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LEI ORGÂNICA DO

DISTRITO FEDERAL
PARTE I
DOS FUNDAMENTOS
AM

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Lei Orgânica do Distrito Federal – Parte I
Dos Fundamentos
Prof. Wilson Garcia

SUMÁRIO

ESTRUTURA DO CURSO.......................................................................... 4
1. CONCEITO DE LODF ......................................................................... 4
2. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL DA LODF.................................... 5
3. NATUREZA JURÍDICA DA LODF........................................................ 5
4. ESTRUTURA DA LODF....................................................................... 6
5. NATUREZA JURÍDICA DO DISTRITO FEDERAL................................. 7
6. DOS FUNDAMENTOS DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES E DO
DISTRITO FEDERAL.............................................................................. 7
6.1 AUTONOMIA DO DISTRITO FEDERAL............................................ 8
6.1.2 FORMAS DE SOBERANIA POPULAR......................................................... 9
6.2 VALORES FUNDAMENTAIS DO DISTRITO FEDERAL.................... 11
6.3 OBJETIVOS PRIORITÁRIOS DO DISTRITO FEDERAL.................... 13

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Prof. Wilson Garcia

WILSON GARCIA
Graduado em Direito pela Universidade Católica Dom Bosco e
especialista em Direito Público pela Escola Superior do Ministério
Público, ambas as instituições localizadas em Mato Grosso do
Sul. Atualmente é Agente de Polícia Classe Especial da Polícia Ci-
vil do Distrito Federal. Já foi entrevistado na rádio Justiça, Hora
do Concurso, em Ago/2015. É autor de artigos em revistas es-
pecializadas na área jurídica e de diversos materiais disponíveis
Autor no Gran Cursos online.

LEI ORGÂNICA DO DISTRITO FEDERAL


Parte I - Dos Fundamentos

Seja bem-vindo(a) ao curso de Lei Orgânica do Distrito Federal (teoria e


questões) Parte I. O objetivo do nosso material é prepará-lo(a) de modo didático
e eficaz para a sua aprovação no concurso público da Secretaria de Educação.
O estudo de LODF é parecido com o estudo de Direito Constitucional e Direito
Administrativo, porém, com mais ênfase à parte legislativa do que à doutrinária.
Por isso, a função deste material é explicar o conteúdo de forma clara, com dicas
e macetes para você memorizar de forma sistemática todo o conteúdo exigido.
A LODF vem sofrendo constantes modificações, mas não se preocupe, pois este
trabalho em PDF é completamente atualizado, inclusive com questões novas
e adaptadas. Você encontrará questões comentadas, principalmente da Banca
CESPE/Cebraspe, separadas por Tópicos, com o objetivo de você treinar o seu
estudo de modo organizado. Não importa se você já sabe a matéria de LODF ou
se nunca a viu, o material é feito para agradar a todos, desde iniciantes até os
“experts”. Aqui você encontrará dicas mnemônicas, que são importantes ferra-
mentas para a sua memorização e formam um diferencial que, consequente-
mente, ajudará em sua aprovação. Se você ainda não foi aprovado em concurso
público, não desanime! Tenho certeza de que, com esta ferramenta didática e
sua disciplina, você logrará êxito em seu objetivo. E uma dica eu lhe dou:
“NÃO SE COMPARE, APERFEIÇOA-TE”.

Bora começar...

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ESTRUTURA DO CURSO

Este curso sobre Lei Orgânica do Distrito Federal (doravante LODF) é vol-
tado especialmente para o concurso da Secretaria de Estado de Educação do
Distrito Federal (SEEDF). Para melhor favorecer seu estudo, organizamos o
conteúdo de acordo com a seguinte estrutura.

Dos Fundamentos da Organização dos Poderes e do


Tópico I
Distrito Federal.
Tópico II Da organização do Distrito Federal.
Tópico III Da Organização Administrativa do Distrito Federal.
Tópico IV Dos Servidores Públicos.

Ao final de cada tópico de estudo, serão analisadas questões de concursos


anteriores sobre o tema em foco, acompanhadas por comentários do profes-
sor Wilson Garcia. Além disso, o docente preparou algumas questões inéditas
com ênfase nas inovações da legislação, que serão também trabalhadas para
melhor prepará-lo para seu concurso.
O presente material está em conformidade com as atualizações legislati-
vas, e o edital normativo n. 23-SEEDF, de 13 de outubro de 2016, referente ao
concurso público para o provimento de vagas de formação e cadastro de re-
serva em cargos das carreiras de magistério público e assistência à educação.

Dos Fundamentos da Organização dos Poderes e do


Tópico 01
Distrito Federal.

1. CONCEITO DE LODF

Lei Orgânica do Distrito Federal é uma norma fundamental, promulgada


pela Câmara Legislativa do Distrito Federal. Seu objetivo é organizar o exer-
cício do poder, fortalecer as instituições democráticas e os direitos da pessoa
humana, de modo a respeitar os preceitos da Constituição da Federal (CF).

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2. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL DA LODF

A LODF foi criada tendo em vista a norma mandamental do artigo 32,


caput, da CF a qual determina que o Distrito Federal (DF) reger-se-á por lei
orgânica. Essa lei deverá ser votada em dois turnos com interstício mínimo de
dez dias, e aprovada por dois terços da Câmara Legislativa, que a promulgará,
atendidos os princípios estabelecidos na Constituição.
Com base nessa ordem constitucional, em 08 de junho de 1993 a LODF
foi promulgada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal.

3. NATUREZA JURÍDICA DA LODF

A LODF ora trata de assunto de caráter municipal, ora trata de assunto de


caráter estadual (logicamente dentro da sua região). Diante desse sistema
híbrido (misto, heterogêneo), fica a indagação: qual é a natureza jurídica da
LODF? Uma lei de equivalência de Lei Orgânica Municipal ou de equivalência
de Constituição Estadual? Apesar da divergência encontrada na doutrina, para
prova de concursos, leve a informação de que a LODF, segundo o enten-
dimento do Supremo Tribunal Federal (STF), tem status, qualidade e
equivalência de Constituição Estadual.

ADI 980/ DF – DISTRITO FEDERAL AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONA-


LIDADE
Relator(a): Min. MENEZES DIREITO
Julgamento: 06/03/2008
Órgão Julgador: Tribunal Pleno
4. A Lei Orgânica tem força e autoridade equivalentes a um verdadeiro es-
tatuto constitucional, podendo ser equiparada às Constituições promulga-
das pelos estados-membros, como assentado no julgamento que deferiu a
medida cautelar nesta ação direta.
Graficamente a LODF está logo abaixo da CF e ao lado de uma Constituição
Estadual, conforme ilustração a seguir.

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Dessa forma, como toda norma jurídica, a LODF deve ser compatível à
Constituição Federal, com base no princípio da supremacia da constituição.

4. ESTRUTURA DA LODF

A LODF é composta de três partes:


• Preâmbulo;
• Corpo com 365 artigos; e
• Atos das Disposições Transitórias com 59 artigos.

Preâmbulo é um texto preliminar, não normativo, que expõe a intenção do


texto normativo que o segue, dando-lhe origem e legitimidade; porém, tem for-
ça interpretativa e integração da norma. Ele vem antes do artigo 1º da LODF,
a qual possui o seguinte preâmbulo:

Sob a proteção de Deus, nós, Deputados Distritais, legítimos representantes


do povo do Distrito Federal, investidos de Poder Constituinte, respeitando os
preceitos da Constituição da República Federativa do Brasil, promulgamos a pre-
sente Lei Orgânica, que constitui a Lei Fundamental do Distrito Federal, com o
objetivo de organizar o exercício do poder, fortalecer as instituições democráticas
e os direitos da pessoa humana.

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Em relação aos 365 artigos do corpo da LODF, é importante destacar que já


foram realizadas 98 emendas, inclusive, algumas delas são importantes para
compatibilizar a LODF com a CF. A sorte é que, para o concurso da SEEDF, não
foi exigido o conhecimento de toda norma, apenas os tópicos citados no início
deste trabalho.
É importante ter em conta que os Atos de Disposições transitórias também
não têm relevância para o concurso da SEEDF.

5. NATUREZA JURÍDICA DO DISTRITO FEDERAL

O Distrito Federal é uma pessoa jurídica de direito público interno (não é


direito público internacional) e pertence à organização político-administrativa
da República Federativa do Brasil.

Uma informação muito cobrada nas provas de concurso é: qual seria a


capital do Brasil? Distrito Federal ou Brasília?
Não caia na pegadinha, a capital do Brasil é Brasília, e não o Distrito
Federal.

Assim dispõe o artigo 6º da LODF:

Art. 6º Brasília, Capital da República Federativa do Brasil, é a sede do go-


verno do Distrito Federal.

6. DOS FUNDAMENTOS DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES E DO


DISTRITO FEDERAL

Os fundamentos da organização dos poderes e do Distrito Federal estão


disciplinados nos artigos 1º a 5º da LODF.
Veremos então, nos demais tópicos, os assuntos específicos a essa temática.
• Autonomia do DF (artigo 1º).
• Valores fundamentais do DF (artigo 2º).
• Objetivos prioritários (artigo 3º).
• Direito de petição ou representação (artigo 4º).
• Formas de soberania popular (artigo 5º).

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6.1 AUTONOMIA DO DISTRITO FEDERAL

O artigo 18 da CF estabelece que “a organização político-administrati-


va da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distri-
to Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição”.
Em outra passagem constitucional, no artigo 1º, caput, nota-se que a Repú-
blica Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados,
Municípios e do Distrito Federal.
Percebe-se que o Distrito Federal possui autonomia. Cuidado para
não cair na pegadinha: o Distrito Federal, como os demais entes federativos
(União, Estados e Municípios), possui autonomia, e não soberania. Quem
possui soberania é a República Federativa do Brasil, sendo esse um de
seus fundamentos (artigo 1, I, da CF).
Outro ponto interessante é que, apesar de o DF possuir autonomia como os
demais entes federativos, ele não pode realizar a chamada “secessão”, ou
seja, o Distrito Federal é proibido de se retirar ou se separar do Brasil.
Dessa forma, não pode o DF se tornar um país soberano, pois esse ato viola-
ria as normas constitucionais, sujeito à intervenção federal. Isso decorre do
princípio da indissolubilidade (indissociabilidade) do vínculo federativo.
Outro ponto importante, a saber, é: quais são as autonomias do DF?
Dispõe o artigo 1º, caput, da LODF:

Art. 1º O Distrito Federal, no pleno exercício de sua autonomia política,


administrativa e financeira, observados os princípios constitucionais, reger-
-se-á por esta Lei Orgânica (grifo nosso).

Aqui temos um macete: PAF.

Política
Administrativa
Financeira

Logo, se uma questão em sua prova afirmar que o DF possui autonomia


política, você pode marcar como certo. Contudo, se afirmar que apenas pos-
sui autonomia política, a questão fica errada, pois o DF possui autonomia
política, administrativa e financeira.

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Autonomia Política: capacidade de auto-organização, por exemplo, elei-


ção de Governador e Deputados; capacidade legislativa.
Autonomia Administrativa: capacidade de autoadministração, por exem-
plo, realização de concursos públicos e licitação.
Autonomia Financeira: capacidade de arrecadação e distribuição de seu
orçamento, por exemplo, arrecadação de tributos e destinação dos seus tributos.

Por fim, o parágrafo único do artigo 1º da LODF informa que “todo o poder
emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou direta-
mente, nos termos da Constituição Federal e desta Lei Orgânica”.
Na expressão “todo o poder emana do povo”, há de se observar que o ti-
tular do poder é o povo, pois a palavra ‘emana’ significa provém, deriva. Logo,
o poder provém do povo. O povo pode exercer esse poder diretamente, por
meio das formas de soberania popular (tema do tópico seguinte), ou indireta-
mente, por meio de seus representantes eleitos, como no caso em que o povo
elege o Deputado Distrital para que este defenda o interesse daquele.

6.1.2 FORMAS DE SOBERANIA POPULAR

O artigo 5º da LODF estabelece o seguinte.

Art. 5º A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto dire-
to e secreto, com valor igual para todos e, nos termos da lei, mediante:

I – plebiscito;
II – referendo;
III – iniciativa popular.

Vamos então analisar cada item desse artigo.


• Soberania popular: a decisão do povo prevalece, tendo-se em vista
que vivemos em um Estado Democrático de Direito.
• Sufrágio: direito de escolha do povo, com capacidade de votar (capaci-
dade ativa) e ser votado (capacidade passiva).
• Universal: todos aqueles que a CF permitir podem votar e ser votados,
sem discriminação. Logo, o sufrágio é universal, e não restrito (qualitativo).

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• Voto direto: a pessoa vota diretamente em seu representante.


• Voto secreto: o voto é sigiloso, sendo crime a sua violação.
• Com valor igual para todos: cada cidadão tem o mesmo peso em seu
voto – é a ideia de “um homem, um voto”.

Visto isso, vamos agora para as formas de soberania popular previstas na


LODF; aqui temos uma dica: “PRIP”.

Plebiscito
Referendo
Iniciativa Popu-
lar

Tome cuidado, se a questão da sua prova informar que a soberania


popular será exercida exclusivamente pelo refendo, a questão estará
errada, pois vimos que temos três formas de soberania popular.

Vamos analisar cada uma.


No plebiscito, antes de ser criado ao ato legislativo, far-se-á consulta pré-
via ao cidadão que possui título de eleitor.
No referendo, o ato legislativo está quase pronto, mas necessita de ratifi-
cação ou rejeição do cidadão que possui título de eleitor. Nesse caso tínhamos
o exemplo do artigo 19, § 7º, inciso I, acrescido pela ELO 92/2015, o qual
informava que a privatização de empresa pública ou sociedade de economia
mista ficava condicionada à autorização legislativa (quórum de 2/3 para apro-
vação da CLDF) e dependia de manifestação favorável da população, sob a
forma de referendo. Ocorre que tal modificação da LODF foi recentemente
(28/06/2016) declarada inconstitucional pelo TJDFT na ADI n. 2015 00
2 030649-3, tendo-se em vista que houve vício formal na proposta da ELO
92/2015, pois ocorreu vício de iniciativa por ter sido a proposta dessa ELO
elaborada por parlamentar, mas, no caso, trata de matéria cuja competência
é privativa do Governador do Distrito Federal. Dessa forma o artigo 19, §7º, I,
da LODF não tem mais validade.

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Na iniciativa popular, é capacidade do cidadão apresentar proposta de


emenda à LODF (artigo 76), ou de projeto de lei (artigo 76), ou, ainda, de re-
querimento de instauração de CPI (artigo 68, § 3º).
Para a prova da SEEDF, basta saber as formas de soberania popular “PRIP”,
não há a necessidade de aprofundar sobre esse tema, tendo em vista que seria
objeto fora do edital.

6.2 VALORES FUNDAMENTAIS DO DISTRITO FEDERAL

Este é o tema campeão das provas de concursos. Mas de antemão já lhe


aviso para não confundir os valores fundamentais com os objetivos prioritários.

Existem diferenças entre esses institutos, conforme quadro subsequente.

VALORES FUNDAMENTAIS OBJETIVOS PRIORITÁRIOS

Previsão artigo 2º da LODF. Previsão artigo 3º da LODF.

São iniciados por verbos (garantir,


promover, assegurar, preservar, pro-
São iniciados por substantivos.
porcionar, dar, valorizar, desenvolver,
zelar, proteger e defender).

Segue uma dica para você se lembrar quais são os valores fundamentais
do DF: 4P-DIVA.

Preservação de sua autonomia como unidade federativa


Plena cidadania
Pluralismo Político
DIgnidade da pessoa humana
VAlores sociais do trabalho e da livre iniciativa

Não confunda os valores fundamentais previstos na LODF com os funda-


mentos da República Federativa do Brasil, previsto no artigo 1º da CF, pois são
parecidos: a soberania; a cidadania a dignidade da pessoa humana; os
valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; o pluralismo político.

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O artigo 2º, parágrafo único, da LODF ainda informa o princípio da isono-


mia (igualdade), o qual veda a discriminação ou o prejuízo em razão de:
• nascimento;
• idade;
• etnia;
• raça;
• cor;
• sexo;
• características genéticas (acrescido pela ELO 65/2013);
• estado civil;
• trabalho rural ou urbano;
• religião;
• convicções políticas ou filosóficas;
• orientação sexual;
• deficiência física, imunológica, sensorial ou mental;
• por ter cumprido pena.

O próprio artigo citado informa que ninguém pode ser prejudicado ou dis-
criminado por qualquer particularidade ou condição, isso demonstra que o
rol é exemplificativo (numerus apertus), não é taxativo (numerus clausus).
O princípio da isonomia não é exclusivo das pessoas físicas. O artigo 21 da
LODF expressa que é vedado discriminar ou prejudicar qualquer pessoa pelo
fato de haver litigado (processado) ou estar litigando (processando) contra os
órgãos públicos do Distrito Federal, nas esferas administrativa ou judicial, sen-
do que as pessoas físicas ou jurídicas que se considerarem prejudicadas pode-
rão requerer revisão dos atos que derem causa a eventuais prejuízos. Sendo
assim, por exemplo, se você tem um processo judicial ou administrativo contra
o DF, não pode ser impedido de assumir um cargo efetivo por esse motivo.
É importante ter em mente que o STF admite as denominadas ações afirma-
tivas (positivas), que são o estabelecimento de cotas ou critérios diferenciado-
res de tratamento para pessoas que se encontrem em situações diferenciadas.
São políticas públicas voltadas à concretização do princípio constitucional da
igualdade material e à neutralização dos efeitos decorrentes de fatos históricos

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motivados pela discriminação racial, de gênero, de idade, de origem nacional


e de compleição física.
Conforme entende o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, “a igualdade
deixa de ser simplesmente um princípio jurídico a ser respeitado por todos,
e passa a ser um objetivo constitucional a ser alcançado pelo Estado e pela
sociedade” (ADPF – 186).
Por exemplo, no DF, o artigo 12 da LC 840/2011 estabelece que o edital de
concurso público tem de reservar 20% das vagas para serem preenchidas por
pessoa com deficiência.

6.3 OBJETIVOS PRIORITÁRIOS DO DISTRITO FEDERAL

Outro tema muito cobrado em provas de concursos públicos diz respeito


aos objetivos prioritários do Distrito Federal. Como citado no item 6.2, uma
dica é que todos os objetivos prioritários começam com verbos no infini-
tivo (mas você deve analisar todo o enunciado da questão, as dicas servem
para te orientar na prova, e não para que você realize a questão às cegas).
Vamos então analisar cada objetivo prioritário previsto no artigo 3º da
LODF e apontar a sua relevância em concursos públicos.

Art. 3º, I – garantir e promover os direitos humanos assegurados na


Constituição Federal e na Declaração Universal dos Direitos Humanos;

Por exemplo, não pode um aluno ser maltratado na escola, tendo-se em


vista que é considerado um direito humano ninguém ser submetido a tortura
nem a tratamento desumano ou degradante (artigo 5, III, da CF).

Art. 3º, II – assegurar ao cidadão o exercício dos direitos de iniciativa que


lhe couberem, relativos ao controle da legalidade e legitimidade dos atos do
Poder Público e da eficácia dos serviços públicos,

Sobre isso, o artigo 20 da LODF expressa a responsabilidade civil do Esta-


do, ao estabelecer que as pessoas jurídicas de direito público e as de direito

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privado, prestadoras de serviços públicos, responderão pelos danos que seus


agentes, nesta qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de re-
gresso contra o responsável em casos de dolo ou culpa.
O artigo 30 da LODF estabelece que a lei disporá sobre participação popular
na fiscalização da prestação dos serviços públicos do Distrito Federal.
Foi, inclusive, inserido o parágrafo 4º no artigo 22 da LODF, pela ELO
80/2014, o qual determina que a lei deve disciplinar as formas de participação
do usuário na administração pública direta e indireta, regulando especialmen-
te: as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, as-
segurada a manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação
periódica externa e interna da qualidade dos serviços; o acesso dos usuários
a registros administrativos e informações sobre atos de governo, observado
o disposto no artigo 5º, X e XXXIII, da Constituição Federal; a representação
contra o exercício negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na ad-
ministração pública.

III – preservar os interesses gerais e coletivos;


IV – promover o bem de todos;
V – proporcionar aos seus habitantes condições de vida compatíveis com
a dignidade humana, a justiça social e o bem comum;

Lembre-se de que a dignidade da pessoa humana é um valor fundamental.

VI – dar prioridade ao atendimento das demandas da sociedade nas áreas


de educação, saúde, trabalho, transporte, segurança pública, moradia, sanea-
mento básico, lazer e assistência social;

Esse inciso é muito cobrado nas provas de concursos. Repare que a LODF
destacou algumas áreas como prioridade do DF – temos aqui uma dica:
“SANBAS É LAZER – MORA em SP – TST”

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SANeamento
Básico
Assistência
Social
Educação
LAZER
MORAdia
Segurança
Pública
Trabalho
Saúde
Transporte

Não constam entre as prioridades: previdência social, proteção à ma-


ternidade e à infância, assistência aos desamparados, cultura e alimen-
tação.

VII – garantir a prestação de assistência jurídica integral e gratuita aos


que comprovarem insuficiência de recursos;

Este é outro inciso muito cobrado em provas de concursos. O DF deve ga-


rantir a prestação de assistência jurídica integral e gratuita, mas apenas
para pessoa que comprove (não basta declarar) a insuficiência de recur-
sos. Logo, não é para qualquer pessoa.

Cuidado, não confunda isso com o direito de petição, conforme quadro a


seguir.

ASSISTÊNCIA
DIREITO DE PETIÇÃO
JURÍDICA

Artigo 4º da LODF – É assegurado o Artigo 3º, VII, LODF – Garan-


exercício do direito de petição ou repre- tir a prestação de assistência
sentação, independentemente de paga- jurídica integral e gratuita aos
mento de taxas ou emolumentos, ou de que comprovarem insuficiência
garantia de instância. de recursos.

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Independe de pagamento. Independe de pagamento.

Para as pessoas que comprova-


Para todos os indivíduos.
rem a insuficiência de recursos.

NÃO é objetivo prioritário. É objetivo prioritário.

VIII – preservar sua identidade, adequando as exigências do desenvolvi-


mento à preservação de sua memória, tradição e peculiaridades;
IX – valorizar e desenvolver a cultura local, de modo a contribuir para a
cultura brasileira;

Esses dois incisos estão relacionados à cultura do Distrito Federal.


Art. 3º, X – assegurar, por parte do Poder Público, a proteção individualizada à
vida e à integridade física e psicológica das vítimas e das testemunhas de infra-
ções penais e de seus respectivos familiares;

Este também é outro objetivo muito cobrado em provas de concursos.


Ao se analisar o inciso X, verifica-se que as pessoas protegidas são:
• vítimas;
• testemunhas; e
• respectivos familiares.

Protege-se:
• a vida;
• a integridade física; e
• a integridade psicológica.

Isso ocorre no caso de infrações penais (crimes e contravenções), como,


por exemplo: uma testemunha de um homicídio que esteja sendo ameaçada;
um professor que tenha sido agredido por um aluno; a esposa de uma tes-
temunha chave em um processo de corrupção, que venha a sofrer atentado
contra a sua vida.

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XI – zelar pelo conjunto urbanístico de Brasília, tombado sob a ins-


crição n. 532 do Livro do Tombo Histórico, respeitadas as definições e crité-
rios constantes do Decreto n. 10.829, de 2 de outubro de 1987, e da Portaria
n. 314, de 8 de outubro de 1992, do então Instituto Brasileiro do Patrimônio
Cultural – IBPC, hoje Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional –
IPHAN;

XII – promover, proteger e defender os direitos da criança, do adoles-


cente e do jovem.
Isso é uma novidade na LODF, já que esse objetivo prioritário foi acrescido
pela ELO 73/2014.

Logo, cabe ao DF realizar três condutas:


• promover;
• proteger; e
• defender.

Sobre três pessoas – dica CAJ.

Criança
Adolescente
Jovem

Para melhor lidar com esse princípio fundamental, é importante considerar que:
• criança é a pessoa com até 12 anos de idade incompletos (artigo 2º,
caput, da Lei n. 8.069/1990 – Estatuto da Criança e Adolescente);
• adolescente é a pessoa com idade entre 12 e 18 anos (artigo 2º, caput,
da Lei n. 8.069/1990 – Estatuto da Criança e Adolescente); e
• jovem é a pessoa com idade entre 15 e 29 anos (artigo 1º, § 1º, Lei n.
12.852/2013 – Estatuto do Jovem).

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Essa inovação na LODF foi baseada nos seguintes fundamentos legislativos:


• artigo 227 da Constituição Federal; e
• artigo 4º da Lei n. 8.069/1990 (Estatuto da Criança e Adolescente).

Não está previsto expressamente na LODF como objetivo prioritá-


rio promover, proteger e defender os direitos do idoso (pessoa com
idade igual ou superior a 60 anos, conforme o artigo 1º da Lei n.
10.741/2003-Estatuto do Idoso).

Não confunda estes objetivos prioritários da LODF com os previstos na CF


em seu artigo 3º:

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:


I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II – garantir o desenvolvimento nacional;
III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e
regionais;
IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade
e quaisquer outras formas de discriminação.

Assim, fechamos aqui a teoria do primeiro tópico relativo a: Dos Funda-


mentos da Organização dos Poderes e do Distrito Federal.

Depois da teoria, é importante praticar o conteúdo. A seguir você encon-


trará questões comentadas – contempladas em certames anteriores – e seus
respectivos gabaritos. Lembre-se de que a resolução de questões é uma etapa
fundamental para seus estudos.

QUESTÕES COMENTADAS

30. (MPDFT/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2011) A Lei Orgânica do Distrito Federal


tem força e autoridade equivalentes às das Constituições promulgadas pelos
estados-membros.

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Segundo o STF, a LODF tem status de Constituição Estadual, apesar de


ter nome parecido com Lei Orgânica Municipal (ADI 980/DF).

31. (CESPE/IBRAM/ANALISTA DE ATIVIDADES DO MEIO AMBIENTE/2009) A


LODF prevê expressamente que o Distrito Federal (DF) é a capital da República
Federativa do Brasil.

Tanto a CF quanto a LODF expressam que a capital federal é Brasília


(artigo 6º).

32. (FUNIVERSA/SEPLAG-DF/PROFESSOR/FISIOTERAPIA/2010) O DF integra


a Federação e mantém resguardada a sua personalidade de Direito Público
Internacional.

O DF integra a federação, porém possui personalidade jurídica de Direi-


to Público Interno, e não de Direito Público Internacional.

33. (CESPE/INSTITUTO RIO BRANCO/DIPLOMATA/2014) A ordem constitucio-


nal brasileira não admite o chamado direito de secessão, que possibilita que
os estados, o Distrito Federal e os municípios se separem do Estado Federal,
preterindo suas respectivas autonomias, para formar centros independentes
de poder.

O artigo 2º da LODF informa que o Distrito Federal integra a união indis-


solúvel da República Federativa do Brasil, ou seja, veda a denominada
secessão que seria um ato de retirada política do DF do Brasil, tornan-
do-se soberano.

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34. (FUNIVERSA/PM-DF/SOLDADO DA POLÍCIA MILITAR/COMBATENTE/2013)


O DF encontra-se no pleno exercício de sua autonomia política e administrati-
va, não gozando, porém, de autonomia financeira.

O artigo 1º da LODF determina que o Distrito Federal possui autonomia


política, administrativa e financeira. É só lembrar do macete PAF.

35. (FCC/PGE/BA/ANALISTA DE PROCURADORIA/ ÁREA DE APOIO ADMINIS-


TRATIVO/2013) O plebiscito é uma das formas de expressão da soberania
popular.

O artigo 5º da LODF informa que as formas de soberania popular são


plebiscito, referendo e iniciativa popular. É só lembrar do macete PRIP.
A questão citou um dos casos, sem restringir, não informou que somen-
te seria o plebiscito.

36. (CESPE/PM-DF/SOLDADO DA POLÍCIA MILITAR/2009) O plebiscito popu-


lar é uma das formas do exercício da soberania popular, vedado àqueles que
declararem conviver em união homossexual, quando se tratar de matéria afeta
a essa temática.

O artigo 5º da LODF informa que as formas de soberania popular são


plebiscito, referendo e iniciativa popular. Ocorre que a questão asse-
vera que seria vedado a pessoas que declararem conviver em união
homossexual participar desse ato, o que, na realidade, viola o princípio
da isonomia, previsto no parágrafo único do artigo 2º, o qual, inclusive,
expressa que ninguém será discriminado ou prejudicado em razão de
orientação sexual.

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37. (CESPE/DFTRANS/TÉCNICO/2008) No DF, a soberania popular é exercida


exclusivamente mediante plebiscito e referendo.

Temos 3 (três) formas de soberania popular – PRIP: plebiscito, refe-


rendo e iniciativa popular (artigo 5º), e não, exclusivamente, plebis-
cito e referendo.

38. (FUNIVERSA/PM-DF/SOLDADO DA POLÍCIA MILITAR/COMBATENTE/2013)


A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e
secreto, com valor igual para todos e, nos termos da lei, mediante plebiscito,
referendo e ação popular.

Temos 3 (três) formas de soberania popular – PRIP: plebiscito, refe-


rendo e iniciativa popular (artigo 5º). A questão é maldosa, pois trocou
inciativa popular por ação popular.

39. (FUNIVERSA/SEPLAG-DF/PROFESSOR/FISIOTERAPIA/2010) A Lei Orgâni-


ca permite ao DF retirar-se da Federação, tendo em vista sua característica
especial de capital da República.

A LODF informa que o DF integra a união indissolúvel da República Federa-


tiva do Brasil (artigo 2º), desse modo, é vedada a secessão, o ato de reti-
rada. Além disso, a capital da República é Brasília, e não o DF (artigo 6º).

40. (FUNIVERSA/DETRAN-DF/AGENTE DE TRÂNSITO/2012) Um dos valores


fundamentais do DF é assegurar ao cidadão o exercício dos direitos de iniciati-
va que lhe couberem, relativos ao controle da legalidade e da legitimidade dos
atos do poder público e da eficácia dos serviços públicos.

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O artigo 3º, II, da LODF elenca como objetivo prioritário do DF “as-


segurar ao cidadão o exercício dos direitos de iniciativa que lhe cou-
berem, relativos ao controle da legalidade e legitimidade dos atos do
Poder Público e da eficácia dos serviços públicos”.
Repare que há um verbo no infinitivo (assegurar). Essa já é uma dica de
que isso é objetivo prioritário. Logo, não é valor fundamental, mas sim
objetivo prioritário.

41. (CESPE/DETRAN-DF/AUXILIAR DE TRÂNSITO/2009) É objetivo prioritário


do DF garantir a prestação de assistência jurídica integral e gratuita aos que
comprovem insuficiência de recursos.

O artigo 3, VII, da LODF elenca como objetivo prioritário do DF “garantir


a prestação de assistência jurídica integral e gratuita aos que compro-
varem insuficiência de recursos”.

42. (FUNIVERSA/PC-DF/AGENTE DE POLÍCIA/2009) Aos que comprovarem


insuficiência de recursos, será garantida a prestação de assistência jurídica
gratuita e integral, inclusive contra o próprio Distrito Federal.

O artigo 3, VII, da LODF, indica como objetivo prioritário do DF “garan-


tir a prestação de assistência jurídica integral e gratuita aos que com-
provarem insuficiência de recursos”. Além disso, o artigo 21 da LODF
expressa que é vedado discriminar ou prejudicar qualquer pessoa pelo
fato de haver litigado (processado) ou estar litigando (processando)
contra os órgãos públicos do Distrito Federal, nas esferas administrativa

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ou judicial, sendo que as pessoas físicas ou jurídicas que se considera-


rem prejudicadas poderão requerer revisão dos atos que derem causa
a eventuais prejuízos.
Logo, realizando uma intepretação sistemática desses dispositivos, con-
clui-se que, aos que comprovarem insuficiência de recursos, será ga-
rantida a prestação de assistência jurídica gratuita e integral inclusive
contra o próprio Distrito Federal. Caso contrário, estaríamos realizando
uma discriminação contra quem pretende ajuizar uma ação judicial con-
tra o DF.

43. (UNIVERSA/ENFERMEIRO-DF/2011) De acordo com a LODF, é objetivo


prioritário do DF: garantir a prestação de assistência jurídica a todos os cida-
dãos, independentemente de sua condição financeira.

O artigo 3, VII, da LODF elenca como objetivo prioritário do DF “garantir


a prestação de assistência jurídica integral e gratuita aos que compro-
varem insuficiência de recursos”. Nota-se que é requisito dessa garantia
comprovar a insuficiência de recursos, ou seja, depende da condição
financeira da pessoa.

44. (FUNIVERSA/PM-DF/SOLDADO DA POLÍCIA MILITAR/COMBATENTE/


2013) É assegurado o exercício do direito de petição ou representação. O
pagamento de taxas ou emolumentos, ou de garantia de instância, serão
dispensados para aqueles que provarem não dispor de condições financeiras
suficientes para tanto.

Não confunda direito de petição com assistência jurídica!!!

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DIREITO DE PETIÇÃO ASSISTÊNCIA JURÍDICA

Artigo 4º da LODF – É assegurado o


exercício do direito de petição ou repre- Artigo 3º, VII, LODF – Garantir a prestação
sentação, independentemente de paga- de assistência jurídica integral e gratuita aos
mento de taxas ou emolumentos, ou de que comprovarem insuficiência de recursos.
garantia de instância.

Independe de pagamento. Independe de pagamento.

Para as pessoas que comprovarem a insufici-


Para todos os indivíduos.
ência de recursos.

NÃO é objetivo prioritário. É objetivo prioritário.

Logo, o direito de petição é para todas as pessoas, independentemente


da sua condição financeira. Ou seja, não importa se você é rico e mora
em uma região nobre ou se é hipossuficiente e mora na periferia, em
ambos os casos será assegurado o direito de petição.

45. (CESPE/SEAPA-DF/TÉCNICO DE DESENVOLVIMENTO E FISCALIZAÇÃO


AGROPECUÁRIA/2009) A garantia da prestação de assistência jurídica integral
e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recurso é um dos objetivos
prioritários do DF.

O artigo 3, VII, da LODF elenca como objetivo prioritário do DF “garantir


a prestação de assistência jurídica integral e gratuita aos que compro-
varem insuficiência de recursos”.

46. (FUNIVERSA/SEPLAG-DF/PROFESSOR/FISIOTERAPIA/2010) É assegura-


do o exercício do direito de petição ou representação, mediante o pagamento
de taxas ou emolumentos, ou de garantia de instância.

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O direito de petição, apesar de não ser objetivo prioritário, independe de pa-


gamento de taxas ou emolumentos, ou de garantia de instância (artigo 4º).

47. (FUNIVERSA/ENFERMEIRO-DF/2011) De acordo com a LODF, é objetivo


prioritário do DF: assegurar o exercício de petição ou representação indepen-
dentemente do pagamento de taxa.

O direito de petição, apesar de independer de pagamento, não está


elencado como objetivo prioritário (artigo 4º). O fato de começar com
verbo não garante que será sempre objetivo prioritário.

48. (CESPE/DETRAN-DF/ANALISTA/ADVOCACIA/2009) Previsto na LODF, é


objetivo prioritário do DF assegurar a proteção individualizada à vida e à inte-
gridade física e psicológica das vítimas e das testemunhas de infrações penais
e de seus respectivos familiares.

O artigo 3, X, elenca como objetivo prioritário do DF “assegurar, por


parte do Poder Público, a proteção individualizada à vida e à integridade
física e psicológica das vítimas e das testemunhas de infrações penais e
de seus respectivos familiares”.

49. (CESPE/DFTRANS/ANALISTA/2008) Um dos objetivos prioritários do DF é


assegurar, por parte do poder público, a proteção individualizada à integridade
psicológica das testemunhas de infrações penais.

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Ao se analisar o inciso X do artigo 3º da LODF, verifica-se que as pesso-


as protegidas são:
• vítimas;
• testemunhas; e
• respectivos familiares.
Protege-se:
• a vida;
• a integridade física; e
• a integridade psicológica.

A questão não restringiu o âmbito de aplicação e proteção, apenas


exemplificou um dos objetivos prioritários do DF, dentro dos elencados
na LODF.

50. (UNIVERSA/ENFERMEIRO-DF/2011) De acordo com a LODF, é objetivo


prioritário do DF zelar pelo pluralismo político.

Em nenhum momento a LODF elenca como objetivo prioritário do DF


zelar o Pluralismo Político. O pluralismo político é um dos valores funda-
mentais do DF (artigo 2, V).

51. (FUNIVERSA/PM-DF/SOLDADO DA POLÍCIA MILITAR/COMBATENTE/ 2013)


A preservação da autonomia do DF como unidade federativa constitui-se em
um dos seus objetivos prioritários.

Os valores fundamentais do DF estão entre os “4P DIVA” previstos no


artigo 2º da LODF:

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• Preservação de sua autonomia como unidade federativa


• Plena cidadania
• Pluralismo Político
• DIgnidade da pessoa humana
• VAlores sociais do trabalho e da livre iniciativa
Já os objetivos prioritários estão previstos no artigo 3º da LODF.

52. (FUNIVERSA/DETRAN-DF/AGENTE DE TRÂNSITO/2012) O pluralismo polí-


tico e o atendimento prioritário da demanda da sociedade na área de educação
são valores fundamentais do DF.

O pluralismo político é valor fundamental do DF (artigo 2, V), e dar prio-


ridade à área da educação é objetivo prioritário (artigo 3, VI).
Examinador gosta de tentar enganar candidato, fique atento!

53. (CESPE/BRB/ESCRITURÁRIO/2010) A referida Lei (LODF) veda discrimi-


nar ou prejudicar qualquer pessoa pelo fato de haver litigado contra órgãos
públicos do DF, nas esferas administrativa ou judicial. Referida vedação, po-
rém, só se aplica à discriminação de pessoas físicas, não se estendendo a
pessoas jurídicas.

O Artigo 21 da LODF veda discriminar ou prejudicar qualquer pessoa


pelo fato de haver litigado ou estar litigando contra os órgãos públicos
do Distrito Federal, nas esferas administrativa ou judicial. Isso é aplicá-
vel tanto para pessoa física (natural), quanto para pessoa jurídica.
O parágrafo único do citado artigo menciona que “as pessoas físicas ou
jurídicas que se considerarem prejudicadas poderão requerer revisão
dos atos que derem causa a eventuais prejuízos”.

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54. (CESPE/TÉCNICO LEGISLATIVO/2005) A vedação de tratamento discrimi-


natório, em razão da idade, etnia, cor, sexo, estado civil, religião, convicções
políticas, orientação sexual, deficiência física, entre outros, não está expressa
na LODF porque já se encontra explícita na Constituição Federal.

O artigo 2, § único da LODF, expressa que “ninguém será discriminado


ou prejudicado em razão de nascimento, idade, etnia, raça, cor, sexo,
características genéticas, estado civil, trabalho rural ou urbano, reli-
gião, convicções políticas ou filosóficas, orientação sexual, deficiência
física, imunológica, sensorial ou mental, por ter cumprido pena, nem
por qualquer particularidade ou condição, observada a Constituição
Federal”. Logo, apesar de possuir o princípio da igualdade na CF, tam-
bém há previsão na LODF.

GABARITO

1. E 15. E
2. E 16. C
3. E 17. E
4. C 18. E
5. E 19. C
6. C 20. C
7. E 21. E
8. E 22. E
9. E 23. E
10. E 24. E
11. E 25. E
12. C
13. E
14. E

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LEI ORGÂNICA DO
DISTRITO FEDERAL
PARTE II
DA ORGANIZAÇÃO
IZ DO DISTRITO FEDERAL

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SUMÁRIO
1.CAPITAL DO BRASIL........................................................................... 4
2. SÍMBOLOS DO DF.............................................................................. 5
3. TERRITÓRIO DO DF........................................................................... 9
4. INTEGRAÇÃO DO DF....................................................................... 10

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WILSON GARCIA
Graduado em Direito pela Universidade Católica Dom Bosco e
especialista em Direito Público pela Escola Superior do Ministério
Público, ambas as instituições localizadas em Mato Grosso do
Sul. Atualmente é Agente de Polícia Classe Especial da Polícia Ci-
vil do Distrito Federal. Já foi entrevistado na rádio Justiça, Hora
do Concurso, em Ago/2015. É autor de artigos em revistas es-
pecializadas na área jurídica e de diversos materiais disponíveis
Autor no Gran Cursos online.

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DA ORGANIZAÇÃO DO DISTRITO FEDERAL

Após passarmos pelo tópico um, analisaremos o tópico dois, o qual trata da
organização do Distrito Federal.

Esse tópico é curto, mas muito importante para a prova. Serão abordados
os seguintes temas:
• Capital do Brasil (artigo 6);
• Símbolos do DF (artigo 7º);
• O território do DF (artigo 8º); e
• A integração do DF (artigo 9º).

1.CAPITAL DO BRASIL

A CF, em seu artigo 18, § 1º, informa que Brasília é a Capital Federal.
O artigo 6º da LODF estabelece que:

Art. 6º Brasília, Capital da República Federativa do Brasil, é a sede do governo do


Distrito Federal.

Com base nesse artigo, podemos afirmar que a capital do Brasil é Brasília.
Não caia na pegadinha que as bancas de concursos fazem ao afirmar que o
Distrito Federal seria a capital federal.
Podemos apontar as seguintes diferenças entre Distrito Federal e Brasília.

DISTRITO FEDERAL BRASÍLIA


É um ente federativo. Não é um ente federativo.
Possui personalidade jurídica. Não possui personalidade jurídica.
Possui autonomia. Não possui autonomia.
Tem capacidade legislativa. Não tem capacidade legislativa.
Não é a capital do Brasil. É a capital do Brasil.

Cuidado, também é errado afirmar que a capital do Brasil é o plano pilo-


to (abordaremos a regiões administrativas do DF no próximo material).

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Ainda em relação ao artigo 6º da LODF, vale destacar que Brasília é a sede


do governo do Distrito Federal. Sobre isso não precisamos nos aprofundar,
tendo em vista que não serão cobrados os temas Poder Executivo e Legislativo
no concurso da SEEDF.

Desse modo, observa-se que Brasília é:


• a capital da República Federativa do Brasil (é a capital federal); e
• a sede do governo do DF.

2. SÍMBOLOS DO DF

A Constituição Federal, em seu artigo 13, § 2º, permite aos Estados, ao


Distrito Federal e aos Municípios terem símbolos próprios.
Com base nisso, o artigo 7, caput, da LODF, estabelece:

Art. 7º São símbolos do Distrito Federal a bandeira, o hino e o brasão.

Aqui temos uma dica: HBB.

Hino

Bandeira

Brasão

A título de curiosidade, o hino do Distrito Federal foi composto por Geir Cam-
pos e tem música de Neusa França.

Este é o hino do DF:

“Todo o Brasil vibrou!


E nova luz brilhou!
Quando Brasília fez maior a sua glória
Com esperança e fé
Era o gigante em pé
Vendo raiar outra alvorada em sua história
Com Brasília no coração

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Epopeia a surgir do chão


O candango sorri feliz
Símbolo da força de um país!
Todo o Brasil vibrou!
E nova luz brilhou!
Quando Brasília fez maior a sua glória
Com esperança e fé
Era o gigante em pé
Vendo raiar outra alvorada em sua história
Capital de um Brasil audaz
Bom na luta, melhor na paz
Salve o povo que assim te quis

Símbolo da força de um país!


Todo o Brasil vibrou!
E nova luz brilhou!
Quando Brasília fez maior a sua glória
Com esperança e fé
Era o gigante em pé
Vendo raiar outra alvorada em sua história”.

A bandeira do DF é da seguinte forma.

O brasão do DF foi criado por Guilherme de Almeida. É composto por quatro


flechas divergentes que remetem aos quatro pontos cardeais: Norte, Sul, Les-
te e Oeste. O símbolo faz referência ao cruzamento entre o Eixo Monumental
e o Eixo Rodoviário. Apresenta a expressão em latim “venturis ventis”, que
significa “aos ventos que hão de vir”, conforme foto abaixo.

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Não confunda os símbolos do DF (HBB – hino, bandeira, brasão), com os


símbolos da República Federativa do Brasil, que são: a bandeira, o hino,
as armas e o selo nacionais (artigo 13, § 1º, da CF).

Então, tome nota.

SÍMBOLOS DO BRASIL SÍMBOLOS DO DF


Hino Hino
Bandeira Bandeira
Armas Brasão
Selo nacionais

Agora você já sabe quais são os símbolos oficiais do DF; mas será que é
possível instituir outros? Sim. O artigo 7º, parágrafo único, da LODF, expressa
que a lei poderá estabelecer outros símbolos e dispor sobre seu uso no
território do Distrito Federal.

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Se a questão de sua prova informar que podem ser instituídos outros


símbolos mediante decreto, a questão estará errada! Lei é a norma
realizada mediante um processo legislativo no qual participam o Poder
Legislativo e o Poder Executivo; ao passo que decreto é um ato reali-
zado pelo Governador do DF.

Os símbolos do DF demonstram a sua autonomia, a qual sua preservação


é um valor fundamental (artigo. 2, I).

Será possível ser instituído um símbolo do DF visando à promoção pessoal


do Governador do DF ?

Não, pois os atos da Administração Pública não podem visar à promoção


pessoal, sob pena de violação do princípio da impessoalidade. Isso pode gerar
a improbidade administrativa.

Assim, sobre os símbolos do DF, memorize as seguintes informações.


• HBB: hino; bandeira; brasão.
• Podem ser instituídos outros mediante lei.

3. TERRITÓRIO DO DF

O artigo 8 da LODF estabelece:

Art. 8º O território do Distrito Federal compreende o espaço físico-geográfico que


se encontra sob seu domínio e jurisdição.

Para provas de concursos, não é preciso saber a longitude e latitude do


espaço físico-geográfico do DF. Nesse caso, importante é saber que o DF cuida
do que é seu, ou seja, o que está sob seu domínio e sua jurisdição, dentro de
sua autonomia. Tecnicamente não seria correto o uso do termo jurisdição, pois
essa é competência do Poder Judiciário; o correto seria circunscrição, que se
refere à limitação da competência administrativa. Porém, para prova de LODF,

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lembre-se de que o território do Distrito Federal compreende o espaço físico-


-geográfico que se encontra sob seu domínio e sua jurisdição.

Repare que o artigo 8º não afirma que o território do DF compreende o


entorno, que engloba algumas cidades dos Estados de Goiás e Minas Gerais.
O DF buscará a integração da região do entorno, porém essa região não
pertence ao DF.

4. INTEGRAÇÃO DO DF

O artigo 9º da LODF preceitua:

Art. 9º O Distrito Federal, na execução de seu programa de desenvolvimento eco-


nômico-social, buscará a integração com a região do entorno do Distrito Federal.

O DF é organizado em Regiões Administrativas, sendo que, em volta dessas


regiões administrativas – conforme previsão em lei –, tem-se a denominada
região do entorno do DF. A LODF não estabelece qual é a região do entorno
(como também não estabelece quais são as regiões administrativas do DF).

A Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno


(RIDE/DF) foi criada pela Lei Complementar n. 94, de 19 de fevereiro de 1998.

A RIDE é constituída da seguinte forma:


• pelo Distrito Federal;
• pelo Estado de Goiás, com os seguintes Municípios: Abadiânia, Água Fria
de Goiás, Águas Lindas, Alexânia, Cabeceiras, Cidade Ocidental, Cocalzi-
nho de Goiás, Corumbá de Goiás, Cristalina, Formosa, Luziânia, Mimoso
de Goiás, Novo Gama, Padre Bernardo, Pirenópolis, Planaltina, Santo
Antônio do Descoberto, Valparaíso e Vila Boa, no Estado de Goiás; e
• pelo Estado de Minas Gerais, com os seguintes Municípios: Unaí e Buritis.

Integram-se automaticamente à RIDE os Municípios que vierem a ser cons-


tituídos em virtude de desmembramento de Município mencionado acima.

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Graficamente é assim:

Figura 1- fonte: http://www.sudeco.gov.br

A LC 840, em seu artigo 133, informa que pode ser concedida licença
ao servidor estável para acompanhar cônjuge ou companheiro que
for deslocado para trabalhar em localidade situada fora da Região In-
tegrada de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal e Entorno
(RIDE) ou que exercer mandato eletivo em Estado ou Município que não
faça parte da RIDE. Essa licença tem prazo máximo de, até, cinco anos,
porém não é remunerada, e o servidor beneficiado deverá comprovar a
manutenção do vínculo conjugal anualmente, sob pena de cancelamen-
to da licença.

Outro ponto que a banca pode usar para tentar lhe enganar é informar que
o DF buscará a integração com toda a região do Centro-Oeste, o que é erra-
do! O Centro-Oeste é composto pelos Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul e pelo Distrito Federal.
É importante ressaltar que buscar a integração com a região do entorno
do DF não é objetivo prioritário. Só é considerado objetivo prioritário o que
está expresso no artigo 3º (visto anteriormente).

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Então, memorize que:


• o DF buscará a integração com a região do entorno do DF;
• mas isso não é objetivo prioritário.

Fechamos, assim, mais um tópico de estudo. Agora, é importantíssimo que


você faça as questões para revisar o seu conhecimento sobre o tema.

QUESTÕES COMENTADAS

30. (FUNIVERSA/ UEG/ ASSISTENTE DE GESTÃO ADMINISTRATIVA/2015) O


Distrito Federal é a capital da República Federativa do Brasil.

O artigo 6º da LODF informa que a capital da República Federativa do


Brasil é Brasília. Não é o DF a capital do Brasil.

31. (CESPE/TCE-ES/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO/2012) Nos termos da


CF, Brasília possui autonomia administrativa, legislativa e financeira, em virtu-
de de ser a capital federal.

A questão aborda conhecimentos da CF, mas podemos resolver essa


questão com os conhecimentos de LODF. Realmente Brasília é a capital
federal, porém, quem possui autonomia é o DF. Questão parcialmente
correta, o que a torna errada.

32. (CESPE/STJ/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TELECOMUNICAÇÕES E ELETRICIDA-


DE/2012) Com o advento da Constituição de 1988, Brasília deixou de ser a
capital da República em favor do Distrito Federal, que passou a ter esse status.

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Como já visto, a capital do Brasil é Brasília. A CF afirma isso em seu


artigo 18, §1º e a LODF em seu artigo 6º. O DF não é a capital federal,
nem mesmo com o advento da CF/1988.

33. (CESPE/TCE-RO/AGENTE ADMINISTRATIVO/2013) Brasília está localizada


no Distrito Federal, mas não se confunde com ele. A capital federal não possui
autonomia. De acordo com a CF, a autonomia é uma característica do Distrito
Federal, dos municípios, dos estados-membros e da União.

Brasília é a capital federal e também parte integrante do DF. O DF é


um ente federativo, o qual possui autonomia política, administrativa e
financeira (PAF), como ocorre com Estados (estados-membros), Muni-
cípios e União. Brasília não possui autonomia. Quem possui autonomia
são os entes federativos.
34. (ESAF/MPOG/ANALISTA TÉCNICO DE POLÍTICAS SOCIAIS/2012) Com fun-
damento na organização político-administrativa do Estado brasileiro, JULGUE:
compreende a União, os Estados e os Municípios, nestes incluindo-se Bra-
sília, todos autônomos.

A organização político-administrativa do Brasil compreende a União, Es-


tados, DF e Municípios, todos autônomos. Brasília não integra essa or-
ganização e não possui autonomia. Brasília integra o DF.

35. (FGV/SENADO FEDERAL/TÉCNICO LEGISLATIVO/ PROCESSO LEGISLATI-


VO/2008) Brasília é a Capital Federal.

Como vimos, realmente Brasília é a Capital Federal.

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36. (ESAF/MPOG/ANALISTA TÉCNICO DE POLÍTICAS SOCIAIS/2012) A capital


federal é o Distrito Federal, sendo Brasília uma região administrativa deste.

A capital federal é Brasília (artigo 6º da LODF). O DF não é a capital


federal. A Lei Distrital 1.648/1997, em seu artigo 1º, expressa que a
Região Administrativa I – “Brasília” – passa a denominar-se Região Ad-
ministrativa Plano Piloto, RA I. Tecnicamente, Brasília não é uma região
administrativa do DF. Mas lembre que Brasília é a capital Federal.

37. (EXATUS/CEB-DISTRIBUIÇÃO S/A/ANALISTA DE SISTEMAS/NEGÓ-


CIOS/2014) Brasília, capital da República Federativa do Brasil, é a sede do
governo do Distrito Federal.

A banca fez uma cópia do artigo 6º da LODF: “Brasília, Capital da Re-


pública Federativa do Brasil, é a sede do governo do Distrito Federal”.

38. (FUNIVERSA/SEPLAG-DF/ANALISTA – ADMINISTRAÇÃO/2010) Brasília é


a capital da República Federativa do Brasil, e a sede do governo do DF é a
cidade de Taguatinga.

O artigo 6º da LODF informa que Brasília é a capital da República Fede-


rativa do Brasil e a sede do governo do DF. A LODF não estabelece que
Taguatinga seja a sede do governo do DF.

39. (FUNIVERSA/PC-DF/PAPILOSCOPISTA POLICIAL/2015) O Palácio do Buriti


é a sede do governo do Distrito Federal.

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O artigo 6º da LODF informa que Brasília é a sede do governo do DF.


Para sua prova memorize:
• Brasília é a capital federal;
• Brasília é a sede a do governo do DF.
O Palácio do Buriti é um prédio público localizado em Brasília, inaugura-
do em 1969. Tem seu nome derivado da planta símbolo de Brasília. Foi
projetado pelo arquiteto Nauro Jorge Esteves para ser a sede física do
Governo do Distrito Federal. No entanto, em 2008, ele também serviu
como sede provisória do Executivo Federal devido a reformas que acon-
teciam no Palácio do Planalto. Logo, tecnicamente, com base na LODF
é errado dizer que o Palácio do Buriti seja a sede do governo do Distrito
Federal.

40. (FUNIVERSA/SECRETARIA DA CRIANÇA – DF/TÉCNICO SOCIOEDUCATIVO –


ADMINISTRATIVO/2015) O DF é a capital do Brasil e a sede do governo do DF.

O artigo 6º da LODF prevê: “Brasília, Capital da República Federativa do


Brasil, é a sede do governo do Distrito Federal”. Desse artigo podemos
dizer que Brasília:
• é a capital do Brasil;
• é a sede do governo do DF.

41. (CESPE/IBRAM-DF/ANALISTA DE ATIVIDADES DO MEIO AMBIENTE/2009)


A LODF prevê expressamente que o Distrito Federal (DF) é a capital da Re-
pública Federativa do Brasil.

O artigo 6º da LODF prevê expressamente que Brasília é a Capital da


República Federativa do Brasil. Lembre-se: DF não é a capital do Brasil.

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42. (FUNIVERSA/SES-DF/ESPECIALISTA EM SAÚDE – ASSISTENTE SO-


CIAL/2011) A bandeira, o hino e as armas são os símbolos do Distrito Federal,
que poderá vir a ter outros símbolos, desde que estabelecidos em lei.

Não confunda os símbolos oficiais do Brasil, com os símbolos oficiais do


Distrito Federal.

SÍMBOLOS DO SÍMBOLOS DO DF
BRASIL
Hino Hino
Bandeira Bandeira
Armas Brasão
Selo nacionais

Logo, as armas simbolizam o Brasil. As armas não são símbolos do DF.


Lembre-se da dica dos símbolos do DF: HBB (hino; bandeira; brasão).
O artigo 7º, parágrafo único, da LODF informa que “a lei poderá esta-
belecer outros símbolos e dispor sobre seu uso no território do Distrito
Federal”. Nota-se que a questão está parcialmente correta, o que a torna
errada.

43. (CESPE/TJDFT/ANALISTA JUDICIÁRIO/2013) São símbolos do Estado


federal brasileiro, a bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais, podendo
os estados-membros, o Distrito Federal (DF) e os municípios adotar sím-
bolos próprios.

Os símbolos oficiais do Brasil (Estado Federal) são: bandeira, hino, ar-


mas e os selos nacionais. Cada ente federativo (Estados, DF e Municí-
pios), dentro de sua autonomia, pode instituir símbolos próprios. Com
base nisso, a LODF, em seu artigo 7º, disciplina que são símbolos do DF
– HBB: Hino, Bandeira e Brasão.

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44. (FUNIVERSA/SEJUS-DF/TÉCNICO PENITENCIÁRIO/2008) A bandeira, o


hino e o brasão são símbolos do Distrito Federal, vedada a instituição de
outros símbolos.

O DF possui como símbolos: Hino, Bandeira e Brasão (HBB). Sendo


que a LODF permite a instituição (criação) de outros, mediante lei.
Vedar significa impedir, proibir. Logo, não é vedada a instituição de
outros símbolos.

45. (FUNIVERSA/PC-DF/PAPILOSCOPISTA POLICIAL/2015) São símbolos do


Distrito Federal: a bandeira, o hino, o mascote e o brasão.

O DF possui como símbolos: Hino, Bandeira e Brasão (HBB). O mascote


não é um símbolo do DF.

46. (EXATUS/CEB-DISTRIBUIÇÃO S/A/ANALISTA DE SISTEMAS/NEGÓ-


CIOS/2014) São símbolos do Distrito Federal a bandeira, o hino e o brasão.

A banca fez uma cópia do caput do artigo 7º da LODF: são símbolos do


Distrito Federal a bandeira, o hino e o brasão. Lembre-se HBB.

47. (FUNIVERSA/SEPLAG-DF/ANALISTA/ADMINISTRAÇÃO/2010) O território


do Distrito Federal compreende o espaço físico-geográfico que se encontra sob
seu domínio e jurisdição, incluindo o seu entorno.

O artigo 8º da LODF informa que “o território do Distrito Federal


compreende o espaço físico-geográfico que se encontra sob seu do-

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mínio e jurisdição”.
O território do DF não engloba o entorno, já que esse é formado por
alguns municípios dos Estados de Goiás e Minas Gerais, conforme
previsão em lei.
O artigo 9º informa que o Distrito Federal, na execução de seu progra-
ma de desenvolvimento econômico-social, buscará a integração com a
região do entorno do Distrito Federal. Portanto, o entorno não faz par-
te do território do DF.

48. (CESPE/BRB/ANALISTA DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO/2011) Na exe-


cução de seu programa de desenvolvimento econômico-social, o DF deve bus-
car a integração com a região do seu entorno, um de seus objetivos prioritá-
rios expressos na LODF.

Cuidado ao extremo com esse tipo de questão! A LODF estabelece que


o DF, na execução de seu programa de desenvolvimento econômico-so-
cial, buscará a integração com a região do entorno do Distrito Federal.
Porém, isso não é um objetivo prioritário, nem mesmo um valor funda-
mental.

49. (EXATUS/CEB/DISTRIBUIÇÃO S/A/ANALISTA DE SISTEMAS/ NEGÓ-


CIOS/2014) O Distrito Federal, na execução de seu programa de desenvol-
vimento econômico-social, buscará a integração com a região do entorno do
Distrito Federal.

A banca fez uma cópia do caput do artigo 9º da LODF: “o Distrito Fede-


ral, na execução de seu programa de desenvolvimento econômico-so-
cial, buscará a integração com a região do entorno do Distrito Federal”.

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50. (FUNIVERSA/SEJUS-DF/TÉCNICO ADMINISTRATIVO/2010) Para garantir


a plena execução de seu programa de desenvolvimento econômico-social, o
Distrito Federal deverá concentrar suas ações no território correspondente ao
espaço físico-geográfico que se encontra sob seu domínio e jurisdição, sem
buscar a integração com a região do entorno do Distrito Federal.

Para a resolução desta questão, é necessário conhecer os artigos. 8º e


9º da LODF. O artigo 8º da LODF informa que “o território do Distrito
Federal compreende o espaço físico-geográfico que se encontra sob seu
domínio e jurisdição”. Já o artigo 9º da LODF disciplina que “o Distrito Fe-
deral, na execução de seu programa de desenvolvimento econômico-so-
cial, buscará a integração com a região do entorno do Distrito Federal”.
Logo, o DF cuida principalmente do seu território. Contudo, com vias à
execução do seu programa de desenvolvimento econômico-social, tem
o dever de buscar a integração com a região do entorno (que alcança
alguns Municípios dos Estados de Goiás e Minas Gerais).

GABARITO
1. E 13. E
2. E 14. C
3. E 15. E
4. C 16. E
5. E 17. C
6. C 18. E
7. E 19. E
8. C 20. C
9. E 21. E
10. E
11. E
12. E

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LEI ORGÂNICA DO
DISTRITO FEDERAL
PARTE III
DA ORGANIZAÇÃO
IZ ADMINISTRATIVA
INISTRATIVA
DO DISTRITO
TO FEDERAL

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SÚMARIO

DA ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DO DISTRITO FEDERAL......... 4
1. DAS REGIÕES ADMINISTRATIVAS.................................................... 5
2. DOS ADMINISTRADORES REGIONAIS............................................ 10
3.CONSELHO DE REPRESENTANTES COMUNITÁRIOS...................... 11
4.PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS NA LODF..................................... 12
4.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE..........................................................................14
4.2 PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE.................................................................15
4.3 PRINCÍPIO DA MORALIDADE........................................................................18
4.4 PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE.........................................................................18
4.4 PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE....................................................................21
4.5 PRINCÍPIO DO INTERESSE PÚBLICO.............................................................22
4.6 PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO...........................................................................23
4.7 PRINCÍPIO DA TRANSPARÊNCIA ..................................................................23
4.8 PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA.............................................................................24
5.DAS ENTIDADES DO DISTRITO FEDERAL........................................ 26
6.CONTRATO DE GESTÃO................................................................... 29
7.GRATUIDADE DA IDENTIDADE PESSOAL....................................... 30
8.DAS REQUISIÇÕES JUDICIAIS.......................................................... 31
9.REQUERIMENTO DO PARTICULAR................................................. 31
1O. DOS SERVIÇOS PÚBLICOS DO DF................................................ 32
11. DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA.............................................. 33
12.DA DECLARAÇÃO DE BENS............................................................ 34
13. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA................................................ 35
14.RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO....................................... 38
QUESTÕES COMENTADAS.................................................................. 41

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WILSON GARCIA
Graduado em Direito pela Universidade Católica Dom Bosco e
especialista em Direito Público pela Escola Superior do Ministério
Público, ambas as instituições localizadas em Mato Grosso do
Sul. Atualmente é Agente de Polícia Classe Especial da Polícia Ci-
vil do Distrito Federal. Já foi entrevistado na rádio Justiça, Hora
do Concurso, em Ago/2015. É autor de artigos em revistas es-
pecializadas na área jurídica e de diversos materiais disponíveis
Autor no Gran Cursos online.

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DA ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DO DISTRITO FEDERAL

Após passarmos pelos tópicos I e II, agora vamos analisar o tópico III, o
qual trata da organização administrativa do Distrito Federal.

Esse tópico é extenso e muito importante para a prova. Serão abordados


os seguintes temas:
1.DAS REGIÕES ADMINISTRATIVAS
2.DOS ADMINISTRADORES REGIONAIS
3.DO CONSELHO DE REPRESENTANTES COMUNITÁRIOS
4.DOS PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS
5. DAS ENTIDADES DO DISTRITO FEDERAL
6. DO CONTRATO DE GESTÃO
7. GRATUIDADE DA IDENTIDADE PESSOAL
8. DAS REQUISIÇÕES JUDICIAIS
9. DO REQUERIMENTO DO PARTICULAR
10. DOS SERVIÇOS PÚBLICOS
11. DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
12. DA DECLARAÇÃO DE BENS
13. DA IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
14. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

Os temas remuneração dos servidores, greve, concurso público, acumula-


ção remunerada e exame psicotécnico serão abordados no Tópico IV. Dessa
forma, a parte IV de nosso material tratará dos Servidores Públicos. Essa divi-
são foi pensada para favorecer seu aprendizado.

QUE OS JOGOS COMECEM!

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1. DAS REGIÕES ADMINISTRATIVAS

A primeira informação importante a se saber é que no Distrito Federal não


há Municípios. Isso ocorre em razão do artigo 32 da CF estabelecer que é ve-
dada a divisão do DF em Municípios.
Com base nisso, no artigo 10 da LODF, temos a determinação de que o DF
se organiza em Regiões Administrativas (RAs). A LODF não expressou o
conhecido termo cidades-satélites.

Quais seriam os objetivos da organização do Distrito Federal em RAs?

Essa organização em Regiões Administrativas visa à:


• descentralização administrativa;
• utilização racional de recursos para o desenvolvimento socioeconômico; e
• melhoria da qualidade de vida.
Assim, em questões que enfoquem esse tema, marque a alternativa que
agrega as citadas informações. Para fixar esse ponto, vamos vê-las mais uma
vez: descentralização administrativa; utilização racional de recursos para o
desenvolvimento socioeconômico; e melhoria da qualidade de vida.

Vale saber que, tecnicamente, a questão administrativa não seria descen-


tralização, mas, sim, desconcentração; pois a Região Administrativa é um ór-
gão. Contudo, em se tratando de questões em provas de LODF, considere o
texto da lei, ou seja, descentralização.

Se, em sua prova, o enunciado informar que visa à centralização, o item


está errado!

As Administrações Regionais integram a estrutura administrativa do


Distrito Federal (artigo 11 da LODF). Assim, é errado afirmar que as RAs in-
tegram Brasília!

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Então, como se cria ou extingue uma região administrativa?

A criação ou extinção de Regiões Administrativas ocorrerá mediante lei


(não é decreto, resolução, medida provisória, emenda à Lei Orgânica ou de-
creto legislativo). Essa lei tem que ser aprovada pela maioria absoluta dos
Deputados Distritais.
É errado dizer que é aprovada por maioria simples, maioria relativa, maio-
ria qualificada, ou por 2/3, 1/3!

Sobre isso, uma dica:

Preste atenção e seja esperto


RA é criada ou extinta por lei, e não pode decreto
Agora... vê se me escuta
A lei é aprovada por maioria ABSOLUTA.

Podemos passar outra dica para você sobre a criação ou extinção de Região
Administrativa – é o macete MAL.

Maioria
Absoluta
Lei

Para a melhor compreensão do tema, vale saber que maioria significa


50% + 1 (quando for divisão de número par). Já a maioria absoluta leva em
consideração o número total dos deputados inscritos no DF. Há atualmente 24
Deputados Distritais inscritos na Câmara Legislativa do DF; logo, para ocorrer
aprovação de criação ou extinção da Região Administrativa, é necessária a
quantidade de 13 votos a favor.

Sendo assim, por exemplo, em uma sessão com 20 deputados presentes,


o número de votos continua sendo 13, pois não leva em consideração a quan-
tidade dos deputados presentes (caso no qual a maioria simples corresponde
a 11), mas sim dos inscritos (24).

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Graficamente é assim:

24 Deputados Distritais
inscritos na CLDF

Aprovada a criação ou extinção de


RA por meio da MAIORIA ABSOLUTA
13 VOTOS
FAVORÁVEIS

A última Região Administrativa criada foi denominada de Fercal (n. XXXI)


pela Lei Distrital n. 4.745, de 29 de janeiro de 2012. Logo, atualmente, temos
31 RAs.

Lembre-se de que a LODF não estipula quais são as Regiões Administra-


tivas do DF, isso é feito por meio de lei distrital, como já visto, aprovada por
maioria absoluta dos Deputados Distritais.

A título de curiosidade, segue a lista das RAs do DF, conforme ordem numérica:

• RA I – Plano Piloto
• RA II – Gama
• RA III – Taguatinga
• RA IV – Brazlândia
• RA V – Sobradinho
• RA VI – Planaltina
• RA VII – Paranoá
• RA VIII – Núcleo Bandeirante

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• RA IX – Ceilândia
• RA X – Guará
• RA XI – Cruzeiro
• RA XII – Samambaia
• RA XIII – Santa Maria
• RA XIV – São Sebastião
• RA XV – Recanto das Emas
• RA XVI – Lago Sul
• RA XVII – Riacho Fundo
• RA XVIII – Lago Norte
• RA XIX – Candangolândia
• RA XX – Águas Claras
• RA XXI – Riacho Fundo II
• RA XXII – Sudoeste/Octogonal
• RA XXIII – Varjão
• RA XXIV – Park Way
• RA XXV – SCIA/Estrutural
• RA XXVI – Sobradinho II
• RA XXVII – Jardim Botânico
• RA XXVIII – Itapoã
• RA XXIX – SIA
• RA XXX – Vicente Pires
• RA XXXI – Fercal

Atualmente, Brasília não é uma região administrativa, pois a Lei Distrital


n. 1.648/97 estabelece que a Região Administrativa I – Brasília – passa a se
denominar Região Administrativa do Plano Piloto – RA I.

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Segue mapa do DF com suas Regiões Administrativas.

• PLANO
PILOTO

A ELO 83/2014 acrescentou parágrafo único ao artigo 13 da LODF, o qual determina


que, com a criação de nova Região Administrativa, fica criado, automaticamente,
Conselho Tutelar para a respectiva região. Isso está relacionado ao objetivo
prioritário do Distrito Federal de “promover, proteger e defender os direitos da
criança, do adolescente e do jovem” (artigo 3º, XII).

Essa modificação tem base, também, nos artigos 132 e 134, parágrafo úni-
co, ambos do Estatuto da Criança e do Adolescente. Tais artigos foram modifi-
cados pela Lei n. 12.696/2012, a qual disciplina que, em cada Região Adminis-
trativa do Distrito Federal, haverá, no mínimo, 1 (um) Conselho Tutelar como
órgão integrante da Administração Pública local. Portanto, a lei orçamentária do
Distrito Federal deve prever recursos necessários ao funcionamento do Conselho
Tutelar, além de remuneração e formação continuada dos respectivos conselhei-
ros tutelares.

Para organizar o seu estudo, lembre-se:


• DF não é dividido em Municípios;
• DF é organizado em RAs;

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• Criar ou extinguir uma RA somente é possível por meio de lei.


• Esta lei tem que ser aprovada por maioria absoluta dos Deputados Dis-
tritais;
• Ao se criar uma nova RA, é necessário criar, automaticamente, Conse-
lho Tutelar para a respectiva região.

2. DOS ADMINISTRADORES REGIONAIS

Cada Administração Regional do DF possui um Administrador Regional.


Não é prefeito nem governador.
A fim de se controlar os gastos com a despesa do pessoal, o teto remu-
neratório do Administrador Regional é igual ao dos Secretários de Estado
do Distrito Federal. Isso significa que a remuneração dos Administradores
Regionais não poderá ser superior à fixada para os Secretários de Estado do
Distrito Federal (artigo 11, §2º). Mas, atente-se para o detalhe: a remunera-
ção não pode ser superior, mas pode ser igual.
Os atuais valores de remuneração para cargos de gestão (administradores
regionais e secretários de Estado) do DF, segundo a página na internet www.
transparencia.df.gov.br são os apresentados na tabela abaixo.

CARGO SUBSÍDIO
GOVERNADOR R$ 23.449,55
VICE-GOVERNADOR R$ 20.743,83
SECRETÁRIO DE ESTADO R$ 18.038,12
ADMINISTRADOR REGIONAL R$ 14.430,49

Professor, como é feita a escolha do Administrador Regional?

Para a resolução de questões relativas à LODF, tenha consigo a informação


de que lei (não é decreto) disporá sobre a participação popular no processo
de escolha do Administrador Regional (artigo 11, § 1º).

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Mas, professor, qual é essa lei?

De acordo com a LODF, deve haver uma lei específica para tratar da parti-
cipação popular na escolha dos Administradores Regionais. Contudo, até no-
vembro de 2016, essa não foi realizada. Diante da já conhecida inércia le-
gislativa, foi ajuizada ADI n. 2013 00 2 016227-6 (TJDFT). Essa foi julgada
procedente para declarar a inconstitucionalidade por omissão do Governador
do Distrito Federal quanto à regulamentação da forma de participação popular
no processo de escolha dos administradores regionais.

Visando assegurar a moralidade administrativa, pessoas que tenham pra-


ticado ato tipificado como causa de inelegibilidade – prevista na legislação
eleitoral – não podem ser nomeadas para o cargo de Administrador Regional,
conforme estabelecem os artigos 11, §3º, e 19, § 9º, da LODF.
Elegível é quem pode ser eleito, logo, inelegível é quem não pode ser eleito.
Por exemplo, se uma pessoa tiver os direitos políticos suspensos em virtude de
condenação pela prática de ato de improbidade administrativa, não poderá ser
nomeada para o cargo de Administrador Regional.

Assim, é importante memorizar as seguintes informações.

Cada região administrativa do DF tem um Administrador Regional.


O teto da remuneração do Administrador Regional é igual ao do Secretário
de Estado.
A LODF regulamenta que deve existir lei que discipline a participação popu-
lar na escolha do Administrador Regional.

3.CONSELHO DE REPRESENTANTES COMUNITÁRIOS

O artigo 12 da LODF determina que cada Região Administrativa do Distrito


Federal terá um Conselho de Representantes Comunitários, com funções
consultivas e fiscalizadoras, na forma da lei. Isso também já foi objeto de
inércia legislativa, conforme decisão proferida na ADI nº 2013 00 2 016865-3
(TJDFT), em que se decidiu pela inconstitucionalidade por omissão na implan-

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tação e organização dos Conselhos de Representantes Comunitários das Regi-


ões Administrativas do Distrito Federal.
Para seu concurso, sobre os Conselhos de Representantes Comunitários,
lembre-se de que:
• cada Região Administrativa terá seu conselho (logo, não é um Conselho
para representar todas as RAs); e
• eles têm funções fiscalizadora e consultiva (não têm função legislati-
va ou deliberativa).

4.PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS NA LODF

Primeiramente, é importante saber que princípios são diretrizes de força


obrigatória que guardam entre si uma correlação lógica e servem de base no
ordenamento jurídico.
Os princípios têm aplicação global, tanto para a Administração Direta
(União, Estados, DF e Municípios) e a Administração Indireta (Autarquias, Fun-
dações públicas, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista), quanto
para os órgãos públicos.
É importante destacar que os princípios administrativos não são exclusi-
vos do Poder Executivo; eles são aplicados também aos Poderes Legislativo
e Judiciário.
Os princípios estão em harmonia um com o outro, não havendo entre eles
hierarquia.
Existem princípios:
• expressos;
• implícitos; e
• outros previstos em legislação especial, como ocorre na LC 840/2011.
A violação de princípio gera anulação do ato (ilegalidade). A quebra dos
princípios pode ensejar efeitos administrativos, civis e penais, conforme legis-
lação vigente.
A LODF é uma norma mutável, que vem passando por diversas adaptações
para alcançar adequação jurídica mais eficiente.

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O artigo 19, caput, da LODF sofreu alterações importantes, conforme


quadro abaixo.

TEXTO ORIGINAL TEXTO MODIFICADO PELA TEXTO ATUAL – ALTERADO


ELO 68/2013 PELA ELO 80/2014
Art. 19. A administração Art. 19. A administração Art. 19. A administração
pública direta, indireta ou pública direta, indireta ou pública direta e indireta de
fundacional, de qualquer fundacional, de qualquer dos qualquer dos Poderes do
dos Poderes do Distrito Poderes do Distrito Federal, Distrito Federal obedece
Federal, obedecerá aos obedecerá aos princípios de aos princípios de legalidade,
princípios de legalidade, legalidade, impessoalidade, impessoalidade, moralidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade, publicidade, razoabilidade,
moralidade, publicidade, transparência das contas motivação, transparência,
razoabilidade, motivação públicas, razoabilidade, eficiência e interesse público,
e interesse público, e motivação e interesse público, e também ao seguinte (...)
também ao seguinte (...) e também ao seguinte (...)
Nota-se que:

• a ELO 68/2013: introduziu o princípio da transparência das contas públicas;

• a ELO 80/2014: retirou o princípio da transparência das contas pública, e acrescentou


o princípio da transparência e da eficiência. Repare, também, que da ELO 80 foi retirada
a expressão “fundacional”, pois tecnicamente fundação faz parte, implicitamente, da
expressão “administração indireta”.

Esses princípios expressos no artigo 19, caput, da LODF estão parecidos


com os princípios expressos no artigo 37, caput, da CF, conforme quadro
comparativo. Para fixá-los, temos os mnemônicos LIMPE e LIMPETRIM. Não os
confunda!

Leglidade
Art. 37,
Impessoalidade
caput, da Moralidade
CF
Publicidade Art. 19,
caput, da
Eficiência LODF
Transparência
Razoabilidade
Interesse Público
Motivação

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As bancas de concursos gostam de trocar as seguintes palavras, o que


torna a questão errada:
• eficiência por eficácia;
• impessoalidade por pessoalidade;
• publicidade por probidade;
• transparência por transparência das contas públicas.

Vistos os princípios expressos no artigo 19, caput, da LODF, é importante


não se esquecer da lista dos princípios aplicados ao processo disciplinar, pre-
vistos expressamente na LC 840, em seu artigo 219: legalidade, impessoali-
dade, moralidade, publicidade, eficiência, interesse público, contraditório, am-
pla defesa, proporcionalidade, razoabilidade, motivação, segurança jurídica,
informalismo moderado, justiça, verdade material e indisponibilidade.
Vamos, agora, nos aprofundar nesse tema e analisar cada um desses prin-
cípios, e correlacionar a LODF à LC 840/2011.

4.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

A legalidade – também denominada, para o direito público, de legalidade


restrita – estabelece que a Administração Pública só pode fazer o que a lei
autoriza (ato discricionário) ou determina (ato vinculado), o que é denominado
critério de subordinação/subsunção à lei.
Um exemplo clássico de legalidade administrativa é a competência admi-
nistrativa: professor de matemática, servidor público, em escola pública, tem
atribuição de ministrar aula de matemática. Por quê? Porque a lei delimita essa
atribuição para tal servidor.
Um professor tem o dever de prender alguém em flagrante delito? Não. A
lei não determina essa atividade para um professor. Logo, o professor, que é
servidor público, faz somente o que a lei determina.
Podemos citar outros exemplos de legalidade: multa de trânsito; forma
de vacância e provimento do servidor distrital; direitos e deveres do servidor
distrital.

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É importante ter em mente que a legalidade para a Administração Pública


é diferente da legalidade para o particular. Este pode fazer tudo que a lei não
proíba. Por exemplo, uma pessoa pode caminhar no Parque da Cidade? Sim,
salvo se houver alguma proibição de horário, lugar, trajeto etc. Agora, a mes-
ma pessoa pode correr desnuda no Eixo Monumental? Não, porque tal conduta
é considerada crime.

LEGALIDADE PARA LEGALIDADE PARA O


A ADMINISTRAÇÃO PARTICULAR
PÚBLICA
Só faz o que a lei Faz tudo que não seja proibido
autoriza ou determina. por lei.

Por fim, é importante notar que a Administração Pública deve atuar “nos
trilhos da lei”. Ela não pode estar acima da lei, pois estará cometendo abuso de
poder, tampouco abaixo da lei, pois estará sendo omisso, o que, consequente-
mente, gera responsabilidade, conforme ilustração acima.

Vale ressaltar que é objetivo prioritário do DF assegurar ao cidadão o


exercício dos direitos de iniciativa que lhe couberem, relativo ao controle da
legalidade dos atos do Poder Público (artigo 3, II).

4.2 PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE

Os atos do Distrito Federal devem ser impessoais, ou seja, imparciais. O


agente público age em nome do Estado.

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A impessoalidade tem vários pontos de vista, conforme apresentado a seguir.

• Em relação ao administrado: o ato da administração pública não pode


visar ao prejuízo ou ao benefício de determinada pessoa. Perseguições
e favoritismo não podem ocorrer. Você, por exemplo, não pode atribuir
uma nota 10 para o aluno que errou todas as questões, só porque você
é amigo do pai dele. Como, também, não pode dar zero para um aluno
porque ele torce para o seu time rival.
• Em relação ao administrador público: o ato da administração pública
não pode visar à promoção pessoal do agente público. Sobre isso, tra-
ta o artigo 22, inciso, V, alínea a, da LODF: a publicidade dos atos, pro-
gramas, obras, serviços e as campanhas dos órgãos e das entidades da
administração pública, ainda que não custeadas diretamente pelo erário,
terão caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela
não podendo constar símbolos, expressões, nomes ou imagens que ca-
racterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.

O ato praticado pelo agente público não é dele, e sim da entidade ou do


órgão a qual ele pertence. Trata-se da ideia de que a administração deve tra-
tar a todos sem discriminações, benéficas ou prejudiciais. Além disso, fa-
voritismo ou perseguições são intoleráveis; simpatias e animosidades – quer
sejam pessoais, políticas ou ideológicas – não podem interferir na atividade
administrativa. Logo, o princípio da impessoalidade está ligado ao princípio
da igualdade (isonomia).

São exemplos clássicos da impessoalidade: o concurso público e a licitação


pública, por não haver “carta marcada” para o aprovado no concurso ou para
o vencedor da licitação. O atendimento ao público deve ser objetivo, desprovido
de preconceitos.

Em decorrência do princípio da moralidade e da impessoalidade, é vedado,


no Brasil, o nepotismo, ou seja, um alto funcionário público não pode utilizar
de sua posição para entregar cargos públicos administrativos a parentes.

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Com base nessa ideia, foi enunciada a Súmula Vinculante 13: “A nomea-
ção de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por
afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de
servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou
assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou,
ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Muni-
cípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a
Constituição Federal”.

Verifica-se que é proibido, também, o nepotismo cruzado/transversal


(troca-troca de parentes) no caso de “designações recíprocas”.

Sobre nepotismo, é praxe, nas questões de concursos, trocar a expres-


são “3º grau” para “4º grau”, o que torna a questão errada, ou, informar
que gera nepotismo a nomeação de primos da autoridade, o que tam-
bém, é errado, pois primos são parentes de 4 º grau.

O STF entende que não há necessidade de lei formal para vedar o nepotis-
mo, porque é uma questão de lógica dos princípios da moralidade e impesso-
alidade. Entende, ainda, que é vedado nepotismo para cargos administrativos,
não englobando cargos políticos. Exemplo: secretário ou ministro.

É importante considerar que o nepotismo atinge os afins: sogro(a); genro,


nora; cunhado(a), e ainda engloba as relações homoafetivas.

A Lei Complementar 840/2011, a qual estabelece o regime jurídico dos de-


tentores de cargos civis, expressa em seu artigo 16:

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Art. 16. É vedada a nomeação, para cargo em comissão ou a


designação para função de confiança, do cônjuge, de companheiro
ou de parente, por consanguinidade até o terceiro grau ou por
afinidade:
I – do Governador e do Vice-Governador, na administração pública
direta, autárquica ou fundacional do Poder Executivo;
II – de Deputado Distrital, na Câmara Legislativa;
III – de Conselheiro, Auditor ou Procurador do Ministério Público,
no Tribunal de Contas;
§1º As vedações deste artigo aplicam-se:
I – aos casos de reciprocidade de nomeação ou designação;
II – às relações homoafetivas.

Por fim, o processo disciplinar previsto na LC 840 será pautado, entre ou-
tros, no princípio da impessoalidade (artigo 219, “caput”).

4.3 PRINCÍPIO DA MORALIDADE

Os atos do DF devem ser pautados por: ética, boa-fé, honestidade, de-


coro, justiça, equidade, bons costumes e probidade.

A violação da moralidade gera improbidade administrativa (artigo 27


da LODF).

O artigo 180, inciso XIII da LC 840/2011, determina que é dever do ser-


vidor público “manter conduta compatível com a moralidade administrativa”.
Agir de forma incompatível com esse preceito gerará infração média (artigo
190, IV – LC 840). Ademais, a moralidade administrativa é um dos princípios
do processo disciplinar previsto na LC 840 – artigo 219, caput.

4.4 PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE

O artigo 22, I, da LODF informa que os atos administrativos são públicos,


salvo quando a lei, no interesse da administração, impuser sigilo.

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Nota-se que a regra é a publicidade dos atos administrativos e isso gera


eficácia do ato (aptidão para produzir efeitos). Por exemplo, só é possível ter
certeza de que ocorrerá o concurso para professores do DF quando o edital é
publicado. Vale ressaltar que a própria lei destaca que há exceção à norma,
em casos específicos: “salvo quando a lei, no interesse da administra-
ção, impuser sigilo”. Assim, a regra é a publicidade, e a exceção, o sigilo.

Pense comigo: você gostaria de saber o gabarito da sua prova antes de re-
alizá-la? O gabarito da prova de concurso é sigiloso, porém haverá o momento
certo que ele se torne público. Essa divulgação de informação, inclusive, gera
aptidão do surgimento dos seus efeitos; nesse caso abre o prazo para o can-
didato recorrer às respostas sinalizadas.

Outro exemplo de sigilo é o caso da blitz, levando-se em conta que não


pode ser a população do DF previamente avisada acerca dos locais e do ho-
rário em que ocorrerá a fiscalização. A publicidade de tal informação pode
acarretar, por exemplo, queda na efetividade da ação a que se propõe a blitz.

Podemos também citar, como exemplos de sigilo previstos na Cons-


tituição Federal:

• Art. 5º, XXXIII, CF – todos têm direito a receber dos órgãos públicos infor-
mações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão
prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas
cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;

• Art. 5º, LX, CF – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais
quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;

Logo, é errado afirmar que todo ato administrativo é público!


Outro ponto importante sobre a publicidade é a previsão no artigo 22,
inciso V, alínea “b” da LODF, o qual estipula que a publicidade dos atos,
programas, obras, serviços e as campanhas dos órgãos e entidades da ad-
ministração pública, ainda que não custeada diretamente pelo erário, serão
suspensas 90 (noventa) dias antes das eleições, ressalvadas aquelas es-
senciais ao interesse público.

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Repare que a regra é a suspensão da publicidade do governo nos 90 dias


que antecedem as eleições, mas caso a informação da publicidade seja es-
sencial ao interesse público, mesmo que esteja dentro desse período, será
divulgada.
Para facilitar observe o desenho a seguir.

Atente-se à novidade: a ELO 80/2014 introduziu o parágrafo 12 no artigo


19, o qual estabelece que “a lei deve dispor sobre os requisitos e as res-
trições ao ocupante de cargo ou emprego da administração direta e indireta
que possibilite o acesso a informações privilegiadas”. Assim, alguns cargos
públicos têm acesso a informações privilegiadas, tais como situação fiscal, en-
dereços ou dados pessoais, sendo que a quebra do sigilo de maneira indevida
pode caracterizar ato de improbidade administrativa (artigo 27).

Para concluir o tema relativo ao sigilo, é importante destacar que o proces-


so disciplinar previsto na LC 840/2011 será pautado, entre outros, no princípio
da publicidade (artigo 219, caput). Porém, há previsão do sigilo em algumas
hipóteses da LC 840/2011, conforme citações a seguir.

Art. 168, §2º, II – Para o exercício do direito de petição, é assegurada cópia de


documento ou de peça processual, observadas as normas daqueles classificados
com grau de sigilo.

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Art. 180, X e XVI – São deveres do servido guardar sigilo sobre assunto da re-
partição, e atender com presteza o público em geral, prestando as informações
requeridas, ressalvadas as protegidas por sigilo;

Art. 216, §2º – A sindicância patrimonial constitui-se de procedimento sigiloso


com caráter exclusivamente investigativo.

Art. 226, IX – Ao servidor acusado é facultado ter acesso às peças dos autos,
observadas as regras de sigilo;

Art. 240, §2º, I – São classificados como confidenciais, identificados pela co-
missão processante e autuados em autos apartados, os documentos de caráter
sigiloso requeridos pela comissão processante ou a ela entregues pelo servidor
acusado ou indiciado.

4.4 PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE

Os atos do DF devem ter razoabilidade, isto é, bom senso. Não pode ser
um ato desmedido. Por exemplo: um agente de polícia pode utilizar a força
necessária e moderada para controlar um autor de crime, ou seja, utiliza o
uso progressivo da força; um professor de escola pública tem a atribuição de
controlar os alunos durante a sua aula, mas sem utilizar castigo físico ou meio
cruel e degradante.

A atuação administrativa deve ter coerência, lógica, congruência, equilíbrio.


Tal princípio limita a atuação administrativa, para que não ocorram abusos.

É uma adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações,


restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao
atendimento do interesse público.

Ainda podemos citar como exemplo da razoabilidade a inovação que a ELO


80/2014 fez ao introduzir o inciso VI no artigo 22 da LODF, o qual estabelece que
a todos são assegurados a razoável duração do processo administrativo.

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A LC 840 também cita, como princípio do processo disciplinar, a razoa-


bilidade (artigo 219, caput). Isso é visto no artigo 200, § 2º inciso I da LC
840/2011 em que se determina a pena de suspensão de até 30 dias no caso de
reincidência em infração, leve, logo, razoabilidade vem a ser uma ferramenta
para controlar a quantidade da pena, pois a autoridade deve levar em consi-
deração a adequação da pena mais razoável ao caso concreto, ou seja, pode
ser a suspensão de 1 (um), 2 (dois) ou até 30 dias.

4.5 PRINCÍPIO DO INTERESSE PÚBLICO

O administrador privado visa ao lucro para a sua empresa, ao passo que o


administrador público visa ao interesse público. Vimos em nosso primeiro ma-
terial (Tópico I) que, entre os objetivos prioritários do Distrito Federal, estão
elencados preservar os interesses gerais e coletivos e promover o bem
de todos (artigo 3, III e IV). Com isso o DF objetiva assegurar o interesse pú-
blico em seus atos. Pode-se compreender melhor esse princípio ao se pensar
em concursos públicos. Esses são realizados para o preenchimento de vaga
de cargo efetivo ou de emprego público, a fim de atender às necessidades da
Administração Pública (interesse público).

Outra situação em que pode encontrar a aplicação do princípio em tela é


em relação à punição disciplinar. Essa ocorre para atingir a finalidade pública,
de a Administração Pública ser, de certa forma, ressarcida pelo mal que deter-
minado servidor público tenha causado. Por isso, o interesse público também é
um dos princípios do processo disciplinar (artigo 219, caput da LC 840/2011).

Pegadinha: a remoção de ofício do servidor público não pode ter finali-


dade de perseguição política ou punitiva, pois a remoção de ofício visa
ao interesse público de necessidade de serviço em certa localidade (ar-
tigos 41 e 42 da LC 840/2011).

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4.6 PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO

Todo ato administrativo possui motivo, que é a causa da prática do ato. Já


a motivação nada mais é que a explicação do motivo. Por exemplo, servidor
público do DF foi demitido, porque, em exercício, sem ser em legitima defe-
sa, agrediu fisicamente uma pessoa. O motivo é a agressão (pressuposto de
fato), que gera demissão segundo a LC 840/2011 (pressuposto de direito). A
motivação será a explicação desse fato ligando ao fundamento jurídico. In-
clusive a motivação também é um dos princípios do processo administrativo
(artigo 219, caput da LC 840/2011).

A LODF, em seu artigo 22, IV, trata do princípio da motivação ao expressar


que, no processo administrativo, qualquer que seja o objeto ou o procedi-
mento, observar-se-á, entre outros requisitos de validade, o despacho, ou a
decisão, motivado.

Imagine agora que você tenha passado no concurso, tomado posse, te-
nha 12 meses de exercício e queira marcar a suas férias para o ano seguinte,
porém suas férias são indeferidas. Nesse caso, você tem o direito de saber
por que isso aconteceu. Podemos citar como exemplo de motivação a Súmula
684, que assevera: “É inconstitucional o veto não motivado à participação de
candidato a concurso público”.

Para fechar esse tema, muito cuidado agora: a denominada exoneração


ad nutum – ou seja, a exoneração de ofício de cargo em comissão – não pre-
cisa de motivação, pois são livres a nomeação e a exoneração de tal cargo,
conforme preceituam os artigos 5º e 52, inciso I, da LC 840/2011.

4.7 PRINCÍPIO DA TRANSPARÊNCIA

A ELO 68/13 inseriu no artigo 19, caput, o denominado “princípio da trans-


parência das contas públicas”, porém a ELO 80/2014 modificou tecnicamente
para “princípio da transparência”, que nada mais é que um desdobramento do
princípio da publicidade, que já vinha expresso na LODF.

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Então concurseiro(a), o atual princípio chama-se “transparência”, e não


“transparência das contas públicas”.

Para a sua prova, dentro dos limites do seu edital, podemos citar como
exemplos do princípio da transparência:

• Art. 22, § 3º, da LODF: Os Poderes do Distrito Federal mandarão publicar,


mensalmente, nos respectivos sítios oficiais na internet, demonstrativo de to-
das as despesas realizadas por todos os seus órgãos, de forma clara e compre-
ensível ao cidadão, inclusive os da administração indireta, empresas públicas,
sociedades de economia mista e fundações mantidas pelo Poder Público, com a
discriminação do beneficiário, do valor e da finalidade, conforme dispuser a lei

• Art. 33, §8º, da LODF: “Os Poderes Executivo e Legislativo devem publicar,
até 31 de janeiro de cada ano, os valores do subsídio e da remuneração dos
cargos e empregos públicos”.

4.8 PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA

Antes da ELO 80/2014, não havia expressamente o princípio da efici-


ência no artigo 19, caput, da LODF. A partir da ELO 80/2014, seguindo-se a
sistemática da CF, foi introduzido expressamente o princípio da eficiência.

Eficiência refere-se à gestão pública em busca dos melhores resultados lí-


citos possíveis. O administrador público deve analisar a relação entre custo e
benefício em seus atos, com o objetivo de aperfeiçoar o maquinário público.
Podemos citar como exemplos do princípio da eficiência na LODF:

Art. 19, § 1º – É direito do agente público, entre outros, o acesso à profissionali-


zação e ao treinamento como estímulo à produtividade e à eficiência.

Art. 33, § 4º – O Distrito Federal deve manter escola de governo para forma-
ção e aperfeiçoamento dos servidores públicos, constituindo-se a participação
nos cursos um dos requisitos para promoção na carreira, facultada, para isso, a
celebração de convênios ou contratos com os demais entes federados ou suas
entidades.

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Art. 33, § 9º: A lei deve disciplinar a aplicação de recursos orçamentários pro-
venientes da economia com despesas correntes em cada órgão, autarquia e
fundação, para aplicação no desenvolvimento de programas de qualidade e pro-
dutividade, treinamento e desenvolvimento, modernização, reaparelha-
mento e racionalização do serviço público, inclusive sob a forma de adicional
ou prêmio de produtividade. (Parágrafo acrescido pela Emenda à Lei Orgânica n.
80, de 2014.)

Você, futuro servidor da SEEDF, sempre deve buscar o seu aperfeiçoamen-


to, visando prestar, da maneira mais eficiente, a sua atribuição.

As bancas de concurso costumam trocar a palavra eficiência por eficá-


cia. O que temos é o princípio da eficiência, e não da eficácia!

Outro ponto importante é: nenhum princípio pode prevalecer sobre o


outro, logo, por exemplo, não pode o administrador buscar a eficiência, mas
ferir a legalidade.

Esses não são os únicos princípios que a LODF traz, contudo, para a prova da
SEEDF, além dos estudados, é importante conhecer também os seguintes con-
ceitos.
Contraditório e Ampla Defesa – Artigo 22, IV: no processo admi-
nistrativo, qualquer que seja o objeto ou procedimento, observar-se-ão,
entre outros requisitos de validade, o contraditório, a ampla defesa e o
despacho ou decisão motivados.

Celeridade Processual – Artigo 22, VI: a todos são assegurados a razoá-


vel duração do processo administrativo e os meios que garantam a celeri-
dade de sua tramitação. (Inciso acrescido pela Emenda à Lei Orgânica n. 80,
de 2014.)

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5.DAS ENTIDADES DO DISTRITO FEDERAL

As entidades administrativas decorrem do fenômeno denominado de des-


centralização. As entidades possuem autonomia e personalidade jurídica,
mas sofrem controle finalístico e estão vinculadas ao Distrito Federal (é er-
rado dizer subordinadas). Esse tema é mais aprofundado na Disciplina Direito
Administrativo. Focaremos, aqui, o que tem de maior relevância na disciplina
de LODF. Não se esqueça de complementar seu estudo com o material de Di-
reito Administrativo.

A LODF – em seu artigo 19, inciso XVIII, alínea a, que foi alterado pela
ELO 840/2014 – trata, de modo semelhante à CF (artigo 37, XIX), das deno-
minadas entidades administrativas. Segundo a LODF, “somente por lei espe-
cífica pode ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública,
de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar,
neste último caso, definir as áreas de sua atuação”.

A partir dessa norma, podemos montar o seguinte quadro esquematizado.

ENTIDADE LEI ESPECÍFICA REGIME EXEMPLO


JURÍDICO
AUTARQUIA Cria Direito Público DETRAN
FUNDAÇÃO Autoriza – depende Direito Privado Fundação Jardim
PÚBLICA de registro Zoológico de
Brasília
EMPRESA PÚBLICA Autoriza – depende Direito Privado BRB e TERRACAP
de registro
SOCIEDADE DE Autoriza – depende Direito Privado CEB e CAESB
ECONOMIA MISTA de registro

Somente à fundação pública cabe a Lei Complementar (não é lei ordinária


ou decreto) definir sua área de atuação.

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Quando se afirma que lei específica cria determinada entidade, significa


que basta a vigência da lei para a entidade nascer no mundo jurídico. Quando
se afirma que a lei específica autoriza a criação de determinada entidade,
significa que, além da vigência da lei, faz-se necessário que seja registrada a
entidade para que essa surja no mundo jurídico.

Aqui temos uma pequena dica para lhe ajudar a memorizar essas informações.

CRIA

Com base no princípio das formas, é necessário haver lei específica para
criar ou autorizar a criação de entidade. Para que a entidade seja transfor-
mada, fundida, cindida, incorporada, privatizada ou extinta também haverá a
necessidade de lei específica (artigo 19, XVIII, b, da LODF).

A criação de entidade subsidiária ou a participação de qualquer delas em


empresa privada depende de autorização legislativa (artigo 19, XIX). Esse
artigo tem semelhanças com o 37, inciso XX, da CF.

Como visto anteriormente, a empresa pública e a sociedade de economia


mista são entidades de direito privado. Porém, empresas públicas ou socieda-
des de economia mista podem ser privatizadas ou extintas. A base para essa
possibilidade está no artigo 19, § 7º, da LODF, o qual estabelece que, para a
privatização ou extinção de empresa pública, ou sociedade de economia mis-
ta, a lei específica dependerá de aprovação por 2/3 dos membros da Câmara
Legislativa. Ou seja, temos 24 Deputados Distritais, então o quórum para a
aprovação do projeto de lei será de 16 votos favoráveis.

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Em 2015, houve atualização relativa a essa questão. A recente ELO 92/2015


inseriu, no § 7º, o inciso I, o qual estabelece que privatização de empresa públi-
ca ou sociedade de economia mista, além da aprovação por 2/3 da CLDF, depen-
de de manifestação favorável da população, sob a forma de referendo. Apesar
de o conteúdo dessa mudança legislativa ser louvável, tendo em vista utilizar o
referendo (uma das formas de soberania popular), a proposta da ELO 95 foi re-
alizada por Deputado Distrital, o que viola a própria LODF, tendo em vista que
tal matéria é competência do Governador. Por isso, o inciso I § 7º do artigo 19,
no dia 28 de junho de 2016, foi declarado inconstitucional pelo Tribunal de
Justiça do Distrito Federal e Territórios (ADI nº 2015 00 2 030649-3).
Dessa forma, a necessidade de o projeto de lei contatar com aprovação de
2/3 da CLDF + referendo não tem mais aplicação. A parte do referendo, foi
declarada inconstitucional.
Outro inciso que foi declarado inconstitucional pela mesma Ação Direta
de Inconstitucionalidade foi o II do parágrafo 7º, artigo 19, também inserido
pela ELO 92/2015. Ele estabelece que “a lei que autorizar a privatização, me-
diante alienação de ações de empresa pública e sociedade de economia mista,
estabelecerá a exigência de cumprimento pelo adquirente de metas de quali-
dade do serviço de atendimento aos objetivos sociais inspiradores da consti-
tuição da entidade”. Tendo-se em vista a ilegitimidade da proposta da ELO, o
inciso acima citado também não tem mais aplicação.
Então para organizar o seu estudo, seguem as principais informações. Fo-
ram declarados inconstitucionais na ADI n. 2015 00 2 030649-3, julgado pelo
TJDFT, os seguintes incisos do artigo 19, § 7º:

I – a privatização de empresa pública ou sociedade de economia mista, de


que trata o inciso VXIII deste artigo, condicionada à autorização legisla-
tiva nos termos deste parágrafo, depende de manifestação favorável da
população, sob a forma de referendo;
II – a lei que autorizar a privatização, mediante alienação de ações de empre-
sa pública e sociedade de economia mista, estabelecerá a exigência de
cumprimento pelo adquirente de metas de qualidade do serviço de aten-
dimento aos objetivos sociais inspiradores da constituição da entidade.

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Passada a parte polêmica, vamos fechar esse tema com mais uma informa-
ção: o artigo 24 da LODF estabelece que a direção superior das empresas
públicas, autarquias, fundações e sociedades de economia mista terá repre-
sentantes dos servidores, escolhidos do quadro funcional, para exercer
funções definidas, na forma da lei.

6.CONTRATO DE GESTÃO

A ELO 80/2014 introduziu o § 13 no artigo 19 da LODF, o qual estabelece:

§ 13. A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e das entida-


des da administração pública pode ser ampliada mediante contrato, a ser firmado
entre seus administradores e o Poder Público, que tenha por objeto a fixação de
metas de desempenho para o órgão ou a entidade, cabendo à lei dispor sobre:

I – prazo de duração do contrato;


II – controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e res-
ponsabilidade dos dirigentes;
III – remuneração do pessoal.

Essa inovação na LODF tem semelhança com o § 7º do artigo 37 da CF. Tal


mudança tem a finalidade de estimular a eficiência administrativa dos órgãos
e das entidades da Administração Pública do DF, com vias ao cumprimento
de meta de desempenho. Nota-se que ampliou, expressamente, a autonomia
gerencial, orçamentária e financeira de órgãos e entidades do DF mediante o
denominado contrato de gestão.

Interessante para a prova é lembrar que compete à lei (não é decreto)


dispor sobre:
• prazo de duração do contrato;
• controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e
responsabilidade dos dirigentes;
• remuneração do pessoal.

Esse parágrafo 13 do artigo 19 tem relação direta com o princípio da eficiência.

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7.GRATUIDADE DA IDENTIDADE PESSOAL

Tema bem tranquilo para a sua prova é a previsão, no artigo. 22, III, o qual
dispõe que é garantida a gratuidade da expedição da primeira via da cédula de
identidade pessoal. Lembre-se: a primeira é de graça! Exemplo: João tem
um RG expedido pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.
Ao chegar ao DF, foi até o órgão competente e requereu a expedição da 1º via
de RG expedido pelo DF. Desse modo, não será cobrada taxa por tal serviço de
identificação.
Há uma lei distrital que trata de outros casos de gratuidade na expedição
da identidade, mas isso não será cobrado em sua prova.
O tema é fácil e simples (concorda?!), mas é importante ter atenção, pois
as bancas podem tentar confundir você em relação a isso.

A gratuidade da identidade pessoal:


• independe da condição financeira da pessoa;
• não precisa residir no DF;
• não é objetivo prioritário;
• não é valor fundamental; e
• é só para a primeira via.

Então fica uma ilustração para você se lembrar.

PRIMEIRA É GRATIS

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8.DAS REQUISIÇÕES JUDICIAIS

O artigo 23, I, da LODF estipula que a administração pública é obrigada


a atender a requisições judiciais nos prazos fixados pela autoridade
judiciária.

Esse tema é tranquilo e costuma ser cobrada, em provas, a cópia desse


artigo, mas se atente a alguns pontos interessantes:
• a requisição judicial gera um dever (obrigação) e não um direito (facul-
dade) para a administração pública; e
• a LODF não determina o prazo de atendimento – se são 5 ou 10 dias –,
pois quem determina o prazo para a Administração cumprir é a autori-
dade judiciária.

9.REQUERIMENTO DO PARTICULAR

Foi apresentada, acima, uma situação em que a autoridade judiciária


requisita algo à administração pública. Agora trataremos de casos em que o
particular é quem requer algo da administração pública.
Sobre isso, segue quadro comparativo dos dois casos. Fique muito atento
ao quadro, pois ele é cobrado com grande frequência em provas de concursos.
Sobre os artigos 22, II e 23, II da LODF:

ART. 22, II, DA LODF ART.23, II, DA LODF


A Administração Pública é obrigada a A Administração Pública é obrigada a fornecer
fornecer certidão ou cópia autenticada a qualquer cidadão, no prazo máximo
de atos, contratos e convênios de 10 dias úteis, independentemente
administrativos a qualquer interessado, de pagamento de taxas ou emolumentos,
no prazo máximo de 30 dias. certidão de atos, contratos, decisões ou
pareceres, para defesa de seus direitos e
esclarecimento de situações de interesse
pessoal ou coletivo.
Conta-se o prazo em dias corridos. Conta-se o prazo em dias úteis.
Ex: cópia de um contrato de licitação para Ex: cópia do tempo de serviço para
analisar a legalidade de contratação. fundamentar um pedido de aposentadoria.
Obs: A autoridade ou servidor que negar ou retardar o disposto neste artigo incorrerá
em pena de responsabilidade, excetuados os casos de comprovada impossibilidade.

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1O. DOS SERVIÇOS PÚBLICOS DO DF

Os artigos 25 a 28 da LODF tratam de serviços públicos no DF.


Sobre essa temática, podemos apontar a seguintes informações:

• os serviços públicos constituem dever do Distrito Federal;


• serão prestados, sem distinção de qualquer natureza, em conformida-
de com o estabelecido na CF, na LODF, nas leis e nos regulamentos que
organizem sua prestação (ex., Lei 8.987/1995);
• como regra geral, o serviço público deve ser precedido de licitação
(Lei 8.666/1993 e Lei 10.520/2002), bem como em caso de obras,
compras, alienações; e
• é vedada a contratação de obras e serviços públicos sem prévia aprova-
ção do respectivo projeto, sob pena de nulidade do ato de contratação.

O artigo 29 da LODF, o qual dispunha que “a lei garantirá, em igualdade


de condições, tratamento preferencial à empresa brasileira de capital nacional,
na aquisição de bens e serviços pela administração direta e indireta, inclusive
fundações instituídas ou mantidas pelo poder público”– foi revogado pela
ELO 80/2014. Nessa situação, caso apareça na prova a informação desse
artigo 29 como certa, a questão estará errada.

As Leis 8.666/1993, 10.520/2002 e 8.987/1995 não são temas previstos


no edital do concurso em foco, portanto não é necessário estudá-las.

Informação adicional
Súmula do STJ
Súmula 333 – Cabe mandado de segurança contra ato praticado em lici-
tação promovida por sociedade de economia mista ou empresa pública.

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11. DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA

Os artigos 31 a 32 da LODF tratam da Administração Tributária do


Distrito Federal.

Tributo é “toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo va-


lor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em
lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” (artigo
2º do Código Tributário Nacional).

A ELO 80/2014 inseriu o § 3º no artigo 31. Esse informa algumas caracte-


rísticas singulares da administração tributária do DF, entre as quais podemos
citar:
• é uma atividade essencial ao funcionamento do Distrito Federal;
• é exercida por servidores da carreira de auditoria tributária;
• tem recursos prioritários para a realização de suas atividades; e
• atua de forma integrada com as administrações tributárias da União,
Estados e Municípios, inclusive com o compartilhamento de cadastros e
de informações fiscais, na forma da lei ou de convênio.

O Distrito Federal, por ter uma competência híbrida, engloba as competên-


cias de tributos Estaduais e Municipais dentro do seu território, por exemplo,
IPVA e IPTU, respectivamente.

Compete à administração tributária as funções de lançamento, fiscalização e


arrecadação dos tributos de competência do DF, além do julgamento administra-
tivo dos processos fiscais. Esses processos serão exercidos, privativamente,
por integrantes da carreira de auditoria tributária.

Não são englobados por essa competência privativa, o lançamento, a fisca-


lização e a arrecadação das taxas que tenham como fato gerador o exercício
do poder de polícia, bem como o julgamento de processos administrativos
decorrentes dessas funções, na forma da lei.

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Sobre o órgão colegiado, pode-se destacar as seguintes características:

• é composto por servidores da carreira de auditoria tributária e represen-


tantes dos contribuintes;
• compete julgamento de processos fiscais em 2º instância.

O artigo 19, XVII, da LODF informa que a administração fazendária e seus


agentes fiscais, aos quais compete exercer privativamente a fiscalização de
tributos do Distrito Federal, terão, em suas áreas de competência e jurisdi-
ção, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei.
Por fim, com base no princípio da legalidade, o artigo 32 da LODF esta-
belece que lei específica disciplinará a organização e o funcionamento da
administração tributária, bem como tratará da organização e estruturação da
carreira específica de auditoria tributária.

12.DA DECLARAÇÃO DE BENS

Para alcançar a transparência dentro da administração pública, o controle


das verbas públicas e a vedação ao enriquecimento ilícito, a LODF determina,
em alguns casos, a obrigação da declaração dos bens dos agentes públicos.
O artigo 19, inciso XXI, estabelece que todo agente público, qualquer
que seja sua categoria ou a natureza do cargo, emprego ou função, é obrigado
a declarar seus bens nas seguintes situações: posse, exoneração ou apo-
sentadoria.
Aqui temos uma dica para você, todo agente público declara seus bens
na PEA.

Posse
Exoneração
Aposentadoria

Além disso, ainda há a declaração pública anual dos bens, porém isso,
é só para determinados agentes públicos, conforme o artigo 19, § 3º, da LODF:

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• Governador;
• Vice-Governador;
• Secretários de Estado do Distrito Federal;
• Diretores de empresas públicas;
• Diretores de sociedades de economia mista;
• Diretores de autarquias;
• Diretores de fundações;
• Administradores Regionais;
• Procurador-Geral do Distrito Federal;
• Conselheiros do Tribunal de Contas do Distrito Federal;
• Deputados Distritais; e
• Defensor Público-Geral do Distrito Federal.

A ELO 80/2014 introduziu essa obrigação para os diretores de autar-


quias e para o Defensor Público-Geral do Distrito Federal. Essa é uma
novidade na LODF, por isso é possível que tal informação seja cobrada
em sua prova.

O artigo 97 da LODF ainda estipula que o Governador e o Vice-Governador de-


verão, no ato da posse e no término do mandato, fazer declaração pública de bens.

13. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

O artigo 27 da LODF trata da improbidade administrativa (mesmo texto do


artigo 37, §4º, da CF):

Art. 27 da LODF – Os atos de improbidade administrativa importarão suspensão


dos direitos políticos, perda da função pública, indisponibilidade dos bens e res-
sarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação
penal cabível.

Vimos, no artigo 19, caput, da LODF, o princípio da moralidade administra-


tiva, sendo a probidade um dos seus exemplos. Se a pessoa praticar impro-
bidade administrativa, ficará sujeita às consequências do artigo 27 da LODF.

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A expressão ”forma e gradação previstas em lei”, no citado artigo, tem


relação com os princípios da razoabilidade (gradação) e legalidade (lei). Isso
porque a autoridade julgadora fica limitada às penas previstas na legislação,
dentro de um parâmetro racional, para estipular a quantidade da pena.

Vamos analisar cada pena.

• Suspensão dos direitos políticos – NÃO É CASSAÇÃO OU PERDA dos


direitos políticos. A Lei n. 8.429/1992, que trata da improbidade adminis-
trativa, estabelece o prazo da suspensão dos direitos políticos, que tem
variação de 3 a 10 anos, a depender do ato praticado.
• Perda da função pública – Conforme os artigos 194, I, b, 195, III e
202, da LC 840/2011, o ato de improbidade administrativa é uma con-
duta grave que gera pena de demissão, o que ocasiona a vacância do
cargo, conforme o artigo 50, II. É importante, ainda, considerar que
o artigo 206 da LC 840/2011 expressa que o caso de improbidade im-
plicará a incompatibilização para nova investidura em cargo público no
Distrito Federal pelo prazo de 10 anos, sem prejuízo de ação cível ou
penal e das demais medidas administrativas.
• Indisponibilidade dos bens – Indisponibilidade significa que o conde-
nado por improbidade administrativa não terá a liberdade de dispor de
seus bens; ou seja, é possível que sejam bloqueados automóveis, contas
bancárias e imóveis. Isso serve para garantir futuro ressarcimento ao
Estado. Um dos métodos de fiscalizar os bens do agente público está es-
culpido no artigo 19, XXI e § 3º, na declaração dos bens, conforme visto
anteriormente.
• Ressarcimento ao erário – Ressarcir é recompor ao estado ante-
rior. Logo, a pena de ressarcimento ocorre quando houver, pela prá-
tica da improbidade, algum dano para o Estado. Esse ressarcimento
deve ser integral.

Essas penas são “SEM prejuízo da ação penal cabível”, ou seja, está
errada a questão de concurso que expressar “com prejuízo da ação pe-
nal”, pois, além desses efeitos administrativos, civis e políticos citados

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acima, o indivíduo que for condenado por improbidade poderá respon-


der ainda a um processo penal, sem que isso gere bis in idem, ou
seja, dupla punição pelo mesmo fato, já que as penas são de naturezas
distintas.

Exemplos de ato de improbidade administrativa:


• o professor do DF que subtraiu do interior da escola várias unidades de
leite em pó;
• o servidor que divulgou antecipadamente gabarito da prova de concurso
público;
• o servidor que violou os preceitos da licitação;
• o servidor que utilizou o carro oficial para viagem particular.

Para sua prova, memorize que a improbidade administrativa gera*:


• suspensão dos direitos políticos;
• perda da função pública;
• indisponibilidade dos bens; e
• ressarcimento ao erário.

*Sem prejuízo da ação penal cabível.

Para lembrar!

SUSPENSÃO DOS
DIREITO POLÍTICO

SEM PREJUÍZO DA
AÇÃO PENAL CABÍVEL
PERDA DA
IMPROBIDADE FUNÇÃO
ADMINISTRATIVA PÚBLICA
RESSARCIMENTO
AO ERÁRIO

INDISPONIBILIDADE
DOS BENS

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14.RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

Para fechar a parte teórica deste material, deixamos um tema muito impor-
tante: responsabilidade civil do Estado.
Vivemos em um Estado Democrático de Direito (artigo 1º, da CF) tendo
como forma de Governo a República. Dessa forma, há de se perceber que o
Brasil não adota a teoria da irresponsabilidade, ou seja, no Brasil caberá res-
ponsabilidade ao Estado no caso de se gerar prejuízo para a vítima – não cabe
aqui a alegação que o rei nunca erra (the king do not wrong).
Essa noção é também aprofundada na disciplina de Direito Administrativo,
porém vamos apontar como isso pode ser cobrado na disciplina de LODF. De
modo idêntico à CF (artigo 37, §6º), a LODF, em seu artigo 20, disciplina a
responsabilidade civil do Estado:

Art. 20. As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado, prestadoras


de serviços públicos, responderão pelos danos que seus agentes, nesta qualidade,
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos
casos de dolo ou culpa.

Ao nos debruçar sobre o artigo 20 da LODF, aprendemos o seguinte.

RESPONSABILIDADE DO ESTADO RESPOSABILIDADE DO AGENTE


PÚBLICO
As pessoas jurídicas de direito público e as (...) assegurado o direito de regresso
de direito privado, prestadoras de serviços contra o responsável nos casos de dolo
públicos, responderão pelos danos que ou culpa.
seus agentes, nesta qualidade, causarem a
terceiros.
Teoria do risco administrativo, Responsabilidade subjetiva.
responsabilidade objetiva.
Tem que demonstrar: fato + nexo + dano. Tem que demonstrar: fato + nexo +
dano + culpa em sentido amplo (dolo
ou culpa em sentido estrito).

O artigo 20 da LODF não engloba as pessoas jurídicas exploradoras de ati-


vidade econômica, por isso a responsabilidade delas é subjetiva (demonstrar
fato + nexo + dano + culpa em sentido amplo).

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No âmbito desse artigo, é importante ter em conta que a vítima pode ser
um particular ou um agente público. Além disso, considera-se como agente
público, em sentido amplo, qualquer espécie: permanente ou transitório, re-
munerado ou não remunerado, estatutário ou celetista.
Para ter responsabilidade do Estado, o agente tem que estar na qualidade,
ou seja, no exercício ou em razão da função; caso contrário será a própria
pessoa física responsável. A responsabilidade do servidor cabe tanto no caso
de dolo (tem intenção ou assume o risco de produzir o resultado), quanto no
caso de culpa (negligência, imprudência ou imperícia).
Observa-se, ainda, que prevalecerá a responsabilidade objetiva, em regra,
em casos de ato comissivo (ação); já em casos de ato omissivo (omissão), a
prevalência será da responsabilidade subjetiva. Já em casos de custódia de
bens e pessoas, a responsabilidade do Estado é objetiva. Excluem a respon-
sabilidade estatal: a culpa exclusiva da vítima e o caso fortuito ou força maior.
A culpa recíproca (concorrente) atenua (diminui) a responsabilidade es-
tatal. Em casos de dano nuclear, entende-se, que há uma responsabilidade
integral do Estado, sem excludentes de responsabilidade. Além disso, vale ter
em mente que a responsabilidade objetiva alcança usuários e não-usuários do
serviço público.
Graficamente, pode-se representar as questões relativas à responsabilida-
de do Estado e de seus agentes da seguinte forma.

E
S CONDENAÇÃO
CONDENAÇÃO DA
DA INDENIZAÇÃO
INDENIZAÇÃO
T
A
D
O AÇÃO
AÇÃODE
DE
INDENIZAÇÃO
INDENIZAÇÃO

DANO
DANO

AGENTE PÚBLICO + EXERCÍCIO VITIMA


AGENTE PÚBLICO + EXERCÍCO VÍTIMA
OU RAZÃO DA FUNÇÃO
OU RAZÃO DA FUNÇÃO

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Acerca do esquema, podemos citar alguns exemplos.

• Exemplo 1: professor de escola pública do DF, durante a aula, agride


aluno. Cabe responsabilidade objetiva do DF, o qual, se for condenado,
entrará com ação regressiva contra o professor, a fim de demonstrar se
ele agiu com dolo ou culpa.
• Exemplo 2: professor de escola pública, de férias, briga com um desco-
nhecido num bar. O DF não será responsabilizado, tendo-se em vista que
o servidor não estava no exercício ou em razão da função.
• Exemplo 3: motorista de um órgão do DF, obedecendo a legislação de
trânsito, atropela um pedestre que atravessa a via em local proibido. A
perícia demonstra que foi culpa exclusiva da vítima. O DF não será res-
ponsabilizado.
• Exemplo 4: preso suicida dentro do presídio do DF. O Distrito Federal
será responsabilizado objetivamente, tendo em vista o fato de o preso
estar sob a custódia dessa pessoa.

É isso aí, pessoal!

Encerramos aqui nosso estudo sobre mais um tópico, em sua parte teó-
rica. Agora, como não pode deixar de ser, faça as questões a seguir e veja
os comentários para turbinar todo o seu aprendizado. Não desanime, você
está quase lá, cada esforço seu, aquela meia hora a mais de estudo, aquela
revisada nos finais de semana, serão recompensados durante a realização de
sua prova.

Abraços e bons estudos!

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QUESTÕES COMENTADAS

30. (CESPE/CBM-DF/BOMBEIRO/OFICIAL MILITAR/2011) A extinção de região


administrativa no DF está condicionada à aprovação de lei, que deve ser pro-
posta pelo respectivo conselho de representantes comunitários.

A extinção de RA depende de aprovação de lei por meio de maioria


absoluta dos Deputados Distritais, porém não cabe ao Conselho de Re-
presentantes Comunitários o projeto dessa lei. O Conselho de Repre-
sentantes Comunitários somente tem função consultiva e fiscalizadora
(artigos 12 e 13 da LODF).

31. (CESPE/BRB/ADVOGADO/2010) Para a extinção de uma região adminis-


trativa, é necessária a aprovação de lei pela maioria absoluta dos deputados
distritais.

O artigo 13 da LODF estabelece que a criação ou a extinção de Regiões


Administrativas ocorrerá mediante lei aprovada pela maioria absoluta
dos Deputados Distritais.

32. (CESPE/DFTRANS/TÉCNICO/2008) É lícita a criação ou a extinção de regi-


ões administrativas mediante decreto do governador do DF.

Pelo princípio da legalidade, a criação e a extinção das regiões adminis-


trativas do DF far-se-ão mediante lei aprovada por maioria absoluta dos
Deputados Distritais (artigo 13 da LODF). Não é por meio de decreto
do Governador do DF.

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33. (CESPE/SEPLAG-DF/ASSISTENTE DE EDUCAÇÃO/MONITOR/2009) Com


vistas à descentralização administrativa, à utilização racional de recursos para
o desenvolvimento socioeconômico e à melhoria da qualidade de vida da po-
pulação, o DF organiza-se em regiões administrativas, as quais poderão ser
criadas por meio de decreto do Governador do DF, após a aprovação pelos
moradores da localidade a ser beneficiada.

O artigo 10, caput, da LODF estabelece que o Distrito Federal se organiza


em Regiões Administrativas, com vistas à descentralização administrati-
va, à utilização racional de recursos para o desenvolvimento socioeconô-
mico e à melhoria da qualidade de vida. Ocorre que a criação da RA será
por meio de lei aprovada por maioria absoluta dos Deputados Distritais
(artigo 13). Logo, não é feito por meio de decreto do governador do DF.
Além disso, a realização dessa lei não tem como requisito, no processo
legislativo, o plebiscito (consulta prévia).

34. (FUNIVERSA/DETRAN-DF/AGENTE DE TRÂNSITO/2012) A organização do


DF em regiões administrativas visa, entre outros, à utilização racional de recur-
sos para o desenvolvimento socioeconômico e à melhoria da qualidade de vida.

O artigo 10, caput, da LODF estabelece que o Distrito Federal se organi-


za em Regiões Administrativas, com vistas à descentralização adminis-
trativa, à utilização racional de recursos para o desenvolvimento socioe-
conômico e à melhoria da qualidade de vida. A questão não expressou a
descentralização administrativa, porém, está certa, tendo em vista que
apresentou a informação “entre outros”.

35. (FUNIVERSA/SEPLAG-DF/PROFESSOR/FISIOTERAPIA/2010) Diante da ur-


gência, a criação ou a extinção de Regiões Administrativas no DF ocorrerá
mediante decreto do governador.

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O artigo 13 da LODF estipula que a criação ou extinção de Regiões Ad-


ministrativas ocorrerá mediante lei aprovada pela maioria absoluta
dos Deputados Distritais. Em nenhum momento da LODF estabelece
exceção de criação ou extinção de RAs por meio de decreto.

36. (CESPE/DPE-DF/DEFENSOR PÚBLICO/2013) O DF organiza-se em Regi-


ões Administrativas, com vistas à descentralização administrativa, cabendo ao
Poder Executivo, mediante decreto, a criação ou extinção de novas Regiões
Administrativas, conforme a conveniência e o interesse de ordem pública.

O artigo 13 da LODF estipula que a criação ou extinção de Regiões Ad-


ministrativas ocorrerá mediante lei aprovada pela maioria absoluta dos
Deputados Distritais. Não é por meio de decreto. É só lembrar da dica
MAL – Maioria Absoluta Lei.

37. (IBFC/PROFESSOR/2013) A criação ou extinção das Regiões Adminis-


trativas ocorrerá mediante lei aprovada pela maioria simples dos deputados
distritais.

O artigo 13 da LODF estipula que a criação ou extinção de Regiões Ad-


ministrativas ocorrerá mediante lei aprovada pela maioria absoluta dos
Deputados Distritais. Não é maioria simples ou relativa. É só lembrar da
dica MAL – Maioria Absoluta Lei.

38. (FUNIVERSA/SEPLAG-DF/PROFESSOR/FISIOTERAPIA/2010) As adminis-


trações regionais são independentes e não integram a estrutura administrativa
do DF.

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O artigo 11 da LODF determina que as administrações regionais inte-


gram a estrutura administrativa do Distrito Federal. Sendo assim, elas
são órgãos e estão subordinadas ao DF.

39. (FUNIVERSA/SEJUS-DF/TÉCNICO PENITENCIÁRIO/2008) Quanto à or-


ganização do Distrito Federal, em conformidade com a respectiva Lei Or-
gânica: as administrações regionais integram a estrutura administrativa do
Distrito Federal.

Cópia do artigo 11 da LODF – as administrações regionais integram a


estrutura administrativa do Distrito Federal.

40. (FUNIVERSA/SEJUS-DF/TÉCNICOPENITENCIÁRIO/ 2008) O Distrito Fede-


ral organiza-se em Regiões Administrativas, cuja criação ou extinção somente
poderá ocorrer mediante lei aprovada por dois terços do Deputados Distritais.

O artigo 13 da LODF estipula que a criação ou extinção de Regiões Ad-


ministrativas ocorrerá mediante lei aprovada pela maioria absoluta dos
Deputados Distritais. É só lembrar da dica MAL – Maioria Absoluta
Lei. O que ocorre mediante aprovação de 2/3 dos Deputados Distritais
é a extinção ou a privatização das empresas públicas ou sociedades de
economia mista.

41. (FUNIVERSA/DETRAN-DF/AGENTE DE TRÂNSITO/2012) O DF organiza-se


em Regiões Administrativas, a fim de manter a centralização administrativa do
poder.

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Para prova de LODF, leve a informação expressa na lei, ou seja, o artigo


10, caput, da LODF estabelece que o Distrito Federal se organiza em Re-
giões Administrativas, com vistas à descentralização administrativa.
Não é centralização.

42. (IBFC/PROFESSOR-DF/2013) A participação popular no processo do Ad-


ministrador será disciplinada através de decreto.

O artigo 10, § 1º, da LODF informa que a lei disporá sobre a participação
popular no processo de escolha do Administrador Regional. Não é decre-
to. O problema na prática é que ainda não foi feita essa lei.

43. (CESPE/BRB/ESCRITURÁRIO/2010) O DF é organizado em regiões admi-


nistrativas, com vistas à centralização administrativa, à utilização racional de
recursos para o desenvolvimento socioeconômico e à melhoria da qualidade
de vida da população.

É um tipo de questão que se você não prestar atenção, acaba errando.


A LODF expressa que o DF se organiza em Regiões Administrativas,
com vistas à descentralização administrativa, à utilização racional de
recursos para o desenvolvimento socioeconômico e à melhoria da quali-
dade de vida (artigo 10, caput, da LODF). Não é centralização.

44. (CESPE/BRB/ESCRITURÁRIO/2010) O DF é organizado em regiões admi-


nistrativas, com vistas à descentralização administrativa, à utilização racional
de recursos para o desenvolvimento socioeconômico e à melhoria da qualidade
de vida da população.

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Cópia do artigo 10, caput, da LODF, o DF organiza-se em Regiões


Administrativas, com vistas à descentralização administrativa, à uti-
lização racional de recursos para o desenvolvimento socioeconômico e à
melhoria da qualidade de vida. Não é centralização.

45. (UNIVERSA/EFERMEIRO-DF/2011) Acerca da organização administrativa


do DF, é correto afirmar que: os administradores regionais podem receber re-
muneração idêntica à do governador do DF, de acordo com a LODF.

A LODF informa que a remuneração dos Administradores Regionais


não poderá ser superior à fixada para os Secretários de Estado do
Distrito Federal (artigo 10, §2º). Logo, o máximo que um Administra-
dor receberá será igual ao do Secretário de Estado do DF. Não pode
ser igual ao do Governador.

46. (CESPE/SEPLAG-DF/ASSISTENTE DE EDUCAÇÃO/Administrativo/ 2009) A


remuneração de um administrador regional do DF não pode ser igual à de um
secretário de estado.

A LODF informa que a remuneração dos Administradores Regionais não


poderá ser superior à fixada para os Secretários de Estado do Distrito
Federal (artigo 10, §2º), logo, pode ser igual. Cuidado com essa pe-
gadinha!

47. (IBFC/PROFESSOR-DF/2013) A remuneração dos Administradores Re-


gionais poderá ser superior à fixada para os secretários de Estado do Dis-
trito Federal.

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Se você errou a questão no concurso passado, não errará mais. Se acer-


tou, vai acertar de novo, pois agora você domina a informação de que a
remuneração dos Administradores Regionais NÃO poderá ser superior à
fixada para os Secretários de Estado do Distrito Federal.

48. (IBFC/PROFESSOR-DF/2013) Cada Região Administrativa do Distrito Fede-


ral terá um Conselho de Representantes Comunitários, com funções consultivas
e fiscalizadoras, na forma da lei.

É a cópia do artigo 12 da LODF – Cada Região Administrativa do Distrito


Federal terá um Conselho de Representantes Comunitários, com funções
consultivas e fiscalizadoras, na forma da lei.

49. (FUNIVERSA/SEJUS-DF/Técnico Penitenciário/2008) Haverá somente um


Conselho de Representantes Comunitários para todas as Regiões Administrati-
vas do Distrito Federal.

Cuidado com esse tipo de questão, pois pode te induzir ao erro. Cada Re-
gião Administrativa terá um Conselho de Representantes Comunitários,
logo, não é somente um para todas as RAs.

50. (CESPE/CONSULTOR LEGISLATIVO/2005) Os conselhos de representantes


comunitários funcionam junto às administrações regionais como órgãos delibe-
rativos, consultivos e fiscalizadores dos atos de gestão dos administradores.

O artigo 12 da LODF informa que os Conselhos de Representantes Co-


munitários têm função consultiva e fiscalizadora, não elenca a função
deliberativa.

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51. (UNIVERSA/EFERMEIRO-DF/2011) Acerca da organização administrativa


do DF, é correto afirmar que: os conselhos de representantes comunitários não
possuem nenhuma função perante as regiões administrativas do DF, na forma
da lei.

O artigo 12 da LODF expressa que os Conselhos de Representantes


Comunitários terão função consultiva e fiscalizadora, na forma da lei.

52. (FUNIVERSA/DETRAN-DF/AGENTE DE TRÂNSITO/2012) Cada região adminis-


trativa terá um conselho de representantes, que serão escolhidos dentro do
serviço público.

A LODF afirma que cada RA terá um Conselho de Representantes Comu-


nitários (artigo 12), porém não expressa como é a escolha desses con-
selheiros.

53. (CESPE/TC-DF/PROCURADOR/2013) A criação ou extinção de regiões ad-


ministrativas no DF somente ocorre por lei aprovada pela maioria absoluta dos
deputados distritais, devendo cada região ter um conselho de representantes
com funções tanto consultivas, quanto fiscalizadoras, na forma da lei.

A criação ou extinção de RAs se dá por meio de lei, aprovada por maio-


ria absoluta dos Deputados Distritais, sendo que cada uma dessas re-
giões terá um conselho de representantes comunitários, com funções
consultivas e fiscalizadoras, na forma da lei (artigos 12 e 13 da LODF).

54. (CESPE/DETRAN-DF/AUXILIAR DE TRÂNSITO/2009) Acerca do que dispõe


a Lei Orgânica do Distrito Federal, julgue a assertiva a seguir.

A LODF não aborda expressamente o princípio da motivação.

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O artigo 19, caput, da LODF, elenca expressamente os princípios:


LIMPETRIM.

Legalidade
Impessoalidade
Moralidade
Publicidade
Eficiência
Transparência
Razoabilidade
Interesse Público
Motivação

Logo, o princípio da motivação, na LODF, é expressamente abordado.


Motivação é a explicação sobre os pressupostos de fato e de direito que
fundamentaram a prática do ato da Administração Pública.

55. (CESPE/IBRAM/ANALISTA DE ATIVIDADES DO MEIO AMBIENTE/2009) A


LODF não prevê, expressamente, o princípio da moralidade administrativa;
porém, trata-se de princípio implícito que vincula todos os agentes públicos.

LODF prevê expressamente o princípio da moralidade, que vincula to-


dos os agentes públicos (artigo 19, caput). Lembre-se do LIMPETRIM.
Moralidade relaciona-se com a ética, honestidade, probidade ou decoro.

56. (CESPE/CADE/NÍVEL MÉDIO/CONHECIMENTOS BÁSICOS/2014) Ainda que


as sociedades de economia mista sejam pessoas jurídicas de direito privado
com capital composto por capital público e privado, a elas aplicam-se os prin-
cípios explícitos da administração pública.

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O artigo 19 da LODF informa que a administração pública direta e indi-


reta de qualquer dos Poderes do Distrito Federal obedece aos princípios
de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, razoabilidade,
motivação, transparência, eficiência e interesse público. Repare que o
artigo 19 não restringiu a aplicação desses princípios somente para as
pessoas jurídicas de direito público, mas sim para toda administração
pública direta e indireta. Logo, aplica-se os princípios administrativos
para as sociedades de economia mista.

57. (CESPE/BRB/ADVOGADO/2010) A administração fazendária e seus agen-


tes fiscais têm, em suas áreas de competência e jurisdição, tratamento iguali-
tário aos demais setores administrativos, na forma da lei.

O artigo 19, XVII, da LODF expressa que a administração fazendária e


seus agentes fiscais, aos quais compete exercer privativamente a fisca-
lização de tributos do Distrito Federal, terão, em suas áreas de compe-
tência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrati-
vos, na forma da lei. Logo, não tem tratamento igualitário aos demais
setores administrativos.

58. (FUNIVERSA/CEB/ADMINISTRADOR/2010) A administração fazendária e


seus agentes fiscais, aos quais competem exercer privativamente a fiscali-
zação de tributos do Distrito Federal, terão, em suas áreas de competência
e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, exceto o
DETRAN.

O artigo 19, XVII, da LODF expressa que a administração fazendária e


seus agentes fiscais, aos quais compete exercer privativamente a fisca-
lização de tributos do Distrito Federal, terão, em suas áreas de compe-
tência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrati-
vos, na forma da lei. A LODF não elenca exceção sobre essa precedência.

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59. (CESPE/BRB/ADVOGADO/2010) O julgamento de processos fiscais em se-


gunda instância é de competência de órgão colegiado, integrado por servido-
res da carreira de auditoria tributária e representantes dos contribuintes.

O artigo 31, § 1º, da LODF informa que o julgamento de processos


fiscais em segunda instância será de competência de órgão colegiado,
integrado por servidores da carreira de auditoria tributária e represen-
tantes dos contribuintes.

60. (CESPE/DETRAN-DF/ANALISTA DE TRÂNSITO-DIREITO E LEGISLA-


ÇÃO/2009) Considere que Joana tenha sido notificada para pagar taxa cobra-
da em decorrência do poder de polícia, que tenha apresentado recurso admi-
nistrativo e que tal recurso tenha sido julgado por pessoas que não integram
a carreira de auditoria tributária. Nessa situação hipotética, não há qualquer
irregularidade no julgamento do recurso.

A taxa é uma espécie de tributo. Poder de polícia é a prerrogativa que


o Estado possui sobre o particular, limitando direitos, bens e serviços,
com o objetivo de proteger o interesse público. É a aplicação do princí-
pio da supremacia do interesse público, em que é possível cobrar uma
taxa sobre esse poder de polícia. A LODF informa em seu artigo 31,
caput e parágrafo 1º, que são incumbência da administração tributá-
ria as funções de lançamento, fiscalização e arrecadação dos tributos
de competência do Distrito Federal e o julgamento administrativo dos
processos fiscais, os quais serão exercidos, privativamente, por inte-
grantes da carreira de auditoria tributária. Já o julgamento de processos
fiscais em segunda instância será de competência de órgão colegiado,
integrado por servidores da carreira de auditoria tributária e represen-
tantes dos contribuintes. Porém, temos a exceção dessa competência
privativa, no caso: a fiscalização e a arrecadação das taxas que te-
nham como fato gerador o exercício do poder de polícia, bem como
o julgamento de processos administrativos decorrentes dessas funções,

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na forma da lei (artigo 31, §2º). Logo, não há qualquer irregularidade


no julgamento do recurso administrativo ter sido realizado por pessoas
que não integrem a carreira de auditoria tributária, pois é decorrente de
uma taxa de polícia.

61. (CESPE/DEFENSOR PÚBLICO/ADAPTADA/2013) Considerando o princípio


da legalidade, JULGUE a assertiva a seguir.

A ideia de subordinação à lei se exprime da mesma maneira para os


particulares e para a administração pública.

A LODF expressa o princípio da legalidade, porém a legalidade é dife-


rente para os particulares e para a administração pública, conforme
quadro abaixo.

PARA OS PARTICULARES PARA A ADMINISTRAÇÃO


PÚBLICA
Pode fazer tudo que não seja Só faz o que a lei determina
proibido ou autoriza
Critério de não contradição Critério de subordinação

62. (CESPE/TJ-DF/TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS/2014)


Exige-se a edição de lei formal, por cada ente da Federação, para que o nepo-
tismo seja considerado ilícito, bem como para que sua prática seja coibida em
cada ente.

A prática de nepotismo é vedada no Brasil independentemente de proi-


bição expressa, tendo em vista que o nepotismo, viola, entre outros
princípios, o da moralidade administrativa e impessoalidade.

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63. (CESPE/BRB/ADVOGADO/2010) A publicidade de atos, programas, obras,


serviços e campanhas de órgãos e entidades da administração pública, ainda
que não custeadas diretamente pelo erário, devem ser suspensas quatro me-
ses antes das eleições, ressalvadas aquelas essenciais ao interesse público.

O artigo 22, inciso V, alínea b estabelece que a publicidade dos atos, pro-
gramas, obras, serviços e as campanhas dos órgãos e das entidades da
administração pública, ainda que não custeada diretamente pelo erário
será suspensa noventa dias antes das eleições, ressalvadas aquelas
essenciais ao interesse público. Logo, a questão está errada, pois afir-
ma a suspensão em “quatro meses”. Cuidado, se a questão estipulasse
prazo de três meses, também estaria errado, pois a LODF expressa o
prazo em dias.

64. (CESPE/DETRAN-DF/AUXILIAR DE TRÂNSITO/2009) Considere-se que o


governo do DF pretenda divulgar suas ações de governo como obras, projetos
etc. Nesse caso, esse tipo de publicidade deve ser suspensa noventa dias an-
tes das eleições.

A suspensão da publicidade dos atos, programas, obras, serviços e as


campanhas dos órgãos e entidades da administração pública (ações do
governo), ainda que não custeadas diretamente pelo erário, ocorrerá
noventa dias antes das eleições, ressalvadas aquelas essenciais ao inte-
resse público (artigo 22, V, a). Como a questão informou a regra geral,
a banca considera a assertiva como certa.

65. (FUNIVERSA/CEB/ADVOGADO/2010-ADAPTADA) A publicidade de atos,


programas, obras, serviços e as campanhas dos órgãos e entidades da ad-
ministração pública deverão ser suspensas noventa dias antes das eleições,
mesmo aquelas essenciais ao interesse público.

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Cuidado com esse tipo de questão! O artigo 22, inciso V, alinea b es-
tabelece regra e exceção. Logo, a regra é que a publicidade dos atos,
programas, obras, serviços e as campanhas dos órgãos e entidades da
administração pública, ainda que não custeada diretamente pelo erário,
será suspensa noventa dias antes das eleições. Exceção: ressalvadas
aquelas essenciais ao interesse público.

66. (FUNIVERSA/CEB/ADVOGADO/ADAPTADA/2010) É possível imprimir pu-


blicidade de instituição financeira no contracheque do servidor público.

A LODF elenca expressamente em seu artigo 19, caput, o princípio da


impessoalidade. Já no artigo 22, inciso V, alínea a estabelece que a
publicidade de atos, programas, obras, serviços e as campanhas dos ór-
gãos e das entidades da administração pública, ainda que não custeada
diretamente pelo erário terão caráter educativo, informativo ou de
orientação social, dela não podendo constar símbolos, expressões,
nomes ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autorida-
des ou servidores públicos. Imagine que você é servidor do DF e quando
você recebe seu contracheque, na nota de rodapé tem uma mensagem
publicitária “Faça empréstimo consignado com o Banco W, crédito facili-
tado”. Caso isso fosse permitido, o “Banco W” seria favorecido por essa
mensagem publicitária que estaria favorecendo esse banco, gerando
inclusive uma concorrência desleal em relação às demais instituições
financeiras. Um dos objetivos do princípio da impessoalidade é vedar
favorecimento de terceiros. Logo, é proibido imprimir publicidade de
instituição financeira no contracheque do servidor público. O que você
encontrará em seu contracheque serão campanhas publicitárias do se-
guinte tipo: “Vacine seu filho”, “Se beber não dirija”, “Faça sexo seguro”,
ou seja, com cunho educativo, informativo ou de orientação social.

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67. (FUNIVERSA/CEB/ADVOGADO/ADAPTADA/2010) Na publicidade de atos,


programas, obras, serviços e nas campanhas de órgãos e entidades da admi-
nistração pública, poderão constar símbolos, expressões, nomes ou imagens,
ainda que isso caracterize promoção pessoal de autoridades ou de servidores
públicos.

A LODF elenca expressamente em seu artigo 19, caput, o princípio da


impessoalidade. Já no artigo 22, inciso V, alínea a, estabelece que a
publicidade de atos, programas, obras, serviços e as campanhas dos ór-
gãos e entidades da administração pública, ainda que não custeada dire-
tamente pelo erário, terão caráter educativo, informativo ou de orienta-
ção social, dela não podendo constar símbolos, expressões, nomes
ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou
servidores públicos. Logo, não pode a publicidade do DF constar símbo-
los, expressões, nomes ou imagens, que caracterizem a promoção pes-
soal de autoridades ou de servidores públicos, sob pena de violação ao
princípio da impessoalidade.

68. (FUNIVERSA/CEB/ADVOGADO/ADAPTADA/2010) Os atos administrativos


são públicos, salvo quando a lei, no interesse da Administração, impuser sigilo.

Artigo 22, inciso I, LODF, estabelece que os atos administrativos são pú-
blicos, salvo quando a lei, no interesse da administração, impuser sigilo.
Lembre-se de que a regra é a publicidade, a exceção é o sigilo.

69. (CESPE/ANTAQ/CONHECIMENTOS BÁSICOS/2014) O princípio da publici-


dade está relacionado à exigência de ampla divulgação dos atos administrati-
vos e de transparência da administração pública, condições asseguradas, sem
exceção, ao cidadão.

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Eis uma questão da banca de seu concurso, a qual pode ser utilizada
em provas que exigem o conhecimento da LODF. O artigo 22, inciso I,
estabelece que os atos administrativos são públicos, salvo quando a
lei, no interesse da administração, impuser sigilo. Logo, a publicidade é
regra, porém, existem casos em que se necessita haver sigilo. Assim, é
errado dizer que o princípio da publicidade será asseguro sem exceção
ao cidadão. O princípio da publicidade não é absoluto.

70. (CESPE/ DETRAN-DF/ AUXILIAR DE TRÂNSITO/ 2009) A administração é


obrigada a fornecer certidão ou cópia autenticada de atos, contratos e convê-
nios administrativos a qualquer interessado, no prazo máximo de trinta dias,
sob pena de responsabilidade de autoridade competente ou servidor que ne-
gar ou retardar a expedição.

O artigo 22, II, da LODF estabelece que a administração é obrigada a


fornecer certidão ou cópia autenticada de atos, contratos e convênios
administrativos a qualquer interessado, no prazo máximo de trinta
dias, sob pena de responsabilidade de autoridade competente ou servi-
dor que negar ou retardar a expedição. Foi a cópia literal da lei.

71. (CESPE/BRB/ADVOGADO/2010) A administração do DF tem o prazo máxi-


mo de trinta dias para fornecer certidão ou cópia autenticada de atos, contra-
tos e convênios administrativos a qualquer interessado, sob pena de respon-
sabilidade da autoridade competente ou do servidor que negar ou retardar a
expedição.

O artigo 22, II, da LODF estabelece que a administração é obrigada a


fornecer certidão ou cópia autenticada de atos, contratos e convênios
administrativos a qualquer interessado, no prazo máximo de trinta dias,

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sob pena de responsabilidade de autoridade competente ou servidor


que negar ou retardar a expedição. Questão bem parecida com a ante-
rior, por isso é importante treinar questões.

72. (CESPE/BRB/ESCRITURÁRIO/2010) A administração pública é obrigada a


fornecer a qualquer cidadão, no prazo máximo de quinze dias úteis, indepen-
dentemente de pagamento de taxas ou emolumentos, certidão de atos, con-
tratos, decisões ou pareceres para defesa de seus direitos e esclarecimento
de situações de interesse pessoal ou coletivo.

O artigo 23 da LODF estabelece que a administração pública é obrigada


a fornecer a qualquer cidadão, no prazo máximo de dez dias úteis,
independentemente de pagamento de taxas ou emolumentos, certidão
de atos, contratos, decisões ou pareceres, para defesa de seus direitos
e esclarecimento de situações de interesse pessoal ou coletivo. Questão
maldosa, trocou o prazo de “10 dias úteis”, por “15 dias úteis”. É aquilo
que eu digo: o examinador tem maldade no coração.

73. (CESPE/DPU/TÉCNICO EM ASSUNTOS EDUCACIONAIS/2016) Cria-se em-


presa pública e autoriza-se seu imediato funcionamento por meio de publica-
ção de lei ordinária específica.

O artigo 19, XVIII, alinea a, da LODF informa que somente por lei espe-
cífica pode ser criada autarquia e autorizada a instituição de empre-
sa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo
à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação.
Nota-se que a empresa pública é autorizada sua instituição por meio de
lei específica, sendo que a criação depende do devido registro. Logo,
não se cria empresa pública e se autoriza seu imediato funcionamento
por meio de publicação de lei ordinária específica. A entidade que basta
a existência de lei é a autarquia. Lembre-se a lei CRIA – AUTARQUIA.

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74. (QUESTÃO INÉDITA – PROF. WILSON GARCIA/2016) Para a privatização


ou extinção de empresa pública ou sociedade de economia mista do Distrito
Federal, a lei específica dependerá de aprovação por maioria absoluta dos
membros da Câmara Legislativa.

Visando ao aprimoramento de seu estudo, elaboramos, neste material,


algumas questões de nossa autoria, sobre conteúdos que podem ser
cobrados em concursos públicos. O artigo 19, § 7º, da LODF estabelece
que, para a privatização ou extinção de empresa pública ou sociedade
de economia mista, a lei específica dependerá de aprovação por 2/3
dos membros da Câmara Legislativa. Logo, não é aprovada por maioria
absoluta.

75. (QUESTÃO INÉDITA – PROF. WILSON GARCIA/2016) Conforme norma vi-


gente na LODF, a privatização de empresa pública ou sociedade de economia
mista fica condicionada à autorização legislativa, além de manifestação favo-
rável da população, sob a forma de referendo.

Tome muito cuidado se esse tema for cobrado em sua prova, pois os
nossos legisladores distritais cometeram um erro ao realizar a ELO
92/2015 sobre a inserção do inciso I no § 7º do artigo 19 da LODF,
o qual estabelecia que privatização de empresa pública ou sociedade
de economia mista, condicionada à autorização legislativa, depende de
manifestação favorável da população, sob a forma de referendo. A pro-
posta dessa emenda foi feita por parlamentar, e deveria ter sido feito
pelo Governador. Com base no vício de iniciativa os incisos I e II do § 7º
do artigo 19 da LODF, foram declarados inconstitucionais pelo TJDFT na
ADI n. 2015 00 2 030649-3 – TJDFT, que afasta, desse modo, a vigência
de tal modificação.

76. (CESPE/BRB/ESCRITURÁRIO/2010) Os atos de improbidade administrati-


va importam suspensão dos direitos políticos, perda da função pública, indis-
ponibilidade dos bens e ressarcimento ao erário, na forma e gradação previs-
tas em lei, com prejuízo da ação penal cabível.

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O tema improbidade administrativa é tratado na LODF em seu artigo


27. Vamos destrinchá-lo para você nunca errar esse tipo de questão. Os
atos de improbidade administrativa importarão:
• suspensão dos direitos políticos – não é perda ou cassação dos direi-
tos políticos (isso é muito cobrado nas provas).
• perda da função pública – o agente perderá a sua função pública,
ou seja, se for detentor de cargo efetivo será demitido, se for empre-
gado público será demitido ou se for detentor de cargo em comissão
será destituído.
• indisponibilidade dos bens – os bens envolvidos na improbidade
ficam “congelados”, por exemplo conta bancária.
• ressarcimento ao erário – devolução dos bens subtraídos e dos pre-
juízos causados ao Estado.
• sem prejuízo da ação penal cabível – pegadinha “megathunder”. As
bancas trocam “sem prejuízo” por “com prejuízo”, o que torna a questão
errada, ou seja, a pessoa irá responder a improbidade administrativa,
podendo também responder criminalmente pelo mesmo fato (sem pre-
juízo), como ocorreu no caso famoso da Petrobras; os envolvidos, além
de responderem pela improbidade administrativa, estão respondendo
por diversos crimes, como corrupção passiva, peculato, etc.

A expressão “na forma e gradação previstas em lei”, significa que a au-


toridade julgadora dentro dos limites da lei deverá analisar a intensida-
de da gravidade do fato e estipulará as penas cabíveis.

77. (CESPE/PM-DF/OFICIAL COMBATENTE DA POLÍCIA MILITAR/2006) José,


que exerceu o cargo de presidente de uma fundação do DF entre março de 2004
e abril de 2005, foi condenado, em novembro de 2006, por ato de improbidade
administrativa, em razão de ter cometido irregularidades em sua gestão, ten-
do seus bens indisponíveis e seus direitos políticos suspensos. Nessa situação,
José não poderá vir a ser condenado em futura ação penal pelos mesmos fatos,
pois já respondeu por ato de improbidade administrativa.

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Os elaboradores da organizadora CESPE/Cebraspe adoram esse tema.


Já vimos no artigo 27 da LODF que os atos de improbidade administra-
tiva importarão suspensão dos direitos políticos, perda da função pú-
blica, indisponibilidade dos bens e ressarcimento ao erário, na forma e
gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível. Ou seja,
na questão em tela, José, mesmo já sendo condenado em improbidade
administrativa, poderá vir a ser condenado em futura ação penal pelos
mesmos fatos.

78. (CESPE/PM-DF/OFICIAL COMBATENTE DA POLÍCIA MILITAR/2006) Uma


companhia, pessoa jurídica de direito privado e prestadora de serviço público
no DF, instalou um poste de concreto ao lado de um estacionamento público
em uma quadra residencial. A instalação do poste, com a qual se objetivava
reativar o sistema de energia elétrica interrompido, foi feita pelos servidores
Vítor e Oto, ambos da referida companhia. Dois dias após a instalação, o poste
caiu sobre um veículo regularmente estacionado. Houve perda total do auto-
móvel. O proprietário do veículo dirigiu-se à companhia energética para o res-
sarcimento. Recebeu informação da assessoria jurídica de que procurasse os
servidores Vítor e Oto, pois a companhia não tinha responsabilidade pelo res-
sarcimento do dano causado em seu veículo e não havia amparo legal para tal
solicitação. Nessa situação, ao contrário do afirmado pela assessoria jurídica,
o proprietário do veículo tem direito à indenização pela própria companhia,
haja vista que as pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço
público respondem pelos danos que seus agentes causarem a terceiros.

Vamos analisar essa questão, destrinchando os 3 elementos das res-


ponsabilidade civil objetiva do Estado.
1. Fato: o poste instalado pela pessoa jurídica de direito privado pres-
tadora de serviço público, realizado pelos agentes públicos Vitor e Oto,
na qualidade de agentes públicos, caiu sobre o automóvel.

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2. Dano: ocorreu perda total do automóvel.


3. Nexo causal: a perda total do automóvel decorreu da queda do
poste instalado pela pessoa jurídica prestadora de serviço público. Não
houve culpa exclusiva ou concorrente (recíproca) da vítima, tendo em
vista que o automóvel estava regularmente estacionado.
4. Consequência: cabe responsabilidade civil objetiva contra a pessoa
jurídica de direito privado prestadora de serviço público. Cabe ação re-
gressiva contra Vitor e Oto, se for demonstrado dolo ou culpa.
5.Fundamento jurídico: artigo 20 da LODF – as pessoas jurídicas de
direito público e as de direito privado, prestadoras de serviços públicos,
responderão pelos danos que seus agentes, nesta qualidade, causarem
a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos
casos de dolo ou culpa.

79. (CESPE/TC-DF/TÉCNICO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA/2014) O servidor


público responderá civilmente se vier a cometer ato omissivo ou comissivo,
doloso ou culposo, que resulte em prejuízo ao erário. No caso de ato que gere
prejuízo a terceiro, a responsabilidade civil do servidor só se configura se ficar
demonstrado que ele agiu com dolo.

Segundo a sistemática da CF (artigo 37, § 6º), a LODF em seu artigo


20 estabelece que “as pessoas jurídicas de direito público e as
de direito privado, prestadoras de serviços públicos, responde-
rão pelos danos que seus agentes, nesta qualidade, causarem
a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o respon-
sável nos casos de dolo ou culpa”.
Nota-se, nesse artigo, que há, em regra, a responsabilidade civil objeti-
va do Distrito Federal no caso de atos realizados pelo agente público no
exercício da função ou em razão dela (qualidade). Sendo que cabe ação
regressiva contra o servidor público tanto nos casos de conduta omis-
siva, comissiva, dolosa ou culposa, que resulte prejuízo a terceiros ou
contra o erário (próprio DF). Errado dizer que em ato que gere prejuízo
a terceiro, a responsabilidade civil do servidor só se configura se ficar
demonstrado que ele agiu com dolo.

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Mas o que é dolo e culpa? Dolo é quando a pessoa tem a intenção de


praticar o ato ou assumir o risco do resultado. Culpa é quando, por im-
prudência, negligência ou imperícia, se alcança um resultado involun-
tário.
Vamos exemplificar: um professor de escola pública agride um aluno de
propósito. Isso é uma conduta dolosa contra terceiro. Outro exemplo:
um médico, por descuido, ministra remédio ao paciente errado; isso é
um ato culposo contra terceiro. Agora, se um professor de escola públi-
ca, sem querer, esbarrar no data show, o qual é patrimônio público,
e o equipamento for danificado, isso é uma conduta culposa. Ou seja,
sem intenção, esse professor causou um prejuízo ao erário e será res-
ponsabilizado por tal fato. Logo, é errado dizer que “no caso de ato
que gere prejuízo a terceiro, a responsabilidade civil do servidor
só se configura se ficar demonstrado que ele agiu com dolo”.

GABARITO

1. E 18. E 35. C
2. C 19. C 36. E
3. E 20. E 37. E
4. E 21. E 38. E
5. C 22. E 39. C
6. E 23. E 40. E
7. E 24. C 41. C
8. E 25. E 42. C
9. E 26. E 43. E
10. C 27. C 44. E
11. E 28. E 45. E
12. E 29. E 46. E
13. E 30. C 47. E
14. E 31. C 48. E
15. C 32. E 49. C
16. E 33. E 50. E
17. E 34. E

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LEI ORGÂNICA DO
DISTRITO FEDERAL
PARTE IV
DOS SERVIDORES
DO PÚBLICOS
CO

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LEI ORGÂNICA DO DISTRITO FEDERAL – PARTE IV
Dos Servidores Públicos
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SUMÁRIO

1. PECULIARIDADES DO DF EM RELAÇÃO AOS SERVIDORES............. 5


2. DO CONCURSO PÚBLICO................................................................. 7
3. FUNÇÃO DE CONFIANÇA vs. CARGOS EM COMISSÃO................. 12
4. DA REMUNERAÇÃO DOS SERVIDORES.......................................... 15
............................................................................................................. 18
5. DIREITOS DOS SERVIDORES PÚBLICOS DO DF REGIDOS PELO
REGIME JURÍDICO ÚNICO................................................................ 18
6. DA ACUMULAÇÃO REMUNERADA DE CARGOS E EMPREGOS
PÚBLICOS........................................................................................... 25
7. DO SERVIDOR REQUISITADO......................................................... 29
8. DO DIREITO DE GREVE.................................................................... 30
9. DIREITO À ASSOCIAÇÃO SINDICAL................................................ 31
10. DO DIREITO DE GERÊNCIA........................................................... 31
11.ESTABILIDADE DO SERVIDOR PÚBLICO....................................... 32
12. REINTEGRAÇÃO, RECONDUÇÃO, DISPONIBILIDADE E APROVEITA-
MENTO................................................................................................. 35
13.LICENÇA-PRÊMIO NÃO USUFRUÍDA............................................. 42
14. DA APOSENTADORIA.................................................................... 42

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LEI ORGÂNICA DO DISTRITO FEDERAL – PARTE IV
Dos Servidores Públicos
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WILSON GARCIA
Graduado em Direito pela Universidade Católica Dom Bosco e
especialista em Direito Público pela Escola Superior do Ministério
Público, ambas as instituições localizadas em Mato Grosso do
Sul. Atualmente é Agente de Polícia Classe Especial da Polícia Ci-
vil do Distrito Federal. Já foi entrevistado na rádio Justiça, Hora
do Concurso, em Ago/2015. É autor de artigos em revistas es-
pecializadas na área jurídica e de diversos materiais disponíveis
no Gran Cursos online.
Autor

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Dos Servidores Públicos
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Para finalizar os estudos acerca da LODF, vamos abordar no Tópico IV o


tema: Servidores Públicos. Vamos focar, aqui, nas informações contidas na
LODF; porém, quando for didático, abordaremos também a LC 840/2011, rela-
tiva ao tema, bem como apontaremos os pontos em que há divergências entre
a LODF e LC 840/2011.

O tema Servidores Públicos é bem extenso, por isso fizemos uma sepa-
ração dos pontos relevantes, de forma que você consiga caminhar no apren-
dizado e conhecer como os conteúdos em tela são cobrados em provas de
concursos públicos.

Este material está dividido da forma a seguir exposta.

1. PECULIARIDADES DO DISTRITO FEDERAL EM RELAÇÃO AOS SER-


VIDORES.
2. DO CONCURSO PÚBLICO.
3. FUNÇÃO DE CONFIANÇA vs. CARGOS EM COMISSÃO.
4. DA REMUNERAÇÃO DOS SERVIDORES.
5. DIREITOS DOS SERVIDORES PÚBLICOS DO DF REGIDOS
PELO REGIME JURÍDICO ÚNICO.
6. DA ACUMULAÇÃO REMUNERADA DE CARGOS E EMPREGOS PÚ-
BLICOS.
7. DO SERVIDOR REQUISITADO.
8. DO DIREITO DE GREVE.
9. DIREITO À ASSOCIAÇÃO SINDICAL.
10. DO DIREITO DE GERÊNCIA.
11. ESTABILIDADE DO SERVIDOR PÚBLICO.
12. REINTEGRAÇÃO, RECONDUÇÃO, DISPONIBILIDADE E
APROVEITAMENTO.
13. LICENÇA-PRÊMIO NÃO USUFRUÍDA.
14. APOSENTADORIA DO SERVIDOR.

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Dos Servidores Públicos
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1. PECULIARIDADES DO DF EM RELAÇÃO AOS SERVIDORES

O tema Servidores Públicos é um dos mais cobrados em provas de con-


cursos referentes à LODF. Por meio da Emenda à Lei Orgânica n. 80 de 2014,
houve várias modificações na LODF sobre tal assunto, o que torna o tema
ainda mais interessante aos olhos dos(as) elaboradores(as) de provas. Tal
emenda foi saudável para adaptar a LODF às normas da Constituição Federal.
Vale destacar que no Distrito Federal existem órgãos que, apesar de pres-
tarem serviços no DF, são organizados e mantidos pela União, os quais são:
• Polícia Civil (PCDF);
• Polícia Militar (PMDF);
• Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF);
• Poder Judiciário (TJDFT); e
• Ministério Público (MPDFT).

A Defensoria Pública do DF, atualmente, é organizada e mantida pelo


próprio DF, conforme Emenda Constitucional 69/2012 e artigos 75, inci-
so XII, 114, 115, 116 e 145 da LODF.

A Súmula Vinculante n. 39 traz informação importante acerca das peculia-


ridades do DF: compete privativamente à União legislar sobre vencimentos
dos membros das polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar
do Distrito Federal.

• Você sabe quais são as principais diferenças entre cargo efetivo


e emprego público no DF?

Ter a resposta a essa pergunta sempre em sua mente ajudará muito em


sua busca por preciosos pontos no momento do concurso. Dessa forma, segue
quadro comparativo para que você consiga visualizar com mais facilidade as
diferenças em foco.

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CARGO EFETIVO EMPREGO PÚBLICO


Regime estatutário Consolidação das Leis
LC 840/2011. Trabalhistas (CLT).
Tem estabilidade. Não tem estabilidade.
Não tem FGTS. Tem FGTS.
Ex.: professor efetivo do DF. Ex.: empregado público do BRB.

O artigo 33 da LODF estabelece que o Distrito Federal instituirá regime


jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pú-
blica direta, autarquias e fundações públicas, nos termos do artigo 39
da Constituição Federal.
O artigo 15, incisos XII e XIII, da Lei Orgânica do Distrito Federal estabele-
ce que é competência privativa do Governador do Distrito Federal dispor so-
bre criação, transformação e extinção de cargos, empregos e funções públicas.
Além disso, ao Governador cabe dispor sobre a organização do quadro de seus
servidores, instituir planos de carreira, na administração direta, autarquias e
fundações públicas do Distrito Federal e atuar sobre a remuneração e o regime
jurídico único dos servidores.
Ademais o artigo 71, § 1º incisos I e II, e o artigo 100 XVIII, ambos da
LODF, expressam que compete privativamente ao Governador do Distrito
Federal a iniciativa das leis que disponham sobre a criação de cargos, funções
ou empregos públicos na administração direta, autárquica e fundacional, ou
aumento de sua remuneração e sobre os servidores públicos do DF, seu regi-
me jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria.
O regimento dos servidores públicos civis do DF era uma verdadeira ba-
gunça – em minhas palavras, “um monstrinho” – porque era aplicada a Lei
8.112/1990, sem atualização automática, juntamente a leis distritais, con-
forme estabelecia o artigo 5º, caput da Lei Distrital 197 publicada em 4 de
dezembro de 1991:

a partir de 1º de janeiro de 1992, aos servidores da administração direta, autár-


quica e fundacional do Distrito Federal aplicar-se-ão, no que couber, as disposições
da Lei federal no 8.112, de 11 de dezembro de 1990 e legislação complementar,
até a aprovação do regime jurídico único dos servidores públicos do Distrito
Federal pela Câmara Legislativa.

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Com o objetivo de sanar essa bagunça legislativa e, até então, a omissão


legislativa distrital, foi criada a Lei Complementar n. 840, publicada no dia
23 de dezembro de 2011, com vigência iniciada em 1º de janeiro de 2012.
Segundo o artigo 1º da LC 840, tal norma “institui o regime jurídico
dos servidores públicos civis da administração direta, autárquica e fun-
dacional e dos órgãos relativamente autônomos do Distrito Federal”. É
fundamental, para a prova, atentar-se ao fato de que o regime estatutário de
trabalho, no DF, é regido pela LC 840/2011. Já os trabalhadores da adminis-
tração pública que, antes e depois de 2011, adotavam o regime celetista (CLT)
não foram atingidos pela LC em questão e continuam sob as regulamentações
desse tipo de regime de trabalho. Esse é o caso dos empregados públicos do
BRB, da CAESB e da CEB.

2. DO CONCURSO PÚBLICO

Nesta parte, enfocaremos tema de vital relevância para os(as) concursei-


ros(as) em geral: o concurso público.

Primeira indagação a ser feita sobre o tema é: quando é exigido


concurso público?

Concurso público é um procedimento administrativo utilizado para cargo


efetivo ou emprego público. Logo, não se faz concurso para cargo em co-
missão, função de confiança, cargo eletivo, ou, ainda, para função temporária.
Sendo assim, a prova de seleção para professores temporários da SEEDF, por
exemplo, não é concurso e sim processo seletivo. Sobre isso, dispõe o artigo
19, VIII, da LODF – a lei estabelecerá os casos de contratação de pessoal por
tempo determinado para atender à necessidade temporária de excep-
cional interesse público. Foi recentemente publicado o Edital n. 28/2016 no
dia 29 de novembro de 2016 para o processo seletivo simplificado para con-
tratação temporária de professor substituto para a rede pública de ensino do
Distrito Federal. Não é concurso.

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Podemos ainda apontar como fundamento do que acabamos de informar, o


artigo 19, II, da LODF, o qual foi modificado pela ELO 80/2014:

II – a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia


em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza
e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas
as nomeações para cargo em comissão declarado, em lei, de livre nomeação
e exoneração.

Vale destacar a recente Súmula vinculante n. 43:

É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor in-


vestir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provi-
mento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.

Esta súmula está baseada na súmula 685 do próprio STF.


Por exemplo, se você é enfermeiro, detentor de cargo efetivo do DF, e sonha
em ser médico detentor de cargo efetivo, é necessário realizar outro concurso,
pois não pode a pessoa mudar de cargo livremente sem a prévia aprovação em
concurso público. É inconstitucional qualquer forma de ascensão.
A Lei Distrital 4.949/2012, em seu artigo 3º, expressa que o concurso pú-
blico se destina a garantir a observância do princípio constitucional da isono-
mia e a seleção dos candidatos mais bem preparados para o exercício do
cargo público. Lembre-se de que vimos na parte III (material anterior) que o
concurso público é um exemplo do princípio da impessoalidade.

Como pode ser realizado o concurso público?

O concurso pode ser de duas formas:


• Mediante aplicação de provas;
• Ou mediante aplicação de provas e avaliação de títulos.

Nota-se que a LODF não traz a opção de haver concurso somente com
apresentação/avaliação de títulos. Por isso é errado dizer que o concurso pode
ser mediante provas ou títulos!

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O concurso será realizado de acordo com a natureza e a complexidade do


cargo ou emprego, na forma prevista em lei. O Edital apenas informa como é o
concurso público, mas este tem que ter previsão em lei, sob pena de ser ilegal.
A Lei Distrital n. 4.949/2012, em seu artigo 15, parágrafo único, determina
que só se admite prova de títulos quando houver expressa previsão na lei do
respectivo plano de carreira.
Por fim, essa mesma Lei Distrital, em seu artigo 48, determina que a prova
de títulos, quando admissível, é exclusivamente classificatória e deve ob-
servar o seguinte: (i) é sempre a última prova do concurso; (ii) a pontuação
não pode exceder a 5% do total de pontos atribuídos ao conjunto de provas;
(iii) os títulos aceitáveis e a respectiva pontuação são descritos no edital nor-
mativo do concurso público; e (iv) somente para cargo público com exigência
de curso superior pode ser exigida prova de títulos em concurso público.
Qual é o prazo de validade do concurso público?

Essa resposta tem previsão no artigo 19, III, da LODF – o prazo de validade
do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual
período. É errado dizer que o concurso público SERÁ de 2 anos, pois ele pode
ter duração de ATÉ 2 anos. Esse prazo se inicia a partir de sua homologação
(controle de legalidade) e pode ser prorrogado UMA vez, por igual período.

Por exemplo:
• 1 ano prorroga-se, uma vez, por mais 1 ano;
• 2 anos prorroga-se, uma vez, por mais 2 anos.

Essa prorrogação é considerada como ato discricionário da Administração


Pública, já que a autoridade competente tem margem de liberdade de escolha,
analisando-se os critérios de oportunidade e conveniência.

Pode-se abrir um novo concurso público para o mesmo cargo, quan-


do houver concurso não expirado?

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A resposta é SIM, e você encontra isso no artigo 19, IV, da LODF – durante
o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, o aprovado em con-
curso público de provas ou de provas e títulos será convocado com priorida-
de sobre novos concursados, para assumir cargo ou emprego na carreira.
À guisa de exemplo para esta resposta, consideremos a seguinte situação
hipotética. O concurso I ofereceu 50 vagas para o cargo X e foi homologado
em 1º de janeiro 2017, com prazo de validade inicial até 1º de janeiro 2019,
podendo ser prorrogado até 1º janeiro de 2021; contudo, antes de expirar
o esse prazo (01/01/2021), iniciou-se um novo certame – o concurso II –
para o mesmo cargo X. Nessa situação, caso haja nomeação para o cargo X
até 1º de janeiro de 2021, deve-se nomear primeiramente os aprovados até
a 50º vaga do concurso I, pois esses serão convocados com prioridade em
relação aos aprovados no concurso II.

A pessoa aprovada dentro do número de vagas tem direito subjeti-


vo à nomeação?

Sim, e aqui a resposta está na LC 840/2011 – artigo 14, § 2º: o candidato


aprovado dentro do número de vagas previsto no edital do concurso tem
direito à nomeação no cargo para o qual concorreu.
Essa informação expressa na LC 840/2011 veio com base em decisões do
STJ e STF sobre tal temática. Anote a súmula 15 do STF: “Dentro do prazo
de validade do concurso, o candidato aprovado tem o direito à nomea-
ção, quando o cargo for preenchido sem observância da classificação”.
Assim, a ordem de classificação de um concurso tem que ser respeitada e
não se pode nomear os aprovados em uma ordem aleatória ou discricionária.
A ordem de classificação é vinculada. Caso essa ordem não seja cumprida,
cabe, inclusive, Mandado de Segurança, pois é um direito líquido e certo
seguir a ordem de classificação.

É possível estabelecer limite de idade para participar de um concur-


so público?

Sim, desde que seja previsto em lei e desde que seja compatível com a
natureza do cargo. Cuidado, pois o artigo 19, inciso VI da LODF dispunha que
“é vedada a estipulação de limite máximo de idade para ingresso, por concur-
so público, na administração direta, indireta ou fundacional, respeitando-se

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apenas o limite para aposentadoria compulsória e os requisitos estabelecidos


nesta Lei Orgânica ou em lei específica”. Porém, tal inciso já havia sido decla-
rado inconstitucional: ADI n. 1165 do STF, sendo tal artigo revogado pela
ELO 80/2014.

O cargo ou emprego público é somente acessível para brasileiro?

Não, o artigo 19, inciso I, da LODF dispunha que “os cargos, empregos
e funções públicas são acessíveis a brasileiros que preencham os re-
quisitos estabelecidos em lei”, porém tal inciso foi modificado pela ELO
80/2014, ficando da seguinte forma: “os cargos, os empregos e as funções pú-
blicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos
em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da legislação”. Logo, é
possível o acesso de cargos e empregos públicos para estrangeiros, na forma
prevista em lei.

É possível ter vagas para deficientes?

Sim, de acordo com o artigo 19, VII, da LODF, a “lei reservará percentu-
al de cargos e empregos públicos para portadores de deficiência, garantindo
as adaptações necessárias à sua participação em concursos públicos, bem
como definirá os critérios de sua admissão”. Sobre isso é importante mencio-
nar que a LC 840/2011 em seu artigo 12 estabelece que o edital de concurso
público deve reservar 20% das vagas para serem preenchidas por pessoa com
deficiência, desprezada a parte decimal.
Dica: lembre-se da camionete D20.

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É diferente da lei federal que estabelece a quantidade de até 20%


das vagas para deficientes (artigo 5º, §2º, Lei 8.112/1990).

Cuidado com as súmulas abaixo citadas.

SÚMULA 377 - STJ SÚMULA 522 – STJ


O portador de visão monocular tem O portador de surdez unilateral não se
direito de concorrer, em concurso qualifica como pessoa com deficiência
público, às vagas reservadas aos para o fim de disputar as vagas
deficientes. reservadas em concursos públicos.

A lei 4.949/2012, em seu artigo 8º, § 2º, afirma que o candidato com defi-
ciência se submete às mesmas regras impostas aos demais candidatos, incluí-
dos: o conteúdo das provas; os critérios de avaliação e aprovação; o horário e
o local de aplicação das provas, garantida a devida acessibilidade.

É possível exigir exame psicotécnico como etapa do concurso pú-


blico?

Sim, desde que previsto em lei. O artigo 19, XXII, da LODF estabelece que
lei disporá sobre cargos que exijam exame psicotécnico para ingresso e
acompanhamento psicológico para progressão funcional. Repare que não bas-
ta previsão no edital para exigir tal exame, é necessário que haja previsão em
lei, pois isso decorre do princípio da legalidade.

Fica aqui a recente Súmula Vinculante nº 44: “só por lei se pode sujeitar
a exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo público”.

3. FUNÇÃO DE CONFIANÇA vs. CARGOS EM COMISSÃO

Após informações acerca de concursos públicos de maneira geral, iremos


analisar outro tema muito cobrado em provas para o provimento de cargos
públicos: quais são as diferenças e semelhanças entre os cargos em comissão
e a função de confiança.

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O artigo 19, V, da LODF estabelece que

as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de


cargo efetivo, e pelo menos cinquenta por cento dos cargos em comissão, a se-
rem preenchidos por servidores de carreira nos casos e condições previstos em
lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento.

Vamos traduzir esse inciso com o seguinte quadro comparativo:

FUNÇÃO DE CONFIANÇA CARGO EM COMISSÃO


São exercidas exclusivamente por No mínimo, 50% desses cargos são
servidores ocupantes de cargo efetivo. preenchidos por servidores de carreira.
Ex.: diretor de escola pública. Ex.: assessor do Administrador Regional.

O § 6º do artigo 19 da LODF informa que o percentual definido no inciso V


do artigo 19 (mínimo 50%) não abarca os cargos em comissão dos gabinetes
parlamentares e das lideranças partidárias da Câmara Legislativa do Distrito
Federal.

É importante atentar-se para o fato de que foi inserido pela ELO 80/2014 o
parágrafo 11 no artigo 19. Esse determina que a apuração do percentual (de,
pelo menos, 50% dos cargos em comissão sejam preenchidos por servidores
de carreira) será feita em relação ao somatório dos cargos em comissão pro-
vidos na administração direta, autárquica e fundacional de cada Poder. Contu-
do, uma recente decisão do TJDFT (13/04/2015) declarou inconstitucional
o parágrafo proposto pela ADI 2014 00 2 023917-7. Isso se deu em virtude de
ser inconstitucional a disposição legal a qual estabelece o percentual previsto
na Lei Orgânica do DF para o preenchimento de cargos em comissão, que deve
ser considerado em relação ao somatório dos cargos em comissão providos na
administração direta, autárquica e fundacional de cada Poder, por subverter a
lógica advinda da hermenêutica constitucional (interpretação) no sentido
de que deve haver paridade entre servidores efetivos e não efetivos em
cada órgão administrativo.

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Dessa forma, se a questão de seu concurso afirmar que a apuração do per-


centual dos cargos em comissão seja feita em relação ao somatório dos cargos
em comissão providos na administração direta, autárquica e fundacional de
cada Poder, ela estará errada.
Visando atender a moralidade administrativa a ELO 60/2011, foi acres-
centado o § 8º, no artigo 10 determinando a proibição de designação para
função de confiança ou a nomeação para emprego ou cargo em comissão, in-
cluídos os de natureza especial, de pessoa que tenha praticado ato tipificado
(previsto) como causa de inelegibilidade prevista na legislação eleitoral. Isto
é, se uma pessoa estiver impedida de se eleger, por exemplo, por ter praticado
improbidade administrativa, enquanto durar essa inelegibilidade não poderá
ser designado para função de confiança ou nomeado para emprego ou cargo
em comissão. Lembre-se que isso também é aplicado para a nomeação do
Administrador Regional (artigo 10, §3º).

Fechando esse tema, foi inserida pela ELO 67/2013 a vedação expressa ao
nepotismo.

§ 9º Fica vedada a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha


reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autori-
dade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de
direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou
de confiança ou, ainda, de função gratificada, na administração pública direta e
indireta em qualquer dos Poderes do Distrito Federal, compreendido na vedação
o ajuste mediante designações recíprocas.

Essa informação na LODF tem idêntica redação com a Súmula Vinculante n.


13. A vedação envolve as seguintes relações de parentesco.
• Cônjuge: pessoa oficialmente casada.
• Companheiros: pessoas que mantém união estável.
• Parente em linha reta até 3º grau: filho(a), neto(a), bisneto(a), pai(-
mãe),avô(ó), bisavô(ó).
• Parente colateral até o 3º grau: irmão(ã), tio(ia), sobrinho(a).
• Afinidade: sogro(a); cunhada(a).

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Engloba parentesco por motivo de adoção.


Não engloba primos, porque são parentes de 4º grau.
Para o STF não engloba o cargo de Secretários, pois são cargos políticos, e
não administrativos.

O § 10 do artigo 19 informa que essa vedação do nepotismo NÃO se apli-


ca aos ocupantes de cargo efetivo da carreira em cuja estrutura esteja o
cargo em comissão ou a função gratificada ocupada.

4. DA REMUNERAÇÃO DOS SERVIDORES

Aqui trataremos de um tema importante para todo trabalhador: a remunera-


ção. Todos gostam de trabalhar, e receber pelo serviço prestado é muito bom.
O servidor fornece a sua mão de obra ao GDF e esse, em contraprestação,
paga pelo serviço prestado.

O DF deve controlar os gastos com os seus servidores – isso é chamado de


despesas com o pessoal. Assim, deve haver um valor máximo para o servidor
do DF receber. Esse valor chama-se: teto remuneratório.

Para fins do disposto no artigo 37, XI, da Constituição da República Federa-


tiva do Brasil, fica estabelecido que a remuneração e o subsídio dos ocupantes
de cargos, funções e empregos públicos, dos membros de qualquer dos Pode-
res e dos demais agentes políticos do Distrito Federal, bem como os proventos
de aposentadorias e pensões, não poderão exceder o subsídio mensal, em
espécie, dos Desembargadores do Tribunal de Justiça do Distrito Federal
e Territórios, na forma da lei (artigo 19, X, LODF), sendo que esta regra é
compatível com o artigo 37, § 12º da CF.

Cuidado, o teto remuneratório não é a do Governador do DF!

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Essa informação necessita dos seguintes complementos:


• esse teto não se aplica aos Deputados Distritais (artigo 19, X, última
parte);
• aplica-se esse teto às empresas públicas e às sociedades de economia
mista, e suas subsidiárias, que receberem recursos do Distrito Federal
para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral (artigo
19, § 5º);
• nesse teto não são computadas as parcelas de caráter indenizatório,
por exemplo, diárias (artigo 19, §4);
• os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo não poderão ser superio-
res aos pagos pelo Poder Executivo (art. 19, XI);
• os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não são com-
putados nem acumulados para fins de concessão de acréscimos ulterio-
res (artigo 19, XII, modificado pela ELO 80/2014);
• o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públi-
cos são irredutíveis, ressalvado o disposto: nos incisos X e XIII deste
artigo e no art. 125, V; nos artigo. 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, §
2º, I, da Constituição Federal (artigo 19, XIV );
• é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remunera-
tórias para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público (artigo
19, XII, alterado pela ELO 80/2014).

O que é subsídio?

É valor fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer grati-


ficação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie
remuneratória.

Quem deve receber em subsídio segundo a LODF?


• Estão elencados no artigo 33, §5º:
• membro de Poder;
• detentor de mandato eletivo;
• Secretários de Estado;
• administradores regionais; e
• demais casos previstos na Constituição Federal.

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O artigo 36, § 6º da LODF informa que pode os servidores públicos orga-


nizados em carreira receber em subsídio.
O artigo 34 da LODF estabelece que a lei assegurará aos servidores da ad-
ministração direta isonomia de vencimentos para cargos de atribuições iguais
ou assemelhadas do mesmo Poder ou entre servidores dos Poderes Executivo
e Legislativo. Porém elenca exceção nos seguintes casos:
• as vantagens de caráter individual;
• vantagens relativas à natureza; e
• vantagens relativas ao local de trabalho.

O § 14, do artigo 19, acrescido pela ELO 80/2014, estabelece a regra da veda-
ção de percepção simultânea de proventos de aposentadoria com a remuneração
ou subsídio de cargo, emprego ou função pública, porém elenca a exceção nos
casos de:
• cargos acumuláveis;
• cargos eletivos; e
• cargos em comissão.

Por fim, buscando-se uma atualização da remuneração e do subsídio dos


servidores, o artigo 19, IX, modificado pela ELO 80/2014, informa que tais
valores serão fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa
privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma
data e sem distinção de índices.

Além do que já foi apresentado, é importante ter em mente as Súmulas


transcritas a seguir.
• Súmula Vinculante n. 15: o cálculo de gratificações e outras van-
tagens do servidor público não incide sobre o abono utilizado para se
atingir o salário mínimo.
• Súmula Vinculante n. 16: os artigos 7º, IV, e 39, § 3º (redação da EC

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19/1998), da Constituição, referem-se ao total da remuneração percebi-


da pelo servidor público.
• Súmula Vinculante n. 4: salvo nos casos previstos na Constituição, o
salário mínimo não pode ser usado como indexador de base de cálculo
de vantagem de servidor público ou de empregado, nem ser substituído
por decisão judicial.
• Súmula Vinculante n. 37: não cabe ao Poder Judiciário, que não tem
função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob o
fundamento de isonomia

5. DIREITOS DOS SERVIDORES PÚBLICOS DO DF REGIDOS PELO REGI-


ME JURÍDICO ÚNICO

O artigo 35 da LODF elenca alguns direitos dos servidores públicos, su-


jeitos ao regime jurídico único, além dos assegurados no § 2º do artigo 39 da
Constituição Federal. Vamos comentar cada um seguindo a ordem dos incisos
do artigo 35:

Artigo 35, I – gratificação do titular quando em substituição ou


designado para responder pelo expediente.

Quando você exerce uma chefia, por exemplo, tem direito a gratificação
pela função. Caso você entre de férias, outra pessoa vai assumir aquela chefia
provisoriamente, tendo direito à gratificação do titular quando em substitui-
ção ou designado para responder pelo expediente. Interessante que na LC
840/2011 nos artigos 44 e 45 – o recebimento será proporcional; não se exige
que seja superior a 30 dias.

II – Duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e


quarenta horas semanais, facultado ao Poder Público conceder
a compensação de horários e a redução da jornada, nos termos
da lei.

Jornada de trabalho é o tempo em que servidor público fica à disposição da


Administração Pública para exercer a sua atribuição.

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Tome muito cuidado quando você for realizar a sua prova, pois para saber
a jornada de trabalho correta dependerá da fonte legislativa à qual a questão
se refere.
Aqui há diferença entre a LODF e a LC 840/2011. Conheçamos um pouco
mais sobre isso neste quadro comparativo.

Artigo 35, II, da LODF Artigo 57 da LC 840/2011


Duração do trabalho normal Salvo disposição legal em contrário, o servidor
não superior a 8 horas diárias efetivo fica sujeito ao regime de trabalho de
e 40 horas semanais, facultado 30 horas semanais.
ao Poder Público conceder § 1º No interesse da administração pública e
a compensação de horários mediante anuência do servidor, o regime de
e a redução da jornada, nos trabalho pode ser ampliado para 40 horas
termos da lei. semanais, observada a proporcionalidade
salarial.

Repare que, para a LODF, a regra é de 8hs diárias e 40hs semanais.


Já na LC 840 a regra geral é de 30hs semanais, podendo, via exceção, ser
ampliado para 40hs semanais. Logo, você deve fundamentar a sua questão de
acordo com o seu comando.

Artigo 35, III – proteção especial à servidora gestante ou lactan-


te, inclusive mediante a adequação ou mudança temporária de suas
funções, quando for recomendável a sua saúde ou à do nascituro, sem
prejuízo de seus vencimentos e demais vantagens.
Gestante é a mulher grávida; já lactante é a mulher que está amamentan-
do. Visando atender a dignidade de pessoa humana, a LODF elenca esse direi-
to exclusivo à servidora (mulher) gestante ou lactante. Logo, ela terá direito
à mudança temporária de suas funções, por motivo de recomendação médica
para proteger a saúde da mulher ou do nascituro. Detalhe importante é que a
servidora não sofrerá prejuízo dos seus vencimentos e demais vantagens. Se
a questão informar que a mudança será com prejuízo, fica errada!
Podemos apontar como complemento o artigo 80, § único, da LC 840/2011:
a servidora gestante ou lactante, enquanto durar a gestação e a lactação, deve
exercer suas atividades em local salubre e em serviço não perigoso.

Artigo 35, IV – atendimento em creche e pré-escola a seus depen-


dentes, nos termos da lei.

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Houve a modificação do artigo 35, IV da LODF pela ELO 80/2014, conforme


quadro abaixo.

ANTES DA ELO 80 DEPOIS DA ELO 80


Atendimento em creche e pré-escola Atendimento em creche e pré-escola a
a seus dependentes de até sete anos seus dependentes, nos termos da lei.
incompletos, preferencialmente em
dependência do próprio órgão ao qual
são vinculados ou, na impossibilidade,
em local que, pela proximidade, permita
a amamentação durante o horário de
trabalho, nos doze primeiros meses de
vida da criança.

Repare que foi expurgada essa idade de 7 anos incompletos. Complemen-


tando o seu estudo, a LODF, no artigo 223, modificado ELO 79/2014, informa
que o Distrito Federal deve garantir, na forma da lei, atendimento a:
• creches para crianças de 0 a 3 anos; e
• pré-escolas para crianças de 4 a 5 anos.
Artigo 35, V – vedação do desvio de função, ressalvada, sem pre-
juízo de seus vencimentos, salários e demais vantagens do cargo,
emprego ou função:
a) a mudança de função concedida a servidora gestante, sob re-
comendação médica
b) a transferência concedida a servidor que tiver sua capacidade de
trabalho reduzida em decorrência de acidente ou doença de trabalho,
para locais ou atividades compatíveis com sua situação.

Visando-se à legalidade e à moralidade administrativa, fica vedado o desvio


de função, ou seja, é proibido que o servidor público realize ato que não seja
a sua atribuição, porém a LODF permite isso nos seguintes casos:
• a mudança de função concedida a servidora gestante, sob recomen-
dação médica;
• transferência concedida a servidor para locais ou atividades compatíveis
com sua situação, que tiver sua capacidade de trabalho reduzida (dimi-
nuída) em decorrência de:
–– acidente de trabalho;
–– ou doença de trabalho.

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Nesses casos, não ocorrerá prejuízo de seus vencimentos, salários e de-


mais vantagens do cargo, emprego ou função. Se a questão da sua prova in-
formar que será COM prejuízo, fica errado!

Artigo 35, VI – recebimento de vale-transporte, nos casos previstos


em lei.

Tem a função de custear o deslocamento residência – trabalho e trabalho


– residência. Você pode complementar os seus estudos verificando as informa-
ções na LC 840/2011 nos artigos 101, III, 111 e 112.
VII – Participação na elaboração e alteração dos planos de carreira.

Plano de carreira é o regimento do servidor no qual se estabelece, por


exemplo, os casos de promoção, os direitos e deveres. É a ideia da democra-
cia.

VIII – Promoções por merecimento ou antiguidade, no serviço pú-


blico, nos termos da lei;

Promoção é a elevação dentro da carreira. Merecimento decorre do mérito


do servidor. Antiguidade decorre do tempo. Logo o servidor do DF pode ser
promovido segundo 2 critérios.
• Merecimento.
• Ou antiguidade.

A LC 840 informa em seu artigo 56 que, salvo disposição legal em con-


trário, a promoção é a movimentação de servidor do último padrão de uma
classe para o primeiro padrão da classe imediatamente superior. Sendo que a
promoção não interrompe o tempo de exercício no cargo.

IX – Quitação da folha de pagamento do servidor ativo e inativo da


administração direta, indireta e fundacional do Distrito Federal até o
quinto dia útil do mês subsequente, sob pena de incidência de atuali-
zação monetária, obedecido o disposto em lei.

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Repare que o pagamento é feito até o 5º dia útil, se a questão da sua


prova suprimir a palavra útil fica errado! A LC 840/2011 em seu artigo 118
também informa que a quitação da folha de pagamento é feita até o quinto
dia útil do mês subsequente.
No caso de atrasar o pagamento, a atualização monetária será baseada
em os índices oficiais, e a importância apurada será paga juntamente com a
remuneração do mês subsequente (artigo 35, § 1º).

A ELO 96/2016 modificou o parágrafo único do artigo 44 da LODF,


determinando que ficam assegurados aos servidores das empresas públicas e
das sociedades de economia mista do Distrito Federal os seguintes benefícios:

• Art. 35, III – proteção especial à servidora gestante ou lactante, inclusive


mediante a adequação ou mudança temporária de suas funções, quando for re-
comendável a sua saúde ou à do nascituro, sem prejuízo de seus vencimentos e
demais vantagens;

• Art. 35, IV – atendimento em creche e pré-escola a seus dependentes, nos


termos da lei (este direito já havia antes da ELO 96/16).

• Art. 35, V – vedação do desvio de função, ressalvada, sem prejuízo de seus


vencimentos, salários e demais vantagens do cargo, emprego ou função: a) a mu-
dança de função concedida a servidora gestante, sob recomendação médica; b) a
transferência concedida a servidor que tiver sua capacidade de trabalho reduzida
em decorrência de acidente ou doença de trabalho, para locais ou atividades com-
patíveis com sua situação;

• Art. 43 – será concedida licença para atendimento de filho, genitor e cônjuge


doente, a homem ou mulher, mediante comprovação por atestado médico da rede
oficial de saúde do Distrito Federal.

Parágrafo único. É assegurado ao servidor público que tenha cônjuge ou depen-


dente com deficiência horário especial de serviço, independentemente da compen-
sação de horário, obedecido o disposto em lei.

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Tome cuidado com o artigo 43 da LODF, pois esse é diferente do artigo 134
da LC 840/2011, conforme quadro abaixo.

LODF LC 840
Art. 43. Será concedida licença para Art. 134. Pode ser concedida licença
atendimento de filho, genitor e cônjuge ao servidor por motivo de doença do
doente, a homem ou mulher, mediante cônjuge ou companheiro, padrasto ou
comprovação por atestado médico da madrasta, ascendente, descendente,
rede oficial de saúde do Distrito Federal. enteado e colateral consanguíneo ou
afim até o segundo grau civil, mediante
comprovação por junta médica oficial.
§ 1º A licença somente pode ser deferida
se a assistência direta do servidor for
indispensável e não puder ser prestada
simultaneamente com o exercício do
cargo.
§ 2º A licença é concedida sem prejuízo
da remuneração ou subsídio do cargo
efetivo.
§ 3º Nenhum período de licença pode
ser superior a trinta dias, e o somatório
dos períodos não pode ultrapassar cento
e oitenta dias por ano, iniciando-se a
contagem com a primeira licença.
§ 4º Comprovada por junta médica
oficial a necessidade de licença por
período superior a cento e oitenta dias, a
licença é sem remuneração ou subsídio,
observado o prazo inicial previsto no § 3º.

Repare que a LODF limita a licença por motivo de doença em relação ao FI-
GECO – FIlho, GEnitor, COnjuge. Porém a LC 840/2011 é muito mais ampla
e alcança cônjuge ou companheiro, padrasto ou madrasta, ascendente, des-
cendente, enteado e colateral consanguíneo ou afim até o 2º grau. A LODF
exige comprovação por atestado médico da rede oficial de saúde do DF. Já a LC
840/2011 exige comprovação por junta médica oficial. A LC 840/2011 exige a
indispensabilidade da assistência do servidor e que não possa prestar o servi-
ço simultaneamente, já a LODF não expressa esses requisitos. A LC 840/2011
estipula prazos da licença, já a LODF é omissa sobre isso.

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Outro ponto polêmico é demonstrado no quadro subsequente.

LODF LC 840
Artigo 44, Parágrafo único. É Artigo 61. Pode ser concedido horário
assegurado ao servidor público especial:
que tenha cônjuge ou dependente (...)
com deficiência horário especial II – ao servidor que tenha cônjuge, filho ou
de serviço, independentemente da dependente com deficiência;
compensação de horário, obedecido (...)
o disposto em lei. § 2º Nos casos dos incisos II a IV, é exigida
do servidor a compensação de horário
na unidade administrativa, de modo a
cumprir integralmente o regime semanal
de trabalho.

Repare que a LODF (inclusive foi incluído pela ELO 96/2016) permite horá-
rio especial para o servidor que tenha cônjuge ou dependente com deficiência,
porém sem exigir (independe) compensação de horário. Já a LC 840/2011
exige compensação de horário.
Logo, para saber qual a resposta correta você deve se ater ao enunciado da
questão, se é sobre LODF ou sobre LC 840/2011.
Outra informação relevante é que o artigo 44 da LODF estabelece que, ao
servidor público da administração direta, autárquica e fundacional do Distrito
Federal, ficam assegurados alguns direitos que serão listados a seguir.

Os direitos aqui tratados não estão disponíveis para empresas públi-


cas e sociedades de economia mista.

I – Percebimento de adicional de um por cento por ano de serviço


público efetivo, nos termos da lei.
A cada ano de efetivo exercício, o servidor fará jus a um adicional de 1%.
É o denominado anuênio. O artigo 88 da LC 840/2011 estabelece que o adi-
cional por tempo de serviço é devido à razão de um por cento sobre o venci-
mento básico do cargo de provimento efetivo por ano de real serviço, e esse
é devido a partir do mês em que o servidor completar o anuênio.

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II – Contagem, para todos os efeitos legais, do período em que o ser-


vidor estiver de licença concedida por junta médica oficial.
O período em que o servidor se afasta de suas atividades profissionais para
cuidar da saúde é computado para fins legais. Caso não fosse assim, muitos
servidores iriam trabalhar doentes para não serem prejudicados.
A LC 840/2011 em seu artigo 165, b, estabelece que são consideradas
como efetivo exercício as licenças médicas ou odontológicas. Também isso
ocorre no caso de o afastamento ser em virtude de auxílio-doença previsto na
legislação previdenciária (artigo 165, VI, da LC 840/11).

III – Contagem recíproca, para efeito de aposentadoria, do tempo de


contribuição na administração pública e na atividade privada, ru-
ral e urbana, na forma prevista no artigo 201, § 9º, da Constitui-
ção Federal.

Este inciso foi alterado pela ELO 80/2014, e tem base no artigo 201, §
9º da CF a qual determina que para efeito de aposentadoria, é assegurada a
contagem recíproca do tempo de contribuição na administração pública e na
atividade privada, rural e urbana, hipótese em que os diversos regimes de
previdência social se compensarão financeiramente, segundo critérios estabe-
lecidos em lei.

6. DA ACUMULAÇÃO REMUNERADA DE CARGOS E EMPREGOS PÚBLICOS

Em relação a esse tópico, é importante entender, primeiramente, que a re-


gra é a vedação à acumulação remunerada de cargos públicos.
Vamos aqui apontar quando e como é possível haver a acumulação confor-
me previsão no artigo 19, XV, da LODF.

XV – é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto quan-


do houver compatibilidade de horários e observado, em qualquer caso, o dis-
posto no inciso X:

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a) a de dois cargos de professor;


b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com
profissões regulamentadas.

A ELO 80/2014 modificou o inciso XV do artigo 19, conforme quadro a


seguir.

ANTES DA ELO 80/2014 DEPOIS DA ELO 80/2014


XV – É vedada a acumulação XV – É vedada a acumulação
remunerada de cargos públicos, exceto remunerada de cargos públicos, exceto
quando houver compatibilidade de quando houver compatibilidade de
horários. horários e observado, em qualquer
caso, o disposto no inciso X.

Verifica-se, desse modo, que para ocorrer a acumulação deve-se preencher


3 requisitos:
• cargo permitido;
• compatibilidade de horário; e
• respeitar o teto remuneratório (19, X);
Quais são os cargos que admitem a acumulação remunerada?

• 2 cargos de professor.
• 1 cargo de professor com outro técnico.
• 1 cargo de professor com outro científico.
• 2 cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profis-
sões regulamentadas.

A LODF não informa o que vem a ser cargo técnico ou científico. Mas a LC
840/2011 em seu artigo 46, § 1º, expressa que se presume como cargo de
natureza técnica ou científica, qualquer cargo público para o qual se exija edu-
cação superior ou educação profissional, ministrada na forma e nas condições
previstas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

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Há de se notar que não basta a nomenclatura de técnico para caracteri-


zar o cargo como tal. Por exemplo, o cargo denominado técnico administrativo
não é cargo de natureza técnica, mas o cargo de técnico de enfermagem, é
um cargo de natureza técnica, pois depende de educação profissional (curso
de técnico em enfermagem).
Em relação aos profissionais da saúde, a ELO 78/2014 modificou o texto
da LODF, que antes dispunha apenas para cargos privativos de médicos. Com
essa modificação, o texto ficou igual ao da CF (artigo 37, XVI, C); logo isso
é aplicável, por exemplo, aos cargos de médico, dentista, fisioterapeuta e
enfermeiro. É errado dizer que só é possível acumular 2 cargos privativos de
médico!
Visando a um aprimoramento de seu estudo, abaixo colocamos perguntas e
respostas sobre tal tema, tendo em vista a relevância nos concursos públicos.

Qual momento deve a pessoa informar se possui ou não cargo


incompatível?

Já no momento da posse do cargo público deve a pessoa apresentar de-


claração sobre acumulação ou não de cargo ou emprego público, bem como
proventos de aposentadoria de regime próprio de previdência social (artigo 18,
II, b LC 840/2011).

Qual é a periodicidade de comprovar essa compatibilidade de horário?

A LC 840/2011 determina que o servidor que acumular licitamente deve


comprovar a compatibilidade de horário anualmente (artigo 46, §3º).

É aproveitado o prazo ou a pontuação do estágio probatório na hi-


pótese de acumulação de cargos públicos?

Não, o artigo 23 da LC 840 expressa que, na hipótese de acumulação lícita


de cargos, o estágio probatório é cumprido em relação a cada cargo em cujo
exercício esteja o servidor, vedado o aproveitamento de prazo ou pontuação.

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Algum cargo eletivo permite a acumulação remunerada com cargo


efetivo?

Sim, é permitida a acumulação de cargo efetivo com o cargo eletivo de


vereador, desde que haja compatibilidade de horário, percebendo as van-
tagens daquele cargo, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo (artigo
158, III, a LC 840/2011; artigo 38, III CF).

A proibição e as exceções de acumulação só são aplicáveis à Admi-


nistração Pública Direta do DF?

Não. A proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abran-


gem autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de econo-
mia mista, suas subsidiárias e sociedades controladas, direta ou indi-
retamente pelo Poder Público (artigo 19, XVI da LODF; artigo 37, XVII CF).
Logo, é possível que um profissional possua um emprego público de médico
em uma empresa pública e um cargo público efetivo de médico no DF, se pre-
enchidos os demais requisitos.

Se for verificada a acumulação ilícita, qual será o procedimento a


ser adotado pela LC 840/2011?

Deve ser notificado o servidor para que ele opte pelo cargo, no prazo de
10 dias improrrogáveis, contados a partir da notificação (artigo 48, caput – LC
840/2011). Se realizar a opção dentro desse prazo, o servidor será exonera-
do do cargo, conforme a sua escolha (artigo 48, § 1º LC 840). Se a escolha
for pela renúncia dos proventos da aposentadoria inacumulável, o pagamento
dessa será cessado imediatamente (artigo 48, § 2º LC 840).
Se o servidor não realizar essa escolha no prazo de 10 dias, será instaurado
um processo disciplinar para apuração e regularização imediata (artigo 48, §
3º LC 840/2011). Dentro do prazo da defesa escrita, ainda pode o servidor re-
alizar a opção do cargo; caso isso aconteça, o processo disciplinar será extinto
sem julgamento do mérito, ou seja, não analisa se o servidor era culpado ou
inocente, apenas acaba com o processo (artigo 48, § 4º LC 840/2011), exceto

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se o servidor houver realizado declaração falsa sobre a não acumulação do


cargo (artigo 48, § 5º LC 840/2011).
Se não couber nenhuma dessas hipóteses citadas, e for verificada a acumu-
lação ilícita, poderão surgir os seguintes efeitos (artigo 48, § 6º LC 840/2011):
• se o servidor estiver de boa-fé – gera exoneração do cargo ao qual foi
instaurado o processo disciplinar;
• se o servidor estiver de má-fé – gera punição de demissão, destituição
ou cassação de aposentadoria dos cargos.

No caso de acumulação licita, como funciona o pagamento de


auxílio-funeral?

Será pago somente ao cargo de maior remuneração ou subsídio (artigo 97,


§ 1º LC 840/2011).

No caso de acumulação lícita, o servidor recebe apenas 1 auxílio-trans-


porte?

Não. Conforme previsão do artigo 107, § 2º, IV, a da LC 840/2011, o au-


xílio-transporte não é devido cumulativamente com outro benefício ou vanta-
gem de natureza igual ou semelhante ou com vantagem pessoal originária de
qualquer forma de indenização ou auxílio pago sob o mesmo título ou idêntico
fundamento, salvo nos casos de acumulação lícita de cargos públicos (existem
outras exceções).

7. DO SERVIDOR REQUISITADO

A LODF, em seu artigo 35, § 2º, informa que o tempo de serviço prestado
por servidor requisitado a qualquer dos Poderes do Distrito Federal será com-
putado como exercício efetivo, para efeito de:
• progressão funcional;
• concessão de licença-prêmio; e
• aposentadoria.

Este tema não é tão cobrado em concursos, mas vale a pena conhecer
essa informação.

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8. DO DIREITO DE GREVE

Podemos conceituar que a greve é uma paralisação coletiva temporária do


trabalhador visando à reclamação dos direitos trabalhistas. Por exemplo, busca
por melhores condições de trabalho, luta por aumento salarial, por aumento do
efetivo, etc.
A ELO 80/2014 modificou o artigo 39 da LODF, conforme quadro abaixo.

ANTES ELO 80 DEPOIS DA ELO 80


Artigo 39. O direito de greve será Artigo 39. O direito de greve é exercido
exercido nos termos e nos limites nos termos e nos limites definidos em
definidos na lei complementar federal. lei complementar.

Repare que a ELO 80/2014 retirou a expressão federal. Seria mesmo


estranho uma lei federal legislando sobre servidor distrital. A problemática é
que não temos ainda essa lei complementar sobre a greve dos servidores do
DF. É uma flagrante omissão legislativa (não temos também legislação especi-
fica sobre o assunto na esfera federal).
O artigo 37, VII, da CF determina que o direito de greve será exercido nos
termos e nos limites definidos em lei específica. Na realidade, antes da EC,
a CF expressava “lei complementar”. Contudo, até hoje não foi editada uma
lei tratando do direito de greve dos servidores, e, diante dessa omissão legis-
lativa, foram impetrados mandados de injunção (670, 708 e 712) sobre o
assunto, tendo o STF decidido que, até que se crie a lei específica sobre a gre-
ve dos servidores, será aplicada a Lei n. 7.783/1989, que trata da greve dos
trabalhadores privados. Isso foi denominado de Teoria dos Efeitos Concretos
do Mandado de Injunção.
É importante destacar que o artigo 19, XX da LODF, expressa que ressalvada
a legislação federal aplicável, ao servidor público do Distrito Federal é proibido
substituir, sob qualquer pretexto, trabalhadores de empresas privadas em
greve.
Lembre-se de que está elencado como valor fundamental do Distrito Fede-
ral os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa (artigo 2, IV, da LODF).

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9. DIREITO À ASSOCIAÇÃO SINDICAL

O artigo 37, inciso VI, da CF, expressa que “é garantido ao servidor público
civil o direito à livre associação sindical”; o artigo 8º da CF trata sobre tal tema
e, desse modo, seguindo a sistemática da CF, o artigo 36 da LODF também
permite a liberdade para que o servidor público se associe a algum sindicato,
porém isso é vedado aos militares.
Às entidades de caráter sindical que preencham os requisitos estabeleci-
dos em lei, é assegurado o desconto em folha de pagamento das contri-
buições dos associados, aprovadas em assembleia geral, conforme expressa
o artigo 38 da LODF.
O direito à livre associação sindical também é previsto na LC 840/2011:

Art. 282 - Ao servidor público civil são assegurados, nos termos da Constituição
Federal, o direito à livre associação sindical e os seguintes direitos, entre outros,
dela decorrentes:
I – representação pelo sindicato, inclusive como substituto processual;
II – desconto em folha, sem ônus para a entidade sindical a que for filiado, do
valor das mensalidades e contribuições definidas em assembleia geral da categoria.

A LODF ainda expressa que a lei disporá sobre licença sindical para os di-
rigentes de federações e sindicatos de servidores públicos, durante o exercício
do mandato, resguardados os direitos e as vantagens inerentes à carreira
de cada um (artigo 36, parágrafo único).
Com base nisso, está prevista na LC 840 a licença para desempenhar man-
dato classista (artigos 130, VII, e 145 a 149), ou seja, o servidor eleito pela
classe deixa de prestar as atribuições do cargo; contudo, estará representando
a sua categoria (nesse caso, o servidor terá direito à remuneração e o período
do mandato contará como tempo de serviço).

10. DO DIREITO DE GERÊNCIA

O artigo 42 da LODF estabelece que é assegurada a participação de servi-


dores públicos na gerência de fundos e entidades para os quais contribui,
na forma da lei.

Este tema não é tão cobrado em concursos públicos.

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11.ESTABILIDADE DO SERVIDOR PÚBLICO

Este tema DESPENCA nas provas de concursos públicos!


Estabilidade é a prerrogativa de manutenção do cargo público, só podendo
ser retirado (vacância) do cargo nas hipóteses previstas em lei. Servidor efe-
tivo é aquele que foi nomeado em virtude de concurso público. Todo servidor
estável é servidor efetivo, mas nem todo servidor efetivo é estável.
Vamos agora destrinchar este tema.

Qual é o prazo para adquirir a estabilidade?

Visando adequar o LODF com a CF, a ELO 80/2014 finalmente acabou com
o dilema do prazo para o servidor de cargo efetivo do DF adquirir estabilidade,
pois, atualmente, o artigo 40 determina que são estáveis após três anos
de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento
efetivo em virtude de concurso público. Antes da referia ELO, o artigo 40
estabelecia o prazo de 2 anos para a obtenção da estabilidade.
Não basta o prazo de três anos para se adquirir estabilidade, pois o § 4º
do artigo 40, o qual foi inserido pela ELO 80/2014, condiciona a aquisição da
estabilidade à aprovação em avaliação especial de desempenho obrigató-
ria a qual é realizada por comissão instituída para essa finalidade. Essa prática
está de acordo com o artigo 41, § 4º da CF.

Logo, para o servidor efetivo adquirir estabilidade são necessários 2 requisitos.

3 ANOS APROVAÇÃO EM
DE EFETIVO +
+
AVALIAÇÃO ESPECIAL
SERVIÇO DE DESEMPENHO

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Sobre a comissão constituída para avaliar o desempenho do servidor e, as-


sim, conceder-lhe a estabilidade, a LC 840 expressa o seguinte.

Art. 29. A avaliação especial, prevista na Constituição Federal como condição para
aquisição da estabilidade, deve ser feita por comissão, quatro meses antes de
terminar o estágio probatório.
§ 1º A comissão de que trata este artigo é composta por três servidores estáveis
do mesmo cargo ou de cargo de escolaridade superior da mesma carreira do ava-
liado.
§ 2º Não sendo possível a aplicação do disposto no § 1º, a composição da comis-
são deve ser definida, conforme o caso:
I – pelo Presidente da Câmara Legislativa;
II – pelo Presidente do Tribunal de Contas;
§ 3º Para proceder à avaliação especial, a comissão deve observar os seguintes
procedimentos:
I – adotar, como subsídios para sua decisão, as avaliações feitas na forma do ar-
tigo 28, incluídos eventuais pedidos de reconsideração, recursos e decisões sobre
eles proferidas;
II – ouvir, separadamente, o avaliador e, em seguida, o avaliado;
III – realizar, a pedido ou de ofício, as diligências que eventualmente emergirem
das oitivas de que trata o inciso II;
IV – aprovar ou reprovar o servidor no estágio probatório, por decisão fundamen-
tada.
§ 4º Contra a reprovação no estágio probatório cabe pedido de reconsideração ou
recurso, a serem processados na forma desta Lei Complementar.

Art. 30. As autoridades de que trata o artigo 29, § 2º, são competentes para:
I – julgar, em única e última instância, qualquer recurso interposto na forma do
artigo 29;
II – homologar o resultado da avaliação especial feita pela comissão e, como
consequência, efetivar o servidor no cargo, quando ele for aprovado no estágio
probatório.

Art. 31. O servidor reprovado no estágio probatório deve ser, conforme o caso,
exonerado ou reconduzido ao cargo de origem.

Art. 32. O servidor ocupante de cargo de provimento efetivo regularmente apro-


vado no estágio probatório adquire estabilidade no serviço público ao completar
três anos de efetivo exercício.

Quando o servidor estável poderá perder o cargo?

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O artigo 40, §1º, da LODF foi modificado pela ELO 80/2014.

ANTES DA ELO 80 DEPOIS DA ELO 80


§ 1º O servidor público estável só perderá § 1º O servidor público estável só perde o
o cargo em virtude de sentença judicial cargo:
transitada em julgado ou mediante I – em virtude de sentença judicial transitada
processo administrativo em que lhe seja em julgado;
assegurada ampla defesa. II – mediante processo administrativo em
que lhe sejam assegurados o contraditório
e a ampla defesa;
III – mediante procedimento de avaliação
periódica de desempenho, na forma de lei
complementar, assegurado o contraditório
e a ampla defesa.

Verifica-se, então, que a atual LODF elenca três casos de perda do cargo
do servidor estável. O trânsito em julgado no caso de decisão judicial, significa
que não cabe mais recurso contra aquela sentença. Nos demais casos (inciso
II e III), não se fala trânsito em julgado, porque isso é exclusivo de decisão
judicial. O contraditório e ampla defesa, no caso de decisão judicial está implí-
cito, tendo em vista que a Constituição Federal em seu artigo 5, LV, assegura,
aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral
o contraditório e ampla defesa como os meios e recursos a ela inerentes.
A LC 840/2011, em seu artigo 33, expressa que “o servidor estável só per-
de o cargo nas hipóteses previstas na Constituição Federal”. A CF em seu arti-
go 41, § 1º determina que o servidor estável só perderá o cargo: em virtude
de sentença judicial transitada em julgado; mediante processo administrativo
em que lhe seja assegurada ampla defesa; ou mediante procedimento de ava-
liação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada
ampla defesa.
Porém, na CF temos outra hipótese de perda do cargo: no caso de corte
de despesas com o pessoal. O artigo 169 da CF estabelece que a despesa
com pessoal ativo e inativo do Distrito Federal não poderá exceder os limites
estabelecidos em lei complementar, sendo que, para dar o cumprimento dos
limites estabelecidos durante o prazo fixado na lei complementar, o Distrito
Federal adotará as seguintes providências: 

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• redução em pelo menos 20% das despesas com cargos em comissão e


funções de confiança; 
• exoneração dos servidores não estáveis; e
• exoneração do servidor estável, desde que ato normativo motivado de
cada um dos Poderes especifique a atividade funcional, o órgão ou a
unidade administrativa objeto da redução de pessoal, sendo que, nessa
última hipótese, o servidor estável fará jus a indenização correspondente
a um mês de remuneração por ano de serviço.

Para evitar que haja quebra novamente do teto para gastar com os ser-
vidores, o cargo objeto da redução prevista acima será considerado extinto,
vedada a criação de cargo, emprego ou função com atribuições iguais ou as-
semelhadas pelo prazo de 4 anos.
Cuidado: esse termo “estabilidade” é somente para o cargo efetivo. NÃO
é aplicável para:
• cargo em comissão;
• função de confiança;
• emprego público; e
• temporários.

Podemos citar os direitos exclusivos do servidor estável previsto na LODF:


• reintegração (artigo 40, §2º, primeira parte);
• recondução (artigo 40, §2º, segunda parte);
• disponibilidade (artigo 40, §3º, primeira parte);
• aproveitamento (artigo 40, §3º, segunda parte).

12. REINTEGRAÇÃO, RECONDUÇÃO, DISPONIBILIDADE E APROVEITAMENTO

Eis mais um tema muito cobrado nas provas de concursos e bem provável
de ser exigido especialmente na matéria de LC 840/2011. Isso pois os assun-
tos reintegração, recondução, disponibilidade e aproveitamento são mais de-
talhados nessa legislação. Contudo, aqui não enfocaremos a totalidade da LC
840/2011, e sim o que se relaciona à LODF.

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Iniciaremos os estudos pelos institutos reintegração e recondução que es-


tão previstos no § 2º do artigo 40 da LODF, que segue abaixo.

§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, deve


ele ser reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido
ao cargo de origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou
posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço.

Segundo a LC 840/2011, uma das formas de vacância do cargo chama-se


demissão, que é a retirada do servidor do cargo efetivo em virtude de uma
falta grave por ele cometida, por exemplo, por motivo de corrupção.
Ocorre que pode acontecer um erro na demissão, ou seja, pode ocorrer
uma demissão equivocada. Se a demissão foi equivocada, significa que ela foi
ilegal, e, portanto, cabe a sua invalidação (anulação). A anulação tem efeito ex
tunc, ou seja, retroage desde a origem do seu vício. Dessa forma, a anulação da
demissão faz com que ela nunca tivesse existido, apagando-se os seus efeitos.
A LODF informa, então, que, invalidada por sentença judicial a de-
missão do servidor estável, deve ele ser reintegrado. Para as questões de
LODF, podemos afirmar que a reintegração é cabível:
• somente para servidor estável; e
• decorrente de invalidação por sentença judicial da demissão.

Graficamente, podemos representar da seguinte forma as etapas da


reintegração:

Etapa 1 – Servidor estável é demitido.

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Etapa 2 – Servidor estável consegue invalidar judicialmente a demissão e


tem direito à reintegração ao cargo de origem.

Como foi visto, o servidor estável que conseguir judicialmente anular a sua
demissão, poderá ser reintegrado para o cargo de origem. No caso de o cargo
do servidor reconduzido estar ocupado por alguém, ainda assim ele retornará
a seu cargo. Para melhor compreensão desse ponto, acompanhe a situação
hipotética a seguir. Imagine que João tenha sido demitido e, após conseguir
anular a sua demissão, foi reintegrado ao serviço público. Contudo, o cargo
dele, que estava vago por motivo de sua demissão, foi provido por meio de
concurso público, o qual Maria (que já era servidora estável em outro cargo),
veio a ocupar. Nesse caso, só há uma cadeira para duas pessoas, e essa será
novamente ocupada por João. Isso ocorrerá em razão de ele ter conseguido a
sua reintegração, tendo a ação de anulação a capacidade de cancelar todos os
efeitos da indevida demissão.

Ainda em relação a essa situação hipotética, é importante saber o que


aconteceu com Maria após o retorno de João ao cargo. Como ela já era estável
em outro cargo, teve direito a ser reconduzida para o seu cargo de origem,
voltou a exercer a antiga função e a receber compativelmente a esse cargo,
sem direito a indenização. Se, por ventura, o cargo dela não existir mais, Maria
pode ser aproveitada em outro ou ficar em disponibilidade. Nesse último caso

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(ficar em disponibilidade), ela terá o direito de receber proporcionalmente ao


seu tempo de serviço (daqui a pouco veremos o que é disponibilidade e apro-
veitamento). Vale mencionar que, se Maria não fosse estável, seria ela exone-
rada do cargo público. Graficamente fica assim.

Para complementar o seu estudo, podemos apontar algumas informações


que há na LC 840/2011 sobre os institutos reintegração e recondução.

Art. 8, IV e V: tanto a reintegração quanto a recondução são formas de provi-


mento do cargo;

Art. 33, caput: conceitua a reintegração como a reinvestidura do servidor


no cargo anteriormente ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação,
quando invalidada a sua demissão por decisão administrativa ou judicial, com
o restabelecimento dos direitos que deixou de auferir no período em que esteve
demitido (estabelece o direito de indenização e informa que pode ser por motivo
de anulação administrativa ou judicial. A LODF só cita judicial)
Art. 36, §3º e 65, I: estabelece o prazo de cinco 5 úteis para o servidor retornar
ao exercício do cargo, contados da data em que tomou ciência do ato de reinte-
gração, sob pena de falta injustificada (A LODF não cita o prazo).

Art. 37: estabelece 3 casos de recondução: reprovação em estágio probatório;


desistência de estágio probatório; reintegração do anterior ocupante (A LODF só
cita o caso de reintegração do anterior ocupante).

Art. 37, §2º e 65, I: estabelece que o servidor tem de retornar ao exercício do
cargo até o dia seguinte ao da ciência do ato de recondução, sob pena de falta
injustificada (a LODF não cita o prazo).

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Art. 164, II, c: salvo disposição legal em contrário, não são contados como tem-
po de serviço a data de publicação do ato de reintegração ou recondução e o re-
torno ao exercício do cargo.

Art. 165, VII: São considerados como efetivo exercício o período entre a demis-
são e a data de publicação do ato de reintegração.

Agora que você já sabe o que é reintegração e recondução, vamos analisar


a disponibilidade e o aproveitamento.

O artigo 40, § 3º, da LODF trata da disponibilidade e aproveitamento:

§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável


deve ficar em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de
serviço, até seu adequado aproveitamento em outro cargo.

Disponibilidade segundo a LODF ocorre em dois casos:


• quando o cargo for extinto; e
• quando cargo for declarado desnecessário.

Observe que disponibilidade só cabe ao servidor estável. Imagine que


Roberto é um servidor estável no cargo de Auxiliar Administrativo. Com o
objetivo de cortar gastos da Administração do Distrito Federal, tal cargo é ex-
tinto ou declarado desnecessário, sendo que, atualmente, teríamos 50 cargos,
40 ocupados por servidores estáveis e 10 por servidores não estáveis. Os 40
servidores estáveis ficariam em disponibilidade remunerada proporcional ao
tempo de serviço, já os outros 10 não estáveis ficariam tristes, pois não cabe
disponibilidade para eles, acabaria ali a sua vida como servidor público con-
cursado.

As bancas de concursos gostam de trocar a expressão remuneração


proporcional, por remuneração integral, o que torna errada a questão!

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Quando a Administração Pública encontrar um cargo compatível com a es-


colaridade, atribuições e vencimentos anteriores do servidor que se encontra
em disponibilidade, irá chamá-lo para voltar a trabalhar. Esse retorno do ser-
vidor em disponibilidade é denominado de aproveitamento; ou seja, o apro-
veitamento é uma forma de provimento para o servidor que se encontra em
disponibilidade.

É bom lembrar:

DISPONIBILIDADE APROVEITAMENTO

Graficamente podemos demonstrar da seguinte forma:

Etapa 1 – Cargo extinto ou declarado desnecessário, o servidor estável fica


em disponibilidade remunerada (proporcional ao tempo de serviço).

Etapa 2 – O DF, ao encontrar cargo compatível com suas atribuições, esco-


laridade e remuneração, fará o aproveitamento do servidor que se encontrava
em disponibilidade.

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Para complementar o seu estudo, podemos apontar algumas informações que


constam na LC 840/2011 sobre os institutos disponibilidade a aproveitamento.

Art. 8, III: aproveitamento é uma forma de provimento;

Art. 38, § único: a remuneração do servidor posto em disponibilidade, propor-


cional ao tempo de serviço, não pode ser inferior a 1/3 do que percebia no mês
anterior ao da disponibilidade.

Art. 39: o retorno à atividade de servidor em disponibilidade é feito mediante


aproveitamento: no mesmo cargo; em cargo resultante da transformação do car-
go anteriormente ocupado; em outro cargo, observada a compatibilidade de atri-
buições e vencimentos ou subsídio do cargo anteriormente ocupado.

Art. 40, caput: obrigatório o imediato aproveitamento de servidor em disponibi-


lidade, assim que houver vaga em órgão, autarquia ou fundação.

Art. 40, §§ 1º e 2º: é de 30 dias o prazo para o servidor retornar ao exercício,


contados da data em que tomou ciência do aproveitamento, sob pena de ser tor-
nado sem efeito o aproveitamento e ser cassada a disponibilidade, salvo se por
doença comprovada por junta médica oficial ( A LODF não estipula prazo).

Art. 65, I: salvo disposição em contrário, considera-se falta injustificada, o não


retorno ao exercício, no prazo fixado nesta Lei Complementar, em caso de apro-
veitamento.

Art. 164, II, c: salvo disposição legal em contrário, não são contados como tem-
po de serviço a data de publicação do ato de aproveitamento e o retorno ao exer-
cício do cargo.

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Por fim, podemos afirmar que os institutos da reintegração, recondução,


disponibilidade a aproveitamento são exclusivos dos servidores estáveis.

13.LICENÇA-PRÊMIO NÃO USUFRUÍDA

Cuidado com esse tema, pois há divergência entre a LODF e a LC 840/2011.


A divergência ocorre em relação aos casos de o servidor público do DF ter di-
reito a usufruir da licença-prêmio e não a utilizar na atividade. Veja o quadro
comparativo esquematizado.

LODF LC 840/2011
Art. 41, §6º – É assegurada Art. 142. Os períodos de licença-prêmio
a contagem em dobro dos adquiridos e não gozados são convertidos em
períodos de licença-prêmio pecúnia, quando o servidor for aposentado.
não gozados, para efeito de Parágrafo único. Em caso de falecimento do
aposentadoria. servidor, a conversão em pecúnia de que
trata este artigo é paga aos beneficiários da
pensão ou, não os havendo, aos sucessores
judicialmente habilitados.

A LC 840/2011 está correta, pois está fundamentada na CF, no artigo 40,


§10, “a lei não poderá estabelecer qualquer forma de contagem de tempo de
contribuição fictício (contagem em dobro)”. Mas, para sua prova, você deve
analisar se a questão é sobre LODF ou sobre LC 840/2011. Fique atento!

14. DA APOSENTADORIA

A ELO 80/2014 fez sensíveis modificações sobre a aposentadoria dos ser-


vidores Públicos do DF. Dessa forma, tome cuidado quando for realizar exer-
cícios anteriores a 2014, já que algumas informações não têm mais validade.
Sobre a aposentadoria segundo a LODF, o primeiro ponto interessante é
o seguinte (artigo 41, caput), ao servidor público efetivo, nos termos da
Constituição Federal, é assegurado regime próprio de previdência social.
Logo, não cabe ao servidor efetivo o regime geral da previdência social (RGPS),
mas sim o regime próprio (RPPS). A servidores detentores exclusivamente de

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cargo em comissão, temporários e empregados públicos cabe o regime geral de


previdência social.
Outro ponto importante é que o regime próprio de previdência social
(artigo 41, §1º):
• é instituído por lei complementar: não é lei ordinária. Esse regime pró-
prio da previdência está estabelecido pela LC 769/1998;
• são observados os critérios que preservem o equilíbrio financeiro e
atuarial: o equilíbrio financeiro é controlar as receitas e despesas do
sistema para não haver um colapso. Atuarial significa o controle do risco
protegido e os recursos para sua cobertura, vislumbrando as possibilida-
des em variadas situações, no caso do sistema previdenciário, principal-
mente dentro das expectativas futuras em relação ao envelhecimento da
população e às tendências da natalidade populacional.

O artigo 41, § 3º da LODF estabelece que o tempo de serviço público fede-


ral, estadual, municipal ou do Distrito Federal será computado integralmente
para os efeitos de aposentadoria e disponibilidade. Logo, se você já é con-
cursado do DF ou de outro ente federativo, esse tempo de serviço que você já
possui será computado integralmente (não é parcialmente) para os efeitos de:
• aposentadoria; e
• disponibilidade.

Visando a uma manutenção do poder econômico do aposentado, o artigo


41, §4º da LODF determina que proventos (valor pecuniário que o aposentado
recebe) da aposentadoria serão revistos, na mesma proporção e na mesma
data, sempre que se modificar a remuneração dos servidores em atividade.
Ainda esse artigo determina que são estendidos aos inativos quaisquer be-
nefícios ou vantagens posteriormente concedidos aos servidores em ativi-
dade, inclusive quando decorrentes de reenquadramento, transformação
ou reclassificação do cargo ou função em que se deu a aposentadoria, na
forma da lei.
Sobre a pensão, o artigo 41, § 5º, da LODF estabelece que o benefício de
pensão por morte corresponderá à totalidade dos vencimentos ou proventos
do servidor falecido, qualquer que seja a causa mortis (causa da morte),
até o limite estabelecido em lei.

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Em relação aos servidores com carga horária variável, o artigo 41, §7º,
da LODF estabelece que são assegurados os proventos de acordo com a jorna-
da predominante dos últimos três anos anteriores à aposentadoria.
Sobre o regime de aposentadoria especial, por exemplo o cargo de profes-
sor, o artigo 41, § 8º, informa que o tempo de serviço prestado sob o regime
de aposentadoria especial será computado da seguinte maneira:
• da mesma forma, quando o servidor ocupar outro cargo de regime
idêntico;
• ou pelo critério da proporcionalidade, quando se tratar de regimes
diversos, na forma da lei.

Para fechar nosso material sobre a LODF voltado para o concurso da SEEDF,
seguem alguns pontos importantes que merecem especial atenção.
Tome muito cuidado com a informação do artigo 41, §2º, da LODF:

§ 2º O tempo de contribuição prestado sob o regime de aposentadoria especial


é computado da mesma forma, quando o servidor ocupar outro cargo de regime
idêntico, ou pelo critério da proporcionalidade, quando se tratar de regimes diver-
sos, na forma da lei.

Esse parágrafo foi alterado pela ELO 80/2014, porém foi declarado in-
constitucional na ADI 2014002023917-7 pelo TJDFT. Isso, pois, em se tra-
tando de norma sobre tempo de contribuição de previdência social prestado
pelo servidor público sob o regime de aposentadoria especial, compete sua ini-
ciativa privativamente ao Chefe do Executivo. Vulneração aos artigos 53, 71,
§ 1º e inciso II e 72, inciso I, todos da Lei Orgânica do Distrito Federal. Logo,
não tem mais aplicação.
Finalizamos aqui a parte teórica em relação à LODF. Foram 4 tópicos sobre
diversos temas que abordamos durante todo esse trabalho. Finalize o seu es-
tudo com os exercícios comentados. Faça revisão do que você vem estudando
para reforçar a sua memória.
Para fechar, deixo aqui uma frase do eterno Ayrton Senna.

“No que diz respeito ao empenho, ao compromisso, ao esforço, à dedica-


ção, não existe meio termo. Ou você faz uma coisa bem feita ou não faz”.

Prof. Wilson Garcia.

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QUESTÕES

30. (CESPE/TJ-DF/ANALISTA JUDICIÁRIO/2013) Caso o DF institua, mediante


lei, determinada gratificação para os servidores das suas polícias civil e militar
e do seu corpo de bombeiros militar, tal norma legal, segundo o entendimento
do STF, será constitucionalmente correta, já que a disposição sobre a referida
matéria constitui uma das competências do DF.

Tome cuidado com esse tipo de questão!


Tenha em mente que são organizados e mantidos pela União os seguin-
tes órgãos: Polícia Civil do DF; Polícia Militar do DF; Corpo de Bombeiros
Militar do DF; Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios; e Mi-
nistério Público do DF e Territórios.
Sobre isso, o STF realizou a Súmula Vinculante n. 39: “Compete pri-
vativamente à União legislar sobre vencimentos dos membros das
polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar do Distrito
Federal”.
Logo, não pode o DF instituir, ainda que mediante lei, gratificação para
os servidores das suas polícias civil e militar e do seu corpo de bombei-
ros militar. Seria uma lei inconstitucional.

31. (CESPE/TC-DF/TÉCNICO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA/2014) Em obedi-


ência ao princípio da soberania nacional, os estrangeiros somente poderão
ocupar funções públicas de caráter transitório e sem vínculo estatutário.

Atualmente o artigo 19, inciso I, da LODF dispõe que os cargos, os em-


pregos e as funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preen-
cham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros,
na forma da legislação, conforme a alteração feita pela ELO 80/2014.
Logo, os estrangeiros poderão ocupar funções públicas de caráter tran-
sitório ou permanente, de vínculo estatutário ou celetista.
Quando a questão de sua prova expressar a palavra “somente” ligue o
seu alerta, porque ela possivelmente estará errada.

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32. (IBFC/SEAP-DF/PROFESSOR/2013) É vedada a exigência do exame psi-


cotécnico para ingresso no serviço público, mas é assegurado ao servidor o
acompanhamento psicológico para progressão funcional.

O artigo 19, XXII, da LODF determina que a lei disporá sobre cargos
que exijam exame psicotécnico para ingresso e acompanhamento
psicológico para progressão funcional. Logo, é possível, por meio de
lei, exigir exame psicotécnico para o ingresso (provimento) no serviço
público. Isso é baseado no princípio da legalidade. Lembre-se também
da Súmula Vinculante 44: Só por lei se pode sujeitar a exame psico-
técnico a habilitação de candidato a cargo público.

33. (CESPE/ SEPLAG-DF/ ASSISTENTE DE EDUCAÇÃO/2009) Pelo menos 50%


dos cargos em comissão da administração pública do DF devem ser preenchi-
dos por servidores de carreira e destinam-se apenas às atribuições de direção,
chefia e assessoramento.

O artigo 19, V, da LODF dispõe que as funções de confiança, exer-


cidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e
pelo menos cinquenta por cento dos cargos em comissão, a serem
preenchidos por servidores de carreira em casos e condições previstos
em lei e se destinam apenas às atribuições de direção, chefia e as-
sessoramento. Logo, os cargos em comissão são preenchidos por pelo
menos 50% de servidores de carreira (efetivos), e o restante, por pes-
soas não servidoras. Já a função de confiança é exclusivamente (100%)
preenchida por servidores detentores de cargo efetivo. Tanto a função
de confiança quanto o cargo em comissão destinam-se somente às atri-
buições DCA: Direção; Chefia; Assessoramento.

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34. (IBFC/SEAP-DF/PROFESSOR/2013). As funções de confiança, exercidas


preferencialmente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em
comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condi-
ções e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribui-
ções de direção e chefia.

Essa é uma questão cobrada no último concurso. O artigo 19, V, da LODF


dispõe que as funções de confiança são exercidas exclusivamente por
servidores ocupantes de cargo efetivo. Logo, não é uma preferência
e sim uma exclusividade de a função de confiança ser preenchida por
servidor efetivo. A LODF estabelece a quantidade mínima de 50% dos
cargos em comissão a serem preenchidos por servidores de carreira nos
casos e condições previstos em lei. Ademais os dois casos destinam-se
apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento, e não ape-
nas direção e chefia, é só lembrar do DCA.

35. (CESPE/DETRAN-DF/CONHECIMENTOS BÁSICOS/2009) As funções de


confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efeti-
vo, e pelo menos 50% dos cargos em comissão, que devem ser preenchidos
por servidores de carreira nos casos e condições previstos em lei, destinam-se
apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento.

Nesta questão, a banca copiou e colou o artigo 19, V, da LODF: as fun-


ções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupan-
tes de cargo efetivo, e pelo menos cinquenta por cento dos cargos em
comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos e
condições previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de dire-
ção, chefia e assessoramento.

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36. (CESPE/ DETRAN-DF/ AUXILIAR DE TRÂNSITO/ 2009) Considere a se-


guinte situação hipotética. João, oficial da Polícia Militar do Distrito Federal
(PMDF), foi aprovado em concurso público para cargo efetivo de professor
da Secretaria de Estado da Educação. Nessa situação, João poderá ocupar
ambos os cargos.

O artigo 19, XV, da LODF, alterado pelas emendas 78 e 80, ambas de


2014, estabelece que é vedada a acumulação remunerada de car-
gos públicos, exceto quando:
• houver compatibilidade de horários;
• respeitar o teto remuneratório;
• for relativo: 2 cargos de professor; 1 cargo de professor com outro
técnico ou científico; 2 cargos ou empregos privativos de profissionais
de saúde, com profissões regulamentadas.
O cargo de oficial da PMDF não permite a acumulação remunerada, pois
não entra nas exceções previstas acima. Logo, se policial militar for apro-
vado para o concurso de professor, deverá optar por qual cargo deseja
ocupar.

37. (IADES/SEAP-DF/PROFESSOR TEMPORÁRIO/2014) Os servidores públicos


sujeitos ao regime jurídico único têm como direito a duração do trabalho nor-
mal de 44 horas semanais.

Questão interessante, cobrada no processo seletivo de professor tem-


porário. A LODF estabelece, em seu artigo 35, II, que é direito dos ser-
vidores públicos, sujeitos ao regime jurídico único, além dos assegura-
dos no § 2º do artigo 39 da Constituição Federal, a duração do trabalho
normal não superior a 8 horas diárias e 40 horas semanais, facul-
tado ao Poder Público conceder a compensação de horários e a redução
da jornada, nos termos da lei. Logo, não são 44 horas semanais. Tome

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cuidado se a questão for relativa à LC 840/2011, pois nessa norma,


salvo disposição legal contrária, o servidor efetivo fica sujeito ao regime
de trabalho de 30 horas semanais, podendo, no interesse da adminis-
tração pública e mediante anuência do servidor, o regime de trabalho
ser ampliado para 40 horas semanais, observada a proporcionalidade
salarial. Então, futuro servidor(a), se a questão for sobre LODF, temos
8 horas diárias e 40 semanais. Se for sobre LC 840/2011, teremos,
em regra, 30 horas, semanais, e exceção de 40 horas semanais.
A questão em tela é sobre a LODF, logo a jornada não é de 44 horas
semanais.

38. (UNIVERSA/EFERMEIRO-DF/2011) A lei poderá aumentar a jornada de


trabalho normal acima de 8 horas diárias, ultrapassando 44 semanais.

O artigo 35, II, da LODF informa que é direito dos servidores públicos,
sujeitos ao regime jurídico único, a duração do trabalho normal não su-
perior a 8 horas diárias e 40 horas semanais, facultado ao Poder Público
conceder a compensação de horários e a redução da jornada. A
LODF não autoriza o aumento das 8 horas diárias que ultrapasse 40
horas semanais.

39. (UNIVERSA/ EFERMEIRO-DF/ 2011) A lei poderá reduzir a jornada normal


de oito horas para 6 horas diárias.

O artigo 35, II, da LODF informa que é direito dos servidores públicos,
sujeitos ao regime jurídico único, a duração do trabalho normal não
superior a 8 horas, facultado ao Poder Público conceder a redução da
jornada. Logo, é possível reduzir de 8 horas para 6 horas diárias.

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40. (FUNIVERSA/SEPLAG-DF/2010) A duração do trabalho normal de um ser-


vidor é de doze horas diárias e quarenta e oito horas semanais, facultado ao
Poder Público conceder a compensação de horários e a redução da jornada,
nos termos da lei.

Nessa questão a banca exagerou. Fique atento durante a prova!


Vimos que a LODF, assegurando a dignidade de pessoa humana, em seu
artigo 35, II, estabelece a jornada máxima laboral de 8 horas diárias e
40 horas semanais, podendo haver compensação de horários ou redu-
ção da jornada. Logo, não são 12 horas diárias e 48 horas semanais.

41. (CESPE/ DETRAN/ 2008) O servidor público efetivo de autarquia distrital


faz jus ao recebimento de adicional de 1% por ano de serviço público efetivo.

O artigo 44, inciso I da LODF, estabelece que, ao servidor público da


administração direta, autárquica e fundacional do Distrito Federal,
fica assegurado o percebimento de adicional de um por cento por ano
de serviço público efetivo, nos termos da lei. É o denominado anuênio.
Repare que esse benefício não cabe ao empregado público de empresa
pública e de sociedade de economia mista.

42. (IBFC/SEAP-DF/PROFESSOR/2013) A Lei Orgânica do Distrito Federal pre-


vê, expressamente, que são assegurados aos servidores das empresas públicas
e sociedades de economia mista do Distrito Federal o percebimento de adicional
de um por cento por ano de serviço público efetivo, nos termos da lei.

O artigo 44, inciso I da LODF, estabelece que, ao servidor público da


administração direta, autárquica e fundacional do Distrito Federal,
fica assegurado o percebimento de adicional de 1% por ano de servi-

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ço público efetivo, nos termos da lei. É o denominado anuênio. Repare


que esse benefício não cabe ao empregado público de empresa
pública e de sociedade de economia mista.

43. (IADES/SEAP-DF/ANALISTA/2014) Conforme disposições contidas na Lei


Orgânica do Distrito Federal, no que se refere ao desvio de função, temos que:
esse não é tratado de forma expressa, remetendo-se a matéria à lei própria.

A LODF trata expressamente do denominado desvio de função em


seu artigo 35, V. Tal norma determina a vedação do desvio de função,
salvo quando não houver prejuízo de vencimentos, salários e demais
vantagens do cargo, emprego ou função: a mudança de função conce-
dida a servidora gestante, sob recomendação médica; a transferência
concedida a servidor que tiver sua capacidade de trabalho reduzida, em
decorrência de acidente ou doença de trabalho, para locais ou ativida-
des compatíveis com sua situação.

44. (IADES/SEAP-DF/ANALISTA/2014) Conforme disposições contidas na Lei


Orgânica do Distrito Federal, no que se refere ao desvio de função temos que:
esse é vedado, salvo se não houver prejuízo de vencimentos, salários e demais
vantagens do cargo, emprego ou função, exclusivamente a mudança de fun-
ção concedida a servidora gestante, sob recomendação médica.

A LODF, em seu artigo 35, V, estabelece a vedação do desvio de função,


exceto, sem prejuízo de seus vencimentos, salários e demais vantagens
do cargo, emprego ou função, e duas situações:
• a mudança de função concedida a servidora gestante, sob recomen-
dação médica;
• a transferência concedida a servidor que tiver sua capacidade de tra-
balho reduzida em decorrência de acidente ou doença de trabalho, para

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locais ou atividades compatíveis com sua situação.


Dessa forma, não é permitida exclusivamente a mudança de função
concedida a servidora gestante, sob recomendação médica.

45. (FUNIVERSA/SEPLAG-DF/2010) O direito de proteção especial à servidora


gestante ou lactante não inclui a adequação ou a mudança temporária de suas
funções.

O artigo 35, III, da LODF estabelece a proteção especial à servidora


gestante ou lactante, inclusive mediante a adequação ou mudança
temporária de suas funções, quando for recomendável à sua saúde
ou à do nascituro, sem prejuízo de seus vencimentos e demais vanta-
gens. Repare que a questão em tela informa que “não inclui”. Cuidado,
você tem que ver o “não” no dia de sua prova! É uma pegadinha que
toda banca examinadora utiliza.

46. (IADES/SEAP-DF/ANALISTA/2014) A lei assegurará aos servidores da Ad-


ministração direta isonomia de vencimentos para cargos de atribuições iguais
ou assemelhadas do mesmo Poder ou entre servidores dos Poderes Executivo
e Legislativo, ressalvadas as vantagens de caráter individual e as relativas a
natureza ou local de trabalho.

A banca examinadora copiou e colou o artigo 34 da LODF: A lei assegu-


rará, aos servidores da administração direta, isonomia de vencimentos
para cargos de atribuições iguais ou assemelhadas do mesmo Poder
ou entre servidores dos Poderes Executivo e Legislativo, ressalvadas
as vantagens de caráter individual e as relativas a natureza ou local de
trabalho.

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47. (IBFC/SEAP-DF/PROFESSOR/2013) Os vencimentos dos cargos do Poder


Legislativo poderão ser idênticos aos pagos pelo Poder Executivo.

A banca examinadora avaliou o conhecimento do candidato sobre o ar-


tigo 19, XI, da LODF, o qual dispõe que os vencimentos dos cargos do
Poder Legislativo não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder
Executivo. Tome cuidado: os vencimentos do PL não podem ser superio-
res, mas podem ser idênticos aos pagos pelo PE.

48. (CESPE/BRB/ESCRITURÁRIO/2010) Os acréscimos pecuniários percebidos


por servidores públicos do DF devem ser computados e acumulados, para fins
de concessão de acréscimos ulteriores, sob o mesmo título ou idêntico funda-
mento.

O artigo 19, modificado pela ELO 80/2014, estabelece que os acrésci-


mos pecuniários percebidos por servidor público não são computados
nem acumulados para fins de concessão de acréscimos ulteriores. Re-
pare que a LODF expressa que “não são computados e nem acumula-
dos”. A questão em tela informa que “devem ser computados”. Atenção!

49. (CESPE/SEPLAG-DF/ASSISTENTE DE EDUCAÇÃO/2009) A remuneração e


o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos dos mem-
bros de qualquer um dos poderes e dos demais agentes políticos do DF não
podem exceder o subsídio mensal, em espécie, do governador do DF. Nesse
teto remuneratório, não são computadas as parcelas de caráter indenizatório
previstas em lei.

O artigo 19, X, da LODF estabelece que a remuneração e o subsídio dos


ocupantes de cargos, funções e empregos públicos, dos membros de
qualquer dos Poderes e dos demais agentes políticos do Distrito Fede-

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ral, bem como os proventos de aposentadorias e pensões, não poderão


exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Desembargadores do
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, na forma da
lei, não se for aplicando o disposto neste inciso aos subsídios dos De-
putados Distritais. Logo, em regra, o teto de remuneração e subsídio
do DF é a do Desembargador do TJDFT, e não do Governador. Já o §
4º da LODF informa que, para efeito desse limite remuneratório, não
serão computadas as parcelas de caráter indenizatório previstas em
lei. Como a questão está parcialmente certa, ela é considerada errada.

50. (IBFC/SEAP-DF/PROFESSOR/2013) Ressalvada a legislação distrital apli-


cável, ao servidor público do Distrito Federal é proibido substituir, sob qualquer
pretexto, trabalhadores de empresas privadas em greve.

Veja só o que foi cobrado no concurso passado! A banca examinadora


copiou e colou o artigo 19, XX, da LODF, que estabelece que ressal-
vada a legislação federal aplicável, ao servidor público do Distrito
Federal é proibido substituir, sob qualquer pretexto, trabalhadores
de empresas privadas em greve. Isso serve para não impedir o direito
de greve dos trabalhadores.

51. (IADES/SEAP-DF/TÉCNICO EM CONTABILIDADE/2014) De acordo com


disposição expressa na Lei Orgânica do Distrito Federal, mediante compro-
vação por atestado médico da rede oficial de saúde do Distrito Federal, será
concedida licença, a homem ou mulher, para atendimento de cônjuge, compa-
nheiro(a) e parentes, até segundo grau, doentes.

Esta questão é relativa à LODF; logo, sobre essa temática, devemos


nos ater à disposição do artigo 43, o qual determina que será conce-
dida licença para atendimento de filho, genitor e cônjuge doente, a
homem ou mulher, mediante comprovação por atestado médico da rede

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oficial de saúde do Distrito Federal. Aqui passamos a dica do FIGECO


(FIlho, GEnitor; COnjuge) – para LODF só cabe a licença em relação
a essas pessoas, não englobando, por exemplo, companheiros ou pa-
rentes de até o 2º grau. Mas tome cuidado se for uma questão relativa
à LC 840/2011, pois essa norma, em seu artigo 134, permite a licença
ao servidor por motivo de doença do cônjuge ou companheiro, pa-
drasto ou madrasta, ascendente, descendente, enteado e cola-
teral consanguíneo ou afim até o segundo grau civil, mediante
comprovação por junta médica oficial. Outro detalhe importante é
que LODF assegura ao servidor público que tenha cônjuge ou depen-
dente com deficiência horário especial de serviço, independentemente
da compensação de horário, obedecido o disposto em lei (artigo 43, pa-
rágrafo único). Já a LC 840/2011 exige compensação de horário (artigo
61, §2º).

52. (CESPE/DETRAN-DF/AUXILIAR DE TRÂNSITO/2009) Considere a seguinte


situação hipotética: Joana, que é servidora pública distrital, irá substituir a
titular Fernanda, durante as férias desta. Nesse caso, Joana fará jus à gratifi-
cação de Fernanda durante o período da substituição.

O artigo 35, I, da LODF assegura aos servidores públicos, sujeitos ao


regime jurídico único, a gratificação do titular quando em substi-
tuição ou designado para responder pelo expediente. Sendo assim se
Joana, que é servidora pública distrital, irá substituir a titular Fernanda,
durante as férias desta, aquela fará jus à gratificação desta.

53. (FUNIVERSA/SEPLAG-DF/PROFESSOR/2010) É direito do servidor público


a participação na elaboração e na alteração dos planos de carreira.

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A LODF assegura ao servidor público a participação na elaboração e al-


teração dos planos de carreira (artigo 35, VII).

54. (CESPE/TC-DF/TÉCNICO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA/2014) Considere


que determinada autarquia do DF tenha sido extinta, que seus servidores es-
táveis tenham sido colocados em disponibilidade e, posteriormente, tenham
reingressado no serviço público do DF em cargos de atribuições e vencimentos
compatíveis com os que antes ocupavam e percebiam. Nessa situação hipoté-
tica, configura-se reingresso por aproveitamento.

O artigo 40, § 3º, da LODF estabelece que, se extinto o cargo ou decla-


rada a sua desnecessidade, o servidor estável deve ficar em dispo-
nibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até
seu adequado aproveitamento em outro cargo. Dessa forma, verifica-se
que o ato de provimento para o servidor que se encontra em disponibi-
lidade chama-se aproveitamento. Nota-se que disponibilidade e apro-
veitamento só são aplicáveis aos servidores detentores de cargo efetivo
que sejam estáveis.

55. (CESPE/PRF/POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL/2013) Anulado o ato de de-


missão, o servidor estável será reintegrado ao cargo por ele ocupado anterior-
mente, exceto se o cargo estiver ocupado, hipótese em que ficará em disponi-
bilidade até aproveitamento posterior em cargo de atribuições e vencimentos
compatíveis.

Essa é uma questão de um concurso federal, que também que pode ser
utilizada para os conhecimentos de LODF.
A primeira parte da questão informa que: “anulado o ato de demis-
são, o servidor estável será reintegrado ao cargo por ele ocu-

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pado anteriormente” – essa parte está correta, tendo em vista que


a LODF, artigo 40, § 2º, dispõe que, se a demissão do servidor estável
for invalidada por sentença judicial, deve ele ser reintegrado. Logo, no
caso de o servidor estável que foi demitido equivocadamente conseguir
anular essa demissão, será reintegrado ao cargo de origem.
A segunda parte da questão informa que: “exceto se o cargo estiver
ocupado, hipótese em que ficará em disponibilidade até aprovei-
tamento posterior em cargo de atribuições e vencimentos com-
patíveis” –, ou seja, questão afirma que a pessoa tem direito a reinte-
gração, exceto se houver um eventual ocupante em seu cargo, caso em
que não ocorreria a reintegração e o servidor que conseguiu a anular a
demissão ficaria em disponibilidade até o seu adequado aproveitamen-
to. Negativo! O reintegrado tem precedência sobre o eventual ocupando
do seu cargo. Se houver uma demissão indevida e, por ventura, esse
cargo foi preenchido, o servidor estável que conseguir invalidar a demis-
são será reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, será:
• reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização;
• aproveitado em outro cargo; ou
• posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo
de serviço.

56. (IBFC/SEAP-DF/PROFESSOR/2013) O servidor público estável somente


perderá o cargo em virtude de sentença judicial transitada em julgado ou me-
diante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa.

A LODF, em seu artigo 40, §1º, modificado pela ELO 80/2014, elenca
três casos de perda do cargo de servidor estável:
• em virtude de sentença judicial transitada em julgado (aquela que não
cabe mais recurso);
• mediante processo administrativo em que lhe sejam assegurados o
contraditório e a ampla defesa (princípio da autotutela); ou
• mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na
forma de lei complementar, assegurado o contraditório e a ampla defesa
(princípio da autotutela).

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Logo, atualmente, não é somente em virtude de sentença judicial tran-


sitada em julgado ou mediante processo administrativo em que lhe seja
assegurada ampla defesa que o servidor estável perderá o cargo (antes
da ELO 80/2014, realmente estipulava-se que o servidor público es-
tável só perderá o cargo em virtude de sentença judicial transi-
tada em julgado ou mediante processo administrativo em que
lhe seja assegurada ampla defesa).

57. (UNIVERSA/EFERMEIRO-DF/2011) O servidor público estável não poderá


perder o cargo em virtude de processo administrativo, mas apenas por senten-
ça judicial transitado em julgado.

A LODF, em seu artigo 40, §1º, modificado pela ELO 80/2014, elenca
três casos de perda do cargo do servidor estável:
• em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
• mediante processo administrativo em que lhe sejam assegurados o
contraditório e a ampla defesa; ou
• mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na
forma de lei complementar, assegurado o contraditório e a ampla defe-
sa.
Portanto, nota-se que a própria Administração Pública, dentro de sua au-
totutela, tem capacidade de retirar o servidor do cargo, mesmo que seja
estável, porém sempre assegurado o contraditório e a ampla defesa.

58. (IADES/SEAP-DF/PROFESSOR TEMPORÁRIO/2014) Os servidores públi-


cos nomeados em virtude de concurso público são estáveis a partir da data
da posse.

A LODF informa no artigo 40, caput, modificado pela ELO 80/2014, que
são estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados
para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. Já o

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§ 4º do artigo 40 estabelece, como condição para a aquisição da esta-


bilidade, a aprovação em avaliação especial: é obrigatória a avaliação
especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade.
Nota-se, então, que é necessário cumprir os requisitos: 3 anos + ava-
liação de desempenho.
A questão em tela informou que os servidores públicos nomeados em
virtude de concurso público são estáveis a partir da data da posse. Ne-
gativo! Posse é a aceitação formal do cargo, que, inclusive, pode ocorre
mediante procuração específica. Exercício é o efetivo desempenho das
atribuições do cargo. Não é a mera posse que gera estabilidade.

59. (CESPE/TJ-DF/JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO/2014) Gérson, sem vínculo


estatutário prévio com o DF, foi nomeado por Marcelo para exercer cargo em
comissão no gabinete desse na Secretaria de Justiça do DF, cargo declarado
em lei de livre nomeação e exoneração. Nessa situação, Gérson será contri-
buinte do regime próprio de previdência social do DF.

Tome cuidado!
Esse tipo de questão pode ser o seu diferencial no concurso público. A
LODF – em seu artigo 40, caput, alterado pela ELO 80/2014 – estabe-
lece que, ao servidor público efetivo, nos termos da Constituição Fede-
ral, é assegurado regime próprio de previdência social. Não cabe ao
servidor efetivo o regime geral da previdência social (RGPS), mas sim o
regime próprio (RPPS). Ao servidor detentor exclusivamente de cargos
em comissão, temporários ou empregados públicos, cabe o regime ge-
ral de previdência social.
Além disso, o regime próprio de previdência social (artigo 41, §1º):
• é instituído por lei complementar: não é lei ordinária;
• são observados os critérios que preservem o equilíbrio financeiro
e atuarial.
Dessa forma, Gérson, detentor exclusivamente de cargo em comissão
na Secretaria de Justiça do DF, será contribuinte do regime geral de
previdência social do DF.

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60. (IBFC/SEAP-DF/PROFESSOR/2013) O tempo de serviço público federal,


estadual, municipal ou do Distrito Federal será computado exclusivamente
para fins de aposentadoria.

O artigo 41, § 3º, da LODF estabelece que o tempo de serviço público


federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal será computado inte-
gralmente para os efeitos de:
• aposentadoria; e
• disponibilidade.
Logo, o tempo de serviço público federal, estadual, municipal ou do Dis-
trito Federal não será computado exclusivamente para fins de aposen-
tadoria.

61. (IBFC/SEAP-DF/PROFESSOR/2013) É assegurada a contagem em dobro


dos períodos de licença-prêmio não gozados, para efeito de disponibilidade.

Segundo o artigo 40, § 6º, da LODF é assegurada a contagem em dobro


dos períodos de licença-prêmio não gozados, para efeito de aposentado-
ria. Logo, não será computado em dobro para efeito de disponibilidade.

62. (UNIVERSA/EFERMEIRO-DF/2011) Não é computado como de exercício


efetivo, o tempo de serviço prestado por servidor requisitado a qualquer dos
poderes do DF.

O artigo 35, § 2º, da LODF determina que será computado como exer-
cício efetivo, para efeito de progressão funcional ou concessão de
licença-prêmio e aposentadoria nas carreiras específicas do serviço
público, o tempo de serviço prestado por servidor requisitado a qual-
quer dos Poderes do Distrito Federal.

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GABARITO

1. E 18. C
2. E 19. E
3. E 20. E
4. C 21. C
5. E 22. E
6. C 23. C
7. E 24. C
8. E 25. C
9. E 26. E
10. C 27. E
11. E 28. E
12. C 29. E
13. E 30. E
14. E 31. E
15. E 32. E
16. E 33. E
17. C

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