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A HISTÓRICA TERRITORIALIZAÇÃO DA ILHA GRANDE DE SANTA ISABEL/PI


E PRAIA DA PEDRA DO SAL/PI

Ricardo Rayan Nascimento Rocha1


Leandro Inakake de Souza2
Kesley Paiva da Silva3

RESUMO

Com a necessidade de problematizar o espaço geográfico em nível local a partir de suas contradições
sócio históricas e assim evidenciar a sua relevância enquanto fator social, este artigo objetiva analisar
o processo de territorialização da Ilha Grande de Santa Isabel/PI e Pedra do Sal/PI, objetos de estudos
desse trabalho, que repercute histórica e socialmente nas relações de poder, entre os atores envolvidos,
a partir da histórica apropriação e dominação de terras no contexto local. Para isso,
metodologicamente, este artigo tem como abordagem qualitativa, tendo em vista o englobamento de
perspectivas analíticas que tal pesquisa pode gerar, através do levantamento bibliográfico, revisão em
periódicos que retratem tal problemática, pesquisa documental em órgãos públicos, entrevistas
semiestruturadas com a comunidade local, além de incursões realizadas para se compreender a
vivência do extrativismo com os autóctones que ocupam tal área. Assim, ficou evidente que existe um
dualismo entre as informações dos entrevistados x documentos de aforamento da terra pela SPU, no
qual, alguns contrapontos são questionadores. Além disso, percebe-se uma histórica relação social dos
entrevistados com o comércio, sobrevivência e ligação cultural/social como forma de afirmação
territorial. Percebe-se novos cenários emergindo e assim, o “homem territorial”, construído nos
diversos agentes envolvidos, atuará em novas configurações de territorialização, desterritorialização e
reterritorialização, sendo palco de transformações, rupturas e contradições a serem problematizadas.
Portanto, é relevante, aprofundar a pesquisa local acerca das relações sociais/espaciais locais caminho
de retaliação histórica em busca de um território livre e múltiplo.

Palavras-chave: Território. Territorialidade. Ilha Grande de Santa Isabel/PI. Pedra do Sal/PI.

1 INTRODUÇÃO
Ao longo do tempo, a organização social e econômica das sociedades aconteceu por
meio de variadas formas, imprimindo no espaço geográfico, as transformações de cunho
político, econômico, social, etc. Isto acontece devido ao homem globalizado que, pós-
revolução industrial, materializa suas transformações dentro do modo de produção vigente,
o modo de produção capitalista, dentro de uma lógica. Partindo deste contexto global, o
1
Turismólogo/Comissão Ilha Ativa/E-mail: rayan.rayan.rr@hotmail.com
2
Zootecnista/ Especialista em Educação do Campo e Agricultura Familiar Camponesa/ Presidente da Comissão
Ilha Ativa – CIA/ E-mail: leandroinakake@gmail.com
3
Bióloga/ Especialista em Ecologia/ Comissão Ilha Ativa/ E-mail: kesley.bio@gmail.com
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espaço geográfico passa a problematizar outros patamares, como por exemplo, o território,
que conota duplamente, entre o material e o simbólico, aproximando-se de terra-territorium
quanto de térreo-territor (terror, aterrorizar), tem ligação com dominação de terra e inspira
medo para aqueles que são dominados, ou seja, impedidos de entrar ou ter acesso a terra
(Haesbaert, 2005).
No Brasil, a questão agrária possui um desafio a ser alcançado no qual a maior parte
das terras estão em posse de corporações nacionais e multinacionais, alimentando o
agronegócio indo de encontro à agricultura familiar (FERNANDES et al 2012), além de que,
políticas publicas precisam ser efetivadas, principalmente, a partir do momento em que se
vive uma negação dos direitos territoriais e criminalização de movimentos sociais que
defendem a socialização do território. Comunidades pesqueiras, quilombolas, indígenas, que
territorializam-se no espaço geográfico como forma de reproduzir seus modos de vida,
imbuídos de um direito social sobre a terra, vivem a realidade de terem seus territórios,
rifados/mercantilizados pela iniciativa pública e privada.
Quanto ao contexto econômico do espaço, fator determinante de suas novas relações,
no litoral piauiense4, existem variadas formas de geração de renda, principalmente no tocante
das comunidades pesqueiras e extrativistas. Por mais que o turismo que, timidamente, se
inicia como forma de geração de emprego e renda no litoral, tais comunidades vivem
principalmente por meio de atividades de subsistência como o extrativismo de frutícetos,
pesca, cata de caranguejo, além da dependência dos autóctones com as políticas sociais e
emprego público local.
É importante destacar as relações incrustradas no espaço geográfico, que
territorializam-o, por meio de novas relações estabelecidas que fogem da concretude.
Lefebvre, em A produção do espaço afirma que o espaço não é autônomo, estruturalmente, ou
seja, alheio ao externo, e sim, peça que se relaciona, dialeticamente com as relações de
produção, e paralelamente, relações sociais e espaciais (FILHO, 2013).
O território, construído socialmente por essas comunidades, apesar de rico e
“territorializado” com suas práticas socioeconômicas, apresenta alguns paradoxos que
4
O litoral piauiense representa 66 km, iniciando na Barra das Canárias – fronteira com o Maranhão e segue pela
Ilha Grande de Santa Isabel, passando pelo farol e Praia da Pedra do Sal, indo até a Barra da Timonha, foz do rio
São João da Praia, na fronteira com o Ceará.
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implicam em problemas de ordem social/espacial, no qual moradores de algumas


comunidades inseridas na Ilha Grande de Santa Isabel/PI e Pedra do Sal/PI, objetos de estudo
desta pesquisa, não possuem direito jurídico sobre a terra, mesmo estando há muito tempo,
ocupando tal área. Paralelo a tal contrassenso, uma onda de empreendimentos de cunho
“ambiental”5 e turístico6, vem instalando-se em áreas de extrativismo da comunidade,
instabilizando o modo de vida local.
Assim, cabe ressaltar que tal pesquisa faz parte de ações da Comissão Ilha Ativa –
CIA7, entidade que possui várias linhas de atuação no contexto local por meio de um
compromisso socioambiental, através de atividades de pesquisa e extensão, no qual percebeu
o cenário do espaço geográfico e consequentemente, territorial da Ilha Grande de Santa
Isabel/PI e Pedra do Sal/PI, como alarmante a ser problematizado por meio de um trabalho
científico.
Metodologicamente, este trabalho buscou caminho na pesquisa de natureza qualitativa,
por meio da análise de entrevistas transcritas realizadas com autóctones do objeto de estudo já
citados e documentos da SPU, além de revisão de documentos, materiais bibliográficos
pertinentes que tivessem como foco a terra e seu valor de apropriação (Lefebvre, Haesbaert,
Santos, etc.) e periódicos que problematizam tais objetos de estudos nos últimos anos. Optou-
se por alguns autores/teóricos pela convergência acerca de território e espaço, uma vez que no
campo da geografia, existem variadas contribuições, seja do espaço enquanto físico e social.
Ressaltamos que o presente artigo representa um recorte de dados adquiridos durante o
Projeto “Sociobiodiversidade da Ilha”, financiado pelo Tropical Forest Conservation Act -
TFCA e executado pela ONG “Comissão Ilha Ativa”, que tem como área de atuação, a
Unidade de Conservação Área de Proteção Ambiental – APA Delta do Parnaíba que envolve
os estados do Maranhão, Ceará e Piauí.
Portanto, busca-se dentro desta pesquisa, analisar, por meio de uma abordagem

5
De acordo com a pesquisa realizada por Ibiapina (2013), a geração de energia eólica aparece como
oportunidade por representar uma fonte renovável e apresentar “baixos” impactos, porém, tais impactos de
cunho social e ambiental não podem ser negligenciados.
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Atualmente, a Pure Resorts & Residences vem analisando a proposta de inserção de um resort e condomínio de
luxo natural na comunidade da Pedra do Sal, com promessa de geração de emprego e renda, além de alavancar a
atividade turística em nível municipal e estadual.
7
Disponível em: http://comissaoilhaativa.org.br/
4

histórica, o processo de territorialização da Ilha Grande/PI e Pedra do Sal/PI, viabilizando um


olhar crítico sobre necessidade de observar o espaço e seus fatores sociais/espaciais e
evidenciando a contemporaneidade dos processos de desterritorialização que colocam em
questionamento, os impactos a serem gerados, futuramente. De um lado, comunidades que
reproduzem seus modos de vida nessas áreas e de outro, herdeiros que se dizem donos da terra
e paralelo a esses cenários, outro cenário se constrói no qual, grandes empreendimentos com
propostas turísticas e ambientais vem instalando-se com promessa de progresso e
desenvolvimento. Vale salientar que existem poucas produções científicas que problematizem
o fator território enquanto processos de territorialização (multirerritorialidade x
desterritorialidade, tal dualidade no contexto colocado por Haesbaert) e sua apropriação em
nível local e este vazio, já coloca como desafiador, analisar tais objetos de estudos por meio
dessa perspectiva. A partir deste contexto, é necessário buscar informação a partir de um fio
condutor histórico sobre tais ocupações que materializam a territorialidade, pois isto reflete
em resultados e problemas atuais das comunidades citadas, como é o caso desse novo cenário
ameaçador dos interesses das comunidades tradicionais, aqui problematizadas.
Conhecer o passado e contrapor com presente, obriga-nos a investigar tais
problemáticas neste artigo, objetivando construir reflexões que possibilite um caminho de
retaliação histórica dos direitos agrários em nível local ainda a ser alcançado.

2 ABORDAGEM METODOLÓGICA

2.1 REVISÃO DE LITERATURA

Conforme pesquisa realizada pela Comissão Ilha Ativa – CIA (2012), um dos objetos
de estudo deste trabalho científico, Ilha Grande de Santa Isabel/PI8, faz parte da Área de
Proteção Ambiental – APA Delta do Parnaíba, no qual, tal unidade de conservação foi criada
objetivando proteger o “Delta do rio Parnaíba”, por meio da fauna, flora, dunas, recursos
hídricos, melhoria de qualidade de vida dos autóctones locais, preservação de suas culturas e
tradicionalismo assim como fomento da prática do turismo ecológico.
Com 240 km² de território, a Ilha Grande de Santa Isabel/PI possui uma organização

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Representa a maior ilha do Delta do Rio Parnaíba, possui toda sua área dentro da Área de Proteção Ambiental
Delta do Parnaíba, Unidade de Conservação de Uso Sustentável (CRESPO, 2007).
5

social que engloba diversos grupos, associação e colônias se atendo na defesa da pesca,
artesanato, cata do caranguejo, cata do marisco e dentre outros (CIA, 2012). Isto reforça a
ligação/territorialização dos autóctones para com a terra, permitindo analisar o fator de
convívio e subsistência social que um território tem para quem os ocupa.
Já a Pedra do Sal/PI está localizada ao norte de Parnaíba, tendo como divisa, a cidade
de Ilha Grande/PI, distanciando-se em 19 quilômetros do município-sede. Tal comunidade
aqui problematizada é “conhecida por sua singularidade e tradicionalismo do seu povo,
representando um dos grandes atrativos do local” (CUNHA, MÉLO e PERINOTTO, 2014).
Além disso, também configura-se por meio de entidades que defendem categorias como as
artesãs, barraqueiras de praia, associações comunitárias, etc.
Por meio de uma análise documental dos processos que deram aforamento da terra
para “herdeiros”, é importante destacar que somente em 1989 (SPU, 2014), tal posse de terra
foi concedida, ultrapassando (leia-se como negação) a existência de famílias que se
apropriaram do espaço local conforme, serão apresentadas comprovações, no decorrer desse
trabalho analítico. Esta relação: Herdeiros x comunidade imprimem relações de poder e
desigualdade na posse da terra, devido aos diversos interesses envolvidos, demonstrando o
papel “territorializador” desses atores sociais, demostrado pelas suas motivações de ordem
política, social, econômica, ambiental, etc. De um lado, o caráter social do território
legitimando a multiplicidade que uma terra pode materializar enquanto no outro, a lógica
funcional do capital de produção para a reprodução do capital.
Assim, por meio desse mote, cabe aqui, conceituar o termo território que nos obriga a
recorrer a variadas vertentes de estudos, embora priorizemos contribuições teóricas que
partam da geografia crítica. Assim, a concepção mais breve coloca o espaço territorial como
instrumento que imprime poder e dominação por parte de agentes sociais (estado,
organizações não governamentais, setor privado, etc.) ou como Brito (2008, p. 19) situa
território com um viés social citando Milton Santos:
Os territórios, como lócus de manifestação das materialidades sociais em
meio às forças universalizantes do sistema capitalista, resultam no que
Santos M. (1994) designa de uma “forma impura”. Nesse sentido, a
territorialidade humana aparece como um conjunto de relações mediadas
pelo poder entre os distintos atores sociais (estado/governo, empresas,
instituições sociais..., cidadãos), que se interessam por algum objeto comum
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localizado numa dada porção do espaço geográfico.

Neste contexto, a relação do homem com o espaço geográfico submete-o a processos


de dominação e poder de um grupo sobre outro, materializando-o enquanto agente territorial.
Essa contextualização do território já situa o termo territorialidade que é tida como um reflexo
das relações sociais ora conflituosa, ora não, do homem para com o seu espaço. Lefebvre
distingue dominação de apropriação, apresentando singularidades que situam estes dois
aspectos como extremos:
O uso reaparece em acentuado conflito com a troca no espaço, pois ele
implica “apropriação” e não “propriedade”. Ora, a própria apropriação
implica tempo e tempos, um ritmo ou ritmos, símbolos e uma prática. Tanto
mais o espaço é funcionalizado, tanto mais ele é dominado pelos “agentes”
que o manipulam tornando-o unifuncional, menos ele se presta à
apropriação. Por quê? Porque ele se coloca fora do tempo vivido, aquele dos
usuários, tempo diverso e complexo. (Lefebvre, 1986:411-412 apud
Haesbaert, 2005, p. 2).

Lefebvre proporciona uma discussão, dissociando um processo de dominação, reflexo


do modo de produção capitalista que mercantiliza a terra para minorias e positivando a terra
quando apropriada pelo seu caráter simbólico: Além do “ter”, a terra também representa o
“ser”. Este contexto colocado por Lefebvre é bastante atual, tendo em vista a
contemporaneidade de ocupação de terra no Brasil, sendo que na sua maioria, são
criminalizadas pela mídia burguesa (HAESBAERT, 2005).
Dentro destes processos de dominação materializados na relação do homem com o
espaço, englobando as dinâmicas globais de produção que refletem em dinâmicas locais de
organização urbana, reverbera em inúmeros processos, como por exemplo, a
desterritorialização, no qual, Haesbaert conceitua esse fenômeno como “a precarização do
território enquanto recurso ou apropriação material ou simbólica” (HAESBAERT, 2004 apud
CRUZ, 2007, p. 115).
Em contraponto a este fenômeno, Haesbaert coloca a “multiterritorialidade” como
alternativa conceitual, no qual configura-se a partir da seguinte afirmação no qual sempre
agimos territorialmente:
(...) a existência do que estamos denominando multiterritorialidade, pelo
menos no sentido de experimentar vários territórios [elou territorialidades]
ao mesmo tempo e de, a partir daí, formular uma territorialização
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efetivamente múltipla, não é exatamente uma novidade, pelo simples fato de


que, se o processo de territorialização parte do nível individual ou de
pequenos grupos, toda relação social implica uma interação territorial, um
entrecruzamento de diferentes territórios. Em certo sentido, teríamos vivido
sempre uma “multiterritorialidade". (Haesbaert, 2004a: 344)

Assim, o homem enquanto “ser territorial” (ou territorialista como afirma Barel), atua
de diversas formas que materializam a multiplicidade de territórios criados e socializados e
essa experiência é evidente no convívio dos autóctones locais e suas diversas formas de
“territorializações” no meio em que vivem.
Com essas contribuições teóricas, buscamos dialogar algumas noções sobre “espaço”,
“território”, “territorialidade”, “desterritorialidade, “multiterritorialidade” e entre outros,
como forma repousar sobre o contexto local e assim compreender as problemáticas existentes.
Seguindo a abordagem metodológica deste trabalho, realizamos uma breve revisão
documental de processos antigos que deram aforamento de terra para tais herdeiros citados
anteriormente, no qual, teve como instituição responsável, a Secretária do Patrimônio da
União – SPU, endereçada no município de Parnaíba que foi responsável pela legalização de
terras da Ilha Grande de Santa Isabel/PI e Pedra do Sal/PI e possui documentação que
apresenta como se deu o processo de legalização das terras para esses herdeiros e que será
apresentada no capítulo “resultado e discussões” do presente artigo científico.

2.2 INCURSÕES/ENTREVISTAS COM A COMUNIDADE LOCAL

Por meio da observação participante junto aos autóctones, durante o ano de 2014,
foram realizadas uma série de incursões e entrevistas, objetivando conhecer historicamente,
por meio da fala da comunidade, como se deu processo de apropriação das terras dos objetos
de estudos aqui definidos (Ilha Grande de Santa Isabel/PI e pedra do Sal/PI), principalmente
pela problemática colocada no qual, as mesmas terras foram aforada em nomes de herdeiros.
Dessa forma, sob a participação de moradores, visitamos áreas já desocupadas que
demonstram uma ocupação histórica do município, apresentando ampla área de pesquisa para
o campo da arqueologia e ciências correlatas. Essas visitações duravam em média 1 a 4 horas,
proporcionando uma observação sobre o extrativismo local que já evidencia e legitima a
apropriação da área para fins sociais.
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As incursões foram sistematizadas, fotografadas e com marcação de GPS dos locais


visitados, buscando registrar as diversas percepções concebidas e assim, servir de reflexão
para o presente artigo.
Também foram realizadas entrevistas semiestruturadas com as pessoas mais antigas da
comunidade. Optou-se escolher por tal faixa etária por conta de seus históricos convívios
dentro do território apropriado que deu base a Ilha Grande de Santa Isabel. No total, foram
seis entrevistados, tendo todas as informações gravadas e posteriormente, transcritas.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Para início de análise, vale ressaltar que esta pesquisa configura-se como uma
tentativa de fornecer um instrumento teórico-empírico de análise em defesa da apropriação de
terra no seu contexto social pelas comunidades ocupantes aqui citadas, tendo em vista à
histórica negação de tal realidade e a ausência de material científico que possibilite uma
compreensão sobre tais contradições locais. Para se chegar aos resultados históricos e sociais
sobre como se deu o processo de apropriação das terras da Ilha Grande de Santa Isabel/PI e
Pedra do Sal/PI, buscou-se caminho em um guia de entrevista, embora outros
questionamentos tenham surgido de acordo com os acontecimentos supracitados.
Questionamentos como: Desde quando, você mora na Pedra do Sal? Você sempre morou
neste local ou já morou em outras casas? Quem foi a primeira pessoa da sua família a morar
na Pedra do Sal? O que deveria ser feito para essa situação problemática das terras na Ilha
Grande/PI e Pedra do Sal/PI? e dentre outros, direcionaram o levantamento de dados.
Na totalidade, foram seis moradores entrevistados, sendo pertencentes do município de
Ilha Grande/PI e comunidade da Pedra do Sal, pertencente ao município de Parnaíba/PI. Por
meio de uma entrevista semiestruturada, optou-se entrevistar pessoas que pudessem discorrer
sobre o processo histórico de ocupação das localidades citadas, ou seja, pessoas antigas e que
de alguma forma, fornecessem informações relevantes para contradizer fatos levantados pelos
“donos da terra” ou “herdeiros” no aforamento realizado pela SPU. Questionou-se de início,
sobre a história de ocupação das famílias no município de Ilha Grande/PI e comunidade da
Pedra do Sal. Seu Garajau, morador da comunidade da Pedra do Sal, casado com Dona Maria
da Conceição, também moradora local, mora na localidade desde 1977, porém nunca
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possuíram documentação que comprovasse a posse de terra. Assim, a entrevistada 1 afirma:


“Eu nasci e me criei aqui na Pedra do Sal, nasci em 1947 em um sábado, 2
horas da tarde. Meu pai, Manoel Gonçalves do Nascimento, nasceu em 1922
e minha mãe, nasceu em 1928, e eles nasceram aqui na Pedra do Sal. Minha
vô materna Cesária morava no “Ziburana” e meu pai morava aqui (Pedra do
sal). Uma das minhas vó morava na Beira da Praia. Em 1979, nos casamos e
fomos morar lá na praia. Na época, tinha umas 10 casas”.

E o entrevistado 2 complementa:

“Quando o João Tavares Silva chegou aqui, o avô “Vei Coringa” dela (Dona
Maria da Conceição) já morava aqui... Quando ele chegava aqui, vinha
em um cavalo e amarrava na budega que o “Vei Coringa” tinha e ia passear
nas pedras... Ele vinha da Ilha Grande de Santa Isabel”.

Nas falas acima dos moradores, percebe-se nas datas, que a ocupação das terras da
Pedra do Sal/PI ocorreu a mais de 100 anos, porém, observando documentos públicos da
SPU, percebe-se que as suas existências nas terras aforadas, assim como suas atividades de
subsistências, foram negadas. Em pesquisa feita nos processos de aforamento de terra feita
pela SPU, conforme processos tendo como procedência, João Carvalho de Carvalho e Silva,
apresenta informações quanto a demarcação de terras para 7 (sete) herdeiros, tendo como data
de processo iniciado, o ano de 1987:

Fonte: Secretaria do Patrimônio da União – SPU (2014)

E em outra passagem do processo de aforamento, é falado que o herdeiro “João


Tavares de Carvalho e Silva” paga taxa de ocupação, desde 1921, paralelo à ocupação de
autóctones feita bem antes, brevemente apresentada anteriormente:
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Fonte: Secretaria do Patrimônio da União – SPU (2014)

É importante perceber a seguinte situação: De um lado, moradores que, desde os anos


20, vivem e fazem do espaço local, seus modos de vida, unidos ao extrativismo e sua
comercialização, legitimando a ligação com a terra e materializando seus “territórios
pesqueiros”, “extrativistas”, etc e ao passo disto, tais terras ocupadas foram aforadas e
empossadas por “herdeiros”, negando a existência destes autóctones.
Haesbaert fala que o território imprime uma questão de “ser” e não somente de “ter”
(2005). A partir desta afirmação, é importante destacar um trecho de entrevista realizada com
a entrevistada 3, que fala de sua relação histórica com o extrativismo:
Na época do Muricí, minha vô e eu juntava murici e enchíamos o balaio,
botávamos a cabeça e íamos por ali, acordávamos 4h da manhã e quando o
dia amanhecia, estávamos no porto de vazantina. Aí nós iamos para o
mercado, minha vô botava o balaio e vendíamos por 50 cruzeiros o litro. Daí
quando terminava compramos o que comer (Carne, ossada, o que o dinheiro
desse. Vendiamos também o caju e a castanha nós assava e quebrava,
raspava e levava pra vender, era 5 cruzeiros. Aí nós ia pescar e pegava de
15kg de peixe (Cará, traira, pial), salgava e empilhava. Quando era 2h da
manhã, meu avô e minha mãe acordava eu e meu irmão, aí ela colocava um
monte de peixe no plástico, amarrava e fazíamos os cambos. Cada cambo era
um cruzeiro, dois cruzeiros e eu sempre ajudando, observando, pois tem filho
que não observa o que o pai faz e eu sou muito curiosa e tudo isso (palha,
peixe, murici, caju) era coletado perto de nossas casa. Plantávamos
mandioca, macaxeira, batata, feijão, etc.

E a entrevistada 4 também fala sobre como era antigamente, sua relação social com o
território aqui problematizado:
Tinha muita fartura, mais caju, murici e as belezas naturais que ainda temos
um pouco, mas não como antes. Eu vejo assim... Até mesmo no mar e nas
lagoas, tinha muito peixe que com o tempo foi acabando”. Então tinha lagoas
que davam muito peixe que era a lagoa da Vareda que meu avô pescava
muito, então tinha uma grande diversidade e com o tempo foi acabando. Eu
lembro muito dessa fartura... Eu lembro muito dessa fartura e eu cresci
vendo isso, nós íamos vender peixe no mercado em Parnaíba, íamos pelo
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labino, enfim... Eu sei que saiamos pela vazantinha, atravessávamos o rio de


canoa e chegávamos umas 4:30 5:00. E íamos com peso na cabeça no meio
da areia, lama... Levávamos balde, bacia de caju.... Eu ia com minhas irmãs,
eu como era novinha, tinha 8 anos, por ser menor eu sempre levava as
sacolas de palha e o cofo e como minhas irmãs, eram mais velhas, uma
levava bacia de caju e a outra de peixe (Cará, etc.) e levávamos para vender
no mercado. Então assim, a gente cresceu assim.. A gente sempre trabalhou
na roça, produzíamos de tudo um pouco, mas produzíamos arroz. Tinha
arroz, milho, feijão, horta...então assim, nós não tivemos muita oportunidade
de estudo pois não tínhamos condição, hoje eu vejo que chegávamos na
escola esgotados...Mas eu estudei aqui na pedra do sal e eu fui ser
alfabetizada aqui na Pedra do Sal... A primeira escolinha que foi criada aqui
foi a Escola João Severo que foi criada por uma hippie muito inteligente, ela
começou alfabetizando na casa dos pescadores. Então a maioria desse
pessoal da minha época foi alfabetizado por ela, então vinha labino e pedra
do sal e fomos alfabetizados por ela. Labino e Pedral. A gente vinha num
grupo de adolescente e vinhamos estudar aqui, e ai ela começou a buscar
recursos e fazer a escolinha. Na época, eu lembro que a gente ia fazer acerca
e o Herbet mandou derrubar. Aí eu não entendia muito bem, mas todo
mundo tinha muito bem, ai ela mandou cercar novamente, ele mandou
derrubar, nós levantamos de novo, nós, estudantes, ele mandou derrubar três
vezes e nas três vezes ela mandou construir, aí ele parou. E aí construiu... Aí
ela fundou a associação, ai começou a trabalhar na comunidade... Mas aí
embargou também na questão quando começou a divergir a comunidade...
Ela chegou a fundar a associação, construiu a escola João severo... E aí tinha
os barcos de pesca, São Pedro I e II, e a própria comunidade acabou tudo. Eu
via e não entendia muito e aí assim... Depois agora, quando entrei na
associação eu comecei a entender tudo que aconteceu atrás, quando
começamos a luta pela terra, quando brigamos pelo bar, eu entendi o que ela
tentou mostrar pra comunidade, e aí depois eu vi a casa da minha cunhada
que ele mandou tocar fogo (Dona Ana), pois ela fez sem pedir a eles... E eles
botavam fogo tudo escondido, ninguém sabe que foi eles. Então assim, essa é
uma das coisas que acontecem, mas acontecem coisas bem piores... Agora
mesmo, com esse incidente das terras, o morador Israel construiu a casa... O
Roberto mandou um carro cheio de peão para derrubar a casa e foi recente,
na época da luta contra a Ecocity e ele é um morador antigo, nativo
daqui...
Atualmente, tem muita gente de fora, inclusive a comunidade cresceu muito
onde tem pessoas do Pará, RJ, buscando qualidade de vida, etc.

Na fala dos moradores, percebe questionamentos sobre a veracidade da legalidade


jurídica das terras herdadas pelo interessado do processo ou como já citado, pelos “donos da
terra”, por meio de suas declarações de apropriação de tal terra, no foco do comércio,
extrativismo e ligação social com o território aforado. Além da indignação acerca dos dias de
hoje em comparação com o passado quanto ao acesso das terras.
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Insistimos que, em nível local, inexistem produções científicas sobre as conflituosas


relações de ocupação de terra na Ilha Grande/PI e Pedra do Sal/PI, tornando os objetivos deste
trabalho científico como papel desafiador e relevante daqui para frente. Porém, cabe refletir
sobre a realidade de outras comunidades tradicionais que vivem tal problemática, como por
exemplo, Prainha do Canto Verde/CE9 e Tatajuba/CE, no qual historicamente vivem conflitos
quanto à dominação de seus territórios, conforme observação em visitas técnicas já realizadas.
A entrevistada 4, moradora da comunidade da Pedra do Sal sofreu um embate com um
dos herdeiros da terra, sendo que este último não deu “permissão” para que a moradora
construísse um estabelecimento, contextualizado a seguir:

A minha primeira história com a comunidade foi quando eu vim para cá e


resolvemos colocar um ponto de venda, que era barzinho na praia pra mim
trabalhar. E daí então, foi que eu fui conhecer mais a realidade da
comunidade. Assim, sempre ouvi dizer que aqui não se podia construir nada,
nem casa, sem o consentimento dos Silva. Quando se tinha de construir uma
casa tinha que pedir permissão a Família Silva (Roberto Silva, Alberto, etc.)
no qual eles eram os coronéis aqui dentro. Já aconteceram casos da família
do meu marido que foram construir casas e a família Silva chegou a queimar
e mostravam que eram os coronéis aqui dentro. Então fomos construir o bar
e não pedimos ele (Roberto Pilim). Chegaram ao ponto que eles mandaram
guinchar e foi a primeira luta que tivemos na comunidade e na época,
quando estávamos construindo o Roberto veio e pediu para não construirmos
mais, pois não tínhamos pedido a ele, pois a terra era deles, pois eles eram o
dono da praia e nós falamos que só queríamos trabalhar e viver dignamente.
Daí foi quando veio o guincho e eles falaram que iriam guinchar e falamos,
poxa, o nosso não vai guinchar. E aí, ficou eu, minha cunhada, meu cunhado
e o rapaz construindo, e eles mandando parar e nós dizendo, pode continuar.
E daí o homem disse que ia guinchar e falamos que não, senão iria morrer
gente. E a comunidade ficou só observando e todo mundo ficou esperando
no que ia dar. E daí, Roberto Pilim reuniu os barraqueiros... E na época, a
comunidade, em vez de apoiar, ficou foi contra, mas hoje em dia, eu vejo que
eles tinham medo de encarar e enfrentar a família Silva. Já éramos mais de
100 famílias. E assim, não se podia construir casa de telha, de tijolo... Só de
parede de palha, casa de palha e com o consentimento deles. (Dona Norma -
Moradora da comunidade da Pedra do Sal)

Este episódio apresenta a correlação de forças que a comunidade da Pedra do Sal


está inserida, conflitando sua permanência no território, historicamente, ocupados e o quão
problemático representa a comunidade buscar inserir-se em atividades geradoras de
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No ano de 2009, foi criada a Reserva Extrativista Prainha do Canto Verde – CE com objetivo de assegurar por
terra e por mar, os direitos da referida comunidade tradicional.
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emprego e renda.
Souza contextualiza poder e território da seguinte forma:
O território, objeto deste ensaio, é fundamentalmente um espaço definido e
delimitado por e a partir de relações de poder. A questão primordial, aqui,
não é, na realidade, quais são as características geoecológicas e os recursos
naturais de uma certa área, o que se produz ou quem produz identidade em
um dado espaço, ou ainda quais as ligações afetivas e de entre um grupo
social e seu espaço.
Estes aspectos podem ser de crucial importância para a compreensão da
gênese de um território ou do interesse por tomá-lo ou mantê-lo, como
exemplificam as palavras de Sun Tzu a propósito da conformação do terreno,
mas o verdadeiro Leitmotiv é o seguinte: quem domina ou influencia e como
domina ou influencia esse espaço? (SOUZA, M., 1995, p. 79, grifos do
autor).

Outro morador da Pedra do Sal fala sobre a não regularização da terra. Questionado
sobre a existência de documentação que comprova a posse do território, o entrevistado 5
Jonas afirma:
Tenho não. Pois quando chegamos aqui, tínhamos o entendimento (Já era
conhecido como Pedra do Sal) que era um lugar deserto... O Roberto Pilim
levou o João Severo no cartório para ele testemunhar que essas terras são da
Família Silva... Então isso aqui era aberto, não tinha dono, existiam poucas
casas e hoje em dia você vê a quantidade de casa... O que acontece é que a
Família Silva tem um monte de dinheiro, pois eu já fui na reunião da eólica e
a o rapaz disse pra nós que isso aqui (a terra) estava alugado pela família
Silva por 20 anos. Que menos eles ajudassem a comunidade, pois nós que
fizemos o cemitério e a igreja ainda teve ajuda do Herbet. Um trabalhador
desses me falou que daqui a 2 anos, serão instalados 90 cataventos.

A entrevistada 6 também falou do descaso da falta de regulamentação:

Nunca tivemos documento da terra. Ninguém aqui da Pedra do Sal tem


documento da terra e nunca falaram nada disso!... Seria muito bom que
tivesse uma regularização, mas hoje em dia, as coisas tão assim... As pessoas
não estão dando mais valor, ou seja, as pessoas venderiam... Regularizar por
regularizar não funciona (Moradora da Pedra do Sal).

De acordo com a SPU, as glebas divididas para cada herdeiro correspondem a grandes
áreas territoriais:
14

Fonte: Secretaria do Patrimônio da União – SPU (2014)

Como já falado pelos moradores da Pedra do Sal e Ilha Grande, o processo de


regulamentação do território pelos “Donos da terra” é de caráter inverídico, uma vez que não
se levou em conta, as famílias que já ocupavam ás áreas tornadas propriedades de
particulares. Contextualizando as noções de poder, Foucault salienta que:
“[...] o poder não se dá, não se troca nem se retoma, mas se exerce, só existe
em ação, como também da afirmação que o poder não é principalmente
manutenção e reprodução das relações econômicas, mas acima de tudo uma
relação de força” (FOUCAULT, 1999, p. 175).

E partindo de um contexto econômico sobre território, Marx fala que (1986, p. 87):
A noção de território estaria dada em sua declaração, “[...] o que faz com que
uma região da terra seja um território de caça é o fato das tribos caçarem
nela [...].” Com isso, o autor aponta a condição de suporte da vida material
de um dado grupo social que se apropria e usa uma parte do espaço
geográfico, em um período historicamente datado. É evidente que Marx
(1986) não estava preocupado em compreender o território em si, mas sim as
formações econômico-sociais pré-capitalistas, que forneceria elementos de
análise para seu trabalho de maior fôlego – O capital.

Destaca-se que o território aqui contextualizado, remete poder e desigualdade, tendo


em vista a realidade local colocada no qual de um lado, proprietários de longas extensões de
terra emitem poder, gerando instabilidade para os moradores e de outro, a comunidade que
15

vive a mercê dos mandos e desmandos dos primeiros.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

“Concluindo”, a apropriação de terras, acompanhada de um contexto social/espacial e


em negação ao processo acumulativo capitalista que nas palavras de Lefebvre que configura-
se como como “dominação”, nos coloca em uma posição de enxergar a terra como uma
questão de “ter” e “ser”.
Assim, a partir dos resultados obtidos, faz-se necessário realizar algumas
considerações sem a pretensão de concluir a presente pesquisa, tendo em vista o longo
processo de análise dos novos cenários que são evidenciando nos objetos de estudos aqui
problematizados, colocando como potencial, as contradições existentes a partir das relações
ocasionadas pelos agentes terriorializadores, desterritorializadores e reterritorializadores no
contexto local. Analisar o espaço e percebe-lo para além dos seus aspectos físicos, é um
papel desafiador quando tal realidade imprime relações sociais/espaciais em constante
movimento a serem investigadas, sendo um compromisso, pesquisar para transformar a
realidade que está colocada e a partir das provocações de rupturas, buscar alternativas em
nível de políticas públicas que desmistifiquem alguns mitos quanto ao espaço, território, lugar
e suas inerências, dialeticamente, a serem travadas. Dessa forma, privilégios e privilegiados
tornaram-se mitos para as gerações futuras.
A ilha Grande de Santa Isabel/PI e Pedra do Sal/PI, comunidades estas que
reproduzem a pesca, o artesanato, o extrativismo e de encontro a isto, a especulação
imobiliária ambiental e turística como forças contrárias a seus interesses, necessitam de seu
protagonismo na defesa do território. Para além disso, o protagonismo das iniciativas públicas
enquanto públicas de fato, precisam urgentemente serem percebidas, tendo em vista a
ausência de políticas públicas que poderiam contribuir para a comunidade local, como a
regulamentação fundiária, partindo do entendimento que tal iniciativa precisa de
acompanhamento técnico; geração de emprego e renda que dialoguem com a estrutura social,
econômica e ambiental destas comunidades, práticas socioambientais com foco na proteção
social e ambiental do espaço ocupado pelo autóctones e dentre outros.
16

A partir dos discursos dos autóctones entrevistados, são perceptíveis alguns


contrapontos históricos quanto ao aforamento da terra para a família herdeira, fazendo-se
relevante alcançar novos patamares de pesquisa local para que assim, cumulativamente,
possamos contribuir, junto aos órgãos responsáveis, na desapropriação de tal área para essas
comunidades tradicionais. É evidente a ligação social com a terra a partir de suas reafirmações
territoriais por meio do espaço local a partir de inúmeros aspectos: econômico, ambiental,
político, social, etc.
Quanto aos cenários antigos e atuais, no qual empreendimentos turísticos,
condomínios de luxo e empresas com propostas supostamente ambientais como usinas eólicas
disputam o espaço de tais comunidades, é profético desenhar os novos processos de
desterritorialização, ocasionando impactos de caráter duvidoso. Assim, faz-se como
responsável, a academia, por meio da pesquisa, buscar evidenciar tais contradições e assim,
desconstruir para construir novas alternativas para as comunidades tradicionais do litoral
piauiense.
Por fim, este artigo se propôs como um ensaio inicial de pesquisa em nível local que
problematize o espaço geográfico e seus conflitos que aparecem implícitos-velados para o
poder público municipal e a partir disto, perceber tal problemática como relevante,
necessitando ser vista como norte de debate da sociedade civil organizada local, poder público
estadual/municipal e meio acadêmico, no sentido de tais contradições sejam avançadas como
retaliação histórica para as comunidades tradicionais, desde o início, aqui retratadas.

REFERÊNCIAS

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Isabel. Gráfica e Editora Sieart, 2012.

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Ambiental Delta do Parnaíba. Disponível em:
<http://www.ecoeco.org.br/conteudo/publicacoes/encontros/vii_en/mesa2/trabalhos/estrategia
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17

os-moradores-da-prainha-do-canto-verde-desde-a-criacao-da-resex/>. Acesso em 5 de março


de 2015.

CRUZ, Rita de Cássia Ariza da Cruz. Geografias do turismo de lugares a pseudo-lugares.


São Paulo: Roca, 2007.

CUNHA, J. M. A.; MÉLO, I. C.; PERINOTTO, A. R. C. Disponível em:


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HAESBAERT, Rogério. Da desterritorialização à multiterritorialidade. Anais do X


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entre as obras de Ampliação da Usina Eólica e a Comunidade Pedra do Sal – Parnaíba –
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