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Objeto:

Citação do Finley, sobre a política no mundo antigo, ver com seus próprios conceitos, para isso
estudaremos envolto da figura de Cicero, no final do período republicano. Explicar porque da
escolha e uso das fontes, e dar exemplos do material, da fala de Cicero sobre o contexto
romano a Ático, como a introdução do manual enviado ao irmão. Por fim retratar este período
da vida de Cícero (Com o livro intelectuais, política e poder antiguidade). E o Contexto da
República romana (May Beard e História da República romana.

Então, Retratar o conceito de éticas do poder e nossa noção de política da antiguidade (Usar
joly e Guarrinello).

Termina com Paul Veyne, teoria da história, citando dicotomia entre a linha de teseu e o
labarinto. Para exemplificar o entendimento da história segundo seus próprios conceitos.

Assim, observarmos as éticas do poder, como os arranjos políticos se formam mediante a eles.
Citar as fontes. Explique cada uma delas. Que permiti o Apontando não somente a
supraestrutura do pensamento político, como sua infraestrutura de funcionamento.
Objetivo:

O objetivo deste projeto e poder identificar com mais profundidade e dimensão as


éticas e representações do poder na República romana do primeiro século a.C. Pois,
Finley destaca o poder romano, como ao mesmo tempo, competitivo, complexo e
limitado, nesta sinergia que o jogo poder ocorria:
[...] a política é competitiva, e a primeira distinção entre as comunidades onde
competição é limitada a um setor de cidadãos proprietários – oligarquias, em
sentido restrito – e comunidades onde a classe mais pobre tem algum direito
de participação. Infelizmente faltam-nos dados suficientes para a análise
significativa da política1 [...]

Uma vez que, a República romana era um sistema de constituição mista como
considera Políbio e Cícero2, este sistema procurava um equilíbrio entre Imperium e a
libertas3, qual correspondia aos espaços do poder consular, senatorial e popular da
República em sua construção. Sendo assim, este trabalho tem como objetivo identificar
os rastros das éticas e representações do poder. Situando as fronteiras ideologias ainda
não consolidadas e as estratégias que movem o poder público4.
Consideramos a ética do poder, como Guarinello e Joly, que a entendem como
uma prática política diversa contemplado por um contexto cultural especifico. Qual, é
definida na antiguidade clássica pelo diálogo e práticas de grupos sociais, recorrentes na
direção do poder5. Esta direção é uma ética, uma prática cultural política, a linha de Teseu
que conjura e liga o panorama do poder da República romana. E ela é o guia e o objeto
que procuramos, como diria Veyne, para historicizar e encontrar a saída dos diversos fatos
incontidos, e compreender o poder romano6.
Para isso, estaremos observando os estraves da política da República romana, aos
olhos do senador romano Cícero. Estudando as cartas de Cícero para Ático, vol.1, livro I,
das cartas I a XX. Pois remonta o cerne de nossa pesquisa, a última década da República
romana, entre os anos de 68 – a 60 a.C, antes dos conflitos civis, que dará origem ao
principado romano.

1
FINLEY, Moses. Política no Mundo Antigo. Lisboa, Edições 70, 1997. p. 80 - 81.
2
POLÍBIOS, 1985, Livro VI, 11. 333; CICERO, 1985, Livro I, 28,29 e 35, 41-42 e 46
3
BEARD, Mary. SPQR: Uma História da Roma Antiga. São Paulo; Planeta, 2017. p.186 e 187.
4
WARD, Allan; HEICHELHEIM, Fritz; YEO, Cedric. A History Of The Roman People. New Jersey;
Prentice Hall, 2003. p.165.
5
GUARINELLO, Nobert Luiz e JOLY, Fábio Duarte. Ètica e ambiguidade no Principado de Nero. In:
BENOIT, Hector e FUNARI, Pedro Paulo A. Ética e Poder no Mundo Antigo. Campinas, São Paulo:
UNICAMP, IFCH, 2001. p. 132 – 133.
6
VEYNE, Paul M. Como se escreve a Historia; Foucault revoluciona a história. Brasília; Editora
Universidade de Brasília. 1982. p. 133.
As cartas para Ático, remontam a prática de correspondência com um ou mais
amigos, sobre sua vida pública e privada um hábito comum entre os latinos7. Por isso, e
tão interessante pode visitar este mundo de Cícero, que nos apresenta as dimensões da
República Romana, em meio as conversas com seu amigo, que é considerado um
conselheiro e parceiro de negócios em Roma. Devido a isso, Cícero por diversas vezes
inicia sua carta e seu dialogo, se referindo a vida privada e pública:
Depois você me pergunta qual é a situação atual dos assuntos públicos e qual
é a minha. A situação da República” 8; “Não lhe vou contar todas as dores e
aborrecimentos de minhas inquietações domésticas [...] No tocante a República
[...]”9;”Primeiro, exporei a você, [...] a situação da república [..] Depois, posto
que ocupo o lugar seguinte em sua afeição, escreverei também sobre mim
mesmo aquelas coisas que você não vai querer ignorar”10; “Quanto ao que me
escreve sobre a república, suas reflexões certamente são carinhosas e sábias; e
sua maneira de pensar não se distancia muito de meus planos”11

Mary Beard relata que Ático era um homem rico que nunca entrou oficialmente
para a política, mas que muitas vezes comandou as ações dos bastidores12. Podemos
observar isso, na sua ajuda na formação de Cícero, o aproximando da escola epicurista de
Fedro e Zenão de Síndon13. Como conseguindo apoio dos nobres14, na eleição a Cônsul
romano. E também, debatendo as direções de Roma e da República. Devido a isso, Cícero
escreveu para Ático em 54 a.C. dois nos após escrever a República, assim como Platão,
o livro “As Leis”, qual discutia a constituição ideal da República15. Até as melhores
estratégias política, que levou por exemplo, a pedir a Cícero ausentar de Roma,
possivelmente pelo crescimento da aliança de Júlio César e Clódio, e a instabilidade do
apoio de Pompeu. Ação que poderia ter evitado o exílio forçado um ano depois16.
E o manual “Como Ganhar uma Eleição” de seu irmão Quinus, enviado para
Cícero, para ajuda-lo sair vitorioso de sua eleição a cônsul. A obra do mesmo ano de sua
eleição, em 64 a. C. Assim, procuraremos identificar as ressonâncias, das éticas e
representações de poder, das estratégias políticas, e as práticas políticas de Cicero,
percebidas e identificadas nas cartas para Ático.

7
PEREIRA, Maria H. da Rocha. Estudos de História da Cultura Clássica. Vol. II Cultura Romana. 5°a
Ed. Lisboa; Fundação Calouste Gulbenkian, 2013. p. 211.
8
CÍCERO, Marcus Tullius. Letters to Atticus. XVI, 1,16.
99
Idem, XVIII, 1,18.
10
Idem, XIX. 1,19.
11
Idem, XX, 1,20.
12
BEARD, Mary. op. cit. p. 41.
13
PEREIRA, op. cit. p.130.
14
CÍCERO, Marcus Tullius. op. cit. XI. 1.2.
15
Ático, assim como Cícero admira Platão. No entanto, Ático, segundo Cícero o admira acima de todos.
16
CÍCERO, Marcus Tullius. op. cit. XX.1.20.
Quintus17, irmão mais novo de Cícero, teve a mesma formação de seu irmão,
sendo educado em Roma e na Grécia. No entanto, tinha habilidades qual seu irmão mais
velho nunca tinha apresentado, que era sua capacidade militar. Isso foi importante para
Cícero, para poder ser aproximar de Pompeu. Não obstante, sua capacidade interpretar
cenários políticos, para fazer as melhores alianças e conseguir prever o melhor a ação dos
seus adversários, era o cerne da recomendação de seu manual a seu irmão.
Apresentando tanto as fronteiras ideológicas do poder, quanto a diferencia da
política ideal óptima, dos populista18. Como, descrevendo as diferenças ideológicas dos
seus principais adversários a eleição de cônsul, Antonius e Catalina19. Além de indicar as
estratégias políticas para constituir as redes de cooptação, desde de analisar a natureza e
a força da sua base política20, como a formação de alianças21, e a necessidade de dar
atenção a grupos específicos22.
Paul Veyne, considera que o poder político romano e formado por redes de
cooptação, e não há outra maneira de adentra-lo se não participar deste jogo23. Sendo
assim, o papel deste trabalho e tentar entender as éticas do poder por detrás das redes de
clientelas e suas práticas e estratégias pelo o poder. Para assim, poder dar uma maior
coloração, profundidade e complexidade ao seu sistema de poder romano.

Justificativa:
A República romana, retratado por Paul Veyne, tinha um formato oligárquico, já
que havia uma pequena parcela de classe política, os senadores, qual comandavam o todo

17
Foi edil, em 65 a. C., de pretor, em 62, além de ter sido governador da Ásia, entre 61 e 58 a.C.
18
Idem, V
19
CICERO, Quintus Tullius. Como Ganhar uma Eleição. VIII – X.
20
Idem, III (avaliar a clientela); XVI e XVII (avaliar tipos de amigos e vínculos);XIX (Heterogeneidade de
clientes e alianças). XXXIV – XVIII (Tipos de clientes, conseguir avaliar os confiáveis, a eles seja sempre
grato em palavras e gestos, acreditando que seu amigo. Desde tipo de cliente que precisa estar no fórum
com você. Já que a política romana é: “ é cheia de engodo, trapaça e traição”. XXXXVI, XXXXVII e
XXXXXV (Apreendendo a dizer não as clientes, para conseguir aliança de longo prazo, pois não deve
prometer aquilo que não pode cumprir, ou não deixe subitamente claro a promessa).
21
Idem, IV, XXI (alianças pautado em favores, esperança e ligação especial). XXXI (Fidelidade clientela,
pautada em visitas, conversas, linguagem especifica, conhecer seus nomes, posicionar como líder deles).
XXXX e XXXXI(Saber avaliar seus adversários políticos para conseguir ser sempre gentil e conciliador,
de tal forma que dependam de você, de favores, para poder controlá-los). XXXXIIII, XXXXIX
(Conseguindo o apoio popular com práticas evergetistas).
22
Idem, XIX (Principais grupos a conseguir apoio; XXXIII (Principais centúrias para conseguir apoio são
dos cidadão aristocratas e dos homens de negócio de Roma).XXXXXVII (Conseguir apoio de ex-tribunos
e ex-cônsul).
23
VEYNE, Paul M. História da Vida Privada. Vol. 1: do Império Romano ao ano mil. São Paulo:
Companhia das Letras, 2009. p. 93-94.
corpo romano, o “populus”24. Esses poderosos constituíam laços profundos no poder, de
tal forma, que Veyne considerava laços praticamente hereditários:
[...] os recém chegados que conseguiam entrar nessa cooperação podem ser
contados nos dedos de uma única mão [...] e os futuros magistrados na prática
serão recrutados entre os senadores, ou seus filhos. [...] É uma cooperação que
controla os magistrados anuais [...] encarnado de solidariedade de uma casta
governamental e até mesmo sua cumplicidade do mesmo modo que é fácil para
uma governo aristocráticos reprimir o povo, afirma Montesquieu [...] 25

No entanto, ter um poder limitado e restritivo, como Finley já retratava26, não


significa ser um sistema político simples, homogêneo, como muitas vezes, as
simplificações neomarxistas da antiguidade representam. Já que a sociedade romana se
organiza, em “ordens” e não em classes, pela riqueza, a denominada Cité censitaire, sendo
assim a população da República romana era diferenciada pela riqueza e pela situação
social27. Contudo estas “ordens” não são fechadas, mas tem constante movimento social,
como a formação dos nobilitas. Além disso, o modelo de política na antiguidade clássica
e partilhados por romanos e gregos, que foi bem sintetizado em Aristóteles, como “Estado
é arena dos interesses e das classes em conflitos” 28.
Assim, o papel deste trabalho, seria a tentativa de sair deste reducionismo, e
retratar a complexidade das éticas do poder que ao mesmo tempo, direcionam e fomentam
fronteiras provisórias políticas romanas. E também, sua heterogeneidade nas práticas
políticas, desde as representações a estratégias que dimensionam a construção do poder.
E estabelecem arranjos políticos dentro das redes de cooptação29. Desta forma, o poder é
complexo e consequentemente imprevisível, como Cícero e seu irmão Quintus, já
apontavam descrevendo passagens da última década da republica romana:
A situação em Roma está assim: o senado é um areópago: nada mais constante,
nada mais severo, nada mais firme [...]30
[...] “Isto é Roma”, cidade formada da mescla de pessoas de todas as origens,
um lugar de ardis, conjuras e vícios de toda espécie imaginável. Para qualquer
lado que você olhe, você verá arrogância, contumácia, malevolência, orgulho
e ódio. No meio desse turbilhão de males, é mister ser um homem notável, com
juízo sólido e grande habilidade, para evitar ofensas, maledicência e traição 31.

24
VEYNE, Paul. Pão e Circo: Sociologia histórica de um pluralismo político. São Paulo; Ed. UNESP.
2015. 359.
25
Idem, 360.
26
FINLEY, Moses. op. cit. p. 80 - 81.
27
Idem, p. 22-24.
28
Esta noção de classes muito se difere as noções marxista de classe.
29
Rede tão fundamental na articulação do poder, como já apontamos com Paul Veyne.
30
CÍCERO, Marcus Tullius. op. cit. XIV. Nesta passagem Cícero já percebe o poder republicano
quebrando, perdendo seus fundamentos para se cristalizar numa imagem e num novo sistema de poder.
31
CICERO, Quintus Tullius. op. cit. XXXXXIV.
Esta arena de conflitos denominado República seria dirigida por uma noção
própria de poder, de governo e interesses. Nesta mesma linha Guarinello e Joly se
propõem em identificar e problematizar a complexidade do poder no Principado romano:
[...] Predomina, em nosso senso comum, a ideia de que o governo dos
imperadores de Roma exercia-se sobre uma sociedade decadente, apática,
viciada, sujeita aos desmandos pessoais, aos caprichos e mesmo á loucura
desvairada de tiranos absolutos e sem limites. Mas essa visão é, na verdade,
um mito [...] mostrar a existência de éticas políticas concretas e efetivas, e para
tanto, escolhemos como campo de estudo[...]32.

A ética então, será o fio condutor para ligarmos os conjuntos de fatos, a dicotomia
entre a representação, narrativa histórica, e o conceito que revela com mais clareza e
profundidade a singularidade de experiências. Como Koselleck aborda:
[...] o problema da representação isso é, da maneira como a história [...] narra
e descreve, remete, no campo do conhecimento a diferentes dimensões
temporais do movimento histórico [...] forma de uma linguagem limita não só
o potencial de representação como também exige do historiador que se volte
necessariamente a fonte em busca de fatos [...] trata-se de diferentes camadas
de tempo que, por sua vez exigem diferentes aproximações metodológicas [...]
para explicar melhor esta tese, partimos do princípio de que “eventos” só
podem ser narrados e “estruturas” só podem ser descritas [...] a experiência
histórica que constitui o evento será necessariamente inserida na sucessão
temporal [...] o fio condutor da representação [...]33

Para isso, temos que entender o processo histórico romano por seus conceitos
políticos, e não analisarmos o processo de forma anacrônica. Devido a isso, os conceitos
históricos nos permitem analisarmos a narrativa de fatos com mais singularidade e
proximidade. Então, rastrear as éticas do poder, e o primeiro objeto deste trabalho, qual
estaremos rastreando mediante as Cartas de Cícero a Ático e a obra “Como Ganhar uma
Eleição”, manual de seu irmão. Para isso, é importante entender que a ética do poder na
república romana é pautado por meio de três viés, ainda que não fixos e fundamentados.
O primeiro, prática óptima, seria aqueles que seguem os métodos tradicionais de
competição na ordem senatorial, com alianças tradicionais e a coalizão de sanadores.
Além de pautar-se num sistema moral e aristocrática. Moral porque deve apresentar
virtudes morais necessárias para governar. E aristocrática, se volta a conservação dos

32
GUARINELLO, Nobert Luiz e JOLY, Fábio Duarte. p.133.
33
KOSELECK, R. Futuro do Passado: Contribuição à semântica dos tempos históricos. São Paulo;
Contraponto, 2006. p. 133-134.
direitos como estão, do status quo, com pela proteção da propriedade privada, dos
contratos, das trocas comerciais34.
O segundo, a prática dos populares, que buscavam popularidade ente o povo
comum, e assim personificando o poder a uma facção ou uma personalidade. Usando de
polícias de caráter radical e evergetismo, como reformas agrárias, subsidiar alimento para
população, festas públicas, banquetes35.
E por último, é observado em Goldsworthy, quando ressalta que a glória militar
impulsionava a carreira política e poderia ser fonte de futuras oportunidades de comando
nas guerras36. No entanto, vencer uma grande campanha ou salvar de uma grande ameaça,
permitia a capacidade se tornar a autoimagem do poder diante ao senado. E adquirir as
riquezas necessárias para investir em campanhas políticas, assim como Pompeu e César
fizeram37. Além de conseguir, o apoio e fidelidade do exército, ainda que direcionada
pelo senado, como casos, de Mario, Sula, Pompeu e César. Até ser celebrado como herói
de Roma pelo seu grande triunfo, como Pompeu, marchando pela Via Sacra em caminho
ao coração da cidade. O general numa carruagem puxada por quatro cavalos, com o rosto
pintado de vermelho e vestido, representado o Júpiter Ótimo Máximo. Uma
singularidade, entre divinus e imperator, por isso, encarnando um poder popular, religioso
e político, conseguiram mais altos escalões do poder, o até, tornar-se o poder, como
Mário, Sula, e nos dois triunviratos38.
Para então, podemos observar o funcionamento e ação destas éticas. Qual
incialmente no estudo das fontes, apontam para uma atuação flexivél, se movendo
segundo os interesses pelo poder. Como, no caso de Cícero apoiar uma lei de caráter
popular, de lotear terrenos os espaços vazios da Itália, por Pompeu patrocina-la, e querer
conseguir o apoio popular. E ele necessitava da aliança do Pompeu, para se proteger do
avanço de Clódio com Júlio Cesar. E ainda, tenta justifica-la, para Ático, como não
populista, que ele não contraria os direitos de donos de terra, tentando demonstrar que é
fidedigno esta ética do poder39.
E também, o terceiro viés, pode ser incialmente rastreado, como um dos primeiros
avanços na carreira política de Cicero, quando conseguiu desmascara o corrupto

34
WARD, Allan; HEICHELHEIM, Fritz; YEO, Cedric. op. cit. p. 165.
35
Idem.
36
GOLDSWORTHY, Adrian. Em Nome de Roma: Conquistadores que formaram o Império romano. São
Paulo; Planeta do Brasil. 2016. p.29.
37
Idem, p. 30
38
Idem, p. 31.
39
CÍCERO, Marcus Tullius. op. cit. XXIX.1.19.
governador da Sicília, Verres, em 70, e só ocorreu por uso de poder militar. Pois, para
rapidamente desarmar o governador, com um ataque político fulminante, necessitava do
apoio militar, garantido pelo seu primo Lucius, que era legionário, e conseguiu a
aproximação necessária para ter o suporte de Crasso40. Devido a isso, com a sua morte,
revela a Ático, a perca pública e privada que seu irmão representava: “Você, melhor do
que ninguém, por nossa íntima amizade, pode entender a dor e a considerável perda
pública e privada que a morte de meu primo Lúcio (1) significou para mim”41.

Paul Veyne, considera que a flexibilidade partidária, um movimento centrífugo


entre o binômio, dignitas x gloria/honror42. O primeiro, estaria vinculado a carreira
política, ao nome de sua família, seu poder político. Como, também Maria Helena Rocha
Pereira, que ressalta pautado em Cícero, como um prestígio político, posição política e
até algo essencial da vida43. E o segundo, está ligado a riqueza e o prestigio social,
interligando novamente ao poderio da família, de seus bens, casas, terras e tesouros44.
Maria Helena Rocha Pereira, situa que gloria e honror, são palavras cambiáveis e que
sobrepunham, ligadas ovação, triunfo, riqueza e virtude45.

O movimento centrífugo, formava-se no desejo do cidadão, alcançar a riqueza e


o poder da república, ou não perder as marcas conquistadas, por isso, moviam-se na
necessidade destes fundamentos, perdendo, muitas vezes de vista, seu viés ideológico de
poder. Como, observamos inicialmente, em Cícero, em sua conversa com Ático, que
Cícero não poderia deixar Roma, ainda que seu poder político estava se esvaziando, e só
poderia contar com o volátil Pompeu, ele não poderia perder a dignidade que havia
conquistada46. O seu poder e prestígio político, não poderiam ser facilmente perdidos. Até
por isso, numa carta anterior, já demonstrava apoiar questões populares com Pompeu,
para conseguir sobreviver em Roma47.

O segundo ponto da pesquisa, será procuraremos retratar o funcionamento das


alianças e as representações do poder. Já que, Veyne e Mary Beard, considera as redes de

40
CÍCERO, Marcus Tullius. Cicero Moral Ends. EUA; Cambridge – USA, 2000. “Nota de rodapé 3”. E
Que ajudou, na Sicília, em seu julgamento do corrupto governador Verres em 70”. Book V. p. 117.
41
CÍCERO, Marcus Tullius. op. cit. I. 1.5.
42 VEYNE, 2015, op. cit. p. 370 – 371.
43 PEREIRA, op. cit. p. 351 – 352.
44 VEYNE, 2015, op. cit. p. 371.
45 PEREIRA, op. cit. p. 346 – 350.
46 CÍCERO, Marcus Tullius. op. cit. XX.1.19.
47 Idem, XIX, 1.19.
cooptação como o coração da República. Seja ela constituída por suborno, por uma rede
clientelas ou de alianças48.

No entanto, a pesquisa nas fontes permite mostrar a diversidade e complexidade


das alianças políticas na República romana, e com mais claridade nas representações e
estratégias para o poder. Como podemos verificar inicialmente:

I. Cooptação e Clientela:
Quintus indica a Cícero, como avaliar sua clientela, seus vínculos, para saber
utilizar os clientes confiáveis, com palavras e gestos cordiais, e tentando aparentar
próximo, como um amigo49. O vínculo, faz do cliente, um “ativista” pela causa, não
apenas uma troca de interesses50. E como posicionar os clientes, desde de arguir votos no
interior da Península Itálica, até solicitar relatórios e informações sobre seus eleitores,
como nomes, favores, ideologias... 51
E o apoio para descer ao Fórum e conseguir mediar alianças a outros grupos
políticos52. Além disso, era importante haver uma diversidade ordens de clientes, para
conseguir infiltrar e ter apoio dos mais diversos grupos do poder, desde dos publicanos,
os comerciantes à as famílias tradicionais... 53

Lembrando que o primeiro século a.C. era um era um período demasiadamente


conflituoso, como bem delimita Guarinello a expansão imperialista causou rachaduras na
estrutura da República. Uma vez que as éticas do poder não se tornam tão plurais, acabam
se centralizando e ao mesmo tempo criando grande vácuo entre ricos e pobres, entre
credores e devedores, entre romanos e itálicos, entre generais rivais e seus respectivos
exércitos54.
Assim cada posicionamento político era fundamental, devido isso, era tão difícil
perder importante instrumentos familiares e de clientelismo, para crescer em Roma.
Como caso de Cícero, que estava constante crescimento nas esferas do poder.
Então esta rede cooptação ilustrada por Paul Veyne nas esferas do poder do
Senado e conjuntamente ligado a uma rede de clientes55, era fundamental para um político

48 VEYNE, 2009, op. cit. 93 e 94; BEARD, op. cit. p. 29-30; 142;195.
49 CICERO, Quintus Tullius, op. cit. III; XVI e XVII; XXXIV – XVIII.
50 Idem, XXII.
51 Idem, XXXX e XXXXI.
52 Idem, XXXVI e XXXVII.
53 Idem, XIX.
54
GUARINELLO, Noberto Luiz. História Antiga. São Paulo; Contexto, 2013. p. 133.
55
Idem. 93-94.
romano conseguir ascender no poder. Cícero sabia disso, por isso Quintus afirma em seu
manual:
Candidatar-se [...] dividir-se em dois tipos de atividades: obter apoio dos seus
amigos [...] Você atraí a boa vontade dos amigos por meio de gentilezas,
favores, antigos contatos [...] você precisa pensar na amizade em termos mais
amplos [...] Assegure-se de que todos o apoiam e querem seu sucesso. Isso
incluí sua tribo, seus vizinhos, seus clientes, seus antigos escravos e até seus
criados56.

Devido a isso conseguia amigos e inimigos a sua vista, em meio sua rede de
clientela, que conseguia inteligentemente trabalhar para seu sucesso. Como caso de seu
Cliente Hilário, qual denomina de homem muito esperto e contador, ligado ao General e
Pretor Antônio, para ao mesmo tempo informar os seus ganhos, como sua parte tem sido
passado de forma corretamente. Mais interessante, é que repassa esta informação para
outros dois clientes, Valério e Tiilo, que são os intermediários da informação. Um
mecanismo de despiste, e controle de informação. E também um ex-escravo, totalmente
fidedigno ao seu ex-senhor57, por isso conseguiu sua liberdade, que serve apenas para
receber sua parte dos recursos combinado com Antônio58.
A circulação de informação por sua rede clientes, é fundamental para que consiga
ao mesmo tempo controlar e despistar a sua informação, por isso, sempre se comunica,
por esta rede aparentemente fidedigna, assim muitas vezes atrasa envio de informações,
conte-se para sempre esperar “brecha” e os clientes, e caminhos corretos para que
informação chegue ao seu destinatário corretamente. Como informa a seu amigo Ático:
[...] porém tardei um pouco mais porque não encontrei um mensageiro
confiável; com efeito, quantos são aqueles que podem levar uma carta um
pouco mais pesada sem torná-la mais leve lendo-a por completo! [...] depois
que você meu deixou, mas elas não devem ser confiadas a alguém sob o perigo
de serem extraviadas, abertas ou interceptadas. 59

Cícero, salientando sobre a clientela, sempre sentencia a importância de


diferenciar quem são seus amigos, no quesito de uma clientela ativista, do que aqueles
que são apenas aproveitadores, que devem ser usados como tal. Por isso, Quintus, no seu
manual afirma: “A política é cheia de engodo, trapaça e traição [...] por isso mesmo,
lembre-se das sábias palavras de Epicharmus “Não confie muito facilmente nas

56
CICERO, Quintus Tullius. Como Ganhar uma Eleição. São Paulo; EDIPRO, 2013. p. 57-59.
57
Cicero em seu manual informa como fazer para conseguir clientes fiéis, motivado e apoiadores de seu
sucesso. p.66-67.
58
CICERO, Quintus Tullius. Cicero Letters to Atticus. Vol.1. London, MCMXIX, 1919. p.14.
59
Idem, p.15.
pessoas”60. Devido a isso informa seu amigo Ático, como um do “seus” não é realmente
parece ser:
[...] como mostra, ele muito me estima, me abraça, me quer, me elogia em
público, mas secretamente, embora de forma que seja evidente, me inveja.
Nada de gentileza, nem de simplicidade, nem de honestidade “em questões
políticas”, nem de distinção, nem de coragem, nem de independência! 61

Para Cícero a problemática não está apenas na falta de lealdade, mas na


necessidade de acreditar no grupo regimentado. Já que a rede cooptação deve se
beneficiar, por bem-estar de todos, está consciência e fundamental no papel do político,
para que grupos não se movam por interesse individual, sim coletivo. Por isso, Quintus,
afirma em seu manual “Faça-os saber que você é grato pela sua lealdade e que está consciente
do que cada uma está fazendo por você”62

II. Riqueza, Propaganda e Evergetismo:


Cícero em correspondência com Ático, afirma, a importância da glória e da honra,
constituída por meio do enriquecimento pessoal, como uma ferramenta importante para
valorização e o status de sua família no poder público romano63. Devido a isso, relata que
seu irmão Quintus, “comprou as três quartas partes restantes do edifício de Argileto por
725.000 sestércios”64 para se lançar a campanha política de governador da Ásia. Pois, sua
riqueza poderia ser possivelmente uma demonstração de poder e força para conquistar
novas alianças políticas e apoio de clientes.
As campanhas políticas eram bastantes caras e extensivas65, assim Cícero usou de
seu governo da província, para conseguir fundos, para novos voos políticos, como as
magistraturas romanas66. Outro elemento fundamental práticas do poder, era propaganda,
ela era realizada desde: narrativas de grandes eventos conquistados, como paradas ou
festivais no nome do político, até monumentos que gravam suas conquistas.67

60
CICERO, Quintus Tullius. 2013. ob. cit. p.91.
61
CICERO, Quintus Tullius. 1919. ob. cit. p.17.
62
CICERO, Quintus Tullius. 2013. ob. cit. p.67
63 CICERO, Marcus Tullius op. cit. XIII e XIV.
64 Idem, XIV. 1,14.
65 Como caso de César que se endividou totalmente para conseguir o governo de uma província, para assim

pagar seus devedores. SANTA’ANNA, Henrique Modanez. História da República Romana. Petrópolis, RJ.
Editora Vozes, 2015. p.116 – 117.
66 VEYNE, 2009, op. cit. p. 95 - 96. Veyne, afirma que como governador, Cícero conseguiu o equivalente

a 1 milhão de euros.
67 GOLDSWORTHY, Adrian. op. cit. p. 29 -31; BEARD, Mary. p. 45. VEYNE, 2015, p.442 – 444.
Por isso, Cícero se preocupa em sua correspondência a Ático, sobre a realização
e a circulação, da obra de Lúcio Cosínio, sobre seu consulado 68. Foi uma tentativa de
Cícero, em fazer sua atuação política no desmascaramento da revolta de Catalina, a uma
epopeia ou conquista militar. Qual era mais comum seu registro em obras literárias69.
E por último, a prática do evergetismo, qual Quintus indicava como um dos
fundamentos para ganhar uma eleição. Ela se consistia, no candidato conhecer seus
eleitores pelo nome, ouvi-los, elogia-los, bajulá-los, ser generoso e principalmente dar
esperança de um emprego no governo e até benefícios. Além da prática de banquetes, nos
quais os companheiros participantes da campanha devem ter o discurso pronto para
procurar atingir com promessas o eleitorado de uma tribo, família e cidade70.
E também aparentar ser uma pessoa aberta, disposta a ouvir, como se tivesse
preocupado com cada necessidade do eleitorado, por isso sua casa deveria estar sempre
cheia de pessoas, de todas as “ordens” sociais. 71
Outra indicação do evergetismo, e analisada por Veyne, como a prática dos
notáveis financiar espetáculos públicos, edifícios públicos, banquetes, festas e
necessidades em geral da cidade-estado, doando contribuições para o Tesouro público,
isso para alcançar o espaço dignitário.
Para então alcançar o título de “patrono da cidade”; “pai da cidade” ou "benfeitor
magnânimo e espontâneo", que era comum em lápides ou estátuas que poderiam ser
erguidas na cidade. Contudo esta prática não era esporádica, sempre que a cidade
precisasse de algo, era o papel do patrono cumprir, até mais, era comum fazer anualmente
obras, festas e campanhas.
E caso não houvesse condições financeiras no momento, deveriam formular por
escrito a promessa pública de fazer isso um dia. Esta prática e representação simbólica
entretinham as classes menos abastadas e alcançava sua fidelidade política72.
III. Formação Acadêmica:

Nas cartas de Cícero a Ático, observamos uma grande que Cicero da neste período
a criação de uma academia ou ginásio. Esta preocupação girava, desde em decorar e a
adequar maior rápido possível aos principais centros de conhecimentos como informa
“Hermes é um adorno comum em todos os ginásios”. Além do desejo de formar uma

6868 CICERO, Marcus Tullius op. cit. XX, 1. 20.


69 BEARD, Mary, p. 45-46.
70 CICERO, Quintus Tullius op. cit. XXXXIIII, XXXXIX.
71 Idem, XXXXIIII, XXXXIX.
72 VEYNE, 2009, 103 – 105.
grande biblioteca, para aproveitar prazer do conhecimento, apreciar o futuro da sua
velhice, mas para pontuar sua grande academia73.
No entanto, qual seria a importância desta academia? E porque Cicero, queria
forma uma biblioteca com tanto finco? Qual era sua importância naquele período?
Pierre Hadot, destaca que filosofia no fim da República e no início do império,
foi concebida como um itinerário espiritual ascendente, onde a ética correspondia na
purificação da alma e do corpo. Mediante a exegese do estudo filosófico, ler em certa
ordem os textos a comentar, pois o exercício do comentário era como um da dialética,
formador da razão74. Devido a isso, a partir do I século a. C., academias se formavam no
formato do que podemos considerar uma escolástica, uma vez que não discutem os
próprios problemas, porém o que Platão, Aristóteles, ou Crisipo disseram dos problemas
das coisas75.Portanto, ensinar Platão era ler discutir os seus textos e conceitos, da mesma
forma Aristóteles, Crisipo e Epicuro.
Neste sentido, algumas das academias, acabam se tornando, não mais escolas de
uma vertente programática, mas de um programa de estudo filosófico, pautado num
sistema doutrinal: o platonismo, o aristotelismo, estoicismo e o epicurismo. Já que
primeiro objetivo consistia antes de tudo, em formar os alunos nos métodos, de
pensamento e de argumentação, sempre pautado nos textos, suas verdadeiras
“autoridades” do saber. Por isso, a tendência frequente era em satisfazer o conhecimento
e a argumentação, voltados nas quatros grandes escolas, sem adquirir uma verdadeira
formação pessoal76. Além disso, era ao mesmo tempo um caminho espiritual, que purifica
alma, das dúvidas, com valores idealizados de considerações neoplatônicos ou estoicas,
como o corpo físico, já que entendiam que ensinar filosofia é um modo de vida, de praticá-
lo. Pois comentar os textos, quer se trate de Platão, Aristóteles, Crisipio ou Epicuro,
convida a uma transformação de vida77. Como considera Pierre Hadot
“[...] leitura de cada obra filosófica deve produzir uma transformação no
ouvinte ou no leitor do comentário, como atestam, por exemplo as palavras
finais que Simplício [...] sempre enunciam o benefício espiritual que se pode
extrair da exegese desta ou daquele escrito [...] a grandeza da alma, lendo o

73 CÍCERO, Marcus Tullius. op. cit. III, 1.7. V.1.9; VI, 1,10. IX,1.4.;
74
HADOT, Pierre. O que é a Filosofia Antiga?. 6ª ed. São Paulo; Edições Loyola, 2014. p. 222 - 223.
75
Idem, p.219 – 220. Hadot retrata um exemplo desta exegese no formato do comentário do texto filosófico,
na estrutura de uma escolástica. “A questão, “O Mundo é eterno”, substitui-se pela questão exegética
“Pode-se admirar que Platão considera o mundo eterno, se ele admite um artificie do mundo no Timeu?”.
Tratando da questão posta sob forma exegética, discutir-se-á, finalmente a questão básica, fazendo que os
textos platônicos, aristotélicos, ou outros digam o que se quer que digam”. (idem, p. 220).
76
Idem, p. 214, 216- 218. Hadot, classifica que a filosofia neste período, o textos das grandes escolas quase
como uma sagrada escritura, tornando ainda mais próxima de um sistema escolástico. (p.220 -221).
77
Idem. p. 214 - 215.
tratado “Do Céu” de Aristóteles, ou retificação da razão, lendo o “Manual de
Epíteto”78.

No período de Cícero, era comum tanto escolas da República e da Pólis, como


escolas de professores particulares, de renome, como Amônio Sacas em Alexandria,
Plotino em Roma, Jâmblico na Síria, que abriam uma escola financiado por seus alunos
e dinheiro próprio, e muitas vezes sem sucessor79. Sendo assim, possivelmente a criação
da escola de Cícero, seria ao mesmo tempo uma renumeração, aproveitando de seu
renome, como uma escala espiritual privada, por isso afirma “para conseguir esse consolo
para minha velhice”
No entanto, não podemos pensar na estrutura do pensamento de Cicero de forma
unidimensional, de uma visão apenas privado, como já é observado por Paul Veyne, na
Roma Antiga, ainda não tem clara separações do privado e do público, ou seja, ainda que
consigamos identificar certas distinções de dimensões, elas sempre estão de certa maneira
interligadas80. Até por isso, diversas vezes, Quintus, ressalta a importância da oratória de
Cícero, para conseguir aliados e ganhar as eleições. Mesmo sendo um forasteiro,
conseguiria vencer seus opositores de famílias tradicionais81.
Além disso, Paul Veyne destaca que os romanos não estudavam para se tornarem
bons cidadãos, e nem só para adornar o espirito e sim as matérias prestigiosas como
retórica. Com ela poder se ganhar a eloquência que a tribuna necessita, e assim ganhar
brilho na função pública, e adornar-se do mais desejável, a dignidade e honra82. Por isso,
Funari afirma que a oratória era fundamental para o futuro dos jovens estudantes, já que
acreditavam que toda a vida pública dependia arte de defender, não a verdade, mas seu
próprio interesses83.
Devido a isso, percebemos que as academias filosóficas seguem as quatro grandes
concepções dogmáticas, pois são necessárias para argumentação, até que a formação de
manuais e de resumos para servir de base a uma exposição escolar e até pública. Assim,
boa parte dos alunos se formavam sem adquirir uma vertente dogmática, já em parte seu
objetivo era dominar o texto, a autoridade dogmática, para ter argumentação tão

78
Idem, p. 224-225.
79
Idem, p. 215.
80
VEYNE, ob. cit. 2009. Idem. p. 101, “Uma clara divisão entre a vida pública e a vida privada não
decorria nem da lei nem do costume; só a prudência podia decidir. "Deixa, pois, teus clientes e vem jantar
tranquilamente em minha casa", diz a um amigo o sábio Horácio”.
81 CÍCERO, Marcus Tullius. op. cit. II e VII.
82
Idem, p.32.
83
FUNARI, Pedro Paulo A. Roma: Vida Pública e Privada. Col. História Geral dos Documentos. 10 ed.
São Paulo; Atual, 2000. p. 83.
necessária para domínio do espaço público, como os casos de Arquesilau e Carneada,
céticos que se consagraram seu ensino na crítica as ideais e ao mesmo tempo no domínio
exegético do texto. Por isso, a tendência frequente era em satisfazer o conhecimento e a
argumentação, voltados nos quatros grandes escolas, sem adquirir uma verdadeira
formação pessoal84
Cícero sabia disso como ninguém, mesmo não sendo uma família senatorial ou
tradicional, pode subir pelas suas capacidades únicas na arte da oratória e de política. Suas
defesas importantes atores políticos, lhe garantiu troca de favores e status mediante aos
poderosos85. Não só ele, como seu irmão, Quintus, que seguiu o mesmo trajeto. E
conjuntamente, pela ânsia do poder, pela dignidade, pois para ele está é a grande palavra.
Não se tratava de uma virtude, mas um ideal de glória. Por isso, quando é exilado de
Roma, pois desespera ao ver sua dignidade se esvaindo com areia ao vento86.
E desta forma, sabia que precisava de destreza para sobrevier ao mundo político,
um espaço multirracial, um mundo cheio de falsidades, enganações e vícios de todo tipo.
Ou seja, um mundo sóbrio, que necessitava demasiadamente da retórica, de alianças
políticas e discernimento para conseguir sobreviver a este mundo de dissimulação e
engano87. Sendo fundamental, uma clientela engajada e preparada para fazer o jogo sujo
do poder tanto do propagandismo uma maneira de conseguir adesão de votos e apoio
social, como manipular seus adversários e enganar inimigos88.
Portanto, a academia possivelmente tinha um papel também público, e não só
espiritual privado, de formar uma clientela engajada e preparada para assim favorecer sua
rede de cooptação do poder, e manter sua dignidade sobre seus domínios.

IV. Força Militar:

O uso da força militar como instrumento político em Roma, no último século da


República se tornou cada vez mais usual na República romana89. Mary Beard, considera
que a premissa da violência na política teve um marco com a morte dos irmãos Gracos.
Já que a violência usada foi a maneira política de eliminar possíveis agentes políticos que

84
HADOT, Pierre. op. cit. p. 215- 217.
85 BEARD, Mary, op. cit. p. 41 – 42. E Quintus, cita a importância de Cícero cobrar os favores, daqueles que
ele já tinha defendido. CÍCERO, Quintus Tullius. op. cit. IV e XIX.
86
VEYNE, ob. cit. 2009. Idem. p.98.
87
FUNARI, op. cit. p. 37.
88
Idem, p 36.
89 BEARD, Mary. op. cit. p. 211.
procuravam a centralização do poder e o enfraquecimento do senado90. Assim, os
conflitos de Mário e Sula, e os Triunviratos são mais um exemplo do continuo exercício
da violência como solução política na República91.

Prática não admirada e aceita, tanto por Cícero e Quintus, que pensavam um poder
pautado em princípios optimus e estoicos. Por isso, Quintus em seu manual, ao analisar
os principais adversários de Cícero ao consulado romano, Antonius e Catalina. Destaca a
violência e falta de escrúpulos92, como a principal diferença política para de Cícero. Mas
ao mesmo tempo, nos permite emergir nas práticas e representações do poder da república
romana.

Assim, fazendo um resumo instrumentos políticos que Antonius e Catilina,


usarem para ascender no poder romano. O primeiro, mesmo tendo suas terras confiscadas
por dívidas, pelo continuo gastos com prostitutas, jogos e drogas. E assim, sendo expulso
do Senado para investigações de sua conduta, consequentemente ficando em baixa
politicamente. Conseguindo reagir politicamente com o apoio de Sabidius e Panthera para
se eleger pretor. E posteriormente, se candidata ao consulado romano, e neste momento,
que Quintus retrata o uso da violência. Pois afirma, que para conseguir angariar recursos
para campanha, foi ao exterior assaltar portos, para assim, não precisar convencer os
eleitores e sim compra-los93.

Já o segundo, tinha a marca da violência muito mais ponderante na sua carreira


política. Uma vez que, ascendeu politicamente em Roma sendo um dos capangas de Sula,
matando cidadãos devedores ou opositores do ditador. Como o pretor romano Marcus
Marius Gratidianus, apoiador ao grupo de Mário, que perseguiu até um túmulo, onde ali
torturou -o com todo tipo de crueldade, até decapita-lo94. Além de formar seu próprio
grupo de jagunços em Roma, formado por atores e gladiadores, que aterrorizavam seus
credores e adversários. Ponto mais ato de seu uso, foi a tentativa a força de tomar o poder
em Roma, em 63, qual foi desmascara por Cícero.

No entanto, como sabemos as fronteiras do poder romano não tinham totalmente


se consolidados. Devido a isso, observamos Cícero confidenciando a Ático, uma possível

9090 Idem, p.212.


91 Idem, 213 – 214.
92 Segundo uma ética optimus e estoicos.
93 Mary Beard ressalta como a compra de voto foi uma prática comum na República romana. CICERO,

Quintus Tuillus. op. cit. p.43 – 45.


94 Idem, 44-45.
aliança a Catilina, se oferecendo a advogar uma das suas inúmeras causas resultadas de
sua total devassidão as prostitutas, jogos e drogas95. Para assim, conseguir uma dívida e
débito com um possível adversário político. O que não ocorreu, porém não foi por
inabilidade ideológica, e sim acerto político.

Portanto, o trabalho procura avançar no estudo da política na república romana,


procurando sair dos reducionismos neomarxismo, mediante a análise do olhar de Cícero
e Quintus, do funcionamento das estruturas do poder na República. Para assim, podemos
entendermos e rastrearmos as éticas do poder e suas representações e estratégias na sua
constante construções do poder político na antiguidade.

Metodologia:

1.Iniciar com conceito de éticas do poder e de política na antiguidade.

2. Para entendermos 1° segundo a história de conceitos, E depois de seus próprios Conceitos


Kosseleck. Usando a Professora de Portugal e usando Funari caracteriza o uso do latim.

3. Terceiro, começa como paul Veyne, demonstrando República privada, a rede cooptação.
Assim delimitar estrutura do poder formulado por práticas e representações do poder. Para
isso, precisamos entender segundo Chartier.

Neste projeto de pesquisa nos pautamos em entender as éticas e representações do


poder na República romana, segundo seus conceitos e aparelhos mentais, para poder
assim sem modelos, tecermos hipóteses que não sejam anacrônicas e generalistas. Como
observamos na “história conceitual” de Koselleck. Que é, antes de tudo, uma concepção
historiográfica que toma como fundamento a historicidade humana constituinte do
fenômeno linguístico. Em outras palavras o que constitui o tempo histórico são as
concepções sociais sobre sua temporalidade e, particularmente, sobre o seu futuro. A
temática historiográfica, não é propriamente o passado, mas o futuro; não o fato, mas a
possibilidade; mais precisamente, as possibilidades e projetos, passados – o futuro do
passado96.

Pois cabe a um historiador encontrar os rastros do processo, não por moldes ou


caminhos pré-definidos, já que a história não segue regras ou caminhos já traçados, como
observa, Veyne:

95 CÍCERO, Marcus Tuillus. op. cit. XI. 1.2.


96 KOSELECK, op. cit. p.10
Um historiador sabe, por experiência, que, se ele tenta generalizar um esquema
explicativo, esse esquema cede sob sua mão, em resumo, a explicação histórica
não segue caminhos já traçados de uma vez por toda; a história não tem
anatomia. Não se pode encontrar, em sua fluidez, um núcleo consistente 97.
(VEYNE, 1982, 133).

Assim compreendendo o objeto histórico por meio de suas próprias construções e


conceitos, tecendo a linha conceitual interliga a multidão de fatos. Situar a ética

e permite historicizar o processo, como Veyne aborda:

[...] a história é um palácio do qual não descobriremos toda a extensão (não


sabemos quanto nos resta de não-factual a historicizar) e do qual não podemos
ver todas as alas ao mesmo tempo; assim não nos aborrecemos nunca nesse
palácio em que estamos encerrados. Um espírito absoluto, que conhece seu
geometral e que não tivesse nada mais para descobrir ou para descrever, se
aborreceria nesse lugar. Esse palácio é, para nós, um verdadeiro labirinto; a
ciência dá-nos fórmulas bem construídas que nos permitem encontrar saídas,
mas que não nos fornecem a planta do prédio [...]98.

Por isso nosso caminho é de tentar rastrear as éticas políticas na República, no qual
utilizamos para entender este espaço poder, o espaço do conflito, o conceito já apontado
por Finley que são as atividades humanas no mundo pré-moderno em meio a uma arena
de interesses e conflitos sociais. Para contemplarmos este conceito se faz necessário
entendermos o conceito de ética que Guarinello e Joly apontaram.
Segundo Guarinello e Joly não existe apenas uma ética, mas éticas, que são
formadas socialmente, estas respondem as necessidades históricas de uma devida
sociedade, por isso podemos dizer que não há um padrão de ética universal
(GUARINELLO, 2001, 134). Portanto, deve ser entendida pela sua própria linguagem e
termos, tendo como pano de fundo a República Romana (134). Assim antes de iniciarmos
o conceito de éticas nos propomos a definir os conceitos, de cidade-estado, política,
origem do pensamento, linguagem e estrutura da sociedade. Nesta segunda parte do artigo
procuremos os rastros das éticas políticas em meio à estrutura social da República
romana, para assim observarmos a polifonia de vozes políticas que constituem suas
atividades e que fomentam éticas políticas.

97 VEYNE, 1982. op. cit. p.133.


98 Idem.
Então, todo conceito e realidade estariam sendo determinados numa dicotomia entre
“espaço de experiências” e “horizonte de expectativas”. A primeira se refere ao presente
sempre em mudança99 e a segunda reporta a projeção do futuro e sua própria
temporalidade. E assim olhar o passado em ação, sempre modificado por um futuro e sua
temporalidade100.

Contudo, a análise da história de conceito, não é apenas um estudo histórico-


linguístico, mas está em busca de evidenciar o olhar do passado, como diria Febvre os
aparelhos mentais, que estão dispostos na linguagem e sua representação da experiência
vivida. Assim a história dos conceitos, fornece subsídios para compreensão dos processos
históricos, e suas tensões, permanências e mudanças101.

Isso pode ser observado, primeiro na estratificação dos significados de um conceito


em épocas diferentes, para assim compreender em curto, médio e longo prazo as suas
mudanças que indicam também transformações estruturais na sociedade102. Pois tem a
capacidade de significar as permanências estruturais históricas por meio de
representações linguísticas da realidade. Já que faz parte de uma narrativa, que são
representações do passado vivido. Como apresenta Kosellecek

[...] mostra que todo conceito que faz parte de uma narrativa ou de uma
representação, [...] os conceitos não nos instruem apenas sobre a unidade se
significados [...] anteriores mas também contém possibilidades estruturais;
colocam em questão traços contemporâneos no que é não-contemporâneo e
não pode reduzir-se a uma pura série histórica temporal [...] permitem que uma
história que em seu momento foi dada como “real” possa ser hoje dada como
possível e, com isso, ser representada [...]”103.

Portanto estes conceitos abordados pela estrutura histórica definida por Koselleck
são importantes para a história social, pois é o pano de fundo para entendimento do objeto
histórico. Devido a isso, a análise deste projeto será primeiro definir os conceitos do
contexto histórico e políticos, da República romana, para então analisarmos as éticas e as
representações do poder na República romana.

99 KOSELECK, op. cit. p. 61.


100 Idem, p. 62.
101 Idem, p. 98.
102 Idem, p. 116.
103 Idem, p. 143.
Como os conceitos políticos em latim usar Funari, Professora de Portugal e Beard,

Então, poderemos entender com mais proximidade o processo das tensões e vozes
das éticas do poder da república romana. Expostas pelo estudo das cartas de Cícero a
Ático e pelo manual político de Quintus.

Demonstrar uma republica situar em família, colizações e redes cooptação, para


assim aplicar chatier para entender as éticas e representações do poder.

Para entendermos a estruturação das representações simbólicas, apresentadas nos


discursos clássicos de Cícero e Quintus, estaremos usado corpus teórico de Roger
Chartier. Qual retira ou teoriza o conceito de estruturas de pensamento, qual mais tarde
denomina de aparelhos mentais de Febvre. Que seriam evocações socioeconômicas, que
organizam a maneira de pensar e indicam tanto as práticas como as produções artísticas.
Como Chartier aponta:

sem explicitá-la ou teorizá-la, febvre sugere aqui uma leitura que postula, para
uma dada época, a existência de “estruturas de pensamento” ( a expressão não
aparece em febvre), elas próprias comandadas pelas evocações
socioeconômicas, que organizam tanto as construções intelectuais quanto as
produções artísticas, tanto ás práticas coletivas como os pensamentos
filosóficos [...]104

Febvre não chegou a definir o conceito de aparelhagem mental, mas nos deixou
apontamentos para entendermos mais profundamente e de perto. Dizia que cada
civilização e época tem sua aparelhagem mental, estruturas que não estavam congeladas,
mas em constante mudança e em contato uma com as outras. Estas fomentam a forma do
pensamento, que antes de tudo são os instrumentos materiais (as técnicas) e conceituais
(as ciências). Como indica Chartier:

Febvre não define a aparelhagem mental, mas caracteriza-a assim [...] a cada
civilização sua aparelhagem mental; mas do que isso, a cada época de uma
mesma civilização a cada progresso, seja das técnicas, seja das ciências que a
caracteriza – uma aparelhagem renovada, um pouco mais desenvolvida para
certos empregos, um pouco menos para outros. uma aparelhagem mental que
essa civilização, que essa época não está garantida de poder transmitir,
integralmente, ás civilizações, ás épocas que vão lhe suceder: ela poderá
conhecer multidões, retrocessos, deformações significativas [...] o que queria
dizer três coisas},{ que as categorias do pensamento não são nem universais
nem redutíveis operacionalizadas pelos homens do século XX}, [...] maneiras
de pensar dependem, antes de mais nada, dos instrumentos materiais (as

CHARTIER, Roger. A Beira da Falésia: A História entre certezas e inquietude. Porto Alegre; Editora
104

Universidade/UFRGS, 2002. p. 29.


técnicas) ou conceituais (as ciências), não há progresso contínuo e necessário
[...] na sucessão das diferentes aparelhagens mentais 105. (31).

A aparelhagem mental é fonte de análise dos historiadores por meio da linguagem,


que expressam como o sistema de percepções, que são: linguísticos, conceituais e
afetivos, ou seja modos de pensar e sentir. Portanto a tarefa do historiador é resgatar estas
representações para entendermos o período estudado sem anacronismo, com as
aparelhagens do período. Como concluí Chartier. Situar cicero e quintus e analise.

[...] aparelhagem mental é o estado da língua, em seu léxico e sua sintaxe, as


ferramentas e a linguagem cientifica disponíveis, e também este “suporte
sensível do pensamento” que é o sistema das percepções, cuja economia
variável comanda a estrutura da afetividade [...] (linguísticos, conceituais,
afetivos) comanda “modos de pensar e de sentir” que recortam configurações
intelectuais específicas [...] a tarefa primeira do historiador, assim como do
etnólogo, é então resgatar essas representações, em sua irredutível
especificidade, sem recobri-las com categorias anacrônicas, nem medi-las pela
aparelhagem mental do século XX106 [...] (31).

Iniciar com a afirmação de Paul Veyne, de contrapor a citação de Cicero, da República ser
complexa. Desta forma, apontar que não há uma contradição, pelo contrário, não porque o
jogo, tem poucas variáveis e sua estrutura de funcionamento não é complexa.

Descrever as três no mesmo paragrafo. Depois indicar suas práticas nas fontes, suas
flexibilidade, citando caso Cícero com Pompeu. E Por fim, a militar, citando Goldsworthy, como
Cícero já utilizou, mas a renega, na descrição de seus adversários.

Para entende-la devemos enxergar estrutura da cultura política do poder em três viés: as duas
primeiras encontradas em Cícero. E terceira em Goldsworthy.

Movida, de forma centrifuga, pelos ideais, que fazer destas éticas do poder liquidas, o
binômio, do dignitis x Honrais/glories; (citar o final de sua carta atticus) cidadania x imperium
(Completar com a professora). Citando exemplo, de Cícero, que muitas vezes dirige conforme
a a dignitus para as composições políticas necessárias e justifica para Aticus. E o exemplo de
Pompeu e César para relatar o imperium, questionamentos de Cícero sobre isso, no livro
República.

105 Idem, p. 31.


106 Idem.
Posteriormente demonstrar este funcionamento, situando os E também os fundamentos da
república citada por Cícero. Como os arranjos políticos, funcionam: INDICANDO ALGUMAS
FORMAS

- Cooptação e clientela heterogêneas: TIPOS DE CLIENTES, BANQUENTES

- Riqueza e Propaganda (evergetismo)

- Formação acadêmcia

-Força militar.

Fichamento Maria Helena da Rocha Pereira Estudos de História da Cultura


Clássica. II Volume: Cultura Romana

Importância dos Estudos para Cicero e sua diversidade


(Estudou primeiro estudo com gramático estóico Élio Estilo, aprendizado jurídico
político com Múcio Cévola Águre e com Múcio Cévola Pontífice (da escola de Panécio
e Posidónio), apreende com acedêmico Fílon Larissa, com o estoíco Diódoto, seis meses
Atenas estuda com, Antíoco de Ascalão107Por último ouve escola epicurista de Fedro e
Zenão de Síndon, levado pelo seu amigo Ático. (p.128 -130).

(Escreveu para ático em 54 a.C. dois nos após escrever a República, assim como
Platão, o livro “As Leis”, para Ático, já que estavam discutindo a constituição ideal da
República108). P. 132.

Correspondência indicando sua vida privada e pública com um ou mais amigos


são hábito de todos os tempos, documentados entre os latinos desde Cícero109. (p.211)

O estudo e assimilação das doutrinas dos grandes filosófica gregos, fora aliás, a
grande preocupação de Cícero: Cá para nós, nem começamos a filosofar subitamente,
nem foi o pequeno esforço e cuidado consumido nesse estudo desde os alvores de nossa
vida.(p.128).

Frequentou ao mesmo tempo escolas epicuristas, levado pelo seu amigo Ático; ái
ouve de novo Fedro e escuta Zenão de Síndon. Difícil seria pedir uma formação mais
variada para este hommo novus que se dedicou a esse estudo entre os dezoito e os vinte
anos e nunca mais o abandonou de todo. (p.130)

Nesta mesma linha Guarinello e Joly se propõem em identificar e problematizar a


complexidade do poder no Principado romano:
[...] Predomina, em nosso senso comum, a ideia de que o governo dos
imperadores de Roma exercia-se sobre uma sociedade decadente,
apática, viciada, sujeita aos desmandos pessoais, aos caprichos e
mesmo á loucura desvairada de tiranos absolutos e sem limites. Mas
essa visão é, na verdade, um mito [...] mostrar a existência de éticas
políticas concretas e efetivas, e para tanto, escolhemos como campo de
[...]. (GUARINELLO, 2001,133)

A ética então será o fio condutor para entendermos a dicotomia real entre a
representação, narrativa histórica, e o conceito que revela com mais clareza e
profundidade a singularidade de experiências. Como Koselleck aborda:

107
Adversário de Filon e chefe da academia, cujo se esforça em relacionar Platão, Aristóteles com os
Estoicos.
108
PEREIRA, op. cit. p.132.
109
Apud cartas de Ático XVI 2.6.
[...] o problema da representação isso é, da maneira como a história [...]
narra e descreve, remete, no campo do conhecimento a diferentes
dimensões temporais do movimento histórico [...] forma de uma
linguagem limita não só o potencial de representação como também
exige do historiador que se volte necessariamente a fonte em busca de
fatos [...] trata-se de diferentes camadas de tempo que, por sua vez
exigem diferentes aproximações metodológicas [...] para explicar
melhor esta tese, partimos do princípio de que “eventos” só podem ser
narrados e “estruturas” só podem ser descritas [...] a experiência
histórica que constitui o evento será necessariamente inserida na
sucessão temporal [...] o fio condutor da representação [...]
(KOSELLECK, 2006,133-134).

Sendo assim já observamos que o Estado clássico não é um espaço do poder


unidimensional, mas de interesses e conflitos, que borbulham na complexa sociedade
romana.
Uma vez que o poder é construído em meio ao debate e ao diálogo, onde todos os
cidadãos podiam participar, é óbvio que nem todos realmente acabavam tendo voz, mas
se dava espaço para cada grupo social cidadão apresentar a sua voz. Sendo assim não
podemos acreditar que esta polifonia era ditada pela música de um só grupo, aristocracia
romana, pois então para que a música?

Contudo na antiguidade Finley observa não existir uma distinção entre Estado e
governo, este poder não é resumido apenas por uma coerção, e sim pelo seu
reconhecimento do direito ao exercício de força (18-19). Assim o poder não é uma
marionete nas mãos dos patrícios, mas se configura como uma rede de interesses que deve
ser convergida ao plenário da maioria dos cidadãos para que suas ações mantenham o
equilíbrio no poder. Claro que haverá ações que fogem deste padrão, estas ações
impositivas que nos apontam as revoltas e conflitos, nos indicando novamente como o
poder é mais complexo do que se tem apontado.
A prática cultural da política na República romana corrobora com o conceito de
Finley, que é o modelo de uma política, que se insere nas atividades humanas do mundo
pré-moderno, nos quais tinha a dura obrigação de serem inventivos, pois este modelo
baseado em cidade-estado, assembleias e debate se iniciava com eles, por isso o improviso
em meio a novos problemas será algo comum, uma vez que não há moldes antecessores
a serem comparados, daí algumas vezes poderiam denotar imagens irreconhecidas
(FINLEY, 1997, 70-71).
Além de observarmos uma estrutura associativa, e de ofícios, na estrutura social
romana apontadas por Funari e Paul Veney (VEYNE, 2009, 123-124; 172-174; VEYNE,
2000,39-41), contudo deixaremos esta alusão para a segunda parte do artigo, onde
analisaremos o seu espaço e voz política dos mesmo.
Na luz dos conceitos abordados no item anterior, e também estudo de obras
clássicas e propagandas expostas em Pompeia, analises de mausoléus e novas perguntas
problemas tentaremos dar luz a esta analise significativa da política romana, qual faltou
para Finley.
Primeiramente observamos os discursos de Políbios e Cipião Africano, que nos
apontam as primeiras indicações das éticas e vozes políticas romanas:
O governo da República romana estava dividido em três corpos tão bem
equilibrados [...] poderia dizer com certeza se o governo era
aristocrático, democrático ou monárquico. Atentando ao poder do
cônsules dirá que é absolutamente monárquico e real; e a autoridade do
Senado parecerá aristocrático e ao poder do Povo, julgará que é um
Estado Popular (POLÍBIOS, 1985, Livro VI, 11. 333).

Este mesmo conceito pode ser observado em Cipião, na obra de Cícero.


Por minha parte, creio que a melhor forma política é uma quarta
constituição formada da mescla e reunião das três primeiras. (...)
Para resumir: a monarquia nos solicita pela afeição; a aristocracia
pela sabedoria; o governo popular, pela liberdade, e, nessas
condições, a escolha se torna muito difícil. (CICERO, 1985, Livro
I, 28,29 e 35, 41-42 e 46).

Para Políbio não havia choque entre estes três poderes, contudo a história romana
nos apresenta outra realidade, observamos o Senado, em disputa com o poder e com a
classe cidadã menos abastada, em contrapartida observamos os cônsules buscando neste
vazio definidor um espaço para uma centralização de poder. Assim identificamos três
espaços do poder em disputa pela direção da República romana, contudo não é porque
são três espaços, que são três grupos, com uma ética política e uma voz unilateral. Pois aí
se encontra o problema, buscaremos analisar cada espaço e identificar como estas éticas,
promovem espaços complexos que carregam diversas vozes e suas representações
simbólicas.

Justificativa:
Iniciar com a afirmação de Paul Veyne, de contrapor a citação de Cicero, da República ser
complexa. Desta forma, apontar que não há uma contradição, pelo contrário, não porque o
jogo, tem poucas variáveis e sua estrutura de funcionamento não é complexa.

Para entende-la devemos enxergar estrutura da cultura política do poder em três viés: as duas
primeiras encontradas em Cícero. E terceira em Goldsworthy. Movida, de forma centrifuga,
pelos ideais, que fazer destas éticas do poder liquidas, o binômio, do dignitis x Honrais/glories;
(citar o final de sua carta atticus) cidadania x imperium (Completar com a professora). Citando
exemplo, de Cícero, que muitas vezes dirige conforme a a dignitus para as composições
políticas necessárias e justifica para Aticus. E o exemplo de Pompeu e César para relatar o
imperium, questionamentos de Cícero sobre isso, no livro República.

Posteriormente demonstrar este funcionamento, situando os E também os fundamentos da


república citada por Cícero. Como os arranjos políticos, funcionam: Cooptação, Riqueza e
Propaganda (evergetismo) Formação acadêmcia e Força militar.

Metodologia:

Fichamento - GOLDSWORTHY, Adrian – Em Nome de Roma: Conquistadores que formaram o


Império romano. São Paulo; Planeta do Brasil. 2016.

Introdução e Cap.1 “O Político e General”

Introdução:

“O General deveria orientar o combate e inspirar seus soldados, mostrando que estavam
sendo observados de perto e que os atos de bravura seriam recompensados, da mesma forma
que ações covardes seriam punidas” (p.15) – Modelo de General, e aproveitar sentido de
clientela que o general fomenta.

“[...] os romanos consideravam que apenas os bem-nascidos e privilegiados mereciam exercer


o alto-comando. Mesmo um “homem novo” (nouvs homo) como Mário, ridicularizado por sua
origem vulgar pela elite de senadores até quando forçava seu caminho para juntar-se a eles,
surgia das margens da aristocracia e não representava, em nenhum sentido real, a maior parte
da população” (p.17) – Estrutura social do alto comando militar de Roma.

“[...] os comandantes [...] em essência, soldados amadores [...] Nenhum recebeu treinamento
formal para comandar suas forças, e foram indicados para tal função com base no sucesso
político, o qual, por sua vez, dependia muito do nascimento e da riqueza. [...] Em nenhum
momento [...] houve algo semelhante a uma escola de oficiais [...] As obras de teoria militar
[...] não era nada além de manuais de exercícios (quase sempre descrevendo as manobras nas
falanges helênicas), cuja tática já era obsoleta havia eficiência militar de Roma, sem, porém,
tornar seu sucesso inevitável. (p. 19-20) – Comandantes amadores, não havia escolas de
oficiais, e as escolhas para alta patente militar era política e de ordem social e o material
militar.

“Se rejeitamos seu testemunho, provavelmente não haverá com que substituí-lo. Em última
instância, podemos fazer pouco mais do que verificar a plausibilidade de cada relato, talvez
vários graus de ceticismo”. (p.23) (Ferramenta ilustrativa de como vamos tratar os relatos de
Cícero, adicionaremos Hartog e Funari, para demonstramos como usamos o relato).

“ os Bandos de guerreiros que seguiam líderes heroicos foram substituídos por soldados
recrutados que tinham meios para adquirir o equipamento necessário à luta [...] (com o
tempo) os romanos começaram a combater como hoplitas em formação de bloco, mais
conhecida como falange. [...] portavam um largo escudo redondo revestido de bronze [...] de
um metro diâmetro, usavam capacete, couraça e caneleiras, e sua arma principal era lança.
(tinha ainda espada curta por dentro do escudo). A falange hopilita dava pouca oportunidade
de um ato de heroísmo notável [...] e o resultado passou a ser decidido por centenas, às vezes
milhares, de hopilitas lutando ombro a ombro, o equilíbrio político da comunidade mudou. [...]
(assim) a classe hopolita exigia um grau de influência no Estado correspondente ao seu papel
no campo de batalha. Logo começaram eleger seus próprios líderes para presidir o Estado em
tempo de guerra como de paz”. (p.25) Importante relato da formação das hopiltas, e suas
importância na política romana, principalmente após expansão da república, quando o
poder militar e fundamental para seu mantimento. Usar conjuntamente o Guarrinello, sua
perspectiva de divisão dos ganhos como um problema da final da republica para salientar
mais uma formação de clientela para instalar no poder. Algo não citado por Cícero no seu
manual).

“A palavra legio (legião) originalmente significava apenas “[força recrutada] e referia-se à força
total arregimentada pela república em tempo de guerra. [...] consulado tornou-se prática
normal dividir a força recrutada em duas e assim, fornecer a cada magistrado um exército para
comandar [...] legião a ser nome dessa subdivisão” (p.26) – Formação da legião e o uso dos
magistrados.

[...] no qual a infantaria e a cavalaria lutavam em apoio mútuo, marchando rapidamente para
surpreender os oponentes [...] a avançar e coordenamente pressionar todo o front inimigo.
[...] liderava seu esquadrão de cavalaria numa carga contra a parte mais vulnerável da linha
oponente. [...] oficiais pudessem controlar as tropas em outros setores do campo. (p. 27)

[...] foram confrontados por exércitos quase idênticos aos deles em termos de equipamento,
tática e doutrina. [...] A teoria militar que floresceu nesse período. (p. 28)

(Ação de um general romano inovação das forças reservas) [...] refrega começava, o
comportamento do general romano diferia marcadamente do de seu correspondente
helênico. Mais magistrado do que rei, o romano não tinha lugar fixo no campo de batalha, nem
uma guarda especial em cuja frente deveria liderar o ataque. O cônsul colocava-se onde
acreditava ser a posição mais importante e, durante a batalha, movia-se por trás da linha de
combate, encorajando e orientando as tropas. [...] a formação básica da legião romana
mantinha entre metade e dois terços de seus homens atrás da linha de frente. (p. 28)

Um dos atributos mais importantes de um aristocrata romano era a virtus, [...] as qualidades
marciais importantes, não só a coragem física e a habilidade com as armas, mas também a
coragem moral e outros dons de um comandante. [...] homens continuaram, obviamente, a
conferir grande importância ao heroísmo individual [...]. Mesmo aqueles que aspiravam a
feitos pessoais de valor não sentiam que isso pudesse tirá-los do comando dos seus exércitos,
pois tais atos eram simplesmente de uma fonte adicional de glória e não alteravam o papel
mais importante a ser exercido pelo comandante. (p. 29)

O Contexto do Comando
A guerra e a política eram inseparáveis em Roma, [...] conduzissem a vida pública no Fórum
quanto comandassem um exército em campanha quando necessária. [...] a maior realização de
qualquer líder, e a que lhe conferia a maior glória. [...] a capacidade de prover liderança militar
tornou-se parte central da autoimagem da classe senatorial. [...] nossa palavra “imperador”
deriva do latim imperator, ou “general” [...] queda de prestígio quando as guerras não iam
bem. [...] o cursus honorum, que lhes oferecia postos na vida civil e militar. [...] é um erro
grave ver o sistema romano com olhos modernos [...] não eram realmente soldados, mas
políticos, pois esses homens sempre exerciam ambos os papéis. A glória militar impulsionava a
carreira política e poderia ser fonte de futuras oportunidades de comando nas guerras. Até
aqueles cujos talentos [...] para a guerra ou para a política deveriam ter a mínima proficiência
nas duas áreas, se quisessem uma chance de mostrar sua capacidade. (p. 30)

[...] em geral lucravam preferencialmente em suas campanhas, mas, sob certos aspectos, os
dividendos em prestígio eram ainda a maiores. [...] seria saudado como imperator. [...] podia
contar com o direito de celebrar um triunfo, [...] marchariam pela Via Sacra até o coração da
cidade. O general ia numa carruagem puxada por quatro cavalos, com o rosto pintado de
vermelho e vestido de (p. 30) forma a lembrar as velhas estátuas de terracota que
representavam Júpiter Ótimo Máximo. [...] ele era tratado quase como um deus [...] algo que a
família continuaria a comemorar por gerações. [...] edifícios [...] foram erguidos ou restaurados
por generais vitoriosos usando espólios que obtiveram na guerra [...] a casa da família seria
permanentemente decorada com os símbolos da conquista. [...] uma minoria entre os
senadores teve a honra de um triunfo (p. 31)

O cursus honorum variou [...] ao longo dos séculos, [...]. À época da Segunda Guerra Mundial
Púnica, devia começar com dez campanhas ou dez anos completos de serviço militar na
cavalaria, a serviço de um membro da família ou amigo, ou como uma patente de oficial como
um tribuno militar. Depois, [...] candidatar-se a ocupar a posição de quaestor, [...] podia atuar
como segundo homem em comando de um cônsul. [...] como tribuno da plebe e edil, não
pressupunham responsabilidades militares, [...] de 218 a.C. a função de pretor por vezes
envolvia comando de campo [...] suas posições por apenas doze meses e não deveriam ser
reeleitos para o mesmo cargo antes de um intervalo de dez anos. Os magistrados que
recebiam um comando militar tinham imperium, o poder de dar ordens aos soldados e de
fazer justiça. Quanto maior a magistratura, maior era o imperium (p. 31) [...] o Senado resolvia
entender o comando de um cônsul ou pretor por mais um ano, e seu título passava a ser
procônsul e propretor, respectivamente. [...] e muitos dos cerca de trezentos membros do
Senado nunca chegaram a ocupar qualquer magistratura. O sistema de votação conferia peso
desproporcional as classes mais ricas e tendia a favorecer os membros das famílias nobres
mais abastadas e antigas. Um pequeno número de famílias senatoriais tendia a dominar o
consulado, e assim eram poucos os homens que alcançavam este posto. No entanto, o sistema
político romano não era totalmente rígido. [...] a composição desses grupos alternava-se ao
longo das décadas, uma vez que alguns membros morriam e eram substituídos por outros. [...]
sempre possível que um homem cuja família nunca tivesse ocupado cargos importantes
conseguisse a posição de cônsul. (p. 32)

[...] o exército romano era recrutado entre todos os cidadãos do sexo masculino que tinham
possibilidade de equipar-se para a guerra. Os mais ricos serviam como cavaleiros, já que
tinham meios para comprar cavalo, armadura e armas. O núcleo [...] pela infantaria pesada,
[...] em sua maior parte, pelos donos de pequenas propriedades. Os pobres formavam a
infantaria leve, que não precisava de armadura, e também podiam servir como remadores na
esquadra de guerra. Cada legião consistia nesses três elementos – trezentos cavaleiros, três
mil soldados de infantaria pesada e 1.200 homens de infantaria leve (velites). [...] era
subdividida em três linhas, com base na idade e na experiência militar. Os 1.200 mais jovens
[...] como hastati e combatiam na linha de frente. [...] no início da vida pública eram [...] como
principis [...] em uma segunda linha (p. 32)

Cada linha era composta de dez unidades táticas, [...] em duas unidades administrativas, ou
centúrias, [...] qual liderada por um centurião. [...] da centúria à direita era mais velho e
comandava toda a manipula, caso os dois homens estivessem presentes. [...]. Os intervalos
eram preenchidos pelas manipulas [...] forma que a formação da legião lembrava um tabuleiro
de xadrez [...] cada legião era apoiada por uma ala de aliados latinos ou italianos, composta
pelo mesmo número de soldados de infantaria, [...] por um número até três vezes maior de
cavaleiros. Normalmente, o cônsul recebia o comando de duas alas. A posição-padrão
dispunha as legiões no centro com uma ala em cada flanco [...] (p. 33) em geral um quinto da
infantaria e um terço da cavalaria – eram retirados das alas para formar os extraordinarii, os
quais eram colocados à disposição imediata do comandante do exército. (p. 34)

[...] serviam no exército por um dever à república. [...] pois os homens costumavam passar
alguns anos consecutivos com a legião, [...] ninguém devesse ficar por mais de dezesseis anos.
[...] uma obrigação ressentida pelos que serviam. [...] submetiam-se a um sistema de disciplina
extremamente árduo, perdendo a maior parte de seus direitos legais até serem dispensados.
[...] menores infrações podiam ser punidas de modo brutal, [...]. Embora os soldados
pudessem ser convocados a servir a república de novo, não voltariam às mesmas unidades
nem sob os mesmos comandantes. [...]. As legiões vistas em serviço ativo tendiam a ser bem
treinadas e disciplinadas, mas, logo que eram dispensadas, o processo tinha de recomeçar com
novos exércitos. [...] um ciclo contínuo de recrutamento, treinamento e desmobilização, antes
de reiniciá-lo. (p. 34)

[...]. Por vezes, o exército romano também criava sistemas de sinalização usando bandeiras ou,
mais frequentemente, faróis, porém esses sinais podiam apenas comunicar as mensagens mais
simples (p. 35)

[...] era que o general em campo tinha, quase sempre, considerável liberdade de ação, uma vez
que era impraticável dirigir operações em detalhe a partir do centro de poder em Roma.
Também era extremamente difícil controlar as divisões de um exército que se estendia por
distâncias, [...] os comandantes a manter suas forças concentradas na maioria dos casos. O
mundo antigo quase não tinha mapas, [...] comandantes podiam reunir informações sobre a
geografia local usando várias fontes – se a luta fosse dentro de uma província, a quantidade e
a qualidade de informações eram, obviamente, melhores [...] um batedor para observar. [...]
generais [...] eles mesmos, o reconhecimento do terreno, da mesma forma que quase sempre
interrogavam os prisioneiros e questionavam mercadores ou membros da população local
para amealhar informação. (p. 35)

[...]. Qualquer que fosse a realidade social e política, persistiu o ideal do general como um
cidadão e soldado comum (commiles) que compartilhava com o restante do exército uma
tarefa comum. (p. 36)