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EXMº(ª) SR.(ª) DR.

(ª) JUIZ(A) DE DIREITO DA VARA CÍVEL DA COMARCA


DE SALVADOR – BAHIA.

Triagem DPE/CAR nº - 6.955/08.

ESTEVÃO RAIMUNDO SARMENTO COSTA, brasileiro, RG nº 0203048032,


CPF nº 88868117568, residente e domiciliado na Ladeira dos Galés, Edf. 12, Apt 14,
Brotas, nesta Capital, aqui sob o patrocínio da Defensoria Pública do Estado da Bahia, por
um dos seus membros que esta subscreve, constituído na forma do art. 128, XI, da Lei
Complementar Federal no 80/94, podendo ser intimado pessoalmente no endereço da Rua
Arquimedes Gonçalves, nº 313, Jardim Baiano, nesta Capital, vem, perante Vossa
Excelência, requerer a presente

AÇÃO DECLARATÓRIA NEGATIVA DE CONTRATO BANCÁRIO COM


PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA CUMULADA COM
INDENIZATÓRIA POR PERDAS E DANOS

Rua Arquimedes Gonçalves, nº 313, Jardim Baiano, Salvador – BA. 1


em face de HÉRCULES OLIVEIRA CARDOSO, brasileiro, residente e domiciliado na
Avenida Caetano, nº 53, Acupe de Brotas, nesta Capital e UNIBANCO – UNIÃO DE
BANCOS BRASILEIROS S/A – que pode ser citada nesta capital na Rua
Conselheiro Dantas, nº 26/28, Centro, CEP 40015-070, pelos seguintes fundamentos
fáticos e jurídicos que se seguem:

ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA

Inicialmente, requer os benefícios da assistência judiciária, por não poder, o


pleiteante, remunerar advogado ou custear processo judicial, sem prejuízo do sustento
próprio ou de seus familiares, tendo em mira que, com o advento da Lei 7.510, de
04/07/1986, o Estatuto da Assistência Judiciária teve seu art. 4º modificado, ali passando a
constar que as isenções constantes nos incisos do art. 3º da Lei 1.060, de 05/02/1950, se
dariam com a mera afirmação da parte, na própria petição inicial.

DOS FATOS

O Requerente teve seus documentos perdidos na data de 23/09/2005, registrando


queixa na 7ª Circunscrição Policial, conforme documento em anexo, onde descobriu, mais
tarde, que seus documentos se encontravam na posse do Sr. Hércules Oliveira Cardoso;

Com a posse dos documentos do Requerente nas mãos, o Sr. Hércules falsificou
estes documentos, inserindo sua fotografia com o intuito de utilizar o nome do requerente
para práticas delituosas. Logo, com este documento, este abriu uma conta no Banco
Unibanco, na Agência do Comércio – Agência de nº 0349 – com conta corrente de nº
226763-2, na data de 26/01/2006;

Em razão dessa abertura de conta, o Sr. Hércules aplicou vários golpes na praça,
onde tomou empréstimos e efetuou compras, conforme documentos em anexo,

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acarretando assim, com a inclusão do nome do Requerente nos “temíveis” Serviços de
Proteção ao Crédito – SPC e SERASA;

Por via de indução, o Requerente, graças a este feito, sofreu, e tem sofrido
diversos constrangimentos, onde enfrenta todas as situações embaraçosas a qual não fazia
jus, pois seu nome foi incluído nos "famosos" Serviços de Proteção ao Crédito, conforme
faz prova os documentos acostados na exordial, passando o mesmo a enfrentar
dificuldades em todas as situações que se exigiam a numeração de seu CPF;

No dia 30/05/2008, o Requerente requisitou uma consulta por escrito ao banco de


dados da SERASA, com o intuito de verificar as pendências financeiras em seu nome, qual
foi sua surpresa quando se deparou com: 262 (duzentas e sessenta e duas) ocorrências de
cheques irregulares, 02 (dois) cheques sem fundos, 19 (dezenove) pendências financeiras,
03 (três) protestos e 07 (sete) pendências bancárias, totalizando 293 (duzentas e noventa e
três) ocorrências negativas em seu nome, fruto de golpe sofrido por um terceiro
estelionatário que se apossou dos seus documentos;

Evidente que a conta corrente em referência foi aberta por um terceiro


estelionatário, em seu nome, através do Sr. Hércules Oliveira Cardoso, que ao ser
localizado por policiais do Serviço de Investigação da 7ª Circunscrição Policial, confessou
que colocou sua fotografia na identidade do requerente e abriu uma conta bancária, no
referido banco, a fim de subtrair dinheiro, conforme consta no termo de declarações em
anexo;

Frise-se que o Requerente sempre honrou com todas suas obrigações de forma
pontual, nunca tendo havido em sua vida não só financeira como também social, moral,
sócio-psicológica, íntima e especialmente a profissional, nenhum fato ou ocorrência que
abalasse o seu maior bem, seu mais nobre patrimônio, em melhores palavras, sua
integridade, mantendo sua honra e boa fama intactos, fato este que infelizmente não é mais

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lugar comum nos atuais dias.

DA ANTECIPAÇÃO DE TUTELA

Em pleito liminar, de acordo com o comando do art. 273, incisos e parágrafos,


do CPC, com a redação que lhe conferiu a Lei Federal no 8.952/94, requer, como
providência acautelatória dos direitos de quem compõe o pólo ativo, neste feito, o
deferimento de liminar no sentido de ser excluído dos órgãos de proteção ao crédito
(SPC, SERASA, BACEN) o nome do Requerente, oficiando-se ao Serviço de
Proteção ao Crédito – SPC, SERASA e BACEN, assim como ao 2º e 3 o Cartório da
Cidade de Salvador, para que suspenda o registro do protesto contra o Requerente
com o escopo de evitar prejuízos de difícil e incerta reparação, quando do
pronunciamento final.

O CPC assim regula a matéria:

Art. 273 - O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar,


total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no
pedido inicial, desde que, existindo prova inequívoca, se
convença da verossimilhança da alegação e:

I - haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil


reparação;

II - fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou o


manifesto propósito protelatório do réu.

PERICULUM IN MORA

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Há evidente perigo na demora de emissão do competente mandado liminar (nesse
momento postulado) para cumprimento do quanto aqui é colocado, e se espera seja
acatado por Vossa Excelência, pela série de privações que o Requerente está submetido,
decorrentes da ausência de crédito no comércio e do “nome sujo” na praça, situação essa
que não pode mais perdurar, ensejando o presente pedido aqui formulado com a máxima
urgência que a situação requer.

FUMUS BONI JURIS

A fumaça do bom direito, o arrimo legal, reside no amparo que a Doutrina


largamente lhe fornece, com lastro em remansosa jurisprudência, que considera nulo o ato,
quando inexiste o elemento volitivo. Foi demonstrado também pelos documentos em
anexo, a evidente existência do direito invocado pelo autor da presente ação, através dos
danos sofridos.

DO DIREITO

Como ensina o mestre Vicente Ráo, em sua obra O Ato Jurídico, na 4ª Edição, 2ª
Tiragem, da Editora RT, págs. 181 e 182:

“Inexiste de fato e de direito também é a vontade (e, conseqüentemente, a


vontade de declaração) em todos os casos de falsidade (falsidade pessoal,
como a substituição de pessoas etc.; falsidade material ou real, como a dos
instrumentos etc., falsidade ideológica etc.), inclusive nos casos de declaração
feita em nome de outrem e por outrem sem poderes para fazê-la, e, ainda, em
todos os casos similares nos quais a alguém se atribui uma vontade que não
possui, ou ele não quis declarar.”

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“Nossa lei não distingue os atos inexistentes dos atos nulos embora,
perante a doutrina, essa distinção seja irrecusável. Mas, mesmo dentro do
sistema adotado por nossa lei, não se sacrifica a boa doutrina, reconhecendo-
se a inexistência jurídica do ato, se declara a nulidade do instrumento em que
se materializa”

Portanto, o Ato é nulo de pleno direito, e assim o direito nega-lhes qualquer


aptidão para produzir efeitos jurídicos; nega-lhes valor jurídico, considerando-os, isto é,
juridicamente inexistentes.

A dor, o sofrimento, a angústia de ter sua credibilidade abalada, a sensação de


perda do seu bom nome e sua integridade pessoal, o medo da rejeição perante os que em
sua volta circundam e o transtorno causado na vida do Requerente, devido ao ato ilícito
praticado pelos réus – o Sr. HÉRCULES OLIVEIRA CARDOSO e BANCO RÉU
(BANCO UNIBANCO) – só aquele pode avaliar, eis que, foi sentido na alma.

Se não bastasse a esfera patrimonial plenamente atingida, os efeitos do ato


praticado pelos Réus alcançaram a vida íntima do Requerente, que de uma hora para outra
se viu violentado no seu conceito perante todo o sistema financeiro e comércio em geral,
inclusive pessoas amigas, quebrando a paz, a tranqüilidade, a harmonia, deixando seqüelas
e trazendo sulcos profundos, abatendo o mesmo, que se tornou inerte, apático, com
sentimento de indiferença a si e ao mundo, causando-lhe sérios danos morais;

Os Artigos 186 e 927 do Código Civil garantem ao Requerente o direito a presente


ação.

Art.186: Aquele que, por ação ou omissão voluntária,


negligência, ou imprudência, violar direito e causar dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

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Art. 927: Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187),
causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

Merece ser citada, ainda, decisão proferida pelo 4° Grupo de Câmaras Cíveis
do Tribunal de Justiça do Rio De Janeiro, constante da Revista Forense n° 328, págs.
187 e 188, “in verbis”:

“RESPONSABILIDADE CIVIL - VIOLAÇÃO DO


DIREITO À IMAGEM - DANO MORAL - O dano moral
puro não se confunde com repercussão econômica dele
decorrente. O primeiro, é a dor, a vergonha, o vexame, a
humilhação e o constrangimento sofrido pela vítima em
razão de agressão a um bem integrante da sua personalidade;
o segundo, é o prejuízo econômico, são as perdas
patrimoniais experimentadas pela vítima em decorrência da
agressão ao mesmo bem personalíssimo.

- Hoje já se tornou pacífica a reparação do dano moral puro,


independentemente de qualquer repercussão econômica que
ele tenha produzido, admitindo-se até a acumulação de
ambos se este último também ocorre (Súmula n. 37 do STJ).
(Embs. Inf. n. 245/93 na Ap. n. 1.185/93 - Relator: DES.
SÉRGIO CAVALIERI FILHO)”.

Conforme a nossa Carta Magna, referente aos direitos e garantias fundamentais, no


seu artigo 5º, diz:

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“Art. 5º, CF: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade,
nos termos seguintes:

V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao


agravo, além da indenização por dano material, moral ou à
imagem;

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a


imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo
dano material ou moral decorrente de sua violação.”

De acordo com a doutrina de Carlos Alberto Bittar, em sua obra “Reparação Civil
por Danos Morais”, 2ª ed., Editora Revista dos Tribunais, preleciona:

“NECESSIDADE DE REPARAÇÃO: A TEORIA DA


RESPONSABILIDADE CIVIL. Havendo dano, surge a
necessidade de reparação, como imposição natural da vida
em sociedade e, exatamente, para a sua própria existência e
o desenvolvimento normal das potencialidades de cara ente
personalizado. É que investidas ilícitas ou antijurídicas no
circuito de bens ou de valores alheios perturbam o fluxo
tranqüilo das relações sociais, exigindo, em contraponto, as
reações que o Direito engendra e formula para a restauração
do equilíbrio rompido”. (Págs. 15/16)

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“Atingem as lesões, pois, aspectos materiais ou morais da
esfera jurídica dos titulares de direito, causando-lhes
sentimentos negativos; dores; desprestígio; redução ou
diminuição do patrimônio, desequilíbrio em sua situação
psíquica, enfim transtornos em sua integridade pessoa, moral
ou patrimonial”. (Pág. 26)

Portanto, o Requerente busca no Poder Judiciário a reparação do dano causado


pelo Requerido à sua pessoa, pleiteando indenização no valor pedido ou o qual Vossa
Excelência arbitrar.

DO PEDIDO

Ante ao exposto, requer a Vossa Excelência:

a) o deferimento do pedido de assistência judiciária gratuita;

b) a citação da parte ré, para vir responder aos termos da presente, sob
pena de revelia, em não contestando, serem considerados verdadeiros os
fatos acima narrados;

c) seja julgado procedente o pedido declarando a inexistência de


relação jurídica (CONTRATO DE CONTA CORRENTE) entre o
requerente e o Banco Réu (BANCO UNIBANCO) e o deferimento do
pedido de liminar com a total, imediata e exaustiva EXCLUSÃO do
nome do Requerente dos Serviços de proteção ao Crédito – SPC,
SERASA e CADASTRO DE INADIMPLENTE DE CHEQUES SEM
FUNDO DO BACEN – uma vez que o Requerente permanece com 293
(duzentas e noventa e três) ocorrências em seu cadastro, sem ter

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concorrido para que tal situação ocorresse, devendo os Réus serem
imputados em multa cominatória de R$ 415,00 (quatrocentos e quinze
Reais) por dia de retardamento;

d) Publicação, a despesas dos Réus, em jornais de grande circulação de


idoneidade moral do Requerente em que fique eximido o mesmo quanto
à emissão de cheques sem fundo e a confissão pelo BANCO RÉU
(BANCO UNIBANCO), sob pena de aplicação da pena pecuniária por
dias de atraso do item c.;

e) a condenação do Banco Réu ao pagamento de 500 (quinhentos


salários mínimos vigentes) ou quantia a ser arbitrada por Vossa
Excelência a título de danos morais ocasionados ao Requerente;

f) a produção de todas as provas em direito admissíveis, em especial a


pericial e testemunhal, cujo rol segue anexo; o depoimento pessoal das
Partes Contrárias, ficando advertido que, em não comparecendo ou,
comparecendo, deixar de responder às perguntas que lhe forem
formuladas, serem considerados verdadeiros os fatos aqui apontados.

Dá-se à causa o valor de R$ 207.500.000,00 (duzentos e sete mil e quinhentos


Reais) para efeitos legais e fiscais.

Nestes termos,
Pedem Deferimento.
Salvador, 01 de julho de 2008.

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Rodrigo Manciola Mascarenhas
Estagiário da Defensoria Pública do Estado da Bahia

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