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02/05/2018 Visão | Portuguesa foi morta em Moçambique por 400 euros


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Portuguesa foi morta em Moçambique por 400 euros


MUNDO 04.01.2018 às 17h58

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Inês Botas, de 28 anos, foi assassinada em Moçambique a 29 de dezembro


DR

O funeral de Inês Botas, de 28 anos, assassinada na semana passada na Beira,


em Moçambique, foi esta sexta-feira, 5 de janeiro, em Leiria. Os assassinos

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foram detidos e confessaram o crime, dizendo que tinham apenas a intenção de


a roubar

PATRÍCIA FONSECA

O
corpo de Inês Rodrigues Botas, a portuguesa de 28 anos que foi assassinada a 29 de
dezembro em Moçambique, chegou esta quinta-feira a Portugal, permanecendo na
igreja paroquial de Cortes, em Leiria, até às 11h de sexta-feira, 5 de janeiro,
realizando-se em seguida as cerimónias fúnebres.

Antes da viagem para Portugal, na terça-feira, 2 de janeiro, decorreu uma missa de corpo
presente na Sé Catedral da Beira, em Moçambique, com a participação de vários amigos
da diretora nanceira da empresa portuguesa Ferpinta, além de membros do governo
provincial moçambicano, que mostraram profunda consternação pelo sucedido.

A jovem, natural de Leiria, trabalhava há pouco mais de um ano em Moçambique, depois


de uma outra experiência pro ssional em Angola. Era solteira e vivia num condomínio
fechado, relacionando-se sobretudo com os amigos portugueses. Foi o seu colega Romeu
Fernando Rodrigues, responsável pela Ferpinta em Moçambique, que deu o alerta à
polícia, na sexta-feira, estranhando a sua ausência desde a noite anterior e o facto de ter o
telemóvel desligado. Os receios de rapto agudizaram-se quando localizaram o seu jipe
abandonado, em frente ao hotel Embaixador, noutra zona da cidade.

A polícia atuou rapidamente, detendo em menos de 24 horas três homens, com idades
entre os 21 e os 24 anos, ainda na posse do telemóvel e dos cartões de crédito da vítima.
Perante as evidências, confessaram o crime, encontrando-se neste momento detidos e a
aguardar julgamento. Dos seus interrogatórios - e de uma entrevista que um deles
acabaria por dar, já na prisão, à televisão moçambicana -, é possível reconstituir o que
aconteceu.

Inês Botas saiu do trabalho na quinta-feira passada e foi sozinha para o Clube Náutico da
Beira, onde praticava regularmente exercício. Acabou por ser atraiçoada pelo seu personal
trainer, que a abordou quando esta saía das instalações do clube, pelas 22h, e lhe pediu se
poderia dar boleia a uns amigos até à cidade. Izaías Nicolau, de 21 anos, entrou então no
jipe da sua cliente com Jonas Jacobe Moiana e Danilo Resende Lampeão, de 24 anos.

Pouco depois, os homens ameaçaram-na com uma arma falsa (um brinquedo de plástico),
roubando-lhe a carteira e o telemóvel. Inicialmente, a intenção terá sido apenas a de a
roubar mas, no calor do momento, algo terá mudado - e Izaías Nicolau cou com receio
das consequências do seu ato, uma vez que a vítima o conhecia.

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Tal como con rmou a autópsia realizada, deram-lhe uma grande pancada na cabeça (o
que lhe causou um traumatismo craniano) e, em seguida, ataram-lhe as mãos e os pés
com uma corda. Depois atiraram o seu corpo ao rio Pongue, já no distrito do Dondo, a 70
quilómetros da Beira. Inês viria a morrer por afogamento, segundo os peritos de Medicina
Legal. Ou seja, quando caiu ao rio, desamparada, ainda estava viva.

Os ladrões conseguiram levantar, em dois momentos, 29 mil meticais (cerca de 400 euros)
com os cartões de crédito de Inês Botas, antes de serem detidos. Uma quantia irrisória
pela qual a portuguesa perdeu a vida, mas que representa cerca de cinco ordenados
mínimos naquele país africano.

Instantes de momentos felizes de Inês Botas, partilhados há três meses nas redes sociais.
DR

COMUNIDADE APREENSIVA
No dia seguinte, outra portuguesa seria também morta em Moçambique, durante um
assalto. Maria Laura Pereira, de 72 anos, natural de Viseu, vivia na zona do Chimoio, em
Manica, há mais de 40 anos, gerindo uma quinta agro-pecuária. Terá sido espancada pelo
seu caseiro, entretanto também já detido pela polícia moçambicana.

Estas notícias deixam, como é natural, a comunidade portuguesa em Moçambique


apreensiva, numa altura em que o país atravessa uma grave crise nanceira, com os
preços dos bens básicos, como o pão e os transportes ("chapas"), a subirem numa base
quase diária, o que poderá levar ao aumento da criminalidade.

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O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, con rma que
"os trágicos acontecimentos que vitimaram duas cidadãs portuguesas residentes nas
províncias de moçambicanas de Sofala e Manica tiveram motivações de natureza
económica", reforçando a ideia de que "a comunidade portuguesa residente em
Moçambique encontra-se bem integrada e enraizada no país, sendo a sua presença
valorizada tanto pelas populações locais, como pelas instituições e autoridades
moçambicanas".

O Secretário de Estado acrescenta que, "prova disso, foram as diversas manifestações de


pesar que nos chegaram, entre elas do Governo Moçambicano e de outros responsáveis
públicos, mas também vindos da sociedade civil".

Elmano Madaíl, presidente da Associação Portuguesa de Moçambique, que recebeu estas


notícias "com natural consternação", diz que "a comunidade endereça as suas
condolências às famílias das vítimas", mantendo no entanto "a con ança nas autoridades
moçambicanas e portuguesas" e recusando que estes episódios "possam prejudicar o
ambiente de colaboração e de amizade, senão mesmo de fraternidade, entre os
expatriados portugueses e os moçambicanos".

Tal como outros portugueses ali residentes, Elmano Madaíl não crê que estes possam ter
sido ataques deliberados ou direcionados para a comunidade portuguesa.

O Presidente da República apresentou as condolências à família da jovem e o consulado


português na Beira, em Moçambique, assumiu todas as responsabilidades pela
transladação do corpo de Inês Botas e pela emissão dos documentos necessários para o
transporte para Portugal. José Luís Carneiro elogia a forma "incansável e muito dedicada"
com que os funcionários portugueses do Ministério dos Negócios Estrangeiros atuaram,
procurando prestar todo o apoio às famílias enlutadas. "Mantiveram ainda um constante
diálogo com as autoridades moçambicanas, de modo a que todos os procedimentos
médico-legais e de cariz administrativo e burocrático pudessem ser concretizados da
forma mais célere possível e que as informações de foro criminal pudessem ser obtidas
também com brevidade", acrescenta.

O Secretário de Estado aproveita para reiterar a importância de todos os cidadãos


portugueses se inscreverem nos Consulados. "É muito importante que constem dos
nossos registos, para que os possamos ajudar de forma mais e caz e célere." Além disso,
recorda, as recomendações de segurança do governo português "estão constantemente
acessíveis no Portal das Comunidades, na secção Conselhos ao Viajante, e abrangem
diversos territórios e dimensões, sendo úteis para qualquer cidadão nacional residente no
estrangeiro, mas também para cidadãos portugueses que se encontram em viagem".

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Com a aplicação “Registo Viajante”, gratuita para todos os dispositivos móveis, é já possível
estabelecer um canal de comunicação direto com o Gabinete de Emergência Consular
mais próximo, em todo o mundo.

PALAVRAS-CHAVE

MORTE LEIRIA FERPINTA INÊS RODRIGUES BOTAS IZAÍAS NICOLAU

MOÇAMBIQUE PORTUGAL EMIGRANTES

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