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História e Geografia do

Estado do Acre
O Acre é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado no sudoeste
da região Norte e tem como limites os estados do Amazonas a norte, Rondônia a leste,
a Bolívia a sudeste e o Peru ao sul e oeste. Ocupa uma área de 152.581,4 km², sendo pouco
menor que a Tunísia. Sua superfície equivale a menos de 2% do total do país. É um
dos estados menos povoados do Brasil e foi o último a ser efetivamente povoado. Nele está o
ponto extremo oeste do Brasil. Sua capital é a cidade de Rio Branco. Outras localidades
importantes são: Cruzeiro do Sul, Feijó, Sena Madureira, Senador Guiomard e Tarauacá.

Só em 1877 começaram a chegar no Acre — que na época era território boliviano — os


primeiros colonizadores quase todos nordestino sem busca da borracha encontrada
na Floresta Amazônica. No final do século XIX, já havia na região 50 mil brasileiros. Os
seringueiros entraram em luta com as tropas para ocupar a região e, em 1903, sob a liderança
do gaúcho Plácido de Castro, proclamaram o Estado Independente do Acre. O governo
brasileiro ocupou então militarmente a região e, em seguida, entrou em conversações
diplomáticas com a Bolívia. Como resultado, o Acre foi comprado pelo Brasil à Bolívia.

Criado como Território Federal em 1904, o Acre foi elevado à categoria


de Estado em 1962. A produção de borracha, que promoveu sua ocupação e seu
desenvolvimento, entrou em decadência a partir de 1913. Mas, ainda hoje, o Acre é um dos
maiores estados brasileiros na produção e exportação de borracha (hévea-latex coagulado).

Um planalto com altitude média de 200m domina grande parte do


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Acre. Juruá, Tarauacá, Muru, Embirá e Xapuri são seus rios mais importantes. A economia
do Estado se baseia na extração da borracha e da castanha, na pecuária e na agricultura. Com
duas horas a menos em relação ao fuso horário de Brasília (DF), nela se localiza o último
povoamento do Brasil a ver o sol nascer, na serra da Moa, na fronteira com o Peru. A
intensa atividade extrativista, que atingiu o auge no século XX, atrai brasileiros de várias
regiões para o estado. Da mistura de tradições sulistas, paulistas, nordestinas
e indígenas surgiu uma culinária diversificada, que junta a carne-de-sol com o pirarucu, peixe
típico da região, pratos regados com tucupi, molho feito de mandioca. O transporte fluvial,
concentrado nos rios Juruá e Moa, a oeste do estado, e Tarauacá e Envira, a noroeste, é um
dos principais meio de circulação, juntamente com a BR-364, que liga Rio Branco a Cruzeiro do
Sul e que foi recentemente asfaltada e dotada de pontes onde antes existiam travessias por
balsas.

Etimologia

Mapa da Bacia Amazônica com o Rio Acre em destaque.


O nome, que passou do rio ao território, em 1904, e ao estado, em 1962, origina-se,
talvez, do tupi a'kir ü "rio verde" ou da forma a'kir, de ker, "dormir, sossegar", mas é quase certo
que seja uma deformação de Aquiri, modo pelo qual os exploradores
da região grafaram Umákürü, Uakiry, vocábulo do dialeto Ipurinã. Há também a hipótese de
Aquiri derivar de Yasi'ri, Ysi'ri, "água corrente, veloz".

Na viagem que fez ao rio Purus, em 1878, o colonizador João Gabriel de Carvalho
Melo escreveu de lá ao comerciante paraense visconde de Santo Elias, pedindo-lhe
mercadorias destinadas à "boca do rio Aquiri". Como em Belém, o dono e os empregados
do estabelecimento comercialnão conseguissem entender a letra de João Gabriel ou porque
este, apressadamente, tivesse grafado Acri ou Aqri, em vez de Aquiri, as mercadorias e faturas
chegaram ao colonizador como destinadas ao rio Acre.

O Acre possui alguns apelidos: Extremo do Brasil, Estado das Seringueiras, Estado do
Látex e Extremo Oeste.

Os habitantes naturais do Acre são denominados acrianos. No singular o gentílico é acriano.


Até a entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990, a grafia correta
era acreano no singular e no plural acreanos. Em 2009, com o novo acordo ortográfico, a
mudança do gentílico gerou polêmica entre a Academia Acreana de Letras e a Academia
Brasileira de Letras, alegando que a mudança significaria a negação das
raízes históricas e culturais do estado, mudando a última letra do topônimo de "E" para
"I". Embora ainda gere discussões sobre o assunto, é notório que a imensa maioria da
população do estado não gostou e não adotou o "novo" gentílico, continuando a se
autodenominarem acreanos.

História

Mapa do final do século XIX, em que o Acre aparece como parte da Bolívia.

Na região do atual estado do Acre foram encontrados inúmeros Geoglifos (estruturas


feitas no solo), com idade variável em até 2100 anos. Pela complexidade remontam
à civilizações pré-colombianas de elevado grau de conhecimento em várias áreas e
domínio de avançadas técnicas de movimentação de terra e água. As últimas escavações
fizeram uma descoberta importante em Xapuri: um buraco de esteio em boas condições foi
localizado em um geoglifo de formato redondo, reforçando a tese de que os índios daquela
época poderiam ter usado fortificações paliçadas para habitação e segurança.

Até o início do século XX o Acre pertencia à Bolívia. Porém, desde o princípio


do século XIX, grande parte de sua população era de brasileiros que
exploravam seringais e que, na prática, acabaram criando um território independente.
Em 1899, os bolivianos tentaram assegurar o controle da área, mas os brasileiros se
revoltaram e houve confrontos fronteiriços, gerando o episódio que ficou conhecido como
a Revolução Acreana.

Em 17 de novembro de 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis, o Brasil


recebeu a posse definitiva da região. O Acre foi então integrado ao Brasil como território,
dividido em três departamentos. O território passou para o domínio brasileiro em troca do
pagamento de dois milhões de libras esterlinas, de terras de Mato Grosso e do acordo de
construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré.

Palácio Rio Branco, sede do governo, e obelisco em homenagem aos heróis da Revolução Acreana.

Tendo sido unificado em 1920, em 15 de junho de 1962 foi elevado à categoria de


estado, sendo o primeiro a ser governado por uma brasileira, a professora Iolanda Fleming.

Durante a segunda guerra mundial, os seringais da Malásia foram tomados pelos


japoneses, e o Acre dessa forma representou um grande marco na história Ocidental e
Mundial, mudando o curso da guerra a favor dos Aliados e graças aos Soldados da
Borracha oriundos principalmente do sertão do Ceará.

E foi sem dúvida graças ao Acre e sua contribuição decisiva na vitória dos Aliados, que
o Brasil conseguiu recursos norte-americanos para construir a Companhia Siderúrgica
Nacional, e assim alavancar a industrialização até então estagnada do Centro-sul, que não
possuía ainda indústrias pesadas de base (Ver: Acordos de Washington).

Em 4 de abril de 2008, o Acre venceu uma questão judicial com o Estado


do Amazonas em relação ao litígio em torno da Linha Cunha Gomes, que culminou no
anexo de parte dos municípios de Envira, Guajará, Boca do
Acre, Pauini, Eirunepé e Ipixuna. A redefinição territorial consolidou a inclusão de 1,2
milhão de hectares do complexo florestal Liberdade, Gregório e Mogno ao território do
Acre, o que corresponde a 11.583,87 km².

Povoamento inicial
As secas nordestinas e o apelo econômico da borracha — produto que no fim
do século XIX começava sua trajetória de preços altos nos mercados internacionais —
inscrevem-se entre as causas predominantes na movimentação de massas humanas em
busca do Eldorado acreano. As penetrações portuguesas do período colonial já haviam
atingido seus pontos máximos no Brasil durante o século XVIII. Conseqüência inevitável foi
a dilatação do horizonte geográfico na direção oeste, atingindo terras de posse espanhola,
fato que se tornou matéria dos tratados de Madri (1750) e de Santo
Ildefonso (1777). Ambos os tratados, partindo das explorações feitas por Manuel Félix de
Leme nas bacias do Guaporé e do Madeira, estabeleceram como linha divisória das
possessões respectivas, na área em questão, os leitos do Mamoré e do Guaporé até seu
limite máximo ocidental, na margem esquerda do Javari.

O povoamento da zona, estimulado pela criação da nova capitania real de Mato


Grosso (1751), deu-se na direção da fronteira, surgindo alguns centros importantes: Vila
Bela (1752), às margens do Guaporé, Vila Maria (1778), no rio Paraguai,
e Casalvasco (1783). Até meados do século XIX não se pensou em povoamento
sistemático da área. Nessa época, o grande manancial virgem de borracha que aí se
encontra atraíra o interesse mundial, provocando sua colonização de modo inteiramente
espontâneo.

A política econômica do império, orientada para a atividade agrário-exportadora com


base no café, não comportava o aproveitamento e a incorporação dos territórios do
extremo ocidental. Desse descaso resultou que no Atlas do Império do Brasil (1868),
de Cândido Mendes de Almeida, modelar em seu tempo, não figurassem o rio Acre e seus
principais tributários, completamente desconhecidos dos geógrafos.

Apesar de tal política, alguns sertanistas brasileiros exploravam aquela região agreste
e despovoada, desconhecendo se pertenciam ao Brasil, ao Peru ou à Bolívia. Assim, ainda
em meados do século XIX, no impulso que a procura da borracha ocasionou, solicitada
que era no mercado internacional, várias expedições esquadrinharam a área, buscando
facilitar a instalação dos colonos. Nessa época, João Rodrigues Cametá iniciou a
conquista do rio Purus; Manuel Urbano da Encarnação, índio mura grande conhecedor da
região, atingiu o rio Acre, subindo-o até as proximidades do Xapuri; e João da Cunha
Correia alcançou a bacia do alto Tarauacá. Todo esse desbravamento se deu, na maior
parte, em terras bolivianas.

As atividades exploradoras, a importância industrial das reservas de borracha e a


penetração de colonos brasileiros na região suscitaram o interesse da Bolívia, que solicitou
melhor fixação de limites. Após várias negociações fracassadas, em 1867 assinou-se
o Tratado de Ayacucho, que reconhecia o uti possidetis colonial. A divisória foi
estabelecida pelo paralelo da confluência dos rios Beni-Mamoré, em direção ao leste, até
a nascente do Javari, embora ainda não fossem conhecidas as cabeceiras desse rio.

Ocupação nordestina
À proporção que subia no mercado o preço da borracha, crescia a demanda e
aumentava a corrida para a Amazônia. Os seringais multiplicavam-se, assim,
pelos vales do Acre, do Purus e, mais a oeste, do Tarauacá: em um ano (1873-1874),
na bacia do Purus, a população subiu de cerca de mil para quatro mil habitantes. Por outro
lado, o governo imperial, já sensível às ofertas decorrentes da procura da borracha,
considerou brasileiro todo o vale do Purus.

Também na segunda metade do século XIX registraram-se perturbações no equilíbrio


demográfico e geo-econômico do império, com o surto cafeeiro no Sul canalizando os
recursos financeiros e de mão-de-obra, em detrimento do Nordeste. O empobrecimento
crescente dessa região impulsionou ondas migratórias em direção aos estados do Rio de
Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. O movimento de populações tornou-se particularmente
ativo durante a seca prolongada no interior nordestino, de 1877 a 1880, expulsando
centenas de nordestinos, que rumaram para os seringais em busca de trabalho.

O avanço da migração nordestina processou-se até as margens do Juruá e acelerou a


ocupação das terras que mais tarde a Bolívia reclamaria. Os grandes leitos fluviais e a
rede de seus tributários eram então intensamente trafegados por flotilhas de embarcações
do mais variado porte, transportando colonos, mercadorias e material de abastecimento
para os núcleos mais afastados. Os governos do Amazonas e do Pará logo instituíram as
chamadas casas aviadoras, que financiavam vários tipos de operações, garantiam créditos
e promoviam o incentivo comercial nos seringais.

Planta nativa, a seringueira escondia-se no emaranhado de outras árvores, igualmente


nativas, obrigando o homem que saía no encalço da borracha a construir um verdadeiro
labirinto, com trilhas em ziguezague na selva. Do seringal surgiu a figura humana
do seringueiro, associado à planta para explorá-la. Seringueiro-patrão, beneficiário do
crédito da casa aviadora, e seringueiro-extrator, aviado, por sua vez, do patrão. Um
morando no barracão, sempre localizado à beira do rio, com aparências de domínio
patriarcal, outro, na barraca, de construção tosca, no meio da selva. (De 1920 em diante
usa-se o neologismo seringalista para designar o patrão.)

Completara-se, assim, antes de findar o século XIX, a ocupação brasileira do espaço


geográfico do Acre, onde mais de cinqüenta mil pessoas formavam, no recesso da mata
dos três vales hidrográficos, uma sociedade original, cujo objetivo único era
produzir borracha. Todo esse labor, porém, se operava no solo da Bolívia, país que, por
fatalidade da geografia, não pudera completar a integração social e econômica, e
mesmo política e geográfica, dos extensos vales do Acre, do alto Purus e do alto Juruá na
comunidade nacional.

Com efeito, o artigo 2º do Tratado de Ayacucho, concluído pelo Brasil e


pela Bolívia em 1867, mandara que a linha de fronteira fosse uma paralela tirada da foz
do rio Beni com o Mamoré (10º20'), até encontrar a nascente do Javari. Com um adendo:
se o Javari tivesse as nascentes ao norte dessa linha leste-oeste, a fronteira correria,
desde a mesma latitude, por uma reta a buscar a origem principal do Javari.

No ano de 1877, no entanto, época dos primeiros estabelecimentos de brasileiros no


Acre, ninguém sabia por onde passava o limite previsto naquele tratado. Ignorava-se, por
outra parte, a exata latitude da nascente do Javari. Eram problemas técnico-geográficos
difíceis de solver com presteza, devido à falta de recursos materiais. A direção dos rios
da borracha foi a trilha natural da conquista nordestina (sobretudo do cearense), da qual
também participaram grupos de paraenses e amazonenses.

Revolução Acreana

Em 1890, um oficial boliviano, José Manuel Pando, alertou seu governo para o fato de que
na bacia hidrográfica do Juruá havia mais de 300 seringais, com a ocupação
dos brasileiros implantando-se cada vez mais rapidamente em solo da Bolívia. A penetração
brasileira avançara em profundidade para oeste do meridiano de 64º até além do de 72º, numa
extensão de mais de mil quilômetros, muito embora já estivessem fixadas as fronteiras acima
da confluência do Beni-Mamoré, segundo o tratado de 1867.
Nomeou-se, em 1895, nova comissão para o ajuste da divisória. O
representante brasileiro, Gregório Taumaturgo de Azevedo, demitiu-se após verificar que a
ratificação do tratado de 1867 iria prejudicar os seringueiros ali estabelecidos. Em 1899, os
bolivianos estabeleceram um posto administrativo em Puerto Alonso, cobrando impostos e
lançando taxas aduaneiras sobre as atividades dos brasileiros. No ano seguinte, o Brasil
aceitou a soberania da Bolívia na zona, quando reconheceu oficialmente os antigos limites
na confluência Beni-Mamoré.

Os seringueiros, alheios às tramitações diplomáticas, julgaram lesados seus interesses e


iniciaram movimentos de rebeldia. No mesmo ano em que a Bolívia implantou administração
em Puerto Alonso (1899), registraram-se duas sérias contestações.

Em abril, um advogado cearense, José Carvalho, liderou uma ação armada, que culminou
na expulsão das autoridades bolivianas. Logo depois a Bolívia iniciou negociações com um
truste anglo-americano, o Bolivian Syndicate, a fim de promover, com poderes excepcionais
(cobranças de impostos, força armada), a incorporação política e econômica do Acre a seu
território. O governador do Amazonas, José Cardoso Ramalho Júnior, informado do ajuste por
um funcionário do consulado boliviano em Belém, o espanhol Luis Gálvez Rodríguez de Arias,
enviou-o à frente de contingentes militares para ocupar Puerto Alonso.

Gálvez proclamou ali a República do Acre, tornando-se seu presidente com o apoio dos
seringalistas. O novo estado tinha o objetivo de afastar o domínio boliviano para depois pedir
anexação ao Brasil, a exemplo do que fizera o Texas, na América do Norte. Ante os protestos
da Bolívia, o presidente Campos Sales extinguiu a efêmera república (março de 1900, oito
meses após sua criação). Luis Gálvez teve que capitular e retirou-se para a Europa.

Reinstalaram-se, então, os bolivianos na região, onde sofreram, a seguir, ataque de uma


outra expedição que se constituíra em Manaus, com a ajuda do novo governador Silvério Néri,
que também se opunha, nos bastidores, ao domínio da Bolívia sobre o Acre, de onde
provinham, em forma de impostos, grandes quantias para o tesouro estadual. Composta de
moços intelectuais, da boêmia de Manaus, a "Expedição dos Poetas" desbaratou-se após
rápido combate em frente a Puerto Alonso (dezembro de 1900).

Ação de Plácido de Castro e intervenção diplomática


Por fim, comerciantes e proprietários no rio Acre resolveram entregar a chefia de nova
insurreição a um ex-aluno da Escola Militar de Porto Alegre, José Plácido de
Castro, gaúcho de São Gabriel, que, à frente de um corpo improvisado de seringueiros, iniciou
operações na vila de Xapuri, no alto Acre, e aí prendeu as autoridades bolivianas
(agosto de 1902). Depois de combates esparsos e bem-sucedidos, Plácido de Castro
assediou Puerto Alonso, logrando a capitulação final das forças bolivianas (fevereiro de 1903).

Influíra no espírito de Plácido de Castro o fato de haver a Bolívia arrendado o território


do Acre a um sindicato estrangeiro (chartered company), semelhante aos que operavam
na Ásia e na África O Bolivian Syndicate, constituído por capitais ingleses e americanos, iria
empossar-se na administração do Acre, dispondo de forças policiais e frota armada.
Representantes dessa companhia chegaram à vila de Antimari (rio Acre), abaixo de Puerto
Alonso, mas desistiram da missão porque os revolucionários dominavam todo o rio, faltando
pouco para o fim da resistência boliviana.
Aclamado governador do Estado Independente do Acre, Plácido de Castro organizou
um governo em Puerto Alonso. Daí por diante a questão passou à esfera diplomática. O barão
do Rio Branco assumira o Ministério do Exterior e seu primeiro ato foi afastar o Bolivian
Syndicate. Os banqueiros responsáveis pelo negócio aceitaram em Nova York a proposta
do Brasil: dez mil libras esterlinas como preço da desistência do contrato (fevereiro de 1903).

Subseqüentemente, Rio Branco ajustou com a Bolívia um modus vivendi que previa a
ocupação militar do território, até o paralelo de 10º20', por destacamentos doExército Brasileiro,
na zona que se designou como Acre Setentrional. Do paralelo 10º20, para o sul — o Acre
Meridional — subsistiu a governança de Plácido de Castro, sediada em Xapuri.

A 17 de novembro de 1903, Rio Branco e o plenipotenciário Assis Brasil assinaram com os


representantes da Bolívia o tratado de Petrópolis, pelo qual o Brasiladquiriu o Acre por compra
(dois milhões de libras esterlinas, ou 36.268 contos e 870 mil-réis em moeda e câmbio da
época), e por troca de territórios (pequenas áreas no Amazonas e no Mato Grosso).

Em conseqüência, dissolveu-se o Estado Independente, passando o Acre Meridional e


o Acre Setentrional a constituírem o Território Brasileiro do Acre, organizado, segundo os
termos da lei n° 1.181, de 25 de fevereiro de 1904, e do decreto 5.188, de 7 de abril de 1904,
em três departamentos administrativos: o do Alto Acre, o do Alto Purus e o do Alto Juruá,
chefiados por prefeitos da livre escolha e nomeação do presidente da república.

Solucionada a parte da Bolívia, um outro caso tinha de ser resolvido com o Peru. O
governo de Lima, alegando validez de títulos coloniais, reivindicava todo o território do Acre e
mais uma extensa área do estado do Amazonas. Delegações administrativas e militares desse
país tentaram estabelecer-se no Alto Purus (1900, 1901 e 1903) e no Alto Juruá (1898 e 1902).
Os brasileiros, com seus próprios recursos, forçaram os peruanos a abandonar o Alto Purus
(setembro de 1903).

Rio Branco, para evitar novos conflitos, sugeriu um modus vivendi para a neutralização
de áreas no Alto Purus e no Alto Juruá e o estabelecimento de uma administração conjunta
(julho de1904). Isso não impediu um conflito armado entre peruanos e um destacamento do
exército brasileiro em serviço no recém-criado departamento do Alto Juruá. A luta findou com a
retirada das forças peruanas.

À luz dos títulos brasileiros e dos estudos das comissões mistas que pesquisaram as
zonas do Alto Purus e do Alto Juruá, Rio Branco propôs ao governo do Peru o acerto de limites
firmado a 8 de setembro de 1909. Com esse ato completou-se a integração político-jurídica do
território na comunidade brasileira.

Movimento Autonomista - De Território a Estado

A evolução do Acre aparece como fenômeno típico de penetração moderna na história


do Brasil, acompanhada de importantes contribuições na projeção econômica do país.
Exercendo papel de destaque na exportação nacional até 1913, quando se iniciou da borracha
nos mercados europeu e norte-americano, o Acre conheceu um período de grande
prosperidade: na passagem do século, em menos de um década contava com mais de 50.000
habitantes.
Logo após a anexação do Acre ao Brasil, os acreanos esperavam pela sua elevação
a Estado o mais rápido possível, uma vez que, nessa época (Auge do Ciclo da Borracha), o
Acre representava 1/3 do PIB brasileiro. Porém isso não aconteceu.

Atendendo às disposições jurídicas do Tratado de Petrópolis, o presidente Rodrigues


Alves sancionou a lei que criava o Território do Acre (1904) - o primeiro do país - dividindo o
Território em três departamentos: o do Alto Acre, o do Alto Purus e o do Alto Juruá, este
último desmembrado para formar o do Alto Tarauacá em 1912. A administração departamental
exercia-se, até 1921, por prefeitos designados pelo Presidente da República.

Essa subjulgação causou intensas revoltas da população. Foi o caso da revolta


de Cruzeiro do Sul, em 1910, que depôs o Prefeito Departamental do Alto Juruá e proclamou
criado o Estado do Acre (a chamada Revolta do Alto Juruá). Cem dias depois, entretanto, as
tropas federais atacaram os revoltosos e restabeleceram a "ordem" e a tutela. Em 1913, um
movimento de revolta ocorreria no Purus, em Sena Madureira, por motivos muito semelhantes
ao do Alto Juruá. Em 1918, seria a vez da luta autonomista chegar ao vale do Acre, em Rio
Branco, que protestou intensamente contra a manutenção daquela situação de subjugação ao
governo federal. Porém ambas as revoltas foram igualmente sufocadas à força pelo governo
brasileiro.

A partir do fracasso das revoltas, a luta pela autonomia não recorreu mais às armas.
Depois disso, a reforma política de 1920 - que unificou as quatro prefeituras departamentais em
um único governo territorial - serviu para acalmar o vale do Acre, que foi beneficiado pela
reforma, já que para capital do Território foi escolhida Rio Branco.

Com a queda do Ciclo da Borracha (1920), o movimento autonomista foi perdendo


força, ressurgindo apenas uma década mais tarde, quando a Revolução de 1930 alterou
completamente os rumos da república brasileira. Nesse momento, os acreanos acreditaram
que poderiam, enfim, conquistar a tão sonhada autonomia. Mas foi em vão.

Com a constituição de 1934, o Acre só obteve o direito de eleger dois deputados


federais para representá-lo na Câmara Federal, sem alterar o regime de indicação dos
governadores do território. Seguiu-se mais um longo período em que as discussões
autonomistas não passavam de conversas em intermináveis reuniões e de fundações de
agremiações políticas e jornais que tinham como bandeira maior o autonomismo. Multiplicaram-
se os simulacros de partidos políticos: Legião Autonomista, Partido Construtor, Partido
Autonomista, Partido Republicano do Acre Federal, Comitê Pró-autonomia, etc. Assim como se
multiplicavam os títulos de jornais com apelo autonomista, como por exemplo: O Estado, O
Autonomista, O Estado do Acre, etc.

Impulso mesmo o movimento autonomista só voltaria a ter em meados da década de


50, quando o PSD, do ex-governador José Guiomard dos Santos, resolveu assumir essa
bandeira e elaborar um projeto de lei que transformava o Acre em Estado. Esse projeto causou
grande movimentação política em todo o Acre e chegou ao Congresso Nacional em 1957,
provocando uma intensa disputa política entre o PTB de Oscar Passos e o PSD de Guiomard
Santos, tendo o primeiro se posicionado contra a lei de transformação do Acre em Estado.

Depois de muitas disputas no Congresso Nacional, finalmente em 1962, durante a fase


parlamentarista do governo João Goulart, foi assinada a lei 4.070, de autoria do então
deputado Guiomard Santos. Por uma ironia política, o Presidente João Goulart era do PTB, o
partido que, a nível nacional, se colocava contra o tal projeto. Ainda assim, o projeto foi
aprovado e passou a vigorar a partir do dia 15 de junho de 1962.
O PTB, todavia, não foi de todo derrotado. Nas primeiras eleições livres e diretas
realizadas na história do Acre, o PTB foi o grande vencedor, fazendo o
primeiro governador constitucional do Acre, o Professor José Augusto de Araújo, além de todas
as prefeituras municipais acreanas.

Na década de 1960 iniciou-se o segundo ciclo de esforços para acelerar o progresso


da área amazônica, com a criação da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia
(SUDAM,1966). Procurou-se melhor entrosar os subsetores regionais dentro do próprio Estado,
concorrendo para isso os ramais da Transamazônica, que ligaram Rio Branco e Brasiléia, no
alto curso do Acre, e Cruzeiro do Sul, às margens do Juruá, cortando os vales do Purus e
do Tarauacá. Incrementou-se a política de planejamento, destinada a corrigir as distorções
demográficas, econômicas e políticas da integração nacional.

Século XXI
Em 2005 foi iniciada a construção da Rodovia Interoceânica, que dará ao Brasil, pelo
Acre, acesso a três portos peruanos no Oceano Pacífico (Ilo, Maratani e San Juán) para
facilitar as exportações para a Ásia. Prevista para 2009, a obra já foi adiada para o fim de 2010,
com custo de cerca de 2 bilhões de dólares.

Em 2007, a Assembleia Legislativa do Acre aprovou uma regularização fundiária para


legimitar a posse e a alienação de propriedades públicas rurais, que beneficia 600 famílias em
cerca de dezmunicípios. Em junho de 2008 entrou em vigor a lei que alterou os fusos horários
brasileiros e o Acre passou a ter uma hora a menos, e não duas, em relação ao fuso
de Brasília. Apesar do referendo, o Acre mantém o antigo fuso horário

Em setembro de 2008 o Brasil reforçou o efetivo do Exército na fronteira do Acre com


o departamento boliviano de Pando. Essa se tornara instável com o massacre de 30
camponeses bolivianos, feito por opositores ao referendo de aprovação de uma
nova Constituição, mas o conflitos se dissiparam com a realização do referendo na Bolívia,
em janeiro de 2009. Naseleições de outubro de 2008, o prefeito de Rio Branco, Raimundo
Argelim (PT), foi reeleito no primeiro turno, com 50,82% dos votos.

Em outubro de 2010, Tião Viana (PT) foi eleito governador, com 50,50% dos votos
válidos contra o seu adversário, o candidato Tião Bocalom (PSDB).

Em dezembro de 2011 o estado ganhou o seu primeiro shopping center, na cidade


de Rio Branco.

Geografia
O estado do Acre ocupa uma área de 152.581 km², localizado no
extremo oeste do Brasil, localiza-se a 70º00'00" de longitude oeste do Meridiano de
Greenwich e a 09º00'00" de latitude sul daLinha do Equador e com fuso horário -4 horas em
relação a hora mundial GMT. Dista 10º00'00" ao sul da Linha do Equador. No Brasil, o estado
faz parte da região Norte, fazendo divisa com os estados do Amazonas e Rondônia e fronteira
com dois países: Peru e Bolívia.

Praticamente todo o relevo do estado do Acre se integra no baixo platô arenítico,


ou terra firme, unidade morfológica que domina a maior parte da Amazônia brasileira.
Esses terrenos se inclinam, no Acre, de sudoeste para nordeste, com topografia, em geral,
tabular. No extremo oeste se encontra a Serra da Contamana ou do Divisor, ao longo
da fronteira ocidental, com as maiores altitudes do estado (609 m). Cerca de 63%
da superfície estadual fica entre 200 e 300m de altitude; 16% entre 300 e 609; e 21% entre 200
e 135.

O clima é quente e muito úmido, do tipo Am de Köppen, e


as temperaturas médias mensais variam entre 24 °C e 27 °C, sendo a menor média da Região
Norte. As chuvas atingem o total anual de 2.100mm, com uma nítida estação seca nos meses
de junho, julho e agosto. A Floresta Amazônica recobre todo o território estadual. Muito rica
em seringueiras da espécie mais valiosa (Hevea brasiliensis) e Castanheiras (Bertholletia
excelsa), a floresta garante ao Acre o lugar de maior produtor nacional de borracha e castanha.

Os principais rios do Acre, navegáveis principalmente nas cheias


(Juruá, Tarauacá, Envira, Purus, Iaco e Acre), atravessam o estado com cursos
quase paralelos e que só vão confluir fora de seu território.

Demografia
O censo de 2010 contabilizou que o Acre possui 707.125 habitantes. O censo de dez
anos, registrou o número de 557.526 habitantes. Em 1991, foram contados 417.165 hab.
O índice de crescimento foi de 3,3% ao ano, acima, portanto, da média nacional que, no
mesmo período (1991-2006), foi de 1,33%. Estimativa para 2008, 680.073 hab.

Em 2000, 66,41% da população moravam nas cidades, e desses, 89,42% viviam


na capital. No interior, a população vive dispersa ao longo dos rios, ocupada na extração
de borracha, castanha emadeiras.

As densidades demográficas, em 2006, mostravam-se bastante homogêneas.


Na região mais povoada, a do baixo Acre, havia 17,2 hab./km² e, na menos povoada, a do
alto Purus, 1,1 hab./km².

Na formação da população acreana entraram, além dos índios, os nordestinos -


principalmente cearenses - que aí chegaram maciçamente durante o período áureo da
borracha (1880-1913) e os sulistas, que chegaram maciçamente durante a década de 70 em
diante.

Houve também imigrações de árabes (principalmente sírios-libaneses) e italianos


(sendo ambas as maiores na Região Norte), além de japoneses, alemães e eslavos (esses em
pequena escala).

Evolução demográfica
Evolução demográfica do estado do
Acre.

Principais centros urbanos

Cidades mais populosas do Acre


(Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)

Posição Cidade Mesorregião Pop. Posição Cidade Mesorregião Pop.

1 Rio Branco Vale do Acre 335 796 11 Epitaciolândia Vale do Acre 15 126

2 Cruzeiro do Sul Vale do Juruá 78 444 12 Porto Acre Vale do Acre 14 806

3 Sena Madureira Vale do Acre 37 993 13 Rodrigues Alves Vale do Juruá 14 334

4 Tarauacá Vale do Juruá 35 526 14 Marechal Thaumaturgo Vale do Juruá 14 200

5 Feijó Vale do Juruá 32 311 15 Acrelândia Vale do Acre 12 538

6 Brasiléia Vale do Acre 21 438 16 Porto Walter Vale do Juruá 9 172

7 Senador Guiomard Vale do Acre 20 153 17 Capixaba Vale do Acre 8 810

8 Plácido de Castro Vale do Acre 17 203 18 Bujari Vale do Acre 8 474

9 Xapuri Vale do Acre 16 016 19 Manoel Urbano Vale do Acre 7 989

10 Mâncio Lima Vale do Juruá 15 246 20 Jordão Vale do Juruá 6 531


Rio Branco, capital e centro administrativo, econômico e cultural, e também o mais populoso
município, com 335 796 habitantes, quase metade da população estadual.

Cruzeiro do Sul é a segunda maior cidade acreana e um porto do rio Juruá, sendo também a
mais desenvolvida da mesorregião que recebe o mesmo nome.
Outros municípios mais populosos são (IBGE 2009): Sena Madureira, com 37 993
habitantes; Tarauacá, com 35 526 habitantes; Feijó com 32 311 habitantes e Brasileia, com 21
438 habitantes.

Desenvolvimento Humano
O IDH do Acre é de 0.751, posicionando-se na décima sétima posição no ranking
brasileiro, sendo que 16 estados estão em situação melhor, e 9 estados estão em situação pior
ou igual: As cidades com melhor desempenho são: Rio Branco, Senador
Guiomard, Epitaciolândia, Plácido de Castro e Acrelândia.

Posição no ranking brasileiro Município IDH

1767 Rio Branco 0,754

2980 Senador Guiomard 0,701

3244 Epitaciolândia 0,684

3266 Plácido de Castro 0,683

3291 Acrelândia 0,68

Etnias

[79]
Cor/Raça (IBGE 2006) Porcentagem

Pardos 66,5%

Brancos 26,0%
Negros 6,8%

Amarelos ou indígenas 0,7%

Fonte: PNAD (dados obtidos por meio de pesquisa de autodeclaração).

Existem no Acre, 34 terras indígenas ocupadas por mais de 12.000 índios, que
representam 2% da população total do Estado. Esse contingente populacional pertence a 14
diferentes etnias, de línguas Pano, Aruak e Arawá:
(Yaminawa, Manchineri, Kaxinawá, Ashaninka, Shanenawa, Katukina, Arara,Nukini, Poyanawa,
Nawa, Jaminawa-Arara e Isolados). As etnias isoladas, sem contato com a sociedade, têm o
seu território tradicional ao longo da fronteira internacional Brasil-Peru.

Política

O estado do Acre é governado por três poderes, o executivo, representado


pelo governador, o legislativo, representado pela Assembleia Legislativa do Acre, e o judiciário,
representado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Acre e outros tribunais e juízes. Também é
permitida a participação popular nas decisões do governo através de referendos e plebiscitos.

A atual constituição do estado do Acre foi promulgada em 1989, acrescida das


alterações resultantes de posteriores Emendas Constitucionais.

O Palácio Rio Branco, primeira sede dogoverno do Acre. Só em 1962 o antigo território do
Acre se tornou estado.

O Poder Executivo acreano está centralizado no governador do estado, que é eleito


em sufrágio universal e voto direto e secreto, pela população para mandatos de até quatro
anos de duração, e podem ser reeleitos para mais um mandato. Sua sede é o Palácio Rio
Branco, que desde 1930 é a sede do governo acreano.

O Poder Legislativo do Acre é unicameral, constituído pela Assembleia Legislativa do


Acre, localizado no centro de Rio Branco. Ela é constituída por 24 deputados, que são eleitos a
cada 4 anos. No Congresso Nacional, a representação acreana é de 3 senadores e 8
deputados federais.
A maior corte do Poder Judiciário acreano é o Tribunal de Justiça do Estado do Acre,
localizado no centro de Rio Branco. Compõem o poder judiciário os desembargadores e
os juízes de direito.

O Acre está dividido em 22 municípios. O mais populoso deles é a capital, Rio Branco,
com 300 mil habitantes, sendo o município mais rico do estado.

Subdivisões
O estado do Acre é dividido em duas (2) mesorregiões, cinco (5) microrregiões e vinte
e dois (22) municípios, segundo o IBGE.

O estado do Acre dividido em suas mesorregiões, microrregiões e municípios.

Economia

Passarela Joaquim Macedo, símbolo da capital acreana, Rio Branco, centro


político e financeiro do estado.

O modelo de desenvolvimento econômico baseia-se, primordialmente, no extrativismo,


com destaque para extração de madeira por meio de manejo florestal, o que, teoricamente,
garante o uso econômico sustentável da floresta.
O Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID - financia um projeto de US$ 106
milhões no Estado, visando dotá-lo de infraestrutura física e institucional que viabilize o
sucesso do projeto de desenvolvimento sustentável.

Controvérsias sobre o modelo de desenvolvimento escolhido passa por questões como


a ausência de consenso quanto à recuperação das áreas exploradas pelos planos de manejo e
pela exclusão, na prática, de efetivos benefícios às populações locais (apesar de previsão no
projeto).

A economia acreana repousa na exploração de recursos naturais. Os mais importantes


são a borracha e a castanha, produtos nos quais se basearam o povoamento da região. A
extração da borracha se faz ao longo dos rios, pois a seringueira é árvore de mata de igapó.
Os tipos produzidos são caucho, cernambi caucho, cernambi rama e cernambi seringa. A maior
parte da produção estadual cabe à bacia do rio Purus. Nessa região destaca-se o vale do rio
Acre, que, além de possuir o maior número de seringueiras, é também região rica
em castanheiras, fazendo do estado o maior produtor e exportador nacional de castanha.
A floresta acreana é também objeto de exploração madeireira, e a caça nela praticada parece
contribuir de forma substancial para a alimentação local.

A agricultura reduz-se a pequenas culturas de mandioca, feijão, cana-de-


açúcar e arroz. A indústria de transformação compreende pouco mais que algumas serrarias e
pequenas fábricas de rapadura e de farinha de mandioca.

Como os rios mantêm no estado cursos aproximadamente paralelos,


as comunicações entre os diversos vales se fazem pelas confluências, o que envolve longos
percursos. Com a conclusão das estradas que integram a ligação Rio Branco-Porto Velho-
Cuiabá-Limeira, o Acre passou a contar com transporte rodoviário para o Sudeste do Brasil.

Agricultura

Extração de látex da seringueira.

Um dos principais produtores de borracha (Hevea brasiliensis) no país, o Acre


apresentou em 2008 a produção de 845 t, representando pouco mais de um quarto do total
nacional. Na região de Abunã, um seringueiro chega a produzir 1,5 t de borracha por safra. Os
tipos produzidos são "caucho", "cernambi caucho", "cernambi rama" e "cernambi seringa".
A coagulação ainda é feita pelo processo da defumação. A produtividade média é de dois
quilos de látex por hévea.

Imagens de Rio Branco, capital do Estado.

A coleta de Castanha-do-Brasil é também atividade importante, realizada, em geral,


pelo seringueiro, como ocupação subsidiária, na época das chuvas. Sua safra não é regular. A
produção acreana em 2009 foi de 20 t, representando 20% de toda a produção nacional, sendo
a maior do Brasil. A madeira tem também importância econômica na região, sendo
a produção de lenha em 2008 de 679.077 m³. O método deextração é rudimentar, sendo
usadas serras manuais e, assim mesmo, só nos centros mais adiantados. Alavoura é, em
geral, de subsistência, não tendo condições para se manter diante dos altos rendimentos
daatividade extrativa. Os principais produtos agrícolas do Acre, em 2008, apresentaram os
seguintes resultados: arroz (28.569 t), cana-de-açúcar (52.609 t), feijão (5.779
t), mandioca (730.434 t) emilho (61.088 t).

Pecuária, pesca e mineração


A pecuária começou a ser desenvolvida só a partir da década de 1970. O solo utilizado
nos plantios desgasta-se pelas derrubadas e queimadas e passa a construir área de magra
pastagem. Não há campos naturais e os que são abertos na mata, se ainda não esgotados
pela lavoura, são facilmente invadidos pela capoeira. Em 2008, contava o Acre com
155.861 suínos, 2.425.687 bovinos, 77.623 ovinos, 7.201 muares, 60.668 eqüinos e
15.433caprinos.

A pesca é praticada em pequena escala, sendo na maioria dos casos de subsistência.


Em 2005, foram produzidas 3.510 t de pescado, a antepenúltima produção do país.
A mineração é escassa e caracterizada pela garimpagem mais primitiva — feita através
de bateias —, sendo desconhecidos dados estatísticos de sua produção.

Indústria
A indústria do estado, em 2009, ocupava 13 mil pessoas em 1416 estabelecimentos e
unidades, que produziram bens no valor de R$ 773 milhões. A indústria ainda é de pouca
escala no estado, sendo em grande parte de produtos alimentícios, como queijos, manteiga,
refrigerantes e outros; e à transformação rudimentar de alguns produtos agrícolas, como
a farinha de mandioca e o açúcar bangüê. O estado também possui indústrias na produção de
barcos, carrocerias de caminhões, laminados e pisos de madeira,móveis, vidros temperados,
preservativos (sendo a única do mundo a usar borracha natural proveniente de látex nativo),
dentre outros produtos. Nas colônias mais importantes do Alto Juruá e do Alto Purus, ou
mesmo em locais que possam atender em várias colônias, estão instalados "conjuntos
mecânicos", pertencentes quase todos ao governo. Nos conjuntos mecânicos encontram-se
máquinas para debulhar o milho, descorticar o arroz, ralar, prensar e cozer a mandioca, além
de moendas e tochas para o fábrico de açúcar de cana. A potência instalada das usinas
[89]
geradoras em 2004 é de 331 GWh, com um consumo mínimo de 405 GWh. Atualmente o
estado possui 2 Distritos Indústriais: 1 na capital Rio Branco e outro no município
de Acrelândia.

No estado está sendo criada a chamada ZPE (Zona de Processamento para


Exportação), um Distrito Industrial incentivado, onde as empresas localizadas operam com
redução/suspensão de impostos e contribuições federais e liberdade cambial (podem manter
no exterior 100% das divisas obtidas nas exportações), com a condição de destinarem pelo
menos 80% de sua produção de bens e serviços ao mercado externo, pretendendo levar os
produtos fabricados no Acre para os mercados da Bolívia, Peru e os países asiáticos, quando
concluída a Estrada do Pacífico. A ZPE do Acre será localizada na BR-317, entre a capital Rio
Branco e o município de Senador Guiomard.

Comércio
A quase totalidade do comércio do estado é feita por via fluvial e em pequena escala
por via aérea. O Acre exporta quase tudo o que produz e importa praticamente tudo que
consome. A pauta de exportação resume-se na madeira compensada e perfilada
(49%), madeira serrada ou em folha (27%), frutas (21%) e outros (3%), convergindo na
totalidade para os estados do Amazonas e Pará, de preferência para Belém, origem também
da maioria de suas compras. O comércio com o limita-se a compra de gado em pé e gêneros
alimentícios da Bolívia, frequentemente de caráter ilegal. Em março de 2010 o valor
da exportação por cabotagem foi de US$ 15.727.499 e a importação de US$ 15.059.156.

Composição econômica

Serviços 68,2%

Agropecuária 17,2%

Indústria 14,7%
Produto Interno Bruto
Evolução do PIB do Estado do
Acre

Educação Resultados no ENEM


Ano Português Redação
O ensino fundamental contava em 2008 com 2006 31,05 (25º) 47,97 (24º)
1.593 escolas, com o corpo docente de Média 36,90 52,08
7.476 professores e 164.043 alunos matriculados.
Contava o ensino médio com 111 escolas, 1.594 2007 43,60 (25º) 54,78 (17º)
professores e 33.113 matrículas. O ensino Média 51,52 55,99
infantil calculava 275 pré-escolas, 1.052 professores 2008 35,15 (25º) 57,62 (17º)
e 22.104 alunos. O ensino superior era ministrado Média 41,69 59,35
em 2007, em 9 estabelecimentos, com 17.840 alunos
matriculados.

Em 2008, a taxa de analfabetismo no estado é de 13%, uma das mais equilibradas


do Brasil. Da população, 36,2% dos acreanos são analfabetos funcionais.

As principais universidades do Acre são: Instituto Federal do Acre, Universidade


Federal do Acre(públicas), União Educacional do Norte e Instituição de Ensino Superior do
Acre (particulares).

Saúde
Em 2005, havia no estado 337 estabelecimentos hospitalares, sendo 282 públicos e 55
particulares, com um total de 1.561 leitos. Dos 337 hospitais, 227 eram de finalidade geral e
221 eram especializados. Dos 7 municípios existentes em 1970, apenas Rio Branco possuía
abastecimento de água encanada, embora não possuía serviço de esgoto, o que impede o
controle de disenteria amebiana endêmica. Em 2005, o estado possuía 48% de acesso à água
44,3% de acesso à rede de esgoto. Em 2006, a mortalidade infantil era de 20,7 por 1.000
nascidos vivos, sendo a malária a principal causa de morte. Povoações distantes entre si por
dia de caminhada na floresta, e que por vezes, no período das chuvas, ficam completamente
isoladas, dificultam a irradiação da saúde pública.

Segurança pública

Brasão da Polícia Militar do Estado do Acre.

Brasão do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Acre.

Segundo o Exército Brasileiro, o Acre integra o Comando Militar da Amazônia, que tem
sede em Manaus, destacando os pelotões de fronteira.De acordo com a Força Aérea
Brasileira, o estado integra o VII Comando Aéreo Regional (VII COMAR), também sediado em
Manaus, se destacando o Destacamento de Controle de Espaço Aéreo de Rio Branco
(DTCEA-RB) e o Destacamento de Controle Aéreo de Cruzeiro do Sul (DTCEA-CZ), ambos
pertencentes ao Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo IV
(CINDACTA IV), o estado não possui uma Base Aérea. Não existem, no estado, unidades
da Marinha.

A Polícia Militar do Estado do Acre (PMAC) tem por função primordial o policiamento
ostensivo e a preservação da ordem pública no Estado do Acre. Para fins de organização é
uma Força Auxiliar e Reserva do Exército Brasileiro, assim como suas co-irmãs e integra o
Sistema de Segurança Pública e Defesa Social brasileiro e está subordinada ao Governo do
Estado do Acre. Seus integrantes são denominados militares estaduais (artigo 42 da CRFB),
assim como os membros do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Acre.

O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Acre (CBMAC) é uma Corporação cuja


principal missão consiste na execução de atividades de Defesa Civil, Prevenção e Combate
a Incêndios, Buscas, Salvamentos e Socorros Públicos no âmbito do estado do Acre. Ele é
Força Auxiliar e Reserva do Exército Brasileiro, e integra o Sistema de Segurança Pública e
Defesa Social do Brasil. Seus integrantes são denominados Militares dos Estados pela
Constituição Federal de 1988, assim como os membros da Polícia Militar do Estado do Acre.

A Polícia Civil do Estado do Acre, é uma das polícias do estado do Acre, Brasil, órgão
do sistema de segurança pública ao qual compete, nos termos do artigo 144, § 4º,
da Constituição Federal e ressalvada competência específica da União, as funções de polícia
judiciária e de apuração das infrações penais, exceto as de natureza militar.

A mais importante instituição penitenciária é a Colônia Penal e Agrícola Evaristo de


Morais, em Rio Branco.

Transportes

Acesso a Senador Guiomard pela rodovia estadual AC-040.

As principais rodovias do Acre são:

BR-364 - Juntamente com a BR-317 é a principal rodovia do Acre. A leste liga Rio
Branco ao estado de Rondônia e ao restante do país. A oeste corta todo o estado, ligando a
capital do estado a Cruzeiro do Sul, segunda principal cidade do estado, passando pelos
municípios de Bujari, Sena Madureira, Manoel Urbano, Feijó, Tarauacá e Rodrigues Alves.

BR-317 - Tem extensão de 330 km, liga a capital ao sul do estado, passando pelos
municípios de Senador Guiomard, Capixaba, Brasileia na fronteira com a República da Bolívia,
a partir de Brasileia a estrada continua por mais 110 km até chegar na cidade de Assis Brasil,
já na fronteira com o Peru. A rodovia tornar-se-á um importante eixo de exportação do Brasil,
pois quando a estrada no lado peruano estiver concluída (estima-se que em 2011), o Brasil
estará totalmente ligado a Cuzco e aos dois principais portos do país vizinho.

AC-040 - Possui extensão de 100 km, liga Rio Branco até a cidade de Plácido de
Castro também fazendo fronteira com a Bolívia.

AC-401 - Também chamada de estrada do agricultor, com extensão de 50 km, liga a


cidade de Plácido de Castro à cidade de Acrelândia, já próxima da BR-364.

AC-010 - Tem extensão de 55 km, Ligando Rio Branco até a cidade história de Porto
Acre, já na divisa com o Amazonas.

Cultura
A cultura do Acre é muito parecida com a dos outros Estados da região Norte. A
comida típica utiliza o pato e o pirarucu, que herdou dos índios, e o bobó de camarão, vatapá e
carne de sol com macaxeira, trazido do Nordeste brasileiro logo quando iniciou a extração
do látex, já que muitos nordestinos migraram para o Acre tentando uma melhor qualidade de
vida.

Usina de arte João Donato, importante polo de produção e difusão cultural.

No artesanato os artigos confeccionados com materiais extraídos da floresta


amazônica. Do seringal surgiu a figura do seringueiro, que colaborou em momentos
importantes da história brasileira para o desenvolvimento do país, trabalhando duro na
extração do látex na floresta amazônica. Da floresta também surgiu Chico Mendes, que hoje é
considerado referência internacional na luta em defesa da Amazônia; Chico Mendes foi
assassinado em 22 de dezembro de 1988 e ganhou um prêmio único da ONU, o Prêmio Global
500 Anos, por defender e proteger a floresta amazônica.

Em Rio Branco encontra-se uma comunidade religiosa chamada Alto Santo (Centro de
Iluminação Cristã Universal) que pratica o Ritual do Santo Daime, típico do Acre, de origem
indígena, que usa o Daime, um chá natural feito com folhas e cipó, usado pelos índios como
forma de aproximação a Deus. Todos tomam o chá, inclusive as crianças e os idosos. Os
integrantes usam fardas e cantam o hinário.

O Acre já foi retratado como cenário histórico no cinema e na televisão, interpretado


por um numeroso elenco de atores consagrados na minissérie Amazônia, de Galvez a Chico
Mendes (2007), da mesma autora das telenovelas América (2005) e Caminho das
Índias (2009), a acreana Glória Perez.