ESTRATÉGIAS DE COMPREENSÃO DE EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS POR NÃO NATIVOS DO PORTUGUÊS BRASILEIRO
Discente: Vicente de Paula da Silva Martins (UVA/FUNCAP) Orientadora: Dra. Rosemeire Selma Monteiro-Plantin (UFC/PPGL))
Tese submetida ao Curso de Doutorado do PPGL/UFC Fortaleza, UFC, Centro de Humanidades
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Investigar as estratégias de compreensão idiomática utilizadas por falantes não nativos do Português Brasileiro (PB) em contextos de uso.
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(OE1) Validar o Protocolo Verbal think-aloud com os participantes; (OE2) Verificar o grau de identificação fraseológica a partir do texto escrito; (OE3) Verificar o grau de memória fraseológica dos falantes não nativos do PB; (OE4) Verificar o grau de identificação fraseológica a partir de estímulos visuais (imagens); (OE5) Identificar os tipos de expressões consideradas opacas e transparentes pelos participantes; (OE6) Verificar as táticas bottom-up e as estratégias top-down mais usadas (e bem-sucedidas) pelos estudantes lusófonos.
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(QP1) Em
variam em grau de identificação fraseológica?
que medida as expressões idiomáticas escolhidas para a pesquisa
(QP2) De que forma tais expressões idiomáticas, representadas por imagens, variam em grau de identificação fraseológica?
(QP3) Até que ponto os participantes lembram-se de tais expressões e conhecem seu sentido idiomático?
(QP4) Qual o grau de idiomaticidade fraseológica?
(QP5) Que tipos de estratégias os participantes utilizam para compreender as expressões idiomáticas e quais delas foram bem-sucedidas?
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(HP1) Hipóteses relacionadas à identificação fraseológica
(ZULUAGA: 1980; MOGORRÓN HUERTA: 2010; MEJRI: 2012)
(HP2) Hipóteses relacionadas com a memória fraseológica
(CORPAS-PASTOR: 1996; e FULGÊNCIO: 2008)
(HP3)Hipóteses
fraseológica
(MELLADO BLANCO, 2004; MOGORRÓN HUERTA, 2010)
(HP4) Hipóteses relacionadas com estratégias cognitivas
(BLOCK, 1986; e COOPER: 1999)
relacionadas
idiomaticidade
com
a
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TEORIAS FRASEOLÓGICAS
CONCEITOS FRASEOLÓGICOS:
fraseologia, unidade fraseológica, expressão idiomática e LOCUÇÃO REFERÊNCIAS:
Casares, [1950] 1969; Zuluaga (1980); Corpas Pastor (1996); Penadés Martinez (1999);
Ruiz
Gurillo (2001); Mellado Blanco, 2004; Bevilacqua, 2004 Montoro Del Arco, 2006; Alvarado Ortega, 2007; García-Page Sánchez, 2008; Monteiro-Plantin (2011).
AS PROPRIEDADES FRASEOLÓGICAS:
a polilexicalidade, A FIXAÇÃO, a idiomaticidade, frequência e a convencionalidade REFERÊNCIAS:
Corpas Pastor: 1996, p. 19-32; Castillo Carballo: 1997, p.70-75; Penadés Martínez: 1999, p14- 19; Iñesta Mena E Pamies Bertrán: 2002, Pp21-56; Martínez Montoro: 2002, p.13-89; Montoro Del Arco: 2006, Pp35-70; García-page Sánchez: 2008, p.23-34; Timofeeva: 2008, p 153-333; E Ruiz Gurillo: 2010, p.174-194
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TEORIAS PSICOLINGUÍSTICAS
As Teorias Léxicas do Processamento Fraseológico Hipótese de uma “memória idiomática” Hipótese de uma representação lexical Hipótese psicolinguística de acesso direto As Teorias Composicionais do Processamento Fraseológico A hipótese psicolinguística dos linguistas cognitivistas Referências: Bobrow e Bell, 1973; Swinney e Cutler, 1979; Gibbs e Gonzales,1985; e Cacciary e Tabossi ,1988. Estudos empíricos relacionados ao tema Referências: Irujo (1986), Flores d’Arcais (1993), Cooper (1999), Crespo e Caceres (2006) e Detry (2010)
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DADOS, ANÁLISE, RESULTADOS E CONCLUSÕES DO 1º EXPERIMENTO (Teste de Reconhecimento Idiomático)
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“Costuma-se pensar que artistas de modo geral, inclusive os escritores, são ricos. Volta e meia sai uma reportagem que diz quanto um astro de TV famoso ganha e daí se difunde a crença de que artista é rico, quando, na verdade, matar cachorro a grito é atividade das mais exercidas pela maioria deles, mundialmente. “ ( In João Ubaldo Ribeiro, Caderno Cultura, Notícias, O Estado e São Paulo, 20 de março de 2011).
idiomática?
Você
identifica
no
texto
lido
alguma
expressão
CARTÃO 1
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Objetivo Objetivo Geral Geral |
Compreensão Compreensão Idiomática Idiomática |
Identificação Identificação Fraseológica Fraseológica (TAREFA A) (TAREFA A) |
Memória Memória Fraseológica Fraseológica (TAREFA B) (TAREFA B) "" "" |
Imagens Imagens Idiomáticas Idiomáticas |
Idiomaticidade Idiomaticidade Fraseológica Fraseológica (TAREFA C) (TAREFA C) |
Táticas e Táticas e Estratégias Estratégias (TAREFA D) (TAREFA D) |
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Objetivos Objetivos Específicos Específicos |
OE1 OE1 |
OE2 OE2 |
OE3 OE3 |
Ø Ø |
OE5 OE5 |
OE6 OE6 |
|
Perguntas Perguntas da da Pesquisa Pesquisa |
Protocolo Protocolo Verbal Verbal |
PP1 QP1 |
PP3 PP3 |
Ø Ø |
PP4 QP4 |
PP5 QP5 |
|
Hipóteses Hipóteses da da Pesquisa Pesquisa |
Protocolo Protocolo (MARTINS: 2013, p.101-104; p.116) Verbal Verbal |
HP1 HP1 |
HP3 HP3 HP4 HP4 HP5 HP5 |
Ø Ø |
HP6 HP6 HP7 HP7 HP8 HP8 HP9 HP9 |
HP11 HP11 HP12 HP12 HP13 HP13 |
|
H10 H10 |
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A identificação da fixação fraseológica favorece o correto emprego do seu sentido idiomático em textos escritos (jornais).
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Os critérios de identificação de Čermák (1998, p.144-145)
(a) A POLILEXICALIDADE:
Casares ([1950] 1969, p. 170; Gross ( 1996, p. 9-10); Corpas-Pastor (1996, p.19-20); Montoro Del Arco (2006, p.35-38); e García-Page Sánchez (2008, p 23-34) ;
(b) A FIXAÇÃO FORMAL:
Casares ([1950] 1969, p.210-211), Zuluaga (1975, p. 227-228;1980, p.95-110 ), Corpas Pastor (1996, p. 23-24), Alvarado Ortega (2010, p27-28), Mejri (2012. p.139-156) e Garrão (2012. p.125-131);
(c) A ESTRUTURA NÃO ORACIONAL:
Casares ([1950] 1969, p. 170).
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MÉDIAS E DESVIOS PADRÃO DO GRAU DE IDENTIFICAÇÃO FRASEOLÓGICA
(Tabela 4)
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(1) IDENTIFICAÇÃO POR DESVIO FRASEOLÓGICO Ex.: (a) “custo-benefício" (b) "pacote de viagem “
(2) IDENTIFICAÇÃO POR REDUÇÃO FRASEOLÓGICA Ex.: (a) "água do joelho” "e (b) “mais água no joelho”
(3) IDENTIFICAÇÃO POR DIÁTESE FRASEOLÓGICA
EX.: (a)" é
Lula/ então eu acho que é saber com quantos paus
“a Dilma vai saber com quantos paus se faz uma
; (b) "É
tem uma
se faz uma
canoa
".
do
expressão daqui que a Dilma vai
canoa”
do
/
do/
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HP1 - A identificação das expressões pôr a boca no trombone, tirar água do joelho e saber com quantos paus se faz uma canoa favoreceu o correto emprego do seu sentido idiomático (idiomaticidade fraca) As expressões matar cachorro a grito e chutar o pau da barraca, de fácil identificação fraseológica, foram consideradas de idiomaticidade forte (opacas). A expressão não pagar mico foi a única expressão de difícil identificação e com sua correspondente idiomaticidade forte.
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Os falantes não nativos do PB não processam as expressões idiomáticas memorizadas – só retomam o que já está psicolinguisticamente fixado na sua memória; Os falantes não nativos do PB têm na memória fraseológica, ao mesmo tempo, a expressão idiomática e seus parâmetros sintáticos; Os falantes não nativos do PB têm noção da frequência de construções linguísticas já guardadas e recuperadas da memória como um todo unitário.
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GRAUS DA MEMÓRIA FRASEOLÓGICA, POR EXPRESSÃO (Tabela 6)
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CONCLUSÕES DA TAREFA B
(GRAU DE MEMÓRIA FRASEOLÓGICA)
HP3 - As expressões não pagar mico, saber com quantos paus se faz uma canoa e pôr a boca no trombone são psicolinguisticamente fixadas em L1(crioulo) ou L2 (língua portuguesa na vertente africana).
HP5 - As expressões não pagar mico, saber com quantos paus se faz uma canoa e pôr a boca no trombone são de uso frequente, guardadas e recuperadas da memória como um todo unitário.
As expressões matar cachorro a grito, tirar água do joelho e chutar o pau da barraca não são recuperadas como um todo unitário pelos informantes.
HP4 - As expressões não pagar mico e saber com quantos paus se faz uma canoa parâmetros sintáticos semelhantes ao PB.
As expressões matar cachorro a grito, tirar água do joelho, pôr a boca no trombone e chutar o pau da barraca apresentam padrões sintáticos distintos do PB.
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As expressões que designam nomes de animais (zoomorfismos) e partes do corpo (somatismos) favorecem a idiomaticidade fraca (transparência) por sua analisabilidade ou composicionalidade semântica;
As expressões que designam nomes relacionados a botanismo (árvores), a indumentismo (vestimenta) e a gastronomismos (culinária) são de idiomaticidade forte por serem semanticamente menos motivados;
Expressões idiomáticas em L2 com padrões semelhantes em L1 são mais fáceis de serem corretamente compreendidas pelos falantes não nativos do PB.
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HP6 - A composicionalidade semântica dos zoomorfismos não pagar mico e matar cachorro não favoreceu a idiomaticidade fraca (transparência) A composicionalidade semântica dos somatismos tirar mais água do joelho e pôr a boca no trombone favoreceu a idiomaticidade fraca. A composicionalidade do botanismo saber com quantos paus se faz uma canoa favoreceu idiomaticidade fraca. HP8 - Os padrões semelhantes em L1 ou L2 (na vertente africana) presentes nas expressões tirar mais água do joelho, pôr a boca no trombone e saber com quantos paus se faz uma cano favoreceram a compreensão idiomática. A hipótese não foi confirmada para as expressões não pagar mico, matar cachorro a grito e chutar o pau da barraca HP9 - O conhecimento do sentido de elementos das expressões tirar mais água do joelho favoreceram a compreensão idiomática A hipótese não foi confirmada para as expressões não pagar mico, matar cachorro a grito e chutar o pau da barraca. HP 10 - O sentido atribuído pela comunidade linguística às expressões não pagar mico, matar cachorro a grito, chutar o pau da barraca bloqueou sua compreensão idiomática.
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TÁTICAS BOTTOM-UP E ESTRATÉGIAS TOP-DOWN DE COMPREENSÃO DE EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS
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TÁTICAS E ESTRATÉGIAS USADAS NA ANÁLISE DO CORPUS AFRI (Quadro 4)
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A idiomaticidade fraseológica pode ser influenciada pelas seguintes estratégias (ou fatores): (i) contexto de situação dado, formal ou informal (AC); (ii) sentido literal da expressão (SI); (iii) conhecimentos prévios dos participantes (CP); e (iv) conhecimentos linguísticos em L1 (L1, relacionada ao crioulo cabo-verdiano/crioulo guineense)
O uso de estratégias de compreensão de expressões idiomáticas em L2 varia de acordo com a competência fraseológica de cada falante não nativo do PB;
Quanto mais os informantes não nativos do PB empregam estratégias top-down no processamento fraseológico, menos táticas bottom-up precisam para compreender corretamente as expressões idiomáticas.
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Tabela 11 - Frequência de estratégias bem-sucedidas, por expressão
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Entrevistador: aparece aí também … a expressão é … “ não
pagar mico” … você saberia me dizer o que é pagar mico (
Participante: ((riso nasal)) isso também eu não conhece / eu falo “que mico” … ((riso)) … não
)
pagar mico é
não pagar / não passar vergonha …
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HP11 - A idiomaticidade fraseológica das seis expressões do experimento foi influenciada por AC, CP e L1.
SL e L1 não foram determinantes para que os informantes acessassem o sentido idiomático das seis expressões do experimento.
HP12 - A variedade de uso de estratégias de compreensão de expressões idiomáticas em L2 variou conforme a competência fraseológica de cada falante
foram os que mais exploraram as estratégias AC, CP e L1, por receberam
mais influência da cultura brasileira, através dos intercâmbios universitários, das telenovelas, músicas e mídias diversas (internet).
HP13 - As estratégias top-down se igualaram ao número de táticas bottom-up, não confirmando esta hipótese da pesquisa.
Os cabo-verdianos
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DADOS, ANÁLISE, RESULTADOS E CONCLUSÕES DO 2º EXPERIMENTO (Teste de Múltipla Escolha)
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Objetivo Objetivo Geral Geral |
Compreensão Compreensão Idiomática Idiomática |
Identificação Identificação Fraseológica Fraseológica (TAREFA A) |
Memória Memória Fraseológica Fraseológica (TAREFA B) (TAREFA A) "" "" |
Imagens Imagens Idiomáticas Idiomáticas |
Idiomaticidade Idiomaticidade Fraseológica Fraseológica (TAREFA C) (TAREFA B) |
Táticas e Táticas e Estratégias Estratégias (TAREFA C) (TAREFA D) |
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Objetivos Objetivos Específicos Específicos |
OE1 OE1 |
OE2 Ø |
OE3 OE3 |
Ø Ø |
OE5 OE5 |
OE6 OE6 |
|
Perguntas Perguntas da da Pesquisa Pesquisa |
Protocolo Protocolo Verbal Verbal |
PP1 Ø |
PP3 QP3 |
Ø Ø |
PP4 QP4 |
PP5 QP5 |
|
Hipóteses Hipóteses da da Pesquisa Pesquisa |
Protocolo Protocolo (MARTINS: 2013, p.101-104; p.116) Verbal Verbal |
HP1 Ø |
HP3 HP3 HP4 HP4 HP5 HP5 |
Ø Ø |
HP6 HP6 HP7 HP7 HP8 HP8 HP9 HP9 |
HP11 HP11 HP12 HP12 HP13 HP13 |
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H10 H10 |
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MÉDIAS E DESVIOS PADRÃO DOS NÍVEIS DE MEMÓRIA FRASEOLÓGICA
(Tabela 13, p. 199)
MÉDIAS E DESVIOS PADRÃO DO GRAU DE IDIOMATICIDADE FRASEOLÓGICA
(Tabela 14)
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Tabela 15 - Frequência de táticas e estratégias usadas, por expressão idiomática
FREQUÊNCIA DE ESTRATÉGIAS BEM- SUCEDIDAS, POR EXPRESSÃO IDIOMÁTICA
(Tabela 16, p.225-226)
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Entrevistador: na décima quarta aparece a expressão “rasgar seda” você conhece a expressão “rasgar seda”?
Participante: não
Entrevistador: não conhece
Participante: não
Entrevistador: gostaria de ler o texto pra tentar descobrir? Participante: ((a participante ler o texto em voz alta)) acho que Entrevistador: ((balbucio)) ((silêncio)) o que seria rasgar seda? Participante: trocar amabilidades e gentilezas
Entrevistador: trocar amabilidades e gentilezas
não conheço
((riso))
após a leitura
muito bem
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TAREFA A: GRAU DE MEMÓRIA FRASEOLÓGICA
HP3 - Engolir sapos, fazer gato e sapato, esquentar a cabeça e botar as manguinhas de fora são expressões psicolinguisticamente fixado na sua memória fraseológica dos informantes. As expressões pegar em um rabo de foguete e rasgar seda não apresentam equivalentes em crioulo. HP4 - As expressões engolir sapos, fazer gato e sapato, esquentar a cabeça, botar as manguinha de fora apresentam equivalentes em L1 com os mesmos parâmetros sintáticos (verbo + argumento).
As expressões pegar em um rabo de foguete e rasgar seda não apresentaram equivalentes em crioulo (L1).
HP5 - As expressões engolir sapos, fazer gato e sapato, esquentar a cabeça e botar as manguinhas de fora são construções construções de uso frequente, guardadas e recuperadas da memória dos falantes nativos do PB como um todo unitário. TAREFA B: GRAU DE IDIOMATICIDADE FRASEOLÓGICA HP9 - as expressões engolir sapos, fazer gato e sapato, esquentar a cabeça, pegar em um rabo de foguete e botar as manguinhas de fora tornaram-se idiomaticamente acessíveis por força do conhecimento do sentido de
um ou mais componentes . Apesar de conhecerem a palavra seda com sentido de nota ou papel, o rasgar seda foi considerada opaca pelos informantes.
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HP10 - O sentido idiomático de rasgar seda, atribuído pela comunidade brasileira, acarretou dificuldade de compreensão pelos sujeitos não nativos.
As expressões engolir sapos, fazer gato e sapato, esquentar a cabeça, pegar em um rabo de foguete e botar as manguinhas de fora tem o sentido idiomático compartilhado entre africanos, brasileiros e portugueses. HP6 - Os zoomorfismos engolir sapos, fazer gato e sapato e somatismos esquentar a cabeça e pegar em um rabo de foguete apresentaram idiomaticidade fraca (transparência) por sua analisabilidade ou composicionalidade semântica.
HP7 - O indumentismo rasgar seda, sem equivalência em L1 e sem registro na memória fraseológica dos informantes, caracterizou-se por idiomaticidade forte, por ser semanticamente menos motivado.
O indumentismo botar as manguinhas de fora foi considerado de idiomaticidade fraca (transparente) e e com registro de memória fraseológica. HP8 - Apresentaram padrões semelhantes em L1 ou em L2 (na vertente luso-africana), as expressões de uso frequente no Brasil: engolir sapos Fazer gato e sapato, esquentar a cabeça pegar em um rabo de foguete e botar as manguinhas de fora.
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TAREFA C : TÁTICAS E ESTRATÉGIAS DE COMPREENSÃO IDIOMÁTICA
- A competência lusófona, intralinguística e fraseológica e intralinguística falantes não
nativos do PB foi responsável pelo variado uso de táticas e estratégias (440) de compreensão idiomática. ; HP13 - As expressões engolir sapos, fazer gato e sapato, esquentar a cabeça, pegar em um rabo de foguete, botar as manguinhas de fora e rasgar seda registraram mais estratégias top-down do que táticas bottom-up de compreensão idiomática.
HP12
HP11 - A estratégia contexto de situação dado, formal ou informal (AC) exerceu influência na compreensão das expressões engolir sapos, fazer gato e sapato, esquentar a cabeça, pegar em um rabo de foguete, botar as manguinhas de fora e rasgar seda
Foi registrada baixa frequência de uso de estratégias SI, CP e L1 no conjunto de expressões.
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DADOS, ANÁLISE, RESULTADOS E CONCLUSÕES DO 3º EXPERIMENTO (Teste de Competência Fraseológica)
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Objetivo Objetivo Geral Geral |
Compreensão Compreensão Idiomática Idiomática |
Identificação Identificação Fraseológica Fraseológica (TAREFA A) (TAREFA A) |
Memória Memória Fraseológica Fraseológica (TAREFA B) (TAREFA B) "" "" |
Identificação Imagens idiomática Idiomáticas |
Idiomaticidade Idiomaticidade Fraseológica Fraseológica (TAREFA C) (TAREFA C) |
Táticas e Táticas e Estratégias Estratégias (TAREFA D) (TAREFA D) |
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Objetivos Objetivos Específicos Específicos |
OE1 OE1 |
OE2 Ø |
OE3 OE3 |
Ø OE4 |
OE5 OE5 |
OE6 OE6 |
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Perguntas Perguntas da da Pesquisa Pesquisa |
Protocolo Protocolo Verbal Verbal |
PP1 Ø |
PP3 QP3 |
Ø QP2 |
PP4 QP4 |
PP5 QP5 |
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Hipóteses Hipóteses da da Pesquisa Pesquisa |
Protocolo Protocolo (MARTINS: 2013, p.101-104; p.116) Verbal Verbal |
HP1 Ø |
HP3 HP3 HP4 HP4 HP5 HP5 |
Ø HP2 |
HP6 HP6 HP7 HP7 HP8 HP8 HP9 HP9 |
HP11 HP11 HP12 HP12 HP13 HP13 |
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H10 H10 |
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(a) Inalterabilidade da ordem dos componentes da expressão idiomática:
fazer boca de siri X *siri fazer boca (b) Invariabilidade de alguma categoria gramatical (de número, gênero, tempo verbal etc):
encher linguiça X * encher linguiças
(c)
Imutabilidade do inventário dos componentes pisar em ovos X * pisar nos ovos
(d) Incomutabilidade dos elementos componentes falar pelos cotovelos X * falar pelos cúbitos
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CORRELAÇÃO ENTRE IMAGENS IDIOMÁTICAS E IDENTIFICAÇÃO FRASEOLÓGICA
(Tabela 19)
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MÉDIAS E DESVIOS PADRÃO DO GRAU DE MEMÓRIA FRASEOLÓGICA
(Tabela 20)
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GRAU DE IDIOMATICIDADE FRASEOLÓGICA, POR EXPRESSÃO
(Tabela 22)
FREQUÊNCIA DE ESTRATÉGIAS USADAS, POR EXPRESSÃO IDIOMÁTICA
(Tabela 24)
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FREQUÊNCIA DE TÁTICAS E ESTRATÉGIAS BEM- SUCEDIDAS, POR EXPRESSÃO
(Tabela 25 )
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Entrevistador: na penúltima ficha aparece “fazer boca de siri” Participante: não Entrevistador: gostaria de ler pra tentar descobrir? Participante: ((a participante ler o texto em voz alta)) Entrevistador: após a leitura você saber dizer o sentido?
você conhece a expressão?
|
Participante: é não adianta fechar a boca / não falar / num sei / eu não sei o que é siri |
na verdade |
|
|
Entrevistador: siri eu posso dizer o que é |
siri é o que vocês chamam de cacri / é o cacri |
lá? |
Participante: tem o cacri / tipo caranguejo / ah:::
Entrevistador: quer alguma pista? Participante: pode ser
Entrevistador: é
o que aconteça / eu fico na minha / não me interessa a vida pessoal de ninguém / e se alguém me pergunta
eu sou do tipo que / quando eu viajo / ou na universidade / passo pelos locais / aconteça
|
assim |
e aí |
você viu aquilo ali / como é que o pessoal tava ali / olhe / eu não sei de nada / eu faço boca |
|
de siri |
||
Participante: é como se:: / as pessoas não quisessem falar de tudo que sabem / não ser fofoqueiro ((risos))
Entrevistador: não ser fofoqueiro
((risos))
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TAREFAA: GRAU DE IDENTIFICAÇÃO FRASEOLÓGICA HP2 - As expressões falar pelos cotovelos, fazer boca de siri, ir pentear macaco, encher linguiça, comer com os olhos e pisar em ovos, representadas por imagens, foram as mais difíceis de serem identificadas pelos informantes por não estarem armazenadas em sua memória fraseológica TAREFA B: GRAU DE MEMÓRIA FRASEOLÓGICA HP3 - Confirmamos a hipótese de que a expressão comer com os olhos está psicolinguisticamente fixada na memória fraseológica dos falantes não nativos (em L1, "kumi só ku odjo" e "Cume ku odjo" .
Não houve registro das expressões fazer boca de siri, ir pentear macaco, encher linguiça, pisar em ovos, falar pelos cotovelos na memória fraseológica em L1 ou em L2. HP4 - A expressão comer com os olhos (l2) tem estrutura sintática semelhante à L1 (em crioulo, "kumi só ku odjo" e "Cume ku odjo") Não há registro de equivalência fraseológica em L1 ou em L2 (português na vertente africana) para a expressão fazer boca de siri, ir pentear macaco, encher linguiça, pisar em ovos, falar pelos cotovelos. HP5 - A expressão comer com os olhos é construção linguística frequente, guardada e recuperada da memória dos falantes nativos do PB como um todo unitário.
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TAREFA C: GRAU DE IDIOMATICIDADE FRASEOLÓGICA HP6 - O zoomorfismo ir pentear macaco e o somatismo comer com os olhos favorecem a idiomaticidade fraca (transparência) por sua analisabilidade ou composicionalidade semântica.
A hipótese não foi confirmada para as expressões fazer boca de siri, falar pelos cotovelos são de idiomaticidade forte por terem léxico desconhecido pelos informantes (siri) e ser compreendido literalmente (falar + pelos + cotovelos).
HP 7 - Os gastronismos encher linguiça e pisar em ovos, com equivalentes em L1, não confirmaram a hipótese de opacidade semântica e apresentaram idiomaticidade fraca (transparência). HP8 - As expressões ir pentear macaco, comer com os olhos, pisar em ovos confirmaram a hipótese de acesso ao léxico idiomático por terem padrões semelhantes em L1 ou em L2 (na vertente luso-africana) e, por isso, mais fáceis de serem corretamente compreendidas pelos falantes não nativos do PB.
expressões fazer boca de siri e falar pelos cotovelos não confirmaram esta
As
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HP9 - As expressões ir pentear macaco, comer com os olhos, pisar em ovos e encher linguiça foram mais acessíveis aos informantes pelo conhecimento do sentido de um ou mais elementos da expressão idiomática
Na expressão fazer boca de siri, os informantes declararam desconhecer o sentido da palavra "siri” e na falar pelos cotovelos entenderam literalmente "cotovelo", isto é, como " a parte posterior da articulação entre o braço e o antebraço". Tarefa D : táticas e estratégias de compreensão idiomática
HP12 - A competência fraseológica de cada falante não nativo do PB foi responsável pelo largo emprego de estratégias top-down de compreensão idiomática.
HP13 - As expressões ir pentear macaco, fazer boca de siri, falar pelos cotovelos, pisar em ovos requerem mais emprego de táticas bottom-up (64%) do que de estratégias top-down (36%), com exceção comer com os olhos, cristalizada na memória dos informantes.
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A frequência de uso de estratégias AC, AA e AT confirmam a hipótese de as estratégias top-down, relacionadas ao contexto, influenciam na compreensão das expressões idiomáticas (ir pentear macaco, fazer boca de siri, comer com os olhos, falar pelos cotovelos, pisar em ovos, comer com os olhos, encher linguiça)
As estratégias SI , CP e L1 apresentaram baixos empregos pelos participantes e baixas taxas de sucesso.
Os dados sugerem que o processamento fraseológico não segue uma única direção ascendente (táticas bottom-up, centradas no texto lido ou ouvido) ou descendente (estratégias top-dow, que vão da mente ao texto), mas que existe uma inter-relação constante entre eles.
Os diálogos entre informante e experimentador desempenham um papel importante na passagem de um nível (bottom-up) a outro (top-down)
Aamostra maior do que 20 para melhor percepção dos impactos da L2, na compreensão de expressões idiomáticas na vertente brasileira.
inclusão de maior número de expressões idiomáticas usadas frequentemente no Brasil para ver se ocorrem as mesmas dificuldades de compreensão idiomática por estudantes não nativos do português brasileiro podem ser identificadas.
exploração do papel do contexto em que as expressões idiomáticas são apresentadas para os participantes.
a relação entre os conhecimentos prévios de informantes não nativos do Português Brasil e culturemas envolvendo as expressões idiomáticas
Pesquisas na área de Fraseodidática e Psicolinguística dirigidas a estudantes universitários lusófonos pode favorecer a proficiência da língua portuguesa como L2 bem como o surgimento de materiais didáticos e técnicas de ensino- aprendizagem baseados em questões relacionadas à compreensão de expressões idiomáticas.
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