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Introdução ao Método dos Elementos de

Contorno

Prof. Éder Lima de Albuquerque


Prof. Lucas Silveira Campos

UnB
UFES
2
Sumário

1 Introdução 7
1.1 O método dos elementos de contorno . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
1.1.1 Vantagens do Método do Elemento de contorno . . . . . . . 9
1.1.2 Desvantagens do método MEC . . . . . . . . . . . . . . . . 10
1.1.3 Escolhendo MEC ou MEF . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
1.2 Teorema de Gauss . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
1.3 Delta de Dirac . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
1.4 Integração numérica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.4.1 Fórmulas de Newton Cottes . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.4.2 Quadratura de Gauss . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
1.5 Integração numérica de integrais impróprias . . . . . . . . . . . . . 23
1.6 Exercícios propostos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27

2 Propriedades geométricas de figuras planas 29


2.1 Cálculo do perímetro de figuras planas . . . . . . . . . . . . . . . . 29
2.1.1 Elementos de contorno lineares contínuos . . . . . . . . . . . 30
2.1.2 Elementos de contorno quadráticos contínuos . . . . . . . . . 35
2.1.3 Elementos de contorno quadráticos descontínuos . . . . . . . 38
2.2 O método da integração radial (MIR) . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
2.2.1 Calculo de integrais de área usando o MIR . . . . . . . . . . 43
2.3 Exercícios propostos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47

3
4 SUMÁRIO

3 Problemas de condução de calor 51


3.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
3.2 Equação de Poisson para transferência de calor . . . . . . . . . . . . 51
3.2.1 Caso unidimensional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
3.2.2 Problema transiente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
3.2.3 Solução fundamental para a equação de Laplace . . . . . . . 60
3.3 Exercícios propostos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64

4 O método dos elementos de contorno 67


4.1 Equação integral de contorno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
4.2 Cálculo da temperatura e do fluxo em pontos internos . . . . . . . . 72
4.3 Discretização das equações integrais de contorno . . . . . . . . . . . 73
4.4 Elementos de contorno constantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74
4.4.1 Integração das matrizes [H] e [G] quando o ponto fonte não
pertence ao elemento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77
4.4.2 Integração das matrizes [H] e [G] quando o ponto fonte per-
tence ao elemento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81
4.5 Elementos de contorno lineares contínuos . . . . . . . . . . . . . . . 82
4.5.1 Algoritmo para aplicar as condições de contorno . . . . . . . 89
4.5.2 Integração das matrizes [H] e [G] quando o ponto fonte não
pertence ao elemento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91
4.5.3 Integração da matriz [G] quando o ponto fonte pertence ao
elemento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91
4.5.4 Método indireto para o cálculo da diagonal da matriz [H] . 94
4.6 Elementos de contorno quadráticos contínuos . . . . . . . . . . . . . 95
4.6.1 Integração das matrizes [H] e [G] quando o ponto fonte não
pertence ao elemento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98
4.6.2 Integração da matriz [H] e [G] quando o ponto fonte pertence
ao elemento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98
4.7 Fontes de calor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104
4.7.1 Fontes de calor concentradas . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105
4.7.2 Fontes de calor distribuídas no domínio . . . . . . . . . . . . 105
SUMÁRIO 5

4.8 Exemplos numéricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106


4.9 Exercícios propostos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120

5 Problemas Elásticos 129


5.1 Teorema de Betti . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 130
5.2 Equação integral de contorno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132
5.3 Soluções fundamentais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132
5.4 Equações integrais singulares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133
5.5 Formulação dos elementos de contorno discretizada . . . . . . . . . 135
5.6 Integração no Espaço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136
5.7 Cálculo dos deslocamentos e tensões em pontos internos . . . . . . . 138
5.8 Tensões no contorno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139

6 Placas de Kirchhoff 143


6.1 Teoria da Flexão em Placas Finas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 143
6.2 Relações básicas para placas finas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 143
6.3 Transformação de coordenadas para momentos e forças cortantes . . 150
6.4 O Método dos Elementos de Contorno para Flexão de placas de
Kirchhoff . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152
6.5 Formulação integral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152
6.6 Solução fundamental de deflexão para uma carga pontual . . . . . . 159
6.7 Integrais analíticas e numéricas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 160
6.8 Elementos Quadráticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 160
6.9 Equação matricial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163
6.10 Transformação das integrais de domínio em integrais de contorno
para flexão em placas finas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167
6.11 Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 170
6 SUMÁRIO
Capítulo 1

Introdução

1.1 O método dos elementos de contorno


Quando se busca solucionar um problema de engenharia, as soluções conhe-
cidas como analíticas são normalmente desejadas. Uma solução analítica é uma
expressão matemática que representa o valor exato da solução de um problema.
Para conseguirmos uma solução analítica, faz-se necessário a existência de méto-
dos matemáticos capazes de resolver equações algébricas, diferenciais e integrais.
Contudo, encontramos diversos problemas práticos cujas soluções analíticas são
difíceis ou impossíveis de serem obtidas
Sendo assim, com o passar dos anos, foram desenvolvidas técnicas matemáti-
cas conhecidas como métodos numéricos que encontraram soluções aproximadas,
através de um valor numérico, para esses complicados problemas. Segundo [1], as
técnicas numéricas começaram a se desenvolver há centenas de anos atrás para
resolverem problemas matemáticos. Porém, suas utilizações eram bastante limi-
tadas, pois os cálculos eram realizados manualmente e com baixa precisão nos
resultados. Hoje em dia, essas técnicas matemáticas são realizadas em computa-
dores que permitem uma rápida execução de um grande número de cálculos em um
curto espaço de tempo, produzindo soluções mais precisas. Atualmente, os méto-
dos numéricos mais utilizados para encontrar soluções aproximadas de problemas
físicos são:

• Método das Diferenças Finitas (MDF);

• Método dos Elementos Finitos (MEF);

• Método dos Elementos de Contorno (MEC).

7
8 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

De acordo com [2], esses métodos são capazes de construir modelos discre-
tos a partir do modelo contínuo. Isto resulta na substituição do sistema original
por um outro mais simples, obtido através da discretização do problema. Assim,
constatou-se que boas soluções são obtidas quando esse tipo de simplificação é
realizada.
O MDF é classificado como um método diferencial. Trata-se de um método
de resolução de equações diferenciais que se baseia na aproximação de derivadas
por diferenças finitas. Ele transforma equação diferencias em equações algébricas
nos nós de um domínio, através da aproximação citada acima.
De acordo com [3], o MEF transforma a equação diferencial governante do
problema numa equação integral equivalente que trabalha com respostas desco-
nhecidas. Essas equações integrais são aproximadas por um conjunto semelhante
de equações integrais discretizadas, onde a resposta é desconhecida em um con-
junto finito de nós. De acordo com [4], a resposta de cada elemento é caracterizada
em termos de um número finito de graus de liberdade. Esses graus de liberdade
são representados como os valores das funções desconhecidas, em um conjunto
de pontos nodais. A formulação do elemento é definida por equações algébricas
obtidas de considerações matemáticas ou experimentais. A solução do sistema ori-
ginal é aproximada, pois um modelo discreto é construído pela conexão de todos
os elementos.
Segundo [2], o MEF apresenta vantagens sobre o MDF, pois esse permite
uma melhor aplicação das condições de contorno do problema e permite que a
construção da malha apresente tamanho variável. Contudo, o método de MEF
possui como característica, a utilização de um número muito grande de variáveis
nas suas equações, consumindo, assim, um tempo computacional muito grande.
Além disso, a entrada e saída de dados são muito trabalhosas quando o problema
é complexo.
O outro método computacional utilizado é o MEC, que é um método integral.
Nesse trabalho será utilizado o MEC, também conhecido como Boundary Element
Method (BEM). O MEC consiste em obter as equações integrais somente com
informações do contorno de um problema. Podemos definir uma equação integral
como uma equação que contém uma função operada por uma integral.
Engenheiros que estão familiarizados com elementos finitos muitas vezes per-
guntam porque é necessário desenvolver ainda outra técnica computacional. A
resposta é que elementos finitos provaram ser inadequados ou ineficientes em mui-
tas aplicações de engenharia. A análise de elementos finitos (MEF) é ainda um
processo comparativamente lento devido à necessidade de definir e redefinir malhas
na peça ou no domínio em estudo.
Elementos de contorno (MEC) surgiram como uma poderosa alternativa aos
1.1. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO 9

elementos finitos, particularmente nos casos em que é necessária maior precisão


devido a problemas como concentração de tensão ou onde o domínio se estende
até o infinito. A característica mais importante dos elementos de contorno, entre-
tanto, é que diferente dos métodos de domínio finito como, por exemplo, o método
de diferenças finitas ou o método de elementos finitos, a metodologia formula pro-
blemas como equações integrais com valores conhecidos e desconhecidos apenas no
contorno. Por conseguinte, requer apenas a discretização da superfície em vez do
volume, ou seja, a dimensão dos problemas é reduzida em um. Consequentemente,
o esforço de discretização necessário é em grande parte muito menor e, além disso,
as malhas podem ser facilmente geradas e as alterações de design não requerem
uma reestruturação completa. O método MEC é especialmente vantajoso no caso
de problemas com Domínios semi-infinitos, por exemplo, os chamados problemas
de domínio exterior: lá, embora apenas a superfície finita do domínio infinito te-
nha de ser discretizada, a solução em qualquer ponto arbitrário do domínio pode
ser encontrada após a determinação dos dados de limite desconhecidos. Para ser
objetivo, as características do método MEC devem ser comparadas ao seu princi-
pal rival, o método MEF. Suas vantagens e desvantagens podem ser resumidas da
seguinte forma:

1.1.1 Vantagens do Método do Elemento de contorno


1. Menos tempo de preparação de dados: Este é o resultado direto da mode-
lagem somente da superfície. Assim, o tempo necessário do analista para a
preparação de dados e verificação de dados para um determinado problema
deve ser grandemente reduzido. Além disso, as alterações subsequentes nas
malhas são facilitadas.

2. Alta resolução das tensões: as tensões são precisas porque nenhuma outra
aproximação é imposta na solução em pontos interiores, isto é, a solução é
exata e totalmente contínua dentro do domínio.

3. Menos tempo de computação e armazenamento: Para o mesmo nível de


precisão, o método MEC utiliza um menor número de nós e elementos (mas
uma matriz totalmente preenchida), ou seja, para alcançar uma precisão
comparável em valores de tensão, as malhas MEF precisam de mais divisões
que as malhas equivalentes MEC.

4. Menos informações indesejadas: Na maioria dos problemas de engenharia,


a situação "pior"(como fratura, concentração de tensão, choques térmicos
a.s.o.) geralmente ocorre na superfície. Assim, modelar um corpo tridimen-
sional inteiro com elementos finitos e calcular a tensão (ou outros estados)
10 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

em cada ponto nodal é muito ineficiente porque somente alguns destes valo-
res serão incorporados na análise de projeto. Portanto, o uso de elementos
de contorno é um uso muito efetivo de recursos computacionais e, além disso,
como pontos internos em soluções MEC são opcionais, o usuário pode se con-
centrar em uma determinada região interior em vez de em todo o interior.

1.1.2 Desvantagens do método MEC

1. Matemática desconhecida: a matemática usada em formulações MEC pode


parecer desconhecida para engenheiros (mas não difícil de aprender). No en-
tanto, muitos procedimentos numéricos de MEF são diretamente aplicáveis a
soluções de MEC (tais como integração numérica, aproximação de superfície,
tratamento de condições de contorno).

2. Em problemas não-lineares, o interior deve ser modelado: A modelagem


interior é inevitável em problemas materiais não-lineares. No entanto, em
muitos casos não-lineares (como a elastoplasticidade) a modelagem interior
pode ser restrita a áreas selecionadas, como a região ao redor de uma ponta
de rachadura.

3. Matriz de solução totalmente preenchida e não assimétrica: A matriz de solu-


ção resultante da formulação de MEC é assimétrica e totalmente preenchida
com coeficientes não nulos, enquanto que as matrizes de solução de MEF
são geralmente muito maiores, mas com pouca densidade populacional. Isso
significa que toda a matriz de solução MEC deve ser salva na memória do nú-
cleo do computador. No entanto, esta não é uma desvantagem grave porque
para obter o mesmo nível de precisão que a solução MEF, o método MEC
necessita apenas de um número relativamente modesto de nós e elementos.

1.1.3 Escolhendo MEC ou MEF

Para decidir se as soluções MEC ou MEF são mais adequadas para um pro-
blema específico, três fatores devem ser levados em consideração:

1. O tipo de problema (linear, não-linear, geometria, etc.)

2. O grau de precisão exigido

3. A quantidade de tempo a ser gasto na preparação e interpretação de dados.


1.2. TEOREMA DE GAUSS 11

Ambas as técnicas devem ser disponibilizadas aos engenheiros, porque em


certos tipos de aplicações, uma delas pode apresentar uma vantagem distinta sobre
a outra. Considerando as vantagens e desvantagens do método MEC acima, os
seguintes pontos podem ajudar a decidir qual técnica usar:

• O método MEC é adequado e mais preciso para problemas lineares, particu-


larmente para problemas tridimensionais com variáveis em rápida mudança
como problemas de fratura ou contato

• Devido ao tempo muito reduzido necessário para modelar um problema par-


ticular, o método MEC é adequado para análises de projeto preliminares
onde geometria e cargas podem ser posteriormente modificadas com esforço
mínimo. Isso dá aos designers mais liberdade em experimentar novas formas
e geometrias.

• O método MEF é mais estabelecido e mais desenvolvido comercialmente,


particularmente para problemas não lineares complexos onde foram realiza-
dos testes rigorosos para estabelecer sua confiabilidade. A tentação para os
engenheiros é usar um programa de computador bem estabelecido, em vez
de se aventurar em novos métodos.

• Geradores de malha e rotinas de plotagem desenvolvidas para aplicações de


MEF são diretamente aplicáveis a problemas de MEC. Não é uma tarefa
difícil escrever programas ’tradutores’ para interagir com pacotes comerciais
MEF. Além disso, muitas rotinas iterativas e de incremento de carga desen-
volvidas para aplicações de MEF em problemas não lineares também são
diretamente aplicáveis em algoritmos MEC.

1.2 Teorema de Gauss

Considere uma função f (x, y) contínua sobre uma área A. A integral da


derivada desta função sobre a área A pode ser escrita como:

¨ ˆy2 ˆx2
 
∂f (x, y) ∂f (x, y) 
dxdy =  dx dy (1.1)
A ∂x ∂x
y1 x1

Resolvendo a primeira integral, tem-se:


12 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

¨ ˆy2
∂f (x)
dxdy = [f (x2 (y)) − f (x1 (y))] dy (1.2)
A ∂x
y1

Da figura 1.2 tem-se:

~t = dx~i + dy ~j (1.3)
dS dS
e

dy ~ dx ~
~n = i− j (1.4)
dS dS

s2
y2 D dx
s1
A dS ~t
dy
E C
dy ~n

y1 dS
B

x
x1 x2
Figura 1.1: Área A que é o domínio de integração de f (x, y).

Daí, tem-se:

dy
nx = ⇒ dy = nx dS (1.5)
dS
e
1.2. TEOREMA DE GAUSS 13

dx
ny = − ⇒ dx = −ny dS (1.6)
dS

Substituindo a equação (1.5) na equação (1.2), tem-se:

ˆy2 ˆy2 ˆy2


[f (x2 (y)) − f (x1 (y))] dy = f (x2 (y(s)))nx ds − f (x1 (y(s)))nx ds (1.7)
y1 y1 y1

Na figura 1.2 nota-se que o trajeto de integração de y1 até y2 corresponde ao


trajeto BCE, enquanto de y2 até y1 corresponde ao trajeto BED. Daí, tem-se:

ˆy2 ˆ ˆ
[f (x2 (y)) − f (x1 (y))] dy = f (s)nx ds − f (s)nx ds (1.8)
y1 BCE BED

Invertendo o sentido BED para DEB, inverte-se também o sinal da integral.

ˆy2 ˆ ˆ
[f (x2 (y)) − f (x1 (y))] dy = f (s)nx ds + f (s)nx ds (1.9)
y1 BCE DEB

Agora as integrais do lado direito da euqação (1.9) correspondem a uma inte-


gral ao longo de todo o contorno s da área A, ou seja:

ˆy2 ˛
[f (x2 (y)) − f (x1 (y))] dy = f (s)nx ds (1.10)
s
y1

Ou seja:
¨ ˛
∂f (x, y)
dxdy = f (s)nx ds (1.11)
A ∂x s

Da mesma forma, pode-se mostrar que:


¨ ˛
∂f (x, y)
dxdy = f (s)ny ds (1.12)
A ∂y s
14 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

O mesmo teorema pode ser facilmente demonstrado para funções definidas no


espaço tri-dimensional x, y, z. Considerando uma função f (x, y, z) definida em um
domínio de superfície S do volume V , tem-se:
˚ ‹
∂f (x, y, z)
dxdydz = f (s, v)nx ds (1.13)
V ∂x S

˚ ‹
∂f (x, y, z)
dxdydz = f (s, v)ny ds (1.14)
V ∂y S

˚ ‹
∂f (x, y, z)
dxdydz = f (s, v)nz ds (1.15)
V ∂z S

onde s = s(x, y, z) e v = v(x, y, z) são os parâmetros de integração sobre a super-


fície S do volume V .

1.3 Delta de Dirac


Em diversas situações na engenharia, perturbações são idealizadas como se
ocorressem em um ponto. Exemplos disso são cargas concentradas na mecânica
dos sólidos e fontes e sorvedouros de energia em análises de transferência de ca-
lor. Ao imaginar uma carga concentrada, na realidade pensamos em uma carga
"relativamente concentrada", como mostra a Fig. 1.3. Idealizar como ponto de-
pende qualitativamente da proximidade a qual o local de aplicação da perturbação
é observado. Em um limite onde o raio da curvatura da carga tende a zero, a
tensão tenderá ao infinito e o material falhará. Finalmente, deve-se admitir que
fontes concentradas são matematicamente úteis, porém abstratas, mostrando-se
úteis para resolver problemas práticos.

Carga concentrada

Viga em balanço

Figura 1.2: Carga concentrada em uma viga em balanço


1.3. DELTA DE DIRAC 15

Com o objetivo de construir uma descrição matemática para as fontes e car-


regamentos pontuais, será apresentada a função pulso retangular unitário na Fig.
1.3. Essa função é criada de forma que sua integral seja igual a uma unidade em
qualquer domínio onde for "ativada".

F (x, d, a) a

1
a

d x

Figura 1.3: Função pulso retangular unitário

Estando essa função centrada em d e de comprimento a, com função descrita


pela equação:

 0 se x < d − a2

F (x, d, a) = 1
se d − a2 ≤ x ≤ d + a
(1.16)
 a 2
0 se x > d + a2

Agora podemos definir a função delta de Dirac como o limite da função pulso
retangular unitário quando a se aproxima de zero.

δ(x − d) = lim F (x, d, a) (1.17)


a→0

Essa função se comporta de tal maneira que pode ser usada para representar
as fontes pontuais. Quando a região onde a função atua fica menor, a intensidade
aumenta de tal forma que a integral da função permanece constante.

0 se x 6= d
δ(x − d) = (1.18)
∞ se x = d
16 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

A função delta de Dirac possui as seguintes propriedades que são a base do


método dos elementos de contorno:

• Integral da função delta de Dirac:

ˆ

b  0 se d < a
δ(x − d)dx = 1 se a ≤ d ≤ b (1.19)
a 
0 se d > b

• Integral do produto de uma função delta de Dirac com outra função g(x):

ˆ

b  0 se d < a
g(x)δ(x − d)dx = g(d) se a ≤ d ≤ b (1.20)
a 
0 se d > b

1.4 Integração numérica

1.4.1 Fórmulas de Newton Cottes


Ideia: Integrar um polinômio que interpola f (x) em pontos igualmente espa-
çados do intervalo de integração (x1 e x2 ).

Regra dos trapézios repetida

A aproximação da função se dá por meio de retas em intervalos de tamanhos


iguais a h.

Regra 1/3 de Simpson repetida

A aproximação da função se dá por meio de parábolas (polinômios do segundo


grau).

Erros na integração pelas fórmulas de Newton Cottes

Os erros diminuem:

• com o aumento do grau do polinômio e


• com o aumento do número de divisões.
1.4. INTEGRAÇÃO NUMÉRICA 17

Aproximação linear por partes

f (x)

x1 x2 x3 x4 x5 x
h h h h

Figura 1.4: Regra dos trapézios

1.4.2 Quadratura de Gauss


Ideia: Integrar um polinômio que interpola f (x) em pontos do intervalo de
integração (x1 e x5 ) considerando que o tamanho dos intervalos foram otimizados
para se integrar, de maneira exata, um polinômio de mais alta ordem possível. A
tabela 1.1 mostra o grau dos polinômios que se pode integrar exatamente usando
as fórmulas de Newton-Cotes e a quadratura de Gauss com um dado número de
pontos.

Tabela 1.1: Comparação entre as fórmulas de Newton-Cotes e a quadratura de


Gauss
Ordem do polinômio integrado de forma exata
Número de pontos Neuwton-Cotes Quadratura de Gauss
1 0 1
2 1 3
3 2 5
4 3 7
n+1 n 2n + 1

Na quadratura de Gauss, a integral é transformada em um somatório de valo-


18 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

Aproximação por polinômios do 2o grau

f (x)

x1 x2 x3 x4 x5 x
h h h h

Figura 1.5: Regra 1/3 de Simpson

res na função f calculados em pontos específicos ξi , chamados de pontos de Gauss,


mutiplicado por pesos ωi , chamados de pesos de Gauss. A integral é então dada
por:

ˆ 1 n
X
f (ξ)dξ = f (ξi )ωi (1.21)
−1 i=1

onde ωi são os peso de Gauss. Os pesos e pontos de Gauss são calulados através de
algoritmos como, por exemplo, a function Gauss_Legendre.m que será utilizada ao
longo do curso. Embora seja possível gerar pesos e pontos de Gauss para intervalos
diferentes de [−1, 1], em um programa de elementos de contorno, onde o número
de integração é muito grande, os pontos e pesos de Gauss são gerandos apenas
uma vez para o intervalo [−1, 1] e integrais em intervalos diferentes destes são
calculadas através de uma mudança de variável, da seguinte forma:
ˆ x1 ˆ 1
dx
g(x)dx = g(x(ξ)) dξ (1.22)
x2 −1 dξ

x(ξ = −1) = x1 (1.23)

x(ξ = 1) = x2 (1.24)
1.4. INTEGRAÇÃO NUMÉRICA 19

Note que a equação (1.22) pode ser escrita da mesma forma que a equação
(1.21) considerando f (ξ) = g(x(ξ))dx/dξ.
A transformação de coordenadas de x para ξ pode ser obtida através de uma
relação linear, da seguinte forma:
(
x1 = −a + b
x(ξ) = aξ + b ⇒ (1.25)
x2 = a + b

x1 + x2 = 2b (1.26)

x2 + x1
b= (1.27)
2

x2 − x1
a= (1.28)
2
Daí tem-se:

1
x(ξ) = [(x2 − x1 )ξ + (x1 + x2 )] (1.29)
2

dx x2 − x1
= (1.30)
dξ 2

Exemplo 1.4.1

Função regular
Integrar usando três pontos de Gauss a função f (x) = sin(x) no intervalo
[0, π] (Figura 1.6).
ˆ π
I= sin(x)dx (1.31)
0

Integral analítica:

ˆ π
Ia = sin(x)dx = − cos(x) ]π0 = − cos(π) − (− cos(0)) = −(−1) + 1 = 2 (1.32)
0

Integral numérica:
20 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

0.9

0.8

0.7

0.6
f(x)

0.5

0.4

0.3

0.2

0.1

0
0 0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5
x

Figura 1.6: Função f (x) = sin(x).

x1 = 0 e x2 = π

dx x2 − x1 π−0 π
= = = (1.33)
dξ 2 2 2

1 1 πξ + π
x = [(π − 0)ξ + π − 0] = π(ξ + 1) = (1.34)
2 2 2

ˆ π ˆ 1 ˆ 1
dx πξ + π π
I= sin(x)dx = sin(x(ξ)) dξ = sin( ) dξ (1.35)
0 −1 dξ −1 2 2

Daí, tem-se que:

ˆ π ˆ 1 n
dx X dx
I= sin(x)dx = g(x(ξ)) dξ = g(x(ξi )) ωi (1.36)
0 −1 dξ i=1

onde:

g(x) = sin(x)
1.4. INTEGRAÇÃO NUMÉRICA 21

πξ + π
x(ξ) =
2
e

dx π
=
dξ 2
Usando tabelas disponíveis em livros, tem-se, para n = 3:

ξ = { −0, 7746 0, 0000 0, 7746 }


ω = { 0, 5556 0, 8889 0, 5556 }

A tabela 1.2 mostra os passo para o cálculo da integral de sin(x) no intervalo


de [0, π] com N = 3.

Tabela 1.2: Integração de sin(x) com 3 pontos de Gauss.


i ξi ωi x(ξi ) g(x(ξi )) f (ξi )ωi = g(x(ξi )) dx ω
dξ i
1 -0,7746 0,5556 0,3541 0,3467 0,3026
2 0 0,8889 1.5708 1,0000 1,3963
3 0,7747 0,5556 2,7875 0,3467 0,3026
P3
i=1 f (ξi )ωi 2,0014

Exemplo 1.4.2 Função com singularidade (integral imprópria)


Integrar numericamente a função f (x) = −x log(|x−1/2|) no intervalo [0,1/2]
(Figura 1.7) usando a quadratura de Gauss. Use 5, 10, 15 e 20 pontos de Gauss.
Integral analítica:

ˆ 1/2
1 1
Ia = −x log(|x − |)dx = (3 + 2 log 2) = 0, 274143 (1.37)
0 2 16

Integral numérica:
x1 = 0 e x2 = 1/2

1
dx x2 − x 1 −0 1
= = 2
= (1.38)
dξ 2 2 4
22 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

2.5

1.5
f(x)

0.5

0
0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5
x

Figura 1.7: Função f (x) = −x log(|x − 1/2|).

1 1 1 1 ξ+1
x = [( − 0)ξ + + 0] = (ξ + 1) = (1.39)
2 2 2 4 4

ˆ 1/2   ˆ 1  
1 1 dx
(1.40)

I= −x log x − dx = −x(ξ) log x(ξ) − dξ
0 2 −1
2 dξ
ˆ 1  
ξ+1 ξ + 1 1 1
I= − log − dx dξ (1.41)
−1 4 4 2 4
Daí, tem-se que:

ˆ 1/2   ˆ 1 n
1 dx X dx
(1.42)

I= −x log x − dx = g(x(ξ)) dξ = g(x(ξi )) ωi
0 2
−1 dξ i=1

onde:
 
1
g(x) = −x log x −
2
1.5. INTEGRAÇÃO NUMÉRICA DE INTEGRAIS IMPRÓPRIAS 23

ξ+1
x(ξ) =
4
e

dx 1
=
dξ 4

Tabela 1.3: Integração de I = −x log(|x − 1/2|) com diferentes pontos de Gauss.


n I Ia Erro (%)
5 0,2688 0,2741 1,9410
10 0,2727 0,2741 0,5250
15 0,2735 0,2741 0,2402
20 0,2738 0,2741 0,1372

1.5 Integração numérica de integrais impróprias


Conforme mostrado na seção 1.4, embora a quadratura de Gauss seja um mé-
todo eficiente para calcular integrais numéricas de funções regulares, são necessário
um número excessivo de pontos de Gauss para se integrar funções que apresen-
tem singularidades. Esta ineficiência exige que outras técnicas de integração sejam
usadas.
Integrais singulares da ordem (log r) podem ser avaliadas eficientemente pela
quadratura de Gauss com uma transformação de variáveis cúbica, conforme pro-
posto por [5], que cancela exatamente a singularidade logarítmica. Uma outra
possibilidade é o uso da quadratura logarítmica de Gauss [6]. De acordo com este
método, os termos incluindo singularidades logarítmicas podem ser integrados por:

ˆ 1   N
1 X
Ilog = log f (η)d(η) = ρi f (ηi ) (1.43)
0 η i=1

onde N é o número de pontos de Gauss logarítmico. As coordenadas do ponto de


integração ξ e o fator peso wi podem ser encontrados na literatura [6].
Para integrais do tipo
ˆ x2
I= log(|x − x1 |)g(x)dx (1.44)
x1
24 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

em intervalos de integração diferente de [0,1], a integral é calculada através de uma


mudança de variável, de forma que se tenha:

x(η = 0) = x1 (1.45)

x(η = 1) = x2 (1.46)

A transformação de coordenadas de x para η pode ser obtida através de uma


relação linear, da seguinte forma:

x(η) = aη + b (1.47)

sendo que:
(
x1 = b
(1.48)
x2 = a + b

Calculando a e b, tem-se:

b = x1 (1.49)

a = x2 − x1 (1.50)

Substituindo a e b na equação (1.47), tem-se:

x(η) = (x2 − x1 )η + x1 (1.51)

ou seja:

x − x1 = (x2 − x1 )η (1.52)

Uma vez que η está sempre definido no intervalo [0,1] (η é sempre maior ou
igual a zero), tem-se:

|x − x1 | = |x2 − x1 |η (1.53)
1.5. INTEGRAÇÃO NUMÉRICA DE INTEGRAIS IMPRÓPRIAS 25

dx
= x2 − x1 (1.54)

A integral (1.44) pode ser escrita como:

ˆ x2 ˆ 1
dx
I= log(|x − x1 |)g(x)dx = log (η|x2 − x1 |) g(x(η)) dη (1.55)
x1 0 dη

Usando as propriedades de logaritmo de um produto, tem-se:


ˆ 1
dx
I= [log(η) + log(|x2 − x1 |)] g(x(η)) dη = Ilog + I¯ (1.56)
0 dη
onde
ˆ 1
dx
I¯ = log(|x2 − x1 |)g(x(η)) dη (1.57)
0 dη
é uma integral regular que pode ser integrada usando quadratura de Gauss padrão
e
ˆ 1
dx
Ilog = log(η)g(x(η)) dη (1.58)
0 dη
é uma integral singular que deve ser integrada usando quadratura de Gauss loga-
rítmica. Esta integral pode ser reescrita como:

ˆ 1    ˆ 1  
1 dx 1
Ilog = log −g(x(η)) dη = log f (η)dη (1.59)
0 η dη 0 η

onde

dx
f (η) = −g(x(η)) , (1.60)

Substituindo a equação (1.60) na equação (1.57), pode-se escrever:
ˆ 1
I¯ = − log(|x2 − x1 |)f (η)dη (1.61)
0
26 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

Exemplo 1.5.1 Integrar numericamente a função f (x) = −x log(|x − 1/2|) no


intervalo [0,1/2] (Figura 1.7) usando a quadratura de Gauss logarítmica quando
necessário. Use 3 pontos de integração.
Integral numérica:
Como a singularidade encontra-se em x = 1/2, tem-se:
x1 = 1/2 e x2 = 0
Comparando as equações (1.62) com a equação (1.44), nota-se que os limites
de integração encontram-se trocados. Desta forma, deve-se inverter estes limites
e, por consequência, inverter o sinal do integrando. Procedendo desta maneira,
tem-se:

ˆ 1/2 ˆ 0
I= −x log(|x − 1/2|)dx = x log(|x − 1/2|)dx (1.62)
0 1/2

Usando a equação (1.51), tem-se:

1−η
 
1 1
x(η) = 0 − η+ = (1.63)
2 2 2

Derivando x(η) em relação a η, tem-se:

dx 1
=− (1.64)
dη 2

Comparando mais uma vez as equações (1.62) com a equação (1.44), tem-se
que:

1−η
g(x(η)) = x(η) = (1.65)
2
Usando a equação (1.60), tem-se:

1−η 1−η
 
dx 1
f (η) = −g(x(η)) =− − = (1.66)
dη 2 2 4

Tem-se também que:



1 1
(1.67)

|x2 − x1 | = 0 − =
2 2
1.6. EXERCÍCIOS PROPOSTOS 27

Agora, a integral (1.62) pode ser calculada usando as equações (1.55), (1.56),
(1.59), e (1.61).
Calculando numericamente a integral I, ¯ dado pela equação (1.61), usando 3
¯
pontos de Gauss padrão tem-se que I = 0, 08664.
Quanto à integral Ilog , usando tabelas disponíveis em livros [7] e a equação
(1.43), tem-se, para N = 3:

η = { 0, 06389 0, 36900 0, 76880 }


ρ = { 0, 51341 0, 39198 0, 094615 }

A tabela 1.4 mostra os passo para o cálculo da integral Ilog com N = 3.

Tabela 1.4: Integração de Ilog com 3 pontos de Gauss logarítmico.


i ηi ρi f (ηi ) f (ηi )ρi
1 0,06389 0,51341 0,2340 0,1202
2 0,36900 0,39198 0,1578 0,0618
3 0,76880 0,094615 0,0578 0,0055
P3
i=1 f (ηi )ρi 0,1875

Finalmente, tem-se que:

I = Ilog + I¯ = 0, 1875 + 0, 08664 = 0, 2741 (1.68)

ou seja, o resultado é preciso até pelo menos o quarto algarismo.

1.6 Exercícios propostos


Exercício 1.1 Considere T e w funções contínuas em um domínio A. Usando o
teorema de Gauss-Green, mostrar que:
ˆ ˛ ˆ
∂T ∂w ∂w ∂ 2w
dA = T nx ds − T 2 dA
A ∂x ∂x s ∂x A ∂x
onde T e w são funções definidas sobre um domínio de área A e contorno s e

− →
− →

n = nx i + ny j é o vetor normal unitário ao contorno s.
a) Usando o teorema de Gauss-Green, mostrar que a área A de uma figura
plana de contorno s pode ser dada pelas seguintes integrais de linha:
28 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

ˆ ˛ ˛ ˛ ˛ 
1
A= dA = xdy = − ydx = xdy − ydx .
A s s 2 s s

b) Usando a relação
˛ ˛ 
1
A= xdy − ydx ,
2 s s

calcule a área de um círculo de raio R.

Exercício 1.2 Calcule as seguintes integrais:


ˆ 10
(4x − x3 )δ(x − 3)dx
−5
ˆ 2  

sen x δ(x − 4)dx
−2 4

Exercício 1.3 Fazer um programa no MatLab para calcular a integral


ˆ π
I= sin xdx
0

usando quadratura de Gauss. Calcular a integral usando 1, 2, 3 e 4 pontos de


Gauss. Fazer o gráfico de barras do erro percentual  em relação a solução analítica,
dado por:

Ia − In 2 − In
=
× 100% =
× 100%
Ia 2
onde: Ia = integral analítica e In = integral numérica por quadratura de Gauss.
Use a function Gauss_Legendre.m para gerar os pontos e pesos de Gauss da se-
guinte forma:

[pto_Gaus,peso_Gauss]=Gauss_Legendre(-1,1,npg);

onde npg=número de pontos de Gauss.

Exercício 1.4 Fazer um programa para integrar a função f (x) = −x2 log(|x − 2|)
no intervalo [0,4], usando quadratura de Gauss logarítmica e quadratura de Gauss
padrão, ambas com 4 pontos de integração.
Capítulo 2

Propriedades geométricas de figuras


planas

2.1 Cálculo do perímetro de figuras planas


Seja uma curva plana (Figura 2.1) de domínio A e contorno s qualquer. Deseja-
se calcular o perímetro dessa curva, partindo do pressuposto de que o mesmo pode
ser encontrado através do cálculo de uma integral de contorno ao longo de s.
Uma vez que a integral ao longo do contorno no s pode ser bastante difícil,
ou mesmo impossível, uma estratégia para o cálculo do perímetro é a divisãoP do
contorno s em uma soma de pequenos pedaços s1 , s2 , ..., sn , ou seja, s = ni=1 s,
onde n é o número de pedaços em que o contorno foi dividido. Uma vez que
estes pedaços podem ter uma forma qualquer, cada pedaço si será aproximado por
uma forma conhecida. Por simplicidade, esta forma é quase sempre dada por um
polinômio (linha reta, parábola, etc).
Dessa maneira, cada pedaço s1 , s2 , ..., sn é aproximado por formas conhe-
cidas Γ1 , Γ2 , ..., Γn , chamados Elementos de Contorno.
Daí tem-se que

n
X
Γ= Γi (2.1)
i=1

e n
X
lim Γi = s, (2.2)
n→∞
i=1

onde Γ= contorno aproximado.

29
30CAPÍTULO 2. PROPRIEDADES GEOMÉTRICAS DE FIGURAS PLANAS

Figura 2.1: Domínio A

2.1.1 Elementos de contorno lineares contínuos

Considere agora, por simplicidade, que os elementos de contorno Γi são reti-


líneos, ou seja, são descritos por polinômios de 1ª ordem (equação de uma reta).
Uma vez que a integração de Gauss é comumente realizada no intervalo [−1, 1],
é coerente fazer o mapeamento do elemento de pcontorno Γi no intervalo [−1, 1].
Observando a figura 2.1.1, conclui-se que dΓ = dx2 + dy 2 , em que dx representa
um deslocamento infinitesimal na curva projetado nas abscissas e dy, nas ordena-
das. Vê-se também que (x1 , y1 ) é o ponto inicial do elemento de contorno e (x2 , y2 )
é o ponto final do mesmo.
O comprimento Γi do elemento i é dado por:

ˆ (x2 ,y2 ) ˆ 1

Γi = dΓ = dξ (2.3)
(x1 ,y1 ) −1 dξ

É preciso, então, criar funções que relacionem Γ com ξ, uma vez que a integral
é calculada em funçao de ξ. Para tanto, o ponto (x1 , y1 ) deve corresponder ao
2.1. CÁLCULO DO PERÍMETRO DE FIGURAS PLANAS 31

s2
s1
sn

Figura 2.2: Contorno dividido em pequenas partes

ponto ξ = −1, que é o início do intervalo de integração, enquanto o ponto (x2 , y2 )


corresponderá a ξ = 1, o final desse intervalo. Criando uma função linear para
relacionar x com ξ, tem-se:

x = aξ + b (2.4)

em que x(ξ = −1) = x1 e x(ξ = 1) = x2


(
x1 = a(−1) + b
(2.5)
x2 = a(1) + b

Resolvendo o sistema, obtemos:

x2 − x1
a= (2.6)
2
x1 + x2
b= (2.7)
2
32CAPÍTULO 2. PROPRIEDADES GEOMÉTRICAS DE FIGURAS PLANAS

s Ω
Γ

Γ2
Γ1
Γn

Figura 2.3: Contorno aproximado por formas simples

e, portanto

x2 − x1 x1 + x 2
x= ξ+ (2.8)
2 2
e

dx x2 − x1
= (2.9)
dξ 2
Da mesma forma, pode-se escrever:

y2 − y1 y1 + y2
y= ξ+ (2.10)
2 2

dy y2 − y1
= (2.11)
dξ 2

Daí, pode-se escrever:


2.1. CÁLCULO DO PERÍMETRO DE FIGURAS PLANAS 33

dΓ (x2, y2)

dy

dx
(x1, y1)

Figura 2.4: Elementos de contorno linear

s 2  2
p dΓ dx dy
dΓ = dx2 + dy 2 ⇒ = + (2.12)
dξ dξ dξ
ou
s 2 2
x2 − x1 y2 − y1

dΓ L
= + = (2.13)
dξ 2 2 2

onde
q
L = (x2 − x1 )2 + (y2 − y1 )2 (2.14)

Daí, tem-se:
ˆ 1 ˆ 1
dΓ L
Γi = dξ = dξ = L (2.15)
−1 dξ −1 2
34CAPÍTULO 2. PROPRIEDADES GEOMÉTRICAS DE FIGURAS PLANAS

Colocando x1 e x2 em evidência, a equação (2.8) pode ser reescrita da seguinte


forma:

1 1
x = (−ξ + 1)x1 + (ξ + 1)x2 (2.16)
2 2

ou

x = N1 (ξ)x1 + N2 (ξ)x2 (2.17)

onde

1
N1 (ξ) = (−ξ + 1) (2.18)
2

e
1
N2 (ξ) = (ξ + 1) (2.19)
2

são as chamadas funções de forma lineares contínuas, cujo gráfico é mostrada na


figura 2.1.1.

1
N2

N1

-1 1 ξ

Figura 2.5: Funções de forma lineares contínuas.


2.1. CÁLCULO DO PERÍMETRO DE FIGURAS PLANAS 35

2.1.2 Elementos de contorno quadráticos contínuos


Considere agora que os elementos de contorno Γi sejam parabólicos, ou seja,
são descritos por polinômios de 2ª ordem (equação de uma parábola). Desta forma,
são necessários 3 pontos de Γi para se definir a parábola. Estes pontos são dados
por (x1 , y1 ), (x2 , y2 ) e (x3 , y3 ), que correspondem respectivamente a ξ = −1, ξ = 0
e ξ = 1.
Criando uma função parabólica para relacionar x com ξ, tem-se:

y
(x3, y3)
(x2, y2)


(x1, y1)
−1 0 +1
x
ξ

Figura 2.6: Elemento quadrático contínuo

x = aξ 2 + bξ + c (2.20)

sendo que:

 x(ξ = −1) = x1
x(ξ = 0) = x2 (2.21)
x(ξ = +1) = x3

Substituindo (2.20) em (2.21) tem-se:

x1 = a(−1)2 + b(−1) + c x1 = a − b + c
x2 = a(0)2 + b(0) + c =⇒ x2 = c (2.22)
x3 = a(+1)2 + b(+1) + c x3 = a + b + c

Subtraindo a terceira equação do sistema (2.22) da primeira, tem-se:

x3 − x1
x1 − x3 = −2b ⇒ b= (2.23)
2
36CAPÍTULO 2. PROPRIEDADES GEOMÉTRICAS DE FIGURAS PLANAS

Da segunda equação do sistema (2.22), tem-se:

c = x2 (2.24)

Da primeira equação de (2.22), tem-se:

(x3 − x1 )
x1 = a − + x2
2

(x3 − x1 ) 2x1 − 2x2 + x3 − x1


a = x1 − x2 + =
2 2

x1 − 2x2 + x3
a=
2

(x1 − 2x2 + x3 ) 2 (x3 − x1 )


x= ξ + ξ + x2
2 2

x1 ξ 2 − 2x2 ξ 2 + x3 ξ 2 + x3 ξ − x1 ξ + 2x2
x=
2

(ξ 2 − ξ) (ξ 2 + ξ)
x= x1 + (1 − ξ)2 x2 + x3
2 2

ξ ξ
x = (ξ − 1) x1 + (1 − ξ)(1 + ξ) x2 + (ξ + 1) x3
|2 {z } | {z
N
} |2 {z }
2
N1 N3

x = N1 x1 + N2 x2 + N3 x3 (2.25)

onde N1 , N2 e N3 são as funções de forma quadráticas contínuas dadas por:

ξ
N1 = (ξ − 1) (2.26)
2

N2 = (1 − ξ)(1 + ξ) (2.27)

ξ
N3 = (ξ + 1) (2.28)
2
2.1. CÁLCULO DO PERÍMETRO DE FIGURAS PLANAS 37

N3

N2
ξ

−1 0 +1
N1
Figura 2.7: Funções de forma quadráticas contínuas.

As funções de forma quadráticas contínuas são mostradas na figura 2.7.


A derivada de x em relação a ξ é dada por:

dx d[N1 (ξ)] d[N2 (ξ)] d[N3 (ξ)]


= x1 + x2 + x3 (2.29)
dξ dξ dξ dξ

Da mesma forma, tem-se:

y = N1 y1 + N2 y2 + N3 y3 (2.30)

e também:

dy d[N (ξ)] d[N2 (ξ)] d[N3 (ξ)]


= y1 + y2 + y3 (2.31)
dξ dξ dξ dξ

onde

dN1 1
=ξ− , (2.32)
dξ 2

dN2
= −2ξ (2.33)

e

dN3 1
=ξ+ (2.34)
dξ 2
38CAPÍTULO 2. PROPRIEDADES GEOMÉTRICAS DE FIGURAS PLANAS

O comprimento Γ do perímetro da figura é então dado por:

n ˆ n ˆ n ˆ
s 2 2
1 1  1 
X dΓ X dx dy X
Γ= dξ = + dξ = J(ξ)dξ (2.35)
i=1 −1 dξ i=1 −1 dξ dξ i=1 −1

r 
2  2
em que a função J(ξ) = dx

+ dy

é chamada jacobiano da transformação.
Usando quadratura de Gauss com p pontos de Gauss, conclui-se que

ˆ 1 p
X
J(ξ)dξ = wk J(ξk ) (2.36)
−1 k=1

n
" p #
X X
Γ= wk J(ξk ) (2.37)
i=1 k=1

em que os pontos e pesos de Gauss relacionados à escolha de p são dados em


tabela. Tem-se, enfim, a equação que retorna o perímetro da figura em questão,
sem a necessidade de realizar o cálculo da integral de contorno ao longo da curva
s.

2.1.3 Elementos de contorno quadráticos descontínuos

 x(ξ = − 32 ) = x1 
 

x(ξ = 0) = x2 ⇒ x = aξ 2 + bξ + c (2.38)
x(ξ = + 23 ) = x3
 

x1 = a(− 32 )2 + b(− 32 ) + c x1 = 49 a − 23 b + c
x2 = a(0)2 + b(0) + c =⇒ x2 = c (2.39)
x3 = a(+ 32 )2 + b(+ 23 ) + c x3 = 49 a + 23 b + c

Fazendo (1)+(3), tem-se :

8 8 8
x1 + x3 = a + 2c ⇒ x1 + x3 = a + 2x2 ⇒ a = x1 + x3 − 2x2 (2.40)
9 9 9
2.1. CÁLCULO DO PERÍMETRO DE FIGURAS PLANAS 39

N3

N1

-1 −2 2 1 ξ
3 3

N2

Figura 2.8: Funções de forma quadráticas descontínuas.

9(x1 − 2x2 + x3 )
a= (2.41)
8
Substituindo em (1), tem-se:

4 9(x1 − 2x2 + x3 ) 2 (x1 − 2x2 + x3 ) 2


x1 = − b + x2 ⇒ x1 = − b + x2 (2.42)
9 8 3 2 3

2 x1 − 2x2 + x3 + 2x2 − 2x1 2 x1 + x3 − 2x1


b= ⇒ b= (2.43)
3 2 3 2

3
b = (x3 − x1 ) (2.44)
4

9(x1 − 2x2 + x3 ) 2 3
x= ξ + (x3 − x1 )ξ + x2 (2.45)
8 4

9x1 ξ 2 − 18x2 ξ 2 + 9x3 ξ 2 + 6x3 ξ − 6x1 ξ + 8x2


x= (2.46)
8

(9ξ 2 − 6ξ)x1 + (−18ξ 2 + 8)x2 + (9ξ 2 + 6ξ)x3


x= (2.47)
8
40CAPÍTULO 2. PROPRIEDADES GEOMÉTRICAS DE FIGURAS PLANAS

(x3, y3)
(x2, y2)

(x1, y1)
dΓ −1 +1

− 23 0 + 23

x ξ

Figura 2.9: Elementos de contorno quadráticos descontínuas.

3 2 3
x = (3ξ 2 − 2ξ) x1 + (−9ξ 2 + 4) x2 + (3ξ 2 + 2ξ) x3 (2.48)
|8 {z } |8 {z } |8 {z }
N1 N2 N3

x = N1 x1 + N2 x2 + N3 x3 (2.49)

onde Ni , i = 1, 2, 3, são as funções de forma dadas por:

3 9 3
N1 = (3ξ 2 − 2ξ) = ξ( ξ − ) (2.50)
8 8 4

2 9
N2 = (−9ξ 2 + 4) = 1 − ξ 2 (2.51)
8 4

3 9 3
N3 = (3ξ 2 + 2ξ) = ξ( ξ + ) (2.52)
8 8 4
As derivadas das funções de forma são dadas por:

dN1 3
= (−1 + 3ξ) (2.53)
dξ 4

dN2 9
=− ξ (2.54)
dξ 2

dN3 3
= (1 + 3ξ) (2.55)
dξ 4
2.2. O MÉTODO DA INTEGRAÇÃO RADIAL (MIR) 41

2.2 O método da integração radial (MIR)


A integral de uma função f (x, y) sobre a área Ω de uma figura plana é dada
pela integral:
ˆ
I= f (x, y)dxdy. (2.56)

A integral (2.56) pode ser escrita, em coordenadas polares, como:


ˆ
I= f (x(ρ, θ), y(ρ, θ))ρdρdθ, (2.57)

or
ˆ ˆ r
I= f (x(ρ, θ), y(ρ, θ))ρdρdθ, (2.58)
θ 0

onde r é o valor de ρ em um ponto do contorno Γ.


Definindo F como a seguinte integral:
ˆ r
F (ρ, θ) = f (x(ρ, θ), y(ρ, θ))ρdρ, (2.59)
0

pode-se escrever:
ˆ
I= F (ρ, θ)dθ (2.60)
θ

Considerando um ângulo infinitesimal dθ (Figura 2.10), a relação entre o com-


primento de arco rdθ e o compirmento de contorno infinitesimal dΓ, pode ser escrito
como:

r dθ
cos α = 2

, (2.61)
2

ou

cos α
dθ = dΓ, (2.62)
r
onde α é o ângulo entre os vetores unitários r e n.
42CAPÍTULO 2. PROPRIEDADES GEOMÉTRICAS DE FIGURAS PLANAS

dΓ J
2

α
I
r dθ K
2
K n rdθ
J α
r
r
I

Q

Figura 2.10: Relações geométricas para a transformação da integral de domínio


em integral de contorno.
2.2. O MÉTODO DA INTEGRAÇÃO RADIAL (MIR) 43

Usando as propriedade de produto interno dos dois vetores unitários n e r, mos-


trado na figura 2.10, pode-se escrever:

~n.~r
dθ = dΓ. (2.63)
r
Substitutindo a equação (2.63) na equação (2.60), a integral de domínio (2.56)
pode ser escrita como uma integral de contorno dada por:
ˆ
~n.~r
I= F dΓ (2.64)
Γ r

2.2.1 Calculo de integrais de área usando o MIR

ˆ
~n · ~r
I= F dΓ (2.65)
Γ r

Dividindo Γ em uma soma de pequenos pedaços do contorno (veja o calculo


do perímetro), tem-se:

NE ˆ NE
X ~n · ~r X
I= F dΓ = Ii (2.66)
i=1 Γi r i=1

onde
ˆ
~n · ~r
Ii = F dΓ (2.67)
Γi r

e, conforme mostrado no cálculo do perímetro:


s 2  2
p dΓ dx dy
dΓ = dx2 + dy 2 ⇒ = + (2.68)
dξ dξ dξ

Cálculo do vetor normal ~n

Observando a figura 2.11, considere:


~ = vetor tangente ao contorno Γ.
S
~ = dx~i + dy~j = vetor não unitário
S
44CAPÍTULO 2. PROPRIEDADES GEOMÉTRICAS DE FIGURAS PLANAS

~
S
dy

dx
x
~
Figura 2.11: Vetor S.

y
(x3, y3)
~s

~n

+
(x2, y2)
Γ
(x1, y1)

x
Figura 2.12: A

~s = Vetor unitário tangante ao contorno Γ

~
S dx~i + dy~j
~s = =p (2.69)
~
|S| dx2 + dy 2

Dividindo tudo por dξ, tem-se:

dx dy
dξ ~i + q dξ ~j
~s = q (2.70)
dx 2 dy 2 dx 2 dy 2
( dξ ) + ( dξ ) ( dξ ) + ( dξ )
2.2. O MÉTODO DA INTEGRAÇÃO RADIAL (MIR) 45

dx dy
dξ ~ dξ ~
~s = dΓ
i + dΓ
j = sx~i + sy~j (2.71)
dξ dξ

Onde

dx

sx = dΓ
(2.72)

dy

sy = dΓ
(2.73)

~n = vetor uniário normal ao contorno Γ apontando para fora do domínio Ω

~n = nx~i + ny~j (2.74)

~n · ~s = 0 ⇒ nx s x + ny s y = 0 (2.75)

e
q
n2x + n2y = 1 (2.76)

Temos duas posibilidades, uma vez que ~s é também unitário:

(1) nx = sy ny = −sx ⇒ (sy )sx + (−sx )sy = 0 (2.77)

(2) nx = −sy ny = sx ⇒ (−sy )sx + (sx )sy = 0 (2.78)

Da figura, nota-se que se sx > 0 e sy > 0 , então o vetor ~n tem componentes


nx > 0 e ny < 0 .
Daí, conclui-se que

nx = s y
(2.79)
ny = −sx

O vetor ~s é sempre definido percorrendo Γ no sentido anti-horário, se Γ for


um contorno externo e horário, caso Γ seja um contorno interno (veja figura 2.13).
46CAPÍTULO 2. PROPRIEDADES GEOMÉTRICAS DE FIGURAS PLANAS

~n

~s

~s

~n

Figura 2.13: Vetores normais e tangentes ao contorno.

Cálculo da integral F
´r ´ +1
F = o
f (x, y)ρdρ = −1
f (x, y)ρ dρ

y
ρ
θ
x

Figura 2.14: Variáveis do método da integração radial.

ρ = aξ + b =⇒ interpolação linear.

ρ(ξ = −1) = 0 0 = a(−1) + b


⇒ (2.80)
ρ(ξ = 1) = r r = a(1) + b
2.3. EXERCÍCIOS PROPOSTOS 47

Daí, tem-se que

a = b e r = a + a = 2a ⇒ a = b = r
2

ou seja:

ρ = 2r (ξ + 1)

dρ r

= 2

f (x, y) = f (x(ρ, θ), y(ρ, θ))

onde

x = ρcosθ

y = ρsenθ

2.3 Exercícios propostos


Exercício 2.1 Determinar as funções de forma N1 e N2 para um elemento linear
semi-descontínuo à direita dado na figura 2.15.

Figura 2.15: Elemento linear semi-descontínuo à direita.


48CAPÍTULO 2. PROPRIEDADES GEOMÉTRICAS DE FIGURAS PLANAS

15o
1

2 45o

75o

Exercício 2.2 Considere o elemento de contorno quadrático descontínuo sob o


quarto de círculo:
Calcule e mostre em um gráfico o jacobiano ao longo do elemento. Compare
o valor do jacobiano com a metade do comprimento do elemento (que é o valor do
jacobiano para elemento retilíneo). Faça o mesmo para um elemento quadrático
contínuo. Use o programa Jacobiano.m.

Exercício 2.3 Calcule o perímetro de uma circunferência de raio R = 1 usando


os programas PerimetroLinear.m e PerimetroQuadratico.m. Seja EP o erro per-
centual entre a solução analítica e numérica. Quantos elementos são necessários
para que EP seja abaixo de 1%? E para que seja abaixo de 0,1%? Calcule o erro
EP através da equação:

|P − Pa |
EP = 100% ×
Pa
onde
P = Valor do perímetro calculado numericamente;
Pa = Valor do perímetro calculado numericamente.
2.3. EXERCÍCIOS PROPOSTOS 49

Exercício 2.4 Mostre que, para o elemento quadrático descontínuo, se o elemento


for retilíneo e os nós forem colocados conforme mostrado na figure abaixo, então
dΓ/dξ = L/2.

(x3 , y3 )
L/6

(x2 , y2 ) L/3

(x1 , y1 ) L/3

L/6

Exercício 2.5 Seja uma esfera de raio R dada pela equação:

x2 + y 2 + z 2 = R 2 .

Use o programa intfdxdy para calcular o volume V e a área da superfície S de


uma esfera de raio R = 2. Utilize as seguintes equações:
ˆ ˆ p
f (x, y) = V = zdxdy = 2 × R2 − x2 − y 2 dxdy
A A

ˆ
s 2  2
∂z ∂z
f (x, y) = S = + + 1dxdy
A ∂x ∂y

onde A é a região correspondente à projeção de z no plano xy.


50CAPÍTULO 2. PROPRIEDADES GEOMÉTRICAS DE FIGURAS PLANAS

Faça uma análise de convergência, ou seja, calcule V e S com diferentes


malhas, usando elementos contínuos e descontínuos e monte uma tabela da seguinte
forma:

NE TE S V Es EV

onde:
N E = número de elementos utilizados na malha.
T E = tipo do elemento (T E = C => elementos contínuos, T E = D => elementos
descontínuos).
ES = erro percentual no cálculo da área superficial da esfera, dado por:

|S − Sa |
EA = 100% ×
Sa
EV = erro percentual no cálculo do volume da esfera, dado por:

|V − Va |
EV = 100% ×
Va
Sa = valor exato da área superficial da esfera dado por:

Sa = 4πR2

Va = valor exato do volume da esfera dado por:

4
Va = πR3
3
Inicie usando uma malha grosseira, de um elemento por segmento, e 4 pontos
de integração em ambas as integrais. Refine até obter uma convergência de quatro
algarismos significativos (não significa que as integrais convirgirão para os valores
analíticos). Em seguida, repita a análise utilizando 8 pontos de integração em
ambas as integrais para que a convergência seja para valores mais próximos dos
valores analíticos.
Capítulo 3

Problemas de condução de calor

3.1 Introdução

Este capítulo descreve com detalhes a formulação do MEC para problemas


de condução de calor. Primeiramente a equação governante do problema, que é
a equação de Laplace, é deduzida através de considerações da física do problema.
Em seguida, a solução fundamental da equação de Laplace é calculada. Então, a
equação integral de contorno é deduzida e discretizada, obtendo-se a formulação
do método dos elementos de contorno. Três tipos de elementos são considera-
dos: elementos constantes, elementos lineares e elementos quadráticos. Por fim,
é deduzida uma formulação de elementos de contorno onde todas as integrais são
calculadas analiticamente.

3.2 Equação de Poisson para transferência de calor

A condução de calor é regida pela lei de Fourier, uma equação determinada


experimentalmente que relaciona o gradiente da temperatura com a taxa de con-
dução de calor no tempo.
Para o caso da condução de calor unidirecional, conforme mostra a Figura 3.1,
Qx é a quantidade de calor transmitida na direção x e t é o tempo.
O fluxo de calor na direção x é dado por:

∂Qx
Q̇x = .
∂t
51
52 CAPÍTULO 3. PROBLEMAS DE CONDUÇÃO DE CALOR

T0 T1

T0 > T 1

∆x

Figura 3.1: Transferência de calor de T0 para T1 .

Assim, a energia térmica que flui através de um corpo de seção transversal A, é


definida como:
(T1 − T0 )
Q̇x = −kA ,
∆x
onde k é a condutividade térmica do material, A é a área e T1 e T0 são as tempe-
raturas nas faces paralelas da placa.
Fazendo ∆x −→ 0, segue que:

T1 − T0
Q̇x = −kA lim ,
∆x→0 ∆x

da qual é obtida:
∂T
Q̇x = −kA , (3.1)
∂x
que é a equação da quantidade de calor transferida por condução na unidade de
tempo.
Generalizando para um caso 3D e considerando a taxa de condução de calor
por unidade de área, pode-se definir:

1 ˙~ ˙ ˙
~q˙ = (Qx i + Qy~j + Qz~k)
dA

onde Q̇x , Q̇y e Q̇z são os fluxos de calor nas direções x, y e z, respectivamente.
3.2. EQUAÇÃO DE POISSON PARA TRANSFERÊNCIA DE CALOR 53

Assim
  
1 ∂T ~ ∂T ~ ∂T ~
~q˙ = −kdA i+ j+ k ,
dA ∂x ∂y ∂z
 
∂T ~ ∂T ~ ∂T ~
= −k i+ j+ k ,
∂x ∂y ∂z
~q˙ = −k ∇T,
~ (3.2)

onde  
∂~ ∂ ∂
~ =
∇ i + ~j + ~k
∂x ∂y ∂z
é o operador gradiente.
Da primeira lei da termodinâmica segue:

Q̇e + Q̇g = Q̇s + U̇ ,

onde Q̇e , Q̇g e Q̇s são os fluxos de calor que entra, que é gerado e que sai do
sistema, respectivamente, e U̇ é a variação da energia térmica do sistema.
Para um caso unidimensional, conforme Fig.(2.1), a 1ª lei da termodinâmica
é dada por:

dz

Q̇x

dy

dx

Figura 3.2: Fluxo de calor unidirecional.

!
∂ Q̇
Q̇x + q˙g dV = Q̇ + dx + cρdV Ṫ ,
dx
em que q˙g é a geração de calor por unidade de volume, c o calor específico, ρ a
densidade do material e Ṫ = ∂T
∂t
.
54 CAPÍTULO 3. PROBLEMAS DE CONDUÇÃO DE CALOR

Isolando q˙g dV e considerando a temperatura como estacionária, isto é, Ṫ = 0,


segue:

∂ Q̇
q˙g dV = dx. (3.3)
∂x
Substituindo a Eq.(3.1) na Eq.(3.3), obtém-se:
 
∂ ∂T
q˙g dxdydz = −kA dx.
dx ∂x
Como A = dydz e considerando k constante em todo material, tem-se:
∂ 2T
q˙g = −k .
∂x2
Expandindo para o caso 3D, segue:
∂ 2T ∂ 2T ∂ 2T q˙g
2
+ 2
+ 2
=− ,
∂x ∂y ∂z k
que é conhecida como equação de Fourier para condução de calor. Esta equação
ainda pode ser escrita como:
q˙g
∇2 T = − ,
k
onde  2
∂2 ∂2

2 ∂
∇T = + +
∂x2 ∂y 2 ∂z 2
é o operador laplaciano.
Quando q˙g = 0 a equação de Fourier se reduz a ∇2 T = 0 que é conhecida
como equação de Laplace.

3.2.1 Caso unidimensional


A formulação diferencial da equação de Laplace é dada por:

d2 T (x)
=0 (3.4)
dx2
Essa equação pode ter três tipos distintos de condições de contorno:
Caso 1: Condição de Dirichlet

T (0) = 100, T (1) = 0


3.2. EQUAÇÃO DE POISSON PARA TRANSFERÊNCIA DE CALOR 55

Caso 2: Condição de Neumann

Q(0) = 100, Q(1) = 100

Caso 3: Condição mista

T (0) = 100, Q(1) = 0

As três condições de contorno acima são simples e tem soluções analíticas


conhecidas.
Caso 1:
T (x) = 100 − 100x

Caso 2:
T (x) = 100x + c
onde c é uma constante arbitrária
Caso 3:
T (x) = 100

Apesar disso vamos resolver usando o MEC.

Passo 1: Encontrar a solução fundamental

A solução fundamental T ∗ é a função

1
T ∗ = − |x − xd | (3.5)
2
que satisfaz:
d2 T ∗ (x, xd )
− = δ(x − xd ). (3.6)
dx2
E a solução fundamental Q∗ é dada por:

dT ∗ 1
Q∗ = = − sign(x − xd ) (3.7)
dx 2
onde H é a função heaviside unitária.
56 CAPÍTULO 3. PROBLEMAS DE CONDUÇÃO DE CALOR

Passo 2: Converter as integrais de domínio em integrais de contorno

Usando integração por partes duas vezes:


ˆ 1 1 ˆ 1 1 ˆ 1 2 ∗
d2 T dT ∗ dT dT ∗
 
∗ dT ∗ dT dT x
T∗ 2
dx = T − dx = T −T − T .
0 dx dx 0 0 dx dx dx dx 0 0 dx2
(3.8)
Reescrevendo em termos do fluxo:
ˆ 1 2 ˆ 1 2 ∗
∗d T 1 dT
T 2
∗ ∗
dx = (T Q − T Q)0 − T dx. (3.9)
0 dx 0 dx2

Passo 3: Obter as equações integrais de contorno para um ponto no


domínio

Substituindo 3.4 e 3.6 em 3.9, obtém-se:

−T (xd ) = (T Q∗ − T ∗ Q)10 . (3.10)

E aplicando os limites encontra-se:

−T (xd ) = T (1)Q∗ (1, xd ) − T ∗ (1, xd )Q(1) − T (0)Q∗ (0, xd ) + T ∗ (0, xd )Q(0). (3.11)

A equação 3.11 é a equação integral de contorno para um ponto xd no domínio.


Considerando que o contorno do caso 1D são simplesmente dois pontos na equação
3.11 existem dois termos de contorno sem nenhuma integral.

Passo 4: Tomar o limite de xd indo para o contorno

Quando xd se aproxima de 0 tem-se:

lim T ∗ (0, 0) = 0
x−>0
lim T ∗ (1, 0) = − 21
x−>0
1 (3.12)
lim Q∗ (0, 0) = 2
x−>0
lim Q∗ (1, 0) = − 12
x−>0
3.2. EQUAÇÃO DE POISSON PARA TRANSFERÊNCIA DE CALOR 57

e quando xd se aproxima de 1 tem-se:


lim T ∗ (0, 1) = − 21
x→0
lim T ∗ (1, 1) = 0
x→0
1 (3.13)
lim Q∗ (0, 1) = 2
x→0
lim Q∗ (1, 1) = − 21
x→0

Logo, para o ponto xd = 0 a equação 3.11 se torna:

1 1 1
−T (0) = −T (1) + Q(1) − T (0) + 0Q(0) (3.14)
2 2 2
e para o ponto xd = 1
1 1 1
−T (1) = −T (1) − 0Q(1) − T (0) − Q(0) (3.15)
2 2 2

Passo 5: Discretizar a equação integral e escrevê-la em forma matricial

Para o caso unidirecional a discretização não é necessária, já nos casos 2D


e 3D as integrais de contorno tem de ser discretizadas primeiro. Escrevendo as
equações 3.12 e 3.13 em forma matricial, tem-se:
     
0.5 −0.5 T (0) 0 −0.5 Q(0)
= . (3.16)
−0.5 0.5 T (1) 0.5 0 Q(1)

Passo 6: Aplicar as condições de contorno e resolver o sistema

Caso 1: Condição de Dirichlet


     
0.5 −0.5 100 0 −0.5 Q(0)
= . (3.17)
−0.5 0.5 0 0.5 0 Q(1)

Colocando as variáveis conhecidas do lado direito e as desconhecidas no lado


esquerdo:
    
0 −0.5 Q(0) 50
= (3.18)
0.5 0 Q(1) −50
pode se obter a solução:    
Q(0) −100
= (3.19)
Q(1) −100
58 CAPÍTULO 3. PROBLEMAS DE CONDUÇÃO DE CALOR

Caso 2: Condição de Neumann


     
0.5 −0.5 T (0) 0 −0.5 100
= . (3.20)
−0.5 0.5 T (1) 0.5 0 100
Colocando as variáveis conhecidas do lado direito e as desconhecidas no lado es-
querdo:
    
0.5 −0.5 T (0) −50
= (3.21)
−0.5 0.5 T (1) 50
pode se obter a solução:    
T (0) c
= (3.22)
T (1) 100 + c
Caso 3: Condição mista
     
0.5 −0.5 100 0 −0.5 Q(0)
= . (3.23)
−0.5 0.5 T (1) 0.5 0 0
Colocando as variáveis conhecidas do lado direito e as desconhecidas no lado es-
querdo:
    
0 −0.5 Q(0) −50
= (3.24)
−0.5 0.5 T (1) 50
pode se obter a solução:    
Q(0) 0
= . (3.25)
T (1) 100
Nos três casos a solução encontrada corresponde com a solução analítica mos-
trada anteriormente.

Passo 7: Obter a temperatura para um ponto no domínio

Usando a equação 3.11 e as soluções fundamentais encontra-se:


   
T (0) Q(0)
x x−1
(3.26)
   
T (x) = 0.5 0.5 + 2 2
T (1) Q(1)
Considerando as distintas condições de contorno encontra-se: Caso 1: Condi-
ção de Dirichlet
   
  100  x x−1  −100
T (x) = 0.5 0.5 + 2 = 100 − 100x
0 2 −100
3.2. EQUAÇÃO DE POISSON PARA TRANSFERÊNCIA DE CALOR 59

Caso 2: Condição de Neumann


   
  c  x x−1
 100
T (x) = 0.5 0.5 + 2 2
= 100x + c
100 + c 100

Caso 3: Condição mista


   
  100  x x−1
 0
T (x) = 0.5 0.5 + 2 2
= 100
100 0

Para os três casos a solução coincide com a solução analítica.

3.2.2 Problema transiente


A equação governante do problema de transferência de calor unidimensional
transiente é

d2 T 1 dT
2
=
dx k dt
que utilizando o procedimento apresentado anteriormente pode ser reescrita como:
ˆ l ˆ l 2 ∗ ˆ
2
∗d T ∗ ∗ l dT 1 l ∗
T dx = (T Q − T Q)0 − T dx + T Ṫ .
0 dx2 0 dx
2 k 0
Aplicando os limites de integração e usando a propriedade do delta de Dirac obtém-
se:
ˆ
∗ ∗ ∗ ∗ 1 l ∗
T (xd ) = −T (l)Q (l, xd )+T (l, xd )Q(l)+T (0)Q (0, xd )−T (0, xd )Q(0)+ T Ṫ dx
k 0
Tomando os pontos fonte nos pontos de contorno:
"´ #
1 0l T ∗ (x, 0)Ṫ dx
     
0.5 −0.5 T (0) 0 −0.5 Q(0)
= + ´
−0.5 0.5 T (1) 0.5 0 Q(1) k 0l T ∗ (x, l)Ṫ dx

No último termo temos uma integral de domínio. Como se trata de um pro-


blema unidimensional pode-se usar a quadratura de Gauss para calcula-la nume-
ricamente.
"´ # "P #
1 0l T ∗ (x, 0)Ṫ dx 1 npg ∗
T (x , 0) T (xi )n+1 −T (xi )n l
w
´ = Pi=1 i ∆t 2 i
k 0l T ∗ (x, l)Ṫ dx k npg ∗
i=1 T (x i , l) T (xi )n+1 −T (xi )n l
∆t
w
2 i
60 CAPÍTULO 3. PROBLEMAS DE CONDUÇÃO DE CALOR

reescrevendo de maneira matricial:


 
T (x1 )n+1 − T (x1 )n
T ∗ (xnpg , 0)wnpg  T (x2 )n+1 − T (x2 )n 
 ∗
T (x1 , 0)w1 T ∗ (x2 , 0)w2 · · ·

l 
2k∆t T ∗ (x1 , l)w1 T ∗ (x2 , l)w2 · · · T ∗ (xnpg , 0)wnpg  ..
.
 

T (xnpg )n+1 − T (xnpg )n .

Nesse sistema temos como variáveis desconhecidas a temperatura nos pontos


de integração. É necessário usar a equação 3.26 para calcular a temperatura dos
pontos de integração, que estão dentro do domínio. Aplicando essa equação em
todos os pontos de integração o sistema pode ser escrito como:
    
0.5 −0.5 0 0 · · · 0 T (0)n+1 0 −0.5
−0.5 0.5 0 0 · · · 0  T (1)n+1   0.5 0 
1 −l  
    x x

−0.5 −0.5 1 0 · · · 0  T (x1 )n+1   1 
  x2 2 Q(0)n+1
−0.5 −0.5 0 1 · · · 0  T (x2 )n+1  =  2 x2 −l  +
  
  2 2  Q(1)n+1
 .. ...  ..   .. .. 
 
 . .   . . 


xnpg xnpg −l
−0.5 −0.5 0 0 · · · 1 T (xnpg )n+1 2 2
 
∗ ∗ ∗
T (x1 , 0)w1 T (x2 , 0)w2 · · · T (xnpg , 0)wnpg  
 T ∗ (x1 , l)w1 T ∗
(x 2 , l)w 2 · · · T ∗
(x n , l)w n
 T (x1 )n+1
 pg pg 

l   T (x1 , x1 )w1 T ∗ (x2 , x1 )w2 · · · T ∗ (xnpg , x1 )wnpg    T (x2 )n+1 
 
 ∗ T ∗ (x2 , x2 )w2 · · · T ∗ (xnpg , x2 )wnpg  .. −
2k∆t  T (x1 , x2 )w1 .

.. ..
 
. .
 
  T (xnpg )n+1
T ∗ (x1 , xnpg )w1 T ∗ (x2 , xnpg )w2 · · · T ∗ (xnpg , xnpg )wnpg
 
T ∗ (x1 , 0)w1 T ∗ (x2 , 0)w2 · · · T ∗ (xnpg , 0)wnpg  
 T ∗ (x1 , l)w1 T ∗
(x 2 , l)w 2 · · · T ∗
(x n , l)w n
 T (x1 )n
 pg pg 

l   T (x1 , x1 )w1 T ∗ (x2 , x1 )w2 · · · T ∗ (xnpg , x1 )wnpg    T (x2 )n 
 
 T ∗ (x1 , x2 )w1 ∗ ∗
T (x2 , x2 )w2 · · · T (xnpg , x2 )wnpg   ..
2k∆t  .
  
.. .


 . . .

 T (xnpg )n
∗ ∗ ∗
T (x1 , xnpg )w1 T (x2 , xnpg )w2 · · · T (xnpg , xnpg )wnpg

ou de maneira compacta como:

HT = GQ + M Ṫ (3.27)

3.2.3 Solução fundamental para a equação de Laplace


A solução fundamental, que é a base da formulação do MEC, para a equação
de Laplace, corresponde à resposta da temperatura em um meio infinito quando
3.2. EQUAÇÃO DE POISSON PARA TRANSFERÊNCIA DE CALOR 61

a fonte de geração de calor é concentrada em um ponto. Matematicamente, ela


corresponde à solução particular analítica da equação de Fourier quando o termo
não homogêneo (termo referente à geração de calor) é igual ao delta de Dirac, ou
seja:
δ(x − xd , y − yd )
∇2 T ∗ = − . (3.28)
k
Sem perder generalidade, considere o sistema de coordenadas com origem no
ponto fonte em coordenadas polares, conforme Fig. 3.3.
y
(x, y)
Ponto campo

(xd, yd) Ponto fonte x

Figura 3.3: Distância r entre o ponto fonte e o ponto campo.

A equação 3.28 torna-se:

∂T ∗ 1 ∂ 2T ∗ δ(x − xd , y − yd )
 
1 ∂
r + 2 2
=− . (3.29)
r ∂r ∂r r ∂θ k

em que r é a distância entre o ponto onde a fonte é aplicada (ponto fonte


(xd , yd )) e o ponto onde o potencial é medido (ponto campo (x, y)). Considerando
que a solução é axissimétrica e que o lado direito é zero para todos os pontos menos
a origem, a equação (3.29) pode ser escrita como:

∂T ∗
 
1 ∂
r =0 (3.30)
r ∂r ∂r
Depois de ser integrada duas vezes gera:

T ∗ = A ln(r) + B (3.31)
62 CAPÍTULO 3. PROBLEMAS DE CONDUÇÃO DE CALOR

onde A e B são constantes arbitrárias. Como procura-se uma solução parti-


cular, pode-se definir B = 0. A constante A pode ser determinada aplicando as
equações em um domínio circular tendo o ponto fonte como origem junto com a
identidade de Green, gerando:
ˆ ˆ
∂T ∗
2 ∗
∇ T dΩ = ds. (3.32)
Ω Γ ∂n
∂T ∗ ∂T ∗
Como num círculo ∂n
= ∂r
, a equação pode ser escrita como:

ˆ ˆ 2π
δ(x − xd , y − yd ) 1
..dΩ = A rdθ. (3.33)
Ω k 0 r
Ao integrar o lado direito e aplicar as propriedades do delta de Dirac no lado
esquerdo obtém-se:
1
− . = 2πA, (3.34)
k
portanto:
−1
A= . (3.35)
2πk
A solução fundamental bidimensional se torna, finalmente:

−1
T∗ =
ln r. (3.36)
2πk
Considerando que o sistema de referência tem origem em uma posição qualquer, r
é dado por:

(3.37)
p
r= (x − xd )2 + (y − yd )2 ,
onde (xd , yd ) são coordenadas do ponto fonte.

Fluxo de calor através do contorno

Define-se fluxo de calor através do contorno pela expressão

q = ~q˙.~n, (3.38)

onde q é a quantidade de calor que passa através do contorno por unidade de


tempo e por unidade de área. Substituindo na Eq.(3.38) o valor de ~q˙ dado pela
Eq.(3.2), obtém-se
q = ~q˙.~n = −k ∇T
~ ~n,
3.2. EQUAÇÃO DE POISSON PARA TRANSFERÊNCIA DE CALOR 63

(x, y)
y
Ponto campo
r

yd Ponto fonte
(xd , yd )

xd x x

Figura 3.4: Posições dos pontos fonte e campo.

∂T
q = −k ,
∂n

onde ∂T
∂n
é a derivada da temperatura na direção do vetor normal ao contorno
~n.Dessa forma, é possível definir a solução fundamental para o fluxo de calor dada
por:
∂ T∗
q ∗ = −k . (3.39)
∂n

Substituindo na Eq.(3.39) o valor de T ∗ dado pela Eq.(3.36), segue:

 
∗ ∂ 1
q = −k − ln r ,
∂n 2πk

 
1 ∂ ∂
q = ∗
(ln r) nx + (ln r) ny . (3.40)
2π ∂x ∂y

Calculando o termo ∂
∂x
(ln r), obtém-se

∂ ∂ ln r ∂r
(ln r) = . (3.41)
∂x ∂r ∂x
64 CAPÍTULO 3. PROBLEMAS DE CONDUÇÃO DE CALOR

Substituindo na Eq.(3.41) o valor de r dado pela Eq.(3.37), tem-se:

∂ 1 ∂  1
(ln r) = (x − xd )2 + (y − yd )2 2 ,
∂x r ∂x
1 (x − xd )
= ,
r [(x − xd )2 + (y − yd )2 ] 21
1 (x − xd )
= ,
r r
∂ x − xd
(ln r) = ,. (3.42)
∂x r2
De modo análogo, tem-se:
∂ y − yd
(ln r) = . (3.43)
∂y r2
Substituindo a Eq.(3.42) e a Eq.(3.43) na Eq.(3.40), segue:
1
q∗ = [(x − xd )nx + (y − yd )ny ], (3.44)
2πr2
que é a solução fundamental de fluxo.

3.3 Exercícios propostos


Exercício 3.1 Use a equação de Laplace para calcular a quantidade de calor que
flui através das paredes A e B em 10 s se a condutividade térmica do material
é dada por k = 5 cal /(m o C s). A espessura da placa é 1 m, o comprimento é
L = 3 m e a largura w = 0, 75 m. Nenhum calor escapa na direção perperndicular
ao papel.

Exercício 3.2 Calcule o valor das soluções fundamentais T ∗ e q ∗ quando o campo


fonte está em (1,0;4,0) (m) e o ponto campo em (2,0;3,0) (m). Assuma k = 10
√ → − √ → −
cal /(m o C s) e →

n = 2/2 i + 2/2 j .
3.3. EXERCÍCIOS PROPOSTOS 65

Isolado

T = 1000o C
T = 70o C
0,75 m

Isolado
66 CAPÍTULO 3. PROBLEMAS DE CONDUÇÃO DE CALOR
Capítulo 4

O método dos elementos de contorno

4.1 Equação integral de contorno


Nesta seção será desenvolvida a equação integral de contorno para a equa-
ção de Laplace. Esta equação será, posteriormente, discretizada em elementos de
contorno, obtendo-se então a formulação do MEC.
Dada a equação de Laplace

∇2 T = 0, (4.1)

multiplicando a equação (4.1) por uma função peso ω(x, y) e integrando sobre o
domínio A, assume-se que o resultado da integral é zero (método dos resíduos
ponderados). Assim, tem-se:
ˆˆ
(∇2 T )ωdA = 0,
ˆˆ  2 A
∂ 2T

∂ T
+ ωdA = 0,
A ∂x2 ∂y 2
ˆˆ 2 ˆˆ 2
∂ T ∂ T
2
ωdA + 2
ωdA = 0 (4.2)
A ∂x A ∂y

Pelo teorema de Gauss-Green, tem-se:


ˆ ˆ
∂f
f (x, y)nx ds = dA
s A ∂x

onde f é uma função qualquer, nx é a componente na direção x do vetor ~n normal ao


contorno s da área A. Aplicando o teorema dado na primeira parcela da Eq.(4.2),

67
68 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

tem-se: ˆ ˆ  
∂T ∂ ∂T
ωnx ds = ω dA.
s ∂x A ∂x ∂x
Aplicando a regra da derivada do produto de funções, tem-se:
ˆ ˆ 2 ˆ
∂T ∂ T ∂T ∂ω
ωnx ds = 2
ωdA + dA.
s ∂x A ∂ x A ∂x ∂x

Escrevendo os termos da equação de forma conveniente, segue:


ˆ 2 ˆ ˆ
∂ T ∂T ∂T ∂ω
2
ωdA = ωnx ds − dA. (4.3)
A ∂x s ∂x A ∂x ∂x

De modo análogo, obtém-se:


ˆ 2 ˆ ˆ
∂ T ∂T ∂T ∂ω
2
ωdA = ωny ds − dA. (4.4)
A ∂y s ∂y A ∂y ∂y

Substituindo as Eqs.(4.3) e (4.4) na Eq.(4.2), tem-se:


ˆ   ˆ  
∂T ∂T ∂T ∂ω ∂T ∂ω
ωnx + ωny ds − + dA = 0.
s ∂x ∂y A ∂x ∂x ∂y ∂y
Simplificando ˆ ˆ  
∂T ∂T ∂ω ∂T ∂ω
ωds − + dA = 0. (4.5)
s ∂n A ∂x ∂x ∂y ∂y
Considerando as igualdades:
ˆ ˆ ˆ
∂T ∂ω ∂ω ∂ 2ω
dA = T nx ds − T 2 dA (4.6)
A ∂x ∂x s ∂x A ∂x
e ˆ ˆ ˆ
∂T ∂ω ∂ω ∂ 2ω
dA = T ny ds − T ny dA. (4.7)
A ∂y ∂y s ∂y A ∂y 2

Substituindo as equações (4.6) e (4.7) na equação (4.5), tem-se:


ˆ ˆ  ˆ  2
∂ ω ∂ 2ω
 
∂T ∂ω ∂ω
ωds − T nx + T ny ds + T + 2 dA = 0,
s ∂n s ∂x ∂y A ∂x2 ∂y
ˆ ˆ ˆ
∂T ∂ω
ωds − T ds + T ∇2 ωdA = 0. (4.8)
s ∂n s ∂n A

Com o objetivo de obter uma equação integral que não possua integrais de
domínio (integrais de área) a função ω deve ser escolhida de forma que a integral de
4.1. EQUAÇÃO INTEGRAL DE CONTORNO 69

domínio da Eq.(2.19) desapareça. Qualquer função harmônica, ou seja, função que


o laplaciano é igual a zero, satisfaz essa exigência. Contudo, por razões numéricas,
a escolha mais adequada é a função cujo laplaciano é o delta de Dirac.

δ(x − xd )
∇2 ω = − ,
k
o que implica que ω = T ∗ . Então tem-se:
ˆ ˆ ˆ
∂T ∗ ∂T ∗ [−δ(x − xd )]
T ds − T ds + T dA, (4.9)
s ∂n s ∂n A k

onde xd é a coordenada do ponto fonte. Tomando o ponto fonte no interior do


domínio A, pela propriedade do delta de Dirac, tem-se:
ˆ ˆ
∂T ∗ ∂T ∗ T (xd , yd )
T ds − T ds − = 0.
s ∂n s ∂n k

Multiplicando os termos por −k, obtém-se:


ˆ ˆ 
k∂T ∗

∂T ∗
−k T ds + T ds + T (xd , yd ) = 0,
∂n s ∂n
ˆ ˆ
T (xd , yd ) = T q ds − qT ∗ ds.

(4.10)
s s

A Eq.(4.10) é a equação integral de contorno quando o ponto fonte encontra-se no


interior do domínio.
A fim de considerar o ponto (xd , yd ) no contorno, faz-se uma pequena modifi-
cação no mesmo, conforme Fig. 4.1:
Assim, tem-se:
ˆ ˆ ˆ ˆ
T (xd , yd ) = ∗
T q ds − ∗
T qds + ∗
T q ds − T ∗ qds. (4.11)
s−s∗ s−s∗ s∗ s∗

Conforme visto na Eq.(3.44):

1
q∗ = [(x − xd )nx + (y − yd )ny ],
2πr2
com r = [(x − xd )2 + (y − yd )2 ], logo
ˆ ˆ θ2
∗ 1
T q ds = T [(x − xd )nx + (y − yd )ny ]ds.
s∗ θ1 2πr2
70 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

Arco de circunferência

S S′

Figura 4.1: Contornos original e adaptado.

Em s∗ , tem-se:
~r = (x − xd )~i + (y − yd )~j,
p
|~r| = r = (x − xd )2 + (y − yd )2 ,

(x − xd )~i + (y − yd )~j
~n = ,
r
onde ~n é um vetor unitário. Quando rx = (x − xd ) e ry = (y − yd ) tem-se:

rx~i + ry~j
~n =
r
com
rx ry
nx = e ny = .
r r
Assim ˆ ˆ
s θ2
∗ T  rx ry 
T q ds = rx + r y εdθ.
s∗ θ1 2πr2 r r
Observando que r = ε para qualquer θ, portanto;
ˆ ˆ ˆ
θ2 rx2 + ry2 θ2
 
∗ T T
T q ds = εdθ = dθ.
s∗ θ1 2πε2 ε θ1 2π

Fazendo ε −→ 0, T assume o valor de T (d). Por fim, tem-se


ˆ
T (d)(θ2 − θ1 )
T q ∗ ds = .
s 2π
4.1. EQUAÇÃO INTEGRAL DE CONTORNO 71

A mesma análise deve ser feita para:


ˆ ˆ θ2
∗ −1
T qds = ln rqrdθ.
s∗ θ1 2πr

Como r = ε = constante, tem-se:


ˆ ˆ θ2
∗ −1
T qds = ε ln ε qdθ.
s∗ 2πk θ1

Fazendo ε −→ 0, tem-se:
ˆ
−1
T ∗ qds = lim ε ln ε(θ2 − θ1 ),
s∗ 2πk ε→0
ˆ
T ∗ qds = 0.
s∗
Voltando a equação original, segue:
ˆ ˆ
T (xd , yd )(θ2 − θ1 )
T (xd , yd ) = T q ds − T ∗ qds +

− 0,
s s 2π
 ˆ ˆ
(θ2 − θ1 )

T (xd , yd ) 1 − = T q ds − T ∗ qds,

2π s s
 ˆ ˆ
2π − (θ2 − θ1 )

T (xd , yd ) = T q ∗ ds − T ∗ qds.
2π s s

Conforme a Fig.(7), θint é o ângulo interno do contorno.


Assim: ˆ ˆ
θint ∗
T (xd , yd ) = T q ds − T ∗ qds,
2π s s
que é a integral de contorno quando o ponto fonte pertence ao contorno.
Quando o ponto fonte não pertence ao contorno nem ao domínio, devido à
propriedade do delta de Dirac, tem-se:
ˆ ˆ
T q ds − T ∗ qds = 0.

(4.12)
s s

Generalizando, a equação integral de contorno pode ser escrita como


ˆ ˆ
cT (xd , yd ) = T q ds − ∗
T ∗ qds, (4.13)
s s
72 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

s∗
θ2 ε

d x
θint θ1

Figura 4.2: Ângulo interno do contorno.

onde 
1,
 se (xd , yd ) ∈ ao domínio
c= θint
, se (xd , yd ) ∈ ao contorno
 2π
0, se (xd , yd ) ∈
/ ao domínio ou ao contorno

Quando o ponto fonte encontra-se em ponto suave do contorno, isto é, não é


um canto, tem-se:
θint π 1
c= = = . (4.14)
2π 2π 2

4.2 Cálculo da temperatura e do fluxo em pontos


internos
A temperatura e o fluxo em pontos internos, ou seja, em pontos no interior do
domínio Ω podem ser calculados facilmente uma vez que os valores do contorno já
foram calculados previamente. Para isto, basta considerar que o ponto fonte está
localizado no interior do domínio e usar a equação integral (4.10). Uma vez que
todas as integrais são calculadas no contorno, a única variável desconhecida é a
temperatura no ponto fonte, ou seja, no ponto interno. Já para o cálculo do fluxo,
é necessário derivar a equação (4.10) em relação às coordenadas do ponto fonte,
ou seja:
4.3. DISCRETIZAÇÃO DAS EQUAÇÕES INTEGRAIS DE CONTORNO 73

ˆ ˆ 
∂T (xd , yd ) ∂
= ∗
T q ds − ∗
qT ds . (4.15)
∂xd ∂xd s s

ˆ ˆ
∂T (xd , yd ) ∂q ∗ ∂T ∗
= T ds − q ds. (4.16)
∂xd s ∂xd s ∂xd

onde:

∂T ∗ rx
= , (4.17)
∂xd 2πkr2

∂T ∗ ry
= , (4.18)
∂yd 2πkr2

nx rx2 − ry2 + 2ny rx ry


  
∂q ∗
= (4.19)
∂xd 2πr4
e

ny −rx2 + ry2 + 2nx rx ry


  
∂q ∗
= . (4.20)
∂yd 2πr4

4.3 Discretização das equações integrais de con-


torno
Basicamente, a formulação do MEC transforma equações diferenciais em equa-
ções integrais no contorno, eliminando, assim, a discretização do domínio. Essas
integrais podem ser resolvidas de forma numérica e analítica com a integração
feita ao longo do contorno, que é discretizado através da divisão do mesmo em
elementos chamados elementos de contorno nos quais as condições de contorno
são prescritas.
Uma vez obtida a integral de contorno, o próximo passo é a discretização desta
equação de forma que as integrais ao longo deste contorno sejam escritas como a
soma das partes deste contorno, ou seja:

S = s1 + s2 + . . . + sn .

Desta forma, a equação integral de contorno (4.13) é escrita como:


74 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

···
S
sn
s1
s2 ···

Figura 4.3: Discretização do contorno em n partes.

n ˆ
X n ˆ
X
cT (xd , yd ) = ∗
T q ds − T ∗ qds. (4.21)
j=1 sj j=1 sj

4.4 Elementos de contorno constantes

Na discretização utilizando elementos constantes, a geometria é aproximada


por segmentos de retas com um nó no meio de cada elemento. Dessa forma,
considere que as partes do contorno s1 , s2 , ..., sn , sejam aproximadas por segmentos
retilíneos e que ao longo destes segmentos, tanto a temperatura quanto o fluxo
sejam assumidos como constantes.
O nó j sempre estará na posição central do elemento j (será sempre em uma
região suave do contorno, portanto c = 21 ). A equação integral é aproximada por:

n
" ˆ # n
" ˆ #
1 (i) X X
T (xd , yd ) = Tj ∗
q dΓ − qj ∗
T dΓ , (4.22)
2 j=1 Γj j=1 Γj

onde i corresponde ao nó do i-ésimo elemento. Daí, tem-se:


n
" ˆ # n
" ˆ #
1 (i) X X
− T (xd , yd ) + Tj q ∗ dΓ = qj T ∗ dΓ . (4.23)
2 j=1 Γj j=1 Γj
4.4. ELEMENTOS DE CONTORNO CONSTANTES 75

s Ω
Γ

Γ2
Γ1
Γn

Figura 4.4: Aproximação do contorno por segmentos de retas.

Chamando (´
q ∗ dΓ, se i 6= j
Hij = Γj
´ ∗
− 21 + Γj q dΓ, se i = j
e ˆ
Gij = T ∗ dΓ (4.24)
Γj

pode-se escrever a equação matricial da seguinte forma:


n
X n
X
[Hij Tj ] = [Gij qj ]. (4.25)
j=1 j=1

Exemplo 4.4.1 A fim de ilustrar como se aplica as condições de contorno e se


calcula as variáveis desconhecidas será analisado um problema de condução de
calor unidirecional com uma discretização de um elemento por lado (veja a Figura
4.5).
Neste caso, as variáveis conhecidas e desconhecidas no contorno do problema
são dadas pela Tabela(2.1).

Tabela 4.1: Qualificação das variáveis em cada nó.


nó variáveis conhecidas variáveis desconhecidas
1 T1 q1
2 q2 T2
3 T3 q3
4 q4 T4
76 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

T =0 1 3 T =1

Figura 4.5: Temperatura e fluxo na placa.

Considerando que o ponto fonte esteja no nó 1 e subescrevendo com uma barra


as variáveis conhecidas, tem-se:

H11 T¯1 + H12 T2 + H13 T¯3 + H14 T4 = G11 q1 + G12 q¯2 + G13 q3 + G14 q¯4 ,

onde T̄ e q̄ são termos conhecidos. Como há apenas 1 equação e 4 variáveis


desconhecidas, deve-se gerar mais três equações. Para isso, basta colocar o ponto
fonte em cada um dos nós. Por esta razão a escolha da função peso ω deve ser
aquela que o lapalciano é igual ao delta de Dirac e não do laplaciano igual a zero.
Assim, tem-se:
Para o ponto fonte no nó 2, tem-se:

H21 T¯1 + H22 T2 + H23 T¯3 + H24 T¯4 = G21 q1 + G22 q¯2 + G23 q3 + G24 q¯4 .

Da mesma forma, faz-se o ponto fonte nos nós 3 e 4. As equações obtidas


podem ser escritas na forma matricial, como:

T¯1
     
H11 H12 H13 H14 G11 G12 G13 G14 q1
 H21 H22 H23 H24   T2   G21 G22 G23 G24   q¯2
  
 H31 H32 H33 H34   T¯3  =  G31 G32
    
G33 G34   q3 
H41 H42 H43 H44 T4 G41 G42 G43 G44 q¯4

que pode ser escrito resumidamente como:

[H]{T } = [G]{q}. (4.26)


4.4. ELEMENTOS DE CONTORNO CONSTANTES 77

Separando os termos conhecidos dos desconhecidos, segue:

T¯1
     
−G11 H12 −G13 H14 q1 −H11 G12 −H13 G14
 −G21 H22 −G23 H24   T2
    −H21 G22 −H23
= G24 
  q¯2
 
G34   T¯3
 
 −G31 H32 −G33 H34   q3   −H31 G32 −H33 
−G41 H42 −G43 H44 T4 −H41 G42 −H43 G44 q¯4

Assim, pode-se escrever


[A]{x} = {b}, (4.27)
ou ainda
{x} = [A]−1 {b}. (4.28)
Daí, resolve-se o sistema linear acima e calcula-se os valores das variáveis des-
conhecidas.

4.4.1 Integração das matrizes [H] e [G] quando o ponto fonte


não pertence ao elemento
A integração dos termos das matrizes [H] e [G] quando o ponto fonte não
pertence aos elementos é uma integração regular que pode ser realizada usando,
por exemplo, quadratura de Gauss. Esta integração é descrita a seguir:

• Matriz G

Das Eqs.(3.36) e (4.24), tem-se


ˆ
−1
Gij = ln rdΓ (4.29)
2πk Γj

onde p
r= (x − xd )2 + (y − yd )2 ,
(xd , yd ) são as coordenadas do ponto fonte e (x, y) as coordenadas dos pontos
campo (pontos de integração ou pontos de Gauss).
Considerando o elemento j conforme 4.6, tem-se:

x = f (ξ) ⇒ x(ξ = −1) = x1 e x(ξ = 1) = x2


y = g(ξ) ⇒ y(ξ = −1) = y1 e y(ξ = 1) = y2 ,
onde ξ são os pontos de Gauss no intervalo [−1, 1].
78 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

(x2 , y2 )

dy
nj

dx ξ
-1 1

(x1 , y1 )

Figura 4.6: Sistemas de referência global e local respectivamente.

A interpolação linear é dada por:



x(ξ = −1) = x1 ⇒ x1 = a(−1) + b
x = aξ + b ⇒
x(ξ = 1) = x2 ⇒ x2 = a(1) + b,
de onde obtém-se
(x2 − x1 ) x1 + x2
x= ξ+ .
2 2
Assim
1
x = [(x2 − x1 )ξ + (x1 + x2 )]
2
1
y = [(y2 − y1 )ξ + (y1 + y2 )]
2
com x(ξ = −1) = x1 , x(ξ = 1) = x2 , y(ξ = −1) = y1 e y(ξ = 1) = y2 e
p
dΓ = dx2 + dy 2 .

Após algumas manipuações algébricas, obtém-se:

x = N1 (ξ)x1 + N2 (ξ)x2
y = N1 (ξ)y1 + N2 (ξ)y2 ,

onde N1 (ξ) e N2 (ξ) são as funções de forma lineares contínuas dadas por (Fig.
2.1.1):

1
N1 = (1 − ξ) (4.30)
2
4.4. ELEMENTOS DE CONTORNO CONSTANTES 79

1
N2 = (1 + ξ). (4.31)
2
Dividindo ambos os termos da igualdade por dξ, obtém-se:
s 
2  2
dΓ dx dy
= +
dξ dξ dξ

dx x2 − x1 dy y2 − y1
= e = .
dξ 2 dξ 2
Assim: s 2 2
x2 − x1 y2 − y1


= +
dξ 2 2
dΓ 1p 1
= (x2 − x1 )2 + (y2 − y1 )2 = L,
dξ 2| {z } 2
L

onde L é o comprimento do elemento. Portanto,


ˆ 1
1 dΓ
Gij = − ln[r(ξ)] dξ (4.32)
2πk −1 dξ

Usando integração de Gauss, a Eq.(4.32) pode ser escrita como:


NP G  
1 X dΓ
Gij = − ln[r` ] ω` , (4.33)
2πk `=1 dξ

onde ω` são os pesos de Gauss e N P G o número de pontos de Gauss.

• Matriz [H]

Considerando o ponto fonte não pertencente ao elemento, tem-se:


ˆ
1
Hij = (r n + ry ny )dΓ
2 x x
(4.34)
Γj 2πr

Assumindo o sentido anti-horário para numeração dos nós, conforme Fig. 13,
observa-se que o lado esquerdo do vetor tangente é igual ao interior do domínio
enquanto que o lado direito é igual ao exterior do domínio. Dessa forma, o vetor
80 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

Sentido anti-horário

sx

~s sy

(x2 , y2 )
~n
~s

(x1 , y1 ) ~n

Figura 4.7: Sentido de numeração dos nós.

normal ~n aponta para o exterior do domínio. Além disso, os vetores ~n e ~s são


peperdiculares entre si, portanto

(nx~i + ny~j)(sx~i + sy~j) = 0

Dessa forma, pode-se fazer:

nx = sy e ny = −sx ,

portanto
sy sx + (−sx )sy = 0.
ou ainda,
nx = −sy e ny = sx ,
que resulta
−sy sx + sx sy = 0.
Observando que, se:

sx > 0 e sy > 0 =⇒ nx > 0 e ny < 0,

tem-se:
nx = s y e ny = −sx .
Como o vetor ~s é unitário, tem-se:

(x2 − x1 )~i + (y2 − y1 )~j


~s = p ,
(x2 − x1 )2 + (y2 − y1 )2
4.4. ELEMENTOS DE CONTORNO CONSTANTES 81

x2 − x1 y2 − y1
sx = e sy = .
L L
Logo:
ˆ 1
1 rx nx + ry ny dΓ
Hij = dξ, (4.35)
2π −1 r2 dξ
onde,
rx = (x − xd ) e ry = (y − yd ).

Usando integração de Gauss e sabendo que dΓ/dξ = L/2, a Eq.(4.35), pode ser
escrita como: " NP G #
L X rx nx + ry ny
Hij = ω` . (4.36)
8π `=1 r2

4.4.2 Integração das matrizes [H] e [G] quando o ponto fonte


pertence ao elemento

Neste caso, se tratando de elementos constantes, a integração é feita de forma


analítica, ou seja:

• Matriz H

ˆ
1 1 rx nx + ry ny
Hij = − + dΓ
2 2π Γj r

Como
rx nx + ry ny = ~r.~n = 0

1
∴ Hij = − (4.37)
2

• Matriz G

Da Eq.(4.32), tem-se:
ˆ
1
G=− ln rdΓ (4.38)
2πk Γj
82 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

Assim, tem-se:
ˆ L
1 2
Gij = − ×2 ln rdr
2πk 0
L
1 2
= − (−r + r ln r)
πk 0
 
1 L L L
= − − + ln + 0 − lim r ln r .
πk 2 2 2 r→0
 
L L
= 1 − ln
2πk 2

4.5 Elementos de contorno lineares contínuos


Na discretização por elementos lineares, a geometria é aproximada por um
polinômio do 1º grau, necessitando de dois nós em cada elemento, um em cada
extremidade do elemento. A temperatura e o fluxo também são aproximados por
um polinômio de 1º grau. A formulação é isoparamétrica, ou seja, as mesmas
funções de forma usadas para interpolar a geometria são também usadas para
interpolar as variáveis físicas (temperatura e fluxo).

Figura 4.8: Elementos lineares contínuos.

Neste caso, a equação integral é dada por:


ˆ ˆ
cT (xd , yd ) = T q dS − T ∗ qdS.

s s
4.5. ELEMENTOS DE CONTORNO LINEARES CONTÍNUOS 83

Discretizando em elementos de contorno lineares contínuos, segue:


nX
"ˆ # n "ˆ #
elem elem
X
∗ ∗
cT (xd , yd ) = T q dΓ − T qdΓ
j=1 Γj j=1 Γj

Observando-se que T e q são assumidos com variação linear ao longo do ele-


mento, ou seja,
T = N1 T1 + N2 T2

e
q = N1 q1 + N2 q2 .

onde T1 é a temperatura no nó local 1, T2 a temperatura no nó local 2, q1 é o fluxo


no nó local 1 e q2 é o fluxo no nó local 2, N1 é a função de forma 1 e N2 é a função
de forma 2.
Da mesma forma, segue: 
x = N1 x1 + N2 x2
y = N1 y1 + N2 y2

Escrevendo na forma matricial, segue:


 
  T1
T = N1 N2
T2
e  
  q1
q= N1 N2 .
q2

A equação integral discretizada é então escrita como:

nX
(ˆ ) nX
(ˆ )
elem   elem  
T1 q1
q ∗ dΓ − ∗
   
cT (xd , yd ) = N1 N2 T N1 N2 dΓ .
Γj T2 j Γj q2 j
j=1 j=1

Como T1 , T2 , q1 e q2 são valores nodais, segue:

nX
(ˆ  ) nX (ˆ )
elem  elem 
T1 q1
q ∗ dΓ
    ∗
cT (xd , yd ) = N1 N2 − N1 N2 T dΓ .
Γj T2 j Γj q2 j
j=1 j=1

que pode ser escrito da seguinte forma:


84 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

nX
( )
elem   
  T1   q1
cT (xd , yd ) = h1 h2 − g1 g2 ,
j T2 j
j q2 j
j=1

onde ˆ
h1 = N1 q ∗ dΓ,
Γj
ˆ
h2 = N2 q ∗ dΓ,
Γj
ˆ
g1 = N1 T ∗ dΓ
Γj
e ˆ
g2 = N2 T ∗ dΓ.
Γj

Exemplo 4.5.1 Aplicando a formulação desenvolvida no problema de condução


de calor abordado anteriormente (Figura 4.9), as condições de contorno e as va-
riáveis desconhecidas são dadas conforme mostrado na tabela 4.2. Note na Tabela
4.2 que a temperatura é contínua no nó j. Por sua vez, of fluxo qj pode ser des-
contínuo, ou seja, o fluxo qja , antes do nó j pode ser diferente do fluxo qjd , depois
do nó j. Entretando, dada a ordem da equação diferencial de Laplace (segunda
ordem), apenas uma variável pode ser desconhecida por nó.

Tabela 4.2: Qualificação das variáveis em cada nó para o problema dado.


nó variáveis conhecidas variáveis desconhecidas
1 T1 e q1a q1d
2 T2 e q2d q2a
3 T3 e q3a
q3d
4 T4 e q4d q4a

Considerando o ponto fonte no nó 1, a equação integral é descrita como:

     
  T1   T1   q1
cT1 = h1 h2 + h1 h2 + ··· − g1 g2 −
1 T2 1
2 T2 2
1 q2 1
 
  q1
− g1 g2 ··· .
2 q2 2

Usando o número do nó global, segue:


4.5. ELEMENTOS DE CONTORNO LINEARES CONTÍNUOS 85

1 4

T =0 T =1

2 3

Figura 4.9: Temperatura e fluxo na placa.

     
  T̄1  T̄3  T̄2  
cT1 = h1 h2 1 + h1 h2 2 + h1 h2 3 +
T̄2 T̄4 T̄3
q1d
    d  
  T̄4     q̄2
+ h1 h2 4 − g1 g2 1 a − g1 g2 2 −
T̄1 q2 q̄3a
 d   d 
  q3   q̄4
− g1 g2 3 a − g1 g4 1 ,
q4 q̄1a

(−c T1 + h11 + h24 ) T̄1 + (h21 + h12 ) T̄2 + (h22 + h13 ) T̄3 + (h23 + h14 ) T̄4
| {z } | {z } | {z } | {z }
H11 H12 H13 H14

= g11 q1d + g21 q2a + g12 q̄2d + g22 q̄3a + g13 q3d − g23 q4a + g14 q̄4d + g24 q̄1a

Escrevendo as matrizes G e H globais, segue:

H11 T1 + H12 T2 + H13 T3 + H14 T4 = Gd11 q1d + Ga12 q2a


+ Gd12 q̄2d + Ga13 q̄3a + Gd13 q3d + Ga14 q4a + Gd14 q̄4d + Ga11 q̄1a . (4.39)

Fazendo como ponto fonte também os nós 2, 3 e 4, obtém-se 3 novas equações,


que, juntamente com a equação (4.39) pode ser escrito na forma matricial como:
86 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

 
T̄1
   T̄2 
H11 H12 H13 H14  T̄3  =
 

T̄4
 
q1d
 q2a 
Gd11 Ga12 Gd12 Ga13 Gd13 Ga14 Gd14 Ga11 (4.40)

.
 
 ..
 . 
q̄1a

Observa-se que há 1 equação e 4 variáveis desconhecidas. A fim de gerar mais


3 equações, basta colocar o ponto fonte nos outros 3 nós. Daí é obtida a seguinte
equação matricial:

  
H11 H12 H13 H14 T̄1
 H21 H22 H23 H24   T̄2 
  =
 H31 H32 H33 H34   T̄3 
H41 H42 H43 H44 T̄4
q1d
 

 q2a 

Gd11 Ga12 Gd12 Ga13 Gd13 Ga14 Gd14 Ga11 q̄2d

 
 

 Gd21 Ga22 Gd22 Ga23 Gd23 Ga24 Gd24 Ga21 
 q̄3a 
.
 Gd31 Ga32 Gd32 Ga33 Gd33 Ga34 Gd34 Ga31 
 q3d 

Gd41 Ga42 Gd42 Ga43 Gd43 Ga44 Gd44 Ga41 
 q̄4a 

 q4d 
q̄1a
(4.41)

Manipulando a equação matricial de forma que os termos desconhecidos fi-


quem todos do lado esquerdo e os demais termos do lado direito, segue:
4.5. ELEMENTOS DE CONTORNO LINEARES CONTÍNUOS 87

−Gd11 −Ga12 −Gd13 −Ga14


  d 
q1
 −Gd21 −Ga22 −Gd23 a  a
−G24   q2 
 
 −Gd31 −Ga32 −Gd33 −Ga34   q3d 
−Gd41 −Ga42 −Gd43 −Ga44 q̄4a
 
T̄1

 T̄2 

Gd12 Ga13 Gd14 Ga11 q2d

−H11 −H12 −H13 −H14 



 −H21 −H22 Gd22 Ga23 −H23 −H24 Gd24 Ga21  q3a 
=  ,
 −H11 −H32 Gd32 Ga33 −H33 −H34 Gd34 Ga31 
 T̄3 

−H11 −H42 Gd42 Ga43 −H43 −H44 Gd44 Ga41 
 T̄4 

 q̄4d 
q̄1a
(4.42)

que pode ser escrito na forma linear como:

[A]{x} = {b} (4.43)

Exemplo 4.5.2 Aplicando a formulação desenvolvida no problema de condução


de calor representado na Figura 4.10, as condições de contorno e as variáveis
desconhecidas são dadas conforme mostrado na tabela 4.3. Note na Tabela 4.2 que
a temperatura é contínua no nó j. Por sua vez, of fluxo qj pode ser descontínuo,
ou seja, o fluxo qja , antes do nó j pode ser diferente do fluxo qjd , depois do nó
j. Entretando, dada a ordem da equação diferencial de Laplace (segunda ordem),
apenas uma variável pode ser desconhecida por nó.

Tabela 4.3: Qualificação das variáveis em cada nó para o problema dado.


nó variáveis conhecidas variáveis desconhecidas
1 q1a e q1d T1
2 T2 e q2a q2d
3 T3 q3a = q3d = q3
4 T4 e q4d q4a
88 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

1 4

T =1
q=1
3

Figura 4.10: Temperatura e fluxo na placa.

  
H11 H12 H13 H14 T1
 H21 H22 H23 H24   T̄2 
  
 H31 H32 H33 H34   T̄3 
H41 H42 H43 H44 T̄4
q̄1d
 

 q̄2a 

Gd11 Ga12 Gd12 Ga13 Gd13 Ga14 Gd14 Ga11 q2d

 
 
 Gd21 Ga22 Gd22 Ga23 Gd23 Ga24 Gd24 Ga21  q3a = q3 
=  .
 Gd31 Ga32 Gd32 Ga33 Gd33 Ga34 Gd34 Ga31 
 q3d = q3 

Gd41 Ga42 Gd42 Ga43 Gd43 Ga44 Gd44 Ga41 
 q4a 

 q̄4d 
q̄1a
(4.44)

Manipulando a equação matricial de forma que os termos desconhecidos fi-


quem todos do lado esquerdo e os demais termos do lado direito, segue:
4.5. ELEMENTOS DE CONTORNO LINEARES CONTÍNUOS 89

−Gd12 (−Ga13 − Gd13 )


  
H11 −G14 T1
 H21
 −Gd22 (−Ga23 − Gd23 ) −G24   q2d
  

 H31 −Gd32 (−Ga33 − Gd33 ) −G34   q3 
H41 −Gd42 (−Ga43 − Gd43 ) −G44 q4a
q̄1d
 

 q̄2a 

Gd11 Ga12 Gd14 Ga11

−H12 −H13 0 −H14 
 T̄2 

 Gd21 Ga22 −H22 −H23 0 −H24 Gd24 Ga21 T̄3  , (4.45)
 
=
 Gd31

Ga32 −H32 −H33 0 −H34 Gd34 Ga31 
 0 

Gd41 Ga42 −H42 −H43 0 −H44 Gd44 Ga41 
 T̄4 

 q̄4d 
q̄1a

que pode ser escrito na forma linear como:

[A]{x} = {b} (4.46)

4.5.1 Algoritmo para aplicar as condições de contorno

Como foi visto nos exemplos 4.5.1 e 4.5.2, os procedimentos para aplicar as
condições de contorno quando se tem elementos contínuos (nos quais um nó é com-
partilhado por 2 elementos) são mais complexos que nos elementos descontínuos.
Esta seção apresenta uma algoritmo simples que executa bem esta tarefa. Em-
bora o caso mostrado seja restrito a elementos lineares contínuos, este algoritmo
pode ser facilmente estendido para outros tipos de elementos contínuos, tanto nas
formulações de elementos de contorno 2D como elementos de contorno 3D.
Inicialmente, considere que será criada uma matriz [Tpr ] que contém informa-
ções sobre os nós nos quais a temperatura é prescrita (conhecida). Esta matriz tem
5 colunas e o número de linhas é igual ao número de nós nos quais a temperatura
é conhecida. Para facilitar o entendimento, considere que as colunas da matrizes
sejam representadas por cinco vetores {a1 }, {a2 }, {a3 }, {a4 } e {a5 }. Desta forma,
a linha i da matriz [Tpr ] é dada por:

(4.47)
 
Tpr i = a1i a2i a3i a4i a5i

sendo que cada elemento i dos vetores {a1 }, {a2 }, {a3 }, {a4 } e {a5 } contém:
90 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

a1i : número do i−ésimo nó com temperatura conhecida.


a2i : número do primeiro elemento com temperatura prescrita ao
qual este nó pertence.
a3i : número local do nó neste elemento.
a4i : caso a temperatura também seja prescrita no segundo elemento a
que este nó pertence, então, a4i conterá o número deste elemento, caso
contrário, conterá zero.
a5i : caso a4i seja diferente de zero, a5i conterá o número local do nó
no segundo elemento, caso contrário, conterá zero.

Na definição de a2i , o termo "com temperatura prescrita"encontra-se em ne-


grito para chamar a atenção para o fato de que, caso a temperatura seja prescrita
em apenas um dos elementos ao qual o nó i pertence, o elemento que não possui
temperatura prescrita não deve ser considerado na matriz [Tpr ].
As matrizes [Tpr ] para os exemplos 4.5.1 e 4.5.2 são dadas, respectivamente,
por:
 
1 1 1 0 0
 2 1 2 0 0 
[Tpr ] = 
 3
 (4.48)
3 1 0 0 
4 3 2 0 0
e
 
2 2 1 0 0
[Tpr ] =  3 2 2 3 1  (4.49)
4 3 2 0 0

Uma vez construída a matriz [Tpr ], a troca das colunas das matrizes [H] e [G]
segue o seguinte algoritmo:

Para i = 1 até o número de nós com temperatura conhecida:


• ino = Tpr i1 ; (número do i−ésimo nó com temperatura conhecida);
• iel = Tpr i2 ; (primeiro elemento com temperatura prescrita que
contém este nó);
• inoloc = Tpr i3 ; (número local do nó neste elemento);
• indH = ino ; (índice da coluna da matriz [H] que será trocada);
• indG = 2 × iel + inoloc − 2; (índice da coluna da matriz [G] que
será trocada);
4.5. ELEMENTOS DE CONTORNO LINEARES CONTÍNUOS 91

• o vetor {troca} recebe a coluna indG da matriz [G];


• a coluna indG da matriz [G] recebe a coluna indH da matriz [H]
com sinal invertido;
• a coluna indH da matriz [H] recebe o vetor {troca} com sinal
invertido;
• Se Tpr i4 for diferente de zero ⇒ a temperatura também é conhecida
no segundo elemento ao qual o nó ino pertence:
– iel = Tpr i4 ; (número do segundo elemento ao qual o nó per-
tence);
– inoloc = Tpr i5 ; (número local deste nó no segundo elemento);
– indG = 2 × iel + inoloc − 2; (índice da coluna da matriz [G] que
será atribuído zero);
– Subtrai dos elementos da coluna indH da matriz [H] o valor
dos elementos da coluna indG da matriz [G];
– Atribui zeros na coluna indG da matriz [G];
• Fim do Se;
Fim do Para.

4.5.2 Integração das matrizes [H] e [G] quando o ponto fonte


não pertence ao elemento
A integração dos termos da matrizes [H] e [G] quando o ponto fonte não
pertence ao elemento é regular e não apresenta grandes diferenças em relação à
integração do elemento constante (veja a seção 4.4.1). Para evitar a repetição
desnecessária, a integração para o elemento linear não será detalhada.

4.5.3 Integração da matriz [G] quando o ponto fonte per-


tence ao elemento
A integração da matriz [G] quando o ponto fonte pertence ao elemento é feita
analiticamente, da mesma forma do elemento constante.
Conforme já visto, a geometria do elemento é aproximada por:

1 1
x = N1 x1 + N2 x2 = (1 − ξ)x1 + (1 + ξ)x2
2 2
x1 − ξx1 + x2 + ξx2 1
= = [(x2 − x1 ) ξ + x2 + x1 ] (4.50)
2 2
92 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

1
y= [(y2 − y1 ) ξ + y2 + y1 ] . (4.51)
2
A coordenada x do ponto fonte é dada por xd = x(ξ = ξd ) e yd = y(ξ = ξd ),
sendo que ξd = −1 para o ponto fonte no nó 1 e ξd = +1 para o ponto fonte no nó
2. Daí, tem-se:

1
xd = [(x2 − x1 ) ξd + x2 + x1 ] , (4.52)
2

1
yd = [(y2 − y1 ) ξd + y2 + y1 ] (4.53)
2
e
q
(4.54)
p
r = (x − xd ) + (y − yd ) = rx2 + ry2 ,
2 2

onde

 
1 1
rx = x − xd = [(x2 − x1 )ξ + x2 + x1 ] − [(x2 − x1 )ξd + x2 + x1 ] (4.55)
2 2

1
rx = (x2 − x1 )(ξ − ξd ) (4.56)
2
Da mesma forma, tem-se:

1
ry = (y2 − y1 )(ξ − ξd ) (4.57)
2
e

s 2  2
1 1
r= (x2 − x1 )(ξ − ξd ) + (y2 − y1 )(ξ − ξd )
2 2
1 1
(4.58)
p
= (ξ − ξd ) (x2 − x1 )2 + (y2 − y1 )2 = (ξ − ξd )L
2 2

Os termos da matriz [G] são dados por:


4.5. ELEMENTOS DE CONTORNO LINEARES CONTÍNUOS 93

ˆ
g1 = T ∗ N1 dΓ (4.59)
Γj

e
ˆ
g2 = T ∗ N2 dΓ. (4.60)
Γj

Desta forma, tem-se:

ˆ ˆ 1
∗ dΓ
g1 = T N1 dΓ = T ∗ N1 dξ
Γj −1 dξ
ˆ 1
−1 L1
= log(r) (1 − ξ)dξ
−1 2πk 22
ˆ
−L 1 ξ − ξd
  
= log L (1 − ξ)dξ (4.61)
8πk −1 2

• Ponto fonte no nó 1: ξd = −1.

ˆ 1 ˆ 1
−L
  
ξ+1
g1 = log (1 − ξ)dξ + log (L) (1 − ξ)dξ (4.62)
8πk −1 2 −1

Fazendo

ξ+1 dη 1
η= ⇒ = (4.63)
2 dξ 2
tem-se:

−1 + 1
η(ξ = −1) = =0 (4.64)
2

1+1
η(ξ = 1) = =1 (4.65)
2

ξ = 2η − 1 ⇒ 1 − ξ = 1 − 2η + 1 = 2(1 − η) (4.66)
94 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

Daí, tem-se:

"ˆ  1 #
1
ξ 2

L dξ
g1 = − log(η)2(1 − η) dη + log(L) ξ −
8πk 0 dη 2 −1
ˆ 1
L
=− 2(1 − η)2 log(η)dη
8πk 0
" #)
(1)2 (−1)2
+ log(L) 1 − − (−1) +
2 2
 ˆ 1 ˆ 1  
L
=− 4 log(η)dη − η log(η)dη + 2 log(L) (4.67)
8πk 0 0

 
L 3
g1 = − log(L) ; (4.68)
4πk 2

A integral g2 não é singular quando o ponto fonte é o nó 1 pois N2 = 0 no nó


1, onde T ∗ → ∞.

• Ponto fonte no nó 2: ξd = 1.

A integral g1 não é singular quando o ponto fonte é o nó 2 pois N1 = 0 no nó


2, onde T ∗ → ∞.
ˆ 1
ˆ 1

∗ dΓ ∗ dΓ
(4.69)

N1 T dξ = N2 T dξ
−1 dξ ξd =−1 −1 dξ ξd =1

Desta forma tem-se:


 
L 3
g2 = − log(L) . (4.70)
4πk 2

4.5.4 Método indireto para o cálculo da diagonal da matriz


[H]
Os termos singulares da matriz [H] também podem ser calculados de maneira
analítica, da mesma forma como foi feita para elementos constantes. Entretanto,
como os nós agora encontram-se nas extremidades do elemento, e não mais no
4.6. ELEMENTOS DE CONTORNO QUADRÁTICOS CONTÍNUOS 95

centro, o ponto fonte pode não pertencer a um contorno suave caso seja um nó de
canto. Daí, deve-se calcular o ângulo interno θint pois o termo c da equação (4.13)
não é mais igual a 1/2. Embora este cálculo não apresente grandes dificuldades,
existe uma implementação alternativa que normalmente é a preferida quando se
trata de elementos contínuos. Esta implementação não faz a integração de maneira
explícita mas usa uma propriedade da matriz [H] decorrente da modelagem de um
corpo sob temperatura constante. Sem perder a generalidade, considere que todos
os nós de um corpo encontre-se com a temperatura T = 1. Neste caso, o fluxo
será nulo em todos os nós, ou seja, q = 0 em todos os nós. Desta forma, a equação
matricial é reescrita como:

[H]{1} = [G]{0} (4.71)

onde {1} é um vetor com todos os elementos iguais a 1 e {0} é um vetor com todos
os elementos iguais a zero. Neste caso, é fácil perceber que:

N
X
Hij = 0, para i = 1, 2, ..., N. (4.72)
j=1

onde N é o número de nós.


Daí, os termos da diagonal da matriz [H] pode ser calculado da seguinte forma:

N
X
Hii = Hij , com i 6= j, para i = 1, 2, ..., N, (4.73)
j=1

uma vez que todos os termos de fora da diagonal são integrais regulares e já foram
previamente calculados.

4.6 Elementos de contorno quadráticos contínuos


Na discretização utilizando elementos quadráticos a geometria é aproximada
por uma função quadrática ao longo de cada elemento, sendo necessários três
pontos nodais por elemento conforme mostrada na Fig. 4.11.
Assim temperatura e fluxo são aproximados da seguinte forma:

T = N1 T1 + N2 T2 + N3 T3
q = N1 q1 + N2 q2 + N3 q3
96 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

Figura 4.11: Elementos quadráticos contínuos.

onde T1 é a temperatura no nó local 1, T2 a temperatura no nó local 2, T3 a


temperatura no nó local 3, q1 é o fluxo no nó local 1, q2 é o fluxo no nó local 2, q3
é o fluxo no nó local 3, N1 é a função de forma 1, N2 é a função de forma 2 e N3
é a função de forma 3.
As funções de forma quadráticas contínuas N1 , N2 e N3 são dadas por (Fig.
2.7):

ξ
N1 = (ξ − 1) (4.74)
2

N2 = (1 − ξ)(1 + ξ) = 1 − ξ 2 (4.75)

ξ
N3 = (ξ + 1) (4.76)
2

Neste caso, a equação integral é dada por:


ˆ ˆ
cT (d) = T q dS − T ∗ qdS.

s s

Discretizando em elementos de contorno quadráticos contínuos, segue:


nX
"ˆ # n "ˆ #
elem elem
X
cT (d) = T q ∗ dΓ − T ∗ qdΓ
j=1 Γj j=1 Γj
4.6. ELEMENTOS DE CONTORNO QUADRÁTICOS CONTÍNUOS 97

Da mesma forma, segue:



x = N1 x1 + N2 x2 + N3 x3
y = N1 y1 + N2 y2 + N3 y3

Escrevendo na forma matricial, segue:


 
  T1
T = N1 N2 N3  T2 
T3
e  
  q 1
q= N1 N2 N3  q2  .
q3

A equação integral discretizada é então escrita como:

ˆ 
   
nX
elem T1 
N1 N2 N3  T2  q ∗ dΓ

cT (d) =
 Γj
T3 j

j=1

elem ˆ
   
nX q 1 
T ∗ N1 N2 T3  q2  dΓ . (4.77)
 

 Γj
q3 j

j=1

Como T1 , T2 , T3 , q1 , q2 e q3 são valores nodais, segue:

ˆ
 

nX
elem T1 
N1 N2 N3 q ∗ dΓ  T2 
 
cT (d) =
 Γj
T3 j

j=1

elem ˆ
  
nX q 1 
N1 N2 N3 T ∗ dΓ  q2  , (4.78)
 

 Γj
q3 j

j=1

que pode ser escrito da seguinte forma:

    
nX
elem   T1   q 1 
cT (d) = h1 h2 h3 j  T2  − g1 g2 g3 j  q2  ,
T3 j q3 j
 
j=1
98 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

onde ˆ
h1 = N1 q ∗ dΓ,
Γj
ˆ
h2 = N2 q ∗ dΓ,
Γj
ˆ
h3 = N3 q ∗ dΓ,
Γj
ˆ
g1 = N1 T ∗ dΓ,
Γj
ˆ
g2 = N2 T ∗ dΓ
Γj

e ˆ
g3 = N3 T ∗ dΓ.
Γj

4.6.1 Integração das matrizes [H] e [G] quando o ponto fonte


não pertence ao elemento

A integração dos termos da matrizes [H] e [G] quando o ponto fonte não
pertence ao elemento é regular e não apresenta grandes diferenças em relação à
integração do elemento constante (veja a seção 4.4.1). Para evitar a repetição
desnecessária, a integração para o elemento quadrático não será detalhada.

4.6.2 Integração da matriz [H] e [G] quando o ponto fonte


pertence ao elemento

Conforme já mostrado, o MEC apresenta algumas integrais de funções singu-


lares (funções que tendem ao infinito). No caso da formulação desenvolvida, as
integrais singulares são de dois tipos:

1. Na matriz [G] ela é da forma log r que é chamada de singularidade fraca


(integral imprópria);

2. Na matriz [H] ela é da forma 1r que é chamada de singularidade forte (integral


no sentido do valor principal de Cauchy);
4.6. ELEMENTOS DE CONTORNO QUADRÁTICOS CONTÍNUOS 99

Diante disso, o tratamento da singularidade forte pode ser feita de maneira in-
direta devido as propriedades da matriz [H], conforme foi mostrado na seção 4.5.4.
No caso da matriz [G], há duas possibilidades, ou deve-se tratar numericamente
ou de forma analítica, sendo que essa última só é recomendada para elementos
constantes ou lineares. No caso de funções de forma de ordem maior (quadráticas,
por exemplo), o jacobiano da transformação de Γ para ξ não é mais constante
ao longo do elemento, tornando o tratamento analítico inviável. Dessa forma, o
tratamento numérico é recomendado.
Integrais singulares da ordem (log r) podem ser avaliadas eficientemente pela
quadratura de Gauss com uma transformação de variáveis cúbica, conforme pro-
posto por Telles [5], que cancela exatamente a singularidade logarítmica. Uma
outra possibilidade é o uso da quadratura logarítmica de Gauss [6] que está entre
os métodos numéricos mais utilizadas para o tratamento de integrais com singu-
laridade fraca em problemas bi-dimensionais (log r). Detalhes da quadratura de
Gauss logarítmica foram apresentados na seção 1.5.
A integração dos termos da matriz [H] para elementos quadráticos contínuos
é feita de maneira indireta, conforme já descrito na seção 4.5.4 para elementos
lineares contínuos.
A integração dos termos da matriz [G] para elementos quadráticos contínuos
é feita usando a quadratura logarítmica de Gauss, coforme será detalhado nos
parágrafos seguintes.
Conforme já mostrado na seção 2.1.2, a coordenada x de um ponto pertencente
a um elemento quadrático é aproximada por:

ξ ξ
x = N1 x1 + N2 x2 + N3 x3 = (ξ − 1)x1 + (1 − ξ 2 )x2 + (ξ + 1)x3
2 2
1 2 1
= ξ (x1 − 2x2 + x3 ) + ξ (x3 − x1 ) + x2 (4.79)
2 2
Da mesma forma, tem-se:

1 1
y = ξ 2 (y1 − 2y2 + y3 ) + ξ (y3 − y1 ) + y2 (4.80)
2 2
O ponto fonte tem coordenada (xd , yd ), sendo xd = x(ξ = ξd ) e yd = y(ξ = ξd ).
Desta forma, tem-se ξd = −1 para o ponto fonte no nó 1, ξd = 0 para o ponto
fonte no nó 2 e e ξd = +1 para o ponto fonte no nó 3. Daí, tem-se:

1 1
xd = ξd2 (x1 − 2x2 + x3 ) + ξd (x3 − x1 ) + x2 (4.81)
2 2
100 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

1 1
yd = ξd2 (y1 − 2y2 + y3 ) + ξd (y3 − y1 ) + y2 (4.82)
2 2
q
(4.83)
p
r= (x − xd )2 + (y − yd )2 = rx2 + ry2

onde

1 2 1
ξ − ξd2 (x1 − 2x2 + x3 ) + (ξ − ξd ) (x3 − x1 ) (4.84)

r x = x − xd =
2 2

1
rx = (ξ − ξd ) [(x1 − 2x2 + x3 ) (ξ + ξd ) + x3 − x1 ] (4.85)
2
Da mesma forma, tem-se:

1
ry = (ξ − ξd ) [(y1 − 2y2 + y3 ) (ξ + ξd ) + y3 − y1 ] (4.86)
2
e

1
(ξ − ξd ) [(x1 − 2x2 + x3 ) (ξ + ξd ) + x3 − x1 ]2

r=
2
1
+ [(y1 − 2y2 + y3 ) (ξ + ξd ) + y3 − y1 ]2 2 (4.87)

Chamando

1
rA = (ξ − ξd ) (4.88)
2
e

rB = [(x1 − 2x2 + x3 ) (ξ + ξd ) + x3 − x1 ]2

21
+ [(y1 − 2y2 + y3 ) (ξ + ξd ) + y3 − y1 ]2 (4.89)

tem-se que

r = rA rB (4.90)
4.6. ELEMENTOS DE CONTORNO QUADRÁTICOS CONTÍNUOS 101

onde rB > 0.
ˆ
[g] = T ∗ [N1 N2 N3 ] dΓ = [g1 g2 g3 ] (4.91)

onde
ˆ
g1 = T ∗ N1 dΓ, (4.92)
Γj
ˆ
g2 = T ∗ N2 dΓ (4.93)
Γj

e
ˆ
g3 = T ∗ N3 dΓ. (4.94)
Γj

A integral g1 é dada por:

ˆ ˆ 1
∗ dΓ
g1 = T N1 dΓ = T ∗ N1 dξ
Γj −1 dξ
ˆ 1
−1 dΓ
= log(rA rB )N1 dξ
−1 2πk dξ
ˆ 1
−1 dΓ
= [log(rA ) + log(rB )] N1 dξ = g1s + g1ns (4.95)
2πk −1 dξ

onde
ˆ 1
−1 dΓ
g1s = log(rA )N1 dξ (4.96)
2πk −1 dξ

é uma integral de singularidade fraca que será integrada usando quadratura de


Gauss logarítmica e
ˆ 1
−1 dΓ
g1ns = log(rB )N1 dξ (4.97)
2πk −1 dξ

é uma integral regular (não singular) que será integrada usando quadratura de
Gauss padrão.
102 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

• Ponto fonte no nó 1: ξd = −1.

ˆ 1
−1 ξ dΓ
g1s = log(rA ) (ξ − 1) dξ (4.98)
2πk −1 2 dξ

Fazendo

ξ+1 dη 1
η= ⇒ = (4.99)
2 dξ 2

tem-se:

−1 + 1
η(ξ = −1) = =0 (4.100)
2

1+1
η(ξ = 1) = =1 (4.101)
2

ξ = 2η − 1 ⇒ 1 − ξ = 1 − 2η + 1 = 2(1 − η) (4.102)

ξ − ξd
rA = =η (4.103)
2
Daí, tem-se:

ˆ 1 ˆ 1
−1 dΓ dξ −1 dΓ
g1s = log (η) N1 (ξ(η)) dη = log (η) N1 (ξ(η)) dη (4.104)
2πk 0 dξ dη πk 0 dξ

As integrais g2 e g3 não são singulares quando o ponto fonte é o nó 1 pois


N2 = N3 = 0 no nó 1, onde T ∗ → ∞.

• Ponto fonte no nó 2: ξd = 0.

ξ − ξd ξ−0 ξ
rA = = = (4.105)
2 2 2
4.6. ELEMENTOS DE CONTORNO QUADRÁTICOS CONTÍNUOS 103

ˆ ˆ
−1 1 ξ dΓ −1 1 dΓ
g2s = log( )N2 dξ = log(ξ)N2 dξ
2πk −1 2 dξ 2πk −1 dξ
ˆ 1
−1 dΓ
− log(2)N2 dξ = g2s1 + g2s2 (4.106)
2πk −1 dξ

onde
ˆ 1
−1 dΓ
g2s2 = log(2)N2 dξ (4.107)
2πk −1 dξ

é uma integral regular e pode ser integrada usando quadratura de Gauss padrão.
ˆ 1
−1 dΓ
g2s1 = log(ξ)N2 dξ (4.108)
2πk −1 dξ

é uma integral com singularidade fraca e deve ser calculada usando quadratura de
Gauss logarítmica através da seguinte transformação:


η=ξ⇒ =1 (4.109)

tem-se:

η(ξ = 0) = 0 (4.110)

η(ξ = 1) = 1 (4.111)

ξ − ξd ξ η
rA = = = (4.112)
2 2 2
Daí, tem-se:

ˆ 1 ˆ 1
−1 η  dΓ dξ −1 dΓ
g2s1 =2× log N2 (ξ(η)) dη = log (η) N2 (ξ(η)) dη
2πk 0 2 dξ dη πk 0 dξ
(4.113)
As integrais g1 e g3 não são singulares quando o ponto fonte é o nó 2 pois
N1 = N3 = 0 no nó 2, onde T ∗ → ∞.
104 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

• Ponto fonte no nó 3: ξd = 1.

As integrais g1 e g2 não são singulares quando o ponto fonte é o nó 3 pois


N1 = N2 = 0 no nó 3, onde T ∗ → ∞.
ˆ 1
ˆ 1

∗ dΓ ∗ dΓ
(4.114)

N1 T dξ = N3 T dξ
−1 dξ ξd =−1 −1 dξ ξd =1

Desta forma, a integral g3 não precisa ser calulada quando o ponto fonte é o
nó 3 pois usa-se o valor calculado da integral g1 quando o ponto fonte é o nó 1.

4.7 Fontes de calor


Dada a equação de Laplace para um problema de condução de calor, conforme
visto:
∂ 2T ∂ 2T
+ =0
∂x2 ∂y 2
com sua respectiva equação integral de contorno
ˆ ˆ
cT (xd , yd ) = q T dΓ − T ∗ qdΓ.

Γ Γ

Havendo geração de calor, chega-se a formulação de Poisson dada por:


∂ 2T ∂ 2T
+ = f (x, y), (4.115)
∂x2 ∂y 2
onde f (x, y) é a função de geração de calor (fonte de calor).
Multiplicando a Eq.(4.115) por uma função peso e integrando ao longo do
contorno obtém-se uma função resíduo. Admitindo que esse resíduo seja igual a
zero, tem-se: ˆ  2
∂ 2T

∂ T
2
+ − f (x, y) ωdA = 0,
A ∂x ∂y 2
A fim de obter a equação integral de contorno, segue:
ˆ  2 ˆ
∂ 2T

∂ T
2
+ ωdA − f (x, y)ωdA = 0 (4.116)
A ∂x ∂y 2 A

que resulta
ˆ ˆ ˆ
cT (xd , yd ) = ∗
q T ds − ∗
T qds + T ∗ f (x, y)dA. (4.117)
s s A
4.7. FONTES DE CALOR 105

Observando-se que existe uma integral de domínio na formulação da Eq.(4.117)


que tem ser transformada em integral de contorno, caso contrário, o domínio do
problema terá que ser discretizado.

4.7.1 Fontes de calor concentradas

Caso a fonte de calor seja concentrada, ela será representada por uma função
delta de Dirac, ou seja:

f (x, y) = Cδ(x − xc , y − yc ) (4.118)

onde (xc , yc ) são as coordenadas do ponto onde a fonte de calor aplicada e C é o


valor da fonte de calor. Caso C seja negativo, f (x, y) é um sorvedouro de calor
concentrado. Substituindo a equação (4.118) na equação (4.117) tem-se:

ˆ ˆ ˆ
cT (xd , yd ) = ∗
q T ds − ∗
T qds + T ∗ Cδ(x − xc , y − yc )dA. (4.119)
s s A

Pelas propriedades do delta de Dirac, a integral de domínio se transforma no


valor da função no ponto, ou seja:

ˆ ˆ
cT (xd , yd ) = ∗
q T ds − T ∗ qds + CT ∗ (xc − xd , yc − yd ). (4.120)
s s

4.7.2 Fontes de calor distribuídas no domínio

Caso a fonte de calor f (x, y) seja distriuída no domínio, pode-se usar o mé-
todo da integração radial para transformar a integral de domínio em integral de
contorno, da seguinte forma:

ˆ ˆ θ2ˆ r

T f (x, y)dA = T ∗ f [x(ρ, θ), y(ρ, θ)]ρdρ dθ.
A θ1
|0 {z }
F

Fazendo ˆ r
F = T ∗ f [x(ρ, θ), y(ρ, θ)]ρdρ, (4.121)
0
106 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

resulta ˆ ˆ θ2
F = ∗
T f (x, y)dA = F dθ. (4.122)
A θ1

Do triângulo da figura 2.10, segue:

r dθ
2
cosα = dΓ
2

cosα
dθ = ds. (4.123)
r
Como ~n e ~r são vetores unitários, tem-se:

cosα = ~n.~r. (4.124)

Substituindo a Eq.(4.124) na Eq.(4.123) e depois na Eq.(4.122), tem-se


ˆ
~n.~r
F ds. (4.125)
s r

Substituindo a Eq.(4.125) na Eq.(4.116), segue


ˆ ˆ ˆ
∗ ∗ ~n.~r
cT (xd , yd ) = q T ds − T qds + F ds,
s s s r

que é a equação integral de contorno quando há geração de calor.

4.8 Exemplos numéricos


Para avaliar as formulações de elementos de contorno usando elementos cons-
tantes, lineares e quadráticos, foi analisada a distribuição de temperatura em um
cilindro e em uma placa retangular. No cilindro, as condições de contorno são
constantes nos diâmetros externo e interno, enquanto na placa, as condições de
contorno variam em cada ponto do contorno.

Exemplo 4.8.1 Condução de calor em um cilindro Considere um cilindro


com dimensões mostrada na figura 4.12. O problema foi discretizado com diferentes
malhas, das mais grosseiras às mais refinadas. Foi considerado ri = 1, ro =2,
T (ri )= 100 e q(ro )= -200, k = 1.
A solução analítica para a temperatura é dada por:
4.8. EXEMPLOS NUMÉRICOS 107

T (r) = T (ri ) − q(ro ) ro log(r/ri ) (4.126)

e para o fluxo por:

ro
q(r) = −q(ro ) . (4.127)
r

ri ro

C B A D O r

Sa
V

Sb

Figura 4.12: Dimensões do cilindro

As figuras 4.13, 4.14 e 4.15 mostram, respectivamente, uma malha de 16 nós


com elementos de contorno constantes, uma malha de 112 nós com elementos de
contorno constante e uma malha de 16 nós com elementos de contorno quadrá-
tico. Note que, para uma discretização grosseira, com 16 nós, a aproximação de
uma circunferência com elementos quadráticos, que podem ser curvos, é melhor
satisfeita que com elementos retilíneos (elementos constantes ou lineares).
Os resultados foram avaliados em 4 pontos. Os dois primeiros pontos são os
pontos internos A e B, onde rA = (ri + ro )/2 = 1, 50 e rB = (ri + 3ro )/4 = 1, 75.
Os dois outros são os pontos do contorno C e D. O valor da temperatura T e do
fluxo q nestes pontos foram calculados com diferentes malhas e diferentes tipos de
elementos e os resultados foram comparados com a soluções analíticas do problema
para temperatura e fluxo, dadas pelas equações (4.126) e (4.127), respectivamente.
As figuras 4.16, 4.17, 4.18, 4.19, 4.20 e 4.21 mostram estas comparações.
Tomou-se o cuidado para que o número de nós fosse o mesmo em cada com-
paração. Para isso, o número de elementos quadráticos foi a metade do número
de elementos lineares e constantes. Além disso, para que a precisão da integração
não influisse na análise, foi usado um número grande de pontos de integração em
108 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

2.5

1.5

y 0.5

−0.5

−1

−1.5

−2

−2.5
−3 −2 −1 0 1 2 3
x

Figura 4.13: Malha de elementos de contorno com 16 nós com elementos constantes
(8 no contorno externo e 8 no contorno interno)

todas as integrais do método dos elementos de contorno. Todas as integrais fo-


ram calculadas com 16 pontos de Gauss que representa um número mais do que
suficiente para uma integração com boa precisão.
Analisando as figuras 4.16, 4.17, 4.18, 4.19, 4.20 e 4.21, nota-se que todas
as formulações convergem para a solução analítica conforme a malha é refinada.
Entretanto, não se pode observar nenhum elemento que apresentasse convergência
mais rápida em todos os casos. Para a temperatura nos pontos internos A e B,
os elementos quadráticos apresentaram a convergência mais rápida e os elemen-
tos constantes a convergência mais lenta. Para o fluxo nos pontos interno A e
B, os elementos lineares apresentaram a convergência mais lenta enquanto que os
elementos constantes convergiram mais rápido no ponto A e os quadráticos con-
vergem mais rápido no ponto B. Nos pontos C e D, pertencentes aos contornos
interno e externo, respectivamente, os resultados para elementos quadráticos foram
analisados tanto em nós das extremidades dos elementos quanto em nós do meio
do elemento. No caso do ponto C, onde a temperatura era a variável desconhecida,
a convergência mais rápida foi apresentada pelos elementos constantes enquanto
a mais lenta foi apresentada pelos elementos lineares. No caso do ponto D, onde
o fluxo foi calculado, a convergência mais rápida foi a dos elementos constantes,
enquanto a mais lenta foi apresentada pelos elementos lineares. Nos dois últimos
casos a convergência para a malha de elementos quadráticos foi mais mais rápida
nos nós do meio que nos nós da extremidade dos elementos.
4.8. EXEMPLOS NUMÉRICOS 109

2.5

1.5

0.5
y

−0.5

−1

−1.5

−2

−2.5
−3 −2 −1 0 1 2 3
x

Figura 4.14: Malha de elementos de contorno com 112 nós com elementos cons-
tantes (56 no contorno externo e 56 no contorno interno)

2.5

1.5

0.5
y

−0.5

−1

−1.5

−2

−2.5
−3 −2 −1 0 1 2 3
x

Figura 4.15: Malha de elementos de contorno com 16 nós com elementos quadrá-
ticos (8 no contorno externo e 8 no contorno interno)
110 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

290
Elementos Constantes
Elementos Lineares
Elementos Quadráticos
285
Resultado Analítico
Temperatura no ponto A
280

275

270

265

260
0 20 40 60 80 100 120
Número de nós

Figura 4.16: Temperatura no ponto A.

350
Elementos Constantes
Elementos Lineares
345 Elementos Quadráticos
Resultado Analítico

340
Temperatura no ponto B

335

330

325

320

315
0 20 40 60 80 100 120
Número de nós

Figura 4.17: Temperatura no ponto B.


4.8. EXEMPLOS NUMÉRICOS 111

−248
Elementos Constantes
−250 Elementos Lineares
Elementos Quadráticos
−252 Resultado Analítico

−254
Fluxo no ponto A

−256

−258

−260

−262

−264

−266

−268
0 20 40 60 80 100 120
Número de nós

Figura 4.18: Fluxo no ponto A.

−200
Elementos Constantes
Elementos Lineares
−205 Elementos Quadráticos
Resultado Analítico

−210
Fluxo no ponto B

−215

−220

−225

−230

−235
0 20 40 60 80 100 120
Número de nós

Figura 4.19: Fluxo no ponto B.


112 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

395
Elementos Constantes
Elementos Lineares
390 Elementos Quadráticos − nó da extremidade
Elementos Quadráticos − nó do meio
385 Resultado Analítico
Temperatura no ponto C

380

375

370

365

360

355
0 20 40 60 80 100 120
Número de nós

Figura 4.20: Temperatura no ponto C.

420

410

400
Fluxo no ponto D

390

380

370 Elementos Constantes


Elementos Lineares
Elementos Quadráticos − nó da extremidade
360
Elementos Quadráticos − nó do meio
Resultado Analítico
350

340
0 20 40 60 80 100 120
Número de nós

Figura 4.21: Fluxo no ponto D.


4.8. EXEMPLOS NUMÉRICOS 113

Distribuição de temperatura
2.5

2 350

1.5

1 300

0.5
250
y

−0.5
200
−1

−1.5 150
−2

−2.5 100
−3 −2 −1 0 1 2 3
x

Figura 4.22: Distribuição de temperatura e fluxo de calor ao longo do cilindro.


114 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

Exemplo 4.8.2 Condução de calor em uma placa


Considere uma placa retangular ABCD conforme mostrado na figura 4.23.
Foi considerado k = 1. As condições de contorno na placa são as seguintes:
y
D C

r
θ

A E O F B x

Figura 4.23: Placa retangular.

 
1 θ θ
q=− √ cos cos θ + sin sin θ em BC, (4.128)
2 r 2 2
 
1 θ θ
q=− √ cos sin θ − sin cos θ em CD, (4.129)
2 r 2 2
 
1 θ θ
q= √ cos cos θ + sin sin θ em DA, (4.130)
2 r 2 2

T = 0 em AO (4.131)

q = 0 em OB. (4.132)

A solução analítica para este problema é dada por:

√ θ
u= r cos , (4.133)
2
4.8. EXEMPLOS NUMÉRICOS 115

cos θ
qx = √ 2 (4.134)
2 r

sin θ
qy = √ 2 . (4.135)
2 r

As coordenadas dos pontos A e C são, respectivamente (-1,0; 0,0) e (1,0;


1,0). O ponto E é o ponto médio do segmento AO e o ponto F é o ponto médio
do segmento OB. O ponto G tem coordenada (-0,5; 0,5).
Da mesma forma que no exemplo anterior, a placa retangular também foi dis-
cretizada com diferentes malhas, das mais grosseiras (24 nós) até as mais refinadas
(120 nós). Em todos os casos, os elementos usados tinham tamanhos próximos po-
rém não iguais. O valor da temperatura T foi calculado nos pontos F e G, o fluxo
normal ao contorno q foi calculado no ponto E e fluxos qx e qy , nas direções x e y,
respectivamente, foram calculados no ponto G. As figuras 4.24, 4.25, 4.26, 4.27,
4.28 mostram os valores das temperaturas e fluxos nestes pontos.

0.76
Elementos Constantes
Elementos Lineares
Elementos Quadráticos
0.74
Resultado Analítico
Temperatura no ponto F

0.72

0.7

0.68

0.66

0.64
0 50 100 150 200 250
Número de nós

Figura 4.24: Temperatura no ponto F .


116 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

0.9

0.8
Fluxo normal no ponto E

0.7

0.6

0.5 Elementos Constantes


Elementos Lineares
0.4 Elementos Quadráticos
Resultado Analítico
0.3

0.2

0.1
0 50 100 150 200 250
Número de nós

Figura 4.25: Fluxo de calor normal ao contorno no ponto E.

A figura 4.29 mostra a distribuição de temperatura e o fluxo de calor na placa


retangular.
O comportamento dos resultados obtidos neste exemplo são, na maioria dos
casos, muito similares ao comportamento obtidos no exemplo anterior. Todas as
formulações convergem para a solução analítica em todos os pontos tanto para tem-
peratura quanto para fluxo. Os elementos lineares se mostraram com uma conver-
gência um pouco mais lenta que os elementos quadráticos e constantes, sendo que
estes dois últimos apresentam convergência muito semelhante, embora aproximem-
se da solução analítica por lados opostos (um por cima e outro por baixo da solução
analítica). No caso da Figura 4.25, os elementos quadráticos e lineares apresenta-
ram oscilações expressivas para as malhas mais grosseiras que se estabilizaram com
o refinamento da malha. Estas oscilações também ocorreram de maneira menos
expressivas na Figura 4.28.
4.8. EXEMPLOS NUMÉRICOS 117

0.335

0.33

0.325

0.32
Temperatura no ponto J

0.315

0.31
Elementos Constantes
0.305 Elementos Lineares
Elementos Quadráticos
0.3 Resultado Analítico

0.295

0.29

0 50 100 150 200 250


Número de nós

Figura 4.26: Temperatura no ponto G.

−0.17
Elementos Constantes
−0.18 Elementos Lineares
Elementos Quadráticos
−0.19 Resultado Analítico
Fluxo na direção x no ponto J

−0.2

−0.21

−0.22

−0.23

−0.24

−0.25

−0.26

−0.27
0 50 100 150 200 250
Número de nós

Figura 4.27: Fluxo de calor na direção x no ponto G.


118 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

−0.53
Elementos Constantes
Elementos Lineares
−0.535 Elementos Quadráticos
Resultado Analítico
Fluxo na direção y no ponto J

−0.54

−0.545

−0.55

−0.555

−0.56

−0.565
0 50 100 150 200 250
Número de nós

Figura 4.28: Fluxo de calor na direção y no ponto G.


4.8. EXEMPLOS NUMÉRICOS 119

Distribuição de temperatura
1.5
1

1 0.8

0.6
y

0.5

0.4

0
0.2

−0.5
−1.5 −1 −0.5 0 0.5 1 1.5
x

Figura 4.29: Distribuição de temperatura e fluxo de calor na placa.


120 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

4.9 Exercícios propostos


Exercício 4.1 Implementar um programa que use a função calc_solfund e trace o
gráfico 3D das componentes das soluções fundamentais em coordenadas cilíndricas
para o seguinte intervalo: 0 ≤ r ≤ 2 e 0 ≤ θ ≤ 2π. Assumir a condutividade

térmica√k = 1. Considere o ponto fonte em x = 0 e y = 0 e a normal nx = 2/2
e ny = 2/2. Sugestão: Usar as funções surf (ou mesh) e pol2cart (vide exemplo
no final da lista). Anexar o código implementado no MatLab.

Exercício 4.2 Representar os termos das matrizes [H] e [G] para o problema de
condução de calor mostrado na figura abaixo. Mostrar a matriz [A] e o vetor {b}
em função das matrizes [H] e [G].

[H]{T } = [G]{q} ⇒ [A]{x} = {b}

Figura 4.30: Condições de contorno em um corpo quadrilateral.


4.9. EXERCÍCIOS PROPOSTOS 121

Exercício 4.3 Para o cilindro mostrado na figura, esboce um modelo de elementos


de contorno, com a malha e as condições de contorno, sem modelar o cilindro
completo. Ao invés disso, aproveite-se da simetria do problema para reduzir o
tamanho do problema.

Figura 4.31: Cilindro sob diferentes temperaturas

Exercício 4.4 Calcular as temperaturas e os fluxos desconhecidos nos nós do tri-


ângulo abaixo.

Figura 4.32: Condições de contorno em um corpo triangular

Dados:
 
−0.5000 0.3285 0.1761
[H] =  0.2497 −0.5000 0.2497 
0.1761 0.3285 −0.5000
 
0.2695 0.1313 0.0533
[G] =  0.0893 0.3031 0.0893 
0.0533 0.1313 0.2695
122 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

[H]{T } = [G]{q} ⇒ [A]{x} = {b}

Exercício 4.5 Analise a distribuição de temperatura em uma placa com dimen-


sões mostrada na figura, usando o programa PotConstante. A solução analítica
para este problema é dada por:


" #
nπy
(−1)n+1 + 1  nπx  sinh

2X L 
Ta (x, y) = sin nπH
π n=0 n L sinh L

onde H = altura da placa, L =comprimento da placa.

y
T3 = 1
(0,1) (1,1)

T4 = 0
k=1 T2 = 0

(0,0) (1,0)
T1 = 0 x

Figura 4.33: Placa quadrada sob diferentes temperaturas.

Compare o erro em relação a solução analítica nos pontos internos com co-
ordendas (x, y) = (0, 5; 0, 5) e (x, y) = (0, 25; 0, 25). Faça uma análise de conver-
gência, ou seja, calcule T com diferentes malhas e monte uma tabela da seguinte
forma:

x y NE T Ta Erro

onde:
N E = número de elementos utilizados na malha.
Erro = erro percentual no cálculo da temperatura, dado por:
4.9. EXERCÍCIOS PROPOSTOS 123

|T − Ta |
Erro = 100% ×
Ta

Inicie usando uma malha grosseira, de um elemento por segmento. Refine até
obter uma convergência de quatro algarismos significativos.

Exercício 4.6 Analise a distribuição de temperatura em uma placa com dimen-


sões mostrada na figura, usando o programa PotConstante. Utilize 4 elementos
por segmentos retilíneos e 4 elementos para discretizar cada um quarto de circun-
ferência. Faça um mapa de cor com NPX=11 e NPY=11.

2 2

q=1

R. 2
2 T =5
2

4 q=0
q = −1

R. 1 q=1
2 2

T =0

Exercício 4.7

Representar os termos das matrizes [H] e [G] para o seguinte problema de condução
de calor. Mostrar a matriz [A] e o vetor {b} em função das matrizes [H] e [G].

[H]{T } = [G]{q} ⇒ [A]{x} = {b}


124 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

q=0
5 3
4
T = 1o C
4

2
T = 1o C
T = 10o C
5

1 3
q = 10 cal/(s m) 2
1

Exercício 4.8 Analise, usando o programa PotLinear.m, o seguinte problema de


condução de calor onde o domínio é um quarto de círculo:
∇2 T = 0 para x > 0, y > 0 e x2 + y 2 < 1, sujeito às seguintes condições de
contorno:

T = y em x = 0, para 0 < y < 1;


T = x + y em x2 + y 2 = 1, para x > 0 e y > 0,
q = −k∂T /∂n =1 em y = 0 para 0 < x < 1.

A solução analítica para este problema é dada por:

T an = x + y

Analise o problema usando diferentes números de elementos, começando com


um elemento por lado, ou seja, (N E=3, 6, 12, 24, ...), onde N E é o número total
de elementos. Faça uma √ tabela √
mostrando o erro percentual em um ponto interno
de coordenadas (x, y) = ( 2/2, 2/2) para os diversos casos analisados.

|Tcan − Tc |
ε% = 100% ×
|Tcan |
onde Tc é o valor de T no ponto interno de coordenadas (x, y) = (1/3, 1/3).
Sugestão: Crie uma function
CDC = corrige_CDC(CDC,ELEM,NOS,MALHA)

que irá corrigir a matriz CDC para se adequar às condições de contorno variáveis
com as coordenadas y.
4.9. EXERCÍCIOS PROPOSTOS 125

Exercício 4.9 Analise o seguinte problema usando o programa PotLinear com


pequenas modificações:
∇2 T = 0 para 0 ≤ x ≤ 1, 0 ≤ y ≤ 1,

sujeito às seguintes condições de contorno:

T (x = 0) = 0

T (x = 1) = cos(πy)

q(y = 0) = q(y = 1) = −k∂u/∂n = 0

q=0
(1,1)

T =0 T = cos(πy)
∇2T = 0, k =1.

(0,0) x
q=0

Figura 4.34: Placa quadrada.

A solução analítica para este problema é dada por:

T an = sinh(πx) cos(πy)/ sinh(π)

Analise o problema usando diferentes números de elementos, ou seja, (N E=4,


8, 10, 12, 16, 20, 24), onde N E é o número total de elementos. Faça uma ta-
bela
√ mostrando
√ o erro percentual em um ponto interno de coordenadas (x, y) =
( 2/2, 2/2) para os diversos casos analisados. O erro percentual é dado por:
126 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO

|Tcan − Tc |
ε% = 100% ×
|Tcan |
√ √
onde Tc é o valor de T no ponto interno de coordenadas (x, y) = ( 2/2, 2/2).
Sugestão: Crie uma function
CDC = corrige_CDC(CDC,ELEM,NOS,MALHA,SEGMENTOS,CCSeg)

que irá corrigir a matriz CDC para se adequar às condições de contorno variáveis
com as coordenadas y.

Exercício 4.10 Encontre a solução analítica para o problema de condução de ca-


lor unidimensional mostrado na figura. Considere q̇ = (x − 0, 5)2 e k = 1. Em
seguida, calcule a distribuição de temperatura usando o programa PotQuadratico.
y

q=0
(1,1)

T =0 ∇2T = −q̇/k T =0

(0,0) x
q=0

Compare o erro em relação a solução analítica nos pontos (x, y) =(0,25;0,25),


que é um ponto interno, e em (x, y) =(0,5;0,0), que é um ponto do contorno. Faça
uma análise de convergência, ou seja, calcule T com diferentes malhas e monte
uma tabela da seguinte forma:

x y NE T Ta Erro

onde:
N E = número de elementos utilizados na malha.
Erro = erro percentual no cálculo da temperatura, dado por:
4.9. EXERCÍCIOS PROPOSTOS 127

|T − Ta |
Erro = 100% ×
Ta
Inicie usando uma malha grosseira, de um elemento por lado. Refine até obter
uma convergência de quatro algarismos significativos.
128 CAPÍTULO 4. O MÉTODO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO
Capítulo 5

Problemas Elásticos

O problema geral de elasticidade pode ser representado conforme a figura


5.1, onde Γ1 corresponde às condições com os deslocamentos conhecidos e Γ2 às
condições com as forças de superfícies conhecidas.

n
Γ1

Γ2

Figura 5.1: Definição do domínio

Usa-se a notação indicial para representar as equações de maneira compacta.


No caso bidimensional os índices subscritos variam de 1 a 2 e enquanto no caso
tridimensional eles variam de 1 a 3. A derivada parcial em relação a uma coor-
denada xi é dada por uma vírgula subscrita como a,i = ∂x ∂a
i
e an é a derivada em
relação à normal da superfície. Índices repetidos indicam soma ao menos que o
inverso seja afirmado. Para o caso estático, o somatório das forças aplicadas ao
corpo tem de ser zero. O que pode ser escrito pela seguinte equação integral:

129
130 CAPÍTULO 5. PROBLEMAS ELÁSTICOS

ˆ ˆ
ti dΓ + bi dΩ = 0 (5.1)
Γ Ω

onde ti são as forças de superfície e bi são as forças de corpo. A equação (5.1)


contém tanto em integrais de superfície quanto de volume.
O teorema de Green relaciona uma integral de volume a uma de superfície:
ˆ ˆ
gi,i dΩ = gi ni dΓ (5.2)
Ω Γ

onde gi é uma função arbitrária com derivada primeira contínua. Considerando


também a transformação de tensão de Cauchy:

ti = σij nj (5.3)
onde σij são as componentes do tensor de tensões, pode-se rescrever a equação de
equilíbrio estático de maneira conveniente, onde todas as integrais são de domínio:
ˆ ˆ
σij,j dΩ + bi dΩ = 0 (5.4)
Ω Ω

5.1 Teorema de Betti


O teorema de Betti é baseado no princípio do trabalho virtual. Dado um corpo
(1) (1) (2) (2)
com dois estados distintos de tensão-deformação σij ,ij e σij ,ij , o teorema diz
que o trabalho realizado pelas tensões do sistema (1) nos deslocamentos do sistema
(2) tem de ser equivalente ao trabalho realizado pelas tensões do sistema (2) nos
deslocamentos do sistema (1). Isso pode ser escrito matematicamente da seguinte
forma:
ˆ ˆ
(1) (2) (2) (1)
σij ij dΩ = σij ij dΩ (5.5)
Ω Ω

que pode ser reescrita, por meio da relação deformação-deslocamento:

1
ij = (ui,j + uj,i ), (5.6)
2
como: ˆ ˆ
1 (1) 1 (2)
σij (ui,j (2)
+ uj,i ) dΩ = σij (ui,j + uj,i )(1) dΩ. (5.7)
2 Ω 2 Ω
5.1. TEOREMA DE BETTI 131

Devido a simetria do tensor de tensões e ao somatório relativo aos índices


repetidos, a equação pode ser reescrita da seguinte forma:
ˆ ˆ
(1) (2)
σij (ui,j )(2) dΩ = σij (ui,j )(1) dΩ. (5.8)
Ω Ω

Usando a regra do produto

(σij ui ),j = (σij ),j ui + σij (ui ),j (5.9)

σij (ui ),j = (σij ui ),j − (σij ),j ui (5.10)

pode-se reescrever o lado esquerdo da equação (5.8) como:


ˆ ˆ h i
(1) (1) (1)
σij (ui,j )(2) dΩ = (σij (ui )(2) ),j − σij,j (ui )(2) dΩ (5.11)
Ω Ω

O segundo termo do lado direito da equação pode ser escrito como as forças
de corpo, conforme a equação (5.4):
ˆ ˆ ˆ
(1) (1) (1)
σij (ui,j )(2) dΩ = (σij (ui )(2) ),j dΩ + bi (ui )(2) dΩ. (5.12)
Ω Ω Ω

Aplicando o teorema da divergência a primeira integral do lado direito, obtém-se:


ˆ ˆ ˆ
(1) (1) (1)
σij (ui,j )(2) dΩ = (σij (ui )(2) )nj dΓ + bi (ui )(2) dΩ. (5.13)
Ω Γ Ω

A forma final do teorema de Betti é obtida ao realizar esse procedimento nos dois
lados da equação:

ˆ ˆ ˆ ˆ
(1) (1) (2) (2)
(σij (ui )(2) )nj dΓ + bi (ui )(2) dΩ = (σij (ui )(1) )nj dΓ + bi (ui )(1) dΩ
Γ Ω Γ Ω
(5.14)
e aplicar a transformação de Cauchy, dada pela equação (5.3):
ˆ ˆ ˆ ˆ
(1) (2) (1) (2) (2) (1) (2) (1)
ti ui dΓ + bi ui dΩ = ti ui dΓ + bi ui dΩ. (5.15)
Γ Ω Γ Ω
132 CAPÍTULO 5. PROBLEMAS ELÁSTICOS

5.2 Equação integral de contorno


A equação (5.15) contém tanto integrais de superfícies quanto de domínio.
Essa equação, sob hipóteses específicas, pode ser transformada numa equação in-
tegral de contorno. Considere, sem perda de generalidade, o sistema (1) como
o problema a ser resolvido e o sistema (2) como um estado de tensão arbitrário
usado para facilitar a solução do problema. O sistema (2) corresponde a um meio
infinito, homogêneo, isotrópico e elástico sob um carregamento pontual. Esse car-
regamento pontual é representado pelo delta de Dirac que considera uma força de
corpo bi . Aplicando as propriedades do delta de Dirac ao último termo da forma
final do teorema de Betti (5.15), obtém-se:
ˆ ˆ
(2) (1) (1) (1)
b i ui Ω = ∆(xd , x)ei ui Ω = ui (xd )ei . (5.16)
Ω Ω

O sistema (1) contém justamente as variáveis desconhecidas. Portanto, conside-


rando as forças de campo nulas, pode-se dizer que:
(1) (1) (1)
ui = uj (x) , ti = tj (x) , bi = 0. (5.17)

Enquanto as variáveis do sistema (2) são as respostas relativas ao carregamento


pontual, podendo ser escritas da seguinte forma:
(2) (2)
ui = Uij (xd , x)ej , ti = Tij (xd , x)ej , (5.18)

onde x é um ponto no contorno, xd um ponto no domínio e Uij e Tij são as soluções


fundamentais. Ao substituir esses termos na equação (5.15) obtém-se a identidade
de Somigliana para deslocamentos:
ˆ ˆ
ui (xd ) + Tij (xd , x)uj (x)dΓ = Uij (xd , x)tj (x)dΓ. (5.19)
Γ Γ

Essa equação relaciona os deslocamentos de um ponto interno xd com os valores


de deslocamento e forças de superfície no contorno. Ainda é necessário encontrar
as soluções fundamentais desse problema, que é explorado a seguir.

5.3 Soluções fundamentais

1 1
Uij = (1 − ν)(3 − 4ν) log δij + r,i r,j (5.20)
8πµ r
5.4. EQUAÇÕES INTEGRAIS SINGULARES 133

−1 ∂r
Tij = [(1 − 2ν)δij + 2R,i r,j ] − (1 − 2ν)(r,i ni − r,j ni ) (5.21)
4π(1 − ν)r ∂n

Note que tanto a solução fundamental de deslocamentos quanto a de forças de


superfície são singulares quando o ponto fonte tende ao ponto campo. No caso da
solução fundamental de deslocamentos a singularidade é fraca (lnr). Já no caso da
solução fundamental de forças de superfície tem-se uma singularidade forte (1/r).
As formas como estas singularidades serão tratadas é mostrada na seção 5.6.

5.4 Equações integrais singulares


A equação integral (5.19) foi escrita para um ponto do interior do domínio.
Uma vez que o ponto fonte é interno, a equação contém apenas integrandos regula-
res. Considere agora o limite da transição quando o ponto fonte tende ao contorno.
Esta operação pode ser implementada colocando o ponto fonte no contorno e di-
minuindo o domínio do problema por uma região semi-circular, com contorno Γ∗
e raio , centrado no ponto fonte, conforme mostrado na Figura 5.2. Com esta
configuração, o contorno completo é dividido em duas partes, na forma

Figura 5.2: Ponto fonte localizado no contorno, circundado por uma região semi-
circular.

Γ = lim (Γ − Γ + Γ∗ ) (5.22)


→0
134 CAPÍTULO 5. PROBLEMAS ELÁSTICOS

onde  é o raio do semi-círculo de centro no ponto fonte, pertencendo ao contorno


Γ (Figura 5.2). A equação (5.19) é, então, reescrita como:

ˆ ˆ
ul + lim Tli ui dΓ = lim Uli ti dΓ (5.23)
→0 Γ−Γ +Γ∗ →0 Γ−Γ +Γ∗

A integral do lado direito da equação (5.23) contém um integrando de singu-


laridade fraca da ordem ln(1/r) e é integrável como uma integral imprópria. A
integral do lado esquerdo tem uma singularidade forte, de ordem 1/r, que pode
ser regularizada com o primeiro termo da expansão de Taylor em torno do ponto
fonte, ou seja

ˆ ˆ
0
lim Tli ui (z) dΓ = lim Tli [ui (z) − ui (z )] dΓ +
→0 Γ−Γ +Γ∗ →0 Γ∗

ˆ
0
ui (z ) lim Tli dΓ +
→0 Γ∗
ˆ 

lim Tli ui (z) dΓ (5.24)


→0 Γ−Γ

Assumindo que os deslocamentos são contínuos no ponto fonte, o primeiro


termo do lado direito da equação (5.24) é integrável e desaparece no processo de
limite. O segundo termo da equação representa um salto nos deslocamentos dado
por Aij (z0 )uj (z0 ), no qual Aij (z0 ) é uma constante que depende da geometria local
e das constantes elásticas. Finalmente, o terceiro termo do lado direito da equação
resulta numa integral imprópria que é calculada no sentido do valor principal de
Cauchy. Portanto, quando  → 0, o ponto fonte tende ao contorno e, no limite, a
equação (5.23) pode ser escrita na forma

ˆ ˆ
cli ui + −Tli ui dΓ = Uli ti dΓ (5.25)
Γ

´
onde − representa integral no sentido do valor principal de Cauchy e o coefi-
ciente cli (z0 ) é dado por δij + Aij (z0 ), no qual δij representa o delta de Kronecker.
5.5. FORMULAÇÃO DOS ELEMENTOS DE CONTORNO DISCRETIZADA135

5.5 Formulação dos elementos de contorno discre-


tizada
Para se obter a solução do problema elasto-estático, o contorno é dividido em
elementos de contorno. Nesta etapa do trabalho, serão utilizados apenas elementos
quadráticos (3 nós por elementos) contínuos (elementos cujos nós da extremidades
são compartilhados com os elementos vizinhos).
Nesta formulação será mais conveniente trabalhar com vetores que usar nota-
ção indicial. Desta forma tem-se
As funções de interpolação no espaço utilizada neste trabalho (funções de
forma) são as funções de forma quadráticas. Funções de forma quadrática per-
mitem o modelamento de elementos curvos e são especialmente indicados para
problemas onde se tem altos gradientes.
Os deslocamentos e as forças de superfícies são representados em um elemento
quadrático padrão como:

 
(1)

 u1 

 u(1)

 

 
 2 

 (2)
 
N (1) N (2) N (3)
  
u1 0 0 0 u1

u= = (1) (2) = Nu(n)
u2 0 N 0 N 0 N (3) 

(2)
u2 

(3)
 
u1

 


 

 u(3)
 

2
(5.26)

 
(1)

 t1 

 t(1)

 

 
 2 

 (2)
 
N (1) N (2) N (3)
  
t1 0 0 0 t1

t= = (1) (2) = Nt(n) (5.27)
t2 0 N 0 N 0 N (3)  t(2)
 2


(3)
 
t

 


 1 

 t(3)
 

2

(n) (n)
onde ui e ti são os valores nodais de deslocamentos e forças de superfícies,
respectivamente, e N (i) são as funções de forma quadráticas definidas por:
136 CAPÍTULO 5. PROBLEMAS ELÁSTICOS

1
N (1) = ξ (ξ − 1) (5.28)
2

N (2) = 1 − ξ 2 (5.29)

1
N (3) = ξ (ξ + 1) (5.30)
2
onde ξ representa uma coordenada adimensional ao longo do elemento (Figura 5.3).
Considere que o domínio tenha sido dividido em N E elementos de contorno.
Substituindo as equações (5.26) e 5.27) na equação (5.25), tem-se

NE
(ˆ ) NE
(ˆ )
X X
cl ul + −TNdΓ uj = UNdΩ tj (5.31)
j=1 Γj j=1 Γj

Chamando
ˆ
UNdΓ = g (5.32)
Γj
e
ˆ
−TNdΓ = h (5.33)
Γj

tem-se

N
X N
X
lj j
H u = Glj tj (5.34)
j=1 j=1

ou, na forma matricial


Hu = Gt (5.35)

5.6 Integração no Espaço


A geometria do elemento pode também ser considerada quadrática (elemen-
tos isoparamétricos) e, neste caso, ser representada pelas coordenadas nodais e as
funções de forma N (i) , ou seja (Figura 5.3):
5.6. INTEGRAÇÃO NO ESPAÇO 137

Figura 5.3: Transformação de coordenadas x1 − x2 para ξ.

 
(1)

 x1 

 x(1)

 

 
 2 

 (2)
 
N (1) N (2) N (3)
  
x1 0 0 0 x1

x= = = Nx(n)
x2 0 N (1) 0 N (2) 0 N (3) 

(2)
x2 

(3)
 
x1

 


 

 x(3)
 

2
(5.36)

Desta forma, as integrais de contorno podem ser escritas como:

ˆ ˆ 1
H (j)
= −Tlk N dΓ = −Tlk N (j) |J|dξ
(j)
(5.37)
Γj −1
ˆ ˆ 1
G (j)
= Ulk N (j)
dΓ = Ulk N (j) |J|dξ (5.38)
Γj −1

onde |J| representa o módulo do Jacobiano da transformação (x1 , x2 ) → ξ:

( 2  2 )1/2
dΓ dx1 dx2
|J| = = + (5.39)
dξ dξ dξ

onde dx1 /dξ e dx2 /dξ são obtidos derivando-se as equações (5.36) em relação a ξ.
138 CAPÍTULO 5. PROBLEMAS ELÁSTICOS

Integrais singulares da ordem 0(lnr) podem ser avaliadas eficientemente pela


quadratura de Gauss com uma transformação de variáveis cúbica, conforme pro-
posto por Telles (1987), que cancela exatamente a singularidade logarítmica. Uma
outra possibilidade é o uso da quadratura logarítmica de Gauss, apresentada por
Stroud e Secrest (1966). De acordo com este método, os termos incluindo singu-
laridades logarítmicas podem ser integrados por
ˆ 1   N
1 ∼
X
I= ln f (ξ)dξ = wi f (ξ) , (5.40)
0 ξ i=1

onde N é o número de pontos de Gauss.


Neste trabalho, os termos não singulares das matrizes H e G são integrados
utilizando-se quadratura de Gauss padrão com 10 pontos de integração. Os termos
singulares de G são do tipo ln(r) sendo integrados usando quadratura logarítmica
de Gauss com 10 pontos de integração. Já os termos singulares de H são do
tipo 1/r e precisam ser calculados no sentido do valor principal de Cauchy. Uma
maneira bastante simples de se tratar esta singularidade é através de considerações
de corpos rígidos. Assumindo que um corpo rígido tenha todos os seus pontos
do contorno deslocados de um valor unitário e que não existam forças de corpo
(bi = 0) na direção de um dos eixos de coordenadas, as forças de superfície em
qualquer ponto do contorno deste corpo deve ser zero. Desta forma, a equação
(5.35) torna-se

Hvq = 0 (5.41)
onde vq é um vetor que para todos os nós tem deslocamentos unitários ao longo
da direção q e zero na outra direção. Para satisfazer a equação (5.41) tem-se

N
X
Hii = − Hij j 6= i (5.42)
j=1
sendo j par ou ímpar.
O termo da diagonal da matriz H é igual a soma de todos os outros termos
fora da diagonal correspondentes ao grau de liberdade em consideração.

5.7 Cálculo dos deslocamentos e tensões em pontos


internos
O tensor de tensões para um ponto no interior do domínio Ω, obtido derivando-
se a equação (5.19) neste ponto e aplicando-se a lei de Hooke, pode ser escrito como
5.8. TENSÕES NO CONTORNO 139

ˆ ˆ
σik + Sjik uj dΓ = Djik tj dΓ (5.43)
Γ Γ
onde Skij e Dkij são combinações lineares das derivadas de Tij e Uij , respectiva-
mente.
O tensor Skij é dado por
−2
Sijr = {2r,k nk [rr δij (1 − 2µ) + µ(r, jδri + r, iδrj ) − 4r,r r,i r,j ]
4π(1 − µ)r2
+2µ(r,r r,j ni + 2r,r r,i nj ) + (1 − 2µ)(2r,i r,j nr + δri nj + δrj ni )
−(1 − 4µ)nr δij } (5.44)

e o tensor Dkij é dado por


−1
Dijr = {2r,r r,i r,j + (1 − 2µ)(δri r,j + δrj r,i − δij r,r ) (5.45)
4π(1 − µ)r

Enquanto os deslocamentos são obtidos diretamente pela identidade de Somi-


gliano, equação 5.19.

5.8 Tensões no contorno


Para se calcular o tensor de tensões em um dado nó do contorno, considere
um nó em que as direções dos vetores tangente e normal ao contorno não coin-
cidam com as direções dos eixos geométricos (Figura 5.4). Neste nó é criado um
novo sistema de referência x01 x02 possuindo direções que coincidam com os vetores
tangente e normal ao contorno neste nó. Escrevendo os deslocamentos e as forças
de superfícies neste sistema local tem-se

u0i = lij uj
t0i = lij tj (5.46)

onde lij são os cossenos diretores.


No sistema local tem-se a seguinte relação

0
σ22 = t02
0
σ12 = t01 (5.47)
140 CAPÍTULO 5. PROBLEMAS ELÁSTICOS

Figura 5.4: Tensões no contorno.

A deformação ε011 pode ser calculada, sabendo que

1 0
ε011 = (u + u01,1 ) = u01,1
2 1,1
du01 du01 dξ
u01,1 = = (5.48)
dx01 dξ dx01

Usando geometria diferencial na equação (5.48), pode-se notar que a direção


local x01 é tangente ao comprimento infinitesimal de arco ds dado por

s 2 2
dx01 dx02
q 
ds = dx01 2 + dx02 2 = + dξ
dξ dξ
ds
= J (5.49)

Um pequeno movimento ao longo de s corresponde a um pequeno movimento


em x01 . Isto permite com que x01 na equação (5.48) seja substituído pela equação
(5.49), ou seja,

du01 dξ
ε011 =
dξ ds
du01 −1
ε011 = J (5.50)

5.8. TENSÕES NO CONTORNO 141

Sendo

3
(i)
X
u1 = N (i) u1
i=1
3
du1 X dN (i) (i)
= u
dξ n=1
dξ 1
(5.51)

onde N (i) são as funções de forma. Pode-se então obter a deformação

3
X dN (i) (i)
ε011 = u1 J −1 (5.52)
n=1

A componente restante do tensor de tensões em coordenadas locais é dada


por:

E ν
σ22 = 2
22 + t1 (5.53)
1−ν 1−ν
para estado plano de deformação e por:

σ22 = E22 + νt1 (5.54)


para o estado plano de tensão.
Por último, as densidades de força tem que ser escritas no referencial global
x1 x2 , ou seja
   0 
 σ11   σ11 
σ22 0
= T σ22 (5.55)
 0 
σ12 σ12
 

onde T é a matriz de transformação de coordenadas que pode ser obtida agrupando


os vetores normal e tangencial como linhas.
142 CAPÍTULO 5. PROBLEMAS ELÁSTICOS
Capítulo 6

Placas de Kirchhoff

6.1 Teoria da Flexão em Placas Finas


As placas são elementos estruturais limitados por duas superfícies planas e
paralelas Figura 6.1 distanciadas entre si por uma espessura t.
No caso da dimensão da espessura ser muito menor que as dimensões das
superfícies planas limitantes, as placas são designadas por placas finas. O plano
equidistante das superfícies planas externas é designado por plano médio da placa.
Considerando as propriedades do material, uma placa pode ser anisotrópica, com
diferentes propriedades em diferentes direções, ou isotrópica, com propriedades
iguais em todas as direções. Dependendo de sua espessura, uma placa pode ser
considerada fina ou espessa. Neste capítulo, será desenvolvida a formulação do
método dos elementos de contorno para placas finas isotrópicas. A teoria de flexão
em placas finas está baseada nos seguintes pressupostos:

1. Os pontos pertencentes à normal ao plano médio da placa antes da deforma-


ção permanecem normal à superfície média fletida.

2. A tensão normal σz na direção normal ao plano médio é desprezível.

6.2 Relações básicas para placas finas


Considere um elemento de placa seguindo os pressupostos já definidos. A
Figura 6.2 mostra este elemento com um estado de tensões agindo nele e uma
força distribuída aplicada em sua superfície.

143
144 CAPÍTULO 6. PLACAS DE KIRCHHOFF

Ω Τg

Ωg

Τ
y x
z
Figura 6.1: Placa Fina.

Integrando as componentes de tensão ao longo da espessura da placa podemos


definir os momentos e forças (Figura 6.3):

ˆ t/2
mx = σx zdz, (6.1)
−t/2

ˆ t/2
my = σy zdz, (6.2)
−t/2

ˆ t/2
mxy = τxy zdz, (6.3)
−t/2

ˆ t/2
qx = τxz dz, (6.4)
−t/2
6.2. RELAÇÕES BÁSICAS PARA PLACAS FINAS 145

τyz
τyz
σy τy
x
σy τ xy σx
τ yx

τyz σx
τ xy
τyz
∂x y x
z ∂y

Figura 6.2: Tensões em um elemento de placa

e ˆ t/2
qy = τyz dz. (6.5)
−t/2

Do equilíbrio de forças e momentos, podemos escrever:

∂qx ∂qy
+ + g = 0, (6.6)
∂x ∂y
∂mx ∂myx
+ − qx = 0, (6.7)
∂x ∂y
∂my ∂mxy
+ − qy = 0. (6.8)
∂y ∂x
onde as unidades de força distribuída g é dada em N.m2 , o momento m é dado em
N.m e o esforço cortante q é dado em N .
146 CAPÍTULO 6. PLACAS DE KIRCHHOFF

Figura 6.3: Forças e momentos em um elemento da placa

Considere as posições inicial e final de um elemento da placa dado por abcd pa-
ralelo ao plano médio com lados ab e ad paralelos aos eixos x e y, respectivamente,
a uma distância z do plano médio (Figura 6.4).
Assumindo que, durante a flexão da placa, os pontos a, b, c e d, movem-se
para a0 , b0 , c0 e d0 , chamando as componentes de deslocamento u0 e v0 do ponto
a nas direções x e y (Figura 6.4), respectivamente, o deslocamento do ponto b na
direção x é dado por:

∂u
b0x − bx = uo + dx. (6.9)
∂x
Então, o incremento do comprimento dx na direção x é dado por:

∂u
∆dx = dx, (6.10)
∂x
e a deformação na direção x é dada por:
6.2. RELAÇÕES BÁSICAS PARA PLACAS FINAS 147

Figura 6.4: Deformação em um elemento da placa.

∆dx ∂u
εx = = . (6.11)
dx ∂x
Da mesma forma, podemos escrever:

∂v
εy = , (6.12)
∂y
∂u ∂v
γxy = + . (6.13)
∂y ∂x

A Figura 6.5 mostra as posições inicial e final de uma seção da placa, paralela
ao plano xz, que contém os pontos a, b, n1 e n2 . A rotação do elemento an1 ,
inicialmente na posição vertical, é igual a ∂w
∂x
(Figura 6.5). Então, o deslocamento
do ponto na direção x, a uma distância z da superfície média pode ser escrita
como:

∂w
u = −z . (6.14)
∂x
148 CAPÍTULO 6. PLACAS DE KIRCHHOFF

Figura 6.5: Posições inicial e final de um elemento de placa.

Seguindo um procedimento similar, o deslocamento de um ponto na direção


y é dado por:

∂w
v = −z . (6.15)
∂y

Substituindo as equações (6.14) e (6.15) nas equações (6.11), (6.12) e (6.13)


pode-se escrever:

∂ 2w
εx = −z = zκx ,
∂x2
∂ 2w
εy = −z 2 = zκy ,
∂y
∂ 2w
γxy = −2z = zκxy . (6.16)
∂x∂y

onde κx , κy e κxy são as curvaturas da placa dadas por:


 2 
  ∂ w
κ
 x   ∂x2 2
 

∂ w
κy =− ∂y 2 (6.17)
κxy ∂2w
2 ∂x∂y
  
 

6.2. RELAÇÕES BÁSICAS PARA PLACAS FINAS 149

As tensões nas placas podem ser determinadas a partir da Lei de Hooke:

E
σx = (εx + νεy ),
1 − ν2

E
σy = (εy + νεx ), (6.18)
1 − ν2

τxy = Gγxy .

Onde:
E: módulo de elasticidade longitudinal;
ν: coeficiente de Poison;
G: módulo de elasticidade transversal;
Sendo:
E
G= 2(1+ν)

Substituindo-se, nas expressões das componentes de tensão,(6.18), as compo-


nentes de deformação (6.16), obtem-se:

E ∂ 2w ∂ 2w
σx = − ( + ν )z, (6.19)
1 − ν 2 ∂x2 ∂y 2

E ∂ 2w ∂ 2w
σy = − ( + ν 2 )z, (6.20)
1 − ν 2 ∂y 2 ∂x

∂ 2w
τxy = −2G z. (6.21)
∂x∂y

Substituindo em (6.1), (6.2) e (6.3) os valores das componentes de tensão por


suas expressões6.20, obtêm-se:

∂ 2w ∂ 2w
 
mx = −D + ν (6.22)
∂x2 ∂y 2

∂ 2w ∂ 2w
 
my = −D + ν (6.23)
∂y 2 ∂x2
150 CAPÍTULO 6. PLACAS DE KIRCHHOFF

∂ 2w
mxy = myx = −D(1 − ν) (6.24)
∂x∂y
Et3
onde D = 12(1−ν 2 )

Substituindo as equações (6.22), (6.23) e (6.24) nas equações (6.7) e (6.8),


pode-se escrever:

∂ 2w ∂ 2w
 

qx = −D + , (6.25)
∂x ∂x2 ∂y 2
∂ 2w ∂ 2w
 

qy = −D + .
∂y ∂x2 ∂y 2
(6.26)

Isolando qx e qy nas equações (6.7), (6.8) substituindo seus valores em (6.6),


usando as equações (6.22), (6.23), (6.24), tem-se a equação governante de flexão
de placas finas, dadas por:

∂ 4w ∂ 4w ∂ 4w g
4
− 2 2 2
+ 4
=− (6.27)
∂x ∂x ∂y ∂y D
que também pode ser dado por:

g
∆∆(w) = − (6.28)
D
onde:

∂ 2 () ∂ 2 ()
∆= + (6.29)
∂x2 ∂y 2
é o operador laplaciano.

6.3 Transformação de coordenadas para momentos


e forças cortantes
As componentes de tensão σn e τns , tensões normal e cisalhante, respectiva-
mente, estão relacionadas com as tensões σx , σy e τxy por:
6.3. TRANSFORMAÇÃO DE COORDENADAS PARA MOMENTOS E FORÇAS CORTANTES151

σn = σx cos2 α + σy sin2 α + 2τxy sin α cos α, (6.30)

τns = (σy − σx ) sin α cos α + τxy (cos2 α − sin2 α). (6.31)

onde α é o ângulo entre os eixos h e y.


As componentes de momento, inicialmente escritas considerando os eixos x e
y, podem agora ser reescritas em um sistema de coordenadas genérico n, s [8]. Os
momentos fletores referentes às direções n e s são dados por:

mn = mx cos2 α + my sin2 α + 2mxy sin α cos α, (6.32)

mns = (my − mx ) sin α cos α + mxy (cos2 α − sin2 α). (6.33)

Similarmente, qn , a força cisalhante no eixo n, pode ser escrita como:

qn ds = qx ds cos α + qy ds sin α, (6.34)

ou

qn = qx cos α + qy sin α. (6.35)

Com o objetivo de resolver a equação diferencial da placa dada por (6.27),


é necessário a imposição das condições de contorno para o deslocamento w e sua
derivada ∂w
∂n
. [9] mostrou que as condições de contorno da força cisalhante qn e
momento volvente mns podem ser escritas como uma única condição dada por:

∂mns
Vn = qn + . (6.36)
∂s

A outra condição de carregamento no contorno é o momento mn .


152 CAPÍTULO 6. PLACAS DE KIRCHHOFF

6.4 O Método dos Elementos de Contorno para


Flexão de placas de Kirchhoff

6.5 Formulação integral


Usando o teorema de Betti ([3]), podemos relacionar dois estados de tensão-
deformação de um material linear como:
ˆ ˆ
σij∗ εij dΩ = σij ε∗ij dΩ. (6.37)
Ω Ω

Escrevendo o lado direito da equação (6.37) na notação de von Karman, temos:

ˆ ˆ
σij ε∗ij dΩ σx ε∗x + σy ε∗y + σz ε∗z + τxy γxy
∗ ∗ ∗
(6.38)

= + τxz γxz + τyz γyz dΩ.
Ω Ω

Desconsiderando as tensões normais à superfície média da placa, a equação


(6.38) é escrita como:
ˆ ˆ
σij ε∗ij dΩ σx ε∗x + σy ε∗y + τxy γxy

(6.39)

= dΩ.
Ω Ω

Substituindo as equações (6.16) e (6.20) na equação (6.39), pode-se escrever


o primeiro termo da integral do lado direito da equação (6.39) como:

´ ´ h E 2 2 2 ∗
σ ε∗ dΩ
Ω x x
= Ω
(∂ w
1−ν 2 ∂x2
+ ν ∂∂yw2 ) ∂∂xw2
2 ∗
i
2 2 ∂ 2 w ∂ 2 w∗ 2
+ E
(∂ w
1−ν 2 ∂x2
+ ν ∂∂yw2 ) ∂∂yw2 + 4G ∂x∂y ∂x∂y
z dΩ. (6.40)

Integrando (6.40) ao longo da espessura da placa, tem-se:

´ ∗
h
∂2w ∂ 2 w ∂ 2 w∗ ∂2w ∂ 2 w ∂ 2 w∗ ∂ 2 w ∂ 2 w∗ 2
i

σx ε x dΩ = D( ∂x 2 + ν ∂y 2 ) ∂x 2 + D( ∂x 2 + ν ∂y 2 ) ∂y 2 + 2D(1 − ν) ∂x∂y ∂x∂y
z dΩ
´ 2 ∗ 2 ∗ 2 w∗
= − Ω (mx ∂∂xw2 + my ∂∂yw2 + 2mxy ∂∂x∂y )dΩ. (6.41)

Para obter as equações do método dos elementos de contorno, é necessário


transformar as integrais de domínio em integrais de contorno. Considere duas
funções f (x) e g(x). A derivada de seu produto pode ser escrita como:
6.5. FORMULAÇÃO INTEGRAL 153

∂ ∂f (x) ∂g(x)
[f (x)g(x)] = g(x) + f (x). (6.42)
∂x ∂x ∂x
Usando a propriedade de derivação (6.42) na equação (6.41), pode-se escrever:
ˆ ˆ 
∂w∗ ∂w∗ ∂mx
  

σx ε∗x dΩ =− mx − dΩ. (6.43)
Ω Ω ∂x ∂x ∂x ∂x

Usando o teorema de Green ([3]), a equação (6.43) pode ser escrita como:
ˆ ˆ ˆ
∂w∗ ∂w∗ ∂mx
σx ε∗x dΩ = − mx cos αdΓ + dΩ. (6.44)
Ω Γ ∂x Ω ∂x ∂x

Aplicando a propriedade de derivação (6.42) no segundo termo do lado direito


da equação (6.44), tem-se:

ˆ ˆ ˆ 
∂w∗ 2
  
∂ ∗ ∂mx ∗ ∂ mx
σx ε∗x dΩ = − mx cos αdΓ + w −w dΩ. (6.45)
Ω Γ ∂x Ω ∂x ∂x ∂x2

Depois, usando o teorema de Green, pode-se escrever:

ˆ ˆ  ˆ
∂w∗ ∂ 2 mx

∗ ∂mx
σx ε∗x dΩ = −mx cos α + w cos α dΓ − w∗ dΩ. (6.46)
Ω Γ ∂x ∂x Ω ∂x2

Seguindo um procedimento similar, podemos mostrar que:

ˆ ˆ  ˆ
∂w∗ ∂ 2 my

∗ ∂my
σy ε∗y dΩ = −my sin α + w sin α dΓ − w∗ dΩ, (6.47)
Ω Γ ∂y ∂y Ω ∂y 2
e
ˆ ˆ 
∗ ∂w∗ ∂w∗ ∂mxy
τxy γxy dΩ = −mxy
cos α − mxy sin α + w∗ sin α+
Ω Γ ∂y ∂x ∂x
ˆ
∂ 2 mxy

∗ ∂mxy
w cos α dΓ − 2w∗ dΩ. (6.48)
∂y Ω ∂x∂y

Assim, a equação (6.39) é escrita como:


154 CAPÍTULO 6. PLACAS DE KIRCHHOFF

ˆ ˆ 
∂w∗ ∂w∗ ∂w∗
σij ε∗ij dΩ
=− mx cos α + my sin α + mxy cos α+
Ω Γ ∂x ∂y ∂y
ˆ
∂w∗
   
∗ ∂mx ∂mxy ∂my ∂mxy
mxy sin α dΓ + w cos α + sin α + dΓ −
∂x Γ ∂x ∂y ∂y ∂x
ˆ  2
∂ 2 mxy ∂ 2 my

∂ mx
w ∗
+2 + dΩ. (6.49)
Ω ∂x2 ∂x∂y ∂y 2

Substituindo as equações (6.7) e (3.9) e usando a equação (6.35), a equação


(6.49) pode ser escrita como:

ˆ ˆ 
∂w∗ ∂w∗ ∂w∗
σij ε∗ij dΩ =− mx
cos α + my sin α + mxy cos α+
Ω Γ ∂x ∂y ∂y
ˆ ˆ
∂w∗

mxy sin α dΓ + w qn dΓ + gw∗ dΩ.

(6.50)
∂x Γ Ω

Da relação entre dois sistemas de coordenadas (x, y) e (n, s), tem-se:

∂w∗ ∂w∗ ∂w∗


= cos α − sin α,
∂x ∂n ∂s
∂w∗ ∂w∗ ∂w∗
= sin α + cos α. (6.51)
∂y ∂n ∂s

Substituindo as equações (6.51) na equação (6.50), tem-se:

ˆ ˆ   ∗
∂w∗

∂w
σij ε∗ij dΩ
=− mx cos α cos α − sin α +
Ω Γ ∂n ∂s
 ∗
∂w∗
 ∗
∂w∗
 
∂w ∂w
my sin α sin α + cos α + mxy cos α sin α + cos α +
∂n ∂s ∂n ∂s
 ∗ ˆ ˆ
∂w∗

∂w
mxy sin α cos α − sin α dΓ + w qn dΓ + gw∗ dΩ. (6.52)

∂n ∂s Γ Ω

Depois de algumas manipulações algébricas, a equação (6.52) pode ser rees-


crita como:
6.5. FORMULAÇÃO INTEGRAL 155

ˆ ˆ 
∂w∗
σij ε∗ij dΩ mx cos2 α + my sin2 α + 2mxy sin α cos α +

=−
Ω Γ ∂n
∂w∗ 

2 2
 
mxy cos α − sin α + (my − mx ) sin α cos α dΓ +
∂s
ˆ ˆ
w qn dΓ + gw∗ dΩ.

(6.53)
Γ Ω

Substituindo as equações (6.32) e (6.33) na equação (6.53), tem-se:

ˆ ˆ  ˆ
∂w∗ ∂w∗

σij ε∗ij dΩ =− mn + mns − qn w dΓ + gw∗ dΩ.

(6.54)
Ω Γ ∂n ∂s Ω

Calculando o segundo termo da primeira integral do lado direito da equação


(6.54), temos:

ˆ Γ2 ˆ
∂w∗ ∂mns ∗

(6.55)

mns dΓ = mns w − w dΓ,
Γ ∂s Γ1 Γ ∂s

onde Γ1 e Γ2 são as coordenadas dos extremos do contorno onde a integração está


sendo realizada.
No caso de um contorno fechado sem canto, isto é, a função que descreve a
curva de contorno e suas derivadas são contínuas, o primeiro termo do lado direito
da equação (6.55) desaparece. No caso onde há cantos, a equação (6.55) pode ser
escrita como:

ˆ N ˆ
∂w∗ X c
∂mns ∗
mns dΓ = − Rci wc∗i − w dΓ, (6.56)
Γ ∂s i=1 Γ ∂s

onde

Rci = m+ −
nsi − mnsi , (6.57)

e os termos wci , m+
nsi , mnsi são, respectivamente, os valores de deslocamentos e

momentos depois e antes do canto i da placa (Figura 6.6), Nc é o número total de


cantos no contorno [8].
156 CAPÍTULO 6. PLACAS DE KIRCHHOFF

y
z

s
≡ n
Γ
Γ≡s i −
mnsi

n +
mnsi

Figura 6.6: Canto i do contorno da placa.

Das equações (6.54) e (6.56), pode-se escrever:

ˆ ˆ  Nc ˆ
∂w∗ ∂mns ∗
 X
σij ε∗ij dΩ = ∗
qn w − mn + w dΓ + Rci wci + gw∗ dΩ.

Ω Γ ∂n ∂s i=1 Ω
(6.58)
Das equações (6.58) e (6.36), tem-se:

ˆ ˆ  Nc ˆ
∂w∗
 X
σij ε∗ij dΩ = ∗
Vn w − mn dΓ + Rci wc∗i + gw∗ dΩ. (6.59)
Ω Γ ∂n i=1 Ω

Seguindo um procedimento similar àquele usado para obter a equação (6.59),


o lado esquerdo da equação (6.37) pode ser escrito como:

ˆ ˆ   Nc ˆ
∗ ∂w
X
σij∗ εij dΩ = ∗
Vn w − mn dΓ + Rci wci + g ∗ wdΩ.

(6.60)
Ω Γ ∂n i=1 Ω

Substituindo as equações (6.59) e (6.60) na equação (6.37), pode-se escrever:


6.5. FORMULAÇÃO INTEGRAL 157

ˆ  Nc ˆ
∂w∗
 X

Vn w − mn dΓ + Rci wci + gw∗ dΩ =

Γ ∂n i=1 Ω

ˆ   Nc ˆ
∂w X
Vn∗ w − m∗n dΓ + Rc∗i wci + g ∗ wdΩ. (6.61)
Γ ∂n i=1 Ω

A equação (6.61) relaciona dois estados de um material elástico. Para aplicar


esta equação para resolver problemas de flexão, precisamos considerar um dos
estados como co-nhecido e o outro como o estado que queremos analisar. Para
obter a equação integral de contorno, o estado conhecido é ajustado para que a
integral de domínio dada por:
ˆ
g ∗ wdΩ (6.62)

desapareça. Usando as propriedades da função delta de Dirac δ(P, Q), de forma


que g ∗ = δ(P, Q), a integral (6.62) é escrita como:
ˆ
δ(P, Q)w(P )dΩ(P ) = w(Q), (6.63)

onde Q é o ponto onde a carga é aplicada, conhecido como ponto fonte, e P é o


ponto onde o deslocamento é observado, conhecido como ponto campo. O estado
correspondente a um material linear sob carregamento de uma função delta de
Dirac é conhecido como um estado fundamental e as variáveis da equação (6.61)
relacionadas a este estado (w∗ ,Vn∗ e m∗n ) são conhecidas como soluções fundamen-
tais, as quais são calculadas analiticamente a partir da equação (6.27).
Considerando o estado "*" como o estado fundamental, a equação (6.61) pode
ser escrita como:

ˆ   Nc
∂w(P ) X
Kw(Q) + Vn∗ (Q, P )w(P ) − m∗n (Q, P ) dΓ(P ) + Rc∗i (Q, P )wci (P ) =
Γ ∂n i=1
ˆ  Nc
∂w∗
 X

Vn (P )w (Q, P ) − mn (P ) (Q, P ) dΓ(P ) + Rci (P )wc∗i (Q, P ) +
Γ ∂n i=1
ˆ
b(P )w∗ (Q, P )dΩ. (6.64)

158 CAPÍTULO 6. PLACAS DE KIRCHHOFF

A equação(6.64) é a equação de placas finas para deslocamentos em pontos


do domínio da placa. Esta equação fornece deslocamentos em todos os pontos
do domínio da placa a partir das cortantes equivalentes (Vn ), momentos de flexão
na direção normal (mn ), reação de canto (Rci ), deslocamentos (w) e rotações em
relação à normal (∂w/∂n) conhecidos no contorno.
A constante K é introduzida para se considerar que a função delta de Dirac
pode ser aplicada no domínio, no contorno ou fora do domínio. Se a função delta
de Dirac é aplicada em um ponto onde o contorno é suave, então K = 1/2. As
variáveis da equação (6.64) são deslocamentos w(P ), rotações ∂w(P
∂n
)
, momentos
mn (P ), e forças Vn (P ). Para uma dada condição de contorno, algumas destas
variáveis são conhecidas e outras desconhecidas. Para se ter um número de equa-
ções igual ao número de variáveis desconhecidas, é necessário escrever a equação
integral correspondente a derivada do deslocamento w(Q) em relação ao sistema
de coordenadas cartesiano fixo no ponto de origem, isto é, o ponto onde o delta
de Dirac do estado fundamental é aplicado. As direções dos eixos deste sistema
de coordenadas são coincidentes com as direções normal e a tangente ao contorno
no ponto de origem. Para problemas de flexão em placas isotrópicas tem-se que
a equação integral de contorno escrita em termos de quatro valores de contorno
básicos, isto é, deflexão w, inclinação da normal ∂w/∂n, força cortante Vn e mo-
mento fletor mn . Em um problema bem colocado dois destes quatro valores são
incógnitas do problema e dois são condições de contorno conhecidas.
Pode-se verificar que num problema de flexão em placas isotrópicas há sempre
duas incógnitas a serem determinadas em qualquer ponto do contorno e consequen-
temente, a solução do problema requer que uma segunda equação seja estabelecida.
A segunda equação integral de contorno é obtida da derivada da equação (6.64)
em relação à direção n1 normal ao contorno no ponto fonte e também corresponde
à solução do binário unitário. Esta equação é dada por:

ˆ 
∂V ∗ ∂m∗n

1 ∂w(Q) ∂w
+ (Q, P )w(P ) − (Q, P ) (P ) dΓ(P ) +
2 ∂n1 Γ ∂n1 ∂n1 ∂n
Nc ˆ 
∂Rc∗ ∂w∗ ∂ ∂w∗
X  
i
(Q, P )wci (P ) = Vn (P ) (Q, P ) − mn (P ) (Q, P ) dΓ(P ) +
i=1
∂n1 Γ ∂n1 ∂n1 ∂n
Nc ˆ
∂w∗ ∂w∗
Rci (P ) ci (Q, P ) +
X
b(P ) (Q, P )dΩ. (6.65)
i=1
∂n1 Ω ∂n1

Encontra-se na literatura formulações de elementos de contorno que usam


6.6. SOLUÇÃO FUNDAMENTAL DE DEFLEXÃO PARA UMA CARGA PONTUAL159

apenas a equação (6.64). Neste caso, os pontos fontes são os nós do contorno e um
número igual de pontos externos ao domínio do problema [10].

6.6 Solução fundamental de deflexão para uma carga


pontual
A solução fundamental é a resposta à aplicação de um carregamento unitário
pontual em um meio elástico infinito cujas propriedades elásticas são as mesmas
do componente que se quer analisar. No caso particular de placas, a solução
fundamental é dada pelo deslocamento w em um ponto P qualquer do domínio,
chamado de ponto campo, devido à aplicação de uma carga unitária q em um
ponto Q qualquer, chamado de ponto fonte (Figura 6.7).

Figura 6.7: Solução fundamental

A solução fundamental do deslocamento transversal de placas fletidas é cal-


culado fazendo o termo não-homogêneo da equação diferencial (6.27) igual a uma
força concentrada dada por uma função delta de Dirac δ[x − x(q), y − y(q)), isto é:

∆∆w∗ = δ[x(p) − x(q), y(p) − y(q)], (6.66)

onde ∆ é o operador diferencial:

∂2 ∂2
∆= + (6.67)
∂x2 ∂y 2

A solução fundamental do deslocamento transversal é dada por:


160 CAPÍTULO 6. PLACAS DE KIRCHHOFF

1 2 1
w∗ = ρ (ln ρ − ), (6.68)
8πD 2
onde

ρ = [(x − xo )2 + (y − yo )2 ]1/2 , (6.69)

x e y são as coordenadas do ponto campo P , x0 e y0 são as coordenadas do ponto


fonte Q,

6.7 Integrais analíticas e numéricas


Integrais singulares da ordem (log r) podem ser avaliadas eficientemente
pela quadratura de Gauss com uma transformação de variáveis cúbica, conforme
proposto por [5], que cancela exatamente a singularidade logarítmica. Uma outra
possibilidade é o uso da quadratura logarítmica de Gauss onde os termos incluindo
singularidades logarítmicas podem ser integrados por:

ˆ 1   N
1 X
I= log f (ξ)d(ξ) ' wi f (ξ),
0 ξ i=1

onde N é o número de pontos de Gauss. A coordenada do ponto de integração ξ


e o fator peso wi podem ser encontrados na literatura [6].
Neste trabalho, os termos não singulares das matrizes H e G são integrados
utilizando-se quadratura de Gauss padrão com 10 pontos de integração. Os termos
singulares de G são do tipo log (r) sendo integrados usando quadratura logarítmica
de Gauss com 10 pontos de integração. Já os termos singulares de H são do tipo
1/r e 1/r2 precisam ser calculados no sentido do valor principal de Cauchy e de
Hadamard, respectivamente.

6.8 Elementos Quadráticos


Uma vez que é muito difícil encontrar soluções analíticas gerais para as
equações integrais de contorno (6.64) e (6.65), torna-se necessário o uso de solu-
ções numéricas. Quando soluções numéricas são usadas, o contorno é aproximado
por elementos discretos. Estes elementos discretos são chamados elementos de
contorno.
6.8. ELEMENTOS QUADRÁTICOS 161

Considere a Figura 6.8 onde o contorno de uma placa é aproximado por uma
série de segmentos (elementos de contorno) Γi , cujo número e forma são escolhidos
para representá-lo adequadamente.

Figura 6.8: Domínio bidimensional dividido em elementos de contorno.

A cada elemento de contorno associam-se um ou mais pontos chamados nós ou


pontos nodais e os valores das variavéis associadas a eles são denominados valores
nodais. Os deslocamentos e esforços ao longo de cada elemento serão aproximados
por funções polinomiais em função das quais é definido o número de pontos nodais
do elemento.

Visando aumentar a convergência dos resultados para a formulação apresen-


tada aqui, foram implementados os elementos quadráticos, os quais são os mais
simples capazes de representar qualquer contorno curvo. Como a formulação tem
integrais com integrandos singulares, estas integrais precisam ser calculadas no
sentido de Cauchy, no caso de singularidades fortes, ou no sentido de Hadamard,
no caso de hipersingularidades. A integração no sentido de Hadamard requer a
continuidade de Holder nos nós. Devido a esse fato, os elementos descontínuos são
fortemente indicados. Neste trabalho são usados os elementos quadráticos descon-
tínuos para representar os elementos físicos e os elementos quadráticos contínuos
para representar os elementos geométricos.

Nos elementos quadráticos, os deslocamentos e as forças podem ser represen-


tados como:
162 CAPÍTULO 6. PLACAS DE KIRCHHOFF

 (1) 
 w 
(1)
 

 ∂w 

# ∂n
"  

  (1) (2) (3)  w(2)
 
w Nd 0 Nd 0 Nd 0

∂w = (1) (2) (3) ∂w (2)
(6.70)
∂n 0 Nd 0 Nd 0 Nd  ∂n
 

w(3)

 


 

 ∂w (3)
 

∂n

 
(1)

 Vn 

 m(1)

 

n

" #
 

  (1) (2) (3)  (2)
 
Vn Nd 0 Nd 0 Nd 0 Vn

= (1) (2) (3) (2) (6.71)
mn 0 Nd 0 Nd 0 Nd 
 mn 

(3)
 
Vn

 


 

 m(3)
 

n

Nos elementos quadráticos descontínuos os nós são colocados em ξ = −2/3,


ξ = 0 e ξ = +2/3, como mostrado na Figura 6.9. As funções de forma são dadas
por:

Coordenada Isoparamétrica

1 2 3
ξ
-1 -2/3 0 2/3 1
Elemento Intrínseco 3

Elemento Real n
2

Figura 6.9: Elemento quadrático descontínuo.


6.9. EQUAÇÃO MATRICIAL 163

 
(1) 9 3
Nd = ξ ξ− ; (6.72)
8 4
  
(2) 3 3
Nd = 1− ξ 1+ ξ ; (6.73)
2 2
 
(3) 9 3
Nd = ξ ξ+ . (6.74)
8 4

onde ξ é a coordenada adimensional ao longo do elemento (Figura 6.9).


A geometria do elemento também pode ser considerada como quadrática e é
representada por coordenadas nodais na forma:

 
(1)

 x1 

 x(2)

 


" #
 1 

  (1) (2) (3)  (3)
 
x1 Nc 0 Nc 0 Nc 0 x1

= (1) (2) (3) (1) (6.75)
x2 0 Nc 0 Nc 0 Nc 
 x2 

(2)
 
x2

 


 

 x(3)
 

2

porém, utilizando as funções de forma para elementos quadráticos contínuos dadas


por:

1
Nc(1) = ξ (ξ − 1) ; (6.76)
2

Nc(2) = 1 − ξ2 ; (6.77)


1
Nc(3) = ξ (ξ + 1) . (6.78)
2

6.9 Equação matricial


Com o objetivo de calcular as variáveis de contorno desconhecidas, o contorno
Γ é discretizado em Ne elementos de contorno quadráticos e as variáveis de contorno
w, ∂w/∂n, mn e Vn são interpoladas ao longo de cada elemento. Tomando um nó
164 CAPÍTULO 6. PLACAS DE KIRCHHOFF

d como o ponto fonte, as equações (6.64) e (6.65) podem ser escritas na forma
matricial como:

 (i,1) 
w

 
(i,1)
 
 (d)   
 ∂w 
 
w # ∂n
"  
 
Ne  (i,d) (i,d) (i,d) (i,d) (i,d) (i,d)  w(i,2)
 
1  X  h11 h12 h13 h14 h15 h16

+ =

 h(i,d) (i,d) (i,d) (i,d) (i,d) (i,d) ∂w (i,2)
2

∂w (d) 
i=1 21 h22 h23 h24 h25 h26 
 ∂n

 
∂n1  w(i,3)
 
 
 
  

 ∂w (i,3)
 

∂n
  
(i,1) 

 Vn 
(i,1) 
 
mn 
 

" 
# 

N
X  g (i,d) g (i,d) g (i,d) g (i,d) g (i,d)
e
 (i,d)  (i,2) 
 
 11 12 13 14 15 g16 Vn 
+
 g (i,d) g (i,d) g (i,d) g (i,d) g (i,d) (i,d)
g26
(i,2)
 mn  
i=1  21 22 23 24 25   
(i,3)
 
Vn
 
 
 
 
 
 
 m(i,3) 
 
n

Nc
( ) ! Nc
( ) ! ( )
(i,d) (i,d) (d)
X R1 X c1 P
(i,d) wc(i) + (i,d) Rc(i) + 1
(d) . (6.79)
i=1
R2 i=1
c2 P2

Os termos da equação (6.79) são integrais dadas por:


6.9. EQUAÇÃO MATRICIAL 165

ˆ ˆ
(i,d) (i,d)
h11 = N (1)
Vn∗ dΓ, h12 =− N (1) m∗n dΓ, (6.80)
Γi Γi
ˆ ˆ
(i,d) (i,d)
h13 = N (2)
Vn∗ dΓ, h14 =− N (2) m∗n dΓ, (6.81)
Γi Γi
ˆ ˆ
(i,d) (i,d)
h15 = N (3)
Vn∗ dΓ, h16 =− N (3) m∗n dΓ, (6.82)
Γi Γi
ˆ ∗ ˆ
(i,d) (1) ∂Vn (i,d) ∂m∗n
h21 = N dΓ, h22 =− N (1) dΓ, (6.83)
Γi ∂n1 Γi ∂n1
ˆ ∗ ˆ
(i,d) (2) ∂Vn (i,d) ∂m∗n
h23 = N dΓ, h24 =− N (2) dΓ, (6.84)
Γi ∂n1 Γi ∂n1
ˆ ∗ ˆ
(i,d) (3) ∂Vn (i,d) ∂m∗n
h25 = N dΓ, h26 =− N (3) dΓ, (6.85)
Γi ∂n1 Γi ∂n1
ˆ ˆ
(i,d) (i,d) ∂w∗
g11 = N (1) ∗
w dΓ, g12 =− N (1) dΓ, (6.86)
Γi Γi ∂n
ˆ ˆ
(i,d) (i,d) ∂w∗
g13 = N (2) ∗
w dΓ, g14 =− N (2) dΓ, (6.87)
Γi Γi ∂n
ˆ ˆ
(i,d) (i,d) ∂w∗
g15 = N (3) ∗
w dΓ, g16 =− N (3) dΓ, (6.88)
Γi Γi ∂n
ˆ ∗ ˆ
(i,d) (1) ∂w (i,d) ∂ ∂m∗n
g21 = N dΓ, g22 =− N (1) dΓ, (6.89)
Γi ∂n1 Γi ∂n1 ∂n
ˆ ∗ ˆ
(i,d) (2) ∂w (i,d) ∂ ∂m∗n
g23 = N dΓ, g24 =− N (2) dΓ, (6.90)
Γi ∂n1 Γi ∂n1 ∂n
ˆ ∗ ˆ
(i,d) (3) ∂w (i,d) ∂ ∂m∗n
g25 = N dΓ, g26 =− N (3)
dΓ, (6.91)
Γi ∂n1 Γi ∂n1 ∂n

(i,d) (i,d) ∂wci
c1 ∗
= wci , c2 = , (6.92)
∂n1

(i,d) (i,d) ∂Rci
R1 ∗
= Rci , R2 = , (6.93)
∂n1
ˆ ˆ
(d) (d) ∂w
P1 = gw∗ dΩ, P2 = g dΩ. (6.94)
Ω Ω ∂n1
166 CAPÍTULO 6. PLACAS DE KIRCHHOFF

sendo o contorno Γ dado por:

Ne
X
Γ= Γe , (6.95)
e=1

onde, Ne é o número de elementos.


O desenvolvimento das integrais ao longo do elemento na equação (6.79) re-
quer o uso do jacobiano, já que as funções de forma são expressas em termos da
coordenada adimensional e as integrais são resolvidas ao longo do contorno Γe . O
jacobiano desta transformação é dado por:
s 2  2
dx1 dx2 dΓe
J(ξ) = + = . (6.96)
dξ dξ dξ

Assim:

dΓe = J(ξ)dξ. (6.97)

A equação matricial (6.79) tem duas equações e 6Ne + Nc variáveis desco-


nhecidas. Para se obter um sistema linear solucionável, o ponto fonte é colocado
sucessivamente em cada nó do contorno (d = 1, ..., 6Ne ) bem como em cada nó
de canto (d = 6Ne + 1, ..., 6Ne + Nc ). É importante notar que enquanto ambas
as equações, (6.64) e (6.65), são usadas para cada nó de contorno (fornecendo
as primeiras 6Ne equações), somente a equação (6.64) é usada para cada canto
(fornecendo outras Nc equações). Então, a seguinte equação matricial é obtida:

H0 R0 G0 C 0
      
wbn Pbn
(6.98)

= Vbn Vc + ,
H00 R00 wc G00 C00 Pc

onde, wbn contém o deslocamento transversal e a rotação de cada nó de contorno,


Vbn contém a força cisalhante e o momento torsor de cada nó de contorno, Pbn
contém a integral de domínio para cada nó de contorno, wc contém o deslocamento
transversal de cada canto, Vc contém a reação de canto para cada canto, Pc contém
a integral de domínio para cada canto. Os termos H0 , C0 , R0 e G0 são matrizes
que contém os respectivos termos da equação (6.79) escritos para os Ne nós de
00 00 00 00
contorno. Os termos H , C , R e G são matrizes que contém os respectivos
primeiros termos da equação (6.79) escrita para os Nc cantos.
A equação (6.98) pode ser reescrita como:
6.10. TRANSFORMAÇÃO DAS INTEGRAIS DE DOMÍNIO EM INTEGRAIS DE CONTORNO PAR

Hw = GV + P, (6.99)

onde,

H0 R 0
 
H= , (6.100)
H00 R00
 
wbn
w= , (6.101)
wc

G0 C0
 
G= , (6.102)
G00 C00
 
Vbn
V= , (6.103)
Vc
 
Pbn
P= . (6.104)
Pc

Para resolver a equação (6.99) é necessário levar em conta as condições de


contorno.

6.10 Transformação das integrais de domínio em


integrais de contorno para flexão em placas
finas
A aplicação do método dos elementos de contorno requer, preferencialmente,
que a solução fundamental para o problema em consideração seja conhecida. Essa
solução fundamental deve levar em conta todos os termos da equação governante de
forma a obter uma formulação onde apenas o contorno é discretizado. Quando isso
não for possível, os termos não considerados na obtenção da solução fundamental
produzirão integrais de domínio que preferencialmente, devem ser transformadas
em integrais de contorno. A primeira alternativa é fazer a transformação exata
da integral de domínio em integral de contorno. Pórem, isto só é possível quando
os termos não considerados são funções apenas da geometria (carregamento dis-
tribuído, por exemplo). A segunda alternativa é transferir os efeitos da integral
168 CAPÍTULO 6. PLACAS DE KIRCHHOFF

de domínio para o contorno usando-se o método de elementos de contorno de re-


ciprocidade dual ou da integração radial. Estes procedimentos são mais gerais e
podem ser empregados para quaisquer termos. No caso deste trabalho, as integrais
de domínio provenientes da carga distribuída serão transformadas em integrais de
contorno por transformação exata.
Como pôde ser observado nas equações (6.64) e (6.65), há integrais de domínio
na formulação devido a carga distribuída no domínio e aos termos de inércia. Estas
integrais podem ser calculadas por integração direta, através de células, na área
Ωg (veja Figura 6.1). Contudo, a formulação dos elementos de contorno perde
seu principal atrativo que é a discretização somente do contorno. Neste trabalho,
as integrais de domínio oriundas das cargas distribuídas são transformadas em
integrais de contorno por uma transformação exata.
Considere a placa da Figura 6.1 sob um carregamento g aplicado em uma área
Ωg . Assumindo que o carregamento g tem uma distribuição linear (Ax + By + C)
na área Ωg , a integral de domínio pode ser escrita como:
ˆ ˆ

gw dΩ = (Ax + By + C)w∗ ρdρdθ, (6.105)
Ωg Ωg

ou
ˆ ˆ ˆ r

gw dΩ = (Ax + By + C)w∗ ρdρdθ, (6.106)
Ωg θ 0

onde, r é o valor de ρ em um ponto do contorno Γg .


Definindo F ∗ como a seguinte integral:
ˆ r
F = ∗
(Ax + By + C)w∗ ρdρ, (6.107)
0

pode-se escrever:
ˆ ˆ

gw dΩ = F ∗ dθ. (6.108)
Ωg θ

Considerando um ângulo infinitesimal dθ (Figura 6.10), a relação entre o com-


primento do arco rdθ e o comprimento infinitesimal do contorno dΓ, pode ser
escrito como:

r dθ
cos α = dΓ
2
, (6.109)
2
6.10. TRANSFORMAÇÃO DAS INTEGRAIS DE DOMÍNIO EM INTEGRAIS DE CONTORNO PAR

Figura 6.10: Transformação da integral de domínio em integral de contorno.

ou

cos α
dθ = dΓ. (6.110)
r

Usando as propriedades do produto interno dos vetores unitários n e r, indi-


cados na (Figura 6.10), podemos escrever:

n.r
dθ = dΓ. (6.111)
r

Finalmente, substituindo a equação (6.111) na equação (6.108), a integral de


domínio da equação (6.64) pode ser escrita como uma integral de contorno dada
por:

ˆ ˆ
F∗

gw dΩ = n.rdΓ. (6.112)
Ωg Γg r

Sabendo que
170 CAPÍTULO 6. PLACAS DE KIRCHHOFF

x = ρ cos θ (6.113)

y = ρ sin θ. (6.114)

Seguindo um procedimento similar para obter a equação (6.107), o termo de


domínio da equação (6.65) pode ser escrito como:
ˆ ˆ
∂w∗
g dΩ = G∗ dθ, (6.115)
Ωg ∂n1 θ

onde
ˆ r
∂w∗

G = (Ax + By + C) ρdρ (6.116)
0 ∂n1

Embora neste trabalho as cargas de domínio são consideradas como linear-


mente distribuídas, o procedimento apresentado nesta seção pode ser estendido
para outras cargas de ordem superior.
O último termo da equação (6.65) pode ser transformado de uma integral de
domínio para uma integral de contorno, seguindo um processo similar. Então:
ˆ ˆ
∂ 2 w∗
g dΩ = H ∗ dθ, (6.117)
Ωg ∂x2 θ

onde
ˆ r
∂ 2 w∗

H = (Ax + By + C) ρdρ (6.118)
0 ∂x2

6.11 Resultados
Estes problemas são equivalentes aos problemas proposto no livro Thimoshenko
1959 que considera uma placa quadrada com módulo de elasticidade E=1 Pa e
Poisson de ν =0,3. A deflexão é normalizada por w0 = wD q
e comparada com a
normalização W’ Thimoshenko. A malha do método elemento de contorno (MEC)
possui uma discretização de 5 elementos por linha.
6.11. RESULTADOS 171

Figura 6.11: Indicação dos pontos na placa

As condições de contorno nos lados L1, L2, L3 e L4 variam entre Simplesmente


apoiado (Apoi.), Engastado (Eng.) e Livre (Liv.). P1 e P2 é o ponto onde a
deflexão foi medida. O tipo de pressão varia entre Uniformemente Distribuida e
Hidrostatica, em que a pressão hidrostática é aplicado como mostrado na Figura
13.
Condicao de contorno Ponto Tipo de pressão W’ analítico W’ MEC Erro
L1, L2, L3 e L4 Apoi P1 Distribuida 0,0041 0.0041 2.0444%
L1 e L3 Eng.; L2 e L4 Apoi. P1 Distribuida 0,0019 0,0019 0,4802%
L1, L3 e L4 Apoi.; L2 Eng. P1 Hidrostática 0,0015 0,0013 13,353%
L1, L2, L3 e L4 Eng. P1 Distribuida 0,0013 0,0013 0,7523%
L1, L2, L3 e L4 Eng. P1 Hidrostática 0,00063 0,00063 0,7451%
L1 Eng.; L2 e L4 Apoi.; L3 Liv. P2 Distribuida 0,0113 0,0095 16,363%
L1, L2 e L4 Apoi.; L3 Liv. P2 Distribuida 0,01282 0,0126 2,6666%
L1, L2 e L4 Apoi.; L3 Liv. P2 Hidrostática 0,0037 0,0037 1,4762%
L1, L2 e L4 Eng.; L3 Liv. P2 Distribuida 0,00333 0,0028 15,842%
L1, L2 e L4 Eng.; L3 Liv. P1 Distribuida 0,00230 0,0019 18,871%
L1, L2 e L4 Eng.; L3 Liv. P2 Hidrostática 0,00065 0,00055 15,591%
L1, L2 e L4 Eng.; L3 Liv. P1 Hidrostática 0,00097 0,00093 3,8148%
172 CAPÍTULO 6. PLACAS DE KIRCHHOFF
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