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Ansiedade e Gestalt-Terapia

Pimentel Santos, Letícia. De Freitas Faria, Luiz Alberto. Ansiedade e Gestalt-


terapia. Revista da Abordagem Gestáltica: Phenomenological Studies, Vol. XII, núm. 1,
Junhos 2006, pp. 267-277. Instituto de Treinamento e Pesquisa em Gestalt Terapia de
Goiânia. Goiânia – Brasil.

Resumo: A ansiedade, sob olhar gestáltico, é um fator constituinte da


existência humana, estando relacionada ao contato como processo cíclico e com seus
aspectos funcionais e disfuncionais.

Alguns Conceitos Fundamentais:

A fronteira de contato é onde se dá o contato, possibilitando a união e


separação, que permitem a diferenciação entre organismo e seu meio, além de
proporcionar a seleção de elementos nutritivos e rejeição do tóxico. É nela que ocorre
os eventos psicológicos, sem excetuar a ansiedade. A experiência, para a Gestalt,
ocorre em configurações inteiras e com significado para o organismo e o que não se
apresenta com essas características está fora da fronteira.

O organismo, em seu contato, seleciona e assimila os elementos


nutritivos, rejeitando os tóxicos. Essa assimilação e essa permanente interação
organismo-ambiente possibilita o seu crescimento. O processo de contatar o meio
de forma satisfatória ocorre através da awareness, sendo esta uma maneira de
experiencia o meio, estando em contato, segundo Yontef, com o evento mais
importante do campo indivíduo/ambiente com total apoio sensório-motor,
cognitivo, emocional e energético.

O contato abrange tanto o ir ao encontro como o estabelecimento de


limites, rejeição de objetos e afastamento do organismo. Quem não suporta o
afastamento, dificilmente estabelecerá um nível de contato satisfatório. Esse
afastamento (ou rejeição do meio) relaciona-se com a capacidade do indivíduo de
conviver com a solidão, uma vez que a capacidade de encontro está,
paradoxalmente, ligada com a coragem de suportar o afastamento. Quem não
consegue conviver com sua solidão, não consegue ir, genuinamente, ao
encontro do outro, buscando o encontro para fugir da solidão, não buscando, pois,
o outro, mas a si mesmo, uma vez que o outro passa a ser uma tábua de salvação
para o náufrago de si mesmo.
O self é uma fronteira de contato em movimento, sendo dinâmica. O self é
a experiência do contato com o mundo no aqui e agora, através da fronteira,
momento a momento.

A busca de satisfação da necessidade relaciona-se, também, com o


conceito de auto regulação organísmica e sua constante interação entre organismo
e meio para um equilíbrio homeostático. O movimento de assimilação de um novo
elemento apresenta-se sob influencia da ansiedade. Contudo, isso pode
comprometer o processo natural de contato quando o organismo se torna incapaz de
satisfazer suas necessidades e manter-se num estado de equilíbrio.

O individuo ansioso inibe o processo de contato e assimilação dos novos


elementos devido ao receio antecipado dos efeitos desses elementos. Em outras
palavras, ele não consegue eleger uma necessidade hierarquicamente mais
importante, no aqui e agora, se movendo para assimilá-la. Para a Gestalt-terapia
a ansiedade é o vácuo entre o agora e o depois. Se você estiver no agora não pode
estar ansioso, pois a excitação flui espontaneamente.

O transtorno se agrava quando vira um círculo vicioso, com interrupções


e sobrecargas de tantas situações incompletas, não podendo prosseguir
satisfatoriamente com o processo de viver e se nutrir.

O ciclo do contato:

O contato com o ambiente geralmente segue uma sequencia ordenada e


lógica chamada de Ciclo do contato, servido como um mapa para a compreensão
do terapeuta frente às habilidades e inabilidades do cliente em seu viver com o meio.

A primeira fase do ciclo seria responsável pela formação da awareness.


As necessidades do organismo não foram bem estabelecidas, não havendo
contornos definidos. À medida que a necessidade aumenta, o elemento se destaca,
passando a ser figura ou Gestalt, frente a um fundo.

Agora dá vez à segunda etapa, a da energia/ação, na qual há uma


manipulação do ambiente, no sentido de alcançar a figura desejada e fechar a
Gestalt. Há, nessa fase, a deliberação e escolha do individuo em relação ao ambiente.

A sequência leva à terceira fase, a do contato. O individuo assimila o novo


elemento. Há menos deliberação e mais espontaneidade e, para assimilação do
novo, o indivíduo deve ser capaz de se arriscar a algo desejado, de lidar, portanto,
com a ansiedade inerente a esse processo.

Chegando, assim, à quarta fase, a de resolução/fechamento, na qual a


gestalt é fechada (necessidade satisfeita), havendo um equilíbrio do organismo
(homeostase). A energia e o interesse diminuem, havendo um repouso e retraimento
característico da quinta fase, última etapa desse ciclo, no qual o fundo volta a ser
difuso e indiferenciado até o surgimento de uma nova figura, que possibilita o
estágio inicial do ciclo.

Aprofundando a compreensão da ansiedade em termos gestálticos:

A ansiedade é vista como uma interrupção da excitação. O indivíduo obtém


sua energia através do alimento e da respiração. Esta energia equivale ao que Freud
chamou de Libido, e a Gestalt de Excitação. Ela não é entendida sob o ponto de vista
interno ao organismo, embora esteja relacionada com a fisiologia. Ela está em função
de um objeto presente no mundo.

Em situações nas quais a excitação não encontra um caminho rumo ao


mundo (não são expressas), o resultado é a ansiedade. Assim, ansiedade é uma
grande excitação contida, encapsulada.

Diante de um mundo que uma vez foi experienciado como pouco


acolhedor, o indivíduo pode voltar-se a si mesmo, delimitando as fronteiras em
uma pequena área de interação. A excitação, uma vez que não pode ser expressa
na relação direta com o mundo, busca maneiras de alívio/expressão, através da
construção de uma realidade à parte, projetada e alucinatória em diversos
graus. Isso ocorre pois não há self sem contato, nem homem sem mundo, e quando
o mundo se torna intragável, o homem cria sua própria realidade, mesmo sendo só
fantasia.

Indivíduos com esse perfil tem contato com a espacialidade do mundo de


forma reduzida, havendo, por exemplos, redução dos contatos sociais. Isso se
encaixa perfeitamente com a fobia social, na qual há uma busca de fugir de
situações onde o ocorra o contato social. Outro exemplo é a claustrofobia, no
qual ambientes fechados são experienciados como geradores de mal-estar e
opressão, sendo uma projeção do indivíduo, no ambiente, da experiencia de um
mundo que é vivenciado como estreitado e opressivo.

O tempo, também, apresenta-se para o indivíduo como contraído, estreito


demais para conter satisfatoriamente o desenrolar dos fenômenos espaciais.
Delgalarrondo já afirmava que os pacientes ansiosos descreviam uma pressão
do tempo. Em algumas situações sociais esse fenômeno é facilmente percebido,
como esperar em uma fila do banco. Nessa situação, a pessoa pode experiencia
um estreitamento, rigidez ou até mesmo congelamento do tempo, em consonância
com a espacialidade percebida como contida.

Perls (2002) traz o exemplo da gagueira, no qual a ansiedade apresenta-


se como excitação, com a qual, devido à ausência suficiente de oxigênio, faz com
que o indivíduo tente falar enquanto inspira. O plano da temporalidade é
experienciado em dimensões reduzidas e o resultado é uma fila apertada e tensa
de palavras, uma atropelando a outra.

Dessa forma, a redução espaço-temporal se apresenta como uma diminuição


generalizada do campo vivencial do indivíduo. Segundo Perls (1977), quando a
excitação não pode fluir para uma atividade, por meio do sistema motor, o
individuo procura um meio de dessensibilizar o sistema sensorial para reduzir a
excitação, assim, a relação com o mundo passa a ser mais efetiva por meio de
mecanismos de interação resistente. Contudo, os mecanismos podem
comprometer o seu funcionamento normal do ciclo do contato.

A ansiedade nos mecanismos de interação resistente:

A confluência é quando o indivíduo não consegue distinguir o que é seu e


o que é do outro, pois as fronteiras são confusas. Há uma perda da
subjetividade, pois o indivíduo acaba deixando que os outros decidam por ele. Ele
faz o que lhe desagrada para obedecer ao outro, mas mesmo assim fica ansioso
temendo a desaprovação. A confluência ocorre antes do início da excitação rumo
a um determinado objeto.

Quando a excitação é aceita e o ambiente é confrontado, há emoção, e se


a interrupção ocorrer nesta etapa, o resultado será a projeção. É a principal
resistência ao contato na fase de awareness. O indivíduo atribui aos outros as
responsabilidades, fracassos e dificuldades que são dele próprio, no sentido de
atenuar a sua ansiedade.

Na introjeção, o indivíduo recebe e aceita opiniões arbitrárias, normas e


valores que pertencem a outros, engolindo conceitos sem nenhum critério, não
conseguindo defender seus direitos por receio da sua própria agressividade ou
da possível agressividade dos outros. Assim, esta estratégia permite administrar
os níveis de ansiedade em patamares suportáveis, ocorrendo na fase
energética/excitação do ciclo.

Na retroflexão, o indivíduo faz consigo o que gostaria de fazer aos outros.


A ansiedade é controlada via evitação do confronto direto com o meio. Incide no
ciclo do contato na fase de conflito ou destruição.

O lidar da Gestalt-terapia frente a clientes portadores de ansiedade:

Nos transtornos de ansiedade, a excitação não flui espontaneamente para a


ação. O indivíduo acaba não permanecendo no aqui e agora, comprometendo seu
processo normal de contato.

A experiência vivenciada no aqui e agora é a estratégia terapêutica


fundamental da Gestalt-terapia frente à ansiedade. O terapeuta não procura
enfatizar as causas que justificariam a ansiedade do cliente, em vez disso, se esforça
em trazer para o primeiro plano a experiencia desse indivíduo na sua relação
com o mundo. Ele concentra-se no “como” o indivíduo experiencia sua
realidade, na tentativa de diminuir os bloqueios de contato com o presente,
reformando assim o processo sutil e espontâneo da awareness, diminuindo
ansiedade disfuncional.

Assim, para Perls, o gestalt-terapeuta deve-se nortear em 5 perguntas de


cunho fenomenológico-existencial: “O que você está fazendo?”; “O que você
sente?”; “O que você quer?”; “O que você evita?”; e “O que você espera?”.
Essas perguntas buscam as interrupções da experiencia imediata que impedem
que as excitações fluam de forma imediata para a ação. Elas devem nortear o olhar
clínico do terapeuta, propiciando a reconstrução do processo de awareness.
O indivíduo ansioso está sempre interrompendo sua experiencia imediata
através de uma série de mecanismo de evitação do contato. Para ele, ficar no
aqui e agora é penoso e fator gerador de ansiedade.

O mundo desse cliente pode apresentar, não raramente, uma série de


desencontros oriundos da sua história, além de poder haver uma perspectiva sombria
em relação ao futuro. Assim, quando uma das três instancias temporais –
passado, presente e futuro – está abalada, as outras também se tornam vacilante
e o presente perde a sua fluidez. Como dizia costa (2004): “A existência, portanto,
não é uma realidade sem referência a um futuro, mas não o é também sem a retenção
do passado”.

Assim, o terapeuta acolhe a existência/experiencia do outro de forma


completa e incondicional, abrindo a esperança, por parte do cliente, para o
contato com esse mundo. Esse contato dinâmico e terapêutico faz jus à afirmação
de Beisser sobre a teoria paradoxal da mudança: “a mudança ocorre quando
uma pessoa se torna o que é, não quando tenta converter-se no que não é.”.
Dessa forma, até os momentos de interrupção do contato devem ser acolhidos pelo
terapêutico, uma vez que fazem parte da realidade existencial do cliente, além de
serem testemunho do momento em que o diálogo do cliente com o mundo foi
interrompido, sendo, portanto, uma tentativa ansiosa e desesperada de proteger suas
feridas mais profundas e sensíveis. O terapeuta, então, deve buscar aceitar e
compreender esta linguagem da resistência, como uma autêntica mensagem
existencial da pessoa.

Assim, esse mundo ora visto como frio, rígido, começa, após essa relação
de confirmação, a ser desintegrado. O terapeuta pode usufruir
espontaneamente de técnicas para manutenção desta relação terapêutica, desde
que elas estejam a serviço da experiencia do cliente em sua relação com o meio. As
técnicas variam desde posições de exercícios respiratórios, o desenho livre,
expressões de sorriso, choro, silencio, etc. até mesmo a dar notícias ao cliente
de como ele, o cliente, o afeta. Isso demonstra uma autenticidade e confirma ao
cliente que ele está diante de uma pessoa.

Considerações finais:
A estratégia básica da Gestalt-terapia, a saber, a reconstrução da capacidade
de contato via ampliação da awareness, ataca a ansiedade em suas raízes mais
profundas.