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15 a 20 de julho de 2007

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XXIV SIMPOSIO NA(~IONAL DE

História c 1\[ultidisC'iplinaridadc: Iprrilórios r dpslotHmrntos

CADERNO DE RESUMOS

UNISINOS - São Leopoldo - RS

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2007
©ANPUH - Associação Nacional de História
Av. Prof. Lineu Prestes, 338
Térreo do prédio de História e Geografia
Caixa Postal:8105
05508-900 São Paulo/SP
Fone/Fax: (11) 3091-3047
E-mail: anpuh@usp.br

Organização e revisão:
Ana Paula Korndõrfer
Haike Roselane Kleber da Silva
Marcus Vinicius Beber
Marluza Marques Harres

Capa: Flávio Wild

Imagem da capa: Estrada de ferro de paranaguá a Curitiba, Viaduto do Conselheiro Sinimbu (Paranál
Brasil) 1879. Autor: Marc Ferrez. Imagem retirada de www.dominiopublico.gov.br

Arte-finalização: Jair de Oliveira Carlos

Impressão: Con-Texto Gráfica e Editora

Editora Oikos Ltda. ANPUH - Associação Nacional de História


Rua Paraná, 240 - B. Scharlau Seção Rio Grande do Sul
Caixa Postal 1081 Caixa Postal 1795
93121-970 São Leopoldo/RS 90001-970 Porto Alegre/RS
Tel.: (51) 3568.2848/8114.9642 anpuhrs@ufrgs.br
www.oikoseditora.com.br
contato@oikoseditora.com.br

Observação: A adequação técnico-linguística dos textos é de responsabilidade dos autores.

S612h Simpósio Internacional de História (24 : 2007 : São Leopoldo, RS)


História e multidisciplinaridade : territórios e deslocamentos: Caderno de Resu-
mos [do] 24° Simpósio Internacional de História, São Leopoldo, RS, 15 a 20 de julho de
20071 organizado por Haike Roselane Kleber da Silva ... [et al.]. - São Leopoldo: Oikos,
2007.
640 p.
ISBN 978-85-89732-75-8
1. História - Multidisciplinaridade. 2. Educação histórica. 3. História - Cultura -
Sociedade. 4. Perfil do Historiador. 5. Historiografia. I. Título. 11. Associação Nacional de
História.
CDU 930:061.3
Catalogação na Publicação:
Bibliotecária Eliete Mari Doncato Brasil- CRB 10/1184
COMISSÃO ORGANIZADORA

Diretoria Nacional- ANPUH Frederico Alexandre Hecker (UNESP/Assis)


Eni de Mesquita Samara (USP) - Presidente - 10 Secretário
Flávio M. Heinz (UNISINOS) - Vice-Presidente Ana Maria Monteiro (UFRJ) - 20 Secretário
Manoel Luiz Salgado Guimarães (UFRJ-UERJ) - Antônio Carlos Amador Gil (UFES) - 10 Tesoureiro
Secretário-Geral Almir Bueno (UFRN) - 20 Tesoureiro

Comissão Organizadora Local

Benito Schmidt (UFRGS) Anderson Vargas (UFRGS)


Elisabete Leal (CNPq/UFRGS) Sandra Careli (FAPA)
Haike K. da Silva (CNPq/UNISINOS) Helder G. Silveíra (PUCRS)
Cláudio de Sá Machado Jr. (PUCRS) Sirlei Gedoz (UNISINOS)
Marluza M. Harres (UNISINOS) Véra Barroso (FAPA)
Silvia Rita de Moraes Vieira (Arquivo Histórico do Marcus Vinicius Beber (UNISINOS)
Município de Porto Alegre) Cláudio Pereira Elmir (UNISINOS)
Flávio M. Heinz (UNISINOS) Maria Cristina Bohn Martins (UNISINOS)
Temístocles César (UFRGS)

Comissão Científica

Adalberto Paranhos Carlos de Almeida Prado Bacellar


Alexandre Fortes Carlos Henrique de Carvalho
Ana Luiza Setti Reckziegel Carlos Xavier de Azevedo Netto
Ana Maria Colling Carmen Theresa Gabriel Anhorn
Ana Maria Ferreira da Costa Monteiro Charles Monteiro
Ana Paula Vosne Martins Claudia Musa Fay
Ana Silvia Volpi Seott Cristina Scheibe Wolff
Ana Teresa Marques Gonçalves Dilene Raimundo do Nascimento
Andréia Cristina Lopes Frazão da Silva Durval Muniz de Albuquerque Júnior
Ângela Porto Douglas Cole Libby
Anny Jackeline Torres Silveira Eduardo França Paiva
Antonia Aparecida Quintão dos Santos Cezerilo Eduardo Scheidt
António Costa Pinto Eduardo Victorio Morettin
Antônio Edmilson Martins Rodrigues Eliane Cristina Deckmann Fleck
Antônio Herculano Lopes Elizabeth Cancelli
Antônio Manoel Elíbio Júnior Esmeralda Blanco B. de Moura
Antônio Pedro Tota Estevão de Rezende Martins
Antonio Torres Montenegro Eurelino Teixeira Coelho Neto
Arlette Medeiros Gasparello Evangelia Aravanis
Arnaldo Daraya Contier Fernando Antonio Faria
Arno Wehling Fernando Torres-Londorio
Artur César Isaia Francisco Alcides do Nascimento
Beatriz Ana Loner Francisco Carlos Teixeira da Silva
Beatriz Kushnir Frederico Alexandre Hecker
Bruno Feitler Gilmar Arruda
Giselda Brito Silva Marco Aurélio Santana
Giselle Martins Venâncio Marco Antonio Neves Soares
Gizlene Neder Marco Antonio V. Pamplona
Gladys Sabina Ribeiro Marcos Antonio da Silva
Haruf Salmen Espindola Marcos César Alvarez
Helder Volmar Gordim da Silveira Marcos Luiz Bretas
Helen Osório Margarida Maria Dias de Oliveira
Helenice Ciampi Ribeiro Fester Marilene Rosa Nogueira da Silva
Heloisa Jochims Reichel Maria Auxiliadora Schmidt
Henrique Alonso de Albuquerque Rodrigues Pereira Maria Beatriz Nader
Iara Lis Franco Schiavinatto Maria Carolina Bovério Galzerani
Icléia Thiesen Maria Cecilia Velasco e Cruz
Iranilson Buriti Maria Clara Machado
Ivan da Costa Marques Maria Cristina Volpi Nacif
Janete Ruiz de Macedo Maria de Fátima Sabino Dias
João Luis Ribeiro Fragoso Maria de Fátima Silva Gouvêa
John Manuel Monteiro Maria de Lourdes Mônaco Janotti
Jorge Eremites de Oliveira Maria Izilda Santos de Matos
Jorge Luiz Bezerra Nóvoa Maria Regina Celestino de Almeida
Joseli Maria Nunes Mendonça Marieta de Moraes Ferreira
Josianne Francia Cerasoli Marilda lonta
Juçara Luzia Leite Marina Gusmão de Mendonça
Júnia Sales Pereira Marion Brepohl de Magalhães
Kalina Vanderlei Paiva da Silva Marisa Saenz Leme
Karl Martin Monsma Marisa Varanda Teixeira Carpintéro
Kátia Rodrigues Paranhos Mariza de Carvalho Soares
Katia Maria Abud Marlene Rosa Cainelli
Kazumi Munakata Marta de Almeida
Keila Grinberg Miriam de Souza Rossini
Lana Lage da Gama Lima Nelson Schapochnik
Lana Mara de Castro Siman Néri de Barros Almeida
Lená Medeiros de Menezes Nilton Mullet Pereira
Lidia M. Vianna Possas Paulo César Possam ai
Lorelai Brilhante Kury Paulo Knauss
Lúcia Maria P. Guimarães Pedro S. Pereira Caldas
Luciano Aronne de Abreu Philomena Gebran
Luciano Raposo de Figueiredo Rachei Soihet
Luciene Lehmkuhl Ricardo Virgilino da Silva
Lucilia de Almeida Neves Delgado Ronald Jose Raminelli
Luis Fernando Cerri Regina Beatriz Guimarães Neto
Luiz Antônio da Silva Teixeira Rejane Barreto Jardim
Luiz Carlos Ribeiro Renilda Barreto
Luiz Felipe Falcão Rosangela Patriota
Luzia Margareth Rago Sandra Jatahy Pesavento
Manoel Luis Salgado Guimarães Sheila Schvarzman
Mara Rúbia Sant'Anna Silvia Helena Zanirato
Marcelo Cândido da Silva Sandra de Cássia Pelegrini
Márcia Maria Menendes Motta Sidnei José Munhoz
Silvia Maria Fávero Arend Théo Lobarinhas Pifieiro
Sirlei Teresinha Gedoz Tiago Losso
Solange Ramos de Andrade Vera Lucia Amaral Ferlini
Sonia Regina de Mendonça Vera Regina Martins Coliaço
Suely Creusa Cordeiro de Almeida Victor Andrade de Melo
Sylvia Ewel Lenz Virgínía Maria Gomes de Matos Fontes
Tânia da Costa Garcia Wenceslau Gonçalves Neto

Secretaria

Haike Roselane Kleber da Silva


Paula Tanure
Ana Paula Korndôrfer

Informática

Dype Soluções

REALIZAÇÃO

ANPUH - Direção Nacional


ANPUH- RS
Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS
PPGH-UN ISINOS

PATROcíNIO

Universidade Federal do Rio Grande do Sul- UFRGS - IFCH/PPGH


Universidade de Passo Fundo - UPF
CNPq
FINEP
CAPES
Prefeitura Municipal de São Leopoldo

APOIO

Universidade de Caxias do Sul - UCS


Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul- PUCRS
Prefeitura Municipal de Porto Alegre - Coord. da Memória
Faculdades Porto-Alegrenses - FAPA
Centro Universitário FEEVALE
SUMÁRIO
1. A Educação e a formação da sociedade brasileira
Coords: Wenceslau Gonçalves Neto e Carlos Henrique de CaNalho...................................................................... 11

2. A Época Moderna: cultura, sociedade, economia pública e pensamento político


Coords: Sylvia Ewel Lenz e Antonio Edmilson Martins Rodrigues ........................................................................... 19

3. A História Cultural e suas Interfaces: Literatura e Artes


Coords: Sandra Jatahy Pesa vento e Antonio Herculano Lopes ............................................................................... 26

4. A História e as múltiplas faces da Arte


Coord: Elisabete Leal................................................................................................................................................ 35

5. A Multidisciplinaridade no Estudo das Sociedades da Antigüidade: Pesquisas, Territórios e Deslocamentos


Coord: Ana Teresa Marques Gonçalves ................................................................................................................... 38

6. A saúde e a doença como objetos da História


Coords: Dilene Raimundo do Nascimento e Anny Jackeline Torres Silveira ............................................................ 46

7. Brasil, Estados Unidos e América Latina: aproximações, conflitos e distanciamentos


Coords: Henrique Alonso de Albuquerque Rodrigues Pereira e Antonio Pedro Tota ................................................ 54

8. Caminhadas pela Cidade: apropriações históricas de experiências urbanas


Coords: Francisco Alcides do Nascimento e Luiz Felipe Falcão .............................................................................. 60

9. Cidade, História e Interdisciplinaridade


Coords: Josianne Francia Cerasoli e Marisa Varanda Teixeira Carpintéro............................................................... 70

10. Ciências Biomédicas, Saúde e Enfermidades em perspectiva histórica


Coords: Luiz Antonio da Silva Teixeira e Marta de Almeida ...................................................................................... 79

11. Cinema-História: teoria e empiricidades numa perspectiva transdisciplinar (imagens e audiovisuais


nas suas transversalidades)
Coords: Miriam de Souza Rossini e Jorge Luiz Beze"a Nóvoa .............................................................................., 88

12. Cultura e Cidade: experiências, memórias, e identidades


Coords: Claudia Musa Faye Maria Izilda Santos de Matos ..................................................................................... 96

13. Diferenças e desigualdades sociais


Coords: Eduardo Scheidt e Marilene Rosa Nogueira da Silva ................................................................................. 104

14. Dimensões e dinâmicas da conquista e da evangelização na América: séculos XVI a XIX


Coords: Femando To"es-Londono e Eliane Cristina Deckmann Fleck .......................................... ,......................... 113

15. Dinâmica Imperial no Antigo Regime Português .


Coords: João Luís Ribeiro Fragoso e Maria de Fátima Silva Gouvêa ...................................................................... 120

16. Educação Histórica


Coords: Maria Auxiliadora Schmidt e Katia Maria Abud ............................................................................................ 129

17. Enfoques multidisciplinares sobre normatização das condutas (séculos V-XVI)


Coords: Marcelo Cândido da Silva e Néri de Ba"os Almeida .................................................................................. 135
18. Ensino de História: currículo, culturas e linguagens
Coords: Ana Maria Ferreira da Costa Monteiro e Carmen Teresa Gabriel Anhom ................................................... 140

19. Escravidão: sociedades, culturas, economia e trabalho


Coords: Eduardo França Paiva e Douglas Cole Libby ............................................................................................. 145

20. Estado e Politicas Públicas no Brasil: Séculos XIX e XX


Coords: Théo Lobarinhas Piiieiro e Sonia Regina de Mendonça ............................................................................. 154

21. Foucault, mutações do olhar


Coords: Luzia Margareth Rago e Marilda lonta ........................................................................................................ 164

22. Gênero, Memória e Ditadura na América Latina


Coords: Cristina Scheibe Wolff e Ana Maria Colling ................................................................................................. 172

23. Gênero, Poder e Representações Sociais


Coords: RacheI Soihet e Lidia M. Vianna Possas .................................................................................................... 180

24. GT - Mundos do Trabalho: Cultura, Cotidiano e Identidades


Coords: Alexandre Fortes e Evangelia Aravanis ............................ ...................... ................................................ ..... 190

25. História & Música Popular


Coords: Tânia da Costa Garcia e Adalberto Paranhos ............................................................................................. 200

26. História &Teatro


Coords: Kátia Rodrigues Paranhos e Vera Regina Marfins Col/aço ...... ................................................................... 207

27. História agrária: estruturas, paisagens, direitos e conflitos


Coords: Helen Osório e Márcia Maria Menendes Motta ........................................................................................... 214

28. História das Instituições Militares e do Pensamento Estratégico


Coords: Francisco Carlos Teixeira da Silva e Sidnei José Munhoz .... ............................ .................... .............. ........ 223

29. História do Crime e da Justiça Criminal


Coord: Marcos Luiz Bretas ....................................................................................................................................... 230

30. História do Ensino de História


Coords: Ar/ette Medeiros Gasparel/o e Kazumi Munakata .......................... " ............ " ........................................ "". 238

31. História do Esporte e das Práticas Corporais


Coords: Luiz Carlos Ribeiro e Victor Andrade de Melo .................. "" .... " ................................................................. 246

32. História do Tempo Presente e Memória


Coords: Lucilia de Almeida Neves Delgado e Marieta de Moraes Ferreira .... " ........................................................ 254

33. História e ações educativas em variados ambientes: novos territórios a serem explorados
Coords: Lana Mara de Castro Siman e Júnia Sales Pereira .............................................................................." .... 263

34. História e alteridade


Coords: Marion Brepohl de Magalhães e Elizabeth Cancel/i .............. " .... " .......................................... " .................. 268

35. História e Comunicação: Mídias, Intelectuais e Participação


Coord: Beatriz Kushnir ................................................................................... " ......................................................... 274

36. História e Historiografia: teoria e prática contemporâneas


Coords: Estevão de Rezende Martins e Pedro Spinola Pereira Caldas ................................................................... 281

37. História e Linguagens: território multidisciplinar da pesquisa histórica


Coords: Rosangela Patriota e Amaldo Daraya Contier .................... " .................... " ...... " .... " .................... " .... " ....... 288
38. História e Teoria Social
Coords: Karl Martin Monsma e Marcos César Alvarez ............................................................................................. 297

39. História Indigena e Interdisciplinaridade


Coords: Jorge Eremites de Oliveira e Carlos Xavier de Azevedo Nefto ................................................................... 307

40.História Politica: pensamento e interpretação


Coords: Tiago Losso e Ricardo Silva ........................................................................................................................ 314

41. História, Ensino de História: memórias, saberes e práticas


Coords: Helenice Ciampi Ribeiro Fester e Maria Carolina Bovério Galzerani ...... .................................................... 322

42. História, Imagem e Cultura Visual


Coords: Charles Monteiro e Iara Lis Franco Schiavinafto ........................................................................................ 330

43. História, Memória e Narrativa


Coords: Antonio Torres Montenegro e Regina Beatriz Guimarães Neto ................................................................... 339

44. História, Multidisciplinaridade e Patrimônio Cultural


Coord: Janete Ruiz de Macedo ................................................................................................................................ 348

45. História, Natureza e Território


Coords: Haruf Salmen Espíndola e Gilmar Arruda ................................................................................................... 355

46. História-Ciência-Tecnologia-Sociedade
Coords: Ivan da Costa Marques e Lorelai Brilhante Kury ......................................................................................... 363

47. Histórias transatlânticas: africanos e descendentes


Çoords: Marina Gusmão de Mendonça, Antonia Aparecida Quintão dos Santos Cezerilo,
Angela Porto e Mariza de Carvalho Soares .............................................................................................................. 371

48, Historiografia e Escrita da História: multidisciplinaridade


Coords: Durval Muniz de Albuquerque Júnior e Manoel Luís Salgado Guimarães .................................................. 379

49. Idéias, intelectuais e instituições: História e multidisciplinaridade


Coord: Femando Antonio Faria................................................................................................................................. 388

50. Identidade e integração das Américas


Coords: Philomena Gebran e Heloisa Jochims Reichel ........................................................................................... 396

51. Igreja, Sociedade e Poder na Idade Média


Coords: Andréia Cristina Lopes Frazão da Silva e Rejane Barreto Jardim .............................................................. 402

52. Imagens de Arte: fronteiras disciplinares entre história da imagem e história da arte
Coords: Luciene Lehmkuhl e Paulo Knauss ............................................................................................................. 410

53. Império e Colonização: economia e sociedade na América Portuguesa


Coord: Vera Lucia Amaral Ferlini .............................................................................................................................. 418

54. Infância e juventude na História do Brasil: abordagens e perspectivas


Coords: Esmeralda Blanco B. de Moura e Silvia Maria FáveroArend ...................................................................... 428

55. Instituições, Poder e Justiça


Coords: Gizlene Neder e Amo Wehling .................................................................................................................... 434

56. Integralismo, nacional-sindicalismo e nazi-fascismo


Coords: Giselda Brito Silva e António Costa Pinto ................................................................................................... 442

57. Leis para o trabalho


Coords: Joseli Maria Nunes Mendonça e Keila Grinberg ......................................................................................... 448
58. Livros, leitores e leituras, séculos XVIII ao XX
Coords: Nelson Schapochnik e Gisel/e Martins Venâncio ........................................................................................ 454

59. Marxismo e multidisciplinaridade: o desafio da totalidade. Ciência, trabalho, cultura e poder


Coords: Virgínia Maria Gomes de Matos Fontes e Eurelino Teixeira Coelho Neto .................................................. 463

60. Minha Terra, Minhas Terras: Imigração, Memória e História


Coords: Frederico Alexandre Hecker e Lená Medeiros de Menezes ........................................................................ 473

61. Mundos do Trabalho: as fronteiras entre as diferentes formas de coerção e os diversos caminhos da liberdade
Coords: Beatriz Ana Loner e Maria Cecília Velasco e Cruz ...................................................................................... 482

62. Nação e cidadania no Oitocentos


Coords: Gladys Sabina Ribeiro e Lucia Maria Paschoal Guimarães ........................................................................ 490

63. O ensino de história e os desafios do tempo presente


Coords: Nilton Mul/et Pereira e Sirlei Teresinha Gedoz ............................................................................................ 499

64. O ensino de História nas Américas


Coords: Luis Fernando Ce"i e Maria de Fátima Sabino Dias .................................................... .............................. 508

65. O estatuto do cinema e da televisão na pesquisa histórica: documento, memória, representação


e interdisciplinaridade
Coord: Eduardo Victorio Morettin .............................................................................................................................. 513

66. Os [ndios na História: Fontes e Problemas


Coords: John Manuel Monteiro e Maria Regina Celestino de Almeida ..................................................................... 519

67. Patrimônio, cultura e identidade


Coords: Si/via Helena Zanirato, Sandra de Cássia Pelegrini, Mara Rúbia Sant'Anna e Maria Cristina Volpi Nacif. 529

68. Política, Imprensa e Cultura


Coords: Marisa Saenz Leme e Maria de Lourdes Monaco Janotti ........................................................................... 538

69. População, família e migração: os desafios da multidisciplinaridade


Coords: Ana Silvia Volpi Scott e Carlos de Almeida Prado Bacel/ar ......................................................................... 548

70. Raízes do Privilégio


Coords: Ronald Jose Raminelli e Bruno Feitler ........................................................................................................ 555

71. Relações Intemacionais: História e Historiografia


Coords: Helder Volmar Gordim da Silveira e Ana Luiza Setti Reckziegel .............................. :................................. 560
72. Religiões, Religiosidades e Identidades
Coords: Marco Antonio Neves Soares e Solange Ramos de Andrade ..................................................................... 568
73. Religiosidades e narrativas: entre o sagrado e o profano
Coords: Artur Cesar Isaia e Maria Clara Tomaz Machado ........................................................................................ 578
74. Revoltas e insurreições no Brasil do séc. XVII ao XIX
Coords: Marco Antonio V Pamplona e Luciano Raposo de A. Figueiredo............................................................... 587
75. Tempo, Narrativa e Invenções de Si: (re)pensando as pesquisas biográficas
Coords: Iranilson Buriti e Juçara Luzia Leite ............................................................................................................ 592
76. Territorialidades da memória: espaços, identidades e conflitos sociais
Coords: Ic/éia Thiesen e Marco Aurélio Santana...................................................................................................... 600

Indice Remissivo ....................................................................................................................................................... 611


1. A Educação e a formação da sociedade brasileira
Wenceslau Gonçalves Neto (UFU) e Carlos Henrique de Carvalho (UFU) CD
116/07 - Segunda-feira -Tarde (14h ás 18h) I
Wenceslau Gonçalves Neto - UFU
"Brasileiros" na escolarização de Portugal na segunda metade do século XIX .g
O recorte temporal refere-se ao momento em que o Estado português faz sentir sua preocupação com a instrução, na -g
seqüência das reformas liberais da década de 1840, realçando-se a da educação, de 1844. Foram utilizadas documenta- 'g
ções da Torre do Tombo e do Arquivo Municipal de Mafra. Conjugou-se o levantamento de um conjunto de iniciativas de :
particulares para a criação de escolas, debatidas pelas autoridades locais e central, com a historiografia da educação ~
portuguesa do século XIX. Percebe-se que o Estado não tinha condições de promover eficazmente a difusão da instrução .~.
elementar, implantando um sistema educacional como os que foram implementados em diversos países europeus. Uma §
alavanca poderosa para secundar os esforços do Estado e municípios foi a ação de indivíduos que se propuseram criar, .8
mobiliar e até manter o funcionamento de escolas. São cidadãos que pretendem deixar sua marca no desenvolvimento do
município e, ao mesmo tempo, amealhar reconhecimento social. Um grupo importante desses beneméritos é constituído o
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por emigrados que fizeram fortuna no Brasil - daí o codinome "brasileiros' -, que pretendem reverter parte do lucro u·
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pessoal em prol da comunidade de origem, em particular no cuidado da infância, por meio da criação de escolas. :::>
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Fátima Machado Chaves - Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro
A escola não vive só com professor
A ampliação das análises, a renovação das fontes e novos olhares no campo da pesquisa em história da educação
possibilitam incluir a investigação de sujeitos que 'vivem' a escola, mas penmaneceram invisíveis como é o caso dos
funcionários administrativos nas unidades escolares da cidade do Rio de Janeiro. Comparamos três momentos dessa
história, através da Reforma Educacional de Fernando de Azevedo, no Distrito Federal em 1927 e 1928; a legislação do
Estado da Guanabara, na década de 1960 e, nos anos compreendidos entre 1996 e 2002, os atos legais dos prefeitos da
cidade do Rio de Janeiro, acrescidos de nossas pesquisas de campo em unidades escolares situadas em diferentes
regiões sócio-geográficas cariocas com depoimentos sobre as experiências de merendeiras e serventes. A história da
educação praticamente ignora os funcionários, sujeitos educativos no cotidiano escolar, em geral, mulheres, pobres e
negras, talvez pelo desconhecimento da importância educativa de suas atividades, consideradas subaltemas, femininas
e 'domésticas'. Todavia, em suas atividades educativas, configuram-se como o 'cenário invisível' da cultura escolar,
porquanto a 'escola não vive só com o professor'.

Ana Cristina Pereira lage - UFMG


As diferenças sociais e a divisão do trabalho presentes no ensino feminino do Colégio Nossa Senhora de Sion de
Campanha (MG)
Pretende-se levantar alguns pontos discutidos acerca da instalação do Colégio Nossa Senhora de Sion na cidade de
Campanha, MG. O referido Colégio (1904-1965), mantido pela congregação francesa de Nossa Senhora de Sion, foi
responsável por educar meninas da elite sul-mineira (meninas de Sion), como também meninas pobres da região (deno-
minadas martinhas). Otratamento para as alunas era diferenciado: preparava as primeiras para exercer papéis de lideran-
ça familiar, como também para o ensino e, as meninas pobres, para o trabalho doméstico. Através do levantamento de
fontes toma-se possivel apreender questões no universo sionense presentes no discurso político (republicano) e religioso
(ultramontano) do momento. Partindo das discussões mais recentes no campo da História da Educação, fazendo uma
análise do particular, das especificidades, mas sem perder de vista o geral, pretende-se então compreender as relações
de ensino, de dominação e de divisão do trabalho presentes no referido Colégio.

Norberto Dallabrida e Marcos Roberto Martins - UDESC


Co-educação e desigualdades de gênero no Ginásio Barão de Antonina (1937-1945)
Durante a 'Era Vargas', existiam oito estabelecimentos de ensino secundário em Santa Catarina, sendo quatro exclusiva-
mente masculinos, um direcionado somente para moças e três praticavam a co-educação. Um dos educandários que
admitia rapazes e moças foi o Ginásio Barâo de Antonina, criado em 1937, em Mafra, e administrado pela Associação
Mafrense de Ensino. Este trabalho procura compreender a co-educação e seus limites no Ginásio Barão de Antonina,
entre a sua fundação e o fim do Estado Novo. Nesse momento histórico, o ensino secundário era, grosso modo, direciona-
do para os adolescentes homens, que se preparavam e se habilitavam para o ingresso nos cursos superiores. O Ginásio
Barão de Antonina, além de ter uma perspectiva laica, foi modemo na medida em que penmitia a inserção de mulheres no
seu curso secundário. No entanto, verificam-se desigualdades de gênero nas suas práticas educativas, pois a sua cultura
escolar era masculinista. Essas desigualdades podem ser percebidas no privilégio do regime de internato, exclusivo para
os rapazes, e em 'disciplinas-saber' como Educação Física, ministrada de fonma separada, e Trabalhos Manuais, em que
os alunos trabalhavam na oficina de marcenaria, enquanto as alunas aprendiam bordados e boas maneiras.

11
Aparecida Maria Almeida Barros - UFSCAR
A Reforma Educacional da Oligarquia e a Missão Pedagógica Paulista: Os Registros do Jornal "Correio Official
de Goyaz" nos Anos de 1930
Estudos e pesquisas sobre a Reforma do Ensino de 1930 em Goiás, vêm desvelando o jogo político da Oligarquia
dominante em promover mudanças no ensino Primário e no curso Normal, com o apoio de intelectuais de uma Missão
Pedagógica Paulista. Constituiu no empenho de uma modernização conservadora, ern consonância com os interesses
das classes no poder, recorrendo a SP que servia de referência para o Brasil no tocante às Reformas Educacionais. A
reforma teve o mérito de introduzir em Goiás o ideário pedagógico de inspiração escolanovista, de reordenar a organiza-
ção do ensino primário, bem como, de lançar bases para as mudanças ocorridas ao longo da década, através de medidas
como construção de grupos escolares, qualificação de normalistas, aquisição de mobiliário e instrumentos requeridos
pela 'moderna pedagogia'; a criação do Jardim da Infância, a inclusão dos trabalhos manuais como componente curricular
obrigatório. Tomado como fonte documental o 'Jornal Correio Official de Goyaz', na condição de imprensa oficial do
estado, despontou na divulgação, por excelência, de decretos, regulamentos, programas e uma secção pedagógica,
tomou-se arauto das medidas govemamentais e das ações da Missão Pedagógica Paulista, responsável intelectual e
técnica pela reforma da oligarquia goiana.

Margarita Victoria Rodriguez e Marilda Bonini Vargas - Universidade Católíca Dom Bosco
Formação inicial de professores em Mato Grosso do Sul, história da implantação do curso de pedagogia - expe-
riência da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (1981 -2004)
Esta comunicação apresenta, mediante uma pesquisa documental, a análise da criação e implementação do Curso de
Pedagogia da UFMS, e a influência das políticas de formação inicial de professores (1981-2004). Assim, utilizou-se de
documentos do Ministério da Educação e Cultura e do Conselho Nacional de Educação -Legislação Educacional, Diretri-
zes Curriculares; Pareceres entre outros-, e documentos da instituição pesquisada, como a Resoluções do Curso de
Pedagogia; Portarias; Projeto Pedagógico; matrizes curriculares e ementas, visando levantar as transformações ocorridas
neste curso, em especial, após o ano de 1992. Como resultados, o estudo revelou que as políticas de formação de
professores para a educação básica impactaram de forma impresumível na organização curricular do Curso de Pedago-
gia, implicando em uma formação inicial voltada para a prática - reflexiva dos professores. Aformação oferecida apresen-
tou mudanças significativas durante a segunda metade dos anos de 1990, verificou-se alterações nos conteúdos, nome
das disciplinas, carga horária, focando a formação inicial na racionalidade técnica e centralizada na prática. Provocando
um afastamento em relação à fundamentação teoria, voltando esta formação para o novo tecnicismo orientado pelos
documentos oficiais.

Carlos Eduardo Calaça Costa Fonseca - Universidade Salgado de Oliveira


Navegar é preciso: as viagens de estudos nos séculos XVII e XVIII
Desde o século XVI, indivíduos nascidos nas principais cidades que se formavam nos trópicos, se dirigiam para a Universida-
de de Coimbra. Matriculavam-se nas faculdades de Direito (Leis e Cânones). de Medicina ou, em menor escala, na de
Teologia. Apesar dos apelos constantes por parte dos integrantes das câmaras locais e dos colégios inacianos para que se
implementassem Universidades no Estado do Brasil, a Coroa portuguesa não atendeu a tais reivindicações. Entre meados
dos século XVII e meados do século XVIII, entretanto, intensificaram-se as viagens de estudo. Oobjetivo desta comunicação
é oferecer subsídios adicionais para a compreensão das possíveis motivações para o financiamento de tais empreendimen-
tos, demasiadamente caros, por parte das principais famílias radicadas no Rio de Janeiro, na Bahia ou em Pemambuco.

Dalila Rosa Hallal- UFPel


A Trajetória - das viagens e do turismo ao ensino superior em Turismo
As viagens e o turismo sempre estiveram presentes na vida do ser humano e podem ser estudadas sob diferentes
enfoques. No presente artigo os temas serão analisados a partir de uma perspectiva histórica. Assim, as viagens e o
turismo serão analisados como uma possibilidade de conhecimento e educação, uma vez que a questão educativa sem-
pre permeou tais deslocamentos. A partir das ultimas décadas do século XX, as viagens e o turismo começam a ser
estudado de maneira cientifica, enquanto fenômeno social, tomando-se assim, importantes objetos de estudo. Neste
contexto, o presente estudo se propõe a analisar a trajetória das viagens e do turismo com enfoque no aspecto educativo.

Mauro Castilho Gonçalves - Universidade de Taubaté


Monteir~ Lobato - A ação da Igreja Católica de Taubaté: a cidade, a escola e a imprensa como campos de tensão
O presente trabalho investigou a ação da Igreja Católica de Taubaté e de outros setores hegemônicos quanto à criação, na
cidade, de representações referentes a Monteiro Lobato e sua obra, no periodo posterior à sua morte: a década de 50 do século
passado. Para tanto privilegiamos como fontes primárias a imprensa católica e laica, as atas da câmara municipal e alguns
documentos escolares. Verificamos que estratégias foram adotadas por aqueles setores na intenção de criar diferentes perspec-
tivas quanto à preservação e o ocultamento da memória e da produção de Lobato. A escola e a imprensa, nesse particular,
transformaram-se nos espaços privilegiados da ação cultural de sujeitos que disputavam entre si a hegemonia na/da cidade.

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117/07 - Terça-feira- Tarde (14h às 18h) 1

Libânia Nacif Xavier - FE-UFRJ


CD
Profissionalização do Magistério no contexto de difusão do ideário da escola nova (RJ-1920/1930) ~
O trabalho explora aspectos das reformas educacionais promovidas por expoentes da escola nova na cidade do Rio de ~
Janeiro, nas décadas de 1920-30. Em seu conjunto, as três reformas empreendidas na cidade - a de Carneiro Leão 15
(1922-1926); a de Fernando de Azevedo (1927-1930) e a de Anísio Teixeira (1930-1935) - dispensaram atenção central ~
para o problema da formação e da carreira do magistério, entendido como base para atender as necessidades de expan- -{g
são e renovação do ensino na capital do país. Tendo em vista o contexto assinalado, procuraremos identificar as linhas .~
centrais que orientaram as concepções e as políticas dirigidas ao magistério primário. Ao final, apresentaremos algumas ~
considerações gerais a respeito do processo de profissionalização do magistério sob o influxo do movimento da escola ~
nova. É importante frisar que reconhecemos suas lideranças como homens de ação, ou seja, como atores que desempe- .~.
nharam um papel político e atuaram na esfera administrativa da cidade, promovendo uma dada ordenação no setor §
educacional. Eles serão considerados, também, como homens de idéias e, portanto, como formuladores de projetos para .E
os quais era necessário conferir coerência QJ
C)

Mauricéia Ananias - UFPB


A educação e a formação da sociedade brasileira: a província de São Paulo nos anos de 1822 a 1846
Este texto pretende demonstrar a construção do Estado provincial paulista nos anos de 1822 a 1846. Nesse processo, a
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LU

instrução pública primária será considerada com parte da institucionalização do Estado provincial e, em última instância, «
do Estado nacional brasileiro. Essa trajetória que formalizou um incipiente nascimento, após a independência política do
Brasil, da instrução pública foi caracterizada como uma transição entre a herança colonial e a legislação decretada pelo
governo provincial. Neste sentido, tomando como referencial a defesa, dos homens da época, de um regime monárquico
que fora referendado por uma Constituição e por uma seqüência de leis que seguiram os preceitos gerais nela previstos,
propõe-se analisar a ação do Estado na construção de uma proposta elementar de instrução primária para uma parte da
população da Província de São Paulo.

Doris BittencourtAlmeida - UFRGS


Memória silenciadas: a experiência educativa da Escola Normal Rural de Osório
O trabalho analisa algumas concepções que nortearam a pesquisa acerca de uma experiência educativa inédita na
história da educação do Rio Grande do Sul. Investigaram-se as memórias de alunos de uma Escola Normal Rural no municí-
pio de Osório que lá estudaram entre os anos 1950 e 1960. Esta instituição multifacetada por ser pública, mista e rural
agregava rapazes e moças distintos entre si, que buscavam a formação docente rural como uma possibilidade de ascensão
social através de uma profissão legitimamente reconhecida. A pesquisa procurou compreender a construção da identidade
daqueles/as futuros professores, analisando o processo de memória desses sujeitos, a partir dos discursos e dos conteúdos
de verdade produzidos em entrevistas. Apesquisa escutou o que esses sujeitos tinham a dizer. Nessa comunicação intersub-
jetiva, perceberam-se idiossincrasias do estudo de caso e concluiu-se que as memórias dos professores rurais foram silenci-
adas ao longo do tempo .. As transformações no contexto nacional e educacional dos anos 1970 conduziram a um questiona-
mento do valor social da profissão de professor e ao estabelecimento do magistério rural constituindo-se enquanto um grupo
periférico e até certo ponto marginalizado dentro do quadro de carreira do magistério público estadual.

Giana lange do Amaral- Faculdade de Educação/UFPel


A atuação política da Maçonaria no campo educacional, nas primeiras décadas da república brasileira
A Maçonaria encontrou no Brasil colonial e imperial um terreno fértil para a propagação das idéias iluministas e liberais do séaJlo
XVIII. Sendo assim, os maçons tiveram influência decisiva em muitos acontecimentos relacionados ao processo de independên-
cia, abolição da escravatura e de proclamação e implantação do sistema republicano brasileiro. Oemergente sistema republica-
no estava bastante ligado aos interesses da Maçonaria, que tratou de usar de sua influência junto à sociedade brasileira, para
solidificar as determinações políticas da Constituição Republicana, especialmente no que se relacionasse à separação da Igreja
e do Estado e a medidas relativas ao campo educacional (laicização do ensino). Esse foi mais um fato que contribuiu para que o
conflito e disputa entre a Igreja e a Maçonaria se tomasse tão acentuado na primeira década do séaJlo XX. O presente texto
busca trazer a tona aspectos da atuação política da Maçonaria no âmbno educacional, neste periodo.

Ivan Aparecido Manoel- UNESP - Franca e Antônio Marques do Vale - UEPG


Guerreiro Ramos, isebiano para sociologia, cultura e educação: a sociedade brasileira nos anos 1950
O texto resulta de pesquisa feita sobre o ISEB, Instituto mantido pelo MEC (1955-1964). O objetivo foi destacar os anos
'50, e investigar Guerreiro Ramos que, no ISEB, para formar uma ideologia nacional de desenvolvimento, assumia dar os
cursos de Sociologia. A investigação bibliográfica se baseou no debate gramsciano sobre relações Norte/Sul na Itália e
vigilância. Ante os temas colonialismo, revolução burguesa, pauperismo, administração e progresso, Ramos apostava
pela cidade, pela burguesia industrial, pelo Estado. Educar era inserir na revolução democrático-burguesa, e erguer o

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homem novo brasileiro ao ser-para-si, emancipado e sem transplantações do exterior. Os negros, do mesmo povo que os
brancos, militariam para vencer nossa condição de consumidores de enlatados. Em educação, o Guerreiro falou de poder
crítico, uso sociológico da sociologia, redução sociológica, formalismo. Sua própria índole e o conflito sobre o nacionalis-
mo (1958) o envolveram negativamente, e ele deixou o Instituto; com a ditadura, exilou-se nos EE.UU. Sua produção e
carreira suscitam os temas da multidimensionalidade da vida humana e da teimosia para manter um diálogo/debate à
altura das complexas necessidades reais.

Rosana Areal de Carvalho e Lívia Carolina Vieira - UFOP


Grupo Escolar de Mariana: política, educação e cotidiano escolar
Os referenciais da nova história política possibilitam o estudo das relações entre a esfera política e educacional. Em Minas
Gerais destacam-se as pesquisas sobre a Reforma João Pinheiro que instituiu os grupos escolares. Estudos publicados
apontam para um cenário com características comuns e particulares, pertinentes a cada município e escola. Este trabalho
é desdobramento de uma pesquisa sobre o Grupo Escolar de Mariana. As fontes desta pesquisa são os acervos da escola e
do Arquivo Público Mineiro. Apesquisa inicíal apontou para inúmeros recortes e aspectos interessantes acerca do cotidiano e
dos sujeitos escolares. Dentre esses sujeitos nossa atenção recaiu no primeiro diretor: José Ignácio de Souza que ocupou o
cargo de 1909 até 1917. No desenrolar da pesquisa descortinou-se um segundo personagem que manteve com a escola
laços muito fortes: Gomes Henrique Freire de Andrade, médico, Presidente da Câmara Municipal e senador estadual. Teve
seu nome vinculado à Caixa Escolar, considerado como patrono e fundador do grupo, que recebeu seu nome entre 1914 e
1931. O objetivo é apresentar as relações entre estes personagens e as influências no cotidiano escolar, destacando as
interferências políbcas, a concepção de educação e os entrelaçamentos entre higienismo e educação.

Ana Carrilho Romero Grunennvaldt - UFS


Os regulamentos da instrução pública em Sergipe e a educação física no ensino prímário (1890-1930)
O estudo investigou a introdução da Educação Física na proposta de reformulação educacional do Brasil na transição do
Império para a República a partir da análise da legislação educacional sergipana que normatizou o ensino primário nas
primeiras décadas republicanas. Considerando a escola primária como instituição privilegiada para acelerar o processo que
integra o país nos padrões internacionais de modernização tendo a Educação Física como um de seus componentes basila-
res.As fontes analisadas evidenciaram que esta ascendeu como uma questão para o trato da Pedagogia, revelando-se uma
reação à educação que tinha cuidados demasiados com aformação do espírito, preterindo as atenções ao corpo. Manifesta-
va-se uma nova perspectiva formativa que aliava o desenvolvimento harmonioso do corpo e do espírito favorável à educação
integral, aliada às necessidades emergentes de condutas de corpos de cidadãos, adequados as novas relações de produção
capitalistas, a Educação Física tomou objeto dos planos e reformas educacionais despertando a atenção de intelectuais e do
Estado. Condui-se que, a Educação Fisica como componente da educação integral potencializava a ação educativa na
medida em que canalizava as energias vitais do indivíduo na direção social do processo produtivo.

Fernanda Cristina Campos da Rocha - UFMG


Práticas escolares: sucesso ou fracasso escolar de crianças no ensino primário no início do século XX (Sabará! MG)
O trabalho aqui proposto tem como objetivo investigar as práticas escolares em tomo do ensino/aprendizagem da leitura
e da escrita, mais especificamente as questões relacionadas ao sucesso e fracasso escolar de crianças nos anos iniciais
de escolarização, nas duas primeiras décadas do século XX. Para tanto, toma-se como foco de análise, uma importante
instituição educativa de Minas Gerais: O Grupo Escolar Paula Rocha, localizado na cidade de Sabará/MG. Na tentativa de
compreender a razão pela qual os alunos desse grupo ficavam tanto tempo retidos no primeiro ano primário, busca-se
traçar a trajetória dos sujeitos envolvidos nesse processo, através, principalmente, dos livros de matriculas do grupo,
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elegendo os alunos que entraram no 1 ano primário, em 1907, ano em que o grupo escolar de Sabará foi criado, um ano
após a Reforma João Pinheiro, que introduz a escola graduada em Minas Gerais. Acompanhar a trajetória escolar desses
alunos possibilitará conhecer os sujeitos bem e mal sucedidos no processo de aquisição da leitura e da escrita: a condição
socioeconômica, familiar, a profissão do pai (ou mãe), onde morava, a idade, sexo, em quanto tempo fizeram o primàrio,
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quanto tempo ficaram retidos no 1 ano, quem eram os (as) professores (as) desses alunos, dentre outros.

Ana Waleska Pollo Campos Mendonça - PUC-Rio


"Reconstrução da Escola" e formação do "magistério nacional": as políticas do INEP/CBPE durante a gestão de
Anísio Teixeira (1952-1964)
O trabalho se remete à pesquisa financiada pelo CNPq e pela FAPERJ, intitulada O INEP no contexto das políticas do
MEC, nos anos 1950/1960, que se propôs a estudar a atuação deste órgão, durante a gestão do educador Anísio Teixeira
(1952-1964), com ênfase nas estratégias de intervenção nos sistemas de ensino. Propõe-se a analisar a trajetória do
INEP, ao longo dos anos em estudo, tentando mostrar que a questão da formação dos profissionais de ensino - articulada
à proposta de reconstrução da educação 'comum' do homem brasileiro (pela via da escola primària redefinida e ampliada)
- foi, efetivamente, o eixo que norteou o conjunto de iniciativas desenvolvidas pelo órgão durante esse período. Tais
iniciativas configuraram uma política de formação do 'magistério nacional', que pressupunha e buscava promover uma

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autêntica "refundação" do lugar do professor (Freitas, 2005). Uma politica, a um só tempo, nacional, porque empenhava,
através do INEP, o próprio Ministério da Educação, a quem se atribuía a "assessoria técnica" e o necessário respaldo
CD1
financeiro; e regional, pois buscava adaptar-se ás características e necessidades de distintas regiões do pais, através da
rede constituída pelos centros regionais de pesquisa e de treinamento de professores, estrategicamente localizados.

I 18/07 - Quarta-feira - Tarde (14h ás 18h) I


QJ

Carlos Henrique de Carvalho - UFU {g


CNBB e a (re)articulação do pensamento católica no Brasil (1952 a 1971) ~
Com esta proposta de trabalho pretendemos apresentar os princípios que nortearam a criação e atuação da Conferência ~
Nacional dos Bispos no Brasil (CNBB), a partir de 1952, ano de sua fundação e, de que forma, se relacionou com Estado. -2l
Por outro lado, buscamos identificar e evidenciar a presença de elementos democráticos no pensamento católico brasilei- ,g
ro, decorrente do próprio contexto criado pelo Pós-Segunda Guerra Mundial, que exige a (re)articulação da Igreja no i;5'
quadro social, principalmente no cenário brasileiro. Tal postura se coloca em oposição ao ideário defendido pelos pensa- §
~
dores conservadores dos anos que antecederam à criação da referida entidade, expressos por meio da revista A Ordem e
pelo Centro Dom Vital, que se colocaram como ponta de lança do núcleo dos intelectuais católicos liberais. É nosso
propósito também discutir a forma pela qual foi conduzido o debate teórico em torno da ação da Igreja no campo educaci-
onal, isto é, qual era sua linha de atuação, no que se refere à educação, diante das transformações políticas que ocorre-
ram no país no período compreendido entre 1952 a 1971.

Sergio Ricardo Pereira Cardoso - UFPel


O inicio da conscientização do magistério pelotense enquanto classe (1926-1933)
Este trabalho tem por objetivo investigar o contexto em que se dá, em Pelotas, a conscientização do magistério enquanto
classe organizada e defensora de seus direitos. Como fruto do "Entusiasmo da Educação" e do "Otimismo Pedagógico",
termos cunhados por Jorge Nagle quando se refere aos anos 20 em seu clássico "Educação e Sociedade na Primeira
República, no contexto nacional emerge aAssociação Brasileira de Educação (ABE), em 1924. Os esforços de Levi Carneiro
em dar um caráter nacional ao movimento criado no Rio de Janeiro vão desembocar na criação da Seção Pelotense da
Associação Brasileira de Educação. Dessa iniciativa, será criada, em 1929, aAssociação Sul Riograndense de Professores.
Nos discursos que atravessaram este movimento em Pelotas se encontra oconflito entre Liberais e Católicos; enquanto estes
consideravam o magistério como uma vocação, aqueles defendiam a idéia de profissionalização da classe em questão.
Embora o inicio da associação dos professores de Pelotas apresente, conforme a classificação de Ricardo Antunes, caracte-
rísticas corporativistas, tal iniciativa foi, sob certo aspecto, a gênese de uma consciência de classe do magistério pelotense;
inclusive, aAssociação Sul Riograndense de Professores chegou a fundar filiais em outras cidades.

Antonio Carlos Ferreira Pinheiro - UFPB


A instrução na Província da Parahyba do Norte e a formação da sociedade brasileira (1821-1834)
Este trabalho tem como objetivo analisar aspectos do processo de organização da instrução na Provincia da Parahyba do
Norte entre 1821 e 1834, ano da publicação do Ato Adicional. Pretendemos discutir como a problemática instrucional foi
posta por intelectuais e por gestores públicos que efetivaram políticas destinadas à educação escolar e contribuiram na
tessitura da formação da sociedade brasileira. Tomamos como fontes, a legislação que foi produzida no per iodo e as
correspondências emitidas pelas Câmaras dos Terrnos aos presidentes da provincia. A partir da referida documentação
depreendemos que alguns agentes políticos compreendiam que a superação do estado de ignorância da rnocidade se
daria pela instrução que ilustraria os meninos e os habilitaria para o emprego público da Provincia.(Comarca de Pi-
lar, 1821). Para tanto era necessário que as aulas, principalmente as do ensino mútuo, funcionassem rninimamente com
bancos, louzas, cadeira do professor, taboa de operações de arithemética.(Vila de Santo Antonio de Piancó, 1834). A
cultura material escolar e os procedimentos instrucionais nos indicam como o ideário iluminista foi se efetivando no
cotidiano escolar e de que forma contribuiu para o processo de consolidação e fortalecimento da recente nação brasileira.

Wilson Sandano e Valdelice Borghi Ferreira - Universidade de Sorocaba


Educação escolar e movimentos sociais em Sorocaba, no início da República (1889-1920)
Este trabalho procura investigar a educação escolar em Sorocaba, no período de 1889 a 1920, e sua relação com os
movimentos sociais. Neste periodo, de transição do sistema agrário-comercial para o urbano-industrial, ocorre, em So-
rocaba, o inicio da industrialização, o aumento da imigração e o crescimento da população urbana, sem o aurnento dos
beneficios sociais, fato que gerava tensões. Está presente a bandeira republicana, que associava o progresso á escolariza-
ção. Sorocaba atendia, em suas escolas, 50% das crianças da zona e urbana e 35%, da periferia. Seguindo o movimento
nacional, ocorreram rnanifestações, pela ampliação da oferta de escolas públicas, organizadas pelos movirnentos operários,
liderados pelos anarquistas, e pela imprensa empresarial e operária. Indagamos: qual a influência desses movimentos na
expansão da rede escolar pública em Sorocaba, no período? A possivel resposta estará baseada em três expressões da
materialidade histórica: as fontes documentais examinadas e sistematizadas; a história da educação escolar em Sorocaba,

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baseada na produção historiográfica existente; procedimentos de análise, por meio da produção historiográfica sobre a
história da educação no Brasil no periodo. No trabalho apresentamos os resultados parciais da pesquisa.

Flávio César Freitas Vieira - UFU


A União dos Trabalhadores de Ensino (UTE) nas páginas da imprensa (1978-1980): Uberlândia-MG
Este texto apresenta o resultado da pesquisa documental empreendida, cujo objetivo é o de identificar os registros sobre
o surgimento da entidade representativa dos profissionais estaduais da educação em Uberlândia, de 16 de junho de 1978
a 28 de junho de 1980, e da sua expressão na imprensa uberlandense no periodo enfocado. Para a realização dessa
pesquisa foram utilizadas fontes primárias, registros publicados no Jomal O Correio de Uberlândia e documentos do próprio
Sindicato dos Trabalhadores em Educação (SIND-UTE-ss-Uberlândia). A partir de uma assembléia dos professores estadu-
ais da educação surgiu a União dos Trabalhadores de Ensino (UTE), em Ubertândia, em 30 de setembro de 1979, decisão
articulada com a entidade estadual em uma conjuntura nacional repressora. Buscava-se a constituição de uma entidade que
expressasse maior identidade das reivindicações da categoria para melhorias de condições de trabalho, reposição salarial e
a construção de um suporte legal que estabelecesse uma relação com o govemo estadual, valorizando mais o critério
profissional com menor dependência politica. A representação sobre a categoria dos professores estaduais, expressa na
imprensa, sofreu alteração, no período enfocado, obtendo vitórias e superando obstáculos culturais e legais.

Francisco Assis de Queiroz - USP


Tecnologia, educação e sociedade no Brasil (1969-2005): o caso do CEETEPS
Buscando atender às demandas das novas indústrias e serviços, sobretudo a partir de meados do século XIX, criaram-se
escolas técnicas e faculdades tecnológicas em diversos paises, processo que no Brasil se daria a partir de meados do
século XX, não obstante a constituição de escolas técnicas públicas no pais desde o início do mesmo século, assim como
a existência do tradicional Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, entre outros, desde o final do século XIX. De qualquer
forma, foi em 1969 que se implantou em São Paulo o que viria a se tomar um dos maiores - senão o maior - complexos
de educação técnica e tecnológica da América Latina, o Centro Estadual de Educação Técnica e Tecnológica Paula
Souza. Antônio Francisco de Paula Souza, patrono do Centro, engenheiro e politico, foi o autor do projeto que criou a
Escola Politécnica de São Paulo (1894). Aexperiência aqui tratada deve servir de base para reflexões mais amplas sobre
as relações entre educação, mercado e desenvolvimento econômico e social, entre outras.

Maria Medianeira Padoin - UFSM


A educação a distância e a Universidade Aberta do Brasil: proposta de expansão do ensino público superior brasileiro
A partir do relato das experiências na organização e implementação da modalidade a distância na Universidade Federal
de Santa Maria e, especialmente no projeto de planejamento e efetivação do Sistema Universidade Aberta do Brasil-UAB
(criado pelo Ministério da Educação do Brasil), analisar as perspectivas da politica educacional brasileira na expansão do
ensino superior público através da modalidade a distância.

Berenice Corsetti - UNISINOS


Controle disciplinar e atividades escolares nas escolas públicas do Rio Grande do Sul (188011930)
No Rio Grande do Sul da Primeira República, o projeto politico dos lideres positivistas que governaram o Estado utilizou
a escola pública como instrumento privilegiado para a consecução de seus objetivos, ou seja, a consolidação do capitalis-
mo no cenário gaúcho. Os regulamentos e regimentos escolares possibilitam a percepção de um dos aspectos mais
importantes que caracterizaram esse processo, ou seja, o adestramento das crianças e dos jovens para a sua adequação
à sociedade perseguida pelos dirigentes do Estado. O ajustamento à ordem social, conforme definida no projeto de
modernização conservadora do Rio Grande, devia ser preparado sobretudo pela escola pública, razão de sua expansão
expressiva nesse periodo. Através do controle disciplinar e das atividades escolares desenvolvidas nas salas de aulas,
podemos perceber como foram implementadas características como a disciplina, o respeito à hierarquia e à autoridade, o
controle rigoroso das atividades e o uso produtivo do tempo, bem como os demais valores decorrentes de uma prática
com base nesses elementos, que constituíram-se em 'ingredientes' permanentes do cotidiano escolar.

Maria Cristina Gomes Machado - UEM


O jornalista Rui Barbosa e o debate sobre o ensino secundário
Este texto analisa a atuação do jomalista Rui Barbosa (1849-1923) tomando como foco suas idéias acerca da situação do
ensino secundário brasileiro no periodo de 1889 a 1901. Para tanto, toma-se como fonte primária os jomais 'Diário de
Notícias';' Jomal do Brasil' e 'A Imprensa'. Por meio desses jornais o autor nos legou muitos artigos no qual apresentava
suas críticas e propostas para resolver os problemas enfrentados pelo ensino secundário na transição do regime monár-
quico para o republicano. Em tais jomais, Rui Barbosa, como redator-chefe, posicionou-se sobre diversas questões can-
dentes no momento de transformações pela qual passava o país, como a politica govemamental e problemas cotidianos
da cidade do Rio de Janeiro, em especial, à questão do saneamento e da urbanização. Ele questionou, ainda, o papel do
Estado nesta sociedade, pois este tinha como uma das tarefas ampliar a oferta do ensino primário e reformar o ensino

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secundário e superior. Para ele, era preciso aumentar os investimentos no ensino secundário, proporcionando uma fomna-
ção geral para aluno, tanto científica como propedêutica. Este havia se tomado 'indústrias' de diplomas, cujo o objetivo
CD1
não era o de instruir, mas 'aparelhar' e formar para o exame preparatório que levasse ao ingresso na universidade.

~ - Quinta-feira - Tarde (14h às 16h30min) I ~


co
Helena Bomeny - UERJ/CPOOC .o
Q.)

Salvar pela escola: Programa Especial de Educação Governo Brizola ~


O texto avalia a experiência de implantação no Rio de Janeiro do Programa Especial de Educação dos dois govemos .~
Brizola (1983-1986; 1991-1994). Em especial, a autora acompanha a atuação de Darcy Ribeiro como coordenador de ~
todo o programa com seus êxitos, impasses e dificuldades na implementação de um projeto de salvação nacional. -i'5
o
.co
Luciana Beatriz de Oliveira Bar de Carvalho - UNICAMP ~.
Educação e civilização: a instrução pública na República Velha uberabinha (1888-1930) ~
O presente trabalho tem por objetivo apresentar as primeiras iniciativas da Câmara Municipal do município de Uberabinha
(hoje Uberlândia), uma cidade que nasceu com a Repúblicf) e o seu poder legislativo tomou várias iniciativas no campo ~
educacional. Deste modo, a pesquisa procura sublinhar como a política municipal foi concomitantes com aquelas toma- .~_
das pelo governo republicano e, de certa forma, também antecederam a própria legislação mineira. A data de 1888 é ~
tomada como referência inicial por ser o ano de emancipação política de Uberabinha, sendo organizadas as instituições Jl
políticas específicas da cidade, como a Câmara Municipal e a ação do agente executivo. Por outro lado, 1930 foi colocado <X:
como limite não por indicar o término de uma nova fase na periodização educacional mineira, mas por ser o ano de
irrupção de um movimento nacional que levará à mudança dos grupos no poder - no Brasil, em Minas Gerais e em
Uberabinha. Assim, discute-se inicialmente o sentido da educação na Primeira República para, posteriormente, caracteri-
zá-Ia no contexto da província de Minas Gerais. Finalmente, são apresentados os atos iniciais do poder legislativo de
uberabinhese relativos à educação, salientando como eles trazem um certo 'pioneirismo' neste campo.

llíada Pires da Silva - UNESP


Associativismo Docente e a Construção de uma Identidade Profissional (1901-1910)
Esta comunicação pretende discutir o associativismo docente a partir do discurso elaborado por um grupo de educadores
aglutinados em tomo Associação Beneficente do Professorado Público de São Paulo, no período de 1901 a 1910, com a
finalidade de construir uma identidade sócio-profissional para o professorado público paulista. A afirmação de uma identi-
dade profissional e a utilização de uma estratégia comum pelo e para o professorado paulista se fez através de disputas
e negociações tanto com os poderes govemamentais como também com as diversas tendências que se manifestaram no
interior da categoria e da própria entidade. Este processo de busca pela afimnação e legitimação intema se cruza e se funde
com a busca de ascensão e reconhecimento social. Assumindo-se como uma espécie de mensageiros do progresso, os
membros desta agremiação, ao mesmo tempo em que declaravam e legitimavam sua identidade nos limites do campo
profissional buscando a ascensão e reconhecimento social, reconheciam-se enquanto portadores dos ideais de progresso e
de modemização do país. Para além, de afimnarem-se como porta-vozes dos interesses do professorado paulista, constituí-
ram-se em agentes fundamentais para a legitimação do modelo republicano de sociedade que ajudavam implementar.

Fernanda Barros - UEG/UFU


Lyceu de Goyaz: elitização endossada pelas oligarquias goianas 1906-1937
Oobjeto deste estudo, uma instituição, apresenta as características corretas para a sua classificação, planejamento, sistema
de práticas, organizado por seus agentes. Em especial apresentou claramente o ideal de educar uma classe de jovens
rapazes. Em 1906 iniciaram-se as refomnulações do regulamento da instituição para que a equiparação ao Ginásio Nacional
fosse efetivada, exigência da refomna Epitácio Pessoa de 1901. Os ajustes à legislação nacional foram feitos por todo o
período de Primeira República, e continuaram nos sete anos que seguiram a Revolução de 1930. As fontes orais sobre a
instituição referem-se à tumna de alunos de 1937. O Lyceu funcionou também como uma alavanca social. Quem possuía
dinheiro, depois do Lyceu tinha cultura, quem não tinha posses, depois de ser aluno do Lyceu ganhava respeito da sociedade.

I 20107 - Sexta-feira - Manhã (10h30min ás 12h30min) I


Oilmar Kistemacher - UNISINOS
A legalização dos livros didáticos: Identidade e disciplinamento social
Este artigo enquadra-se nos marcos epistemológicos da pesquisa sobre a história da educação brasileira, em particular, no
campo da política educacional. O recorte temporal investigado, a fins deste trabalho, foi o govemo autoritário de Getúlio
Vargas, o Estado Novo (1937-1945), período este marcado por profundas contradições político-sociais na sociedade brasilei-
ra. Nesta investigação foi estudada a bibliografia e a documentação de época, destacamos aqui a Legislação Federal. Esta
última conferiu o prelado do poder público, via o Ministério da Educação, sobre a produção e adifusão dos livros didáticos, em

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todo território nacional. O disciplinamento social, expresso pelo govemo estadonovista, além de contribuir para a afirmação
do regime político e do modelo de desenvolvimento econômico industrial, ensejou o controle sobre as obras didáticas, cujo
fim era o de promover a construção da identidade nacional brasileira e a formação técnico-profissional para o mercado de
trabalho. Assim, a presença dos elementos ideológicos e doutrinários, presentes nos livros didáticos, foi fundamental para
consolidar o ideário estadonovista, uma vez que eles estabeleciam conexões entre os programas oficiais e a sala de aula.

Carlos Edinei de Oliveira - UEMT


Freiras e educação: as irmãs da Divina Providência na direção de grupos escolares em Mato Grosso -1968-1978
Esta comunicação nos possibilita analisar as atividades das irmãs da Divina Providência para manter a doutrina e a fé
católica quando ocuparam por determinação da Prelazia de Diamantino-MT a função de diretoras em dois grupos escola-
res na localidade de colonização recente denominada de Tangará da Serra, pois este espaço fora colonizado durante o
processo de expansão da fronteira brasileira e mato-grossense a partir de 1959, como este novo território configurava-se
com um conjunto grande de protestantes, detectado inclusive nas fontes paroquiais da reitoria de Tangará da Serra, sendo
assim, o bispo resolveu estabelecer que as freiras ocupassem os cargos de direção para atender aproposta romanizadora
da Igreja Católica, de manter católico o migrante em Mato Grosso. As fontes paróquias como: o livro tombo da reitoria
Nossa Senhora Aparecida, as crônicas das irmãs da Divina Providência, os registros na imprensa local, as fontes orais, os
documentos escolares, em especial o livro de Matrículas nos possibilitam um registro significativo sobre esta intenção da
Igreja Católica, ou seja, mesmo em um Estado laico, a Igreja se ocupava do espaço público para manter seu espaço
educacional, social e religioso determinado assim uma cultura escolar específica.

Rosimar Serena Siqueira Esquinsani - UPF


A marca dos anos 1990 na forja das políticas educacionais brasileiras: o olhar a partir de um estudo de caso
O texto apresenta o exame da construção de políticas educacionais a partir do contexto da década de 1990, trazendo como
pano de fundo a trajetória histórica de uma rede municipal de ensino no interior sul-riOilrandense, baseando-se em uma
pesquisa qualitativa desenvolvida dentro de duas abordagens: a análise de conteúdo e a revisão bibliográfica. Os anos 1990
são assinalados pela consolidação da globalização econômica, que desencadeou um processo de reformulação das políti-
cas públicas e fundamentou uma reforma educativa assentada na idéia da educação como peça central para o desenvolvi-
mento humano mas que, em contrapartida, trouxe a perspectiva economicista para a agenda de debates educacionais. No
Brasil, a reforma foi assinalada por leis e planos, iniciados com o Plano Decenal de Educação Para Todos (1993) e que
desembocaram no Plano Nacional de Educação (2001). No município foco dos estudos, a década de 1990 foi marcada pela
ênfase em avaliações extemas; pela disseminação de práticas de intervenção no cotidiano escolar, como a formação docen-
te em serviço; pela consolidação da perspectiva construtivista enquanto eixo dê políticas voltadas para prática pedagógica;
além da prevalência da perspectiva economicista de racionalização de recursos humanos e financeiros.

I 20107 - Sexta-feira - Tarde (14h às 18h) I


Alicia Mariani Lucio Landes da Silva - UFPR
Condutas, cooperação e escolhas: OServiço de Orientação Educacional no Colégio Estadual do Paraná (1968-1975)
A Lei 5.692/71 trouxe modificações para o sistema educacional brasileiro. No artigo n° 10, fixou a obrigatoriedade do
Serviço de Orientação Educacional nas escolas, estabelecendo cooperação nas relações entre professores, familia e
comunidade. Sabe-se que durante os anos de 1968-1975, o Brasil passava por um momento marcante de sua história
devido a Ditadura Militar. Por entender que a Orientação Educacional foi um departamento importante, e que proporci-
onava envolvimento direto de alunos, professores e pais, escolheu-se como objeto desta pesquisa o Serviço de Orien-
tação Educacional do Colégio Estadual do Paraná para compreender como o colégio lidou com as determinações da
Lei 5.692/71 no que se refere a esse Departamento. O recorte temporal de 1968-1975 é justificado como período de
transição para a nova lei a sua adaptação. Ainda pretendeu-se conhecer quais foram as mudanças que essa Lei trouxe
para a Orientação Educacional e analisar as formas de atuação do Serviço de Orientação Educacional do CEPo Este
trabalho é parte resultante de um estudo desenvolvido no curso de Especialização em Organização do Trabalho
Pedagógico. Está dividido em duas partes: A Orientação Educacional: Origens e Orientações Legais; A Orientação
Educacional no Colégio Estadual do Paraná (1968-1975).

João do Prado Ferraz de Carvalho - Universidade Presbiteriana Mackenzie


Entre Memória e História: A Campanha em Defesa da Escola Pública em São Paulo em meados do século XX e
a participação do movimento estudantil paulista
A historiografia educacional brasileira, quando trata do tema escola pública no Brasil durante o século XX, tradicionalmente
recorre ao envolvimento dos chamados educadores liberais objetivando compreender a constituição de nosso sistema edu-
cacional. Sob o manto de 'pioneiros', 'escolanovistas', 'renovadores', etc, abriga-se um conjunto vasto de sujeitos históricos
frequentemente acionados com destaque na busca de dar a esse processo inteligibilidade histórica. Sem questionar a impor-
tância de nomes como Anísio Teixeira, Femando de Azevedo, entre outros, o intuito é compreender a participação desses

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sujeitos históricos não apenas nos embates com os quais se evolveram na defesa da escola pública, mas atenta-se principal-
mente para a constituição de uma determinada memória histórica produzida a partir dos seus escritos sobre tal temática.
Dialogando com essa produção e transitando pelas complexas articulações entre memória e história, trabalha-se com a tese
de que determinados fatos, sujeitos e projetos históricos foram iluminados enquanto outros foram apagados. Entende-se que
um dos apagamentos produzidos e cristalizados na memória educacional foi a participação do movimento estudantil na
Campanha em Defesa da Escola Pública, que na perspectiva anunciada acima é aqui estudada.

Paola Andrezza Bessa Cunha - UFMG


A civilidade pela fé: Educação moral nas Associações Religiosas Leigas da Minas Colonial
As associações leigas religiosas conjugavam pessoas distintas em torno de uma mesma devoção, e se configuram como
uma fonte para a historiografia da educação no período colonial. A educação identificada relaciona-se diretamente à
educação moral e isso é passível através de práticas educativas, compreendidas como o fazer cotidiano das pessoas, nas
relações desenvolvidas e nas estratégias de desenvolvimento dessas práticas, atendendo às demandas apresentadas
pela América Portuguesa. A religião se torna o canal mais direto e propicio para a transmissão de valores e conhecimen-
tos, tanto de interesse da Coroa, quanto da própria Igreja Católica e da sociedade na qual vive. As associações são as
guardiãs desses valores, expressos em seus livros através das regras e anotações feitas ao longo de sua existência. O
objetivo da pesquisa é identificar nas associações religiosas leigas do século XVIII, determinações de caráter educativo e
suas práticas, voltadas principalmente para a educação moral e religiosa, não sendo relegados outras formas de educa-
ção ou funções pedagógicas a elas atribuídas, institucionalmente ou pela tradição, também advindos da mestiçagem,
principalmente cultural, em cujas tradições há uma permeabilidade que permite a formação de elementos mestiços.

Sergio de Sousa Montalvao - CPDOC/FGV


Educação e Democracia: a Lei de Diretrizes de Bases de 1961 e sua história
CD
A comunicação versa sobre a tramitação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação no Congresso Nacional, entre 1948 e '§
1961, tendo como objetivo discutir as prioridades e o formato do sistema nacional de ensino que emergiu do texto legal, em g

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instituições educativas privadas. Por se tratar de uma causa de grande amplitude, o debate que cercou o encaminhamento 1'6
desta lei ganhou a imprensa e os meios intelectuais, envolvendo figuras de diferentes perfis ideológicos como Anisio Teixeira, 1i5
Flrestan Fernandes, Alceu Amoroso Uma e Gustavo Corção. Oentrelaçamento entre a esfera parlamentar e a esfera pública .~
marcou a história desta LDB, servindo corno leitura da democracia brasileira no período em questão.

Nadia Gaiofatto Gonçalves - UFPR


O Estado do Paraná, a Educação e a implementação das Diretrizes da Lei 5692171: apontamentos sobre o processo ~
O presente trabalho propõe-se a discutir como, nas Mensagens dos governadores do Estado do Paraná à Assembléia ~
Legislativa, nas décadas de 1960 e 1970, são abordadas as seguintes questões: papel do Estado frente à Educação; ~
e, quanto à lei 5692/71, suas diretrizes quanto à reorganização do ensino de 1° e 2° graus e seu processo de ~
implementação. Para análise do tema e das fontes, têm-se como referenciais principais Roger Chartier (1988) e Pierre g,
Bourdieu (1988 e 1990) e René Rémond (1996). Como apontamentos, pode-se destacar a permanência, nas Mensa- -~
gens das duas décadas, em relação aos aspectos de expansão do sistema escolar, desenvolvimento e modernização
administrativa. Embora este discurso seja comum ao período, no Paraná ele vinha se fortalecendo desde 1961, a partir
do governo Ney Braga. Depois da promulgação da lei 5692/71, nota-se maior detalhamento e sistematização no
tratamento do tema, nas Mensagens, em um esforço de evidenciar-se o planejamento estatal e sua eficiência. Porém,
nas Mensagens não são abordadas as dificuldades de implementação dessas metas de modernização, e limitações na
implementação das diretrizes da lei, em grande parte justamente por deficiências no aparelho estatal, o que pode ser
observado por meio de outros documentos, produzidos pelo Estado.

2. A Época Moderna: cultura, sociedade, economia pública e pensamento político


Sylvia Ewel Lenz (UEL) e Antonio Edmilson Martins Rodrigues (PUC·Rio/UERJ)
116/07 - Segunda-feira -Tarde (14h ás 18h) I
Antonio Edmílson Martins Rodrigues· PUC-Rio I UERJ
O Principe como metáfora do homem moderno: uma releitura de O Principe de Maquiavel
Trata-se de desenvolver a proposição de que Maquiavel ao escrever O Principe não estava construindo uma teoria da
absolutização do poder soberano mas apresentando as condições nas quais o homem moderno poderia enfrentar as
tensões e contradições oriundas da radicalidade da descoberta do homem e do mundo. Nesse sentido, O Principe de

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Maquiavel se apresentaria como a metáfora do homem moderno, estabelecendo os critérios que salvaria a República
da onda centralizadora do século XVI e elaborando os principios que reduziriam a ação do Principado em Florença.
Para isso, recorri à leitura da obra de Maquiavel buscando suas relações com Ficino e Mirandola, especialmente no
que tange as relações do autor com o neoplatonismo, ou seja, Maquiavel estaria muito mais próximo dos autores do
século XV do que dos do século XVI e defenderia o humanismo cívico através de um método não ortodoxo. Assim,
Maquiavel estaria mais ligado aos autores que como Thomas Morus criticam o humanismo do século XVI.

Sergio Xavier Gomes de Araújo - PUC-Rio


Os Ensaios de Montaigne: retórica humanista e discurso do auto-retrato
Com seu estilo negligente, privado e familiar como ele mesmo definia, Montaigne usou os procedimentos da retórica
clássica para descrever-se em seus Ensaios, procurando representar pela escrita a essência de sua natureza individual.
Manifestou freqüentemente ao longo dos Ensaios a consciência da originalidade de seu projeto em relação às obras
humanistas que circulavam em seu tempo. Com efeito, sua escrita de si pervertia um princípio básico que regulava o
uso da palavra para os humanistas, ou seja sua prerrogativa de comunicação no espaço público, a ser constituída
numa forma bela segundo os padrões dos grandes oradores da Antigüidade, para gerar a persuasão e intervir na
ordem da vida social e política. Nosso objetivo aqui é explorar, através de algumas passagens do ensaio Da Presun-
ção, um dos primeiros grandes autoretratos dos Ensaios, a forma como Montaigne expressava a consciência de sua
originalidade oscilando entre a defesa de sua prática de investigação de si, nos moldes da tradição socrática de cultivo
do espírito e a visão de sua escrita de si como uma ousadia ao não servir a nenhum objetivo moral mais alto. Esta
ambigüidade perpassa o discurso de Montaigne à medida em que se apropria mais dos designios de sua escrita.

Silvia Patuzzi - PUC-Rio


Graça, Iivre-arbítrio e a arte de governar: apontamentos sobre a Rázon dei Instituto de la Religión de la Compaiiía
de lesús de Pedro de Ribadeneyra (1605)
Nesta apresentação, nos deteremos no movimento de 'refundação' da Companhia de Jesus operada ao longo do
generalato de Cláudio Acquaviva, de atualização em relação às grandes transformações da época e de reaparelha-
mento institucional, de modo a enfrentar o rápido crescimento em escala planetária, bem como as dissidências inter-
nas, ligadas ao núcleo hispânico. No front interno, a dissolução do partido "papista" na corte espanhola, os atritos com
os 'castelhanistas' e com Felipe 11 e a oposição dominicana levaram a Ordem a enfrentar uma crise institucional que
poderia ter levado a uma cisão entre Roma e Madrid. Nas obras do jesuíta espanhol Pedro de Ribadeneyra, no Tratado
de la Tribulación (1589) e sobretudo na Rázon dei Instituto (1605) transparece o esforço de constituição de uma nova
identidade para a Companhia, em resposta aos desafios teológicos e políticos que enfrentava na Espanha dos Habs-
burgo. A hipótese deste trabalho é que este conjunto de escritos revelava, ao mesmo tempo, preocupações históricas,
políticas e teológicas, a serviço de um duplo programa: dotar a Companhia de uma história e fornecer à Monarquia um
novo horizonte em função do qual orientar a sua ação política e confessional.

Marcos Antônio Lopes - UEL


Michel de Montaigne e as artes médicas no Antigo Regime
A arte de curar sempre foi tema livre para as mais diferentes maquinações. Fontes literárias, da Antigüidade ao século
XIX, são ricas em relatos que, vistos à luz dos avanços do último século, enchem enciclopédias de esquisitices. Assim
como toda obra de alcance universal, o livro Ensaios, de Michel de Montaigne, é fonte rica em depoimentos e análises
que ilustram a cultura médica de seu tempo, bem como a nossa própria realidade. Com efeito, em tempos de transplan-
tes de rosto, e de outras façanhas louváveis da Medicina contemporânea, as experiências com células-tronco acres-
centam algumas curiosidades à história das artes médicas. Episódios recentes divulgados pela imprensa impressa e
televisiva, como alguns tratamentos com 'células em pé', permitem pensar na pertinência das reflexões de Montaigne,
que nos ensinam a rir das superstições, dos charlatanismos e das velhacarias.

Alexandra Biezus Kunze Duquia - Universidade de Coimbra- Portugal


Imagens da desagregação e da violência: insurreições contra a totalidade racionalista
Trata-se de uma reflexão a respeito das concepções de ciência e métodos de conhecimento adotados ao longo da
história, e principalmente sobre as violentas conseqüências destas escolhas para a humanidade. Explora-se as imagens
afloradas das artes plásticas, poesia e prosa, com dupla finalidade: encontrar o retrato da cosmovisão de cada momento
histórico, e, fundamentalmente, analisar a força subversiva que delas irrompe. O recorte parte dos séculos XVII e XVIII,
época em que a tônica da ciência era o racionalismo, nos moldes iluministas de sistema fechado, e de crença na possibi-
lidade de apreensão total da realidade. Os catastróficos acontecimentos que tiveram lugar entre o final do século XIX e
meados do XX atingiram o ideário humano a ponto de provocar uma crise de sentido e de representação, e o questiona-
mento do que se entendia por ciência (crise epistemológica), ensejando a discussão sobre a mutilação perpetrada ao se
considerar científico somente o conhecimento obtído através da razão, e sobre a violência deste racionalismo totalitário. A
pesquisa acompanha a atualidade, com as suas modificações de mundo inerentes (relações intersticiais, aceler

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Fabrina Magalhães Pinto - PUC/RJ
O Discurso humanista de Erasmo: uma retórica da interioridade
Este trabalho pretende abordar a influência do ideal ciceroniano de orador sobre o discurso de Erasmo de Rollerdam, particu-
larmente no que diz respeito ao anseio de Cicero da união entre as disciplinas da retórica e da filosofia enquanto precondição
da boa eloqüência. Esta tradição prevaleceu entre os humanistas da Renascença e Erasmo foi um de seus mais influentes
catalizadores revalorizando a necessidade de um amplo saber para a formação do homem e conquista de sua dignidade.
Esta seria para ele a condição fundamental para a plena realização de seus ideais de renovação da cristandade.

André Nunes de Azevedo - UERJ


Os conceitos fundamentais na reflexão de Antero de Quental sobre a decadência ibérica no periodo moderno
O presente artigo tem como fim pôr em discussão os conceitos fundamentais que perpassaram acompreensão do intelec-
tual português da Geração de 1870, Antero de Quental, sobre a decadência da Península Ibérica na época modema.

117/07 - Terça-feira - Tarde (14h ás 18h) I


Leandro Henrique Magalhães - UniFil
Estudo Genealógico e Messianismo Português: O Rei para Bandarra
Bandarra foi um sapateiro que viveu na Vila de Trancoso, no século XVI, comunidade cristã nova localizada na região
da Beira. Foi detido pela inquisição devido a autoria de trovas de caráter messiânico que, apesar de proibida, adquire
importância junto a tradição profética lusitana, tornando-se fundamental para os estudiosos do sebastianismo e da
restauração portuguesa. Nesta obra são apontados diversos problemas sociais que, segundo Bandarra, só seriam
(1)
2
resolvidos após a vinda de um líder, um rei que retomasse a ordem e, ao mesmo tempo, mantivesse em curso o
processo de expansão ultramarina e de guerra contra os mouros. É neste sentido que o autor identifica, em suas
trovas, este rei, apresentando suas características e nos dando pistas genealógicas. Pretendemos, aqui, como fizeram cC
os sebastianistas e restauracionistas, identificar quem era o rei referido. De certa forma, trilharemos os mesmos cami- .~
nhos de seus leitores, ao buscar pistas e formular argumentos para legitimar a interpretação aqui proposta. B QJ

Lelio Luiz de Oliveira - UNESP - Franca ~


As grandes navegações e os impactos internos em Portugal -g
A História de Portugal, referente ao periodo moderno, é em grande parte tratada de dentro para fora, ou seja, a importância .g
do reino português na história do mundo e da necessidade da política colonial pela ação llcivilizadora" e doutrinária. Em ""
f5!-
contrapartida, nosso objetivo é demonstrar o impacto econômico das grandes navegações no contexto interno de Portugal B
- séc. XVI- irradiado especialmente por Usboa, ressaltando as açôes da população que no período fundou alicerces cada Ô
vez mais profundos voltados para dentro do reino, como reflexo dos impactos dos descobrimentos marítimos.

Patrícia Domingos Woolley Cardoso - Universidade Gama Filho/Faculdades Integradas Simonsen


'!- Revisão do Processo dos Távoras: conflitos e idéais políticas no reinado mariano (1777-1793) cc
Ultimo quartel do século XVIII: período ao mesmo tempo conturbado e rico em produções intelectuais e discursos '-'
o
políticos acerca do poder, ou melhor, acerca dos limites do poder, tanto da Igreja quanto dos governos. No que se =
-L.U

refere ao mundo luso-brasileiro, o reinado de D. Maria I correspondeu a um período capital, no qual a monarquia teve <t:
de tomar decisões importantes frente á Independência das'colônias inglesas e ao desenrolar da Revolução em França.
Nesta conjuntura, por natureza singular, o antigo processo dos Távoras, movido pelo Marquês de Pombal contra
algumas das principais famílias aristocráticas do reino na década de 1750, foi reaberto por diligências de D. João de
Almeida Portugal (1726-1802), figura não menos singular. Os impasses, idas e vindas do processo de revisão, que
visava reabilitar a memória da família Távora, constituem-se numa espécie de ponta do novelo para uma interpretação
acurada desse período rico, porém ainda carente de estudos, que foi a passagem do gabinete pombalino ao reinado de
D. Maria I. Eis o ponto de partida, não só desta comunicação, como também do projeto de Doutorado que estou
desenvolvendo junto ao departamento de História da Universidade Federal Fluminense/RJ.

Regina Célia de Melo Morais - UFF


Ludovico Antonio Muratori
Procurarei apresentar Ludovico Antonio Muratori, um dos maiores eruditos da primeira metade do século XVIII, próxi-
mo, nas idéias religiosas, do esclarecido papa Bento XIV, preocupado, como a sua época, de um modo geral, com o
aprimoramento da convivência humana e, sobretudo, um dos formuladores, pelo menos, daquela Ilustração católica
que tanta influência exerceu em Portugal no século XVIII

Patricia Martins Castelo Branco - UniFiI


A representação do lucro portuguesa e holandesa mediada por valores católicos e protestantes
Voltamos nosso olhar para o ano de 1640, momento que marcou o fim da União das Coroas Ibérica quando o rei de
Portugal busca assegurar a sua legitimação política e, ao mesmo tempo, reintegrar as colônias tomadas pelas Provin-

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cias Unidas. Enquanto os Paises Baixos eram considerados o país mais próspero da Europa, mantendo o domínio
comercial no Atlântico com transações comerciais nas colônias americanas e africanas. Pretendemos demonstrar que
o imaginário de liberdade cultivado, então, pelos holandeses possibilitou uma representação pautada em que tudo se
justificava pelo lucro. Já para os portugueses, a representação do lucro era limitado pelo imaginário anti-usura construído
pela Igreja Católica, por outro lado, havia a concepção de o comércio era fundamental para garantir a soberania lusitana.
Refletiremos sobre a cultura econômica forjada na mentalidade destas duas nações, extensa às colônias além mar.
Pressupomos que este pensamento é herdeiro do Humanismo que tinha em seus princípios a constituição de um ideal de
indivíduo, e contribuiu para uma política voltada para o lucro. Comparamos, assim, a conduta dos agentes comerciais
portugueses e holandeses, buscando rastrear a representação de lucro e o imaginário edificado por eles.

Daniel Pimenta Oliveira de Carvalho - UFRJ


As novas da guerra da Restauração no Mercurio Portuguez
Esta comunicação pretende analisar as noticias da guerra da Restauração difundidas pelo Mercurío Portuguez, perió-
dico de responsabilidade de Antonio de Sousa de Macedo, Secretario de Estado de D. Afonso VI, publicado entre 1663
e 1666. Seu objetivo será evidenciar o discurso enunciado pelo periódico, e nos aproximar do pensamento e da prática
política e intelectual de seu autor e do grupo ao qual se associou. Caberá destacar os contornos narrativos que dão
forma ao seu discurso sobre a guerra, seu tom, suas imagens, seu olhar sobre as batalhas, bem como será necessário
identificar os elementos do texto de Antonio de Sousa de Macedo, e, partindo deles, evidenciar a opinião que ele
pretendia difundir através do periódico. Por fim, importará inserir a publicação do Mercurio numa batalha pela opinião
travada dentro do próprio reino português. Num período de conturbadas reviravoltas políticas, perceberemos Antonio
de Macedo, e o grupo político que representava, colocando-se através do Mercurio Portuguez diante de um espaço
público caracterizado pela disputa política, e assumindo a tarefa de interferir na opinião que ali se desenvolvia, certo da
importância desta tarefa não apenas para a manutenção do reino, mas principalmente daquele governo.

Rachei Saint Williams - UFRJ


As Armas do Fidalgo: O Discurso Politico de D. Francisco de Quevedo y Villegas, entre 1598-1645
A presente comunicação intenta investigar os escritos produzidos por D. Francisco de Quevedo y Villegas- renomado
personagem do Século de Ouro espanhol- durante o reinado na Espanha de Felipe III e Felipe IV, de 1598 (início do
reinado de Felipe 111) a 1645 (ano da morte de Quevedo).Conferindo historicidade a uma produção que na maioria dos
casos é analisada sob o ponto de vista literário, busca-se atribuir uma percepção de conjunto àquela obra e analisar
também o agente histórico que a confeccionou. Quais as tensões registradas em tal produção? Quais as crenças
sobre o homem e a sociedade se expressavam na relação dialógica de Quevedo com os condicionamentos históricos
de sua época sobre tais temas? O que significa pensar esta obra a partir da lógica da cultura política ibérica seiscen-
tista? Estas são algumas das questões que impulsionaram a elaboração desta comunicação.

Anelise Martinelli Borges de Oliveira e Jurandir Malerba - Universidade Estadual Paulista


A vida em corte no Rio de Janeiro Oitocentista (1808-1821)
Durante oAncien Régime europeu, os manuais de etiqueta norteavam os padrões de comportamento social na vida em corte.
Com a transludação da corte portuguesa para os trópicos em 1808, os códigos de conduta europeus também influenciaram
os costumes da sociedade fluminense oitocentista. Desta forma, o estudo do comportamento refinado trazido pela Família
Real, e sua consequente apropriação pela elite fluminense, poderá esclarecer a respeito da alteração do 'modus vivendis',
dentro da sociedade abastada do Rio de Janeiro, constituindo-se como um guia de instnumento diferenciado ehierarquizado.O
palco fluminense se modificava gradualmente a partir da transladação real, pois havia a necessidade da nobreza transplan-
tada em adequar o seu novo local de moradia á realidade vivenciada em Portugal. De maneira processual, o Rio de Janeiro
foi se tornando uma espécie de laboratório do processo civilizacional que atingira o Brasil oitocentista. A instalação da corte
portuguesa levou o país, e principalmente a capital á uma efervescência cultural que não se tinha presenciado nos três
séculos de colonização. Além da remodelação do espaço urbano, com a criação de instituições capazes de controlar a ordem
pública, o govemo imperial favorece a imigração de artistas e cientistas estrangeiros.

I 18/07 - Quarta-feira - Tarde (14h às 18h) I


João Henrique dos Santos - Univ. Gama Filho e Universidade Federal de Juiz de Fora
A questão nacional na "Carta à Nobreza Cristã da Nação Alemã", de Martinho Lutero (1520)
G. R. Elton afirma que Lutero, na Carta à Nobreza Cristã da Nação Alemã sobre a Melhora do Estamento Cristão
"destruiu os muros de papel erigidos pelos Romanistas em defesa de seus poderes, e instou os alemães a reformar a
Igreja através da convocação de um Concílio'. Ao redigir o documento em alemão, Lutero não se dirigiu apenas ao
recém-eleito imperador Carlos Vou ao Grande Eleitor, Frederico, mas a toda a nação alemã. Gramsci registrou que 'o
portador da Reforma foi o povo alemão em seu conjunto, como povo indiferenciado, não os intelectuais', atribuindo ao
povo o papel de vanguarda e de protagonista desse momento.

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MacCulloch ressalta que a "Carta' indicava que Lutero não mais desejava manter a unidade com a Igreja Romana,
destacando que este afirmava que ao contrário de ser o vigário de Cristo na terra, o Papa era um impostor e uma
ameaça para o bom governo do Império. Acentua, ainda, que "este é freqüentemente chamado um livro nacionalista",
sendo a questão explorada por Lutero, que afirmava no início da "Carta", que "a aflição e dificuldade que oprimem
todos os estamentos da cristandade, sobretudo os territórios alemães (... ) obrigou-me também a gritar e clamar, [para
ver] se Deus haveria de conceder a alguém o Espírito de estender sua mão à miserável nação alemã'.

Maria Carolina Akemi Sameshima - Unesp


Os Relatos Sobre O Novo Mundo: a experiência francesa no Rio de Janeiro e na Flórida durante o século XVI
A primeira notícia que se tem sobre embarcações francesas no litoral brasileiro é sobre o navio L'Espoir, capitaneado
por Binot Paulmier de Gonneville, que aportava no Brasil, em 1503. Com dois pilotos portugueses, alguns homens e
apenas um navio, esse capitão, como outros marinheiros normandos interessados no comércio oriental de especiari-
as, partiu em seu empreendimento particular. A França, apesar da ênfase dada às descobertas espanholas e portugue-
sas, estava igualmente interessada nas novas terras descobertas, tanto que ignorara o "Tratado de Tordesilhas'. Des-
sa forma, é notável no século XVI o grande afluxo de navios franceses no litoral americano. A presença de franceses,
principalmente das regiões da Normandia e da Bretanha, se deve à tradição dos seus habitantes na navegação pes-
queira e no comércio com Portugal, de onde provavelmente obtinham as informações, náuticas e cartográficas, sobre
o comércio oriental. O presente trabalho tem como objetivo analisar a presença francesa na América, durante o século
XVI, assim como os relatos produzidos a partir dessa experiência, demonstrando dessa maneira a sua importância
para a construção de lugares comuns sobre o Novo Mundo divulgados na Europa.

Maria Emília Monteiro Porto - UFRN


Visões da fronteira tropical: o processo de construção da fronteira amazônica, 1750-1800
Otema das reformas ilustradas naAmazônia permite o estudo das relações entre política e cultura. Tem sido abordado na .~
historiografia tradicional sob a perspectiva imperial de uma ação vigorosa e eficaz da metrópole, e não pelos limites de sua g

:~~~~~ãgent~a~~I~~~~ã~~~~~~~~~ a~~~~~~g:~ dC;í~~~~'r:i~r~:~~~~~~ ~~~~a~~~~o~~a ~~if:~~o~~~r~ ~~ ~~~~~sâ~ :_


indígenas, mestiços e moradores, alcançando assim o papel da forças periféricas na constituição de um saber ílustrado. O ~
estudo bibliográfico partiu das seguintes hipóteses: as formas recíprocas de transmissão, recepção e apropriação de a5
saberes indígena e ocidental estavam sujeitas a uma economia comunicativa, a uma ordem do discurso e suas variantes .~
conjunturais, tomadas como formas de resistência; geram uma ciência periférica por permitir a revisão do modelo refor- ~-
mista por parte da elite colonial e a apropriação de novas técnicas por parte dos nativos, evoluindo para um saber local, .3
isolado pela geopolítica pós-colonial; e contribuiram para o desenvolvimento da ciência metropolitana européia e ocidental. ~
co
E
Juliana Mesquita Hidalgo Ferreira - Universidade Estadual de Campinas ~
Propaganda e crítica social nas cronologias dos almanaques astrológicos durante a Guerra Civil Inglesa no ~
século XVII co
Durante a Guerra Civil inglesa, os almanaques astrológicos foram usados como veículo de crítica social e propaganda ~
político-religiosa tanto por astrólogos partidários das forças parlamentaristas, como John Booker, como por partidários das -~
forças realistas, como George Wharton. Essas "armas de guerra' tinham ampla circulação e apresentavam previsões
astrológicas recebidas com expectativa e credulidade. Era possível manipular tais previsões de modo a torná-Ias favorá-
veis a um grupo. Além disso, os autores podiam enviar mensagens em seções dos almanaques não exatamente relacio-
nadas a previsões. A "cronologia histórica' (comum nessas publicações) foi bastante usada neste sentido. Era possivel,
por exemplo, apresentar uma cronologia da guerra então em curso e, nesse caso, comentar eventos de maneira a favore-
cer ou denegrir a imagem de grupos ou indivíduos específicos. Podia-se deturpar ou ocultar dados de modo a reverter
situações desfavoráveis, ou ainda enfatizar um ou outro aspecto de determinada situação. Neste trabalho procuramos
mostrar como, ao apresentarem suas versões dos fatos ocorridos, alguns autores procuraram defender grupos dos quais
faziam parte ou refletiram sobre como aqueles fatos se inseriam no contexto da sociedade em que viviam.

Cecília Cotrim Martins de Mello - PUC-Rio


Dinamismo pitórico - uma leitura do Barroco por Frank Stella
O trabalho apresentará a leitura que o artista contemporâneo norte-americano Frank Stella [1936 -] propõe do espaço
pictórico do século XVI, contrastando-o com aspectos da pintura modernista.
Considerado como um dos precursores do Minimalismo em pintura, herdeiro da crítica modernista ao ilusionismo
pictórico, Stella pertence a uma geração de artistas que participa ativamente do debate crítico de sua época, estabele-
cido em torno dos limites do modernismo. Em início dos anos 1960, Frank Stella chega, em seu próprio trabalho, à
redução da pintura a seus constituintes essenciais: o plano e a delimitação do plano. Nos 1980, em seu livro Working
Space, o pintor propõe então um retorno crítico ao que seria esse espaço dinâmico barroco, em um ensaio de grande
importância para a consideração da historiografia da arte do século XX.

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João Masao Kamita e Isabel Cristina F. Auler - PUC·Rio
Retórica e engenho: o caso da igreja Gesú de Roma
A presente comunicação pretende desenvolver as relações entre retórica e artes visuais na Roma Barroca. Se por um
lado, a forma retórica tem forte impregnação nas técnicas de discurso e persuasão religiosa, como o artista dos séculos
XVI e XVII elabora suas imagens de modo que elas participem no convencimento devocional sem, no entanto, perder a
liberdade conquistada pelo renascimento? A arte não está de modo excl,usivo 'a serviço" da autoridade religiosa, como se
submetida a um poder externo que inibe e reprime sua expressividade. E no ilusionismo técnico - a arte do engenho - que
o artista barroco preserva seus segredos. Tomaremos como caso exemplar a atuação dos jesuitas na construção e
decoração, a partir de 1568, da Chiesa dei Gesú, igreja-tipo da Contra-Reforma, essencialmente destinada à devoção
coletiva e à pregação. Como contraponto ao campo das artes, será apresentado uma análise da obra 'Adnotationes et
Meditationes in Evangelia" (1607). do jesuíta Jerônimo Nadai, texto eclesiástico de referência para a Contra-Reforma.

Darlan Amorim Maia Mendes· UFPE


Diferenças entre piratas e corsários: um problema de conceituação e generalização na historiografia brasileira
O.início do chamado 'descobrimento" dos territórios americanos pelas potências européias (inicialmente Portugal e Espa-
nha), aliado a sua colonização e exploração, marcou uma nova época no cenário ocidental. Atraídos por esse ambiente de
extrema opulência, piratas e corsários (esses últimos respaldados por Inglaterra, França e Holanda) vão infestar os oceanos
Atlântico e Pacífico a fim de usurpar as riquezas circulantes nas embarcações portuguesas e espanholas. De fato, essas
ativid~es piráticas nem sempre são corretamente mencionadas pelos autores, ou por conta das generalizações ou por conta
da confusão dos conceitos. Neste ínterim, este trabalho tem por objetivo discutir o problema da generalização dos termos
'pirata' e 'corsário" encontrados em algumas obras da historiografia brasileira, bem como elucidar as diferenças entre esses
dois termos, proporcionando com isso um maior e melhor entendimento do fenômeno da pirataria nas Américas.

Flavia Galli Tatsch - UNICAMP


"Vespúcio descobre a América", de Jan Van der Straet, dito Giovanni Stradano. Representação da modernida·
de ou do corpo do mundo?
No século XVI, a imagem exercia um papel notável na sociedade européia. As alegorias da América - gestadas em um
contexto comparativo, diferencial e hierárquico - colaboraram para a distribuição de um corpo de idéias sobre o Novo Mundo.
Mas, qual era o lugar de enunciação e a quem serviam essas representações? Oobjeto de estudo deste trabalho é a gravura
'Vespúcio descobre a América", de Jan Van der Straet, dito Giovanni Stradano, inserida na série publicada com o título de
Nova Reperta encomendada entre 1587 e 1595. Imbuída pelo espírito que via na afirmação das invenções cientificas a
conquista mais importante do homem do Renascimento, as estampas davam testemunho da modem idade que se apresen-
tava. A interpretação dessa imagem não pretende ficar circunscrita à idéia inicial do anúncio da chegada de uma nova era.
Propõe-se, então, uma outra reflexão a partir da representação da América na imagem da índia nua. Para Michel de Certeau,
a visão do corpo nu se altema entre o diabólico e o divino: de um lado, a imagem da voracidade feminina, os prazeres
proibidos; do outro, a selvagem surge como uma deusa, uma vez que no Renascimento a nudez era um atributo do divino. O
corpo nu da índia é como o corpo do mundo, que se oferece aos olhares e inquisições da curiosidade.

20107 - Sexta-feira - Tarde (14h às 18h)


Kalina Vanderlei Paiva da Silva - Universidade de Pernambuco
Debaixo do Estandarte - Os espaços de prestígio nas festas públicas das câmaras municipais e a manutenção
do poder da elite açucareira - América Portuguesa nos séculos XVII e XVIII .
Neste trabalho analisamos as cerimônias públicas patrocinadas pelas câmaras das principais vilas açucareiras da
América portuguesa nos séculos XVII e XVIII, buscando seus significados políticos através da utilização simbólica dos
espaços destas cerimônias. Trabalhando especificamente com as vilas açucareiras da Capitania de Pernambuco,
observamos os significados políticos dos espaços urbanos nas festas públicas, e a função destes no jogo dos poderes
da região. Também refletimos sobre as performances da elite açucareira nessas festas, onde encenavam papéis de
fiéis vassalos da Coroa para construir seu prestígio na própria capitania.

Paulo César Possamai - UFRN


As festas oficiais na Colônia do Sacramento
A Colônia do Sacramento destacou-se como um importante ponto estratégico na política expansionista e comercial da
coroa portuguesa na América. Por sua proximidade com Buenos Aires, as festas que comemoravam os eventos ligados à
Casa de Bragança serviam como uma vitrine do poder da monarquia portuguesa aos vizinhos súditos da coroa espanhola.
Caroline Pereira leal - PUCRS
O carnaval em Porto Alegre: lugares e condições femininas
O presente trabalho faz parte de minha pesquisa de mestrado a respeito do carnaval em Porto Alegre, entre 1870 e 1914,
e suas relações com os grupos femininos da cidade. Aqui, abordarei sobre os lugares e as condições que as mulheres

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ocupavam nesses festejos carnavalescos, assim como na sociedade. Para tanto, utilizarei como fonte excertos retirados
do periódico A Reforma. Periódico esse que circulava na capital da provincia do Rio Grande no periodo analisado.

Maria Berthilde de Barros Lima e Moura Filha - Universidade Federal da Paraíba


Festas e celebrações no Brasil Colonial: representações de poder e elos de ligação com a cultura portuguesa do
século XVIII
Uma análise da documentação que tramitava entre Portugal e Brasil, no período colonial, mostra a importância que as festas
de cunho oficial e religioso tinham naquela época. Tratando das comemorações de caráter oficial, verificam-se diversas
ordens que partiam de Portugal, determinando comemorar o nascimento de um príncipe ou especificando as formalidades a
adotar nos funerais de membros da família real. Em Portugal, estas celebrações foram importantes para consolidar o poder
absolutista dos reis e para demonstrar a opulência dos grupos sociais dominantes. Nas colônias, a celebração destas datas
tinha corno principal objetivo fazer presente a imagem do poder real e estabelecer um elo de ligação entre um Rei, geografi-
camente distante, e seus súditos através de acontecimentos que significavam a continuidade do seu poder. Através de
documentos do século XVIII, foi feito um resgate sobre estas festas, enfatizando os cenários construidos para a realização
das mesmas e as partes que as compunha, expressando o desejo de manter caracteristicas que eram próprias das celebra-
ções similares que ocorriam na Metrópole. Por isto consideram-se as festas oficias do período colonial como mais um elo de
ligação com a cultura portuguesa da época, para além de uma manifestação de caráter político.

Rubens Leonardo Panegassi - USP


Êxtase coletivo e conversão performática: cauinagem e aproximações culturais na América portuguesa
O processo de conquista e colonização da América, ocorrido a partir do final século XV, promoveu o contato entre a
civilização européia cristã com outras modalidades de civilizações que até então lhes eram absolutamente desconhe- \.!:.J
0
cidas. As aproximações culturais resultantes desse evento trouxeram para o continente americano a mensagem Cris-
tã. Com isso, as bases ideológicas do universalismo cristão foram estendidas ao relacionamento inaugurado com os .~
povos autóctones do Novo Mundo. No âmbito de um projeto evangelizador e de disseminação de sua mensagem, o ~
cristianismo intermediou a construção de uma nova humanidade, que se dava a conhecer em terras americanas. Esta B
humanidade, uma vez diante da descoberta de Deus, deveria assimilar as normas de conduta regidas pela moral :_
cristã, bem como todo seu aparato simbólico e cultural. Este estudo, dedicado ao tema da alimentação, procura discutir -g
o consumo de uma bebida específica, o cauim, na dinâmica de seus rituais de consumo: a cauinagem. ~
'u
o
V)

Gilian Evaristo França Silva - Universidade Federal de Mato Grosso ~-


As festas promovidas pela Câmara de Vila Bela da Santíssima Trindade: representações do poder na fronteira .3
oeste da América portuguesa (1752-1795) B
As festas foram acontecimentos muito comuns na América portuguesa, estando presentes também nos demais domi- co
E
nios do Império luso, envolvendo bailes, jantares, óperas, danças, músicas, teatros, solenes te-déuns". Mapeamos .{g
algumas das festas promovidas pela Câmara de Vila Bela da Santíssima Trindade, na capitania de Mato Grosso, ~
compreendendo os anos de 1752 a 1795, tanto as solenidades ligadas a ocasiões religiosas quanto aquelas realiza- ~
das em razão de eventos associados à família régia, com vista a perceber seus usos tanto por parte da coroa lusa, g
como por parte dos poderes locais. As fontes pesquisadas para a análise do tema constituem-se em acervos documen- .~
tais pertencentes ao Arquivo Público do Estado de Mato Grosso - APMT, ao Núcleo de Documentação e Informação
Histórica Regional- NDIHRlUFMT. Analisamos oficios, cartas, mapas de receitas e despesas da câmara da vila, e os
Anais de Vila Bela (1734-1789). Nos momentos festivos, as hierarquias sociais são reafirmadas, e cada segmento
social tinha seu lugar próprio nos espaços celebrativos e nas etapas ritualísticas. Ao mesmo tempo, os laços de
pertencimento a Portugal são reforçados nos colonos, participando os mesmos de todas as etapas de vida de seus
soberanos, reocupando materialmente e simbolicamente o espaço oeste.

Humberto Perinelli Neto - UNESP/CEUBM/FEF


Percursos pelas tramas de sentido: leituras indiciárias da Festa do Peâo de Boiadeiro de Barretos (1956-1972)
Os estudos culturais têm insistido em levar em conta o entendimento de diversas celebrações. Buscamos compreen-
der a importãncia que rodeios e festas congêneres adquiriram nas últimas décadas, principalmente no Centro-Sul
brasileiro, constituindo uma memória coletiva. Para tanto, interpretamos as dezessete primeiras edições da Festa do
Peão de Boiadeiro de Barretos (1956/1972), primeiro e principal evento dessa natureza, empregando uma variada
gama de fontes. Tal esforço esteve vinculado ao entendimento desta celebração, segundo a relação que manteve com
a dinâmica social de Barretos, bem como com a modernização (industrialização, urbanização e advento dos meios de
comunicação ern larga escala), os projetos culturais desenvolvidos pelo governo varguista e aqueles aliados à Ditadu-
ra Militar pós 64, além dos debates em torno da identidade nacional brasileira (especialmente a associação da brasili-
dade as 'paisagens sertanejas'). Visando desvelar a polissemia desse evento é que fugimos das abordagens que, de
modo estreito, atribuem à indústria cultural o sucesso de rituais com este perfil e, por conta disso, desconsideram as
ações, os projetos e os valores dos homens e mulheres envolvidos neste processo.

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Sergio Chahon - Universidade Gama Filho
Os leigos cariocas enquanto espectadores e participantes da missa barroca (1750-1820)
O trabalho ora apresentado baseia-se na constatação de que a participação dos leigos nas grandes missas barrocas
celebradas na cidade do Rio de Janeiro e arredores em fins da época colonial seguia por caminhos que, se não eram
de todo alheios á razão e á espiritualidade consciente, conduziam antes de mais nada ás emoções, e sobretudo ás
sensações despertadas pela visão e pela audição das mesmas missas, Essas dimensões da referida participação,
tanto mais presentes quanto mais espetacular a "encenação' do sacrificio de Cristo, são comentadas aqui em seus
traços principais, sem esquecer das estratégias políticas subjacentes ao uso reiterado da pompa religiosa em um
efervescente ambiente urbano como o do centro do Rio de Janeiro,

Cleusa Maria Gomes Graebin - Unilasalle


Festas e celebrações de origem açoriana no Rio Grande do Sul
O objetivo do trabalho é analisar as festas de origem açoriana que se realizam no Rio Grande do Sul, ou seja, a
celebração do Espirito Santo, Terno de Reis e Cavalhadas, tendo como recorte espacial a chamada Região Açoriana
(municípios que receberam colonos açorianos entre os séculos XVIII e XIX), Essas manifestações festivas são poten-
cializadoras de momento especial no qual uma coletividade projeta e [relcria significados para o mundo, imprime-lhe
identidade, sentido, conflitos, valores e especificidade, Metodologicamente, trabalha-se com abordagem interpretati-
va, registrando as festas, descrevendo-as e analisando-as, levando em conta o seu entendimento como processos
comunicacionais e como patrimônio imaterial, a partir de roteiro de pesquisa composto de quatro elementos: a) memó-
ria coletiva sobre as festas; b) perfil: como se desenvolve a festa em uma determinada conjuntura; c) mensagem:
conteúdo da festa, sentido que ela possui no entorno social; d) mediações: relações da festa com instituições externas,

3. A História Cultural e suas Interfaces: Literatura e Artes


Sandra Jatahy Pesavento (UFRGS) e Antonio Herculano Lopes (Casa de Rui Barbosa)
I 16/07 - Segunda-feira - Tarde (14h ás 18h) I
Sandra Jatahy Pesavento - UFRGS
Imagens e textos: leituras possíveis de uma interface plausível
O trabalho pretende analisar aproximações e distanciamentos entre produção e recepção de textos e imagens - no
caso, literatura e artes plásticas - como objetos da historia cultural. Nesta medida, discute as interfaces da mesma
historia cultural, em abordaoem teórica que se valera do recurso de analise de casos concretos,

Fernanda Mendonça Pitta - Unicid - Universidade Cidade de São Paulo


L'E~;>rit Moderne: O meio literário e artístico no debate das artes· Paris do Século XIX
A comunicação tem como problemática a compreensão do lugar e da imagem da "Arte" e do "Artista' na modernidade
parisiense do século XIX, Em 'Paris, Capital do Século XIX", Walter Benjamin delineou a hipótese a seguir: investigar o
processo de constituição de um tipo histórico-social, desdobrado em três faces: o artista marginal, o artista pária ou o
artista-mercadoria, Real ou imaginária, lamentada ou louvada, a condição de marginalização do artista foi sentida pelos
agentes históricos do XIX como uma nova situação social. Sua ambigüidade trouxe complicações aos estudiosos das
teorias da arte moderna. Buscamos desvendá-Ia a partir de duas questões: 1) Existia alguma relação entre o fazer artistico
moderno (a ruptura com a tradição, a autonomia dos meios etc,) e esse processo de marginalização? 2) Como se consti-
tuiu, entre os artistas e literatos da sociedade parisiense entre os anos 1840 e 1860, a noção de arte moderna e qual a sua
relação com as tentativas de inserção social e profissional desses atores? A pesquisa se situa no campo da História
Cultural, analisando essa experiência histórica compartilhada simultaneamente por artistas plásticos e literatos (figuras
que se misturam em sua própria época, imersos no mesmo universo de indagações e problemas artísticos),

Nádia Maria Weber Santos - Feevale


Ventania, loucura e inspiração: a vida sensível de Vincent van Gogh
Sob o foco de pressupostos da História Cultural (representações simbólicas, sensibilidades de uma época), apresento o inicio
de uma pesquisa sobre a trajetória de vida de Vincent van Gogh (1853-1890) e a "loucura' que o acometeu, Com um material
recolhido em museus de Paris (Musée Zadkine) e Auvers-sur-Oise (cidade onde ele passou os últimos 70 dias de sua vida,
pintou mais de 76 obras e suicidou-se), cotejado com sua correspondência completa, discuto questões pertinentes à sua vida
psicológica e á sua inserção no mundo das artes, o qual estava em plena efervescência nos países em que freqüentou
(Holanda, Inglaterra, Bélgica e França), naquelas décadas finais do século XIX, Seu irmão Théo, interlocutor constante, teve
um papel definitivo em sua vida, afetiva e artistica, e escrevia, em janeiro de 1889:"sua mente tem estado ocupada há muito
tempo com problemas insolúveis da sociedade moderna, e ele ainda está lutando contra isso com seu bom coração e

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bondade. Seus esforços não foram em vão, mas provavelmente não viverá para vê-los frutificar e quando as pessoas enten-
derem o que ele disse em suas pinturas, será muito tarde." Poucos contemporâneos seus, também desestabilizados pelo fim
da tradição comunitária e a emergência do indivíduo solitário burguês, o compreenderam, levando-o

Luiza Larangeira da Silva Mello - PUC-RJ


Subjetividade e sociabilidade na crítica literária de Henry James
O trabalho tem como questão central a expressão, nos textos de crítica literária e nos relatos de viagem de Henry
James, de um tipo de sociabilidade especifico da segunda metade do século XIX, o qual integra o processo que Georg
Simmel definiu como a ruptura do vínculo entre a cultura subjetiva e a cultura objetiva, típico das sociedades tradicio-
nais. Para tanto será de fundamental importância que se investigue a relação entre os textos críticos de James (sobre-
tudo os prefácios que escreveu para os seus próprios romances e contos e para aqueles de alguns de seus contempo-
râneos, como Flaubert e Turgueniev) e os seus escritos de ficcção.

Geraldo Mártires Coelho - UFPR


Vida intelectual e sociabilidade na belle époque da Belém da Borracha
A da cultura burguesa produziu sua matriz por excelência no fim do século XIX: a belle époque. A mundialização do
capital e da cultura projetou-se sobre zonas estratégicas para a reprodução do capital, como a Amazônia da borracha.
A vida intelectual de Belém, por força de suas agremiações de homens de letras, reproduziu os cenários da belle
époque e produziu uma nova sociabilidade. O Progresso e a Civilização instalaram-se no trópico brasileiro, e o papel
dos homens de letras de Belém foi produzir uma vida intelectual e uma sociabilidade mundana compatíveis com os
tempos da modernidade, da velocidade e do caleidoscópio do mundo estilhaçado em seus panoramas.

Maria Elena Bernardes - UNICAMP


Teatro Municipal de São Paulo: Lugar de civilidade, luxo e elegância
O Teatro Municipal de São Paulo, inaugurado em 1911, veio responder aos anseios da elite paulista de ver a cidade
equipada com um grande teatro lírico, á altura do lugar que esta ocupava no país, visto que era representante de um
centro urbano das primeiras industrias nacionais e dos barões do café. Projetado por Ramos de Azevedo, o majestoso
edifício foi inspirado no L'Opéra de Paris, o que, por si só, conferia a ele o status de elegância e bom gosto. Esta
comunicação tem o propósito de compreender a relação e função cultural que o Municipal desempenhou na cidade de
São Paulo nas primeiras décadas do século XX, e, para tanto, dois momentos serão analisados: o primeiro período em
que serviu de vitrine para a visibilidade das forças tradicionais da cidade, e, segundo, quando o grupo liderado pelos
modernistas pretendeu dar a ele urn novo rumo. As temporadas líricas marcaram o debate nestes dois períodos, pois
eram esperadas pela elite da cidade e constituíam-se num momento de reunião e exibição de trajes, nas quais o foyer
e o bar do teatro se transformavam em um palco atentamente observado.

Márcia Azevedo de Abreu -IEL - UNICAMP


No papel de leitor: a censura a romances no século XVIII
No século XVm:toâos os livros que fossem ser publicados ou fossem circular em Portugal e seus domínios deveriam receber
uma autorização prévia da censúra. Diante da tarefa de examinar milhares de obras, seria razoável que os censores fossem
extremamente sucintos e objetivos, limitando-se a fórmulas como "imprima-se e tome' (quando o livro era aprovado), 'escu- ~3
sado e fique suprimido' (em caso de reprovação) ou 'pode correr" (quando da liberação do impresso para venda). Se havia ~
quem fosse assim sucinto, a maioria era bastante prolixa, preparando pareceres, que se estendiam por páginas a fio, em que
se apresentava de forma minuciosa a maneira como os textos foram lidos e avaliados. Os registros de leitura de romances
têm especial interesse por revelarem as formas pelas quaiS os letrados lusitanos reagiram a um gênero pouco valorizado no
interior das Belas Letras, mas dê graMe circulação. Pretende-se mostrar que os censores podem ser vistos não apenas
como aqueles que têm o controle sobre a leitura de seus contemporâneos, mas que, muitas vezes, comportam-se como os
leitores comuns, que se emocionam, sofrem, se irritam e se revoltam com o que lêem.

Washington Dener - UERJ/UNIGRANRIO/MSB


Lisboa e as três concepções de cidade na Literatura Setecentista
Voltaire, Sprengler e Fichte pensaram a cidade no século XVIII. Lisboa após o evento do 1 de novembro de 1755 foi
pensada como o exemplo de cidade moderna pelo Rei e pelo Ministro. A partir das concepções de cidade dos autores
supracitados, analisaremos o ideal de cidade para aqueles que reconstruiram Lisboa. Cõ
~
Luiz Carlos Villalta - UFMG 8
O "Encoberto" da Vila do Príncipe (1744-1756): milenarismo e ensaio de revolta contra brancos em Minas Gerais .~
Em 1744, apareceu na Vila do Principe (atual Serro), Minas Gerais, um eremita que se dizia filho legitimo de Manoel da -ti
Silva e Ana Maria, natural e batizado na freguesia de Santo Antônio do Tojal dos arrabaldes de Lisboa. Para alguns, :I:
apresentou-se como Antônio da Silva e, para outros, como João Lourenço. Na Vila do Príncipe, o eremita foi um «

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autêntico mediador cultural. Ensinou rapazes a ler, circulou entre escravos, forros e livres, homens e mulheres, e,
ainda, com três padres, figuras de certa reputação na localidade, discutindo com todas essas pessoas, sobretudo, a
respeito de religião (mas não só). Disseminou idéias messiânico-milenaristas, dizendo-se o Encuberto, filho de Dom João
V e irmão de Dom José, afirmando que vinha "Restaurar os pretos e mulatos dos captiveiros e tirallos do poder de seus
senhores para hir com elles Restaurar a Caza Sancta'. Ensaiou, assim, um levante de negros, mulatos e índios contra os
brancos. Esta comunicação tem por objetivo narrar a trajetória e apresentar as idéias de Antônio da Silva, usando para
tanto documentos inquisitoriais, primeiramente encontrados e analisados pela historiadora portuguesa Ana Maria Pereira.

I 17/07 - Terça-feira - Tarde (14h às 18h) I


Leandro José Nunes - UFU
Do Canto Heróico da Conquista da América à Utopia do Contato Pacífico: uma leitura dos cantos XXXV a
XXXVII da obra "La Araucana"
O processo de conquista e colonização do Chile, iniciado a partir de 1535-1537 enfrentaria, nas décadas seguintes, os
reveses provocados pela resistência oferecida pelas populações locais. Esta resistência obrigou à redefinição dos projetos
coloniais e foi tema de uma vasta produção narrativa que, das cartas do conquistador Pedro de Valdívia ao poema épico
"La Araucana", de Alonso de Ercilla, procuraram descrever e significar os acontecimentos, permitindo ao historiador inves-
tigar as tensões, conflitos e mudanças de significados que a empresa ultramarina foi assumindo ao longo do tempo. Neste
trabalho, analisamos os cantos XXXV, XXXI e XXXVII da "La Araucana' onde o autor, após cantar o heroísmo de espa-
nhóis e indígenas nas Guerras Araucanas, narra os episódios da expedição às terras austrais e discute, mais uma vez, a
questão da justiça da guerra. Na leitura que propomos, o objetivo é discutir a dimensão utópica que a narrativa assume,
constituindo-se num discurso que é, ao mesmo tempo, um lamento sobre a conquista e seus métodos, e a utopia do que
poderia ter sido caso fosse conduzida com objetivos éticos e morais elevados. Propomos que, nesta perspectiva, a utopia
delineada nestes cantos tem o sentido de uma crítica à condução da conquista da América.

Daniel Aarão Reis Filho· UFF


A. Rybakov, Stalin e o socialismo soviético
Trata-se de um estudo da literatura de A. Rybakov (Os filhos da Rua Arbat) como fonte para a compreensão de
aspectos centrais do stalinismo e do socialismo soviético.

Betzaida Mata Machaod Tavares - Unileste/MG


A crise do sentido moderno da história em "A insustentável leveza do ser"
A partir de uma anàlise da obra de Milan Kundera, este trabalho busca refletir sobre a crise do sentido moderno de história
que assenta-se sobre as idéias de lineridade, causalidade e progresso. Partindo de uma referência ao eterno retorno de
Nietzsche, a narrativa de Kundera se desenvolve de maneira que há uma repetição que marca a trajetória das quatro
personagens protagonistas - Tomas, Teresa, Franz e Sabina, independentemente da diversidade das experiências. A
tensão crucial do romance diz respeito ao antagonismo peso/leveza: peso refere-se à uniformidade, àquilo que se repete
por impôr-se pelo imperativo da necessidade histórica, leveza, ao contrário, evoca o acaso e o efêmero. Aanálise de como
a crise do sentido modemo da história está presente na narrativa de Kundera será feita a partir de três aspectos: 1) o papel
do acaso e do determinismo; 2) o esfacelamento e a multiplicação dos sentidos; 3) a uniformidade e as singularidades.

Dilton Cândido Santos Maynard - UNEAL


O Anti·Macunaíma: Mário de Andrade e a apologia de Delmiro Gouveia
Quando apresentou Macunaíma ao Brasil, em 1928, Mário de Andrade promoveu uma bem-humorada crítica ao Brasil e ao
seu povo. Ao mesmo tempo, desfilou vasta erudição. Desde então, seu nome e o do preguiçoso protagonista daquela obra
são costumeiramente associados quando se debatem estereótipos que ainda hoje pesam sobre os brasileiros, como uma
suposta pouca disposição para o trabalho. Contudo, pouco se explorou sobre as menções que o mesmo escritor realizou a
um outro personagem que, em seus textos, representa o oposto do herói andradiano. Trata-se de Delmiro Gouveia (1863-
1917), agroindustrial cearense que impressionou o autor paulista com seus empreendimentos e com sua rígida disciplina.
Neste trabalho, investigo como se dà, em certos escritos de Mário de Andrade, a construção de Delmiro como contraponto a
Macunaíma e quais as implicâncias disto nas interpretações depois realizadas sobre a memória deste negociante.

Emery Marques Gusmão - UNESP/Assis


A Correspondência de António de Alcântara Machado com Alceu Amoroso Lima e Prudente de Moraes Neto
Antonio de Alcântara Machado foi um nome de destaque no modemismo paulista. Formado pela Faculdade de Direito do
Largo São Francisco e membro de uma família tradicional, desenvolveu intensa atividade intelectual como escritor, jomalista,
historiador e, nos anos 1930 (quando a intelectualidade tende a assumir posicionamentos políticos e ideológicos), dirigiu a
Bancada Paulista por São Paulo Unido estabelecida no Rio de Janeiro no mesmo momento em que se instalava a Assem-
bléia Nacional Constituinte. As cartas trocadas com os amigos Prudente de Moraes Neto eAlceu Amoroso Lima entre os anos
de 1927 e 1933 (recentemente publicadas) denota os impasses do intelectual face ao momento que considerava renovado.

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Leonardo Ayres Padilha - PUC-Rio
Sociologia e critica literária: Sergio Buarque de Holanda modernista
Durante a década de 1920, Sergio Buarque de Holanda participou ativamente do movimento modernista (como repre-
sentante de "Klaxon' no Rio de Janeiro e, logo depois, como fundador e editor de 'Estética", ao lado de Prudente de
Morais, neto), principalmente como avaliador critico da produção artistica do momento e sistematizador teórico das
bases em que se estruturava o próprio modernismo. O seu conjunto de textos deste período revela um tipo de reflexão
que situa a literatura como campo privilegiado de produção de conhecimento teórico sobre a cultura, sem contudo
afastá-Ia de sua questão principal: a estética. Este trabalho pretende discutir a importância desta trajetória intelectual
do autor para a publicação, anos mais tarde, de "Raizes do Brasil' (1936).

Mauro Gaglietti - UPF


A cidade e o dinheiro: Pontes entre Simmel e Dyonélio Machado
Examina-se o romance Os Ratos de Dyonélio Machado tendo em vista a critica da modernidade empreendida por Simmel,
no contexto de uma economia monetária desenvolvida, socializante e agregadora das ações cotidianas. Tanto a obra de
Simmel quanto a novela de Dyonélio, escrita em 1934, desvelam a ambigüidade do viver social e da cultura modema.

Márcia Helena Saldanha Barbosa - UPF


O cronotopo e a inserção da história na narrativa de Dyonélio Machado
O trabalho propõe uma reflexão sobre o cronotopo no romance O louco do Cati (1942), de autoria de Dyonélio Macha-
do. Considerando-se, com base na teoria de Mikhail Bakhtin, que o cronotopo é a interligação das relações temporais
e espaciais artisticamente assimiladas pela literatura, e que é por meio desse elemento que a 'realidade histórica' se
introduz no romance, cabe examinar o modo pelo qual se processa o entrecruzamento do espaço e do tempo, e a
representação da História, na ficção de Dyonélio Machado.

Cleber Eduardo Karls - UFRGS


A Arte Imita a Vida: literatura e realidade em Dyonelio Machado
A literatura, utilizada como fonte para o historiador, pode nos revelar qu.estões singulares acerca das características de uma
época ou de um objeto de pesquisa, peculiares a este tipo de escrita. E, no entanto, no encontro entre a arte literal e outras
formas documentais que verificamos como a ficção 'imita' a vida 'real". Para esta apresentação, procuramos traçar alguns
paralelos que nos fazem perceber a literatura ficcional como uma extensão da 'realidade'. Pretendemos, através de alguns
prontuários do Hospital Psiquiátrico São Pedro, preenchidos pelo médico psiquiatra e escritor Dyonélio Machado, traçar
relações com uma de suas obras literárias, 'O Louco do Cati', publicado pela primeira vez em 1942. Neste contexto, ficção e
realidade se confundem no imenso mundo da literatura. O personagem inventado pode ser muito mais do que um simples
devaneio, e mostrar-nos a complexa vida do cotidiano do médico e do hospital psiquiátrico, com suas criticas e idéias.

Marines Dors - Unisinos


Reflexões pertinentes ao estudo da intelectualidade: Retratando Dyonelio Machado
Esta reflexão se inscreve nas discussões atuais dentro do campo de estudos sobre a intelectualidade (origem, função,
definição e engajamento). Para um estudo compreensivo dos intelectuais, sugiro o uso de alguns preceitos de interpretação
da Sociologia e Antropologia. Tais preceitos permitem ultrapassar os limites de uma análise embasada apenas em termos ~3
políticos. Aponto como pertinente, no método da História Intelectual, uma abordagem sociopolítica, englobando conceitos \...:!..J
como 'rede de sociabilidade' e 'campo intelectual', formulados, respectivamente, por Sirinelli (1996) e Bourdieu (1992).
Amparada também nas teorizações de Miceli (1977 e 1979) sobre aformação do campo intelectual brasileiro, faço o exercicio
de esboçar e refletir sobre a trajetória intelectual de Dyonélio Machado (1895-1985), membro engajado na sociedade gaúcha
do século XX, atuante em diversas esferas sociais como jomalista, médico, político, escritor. Trata-se de um profissional
humanista e figura com destacada e controvertida vivência nos meios literário, político e da saúde pública.

118/07 - Quarta-feira -Tarde (14h ás 18h) 1

Antonio Herculano Lopes - Casa de Rui Barbosa


O Rio de Janeiro em três atos: Martins Pena, Alencar e Vasques ~
A comédia fluminense oitocentista se dedicou recorrentemente á cidade e seus costumes. Os três comediógrafos aqui ~
analisados constroem, com suas obras, panoramas sociais e históricos distintos, porém altamente complementares, tendo ~
como denominador comum a difuculdade de enfrentar a questão crucial da escravidão. As noções de popular, nacional e .3
modemo perpassam as peças analisadas, dando equações distintas para a tarefa de fundação da novel Pátria, a serviço da 8
qual a intelectualidade dedicava mais ou menos assumidamente seus esforços criativos. O resultado é uma releitura do .~
período histórico que passa tanto pela consciência de seus atores como, sobretudo, pelo indizivel, que tem na criação 'E
dramática campo fértil para se insinuar. Os três autores também representam três momentos: aestabilização do Império, com ~
Martins Pena, seu apogeu, com Alencar, e sua crise, com Vasques. Ao longo do século, o teatro contribuiu fortemente para «

29
moldar consciências, criar imagens coletivas, formar identidades e". divertir. É justamente o que extrapola o projeto e se
anuncia como gratuito que toma estas fontes particularmente iluminadoras do processo histórico.

Monica Pimenta Velloso - Fundação Casa de Rui Barbosa


"É quase impossivel falar a homens que dançam"; o nacional popular
O envolvimento das subjetividades na dinâmica social tem sido contemplado como um dos pontos centrais da história
cultural. Essa perspectiva implica em um outro olhar sobre a história, entendendo-a como trama complexa de investi-
mentos capaz de integrar formas distintas de compreensão e organização de idéias, que, por sua vez, vão traduzir-se
em atitudes, comportamentos e sensibilidades. A apresentação do maxixe por um casal de dançarinos brasileiros, em
Paris, em 1913, desencadeia grande polêmica na imprensa, envolvendo as mais diversas opiniões. A minha proposta
é a de analisar a natureza e as implicações dessa mobilização. Considero que ela vai bem além de uma explicação
baseada no confronto entre os defensores da "europeização" da cultura (depuração da africanidade) e os guardiães da
sua autenticidade. O tom apaixonado do debate mostra que a dança punha em relevo outras dimensões da cultura
cotidiana, geralmente não consideradas em termos historiográficos.

Maria Luiza F. Martini - UFRGS


Tradução cultural: contar e representar
Apresento um documento, um entreato, pequeno espetáculo teatral criado por um grupo de recicladores (resíduos sóli-
dos) do Centro de Educação Ambíental (Vila Pinto) para comemorar a criação de mais um galpão de reciclagem. Iniciati-
vas desse tipo, entre empresários ou recicladores, sempre invoca a história (lideranças, realizações, beneficios a comuni-
dade etc.) Às vezes acatada em meus palpites, outras não; conhecida por contar ou indagar histórias e "fazer teatros" fui
procurada pelo grupo. Eu era a professora de um lugar chamado UFRGS, identificação que sustentei junto com uma
prática de tradução cultural (cruzamento de diferentes imaginários). O teatro é um ritual de proteção e transição para a
evocação: um personagem simbolizado por um pouquinho de purpurina pode criar uma transição imaginária. Mas tudo
começa pela pergunta: 'como é que se recicla?" Então contaram e veio vindo a matéria épica do nosso entreato: processo
de trabalho, cooperativa, vida na vila e sonhos: imaginário. É o que procuro analisar na perspectiva da História Cultural.

Claércio Ivan Schneider - UNESP


O olhar trágico-histórico: espelhos da crônica de Machado de Assis
As crônicas de Machado de Assis formam uma parte importante de sua produção literária. Machado exerceu a atividade
de cronista por mais de 40 anos, prática esta que lhe influenciaria sensivelmente na atividade de escritor. As
especificidades de suas crônicas não a tornam um objeto uno, visto que suas impressões são plurais, multifacetadas
e abertas a possibilidades múltiplas de interpretação. Nesta comunicação tenho como objetivo apresentar análises em
torno das representações sobre o Rio de Janeiro no final do século XIX produzidas por um cronista de seu tempo:
Machado de Assis. Procura-se perceber o cronista tangido pelo seu cotidiano, à luz de suas interrogações e conclu-
sões a respeito dos homens e dos acontecimentos de uma cidade que ajudou a construir a partir de seus textos.
Busca-se percebê-lo como jornalista que faz de sua critica um registro múltiplo de sua época: as tragédias cotidianas,
as convulsões de uma cidade em acelerada transformações, as questões políticas e os personagens públicos de um
momento de transição, as normas e as regras de uma sociedade que buscava na modernidade européia os moldes
para 'civilizar-se'. Como eixo analítico faz-se noção ao conceito de tragédia, que permite entender e reavaliar, com
Machado, as experiências do homem moderno.

~oelle Rachei Rouchou - Fundação Casa de Rui Barbosa


Alvaro Moreira ... polígrafo
Um panorama de novidade, uma cidade em transformação, pela primeira vez começa-se a falar em indústria na esfera da
cultura. ORio de Janeiro da virada do século XIX para XX assiste e é ator de um novo mundo, dentro das engrenagens do que
~e convencionou chamar de modemidade. Um jovem poeta, jornalista, cronista, amante de cinerna, de teatro, bon-vivant,
Alvaro Moreira, atua nesse cenário como promotor de uma cultura que vai chegar a novos públicos, formar novas platéias, até
então pouco afeitas a manifestações culturais. Esse texto vai analisar as crônicas de Moreira que vão rnigrando de um estilo
liter~rio para uma nova forma de escrita, do livroA Cidade mulher. Ocontato com o meio jomalístico vai transformando o estilo
de Alvaro num texto mais direto, uma conversa mais rápida com o leitor. Nos interessa nesta comunicação investigar o lugar
desse poligrafo que transita elegante e profissionalmente entre as diversas formas de textos e as ruas da cidade.

Cláudia Mesquita
A cidade ao "rés do chão": a crônica carioca dos anos 50 e a cultura das ruas por Sérgio Porto e Stanislaw Ponte Preta
O escritor Sérgio Porto, criador do antológico Stanislaw Ponte Preta, costumava dizer que todo cronista deveria andar
a pé ou de ônibus, pois a observação dos tipos comuns, do dia a dia da cidade, era fundamental para a escrita diária.
Essa observação atenta, aliada ao exercício jornalístico cotidiano do criador da hilariante família Ponte Preta nos
principais jornais do Rio, deu visibilidade aos tipos urbanos que iam surgindo na segunda metade dos anos 50 do

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século XX, redesenhando o perfil cultural de um Rio moderno e seus personagens risíveis, contraditórios, patéticos e
apaixonados. Esse trabalho tem por objetivo apresentar os tipos urbanos capturados pelas ruas da cidade, com suas
falas, trejeitos e culturas diversas e refletir sobre a estreita relação da literatura na conforrnação das identidades
culturais, sobretudo da crônica como um gênero literário muito especial, capaz de falar das coisas miúdas, do cotidiano
transitório e efêmero, da vida ao "rés do chão", como pontuou Antonio Candido.

Maria de Fátima Costa - UFMT


Aimé-Adrien Taunay: um artista romântico no interior de uma expedição científica
Dentre a obra realizada pelos artistas que acompanharam a Langsdorff em sua viagem ao interior do Brasil (1822-
1829), o trabalho de Aimé-Adrien Taunay ainda é o menos estudado. Tendo morrido com apenas 24 anos, sua obra é
pequena se comparada com as de Rugendas ou Florence, os outros desenhistas que fizeram parte da mesma expedi-
ção naturalista. Entretanto, os motivos que representou a lápis e à aquarela deixam ver que Taunay usava estes
materiais com destreza e poesia. Além disso, costumava escrever no verso das folhas informações complementares
ao desenho, estabelecendo um diálogo entre texto e traços. Não lhe bastava apresentar um motivo; havia a necessida-
de de dar-lhe vida, de criar um contexto histórico-cultural que aguçasse o espírito do observador. Neste estudo - tendo
como suporte imagens realizadas por Aimé-Adrien enquanto artista expedicionário e cartas que escreveu à época -
analisam-se algumas das questões que envolvem a arte produzida em viagens. Importa-nos discutir como Taunay, ao
realizar um trabalho de documentação de caráter cientifico, deixa transparecer o seu débito com os princípios formula-
dos por Humboldt (Ensaio sobre a Geografia das Plantas -1805, e Quadros da Natureza -1808) e, mais ainda, a sua
necessidade de dar vazão a uma individualidade romãntica.

Débora Taísa Krebs - UFRGS


A arte de Gustave Doré interpreta a Lenda do Judeu Errante: representação pictórica de uma literatura
preconceituosa
Este trabalho tem por objeto as gravuras - entendidas como representações pictóricas - que Gustave Doré criou para
ilustrar a edição de 1862 de 'La Légende du Juif Errant" (A Lenda do Judeu Errante), bem como o texto literário da
lenda, conectando arte e literatura. O objetivo deste trabalho é examinar as relações entre as representações pictóri-
cas e o texto escrito, buscando compreender suas aproximações e distanciamentos, as influências que exercem uma
sobre a outra e como o conjunto que formam enquanto uma representação texto-imagem possibilita, quando não
induz, um determinado entendimento da obra em questão.

Cláudia de Oliveira e Laura Nery - Fundação Casa de Rui Barbosa


A Carioca, de Pedro Américo: alegoria e erotismo no imaginário oitocentista brasileiro
Em 1866, tendo encerrado seus estudos na Escola de Belas Artes, em Paris, Pedro Américo ofereceu a tela A Carioca ao
imperador Pedro 11, em reconhecimento ao seu mecenas. Onu feminino obedecia aos cânones da grande arte e pretendia
ser uma alegoria feminina da nacionalidade. Atela, entretanto, foi recusada por imoral e licenciosa: mesmo não fugindo à
regra oitocentista relativa à nudez na obra de arte, A Carioca não pôde, portanto, ser absorvida de imediato. A sensualida-
de tangível da figura feminina, próxima do orientalismo tão em voga na Europa, confrontou-se não somente com os limites
morais, mas também com a orientação estética e cultural do Império. O que chocara mais: a nudez frontal ou um nu tão
descolado do que se desejava como nudez nacional aceitável, por exemplo, aquela das romãnticas figuras indigenas? A (::;)3
Carioca oferecia um corpo simultaneamente ideal e obsceno: o alto - uma beleza imaterial- e o baixo - uma carnal idade ~
excessiva. Sugeria uma mistura de estilos que, sem romper com a regra do decoro artístico, insinuava na tela algo
inadequado ao repertório simbólico oficial. Aexótica morena, que não é india - nem mulata ou negra - poderia representar
a mulher brasileira e desfrutar de um lugar de destaque no imaginário da nossa "monarquia tropical"?

I 19/07 - Quinta-feira - Tarde (14h às 16h30min) I


Marcos Rogério Cordeiro - UFMG '"
~
Euclides da Cunha e a Tradição Cultural Brasileira ]
Ao longo do século 19, constituiu-se no Brasil uma tradição de pensamento que procurava elaborar e desenvolver uma .s
interpretação própria e original sobre o país. Essa tradição articulou conteúdos diversos, que incluíam a história e as ciências '"
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naturais, além da literatura, que serviria de meio para a representação do Brasil. Entretanto, as principais correntes que se '"
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dedicaram a essa tarefa, o Romantismo e o Naturalismo, partiram de pressupostos opostos para fundamentar cada qual sua
teoria. Enquanto o Romantismo procurou atribuir maior ênfase à literatura, concebendo-a como mediação dos diversos ~
conteúdos, o Naturalismo elegeu as ciências naturais como instnumento privilegiado de explicação da realidade histórica e de ;3
inspiração literária. Diante dessa tradição fraturada, surge a obra de Euclides da Cunha, "Os sertões" (1902), cuja importância .ê
reside no modo como encaminha os impasses dessa tradição: o livro herda, articula e reelabora os problemas e os procedi- -8
mentos de análise que a tradição cultural lhe legou. A proposta de análise que se pretende aqui consiste na análise das ~
teorias e metodologias que serviram de inspiração ao livro: a história social, a filosofia da natureza e a teoria literária. <C

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Cristiano Cezar Gomes da Silva - UFPB 1FABEJAI UNEAL
Entre a história e a literatura: as múltiplas letras, os múltiplos tempos, os múltiplos olhares em Graciliano Ramos
Nesta comunicação buscamos um diálogo entre a história e a literatura. A fronteira entre esses saberes possui uma
delimitação bastante tênue e de difícil demarcação. Nela imbricam-se o 'real" e a construção de suas representações
que não podem ser dissociadas, mas são materializadas através da narrativa. Assim, analisamos Graciliano Ramos
em sua multiplicidade: escritor, militante, memorialista. O escritor é reconhecido como um dos maiores literatos brasi-
leiros. No entanto, seus diversos escritos desvelam outras faces. O enfoque deste trabalho é a discussão de como a
obra Vidas secas (1938) e algumas de suas crõnicas, ensaios e fragmentos, constroem sentidos, significam, denunci-
am, registram e constituem parte do emaranhado de uma rede de memória discursiva sobre o momento entre as
décadas de 1930 e 1940 no Brasil. Observamos um Graciliano Ramos engajado que acusa e denuncia a estrutura
social da época. O autor, a partir de suas experiências, faz da literatura uma prática e um contraponto para resistir ao
silenciamento da ordem instituída. Os vários escritos pesquisados estão no Arquivo Graciliano Ramos, do Instituto de
Estudos Brasileiros -IEB. Este fragmento integra a pesquisa em andamento junto ao Doutorado do PPGL da UFPB,
orientada pela Professora Ivone Tavares de Lucena.

Marcos Edilson de Araújo Clemente - Universidade Federal do Tocantins


História e fotografia: imagens fotográficas do cangaço (1900/1938)
O trabalho analisa a relação história e fotografia em seus aspectos teóricos e metodológicos. Focaliza o cangaço, tipo
de banditismo ocorrido nos sertões do Nordeste brasileiro, especificamente, o cangaço da fase de Virgulino Ferreira da
Silva - o Lampião - entre 1900 e 1938. Há imagens fotográficas de Lampião e seu bando em pelo menos duas ocasiões:
a primeira, em 1926, quando esteve em Juazeiro, Ceará, para encontro com Padre Cícero. Na segunda ocasião, em 1936,
o mascate Benjamim Abraão Botlo filmou Lampião e seu bando no deserto do Raso da Catarina. As imagens mostram os
cangaceiros em cenas da vida cotidiana, em poses de guerra, rezando, lendo. Tal aparato fotográfico expõe um conjunto
de representações do cangaço. Desvelar o valor histórico destas imagens significa perceber que a fotografia é portadora
de uma interrupção do tempo e da vida, pois há na imagem uma nova realidade, passada, limitada, transposta. Afotografia
é a um tempo monumento e documento. Monumento, pois escolha das forças atuantes no real; Documento, pois é
escolha efetuada pelo historiador. Assim, o trabalho se interroga sobre qual o lugar da imagem fotográfica enquanto
evidência histórica? Quais são os limites e as possibilidades da iconografia fotográfica do cangaço?

Angela Brandão - Universidade Tecnológica Federal do Paraná


Contemplação de Ouro Preto: Murilo Mendes e uma poética para o barroco mineiro
Oconjunto artístico barroco erococó de Minas Gerais foi objeto de diversas interpretações ensaisticas, poéticas ehistoriográficas,
desde o século XIX. Convencionou-se, no entanto, entender que apenas os modernistas de São Paulo redescobriram a arte
mineira do XVIII. Esta dita 'redescoberta' foi antes uma reelaboração estética dos elementos do passado. As abordagens
historiográficas mais sistemáticas da arte da mineração, com textos como os de Lourival Gomes Machado, dos anos 1950,
contrapuseram-se á liberdade poética de que Carlos Drummond de Andrade dispunha para tratar do passado artistico de
Minas Gerais. Nesses mesmos anos, Munlo Mendes compunha sua 'Contemplação de Ouro Preto'. Acrescentava áinterpre-
tação do barroco mineiro um teor surrealista, presente em sua escrita e em seu colecionismo artístico.

Jeniffer Alves Cuty - UFRGS


Memória e contemplação no universo de Mario Quintana: deslocamentos por espaços e tempos ampliados
pelo imaginário poético
Este trabalho busca analisar as nuances nas representações de espaço construído - a casa - presente na obra de
Mario Quintana e de tempos rememorados ou imaginados por este poeta gaúcho fixado em Porto Alegre. No recorte
proposto, encontram-se os poemas produzidos no inicio da década de 1980, os quais afirmam a maturidade do poeta
no trânsito entre universos reais e fantásticos, bem como em sua profunda negação ao mundo vivido e sua permanen-
te referência ao tempo passado. A casa de sua infância é maior que o mundo; ela remete a um ideal e a uma eterna
busca. Composto por infinitas escadas e habitado por fantasmas, o espaço da memória poética nos conduz a decifra-
ção de um imaginário carregado de elementos resultantes de um contexto histórico e social específico. O caráter
polissêmico das palavras e a pluralidade de imagens - refinadamente agrupadas pelo rigor da poesia - nos encami-
nham á leitura hermenêutica guiada pelo filósofo Paul Ricoeur, em diálogo com a compreensão das superposições
palimpsésticas de espaços e tempos escritos no imaginário social.

I 20107 - Sexta-feira - Manhã (10h30min ás 12h30min) I


Marina Haizenreder Ertzoguie - Universidade Federal do Tocantins
Solidão tanto quanto possível: anotações de um diário de viagem ao Brasil de Maria Graham
A história das sensibilidades consiste na escrita de uma história a partir do ponto de vista de uma emoção em particular.
Este texto trata da solidão na narrativa de Maria Graham, autora do Diário de uma viagem ao Brasil durante os anos de

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1821,1822 e 1823 e do Esboço biográfico de D, Pedro I, com uma noticia do Brasil e do Rio de Janeiro no seu tempo, A
solidão levanta diversas questões, como: do que as pessoas sentem falta? Quais são as suas expectativas? Oque as faz
considerarem-se incompletas em si mesmas? Sobre a solidão, poderíamos, ainda, discorrer a cerca do sentimento de
quem não está na pátria. Esse texto foi escrito a partir das histórias pessoais de Maria Graham, como expressão da
sensibilidade da narradora. Aprimeira visita da escritora inglesa ao Brasil foi em 1821, a bordo da fragata Doris, comanda-
da pelo seu marido Thomas Graham, capitão da Marinha Real Inglesa. Este veio falecer em abril de 1822. Em 1823
regressou ao Brasil, atendendo o convite de D, Pedro I para ser preceptora da Princesa Maria da Glória. Residiu no Paço
Imperial, entre 5 de setembro a 10 de outubro de 1824 Tornou-se amiga e confidente da Imperatriz D. Leopoldina. Parte da
história pessoal da escritora inglesa, relacionada ao tempo de permanência na Corte, está registrada na corresp

Luis Fernando Beneduzi - Università degli Studi di Bologna


Sanguinatio Patriae: o luto e a esperança nas narrativas de viagem sobre a imigração italiana
Diferentes vozes que narram o fenômeno imigratório italiano de finais do século XIX falam da dimensão da morte - de uma
experiência de luto e de esperança que se entrecruzam no processo de travessia do Oceano Atlântico. Afigura emblemática
de um 'dessangrar" - de uma morte anunciada - perpassa tanto o relato de imigrantes, perpetuado em seus diários de
viagem, quanto aquele de Edmondo De Amicis - jomalista e romancista - que retrata em 'Sull'Oceano' e 'Cuore" essa
experiência de expatriação de seus CCHlacionais. Nessas duas narrativas se percebe nitidamente o processo de perda que a
imigração comporta. Para o imigrante, a partida transforma-se em uma experiência de morte pessoal, a expropriação de uma
realidade tangígel, mas também, e particularmente, de um mundo afetivo e mnemônico, Para o romancista, mesmo narrando
as vivências pessoais e o luto individual em suas duas obras, está-se diante de um luto nacional, de um dessangrar da nação.
No entanto, esse mergulho melancólico, ou esta morte anunciada, é bloqueado pela esperança do encontro com o paraíso e
da sublimação que se produz a partir da memória. A travessia traz consigo a busca de uma epifania - segundo a leitura de
Walter Benjamin - de um momento de revelação e encontro com este sonho de uma nova existência.

Maria Teresa Santos Cunha - UDESC/SC


Saberes Impressos: Imagens de civilidades em Literaturas Ordinárias (Os livros de bolso Idécadas de 60 e 701
século XX)
Neste estudo, através da análise de um corpus documental composto de uma coleção de (Livros de Bolso), de autoria de uma
espanhola - Corin Tellado -que circulou abundantemente no Brasil entre as décadas de 60 e70 do século passado, procurou-
se analisá~os tanto em seus suportes materiais com em seus dispositivos textuais com ofito de mapear um dado conjunto de
regras morais e condutas prescritas que compõem o repertório civilidades de uma época. Considerados como literaturas
ordinárias suas imagens se prestam a um processo hermenêutico já que comportam o simbólico. Aanálise procura exercitar
uma dada percepção para apreender intervenções de certas linguagens no transcorrer da história e como estas possam ter
constituído novas formas de sensibilidade. Tais linguagens instituem comportamentos e interferem em padrões de conduta
que atuam no cotidiano de indivíduos, despertam afetividades quase sempre com muita eficácia porque atingem emoções e,
portanto, uma das instâncias mais íntimas de homens e mulheres. Considerar linguagens como saberes impressos ligadas é
um exercicio de resignificação de situações que foram durante muito tempo desconsideradas por historiadores envolvidos em
linguagens racionais, científicas, não-emotivas, inauguradas pela modemidade.

Eliézer Cardoso de Oliveira - UEG ~


Quando o horror excita: a literatura catástrofe em Goiás
Como os humanos têm uma necessidade ontológica de fazer narrativas sobre tudo que os cercam, o barulho das
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catástrofes não haveria de passar despercebido pela literatura, Dai a existência de inúmeros romances, contos, nove-
las, peças teatrais e poesisas sobre alguma catástrofe. Os exemplos mais célebres são 'Diário do Ano da Peste'
(Defoe) e "A Peste' (Camus), Em Goiás. muitas obras literárias exploraram essa estética da catástrofe: 'O Tronco"
(romance de B, Élis sobre uma Chacina ocorrida em 1919), 'Pão cozido debaixo de brasa' e 'A menina que comeu o
Césio' (romances que exploram o acidente com o Césio 137, ocorrido em em 1987). O interesse histórico por essas '"
obras decorre do fato de trabalharem um acontecimento histórico sob a forma de ficção, estando a meio caminho entre ~
história e ficção. Além disso, estas obras são marcadas por uma tensão fundamental, entre o horror ao acontecimento t
que lhe deu origem e o desejo de contar bem uma história, o que possibilita o prazer estético. Horror e beleza, eis a ~
estética do sublime presente na literatura catástrofe.

I 20107 - Sexta-feira - Tarde (14h ás 18h) I "§


~
Clóvis Frederico Ramaiana Moraes Oliveira - UNEB ;3
"Todos os sotaques e t~das as peixeiras": literaturas e conflitos urbanos em Feira de Santana .ê
Feira de Santana, 1951. A poeira gerada pela recém inaugurada rodovia Rio-Bahia, juntam-se outras, da Feira-Salva- -~
dor, das novas ruas que eram abertas, das velhas chácaras que eram derrubadas para dar lugar a residências, construidas :i:
segundo o padrão estético mais adequado a novas temporal idades arquitetônicas. Sob a sombra das poeiras, per- «

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sonagens históricos se agitam, re-significando, através de comportamentos variados, o momento que vive a antiga 'Princesa
do Sertão', Esse processo de re-significação, objeto deste trabalho, traduzido em diferentes formas de literatura (cartas,
processos crimes, cartões postais, poemas e crônicas), demonstra vários conflitos simbólicos, sobre os mecanismos de
apropriação do espaço-cidade, e de escrita de uma história local. Enquanto alguns fotografam e escrevem, outros matam,
seguindo a senda de vinganças a muito prometidas, ~ssas práticas implantam modelos de comportamentos, preconizam
metáforas do viver, ou não viver, em cidades, Produzidas segundo o modelo literário padrão ou sendo uma "outra literatura",
que foge aos padrões canonizados, as propostas semânticas insinuam variados modelos de urbanização, segregam novos,
e velhos agentes, presentes no território citadino, propondo assim uma cartografia para a urbe que se configurava,

Valter Guimarães Soares - Universidade Estadual de Feira de Santana


História e literatura na invenção da Bahia das Lavras Diamantinas
No campo de luta simbólico acerca da identidade baiana, onde se entrelaçam ficção, memória e história, é possível
identificar a presença de pelo menos quatro Bahias: do Recôncavo, do Cacau, do Garimpo e a Sertaneja, que emer-
gem com o paradigma modernista e as novas formas de pensar, ver e sentir o local e o regional. A hegemonia de uma
dada estereotipia acerca do que vem a ser a 'cultura baiana' é, ela própria, uma questão histórica, encenada no palco
da luta de representações em torno do que vem a ser a baianidade, Tornando como foco o romance Cascalho (1946),
de Herberto Sales, que traz a marca de denúncia da hipertrofia do poder privado, destacando-se a crítica ao rnandonismo
local, e a narrativa de cunho historiográfico Jagunços e heróis (1961), de Walfrido Moraes, que se configura como uma
espécie prosa da valentia, procuro perceber como vai sendo tecida, pela via do discurso, a Bahia das Lavras Diamantinas,
Espreitando as condições de possibilidade, as intenções e os projetos inscritos nas representações, tencionamos
visualizar como as Lavras foi sendo instituída, como ali se produziu uma dada maneira de ver e dizer um lugar e uma
gente 'reais', como foi sendo teatralizada uma forma de apresentar sua história e o que foi sendo silenciado na opera-
ção de enquadramento,

André Luiz Rosa Ribeiro· UESC


Entre "o que foi" e "o que poderia ter sido": morte e memória na literatura amadiana
Este trabalho de pesquisa busca analisar como o fenômeno da morte é abordado na produção literária referente á região
cacaueira do nordeste, mais especificamente a obra do autor Jorge Amado, o mais representativo na temática sobre o
cacau, A violência e a morte são elementos fundamentais na construção ficcional da identidade regional idealizada por
Amado, caracterizando o chamado homem 'grapiúna' formador da chamada civilização do cacau na área de fronteira
agrícola nas matas do sul-baiano, A morte permeia todo processo de desbravamento e consolidação econômica regional,
concedendo ao grapiúna a legitimidade do mando e da posse da terra 'adubada de sangue' e fo~ando uma memória que
pretende legitimá-lo como referêcia de um passado heróico que passa a ser rejeitado com o advento das transformações
sociais e culturais trazidas pelo contato com formas exteriores de padrôes comportamentais, Nessa análise foram estuda-
das as seguintes obras: Cacau, Terras do Sem Fim, São Jorge dos Ilhéus e Gabriela, Cravo e Canela,

Martine Suzanne Kunz - UFCE


Melancia e Expedito· Cordel na fala e na escrita
Esse trabalho se propõe a refletir sobre as trajetórias de dois autores cearenses de cordel, um do sertão, o outro do litoral:
o poeta -artesão de Juazeiro do Norte, Expedito Sebastião da Silva (1928-1997) e o poeta-pescador de Canoa Quebrada,
Ze Melancia (1909-1976). Procuramos desenvolver um estudo comparativo à luz da poética da oralidade (Zumthor), da
estética da recepção (Jauss, Iser) e da correlação entre forma literária e processo social (Antonio Cândido), e tentamos
analisar em que medidas, para cada poeta, o percurso editorial de sua produção e o sentimento de pertencer a uma
coletividade interferiram na estética das obras em questão e na sua capacidade de comunicação através dos tempos.

Sylvia Regina Bastos Nemer - IFCS·UFRJ


O folheto popular e as Revistas Ilustradas: o circuito de comunicação cidade I sertão na virada do século XIX
para o século XX
No folheto de cordel, a mulher (donzela) e o homem (cavalheiro), vistos na literatura popular tradicional como exemplos
de virtude, vontade e coragem, passam a ser retratados como tipos maliciosos, que buscam exclusivamente seus
objetivos individuais. Frequentes nas Revistas Ilustradas, esses novos padrões de comportamento e moralidade co-
meçam a circular pelo sertão nordestino junto com os primeiros folhetos que teriam atuado, a partir do final do século
XIX quando a literatura popular do Nordeste começa a ser veiculada na forma impressa, como canal de difusão de um
"imaginário moderno' em um tipo de sociedade onde as idéias circulantes nos meios mais cosmopolitas do país eram
até então muito restritas. Partindo dos estudos de Darnton em 'Boemia literária e revolução' e de Guinzburg em 'O
queijo e os vermes', o trabalho procurará verificar se a literatura de cordel, como a subliteratura consumida pelos
franceses no século XVIII ou as leituras realizadas por Menocchio no século XVI, pode ser pensada, contrariando a
posição de certos estudiosos que a consideram como uma expressão conservadora ou mesmo como um instrumento
de manutenção do status quo, como um veículo de representação de novos hábitos mentais e culturais.

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Paula Ester Janovitch - Departamento de Patrimônio Histórico de São Paulo ~
A grande imprensa de São Paulo e Rio de Janeiro na mira da linguagem caricata no início do século XX ~
No início do século XX, em pleno clima de euforia que marca a belle époque brasileira, um novo divertimento toma o
eixo Rio-São Paulo. São as revistas ilustradas, de atualidades ou humorísticas que a reboque do grande crescimento
da imprensa como veiculo de comunicação de massas a despontar no 1900, começam a ser saboreadas pelos leitores
dos grandes centros urbanos em ascensão.
O humorismo nas revistas foi talvez a forma de expressão mais freqüente de combate e critica ao novo veiculo da
palavra impressa. Atentos ao dia-a-dia das noticias saídas em primeira mão nos diários, a linguagem irreverente ê
retirava sua matéria ainda prima para transformá-Ia em motivo de paródías e farpas semanais. Desde tímidas referên- -;
cias á fonte primária de onde fora retirado o motivo da charge, ou presentes como elementos centrais nas ilustrações, ~
desfilavam de forma caricata outras versões dos fatos noticiados ao longo da semana. ~
~

Rodrigo Ribeiro Paziani - FAECAlCEMUMC "*-'"


Desejos de civilização, véus da barbárie: um olhar sobre a construção do imaginário urbano da Belle Époque ~
Caipira no Almanach lIIustrado de Ribeirão Preto de 1 9 1 3 . ~
A proposta deste trabalho será a de interpretar o imaginário urbano da Belle Epoque Caipira - conceito que abarca uma :
vasta e multifacetada experiência da modem idade vivenciada em cidades do interior de São Paulo - através da presença
de imagens e discursos sobre Ribeirão Preto no Almanach IIlustrado, cujas páginas procuravam expressar os sintomas de
progresso da cidade e os hábitos civilizados da elite ribeirãopretana - ávida por novos olhares, desejos e paixões naque-
:s:E
co

les tempos republicanos de negócios e negociatas em torno da atividade cafeeira (Evaldo Doin). Por este prisma, acredito <>:
que os almanaques (e as revistas ilustradas) possam revelar uma leitura (Renato C. Gomes) não apenas idealizada
(condição de abstração), mas, especialmente, desejada (condições de possibilidade) das transformações urbanas. Mas,
se a escrita produzida em almanaques afinava-se com um imaginário urbano elitista e pela presença de uma incipiente
sociedade de consumo na cidade, não era menos verossímil que a cidade-desejo (Sandra J. Pesavento) evocada nas
suas páginas servisse de carapaça à uma trama ambivalente de mando pessoal, de uso da violência e de poder político
entre as principais lideranças municipais operadas no lusco-fusco do público/privado e da civilização/barbárie.

4. A História e as múltiplas faces da Arte


Elisabete Leal
I 17/07 - Terça-feira - Tarde (14h às 18h)

Sheila Schvarzman - CONDEPHAAT-SP I Universidade Anhembi-Morumbi


Esquecer a Ditadura
Mecanismos de várias ordens impõe o esquecimento. Outros constroem e moldam esse esquecimento em nome do
apagamento de conflitos. O resultado dessa operação protética a que se refere Paul Ricouer, é a criação de uma nova
memória, postiça, diferente da original, mas que, pela sua difusão massiva, termina por se impor sobre a primeira, a
memória fugaz, incontrolada e livre. São muitas as formas de construção do esquecimento - a censura, a repressão, a
educação formal, a escrita da história; os seus monumentos e festejos e os meios de comunicação, no qual se incluem
o rádio, a tv, o jornal e o cinema. Fiquemos nesse espaço apenas com o cinema examinando a reconstrução da
memória da ditadura militar em filmes exemplares lançados em 2006/07, filmes desencadeados pelos sistemas de
incentivo e que são parte da comemoração dos 40 anos do Golpe Militar de 1964: 'O ano que meus pais saíram de
férias' de Cao Hamburguer, 'Sonhos e Desejos' de Marcelo Santiagoe 'Batismo de Sangue' de Helvécio Ratton.

Marcia de Souza Santos - UnB


Memórias da Ditadura: representações do regime militar no cinema nacional
O estudo analisa como a produção cinematográfica brasileira atual está construindo uma determinada memória histó-
rica referente ao regime militar (1964 -1985). O que o cinema procura mostrar sobre esse período? Quais temáticas
são criticadas ou valorizadas, ao se abcrdar o regime militar? O que não está sendo colocado em discussão e por que
não está? Essas são algumas das questões que considero relevantes, partindo do princípio de que a memória é um
fenômeno construído e que, portanto, o cinema seleciona aquilo que deseja solidificar na memória de um grupo ou de
uma sociedade, assim como aquilo que deseja apagar dessa mesma memória.
Considerando, ainda, a impreterível necessidade de se associar as representações sobre o regime militar ás condi-
ções de produção das obras cinematográficas analisadas, procuro situá-Ias em dois blocos temporais, significativa-
mente distintos. Um, no início do período conhecido como "retomada', anos 90 do século XX, e outro referente aos dias
atuais. A partir desta diferenciação, busco então apreender as memórias elaboradas para o periodo citado e sua
relação com o contexto de produção dos mesmos.

35
Djessika Lentz Ribeiro - Udesc
De Bedrock a Springfield: um estudo comparativo entre os desenhos animados Flintstones e Simpsons
Odesenho animado constitui-se em fonte ainda pouco explorada pela pesquisa histórica. Destacado produto de comu-
nicação de massa há mais de 50 anos, revela aspectos da sociedade na qual foi produzido. Dessa maneira, busca-se
aqui realizar um estudo comparativo entre dois desenhos de grande importância para as animações: Os Flintstones e
Os Simpsons. O primeiro criado na década de 1960 pelos estúdios Hanna-Barbera; o segundo, no final da década de
1980, pelo cartunista de quadrinhos alternativos, MaU Groening. Por meio desses desenhos, analisa-se, neste traba-
lho, determinados valores sócio-culturais, a saber: família, lazer, trabalho e consumo. Dessa forma, torna-se possivel
compará-los com o intuito de identificar continuidades e transformações no que se refere a esses valores.

Laura Loguercio Cánepa - Unisinos


Medo de quê? Uma pequena história dos filmes de horror no Brasil
Este trabalho propõe um exame histórico do cinema de horror brasileiro, desde os primeiros registros cinematográficos
deste gênero de ficção no cinema nacional até os mais recentes longas-metragens produzidos no país, levando em
conta suas diferentes fases e matrizes estilísticas, e explorando a possibilidade de falar-se de um estilo especificamen-
te brasileiro para o gênero. Ao expor diferentes experiências de cinema de horror no Brasil e o seu diálogo com a
cultura popular nacional e com a cultura midiática internacional, pretende-se discutir um panorama de filmes nunca
antes reunidos num mesmo conjunto e verificar a expressividade cultural desta cinematografia.

André Malverdes - UFES


Projetando a própria crise: a relação do fechamento das salas de cinema e a relação com o espaço urbano no
Centro da cidade(1979-1985)
Este trabalho pretende traçar um itinerário da relação das salas de cinema com o espaço urbano e cultural no bairro do
Centro na cidade de Vitória, no período compreendido entre 1979 e 1985. Durante a pesquisa destacamos a importân-
cia do cinema como prática social, cuja contribuição foi marcante tanto no hábito urbano dos moradores de Vitória
quanto para a história das salas de cinema e o entendimento do encerramento das mesmas no período em questão. O
fechamento das salas acenaram para aspecto mais gerais do circuito exibidor local e dessa modalidade de lazer. Se
desde o seus primórdio a pesquisa já era conduzida por uma perspectiva de pensar a relação do cinema com a cidade,
quando as salas desapareceram do Centro de Vitória, resgatar a história das salas tornou-se uma urgência. A história
das salas do Centro, sua relação com o mercado e com o público, sintetiza o percurso de outros espaços a nível
nacional, especialmente as que nasceram no centro e depois se viram esvaziadas pela "migração' das salas para os
shoping centers. Percorrer os labirintos do circuito cinematográfico local abre um espaõ não só para analisar o fecha-
mento das mesmas, mas também registrar uma nova configuração espacial e uma nova sociabilidade urbana.

Janaina Girotto - UFRJ


O florão mais belo do Brasil: o Imperial Conservatório de Música do Rio de Janeiro
A música foi tida como o fiarão mais belo do Brasil, o seu mais brilhante ornato, e cuidar para que o seu brilho não
acabasse foi um dos objetivos na criação do Conservatório de Música. Essa instituição foi a primeira escola pública e
instituição oficial que tinha no ensino de música o seu único objeto. O modelo institucional veio da França onde,
também no ensino de música, prevaleceu o ideal de universalidade e que conhecimento pudesse atingir a todos, que
acabou criando um novo paradigma no ensino musical, hoje denominado como "sistema conservatório". Representan-
do um papel estruturante no ambiente artistico da corte passou a ser uma das mais importantes instituições musicais
no Rio de Janeiro no século XIX, junto com a orquestra e coro da Capela Imperial e, posteriormente, com os clubes de
música, ampliando as dimensões da vida musical brasileira.

Rainer Gonçalves Sousa - Universidade Federal de Goiás


Rock: Uma trajetória entre a História e a Música
A discussão sobre o estudo do rock, aqui oferecida, busca trazer novas perspectivas e aparatos teóricos que definem
a natureza da música popular e o valor das letras de música enquanto fontes históricas. Nesse sentido, a falta de
grandes textos que estabeleçam um parâmetro de discussões ao pesquisador dessa área, nos oferece espaço para
outros tipos de textos e discussões teóricas. Assim, estabelecemos um diálogo entre as diferentes perspectivas que os
teóricos Theodor W. Adorno e Mikhail Bakhtin desenvolvem sobre tal questão. Desse diálogo surgem questões que
vão desde a definição da cultura popular até a legitimação do valor histórico que a manifestação artistica, em tempos
de Indústria Cultural, pode oferecer ao pesquisador. Em outras leituras, justificamos a multiplicidade e a inter-relação
dos mais diversos tipos de textos que surgem em um estilo musical como o rock. Sob tal aspecto, as obras de Dominick
LaCapra são úteis na detecção dos textos a serem encontrados e como podemos realizar uma leitura que escape à
mera reafirmação de um contexto histórico. Por fim, discutiremos como algumas letras e formas de execução reafir-
mam a perspectiva estabelecida na teoria e permitem um olhar sobre a importância e os significados que o rock
oferece enquanto prática cultural.

36
Adriane M.Eede Hartwig . UNIOESTE {';'\4
Wilson Simonal e a Música Popular Brasileira nas décadas de 1960/70 \...!}
O presente trabalho é parte integrante de uma pesquisa de mestrado, do curso de História pela Universidade Estadual
do Oeste do Paraná - UNIOESTE, onde se pretende abordar questões que envolvem a música popular brasileira e
suas articulações no período de 1963 a 1975, especificamente. Será abordada a obra de um cantor de sucesso nesse
período, que teve muita popularidade e sua música era composta e produzida tanto a classes maís populares, como para
ouvidos mais apurados, tomando-o um dos mais bem pagos e populares artistas do período, semelhando-se a Roberto $
Carlos. Com uma voz afinada, criador de um estilo que terá seguidores, a Pilantragem - uma mistura de bossa nova, ~
swing e malandragem, sua música desponta num momento em que a Bossa Nova - considerada por alguns críticos como -{g
música intimista, de melodias veladas, poesia inlectualizada e ritmo acentuado, afastou-se dos caminhos tradicionais da ~
música brasileira. Era mercadoria de alto nível, mas não teve penetração junto ás massas, coisa que Wilson Simonal teve, ~
brincou e se "lambuzou ", sua carreira teve projeção nacional e internacional, num momento em que a música está
buscando uma identidade pra si em meio a uma grande efervescência cultural que o país está vivenciando.

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18/07 - Quarta-feira - Tarde (14h às 18h) '"


Q)

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João Eduardo Cezar de Vílhena - USP ~
Novos olhares para uma nova cidade: charges jornalísticas e a crônica do processo de urbanização da cidade ::c
de São Paulo do início do século XX «
A cidade de São Paulo, nos primeiros anos do século XX, viveu um momento de intensas e velozes transformações
urbanas e sociais. A distribuição de energía elétrica, as reformas para alargamento e conformação das ruas para o
transporte cada vez mais intenso de mercadorias ligadas á economia do café, o grande crescimento populacional e a
ampliação do potencial técnico da imprensa formaram - juntamente com outros fatores - um cenário confuso: enquan-
to os discursos do progresso associados á cidade inflavam os sonhos de seus moradores com relação ao imediato
futuro promissor da cidade, a realidade se mostrava muito diferente. Este descompasso foi amplamente acompanhado
pelos chargistas e caricaturistas em atuação nos jornais e revistas da época, e de maneira muito especial: seus
desenhos revelavam novas perspectivas para se observar velhos problemas. A cidade revelada nesses desenhos
aparecia em detalhes, e a fragilidade de seu festejado progresso surgia evidente: acidentes constantes com bondes e
automóveis, poeira, fumaça, trabalho infantil, enchentes, corrupção policial- essas imagens exibem um retrato bem-
humorado, irônico e bastante crítico das desigualdades fundadoras da São Paulo industrial moderna.

José Maria Vieira de Andrade - Universidade Federal do Piaui


Metáforas da cidade: as representações de Oerias·PI na literatura de O.G. Rego de Carvalho
Este trabalho procura assinalar algumas aproximações entre história e literatura no estudo da cidade. Nosso objetivo
central consiste em analisar as representações de Oeiras, a primeira capital do Piauí, presentes na literatura do escri-
tor piauiense O. G. Rego de Carvalho. Tratando a literatura como objeto de estudo e não somente como uma fonte
secundária à disposição do historiador, bem como levando em conta algumas das principais discussões historiográfi-
cas sobre a temática da cidade, nosso texto se propõe a discutir como, sob uma atmosfera de mistério, solidão e
abandono, o escritor reconstrói em seu texto uma imagem metafórica para a cidade de Oeiras e para seus citadinos.
Imagem esta que vai de encontro com a condição histórica que a cidade ocupava, e ainda ocupa, no contexto histórico
local, seja pelas suas tradições sócio-culturais, seja pelas suas características de cidade provinciana. Portanto, trata-
se de uma abordagem que pretende ir de encontro às obras de literato, sob um enfoque que leva em conta a contribui-
ção de sua narrativa para o estudo das produções discursivas de um lugar.

Clarisse Ismério - URCAMP


Echo Americano: Discursos visuais de modernidade
O Echo Americano foi um jornal ilustrado que circulou entre os anos de 1871 a 1872, e atualmente, faz parte do acervo
de Jornais Raros do Museu de comunicação Social Hipólito José da Costa. O objetivo dos articulistas do jornal era
promover a modernização do Brasil do II Império através de um projeto civilizador que difundia um conjunto de práticas
e condutas sociais que visavam a reprodução da tecnologia e cultura européia. A meta era modernizar, educar e
redefinir a corte Brasileira sob a orientação dos modelos: dos ingleses deveríamos copiar o progresso industrial,
comercial e científico; da França a cultura, as artes e o estilo cortesão. Apesar dos atrasos, o Brasil era visto pelos
articulistas do jornal como o Império do Futuro, essa visão ufanista era justificada através da natureza brasileira, das
riquezas naturais e pelo gosto pelo belo. Denotava o mito da superioridade e predestinação do Brasil, desde que
desenvolvesse seu projeto civilizador e alcançasse a modernidade através da educação, saneamento, melhoria dos
transportes, urbanismo, desenvolvesse o potencial industrial, construisse bibliotecas, institutos de pesquisa, enfim,
todas as premissas básicas para ser considerado um país civilizado.

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Aline Andrade Pereira - UFF
Rubem Fonseca: o golpista transgressor. Literatura e sociedade durante a ditadura civil-militar
O trabalho tem por objetivo analisar a relação entre a trajetória política e a produção literária do escritor Rubem
Fonseca entre os anos de 1962 a 1989. Através da investigação do itinerário deste, marcado por posições aparente-
mente conflitantes, pretende-se enfocar as diversas atividades de Fonseca. Estas serão tomadas como parte constitu-
inte de uma estrutura de sociabilidade que influenciará na inserção do autor no campo literário (Bourdieu, 1996; Sirine-
lIi, 2003). Dentre essas posições destaca-se a participação do escritor no Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais
(Ipês), entre 1962-1971. associação que reunia empresários e militares, às vésperas do golpe civil-militar de 1964, no
momento em que era diretor da Light - onde ele entrará em contato com os maiores editores do país. Sua carreira
literária tem início em 1963, com o livro Os prisioneiros. Os seguintes, A coleira do cão (1965) e Lúcia McCartney
(1967), são aclamados pela crítica como renovadores da literatura. Em 1976 seu livro Feliz Ano Novo é censurado,
permanecendo 13 anos nesta condição. Em 1979 assume como diretor do Departamento de Cultura da Secretaria
Municipal de Educação do Rio a convite do prefeito Israel Klabin, seu antigo companheiro de Ipês.

Carine Dalmás - Universidade de São Paulo


Gráfica Política e Brigadas Ramona Parra: as imagens de uma revolução alegre
Durante a campanha eleitoral e o governo da Unidade Popular (UP) no Chile (1970-1973), houve uma intensa mobili-
zação política e cultural para legitimar a transição para o socialismo pela via pacífica. Dentre as manifestações artísti-
cas, a produção de cartazes e murais se destacaram. De acordo com a concepção vigente entre os partidários da UP
e as tradições de movimentos revolucionários de esquerda, essas duas manifestações tinham o propósito de fazer
política através da arte, ou seja, deram para a arte um fim propagandístico. Por meio das imagens dos cartazes que
fizeram a propaganda oficial do governo e dos murais de propaganda produzidos pelas brigadas muralistas do Partido
Comunista chileno (as Brigadas Ramona Parra), procurarei demonstrar a contribuição destas imagens para a consoli-
dação de um imaginário revolucionário da via pacífica em contraposição a um imaginário socialista mais amplo.

Luciana Coelho Barbosa - UFG


Siqueiros: relação entre arte e política revolucionária no México
A proposta desta comunicação é esboçar a relação entre arte e política revolucionária sob a perspectiva de David
Alfaro Siqueiros. O impacto da Revolução Mexicana foi marcante nas atividades artisticas dos pintores muralistas que,
ao interpretar a revolução, promoveram a idéia de uma arte popular. Desta forma o movimento mural buscou fomentar
a construção de um nacionalismo cultural que tentava dar coesão aos diversos grupos existentes no país deixando em
evidência a questão mestiça.

Maria Antonia Dias Martins


Literatura Portuguesa de Resistência: a mulher, a guerra e o intelectual como armas de luta contra o salazarismo
Otrabalho aborda a literatura portuguesa de resistência à ditadura imposta pelo Estado Novo português no que se refere aos
temas relacionados á condição da mulher portuguesa, à guerra colonial e ao escritor militante. Operíodo estudado se estende
de 1968 à 1974 - govemo Marcelo Caetano - marcado por crescente insatisfação popular que resultou na Revolução dos
Cravos. As obras analisadas são: 'Novas Cartas portuguesas', escrita por Maria Isabel Barrenol Maria Teresa Horta e Maria
Velho da Costa, publicada em 1972 que trata da questão feminina; 'O capitão Nemo e eu', de Alvaro Guerra, publicado em
1973, que retrata lembranças da guerra na Guiné de um ex-soldado português e 'Contos da Solidão' de Urbano Tavares
Rodrigues, publicado em 1970, livro escrito quando o autor encontrava-se preso acusado de conspirar contra o governo.

5. A Multidisciplinaridade no Estudo das Sociedades da Antigüidade: Pesquisas, Territó-


rios e Deslocamentos
Ana Teresa Marques Gonçalves (UFG)
I 16/07 - Segunda-feira - Tarde (14h ás 18h)

Ana Teresa Marques Gonçalves - UFG


Astrologia e Poder: O Caso de Marcus Manilius
Tanto Herodiano quanto Dion Cássio, em suas respectivas obras, intituladas "História de Roma depois de Marco
Aurélio' e 'História Romana', narram que o Imperador Romano Septímio Severo mandou pintar a representação do céu
com estava no dia de seu nascimento, portanto seu horóscopo, no teto da sala na qual ministrava a justiça, ou seja. onde
procedia aos julgamentos públicos, no Palácio, chamado de Domus Severiana. localizada no Palatino em Roma. Esta
opção pictórica do Príncipe sempre chamou nossa atenção e resolvemos analisar a relação que se estabelece entre os
saberes astrológicos e os grupos que ascendem ao poder e buscam permanecer nele, por meio de observações a respei-

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to da vinculação entre astrologia e poder no Alto Império Romano. Para tanto, releremos criticamente a obra "Astrologia'
de autoria de Marcus Manilius, produzida entre 18 e 20 d.C., durante o govemo do Imperador Romano Tibério.

Andrea Lúcia Dorini de Oliveira Carvalho Rossi - UNESP - Assis


Mitologia, Semiótica e Antiguidade Clássica: uma proposta de abordagem dos 'Discursos' de Dion Crisóstomo
Estudar a obra de Dion Crisóstomo representa um desafio enquanto tarefa para recuperar a realidade histórica, consi-
derando principalmente que se trata de obra literária, revestida e recheada de componentes metafóricos, simbólicos,
que expressam sob essa aparência não só a criatividade e a imaginação do autor. Significa também fazer a leitura que
possibilite recuperar um momento da História da provincia do Ponto-Bitínia durante o governo do imperador Trajano
(98-117). O periodo em que a obra foi produzida apresenta, no entanto, importante núcleo documental representado
por outras obras literárias, mais direcionadas para a realidade social vivida, e pelas descobertas arqueológicas. O
tema central da abordagem é a aplicação da análise semiótica como metodologia de análise histórica do mito presente
nos Discursos de Dion Crisóstomo, filósofo bitiniano que viveu entre 40 e 115 d.C sob o Império Romano.

Claudia Beltrão da Rosa - UFRJ


A Visão Grega de Roma: Políbio e a Tradução dos Conceitos Romanos
Toda língua organiza uma visão coerente de mundo, e a tradução de uma língua a outra traz em si o risco de uma deformação
ou da incompreensão de noções e conceitos particulares de uma cultura especifica. O cuidado com o vocabulário é a
"conditio sine qua non° do ofício do historiador. Ohistoriador da antiguidade romana tem que lidar com uma dificuldade a mais:
grande parte da sua documentação textual lhe chega através de um olhar "estrangeiro'. Nosso conhecimento sobre a Roma
antiga é tributário de fontes de língua grega, de autores cuja interpretação é condicionada pela diferença de língua e cultura
e necessariamente "deformada'. Defenderemos a idéia de que tal fato não traz somente inconvenientes à pesquisa histórica.
®
Passar pelo necessário intérprete grego nos agrava o risco de aumentar, com as suas deformações, as nossas, mas a vi
interpretação de um estrangeiro pode também enriquecer a nossa compreensão de uma Roma assim duplamente observa- ~
da. Apresentaremos brevemente as vantagens e desvantagens que as fontes textuais gregas trazem ao estudo da história ~
romana, concentrando nossos "exempla" a Políbio, no L. VI de suas "Histórias'. .g
(/)

Norma Musco Mendes - UFRJ


O Conceito de Romanização: uma reflexão .g
Com base no projeto de pesquisa intitulado "As estratégias de intervenção no espaço e a construção da paisagem imperial ~
no sul da Lusitânia', em realízação com o auxilio do CNPq, através da concessão de bolsa de produtividade de pesquisa, ~
cujo objetivo é investigar o impacto da dominação Romana na reorganização do espaço e, conseqüentemente, na cons- ~
trução da paisagem imperial no sul da provincia da Lusitânia, pretendo refletir sobre o conceito de Romanização. -g
"O
.;::

Norberto Luiz Guarinello - USP .~


A História de Roma como gênero literário e como discurso científico
c.
.~
O trabalho investiga os modos de construção da História de Roma como gênero literário na tradição latina, procurando :g
mostrar os modos pelos quais as regras do gênero (em particular a definição do objeto narrado) influenciaram em sua ::;
produção na Antigüidade e, por sua vez, determinaram limites especificos para a re-criação da História de Roma a ~
partir do século XIX.

Anderson Zalewski Vargas - UFRGS


Uma disciplina sob ataque: o conhecimento histórico e as ameaças céticas
Na Antigüidade - por conta de suas restrições aos dogmatismos afirmadores do conhecimento indubitável, e de suas
conseqüentes proposições quanto ao conhecimento e à existência - o ceticismo foi alvo de ira, sarcasmo e zombarias.
Em discussões contemporâneas sobre epistemologia histórica, o ceticismo surge, freqüentemente, como ameaçador
inimigo. A comunicação apresentará uma análise dessa avaliações tendo como contraponto as criticas ao ceticismo
antigo, pirrõnico e acadêmico, procurando definir continuidades e deslocamentos de sentido do que parece ser um
tradicional debate epistemológico. No tocante á história, serão avaliados, em especial, trabalhos de Carlo Ginzburg,
Eric Hobsbawn e Ciro Flamarion Cardoso, historiadores preocupados com os rumos atuais de nossa disciplina.

Regina Maria da Cunha Bustamante - LHIA e PPGHC I UFRJ


Pugilato, uma paixão na África Romana: confrontando textos escritos e ímagético
Opugilato - combate com o punho (pugnus) - já era praticado p?r etruscos e gregos. Com o domínio romano, difundiu-se em
todo Império. Neste trabalho, objetivamos abordar o pugilato na Africa Romana, inserido em seu contexto histórico específico,
que nos permite apreender a sua historicidade cultural. Para tanto, realizaremos uma análise comparativa de documentos
escritos e imagéticos. O entrecruzamento de textos de diferentes naturezas é uma necessidade para os estudos da Antigüi-
dade, demandando, assim, o desenvolvimento de uma perspectiva multidisciplinar. Cada tipo de texto implica numa forma de
emissão de mensagens com códigos e suportes próprios; logo, as mensagens, que circulam, só podem ser compreendidas

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conhecendo-se o conjunto das práticas sociais, dos valores e da percepção de mundo da sociedade que as criou. Os escritos
e as imagens pertencem a uma determinada sociedade, lugar e tempo e é esta sincronia que leva a compreensão dos
códigos de cada texto, seus signos, seus suportes, seus sentidos, seus produtores e leitores.

Fábio Vergara Cerqueira - UFPel


História, Música e Imagem: interfaces entre História, Arqueologia e Antropologia na interpretação da cultura
grega antiga
Oobjetivo desta comunicação será apresentar uma reflexão sobre a experiência de descentramento disciplinar coloca-
da pelo desenvolvimento da pesquisa sobre o estudo da música na vida diária da Atenas tardo-antiga e clássica, por
meio da análise sistemática da iconografia da pintura dos vasos cerâmicos áticos. A experiência multidisciplinar vincu-
lou-se à necessidade de alinhavar uma interpretação do significado da inserção da música nas práticas cotidianas,
entendido como significação social e cultural, com as características inerentes ao estudo da ceramologia clássica e da
imagem como suporte documental de natureza arqueológica. Perdeu-se assim as certezas quanto aos territórios das
disciplinas, situando o estudo em um entrevero entre a História, a Antropologia e a Arqueologia.

I 17/07 - Terça-feira - Tarde (14h ás 18h) I


Margaret Marchiori Bakos - PUCRS
A Egiptomania na América do Sul: um estudo multidisciplinar e comparativo
A Egiptomania é o fenômeno de transculturação de mais longa duração da história, que consiste na apropriaçãc de elemen-
tos do antigo Egito ao longo de milênios. Para desenvolver uma pesquisa desse cunho é necessário, além do histórico, um
olhar antropológico, conhecimentos de arquitetura, arte, psicologia e semiótica para a leitura dos vestígios codificados do
passado egípcio, presentes no imaginário coletivo sul americano. Nessa investigação tais conhecimentos se revelaram funda-
mentais para a apreensão e a compreensão da circularidade e da reutilização permanente, em nivel planetário, com novos
significados de patrimônios da humanidade, oriundos do território africano: pirâmides, obeliscos e esfinges.

Katia Maria Paim Pozzer· ULBRA


Das palavras e das coisas: estudo da vida cotidiana na Babilônia antiga
A questão das reformas econômicas e sociais realizadas pelos soberanos mesopotâmicos tem suscitado uma discus-
são de longa data entre os historiadores da Antigüidade. Desde as reformas empreendidas por Unukagina de Lagas, no 111
milênio a.C., até os últimos misarü (éditos reais) decretados pelos reis neobabilônicos do VI século a.C., há inúmeras
possibilidades de interpretação. Entendemos que o debate sobre novas possibilidades investigativas do mundo antigo
deve ser aprofundado e, para tanto, nossa contribuição irá evidenciar a utilização da epigrafia, da filologia e do direito para
uma melhor compreensão da história. Este estudo tem por objetivo apresentar a uma abordagem multidisciplinar no
estudo da sociedade babilônica do século XVIII a.C., quando analisamos importantes documentos pertencentes aos
arquivos privados de ricos mercadores do sul mesopotâmico. Estas fontes fazem referência ás práticas sociais.e ás
repercussões dos atos legais que representavam esses termos nas vidas econômica e cotidiana dos habitantes.

Ivan Esperança Rocha - UNESP • Assis


O Egito sob a ótica de viajantes
Os relatos de viagem têm recebido uma atenção cada vez maior de historiadores que buscam compreender as caracterís-
ticas do olhar extemo no conjunto das informações sobre uma determinada cultura. Trata-sede uma equação que reúne,
nas palavras de François Hartog, um mundo em que se conta e um mundo que se conta, dentro das relações de alterida-
de. Heródoto, que recebe o epíteto de pai da história, poderia receber também o de pai do relato de viagem. Em sua
História, narra suas viagens, com a que fez ao Egito, que inspiraria antigos e novos viajantes, como Ryzard Kapuscinski
que intitula seu livro, recentemente publicado no Brasil, 'Minhas viagens com Heródoto. Entre a história e o jomalismo'.
Com diferentes motivações, peregrinos, antiquários e outros viajantes incluíram o Egito em suas rotas e em seus relatos.
A expedição napoleônica, de 1798, constitui-se num marco desse movimento, cujo relato encontra-se em 'Description de
l'Egypte', um documento produzido a partir de informações de diferentes especialistas envolvidos nessa façanha. Qual o
papel que a visão desses viajantes tem na História do Egito? Como o olhar do mundo em que se conta se coaduna com
o olhar do que se conta? Muito do que conhecemos do Oriente, do Egito é sua imagem refletida no espelho do Ocidente.

Gilvan Ventura da Silva - UFES


Dialogando com a Antropologia e a Psicologia Social: a propósito da estigmatização dos judeus e judaizantes
de Antioquia por João Crisóstomo
Essa comunicação é resultado do projeto de pesquisa 'A construção da identidade cristã no Império Romano: João
Crisóstomo e o conflito com os judeus e judaizantes de Antioquia', desenvolvido com apoio do CNPq. Nosso estudo
busca elucidar os meandros de fixação de uma identidade cristã no final do IV século tendo como referência a cidade
de Antioquia e o caso dos judeus e judaizantes. Essa identidade, por sua vez, deriva de uma representação que, ao

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ignorar a pluralidade étnica do Império e ao desqualificar sumariamente todos os que não se coadunem com a diretriz
religiosa seguida pelo Estado romano, produz a estigmatização dos desviantes religiosos. Na execução do referido
projeto, nos apropriamos, do ponto de vista teórico, das reflexões da Antropologia e da Psicologia Social sobre a
problemática das identidades e das representações, razão pela qual julgamos apropriado apresentar, na atual edição
do Simpósio Nacional de História, algumas considerações sobre a interface da História Antiga com outros saberes do
campo das Ciências Humanas.

Márcia Severina Vasques. UFRN


A chora egípcia e as identidade culturais no Egito Romano: uma abordagem arqueológica
A chora egípcia, ou seja, o Egito com exceção de Alexandria, constitui um importante espaço para a análise das
relações sociais, culturais e religiosas entre grupos culturais distintos como egípcios, gregos e romanos do século I ao
IV d.C .. Fora do eixo central, representado por Alexandria - a pólis por excelência - a chora, com suas especificidades
locais, põe á mostra a versatilidade da cultura egipcia em relação às influências culturais externas, mormente grega e
romana. Nosso objetivo é mostrar, por meio da cultura material, a adaptação egípcia aos novos modelos da cultura
clássica no que diz respeito à iconografia funerária e como, por meio desta, questões de identidade cultural e etnicida-
de podem ser levantadas.

Margarida Maria de Carvalho - Unesp . Franca


Amiano Marcelino e a expedição militar de Juliano César contra os Francos e os Alamanos (355 a 360 d.C.)
Desde a última década do séc. passado (XX) as pesquisas sobre História Militar vêm tomando um novo impulso,
deixando de ser somente um campo de estudo das Forças Armadas contemporâneas. Com uma visâo crítica,rompendo
com vínculos ocorridos nos períodos das ditaduras militares,a historiografia relacionada ás guerras vem se renovando
®
nos aspectos mais variados como a abordagem de questões identitárias e a instrumentalizaçâo de táticas e estratage- ~
mas de guerras nas lutas contra os povos inimigos. O tema não tem passado despercebido pelos pesquisadores da ~
Antiguidade Clássica, haja vista a proliferação de livros e artigos provenientes, principalmente, da historiografia ibéri- ~
ca, britânica e americana. Assim, inserindo-me nessa perspectiva, tenho como objetivo,nessa comunicação, interpre- 'g
tar alguns elementos do relato de Amiano Marcelino sobre a expedição militar de Juliano às Gálias,focalizando a ~
maneira como o autor antioquiano identifica as táticas e estratagemas de guerra do general militar romano com um ..gJ
processo de heroificação que reforça a memória de Juliano. Acrescento que essa apresentação faz parte de uma .g
pesquisa mais ampla desenvolvida em meu Pós-Dout (Depto de História - UNICAMP), sob a supervisão do Prof Dr t;
Pedro Paulo Funari e com apoio do CNPq (Bolsa de Pós-Dou!. Júnior) ";::;
c:::
cu
André da Silva Bueno - FAFIUV ~
A Sinologia em Perspectiva ~
O objetivo desta comunicação é realizar uma breve introdução ao campo da Sinologia - Estudo da História e Cultura da ~
civilização chinesa - que tem sido recuperado com uma forte ênfase na atualidade devido a re-ascensão da China no :~
mundo contemporâneo. No entanto, trata-se também de uma área das ciências humanas singular em seus própositos 13
e expedientes de trabalho, ao analisar uma sociedade cujo relacionamento com a antiguidade é unico. ::;
::2
Monica Selvatici . UFPel
As contribuições da Arqueologia para o estudo histórico da sinagoga judaica no século I d.C.
Inserindo-se no contexto mais amplo da presente reflexão sobre a importância da multidisciplinaridade para o surgi-
mento de novos saberes constituídos nos estudos sobre aAntigüidade, esta comunicação tem por objetivo analisar as
contribuições da Arqueologia para o estudo histórico da relação entre judeus, e também cristãos, e a instituição da
sinagoga no século I d.C .. Ela visa, de igual maneira, demonstrar como os resultados de investigações arqueológicas
recentes têm permitido questionar uma suposta oposição, amplamente defendida na historiografia tradicional acerca
do Judaismo e Cristianismo antigos, entre a sinagoga e a instituição do Templo de Jerusalém.

Maria Isabel Brito de Souza - UNESP


Controvérsias dentro do cristianismo primitivo: A pregação de Paulo aos gentios
Busca-se argumentar em que medida a figura de Paulo foi determinante para as alterações ocorridas dentro da comu-
nidade cristã do I século e como o fato de levar os ensinamentos de Jesus para os gentios foi recebido pelos judeus do
periodo. Este trabalho está inserido dentro do projeto de mestrado em andamento, o qual tem por objetivo traçar a
relação entre judaísmo e cristianismo em sua origem e como se deram as alterações no próprio cerne das comunida-
des cristãs do I século.

18/07 - Quarta-feira - Tarde (14h ás 18h)

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Marilena Vizentin - Editora da Universidade de São Paulo
Primeiras Imagens de Alexandre, o Grande, em Roma
O objetivo desta comunicação é, em linhas gerais e á luz da tradição textual, fornecer uma primeira sistematização da
introdução do mito de Alexandre, o Grande, em Roma, bem como sua interpretação e apropriação pelos dirigentes
romanos. Apesar de a figura do Conquistador perpassar vários séculos de história e de as fontes antigas que lhe fazem
referência serem inúmeras, além de se tratar de tema já especulado por obras consagradas, a leitura da imagem de
Alexandre feita pelos romanos dá margem a interpretações pouco exploradas pela historiografia especializada, princi-
palmente aquela que concerne á investidura de características tidas como romanas ao imperador macedônio. Como
em cada época é perceptível uma variação na recepção romana da imagem alexandrina, esta análise procurará enfa-
tizar aqueles momentos em que o debate em torno dessa influência adquire maior significado. Por ora, será traçado um
panorama geral da presença de Alexandre no mundo romano anterior ao Principado.

Fábio Duarte Joly - Universidade Federal do Recôncavo da Bahia


A multidisciplinaridade no estudo da escravidão antiga
Esta comunicação visa apresentar as perspectivas que uma abordagem multidisciplinar abrem para o estudo da escra-
vidão greco-romana. Para tanto serão analisadas as contribuições da antropologia e do estudo comparado de siste-
mas escravistas antigos e modernos.

Rafael da Costa Campos - Universidade Federal de Goiás


Uma relação política entre os conceitos de libertas, auctoritas e liberalitas em Tácito
O objetivo desta apresentação é demonstrar como se estabeleceu uma relação entre os conceitos de Libertas, aucto-
ritas e liberalitas dentro do recorte histórico do Principado de Augusto e Tibério, com a intenção de ressaltar a funda-
mentação política na construção dos significados destes conceitos. Este trabalho pretende se embasar na historiogra-
fia sobre o Principado legada por Públio Cornélio Tácito dentro dos "Anais' e de suas "Histórias', com ênfase na
discussão teórica sobre a análise do discurso através da escola francesa e de uma história dos conceitos políticos de
Reinhart Koselleck.

Pedro Ipiranga Júnior - Universidade Federal do Paraná


As fronteiras entre história e literatura na obra de Luciano de Samósata
Esse trabalho se propõe discutir as concepções de história expressas por Luciano de Samósata em algumas de suas 9bras
('Como se deve escrever a História', 'Das narrativas verdadeiras', 'Imagens', 'Sobre as imagens', 'Heródoto ou Etion'
etc), através da constituição de fronteiras discursivas entre os campos da escrita historiográfíca e da escrita ficcional.

Juliana Bastos Marques - USP . FFLCHIDH


Aspectos da importância~o mos maiorum em Tito Lívio
O conceito de mos maiorum no mundo romano caracteriza-se como um conjunto de procedimentos para a vida que
remete ao exemplo dos antepassados. Para Tito Lívio, esse exemplo está, dentre outras características, moldado nas
virtudes da fides, da pietas e até mesmo da concordia, entre outras, no sentido que todas essas são maneiras de se
dedicar á res publica acima de tudo e, sendo assím, de se afirmar em uma identidade, através dos atos públicos e
privados de cada homem romano. Assim, é através das múltiplas presenças do mos maiorum no texto de Tito Livio que
podemos discutir a questão da oposição do novo e do antigo, da inovação e mudança dos costumes estabelecidos
versus a legitimidade e a segurança do passado.

Henrique Modanez de Sant' Anna - Universidade Federal de Goiás


Dispositivos táticos na segunda guerra púnica: análise da batalha de Trébia (218 a.C.)
Esta comunicação tem por objetivo desenvolver uma análise da batalha de Trébia (218 a.C.), levando em conta os
dispositivos táticos disponíveis a Aníbal Barca. Estabelecendo uma relação direta com o contexto da segunda guerra
púnica, visa refutar o militarismo cívico como força bélica, atentando para a formação de um pensamento militar
iniciado com Filipe 11, rei da Macedônia e conduzido sob a forma de tradição militar clássica até comandantes cartagi-
neses e romanos do século 111 a.C.

Deise Zandoná - UFRGS


A enunciação e a história antiga: a constituição da audiência em Luciano de Samósata (11 d.C)
Nesta comunicação, apresento a análise da audiência constituída nos textos Mestre da Retórica, Como se Deve
Escrever a História e Das Narrativas Verdadeiras de Luciano de Samósata - sofista e satírico cínico do século 11 d.C.
Utilizo para fazer esta reflexão, a teoria da enunciação proposta por Émile Benveniste, o principallingüísta da enunci-
ação, uma vez que há uma grande carência de menções externas aos próprios textos de Luciano em seu tempo, o que
dificultaria fazer uma história da recepção. Os escritos de Luciano, que outrora foram produzidos para serem lidos
diante de uma audiência, contêm em si mesmos a sua audiência, que esta está presente no ato de enunciação, antes

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mesmo desta existir enquanto platéia. Isto ocorre porque há uma percepção de audiência imaginada ou pretendida no
pensamento de Luciano ao conceber a sua obra. Esta comunicação é parte integrante da pesquisa de Mestrado em
História desenvolvida sob a orientação do Professor do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação
em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Dr. Anderson Zalewski Vargas.

Edson Arantes Junior - UEG/UFG


O Heraclés luciânico: identidade e alteridade
Luciano de Samosata é um sírio que viveu no século 11 da era cristã, sua obra impressiona pela diversidade e pelo olhar
amplo a cultura de seu tempo. A partir da analise da imagem de Heracles, vamos buscar compreender as diversas
possibilidades de se entender a produção identitária no Império Romano. Uma vez que em diversos momentos Lucia-
no apresenta este herói, em cada momento este tem uma conotação distinta, mas sempre é apresentado como ele-
mento significativo para a teia de significados de seu tempo. Por exemplo, temos um herói indagado em sua natureza,
nos Diálogo dos Mortos; o sírio apresenta em outro texto ou esse mesmo uma análise da representação céltica deste
herói. Assim, Luciano exprime sua identidade, a partir de uma leitura peculiar da memória greco-romana, neste seu
enfoque vária elementos mitológicos que serão re-significados compondo uma identidade muito peculiar.

I 19/07 - Quinta-feira - Tarde (14h às 16h30min) I

Dominique Vieira Coelho dos Santos - Universidade Federal de Goiás


As representações acerca da cristianização da Irlanda Celta do Século V nas cartas de Sâo Patrício
Esta comunicação aborda questões como: cristianização da Irlanda; rapto, escravidão e venda de cristãos aos Pictos;
a doutrina escatológica de São Patrício etc. Temos como fontes dois documentos escritos no século V na Irlanda em
®
Latim (Confesio e Epistola ad milites Corotici), sendo nosso objetivo a apresentação de algumas reflexões acerca dos ui
mesmos. Existem diversas representações da cristianização da Irlanda que mostram um Patrício poderoso e fazendo ~
diversos milagres para convencer os Irlandeses a aderirem ao cristianismo. Nestas representações, Patrício é sempre ~
descrito como o cristianizador da Irlanda. Em nossa comunicação apresentamos uma outra abordagem levando em 'g
consideração apenas as duas cartas escritas por Patrício e nelas tentaremos observar como ele representou os irlan- ~
deses, a si mesmo e a cristianização da Irlanda. ~
o
"C
Marina Regís Cavicchioli - Unicamp tl
Multídiscíplinaridade no estudo do cotidiano romano ~
O cotidiano romano foi estudado por diversas áreas como a História, a Filologia, a Filosofia, aAntropologia, as Ciênci- ~
as Políticas, o Direito, aArqueologia. Ao tratarmos da cultura material, em especial, a arqueologia interage diretamente ~
com a Engenharia, a Arquitetura, a Biologia, a Geologia, a Medicina, A Odontologia, a Química. A interação das mais '§
diversas áreas traz dados que se complementam e ajudam na compreensão do cotidiano romano. Estas contribuições, ~
no entanto, não passam apenas por dados técnicos, mas também por diferenças teóricas e metodológicas que operam :iii
sobre os objetos de estudo, sobre a escolha dos temas a serem estudados e sobre as análises das pesquisas, possibi- 15
litando, diferentes olhares e interprptações até mesmo opostas, contribuindo para discussões mais amplas sobre o estudo "S
do mundo romano e o papel do pesqu1sador nas pesquisas, como veremos no estudo de caso a ser apresentado. ~

Helena Amália Papa - UNESP - Franca .


As evidêncías contra os arianos no testemunho de Basílio de Cesaréia: uma análise sobre suas missivas (Séc IV d.C.)
O século IV d.C. foi um periodo de muitas heresias e discussões politico-religiosas. Muitos bispos cristãos, denomina-
dos Padres da Igreja, combateram as idéias da heterodoxia, com o intuito de manter os dogmas ortodoxos e unificar a
Igreja. A correspondência ou produção escrita do homem é reflexo de seus pensamentos e suas atitudes perante o
contexto político, religioso, cultural e histórico no qual ele se encontra. Basilio de Cesaréia (330-370 d.C.) foi um autor
cristão do Império Romano Oriental do século IV d.C. Tal Bispo possuía uma ideologia político-religiosa que refletia o
ideal da camada social e da hierarquia religiosa da qual fazia parte. Nesse prisma podemos considerar suas correspon-
dências documentos assaz relevantes, pois denotam pensamentos político-culturais e dados administrativos da época do
autor. Acreditamos que através das correspondências desse ortodoxo podemos conhecer melhor a vida cotidiana da
Igreja, fundamentalmente da parte oriental do Império, como também a ligação da esfera religiosa com a esfera govema-
mental politico-administrativa. Pretendemos construir um elo entre a representação do Poder Imperial e o conflito politico-
religioso-administrativo ocasionado pela heresia ariana, durante o governo do Imperador Valente (364-378).

Rosane Dias de Alencar - UFG


Memória e Representação; A Imagem do Imperador Constantino em Lactâncio e Eusébío de Cesaréia
O presente trabalho propõe, a análise da imagem de Constantino, Imperador de 306d.C a 337d.C, a partir das obras
Vida de Constantino, atribuida a Eusébio de Cesaréia, e Sobre a Morte dos Perseguidores, atribuida a
Lactâncio.Acreditando que tal imagem é construída a partir da ultilização de uma memória voluntária,buscaremos

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perceber o tipo de memória instrumentalizada pelos autores supra citados bem como estabelecer a necessária relação
entre o discurso proferido e o lugar político, social e ideológico de quem o profere, pois acreditamos ser este um
importante fator para compreensão da narrativa.

I 20/07 - Sexta-feira - Manhã (10h30min ás 12h30min) I

Maria Regina Candido - UERJ


Kerameikos, Atenas IV aC: território mágico e deslocamento de sentido
O cemitério do Kerameikos em Atenas compõe-se como o território dos rituais religiosos que interagem com as prati-
cas da magia de fazer mal ao inimigo. A natureza especifica do desejo de realização do solicitante tem seus indícios na
diversidade de modelos de formulas mágicas inscritas nas superfícies dos defixiones, cujo corpus documental, princi-
palmente do IV aC. Foram resultado de escavações realizadas pelo The German Archaeologicallnstitute in Athenas,
responsável pelo The Athenian Kerameikos - e pela The American School of Classical Studies encarregada pelos
artefatos de chumbo escavados na área do porto do Pireu. Nesses topoi, encontramos as lâminas de chumbo em
sepulturas no cemitério do Kerameikos e em fendas de santuários de deuses ctõnicos, atitude ao qual apreendemos
como a instauração de um estado de limiaridade, ou seja, espaços imprecisos nas quais novas práticas sociais inter-
cedem com as antigas, produzindo um deslocamento de sentido ao q~al nos propomos analisar.

Fábio de Souza Lessa - UFRJ


O corpo masculino na cerâmica ática
Há na imagética ateniense a predominância de uma forma de representação do corpo masculino que enaltece as virtudes
esperadas pela pólis para os seus cidadãos: força, virilidade, agilidade, rigidez ... , o que pode ser explicado pelo fato dos
artesãos serem regidos por regras técnicas peculiares à sua cultura. Munidos de tal informação, objetivamos neste traba-
lho analisar o modelo hegemõnico de representação dos corpos masculinos nas imagens áticas e as possibilidades de
coexistência de leituras variadas acerca dos corpos dos homens feitas pelos artesãos. Para tal proposta, nos limitaremos
a estudar as imagens pintadas nos vasos gregos do Período Clássico (séc. Ve IV a.C.), cuja temática é a prática espor-
tiva. Dessa forma, ao pensarmos no corpo masculino, estaremos nos remetendo ao corpo do atleta ateniense.

Marta Mega de Andrade - UFRJ


Algumas observações sobre a polis e as diferenças sociais: homens, mulheres e política na cidade clássica
A noção de política domina nosso imaginário até o ponto em que todas as relações, tanto quanto nenhuma, podem ser
políticas. Para o historiador da Atenas clássica, a pluralidade de contextos para a aplicação do termo é inspiradora.
"Política' tem aparentemente um sentido estrito ao que é da polis; mas é fácil constatar que aí está contida a conside-
ração do cidadão idêntico á politeia, ao todo. Na maioria das vezes, somos levados a conferir à polis o estatuto de
instituição de governo, formação histórica que pode ser compreendida pelo viés da moderna ciência política, o que
leva a politeia a desfigurar-se em um conjunto de indivíduos-cidadãos. Mas e se o político não for esse espaço de ação
e reprodução de um conjunto de indivíduos? E se o exercício do poder não se igualar ao governo? Embora a questão
do indivíduo tenha sido já fartamente debatida pelos historiadores, não se explorou até o momento com a mesma
prodigalidade o problema que a ausência do indivíduo moderno coloca para as relações políticas entre os atenienses.
Não tenho a intenção de por em debate essa problemática em todo o seu peso; quero apenas suspender uma ínfima
parcela desse peso, na questão da política 'no feminino', de uma 'polis das mulheres'. E isto possível?

Maria Angélica Rodrigues de Souza - UFRJ


Gênero, corpo e comunicação das atenienses na "pólis": uma trama aperfeiçoada
Pesquisando a linguagem das esposas atenienses do Período Clássico podemos verificar a partir da análise da comé-
dia de Aristófanes As mulheres que celebram as Thesmophórias, do mito de Philomela e produções de pesquisadores
contemporâneos que abordam o tema que as mulheres atenienses desenvolveram diversas formas de comunicação.
Concebemos que as mulheres atenienses lançavam mão das tarefas peculiares à elas e festivais para operacionalizar
esta trama comunicacional. Com o intuito de expandir os conhecimentos sobre a mulher ateniense nossa comunicação
permeará o cotidiano ateniense, a construção do corpo enquanto veículo de comunicação e as relações de gênero que
fizeram parte da vida dessas mulheres. Pois acreditamos que essa teia de informações se apresentava na dinâmica
políade direcionando os rumos da Koinonia.

I 20/07 - Sexta-feira - Tarde (14h às 18h) I


Lyvia Vasconcelos Baptista - Universidade Federal de Goiás
O individual e o coletivo na obra de Tucídides: questões sobre identidade
A maneira como os historiadores apresentam o passado sob a forma de uma história molda-se conforme a transforma-
ção dos questionamentos do tempo presente. A partir desta afirmação, procuraremos neste trabalho, abordar as ques-

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tões acerca da fronteira entre o individual e o coletivo, na obra do historiador grego Tucídides, a partir da noção de
identidade pautada na semelhança e na diferença. O advento da peste em 430 a. C., descrito por Tucidides, por ser
caracterizado pelo estado de anarquia total, no qual as leis divinas e as leis humanas não mais exerciam domínio e
influência sobre as pessoas, passa a ser encarado como um processo de desestruturação e reorganização dos ambi-
entes em questão.

Luana Neres de Sousa - Universidade Federal de Goiás


Platão e Aristófanes: visões acerca da Pederastia em Atenas no período Clássico
Bastante conhecida no mundo acadêmico, a Pederastia em Atenas praticada durante o período clássico ainda se trata
de um objeto mal interpretado, não recebendo seu caráter pedagógico e de formação social dos futuros eupátridas, a
devida atenção. Nosso objetivo nesta pesquisa é apresentar as principais características da Pederastia em Atenas
durante o século V a. a partir da visão de duas fontes aparentemente antagônicas: O Banquete de Platão e As Nuvens,
de Aristófanes.

Francesca Focaroli - Università degli Studi di Siena


Coma de herói ou de cidadão? Variações sociopolíticas na avaliação da cabeleira masculina na Grécia antiga
Em Homero, guerreiros e heróis destacam-se pela beleza da longa cabeleira, densa e anelada em cachos louros.
Cortar o cabelo é sinal de luto, na llíada e na Odisséia, e Heródoto cita, entre os mirabilia do Egito, o fato de seus
habitantes terem hábito oposto. Esse detalhe da aparência é sinal de distinção e nobreza no ideal heróico da aristocra-
cia arcaica grega, e de refinada delicadeza oriental, como testemunham, a partir do séc. VII a.C., os contatos dos
lônios com a vizinha Lídia, famosa pelo requinte e a moleza de costumes. Porém, no séc. V a.C., observa-se, em
Atenas, o fenômeno oposto: com a afirmação das instituições democráticas e a eclosão do conflito contra os Persas, o
f5'
'-V
cabelo longo deixa de ser elemento de virilidade heróica e torna-se sinal de efeminada fraqueza, de inútil requinte, .,;
tanto que, no fim do séc. V a.C., uma lei ateniense impedia os jovens de viver de forma 'delicada' e de 'manter o cabelo ~
longo'. Longe de depender do gosto individual ou da moda do momento deixar crescer o cabelo ou cortá-lo era escolha 11
significativa da comunidade cívica ou de um grupo restrito, medida restritiva sancionada pela lei ou forma de expressar .g
a intensidade do luto coletivo. O trabalho proposto pretende analisar este aspecto no contexto do desenvolvimento da ~
cultura antiga. ~
co
"ti
Nathalia Monseff Junqueira - UNICAMP t;
Voyage en Égypte: as representações do Antigo Egito na narrativa de Gustave Flaubert durante o imperialismo ~
francês do século XIX ~
O Antigo Egito, ao longo do tempo, sempre atraiu a atenção de outras civilizações. A partir do final do século XVIII, o ~
Ocidente, principalmente Inglaterra e França, volta o seu olhar, desta vez com mais interesse, para o Oriente, visando ~
adquirir um maior conhecimento sobre essas civilizações e articulando um discurso denominado Orientalismo. Essa ~
pesquisa procura demonstrar como este discurso esteve presente na sociedade européia, influenciando as relações 'u
entre orientais e ocidentais, valendo-se da obra literária produzida por Gustave Flaubert intitulada Voyage en Egypte: :g
octobre 1849-juillet 1850. Com base nessa fonte, juntamente com a discussão bibliográfica proposta, pretendo anali- '3
sar as representações idealizadas sobre o Antigo Egito, provenientes do discurso orientalista difundido no Ocidente ao ~
longo do século XIX, que constrói o Oriente com o objetivo de justificar a dominação exercida nesta região.

Alexandre Galvão Carvalho - UESB


Moses Finley e a tradição primitivista-substantivista
Moses Finley foi um dos historiadores mais polêmicos e brilhantes do século XX. Seus trabalhos sobre a economia
antiga constituíram o ápice de uma tradição de pensamento, originada e desenvolvida no seio de um debate, nascido
na Alemanha, acerca do lugar da economia antiga, que contribuiu, em primeiro lugar, para o fortalecimento da História
Social no campo da historiografia moderna; e em segundo lugar, para combater os cânones neo-clássicos na análise
da economia antiga. Finley reinterpretou os trabalhos de Bücher, Weber, Hasebroek e Polanyi à luz das influências dos
Annales, da escola de Frankfurt e dos modelos weberianos. Avaliar o quanto Finley se afasta e se aproxima dos
autores paradigmáticos desta tradição é o objetivo deste trabalho.

Renata Cerqueira Barbosa - Unesp - Assis


Concepções da sexualidade romana na Inglaterra vitoriana: A leitura sobre Ovídio
Roma teve um lugar especial na definição da História e do pensamento europeu. Muitos autores romanos clássicos
foram lidos neste momento para dar legitimidade a uma possível herança imperial romana aos britânicos. E as ques-
tões relacionadas a sexualidade e ao amor dos romanos, como foi interpretado pelos vitorianos? Neste caso, analisa-
remos um poeta latino do século I d.C., que teve muita repercução tanto no seu momento histórico, quanto para os que
o leram a posteriori. Trata-se de Púbio Ovídio Nasão, mais cinhecido como Ovídio.

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Ana Livia Bomfim Vieira - UEMA
Algumas considerações sobre política e corrupção na Grécia Antiga
Este trabalho objetiva refletir sobre alguns aspectos ligados á política ateniense do período clássico e á prática da
corrupção. Podemos perceber que esta prática estava presente na vida pública da pólis dos atenienses e que já era
apontada como uma das mazelas da vida política. Discutiremos algumas práticas que poderiam ser incluídas nesta
designação e como elas são tratadas na documentação textual.

Rafael Faraco Benthien - USP


No salão de Mme. de Guermantes: os clássicos greco·latinos na França de inicios do século XX a partir da
obra de Proust
Com o advento da Terceira República na França (1870), iniciam-se amplas reformas no sistema de ensino deste país.
A antiga cultura de salão, na qual o manejo de obras e línguas greco-latinas era central, perde espaço para os saberes
de grupos desconhecidos até então, os letrados profissionais (cientistas) da nova Universidade. Assim, em fins do séc.
XIX, o uso dos clássicos torna-se particularmente tenso. O propósito da presente comunicação é refletir sobre estas
transformações a partir da produção literária e crítica de Mareei Proust. Além de homossexual, filho de mãe judia e
dreyfusard, todas marcas controversas naquele cenário intelectual, o escritorfrancês foi pouco reconhecido por acadê-
micos e literatos. Desde modo, sua obra poussui a vantagem de ser ambigüa o suficiente para não silenciar os vários
discursos em conflito acerca dos clássicos. Serão aqui privilegiados os sete volumes que integram À la Recherche du
Temps Perdu, bem como os inacabados e póstumamente publicados Jean Sainteuil e Contre Sainte-Beuve.

Camila da Silva Côndílo - USP


Sobre o problema da tirania na escrita da história das Histórias de Heródoto
Este trabalho pretende contribuir para o debate entre os estudiosos de Heródoto em torno da objetividade historiográ-
fica ou do caráter convencional da tirania nas Histórias. Para tanto, realizamos um levantamento das principais verten-
tes de estudos sobre a tirania na obra, no intuito de situar nossa problemática tanto no que tange á historiografia sobre a
tirania nas Histórias quanto em relação a esse debate mais específico, o qual se divide entre aqueles que defendem o sim,
o autor tem uma visão negativa da tirania, e os que defendem o não, ele não tem, e os que ainda chegam a defender que
ele tem uma visão positiva dela. Posteriormente, realizamos um levantamento sistemático das ocorrências do termo
tirania e derivados na obra para uma análise contextual. Os dados obtidos até então nos conduzem a uma outra leitura do
problema que, a nosso ver, parece esclarecer um pouco mais o caráter desta 'ambigüidade" da tirania presente no texto
herodotiano. Tal leitura consiste no entendimento desta 'ambigüidade" a partir de um viés trágico.

6. A saúde e a doença como objetos da História


Dilene Raimundo do Nascimento (Casa de Oswaldo CruzlFiocruz) e Anny Jackeline Torres
Silveira (UFMG)
I 16/07 - Segunda-feira - Tarde (14h ás 18h) I
Éverton Reis Quevedo - UFRGS
"Estigma humilhante": o Rio Grande do Sul como foco de lepra
Questões ligadas a administração dos serviços de saúde pública nem sempre tiveram caráter preventivo. Problemas
sanitários e doenças só ganhavam importância na agenda governamental quando transformavam-se em epidemias,
endemias, pestes ... No Rio Grande do Sul, fortemente influenciado pela visão positivista durante a República Velha,
essa constante é mais visível. Com a lepra (hoje denominada Hanseníase), a situação não foi diferente. Embora
temida, seja por questões morais, econômicas ou desenvolvimentistas, o Estado foi um dos últimos a constituir o
aparato profílático para a erradicação deste mal. Pretendemos abordar essas questões que culminaram na criação do
Hospital Colônia Itapuã e do Amparo Santa Cruz em 1940.

Simone Cordeiro Costa Guedes - UnB


A chácara dos loucos e o imaginário sobre a loucura
O presente trabalho expõe o espaço e formas de tratamento aos portadores da doença mental em Cuiabá/MT desde o
início do século XX,propondo uma reflexão sobre o imaginário da loucura. Buscou-se aportes conceituais numa pers-
pectiva interdisciplinar para a apreensão do conceito imaginário,após fez se uma incursão principalmente nas obras de
Foucault buscando conhecer a criação e a construção do imaginárío sobre a loucura. Sugeriu se conceitos considera-
dos fundamentais e que deveriam ser trabalhados na nova prática discursiva sobre a loucura para a possível descons-
trução desse imaginário.

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Rafael Araldi Vaz - UFSC
A arte dos lázaros: cinema, teatro, rádio e folia na colônia Santa Teresa (Santa Catarina, 1940-1950)
A proposta desta comunicação é analisar as produções culturais desenvolvidas no Hospital/Colônia Santa Teresa
durante os anos de 1940 a 1950. Esta instituição, existente ainda hoje no Estado de Santa Catarina, fora criada para
abrigar pacientes acometidos por hanseníase, que para lá foram encaminhados durante a década de 1940 de forma
compulsória. Esse tipo de medida fora preconizada durante o período Vargas como forma de salvaguardar a "raça
sadia', e portanto visava o isolamento dos comunicantes da doença. Por optarem pelo confinamento como forma de
profilaxia, foram criados mecanismos, tais como rádio, teatro, cin~ma, blocos carnavalescos, e outras produções cultu-
rais, visando a permanência do interno no interior da Colônia. E sobre estas 'estratégias disciplinares' e as 'táticas'
produzidas pelos internos para burlá-Ias, que a presente comunicação pretende tratar.

Dilma Cabral - Arquivo Nacional


A terapêutica da lepra no século XIX
Na primeira metade do século XIX a lepra foi integrada á pauta da pesquisa científica no Brasil, com estudos sobre sua
etíologia e distinção clínica. A complexidade de elementos que compunham o quadro etiológico da lepra se expressa-
ria, no plano terapêutico, pela adoção de remédios debilitantes, parte de uma estrutura cognitiva em que o restabele-
cimento da saúde se daria a partir da desobstrução e equilíbrio do organismo. Nas décadas finais do século XIX, o
tratamento da lepra sofre significativas transformações, a bacteriologia criara novos valores científicos, conferindo um
novo papel ao médico e a reorientação da terapêutica da lepra.

José Rogério de Oliveira - Universidade Federal de Pernambuco


Controle e Medicalização do "baixo espiritismo"
O nosso objetivo é colocar em questão a relação entre a medicina psiquiatrica e o poder publico que acionaram, juntos,
mecanismos de disciplinarização e controle do dito, pela propria psiquiatria, "baixo espiritismo' na decáda de 1930 em
Recife. Desta forma, procuramos desvelar as implicações históricas que se dão a conhecer a partir do exame dos
discursos e praticas firmados entre a psiquiatria e o Estado, no que concerne à vigilância e a consequente repressão
aos adeptos das religiões populares, então, marginalizados. Isto signiica, não só evidenciar a perseguição aos prati-
cantes e o controle dos "terreiros', exercido pela polícia e pela Liga de Higiene Mental do Recife, mas, sobretudo,perceber
que essas repressões foram executadas porque nesses locais muitas pessoas, na sua maioria oriundas das camadas
mais pobres da sociedade, acorriam em busca de alivio para muitos de seus males psiquicos. O que sem duvida
despertou o interesse das autoridades medicas psiquiatricas em proibir tais praticas de cura nos terreiros espalhados
pela cidade uma vez que estes dificultavam o projeto de medicalização social idealizado pela medicina e legitimado
pelo arcabouço politico-juridico do Estado.

Carlos Alberto Cunha Miranda - UFPE


Vivências Amargas: a divisão de assistência a psicopatas de Pernambuco nos primeiros anos da década de 30
Este artigo trata de um estudo acerca da~ estratégias utilizadas pela psiquiatria institucional, nos primeiros anos
da década de 30, através da Divisão de Assistê cia a Psicopatas de Pernambuco, nessa época dirigida pelo doutor
Ulysses Pemambucano. Nossa intenção é analisa as novas formas de controle exercidas sobre os pacientes dos hospi-
tais psiquiátricos e os adeptos das religiões afrg,<Íescendentes, por meio do Serviço de Higiene Mental, bem como de-®
monstrar as táticas utilizadas por essas pessoas para reagirem ao forte domínio exercido pela referida instituição. 6
Juliane Conceição Primon Serres - Unisinos
Prontuários Médicos: o que nos dizem sobre "o homem doente e sua história?"
A proposta de construção de uma história social das doenças/doentes vem sendo tema cada vez mais freqüente entre ~.~_
historiadores. O homem doente ganhou status privilegiado nos trabalhos que tratam das doenças, ao lado dos agentes --
de cura, políticas públicas e outros enfoques mais recorrentes. O uso de diferentes fontes, ou novos olhares sobre =;
antigas fontes, têm permitido estas abordagens que contemplam os doentes como sujeitos e não mais meramente ~
indicadores de (in)salubridade. Nesta apresentação discutiremos algumas possibilidades de leituras a partir de prontu- 1il
ários médicos, fontes privilegiadas e, em muitos casos, única forma de acesso aos doentes. Os prontuários analisados :g
referem-se ao Hospital Colônia Itapuã, antigo leprosário fundado em 1940 no Rio Grande do Sul, destinado a isolar os o
doentes da então denominada lepra. O núcleo documental referente aos registros prontuariais desse antigo leprosário 13
é formado por 2.474 prontuários, por meio deles é possível fazer um IIretrato" da situação das doenças/doentes do ~
Estado, mapeando não apenas aspectos sanitários, mas sociais, econômicos, culturais e geográficos. ~~
o
"O
co
Maria Concepta Padovan Q.)

O Espiritismo no Recife segundo a psiquiatria do Estado Novo: "fábrica de doentes mentais" .g;
O período do Estado Novo (1937 -1945) caracterizou-se por um momento de organização social, baseado na moral ida- '1l
de e religiosidade expressadas através da família. Neste contexto, a psiquiatria encontrou espaço para seu desenvol- «

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vimento, atuando juntamente ao governo, de forma que a ordem fosse preservada a partir não mais de um simples
processo de exclusão, mas da prevenção e reintegração da loucura. Neste sentido, procurou-se estudar as formas
pelas quais os praticantes de cultos de origem africana viram-se alvos da perseguição policial e médica. A partir de
estudos de artigos da época, a loucura foi sendo traçada como ~ "desobediência' dos padrões estabelecidos, no que
se referia a aspectos físicos, pensamentos e comportamentos. E dentro desta perspectiva que estes aspectos consi-
derados inadequados e intoleráveis acabaram por se mostrar como a real vivencia da loucura (e não apenas seus
aspectos orgânicos), durante o Estado Novo.

I 17/07 - Terça-feira - Tarde (14h às 18h) I


Leila Mezan Algranti - UNICAMP
Usos medicinais do chocolate no império luso-brasileiro (séculos XVII-XVIII)
Os maias e os astecas utilizavam o cacau para a fabricação de uma bebida amarga muito apreciada, à qual atribuíam
qualidades nutritivas, curativas e estimulantes, bem como significados sociais e religiosos. Os espanhóis adaptaram a
bebida ao seu paladar, aprimoraram a técnica de sua fabricação e a exportaram para a Espanha, de onde esta se
espalhou pelas cortes européias. Contudo, a pesar das díferenças presentes nas novas formas de consumo e produ-
çâo, o chocolate manteve durante os séculos XVII e XVIII muitos dos atributos originais conferidos pelos índios. Com
base em tratados dietéticos e culinários da época moderna, bem como registros de despesas de instituições de saúde,
pretende-se refletir sobre os usos medicinais do chocolate e seus significados no império luso-brasileiro.

Jaime Rodrigues - Unifesp


A "alimentação racional": uma proposta de mudança nas práticas alimentares durante o Estado Novo (1937-
1945)
Neste trabalho, discuto a criação do conceito de "alimentação racional" como parte das políticas públicas de interven-
ção social planejadas no âmbito do Estado Novo brasileiro. Para isso, foi fundamental a adesão e a participação de
inúmeros intelectuais das áreas de nutrição, medicina, educação e ciências sociais. As ações desses intelectuais se
tomaram mais visíveis em congressos de especialistas, em publicações acadêmicas e em revistas e manuais de
divulgação voltados para o público escolar, às donas-de-casa e os operários.

Norberto Osvaldo Ferreras - UFF


Alimentação e Saúde em Buenos Aires (1900-1920)
Em poucos anos a cidade de Buenos Aires transformou-se de um pequeno povoado em uma cidade de grande porte.
Entre as novidades e dificuldades surgidas pela aglomeração de pessoas, surgiu a questão da alimentação: como
alimentar a uma população com origens e tradições culinárias diversas. A questão está diretamente vinculada à uma
nova concepção de alimentação e ao processo de industrialização que modificaria definitivamente as tradições exis-
tentes, para reuni-Ias numa única. Apresentaremos neste trabalho a relação existente entre a nova alimentação e a
saúde dos trabalhadores de Buenos Aires.

Denise Bernuzzi de Sant'anna - PUC-SP


A alimentação em São Paulo; aspectos de uma história - 1860-1910
A partir de uma pesquisa sobre a história dos costumes e sensibilidades alimentares na cilpital paulista durante a
segunda metade do século XIX, pretende-se analisar as transformações nas maneiras de distinguir o sujo e o limpo, o
saudável e o doentio, a comida considerada forte e viril em relação aos alimentos julgados fracos e moralmente
suspeitos.

Lorena Almeida GiII- UFPel


Relatos sobre uma doença e os seus enfermos: a tuberculose e os tuberculosos em Pelotas (RS) 1930-1960
Este trabalho é uma continuidade da análise estabelecida por minha tese de doutorado na qual era investigada a incidên-
cia da tuberculose em Pelotas, de 1890 a 1930. Nas décadas seguintes, entre 1930 e 1960, a tuberculose, sob todas as
suas formas, continuava sendo a enfermidade que mais vítimas fazia na cidade, chegando a acometer, por vezes, cerca
de um 1/3 de sua população. Embora este tenha sido um período extremamente importante para o tratamento da molés-
tia, com um grande avanço na terapêutica, a maioria dos doentes não conseguiu se beneficiar dos resultados trazidos
pelas novas pesquisas e pela expansão do atendimento hospitalar. Este trabalho, ainda em fase inicial, pretende caracte-
rizar o indivíduo tuberculoso (idade, sexo, profissão, estado civil, etnia, naturalidade, local em que residia), identificar as
diferentes formas de tratamento propostas e, principalmente, analisar relatos de pessoas que tiveram algum envolvimento
com a doença - enfermos, familiares e médicos - o que não foi pOSSível fazer na tese pela distância temporal. Neste
sentido, além da pesquisa documental em periódicos locais e nos Relatórios de Internamento e Enterramento da Santa
Casa de Misericórdia de Pelotas, o projeto tem como metodologia principal a história oral temática.

48
Carlos Roberto Antunes dos Santos - UFPR
Alimentação, Saúde e Doença: o estado da arte de uma Santa Aliança
Muitos estudos no âmbito da História da alimentação revelam um conjunto de preocupações sobre o desenvolvimento
da sociedade. Desta forma, como eixo no cruzamento da História da Alimentação com outros outros saberes, o tema
alimentação contitui um fenômeno total, que permite a ponte para a interdisciplinaridade. A comunicação tem como
objetivo revelar estudos sobre as implicações da História da Alimentação com o universo da saúde e da doença na
História do Brasil, a partir do universo da memória gustativa e do alimento memória, vistos em quadros sociais e
culturais. Nesse sentido, a variação dos comportamentos culturais no tocante a comida revelam representações soci-
ais diferenciadas, assentadas no discurso sobre a saúde: "somos o que comemos ou comemos o que somos?". Nesse
sentido, a memória gustativa constitui uma ferramenta essencial ao saber gastronômico e está associada ao cotidiano
do indivíduo ou dos grupos sociais. A alimentação através da História não contitui patrimônio sómente da saúde em
detrimento da doença, pois a falta da comida e os hábitos alimentares daí decorrentes, revelam também o retorno
periódico das crises sociais.

Christiane Maria Cruz de Souza - FIOCRUZ


A epidemia de gripe em Salvador (1918): profilaxia e práticas de cura
Em de setembro de 1918, a pandemia de gripe espanhola atinge a Bahia. Neste momento, as autoridades médicas e
sanitárias serão desafiadas a desenvolver um esquema explicativo para aquele conjunto de sintomas e sinais, a
persuadir e negociar com atores de espaços sociais diversos a definição e a resposta a ser dada áquela doença. O
objetivo desta comunicação é discutir as medidas propostas pela medicina baiana para conter o avanço da epidemia
de gripe espanhola que irrompeu em Salvador. Neste sentido, pretendemos avaliar a disponibilidade e o uso de recur-
sos por parte dos poderes públicos para cuidar dos doentes e proteger os sãos. Nos interessa discutir, também, as
medidas preventivas e as práticas de cura informadas pela medicina doméstica e pela religião.

Carlos Eduardo Romeiro Pinho - FFPP-UPE


1918, entre a doença e a cidade: a Gripe Espanhola nas cidade de Recife e Salvador
O presente trabalho traz o estudo a Gripe Espanhola de 1918 e seus reflexos no desenvolvimento social e urbano nas
cidades do Recife (PE) e Salvador (BA). Partindo de uma história comparada, cidades que historicamente contribuíram
fortemente para a construção de políticas públicas e sociais em todo o Nordeste e Brasil. A abordagem escolhida tem
como foco o impacto que a enfermidade provocou nas cidades e em seus habitantes, despertando na classe dirigente
ações que produzem uma idéia de salvação para o Recife e Salvador. O corte temporal será os dos meses de agosto
a dezembro de 1918, período em que a doença surge divulgada, sobretudo nos jornais, até o momento em que ela é
controlada. As vítimas da moléstia contradiziam o parecer dos médicos e as declarações oficiais. Para manter o públi-
co leitor bem informado a imprensa local divulgava as diferentes opiniões emitidas por respeitados cientistas da comu-
nidade local, nacional e internacional. Muitos médicos baianos e recifenses relutavam em chamar de gripe uma doen-
ça pandêmica ainda não identificada. A escolha do tema procura uma maior compreensão do espaço urbano e público
a partir de uma epidemia. Tomamos como ponto de partida a história de duas cidades, Recife e Salvador e de uma
doença e da luta para debelá-Ia.

Francisco Carlos Jacinto Barbosa - UECE ~


A Cidade dos Tísicos: Tuberculose e tuberculosos em Fortaleza-Ce (1890 -1950) ~
A presente comunicação objetiva refletir sobre a ocorrência da tuberculose em Fortaleza entre os anos de 1890 e 1950,
momento caracterizado pela problematização da doença, da cidade e da estrutura sanitária e hospitalar. Por meio do
cruzamento de informações produzídas pelos jornais, pelo pela administração pública e pelos médicos, objetivamos .!S!
compreender como as autoridades, os profissionais médicos e os moradores vivenciaram e representaram diversa- -B
mente a moléstia. jg
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18/07 - Quarta-feira - Tarde (14h ás 18h) 8


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Dilene Raimundo do Nascimento - Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz E
Dengue: uma sucessão de epidemias esperadas ~
Com a reintrodução da dengue no pais, em 1984, a população do Rio de Janeiro tem vívido sucessivas epidemias da ~.
doença nos meses de verão. Acada epidemia de dengue anuncia-se a próxima, com a expectativa de um recrudesci- ~
mento e a introdução de um novo tipo de vírus. E o vaticínio não tem falhado. A dengue tem respondido por quase 1% ~
do total de Anos de Vida Saudável (AVISA) perdidos em toda a América Latina. Vários fatores contribuem para a QJ

difusão da doença na região, dentre eles os vôos internacionais e as migrações em busca de melhores oportunidades :§
de trabalho, o que acaba por aumentar a densidade demográfica nas áreas urbanas, sem planejamento adequado. O ~
objetivo deste trabalho é uma análise histórica inicial das idéias e práticas sobre a doença no período de 1984 a 2002, -ex:

49
com a perspectiva de que a dengue é uma emergência global com fortes efeitos econômicos e sociais. Apontar para
uma análise histórica da relação globalização/desigualdade e seu impacto no Rio de Janeiro, verificando como se
aplica essa relação na questão da incidência da dengue. As matérias jornalísticas veiculadas pela grande imprensa
nos períodos das epidemias são de fundamental importância, como fonte para o trabalho.

Liane Maria Bertucci - UFPR


Médicos - educadores no sertão do Brasil nos anos 1910
A idéia de um novo Brasil, que resultaria da efetiva integração do território e da população, inclusive a chamada
sertaneja ou interiorana, ganhou contornos nítidos nas primeiras décadas do século XX. Pretendo destacar, neste
contexto, aspectos da viagem de Arthur Neiva e Belisário Penna, médicos que, em 1912, percorreram parte do interior
nordestino e de Goiás, com o objetivo primeiro de diagnosticar e propor soluções para a questão da seca; objetivo
ampliado pelas observações que fizeram do dia-a-dia do sertão. A viagem foi marco das expedições sanitárias que
percorreriam diversas âreas do território nacional nos anos seguintes e que tinham como meta obter informações,
estudar e tentar resolver os problemas nacionais relacionados com a saúde. Os relatos de Neiva e Penna foram
reunidos no livro Viagem Científica, de 1916, e informam o livro Saneamento do Brasil de Belisário Penna, de 1918.
Nos textos são marcantes as observações sobre as pessoas que conheceram em 1912: seu cotidiano, enfermidades
e práticas de cura. Entre as soluções para os problemas que arrolaram, a instrução e (re)educação do homem e ações
governamentais coordenadas (centralizadas), aparecem como pré-condições para as mudanças desejadas.

Maria Elisa Lemos Nunes da Silva - UESB


Tuberculose e Afirmação da Regionalidade: a criação do IBIT - Bahia 1937
Em 1937 foi fundado, na Bahia, o Instituto Brasileiro para Investigação da Tuberculose -IBIT. Idealizado pelo médico
José Silveira, era apresentado como uma instituição de pesquisa, um empreendimento pioneiro, que vinha resgatar o
'passado de glória'. Conforme suas palavras, a medicina nacional nasceu na Bahia e nesse estado deveria se desen-
volver a primeira instituição para investigação da tuberculose no Brasil. O IBIT foi, então, denominado Instituto Brasilei-
ro e não Instituto Baiano, como a sigla poderia sugerir. Numa conjuntura política ás portas da ditadura do Estado Novo,
cuja ênfase era a perspectiva nacionalista e centralizadora, Silveira buscava a afirmação das especificidades regionais
no que diz respeito à tuberculose, ao tempo em que ressaltava as características gerais da doença. É com o olhar
votado para essa reflexão que este trabalho busca acompanhar o conteúdo regionalista do discurso de José Silveira
sobre a tuberculose, através de suas publicações em revistas especializadas, da sua participação em congressos e
conferências sobre tuberculose e dos seus livros de memórias.

Renata Palandri Sigolo - UFSC


"Sua cabeça faz a doença": as medicinas alternativas e a emergência de "novos" conceitos de saúde e doença
A biomedicina construiu suas bases calcadas na idéia de dualidade entre corpo e mente, elegendo o primeiro como
sujeito de sua intervenção. As práticas de cura a ela relacionadas obedeceram, após a Revolução Científica, ao
paradigma cartesiano, onde o olhar do médico sobre o corpo do doente estabelecia uma ação objetiva junto á doença.
Apesar de se pretender hegemônico e de se construir como 'verdade absoluta', pOdemos ouvir diferentes vozes
contrárias ao discurso biomédico. Nas décadas de 1980 e 1990, percebemos estas críticas através da emergência de
novas propostas sobre o funcionamento do corpo, a gênese das doenças, sua cura e a manutenção da saúde. A
construção das medicinas alternativas durante o movimento denominado 'New Age' se deu a partir de diferentes
concepções advindas da medicina popular ou de medicinas orientais e, em sua maioria, deram mais ênfase ao doente
como ser integral do que à doença. Este trabalho pretende discutir as diferentes terapias propostas a partir de um novo
paradigma e apresentadas através de periódicos dirigidos ao público leigo.

Rosilene Gomes Farias - UFPE


As artes de curar e o mal do Ganges no Recife imperial
Este artigo discute as "artes de curar' que disputaram espaço de atuação durante a epidemia do cólera que atingiu o
Recife em 1856. Até então, pouco se sabia sobre as formas de transmissão e cura da doença o que propisciou a
proliferação de práticas de prevenção e de terapêuticas que, em muitos casos, contribuiram para o agravamento da
situação dos enfermos. O objetivo deste trabalho é discutir o momento crítico em que a medicina de origem européia
foi bastante questionada e submetida a um processo de legitimação social que iria fundamentar o discurso e as
práticas médicas utilizadas para higienizar a capital pernambucana.

Keila Auxiliadora Carvalho - UFJF


Relações Históricas: Medicina e Saúde Pública no Brasil (1930-1945)
A medicina é, desde suas origens institucionais na sociedade brasileira do século XIX, uma maneira tanto de conhecer
o corpo social- a partir do organismo humano - como também de intervir politicamente neste corpo. Especificamente,
a partir do início do século XX, quando Belisário Pena e Artur Neiva divulgaram o relatório da expedição médico-

50
científica que fizeram ao interior do Brasil, o qual apresentava-o como um Imenso Hospital com populações doentes e
abandonadas pelo poder público, a questão da saúde suscitou um fervoroso debate intelectual. A partir de então, a
idéia de que zelar pela saúde da população era uma responsabilidade do Estado se intensificou, sobretudo entre os
médicos. Ao assumir o poder em 1930, querendo atender às "demandas' imprescindíveis à modernização do país,
Vargas criou o 'Minístério da Educação e Saúde Pública'. O propósito deste trabalho é discutir como a questão da
Saúde Pública passou a ser tratada a partir desse contexto, principalmente no que tange à gestão 'centralizadora" do
ministro mineiro Gustavo Capanerna, e alguns contrapontos entre esta perspectiva de Saúde Pública adotada pelo
Estado, e aquela postulada pela categoria médica.

Giscard Farias Agra - UFPE


A urbs doente medicada: a higiene construindo Campina G(g)rande, 1877 a 1935
A emergência dos discursos científicos da modernidade provocou uma mudança no olhar lançado a hábitos e costu-
mes urbanos nas primeiras décadas do século XX. Até então vistos como hábitos comuns, cotidianos e até mesmo
saudáveis, passaram a ser ditos e vistos como atrasados e anti-higiênicos, e as cidades e seus moradores se tornaram
corpos doentes a serem medicados em nome do progresso. Narramos, assim, uma história possível das idéias que
nomearam e classificaram a doença como um elemento a ser superado pelos conhecimentos científicos da moderni-
dade, e como essas idéias foram apropriadas, transformadas e enunciadas na cidade de Campina Grande, entre 1877
e 1935, com o objetivo declarado de torná-Ia 'grande', moderna, civilizada e higiênica.

Graziele Regina de Amorim - UFSC


Temer não humilha tanto como ser temido: controle e perseguição a "Gangue da AIDS" (Florianópolis 1987)
O surgimento da AIDS/SIDA (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida), na década de 1980, provocou mudanças em
relação ao comportamento sexual da população. Neste contexto, pretendo investigar as histórias acerca da "Gangue
da AIDS', que representaram para a cidade de Florianópolis perigos na sua normalidade. Tratava-se assim da denomi-
nação ao grupo acusado de ter disseminado o virus da AIDS, através de seringas contaminadas e relações sexuais
sem o uso de preservativo. Fato este, que veio a público no mês de outubro de 1987. Como parte do discurso foram
bem presentes, pânico, acusações e o controle do corpo. Aos portadores do vírus HIV, a discriminação ocorreu por
serem vistos como pessoas entregues à promiscuidade, a luxúria, à perversão sexual e aos grupos de risco. Assim
busco compreender a história da "Gangue da Aids' e de que forma esta história imbuída de preconceito e controle do
corpo se fez presente em Florianópolis em 1987, analisando os discursos em relação às metáforas atribuídas àAIDS.

19/07 - Quinta-feira - Tarde (14h às 16h30min)

Martha Eugenia Rodríguez Pérez - Facultad de Medicina, Universidad Nacional Autónoma de México
La educación médica en México (1902-1911)
Analizaremos una institución, la escuela nacional de medicina de la Ciudad de México en el periodo de 1902 a 1911,
cuando el establecimiento estuvo bajo la dirección dei doctor Eduardo Liceaga. EI periodo que comentamos es intere-
sante porque la ensenanza de la medicina cobra un fuerte impulso. En 1902, la educación era deficiente. ®
Federico Sandoval Olvera - Facultad de Estudios Superiores Iztacala, U.N.AM.
La Enselianza de la Administración en la Carrera de Medicina, Experiencia de veinte ali os
La Facultad de Estudios Superiores Iztacala perteneciente a la Universidad Nacional Autónoma de México inicia la
docencia dei módulo de administración a los estudiantes de medicina a partir dei ano de 1980. Esta materia es una
novedad dentro dei curriculum de la carrera. EI objetivo principal de incluiria es el de manejar màs eficientemente los
:s
co

~
escasos recursos que son asignados ai sector salud en el País. Cada ano son mayores las demandas de servicios co
básicos y grandes los rezagos en una población que rebasa los cien millones de habitantes. Considerando a la en- ~
senanza de la administración una estrategia a establecer en los currícula en los paises dei tercer mundo. ~
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o
Anny Jackeline Torres Silveira - UFMG o
E
A coleção de teses de médicos mineiros do século XIX do APM o
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O Banco de Theses de Médicos Mineiros é uma base dados que contempla a coleção de teses médicas do século XIX co
t..l.
c:
do acervo de Obras Raras do Arquivo Público Mineiro, sendo importante ferramenta de pesquisa desse conjunto Q)
o
documental. Em geral, as referências feitas a esses trabalhos apontam seu caráter pouco original e cientifico, seguin- "O

do as avaliações feitas sobre o ensino médico do período, visto como anacrônico e deficiente. Porém, como veremos, Q)

uma análise que esteja menos preocupada com o julgamento da verdade ou a validade das proposições apresenta- :g
das, encontrará nesse conjunto documental campo fértil de possibilidades de investigação histórica, como: os quadros ~
nosológicos dominantes; a influência das escolas internacionais; os sistemas médicos difundidos entre os estudantes <o:

51
e a elite médica; os debates que mobilizaram os profissionais; a organização do ensino médico; as terapêuticas mais
difundidas; o próprio movimento da medicina como campo de conhecimento durante o periodo. Nesse trabalho preten-
demos apresentar dados referentes a esse projeto, que é produto de uma parceria da UFMG com a Secretaria de
Cultura do Estado de Minas Gerais através da Escola de Enfermagem e doArquivo Publico Mineiro, com apoio finan-
ceiro da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais, FAPEMIG.

Ana Carolina Vimieiro Gomes, Bráulio Silva Chaves e Huener Silva Gonçalves - UFMG
Latour como ferramenta teórico-metodológica de análise para a História das Ciências da Saúde
Este trabalho busca analisar, a partir da proposta teórica de Bruno Latour para os 'Estudos Científicos", três tramas
históricas distintas no espaço e no tempo, vinculadas à História das Ciências da Saude no Brasil: a inserção da
Fisiologia Experimental (1880-1889), o surgimento do Instituto Ezequiel Dias (1907-1941) e a mobilização médica
contra o tabagismo (1965-1986). Apesar das diferenças nas presentes temáticas, na prática, observa-se uma comu-
nhão entre os objetos a partir do arcabouço Latouriano, que tem sido determinante para pensar elementos que com-
põem essas tramas históricas, tais como: autonomização do campo, mobilização do mundo, alianças, representação
pública e, perpassando estes elementos, os vinculos e nós. Assim, compreendemos as interações das práticas cienti-
ficas e as 'translações" promovidas por diversos atores na história.

Gabriela Dias de Oliveira - UFMG


A cura como ofício: a profissionalização da medicina na capital mineira (1897-1927)
Desde o final do século XIX até as primeiras décadas do século XX, a profissão médica passara por profundas trans-
formações no que tange à reestruturação de seu conhecimento e à demarcação do seu campo de atuação. Mudanças
são igualmente sentidas na relação médico/paciente e na progressiva substituição do clinico geral pelo médico espe-
cialista. Contribuíram nesse sentido, as recentes descobertas da bacteriologia, que proporcionaram à ciência médica
uma melhor compreensão do fenômeno da doença, como também um dos elementos definidores da profissionalização
da medicina: a delimitação do mercado de trabalho. Nessa perspectiva, os esculápios buscavam a afirmação de seu
saber e de sua profissão, desqualificando e desautorizando as demais terapias e seus praticantes. Para melhor com-
preender o processo de profissionalização da medicina na recém fundada capital mineira, será lançado mão das
teorias sociológicas das profissões a partir de um enfoque próprio da história. A análise será realizada através dos
processos crimes que prescrevem o exercício ilegal da medicina. A escolha dessa fonte justifica-se por encerrar uma
rica documentação, ainda pouco explorada e com enorme potencial de investigação para a questão proposta.

I 20/07 - Sexta-feira - Manhã (10h30min às 12h30min) I


Rita de Cássia Marques - UFMG
O combate a ancilostomose em Minas gerais: 1916 e 2006
A ancilostomose é uma verminose, muito comum em terras quentes e úmidas, causada por ancilostomídeos. Infecta
atualmente cerca de 1 bilhão de pessoas, em terras tropicais. Minas Gerais, com regiões endêmicas tem uma historia
de combate a esta verminose. Este trabalho tem por objetivo comparar duas iniciativas estrangeiras contra o ancilós-
tomo em Minas Gerais: a primeira em 1916, na localidade de Capela Nova de Betim, patrocinada pela Fundação
Rockefeller e a segunda o Projeto Vacina Ancilostomideos do Instituto de Vacinas Sabin em parceria com a FIOCRUZ.
A ancilostomiase também conhecida por uncinariose, ancilostomose, opilação, hipoemia intertropical, necatorose e,
principalmente, amarelão e cansaço, foi a primeira verminose a se tornar alvo de uma campanha mundial da Fundação
Rockefeller. A campanha iniciada em 1914, no sul dos Estados Unidos, no Caribe e no Egito, chegou ao Brasil em
1916. A Comissão Sanitária Internacional ficou 22 dias em Capela Nova de Betim, onde foi instalado um ambulatório
com as quase cinco toneladas de equipamentos trazidos pelos americanos, auxiliados por pesquisadores do Instituto
Oswaldo Cruz. O projeto atual, também conta com o apoio da filantropia cientifica, a Fundação Gates, conta com uma
clínica e um laboratório, mas além de cuidar do tratam.

Elizabete Mayumy Kobayashi e Maria Conceição da Costa - Unicamp


Fundação Rockefeller e Eugenia no Brasil: via alternativa de cooperação
Este trabalho tem como objetivo apresentar a relação estabelecida entre a Fundação Rockefeller e a eugenia no Brasil.
Apesar de não ter financiado diretamente o movimento eugenista brasileiro, pode-se considerar que a fundação norte-
americana participou por meio de uma via alternativa quando chegou ao pais para fomentar programas de erradicação
de doenças epidêmicas e endêmicas. Nas duas primeiras décadas do século XX, a eugenia era sinônimo de sanea-
mento e higiene. Esta abordagem sugere a presença de diferentes atores e distintas redes. Dadas suas peculiarida-
des, o caso brasileiro não pode ser considerado uma mera reprodução dos movimentos americano ou alemão. Na
época da Primeira Guerra Mundial, por exemplo, enquanto os países da Europa se preocupavam com questões de
degeneração racial, o Brasil buscava se regenerar. Tentava encontrar soluções compativeis com a sua realidade. Por

52
meio de um levantamento bibliográfico, é possivel averiguar que tanto a presença da Fundação Rockeleller no país,
bem como o movimento eugenista suscitaram discussões acerca da importância da cooperação internacional estabe-
lecida entre os Estados Unidos e o Brasil, e a postura própria adotada por este na época estudada.

Tania Maria Fernandes e Daiana Crús Chagas - Casa de Oswaldo Cruz


A erradicação da varíola como um projeto internacional para a saúde
A erradicação global da varíola foi alcançada em 1977. Constitui-se como um dos projetos de internacionalização de
ações de saúde que, no Brasil, tiveram início no pós-guerra, apresentando como marco importante a criação do SESP.
No Brasíl, último país das Américas a apresentar casos da doença na década de 1960, organizou-se instituições
destinadas a nacionalizar campanhas de controle e, a partir de 1966, de erradicação. Apesar do projeto nacional, com
a criação de Unidades de Vigilância Epidemiológica locais, verificam-se no país diferenças regíonais com práticas e
respostas também, de cunho regional. O alcance da erradicação da varíola é interpretado como um sucesso da saúde
pública mundial após várias tentativas de erradicação de outras doenças como a malária, febre amarela e ancilostomo-
se. Sem dúvida, investiu-se em uma ação sabidamente alcançável, na medida em que a doença somente colocava-se
como uma doença grave nos paises onde a vacinação não havia sido rotinizada. Erradicar a doença significava elimi-
nar uma das fragilidades sociais dos países desenvolvidos e, sobretudo, dar base a algumas formulações relativas a
vigilância epidemiológica que começavam a se constituir, reforçando o poder político das ações de saúde coletiva.

Ariel Salvador Roja Fagúndez - UFPel


A varíola entre a ordem e o Progresso: Políticas de saúde em Pelotas na alvorada da República
Ao final do século XIX e início do século XX, a cidade de Pelotas vivenciava profundas transformações em sua estru-
tura econômico-social, acompanhando as mudanças que ocorriam no país, como o incremento de oferta de mão-de-
obra imigrante européia, as alterações nas relações de trabalho com o ocaso da escravidão e as modificações no
cenário político com a implantação da República. Essas transformações trouxeram novos dilemas para a organização
urbana, como o problema da moradia popular e o sanemento. As camadas menos favorecidas, vistas como 'camadas
perigosas', passaram a ser vítimas do 'Despotismo sanitárío' imposto pela novo cenário polítíco. A preocupção das
autoridades e das elites não estava restrita á possibilidade de levantes e manifestações como as que ocorreram no Rio
de Janeiro na mesma época, mas no risco que essa população representava para a disseminação de doenças em
conseqüência de seus hábitos 'condenáveis'. Esta comunicação visa analisar o conjunto de práticas sanitárias, a ação
do poder público no combate a epidemias - neste caso a varíola em especial - ampliando a reflexão sobre os mais
diversos aspectos da vida urbana na cidade de Pelotas no advento da República.

Gisele Thiel Della Cruz - Instituto Superior de Educação Nossa Senhora de Sion
O gemido dos homens bexigosos: varíola, isolamento e políticas públicas - Rio Grande (década de 1890)
No decênio de 1890, a epidemia de varíola é a maior causadora da elevada morbidade na cidade de Rio Grande. Para
os anos de 1892, 1893 e 1896 verificam-se, pelos internamentos na Santa Casa de Misericórdia, três picos significati-
vos de casos da doença: 21,21%, 18,36% e 16,42%, respectivamente. Nesse momento, em que politicamente se
consolida a República, os serviços de saúde ainda se estruturam no Rio Grande do Sul; portanto, a orientação médica
advinda da Diretoria de Saúde só ocorre e é aceita em épocas de epídemia, e esse parece ter sido o caso da varíola em
Rio Grande. Para evitar a crescente propagação da doença em uma cidade portuária e porta de entrada do estado, a ~
Repartição Sanitária do Estado, auxiliada pelo Serviço de Saúde dos Portos, organiza medidas emergentes. Agregam- ~
se a elas a construção de lazaretos, as quarentenas aos tripulantes das embarcações e o isolamento dos bexigosos na
Santa Casa de Misericórdia. Por sua vez, o poder público municipal propõe inúmeras intervenções sobre o meio
urbano e a vida dos indivíduos. Apontado como foco de contágio, o cortiço atrai sobre si o olhar acusador das autorida- co
des. Desinfecções, multas e demolições passam a ser adotadas como providências imediatas para erradicar a propa- ~
gação da varíola e melhorar a saúde pública. ~
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20107 - Sexta-feira - Tarde (14h ás 18h) E


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Anna Beatriz de Sá Almeida - Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz ~
Considerações sobre a história da medicina e da saúde do trabalho no Brasil (1950-1970) B.
A pesquisa ora apresentada encontra-se em andamento e é fruto de questões levantadas em minha tese de doutorado, ~
na qual analisei o campo da medicina do trabalho na primeira metade do século XX. O Ministério do Trabalho, Indústria ~
e Comércio (1931) destacou-se como importante espaço de institucionalização do campo. A questão que nos propo- Q)

mos agora é prosseguir com a análise para o período de 1950 a 1970. As décadas de 1950 e 1960 marcaram a entrada g
em cena dos serviços de medicina do trabalho em indústrias, empresas estatais e multi nacionais. No espaço público, ~
destaca-se a presença do SESP (Serviço Especial de Saúde Pública) na implantação de serviços de higiene industrial. <C

53
Também é o período em que se organizam as Comissões de Prevenção de Acidentes (CIPAS) e vários congressos. Ao
longo dos anos 1970, aumenta a regulação sobre o campo, com destaque para a Portaria 3.237f72, do Ministério do
Trabalho, criando a obrigatoriedade dos Serviços Especializados de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho
nas empresas. Nosso objetivo nesta comunicação é apresentar os primeiros resultados da pesquisa, analisando de
que forma antigos e novos atores e instituições atuaram na construção da história da medicina e da saúde do trabalho
no país ao longo das décadas de 1950 a 1970.

Vera Regina Beltrão Marques - UFPR


Técnicas racionalizadoras em ação: a seleção eugênica de aprendizes SENAI (1943-1955)
Conformar o corpo máquina, preparar o operário para os diferentes lugares da produção nas primeiras décadas do
século XX, constituiu um desafio para os intelectuais brasileiros de vários campos do conhecimento científico. Médi-
cos, engenheiros, juristas, administradores, psicólogos e educadores empenharam-se na árdua tarefa de tornar o
brasileiro um sujeito disciplinado para a labuta. Esse trabalho analisa como homens da indústria apropriaram-se das
técnicas de seleção que se discutiam no Instituto de Higiene, IDORT e/ou Escola de Sociologia e Política, com a
finalidade de selecionar aprendizes mais aptos aos cursos SENAI e assim atender aos interesses fabris e do "aperfei-
çoamento de nossas gentes", como apregoaram para escolherem adolescentes com saúde e potencial produtivo.
Examinei os manuais de psicotécnia preparados ou utilizados nos processos seletivos aos cursos de aprendizes,
buscando neles apontar o caráter eugênico das técnicas e práticas utilizadas. Embora a eugenia não aparecesse
como tema de destaque no discurso institucional, entendo que a mesma norteava os projetos de formação profissional
do SENAI, em seus primeiros cursos formadores.

Ediná Alves Costa e Tânia Salgado Pimenta -ISC/UFBA


Controlando riscos: construção da vigilância sanitária no Brasil (1941-1999)
Desde o século XIX, podem ser observadas no Brasil, com a criação de estruturas governamentais direcionadas para
a saúde, ações voltadas para eliminar, diminuir ou prevenir riscos á saúde. Esse campo, atualmente denominado
Vigilância Sanitária, caracterizou-se por várias modificações na organização de seus serviços. Pretendemos analisar
tais mudanças e as concepções sobre vigilância sanitária a nível federal ao longo do período delimitado: do Serviço
Nacional de Fiscalização da Medicina (1941), passando pela Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária (1976) e
chegando á Agência Nacional de Vigilância Sanitária (1999). Utilizamos como fontes para a análise histórica a legisla-
ção, documentos produzidos por órgãos responsáveis pela vigilância sanitária, textos analíticos e depoimentos orais.
Neste trabalho, enfatizaremos as décadas de 1980 e 1990, quando se observa, por um lado, esforços no sentido de
inserir a vigilância sanitária no campo mais amplo da Saúde Pública e da Saúde Coletiva e, por outro, enfrenta-se um
contexto de crise sanitária com vários escândalos envolvendo medicamentos e mortes em serviços de saúde. O
projeto de pesquisa que dá suporte a este trabalho está sendo desenvolvido através de um convênio entre ISC/UFBA
e ANVISA/MS, em parceria com a COC/FIOCRUZ.

7. Brasil, Estados Unidos e América Latina: Aproximações, Conflitos e Distanciamentos


Henrique Alonso de Albuquerque Rodrigues Pereira (UFRN) e Antônio Pedro Tota (PUC·SP)
I 16/07 - Segunda-feira - Tarde (14h ás 18h) I
Henrique Alonso de Albuquerque Rodrigues Pereira - UFRN
Os Estados Unidos e a Aliança para o Progresso no Brasil
A Aliança para o Progresso foi o principal programa de politica externa dos Estados Unidos no inicio da década de
1960. Ela representou o enfrentamento do "perigo' comunista que teria se materializado na América Latina com a
Revolução Cubana. Dada sua importância geopolítica, o Brasil foi o pais latino-americano prioritário para a ação da
Aliança para o Progresso. No Brasil, o foco central da preocupação do governo norte-americano foi o Nordeste. As
"Ilhas de Sanidade', expressão criada pelo embaixador estadunidense Lincoln Gordon, foram o locus privilegiado da
implementação dos projetos ligados á Aliança para o Progresso no Brasil. As "Ilhas' funcionariam como um exemplo
daquilo que o governo estadunidense poderia fazer de bom não apenas no Nordeste e no Brasil, mas também em toda
a América Latina. O estado do Rio Grande do Norte foi a principal "Ilha de Sanidade" no Nordeste brasileiro. Os
resultados das ações da Aliança para o Progresso estiveram muito distantes da propagada intenção do programa de
contribuir para criar governos plenamente democráticos. Durante as décadas de 1960 e 1970, a América Latina foi
varrida por uma série de golpes de Estado que estabeleceram ditaduras militares, muitos dos quais tiveram significati-
va ajuda do governo estadunidense.

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Grazielle Rodrigues do Nascimento - UFPE (':;"\
Segurança Nacional e Guerra Fria na mídia impressa pernambucana, no final dos anos de 1950
Com o término da 1\ Guerra Mundial, o ordenamento da geopolítica internacional será em torno do controle econômico
0
mundial. Observamos URSS e EUA garantirem esse controle numa disputa ideológica configurada na Guerra Fria.
EUA terá como alvo para esse controle geopolítico, a latino América, sendo percebido no Brasil, nos discursos visto em
torno da Soberania Nacional. É com a pretensão de ajudar o Brasil contra a "ameaça vermelha', que os EUA se
colocam como os "salvaguardas' da nacionalidade brasileira. Em Pernambuco essas notícias eram trazidas pelos ê
jornais que se dividiam entre a posse de JK e o direcionamento deste a "cooperação entre americanos e brasileiros', ''::;
acompanhada de manchetes contra o comunismo e as medidas tomadas pelos EUA para combatê-lo. O trabalho ora ~
esboçado tenta compreender os efeitos e significados dessas noticias que vão repercutir na continuidade ou não ~~
desses estrangeiros no Brasil. E
«
Júlio Mangini Fernandes ~
Brasil e Argentina e a repressão no Cone Sul (1973-1976) ~
O Brasil, assim como outros países da América Latina, esteve pautado, nas décadas de 50 e 60 do século XX, pelo ~
combate ao comunismo internacional, ação essa encabeçada pelos Estados Unidos, já que a América era considerada .g
reduto dos norte-americanos na Guerra Fria contra a ex-URSS. Os EUA pressionavam os países latino-americanos a il
seguirem o modelo da Doutrina de Segurança Nacional (DSN), difundido no país pela Escola Superior de Guerra
(ESG). O Brasil criou em 1966 o Centro de Informações do Exterior (CIEX) e a atuação desse órgão era voltada .~
principalmente para o monitoramento das atividades dos brasileiros considerados subversivos e comunistas no exteri- Cõ
oro O estudo analísa, através dos informes produzidos pelo CIEX, a perseguição a exilados brasileiros na Argentina
entre 1973 a 1976, período este que antecedeu o golpe militar naquele país, ocorrido em 24 de Março de 1976. Discute
também as relações do Brasil com a Argentina destacando a conjuntura política da época e evidenciando os fatores
pelos quais este pais se tornou um reduto para brasileiros e outros exilados antes de sofrer o golpe. AArgentina era um
rumo para a continuação de resistência contra os ditames castrenses do Brasil e de outros países, já que era o único
país da região que não possuía ditadura militar.

Graciela De Conti Pagliari - UnB


A política externa brasileira e os desafios, limites e contradições em relação à segurança regional
Este trabalho analisa a militarização do combate ás drogas implementada pelos países andinos e os desafios que se
apresentam para a política externa brasileira decorrentes dessa dinâmica. O Plano Colômbia se militariza à medida
que a ajuda dos EUA configura-se como assistência militar. Esta militarização provocou o deslocamento da sua produ-
ção e os países produtores e seus vizinhos foram afetados pelo espiral de violência dela decorrente, aumentando sua
insegurança. Além da desestabilidade gerada por essa politica, a região apresenta sérias crises de governabilidade.
Assim, muitos países da região têm pautado suas agendas com preocupações quanto à militarização da segurança
pública e como isso pode provocar conseqüências para as frágeis democracias da região. Assim, este trabalho analisa
os desafios que emergem para a política externa brasileira decorrentes do conflito interno colombiano, pois a questão
da instabilidade na Colômbia e da transposição de suas fronteiras alcançando seus vizinhos, evoca a importância da
estabilidade regional. Sobretudo, ao considerar-se que a política de militarização do combate às drogas capitaneada
pelos Estados Unidos não encontra respaldo na política externa brasileira e nem na estratégia de defesa nacional.

Dario Alberto de Andrade Filho - UnB


Os Estados Unidos nos livros didàticos de história (1990-2004)
Apesar de os Estados Unidos estarem presentes na História Brasileira ao longo do século XX, o pais tem sido constan-
temente negligenciado pelos historiadores brasileiros. Nos livros didáticos editados ao longo dos últimos quinze anos
a abordagem apresentada tem sido pouco ousada e conservadora na medida em que reproduz estereótipos e valores
há muito estabelecidos no imaginário nacional sobre os americanos. Apesar das mudanças trazidas por políticas
públicas como o PCN - Parâmetros Curriculares Nacionais - e PNLD - Programa Nacional do Livro Didático, o que se
transmite ao aluno de Primeiro Grau ainda é a repetição de interpretações repetidas há décadas. Esse desconheci-
mento sobre os Estados Unidos é ainda mais preocupante quando se leva em conta que o livro didático é, em quanti-
dade expressiva de casos, a única fonte de conhecimento histórico que o aluno terá ao longo da vida.

I 17/07 - Terça-feira - Tarde (14h às 18h) I


Antônio Pedro Tota - PUC-SP
Nelson Rockefeller, anticomunismo e modernização do Brasil
No Brasil, os estudos das relações entre Brasil e EUA têm se pautado por uma visão maniqueísta e de certa resistência
- atestada pela ausência ou pela pequena presença de disciplinas que se dediquem a uma análise mais detida da

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história americana nos programas de graduação em História. O que se propõe neste projeto é uma contribuição no
sentido de se incrementar os estudos das relações entre o Brasil e os Estados Unidos sem descuidar da história
estadunidense. Em grande parte do XX, as relações entre os dois países se ligaram especificamente à modernização
do Brasil. Elas assumiram diferentes formas e se estreitaram principalmente da metade do XX para cá. As relações
entre os dois maiores paises do continente americano têm sido objeto de reflexão, mas ainda há muito o que se
pesquisar. Para ficarmos num só exemplo, a participação especifica de um homem como Nelson Rockefeller mereceu
pouca ou nenhuma atenção dos estudos acadêmicos brasileiros. O objetivo central deste projeto é exatamente exami-
nar as formas assumídas pelas relações entre EUA e Brasil na época da Guerra Fria, e especificamente o papel
desempenhado por Nelson Rockefeller - milionário, filantropo, político e 'cold war warrior', como ficou conhecido - e
seu projeto de modernização do Brasil.

Marcos Alexandre de M. S. Arraes - UFSC


Recife no tempo da boa vizinhança: tradição e modernidade
O Recife é uma cidade reconhecida por lutar por suas tradições em diferentes momentos de sua história. No século XX
esse emblema ganha força, seja nos anos 20 com Joaquim Inojosa, nos anos 40 com Mario Melo e outros jornalistas
e poetas ou a partir da década de 70 com Ariano Suassuna e o movimento Armorial. Cada um desses momentos tem
a sua especificidade histórica. No entanto, o momento vivido nos anos quarenta foi especialmente singular. Eram
tempos de Guerra e a cidade começava a sofrer mudanças em seus hábitos com a presença ostensiva de militares
estadunidenses em seu cotidiano e com a Politica da Boa Vizinhança, que também se fazia sentir na cidade. Nesse
sentido, muitos recifenses irão entrar em conflito com os novos ares 'modernos' e buscarão defender a cultura pernam-
bucana a partir da evocação da tradição. Considerando estes fatos, este trabalho busca estudar este período e as
mudanças que se processavam no Recife com a presença cultural estadunidense a partir do debate dos poetas tradi-
cionalistas diante do que chamavam 'estrangeirismos', focando especialmente os artigos e poemas de Mario Melo.

Ana Paula Spini - ABEU - Centro universitário


Imagens da modernização no cinema latino-americano contemporâneo
A comunicação consiste em discutir as representações da modernização latino-americana do fim do século XX no
cinema. A hipótese é que o cinema latino -americano da década de noventa do século XX construiu não apenas formas
de resistência ao modelo neoliberal implantado no continente naquela década, opondo ao conceito de modernização o
conceito de tradição e comunidade, como também ajudou a construir e difundir uma auto-imagem de América Latina
como lugar privilegiado no qual a simplicidade, o trabalho fora dos padrões de eficiência, a família, a amizade e a
solidariedade encontram campo fértil para existir. Tais filmes apresentariam, assim, uma visão de modernidade alter-
nativa para a América Latina, inserida em um movimento próprio latino-americano de repensar o modelo ocidental de
modernidade.

Waldir José Rampinelli - UFSC


Pancho Villa: bandido ou herói?
O México se prepara para comemorar o centenário de sua Revolução, considerada por vários historiadores daquele
país não apenas um evento nacional, mas de alcance latino-americano. Alguns líderes do processo revolucionário,
como Emiliano Zapata e Venustiano Carranza, se referiam em seus discursos e escritos á influência regional desta
primeira revolução social da América Latina, no século XX. Pancho Villa, um dos grandes líderes do processo revolu-
cionário, sofreu toda uma carga de preconceitos, alimentada e estimulada durante décadas. O historiador mexicano
Paco Ignacio Taibo 11 acaba de lançar o livro 'Pancho Villa: una biografia narrativa', no qual desconstrói os preconceitos
contra Villa. Pancho Villa passa por três etapas distintas durante a Revolução Mexicana, as quais são importantes para
compreender e entender não apenas o Centauro do Norte, mas a própria Revolução. Na primeira (1911-1912), Pancho
se alia a Francisco I. Madero para derrotar o ditador Portirio Diaz; já na segunda (1913-1915), Villa se torna um
revolucionário, passando a expropriar as terras da oligarquia mexicana; na última (1916-1920), Villa recorre á estraté-
gia de guerra de guerrilhas. Este trabalho pretende também mostrar a influência da Revolução Mexicana na América
Latina, principalmente no Brasil.

Hermetes Reis de Araújo - UFSC


Modernidade, ciência e tecnologia, o paradigma norte-americano no Brasil do pós-guerra
Por meio de documentos oficiais e da imprensa da época, pretende-se refletir sobre alguns aspectos dos significados
das aplicações práticas da ciência e da tecnologia no Brasil no período subseqüente à Segunda Guerra Mundial,
momento no qual se assiste o crescimento da hegemonia norte-americana no ocidente e, especialmente na América
Latina.

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18/07 - Quarta-feira - Tarde (14h às 18h)

Nathália Henrich . UFSC


A opção brasileira:o abandono da neutralidade e a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial
O trabalho objetiva descrever e analisar o processo de tomada de decisão brasileiro com relação ao abandono da
posição de neutralidade adotada na Segunda Guerra Mundial e a opção pelo apoio aos Aliados no conflito, buscando
problematizar a questão da identificação do Estado Novo com os regimes autoritários europeus. A política externa ~
brasileira no período adotou a postura de 'eqüidistância pragmática", refletindo sua intenção de auferir os melhores ~
resultados econômicos possíveis do embate estabelecido entre dois blocos de poder, representados por Alemanha e co
Estados Unidos. Fica evidente, neste sentido, a relação estreita entre a formulação e execução da política externa e a ~~
política interna do país. A pressão exercida por Washington pela definição brasileira no conflito acenava com grandes !i
vantagens para o Brasil. Os ganhos materiais da indefinição foram mais palpáveis nas Forças Armadas, mas a nascen- QJ

te indústria brasileira também foi beneficiada pela implantação da siderurgia no país. Jà no plano político, os resulta- .g
dos não foram os almejados, sendo que a opção pelos Aliados acabou não implicando no tratamento privilegiado que ~
o Brasil esperava nas relações com os Estados Unidos, nem em significativa mudança no seu status como ator inter-
nacional.

Ulian Marta Grisolio - PUC· SP .<;;


Entretenimento e Anticomunismo: O Retrato da Guerra Fria na Revista O Cruzeiro (1947/1964) J5
A revista O Cruzeiro foi uma das mais importantes publicaçôes do Brasil no século XX. No princípio, era uma revista de
variedades direcionada a um público essencialmente feminino, dedicando suas páginas a contos românticos, dúvidas
de saúde e beleza e novidades do mundo artístico. Entretanto, a partir da década de 40 o foco de suas matérias e
reportagens se voltou para questões políticas de interesse nacional. Na nitida reorientação editorial da revista, se
sobressai o combate ao comunismo e a conseqüente formação de um ideário anticomunista. Simultaneamente,
percebe-se a crescente influência cultural e política norte-americana, notadamente nos artigos de opinião e nos
anúncios publicitários que, cada um a sua maneira, divulgaram o american way of life. A partir do exposto, o presen-
te projeto de pesquisa propõe a investigação das representações emitidas pela revista O Cruzeiro a partir da refe-
rida reorientação editorial, mais precisamente sobre as representações do anticomunismo durante a Guerra Fria no
período entre 1947 e 1964, fase de intensificação da guerra fria e de maior divulgação de análises políticas de
cunho anticomunista na revista.

Robert Sean Purdy - USP


Construindo Espaços Pá rias nas Américas: Representações na Imprensa de Guetos nos Estados Unidos e
Favelas no Brasil na Década de 1960
Neste trabalho, exploraremos construções sociais da marginalidade urbana por meio de uma leitura cuidadosa da
imprensa escrita sobre guetos negros em Chicago e favelas em São Paulo na década de 1960, um período chave na
consolidação material e ideológica de tais 'espaços párias". As fontes primárias para esse estudo são os principais
jornais diários destas cidades, Chicago Tribune, Folha de São Paulo e Estado de São Paulo. Baseando-nos na litera-
tura recente sobre história urbana, geografia cultural e estudos transnacionais, focaremos em representações sociais
e espaciais sobre trabalho, família, comunidade e identidade racial, destacando os contrastes e paralelos em tais
construções nesses dois contextos diferentes, bem como os entendimentos transnacionais compartilhados sobre clas-
se, cultura e cidadania nas Américas. Noções similares do que constituiu progresso industrial, planejamento urbano e
bom comportamento entre moradores permearam a cobertura da imprensa nas duas cidades. Contextos, tradições e
histórias locais, no entanto, também moldaram o processo de marginalização.

Rogério Souza Silva - Universidade do Estado da Bahia


Desenhando uma nova ordem mundial: o poder dos Estados Unidos e as suas representações caricaturais no
inicio do século XX
Esta comunicação apresentará um conjunto de imagens caricaturais dos Estados Unidos no início do século XX. A sua
riqueza, o seu poder militar e a sua capacidade política eram sintetizados na figura do Tio Sam. Revistas ilustradas de
vários países usaram o humor para entender esse momento. No caso do Brasil, as publicações ilustradas contavam
com o talento de grandes artistas, como: J. Carlos, K.Lixto, Raul, Storni, entre outros, que procuraram traduzir esse
contexto histórico que consolidava a influência cada vez maior de Washington na arena internacional. Portanto, nesse
e em outros temas as caricaturas se constituem em fontes históricas de grande valor. No caso especifico das caricatu-
ras sobre o começo hegemonia norte-americana elas proporcionam um olhar muito interessante sobre um processo
que marca o mundo até os dias atuais.

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Fernanda Tondolo Martins - UFRGS
Integração Sul-americana na segunda metade dos anos 1990: projeto político brasileiro versus assimetrias
regionais do subcontinente
Em decorrência do reordenamento mundial que se processou a partir do final dos anos 1980, o sistema internacional
foi marcado pelo incremento da interdependência social, política e econômica entre os Estados, a aceleração do
processo de globalização bem como a formação de blocos econômicos, A partir da segunda metade da década de
1990, o governo brasileiro, visando a redefinir um paradigma de inserção nacional do país, iniciou um movimento de
aproximação com os países da América do Sul, como forma de fortalecer o subcontinente no cenário externo, Essa
orientação marcou-se pelo continuísmo de alguns aspectos da política externa do Brasil, como a questão do desenvol-
vimento e a do "desejo de autonomia'. Adiplomacia brasileira, nesse sentido, pautou-se pela lógica de ganhos absolu-
tos no âmbito global por meio da cooperação nacional. Um dos maiores obstáculos, entretanto, à consecução desse
projeto foi a assimetria existente entre os países sul-americanos, que nem sempre vêem os projetos de cooperação
econômica e política algo que seja necessariamente um bem para as coletividades envolvidas. Nesse sentido, embora
tenha marcado o segundo mandato do Governo FHC, o projeto de integração regional, conforme análise dos discursos
presidenciais e da chancelaria, ficou aquém do proposto.

19/07 - Quinta-feira - Tarde (14h às 16h30min)

Flávia de Sá Pedreira - UFRN


Entre americanos e potiguares: o difícil cotidiano de guerra do Trampolim da Vitória
Esta comunicação é sobre o contato cultural entre americanos e brasileiros durante a Segunda Guerra Mundial, na
cidade de Natal, capital do Rio Grande do Norte, que passou a ser conhecida internacionalmente áquela época pelo
epiteto de "Trampolim da Vitória'. Retirei as suas principais idéias de minha Tese de Doutorado em História (UNICAMP,
2004), publicada em livro sob o titulo "Chiclete eu misturo com banana: Carnaval e cotidiano de guerra em Natal (1920-
1945)', pela EdUFRN, 2005. Confrontando as diferentes produçôes historiográficas (especialmente os trabalhos aca-
dêmicos e publicações locais) com alguns valiosos depoimentos orais daqueles que vivenciaram o período, a consulta
à Imprensa da época e á documentação do Judiciário, Cartórios e do Exército, entre outras, foi possível vislumbrar o
delineamento das diferenças identitárias entre os dois povos, que enfrentaram as agruras do "esforço de guerra', de
exercícios de "black-out' e das sucessivas crises de abastecimento, que atingiram amplos setores da sociedade.

Christiane laidler - UERJ


Amigos Pragmáticos. O Brasil e os Estados Unidos na Conferência da paz de Haia
Durante a Primeira República, a política exterior do Brasil progressivamente mudou o seu eixo, voltando-se para a
prioridade dada aos Estados Unidos, sobretudo durante a gestão Rio Branco, A parceria entre os dois Estados foi
testada na Segunda Conferência da Paz de Haia, em 1907, com efeitos decepcionantes para as pretensões do Brasil.
O trabalho que se apresenta tem por objetivo analisar a Conferência da Paz e a natureza do sistema internacional que
então se delineava sob o comando das 'potências imperialistas' , enfatizando a atuação dos Estados Unidos para a
sua constituição, bem como as conseqüências e restrições à plena representação das demais naçôes independentes,
sobretudo as latino-americanas. A atuação do Brasil, através de seu delegado Ruy Barbosa é bastante representativa
de tais restrições.

Thiago Pereira Caldas Brum - UERJ


Dois pontos comuns na historiografia da Política Externa Independente
A partir do exame da historiografia da política externa nos governos Jânio Quadros e João Goulart, destacam-se duas
perspectivas distintas de interpretação da chamada Politica Externa Independente. Para alguns autores a PEI repre-
sentou uma ruptura, uma mudança de rumo, já para outros uma continuidade na política exterior que vinha sendo
desenvolvida pelo Itarnaraty. Percebe-se, contudo, dois pontos comuns a ambas correntes de pensamento. Primeira-
mente, considera-se que a PEI resultou do processo de desgaste e antagonismo dos interesses na relação entre
Estados Unidos e América Latina, bem como ocorrera em outros paises do continente americano que buscaram uma
política externa mais independente de Washington. O segundo ponto se relaciona à cOQsolidação de uma pOlitica
externa com o objetivo de atender às demandas do consenso desenvolvimentista do país. A época da Política Externa
Independente a captação de instrumentos para a consecução do projeto de desenvolvimento nacional era o vetor das
relações exteriores do pais, Desta forma ambas correntes interpretam a PEI como uma continuidade na "diplomacia do
desenvolvimento',

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20107 - Sexta-feira - Manhã (10h30min às 12h30min)

Ana Maria Ribeiro de Andrade - Museu de Astronomia e Ciências Afins


Conflitos políticos no caminho da autonomia nuclear brasileira
O trabalho analisa os conflitos entre o Brasil e os Estados Unidos na área nuclear, a partir dos embates na Comissão
de Energia Atômica da ONU, do acirramento das relações diplomáticas na década de 1970 e do dominio da tecnologia
nuclear. Desde a Segunda Guerra Mundial, quando o Brasil era simples fornecedor de matéria-prima estratégica para ê
o desenvolvimento de tecnologias nucleares em outros países, até a recente produção de urânio enriquecido, alguns §
cientistas, tecnologistas e militares formaram um sólido grupo, mas nem sempre tiveram o aval do Itamaraty. Desse ,~
modo, o trabalho examina acordos comerciais e colaborações cientificas bilaterais, tais como: os acordos de exporta- .Ci;
ção de monazita, o programa Átomos para a Paz, e os acordos de prospecção mineral e referente aos usos civis da ~
energia nuclear. Fica clara a intercessão entre as políticas nuclear, de relações exteriores e de ciência e tecnologia,
bem como que os conflitos entre o Brasil, os Estados Unidos e a Agência Internacional de Energia Atômica - fomenta- .g
dos pelo acordo nuclear Brasil-Alemanha, Tratado de Não-Proliferação Nuclear e domínio da tecnologia de enriqueci- ;:§
mento de urânio - se arrefeceram após a assinatura de salvaguardas com a Agência Brasileiro-Argentina de Contabi-
lidade e Controle de Material Nuclear.

Gustavo Biscaia de Lacerda - UFSC 'c;;


Modelos de relacionamentos interamericanos entre o Brasil e os EUA: a Operação Panamericana e a Aliança J5
para o Progresso
O trabalho compara duas iniciativas diplomáticas lançadas pelo Brasil e pelos Estados Unidos entre 1958 e 1963,
respectivamente conforme o país que lançou: a Operação Panamericana (OPA) e a Aliança para o Progresso (AP). A
comparação realiza-se no quadro das relações hemisféricas americanas, em que o conceito de panamericanismo
torna-se fundamental. Assim, o texto inicia-se com a apresentação dos conceitos teóricos fundamentais e prossegue
com um histórico das relações interamericanas, desde o início do século XIX até meados do século XX. Em seguida,
apresentam-se as características elementares da política externa do Brasil e a Operação Panamericana, lançada pelo
Presidente Juscelino Kubitschek em 1958; na seqüência, apresentam-se as caracteristicas fundamentais da política
externa dos Estados Unidos e a Alíança para o Progresso, lançada pelo Presidente John Kennedy em 1961. A última
etapa da dissertação corresponde à comparação entre as duas iniciativas, recuperando-se os diversos elementos
apresentados ao longo do texto. O mote da comparação está nas diferentes transações entre combate ao comunismo
e auxílio ao desenvolvimento nacional de cada uma das iniciativas.

Ceres Moraes - UFGD


A política externa de Vargas e suas relações com Perón
Em 1950, Vargas voltou à presidência do Brasil através de eleições diretas e com significativa vantagem de votos
sobre seu opositor. Sua eleição, vista pelo presidente argentino Juan Domingo Perón como uma possibilidade de
estabelecimento de cooperação entre os dois paises, preocupava os Estados Unidos devido à ambigüidade de seu
discurso sobre as relações quê éom-ele desenvolveria. Vargas, tanto elogiava a cooperação com Washington como
reforçava a vertente nacionalista de seu programa ressaltando que não estava comprometido 'vis a vis' com o capital
estrangeiro. Nesta comunicação pretende-se discutir as relações do Brasil com a Argentina de Perón no quadro da
'guerra fria' e dos interesses norte-americanos na região.

20107 - Sexta-feira - Tarde (14h às 18h)

André Luiz Vieira de Campos - UFF


Relações Brasil-Estados Unidos no campo da saúde pública: o Instituto de Assuntos Inter-Americanos e suas
políticas sanitárias no Brasil na era da Boa Vizinhança
Grande parte da bibliografia sobre política da Boa Vizinhança analisa os aspectos culturais da atuação do Office for
Coordination and Cultural Relations Between the American Republics. O objetivo deste trabalho é enfatizar as relações
desenvolvidas pelo Office no Brasil- como de resto em quase todos os países da América Latina - no campo da saúde
pública. No Brasil, a atuação no Office neste campo resultou na criação de uma agência bilateral chamada Serviço
Especial de Saúde Pública (SESP), que, em associação com o norte-americano Instituto de Assuntos Inter-America-
nos (lAIA), implementou políticas sanitárias no país. Apesar de seu caráter internacional e de ter sido planejado origi-
nalmente como uma agência temporária de guerra, as interações e respostas brasileiras fizeram do SESP um instru-
mento da expansão da autoridade pública, dentro do projeto varguista de construção do Estado e da nação brasileiros.

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Henrique Zeferino de Menezes - Universidade Estadual de Campinas
Desenvolvimentismo e Pragmatismo no governo Geisel: " Plano Nacional de Desenvolvimento e diversifica-
ção das relações exteriores
Esse artigo busca fundamentalmente explicar as relações existentes entre o 11 PND e a política externa brasileira do
governo Geisel. Mais especificamente demonstrar de que maneira a diversificação das relações exteriores brasileiras
correspondia á estratégia desenvolvimentista do período.

Ariel Finguerut - Unesp . FCl . Araraquara


Os Neoconservadores e a Direita Cristã nas administrações de George W. Bush
Este artigo tem como proposta analisar o perfil do gabinete de governo de George W. Bush, suas principais mudanças
entre o fim da primeira administração e o início da segunda. Na conclusão faremos uma análise do corpo de forças que
sustentam e que elegeram George W. Bush enfatizando neste quadro os neoconservadores e a Coalizão Cristã.

Rômulo de Paula Andrade e Gilberto Hochman - Casa de Oswaldo Cruz/FioCruz


O Saneamento da Amazônia: (Des)encontros entre médicos brasileiros e norte·americanos em tempos de
Guerra (1940·1945)
No final dos anos 30 e início dos anos 40, médicos e instituições brasileiras formularam, por solicitação de Vargas, um
plano de saneamento da Amazônia. O contexto externo interferiu diretamente nos rumos deste plano, abortado pela
conjuntura de guerra e pelas pressões norte-americanas sobre o Brasil. O objetivo da comunicação é analisar a posi-
ção e atuação de João de Barros Barreto e Fred L. Soper, dirigentes respectivamente do Departamento Nacional de
Saúde (DNS/MES) e da International Health Division da Fundação Rockefeller no Brasil (lHO), frente a criação do
Serviço Especial de Saúde Pública (SESP) em 1942 que, dirigido por técnicos norte-americanos, seria o responsável
pelo saneamento do Vale do Rio Amazonas, crucial no suprimento de matérias-primas estratégicas. Tanto o dirigente
máximo da saúde pública brasileira, como o próprio representante da filantropia norte-americana em saúde tiveram
suas propostas derrotadas pelos acordos de cooperação promovidos pelo Departamento de Estado dos EUA. O traba-
lho pretende indicar a complexidade das relações entre o governo estadunidense, a filantropia dos Rockefeller no
Brasil e o governo Vargas no campo da saúde.

Caroline Silveira .l3auer - UFRGS


Controle e cooperação norte·americana aos golpes civil·militares brasileiro (1964) e argentino (1976)
Este trabalho tem como objetivo analisar as práticas de controle e cooperação norte-americana à implantação das
ditaduras civil-militares de segurança nacional instauradas no Brasil em 1964 e na Argentina em 1976. Através da
análise da documentação desclassificada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, evidencia-se, na troca
de correspondência entre as embaixadas estadunidenses dos dois paises e organismos norte-americanos, as estraté-
gias colocadas em prática no momento dos golpes. Essa documentação foi desclassificada e está disponivel, para o
caso brasileiro, desde 2004 (40 anos da instauração da ditadura) e, para o caso argentino, desde 2006 (30 anos do
golpe de 24 de março de 1976). Ainda, é possível historicizar as relações de controle e cooperação entre Estados
Unidos e Argentina e Brasil, salientando as semelhanças e diferenças entre os dois paises.

8. Caminhadas pela Cidade: apropriações históricas de experiências urbanas


Francisco Alcides do Nascimento (UFPI) e Luiz Felipe Falcão (UDESC)
I 16/07 - Segunda-feira - Tarde (14h às 18h) I
Aldo Jose Morais Silva - Universidade do Estado da Bahia
História nas lentes: imagens fotográficas de Feira de Santana 1968·1988
O trabalho discute a produção de uma narrativa histórica sobre Feira de Santana (BA) a partir das imagens feitas pelo
fotógrafo Antonio Magalhães (1935) entre 1968 e 1985. A proposta baseia-se na visão de que o profissional é um leitor
privilegiado da experiência urbana e, com suas leituras, produz uma interpretação da história local, narrada em suas
fotografias do espaço citadino, com suas contradições, monumentos, personagens e acontecimentos. A pesquisa
ampara-se no seu acervo particular de mais 20 mil imagens colhidas em 39 anos de profissão na cidade. Para identi-
ficar a narrativa do fotógrafo, procedeu-se uma análise de parte de sua produção, buscando situá-Ia em termos conjun-
turais, estabelecendo a partir daí a leitura de cada um dos textos imagéticos, desenvolvendo-se assim uma 'critica
interna' das imagens. Tais procedimentos permitiram identificar uma visão sobre Feira de Santana que destoa da
versão dominante, segundo a qual esta tem sido historicamente apresentada como o maior entroncamento rodoviário
do norte-nordeste (base de sua riqueza, conflitos e mazelas), para caracterizá-Ia como o resultado de diferentes per-

60
cepções e experiências, produzidas por atores variados (conscientes ou não de seu papel histórico). mas igualmente
atuantes no fazer da cidade.

Alenuska Kelly Guimarães Andrade· UFRN


"A arte de embelezar as cidades": o uso da eletricidade na construção de novas paisagens
A cidade de Natal dos anos 1920 experimentou um processo de modernização que edificou paisagens e estimulou
novas formas de viver na cidade. Segundo essa noção de progresso, a natureza dentro da cidade devia ser ordenada,
construírarn-se passeios públicos, praças, balaustradas e planos urbanísticos foram elaborados conforme modelos
importados. Tais ações tinham o intuito de fazer emergir novas paisagens na cidade - salubres, belas e iluminadas.
Este estudo busca analisar como o uso da eletricidade, e por sua vez dos equipamentos que dela dependiam, contri-
buiu para introduzir na capital do Rio Grande do Norte um embelezamento que seguia os valores que vigoraram entre
os séculos XIX e XX. Postes de iluminação, bondes e relógios que usavam a eletricidade como força motriz, receberam
elementos aplicados à arte de embelezar os espaços urbanos. A associação entre técnica e estética propiciou aos
habitantes da cidade novas formas de fruição da paisagem.

Francisco Alcides do Nascimento - UFPI


"Cidade Verde": múltiplos olhares sobre a cidade de Teresina
A comunicação trata do processo de modernização de Teresina no período compreendido entre 1950 e 1970, captura-
da pelo olhar de cronistas que publicaram nos principais jornais que circulavam na capital do Piauí. A pesquisa empre-
gou um conjunto variado de fontes, que vão desde os jornais até entrevistas realizadas com o apoio da metodologia da
História Oral. Esta foi empregada para obter informações dos segmentos mais pobres que tiveram as suas casas
®8
atingidas pela intervenção no espaço urbano de Teresina.

Juliana de Almeida - UNEB ~


Um Mercado em Chamas .~
'E
O Mercado Modelo é um dos principais pontos turísticos da capital da Bahia - Salvador.Construído sob a intendência :E
de J. J. Seabra, em 1912, na Praça Cayru, sob a proposital denominação 'Modelo' a fim de servir de exemplo para a ~
sociedade no que diz respeito às aspirações do projeto de modernização, urbanização e higienização da cidade, o 'g
Mercado foi consumido pelo fogo por três vezes: primeiramente na década de 20, seguido pela tragédia ocorrida na .§.
década de 40 e, finalmente, o episódio arrasador da década de 60 que colocou um ponto final na história daquele ~
prédio acarretando a transferência dos seus ocupantes para o antigo prédio da Alfândega. Embora a Polícia Técnica co
(mediante ausência de provas suficientes) tenha chegado a conclusão de que o incêndio ocorrido em 1969 foi principi- ~
ado por um curto circuito acidental, existem burburinhos de que o mesmo tenha sido proposital. Pois, o fato ocorreu .{g
c:;
dentro de um contexto de reformas urbanisticas e (re)significação do que é ser civilizado para o momento,cujo Merca- co
do Modelo não correspondia.Proponho, portanto, apresentar uma anàlise sobre o incêndio do Mercado Modelo em ~
1969, estabelecendo uma relação entre as transformações realizadas em Salvador, de acordo os novos paradigmas ~
de modernização e civilização, e o incêndio do Mercado. ]l
c::
'E
Keite Maria Santos do Nascimento Lima - UESB co
c.J
Cidade, ferrovia e modernização: contribuições da Estrada de Ferro Bahia ao São Francisco para a moderniza·
ção da cidade de Alagoinhas·1860 /1920
Para o pesquisador que elegeu as questões urbanas enquanto temàtica, existem, segundo Brescianni, duas aborda-
gens possíveis: uma essencialmente material em que a cidade aparece enquanto obra e outra em que a cidade
aparece numa ótica social (BRESCIANNI, 1998: 21) Nesta última abordagem, a cidade é vista a partir das relações
sociais ocorridas dentro do território urbano, evidenciando um lugar de pluralidade e de diferenças que, historicamente,
podem exprimir-se em dominação, cooptação, mas também em insubordinação e resistência. A partir dessa perspec-
tiva analisaremos as contribuições da Estrada de Ferro Bahia ao São Francisco para a modernização da cidade de
Alagoinhas, no período 1860/1920. Segundo Francisco Antônio Zorzo, esta Estrada de Ferro foi a primeira a ser
construída na Bahia e assim como as outras, estimulou a atividade comercial e intensificou as relações sociais e
econômicas nas regiões onde foram implantadas.(ZORZO, 2002:79). De modo particular a ferrovia contribuiu para o
desenvolvimento da cidade de Alagoinhas que atíngiu o auge de desenvolvimento e de modernização na década de
20. Além dos aspectos sócio-econômicos, a construção desta Estrada de Ferro està interligada a acontecimentos mais
remotos que deram origem à formação da cidade; isto é, a sua história.

Leisa Robles Borba da Silva - UFGD


Cidade e comércio em Três Lagoas (1952 A 1969): da feira livre a mercado municipal
As feiras livres têm como característica principal a venda de produtos de primeira necessidade a varejo, para o abas-
tecimento da população, em locais não raro descobertos. Funcionando principalmente nas ruas da cidade, aberta a
todo o público, fazendo-se também como local de encontro e socialização, onde os costumes das pessoas são de-

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monstrados. Esse tipo de comércio já existia na cidade em 1950, e no mês de maio de 1952 foi feita autorização para
elaboração da planta do prédio da feira livre e em agosto liberadas verbas para que essa construção fosse efetuada,
conseqüência disso, em 1953 foi inaugurada a feira livre de nomenclatura "Feira Livre de Três Lagoas', para retalho de
todos os gêneros alimentícios, ou seja, nesse caso, essa feira passou a não ser mais ao ar livre e sim num espaço
delimitado por paredes de concreto, fazendo-se diferente do que normalmente acontece. Na década de 1960 esse
prédio, após ter passado por algumas reformas passa a denominar "Mercado Municipal de Três Lagoas -Administra-
ção Dr. Leal de Queiroz". Portanto, a feira livre que depois foi transformada no primeiro mercado municipal da cidade
teve seu efetivo funcionamento até 1969 e ambos com o mesmo objetivo de abastecimento da cidade.

Márcia Maria Fonseca Marinho - UFRN


Natal civiliza-se: sociabilidade e representações espaciais da elite (1900-1929)
As iniciativas do governo no sentido de uma reorganização da estrutura urbana da cidade no inicio do século XX
refletem o desejo vivido pelos membros da elite local de enquadrar Natal nos moldes dos grandes centros urbanos do
início do século XX. Desejava-se transformar Natal numa cidade moderna. Nesse sentido, o governo empenhou-se na
reformulação de alguns espaços físicos da cidade. No entanto, era preciso também que além das transformações
urbanas a cidade passasse por 'reformas' sociais. Desta forma, esses grupos criaram novas instituições e espaços de
sociabilídade que afirmariam a capital do Estado como uma cidade moderna.
As instituições formais tinham um papel importante na construção dessa nova cidade almejada pela elite local. Pois,
através dessas, difundiam-se novas práticas sociais que seriam refletidas nos espaços urbanos. Em lugares como
clubes e associações, a elite se distinguia do popular. Nesses lugares, suas práticas eram legitimadas, em contraponto
com as práticas populares. Eram nos clubes e nas atividades praticadas pelos seus membros que os ideais da elite
circulavam, lá que a elite se formava e se transformava. Desta forma as aspirações de um grupo social refletiam na
organização social dos espaços da cidade. Portanto, as práticas definem os espaços.

Reinaldo Lindolfo Lohn - UDESC


Espaços públicos na cidade-mercadoria: modernização e cultura política em Florianópolis (1960-2005)
Em Florianópolis verifica-se um conjunto de ações governamentais combinadas com projetos empresariais que reor-
ganizam a cidade, transformando-a num produto de mercado e criam instrumentos de comunicação voltados para
promover a adesão social á imagem construída. Ao mesmo tempo, ocorre uma tendência de que diversos espaços, em
especial o centro histórico da cidade, sejam esvaziados como locais de convivência civil e pública. Este trabalho
discute a interação problemática desses dois movimentos, dentro de discussões da História do Tempo Presente, nas
quais a dimensão da cultura política ganha destaque, bem como tenta compreender certas implicações socioculturais
da modernização da sociedade brasileira nas últimas décadas. Resulta de uma investigação, em andamento, em
textos e imagens publicados pela imprensa da cidade e pela publiCidade veiculada pelo setor imobiliário, num período
que se inicia na década de 1960. Há indícios que apontam para alterações nas apropriações e usos do espaço público,
com a introdução de formas de sociabilidade pautadas na privatização da vida e na segregação social, com a crimina-
lização das classes populares, a reificação de modos de vida pautados nos horizontes de expectativa de camadas
médias, bem como a restrição a formas de mobilização coletiva.

I 17/07 - Terça-feira - Tarde (14h ás 18h) I


Helder Rodrigues Pereira - UFMG
O palco do riso no ambiente trágico: o urbano significado pelo discurso teatral
Resumo: As cidades podem ser percebidas pelos discursos que por elas transitam: não apenas as pessoas, mas
também as palavras transitam pelas ruas, significando o espaço urbano por um simbolismo particular, definido pelas
escolhas lexicais de quem fala a cidade. As palavras constituem as cidades. Muralhas e pontes são construídas pela
linguagem que permite passagens e impedem tráfegos. Para uma compreensão simbólica do espaço urbano, utiliza-
se os pressupostos da Análise do Discurso que possibilitam a compreensão do interdiscurso e do silenciamento forma-
dor das várias vozes urbanas. Como corpus de análise, propõe-se o gênero da dramaturgia denominado teatro de
revista - de grande expansão em várias cidades brasileiras no início do século XX. Tal gênero propõe passar em
revista o ano, apresentando a cidade a si mesma a fim de fazê-Ia rir pela caricatura das personagens - significantes
capazes de construir a cidade cômica em oposição á severa. O espaço urbano é São João dei Rei-MG, a cujas peças
teatrais tivemos acesso a partir do acervo do Grupo de Pesquisa em Artes Cênicas da Universidade Federal de São
João dei Rei. A pesquisa revela que o recurso ao cômico é uma das formas de evidenciar um cotidiano nem sempre
risível.

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Isa Paula Zacarias Ribeiro - UFRN
Lugares da cidade: os espaços de cultura e lazer em Natal nos anos 1960, as praças de cultura
Entre os anos de 1960 e 1964, a Prefeitura de Natal, sob a liderança do Prefeito Djalma Maranhão, dentro de seu plano
de urbanização da cidade, desenvolveu o Programa de Democratização da Cultura nos Bairros. Esse programa obje-
tivava levar aos bairros de Natal espaços de lazer e cultura. Seriam construídos em praças da cidade, parques infantis,
quadras de esportes e praças de cultura. Nosso objetivo é analisar como esses espaços foram incorporados pelo
poder público municipal, bem como perceber o espaço como experiência individual e coletiva. Como o grupo que
estava no poder expressou visualmente seus valores na materialidade da praça e como seus freqüentadores apropri-
aram-se do lugar.

Ivanilda Aparecida Andrade Junqueira - UFU


O barracão de zinco pede passagem: novos usos no centro da cidade
A Praça XV de Novembro, situada em Prata, Minas Gerais, tem seu espaço permeado pelas relações que se desdo-
bram de acordo com as vivências de seus usuários sendo as mesmas de ordem econômica, politica ou de criação
cultural. Ela se localiza no centro da cidade e, conforme nos diz Jerôme Monnet, acaba por se tornar um 'lugar comum'
pois ao mesmo tempo em que é partilhada fisicamente é também um símbolo da participação em uma comunidade
urbana. Cada ator social, cada grupo de interesse aciona uma estratégia de controle desse espaço procurando usu-
fruir, da melhor maneira possível, das vantagens que o local pode lhe oferecer. Esta comunicação abordará alguns
aspectos que foram significativos no processo de transformações ali ocorrido, principalmente, nos períodos em que se
inseriram as duas reformas que remodelaram totalmente seu espaço físico, 1937 e 1967. Nesses dois contextos houve
a disseminação de discursos voltados para o desenvolvimentismo e o anseio pelo progresso numa tentativa de justifi-
car, junto á população, a necessidade de criar uma imagem de cidade próspera e desenvolvida. Pretendeu-se ainda,
®
compreender como os freqüentadores vivenciaram essas mudanças, ou até que ponto interferiram nos novos modos
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de utilização que lhe foram atribuídos. ctl

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Sandra Regina Born . UDESC


Falas na Cidade de Florianópolis (1945·1964) ~
O presente trabalho tem por objetivo efetuar uma reflexão acerca das enunciações produzidas em Florianópolis, du- '8,
rante o período de redemocratização (1945-1964). Procura demonstrar que os comentários de cidade pequena, paca- '§..
~~~:~~~~~ ~~â~~~f~~~~~f~~~~~~~~~~;~~~~~~~~~~t~:~.iC~~ ~o~e~~~~i~~vâ~e~~~Jed;e~a!~a~: ~~~:u:;~~~a~~ ~
e provinciana passaram a ter destaque nos principais jornais locais, especialmente 'O Estado', o 'Diários da Tarde' e .gj
'A Gazeta' de Florianópolis. Essas elocuções procuravam destacar tudo o que a cidade tinha ou não, ou ao menos, o ~
C5
que possuía com deficiências: de água canalizada, redes de energia elétrica, abastecimento de leite e carne, a preca- ctl

riedade de estradas em boas condições para ligar o centro aos bairros mais distantes, a precariedade de estradas em ~
boas condições para ligar o centro aos bairros mais distantes, a ausência de universidades e indústrias que colaboras- ~
sem para o desenvolvimento. Por certo, a maioria dessas enunciações esteve restrita aos políticos e aos mais abasta- ::ê
dos, que tinham legitimidade para produzi-Ias. Essas pessoas possuíam poder material e simbólico para tanto, assim '~
como p o l í t i c o . ' ~

Severino Cabral Filho - UFCG


Modernização, Cotidiano e Cultura Material em Campina Grande·PB.(1930·1950)
O nosso objetivo com a presente comunicação é, através da utilização de imagens fotográficas e de imagens literárias,
abordarmos aspectos do cotidiano na cidade de Campina Grande, Paraíba, entre os anos 1930-1950, considerando os
impactos de um processo de modernização verificado nesta cidade. Enfatizaremos as modificações ocorridas em sua
fisionomia, tendo em vista uma reforma urbana realizada no início dos anos 1940. Da mesma forma, pretendemos
apresentar os delineamentos de uma cultura material marcada por mudanças e permanências e que fora, progressiva-
mente, pressionada pela implementação de equipamentos modernizadores os mais diversos, responsáveis por trans-
formações de natureza social, econômica, política e mental. Tais transformações não ocorreram sem tensões e confli-
tos, aspectos caros á experiência urbana e à elaboração de uma História da vida cotidiana campinense.

lIanil Coelho· UNIVILLE


Migração e identidades culturais em Joinville (1980 ·2000)
A comunicação visa apresentar o projeto de pesquisa ora em desenvolvimento no Programa de Doutorado em História
da UFSC. A cidade de Joinville tornou-se a partir dos anos de 1980 a primeira cidade no ranking dos municipios mais
populosos de Santa Catarina, graças a um intenso fluxo migratório. As transformações urbano-industriais no contexto
da economia globalizada imprimiram à cidade mudanças de toda ordem. É no campo das práticas culturais e dos
processos de identificação que a pesquisa é problematizada. Procuro estudar os migrantes não como uma categoria
homogênea e unitária do ponto de vista social e cultural, mas como grupo que traz em si diferenciações e contradições.

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Essas últimas podem ser apreendidas, em primeiro lugar, nos processos de identificação cultural quando da reterrito-
rialização dos diferentes migrantes no espaço urbano e, em segundo lugar, na composição das memórias deste grupo
sobre o próprio ato de migrar. Busco, também, investigar as concepções dos estabelecidos sobre a migração e os
migrantes, de forma a entender a convivência e os relacionamentos carregados de estranhamentos, de hibridizações
e de estigmas, que promovem a emergência, reafirmação e atualização de novas e antigas etnicidades e de novas e
antigas práticas culturais.

Luiz Felipe Falcão - UDESC


Tracejando esboços da cidade (embates sobre a memória e a história de Florianópolis)
Considerada como uma cidade relativamente pequena do ponto de vista demográfico ao longo das décadas de 1940
e 1960, além de pouco dinâmica em termos econõmicos e culturais, Florianópolis já vivenciava uma série de contatos
com as maiores cidades do Brasil, um início de verticalização das construções na parte central da sua urbe e uma
tentativa de planejamento urbano. Entretanto, a partir de 1970, a cidade foi sendo bastante transfigurada em relação
ao que sua paisagem mostrava até então, com uma nova ponte ligando sua porção insular á continental e novas
avenidas e estradas aproximando as localidades mais distantes, dando ensejo a intensas disputas acerca da produção
de uma memória e de uma história da cidade capazes de lhe conferirem um perfil identitário singular no Estado de
Santa Catarina e mesmo no Brasil.

Rejane Silva Penna - Centro Universitário La Salle/AHRS


Forasteiros: experiências de migrantes no contexto de uma cidade industrial
O processo migratório nacional foi amplamente estudado por geógrafos, sociólogos, antropólogos e estatísticos, a
partir de 1960. Entretanto foram insuficientemente abordados os modos como transferiram-se os usos e costumes dos
lugares de origem ao de destino e a maneira pela qual as pessoas interpretaram sua inserção no contexto da cidade
maior. Buscando auxiliar no preenchimento desta lacuna, o presente trabalho analisou a experiência de migrantes
interurbanos na nova comunidade na ótica de seus sujeitos, utilizando a abordagem da história oral e história local.
Primeiro, explicando como se compreende a articulação entre narrativa, memória e ideologia. Após, propondo uma
metodologia de análise das narrativas, inserindo elementos da hermenêutica e da análise de discurso. A metodologia
possibilitou interpretar os depoimentos no sentido de que mais do que articular novas formas de pensar suas vivências
para enfrentar o desafio de um meio urbano maior e diverso, os migrantes recorreram aos elementos presentes em sua
cultura de origem, aos quais cada vez mais se apegaram, compreendendo os novos tempos e a quebra de tradições
como uma ameaçadora crise de valores que poderia tragar um modo de vida.

Vanessi Reis - UFRGS


Memórias da boemia noturna nos bares da Cidade Baixa e Bom Fim - Porto Alegre/RS
O bairro Cidade Baixa surge na fundação da Cidade e carrega grande carga histórica e cultural dela, por ser berço de
sua fundação, lugar de escoamento da produção local, espaço de excluídos sociais e pobres. Transformou-se em
palco de boemia notuma, desenvolvida primeiramente junto a "baderneiros" negros e prostitutas. Mais tarde, tornou-se
reduto de Lupicínio Rodrigues e suas rodas de samba. Com a implementação da Ditadura no país, a juventude estu-
dantil se move e toma como espaço para articulação e conspiração, os diretórios acadêmicos, centros estudantis e
casas de estudantes, além de bares próximos ou dentro da Universidade. Esses locais se distribuiram pelos dois
bairros. Com a queda do regime, mudanças sociais e comportamentais, a euforia diminui e interfere na dinâmica social
destes espaços urbanos. O Bom Fim entra em decadência, transfere parte do público para as proximidades da Reden-
ção e outra á Cidade Baixa. O Bom Fim, considerado sujo, underground e perigoso, é "fechado" por ações públicas de
controle à violência, e seu público migra, definitivamente, para a Cidade Baixa. O presente trabalho busca expor as
memórias desta boemia, recuperadas através de antigos usuàrios, ilustrando esta narrativa através do registro de
testemunhos e da reconstnução do imaginário.

I 18f07 - Quarta-feira - Tarde (14h às 18h) I

Arnaldo Haas Junior - UDESC


Horizontes da escrita: análise historiográfica sobre as obras que narram à história dos municípios da região
do Alto Vale do Itajai-SC (1985-2007)
Possivelmente preocupados com a preservação da memória cultural ou, lugar comum na história tradicional, com o
"resgate' do passado, pessoas das mais diversas formações escreveram obras de caráter local que retratam o passa-
do dos municípios da região do Vale do Itajaí - se. O trabalho em questão visa problematizar, numa perspectiva
alicerçada nos estudos culturais, a maneira como tais narrativas pretendem regular representações sobre o passado,
partindo do pressuposto fundamental de que estas obras deixam transparecer a alcunha de "história oficial', ou macro
História, fato este evidenciado pela expectativa de escrever toda a história da cidade e da sua gente.

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Carlos Alberto de Oliveira - UESC
Cidade de Papel: Periodismo e Vida Urbana em IIhéus/BA
A comunicação busca o diálogo imprensa/vida urbana, na cidade de Ilhéus/Ba, na primeira metade do século XX.
Período que marcará, graças ao desenvolvimento da economia cacaueira, uma intensa atividade econômica com a
conseqüente dinamização da vida urbana em Ilhéus. Neste contexto, pretende-se explorar a construção da identidade
de Ilhéus como cidade portuária, possuindo características singulares: a existência do porto e o contato com o Mar;
navios de diferentes nacionalidades chegando e partindo, homens que andam pelo mundo, transmitindo e comparti-
lhando suas experiências. Com o porto em pleno funcionamento, a cidade de Ilhéus ganha um novo aspecto: de
cidade pacata de interior passa a receber pessoas, hábitos, mercadorias e novidades de vários países do mundo.
Nesta comunicação, discutimos com as informações contidas no 'Correio de IIhéos', no ano de 1926, ocasião em que
ocorre o início da exportação direta de Cacau para o exterior. A imprensa nos mostra diferentes aspectos do viver
urbano ilheense, particularmente práticas cotidianas de seus moradores. Suas páginas contêm valiosas informações
sobre as transformações físicas e humanas que se operaram nesse espaço.

Celma Paese - Propar FAU UFRGS


As Vanguardas e o caminhar urbano como prátíca estétíca
Este artigo trata das diferentes maneiras que as vanguardas do início do Século XX leram e escreveram a cidade,
utilizando o caminhar como prática estética. A representação no movimento futurista, a exploração do banal dadaista e
a cidade inconsciente das deambulações surrealistas fez com que a cidade se revelasse como espaço de sobreposi-
ção de experiências e significados.

Rafael Damaceno Dias - UDESC


Acorda Floripa! Encontros e desencontros na emergência de uma (outra) cidade
®
Resumo: Florianópolis, entre as décadas de 1970 e 1990, vivenciou um conjunto de transformações que possibilitaram ~
a emergência de uma cidade bastante diferente daquela de períodos anteriores. Uma das mais expressivas se relaci- :~
ona com a chegada de um grande contingente de novos moradores atraídos tanto por empresas que ali se instalaram 11
(como a Rede Brasil Sul de Comunicação e a Eletrosul Centrais Elétricas) quanto pela possibilidade de se viver em um ~
lugar relativamente tranqüilo se comparado aos grandes centros urbanos. Pretende-se aqui explorar os encontros e '8.
desencontros entre essa população recém chegada na cidade e aquela nascida ou nela já ambientada a partir da .§.
imprensa escrita diária, especialmente a partir das colunas sociais de Cacau Menezes e Beto Stodieck. Nos textos ~
desses colunistas é possível não apenas perceber modos de ser e viver de segmentos preeminentes de Florianópolis, co
mas também disputas relacionadas a questionamentos de relações estabelecidas desde longa data na cidade, assim .jg
como nostalgias frente a perda de referências habituais em meio as transformações que aconteciam. -{g
u
co
Charles d'Almeida Santana - UNEB/UEFS/UCSAL ~
Vivências urbanas: espaços e tempos ~
As trajetórias e memórias de migrantes, em Salvador, indicam importantes e complexas experiências de espacialida- ]l
des e temporal idades do trabalhador rural imerso em cotidianos urbanos. O tempo mecânico é contestado pelo tempo .§
mais próximo á natureza. Viver a cidade traduz-se em considerações acerca da vida pretérita, no campo, como instru- ~
mento de luta citadina. Suas relembranças oralizadas cruzam os mais diverso tempos (passados, presentes e futuros)
e espaços, sem perder de vista as profundas transformações em processo nas roças e na cidade.

Diego Finder Machado - UDESC


Em busca de autenticidades perdidas: memórias em disputa sob os limiares de uma cidade globalizada
Ao despontar do novo milênio, diante de uma virtual compressão das noções de tempo e espaço, vi vencia-se uma
intensificação das trocas, deslocamentos, intercruzamentos e hibridações entre diferentes realidades sócio-culturais.
Tal contexto tem propiciado um acirrado confronto entre a construção de uma 'cultura global' e a reativa afirmação de
singularidades regionais, confronto este que historicamente tem sido permeado por discriminações de toda espécie.
Inseridas nesta conjuntura, as cidades são palco de tensões e conflitos inerentes á era da globalização. Ao deslocar-
se pelos limiares porosos dos traçados urbanos é possível vivenciar temporalidades e territorialidades diversas. Neste
processo, a memória, objeto de múltiplas disputas, tem servido na busca pela afirmação de identidades culturais
supostamente autênticas. Pautando-se nestes pressupostos, a presente comunicação, parte do projeto de mestrado
desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação em História da UDESC, tem por objetivo sugerir discussões acer-
ca das relações de poder em torno dos 'lugares de memória" da cidade de Joinville, Santa Catarina. Desta forma,
pretende-se, a partir das especificidades pesquisadas, debater os usos e abusos da memória ante a inserção das
cidades no conturbado processo de globalização.

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Renata Brauner Ferreira - UFPel
Pelotas no século XIX: ócio, ostentação e luxo à sombra da escravidão
O objetivo do presente trabalho é o de analisar o ócio da elite pelotense no último quartel do século XIX a partir da
perspectiva de Thornstein Veblen: em uma sociedade em que o trabalho é considerado uma tarefa humilhante reserva-
da as classes inferiores, o ócio se apresenta como um meio para se obter o respeito dos outros, não trabalhar passa a
ser um requisito de 'decência' . Daí a importância do ócio, considerado como o tempo gasto em atividade não produti-
va, no caso, sem retorno financeiro, o que fazia com que a classe superior se abstivesse de qualquer trabalho, primeiro
pela indignidade do trabalho produtivo e segundo para demonstrar a sua capacidade financeira de viver uma vida
inativa. Afinal não bastava ter riqueza e poder era preciso demonstrá-los, o que a elite pelotense sabia muito bem como
fazer: bailes grandiosos, apresentação de espetáculos musicais e teatrais, soirrés, passeios fluviais, apresentação de
artistas nacionais e internacionais, enfim, uma série de atividades artístico-culturais ... Mas a cidade não comporta só a
elite, todo este luxo e ostentação só foi possível graças a instituição da escravidão e é sobre o lazer dos escravos e dos
demais excluídos desta sociedade que também nosso olhar se projeta.

Sandro Dutra e Silva - UnB/UniEVANGELlCA


Os estigmatizados: representações urbanas distintas às margens do Rio das Almas
Esse estudo propõe uma análise da sociodinâmica da estigmatização da localidade da Barranca, hoje município de
Rialma, pelos moradores da Colônia Agrícola Nacional de Goiás(Cang), atualmente o município de Ceres - Goiás.
Propõe uma investigação dos elementos constitutivos da distinção entre essas comunidades ribeirinhas do Rio da
Almas, na região centro-norte de Goiás, a partir dos processos históricos de interação e demarcação de identidades,
tendo como recorte temporal as décadas de 1940 a 1960. A abordagem metodológica fundamenta-se na leitura dos
referenciais simbólicos geradores da necessidade de distinção, inserindo narrativas, linguagens e representações que
evidenciam as diferenças e o sentido histórico da diferenciação. Fundadas a partir de um mesmo processo histórico, a
Marcha para Oeste, essas localidades constituíram experiências urbanas distintas, apesar da proximidade geográfica.
Separadas pelo Rio das Almas e unidas por uma ponte, constituíram fronteiras culturais em que as relações de poder
expressaram-se na representação cotidiana de suas experiências urbanas. O estudo procura identificar nas práticas
sociais urbanas as lutas simbólicas pela distinção e as origens da estigmatização oriundas da vontade de diferença.

Waldeci Ferreira Chagas - UEPB


Apropriação e uso do espaço urbano na cidade da Parahyba
Neste trabalho, investigamos a cidade da Parahyba durante as três primeiras décadas do século XX, entre os anos
1910 e 1930 e atentamos para as formas como as elites e as classes pobres vivenciaram o processo de urbanização
pelo qual essa urbe passou. Amanutenção dessa perspectiva de compreensão e de apropriação da cidade implicou na
disciplinarização do uso e permanência no espaço urbano, de forma que a modernização se mantivesse e as elites
pudessem mostrar o quanto eram modernas. Não demorou e a rua deixou de ser o lugar de todos (as) e passou a ser
de alguns, o que implicou no afastamento das classes pobres para os arredores da cidade, uma vez que suas práticas
e costumes foram considerados incompatíveis com a nova paisagem urbana que a cidade passou a apresentar.

I 19/07 - Quinta-feira - Tarde (14h às 16h30min) I

Emerson César de Campos - UDESC


Estrangeiros em Casa: (re)sentimentos, impressões e identificações produzidas pelos emigrantes brasileiros
clandestinos nos Estados Unidos, quando de volta para Santa Catarina (1995-2005)
Esta comunicação pretende apresentar algumas das práticas e sentimentos desenvolvidos pelos emigrantes clandes-
tinos nos Estados Unidos quando de sua volta para Santa Catarina, no período compreendido entre 1995 e 2005.
Assim, se busca identificar as formas pelas quais os ex-emigrados (retornados), ditos estrangeiros, novamente em
casa, vivem e (re)sentem a cidade de Criciúma. A partir de contato com uma série de fontes, produzimos uma interpre-
tação do citado retorno, bem como uma análise sobre as ações promovidas que produzem novos sentidos e expres-
sões culturais híbridas na cidade. Desta forma tentamos relacionar as impressões dos retornados com as transforma-
ções ocorridas em Criciúma, ouvindo e visibilizando vozes inseridas na polifonia da cidade.

Gláucia de Oliveira Assis - UDESC


As conexões entre os EUA e o Brasil; As conexões entre os EUA e o Brasil: as redes sociais tecidas a partir de
Governador Valadares (MG) e Criciúma (SC)
Resumo: Nesse início de século XXI a emigração de brasileiros tem ampliado as fronteiras, redefinido identidades, e
conexões dos grupos sociais que vivenciam a experiência de viver entre dois lugares. Este trabalho discute como nas
duas cidades no Brasil que tem conexões desde a década de 1980 com a região de Boston (EUA) - Governador
Valadares (MG) e Criciúma (Se) foram se construindo esses laços transnacionais. A ampliação dos pontos de partida,

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a formação de redes de parentesco, amizade e de origem comum, bem como as redes de tráfico de migrantes, trans-
formam o cotidiano dessas cidades configurando complexas redes sociais. Este artigo, a partir dos relatos de homens
e mulheres migrantes e seus familiares, discute as diferentes e às vezes ambíguas experiências na configuração das
redes sociais. Para tanto, através de observação participante da vida cotidiana em ambas as cidades, procuraremos
reconstruir essas trajetórias que re-articulam o global e o local.

Maria Angélica da Gama Cabral Coutinho - Universidade Estácio de Sá


A escola da Guanabara na memória carioca
A primeira eleição para Govemador do Estado da Guanabara, em 1960, em que Carlos Lacerda sagrou-se vencedor,
foi uma das mais acirradas que o antigo Distrito Federal teve oportunidade de assistir. Teve como base de propaganda
o processo de estadualização local, além de objetivar a demarcação da identidade desta nova unidade federativa.
Para isso, tornava-se fundamental reordenar a máquina administrativa herdada da capital federal, redimensionando
alguns setores, dentre eles a Educação, um dos principais pilares da campanha lacerdista. A ampliação do número de
vagas para a educação transformou-se num dos principais objetivos governamentais e efetivou-se essencialmente
através da construção de novas salas em antigas escolas e de novos prédios. Os novos edificios construidos seguiram
um modelo arquitetônico único que vincou decisivamente a cidade. Trata-se de prédios ainda marcantes hoje para a
população carioca. O presente trabalho de pesquisa fundamenta-se na compreensão de que, como afirma Cornelius
Castoriadis (1999, p.281) ' ... a sociedade é criação, e criação dela mesma ... '. Aescola pública, em seu projeto e forma,
é resultado dessa construção da sociedade, posto que é parte essencialmente integrante e representativa.

Roselâine Casanova Corrêa - UNIFRA


Desafios de um consenso: a administração municipal de Antonio Xavier da Rocha (Santa Maria -1937-1941)
®
A 27 de dezembro de 1937, foi empossado na Intendência de Santa Maria, por decreto federal, Antonio Xavier da
Rocha, que permaneceu no cargo até 1941. Sob sua gestão municipal, ocorreu um processo de transformação dos ~
espaços urbanos - um novo projeto político de (re) urbanização baseado em um discurso de modernidade - como a ~
criação de praças, clubes, cine teatros, monumentos, festividades e abertura, nivelamento e calçamento de ruas e 11
avenidas. No campo da educação, tal Intendente efetivou a criação de grupos escolares nos distritos municipais, onde 1:l
as inaugurações buscavam dar ênfase ao dinamismo do poder executivo municipal. Essas cerimônias de inauguração '8.
contavam com a presença da população santa-mariense e privilegiavam demonstrações de culto à pátria. Para refe- .§.
rendar o projeto moderno que então se efetivava, a imprensa local- sobretudo o jornal Diário do Interior - teve relativa 15..
significãncia, uma vez que divulgava amplamente as realizações de referida Intendência. '"
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Vanuza Ribeiro de Lima e Maria Augusta de Castilho - Universidade Católica Dom Bosco -{g
História, territorialidade e desenvolvimento local no contexto das monções em Camapuã
u'"
A pesquisa aborda a História, a territorialidade do varadouro de Camapuã, município localizado no interior de Mato ~
Grosso do Sul e que no período entre os séculos XVIII e XIX foi rota de passagem dos monçoeiros em busca das minas ~
de ouro do Mato Grosso. O movimento ficou conhecido na História do Brasil como Rota das Monções. Oconhecimento ]l
sobre o lugar e o fortalecimento das relações com o território colaboram para a formação da identidade cultural e são .~
elementos essenciais ao desenvolvimento local. O estudo teve como aporte teórico autores nacionais e internacionais ~
que sinalizam o desenvolvimento de uma comunidade por meio da compreensão do passado relacionando-o com o
presente.

I 20/07 - Sexta-feira - Tarde (14h às 18h)


Janete Santos Ribeiro - UFF
Passeios Pedagógicos - Construindo um currículo emancipatório
A partir da vontade de possibilitar aos educandos de ensino fundamental a compreensão dos conteúdos referentes à
Colônia e Império em seus aspectos macros e micros, inventei um personagem que viajando pela História, parasse em
diversos portos/conteúdos e pesquisasse sobre a multiplicidade de saberes e fazeres desses lugares, desses sujeitos
e desses tempos. Este personagem convida e recruta os alunos a fazerem parte da tripulação que visitará os diversos
lugares, instrumentalizando-os para que façam uma viagem prazerosa, ilustrativa e que tragam na bagagem novas
rotas de descobrimento, invenções criativas que nos ajudem a rever e quem sabe transformar a escola num espaço de
vivências criativas. Com estes objetivos, as aulas-passeios são desenvolvidas ao longo do ano letivo, estimulando o
alunado a registrar em diários de bordo e jornais temáticos suas observações, articulamos o saber escolar com a
experiência cidadã de imaginar-se no espaço-lugar do outro, todos são tocados para a necessidade da pesquisa e a
professora-pesquisadora em mim, aprofunda-se nas diversas possibilidades do fazer pedagógico e histórico. Fazem
parte do Roteiro desta reflexão: Museu Histórico Nacional, Ilha de Paquetá, Quilombo São José, Passeio pela Baía de
Guanabara, Cais da Praça XV e Pão de açúcar.

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Thelma Jackeline de lima - Instituto de Ensino Superior Santa Cecília
Cidade de forasteiros: a formação demográfica e territorial de Arapiraca -AL (1940-1980)
Arapiraca está situada no centro do Estado de Alagoas, portanto, em termos espaciais ela ocupa uma posição geográ-
fica privilegiada que vai transformá-Ia em ponto de passagem obrigatório de tropeiros, caixeiros viajantes e pessoas
que por necessidades diversas circulavam por estas bandas. Em função do seu desenvolvimento econômico torna-se
um pólo atrativo dessas pessoas que antes só transitavam e que em dado momento decidem também estabelecer-se
nessa territorialidade, alguns de forma definitiva, outros em caráter temporário, mas de uma forma ou de outra vincu-
lando-se a região, criando laços, fincando raízes. Essa característica vai marcá-Ia como "cidade de forasteiros'. Ocorte
cronológico será de quarenta anos compreendendo os anos de 1940 -1980. Período que através de alguns indícios
constantes em documentação primária torna possível a reconstituição da história de ascensão e declínio da cultura
agrícola que fomentou o desenvolvimento econômico da região, proporcionando. também um grande crescimento
demográfico em função dessa expansão econômica e de sua localização territorial. A partir da documentação eclesiás-
tica, cartorial e da câmara municipal torna-se possível trabalhar com a história local na perspectiva dos estudos de C.
Ginzburg, J. Revel, dentre outros.

Maria de Fátima Oliveira - UEG/UFG


Cartas de amor: memória e cotidiano em duas cidades ribeirinhas
O objetivo desta comunicação é mostrar aspectos da cultura e cotidiano em duas cidades situadas nas margens do rio
Tocantins, a partir da análise da correspondência entre um casal de namorados. O acervo, em bom estado de conser-
vação, é composto por 157 cartas e bilhetes, além de diversos telegramas, e encontra-se atualmente na cidade de
Pedro Afonso no Estado do Tocantins. Essa correspondência foi escrita na década de 1940, por um casal de jovens,
enquanto ela residia na cidade de Carolina (MA) e ele, em Pedro Afonso (TO). Os meios de comunicação utilizados
pela população ribeirinha na época eram os barcos a motor, tropas, aviões e o telégrafo. Devido á falta de estradas na
região, o automóvel era pouco conhecido pelos ribeirinhos, enquanto se familiarizaram rapidamente com o constante
tráfego de aviões.

Sandra Makowiecky - UDESC


Cidades, viagens, memórias .
Necessitamos um preparo para viajar: uma educação adequada para manter-nos acordados para suas vantagens. E
preciso estar atento e saber aproveitar esta apaixonante, brilhante, intelectual, prazerosa, produtiva e exigente ativida-
de. Apreciar uma cidade proporciona isso. Percorrer uma cidade é fazê-lo como um fisionomista, pois os objetos
sempre contam uma história. A cidade é o projeto primordial da modernidade, em que a totalidade vai se dando por
pequenos pedaços e cada pedaço é importante. E preciso captar o singular de cada cidade. O filósofo Michel de
Certeau (1994) compara o ato de andar na cidade com a formulação de um discurso. Considera que esse ato, aparen-
temente corriqueiro e á primeira vista, desprovido de significados, além de seus objetivos mais aparentes, como ir a
determinado local ou passear, está imbuído de pequenos vistos, fantasias, insere-se numa rede simbólica. O ato de
caminhar, a experiência do corpo no espaço, articula outros tempos, resgata memórias que acompanham os ritmos
dos passos e, portanto, o imaginário atualiza-se no percurso urbano. No limite, as caminhadas, como as viagens, são
os substitutos das lendas que não conseguimos mais narrar. CERTEAU, MICHEL DE. A invenção do cotidiano. Artes
de fazer. Petrópolis: Vozes, 1994.

Maria Thereza Negrão de Mello· UnB


Urbanita brasiliense: "habitante do patrimônio" ou simplesmente morador?
Ao abrigo de projeto desenvolvido pela proponente, a investigação fi li a-se á História Cultural como espaço de trabalho
constitutiva mente interdisciplinar, em suas interfaces com questões identitárias, patrimônio material e imaterial e ence-
nação urbana. Trabalhada á luz do representacional e com o suporte de falas de narradores de gerações distintas, a
pesquisa tiá concluída), tematíza a experiência cotidiana do urbanita brasiliense enquanto habitante de uma cidade
'patrimônio da humanidade' e indaga a maneira pela qual tal condição o interpela, operando como elo de pertencimen-
to e vetor identitário. Se a memória de antigos narradores esculpe benjaminianamente vinculos de pertença ligados à
cidade monumental e á saga de sua construção, entre os jovens brasilienses, a referência identitária parece passar por
vetores outros, que não privilegiam o status de moradores de um "patrimônio da humanidade'.

Wilton de Araujo Medeiros - UFG


O espaço urbano narrativo
O texto a seguir atribui ao planejamento urbano um papel de crítica que o coloca como lugar de autores, que se aliaria
bem mais a um plus de teorização do que a práticas de gestão do espaço urbano. As reflexões estão relacionadas ás
leituras do texto "Uma contribuição para a história do planejamento urbano no Brasil', de Flávio Villaça, e do livro "Pela
mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade", de Boaventura de Sousa Santos, as quais resultam em
reflexões sobre diversas formas de intervenção no espaço urbano. Minha contribuição é encaminhada no sentido de

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expor que o plus de teorias e de autorias coincide com a "forma metrópole", uma somatória de espaços narrativos que
resultam em um 'hiper objeto". Nesta resultante de narrativas, insurgiriam interpretações para além do enredo técnico
dos planejadores, as quais o indagariam como ontológico e abstrato. De forma singular e paradoxal, o hiper-objeto
caracterizaria o viver citadino em espaços urbanos metropolitanos como uma 'era do texto'. Nesta era, pensar o
urbano seria instaurar hibridismos entre texto e matéria, entre espaços, e espacialidades, amalgamando espaços que
calam e espaços que falam em um único contexto: o "espaço urbano narrativo".

Suzana Cavani Rosas - UFPE


Eleições, mobilização popular e espaço urbano no Império (1840-1880)
Na segunda metade do século XIX, o espaço urbano das capitais do Império, principalmente nos períodos eleítorais,
comportava diversas práticas e formas de sociabilidade política que já distavam daquelas próprias do interior do pais.
Embora marcadas ainda pela presença rural no seu entorno e arrabaldes, seus bairros centrais vivenciararn nas
eleições, em decorrência do crescimento populacional, do desenvolvimento das atividades de serviço e do declinio da
escravidão, eventos públicos de natureza política que congregavam gente de diversos segmentos sociais. No Recife,
não foi diferente, através de passeatas e comícios, denominados na época, respectivamente, de 'procissões" e 'mee-
tings", os partidos, embora marcadamente dominados pelas elites agrárias do interior, faziam questão, no âmbito
urbano da capital de Pernambuco, de se valerem deste tipo de modernidade político-eleitoral para conquistar votantes,
eleitores e mesmo a população livre sem direito de votar. Destas práticas e modos de sociabilidades públicas inclusi-
vas da população dos bairros populares do Recife, e dos seus efeitos políticos sobre esta gente livre pobre, nem
sempre sujeita e confiável às elites que a mobilizava, é do que trata a presente exposição.

Josebel Akel Fares - UEPA


Memória de Belém: Pássaros Juninos no Largo de Nazará
A pesquisa 'Memória de Belém em Testemunho de Artistas", ação do Grupo de Pesquisa Culturas e Memórias Amazô- ~
nicas, da UEPA, processa a urdidura de uma cartografia de Belém, de meados do século XX (1940-60), especialmente, ~
desenhada pela voz da memória de artistas plásticos, atores, músicos, escritores e outros mestres da arte, que vive- :E
ram neste tempo - espaço da capital do Estado do Pará. As lembranças evocadas nas narrativas de 11 artistas relatam ~
sobre literatura, teatro, música, cinema, casas de espetáculos, livrarias e demais signos artísticos, bem como o movi- '8-
mento artístico-cultural e o marco histórico do projeto, que é a chegada da televisão na cídade. Além das marcas .§.
estéticas, as vozes (re) constroem outras dimensões da vida sociocultural da cidade e possibilitarem a composição da ~
trama de uma história coletiva. Nesta comunicação será feito o recorte sobre o Pássaro Junino, manifestação artistica '"
da cultura local, e as suas apresentações no chamado Teatro Nazareno, ícone de uma Belém do século passado. QJ
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Célia Maíra da Silva Estrella - UNICSUL
Um olhar sobre o modo de habitação dos paulistanos da Vila Industrial
A Vila Industrial, no sudeste paulistano, foi edificada graças às ações conjuntas dos seus moradores que, solidaria- ~
mente, construíram suas casas e lutaram pela habitabilidade do lugar, junto aos órgãos da Prefeitura. As soluções ~
encontradas por esses moradores, permitem olhar as formas de habitação popular e de configuração de uma das mais .~
populosas regiões de São Paulo, a urbe brasileira, por excelência. ~

Paula Francineti da Silva - UniDF


Brasília como texto de cultura
Explorar a cidade de Brasilia como um texto que comunica, gera sentido e conserva uma parte importante da memória
histórica do país constitui o objetivo deste trabalho. Para abordar o tema optou-se pela apropriação do conceito de
texto e semiosfera de luri M. Lotman que permitem identificar a interação do sujeito social com seu contexto espacial
e afirmar ser a cidade um texto cultural porque contém elementos de diversas tradições culturais e inclui constantes
diálogos internos.

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9. Cidade, História e Interdisciplinaridade
Josianne Francia Cerasoli (UFU) e Marisa Varanda Teixeira Carpintéro (UNIMEP)
I 16/07 - Segunda-feira - Tarde (14h às 18h) I
Josianne Francia Cerasoli - UFU
Fronteiras urbanas: heterogeneidade de atores e saberes na configuração de São Paulo do início do século XX
Proponho estudar a cidade de São Paulo na passagem do século XIX ao XX por meio de dois agentes importantes em
sua configuração: profissionais ligados à engenharia e medicina; saberes norteadores de discursos sobre o urbano.
Problematizo as dinâmicas históricas formadoras do próprio urbanismo (então incipiente) pelo estudo da atuação
desses profissionais e seus discursos sobre intervenções urbanas (debatidas e/ou efetivadas) - o que pressupõe uma
visão multidisciplinar presente já na questão urbana desde o XIX. Importa analisar os contatos nos quais se vislumbra
confluências de diferentes olhares sobre a cidade, constituidos a partir de distintos campos de saber - territórios? -,
cujos diálogos tornam-se indispensáveis á compreensão do urbano. Utilizo documentos selecionados entre os regis-
tros da administração municipal paulistana no período, marcado por intensas transformações no espaço e gestão do
urbano. Priorizo questões sobre águas e saneamento urbano, pelas quais acompanho o entrelaçamento de saberes e
atores, além da constituição do saber sanitário - tão caro às preocupações as condições de vida na cidade. Este
estudo integra o Projeto Temático (FAPESP): Saberes eruditos e técnicos na configuração e reconfiguração do espaço
urbano - estado de SP, séculos XIX e XX.

Rosângela Aparecida de Souza Reis - UFMT


A fundação da Povoação de Albuquerque: um marco político para Portugal em 1778
A presente comunicação objetiva refletir sobre a Povoação de Albuquerque, localizada a margem direita do Rio Para-
guai, tendo como suporte a análise da Ata de fundação desse povoado edificado sob a determinação do 4° capitão
General Luís deAlbuquerque de Mello Pereira e Cáceres que governou a Capitania de Mato Grosso nos anos de 1772
a 1789, faz parte do acervo do Arquivo Público de Mato Grosso. Até onde se conhece, trata-se da representação oficial
do lugar, fundado pelo Mestre de Campo Marcelino Camponês e João Leme do Prado, em 1778, com o objetivo de
consolidar os domínios lusitanos na região, quando procurava negociar a demarcação de limites com a coroa espa-
nhola. Com base no estudo, por um lado, do motivo representado e, por outro, do contexto político em momento de
consolidação de fronteira na segunda metade do século XVIII, é que se discute o significado desta fundação, um
espaço que já nasce com um traçado urbano bem definido.

Maria Fernanda Derntl - USP


Uma vila a serviço régio: a criação de Guaratuba, na Capitania de São Paulo, sob morgado de Mateus
Este trabalho trata da elaboração e do desenvolvimento inicial de Guaratuba, vila litorânea na Capitania de São Paulo
fundada sob o governo de morgado de Mateus (1765-1775). São destacadas as determinações formais impostas para
Guaratuba e as práticas adotadas durante a sua construção considerando-se a interação conflituosa dos agentes
envolvidos. A partir da análise deste caso, discutem-se alguns aspectos da atuação portuguesa na definição da paisa-
gem de vilas e cidades nos territórios americanos durante o período pombalino estabelecendo-se relações com a
produção de uma cultura urbanística. A análise baseia-se em documentos escritos relativos à implantação da vila, em
registros de observadores e na cartografia da época. Procura-se mostrar que a configuração urbana de Guaratuba
deveria expressar uma rígida ordenação e investiga-se porque a vila veio a ser construída de maneira diferente daque-
la prevista. Conclui-se que a atuação da Coroa portuguesa parece ter sido menos centralizada do que estudos gerais
de história urbana daquele período tendem a enfatizar.

Josineide da Silva Bezerra e Luciana Medeiros de Araújo - UEPB


Reestruturação e Centralidade: breves notas sobre a cídade de João Pessoa
O nosso exercício de reflexão sobre João Pessoa articula-se ás suas tramas urbanas, recortando os novos padrões de
centralidade que nela se realizam. Tomamos a cidade como uma materialidade cartografável, apreendendo-a como
uma paisagem que comporta formas-objetos, prenhe de um conteúdo técnico específico. Sob o tempo, marcada por
ritmos e ambiências peculiares, a sociedade interfere nessas formas-objetos, atribuindo-lhes novas funções, redese-
nhando os seus contornos. Todavia, além de produto social, a cidade é também condição para a realização de diferen-
tes ações, as quais delineiam os seus padrões de produção, circulação e consumo, cotidianamente. Fitando essas
ações, voltamo-nos à reestruturação do espaço urbano de uma cidade média, pensada por intermédio de dois olhares.
O primeiro é voltado à sua gênese, á sua constituição. O segundo é voltado ao periodo de aceleração da industrializa-
ção brasileira, nas últimas décadas, quando novas práticas socioespaciais contornam a sua dinâmica urbana -
(re)produzida por diferentes atores, sob o viés da celeridade e da contradição.

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Ricardo Machado
Propriedade, Mobilidade e ordem pública em Blumenau em fins do século XIX
A partir de nova organização do espaço de Blumenau em fins do século XIX e inicio do século XX, demonstro a
emergência de uma preocupação com a conservação da propriedade, um investimento na mobilidade dos individuas e
a conseqüente organização de uma ordem urbana. Esta nova racionalidade é apresentada não somente pela emer-
gência de uma nova legislação local e nacional mas, sobretudo, através dos conflitos cotidianos que ocorreram no
período. Assim, pode-se lançar olhares não só para os caminhos difusos do poder, como também para as formas em
que os indivíduos reagiram a estes jogos que estiveram no âmago da constituição de uma concepção de individualida-
de, de moralidade e de espaço público que constitui a cidade de Blumenau na virada do século XIX para o século XX.

Jadir Peçanha Rostoldo - USP


Memórias da Modernização: o poder para transformar a "cidade capital"
As cidades, enquanto locus onde as sociedades urbanas interagem com os objetos e sujeitos que influenciam suas
constituições e transformações, são estruturas fundamentais no processo de conhecimento dessas mesmas socieda-
des. O espaço urbano funciona como um material que aceita a ação modeladora do sujeito social, porém com certos
limites. Esse embate recebe influência de vários elementos, que permeiam desde as características do espaço físico
ás decisões políticas. Neste trabalho focamos a ação do Poder do Estado como um dos elementos desse processo,
analisando a cidade de Vitória, capital Espírito Santo, na Primeira República. O objetivo é identificar o papel do Poder
do Estado na transformação do espaço urbano de Vitória, no sentido de transformá-Ia no palco de florescimento da
cultura republicana e moderna. Fazemos uma breve discussão sobre o poder e, principalmente, o Poder do Estado. Os
atores políticos foram identificados, assim como suas funções. Analisamos a legislação, nacional e estadual, como
fonte determinante em nossa discussão, tendo em vista seu caráter legal e regulador. Concluímos que o poder, legal-
mente constituído, responsável pela transformação da cidade foi exercido pelo Estado, corporificado na figura do
Presidente do Estado e não na do Prefeito da Capital.

Khalil A. B. Nogueira - UESC


A rodagem, a cidade e seus personagens: processo de modernização do escoamento da lavoura de cacau e a
desestruturação de núcleos urbanos entre os anos de 1930 e 1955
Os objetivos deste trabalho estão centrados, no estudo da rede urbana e da necessidade de novas vias de escoamen-
to da produção da lavoura cacaueira no período de 1930 a 1955 e dos seus impactos políticos, sociais, culturais e
estruturais no Sul Baiano. Tratará, do plano rodoviário do Instituto do cacau, da criação da Viação Sul Baiano, do
processo de desestruturação de núcleos urbanos e do surgimento de uma nova classe de trabalhadores na região, os
rodoviários.

Patrícia Vargas Lopes de Araújo - UEMG-Campus Campanha


A Vila de Campanha da Princesa: ocupação e formação do território de Minas Gerais no século XVIII/XIX
Essa comunicação busca efetuar uma reflexão sobre o processo de ocupação do território da região sul mineira ao
longo do século XVIII, concentrando a análise nas reivindicações para a criação da Vila de Campanha da Princesa em
finais desse século, avaliando também aspectos relacionados ao movimento urbanização, tendo como hipótese a
perspectiva de que a ocupação, a expansão e a criação de vilas no interior do território brasileiro era parte de uma ação
política que tinha, entre outras finalidades constituir uma rede urbana a partir de vilas criadas em locais estratégicos e
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as cidades do litoral. Como chama atenção Manuel Teixeira e Margarida Valia 'o projeto urbanizador era um compo-
nente fundamental do projeto de ocupação efetiva do território'. Desta forma, a fundação de vilas e de cidades era uma
forma 'eficaz de demonstrar a soberania sobre um território e o defender'. O atendimento ás reivindicações locais e a
elevação do arraial a Vila de Campanha da Princesa por D. Maria I atendeu aos interesses das elites locais e consti-
tuiu-se uma estratégia política que permitia á Coroa se fazer efetivamente mais presente nessa parte de seu território.
No século XVIII a fundação de vilas e de cidades no Brasil representou um importante papel no processo de reafirma- ~
ção da soberania. :g
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I 17/07 - Terça-feira - Tarde (14h às 18h) 'u
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Ivone Salgado, Clarice Barbieri Shinyashiki e Érica Christina Rodrigues Souza - PUC Campinas E
Obras públicas na cidade de São Paulo na metade do século XIX: o higienismo e a construção do cemitério :
público, do mercado público e do matadouro público ~B
O trabalho aqui apresentado volta-se para a analise da cultura urbanística existente na cidade de São Paulo nas :f
décadas de 50 e 60 do século XIX através do estudo das ações do corpo de engenheiros responsáveis pelas obras ai
públicas executadas a partir de preocupações com a higiene pública. Estas obras visavam cumprir o que a Câmara ~
Municipal estabelecera como exigência para manter a salubridade da cidade nas Posturas estabelecidas em 1830. c:::5

71
Estas, por sua vez, procuravam responder ás exigências das leis imperiais de 1828, Dentre as obras realizadas desta-
cam-se nesta análise: o Matadouro Municipal (construído entre 1849 e 1852), de autoria do engenheiro alemão Cartas
Abraão Bresser; o Cemitério Público (realizado entre 1855 e 1858) e a respectiva capela (construída entre 1857 e
1858), projetos do engenheiro alemão Carlos Rath; e o Mercado Público com projeto de autoria de Newton Bennaton
(construído entre 1862 e 1864), O trabalho procura desvendar as diversas relações entre os profissionais responsáveis
pelas obras, médicos e engenheiros, e os administradores do município e da província, O estudo das ações das
Comissões de Vistoria que executavam a referida fiscalização permite conferir quais eram os saberes médicos e da
engenharia presentes no município de São Paulo.

Marisa Varanda Teixeira Carpintéro - UNIMEP


História, Cidade e os discursos urbanísticos (1920-1940)
Esta comunicação procura explorar a presença da história nos discursos dos urbanistas na década de 20 e 40, particu-
larmente na leitura do Plano de Avenidas elaborado por Francisco Prestes Maia para a cidade de São Paulo, Em cada
capitulo de sua obra a história gravita como elemento fundante da disciplina urbanismo e através dela se articulam os
campos conceituais que tratam á cidade, ora como um ser vivo, ora como máquinaTendo em vista a problemática
contemporãnea das renovações urbanas nos projetos de requalificação e revitalização do centro, novamente depara-
mos com a presença da história como forma de legitimar as politicas e intervenções nos espaços públicos,

Carolina Celestino Giordano - PUC Campinas


A necessidade de um novo Matadouro Público em São Paulo na primeira metade do século XIX
A Lei de 1 de outubro de 1828 extingue os cargos de Physico- mor e Cirurgião- mor do Império passando para as
Câmaras Municipais as atribuições que lhes competiam, Dessa maneira cada Câmara Municipal deliberaria sobre os
meios de promovere manter a tranqüilidade, segurança, saúde e comodidade dos habitantes, tendo para isso respaldo
nas Posturas Municipais e nos Regulamentos dos edifícios públicos, As Câmaras, devido as preocupações com a
saúde pública, atuaram na localização e fiscalização dos estabelecimentos ligados as atividade comerciais, como os
matadouros, Neste artigo estaremos apontando as discussões presentes entre os diferentes especialistas da cidade,
como médicos, engenheiros e administradores, envolvendo a construção de um Novo Matadouro Público, Esta discus-
são se estende desde a divulgação da Lei de 1828 até ser realmente construido em meados do século,

Giovana Carla Mastromauro e Ivone Salgado - PUC Campinas


O Hospital de Isolamento e o Cemitério do Araçá na cidade de São Paulo: a formação do complexo sanitário no
contexto das novas descobertas científicas
A proposta desta comunicação é a de apresentar a investigação em andamento que tem como objeto de estudo uma
área específica da cidade de São Paulo urbanizada a partir do final da segunda metade do século XIX. Nesta área, foi
empreendida a construção o Hospital de Isolamento em 1880, inicialmente denominado Hospital dos Variolosos; em
seguida, em 1887, seria implantado o Novo Cemitério Público - o Cemitério do Araçá - ao longo da avenida Municipal
(hoje Av, Dr. Arnaldo) em frente ao Hospital de Isolamento, Estes edifícios se instalam no local sob a orientação
ideológica do higienismo e da salubridade, O períOdo em análise é justamente aquele no qual a teoria bactereológica
veio abalar as teorias miasmáticas até então dominantes e que justificavam o isolamento destes equipamentos públi-
cos, O texto pretende discutir sobre as justificadas da localização destes edifícios procurando confrontar estas com as
novas descobertas científicas, O texto procura desvendar como a noção de saúde pública e os conceitos de higienis-
mo e salubridade estão presentes entre os profissionais da saúde e da construção (médicos, engenheiros, arquitetos)
nas justificativas de urbanização ou não de determinados territórios do municipio,

Karina Camameiro Jorge - PUC Campinas


A modificação da vida urbana da cidade de São Paulo no século XIX a partir das ações sanitárias - A constru-
ção de cemitérios e a prática de sepultamentos
Na cidade de São Paulo, no decorrer do século XIX, a co-participação de médicos, engenheiros, arquitetos e adminis-
tradores, imbuidos na tarefa de sanear a cidade e erradicar as temidas epidemias que assolavam as cidades no
período, definiu uma nova estrutura de organização e funcionamento da cidade e da vida urbana, Através de inúmeros
debates sobre ás possiveis causas das epidemias foram tomadas iniciativas que ao longo do século alteraram a
estrutura urbana da cidade e os hábitos da população, Dentre as modificações destaca-se ás relativas á implantação
de edifícios relacionados á saúde pública e prinCipalmente á prática de sepultamento no interior dos templos, Segundo
a teoria difundida pelos médicos, a miasmática, esses edifícios deveriam se localizar fora do meio urbano, Essa teoria
pautou a legislação referente ao saneamento da cidade no período, que implicou principalmente na modificação de
hábitos da população, O sepultamento no interior dos templos representava aos médicos sanitaristas o mais preocu-
pante deles, pois ali estaria a presença constante de miasmas. Ao investigarmos os debates que envolvem essa
questão encontramos uma multiplicidade de discursos que nos possibilita entender quais eram as forças e tensões que
estavam agindo na cidade naquele momento,

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Jhoyce Póvoa Timóteo - UNICAMP
Luiz de Anhaia Mello: um pensamento constituido por diversos mundos que se tocam e se interpenetram
Buscarei problematizar a ligação teórica do engenheiro-arquiteto Luiz de Anhaia Mello com o urbanismo norte-ameri-
cano, a partir de sua proposta de Recreio Ativo e Organizado para a cidade de São Paulo, no inicio do século XX. O
objetivo do texto será destacar que os conceitos formadores do pensamento urbanístico de Anhaia Mello se remetiam
a um diálogo teórico mais amplo do que sua aproximação com os princípios urbanísticos difundidos e praticados nos
Estados Unidos, neste período.

Anita Silva de Souza - UFRGS


Projeto Renascença: um plano de intervenção urbana em Porto Alegre na década de 1970
Porto Alegre, entre os anos de 1975 e 1979, acostumou-se a conviver com os inconvenientes de obras que pareciam
intermináveis. A imprensa diária acompanhava o desenrolar do 'Projeto Renascença', executado pela Prefeitura Muni-
cipal e responsável por diversos empreendimentos urbanos como a criação do Parque Marinha do Brasil e do Centro
Municipal de Cultura, entre outras iniciativas que transformaram a cara da Região Centro-Sul da cidade. O suporte
financeiro ao Projeto foi dado pelo Banco Nacional de Habitação através do Plano CURA (Comunidade Urbana de
Recuperação Acelerada) que se destinava à recuperação de áreas urbanas em decadência. Salienta-se, que neste
processo de 'cura" da área englobada pelo Projeto, a Ilhota, uma favela de grandes proporções localizada próxima à
área de intervenção, teve suas famílias removidas para o bairro Restinga Velha, localizado a 30 quilômetros do Centro
de Porto Alegre. O presente trabalho tem como tema o acompanhamento da implantação do Projeto Renascença e a
discussão sobre seus resultados. Acredita-se que ao se propor o exame de um processo de transformação do espaço,
se possibilita a discussão sobre a sua não neutralidade. A implantação do 'Projeto Renascença' deu condições ás
áreas englobadas de exercerem 'funções de centro' da cidade.

Juçara Nair Wollf - UNOCHAPECÓ


Fascínio pelo progresso: o sanitarismo e a questão urbana em Chapecó 1970/1980
A cidade de Chapecó, a partir sobretudo da década de 1960, transformou-se no cenário do exercício do poder e
laboratório de várias experiências modernizantes e civilizatórias. Aemergência das agroindústrias e a intensificação da
migração promoveram um processo de disciplinamento e racionalização do espaço urbano, notadamente através das
intervenções de curto e médio prazo, vinculados aos programas nacionais desenvolvidos pelo Banco Nacional de
Habitação-BNH. Destinado às cidades comprovadamente de médio porte, esses programas objetivavam a recupera-
ção, sobretudo das áreas de lazer, redes de água e esgoto, eletrificação ou retificação de córregos que provocavam
enchentes. Estas intervenções, marcos da história administrativa de Chapecó, corres ponderam à alteração no status
da cidade em âmbito estadual e nacional inserindo-a no jogo irreversível do 'novo urbanismo', calcado nos princípios
modernos da circulação, da higiene e da estética que forjaram o seu papel de pólo regional e suas representações
entorno da cidade do trabalho e do progresso.

Katani Maria Nascimento Monteiro - UCS


O "grande administrador": Celeste Gobbato e a modernização de Caxias do Sul
A presente proposta de trabalho pretende abordar através da perspectiva biográfica os aspectos fundamentais que
revelam o projeto de urbanização de Caxias do Sul durante a gestão de Celeste Gobbato á frente da intendência deste
município, entre os anos de 1924 e 1928. Destacam-se neste contexto os elementos políticos, culturais e simbólicos
®9
utilizados pelo 'grande administrador", conforme é reconhecido, para a modernização da cidade. O significados das
comemorações politicas, a participação nas festas populares, nas cerimônias cívicas, as imagens e textos presentes
na relação do governante com a comunidade contribuem para ampliar o debate sobre o papel dos atores sociais na
configuração dos diferentes espaços sociais. Além disso, é possivel ainda problematizar, por meio das representações
construídas para si e para os outros na relação do governante municipal e seu projeto de cidade determinadas formas
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de ascensão e legitimação política e social. "'C

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I 18/07 - Quarta-feira - Tarde (14h às 18h) C5..
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Stanley Plácido da Rosa Silva - UERJ ~
"Sábado é dia de Inauguração": política e apropriação espacial em São Gonçalo/RJ á luz dos periódicos locais :
(1977-1979) .~
Invariavelmente, no imaginário popular, a urbanização está associada à modernidade, sendo, no mundo atual, o sím- -B
bolo do progresso. Contudo, como toda obra humana, não deixa de ter implicações e usos políticos. Tendo isso em ~
vista, este trabalho objetiva analisar, por meio dos periódicos locais, o uso e apropriação política que se fez da urbani- .g
zação em São Gonçalo/RJ no final da década de 1970. Para tal, focalizaremos um programa denominado 'Sábado é ~
dia de Inauguração', no qual o prefeito inaugurava pessoalmente, com direito a comício e comemorações, uma peque- u

73
na obra ou melhoria a cada sábado, Dessa forma, buscamos compreender a relação existente entre o urbano e o
político no âmbito municipal e analisar os usos que podem ser feitos do e no território,

Maria Stella Martins Bresciani - Unicamp


Falar e pensar a cidade de São Paulo: 1890-1950
A comunicação é parte de um estudo, no qual busco acompanhar escritos de especialistas em intervenções urbanas
referentes á cidade de São Paulo, O objetivo é explorar o modo como foram construídos certos lugares-comuns que
vêm definindo os rumos da pesquisa e aprisionam a análise da documentação a determinadas interpretações que se
tornaram canônicas, Os lugares-comuns: 1, definir marcos temporais para a cidade no século XIX e primeira metade
do século XX: "burgo dos estudantes - cidade ou capital do café - metrópole industrial"; 2, considerar os planos
urbanísticos e os projetos arquitetônicos implantados na cidade como importação de idéias e modelos estrangeiros; 3,
identificar uma inadequação entre leis adotadas, próprias a sociedades avançadas, e a sociedade brasileira 'atrasada
ou arcaica", O recorte temporal é aproximadamente 1893 a 1950, já que o intuito é estudar a constituição do pensa-
mento urbanístico enquanto disciplina de observação e leitura, avaliação e controle, elaboração de planos e interven-
ção na cidade, Será privilegiada a relação entre a cidade construída (a materialidade urbana em termos arquitetônicos
e urbanísticos) e as formas de pensar e projetar a cidade, Nota: o estudo integra pesquisas financiadas pelo CNPq e
pela FAPESP, na forma de Projeto Temático,

Célio José Losnak - Unesp/Bauru


Cidades publicadas, entre a auto-imagem e a propaganda
Esta comunicação objetiva problematizar os materiais publicados a respeito de cidades situadas à beira da linha da
Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e busca identificar as principais lógicas da formaçãoltransformação das localida-
des/região e os significados atribuidos a elas, Surgidas no processo de ocupação do Oeste de São Paulo, com a
expansão cafeeira, os municípios foram objeto de vários tipos de publicações nas primeiras décadas do século XX,
Almanaques, relatos jornalísticos, edições comemorativas, livros e revistas de divulgação das localidades articulavam
visões de vários personagens, de moradores dessas cidades, passando por intelectuais e políticos da capital e atingin-
do leitores europeus desconhecedores da região, Esses materiais expõem, ao leitor, as urbes existentes e as urbes
desejadas, enunciam suas potencialidades e entrecobrem suas carências, delineiam a sociedade presente e passada
ao mesmo tempo em que projetam a do futuro, hierarquizam agentes sociais, lançam mão de perspectivas científicas,
estabelecem identidades locais e regionais, aproximam a materialidade/espacialidade da estrutura urbana às repre-
sentações sociais do período,

Marcelo de Souza Magalhães - UERJ


Crônicas da vida na cidade: o cotidiano da politica nas charges das revistas ilustradas cariocas da virada do
século XIX para o XX
A comunicação tem por objetivo analisar as representações presentes nas charges publicadas nas revistas ilustradas
acerca do cotidiano da política municipal na capital federal, na virada do século XIX para o XX, A linguagem visual do
humor é entendida como uma das formas de vocalizar os problemas da cidade do Rio de Janeiro e de encaminhar
demandas da população em geral aos poderes municipais, Logo, a imprensa é compreendida como um importante
local de mediação política, podendo servir como uma das janelas para compreender os embates entre os habitantes da
cidade e os seus representantes políticos, que, na maioria das vezes, ocorrem em torno de questões da vida cotidiana
na cidade, tais como: o calçamento, o transporte público, os abastecimentos de água e de carne,

Angela Aparecída Teles - FASP


Cinema e Cidade: memória e experiência urbana na obra cinematográfica de Ozualdo Candeias(1967-1992)
Este trabalho foi realizado a partir de trocas entre os saberes constitutivos da prática historiográfica e da semi ótica,
buscando uma interpretação da obra cinematográfica do diretor paulista Ozualdo Candeias, Por meio dessa obra
pudemos acompanhar a problematização dos processos de desterritorialização e reterritorialização dos caipiras na
cidade de São Paulo entre os anos de 1960 e 1980, Os usos e disputas por territórios na cidade construídos pelo
cinema desse diretor, produziram uma memória que confrontou a memória oficial de uma São Paulo moderna e racio-
nalizada, Sua câmera acompanhou o deslocamento e o caminhar permanente do migrante, em especial do caipira
pobre, pelas ruas dos bairros centrais da capital paulista: Luz, Santa Ifigênia, Campos Eliseos e seu entorno, Nessa
região as práticas de grupos marginalizados e dos profissionais de cinema da Rua do Triunfo foram interpretadas pela
narrativa de Ozualdo Candeias como tensões e disputas que envolveram diferentes sujeitos sociais na construção de
territórios efêmeros na cidade de São Paulo, Nesse trabalho objetivamos uma discussão que articula a cidade, o
cinema e as questões teórico-metodológicas envolvidas na opção do historiador por trabalhar com as imagens em
movimento,

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José Veridiano dos Santos - ASCES
Retratos de uma Cidade Princesa: Caruaru nas representações de Mario Sette
O literato Mario Sette encontrou, nas várias temporadas que passou em Caruaru, cidade do agreste pernambucano, a
inspiração com a qual comporia muitas de suas crônicas, contos e até romance. Este trabalho, ao se apropriar dos
textos de Sette, objetiva estabelecer relações entre cidade, literatura e identidade. A comunicação propõe que uma
literatura sobre a cidade funciona como um poderoso emissor de signos e simbolos que concorrem para revelar a
cidade, prescrevendo significados e valores que se traduzem em laços iidentitários. Propõe-se o diálogo com a litera-
tura como chave para compreender aspectos históricos de uma cidade do interior do país começando a experimentar
a experiência urbana moderna entre os anos de 1915 a1930 em meio a um Brasil caracteristicamente rural e marcado
por relações de poder autoritárias.

Grazyelle Reis dos Santos - UEFS


Feira de Santana, "celeiro do progresso": representações literárias do urbano
No segundo quartel do século XX, o processo de urbanização da cidade de Feira de Santana, Bahia, provoca altera-
ções expressivas na paisagem e nos hábitos e valores da população. No semanário local Folha do Norte tais transfor-
mações adquirem significados particulares, especialmente em textos literários (poemas, crônicas e ensaios) aí publi-
cados, que abordam a temática da cidade. Esta literatura reinventa a realidade urbana a partir do estabelecimento de
novos signos culturais e identitários de apreensão deste tempo e lugar cambiante. Assim, as representações que dai
se depreende, conquanto funcionem como inventários das mudanças que acometem a cidade, oscilam entre imagens
negativas e positivas evidenciando o conflito entre tradição e modem idade que permeia suas construções. Para esta
exposição, foi selecionado o conjunto de textos que tratam das circunstâncias de renovação urbana feirense de modo
a ressaltar um sentimento de utopia do progresso. Busca-se investigar nesse corpus as estratégias discursivas, temas
ou elementos da realidade histórica de que os escritores se valem para focalizar imagens positivas da cidade, obser-
vando como eles tecem a relação entre passado, presente e futuro na construção dos ideais de cidade. A realização
desse trabalho tem o fomento FAPESB/CAPES.

Romulo Costa Mattos· UFF


As favelas na obra de Lima Barreto
No inicio da década de 1920, Lima Barreto abordou as favelas cariocas em contos incluídos no livro Histórias e Sonhos
e em crônicas publicadas na revista Careta. No primeiro caso, promoveu a representação positiva dos moradores das
favelas, de modo a negar os discursos pejorativos divulgados na grande imprensa do Distrito Federal. Nessa perspec-
tiva, acreditava que tais pessoas pertenceriam à classe trabalhadora e não às classes 'perigosas'. No segundo, criti-
cou o excesso de obras na zona sul e o abandono daquela parcela da população, que sentia fortemente os efeitos da
crise habitacional na capital republicana. Assim, apontava para a política de segregação espacial empreendida por
Carlos Sampaio, ao mesmo tempo em que via as favelas como espaços por excelência da pobreza na cidade. Com
base nesse conjunto de textos, podemos afirmar que Lima Barreto foi um dos intelectuais da Primeira República que
mais defenderam os habitantes das favelas do Rio de Janeiro.

I 19/07 - Quinta-feira - Tarde (14h ás 16h30min) I


Zilma Isabel Peixer, láscara Almeida Varela, América Ishida e Luis Eduardo Teixeira - Uniplac
Tramas da cidade: Identidades, sociabilidades e espaços art déco em Lages/SC
®
Tramas da cidade é o resultado de uma pesquisa sobre espaços urbanos e históricos com objetivo de valorização e
preservação da memória e do patrimônio cultural e arquitetõnico em Lages/SC. Centrou-se no estilo construtivo Ar!
Déco, analisando o dialogo com a cidade e a criação dos espaços de sociabilidade e identidades sociais. Ao se
demonstrar a importância do Ar! Déco na constituição da cidade, evidenciam-se as potencialidades para subsidiar um ~
modelo de desenvolvimento sustentável para Lages, mediante projetos em que turismo e desenvolvimento, qualidade :g
de vida e valorização cultural são articulados e constituem-se dimensões das políticas de desenvolvimento da cidade .~
de Lages. Esse trabalho demonstrou a potencialidade do conjunto urbanoArt Déco e garantiu a visibilidade do patrimô- %
nio histórico e arquitetônico da cidade, consubstanciando ações para a valorização e recuperação dos diversos espa- ~
ços de interesse de preservação. Além de desvelar, nas cartografias sócio-culturais e arquitetônicas da cidade os ~
processos de constituição de práticas de cidadania e sociabilização dos seus habitantes. Instituições de fomento: ~
Fundação de apoio a Pesquisa de Santa Catarina (FAPESC), Prefeitura Municipal de Lages (PML), Universidade do co
Planalto Catarinense (UNIPLAC). :8
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Zueleide Casagrande de Paula - UEL
Questões urbanas: história, memória e identidade
A natureza da cidade é um dos temas mais debatidos no século XX. Isso ocorre frente ao significado que adquiriram as
espacial idades urbanas a partir dos deslocamentos humanos, nacionais ou internacionais, principalmente para locais
como Nova Iorque, Tóquio, Cidade do México e São Paulo, entre outras inúmeras grandes concentrações humanas ..
Nesse aspecto, o trabalho do historiador é de extrema relevância, já que oferece informações e confere ao movimento
de existência da cidade significados para a compreensão de sua história. Visamos, pois, a examinar a concepção de
Cidade Jardim e sua entrada no Brasil por meio da proposta de urbanização de bairros implantada pela antiga City of
São Paulo Improvements and Freehold Land Company Limited (hoje Companhia City de Desenvolvimento) e materia-
lizada no projeto de subúrbio do Jardim América na cidade de São Paulo. Ofereceu, igualmente, subsídios para que a
população desse bairro reivindicasse dos poderes instituídos o direito de ver registrados no Livro do Tombo Arqueoló-
gico, Etnográfico e Paisagístico do Condephaat - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico
e Turístico do Estado de São Paulo - os limites territoriais do bairro.

Maria Rita Silveira de Paula Amoroso e Ivone Salgado - PUC Campinas


Arquitetura campestre na obra de Ramos de Azevedo: a Fazenda São Vicente em Campinas
Hoje, sabe-se que o arquiteto Ramos de Azevedo foi o autor dos projetos de duas sedes de fazenda em Campinas, a
Fazenda Pau O'Alho e a Fazenda da Serra, hoje Fazenda São Vicente, de propriedade da família Paes de Barros e
construída pela Baronesa de Limeira. Esta última foi objeto de uma restauração nos últimos anos, concluída em 2006,
e que é o objeto específíco desta comunicação. O complexo cafeeiro engloba a sede principal, projeto de Ramos de
Azevedo, a residência do administrador, a tulha com maquinários de beneficiamento, 8 terreíros de café, sistema
completo de lavagem, serraria, capela, de uma das maiores produtoras de café na cidade de Campinas no início do
século XX. A obra deste profissional tem sido estudada através de uma concepção interdisciplinar abrangendo diferen-
tes campos do conhecimento, como a própria história, as técnicas construtivas, a formação profissional, o urbanismo,
a arquitetura e engenharia, entre outras. O diálogo da hístória com outros campos do saber revelou, até o momento,
que Ramos de Azevedo produziu uma obra essencialmente urbana. Todavia, esta produção técnica também possuiu
uma dimensão rural e são estas relações entre o que seria uma arquitetura urbana e uma arquitetura rural que quere-
mos colocar em evídência.

Rafael Alves Pinto Junior· UFG


Imagem e cidade: Memória do (não) Monumento ao Homem Brasileiro no Palácio Capanema
Este trabalho objetiva estudar a proposta da realização do Monumento ao Homem Brasileiro, idealizado por Gustavo
Capanema para o átrio externo do Edifício do Ministério da Educação e Saúde (1943). Este Monumento não foi reali-
zado, apesar de incorporado aos estudos de Le Corbusíer para o edifício, e descartado pela equipe brasileira. Essa
obra, apesar de não ter sido realizada, é emblemática, por caracterizar uma preocupação de afirmação de uma visua-
lidade comum à arte e a arquitetura modemista brasileira das décadas de 1930-1940, bem como a construção de uma
identidade nacional.

I 20107 - Sexta-feira - Manhã (10h30min às 12h30min)

Valter Martins - UNICENTRO/IRATI


Tanguás: simulacros da liberdade nos últimos anos da escravidão em Campínas
Após a demolição do Mercado de Hortaliças de Campinas em 1885 muitos de seus comerciantes voltaram a vender
verduras, legumes e quitandas em estabelecimentos que ficaram conhecidos como tanguàs. Concentrados no centro
da cidade os tanguás assumiram múltiplas funções e se transformaram em motivo de preocupações por parte das
autorídades municipais, policiais, sanitárias e vigilantes da moral e dos bons costumes. Sob o pretexto das compras
cotidíanas para seus senhores ou de uma refeição, os tanguás logo se constituiram em pontos de encontro de escra-
vos. Nos tanguás havia comida, cachaça, diversão e 'liberdade' permitindo que em seu espaço, quase sempre camu-
flado por um beco ou cortiço, se desenvolvessem momentos de intensa vida social e trocas culturais das classes
populares. Os tanguás eram a síntese cotidiana de várias transgressões aos Códigos de Posturas Municipais. Neles
os escravos contavam com a proibida, mas bem vinda cumplicidade dos seus proprietários e com as vistas grossas da
polícia, não raras vezes criticada por confraternizar com quem devia vigiar e 'manter na linha'. Apresentar alguns
aspectos subversivos e ambíguos da ordem escravista urbana, revelada pelos tanguás de Campinas no fínal da escra-
vidão, constitui o objetivo dessa comunicação.

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Arnaldo Ferreira Marques Júnior· USP
Os espaços públicos urbanos brasileiros entre a escravidão e a modernidade
Ao longo do século XIX as elites brasileiras procuraram implantar no pais os novos equipamentos e hábitos que
surgiam nas maiores cidades do Ocidente. Contudo, a simples importação de melhoramentos como bondes, paralele-
pípedos, iluminação a gás, água e esgoto encanados, não foi suficiente para modificar as formas tradicionais de uso
dos espaços públicos urbanos no Brasil, tidos como locais de passagem e de trabalho. Aexplicação para tal persistên-
cia se encontra na manutenção da escravidão, a qual implicava em uma rígida segregação social dos espaços. Para
exercitar a sociabilidade ao ar livre, símbolo dos novos tempos, em lugar dos bulevares elegantes as camadas domi-
nantes implantaram parques públicos porém fechados, excludentes, onde podia passear sob o abrigo de grades e
agentes da ·ordem'.

Ricardo José Vilar da Costa - UFRN


A casa da Cidade Nova: moradia e modernização em Natal no início do século XX
A casa moderna e burguesa foi o local onde se articulou uma nova relação entre seus moradores e o espaço urbano.
No in ício do século XX, a modernização de Natal ocorreu de maneira acelerada. O bairro da Cidade Nova, planejado
por técnicos e urbanistas, representou a tentativa de substituir um tipo de moradia onde os espaços eram coletivos, por
outro que valorizava a individualidade de seus moradores. Cada vez mais, as residências mantinham um afastamento
maior em relação ao espaço público, paralelamente ao aumento e a intensificação da quantidade de serviços ofereci-
dos por este. Além disso, o predomínio do estilo eclético se deu á medida que representou a superação do 'atraso' por
um modo de vida baseada em referenciais 'modernos', sobretudo europeus, ao passo que conferia ao proprietário a
possibilidade de distinção social. Nesse sentido, este trabalho busca analisar a habitação em Natal, bem como sua
relação com o espaço público, sendo a esfera da domesticidade uma opção privilegiada para se buscar compreender
as alterações na sociedade.

Fabiano Aiub Branchelli - PUCRS


Vida material da Porto Alegre oitocentista
A presente pesquisa trabalha com a investigação, análise e interpretação da vida material presente na Porto Alegre do
século XIX, priorizando aspectos relacionados as práticas de consumo de segmentos da população (em especial,
segunda metade do século XIX, compreendendo o período que vai de 1850 a 1889), a partir da aquisição e uso da
cultura material, expressa em fontes escritas e materiais. Nesta perspectiva a pesquisa contemplará práticas de con-
sumo, venda de produtos importados da Europa, assim como o mapeamento das principais redes de importação e
distribuição destes artigos, até seu destino final, o descarte dos bens consumidos nas lixeiras. Objetivo em linhas
gerais analisar o processo de formação, crescimento e desenvolvimento da cidade de Porto Alegre, incorporando a
discussão de temas como, história das cidades coloniais, modernidade e modemização, consumo, buscando traçar
um panorama das relações econômicas e sociais, inseridas num contexto de transformação da sociedade escravista
para uma capitalista.

I 20107 - Sexta-feira - Tarde (14h ás 18h)


Eneida Maria Souza Mendonça - UFES
Urbanização e paisagem na região da Baía Noroeste de Vitória
Este artigo expõe pesquisa sobre as transformações na paisagem da região da Baía Noroeste de Vitória. Trata-se de
®
região atualmente composta de bairros, em sua grande parte, de ocupação em aterro de lixo sobre mangue, a partir da
década de 1970, apontada aqui como importante período de inflexão. As fontes para identificar as referências marcan-
tes da paisagem local até o século XIX foram os relatos de viajantes, iconografias, com desenhos por eles produzidos
e cartografia. As transformações do século XX foram investigadas a partir de crônicas e charges e análise de levanta- ~
mento aerofotogramétrico de temporalidades distintas. Até as primeiras décadas do século XX, a região estudada, ~
mantinha inalteradas suas referências paisagísticas principais. A manutenção da linha d'água, da vegetação de man- .~
gue e da visibilidade das elevações rochosas alcançava convivência diante das atividades econômicas da época, da ]-
ocupação humana ali presente e das visitas ocasionais. A abertura de estrada propiciando o transporte rodoviário, ao ~
mesmo tempo em que ofereceu novos pontos de vista para admiração da exuberante paisagem, neutralizou a utiliza- ~
ção do percurso maritimo e propiciou em tempos mais recentes ocupação urbana conflitante com a permanência de :
alguns dos referenciais da paisagem.

Cláudio Travassos Delicato


Condomínios Horizontais: a ilusão de viver juntos e isolados ao mesmo tempo a;
Abordaremos a opção de moradia em bairros fechados, nas cidades,considerando a preocupação com segurança ~
como justificativa. O medo orienta muitas práticas cotidianas e uma série de aparatos se desenvolve para criar a w

77
sensação de segurança entre os moradores.Disciplina e vigilância são conceitos que emergem nessa questâo e a
noçâo de panoptismo é muito útil para entendermos aspectos fundamentais da organização funcional de um condomí-
nio horizontal.

Jacy Alves de Seixas - UFU


A exclusão do outro: um olhar sobre a (in)visibilidade contemporânea
A proposta desta comunicação é discutir a aproximação, cada vez mais estreita e perversa, entre alteridade e exclusão
(social, política, cultural, psíquica) e as formas e sentimentos morais em que esta última vem se manifestando - ou
melhor, irrompendo - nas sociedades contemporâneas. Esta questão insere-se na percepção da cidade e do urbano
como "instabilidade" e movimento incessantes, revelando hoje formas que ao mesmo tempo são de grande visibilidade
e de difícil olhar. A noçâo de alter, retomada dos antigos gregos - para quem "o que somos, nosso rosto e nossa alma,
nós o vemos e conhecemos ao olhar o olho e a alma do outro" (Vernant) - e profundamente modificada na modernida-
de, foi se reconfigurando num longo processo histórico em que a ambivalência que inicialmente a instituía foi se
transformando na enfática dicotomia amigo/inimigo (Bauman), onde o outro é sistematicamente visto como aquele e
aquilo que excluo. As condições do exercício da alteridade transformaram-se substancialmente e o outro como exclu-
são foi ocupando o espaço de significação, reconhecimento e visibilidade social e simbólica. O outro é aquele e aquilo
que não apenas discrimino (o que carregaria uma positividade identitária qualquer), mas segrego, excluo e isolo num
recanto qualquer, próximo ou distante.

Clara Luiza Miranda - UFES


Além da cidade: história, etnografia, urbanismo e comunicação
A formação multifacetada da esfera pública global conduz a reavaliação da cidade como produto da manufatura,
localização e posição sensivel. Aorganização espacial de forças simultaneamente dispersas e concentradas depende
menos das distâncias do que da coordenação e da logística. As cidades, como repositórios sócio-técnicos, asseguram
sua participação neste processo, mas o controle estrito do espaço perde valor estratégico. A relação entre localidades
depende progressivamente de vetores móveis ou imateriais que as interconectam. A logística e as tecnologias da
informação e da comunicação permitem processos de intervenção territorial, que extrapolam o espaço físico tangível.
Estas promovem diversas situações de reconhecimento e de abordagem. A análise dos conseqüentes impactos espa-
ciais-temporais e dos dados macro-sociais duros, que descorporificam os lugares, conduz a investigação de dispositi-
vos sócio-culturais locais de ação e reação em tais processos. Além da adesão ao viés de pesquisa etnográfico, são
solicitados novos paradigmas que compreendam as mediações simbólicas e sociais da metapolis. A comunicação se
alia ás disciplinas que estudam a cidade, a fim de examinar criticamente a complexidade relacional entre as novas
tecnologias e os tecidos sociais e urbanos.

Thaís Troncon Rosa· UNICAMP


Olhar a cidade a partir das fronteiras: notas sobre a interdisciplinaridade no estudo das periferias urbanas
Este texto procura levantar questões acerca da interdisciplinaridade no estudo das periferias urbanas, a partir de
práticas e reflexões de uma pesquisa de mestrado em andamento. Tentando praticar a interlocução teórica e metodo-
lógica entre saberes arquitetõnicos, históricos, sociológicos, antropológicos e populares sobre as cidades - especifica-
mente as periferias urbanas, a pesquisa em questão trabalha com a idéia de fronteiras, questionando autonomizações
disciplinares ou dicotomizações conceituais por compreender que tais abordagens muitas vezes deixariam escapar a
complexidade de relações que caracterizam praticamente tais fronteiras - das cidades ou dos saberes -, podendo
construir interpretações homogeneizantes. Nesse sentido, um esforço da pesquisa tem sido problematizar a estan-
queidade das fronteiras estabelecidas teoricamente entre cidade e periferia, cidade formal e cidade informal, cultura
popular e cultura hegemônica, visando identificar perspectivas analíticas que dessem conta das relações que permei-
am tais pares, do que há entre cada um de seus pólos, a fim de compreender, sob outros enfoques, também a materi-
alização de tais relações no espaço das periferias urbanas, seja através de planos e intervenções urbanísticas ou dos
usos e apropriações populares e cotidianos.

Paulo Gracino Souza Júnior - UERJ


"Entre NÓS e eles": Mariana - da comunidade imaginada à cidade partida
O presente trabalho tem como objetivo mapear o recente processo de urbanização (1960-1990) sofrido pela cidade de
Marina-MG, bem como seus desdobramentos para a acomodação dos novos contingentes populacionais na cidade.
Mais especificamente, focaremos nossas atenções na polarização sócio-espacial entre a população estabelecida e a
recém-chegado, que vai marcar o cenário urbano da cidade após o referido processo de urbanização. Através de
algumas pesquisas realizadas na cidade, pudemos notar que a população tradicional ao sentir-se acossada pela
presença do novo tratou de traçar marcos e fronteiras que mapeassem o espaço urbano e garantissem seu poder.
Após o estabelecimento dessas fronteiras entre tradicional e forasteiro, a memória local é reevocada e chamada a
preencher seus interstícios, dando corpo ao 'empreendimento identitário". Em nosso entendimento, essa polarização

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entre o "marianense' e os "outros' vai incidir de forma crucial na organização do espaço urbano da cidade, refletindo na ~O
disparidade de acesso dos individuos em relação aos bens da cidade, ou seja, a um dos aspectos básicos da cidada- ~
nia. Pretendemos ainda, reconstruir as vicissitudes desse processo observando a atuação tanto de atores locais,
quanto supralocais.

José Adilson Filho - UFPBI FAFICAI FABEJA gj


Cidade e ambivalência: espaço, poder e representações ~
A vida urbana, segundo Bauman, é intrínseca e irreparavelmente ambivalente. Espaço do múltiplo e do singular, as '§
cidades apresentam-se, a despeito do seu tamanho e densidade demográfica, amalgamadas por diferentes valores, -E
tempos e identidades sociais. Pensá-Ia assim, implica apreendê-Ia para além do seu aspecto geométrico e ordenado. ~
Nossa pesquisa insinua tal desejo, isto é, de olhar a cidade na sua obliqüidade, a partir dos vários discursos e práticas ~
que se adensam nos lugares habitados pelos outsiders. A análise de algumas práticas discursivas sobre lugares -i5
"malditos' da cidade (favelas, bordéis, becos ... ) permite-nos visualizar ambigüidades e ambivalências presentes nos C/.)
vi
processos de significação e construção das identidades espacio-sociais. ~
:;::;
-Cl.)

Luciana Paiva Coronel- Centro Universitário metodista IPA E


o
A literatura e a cidade brasileira nos anos 90 as
A literatura, desde a origem das cidades modernas, invariavelmente desempenhou o papel de mapeadora das transfor- .~
mações econômicas, sociais, políticas e culturais que marcaram o processo de modernização no cenário urbano. .:53
Instrumento construtor de identidades, o texto literário será aqui analisado na condição de mediador simbólico capaz u
de expressar a dinâmica cultural brasileira no seu todo e também a particularidade dos grupos sociais de perifiria, cuja
exclusão social e cultural começa a ser rompida nos anos 90 com a publicação de obras de autores como Paulo Lins
e Férrez, que ampliam o âmbito de representatividade social da literatura brasileira a partir da sua inserção, como
autores egressos das classes menos favorecidas, no stablishment cultural, que passa a incorporar o discurso daqueles
que invariavelmente compareciam apenas como objeto da literatura.

Denise Gonçalves - UFV


Imagem e espaço - os limites de uma abordagem histórica da forma urbana na cidade contemporânea
A recente inserção da cidade no campo da história da arte trouxe importante contribuição para o estudo da forma
urbana em suas relações com aspectos culturais, e mais especificamente em suas relações com as questões espaci-
ais que permeiam a produção artística a partir da Idade Moderna. Com a era industrial, a nova experiência do espaço
constitui importante fator de modernização das artes, da arquitetura e da cidade, estas diferentes escalas sendo então
reunidas na construção de uma nova visual idade - ou de uma nova imagem - que caracterizasse o espaço moderno.
Em relação à cidade, a coerência histórica que se encontra na gênese do espaço urbano moderno, no entanto, encon-
tra-se quebrada nos dias de hoje: esvaziada de conteúdo a forma urbana perde sua qualidade de espaço e reduz-se a
uma imagem sem sentido, e a abordagem histórica de suas relações com a cultura fica assim dificultada. O fenõmeno
se acentua quando se trata dos centros antigos: a permanência do espaço construído, e reduzido a uma imagem
desistoricizada, mascara a dinâmica da cidade contemporânea e impede a compreensão do processo histórico de
criação das formas urbanas.

10. Ciências Biomédicas, Saúde e Enfermidades em perspectiva histórica


Luiz Antonio da Silva Teixeira (Casa de Oswaldo Cruz - Fiocruz) e Marta de Almeida (MAST)
I 16/07 - Segunda-feira - Tarde (14h às 18h) I
Patricia Fortunato Dias - PUC·SP
Da higiene à eugenia: um percurso de salubridade francesa
Esta comunicação tem como objetivo analisar a peculiaridade do discurso eugenista francês herdeiro de um pensa-
mento pós-Pasteur e que se desenvolve nos primeiros quarenta anos do século XX. Nessas primeiras décadas a
medicina ganha direitos sobre os lugares privilegiados das praticas sociais, publicas e privadas (em seu discurso, «
higiene urbana », ({ higiene do corpo», ({ higiene da mente», « higiene da alma» ... ) com um claro sentido civilizatório
e preventivo. Assim, quando na França soma-se ao discurso da higiene social a grande preocupação com a procriação
encabeçada pela figura do Dr. Adolphe Pinard falar de eugenia é falar ao mesmo tempo em puericultura, diferentemen-
te da Inglaterra. A saber, o cuidado com a criança, com a mãe, a relação sexual e o parto, como características de uma
nova ciência que Pinard preferira chamar de puericultura antes da procriação ou eugenética.

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Hideraldo Lima da Costa - UFAM
Clima, Salubridade e Povoamento da Amazônia no século XIX
A discussão acerca do clima da Amazônia no século XIX tem uma estreita ligação com a salubridade da região e,
conseqüentemente, sobre a viabilidade ou não de seu povoamento por estrangeiros, sobretudo por europeus. Nesta
comunicação acompanharemos como este debate se desenvolveu entre os renomados cientistas da época, notada-
mente os europeus, e como esta discussão foi se adequando as necessidades políticas e econômicas da época, em
âmbito nacional e internacional, quando os países do capitalismo central passaram a necessitar cada vez mais de
matérias-prima, como a goma elástica, só encontrada nas regiões abaixo da linha do equador. No desenrolar desta
discussâo, veremos como questões eminentemente médico-cientificas, como a salubridade e condições de povoa-
mento, foram se adequando ás necessidades da legitimação política nacional da época na busca da superação dos
p'roblemas nacionais existentes como, por exemplo, a solução da questão da mão-de-obra, via estimulo da migração.
E interessante observar como profissionais e intelectuais radicados dentro e fora da Amazônia, como médicos, enge-
nheiros, participaram do debate dialogando com o saber produzido e interpretando-o a luz dos problemas locais.

Robert Wegner - Casa de Oswaldo Cruz


Leituras de Renato Kehl na década de 1920: Nietzsche entre o sanilarismo e a eugenia
A apresentação irá foc?lizar a trajetória de Renato Kehl, provavelmente o autor brasileiro que mais tenha identificado
sua obra à "eugenia". E possivel perceber uma virada em sua trajetória no fim da década de 1920. Se até então sua
militância eugênica o aproximava do sanitarismo, posteriormente Kehl viria a defender a clara separação entre eugenia
e sanitarismo, salientando que as soluções para os problemas nacionais passavam necessariamente por uma 'política
biológica'. Nestes dois períodos sua admiração por Nietzsche é explícita, mas a forma pela qual se apropria da sua
obra varia. Procurarei salientar que, enquanto Renato Kehl estava próximo de uma eugenia mais preventiva, sua
referência a Nietzsche tratava-o como um defensor do ideal grego de equilibrio e as medidas sanitárias e higiênicas,
apresentadas então sob a rubrica da eugenia, visariam a criação de 'homens normais'. Já na década de 1930, defen-
dendo uma eugenia mais radical e criticando medidas sanitárias e educacionais, Kehl passa a identificar o "homem
eugênico' do futuro ao conceito nietzscheano de 'super-homem'.

Vanderlei Sebastião de Souza - Casa de Oswaldo Cruz - FIOCRUZ


Regenerando a Nação: a política eugênica de Renato Kehl no entre-guerras
O objetivo deste trabalho consiste em analisar o projeto eugênico defendido pelo médico e eugenista Renato Kehl no
período entreijuerras. Pretendo discutir um pouco da trajetória intelectual deste autor e demonstrar que sua aproxima-
ção em relação á 'eugenia negativa', especialmente a que vinha se desenvolvendo na Alemanha e nos Estados
Unidos, conduziram suas idéias cada vez mais em direção ao racismo cientifico e ao determinismo biológico radícal.
Como o principal propagandista da eugenía no Brasil e na América Latina, Renato Kehl atuou não somente na organi-
zação de associações, congressos e periódicos eugênicos, como também na formulação de projetos políticos voltados
para a 'seleção eugênica', especialmente nos anos 1930. Fortemente influenciado pelo determinismo biológico, Kehl
entendia que uma verdadeira 'política nacional' só teria sucesso se fosse fundada nas leis da biologia, respeitando o
que ele chamava de uma 'política biológica'. Deste modo, a 'política eugênica' seria apropriada por este intelectual
como o projeto mais eficiente para regenerar a 'mestiça' e 'doente' nação brasileira.

Paula Arantes Botelho Briglia Habib - Casa de Oswaldo Cruz (COC) I FIOCRUZ
Saneamento, Eugenia e Literatura: os caminhos cruzados de Renato Kehl e Monteiro Lobalo (1914-1926)
Esta comunicação tem como objetivo discutir, através da relação entre o médico eugenista Renato Ferraz Kehl e o
escritor José Bento Monteiro Lobato, a criação de uma rede de ciência e literatura em torno da eugenia. Para compre-
endermos a eugenía é necessário estudar o movimento em si, suas formas de institucionalização, seus atores princi-
pais. Entretanto, acreditamos ser possível realizar um estudo sobre a eugenia a partir da maneira pela qual o movímen-
to e seus preceitos interagiram e repercutiram com a sociedade. Nessa perspectiva, a literatura torna-se um instrumen-
to interessante para o historiador, pois se vista como um testemunho histórico de seu tempo, descortina uma série de
possibilidades de reflexão sobre a sociedade. Nesse sentido, a literatura lobatiana, a relação de amizade entre Montei-
ro Lobato e Renato Kehl e a troca de correspondência, bem como os livros publicados pelas editoras de Lobato do
eugenista Renato Kehl ganham extrema relevância para uma melhor compreensão do movimento eugênico no Brasil
e suas formas de interlocução na sociedade nas décadas de 1910 e 1920.

Greyce Kely Piovesan - UFSC


A história da medicina do médico-intelectual Pedro Nava
Pedro Nava é muito conhecido por seus livros de Memórias, que misturam as lembranças pessoais de um médico
mineiro com a história cultural e política brasileira. Podemos ver também o envolvimento de Nava com as questões
culturais do Brasil em seus trabalhos que trataram da história da medicina, nos livros: Território de Epidauro (1947) e
Capítulos da História da Medicina no Brasil (1949). Nestas obras, Pedro Nava buscou utilizar fontes não-oficiais, como

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a literatura, as cartas e as receitas da medicina popular, escrevendo sobre uma época e o seu imaginário, investigando ~1O
estas fontes com seu olhar de médico-intelectual. Nava foi fortemente influenciado por sociólogos das décadas de ~
1930 e 1940 para escrever sua história da medicina. Suas pesquisas historiográficas trazem questões ligadas á cultura
brasileira e a formação étnica do país. Este trabalho tem por objetivo analisar estas duas obras, identificando as fontes
utilizadas pelo autor e as influências que intelectuais como Gilberto Freyre, Nina Rodrigues, Arthur Ramos e Mário de
v;
Andrade tiveram na obra historiográfica do médico, memorialista e historiador Pedro Nava. Q)
"O
co
"O
Andrezza Christina Ferreira Rodrigues - PUC-SP '§
"For the blood is the Life": O Discurso Médico-científico em Dracula de Bram Stoker -E
Este trabalho pretende fazer a análise de algumas das tensões historicamente ccnstituídas pelo avanço da modernida- ~
de durante as últimas décadas do século XIX, tendo como eixo norteado r das reflexões o livro Drácula (1897) de Bram Q)

Stoker (1847-1912). É possível vislumbrar traços culturais de um cientificismo triunfante em relação ás noções de ]
saúde, em especial no que tange ao sangue. Na década de 1880, o darwinismo social, propôs aos ingleses a cobertura (/.)
v:;
biológica para a teoria da degeneração urbana hereditária, reforçando a posição a chamada 'idéia sanitária' desenvol- ~
vida por Chadwick, encontrando sua expressão no controle de doenças e na degenerescência através da mistura do ~
sangue. As teorias médicas investem no sangue como condutor da carga humana que interfere no comportamento do §
corpo e da mente, as características de seus antepassados e habilitassem para desenvolvê-Ias ao longo de sua vida, 05
como por exemplo, a disposição para o trabalho, a loucura, a promiscuidade, a mendicância, entre outros. Tema que ,~
traz preocupação à sociedade inglesa do periodo, pois o alto indice de miséria da parte operária, e principalmente a .á3
prostituição exacerbada dessa população, fazem com que o sangue misture-se e provoque o aparecimento de novas w
feridas sociais:as patologias do sangue.

Leonor Carolina Baptista Schwartsmann - PUCRS


Relato de viagem de um médico italiano: fonte para o estudo das práticas de saúde
Através de um paralelo com o que encontrou no Brasil, em sua viagem pelo interior de São Paulo e Rio Grande do Sul,
no início do século XX, o médico itinerante italiano Giovanni Palombini discorre em seu relato de viagem sobre as
condições do exercício profissional e de vida na Itália, Entre as razões que causaram a sua vinda e estabelecimento no
Brasil, enccntram-se as dificuldades relativas ao exercício profissional (baixo salário, excesso de trabalho, falta de
perspectiva de carreira) associadas a sua percepção das dificuldades da vida no campo e violência existente nas
cidades italianas, e a idealização de uma nova vida. Verificou que no Brasil, apesar do excesso de alimentos disponi-
veis, as más condições alimentares estavam na origem de doenças como a tuberculose, o consumo disseminado de
bebidas alcoólicas ocasionava uma alta incidência de alcoolismo, a sifilis era freqüente, a auto-medicação era corri-
queira e o uso difundido de armas favorecia a criminal idade. Suas observações encontram-se dentro da perspectiva
dos higienistas.

I 17/07 - Terça-feira - Tarde (14h às 18h)


Maria Rachei Fróes da Fonseca - Casa de Oswaldo Cruz I Fiocruz
Uma Tribuna Médica: as Conferências Populares da Glória (1873-1880)
As Conferências Populares da Glória iniciaram-se em 23/11/1873 sob a iniciativa e coordenação de Manoel Francisco
Correia, senador do Império. Sua função primordial era a de se tornar um meio para despertar o espírito para os mais
diversos assuntos, para a ciência e a cultura, e assim transformar a nação. O temário das conferências era amplo e
eclético, apresentando temas de cultura geral (literatura, teatro, arte, história, educação) e temáticas intrínsecas ás
diversas ciências (matemática, biologia, medicina, botânica, astronomia, ciências físicas, farmácia, agricultura). A tri-
buna da Glória, como ficou conhecido este espaço, foi se transformando, ao longo do século XIX, em um verdadeiro
palco para as questões que polarizavam a sociedade, como a reforma do ensino, o contagionismo e o anticontagionis-
mo, as epidemias, as terapêuticas, a higiene, as quarentenas, a medicina legal, e o darwinismo. Entre os palestrantes
estavam Francisco Praxedes de Andrade Pertence, João Baptista Kossuth Vinelli, Antonio José Pereira da Silva Araú-
jo, Cypriano de Sousa Freitas, Augusto César Miranda de Azevedo, Bento Gonçalves Cruz, José Martins da Cruz
Jobim, João Martins Teixeira, e Nuno de Andrade.

Júlio Cesar Schweickardt - Fiocruz


Alfredo da Matta: um cientista na Amazônia
A intenção deste trabalho é compreender a circulação do conhecimento científico na região amazônica no periodo de
1890 a 1920, época marcada pela exploração da borracha. Partiremos da obra do médico-cientista social Alfredo da
Matta que atuou no Serviço de higiene do Estado e participou da criação de diferentes instituições de pesquisa no
trabalho de profilaxia das endemias que marcavam (e ainda marcam) a região. Através de um pensamento local
podemos problematizar a dinâmica da ciência em um contexto específico e suas relações com as idéias científicas

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nacionais e mundiais. As práticas científicas estavam relacionadas com o universo cultural mais amplo, com as refor-
mas urbanas, o controle sanitário, as condutas e posturas, as manifestações culturais e as instituições. Os cientistas
locais estavam inseridos ao projeto de uma 'ciência-mundo', mas nem por isso deixavam de dialogar com a realidade
mais imediata.

Marta de Almeida - Museu de Astronomia e Ciências Afins· MAST


Congressos médicos, redes e debates locais na América Latina no início do século XX
No âmbito da história da medicina faz-se necessário compreender o papel dos paises latino-americanos, no cenário
internacional dos debates sobre teorias, práticas médicas e políticas públicas de saúde, com a intenção de contribuir
para a revisão de algumas noções relativas ao atraso científico e á dependência tecnológica, cunhadas ao longo da
história das ciências e da América Latina. Neste trabalho pretendo destacar a realização dos Congressos Médicos
Latino-Americanos (CMLA) ocorridos entre os anos de 1901 e 1922 e das Exposições Internacionais de Higiene,
anexas aos CMLA, considerando tais eventos representativos de um movimento mais amplo de intercâmbios científi-
cos e de organização do campo profissional da medicina no continente. Destacarei a dinâmica local de redes médico-
científicas configuradas na série dos CMLA durante o início do século XX, os acordos firmados e as discussões em
torno dos problemas locais de saúde pública. A ênfase será dada para os temas da medicina tropical e a reelaboração
deste conceito nos anos 1910 na América Latina. A historicidade dessas iniciativas possibilita perceber aspectos da
intemacionalização das ciências médicas sob uma ótica centrada nas relações entre os países do continente.

Lausane Corrêa Pykosz - UFPR


A circulação das idéias médicas sobre educação: congressos de educação na década de 1920 no Brasil
No presente trabalho procura-se investigar historicamente os discursos médicos para a educação no Brasil, por inter-
médio de um dos principais meios de circulação dessas idéias: os congressos de educação. Tendo em vista a maior
profusão de discursos sobre higiene e saúde pública com a chegada do século XX e a necessidade de adequação às
novas demandas, como o crescimento demasiado da população principalmente nas capitais brasileiras, e á mudança
de comportamentos que isso impunha, muitas vezes por meio da educação, procura-se identificar os discursos de
médicos e educadores nos congressos de educação da década de 1920 no Brasil, dando ênfase ao contexto parana-
ense. Procurando compreender as principais proposições para a educação no que se refere á higiene, centra-se o
estudo no Congresso de Ensino Primário e Normal (1926) e na I Conferência Nacional de Educação (1927), ambos
sediados em Curitiba, sendo o primeiro de âmbito estadual e o segundo, nacional. A importância que a higiene teve no
conjunto dos temas abordados nos eventos se explica pelo fato de ser atribuída á questão hígiênica um dos principais
meios de construção da unidade nacional, por meio da educação higiênica, principal bandeira nos congressos, pela
busca da conscientização da população pela causa da saúde pública.

Luciana Cláudia Oliveira de Souza - UEMG


Da Liga Central ao Departamento Nacional de Higiene Pública: sete décadas de jornais como fomentadores do
ideal civilizador nos trópicos sul mineiros - notas de pesquisa
A presente proposta tem como objetivo apresentar questões referentes a um trabalho de análise de fontes sobre o
desenvolvimento de políticas urbanas sanitaristas, levantadas principalmente através de jornais sul mineiros, entre os
anos de 1850 a 1920. No período considerado, a fundamentação teórica para análise está inserida numa historiografia
basicamente cientificista, prevalecente desde os séculos XVI e XVIII, em grande parte alicerçada na filosofia de Des-
cartes. Já no século XIX, sob um imaginário apoiado pela corrente positivista, o corpo humano toma status de fonte
analítica do pensamento moderno, buscando compreender não mais apenas o lado mecãnico de seu funcionamento,
mas, inclusive sua fisiologia e patologias. Assim, a medicina assume um caráter mais preventivo, e a região sul mineira
ganha destaque nos periódicos, tendo como principal argumento a característica geo-climática regional. Além disso, a
presença de águas minerais, também chamadas de Santas ou Virtuosas, apregoa á região qualidades curativas. A
propaganda dessas atribuições causa um rápido desenvolvimento da região e constantes preocupações com reformas
urbanas e sanitárias, em busca da ênfase e melhoria dessas características, determinando-se, assim, o objeto de
pesquisa proposto para essa apresentação.

Júlio Cesar Paixão Santos - Casa de Oswaldo Cruz· Fiocruz


Saúde e Educação na Baixada do Estado do Rio de Janeiro durante a Primeira República: Uma convergência
Nas décadas 1910-20 da Primeira República, a campanha pelo saneamento do Brasil procurou levar o país, doente, á
salubridade pela divulgação de ideais higiênicos, pela proposição de uma agenda nacional em saúde e por suas ações
sanitárias sob o território nacional. Dentre os mais destacados militantes estava Belisário Penna. Na baixada, o dr.
Penna trabalhou no saneamento do Rio Xerém e das cercanias das linhas férreas, no princípio do século XX, conhe-
cendo as condições de (in)salubridade local e agindo para reverter a situação, procurando transformar a baixada num
exemplo a ser seguido. Numa visita a região, a professora Armanda Álvaro Alberto se sensibiliza com a situação da
população, criando em 1921 a Escola de Merity sob os princípios de Montessori e as bandeiras da Saúde, da Alegria,

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do Trabalho e da Solidariedade, abrindo assim suas portas a preleções e cursos de higiene. Este texto pretende ~
analisar conjuntamente é?s propostas e as ações em saúde e educação sanitária do dr. Belisário Penna e em educação
da professora Armanda Alvaro Alberto na primeira década da Escola de Merity, procurando compreender a atuação do
®
movimento sanitarista junto a população da baixada do Estado do Rio de Janeiro e de uma forma mais geral a conexão
entre Educação e Saúde naquele período.
.,;

José Leandro Rocha Cardoso - Casa de Oswaldo Cruz


'"
~
Saúde e desenvolvimento: a educação sanitária como instrumento do progresso '§
Nos anos de 1950, as ações governamentais de promoção de saúde e de bem estar da população, sobretudo no meio -E
rural, foram assumidas como estratégias nacionais de construção do Estado, acompanhando as diretrizes internacio- ~
nais do pós Segunda Guerra Mundial. Como síntese desse quadro, pode-se considerar a atuação do Serviço Especial ~
de Saúde Pública (SESP), que iniciou suas atividades em 1942, após acordo firmado entre o governo brasileiro e o -~
Instituto de Assuntos Inter-Americanos (lAIA). O SESP atuou em diversas áreas, entre elas: engenharia sanitária, C/)

administração hospitalar, assistência medica e educação sanitária. Dessas áreas, destaca-se a educação sanitária l§
como promotora da formação de pessoal e da divulgação de conhecimento, perpassando todas as demais áreas. A ~
educação sanitária, mais do que formar e informar, refletia o modelo de saúde pública a ser implementado, definindo o §
caráter da atuação do SESP no desenvolvimento econômico das diferentes regiões onde atuou. A partir da análise dos i:D
textos publicados pelo boletim do SESP, pode-se entender a educação sanitária como uma amálgama do trabalho do .~
SESP, formando quadros para a saúde pública e construindo uma consciência sanitária na população, além de forne- .~
cer elementos para se entender o projeto de construção nacional. u

Deisi das Graças Rizzo Lubenow - UFPR


Discurso Médico, Sanitarismo e Ocupação: oeste do Paraná (1948 a 1960)
A (re) ocupação da região oeste do Paraná que se procedeu a partir do final de 1940 está relacionada a transformações
mais amplas pela qual passava o Brasil. Estas transformações remetem-se prioritariamente à modificação do estatuto
do país, visto como exclusivamente rural e conseqüentemente atrasado a urbano ou moderno e civilizado. Esta forma
de compreensão marcou a colonização, as formas de ocupação, o surgimento das cidades e também os problemas
médico-sanitários decorrentes dela, que podem ser estudados a partir da leitura e da incorporação da visão dos
médicos pelos governantes do Estado naquele momento. O presente trabalho pretende discutir como o discurso de
médicos sobre sanitarismo marcou as políticas públicas e as falas produzidas pelo governo do Paraná no periodo que
vai de 1948 a 1960, momento em que se procedeu a (re) ocupação daquele espaço. Tais discursos ajudaram a formar
um conjunto de idéias e imagens que se fixou e criou uma memória sobre o processo e que perduram até o presente
momento.

I 18/07 - Quarta-feira - Tarde (14h às 18h)


Danielle Sanches de Almeida - USP
O universo das práticas médico-curativas em Minas Gerais Setecentista
Pretende-se expor as variadas práticas de cura que eram utilizadas no cenário colonial do centro-sul do Brasil. Como
o contexto setecentista mineiro se mostra muito rico no comércio de medicamentos importados do Reino e em variadas
formas de utilização da medicina popular em consonância à medicina oficial apontaremos através das listas de gêne-
ros importados de Portugal o tipo de doenças que alguns desses remédios podiam curar contrastando com as variadas
terapias populares (descritas em tratados médicos coevos, devassas entre outras fontes) utilizadas para a cura. Tam-
bém serão levadas em conta os consumidores de ambas medicinas, ou seja, como se dava a utilização destas medi-
cinas por parte da população do centro-sul brasileiro.

Beatriz Teixeira Weber - UFSM


Igreja, Homeopatia, Saúde: O Olhar de João Pedro Gay no Rio Grande do Sul no Século
A documentação existente sobre homeopatia no Brasil é muito diversificada, apesar das dificuldades de acesso que
ainda temos, porque se encontra muito dispersa. Uma das preciosidades encontradas sobre o Rio Grande do Sul trata-
se de um acervo existente no arquivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, com registros pessoais do padre
João Pedro Gay. Ele atuou em Alegrete e Uruguaiana de 1848 a 1891 como sacerdote secular. Uma das inúmeras
atividades que exerceu como intelectual arguto e bem informado foi o exercício da homeopatia no interior do Rio
Grande do Sul. No desenvolvimento dessa atividade, trocou correspondência regular com o Instituto Hahnemanniano
do Brasil, na qual descreve as condições de vida e saúde na região e justifica porque se sentia comprometido com
aquela prática. Este artigo procura traçar um panorama da trajetória do Padre Gay como 'homeopata' no interior do Rio
Grande do Sul, constituindo uma proposta de como deveria ser organizada a saúde no interior do Brasil.

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Monique de Siqueira Gonçalves - Fiocruzl COC
A imprensa médica carioca em meados do século XIX: epidemias e combates na busca da legitimação sócio-
profissional
Durante a década de 1850, interessantes mudanças foram verificadas na imprensa médica na capital do Império. As
publicações médicas especializadas que surgiram durante este período, publicadas por membros da "elite médica',
apresentaram uma significativa mudança em seus perfis editoriais com relação ás publicações do mesmo gênero
editadas até então. Situadas num contexto de constantes surtos epidêmicos, que assolavam o Rio de Janeiro, passa-
ram a se dedicar com mais veemência ás doenças que preocupavam a população carioca, insistindo, sobretudo, na
necessidade de se aprovar medidas que inibissem a prática de outras formas de cura. Da mesma forma, resistindo aos
constantes ataques veiculados pela "elite médica', e fortalecidos pela grande procura de cuidados médicos durante os
periodos de surtos epidêmicos, os homeopatas também se empenharam em divulgar o seu saber, combatendo a
medicina alopata, por meio das páginas de periódicos redigidos por iniciativas particulares. As nuances desta disputa
pela hegemonia sócio-profissional foram exploradas na defesa de minha dissertação de mestrado e, neste trabalho
pretendo desenvolver uma reflexão sobre elas, a fim de contribuir para a expansão dos conhecimentos referentes ás
publicações especializadas nos oitocentos.

Flavio Coelho Edler - Casa de Oswaldo Cruz-Fiocruz


Diagnósticos, terapêuticas e distinção social na formação social brasileira
No campo da saúde, as ciências sociais, quando discutem as relações entre a medicina e o mercado, quase sempre
restringem seu foco á ingerência do chamado complexo médico-industrial - as indústrias farmacêuticas, de insumos e
equipamentos médicos - na prática médica: um elemento estrutural, que circunscreve e manipula a relação do médico
com seu paciente. Por outro lado, a crítica acadêmica contemporânea costuma enfocar o consumo e o consumismo,
ora como uma prática conspícua, ora como um culto ao supérfluo. Aqui, quase sempre aprendemos com teorias
hedonistas, denunciatórias e utilitaristas que supõem um consumidor marionete, presa das artimanhas dos publicitári-
os, ou consumidores que competem invejosamente, sem motivo sensato. Seguindo a hipótese de Mary Douglas, para
quem o consumo é algo ativo e constante no mundo em que vivemos e nele desempenha um papel central como
estruturador dos valores que constroem identidades, regulam relações e definem mapas culturais, nos propomos a
pensar as práticas terapêuticas - o uso de certos remédios, manipulações e dietas - e a atribuição (e aceitação) de
diagnósticos como parte integrante do processo de distinção social e construção de identidades coletivas no contexto
da escravidão brasileira.

Yonissa Marmitt Wadi - UNIOESTE


Processo de assistência psiquiátrica no Estado do Paraná: um ensaio sobre sua historicidade
O processo de assistência psiquiátrica no Estado do Paraná passa por drásticas transformações neste inicio de milê-
nio. A crítica a forma de tratar pessoas portadoras de sofrimento mental - os chamados loucos - está na origem da
forma contemporânea da assistência, quase exclusivamente institucionalizada. Transformações marcaram este pro-
cesso ao longo dos dois últimos séculos, com temporal idades diferentes em lugares diversos e vivemos hoje, no Brasil,
uma época conhecida como de desospitalização, marcada pelo avanço da Reforma Psiquiátrica. As instituições tradi-
cionais no cuidado dos chamados loucos, os hospitais psiquiátricos sofrem uma critica severa e caminha-se para sua
supressão como instrumento principal de exercício da psiquiatria, buscando-se formas institucionais novas (alternati-
vas ou substitutivas), como hospitais-dia, centros e núcleos de atenção psicossocial. Porém, mudanças no formato
institucional ou novos equipamentos, não significam necessariamente a adesão irrestrita dos agentes envolvidos a
novas lógicas ou novas concepções. Neste texto, enfrenta-se o desafio de compreender a historicidade das mudanças
e as multiplicidades que configuram a contemporaneidade da assistência psiquiátrica, considerando a trajetória de
algumas instituições paranaenses.

Ana Teresa Acatauassú Venâncio e Janis A1essandra Cassilia - Casa de Oswaldo CruzlFiocruz
História da polítíca assistencial à doença mental (1941-1956): o caso da Colônia Juliano Moreira no Rio de
Janeiro
Revendo trabalhos já existentes sobre o tema, buscamos analisar a história da política assistencial á doença mental,
tomando como estudo de caso a Colônia Juliano Moreira (CJM), criada em 1924 no Rio de Janeiro e, no período
estudado, subordinada ao Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM). O marco temporal proposto refere-se, de um
lado á criação do SNDM em 1941 -, como um dos 23 órgãos do Departamento Nacional de Saúde do Ministério da
Educação e Saúde - e de outro, ao fim da gestão de seu primeiro diretor, o médico-psiquiatra Adauto Botelho, em
1956. Com base na análise de documentos e periódico do SNDM, e de publicação e prontuários da CJM, o trabalho
discute como, naquele período, a assistência psiquiátrica esteve articulada á politica para a área da saúde, centraliza-
dora e modernizadora, que acabou por incentivar a criação de ambulatórios e produzir a expansão de macro estruturas
hospitalares pSiquiátricas em vários estados brasileiros, como ocorreu na CJM. A especificidade da CJM revela-se no
modo como a politica pública que então se forjava reverberou no ideário original institucional, centrado no tratamento

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das doenças mentais pela praxisterapia e pela assistência hetero-familiar, o qual produzia uma vida social e urbana ~O
como parte da instituição. ~
Laurinda Rosa Maciel - FiocruzJCasa de Oswaldo Cruz
Titulo: Isolando a doença e o doente: os leprosários no Brasil (1930·1960)
Resumo: A lepra foi a partir dos anos 1930 até meados da década de 1960, alvo de grandes ações do governo federal gi
no sentido isolar os pacientes diagnosticados. Esta prática médica se amparava no conhecimento científico que se ~
tinha á época sobre a doença, agregado ao grande estigma social construido em torno da doença desde a época 'E
medieval. A política adotada para o combate à lepra desde os anos 30 foi fortemente isolacionista e se baseava na ~
constituição de três instituições: os asilos-colonia ou leprosários, os dispensários e os preventórios. Nos leprosários se ~
internavam os pacientes que passavam a viver isolados e esta internação normalmente durava toda a existência do :
doente; nos dispensários se atentava para o cuidado e a atenção aos novos casos e a observação dos comunicantes, ]
que eram os que mantinham contato com o paciente que estava internado. Nos preventórios se isolavam as crianças cn
sadias, filhos dos pacientes internados nos leprosários. Meu objetivo nesta comunicação é apresentar esta política de l§-
saúde no pais, enfatizando o funcionamento e a função dos leprosários e atentar para a importância das ações gover- ~
namentais empreendidas por Gustavo Capanema durante o governo Vargas, cujo impulso foi decisivo para a consoli- §
dação desta política pública de saúde. as
...,
co

Carlos Henrique Assunção Paiva, Una Rodrigues de Faria e Luiz Antonio de Castro Santos - Fiocruz c::
.Q)

A hanseníase como objeto histórico: o caso brasileiro U


Ao discutir a luta contra a hanseníase no Brasil, de fins do século 19 aos anos de 1940, o trabalho analisa as diferentes
concepções da doença, surgidas nos meios médicos, e das propostas de intervenção social como justificativas de
combate á doença. A lepra começou a ser vista como uma 'enfermidade', merecedora de atenção médico-social, a
partir de fins do século 19. Faz parte da dramaturgia do sofrimento humano desde a Antiguidade, mas sua identidade
etiológica remonta apenas ao final do século 19, quando G. Hansen descobriu o bacilo causador. No Brasil, até a
República Velha, os leprosos sobreviviam ao descaso das autoridades sanitárias ou, mais tarde, eram vítimas de
políticas de institucionalização cruéis. Desde 1920, o Departamento Nacional de Saúde Pública abrigava uma Inspeto-
ria de Profilaxia da Lepra e das Doenças Venéreas, voltada para o controle da doença pelo isolamento. As questões da
nacionalidade, ás quais se associavam o 'problema da raça' e a eugenia, passaram a demandar a eliminação da lepra
no país. O texto procurará explorar os significados epidemiológicos, médicos, culturais e sociais da hanseníase, esta-
belecendo traços comuns á sociedade brasileira e a outros países latino-americanos, em particular a Colômbia, para a
qual existe literatura de bom nível.

I 19/07 - Quinta-feira - Tarde (14h ás 16h30min)


Maria Regina Cotrim Guimarães - Fiocruz I UFF
O desenvolvimento da pesquisa e do ensino médico nos dois mundos entre o século XIX e a primeira década
do XX
A medicina de grande parte do século XIX foi marcada pela hegemonia da anatomoclínica, que se caracterizava por
uma prática exercida na 'cabeceira do doente' associada a um raciocínio diagnóstico informado pelos achados da
anatomia patologia (principalmente pelas necropsias). No entanto, observamos que, entre a metade e o final dos
oitocentos, comunidades médico-científicas da Europa (como França, Alemanha e Inglaterra) e da América (no caso,
Estados Unidos e Brasil) passaram por um processo de revisão da anatomoclínica, colocando em relevo uma medicina
com bases principalmente laboratoriais, em que a quimica e a fisiologia se apresentavam como suas disciplinas em-
blemáticas. Este trabalho pretende analisar tal processo, que se constituiu de um debate mais ou menos tenso em
cada um desses países, e que ocorreu em per iodos distintos da segunda metade do século XIX, protagonizado pela
Alemanha e pelos países sob sua influência. Negociações intrínsecas á condução das duas ciências médícas em
questão, e contextos históricos e relativos á inserção das pesquisas nas instituições universitárias marcaram as dife-
rentes formas de expansão desse novo modelo.

Erica Piovam de Ulhôa Cintra - Universidade Federal do Paraná


A arte de curar faz escola em Curitiba. Caminhos de uma investigação histórica da Faculdade de Medicina do
Paraná (1912·1945)
O presente artígo aborda aspectos de parte da trajetória inicial da Faculdade de Medicina do Paraná que, no começo
do século XX, constituiu-se na primeira instituição educacional desta especialidade no estado contribuindo para a
institucionalização da ciência médica paranaense e, conseqüentemente, a formação e a organização da classe médi-
ca local. Na trajetória desta instituição educacional o destaque para os espaços, saberes e procedimentos de uma
formação seletiva - o ensino médico - e a visualização dos papéis de diferentes agentes na organização administrati-

85
va, burocrática e pedagógica no início deste primeiro projeto educativo no Paraná. Inserido no recorte de história das
instituições escolares e discutindo também as relações de saúde/doença na cidade que cresce rapidamente, o presen-
te artigo, decorrente de estudo em desenvolvimento no Programa de Pós-Graduação em Educação (Linha História e
Historiografia da Educação) da Universidade Federal do Paraná, abre questões e reflete sobre um pouco desta parti-
cular história que marcaria os caminhos da educação e da saúde pública em Curitiba na primeira metade do XX.

Gisele Sanglard - Casa de Oswaldo CruzlFiocruz


Do sonho à desilusão: reflexões sobre o Hospital de Clínicas Arthur Bernardes - (Rio de Janeiro, 1926-1934)
A demanda por leitos hospitalares na cidade do Rio de Janeiro dominou parte da agenda de discussões na década de
1920. Médicos, politicos, intelectuais e filantropos se uniram na proposição de soluções para o que eles consideravam
um grave problema de Saúde Pública. Até esse período a assistência hospitalar na cidade do Rio de Janeiro era
realizada nos hospitais da Santa Casa da Misericórdia e nessa época o Estado dá os primeiros passos na direção da
formação de uma rede de hospitais gerais públicos. Esse processo alcançaria seu ápice com a construção do Hospital
de Clínicas Arthur Bernardes para a Faculdade de Medicina que além de dotar de a Faculdade de um equipamento de
saúde próprio; resolveria o problema de falta de leitos na cidade. Projeto ambicioso, que atraiu a imprensa tanto
médica quanto quotidiana, acabou por não se concretizar. Esse trabalho pretende, então, refletir sobre algumas das
questões que impossibilitaram esse sonho se realizar: discussões acerca do bairro escolhido, sobre a tipologia do
edifício, da localização da maternidade - dentro ou a parte do hospital? Esses questionamentos advindos do seio da
própria corporação médica nos permitem seguir os vários projetos para a Facuidade de Medicina que estavam sendo
desenhados a época. Divergências internas

Fernando A Pires-Alves - Fundação Oswaldo Cruz


Recursos críticos: história da cooperação técnica OPAS-Brasil em recursos humanos para a saúde no Brasil
(1975-1983)
Desenvolvido no âmbito do Observatório História e Saúde, da Rede Observatório de RH em Saúde - esse trabalho
discute as políticas de recursos humanos em saúde no Brasil, a partir da cooperação técnica desenvolvida neste
campo entre a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) e o governo brasileiro. Examina o contexto de
formulação e a implementação do Acordo para um Programa de Desenvolvimento de Recursos Humanos para a
Saúde no Brasil, sobretudo a partir de 1975, quando tem inicio o Programa de Preparação Estratégica de Pessoal de
Saúde (PPREPS).O contexto de implantação do PPREPS é especialmente contemplado. Examinamos o papel do
estado brasileiro na organização das políticas sociais, particularmente no âmbito da saúde; a situação da formação
dos recursos humanos para a saúde no país à época de implantação do programa; a racionalização do setor público e
o planejamento social como idéias que organizaram o pensamento e as experiências institucionais mais relevantes
nesse setor. Da mesma forma, são discutidas as implicações do PPREPS na institucionalização da área de RH em
saúde como parte das instâncias de gestão pública da saúde, na organização do campo da saúde coletiva no Brasil e
na critica e reforma dos sistemas de saúde do país, cujos reflexos são presentes até hoje.

I 20/07 - Sexta-feira - Manhã (10h30min às 12h30min) I


Vanessa Lana - C. A. João XXIII- UFJF
Em defesa da "Manchester": a atuação dos médicos juizforanos na mudança da capítal mineira
No início da década de 1890, o Congresso mineiro aprovou a lei que indicava a mudança de sede do govemo do
estado, na época a cidade de Ouro Preto. Sancionada a nova lei, foi nomeada uma comissão encarregada de estudar
e relatar, através de um parecer técnico, pontos acerca das condições gerais das localidades concorrentes (Belo
Horizonte, Paraúna, Várzea do Marçal, Barbacena e Juiz de Fora). Naquele momento, receber os investimentos para
sediar o congresso estadual geraria crescimento e melhorias urbanas a quaisquer localidades. Em vista disso, iniciou-
se um impulso dos médicos juizforanos em defender a cidade de Juiz de Fora de possíveis acusações a seu estado de
salubridade pública e evidenciá-Ia como local apto a receber os investimentos e a continuar crescendo e se desenvol-
vendo ao longo dos anos. O objetivo deste trabalho é analisar o posicionamento dos profissionais associados à Soci-
edade de Medicina e Cirurgia de Juiz de Fora (SMCJF) em defesa da escolha da cidade de Juiz de Fora para sediar as
obras de construção da nova capital mineira. Em outras palavras, de que forma a instituição atuou no amparo aos
interesses do município, defendendo a aptidão da infra-estrutura juizforana para instalar o Congresso mineiro. Nosso
ponto de partida é um trabalho escrito pelo médico Ambrósio Vieira Braga, membro da SMCJF, com vistas a refutar as
considerações elaboradas pela comissão de avaliação das localidades, que questionou alguns pontos do clima e
salubridade juizforanos, excluindo-a do posto de capital de Minas. Tal trabalho foi elaborado a pedido da própria
Sociedade e, depois de concluído, foi apresentado em assembléia e aprovado em unanimidade pelos membros da
instituição. Interessa, pois, analisar a postura da Sociedade mediante parecer técnico elaborado sobre Juiz de Fora,
que considerou a cidade insalubre e não apta a ocupar a posição de capital do estado. Neste ponto, o foco principal é

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a luta destes profissionais para refutar as considerações negativas sobre o município, deslocando o argumento que ~
retirou Juiz de Fora da disputa pela nova capital para a esfera política, e não por falta de condições de sediar as obras
da nova sede do governo de Minas.
®
Marcelo Vieira Ferreira Ferro - UNIBENNETT
Discurso médico e Secularização dos enterramentos na Corte Imperial ~
Em 1850) o governo foi autorizado a regulamentar e a determinar o estabelecimento de cemitérios públicos na Corte ~
Imperial. A fundação e administração de cemitérios públicos extramuros na Corte foi cometida por 50 anos á Santa '§
Casa de Misericórdia, dando fim aos enterramentos no interior dos templos, prática tida como um foco de miasmas -E
pelo discurso médico, que propunha uma separação espacial entre vivos e mortos em nome da saúde dos primeiros. ~
Entretanto, tal privilégio funerário passou a ser questionado por inúmeros grupos políticos e religiosos a partir da -{g
década de 1870 por aqueles que entendiam o monopólio dos enterramentos por uma instituição religiosa católica -i5
como um ataque á liberdade religiosa e á igualdade civil em um momento de intensificação da politica imigrantista, de C/.) ",-

crise monárquica e de avanço do movimento republicano. Nesse momento, o discurso médico também é empregado B
como justificativa para promover mudanças na regulamentação dos enterramentos. Os cemitérios eram uma questão ~
de higiene pública e cabia ao Estado administrar os enterramentos sem diferenciação de cor, credo ou classe não por §
respeito religioso á figura do morto mas pelo respeito á saúde dos vivos. i:i5
'"
'"

Sônia Maria de Magalhães - Universidade Federal de Goiás· PRODOC/UFG c::

Clínica médica no sertão do Brasil


<'"
i::3
Se em grandes centros constituiu-se tarefa árdua impor um novo discurso médico e ao mesmo tempo combater práti-
cas populares há tanto disseminadas pelo território, pode se imaginar a ocorrência dessas na longínqua e isolada
provincia de Goiás durante o Oitocentos. As histórias de Vicente Moretti Foggia, Theodoro Rodrigues de Moraes e
Francisco Antõnio de Azeredo revelam aspectos, pouco conhecidos, da trajetória de profissionais desse ramo no
interior do Brasil- desde a formação, passando pelas dificuldades inerentes ao início da carreira até o reconhecimen-
to social. Eles deixaram pistas reveladoras, por meio de vários registros, sobre a complexidade da consolidação da
medicina científica no interior do Brasil. Mais do que isso, suas vivências revelam as diversas faces do profissional
médico em Goiás: conflitos, dificuldades no exercício da profissão, relações de poder, ascensão, etc. Três perfis
distintos: Foggia, aportou no pais fugindo da polícia italiana; Moraes, membro de familia abastada, não encontrou
muitas dificuldades para alcançar sucesso na carreira; Azeredo, ao contrário deste, enfrentou vários desafios de ordem
econômica para adquirir a tão almejada formação.

I 20/07 - Sexta-feira - Tarde (14h ás 18h) I


Luiz Antonio da Silva Teixeira e Maria Teresa Citeli - Casa de Oswaldo Cruz· Fiocruz
As vicissitudes de um pesquisador brasileiro no reconhecimento de sua contribuição à descoberta da pilula
anticoncepcional
Esse trabalho discute o desenvolvimento da pílula anticoncepcional feminina na década de 1950, explorando a contri-
buição do médico brasileiro Aloysio Neves nesse processo. Estudos recentes mostram como o surgimento dessa
inovação se relacionou às transformações sociais no pós-guerra, sobretudo em assuntos atravessados pela política
sexual, como controle do próprio corpo e da vida reprodutiva das mulheres. Tais questões, num contexto de irrestrita fé
na ciência, de desenvolvimento da indústria farmacêutica e de surgimento de concepções feministas, facilitaram a
produção e comercialização do novo produto. A sedimentação dos saberes sobre o ciclo reprodutivo feminino e ação
dos hormônios nesse processo, a partir da década de 1920 principalmente na Europa, foi a pré-condição para o
desenvolvimento da pílula. Nessa arena encontramos Aloysio Neves, primeiro brasileiro a publicar um artigo sobre
hormônios e supressão da fertilidade. Com base nas postulações dos estudos sociais das ciências nosso estudo
analisa a luta desse médico pela patente para 'sua descoberta". Objetivamos mostrar como questões (sociais/éticas/
culturais0 que atravessam a produção das ciências dificultaram o reconhecimento pleiteado pelo brasileiro.

Marilane Machado - UFSC


Vida em abundância e saúde para todos: Igreja e movimentos sociais pela saúde nos anos 1980
Com esta comunicação pretendemos relacionar os interesses da Igreja Católica e dos movimentos sociais pela saúde
nos anos 1980. Neste contexto, a reivindicação maior dos movimentos sociais pela saúde era a democratização dos
serviços públicos de saúde trazendo como lema: 'Saúde para todos", influenciados pelos ideais da Conferência de
Alma-Ata de 1978 e pelas reivindicações populares nos anos de ditadura militar no Brasil. Dentro desta perspectiva, a
Igreja Católica do Brasil lançou a Campanha da Fraternidade de 1981 trazendo como tema: 'Fraternidade é saúde para
todos" e como lema: 'Saúde para todos", esta campanha além de abrir espaços para debates entre grupos religiosos
católicos, estimulou ações populares na área da saúde. Nesta comunicação, portanto, pretende-se analisar a aproxi-

87
mação da igreja Católica e dos ideais desses movimentos sociais, percebendo ainda possíveis conflitos advindos
desta aproximação e destacando a atuação de um grupo específico: a Pastoral da Saúde.

Carla Francielle Kurz - UEM


Modificações dos costumes urbanos pela ótica da política de saúde pública
As Políticas de Saúde tornaram-se cartazes importantes para a promoção de uma boa saúde. Isso explica, em parte,
as tentativas do poder público em se apossar do espaço urbano imprimindo, no discurso e na prática, a marca de
higiene. O objetivo dessa comunicação é analisar as formas de afirmação dos agentes do discurso médico que fomen-
taram o processo de mudança dos costumes da população brasileira, particularmente do ponto de vista do papel
desempenhado pelo Estado, através do processo de configuração da base fisica das cidades e do discurso médico
pelo controle das doenças. Partindo da idéia que o discurso médico da higiene pública considera o homem um objeto
de conhecimento, o estudo está pautado na análise do saber médico enquanto prática disciplinar, bem como uma
forma de fiscalizar a vida do corpo social, pois através dele que se exercem os poderes políticos, econômicos e
culturais voltadas á coletividade.

11. Cinema-História: teoria e empiricidades numa perspectiva transdisciplinar (imagens e


audiovisuais nas suas transversalidades)
Miriam de Souza Rossini (UFRGS) e Jorge Luiz Bezerra Nóvoa (UFBA)
I 16/07 - Segunda-feira - Tarde (14h às 18h)

Marcos Antonio da Silva· USP


Histórias de "Cabra marcado para morrer"
Uma equipe de jovens, do Rio de Janeiro, ligados ao CPC/UNE, com o apoio do similar pernambucano MPC, iniciou,
em 1964, no Engenho Galiléia (Pernambuco), urn filme sobre a atuação e a morte de João Pedro Teixeira, líder
paraibano das Ligas Camponesas, assassinado em 1962. As filmagens, sob direção de Eduardo Coutinho, foram
interrompidas pelo golpe de 1° de abril de 1964. Ern fevereiro de 1981, Coutinho apresentou o material bruto dos anos
60 a seus atores e colaboradores no Engenho Galiléia, filmando a exibição e as narrações dessas pessoas sobre suas
experiências de vida. O filme se construiu como memória reflexiva sobre seu próprio fazer, em diferentes temporal ida-
des e espaços. Conhecer as várias feituras de Cabra marcado para morrer e os trajetos de vida das pessoas envolvi-
das nessa experiência é compartilhar saberes e emoções. A ditadura não foi somente ditadura, porque saberes e
poderes outros se mantiveram dispersos entre setores da população, e podiam ser reativados ainda mais intensamen-
te naquele crepúsculo do regime.

Lúcia Teresinha Macena Gregory· UNIOESTE


Entre o sim e a fotografia: representações sobre o casamento
Trata-se de apresentar um estudo a partir de registros sobre casamentos ocorridos na região Oeste do Paraná (1954-
1970) com o objetivo de perceber a relação da cultura fotográfica com o poder religioso e o processo de construção de
identidade(s) e de modernidade local e regional. A apresentação será acompanhada de imagens e de tabelas elabora-
das no decorrer do diagnóstico sobre a coleção e auxiliará na exposição e análise do trabalho proposto. Esta comuni-
cação està inscrita no âmbito de nossa pesquisa de doutoramento Fotografias e Identidades: um estudo sobre a Foto
Kaeffer - Marechal Cândido Rondon/PR (1954-1985)'.

Jorge Luiz Bezerra Nóvoa - UFBA


A teoria da relação cinema·história na reconstrução do paradigma histórico
Essa comunicação trata da teoria cinema-história. Tal problemática-objeto pode ser abordada como lugar de memória ou
como representações cinemáticas sobre o presente, quanto sobre o passado. Analisa o imaginário, mas também lingua-
gens e suportes, inclusive para o ensino da história. As imagens áudio-imagéticas construíram, ao longo do século XX, um
imenso laboratório para a epistemologia que incluem, pesquisar o lugar da imaginação, das novas tecnologias ou da
inteligência sensível e da recepção e cognição para o historiador. Vislumbra-se tanto as narrativas que se constroem
através das imagens e do cinema e que recriam, representam, descrevem e/ou explicam a história, quanto os modos
pelos quais se dão a construção e a circulação desse discurso, quanto ainda os sujeitos que os absorvem. Diante da crise
de paradigmas e da história, a teoria da relação cinema-história é também carregada de pot~ncialidades capazes de
ajudar a reconstrução do pensamento e dos métodos da história e suas formas de exposição. E chegada a hora em que
o historiador se comunicará através do cinema. Assim, as novas práticas colocam a necessidade urgente de sua teoria.

88
Izabel de Fátima Cruz Melo - UFBA
História, Cinema e Prática Social: Jornadas de Cinema da Bahia (1972-1978)
Neste artigo apresento o início de uma trajetória investigativa a respeito das Jornadas de Cinema da Bahia, buscando
inseri-Ia no panorama dos estudos históricos, a partir da construção de um debate que nos permita discutir a ambiência
sócio-cultural soteropolitana na década de 1970, articulando-a com as discussões de cultura, participação política e
censura que existiam no Brasil nesse mesmo período. Para isto, compreendo que se faz necessário discutir em que
parâmetros as Jornadas foram pensadas, quais eram seus participantes, sua(s) concepção (ões) de cinema, seus
principais objetivos e sua relação com a censura.

Ana Cristina Venancio da Silva - USP


A videoteca pedagógica da Fundação para o Desenvolvimento da Educação de São Paulo (F DE) e o ensino de
História através do cinema
Entre 1988 e 1997, a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), órgão ligado à Secretaria de Educação
do Estado de São Paulo, convidou dois professores pertencentes ao seu quadro para a montagem de uma videoteca
para fins pedagógicos. A videoteca pedagógica da FDE, organizada pelo Centro de documentação e informação para
a educação (CEDUC) da instituição, atingiu em 1997 a marca de 5.200 fitas que circulavam constantemente pelo
correio, indo e vindo das escolas. Para além da questão de tornar acessível aos professores um determinado conjunto
de fitas VHS, dentre o qual existia filmes comerciais, educativos, de arte, experimentais, animações, etc. (nos formatos
de longa e curta metragem), a equipe pedagógica que esteve à frente desse projeto se preocupou em criar ferramentas
capazes de subsidiar uma utilização qualitativamente diferenciada dos recursos audiovisuais que disponibilizava, e
para isso criou uma série de publicações que visavam potencializar o uso do acervo. Foi assim que surgiram as séries
®
11
Apontamentos e Lições com Cinema e a revista Quadro-a-quadro. O presente trabalho se propõe a fazer uma reflexão
acadêmica acerca da maneira como essa iniciativa foi estruturada, bem como a forma como a videoteca foi apropriada
por professores de história.

Miriam de Souza Rossini - UFRGS


Reflexões sobre as relações entre o cinema e a história a partir das perspectivas do cinema brasileiro ~
Este texto pretende discutir alguns aspectos teóricos relacionados à problemática cinema-história, tendo como objeto ~
especifico de estudo as tendências dos filmes de reconstituição histórica feitos no Brasil desde os anos 70. Será :§
abordado o filme de reconstituição histórica enquanto espaço de representação de memória e de identidade cultural de .~
uma nação, bem como representante das diferentes tendências historiográficas sobre os assuntos abordados. Daí os QJ

constantes conflitos a que está sujeito. :


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e
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17/07 - Terça-feira - Tarde (14h às 18h) ~
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Cássio dos Santos Tomaim . Unesp/Franca E
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O documentário como atividade de luto: memória e identidade em Vlado, trinta anos depois 8
Este trabalho visa apresentar algumas reflexões a respeito do filme documentário sob a perspectiva da memória e da
identidade. Em Vlado, trinta anos depois (João Batista de Andrade, 2005) percebemos como o filme documentário
assume a conotação de uma atividade de luto, no sentido de que trava uma luta contra o esquecimento e a denegação
do passado. No caso especifico do filme selecionado, trata-se de um dever de rememorar os horrores da ditadura
militar, tendo o episódio do assassinato do jornalista Vladimir Herzog como fio condutor. Mas o que nos interessa em
Vlado, trinta anos depois é compreender que o documentário vale menos pelo o que testemunha do que como atualiza
e articula um passado no "tempo saturado de agoras.'

Mauricio de Bragança - UFF


Imagens da Revolução Mexicana: cinema e política em registros documentais
Esta comunicação pretende focar as relações entre cinema e política nas duas primeiras décadas do século XX no
México e as transformações na postura do realizador/cinegrafista com o desenvolvimento da Revolução. O cinema
chegou ao México apenas oito meses depois de sua estréia em Paris e foi apresentado pela primeira vez numa sessão
dedicada ao ditador Portirio Diaz. Percebendo o potencial propagandistico do cinematógrafo, o ditador logo se conver-
teria na primeira grande estrela do cinema mexicano. O cinema se forjava como 'documento histórico' stricto sensu,
num registro da verdade inquestionável. A Revolução de 1910 redefiniu seu papel, registrando a ebulição pela qual
passava a sociedade em documentários que aos poucos foram se distanciando do mero aspecto da curiosidade
espetacular para atingir uma verdadeira presença do realizador junto aos movimentos do cenário político nacional. A
Revolução passou a ser a grande protagonista desta fase. O desdobramento da Revolução, com a superação da fase
insurrecional, e o processo de domesticação do discurso revolucionário no âmbito oficial acabaram por esvaziar o teor

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de contestação das imagens documentais do cinema mexicano. A imagem do corpo de Zapata assassinado, que
circulou pelo território nacional, é um emblema deste projeto.

rtleize Regina de Lucena Lucas - UFCE


Etica e estética da imagem: o cinema documentário no Brasil dos anos 60
O cinema documentário brasileiro surgido nos anos 60 é freqüentemente associado ao cinema-verdade francês e ao
movimento cinemanovista. A partir do estudo de filmes nacionais e franceses, de artigos de jornais e revistas da época
e de livros publicados nos anos 60, levanta-se a hipótese de que o cinema documentário brasileiro teve uma funda-
mentação estética distinta da vinculada pelo cinema francês. Quanto ao Cinema Novo, ambos dividiram propostas
estéticas e politicas comuns. Parte-se da premissa de que o cinema nacional desse período (ou parte dele) pautava-se
pela adoção de 'uma atitude documentaria", segundo expressão de José Carlos Avellar, em que se buscava, pela
adoção de determinados temas e do tratamento dado aos mesmos, aproximar-se de realidades nacionais ausentes da
cinematografia brasileira ou que existiam sob formas estereotipadas. Dessa forma, o documentário brasileiro não
constituiu uma mera transposição ou adaptação do modelo francês pois integrava um movimento amplo de setores da
área cinematográfica nacional (diretores, produtores, atores, critica) que propunha uma nova forma de inserção do
cinema na cultura nacional.

Felipe Santos Magalhães - UEBA


Do Zoológico à tela: representações do jogo do bicho e dos bicheiros no cinema
Tendo iniciado sua trajetória no Jardim Zoológico de Vila Isabel na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1892 e sido
posto na ilegalidade três anos depois, o Jogo do Bicho continua sendo praticado até hoje e em todo o território nacio-
nal. Se no inicio do século XX, vários cronistas e literatos como Machado de Assis e Olavo Bilac, por exemplo, dedica-
ram um pouco de sua atenção à loteria que surgia; na década de 1950 os cineastas passaram a construir suas
representações em torno do 'bicho' e dos bicheiros. O primeiro filme a trazer o assunto como mote principal foi Amei
um bicheiro, dirigido por Jorge lIely e Paulo Wanderley em 1952, contando no elenco com Grande Otelo, José Lewgoy,
Cyt Farney e Eliana Macedo. O objetivo é propor uma reflexão sobre a interpretação proposta neste filme sobre o
'submundo' do jogo do bicho, procurando articular o discurso aqui presente com a discussão em torno da legalização
ou da criminalização do jogo do bicho presente na imprensa ou nos textos de literatos como Rubem Braga e Rachei de
Queiroz.

Reynaldo França Lins de Mello - USP


THX 1138: uma história do futuro
Através do filme THX 1138 - uma história de ficção científica sobre um futuro incerto - podemos refletir sobre o presente
por intermédio da discussão entre duas categorias: utopia e distopia; levando, também, a formulações sobre o controle
social ao longo das diversas sociedades humanas.

Rosangela de Oliveira Dias - USS


História, nacionalidade, cinema
Oobjetivo deste trabalho é discutir a idéia de nacionalidade através do filme - documentário brasileiro UM PASSAPOR-
TE HÚNGARO, dirigido por Sandra Kogut. A partir de uma questão colocada por Sandra à embaixada da Hungria em
Paris, ela, sendo neta de húngaros que migraram para o Brasil fugindo do nazismo, teria direito a um Passaporte
Húngaro, o documentário se desenrola. A riqueza do filme é que várias questões e situações podem ser abordadas a
partir dai: idéias do que seja nacionalidade e seus direitos no mundo globalizado; a busca de uma segunda nacionali-
dade que seja mais vantajosa; a questão judaica no leste europeu contemporãneo; a busca de uma nova nação
quando a que vivemos não nos beneficia; a política de Vargas em relação aos refugiados judeus, e outras mais.
Considerando o filme auxiliar didático e rica representação de diversas práticas culturais é como pretendo conduzir e
discutir a abordagem que fiz deste documentário nacional.

Antônio da Silva Câmara - UFBA


O cinema documentário e a representação do conftito no mundo rural
Este texto partindo da discussão acerca da importância do cinema documentário como objeto histórico e sociológico,
reconhecendo que como produção imagética o documentário é uma recriação da realidade cotidiana, no entanto, isto
não o impede enquanto gênero a propiciar elementos para a compreensão da realidade social. Analiso três documen-
tários sobre o MST. Dois dele da cineasta Tetê Moraes: Terra para Rose e Sonho de Rose fomecem farto material
imagético que nos remonta às origens da lutas deste movimento no Rio Grande do Sul, em dois momentos distintos: o
primeiro enfoca a luta dos posseiros, a violência policial e a vitória conseguida; o segundo restringe-se à luta dos que
restam na terra como assentados dez anos depois, destacando-se as dificuldades da produção coletiva. O ultimo
documentário dirigido e produzido por Carlos Pronzato, enfoca a luta e a negociação do MST na disputa por terras com
a empresa multinacional Veracel no extremo sul da Bahia, já sob o governo Lula. O movimento cede às pressões para

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abandonar a fazenda por esperar soluções do governante, O cineasta Pronzato, mesmo fazendo um video para o MST
permite-nos compreender as contradições e fraturas geradas pela ascensão de Lula ao poder.

José Walter Nunes - UnB


Histórias nas narrativas filmicas: construção e desconstrução de identidades e memórias
A partir de uma pesquisa histórica que venho desenvolvendo com grupos da cultura pomerana no estado do Espirito
Santo, pretendo neste trabalho refletir sobre a construção de imagens filmicas dessa cultura, as quais se configuram
em narrativas que traduzem significados e sentidos diversos, segundo as perspectivas teórico-metodológicas de quem
as produz, Nesse processo, procuro incorporar também a visão que tenho construído e desconstruído, desde meu
contato inicial com esse grupo étnico, em 1984, quando elaborei um roteiro de gravação em vídeo. No momento, ao
retomar essa temática, e com trabalho de campo parcialmente concluido, elaboro outro roteiro, no qual as dimensões
da memória e da identidade - num universo de diversidade cultural - deverão orientar a produção de imagens que
constituirão o documentário em andamento. Assim, do cotejo e análise dessas diferenciadas narrativas filmicas ,
emerge este texto.

Carlos Eduardo dos Reis· UFSC


História e Cinema· O que é isso companheiro?
O objetivo desta comunicação é fazer uma reflexão em torno da relação Cinema e História tendo como ponto de
partida o filme intitulado 'O que é isso companheiro', adaptação para o cinema da obra do mesmo nome, do agora
deputado Fernando Gabeira, pelo cineasta Bruno Barreto. Escolhido para representar o Brasil por uma comissão do
Ministério da Cultura para ser candidato ao Oscar de melhor filme estrangeiro da academia de cinema de HOIlYWOOd'@1
o lançamento do filme foi marcado por discussões e controvérsias de todos os matizes. O filme foi acusado de não
retratar com fidelidade a atuação dos guerrilheiros que participaram do seqüestro do então embaixador americano no
Brasil Charles Elbrick em 1969, e de uma atitude pouco respeitosa para com a memória dos envolvidos no seqüestro.
Polêmicas á parte, o fato é que Bruno Barreto ao tratar de um período tão conturbado e violento da história recente do
pais, nos convida a refletir a respeito de como o cinema se apropria de uma determinada realidade história, como ele
a reconstrói, que memória histórica este esta forjando e para quem este quer falar. Eem torno destas questões que ~
esta comunicação discute a relação História e Cinema. ~
:~
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18/07 - Quarta-feira - Tarde (14h às 18h) Q.)
Q.)

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Giovanni Antonio Pinto Alves - UNESP "§
O Mundo do Trabalho Através do Cinema· Uma Reflexão sobre o Cinema Como Experiência Critica ~

O objetivo do ensaio é apresentar, num primeiro momento, elementos metodológicos (e epistemológicos) do projeto ,ê
pedagógico Tela Critica - O cinema como experiência critica (www.telacritica.org) e num segundo momento, a partir ~
destes referenciais teórico-metodológicos, tecer considerações sobre o mundo do trabalho no século XX através dos ~
filmes clássicos do cinema mundial. A idéia é buscar nestes filmes elementos categoriais para uma reflexão critica ~
sobre a objetividade (e subjetivíaadejdo mundo do trabalho, O filme não é apenas representação ideológica ou proje- G
ção subjetiva do receptor, mas é também reflexo dialético do ser social capitalista. Deste modo, através de um 'diálogo'
crítico-hermenêutico numa perspectiva dialético-materialista, sugerimos ser possível explicitar categorias fundamen-
tais da sociabilidade do capital. A proposta analitica é multidisciplinar, mobilizando várias disciplinas das ciências
humanas e sociais para a experiência dialógica com o filme,

Soleni T. B. Fressato - UFBA


"Eu não tenho tempol": a preguiça não assumida. Representações no filme Jeca Tatu de Mazzaropi
Desde o final do século XIX, destacou-se no Brasil o discurso de valorização e 'positivação' do trabalho, que passou a
ser visto como o fator decisivo e constitutivo da existência social. Concomitantemente à formação da sociedade do
trabalho, era necessário construir uma sociedade disciplinada, com corpos dóceis e submissos. Nesse contexto, a
indisciplina e, principalmente, a preguiça, contrárias à sociedade ordeira e trabalhadora, idealizada e que se buscava
formar, passaram a ser condenadas e extirpadas do seio social. Nos anos de 1950 e 1960, periodo significativo da
urbanização e industrialização do pais, esse discurso ainda era, se ainda não o é, necessário e promissor. Contraria-
mente a essa perspectiva, Amácio Mazzaropi personifica, no filme homônimo, o preguiçoso Jeca Tatu (1959), no
entanto, a preguiça não é assumida, como em Macunaima (Mario de Andrade, 1928). Diante do exposto, a proposta é
analisar de que maneira e em que medida a preguiça do caipira Jeca Tatu de Mazzaropi se contrapõe e é contestador
ao discurso dominante da sociedade disciplinada e laboriosa.

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Marcus Marciano Gonçalves da Silveira· UFMG
O documentário "lhe Corporation" e o ensino de História Contemporânea
O trabalho pretende relatar a experiência de utilização do documentário 'The Corporation', de Mark Achbar, Jennifer
Abbott e Joel Bakan (Canadá, 2003) no ensino superior de História Contemporânea. Ao partirmos do pressuposto de
que o conhecimento histórico é fruto de um esforço contínuo do presente em se articular com as demais temporalida-
des (passado/futuro), iniciamos a abordagem da História Contemporânea com a problematização das principais con-
tradições e desafios do mundo atual. A idéia, aqui, é instigar questionamentos sobre os quais não se alcança melhor
compreensão sem o recurso à abertura da perspectiva histórica. Nesse sentido, o documentário 'The Corporation"
oferece preciosa chave de reflexão sobre o mundo contemporâneo: o predomínio institucional das grandes corpora-
ções transnacionais e seu impacto sobre a configuração do espaço público. Trata-se de uma linha argumentativa
bastante audaciosa: segundo seus autores, é possivel reconhecer traços evidentes de psicopatia quanto ao comporta-
mento social das corporações. Tal como foram configuradas a partir de uma série de decisões legais, as corporações
são membros da comunidade que, por lei, estão obrigados a cuidar apenas de seus próprios interesses, enquanto a
responsabilização por suas atitudes é difusa e limitada.

Hamilcar Silveira Dantas Junior - UFSE


Rebeldia Juvenil e Cinema: uma tradição inventada no século do espetáculo
O século XX teve como fundamento histórico, o movimento espetacular das relações sociais capitalizadas em ima-
gens. Também foi o século da juventude, que teve expandida uma cultura que lhe identificava como tal, e o século do
cinema, que catapultou a imagem juvenil assumindo-a como maior grupo social de consumo. Considerando que a
juventude é uma construção sócio-cultural, cheia de significados, símbolos e práticas sociais, este estudo parte do
princípio que a face da juventude como naturalmente rebelde foi uma tradição inventada, que se tornou paulatinamen-
te espetacularizada. Os movimentos estudantis, a exemplo do 'maio de 68', materializaram a crença numa identidade
que subvertia a lógica revolucionária clássica criando experiências de revolta. Tais experiéncias foram assimiladas
pela razão instrumental e a dinâmica dos protestos e reivindicações sociais tornou-se um apêndice da lógica espetacu-
lar. Tomando por base o cinema, concluiu-se que o cinema hollywoodiano construiu, a partir da década de 1950, uma
idealização pasteurizada da rebeldia juvenil, baseada em ícones como James Dean. Assim como o cinema brasileiro
tornou-se uma fonte de estereotipagem do jovem como 'naturalmente revolucionário', imerso nas experiências de
revolta de confronto à ditadura e à ordem social-moral.

Alexandre Maccari Ferreira· UFSM


A produção Disney em época de Segunda Guerra Mundial: Cinema, História e Propaganda
Conceber um filme como documento histórico é importante nos tempos de hoje em que as imagens são tratadas como
fundamentais na aceitação e na recepção de determinados propósitos sejam eles em nível de docência ou no cotidiano
das pessoas. Desse modo, a realização deste trabalho visa enfocar a produção cinematográfica de Walt Disney durante
o período da Segunda Guerra Mundial. A partir dos longas-metragens Saludos, Amigos (1942) e The Three Caballeros
(1945), que enfocam o incentivo do Estado norte-americano nas politicas de 'boa-vizinhança', instauradas e organizadas
a partir de um plano em angariar apoio e admiração da população latino-americana para a guerra contra os países do Eixo
ou de curtas-metragens como Der Fuehrer's Face (1943) que enfoca o horror do cotidiano nazista, temos as personagens
Disney, como Pato Donald e Pateta, apresentando elementos tradicionais de modo didático e caricato, agindo em prol dos
esforços de guerra. Amparados em uma análise cinematográfica e fílmica e em um arcabouço teórico acerca das relações
entre história e cinema, procuramos estudar as questões que remetem à propaganda política, à oifusão da ideologia, das
questões morais, e das proposições politicas que remetem à aceitação e a cooptação do espectador.

João André Brito Garboggini - PUC Campinas/UNICAMP


Goya em Burdeos: dos corredores que se bifurcam
Para este trabalho o filme selecionado é 'Goya en Buerdeos' (1999) do cineasta espanhol Carlos Saura. O a narrativa
filmica procura construir uma espécie de biografia não documental do pintor espanhol Francisco de Paula Jose de
Goya y Lucientes (1746-1828). Considerando o pintor mostrado no filme a ser estudado como um grande homem da
História da Arte, a idéia é analisar de que maneira as personagens, os cenários constroem as narrativas fílmicas,
criando sentidos, ao mostrar a vida do pintor espanhol. As análises das personagens do filme não devem ser tomadas
a partir de seu compromisso com verdades históricas. A proposta, nesse sentido, seria perceber como uma analogia
entre a personagem fílmica e a personagem histórica poderia construir a representação da personagem colocada em
cena no filme satisfazendo as pretensões de narrar uma 'biografia histórica'. Filmes como esse, procuram mostrar
como pinturas são realizadas e quem são as personagens envolvidas no processo que levam à concretização de um
objeto artístico. O filme coloca o pintor Francisco Goya y Lucientes por trás de suas pinturas. O Goya filmico não
ambiciona o Goya histórico. História e ficção se confundem, imperceptíveis, neste filme de Carlos Saura.

92
Valeria Camporesi - Universidad Autónoma de Madrid
EI pasado en el presente. Reflexiones sobre la construcción imaginaria de la decimonónica guerra de indepen-
dencia espaíiola en los medios audiovisuales
La comunicación se articulará en dos partes: la primera hará referencia a los presupuestos metodológicos y teóricos de
un proyecto de investigación colectivo ("EI archivo dei dos de mayo: mito, conmemoración y recreación artistica de una
memoria y una identidad compartida'); la segunda se centrará en un análisis de la recreación de Goya y su imagen
pública en los medias de comunicación. Aunque habrá que tener en cuenta la aportación dei cine a la construcción de
una biografia de Goya para uso y consumo de la contemporaneidad, la investigación se centrará sobre todo en un
documento audiovisual emitido por televisión en Espana en el momento dei asentamiento de la democracia. AI centro
dei análisis se situará la serie "Los desastres de la guerra', producida por TVE en 1983: el tema a la vez histórico y
universal, de los grabados de Goya, que inspiran la serie, otorga a esta producción, modélica de la cultura de la
Transición a la democracia, el valor de representar, en positivo, una construcción que se apropia dei pasado, y revela
los mecanismos de funcionamiento de esa apropiación; observada pues desde la primera década dei siglo XXI, se
puede leer como "pensamiento' sobre la relación de una "comunidad imaginada' con su pasado y sus nuevos valores.

Jailson Pereira da Silva - UFPEI FAFICA


A publicidade como fonte histórica: um diálogo multidisciplinar.
A publicidade tem se mostrado uma imensa força de atração cujo campo gravitacional tem atuado sobre diversas áreas
de pesquisa. Estudos sobre os seus significados e efeitos têm sido realizados na antropologia, na sociologia, na
filosofia, na psicologia, para citar apenas algumas. Recentemente, também os historiadores mostram-se sensíveis ás
possibílidades de análise histórica a partir de um diálogo com as produções publicítárias que pontuaram uma determi-
®
11
nada época. Em seu percurso de aproximação (apropriação) da publicidade, no entanto, o historiador poderá driblar
armadilhas e descobrir atalhos seguindo pistas que têm sido deixadas por aqueles trabalhos advindos de outras
ciências. Esse estudo procura, assim, dialogar com produções múltiplas que se debruçam sobre a análise da publici-
dade (particulanmente, as televisivas). Nosso intuito é perceber trajetórias teórico-metodológicas que possam colabo-
rar com o trabalho do historiador; ao mesmo tempo pretendemos discutir a tese de que, nesse debate, a contribuição
do historiador está na singularidade do seu olhar, caracterizada, sobretudo, pela capacidade de temporalizar as ações ~
da existência humana. ~
:g
Jair Diniz Miguel - USP 'Ci..
E
A História em Quadros ou o Filme como História: AELlTA (URSS, 1924) Q)

Três fatores devem ser levados em consideração no uso de filmes para fins didáticos, o primeiro é a narrativa que o .~
filme coloca, o segundo é sua capacidade de dialogar com o momento histórico e o terceiro é própria adaptação, no o
caso de Aelita, entre o texto publicado de A. Tolstoi e o roteiro de Protazanov. O texto de ficção científica funciona como !'!:l
metáfora e o roteiro baseado no livro é uma metáfora ainda mais contundente de um periodo de transformação e ·ê
reorganização política e social da Rússia. O uso desse filme, originalmente mudo e com uma forte presença da arte ~~
moderna russa, nos cenários, nas roupas e na própria forma de representação dos atores é ao mesmo tempo uma ~
fonte de informação e de conhecimento daquele momento. Para os professores em sala de aula, Aelita não é somente ~
um filme a ser trabalhado, mas também uma peça da própria revolução russa, pretexto, texto e contexto. 8

19/07 - Quinta-feira - Tarde (14h ás 16h30min)

Roberval da Silva Santiago - UFCG


Metanarrativa do Herói Hollywoodiano
Nas vagas de ampliação dos estudos relativos ao uso da Imagem do Cinema no Ensino de História, a comunicação
Metanarrativa Mitica do Herói Hollywoodiano se propõe a identificar, mapear e analisar os principais Arquétipos das
Metanarrativas Miticas junto á Jornada do Herói, cujas tramas e personagens fazem parte das mais diversas mitologi-
as de povos e épocas distintas. Portanto, esta comunicação objetiva, em particular, abordar as Representações de
Arquétipos Mitopoéticas introduzidas na indústria cinematográfica hollywoodiana, tais como: Arauto, Picaro, Aliado,
Guardião do Limiar, Receptáculo, Oráculo, Mentor, Sombra, Herói (serão exibidas amostras recortadas de filmes no
decorrer da Comunicação). No cinema, tanto os respectivos personagens quanto aos seguimentos das narrativas
fantásticas, amplamente adaptadas nos mais celebrados roteiros de aventuras, configuram gêneros de filmes que têm
como vanguarda os premiados cineastas George Lucas e Steven Spielberg.

Eduardo José Afonso - USP


Filme como história ou História como filme?
Trata-se de uma reflexão sobre o texto de Patrick Vonderau - VONDERAU, Patrick. Historiography and Film: a dange-
rous Liaison? - e a posição adotada por Marc Ferro versus Robert Rosenstone . A história deve ser ensinada, apenas

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a partir dos filmes? Qual a relação que o aluno deve ter com essa mídia? No mundo globalizado, midiático e onde as
imagens comumente tomam o lugar da leitura e reflexão, qual deve ser o papel deste meio dentro do contexto de uma
sala de aula?

José Alberto Baldissera • Unisinos


Cinema como Alegoria e Narração Alternativa da História
Como sabemos, há inúmeras interferências entre cinema e história. Mesmo não tendo a intenção de focalizar um
episódio determinado da História, o cinema pode ser analisado através do contexto histórico em que foi realizado, e
muitas vezes como uma alegoria de fatos e épocas, e especificamente análises diversas a partir de culturas e seus
constructos para explicar aspectos históricos. Numa perspectiva transdisciplinar, imagem, aqui através do cinema, e
história tem uma importância, sem par, numa época dominada pela mesma (imagem), e fundamentalmente visual.

I 20/07 - Sexta-feira - Manhã (10h30min às 12h30min) I


Felipe Côrte Real de Camargo - UDESC
A construção da masculinidade em Casino Royale: um "mito de origem" para James Bond
O trabalho a ser apresentado faz algumas análises acerca do personagem de lan Fleming, James Bond, utilizando as
relações de gênero como categoria de análise, mais especificamente as representações simbólicas acerca da constru-
ção da masculinidade. Analisando a obra Casino Royale como aquela que dá origem ao personagem James Bond,
interrogo como esta torna-se fundamental não somente para o personagem como para a masculinidade que ele repre-
senta, criando uma espécie de "mito de origem'. As fontes a serem analisadas serão o filme e o livro 'Casino Royale'
- o livro de 1954 e o filme de 2006. Através destas obras, e consciente de ser o filme uma adaptação do livro, procuro
pensá-Ias em suas respectivas temporal idades e suportes, problematizando a produção dos sentidos no que tangen-
cia as masculinidades, as rupturas e continuidades que substanciam papéis de gênero nos filmes da série 007.

Rafael Hansen Quinsani - UFRGS


A História por um soldado. A Guerra Civil Espanhola e a escrita da História a partir do filme Soldados de
Salamina
A Guerra Civil Espanhola e a instalação da ditadura franquista marcam o processo histórico espanhol e a elaboração
da sua escrita no período posterior. A análise do filme Soldados de Salamina (David Trueba, Espanha, 2003) abre uma
possibilidade de dois enfoques de trabalho: a Guerra Civil Espanhola e a escrita da história. O filme aborda a busca por
um soldado republicano que em 1939 não executou o falangista Rafael Sánchez Mazas após este ter sobrevivido a
uma tentativa de fuzilamento. Insere-se a temática da falange que agrega o elemento fascista á direita espanhola e,
através do soldado republicano, os elementos de esquerda e a questão dos refugiados. Na pesquisa efetuada pela
personagem central, podem ser levantados os seguintes temas sobre a escrita da história: a questão da narrativa, a
objetividade e subjetividade, a testemunha como fonte histórica, a memória e sua relação com a história e a micro-
história e a biografia. Ressaltasse, também, como o cinema trabalha e imbrica esses elementos e sua possibilidade de
abordagem como fonte histórica. Como instrumentos metodológicos analisaram-se seus elementos internos: sua esté-
tica e dinâmica bem como seus elementos extemos, o contexto e a ótica de seus realizadores.

Joelma Ferreira dos Santos - UEBA


Amarelo Manga e O Beco dos Milagres: Cinema e Identidade Cultural na América Latina
Este trabalho tem como objetivo identificar elementos que expressem a identidade ou as identidades culturais na
América Latina a partir de dois filmes: O Beco dos Milagres (EI callejón de los milagros, México, 1994, direção de Jorge
Fons) e Amarelo Manga (Brasil, 2003, direção de Cláudio Assis). Devido á complexidade que envolve a questão da
identidade cultural, uma discussão acerca do tema é essencial. Para tanto são utilizadas, como referencial, as aborda-
gens teóricas de Stuart Hall e Nestor García Canclini. O trabalho está pautado na análise comparativa das narrativas
filmicas utilizadas como fontes, buscando pontos de semelhança e divergência, e usando como parâmetro a latinidade
expressa em alguns estereótipos.

I 20/07 - Sexta-feira - Tarde (14h às 18h)

Saulo Éber Társio de Souza - UFU


O cinema como recurso pedagógico (Uma experiência de ensino de História da Educação no Estado do Tocantins)
Propomos a reflexão sobre o uso do cinema como recurso pedagógico no ensino de História da Educação. Entende-
mos que o trabalho com tal instrumento pressupõe a compreensão de que a imagem não ilustra nem reproduz a
realidade, ela a reconstrói a partir de uma linguagem própria que é produzida num dado contexto histórico. Isso requer

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uma série de indagações que vão muito além do glamour visual, de forma que professores e alunos devem educar seu
olhar para a leitura das imagens cinematográficas. Nessa perspectiva, introduzimos a projeção de filmes (épicos,
ficção histórica e mito-ficção) na disciplina de História da Educação I, partindo da interpretação dos mesmos para o
estudo teórico de determinados processos educacionais relevantes. Esse trabalho foi realizado nos últimos 3 anos,
envolvendo 150 alunos do curso de Pedagogia da UFT, constatamos que cerca de 80% deles não tinham o hábito de
freqüentar cinemas ou locadoras de video, assim, sua cultura visual calcava-se na programação comercial da televi-
são. Por isso, percebemos um certo estranhamento diante da linguagem presente no gênero dos filmes exibidos,
revelando-se a necessidade premente de se ampliar a visão desses estudantes para que possam entender o cinema
como recurso didático e não apenas como entretenimento.

Johny Guimarães da Silva - Uneb


O Historiador, cineasta diante do processo da transposição histórica da memória para o cinema
Proponho discutir através do documentário Chuvas de Março, de Johny Guimarães e Volney Menezes e da película
Narradores de Javé, de Eliane Café, como o historiador, o cineasta lidam com a memória e a transpõe para uma obra
fílmica. Em relação a Chuvas de Março, trata-se de um video-documentário produzido em Feira de Santana, Bahia,
pautado em depoimentos de militantes de esquerda e de pessoas que deram apoio ao golpe de 1964. Diferenciando-se
dos filmes que abordam a temática tendo como referência os grandes centros políticos, a exemplo, de São Paulo, do
Rio de Janeiro, etc, o filme discute o golpe militar através do olhar de uma cidade do interior. Já o filme, Narradores de
Javé, trabalha a memória a partir de uma cidade fictícia, que esta sendo ameaçada pela construção de uma barragem.
E a memória das pessoas simples que vão aflorando no transcorrer da obra corrobora no sentido que a memória é
construída a parir da experíência de cada indivíduo. Não podemos, pois, perder de vista que o lugar da memória não é r;-:j'
algo dado como acabado, mas um lugar de diálogo marcado, sobretudo, por tensão e transformação. Espaço onde se \..!...V
constrói/reconstrói a todo instante o passado e os silêncios são prenhos de sentidos.

Iza Luciene Mendes Regis - UECE


O cinema ensina: o poder da sessão da tarde
Há um filme que não canso de tecer comentários e indicar aos amigos: Dogville, de Lars von Trier; quadro rico e 1í5
profundo da sociedade ocidental. Contudo, quando converso com meus alunos sobre cinema vejo que, em geral, os ~
filmes assistidos por eles não são os que trazem reflexões sobre intolerância ou conceitos como cidadania, liberdade, :g
ética, civilização; conceitos com os quais lidamos cotidianamente, ainda que não os reflitamos sistematicamente. A .~
grande maioria dos filmes assistidos por esse público jovem, que vai dos 15 aos 18 anos, é do tipo Rambo (e compa- w
nhia), pratos fartos servidos na sessâo da tarde. São filmes que, se não fazem maior reflexão sobre valores experien- :
ciados no dia-a..<Jia, trazem discursos persuasivos em favor da indústria e do modelo de sociedade que o produz. Isto '§
é, há um consumo diário, através do cinema norte-americano, dos heróis, do modelo político, do estilo de vida que os .s
E.U.A. pensam como o correto, o adequado e o legitimamente destinado para a humanidade, o que dificulta, em certa ·ê
medida, nossa labuta de professor a favor do respeito à alteridade dos povos. Com isso, nossa proposta para este t;
simpósio concentra-se na análise de algumas das "obras-primas' do estilo estadunidense de lidar com o outro, de ser ~
e fazer história através de seu cinema. E
w
c::
U
José O' Assunção Barros - USS
História, Cinema, Montagem· a linguagem e imaginação cinematográfica na Historiografia, antes da Era do
Cinema
Cinema e História constituem duas linguagens e dois modos de imaginação que se interpenetram, informam-se reci-
procamente, se inscrevem um no outro. Por isso mesmo, poucas expressões na Teoria da História foram tão felizes em
dar conta de uma relação tão complexa como o conceito de 'Cinema-História'. Postula-se aqui que o Cinema não só se
inscreve na História como qualquer outro fenômeno, mas que a arte fílmica contém algo da linguagem e da imaginação
historiográfica, dos seus modos de se construir como texto múltiplo, desdobrado sobre si mesmo, capaz de manipular
criativamente tempo e espaço. Concomitantemente, a História enquanto modo de conhecimento e discurso produzido
pelos historiadores sempre conteve em si mesma possibilidades cinematográficas, seja ao nível de sua Escrita ou no
âmbito da 'Imaginação Historiográfica' - e isto mesmo muito antes do surgimento do Cinema enquanto arte contempo-
rânea. Sustentaremos que, em todas as épocas, historiadores souberam se valer de recursos comparáveis à monta-
gem cinematográfica e outros, a começar pelo fato de que seu texto é já de si um discurso que se desdobra sobre si
mesmo, contrapondo a narrativa e análise do historiador ao discurso das fontes, o que nos faz pensar na arte da
Montagem, tal como a entenderia o cineasta Eisenstein.

Nancy Alessio Magalhães· UnB


Cinema e História: memória e vestígios em fazeres narrativos
Tenho abordado em sala de aula o filme Narradores de Javé, de Eliane Café, atraente convocação para encararmos
aspectos da História nem sempre tratados no ensino formal. Nesta experiência, dialogo com interpretações nesse

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filme, como idéias em estado nascente, que nos incitam a pensar sobre o que é mesmo História e não apenas em
personagens e temas já assim cristalizados, O fazer fílmico e o da História dirigem-se a nosso desejo, poder de decifrar
legados, presenças que são ausências, enigmas de nossa condição humana, o que não acontece sem riscos, Num
cotejo com a historiográfica, a narrativa fílmica consiste na faculdade de estabelecer relações, é uma construção de
pensamento, não simples soma dos elementos empregados, de modelos já formados ou adquiridos, segundo Mer-
leau-Ponty: algo se põe a significar, pelo arranjo temporal ou espacial de vestígios, da memória, sejam palavras ou
imagens visuais, Cineastas e historiadores têm de fazer recortes, não superados mesmo que eles sejam testemunhas
oculares de alguma experiência passada, que abordam no presente, Ressalto que o cinema pode se tornar um campo
inesgotável de possibilidades, de invenção de meios para que possamos pensar em outras vias da pesquisa e do
ensino da História, na construção de um espaço de reflexão critico,

Fátima Maria Neves - UEM


O filme "Desmundo", a História e a Educação
O objetivo desta comunicação é a de tecer relações entre Cinema, História do Brasil e a Educação Jesuítica, O recorte
temático para a análise é o da diversidade cultural e o da pluralidade lingüística, do Brasil, do inicio do século XVI. As
Fontes utilizadas foram textos jesuíticos, como Cartas e outros fragmentos, e o filme DESMUNDO (2003), dirigido por
Alain Fresnot. Considera-se, em termos de resultados, que apesar da artificialidade cênica, DESMUNDO permite
reflexões que tendem a promover a superaração de um deslumbramento ingênuo que permeia boa parte do imaginário
contemporâneo à cerca deste periodo histórico. Permite que a dificil fórmula - reflexão e o entretenimento - seja
equacionada e produza resultados significativos para o desenvolvimento da percepção humana.

12. Cultura e Cidade: experiências, memórias, e identidades


Claudia Musa Fay (PUCRS) e Maria Izilda Santos de Matos (PUC·SP)
I 16/07 - Segunda-feira - Tarde (14h ás 18h) I
Maria Izilda Santos de Matos - PUC·SP
Santos: a cidade e o porto, entradas e saídas
Essa apresentação discutirá questões que envolvem as cidades portos, observando as referências do porto como
território de troca - porta de entrada e de saida-, Tendo como foco a cidade de Santos busca recuperar o cotidiano no
porto, resgatar várias experiências urbanas e suas perspectivas sensoriais, memórias e sensibilidades; passando
pelas ações, projetos e interferências urbanas implementadas na cidade-porto, finalizando com um questionamento
sobre a construção da memória urbana de Santos,

Claudia Musa Fay· PUCRS


Aeroporto de Congonhas: lugar de história e memória da cidade de São Paulo
Construido num descampado na década de 1930 e considerado como um espaço de lazer domingueiro nos anos
seguintes, é na atualidade, visto como caótico, embora símbolo do vaivém da capital paulista pela facilidade de estar
distante apenas oito quilômetros do centro, A industrialização, o incremento da economia e o crescimento urbano
transformaram o moderno aeroporto da década de 1950, num verdadeiro porta-aviões em meio ao concreto, Esta
situação causa problemas e descontentamento na vizinhança, tanto pelos engarrafamentos quanto pelo ruido dos
jatos e os riscos de acidentes, A presente comunicação fruto de uma pesquisa em andamento tem como objetivo
demonstrar a importância das transformações da estrutura urbana nas diversas temporalidades e, o valor simbólico do
Aeroporto de Congonhas como patrimônio afetivo e cultural da cidade de São Paulo,

Maria Apparecida Franco Pereira - Universidade Católica de Santos


Santos na Primeira República: as conseqüências sociais da modernização
De feições de acanhado núcleo colonial nos finais do século 19, a cidade de santos, acompanhando o ritmo das
grandes cidades brasileiras, modemiza-se, principalmente pelos frutos de sua inserção na economia capitalista inter-
nacional, da economia agro-exportadora do café, através de sua privilegiada posição marítima, que liga a região de
produção, o hinterland , ao mercado externo, Dentro do trinômio da modernização - higienização, urbanização, racio-
nalização - a cidade estende seus limites em direção á barra ( praias), à medida que se amplia a construção do porto,
o aumento vertiginoso da população, principalmente ocasionado pela imigração e por toda uma estrutura que vem
suprir as necessidades do comércio do café e da modernização (saneamento, serviços urbanos, transporte, ilumina-

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ção etc.). abrem-se duas grandes avenidas em direção á praia, que vão abrigar a elite da cidade e nas suas transver-
sais localizam-se os bairros de classe média e operários. elite e operários não estão isolados, geograficamente. novas
construções desenham uma nova paisagem, assim como novos hábitos, novos espaços de solidariedade ( clubes) e
novas oportunidades de acesso ao mundo civilizado ( escolas) para a elite e os trabalhadores.

Glaura Teixeira Nogueira Lima - PUC-SP


Identidades que seduzem, memórias que se constróem: a estação de águas de Araxá (anos 1930-1940)
A pluralidade das práticas sócio-culturais e as formas de representação - material e imaterial- nos espaços da cidade
modelam experiências pessoais e coletivas. Expressam maneiras de produzir, circular, apropriar, olhar e sentir as
várias faces da vida urbana. Nos anos 1930 e 1940, a estação hidrotermal de Araxá, em Minas Gerais, buscou suas
identidades para monumentalizar seus territórios, bem como, instituir seus tempos de curar, de embelezar e de divertir.
As múltiplas práticas e linguagens fizeram da estação de águas um lugar de memória. Simultaneamente concederam-
lhe outros espaços específicos constitutivos da memória do lugar.

Luiz Antonio Gloger Maroneze - FEEVALE


A Porto Alegre de Theodomiro Tostes: crônicas de uma antiga cidade moderna
O tema para esta apresentação é parte das reflexões sobre as representações e o sentido da modernidade no proces-
so histórico da cidade de Porto Alegre, desenvolvidas para o doutoramento na PUCRS. Nesta, objetiva-se, através da
comparação entre dois momentos especificos, descrever e interpretar as formas de representação do moderno na
cidade; do ufanismo ao caos através da cotidianidade criada pelos cronistas. Nos limites da comunicação que preten-
demos expor neste simpósio, serão apresentadas análises sobre a obra de memórias de Theodomiro Tostes intitulada
de "Nosso Bairro" e a obra de crõnicas relativas aos anos 1920 e 1930 reunidas na coletânea 'Bazar". O propósito é o
de partir de uma análise de conteúdo, que apresenta os principais temas sublinhados pelo autor, no intuito de inferir
sobre as representações e as idéias que compunham o cenário da época. Considerando que o atual contexto aponta
para uma crise do projeto moderno, como nos sugerem Morin e Bauman, entre outros pensadores, entende-se que a
análise daquele imaginário e de suas idéias se apresentem como uma necessidade para a relativização e o questiona-
mentos do atual "discurso social".

Tânia Soares da Silva - PUC/SP


Elite Paulista: Ciência, tecnologia e desenvolvimento
O propósito central desse trabalho é a análise do pensamento das elites paulistas, naquilo que se construiu como
distinção das demais elites do país: seu caráter liberal, empreendedor, moderno, ou seja, naquilo que pressuposta-
mente justificaria sua posição preferencial na liderança dos destinos do país frente aos demais grupos, usando como
fio condutor a família, a vida e a obra do engenheiro Antonio Francisco de Paula Souza (1843-1917), fundador da
Escola Politécnica de São Paulo. A análise do seu pensamento pode ser profícuo no entendimento do comportamento
das classes privilegiadas no país, seu projeto político e o papel que outorgam a si mesmos como os condutores da vida
dos demais em todos os sentidos possíveis. Assim tentaremos enfocar a atuação do engenheiro Antonio Francisco de
Paula Souza, revelando sua trajetória paralela á da sociedade da época, quando se vivenciava uma expectativa de
mudanças, tentando mostrar que essas mudanças, não implicavam uma total subversão da estrutura social de então.

Luiz Carlos Vidigal -P U C - S P @ 2


O prédio Martinelli e a verticalização de São Paulo - modernidade e verticalização de São Paulo (1910-1930)-
sensibilidades e sociabilidades, sensações e percepções
O processo de modernização da cidade de SP e, entre outros aspectos, seu crescimento vertical, exerceu fortes
influências sobre o comportamento dos indivíduos da sociedade paulistana do início do século XX: um novo ritmo se
impôs e mudou sua relação com o tempo e com o outro; alterou sua linguagem,seu modo de andar, seu visual, seus .~
gostos, suas sensibilidades, socialibilidades, sensações e percepções; aguçou sua sexualidade pelo aumento do -o
contato e proximidade entre as pessoas; mudou seus valores e criou novas necessidades. Rastreando a construção ~
(tendo em vista que o intenso processo de urbanização era marcado pelas constantes demolições e construções e :_
recuperando os debates em torno do prédio Martinelli, bem como as representações lá presentes, procurar-se-á iden- .~
tificar os seguintes aspectos: Martinelli-questão, envolvendo as tensões, as indagações e os diversos pontos de vista; .:i5
Martinelli-memória, buscando resgatar as representações e as vivências, identificar quem são os sujeitos que estão .~
contidos na memória desse período, na memória do próprio construtor Martinelli e nos textos jornalisticos; Martinelli- ~
documento, procurando fazer uma leitura do prédio e seu entorno, na intenção de entender o espaço público e o ~
privado e as inter-relações entre eles .g;
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97
Etelvina Maria de Castro Trindade - Universidade Tuiuti do Paraná
Cidade, um corpo em construção: projeto e controle
O estudo em questão teve por objetivo analisar a cidade como um corpo em constante construção e reformulação, a
partir de sinais remanescentes nos espaços edificados e nos materiais gráficos produzidos em Curitiba, na primeira
metade do século XX. Para tanto, o espaço urbano foi examinado numa realidade fisica e histórica, ligada as experiên-
cias espaciais e temporais percebidas e representadas por elementos que conservam as memórias de suas experiên-
cias. No caso da comunicação proposta, a análise foi conduzida sob o recorte que privilegia a preocupação com
saúde, doença e forma fisica, tendo como base a edificação de hospitais, centros de saúde e clínicas, além da divulga-
ção de propagandas e publicações especializadas

I 17/07 - Terça-feira - Tarde (14h ás 18h) I


Jurema Mascarenhas Paes - PUC-SP
São Paulo em noite de festa, trabalho e baião
A análise das manifestações, experiências e relações culturais dos migrantes nordestinos e de suas traduções através
da música, da dança e dos espaços de sociabilidade como casas de forró, feiras típicas, centros de cultura e tradições
na cidade de São Paulo, é o ponto central deste trabalho. Trata-se de um trabalho de história cultural e representação
da história da cidade e do cotidiano, permeando os modos de ser, de expressar e de viver, as diversas maneiras de
organização e de luta, concentrando atenções em experiências sociais compartilhadas e confrontadas, analisando
simbolos, imagens, mentalidades, práticas culturais como lugares de exercício de poder, dominação, resistência, luta,
negociação e conflitos estéticos, sociais. Trabalhando na intersecção dos acontecimentos: migração, campo e cidade,
cultura popular e indústria cultural, história e música, historia oral, fotografia e memória, cotidiano e cultura para melhor
compreender as imbricações dos amálgamas mestiços da cultura nordestina na cidade de São Paulo.

Marlise Sanchotene de Aguiar - PUCRS


O palimpsesto na arquitetura e no urbanismo pelotense
Este é um estudo sobre a reapropriação (econõmica e urbana) e a resignificação do espaço das antigas charqueadas
pelas indústrias, bem como a sua integração com a malha urbana da cidade de Pelotas. Pretende-se resgatar o lugar
- de valor simbólico e significado - e descobrir de que maneira o imaginário se expressou nos novos espaços que
surgiram. Os exemplares de patrimônio edificado (o Engenho Pedro Osório e o Frigorífico Anglo) foram selecionados
pela importância dentro do contexto em que hoje se encontram. São duas charqueadas que tomaram dois destinos
diferentes, dentro de um mesmo objetivo: a industrialização. Pretende-se identificar os produtores do espaço e as
representações que classificaram a realidade e atribuíram valores, levando os pelotenses a ver e qualificar as coisas
desta ou daquela maneira; e demonstrar a contradição entre os dois sistemas econômicos nas suas formas de produ-
ção do espaço. O projeto arquitetônico é um processo que se exprime, em idéias e imagens, a cidade de desejo, dentro
de um momento histórico específico. Eis uma tarefa engenhosa e difícil, compor o antigo com o novo, expondo ao olhar
dos habitantes o até então soterrado.

Marilecia Oliveira Santos - UNEB


"Ilha de ordem": Representações da Vila Operária da Boa Viagem
Nas últimas décadas do século XIX e primeiras do Século XX, as vilas operárias, comportando experiências distintas,
multiplicaram-se em várias partes do Brasil e alimentaram as expectativas de segmentos da elite sobre a ordem
urbana e o controle social. Esta comunicação visa analisar alguns depoimentos deixados por individuos que visitaram
a Vila Operária da Boa Viagem, idealizada pelo industrial Luiz Tarquinio e fundada na cidade de Salvador no ano de
1893. Percebe-se nesses registros a crença no meio como formador e/ou regenerador moral do pobre, justificando
intervenções sanitárias e morais que extrapolaram o espaço de produção da Fábrica.

Rosana Maria Pires Barbato Schwartz - Universidade Presbiteriana Mackenzie


A cidade e seus movimentos: a questão da moradia
Esta pesquisa questiona a trajetória das mulheres nos movimentos sociais de luta por moradia na cidade de São
Paulo, suas articulações diante das carências habitacionais, práticas cotidianas e correlações de forças no panorama
das decisões políticas. Destacando o processo de transformação da sociedade brasileira, por meio das ações partici-
pativas organizadas desses sujeitos históricos. Abordando a precariedade dos cortiços, favelas ou casas autoconstru-
idas, a desconcentração das moradias dos populares do centro da cidade e o padrão periférico de ocupação do solo
urbano, as formas de envolvimentos dos populares com relação aos problemas do déficit habitacional e a necessidade
da obtenção da 'casa" como passaporte para o reconhecimento de sucesso, segurança, valores morais e estabilidade.
As bases de formação das organizações que se formaram em alguns bairros, por melhores condições de vida, a
criação do movimento do sem teto, as interferências da Igreja católica e de alguns partidos políticos.

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Sueli de Araújo Montesano - Faculdade Campo Limpo Paulista e Sergio Araújo - Universidade Católica de
Goiás
O Poder Sutil da Gestão Paternalista
Essa comunicação refletirá a gestão paternalista de uma grande empresa sobre uma cidade, no interior de São Paulo,
nos anos 40 á 70. Adominação sutil, foi engendrada num contexto de expansão, tendo em vista a proporcionar privilé-
gios aos trabalhadores, para garantir a fixação da mão de obra no local, sua estabilidade e produtividade no interior da
organização. Era bem vista por eles e pela população que entendiam esta interferência benéfica para o crescimento da
cidade junto à empresa. Na fábrica, as relações de trabalho eram do tipo familiar, o industrial era visto como 'pai" e os
trabalhadores se sentiam protegidos, orgulhosos de pertencer à 'uma grande familia". Essa estratégia de
administração,contou com a adesão e aceitação por parte da força de trabalho, da população, mascarava os confron-
tos e antagonismos tanto dentro da empresa como na cidade, passava a idéia de harmonia entre eles. As atitudes
paternalistas geraram sentimentos de gratidão, porém não impediram contestações da população local, que reagiu a
essa dominação de diversas formas, ora silenciosas, informal,ora mais explícitas. Pelas concessões e repressões
construiu, geriu, disciplinou, por muitos anos seus trabalhadores fora da empresa e a população da cidade.

Dorval do Nascimento - UNESC


Uma Cidade Multi-étnica na Região Carbonífera de Santa Catarina (Criciúma, 1960-1980)
As cidades da região carbonifera de Santa Catarina se formaram a partir de um duplo registro, aquele da imigração que
forneceu o núcleo inicial de povoamento e o da indústria de extração de carvão mineral que moldou por longos anos as
suas identidades urbanas e conformou uma cidade que podemos chamar de carbonífera. No cruzamento desses dois
registros forjaram-se lutas de representações que implicaram num redimensionamento das identidades urbanas das
cidades em questão, em especial no pós-guerra. Tomando Criciúma, a cidade pólo da região, como campo de obser-
vação e as comemorações do Centenário de colonização italiana da cidade como ponto de partida, se analisará os
processos de mudança identitária da cidade, observando-se as novas representações que se estabelecem no imagi-
nário urbano, os interesses sociais envolvidos e os meios encontrados para operar a transformação identitária da urbe.

Esmeralda Rizzo, Ines Minardi, Nara Martins, Aurilu Torrente Lopes - Universidade Presbiteriana Mackenzie
Histórias e experiencias cotidianas das quebradeiras de coco de babaçu nas cidades do Médio Mearin
Este estudo questiona as interferências das mulheres quebradeiras de coco maranhenses nas cidades, do Lago do
Junco, Rodrigues e Esperantinópolis, região do Médio Mearim. Destaca as experiencias cotidjanas no agroextrativis-
mo, a valorização do meio ambiente e do ser humano por meio das ações da Associação em Areas de Assentamento
do Estado do Maranhão (ASSEMA), nas escolas dessas cidades. A participação ativa dessas mulheres foi fruto de
anos de luta por condições melhores de vida e de trabalho e de um longo processo de emancipação política que
interferiram nas cidades locais transformando saberes e conhecimentos na região.

Marlise M. Giovanaz - UFRGS


Pedras e Emoções: os percursos do patrimônio
As modificações que ocorrem no espaço onde habitamos afetam diretamente nossos trajetos ~iários e lugares referen-
ciais. No contexto em que vivemos, onde os espaços são duramente disputados pelo mercado imobiliário, o problema
da preservação do dito patrimônio histórico e cultural, apresentado de forma material ou imaterial, está na ordem do
dia. Neste texto me proponho a levantar alguns elementos para discussão a partir do problema da preservação patri-
@
1
monial na cidade de Porto Alegre. O objetivo do trabalho procura estabelecer um conceito de memória e de história que
transcenda os tradicionais conceitos de patrimônio e principalmente, que sejam incluidos nestes discursos as experi-
ências dos grupos sociais marginalizados pela antiquada concepção de patrimônio fundamentada em imóveis herda-
dos do periodo colonial e representativos de uma minoria social elitizada. ",-
co
Sênia Regina Bastos - Universidade Anhembi Morumbi ~~
A cidade dos saberes: o patrimônio histórico cultural de São Paulo E
A cidade de São Paulo abriga importante patrimônio histórico cultural. Dominio de saberes especializados, poucos são ",-
os moradores comuns consultados no sentido de identificar bens culturais significativos, que compõem as muitas .i:l
identidades de sua cidade e que, portanto, dignos do tombamento ou inscrição no livro de Registro de Saberes dos ~ê
nossos órgãos de preservação. Esse patrimônio caracteriza-se, sobretudo, por edificações que foram preservadas no ~
sentido de legar ao futuro determinadas modalidades arquitetônicas ou marcos históricos, independentemente de sua ;;:;
importância social. A diversidade cultural da cidade materializa-se na constituiçâo de áreas de forte concentração ~
étnica, como é o caso dos bairros dos imigrantes orientais, judaicos, italianos e árabes, que gradativamente vão sendo .gJ
influenciados por nordestinos, mineiros, nortistas e, recentemente, coreanos e bolivianos, alterando sua tessitura soci- ~
ai e arquitetônica. Essa pesquisa tem por objetivo, num primeiro momento, evidenciar essa cidade valorizada como
patrimônio histórico cultural e, num segundo momento, identificar outras identidades/cidades.

99
Claudia Helena Nunes Henriques - Universidade do Algarve e Maria Cristina Moreira - Universidade do Minho
O monumento escultórico em espaço urbano como identidade cultural luso-brasileira
Uma cidade, como realidade em mutação através dos tempos, constrói a sua identidade não só através do estabeleci-
mento de conexões entre as suas dinâmicas internas, mas também através das dinâmicas que estabelece historica-
mente com outras cidades, As cidades do Brasil e de Portugal, pela história que partilham, possuem uma inequívoca
identidade comum - a identidade cultural luso-brasileira - que cabe reforçar, interpretar e divulgar. No pós-fordismo, as
cidades na tentativa de se especializarem turisticamente, enfatizam amiúde os seus recursos patrimoniais e culturais
com a intenção de aumentar o seu perfil competitivo, Neste contexto, a presente comunicação pretende reflectir sobre
os desafios que a estruturação de uma rota turístico-cultural transatlântica - entre cidades brasileiras e portuguesas -
pode ter no desenvolvimento de experiências turísticas potenciadoras de uma aprendizagem de relacionamento entre
povos de países diferentes mas com culturas comuns, A rota apoia-se em três monumentos escultóricos em espaço
publico, nomeadamente D, João VI, no Río de Janeiro (Brasil) e no Porto (Portugal) e D, Pedro I em S, Paulo (Brasil),

I 18/07 - Quarta-feira - Tarde (14h às 18h) I


Maria de Nazaré dos Santos Sarges - UFPA
Os "galegos" e as touradas: Belém no final do século XIX e início do XX
O artigo objetiva discutir as práticas culturaís dos 'galegos' numa cidade que inspirada no modelo haussmaniano
procurou dar nova feição ao seu espaço urbano, Ser "galego' na cidade de Belém coloca tanto os espanhóis da Galícia
como os portugueses, na mesma condição, sobretudo porque tinham em comum a prática das touradas, o que nos
leva a pensar que não seria apenas um divertimento, mas uma busca constante contra a perda de referenciais, de
afirmação da identidade, ou ainda, uma tentativa de minimizar a saudade da terra, É nesse contexto de uma cidade
amazônica que se moderniza no final do século XIX, que a presença de imigrantes espanhóis e portugueses com suas
práticas culturais expõe as múltiplas facetas de uma urbe que vai conviver com touradas, óperas e maxixes,

Roseli Boschilia - UFPR


Os territórios da cidade e a imigração portuguesa em Curitiba (séculos XIX e XX)
Os imigrantes portugueses que chegaram ao Brasil no contexto imigratório do século XIX, se preocuparam em manter
sua identidade cultural, criando associações, clubes e sociedades de assistência, do mesmo modo que os demais
grupos europeus, A criação de entidades como o Real Gabinete Português de Literatura (1837) e a Beneficência
Portuguesa (1840) exemplificam o esforço empreendido pelo grupo, com o intuito de demarcar um território, estreitan-
do os laços que uniam os portugueses ausentes de sua pátria,
Essa prática, como se sabe, estendeu-se por várias cídades brasileiras onde os lusitanos ganharam visíbílidade pelo
seu caráter marcadamente urbano, com forte vocação para as atividades ligadas ao comércio, É emblemático, no
entanto, que uma cidade como Curitiba - onde o percentual de imigrantes portugueses era ínfimo, se comparado com
outros grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo - tenha merecido, já em 1878, a criação de uma Sociedade
Portuguesa, É justamente a partir dessa problematização que estamos encaminhando o referido projeto, que tem
como baliza temporal o ano da fundação da Sociedade e se estende até 1930, quando os rumos tomados pelo governo
Vargas em relação à política imigratória deram um novo direcionamento ao fluxo de imigrantes portugueses ao Brasil.

Iris Verena Santos de Oliveira - UFCE


Astúcias do povo-de-santo pelas ruas de Salvador
Esta pesquisa trata das diversas maneiras encontradas pelos adeptos do candomblé para constituir o espaço urbano,
impregnando-o tacitamente de suas formas de viver e ver o mundo, Suponho que pais, mães e filhos-de-santo pratica-
vam a cidade de Salvador de maneira singular durante as primeiras décadas do século XX, sacralizando regiões tidas
como profanas pelos soteropolitanos que não freqüentavam os terreiros, Através da pesquisa em processos criminais,
texto de fOlcloristas, e principalmente, em jornais, da primeira metade do século XX, foi possivel verificar que as
disputas pela cidade ocorreram em um momento que a composição urbana adquiria significados especiais para as
autoridades soteropolitanas que acreditavam que a normatização de Salvador poderia contribuir para re-estabelecer a
importância da capital baiana no cenário nacional, através de seu progresso e modernização. Ainda assim, as práticas
religiosas de matriz africana ficaram marcadas na toponímia da cidade, mesmo que em alguns casos não fosse ofici-
almente reconhecida. O que reitera as formas peculiares através das quais o povo-de-santo leu e praticou as ruas,
becos, ladeiras e encruzilhadas de Salvador.

Adriana Berretla
Quando a "cobra-preta" (BR-101) "passou no fundo do meu quintal
Esta pesquisa enfoca as transformações decorrentes da construção da BR-101, na cidade de Itapema (Se), entre
1950-1970, que ao se deparar com as obras da rodovia, passam a ver ressignificados seus ritos, símbolos, tradições e

100
manifestações culturais até então vivenciadas em seu cotidiano. Com a inserção da rodovia, a cidade se vê transfor-
mada e a exigência de uma nova sociabilidade passa a ser imperativa nos ritos citadinos. A transformação inferida a
estas populações modificou não somente o seu cotidiano, mas a maneira como deveriam pensar-se, enquanto cidade
moderna, inserida num contexto também moderno. Nessa transição vivenciada por Itapema e seus sujeitos históricos,
a memória ressignifica os impactos causadas pela modernidade e reconstroem a experiência vivenciada de uma outra
cidade que se configura.

Elis Regina Barbosa Angelo - Universidade de Santo Amaro e Dolores Martin Rodriguez Córner· PUC-SP
A Festa do Divino Espírito Santo na Vila Carrão em São Paulo na Contemporaneidade: Espaço, Identidade e
Memória dos Açorianos
A investigação sobre a festa religiosa, conhecida como a Festa do Divino Espirito Santo, será analisada como uma
atratividade relevante para a comunidade dê! Vila Carrão em São Paulo advinda dos costumes açorianos mantidos ao
longo dos tempos em meio às adversidades da contemporaneidade. Ao passo que busca a percepção do território no
qual se desenlaçam atividades culturais luso-brasileiras como um emaranhado de elementos e traços da cultura e da
história dos açorianos, também analisa a perspectiva do espaço enquanto elo entre o passado e o presente, favore-
cendo a visibilidade das identidades.

Eliana Ramos Ferreira - UFPA


Entre a Cabanagem e a belle époque: Belém uma cidade labiríntica (1840-1860)
A cidade paraoara da segunda metade do século XIX, era uma cidade em profunda mutação, uma vez que a economia
gumifera propiciou o ambiente para a efetivação do discurso modernizador. Assim, uma 'cidade do progresso' 'emer-
ge' com melhoramentos dos serviços de saneamento, higienização e urbanização. Belém deveria ser uma cidade sem
problemas urbanisticos. Há uma produção historiográfica regional significativa, porém, pouco esclarecedora sobre em
que base estava sendo erguida essa cidade 'civilizada', pois Belém da primeira metade do século XIX é uma cidade
insurreta. Palmilhar quais as marcas que estavam sendo apagadas - de uma cidade 'colonial' ou 'cabana', as marcas
plasmadas na cidade e o impacto da Cabanagem no espaço urbano de Belém, bem como as tensões e de que forma
foram vivenciadas por seus habitantes, são algumas das questões que se pretende refletir no presente trabalho.

Maria de Fátima Duarte Tavares


Pilar de Goiás: paisagem de memória e de esquecimento
Pilar de Goiás é uma cidade de fundação colonial (1741), cuja história está vinculada à mineração e à ocupação do
território de Goiás. A paisagem circundante, o conjunto do construído e as manifestações festivas locais marcam sua
identidade urbana contemporânea. Ojogo da memória e do esquecimento transcorre em seus dois séculos e meio de
exístência. No século XIX, Pilar despertou o interesse de ilustrados viajantes, que ressaltaram a possibilidade de seu
desaparecimento. Na atualidade, o olhar distanciado de alguns observadores vem sucessivamente anunciando a
morte desse lugar. A permanência de Pilar conduz á reflexão sobre a construção da memória coletiva e sua relação
com práticas sociais e sistemas de valores locais. Por outro lado, a história da cidade demonstra que seu isolamento é
relativo, pois sua população não está isenta dos impactos das transformações regionais. Este trabalho pretende discu-
tir a construção da memória coletiva local em paralelo a um continuo e reiterado processo de esquecimento, conduzido
por agentes públicos ou privados, sejam estes vinculados a projetos de modernização ou a políticas de preservação ~
cultural. ®
Manuela Arruda dos Santos - UFRPE
No tempo dos tigres: o indesejável transporte de dejetos no Recife oitocententista
'Carniças, bichos mortos, imundícies eram abandonadas perto das pontes ou nas praias, [onde bando] de urubus
realizavam o trabalho de limpadores das ruas', é com esse relato que Gilberto Freyre descreve a paisagem cotidiana ~
das principais cidades brasileiras em meados do século XIX Afalta de salubridade das urbes também foi observada por ~§
vários cronistas e viajantes que estiveram no Brasil, durante o periodo tratado. Uma realidade que contrastava com o ~
ideário vindo da Europa que, propagava a cidade como o 'Iocus 'de modernidade, civilidade e higiene. O Recife sofria E
nesse período. com sérios problemas oriundos do lIínchaço" populacional, causado dentre outros fatores pelo êxodo .~
rural e pela abertura dos portos a partir de 1808. O déficit habitacional na parte central obrigou o crescimento vertical .~
da urbe, sob a forma dos sobrados. O abastecimento de água feito de forma manual era insuficiente e, os dejetos e .~
'águas servidas' produzidas no interior das moradias tinham que ser removidos manualmente devido á inexistência de ~
um sistema de esgotamento. Para esse trabalho deletério, não faltam escravos a carregar os barris de excrementos ~
até os locais de depósito, exalando nas ruas o infecto odor, causando um mal estar generalizado e cotidianamente ~
denunciado nos jornais da cidade. ~

101
19/07 - Quinta-feira - Tarde (14h às 16h30min)

Eduardo de Souza Soares - PUCRS


Um Modesto Rabiscador de Notas Cinematográficas: Paulo Fontoura Gastai e a Construção de Espaços Cultu-
rais na Década de 1940 em Porto Alegre
Com nossa comunicação, pretendemos discutir a atuação de um importante personagem da vida política e cultural de
Porto Alegre: P. F. Gastai, profundo conhecedor e estudioso da sétima arte, dizia ser um "modesto rabiscador de notas
cinematográficas". Em sua atividade intelectual, deixou registrada a angústia quanto aos rumos da cultura local frente
ao avanço da influência norte-americana. Responsável maior pela fundação do Clube de Cinema em 1948, aproveitou
bem o prestígio adquirido ao promover diversificados eventos, encontros em que os grandes nomes da arte gaúcha em
suas diferentes expressões sempre estiveram presentes, Em plena Guerra Fria, em uma sociedade marcada pelo "way
of life', a voz dissonante de Paulo Fontoura Gastai nos leva a refletir sobre as experiências e memórias desta cidade,

Antonio Clarindo Barbosa de Souza - UFCG


O mundo que se ouve e o mundo que se imagina: Memórias do rádio em Campina Grande (1930-1970)
O presente trabalho pretende abordar a experiência radiofônica na cidade de Campina Grande-Pb, a partir da implan-
tação das primeiras difusoras até a implantação do sistema de rádio Im, Acreditamos que o rádio foi de extrema
importância para a constituição de sociabilidades e sensibilidades dos ouvintes campinenses, entre as décadas de
1930 e 1970, influenciando desde as suas decisões políticas até às formas comportamentais no que diz respeito às
roupas, aos gestos, aos gostos musicais e, principalmente, na constituição de um imaginário sobre o mundo que lhes
era transmitido via ondas sonoras.
A importância do resgate da história do rádio em diferentes partes do país é fundamental para entendermos o processo
de difusão de valores culturais, estéticos e políticos nos anos aqui estudados.

Luis Antonio Coelho Feria - PUC-SP


A utopia da cidade-máquina no cinema do entre-guerras
A utopia da estabilização social encontrou na metáfora da cidade-máquina uma formidável expressão. A sincronização
entre corpos humanos, instituições do Estado, máquinas e mercadorias que a metrópole industrial foi historicamente
capaz de lograr e o desenvolvimento de diversas estratégias de controle social que a acompanhou forneceram a base
objetiva para o aparecimento e a circulação daquela metáfora utópica, Já a persistência da dissonância e do caos que
igualmente caracterizaram o mundo urbano lhe conferiu urgência e lhe deu sentido. O presente estudo pretende
identificar no cinema do período do entre-guerras a presença dessa utopia maquínica, além de procurar reconhecer os
principais mecanismos utilizados para a sua tradução para a linguagem fílmica.

Nilsangela Cardoso Lima - UFPI


Invisíveis asas das ondas ZYQ-3: Sociabilidades, Cultura e Cotidiano na Teresina dos anos 1950-1960
Existe uma discussão veemente sobre a influência dos meios de comunicação de massa na sociedade, sobretudo, no
que se refere ás mudanças que este veiculo provocou não só em termos de tecnologia como também na alteração nos
costumes ao oferecer uma 'cultura de consumo'. Este trabalho faz um estudo sobre a Rádio Difusora de Teresina de
1948 a 1960, através do emprego do método/técnica da História Oral, sendo analisadas algumas mudanças que a
emissora promoveu na cidade, a partir do momento em que alguns programas ganharam atenção especial da socieda-
de, tais como: as radionovelas, programas de auditórios, radiojornalismo e programas esportivos, Dada a importância
dos programas, a atuação dos locutores e os artistas do rádio começaram a propor novos estilos de vida e formas de
sociabilidades, provocando mudanças comportamentais femininas e masculinas, que passa a ser vista pela igreja
católica com uma 'radiodite'. Embora tivesse esse propósito de entretenimento e informativo, a emissora também
assume um determinado comportamento político e partidário que provocava ruídos entre as agremiações políticas do
Piauí. Integrando ao cotidiano como mais uma opção de lazer, sorrateiramente, a RDT remodelava a cultura, os hábi-
tos e sociabilidade na Teresina dos anos 1950/60.

I 20/07 - Sexta-feira - Manhã (1 Oh30min ás 12h30min)

Sylvia Costa Couceiro - Fundação Joaquim Nabuco


A sedução da noite nos cafés do Recife dos nos 1920: entre prazeres e transgressões
Até recentemente os historiadores concentravam-se no estudo da cidade em seus aspectos diurnos, priorizando a
'cidade do trabalho' em suas diversas faces, Vista, durante muito tempo, como perigosa e ameaçadora, só mais
recentemente a noite se torna objeto de trabalhos e pesquisas históricas, iniciando o interesse pela construção da
história da vida noturna da cidade. Este trabalho tem como objetivo abordar uma das múltiplas faces dessa misteriosa
e ao mesmo tempo sedutora cidade: a cidade dos cafés e bares, lendo como palco o Recife nos anos 1920, Territórios

102
do prazer, da diversão e da transgressão, dirigidos aos segmentos da elite ou aos grupos populares, os cafés possibi-
litavam, para além dos conflitos e disputas, encontros de grupos sociais diversos, abrindo canais que permitiam a troca
de informações entre mundos culturais diferentes, representando um dos espaços onde havia a chance de se estabe-
lecerem redes de comunicação que escapavam á lógica do discurso técnico e racional que buscava disciplinar e
normatizar o espaço da cidade.

Dalila Muller - UFPel


Pelotas se diverte: os espaços de sociabilidade na metade do século XIX
Pelotas atingiu a condição de cidade em 1835, mas, com a Revolução Farroupilha sua população diminuiu em quase
a metade, em conseqüência os aspectos econômicos, políticos, sociais e culturais da cidade não se desenvolveram.
Com o declinio da Revolução, a cidade retomou seu desenvolvimento. A partir deste período começaram a se criar
novos locais de convivência social. As sociedades de baile, as apresentações no teatro, as festas religiosas, as ativida-
des recreativas na praça eram formas de sociabilidade que iam ocupando os espaços da cidade. A sociabilidade é
vista como um conjunto de formas de conviver com os pares, como um domínio intermediário entre a família e a
comunidade cívica obrigatória. A construção desses espaços de lazer indica novas formas de vida e estes espaços são
lugares privilegiados de observação da sociedade. Assim, busca-se mostrar nesta comunicação as primeiras formas
de sociabilidade dos pelotenses após a Revolução e de que forma representavam a sociedade da época.

Maria Beatriz Pinheiro Machado - UCS


A cultura de morar na serra gaúcha
Um olhar particularizado sobre a cidade permite apreender diferentes sinais sociais configuradores do sistema de
relações homem X espaço. Neste trabalho nosso olhar volta-se para a cultura de morar na serra gaúcha no contexto
histórico da modemidade. Propomos analisar os fatores intervenientes nas permanências e transformações do espaço
construído, partindo da tradicional casa do periodo da imigração italiana, para caracterizar o processo de incorporação
de elementos do novo paradigma de morar proposto pela arquitetura modernista.

Solange da Silva Portz - Uniamerica


Todas as Cores: estudo sobre a exposição fotográfica e a construção da identidade cultural da pós-moderni-
dade em Foz do Iguaçu
O trabalho procura realizar a leitura da exposição fotográfica permanente e itinerante, sob a temática 'Todas as Cores
do Mundo:, intitulada de "O Multiculturalismo de Foz do Iguaçu'. Exposição produzida e organizada pela fotógrafa
jornalista Aurea Cunha. As fotografias retratam mulheres de diferentes etnias que residem na cidade. O objetivo é
procurar analisar o processo formador da identidade cultural na pós-modernidade em Foz do Iguaçu, a partir do traba-
lho da fotógrafa.

I 20107 - Sexta-feira - Tarde (14h ás 18h)


Vanessa Spinosa - UFRN
Nos tempos em que a mulher é quem faz: afetividades e comportamentos 'modernos' na cidade (Belém, século XX)
O trabalho visa discutir a modem idade na cidade de Belém na década de 1930 a partir dos debates nos periódicos do
@
12
periodo. O recorte temático escolhido será o campo das afetividades e escolhas amorosas esboçadas em jornais e
revistas de época. A partir do trânsito pela cidade, das relações sócio-afetivas deflagradas no espaço urbano se
percebeu questões sobre trabalho, casamento e comportamentos femininos que repercutiam em debates sobre o que
era 'antigo' e 'moderno' nas estruturas cotidianas. Nesse sentido se tratará de relacionar as funções sociais desempe-
nhadas pela mulher, nessa vida 'modernizada' dos anos 30, partindo do olhar dos articulistas de época para entender .~­
as representações das atribuições femininas no meio sócio-urbano. -~
'"
Renato Coelho Barbosa de Luna Freire - UERJ :-
Em Busca Da Felicidade: Os Loteamentos como Construtores Do Imaginário Urbano - São Gonçalo, RJ .~
1950.. 1959 ~~
A busca pela felicidade motivou os homens, ao longo do tempo, a construirem variadas concepções de cidades idea- a:;
=
x
lizadas, seja no plano celeste, seja no plano terrestre. Omunicipio de São Gonçalo, na década de 1950, assistiu a uma
grande euforia urbana com a introdução de diversos loteamentos. Na esperança de alcançar a cidade perfeita através
'"
.gj
do Progresso, entendido como o estágio de realização plena, os políticos do município, tanto vereadores quanto .{g
prefeitos, no período compreendido entre 1950 e 1959, motivados pela questão urbana resultante da inserção dos ~
loteamentos, construíram cidades imaginárias vistas nos variados documentos necessários á prática política, expedi- co
dos pela Prefeitura e Câmara, bem como nas Atas de reuniões dos Vereadores e nas diversas reportagens do jornal §
"3
local O São Gonçalo. Alocada na história cultural do urbano, esta comunicação envereda pelas variadas representa- <....:>

103
ções do urbano de São Gonçalo /RJ, realizadas pelos políticos, refletindo menos nas construções materiais e mais nos
desejos de construção da cidade perfeita.

Erick Assis de Araújo - UECE


(In)justiças na/da Cidade
A cidade é uma fonte inesgotável de práticas sociais, onde estratégias e táticas são tramadas por instituições, órgãos
de comunicação e por individuos na esfera cotidiana. A experiência das classes populares durante o Estado Novo na
cidade de Fortaleza registrou inúmeras formas de relação desses habitantes com o Estado(polícia, judiciário), impor-
tando para isso uma série de conflitos que expressaram três formas de inserção polítíca e social dessas classes: a
adesão, a negociação e a resistência radicalizada. É inegável o papel desempenhado por jornais, com suas visões
esteriotipadas e policialescas do cotidiano dos empobrecidos da cidade, inquéritos policiais e processos judiciais com
suas formas nem sempre tão sutis de legitimar as falas, enfim, essa documentação, em parte, configura e expõe
algumas tensões sociais vivenciadas em torno de espaços de muito sofrimento, magia e solidariedade que são os
arrabaldes da cidade dessas diversas "Fortalezas'.

Francimar Ilha da Silva Petroli . UFSC


Construindo a cidade do futuro: a "modernidade" em Chapecó (1937·1945)
O que se propõe neste trabalho é efetuar uma análise cultural do urbano, em Chapecó, a partir do final dos anos de
1930, momento d~ consolidação do Estado Novo de Getulio Vargas. Romper com o passado. Transformar Chapecó na
cidade do futuro. E instigados por esse desejo de construir uma cidade moderna, civilizada, superando a então chama-
da 'Vila do sertão', que, a 'elite intelectual e política' chapecoense cria e faz usos de mecanismos para concretizar
seus objetivos. Discorrer acerca destes mecanismos, cruzando os discursos locais com os de Vargas e da intelectua-
lidade a ele ligada é um dos objetivos centrais desta pesquisa, para tentar decifrar os sentidos, os diferentes significa-
dos da noção de 'modernidade'. Perceber os contrastes entre o rural e o urbano é relevante, pois o passado, em
Chapecó, ainda estava 'vivo' no presente, ou seja, era difícil perceber as distâncias, os limites entre um e o outro, na
medida que estavam interligados, perpassando um pelo outro. Portanto, o problema colocado é o da modernidade,
sendo que através dos discursos e das imagens pretendo explorar com um olhar critico estas múltiplas linguagens da
cidade.

Rosana de Fátima Padilha de Sousa - UFPA


Reduto: História e memória de um bairro operário (1910·1930)
O Reduto é um bairro de Belém que surgiu no século XIX, mas, que somente na segunda metade do XX, com a
abertura de uma doca, foi efetivamente ocupado, tendo inicio um per iodo de intensa prosperidade comercial. Devido a
maioria das pessoas que ali moravam e circulavam ser de baixa renda, a Doca do Reduto ficou conhecida como 'o
mercado dos pobres, da gente dos bairros modestos'. A partir da primeira década do século XX, em decorrência de
obras que atendiam aos interesses do comércio internacional da borracha, como o aterramento da referida doca,
iniciou-se um movimento de declinio da atividade comercial naquele bairro. Com a queda da borracha houve uma certa
canalização de investimentos para a atividade industrial em Belém e, devido a sua localização, o Reduto passou a
abrigar as primeiras fábricas da cidade, e, deste modo, foi se constituindo em um bairro de periferia fabril, com uma
feição séria e de contido dinamismo. Reconstruir a história do bairro do Reduto a partir da memória de antigos morado-
res não significa apenas identificar as 'referências sociais' desses sujeitos históricos, mas, sobretudo, entender como
o bairro se configurou enquanto espaço de sociabilidade para aquelas pessoas que moravam, trabalhavam ou sim-
plesmente circulavam por ali.

13. Diferenças e desigualdades sociais


Eduardo Scheidt (USS I Universidade Gama Filho) e Marilene Rosa Nogueira da Silva (UERJ)
I 16/07 - Segunda-feira - Tarde (14h às 18h) I
Silvio de Almeida Carvalho Filho - UERJ/UFRJ
A Vulnerabilidade Social nos Musseques Caluandas e nas Favelas Cariocas: uma análise comparativa
Cotejamos os processos de integração, vulnerabilidade e desvinculação sociais tal como são apresentados, sem
serem assim denominados, na bibliografia basilar sobre as favelas cariocas e os musseques luandenses. Ao estudar-
mos essas realidades, trazemos a tona um diálogo interdisciplinar com sociólogos, antropólogos ou outros especialis-
tas das ciências sociais, produtores de grande parte dessa literatura. A nossa comparação faz-se entre populações
possuidoras de um mesmo tipo de colonizador e uma língua oficial comum -a portuguesa -e que mantiveram, ao longo

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de suas histórias, vários intercâmbios entre si. Assim sendo, ás vezes, estamos comparando o comparável. Contudo, Q
apesar desses aspectos comuns, as duas cidades possuem estruturas sócio-econômicas, políticas e culturais muito
especificas, guardam composições populacionais extremamente diversificadas e se inserem em formações nacionais
®
em distintos estágios de consolidação. Ou seja, os musseques caluandas e as favelas cariocas possuem idiossincrasias
incomparáveis, portanto, nos possibilitam comparar o incomparável. Essa abordagem contrastante permite-nos desco-
brir dissonâncias, verdadeiros indicios, reveladores de uma "estranheza", que escapavam inicialmente à nossa intelecção
de observador.

Rogério Ferreira de Souza - UERJ 'iil


Dodsworth e Maia: o planejamento urbano como controle social e a fixação da subaltenidade 'g
A cidade do Rio de Janeiro é marcada, em seu processo histórico, por diversos planos urbanisticos de intervenção :;;
pública, principalmente no início do século XX. Estas intervenções públicas no espaço urbano buscavam instrumentalizar .g
a cidade para uma realidade moderna e capitalista. No entanto, apesar do discurso modernizador e a busca de um 7J
bem-estar urbano, as favelas cariocas e seus moradores receberam do Poder Público um tratamento diferenciado. É 5,
com esta perspectiva critica que este trabalho busca através de dois planos urbanisticos, um no período autoritário, .~
outro no período democrático, analisar as similaridades e as formas de efetivação do controle social da população ~
favelada marcando os espaços físicos e simbólicos de suas subalternidades.

Walace Rocha dos Santos - UFF


A Experiência da Pastoral Afro-brasileira
O alto percentual de cidadãos negros no contingente nacional, não necessariamente implicou na preservação e manu-
tenção de sua diversidade cultural naquele perímetro. Ao caráter tradicionalista dos ritos religiosos, diante do viés
secular de intolerância para com as notícias originadas no seio africano, a religiosidade oficial - católica - foi imposta e
aculturada, sendo apreendida grande parte de sua simbologia, o que através da atuação de agentes religiosos negros
têm veiculado a resistência cultural por via do culto oficializado, o que se observa desta análise, representando o
reconhecimento da demanda do segmento negro pela CNBB, de um claro desdobramento da cidadania afro-brasileira,
valendo como assertiva a interpretação de dados já catalogados na Região do Grande-Rio (RJ).

Joaquim Justino Moura dos Santos - UNIRIO


Diferenças e igualdades no tempo e no espaço: a formação dos lugares do subúrbio carioca - 1870/1930
Estudo sobre o processo de formação do subúrbio carioca, visando localizá-lo no tempo e no espaço, com base na
hipótese geral de que o mesmo nasceu e se consolidou inicialmente nos lugares onde hoje se situam os bairros do
Engenho de Dentro, Encantado, Piedade, Quintino e Cascadura, na antiga freguesia de Inhaúma, entre os anos de
1873 e 1930. Com a análise das funções exercidas por essa área de estudo, tipicamente rural e escravista a princípio,
em relação a cidade, veremos que a passagem da vida rural para a urbana, como as novas funções econômicas e
sociais ali introduzidas, resultaram de mudanças na cidade do século XIX, vinculadas ao processo de transição da
sociedade escravista para a capitalista na capital do pais. Também que, tais mudanças, combinaram-se a um conjunto
de ações do Estado, por suas instituições, além de outras, no sentido de adequar os espaços da cidade e do município
aos interesses dos capitais então dominantes. Capitais estes beneficiados por novas formas de ocupação e distribui-
ção econômica e social do espaço, visando a reprodução das novas diferenças e desigualdades em favor de seus
capitais, protegidos pelo Estado em detrimento dos pobres.

Lucia Helena Pereira da Silva - USS


A Pequena África e o plano de melhoramentos de 1874/76: como pensar historicamente território, etnia e
pensamento urbanístico
Este trabalho é parte do projeto intitulado 'gênese do urbanismo no Rio de Janeiro: projetos e modos de vida, desen-
volvido na Universidade Severino Sombra/USS- RJ. Este trabalho articula as primeiras discussões urbanísticas e as
intervenções propostas nestas discussões com a vida da população da freguesia de Santana. A idéia é vislumbrar
como os habitantes do Porto e a da pequena África experimentaram socialmente as propostas do Plano de melhora-'
mentos de 1874/76.

Julio Claudio da Silva - UFF


Os vários ângulos do "problema Negro": multidisciplinaridade e anti-racismo nos estudos das populações e
culturas de origem africana em Arthur Ramos (1935 e 1949)
Os estudos das populações e culturas de origem africana foram um dos temas mais importantes nas ciências sociais
do século XX. Seu relevo no campo intelectual brasileiro dos anos trinta e quarenta se deu, em parte, graças ao
empenho de Arthur Ramos e seus pares, ao organizarem o então denominado Estudos Afro-Brasileiros. Fez parte
deste engajamento o esforço multidisciplinar pela sistematização desses estudos e o posicionamento anti-racista de
seus trabalhos. Um dos objetivos de nossa comunicação é recuperar esses aspectos a partir de manuscritos, como a

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conferência "O Problema negro". Arthur Ramos foi um dos principais responsáveis pela substituição do conceito de
raça pelo de cultura. Pretendemos analisar os significados desses conceitos em sua trajetória. E alguns de seus
posicionamentos anti-racistas como o combate público ás teses de inferioridade biológica e cultural de africanos e
afro-descendentes, em particular a "do menor valor mental do negro". A documentação produzida por aqueles pesqui-
sadores tem indicado que no passado, assim como no presente, esses estudos muitas vezes estiveram ligados ás
estratégias de enfrentamento das desigualdades sociais.

Mateus Silva Skolaude - UNISC


A (in)visibilidade do negro em Santa Cruz do Sul (1980-1990)
A temática central desta comunicação, situa-se na (in)visibilidade do negro em Santa Cruz do Sul (1980-1990), cidade
que se caracteriza pelo predominio de uma narrativa identitária germânica. Para tanto, este espaço temporal corresponde
ao período de consolidação e internacionalização econômica do setor fumageiro e de grande aumento populacional -
urbano deste município. Além disso, este momento pode ser interpretado como de revigoramento do discurso étnico,
que começa a tomar fôlego, passado o tensionamento dos primeiros anos pós Segunda Guerra Mundial. A partir da
análise da ímprensa escrita, nomeadamente o jornal de maior circulação da região, a Gazeta do Sul, propõe uma
reflexão acerca dos dispositivos envolvidos na construção do discurso identitárío desdobrado no comunitarismo e o no
multiculturalismo. Problematiza, ainda, as implicações desta discursividade na construção dos espaços sociais de
existência para as comunidades afro-descendentes da região.

Miridan Britto Falei - USS


Mãe Luiza e Pai Joaquim; pretas e pretos velhos e a realidade social
As Diferenças e Desigualdades Sociais acompanham o nascer e o morrer das populações já que níveis de trabalho e
condições de vida diversas conduzem a diferentes índices de natalidade e mortalidade. O resgate e acompanhamento
da vída e morte de pretos e pretas velhas mortos com mais de 80 anos numa sociedade altamente escravocrata pode
nos apontar padrões demográficos. Como viveram, em que trabalharam, quais as origens étnicas, que família puderam
formar os pretos e pretas-velhos? Como interpretar os níveis de vida por eles alcançados?Qual o percentual dos
mesmos dentro da massa escravizada?Este trabalho baseia-se na exploração demográfica da população escrava no
município de Vassouras - no século XIX. O trabalho é resultado de pesquisa financíada pela USS e realizado no
Centro de Documentação Histórica e na Casa da Hera ( Vassouras).

I 17/07 - Terça-feira - Tarde (14h ás 18h) I


Eduardo Scheidt - USS I Universidade Gama Filho
Desigualdades em pensamentos igualitários: os intelectuais Esteban Echeverría e Pedro de Angelis e suas
propostas de construção das nações no Rio da Prata
O argentino Esteban Echeverría e o ítalo-argentino Pedro de Angelis, destacados intelectuais de meados do século
XIX, protagonizaram uma acirrada polêmica, bastante referida pela historiografia. O que pouco se analisou é que, em
meio a essas discussões, houve um confronto entre contrapostas concepções de nação e projetos para o país. Embo-
ra imbuídos de idéias igualitárias, ambos os intelectuais propuseram desiguais condições de cidadania em meio ao
confronto de propostas rivais. O presente estudo analisa as concepções de nação de Echeverría e De Angelis, toman-
do como fonte seus livros e artigos publicados durante o governo de Juan Manuel de Rosas, quando os intelectuais em
análise travaram a mencionada polêmica concomitante ao recrudescimento dos combates militares e de idéias acerca
da construção da nação.

Claudio Antonio Santos Monteiro - USS


A Proclamação da República brasileira e o Reconhecimento oficial francês na imprensa partidária e a na diplo-
macia francesas (1889-1891)
Nossa comunicação busca apresentar e compreender as repercussões negativas que tiveram na França da Terceira
República a Proclamação da República no Brasil. Nosso interesse é confrontar as representações feitas na França
sobre a monarquia brasileira e sobre o Brasil no primeiro ano da ordem republicana (1889-1891). Para tanto, analisa-
mos o discurso da imprensa partidária francesa na ocasião da passagem da monarquia para a república no Brasil, os
escritos de publicistas franceses e brasileiros, bem como as fontes diplomáticas do Ministério francês de Assuntos
Estrangeiros (Quai d'Orsay), no que concerne o processo de reconhecimento oficial francês da nova república latina
ocorrido em junho de 1890. Nosso interesse é confrontar os significados de monarquia e república no Brasil para os
observadores franceses, buscando situar os discursos que agiram sobre as práticas políticas, permitindo a manuten-
ção e o estreitamento das relações políticas entre a França e o Brasil republicanos.

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Luciano Mendes Cabral - USS ~
Imagens e Idéias, Diferenças e Semelhanças: um estudo comparativo da Cultura Política e da construção do
Estado no Brasil e na Argentina do século XIX
®
O presente trabalho procura desenvolver um estudo comparativo da construção do Estado no Brasil e na Argentina dos
oitocentos, e da cultura politica inerente a esse processo. Nesse sentido procuraremos analisar as evidentes diferen-
ças assim como, e principalmente, as semelhanças e pontos de convergência. Muito embora o objeto abordado já
tenha sido alvo de diversos estudos, acreditamos poder contribuir para o aprofundamento das discussões e debates
historiográficos em função das fontes que utilizaremos para tanto. Pretendemos lançar mão das imagens oficiais
produzidas pelos Estados em construção, nesse caso específíco dos selos postais, bem como de todos os elementos .iil
pertinentes a uma cultura politica dentro da qual foram produzidas. Para tanto utilizaremos os conceitos de cultura 'g
politica, símbolo, poder simbólico e capital simbólico, bem como o de ideologia, da forma como contemporaneamente :::
vem sendo desenvolvido. -i!5
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Surama Conde Sá Pinto - USS :::o
A arte da política: Como se construía uma carreira política no Distrito Federal nos anos vinte ""
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Ao longo do período em que sediou a capital da República, a cidade do Rio de Janeiro apresentou uma dinâmica Q,)

politica díferente das demais unidades da federação, marcada pela forte ingerência do governo federal no campo Ô.
politico carioca. Utilizando a abordagem da cultura politica, esta comunicação objetiva analisar as estratégias utiliza- ~
das pelos representantes da cidade nos Poderes Legislativo e no Executivo municipal e federal para construir e manter ~
uma carreira política no Distrito Federal nos anos vinte. o

Nara Maria Carlos de Santana - UFJF


Movimentos Sociais e Estado no Brasil: Cidadania e participação social nos primeiros anos da República
O objetivo deste trabalho é compreender o desenvolvimento dos movimentos e lutas sociais no Brasil nas três primei-
ras décadas do século XX, quando começa a república brasileira e a questão social torna-se um problema de Estado.
Com a abolição da escravatura e a substituição da mão-de-obra escrava pela do trabalhador livre, principalmente
imigrante, as lutas sociais urbanas ganham contornos mais nítidos, devido entre outros fatores, a aceleração do pro-
cesso de urbanização no país. A partir da Revolução de 30 e da implementação do projeto liberal industrializante, a
questão social e o problema das classes populares, especialmente dos trabalhadores, tornam-se a discussão central
do governo. Com isso, uma importante legíslação é criada, a fim de organizar e interferir nas questões que surgem,
visando o controle das lutas sociais e ao mesmo tempo a ampliação da cidadania.

Janaina Souza Teixeira - UNIFRA


Alianças e conflitos: peculiaridades de um contexto fronteiriço - a população de fronteira no contexto do
movimento artiguista (1815-1820)
Este trabalho aborda o comportamento da população fronteiriça do Rio Grande do Sul no inicio do século XIX ao se
desdobrar o movimento artiguista, liderado por José Gervásío Artigas na Banda Oriental de 1811 a 1820. A partir,
principalmente da atuação da.pQPlJl.?ção indígena e escravos do Rio Grande do Sul discute-se a identificação dos
setores sociais menos favorecidos com o movimento da Banda Oríental que, entre outros aspectos defendia uma
redistribuição da terra e, com isto, uma alternativa ao modelo de sociedade consolidado ao longo do período colonial e
posto em discussão no momento das independências por alguns setores. Através da documentação disponível na
compilação intitulada Archivo Artigas e de processos-crime existentes no Arquivo Público do Rio Grande do Sul, bem
como de correspondências das autoridades militares do Rio Grande do Sul deste período, buscou-se compreender a
forma como reagiram os habitantes dos domínios portugueses na região fronteiriça ao movimento e também a forma
como as autoridades trataram suas reações. Foi possível compreender, em alguma medida, uma identificação de
escravos e negros forros do RS com aquele movimento. Da mesma forma, foi possível visualizar uma tentativa de
colaboração com o mesmo por parte dos indígenas da área de missões.

José Ricardo Ferraz - UERJ


As redes de poder políticas e sociais na instalação da 18 indústria têxtil em Valença, RJ: 1880 1920
O objetivo deste projeto é identificar as relações de poder estabelecidas entre o Poder Público e o interesse privado, a
elite valenciana, que viabílizaram a instalação da 1a indústria têxtil em Valença, RJ. Abandonamos o viés econômico com
que o tema sempre foi tratado, e lançamos novo olhar sobre o período, investigando os mecanismos de contato dos mais
expressivos agentes políticos locais no período mencionado, pois, o poder não está somente associado a instituições ou
aos aparelhos que sujeitam os indivíduos, mas, a uma prática social. Esse grupo constituía uma densa rede de interesses
políticos e econômicos não limitados a Valença; sua área de influência se estendia também ao Rio de Janeiro através de
uma rede de contatos. Em outras palavras, privilegiaremos o processo como resultado das forças políticas que criaram as
condições para a industrialização valenciana. Buscamos, também, estabelecer uma revisão historiográfica sobre Valença
e o Vale paraibano fluminense, visando enriquecer a produção historiográfica da região.

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Monike Garcia Ribeiro - FAPERJ f Casa Rui Barbosa
Dom João VI, os Pintores Viajantes e a Cultura Política no início do século XIX
Em princípios do século XIX, o Rio de Janeiro vê radicalmente transformada a sua face cultural, e também política, com
a vinda da Familia Real Portuguesa para o Brasil em 1808. Pretende-se examinar como as relações entre Política e
Cultura, desdobram-se em uma diversidade de estratégias político-culturais específicas da Corte Portuguesa, que
incluem a constituição de novos ambientes artistico-culturais. Dentro deste quadro geral examina-se, em sintonia com
este contexto político-cultural, a atuação dos pintores viajantes na primeira metade do século XIX, bem como a vinda
de Missões Artisticas, Científicas e Diplomáticas, ao lado da criação de uma série de instituições culturais.

I 18/07 - Quarta-feira - Tarde (14h às 18h) I


Brigitte Ursula Stach Haertel- USP
Crenças e valores na constituição de subjetividades legitimadoras das desigualdades· um recorte de gênero
com adolescentes em São Paulo
Sustentada nos pressupostos teóricos da Resolução de Conflitos e recorrendo à metodologia dos modelos Organizadores
do Pensamento, a apresentação desse trabalho tem por objetivo divulgar os resultados de uma pesquisa realizada
durante o primeiro semestre de 2005, com jovens de uma escola pública estadual localizada na periferia da zona sul da
cidade de São Paulo buscando identificar a influência de crenças profundamente arraigadas em uma lógica de pensa-
mento tipicamente ocidental na construção de valores durante a adolescência. A amostra analisada foi composta por
120 alunos, 40 em cada uma das faixas etárias sendo 20 do sexo feminino e 20 do sexo masculino aos 12, 14 e 16
anos respectivamente, utilizando como instrumento de pesquisa a narrativa de um conflito entre pares. As respostas
obtidas durante a coleta de dados parecem confirmar uma tendência à polaridade decorrente de nossa tendência à
dicotomia que se agrava com o passar do tempo evidenciando a naturalização da dominação de certos gnupos sobre
outros, justificando e reproduzindo a estratificação social e assumindo como legitimas hierarquias historicamente con-
solidadas que sustentam a discriminação e a exclusão seja de classe, raça, etnia, gênero, etc.

Joana D'Arc Fernandes Ferraz - UNIRIO


Por que lembrar? Para que lembrar? Dilemas sobre a Ditadura Militar Brasileira
A experiência da Ditadura Militar no Brasil (1964-1985) ainda está guardada na lembrança de muitas vitimas, de seus
familiares e da sociedade brasileira. O anjo da história, a quem Benjamin se refere marca um olhar entrecnuzado entre
presente, passado e futuro. A memória ressentida em Nietzsche perpetua as opressões e os horrores. Como compre-
ender uma visão sobre o passado em que o tempo e os sujeitos sejam ressignificados. De que maneira a memória, que
sai da oralidade e eterniza-se na escrita pode nos ajudar a compreender melhor um passado ainda tão mal resolvido
em nossa sociedade? Ou será que ela (a memória escrita) não permanecerá incapaz de transcrever os horrores, os
traumas, pela própria incapacidade da lingüistica de expressar o sentido benjaminiano da experiência? Ou será me-
lhor esquecer, como nos aponta Niezsche? Este trabalho tem como objetivo refletir sobre essas 3 abordagens em
relação ao tempo (lembrar, escrever e esquecer), contemplados nos trabalhos de Gagnebin.Para isso, interessa-nos
recolher, processar e analisar as histórias de vida desses ex-militantes ou simpatizantes políticos. Partimos de entre-
vistas a técnica de história oral, a fim de renovar as memórias desses atores, especificamente com dez ex-presos do
regime militar no Brasil.

Wolney Gomes Almeida· UESC


História dos surdos: uma trajetória de desigualdade social rumo à construção da identidade
Este artigo pretende focalizar a construção do sujeito surdo através dos discursos construidos por uma sociedade
ouvintista, em que a surdez se enquadrou por muito tempo nos moldes de uma anormalidade. Sendo assim, a identi-
dade do surdo se construiu nesse processo histórico e vem sofrendo ressignificações dentro de uma visão
multiculturalista, tendo a língua de sinais como elemento fundamental para a construção e legitimação de sua cultura.
O estudo problematiza a questão da desigualdade social dentro do contexto nacional a que os surdos estão inseridos,
repensando sobre a existência do outro não mais como desigual, mas a partir da diferença, da alteridade.

Priscila de Oliveira Xavier - UFMT


Pomeri: Máquina de Guerra
Escrevemos a história de uma guerra atual, próxima, passada entre os anos de 2004 e 2006, e que ainda não teve
desfecho Essa guerra acontece ao nosso lado, em nosso tempo, mas escapa aos olhos, pois entre nós e o centro da
luta há uma muralha estrategicamente erguida. O campo de batalha e palco da história que ora diagramamos é o
Centro Sócio-Educativo Pomeri-Lar do Adolescente, instituição total, única no estado de Mato Grosso responsável
pelo confinamento de adolescentes do sexo masculino, sentenciados ao cumprimento de medida 'sócio-educativa" de
privação de liberdade. Tatuagens, piercings, bonés, inversão de objetos, funk, rap, teatro, vocabulário próprio; são

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pistas, indícios que encontramos ao investigar práticas culturais, t,átiCaS e artimanhas construídas no interior desta ~3
máquina por adolescentes que insistem em abrir uma 'fissura no silêncio'. O olhar do adolescente em conflito com a ~
lei, sua maneira de entender e enfrentar a disciplina, a vigilância, o 'olhar que tudo vê', seus sentimentos, as vozes, os
silêncios, os murmúrios, se constituem também em 'pequenas' aberturas por onde atravessamos nosso olhar.

Anderson Jorge Pereira Bessa - UERJ


Tais civilizados, quais bárbaros? Prolegõmenos ao estudo do "terceiro·mundismo" no cinema político de
Glauber Rocha
Política e estética são atributos indíssociáveís na produção de Glauber Rocha. Isto porque a obra de arte se ídentifica- 'i(:l
va como ação política na medida em que o fenômeno da criação artística tonificava uma atitude politicamente 'g
inconformada - seja com as coações externas ao trabalho criativo; seja com as condições sociais desiguais. Então, :;:
trata-se, aqui, de acercar o ato político-€stético configurado em 'O leão de sete cabeças', rodado no Congo africano, i
segundo semestre de 1969. No filme sobredito, Glauber Rocha exercitou a possibilidade de fundar um cinema político ~
'terceiro-mundista'. No qual a tensão circundante ás noções de 'civilização' e 'barbárie' avulta como problemática basilar 5,
num momento em que as lutas de descolonização ainda não haviam cessado. Ao discorrer sobre o sentido das domina- '~
ções suscitadas por categorias taxionômicas tão decantadas como 'civilizado' e 'bárbaro', o cineasta travou um diálogo ~
belicoso com as matrizes discursivas imperiais com que o Ocidente arrogou sua superioridade em detrimento dos valores
torpes que distinguiam outros povos. Logo, a comunicação proposta almeja trazer á discussão as questões aludidas.

Ruth Pavan - Universidade Católica Dom Bosco


Desigualdade social e educação: a ausência da perspectiva histórica
Este trabalho é fruto da tese de doutorado. Considerando a dimensão histórica da desigualdade social, o trabalho tem
como objetivo analisar a reflexão que as professoras de educação de jovens e adultos fazem a respeito da desigualda-
de social. Para tanto, num primeiro momento, apresenta algumas explicações que foram dadas ao longo da história
para a desigualdade social. Inicia com a Reforma Protestante que introduz a idéia de que somente alguns são merece-
dores de caridade, passando por diversas mudanças até chegar as explicações para a desigualdade da
contemporaneidade O que mais chama a atenção nas explicações das professoras é que elas não fazem nenhuma
menção a fatores históricos responsáveis pela desigualdade. Adesigualdade aparece como sendo de responsabilida-
de de cada indivíduo, ou seja, a explicação da desigualdade é marcada pela concepção individualista e meritocrática,
estando, portanto, relacionada com uma concepção neoliberal de sociedade, que teve sua entrada na América Latina
na década de 1970 e que a partir da década de 1990 se torna cada vez mais evidente.

Francísco Canella - UDESC


Disputas simbólicas, desconstrução de subaltemidades e sentidos de comunidade na periferia urbana de
Florianópolis
A cidade de Florianópolis tem vivenciado um forte aumento populacional nas duas últimas décadas. Essa nova dinâmi-
ca favoreceu o crescimento desordenado da cidade e o aumento das desigualdades sociais e econômicas, desenca-
deando uma série de conflitos de interesses e disputas simbólicas entre os seus diferentes atores sociais. Assim,
movimentos sociais colocam em questão as representações da cidade como paraíso turístico, veiculadas em expres-
sões como 'ilha da magia' ou na idéia de 'capital campeã da qualidade de vida', ao mesmo tempo em que questionam
através de suas lutas a produção de subalternidades na cidade. Com base no acompanhamento das experiências de
uma comunidade que surgiu do Movimento dos Sem-Teto no final da década de 1980, busco neste trabalho analisar
tanto o processo de auto-organização do grupo de moradores como a construção de uma identidade coletiva consoli-
dada em torno da categoria comunidade. A partir de uma pesquisa de natureza etnográfica procuro discutir como tal
categoria foi sendo construída, que sentidos adquiriu em diferentes contextos e como a memória dos moradores
rearticula no presente as experiências vivenciadas no passado.

Marilene Rosa Nogueira da Silva - UERJ


A desordem como doença: A Casa de Correção da Corte na lógica do saber médico
Sob a lógica das teses racialistas é construida a Casa de Correção da Corte como um lugar dos deserdados sociais.
Assim no dizer de Ayres Gouvêa 'O criminoso é um enfermo, a pena um remédio e o cárcere um hospital'. ~ objeto
dessa comunicação analisar os relatórios dos médicos que atuaram na prisão. 'Pelos dados colhidos quando medico,
que fui dez annos nesta casa, estudando a Clinica especial da penitenciaria, cheguei a persuadir-me de que a pena
maior de 10 annos equivale em regra a uma sentença de morte .... Os moços se resistem ao vicio do onanismo ... tem
um horizonte largo, podem ser postos em liberdade muitas vezes ainda em tempo de ser úteis a si e a suas familias,
mas o homem, já na idade madura, ou na velhice, que em vez desse horizonte largo tem apenas as muralhas da
prisão, poderá suportal-a como o primeiro? A observação sempre convenceu-me do contrario. As enfermidades que
accomettem os homens maiores de 50 annos demandando alem do tratamento therapeutico- uma hygiene que não
pode ser observada nas Casas regidas pelo systema penitenciário'.

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19/07 - Quinta-feira - Tarde (14h às 16h30min)

José Licínio Backes - Universidade Católica Dom Bosco


A identidade cultural dos pobres na percepção dos não pobres: usando a díferença para justificar a desigual-
dade
O texto, fruto da tese de doutorado e da pesquisa docente vinculada ao Programa de Mestrado em Educação - UCDB
trata das formas de perceber a diferença do outro e como esta é usada para justificar a condição social dos
subalternizados. Embora isso não seja um fenômeno novo, haja vista o processo de colonização da América onde o
outro, (fosse ele indígena ou negro) foi dominado e explorado com a alegação de que não era plenamente humano,
observamos que no contexto atual, esta lógica està ganhando uma nova legitimidade levando ao entendimento de que
o pobre é pobre devido a sua incapacidade ou indolência, desconsiderando completamente o processo histórico da
construção das diferenças e desigualdades. Considerando a dimensão histórica da desigualdade e da produção das
diferenças, foi desenvolvida uma pesquisa com jovens não pobres, onde foi possível observar que para estes a dife-
rença está no não ser pobre (o que na verdade é um equívoco, pois se trata de uma desigualdade). A identidade do
sujeito pobre é vista como "sem cultura', imoral, perigosa, degenerada, repugnante, indolente, preguiçosa.
Palavras-chave: Cultura, diferença, desigualdade.

Fernanda Soares Cardozo - UFRGS


Uma mudança de perspectiva analítica- o "surgimento" dos pobres na Argentina contemporânea
Este trabalho pretende debater algumas das novas identidades surgidas na Argentina após o processo de privatizações,
demissões em massa e crise econômica da década de 1990. Uma mudança muito importante é o 'surgimento' de
pobres em uma sociedade até certo tempo igualitária e a dificuldade de assimilar sua existência. A 'questão social'
entra muito tardiamente na pauta de discussões do país, especialmente enquanto prevalece o mito do 'país rico'. Hoje
a sociedade e a academia tentam estabelecer novos critérios de demarcação no interior de um mundo popular que
implodiu. Dentre essas novas identidades estão os "novos pobres', categoria dos que pertenciam à classe média e
passaram à pobreza, e os 'piqueteros', integrantes de um movimento social colocados pelo governo ou pelos meios de
comunicação em muitos momentos como indivíduos perigosos, vagabundos, desordeiros, agressivos, violentos, se
insere dentro da tentativa de criminalizar o protesto social. A hiperinflação de 1989 teria marcado o final de um período
da história argentina que havia começado na sociedade peronista. Nos anos 80, o Estado deixa de vincular-se às
classes populares como produtores e começa a relacionar-se com elas como pobres.

Marcus Vinicius de Freitas Rosa - UFRGS


O que é bom não se mistura: carnaval das elites em Porto Alegre durante a década de 1930
Esta apresentação faz parte de uma pesquisa mais ampla sobre as relações sociais estabelecidas por ocasião das
festas carnavalescas em Porto Alegre, entre 1930 e 1961. Aqui, especificamente, trato de evidenciar os modos práticos
e simbólicos como as elites locais, em suas festas privadas ou em aparições públicas, pretendiam se diferenciar dos
outros grupos sociais. Com isso, busco evidenciar uma fronteira entre os carnavais das elites e os das classes subal-
ternas. Embora o carnaval seja um bem cultural comum a diferentes grupos sociais, os modos como ele é apropriado
por esses grupos podem ser geradores de distinções, fronteiras e hierarquias. Essa abordagem pode, portanto, ser
enquadrada como uma história social da cultura, onde a cultura é tomada como um campo de conflitos.

Marcelo Vianna
Do favoritismo ao esquecimento: os pedidos de auxílio público durante o Estado Novo no RS (1937-1945)
Nossa pesquisa se propõe, a partir da apresentação de petições de alguns grupos sociais da população rio-grandense
a partir do advento do Estado Novo no RS, compreender como essas parcelas utilizaram esse mecanismo de aproxi-
mação do poder, representado pela autoridade máxima do estado, na época, o Interventor Federal. A partir de uma
série de correspondências, telegramas e até simples "bilhetinhos' direcionados a Daltro Filho (e seus sucessores), os
pedidos muitas vezes foram instrumentos da população mais humilde em busca da solução de dramas pessoais
através da concessão de empregos públicos e auxílios financeiros. Mais do que pleitearem a interseção do governante,
elas expunham trajetórias de vidas e concepções de mundo aos quais compreendiam uma série de valores, condutas
e práticas dentro das relações de poder na sociedade rio-grandense durante o Estado Novo. Propomos, por fim,
contextualizar essas práticas com a reforma administrativa promovida pelo DASP, o qual intentava estabelecer uma
nova série de valores em prol de uma moralização administrativa (cuja síntese estava instituição do concurso público),
objetivando justamente o fim dos apadrinhamentos e assistencialismos vigentes.

Mariangela Vasconcelos Nunes - UEPB


Os trabalhadores do agave: entre a sujeição e a resistência
Pretendo discutir como a cultura do agave nos cariris velhos paraibanos, no período de 1937 a 1966 possibilitou a
reorganização das relações sociais, a partir de outra lógica do trabalho, marcada pela mecanização. esse elemento

110
provocara profundas mudanças no cotidiano dos lavradores. Embora, esses aceitassem essa cultura, uma vez que ela
representava o seu sustento material e a sua esperança de riqueza, eles também resistiram á disciplina imposta pela
@
13
mesma. Assim, identifiquei duas formas de resistência articuladas entre si. uma que denominei de "cultura da esperte-
za', isto é, um conjunto de táticas acionadas pelos trabalhadores para sabotar a disciplinarização. E outra, que se
expressava nas leituras que esses fizeram sobre o agave demonizando-o, inspirados em uma antiga profecia que faz
parte da cultura oral sertaneja, e nas suas experiências de trabalho.

I 20/07 - Sexta-feira - Tarde (14h ás 18h) I .~


co
'u
o
Carlos Engemann - USS ~
Estudo de alguns elementos identificadores da desigualdade entre escravos de comunidades cativas do su- ~
deste brasileiro do século XIX ~
O presente estudo se dedica à identificação e estudo de elementos cotidianos que expressaram a hierarquização entre ~
os cativos de grandes escravarias do sudeste brasileiro. Baseando-se em inventários post-mortem e levantamentos .~
administrativos, por meio de metodologia essencialmente quantitativa, inventariou-se signos da diferenciação e desi- ~
gualdade intracativeiro. Aspectos da vida cotidiana e da cultura material foram interpretados como formas de expressar ~
a hierarquia social e a existência de uma complexa rede de relações políticas dentro dos plantéis. Por outro lado, a ~.
~
existência e variação na complexidade de tais aspectos, são tomados como referência para o nivel de complexidade ..'!:2
da própria estrutura comunitária cativa. i:5

Alberto Moby Ribeiro da Silva - USS


De escravo a soldado: a campanha dos Voluntários da Pátria no Vale do Paralba tiuminense
Nos primeiros anos da Guerra do Paraguai escravos recém-libertos eram enviados á frente de batalha em substituição
aos guardas nacionais provenientes de famílias abastadas ou para preservar guardas em seus postos nos municípios
escravistas. Quais as implicações dessas medidas do Estado imperial no sentido de garantir a consecução da guerra,
ainda que, eventualmente, indo contra interesses privados? Sendo o periodo de máxima produtividade na vida do
escravo de cerca de 12 anos, aproximadamente entre os 18 e os 30 anos, a queixa mais freqüente dos fazendeiros do
Vale do Paraiba fluminense era a da falta de mão-de-obra para o trabalho no campo, sendo esta a principal razão para
o desaparecimento gradativo de pequenas fazendas e sitias na região. Portanto, não seria de se estranhar se tivesse
havido alguma resistência ao envio de escravos á guerra e, paralelamente, forte repressão a tentativas de fuga de
escravos que porventura vissem no engajamento como Voluntários da Pátria altemativa mais promissora do que o
trabalho no eito. No entanto, como justificar a negação ao 'chamado da Pátria' para 'lavar a afronta aos brios nacio-
nais' perpetrada pelo "tirano do Prata' contra a nação brasileira? Que alternativas podem ter ocorrido no Vale do
Paraiba para enfrentar esta questão?

Marcelo Antonio Chaves· UNICAMP


"Raça" e classe: informações a partir de um estudo de caso, 1925-1940
Este artigo apresenta e analisa dados extrai dos de centenas de fichas de registro de trabalhadores da primeira grande
fábrica de cimento do Brasil, do periodo de 1925 a 1940, no Estado de São Paulo, a partir das quais, são postas em
perspectiva comparativa algumas informações sobre condições de trabalho de negros e brancos. O objetivo central é
verificar as disparidades sociais entre os grupos, inserir os resultados naquele contexto histórico e analisá-los á luz do
debate teórico que se desenvolveu em torno da questão da discriminação do negro na sociedade brasileira. Trabalho
fabril em São Paulo e aspectos raciais serão, portanto, discutidos a partir de informações empiricas reveladas de um
crucial momento histórico no Brasil.

Mozart Unhares da Silva - UNISC


Identidade Cultural, Etnicidade e Educação na Região do Vale do Rio Pardo
O objetivo desta comunicação é apresentar alguns dos resultados da análise acerca do processo de construção das
narrativas identitárias, sobretudo étnicas e culturais, no ambiente escolar da Região do Vale do Rio Pardo, nomeada-
mente nos municipios marcados pelo discurso identitário germânico. Problematiza-se, neste processo, os mecanis-
mos de subjetivação dos sujeitos afro-descendentes e as estratégias de visibilidade/invisibilidade sociais dai advindas
bem como o papel da educação, sobretudo o ensino de história, na fixação e naturalização das identidades. A partir de
dados recolhidos em entrevistas semi-estruturadas e questionários aplicados junto a docentes (na maioria professores
de história) e discentes das escolas foi instrumentalizado o método de análise de discurso, o que permitiu identificar
uma série de enunciados e dispositivos que norteiam as relações interétnicas no ambiente escolar; relações estas
caracterizadas pela hierarquização social, étnica e cultural, revelando ainda uma complexa relação entre pertencimento
identitário e racialização da alteridade.

111
Petrônio José Domingues - UFSE
Associação Cultural do Negro (1954-1976): um esboço histórico
Embora a escravidão já tivesse sido extinta a mais de meio século, o negro continuava sendo vitima de preconceito e
discriminação raciais em São Paulo, na década de 1950. No mercado de trabalho, ele era um dos últimos a ser
contratado pelas empresas e um dos primeiros a ser demitido. No campo educacional, enfrentava problemas crônicos,
como o do analfabetismo, evasão e repetência. Na área do lazer, era impedido de entrar em determinadas casas
noturnas e de se associar a alguns clubes. Para se contrapor a esse quadro de violação ou restrição de direitos, as
pessoas de ascendência africana fundaram aAssociação Cultural do Negro (ACN) em São Paulo, em 28 de dezembro
de 1954. A proposta desta pesquisa é, primeiro, recuperar a experiência de sujeitos coletivos ainda pouco visiveis na
historiografia brasileira; segundo, fazer uma análise do jornal da organização, O Mutirão. A Associação Cultural do
Negro desenvolveu muitas ações de caráter recreativo e, principalmente, cultural (como bailes, festivais, apresenta-
ções teatrais, musicais, declamações poéticas, palestras). A idéia principal é demonstrar que as práticas culturais
encampadas pela ACN não eram concebidas como um fim em si mesmo; pelo contrário, tratavam-se antes de um meio
de conscientização e mobilização racial.

Wlamyra Ribeiro de Albuquerque - UEFS


"Risque-se o termo escravo, conserve-se a palavra senhor": identidades e cidadania negra na época da aboli-
ção
Resumo: O objeto desse trabalho é o processo de racialização das relações sociais no processo emancipacionista no
Brasil. Considerando que a racialização e a abolição se constituiram de modo intrinseco na sociedade brasileira,
proponho a análise das estratégias políticas e culturais de preservação de hierarquias sociais que marcaram o fim da
escravidão, assim como a construção de identidades raciais nas duas últimas décadas do século XIX. Diversos perso-
nagens se envolveram nesse jogo que recriava hierarquias e constituía lugares sociais a partir do critério racial: conse-
lheiros do império, autoridades policiais, acadêmicos, abolicionistas, líderes republicanos, carnavalescos e intelectu-
ais negros, dentre outros. A pesquisa resulta do interesse pelas várias concepções de cidadania negra que ganhavam
visibilidade nos projetos e ações desses sujeitos sociais na década de 1880. Entretanto, neste trabalho trato especifi-
camente da atuação política de Rui Barbosa, um liberal, abolicionista e republicano que teve papel de destaque no
desfecho da sociedade imperial e escravocrata. Para tanto utilizo como fontes a correspondência policial da província
da Bahia, discursos, fotografias, textos jornalísticos e a correspondência particular de Rui Barbosa.

Eliane de Mello - Unisinos


"Estopim aceso nesta cidade que ainda vive o 'Neu-Württemberg .. .'''
Este artigo procura analisar as relações estabelecidas entre sociedade receptora e migrantes, especialmente as que
se referem á incorporação dos novos moradores ao lugar de destino. Para tanto, toma-se como objeto empirico ás
relações entre os dois grupos na cidade de Panambi/RS (antiga colônia Neu-Württemberg), na década de 1970. For-
mada por (i)mígrantes/descendentes de alemães e luso-brasileiros, a localidade viveu um processo conflituoso de
construção de identidade, o qual resultou numa suposta hegemonia econômica, cultural e política do grupo étnico
alemão. Todavia, na década de 70 o seu rápido desenvolvimento econômico desencadeou uma migração em massa
para a localidade, a qual possibilitou a posterior desestabilização dessa estrutura, tanto pelo conflito gerado pelas
diferenças culturaís, quanto pelo processo de urbanização desencadeado a partir desse período. Essas transforma-
ções refletiram-se na atitude defensiva da sociedade receptora, que intensificou sua busca por paradigmas identitários
calcados nos "valores' do grupo étnico alemão e voltados para a prOdução da diferença, Jedefinindo as fronteiras
étnicas.

Ana Maria leal Almeida - USS


Familias de Elite: Parentela, Riqueza e Poder no Século XIX.
Este estudo contribui para a construção da história de algumas famílias de elite em Vassouras, procurando determinar
as formas de inserção desses grupos na sociedade e como se cristalizou o seu poder pessoal seja político ou financei-
ro. Está restrito ao século XIX e se apóia principalmente em levantamento da documentação existente no Centro de
Documentação Histórica da USS, no Museu Casa da Hera e na Casa da Cultura Tancredo Neves, locais depositários
de fontes em Vassouras. Confronta e analisa, também, a historiografia relativa à região de Vassouras, constante tanto
de livros já publicados, quanto de teses acadêmicas de mestrado e doutorado defendidas nas universidades brasilei-
ras e estrangeiras. Tem sua relevância principal na busca de reconstruir a sociedade escravista fluminense a partir da
observação do conceito de família de elite sustentado pelo tripé: a parentela; a riqueza e o poder político.

112
14. Dimensões e dinâmicas da conquista e da evangelização na América: séculos XVI a XIX
Fernando Torres-Londoíio (PUC-SP) e Eliane Cristina Deckmann Fleck (UNISINOS)

16/07 - Segunda-feira - Tarde (14h às 18h)

Maria Cristina Bohn Martins - Unisinos


A Relação que escreveu Fr. Gaspar de Carvajal, Orden de Santo Domingo de Guzmán, do novo descobrimento
do famoso Rio Grande (1540)
Entre os anos de 1541-42, acompanhado de pouco mais de 50 homens, F. de Orellana realizou a primeira navegação
completa do Amazonas, desde os Andes equatorianos, até sua desembocadura no mar. Com o objetivo de "servir a Su
Majestade", a expedição saiu de Quito, sob a chefia de G. Pizarro, motivada 'por la mucha noticia que se tenia de una
tierra donde se hacía canela". A 'Relação" da viagem, escrita por G. de Carvajal, permite perceber que este objetivo
seria logo ultrapassado pela busca desesperada por alimentos, e que os sofrimentos suportados se transformariam no
melhor serviço a ser ofertado à Monarquia, tema que nossa análise pretende explorar.

Anderson Roberti dos Reis - USP


Narrativas da conversão cristã na Nova Espanha do século XVI: interpretações, variações e descontinuidades
O tema da cristianização acompanhou de perto os debates em tomo da colonização da América. O objetivo desta
comunicação é discutir o problema da conversão cristã na Nova Espanha do século XVI. Em especial, nós queremos@4
trazer à tona as interpretações dadas a esse processo, bem como as variações e descontinuidades nas narrativas dos
frades que participaram ativamente da catequese. Nosso enfoque será nos textos dos frades franciscanos, notada-
mente nos relatos de Frei Toribio Motolinía. Desse modo, acreditamos poder esboçar algumas hipóteses que nos
auxiliem na compreensão da evangelização da América e, por conseguinte, das relações e dinâmicas estabelecidas
entre os integrantes da incipiente sociedade hispano-americana.

Luis Guilherme Assis Kalil - UNICAMP t;


Uma conquista sem santos: a ausência da Igreja na crônica de Ulrico Schmidl 'g.
Análise da crônica de Ulrico Schmidl, soldado bávaro que veio para o Novo Mundo em 1535 na esquadra comandada 8
por Pedro de Mendoza. Em sua 'Viaje ai Rio de la Plata' Schmidl ignora a presença dos clérigos católicos e as .g;
justificativas religiosas para o contato com os indígenas, apontando a busca por metais preciosos como o objetivo das ~
expedições realizadas. Esse silêncio fica evidente quando sua crônica é comparada com outras obras do periodo, .~
como as de Alvar Núiiez Cabeza de Vaca e Domingo Martínez de Irala, que enfatizam a busca pela 'salvação' dos 'ê
nativos e a influência dos clérigos nas expedições. A ausência da Igreja relaciona-se também com a provável conver- 'Õ
são de Schmidl ao protestantismo após sua volta á Europa, tomando-se assim uma forma de criticar os rumos da ::;
conquista comandada pelos católicos espanhóis. .5!
c::
c.>

Bruno Abrantes Amorin ~


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Feitos de Mem de Sá sobre os nativos: extermínio, escravidão e submissão indígena nos fins do século XVI
No século XVI, a instituição do Govemo Geral foi uma das medidas tomadas pela Coroa Portuguesa para unificar e
pacificar a sua colônia americana, fornecendo apoio bélico às capitanias, assumindo as que foram abandonadas e
trazendo os primeiros jesuitas. Contudo, mesmo com este apoio, os colonos enfrentavam ataques de tribos nativas
inimigas e a revolta das aliadas contra o trabalho nos engenhos, destruindo-os e vilas e matando vários colonos e
religiosos, dando espaço também para a presença francesa na baia da Guanabara que ameaçava dividir ao meio a
colônia, acabando com suas possibilidades de prosperidade. Aescolha de Mem de Sá para assumir o cargo de Gover-
nador Geral em 1557 vem atender as necessidades desta naquele momento: combater os nativos que faziam guerra
aos lusitanos, seja subjugando-os, exterminando populaçôes, escravizando-os ou aldeando-os. Como o mesmo narra
em diversos momentos em seu Instrumento de Serviços e suas cartas, ou no poema de Anchieta sobre este. Este
processo de submissão é o um dos principais fatores para a redução das populações nativas no litoral brasileiro nos
fins do século XVI, que foram exterminadas em combate ou posteriormente, vitimados por doenças as quais não
possuíam defesas, ou fugiram para o interior para não serem subjugados.

Edneila Rodrigues Chaves - UFF


Identidades culturais na América portuguesa
Na região norte da capitania das Minas, as incursões de caráter colonizador promoveram contato entre portugueses e
nativos. Partindo do litoral, os colonizadores se aventuraram pelo interior - denominado de sertão - com representa-
ções já construídas para esse território: era um lugar no qual se poderiam encontrar riquezas, mas era distante e não
colonizado. Lugar habitado por índios selvagens e animais bravios. Achegada de portugueses em áreas ocupadas por

113
nativos resultou em intensos confrontos entre ambos os povos. Pretensamente civilizados, os colonizadores objetiva-
ram civilizar e catequizar os indigenas, com a compreensão de que a cultura destes era extensão menor da cultura
européia. Por isso, foram vistos como bárbaros. Nesse contato de matrizes culturais distintas, as relações foram
conflitantes e acomodativas também. Práticas culturais diferenciadas foram desenvolvidas em um mesmo território,
promovendo um processo de sobreposição, mestiçagem e influência de costumes e de hierarquização de culturas.

Fernando Torres·Londono - PUC·SP


Os jesuítas e a cristianização dos tupis nas missões de Maynas
Na segunda metade do século XVII, missionários das missões de Maynas introduziram o cristianismo entre povos de
lingua tupi, localizados nos rios Huallaga, Ucayali e Amazonas. Temidos pelos seus vizinhos e pelos europeus que
transitavam a região, povos como os Cocamas e os Omaguas, foram trazidos para o cristianismo e cumpriram impor-
tante papel na afirmação espacial das missões. Que situações e mudanças demográficas, regionais e culturais pode-
riam explicar a aproximação duradoura entre missionários e povos considerados de dificil redução? Que tipo de pratica
missionária seria adotada pelos jesuitas que fizeram tal aproximação? No marco de estas indagações, esta comunica-
ção se propõe identificar nos missionários que atuaram com os tupis, traços que marcaram sua dinâmica de contato
com um caráter diferenciado, que lhes permitiu transitar culturalmente entre o projeto missionário e o universo indige-
na. Crônicas missionárias e registros da época serão utilizados como fontes.

Artur Henrique Franco Barcelos· UCS


Os "Embaixadores" indígenas dos jesuítas na exploração e evangelização em territórios americanos
Os missionários da Companhia de Jesus foram executores e promotores de uma evangelização em larga escala no
continente americano. Entre os séculos XVI e XVIII, exploraram áreas onde o contato entre indígenas e europeus era
apenas incipiente. Neste proceder, valeram-se do auxilio de indígenas que detinham os conhecimentos necessários
não apenas para estabelecer os contatos com grupos locais, mas também para os deslocamentos em regiões geográ-
ficas inacessíveis para missionários solitários. Desta forma, estes mediadores culturais exerciam múltiplas funções.
Encarregavam-se de passar as primeiras mensagens sobre os objetivos religiosos dos jesuitas; e guiavam as expedi-
ções exploratórias, garantindo a sobrevivência dos missionários frente á uma geografia, fauna e flora desconhecidas.
As fontes documentais escritas e cartográficas produzidas pelos jesuitas, embora marcadas pelos interesses particu-
lares de êxitos na ação evangelizadora, permitem uma aproximação com estes 'embaixadores' e 'guias', fundamen-
tais para a expansão da ação missionária da Companhia de Jesus na América colonial.

Inez Garbuio Peralta - FFLCH e Vara Kassab • : FINTEC e Uniítalo


O desvelar das interações cotidianas entre jesuítas e indígenas brasileiros, no século XVI: privilegiando o
lúdico
Pretende-se neste trabalho, analisar os espaços onde culturas dispares se encontram, se chocam e se entrelaçam,
freqüentemente em relações assimétricas de dominação e subordinação, tratando-se as relações entre jesuitas e
indígenas, não em termos de separação ou segregação, mas em termos de presença comum, interação, entendimento
e práticas interligadas. Busca-se resgatar demonstrações de alegria, senso de humor e de praticas lúdicas na cateque-
se jesuítica no Brasil do século XVI. Os jesuítas ao observarem as práticas dos indígenas brasíleiros, tais como o
canto, a dança, os jogos mímicos, e os discursos, decifram os códigos lúdicos dessas atividades, utilizando-as para
introduzir nas aldeias a religião cristã e a cultura européia representadas, ambas, pela coroa portuguesa. Logo que os
jesuítas aportaram nas terras brasileiras, munidos de um instrumental pedagógico, adrede preparado, preocuparam-se
em colocar em açâo a míssão inaciana no Brasil colônia, isto é educar e catequizar, utilizando-se da ludicidade. A
analise desta pesquisa se estrutura a partir dos estudos fundamentados em: cartas, informações, fragmentos, sermões
e poemas jesuíticos.

Antonio Oari Ramos - URI/Santo Ângelo


Negros, índios e brancos no discurso jesuítico dos séculos XVII e XVIII
Qual o tratamento dado pelos jesuítas nos relatos acerca do trabalho missionário realizado na Provincia Jesuítica do
Paraguai nos séculos XVII e XVIII ás relações étnico-raciais de negros, índios e brancos? Para responder a esta
questão, as fontes pesquisadas foram as crônicas, as correspondências dos missionários remetidas da América para
Roma, as Cartas Anuas, e os documentos da Ordem. A perspectiva historiográfica adotada é e da Nova História
Cultural, priorizando-se o diálogo entre História e Antropologia e as atuais discussões sobre o multiculturalismo.

114
17/07 - Terça-feira - Tarde (14h às 18h)

Eliane Cristina Deckmann Fleck - Unisinos


A conversão em três tempos: narrativa e experiência Jesuítica na Províncía Jesuítica do Paraguai
As experiências cotidianas vividas pelos Guarani e pelos missionários jesuitas nas reduções da Provincia Jesuítica do
Paraguai, registradas nas Cartas Ânuas, foram alvo - simultaneamente - da evocação de um passado condenável e de
um futuro promissor, determinando - em grande medida - o tratamento dado pelos missionários narradores ao tema da
conversão, ora exitoso, ora comprometido pelo retorno insistente do passado no presente. A análise que empreende-
mos da documentação jesuítica nos permite refletir sobre o impacto dessas experiências no exercício do apostolado
jesuitico e sobre a construção discursiva acerca da conversão dos indigenas Guarani. Tomando como referência três
momentos distintos da atuação missionária jesuítica na Província Jesuítica do Paraguai, esta comunicação considera-
rá não somente as prescrições normativas a que estavam sujeitas as Cartas Ânuas e os contextos políticos - marcados
por suas especificidades - nos quais atuaram, mas também a interferência da dimensão humana do misisonário-
narrador nas narrativas sobre a conversão.

Eduardo Santos Neumann - UFRGS


"Letra de índío": cultura escrita e memória indígena nas reduções- século XVIII
A prática da escrita entre os guaranis foi acentuada a partir da celebração do Tratado de Madri, em 1750. A permuta de
territórios sul-americanos, por parte das monarquias ibéricas, implicou em novas funções a cultura letrada indígena
nas reduções. Em meio à expressiva produção de cartas oficiais, com eminente caráter político-administrativo, e de
comunicação pessoal -através de bilhetes-, alguns guaranis aventuraram-se em uma escrita com características de
@
14
um relato. A elite letrada guarani recorreu a escrita tanto para transmitir informações, quanto para fixar determinados
fatos considerados dignos de memória. Em certo sentido, escrever havia assumido entre os índios letrados a condição
de um testemunho que imaginavam não seria superado facilmente. O interesse indigena em deixar registros de suas
experiências e inquietações demonstra como escrita e memória estavam imbricadas no cotidiano da população missi-
oneira. No século XVIII os guaranis letrados escreveram com freqüência e, por vezes, com maior desenvoltura do que {g
os colonizadores hispano-americanos. Q)

Beatriz Helena Domingues - UFJF


Platão e os Guaranis: uma análise da obra de Joseph Perramás à luz das utopias européias renascentistas e
das teorias ilustradas sobre o Novo Mundo

~t~~if:~:~:~c~~~is~:s(~~~su;g~~~~~l~~ ~b~~~eo:~~~s~toss t~~~~:d~~ ~i~;~~~u~~~~u~u~~~~~~~~~~~e~e~~: ~~ .;


nham por pressuposto e conclusão a inferioridade da América em relação à Europa. Diferentemente dos autores .~
renascentistas o autor enfatiza a veracidade do seu relato sobre a experiência civilizadora dos jesuítas entre os guara- ~
nis devido à sua longa vivência entre eles. Esta mesma vivência foi o argumento central utilizado pelo jesuíta ao reagir ~
contra os escritos dos 'filósofos de gabinete' europeus contemporâneos a ele, como Cornelius de Pauw e Raynal. .~
Enfatizo entretanto, neste texto, o pertencimento do autor ao pensamento ilustrado por ele criticado expresso, por E
exemplo, na coexistência em seus escritos uma crítica à Ilustração européia e uma adesão a alguns de seus princípios i:5
mais caros, como a oposição civilização/barbárie.

Luiz Estevam de Oliveira Fernandes· UNICAMP


A invenção de Anáhuac: a memória indígena e a conquista na Nova Espanha do XIX
Neste trabalho, comparamos duas importante obras escritas no XIX sobre a Nova Espanha: o "Ensayo Político de la
Nueva Espana' (1811), de Alexander von Humboldt, e "Historia de la revolución de Nueva Espana .. ,' (1813), de Frei
Servando Teresa de Mier. Os dois livros, o primeiro escrito por um europeu em terras mexicanas, e o segundo, feito por
um mexicano exilado na Europa, foram muito influentes para os ideólogos da nascente nação mexicana nos anos que
se seguiram às lutas de independência, e acabaram por eleger memórias que se consolidaram na historiografia se-
guinte e por relegar ao silêncio algumas que outrora haviam sido importantes para entender a Nova Espanha. Nessa
comunicação, procuramos analisar a construção da memória indígena e da conquista para seus autores, bem como o
impacto dessas edificações para a historiografia sobre o período colonial.

Bruna Rafaela de Lima· Unísinos


Os jesuítas no processo de conquísta da Capítanía do Rio Grande - os olhares de Tavares de Lira e Cãmara
Cascudo
A historiografia clássica norte-rio-grandense, responsável pela escrita da história do período colonial do Rio Grande do
Norte, tratou da atuação jesuitica como um elemento propiciador da colonização, apresentando os missionários inaci-
anos como plenamente identificados com a atuação dos colonos. Um dos indicios dessa percepção se evidencia no
uso de determinados conceitos como os de catequização e pacificação, a eles atribuidos e que reduziram o papel dos

115
jesuítas a um prímeíro momento do processo de colonização, obscurecendo toda uma complexidade que caracterizou
o período posteríor. Nesta comunicação, analisamos os discursos de Augusto Tavares de Lira e Luís da Câmara
Cascudo sobre a atuação jesuítica no Rio Grande do Norte durante o período colonial. A opção pelas obras dos dois
historiadores recai sobre o fato de que ambos são naturais do estado e se propuseram a escrever uma história-síntese
que aínda hoje influencia a produção local. Nossa intenção é, portanto, a partir de uma releitura das obras 'História do
Rio Grande do Norte', datadas de 1921 e 1955, respectivamente, verificar se Tavares de Lira e Câmara Cascudo
perceberam - em algum momento - os inacianos como mediadores culturais, no processo de Conquista da Capitania
do Rio Grande.

Luciano dos Santos Teixeira -IPHAN


Os Jesuítas no Espelho da Nação: o patrimônio jesuítico em Gilberto Freire, Sérgio Buarque de Holanda e Caio
Prado Jr.
O processo de colonízação e evangelização da América Portuguesa por parte da Companhia de Jesus gerou, desde o
início da historíografia brasileira, intensas discussões a respeito não somente do impacto de sua ação em nossa
história, mas também dos dilemas da formação de nosso estado-nação. A historiografia brasileira tem se utilizado,
muitas vezes, do estudo do legado jesuítico como um espelho pelo qual analisa os diversos modelos de formação
nacional propostos para o país. As obras clássicas de Gilberto Freire (Casa Grande e Senzala, 1933), Sérgio Buarque
de Holanda (Raízes do Brasil, 1936) e Caio Prado Jr. (Formação do Brasil Contemporâneo, 1942), sob perspectivas
diversas, ao renovarem a historiografia brasileira. proporcionaram também novos enfoques sobre este legado, questi-
onando a maneira pela qual os jesuitas eram tradicionalmente encarados: como formadores da nação, no mesmo
momento em que era críada pelo governo brasileiro uma instituição voltada para a defesa e promoção do patrimônio
histórico e nacional: o SPHAN, em 1937. O confronto entre essas abordagens distintas em relação à herança deixada
pelos soldados de Cristo durante o processo de colonização, marcaria uma nova visão sobre o patrimônio jesuítico.

Cíntia Régia Rodrigues - UCS


Os nativos sob a luz da modernidade: a política indigenista sul-riograndense na "era do progresso" no século XX
O presente trabalho tem como objetivo analisar as políticas públicas empreendidas pelo Estado do Rio Grande do Sul
para com as populações nativas, entre 1908 a 1928. O progresso neste período no país foi permeado principalmente
a partir de novas teorias filosóficas advindas da Europa, como o darwinismo, o spencerianísmo, o liberalismo, e princi-
palmente o posítívismo. Para Berman a modernidade pode ser entendida como um conjunto de transformações, expe-
riências quinhoadas pela sociedade, a partir de diversas e contínuas mudanças no cenário capítalista. Desta forma,
pretende-se apresentar o ideal de progresso no Estado Gaúcho para com os nativos, em especial, objetíva-se visuali-
zar a prática da proteção fraternal aos nativos, sob a égíde dos ideá rios comteanos que permeavam a política indige-
nista sul-riograndense. sendo que estes, eram contrários que os religiosos se encarregassem dos indígenas.

Josemary Omena Passos Ferrare - UFAL


O partido triádico enquanto indutor da "colonização" religiosa: análise espacial e de festejos tradicionais em
Marechal Deodoro-Alagoas
Configurar espacial idades para disciplinar comportamentos constituiu-se estratégia do Projeto Colonizador Português
para a ocup'ação do litoral brasileiro movido, dentre outras condicionantes político-econõmicas, pelo empenho de
difundir a FE Cristã, o que lhe fez condicionar a disposição do edifícío - igreja 1largos 1enfileirados bilateral de casas
como um 'partido triàdico', propiciador da assimilação da doutrina a partir da prevalência cênica das igrejas e disposi-
ção favorável para a realização de procissões ditadas pela conjunção Estado - Igreja, tanto para os aldeamentos
missionários como para os núcleos que se urbanizavam. Sob uma análise de tal ascendência da religião dos coloniza-
dores enfoca-se a ex-Alagoas do Sul da Capitania de Pernambuco (atual Marechal Deodoro) para discorrer sobre o
quanto a sua forma urbana e a permanência da ritualística de festas religiosas e folguedos tradicionais evidenciam a
tônica Contrareformista que impingiu à sociedade em formação, ao longo dos séculos XVII- XIX, não apenas o mesmo
calendário lítúrgico, mas também, o modelar de parâmetros espaciais que lhe impulsionariam o ideário de convencer
consciências e nivelar comportamentos para engajar as três etnias coexistentes: índios, brancos (colonos) e negros,
nesta empresa do COLONIZAR.

I 18/07 - Quarta-feira - Tarde (14h às 18h)

Ana Raquel Marques da Cunha Martins Portugal- UNESP/Franca


Transformações do ayllu andino como reflexo de uma sociedade mestiça
O ayllu tem sido analisado com o intuito de se encontrarem as bases estruturais da atual comunidade indígena perua-
na, sendo que a palavra comunidade tem sua origem no período colonial, quando os espanhóis criaram as reduções
ou comunidades de índios, que eram territórios demarcados para atender às necessidades produtivas da Coroa. Os

116
primeiros trabalhos sobre esse assunto tratavam basicamente de sua origem e desenvolvimento até o período incaico.
A princípio, o ayllu foi definido como uma unidade de organização social ligada por laços de parentesco de origem
totêmica e que explorava coletivamente a terra. No início da colonização espanhola o ayllu prosseguiu com as mesmas
características, porém ao ser inserido num novo sistema político-administrativo as foi perdendo e já no século XVIII
passa a ter uma acepção territorial, quando esse termo é trocado pelo vocábulo 'barrio'. Essa mudança de terminolo-
gia expressa a influência da sociedade mestiça que se formava e também um distanciamento das formas de organiza-
ção política herdadas do incário.

Mirian Carbonera - Universidade Comunitária Regional de Chapecó


A Tradição Tupiguarani no alto Rio Uruguai
O trabalho objetiva discutir a Tradição Tupiguarani noAlto Rio Uruguai. Pesquisas arqueológicas realizadas durante as
últimas cinco décadas, especialmente por Schmitz (1957,1978). Rohr (1966), Piazza (1969,1971) e Goulart
(1980,1985,1989,1995,1997), revelaram que o Rio Uruguai foi o principal meio utilizado por esses grupos para povoar
a região. Notadamente percebemos variações regionais através da cultura material encontrada em centenas de sítios
arqueológicos, que estão distribuídos, especialmente nas subtradições: corrugada, pintada e escovada. A principal
fonte de dados deste trabalho, são as informações encontradas na bibliografia arqueológica produzida sobre o Alto
Uruguai e principalmente através da 'Coleção Marilandi Goulart'. O recorte selecionado, recai sobre a região atingida
pela UHE-Itá, que compreende os municípios de Ita, Concórdia, Ipira e Piratuba, onde nota-se uma variação cultural
expressa na mudança do estilo corrugado, até ali predominante, para o estilo escovado, ao que tudo indica, o limite de
ocupação da Tradição Tupiguarani e os primeiros contatos com os colonizadores europeus.

Amo Alvarez Kem - PUCRS @


Do pré-urbano ao urbano: a cidade missioneira colonial e seus territórios
Este é um estudo das aglomerações urbanas ibero-americanas coloniais fundadas por missionários no Rio da Prata,
na transição das aldeias ao urbano, a partir de suas origens históricas indigenas e européias. Interpretar a transição
das formas pré-urbanas às formas urbanas significa, antes de tudo, tentar compreender quando uma etnia e seus .g;
grupos sociais tornam-se sedentários e passam a se identificar em termos de uma identidade comunitária. A resposta
a esta questão não é nada simples, nem para arqueólogos e nem para historiadores. Entretanto, existem indicios sobre ~
o crescimento e o desenvolvimento destas novas aglomerações urbanas que podem ser obtidos na documentação 'g.
histórica e na cultura material remanescente. §
'"'co
Luis Alexandre Cerveira . Unisinos ~co
As paixões e a cidade platina: o urbano como espaço de transgressão (Assunção e Buenos Aires, primeira .~
metade século XVIII) <g?
Neste trabalho, nos propomos a refletir sobre as paixões - do corpo e da alma - vividas pelos colonos platinos, em 'Õ
especial, daqueles residentes nas maiores cidades do Prata na primeira metade do século XVIII. Paixões estas que ~
foram alvo do discurso missionário jesuíta, fortemente marcado pelo combate às paixões e pelo regramento dos com- .~
portamentos. Interessa-nos avaliar as reações dos colonos a esta pregação, isto é, se cumpriram fielmente às determi- ~
nações eclesiásticas ou se continuaram vivenciando suas paixões de forma clandestina; se enfrentaram e afrontaram ~
publicamente as decisões da Igreja ou viveram suas paixões de uma forma diferente, a partir de sua ressignificação.
Entre os muitos fatores que devem ser considerados, destacamos a ausência de privacidade - moradias muíto próxi-
mas - e o intenso fluxo de pessoas nos diversos espaços urbanos de sociabilidade ,e que, oportunizaram vivências
diferentes daquelas pensadas e propostas pela pregação de controle e supressão das paixões pelos jesuítas. Deve-
se, ainda, considerar, que a maior 'publicidade' da vivência das paixões provocou a ruina de muitos colonos - homens
e mulheres -, mas também aproximou espanhóis, criollos, negros, índios e mestiços sob a marca da dissimulação, da
transgressão e do pecado, enfim das paixões.

Sonia Maria Fonseca - UNICAMP


A formação para o trabalho na Companhia de Jesus no Brasil Colônia (1549-1759)
Esta comunicação tem como tema a questão da formação para o trabalho na Companhia de Jesus, sob a ótica das
relações entre educação e trabalho, encerrado entre as datas-balizas de 1549, com o estabelecimento da ordem
religiosa e 1759, quando da sua expulsão, período esse marcado por uma estrutura econômica e um sistema escravis-
ta que não se alteram substancialmente na sociedade colonial brasileira. Tal análise é feita a partir de fontes primárias
existentes no Archivio Storico della Compagnia de Gesu (Archivum Romanum Societatis lesu - ARSI) e na Biblioteca
dell' Istituto Storico, em Roma, e das obras dos cronistas da ordem inaciana, como Crônica da Companhia de Jesus no
Estado do Brasil, do Pe. Simão de Vasconcelos (c. 1596-1671), Cultura e Opulência do Brasil, de André João Antonil
(1649-1716) e Artes e Ofícios dos Jesuítas no Brasil (1549-1760), do Pe.Serafim Leite (século XX), além das cartas
jesuiticas dos padres Manoel da Nóbrega, José de Anchieta e Azpilcueta Navarro (século XVI), escritas nos chamados
tempos heróicos (1549-1570).

117
Dalila Zanon - Unicamp
<IA missa e a fábrica: tentativas de controle dos espaços das igrejas pelos bispos coloniais paulistas (1745-
1796)"
Segundo John Bossy, a partir do Concílio de Trento houve a intenção da Igreja em canalizar as atividades religiosas
para o espaço das paróquias, Partindo dessa assertiva analisaremos as tentativas de controle dos espaços das igrejas
pelos três primeiros bispos de São Paulo colonial. Os documentos que serão apresentados são as cartas pastorais dos
bispos e os registros das visitas pastorais das freguesias, Focalizaremos dois aspectos: primeiro, a igreja, especial-
mente a missa dominical, como espaço e momento privilegiado de doutrinação dos fiéis, inclusive com a tentativa de
imprimir uma espiritualidade que ultrapassasse as atividades exteriores da fé, Segundo, a igreja como lugar de super-
visão e controle episcopal passando pela administração das rendas e do patrimônio das igrejas e capelas depositados
em suas fábricas. Tais aspectos, fazem parte, a nosso ver, do esforço da Igreja em implantar a reforma tridentina no
território colonial, privilegiadamente a partir do século XVIII.

Patricia Carla de Melo Martins - FAECA


O ensino secundário na província de São Paulo e os capuchinhos franceses (1854-1879)
A presente exposição tem como propósito discutir os aspectos do catolicismo da Província de São Paulo que se
organizaram por intermédio do Seminário Episcopal. Discussão esta que perpassa o processo de criação do Seminá-
rio na cidade de São Paulo, o sistema educativo adotado, permeado pela aplicação de uma Filosofia Teológica produ-
zida na França no final do século XIX, O Seminário compactuou com a primeira fase de um desenvolvimento intelectu-
al brasileiro em que a elite política passa a ser configurada por intermédio dos cursos profissionalizantes, entrando em
contato com os conteúdos eruditos que se desenvolveram na Europa reinterpretados dentro da realidade brasileira.
Naquele contexto o Seminário de São Paulo se tomou um representante da tradição e do conservadorismo, concate-
nando interesses políticos da monarquia de Pedro 11, de uma ala do clero paulistano, dos capuchinhos franceses de
Savóia e do Vaticano, O Seminário proporcionou, ao longo da segunda metade do século XIX e início do século XX, a
manutenção dos conceitos teológicos, colaborando com as continuidades da legitimidade cultural do catolicismo na
organização do Estado Moderno Contemporâneo brasileiro,

Patrícia Ferreira dos Santos - USP


A ação pastoral nas Minas sob o Padroado Régio; convergências e divergências
Pretendemos analisar, em nossa comunicação, as diferentes situações de impasse na ação pastoral da Igreja, cujos
bispos vira-se por vezes entre um Sentir com o Reino e um Sentir com a Igreja.A ação pastoral nas freguesias setecen-
tistas de Minas deixou evidente preocupação em promover o culto católico tridentino. Paralelamente, teria se pautado
por diretivos que, conforme classificou Fernando Torres-Londofio, representavam sua consonância com o ambiente
politico da época: o Sentir com o Reino, Este diretivo dever-se-ia ás circunstâncias do Padroado, direito que acabava
por levantar questões políticas bastante melindrosas e que pressionavam os agentes da Igreja a tomarem posições,
por vezes, em momentos de ebulição. O bispo vir-se-ia, então, dividido entre suas próprias convicções ou simpatias e
a manutenção de um equilíbrio no governo que fazia de seu rebanho. Chocar-se-iam então dois diretivos da ação
pastoral: o Sentir com o Reino e o Sentir com a Igreja. Foi exemplo de tal situação o caso da expulsão dos padres
Jesuítas da América Portuguesa, em 1759, Dom Manoel da Cruz limita-se á publicação da carta que recebera de Sua
Majestade, publicando a sentença aos padres da Companhia por seus "atrocíssimos crimes' , analisaremos este
episódio de impasse e outros,

Luís Fernando da Silva Laroque - UNIVATES


Os Kaingang e sua relação com Missões Jesuítica, Capuchinha e Luterana no sul do Brasil
Os Kaingang são populações pertencentes ao grupo Je e sobreviveram ao impacto das expedições ibéricas do século
XVI ao XVIII. Tradicionalmente ocupavam espaços das Bacias hidrográficas do rio Tietê até os das Bacias Atlântico
Sul. Este trabalho, tendo como delimitação temporal o século XIX e a primeira década do século XX, objetiva estudar
os Kaingang como sujeitos históricos em relação á missão jesuítica, capuchinha e luterana, as quais, representando
mecanismos da Frente de Expansão, penetraram sobre o mundo nativo, Teórico-metodológico a pesquisa se compõe
de fontes documentais analisada com referenciais de Sahlins, Geertz e Clastres, Como resultado, apresentamos,
entre os anos de 1845/1852, as tentativas de Missão Jesuítica com os Kaingang no Rio Grande do Sul. Logo a seguir,
as Capuchinhas atuaram, por volta de 1855/1895, com os Kaingang no Paraná, no periodo de 1888/1889 e 1902/1907,
com os de São Paulo e, no decênio de 1903 a 1913, com os do Rio Grande, Entre 1900/1904, a Luterana atuou com os
Kaingang em territórios rio-grandenses, Em relação a estas missões, constatamos que os Kaingang, orquestrando os
eventos pelos seus próprios parâmetros culturais, em algumas situações, aceitaram as negociações propostas pelos
religiosos enquanto que, em outras, recorreram à guerra.

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Carlos Daniel Paz -IEHS-UNCPBA I CONICET
Menores necesitados de tutela ... pero sin sus Padres. Los caciques indígenas y sus gentes ante las autorida-
des residentes hispanas en el Rio de La Plata
La evangelización de los indígenas chaquenos, a manos de los Sacerdotes Jesuítas, suponía algunos requisitos que
debian ser cumplidos a los efectos de que la conversión diera frutos. Las tareas misionales, en el espacio chaqueiío
oriental, dieron sus frutos si es que pensamos en qué los mismos pueden ser evaluados desde la conformación de
pueblos que perduraron en el tiempo. A pesar de los esfuerzos jesuitas por detener la conflictividad indígena, que en
alguna medida contribuyó a que los pueblos de Misión se formaran, la misma continúo tanto durante el período misio-
nal como luego de la Expulsión. A posteriori dei extraiíamiento de la Compaiiia el proceso de complejización social, en
torno a la construcción de posiciones de rango, continúo el camino inaugurado desde la Misión. Algunos líderes indige-
nas, convertidos en caciques de sus pueblos, tuvieron una importante presencia en la historia colonial. EI objetivo de
esta presentación es volver sobre estos personajes y sus acciones a los efectos de poder pensarlos, desde la óptica
hispano-colonial como un efecto residual de la politica misional y como un relicto de una vieja política en tiempos
nuevos.

I 19/07 - Quinta-feira - Tarde (14h às 16h30min)

Leandro Karnal - Unicamp


O Novo Mundo chega ao Céu: santidade, representação e identidade nas Américas
O processo da chamada "conquista espiritual" requeria que a vitória da Cristandade no Novo Mundo fosse acom panha-@4
da de confirmações celestes. A canonização ou beatificação de personagens nativas das Américas ou que aqui atua-
ram, faz emergir debates importantes. Os processos de Rosa de Lima, Toribio de Mogrovejo, Felipe de Jesus, Francis-
co Solano, Martinho de Porres, Mariana de Jesus, Roque González, Juan Masias e Juan Diego revelam uma fonte
extraordinária para entender a cultura e os jogos de poder entre as sociedades constituidas nas Américas, a coroa
espanhola e o papado. Pretendemos analisar questões como a identidade criolla, os modelos hagiográficos e a icono- -{g
grafia da santidade nas colônias espanholas. '"
!3
Olivia Barreto de Oliveira Cappi '"
'g.
Santa Rosa de Lima: Identidade Criolla e Santidade na América Hispânica dos séculos XVI e XVII ~
Isabel Flores de Oliva, ou Santa Rosa de Lima, nasceu em Lima no ano de 1586, e morreu ali em 1617. Seu periodo de -{g
vida coincide com o governo do vice-rei Francisco de Toledo, época de prosperidade no vice-reino do Peru devido à ~
otimização da exploração da prata nas minas de Potosi. Os criollos (nascidos na América, mas filhos de espanhóis) .~
também começaram a se consolidar como elite econômica nesta época, e exigir maior participação na política do vice- .'"
reinado e reconhecimento por parte da coroa espanhola, assim como da Igreja católica. Lima era um centro urbano ~
para espanhóis e depois para criollos desde o início, e concentrava a luta dos criollos por este reconhecimento. O ::;
projeto evangelizador da Igreja Católica se desenvolvia no Peru após o periodo conturbado da conquista e de sua .~
consolidação. Santa Rosa de Lima foi a primeira santa americana, canonizada em 1671. Todo seu processo foi finan- ~
ciado pela elite criolla limenha, e suas biografias destacam sua origem criolla e sua ligação com Lima. Tendo isto em ~
vista, faz-se importante pensar a possível relação existente entre sua canonização e a construção da identidade criolla
na Lima do século XVII, assim como as figuras de santidade e o catolicismo que se consolidaram na América durante
a colonização.

Renato Cymbalista - Escola da Cidade - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo


O território dos mártires: narrativas de martírios e a construção do território cristão na América Portuguesa
No início da Idade Moderna, o território das cidades portuguesas encontrava-se permeado por narrativas de martírios,
fundadoras e protetoras das cidades. Em um tempo e espaço altamente regulados pela dimensão religiosa, era impen-
sável para os cristãos do século XVI a idéia de viver e de construir territórios sem a mediação dos santos e dos
mártires. Este trabalho mostra que os mártires atravessaram o Atlântico e foram personagens fundamentais também
na construção e ocupação do território na América portuguesa: suas imagens, suas narrativas e até mesmo seus ossos
- as relíquias sagradas - eram contraparte simbólica da ocupação material e os mártires foram indispensáveis a cons-
tituição de todas as principais povoações da colônia. O trabalho traz fontes que mostram também que o poder dos
mártires no inicio da ocupação exerceu-se também entre os índios Tupi, veiculado principalmente pelos jesuitas. A
hipótese é a de a figura combativa e sagrada do mártir permitiu o estabelecimento de traduções e interlocuções entre
cristãos e Tupis, pela possibilidade de aderência com a figura dos grandes guerreiros, personagens estruturantes da
sociedade dos índios. O trabalho aciona fontes diversificadas: hagiografia, fontes impressas da época, teatro jesuitico,
entre outras.

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Luís Kist - Unisinos
A formação do jesuíta brasílico e do cristianismo tupi no século XVI
Após alguns anos instalada no Brasil, iniciou dentro da Companhia de Jesus um movimento preocupado com a exclu-
são da influência dos costumes brasílicos na ordem expresso no crescente rigor na seleção de seus candidatos, No
entanto, mesmo com essa preocupação e esse rigor, ela não conseguiu evitar que os jesuítas no Brasil incorporassem
elementos de ínfluência indígena e assumíssem características tipicamente brasílicas, Da mesma forma, embora os
jesuítas zelassem cada vez mais pelo rigor na catequese indígena brasileira, limitassem a concessão dos batismos
unicamente aos índios que davam mostras de sincero desejo de abandonar os costumes gentílicos e implicassem na
exigência de que os convertidos deviam assumir uma vivência caracteristicamente cristã, eles não conseguiram livrar
o crístianismo emergente no Brasil da marca indígena, Fica, pois, exemplíficado que o contexto brasileiro do século
XVI gestava transformações identítárias tantos nos europeus que vinham para cá, como no nos índios que aqui habi-
tavam,

Paulo Rogério Melo de Oliveira - UNIVALI


Nossa Senhora Conquistadora e a Conquista Espiritual da América
Na tradição cristã católica, especialmente na espanhola e jesuítica, a ímagem da Virgem foi presença constante ao
lado dos missionários e conquistadores como escudo protetor e estandarte da fé, Uma conhecida hístória de devoção
mariana é a de Roque Gonzalez, que levava consígo nas suas andanças missíonárías uma imagem de Nossa Senho-
ra, O padre provincial Diego de Torres em visita a redução de Santo Inácio Guaçu presenteou o padre Roque com um
quadro da Virgem, representando a Imaculada Conceição. A imagem foi recebida com grande regozijo e carregada á
redução por quatro caciques, Dois morubíxabas que acompanhavam á dístância a entrada da Virgem na redução
pareciam não estar muito tocados pela situação. Convidados a se catequizarem, recusaram e desapareceram na
selva, No dia seguinte os dois chefes retomaram a Santo Inácio, acompanhados de outro cacique, e se dispuseram a
aceitar a catequização, Entusiasmado pela presença prodigiosa da Virgem, padre Roque passou a chamá-Ia de Con-
quistadora. Dai para frente, até a sua morte em 1628, passou a levar sempre consígo a imagem a todas as novas
reduções, atribuindo a ela o sucesso das campanhas missíonárias, A partir desta metamorfose da Virgem, proponho
uma reflexão sobre o significado da Conquista para os jesuítas na América,

Fabiana Pinto Pires - Unisinos


Punições corretivas nas Reduções Jesuíticas do Rio da Prata (século XVII)
A pesquisa analisa os registros de punições corretivas em documentos jesuíticos referentes às Reduções do Rio da
Prata, no século XVII, Pensa-se em punições sob duas perspectivas: a primeira, utiliza-se do castigo como instrumento
de inserção de culpa cristã. A segunda, privilegia a descríção de delitos indígenas,

15. Dinâmica Imperial no Antigo Regime Português


João Luís Ribeiro Fragoso (UFRJ) e Maria de Fátima Silva Gouvêa (UFF)
I 16/07 - Segunda-feira - Tarde (14h às 18h) I
Francisco Carlos Cosentino - UFV
Governadores gerais e governação no Estado do Brasil no pós-Restauração (1647-1694)
O objetivo dessa comunicação é identificar os poderes delegados aos governadores gerais do Estado do Brasil após a
Restauração portuguesa, por meio da comparação das cartas patentes que foram a eles concedidas pelos reis de
Portugal desse período, Tendo por base os poderes delegados aos governadores gerais pelas suas cartas patentes e
pelos regimentos em vigor durante esse momento - o de Diogo de Mendonça Furtado e o de Roque da Costa Barreto
- definidores das atribuições básicas desses servidores do Estado do Brasil, juntamente com a correspondência
trocada entre eles, os reis e outras órgãos da administração portuguesa e do Estado do Brasil, pretendemos recons-
truir parcialmente o exercício da governação nessa parte do império português, Assim, pretendemos com essa comu-
nicação tratar não só dos poderes delegados aos governadores gerais do Estado do Brasil, mas do exercício da
governação, dimensionando a sua autoridade e proeminência na América portuguesa,

Sandro Giovanni Mendes Cunha - UFMG


Cultura política nos Motins do Sertão do São Francisco, 1736
História colonial brasileira e o universo das Minas Gerais no século XVIII. As relações de força entre os poderosos no
período das descobertas de ouro e da ocupação do território, Com ênfase no tema dos motins e rebeliões e as suas

120
relações para a montagem da estrutura administrativa portuguesa e os reflexos na cultura política brasileira.

Carlos Alberto Medeiros Lima e Ana Maria da Silva Moura - UFPR


O espaço da América Portuguesa no Império Luso em dois momentos (a União Ibérica e o Tratado de Madri)
As discussões contemporâneas sobre o Império Luso têm dado lugar importante á projeção espacial das relações
sociais e políticas: o enraizamento de elites e das dinâmicas de crescimento; o lugar central das redes supra-regionais;
a importância das redes supra-regionais nos trajetos de acumulação; a incorporação da distância como raiz de renta-
bilidade nas descrições do comércio de grosso trato; a abertura de trajetos de circulação e de tráfico de escravos a
partir de mudanças políticas como a União Ibérica; as identificações socialmente reconhecidas derivadas de relações
de dominio sobre grupos diversos e, assim, distantes. Desse modo, aquelas discussões vêm conferindo um lugar
absolutamente fundamental ao modo de percepção e á prática das articulações espaciais (homogeneidade, conti-
güidade, controle; ou hierarquias de núcleos e subnúcleos, cunhas e cabeças-de-ponte). Abordamos dois momen-
tos de rearticulação da variável sócio-espacial, ambos em quadra de reformulação das relações com espanhóis.
Comparamos as projeções espaciais estabelecidas durante a União Ibérica (Livros Primeiro e Segundo do Governo
do Brasil, sobretudo) e na conjuntura que precedeu o Tratado de Madrid (trajetória intelectual e política de Alexan-
dre de Gusmão).

Enaile Flauzina Carvalho - UFES


Memórias do Espirito Santo no século XIX: entre o discurso político e a história econômica
As Memórias, relatórios escritos pelos governadores e presidentes de Provincias e enviados ao Govemo Geral do
Brasil, prestavam informações estatísticas sobie a sociedade do Espírito Santo. Farei a avaliação de alguns destes
ofícios escritos entre 1790 e 1830, evidenciando o discurso usado pelos políticos e a situação econômica da Capitania/
Província. A ligação da elite politica provincial com o Estado viabilizou em diversos momentos, a entrada de novos
investimentos para o Espírito Santo. No que tange a elite econômica, esta se servia de cargos e alianças, para estabe-
lecer-se como elite política, como foi o caso das famílias dos Monjardino, Ribeiro Pinto, Tovar, Batalha, Pinto Homem
de Azevedo, etc., em que seus membros exerceram cargos políticos através da força de seu patrimônio. Tais documen-
tos comprovam ainda, a autonomia da região capixaba no que se refere à subsistência, além de sua inserção como
entreposto comercial e provedor de víveres para outras regiões do Brasil. Os dados averiguados apontam para uma
balança comercial positiva, auto-suficiência em artigos de primeira necessidade com a produção praticada por propri-
etários/comerciantes, mas ainda assim, o discurso político era de desânimo, devido à inexistência do modelo ideal de
sistema colonial- a plantation.

Adriana Barreto de Souza - UFRRJ


O Conselho Supremo Militar e de Justiça e as instituições da justiça militar (1808-1831): notas sobre uma
tradição militar de Antigo Regime
O Conselho Supremo Militar e de Justiça era o órgão máximo da justiça militar criada por d. João quando da chegada
da corte ao Brasíl, em 1808. Ele era dividido em duas seções, o Conselho Supremo Militar e o Conselho de Justiça. O
primeiro deles dava continuidade à tradição do antigo Conselho de Guerra de Lisboa, sendo regulado, dentre outros
documentos, pelo Regimento de 22 de dezembro de 1643. Já o Conselho Supremo de Justiça seguia uma tradição
mais recente, fundada por d. Maria I, com decretos de 1777. Mas, além do Conselho Supremo Militar e de Justiça, a ~
justiça militar da época era integrada por outras instituições: os conselhos de guerra, as juntas de justiça militar e as
comissões militares. O objetivo dessa comunicação é compreender o funcionamento dessa juc;tiça militar herdada de
®
Portugal.
V)

.'"
:::J
Maria do Socorro Ferraz Barbosa - UFPE §'
Pernambuco: de Capitania mais extensa a uma Província de médio porte ~
Este estudo ressalta a ação e influência que Pernambuco exerceu no passado, de forma direta, sobre uma vasta QJ

extensâo do território brasileiro. A partir do século XVII, a expansão territorial do Império português, na América, deu-se .~
para o Norte e para o Oeste, a partir de Pernambuco. ~
o
Marilia Nogueira dos Santos - UFF .""c:: O>

O Império na ponta da pena: cartas e regimentos dos governadores-gereais do Brasil <:


o
O presente trabalho propõe analisar, num primeiro momento, os regimentos dados aos governadores-gerais do Brasil, c::
desde 1548, para posteriormente se passar a uma análise geral da correspondência destes mesmos ministros, Neste ~ Q)

sentido, elege-se como estudo de caso a correspondência de Antônio Luís Gonçalves da Câmara Coutinho, de modo ~
a, a partir dela, abordar algumas questões fundamentais para o entendimento da prática de se corresponder e do modo ~
de governar posto em prática em sociedades de Antigo Regime, mais especificamente naquela que se instalou na E
América portuguesa. ~~
o

121
Andrea Beatriz Wozniak·Gimenéz - SEED, FACET, FACEL
O Senado da Câmara de Macau, sua rede de relacionamentos e estratégias de sobrevivência nos séculos XVI
• XVII
A presente comunicação tem como objetivo analisar o Senado da Câmara da Cidade do Nome de Deus de Macau, na
China, principalmente no que se refere a sua dinâmica inicial, nos séculos XVI e XVII, centrando-se em sua sociabili-
dade, rede de relacionamentos e estratégias de manutenção de poder. Convivendo cotidianamente com as culturas
ocidental e oriental, o Senado da Câmara administrou o entreposto comercial e missionário, necessitando conciliar
interesses distintos e complexos, ao tratar e negociar com oficiais da Coroa Portuguesa, advindos de Lisboa ou de
Goa; autoridades imperiais e mandarins distritais do Império Chinês; missionários das ordens religiosas instaladas no
Extremo-Oriente; mercadores chineses; etc. Seus integrantes eram uma mescla de fidalgos-mercadores e missionári-
os, os quais, conhecedores da realidade, imprimiram a maleabilidade, entre as caracteristicas primordiais da institui-
ção, aspecto que influenciou suas táticas diplomáticas. Excelentes observadores e hábeis em negociações, estratégi-
as e domínio de etiquetas distintas, equilibraram-se na administração da cidade, ora estendendo e dominando as
adversidades enfrentadas, ora encontrando-se enredados a contatos mais exigentes e dominadores.

I 17/07 - Terça-feira - Tarde (14h ás 18h) I


Fábio Kuhn - UFRGS
"Nem eu não sou para estas terras, nem estas terras para mim" . A trajetória administrativa do governador
José Marcelino de Figueiredo (1769·1780)
A comunicação pretende apresentar um esboço biográfico de Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda (1735-1814). conhe-
cido no Brasil como José Marcelino de Figueiredo. Serão considerados os seus antecedentes familiares, a sua carreira
em Portugal antes da vinda para o Brasil e as atividades exercidas na colônia antes da sua nomeação para governa-
dor. Com a patente de coronel (e depois de 1774, brigadeiro) ele governou a capitania subalterna do Rio Grande de
São Pedro por cerca de uma década, numa conjuntura bastante atribulada e que foi marcada na sua maior parte pela
guerra contra os espanhóis. A ênfase será dada ao estudo de sua trajetória administrativa durante o período 1769-
1780, procurando analisar principalmente as relações deste governador com algumas das maiores autoridades esta-
belecidas no Continente do Rio Grande (em especial, o provedor da Fazenda Inácio Osório Vieira, o comandante do
Exército João Henrique Bohm e os oficiais da Câmara local), bem como o seu conturbado relacionamento com as
elites locais, particularmente com seu desafeto, o coronel Rafael Pinto Bandeira, membro de "família das mais distintas
em qualidade e tratamento daquele Continente".

Maria do Carmo Pires - UFV


Juízes de vintena e o poder local na comarca de Vila Rica no século XVIII
Esta comunicação propõe analisar o aparato juridico-administratico do Brasil colonial, tendo como objeto o juiz de
vintena, oficial que ocupava cargos juridicos, fiscais e administrativos no âmbito das freguesias e arraiais. Pouco se
sabe a respeito do corpo de funcionários e das práticas das instituições judiciárias do Império português, principalmen-
te quando se trata dos oficios considerados menores e do poder local. Pretendemos também avaliar os problemas das
instâncias, ou seja, a local e a camarária, representada pelo juiz ordinário, além do juiz de fora. Os vintenários partici-
pavam ativamente do mundo da justiça e, mesmo sem possuir o conhecimento das Leis, todos que conseguimos
identificar, eram alfabetizados e seguiam as ordens e os modelos existentes para os processos cíveis ou criminais.
Eram de grande utilidade para a população dos arraiais e freguesias que se distanciavam várias léguas de suas sedes,
evitando mais trabalho, transtornos e despesas a seus habitantes. Por outro lado, eram úteis também á justiça e a
burocracia, visto que assumiam a maior parte das diligências realizadas em suas localidades. Eram portanto, oficiais
de 'grandes" causas.

Nauk Maria de Jesus - UEMT


Sociedade mercantil e conflitos de jurisdição: O caso do ouvidor João Antonio Vaz Morilhas - 28 metade do
século XVIII
A capitania de Mato Grosso estava localizada na fronteira ocidental da América portuguesa e era constituída por duas
vilas: a Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá (1727) e Vila Bela da Santíssima Trindade (1752), fundada para ser
sede de governo. Mato Grosso era uma capitania-fronteira-mineira e as ações administrativas encaminhadas nesta
região levaram em conta essas particularidades. Neste sentido, deslocaremos o olhar para esta territorialidade tendo
como intuito analisar os conflitos de jurisdição envolvendo o primeiro governador e capitão-general da capitania de
Mato Grosso Antonio Rolim de Moura (1752-1765, a câmara da Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá (1727) e o
ouvidor da comarca João Antonio Vaz Morilhas, que evidenciam, entre outros aspectos, a existência de redes de poder
- na qual algumas instituições foram envolvidas - unidas na perpetuação de interesses econômicos e políticos.

122
Mônica da Silva Ribeiro - UFF
A dinâmica administrativa de Gomes Freire de Andrada entre 1748 e 1763
A segunda metade do govemo de Gomes Freire de Andrada foi marcada pelo seu intenso deslocamento físíco entre as
capitanias que estavam sob sua jurisdição. No ano de 1748, quando a administração de Bobadela na América portu-
guesa completava 15 anos, período já extremamente extenso para um governador colonial, seu poder foi vastamente
ampliado por todo o centro-sul. Percebemos assim a essencialidade das novas formas de governação, que haviam
sido implementadas pelo governador no Rio de Janeiro, para a manutenção e desenvolvimento de uma política impe-
rial voltada para um maior ordenamento fiscal, admínistrativo, econômico e militar da América portuguesa, principal-
mente a partir da capitania fluminense, região onde se encontravam bastante concentrados os agentes de poder do
governo metropolitano. Nesse sentido, Bobadela movimentava-se bastante e constantemente entre essas diversas
localidades que passaram a estar sob sua tutela. A circulação constante do governador já era uma característica
marcante desde o início de sua administração, mas se revestia agora de uma mudança significativa: além da ida do
governador a Minas e São Paulo, como fazia anteriormente, entrava também no circuito a região meridional da Améri-
ca portuguesa, que passava a fazer parte da sua órbita jurisdicional.

Jonas Wilson Pegoraro - UFPR


Ouvidores régios e a centralização jurídico-administrativa na América portuguesa: a comarca de Paranaguá
(1723-1812)
Por meio da análise da ouvidoria de Paranaguá, no período entre 1723 e 1812, buscou-se investigar o movimento de
centralização jurídico-administrativa do Estado português. A discussão fundamental é questionar se as ações dos
ouvidores de comarca enviados para Paranaguá durante aquele período significaram um 'reforço' para a dissemina-
ção do poder régio na região. Dialoga-se com a historiografia contemporânea que, por sua vez, oferece novas interpre-
tações, com seus estudos específicos e comparativos, das distintas dinâmícas e relações que envolveram os espaços
do Império, tanto entre a metrópole e suas colônias como estas entre si. Ademais, a historíografia, ao conectar os
múltiplos espaços e dinâmicas, fez um paralelo entre as relações na América, África e Ásia, tendo a metrópole como
centro irradiador de uma política administrativa.

Marcos Aurélio de Paula Pereira· UFF


Os revezes da fortuna: o Conde de Assumar e a questão do enriquecimento dos governadores no ultramar
O presente artigo trabalha alguns dos elementos em torno da estrutura adminístrativa do império ultramarino português
que remetem as práticas dos governadores do além mar. Através do estudo biográfico que venho desenvolvendo sobre
D. Pedro Miguel de Almeida e Portugal, 3° Conde de Assumar e primeiro Marques de Alorna, governador das Minas e
posteriormente Vice- rei da índia, procura-se perceber as posições, razões e discursos da política ultramarina setecentista
na primeira metade do século, assim como as trajetórias dos agentes da Coroa nos principais postos de comando. A
historiografia sobre o antigo regime ao abordar o quadro dos administradores tem suscitado perguntas sobre as fortunas
que os governadores acumulavam no ultramar e as redes que participavam. Nesse sentido demonstra-se aqui, a experi-
ência do Conde de Assumar e o patrimônio adquirido nas duas vezes que serviu nestes postos. Do mesmo modo tenta-se
elucidar pontos sobre algumas redes que teria, diretamente ou indiretamente participado e das acusações de venda de
cargos, beneficiando-se assim, mesmo quando indicado a contra-gosto para os referidos govemos, da sua posição e seu
poder de vassalo a serviço do império em confrontação as circunstancias encontradas e da própria vida. ®
Adriano Comisso li - UFRJ
A administração da América portuguesa sob o foco das redes de poder e dominação: o caso do Rio Grande do
Sul, séculos XVIII·XIX .gJ
As redes de poder são fenômeno presente em larga escala na administração lusitana da América Portuguesa e foram ê
responsáveis pela configuraçâo das relações de dominação que se desenvolveram em tal sociedade, apresentando ci:
elementos característicos de Antigo Regime. A proposta de trabalho que apresento procura explorar a natureza e a Q.)

forma de tal relação de poder e exploração do ponto de vista das elites dirigentes da sociedade. Para tanto lanço mão .~
do uso da prosopografia dos integrantes do aparelho administrativo (nos moldes de Lawrence Stone), isto é, a constru- ~
ção de biografias coletivas que permitem reconstruir o perfil da elite politica. Paralelamente, utilizo os referenciais g,
teórico-metodológicos do antropólogo norueguês Fredrik Barth, operando a reconstrução dos grupos imersos em tais .~
redes de poder, a fim de melhor identificar os elementos constituintes de seu exercício. ~
c::

Arlene Guimarães Foletto .~ Q.)

Trajetória de Família: a Elite Agrária no Oeste do Rio Grande de São Pedro (segunda metade do XIX) E
O resumo apresenta um estudo de doutoramento que tem como objetivo principal analisar as trajetórias e estratégias co
das famílias que compunham a elite agrária na antiga Paróquia de São Patrício de Itaqui, no período de 1850 a 1889. .~
Denominamos de elite agrária aqueles que concentravam terras e rebanhos, utilizavam-se de escravos e trabalhado- ~~
res livres, ocupavam cargos administrativos e/ou militares. O trabalho contemplará a composição das fortunas, as Cl

123
diferenças intra-elite, as redes de relações sociais estabelecidas entre seus membros e outros grupos sociais, a impor-
tância da fronteira e dos cargos nas relações econômico-sociais, Para a efetivação da pesquisa uma gama variada de
fontes primárias será utilizada, Dois métodos guiaram o trabalho: o prosopográfico e o onomástico, pois enquanto um
fornece a perspectiva coletiva do grupo social estudado, o outro permite que se percorra as trajetórias individuais dos
principais expoentes do grupo, Buscar-se-á compreender como este grupo se constituiu e se modificou ao longo do
tempo, sua importância para a manutenção e afirmação do território pertencente ao estado monárquico e sua relação
com o mesmo, Para assim, observar a permanência ou não de padrões de comportamento da elite agrária já estuda-
dos em outras regiões do Brasil.

I 18/07 - Quarta-feira - Tarde (14h ás 18h)

Maria Lucília Viveiros Araújo - USP


Rede de negócios no registro de Curitiba na passagem do século XVIII para o XIX
Entre os anos 1790 e 1810, duas sociedades de negociantes paulistas arremataram o registro de Curitiba e outras
passagens, Esses contratadores aproveitavam-se desses pontos estratégicos e da sua situação privilegiada para
desenvolver uma série de atividades comerciais com vistas á maximização dos seus lucros, Dessa forma, propomos
analisar os diversos negócios explorados nessas paragens, as estratégias de enriquecimento desses comerciantes,
assim como suas alianças comerciais e familiares, Conclui mos que esse comércio revitalizava a economia da parte sul
da América Portuguesa e favorecia o crescimento da burguesia regional, no entanto, parte dessas trocas ainda conti-
nuava ligada ao modelo comercial monopolista do Antigo Regime,

Roberto Guedes Ferreira - UFRRJ


Escravidão e Cor em Porto Feliz (São Paulo, 1798-1843)
A vila de Porto Feliz apresentou vertiginoso crescimento populacional durante a primeira metade do século XIX, o que
se deveu á transformação e á expansão de sua estrutura agrária, Ao longo do século XVIII, suas atividades agrárias se
voltavam á produção de alimentos, principalmente milho, para atender o mercado local e para abastecimento das
Monções, rota fluvial que ligava a vila à Cuiabá A partir de finais do século XVIII, formou-se um complexo açucareiro
que estimulou ainda mais a produção de alimentos para o mercado interno, Então, a presença da mão-de-obra escrava
assumiu importância cada vez maior, drenada, mormente, para as unidades produtoras de cana, Por sua vez, a imigra-
ção de livres também foi considerável, devido á atração exercida pelo crescimento econômico da vila, Testemunham
estas transformações as listas nominativas e os mapas de habitantes para os anos de 1798 a 1843, fontes que
permitem a análise de formas de classificação de cor da população, Supõe-se que ao acréscimo de cativos pretos ou
negros (em geral, africanos) correspondia o decréscimo de pardos entre escravos e agregados, Além disso, a proprie-
dade escrava, dentre outros aspectos, podia alterar a cor dos chefes de domicilio, Portanto, a hierarquia da cor da
população foi marcada pela escravidão,

Luís Frederido Dias Antunes -Instituto de Investigação Científica Tropical


Prata e escravos: comércio entre o Rio da Prata e o Indico, no início do século XIX
Durante todo o período colonial foram traficados pelos portos do Rio da Prata grandes quantidades de escravos
africanos, Sabemos, igualmente, que Montevideu e Buenos Aires constituíam dois dos mais importantes portos expor-
tadores da prata oriunda do Peru, metpl precioso tão necessário ás transacções comerciais portuguesas, tanto na
Europa quanto nos seus dominios do Indico, O tráfico negreiro era essencialmente praticado por navios saídos de
portos brasileiros, mas também foi exercido por navios portugueses. vindos directamente de Moçambique e, por navios
espanhóis que partiam dos portos do Rio da Prata em direcção ao Indico. O objectivo deste artigo é estudar este trato
que estabeleceu contactos directos entre a América do Sul e a costa oriental africana, no início do século XIX

André Dutra Boucinhas


O consumo de bens de luxo: integração econômica do Império Português a serviço da elite colonial brasileira
Pretendo mostrar como o consumo da elite da América portuguesa no s~culo XVIII, especialmente do Rio de Janeiro,
envolvia produtos de várias partes do Império português: Estado da India, Africa, Portugal e da própria América.
Produtos esses que, muitas vezes, não chegavam aqui através de uma reexportação da metrópole realizada por
comerciantes lusos, e sim diretamente, legal ou ilegalmente, pela ação de comerciantes freqüentemente brasileiros,
pelo menos no século XVIII. No entanto, para além de simplesmente exemplificar a integração comercial das diversas
áreas, esses bens possuíam um papel fundamental para a elite colonial: constituíam-se em elementos de identificação
social, tanto entre a própria elite, como para os outros grupos sociais, O trabalho não só tem como objetivo reforçar a
dinâmica econômica do Império português, cada vez mais realçada pelos historiadores, mas colocar o estudo do
consumo como meio de apreender aspectos sociais, econômicos e culturais de uma determinada sociedade, o que
também já vem sendo feito por uma historiografia recente,

124
Fabio Pesavento - UFF
"Sob as seguintes condições": uma nota sobre as sociedades mercantis no império ultramarino português na
segunda metade do século XVIII, Rio de Janeiro e Lisboa
Desde as primeiras décadas do setecentos a dinâmica colonial brasileira voltava-se, cada vez mais, para o centro-sul
do Brasil tendo em vista, principalmente, a pujança crescente do mercado interno fluminense e mineiro. A atuação de
agentes de 'grosso trato" apresentou-se de forma decisiva neste processo. Estes exerciam um papel fundamental no
fornecimento e na exportação do que se demandava e se produzia em diversas regiões da 'colônia". Uma maneira de
como se dava esta articulação, eram as sociedades mercantis entre diferentes agentes de diversas partes do ultramar. A
presente comunicação tem por objetivo descrever as sociedades mercantis existentes entre as praças do Rio de Janeiro
e Lisboa entre 1750 a 1790. A pesquisa baseou-se em escrituras de sociedade, depositadas no Arquivo Nacional do Rio
de Janeiro e na Torre do Tombo em Lisboa. Além das escrituras, trabalha-se com mais de 2.200 procurações levantadas
no mesmo arquivo lisboeta que tinham interesse o Rio de Janeiro. Aqui não se apresentará os pormenores do funciona-
mento das sociedades mercantis, mas sim uma primeira descrição da sua dinâmica com base na documentação encon-
trada. Além disto, busca-se remontar algumas redes comerciais existentes entres as duas praças comerciais citadas.

Nathália Maria Dorado Rodrigues - UFMT


Relações em conflito: os comerciantes de Vila Bela da Santíssima Trindade e a Companhia Geral de Comércio
do Grão-Pará e Maranhão (1752-1778)
Em 1755, foi criada por Pombal a Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão. Esta e outras companhias
monopolistas objetivavam recuperar e desenvolver os setores e espaços vitais da economia colonial. Os interesses
desta Companhia incluiram particularmente a Capitania de Mato Grosso, situada na fronteira oeste da colônia portu-
guesa na América. Por via dos rios Madeira-Mamoré-Guaporé (rota das monções do norte), vilas, arraiais e fortes, eram
abastecidos com variados gêneros de mercadorias, predominantemente manufaturas importadas da Europa, Asia e
África. Manter uma rota comercial na fronteira interessava à Coroa portuguesa, pois auxiliaria na ocupação desse
espaço. No entanto, os comerciantes de Vila Bela cogitaram abandonar o comércio com a Companhia, por considera-
rem abusivos os preços cobrados, a falta de bons produtos nos armazéns, dentre os quais escravos, e a irregularidade
das monções. Assim, este estudo objetiva analisar as relações comerciais entre a Companhia do Grão-Pará e os
comerciantes de Vila Bela que, ao longo da segunda metade do século XVIII foram permeadas por conflitos, negocia-
ções e acordos, nos quais interesses metropolitanos e locais se chocavam.

Gabriel Santos Berute - UFRGS


Negociantes de grosso trato: negócios, recrutamento e mobilidade social na comunidade mercantil rio-gran-
dense (1809-1850), Notas de pesquisa
A presente comunicação apresenta uma análise preliminar do grupo de negociantes estabelecidos no Rio Grande de
São Pedro que obtiveram a matricula de negociante de grosso trato na Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas
e Navegação (Rio de Janeiro), entre 1809 e 1850. As fontes utilizadas foram os registros das matrículas destes nego-
ciantes e os testamentos e inventários post-mortem dos mesmos. Buscamos localizar nestas fontes elementos que
permitissem conhecer seus negócios, as rotas mercantis em que atuavam, suas vinculações comerciais e a composi-
ção do seu patrimônio. Embora a capitania rio-grandense se tratasse de uma economia voltada para o abastecimento
intemo e, portanto, com um grau de acumulação mercantil e abrangência da atuação comercial mais modesta em ~
relação aos grandes negociantes do Rio de Janeiro, trabalhamos com a hipótese de que existiam mecanismos que
permitiam a ascensão social e econômica daqueles agentes na atividade mercantil. Entre estes mecanismos destaca-
®
se a manutenção de negócios com a praça mercantil do Rio de Janeiro e seus agentes. Assim, parece-nos que o grupo
dos negociantes de grosso trato não era homogêneo e comportava uma hierarquia semelhante àquela que distinguia .~
os pequenos comerciantes dos grandes negociantes atacadistas. ê
o
José Roberto Pinto de Góes - UERJ ~
A diversidade da condição escrava .g,
A escravidão foi abolida há 119 anos no Brasil e, num aparente paradoxo, conforme vai se distanciando no tempo, ~
melhor é possível conhecê-Ia. Durante muito tempo, ao longo do século XX, os escravos foram tidos por quase ani- g,
mais, anômicos e testemunhas mudos de uma história para a qual não contavam. Ou como heróis proto-revolucioná- .~
rios. Conforme os historiadores foram aprimorando métodos e ampliando o universo de fontes, uma outra paisagem foi -;
surgindo e, nela, o escravo não estava só, mas acompanhado da família, dos parentes libertos e de uma porção de c::
ro
gente não escrava. Todo o progresso do conhecimento histórico tem tido por efeito tornar mais e mais complexa a idéia .~
que fazemos sobre a teia de relações sociais que envolvia escravos, senhores e os outros. A conclusão a que já se ~
pode chegar é que o lugar do escravo naquela sociedade dependia de tantas circunstâncias que a idéia usual que se co
tem do escravo não é capaz de dar conta. A contribuição que trago a este simpósio temático diz respeito a isso. Em .~
cartas de alforrias, inventários, processos criminais e relatos de viajantes, todos relativos ao século XIX, procurei 'g?
testemunhos da aludida complexidade da condição escrava. Ci

125
Guilherme de Paula Costa Santos - USP
O governo de D. João e o tráfico de escravos: a Convenção de 1817 e a sua repercussão na Corte do Rio de Janeiro
Trata-se de apresentar algumas considerações de pesquisa realizada em nível de Mestrado sobre a elaboração da
Convenção de 1817 e a repercussão da sua ratificação na Corte do Rio de Janeiro. Acordo diplomático celebrado entre
a Coroa portuguesa e a Coroa britânica, o qual estipulava o direito de visita reciproco á marinha de guerra de ambas as
nações e a formação de tribunais mistos para o julgamento de embarcações negreiras apreendidas ao norte da linha
do Equador. Parte da historiografia compreende a Convenção de 1817 como conseqüência da pressão exercida pela
Inglaterra, calcada em uma nova conjuntura econõmica instaurada pela Revolução Industrial ou pela ação humanitária
inglesa. Entretanto, outra parte da historiografia apresenta a sua ratificação como desdobramento de projetos políticos
suscitados durante o governo de D. João na América. Diante disso, a apresentação pretende discutir a elaboração e a
repercussão da Convenção, com base na leitura de oficios diplomáticos e nos artigos publicados por jornais portugue-
ses, impressos em Londres, reconstituindo o ambiente político do governo de D. João, marcado pelo amplo debate
seja em torno do tráfico seja em termos do futuro da Monarquia portuguesa, como indicaram as revoluções de 1817 em
Pernambuco e em Portugal.

I 19/07 - Quinta-feira - Tarde (14h ás 16h30min)

Marcelo Ferreira de Assis - UFRJ


Os óbitos da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, padrões e elementos de análise para a história da
mortalidade escrava
A apresentação visa mostrar e avaliar, juntamente com os colegas da área, os primeiros resultados obtidos a partir dos
registros de óbitos da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, primeira fase de minha pesquisa de doutorado: 'O
precipício da Senzala, tráfico e mortalidade escrava no Rio de Janeiro e São João Del Rei, c. 1790 - c. 1830". Portanto,
tratarei de apontar algumas caracteristicas e padrões obtidos a partir da catalogação e confrontação dos dados anali-
sados até o momento. A partir dos resultados, poderei observar padrões estabelecidos nas formas de morrer de um
escravo da Cidade, posterior Corte do Rio de Janeiro, além de apontar possiveis estratégias de proteção para o seu
organismo e seu lugar na sociedade. Sempre dentro de eixos de pensamento que entendem a escravidão dentro de
uma perspectiva social e demográfica.

Idelma Aparecida Ferreira Novais - UFBA


Mulher, Família e Negócio: O Papel da Mulher no Sertão da Ressaca
Este trabalho tem por objetivo analisar a participação da mulher na vida socio-econômica da Imperial Vila da Vitória
(atual Vitória da Conquista, Ba.), no século XIX. Busca também identificar os fatores que ocasionaram a existência de
lares chefiados por mulheres, originando assim, a organização matrifocal. Com base em inventários, testamentos e
petições identificamos algumas funções exercidas pelas mulheres nesse período, entre elas as de serem proprietárias,
produtoras, comerciantes e chefes de família.

Mônica Ribeiro de Oliveira - UFJF


O comportamento familiar de comunidades rurais na América Portuguesa
A pesquisa que está sendo conduzida tem como tema central a história de família no século XVIII no Brasil, tomando
como ponto de partida a reconstituição dos destinos de uma comunidade fundada no contexto da febre do ouro em
Minas Gerais, mas que, no entanto, passou por um rápido processo de esgotamento das possibilidades de extração
aurífera, antes mesmo que essa se pronunciasse sobre toda a região mineira. Nossa análise não é interna á unidade
familiar, mas versa sobre as frentes familiares, ou seja, aquelas formadas por unidades que não residem juntas, mas
que mantém laços de consangüinidade e rituais. O reconhecimento das familias está sendo feito á partir de registros
paroquiais para se proceder, posteriormente, ao cruzamento com outras fontes de caráter mais qualitativo. Temos
como objetivos compreender o escopo de estratégias utilizadas por individuos e grupos destinadas á defesa do núcleo
familiar, á preservação da propriedade, ou mesmo, o recurso á migração, em uma região periférica, quase insignifican-
te no Império Português, mas plena de significados que remetem á sua matriz ibérica.

Martha Daisson Hameister - UFPel


Bons Compadres: observações as relações de compadrio e a gênese de poderes locais (Continente do Rio
Grande de São Pedro, 1738-1779)
A presente comunicação visa destacar e salientar aspectos das relações subjacentes ao batismo que indicam atuarem
de maneira positiva no estreitamento de relações sociais simétricas (entre pessoas de mesmo estatuto social) e,
principalmente, nas assimétricas (entre pessoas de estatutos social diferentes). indicando um possivellocus de gêne-
se e controle de poderes locais. Como fontes primárias foram utilizados, principalmente, os registros batismais da Vila
do Rio Grande entre 1738 e 1779.

126
20/07 - Sexta-feira - Manhã (10h30min às 12h30min)

João Luís Ribeiro Fragoso - UFRJ


A principal nobreza da terra, parentelas e clientes (homens livres, forros e escravos): hierarquias sociais
costumeiras nas freguesias do Rio de Janeiro, primeira metade do século XVIII
Estudo das relações de parentesco e de patronagem da nobreza principal da terra (descendentes de conquistadores
quinhentistas da capitania) nas freguesias rurais do Rio de Janeiro na primeira metade do século XVIII. Com isto se
pretende recuperar as estratégias utilizadas pelo grupo na produção de sua legitimidade social. Será dado principal-
mente atenção as práticas de matrimônio e de compadrio vividas pelas famílias da nobreza da terra.

Maria de Fátima Silva Gouvêa - UFF


Dinâmicas Governativas e as Instruções do Secretário de Governo da índia, 1700
As instruçôes do secretário de governo do Estado da índia, Antônio Coelho Guerreiro, enviadas a coroa em 1700,
apresentam um complexo e sofisticado conjunto de medidas que procuravam melhor viabilizar a maior articulação
entre o centro-sul do Estado do Brasil, a região de Moçambique e o Estado da índia. Essa singularidade é explicada em
grande medida pela diversidade de postos ocupados por esse oficial régio nas principais áreas do império português
ao longo de sua trajetória administrativa no último quartel do século XVII. Dinâmicas governativas foram então clara-
mente delineadas por esse oficial, revelando a plena articulação dos interesses da coroa com aqueles associados á
pessoa desse oficial, bem como de um grupo de pessoas à ele relacionados. A proposta do presente estudo é analisar
os principais aspectos que configuraram essa dinâmica, bem como identificar os principais circuitos político-institucio-
nais que deram forma a essa governação em fins do século XVII e início do XVIII.

Luiz Felipe Alencastro - Universidade de Paris IV Sorbonne


As múltiplas transformações do ano de 1808
A historiografia sublinha os efeitos políticos da transferência da Corte -, estabelecimento de um poder burocrático
centralizado no Rio de Janeiro -, juntados às conseqüências econõmicas -, fim do monopólio português no comércio
externo e emergência de redes de abastecimento internas -, que condicionam a Independência e a formação do
Estado nacional brasileiro. No entanto, outras transformações não tem merecido a mesma atenção dos historiadores.
A primeira delas é a efetivação, em 1808, da cessação do tráfico atlântico negreiro britânico e americano. Na seqüên-
cia, o Brasil se torna o mais importante importador de Africanos do Novo Mundo. De um lado, a retirada destas grandes
negreiras deixa os principais mercados africanos nas mãos de traficantes que fornecem o Brasil e, numa menor medi-
da, Cuba. De outro lado, as exportações britânicas e européias para o Brasil fornecem, a partir de 1808, novas merca-
dorias de troca que estimulam o tráfico negreiro para os portos brasileiros. No plano diplomático, a política anti-tráfico
inglesa atinge o pacto anglo-português e obriga D. João VI a procurar novas alianças entre as monarquias européias.
Vêm daí as negociações que desembocam no casamento, em 1818, entre D. Pedro e a princesa Leopoldina.

Antonio Carlos Jucá de Sampaio - UFRJ


As malhas do Império: o Rio de Janeiro no mundo português através das procurações (1736-1750)
O estudo sobre as relações existentes entre as diversas regiões que compunham o império português tem ganho, sem
dúvida, grande destaque nos últimos anos, sobretudo a partir da reconstituição dos laços mercantis que as uniam. Contu- (.;?\15
do, falta ainda um levantamento mais sistemático acerca de tais relações, que nos informe sobre suas características ~
essenciais: o peso relativo das diversas regiões, seus ritmos, os grupos sociais envolvidos etc. Dentro desse quadro, a
proposta de trabalhar com as procurações visa começar a cobrir tais lacunas com a utilização de uma documentação já '"
bastante conhecida dos historiadores mas ainda carente de uma análise mais sistemática. Com elas pretendemos indicar .~
desde a hierarquia das regiões com as quais o Rio de Janeiro se relacionava até os diversos ritmos de sua produção ao ê
longo do ano, passando por uma análise do perfil dos procuradores, com ênfase nos comerciantes locais. ~

20/07 - Sexta-feira - Tarde (14h às 18h)

Rossana Gomes Britto - UERJ c:


«
Processos inquisitoriais portugueses contra a heresia luterana - séculos XVI-XVII o
c:
Trata-se de uma pesquisa a respeito da penetração e da difusão do protestantismo na América Portuguesa entre os
séculos XVI e XVII através de fontes primárias inquisitoriais. Ao todo são 15 processos do Santo Ofício Lisboeta contra ~
os réus que de uma forma direla ou indireta se envolveram com as idéias dos seguidores de Martinho Lutero - pioneiro E
das reformas protestantes na Epoca Moderna. Neste simpósio nacional de História, pretendemos apresentar os casos B
dos desviantes da fé com base nos registros inquisitoriais, como também, apontar as relações destes réus com aE
Inquisição Portuguesa e com a sociedade colonial da época. Esta pesquisa integra o curso de doutorado em História ~~
Política da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ. Cl

127
Thiago Nicodemos Enes dos Santos - UFF
Poder Local versus Estado Centralizado: a desregulamentação do direito milenar da almotaçaria
A prática cotidiana relativa ás três esferas de atuação do direito de almotaçaria, qual seja, o controle do mercado, das
questões sanitárias e do construtivo das cidades portuguesas apresentam-se como aspectos representativos para o
estudo do desenvolvimento do Estado centralizado em detrimento da dinãmica imperial que vigorou até o princípio do
século XIX. Na documentação relativa à administração dos domínios portugueses nos dois lados do Atlântico, notamos
que o moderno Estado de economias políticas arvorou-se contra a almotaçaria de forma diferenciada, mas invariavel-
mente, implementou a partir do terremoto de 1755 e sobretudo com a gestão de Pombal, agressiva política de gestão
urbana fundamentada no insurgente direito positivo. Visamos demonstrar como a municipalidade deixou de possuir
poderes deliberativos, passando a executora das ordens emanadas do Estado; além de discutir tal processo nada
pacífico que deu fim ao díreito consuetudinário e a esta tradição administrativa do poder local, que perpassou pratica-
mente incólume mais de setecentos anos somente no Reino cristão de Portugal.

Tiago Costa de Souza - UFRJ


Desenvolvimento urbano na América Portuguesa na virada do século XVIII para o século XIX
Esse trabalho propõe uma reflexão acerca do desenvolvimento urbano das principais cidades coloniais portuguesas
no Brasil, tendo como ponto de referência a cidade do Rio de Janeiro. Privilegiando a capital fluminense na transição
do século XVIII para o século XIX, partiremos para uma análise da dinâmica do espaço urbano de diferentes praças,
como Salvador, Belém, Recife, entre outras. Nesse sentido, objetivamos ainda estabelecer uma relação do comporta-
mento da urbe colonial com a movimentação de alguns grupos sociais, tornando mais claras as intervenções de certos
segmentos da sociedade, como a elite mercantil, na conformação do espaço urbano na América Portuguesa.

Luiz Guilherme Scaldaferri Moreira - UFRJ


As mercês e a manutenção da estabilidade e do equilíbrio social. Um estudo de caso: o Rio de Janeiro
(1660-61/97)
O Trabalho "As mercês e a manutenção da estabilidade e do equilíbrio social. Um estudo de caso: o Rio de Janeiro
(1660-61/97)', pretende contribuir nas discussões sobre o tema do simpósio; especialmente no que diz respeito ás
relações que se formarão nas redes de poderes locais com o poder central. Assim como nos conflitos que serão
estabelecidos, mediante esta relação entre a nobreza, beneficiada ou não. O lócus será a cidade do Rio de Janeiro,
após uma revolta contra a rede do Governador Salvador Correia de Sá e Benevides, 1660-61, e a descoberta das
minas, 1697, periodo após a Restauração, expulsão dos holandeses, do nordeste e de Angola e consolidação do
Estado Português. Consolidação esta que necessitava de apoio da nobreza da terra, que havia tido uma grande
participação na luta contra os holandeses. Logo, como o Estado Português negociou este apoio com uma nova rede de
nobres, visto que o próprio Estado havia afastado o influente grupo dos Sá e ao mesmo tempo continuou dando espaço
a pessoas ligadas a este grupo. Para isto como o Estado Português trabalhou na distribuição dos cargos militares, via
mercês, para a nobreza, fortalecendo um determinado grupo, uma vez que, na concepção jurídica do período o Estado
deveria retribuir os serviços prestados, de forma justa.

Marcia Eliane Alves de Souza e Mello - UFAM


Poder e Negociação: concepção e desdobramentos de uma legislação na América portuguesa
Incentivados com o desenvolvimento das investigações no âmbito da história política e das instituições sob diferentes
perspectivas metodológicas e, em torno das questões que privilegiam as relações de poder esua legitimação jurídica,
apresentamos um novo estudo de formação do Regimento das Missões do Estado do Maranhão e Grão-Pará (1686-
1757), com ênfase na análise das negociações entre o poder central e o poder local na confecção da nova legislação.
Observamos os diferentes agentes envolvidos na proposta (Conselho Ultramarino, Junta das Missões do Reino e do
Ultramar e Câmaras municipais) e, dos contraditóríos interesses locais em que se entrecruzavam (autoridades coloni-
ais, ordens religiosas e colonos), bem como a redefinição de estratégias de ampliação de poderes locais desenvolvi-
dos ao longo da concepção e aplicação da legislação. Desta forma pretendemos contribuir para uma melhor compre-
ensão das práticas da administração colonial e da política metropolitana naquela região do Império português.

Beatriz Catão Cruz Santos - UFRRJ


Irmandades e oficios no Rio de Janeiro do século XVIII
A comunicação pretende refletir sobre os meios de inserção dos ofícios na comunidade política do Rio de Janeiro no
século XVIII. Para isso, ela dará ênfase ás irmandades de oficios, como formas de socialização que tem como referên-
cia a Igreja Católica e a monarquia e em que o domínio de um ofício constituía um critério de ingresso, fossem os
irmãos livres, libertos ou escravos. Pretende também identificar outras formas de negociação, que permitiam aos
ofícios terem acesso á cidadania na sociedade colonial. Em termos gerais, objetiva-se investigar a natureza e as
condições da cidadania dos ofícios naquela sociedade do Antigo Regime português.

128
Micheline Maria de Albuquerque e Silva - UFPE ~
Uma história do pau-brasil em Pernambuco nos séculos XVII e XVIII. @
Teria sido mesmo o trato do pau-brasilL(ma febre com término exato quando da instalação da agro-indústria açucareira
em Pernambuco e demais capitanias? Esabido que não foi bem assim. O tema pau-brasil por si só está atrelado a uma
série de problemas, dentre os quais já teria sinalizado desde 1930, José Bernardino de Souza a continuidade do tráfico
da madeira desta árvore pelo menos até metade do século XIX. A esquematização por ciclos econômicos restringia
bastante esta atividade. Trataremos neste trabalho mais especificamente dos assuntos de ordem econômica e admi-
nistrativa. Propomos aqui a discussão sobre a continuidade da atividade extrativista exploratória com o pau-brasil
durante o século XVII até o XVIII. E inserido neste corte temos ainda as articulações entre metrópole e colônia acerca
do estanco real e os dispositivos utilizados para exercer e fiscalizar o controle sobre negócio do pau-brasil. Uma das
principais justificativas para este trabalho é ainda a carência de estudos sobre o tema, bem como sua relevância no
cenário metropolitano uma vez que o pau-brasil foi motivo, por exemplo, alteração da nomenclatura religiosa da colô-
nia por uma de apelo econômico.
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16. Educação Histórica u·

Maria Auxiliadora Schmidt (UFPR) e Katia Maria Abud (USP)


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I 16/07 - Segunda-feira - Tarde (14h às 18h) I


Cristiani Bereta da Silva - UDESC
Narrativas e produção de sentidos sobre formação docente, História e ensino
Este trabalho investiga produções de sentido sobre a formação docente, História e ensino através de diferentes narra-
tivas de professores e professoras de História, egressos de cursos de duas universidades catarinenses: UDESC e
UFSC, entre as décadas de 1980 e 1990. As narrativas que estes sujeitos fazem de si, de suas experiências, de suas
práticas pedagógicas e históricas fornecem pistas importantes para pensarmos expressões e traduções de sentidos
sobre História, ensino, saberes e posições de sujeito em salas de aula. Além disso, perceber de que forma estas
narrativas estabelecem relações com outras narrativas históricas já produzidas constitui-se em oportunidade de refletir
como diferentes sujeitos partilham e ressignificam construções sobre a natureza da História com outras dimensões de
suas vidas.

Jaqueline Ap. Martins Zarbato Schmitt - UNISUL


Planejar na História: análise dos planejamentos escolares da disciplina de História
Neste texto, pretende-se analisar os planejamentos da disciplina de História, numa escola do município de Fpolis,
entre 1990 e 2006, como parte do projeto de pesquisa: a formação do profissional da educação. Os planejamentos
serão analisados como um documento histórico que aponta as questões implícitas no cotidiano escolar. Nesse senti-
do, serão analisados as perspectivas teóricas, os procedimentos avaliativos, utilização das matrizes curriculares, as
linguagens e abordagens utilizadas no planejamento.

Rosi Terezinha Ferrarini Gevaerd - UFPR


A produção dos alunos em aulas de História: idéias que o aluno tem em relação à narrativa histórica do Paraná
A preocupação com o ensino da História do Paraná esteve presente em pesquisa desenvolvida durante o mestrado.
Naquele momento, buscou-se investigar a presença desse ensino em escolas da Rede Municipal de Ensino de Curiti-
ba. Ficou evidenciado que existe um ensino desses conteúdos no Ciclo 11, mais especificamente, na 4a série. Dando
continuidade a essa pesquisa, pretende-se fazer um estudo pautando-se em pesquisas desenvolvidas na área da
Educação Histórica, mais especialmente, na linha de investigação da cognição histórica, a qual engloba estudos que
têm como perspectiva a compreensão das idéias dos alunos em contexto de ensino - aulas de História, Tomando
como referência pesquisas desenvolvidas por Peter Lee (2001), busca-se fazer uma relação entre os conceitos subs-
tantivos, nesse estudo, os conteúdos da História do Paraná, e o conceito de segunda ordem - narrativa. No processo
atual de pesquisa, buscam-se elementos para que se possa compreender qual a relação que existe entre a narrativa
histórica da professora e a narrativa produzida pelo aluno,

Thelma Cademartori Figueiredo de Oliveira - FE/USP


Currículo e programas: o ensino de História e a identidade nacional
O presente trabalho busca analisar o curriculo de História e sua prática em sala de aula a partir de uma abordagem
pós-critica, que permite o estudo das formações curriculares percebendo como nelas estão organizadas diferentes

129
perspectivas sobre o que se deve conhecer e como se ~eve conhecer. O currículo seleciona (incluindo e excluindo
conteúdos), organíza, molda visões do mundo e do "eu'. E construído, e constantemente reformulado, dentro de con-
cepções políticas e sociais que procuram disciplinar os indivíduos informando como se deve ver o mundo e estar nele.
A partir dessas referências e da pesquisa qualitativa realizada em uma escola pública de São Paulo, a presente análise
busca compreender como o currículo é trabalhado em sala de aula pelo professor de História. Procuramos perceber
como o professor se apropria de propostas institucionais como os PCN e dos conceitos da disciplina para organizar e
preparar suas aulas. Utilizamos como eixo de análise os conceitos de identidade nacional e cultural procurando obser-
var como aparecem no currículo de História institucionalmente proposto e como são inseridos na realidade do cotidia-
no escolar.

Katia Maria Abud - USP


Construção e desconstrução de um código disciplinar: a História no ensino médio (São Paulo, 2006)
Esta apresentação tem como finalidade discutir a construção de um código disciplinar nas aulas de História e para
tanto utiliza como documentação fundamental relatórios de estagiários da disciplina Metodologia do Ensino de Histó-
ria, que expressam as posições dos professores do ensino básico em relação á disciplina que lecionam. Para analisar
as posturas assumidas pelos professores e transmitidas pelos estagiários em seus relatórios, partimos do conceito de
código disciplinas expresso por Raimundo Cu esta Fernandez As informações foram colhidas na leitura e análise de
setenta roteiros de observação de estágio realizado em escolas públicas (estaduais e municipais) regulares de São
Paulo, a maioria delas de ensino médio (72%), no primeiro semestre de 2006. Os questionários e entrevistas realiza-
das pelos estagiários se completaram em duas etapas: a primeira, objetivava a elaboração do perfil docente das
escolas públicas abertas ao estágio e a segunda tinha como ponto central conhecer como aqueles docentes organiza-
vam seus cursos, selecionavam conteúdos e métodos de ensino e utilizavam o material escolar., como livros, filmes,
imagens fixas.

José Norberto Soares - USP


A introdução da definição de "raça" nas propostas curriculares brasileiras: a lente da nova lei e os olhos dos
alunos
Est? comunicação tem como objetivo discutir os conceitos de : "racialização' da auto-imagem dos alu~os; de História
da Africa, a partir do texto da lei 10639/2003, que introduziu a obrigatoriedade do ensino de História da Africa na escola
básica. Para tanto, aqui serão discutidos: a instrumentalização do ensino básico para atender a uma visão específica
e particularista do conceito de nação; a gradual substituição de conceitos universalistas por outros de natureza comu-
nitária; a introdução de uma taxonomia própria do mundo anglo-saxão no sistema educacional brasileiro. A discussão
que se pretende apresentar será fundamentada em textos de Zigmunt Bauman, Néstor Garcia Canclini, Peter Fry,
Mozart Unhares Silva e Alfredo Veiga-Neto, que fundamentam o arcabouço teórico da dissertação de mestrado, a ser
apresentada na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

I 17/07 - Terça-feira - Tarde (14h ás 18h) I

Maria Auxiliadora Schmidt - UFPR


Principios da didática na Educação Histórica
As questões relacionadas aos pressupostos de uma Didática da História têm sido relevantes em pesquisas e estudos
recentes, como atestam os trabalhos de Moniot (1993); Prats (2003); Fonseca (2003); Schmidt e Cainelli (2004). Entre
estes, destacam-se os que têm como objeto de estudo as relações entre professores e alunos com as idéias históricas
em aulas de História, constituindo o campo científico da Educação Histórica (BARCA,2005). Neste sentido, a discipli-
na Prática de Ensino e Estágio Supervisionado em História na Escola Fundamental do Departamento de Teoria e
Prática de Ensino de História, da UFPR, durante o ano de 2005, tomou como referência alguns pressupostos da
Educação Histórica para a concretização de uma didática da história no projeto de estágio supervisionado, tais como:
1.A investigação e análise dos conhecimentos tácitos dos alunos; 2. A tematização e problematização do conteúdo a
ser trabalhado; 3. A identificação e interpretação de fontes primárias e secundárias; 4. A compreensão contextualizada
(metacognição); 5. Aexpressão das experiências - como categorias a serem desenvolvidas pelos alunos-mestres.Assim
o presente trabalho tem como objetivo sistematizar reflexões desenvolvidas a partir de uma experiência com estágio e
prática de ensino de História re

Ida Hammerschmitt de Lima e Márcia Regina Araújo Partica - UFPR


As Relações Que Estabelecem Aluno e Professor com o Livro Didático de História
O texto relata o resultado das primeiras considerações acerca de uma pesquisa, na qual se procurou investigar e
analisar a relação que professores e alunos das séries inicias do Ensino Fundamental, estabelecem com o livro didá-
tico de história. A pesquisa foi desenvolvida na Escola Municipal Professora Elvira de França Buschmann, situada no

130
bairro Ipês do municipio de Araucária, região metropolitana de Curitiba, no Estado do Paraná. A pesquisa está inserida
no campo da Educação Histórica, e faz parte dos trabalhos de um grupo de professores pesquisadores do municipio
@
16
de Araucária sob a orientação da professora Maria Auxiliadora Schmidt e Tânia Braga Garcia. Busca-se investigar as
idéias que alunos e professores tem acerca da relação que estabelecem no uso do livro didático de história. Essa
relação é essencial para o processo ensino - aprendizagem? Como é trabalhado na escola com o livro didático?
Como são as experiências culturais vividas por professores e alunos com o livro didático de história? E, se de fato
contribui para a construção do conhecimento histórico?

José Ricardo Oriá Fernandes - USP


É de pequeno que se torce o pepino!: Viriato Corrêa e a Educação Histórica de nossas crianças
A educação histórica não se restringe ao universo escolar, mas passa por outras instâncias de sociabilidade da crian-
ça. Neste sentido, a comunicação objetiva analisar a concepção de História/ensino de História presente na obra do
escritor e autor de livros infanto-juvenis Viriato Corrêa. e de como ela foi importante para a construção de uma dada
educação histórica escolar afinada com o discurso da identidade nacional brasileira. Para tanto trabalharemos, a partir B
dos pressupostos teóricos de Choppin e Canclini, com as idéias de 'sujeito histórico" e 'nação' construídas pelo autor, ~
a serem incorporadas pelas crianças e jovens. Daremos ênfase ao livro 'História do Brasil para crianças', de 1934, que ~
teve maior repercussão no mundo editorial brasileiro. Com 28 edições, publicado pela Companhia Editora Nacional, '"
este livro circulou até 1984 e foi registrado pela Comissão Nacional do Livro Didático, do MEC, tendo integrado,
também, a 'Biblioteca Pedagógica Brasileira", coordenada por Fernando de Azevedo. Esta comunicação faz parte do
projeto de pesquisa que estamos desenvolvendo no Doutorado da Faculdade de Educação da USP, sob a orientação
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L..1.J

da Prot" Ora. Circe Bittencourt, intitulado 'A História contada ás crianças: Viriato Corrêa e a literatura escolar brasileira
(1921-1967)'.

Julia Bueno de Morais Silva e Gracy Tadeu Ferreira Silva - UnB/UEG/Unievangelica


O Ensino de História nas escolas quilombolas - o caso da escola Alexandrina P Santos uma escola quilombola
O objetivo desse texto á a reflexão sobre a função do ensino de história nas regiões quilombolas, com a finalidade de
perceber se este age como instrumento de valorização da identidade afro-descedente, bem como das especificidades
culturais do grupo. Traçamos uma relação entre o lugar e o processo de ensino, refletimos sobre o ensino de história e
a valorização da identidade negra, trabalhando a função que se propõe ao ensino de historia segundo a Lei 10.639/03,
a identidade afro-brasileira como um processo em construção,e ainda uma discussão entre identidade e representa-
ção. refletimos ainda sobre a experiências vividas na escola Municipal Alexandrina P dos Santos - escola quilombola,
localizada na zona rural, a escola atende as crianças e os adolescentes da região do quilombo, do assentamento e
filhos dos pequenos e médios proprietários rurais.

Lilian Costa Castex - UFPR


A Educação Histórica e a produção de manuais para professores: experiências da rede municipal de Curitiba
Esse trabalho apresenta as primeiras sistematizações de pesquisa realizada sobre a produção de manuais destinados
a professores das séries iniciais, na disciplina História, pela Secretaria de Educação do Municipio de Curitiba, que
envolve a equipe técnica da SME e todos os professores das séries iniciais do Ensino Fundamental. Desde 2006 o
ensino de História na Rede Municipal de Ensino de Curitiba inseriu na sua proposta curricular, os pressupostos da
educação histórica como referência para o Ensino Fundamental de Curitiba, resultado de estudos fundamentados em
pesquisadores como LEE, BARCA, SCHMIDT E GARCIA, os quais mostram a necessidade de se ter as idéias históri-
cas dos alunos e professores como ponto de partida e de chegada do ensino e aprendizagem em história. Visando á
implementação da proposta curricular foi elaborado um Caderno Pedagógico de História para o Ensino Fundamental
(SMEC-2006). A análise do processo de elaboração do referido Caderno, bem como de sua proposta, apontam as
possibilidades e limites da concretização dos pressupostos da Educação Histórica na produção de manuais destina-
dos a professores.

Luciana Rossato - UNIVALI


Conhecimento histórico entre os jovens: uma pesquisa sobre história local entre os alunos do Ensino Funda-
mentai da Rede Municipal de Ensino de Itajaí/SC
Esta comunicação pretende discutir o conhecimento histórico entre os jovens. Para isso utilizaremos os resultados de
uma pesquisa diagnóstica aplicada em turmas de 7" e 88 séries do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Itajaí/
SC. A partir da fala dos alunos constatamos alguns pontos: enquanto o conhecimento da história do bairro está vincu-
lada á memória dos mais velhos, a história da cidade está muito sugerida pelos discursos turisticos veiculados principal-
mente através dos meios de comunicação em datas especificas, salientando uma origem única (portuguesa-açoriana) e
excluindo outras etnias, tais como alemães, africanos e afro-<lescendentes. Além disso, a identidade da cidade foi unida
ao mar e as suas atividades. Apartir destes dados pretendemos discutir as possibilidades e os limites do ensino de história
local e sua contribuição para a formação e o desenvolvimento da consciência histórica entre os jovens.

131
18/07 - Quarta-feira - Tarde (14h às 18h)

Luzia Marcia Resende Silva - UFG Campus Catalão


O ensino de História no sudeste goiano: análise e reflexões
Projeto objetiva compreender práticas do ensino de história nas escolas de ensino fundamental e médio em catalão e
na região do sudeste goiano.O plano de trabalho desenvolvido durante o ano letivo de 2005, teve como objetivo
analisar material produzido em pesquisa de campo por alunos que cursaram a disciplina de didática e Prática de
ensino no ano de 2004, visando refletir sobre as concepções de ensino de história e as posições dos alunos das
escolas públicas pesquisadas, acerca do ensino da disciplina. Participaram da pesquisa de campo um total de 19
escolas de ensino fundamental e médio localizadas na região do sudeste goiano, e responderam voluntariamente ao
questionário aplicado um total de 485 alunos. O projeto objetivava também refletir sobre as concepções de educação
possuídas pelos alunos que responderam os questionários. O plano de trabalho ora em andamento tem o objetivo de
compreender como os professores do ensino fundamental e médio em catalão trabalham com a atividade de pesquisa
e com o princípio da indissociabilidade entre ensino e pesquisa em todos os níveis.

André Chaves de Melo Silva - USP I USJT


Produções midiáticas televisivas e ensino de história: representações sociais e conhecimento histórico
Este projeto de pesquisa de doutorado tem como principal objetivo a compreensão das formas pelas quais o uso das
imagens em movimento (fílmicas e televisivas) nas aulas de História pode interferir na construção do conhecimento
histórico dos alunos do Ensino Médio por meio de possíveis alterações em seu conjunto de representações sociais.
Para tanto, será utilizada uma metodologia desenvolvida especificamente para essa pesquisa a partir da união de
métodos historiográficos, recursos etnográficos, pesquisa participante, conceitos de representações sociais e decupa-
gem, usada para o cinema e para a televisão. Sendo assim, a iniciativa procura contribuir com respostas às dúvidas
dos professores de História sobre a validade do uso de filmes, séries de televisão, entre outros produtos midiáticos
constituidos de imagens em movimento buscando evidenciar algumas alternativas de trabalho prático, em sala de
aula, que possam contribuir para o aprimoramento da Didática da História.

Elizabeth Salgado de Souza - UESC • IIhéus/BA


Educação Histórica e as práticas urbanas
Pesquisa empírica que investiga as representações que os alunos tem sobre a cidade, segundo proposições de Serge
Moscovici e análises de Peter Lee e Isabel Barca, quando investigam o pensamento histórico dos jovens. Traçar o
perfil sócio-cultural dos alunos e professores, permitiu situar a escola no espaço urbano e problematizar o seu lugar na
perceptiva do cotidiano da cidade (Philippe Meirieu). As temáticas da mudança do paradigma da noção de tempo ( Paul
Virilio), a invenção do cotidiano (Michel de Certeau) e a proposta da cidade educativa (Gómez-Granell), embasam a
investigação das práticas cotidianas e a problematização das práticas escolares no espaço urbano. As representações
que os alunos elaboram sobre a cidade e como a vivenciam, identificam saberes e fazeres, apresentando algumas
questões: A realização de ações educativas extra-muros institucionais têm lugar e espaço nas práticas escolares? O
cotidiano dos alunos foi modificado pelas novas tecnologias? Dentro da 'nova mobilidade social' como o aluno estabe-
lece a relação entre a cidade e o ensino de História? Os resultados desta pesquisa tem por finalidade contribuir para
uma proposta teórica e prática da Educação Histórica, discutindo a importância do cotidiano escolar no contexto
urbano e a construção do currículo.

Murilo José de Resende· USP


O processo de formação inicial de professores de História para a educação básica: a manifestação de uma
consciência histórica na prática de ensino
Este trabalho está sendo construído através de análise de fontes escolares: são documentos produzidos por alunos
que cursaram a disciplina de Metodologia de Ensino de História na Faculdade de Educação da USP, elaborados entre
os anos 1999 e 2003. Ao elaborar um plano de aula o professor constrói uma narrativa composta por situações, dados
e informações que será divulgada aos seus alunos.
Os objetivos desta pesquisa são: verificar as opções teórico-metodológicas presentes nos planos de ensino elabora-
dos pelos licenciandos em História da USP na atividade de Estágio; identificar o modo pelo qual os planos de ensino
elaborados no Estágio realizam a transposição didática dos conhecimentos científicos da História e identificar as
possíveis formas de consciência história expressas nos planos de aula, conforme a tipologia criada por Rüsen (1992).
O trabalho empreendido será o de analisar qualitativamente um grupo de planos de aula selecionados, por categorias
de análise estabelecidas que possibilitem relacioná-los, gerando dados estatísticos que evidenciem ausências e per-
manências de temas, opções teóricas e etc. Nesta comunicação, será exposto o resultado parcial da pesquisa de
mestrado e conclusões que os dados coletados já permitem realizar.

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Fatima Aparecida Silva - UFCE
O movimento social Frente Negra Pernambucana -1936-1937. A história continua
@
16
O presente trabalho, tem como objetivo registrar a história do movimento social negro Frente Negra Pernambucana
aprofundando a proposta de educação defendida por esta instituição, vista como decisória na ascensão social do seu
grupo contra a discriminação racial. A Frente Negra Pernambucana transformada em 1937 em Centro de Cultura Afro-
Brasileiro defendeu que a educação era a solução para a ascensão social do negro na sociedade. Embora estes
aspectos tinham sido considerados por muitos estudiosos da organização da Frente Negra no Brasil, há muitas ques-
tões que necessitam ser elucidadas a partir do aprofundamento da organização do movimento, principalmente aque-
las relativas á especificidade e organicidade de cada movimento em seus estados. Já é possivel compreender que os
estudos da historiografia dos movimentos sociais devem ultrapassar os limites geográficos das regiões sul e sudeste.

Regina Maria de Oliveira Ribeiro - USP


O olhar das crianças sobre a memória e o patrimônio - implicações para a Educação Histórica
A comunicação apresentará as análises das idéias das crianças de 5° ano, coletadas durante atividades realizadas l:l
com alunos de uma escola municipal da periferia da zona leste de São Paulo. A apresentação das análises focará a
visita dos alunos á capela de São Miguel Arcanjo, construída em 1622, realizada no contexto do trabalho com a ~
:e
memória e historia local. O registro desse trabalho para a pesquisa teve como objetivos identificar e analisar as repre- o
sentações das crianças sobre a história e memória da comunidade. Partiu-se da hipótese que o estudo da história local '~.
e o contato com fontes da cultura material potencializassem a significação de conceitos históricos relativos á natureza
da história, particularmente os conceitos de tempo e passado. As atividades das crianças durante a visita, suas falas e L.LJ

interações foram registradas e analisadas para a compreensão da construção individual e coletiva do conhecimento
sob a perspectiva da psicologia do desenvolvimento e aprendizagem sócio-interacionista, da teoria das representa-
ções sociais e dos estudos sobre a construção do pensamento histórico em crianças e jovens. O conhecimento das
representações de conceitos históricos pelas crianças é fundamental para a reflexão teórica e metodológica da Educa-
ção Histórica.

I 19/07 - Quinta-feira - Tarde (14h ás 16h30min)


Janete de Fátima Barause Néri - UFPR
O ensino de História e a seleção de conteúdos do ensino
O objeto de pesquisa que é apresentado neste trabalho de mestrado tem como tema central o estudo da seleção de
conteúdos na prática do professor de História no Ensino Médio. Junto ás propostas curriculares preparadas por espe-
cialistas, como são os Parâmetros Curriculares Nacionais e os PCN+, e dos livros didáticos, que também estabelecem
o que ensinar, os conteúdos que chegam aos alunos passam por outras instâncias de transformação, nas práticas
cotidianas, dando origem ao que se pode chamar de currículo real (Apple, 1989). Desta forma, esta investigação busca
perceber como este processo acontece e como ele é percebido pelos professores que o realizam. Para a produção de
material empírico foram realizadas aplicações de questionários e entrevistas. Para a organização deste material foram
estabelecidas 3 categorias: a natureza da intervenção nos conteúdos realizada pelo professor; os critérios ou motivos
da intervenção nos conteúdos e os suportes por meio dos quais os professores realizam a seleção dos conteúdos para
o ensino. Porém, após a aplicação dos questionários considerou-se pertinente a inclusão de mais duas categorias de
análise: uma que diz respeito a como os professores se vêem na seleção de conteúdos e a concepção de conteúdo
que os professores revelaram.

Marcelo Fronza - UFPR


As histórias em quadrinhos e o ensino de história: trajetórias de uma metodologia de investigação sobre a
significância histórica
Neste trabalho, tenho como objetivo perceber quais os significados históricos que os jovens fornecem a uma história
em quadrinhos que aborda temas históricos e descobrir quais as inferências que estes sujeitos produzem para signifi-
cá-Ia. Para isso, abordo a discussão teórica, advinda da Educação Histórica, referente á significância histórica a partir
de autores estudados por Fátima Chaves (2006). Por meio da explanação da metodologia de pesquisa baseada na
investigação qualitativa, confronto esta discussão conceitual com as respostas de jovens alunos de Ensino Médio de
um colégio público de Curitiba, produzidas a partir de um instrumento de investigação aplicado por mim em julho de
2006. Esse confronto teórico tem como finalidade, também, fundamentar as respostas atribuídas pelos alunos em
relação ao conhecimento histórico presente nesse artefato cultural.

Maria do Carmo Barbosa de Melo - Universidade de Pernambuco


O labirinto do conhecimento do professor e do ensino de Históría
Explorar o pensamento histórico, por parte dos professores, é fundamental, pois tem um papel central no Ensino.

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Considerando a importância do atual debate sobre Educação Histórica, procuro neste trabalho focar um estudo, reali-
zado com os professores de História, do ensino médio, da cidade do Recife, das concepções históricas que permeiam
no ensino-aprendizagem e os reflexos, tanto no conhecimento especifico, como nas práticas pedagógicas que se
complementam na Educação Histórica.

Milton Joeri Fernandes Duarte - USP


A música e a construção do conhecimento histórico
As representações históricas construídas pelos alunos, incentivadas pela música, podem ajudar na construção do
conhecimento histórico propiciando a identificação dos diferentes significados dos elementos definitivos e provisórios
contidos nas representações históricas dos alunos, que podem ser compreendidos e trabalhados de maneira diagnós-
lica pelo professor através da linguagem musical e assim se transformar em uma ponte entre a realidade atual e o
passado histórico.

I 20107 - Sexta-feira - Manhã (10h30min ás 12h30min)

Alamir Muncio Compagnoni - UFPRlARAUCÁRIA


Uma experiência educativa no ensino de História no contexto de sala de aula
Trabalhar, os conhecimentos prévios dos alunos, levam o professor a uma maior compreensão dos alunos, um melhor
preparo de suas aulas. A aula com imagens, e várias fontes do conhecimento histórico, em primeiro lugar deixam-na
participativa, os alunos mostram prazer e interesse no estudo. Outra grande implicação é em relação á questão do
tempo, o conhecimento científico sobre o conteúdo, é entendido de forma especifica em relação á questão temporal
descrita nos textos. Os alunos perceberam o tempo, da Primeira Guerra, identificando acontecimentos históricos espe-
cíficos daquela época. Há uma consciência histórica do passado sem fazer a confusão com o presente. As Guerras
não são descritas como todas iguais. Nós professores devemos observar, o tempo descrito pelos alunos, na sua
linguagem e não apenas quando eles colam os números.

Ricardo Barros - USP


O uso da imagem nas aulas de História
Estabelecer a relação entre mídia e educação. Esse é o principal objetivo desse trabalho, apoiado na dissertação de
mestrado apresentada na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo em março de 2007. Pesquisei, junto
a professores de História do ensino fundamental, o uso da imagem nas aulas de História. Para isso, procurei analisar
as imagens comumente utilizadas nos cursos do ensino básico. Parti do pressuposto que a sociedade atual se apre-
senta bastante influenciada pela midia. Crianças e adolescentes em idade escolar têm enorme contato com a televi-
são, com os videogames, com jornais, revistas ou mesmo com a internet, como evidenciam diversas pesquisas acerca
do tema. Contudo, quando entram na sala de aula, pouco dessa linguagem - a linguagem da imagem - é utilizada
pelos professores. Isso gera um aparente conflito entre os estudantes e o sistema formal de educação presente em
muitas unidades. Os Parâmetros Curriculares Nacionais incorporam a leitura e análise da imagem como fator impor-
tante do aprendizado de História. Na escola, todavia, poucos docentes se utilizam da imagem e o texto escrito ainda
predomina no ensino dessa disciplina escolar.

I 20/07 - Sexta-feira - Tarde (14h ás 18h) I


Marlene Terezinha Grendel - UFPR
Aulas de História com documentos históricos no livro didático
Descrição da forma de uso do livro didático realizada com uma turma de 5." série do ensino fundamental, no ano de
2006, em uma escola do município de Araucária, Paraná. Leva em conta os conhecimentos prévios demonstrados
pelos alunos e analisa a visão cultural e social dos mesmos, as ocorrências e as intervenções dos alunos e da profes-
sora no uso do livro. Apresenta uma reflexão sobre o ensino de História com base na perspectiva dos saberes dos
alunos, a qual faz ressaltar a importância do papel que a cultura em geral e a linguagem, em particular, desempenham
no processo de construção da Educação Histórica. Conclui que os processos de construção, presentes no desenvolvi-
mento de aula de História com a utilização dos documentos do livro didático, só se legitimam como mediadores da
Educação Histórica quando marcados pela historicidade da prática real que constitui a substância do próprio existir
dos sujeitos envolvidos.

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Ronaldo Cardoso Alves - USP
"Consciência Histórica e Cultura Escolar: um estudo das especificidades que atuam na construção e aplica-
ção do conhecimento histórico"
Essa pesquisa com vistas ao doutoramento, que se encontra num estágio inicial, parte das inquietações suscitadas da
dissertação de mestrado, de minha autoria, intitulada 'Representações Sociais e a Construção da Consciência Histó-
rica', apresentada no primeiro semestre de 2006, na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. À luz das
teorias de Jbrn Rüsen e Serge Moscovici, o trabalho discutiu a construção de consciência histórica em alunos do
ensino básico a partir do encontro/confronto, em sala de aula, dos diferentes saberes oriundos do senso comum e da
ciência da História, por meio da análise das representações sociais constituídas por seus sujeitos: alunos e professo-
res. A partir das constatações e limitações da aplicação dessas teorias européias em escolas públicas da periferia de
São Paulo, nossa pesquisa tem como objetivo construir parâmetros que possibilitem um adensamento do conceito de
consciência histórica, de forma a permitir maior efetividade de sua aplicação na realidade de regiões que possuam carac-
terísticas diferentes (no plano sócio-€conômico, político e cultural) do contexto no qual foi originalmente concebido.

Henrique Rodolfo Theobald - UFPR


Experiência de professores com a investigação em Educação Histórica
Trabalho de investigação no campo da Educação Histórica que pesquisa a formação do "Grupo Araucária' e sua
experiência coletiva de investigação de elementos de sua prática que vem sendo assumida como processo de forma-
ção continuada, em Araucária, Paraná. A experiência é analisada à luz da categoria da experiência de E. P. THOMP-
SON e dos teóricos da Educação Histórica, utilizando a metodologia da análise de conteúdo.
@
17. Enfoques multidisciplinares sobre normatização das condutas (séculos V-XVI)
Marcelo Cândido da Silva (USP) e Néri de Barros Almeida (UNICAMP)
I 16/07 - Segunda-feira - Tarde (14h às 18h) I
Marília de Azambuja Ribeiro - UFPE '"
1i5
Da força da auctoritas: a fortuna de Tito Livio .'=
Uma análise do recurso às auctoritates na construção do discurso durante o período tardo-medieval e renascentista, %
seguido de um estudo específico sobre a fortuna da obra de Tito Livio: seus leitores e os autores que dele fizeram uso. :B
Nos deteremos, sobretudo, na influência que o autor romano exerceu nos tratados sobre a Arte da Guerra de autores ~
como Nicolau Maquiavel e Girolamo Frachelta. ~
Q;o
::J
C'
Marcelo Cândido da Silva - USP ..:::c:::
Justiça e violência no Reino dos Francos UJ

Desde o século XIX, os historiadores do direito e das instituições elaboraram uma noção de Estado na qual a espinha
dorsal era o monopólio da violência legítima. Dessa forma, toda forma de violência inter-pessoal era vista como um
atentado a esse monopólio, ou mesmo como a prova da fraqueza da autoridade pública. As reflexões da antropologia
jurídica sobre a vingança mudaram nossas perspectivas sobre as relações entre violência "legítima' e violência "ilegítima'.
Eles também tomaram inteligíveis as relações entre o poder e a sociedade, antes desprezados pela história do direito. A
historiografia tradicional também consagrou o "infra-judiciário' e o "judiciário' como duas instâncias distintas e mesmo
opostas no exercicio da justiça. O objetivo desta apresentação é salientar as trocas e a complementaridade entre esses
dois domínios, bem como discutir a relação entre violência "legítima' e violência "ilegítima' no Reino dos Francos.

Rossana Alves Baptista Pinheiro - UNICAMP


Penitência e autoridade nas "Instituições cenobiticas" de João Cassiano
A comunicação apresentará os casos de penitência existentes na primeira obra do abade de São Vitor, as Instituições
cenobiticas. Partindo do pressuposto de que a penitência é instrumento propiciatório de arrependimento, correção das
faltas praticadas e de normatização de condutas, sua análise será realizada conjuntamente com a investigação da
concepção de autoridade de João Cassiano, nos casos em que ela está relacionada á penitência.

Lucy Cavallini Bajjani - USP


Gregorio o Grande e o Estatuto da Imagem no Ocidente Medieval
A carta de Gregório o Grande a Serenus, bispo iconoclasta de Marseille, datada do ano 600, deu à cristandade ociden-
tal a justificativa para a existência das imagens. Escrita em um momento onde se lutava contra a idolatria pagã, a carta

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contém a idéia de que uma das funções das imagens é a de ensinar aos iletrados o que está escrito na Bíblia, idéia que
foi retomada durante os séculos seguintes - pelo menos até o XII -, norteando o pensamento medieval sobre o tema, e
que muitas vezes reduziu o estudo da produção artística do período a essa função. O objetivo desta comunicação é o
de refletir sobre o contexto em que a carta foi escrita e em como o seu conteúdo sofre modificações ao longo do tempo
para se adaptar a novas realidades.

Veronica Aparecida Silveira Aguiar· USP


Francisco de Assis e a dinâmica normativa de sua ordem
No século XI/I, Francísco de Assís (1182-1226) propôs um projeto de vida caracterízado pelo ideal de uma existência
pobre, que preconizava a ausência de propriedade, a recusa das provisões, do dínheiro, dos cargos e do poder, bem
como a disposição de viver de esmolas em favor de uma fraternidade equânime, universalmente pobre em bens
materiais. Inicialmente, essa interpretação da pobreza como modo de vida colocava-se de uma maneira bastante
primitiva. Mas, à medida que a fraternitas ia crescendo, a práxis e as regras franciscanas foram adaptando-se aos
novos tempos. Sendo assim, ao oficializar a Regra franciscana, a Igreja Romana instituiu a imitatio Christi e transfor-
mou a pobreza em virtude para todos os cristãos. A nova ordem mendicante transformou-se em um novo modelo a ser
seguido. Na presente comunicação, pretende-se avaliar a dinâmica das regras franciscanas através da análise da
Regra de 1210, de 1221, de 1223 e do testamento de 1226. Por um lado, verificar-se-á que o pensamento franciscano
foi enquadrado paulatinamente no modelo jurídico da Igreja da época, não se contrapondo em nada ao Corpus luris
Canonici e, por outro lado, a Igreja absorveu politicamente o pensamento franciscano em seu interior. Esta simbiose
resultou em diversas polêmicas e debates na Igreja.

Milton Mazetto Junior - USP


Os meios de resoluçâo de conflito no período merovíngio: entre a história do direito e a antropologia juridica
O estudo dos meios pelos quais os francos resolviam seus conflitos data, ao menos, da publicação da clássica obra de
Montesquieu, 'Do Espírito das Leís', em 1758. Nesse trabalho o autor aponta, a partir da análise de documentos
normatívos, que o papel da autoridade pública no reino dos francos em relação a resolução de controvérsias seria
apenas o de proteger os criminosos de atos de vingança. N. D. Fustel de Coulanges, cerca de um século mais tarde,
analisa o tema sobre a ótica da composição: acordos inter-pessoais que dispensariam uma punição por parte da
autoridade pública. Com esse estudo, Fustel demonstra a importância do campo infra-jurídico na resolução de conflitos
do mundo franco. Ao longo do século XX, os medievalistas passaram a utilízar métodos e conceitos provenientes de
outras cíências sociais para melhor compreender o funcionamento da justiça na Gália do período merovíngio, sobretu-
do a antropologia jurídica. Esses trabalhos passaram a dar uma maior ênfase ao campo infra-jurídico, privilegiando a
análise de temas como o funcionamento da vingança, em detrimento das instituições judiciárias provenientes da auto-
ridade pública.

I 17/07 - Terça-feira - Tarde (14h ás 18h)

Néri de Barros Almeida· UNICAMP


Foro interno e normatização pública na pastoral universitária da segunda metade do século XIII
Durante o século XIII os efeitos sociais da reforma romana no campo jurídico se tornam mais perceptíveis. Através do
sermão 15 de Ranulfo de la Houblonniére pretendemos discutir as relações entre o foro íntimo - igualmente divisado
pela reforma - e a conctituição de uma nova noção de espaço público.

lucas Bittencourt Gouveia - UFPE


Combater o bom combate: a defesa de um novo modelo de cavalaria em De laude Novae Militiae
No outono de 1095, o pronunciamento do papa Urbano 1/ no Concílio de Clermont foi ouvido por muitos. O que foi dito
ecoou pela Europa ocidental, e não tardou a apresentar resultados: ainda no século XI a Jerusalém terrestre era
tomada pelos cristãos. O 'sucesso' das Cruzadas pode ser percebido como uma vitória da Igreja, e esta vitória repousa
parcialmente na retórica e eloqüência de alguns de seus homens: caso do próprio Urbano 1/, de Pedro o Eremita, de
Bernardo de Clairvaux, a quem nos deteremos neste trabalho. Oinfluente abade cisterciense engajou-se pessoalmen-
te na propagação da cruzada, particularmente junto áqueles que melhor poderiam lhe trazer frutos: os cavaleiros.
Devotou uma de suas obras à exortação daquilo que ele chamou de 'nova cavalaria', referindo-se especificamente à
Ordem do Templo, fundada em 1128: 'De laude novae militiae' é o melhor exemplo da retórica utilizada por Bernardo
para persuadir os cavaleiros do século a se engajar nos combates contra os sarracenos, ou melhor, a se integrar a uma
ordem religioso-militar. Nosso objetivo é analisar a argumentação construída por Bernardo de Clairvaux dentro de um
âmbito mais amplo, o da atuação normativa da Igreja para com a sociedade, especialmente diante da cavalaria.

136
Cláudia Regina Bovo - Ceuclar
Os primórdios da reforma gregoriana na correspondência de Pedro Damião (1040-1049)
A reforma gregoriana tratou de disciplinar a vida eclesiástica e a vida laica. Uma de suas realizações foi a separação,
em termos claros e definitivos, entre as categorias sociais de clérigos e laicos e, por conseqüência, a sujeição moral
dos laicos á autoridade espiritual e normativa dos clérigos. Diante disso, nosso objetivo é analisar o processo de
construção dessa autoridade normativa, verificando a contribuição de Pedro Damião para a legitimação jurisdicional
do clero na direção político-espiritual da Cristandade. Para tanto, elegemos o primeiro volume de suas correspondên-
cias (cartas anteriores a 1049) como principal fonte documental, por envolver importantes debates a respeito da sepa-
ração e da conciliação entre o poder temporal e o poder espiritual.

André Luis Pereira· USP


O empenho franciscano-hagiográfico na pacificação das cidades: os vínculos morais da política (séc. XIII)
Uma leitura atenta das compilações hagiográficas franciscanas do século XIII nos possibilita descobrir o esforço discursivo
da hagiografia para a implantação de um projeto político de pacificação e ordenamento social. Tal esforço deu-se
concomitantemente aos movimentos pela paz entre as comunas da Itália centro-setentrionais envolvidas em conflitos
tais que os religiosos mendicantes sobretudo, precisaram intervir no intuito de restabelecer a ordem. Acreditamos que
a narrativa hagiográfica favorece uma leitura múltipla desse fenômeno de interferência mendicante no campo da
normatização das condutas políticas no âmbito citadino, o que, de resto, ainda permanece um campo de pesquisa
pouco explorado. Nessa comunicação, priorizaremos a Compilatio Assisiensis e o Memoriale in desiderio animae que,
juntos, nos dão uma idéia das principais preocupações pastorais e sociais do chamado franciscanismo do século XIII. @
Carolina Gual da Silva - uSP 17
Processo de normatização do casamento nos séculos XI e XII: a construção de uma doutrina do matrimônio
Do início do século XI até o final do século XII a doutrina da Igreja para o casamento foi sendo construida e fixada 6
através de várias obras. Dentro do processo de reforma moral, legal e papal, o matrimônio passou de um costume '~.
completamente dominado pelo laicado e sem leis específicas a uma conduta regulamentada e protegida pela Igreja e 'fi;
pelo papado. Este processo indica a crescente importância do direito canônico na sociedade cristã medieval e a §
consolidação do poder papal que havia começado com Gregório VII. O papa agora "legisla" sobre todos os assuntos da ~
cristandade. Esse domínio especificamente sobre o casamento é uma de suas maiores conquistas, uma vez que o ~
controle, ou a tentativa de controle da sexualidade e dos espaços onde ela se manifesta, se torna símbolo do exerci cio ~
de poder dentro da sociedade. '" eco
Luciana Fontes Parzewski - UNESP ~
Construções históricas da expansão maritima: Gomes Eanes de Zurara, Fernão Lopes de Castanheda e João .~
de Barros :g
-::;
Em meados do século XVI foram publicadas as primeiras narrativas portuguesas que se preocuparam exclusivamente E
com as viagens maritimas para o oriente. O trabalho versará sobre o modo como a Crônica da Guiné de Zurara, a História ~
do descobrimento e conquista da índia pelos portugueses de Fernão Lopes de Castanheda e a Ásia de João de Barros, 5-
.E
textos fundadores da hístória contada pelos portugueses sobre a expansão, apreenderam a empresa. De.sta forma, inici- .fi
amos com a idéia de que o Oriente, antes mesmo de ter sido descoberto o caminho marítimo para a India, já estava
presente, em especial a partir do século XII, nos escritos medievais. Além desse aspecto, tratou-se dos contornos do
gênero crônica e sua relação com outros textos que igualmente ajudaram a fixar uma certa idéia do 'grande feito portugu-
ês'. Finalizando com as impressões que as três narrativas, a de Zurara, a de Castanheda e a de Barros, responsáveis
pelos primeiros passos na divulgação das notícias sobre as viagens, trazem a respeito da predestinação dos portugueses,
já que esses autores apelam, em vários momentos de suas narrativas, para os argumentos de predestinação dos portu-
gueses como justificativa para a expansão e para as cenas nem sempre louváveis que a envolveram.

I 19/07 - Quinta-feira - Tarde (14h ás 16h30min) I


Talita Cristina Garcia - USP
"A norma e a justiça como atribuições exclusivas do poder civil: O "Defensor pacis" de Marsílio de Pádua"
Influenciado por autores contemporâneos, protegido e patrocinado pela corte do imperador Luis da Baviera Marsílio de
Pádua (1280-1343?) inicia a composição de tratados políticos que tinham por objetivo negar qualquer tipo de poder do
pontífice romano, bem como defender a existência de um único e independente poder: o poder temporal. No entanto,
a política e a religião confundem-se e disputam o poder, definindo dois modelos políticos. Marsílio afirma que a dualidade
de poder prejudica e equivoca os 'súditos fiéis',·causando instabilidade social. Jesus veio a este mundo para ensinar
como se alcança o reino eterno, sem obrigar ninguém a fazer isso, pois todos têm uma liberdade comum em Cristo, o
que é verdadeiro em relação a liberdade espiritual. Não veio para governar como desejou o papa Bonifácio VIII (entre

137
outros) ao envolver-se em diversos conflitos com o rei da França Filipe o Belo e ao promulgar documentos importantes
sobre o poder do papa como, por exemplo, as bulas Clericis Laicos e Unam Sanctam a fim de reafirmar a imunidade do
clero em todos os aspectos temporais e espirituais.

Ana Paula Tavares Magalhães - USP


Soberania e Normatização: A concepção de poder civil no Defensor Pacis (1324), de Marsílio de Pádua
Em sua obra maior, O Defensor da Paz (1324), Marsílio de Pádua (1280-1343), médico e jurista da corte do imperador
Luís da Baviera, defendeu a idéia de um poder civil soberano, e tendo como atribuição fundamental a manutenção da
paz na comunidade de cidadãos. Sua tese decorria da longa discussão sobre a plenitudo potestatis papal ocorrida
sobretudo entre as décadas de 20, 30 e 40 do século XIV, e polemizava com os chamados teóricos curialistas, que
pretendiam atribuir o referido poder ao bispo de Roma. Afim de negar o mesmo poder ao papa, o paduano recorreu a uma
série de argumentos hauridos na Santa Escritura, nos Direitos Civil e Canônico e na Medicina. A paz não era de essência
teológica ou metafísica, mas antes, garantida pela justiça que só podia ser mantida pela ordem humana - temporal.
Tratava-se, portanto, de uma necessidade do govemo e de uma condição necessária e suficiente para a vida espiritual de
cada um. Ooficio da normatização e do controle cabia somente ao poder civil, e decorria de sua existência como entidade
soberana. Quanto à Igreja, ela consistia apenas no conjunto dos fiéis que acreditavam e invocavam o nome de Cristo,
encontrando-se repartidos entre os diversos Estados. Dessa forma, negava-se à Igreja o estatuto de instituição.

Cybele Crossetti de Almeida - UFRGS


O papel normatizador do Conselho da cidade de Colônia na idade média tardia
Direito e politica são aspectos indissociáveis da vida humana. Mas muitas vezes o Direito é relegado pelos historiado-
res a pesquisadores de outras áreas. Este trabalho busca agregar o estudo do direito à história política e social da
cidade alemã de Colônia em fins da idade média, quando a cidade era um grande centro econômico. Os impostos
permitiram que a cidade renana gradativamente comprasse a sua independência ao arcebispo, que era o seu senhor
de direito. A ele pertencia, entre outros, o direito a nomeação dos Schóffen/scabini, que em seu nome julgavam delitos
e contendas. Mas a progressiva independência política de Colônía fez com que o Conselho, inicialmente um órgão
administrativo de menor importância, se tornasse o centro político, ocasionando choques com o Schóffenkolleg. Por
isso, para analisar as concepções e práticas da justiça é preciso levar em conta não apenas os processos civis e
criminais, mas também as resoluções do Conselho, que demonstram que um dos últimos redutos da autoridade do
arcebispo estava sendo minada por uma nova elite, que pretendia não apenas tomar as decisões políticas mas tam-
bém ter o controle do âmbito jurídico. Desta forma a análise política e histórica só pode ser completada por uma análise
das normas e instituições do direito.

Maria Cristina Vidotte Blanco Tarrega - UFG


A universalidade da compreensão e a apreensão do Direito pelas História-as relações entre História,
Hermenêutica e Direito
Na concepção clássica, a História do Direito é problemática frente á pluralidade de abordagens possíveis de seu
objeto, sobretudo em razão da finalidade delas. A História do Direito revela-se para a dogmática jurídica, nesta concep-
ção, com fins de sistematização de regras para conhecimento/criação. Para a Hermenêutica Jurídica, especificamente
para os que pretendem uma epistemologia dessa área de conhecimento, a História do Direito serve como método de
compreensão para se criar regras operacionais de aplicação do direito. O presente estudo contrapõe-se a essa idéia,
com fundamentos na hermenêutica gadameriana, que reconhece a universalidade da compreensão pela unilateralidade
do objeto. É o que se pretende discutir com enfoque na justiça medieval.

Adriana Vidotte - UFMG


Reflexões sobre métodos e abordagens do direito público medieval
A pesquisa histórica sobre o direito público medieval obriga o historiador a buscar as vias diferenciadas do direito para
a compreensão do seu objeto. O pesquisador acaba se posicionando na encruzilhada da história do direito, onde se
cruzam as vias históricas e as jurídicas, e corre o risco de seu trabalho perder a identidade. Não é recente a discussão
sobre a natureza da história do direito, sobre seu pertencimento à ciência histórica ou á ciência juridica. O debate foi
especialmente intenso na década de 1950. Contudo, o estudioso da matéria ainda continua sendo - como muitos já
afirmaram - um sujeito de dupla cidadania que não sabe qual é a sua pátria. Propomos refletir sobre as possibilidades
de abordagem histórico-juridica do direito público na Espanha no final da Idade Média.

Irma Antonieta Gramkow Bueno - UFRGS


Representação dos Estereótipos Femininos no Fuero Juzgo e na legislação Afonsina: uma abordagem comparativa
A legislação de uma sociedade pode nos contar muito sobre ela. Através do estudo do seu conjunto de leis, somos
capazes de conhecer os hábitos, os costumes e a organização desta. Levando isto em consideração, neste trabalho
estamos utilizando o Fuero Real, as Siete Partidas - as duas mais importantes obras jurídicas de Afonso X -, e o Fuero

138
Juzgo - originário do período visigodo - para analisar como são apresentadas as questões dos direitos e deveres
femininos, buscando identificar como a mulher é representada e como estas imagens se encaixavam nos estereótipos
tradicionais da época: positivo ou negativo, identificados, respectivamente, com Maria e Eva. A escolha de códigos
legais confeccionados em períodos diferentes e para grupos sociais diferentes permite fazer uma comparação, tempo-
ral e cultural, sobre a maneira como os estereótipos femininos aparecem e se modificam. Verificando, então, as possí-
veis alterações e influências na assimilação destes no discurso jurídico dos períodos em questão.

I 20/07 - Sexta-feira - Manhã (10h30min às 12h30min) I


Renata Cristina de S. Nascimento - UFG
As Atitudes do Rei em favor da Nobreza e as Queixas Apresentadas em Cortes: A permanência dos abusos da
fidalguia durante o governo de D. Afonso V (1448-1481)
Os excessos da nobreza durante o governo de D. Afonso V em Portugal, só foram possíveis, devido ás omissões do
poder central e aos abusos cometidos por parte da fidalguia que provocavam enormes conflitos entre os povos e os
procuradores dos conselhos. As Cortes, mesmo que estivessem longe de representar um retrato total do que se
passava, eram, de certa forma, a imagem do vivido. Eram nelas que estes problemas se apresentavam ao rei. É nosso
objetivo proceder à sua análise, não perdendo de vista que essas arbitrariedades se davam em favor da nobreza e, de
forma geral, em prejuízo da centralização do poder.

Flávia Aparecida Amaral -U S P @ 7


Godofredo, o Dentuço e a justiça de Lusignan
A literatura pode ser considerada fonte privilegiada para a análise da resolução de conflitos e das idéias acerca da
justiça que se difundiram no período medieval. Documentos como tratados políticos e teológicos, ou mesmo documen- o
tos com objetivos nonmativos como as 'Capitulares' carolíngias, por exemplo, são de suma importância para o tipo de .~-

r~:~~~~çci~~ ~~~~:~ ~~~~~~~~~t~~ajt~~~ç~O;éd~' :~aa~~li~:~:Oc~: ~~t~~:~~~~i~~d~p~~~r~~n~~~r~~feo~~~:~~n~~~c~~ .~


para a anàlise de temas que estão longe dos mais comuns em relação à literatura medieval, como por exemplo, o ~
imaginário, as mentalidades, o amor cortês, etc. O objetivo desta apresentação é abordar algumas problemáticas ~
acerca da justiça na Idade Média privilegiando como testemunho histórico o Romance de Melusina ou a História dos ~
Lusignan. Destaca-se nessa narrativa a figura de Godofredo, o Dentuço um dos filhos de Melusina cujas aparições 1§
estão sempre relacionadas a resolução de conflitos e ao estabelecimento da justiça. Pretende-se analisar qual o papel .s
de Godofredo nesses episódios, e a razão de a justiça do Romance de Melusina se relacionar a esse temível, implacà- a.
vel e impulsivo personagem. .bi
'i3
.~

"3
Marília Pugliese Branco - USP E
A legitimação da figura do rei nomatizador: alguns aspectos da biografia de São Luís, de Joinville gj
No cerimonial de sagração as insígnias representavam suma relevância, Seu significado estava relacionado direta~ g.
l

mente à esfera política do religioso, ou seja, á ligação estreita da natureza política da monarquia com a religião- E .s
instituições nas quais o simbolismo estava incorporado. A união do abstrato - crença - com o material- insígnias e rítos
- resultou na idéia da monarquia sagrada. Esses objetos e esses poderes colocavam o rei em comunicação direta com
Deus, mantendo ao mesmo tempo o intermediário eclesiástico.
Uma caracteristica muito marcante na monarquia capetíngia e do reinado de Luís IX especificamente foi a forte aliança
com a Igreja. A Igreja era peça mestra do sistema feudal e justificadora ideológica desse sistema, sendo a principal
intermediária. entre o rei e seu populus, dando a ele posse através da cerimônia de sagração e unção. Segundo
Kantorowics (1998, p.49), da sagração emanava a capacidade espiritual na qual o rei figurava como persona mixta.
Mista na medida em que havia uma união de poderes e faculdades espirituais e seculares. Dessa maneira, reconhecia
no rei um homem individual, decorrente de sua natureza, e um Christus, pela graça. Mediante alguns traços de sua
biografia, podemos perceber ern São Luís a representação dessa pessoa gêmea.

Ana Cristina Campos Rodrigues - UFF - F. Biblioteca Nacional


Um modelo de corte: a descrição da casa do Duque Carlos da Borgonha (1467-1477)
Escrito a partir de 1471 por Olivier de La Marche a pedido do rei Eduardo IV de Inglaterra, 'L'état de la maison du duc
Charles de Bourgogne dit le Hardy' é tido como a obra mais importante desse retórico e pensador do fim da Idade
Média. Nesse tratado, o servidor borgonhês descreve em minúcias as formas de comportamento de seu senhor, Carlos
de Borgonha, tanto no governo quanto no trato social. Junto com as suas 'Mernoires', essa obra forma um testemunho
apaixonado do último duque Valois da Borgonha. Nesse trabalho, iremos de forma breve indicar como La Marche, ao
tornar a corte borgonhesa um exemplo e um padrão a ser seguido, foi crucial para conformar a imagem desta como a
mais suntuosa e importante de sua época, ao mesmo tempo em que servia aos interesses políticos dos duques.

139
18. Ensino de História: currículo, culturas e linguagens
Ana Maria Ferreira da Costa Monteiro (UFRJ) e Carmen Teresa Gabriel Anhorn (UFRJ)
I 16/07 - Segunda-feira - Tarde (14h às 18h) I
Ana Maria Ferreira da Costa Monteiro - UFRJ
A historia ensinada: saberes docentes em narrativas da historia escolar
Esta comunicação apresenta os primeiros resultados de pesquisa que tem por objetivo investigar os saberes mobiliza-
dos pelos docentes no ensino da História, o que implica articular as questões da produção do conhecimento histórico
com os saberes e as práticas dos diferentes agentes da cultura escolar. Nesse sentido, o instrumental teórico que
fundamenta a análise dos saberes docentes (Tardif, 2002; Gauthier,1998; Shulman, 1986,1987) é utilizado, de forma
articulada, com aquele que, oriundo do campo teórico da História (Hartog, 1998 Burke,1992; 2005) oferece contribui-
ções para a compreensão da questão da narrativa como estrutura discursiva utilizada para a pesquisa, a produção e
expressão do conhecimento histórico e, também, da história escolar (Moniot, 2000;Lautier, 1997; Carretero,2005). Esta
pesquisa utiliza como pressuposto a concepção de currículo como prática de significação (Moreira, 2002; Silva,1999)
e que contribui para configurar o contexto de análise dos saberes mobilizados pelos docentes na busca da compreen-
são da relação entre a sua atuação no ensino da História e a produção de sentidos pelos alunos.

Carmen Teresa Gabriel Anhorn - UFRJ


"Relação com o saber" no currículo de história: sentidos e expectativas de aprendizagem em disputa
Este texto tem por objetivo mapear e analisar as expectativas e sentidos de aprendizagem em História atribuídos pelos
diferentes sujeitos - professores e alunos - envolvidos diretamente no currículo desta disciplina escolar. Apoiada nas
contribuições das teorias curriculares criticas e pós-criticas a análise procura sublinhar como a questão da relação que
os sujeitos estabelecem com o saber é central para a própria compreensão dos sentidos de sucesso /fracasso escolar
que orientam e influenciam a experiência escolar. A hipótese trabalhada é que o currículo de história, como espaço de
enunciação e negociação de sentidos onde se disputam também sentidos de aprendizagens, é igualmente espaço onde
as noções de sucesso e fracasso nesta disciplina são tecidas e legitimadas. O recorte privilegiado pressupõe que a
problemática dos "saberes aprendidos' permite operar com a dimensão relacional da aprendizagem pela qual o que
importa é a conexão entre o movimento daquele que aprende e as características daquilo que é aprendido. Para tal
trabalhamos com entrevistas semi-€struturadas de professores e grupos focais de alunos da educação básica de diferen-
tes escolas com o objetivo de perceber através de seus discursos os significados atribuídos ás aprendizagens em história.

Ana Luiza Araújo Porto - UFAL


Entre Práticas e Saberes Históricos: Um diálogo entre o ensino de História Contemporânea e as teorias
curriculares pós-críticas
O presente trabalho está inserido nas discussões do projeto de dissertação 'Uma história fora dos trilhos: a formação
do profissional de História da Universidade Federal de Alagoas' que aborda a Formação do Profissional de História em
Alagoas a partir da análise do currículo do curso de História da Universidade Federal de Alagoas. Nosso objetivo será
discutir através das teorias pós-críticas do currículo, que pensam o currículo enquanto território de saber, poder e
espaço de produção de identidades a composição curricular da disciplina História Contemporânea, a ausência de
articulação entre os conceitos de saberes históricos e prática educativa, na disciplina. Há um distanciamento entre a
produção historiográfica atual sobre a História Contemporânea e as discussões estabelecidas em sala de aula, a partir
do conteúdo programático da disciplina. Para isso, a pesquisa utilizará como material de análise a produção dos
alunos em sala de aula (anotações das aulas, questionários e provas), bem como a ementa da disciplina.

André Victor Cavalcanti Seal da Cunha - UFPE


Narrativas Históricas Escolares: Apropriações pela Prática Pedagógica dos Professores de História
A pesquisa compreende as apropriações das narrativas históricas escolares pela prática pedagógica dos professores
de História. Para tanto, buscou-se analisar a estrutura discursiva das narrativas para identificar as matrizes historiográficas
que lhes servem de referência, bem como as estratégias metodológicas privilegiadas. Tivemos como campo os ciclos
finais do ensino fundamental de quatro escolas da rede municipal do Recife. Elegemos como sujeitos cinco docentes.
Diversas matrizes historiográficas participaram das (re)invenções, não obstante, percebe-se uma preponderância do
Marxismo. Detectamos também os múltiplos usos da oralidade como forma privilegiada para as apropriações. Perce-
bemos que o repertório de saberes históricos escolares formados na graduação e nos anos iniciais da profissionalização,
representou um núcleo duro da transposição didática interna. Aoralização do saber histórico mostrou ser um elemento
intrinseco à cultura profissional docente, não podendo ser associada a uma perspectiva inovadora ou conservadora
em si mesma. A diversidade dos fenômenos nos possibilitou vislumbrar a complexidade que caracteriza o ensino de
História vivido nas salas de aula.

140
Luísa Teixeira Andrade· UFMG
Aula de História: cultura, discurso e conhecimento
Este trabalho compõe uma das dimensões da pesquisa de mestrado desenvolvida na Faculdade de Educação/UFMG
que buscou investigar os processos de ensino-aprendizagem de História nas interações discursivas da sala de aula.
Estabelecemos como foco as interações em uma turma do 20 ano do ensino médio da Escola Estadual Maestro Villa-
lobos da Rede de Educação de Minas Gerais. Os princípios teórico-metodológicos se basearam na abordagem
sociocultural e na Etnografia Interacional. Neste trabalho, privilegiamos o estudo de uma aula específica acerca da
temática da Revolução Francesa. Esta análise constituiu-se de dois focos: o primeiro, centrado no professor, buscou
caracterizar a dinâmica discursiva da aula selecionada. O segundo, centrado no aluno, procurou investigar quais tipos
de pensamentos/raciocínios históricos estão sendo produzidos nas interações registradas. Como resultado, analisa-
mos os vários elementos que concorrem para o desenvolvimento de conhecimentos e para a mobilização de raciocíní-
os históricos em uma aula de História, quais sejam, o tipo de mediação pedagógica que condicionou, em grande parte,
o aprendizado dos alunos, as caracteristicas epistemológicas do conhecimento histórico e as práticas culturais do
grupo que sustentam os processos de ensino-aprendizagem.

Fernando de Araujo Penna . UFRJ


A história ensinada no Imperial Colégio de Pedro Segundo: uma matéria escolar?
O meu objetivo nesta comunicação é colocar em questão se a história ensinada no Imperial Colégio de Pedro Segundo
(1837-1889) pode ser considerada uma 'matéria escolar". A questão se coloca porque, apesar do Colégio ser classifi-
cado no periodo como um estabelecimento de instrução secundária, uma quantidade pequena de indivíduos tinham a
oportunidade de cursá-lo, aprendia-se desde a retórica e a poética à matemática e as ciências naturais e aqueles que
concluíssem o curso tornavam-se Bacharéis em Letras. Estes e outros indicios fazem com que alguns pesquisadores
questionem se as cadeiras lecionadas no Imperial Colégio de Pedro Segundo podem ser consideradas matérias esco-
lares ou aproximar-se-iam mais das disciplinas acadêmicas. Argumentarei, através de uma discussão teórica (Goodson,
Chervel, Forquin e Chevallard), acompanhada de indícios encontrados na documentação do período, que as cadeiras
já apresentavam sim características distintivas daquilo que pode ser considerado uma matéria escolar.

I 17/07 - Terça-feira - Tarde (14h às 18h) I


Helenice Aparecida Bastos Rocha - UERJ
O paradoxo da agulha e a ambição do currículo de História
No paradoxo bíblico da agulha, Jesus Cristo teria afirmado a impossibilidade de entrada dos ricos no Reino dos Céus.
A partir dele, elaboro uma reflexão sobre a dificuldade do ensino do currículo de História tal como se apresenta na
contemporaneidade. Esse fenômeno ocorre tanto com o currículo que está prescrito em propostas oficiais, bem como
com o que consta da tradição escolar, nos planos de curso ou livros didáticos, nos mais ou menos econômicos em sua
extensão. Ali existe a tentativa frustrada de levar, do pólo do ensinante, com o apoio dos objetos mediadores que
utiliza, para o pólo do aprendente e seus recursos, a bagagem transbordante do conteúdo específico da História
escolar. No lugar de tomarmos o professor como o responsável pelo problema do currículo, proponho outra reflexão,
que comecemos conhecendo a extensão de sua tarefa e suas práticas como estratégias para fazer o camelo do
currículo tradicional ou não da História passar pela agulha do limite do tempo escolar. Essa reflexão é feita a partir de
@
18
um breve exercício de arqueologia de algumas práticas docentes, no que se refere ao currículo de História. O material
de pesquisa provém de projeto em que busquei as estratégias de professores de duas escolas sobre a compreensão ~
dos alunos em aulas de História. g>
:::>
O>

Antônio Aparecido Primo - UNICASTELO e CENPEC ao
"Ensino de História e multidisciplinaridade: experiências com leitura de diferentes linguagens na educação '"
~
básica" .'3
O professor de História deve considerar que é seu papel orientar a leitura dos principais tipos de textos usados em sua B
área. De que maneiras isso pode ocorrer? Dentre elas destacam-se o uso de livros didáticos e documentos históricos d
nas aulas. o que possibilita o trabalho com leitura de diferentes linguagens. Nesta comunicação pretendemos: refletir ~

~~~r~a {t~~foe~:;:cf;~~e~~~~; adt~~~~~i~r~~sdde~~~~~~~:;~~o ~~~~ioa~~~~~~o~~~~~~~~c~~~~I~~~~od~e~~~g~~~ ~


divulgar e debater experiências didáticas com leitura das seguintes linguagens: canções, imagens (fotografias e pintu- ~i
~~~~e~;~;~~sd:~~~~O:s ~~~~~~~Se~t~~~n~~sJ~~~'n~f~~e~eo~ãe;t~~~~c~~~):~~c~s~~~oe: ~~~~s ~~p~~~~g~~ ~~~~ ~
ticas relacionadas ao tema 'História, memória, juventude e famílias de escravos e de camadas pobres e livres no final ~
do século XIX', ,~
c::
LJ.J

141
Giovani Luiz Romani . UFSM
Ensino de História e a interdisciplinaridade
A interdisciplinaridade, surgiu no final do XIX, pela necessidade de dar uma resposta à fragmentação causada por uma
epistemologia de cunho positivista. As ciências haviam-se dividido em muitas disciplinas. A interdisciplinaridade visa a
garantir a construção de um conhecimento globalizante, rompendo com as fronteiras das disciplinas. A postura
interdisciplinar é uma atitude de busca, envolvimento, compromisso, reciprocidade diante do conhecimento. Oobjetivo
principal do estudo da história não é fazer reviver o passado, mas, sim, procurar compreendê-lo. Os objetos do conhe-
cimento histórico são o homem e as sociedades humanas no tempo. Em História, não existe um saber acabado. Não
existe a palavra final sobre qualquer tema. Novos documentos, novas abordagens e novas interpretações possibilitam
uma visão plural do conhecimento histórico. Mais do que nunca o educador de história deve fazer parte do coletivo e
ampliar sua postura interdisciplinar. Por isso, o saber, como expressão da prática simbolizadora dos homens, só será
autenticamente humano e autenticamente saber quando se der interdisciplinarmente.

Andreza de Oliveira Andrade - UFPB


Curriculo, Gênero e práticas culturais: desafios ao ensino de história
Os currículos escolares inscritos no contexto educacional enquanto instrumentos reguladores das práticas educativas
são legitimados a partir de discursos e práticas articuladas no interior de relações de poder multifacetadas têm histori-
camente se constituído como poderosos instrumentos de políticas culturais. Em sua constituição e na sua prática eles
carregam consigo uma miríade de valores e modelos a serem perseguidos pela educação e pelo ensino. O que em
certo sentido pode significar a segregação e o silenciamento de sujeitos, práticas e valores que historicamente têm
sido postos à margem dos valores culturais hegemõnicos. Nesse sentido, há um desafio lançado à historiografia da
educação e ao ensino de história em especial: é o de captar as experiências desses sujeitos marginais, no sentido de
problematizarmos a hegemonia de modelos e valores hegemônicos como os que instituem, por exemplo, a hegemonia
dos valores masculinos como prática cultural refletida pelo currículo e pelo ensino de história. O que acaba refletindo
ao mesmo tempo em que reforça a desigualdade nas relações entre os Gêneros no âmbito da cultura e da sociedade.
Nosso desafio é o de concebermos e vivenciarmos as diferenças a partir da lógica da alteridade através da inclusão
histórica e social do "outro'.

Edinalva Padre Aguiar e Selva Guimarães Fonseca


Currículo: seleção, concepção e práticas de Ensino de História
Este artigo é parte da Dissertação de Mestrado Currículo e ensino de história: entre o prescrito e o vivido. Vitória da
Conquista-BA, Brasil (1993/2000), cujo objetivo foi analisar os currículos de História prescritos e vividos no ensino
médio, como ocorria o processo de seleção curricular, as concepções dos professores/as sobre currículo e a influência
do currículo oficial sobre o vivido. A metodologia da pesquisa inspirou-se na abordagem qualitativa. As entrevistas
foram baseadas no modelo da história oral temática e os entrevistados/as concordaram em ter seus nomes e narrati-
vas divulgadas. Além disso, foram utilizadas diversas fontes escritas como indicações curriculares, diários de classe,
leis, decretos etc. Os resultados apontaram que a relação entre o curriculo oficial e o vivido na sala de aula é permeada
por conflitos. Algumas vezes eles se aproximam outras se distanciam.

Francisco das Chagas Silva Souza - Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte
Novos tempos, temas e atitudes: o espaço do meio ambiente nas aulas de História
As catástrofes ambientais ocorridas no presente e outras anunciadas para o futuro demonstram claramente que a
ideologia do progresso rejeita ou minimiza as questões ambientais, seja no discurso ou na prática. As vitórias do
capitalismo produziram uma forma social caracterizada pela imprevisibilidade e pela autocritica - ela reconhece os
riscos que produz e reage diante disso. Isso explica o porquê dos encontros internacionais promovidos pela ONU
apontarem a Educação Ambiental (EA) como um mecanismo capaz de contribuir para minorar esses problemas, os
quais, pela sua complexidade, exigem interfaces entre as várias ciências. Por referir-se a uma nova forma de encarar
a relação do homem com a natureza, baseada numa nova ética e valores morais, a EA colabora na formação e no
exercício da cidadania. Dessa forma, a História, por compreender os fatos da contemporaneidade e do passado, e pelo
seu compromisso com a formação ética e cidadã, pode se inserir nesse grande desafio. Assim, algumas questões são
merecedoras de debate: como adequar o ensino dessa disciplina à formação das novas atitudes exigidas pela socie-
dade de risco? Como fazer as interfaces com as ciências da natureza? Como superar as limitações dos conteúdos dos
livros didáticos de História no que tange à questão ambiental?

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18/07 - Quarta-feira - Tarde (14h ás 18h)

Luciana Scheuer Brum - UFSC


As reformas curriculares e a formação do historiador: Em busca da indissociabilidade entre ensino e pesquisa
Este artigo tem como principal objetivo discutir as reformas curriculares no Ensino Superior a partir do estabelecimento
das Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e das Diretrizes Curriculares Nacionais, determinando a constru-
ção dentro de cada Instituição de Ensino Superior dos Projetos Políticos Pedagógicos (PPP) como instrumentos de
balizamento do fazer universitário. O Projeto Político do Curso de Graduação em História da Universidade Federal de
Santa Catarina será a base para análise destas transformações que buscariam romper com a tradicional dicotomia
entre ensino e pesquisa, através de alguns conceitos como os de competências e habilidades.

Roseane Maria de Amorim - PCR


A prática pedagógica dos docentes de Prática de Ensino: desafios e perspectivas para um novo tempo
Uma das problemáticas mais sérias que os docentes de Prática de Ensino de História enfrentam na sua prática peda-
gógica refere-se, a competência deste profissional para motivar os alunos no processo de ensino-aprendizagem. É
notório para qualquer professor e professora que de modo geral os educandos não gostam de ler, interpretar textos e
de ouvir o educador por mais de vinte minutos. Vivemos num mundo no qual as pessoas são impacientes e estão
saturadas de informações. Esse fenômeno atinge os discentes da Educação Infantil até os alunos e alunas do Ensino
Superior. Diante dessa realidade como professora de Prática de Ensino do curso de Licenciatura em História fiz, no
decorrer do meu trabalho, a seguinte indagação: que metodologias o/a educador/a desse campo de saberes pode
lançar mão para motivar os discentes aos estudos e compreender a importância da Prática de Ensino para a sua
formação? A resposta a esta questão é uma tarefa complexa na medida em que a cobrança para com esse/a educador/
a é grande, visto que, não se admite que esse docente não tenha competência metodológica para atingir esse fim, isto
é, o (a) professor (a)do campo pedagógico é considerado especialista na arte de ensinar e, portanto, precisa ter uma
metodologia de trabalho diferenciada.

Valeska Garbinatto - Col.Est.de 1° e 2° graus Elpídio Ferreira Paes e Maria Aparecida Gomes
O Ensino de História frente às discussões sobre Inclusão e Exclusão Social: uma questão de Ética
A temática da Inclusão e da Exclusão está muito em voga, nos últimos 20 anos, não só na área da Educação, mas
também da própria pesquisa nas Ciências Humanas. O questionamento principal é de que maneira esta discussão
perpassa a construção diária que é a relação professor-aluno, principalmente quando estamos falando do Ensino de
História. O ponto de partida inicial encontra-se justamente nos parâmetros que o MEC fornece a nós profissionais em
educação. Através do cruzamento dos textos legais que subsidiam a ação educativa num contexto mais amplo e das
entrevistas com professores da rede pública de ensino, pretendemos buscar respostas para este questionamento. Se
a escola deve ter como tarefa a formação da Cidadania e se esta ganha seu sentido pleno num contexto democrático,
é fundamental verificar que situação existe hoje no Brasil. As leis que regem as ações do povo brasileiro apontam
efetivamente na direção da cidadania? Mais ainda, que atitude têm os indivíduos diante delas? A educação que se
oferece nas escolas capacita de fato os indivíduos para atuar crítica e construtivamente? De que maneira nós, profis-
sionais do Ensino de História, nos posicionamos frente ás discussões sobre Inclusão e Exclusão Social, que são tema
das principais mudanças educacionais na atualidade? @
Regina Célia do Couto - UFPel/Unipampa '"
Multiculturalismo (s) e ensino de História na fronteira Brasil-Uruguai: revelando resistências e encontros g
Este trabalho é um desdobramento da pesquisa de Mestrado em Educação realizada na Universidade Federal de ~
Uberlândia, onde se entrevistou os formadores de professores de história sobre multiculturalismo. Neste sentido este ~
texto é um primeiro produto de uma investigação desenvolvida nas Escolas Públicas de Ensino Fundamental de '"
Jaguarão, cidade fronteiriça com o Uruguai. Intentou-se compreender como os professores que ensinam história se 1§
apropriam da questão (multi) cultural nos curriculos. Indagou-se sobre as perspectivas (multi) culturais explicitas e ~
implícitas nos curriculos de história utilizado nestas Escolas e sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa- '-'
ção das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de,História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (MEC, 2004) e as -3-
Orientações e Ações para a Educação das Relações Etnico-Raciais: ensino fundamental (MEC, 2006), Utilizou-se de ,~
entrevistas orais temáticas semi-estruturadas, dialogando com os professores de história sobre a questão do (multi) ~
culturalismo e análise dos curriculos prescritos (MEC,2004/2006). Esta investigação possibilitou estabelecer alguns co
encontros e embates que permeiam o (multi) culturalismo nas interfaces com as questões étnico-raciais, curriculo, e ~
ensino de história nessa região. :i?
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Amauri Mendes Pereira - Centro de Estudos Afro-Brasileiros-UCAM
O Minas Clube e a Lei 10.639/03: um entroncamento na História e Cultura Afro-Brasileira
Além do desafio político, do desafio acadêmico e do desafio da práxis dos educadores, venho identificando em cursos
de formação continuada de educadores de redes públicas, um desafio crucial á implementação da lei 10.639/03: a
própria conceituação do que seja História e Cultura Afro-Brasileira. Pretendo, então, apresentar a história do Minas
Clube, o 'Clube Negro" de Além Paraiba-MG, nos anos 50 e 60. Buscando recuperar a trajetória do protagonismo negro
numa pequena cidade, o texto aborda tipos de relações que eram estabelecidas por diferentes segmentos da popula-
ção negra com elites regionais, e com outros agentes sociais e políticos, a partir de fontes documentais e de depoimen-
tos de fundadores e participantes do clube; muitos deles, ativistas junto ás oficinas e ao sindicato dos ferroviários da
Leopoldina na região. A investigação problematiza sobretudo as visões: de uma História e Cultura Afro-Brasileira
construida em alteridade, ao largo do desenvolvimento da sociedade brasileira; e seu inverso -largamente difundido
no senso comum - que concebe uma História do Brasil, na qual as "agruras vivenciadas no meio negro': iniciativas e
processos intestinos de organização e ação, não passariam de epifenômenos, em relação aos contextos 'mais am-
plos' de lutas sociais no Brasil.

Hivana Mara Zaina de Matos - Faculdade Santa Izildinha


A prática historiográfica dentro da concepção ensino- aprendizagem: experiência docente em São Paulo
Ao ministrar a disciplina de Fundamentos e Métodos do Ensino de História para alunos do Curso de Pedagogia perce-
beu-se que desconheciam o conceito e a importância da História. Uma questão foi levantada: Se o aluno não tem a
história em sua prática cotidiana, se considera que a disciplina é composta por conteúdos para serem memorizados,
'decorados', ou consideram que o passado não faz parte do presente, como pode transmitir ao seu aluno, o saber
histórico? Freqüentemente professor considera a História como a concepção de fato, saber pronto, que não há necessida-
de de ser revisado. Odesinteresse, a aversão facilita uma formação generalista podendo, muitas vezes, reforçar valores
e preconceitos. A partir dai houve a necessidade de ressaltar que o conhecimento ocorre a partir da experiência dos
homens e sua relação com o mundo em que vivem. Oobjetivo era o fazer histórico, pensando na valorização do conheci-
mento. Partindo da vivência do aluno, foi apresentada a proposta de elaboração de um livro de História com o tema: A
História do meu bairro. A presente apresentação pretendeu refletir, através de um relato de experiência, ações que valori-
zem as práticas historiográficas e a conscientização de que cada um de nós faz parte do processo histórico.

I 19/07 - Quinta-feira - Tarde (14h ás 16h30min) I


Helena Maria Marques Araújo - UERJ e UFRJ
Memória e produção de saberes em museus de História
Nos últimos anos cresceram as pesquisas que analisam os processos de ensino em espaços não formais na perspecti-
va dos estudos sobre transposição didática e/ou recontextualização. Os museus de História, assim como outros espaços
educativos não formais, são produtores de saberes próprios. Este trabalho tem o intuito de valorizar esses saberes,
produtos da experiência social e cultural, gerados em espaços educativos diferenciados do espaço da escola. Como base
teórica utilizaremos o conceito de recontextualização de Bernstein para melhor entender o processo de produção do
discurso expositivo nos museus e analisar o discurso pedagógico e suas formas de transmissão e aquisição.

Eloisa Maria Lima Souto Silva, Cinthia Campanari, Ingrid Guimarães e Luiz Antonio Alves - Unilasalle
Ensino de história e Educação patrimonial
Pretende-se discutir neste trabalho a importância do estudo patrimonial como parte do curriculo de História no Ensino
Fundamental e Médio. Busca-se, além de trabalhar a memória, mas também a identidade do aluno com a sua história
local, incentivando-o a conhecê-Ia e respeitá-Ia. Conhece--se o descaso e desrespeito do cidadão aos patrimônios. Incluir
nos programas escolares a educação patrimonial objetiva sensibilizar o aluno a respeitar o patrimônio histórico e a história
local, preservando sua memória e incluir uma nova linguagem para o campo do ensino de História. Tem sido desenvolvida
experiência no Curso de Licenciatura em História, da Unilasalle, onde um grupo realiza trabalho de levantamento histórico
de patrimônios da cidade de Niterói, para que seus alunos, nas escolas onde atuam, estudem sua relação com aformação<