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4/29/2018 A academia dominada - Opinião - Estadão

A academia dominada
Ao tratar dos direitos fundamentais, a Constituição de 1988 fez uma enfática defesa da liberdade de
pensamento e de expressão

O Estado de S.Paulo
29 Abril 2018 | 03h00

Ao tratar dos direitos fundamentais, a Constituição de 1988 fez uma enfática defesa da liberdade de
pensamento e de expressão. “É livre a manifestação do pensamento” e “é livre a expressão da atividade
intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”, dispõe o
art. 5.º, IV e IX. A Carta Magna ainda assegurou que “ninguém será privado de direitos por motivo de
crença religiosa ou de convicção filosófica ou política” (art. 5.º, VIII).

Com a menção detalhada a essas garantias, a Assembleia Constituinte pretendia instaurar no País um
novo ambiente de liberdade, diferente do cenário visto no regime militar. Desde então, houve inegáveis
avanços no exercício da liberdade no País. Há, no entanto, uma esfera em que, estranhamente, perdura
uma severa censura contra quem não compartilha as ideias majoritárias. Fazemos referência ao
ambiente acadêmico.

Em artigo publicado no Estado, o professor Carlos Maurício Ardissone (A ditadura na academia e o


golpe de 2018, 22/4/2018) denunciou a falta de liberdade na academia. “É bastante duro, para não
dizer impossível, ser ao mesmo tempo liberal e professor de Ciências Sociais no Brasil”, escreveu
Ardissone.

“O professor de Ciências Sociais que ousa questionar a cartilha marxista-gramsciana predominante e se


recusa a se comportar como um intelectual orgânico em sala de aula enfrenta duras penas: é tachado de
reacionário por muitos colegas, torna-se alvo de risadinhas e fofocas na sala de professores e
frequentemente é punido com a perda de disciplinas e prejudicado em bancas de seleção para muitas
universidades públicas por não integrar nenhuma das panelinhas ideológico-partidário-sindicais que
dominam os corpos docentes nessas instituições”, relatou o professor.

Se já é um absoluto contrassenso a existência desse tipo de perseguição dentro de uma universidade,


que deve ser regida por um profundo espírito de liberdade, pluralismo e tolerância, pior é que esse
abuso tenha se tornado coisa corrente. De tão comum, esse sequestro ideológico é visto como elemento
natural de quase todas as instituições acadêmicas, especialmente as públicas. É um disparate que o
dinheiro do contribuinte seja usado para sustentar violações à liberdade de pensamento e de expressão.

Junto a esse “ambiente repressivo que, diariamente, constrange inúmeros professores liberais, aos
quais é imposta uma lei de silêncio quase marcial, por causa do temor de possíveis retaliações”,
escreveu Ardissone, há uma incansável doutrinação dentro da sala de aula por parte de “muitos dos
professores marxistas-gramscianos (...). Como estão convictos de que conhecem intimamente a fórmula
para a redenção da humanidade e de que detêm o monopólio da virtude, naturalizam o processo de
aliciamento ideológico que diariamente é realizado em grande parte das escolas e universidades do
Brasil. Convocam alunos para passeatas e panfletagens de partidos, candidatos e sindicatos, sem a
menor cerimônia. Pressionam-nos a se envolver e a apoiar agendas de movimentos sociais de esquerda,
dentro e fora da sala de aula. Tudo sem jamais oferecer contraponto digno de nota e confiança, nos
conteúdos que supostamente cumprem como profissionais de magistério”.

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Essa doutrinação ideológica é um atentado à academia, que se vê despojada de sua mais profunda
missão: a busca da verdade num ambiente de plena liberdade. Por óbvio, tal aparelhamento ideológico
da universidade também gera efeitos muito além dos bancos acadêmicos. É todo um conjunto de ideias,
quase sempre muito frágeis e irrealistas, que ganham ar de verdade incontestável. Neste sentido, como
não ver a relação entre a crise política, econômica, social e moral que o País atravessa e os abusos
ideológicos cometidos diariamente nas universidades? A academia tem um papel decisivo para o País.
Urge resgatar sua dignidade, devolvendo a liberdade de pensamento e de expressão a professores,
pesquisadores e alunos.

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A hora da conciliação
Os brasileiros passaram os últimos 30 anos sendo instigados ao confronto. Não por acaso, esse
período coincide com a formação e a consolidação do Partido dos Trabalhadores

O Estado de S.Paulo
29 Abril 2018 | 03h00

Os brasileiros passaram os últimos 30 anos sendo instigados ao confronto. Não por acaso, esse período
coincide com a formação e a consolidação do Partido dos Trabalhadores, cuja aguerrida militância fez
da raiva sua principal ferramenta política, impossibilitando qualquer forma de diálogo com quem não
fosse petista. Tal indisposição democrática gerou os esperados frutos, na forma de um antipetismo
igualmente feroz e intolerante – o que viabilizou até mesmo uma candidatura presidencial que faz da
truculência seu projeto de governo. Pode-se dizer que o estado de conflagração estimulado por esses
dois agrupamentos é precisamente o que lhes fornece argumentos para existir – e cada um dos lados se
apresenta como guardião da democracia contra as arremetidas autoritárias do adversário.

O problema é que essa atmosfera belicosa acabou por sequestrar a agenda nacional. Tudo hoje no País
parece submetido a essa lógica excludente – o famoso “nós contra eles” enunciado pelo chefão petista
Lula da Silva e adotado com igual vigor pelos grupelhos de extrema direita.

O diálogo e o bom senso encontram-se interditados. Salas de aula de escolas e universidades foram
transformadas em bunkers de uma imaginária “resistência” contra o avanço dos “fascistas”, que é como
muitos professores e alunos que se dizem “progressistas” qualificam quem não aceita a revelação
petista. Essa atmosfera se espraiou por salas de teatro e museus, gerando previsível reação, muitas
vezes violenta, dos radicais antipetistas.

Do mesmo modo, manifestações políticas nas ruas são hoje marcadas pelo discurso do ódio, seja por
parte de quem se manifesta, seja por parte de quem a elas se opõe. Não há ali nenhuma proposta para
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construir um país melhor, que envolva todos os brasileiros; só há o aprofundamento de uma divisão
criada por quem lucra com uma ilusória “luta de classes”.

Mas a atmosfera de cizânia não se limita ao choque entre petistas e antipetistas. Jacobinos empregados
no Judiciário e no Ministério Público, por exemplo, colaboram decisivamente para dividir o País entre
os bons e os maus, sendo que os maus são os políticos em geral, considerados corruptos irregeneráveis,
e os bons são aqueles que não descansarão enquanto não desmoralizarem toda a classe política. A
necessária luta contra a corrupção, assim, tem servido como instrumento dos que se julgam investidos
do dever de purificar a democracia nacional.

Não há diferença essencial entre esses movimentos. Todos eles se julgam moralmente superiores a seus
antagonistas declarados, a todos aqueles que ousam lhes dirigir críticas e também aos que lhes são
indiferentes. É essa irredutibilidade, exercitada principalmente nas redes sociais, que está fazendo a
política degenerar em rinha de galo.

Nesse clima apocalíptico, a campanha presidencial por ora tem se limitado à especulação sobre quem,
entre os candidatos, está mais bem apetrechado para desbaratar o lulopetismo, o extremismo de direita
e/ou a corrupção em geral – a depender do freguês –, como se esses fossem os aspectos fundamentais
da disputa e, portanto, do futuro do País.

O Brasil que sairá das urnas em outubro dependerá muito do surgimento de líderes políticos capazes de
virar essa página e de propor outra agenda, com as verdadeiras prioridades do País. Antes de mais
nada, é preciso que haja candidatos que demonstrem disposição de governar para todos, e não contra
quem quer que seja. Isso significa que o vencedor da próxima eleição não pode tratar os adversários –
nem muito menos os eleitores destes – como inimigos. Ao contrário: o momento é, justamente, de
conciliação.

E por conciliação não se entenda ausência de divergência, pois essa é justamente a utopia dos
autoritários que ora se digladiam pelo poder. Uma verdadeira democracia, com o perdão do truísmo, se
constrói com a participação ativa de polos opostos. Por essa razão, que devia ser evidente para todos, é
preciso que haja maturidade suficiente dos atores políticos para aceitar, finalmente, que política não é
intimidação nem pensamento único, mas diálogo, aceitação da alternância de poder e capacidade de
fazer concessões. Fora disso, é a barbárie.

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