoa habilitada a cargo ou à promoção
funcional. O sujeito ativo é pessoa componente da Administração Pública,
que detenha cargo ou função de chefia ou atribuições relacionadas ao
acesso a cargo ou promoção, enquanto o sujeito passivo é o próprio
Estado e, secundariamente, o ofendido pelo ato discriminatório.
É necessário ainda que haja o elemento subjetivo da vontade
dirigida à atitude discriminatória ou preconceituosa relacionada aos
elementos mencionados no parágrafo único. Isso não significa que outras
atitudes discriminatórias não sejam puníveis, ok? A discriminação contra
idosos, ou por razão de sexo e estado civil são puníveis com base em leis
específicas.

Art. 4º Negar ou obstar emprego em empresa privada.


§ 1o Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de
raça ou de cor ou práticas resultantes do preconceito de descendência
ou origem nacional ou étnica:
I - deixar de conceder os equipamentos necessários ao
empregado em igualdade de condições com os demais trabalhadores;
II - impedir a ascensão funcional do empregado ou obstar outra
forma de benefício profissional;
III - proporcionar ao empregado tratamento diferenciado no
ambiente de trabalho, especialmente quanto ao salário.
§ 2o Ficará sujeito às penas de multa e de prestação de serviços à
comunidade, incluindo atividades de promoção da igualdade racial, quem,
em anúncios ou qualquer outra forma de recrutamento de
trabalhadores, exigir aspectos de aparência próprios de raça ou etnia
para emprego cujas atividades não justifiquem essas exigências.
Pena: reclusão de dois a cinco anos.

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Este tipo penal é bastante interessante. Enquanto o art. 3º


tratava da negativa de acesso ao cargo ou à promoção funcional na
Administração Pública e nas concessionárias de serviços públicos, este
trata das empresas privadas.
As condutas criminalizadas são as seguintes:
 Negar ou obstar emprego;
 Deixar de providenciar os equipamentos necessários a
empregado;
 Impedir a ascensão ou outro benefício funcional a
empregado;
 Tratar empregado de forma diferente dos demais;
 Exigir aspectos de aparência próprios de raça ou etnia
para emprego sem justificativa.
Lembro que, em todos os tipos penais relacionados ao
racismo, é necessária a existência de dolo relacionado ao preconceito ou
discriminação resultante de raça, cor, etnia, religião ou origem.

Art. 5º Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial,


negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador.
Pena: reclusão de um a três anos.

Art. 6º Recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso de


aluno em estabelecimento de ensino público ou privado de qualquer
grau.
Pena: reclusão de três a cinco anos.
Parágrafo único. Se o crime for praticado contra menor de dezoito
anos a pena é agravada de 1/3 (um terço).
No parágrafo único não consta agravante, mas sim uma causa
de aumento de pena. A expressão foi utilizada pelo legislador de forma
atécnica.

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A negativa de acesso a instituições de ensino por motivos
racistas era muito comum há algumas décadas. Perceba que nem as
escolas mantidas por instituições religiosas podem negar o acesso de
alunos que não pertençam àquela denominação. Isso não impede, é claro,
que sejam estabelecidas normas de conduta a serem observadas no dia a
dia da instituição.

Art. 7º Impedir o acesso ou recusar hospedagem em hotel,


pensão, estalagem, ou qualquer estabelecimento similar.
Pena: reclusão de três a cinco anos.

Art. 8º Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes,


bares, confeitarias, ou locais semelhantes abertos ao público.
Pena: reclusão de um a três anos.

Art. 9º Impedir o acesso ou recusar atendimento em


estabelecimentos esportivos, casas de diversões, ou clubes sociais
abertos ao público.
Pena: reclusão de um a três anos.

Art. 10. Impedir o acesso ou recusar atendimento em salões de


cabeleireiros, barbearias, termas ou casas de massagem ou
estabelecimento com as mesmas finalidades.
Pena: reclusão de um a três anos.

Art. 11. Impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos


ou residenciais e elevadores ou escada de acesso aos mesmos:
Pena: reclusão de um a três anos.

Art. 12. Impedir o acesso ou uso de transportes públicos, como


aviões, navios barcas, barcos, ônibus, trens, metrô ou qualquer outro
meio de transporte concedido.

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Pena: reclusão de um a três anos.

Art. 13. Impedir ou obstar o acesso de alguém ao serviço em


qualquer ramo das Forças Armadas.
Pena: reclusão de dois a quatro anos.
Art. 14. Impedir ou obstar, por qualquer meio ou forma, o
casamento ou convivência familiar e social.
Pena: reclusão de dois a quatro anos.

Mais uma vez chamo sua atenção para a necessidade do


elemento subjetivo da conduta do agente: o dolo de impedir ou obstruir o
acesso das pessoas a esses locais em razão de discriminação ou
preconceito quanto à raça, cor, etnia, religião ou origem da pessoa.

Na Jurisprudência dos Tribunais Superiores há pouquíssimos


julgados sobre os crimes de racismo. O HC 82424, julgado pelo STF,
tratou da publicação de livros com conteúdo antissemita, ou seja,
discriminatório e preconceituoso contra a comunidade judaica.
Na ocasião, a Suprema Corte confirmou o caráter criminoso
da publicação de livros “fazendo apologia de ideias preconceituosas e
discriminatórias contra a comunidade judaica”. O STF relacionou as
publicações às antigas ideias de supremacia ariana em relação aos
judeus, veiculadas pelo regime nazista.
Há ainda um outro julgado interessante, desta vez do STJ,
que foi recentemente cobrado numa questão do concurso da Polícia
Rodoviária Federal, de 2013.
Na ocasião, discutiu-se a possibilidade de um clube social
negar a admissão de uma pessoa em razão de preconceito de raça ou cor,
quando, de acordo com o estatuto do clube, a sua diretoria não precisava
justificar a negativa. Nem preciso dizer que isso não faz o menor sentido,
não é mesmo?

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RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. DIREITO PROCESSUAL
PENAL.INÉPCIA DA DENÚNCIA. CRIME DE PRECONCEITO DE RAÇA OU DE
COR.AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INOCORRÊNCIA. 1. A denúncia que se
mostra ajustada ao artigo 41 do Código de Processo Penal, ensejando o
pleno exercício da garantia constitucional da ampla defesa, não deve,
nem pode, ser tida e havida como inepta. 2. A recusa de admissão no
quadro associativo de clube social, em razão de preconceito de raça ou de
cor, caracteriza o tipo inserto no artigo 9º da Lei nº 7.716/89, enquanto
modo da conduta impedir, que lhe integra o núcleo. 3. A faculdade,
estatutariamente atribuída à diretoria, de recusar propostas de admissão
em clubes sociais, sem declinação dos motivos, não lhe atribui a natureza
especial de fechado, de maneira a subtraí-lo da incidência da lei. 4. A
pretensão de exame de prova é estranha, em regra, ao âmbito angusto
do habeas corpus. 5. Recurso improvido.
(STJ, Relator: Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Data de Julgamento:
22/03/2005, T6 - SEXTA TURMA)

Acerca dos aspectos processuais, há um julgado importante


do STJ que reconhece que a consumação do crime de racismo por meio
da internet ocorre no local de onde foram enviadas as manifestações
racistas.

Veremos agora alguns dispositivos de outras leis que


mencionam a discriminação ou preconceito baseados no racismo.
O art. 140 do Código Penal trata do crime de injúria, mas o
que realmente nos interessa aqui é conteúdo do §3º, que estabelece uma
variante qualificada desse crime.

Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:


Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:

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I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a
injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua
natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena
correspondente à violência.
§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos
referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de
pessoa idosa ou portadora de deficiência:
Pena - reclusão de um a três anos e multa.

Entre outros elementos, constam aqueles presentes no art. 1º


da Lei do Racismo.
Nas palavras de Celso Delmanto, "comete o crime do artigo
140, § 3º do CP, e não o delito do artigo 20 da Lei nº 7.716/89, o agente
que utiliza palavras depreciativas referentes a raça, cor, religião ou
origem, com o intuito de ofender a honra subjetiva da vítima".
Já o crime de racismo seria aquele cometido por quem pratica
conduta discriminatória dirigida a um determinado grupo ou coletividade.
O crime de racismo é considerado mais grave pelo legislador, e, além de
imprescritível e inafiançável, sua persecução se dá por meio de ação
penal pública incondicionada, enquanto, no caso da injúria racial, a
ação penal é pública condicionada à representação do ofendido.

É interessante conhecer também o crime de redução a


condição análoga à de escravo, tipificado no art. 149 do CP, e que
prevê aumento de pena se a conduta for relacionada ao racismo.

CP, Art. 149 - Reduzir alguém a condição análoga à de escravo,


quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer
sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por

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qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o
empregador ou preposto:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena
correspondente à violência.
[...]
§ 2º A pena é aumentada de metade, se o crime é cometido:
[...]
II – por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
origem.

A Lei nº 9.455/1997, que trata dos crimes de tortura,


também prevê no tipo penal um componente relacionado ao racismo:

Lei nº 9.455/1997, Art. 1º Constitui crime de tortura:


I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça,
causando-lhe sofrimento físico ou mental:
[...]
c) em razão de discriminação racial ou religiosa;

4. RESUMO DO CONCURSEIRO

CRIMES DE RACISMO

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Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a
discriminação ou preconceito de
raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional.
Art. 8º Impedir o acesso ou recusar
Pena: reclusão de um a três anos e
atendimento em restaurantes, bares,
multa.
confeitarias, ou locais semelhantes
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos
abertos ao público.
no caput é cometido por intermédio dos
Pena: reclusão de um a três anos.
meios de comunicação social ou
publicação de qualquer natureza:
Pena: reclusão de dois a cinco anos e
multa.
§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir
ou veicular símbolos, emblemas,
Art. 9º Impedir o acesso ou recusar
ornamentos, distintivos ou propaganda
atendimento em estabelecimentos
que utilizem a cruz suástica ou
esportivos, casas de diversões, ou
gamada, para fins de divulgação do
clubes sociais abertos ao público.
nazismo.
Pena: reclusão de um a três anos.
Pena: reclusão de dois a cinco anos e
multa.

Art. 3º Impedir ou obstar o acesso


de alguém, devidamente habilitado, a
qualquer cargo da Administração Direta Art. 10. Impedir o acesso ou recusar
ou Indireta, bem como das atendimento em salões de
concessionárias de serviços públicos. cabeleireiros, barbearias, termas ou
Parágrafo único. Incorre na mesma casas de massagem ou
pena quem, por motivo de estabelecimento com as mesmas
discriminação de raça, cor, etnia, finalidades.
religião ou procedência nacional, Pena: reclusão de um a três anos.
obstar a promoção funcional.
Pena: reclusão de dois a cinco anos.

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Art. 4º Negar ou obstar emprego em
empresa privada.
§ 1o Incorre na mesma pena quem, por
motivo de discriminação de raça ou de
cor ou práticas resultantes do
preconceito de descendência ou
origem nacional ou étnica:
Art. 11. Impedir o acesso às entradas
I - deixar de conceder os
sociais em edifícios públicos ou
equipamentos necessários ao
residenciais e elevadores ou escada de
empregado em igualdade de condições
acesso aos mesmos:
com os demais trabalhadores;
Pena: reclusão de um a três anos.
II - impedir a ascensão funcional do
empregado ou obstar outra forma de
benefício profissional;
III - proporcionar ao empregado
tratamento diferenciado no ambiente
de trabalho, especialmente quanto ao
salário.

Art. 5º Recusar ou impedir acesso a Art. 12. Impedir o acesso ou uso de


estabelecimento comercial, negando- transportes públicos, como aviões,
se a servir, atender ou receber cliente navios barcas, barcos, ônibus, trens,
ou comprador. metrô ou qualquer outro meio de
Pena: reclusão de um a três anos. transporte concedido.
Pena: reclusão de um a três anos.

Art. 6º Recusar, negar ou impedir a


inscrição ou ingresso de aluno em
estabelecimento de ensino público Art. 13. Impedir ou obstar o acesso de
ou privado de qualquer grau. alguém ao serviço em qualquer ramo
Pena: reclusão de três a cinco anos. das Forças Armadas.
Parágrafo único. Se o crime for Pena: reclusão de dois a quatro anos.
praticado contra menor de dezoito anos
a pena é agravada de 1/3 (um terço).

Art. 7º Impedir o acesso ou recusar


Art. 14. Impedir ou obstar, por
hospedagem em hotel, pensão,
qualquer meio ou forma, o casamento
estalagem, ou qualquer
ou convivência familiar e social.
estabelecimento similar.
Pena: reclusão de dois a quatro anos.
Pena: reclusão de três a cinco anos.

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Aqui encerramos a parte teórica desta aula. Agora você deve


resolver as questões a seguir para solidificar os conhecimentos, e, se ficar
alguma dúvida, por favor me procure no fórum ou no e-mail, ok? Agora
estou tirando dúvidas também pelo WhatsApp! 

Grande abraço!

Paulo Guimarães
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5. QUESTÕES COMENTADAS

1. TJ-PB – Juiz de Direito – 2015 – Cespe (adaptada). A perda do


cargo ou função pública pelo servidor público está prevista como efeito da
condenação por crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, no
entanto, para que isso ocorra, deve o juiz declará-lo motivadamente na
sentença.

COMENTÁRIOS: De fato, a perda do cargo ou função pública é um efeito


da condenação, e precisa ser declarada na sentença.

GABARITO: C

2. TJ-SC – Juiz de Direito – 2015 – FCC. Considere a seguinte conduta


descrita: Publicar ilustração de recém-nascidos afrodescendentes em fuga
de sala da parto, associado aos dizeres de um personagem
(supostamente médico) de cor branca "Segurança! É uma fuga em
massa!". Tal conduta amolda-se à seguinte tipificação legal:

a) Não se amolda a tipificação legal por se tratar de ofensa social e não


de conteúdo racial.
b) Injúria, prevista no art. 140 do Código Penal.
c) Crime de racismo, previsto na Lei no 7.716/89.
d) Difamação, prevista no art. 139 do Código Penal.
e) Não se amolda a tipificação legal por se tratar de liberdade de
expressão − direito de charge.

COMENTÁRIOS: A conduta (bizarra) descrita na questão deixa claro que


se trata de crime de racismo, não é mesmo!? O tipo está previsto no art.
20 da Lei nº 7.716/1989.

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Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de
raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

GABARITO: C

3. TJ-CE – Analista Judiciário – 2014 – Cespe (adaptada).


Considera-se crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia a
prática do racismo, por ele respondendo os mandantes, os executores e
os que, podendo evitá-lo, se omitirem.

COMENTÁRIOS: O racismo é crime inafiançável e imprescritível, nos


termos da Constituição Federal. O que a Constituição considera crimes
inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia são os crimes de tortura ,
o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os
definidos como crimes hediondos.

GABARITO: E

4. Câmara dos Deputados – Técnico Legislativo – 2014 – Cespe.


Conforme a lei que prevê condutas discriminatórias, cometerá crime de
discriminação ou preconceito o agente que impedir o acesso de idoso a
edifício público pelas entradas sociais.

COMENTÁRIOS: Na realidade a idade não é mencionada pelo art. 1º,


que apenas trata do preconceito de preconceito de raça, cor, etnia,
religião ou procedência nacional.

GABARITO: E

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5. PCDF – Delegado de Polícia – 2009 – Universa (adaptada). O
antissemitismo pode ser considerado como crime de racismo.

COMENTÁRIOS: Nos termos da Lei no 7.716/1989, os crimes de racismo


são aqueles resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor,
etnia, religião ou procedência nacional. O antissemitismo, portanto,
poderia ser considerado racismo.

GABARITO: C

6. TJ-PA – Juiz de Direito – 2014 – VUNESP. “X” é negro e jogador de


futebol profissional. Durante uma partida é chamado pelos torcedores do
time adversário de macaco e lhe são atiradas bananas no meio do
gramado. Caso sejam identificados os torcedores, é correto afirmar que,
em tese,

a) responderão pelo crime de preconceito de raça ou de cor, nos termos


da Lei n.º 7.716/89.
b) responderão pelo crime de racismo, nos termos da Lei n.º 7.716/89.
c) responderão pelo crime de difamação, nos termos do art. 139 do
Código Penal, entretanto, com o aumento de pena previsto na Lei n.º
7.716/89.
d) não responderão por crime algum, tendo em vista que esse tipo de
rivalidade entre as torcidas é própria dos jogos de futebol, restando
apenas a punição na esfera administrativa.
e) responderão pelo crime de injúria racial, nos termos do art. 140, § 3.º
do Código Penal.

COMENTÁRIOS: Interessante a banca ter elaborado uma questão com


uma hipótese que pouco tempo depois veio a ocorrer de fato, não é

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mesmo? Neste caso estamos diante de injúria racial, e não de racismo,
pois a discriminação foi direcionada a uma pessoa específica.

GABARITO: E

7. DPE-MS – Defensor Público – 2008 – VUNESP. É crime de


preconceito, definido na Lei n.º 7.716/89,

a) impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso.


b) ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio
simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave.
c) reduzir alguém à condição análoga à de escravo, submetendo- lhe a
trabalhos forçados.
d) impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou
residenciais e elevadores ou escada de acesso aos mesmos.

COMENTÁRIOS: Das condutas descritas na questão, a única que consta


na Lei nº 7.716/1989 é a letra D.

GABARITO: D

8. TJ-SP – Advogado – 2013 – VUNESP. Nos termos da Lei n.º


7.716/1989, a qual versa sobre delitos de preconceito ou discriminação
racial, pratica crime aquele que, em virtude de preconceito de raça,
impede ou obsta.

a) o acesso de alguém a restaurantes, bares, confeitarias ou locais


semelhantes, ainda que não abertos ao público.

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b) o acesso de alguém aos veículos de transportes públicos e privados,
como aviões, navios, barcos, ônibus, trens, metrô ou qualquer outro meio
de transporte.
c) o acesso ou recusa atendimento de alguém em estabelecimentos
esportivos, casas de diversões ou clubes sociais, ainda que não abertos
ao público.
d) o casamento de alguém, por qualquer meio ou forma, excluindo-se
outros modos de convivência familiar e social.
e) o acesso de alguém às entradas sociais de edifícios públicos ou
residenciais, bem como aos elevadores ou às escadas desses locais.

COMENTÁRIOS: As alternativas A e C estão incorretas porque só há


crime quando os locais em questão forem abertos ao público. A
alternativa B, da mesma forma, está incorreta porque só há crime no que
se refere aos meios de transporte público. A alternativa D está incorreta
porque há crime tanto em relação ao casamento quanto a outros meios
de convivência familiar e social.

GABARITO: E

9. DPRF – Agente da Polícia Rodoviária Federal – 2013 – Cespe.


Constitui crime o fato de determinado clube social recusar a admissão de
um cidadão em razão de preconceito de raça, salvo se o respectivo
estatuto atribuir à diretoria a faculdade de recusar propostas de
admissão, sem declinação de motivos.

COMENTÁRIOS: O STJ já julgou no sentido de que “A recusa de


admissão no quadro associativo de clube social, em razão de preconceito
de raça ou de cor, caracteriza o tipo inserto no artigo 9º da Lei nº
7.716/89, enquanto modo da conduta impedir, que lhe integra o núcleo”.

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GABARITO: E

10. PC-ES – Delegado de Polícia – 2013 – FUNCAB. No interior de


uma aeronave de uma companhia americana, quando esta sobrevoava o
estado da Bahia, Patrícia, que embarcara no aeroporto de Vitória – ES,
viajando para os Estados Unidos da América, teve um desentendimento
com uma comissária de bordo do avião, por causa do assento em que
estava posicionada. Em razão do tratamento dispensado pela comissária
de bordo, Patrícia solicitou seu nome, ocasião em que a funcionária da
companhia aérea disse que não daria, inclusive afirmou: “Amanhã vou
acordar jovem, bonita, orgulhosa, rica e sendo uma poderosa americana,
e você vai acordar como safada, depravada, repulsiva, canalha e
miserável brasileira.” Assim, essa aeromoça:

a) não praticou crime perante a lei brasileira, em face do princípio do


pavilhão.
b) praticou o crime de injúria racial, com fulcro no artigo 140, § 3º do CP.
c) praticou o crime de tortura (Lei nº 9.455/1997), pois constrangeu a
vítima, causando-lhe sofrimento mental, em razão de discriminação
racial.
d) praticou o crime de racismo, preceituado na Lei n° 7.716/1989.
e) praticou o crime de difamação, com fulcro no artigo 139 do CP.

COMENTÁRIOS: Aqui você poderia ficar em dúvida entre o crime de


racismo previsto na Lei nº 7.716/1989 e a injúria racial do §3º do art.
140 do Código Penal. Essa questão levantou muita polêmica na época em
que foi aplicada, justamente por não deixar tão claro se a ofe nsa foi
dirigida apenas à passageira ou a todo o povo brasileiro. O gabarito oficial
é a letra D, mas vale mencionar que essa questão se baseia num caso
real, que realmente ocorreu, e no qual foi aplicada a Lei nº 7.716/1989.

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GABARITO: D

11. MPU – Técnico – 2010 – Cespe. Considere que Tânia, proprietária


de um salão de beleza especializado em penteados afros, recuse
atendimento a determinada pessoa de pele branca e cabelos ruivos, sob a
justificativa de o atendimento, no salão, restringir-se a afrodescendentes.
Nessa situação, a conduta de Tânia não constitui crime, visto que, sendo
proprietária do estabelecimento, ela tem o direito de restringir o
atendimento a determinados clientes.

COMENTÁRIOS: Aqui é importante prestar atenção à justificativa dada


pela negativa do atendimento. Se a dona do salão disse que seu
atendimento se restringia a afrodescendentes, cometeu crime de racismo,
previsto no art. 10 da Lei nº 7.716/1989. Esta questão gerou um pouco
de polêmica na época, mas foi dada como errada pelo Cespe.

Art. 10. Impedir o acesso ou recusar atendimento em salões de


cabeleireiros, barbearias, termas ou casas de massagem ou
estabelecimento com as mesmas finalidades.
Pena: reclusão de um a três anos.

GABARITO: E

12. MPE-PI – Promotor de Justiça – 2012 – Cespe (adaptada).


Considere que Mauro, irritado com a demora no andamento da fila do
caixa de um supermercado, tenha proferido xingamentos direcionados à
atendente do caixa, atribuindo a demora no atendimento à inferioridade
intelectual que, segundo ele, era característica intrínseca da raça a que a
moça pertencia. Nessa situação, Mauro deve ser acusado de crime de

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racismo, previsto na legislação específica, por ter negado à funcionária,
por motivo racial, o direito de trabalho no comércio.

COMENTÁRIOS: À época da questão, muitos disseram que a assertiva


estava errada, pois tratar-se-ia de crime de injúria qualificada. De acordo
com os julgados mais recentes (a exemplo do HC STJ 63350), a conduta
praticada por Mauro pode ser considerada crime de racismo, enquadrado
no art. 20 da Lei nº 7.716/1989, pois, apesar de a conduta ter sido
dirigida a uma única pessoa, a ofensa foi proferida contra toda a raça. O
assunto ainda é polêmico, mas, de qualquer forma, a assertiva continua
incorreta, pois o enquadramento foi feito como se o agente tivesse
negado o direito de trabalho à atendente do caixa.

GABARITO: E

13. AGU – Advogado – 2012 – Cespe. O crime de racismo praticado


por meio da rede mundial de computadores consuma-se no local onde
sejam recebidas as manifestações racistas.

COMENTÁRIOS: Vimos na aula de hoje que nos crimes de racismo


praticados pela internet, considera-se consumado o delito no local de
onde partiram as manifestações tidas por racistas.
GABARITO: E

14. AGU – Advogado – 2012 – Cespe. O fato de um empresário, por


preconceito em relação à cor de determinado empregado, impedir a sua
ascensão funcional na empresa, configurará delito contra a organização
do trabalho, e não crime resultante de preconceito.

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COMENTÁRIOS: Este crime está tipificado de forma bastante específica
na Lei do Racismo:

Art. 4º Negar ou obstar emprego em empresa privada.


§ 1o Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de
raça ou de cor ou práticas resultantes do preconceito de des cendência ou
origem nacional ou étnica:
I - deixar de conceder os equipamentos necessários ao empregado
em igualdade de condições com os demais trabalhadores;
II - impedir a ascensão funcional do empregado ou obstar outra
forma de benefício profissional;
III - proporcionar ao empregado tratamento diferenciado no
ambiente de trabalho, especialmente quanto ao salário.

GABARITO: E

15. TJ-PB – Juiz de Direito – 2011 – Cespe (adaptada). Suponha


que o diretor de recursos humanos de uma concessionária de serviço
público obste, por discriminação religiosa, a promoção funcional de um
subordinado seu. Nesse caso, o referido diretor não praticará conduta
penalmente típica, mas infração, a ser apurada no âmbito administrativo.

COMENTÁRIOS: O art. 3º da Lei nº 7.716/1989 faz menção expressa à


inclusão das concessionários de serviços públicos com relação à conduta
típica de “obstar a promoção funcional”.

GABARITO: E

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16. ABIN – Oficial Técnico de Inteligência – 2010 – Cespe.
Considere que uma jovem atriz negra atue em campanha televisiva
promovida por órgão público para a prevenção da AIDS, transmita a
seguinte mensagem: "eu peço ao meu último parceiro que faça um
teste". Nessa situação, ainda que não tenha havido a intenção de associar
a disseminação da doença à raça negra, restam violados os direitos à
imagem da mulher negra brasileira, o que configura, em tese, crime de
racismo.

COMENTÁRIOS: Para que haja crime de racismo, é necessária a


existência da finalidade especial do agente, no sentido de discriminar com
base na raça, cor, etnia, religião ou origem.

GABARITO: E

17. DPF – Delegado de Polícia Federal – 2004 – Cespe. Pedro pediu


em casamento Carolina, que tem 16 anos de idade, e ela aceitou. O pai
de Carolina, porém, negou-se a autorizar o casamento da filha, pelo fato
de o noivo ser negro. Todavia, para não ofender Pedro, solicitou a
Carolina que lhe dissesse que o motivo da sua recusa era o fato de ele ser
ateu. Nessa situação, o pai de Carolina cometeu infração penal.

COMENTÁRIOS: Parece que o pai de Carolina trocou seis por meia dúzia,
não é mesmo? Ele praticaria o crime de racismo por ter impedido sua filha
de casar-se com Pedro em razão de sua cor. Para não incorrer no crime,
porém, mentiu dizendo que a razão era religiosa. Vimos na aula de hoje
que a discriminação fundada na raça, cor, etnia, religião ou origem
constitui crime de racismo.

GABARITO: C

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18. MPT – Procurador – 2012 – MPT. NÃO constitui crime previsto na
Lei nº 7.716/1989, que tipifica os ilícitos resultantes de preconceito:

a) Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares,


confeitarias, ou locais semelhantes abertos ao público.
b) Impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou
residenciais e elevadores ou escada de acesso aos mesmos.
c) Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor,
etnia, religião ou procedência nacional.
d) Ofender ou ameaçar alguém, por palavra, gesto, ou qualquer outro
meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave, em virtude de raça,
cor, etnia, religião ou procedência nacional.

COMENTÁRIOS: O nosso erro está na alternativa D, que na realidade


trata da injúria racial, e não do crime de racismo.

GABARITO: D

19. TJ-PR – Juiz de Direito – 2011 – TJ-PR. A Lei Ordinária nº. 7.716,
de 05 de janeiro de 1989, dispõe sobre os Crimes Resultantes de
Preconceitos de Raça e Cor, sendo CORRETO afirmar que:

a) Serão punidos na forma da Lei Ordinária 7.716/1989 os crimes


resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião,
procedência nacional e sexo.
b) Constitui crime punido com prisão simples o ato de impedir o acesso
ou recusar hospedagem em hotel, pensão, estalagem ou qualquer
estabelecimento similar em razão de discriminação ou preconceito de
raça, cor, etnia, religião, procedência nacional.

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c) É considerada criminosa a conduta de praticar, induzir ou incitar a
discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência
nacional.
d) Os efeitos decorrentes da condenação pela prática de crimes previstos
na Lei Ordinária nº. 7.716/1989 são automáticos, dispensando a sua
fundamentação na sentença.

COMENTÁRIOS: A alternativa A está incorreta porque a lei não pune


atos discriminatórios em relação a sexo. A alternativa B está incorreta
porque a pena prevista para o crime é de reclusão, e não prisão simples.
A alternativa D está incorreta porque esses efeitos da condenação não
são automáticos, devendo ser motivadamente declarados na sentença,
nos termos do art. 18.

GABARITO: C

20. TRT 1ª Região – Técnico Judiciário – 2011 – FCC. Lauro é


proprietário de uma lanchonete. Admitia em seu estabelecimento a
frequência de pessoas da raça negra, mas recusava-se a servi-las. A
conduta de Lauro

a) só configura crime de discriminação racial se colocar em situação


vexatória a freguesia.
b) não configura crime de discriminação racial, pois Lauro admitia em seu
estabelecimento a frequência de pessoas da raça negra.
c) não configura crime de discriminação racial, pois Lauro é livre para
servir a clientela de acordo com as suas preferências.
d) configura modalidade de crime de discriminação racial.
e) só configura crime de discriminação racial se a conduta for ostensiva e
houver solicitação expressa de atendimento por quem esteja nessa
situação.

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COMENTÁRIOS: Lauro cometeu o crime previsto no art. 5º da Lei nº
7.716/1989.

Art. 5º Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial,


negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador.
Pena: reclusão de um a três anos.

GABARITO: D

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6. QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS

1. TJ-PB – Juiz de Direito – 2015 – Cespe (adaptada). A perda do


cargo ou função pública pelo servidor público está prevista como efeito da
condenação por crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, no
entanto, para que isso ocorra, deve o juiz declará-lo motivadamente na
sentença.

2. TJ-SC – Juiz de Direito – 2015 – FCC. Considere a seguinte conduta


descrita: Publicar ilustração de recém-nascidos afrodescendentes em fuga
de sala da parto, associado aos dizeres de um personagem
(supostamente médico) de cor branca "Segurança! É uma fuga em
massa!". Tal conduta amolda-se à seguinte tipificação legal:

a) Não se amolda a tipificação legal por se tratar de ofensa social e não


de conteúdo racial.
b) Injúria, prevista no art. 140 do Código Penal.
c) Crime de racismo, previsto na Lei no 7.716/89.
d) Difamação, prevista no art. 139 do Código Penal.
e) Não se amolda a tipificação legal por se tratar de liberdade de
expressão − direito de charge.

3. TJ-CE – Analista Judiciário – 2014 – Cespe (adaptada).


Considera-se crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia a
prática do racismo, por ele respondendo os mandantes, os executores e
os que, podendo evitá-lo, se omitirem.

4. Câmara dos Deputados – Técnico Legislativo – 2014 – Cespe.


Conforme a lei que prevê condutas discriminatórias, cometerá crime de
discriminação ou preconceito o agente que impedir o acesso de idoso a
edifício público pelas entradas sociais.

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5. PCDF – Delegado de Polícia – 2009 – Universa (adaptada). O
antissemitismo pode ser considerado como crime de racismo.

6. TJ-PA – Juiz de Direito – 2014 – VUNESP. “X” é negro e jogador de


futebol profissional. Durante uma partida é chamado pelos torcedores do
time adversário de macaco e lhe são atiradas bananas no meio do
gramado. Caso sejam identificados os torcedores, é correto afirmar que,
em tese,

a) responderão pelo crime de preconceito de raça ou de cor, nos termos


da Lei n.º 7.716/89.
b) responderão pelo crime de racismo, nos termos da Lei n.º 7.716/89.
c) responderão pelo crime de difamação, nos termos do art. 139 do
Código Penal, entretanto, com o aumento de pena previsto na Lei n.º
7.716/89.
d) não responderão por crime algum, tendo em vista que esse tipo de
rivalidade entre as torcidas é própria dos jogos de futebol, restando
apenas a punição na esfera administrativa.
e) responderão pelo crime de injúria racial, nos termos do art. 140, § 3.º
do Código Penal.

7. DPE-MS – Defensor Público – 2008 – VUNESP. É crime de


preconceito, definido na Lei n.º 7.716/89,

a) impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso.


b) ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio
simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave.
c) reduzir alguém à condição análoga à de escravo, submetendo- lhe a
trabalhos forçados.
d) impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou
residenciais e elevadores ou escada de acesso aos mesmos.

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8. TJ-SP – Advogado – 2013 – VUNESP. Nos termos da Lei n.º
7.716/1989, a qual versa sobre delitos de preconceito ou discriminação
racial, pratica crime aquele que, em virtude de preconceito de raça,
impede ou obsta.

a) o acesso de alguém a restaurantes, bares, confeitarias ou locais


semelhantes, ainda que não abertos ao público.
b) o acesso de alguém aos veículos de transportes públicos e privados,
como aviões, navios, barcos, ônibus, trens, metrô ou qualquer outro meio
de transporte.
c) o acesso ou recusa atendimento de alguém em estabelecimentos
esportivos, casas de diversões ou clubes sociais, ainda que não abertos
ao público.
d) o casamento de alguém, por qualquer meio ou forma, excluindo-se
outros modos de convivência familiar e social.
e) o acesso de alguém às entradas sociais de edifícios públicos ou
residenciais, bem como aos elevadores ou às escadas desses locais.

9. DPRF – Agente da Polícia Rodoviária Federal – 2013 – Cespe.


Constitui crime o fato de determinado clube social recusar a admissão de
um cidadão em razão de preconceito de raça, salvo se o respectivo
estatuto atribuir à diretoria a faculdade de recusar propostas de
admissão, sem declinação de motivos.

10. PC-ES – Delegado de Polícia – 2013 – FUNCAB. No interior de


uma aeronave de uma companhia americana, quando esta sobrevoava o
estado da Bahia, Patrícia, que embarcara no aeroporto de Vitória – ES,
viajando para os Estados Unidos da América, teve um desentendimento
com uma comissária de bordo do avião, por causa do assento em que
estava posicionada. Em razão do tratamento dispensado pela comissária
de bordo, Patrícia solicitou seu nome, ocasião em que a funcionária da
companhia aérea disse que não daria, inclusive afirmou: “Amanhã vou

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acordar jovem, bonita, orgulhosa, rica e sendo uma poderosa americana,
e você vai acordar como safada, depravada, repulsiva, canalha e
miserável brasileira.” Assim, essa aeromoça:

a) não praticou crime perante a lei brasileira, em face do princípio do


pavilhão.
b) praticou o crime de injúria racial, com fulcro no artigo 140, § 3º do CP.
c) praticou o crime de tortura (Lei nº 9.455/1997), pois constrangeu a
vítima, causando-lhe sofrimento mental, em razão de discriminação
racial.
d) praticou o crime de racismo, preceituado na Lei n° 7.716/1989.
e) praticou o crime de difamação, com fulcro no artigo 139 do CP.

11. MPU – Técnico – 2010 – Cespe. Considere que Tânia, proprietária


de um salão de beleza especializado em penteados afros, recuse
atendimento a determinada pessoa de pele branca e cabelos ruivos, sob a
justificativa de o atendimento, no salão, restringir-se a afrodescendentes.
Nessa situação, a conduta de Tânia não constitui crime, visto que, sendo
proprietária do estabelecimento, ela tem o direito de restringir o
atendimento a determinados clientes.

12. MPE-PI – Promotor de Justiça – 2012 – Cespe (adaptada).


Considere que Mauro, irritado com a demora no andamento da fila do
caixa de um supermercado, tenha proferido xingamentos direcionados à
atendente do caixa, atribuindo a demora no atendimento à inferioridade
intelectual que, segundo ele, era característica intrínseca da raça a que a
moça pertencia. Nessa situação, Mauro deve ser acusado de crime de
racismo, previsto na legislação específica, por ter negado à funcionária,
por motivo racial, o direito de trabalho no comércio.

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13. AGU – Advogado – 2012 – Cespe. O crime de racismo praticado
por meio da rede mundial de computadores consuma-se no local onde
sejam recebidas as manifestações racistas.

14. AGU – Advogado – 2012 – Cespe. O fato de um empresário, por


preconceito em relação à cor de determinado empregado, impedir a sua
ascensão funcional na empresa, configurará delito contra a organização
do trabalho, e não crime resultante de preconceito.

15. TJ-PB – Juiz de Direito – 2011 – Cespe (adaptada). Suponha


que o diretor de recursos humanos de uma concessionária de serviço
público obste, por discriminação religiosa, a promoção funcional de um
subordinado seu. Nesse caso, o referido diretor não praticará conduta
penalmente típica, mas infração, a ser apurada no âmbito administrativo.

16. ABIN – Oficial Técnico de Inteligência – 2010 – Cespe.


Considere que uma jovem atriz negra atue em campanha televisiva
promovida por órgão público para a prevenção da AIDS, transmita a
seguinte mensagem: "eu peço ao meu último parceiro que faça um
teste". Nessa situação, ainda que não tenha havido a intenção de associar
a disseminação da doença à raça negra, restam violados os direitos à
imagem da mulher negra brasileira, o que configura, em tese, crime de
racismo.

17. DPF – Delegado de Polícia Federal – 2004 – Cespe. Pedro pediu


em casamento Carolina, que tem 16 anos de idade, e ela aceitou. O pai
de Carolina, porém, negou-se a autorizar o casamento da filha, pelo fato
de o noivo ser negro. Todavia, para não ofender Pedro, solicitou a
Carolina que lhe dissesse que o motivo da sua recusa era o fato de ele ser
ateu. Nessa situação, o pai de Carolina cometeu infração penal.

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Legislação Especial para PRF
Teoria e exercícios comentados
Prof. Paulo Guimarães – Aula 00
18. MPT – Procurador – 2012 – MPT. NÃO constitui crime previsto na
Lei nº 7.716/1989, que tipifica os ilícitos resultantes de preconceito:

a) Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares,


confeitarias, ou locais semelhantes abertos ao público.
b) Impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou
residenciais e elevadores ou escada de acesso aos mesmos.
c) Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor,
etnia, religião ou procedência nacional.
d) Ofender ou ameaçar alguém, por palavra, gesto, ou qualquer outro
meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave, em virtude de raça,
cor, etnia, religião ou procedência nacional.

19. TJ-PR – Juiz de Direito – 2011 – TJ-PR. A Lei Ordinária nº. 7.716,
de 05 de janeiro de 1989, dispõe sobre os Crimes Resultantes de
Preconceitos de Raça e Cor, sendo CORRETO afirmar que:

a) Serão punidos na forma da Lei Ordinária 7.716/1989 os crimes


resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião,
procedência nacional e sexo.
b) Constitui crime punido com prisão simples o ato de impedir o acesso
ou recusar hospedagem em hotel, pensão, estalagem ou qualquer
estabelecimento similar em razão de discriminação ou preconceito de
raça, cor, etnia, religião, procedência nacional.
c) É considerada criminosa a conduta de praticar, induzir ou incitar a
discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência
nacional.
d) Os efeitos decorrentes da condenação pela prática de crimes previstos
na Lei Ordinária nº. 7.716/1989 são automáticos, dispensando a sua
fundamentação na sentença.

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Prof. Paulo Guimarães – Aula 00
20. TRT 1ª Região – Técnico Judiciário – 2011 – FCC. Lauro é
proprietário de uma lanchonete. Admitia em seu estabelecimento a
frequência de pessoas da raça negra, mas recusava-se a servi-las. A
conduta de Lauro

a) só configura crime de discriminação racial se colocar em situação


vexatória a freguesia.
b) não configura crime de discriminação racial, pois Lauro admitia em seu
estabelecimento a frequência de pessoas da raça negra.
c) não configura crime de discriminação racial, pois Lauro é livre para
servir a clientela de acordo com as suas preferências.
d) configura modalidade de crime de discriminação racial.
e) só configura crime de discriminação racial se a conduta for ostensiva e
houver solicitação expressa de atendimento por quem esteja nessa
situação.

GABARITO
1. C 11. E
2. C 12. E
3. E 13. E
4. E 14. E
5. C 15. E
6. E 16. E
7. D 17. C
8. E 18. D
9. E 19. C
10. D 20. D

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