Anda di halaman 1dari 2

Psicologia Social I – PUC-SP

Profª Ana Mercês Bock


Matheus Pereira Costa RA 00093841

Referência: Gonçalves, M.; Bock, A. Indivíduo-sociedade: uma relação importante na


psicologia social. IN: Bock, A. A perspectiva sócio-histórica na formação em psicologia.
Petrópolis: Editora Vozes, 2003

Pergunta: como você compreendeu a dicotomia objetividade-subjetividade?

Há um impasse entre duas visões da psicologia social: a primeira, herdeira do


positivismo, compreende a natureza dos elementos ordinários da observação psicológica como
dicotômica, formulando a explicação do homem a partir de dois pólos excludentes,
subjetividade ou objetividade; a segunda visão busca compreender o indivíduo a partir de sua
relação material, histórica e dialética com o seu entorno, de forma a não aferir a cisão entre
objetividade e subjetividade como contrários que apenas influenciam um ou outro, são, na
realidade, contrários em constante ação transformadora.
Noutras palavras, haveria para a primeira corrente, a análise naturalista e a-histórica,
dois campos autônomos que se fazem presentes pelas relações dos indivíduos com a vida. Um
campo seria o da razão ou subjetividade, onde o indivíduo se faz sujeito do conhecimento e é
livre e racional; o segundo campo seria a natureza que é objetiva, no reino da objetividade
existem regras, leis naturais, que comandam a ordem das coisas. O indivíduo para essa visão
do pensamento humano estaria submetido a essas duas correntes, e cada teoria da psicologia
colocaria maior peso para cada um dos polos, por exemplo: explicar o sujeito pela
subjetividade, isto é, por sua dimensão consciente ou inconsciente ou estudar o indivíduo pela
objetividade, seus os fatores biológicos, sociais ou ambientais que determinam o
comportamento. Esses dois modos de ver o órgão central de relação do homem com o mundo
também podem ser divididos pelos nomes tradicionais das correntes da filosofia moderna,
racionalismo – conhecimento tendo origem nas ideias – e empirismo – apreensão da realidade
pelos órgãos dos sentidos.
Todavia, na visão da corrente sócio-histórica que faz uso do exame dialético entender
o indivíduo nesse impasse é reduzi-lo a ficções totalizadoras de sua existência, pois o sujeito
se faz enquanto movimento de sua ação sobre o mundo e consequente e simultaneamente do
mundo sobre ele. Ora, a dicotomia teórica de campos separados independentemente um do
outro é a cristalização de um olhar datado temporalmente e devedor aos interesses materiais de
um dado período histórico. As ideias refletem interesses concretos e elas estão a serviço ou da
consolidação deles ou da transformação. Por isso, não se afirma ingenuamente que o sujeito é
livre, racional e natural e a natureza independente e passível do domínio do homem pelo
conhecimento e pela técnica. A ciência que formula esse entendimento do mundo tem o
interesse concreto de assim cunha-lo, fazendo a realidade, vista do ponto de vista teórico, ser
tal como a realidade econômica espera que ela seja.
A partir da crítica ao modelo estanque a visão sócio-histórica formula a sua
compreensão de subjetividade e objetividade. Porque uma vez sendo o trabalho o motor da
história, a ação do homem de mudança da natureza, então não se pode entender o indivíduo
fora de seus contexto e nem o seu contexto fora do indivíduo, subjetividade e objetividade ou
homem e realidade são uma unidade de contrários que estão em constante transformação. Se
quantidade se transforma em qualidade, então quando que um acaba e o outro começa? São
contrários que se negam e pela negação da negação se afirmam.
A postura metodológica da visão sócio-histórica é, portanto, trazer a especificidade do
contexto transformador, sem lançar mão de universais abstratos que visam enquadrar o
indivíduo aos interesses da teoria vigente, mas sim explicitar o processo de determinações
históricas particulares que levaram o objeto de estudo ao momento de análise. Nesse processo
faz sentido, inclusive, observar do ponto de vista das ideologias vigentes, pois é da fricção
entre elas e a realidade histórica que se emerge a contradição e o movimento de transformação.