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3.

1 Artes, letras, ciência e técnica


3.1.1 A Importância dos polos culturais anglo-americanos
Quando a Segunda Guerra Mundial termina, o Mundo não é o mesmo. Face às
crueldades do Holocausto e aos horrores dos bombardeamentos atómicos, a
consciência do Homem ocidental mostra-se chocada. Muito em particular a Europa,
cuja estrela começara a empalidecer em 1918, não se encontrava em condições de
liderar a política internacional nem o próprio processo civilizacional. O totalitarismo
abafara-lhe muitas das suas energias criadoras. A guerra (1939-1945) destruíra-a
como nunca, deixando-a prostrada.
Aos Estados Unidos, uma das cabeças do mundo bipolar que se desenhou em
1945, coube assumir a condução do Ocidente. No plano político e no plano
económico, como referimos já em 1.2.1, mas também no campo das transformações
sociais e culturais. Pela primeira vez na história da arte, as inovações deixaram de
irradiar de Paris, Berlim, Milão, Viena ou Moscovo. Em Nova Iorque, “capital do
mundo sem fronteiras" como lhe chamou Le Corbusier, produzir-se-ão, doravante, as
alterações mais significativas e as grandes polémicas no mundo da arte.
O protagonismo cultural de Nova Iorque remontava ao início do século. O
desafogo económico dos EUA alimentava uma próspera burguesia, ciosa de
promoção cultural. Um generoso mecenato privado irrompia e patrocinava a
fundação de galerias e de grandes museus, como o MoMA (Museum of Modern Art),
criado em 1929, e a Fundação Solomon R. Guggenheim, surgida dez anos depois.
Todos estes espaços se abriram aos talentos vanguardistas, assegurando-lhes
projeção e visibilidade1. De facto, eram muitos os que procuravam Nova Iorque,
seduzidos pelo brilho e pela liberdade de expressão. Em Berlim, Viena ou em
Moscovo, repeliam-se as vanguardas, apelidadas de “degeneradas” por Hitler e de
“burgueso-fascistas" por Estaline. A ocupação de Paris pelos nazis, em 1940,
afugentava os criadores da Cidade-Luz, enquanto a Europa devastada pela guerra
não estimulava a produção cultural. Marc Chagall, Walter Gropius, P. Mondrian,
Marcel Duchamp, G. Grosz, Max Ernst ou Salvador Dalí, tal como B. Brecht, A. Breton,
Bela Bartok, Fritz Lang ou A. Einstein, foram alguns dos muitos intelectuais que a
América anglo-saxónica acolheu e incentivou.
Aos artistas europeus emigrados juntaram-se os talentos americanos,
particularmente ativos. Do seu encontro brotou aquela que é designada por Escola
de Nova Iorque, a grande responsável pela dinamização das artes no pós-guerra. A
ela se deveram as experiências vanguardistas do expressionismo abstrato.
3.1.2 A reflexão sobre a condição humana nas artes e nas letras
O expressionismo abstrato (1945-1960)
O expressionismo abstrato emerge nos Estados Unidos da América, no
imediato pós-guerra. Como o seu nome indica, usa a “linguagem universal da
abstração", então considerada a tendência mais correta a adotar, visto que qualquer
alusão figurativa lembraria os cânones estéticos nazis ou o realismo socialista.
O americano Jackson Pollock (1912-1956) e o holandês Willem De Kooning
(1914-1997) são os grandes expoentes do expressionismo abstrato nos anos 40 e 50.
Praticaram uma pintura intuitiva, com formas simbólicas e desconstruídas e cores
vivas e dissonantes. Ambos procuraram que a pintura expressasse, mais que um
tema, assunto ou objeto, o ato criativo e o gesto, ora descontraído, ora agressivo, do
pintor. Numa clara aproximação ao automatismo psíquico dos surrealistas, a pintura
tornava-se um testemunho de sensibilidade individual e de ocorrências psíquicas do
autor, que escapavam a um controlo racional, como eram os sonhos, os pesadelos,
os traumas.
Em 1952, o crítico americano Harold Rosenberg utilizou uma expressão
apropriada para caracterizar aquele gestualismo do expressionismo abstrato.
Chamou-lhe action painting (pintura de ação), numa óbvia alusão ao ato de pintar
que aquela corrente pretendia documentar.
O modo como Pollock trabalhava esclarece-nos sobre a action painting. Pollock
não utilizava cavalete, nem paleta ou pincéis. Estendia a tela no chão e, correndo
freneticamente à volta e por cima dela, fazia com que a tinta escorresse de latas
perfuradas ou bisnagas. De seguida, misturava as tintas com todo o tipo de materiais,
como areia e fragmentos de terra, espalhando-os com paus e trapos.
O efeito obtido com a action painting jamais poderia ser previamente
calculado pelo pintor. Porque resultado do acaso, muitos quadros não têm qualquer
nome, limitando-se a apresentar um número, a data da sua criação ou,
simplesmente, a designação de “sem título". Considerava-se que o quadro só existia
no momento em que o observador o contemplava e o interpretava. Os quadros do
expressionismo abstrato mantêm, por conseguinte, toda a atualidade: eles são aquilo
que a sua observação provoca no espectador, qualquer que ele seja, onde e em que
momento ele esteja. À abstração lírica e expressiva de Pollock e de De Kooning,
contrapuseram outros artistas, como Barnett Newman (1905-1970), Mark Rothko
(1903 -1970) e Ad Reinhardt (1913-1967), uma abstração geométrica.
Preenchiam as telas com superfícies cromáticas claras e planas, que deveriam
produzir o efeito da pintura pura. O interesse e a possibilidade de indagar o estado
de espírito do artista ou o processo de criação eram absolutamente rejeitados. Ao
observador apenas se pedia que se concentrasse no quadro.

A pop art (1958-1965)


A pop art, termo forjado pelo crítico britânico Lawrence Alloway, desenvolveu-
se, em simultâneo, em Inglaterra e nos EUA, tendo atingido neste último país uma
projeção jamais experimentada por qualquer outra corrente pictórica.
Ao contrário da tendência abstracionista em voga no pós-guerra, elitista e
subjetiva, porque apelava a um esforço pessoal de interpretação, a pop art reconcilia
o grande público com a arte. Em primeiro lugar, porque retoma a Figuração e se
revela de fácil apreensão. Depois, porque retira os seus temas e objetos do mundo
de produtos e de imagens que a sociedade de massas abundantemente consumia.
Numa assumida concorrência com os media visuais, os quadros substituem-se à
publicidade, seja na divulgação de objetos de consumo corrente, como pacotes de
detergente, garrafas de Coca-Cola ou latas de sopa, seja na exibição de rostos de
artistas e personalidades famosas, cujas imagens, igualmente, as massas consumiam
na imprensa popular, no cinema e na TV. Veja-se a obra de Andy Warhol (1928-
1987). Warhol fez da própria obra de arte um objeto de consumo corrente e quase
estandardizado. Através da técnica da serigrafia2, imprimiu fotografias nas telas,
reproduzindo assim de forma rápida variadas séries e versões dos seus quadros.
A banalização da arte e a sua identificação com os media depreendem-se
igualmente da obra de um outro americano, Roy Lichtenstein (1923-1997). Para as
suas telas transpôs imagens da trivial banda desenhada, descontextualizando-as, é
certo, mas apurando a execução técnica através do espesso contorno gráfico e do
pontilhismo provocado pela ampliação das gravuras.
Em Warhol e Lichtenstein os críticos pretendem ver algo mais do que uma
glorificação da sociedade de consumo, vislumbrando na respetiva obra uma crítica
irónica e jocosa aos padrões da cultura americana. Em Warhol e Lichtenstein os
críticos pretendem ver algo mais do que uma glorificação da sociedade de consumo,
vislumbrando na respetiva obra uma crítica irónica e jocosa aos padrões da cultura
americana.
A mesma visão sarcástica sobre os símbolos e ritos do quotidiano da sociedade
de consumo perpassa na pop art inglesa. Richard Hamilton (1922-2011), Peter
Blake3 (1932), David Hockney (1937) ou Allen Jones (1937) distinguem-se pelo sense
of humor subtilmente provocatório. Do ponto de vista formal, para além dos
processos de impressão utilizados pelos seus colegas americanos, fazem ainda uso de
colagens e da integração de objetos comuns.

A arte conceptual (anos 60 e 70)


Algumas vanguardas dos anos 60 e 70 levaram às últimas consequências a
desmaterialização da arte. Inspirada no absurdo dadaísta, e nomeadamente em
Duchamp, que afirmava a superioridade do pensamento do artista em relação à
execução da obra, a chamada arte conceptual desprezou a existência material da
arte. Já em 1958, o francês Yves Klein (1928-1962) propusera uma” exposição do
vazio" numa galeria absolutamente despida.
Ao objeto artístico a arte conceptual antepõe o processo criativo que subjaz à
sua execução. Recorre, por isso, com frequência, a escrita e à fotografia, que
documentam o pensamento do artista e, simultaneamente, se elevam a categoria de
obras de arte. Demarcando-se da pop art, que poderia convidar a contemplação
passiva, ou do próprio expressionismo abstrato, que exigia envolvência emocional ao
autor e ao espectador, a arte conceptual apela à reflexão filosófica, à busca de um
sentido, mas sem que o observador sinta qualquer prazer estético. Trata-se de uma
arte que, mais do que vista, deve ser pensada, pelo que adquire um carácter algo
desconcertante, patente na obra do americano Joseph Kosuth (1945) ou na do
italiano Piero Manzoni (1934-1963).
Espalhada pelos EUA e pela Europa, a arte conceptual prolonga-se numa série
de tendências, em que podemos incluir o minimalismo do americano Morris, o
movimento internacional Fluxus, a “pintura sistémica" americana e a “pintura
analítica" europeia.

A literatura existencialista
Uma sensação de destruição e vazio, que reflete a crise do antropocentrismo
ocidental, atravessou a literatura dos anos 40 e 50. Em pouco mais de vinte anos, o
mundo vivera o absurdo de duas guerras, as experiências totalitárias e as crueldades
do Holocausto e sobre ele pairava o terror da bomba atómica. Como acreditar no
homem?
Sob o impulso da filosofia existencialista, colocava-se, agora, a tónica o
sentido da existência humana4. É o Homem um ser responsável? Pode escolher
livremente e sem constrangimentos o seu caminho? Onde está a realidade da
liberdade humana? A resposta a estas questões conduziu filósofos como Karl Jaspers
(1883-1969), Martin Heidegger (1889-1976) ou Jean-Paul Sartre (1905-1980) a
inverterem o racionalismo cartesiano. Afirmaram que, antes de pensar, o indivíduo
existe e que é em torno da sua existência como homem de carne e osso que surgem
o desejo de saber, a vontade de comunicar e a procura da verdade.
Para Sartre, figura de proa do existencialismo, o Homem é obra de si próprio,
produto das suas ações, um ser absolutamente livre que constrói o seu projeto
pessoal não como resposta a uma essência, a um ideal ou em nome de uma moral
universal, mas simplesmente como reação aos seus problemas concretos: "A
existência precede a essência" - assim sintetizou Sartre o existencialismo.
Sartre considerava que, num mundo hostil e sem Deus, onde o progresso dera
lugar ao fracasso e a segurança a precariedade, o Homem estava inexoravelmente
condenado à liberdade de encontrar por si próprio um sentido para a vida. Dessa sua
busca permanente nascia a angústia existencial (a náusea, que forneceu o título a
um romance de Sartre), que mais não é do que uma manifestação da liberdade da
condição humana.
Nos anos 40 e 50, o existencialismo tornou-se particularmente atraente. A
contingência da existência, o nada, a culpa, a morte, o absurdo preencheram páginas
de obras literárias (ensaios, romances, peças de teatro) de Sartre, Simone de
Beauvoir (1908-1986) e Albert Camus (1913-1960) (Doc. 133).
A Psicologia e a Psiquiatria sofreram, também, a influência do pensamento
existencialista, tal como o cinema com as suas figuras dos homens revoltados e anti-
heróis, o jazz com as suas improvisações, as artes plásticas com a projeção criadora
do expressionismo abstrato. Até do ponto de vista social, o impacto do
existencialismo revelou-se marcante. Afetou os hábitos de vida dos jovens no pós-
guerra, incentivando a crítica aos valores tradicionais e a busca da liberdade pessoal.
Gerou, em suma, uma atmosfera reconhecível na moda e nos estilos de vida.

3.1.3 O progresso científico e a inovação tecnológica


Após 1945, o progresso científico e a inovação tecnológica continuam a
interagir, prosseguindo o caminho iniciado em finais do século XlX5. Estimulados pela
concorrência económica entre as empresas e pela competição política entre os
Estados (veja-se o caso da corrida espacial incentivada pela Guerra Fria), produzem-
se admiráveis avanços científicos e tecnológicos.
A Física, a Química e a Biologia foram as ciências em que se processaram as
maiores investigações teóricas. Os seus efeitos tecnológicos mais marcantes fizeram-
se sentir na produção da energia nuclear, na eletrónica, na informática e na
cibernética e, finalmente, nos progressos médicos e alimentares que prolongaram a
vida.

A energia nuclear
A produção de energia nuclear remonta às investigações de grandes nomes da
Física, como Max Planck, Einstein, Niels Bohr, E. Fermi. Sabemos como foi trágica a
sua primeira aplicação, com as bombas atómicas lançadas sobre o Japão, em agosto
de 1945.
Na década de 50, a energia nuclear conheceu fins pacíficos, permitindo
produzir eletricidade, acionar submarinos e navios, revolucionar os sistemas de
diagnóstico na Medicina sem o perigo de absorção de raios X no corpo humano,
como é o caso da tomografia axial computadorizada (TAC).

Eletrônica, informática e cibernética


Notáveis progressos ocorreram nos domínios da eletrônica, após a Segunda
Guerra Mundial. A invenção do transístor, que substituiu as válvulas eletrônicas, e do
chip ou circuito integrado, possibilitaram a miniaturização e aperfeiçoamento de
equipamentos que se tornaram imprescindíveis no quotidiano de grande parte da
Humanidade - a rádio, a televisão, os computadores, os telefones, os
eletrodomésticos e os automóveis. O laser, feixe de ondas luminosas de intensidade
mil vezes superior à da luz, veio a ser outra das maravilhas eletrónicas, com
aplicações na medicina, no lar e na guerra, nos suportes de imagem e de som.
De entre a tecnologia eletrônica, o computador merece uma referência
especial. Registou notáveis avanços, no período de que nos ocupamos, permitindo
acelerar os cálculos, o armazenamento, a recuperação e a distribuição de
informação. Na origem da revolução da informática, que mais não é do que o
tratamento científico da informação, os computadores tornaram-se indispensáveis
na administração estatal, na gestão contabilística, no controlo de processos
industriais, na triagem de correspondência, na vida académica, na pesquisa
científica.
Os progressos da eletrônica e da informática interligaram-se com a criação da
inteligência artificial e a expansão da cibernética. Foram produzidos os robôs,
máquinas inteligentes que tomam decisões e se deslocam. Contribuíram para a
automatização da indústria e para a exploração do espaço extraterrestre.
Os progressos da medicina e da alimentação
Às pesquisas bioquímicas do século XX se devem grandes progressos na
medicina e na alimentação, que preservaram a vida e a prolongaram. Descoberta em
1928 por Fleming, a penicilina foi produzida industrialmente na década de 40,
permitindo salvar imensas vidas das infeções bacterianas. Efeito análogo tiveram as
vacinas, tratamentos profiláticos para as doenças transmitidas pelos microrganismos
(vírus e bactérias). As décadas de 50 a 70 revelaram-se particularmente férteis na
obtenção de vacinas responsáveis pela regressão da poliomielite, do sarampo e da
própria pneumonia.
Os transplantes cardíacos, iniciados em 1967, registaram uma taxa razoável de
sucesso6, suscitando, pela complexidade envolvida, a confiança progressiva na
medicina cirúrgica. Cobertura mediática semelhante à dos transplantes cardíacos
teve o nascimento, em 1978, da primeira criança cuja conceção ocorreu fora do
corpo humano, aquilo a que chamamos ”fertilização in vitro". Estava dado um
gigantesco passo nas técnicas de reprodução assistida, que conheceram um grande
progresso nas décadas que se seguiram.
Pelas suas repercussões no ramo da biotecnologia7, pode dizer-se que a
descoberta, em 1953, da estrutura do ADN e do código genético foi das mais
atraentes e controversas do século XX. As informações genéticas contidas nos
filamentos de ADN auxiliaram nas pesquisas patológicas (de doenças hereditárias e
de outras, como o cancro, consideradas alterações genéticas) e imunitárias.
Para além da medicina, a ciência salvou muitas vidas pelas investigações que
estimulou no campo alimentar. Ainda na primeira metade do século XX, os cientistas
tinham promovido a criação de famílias de plantas mais fortes e mais produtivas.
Resultado de avanços na agronomia, nas técnicas reprodutivas e na genética viria a
iniciar-se, em 1962, a chamada “Revolução Verde” no México, posteriormente
alargada à Índia e ao Paquistão. O cultivo de variedades de trigo, milho e arroz, de
grande rendimento e resistência às pragas, converteu-se num auxiliar precioso para
os agricultores empobrecidos, solucionando muitas das carências alimentares.
De facto, se alguns malefícios têm sido associados ao progresso científico (caso
da ameaça nuclear, da poluição, do esgotamento dos recursos naturais, da
manipulação genética), o balanço final da evolução científico-tecnológica é
acentuadamente positivo. Mais bens de consumo foram prodigalizados, a esperança
de vida aumentou e a Humanidade Ficou, como nunca, interligada por uma rede de
comunicações que fez da Terra uma aldeia global.
3.2 Media e hábitos socioculturais
3.2.1 Os novos centros de produção cinematográfica
Nos anos 50 do século XX, novos desafios se colocaram a indústria
cinematográfica dos EUA, que enfrentou a concorrência da televisão e as
perseguições de que realizadores e atores foram vítimas pela Comissão de Atividades
Antiamericanas8.O esplendor dos filmes a cor projetados em ecrãs panorâmicos e as
superproduções musicais, que fascinavam pelas canções e coreografias,
contribuíram para perpetuar a magia do cinema.
Ao mesmo tempo, Hollywood investia em temáticas socioculturais mais
próximas do grande público que frequentava os cinemas. A pensar nos adolescentes,
já que as gerações mais velhas preferiam o conforto da televisão no lar, muitos filmes
expressaram a rebeldia, a irreverência e a inadaptação dos jovens dos subúrbios.
Entretanto, novos centros de produção cinematográfica irrompiam. Na Índia,
nos estúdios ditos de Bollywood, produziu-se um cinema-espetáculo, com uma
construção musical própria, que, através de discórdias familiares e de amores
contrariados, de peripécias históricas e políticas, pretendia transmitir os anseios de
uma nação recém-independente. O cinema japonês revelou-se ao Ocidente com o
filme” Ás Portas do Inferno" (1950), de Akira Kurosawa, uma reflexão sobre a
identidade nacional. No Brasil, nos anos 60, despontou o chamado cinema novo
brasileiro, que teve em Glauber Rocha o seu maior representante.
A Europa, por sua vez, foi berço de importantes realizadores e movimentos
cinematográficos. Na Suécia, revelou-se Ingmar Bergman, autor de grande
sensibilidade na exploração de temáticas intimistas. Na Itália, desenvolveu-se o
cinema neorrealista que contestava o universo artificial dos estúdios. Os filmes
decorriam em cenários naturais, com atores frequentemente não profissionais, e
explorava os pequenos-grandes problemas da gente comum. Salientam-se, na
realização, os nomes de Roberto Rossellini e Vittorio de Sica.
Outro movimento europeu digno de menção nasceu em França, em finais dos
anos 50, e partiu de jovens cineastas (F. Truffaut, Jean-Luc Godard, C. Chabrol e J.
Rivette), alguns deles críticos da revista Cahiers du Cinéma. Chamou-se” Nouvelle
vague" e defendeu o cinema “como arte” reivindicando para os realizadores o título
de "autores de filmes". As suas obras evidenciam uma narrativa ágil e moderna,
dirigindo-se a um público jovem, intelectual e cosmopolita que já não se revia no
sentimentalismo e moralismo dos filmes americanos.
Dinamizado por uma diversidade de países, realizadores e movimentos,
merecedor dos mais variados festivais e prémios9, 0 cinema continuou, no terceiro
quartel do século XX, a mobilizar massas e a despertar paixões, preservando o
estatuto digno de Sétima Arte.

3.2.2. O impacto da televisão e da música no quotidiano


A televisão
As primeiras experiências televisivas tiveram lugar, ainda nos anos 30, na Grã-
Bretanha, nos EUA, em França e na Alemanha. O segundo conflito mundial fez parar
os esforços desenvolvidos, pelo que só após 1945 a televisão se junta ao cinema e à
rádio como grande meio de comunicação.
Desde então, os EUA tomam a dianteira no que toca a progressos tecnológicos
que embaratecem a televisão e a tornam mais atrativa. É lá que existem mais
aparelhos por habitante e que se passa mais horas em frente à TV. Bem cedo, a
televisão assumiu-se como um veículo privilegiado de entretenimento. O horário
nobre mistura comédias estereotipadas, com risos gravados em fundo sonoro, e
séries dramáticas ou de ação com telenovelas e concursos de dinheiro. São
programas que se destinam a garantir elevado número de audiências e de receitas
através da publicidade. Muitos deles foram exportados dos EUA, contribuindo para a
disseminação do “american way of life”.
Ao entretenimento, a televisão associou o papel de fonte de informação e de
conhecimento dos grandes acontecimentos internacionais, como foi o caso da
chegada do homem à Lua, em 1969.
Cientes do poder da TV, os políticos não a negligenciaram. Desde a campanha
presidencial americana de 1960, ficou provado o impacto da televisão nos
comportamentos eleitorais. Pode dizer-se que o vencedor se decidiu nos debates
televisivos diretos, em que um Kennedy vigoroso, determinado e bem-parecido
deitou por terra o candidato republicano, R. Nixon, que se mostrou acabrunhado e
em baixa forma física. Nascia a figura do político telegénico.
A própria guerra do Vietname (1964-1973) teve um desfecho que muito ficou a
dever a televisão. Quando os Americanos se confrontaram com as imagens
avassaladoras da chegada dos caixões com os seus soldados ou dos
bombardeamentos de napalm, a guerra passou a travar-se também com a opinião
pública e o presidente L. Johnson sentiu-se obrigado a iniciar negociações para
resolver o conflito.
Poderosa e manipuladora, acusada de provocar o declínio da leitura e da
frequência das salas de cinema, a TV permaneceu o media que mais necessidades
satisfez até fins do século XX, divertindo, informando, suscitando emoções e
rompendo a barreira do isolamento.

A música
O protagonismo dos jovens nas sociedades ocidentais do pós-guerra10 e as
maravilhas da eletrónica contribuíram para a popularidade da música Iigeira a partir
dos anos 50. Em particular o rock and roll, com o seu gestual erótico e o seu ritmo
enérgico e vibrante, em tudo afastado da linha melódica e adocicada da canção dos
anos 40, parecia ser a música que melhor exprimia a rebeldia e o anticonformismo
de uma nova juventude, apostada em se demarcar das gerações paternas.
O rock and roll, que combinava os ritmos afro-americanos com a música
country branca, conheceu o seu primeiro grande êxito nos EUA, em 1955, com Rock
Around the Clock, cantado por Bill Haley. Um ano depois, também nos EUA, emergiu
a primeira superestrela do rock and roll: Elvis Presley. O “rei do rock”: como ficou
conhecido, cantava com notável vigor físico e, fazendo rodar as ancas, produzia um
resultado sexualmente eletrizante.
Até 1962, as estrelas americanas brilharam no panorama do rock and roll.
Naquele ano, a situação mudou com o aparecimento dos Beatles, um grupo britânico
de Liverpool que, durante 8 anos, construiu uma das mais fulgurantes carreiras de
que há memória na música ligeira. Influenciados pelos ritmos americanos que ouviam
os marinheiros da sua cidade natal entoar, os Beatles produziram uma música
original, com arranjos diversificados, sons eletrônicos e letras de apreciável
criatividade. No fim do verão de 1963, as suas músicas ocupavam os lugares cimeiros
dos tops britânicos e, no ano seguinte, a juventude americana rendia-se
completamente a beatlemania. No decorrer da tournée efetuada nos EUA, o
quarteto britânico era cercado por multidões de fãs aos gritos, fosse durante os
espetáculos (quase inaudíveis), nos hotéis ou nos aeroportos.
Os Rolling Stones, outro êxito da música britânica, criaram uma imagem de
“perigosos degenerados", que se coadunava com o espírito irreverente do rock.
Ainda no decurso da década de 60, cantores como Bob Dylan, Joan Baez e Donovan,
promoveram, nos EUA, a aproximação do rock a música folk. A canção converteu-se
em instrumento de crítica social e política, denunciando a pobreza, o racismo, a
destruição da Natureza, as armas nucleares e a guerra do Vietname. O rock
continuava a assumir-se como um dos pilares da contestação juvenil.
3.2.3 A hegemonia dos hábitos socioculturais norte-americanos
No pós-Segunda Guerra Mundial, os EUA fascinavam pela prosperidade
económica e pela sociedade da abundância, pelos avanços tecnológicos, pelo
dinamismo artístico e cultural.
Os filmes de Hollywood e os programas de TV difundiam os valores e os
estereótipos do” american way of life”. O rock and roll e as suas estrelas americanas
mereciam do resto do mundo o mesmo entusiasmo que as vedetas de cinema.
Para os pequeno-burgueses, que conheceram as dificuldades dos anos da
guerra, possuir uma casa individual, com uma cozinha apetrechada com
eletrodomésticos, uma sala de estar com TV e ter um carro na garagem eram sonhos
que faziam viver. As donas de casa rendiam-se aos cafés solúveis, às sopas
instantâneas e às comidas previamente cozinhadas que lhes aliviavam a
“escravatura” do lar. Apesar de criticada pelos conservadores, a Coca-Cola tornou-se
a bebida favorita. O "fast-food" expandiu-se pelo mundo.
Até Sartre, como nos conta a sua companheira Simone de Beauvoir,
experimentou uma alegria enorme quando, terminada a Segunda Guerra, lhe foi
oferecida oportunidade de visitar os EUA.

3.3 Alterações na estrutura social e nos comportamentos


3.3.1 A terciarização da sociedade
A expansão económica dos ”Trinta Gloriosos” anos do segundo pós-guerra
repercutiu-se na estrutura da população ativa.
Nos países capitalistas liberais, a mecanização, a pesquisa agronómica e
zoológica, a utilização cada vez maior de adubos e as práticas de irrigação
conduziram a uma produtividade sem precedente dos solos, que permitiu elevadas
exportações. Os progressos técnicos tornaram desnecessários muitos dos
agricultores. O setor primário recuou de tal modo que se anunciou a “morte do
campesinato”.
A aceleração do êxodo rural conduziu ao aumento da população urbana. Nos
países desenvolvidos, as massas rurais e os imigrantes encontraram emprego na
indústria, a atividade responsável pela criação do maior número de riqueza, em
virtude de uma intensificação do ritmo de trabalho.
No entanto, os trabalhadores empregues no setor secundário não registaram um
aumento significativo devido a automação do fabrico industrial.
Foi para o setor terciário que grande parte da população ativa se deslocou,
pelo que a terciarização é a característica mais relevante a assinalar na evolução
social do mundo desenvolvido, durante as três décadas de prosperidade.
A explosão do terciário também se relacionou com uma subida de qualificação
das massas trabalhadoras, devida ao aumento da escolaridade. Naquele setor em
expansão, que contava cada vez mais com o universo feminino nas suas fileiras, os
empregados encontravam trabalho como funcionários do Estado, como quadros
técnicos e empregados de escritório das empresas industriais, como trabalhadores
do comércio, da publicidade, dos transportes, dos media, dos bancos, das forças de
segurança ou ainda nos setores ligados a educação, a saúde e ao lazer.

3.3.2 Os anos 60 e a gestação de uma nova mentalidade


Procura de novos referentes ideológicos
Movimentos contraditórios atravessam a civilização ocidental nos anos 60. Por
um lado, elogia-se a prosperidade, o bem-estar e o consumismo das 50 cidades
desenvolvidas. Por outro, critica-se o individualismo, a desumanização e o
materialismo do capitalismo. No ar paira o medo de um conflito nuclear, que nunca
esteve tão próximo como em 1962, aquando da crise dos mísseis de Cuba.
O ecumenismo
Muitos são os que buscam uma resposta para os descontentamentos e as
inquietações. A Igreja Católica procura adaptar-se aos novos tempos. O Concílio
Vaticano II (1962-1965), reunido sob a iniciativa de João XXIII e terminado sob o
pontificado de Paulo VI, aborda questões relacionadas com a Guerra Fria, a
promoção da paz, a desigualdade entre homens e povos, a par de assuntos
especificamente religiosos, como o celibato dos padres, a celebração da missa nas
línguas nacionais e o diálogo com as várias religiões cristãs.
O ecumenismo ficou como uma das heranças do Concílio e, desde então,
reconhecem-se os esforços para esbater os dissídios e procurar a concórdia entre a
família cristã, considerada primordial no processo de entendimento entre os
homens. Todavia, os resultados ficaram aquém das expectativas. Em matéria de
costumes e moral (como os relacionados com a contraceção) e de dogmas (como o
do celibato), a Igreja Católica manteve-se conservadora, não conseguindo deter a
vaga de descristianização.
Nos anos 60, com efeito, outras bandeiras, que não as da religião, e outros
referentes ideológicos motivavam a Humanidade: a proteção da Natureza, a
igualdade de direitos entre brancos e povos de cor e entre homens e
mulheres, o pacifismo, a reforma do sistema educativo e a liberdade sexual.
A ecologia
Depressa a comunidade científica e os leigos se aperceberam do alto preço a
pagar pelos progressos tecnológicos. Acidentes em centrais atómicas, contaminações
químicas mortais, que punham em risco homens e ecossistemas, o superpovoamento
do planeta, alertaram para a necessidade de redução das experiências nucleares e
para o problema da poluição e do esgotamento dos recursos naturais.
Um conjunto de organizações (”Amigos da Terra”, “Greenpeace”) e de
iniciativas se sucederam, desde os anos 60, com o objetivo de controlar o
crescimento económico e de garantir a proteção ambiental. Nascia a ecologia.
A contestação juvenil
O baby-boom do pós-guerra determinou, nos anos 60, a existência, no mundo
ocidental, de um excedente considerável de jovens. Nos EUA, por exemplo, mais de
metade da população tinha, a meio da década, idade inferior a 30 anos.
Procurando um estilo de vida alternativo ao dos progenitores, os jovens
protagonizaram um poderoso movimento de contestação. Nos Estados Unidos da
América, as universidades de Berkeley, em São Francisco, e de Columbia, em Nova
Iorque, foram ocupadas, em 1964, pelos estudantes, que exigiam mudanças radicais
no funcionamento dos cursos e se mostravam atentos aos grandes problemas que os
cercavam. Apoiavam ativamente a luta dos negros pela conquista dos direitos cívicos,
a emancipação da mulher e envolviam-se no vasto movimento pacifista contra a
participação dos Estados Unidos na guerra do Vietname (1964-1973).
Em 1968, Paris tornou-se o epicentro de uma revolta estudantil sem
precedentes que atingiu a Europa. Foi o ”Maio de 68", que se iniciou na Universidade
de Nanterre e logo atingiu a Sorbonne. O Quartier Latin transformou-se num
verdadeiro campo de batalha entre os estudantes barricados e as forças da ordem.
Tendo por referentes as figuras revolucionárias de Fidel Castro, Che Guevara e Mao
Tsé-Tung, os estudantes denunciavam a falta de condições das universidades, onde
os professores e as instalações escasseavam face ao boom de inscrições;
simultaneamente, clamavam contra a guerra do Vietname, o imperialismo americano
e o totalitarismo soviético. A crise ganhou rapidamente foros de sublevação social e
política, quando, a 13 de maio, explodiram as greves e ocupações de fábricas e,
posteriormente, o presidente De Gaulle ameaçou demitir-se.
Apesar de fracassado, pela reposição pronta da ordem, o ”Maio de 68” tornou-
se o símbolo de um combate em que se amalgamaram o conflito de gerações, o
descontentamento social e a reação ao autoritarismo. Por isso, as suas repercussões
extravasaram o Ocidente democrático e capitalista, para também se fazerem sentir
na cidade de Praga que, nesse mesmo ano de 1968, se revoltou contra a invasão
soviética.
Uma outra faceta da contestação juvenil fez-se sentir na revolução dos
costumes desencadeada pelo movimento hippie, que teve o seu coração nas cidades
de Los Angeles e São Francisco, na Califórnia. Abandonando os lares paternos, os
jovens levavam uma vida alternativa em comunas. Adeptos da liberdade sexual, do
amor livre e amantes da paz (”make love, not war” foi o seu slogan preferido), os
hippies evidenciavam total despojamento e despreocupação, visíveis no vestuário
leve, colorido e florido, nos cabelos soltos e compridos, nos pés frequentemente
descalços, no consumo de drogas alucinogéneas que os ”libertavam” da Terra e
conduziam ao “paraíso”…
Grandiosas confraternizações e festivais de música ao ar livre reuniam,
periodicamente, essas multidões de jovens, que se assumiam como protagonistas de
uma contracultura.
Afirmação dos direitos da mulher
A entrada em massa de mulheres no mercado de trabalho e a expansão da
educação superior conferiram ao sexo feminino uma crescente visibilidade social e
cultural. Ao longo dos anos 60, os movimentos feministas, que haviam marcado as
primeiras décadas do século com as suas ações sufragistas, receberam um impulso
notável, convertendo-se em instrumento de emancipação das mulheres.
Por entre manifestações, marchas de protesto e campanhas de pressão junto
dos órgãos do Governo, o feminismo dos anos 60 tornou-se particularmente ativo na
luta pela igualdade de direitos da mulher. Essa igualdade pretendeu-se civil (em
muitos países, a mulher casada era considerada um ser juridicamente inferior e
submetida à tutela do marido...), no trabalho (onde as mulheres eram alvo de
discriminação salarial, para já não falar na ausência generalizada de proteção à
maternidade) e na vida afetiva (reivindicando a realização da mulher enquanto
mulher e não apenas como esposa submissa e mãe abnegada).
Foi no contexto da luta pela igualdade afetiva da mulher que ocorreram as ações
mais mediáticas do movimento feminista. Citam-se as campanhas pela contraceção,
pelo direito ao divórcio e ao aborto, que mobilizaram a opinião pública, adquirindo
um cariz de ”revolução sexual” efetuada no feminino.