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Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF

Programa de Pós-Graduação em Comunicação – PPGCOM

Resenha do livro “Estigma”, de Erving Goffman


Professor Doutor: Paulo Roberto Figueira Leal
Mestranda: Graciela Ramos Barbosa Bechara

Abril de 2018
Erving Goffman propõe esclarecer a relação do estigma (situação em que o
indivíduo se encontra impossibilitado pelo meio de obter uma aceitação social plena) com a
questão do desvio social - o qual demonstra ser determinado de acordo com o contexto no
qual os indivíduos estão inseridos. Busca compreender como estas relações são
estabelecidas e mantidas ao decorrer do convívio social. Sugere uma reflexão sobre a
formação da sociedade, onde o comportamento mais adequado é excluir o indivíduo que
difere dos demais.

O estigma tem uma história de significados que foram modificados e utilizados


como um recurso para designar o papel social que o indivíduo desempenha na sociedade -
ocasionando uma diferenciação entre a identidade social real dos sujeitos e as identidades
virtuais.

Há várias formas de o estigma ser percebido na sociedade, é importante ressaltar o


que este tipo de relação acarreta nos envolvidos. Procedendo a determinação de um estigma
e as ideologias que são desenvolvidas para explicá-lo, os indivíduos estigmatizados podem
ser afastados do círculo social e racionalizar o comportamento como meio de defesa. Cria-
se um padrão a ser seguido, mas que revela limitações.

No entanto, o autor ressalta que estes indivíduos tendem a ter as mesmas crenças
sobre a identidade, semelhantes aos indivíduos normais, pois estão inseridos na mesma
cultura, possuem os mesmos valores - conseqüência da interação com a sociedade em que
vivem. Tornam-se vítima de profissionais que proporcionam correções às consideradas
imperfeições, os quais aproveitam da fragilidade do momento e exploram o sofrimento
como meio de lucro, buscando a normalidade.

Erving Goffman ressalta que outro movimento que os indivíduos estigmatizados


podem desenvolver é de superar as barreiras impostas pelo social, aproximando-se ao
máximo do que consideram como normal, a fim de se sentirem mais aceitos. Os indivíduos
estigmatizados encontram características que podem ser compartilhadas e acabam
desenvolvendo as mesmas características de qualquer outro grupo, confirmando mais uma
vez que o aspecto humano está em todos independentemente das condições psicológicas,
físicas, sociais e econômicas.

No convívio social, os indivíduos estigmatizados acabam fornecendo modelos de


como os normais podem agir e compreenderem as reais necessidades (normalização),
fazendo com que as situações desagradáveis aumentem ou diminuam. Para Goffman, esse
processo de socialização traz ao indivíduo algumas situações de desvantagem, como no
caso de um estigma congênito (conviver com as dificuldades decorrentes das limitações) ou
adquirido (suportar as perdas e os ganhos ao longo da vida).

Como o próprio autor define, os estigmas não se restringem apenas às pessoas com
necessidades especiais, mas a todos os marginalizados pela sociedade - prostitutas, ex-
presidiários, negros, entre outros. A atitude protetora que muitos familiares têm com os
indivíduos estigmatizados pode provocar maiores preconceitos. Por não terem um convívio
social mínimo, podem se deparar com dificuldades que venham a surgir, quando estiverem
em contato com a sociedade.

O autor mostra que a identidade social e real dos indivíduos pode ser influenciada
ao entrar em contato com o estigmatizado. O indivíduo pode manipular as informações
referentes às limitações. Apesar de algumas serem visíveis, outras acabam tornando-se um
símbolo. Indivíduos que se sentem excluídos podem apresentar atitudes desidentificadoras -
para que não sejam reconhecidos ou marginalizados. A familiaridade reduz o menosprezo.
Os indivíduos somente deixarão de criar classificações quando fizerem parte do ambiente
dos diferentes, aprenderão assim a lidar com a diferença.

Segundo o autor, o reconhecimento social é desempenhado em uma cerimônia de


comunicação entre o indivíduo e a sociedade, fato importante para se sentir integrado ao
meio, compreendendo os vários eus.

Para os estigmatizados, a imagem real pode ser afetada pela virtual, o que
influenciará condutas. Podem surgir disfarces para que as limitações não fiquem em
evidência (encobrindo-os ou acobertando-os, por não saberem como a sociedade irá reagir).
Muitas vezes, o estigmatizado terá uma postura incompatível com o esperado, além de
gastar uma enorme energia psíquica para elaborar mentiras e ocultá-las.

Estas atitudes são mantidas devido à sociedade normalizadora na qual estão


inseridos. Podem compreender, segundo o autor, o encobrimento dos defeitos como atitudes
que o indivíduo desenvolve para esconder características limitantes ou discrepantes do
conceito padrão de normalidade. Já o acobertamento, seria um repertório que o indivíduo
cria para interagir com os outros sem ser identificado. Goffman reafirma que a identidade
do indivíduo é construída a partir das várias experiências sociais, onde as questões
subjetivas e reflexivas devem ser experimentadas.

O psicólogo não deve permitir que reforcem a imagem pública de um grupo


diferente, adquirindo uma postura que permita um espaço de escuta qualificado e não
incidir em preconceitos do senso comum. O indivíduo precisa se enxergar como não-
diferente de qualquer outro ser humano.

Goffman reforça a importância do contato social para que as barreiras dos


preconceitos sejam derrubadas, nada impede que façam parte do outro lado, daquele que é
excluído, marcado pelo social - o que torna interessante a reflexão sobre a forma pela qual
agem e reagem em relação às minorias.

O autor aponta uma definição a ser considerada, quando diz que o indivíduo
estigmatizado e o normal são parte um do outro. Conclui-se que estes indivíduos são apenas
expectativas geradas, em situações sociais durante os contatos estabelecidos, já que no final
ocupam o mesmo espaço - de acordo com o contexto no qual estão inseridos.